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Em 23 de novembro de 2015 (segunda feira), sendo o dia seguinte dia útil em todo o país, Técio, advogado de defesa de réu em ação penal de natureza condenatória, é intimado da sentença condenatória de seu cliente. No curso do prazo recursal, porém, entrou em vigor nova lei de natureza puramente processual, que alterava o Código de Processo Penal e passava a prever que o prazo para apresentação de recurso de apelação seria de 03 dias e não mais de 05 dias. No dia 30 de novembro de 2015, dia útil, Técio apresenta recurso de apelação acompanhado das respectivas razões.
Considerando a hipótese narrada, o recurso do advogado é
A) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o novo prazo recursal deve ser observado.
B) tempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo prazo recursal deve ser observado.
C) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo prazo recursal deve ser observado.
D) tempestivo, aplicando-se o princípio constitucional da irretroatividade da lei mais gravosa, e o antigo prazo recursal deve ser observado.

Os princípios constitucionais aplicáveis ao processo penal incluem
(A) indisponibilidade.
(B) verdade real.
(C) razoável duração do processo.
(D) identidade física do juiz.
(E) favor rei.

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Questões resolvidas

Em 23 de novembro de 2015 (segunda feira), sendo o dia seguinte dia útil em todo o país, Técio, advogado de defesa de réu em ação penal de natureza condenatória, é intimado da sentença condenatória de seu cliente. No curso do prazo recursal, porém, entrou em vigor nova lei de natureza puramente processual, que alterava o Código de Processo Penal e passava a prever que o prazo para apresentação de recurso de apelação seria de 03 dias e não mais de 05 dias. No dia 30 de novembro de 2015, dia útil, Técio apresenta recurso de apelação acompanhado das respectivas razões.
Considerando a hipótese narrada, o recurso do advogado é
A) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o novo prazo recursal deve ser observado.
B) tempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo prazo recursal deve ser observado.
C) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo prazo recursal deve ser observado.
D) tempestivo, aplicando-se o princípio constitucional da irretroatividade da lei mais gravosa, e o antigo prazo recursal deve ser observado.

Os princípios constitucionais aplicáveis ao processo penal incluem
(A) indisponibilidade.
(B) verdade real.
(C) razoável duração do processo.
(D) identidade física do juiz.
(E) favor rei.

Prévia do material em texto

PROCESSO PENAL I
Prof. Me. Alisson Eduardo Maul
CONCEITO
O processo penal deve conferir efetividade ao direito penal,
fornecendo os meios e o caminho para materializar a
aplicação da pena ao caso concreto. Tem como finalidades a
pacificação social obtida com a solução do conflito
(mediata), e a viabilização da aplicação do direito penal,
concretizando-o (imediata). (TÁVORA, 2018)
PRETENSÃO PUNITIVA
 O Estado cria leis penais incriminadoras e a ideia é no
sentido de que surja para o Estado o direito de punir
(abstrato).
 O Direito Penal não é um Direito de coação direta.
 Caso um indivíduo mate outro, o Direito Penal não poderá
ser empregado diretamente. Para que a pena cominada no
preceito secundário seja a ele aplicada é necessário um
processo penal.
 Conceito de pretensão punitiva: consiste no poder do
Estado de exigir de quem comete um delito a submissão à
sanção penal.
PRINCÍPIOS NO PROCESSO
PENAL
1. Princípio da presunção de inocência (estado de inocência
ou presunção de não culpabilidade):
Presunção de inocência é o direito que cada um de nós tem
de sermos tratados como se fôssemos inocentes ou não
culpados, pelo menos até o momento em que houvesse o
encerramento do processo criminal.
2. Princípio do “nemo tenetur se detegere”:
A expressão “nemo tenetur se detegere” pode ser traduzida
como “ninguém é obrigado a contribuir para sua própria
destruição”. Trata-se do princípio que veda a
autoincriminação, no sentido de que “ninguém é obrigado
a produzir prova contra simesmo”.
3. Princípio do contraditório:
Consiste na ciência bilateral dos atos ou termos do processo e
a possibilidade de contrariá-los. Eis o motivo pelo qual se
vale a doutrina da expressão “audiência bilateral”,
consubstanciada pela expressão em latim audiatur et
altera pars (seja ouvida também a parte adversa).
