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Macronutrientes no Exercício Físico Profa. Ms. Suellen Bley Vieira Objetivos de aprendizagem: 1. Compreender a importância da nutrição no desempenho esportivo 2. Dominar os conceitos básicos dos macronutrientes 3. Aplicar conhecimentos sobre macronutrientes no contexto esportivo Carboidratos Os carboidratos, em sua maioria, são consumidos em forma de amido, dissacarídeos (sacarose) e monossacarídeos (glicose e frutose) (KRAUSE, 2018). Os monossacarídeos e os dissacarídeos são os carboidratos mais simples que existem e são capazes de tornar a glicose disponível para os tecidos do organismo. Transportadores de Glicose • SGLT1: transportador ativo, essencial para o intestino delgado absorver 7 L de fluidos por dia. Transporta sódio e glicose e funciona como uma bomba d’água molecular. Glicose e galactose compartilham deste transportado (COZZOLINO, 2016). • GLUT2: em concentrações mais altas de glicose o GLUT2 é o meio de transporte principal da glicose do lúmen até o enterócito. • GLUT5: transportador de frutose a partir do lúmen intestinal através da membrana de borda em escova. A frutose é absorvida com o auxílio deste transportador (COZZOLINO, 2016). Índice Glicêmico • Índice Glicêmico (IG): Mede a velocidade com que os carboidratos de um alimento aumentam o nível de glicose (açúcar) no sangue. Resposta glicêmica pós prandial até duas horas após a ingestão de determinado alimento contendo 50g de carboidrato disponível É expresso em % com base em um alimento referencia GLICOSE/PÃO BRANCO Classificação Valor Baixo IG 70 a 100 Carga Glicêmica • Carga Glicêmica (CG): Leva em conta tanto o IG quanto a quantidade de carboidratos no alimento. • Ela é calculada multiplicando o IG do alimento pela quantidade de carboidratos disponíveis e dividindo por 100. • A carga glicêmica nos dá uma ideia melhor do impacto total de um alimento na glicose do sangue, considerando tanto a qualidade (IG) quanto a quantidade de carboidratos. Importância dos Carboidratos no Exercício Físico Manutenção da glicemia durante o exercício Bom desempenho numa faixa larga de intensidade e duração por participar do sistema aeróbico e anaeróbico Apresenta vantagem em relação à gordura por promover uma taxa mais rápida de geração de ATP Manutenção dos estoques de glicogênio que são limitados Nutriente chave para as células do sistema nervoso central Baixos estoques estão associados à fadiga na forma de: diminuição da “taxa de trabalho”, falta de concentração e habilidades, maior percepção de esforço Possíveis Mecanismos da Instalação da Fadiga Ocorrência de hipoglicemia Comprometimento do processo de contração muscular em função do fornecimento inadequado de energia (fadiga periférica) Fadiga central Ingestão de CHO e treinamento de Endurance • Baixa ingestão diária de CHO + exercícios diários exaustivos e/ou prolongados • Depleção de glicogênio e fadiga crônica • Baixa performance • Balanço nitrogenado negativo • Baixa resposta imune Carboidratos • É evidente que para uma excelente performance esportiva quantidades de carboidratos são necessárias antes, durante e após exercícios com grandes volumes de treino e intensidade. • Segundo o ISSN (2018), as recomendações diárias de carboidratos variam de acordo com a intensidade e tempo de exercício. • As fontes de carboidratos devem vir de grãos integrais, frutas e vegetais. • Durante uma sessão de exercício prolongado (2-3h), o atleta pode oxidar 1 a 1,1 g de carboidrato por minuto, sendo 60 g em 1 hora. Praticantes de exercício