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Questões e processos incidentes
Você vai conhecer os principais aspectos relacionados a questões e processos incidentes em matéria
processual penal. Também vai compreender e diferenciar questões prejudiciais, exceções, conflito de
jurisdição e restituição de coisas apreendidas, bem como medidas assecuratórias, incidente de falsidade e
de insanidade mental.
Prof. Edison Ponte Burlamaqui
1. Itens iniciais
Propósito
O estudo de questões e processos incidentes é de extrema importância, pois oferece uma compreensão
aprofundada das complexidades procedimentais que podem surgir durante o processo penal. Esse
conhecimento ajuda a identificar e lidar adequadamente com questões incidentais que podem impactar o
andamento do processo, garantindo a correta aplicação da lei. 
Preparação 
Antes de iniciar seu estudo, é preciso ter o Código de Processo Penal disponível para melhor acompanhar os
dispositivos legais mencionados.
Objetivos
Reconhecer os conceitos básicos relacionados às questões prejudiciais.
Identificar as espécies processuais.
Examinar o conflito de jurisdição e o procedimento de restituição de coisas apreendidas.
Reconhecer as principais características das medidas assecuratórias, bem como os aspectos do
incidente de falsidade e de insanidade metal.
Introdução
Como a própria nomenclatura indica, incidente significa aquilo que incide, isto é, que sobrevém do desenrolar
de um fato principal. Trata-se, muitas vezes, um acontecimento imprevisível que afeta o desenvolvimento
regular de uma ação penal.
 
Assim, questões e processos incidentes são situações paralelas ao mérito principal do processo penal, que
precisam ser resolvidas antes da sentença, ou seja, da decisão de mérito que resolve o conflito. Por sua vez,
questões prejudiciais são aquelas que devem ser resolvidas previamente, pois estão ligadas ao mérito da
questão principal. 
 
Em sentido estrito, processos incidentes são aqueles que afetam o andamento do processo e precisam ser
sanados pelo juiz antes de ele poder prosseguir com seu regular processamento. Eles se dividem em:
exceções, incompatibilidades e impedimentos, conflito de competência, restituição de coisas apreendidas,
medidas assecuratórias, incidente de falsidade e incidente de insanidade mental do acusado.
• 
• 
• 
• 
1. Questões prejudiciais
Aspectos gerais das questões prejudiciais
Características e distinção
Questões prejudiciais são as que exigem solução antes do julgamento do processo criminal. Elas afetam
apenas o aspecto da tipicidade da conduta, não interferindo na ilicitude ou na culpabilidade.
 
Para que determinada questão seja considerada prejudicial diante da matéria discutida no processo criminal,
ela deve apresentar algumas características essenciais, como:
Anterioridade
Determina que a questão prejudicial condiciona a questão principal discutida no processo penal,
interferindo diretamente no julgamento da última demanda. Assim, a questão prejudicial deve ser
julgada antes da prejudicada, já que é subordinada a ela.
Necessariedade (essencialidade ou interdependência)
Estabelece que, para que se configure hipótese de prejudicialidade, é imprescindível que o juiz
criminal dependa do resultado de uma determinada questão para que possa considerar típica a ação
atribuída ao agente. 
Autonomia
Pressupõe que a questão prejudicial pode ser objeto de um processo autônomo, cível ou criminal,
distinto daquele em que a questão prejudicada figura.
Um exemplo de questão prejudicial é a análise da existência de matrimônio anterior, no caso de crime de
bigamia (artigo 235 do Código Penal), já que o casamento prévio é elemento essencial para a configuração do
delito.
 
Para não confundir questões prejudiciais com questões preliminares, olhe estas distinções: 
Citando exemplos de questões preliminares, temos a litispendência, coisa julgada etc. O que tanto as
questões prejudiciais como as preliminares têm em comum é o fato de que ambas devem ser conhecidas
antes do julgamento do mérito. 
Questões prejudiciais 
Dizem respeito, essencialmente, ao mérito
da causa, influenciando de maneira direta a
natureza da sentença a ser proferida pelo
juiz. 
Questões preliminares 
São de natureza estritamente
processual e refletem tão somente a
regularidade formal do processo.
Atenção
Enquanto as questões prejudiciais estão relacionadas ao direito material, as preliminares são questões
processuais, e por isso estão associadas diretamente ao direito processual penal. Dessa forma, as
questões prejudiciais estão ligadas diretamente à própria existência do crime, do mesmo modo que as
questões preliminares se relacionam aos pressupostos processuais ou às condições da ação penal. 
Aspectos gerais das questões prejudiciais
Confira, neste vídeo, como as questões prejudiciais podem influenciar o andamento do processo, a
importância de resolvê-las antecipadamente e seu impacto na decisão final. Entenda também a importância
das questões prejudiciais na justiça criminal e como elas moldam os resultados dos casos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Classificação das ações prejudiciais
Homogêneas, comuns, imperfeitas ou não devolutivas
As questões prejudiciais podem ser divididas em duas formas:
Penais
São homogêneas, comuns, imperfeitas ou não
devolutivas ― se pertencerem ao mesmo ramo
do direito em que se insere a questão
prejudicada. 
Extrapenais
São heterogêneas, jurisdicionais, perfeitas ou
devolutivas ― caso interfiram em esfera jurídica
distinta, a saber: cível, tributária, empresarial
etc. 
As questões prejudiciais extrapenais se subdividem em: 
1
Devolutivas absolutas ou obrigatórias 
Se impuserem ao juiz criminal a suspensão do processo criminal até que sejam decididas na esfera
própria por decisão transitada em julgado. 
2
Devolutivas relativas ou facultativas 
Se apenas conferirem ao juiz a faculdade de determinar a suspensão do processo criminal.
Vamos primeiro nos aprofundar nas questões prejudiciais penais. Trata-se daquelas que, apesar de
repercutirem no aspecto relacionado à existência da infração penal (tipicidade), elas se resolvem no próprio
juízo criminal, de forma quase automática e na ocasião da sentença. Por isso são chamadas de não
devolutivas, pois não devolvem a um juízo distinto do criminal o enfrentamento da matéria que as constitui. 
Por exemplo, é o que ocorre no delito de
receptação, no qual o juiz competente para o
julgamento do crime de receptação tem que
enfrentar a questão relativa à precedência
criminosa da coisa adquirida como prejudicial
homogênea, se decorrente de furto, roubo,
estelionato etc.
 
