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Jurisdição e competência penal
Você vai estudar os principais aspectos da jurisdição e da competência em matéria processual penal e os
conceitos e critérios de sua fixação.
Prof. Edison Ponte Burlamaqui
1. Itens iniciais
Propósito
O estudo dos conceitos envolvendo a jurisdição e competência em matéria processual penal, bem como dos
critérios de sua fixação, é de extrema importância para profissionais da área. As regras que tratam da
competência no processo penal têm como principal objetivo garantir a justiça e a imparcialidade dos
julgamentos.
Preparação 
Antes de iniciar seu estudo, é preciso ter disponível o Código de Processo Penal para acompanhar melhor os
dispositivos legais mencionados.
Objetivos
Reconhecer os conceitos básicos relacionados à jurisdição e à competência no direito processual
penal.
Distinguir as hipóteses de conexão e continência.
Identificar as regras que estabelecem o foro por prerrogativa de função.
Introdução
A jurisdição e a competência em matéria processual penal são um tema de grande importância, que impacta
diretamente a justiça dos julgamentos. Elas concretizam diversos princípios processuais penais estabelecidos
na Constituição Federal, como o princípio da imparcialidade dos julgamentos, o do juiz natural e o da
legalidade, entre outros.
 
Além das definições e dos conceitos básicos, é preciso também compreender as regras estabelecidas no 
Código de Processo Penal que buscam fixar o juízo competente para o julgamento das ações penais. Elas têm
a finalidade de equalizar o sistema e permitir que, a depender do crime, dos sujeitos envolvidos e do local do
fato, as partes possam ter a plena certeza de quem é o responsável por realizar o julgamento.
 
Por fim, por se tratar de regras que buscam concretizar princípios e direitos fundamentais, a inobservância
delas pode levar à existência de nulidades, sejam elas absolutas ou relativas e, consequentemente, à anulação
dos atos processuais.
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1. Conceitos e critérios de jurisdição e fixação da competência
Conceito de jurisdição 
A competência penal e seus critérios
Acompanhe, neste vídeo, a competência penal e os critérios para a sua fixação, como: o lugar da infração, o
domicílio ou residência do réu, a natureza da infração, a distribuição, a conexão ou continência, a prevenção e
a prerrogativa de função.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A vida em sociedade gera diversos conflitos. Na maioria das situações, eles são resolvidos pelas próprias
partes, seja por meio de acordos ou, até mesmo, renúncias ou outras formas de autocomposição. Entretanto,
considerando que, em regra, é vedada a autotutela na hipótese de resistência de uma das partes a pretensão
da outra, surge a necessidade de intervenção do Estado por meio do processo, a fim de o conflito de
interesses opostos seja resolvido. 
A intervenção do Estado, por meio do processo, é concretizada a partir da jurisdição, que pode ser
definida como o poder-dever reflexo de sua soberania. Por meio dele, substituindo-se a vontade das
partes, age-se coercitivamente em prol da segurança jurídica e da ordem social.
No que se refere à jurisdição penal, discute-se, em regra, a resolução de um conflito intersubjetivo de
interesses. De um lado, há a intenção punitiva do Estado, inerente ao ius puniendi, de outro, o direito de
liberdade do cidadão. Nesse sentido, o processo penal estabelece as regras para que se possa verificar a
materialidade do fato típico, ilícito e culpável, bem como para que se possa confirmar a respectiva autoria
delitiva e a incidência, ou não, da norma penal material incriminadora.
 
Dessa maneira, como função estatal exercida pelo Poder Judiciário, a jurisdição se caracteriza pela aplicação
do direito objetivo a um caso concreto. 
Atenção
A jurisdição é una. Contudo, isso não significa dizer que o mesmo magistrado possa processar e julgar
todas as causas. 
Por motivos de ordem lógica e prática, impõem-se ao Estado a necessidade de distribuir o poder de julgar
entre diversos juízes e tribunais. Assim, cada órgão do Poder Judiciário somente pode aplicar o direito objetivo
dentro dos limites que lhe foram conferidos nessa distribuição, que autoriza e limita o exercício do poder de
julgar no caso concreto. Isso se chama competência.
Compreende-se competência como o poder
que o órgão do Poder Judiciário tem de fazer
atuar a função jurisdicional em um caso
concreto. Assim, ela é a quantidade de
jurisdição atribuída a cada órgão jurisdicional.
Ou seja, a medida da jurisdição.
 
Cabe destacar que as regras que definem a
competência estão intimamente ligadas ao
princípio do juiz natural, que é necessário para
o processo penal e determina que cada cidadão tem de saber previamente a autoridade judiciária que deve o
processar e julgar na eventual hipótese de praticar uma infração penal. 
 
Assim, o princípio do juiz natural se refere à existência de juízo adequado para o julgamento de determinada
demanda, conforme as regras de fixação de competência, e à proibição de juízos extraordinários ou tribunais
de exceção constituídos após os fatos.
O artigo 69 do Código de Processo Penal estabelece sete critérios para a fixação da competência: 
 
O lugar da infração
O domicílio ou a residência do réu
A natureza da infração
A distribuição
A conexão ou continência
A prevenção 
A prerrogativa de função
 
