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UNIDADE 2
Plataforma: ANP Cidadã
Evento: Banco de Perfis Genéticos e Legislação
Livro: UNIDADE 2
Impresso por: DENISE DAYANE MATHIAS RODRIGUES
Data: quarta-feira, 5 jun. 2024, 11:57
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 1/29
https://anpcidada.pf.gov.br/
Descrição
UNIDADE 2
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 2/29
Índice
BANCOS DE PERFIS GENÉTICOS
FUNCIONAMENTO DOS BANCOS DE DADOS DE PERFIS GENÉTICOS
OS BANCOS DE DADOS DE PERFIS GENÉTICOS PARA USO FORENSE CRIMINAL
HISTÓRICO DA RIBPG
A GENÉTICA FORENSE NO BRASIL
REALIDADE BRASILEIRA
O DECRETO Nº 7.950/2013
COMITÊ GESTOR DA RIBPG
LEGISLAÇÃO APLICADA
DISCUTINDO A LEGISLAÇÃO APLICADA
OPINIÃO TÉCNICA DE MAGISTRADOS
A IMPORTÂNCIA DA RIBPG PARA A SEGURANÇA PÚBLICA
MATERIAL COMPLEMENTAR
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 3/29
BANCOS DE PERFIS GENÉTICOS
Olá Alunos e Alunas. Todos prontos para iniciar a segunda unidade deste nosso curso?
Neste tópico abordaremos assuntos relacionados com os bancos de perfis genéticos e a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos, a
RIBPG. Além disso, estudaremos um pouco da lei nº 12.654/2012, que trouxe um importante avanço para a investigação criminal ao prever a
coleta de material biológico e o uso do perfil genético como forma de identificação criminal, bem como outros normativos aplicados aos
bancos de perfis genéticos.
Vamos lá?
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 4/29
FUNCIONAMENTO DOS BANCOS DE DADOS DE PERFIS GENÉTICOS
Existem no mundo diferentes tipos de bancos de dados relacionados a material genético. Então necessitamos conhecer as diferenças entre
eles para melhor compreender do que se tratam os bancos estudados neste curso.
Podem-se classificar os bancos de dados atualmente existentes de duas formas: pelo conteúdo e pela finalidade.
Pelo seu conteúdo os bancos de dados podem ser subclassificados da seguinte maneira:
de identificação genética – sistemas informatizados que guardam dados de identificação genética (perfil genético);
arquivos de amostras biológicas – guardam fisicamente, em sistemas de conservação adequado, amostras biológicas para fins de
estudo, pesquisa e/ou conservação do patrimônio biológico;
arquivos de DNA – guardam fisicamente, em sistemas de conservação adequado, amostras de DNA extraído para fins de estudo,
pesquisa e/ou conservação do patrimônio genético.
Os dois últimos tipos de bancos de dados são também chamados de biobancos e não se tratam dos bancos de dados abarcados pela Lei
12.654/2012 e estudados neste curso.
Por outro lado, considerando a sua finalidade, os bancos de dados podem ter:
finalidade profissional – quando a atividade profissional específica impõe a necessidade de padrões biológicos dos indivíduos (por
exemplo, arquivos de material biológico de militares, os quais estão expostos a risco constante e cujo material genético pode ser
utilizado para fins de referência direta em caso de morte)
finalidade forense – quando o banco de dados é usado para a identificação de indivíduos na esfera forense. Podem ser subdivididos em
forenses criminais (identificação de criminosos) ou forenses civis (identificação de vítimas e/ou pessoas desaparecidas).
finalidades diversas: bancos de dados para pesquisa, para busca genealógica etc.
Quando um banco é gerenciado por ferramentas informatizadas e contém apenas dados alfanuméricos (letras e números associados ao
código de identificação de uma pessoa), ele é chamado de “banco de dados de identificação genética”. Estes são os bancos de dados
estudados neste curso e abarcados pela legislação brasileira aplicada.
Esses dados são inseridos num suporte de informática e devem ser confidenciais. Para tanto, na maior parte dos países os dados genéticos
do indivíduo são dissociados dos seus dados pessoais, sendo relacionados a eles apenas por meio de um código identificador. Somente o
laboratório que produziu o perfil genético tem acesso aos dados pessoais dos indivíduos geneticamente identificados.
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 5/29
OS BANCOS DE DADOS DE PERFIS GENÉTICOS PARA USO FORENSE
CRIMINAL
Os bancos de dados de perfis genéticos para fins forenses criminais funcionam como mais uma ferramenta de investigação, na medida em
que podem conter informações sobre os perfis genéticos procedentes de várias fontes, a exemplo de vestígios não identificados procedentes
de locais de crime, vestígios biológicos coletados em vítimas e amostras de condenados e/ou de suspeitos.
Tais ferramentas podem auxiliar tanto na descoberta da autoria de um ato delituoso quanto para inocentar algum suspeito. Isto ocorre por
meio da comparação dos perfis genéticos obtidos no local do crime ou de pessoas envolvidas com esse crime, com os perfis genéticos
armazenados nas bases de dados dos bancos.
Deste modo, o banco nada mais é que um gerenciador de dados de perfis genéticos que possibilita a busca e o confronto automatizados
desses perfis. Deste modo, ao invés de se realizar a comparação manual dos perfis genéticos, o que seria humanamente impossível para
uma grande quantidade de dados, utiliza-se de softwares de busca eletrônica que permitem essa comparação automática. Então, para isso,
são precisos dois repositórios:
1. o banco de vestígios, que é o banco de material coletado em locais de crime, por peritos;
2. o banco de referência ou o banco de padrões, onde você tem perfis genéticos de pessoas que estão ali cadastrados criminalmente para
fins de comparação.
Figura. Vestígios encontrados em diferentes locais de crime são confrontados entre si, assim como vestígios são comparados com o banco de
padrões (referências) visando à indicação de autoria do delito.
A depender da legislação de cada país, o tempo de permanência das informações nas bases de dados varia. Em países como Inglaterra,
Noruega e Áustria, a permanência dos dados na base se dá por tempo indefinido. Em outros países, as informações permanecem nos bancos
até a prescrição do crime.
Quando os bancos de dados apontam para uma relação entre perfis genéticos (seja vestígio-vestígio ou referência-vestígio) tal coincidência é
muitas vezes denominada match (do inglês “coincidir”). É o caso de quando há coincidência de perfis genéticos oriundos de vestígios de
diferentes locais de crimes, o que indica que se trata de um criminoso em série. Ou quando um perfil de vestígio de local de crime coincide
com o perfil de um indivíduo cadastrado criminalmente, seja condenado ou suspeito, indicando uma possível autoria para o crime em questão.
Resumidamente, os bancos de dados de perfis genéticos para fins forenses criminais constituem-se de repositórios de perfis genéticos, os
quais não revelam qualquer característica física ou comportamental do indivíduo, servindo apenas como ferramenta auxiliar à investigação e à
justiça na identificação e individualização. Os bancos de dados de perfis genéticos têm ajudado na investigação, na elucidação de crimes e a
relacionar diferentes delitos cometidos pelas mesmas pessoas em todo o mundo. Por meio desta tecnologia, é possível auxiliar a investigação
criminal com a elucidação de crimes em série, crimes sem suspeito, crimes antigos, crimes interestaduais e crimes internacionais.
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 6/29
HISTÓRICO DA RIBPG
Os primeiros diplomas legais em relação à rede de bancos de dados em funcionamento no Brasil surgiram com a Lei de 12.654/2012,
posteriormente regulamentada pelo Decreto 7.950/2013. A recenticidade destes normativos pode dar a falsa impressão de que isso é uma
inovação recente no país. Entretanto, essa história precede alguns anos de esforços e inovaçõesno sistema técnico-científico no Brasil, que
trouxe a ferramenta de exame de DNA para o sistema brasileiro.
 