Pode-se perceber que os artigos 92, 93 e 94
do Código de Processo Penal não tratam de
questões prejudiciais homogêneas. Veja!
Sobre o crime de bigamia, por exemplo, o artigo 92 do Código de Processo Penal se refere à hipótese de que
a decisão sobre a existência da infração depende da solução de controvérsia que o juiz repute séria e fundada
sobre o estado civil das pessoas. Confira!
Art. 92. Se a decisão sobre a existência da infração depender da solução de controvérsia, que o juiz
repute séria e fundada, sobre o estado civil das pessoas, o curso da ação penal ficará suspenso até que
no juízo cível seja a controvérsia dirimida por sentença passada em julgado, sem prejuízo, entretanto, da
inquirição das testemunhas e de outras provas de natureza urgente.
Parágrafo único. Se for o crime de ação pública, o Ministério Público, quando necessário, promoverá a
ação civil ou prosseguirá na que tiver sido iniciada, com a citação dos interessados.
Já o artigo 93 do Código de Processo Penal trata da existência de questão diversa, mas de competência do
juízo cível, ou seja, pertencente a outro ramo do direito (extrapenal), como você pode ver a seguir:
Art. 93. Se o reconhecimento da existência da infração penal depender de decisão sobre questão
diversa da prevista no artigo anterior, da competência do juízo cível, e se neste houver sido proposta
ação para resolvê-la, o juiz criminalpoderá, desde que essa questão seja de difícil solução e não verse
sobre direito cuja prova a lei civil limite, suspender o curso do processo, após a inquirição das
testemunhas e realização das outras provas de natureza urgente.
Diferentemente das questões prejudiciais penais homogêneas, as extrapenais heterogêneas versam sobre
outras áreas do direito (civil, comercial, tributário etc.) e se classificam em: 
Absolutas (ou obrigatórias)
Estão regulamentadas no artigo 92 do Código de Processo Penal e versam sobre matérias relativas ao estado
civil lato sensu do indivíduo, abrangendo aspectos familiares (condição de casado, solteiro, pai, mãe, filho
etc.), pessoais (idade, sexo, condição mental etc.) e políticos (nacionalidade, naturalidade, cidadania etc.).
 
Elas são consideradas devolutivas porque devolvem o julgamento da matéria que as compõe ao juízo cível. Por
outro lado, são absolutas porque o seu surgimento no curso de um processo criminal obriga o magistrado a
suspendê-lo até que, no juízo extrapenal, a matéria seja resolvida por decisão transitada em julgado.
Se for crime de ação pública, o Ministério Público, quando necessário, promoverá a ação civil ou
prosseguirá na que tiver sido iniciada, com a citação dos interessados.
Relativas (ou facultativas)
Estão previstas no artigo 93 do Código de Processo Penal e se referem à matéria distinta do estado civil das
pessoas, como fatos geradores de tributos, propriedade etc.
 
Elas são chamadas de devolutivas, porque há a possibilidade de devolução ao juízo cível da matéria que as
constitui para exame prévio. Elas também são consideradas relativas porque, nesse caso, a suspensão do
processo criminal não é obrigatória, podendo o juiz optar entre suspendê-lo ou não. Caso não venha a
suspender o processo, ele próprio, na sentença, decidirá a prejudicial, porém sem efeito erga omnes ― ou
seja, vinculando unicamente o resultado de sua deliberação ao âmbito do processo criminal.
O juiz marcará o prazo da suspensão do
processo, que poderá ser razoavelmente
prorrogado se a demora não for imputável à
parte. Expirado o prazo, se o juiz cível não tiver
proferido decisão, o juiz criminal fará prosseguir
o processo, retomando sua competência para
resolver, de fato e de direito, toda a matéria da
acusação ou da defesa. 
Lembre-se: não é possível recorrer da decisão
judicial que negou o pedido de suspensão de
um processo. Entretanto, segundo os termos do
artigo 581, XVI, do Código de Processo Penal, caberá recurso em sentido estrito para ordenar a suspensão do
processo. 
 
Da mesma forma, suspenso o processo, e tratando-se de crime de ação pública, será responsabilidade do
Ministério Público intervir imediatamente na causa cível para promover seu rápido andamento.
 
Por fim, o juiz decretará a eventual suspensão do curso da ação penal, de ofício ou a requerimento das partes.
Contudo, o entendimento majoritário no Superior Tribunal de Justiça é o de que o surgimento de questão
prejudicial não implica a suspensão do inquérito policial.
Classificação das questões prejudiciais
Neste vídeo, assista à classificação das questões prejudiciais penais, abordando as homogêneas, comuns,
imperfeitas e não devolutivas. Veja como cada categoria afeta o andamento do processo penal, a sua
importância na análise jurídica e o impacto na decisão final.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Paulo está sendo processado pela prática de crime de apropriação indébita. Em sua resposta à acusação, ele
requer a absolvição, considerando que afirma, em ação civil por ele proposta, a legitimidade da posse da
coisa.
 
Acerca dessa situação, assinale a opção correta.
A
O juiz poderá suspender a ação penal a depender tão somente da prévia propositura da ação cível pelo
acusado.
B
A resolução da questão prejudicial pelo juiz criminal faz a coisa julgada.
C
A suspensão da ação penal movida contra Paulo é impossível.
D
O juiz criminal pode resolver, de forma incidental, a questão da posse sem que seja necessária a suspensão da
ação penal.
E
O juiz é obrigado a suspender a ação penal até que se resolva no juízo cível a questão da legitimidade da
posse.
A alternativa D está correta.
Segundo o artigo 93 do Código de Processo Penal, se o reconhecimento da existência da infração penal
depender de decisão sobre questão diversa do estado civil das pessoas e da competência do juízo cível, e
se nele tiver sido proposta ação para resolvê-la, o juiz criminal poderá suspender o curso do processo após
inquirir as testemunhas e realizar as outras provas de natureza urgente, desde que a questão seja de difícil
solução e não verse sobre o direito cuja prova a lei civil limite.
Questão 2
Caberá ____________ do despacho que determinar a suspensão do processo devido à existência de ação
prejudicial.
A
Apelação.
B
Embargos infringentes.
C
Recurso em sentido estrito.
D
Não caberá recurso.
E
Agravo de instrumento.
A alternativa C está correta.
Não é possível recorrer da decisão judicial que negou o pedido de suspensão de um processo. Entretanto,
segundo os termos do artigo 581, XVI, do Código de Processo Penal, caberá recurso em sentido estrito
para ordenar a suspensão do processo. 
2. Exceções
Classificação e exceção de suspeição
Previstas no artigo 95 do Código de Processo Penal, as exceções são consideradas meios de defesa indireta,
pois abordam a ausência de condições de ação ou de pressupostos processuais. Dessa forma, elas não
discutem diretamente o mérito da lide principal, mas buscam impedir ou transferir o seu julgamento.
Peremptórias e dilatórias
Conforme a doutrina majoritária, as exceções se classificam em: 
Peremptórias
Causam a extinção do processo, como ocorre,
por exemplo, com a exceção de coisa julgada.
Dilatórias
Não provocam a extinção do processo, mas,
quando acolhidas, transferem seu
processamento, como a exceção de
incompetência.
Segundo o artigo 95 do Código de Processo Penal, poderão ser opostas as exceções de: suspeição,
incompetência de juízo, litispendência, ilegitimidade de parte e coisa julgada.
 
