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3 LISÍSTRATA OU A GREVE DO SEXO (411 A.C.), DE ARISTÓFANES O TEATRO GREGO A comédia surge na Grécia antiga 50 anos depois da tragédia. Em dois momentos no ano, em Atenas, havia representações de teatro: na primavera, aconteciam as Grandes Dionísias; no inverno, as Leneias. Essas festividades eram em honra a Baco, o protetor do teatro, o deus da sexualidade. O teatro se torna mais profissional com os festivais. ARISTÓFANES Aristófanes nasceu em 455 a.C. e faleceu, possivelmente, em 375 a.C., já que sua biografia é lacunosa. Escreveu 44 comédias, das quais restaram apenas 11. Suas comédias ocorrem em contexto de liberdade democrática, por isso o autor costumava satirizar o próprio teatro grego. Aristófanes é contemporâneo da Guerra do Peloponeso, sendo essa guerra o pano de fundo histórico para Lisístrata. PERSONAGENS Lisístrata, Cleonice, Mirrina, Lampito, Coro de velhos, Coro de mulheres, um Comissário, Cinésias, filho de Cinésias e de Mirrina, Manes (criado de Cinésias), cidadão ateniense, duas moças (uma da Beócia, outra de Corinto), Filostatros, arauto espartano, embaixador de Esparta (lacedemônio), cidadão ateniense, soldados, marido de Lisístrata, Paz (personificada por uma mulher jovem e bonita) RESUMO DE LISÍSTRATA OU A GREVE DO SEXO (411 A.C.), DE ARISTÓFANES Cena: no primeiro plano, de um lado a casa de Lisístrata, do outro a de Cleonice. Ao fundo, a Acrópole. No meio dos rochedos, em segundo plano, a gruta de Pã. Lisístrata convoca as mulheres para algo importante: seu plano de paz. Porém, nenhuma ainda chegou: “Pois é. Se tivessem sido convidadas para uma festa de Baco, isso daqui estaria intransitável de mulheres e tamborins. Mas, como eu disse que a coisa era séria, nenhuma apareceu até agora”. Surge Cleonice, a vizinha mais próxima. Porém, as outras mulheres demoram, porque estão presas a afazeres domésticos: “Uma tem que ir ao mercado, outra leva o filho à academia, uma terceira luta com a escrava preguiçosa que às seis da manhã ainda não levantou. Sem falar no tempo que se perde limpando o traseiro irresponsável das crianças”. Mas as mulheres vão chegando, entre elas Mirrina e Lampito. Lisístrata argumenta sobre a 4 ausência dos homens, que estão nas guerras, e expõe seu plano: as mulheres devem se abster de sexo, ou seja, devem manter uma greve sexual. Por ser comédia, Cleonice e Mirrina não querem se abster, o que provoca o riso: “CLEONICE – [...] Eu não resisto. Que a guerra continue”. “MIRRINA – Eu também. Que continue a guerra!”. Mas Lisístrata expõe o plano de forma mais detalhada: “Devemos apenas ficar em casa, vestidas e arrumadas o melhor que soubermos, de preferência usando uma túnica transparente que nos deixe quase nuas, mostrando nosso delta irresistivelmente depilado. Mas, quando os maridos apontarem pra nós a agressiva insolência dos seus desejos, nós nos retiraremos”. Ou seja, se elas resistirem, os homens não resistirão – e haverá a paz. Porém, surgem dúvidas, todas dirimidas por Lisístrata. Quanto à ideia de os homens comprarem outras mulheres, Lisístrata também já tem um plano: tomar a Acrópole, onde está o tesouro ateniense. As mulheres aceitam: fazem o juramento: “LISÍSTRATA – Juram todas?”