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Habeas Corpus Faculdade Maurício de Nassau Unidade: Campina Grande/ PB Disciplina: Direito Processual Constitucional 1. Origem Histórica: - O habeas corpus é um instituto originário do Direito inglês. - Os barões ingleses, em 15 de junho de 1215, impuseram ao rei João Sem Terra a Magna Charta Libertatum, cujos princípios do writ of habeas corpus se catalogaram em seu capítulo XXIX. - O ato assegurava o direito à liberdade. - Para efetivar esse direito, a jurisprudência entendeu pela expedição de mandados (writs) de apresentação. 1. Origem Histórica: Primeira aparição no Brasil Código de Processo Criminal de 1832 Constituição de 1891 Art 72 - A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à segurança individual e à propriedade, nos termos seguintes: § 22 - Dar-se-á o habeas corpus , sempre que o indivíduo sofrer ou se achar em iminente perigo de sofrer violência ou coação por ilegalidade ou abuso de poder. DIVERGÊNCIA SOBRE AMPLITUDE DO HC NA CF/ 91 Interpretação ampla de Ruy Barbosa: Não só para amparar a liberdade física do indivíduo. Qualquer direito individual transgredido por arbitrariedade ou ilegalidade. Interpretação restritiva de Pedro Lessa: somente relacionado ao direito à liberdade de locomoção. A maioria do STF passou a considerar o habeas corpus como garantia de direitos em geral. CF, art. 5º , LXVIII: Conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. CPP, art. 647: Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar. 2. Previsão Constitucional: Sofrer – está acontecendo; Ameaçado de sofrer – há indícios de que acontecerá, Violência – Vis corporalis; Coação – vis compulsiva; Liberdade de locomoção - o habeas corpus; Ilegalidade – contrariedade a lei; Abuso de poder – excesso de poder e desvio de poder (desvio de finalidade). 3. Elementos do art. 5º, LXVIII: Tem a natureza de AÇÃO CONSTITUCIONAL PENAL. José Afonso da Silva diz que é um “remédio constitucional destinado a tutelar o direito de liberdade de locomoção, liberdade de ir, vir parar e ficar”. 4. Natureza Jurídica: a) HABEAS CORPUS PREVENTIVO: Quando o paciente apresenta justo receio de sofrer violação em seu direito de locomoção, em sua liberdade de ir e vir, hipótese em que o Estado concederá um salvo conduto para evitar que sofra os efeitos da coação ilegal. b) HABEAS CORPUS REPRESSIVO: Utilizado nas hipótese em que o paciente esteja sofrendo os efeitos da coação ilegal. 5. Espécies de Habeas Corpus: d) HABEAS CORPUS SUSPENSIVO: Suspender a ordem de prisão. e) HABEAS CORPUS TRANCATIVO (PROFILÁTICO): Utilizado para impugnar atos/ medidas processuais que ensejariam uma prisão. (trancar inquérito penal: prova ilegal). 5. Espécies de Habeas Corpus: - Habeas Corpus Individual: Paciente será 1 indivíduo. - Habeas Corpus Coletivo: Visa proteger grupos de pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade, quando a violação ao direito de liberdade atinge não apenas um indivíduo, mas toda uma coletividade. Quem pode propor HC Coletivo: Partido político com representação CN; Sindicato Entidade de classe Associação Ministério Público Defensoria Pública 5. Espécies de Habeas Corpus: Habeas Corpus Coletivo: Legitimidade Ativa: - CPP, art. 654, caput: qualquer pessoa e também o MP (desde que em benefício do réu). - Pessoa jurídica: possui legitimidade para impetrar habeas corpus em favor, Ex.: em favor de um de seus sócios (STJ, RHC 3.716, Rel. Min. Jesus Costa, 5ª Turma, j. 29.6.1994). Não pode ser paciente de HC (STF, HC 92.921, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 1ª Turma, j. 19.8.2008). - União: possui legitimidade (STF, RHC 80.863, Rel. Min. Moreira Alves, 1ª T/ 2001). - Estrangeiro: possui legitimidade (STF, HC 94.016, Rel. Min. Celso de Mello, 2ª Turma, j. 16.9.2008). - Paciente: deve ser pessoa. STF já rejeitou habeas corpus para tutelar a liberdade de animais/pássaros (RHC 50.343, Rel. Min. Djaci Falcão, 1ª Turma, j. 3.10.1972). 