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Autoria: Ravelli Henrique de Souza - Revisão técnica: Mariane Paludette Dorneles
Educação e sexualidade
UNIDADE 3 – PROFISSÃO DOCENTE E OS
ESTEREÓTIPOS DE GÊNERO NO AMBIENTE
ESCOLAR
14/08/2025, 14:11 Educação e sexualidade
https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=4y0ujXZ4wEoJOImEvhPn5w%3d%3d&l=8cXXnGAwNpHDk7MEb8Vi0A%3d%3d&cd=77R%… 1/20
Os discursos sobre as relações de gênero e as questões
sobre a educação sexual permeiam, no século 21, todas
as instituições disciplinares, principalmente a escola.
Assim, professores precisam investir na formação
continuada e se especializarem como profissionais
qualificados a fim de entender as subjetividades humanas
para desconstruir os estereótipos de gênero no ambiente
educacional.
Dito isso, em tempos contemporâneos, esta unidade traz
as seguintes problematizações: Como pensar as relações de gênero e o papel dos(as)
educadores(as) no ambiente escolar? Quais as problemáticas de gênero na educação infantil em
relação à profissão docente? Brinquedos e cores têm gênero? Como desconstruir atividades
generificadas na escola? Como efetivar a educação plural na escola além das normalizações
curriculares?
Com o objetivo de responder a essas problemáticas nos tópicos a seguir, desejo a você, estudante,
bons estudos!
Introdução
3.1 Relações de gênero e o papel dos(as)
educadores(as) no ambiente escolar
Ao iniciar esta sessão, é importante ressaltar o pensamento de Furlani (2016) ao afirmar que as relações de
gênero e de sexualidade, assim como o desenvolvimento integral e psicossexual das crianças, devem ser
olhadas por um processo educativo contínuo, mas que sejam reconhecidas de forma diferenciada. Isso
significa dizer que se prezam as relações subjetivas e plurais, mas com objetivos específicos em relação ao
ser e ao saber, além do processo ensino-aprendizagem. 
Ao ler essas informações, muitos profissionais em formação inicial ou em formação continuada perguntarão:
“Como devo iniciar a efetivação da educação plural diante das dificuldades contemporâneas que a escola
enfrenta?” 
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#PraCegoVer: a figura mostra algumas pessoas com um símbolo de interrogação diante do rosto, indagando
como iniciar a discussão sobre representação de gênero e educação sexual no ambiente escolar.
É fato que, para muitos professores, principalmente aqueles que não investiram em uma formação continuada
de qualidade, seja por meio de cursos de curta, média e longa duração, seja por meio de especializações latu
ou stricto sensu, é muito dificultoso tratar sobre educação sexual e identidade de gênero em sala de aula, pois,
“[...] quando se trata de dar início a uma prática docente de planejamento de implementação de atividades no
campo da educação sexual muitos/as educadores/as não sabem por onde começar” (FURLANI, 2016, p. 87).
Desse modo, é importante reforçar “[...] que trabalhar as relações de gênero na escola é uma atitude
necessária que precisa ser aprimorada a cada dia” (TEIXEIRA; MAGNABOSCO, 2010, p. 51). Segundo a
autora, ao se referir ao aprimoramento atitudinal, ela afirma que é preciso conceber práticas pedagógicas
inovadoras, que partam de um pensamento crítico e reflexivo, sem atribuir papéis sexuais ou de gênero às
crianças colaborando com a construção da autonomia e da emancipação humana dos alunos de maneira
positiva e plural.
Nesse sentido de educação para as pluralidades, podemos exemplificar relatos sobre as questões de gênero
interligadas à tomada de decisão docente. Assim, em concordância com os estudos de Furlani (2016) e os de
Teixeira e Magnabosco (2010), é muito comum que, desde a educação infantil, a partir aproximadamente dos
seis anos de idade, meninos e meninas toquem seus corpos e o de seus colegas; tendam a se masturbar
quando sentem excitação sexual, sendo reprimidos por tal ato; brincam, com base em figuras simbólicas sobre
a vida adulta, de serem namorados, pois estão em pleno processo de desenvolvimento de sua sexualidade.
