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Profa. Dra. Aline Veroneze UNIDADE I Nutrição em Saúde Pública Para compreender a trajetória das políticas de alimentação e nutrição no Brasil, é necessário conhecer o contexto econômico, político e social. Época colonial: o objetivo era de minimizar epidemias no país; Primeira Guerra Mundial (1914-1918): dificuldades de acesso aos alimentos, escassez; Início do século XX: condições precárias de higiene, saúde e trabalho, ainda com o aumento da urbanização e industrialização. Trajetória dos Programas de Alimentação e Nutrição no Brasil Fonte: https://www.camaraformig a.mg.gov.br/projeto-que- cria-politica-municipal-de- seguranca-alimentar-e- nutricional-e-aprovado/ Trouxe a fome ligada às questões sociais e não somente biológicas. E como pode justificar sua teoria? Em 1929, realizou investigações sobre as condições de alimentação e moradia da classe operária recifense; Trabalho de campo pioneiro, a pesquisa resultou na obra “Condições de Vida das Classes Operárias do Recife”, publicada em 1933; Concluiu que o trabalhador e sua família tinham mais de 70% do salário comprometido com a aquisição de alimentos; Dieta pobre em nutrientes e energia; Este e outros estudos posteriores sobre essa temática serviram de base para a criação do salário mínimo em 1940. Josué de Castro Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/josue-castro.htm Políticas e programas sociais de alimentação e nutrição começaram a ser implantados no país; Em 1940 foi instituído o Serviço de Alimentação e da Previdência Social (Saps), subordinado ao Ministério do Trabalho: preparo e a distribuição de refeições balanceadas aos trabalhadores formais, comercializar alimentos básicos a preços mais acessíveis, capacitar profissionais para as atividades envolvidas na produção de refeições seguras e realizar ações de educação nutricional – extinto em 1967; Em 1945 houve a criação da Comissão Nacional de Alimentação (CNA): desenvolvia e incentivava estudos sobre o estado nutricional e consumo alimentar da população brasileira e realizava campanhas educativas; Plano Nacional de Alimentação e Nutrição e a fortificação obrigatória do sal com iodo em 1953; Campanha Nacional de Merenda Escolar (CNME) em 1954. A partir de 1940 até 1980 De 1968 a 1974 (governo militar): elevado crescimento econômico, no entanto aumentaram as desigualdades sociais; Inquérito – Estudo Nacional de Despesas Familiares (Endef), realizado entre 1974 e 1975 – só teve uma edição e hoje se chama Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF): 67% da população tinha consumo energético inferior às suas necessidades; Desnutrição: 41% entre menores de 5 anos e 25% entre adultos. A partir de 1940 até 1980 Fonte: https://memoria.ibge.gov.br/publicacoe s-e-eventos/eventos/21180-ii-painel- memoria-ibge-endef-40-anos.html A CNA foi extinta em 1972 e substituída pelo Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (Inan), autarquia do Ministério da Saúde; O Programa Nacional de Alimentação e Nutrição (Pronan-I) foi instituído pelo Inan em 1973, constituído por 12 programas envolvendo alimentação e nutrição – pouco efetivo; Substituído em 1975 pelo Pronan-II, com duração até 1984, após prorrogação em 1979. Quais eram os focos principais das ações? Suplementação alimentar (doação de alimentos) a crianças, gestantes, nutrizes e trabalhadores de baixa renda; Otimização da produção e da comercialização de alimentos, com ênfase no pequeno produtor; Subsídios para a fortificação de alimentos específicos, pesquisas, programas de capacitação profissional e de instalações para a distribuição de alimentos. Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (Inan) a) Programas de Prevenção e Combate a Carências Nutricionais Específicas; b) Programa de Suplementação Alimentar (PSA); c) Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno (Pniam); d) Programa Nacional do Leite para Crianças Carentes (PNLCC); e) Programa de Nutrição em Saúde (PNS); f) Programa de Complementação alimentar (PCA); g) Programa de Abastecimento de Alimentos Básicos em Áreas de Baixa Renda (Proab); h) Programa de Racionalização da Produção de Alimentos Básicos (Procab); i) Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Principais Programas Governamentais Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição – PNSN (1989) Objetivo: descrever o estado nutricional da população brasileira e caracterizar as condições socioeconômicas e de saúde nos domicílios brasileiros: Redução do déficit de peso entre adultos (5,4%) e o aumento da prevalência de excesso de peso para o mesmo grupo (35,7%), quando comparados com dados do Endef. Quais as causas? Renda familiar e a expansão dos programas sociais. Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (Inan) Fonte: http://189.28.128.100/dab/docs/portalda b/documentos/boletimSisvan/pnsn.pdf No início da década de 1990, quase todos os programas foram extintos e mantinham-se vigentes: Pnae, PAT, PCCE, PNLCC (até 1991) e PSA (até 1993) – redução de alocação de recursos públicos para programas de alimentação e nutrição; “Ação da cidadania contra a fome, a miséria e pela vida” de Herbert José de Sousa, Betinho, culminou no Plano de Combate à Fome e à Miséria e na criação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) em 1993, extinto após dois anos; Lei Orgânica de Saúde, que instituiu o SUS, cria o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan): identificar e acompanhar a evolução do estado nutricional da população e seus determinantes. A partir de 1990 até 2023 Fonte: http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/orientacoes_basicas_sisvan.pdf Com a extinção do Inan em 1997, criou-se a Área Técnica de Alimentação e Nutrição (Atan) no âmbito da Secretaria de Políticas de Saúde. Posteriormente, foi integrada ao Departamento de Atenção Básica como Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição (CGPAN). 1999 (Portaria do Ministério da Saúde n. 710, de 10 de junho de 1999) – é publicada a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan) pela CGPAN: objetiva a melhoria das condições de alimentação, nutrição e saúde da população brasileira. É atualizada em 2011 (Portaria n. 2.715, de 17 de novembro de 2011). Legado do Inan e do Sisvan. A partir de 1990 até 2023 Fonte: https://alimentacaosaudavel.org.br/biblioteca/publicacoes/ politica-nacional-de-alimentacao-e-nutricao-pnan/7367/ Anos 2000: iniciam-se os programas de transferência de renda à população extremamente pobre: Programa Bolsa Alimentação (2001), Vale Gás (2002), Bolsa Escola (2001), Programa Nacional de Acesso a Alimentos (2003) – substituídos pelo Bolsa Família, que os unifica em 2004; Em 2003, as ações relacionadas à segurança alimentar e nutricional tornaram-se prioridade a fim de garantir quantidade, qualidade e regularidade ao acesso aos alimentos: Programa Fome Zero não se resumia às ações assistencialistas. A partir de 1990 até 2023 Fonte: https://observatorio.guarulhos.sp.go v.br/content/bolsa-fam%C3%ADlia- %E2%80%93-pol%C3%ADtica- p%C3%BAblica-de- transfer%C3%AAncia-de-renda O Programa Bolsa Família (PBF) consiste no repasse de valores monetários para famílias em pobreza e extrema pobreza; Em 2021, o PBF foi substituído pelo Auxílio Brasil, com maior cobertura populacional e repasse financeiro às famílias; Foi descontinuado em 2023, quando o novo PBF volta a vigorar, com aumento do critério de renda para os elegíveis ao programa e a integração e fortalecimento das estratégias vinculadas aos serviços sociais; Foco: famílias, existem condicionalidades... Realização do acompanhamento pré-natal; Acompanhamento do calendário nacional de vacinação; Realização do acompanhamento do estado nutricional das crianças menores de sete anos; Para as crianças de quatro a cinco anos, frequência escolar mínima de 60% e 75% para os beneficiáriosde 6 a 18 anos incompletos que não tenham concluído a educação básica. Programa Bolsa Família Em relação à intervenção social do Estado brasileiro, observou-se: A política pública de alimentação e nutrição passou do planejamento autoritário ao participativo; Da centralização à descentralização administrativa; De programas de distribuição de alimentos em espécie aos de tíquetes e à transferência de renda em dinheiro; Das ações emergenciais ou assistenciais às estruturais. Doação de alimentos: mantém-se em caráter exclusivamente emergencial. Então, a partir de 1990... Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/saude/impo rtancia-dos-alimentos-na-saude.htm Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) 2003: estratégia de aumento do acesso a alimentos de qualidade e incremento da renda de pequenos produtores; Divulgação do primeiro Guia Alimentar para População Brasileira em 2006 e segunda edição em 2014; Plano Brasil sem Miséria, implantado em 2011, teve como meta a erradicação da extrema pobreza até 2014: inclusão produtiva, garantia de renda e acesso a serviços públicos de proteção e promoção social, incluindo os de alimentação e nutrição; Em 2011, também foi lançado o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis, com metas a serem atingidas até 2022; Outros programas e ações... Fonte: https://paa.mds.gov.br/page/ Fonte: https://pt.scribd.com/document/4912651/ Guia-alimentar-guia-de-bolso-2006 Fonte: https://www.radiocoracao.org/2011/06/0 3/plano-entenda-o-brasil-sem-miseria/ Entre 2016 e 2019, a redução do orçamento para políticas de alimentação e nutrição impactou drasticamente a continuidade das ações e provocou retrocessos para a garantia de direitos estabelecidos; Em 2020, efeitos ampliados em relação às desigualdades. Outros programas e ações... Fonte: https://www.paho.org/pt/noticias/5-5-2022- excesso-mortalidade-associado-pandemia-covid- 19-foi-149-milhoes-em-2020-e-2021 Qual das seguintes alternativas representa uma mudança nas políticas públicas brasileiras de alimentação e nutrição a partir de 1990? a) Do planejamento participativo ao autoritário. b) Da descentralização à centralização administrativa. c) Das ações estruturais às emergenciais. d) Da distribuição de alimentos em espécie aos tíquetes e à transferência de renda em dinheiro. e) Da transferência de renda em dinheiro à distribuição de alimentos em espécie. Interatividade Qual das seguintes alternativas representa uma mudança nas políticas