Vamos agora nos aprofundar na exceção de suspeição. 
Ela possui natureza dilatória, tem a finalidade
de afastar o juiz do processo criminal e deve
ser proposta por meio de petição
fundamentada, acompanhada de prova
documental e do rol de testemunhas, caso
necessário.
 
Em termos de legitimidade, a exceção de
suspeição pode ser arguida pelas partes,
diretamente ou por meio de procurador com
poderes especiais. Entretanto, no Superior
Tribunal de Justiça, tem prevalecido o
entendimento de que o assistente de acusação
não tem legitimidade para opor a exceção de suspeição, pois o rol de atribuições, previsto no artigo 271 do
Código de Processo Penal, é taxativo. Dessa forma, o assistente da acusação exerce os poderes estritamente
dentro dos limites conferidos por esse dispositivo legal.
 
A arguição feita pelas partes precederá qualquer outra, salvo quando fundada em motivo superveniente. O juiz
que espontaneamente afirmar sua suspeição deverá fazer isso por escrito, declarando o motivo legal e
remetendo imediatamente o processo ao seu substituto.
Vejamos algumas situações sobre a suspeição e suas respectivas consequências: 
Se a suspeição for reconhecida
O juiz sustará a marcha do processo e mandará juntar aos autos a petição do recusante com os
documentos que a instruam. Ele será, então, declarado suspeito por despacho, ordenando a remessa
dos autos ao substituto. Não aceitando a suspeição, o juiz mandará autuar em apartado a petição,
dará sua resposta em três dias, podendo a instruir e oferecer testemunhas. Em seguida, ele
determinará que os autos da exceção sejam remetidos em 24 horas ao juiz ou tribunal a quem
competir o julgamento.
Se a suspeição for julgada procedente 
Os atos do processo principal ficarão nulos, e o juiz pagará as custas, no caso de erro inescusável. Se
for rejeitada, a malícia do excipiente será evidenciada, e a multa lhe será imposta.Nessa hipótese, de
natureza absoluta, ocorrerá a nulidade de pleno direito dos atos praticados pelo juiz declarado
suspeito. 
Se a nulidade dos atos for decretada 
A jurisprudência das Cortes Superiores é no sentido de que, independentemente da natureza da
nulidade, seja ela relativa ou absoluta, a invalidação dos atos depende da ocorrência de prejuízo a
qualquer das partes. Assim, quando o tribunal que tiver julgado a exceção decretar a nulidade dos
atos anteriormente praticados pelo juiz exceto, isso será condicionado ao fato de que haja evidências
de prejuízo. Os atos anteriores ao surgimento do motivo que ensejou a suspeição não serão anulados.
Se a suspeição do órgão do Ministério Público for arguida
O juiz decidirá depois de ouvir, mas sem recurso. Porém, antes, ele poderia admitir a produção de
provas no prazo de três dias. As partes também poderão arguir de suspeitos os peritos, os intérpretes
e os serventuários ou os funcionários de justiça, decidindo o juiz de plano e sem recurso, à vista da
matéria alegada e prova imediata. Já a suspeição dos jurados deverá ser arguida oralmente,
decidindo de plano o presidente do Tribunal do Júri, que a rejeitará se, negada pelo recusado, não for
imediatamente comprovada.
Por fim, não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas elas deverão se
declarar suspeitas quando ocorrer motivo legal.
Exceções peremptórias vs. dilatórias
Confira, neste vídeo, as classificações das exceções, suas conceituações e procedimentos. Você
compreenderá como a jurisprudência das Cortes Superiores trata algumas questões relativas às exceções.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Tipos de exceções
Incompetência, litispendência, ilegitimidade e coisa julgada
Vamos iniciar nos aprofundando na exceção de incompetência. Ela tem aplicação restrita à incompetência
territorial, que possui caráter relativo. Assim, se a hipótese for de incompetência funcional ou em razão da
matéria, que têm natureza absoluta, a arguição via exceção é dispensada, e elas podem ser suscitadas por
meio de simples petição acostada ao processo criminal, verbalmente em audiência com consignação em ata
ou até mesmo como preliminar de uma peça processual.
A exceção de incompetência possui natureza
dilatória, pressupondo a existência de denúncia
ou queixa ajuizadas e em tramitação em foro
incompetente. Ela poderá ser oposta
verbalmente ou por escrito, conforme
autorizado pelo artigo 108 do Código de
Processo Penal, e perante o juiz da causa
principal, mas não será juntada aos autos,
formando procedimento apartado.
 
Se, ouvido o Ministério Público, for aceita a
declinatória, o feito será remetido ao juízo
competente, no qual, ratificados os atos
anteriores, o processo prosseguirá. Entretanto, se recusada a incompetência, o juiz continuará no feito,
fazendo tomar por termo a declinatória, se formulada verbalmente. Além disso, se em qualquer fase do
processo o juiz reconhecer o motivo que o torne incompetente, ele será declarado nos autos, havendo ou não
alegação da parte.
A exceção de litispendência, por sua vez, possui natureza peremptória. Ela é cabível na hipótese de
tramitarem, no mesmo juízo ou em juízos diversos, duas ou mais ações contra o mesmo réu, mas envolvendo o
mesmo fato. Em suma, ela é passível de oposição quando houver ações penais idênticas em andamento, o
que pressupõe igualdade de sujeito passivo, identidade de causa de pedir e igualdade de pedido.
Não é possível cogitar o ingresso de exceção de litispendência quando se tratar de duplicidade de
inquéritos policiais, ainda que os fatos em apuração sejam idênticos. Dessa forma, caso haja, em
curso, dois inquéritos distintos visando à investigação do mesmo fato criminoso, a solução a ser
adotada pelo investigado será a impetração de habeas corpus ou de mandado de segurança,
conforme o caso.
Já a exceção de ilegitimidade da parte se refere à ilegitimidade ad causam, ou seja, à titularidade do direito de
ação e à capacidade para figurar como réu na relação processual. Nessa hipótese, ela terá natureza
peremptória, e seu reconhecimento implicará nulidade desde o início da ação, segundo o artigo 564, II, do
Código de Processo Penal.
 