físico sem fins competitivos Atletas em treino moderado ou intenso (2–3h por dia de exercício intenso, 5 a 6 vezes por semana) Atletas em treino intenso (3–6h por dia de exercício intenso, 1–2 vezes diárias, 5–6 dias por semana) 45 a 55% do VET 250 a 1.200 gramas ao dia para atletas de 50–150 kg 400–1500 g/dia para atletas de 50– 150 kg 3–5 g/kg/dia 5–8 g/kg/dia 8–10 g/dia de carboidrato A ingestão de 0,7 g/kg/hora durante o exercício em soluções de 6-8%, ou seja, 6-8 g por 100 ml de fluido é recomendada. Quando se trata de duração, para que o carboidrato tenha um resultado ergogênico o exercício moderado a intenso precisa atingir duração de acima 90 minutos, porém alguns estudos citam 75 minutos tempo suficiente para reposição dos carboidratos (ISSN, 2018). Demanda DIÁRIA de CHO Recomendações para ANTES do Exercício Recomendações para DURANTE o Exercício Demanda DURANTE do exercício - CHO Tipo Especificidade CHO OBS Exercício curto 2,5 h – 3h > 90g/h (atletas com adaptação intestinal) Absorção de Monossacarídeos Suplementação de Carboidratos Demanda APÓS o exercício - CHO • Por que logo após exercício (30 minutos até 2 horas) ? Ativação da glicogênio sintetase, maior permeabilidade da membrana da célula muscular (GLUT4) e maior sensibilidade muscular a insulina. 0,7 a 1,5g de carboidrato/kg de peso nos primeiros 30 minutos e novamente a cada 2 horas, durante as 4-6 horas que sucedem o término do exercício (ADA, ACSM, DC, 2016). Proteínas A importância das proteínas para praticantes de atividade física e atletas. Substrato energético: fornecimento de intermediários do CK Manutenção da integridade de ossos e tendões Recuperação muscular e reparos celulares pós- exercício Gatilho e substrato para a síntese de proteínas contráteis no músculo esquelético • Hipertrofia • Força • Prevenção de lesões Indispensáveis = Essenciais Corpo não produz = Precisa da ingestão Dispensáveis = Não Essenciais Corpo produz Condicionalmente Indispensáveis Corpo não produz em situações de estresse Isoleucina Alanina Arginina Leucina Ácido Aspártico Cisteína Lisina Asparagina Glutamina Metionina Ácido Glutâmico Glicina Fenilalanina Serina Prolina Treonina Tirosina Triptofano Histidina Valina Reeds, 2000; Tirapegui, Rogero, 2006 Importância da Proteína Utilização de aa durante o exercício prolongado • Aumenta com a intensidade e duração do exercício • Aumenta com a redução da disponibilidade de CHO e do consumo energético (Aumento do cortisol) = Exercício + bons estoques de CHO -> oxidação de leucina menor do que 1% Fontes de Proteínas ❑Alimentos como carne, frango, peixe, ovos leite, queijo, iogurte ❑Albumina ❑Caseína ❑Whey Protein ❑Proteína de soja / ervilha / lentilha / arroz ❑Proteína do trigo ❑Proteína isolada da carne Riscos Associados à Ingestão Excessiva de Proteínas Sobrecarga renal Proteínas + gorduras Perda de cálcio Desequilíbrio Custo da dieta Recomendações • Necessidades proteicas para adaptação metabólica, reparo, remodelamento e turnover: 1,2 a 2,0 g/kg/d, com fracionamento de 0,25 a 0,30 g proteína/kg de peso corporal, por refeição a cada 3 a 5 horas. FONTE: ACSM, AND. Medicine & Science in Sports & Exercise, 2016; IAAF, 2019. Contemplam: demanda metabólica, reparos turnover e aumento da massa muscular. Considerações • Distribuídas proporcionalmente durante o dia; • Quantidades maiores podem ser indicadas para curtos períodos de treinamento intenso ou redução do consumo energético (até 2,4 g/kg/dia); • Em restrições calóricas ou repentina parada de treino: 2,0g/kg • Quantidades maiores do que 2,5 