6. Legitimidade: Legitimidade Passiva: - Ocupa o polo passivo do habeas corpus quem exerceu ou ameaçou de exercer violência, coação ou ameaça. - O particular também pode ser autoridade coatora (ex.: nos casos de internação em asilo, em hospital ou em clínica para tratamento de dependentes químicos). - Ministério Público: pode ser autoridade coatora. Competência do respectivo Tribunal (STJ, RHC 143.384, Rel. Min. Laurita Vaz, 6ª Turma, j. 27.4.2021; STF, RE 285.569, Rel. Min. Moreira Alvez, 1ª Turma, j. 18.12.2000). - Delegado de polícia: pode ser autoridade coatora. Competência do juízo de primeira instância. 6. Legitimidade: Regra: É sempre uma autoridade acima daquela que proferiu a ordem ilegal. - Determinação da prisão ilegal foi um juiz de primeiro grau, a competência para julgar o habeas corpus será do Tribunal, seja ele Estadual, Federal ou Especializado, conforme sua subordinação hierárquica. - Se proferido por um dos membros do Tribunal, o órgão competente para julgá-lo será um Tribunal Superior. Podendo ser o Superior Tribunal de Justiça, Superior Tribunal Militar ou Tribunal Superior Eleitoral. - Quando um Tribunal Superior for responsável pela prática do ato, a competência caberá ao Supremo Tribunal Federal. 7. Competência: 7. Competência: 7. Competência: - Competência do Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, “d”,”i” e II, “a” CF) - Competência do Superior Tribunal de Justiça ( art. 105, I, “c” e II, “a” da CF) - Competência dos Tribunais Regionais Federais ( art. 109, VII, CF) Artigo 648 do CPP descreve algumas situações em que a restrição de liberdade é considerada como ilegal: 1) quando não houver justa causa (motivação legal); 2) prisão por tempo maior que lei permite; 3) prisão ordenada por autoridade que não podia fazê-lo; 4) quando o motivo que autorizava a prisão deixa de existir; 5) falta de liberdade com fiança, quando a lei permite; 6) diante de expressa nulidade no processo; e, 7) quando por algum motivo for extinta a punibilidade do réu. 8. Hipóteses de Cabimento: Art. 654, §1º, CPP: Lembrando: pode ser concedido de ofício pelo Juiz Nome da pessoa que sofre a violência e a de quem exerce a violência, coação ou ameaça. Declaração da espécie de constrangimento: prisão? Ou ameaça de? Quais as razões do temor dela se concretizar? Assinatura do impetrante ou alguém a seu rogo e endereços. (Requisita informações da autoridade coatora. MP não se manifesta quando perante juiz de direito, somente quando perante o TRIBUNAL). 9. Conteúdo da petição de HC: HC LIBERATÓRIO: Paciente posto em liberdade, salvo se estiver preso por outro motivo (Art. 660, §1º) HC PARA EVITAR AMEAÇA DE VIOLÊNCIA: salvo- conduto em favor do paciente; HC para trancar Inquérito Policial: impedirá o curso normal. A decisão pode ser ESTENDIDA a outros interessados que se encontrem em situação análoga (Art. 580, por analogia). 10. Julgamento e Efeitos: NÃO cabe HC: a) HC apócrifo; b) Língua estrangeira; c) Punições militares disciplinares; (pode discutir a legalidade dessa lei, da aplicação); d) Pena de exclusão militar; e) Penas pecuniárias, multas, advertências; f) Sequestro/ bloqueio; g) Processos disciplinares; h) Impeachmente; i) Revisão sumular; 11. Entendimentos Jurisprudenciais: NÃO cabe HC: j) Prescrição/ decadência; k) Impetração sucessiva de habeas corpus; l) Visita a preso; m) Visita a filhos; n) Já extinta a pena privativa de liberdade. Súmula 693 do STF: Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada. Súmula 695 do STF: Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade. 11. Entendimentos Jurisprudenciais:Cabe HC: a) Provas ilícitas; b) Medidas protetivas impostas Lei Maria da Penha; c) Contra deferimento de quebra de sigilo; d)Medidas cautelares diversas da prisão; e) Proibição “reformatio in pejus”. 