. “TODAS – Juramos”. As mulheres mais velhas tomam a acrópole. “LISÍSTRATA – Isso significa que está vitoriosa a primeira parte do plano: as mulheres acabam de ocupar a Acrópole”. Há uma mudança de cena: agora estamos na entrada da Acrópole. Entra o coro composto de velhos, que estão indignados, trazendo lenhas e fogareiros. “CORO DE VELHOS – [...] Cercaremos de toras a cidadela inteira e assaremos no espeto todas as vis conspiradoras”. Porém, as mulheres reagem e lançam água, apagando o fogo. O corifeu-velho está muito indignado: “CORIFEU-VELHO – [...] Uma boa vara no lombo, hein?, um bom pau nas costas, pra que não se esqueçam nunca mais de que há uma grande diferença entre os ovos da fêmea e os do macho”. Mas as mulheres respondem. O tumulto fica maior. Até que surge um comissário, seguido de quatro soldados. “COMISSÁRIO – Ouvi dizer que havia aqui umas mulheres gritando, ameaçando [...] Como Comissário do Povo e da Comarca, vim imediatamente para restabelecer a ordem ou acabar com a desordem”. Lisístrata abre a porta da Acrópole e para conversar. “LISÍSTRATA – (Abrindo a porta e aparecendo.) Não há necessidade de arrombar as portas. [...] Precisamos apenas de um pouco de bom senso”. Porém, o Comissário ameaça prender as mulheres, mas elas colocam os soldados para correr. “COMISSÁRIO – Que humilhação pros meus soldados!”. Lisístrata explica por que tomaram a Acrópole e o tesouro: “Vamos administrá-lo de maneira doméstica, feminina”. “COMISSÁRIO – Esse tesouro é fundamental para a manutenção da guerra”. “LISÍSTRATA – Pois é. Não entendeu! Vou explicar mais claro: não gostamos de guerra”. Lisístrata diz que nunca viu uma paz completa em toda a sua vida. Aceitava calada a estupidez das ações masculinas, submetendo-se às regras patriarcais. “Com o coração pesado, mas mantendo um sorriso, indagávamos: ‘Querido, na Assembleia, hoje, você falou alguma coisa pela paz?’”. E como o marido respondia? “Que é que você tem com isso? Isso é da sua conta? Onde é que se viu 5 mulher se imiscuir em interesses públicos? Cala a boca! [...] Volta pro teu bordado, cuida do teu lençol ou terá muito de que se arrepender. Guerra é pra homem”. Porém, Lisístrata diz que isso acabou, porque agora as mulheres é que vão administrar. E como? Com uma greve de sexo. “LISÍSTRATA – [...] até que não consigam mais esconder a rigidez das próprias ânsias. Pois até nisso Afrodite nos fez mais delicadas; nosso desejo é oculto e imperceptível. O deles é público e notório. Essa pequena diferença, que não chega a um palmo, nós usaremos para a paz da Grécia”. Lisístrata diz que vai separar os homens maus dos bons, até conseguir um meio de tecer o gigantesco manto da proteção geral. Há agora algumas situações cômicas: algumas mulheres começam a sentir carência sexual e querem desertar, abandonar o plano. Começam a inventar desculpas e mentiras. “LISÍSTRATA – [...] Se eu deixar que uma saia, nossa revolução estará perdida”. Uma mulher inventa estar grávida. “LISÍSTRATA – Como? Ontem você não estava grávida”. Mas Lisístrata lê o que o oráculo revelou: “Se as pombinhas ficarem todas juntas fugindo a pombos e a empombados falos os seus males ficarão logo menores e as coisas de amor, depois, serão maiores. Mas se a discórdia dividir as pombas e elas voarem sozinhas do templo sagrado, serão devoradas pelas forças brutas. Congregadas, serão respeitadas. Dissolvidas, serão dissolutas”. O recurso dá certo: elas voltam a ficar unidas. Surge o marido de Mirrina, Cinésias. Vem excitado, traz o filho. Lisístrata vê a oportunidade de pôr o plano em execução: “LISÍSTRATA – [...] Tua tarefa é inflamá-lo, torturá-lo, atormentá-lo. Seduções, carícias, provocações de toda espécie, tudo e, no fim, a total negação. Faça tudo com ele – exceto o que está proibido pelo nosso juramento”. Cinésias chama Mirrina para transar. Ela diz que não fará isso em frente ao filho – que é levado pelo criado. Mas Mirrina faz o que Lisístrata pede: inflama o marido, mas não cede. Traz uma esteira, mas diz que falta algo: o travesseiro. Mas Cinésias não quer nada disso: quer apenas transar. Mas ela vai inflamando, sempre dizendo que falta algo: agora é o cobertor, depois o perfume, até que ela abandona o marido: “MIRRINA – [...] antes de dormir comigo, trata de votar primeiro pela paz, está bem? (Sai correndo.)”