públicas brasileiras de alimentação e nutrição a partir de 1990? a) Do planejamento participativo ao autoritário. b) Da descentralização à centralização administrativa. c) Das ações estruturais às emergenciais. d) Da distribuição de alimentos em espécie aos tíquetes e à transferência de renda em dinheiro. e) Da transferência de renda em dinheiro à distribuição de alimentos em espécie. Resposta Definição da agenda pública de nutrição: diagnóstico da situação nutricional da população; Tomada de decisão: análise crítica e minuciosa das propostas para a solução dos problemas identificados; Após a implementação: monitoramento e a avaliação das mudanças promovidas pelas ações e reanálise da situação. Políticas Públicas CICLO DE POLÍTICAS PÚBLICAS AVALIAÇÃO PROBLEMA PÚBLICO IDENTIFICAÇÃO DO MONITORAMENTO IMPLEMENTAÇÃO DA POLÍTICA PÚBLICA PLANEJAMENTO DA EXECUÇÃO INCLUSÃO NA AGENDA PÚBLICA SOLUÇÕES ALTERNATIVA A, B, C, D...DECISÃO Fonte: Adaptado de: https://unale.org.br/o-ciclo- das-politicas-publicas/ Políticas públicas são um conjunto de normas e princípios que norteiam as ações do poder público. Instrumentos de implementação da política pública são leis, decretos, portarias, planos, programas, normas, resoluções. Políticas Públicas Fonte: autoria própria. Política Programa Governamental Estratégia Propósito: a garantia da qualidade dos alimentos colocados para consumo no País, a promoção de práticas alimentares saudáveis e a prevenção e o controle dos distúrbios nutricionais, bem como o estímulo às ações intersetoriais que permitissem o acesso universal da população aos alimentos, de forma a permitir o alcance do propósito, foram estabelecidas diretrizes prioritárias. A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan) Fonte: https://alimentacaosaudavel.org.br/bibl ioteca/publicacoes/politica-nacional- de-alimentacao-e-nutricao-pnan/7367/ Atualizada em 2011; Propósito: melhoria das condições de alimentação, nutrição e saúde da população brasileira, mediante a promoção de práticas alimentares adequadas e saudáveis, a vigilância alimentar e nutricional, a prevenção e o cuidado integral dos agravos relacionados à alimentação e nutrição. A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan) Fonte: https://alimentacaosaudavel.org.br/biblio teca/publicacoes/politica-nacional-de- alimentacao-e-nutricao-pnan/7367/ Princípios: Além dos princípios dos SUS: universalidade, integralidade, equidade, descentralização, regionalização e hierarquização, e participação popular... A Pnan se orienta pelos seguintes princípios: Alimentação como elemento de humanização das práticas de saúde; respeito à diversidade cultural e alimentar; Fortalecimento da autonomia dos indivíduos; Determinação social e a natureza interdisciplinar e intersetorial da alimentação e nutrição; Segurança alimentar e nutricional com soberania. A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan) Diretrizes: 1. Organização da Atenção Nutricional; 2. Promoção da Alimentação Adequada e Saudável; 3. Vigilância Alimentar e Nutricional; 4. Gestão das Ações de Alimentação e Nutrição; 5. Participação e Controle Social; 6. Qualificação da Força de Trabalho; 7. Controle e Regulação dos Alimentos; 8. Pesquisa, Inovação e Conhecimento em Alimentação e Nutrição; 9. Cooperação e Articulação para a Segurança Alimentar e Nutricional. A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan) Fonte: https://alimentacaosaudavel.org.br/biblioteca/publicacoes/politica- nacional-de-alimentacao-e-nutricao-pnan/7367/ A garantia da segurança alimentar e nutricional da população brasileira exige que a Pnan esteja alinhada às outras políticas públicas: Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) e a Política Nacional de Atenção Básica (Pnab); A PNPS, aprovada em 2006 e revisada em 2014 e 2017, tem como propósito melhorar, de forma equitativa, as condições e o modo de vida da população, considerando os determinantes sociais, econômicos, políticos, culturais e ambientais do processo saúde-doença; Pnab: Muitas das ações de promoção da saúde são desenvolvidas no nível de atenção básica (ou primária) de atendimento, sendo este âmbito de atuação o responsável pela organização das ações de alimentação e nutrição da Rede de Atenção à Saúde (RAS). A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan) Já vimos que Josué de Castro evidenciou a magnitude da fome no Brasil... Fome tem como principal causa: a pobreza; Fome aguda: urgência de se alimentar; Fome crônica: permanente, ocorre quando a alimentação diária, habitual, não propicia ao indivíduo energia suficiente para a manutenção do seu organismo e para o desempenho de suas atividades cotidianas; Fome oculta: deficiência silenciosa de um ou mais micronutrientes (vitaminas e minerais). Fome, pobreza e desnutrição Fonte: https://www.em.com.br/app/noticia/na cional/2022/06/08/interna_nacional,13 71929/fome-no-brasil-quase-dobra- apos-dois-anos-de-pandemia.shtml A fome crônica resulta em um dos tipos de desnutrição, provocada pela deficiência de energia e proteínas, que frequentemente se associa às outras carências nutricionais (ferro, vitamina A e outros micronutrientes) – desnutrição crônica