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Extração “compulsória” de material genético do investigado/condenado para produção de prova e identificação criminal
Prof. Me. Moisés de O. Matusiak
Direito Processual Penal
CESUCA – 2025/1
Prova genética
	“As provas genéticas desempenham um papel fundamental na moderna investigação preliminar e podem ser decisivas no momento de definir ou excluir a autoria de um delito. Entretanto, sua eficácia está condicionada, em muitos casos, a uma comparação entre o material encontrado e aquele a ser proporcionado pelo suspeito.” (LOPES JR., 2018) (Sublinhei e grifei)
	“Embora a colheita dos caracteres genéticos do investigado não se destine apenas à produção de prova, pois, como já assinalado, a medida tem cunho identificador, o emprego da técnica denominada impressão genética permite concluir, com elevadíssimo índice de certeza, se fluídos corporais (sangue, esperma, saliva) ou tecidos (pele, cabelo) encontrados, por exemplo, na cena do crime ou no corpo da vítima são provenientes de determinada pessoa, de modo a oferecer relevante elemento de informação para as investigações e para o julgamento de processos criminais.” (REIS e GONÇALVES, 2016) (Grifei e sublinhei)
Extração de material genético x Nemo tenetur se detegere 
	“Não existe problema quando as células corporais necessárias para realizar, v.g., uma investigação genética encontram-se no próprio lugar dos fatos (mostras de sangue, cabelos, pelos etc.), no corpo ou vestes da vítima ou em outros objetos. Nesses casos, poderão ser recolhidas normalmente, utilizando os normais instrumentos jurídicos da investigação preliminar, como a busca e/ou apreensão domiciliar ou pessoal. [...] Portanto, não há problema em obter-se o material genético através de busca e apreensão de roupas, travesseiros, escova de cabelo e outros objetos do imputado que possam ser encontrados em sua residência.” (LOPES JR., 2018) (Grifei)
	“Da mesma forma, havendo o consentimento do suspeito, poderá ser realizada qualquer espécie de intervenção corporal, pois o conteúdo da autodefesa é disponível e, assim, renunciável.” (LOPES JR., 2018) (Sublinhei e grifei)
	“O problema está quando necessitamos obter as células corporais diretamente do organismo do sujeito passivo e este se recusa a fornecê-las. Se no processo civil o problema pode ser resolvido por meio da inversão da carga da prova e a presunção de veracidade das afirmações não contestadas, no processo penal a situação é muito mais complexa, pois existe um obstáculo insuperável: o direito de não fazer prova contra si mesmo, que decorre da presunção de inocência e do direito de defesa negativo (silêncio). (LOPES JR., 2018) (Sublinhei e grifei)
“Situação complexa é o ranço histórico de tratar o imputado (seja ele réu ou mero suspeito, ainda na fase pré-processual) como mero “objeto” de provas, ou melhor, o “objeto” do qual deve ser extraída a “verdade” que funda o processo inquisitório. Com a superação dessa coisificação do réu e a assunção de seu status de sujeito de direito, funda-se o mais sagrado de todos os direitos: o direito de não produzir prova contra si mesmo (nada a temer por se deter – nemo tenetur se detegere).” (LOPES JR., 2018) (Sublinhei e grifei)
Lei n. 12.654/2012
“[...] a Lei n. 12.654/2012 estabeleceu a possibilidade de coleta de perfil genético, como forma de identificação criminal. Os dados relacionados à coleta do perfil genético do identificado deverão ser armazenados em banco de dados de perfis genéticos, gerenciado por unidade oficial de perícia criminal. O tema, evidentemente, é polêmico, dada a possibilidade de o investigado se negar a fornecer o material biológico para a obtenção de seu perfil genético. Como deverá proceder a autoridade neste caso? Poderá haver a extração forçada do material biológico? Em atenção ao consagrado princípio do nemo tenetur se detegere, ninguém está obrigado a produzir prova contra si mesmo, previsão constante da Convenção Americana de Direitos Humanos, que, em seu art. 8º, II, g, estabelece que toda pessoa acusada de um delito tem o direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada, o que pode ser estendido para a colaboração com a colheita de provas que possam incriminá-la.” (ANDREUCCI, 2021) (Grifei)
“Além do mais, também é polêmica a determinação constante do “caput” do art. 9º-A da Lei n. 7.210/84, Lei de Execução Penal, incluído originariamente pela citada Lei n. 12.654/2012, e posteriormente alterado pela Lei n. 13.964/2019 (Lei Anticrime), segundo a qual o condenado por crime doloso praticado com violência grave contra a pessoa, bem como por crime contra a vida, contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável, será submetido, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA (ácido desoxirribonucleico), por técnica adequada e indolor, por ocasião do ingresso no estabelecimento prisional.” (ANDREUCCI, 2021) (Grifei)