4. Princípio da ampla defesa:
A ampla defesa é um dos princípios mais importantes do
processo penal. Ao contrário do contraditório, que vale para
ambas as partes, a ampla defesa vale apenas para o
acusado. Por isso que, às vezes, há violação do contraditório,
mas não violação da ampla defesa ou vice versa.
5. Princípio do juiz natural:
Consiste no direito que cada cidadão possui de conhecer
antecipadamente a autoridade jurisdicional que irá
processar e julgá-lo caso venha a praticar um fato delituoso.
6. Princípio da publicidade:
A garantia do acesso de todo e qualquer cidadão aos atos
praticados no curso do processo. O princípio da publicidade
tem, como objetivo precípuo assegurar da transparência do
Poder Judiciário, para viabilizar uma fiscalização não
apenas pelas partes, mas, também, pela sociedade como um
todo.
7. Princípio da obrigatoriedade ou legalidade:
Significa que havendo justa causa, os órgãos oficiais estão
obrigados a agir, concretizando a “persecutio criminis”.
8. Princípio do devido processo legal:
Caracteriza-se pelo estabelecimento procedimental baseado
no contraditório e ampla defesa os quais orientarão as
garantias do acusado.
9. Princípio da duração razoável do processo:
Tal princípio orienta que os prazos no âmbito do processo
penal devem ser respeitados como forma de garantia para
instruir e julgar o fato delitivo.
INTERPRETAÇÃO DA LEI
PROCESSUAL PENAL
Interpretar significa buscar o verdadeiro alcance da norma.
1. Interpretação quanto ao resultado:
• Declaratória: O alcance da norma não é ampliado, nem
restringido. Limita-se a declarar aquilo que consta do
dispositivo legal.
• Restritiva: A lei disse mais do que pretendia dizer. A
interpretação é no sentido de restringir o alcance da lei.
• Extensiva: A lei disse menos do que pretendia dizer. A
interpretação é no sentido de ampliar o alcance da lei.
• Progressiva: Busca ajustar as leis às transformações sociais.
2. Aplicação subsidiária do novo CPC ao processo penal.
SISTEMAS PROCESSUAIS
• Sistema inquisitorial.
• Sistema acusatório.
• Sistema misto (ou francês).
SISTEMA INQUISITORIAL
• Concentração das funções de acusar, defender e julgar
numa única pessoa (juiz inquisidor).
• O problema da imparcialidade do juiz.
• Não há contraditório.
• O juiz é dotado de ampla iniciativa probatória.
SISTEMA ACUSATÓRIO
I – Presença de partes distintas:
• Acusação: Ministério Público.
• Defesa: Defensor Público, defensor dativo ou defensor
constituído.
• Julgar: juiz.
II – Presença da imparcialidade.
III – Quanto à gestão da prova há duas correntes sobre o tema:
• 1ª corrente: o juiz jamais pode agir de ofício.
• 2ª corrente (majoritária): o juiz pode agir de ofício, mas
apenas durante a fase processual, desde que procure
fazê-lo de maneira subsidiária.
À luz da Constituição
Federal nosso sistema
é o acusatório.
A partir do momento
em que o texto
constitucional
outorgou ao
Ministério Público a
titularidade da ação
penal (CF, art. 129, I).
SISTEMA MISTO OU FRANCÊS
 É chamado de sistema misto porquanto o processo se
desdobra em duas fases distintas;
 A primeira fase é tipicamente inquisitorial;
 Na segunda fase de caráter acusatório;
 Observação: Há em nosso sistema uma fase preliminar que
se aproxima do sistema inquisitorial, mas se trata de
fase investigatória.
LEI PROCESSUAL NO TEMPO 
E NO ESPAÇO
LEI PROCESSUAL PENAL
NO TEMPO
 Direito intertemporal;
 Sucessão de leis no tempo;
 Difere das normas de Direito Penal:
• Norma penal: nas normas do direito penal, a regra é o
critério da irretroatividade da lex gravior,
ou seja, a norma penal não retroagirá, salvo para
beneficiar o réu;
• Norma processual: em se tratando de normas do direito
processual, estas se aplicam de maneira imediata após sua
publicação;
1. Norma genuinamente processual:
são aquelas que cuidam de procedimentos, atos
processuais, técnicas do processo;
2. Norma processual material (mista ou híbrida):
São aquelas que abrigam naturezas diversas, de caráter
penal e de caráter processual penal.
