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AFYA CURSO DE MEDICINA - AFYA NOTA FINAL Aluno: Componente Curricular: Integração Ensino Serviço Comunidade III Professor (es): Período: 202502 Turma: Data: N1 ESPECÍFICA - MEDICINA - IESC III - 2025.2 - 1ª CHAMADA - 30/SETEMBRO RELATÓRIO DE DEVOLUTIVA DE PROVA PROVA 17300 - CADERNO 001 1ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA Itacoatiara) Antônio, 68 anos, vive com sua esposa, Maria, 65, e seu filho mais novo, Pedro, 25. Antônio é diabético e hipertenso e recentemente teve um infarto do miocárdio, o que o deixou mais debilitado. Maria, que é a principal cuidadora, sente-se sobrecarregada, mas reluta em pedir ajuda aos outros filhos. O filho mais velho, João, 40, mora em outra cidade e visita a família apenas nas festas de fim de ano. A filha do meio, Ana, 35, reside perto e é enfermeira, mas tem uma relação tensa com a mãe desde que ela se separou do marido e voltou a morar por perto há dois anos. Pedro, por sua vez, passa a maior parte do tempo no quarto jogando videogame e não participa das tarefas domésticas ou do cuidado do pai. A família frequenta uma igreja local, mas ultimamente a participação de Maria e Antônio diminuiu. Com base no caso da família de Antônio, o uso de instrumentos de abordagem familiar é fundamental para a atuação na APS. Analise as afirmativas a seguir em relação à aplicação dessas ferramentas no cenário apresentado: I. O Genograma seria a ferramenta mais indicada para identificar a sobrecarga de Maria, permitindo visualizar as relações externas da família, como a relação com a igreja e o grupo de apoio de diabéticos. II. O APGAR Familiar, ao avaliar a percepção da família sobre cinco componentes (Adaptação, Companheirismo, Crescimento, Afeto e Resolução), seria útil para mensurar o nível de satisfação familiar e a dinâmica disfuncional entre Maria e Ana. III. O Ecomapa é a ferramenta ideal para mostrar a estrutura familiar interna e os laços de consanguinidade, ajudando a entender por que João, o filho mais velho, visita a família tão raramente. IV. A tensão entre Maria e Ana, a falta de participação de Pedro e o afastamento dos demais filhos de Antônio podem ser melhor compreendidos ao se utilizar o APGAR Familiar, que foca nas conexões externas e na rede de apoio social da família. É correto apenas o que se afirma em: 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 1 de 17 acervo.top / acervotop.com Alternativas: (alternativa A) I. (alternativa B) IV. (alternativa C) (CORRETA) II. (alternativa D) III. Resposta comentada: O Genograma seria a ferramenta mais adequada para visualizar a dinâmica familiar interna, como as relações de suporte e conflito entre os membros, e também a sobrecarga de Maria, pois sua estrutura permite mapear o ciclo vital familiar e seus padrões. Esta alternativa está incorreta: o genograma mapeia a estrutura familiar e os laços de consanguinidade e afetividade. O Ecomapa, por sua vez, é a ferramenta que identifica as relações externas. O APGAR Familiar é um instrumento que se baseia em um escore objetivo, medindo a capacidade da família de realizar tarefas instrumentais de cuidado. No caso de Antônio, seria útil para identificar a falta de apoio de Pedro e a tensão entre Maria e Ana. Esta alternativa está correta: O APGAR Familiar é um instrumento de percepção subjetiva que avalia o funcionamento familiar. Ele seria útil para a família de Antônio, pois aborda questões como a satisfação com o apoio (Adaptação), a comunicação (Companheirismo), a maturidade (Crescimento), a intimidade (Afeto) e a capacidade de enfrentar crises (Resolução), o que é diretamente aplicável ao caso de Maria e Ana. A aplicação do Ecomapa no caso de Antônio e sua família permitiria ao médico de família identificar e visualizar as conexões da família com sistemas externos, como a igreja e a falta de participação de Pedro em grupos sociais, revelando potenciais redes de apoio. Esta alternativa está incorreta: O Genograma é a ferramenta que mostra a estrutura interna, os laços e o padrão de relacionamento entre os membros da família, enquanto o Ecomapa é o que aborda a relação externa. A tensão entre Maria e Ana e o aparente isolamento de Pedro podem ser mais bem avaliados com o Genograma, que, por ser um questionário de cinco itens, foca na percepção de satisfação dos membros em relação ao funcionamento familiar. Esta alternativa está incorreta: A tensão entre Maria e Ana, a falta de participação de Pedro e o afastamento dos demais filhos de Antônio podem ser melhor compreendidos ao se utilizar o APGAR Familiar, que foca nas conexões externas e na rede de apoio social da família. Referência: DUNCAN, BRUCE, B. et al. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 5ª edição. Grupo A, 2022. (cap. 20). 