	“No Brasil, a Lei n. 12.654/2012 prevê a coleta de material genético como forma de identificação criminal, alterando dois estatutos jurídicos distintos: a Lei n. 12.037/2009, que disciplina a identificação criminal e tem como campo de incidência a investigação preliminar, e, por outro lado, a Lei n. 7.210/84 (LEP), que regula a Execução Penal.” (LOPES JR., 2018)
	“A lei disciplina, como dito antes, duas situações distintas: a do investigado e a do apenado. A finalidade da coleta do material biológico será diferenciada: para o investigado, destina-se a servir de prova para um caso concreto e determinado (crime já ocorrido); já em relação ao apenado, a coleta se destina ao futuro, a alimentar banco de dados de perfis genéticos e servir de apuração para crimes que venham a ser praticados e cuja autoria seja desconhecida.” (LOPES JR., 2018) (Sublinhei e grifei)
Lei n. 12.037/2009 – Identificação criminal
	
	“Dispõe sobre a identificação criminal do civilmente identificado, regulamentando o art. 5º, inciso LVIII, da Constituição Federal.” (Preâmbulo)
	“Art. 1º  O civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nos casos previstos nesta Lei.
	Art. 2º  A identificação civil é atestada por qualquer dos seguintes documentos:
	I – carteira de identidade;
	II – carteira de trabalho;
	III – carteira profissional;
	IV – passaporte;
	V – carteira de identificação funcional;
	VI – outro documento público que permita a identificação do indiciado.
	Parágrafo único.  Para as finalidades desta Lei, equiparam-se aos documentos de identificação civis os documentos de identificação militares.” (Lei n. 12.037/2009) (Grifei e sublinhei)
	“Art. 3º  Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer identificação criminal quando:
	I – o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação;
	II – o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado;
	III – o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si;
	IV – a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa;
	V – constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações;
	VI – o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais.
	Parágrafo único.  As cópias dos documentos apresentados deverão ser juntadas aos autos do inquérito, ou outra forma de investigação, ainda que consideradas insuficientes para identificar o indiciado.” (Lei n. 12.037/2009) (Grifei e sublinhei)
	“Art. 5º  A identificação criminal incluirá o processo datiloscópico e o fotográfico, que serão juntados aos autos da comunicação da prisão em flagrante, ou do inquérito policial ou outra forma de investigação.
	Parágrafo único. Na hipótese do inciso IV do art. 3o, a identificação criminal poderá incluir a coleta de materialbiológico para a obtenção do perfil genético.” ( Lei n. 12.037/2009) (Sublinhei e grifei)
“Datiloscopia: é o processo de identificação humana por meio das impressões digitais. A datiloscopia é uma das áreas da papiloscopia, que abrange, ainda, a quiroscopia (identificação das impressões palmares); a podoscopia (identificação das impressões plantares); a poroscopia (identificação dos poros); e a critascopia (identificação das cristas papilares).
Impressões digitais: são os desenhos deixados em uma superfície lisa, formados pelas papilas (elevações da pele), presentes nas polpas dos dedos das mãos. Usadas há mais de cem anos como forma de identificação de pessoas, sabemos hoje que as impressões digitais são únicas, sendo diferentes inclusive entre gêmeos univitelinos. As papilas são formadas no feto e acompanham a pessoa pela vida toda, sem apresentar grandes mudanças. A impressão digital apresenta pontos característicos e formações que permitem a um perito (papiloscopista) identificar uma pessoa de forma bastante confiável. Tal comparação é também feita por sistemas computadorizados, os chamados sistemas AFIS (Automated Fingerprint Identification System). Algumas pessoas, contudo, apresentam as pontas dos dedos lisas, o que caracteriza a chamada Síndrome de Nagali; nestes casos, a identificação é feita pela íris, através da biometria.” (ANDREUCCI, 2021)
“Identificação fotográfica: é a identificação feita através de fotografia. Deve a autoridade encarregada, entretanto, fazer a juntada da fotografia do identificado aos autos da comunicação da prisão em flagrante, ou do inquérito policial ou outra forma de investigação. Não deve a fotografia do identificado prestar-se a alimentar bancos de dados individuais e não oficiais da polícia, o que poderá ensejar a responsabilização civil e criminal por parte daquele que assim proceder.