Semelhantemente ao que ocorre em relação à exceção de incompetência do juízo, a exceção de ilegitimidade
também será oposta perante o juiz da causa principal, não possuindo efeito suspensivo. A sua procedência
importará na extinção do processo, salvo se, tratando-se de ilegitimidade ad processum, ela for sanada
mediante ratificação dos atos processuais. Por outro lado, se a ilegitimidade for julgada improcedente, o
processo em relação ao qual ela foi deduzida continuará tramitando. 
 
A exceção de coisa julgada é de natureza peremptória, e seu fundamento está na garantia de que ninguém
pode ser punido mais de uma vez pelo mesmo fato. Logo, a exceção de coisa julgada poderá ser deduzida
quando o processo criminal, por fato já decidido, estiver em tramitação em outro processo por sentença
transitada em julgado, o que a difere da exceção de litispendência, que pressupõe a coexistência de dois ou
mais processos idênticos em andamento.
 
O acolhimento da exceção de coisa julgada também pressupõe identidade de ações, o que abrange igualdade
de sujeito no polo passivo da relação processual, na identidade de causa de pedir e na igualdade de pedido.
Atenção
A exceção de coisa julgada não está sujeita a preclusão e, como a violação à coisa julgada importa em
nulidade absoluta, nada impede que a matéria seja arguida em grau de recurso como preliminar, ou
mesmo em revisão criminal visando à desconstituição de sentença condenatória. 
A exceção de coisa julgada poderá ser reconhecida como ex officio ou ser oposta ao juiz da causa principal, o
qual mandará autuá-la em apartado, decidindo após ouvir a outra parte e o Ministério Público, caso não seja
ele o próprio propositor. No decorrer de sua tramitação, não haverá suspensão do processo criminal, e a sua
procedência importará em extinção do processo. Se ela for julgada improcedente, persistirá o feito em
andamento.
 
Nos termos do artigo 581, III, do Código de Processo Penal, caberá recurso, no sentido estrito da decisão, do
despacho ou da sentença que julgar procedentes as exceções, salvo a de suspeição.
Tipos de exceções
No vídeo a seguir, acompanhe os tipos de exceções, a saber: incompetência, litispendência, ilegitimidade e
coisa julgada, as suas semelhanças e diferenças.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Jonas, investigado pela suposta prática de crime patrimonial, tomou ciência de que o Ministério Público
ofereceu denúncia em seu desfavor, no âmbito da 1ª Vara Criminal da Comarca X, de titularidade do juiz Pedro,
seu desafeto de longa data. Nesse cenário, considerando as disposições do Código de Processo Penal sobre
a exceção de suspeição, é correto afirmar que:
A
Não aceitando a suspeição, o juiz mandará autuar em apartado a petição, dará sua resposta dentro de três
dias, podendo instrui-la e oferecer testemunhas, e, em seguida, determinará que sejam os autos da exceção
remetidos, dentro de 24 horas, ao juiz ou tribunal a quem competir o julgamento.
B
Quando qualquer das partes pretender recusar o juiz, deverá fazê-lo em petição assinada por ela própria ou
por procurador com poderes gerais, aduzindo as suas razões acompanhadas de prova documental e do rol de
testemunhas.
C
O juiz que espontaneamente afirmar suspeição deverá fazê-lo por escrito ou oralmente, podendo declarar o
motivo legal, e remeterá imediatamente o processo ao seu substituto, intimadas as partes.
D
Quando a parte contrária reconhecer a procedência da arguição, será sustado o processo principal, até que se
julgue o incidente da suspeição.
E
A arguição de suspeição precederá a qualquer outra, salvo a exceção de incompetência.
A alternativa A está correta.
De acordo com o artigo 100 do Código de Processo Penal, caso a suspeiçãonão seja aceita, o juiz deverá
registrar a petição em um processo separado, apresentando sua resposta no prazo de três dias. Além
disso, ele pode incluir documentos e indicar testemunhas. Em seguida, o juiz ordenará que os autos da
exceção sejam enviados, no prazo de 24 horas, ao juiz ou tribunal competente para julgar o caso.
Questão 2
As exceções são vistas como formas de defesas indiretas por não abordarem o mérito da ação. Considerando
o disposto no Código de Processo Penal, avalie as alternativas e marque a correta.
A
As partes não poderão arguir de suspeitos os peritos, os intérpretes e os serventuários ou funcionários de
justiça.
B
Não será possível opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas elas deverão se declarar
suspeitas, quando ocorrer motivo legal.
C
Se o juiz reconhecer voluntariamente a suspeição contra si arguida, não necessitará sustar a marcha do
processo.
D
Considerando a inafastabilidade da jurisdição, é vedado ao juiz espontaneamente afirmar sua suspeição.
E
Não aceitando a suspeição, o juiz mandará autuar em apartado a petição e dará sua resposta em cinco dias,
podendo a instruir e oferecer testemunhas.
A alternativa B está correta.
Conforme o artigo 107 do Código de Processo Penal, não é permitido levantar suspeição contra as
autoridades policiais durante os atos de inquérito. No entanto, elas deverão se declarar suspeitas se houver
razão legal para isso.
3. Conflito de jurisdição e restituição de coisas apreendidas
Conflito de jurisdição
Assista, neste vídeo, às principais características do conflito de jurisdição no direito penal. Veja como eles
surgem, a relevância da definição de competência entre diferentes tribunais e os critérios utilizados para
resolver as disputas. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Conflito de jurisdição surge quando duas ou mais autoridades judiciárias pretendem oficiar no mesmo
processo (conflito positivo) ou se recusam a atuar nele (conflito negativo). A restituição de coisa apreendida é
um incidente processual que visa restituir ao proprietário ou a quem tenha legítimo direito os bens lícitos
apreendidos em inquérito ou processo criminal.
Principais características
Sobre o conflito de jurisdição, veja o que estabelece o artigo 14 do Código de Processo Penal:
Art. 114. Haverá conflito de jurisdição:
I - quando duas ou mais autoridades judiciárias se considerarem competentes, ou incompetentes, para
conhecer do mesmo fato criminoso;
II - quando entre elas surgir controvérsia sobre unidade de juízo, junção ou separação de processos.
Atenção: a expressão conflito de jurisdição, utilizada pelo legislador, é imprópria, pois todo juiz regularmente
investido possui jurisdição, uma vez que assim é compreendido o poder que lhe é conferido para declarar o
direito. Dessa forma, não podem existir jurisdições em conflito, mas competências em conflito, discutindo-se,
então, quem, entre todos os juízes investidos de jurisdição, poderá declarar o direito em determinado caso
concreto.
 