é identificada pelo déficit de estatura para a idade; Doenças infecciosas são mais frequentesem indivíduos desnutridos devido à menor imunidade, gerando a diminuição do apetite, da absorção e utilização de nutrientes, além do aumento das necessidades nutricionais, agravando ainda mais a situação. Fome, pobreza e desnutrição Fonte: https://www.abc.med.br/p/vida- saudavel/1379748/micronutriente-ou- oligoelemento-o-que-e-isso.htm São provenientes dos inquéritos, pesquisas de abrangência nacional e com amostra representativa da população. Devido a prevalências abaixo de 5% entre adultos, desde o final da década de 1980, a desnutrição já apresenta evidências de controle na população brasileira e houve queda entre as crianças ao compararmos o Endef com a PNDS. Tendência de diminuição da desnutrição infantil: 32,9% em 1974-1975, 13,5% em 1996 e 6,8% em 2006-2007. E quais foram as principais causas para a redução da desnutrição na infância? Poder aquisitivo (37%) e Escolaridade materna (26%) – 63%. Dados sobre a desnutrição energético-proteica Em 2014, pela primeira vez na história, o Brasil não se enquadrou no Mapa da Fome por apresentar prevalência de desnutrição na população menor que 5%, assim como ocorre em países mais desenvolvidos (Estados Unidos, Canadá, Austrália, China, Japão, Rússia e a maioria dos países europeus); O Mapa da Fome utiliza uma nova metodologia para classificação dos países em 2018, baseada nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), e o Brasil retorna à situação de insegurança alimentar e nutricional por esse novo critério em 2020/2021. Mapa da Fome Fonte: https://cnq.org.br/not icias/brasil-sai-do- mapa-mundial-da- fome-aponta-fao/ O estado nutricional adequado é uma estratégia para interromper o ciclo da pobreza. Ambiente alimentar: Desertos alimentares – locais onde o acesso a alimentos in natura ou minimamente processados é escasso ou impossível; Pântanos alimentares – locais onde há alta concentração de estabelecimentos que comercializam alimentos não saudáveis, com baixo custo, alta densidade energética e baixo valor nutricional e escassez de estabelecimentos que comercializam alimentos saudáveis. Estado Nutricional Adequado e o Ambiente Alimentar A Pnan visa contribuir para a melhoria das condições de saúde da população brasileira por meio de: a) Ações integradas e intersetoriais que promovam a alimentação adequada e saudável. b) Foco exclusivo em medidas paliativas e emergenciais para combate à fome. c) Restrição das ações de nutrição às áreas urbanas. d) Redução da participação popular na elaboração das políticas alimentares. e) Abandono das práticas de transferência de renda em favor de medidas centralizadas. Interatividade A Pnan visa contribuir para a melhoria das condições de saúde da população brasileira por meio de: a) Ações integradas e intersetoriais que promovam a alimentação adequada e saudável. b) Foco exclusivo em medidas paliativas e emergenciais para combate à fome. c) Restrição das ações de nutrição às áreas urbanas. d) Redução da participação popular na elaboração das políticas alimentares. e) Abandono das práticas de transferência de renda em favor de medidas centralizadas. Resposta O termo segurança alimentar começou a ser construído logo após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), estando associado à segurança nacional no contexto europeu; Com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), alguns anos mais tarde, houve um agravamento do sistema econômico mundial: compreendida como produção e distribuição insuficientes de alimentos; A partir de 1950, o movimento Revolução Verde cresceu mundialmente. Processo histórico da segurança alimentar e nutricional Fonte: https://www.cnbb.org.br/projeto-seguranca-alimentar- nutricional-e-produtiva-foi-lancado-em-pernambuco/ Sistemas agroalimentares Sistema agroalimentar moderno monoculturas de exportação avanços tecnológicos uso intensivo de agroquímicos Urbanização e êxodo rural Alterações na forma de produzir e transformar o alimento Revolução verde, tecnologias na produção de alimentos Repercussões nas dimensões: econômica, social, ambiental e cultural Já na década de 1970, a escassez de alimentos em vários países ocasionou a realização da I Conferência Mundial de Segurança Alimentar, que reforçou a compreensão de que era preciso maior disponibilidade de alimentos e regularidade de acesso; A partir dos anos 1980, o conceito de segurança alimentar foi ampliado para além da capacidade produtiva, de armazenamento e de oferta, e passou a ser relacionado à garantia de acesso físico e econômico em quantidade suficiente e de forma permanente; Em 1986, ocorreu a I Conferência Nacional de Alimentação e Nutrição como parte da 8ª Conferência Nacional de Saúde – conceito de segurança alimentar e nutricional. Processo histórico da segurança alimentar e nutricional Fonte: https://www.cnbb.org.br/projeto-seguranca-alimentar- nutricional-e-produtiva-foi-lancado-em-pernambuco/ Segundo a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional – Losan (Lei n. 11.346, de 15 de setembro de 2006): “Realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis”. O que é a Segurança