Perfil genético: a Lei n. 12.654/2012 acrescentou o parágrafo único ao art. 5º, estabelecendo que, quando a identificação criminal for essencial às investigações policiais, poderá ser feita a coleta de material biológico para a obtenção do perfil genético do identificado.” (ANDREUCCI, 2021)
“Art. 7º-C. Fica autorizada a criação, no Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais.
§ 1º A formação, a gestão e o acesso ao Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais serão regulamentados em ato do Poder Executivo federal.
§ 2º O Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais tem como objetivo armazenar dados de registros biométricos, de impressões digitais e, quando possível, de íris, face e voz, para subsidiar investigações criminais federais, estaduais ou distritais.  
§ 3º O Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais será integrado pelos registros biométricos, de impressões digitais, de íris, face e voz colhidos em investigações criminais ou por ocasião da identificação criminal. 
§ 4º Poderão ser colhidos os registros biométricos, de impressões digitais, de íris, face e voz dos presos provisórios ou definitivos quando não tiverem sido extraídos por ocasião da identificação criminal. 
§ 5º Poderão integrar o Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais, ou com ele interoperar, os dados de registros constantes em quaisquer bancos de dados geridos por órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário das esferas federal, estadual e distrital, inclusive pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelos Institutos de Identificação Civil.  
§ 6º No caso de bancos de dados de identificação de natureza civil, administrativa ou eleitoral, a integração ou o compartilhamento dos registros do Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais será limitado às impressões digitais e às informações necessárias para identificação do seu titular.   
§ 7º A integração ou a interoperação dos dados de registros multibiométricos constantes de outros bancos de dados com o Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais ocorrerá por meio de acordo ou convênio com a unidade gestora. 
§ 8º Os dados constantes do Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais terão caráter sigiloso, e aquele que permitir ou promover sua utilização para fins diversos dos previstos nesta Lei ou em decisão judicial responderá civil, penal e administrativamente.  
§ 9º As informações obtidas a partir da coincidência de registros biométricos relacionados a crimes deverão ser consignadas em laudo pericial firmado por perito oficial habilitado.
§ 10. É vedada a comercialização, total ou parcial, da base de dados do Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais.  
§ 11. A autoridade policial e o Ministério Público poderão requerer ao juiz competente, no caso de inquérito ou ação penal instaurados, o acesso ao Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais.” (Lei 12.037/2009) 
“Criação do Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais: o art. 7º-C foi acrescentado pela Lei n. 13.964/2019 – Lei Anticrime, autorizando a criação, no Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais. Os §§ 1º a 11 do referido artigo disciplinam toda a sistemática de implantação, gestão, conteúdo e acesso ao citado banco de dados, além de outros aspectos de acentuada importância para preservação do sigilo e utilização das informações nele armazenadas.” (ANDREUCCI, 2021)
“O Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais tem como objetivo armazenar dados de registros biométricos, de impressões digitais e, quando possível, de íris, face e voz em um único banco de dados, unificado, de abrangência nacional. Poderão integrar o Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais os dados de registros constantes em quaisquer bancos de dados geridos por órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário das esferas federal, estadual e distrital, inclusive pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelos Institutos de Identificação Civil. Em resumo, ele promove: (i) integração (as informações criminais hoje são armazenadas em bancos de dados estaduais); (ii) qualificação (além do registro datiloscópico e fotográfico, acrescentam-se o registro de íris, voz e reconhecimento facial) – note-se que a lei não inclui aqui, de forma expressa, o perfil genético, mas entendemos que ele está incluído pela interoperacionalidade (o banco de dados criminal é também integrado por informações constantes em outros bancos de dados estatais). Os registros biométricos, de impressões digitais e, quando possível, de íris, face e voz que integrarão o Banco de Dados Multibiométrico e de Impressões Digitais poderão ser colhidos de duas situações: (i) durante o inquérito, por ocasião da identificação criminal; (ii) durante a execução da pena ou prisão cautelar antes da condenação definitiva, quando não tiverem sido extraídos por ocasião da identificação criminal. O objetivo do Banco Nacional Biométrico é subsidiar investigações criminais federais, estaduais ou distritais. No curso da investigação, a autoridade policial e o Ministério Público poderão requerer ao juiz competente, no caso de inquérito ou ação penal instaurados, o acesso ao Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais. As informações obtidas a partir da coincidência de registros biométricos relacionados a crimes deverão ser consignadas em laudo pericial firmado por perito oficial habilitado. A lei deixa claro que os dados constantes do Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais terão caráter sigiloso, vedada a sua comercialização, total ou parcial, recaindo responsabilidade civil, penal e administrativa sobre aquele que permitir ou promover sua utilização para fins diversos dos previstos na lei ou em decisão judicial.” (FIGUEIREDO, 2021) (Grifei)
Mas a extração de material genético para identificação criminal é restrita à hipótese no artigo 3º, inciso IV + artigo 5º, Parágrafo único, da Lei 12.037/2009. 