g/kg/dia não oferecem vantagem adicional. FONTE: ACSM, AND. Medicine & Science in Sports & Exercise, 2016; IAAF, 2019. Recomendações • Timing: Para otimizar síntese de massa muscular: • Oferecer até 2h depois do exercício~10g de AA essenciais • OU ingestão de PTN de 0,25 a 0,3 g/kg depois • OU 15 – 25g de proteína depois • > 40g (de forma aguda) não apresenta benefício maior. • ✓ Exercício endurance ou força para manutenção da massa muscular = 1,2 a 1,6 g/kg/dia • ✓ Exercício de força para ganho de massa muscular = 1,6 a 2,4 g/kg/dia FONTE: ACSM, AND. Medicine & Science in Sports & Exercise, 2016; IAAF, 2019. Curiosiddade Lipídeos • Importância dos LIP para praticantes de atividade física e atletas Fonte de energia para atividades muito prolongadas Recuperação extensão de membranas celulares Veículos de vitaminas lipossolúveis Fonte de ácidos graxos essenciais (w-3 e w-6) Treinamento de endurance: • Várias adaptações que favorecem a mobilização de gorduras e sua utilização como substrato energético, entre elas: • Aumenta densidade e número de mitocôndrias; • Aumenta enzimas mitocondriais para oxidação de AG; • Aumenta capacidade de ligação dos AG com a albumina; • Tecido adiposo mais sensível à ação hormonal; • > carnitina transferase • O treinamento aumenta a oxidação de ácidos graxos no músculo esquelético e: inibe a captação de glicose, glicólise e glicogenólise Efeito poupador de CHO • Depleção mais lenta do glicogênio muscular • Menor utilização da glicose plasmática = Melhorando a capacidade de endurance Recomendações de Lipídeos • Segundo a Diretriz do ACSM de 2016, as recomendações de gorduras para atletas devem seguir recomendações populacionais, mas não devem possuir menos de 20% do VET por tempo prolongado. • Também é recomendado que a ingestão de gordura saturada não ultrapasse 10% do VET (ACSM, 2016). • Caso o atleta necessite reduzir o percentual de gordura corporal é recomendado a redução de até 20% do VET. Recomendação Emagrecimento Lipídeos Totais 1 g/kg/dia 30% do VET 0,6 a 1,0 g/kg/dia AG essenciais 8 a 10 g/dia 8 a 10 g/dia Saturada 10% 8% Em torno de 1g/kg20 a 30% do VET Exercícios • Estudo de Caso: Atleta de Corrida de Longa Distância • João é um corredor de longa distância que se prepara para uma maratona de 42 km. • Durante os treinos, ele realiza corridas de 10 km a 15 km em média, com intensidade moderada, 5 vezes por semana. • Ele pesa 70 kg, 1,79m e tem 30 anos de idade. • Vamos calcular o gasto energético de João durante uma corrida de 15 km, considerando sua intensidade média, realizando a corrida em 1h20. • Corrida a 9 km/h (intensidade moderada): MET = 15 • Estipule a recomendação diária de CHO, PTN e LIP Lembrando Gasto energético = MET x Peso X Tempo Lembrando TMB= 88,362+(13,397×peso*)+(4,799×altura**)−(5,677×idade***) Lembrando Gasto energético Total TMB + METS TMB= 88,362+(13,397×70)+(4,799×179)−(5,677×30) TMB= 1.714,88 kcal MET = Corrida 15 MET = 15 x 70 x 1 = 1.050 kcal Corre 1h2min – Converter 1.050 kcal -> 60 minutos X kcal -> 80 minutos MET = 1.400 kcal GET = TMB + METS GET = 1.714,88 + 1.400 GET = 3.114,88 kcal ao dia Carboidratos Endurance (1 a 3h – Moderado à intenso) = 6 a 10 g/kg - 8 g/kg = 560 g de CHO Proteínas Endurance (1 a 3h – Moderado à intenso) = 1,2 a 1,6 g/kg - 1,4 g/kg = 98 g de PTN Lipídeos 1 g /kg / dia = 70 g de PTN Exercício • Judite tem 32 anos é praticante de crossfit há 1 ano e buscou um(a) nutricionista esportivo(a) com o objetivo de melhora de performance e diminuição de fadiga. • Seu sonho é entrar para os campeonatos internos e para isso ela treina 5x na semana às 19h por 45min a 1h. • Seu peso é de 52Kg, 1,62m e percentual de gordura de 18%. • Defina a conduta nutricional de carboidrato para esse indivíduo • Levar em consideração DEMANDA DIÁRIA de acordo com intensidade + PRÉ-TREINO + PÓS-TREINO Exercício Moderada -> Aprox. 