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 2 de 17 Feedback: -- 2ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA Paraíba) Dona Ermelinda, 78 anos, procurou a Unidade de Saúde da Família (USF) queixando-se de "dor de cabeça e insônia há semanas". Ao ser atendida na recepção, a funcionária, visivelmente sobrecarregada, registrou a queixa principal sem estabelecer contato visual prolongado ou indagar sobre outros aspectos da vida da idosa. Dona Ermelinda, após relatar seu sintoma, murmurou algo sobre "estar muito sozinha ultimamente", mas a frase não foi percebida pela recepcionista, que já chamava o próximo paciente. Dona Ermelinda foi direcionada à sala de espera com um encaminhamento para o médico generalista, sem que sua necessidade de expressar mais detalhes sobre sua situação fosse acolhida. Considerando o caso e os princípios do acolhimento na APS, avalie as afirmativas quanto à aplicabilidade das dimensões do acolhimento e sua relação com a efetivação do SUS: I. A escuta limitada na recepção comprometeu a acessibilidade ao cuidado integral, pois a demanda psicossocial de Dona Ermelinda não foi percebida, reduzindo a capacidade de resolução do serviço. II. O acolhimento realizado permitiu identificar a vulnerabilidade social da idosa, fortalecendo a integralidade do atendimento mesmo antes da consulta médica. III. O foco apenas na queixa biológica e o desprezo pelo contexto social mostram falhas na humanização e na equidade, pois não houve consideração das especificidades nem construção de vínculo com a usuária. IV. Embora a escuta não tenha sido ampliada, o acolhimento garantiu a longitudinalidade e o acesso à rede de suporte, elementos centrais da APS e dos princípios do SUS. Está correto apenas o que se afirma em: Alternativas: (alternativa A) II e III. (alternativa B) I e IV. (alternativa C) (CORRETA) I e III. (alternativa D) II e IV. 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 3 de 17 Resposta comentada: I. A escuta limitada na recepção comprometeu a acessibilidade ao cuidado integral, pois a demanda psicossocial de Dona Ermelinda não foi percebida, reduzindo a capacidade de resolução do serviço. Comentário: Esta afirmativa está correta. O acolhimento exige uma escuta atenta e qualificada, capaz de captar dimensões biológicas, psicológicas e sociais do usuário. Ao limitar-se à queixa biomédica e não perceber o sofrimento psicossocial (“estar muito sozinha”), houve uma falha que prejudica tanto a integralidade do cuidado quanto a resolubilidade do serviço, pois a verdadeira necessidade permaneceu oculta e não foi encaminhada adequadamente. II. O acolhimento realizado permitiu identificar a vulnerabilidade social da idosa, fortalecendo a integralidade do atendimento mesmo antes da consulta médica. Comentário: Esta afirmativa está errada. O procedimento descrito não identificou nem abordou a vulnerabilidade social, já que houve ausência de escuta ativa e contextualização mais ampla da situação de Dona Ermelinda. Assim, não houve efetivação da integralidade do atendimento, nem fortalecimento do cuidado antes da consulta médica, pois prevaleceu a redução do problema à dimensão biomédica. III. O foco apenas na queixa biológica e o desprezo pelo contexto social mostramfalhas na humanização e na equidade, pois não houve consideração das especificidades nem construção de vínculo com a usuária. Comentário: Esta afirmativa está correta. Ao negligenciar o contexto social e ignorar a fala sobre solidão, houve falhas claras nos princípios da humanização e equidade. O acolhimento pressupõe atenção às especificidades culturais e sociais dos usuários, construção de vínculo e abordagem integral — todos prejudicados neste caso. A ausência desses elementos compromete tanto o cuidado quanto a efetividade do SUS. IV. Embora a escuta não tenha sido ampliada, o acolhimento garantiu a longitudinalidade e o acesso à rede de suporte, elementos centrais da APS e dos princípios do SUS. Comentário: Esta afirmativa está errada. Sem escuta qualificada e sem articulação do contexto social e emocional, não houve garantia da longitudinalidade no sentido pleno (acompanhamento contínuo e construção de vínculo ao longo do tempo). Também não se assegurou o acesso à rede de suporte, pois o sofrimento social de Dona Ermelinda sequer foi percebido, impedindo encaminhamentos ou ações integradas com outros serviços. Referência: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Acolhimento nas práticas de produção de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. – 2. ed. 5. reimp. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010. Feedback: -- 3ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA Paraíba) Durante a consulta na UBS, o médico atende a paciente Maria, 58 anos, hipertensa e diabética, que é analfabeta, mora com sua filha e neta e enfrenta dificuldades financeiras para seguir o tratamento. Em vez de impor um plano rígido, o médico conversa com Maria e decide acionar o trabalho da equipe multiprofissional. Um plano conjunto de manejo para o cuidado de dona Maria, considerando o Método Clínico Centrado na Pessoa - MCCP, deve incluir: 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 4 de 17 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) encaminhar para o farmacêutico, que negocia metas semanais junto à família e ajusta a prescrição junto com o médico para medicamentos disponíveis na farmácia popular. (alternativa B) direcionar para a nutricionista, que prescreve uma dieta balanceada, retirando glicose e sódio, para a usuária calcular a quantidade de calorias necessárias. (alternativa C) encaminhar a paciente para o serviço social para resolução de seus problemas socioeconômicos, pois o tratamento correto exige recursos financeiros. (alternativa D) encaminhar para a enfermeira, que explica as doenças para o paciente, reforçando a necessidade de comprar os remédios e obedecer aos protocolos clínicos. 