As competências pelo lugar da infração e pelo domicílio (ou residência) do acusado têm a finalidade de
estabelecer o foro (a comarca) onde se dará o julgamento. Já o critério do domicílio do réu tem aplicação
subsidiária, pois apenas é levado em consideração quando o local onde ocorreu o delito é totalmente
desconhecido. Uma vez fixada a comarca, é o critério da natureza da infração que apontará a Justiça
competente (a saber: Eleitoral, Militar ou Comum), cabendo destacar que dentro da mesma Justiça, a natureza
da infração pode ainda levar o julgamento a varas especializadas (exemplos: júri, juizado especial criminal ou
juizado de violência doméstica e familiar contra a mulher).
Fixados o foro e a Justiça, será possível ainda
que coexistam vários juízes igualmente
competentes. Assim, caso algum deles tenha se
adiantado aos demais na prática de algum ato
relevante, ainda que antes do início da ação, ele
estará prevento e será o competente. Porém, se
não houver nenhum juiz prevento, deverá ser
feita a distribuição, uma espécie de sorteio,
para que os autos sejam direcionados a um juiz
determinado.
A conexão e a continência, por sua vez, são
institutos que determinam a alteração ou prorrogação da competência em situações específicas. Já a
competência por prerrogativa de função é verificada quando o legislador, levando em consideração a
relevância do cargo ou função ocupada pelo autor da infração, estabelece órgãos específicos do Poder
Judiciário que julgarão o detentor daquele cargo, caso cometa infração penal.
 
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Veja as diferenças entre as competências em razão da pessoa e da matéria e a competência territorial. 
Competência pelo lugar da infração 
Domicílio ou residência do réu
O Código de Processo Penal, no artigo 70, adotou a teoria do resultado considerando competente para o
processo e julgamento o juízo do lugar onde a infração se consumou, ou, sendo hipótese de tentativa, o local
onde o último ato de execução foi praticado. Em complemento, de acordo com o artigo 14, I, do Código Penal,
considera-se consumado um delito quando, no caso concreto, reúnem-se todos os elementos de sua
descrição penal. Entretanto, a depender do crime, existem algumas peculiaridades a serem consideradas.
Por exemplo, o homicídio se consuma no local
da morte, e o julgamento deveria ser feito no
Tribunal do Júri da Comarca em que tal
resultado tenha se dado. Contudo, segundo o
Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal
de Justiça, no crime de homicídio a
competência é fixada pelo local da ação (teoria
da atividade), e não do resultado, pois,
segundos as cortessuperiores, isso facilita a
colheita de provas no lugar em que os atos
executórios se desenvolveram, além de dar
uma resposta à comunidade que reside onde ocorreu a ofensa ao bem jurídico.
Observe alguns tipos de crimes e suas respectivas peculiaridades. 
Crimes qualificados pelo resultado
Fixa-se a competência no lugar onde ocorreu o evento qualificador. 
Crime de apropriação indébita
Será estabelecido o local do juízo competente, porque esse crime se consumiu no lugar onde o sujeito
ativo inverte a posse, demonstrando intenção de dispor da coisa, ou pela negativa em devolvê-la.
Crime de estelionato
É praticado mediante depósito e emissão de cheques sem suficiente provisão de fundos em poder do
sacado, com o pagamento frustrado ou mediante transferência de valores. O artigo 70, § 4º do
Código de Processo Penal estabelece que a competência será definida pelo local do domicílio da
vítima, e, em caso de pluralidade de vítimas, a competência se firmará pela prevenção.
Competência em razão da pessoa e da
matéria 
São absolutas, pois o seu estrito
cumprimento é de interesse público. Dessa
forma, seu desrespeito gera nulidade
absoluta, que pode ser alegada e
reconhecida a qualquer momento. 
Competência territorial 
É relativa, de modo que se ela não for
alegada pela parte interessada até o
momento oportuno da ação penal, ela é
considerada prorrogada, sendo válido o
julgamento pelo juízo que, em princípio,
não tinha competência territorial.
Crime de uso de documento falso
É determinado, segundo a súmula 546 do Superior Tribunal de Justiça, que a competência para
processar e julgar o crime é firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o
documento público, não importando a qualificação do órgão expedidor.
Crimes tentados
É estabelecido, nos termos da parte final do artigo 70 do Código de Processo Penal, que a
competência é firmada pelo local da prática do último ato de execução. Dessa forma, nessa hipótese,
adota-se a teoria da atividade, e não a do resultado. Já no caso de crimes permanentes ou
continuados que sejam cometidos no território de duas ou mais comarcas, de acordo com o artigo 71
do mesmo código, a competência irá se firmar pela prevenção.
Crimes à distância
São os cometidos parte no território nacional e parte no estrangeiro, nos termos do artigo 70, § 1º, do
Código de Processo Penal. Será competente, para processar e julgar o delito, o lugar no Brasil onde
foi praticado o último ato de execução. Por outro lado, quando o último ato de execução ocorre no
exterior, para produzir resultado em território brasileiro, a solução encontra-se no artigo 70, § 2º, do
mesmo código, que estabelece que será competente para processar e julgar a infração penal o juiz do
local em que o crime (mesmo parcialmente), tenha produzido ou devia produzir seu resultado. Nessas
hipóteses, deve-se aplicar a teoria da ubiquidade, considerando como local do crime tanto o lugar em
que se realizou a ação ou omissão como aquele em que ocorreu ou deveria ter acontecido o
resultado.
Crimes no exterior
Determina-se que se um crime foi cometido integralmente no exterior e deve, nos termos do artigo 7º
do Código Penal, ser julgado no Brasil, será competente o juízo da Capital do estado onde houver por
último residido o acusado e, se nunca tiver residido no Brasil, será competente o juízo da Capital da
República.
Nos termos do artigo 72 do Código de Processo Penal, não sendo conhecido o lugar da infração, a
competência será firmada pelo local do domicílio ou residência do réu. Dessa forma, trata-se de critério
subsidiário, pois só se aplica quando o lugar da consumação for totalmente ignorado.
 