Alimentar e Nutricional? Fonte: https://caisan.agricultura.sp.gov.br/sisan Dimensão alimentar: produção, disponibilidade, comercialização e acesso ao alimento. Dimensão nutricional: práticas alimentares e utilização biológica do alimento. Dimensões da Segurança Alimentar e Nutricional Alimentos adequados e saudáveis Diversidade de alimentos Qualidade sanitária e nutricional dos alimentos Alimentação com base no hábito alimentar cultural Acesso a alimentos livres de contaminantes Acesso às políticas públicas de SAN Acesso à informação Ter disponibilidade de alimentos no local Garantia de outros direitos Acesso regular e permanente Acesso à renda/ estabilidade financeira Acesso à saúde, educação, assistência social SAN Fonte: Adaptado de: Kepple (2010) e Consea (2010). Em 2004, realizou-se a II Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, importante marco histórico – Lei n. 11.346 de 15 de setembro de 2006 – cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – Sisan com vistas em assegurar o direito humano à alimentação adequada; Estabelece: Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional; Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan); Decreto n. 7.272/2010: Instituição da Política e Plano de SAN – objetivo de assegurar o DHAA aos brasileiros, promovendo soberania e segurança alimentar e nutricional. Marcos Importantes Fontes: https://www.epsjv.fiocr uz.br/sites/default/files /documentos/pagina/l ei_11346-06.pdf https://www.mds.gov. br/webarquivos/arquiv o/seguranca_alimenta r/caisan/plansan_201 6_19.pdf https://www.cfn.org.br/ index.php/cartilhas/car tilha-cfn-direito-a- alimentacao/ Emenda Constitucional n. 64 em 2010: incluiu a alimentação entre os direitos sociais; “Art. 6° – São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. Marcos Importantes Fontes: https://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/documentos/pagina/lei_11346-06.pdf https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/seguranca_alimentar/caisan/plansan_2016_19.pdf https://www.cfn.org.br/index.php/cartilhas/cartilha-cfn-direito-a-alimentacao/ Soberania Alimentar: Direito dos povos de definir políticas e estratégias de produção, distribuição e consumo. Direito Humanoà Alimentação Adequada (DHAA): Os direitos humanos são universais, indivisíveis e inalienáveis a todas as pessoas e de vital importância para garantir uma vida digna, sendo interdependentes e inter-relacionados. O direito de estar livre da fome e da má nutrição; O direito à alimentação adequada. Princípios da Segurança Alimentar e Nutricional Diversidade Realização de outros direitos Qualidade sanitária Adequação nutricional Acesso à informação Livre de contaminantes, agrotóxicos e organismos geneticamente modificados Respeito e valorização da cultura alimentar nacional e regional Acesso a recursos financeiros ou recursos naturais, como terra e água Alimentação adequada Fonte: Adaptado de: Leão; Recine (2011). O Estado, como responsável pela garantia do DHAA, deve implantar políticas e programas para que todos tenham respeitada a capacidade de prover sua própria alimentação, como também estejam protegidos de qualquer tentativa de violação do DHAA por indivíduos, grupos, empresas ou entidades; No Brasil, principalmente devido a diversos programas de proteção social e também pelo avanço socioeconômico, ocorridos após os anos 2000, observou-se significativa redução da fome e da desnutrição; Entre os programas de grande efetividade para o DHAA, destacam-se: Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Pronaf e Pnae. Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) A Losan instituiu o Sisan; Um sistema de gestão intersetorial, participativa e de articulação entre os três níveis de governo para a implementação e execução das Políticas de Segurança Alimentar e Nutricional: Acompanhamento, monitoramento e avaliação da segurança alimentar e nutricional do país; Assegura o DHAA por meio da formulação e implementação de Política e Planos de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). O Sistema Nacional de Segurança Alimentar Fonte: https://caisan.agricultura.sp.gov.br/sisan Conferências de SAN: diretrizes e prioridades para políticas públicas – participação social; Consea: consultivo – composto por dois terços de representantes da sociedade civil e um terço de representantes governamentais – órgão de consulta e assessoria do presidente da república; Caisan: promove integração dos órgãos e entidades públicas composta por ministros de Estado – representantes dos ministérios (Decreto n. 6.273, de 23 de novembro de 2007). O Sistema Nacional de Segurança Alimentar Fonte: https://caisan.agricultura.sp.gov.br/sisan Integra o Sisan, já foi extinto e retomado algumas vezes na história (criação em 1993), em 2023 é retomado. Entre as atribuições do Consea, destacam-se: Convocar e organizar a Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, com periodicidade não superior a quatro anos. Nas conferências, realizar discussões que promovam a luta pela segurança alimentar e nutricional e apresentar as solicitações aos órgãos governamentais. Propor à Caisan as diretrizes e as prioridades da