. Surge um arauto espartano, também extremamente excitado. “ARAUTO – Trago proposta de paz”. Lampito consegue pôr o plano de Lisístrata de pé em Esparta: “MAGISTRADO – Pois bem, quais são as novidades que trazes de Esparta?”. “ARAUTO – Reina a desordem total. Cada soldado apareceu com uma arma nova, que só não assusta o inimigo porque o inimigo surgiu com arma igual. Uma ereçãouniversal”. “MAGISTRADO – [...] Quem a levou a Esparta?”. “ARAUTO – Lampito. Instigou todas as mulheres a escorraçarem os homens do leito conjugal depois de excitá-los até a loucura”. Mas o tratado da paz vai dando certo, tanto que os coros se unem: “CORO COMBINADO DE MULHERES E VELHOS – Atenienses, de agora em diante não falaremos mal de mais ninguém, trataremos a todos como irmãos”. 6 Lisístrata surge para fecharem o tratado de paz. Para isso, traz, como recurso, a Paz, que representa uma deusa, na forma de uma linda jovem nua, trazida por um guindaste. Essa personagem é muda e representa a personificação da Paz e da Conciliação. Porém, ainda há algumas desavenças entre atenienses e espartanos quanto a locais pretendidos por eles na guerra, mas, por fim, há o acerto entre eles – sempre, no entanto, com palavras de duplo sentido: “EMBAIXADOR ESPARTANO – Eu também não desejo outra coisa senão viver no seio da paz. (Olha para a Paz)”. Agora com o tratado de paz combinado, Lisístrata diz aos homens: “Agora vão e se purifiquem para entrar na Acrópole, onde as mulheres os estão esperando para a ceia”. Lisístrata traz sua fala final: “E agora, basta! partam todos que eu também tenho direito ao meu descanso. (Risos alegres, palmas, concordância.) A comemoração pública terminou. Que cada um, agora, aproveite bem o seu prazer particular. Cada homem recolhe sua mulher e volta para casa. Mas, atenção: os espartanos, as suas, os atenienses, as deles. Cada um deve se contentar com o que tem. Que ninguém se engane de propósito, trocando sua mulher por outra melhor, pois isso pode começar uma nova guerra”. E a peça finaliza com Lisístrata e seu marido: “(Risos, palmas, alegria. Todos saem. Lisístrata fica só. Música. Vem entrando seu marido, um belo guerreiro. Ele fica estático, a certa distância dela, duas figuras lindas. Quase imperceptivelmente, ela faz um gesto. Ele entende, tira as armas, o escudo, toda a paramentação militar. Estende as mãos. Ela avança, se ajoelha, beija-lhe as mãos em submissão. A sugestão sexual fica mais audaciosa enquanto a luz desce. Blecaute.)”. 7 Exercício: Leia as informações: (Imagem disponível em: http://professorlindomar.blogspot.com.br/ 2010/03/lisistrata-guerra-do-sexo.html. Acesso em: 11 ago. 2016, às 17h30.) Atenas e uma coalisão de cidades-Estado gregas, lideradas por Esparta, estavam em guerra havia anos, e as mulheres estavam cansadas daquilo. Elas queriam seus maridos e filhos de volta. Então, a ateniense Lisístrata bolou um plano: as mulheres se negariam a fazer sexo com seus maridos até eles acabarem com a guerra. (KICK, Russ (org.). Cânone gráfico – volume 1. SP: Barricada, 2014, p. 62.) A peça do dramaturgo grego Aristófanes, Lisístrata, tem como pano de fundo a série de guerras que opuseram as coalisões lideradas por Atenas e Esparta, durante o chamado Período Clássico da história grega, entre os anos de 431 e 404 a.C. Assinale a alternativa na qual aparecem, respectivamente, o nome do conjunto de guerras e uma de suas principais motivações. a) Guerra do Peloponeso – Disputa pelo controle político sobre a Grécia. b) Guerras Médicas – Disputa pelo domínio sobre o comércio do mar Egeu. c) Guerras Púnicas – Disputa pelo controle político sobre o Norte da África. d) Guerra do Peloponeso – Disputa pelos territórios pertencentes aos Persas. e) Guerras Médicas – Disputa pelo controle político sobre a Grécia.