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Distúrbios Cardiovasculares Síndrome Coronariana Aguda (SCA) Enfermeiro Thiago Hessel Relembrando... Nó Sinusal “Marca-passo” Nó Atrioventricular Os batimentos cardíacos são regidos pelo Nó Sinusal (ou Nodo Sinoatrial) – o marca-passo do coração. Qualquer alteração na frequência ou do ritmo cardíaco é conhecido como arritmia. Eletrocardiograma • Registra a atividade elétrica do coração • Fornece informações sobre impulsos elétricos e o funcionamento cardíaco • A corrente elétrica do tecido cardíaco é verifica em 12 derivações diferentes Eletrocardiograma Normal • No coração normal, um ciclo completo é representado por ondas P, Q, R, S, T, com duração total menor do que 0,8 segundos. • P=contração auricular • QRS= contração ventricular • T= repolarização ventricular Anatomia das Coronárias Conceito – SINDROME CORONARIANA AGUDA Descreve uma serie de doenças relacionadas ao desequilíbrio entre a oferta e consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco, levando a redução do fluxo sanguíneo. SCA ANGINA INSTÁVEL IAM SEM SUPRA ST IAM COM SUPRA ST Aterosclerose, a grande vilã... • Cerca de 90% dos casos da SCA são ocasionados pela ruptura da placa aterosclerótica. • Na aterosclerose, as artérias são estreitadas quando depósitos de gordura denominados placas de ateroma se acumulam no seu interior. Fisiopatologia A aterosclerose causa... O enrijecimento e o espessamento das artérias, acarretando em lesões que facilitaram a formação de trombos; Esses trombos irão ocluir parcialmente ou totalmente a luz dos vasos coronarianos, iniciando um processo de isquemia tecidual. Fatores desencadeantes • A alteração do fluxo sanguíneo sobre o endotélio e a consequente lesão está relacionado aos seguintes fatores • Hipertensão • Diabetes • Tabagismo • Infecções • Estresse Fatores de risco para isquemia miocárdica Hipertensão Diabetes Obesidade Dislipidemia Homens >50 anos Mulheres pós menopausa. Sedentarismo Tabagismo Espasmo das artérias coronárias Hipercolesterolemia História familiar de (DAC) História pessoal prévia de SCA Coronariopatia congênita Hipercoagulabilidade, Doença valvular aórtica Miocardiopatias AR ou LES Abuso de drogas (cocaína) Estresse emocional Angina Estável (quadro de dor no peito típica ou previsível) Dor em aperto, sensação de peso, contrição ou queimação no peito - de curta duração (~ 20 minutos). Localização: região retroesternal com irradiação, mandíbula, dorso e membros superiores. Melhora com o repouso ou com o uso de um vasodilatador coronariano (nitrato siblingual). Angina Instável (Atípica) • Dor anginosa que dura mais de 20 minutos, pode surgir em repouso ou mesmo de modo imprevisível; • Facilmente confundido com o IAM; • Faz parte da tríade da Síndrome Coronariana Aguda; • Não apresenta localização ou irradiação típica; • Pode apresentar: dispneia, eructações, fadiga, ou dor de localização atípica na região epigástrica, lado direito do tórax. Infarto Agudo do Miocárdio - IAM • Obstrução de uma ou mais artérias coronarianas, causando a morte tecidual do músculo cardíaco. • Causada por trombo, vasoespasmo, hipotensão, por maior demanda de oxigênio, entre outros fatores. IAM: sintomas associados • Sudorese • Náuseas • Vômitos • Dispneia • Arritmias Dor do infarto • Geralmente, semelhante à dor da angina estável, com irradiação para o membro superior direito ou esquerdo, porém pode ocorrer sem estresse desencadeante. • Apresenta-se: • Mais intensa; • Duração superior a 20 minutos; • Não melhora após o uso de nitratos. Dor torácica típica de SCA Objetivos: alívio do sintomas, oxigenação adequada e redução da isquemia. AAS, Nitrato e Morfina