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 5 de 17 Resposta comentada: Resposta correta: Encaminha para o farmacêutico, que negocia metas semanais junto à família e ajusta a prescrição para medicamentos disponíveis na farmácia popular. São postos que mostram o terceiro componente do MCCP (elaboração de um plano conjunto de manejo): o médico não decide sozinho, mas escuta a paciente e negocia as metas do plano, diante de suas condições. O plano é conjunto e respeita a realidade da paciente. As metas são realistas e adaptadas às condições de vida dela. Há compartilhamento de decisões para aumentar a adesão ao cuidado. Errada: Encaminha a paciente para o serviço social para resolução de seus problemas socioeconômicos, pois o tratamento correto exige recursos financeiros. O tratamento medicamentoso e não medicamentoso pode ser ajustado diante da problemática familiar com alternativas cabíveis, a exemplo das medicações serem prescritas diante da disponibilidade da farmácia popular ou ofertadas pelo SUS. Errada: Direcionar para a nutricionista, que prescreve uma dieta balanceada, retirando glicose e sódio, para a usuária calcular a quantidade de calorias necessárias. A usuária é analfabeta e não saberá realizar os cálculos. Além disso, a dieta deve ser ajustada para as condições econômicas da paciente e ser negociada para redução conforme pactuado com a paciente. Errada: Encaminha para a enfermeira, que explica as doenças para o paciente, reforçando a necessidade de comprar os remédios e obedecer aos protocolos clínicos. Os tratamentos não devem ser impositivos, mas devem ser negociados com o paciente e apoio da família. O MCCP enfatiza corresponsabilização, não uma relação vertical de “obediência”. Referências: DUNCAN, BRUCE, B. et al. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. Disponível em: Minha Biblioteca, 5ª edição. Grupo A, 2022. (cap. 11). STEWART, Moira et al. Medicina centrada na pessoa: transformando o método clínico. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. e-PUB. Parte 02 [recurso eletrônico]. GUSSO, G. ; LOPES, J. M. C. (Org.). Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. Porto Alegre: Artmed, 2019. Cap. 15. Feedback: -- 4ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA Ipatinga) Marina (32 anos) e Lucas (34 anos) estão casados há 4 anos e tiveram recentemente sua primeira filha, Clara, que está com 3 meses. Marina está em licença- maternidade, enquanto Lucas trabalha como técnico de informática. O casal tem enfrentado dificuldades para conciliar os cuidados com o bebê com as rotinas domésticas e profissionais. Além disso, Lucas relata sentir-se emocionalmente distante de Marina, que tem se dedicado quase exclusivamente à filha. Ambos mencionam cansaço constante, noites mal dormidas e conflitos em relação às decisões sobre a criação da filha. Apesar disso, demonstram desejo mútuo de fortalecer o vínculo familiar e se adaptar à nova dinâmica. Considerando o estágio do Ciclo de Vida Familiar em que essa família se encontra, marque qual a principal tarefa/desafio de desenvolvimento associada a esse momento, segundo o modelo de seis estágios proposto por Gusso e Lopes. 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 6 de 17 Alternativas: (alternativa A) Renegociar os papéis parentais e permitir maior autonomia aos filhos. (alternativa B) (CORRETA) Reorganizar o sistema familiar para acolher os filhos, ajustando os papéis. (alternativa C) Desenvolver a intimidade conjugal e adaptar-se às rotinas da vida a dois. (alternativa D) Lidar com as perdas e reorganizar os vínculos entre os familiares. Resposta comentada: Resposta correta: reorganizar o sistema familiar para acolher os filhos, ajustando papéis (conjugais, parentais e profissionais). O casal apresenta uma filha recém-nascida, o que caracteriza a entrada no Estágio 3 do Ciclo de Vida Familiar: família com filhos pequenos. Os desafios descritos — como a sobrecarga de tarefas, o cansaço, o afastamento conjugal e as dificuldades na reorganização das rotinas — são típicos dessa etapa. A principal tarefa de desenvolvimento é exatamente reorganizar o sistema familiar para incluir o(s) filho(s), ajustando os papéis conjugais e parentais, além de equilibrar demandas profissionais e familiares. O caso ilustra bem essas tensões. Renegociar os papéis parentais e permitir maior autonomia aos filhos - incorreta. Essa é a principal tarefa/desafio do Estágio 5 – Família com adolescentes. Clara tem apenas 3 meses, e não há filhos mais velhos. Os desafios descritos (dificuldade de adaptação à presença do bebê, sobrecarga, conflitos conjugais relacionados à parentalidade) não condizem com as tarefas típicas da adolescência dos filhos, como promover autonomia e renegociar limites. Portanto, essa alternativa descreve outro estágio do ciclo. Desenvolver a intimidade conjugal e adaptar-se às rotinas da vida a dois - incorreta. Essa é a principal tarefa/desafio do Estágio 2 – O novo