11. Entendimentos Jurisprudenciais: “A” brasileiro, solteiro, portador do RG de nº xxxxxxxxxx e CPF de nº xxxxxxxxx, residente na rua ZZZ, nº xxxx, bairro XXXXX, Cidade XXXX, CEP: XXXXX, cel.: xxxxxxxxx e e-mail xxxxxxxxx, filho de xxxxxxxxxxxxx e xxxxxxxxxxx, foi preso em flagrante no dia 02 de janeiro de 2019 pela suposta prática pelo crime de tráfico de drogas. A prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva, com fulcro do art. 312 do CPP. No dia 20 de janeiro de 2019 foi oferecida denúncia pelo crime de tráfico de drogas – art. 33 da Lei de Drogas. Ainda preso preventivamente, o réu somente foi citado para responder à acusação no dia 05 de agosto de 2020, ou seja, 01 (um) ano e 07 (sete) meses da data da prisão em flagrante. 12. Caso Hipotético: A família de “A” constituiu Advogado que ofereceu resposta à acusação e peticionou nos autos requerendo que o juiz se manifestasse, de modo expresso, sobre a necessidade de manutenção da cautelar do tipo prisão preventiva, conforme parágrafo único, do art. 316 do CPP, sob pena de tornar a prisão ilegal. Instado a se manifestar, o juiz apenas afirmou que a necessidade da prisão ainda persistia. O advogado protocolou pedido de relaxamento de prisão requerendo, em síntese, o reconhecimento do excesso de prazo para a conclusão da instrução processual e ausência de fundamentação da decisão que reavaliou a necessidade da continuidade da cautelar provisória do tipo prisão preventiva. O pedido de relaxamento foi negado pelo magistrado, sob o argumento de que a instrução seguia seu rumo normal e que eventuais atraso seria exclusivamente em razão do excesso de prazo daquela vara. Sobre a necessidade de manutenção da prisão, o juiz afirmou já ter se manifestado anteriormente pela sua pertinência. 12. Caso Hipotético: EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ (O HC será direcionado ao Presidente do Tribunal e, posteriormente, distribuído para uma das turmas e sorteado um relator) PROCESSO DE ORIGEM: xxxxxxxxxxxxx – ZZZ VARA – COMARCA/ UF HABEAS CORPUS COM PEDIDO LIMINAR IMPETRANTE – NOME (aqui será o impetrante, que é diferente de paciente) brasileiro, solteiro, advogado, inscrito na OAB/UF de nº XXX, com endereço profissional na rua XXX, nº xxx, bairro XXX, Cidade XXXX, cel./WhatsApp xxxxxxx, com e-mail xxxxxxxx, vem, perante Vossa Excelência, com o devido respeito, IMPETRAR HABEAS CORPUS em favor de XXXXXXXX (NOME DO PACIENTE), brasileiro, solteiro, natural de Cidade/UF, nascido em xxxxxxx, portador do RG xxxxxx e CPF de nº XXXXX, com residência na rua xxxxx, nº xx, bairro xxxx, Cidade xxxxx, filho de xxxxxx e xxxxx, em razão de ato coator proferido pelo(a) Excelentíssimo(a) Senhor(a) Doutor(a) Juiz(íza) de Direito da XXXXX Vara da Comarca de XXXXXXX/UF, contido nos autos do processuais em epígrafe, com espeque no art. 5º, inciso LXVIII da CF/88, art. 647, 648 e seguintes do Código de Processo Penal – CPP e demais fundamentos fáticos a seguir delineados. 12. Modelo: I – SÍNTESE DOS FATOS II – DA ILEGALIDADE (OU ABUSO DE PODER) II. I DA ILEGALIDADE PELA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO PARA A MANUTENÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA, CONFORME ART. 316, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPP II. II – EXCESSO DE PRAZO PARA O FIM DA INSTRUÇÃO PROCESSUAL PENAL – PROCESSO QUE PERDURA POR APROXIMADAMENTE 02 (DOIS) ANOS. III – DO PEDIDO DE LIMINAR É permitida a concessão de medida de natureza liminar em sede de Habeas Corpus, desde que presentes o fumus boni iuris e periculum in mora IV – DOS PEDIDOS Conclusão dos pedidos – fazer uma síntese das teses e rogar pela sua concessão. 