política e do PlanSAN, com base nas deliberações das conferências nacionais de segurança alimentar e nutricional. Consea Fonte: https://caisan.agricultura.sp.gov.br/sisan Responsabilidades: Elaborar, a partir das diretrizes emanadas do Consea, a PNSAN e o PlanSAN, indicando diretrizes, metas, fontes de recursos e instrumentos de acompanhamento, monitoramento e avaliação de sua implementação; Coordenar a execução da política e do plano; Articular as políticas e os planos de suas congêneres estaduais e do Distrito Federal. Apesar da extinção do Consea, a Caisan continuou operante, mesmo que de forma ineficiente. Caisan Fonte: https://caisan.agricultura.sp.gov.br/sisan I CNSAN, que ocorreu em 1994, em Brasília, para debate de propostas sobre segurança alimentar e nutricional: discussões sobre o acesso à alimentação de qualidade, promoção de hábitos alimentares e estilos de vida saudáveis, ações e programas voltados a populações mais vulneráveis à insegurança alimentar contribuíram para as diretrizes da Pnan, em 1999; Conferências Nacionais de Segurança Alimentar e Nutricional (CNSAN) 1993 Criação 1 Consea 1994 2003 Criação 2 Consea I CNSAN 1995 Consea Extinto II CNSAN 2004 2006 Losan 2007 Sisan 2007 III CNSAN 2011 IV CNSAN 2012 I PlanSAN 2015 V CNSAN 2010 DHAA na constituição e PNSAN 2016 II PlanSAN Fonte: Adaptado de: livro-texto. Para garantir os direitos sociais, que a Constituição Federal brasileira define como direitos individuais e coletivos, impõe a necessária criação e estruturação de sistemas públicos; Está articulado com a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (Pnan) e com o Sistema Único de Saúde. O Sistema Nacional de Segurança Alimentar Fonte: https://alimentacaosaudavel.org.br/biblioteca/publicacoes/ politica-nacional-de-alimentacao-e-nutricao-pnan/7367/ Sobre a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), identifique a alternativa correta: a) O acesso regular e permanente a alimentos de qualidade é um dos pilares fundamentais da SAN. b) A SAN é um conceito restrito a políticas públicas e programas governamentais. c) O conceito de SAN é destinado apenas às áreas rurais do país. d) A SAN se limita à questão da disponibilidade física de alimentos, desconsiderando aspectos socioeconômicos e culturais relacionados ao acesso e utilização adequada dos alimentos. e) A quantidade de alimentos disponíveis em um determinado local, independentemente de sua qualidade nutricional, é o principal indicador de segurança alimentar. Interatividade Sobre a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), identifique a alternativa correta: a) O acesso regular e permanente a alimentos de qualidade é um dos pilares fundamentais da SAN. b) A SAN é um conceito restrito a políticas públicas e programas governamentais. c) O conceito de SAN é destinado apenas às áreas rurais do país. d) A SAN se limita à questão da disponibilidade física de alimentos, desconsiderando aspectos socioeconômicos e culturais relacionados ao acesso e utilização adequada dos alimentos. e) A quantidade de alimentos disponíveis em um determinado local, independentemente de sua qualidade nutricional, é o principal indicador de segurança alimentar. Resposta Regulamentada pela Losan, a PNSAN foi criada com o Decreto n. 7.272, de 25 de agosto de 2010, e estabeleceu os parâmetros para a elaboração do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – PlanSAN. O I PlanSAN foi composto de 8 diretrizes e 330 metas organizadas em 43 objetivos e, após sua revisão, fixaram-se 144 metas distribuídas em 38 objetivos. No período entre 2016 e 2019, entrou em vigência o II PlanSAN, elaborado com 9 desafios, 121 metas e 99 ações organizadas em 41 áreas temáticas. Após sua revisão, passou a conter 131 metas e 93 ações relacionadas, fixando os órgãos responsáveis pela execução de cada uma das metas. Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (PNSAN) Deve contemplar as seguintes dimensões de análise: produção e disponibilidade de alimentos de qualidade e em quantidade suficiente; acesso à renda e a condições de vida adequadas; acesso à alimentação adequada e saudável, incluindo água potável; acesso à saúde e a serviços relacionados; educação e informação de qualidade para todos; programas e ações relacionadas à DHAA e segurança alimentar e nutricional. Monitoramento e Avaliação Fonte: Adaptado de: https://x.com/consea/status/ 1069695538830983170 II PLANO NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL PLANSAN 2016-2019 REVISADO A falta de acesso a uma alimentação adequada, condicionada, predominantemente, às questões de renda; escassez de alimentos; problemas de abastecimento; produção insuficiente; perda de fonte de renda (desemprego); pobreza; preços elevados, mudanças climáticas. A Insegurança Alimentar e Nutricional O paradoxo da desnutrição versus obesidade na IA: recursoslimitados para gastar em alimentação, as pessoas fazem escolhas racionais e mecanismos neurológicos; Indicadores: usados de forma complementar. A Insegurança Alimentar e Nutricional Escalas de percepção Antropometria, bioquímicos e clínicos Pesquisa de orçamentos domésticos Ingestão individual de alimentos Modelos estatísticos