Além disso, se o réu possui mais de uma residência, a ação penal pode ser proposta em qualquer dos locais
onde ele tenha residência, devendo ser firmada em uma delas por prevenção. Já se a residência do réu é
ignorada ou se seu paradeiro é desconhecido, será competente o juiz que primeiro tomar conhecimento
formal dos fatos.
 
Por fim, vale destacar que nos termos do artigo 73 do Código de Processo Penal, nos casos de exclusiva ação
privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu, mesmo que conhecido o
lugar da infração.
Local da infração, domicílio e competência
Acompanhe, neste vídeo, a competência jurisdicional no direito penal, com foco na determinação do foro
competente com base no lugar da infração e no domicílio ou na residência do réu. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Competência pela natureza da infração
Neste vídeo, confira como a competência é determinada pela natureza da infração, destacando que diferentes
tipos de crimes são julgados por tribunais específicos. 
Conteúdo interativo
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Depois de fixado o foro competente, o próximo passo é averiguar a Justiça em que deverá ocorrer o
julgamento na comarca. Mas lembre-se: será a natureza da infração que dará a solução. Dessa forma, a
depender da espécie de crime cometido, o julgamento poderá estar afeto à Justiça Especial (Eleitoral ou
Militar) ou à Comum (Estadual ou Federal). 
Atenção
A natureza da infração também poderá indicar o órgão do Poder Judiciário ao qual caberá o julgamento:
juízo singular, júri, juizado especial criminal, juizado de violência doméstica ou familiar contra a mulher,
juizado do torcedor etc. 
À Justiça Militar cabe julgar os crimes militares, conforme definidos no Código Penal Militar. Entretanto, alguns
crimes praticados por militares não se inserem na competência da Justiça Militar. Em regra, os crimes dolosos
contra a vida praticados por militar contra civil continuam sendo julgados pela Justiça Comum, ou seja, pelo
tribunal do júri.
 
No entanto, serão de competência da Justiça Militar da União os casos de crimes dolosos contra a vida
praticados por militares das Forças Armadas contra civis, na hipótese prevista no artigo 9º, § 2º, do Código
Penal Militar, a exemplo do cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presidente da
República ou pelo Ministro de Estado da Defesa, de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de
missão militar, mesmo que não beligerante, e de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia
da lei e da ordem (GLO) ou de atribuição subsidiária.
A Justiça Eleitoral, por sua vez, julga os crimes
eleitorais e seus conexos nos termos do artigo
121 da Constituição, combinado com o seu
artigo 109, IV, que prevê a exclusão da
competência da Justiça Federal quando se
tratar de crime eleitoral.
 
O julgamento em primeira instância é feito pelos
juízes eleitorais, função exercida pelos próprios
juízes estaduais designados para tal atividade pelo Tribunal Regional Eleitoral. Em segunda instância, os
recursos referentes aos crimes eleitorais são julgados pelos Tribunais Regionais Eleitorais, e, em última
instância, pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Destaca-se que o Supremo Tribunal Federal decidiu que compete à Justiça Eleitoral julgar os crimes eleitorais
e os comuns que lhes forem conexos. Entretanto, também cabe à Justiça Eleitoral analisar, caso a caso, a
existência de conexão de delitos comuns aos delitos eleitorais e, não havendo, remeter os casos à Justiça
competente. Quanto à Justiça Federal, a Constituição Federal expressamente prevê a sua competência
criminal em seu artigo 109, incisos IV, V, V-A, VI, VII, IX e X:
IV – os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da
União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada
a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;
V – os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o
resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente;
V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo; 
VI – os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei,contra o sistema
financeiro e a ordem econômico-financeira;
VII – os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier
de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição;
VIII – os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade federal, excetuados os
casos de competência dos tribunais federais;
IX – os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar;
X – os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta rogatória, após o
“exequatur”, e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade,
inclusive a respectiva opção, e à naturalização.
Em primeira instância, o julgamento é realizado pelos juízes federais em atuação nas varas federais ou nos
juizados especiais criminais federais, ou, ainda, pelo Tribunal do Júri Federal. Já em segunda instância, o
julgamento dos recursos é feito nos Tribunais Regionais Federais.
 
Por fim, a Constituição e as leis processuais não definem quando um caso é da competência estadual. Como
as regras são bem detalhadas para a Justiça Militar, a Eleitoral e a Federal, podemos concluir por exclusão
que, na ausência dessas especificações, o julgamento deve ser feito pela Justiça Estadual Comum.
Competência pela prevenção e distribuição
Depois de fixadas a comarca e a Justiça competentes, é possível que ainda restem vários juízes igualmente
competentes para o caso. Nessa situação, um juiz pode ser considerado responsável se começar a agir antes
dos outros, mesmo antes da denúncia ou queixa ser apresentada. Assim, ele se torna o juiz competente para o
processo. 
 
Entretanto, se não houver qualquer juiz prevento, será feita a distribuição, que é um sorteio para a fixação de
um determinado juiz para a causa, nos termos do artigo 75 do Código de Processo Penal. Cabe destacar que
existem algumas hipóteses em que o próprio código de processo penal prevê expressamente que a prevenção
será o critério utilizado para fixação da competência.
O artigo 70, §3º do Código de Processo Penal
determina que, quando o limite territorial entre
duas ou mais jurisdições for incerto, ou quando
a jurisdição for incerta por ter sido a infração
consumada ou tentada nas divisas de duas ou
mais jurisdições, a competência será firmada
pela prevenção. Já o artigo 71 do Código de
Processo Penal determina que, tratando-se de
infração continuada ou permanente, praticada
em território de duas ou mais jurisdições, a
competência será firmada pela prevenção. 
No mesmo sentido, o artigo 72, § 1º do Código de Processo Penal dispõe que, se o réu tiver mais de uma
residência, a competência será firmada pela prevenção. Já no caso de conexão, quando não houver foro
prevalente, por serem os delitos da mesma categoria de jurisdição e tiverem as mesmas penas, o artigo 78, II,
c do mesmo código determina que a competência será fixada pela prevenção.
 
