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Sobre Ética Profissional
Dra. Beatriz Gershenson
Outubro de 2025
O que nos vem à cabeça quando pensamos em ...?
Ao acionarmos a ética enquanto chave de leitura/conceito não o fazemos da mesma forma necessariamente.
Ética
A respeito da Ética
Desde a antiguidade: tomada de posição sobre uma realidade existente
Expressa a condição humana: capacidade de estranhar-se, criar valores, posicionar-se, transformar uma realidade, criar cultura...
Os 3 Níveis de penetração da questão moral na sociedade: os costumes, o lícito e o justo
Compreensão crítica dos fundamentos éticos da vida social
Permite a apreensão da importância da ética como tomada de posição irresignada sobre as desigualdades e injustiças da realidade existente.
Ao mesmo tempo que convida à compreensão dos limites da ética na atual sociabilidade.
Por reconhecermos esses limites, passamos a ter clareza da importância das ações éticas em uma direção emancipatória.
Ética não é apenas a ciência da moral ou o seu conhecimento
Apreendida como parte da práxis – implica trazê-la para o conjunto das práticas conscientes do ser social, dirigidas para a intervenção na realidade, na direção da liberdade e universalidade, tendo como parâmetro a emancipação humana.
Noção de Compromisso
Não se confunde com grandiosos atos. 
É a luta que se instala em cada ato profissional que sempre é um ato político e se realiza como possibilidade no cotidiano de nosso trabalho. 
Cotidianamente enfrentamos as diversas expressões das desigualdades, do preconceito, das injustiças, que somos desafiados a intervir, a fazer sentido ético-político com nosso trabalho.
Trabalhadores que atuam com as expressões das desigualdades
Trabalham com vidas humanas, com trajetórias de vida, com histórias profundamente marcadas pela perversa dinâmica social em curso – que é altamente poupadora em cidadania 
Desafio: enfrentar com a razão e com vontade política as exigências de construção de lugares sociais e políticos novos. Numa dinâmica social que reclama por sua recomposição... 
ETHOS PROFISSIONAL
SIGNIFICADO SOCIAL DO TRABALHO QUE REALIZAMOS
-AUTO – IMAGEM;
VALORES QUE A LEGITIMAM;
FUNÇÕES SOCIAIS E OBJETIVOS.
NOÇÃO DE PROJETO
ENVOLVE SUJEITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS
VINCULA-SE AOS PROJETOS SOCIETÁRIOS EM DISPUTA NA SOCIEDADE
ETHOS PROFISSIONAL
TOMADA DE POSIÇÃO EM RELAÇÃO AOS PROJETOS SOCIETÁRIOS/ETHOS SOCIAL
-EXPRESSA O POSICIONAMENTO E COMPROMISSOS POLÍTICOS DA CATEGORIA PROFISSIONAL COM DETERMINADOS VALORES E PRINCÍPIOS – ASSENTADOS EM REFERÊNCIAS TEÓRICAS QUE FUNDAM A VONTADE POLÍTICA DOS AGENTES PROFISSIONAIS.
SOLO DE CONTRADIÇÕES
O SERVICO SOCIAL SE INSCREVE NO MOVIMENTO CONTRADITÓRIO DE LUTAS E INTERESSES SOCIAIS DISTINTOS 
DE ONDE DECORRE EXIGENCIA DE TOMADA DE POSIÇÃO – DIREÇÃO SOCIAL ÀS NOSSAS AÇÕES – ENTRELAÇADA A VALORAÇÃO ÉTICA
DEMANDAS DO TRABALHO– ENCOMBREM REAIS DETERMINANTES E AS NECESSIDADES SOCIAIS QUE PORTAM MEDIAÇÕES PRESENTES NAS RELAÇÕES SOCIAIS
Bases históricas do compromisso ético-político dos assistentes sociais com valores emancipatórios
O Serviço Social, desde sua origem, configurou-se como profissão fortemente influenciada pelo conservadorismo moral e político....
A negação histórica dessa herança se colocou como finalidade de um projeto profissional de ruptura – ruptura com o conservadorismo , hoje denominado Projeto Ético-Político.
Na dec. 80 a construção do PEP foi fortalecida pelas lutas democráticas e reorganização política dos trabalhadores e movimentos sociais = participação cívica dos profissionais, ampliando sua consciência e confronto com projeto societários e profissionais em disputa.