Outros (dados socioeconômicos, condições de vida e saúde) In se g u ra n ça a lim en ta r e n u tr ic io n al Fonte: Adaptado de: livro-texto. É uma estimativa de calorias disponíveis por habitante em um determinado país; É considerado um indicador de privação de alimentos; Quando menor que o somatório das necessidades energéticas de todos os integrantes da família ou menor que 2.500 calorias per capita, indica insegurança alimentar e nutricional; Desvantagens: baseia-se em informações que têm alto grau de imprecisão, dados da produção; Mede a disponibilidade, mas não o acesso aos alimentos ou a qualidade da dieta em termos de nutrientes. Indicador FAO Antropométricos: Impactos das carências alimentares em indivíduos e populações. Avaliação indireta: não necessariamente a situação de insegurança alimentar vai trazer a alteração nos seus parâmetros antropométricos. Exemplo: consome as calorias necessárias, mas não há variedade nessa alimentação. Clínicos e biológicos: Deficiência de micronutrientes – não necessariamente está relacionada com a SAN, pode ser decorrente de uma doença de base. Indicadores do Estado Nutricional Fonte: https://blog.sanny.com.br/m edidas-antropometricas Recordatório alimentar de 24 horas; Questionário de frequência alimentar; Registros alimentares. Métodos de avaliação individual indicam a segurança alimentar por meio da obtenção de dados dos alimentos consumidos, que ao serem comparados com um banco de dados de composição de alimentos, é possível verificar a quantidade consumida de macro e micronutrientes. Indicadores de Consumo Alimentar Fonte: https://dietpro.com.br/site/co mo-avaliar-o-consumo- alimentar-do-seu-paciente/ Renda familiar, preços e quantidades dos alimentos adquiridos dentro e fora do domicílio, seja por compra ou doação. Desvantagens: falta de investigação da ingestão de alimentos de cada morador, a dificuldade em estimar a quantidade de alimento consumido fora de casa, a quantidade de alimentos desperdiçada não é avaliada; por falta de padronização metodológica, não permite comparações entre os países; alto custo de coleta, processamento e recursos humanos. Dados sociodemográficos: Critério Brasil e Escolaridade. Dados de Pesquisas de Orçamentos Familiares e Sociodemográficos Fontes: https://www.opuspesquisa.com/bl og/mercado/criterio-brasil/ https://alimentacaosaudavel.org. br/biblioteca/pesquisas/pesquisa- de-orcamentos-familiares-2017- 2018/7344/ Insegurança alimentar é um processo progressivo: Primeiro, adultos começam a pular refeições ou diminuir porções de alimentos. Depois, crianças começam a passar por essa experiência, ou seja, uma situação ainda mais grave no âmbito familiar. Como mensurar? Escala Ebia – Escala Brasileira de Insegurança Alimentar. A Ebia é uma versão adaptada da desenvolvida nos Estados Unidos na década de 1990. 1. Segurança alimentar no domicílio; 2. Insegurança alimentar em nível domiciliar (equivale à IA leve); 3. Insegurança alimentar entre adultos da família (equivale à IA moderada); 4. Insegurança alimentar entre crianças (equivale à IA grave/severa). Escala de Avaliação da Insegurança Alimentar (IA) Segurança Alimentar Acesso regular e permanente aos alimentos de qualidade em quantidade suficiente, sem comprometer as demais necessidades essenciais; Insegurança Alimentar Leve Há preocupação com a compra de alimentos e também pode haver redução da qualidade das refeições; Insegurança Alimentar Moderada Redução da qualidade e quantidade dos alimentos entre os adultos do domicílio; Insegurança Alimentar Grave Redução da qualidade e quantidade dos alimentos atinge a todos do domicílio, incluindo as crianças. Escala Brasileira de Insegurança Alimentar Escala Brasileira de Insegurança Alimentar Fonte: Adaptado de: MDS (2014). Domicílios com menores de 18 anos Domicílios sem menores de 18 anos SA 0 0 IL 1-5. 1-3. IM 6-9. 4-5. IG 10-14. 6-8. Escala EBIA 1 – Nos últimos três meses, os moradores deste domicílio tiveram preocupação de que os alimentos acabassem antes de poderem comprar ou receber mais comida? 2 – Nos últimos três meses, os alimentos acabaram antes que os moradores deste domicílio tivessem dinheiro para comprar mais comida? 3 – Nos últimos três meses, os moradores deste domicílio ficaram sem dinheiro para ter uma alimentação saudável e variada? 4 – Nos últimos três meses, os moradores deste domicílio comeram apenas alguns alimentos que ainda tinham porque o dinheiro acabou? 5 – Nos últimos três meses, algum morador de 18 anos ou mais de idade deixou de fazer uma refeição porque não havia dinheiro para comprar comida? 6 – Nos últimos três meses, algum morador de 18 anos ou mais de idade alguma vez comeu menos do que devia porque não havia dinheiro para comprar comida? 7 – Nos últimos três meses, algum morador de 18 anos ou mais de idade alguma vez sentiu fome, mas não comeu, porque não havia dinheiro para comprar comida? 8 – Nos últimos três meses, algum morador de 18 anos ou mais de idade alguma vez fez apenas uma refeição ao dia ou ficou o dia inteiro sem comer porque não havia dinheiro para comprar comida? 9 – Nos últimos três meses, algum morador com menos de 18 anos de idade alguma vez deixou de ter uma alimentação saudável e variada porque não havia dinheiro para comprar comida? 