Após a análise de alguns critérios de fixação da competência, podemos concluir que existem basicamente três
fases na sua determinação. Confira a seguir quais são! 
Primeira fase
Verifica-se o foro competente pelos critérios do local da infração ou domicílio do réu. 
Segunda fase
Observa-se a justiça competente pelo critério da natureza da infração. 
Terceira fase
Caso necessário, determina-se a vara competente por meio da prevenção ou distribuição, critério que
será estudado.
Prevenção e distribuição no processo penal
Veja, neste vídeo, a competência pela prevenção e distribuição no Código de Processo Penal e como se
estabelece a jurisdição prioritária quando múltiplos juízos são igualmente competentes.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A competência no processo penal brasileiro é fixada, em regra, pelo lugar em que se consuma a infração.
Entretanto, se a execução do crime tiver início no território nacional, mas ele for consumado em território
estrangeiro, a competência é do lugar em que foi praticado o último ato executório. Nessa hipótese aplica-se a
teoria
A
da ubiquidade.
B
do resultado.
C
da irretroatividade.
D
da atividade.
E
da ultratividade.
A alternativa A está correta.
Nos casos de crimes transnacionais, que ocorrem em parte no Brasil e em parte no exterior, a jurisdição
competente para processar e julgar o crime será a do local no Brasil onde o último ato de execução foi
realizado. Por outro lado, quando o último ato de execução acontece no exterior, visando ao resultado em
território brasileiro, a competência para processar e julgar a infração penal caberá ao juiz do lugar em que o
crime, ainda que parcialmente, produziu ou deveria produzir seu resultado. Nesses casos, aplica-se a teoria
da ubiquidade, considerando como local do crime tanto o lugar onde se realizou a ação ou a omissão como
aquele onde ocorreu ou deveria ocorrer o resultado.
Questão 2
No que se refere à determinação da competência para processar e julgar os feitos no processo penal, é
correto afirmar que no caso de
A
exclusiva ação privada, poderá o querelante preferir o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda quando
conhecido o lugar da infração.
B
não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência da vítima.
C
a vítima não ter residência certa ou for ignorado o seu paradeiro, será competente o juízo do domicílio do réu.
D
infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência será
determinada pelo domicílio da vítima.
E
conexão ou continência, no concurso entre a jurisdição comum e a militar, haverá unidade de processo e
julgamento.
A alternativa A está correta.
Conforme o artigo 73 do Código de Processo Penal, mesmo conhecendo o local da infração. Essa
prerrogativa oferece flexibilidade processual, facilitando o acesso à justiça e equilibrando os interesses das
partes, ao permitir que o querelante opte pelo foro mais conveniente. Essa norma visa garantir uma
tramitação eficiente e justa, respeitando tanto o direito do querelante quanto o do réu, promovendo um
processo penal mais acessível e ágil.
2. Conexão e continência
Hipóteses de conexão
Diferentemente do que ocorre na continência, para a existência de conexão, deve-se necessariamente estar
diante de duas ou mais infrações penais. Além disso, elas devem estar interligadas por algum dos vínculos
elencados nos incisos do artigo 76 do Código de Processo Penal, que dispõe:
Art. 76. A competência será determinada pela conexão:
I – se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias
pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias
pessoas, umas contra as outras;
II – se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para
conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas;
III – quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova
de outra infração.
A primeira hipótese de conexão é chamada de intersubjetiva e está prevista no artigo 76, I do Código de
Processo Penal. Nessa modalidade, as duas ou mais infrações são praticadas por duas ou mais pessoas,
sendo que o elo entre os delitos reside justamente nisso. A intersubjetiva se subdivide em:
Conexão intersubjetiva por simultaneidade (ou ocasional)
Ocorre quando duas ou mais infrações penais foram praticadas ao mesmo tempo por várias pessoas
reunidas. 
Conexão intersubjetiva por concurso 
Acontece se duas ou mais infrações penais foram praticadas por várias pessoas em concurso
(coautoria ou participação), embora diverso o tempo e o lugar. Essa hipótese se aplica sempre que
duas ou mais pessoas cometerem dois ou mais delitos em concurso, pouco importando que ocorram
em momento e locais diversos, como no caso da gangue que pratica vários delitos em determinada
cidade, porém em bairros diversos.Conexão intersubjetiva por reciprocidade
Está presente quando as infrações forem praticadas por duas ou mais pessoas, umas contra as
outras. É o que ocorre, por exemplo, no caso de lesões corporais recíprocas.
A segunda hipótese de conexão é chamada de conexão objetiva, material ou lógica e está prevista no artigo
76, II do Código de Processo Penal. O vínculo de uma infração está na motivação de uma delas, que a
relaciona à outra. Ela se subdivide em: 
1Conexão teleológica 
Ocorre quando uma infração penal busca facilitar a prática de outra infração. Nessa hipótese, o
vínculo encontra-se na motivação do primeiro delito em relação ao segundo, como na hipótese do
agente que mata o segurança da vítima para que possa garantir o seu sequestro. 
2
Conexão consequencial 