Os primeiros casos envolvendo genética forense no mundo
Como nós vimos anteriormente, essa tecnologia surge em 1984, onde foi descoberta a potencialidade de regiões do DNA não codificantes na
individualização de pessoas. A tecnologia, descoberta pelo Dr Alec Jeffreys, não surgiu em um ambiente de segurança pública, mas sim
dentro do ambiente científico, acadêmico.
Dado o impacto dessa descoberta, Dr Jeffreys foi instado a usar pela primeira vez tal ferramenta em um caso forense
(https://www.dnalc.org/view/15107-The-Ghana-Immigration-case-Alec-Jeffreys.html). Embora não criminal, a investigação tratava do
esclarecimento de uma situação de imigração, um caso de vínculo materno, onde se queria confirmar um vínculo genético entre uma suposta
mãe e seu suposto filho. Esse caso foi muito impactante para a época. Dada a eficácia do exame de DNA na identificação do vínculo genético
(maternidade), foi pensado, pela primeira vez, se esse exame de DNA não seria útil também em casos forenses criminais.
Figura – Manchete de jornal da época, relatando o primeiro caso de uso forense do exame de DNA.
Na mesma época duas meninas, Lynda Mann e Dawn Ashworth, haviam sido estupradas e assassinadas em Leicester, Reino Unido, em
locais de crime diferentes. Naquela época não existia o exame de DNA na área de segurança pública. Porém existia um suspeito, Richard
Buckland, cujo tipo sanguíneo (na época, era o único exame usado) era compatível com o sangue encontrado nas duas cenas de crime. Tal
suspeito havia confessado um dos crimes, porém não confessava ser o autor de ambos. Investigando o modus operandi, a polícia tinha
evidências de que se tratava de um mesmo autor, e estava confiante de que tinha encontrado a pessoa certa. Contudo, tendo em vista a
dificuldade em se concluir o caso, e tendo em vista a reverberação do uso anterior do exame de DNA, o investigador responsável fez contato
com o Alec Jeffreys e pediu que ele atuasse nesse caso.
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 7/29
https://www.dnalc.org/view/15107-The-Ghana-Immigration-case-Alec-Jeffreys.html
Figura – Lynda Mann e Dawn Ashworth, foram estupradas e assassinadas em Leicester, Reino Unido, na década de 80.
Jeffreys concordou em fazer exames no sangue de Buckland e no sêmen retirado dos corpos das garotas mortas. Ao final do exame ele
constatou que as garotas haviam sido estupradas pelo mesmo homem, como indicava a polícia. Contudo o perfil genético de Buckland era
completamente diferente, logo ele não era o criminoso.
A polícia ficou atônita e inicialmente relutou em acreditar no que estava ouvindo. Porém o teste foi repetido mais duas vezes e reproduziu o
mesmo resultado. Richard Buckland foi considerado inocente e liberado em seguida, após mais de três meses de custódia.
A polícia voltou então a buscar o assassino das duas meninas. No mês seguinte, os detetives decidiram que a tecnologia que havia libertado
Buckland deveria ser usada para capturar o assassino. Cartas foram enviadas para todos os homens nascidos entre 1953 e 1970, que
viveram ou trabalharam na área de Narborough nos últimos anos, pedindo-lhes que concordassem em fornecer uma amostra de sangue. Após
oito meses, 5.511 homens forneceram amostras de sangue, porém não houve correspondência com as amostras de sêmen.
A polícia continuou a investigação e meses depois chegou a Colin Pitchfork, um padeiro de 27 anos e pai de dois filhos pequenos. Ele
confessou os crimes e o teste de DNA confirmou-o como o culpado pelos assassinatos. Pitchfork foi condenado à prisão perpétua pela Corte
do Reino Unido.
Figura – Manchete de jornal da época, relatando a prisão de Colin Pitchfork, com base em exames de DNA.
A partir deste caso, o potencial investigativo do exame de DNA foi rapidamente reconhecido e adotado pelas forças policiais em todo o mundo.
Nos últimos 30 anos, segundo algumas estimativas, mais de 50 milhões de pessoas tiveram seu DNA testado durante investigações criminais.
Tal medida assegurou as condenações de incontáveis criminosos, a exclusão de vários suspeitos inocentes (como Buckland) e a anulação de
erros judiciais.
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 8/29
A GENÉTICA FORENSE NO BRASIL
E no Brasil?
Os casos relatados anteriormente ocorreram nos anos 80, época em que o Brasil era muito tímido nessa área. Contudo, o impacto desta
técnica ganhou proporções mundiais e, aos poucos, vários laboratórios forenses pelo mundo começaram a implementá-la.
No Brasil o exame de DNA ganha mais visibilidade nos anos 2000, ou seja, praticamente 15 anos depois. Casos como o da cantora Gloria
Trevi e do menino Pedrinho, onde exames de DNA foram essenciais para a elucidação, chamaram a atenção da sociedade.
Figura – Casos da cantora Gloria Trevi e do menino Pedrinho, onde exames de DNA foram essenciais para a elucidação.
Nessa época, em 2003, ainda existiam poucos laboratórios de genética forense no Brasil. Eram apenas seis laboratórios oficiais de genética
forense em funcionamento, no Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Figura – Laboratórios de genética forense em funcionamento no Brasil em 2003.
Devido ao fato do exame de DNA ser um exame comparativo e de não existir na época os bancos de perfis genéticos, estes laboratórios
processavam apenas casos fechados, ou seja, investigações de crimes que existiam suspeitos dos quais eram coletados amostras biológicas.
Também por não existirem bancos de dados, os laboratórios não intercambiavam perfis genéticos entre si, o que impedia o esclarecimento de
crimes interestaduais e se configurava em uma atuação bem limitada dessa tecnologia no país.
Nesta época, ciente da importância do tema, o Governo Federal aprovou pela primeira vez uma política de implantação de bancos de dados
de perfis genéticos para fins criminais no Brasil. Tal proposta foi incluída no Plano Nacional de Segurança Pública de 2002, o qual dispunha:
“(...) esse modelo também supõe a identificação dos indiciados por DNA. O material será arquivado e ficará à disposição para ser comparado
com o DNA de futuros suspeitos. A evolução desse sistema se dará via aquisição de tecnologia que proporcione condições para pesquisa
automática no Banco de Dados (...)”
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 9/29
Figura – Projeto Segurança Pública para o Brasil (Plano Nacional de Segurança Pública). Brasília, 2002.
A partir de então, se iniciaram investimentos em três frentes principais:
Formação de massa crítica - nessa época existiam poucos peritos oficiais capacitados em genética forense;
Infraestrutura - o parque tecnológico era muito tímido e muitos Estados sequer tinham laboratórios;
Legislação aplicada à área - não adiantaria investir pesadamente no aumento da capacidade operativa dos laboratórios, se não se
olhasse também a parte dos bancos de referência, o banco de padrão com os quais os vestígios precisam ser comparados.
 
O primeiro passo foi dado entre os anos 2003-2004, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e
Segurança Pública, que possuía um projeto de expansão dos laboratórios de genética forense e de implantação dos bancos de dados de
perfis genéticos. Nesta época, foram firmados Acordos de Cooperação Técnica com Estados e com universidades, visando à capacitação de
peritos e à implantação de laboratórios. Tal iniciativa foi o embrião do que nós conhecemos hoje como a Rede Integrada de Bancos de Perfis
Genéticos (RIBPG).
Em 2005, foi publicado pela SENASP o documento “Padronização de exames de DNA em perícias criminais” (http://seguranca.gov.br/sua-
seguranca/seguranca-publica/senasp-1/pericia), o qual dispunha de variados temas como:
Qualificaçãotécnica dos peritos;
Procedimentos de coleta;
Uso de regiões não codificantes do DNA (STR);
Exames de proficiência;
Apresentação de resultados.
Isto significa dizer que existia uma preocupação na época em se padronizar o uso da tecnologia no país.
Mas para quê?
Para que todos trabalhassem da mesma forma e falassem a mesma linguagem, para que no futuro próximo fosse possível o intercâmbio de
perfis genéticos através de uma rede de bancos de dados. Não adiantaria cada laboratório ter a sua técnica e a sua linguagem se o que se
pretendia com esses esforços era justamente a criação de bancos e o intercâmbio e o compartilhamento de perfis genéticos em todo o país.
Entre 11 e 14 de junho de 2007 foi realizada, em Brasília/DF, a Reunião da Rede Nacional de Genética Forense, grupo este que seria o
precursor do que chamamos hoje de RIBPG. Neste grupo participavam acadêmicos e peritos oficiais, que tinham como objetivo promover a
discussão da inserção dos exames de DNA na segurança pública e a importância dos bancos de dados de perfis genéticos para a
comparação dos perfis gerados pelos laboratórios.
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 10/29
http://seguranca.gov.br/sua-seguranca/seguranca-publica/senasp-1/pericia
http://seguranca.gov.br/sua-seguranca/seguranca-publica/senasp-1/pericia
Figura – Reunião da Rede Nacional de Genética Forense (Brasília, 11-14/06/2007).
Em 2009 esse grupo opta por utilizar a tecnologia de banco de DNA oferecida pelo Federal Bureau of Investigation – FBI, conhecida também
como CODIS (Combined DNA Index System). Por meio de um Letter of Agreement entre o FBI e a Polícia Federal foi firmado o acordo que
possibilitou o uso do CODIS pela RIBPG. O CODIS hoje é distribuído gratuitamente aos laboratórios integrantes da RIBPG por meio de um
Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Polícia Federal, a SENASP e as UFs. Atualmente mais de 60 países usam essa mesma
tecnologia que o Brasil utiliza.
Figura – Assinatura do Letter of Agreement entre o FBI e a Polícia Federal (2009).
Em 2010, especialistas do FBI foram a Brasília para realizar a instalação do CODIS e o primeiro treinamento sobre este software. Nesta
época, com todos os esforços de política pública de genética forense, já existiam no Brasil 16 laboratórios de genética forense em
funcionamento (15 UFs + Polícia Federal). Peritos oficiais de cada um destes 16 laboratórios foram treinados.
Figura – Implantação do CODIS no Brasil (3-28/05/2010).
Paralelamente, vários esforços eram realizados junto ao Legislativo visando à sensibilização de que era importante não só dar
encaminhamento ao processamento do vestígio, à coleta em local de crime e ao software de banco de dados, mas também avançar na
legislação brasileira, para que os bancos de dados também pudessem receber perfis genéticos de referência para comparação. Isto culminou
na promulgação da Lei 12.654 em 28 de maio de 2012, a qual altera as Leis 12.037/2009 e 7.210/1984, para prever a coleta de perfil genético
como forma de identificação criminal. 
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 11/29
Figura – Encontro de familiares das vítimas do Maníaco de Contagem, senadores e peritos criminais para discussão sobre o Projeto de Lei
que daria origem à Lei 12.654/2012.
 
Esta Lei possui um papel importante tanto para a verificação do cometimento de outros crimes pelo indivíduo cadastrado criminalmente, bem
como na coibição da reincidência em ações delituosas pela diminuição do sentimento de impunidade.
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 12/29
REALIDADE BRASILEIRA
O BRASIL POSSUI BANCOS DE DADOS DE PERFIS GENÉTICOS?
A resposta é Sim!
No Brasil, os bancos de perfis genéticos começaram a ser utilizados de forma integrada em 2010, sendo alimentados com perfis genéticos de
vestígios, que não dependiam de lei específica. Mas foi com a aprovação da Lei nº 12.654/2012 e com a regulamentação do Banco Nacional
de Perfis Genéticos (BNPG) e da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), por meio do Decreto nº 7.950/2013, que este
sistema passou a operar de forma mais consistente.
A Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG) surgiu da iniciativa conjunta do Ministério da Justiça e das Secretarias de
Segurança Pública Estaduais tendo por objetivo propiciar o intercâmbio de perfis genéticos de interesse da Justiça, obtidos em laboratórios de
perícia oficial.
 Concebida em 2009, prevendo a adesão das diversas Unidades da Federação por meio de Acordos de Cooperação Técnica, a RIBPG foi
formalizada por meio do Decreto nº 7.950, de 12 de março de 2013, visando subsidiar a apuração criminal.
Os perfis genéticos gerados pelos laboratórios da RIBPG e que atendem aos critérios de admissibilidade previstos no Manual de
Procedimentos Operacionais são enviados rotineiramente ao Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG). Neste banco de dados são feitos
os confrontos de forma nacional com perfis gerados pelos 20 laboratórios de genética forense que compõem a RIBPG, bem como perfis
encaminhados de outros países por meio da Interpol (International Criminal Police Organization). Em agosto de 2019, o Comitê Gestor da
RIBPG aprovou o ingresso dos laboratórios de genética forense de Alagoas e Rondônia no compartilhamento de perfis genéticos na RIBPG.
Estes estavam, até março 2020, na etapa de instalação do servidor e intercomunicação a nível nacional.
Figura – Representação do Banco Nacional, Bancos Estaduais, Banco Distrital e Banco Federal de Perfis Genéticos que integravam a RIBPG
até março/2020.
 