Ethos profissional contemporâneo
 Anos 80 – maturidade teórica e política de uma direção social expressa na organização político-sindical da categoria, na produção teórica, na capacidade crítica de interlocução com outras áreas de conhecimento; no desenvolvimento da pesquisa, na incorporação de fundamentos inspirados na tradição marxiana.
Novo ethos – marcado pelo posicionamento de negação ao conservadorismo e pela afirmação da liberdade = desafio de materializar valores e princípios na vida cotidiana. Como?
Através da participação cívica e política;
No trabalho;
Na vivencia e enfrentamento de novas necessidades;
De escolhas e posicionamentos de valor;
Da recusa de papéis tradicionais;
Da incorporação de novos referencias ético-morais (...)
Qual o cenário?
Contexto de perda dos direitos historicamente conquistados e de um processo de desumanização
Aprofundamento da exclusão, da exploração, da violência, da degradação ambiental e da dependência politico-econômica em relação aos países centrais
Ampliação do desemprego, da pobreza; desregulamentação do trabalho e da proteção social
Amplificação das evidências sobre o abismo entre o desenvolvimento do gênero humano e a pobreza da maioria da humanidade.
A realidade concreta como desafio
Contexto motiva ações de resistência, politicamente direcionadas ao enfrentamento dos limites postos à viabilização dos direitos e dos valores que orientam a ação profissional.
A crítica às novas configurações do conservadorismo, isto é, à ideologia conservadora, base de sustentação do imaginário social contemporâneo, fundado na privatização do público, na afirmação do mercado como salvação, na promoção do individualismo, na negação da política e da ética. 
 Ideologia conservadora neoliberal – nega a universalidade dos valores, a racionalidade do homem, a liberdade como capacidade sócio-histórica de transformar a realidade. Justifica ideologicamente o presente como destino ou fim da história.
Contexto adverso do neoconservadorismo
Abundante em condições ideológicas para reprodução de valores pautados na defesa de relações autoritárias e de instituições adequadas à sua reprodução, com destaque para a família tradicional, para as instituições repressivas e seus representantes nas figuras das autoridades constituídas.
Sempre lembrando - o SS é uma das profissões vulneráveis à incorporação e /ou ao enfrentamento das relações conservadoras
A histórica vinculação ao conservadorismo moral pode levar à vulnerabilidade de sua reatualização – inserção em instituições de relações hierariquizadas.
Enfrentamento ao conservadorismo
- Exigência de análise crítica da realidade;
- Importância de referencial teórico que forneça suporte para o desvelamento do real em sua essência histórica;
- Desafio da reflexão constante, capacitação continuada.
Direitos Humanos como gramática da Ética.
Porquê mediar o entendimento crítico da ética e o entendimento crítico dos DH?
Discursos sobre DH
DISPUTAS FILOSÓFICAS, JURÍDICAS E POLÍTICAS.
Discursos distintos, que ora se complementam.
Em apertada síntese:
- O discurso da moral;
- O discurso legal ou jurídico;
- O discurso político, das lutas sociais (MARKS, 2016).
Os debates teóricos em torno das origens, do escopo, da importância e do conceito dos direitos humanos. Em torno desta disputa teórica e política orbitam insuficiências, lacunas, visões vagas, genéricas, abstratas e seletivas (ARIFA, 2018) que podem contribuir para fragilizar as possibilidades concretas de proteção destes direitos.
Discurso Moral
Os argumentos morais como base de sustentação dos direitos humanos articulam um discurso ético-filosófico, trazem ao centro das preocupações ambiguidades relativas a conceitos como dignidade humana, direito natural, liberdade, igualdade, justiça social (...)direitos civis e políticos e direitos econômicos, sociais e culturais, apenas para nomear algumas tensões que movimentam a narrativa moral dos direitos humanos. 
O discurso moral vem cumprindo historicamente uma função despolitizadora do debate em torno dos direitos humanos seja em razão de veicular uma visão de dignidade humana abstrata, dissociada da vida material, ou uma visão universal, desconsiderando a diversidade de contextos históricos, culturais, políticos, sociais e econômicos, seja afirmando a dignidade como algo natural e nãocomo uma construção que tem base na ação política e normativa do Estado (BOHÓRQUEZ, M. & VIVIANA E AGUIRRE ROMÁN, 2009).