3. Normas processuais heterotópicas:
• Há determinadas regras que, não obstante previstas em
diplomas processuais penais, possuem conteúdo
material, devendo, pois, retroagir para beneficiar o
acusado;
• Outras, no entanto, inseridas em leis materiais, são
dotadas de conteúdo processual, a elas sendo aplicável o
critério da aplicação imediata (tempus regit actum).
LEI PROCESSUAL NO ESPAÇO
 Enquanto à lei penal aplica-se o princípio da
territorialidade (CP, art. 5º) e da extraterritorialidade
incondicionada e condicionada (CP, art. 72), o Código de
Processo Penal adota o princípio da
territorialidade ou da lex fori.
 A atividade jurisdicional é um dos aspectos da
soberania nacional, logo, não pode ser exercida além das
fronteiras do respectivo Estado.
 Na visão da doutrina, todavia, há situações em que a lei
processual penal de um Estado pode
ser aplicada fora de seus limites territoriais:
a) aplicação da lei processual penal de um Estado em
território nullhis;
b) quando houver autorização do Estado onde deva ser
praticado o ato processual;
c) em caso de guerra, em território ocupado.
VAMOS EXERCITAR?
Em 23 de novembro de 2015 (segunda feira), sendo o dia seguinte dia útil em todo o país, Técio,
advogado de defesa de réu em ação penal de natureza condenatória, é intimado da sentença
condenatória de seu cliente. No curso do prazo recursal, porém, entrou em vigor nova lei de natureza
puramente processual, que alterava o Código de Processo Penal e passava a prever que o prazo para
apresentação de recurso de apelação seria de 03 dias e não mais de 05 dias. No dia 30 de novembro
de 2015, dia útil, Técio apresenta recurso de apelação acompanhado das respectivas
razões. Considerando a hipótese narrada, o recurso do advogado é
a) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o novo 
prazo recursal deve ser observado.
b) tempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo 
prazo recursal deve ser observado;
c) intempestivo, aplicando-se o princípio do tempus regit actum (o tempo rege o ato), e o antigo 
prazo recursal deve ser observado.d) tempestivo, aplicando-se o princípio constitucional da irretroatividade da lei mais gravosa, e o 
antigo prazo recursal deve ser observado.
João, no dia 2 de janeiro de 2015, praticou um crime de apropriação indébita majorada. Foi, então,
denunciado como incurso nas sanções penais do Art. 168, §1º, inciso III, do Código Penal. No curso
do processo, mas antes de ser proferida sentença condenatória, dispositivos do Código de Processo
Penal de natureza exclusivamente processual sofrem uma reforma legislativa, de modo que o rito a
ser seguido no recurso de apelação é modificado. O advogado de João entende que a mudança foi
prejudicial, pois é possível que haja uma demora no julgamento dos recursos.
Nesse caso, após a sentença condenatória, é correto afirmar que o advogado de João
a) deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, pois se aplica ao caso o princípio da imediata
aplicação da nova lei;
b) não deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, em razão do princípio da irretroatividade
da lei prejudicial e de o fato ter sido praticado antes da inovação.
c) não deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, em razão do princípio da ultratividade da
lei.
d) deverá respeitar o novo rito do recurso de apelação, pois se aplica ao caso o princípio da
extratividade.
Analise as afirmativas abaixo, quanto aos princípios do Processo Penal:
I. O princípio da ampla defesa implica em que a defesa técnica seja indisponível e efetiva. Assim, o
STF tem entendimento consolidado de que a deficiência da defesa constitui nulidade absoluta, que
independe da constatação de prejuízo para o réu.
II. A atração por continência ou conexão do processo do corréu ao foro por prerrogativa de função de
um dos denunciados não viola os princípios do juiz natural, da ampla defesa e do contraditório.
III. O princípio nemo tenetur se detegere tem aplicação apenas em relação ao mérito do
interrogatório, pois o réu tem o dever de informar seu nome e endereço, não sendo aplicável o
direito ao silêncio quanto aos dados de qualificação.