Os perfis genéticos de vestígios, independentemente de existir suspeito, são inseridos nos bancos estaduais, distrital ou da Polícia Federal
para serem comparados com outros perfis de vestígios. Também são inseridos perfis de amostras de referência, seja de suspeitos ou de
condenados, coletadas de acordo com a legislação penal aplicada.
Regularmente, os perfis genéticos armazenados nos bancos de dados são confrontados em busca de coincidências que permitam relacionar
indivíduos a locais de crime ou diferentes locais de crime entre si.
Para ser útil na apuração criminal, a RIBPG depende da devida inserção de perfis genéticos das amostras biológicas deixadas pelos infratores
nos locais de crime (ou no corpo das vítimas), os vestígios, sejam eles oriundos de casos com ou sem suspeitos. Esses vestígios, além de
serem confrontados entre si, o que já permite a detecção de crimes seriais, podem ter sua origem identificada por meio do confronto com os
perfis genéticos dos indivíduos cadastrados criminalmente.
Perfis genéticos de indivíduos cadastrados criminalmente são incluídos em bancos de perfis genéticos em duas situações:
1. Obrigatoriamente, nos casos de condenados por crime doloso e violento contra a pessoa ou por crimes hediondos (art. 1º da Lei nº
8.072/1990) ou
2. Por meio de autorização judicial, seja de ofício ou mediante solicitação da autoridade policial ou do Ministério Público (art. 5º da Lei
12.037/2009).
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 13/29
O cumprimento da legislação penal, com o efetivo cadastramento de indivíduos em bancos de perfis genéticos, é fundamental para que os
vestígios sejam identificados e a RIBPG possa auxiliar na elucidação de crimes, bem como a evitar condenações equivocadas.
 
Outra finalidade da RIBPG é a identificação de pessoas desaparecidas. Para isso, a identificação de pessoas desaparecidas ocorre mediante
a alimentação sistemática dos perfis genéticos de quatro tipos diferentes de amostras biológicas: cadáveres e restos mortais não identificados,
pessoas de identidade desconhecida, referências diretas de pessoas desaparecidas e familiares de pessoas desaparecidas, as quais são
confrontadas periodicamente para verificação deeventual vínculo genético entre as mesmas. Importante ressaltar que perfis genéticos
destinados à identificação de pessoas desaparecidas não são confrontados com aqueles perfis relacionados à esfera criminal, sejam vestígios
ou indivíduos cadastrados criminalmente.
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
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O DECRETO Nº 7.950/2013
O Decreto nº 7.950/2013 instituiu no âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública o Banco Nacional de Perfis Genéticos – BNPG e a
Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos – RIBPG.
 
Figura: Ementa do Decreto 7.950/2013
 
A Lei 12.654/2012 prevê que os perfis genéticos serão armazenados em banco de dados conforme regulamento a ser expedido pelo Poder
Executivo. Este normativo é o Decreto 7.950/2013.
Este Decreto possui alguns pontos relevantes:
Formaliza a Rede Nacional de Genética Forense, dando-lhe o nome formal de Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos – RIBPG;
Cria o Banco Nacional de Perfis Genéticos, que é um banco vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública;
Institui um Comitê Gestor da RIBPG, para coordenação das ações e integração dos dados;
Estabelece uma Secretaria-Executiva e duas comissões permanentes para subsidiar o Comitê-Gestor;
Define auditorias periódicas à RIBPG para averiguar se suas atividades estão conformes.
 
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
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COMITÊ GESTOR DA RIBPG
A Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos conta com um Comitê Gestor, com a finalidade de promover a coordenação das ações dos
órgãos gerenciadores de banco de dados de perfis genéticos e a integração dos dados nos âmbitos da União, dos Estados e do Distrito
Federal. Este Comitê é composto por representantes titulares e suplentes, indicados da seguinte forma:
I - cinco representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública;
II - um representante do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos; e
III - cinco representantes dos Estados ou do Distrito Federal, sendo um representante de cada região geográfica, sendo estes peritos oficiais
de natureza criminal, administradores dos respectivos bancos de perfis genéticos.
Como se pode observar, o Comitê Gestor da RIBPG foi projetado para ter a representação dos principais entes interessados no assunto. A
nomeação dos membros é realizada por Portaria do Ministro da Justiça e Segurança Pública, publicada no Diário Oficial da União.
Além dos membros, são convidados para participar das reuniões, sem direito a voto, um representante de cada um dos seguintes órgãos:
Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil e Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. O convite aos mesmos é
realizado anualmente pela Coordenação do CG-RIBPG e a indicação dos participantes é feita por ofício dos respectivos gestores das
instituições convidadas.
Figura – Composição do Comitê Gestor da RIBPG.
O mandato dos membros do Comitê Gestor será de dois anos, permitida uma única recondução por igual período.
Vale ressaltar que, segundo o estabelecido pelo Decreto 7.950/2013, o Comitê Gestor da RIBPG é coordenado por Peritos Criminais Federais
habilitados e com experiência comprovada em genética, nomeados pelo Ministro da Justiça e Segurança Pública, sendo um titular e um
suplente. Estes mesmos peritos são os Administradores do Banco Nacional de Perfis Genéticos.
O Comitê Gestor da RIBPG tem como principais competências:
I - promover a padronização de procedimentos e técnicas de coleta, de análise de material genético, e de inclusão, armazenamento e
manutenção dos perfis genéticos nos bancos de dados que compõem a Rede Integrada de Perfis Genéticos;
II - definir medidas e padrões que assegurem o respeito aos direitos e garantias individuais nos procedimentos de coleta, de análise e de
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inclusão, armazenamento e manutenção dos perfis genéticos nos bancos de dados;
III - definir medidas de segurança para garantir a confiabilidade e o sigilo dos dados;
IV - definir os requisitos técnicos para a realização das auditorias no Banco Nacional de Perfis Genéticos e na Rede Integrada de Banco de
Perfis Genéticos; e
V - elaborar seu regimento interno, que será aprovado por maioria absoluta de seus membros.
 O CG-RIBPG reúne-se bimestralmente para discutir os assuntos referentes à RIBPG e acompanhar a sua evolução, realizando as
atribuições que lhe são delegadas. Até março de 2020, este comitê publicou quatorze resoluções que podem ser acessadas no endereço
eletrônico https://www.justica.gov.br/sua-seguranca/seguranca-publica/ribpg:
- Resolução nº 1 - Aprova o Regimento Interno (DOU Nº84, de 6 de maio de 2014, Seção 1, página 17);
- Resolução nº 2 - Aprova o Manual de Procedimentos Operacionais da RIBPG (Revogada pela Resolução nº 6);
- Resolução nº 3 - Procedimentos para a Coleta de Material Biológico de que trata a Lei nº 12.654/2012 (Revogada pela Resolução nº 9);
- Resolução nº 4 - Novos marcadores genéticos e procedimentos para pessoas desaparecidas (Revogada pela Resolução nº 7);
- Resolução nº 5 - Estabelece os requisitos técnicos para a realização de auditorias (Revogada pela Resolução nº 12);
- Resolução nº 6 - Aprova o Manual de Procedimentos Operacionais da RIBPG (Revogada pela Resolução nº 8);
- Resolução nº 7 - Dispõe sobre a padronização de procedimentos relativos à inclusão de dados nos bancos que compõem a Rede
Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (DOU Nº65, de 4 de abril de 2017, Seção 1, página 173);
- Resolução nº 8 - Aprova o Manual de Procedimentos Operacionais da RIBPG ((Revogada pela Resolução nº 14);
- Resolução nº 9 - Coleta obrigatória de material biológico prevista pela Lei 12654/2012 (Revogada pela Resolução nº 10);
- Resolução n° 10 - Coleta obrigatória de material biológico prevista pela Lei 12654/2012 (DOU Nº 50, de 14 de março de 2019, Seção 1,
página 60);
- Resolução n° 11 - Dispõe sobre a Inserção, manutenção e exclusão dos perfis genéticos de restos mortais de identidade conhecida na
RIBPG (DOU Nº 126, de 3 de julho de 2019, Seção 1, página 126);
- Resolução nº 12 - Estabelece os requisitos técnicos para a realização de auditorias (DOU n° 153, de 09 de agosto de 2019, Seção 1,
página 94);
- Resolução n° 13 - Análises estatísticas e interpretação dos resultados (DOU n° 168, de 30 de agosto de 2019, Seção 1, página 102 e DOU
n° 173, de 06 de setembro de 2019, Seção 1, página 121) e;
- Resolução n° 14 - Aprova o Manual de Procedimentos Operacionais da RIBPG (DOU n° 245, de 19 de dezembro de 2019, Seção 1, página
139).
Concluindo, registra-se que na esteira do proposto para utilização de bancos de perfis genéticos como ferramenta auxiliar a investigações e
justiça, o Comitê Gestor da RIBPG, em parceria com a Polícia Federal (PF), a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) e as
Secretarias de Segurança Pública dos Estados (ou equivalentes), tem executado projetos com o propósito de atender às metas de
processamento de vestígios biológicos armazenados e também de incremento no quantitativo de indivíduos cadastrados em bancos de dados
sigilosos (nacional), sempre focando nas medidas e padrões definidos e assegurando o respeito aos direitos e garantias individuais nos
procedimentos de coleta, análise, inclusão, armazenamento e manutenção dos perfis genéticos inseridos.
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LEGISLAÇÃO APLICADA
A Lei nº 12.654/2012 trouxe um importante avanço para a investigação criminal, prevendo a coleta de material biológico e o uso do perfil
genético como forma de identificação criminal, ajustando a legislação brasileira ao que de mais moderno existe na atualidade. Sem dúvidas, o
avanço da tecnologia e seu uso bem fundamentado agregam robustezao processo penal, servindo não só para basear sentenças
condenatórias, mas também para inocentar indivíduos injustamente acusados.
Figura: Ementa da Lei 12.654/2012
A Lei 12.654/2012 alterou outros dois dispositivos legais: a Lei 12.037/2009 e a Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal – LEP).
Posteriormente, ambas as leis foram novamente alteradas pela Lei nº 13.964/2019, conhecida como Lei Anticrime.
Figura: Ementa da Lei 13.964/2019
IDENTIFICADOS CRIMINALMENTE
No que concerne à lei 12.037/2009, foi incluída a possibilidade de identificação criminal por meio do perfil genético mediante autorização
judicial (conforme Art. 3° da mesma lei).
Com a alteração, o art. 5º da Lei nº 12.037 passou a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único:
 