Porém, quando esses exemplos acontecem em sala de aula, é fidedigno afirmar que os(as) professores(as),
ao verem tais atos, “[...] muitas das vezes, [...] encaminham para a coordenação da escola e dizem não saber
como agir diante dessa situação” (TEIXEIRA; MAGNABOSCO, 2010, p. 51). As autoras ainda relatam que, na
maioria das vezes, os professores(as) ao acreditarem que a situação é inadequada, tendem a demonstrar
sentimentos de raiva e atitude disciplinadoras, colocando os alunos de castigo ou “[...] ensinando o modo
correto de se comportar” perante a sociedade normativa. 
Figura 1 - Representação de professores indagando como iniciar as discussões sobre a temática de representação de gênero e educação
sexual no ambiente escolar
Fonte: Fizkes, Shutterstock, 2020.
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É possível evidenciar que professores(as), ao atribuir o que meninas e meninos devem fazer, trabalham com
relações de gênero com papéis sexuais, fazendo com que a violência simbólica se efetive no ambiente escolar
desde a tenra idade. “Trata-se de uma forma de negar o corpo e a sexualidade da criança, com o suposto
intuito de preservar a infância. A sexualidade seria, desta perspectiva, um atributo dos adultos (TEIXEIRA;
MAGNABOSCO, 2010, apud BARROSO, 1980, p. 45). Cabe aqui ressaltar que os estudiosos, ao se referirem
a um estudo da década de 1980, mostram que a proliferação da repressão sexual continua a se proliferar nos
dias de hoje.
Para se iniciar uma educação plural, previamente, o profissional docente deve refletir sobre a sua prática
abrindo espaço para uma tomada de consciência e reflexão de que a sexualidade faz parte da vida e de que é
impossível não discuti-la nos ambientes educacionais, pois, de acordo com Teixeira e Magnabosco (2010),
os(as) professores(as), em seu âmbito profissional, são responsáveis pelas crianças; seres totais e que devem
ser trabalhados em totalidade, e jamais em sua fragmentação. Portanto, independentemente de idade, todos
os seres humanos são únicos e merecem ser tratados com direitos igualitários no que refere às suas
subjetividades. Todo ser humano é diferente, porém, total. Em suas singularidades, o ser humano é plural.
3.2 Como o(a) profissional docente deve iniciar a
efetivação da educação plural na escola?
Para essa discussão, é necessário entender que, no contexto atual, existem duas realidades distintas para a
educação no Brasil sobre as relações de gênero e a educação sexual, que são a educação formal e a
educação não formal, possuintes de objetivos semelhantes, a saber:
No que tange à citação anterior, podemos compreender que a escola, além de produzir historicamente técnicas
de comportamento provenientes da disciplina, também deve questionar essas ideias que foram preconcebidas
a partir de um posicionamento crítico, ético e reflexivo. Pelo processo de experiência, permitimo-nos encontrar
nosso próprio lugar na sociedade por meio da vontade de ser e de saber sobre si e sobre o outro: a
experiência “[...] também ajuda o participante a aprender a importância da alteridade, do reconhecimento do
outro como alguém que pode ser diferente e que também é portador de direitos” (TORRES, 2013, p. 53). 
Com atitude crítica, é possível elaborar atividades para o início de uma educação sexual plural de acordo com
Furlani (2016), que propõe estratégias com base em etapas didáticas de atividades planejadas para a
efetivação da educação sexual e as relações de gênero no contexto da escola contemporânea. Ainda segundo
Furlani (2016), essas etapas são apresentadas por uma sequência didática. Confira!
A formação de sujeitos que, no processo de transformação promovido pela educação, sejam capazes não apenas de
executar tarefas técnicas, mas também de entender e defender seus direitos decidadania. (TORRES, 2013, p. 51)
1
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Na sequência, acompanhe um vídeo.
Que as crianças de todos os gêneros conheçam todas as partes
de seus corpos.
2
Que as crianças aprendam as questões sobre higiene pessoal,
privacidade e nudez.
3
Que os professores, juntamente com os(as) estudantes no
processo de ensino-aprendizagem, entendam sobre pluralidade
4
Que problematizem a linguagem em relação aos nomes científicos
que generalizam o pronome masculino, que entendam e
questionem sobre os aspectos da reprodução.
5
Que questionem as formas científicas e culturais de nomear as
partes do corpo.