casal. O casal já tem uma filha e, portanto, não se encontra mais no estágio II, que corresponde à fase de formação do casal, quando ainda não há filhos. O desafio do desenvolvimento da intimidade conjugal é central nessa fase, mas o caso clínico já traz a transiçãopara a parentalidade — ou seja, o casal está vivenciando tarefas típicas do estágio 3, como o ajuste à chegada de um filho e à redistribuição de papéis. Lidar com perdas e reorganizar os vínculos entre os familiares - incorreta. Essa é a principal tarefa/desafio do Estágio 6 – Família no estágio tardio de vida. O casal é jovem (32 e 34 anos), tem uma filha bebê, e está longe do estágio final do ciclo de vida familiar. O estágio 6 trata da fase de envelhecimento, marcada por aposentadoria, viuvez, perdas e adaptação ao ninho vazio. Nenhuma dessas características está presente no caso. Logo, não se aplica à situação apresentada. Referência: GUSSO, Gustavo; LOPES, José M. C.; DIAS, Lêda C. Tratado de medicina de família e comunidade - 2 volumes: princípios, formação e prática. 2. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2019. E- book. p. 282. ISBN 9788582715369. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582715369/. Acesso em: 20 ago. 2025. 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 7 de 17 Feedback: -- 5ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA Paraíba) A família Santos é composta por cinco membros: Maria (mãe, 45 anos), João (pai, 47 anos), Lucas (filho de 17 anos, estudante e atleta), Ana (filha de 10 anos, estudante) e Dona Lourdes (avó materna, 72 anos, hipertensa e diabética). Há dois anos, Lucas foi diagnosticado com uma doença autoimune crônica, que exige imunossupressores, acompanhamento médico regular e frequentes ausências escolares e esportivas devido a recaídas. Desde então, Maria tornou-se a principal cuidadora de Lucas. Com isso, reduziu sua carga de trabalho, resultando em diminuição da renda familiar. João, embora presente, mostra dificuldade em lidar emocionalmente com a nova dinâmica: evita conversas sobre o adoecimento do filho e foca no trabalho por mais tempo. Ana sente-se deslocada, com ciúmes da atenção dada ao irmão, e apresenta queda no rendimento escolar. Dona Lourdes, cujo controle glicêmico e pressão arterial estão piores, preocupa-se por estar demandando mais cuidados, mas teme tornar-se um peso. O ambiente familiar está marcado por conflitos de comunicação, sobrecarga materna, isolamento social, sentimento de culpa e tensão constante. A família reconhece a necessidade de reorganizar papéis e fortalecer vínculos, mas sente-se sem recursos de apoio. Com base no caso acima, marque a alternativa que apresenta o plano de metas mais adequado para a família Santos, de acordo com as necessidades de saúde, psicossociais e funcionais descritas. Alternativas: (alternativa A) Curto prazo: psicoterapia individual para Dona Lourdes devido à sobrecarga de trabalho. Médio prazo: acompanhamento médico de doença autoimune para Lucas. Longo prazo: promover autonomia de Lucas. (alternativa B) Curto prazo: redistribuição de tarefas de cuidado; Ana assume os cuidados de Lucas. Médio prazo: intensifica consultas familiares no serviço de saúde para reeducação alimentar de Maria. Longo prazo: readequação do ambiente físico da casa para prevenção de acidentes de Lucas. (alternativa C) Curto prazo: encaminhamento de Maria para cuidados psiquiátricos. Médio prazo: as ações devem ser sequenciais e clínicas, para estabilização dos parâmetros de Lucas. Logo prazo: todos devem receber acompanhamento remoto mensal de saúde. (alternativa D) (CORRETA) Curto prazo: propõe avaliação interdisciplinar da funcionalidade familiar. Médio prazo: sugere revezamento do cuidado com Lucas, flexibilização de rotinas. Longo prazo: autonomia progressiva de Lucas e preparo familiar para manejo conjunto de crises. 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 8 de 17 Resposta comentada: Curto prazo: propõe avaliação interdisciplinar da funcionalidade familiar; no médio prazo: sugere revezamento do cuidado com Lucas, flexibilização de rotinas; no longo prazo: autonomia progressiva de Lucas e preparo familiar para manejo conjunto de crises. Correta. Essa alternativa contempla: Avaliação interdisciplinar e fortalecimento do autocuidado e do diálogo desde o início, envolvendo toda a família. Grupos de apoio e rodas de conversa para lidar com aspectos emocionais e de comunicação, ações validadas pela literatura como fundamentais para reorganização familiar e enfrentamento conjunto da doença crônica. Intervenções de rotina, escolar e acompanhamento psicológico para crianças e adolescentes adaptadas às suas necessidades, o que ajuda a reduzir ciúmes, sentimentos de exclusão e baixa escolar. Cuidados contínuos e programados para Dona Lourdes, incluindo articulação de aspectos da saúde crônica do idoso. Estratégias que envolvem a família ampliada em redes de apoio, autonomia progressiva para Lucas e integração nas decisões e rotina, promovendo a resiliência e adaptação a longo prazo — condutas recomendadas nos estudos sobre famílias em situação de doença crônica e vulnerabilidade psicossocial. Curto prazo: psicoterapia individual para Dona Lourdes devido à