“Art. 5° .......................................................................
Parágrafo único. Na hipótese do inciso IV do art. 3o, a identificação criminal poderá incluir a coleta de material biológico para a obtenção do
perfil genético.” (NR)
 
Além disso, tal dispositivo legal passou a vigorar acrescido dos seguintes artigos:
 
“Art. 5°-A. Os dados relacionados à coleta do perfil genético deverão ser armazenados em banco de dados de perfis genéticos, gerenciado
por unidade oficial de perícia criminal.
§ 1° As informações genéticas contidas nos bancos de dados de perfis genéticos não poderão revelar traços somáticos ou comportamentais
das pessoas, exceto determinação genética de gênero, consoante as normas constitucionais e internacionais sobre direitos humanos, genoma
humano e dados genéticos.
§ 2° Os dados constantes dos bancos de dados de perfis genéticos terão caráter sigiloso, respondendo civil, penal e administrativamente
aquele que permitir ou promover sua utilização para fins diversos dos previstos nesta Lei ou em decisão judicial.
§ 3° As informações obtidas a partir da coincidência de perfis genéticos deverão ser consignadas em laudo pericial firmado por perito oficial
devidamente habilitado.”
Originalmente, a Lei nº 12.654/2012 estabeleceu que a exclusão dos perfis genéticos dos identificados criminalmente ocorria no término do
prazo estabelecido em lei para prescrição do delito (art. 7º-A da Lei 12.037/2009). Entretanto, com as alterações advindas com a Lei
13.964/2019, definiu-se que a exclusão dos perfis genéticos dos bancos de dados ocorrerá no caso de absolvição do acusado ou, no caso de
condenação do acusado, após vinte anos do cumprimento da pena, mediante requerimento (art. 7º-A, I e II da Lei 12.037/2009).
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CONDENADOS
No que se refere à Lei nº 7.210/1984 (Lei de Execuções Penais - LEP), a Lei 12.654 trouxe a previsão da identificação dos perfis genéticos
dos condenados por crimes dolosos de violência de natureza grave contra a pessoa ou por crimes hediondos (art. 1º da Lei 8.072/1990).
Com a alteração pelas Leis 12.654/2012 e 13.964/2019, a LEP passou a vigorar acrescida do art. 9º-A:
Art. 9o-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes
previstos no art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante
extração de DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.
§ 1° A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder
Executivo.
§ 1º-A. A regulamentação deverá fazer constar garantias mínimas de proteção de dados genéticos, observando as melhores práticas da
genética forense.
§ 2° A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de
dados de identificação de perfil genético.
§ 3º Deve ser viabilizado ao titular de dados genéticos o acesso aos seus dados constantes nos bancos de perfis genéticos, bem como a
todos os documentos da cadeia de custódia que gerou esse dado, de maneira que possa ser contraditado pela defesa.
§ 4º O condenado pelos crimes previstos no caput deste artigo que não tiver sido submetido à identificação do perfil genético por ocasião do
ingresso no estabelecimento prisional deverá ser submetido ao procedimento durante o cumprimento da pena.
§ 5º (VETADO).
§ 6º (VETADO).
§ 7º (VETADO).
§ 8º Constitui falta grave a recusa do condenado em submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético.
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DISCUTINDO A LEGISLAÇÃO APLICADA
Já conhecemos no tópico anterior a legislação aplicada aos bancos de perfis genéticos e seu impacto jurídico, ao modificar outros dois
dispositivos legais. Mas em que ela se baseia e quais os impactos práticos da mesma? Vamos nos aprofundar neste assunto.
A Lei n° 12.654, publicada em de 28 de maio de 2012, inaugurou no ordenamento jurídico pátrio a possibilidade da coleta de perfil genético
como forma de identificação criminal. Para tanto, promoveu alterações nos dispositivos então vigentes, como a Lei nº 12.037, de 1º de outubro
de 2009, que trata da identificação criminal, e a Lei 7.210/1984, de 11 de julho de 1984, que institui a Lei de Execução Penal.
Pautando-se nos altos índices de impunidade e crescente criminalidade brasileiros, a nova legislação estabeleceu a identificação por perfil
genético como um importante instrumento para combater esse quadro nacional. A possibilidade de realização da coleta de amostra biológica
para fins de obtenção do perfil genético, nos casos de identificação criminal, passou a ser uma importante ferramenta para as investigações
policiais.
O artigo 3º, inciso IV, da Lei 12.037/2009 prevê que, quando "a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo
despacho da autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade policial, do Ministério Público
ou da defesa". Além disso, o parágrafo único do artigo 5º do mesmo diploma estipula que, na hipótese do inciso IV do artigo 3º, "a
identificação criminal poderá incluir a coleta de material biológico para a obtenção do perfil genético".
Por outro lado, de maneira obrigatória e independente de autorização judicial, o ordenamento jurídico também trouxe importante instrumento,
prevendo que os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa ou por qualquer dos crimes
previstos no art. 1º da Lei de Crimes Hediondos (Lei nº 8.072 de 25 de julho de 1990), tenham armazenado em banco de dados sua
identificação de perfil genético realizado mediante extração de DNA – ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.
Nesse sentido, a aplicação das legislações aplicadas aos bancos de perfis genéticos mostra-se de extrema importância na elucidação de
crimes ainda sem solução, auxiliando o Sistema Judiciário na revisão de condenações, na possibilidade de absolvição de inocentes e,
precipuamente, na busca do uso da tecnologia para punir criminosos e fortalecer a segurança pública.
A legislação determina que as informações genéticas contidas nos bancos de dados de perfis genéticos não poderão revelar traços somáticos
ou comportamentais das pessoas, exceto determinação genética de gênero. Cabe ressaltar ainda que a Lei nº 12.654/2012, ao impor em seu
artigo 2º que "as informações genéticas contidas nos bancos de dados de perfis genéticos não poderão revelar traços somáticos ou
comportamentais das pessoas", mostra-se adequada ao quanto dispõe a Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, adotada,
em 2005, pela 33ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO:
Art. 9º. A privacidade dos indivíduos envolvidos e a confidencialidade de suas informações devem ser respeitadas. Com esforço máximo
possível de proteção, tais informações não devem ser usadas ou reveladas para outros propósitos que não aqueles para os quaisforam
coletadas ou consentidas, em consonância com o direito internacional, em particular com a legislação internacional sobre direitos humanos.
 É notório que, adotadas as devidas cautelas no gerenciamento do Banco Nacional de Perfis Genéticos e da RIBPG, são minimizados os
riscos de mau uso e erro, e os órgãos de persecução criminal ganham uma ferramenta poderosa para elucidação de fatos submetidos à
investigação criminal, não somente para a obtenção de condenações, mas também para evitar condenações injustas.
 Visando à avaliação da qualidade e melhoria contínua dos processos de controle dos procedimentos adotados pela RIBPG, o Decreto nº
7.950/2013 previu a realização periódica de auditorias externas nos laboratórios de genética forense:
Art. 9º Compete ao Ministério da Justiça e Segurança Pública auditar periodicamente o Banco Nacional de Perfis Genéticos e a Rede
Integrada de Bancos de Perfis Genéticos para averiguar se suas atividades estão em conformidade com este Decreto, nos termos do disposto
no acordo de cooperação técnica de que trata o § 3º do art. 1º, observados os requisitos técnicos previstos no inciso IV do caput do art. 5º.
Parágrafo único. Participarão da auditoria especialistas vinculados a instituições científicas ou de ensino superior sem fins lucrativos.
 Ao prever a possibilidade de submissão da pessoa para coleta de material biológico e documentação do perfil genético, seja para fins
de identificação criminal, seja para inserção em banco de dados de perfil genético, diversas vozes, na doutrina nacional, indicaram a
inconstitucionalidade do diploma legal por contrariedade a preceitos da Constituição brasileira que encontram previsões assemelhadas,
quando não idênticas, a enunciados constantes de Convenções e Tratados Internacionais.
Vejamos alguns trechos do artigo “Investigação criminal genética – banco de perfis genéticos, fornecimento compulsório de amostra biológica
e prazo de armazenamento de dados” (Rev. Bras. de Direito Processual Penal, Porto Alegre, vol. 4, n. 2, p. 809-842, mai.-ago. 2018):
“A implementação efetiva do banco nacional de perfis genéticos, isoladamente, não será suficiente para aplacar essa crise, mas pode
constituir um fator coadjuvante no aprimoramento da investigação de crimes graves, por meio da utilização de solução tecnológica compatível
com o arcabouço jurídico que orienta a persecução penal como um todo.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12037.htm
[...]
A corrente contrária ao uso mais amplo dessa ferramenta tecnológica no enfrentamento do crime (que implica a obrigatoriedade de o
investigado ou sentenciado tolerar a retirada de seu material biológico – cooperação passiva do imputado) levanta preocupações legítimas
sobre os riscos de mau uso dos dados armazenados, que poderiam redundar em violações da intimidade, em especial a intimidade genética,
e na estigmatização ainda maior da população carcerária e dos investigados mais pobres.
[...]
 Quanto à compatibilidade da coleta corporal compulsória de DNA com a garantia da não autoincriminação, é certo que bons argumentos
existem em ambos os sentidos, mas é necessário enriquecer essa reflexão levando-se em conta a experiência estrangeira, a palavra das
cortes internacionais de direitos humanos, a tendência de funcionalização do Direito Internacional e os reclamos de efetividade do processo
penal.
[...]
Com o avanço em escala global da criminalidade organizada e do terrorismo, o respeito aos direitos individuais na persecução criminal é
desafiado constantemente pelo discurso da necessidade de se garantir a segurança da população.
[...]
Se, por um lado, argumenta-se que o uso da prova genética pode colocar em xeque direitos individuais – sobretudo os direitos à intimidade, à
liberdade e à integridade física e a não produzir prova contra si mesmo –, por outro não se pode esquecer que a segurança pública também é
um direito fundamental, de titularidade da sociedade, indispensável para a legitimação e o funcionamento do próprio Estado.
[...]
Assim, direitos básicos como a vida, a liberdade, a incolumidade física e a propriedade não podem ser exercidos se for constante a ameaça
gerada pela falta de segurança pública.
[...]
Necessário, porém, considerar nessa ponderação de interesses que o banco de dados jamais cumprirá sua função social se sua alimentação
depender da voluntariedade da entrega de material genético por parte dos imputados ou de buscas e apreensões para a coleta de amostras
biológicas dos investigados em locais que tenham frequentado ou de objetos que tenham usado, pois a complexidade desse procedimento
reduziria significativamente o número de perfis genéticos disponíveis para confronto, comprometendo a eficácia do sistema.
[...]
Um banco de perfis genéticos constitui um repositório de “impressões digitais do DNA” (DNA fingerprints) ou “fotografias genéticas” de
indivíduos e serve para identificá-los ou individualiza-los. Possui enorme valor forense, pois, a partir das sequências de DNA armazenadas, é
possível afirmar com probabilidade extremamente alta que uma amostra biológica (sangue, raiz capilar, sêmen, osso, dente, saliva, suor, pele,
urina etc.) se originou de determinada pessoa.
[...]
Outro fator justificante da identificação por perfil genético, no caso previsto no art. 9º-A da LEP, é a constatação de que, diante dos altos
índices de reincidência observados no Brasil e da gravidade dos crimes que justificam a medida de identificação, é do interesse público
manter por certo período os dados genéticos do sentenciado, como forma de proteção social, tanto pela inibição de novas condutas
criminosas quanto pela facilitação da sua persecução criminal.
[...]
Considerando a necessidade de assegurar à população o direito fundamental à segurança pública em um momento de grave crise nessa
área, abrir mão de um meio investigativo que tem se mostrado eficaz em outros países somente se justificaria se a lesão ou ameaça a outros
direitos fundamentais fosse desproporcionalmente significativa, o que não se verifica na situação vertente, pois, adotadas as cautelas e
procedimentos técnicos devidos e instituídos mecanismos de respeito ao sigilo dos dados armazenados, a intervenção corporal e o risco à
privacidade são diminutos.
[...]
Uma vez obtido legitimamente pelo Estado o perfil genético de alguém, tal informação poderá ser utilizada para finalidades de persecução
criminal não inicialmente previstas, como por exemplo reavivar investigação arquivada por indefinição quanto à autoria delitiva, em caso de
convergência entre aquele perfil genético e o constante do banco de dados, vinculado a amostra biológica colhida no local do crime cuja
investigação havia sido interrompida.
 