Conforme determina o artigo 115 do Código de Processo Penal, o conflito de jurisdição poderá ser suscitado
pelas partes interessadas e pelo órgão do Ministério Público a qualquer dos juízes em dissídio, bem como
pelos próprios juízes ou tribunais envolvidos.
 
O momento de arguição do conflito de jurisdição dependerá da natureza da incompetência. 
Tratando-se de incompetência relativa
(territorial), o conflito deverá, em regra, ser
suscitado nos prazos assinalados pelo artigo
571 do Código de Processo Penal, sob pena de
preclusão. Sendo hipótese de incompetência
absoluta (em razão da matéria ou da pessoa),
em tese, o conflito pode ser suscitado a
qualquer tempo, já que a ordem de
incompetência não está sujeita a prazos
preclusivos.
 
De acordo com a Súmula 59 do Superior Tribunal de Justiça, não há conflito de competência se já existe
sentença com trânsito em julgado e proferida por um dos juízos conflitantes. Assim, se em um deles já existe
decisão transitada em julgado, não se deve mais suscitar conflito de competência.
Quanto ao processamento, o artigo 166 do Código de Processo Penal determina que, os juízes e tribunais, sob
a forma de representação, e a parte interessada, sob a de requerimento, darão parte escrita e circunstanciada
do conflito perante o tribunal competente, expondo os fundamentos e juntando os documentos
comprobatórios. Quando negativo o conflito, os juízes e tribunais poderão suscitá-lo nos próprios autos do
processo.
 
Distribuído o feito, se o conflito for positivo, o relator poderá determinar imediatamente que o andamento do
processo seja suspenso. Expedida ou não a ordem de suspensão, o relator requisitará informações às
autoridades em conflito, remetendo cópia do requerimento ou da representação para elas. 
 
Recebidas as informações, e depois de ouvido o representante do Ministério Público responsável, o conflito
será decidido na primeira sessão, salvo se a instrução do feito depender de diligência. Proferida a decisão, as
cópias necessárias serão remetidas, para a sua execução, às autoridades contra as quais o conflito ou o que o
houver suscitado tiver sido levantado.
Restituição de coisas apreendidas
Conceituação e procedimento
Presentes os requisitos necessários e observadas as formalidades exigidas pela lei ou pela Constituição
Federal, coisas apreendidas são aquelas que foram retiradas do local em que se encontravam ou do poder de
quem as detinha devido à importância que apresentam para a elucidação do crime.
 
Como regra geral, depois de cumprida a finalidade da apreensão dos bens, os objetos apreendidos deverão
ser restituídos a quem de direito. Contudo, o artigo 118 do Código de Processo Penal determina que, antes de
a sentença final transitar em julgado, as coisas apreendidas não poderão ser restituídas enquanto
interessarem ao processo.
 
Vejamos o que ocorre nas situações que envolvem a restituição.
Restituição vinculada ou não facultada
Pode se justificar por diversas ordens, como a espécie delituosa, a natureza do objeto em questão, o
momento em que a pretensão de restituição é deduzida ou a condição de quem reclama.
Restituição vedada
Ocorre quando, por exemplo, se não houver sentença que transite em julgado, a restituição do objeto
apreendido que interessa à investigação policial ou à instrução processual penal deverá ser indeferida
pela autoridade policial ou judiciária.
Restituição negada
Acontece quando se tratar de instrumentos de crime cujo fabricação, alienação, uso, porte ou
detenção constitua fato ilícito e de produtos de crime. Além dessas hipóteses, também será negada a
restituição de qualquer bem ou valor que constitua produto auferido pelo agente com a prática do
fato criminoso e quando houver dúvida sobre o legítimo direito do reclamante. 
Mas lembre-se: o direito do lesado e dos terceiros de boa-fé deve ser resguardado, tudo bem?
Quanto ao procedimento, quando cabível, a restituição poderá ser ordenada por autoridade policial ou juiz,
mediante os termos nos autos, mas desde que não exista dúvida quanto ao direito do reclamante. Se esse
direito for duvidoso, o pedido de restituição será autuado separadamente, conferindo ao requerente o prazo
de cinco dias para a prova. Em tal caso, só o juiz criminal poderá decidir o incidente.
 
O incidente também será autuado em apartado e só a autoridade judicial o resolverá se as coisas forem
apreendidas em poder de terceiro de boa-fé, que será intimado para alegar e provar o seu direito. Isso
ocorrerá em prazo igual e sucessivo ao do reclamante, tendo eles dois dias para tratar.
O Ministério Público será sempre ouvido sobre
o pedido de restituição e, em caso de dúvida
sobre quem seja o verdadeiro dono, o juiz
remeterá as partes para o juízo cível,
ordenando o depósito das coisas em mãos de
depositário ou do próprio terceiro que as
detinha, se for pessoa idônea.
 
Se forem coisas facilmente deterioráveis, serão
avaliadas e levadas a leilão público. O dinheiro
apuradoserá deposita ou entregue ao terceiro
que as detinha, se for pessoa idônea e assinar
o termo de responsabilidade.
Se dentro de 90 dias ― a contar da data em que transitar em julgado a sentença final, condenatória ou
absolutória ― os objetos apreendidos não forem reclamados ou não pertencerem ao réu, serão vendidos em
leilão, e o saldo será depositado à disposição do juízo de ausentes.
 