Dá-se quando uma infração é cometida visando ocultar outra, quando uma infração é praticada para
conseguir a impunidade de outra ou quando uma infração é realizada para assegurar a vantagem de
outra.
A terceira é última hipótese de conexão é chamada de instrumental ou probatória e está prevista no artigo 76,
III do Código de Processo Penal. Ela ocorre quando a prova de uma infração (ou de qualquer de suas
circunstâncias) influir na prova de outra infração ― por exemplo, na prova do crime de roubo que pode
influenciar na comprovação e responsabilização do receptador.
A conexão de ações penais
Neste vídeo, confira as hipóteses de conexão no direito processual penal, explicando como diferentes crimes
ou processos podem ser vinculados e julgados conjuntamente. 
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Hipóteses de continência
A continência é o vínculo que une dois ou mais infratores a uma única infração (concurso de pessoas) ou à
ligação de mais de uma infração por decorrerem de uma só conduta (concurso formal de crimes, aberractio
ictus com unidade complexa e aberractio criminis com unidade complexa), ocasionando a reunião de todos os
elementos em processo único, estando prevista expressamente no artigo 77 do Código de Processo Penal.
Veja!
Art. 77. A competência será determinada pela continência quando:
I – duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração;
II – no caso de infração cometida nas condições previstas nos arts. 51, § 1º, 53, segunda parte, e 54 do
Código Penal (atualmente arts. 70, 73, segunda parte, e 74 do Código Penal).
A primeira hipótese de continência é chamada de continência por cumulação subjetiva, prevista no artigo 77, I
do Código de Processo Penal. Ela ocorre quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração
penal. Dessa forma, trata-se aqui de crime único cometido por duas ou mais pessoas em coautoria ou
participação.
A segunda hipótese de continência é chamada
de continência por cumulação objetiva, prevista
no artigo 77, II do Código de Processo Penal.
Ela ocorre em todos os casos de concurso
formal, bem como nas hipóteses de erro na
execução (aberratio ictus) ou resultado diverso
do pretendido (aberratio criminis) com duplo
resultado. 
Dessa forma, há continência quando, por
acidente ou erro no uso dos meios de
execução, o agente, em vez de atingir a pessoa
que pretendia ofender, atinge a pretendida (aberratio ictus) e outra.
Há ainda a possibilidade de, por acidente ou erro na execução do crime, ocorrer resultado diverso do
pretendido, mas também ocorre o esperado (aberratio criminis). Em ambos os casos, há mais de uma infração
que decorre de apenas uma conduta.
Continência no processo penal
Assista, neste vídeo, às hipóteses de continência no processo penal, em que um único processo envolve dois
ou mais delitos ou acusados, julgados conjuntamente por estarem inter-relacionados. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Critérios de fixação da competência 
Hipóteses de conexão e continência
Os critérios de prevalência estão previstos no artigo 78 do Código de Processo Penal, que dispõe:
Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas as seguintes
regras: 
I – no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a
competência do júri; 
Il – no concurso de jurisdições da mesma categoria;
a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave; 
b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações, se as respectivas penas
forem de igual gravidade;
c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos;
III – no concurso de jurisdições de diversas categorias, predominará a de maior graduação; 
IV – no concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá esta.
Vamos analisar os quatro critérios de forma lógica:
Primeiro critério
É o que determina que no concurso de jurisdições de categorias diversas predominará a de maior
graduação. Essa hipótese se aplica, por exemplo, nos casos em que há concurso de agentes e apenas
um deles possui foro por prerrogativa de função, como no crime praticado por um juiz de direito e um
cidadão comum, sendo ambos julgados pelo tribunal de justiça.
Segundo critério
É o que estabelece que no concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá a especial. O
alcance dessa regra se limita às hipóteses de conexão entre crime eleitoral e comum, quando ambos
serão julgados pela Justiça Eleitoral, pois em relação à Justiça Militar, o artigo 79, I, do Código de
Processo Penal, estabelece que haverá cisão de processos. Ou seja, a justiça castrense julgará o
crime militar, e a Justiça Comum, o outro delito.
Terceiro critério
É o que estipula que no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum
prevalecerá a competência do primeiro. Entretanto, havendo concorrência entre crime doloso contra a
vida e crime de competência da jurisdição especial, seja ela militar ou eleitoral, deverá ocorrer a
separação dos processos.
Quarto critério
É o que determina que no concurso de jurisdições da mesma categoria prevalecerá inicialmente a do
lugar da infração à qual for cominada a pena mais grave e, em seguida, a do lugar em que ocorreu o
maior número de infrações (se as respectivas penas forem de igual gravidade). Entretanto, se as
penas forem idênticas e em igual número, será firmada a competência por prevenção. 
Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (súmula 122), compete à Justiça Federal o processo e
julgamento unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual.
 