Após a leitura destes trechos, conclui-se que é importantíssimo que o direito interno acompanhe a evolução da sociedade, não sendo
defensável que se preserve as garantias de uma época anterior.
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 A existência da Lei 12.654/2012 passa pela necessidade do Brasil incorporar os bancos de perfis genéticos à sua realidade, os quais
tratam-se de inovação tecnológica útil ao aprimoramento da persecução penal. Igual caminho fizeram os países desenvolvidos, onde há um
grande crescimento de tais bancos. O alto índice de impunidade e da crescente criminalidade no país também dá respaldo à identificação por
perfil genético, a qual atua como um novo instrumento para combater e reverter o cenário atual no Brasil. Há um grande potencial no uso de
informações e bancos de perfis genéticos como agentes de mudança na situação de impunidade no que se refere aos crimes violentos no
país.
 Neste aspecto, a legislação vigente passou a permitir, por meio de ordem judicial, que no curso da persecução criminal seja possívela
coleta de material genético, denominada identificação criminal facultativa. Entretanto, aos condenados por crimes dolosos cometidos com
violência de natureza grave contra a pessoa ou hediondos, a coleta de material genético é obrigatória.
O legislador brasileiro teve o cuidado de restringir a finalidade do banco de dados de perfil genético: trata-se de banco de dados dirigido
estritamente à identificação criminal. Não se admite qualquer utilização para fins etiológicos, de definição comportamental ou para fins de
eugenia ou de definição criminológica ou criminógena do sujeito ali identificado. Essa coleta, para fins de investigação criminal, não viola a
garantia da não autoincriminação, pois o investigado não está obrigado a adotar postura ativa no sentido de fornecer a prova, nem mesmo
pode ser compelido a abrir a boca para a coleta de células da bochecha (swab bucal) se não quiser cooperar.
Salienta-se que os dados constantes dos bancos de perfis genéticos possuem caráter sigiloso, podendo aquele que infringi-lo responder civil,
penal e administrativamente, se permitir ou promover sua utilização para fins diversos daquelas previstos legalmente ou através de decisão
judicial.
O legislador interno indicou, ainda, que o cotejo dos dados extraídos dos bancos de perfis genéticos dá-se apenas e tão somente por meio de
perícia oficial. As informações colhidas a partir da coincidência de perfis genéticos deverão ser consignadas em laudo pericial firmado por
perito oficial devidamente habilitado.
Segundo Suxberger, no artigo “A funcionalização como tendência evolutiva do Direito Internacional e sua contribuição ao regime legal do
banco de dados de identificação de perfil genético no Brasil” (Revista de Direito Internacional, Brasília, Vol. 12, No. 2, p. 649-665, 2015):
Os dados têm caráter sigiloso, isto é, a fixação do sigilo é estipulada legalmente e funda-se — vale destacar — na conformação legal do
direito constitucional à intimidade (ou à vida privada), tal como positivado no inciso X do artigo 5.º da Constituição, também na Convenção
Europeia de Direitos Humanos de 1950 e na Convenção Americana de Direitos Humanos. [...] Tais cuidados — ou elementos que dificultam o
acesso ao banco — protegem, salvaguardam e garantem a intimidade do particular em face da atuação persecutória do Estado. Não
houvesse essa previsão legal, aí sim se poderia cogitar de malferimento do direito à intimidade, o qual, aliás, projeta-se em diversas outras
garantias de igual ou maior jaez: como o sigilo bancário, o sigilo fiscal, etc.
 