1 hora ao dia = 5 a 7g/kg 52 * 5 = 260 g ao dia 52 * 7 = 364 g ao dia Pré-Treino -> 1 a 4h antes -> 1 a 4 g/kg 52 * 1 = 52 g ao dia 52 * 4 = 208 g ao dia Pós-Treino -> 0,7 a 1,5 g/kg 52 * 0,7 = 36,4 g ao dia 52 * 1,5 = 78 g ao dia Definir escolha e conduta e somar para saber valor diário Exemplo -> Pensando em diminuir fadiga 6 g/kg diária = 312 g ao dia Pré- 3 g/kg = 156 g ao dia Pós – 1 g/kg = 52 g ao dia 312 + 156 + 52 = 520 g ao dia Exercício • Rafael treina duas vezes por dia. • O primeiro treino é uma corrida sempre às 5h40 da manhã e dura 40 minutos. Não come nada antes de ir. • No meio da tarde, às 16h, treina musculação (1h). • Seu objetivo é melhora de performance. • Peso atual: 80Kg; Altura: 1,75m; %Gordura: 12%; 35 anos. • Calcular ->TMB e GET utilizando Harris. Lembrando TMB= 88,362+(13,397×peso*)+(4,799×altura**)−(5,677×idade***) Lembrando Gasto energético = MET x Peso X Tempo MET = Corrida 11 MET = Musculação 4,5 Lembrando Gasto energético Total TMB + METS Exercício TMB= 88,362+(13,397×80)+(4,799×175)−(5,677×35) TMB= 1.801,25 kcal MET = Corrida 11 MET = 11 x 80 x 1 = 880 kcal Corre só 40 min – Converter 880 kcal -> 60 minutos X kcal -> 40 minutos MET = 586,6 kcal MET = Musculação 4,5 MET = 4,5 x 80 x 1 = 360 kcal MET = 360 kcal GET = TMB + METS GET = 1.801,25 + 586,6 + 360 GET = 2.747,85 kcal ao dia Exercício • Realize a distribuição do CHO no dia – Dia de Treino de Rafael • Endurance (1 a 3h ao dia / Moderado à intenso) • 6 a 10 g/kg Endurance (1 a 3h ao dia / Moderado à intenso) -> 6 a 10 g ao dia Pós Treino -> 0,7 a 1,5g de carboidrato/kg Pré-Treino -> Antes do exercício 1 a 4 h antes 1 – 4 g/kg Café da Manhã (Pós da Corrida) 1,5 g de CHO * 80 = 120 g Lanche da Tarde (Pré-Treino Musculação) 1 g de CHO * 80 = 80 g Lanche 2 (Pós-Treino Musculação 1,5 g de CHO * 80 = 120 g 120 + 80 + 120 = 320 gramas 560 – 320 = 240 gramas (Almoço e Jantar) Rafael treina -> 1h40 Podemos utilizar em torno de 7 g ao dia Recomendação: 560 g ao dia Sugestão de Leitura Obrigada! Slide 1 Slide 2: Objetivos de aprendizagem: Slide 3: Carboidratos Slide 4: Transportadores de Glicose Slide 5: Índice Glicêmico Slide 6: Carga Glicêmica Slide 7: Importância dos Carboidratos no Exercício Físico Slide 8: Possíveis Mecanismos da Instalação da Fadiga Slide 9: Ingestão de CHO e treinamento de Endurance Slide 10: Carboidratos Slide 11 Slide 12: Demanda DIÁRIA de CHO Slide 13: Recomendações para ANTES do Exercício Slide 14: Recomendações para DURANTE o Exercício Slide 15: Demanda DURANTE do exercício - CHO Slide 16: Absorção de Monossacarídeos Slide 17: Suplementação de Carboidratos Slide 18: Demanda APÓS o exercício - CHO Slide 19: Proteínas Slide 20 Slide 21: Importância da Proteína Slide 22: Utilização de aa durante o exercício prolongado Slide 23: Fontes de Proteínas Slide 24 Slide 25: Riscos Associados à Ingestão Excessiva de Proteínas Slide 26: Recomendações Slide 27: Considerações Slide 28: Recomendações Slide 29: Curiosiddade Slide 30: Lipídeos Slide 31: Treinamento de endurance: Slide 32 Slide 33: Recomendações de Lipídeos Slide 34 Slide 35: Exercícios Slide 36 Slide 37: Exercício Slide 38 Slide 39: Exercício Slide 40: Exercício Slide 41: Exercício Slide 42: Sugestão de Leitura Slide 43: Obrigada!