E, se não existir concordânciado investigado, a extração compulsória do material genético conflita com o direito à não autoincriminação. 
“O problema está quando necessitamos obter as células corporais diretamente do organismo do sujeito passivo e este se recusa a fornecê-las. Se no processo civil o problema pode ser resolvido por meio da inversão da carga da prova e a presunção de veracidade das afirmações não contestadas, no processo penal a situação é muito mais complexa, pois existe um obstáculo insuperável: o direito de não fazer prova contra si mesmo, que decorre da presunção de inocência e do direito de defesa negativo (silêncio). (LOPES JR., 2018) (Sublinhei e grifei)
	“Art. 5o-A.  Os dados relacionados à coleta do perfil genético deverão ser armazenados em banco de dados de perfis genéticos, gerenciado por unidade oficial de perícia criminal.
	§ 1o  As informações genéticas contidas nos bancos de dados de perfis genéticos não poderão revelar traços somáticos ou comportamentais das pessoas, exceto determinação genética de gênero, consoante as normas constitucionais e internacionais sobre direitos humanos, genoma humano e dados genéticos.
	§ 2o  Os dados constantes dos bancos de dados de perfis genéticos terão caráter sigiloso, respondendo civil, penal e administrativamente aquele que permitir ou promover sua utilização para fins diversos dos previstos nesta Lei ou em decisão judicial.
	§ 3o  As informações obtidas a partir da coincidência de perfis genéticos deverão ser consignadas em laudo pericial firmado por perito oficial devidamente habilitado.” (Lei n. 12.037/2009) (Sublinhei e grifei)
“Bancos de dados de perfis genéticos: esse artigo foi introduzido pela Lei n. 12.654/2012, estabelecendo a necessidade de criação de um banco de dados de perfis genéticos, sob a gerência de unidade oficial de perícia criminal.
Traços somáticos ou comportamentais: a lei proíbe que as informações genéticas revelem traços somáticos ou comportamentais das pessoas. Traços somáticos são traços relacionados à morfogênese e traços antropológicos e biológicos, próprios de uma raça ou etnia, tais como feições, conformação física e corporal, cor da pele etc., enfim, traços da morfologia externa da pessoa. Traços comportamentais (behavioral traits) são os relativos ao comportamento da pessoa no cotidiano, nas relações sociais, profissionais, familiares etc.