10 – Nos últimos três meses, algum morador com menos de 18 anos de idade alguma vez não comeu quantidade suficiente de comida porque não havia dinheiro para comprar comida? 11 – Nos últimos três meses, alguma vez foi diminuída a quantidade de alimentos das refeições de algum morador com menos de 18 anos de idade porque não havia dinheiro para comprar comida? 12 – Nos últimos três meses, alguma vez algum morador com menos de 18 anos de idade deixou de fazer alguma refeição porque não havia dinheiro para comprar comida? 13 – Nos últimos três meses, alguma vez algum morador com menos de 18 anos de idade sentiu fome, mas não comeu porque não havia dinheiro para comprar comida? 14 – Nos últimos três meses, alguma vez algum morador com menos de 18 anos de idade fez apenas uma refeição ao dia ou ficou sem comer por um dia inteiro porque não havia dinheiro para comprar comida? APS, enquanto espaço de primeiro contato entre profissionais de saúde e residentes do território, apresenta enorme potencial de contribuição à garantia da SAN; Tempo, restrições financeiras Adaptação da Ebia para Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (Tria); O Ministério da Saúde (MS) disponibiliza este material para orientar o processo de monitoramento e avaliação da situação de IA nos territórios. Insegurança Alimentar (IA) na Atenção Primária à Saúde Figura 1 – Instrumento de dois itens de Triagem para Insegurança Alimentar – Tria16 TRIAGEM PARA RISCO DE INSEGURANÇA ALIMENTAR (TRIA) QUANDO O DOMICÍLIO ESTÁ EM RISCO DE IA? QUEM PODE APLICAR A TRIA? EM QUAIS OPORTUNIDADES A TRIA PODE SER APLICADA? COM QUE FREQUÊNCIA A TRIA DEVE SER APLICADA? COMO REGISTRAR A TRIA? 1. Nos últimos três meses, os alimentos acabaram antes que você tivesse dinheiro para comprar mais comida? 2. Nos últimos três meses, você comeu apenas alguns alimentos que ainda tinha porque o dinheiro acabou? Quando responde afirmativamente às duas perguntas Profissionais da área da saúde, educação, saúde pública e desenvolvimento social Acolhimento Consultas individuais Visitas domiciliares Atividades em grupo Na escola Pré-natal e puericultura Acompanhamento de condicionalidadesdo Programa Auxílio Brasil Cras Em todas as oportunidades de contato com os indivíduos Em sistemas próprios Pelo e-SUS (Código CIAP-Z02) Em planilhas próprias da UBS Em aplicativos específicos17 Fonte: Adaptado de: Ministério da Saúde (2022). A POF estimou um total de 68,9 milhões de domicílios particulares permanentes no Brasil, sendo que 36,7% dos domicílios particulares restantes estavam com algum grau de IA: IA leve foi de 24,0% IA moderada 8,1% IA grave em 4,6% Pesquisa de Orçamento Familiar 2017-2018 Segurança alimentar Insegurança alimentar moderada Insegurança alimentar leve Insegurança alimentar grave Total Urbana Rural 63,3 24,0 8,1 4,6 64,9 23,5 7,5 4,1 53,6 27,2 12,2 7,1 %100,0 90,0 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 Fonte: Adaptado de: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa de Orçamentos Familiares (2017-2018). A pandemia de Covid-19 teve um impacto significativo na SAN no Brasil. Impacto da pandemia na SAN 64,8% 69,6% 77,1% 63,3% 44,8% 41,3% 13,8% 15,8% 12,6% 20,7% 34,7% 28,0% 12,0% 8,0% 6,1% 10,1% 11,5% 15,2% 9,5% 6,6% 4,2% 5,8% 9,0% 15,5% 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0% 80,0% 90,0% 100,0% PNAD 2004 PNAD 2009 PNAD 2013 PNAD 2018 I VIGISAN 2020 II VIGISAN 2022 Segurança Alimentar Insegurança Alimentar Leve Insegurança Alimentar Moderada Insegurança Alimentar Grave Fonte: autoria própria. Sobre a Insegurança Alimentar e Escala Ebia, identifique a alternativa correta: a) A Ebia é uma escala de avaliação objetiva que independe da percepção dos entrevistados sobre sua situação alimentar. b) A Ebia classifica a insegurança alimentar em quatro níveis: leve, moderado, grave e crítico. c) A Ebia é uma ferramenta útil para orientar políticas públicas e programas voltados ao combate à fome e promoção da segurança alimentar e nutricional. d) A Ebia contribui para a compreensão da insegurança alimentar à medida que analisa isoladamente a qualidade nutricional dos alimentos consumidos. e) A Ebia, no contexto das políticas públicas, fornece informações específicas sobre quantidade de alimentos consumidos frente à situação alimentar individual. Interatividade Sobre a Insegurança Alimentar e Escala Ebia, identifique a alternativa correta: a) A Ebia é uma escala de avaliação objetiva que independe da percepção dos entrevistados sobre sua situação alimentar. b) A Ebia classifica a insegurança alimentar em quatro níveis: leve, moderado, grave e crítico. c) A Ebia é uma ferramenta útil para orientar políticas públicas e programas voltados ao combate à fome e promoção da segurança alimentar e nutricional. d) A Ebia contribui para a compreensão da insegurança alimentar à medida que analisa isoladamente a qualidade nutricional dos alimentos consumidos. e) A Ebia, no contexto das políticas públicas, fornece informações específicas sobre quantidade de alimentos consumidos frente à situação alimentar individual. Resposta ATÉ A PRÓXIMA!