Por fim, os instrumentos do crime, cuja perda em favor da União for decretada, e as coisas confiscadas serão
inutilizados ou recolhidos a museu criminal, se houver interesse em sua conservação. Na hipótese de
decretação de perdimento de obras de arte ou de outros bens de relevante valor cultural ou artístico, se o
crime não tiver vítima determinada, os bens poderão ser destinados a museus públicos.
Restituição de coisas apreendidas
Acompanhe, neste vídeo, a conceituação e o procedimento para a restituição de coisas apreendidas no
processo penal. Veja o que caracteriza a apreensão de bens, os direitos dos envolvidos e os passos legais
necessários para a restituição.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O procedimento de restituição de coisas apreendidas é regulado no Código de Processo Penal. A respeito de
suas regras, assinale a alternativa correta.
A
A restituição de coisas somente poderá ser ordenada pelo juiz.
B
Em caso de complexidade ou dúvida relevante sobre quem seja o verdadeiro dono do pedido de restituição, o
juiz criminal não poderá deixar de decidir, devendo avaliar a questão, na própria instância criminal, sendo
possível dilação probatória. 
C
Enquanto interessarem à administração da Justiça, as coisas apreendidas não serão restituídas ao seu
legítimo dono, ainda que transitada em julgado a sentença absolutória.
D
Havendo risco na demora, o pedido de restituição poderá ser deferido, sendo prescindível a ouvida do
Ministério Público.
E
Os instrumentos do crime, cuja perda em favor da União for decretada, e as coisas confiscadas serão
inutilizados ou recolhidos a museu criminal, se houver interesse na sua conservação.
A alternativa E está correta.
De acordo com o artigo 124 do Código de Processo Penal, os instrumentos do crime declarados perdidos
em favor da União, assim como os itens confiscados, deverão ser destruídos ou encaminhados a um museu
criminal, caso haja interesse em sua preservação.
Questão 2
Presentes os requisitos necessários e observadas as formalidades exigidas pela lei ou pela Constituição
Federal, coisas apreendidas são as que foram retiradas do local em que se encontravam ou do poder de quem
as detinha devido à sua importância na elucidação do crime. A restituição das coisas apreendidas
A
pode ser determinada por autoridade policial ou juiz, desde que não exista dúvida quanto ao direito de quem a
requer.
B
não pode ser determinada antes de a sentença final transitar em julgado. 
C
apenas pode ser determinada depois de a fase investigatória ser finalizada. 
D
pode ser determinada por autoridade policial, Ministério Público ou juiz. 
E
apenas será deferida após manifestação e concordância do Ministério Público. 
A alternativa A está correta.
Conforme o artigo 120 do Código de Processo Penal, quando for possível, a restituição pode ser
determinada por autoridade policial ou juiz, por meio de termo nos autos, desde que não haja qualquer
dúvida sobre o direito do requerente.
4. Medidas assecuratórias e incidentes
Ações de natureza cautelar
Medidas assecuratórias são ações de natureza cautelar cujo objetivo é garantir que se efetivem os efeitos
extrapenais obrigatórios da sentença penal condenatória. A partir de agora, vamos entender melhor as
medidas assecuratórias e os incidentes, como o de falsidade documental e o de sanidade mental. 
Medidas assecuratórias
Previstas nos artigos de 125 a 144 do Código de Processo Penal, seu objetivo é assegurar que se efetivem os
efeitos extrapenais obrigatórios da sentença penal condenatória, os quais estão previstos no artigo 91, incisos
I e II, b, 2ª parte, do Código Penal. Os efeitos extrapenais obrigatórios buscam tornar a obrigação do réu certa
para indenizar a vítima pelos danos causados com o crime e propiciar a perda dos bens que o condenado tiver
adquirido com o proveito da infração.
 
O Código Penal prevê, em seu artigo 91, § 1º, que a perda de bens ou os valores equivalentes ao produto ou
proveito do crime poderão ser perdidos quando não forem encontrados ou se localizados no exterior. Nessa
hipótese, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual poderão abranger bens ou valores
equivalentes do investigado ou acusado para posterior decretação de perda.
O sequestro de bens é um exemplo de medida
assecuratória. Conforme determina o artigo 125
do Código de Processo Penal, caberá o
sequestro dos bens imóveis adquiridos pelo
indiciado com os proventos da infração, ainda
que já tenham sido transferidos a terceiro. Para
a decretação do sequestro, bastará a existência
de indícios veementes da proveniência ilícita
dos bens.
 
O artigo 127 do Código de Processo Penal
determina que o juiz de ofício, a requerimento
do Ministério Público ou do ofendido, ou
mediante representação da autoridade policial, poderá ordenar o sequestro em qualquer fase do processo ou
antes de oferecida a denúncia ou queixa. Uma vez realizado o sequestro, o juiz ordenará a sua inscrição no
Registro de Imóveis.
O sequestro será autuado em apartado, podendo ser embargado por terceiros e pelo próprio acusado. Esse
pode alegar que que os bens não foram adquiridos com os proventos da infração, e o terceiro, a quem os bens
tenham sido transferidos a título oneroso, pode afirmar que foram adquiridos de boa-fé. Entretanto, a decisão
não poderá ser pronunciada nos embargos antes de a sentença condenatória passar em julgado.
 
O sequestro será levantado: 
 
Se a ação penal não for intentada no prazo de 60 dias, contado a partir da data em que a diligência é
concluída.
Se o terceiro, a quem tiverem sido transferidos os bens, prestar caução. 
Se a punibilidade for julgada extinta ou se o réu for absolvido por sentença transitada em julgado.
No caso de bem móvel, a medida somente é viável quando a busca e apreensão não for possível.
• 
• 
• 
 
Ao final, transitada em julgado a sentença condenatória, o juiz, de ofício ou a requerimento do interessado ou
do Ministério Público, determinará a avaliação e a venda dos bens em leilão público, cujo perdimento tenha
sido decretado. Do dinheiro apurado, o que não couber ao lesado ou a terceiro de boa-fé será recolhido aos
cofres públicos.
 
Constatado o interesse público, o juiz poderá autorizar, para o desempenho de suas atividades, a utilização do
bem sequestrado apreendido ou sujeito a qualquer medida assecuratória pelos órgãos de segurança
pública do sistema prisional, do sistema socioeducativo, da Força Nacional de Segurança Pública e do
Instituto Geral de Perícia.
Outra medida assecuratória é a hipoteca legal,
que é o direito real de garantia que incide sobre
bens imóveis lícitos pertencentes ao réu, mas
sem poder atingir patrimônio registrado em
nome de terceiro.
 
A hipoteca legal sobre os imóveis do indiciado
poderá ser requerida pelo ofendido em
qualquer fase do processo, desde que haja
certeza da infração e indícios suficientes da
autoria.
 