IV. Segundo o princípio tempus regt actum os atos processuais praticados sob a égide da lei anterior
são considerados válidos e as normas processuais têm aplicação imediata, independentemente da
data do fato imputado na denúncia.
Está correto apenas o que se afirma em:
a) I e III.
b) II e IV;
c) I, II e IV.
d) II e III.
Os princípios constitucionais aplicáveis ao processo penal incluem:
a) indisponibilidade.
b) verdade real.
c) razoável duração do processo;
d) identidade física do juiz.
e) favor rei.
Considerando os princípios constitucionais que regem o processo penal, assinale a alternativa
correta.
a) Sobre a duração razoável do processo, duas teorias buscam reger sua aplicação, a saber: a
teoria do não prazo e a teoria do prazo fixo;
b) O princípio da dignidade da pessoa humana é um conceito vago e indeterminado e ideias
kantianas de autonomia não contribuem para sua determinação.
c) A duração razoável do processo é uma norma programática e por isso não possui qualquer
eficácia imediata, dependendo totalmente de norma regulamentadora.
d) O princípio Nemo tenetur se detegere tal qual expresso na jurisprudência do STF traduz-se,
exclusivamente, no direito ao silêncio.
e) Para o STF, o princípio da presunção de inocência não possui eficácia irradiante.
Segundo o Código de Processo Penal, a lei processual penal admitirá interpretação extensiva e
aplicação analógica;
INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR
A PERSECUÇÃO CRIMINAL
 A persecução criminal para a apuração das infrações
penais e sua respectiva autoria
comporta duas fases bem delineadas.
 A primeira, preliminar, inquisitiva, é o inquérito policial.
 A segunda, submissa ao contraditório e à ampla defesa, é
denominada de fase processual.
 Assim, materializado o dever de punir do Estado com a
ocorrência de um suposto fato delituoso, cabe a ele,
Estado, como regra, iniciar a persecutio
criminis para apurar, processar e enfim fazer valer o
direito de punir, solucionando as lides
e aplicando a lei ao caso concreto.
POLÍCIA ADMINISTRATIVA
 A polícia tem a incumbência de preservar a paz social e
intervir nos conflitos mediante atividade investigativa
tendente a apurar infrações que venham ocorrer.
 Polícia administrativa ou de segurança;
 De caráter eminentemente preventivo, visa, com o seu
papel ostensivo de atuação, impedir a ocorrência de
infrações. Ex.: a Polícia Militar dos Estados-membros.
POLÍCIA JUDICIÁRIA
 De atuação repressiva, que age, em regra, após a ocorrência
de infrações;
 Visa obter elementos para apuração da autoria e
constatação da materialidade delitiva.
 O papel da Polícia Civil - art. 144, § 4°, da CF/1988;
 A polícia judiciária tem a missão primordial de elaboração
do inquérito policial;
 Fornecer às autoridades judiciárias as informações
necessárias à instrução e julgamento dos processos;
 realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo
Ministério Público;
 Cumprir os mandados de prisão e representar pela
decretação de prisão cautelar (art. 13, CPP).
INQUÉRITO POLICIAL
 É o procedimento administrativo inquisitório e
preparatório, presidido pela autoridade policial, com o
objetivo de identificar fontes de prova e colher elementos
de informação quanto à autoria e a materialidade da
infração penal, a fim de permitir que o titular da ação
penal possa ingressar em juízo.
OBSERVAÇÕES:
• Procedimento administrativo.
• Procedimento inquisitório.
• Procedimento preparatório.
• Presidido pela autoridade policial.
• Identificar fontes de prova.
• Colher elementos de informação quanto à autoria e
materialidade.
Dupla função:
a) Preparatória;
b) Preservadora;
DESTINATÁRIOS DO IP
1. DESTINATÁRIOS IMEDIATOS
a) MP → ação penal pública → oferecimento da DENÚNCIA.
b) Ofendido → ação penal privada → oferecimento da
QUEIXA-CRIME.
2. DESTINATÁRIO MEDIATO
Juiz → utiliza-se dos elementos para receber a peça inicial
e para formar convencimento quanto à necessidade de
decretação de medidas cautelares.
PRESIDÊNCIA DO INQUÉRITO
POLICIAL
 Fica a cargo da autoridade policial, exercendo as funções
de POLÍCIA JUDICIÁRIA.