Entende-se que o direito de não produzir provas contra si mesmo pode e deve ser usado em um processo ou investigação penal, mas jamais
pode servir como um “salvo-conduto” para não identificá-lo em caso de prática de novos delitos.
 Como se pode concluir, a análise de DNA acerca da investigação criminal contribui para um processo penal mais adequado e justo,
inserindo a ideia da busca pela verdade real, de forma a apontar os verdadeiros culpados e impedir que pessoas inocentes sejam
condenadas.
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OPINIÃO TÉCNICA DE MAGISTRADOS
A Procuradora Geral da República, Vossa Excelência Raquel Dodge, no PARECER nº 07/2017 – AJCR/SGJ/PGR referente ao RECURSO
EXTRAORDINÁRIO Nº 973837/MG, afirma :
“ A evolução científica disponibilizou novos exames em favor da moderna investigação, sobretudo relacionadas à genética. Atualmente, é
possível coletar e identificar traços de DNA e relacioná-los a determinado indivíduo a partir de vestígios colhidos da vítima ou extraídos do
local do crime. A identificação da pessoa é direito estatal voltado à preservação da segurança pública. A Constituição, ao tratar sobre a
identificação, estabeleceu sua compulsoriedade – coleta de impressões digitais –, tendo desautorizado a identificação criminal quando já
promovida a identificação civil. É dizer: já houve o balizamento e autorização constitucional de intervenção corporal – ainda que coercitiva –
para coleta de material pessoal (impressões digitais) para fins de identificação criminal mediante exame datiloscópico, a fim de resguardar a
segurança pública. Há notar que a diretriz da suficiência da identificação civil deve ser interpretada à luz do contexto histórico em que editada,
quando inexistentes outros instrumentos igualmente válidos para auxiliar na identificação criminal. Agora, não mais subsistindo a equivalência
entre a identificação criminal e a civil, não deve se obstaculizar a coleta de dados, para fins de identificação criminal, quando a medida mostre-
se necessária, ainda que determinado investigado tenha apresentado documentação válida e suficiente à sua identificação civil.
 O que se exige, para tal balizamento, é a fiel observância dos postulados concernentes ao exame da proporcionalidade da medida –
necessidade, adequação e proporcionalidade em sentido estrito. O legislador, ao editar a Lei 12.654/2012, estabeleceu a utilização, mediante
cooperação jurídica, do Sistema CODIS – Combined DNA Index System –, criado pelo FBI norte-americano e já utilizado em mais de 30
países, para auxiliar no gerenciamento dos dados ali lançados. Trouxe, ainda, dois instrumentos bastante úteis na investigação criminal: o
primeiro, relativo à coleta e armazenamento de material biológico extraído da vítima ou do local do crime, assim como de investigados; o
segundo, concernente à coleta de material biológico de indivíduos condenados pela prática de crimes graves ou cometidos com violência.
Nesse segundo caso enquadra-se o recorrente. De início, há afastar a suposta abstração do artigo 5º–II da Constituição, uma vez tratar-se de
obrigação estabelecida em lei. O recorrente invoca, ainda, que o direito de não produzir prova contra si mesmo acoberta o direito de o
condenado não fornecer o material biológico determinado. Ora, a lei, malgrado estabeleça obrigação, não tratou do emprego de meios
coercitivos diretos para obtenção do material. Logo, não há presumir ser possível o emprego de força, a fim de compelir o investigado ou
condenado a fornecer o material biológico. Por outro lado, obtido o material genético por meio diverso não-invasivo, autorizada está sua
submissão à perícia, cruzamento de informações e armazenamento do perfil genético em banco de dados. Nestes casos, a obtenção da prova
dar-se-á a partir de prévia decisão judicial que avaliará, no caso concreto, a proporcionalidade da medida. Para a análise da prerrogativa
contra a autoincriminação, é necessário observar que, mesmo nos casos que dependem de uma participação ativa do agente, uma vez
fornecido voluntariamente o material não há falar em ofensa ao princípio da não autoincriminação. O direito não apenas reputa válida a prova
assim obtida, mas a encoraja. Com efeito, o fornecimento de padrão gráfico ou vocal para perícias, por exemplo, não é viável senão mediante
a sujeição do indivíduo ao quanto determina a lei. Em caso de discordância, não é possível compelir o sujeito sem que para tanto se ofendam
direitos assegurados aos indivíduos, assim como as próprias condições exigidas para o exame. No caso de confrontação de perfis genéticos,
certo é que a produção da prova prescinde de um comportamento ativo do sujeito, mas depende, por outro lado, de sua anuência, uma vez
que o procedimento impõe uma intervenção corporal, ainda que mínima e indolor. Desautorizada a coleta, o procedimento padrão para a
coleta do material não deve ser executado. Logo, não há supor ofensa à aludida prerrogativa nos casos em que o investigado atenda à
determinação legal e, voluntariamente, submeta-se a exame para coleta de material genético, assim como não há afronta ao aludido princípio
nos casos em que o agente abra mão do direito ao silêncio e confessa a prática de determinado crime. Relevante observar, contudo, que, no
presente caso, é possível a obtenção de material genético independentemente da anuência do agente. Normatizou-secomo técnica padrão
para a obtenção do perfil genético o esfregaço bucal com suabe. Cuida-se de técnica pouco invasiva e indolor. A despeito de ser possível
obter o material genético mediante intervenção corporal desautorizada, certo é que o legislador assim não dispôs.
 O Instituto Nacional de Criminalística, ao tratar do tema, esclareceu que procedimentos alternativos para coleta do perfil genético terão
lugar quando o agente não concordar em fornecer o material biológico. Nesse sentido, listou três distintas possibilidades, todas sempre
acompanhadas por perito, a fim de evitar a contaminação do material e documentar a cadeia de custódia: a) a utilização de material biológico
coletado em eventuais exames de saúde feitos no indivíduo custodiado; b) a coleta de objetos pessoais – escovas de cabelo, copos ou
talheres usados, roupas íntimas, entre outros, coletados em ambiente isolado e/ou controlado; c) a busca e apreensão mediante prévia
autorização judicial de objetos pessoais – esta última hipótese de aplicação mais restrita. Certo é que, em caso de recusa, a coleta não é feita
pelo método ordinário, não se compelindo o agente a fornecer o material. Nestes casos, documenta-se o fato em termo próprio e se o
submete à autoridade judicial competente, que deliberará pela obtenção do material mediante um dos procedimentos alternativos existentes.
Da obtenção deste material não há supor ofensa à não autoincriminação, nem, tampouco, à dignidade do indivíduo. Assim, ainda que se
estenda a prerrogativa do silêncio para além do que expressamente enuncia o texto constitucional, certo é que tal direito não pode ser
invocado em procedimentos em que o agente não produza ativamente prova contra si. É possível entrever, na execução dos procedimentos
alternativos, alguma incursão na esfera privada do indivíduo; daí, todavia, não reponta inconstitucionalidade da lei. Em casos tais, imperioso o
sopesamento dos direitos constitucionais em apreço. A lei prevê inúmeras hipóteses em que a privacidade do indivíduo cede ante a
segurança: assim, por exemplo, as interceptações telefônicas, quebras de sigilos bancário, fiscal, telemático e telefônico, o procedimento de
reconhecimento, entre tantos outros. Mostra-se, pois, viável a limitação legal deste direito, desde que a lei observe os reclamos da
proporcionalidade e não atinja o núcleo essencial do direito. A lei atende aos reclamos da proporcionalidade: o acesso ao banco de dados
deve ser precedido de autorização judicial; os perfis dirão respeito a amostras extraídas do local do crime, de investigados ou de condenados
por crimes graves ou praticados com violência; não haverá registro de informações relativas a doenças ou outras características somáticas,
exceto o gênero biológico; os dados serão arquivados por tempo definido, sendo competência exclusiva do Poder Público o armazenamento
destes dados genéticos. As informações encaminhadas pelo INP esclareceram, ainda, que o perfil genético não pode estar associado a
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https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 23/29
qualquer informação pessoal, mas apenas a um código conhecido apenas pela instituição responsável pela inserção do perfil no banco de
dados. Em tudo se observa a preocupação do legislador em regulamentar de modo adequado tema tão sensível, de modo a evitar a utilização
dos dados coletados para finalidade distinta daquela para o qual foi concebido, assim como para minimizar a limitação de outros direitos
envolvidos, razão pela qual não se enxerga ilegítima incursão no núcleo essencial de direitos constitucionais assegurados ao indivíduo. Por
outro lado, não se pode descurar que a coleta de perfil genético trará significativos avanços para as investigações, contribuindo para o
esclarecimento de diversos crimes, servindo, inclusive, para exculpar investigados e até condenados pela Justiça.
 Nesse rumo, aliás, o trabalho existente nos Estados Unidos da América denominado Innocence Project – Projeto Inocência –, que
dedica-se a coletar amostras de DNA de condenados que se declaram inocentes com o objetivo de revisar condenações criminais injustas,
sobretudo as baseadas em provas dúbias ou não suficientemente conclusivas. De fato, o banco de dados garantirá ao inocente o acesso a
uma prova de forte conteúdo exculpante. Não havendo duas pessoas com o mesmo perfil genético, aquele cuja presença não for confirmada
na cena do crime pela perícia não poderá ser condenado injustamente. O banco de dados criado a partir da lei em análise já permitiu,
inclusive, concretamente a revisão criminal e absolvição de condenado pela prática de crime sexual, evidenciando a necessidade da medida
para robustecer a convicção e o processo penal.
 Observa-se que a inclusão do perfil genético de condenados pela prática de crimes graves ou cometidos com violência contra a
pessoa não prejudicará sua condição civil e tampouco ensejará condenação antecipada pela prática de outros delitos; donde, não há falar em
ofensa ao princípio constitucional da não-culpabilidade. A coleta do perfil genético viabiliza a produção de uma prova adicional sujeita não
apenas a todos os procedimentos legais estabelecidos e à demonstração do nexo causal, mas também à apreciação do Judiciário,
assegurando-se, evidentemente, todos os meios e recursos legais existentes e disponíveis à defesa, caso confirmada a identidade entre
determinado material coletado e eventual crime ainda sob investigação: o processo penal está sedimentado na ampla defesa e no
contraditório, razão pela qual não há supor ofensa a tais postulados. Ora, a prova eventualmente produzida a partir da confrontação de perfis
genéticos é plena, e deverá ser adequadamente apreciada pelo Judiciário. Portanto, a lei disponibilizou apenas mais um instrumento de
investigação criminal, voltado à identificação do autor da prática de um crime, à semelhança da perícia datiloscópica e da identificação por
fotografia. A restrição da coleta de dados aos indivíduos condenados por crimes graves contra a pessoa e delitos hediondos prende-se,
sobretudo, ao fato de os autores de delitos desta natureza muitas vezes praticarem mais de um crime, apontando a estatística para
reincidência superior a 50%. Nessa mesma direção, o índice de homicídios esclarecidos no Brasil não ultrapassa 5% dos casos, o que sugere
a necessidade urgente do implemento de outros meios para a investigação, como a utilização deste importante instrumento que é a perícia de
DNA. O Brasil, lamentavelmente, ocupa o 6º lugar no ranking de homicídios, e possui um dos mais baixos índices de elucidação, inferiores a
10% (e-STF fls. 295/297). Por outro lado, estudos já evidenciaram a eficiência dos bancos de perfis genéticos. Nos Estados Unidos, a taxa de
coincidência é próxima a 50%, na Holanda remonta a 54% e no Reino Unido é superior a 63%. Isto é, em cada 100 casos em que se
confrontam dados coletados do corpo de delito e aqueles constantes do banco de dados, 63 são prontamente identificados (e-STF fl.
219/220). Tal sistemática é sobretudo relevante em casos em que não há sequer um suspeito, permitindo a solução de crimes que, até então,
compunham a cifra negra da criminalidade. No Brasil, apesar de ainda pequeno o volume de dados coletados, já se começaram a coletar os
frutos da experiência. Até o dia 28 de maio de 2017, a Rede Integrada dos Bancos de Perfis Genéticos apresentou ao poder público 279
coincidências confirmadas, auxiliando 372 investigações .
 Estudos mencionados nas informações do Instituto Nacional de Criminalística apontaram, ainda, que o incremento de 10% na
alimentação dos bancos de DNA levou à redução de 5,2% da taxa de homicídios e 5,5% da taxa de estupros, além de ressaltar, para além da
eficiência do instrumento na apuração e repressão de crimes, o caráter inibitório que a existência do banco de dados acarreta, prevenindo
seus cometimentos (e-STF fl. 220). A investigação criminal tem se valido, sobretudo nos temposatuais, dos mais modernos meios de
investigação, como escutas telefônicas, interceptação telemática, ações controladas, reconstituições criminais. Estes novos meios de prova
têm sido acompanhados pelo Ministério Público e sempre autorizados pelo Judiciário, o que dá ao cidadão a garantia.
 A partir da noção de dignidade humana, da concepção de que todos os homens são iguais e determinam suas próprias ações, cabe ao
Estado não só permitir o aprimoramento dos instrumentos existentes para a investigação criminal mas, também, prover os meios para tanto
necessários, a fim, inclusive, de assegurar os direitos fundamentais de todos os cidadãos, entre eles, o direito à vida, à segurança, ao livre
desenvolvimento da personalidade, à integridade física e moral, à liberdade de ideias e crenças, à honra, à própria imagem e a todos aqueles
inerentes à própria condição de ser humano. O instrumento aqui em discussão, portanto, em vez de abstrair a dignidade humana, tem por
finalidade precípua promovê-la, sem afetar o núcleo essencial de qualquer direito assegurado a investigados e condenados. Além disso,
importante recordar que a lei mostra-se adequada ao quanto dispõe a Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, adotada, em
2005, pela 33ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO:
Art. 9º. A privacidade dos indivíduos envolvidos e a confidencialidade de suas informações devem ser respeitadas. Com esforço máximo
possível de proteção, tais informações não devem ser usadas ou reveladas para outros propósitos que não aqueles para os quais foram
coletadas ou consentidas, em consonância com o direito internacional, em particular com a legislação internacional sobre direitos humanos.
Assim, a coleta de perfil genético mostra-se, de fato, como reflexo da progressão científica, cuja eficiência e indiscutível relevância têm
ensejado progressiva adoção nos mais diversos países do mundo. De resto, vale notar que a União Europeia editou a Resolução 193/2002,
em que os Estados Europeus comprometeram-se a estabelecer uma relação de cooperação e intercâmbio de dados de DNA, com o fim de
facilitar o acesso a informações e ampliar as possibilidades da investigação criminal. Ante o exposto, opino pelo desprovimento do recurso.
Brasília, 18 de dezembro de 2017”.
 