Discurso Jurídico
O discurso jurídico dos direitos humanos, orientado pela tradição da lei positiva, considera os direitos humanos como o resultado de um processo formal de criação de normas, e regras pelas quais uma sociedade (nacional ou internacional) é governada. 
Nesta vertente, o termo direitos humanos tende a ser utilizado intercambiavelmente com “direitos fundamentais”, “liberdades básicas”, “direitos constitucionais”. 
Os positivistas jurídicos consideram que a lei tem uma função constitutiva destes direitos. No entanto, os defensores do discurso moral, argumentarão que, independentemente do que esteja estabelecido em lei, os direitos humanos existem mesmo antes de sua positivação, pois os valores inerentes a seu conceito, e não a lei, estariam na base de sua existência, cumprindo a lei meramente declaratória de um direito (MARKS, 2016). 
Assim como a despolitização do debate em torno dos direitos humanos pode ter origem no discurso moral, também o discurso jurídico cumpre importante função no mesmo sentido visto que opera a base de uma noção de igualdade formal que abstrai as desigualdades que estão na base do acesso hierarquizado e não igualitário das condições para uma vida digna (FLORES, 2009).
Discurso Político, das lutas sociais
Também nomeado como o discurso das reivindicações sociais (MARKS, 2016) é o discurso que está na base do pensamento crítico dos direitos humanos, o qual se opõe à visão tradicional destes direitos sustentada tanto pelo discurso moral, quanto pelo jurídico. 
Este pensamento denuncia os efeitos negativos de uma visão reducionista e abstrata de direitos humanos que os definem simplesmente como prerrogativas que as pessoas possuem pelo simples fato de serem humanas (com base na noção de direito natural), ou como garantias cuja existência seria assegurada a priori a partir de uma mera verificação formal (com se o quê estivesse na lei, estivesse também, automaticamente, na vida de todos). 
Com base neste discurso os movimentos sociais mobilizam processos que podem incidir nas formas políticas, jurídicas e filosóficas que conformam os direitos humanos, através de lutas que reivindicam condições materiais concretas necessárias para o acesso a condições de uma vida digna.
Um pensamento crítico sobre DH
O pensamento crítico dos direitos humanos contraria as razões transcendentais que são utilizadas para explicá-los e a visão de que se realizam pela positivação.
 
É um posicionamento denuncia as abordagens a históricas, universalistas e abstratas dos direitos humanos por sua funcionalidade na reprodução dos interesses de acumulação do capital e de naturalização desta ordem como algo imutável e insuperável. 
Ter a transformação desta ordem injusta como direção é que sustenta a noção de direitos humanos como processos de luta.
Por um conceito crítico dos DH
Para Flores (2009) os direitos humanos são resultados provisórios de lutas sociais, iniciadas em face das dificuldades verificadas no acesso a determinados bens vitais. Não seriam concessões nem do Estado ou da ordem internacional, mas fruto de conquistas por aqueles que, buscando acessar estas condições, encontram barreiras aparentemente intransponíveis relacionadas a classe, raça, gênero, orientação sexual, entre outros marcadores sociais.
O pensamento crítico aos DH é avesso ao discurso colonial dos DH.
Tem por base a crítica ao solo europeu sobre o qual se constitui a noção de direitos humanos que se pretende universal e a narrativa eurocêntrica sobre estes direitos. Reconhecer que a lógica colonial carrega um ideal de dignidade, de progresso e desenvolvimento que tem nos países centrais do capital os interesses supremos a serem protegidos, permite questionar a noção de bem comum a-histórica e universal sobre a qual se assentam estes direitos e o reforço que carregam à dependência, subordinação e opressão dos países periféricos e dependentes (ZEIGFERT & AGNOLETTO, 2019).
Ética, DH e produção de sentido
Valor central da ética: liberdade
“é a capacidade para darmos um sentido novo do que parecia fatalidade, transformando a situação de fato numa realidade nova, criada por nossa ação. Essa força transformadora, que torna real o que se achava apenas latente como possibilidade, é o que faz surgir uma obra de arte, uma obra de pensamento, um movimento anti-racista, uma luta contra a discriminação sexual ou de classe social, uma resistência à tirania e a vitória contra ela (Chauí,2002, p. 364-5)”.
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