Pedida a especialização mediante requerimento ― em que a parte estimará o valor da responsabilidade civil,
designará e estimará o imóvel (ou imóveis) que terão de ficar especialmente hipotecados ―, o juiz logo
mandará proceder ao arbitramento do valor da responsabilidade e à avaliação do imóvel ou imóveis. 
A petição será instruída com as provas ou a indicação daquelas em que se fundar a estimação da
responsabilidade, com a relação dos imóveis que o responsável possuir (se tiver outros), além dos indicados
no requerimento, e com os documentos comprobatórios do domínio. O arbitramento do valor da
responsabilidade e a avaliação dos imóveis designadosserão feitos por perito nomeado pelo juiz, quando não
houver avaliador judicial.
 
Ouvidas as partes no prazo de dois dias, o juiz poderá corrigir o arbitramento do valor da responsabilidade, se
Ihe parecer excessivo ou deficiente. Entretanto, o magistrado autorizará somente a inscrição da hipoteca do
imóvel ou imóveis necessários para garantir a responsabilidade. O valor da responsabilidade será liquidado
definitivamente após a condenação, podendo ser requerido novo arbitramento se qualquer das partes não se
conformar com o arbitramento anterior à sentença condenatória.
Se o réu oferecer caução suficiente, em dinheiro ou em títulos de dívida pública, o juiz poderá deixar
de mandar proceder à inscrição da hipoteca legal.
Considerando que a hipoteca legal é um procedimento demorado, pois pressupõe a realização de perícia para
avaliação dos bens e estimativa do dano indenizável, com a possibilidade de impugnação pelas partes, o
legislador previu a possibilidade de uma medida preparatória da hipoteca, de natureza pré-cautelar, rotulada
de arresto preventivo. Seu objetivo é tornar os bens do réu inalienáveis durante o tempo em que tramitar o
pedido de hipoteca. 
 
Dessa forma, se qualquer dos legitimados perceber que há possibilidade premente de o réu desfazer-se de
seu patrimônio para a hipoteca, ele poderá promover o pedido de arresto preventivo perante o juízo criminal
em que tramita o processo penal contra o acusado, demonstrando ao juiz o periculum in mora consistente na
prova da prática de atos tendentes à transferência de seus bens pelo réu.
O Código de Processo Penal prevê ainda como
medida assecuratória o arresto. Segundo o
artigo 137 do Código de Processo Penal, se o
responsável não possuir bens imóveis ou se
forem de valor insuficiente, bens móveis
suscetíveis de penhora poderão ser arrestados.
Tal arresto é simétrico à hipoteca legal, mas se
refere a bens móveis de origem lícita e
pertencentes ao réu. Dessa forma, o arresto é
uma medida cabível apenas na hipótese de o
réu não possuir bens imóveis passíveis de
hipoteca ou se o patrimônio imobiliário já
hipotecado se mostrar insuficiente para cobrir a
integralidade da responsabilidade civil
estimada.
O processo de especialização da hipoteca e do arresto correrá em autos apartados, e o depósito e a
administração dos bens ficarão sujeitos ao regime do processo civil. Dessa forma, ao final, transitando em
julgado a sentença condenatória, serão os autos de hipoteca ou arresto remetidos ao juiz do cível.
 
As garantias do ressarcimento do dano alcançarão também as despesas processuais e as penas pecuniárias,
e a reparação do dano ao ofendido terá preferência sobre elas.
 
O juiz determinará a alienação antecipada para preservação do valor dos bens sempre que estiverem sujeitos
a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade para sua manutenção.
Medidas assecuratórias nas ações de natureza cautelar
Confira, no vídeo a seguir, as medidas assecuratórias nas ações de natureza cautelar, necessárias para
garantir a eficácia do processo judicial. Veja o conceito, os tipos de medidas e a sua aplicação prática,
destacando como essas ações protegem direitos e bens enquanto o litígio é resolvido.
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Incidentes
Incidente de falsidade
Confira, no vídeo a seguir, o conceito de incidente de falsidade, como ele é suscitado e seu impacto na
validade das provas documentais. Saiba como contestar a autenticidade de documentos e as etapas
necessárias para resolver questões de falsidade documental no processo judicial.
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O objetivo do incidente de falsidade é constatar a autenticidade de um documento inserido nos autos do
processo criminal, inclusive aqueles que foram produzidos por meio eletrônico. Esse procedimento é cabível
quando se trata de falsidade de ordem material, ou seja, aquela que torna o documento diferente do que fora
originariamente produzido.
 
Quanto ao procedimento, arguida, por escrito, a falsidade de documento que consta nos autos, o juiz mandará
autuar em apartado a impugnação, e em seguida, ouvirá a parte contrária, que, no prazo de 48 horas,
oferecerá resposta. O juiz ainda concederá o prazo de três dias, sucessivamente, a cada uma das partes para
provarem suas alegações, podendo ordenar as diligências que entender necessárias. Se reconhecida a
falsidade por decisão irrecorrível, ele mandará desentranhar e remeter o documento com os autos do
processo incidente ao Ministério Público.
 
O juiz poderá, de ofício, proceder à verificação da falsidade, e qualquer que seja a decisão, não fará coisa
julgada em prejuízo de ulterior processo penal ou civil.
Atenção
O incidente de falsidade documental somente pode ser instaurado na fase do processo judicial, pois sua
instauração não é prevista na fase do inquérito policial. 
Incidente de insanidade mental
Deverá ser realizado mediante determinação do juiz sempre que houver dúvida sobre a integridade mental do
autor da prática criminosa. A dúvida que justifica a instauração se refere à condição mental do indivíduo tanto
no tempo do fato como agora, ou seja, enquanto tramita o inquérito ou o processo.
 
A instauração pode ser realizada pelo juiz ex officio ou por meio de requerimento do Ministério Público, do
defensor do réu, de seu ascendente, descendente, irmão ou cônjuge, tanto na fase do inquérito policial como
no curso do processo judicial.
 
Quando o juiz determinar o exame, ele também nomeará um curador ao acusado. O processo ficará suspenso,
se a ação penal já estiver iniciada, salvo quanto às diligências que possam ser prejudicadas pelo adiamento.
 