Por fim, nos casos de conexão entre crimes que possuam ritos processuais diversos, deverá ser observado o
rito mais amplo, assim entendido aquele que conferir maiores oportunidades de defesa ao réu.
Competência, conexão e continência
Neste vídeo, acompanhe como crimes ou processos relacionados são agrupados para julgamento conjunto,
seja por conexão entre fatos ou interdependência probatória, seja por continência envolvendo vários
acusados ou delitos. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Separação dos processos
Unidade de processo e julgamento
A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento. Contudo, em algumas hipóteses, o
Código de Processo Penal estabelece que deverá ocorrer a separação dos processos para o julgamento. 
 
Inicialmente, o artigo 79 do referido código traz duas hipóteses de separação obrigatória dos processos, que
ocorrerá quando houver concurso entre a jurisdição comum e a militar, e no concurso entre a jurisdição
comum e a do juízo de menores. Vamos conhecer tais hipóteses!
1
Art. 79, § 1º do Código de Processo Penal
A unidade do processo cessará, em qualquer caso, se algum corréu for acometido de doença mental.
Nesse caso, nos termos do artigo 152, do Código de Processo Penal, o processo será suspenso até
que sua sanidade se restabeleça, havendo, assim, o desmembrando do feito em relação a tal
acusado.
2
Art. 79, § 2º do Código de Processo Penal
A unidade do processo não importará a do julgamento se houver corréu foragido que não possa ser
julgadoà revelia. Assim, se o corréu for foragido antes de ser citado e, se citado por edital, não
comparecer, o processo e a prescrição serão suspensos, prosseguindo, todavia, em relação aos
demais acusados.
Outra hipótese de separação dos processos ocorre no rito do júri. Quando há dois ou mais réus com
defensores diversos, a escolha dos jurados não coincide e o número mínimo de sete deles para formar o
Conselho de Sentença não foi obtido, o julgamento de todos se torna impossível na mesma data. Nesse caso,
o processo será desmembrado, julgando-se apenas um deles de acordo com a ordem estabelecida no artigo
469, § 2º, do Código de Processo Penal.
 
Por fim, existem também hipóteses de separação facultativa dos processos, estando previstas no artigo 80 do
citado código. São elas: 
 
Quando as infrações forem praticadas em circunstâncias de tempo ou lugar diferentes.
Quando houver número excessivo de acusados e para não prolongar a prisão provisória deles.
Quando por outro motivo relevante o juiz reputar conveniente a separação.
Separação de processos para julgamento
Neste vídeo, veja o conceito de unidade de processo e julgamento no direito penal, destacando quando o
Código de Processo Penal estabelece que deverá ocorrer a separação dos processos para julgamento.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
No que se refere à jurisdição e à competência no processo penal, marque a opção correta.
• 
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A
Em caso de delito praticado por prefeito em concurso com agente que não tenha foro privilegiado, a
separação do processo será obrigatória.
B
No caso de pluralidade de crimes, mas um deles tem o objetivo de conseguir impunidade em relação ao outro,
a competência será determinada pela conexão.
C
Ocorrerá a conexão intersubjetiva por reciprocidade se duas ou mais infrações forem cometidas por duas
pessoas contra terceira sem unidade de desígnios.
D
A precedência da distribuição fixará a competência quando em comarcas contíguas houver mais de um juiz
competente, diante do início da execução ou do resultado do crime.
E
É de competência da Justiça Estadual o julgamento dos crimes de embriaguez ao volante e contrabando
descobertos em diligência policial, por se tratar de competência por conexão instrumental.
A alternativa B está correta.
Segundo o artigo 76, II, do Código de Processo Penal, a competência é determinada pela conexão entre
infrações quando forem praticadas para facilitar, ocultar outras ou assegurar impunidade ou vantagem.
Essa regra é importante para que crimes interligados sejam julgados conjuntamente, evitando a dispersão
das ações e garantindo decisões coerentes. A conexão permite uma análise completa dos fatos, facilitando
uma decisão mais justa e eficiente. Além disso, ela também impede que o acusado se beneficie da
fragmentação do processo, promovendo uma tramitação integrada e justa.
Questão 2
Caso seja verificada conexão entre fatos concernentes a crimes de competência da justiça estadual e a
crimes de competência da justiça federal, é correto afirmar que
A
o processamento e o julgamento dos crimes de forma unificada não são possíveis.
B
o juízo estadual é o competente para o processamento e o julgamento dos crimes conexos.
C
o juízo federal é o competente para o processamento e o julgamento dos crimes conexos, independentemente
da pena prevista para cada um dos delitos.
D
o juízo federal é o competente para o processamento e o julgamento dos crimes conexos, salvo o caso de ser
prevista pena mais grave ao delito estadual.
E
o Superior Tribunal de Justiça é competente para o processamento e o julgamento unificado dos crimes.
A alternativa C está correta.
A Súmula 122 do STJ determina que a Justiça Federal tem competência para julgar crimes conexos que
envolvem infrações de competência federal e estadual, afastando a aplicação do artigo 78, II, a, do Código
de Processo Penal. Essa orientação ajuda a garantir a unidade e a coerência dos processos, evitando a
fragmentação e decisões conflitantes.
Ao centralizar o julgamento na esfera federal, assegura-se uma análise integrada dos fatos, promovendo
maior eficiência processual e justiça, especialmente em casos complexos que envolvem múltiplas
jurisdições.
3. Foro por prerrogativa de função
Competência por prerrogativa de função 
A competência originária do Supremo Tribunal Federal, quanto ao julgamento de determinadas autoridades,
está prevista no artigo 102, I, b, c, d e i da CF. Acompanhe!
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I – processar e julgar, originariamente: (...)
b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presidente, os membros do
Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da República;
c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Ministros de Estado e os
Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros
dos Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de
caráter permanente;
d) o habeas corpus, sendo paciente qualquer das pessoas referidas nas alíneas anteriores; o mandado
de segurança e o habeas data contra atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do
próprio Supremo Tribunal Federal; (...)
i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente for
autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Tribunal
Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância.
Já a competência originária do Superior Tribunal de Justiça, quanto ao julgamento de autoridades, está
prevista no artigo 105, I, a, b e c da Constituição Federal.
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I – processar e julgar, originariamente:
a) nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de
responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os
membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais
Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de
Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais;
b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da
Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal;
c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas na alínea a, ou
quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do
Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral;
Quantos aos tribunais regionais federais, a Constituição Federal prevê a competência especial no artigo 108, I,
a, como você pode ver a seguir:
Art. 108. Compete aos Tribunais Regionais Federais:
I – processar e julgar, originariamente:
os juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Justiça do Trabalho, nos
crimes comuns e de responsabilidade, e os membros do Ministério Público da União, ressalvada a
competência da Justiça Eleitoral;
A Constituição Federal estabelece ainda, em seu artigo 96, III, que compete privativamente aos Tribunais de
Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e territórios, bem como os membros do Ministério
Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.
O artigo 30, X da Constituição Federal, dispõe
que o julgamento do prefeito ocorrerá perante o
Tribunal de Justiça. Entretanto, a súmula 702
do Supremo Tribunal Federal determina que a
competência do tribunal de justiça para julgar
prefeitos restringe-se aos crimes de
competência da JustiçaComum Estadual. Nos
demais casos, a competência originária caberá
ao respectivo tribunal de segundo grau. 
 