6
Que entendam sobre a questão das múltiplas configurações de ser
família e a existência de famílias diferentes daquelas demarcadas
como o padrão social imposto (pai, mãe e dois filhos
heterossexuais), a fim de entender as questões sobre
consanguinidade, laços afetivos e convivência mútua.
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Furlani ainda reconhece que, com base nesses pressupostos, os educadores devem iniciar a educação sexual
proporcionando o entendimento de seus alunos sobre o conceito de diferença, sendo elas: 
É preciso investir em uma formação continuada sobre a temática para apresentar a educação de meninas e de
meninos a datar das relações de gênero e discutir as questões sobre corporeidade e suas mudanças no
decorrer da vida.
A Prof. Drª. Luzia Batista de Oliveira Silva proferiu uma importante
palestra em um evento sobre educação plural para a efetivação
dessa abordagem educacional na escola. A pesquisadora ainda
nos mostra dados atualizados sobre violência de gênero e raça no
Brasil e a questão dos abusos infantis. Confira no vídeo a seguir, a
partir dos 15 minutos.
Acesse (https://www.youtube.com/watch?
v=ow5uqWdzpVs&ab_channel=CRITinf%C3%A2nciaUEL)
Você quer ver?
pessoais;
linguísticas e familiares em relação às diferenças de gênero e sexualidade;
raça;
etnia-religiosidade;
condição física;
classe
Livro: Educação sexual na sala de aula: relações de gênero,
orientação sexual e igualdade étnico-racial numa proposta de
respeito às diferenças.
Autora: Jimena Furlani
Editora: Autêntica
Ano: 2016
Você quer ler?
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https://www.youtube.com/watch?v=ow5uqWdzpVs&ab_channel=CRITinf%C3%A2nciaUEL
https://www.youtube.com/watch?v=ow5uqWdzpVs&ab_channel=CRITinf%C3%A2nciaUEL
Prosseguimos nossa discussão vendo como, além dos procedimentos teóricos e práticos, é possível aplicar
atividades no ambiente escolar voltadas à educação sexual.
#PraCegoVer: a figura mostra seis crianças brincando com a corporeidade, e algumas estão sendo
carregadas e ou/abraçadas por outras de forma consentida e respeitosa, levando em consideração o caráter
lúdico e o conhecimento do corpo.
Assim, para iniciar a educação sexual na escola, além dos procedimentos teórico e práticos, é possível aplicar
algumas atividades. Conheça-as! 
Comentário: A partir da página 88, a autora sugere atividades
intencionalmente planejadas para a efetivação da educação sexual
que podem se integrar ao currículo escolar permitindo o diálogo e
reflexões sobre a temática proposta.
Acesse
(https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/36697/pdf
/0?
code=rINWZVcSCVfGnnCHIRbSPztx2cKz3D6fCfCCksba7RnM
n5OcVpb91XMbUM3N88LU/B0G8EzqOZcROjNqU4tQaw==)
Figura 2 - Imagem de crianças brincando e tocando uma no corpo da outra com respeito e de forma consentida
Fonte: Monkey Business Images, Shuttersock, 2020.
1
Os(As) estudantes identificam e nomeiam as partes do corpo.
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https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/36697/pdf/0?code=rINWZVcSCVfGnnCHIRbSPztx2cKz3D6fCfCCksba7RnMn5OcVpb91XMbUM3N88LU/B0G8EzqOZcROjNqU4tQaw==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/36697/pdf/0?code=rINWZVcSCVfGnnCHIRbSPztx2cKz3D6fCfCCksba7RnMn5OcVpb91XMbUM3N88LU/B0G8EzqOZcROjNqU4tQaw==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/36697/pdf/0?code=rINWZVcSCVfGnnCHIRbSPztx2cKz3D6fCfCCksba7RnMn5OcVpb91XMbUM3N88LU/B0G8EzqOZcROjNqU4tQaw==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/36697/pdf/0?code=rINWZVcSCVfGnnCHIRbSPztx2cKz3D6fCfCCksba7RnMn5OcVpb91XMbUM3N88LU/B0G8EzqOZcROjNqU4tQaw==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/36697/pdf/0?code=rINWZVcSCVfGnnCHIRbSPztx2cKz3D6fCfCCksba7RnMn5OcVpb91XMbUM3N88LU/B0G8EzqOZcROjNqU4tQaw==
Hora de testar seus conhecimentos!