Para efeito do exame, vejamos o que acontece nas situações em que o acusado está preso ou em liberdade:
Se o acusado estiver preso
Será internado em estabelecimento apropriado,
onde houver. 
Se o acusado estiver em liberdade
Ficará no estabelecimento adequado que o juiz
designar, se os peritos requererem isso.
Se os peritos concluírem que o acusado era, no tempo da infração, inimputável, o processo prosseguirá com a
presença do curador. Mas se verificarem que a doença mental sobreveio à infração, o processo continuará
suspenso até que o acusado se restabeleça, e assim, o juiz poderá, nesse caso, ordenar a internação do
acusado em estabelecimento adequado.
 
O processo retomará o seu curso, desde que o acusado se restabeleça, ficando-lhe assegurada a faculdade
de reinquirir as testemunhas que prestaram depoimento sem a sua presença.
 
O incidente da insanidade mental será processado em auto apartado, que só depois da apresentação do
laudo será anexado ao processo principal.
Verificando o aprendizado
Questão 1
No curso de um processo, Pedro, membro do Ministério Público, ao analisar as peças já unidas aos autos do
processo, desconfiou da autenticidade de um determinado documento. Nesse cenário, considerando as
disposições do Código de Processo Penal, é correto afirmar que
A
reconhecida a falsidade por decisão irrecorrível, o juiz intimará as partes sobre a invalidade do documento,
determinando a sua remessa, com os autos do processo incidente, ao delegado de polícia, para apuração dos
fatos.
B
arguida, por escrito, a falsidade de documento constante dos autos, o juiz mandará autuar em apartado a
impugnação, decidindo sobre a matéria em até cinco dias.
C
o juiz poderá, mediante requerimento de qualquer das partes do processo, proceder à verificação da
falsidade, vedada a atuação oficiosa.
D
qualquer que seja a decisão no incidente de falsidade, não fará coisa julgada em prejuízo de ulterior processo
penal ou civil.
E
a arguição de falsidade, feita por procurador, independe de poderes especiais.
A alternativa D está correta.
Segundo o artigo 148 do Código de Processo Penal, qualquer que seja a decisão, não fará coisa julgada em
prejuízo de ulterior processo penal ou civil.
Questão 2
Uma vez instaurado incidente de insanidade mentaldo acusado e verificando-se que a doença mental
sobreveio à infração, quando já em curso a ação penal, o juiz deve
A
suspender o processo até que o acusado se restabeleça, quando, então, a tramitação retomará seu curso.
B
suspender o processo até que o acusado se restabeleça, não podendo ordenar sua internação.
C
seguir o fluxo normal do processo e determinar pena privativa de liberdade caso o acusado seja condenado.
D
seguir o fluxo normal do processo, mas deve aplicar medida de segurança caso verifique que o réu praticou a
conduta.
E
suspender o processo pelo prazo máximo de dois anos, podendo determinar a internação do acusado em
estabelecimento adequado. 
A alternativa A está correta.
Segundo o artigo 152 do Código de Processo Penal, se for verificada que a doença mental sobreveio à
infração, o processo continuará suspenso até que o acusado se restabeleça.
5. Conclusão
Considerações finais
Questões e processos incidentes são situações paralelas ao mérito principal do processo penal que precisam
ser resolvidas antes da sentença. Tais procedimentos tem especial relevância, pois, apesar de, em regra, não
se referirem ao mérito propriamente dito, eles influenciam na regularidade do processamento do feito, bem
como no resultado do processo. 
 
Diversos processos incidentes têm a finalidade de zelar por direitos e garantias dos envolvidos, sejam das
vítimas que sofreram prejuízos em virtude da prática de delitos ou do réu, que têm direitos fundamentais a
serem observados durante a instrução processual penal.
Explore +
Para saber mais sobre processos incidentes, confira a seleção que separamos especial para você!
 
Leia o Título VII da obra Manual de processo penal (2024), de Renato Brasileiro de Lima. Na obra, o
autor expõe, de forma sistemática e profunda, todos os temas pertinentes ao processo penal, sendo
um material muito interessante para estudantes.
 
Confira o Capítulo VII da obra Direito processual penal (2024), de Aury Lopes Junior. O autor é um dos
principais nomes do direito processual penal no Brasil, e sua obra, que tem diversas edições, é
considerada uma referência para estudantes, profissionais e operadores do direito em geral.
 
Busque o artigo de Sergio Demoro Hamilton, O incidente da falsidade, para se aprofundar no assunto.
Publicado em 2006 na Revista da Emerj, trata-se de um material bem referenciado, que possibilitará
que você entenda mais do assunto e conheça outras fontes que abordam o tema. 
 
Referências
DE LIMA, R. B. Manual de processo penal. 13. ed. Salvador: Jus Podivm. 2024.
 
LOPES JÚNIOR, A. Direito processual penal. 16. ed. São Paulo: Saraiva. 2019.
 
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	Questões e processos incidentes
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Questões prejudiciais
	Aspectos gerais das questões prejudiciais
	Características e distinção
	Anterioridade
	Necessariedade (essencialidade ou interdependência)
	Autonomia
	Atenção
	Aspectos gerais das questões prejudiciais
	Conteúdo interativo
	Classificação das ações prejudiciais
	Homogêneas, comuns, imperfeitas ou não devolutivas
	Penais
	Extrapenais
	Devolutivas absolutas ou obrigatórias
	Devolutivas relativas ou facultativas
	Absolutas (ou obrigatórias)
	Relativas (ou facultativas)
	Classificação das questões prejudiciais
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Exceções
	Classificação e exceção de suspeição
	Peremptórias e dilatórias
	Peremptórias
	Dilatórias
	Se a suspeição for reconhecida
	Se a suspeição for julgada procedente
	Se a nulidade dos atos for decretada
	Se a suspeição do órgão do Ministério Público for arguida
	Exceções peremptórias vs. dilatórias
	Conteúdo interativo
	Tipos de exceções
	Incompetência, litispendência, ilegitimidade e coisa julgada
	Atenção
	Tipos de exceções
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Conflito de jurisdição e restituição de coisas apreendidas
	Conflito de jurisdição
	Conteúdo interativo
	Principais características
	Restituição de coisas apreendidas
	Conceituação e procedimento
	Restituição vinculada ou não facultada
	Restituição vedada
	Restituição negada
	Restituição de coisas apreendidas
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Medidas assecuratórias e incidentes
	Ações de natureza cautelar
	Medidas assecuratórias
	Medidas assecuratórias nas ações de natureza cautelar
	Conteúdo interativo
	Incidentes
	Incidente de falsidade
	Conteúdo interativo
	Atenção
	Incidente de insanidade mental
	Se o acusado estiver preso
	Se o acusado estiver em liberdade
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referências

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