EGC inicial: 10 minutos SCA com elevação de ST ou BRE Morfina, Oxigenioterapia, Nitrato, AAS, Betabloqueador, Intervenção Fibrinolítica ou Invasiva, Terapia Complementar SCA sem elevação de ST Estratificação de Risco Diagnóstico O diagnóstico precoce é fator fundamental para a redução da morbimortalidade, realizado com base no: • Quadro clinico • Alterações do ECG • Elevação dos marcadores bioquímicos de necrose Abordagem inicial • Sinais vitais • Ausculta Cardíaca e Pulmonar. • Medicações anti-isquemicas e antiplaquetárias devem ser iniciadas imediatamente na chegada do paciente. • EGC inicial: Em até 10 minutos. • Radiografia de Tórax – critério de exclusão de outras causas potenciais para dor no peito (pneumonia , insuficiência cardíaca congestiva). • Marcadores bioquímicos Fármacos utilizados na abordagem inicial • Morfina: indicada no combate á dor e redução do consumo de oxigênio. • Oxigênio: ofertar maior concentração de oxigênio ao paciente nas primeiras horas de SCA. • Nitrato (sublingual): vasodilatação coronariana e consequentemente aumento da oferta de oxigênio ao miocárdio. Alivio imediato da dor. • Antiagregantes plaquetários: clopidogrel e o AAS (anti-inflamatório não esteroide). Quadro Clínico IAM Queixa principal: Dor no peito • Aperto, peso, sensação de mal-estar ou queimação, indicada pelo punho cerrado, apontando normalmente para a região do precórdio ou epigástrico (sinal de Levine). • Regiões retroesternal ou epigástrica, com irradiação para o pescoço, mandíbula, ombro, membros superiores, sendo mais comum para os membros superior esquerdo, acompanhada ou não de parestesia. • Diaforese, palpitações, extremidades frias, palidez, náuseas, vômitos ou dispneia. • Sinais de agitação psicomotora, ansiedade, náuseas, vômitos, sudorese e com manifestações de disfunção ventricular e hiperatividade do sistema nervoso autônomo (taquicardia, sudorese, bradicardia). Avaliação: ECG • IAM Com Supra ST: Presença de supradesnivelamento do segmento ST Presença de bloqueio completo do ramo esquerdo (BRCE) novo ou presumivelmente novo. • Angina Instável / IAM Sem Supra ST. • ECG não é essencial para diagnóstico, mas define subgrupo mais grave: infradesnivelamento ≥ 0,5 mm (0,05mV) em duas ou mais derivações contínuas; inversão de onda T ≥ 2 mm em derivações sem onda Q. A mortalidade aumenta com o envolvimento de maior número de derivações e da maior amplitude do supradesnivelamento do segmento ST. Condutas iniciais de enfermagem • Monitorização cardíaca, PA (não invasiva) e oximetria de pulso contínuos. • Realizar ECG (respeitar o tempo); • Vigia dos sinais vitais; • Avaliação da dor; • Estabelecer acesso venoso (calibroso); • Medicar conforme prescrição. Avaliação: dor torácica • 15 a 25% dos pacientes admitidos em serviços de emergência com dor torácica apresentam SCA. • Outras causas de dor torácica potencialmente graves devem ser identificadas precocemente, como: • Dissecção aguda de aorta; • Tromboembolismo pulmonar; • Pneumotórax hipertensivo. EXAME FÍSICO: PRINCIPAIS ACHADOS EM CASOS DE SCA • Hipotensão (100 bpm) pulsos finos e má perfusão periférica, levantamento sistólico e estase jugular. • Dispneia, taquipnéia (>24 mrpm) • Sinais de comprometimento respiratório , agitação , ansiedade, cianose. • Uso da musculatura acessória (tiragem subdiafragmática e intercostal, tiragem de fúrcula, batimento de asa do nariz) • Anormalidades na ausculta pulmonar: estertores pulmonares, estridor e/ou sibilos. Exame físico Sistema Neurológico • Escala de Coma de Glasgow • Diâmetro pupilar • Reflexos fotomotores • Dificuldade motora, desvio de comissura labial e /ou paralisia facial • Atentar para: hemiparesia