sobrecarga de trabalho. Médio prazo: acompanhamento médico de doença autoimune para Lucas; a longo prazo: promover autonomia de Lucas. Errada: A psicoterapia para Dona Lourdes não é para sobrecarga de trabalho e Lucas precisa de cuidados médicos a curto prazo. Curto prazo: Encaminhamento de Maria para cuidados psiquiátricos. O médio prazo: as ações devem ser sequenciais e clínicas, para estabilização dos parâmetros de Lucas. Logo prazo: todos devem receber acompanhamento remoto mensal de saúde. Errada: Lucas precisa de cuidados a curto prazo; Maria não precisa de cuidados psiquiátricos, precisa de auxílio para sobrecarga de trabalho. Não são todos os membros da família que podem receber cuidados remotos. Curto prazo: redistribuição de tarefas de cuidado; Ana assume os cuidados de Lucas. No médio prazo, intensifica consultas familiares no serviço de saúde para reeducação alimentar de Maria. Longo prazo: readequação do ambiente físico da casa para prevenção de acidentes de Lucas. Errada: Aqui, a redistribuição de tarefas coloca Ana, uma criança, como protagonista do cuidado de Lucas, impondo-lhe papéis e responsabilidades desproporcionais e sem o preparo adequado, o que pode aumentar seu sofrimento psicológico e prejuízo escolar. No médio prazo, prioriza reeducação alimentar para Dona Lourdes. Para o longo prazo, o foco na adequação do ambiente físico busca prevenir acidentes de dona Lourdes e não de Lucas. Referência: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS. Clínica ampliada e compartilhada. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. 64 p. Feedback: -- 6ª QUESTÃO 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 9 de 17 Enunciado: (UNIGRANRIO Caxias) Durante uma visita domiciliar realizada por uma equipe de Saúde da Família, a agente comunitária de saúde encontra a seguinte situação: um adolescente vive com seus avós maternos e dois tios, após a morte de sua mãe e o abandono por parte do pai biológico. A avó materna ficou com a guarda dele, tornando-se a principal responsável pelos cuidados e decisões relacionadas à saúde do adolescente, incluindo acompanhamento em consultas, administração de medicamentos e cuidados com a alimentação. Com base na situação apresentada, identifique o tipo de organização familiar predominante e a implicação mais relevante para a atuação da equipe de saúde. Alternativas: (alternativa A) Família reconstruída – A convivência com tios e avó caracteriza uma recomposição familiar, exigindo apoio psicossocial ao novo núcleo parental. (alternativa B) Família adotiva – A guarda da avó confere automaticamente o status de família adotiva, o que demanda judicialização do acompanhamento em saúde. (alternativa C) (CORRETA) Família extensa - A equipe de saúde deve reconhecer a avó como cuidadora principal e incluí-la nas estratégias de promoção e prevenção à saúde. (alternativa D) Família monoparental – A ausência do pai configura um arranjo de monoparentalidade, exigindo ações focadas na figura paterna.000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 10 de 17 Resposta comentada: Gabarito: Alternativa Correta: Família extensa – A equipe de saúde deve reconhecer a avó como cuidadora principal e incluí-la nas estratégias de promoção e prevenção à saúde. A situação apresentada descreve claramente uma família extensa, que é caracterizada pela presença de membros além do núcleo tradicional pai-mãe-filhos, como avós, tios ou outros parentes. A avó assume o papel de cuidadora principal, o que é uma realidade comum em muitos contextos brasileiros, principalmente em situações de orfandade ou abandono. Para a equipe de saúde, reconhecer essa configuração familiar é essencial para garantir a continuidade do cuidado, respeitando o vínculo afetivo e a função desempenhada pela avó. As ações devem incluir essa cuidadora nas decisões de saúde, oferecendo suporte e orientações adequadas. Análise dos Distratores: "Família monoparental – A ausência do pai configura um arranjo de monoparentalidade, exigindo ações focadas na figura paterna." Alternativa – Incorreta: Embora a ausência do pai esteja mencionada, o conceito de família monoparental se aplica quando um dos genitores (pai ou mãe) vive com os filhos e assume a responsabilidade exclusiva. No caso, nem o pai nem a mãe estão presentes. A figura central é a avó, o que descaracteriza esse modelo. "Família reconstruída – A convivência com tios e avó caracteriza uma recomposição familiar, exigindo apoio psicossocial ao novo núcleo parental." Alternativa – Incorreta: Família reconstruída envolve a formação de um novo núcleo familiar por um dos genitores com um novo cônjuge, geralmente após separações ou novos casamentos. Não há menção a esse tipo de reconfiguração no relato apresentado. "Família adotiva – A guarda da avó confere automaticamente o status de família adotiva, o que demanda judicialização do acompanhamento em saúde." Alternativa – Incorreta: A família adotiva se refere a uma situação formalizada juridicamente por meio de processo legal de adoção, o que não está indicado no relato. A guarda legal por parte da avó não implica, necessariamente, adoção. Além disso, o acompanhamento em saúde não depende exclusivamente da judicialização nesses casos, e a atuação da equipe deve considerar o vínculo afetivo e o cuidado efetivo, mesmo sem adoção formal. Referência: BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Saúde da Família. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Feedback: -- 7ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA Itabuna) Uma equipe de saúde da família reuniu-se na Unidade Básica de Saúde para discutir um caso que havia desafiado seus conhecimentos e habilidades. A paciente em questão era Maria Oliveira, uma mulher de 55 anos com diabetes e hipertensão, mas o que tornava seu caso singular eram os aspectos sociais e emocionais que envolviam sua jornada de saúde. Durante a reunião, a equipe destacou que as dificuldades na adesão ao tratamento eram devidas às limitações financeiras de Maria e que as tensões familiares impactavam seu bem-estar emocional. Com base no caso anterior, analise as alternativas e marque o momento do Projeto Terapêutico Singular - PTS, apresentado na situação anterior. 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 11 de 17 Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) Diagnóstico. (alternativa B) Definição de metas. (alternativa C) Divisão de responsabilidades. (alternativa D) Reavaliação. Resposta comentada: Resposta correta: diagnóstico situacional e divisão de responsabilidades. O PTS contém 4 momentos: diagnóstico; definição de metas; divisão de responsabilidades e reavaliação. No texto, podemos identificar o diagnóstico situacional e a divisão de tarefas, sendo: Correto: Diagnóstico: deverá conter uma avaliação orgânica, psicológica e social, que possibilite uma conclusão a respeito dos riscos e da vulnerabilidade do usuário. Deve tentar captar como o sujeito singular se produz diante de forças como as doenças, os desejos e os interesses, assim como também o trabalho, a cultura, a família e a rede social. Ou seja, tentar entender o que o sujeito faz de tudo que fizeram dele. Errado: Divisão de responsabilidades: no texto não apresenta as responsabilidades de cuidado dos profissionais, mediante a situação problema. Errado: Definição de Metas: no texto não apresenta as metas de curto, médio e longo prazos, mediante as necessidades de cuidado para a usuária. Errado: Reavaliação: no caso, não deixa claro a necessidade de reflexão sobre os nós críticos do caso singular, mediante as medidas que seriam necessárias para responder ao cuidado integral. Referência: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Clínica ampliada, equipe de referência e projeto terapêutico singular. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2007. 60 p.: il. color. Série B. Textos básicos de saúde. Disponível em: https://admin.atencaobasica.rs.gov.br/upload/arquivos/202207/05102205-07101125-pts-1.pdf. Acesso em: 28 mar. 2025. Feedback: -- 8ª QUESTÃO 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 12 de 17 Enunciado: (UNIPTAN) Em uma consulta na Unidade Básica de Saúde (UBS), a enfermeira Maria, de 65 anos, relata sentir-se sobrecarregada com os cuidados do marido, João, de 68 anos, que é aposentado e tem histórico de uso abusivo de álcool, além de não aderir ao tratamento para sua hipertensão. Eles moram com a filha Ana, de 40 anos, que recentemente se divorciou e voltou para a casa dos pais com seu filho adolescente, Pedro, de 15 anos. Ana, que é a principal cuidadora de seus pais, expressa grande estresse e ansiedade e menciona que Pedro tem apresentado baixo rendimento escolar. A família possui uma relação distante com os parentes de João, mas é ativa na igreja local, onde encontram algum apoio. Sobre a abordagem da família de Maria, fazem-se as seguintes afirmações: I - O Genograma é uma ferramenta essencial para a avaliação inicial deste caso, pois permite a visualização da estrutura familiar ao longo de três gerações, revelando padrões de saúde e de comportamento, como o uso de álcool e resistência à adesão ao tratamento de doenças crônicas. II - O APGAR Familiar seria útil para quantificar objetivamente o estresse de Maria e a sobrecarga de Ana com base em critérios psicométricos padronizados. III - O Ecomapa é fundamental para mapear as conexões da família com a comunidade, como a igreja e a escola de Pedro, auxiliando na identificação de redes de apoio e de possíveis fontes de estresse. IV - A utilização do Genograma, APGAR Familiar e Ecomapa, para este caso, é redundante, pois a situação destaca problemas de saúde individuais, não justificando uma abordagem sistêmica familiar. A partir da análise do caso da família de Maria e considerando o uso de ferramentas de abordagem familiar na Atenção Primária à Saúde, é correto o que se afirma apenas em: Alternativas: (alternativa A) (CORRETA) I e III. (alternativa B) I, II e III. (alternativa C) I, III e IV. (alternativa D) II e IV. 