Além disso, a súmula 208 do Superior Tribunal de Justiça dispõe que compete à Justiça Federal processar e
julgar prefeito municipal por desvio de verba sujeita à prestação de contas perante órgão federal. Já a súmula
209 dispõe que compete ao Tribunal de Justiça do Estado apreciar e julgar originariamente os crimes de
malversação de verba pública praticado por ex-prefeito municipal no exercício da função.
Por fim, o próprio texto constitucional ressalva a competência da Justiça Eleitoral em detrimento da
competência originária do Tribunal Regional Federal e do Tribunal de Justiça. Assim, caso um juiz ou promotor
cometa crime eleitoral, ele será julgado originariamente pelo Tribunal Regional Eleitoral. Entretanto, as
autoridades sujeitas à jurisdição do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, ainda que
cometam crime eleitoral, serão julgadas pelos referidos tribunais, e não pelo Tribunal Superior Eleitoral, já que
em relação a eles a Constituição não fez ressalva quanto à competência da Justiça Eleitoral.
Foro por prerrogativa de função
Assista ao vídeo a seguir, em que abordaremos a competência por prerrogativa de função, explicando como
certas autoridades, como políticos e juízes, possuem foro especial para julgamento de crimes. 
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Situações especiais de conexão ou continência
Crime cometido por quem goza de foro privilegiado e outra pessoa
Para o Supremo Tribunal Federal, quando se tratar de concurso entre autoridade submetida à jurisdição
especial e investigado não submetido a ela, a regra é que haja separação dos processos, conforme noticiado
no informativo 735. Veja! 
O desmembramento de inquéritos ou de ações penais de competência do STF deve ser a regra geral,
admitida exceção nos casos em que os fatos relevantes estejam de tal forma relacionados, que o
julgamento em separado possa causar prejuízo relevante à prestação jurisdicional.
Não sendo o caso de desmembramento do processo, os réus serão julgados perante a jurisdição especial, já
que a questão é solucionada pelo artigo 78, III, do Código de Processo Penal, segundo o qual no concurso
entre jurisdições de categorias diversas, prevalece a mais graduada. A súmula 704 do Supremo Tribunal
Federal determina que “não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo legal, a
atração por continência ou conexão do processo do corréu ao foro por prerrogativa de função de um dos
denunciados”.
A doutrina e a jurisprudência entendem majoritariamente que a súmula 704 do Supremo Tribunal
Federal não se aplica à hipótese em que os agentes em concurso possuem foro privilegiado definido
na Constituição Federal. É o caso, por exemplo, do juiz que comete crime de homicídio em concurso
de pessoas com um cidadão comum. 
O juiz tem foro por prerrogativa perante o Tribunal de Justiça, independentemente do crime praticado, nos
termos do artigo 96, III, da Constituição Federal. Já para o cidadão comum, a CF dispõe que a competência é
do Tribunal do Júri (artigo 5º, XXXVIII, d). Assim, nesse caso, entende-se a necessária separação dos
processos, não tendo aplicação a Súmula 704 do Supremo Tribunal Federal.
 
Ainda que o tribunal absolva quem tem foro especial, ele deverá julgar também o outro acusado, tratando-se,
nesse caso, de hipótese de perpetuatio jurisdicionis, nos termos do artigo 81 do Código de Processo Penal.
 
A súmula vinculante 45 do Supremo Tribunal Federal determina que a competência constitucional do tribunal
do júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição
Estadual.
 
Na hipótese de conexão ou continência em relação a pessoas que gozam de foro especial em órgãos diversos
do Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal entende que prevalece o órgão jurisdicional mais graduado.
O Concurso entre investigados
Confira, neste vídeo, o concurso entre autoridade submetida à jurisdição especial e investigado não
submetido a ela.
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Restrição ao foro por prerrogativa de função
Posicionamento do STF
O Supremo Tribunal Federal, na ação penal 937, resolveu questão de ordem a fim de fixar as seguintes teses,
no que se refere à restrição ao foro por prerrogativa de função: 
a) O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do
cargo e relacionados às funções desempenhadas; 
b) Após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação
de alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será mais afetada em razão
de o agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo.
O foro privativo é uma prerrogativa do cargo ocupado. Assim, deixando de exercer o cargo, em regra, não há
mais razão para que ele permaneça. Dessa forma, se o agente está respondendo a uma ação penal junto a um
juízo ou tribunal, devido ao foro por prerrogativa de função, e renuncia ao cargo antes de iniciar o julgamento,
o foro especial é finalizado e o processo deverá ser remetido para julgamento em primeira instância. 
 