2
Discussão dos nomes científicos das partes do corpo.
3
Os(As) estudantes interagem com a sua própria corporeidade e a
questionem.
4
Os(As) discentes aprendem, por meio de brincadeiras, que seus
corpos são um direito de si e que os outros não podem violentá-
los, por exemplo, fazendo a leitura crítica dos contos de fadas,
questionando os papéis dos príncipes e princesas.
5
Atividades que contextualizem a reprodução a partir de figuras
com animais.
6
Atividades que não separem as crianças por gênero (menino-
menina).
7
Atividades de pesquisa e colagem em relação às famílias
diferentes.
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Agora, vamos conhecer a profissão docente e as problemáticas de gênero no contexto educacional.
Teste seus conhecimentos
(Atividade não pontuada)
3.3 Profissão docente e as problemáticas de gênero no
contexto educacional
Uma das maiores problemáticas de gênero, desde a configuração da sociedade como patriarcal há três
séculos, é a não aceitação das diferenças, que são reprimidas pelo poder discursivo cristão sobre a
sexualidade.
Torres (2013) salienta que o cristianismo, com o discurso religioso, atingiu o ambiente escolar perpetuando
distinções das sexualidades, caracterizadas como boas e más. Com essa afirmação, é possível afirmar que a
orientação sexual classificada como certa, ou seja, “a ideal” é a heterossexualidade, uma vez que todas as
outras orientações e identidades de gênero formuladas pelos movimentos sociais a favor da inclusão,
representadas pela sigla LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, genderqueers,
intersexuais, assexuais e outros), devem ser proibidas e caracterizadas como pecaminosas.
Ao incitar a questão de como devemos iniciar uma educação sexual efetiva, damos continuidade ao diálogo de
que o preconceito deve ser visto como ausência e/ou falta de interesse no processo de experiência contra o
outro. Dessa maneira,
Portanto, para quebrar o tabu dessa problemática de gênero, é essencial o processo de autorreflexão como
uma maneira de (re)iniciar a prática docente visando ao processo de experiência. 
[o] preconceituoso atribui características às vítimas que podem ser inventadas ou alteradas, esse ódio é a sua marca,
mas nem sempre fica evidente, podendo ser demonstrado de formas inofensivas, como o desprezo e a indiferença. É
preciso entender o contexto histórico e compreender os mecanismos psíquicos, para que esse ódio não fique sem 
referência conceitual. Desse modo, as necessidades psíquicas das pessoas e os fatores da contradição social podem
impedir a diminuição do preconceito. (DE SOUZA; SANTOS; FURLAN; 2019, p. 6)
As questões sobre raça também são problemáticas de gênero,
visto que os estudos e perspectivas de "interseccionalidades”,
propostos por Kimberlé Crenshaw (2002), constituem uma
ferramenta de problematizações nas flexões entre raça e classe
Você quer ler?
14/08/2025, 14:11 Educação e sexualidadehttps://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=4y0ujXZ4wEoJOImEvhPn5w%3d%3d&l=8cXXnGAwNpHDk7MEb8Vi0A%3d%3d&cd=77R%… 9/20
Ao continuar a discussão, Torres (2013) salienta que, por sermos acostumados a conviver em uma
determinada cultura, nós, seres humanos, pensamos de modos diferentes e reproduzimos conceitos
preestabelecidos que nos induzem a formar articulações sobre os sujeitos e suas sexualidades.
social, bem como nas dos estudos de gênero relacionados às
opressões. Segundo a autora, as interseccionalidades tratam
especificamente da forma pela qual o racismo, o patriarcalismo, a
opressão de classe e outros sistemas discriminatórios criam
desigualdades básicas que estruturam as posições relativas de
mulheres, raças, etnias, classes e outras (p. 177). O conceito de
interseccionalidades possibilita identificar múltiplas diferenças
entre as subjetividades humanas, pelas suas necessidades
individuais e coletivas, além de enxergar “[...] como as ações e
políticas específicas geram opressões que fluem ao longo de tais
eixos, constituindo aspectos dinâmicos ou ativos do
desempoderamento” (CRENSHAW, 2002, p. 177).