 Alguns doutrinadores diferenciam POLICIA JUDICIÁRIA de
POLÍCIA INVESTIGATIVA. É a mesma polícia, mas ora
exercendo a função judiciária e ora a função investigativa.
 A primeira auxilia o poder judiciário no
cumprimento de suas ordens.
CARACTERÍSTICAS DO 
INQUÉRITO POLICIAL
As características a seguir vistas serão as seguintes:
1) Peça Escrita;
2) Peça Instrumental;
3) Peça Dispensável;
4) Sigiloso;
5) Inquisitivo;
6) Informativo;
7) Indisponível;
8) Temporário;
9) Discricionário.
FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO 
INQUÉRITO
1. AÇÃO PENAL PRIVADA (APP);
2. AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO
(APCR);
3. AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA (API):
O IP referente a crimes que são perseguidos através de API pode
ser instaurado através das seguintes formas:
1) Instauração de ofício (PORTARIA);
2) Requisição do juiz ou doMP;
3) Requerimento do ofendido/representante legal;
4) Auto de prisão em flagrante delito;
5) Notícia oferecida por qualquer do povo (“delatio criminis”).
3.1. Instauração de ofício (PORTARIA);
3.2. Requisição do juiz ou do MP Promotor requisita a
instauração do inquérito, o delegado é obrigado a atender?
3.3. Requerimento do ofendido/representante legal;
3.4. Auto de prisão em flagrante delito;
3.5. Notícia oferecida por qualquer do povo (“delatio
criminis”)
“NOTITIA CRIMINIS”
1. Conceito: É o conhecimento, espontâneo ou provocado, por
parte da autoridade policial, acerca de um fato delituoso.
2. Espécies
a) De cognição imediata (espontânea): a autoridade policial
toma conhecimento do crime através de suas atividades
rotineiras.
b) De cognição mediata (provocada): a autoridade policial
toma conhecimento do crime através de um expediente
escrito.
c) De cognição coercitiva: nesse caso a autoridade policial
toma conhecimento do fato delituoso através da
apresentação de indivíduo preso em flagrante.
3.“Notitia criminis” inqualificada;
INDICIAMENTO
1. Conceito: Consiste em atribuir a alguém a autoria de
determinada infração penal.
2. Pressupostos:
O indiciamento não pode ser feito de maneira arbitrária ou
leviana. É necessário o “fumus comissi delicti”: prova da
existência do crime mais indícios de autoria e participação.
3. Atribuição:
I - O indiciamento é um ato privativo do Delegado.
II - O indiciamento não pode ser requisito pelo juiz e nem pelo
Ministério Público.
4. Desindiciamento: é a desconstituição de anterior
indiciamento e poderá ser realizado pelo próprio Delegado de
Polícia ou pelo juiz, na hipótese de constrangimento ilegal.
CONCLUSÃO DO INQUÉRITO 
POLICIAL
Prazo para a conclusão do inquérito policial
• Indivíduo preso: 10 dias.
• Indivíduo solto: 30 dias.
Relatório da autoridade policial (art. 10 do CPP)
→ Fórum → MP:
a) oferecer denúncia;
b) propor o arquivamento;
c) requerer diligencias imprescindíveis ao oferecimento da
denúncia.
 Atenção: pode o delegado indicar testemunhas que não se
restaram ouvidas declinando o endereço em que
podem ser encontradas.
 Requerer diligências imprescindíveis ao oferecimento da
denúncia: não é qualquer diligencia que o promotor
pode requerer, nos termos do art. 16 do CPP;
 Pode o juiz indeferir essas diligências?
 O juiz não pode indeferir essas diligencias. Caso o juiz
indefira, a medida cabível será: Mandado de segurança e
correição parcial, no entanto, este último não possui em
todos os Estados.
ARQUIVAMENTO DO
INQUÉRITO POLICIAL
MP (propõe o arquivamento) → Juiz → Concorda = o processo
será arquivado → Discorda → Procurador Geral
(art. 28 do CPP), este pode:
a) ele próprio denunciar;
b) designar outro promotor para denunciar;
c) insistir no arquivamento, será arquivado.