Caráter sigiloso dos dados de perfil genético: é imperativo legal que os dados de perfil genético dos identificados sejam sigilosos. Inclusive, a lei prevê a responsabilização civil, penal e administrativa daquele que permitir ou promover a utilização de tais dados para fins diversos dos previstos na lei ou em decisão judicial.” (ANDREUCCI, 2021)
	“Art. 7º-A. A exclusão dos perfis genéticos dos bancos de dados ocorrerá: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
	I - no caso de absolvição do acusado; ou (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
	II - no caso de condenação do acusado, mediante requerimento, após decorridos 20 (vinte) anos do cumprimento da pena. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)”
	“Ou seja, em caso de absolvição, a exclusão é imediata e automática, devendo ser determinada pelo juiz já na sentença, não sendo necessário aguardar o decurso do prazo da prescricional do delito. Já em caso de condenação, o prazo de exclusão aumentou, fixando-se sempre em 20 anos, independentemente do crime e do prazo prescricional dele. Em caso de extinção da punibilidade que atinja o processo de conhecimento, impedindo a prolação de absolvição ou condenação definitivas, malgrada a omissão legislativa, deve-se adotar a mesma solução que a da absolvição.” (FIGUEIREDO, 2021) (Grifei)
	
	“Art. 7o-B.  A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo. ” (Lei n. 12.037/2009)
	
	“Sustentamos ainda a existência de uma vinculação causal (Princípio da Especialidade), ou seja, a prova genética somente poderá ser utilizada naquele caso penal e o material poderá ser utilizado até a prescrição (daquele crime).” (LOPES JR., 2018) (Grifei)
	“Outro aspecto relevante é que a lei, neste caso em que se tutela o interesse da investigação, não define um rol de crimes nos quais poderia ser feita a extração de material genético (ao contrário da situação jurídica do condenado, em que há uma definição taxativa dos crimes). Com isso, abre-se a possibilidade de que a intervenção ocorra em qualquer delito, desde que necessário para comprovação da autoria, exigindo por parte da autoridade judiciária suma cautela e estrita observância da proporcionalidade, especialmente no viés de necessidade e adequação.” (LOPES JR., 2018) (Sublinhei e grifei)
Lei n. 7.210/1984 – Lei de Execução Penal (LEP)
 	“Art. 9o-A.  Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.” (Lei n. 7.210/1984) (Sublinhei e grifei)
	“Art. 9º-A [...].
	§ 1o  A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo.
	§ 1º-A. A regulamentação deverá fazer constar garantias mínimas de proteção de dados genéticos, observando as melhores práticas da genética forense. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
	§ 2o  A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético. 
	§ 3º Deve ser viabilizado ao titular de dados genéticos o acesso aos seus dados constantes nos bancos de perfis genéticos, bem como a todos os documentos da cadeia de custódia que gerou esse dado, de maneira que possa ser contraditado pela defesa.     (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
	§ 4º O condenado pelos crimes previstos no caput deste artigo que não tiver sido submetido à identificação do perfil genético por ocasião do ingresso no estabelecimento prisional deverá ser submetido ao procedimento durante o cumprimento da pena. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
	[...].
	§ 8º Constitui falta grave a recusa do condenado em submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético.     (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)” (Lei 7.210/1984) (Sublinhei e grifei)
“O art. 9º-A da LEP trata da coleta de dados genéticos do condenado por crime hediondo ou crime com violência ou grave ameaça à pessoa. Logo em seu nascedouro, a disposição gerou grande discussão sobre sua constitucionalidade, pois tangenciaria o privilégio da não autoincriminação: o sujeito não poderia ser obrigado a produzir prova que facilite sua identificação como autor de outro crime (não pode ser coagido a colaborar para uma perícia grafotécnica ou assoprar o bafômetro, por exemplo). Prevaleceu, no entanto, a constitucionalidade da previsão, sob o argumento de que apenas o condenado pode ser submetido à perícia, ou seja, não estaria se incriminando, e ela serviria para casos futuros, ou seja, não violaria o privilégio da não autoincriminação. Retificando posicionamento anterior, entendemos que qualquer sanção em razão da recusa ao fornecimento de material genético é inconstitucional, pois viola o privilégio da não autoincriminação. Apesar de travestida de meio de identificação, a coleta de material genético é indisfarçável meio de prova, mormente se considerarmos que não há motivo para incrementar as formas de identificação do condenado que está preso. Ora, se já condenado e preso, está suficientemente identificado, sem dúvida, e a coleta só se justifica racionalmente para o incremento de um banco de dados que sirva como fonte de prova para infrações futuras. Podemos concordar ou discordar da opção política de consagrar no ordenamento o privilégio da não autoincriminação, mas está previsto na Constituição, e deve serrespeitado.” (FIGUEIREDO, 2021) (Grifei)
	“Quanto à natureza do crime objeto da condenação, parece que o legislador partiu de uma absurda presunção de “periculosidade” de todos os autores de determinados tipos penais abstratos. Trata-se de inequívoca discriminação e estigmatização desses condenados. [...]. O que é “violência de natureza grave contra pessoa”? No mínimo crimes dolosos que resultem lesões graves, gravíssimas ou morte da vítima.” (LOPES JR., 2018)
	“Por fim, a lei não prevê por quanto tempo esses dados ficarão disponíveis neste caso. Andou mal o legislador, pois gera condições para um estigma de natureza perpétua.” (LOPES JR., 2018) (Sublinhei e grifei)
Recurso Extraordinário (RE) 973837
	A constitucionalidade da questão será objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal – STF. No RE 973837-MG, interposto por W.C.S., assistido pela Defensoria Pública de Minas Gerais, restou reconhecida pelo Plenário Virtual, por unanimidade, em 24/06/2016, a repercussão geral:
 	“Decisão pela existência de repercussão geral
	PLENÁRIO VIRTUAL - RG
	Decisão: O Tribunal, por unanimidade, reputou constitucional a questão. O Tribunal, por unanimidade, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada.” (Site do Supremo Tribunal Federal)
 
	“Em sua manifestação, o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, frisou que os limites dos poderes do Estado de colher material biológico de suspeitos ou condenados por crimes, traçar seu perfil genético, armazená-los em bancos de dados e fazer uso dessas informações são objeto de discussão nos diversos sistemas jurídicos. Ele citou casos julgados pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos segundo os quais as informações genéticas encontram proteção jurídica na inviolabilidade da vida privada.