 Sobre o tema, o juiz Costa Neto (2020) explica:2
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https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 24/29
 “Inicialmente, verifico a necessidade de coleta do material genético do acusado, como medida cautelar probatória. No Brasil, a coleta
de material genético de condenados a certos crimes é obrigatória. Já no caso de investigados, a coleta será obrigatória a depender de ordem
judicial que a repute essencial à elucidação dos fatos. São essas as inovações da Lei n. 12.654/12. Embora a coleta de DNA não tenha sido
devidamente efetivada, já há várias amostras no Banco Nacional. Nesse contexto, o Relatório do Banco Nacional de Perfis Genéticos,
disponível da página do Ministério da Justiça, demonstra que muitos crimes notadamente de estupro, no DF e na Paraíba, por exemplo, só
foram solucionados graças ao Banco. A constitucionalidade do Banco Nacional de Perfis Genéticos será decidida no Recurso Extraordinário
(RE) 973837. Há ao menos dois importantes argumentos a favor da constitucionalidade da lei: a) a Procuradoria-Geral da República sustenta
que a identificação por DNA é como a identificação por meio de impressão digital. Logo, é perfeitamente constitucional; b) a Academia de
Ciências Forenses defende que a colheita de DNA é passiva e não invasiva. Logo, seria constitucional. A Lei nº 12.654/12 que criou o Banco
Nacional de Perfis Genéticos impõe a coleta de DNA de condenados por crimes violentos e hediondos e, desde que com autorização judicial,
de investigados.
 Registro que a Lei nº 12.654/12 não fere o direito à não autoincriminação. O exame de DNA adotado para fins forenses é realizado
com a utilização do suabe (espécie de cotonete) passado suavemente na superfície interna da boca (céu da boca), procedimento indolor e
que não implica nenhum risco para a saúde do fornecedor. O direito de não produzir prova contra si mesmo veda apenas: (1) que o acusado
seja obrigado a colaborar, por meio de comportamentos ativos, à produção de provas; e (2) meios de extração de prova invasivos. Não se
pode exigir, por exemplo, que o réu participe da reconstituição do crime, porque isso exigiria uma colaboração ativa do acusado contra seus
próprios interesses. Também não se pode extrair sangue do acusado coercitivamente, já que a extração é considerada invasiva e diz respeito
diretamente à integridade corporal do acusado. Mas nada impede que o acusado seja obrigado a participar de um reconhecimento de
pessoas. Sempre se entendeu na jurisprudência que o acusado pode ser coercitivamente enfileirado junto de outras pessoas para que a
vítima ou uma testemunha possa indicar se, dentre os presentes, está aquele que teria cometido o crime. Isso porque o reconhecimento é
meramente passivo. O mesmo ocorre na coleta de DNA. Nesse contexto, também se pode obrigar o acusado a permitir que um cotonete seja
levemente passado no céu da sua boca. É só isso que o suabe bucal envolve: passar um cotonete no céu da boca de uma pessoa.
Diferentemente da extração de sangue, o cotonete não penetra no corpo do acusado. A coleta de provas é totalmente superficial. Com efeito,
não se trata de meio invasivo. Em suma: a extração de DNA pelo chamado suabe bucal não é nem invasiva, nem demanda comportamento
ativo do acusado. Logo, não fere o direito a não autoincriminação. No caso do condenado, a coleta do material genético configura verdadeiro
efeito extrapenal genérico da condenação. Se o Estado pode tomar a liberdade e a propriedade do condenado por crime, se pode impedi-lo de
dirigir ou de exercer sua profissão, então é certo que o Estado também pode obrigar o condenado a fornecer material genético, em nome de
interesses coletivos cogentes. Mas e no caso do investigado? A colheita seria constitucional? Afinal, o investigado, diferentemente do
condenado, não pode ser tratado como culpado. Trata-se de decorrência da própria regra de tratamento inerente à presunção de inocência.
No caso do investigado, a colheita do material genético que se submete à reserva de jurisdição (o Richtervorbehalt do direito alemão) é uma
verdadeira medida cautelar probatória. Se o Juiz, após pedido do MP, pode determinar a apreensão de escritos do acusado para realizar
futuro exame grafotécnico, também pode determinar, de maneira circunstanciada e com base na gravidade concreta do crime, que seja
recolhido o material genético do acusado seja na investigação, seja no processo penal. No Brasil, aquele que ainda não foi condenado só
poderá ter o material genético recolhido se o Juiz, em decisão adequadamente fundamentada, entender que esse material é importante para a
investigação ou para o processo penal em curso. Não se trata de recolher material genético indiscriminadamente. A reserva de jurisdição
oferece uma garantia ao réu, que poderá, inclusive, impugnar a decisão nas instâncias superiores, se o Juiz agir de forma arbitrária. Esse
raciocínio é totalmente compatível com a Constituição Federal. A CF/88 estabelece em seu art. 5º, LVIII, que o “ (...) civilmente identificado não
será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei. Já o art. 3º, IV, da Lei 12.037/09 (Lei de Identificação Criminal)
permite a identificação criminal, ainda que apresentado documento de identificação, quando a (...) identificação criminal for essencial às
investigações policiais, segundo despacho da autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da
autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa . A coleta de material genético não viola, portanto, a CF/88. Consigno que, no exterior,
as democracias civilizadas têm entendido pela admissibilidade do DNA. É o caso, porexemplo, dos EUA, merecendo menção o caso
Maryland v. King, 569 U.S. 435 (2013), julgado pela Suprema Corte norte americana. O STF já decidiu várias vezes, inspirado no Tribunal
Constitucional Federal alemão, que a máxima da proporcionalidade inclui o princípio da proibição da proteção insuficiente (Untermaßverbot).
Isso significa que cabe ao Estado desincumbir-se do seu dever de proteção (Schutzpflicht). O dever de proteger a população obriga o Estado
a instituir mandamentos de criminalização; a combater o crime; e a efetivar todos os meios ao seu alcance que permitam o esclarecimento de
infrações penais, a exoneração de inocentes acusados de maneira injusta, e também a condenação dos culpados. A Lei 12.654/2012 não é
apenas constitucional. Ela é uma exigência da própria Constituição. O Estado tem o dever de usar a tecnologia para exonerar os injustamente
acusados, para proteger os direitos fundamentais das vítimas e para punir os criminosos”
COSTA NETO (2020) ressalta ainda:
 “O artigo 9ºA da Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) obriga a coleta do DNA para todos os condenados por crimes dolosos
violentos e hediondos, não se tratando, portanto, de uma opção para o magistrado. O mesmo ocorre quando presentes os requisitos de
concessão da cautelar probatória no caso de investigados. A lei diz expressamente, inclusive no caso de investigados, que a medida pode e
deve ser concedida de ofício pelo juiz, quando preenchidos os requisitos.
 A decisão do TJSP foi tomada por 2 votos a 1, tendo o voto divergente defendido em todos os seus termos a decisão do magistrado de
primeiro grau. A Defensoria Pública tem contestado esse trecho da Lei, inclusive com ação no Supremo Tribunal Federal. No entanto, no
momento, a lei permanece vigente e goza de presunção de constitucionalidade. O STF nunca suspendeu os efeitos da lei, o que poderia ter
feito.
 Cabe lembrar ainda que a coleta do DNA é um procedimento passivo e não invasivo. É semelhante a outros processos de
identificação, como o da coleta de impressões digitais, em que não se considera que o condenado é obrigado a produzir provas contra si. Não
há desrespeito à Constituição Federal.
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 O DNA é uma ferramenta que tem ajudado a Justiça a solucionar casos pendentes, no sentido de encontrar culpados, mas também de
provar a inocência dos injustamente acusados. O famoso caso Israel, por exemplo, permitiu a exoneração de um homem injustamente
condenado por um estupro que nunca cometeu. Todavia, Israel passou anos preso. Se o DNA já fosse uma realidade no Brasil, como é em
democracias consolidadas, a história teria sido outra.”
 