ARQUIVAMENTO E RECORRIBILIDADE:
a) CPP: a decisão que determina o arquivamento do
inquérito policial é irrecorrível, nos termos do CPP;
b) Exceções:
• Crime contra a economia popular e saúde pública, cabe o
chamado Recurso de Ofício, esses crimes estão
previstos na Lei 1.521/51, em seu art. 7°;
• Contravenção de jogo do bicho;
• Contravenção de corrida de cavalos fora do hipódromo
Nas contravenções de jogo do bicho e corrida de cavalos fora
do hipódromo caberá Recurso em Sentido Estrito,
nos termos do art. 6°, parágrafo único da Lei 1.508/51.
MODALIDADES DE ARQUIVAMENTO
a) Arquivamento implícito: Não existe no nosso sistema.
• Arquivamento implícito subjetivo: se duas pessoas forem
investigadas e o promotor oferecer denúncia contra apenas
uma delas haverá arquivamento em relação a outra.
• Arquivamento implícito objetivo: se forem investigados dois
ou mais crimes e o promotor não oferecer
denúncia em relação a um deles haverá arquivamento em
relação a este. Cabe observar que esta modalidade não é
aceita.
b) Arquivamento indireto: caso o promotor entenda que se
trata de outro crime e o juiz dele discordar,
haverá o chamado arquivamento indireto devendo ser
aplicado o art. 28 do CPP.
DESARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL
a) Como regra é possível desarquivar se houver novas
provas e não estiver extinta a punibilidade, nos
termos do art. 18 do CPP e a Súmula 524 do STF.
b) Exceção:
Se o fundamento for a atipicidade da conduta, então faz
coisa julgada material e não pode desarquivar.
O Supremo entende que o arquivamento baseado em
causa excludente da ilicitude não faz coisa julgada
material.
Após receber denúncia anônima, por meio de disquedenúncia, de grave crime de estupro com resultado morte que
teria sido praticado por Lauro, 19 anos, na semana pretérita, a autoridade policial, de imediato, instaura inquérito
policial para apurar a suposta prática delitiva. Lauro é chamado à Delegacia e apresenta sua identidade recém-obtida;
em seguida, é realizada sua identificação criminal, com colheita de digitais e fotografias.
Em que pese não ter sido encontrado o cadáver até aquele momento das investigações, a autoridade policial, para
resguardar a prova, pretende colher material sanguíneo do indiciado Lauro para fins de futuro confronto, além de
desejar realizar, com base nas declarações de uma testemunha presencial localizada, uma reprodução simulada dos
fatos; no entanto, Lauro se recusa tanto a participar da reprodução simulada quanto a permitir a colheita de seu
material sanguíneo. É, ainda, realizado o reconhecimento de Lauro por uma testemunha após ser-lhe mostrada a
fotografia dele, sem que fossem colocadas imagens de outros indivíduos com características semelhantes.
Ao ser informado sobre os fatos, na defesa do interesse de seu cliente, o(a) advogado(a) de Lauro, sob o ponto de
vista técnico, deverá alegar que
A) o inquérito policial não poderia ser instaurado, de imediato, com base em denúncia anônima isoladamente, sendo
exigida a realização de diligências preliminares para confirmar as informações iniciais;
B) o indiciado não poderá ser obrigado a fornecer seu material sanguíneo para a autoridade policial, ainda que seja
possível constrangê-lo a participar da reprodução simulada dos fatos, independentemente de sua vontade.
C) o vício do inquérito policial, no que tange ao reconhecimento de pessoa, invalida a ação penal como um todo,
ainda que baseada em outros elementos informativos, e não somente no ato viciado.
D) a autoridade policial, como regra, deverá identificar criminalmente o indiciado, ainda que civilmente identificado,
por meio de processo datiloscópico, mas não poderia fazê-lo por fotografias.
Um Delegado de Polícia, ao tomar conhecimento de um suposto crime de ação penal pública
incondicionada, determina, de ofício, a instauração de inquérito policial. Após adotar
diligência, verifica que, na realidade, a conduta investigada era atípica. O indiciado, então,
pretende o arquivamento do inquérito e procura seu advogado para esclarecimentos,
informando que deseja que o inquérito seja imediatamente arquivado. Considerando as
informações narradas, o advogado deverá esclarecer que a autoridade policial:
A) deverá arquivar imediatamente o inquérito, fazendo a decisão de arquivamento por
atipicidade coisa julgada material.