	No caso brasileiro, explicou o ministro, a Lei 12.654/2012 introduziu a coleta de material biológico em duas situações: na identificação criminal e na execução penal por crimes violentos ou por crimes hediondos. Na primeira, a medida deve ser determinada pelo juiz, que avaliará se é essencial para as investigações, e os dados podem ser eliminados no término do prazo estabelecido em lei para a prescrição do delito cometido. Já os dados dos condenados devem ser coletados como consequência da condenação, sem previsão para a eliminação do perfil. Em ambos os casos, os perfis são armazenados em bancos de dados e podem ser usados para instruir investigações criminais e para identificação de pessoas desaparecidas.
	Por considerar a que a questão constitucional tem relevância jurídica e social, o relator se manifestou no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral na matéria. A decisão do Plenário Virtual foi unânime.” (Site do Supremo Tribunal Federal) (Grifei e sublinhei)
Repercussão geral. Recurso extraordinário. Direitos fundamentais. Penal. Processo Penal. 2. A Lei 12.654/12 introduziu a coleta de material biológico para obtenção do perfil genético na execução penal por crimes violentos ou por crimes hediondos (Lei 7.210/84, art. 9-A). Os limites dos poderes do Estado de colher material biológico de suspeitos ou condenados por crimes, de traçar o respectivo perfil genético, de armazenar os perfis em bancos de dados e de fazer uso dessas informações são objeto de discussão nos diversos sistemas jurídicos. Possível violação a direitos da personalidade e da prerrogativa de não se incriminar – art. 1º, III, art. 5º, X, LIV e LXIII, da CF. 3. Tem repercussão geral a alegação de inconstitucionalidade do art. 9-A da Lei 7.210/84, introduzido pela Lei 12.654/12, que prevê a identificação e o armazenamento de perfis genéticos de condenados por crimes violentos ou hediondos. 4. Repercussão geral em recurso extraordinário reconhecida.
(RE 973837 RG, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 23/06/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-217 DIVULG 10-10-2016 PUBLIC 11-10-2016) (Grifei)
Superior Tribunal de Justiça - STJ
PENAL E EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS. COLETA DE MATERIAL GENÉTICO.
PACIENTE CONDENADO POR CRIME COM VIOLÊNCIA CONTRA A PESSOA E CRIME HEDIONDO. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. ORDEM DENEGADA.
1. Segundo o art. 9º-A da Lei de Execução Penal, os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1º da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.
2. No caso em exame, o paciente cumpre pena pela prática dos crimes de homicídio qualificado (duas vezes), ocultação de cadáver, crueldade contra animais e posse irregular de arma de fogo de uso permitido, restando atendidos, assim, os requisitos legais estatuídos pelo dispositivo supracitado: condenação por crime com violência de natureza grave contra pessoa ou aqueles constantes do rol do art. 1º da Lei n. 8.072/1990.