ou hemiplegia, hemianopsia, déficit de memória, afasia, cefaleia intensa ou persistente, náuseas e êmese. • Atenção para possíveis sinais de fibrilação atrial, tais como o ritmo cardíaco irregular, queixa de palpitação Cuidados de Enfermagem • Monitorar controle de parâmetros (FC, FR, PA, SpO2 e Tax); • Oferecer suporte ventilatório conforme a necessidade;• Posicionar o paciente para adequada ventilação; • Realizar ausculta cardíaca e pulmonar; • Monitorar padrão respiratória; • Manter o paciente em repouso; • Realizar avaliação da dor com escala analógica; Cuidados de Enfermagem • Identificar fatores agravantes e indicadores de desconforto; • Aplicar medidas não farmacológicas de alívio da dor; • Administrar medicamento conforme prescrição; • Atentar qualquer manifestações de complicações; • Comunicar qualquer anormalidade ao profissional responsável. Marcadores bioquímicos de necrose miocárdica • Em decorrência da privação de oxigênio as enzimas cardíacas são liberadas para circulação sanguínea no inicio do IAM, não estando presentes nos casos de Angina Instável. • Por este motivos , a elevação das enzimas cardíacas no sangue se tornou um método padrão para diagnostico de IAM. • Os principais marcadores cardíacos são: Troponina, Creatinoquinases e as Mioglobinas (CK-MB). • CK-MB -creatina quinase, tem melhor acurácia após algumas horas do inicio dos sintomas e se constitui em um marcador de segunda escolha. Marcadores bioquímicos de necrose miocárdica • Uma limitação importante destes marcadores é que a sua sensibilidade é relativamente baixa até quatro a seis horas após o inicio dos sintomas. • Assim , um teste negativo neste período de tempo não exclui lesão miocárdica. Além disso, alguns pacientes não mostram elevação enzimática por até 12 horas. Diagnóstico diferencial • Ecocardiográfica; • Arteriografia; • Teste ergométrico; • Cintilografia de perfusão miocárdica; • Cinecoronariografia (cateterismo cardíaco). Tratamento: Angina Instável/IAM Sem Supra ST • O tratamento é tempo-dependente. • Controle da Dor e Terapia Antitrombótica. • Clopidogrel/Ticlodipina • Heparina • Inibidores da glicoproteína IIb IIIa ABCIXIMABE e Tirofiban • Inibidores da ECA (IECA) • Nitrato IV (nitroglicerina) Tratamento: IAM Com Supra ST • Reperfusão por angioplastia coronariana transluminal percutânea(ACTP) • Revascularização do miocárdio (CRM) • Intervenção trombolítica - Estreptoquinase (SK), Alteplase (tpa), Tenecteplase (TNK): • Medicações que dissolvem o trombo ou coágulo no interior das coronárias Deve ser realizada precocemente (internação e infusão 30mim) • Indicação: IAM com evolução inferior a 12 horas. • Bloqueio de ramo esquerdo(BRE) novo. Tratamento: IAM Com Supra ST Contraindicações de Intervenção com antitrombóticos • AVC hemorrágico • Neoplasias intracraniana • Sangramento interno ativo • Suspeita de dissecção de • Aorta • Hipertensão severa • Patologia cerebrais (exceto AVC hemorrágico) • Uso crônico de anticoagulantes • Trauma ou sangramento interno recente • RCP prolongada • Cirurgias recentes (de grande porte) Referências • Formação de Enfermeiros para o Cuidado e o Ensino de Enfermagem: Projeto de Integração Ensino Serviço (FECEENF - UFCSPA) - Curso Emergências Clínicas 2016. • SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Brunner e Suddarth: tratado de enfermagem médico-cirúrgica. Trad. José Eduardo Ferreira de Figueiredo. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. • PIEGAS, L. S. et al. V Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre o tratamento do infarto agudo do miocárdio com supradesnível do segmento ST. Arquivos brasileiros de cardiologia, v. 105, n. 2, p. 1- 121, 2015.