B) não poderá arquivar imediatamente o inquérito, mas deverá encaminhar relatório final ao
Poder Judiciário para arquivamento direto e imediato por parte do magistrado.
C) deverá elaborar relatório final de inquérito e, após o arquivamento, poderá proceder a
novos atos de investigação, independentemente da existência de provas novas.
D) poderá elaborar relatório conclusivo, mas a promoção de arquivamento caberá ao
Ministério Público, havendo coisa julgada em caso de homologação do arquivamento por
atipicidade;
Maria, 15 anos de idade, comparece à Delegacia em janeiro de 2017, acompanhada de seu pai, e narra que
João, 18 anos, mediante grave ameaça, teria constrangido-a a manter com ele conjunção carnal, demonstrando
interesse, juntamente com seu representante, na responsabilização criminal do autor do fato. Instaurado
inquérito policial para apurar o crime de estupro, todas as testemunhas e João afirmaram que a relação foi
consentida por Maria, razão pela qual, após promoção do Ministério Público pelo arquivamento por falta de
justa causa, o juiz homologou o arquivamento com base no fundamento apresentado. Dois meses após o
arquivamento, uma colega de classe de Maria a procura e diz que teve medo de contar antes a qualquer
pessoa, mas em seu celular havia filmagem do ato sexual entre Maria e João, sendo que no vídeo ficava
demonstrado o emprego de grave ameaça por parte deste. Maria, então, entrega o vídeo ao advogado da
família. Considerando a situação narrada, o advogado de Maria
A) nada poderá fazer sob o ponto de vista criminal, tendo em vista que a decisão de arquivamento fez coisa
julgada material.
B) poderá apresentar o vídeo ao Ministério Público, sendo possível o desarquivamento do inquérito ou
oferecimento de denúncia por parte do Promotor de Justiça, em razão da existência de prova nova;
C) nada poderá fazer sob o ponto de vista criminal, tendo em vista que, apesar de a decisão de arquivamentonão ter feito coisa julgada material, o vídeo não poderá ser considerado prova nova, já que existia antes do
arquivamento do inquérito.
D) poderá iniciar, de imediato, ação penal privada subsidiária da pública em razão da omissão do Ministério
Público no oferecimento de denúncia em momento anterior.
No tocante ao inquérito policial, é correto afirmar que:
A) por ser um procedimento investigatório que visa reunir provas da existência (materialidade) e
autoria de uma infração penal, sua instauração é indispensável.
B) pode ser arquivado por determinação da Autoridade Policial se, depois de instaurado,
inexistirem provas suficientes da autoria e materialidade do crime em apuração.
C) para qualquer modalidade criminosa, deverá terminar no prazo de 10 (dez) dias se o indiciado
tiver sido preso em flagrante ou estiver preso preventivamente, ou no prazo de 30 (trinta) dias,
quando estiver solto.
D) tem valor probatório relativo, mesmo porque os elementos de informação, no inquérito
policial, não são colhidos sob a égide do contraditório e ampla defesa, nem na presença do
magistrado;
Aldo, delegado de polícia, recebeu em sua unidade policial denúncia anônima que imputava a
Mauro a prática do crime de tráfico de drogas em um bairro da cidade. A denúncia veio
acompanhada de imagens em que Mauro aparece entregando a terceira pessoa pacotes em plástico
transparente com considerável quantidade de substância esbranquiçada e recebendo dessa pessoa
quantia em dinheiro. Em diligências realizadas, Aldo confirmou a qualificação de Mauro e, a partir
das informações obtidas, instaurou IP para apurar o crime descrito no art. 33, caput, da Lei n.º
11.343/2006 — Lei Antidrogas —, sem indiciamento. Na sequência, ele representou à autoridade
judiciária pelo deferimento de medida de busca e apreensão na residência de Mauro, inclusive do
telefone celular do investigado. Acerca dessa situação hipotética, assinale a opção correta.
A) A instauração do IP constituiu medida ilegal, pois se fundou em denúncia anônima.
B) Recebido o IP, verificados a completa qualificação de Mauro e os indícios suficientes de autoria, o
juiz poderá determinar o indiciamento do investigado à autoridade policial.
C) Em razão do caráter sigiloso dos autos do IP, nem Mauro nem seu defensor constituído terão o
direito de acessá-los.