3. Habeas corpus denegado.
(HC 536.114/MG, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 04/02/2020, DJe 10/02/2020) (Grifei e sublinhei)
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. COLETA DE MATERIAL GENÉTICO. CRIME DE ESTUPRO. PREVISÃO DO ART. 9º-A DA LEP. INDEFERIMENTO. SUFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. ENTENDIMENTO DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. É inadmissível habeas corpus em substituição ao recurso próprio, também à revisão criminal, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo se verificada flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado apta a ensejar a concessão da ordem de ofício. 2. O art. 9º-A, da Lei de Execução Penal prevê que os condenados por crimes praticados, dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração do DNA. 3. Mantém-se integralmente a decisão agravada cujos fundamentos estão em conformidade com o entendimento do STJ sobre a matéria suscitada. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 675.408/MG, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, julgado em 22/2/2022, DJe de 24/2/2022.) (Grifei)
HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. FORNECIMENTO DE PERFIL GENÉTICO. ART. 9º-A DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL (INSERIDO PELA LEI N. 12.654/2012 COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 13.964/2019). VIOLAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DA LEGALIDADE, PRIVACIDADE E CULPABILIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO À AUTOINCRIMINAÇÃO COMPULSÓRIA (NEMO TENETUR SE DETEGERE). NÃO OCORRÊNCIA. TEMA 905 DO STF AINDA NÃO JULGADO. 1. As supostas violações dos direitos fundamentais da legalidade, da privacidade, da presunção de culpabilidade, incisos II, X e LVII, do art. 5º da Constituição Federal não foram objeto de deliberação no ato apontado como coator, constituindo supressão de instância seu conhecimento direito neste Tribunal Superior. Precedentes. 2. Ninguém será obrigado a produzir elementos de prova contra si mesmo. Decorrente do direito ao silêncio, previsto no art. 5º, LXVIII, o referido direito também tem sede convencional, especialmente no art. 8º, 2, g, da Convenção Americana Sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), incorporado ao direito brasileiro pelo Decreto n. 678, de 6 de novembro de 1969. 3. Se a conduta determinada pela Lei impele alguém a, em razão de investigação, produzir elemento contrário ao seu interesse pela liberdade, há violação da vedação à autoincriminação compulsória; mas, ausente investigação sobre suposto crime, não há falar em violação do princípio da autoincriminação. 4. Não havendo fato definido como crime em apuração, o fornecimento do perfil genético não configura exigência de produção de prova contra o apenado. Tal exigência recrudesce o caráter de prevenção especial negativo da pena. 5. A determinação do art. 9º-A da Lei de Execução Penal não constitui violação do princípio da vedação à autoincriminação compulsória (nemo tenetur se detegere). Trata-se de procedimento de individualização e identificação possívelgraças ao avanço da técnica e que pode ser utilizado como elemento de prova para elucidação de crimes futuros. 6. Não vislumbro flagrante ilegalidade na determinação de fornecimento do perfil genético do paciente, condenado por delito descrito no art. 217-A do Código Penal, nos termos do art. 9º-A da Lei de Execução Penal, constituindo falta grave a recusa, nos termos dos arts. 9-A, § 8º, e 50, VIII, do referido marco legal. Precedentes. 7. Writ parcialmente conhecido e, nessa extensão, denegada a ordem. (HC n. 879.757/GO, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 20/8/2024, DJe de 23/8/2024.) (Grifei)
Valor probatório da prova genética
	
	Apesar de sua grande importância e eficácia, a prova genética não é absoluta, legalmente não se sobrepõe às demais provas.
	“Art. 155.  O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.” (Código de Processo Penal) (Sublinhei e grifei)
	
	“ Art. 182.  O juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte.” (Código de Processo Penal) (Grifei e sublinhei)
	“Destarte, duas lições são básicas:
	- nenhuma prova é absoluta ou terá, por força de lei, maior prestígio ou maior valor que as outras, logo, um exame de DNA que comprove a existência de material genético do réu no corpo da vítima não conduz, inexoravelmente, à sua condenação;
	- o juiz (ou os jurados) pode perfeitamente decidir contra o laudo, isto é, aceitá-lo ou rejeitá-lo no todo ou em parte (art. 182), pois vale o livre convencimento motivado e formado a partir do contexto probatório.” (LOPES JR., 2018)
Referências
	ANDREUCCI, Ricardo A. Legislação Penal Especial. Disponível em: Minha Biblioteca. Editora Saraiva, 2021.
	FIGUEIREDO, Patrícia, V. et al. LEI ANTICRIME COMENTADA: ARTIGO POR ARTIGO. Disponível em: Minha Biblioteca. Editora Saraiva, 2021.
	LOPES JR., Aury. Direito Processual Penal. 15ª ed. São Paulo: Saraiva, 2018.
	REIS, Alexandre Cebrian Araújo; GONÇALVES, Vitor Eduardo Rios. Direito Processual Penal Esquematizado. Coordenador Pedro Lenza. 5ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016.

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