12. Modelo: (2024 – FGC – 42º Exame de Ordem) Amanda impetra habeas corpus em favor de Telma, que foi presa preventivamente por decisão do Juiz de Primeiro Grau, sendo acusada da prática de crime hediondo. O habeas corpus foi impetrado com o argumento de excesso de prazo. O Tribunal concedeu a ordem de habeas corpus de ofício, fundamentado na incompetência do juiz que decretou a prisão. Sobre a hipótese narrada, assinale a afirmativa correta. a) O Tribunal equivocou−se, uma vez que a incompetência do julgador não é fundamento para a concessão de habeas corpus. b) Tribunal agiu de modo correto, uma vez que é possível a concessão de habeas corpus de ofício sempre que houver constrangimento ilegal. c) O Tribunal agiu de modo correto, pois a incompetência do Juízo é o único fundamento que admite a concessão da ordem de habeas corpus de ofício. d) O Tribunal equivocou−se, pois fica vinculado aos argumentos apontados pelo impetrante do habeas corpus, sendo inadmissível a concessão de habeas corpus de ofício. Questões: Gabarito: Letra B A concessão de habeas corpus de ofício é possível sempre que o Tribunal identificar um constrangimento ilegal manifesto, independentemente do fundamento apontado no pedido inicial. Conforme o art. 654, § 2º, do CPP, o habeas corpus pode ser concedido de ofício por autoridade judicial, visando garantir a liberdade de quem sofre ilegalidade. No caso, a incompetência do juiz é um motivo suficiente e legítimo para a concessão de ofício. Assinale a opção correta acerca do habeas corpus. a)Cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade. b)É incabível pedido de habeas corpus em favor de beneficiado com a suspensão condicional do processo, já que inexiste ameaça à sua liberdade de locomoção. c)Em princípio, ressalvada manifesta ilegalidade, descabe o uso de habeas corpus para cassar indeferimento de liminar. d)É incabível habeas corpus para declarar-se a atipicidade da conduta, mesmo quando esta é verificável de plano, primus ictus oculi, sem a necessidade de exame valorativo do conjunto fático ou probatório. Questões: Gabarito Letra C Sumula 691, STF a) errada, Se já extinguiu a pena não cabe habeas corpus, isso porque já não tem mais risco a sua liberdade de locomoção. b) errado, não é porque aceitou o benefício da suspensão condicional do processo que não tem mais direito ou interesse de impetrar habeas corpus para questionais juta causa da ação penal (informativo 508 do STF). c) correta, (súmula 691 do STF) d) errado, de maneira excepcional, o habeas corpus pode ser usado quando não houver dúvidas acerca da inocência do acusado, atipicidade da conduta ou extinção da punibilidade. Vitor, corretor de imóveis, está sendo investigado em inquérito policial. Considerando que o delegado vem atuando com abuso e colocando em risco a liberdade de Vitor, o advogado do investigado apresenta habeas corpus perante o órgão competente. Quando da análise do habeas corpus, a autoridade competente entende por denegar a ordem. Considerando as informações narradas, o advogado de Vitor poderá recorrer da decisão que denegou a ordem por meio de a) recurso em sentido estrito, tendo em vista que o Tribunal de Justiça foi o órgão competente para análise do habeas corpus apresentado em razão da conduta do delegado. b) recurso em sentido estrito, tendo em vista que o juiz de primeiro grau era competente para a análise do habeas corpus apresentado em razão da conduta do delegado. c) recurso ordinário constitucional, tendo em vista que o Tribunal de Justiça foi o órgão competente para análise do habeas corpus apresentado em razão da conduta do delegado. d) recurso ordinário constitucional, tendo em vista que o juiz de primeiro grau era competente para a análise do habeas corpus apresentado em razão da conduta do delegado. Questões: Gabarito Letra B Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: [...] X - que conceder ou negar a ordem de habeas corpus; Recurso em sentido estrito ---> 1º grau de jurisdição. Recurso Constitucional ---> 2º grau e Instâncias Superiores.