D) Como não houve prisão, o prazo para a conclusão do IP será de noventa dias;
E) Deferida a busca e apreensão, a realização de exame pericial em dados de telefone celular que
eventualmente seja apreendido dependerá de nova decisão judicial.
AÇÃO PENAL
1. Direito de ação penal:
A partir do momento em que o Estado trouxe para si
o exercício da função jurisdicional era importante
que ele colocasse a disposição de todos os
jurisdicionados um direito para obtê-la. Nesse
contexto, surge o direito de ação que
consiste no direito de se dirigir ao Estado-juiz
pleiteando a aplicação do direito penal objetivo a
determinado caso concreto.
Classificação das ações
penais condenatórias
As ações penais condenatórias subdividem-se em:
• Ação penal pública;
• Ação penal privada.
Ação penal pública:
I – Titular: Ministério Público:
CF, art. 129: “São funções institucionais do Ministério
Público:
I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma
da lei; (...)”.
II – Peça acusatória: denúncia.
Ação penal pública incondicionada
I - Recebe a denominação “incondicionada” porque ela não
depende de nenhuma condição específica. Ou seja, o
oferecimento da denúncia pelo Ministério Público não
depende de representação de ofendido ou de requisição do
Ministro da Justiça.
II - A ação penal pública incondicionada funciona como
regra. Assim, se o Código Penal não dispuser nada a
respeito, compreende-se tratar de ação penal pública
incondicionada. Exemplos: homicídio, latrocínio, roubo e
extorsão.
Ação penal pública condicionada
I – É denominada de “ação penal pública condicionada”
porque a deflagração da persecução penal depende de
representação do ofendido ou de requisição do Ministro da
Justiça. Portanto, o Ministério Público somente poderá agir
depois que uma dessas condições for implementada.
Exemplos: injúria racial, estupro (em regra) e crime contra a
honra do Presidente da República ou Chefe de Governo
estrangeiro.
II – Deve estar previsto em lei. Caso contrário, seguirá a
regra (ação penal pública incondicionada). Geralmente,
está previsto no próprio crime – exemplo: CP, art. 147,
parágrafo único. No entanto, é comum encontrar, ao final
de um Capítulo do Código Penal, disposições finais, nas
quais o legislador disciplina a ação penal – exemplos: CP,
art. 145 (crimes contra a honra) e CP, art. 182 (crimes
contra o patrimônio).
Ação penal privada
subsidiária da pública
Nessa ação haverá a inércia de um órgão oficial. Em razão
disso, outro órgão oficial vai assumir a titularidade da
ação penal.
Na ação penal privada subsidiária da pública também há
a inércia de um órgão oficial. No entanto, quem a
assumirá é o ofendido ou seu representante legal.
Ação penal de iniciativa privada
I – Legitimado: ofendido ou seu representante legal.
II - A ideia do legislador é a de que há crimes que atingem um
interesse muito próprio ou específico da própria vítima e
que nessa hipótese o Estado reconhece que não há interesse
nessa persecução penal em razão do “strepitus judicii”
(escândalo do processo). Portanto, nada mais razoável do
que deixar nas mãos da vítima essa legitimidade para
ingressar em juízo.
III – Em algumas hipóteses, o Código de Processo Penal prevê
a transferência da legitimidade para um curador especial
(CPP, art. 331).
IV – Sucessão processual: o direito de oferecer a queixa-
crime é transferido aos sucessores (cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão) (CPP, art. 312).
Ação penal privada personalíssima
I – Somente o ofendido pode ingressar em juízo. Portanto, o
direito não é transmitido ao representante legal ou aos
sucessores.
II – Nos casos de ação penal privada personalíssima não há
sucessão processual. Assim, na eventualidade de ocorrer a
morte da vítima, haverá a extinção do seu direito. Trata-se de
uma hipótese raríssima em que a morte da vítima
extingue a punibilidade do autor do delito.
III – Exemplo: crime de induzimento a erro essencial e
ocultação de impedimento:
CP, art. 236: “Contrair casamento, induzindo em erro
essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe
impedimento que não seja casamento anterior:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
Parágrafo único - A ação penal depende de queixa do
contraente enganado e não pode ser intentada senão
depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo
de erro ou impedimento, anule o casamento”.
O amor é mais...

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