Contudo, se o julgamento já tiver iniciado, mesmo suspenso em face de pedido de vista, o juízo especial
continuará competente, pois o julgamento é ato unitário. No mesmo sentido, o foro especial também
continuará competente quando restar configurada fraude processual e abuso de direito, a exemplo da
renúncia ao cargo um dia antes do julgamento.
O STF e o foro por prerrogativa
Assista, neste vídeo, ao posicionamento do STF sobre a restrição ao foro por prerrogativa de função,
designadamente as teses fixadas pelo julgamento da Ação Penal 937.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Sobre o foro por prerrogativa de função, é correto afirmar que
A
se estende a magistrado, ainda que aposentado.
B
a competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função
estabelecido exclusivamente por Constituição Estadual.
C
competem ao Supremo Tribunal Federal o processamento e julgamento de parlamentar federal por crime
comum, praticado quando já diplomado, mesmo que não relacionado à função.
D
a instauração de inquérito policial e demais atos investigativos, inclusive os promovidos pelo Ministério
Público, em face de agentes detentores de foro por prerrogativa da função, necessita de prévia autorização
do órgão judiciário competente para processar e julgar a ação originária.
E
competem ao Superior Tribunal Federal o processamento e julgamento de desembargador, por crime comum,
desde que relacionado à função judicante.
A alternativa B está correta.
A súmula vinculante 45 do STF estabelece que a competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece
sobre o foro por prerrogativa de função previsto apenas nas Constituições Estaduais. Essa súmula reafirma
a supremacia do Tribunal do Júri, que é o órgão competente para julgar crimes dolosos contra a vida,
conforme garantido pela Constituição Federal.
Questão 2
Um deputado federal eleito pelo estado do Rio de Janeiro que praticar crime de estelionato em São Paulo
antes de entrar em exercício no cargo eletivo deverá ser processado no(a)
A
Supremo Tribunal Federal.
B
Superior Tribunal de Justiça.
C
justiça federal do Rio de Janeiro, em razão do cargo ocupado.
D
justiça estadual comum do Rio de Janeiro, na comarca do Rio de Janeiro.
E
justiça estadual comum de São Paulo, na comarca de São Paulo.
A alternativa E está correta.
Segundo o STF, o foro por prerrogativa de função aplica-se apenas a crimes cometidos no exercício do
cargo e relacionados às funções do agente, garantindo que o julgamento seja realizado por um tribunal
adequado. No entanto, a competência para julgar crimes é definida pelolocal da consumação, conforme o
artigo 70 do Código de Processo Penal. Essa abordagem combina a necessidade de um foro especializado
para cargos públicos com o princípio da proximidade ao local do delito, promovendo justiça equilibrada e
eficiente.
4. Conclusão
Considerações finais
A jurisdição e a competência em matéria processual penal são temas de grande relevância, pois impactam a
justiça dos julgamentos, concretizando diversos princípios processuais penais estabelecidos na Constituição
Federal.
 
Além das definições e dos conceitos básicos sobre o assunto, foi possível verificar as regras estabelecidas no
Código de Processo Penal e na Constituição Federal, que fixam o juízo competente para o julgamento das
ações penais. Assim, confirmamos que tais normas organizam o sistema e permitem que os sujeitos
envolvidos possam ter a plena certeza de quem é o responsável por realizar o julgamento.
 
Por fim, abordamos a importância de analisar as regras de conexão e continência, que podem levar à reunião
das ações penais e à possibilidade de separação de processos em algumas hipóteses.
Explore +
Se você quer ir além nos seus estudos, confira as dicas que separamos!
 
Leia o Título 4 - Ação penal e ação civil ex delicto, da obra Manual de processo penal, de Renato
Brasileiro de Lima, e aprofunde-se nas regras sobre jurisdição e competência.
Consulte o capítulo VI - Lei processual penal no tempo e no espaço, do livro Direito processual penal,
de Aury Lopes Junior, para conhecer mais as regras sobre modificação de competência.
Referências
DE LIMA, R. B. Manual de processo penal – volume único. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2024.
 
LOPES JÚNIOR, A. Direito processual penal. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.
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	Jurisdição e competência penal
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Conceitos e critérios de jurisdição e fixação da competência
	Conceito de jurisdição
	A competência penal e seus critérios
	Conteúdo interativo
	Atenção
	Competência pelo lugar da infração
	Domicílio ou residência do réu
	Crimes qualificados pelo resultado
	Crime de apropriação indébita
	Crime de estelionato
	Crime de uso de documento falso
	Crimes tentados
	Crimes à distância
	Crimes no exterior
	Local da infração, domicílio e competência
	Conteúdo interativo
	Competência pela natureza da infração
	Conteúdo interativo
	Atenção
	Competência pela prevenção e distribuição
	Primeira fase
	Segunda fase
	Terceira fase
	Prevenção e distribuição no processo penal
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Conexão e continência
	Hipóteses de conexão
	Conexão intersubjetiva por simultaneidade (ou ocasional)
	Conexão intersubjetiva por concurso
	Conexão intersubjetiva por reciprocidade
	Conexão teleológica
	Conexão consequencial
	A conexão de ações penais
	Conteúdo interativo
	Hipóteses de continência
	Continência no processo penal
	Conteúdo interativo
	Critérios de fixação da competência
	Hipóteses de conexão e continência
	Primeiro critério
	Segundo critério
	Terceiro critério
	Quarto critério
	Competência, conexão e continência
	Conteúdo interativo
	Separação dos processos
	Unidade de processo e julgamento
	Art. 79, § 1º do Código de Processo Penal
	Art. 79, § 2º do Código de Processo Penal
	Separação de processos para julgamento
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Foro por prerrogativa de função
	Competência por prerrogativa de função
	Foro por prerrogativa de função
	Conteúdo interativo
	Situações especiais de conexão ou continência
	Crime cometido por quem goza de foro privilegiado e outra pessoa
	O Concurso entre investigados
	Conteúdo interativo
	Restrição ao foro por prerrogativa de função
	Posicionamento do STF
	O STF e o foro por prerrogativa
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referências

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