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 13 de 17 Resposta comentada: A afirmativa I está correta, pois o Genograma é ideal para visualizar a estrutura familiar de três gerações, revelando padrões de saúde e relações interpessoais complexas. A afirmativa III também está correta, pois o Ecomapa é projetado para mapear as interações da família com sistemas externos, como a igreja (apoio) e a escola (estresse), o que é crucial para identificar os recursos comunitários. As demais estão incorretas. A afirmativa II é falsa. O APGAR Familiar é uma ferramenta para avaliar a percepção subjetiva dos membros da família sobre sua funcionalidade, e não para quantificar objetivamente o estresse com base em critérios psicométricos padronizados. A afirmativa IV é falsa. O caso da família de Maria demonstra claramenteque as questões de saúde individuais (hipertensão e alcoolismo) estão intrinsecamente ligadas à dinâmica familiar e às relações com a comunidade. Portanto, uma abordagem sistêmica com o uso dessas ferramentas é fundamental, e não redundante. Portanto, as afirmativas II e IV são incorretas, conforme as justificativas acima. Referência: DUNCAN, B. B.; SCHMIDT, M. I.; GIUGLIANI, E. R. J. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. Feedback: DUNCAN, B. B.; SCHMIDT, M. I.; GIUGLIANI, E. R. J. Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. 9ª QUESTÃO Enunciado: (AFYA Manacapuru) Dona Marta, 58 anos, hipertensa há 10 anos, comparece à consulta de retorno com o Dr. Renato relata que, nos últimos meses, tem apresentado dificuldade para controlar a pressão arterial, mesmo fazendo uso regular da medicação prescrita. Durante a consulta, o médico pergunta sobre o uso dos medicamentos, horários, efeitos adversos e aferi a pressão arterial, explicando a importância da adesão correta. Após confirmar o uso adequado, Dr. Renato conversa com Dona Marta sobre alternativas para o tratamento, esclarece suas dúvidas e ajusta a dose do anti-hipertensivo, orientando a paciente sobre a nova prescrição. Em meio à consulta, Dona Marta comenta sentir-se muito cansada no dia a dia, pois acumula as tarefas domésticas e o cuidado do neto pequeno. O médico ouve a queixa e prossegue para finalizar a consulta com a entrega da receita e reforço das orientações sobre o tratamento. Com base no caso descrito e considerando os quatro componentes do Modelo Clínico Centrado na Pessoa (MCCP), responda o que se pede: a) Analise criticamente quais componentes do MCCP foram mais privilegiados na atuação do Dr. Renato. Justifique sua resposta com trechos da narrativa. (0,75 pontos) b) Indique quais componentes do MCCP foram subutilizados ou negligenciados na consulta, justificando sua análise com base no caso. (0,75 pontos) Alternativas: -- 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 14 de 17 Resposta comentada: a) Analise criticamente quais componentes do MCCP foram mais privilegiados na atuação do Dr. Renato. Justifique sua resposta com trechos da narrativa. O Dr. Renato privilegiou especialmente o componente “explorando a saúde/doença e a experiência do paciente”, ao investigar detalhadamente o uso dos medicamentos, os horários, possíveis efeitos adversos e realizar a aferição da pressão arterial. Essas ações evidenciam atenção ao quadro clínico e à adesão terapêutica. Além disso, o componente “elaborando um plano conjunto” também foi privilegiado, já que o médico discutiu alternativas de tratamento, esclareceu dúvidas e chegou a um ajuste de dose compartilhado com a paciente. Esses elementos mostram que houve uma tentativa de corresponsabilização e de tomada de decisão de forma mais participativa, indo além da simples prescrição unilateral. Critérios de correção: Até 0,25 pontos → se identificar corretamente os componentes mais privilegiados (explorando a saúde/doença e a experiência; elaborando plano conjunto). Até 0,50 pontos → se justificar criticamente a resposta, relacionando com o caso (ex.: perguntas sobre medicamentos, aferição da pressão, médico discutiu alternativas de tratamento, esclareceu dúvidas e definiu ajuste de dose em acordo com a paciente). b) Indique quais componentes do MCCP foram subutilizados ou negligenciados na consulta, justificando sua análise com base no caso. Foram subutilizados ou negligenciados os componentes “entendendo a pessoa como um todo” e “intensificando a relação médico-paciente”. Quando Dona Marta relatou sentir-se muito cansada devido às responsabilidades domésticas e ao cuidado com o neto, o médico não explorou essa queixa, perdendo a oportunidade de compreender os fatores psicossociais que impactam sua saúde e adesão ao tratamento. Além disso, ao não aprofundar a escuta nem valorizar o relato da paciente, o Dr. Renato deixou de fortalecer a relação médico-paciente, o que limita o vínculo de confiança e a corresponsabilização no cuidado. Critérios de correção: Até 0,25 pontos → se identificar corretamente os componentes negligenciados (2 – entendendo a pessoa como um todo; 4 – intensificando a relação médico-paciente). Até 0,50 pontos → se justificar criticamente a resposta, relacionando com o caso (ex.: relato de cansaço não explorado; ausência de acolhimento; fragilidade do vínculo). Referências: DUNCAN, BRUCE, B. et al. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. Disponível em: Minha Biblioteca, (5ª edição). Grupo A, 2022. GUSSO G.; LOPES, J. M. C. (Org.). Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. Porto Alegre: Artmed, 2019. Feedback: -- 10ª QUESTÃO 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 15 de 17 Enunciado: (UNIGRANRIO Barra) Durante a reunião de equipe em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), a enfermeira propõe discutir situações relacionadas ao acolhimento de usuários na UBS. No dia anterior, a unidade recebeu a seguinte demanda: Pela manhã, Maria, 54 anos, compareceu à UBS relatando dor no peito iniciada há duas horas, associada a sudorese e náuseas. Ao chegar, foi orientada pela recepcionista a aguardar consulta médica na ordem de chegada, sem registro de classificação de risco. Permaneceu sentada na sala de espera por cerca de 40 minutos até ser atendida pelo clínico, que, ao avaliar o quadro, identificou sinais de possível síndrome coronariana aguda e realizou o encaminhamento imediato para o hospital de referência. Na mesma manhã, João, 28 anos, trabalhador informal, buscou atendimento por tosse persistente há três semanas. Também aguardou em fila de chegada para consulta médica, sem triagem ou escuta inicial. Após o atendimento, o médico solicitou exame de escarro e orientou retorno após resultado, sem encaminhá-lo para avaliação de enfermagem ou inserção em grupo de acompanhamento de tuberculose. Na reunião de equipe, o caso foi debatido, levantando questionamentos sobre o fluxo de usuários e a prática do acolhimento como dispositivo da Política Nacional de Humanização (PNH). A partir do caso descrito e considerando a PNH com ênfase no acolhimento, responda: 1. Identifique as falhas no processo de trabalho da equipe na UBS.(0,5 ponto) 2. Aponte as consequências das falhas no processo de trabalho da unidade apresentada. (0,5 ponto) 3. Proponha um fluxo de serviços para a UBS que incorpore o acolhimento como estratégia de organização do processo de trabalho. (0,5 ponto) Alternativas: -- Resposta comentada: 1 e 2. Análise crítica da dinâmica de atendimento vivenciada por Maria e João. Maria (dor torácica, risco iminente): Falha: não houve acolhimento com avaliação de risco. A recepcionista apenas orientou a esperar na fila por ordem de chegada, desconsiderando a gravidade dos sintomas. Consequência: A paciente permaneceu em risco por 40 minutos, atrasando o manejo de uma possível síndrome coronariana aguda. Isso comprometeu a segurança do usuário e poderia ter resultado em desfecho grave ou fatal. Esperado: Acolhimento com escuta inicial e classificação de risco, garantindo atendimento imediato pela equipe de enfermagem e médico. João (tosse há 3 semanas): Falha: Não houve escuta qualificada ou triagem que reconhecesse sinais sugestivos de tuberculose, condição de relevância em saúde pública. Consequência: O atendimento foi fragmentado (apenas consulta médica), sem articulação multiprofissional e sem garantia de cuidado longitudinal e integral, dificultando a vigilância epidemiológica e o seguimento. Esperado: Acolhimento inicial pela equipe, direcionamento para coleta de escarro, orientação 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 16 de 17 educativa, comunicação com a vigilância e acompanhamento multiprofissional. 3 - Proposta de fluxo de serviço com acolhimentoAcolhimento da demanda espontânea: todos os usuários que chegam à UBS devem ser acolhidos por profissional de saúde capacitado (preferencialmente enfermagem), em qualquer horário de funcionamento. O acolhimento deve ocorrer de forma humanizada, sem barreiras administrativas (não se limita a ficha ou ordem de chegada). Avaliação de risco e vulnerabilidade: utilização de protocolos de classificação de risco (ex.: Manchester adaptado à APS, protocolos locais do MS). Maria deveria ser identificada como caso de emergência clínica, com prioridade absoluta para atendimento médico imediato. João deveria ser reconhecido como caso suspeito de tuberculose, necessitando investigação e acompanhamento contínuo. Encaminhamento resolutivo e articulação multiprofissional: Para Maria: condução imediata à consulta médica, estabilização e encaminhamento ao hospital de referência. Registro no sistema e comunicação à família. Para João: encaminhamento para enfermagem e vigilância em saúde, coleta de escarro, avaliação médica e inclusão em acompanhamento multiprofissional (médico, enfermeiro, ACS, equipe de saúde bucal, apoio matricial se necessário). Garantia de vínculo e continuidade do cuidado, com acompanhamento em visitas domiciliares pelos ACS. O fluxo deve mostrar que o acolhimento não é apenas uma “porta de entrada”, mas um processo de organização do trabalho na APS, articulando escuta qualificada, avaliação de risco, priorização de atendimentos urgentes e integralidade do cuidado. Referências: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Acolhimento à demanda espontânea / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – 1. ed. ; 1. reimpr. – Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 56 p. il. – (Cadernos de Atenção Básica; n. 28, V. 1) https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acolhimento_demanda_espontanea_cab28v1.pdf. Acesso em: 05 maio 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Acolhimento nas práticas de produção de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. – 2. ed. 5. reimp. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acolhimento_praticas_producao_saude.pdf. Acesso em: 05 maio 2025. Feedback: -- 000173.00001f.69355c.fef173.4e4152.fbc70f.aa4699.241ec Pgina 17 de 17