DODGE, R. E. F. Parecer nº 07/2017 – AJCR/SGJ/PGR. Disponível em: http://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?
id=313604115&ext=.pdf
COSTA NETO, J. R. VOTO nº 990 - HABEAS CORPUS nº 2057654-47.2019.8.26.0000 - TJSP. Disponível em
https://www.conjur.com.br/dl/hc2057654-4720198260000-perfil-genetico.pdf
COSTA NETO, J. R.. Nota referente ao HABEAS CORPUS nº 2057654-47.2019.8.26.0000 - TJSP. Disponível em:
https://www.conjur.com.br/2020-mar-07/concedido-hc-impedir-juiz-recolha-dna-investigados
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https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 26/29
http://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=313604115&ext=.pdf
http://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=313604115&ext=.pdf
https://www.conjur.com.br/dl/hc2057654-4720198260000-perfil-genetico.pdf
https://www.conjur.com.br/2020-mar-07/concedido-hc-impedir-juiz-recolha-dna-investigados
A IMPORTÂNCIA DA RIBPG PARA A SEGURANÇA PÚBLICA
Atualmente, os Bancos de Perfis Genéticos têm uma importância muito grande para a Segurança Pública por ser mais uma ferramenta de
investigação e de coibição da reincidência Criminal.
O Sistema Nacional de Estatística e de Segurança Pública e Justiça Criminal, o SINESPJC, publica relatórios anuais sobre os números da
segurança pública nacional. Segundo os dados disponíveis em http://dados.mj.gov.br/dataset/sistema-nacional-de-estatisticas-de-seguranca-
publica, no ano de 2016 ocorreram:
 
Tipo do Crime Quantidade de Ocorrências
Homicídio doloso 46.461
Lesão corporal seguida de morte 715
Estupros 38.363
Latrocínio 2.108
Roubo de veículos 232.697
Furto de veículos 250.394
TOTAL 570.738
Tabela – Ocorrências criminais no Brasil segundo relatório 2016 do SINESPJC.
O número de mais de 570 mil ocorrências/ano impressiona e lança um grande desafio para a segurança pública nacional. Destacam-se os
expressivos números de crimes violentos como homicídio doloso (46.461, ou seja, mais de 5 homicídios dolosos por hora) e de estupros
(38.363, ou seja, mais de 4 estupros por hora). Com relação aos estupros ainda salienta-se que trata-se de um dos tipos criminais mais
subnotificados por uma questão cultural e pelas dificuldades que a vítima encontra, o que se reflete na possibilidade destes quantitativos
serem ainda maiores e a situação mais alarmante.
Portanto, existem no Brasil muitos crimes cuja resolução pode ser auxiliada pelas técnicas de investigação criminal e pela produção de prova
técnico-científica. Ressalta-se que estes mesmos tipos criminais violentos (homicídios e estupros) costumam deixar materiais biológicos como
vestígios, que podem ser laboratorialmente analisados e gerar perfis genéticos, abastecendo bancos de dados e possibilitando sua
comparação com materiais de referência lá cadastrados.
Outro ponto a ser analisado é a situação da reincidência no Brasil. Sobre este tema, em anos anteriores, o Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) celebrou acordo de cooperação técnica com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para que fosse realizada uma pesquisa
sobre reincidência criminal no Brasil. O termo previu um trabalho capaz de apresentar um panorama da reincidência criminal com base em
dados coletados em alguns estados do país. O estudo considerou apenas o conceito de reincidência legal, ou seja, conforme os artigos 63 e
64 do Código Penal, só reincide aquele que volta a ser condenado no prazo de cinco anos após cumprimento da pena anterior.
A pesquisa revelou que a cada quatro ex-condenados, um volta a ser condenado por algum crime no prazo de cinco anos, uma taxa de
24,4%. O resultado foi obtido pela análise amostral de 817 processos em cinco unidades da federação – Alagoas, Minas Gerais, Pernambuco,
Paraná e Rio de Janeiro – e pode ser detalhadamente conhecido em
http://www.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/relatoriopesquisa/150611_relatorio_reincidencia_criminal.pdf.
Ressalta-se que existem outros levantamentos sobre reincidência com taxas mais elevadas, chegando a 70%. Isto ocorre pois tais estudos
costumam considerar a quantidade de indivíduos que voltam a entrar nos presídios ou no sistema de Justiça criminal independentemente de
condenação, como no caso dos presos provisórios.
Um dos fatores que retroalimenta a reincidência é a sensação de impunidade presente no país. Neste ponto, os bancos de dados de perfis
genéticos podem ser uma excelente ferramenta de investigação e coibição da impunidade, tendo em vista que criminosos condenados por
crimes hediondos e de grave violência contra a pessoa (além de investigados com autorização judicial) terão seus perfis genéticos
armazenados nos bancos de dados e, em caso de reincidência, serão identificados.
O Brasil tem uma demanda muito grande em relação à segurança pública, sendo hoje uma das principais preocupações dos cidadãos
brasileiros. Atualmente, os bancos de dados de perfis genéticos são um excelente meio de prova e, juntamente com outros vestígios e
análises investigatórias, pode auxiliar a justiça na elucidação de crimes.
Segundo a economista americana Jennifer Doleac que fez, em 2016, um estudo sobre os efeitos dos bancos de dados de DNA na
investigação criminal, tal ferramenta possui um grande potencialna Segurança Pública. Segundo sua pesquisa, nos Estados Unidos um
incremento de 10% no banco de dados de perfis genéticos leva a uma redução de 5.2% nos homicídios e 5.5% nos estupros. Por outro lado, o
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 27/29
http://dados.mj.gov.br/dataset/sistema-nacional-de-estatisticas-de-seguranca-publica
http://dados.mj.gov.br/dataset/sistema-nacional-de-estatisticas-de-seguranca-publica
http://www.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/relatoriopesquisa/150611_relatorio_reincidencia_criminal.pdf
custo para evitar um crime hediondo nos Estados Unidos é de:
aumentando o policiamento: US$ 26 mil/crime;
aumentando as penas: US$ 7.600/crime;
alimentando o banco de DNA: US$ 600/crime.
 
E, por fim, tal estudo também afirma que há um efeito dissuasor, ou seja, de diminuição de reincidência criminal e de aumento da taxa de
detecção do reincidente. Assim sendo, quando há reincidência, também há uma maior probabilidade de identificar esse reincidente, porque os
seus dados já estão disponíveis para um potencial confronto.
05/06/2024, 11:57 UNIDADE 2 | ANP Cidadã
https://anpcidada.pf.gov.br/mod/book/tool/print/index.php?id=10061 28/29
MATERIAL COMPLEMENTAR
COMO SE DÁ A ENTRADA DE UM LABORATÓRIO NA RIBPG?
Para ingresso do laboratório de DNA forense na Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos - RIBPG, instituída por força do Decreto
7.950/2013, as Secretarias de Segurança Pública das UFs precisam firmar, obrigatoriamente, Acordo de Cooperação Técnica - ACT com o
Ministério da Justiça e Segurança Pública - MJSP, com a interveniência da Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP e da Polícia
Federal, conforme aduz o art. 1º, § 3º, da referida Norma, in verbis:
 
Art. 1º Ficam instituídos, no âmbito do Ministério da Justiça, o Banco Nacional de Perfis Genéticos e a Rede Integrada de Bancos de Perfis
Genéticos.
§ 1º O Banco Nacional de Perfis Genéticos tem como objetivo armazenar dados de perfis genéticos coletados para subsidiar ações
destinadas à apuração de crimes.
§ 2º A Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos tem como objetivo permitir o compartilhamento e a comparação de perfis genéticos
constantes dos bancos de perfis genéticos da União, dos Estados e do Distrito Federal.
§ 3º A adesão dos Estados e do Distrito Federal à Rede Integrada ocorrerá por meio de acordo de cooperação técnica celebrado entre a
unidade federada e o Ministério da Justiça. (grifamos e negritamos)
 
A cooperação mútua entre os partícipes prevê, ainda, ações conjuntas para padronização de procedimentos e técnicas de análise de DNA,
captação de recursos de infraestrutura e adoção de medidas de segurança para garantir a confiabilidade dos dados, em observância ao
disposto no Decreto nº 7.950 de 2013.
Por outro lado, embora a assinatura dos ACTs possibilite o ingresso automático desses laboratórios à RIBPG, é importante destacar que eles
ainda não são habilitados para armazenar, difundir e comparar perfis genéticos com o Banco Nacional de Perfis Genéticos - BNPG. Compete
ao Comitê Gestor da RIBPG (CG-RIBPG) estabelecer os critérios para que o laboratório de DNA integre seus respectivos Bancos de Perfis
Genéticos à Rede, especialmente, ao Banco Nacional de Perfis Genéticos - BNPG.
Para disciplinar essa demanda, o Comitê Gestor publicou os requisitos de admissibilidade em dois normativos: Manual de Procedimentos
Operacionais da RIBPG e a Resolução que dispõe sobre os requisitos técnicos para a realização de auditorias nos laboratórios e bancos que
compõem a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos.
Estando o pleiteante em conformidade com os critérios estabelecidos pelo CG-RIBPG, após a instalação do servidor e acesso ao CODIS
(Combined DNA Index System), o laboratório é habilitado a compartilhar seus perfis genéticos com o BNPG, possibilitando a comparação dos
mesmos com os demais laboratórios integrantes da RIBPG.
 
software de propriedade do Federal Bureau of Investigation - FBI
 
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