Caso você queira saber mais sobre o assunto, confira!
Livro: Documento para o encontro de especialista em aspectos da
discriminação racial relativos ao gênero 
Autora: Kimberlé Crenshaw
Ano: 2020
Acesse
(https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/36697/pdf
/0?
code=rINWZVcSCVfGnnCHIRbSPztx2cKz3D6fCfCCksba7RnM
n5OcVpb91XMbUM3N88LU/B0G8EzqOZcROjNqU4tQaw==)
Figura 3 - Imagem de pessoas em uma manifestação a favor da igualdade racial #BlackLifesMatters #VidasNegrasImportam
Fonte: Drazen Zigic, Shutterstock, 2020.
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https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/36697/pdf/0?code=rINWZVcSCVfGnnCHIRbSPztx2cKz3D6fCfCCksba7RnMn5OcVpb91XMbUM3N88LU/B0G8EzqOZcROjNqU4tQaw==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/36697/pdf/0?code=rINWZVcSCVfGnnCHIRbSPztx2cKz3D6fCfCCksba7RnMn5OcVpb91XMbUM3N88LU/B0G8EzqOZcROjNqU4tQaw==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/36697/pdf/0?code=rINWZVcSCVfGnnCHIRbSPztx2cKz3D6fCfCCksba7RnMn5OcVpb91XMbUM3N88LU/B0G8EzqOZcROjNqU4tQaw==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/36697/pdf/0?code=rINWZVcSCVfGnnCHIRbSPztx2cKz3D6fCfCCksba7RnMn5OcVpb91XMbUM3N88LU/B0G8EzqOZcROjNqU4tQaw==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/36697/pdf/0?code=rINWZVcSCVfGnnCHIRbSPztx2cKz3D6fCfCCksba7RnMn5OcVpb91XMbUM3N88LU/B0G8EzqOZcROjNqU4tQaw==
#PraCegoVer: a figura mostra duas pessoas negras em uma manifestação fazendo um gesto com os punhos
fechados como um ato de protesto. Uma outra pessoa atrás segura um cartaz escrito Blacks Lives Matter que,
em inglês, significa “Vida Negras Importam”.
Dessa forma, o processo de experiência se torna imprescindível, pois permite ao ser humano aprender sobre
si e sobre o outro, fazendo com que se torne possível o aceitamento das diversas identidades e sexualidades
nos ambientes sociais, principalmente no que tange à discussão na escola.
As maneiras de compreensão sobre as expressões corporais, identidades de gênero e sexualidades também
são partes de processos de aprendizagem. Por isso, cabe o entendimento desses termos para se iniciar uma
educação sexual que não julgue o outro por não ser igual a si. Dessa maneira, há de se concordar com Torres
(2013) sobre a importância do estado laico em relação à educação de nossas crianças, uma vez que as
questões de gênero não devem ser discutidas com discursos de caráter cristão, com o objetivo de oprimir as
sexualidades. Pelo contrário, a escola e os(as) profissionais docentes precisam assumir a linha de frente na
luta contra o preconceito a fim de solucionar essas problemáticas de gênero por meio da inclusão de uma
educação não generificada.
No Brasil, existe um estatuto que desenvolve projetos e programas
educacionais voltados ao enfrentamento da violência e dos abusos
sexuais de crianças e adolescentes com o objetivo de incluir todas as
instâncias de poder (empresas, igrejas, escolas), ou seja, a sociedade
civil como um todo, nessa luta.
Para conhecer mais, acesse a
página: https://www.childhood.org.br/#:~:text=A%20Childhood%20
Brasil%20atua%20para,no%20enfrentamento%20da%20viol%C3%
AAncia%20sexual
(https://www.childhood.org.br/%23:~:text=A%20Childhood%20Bra
sil%20atua%20para,no%20enfrentamento%20da%20viol%C3%AA
ncia%20sexual).
Você sabia?
3.4 Os brinquedos e as cores possuem
gênero?
A construção de estereótipos relacionados à identidade de gênero inicia-se quando, em certo período de
gestação, ao ser revelado o sexo do bebê, em geral são utilizadas as cores azul, para a criança que será do
gênero masculino, e cor-de-rosa, caso a criança seja do gênero feminino. Quando é descoberto o sexo (macho
ou fêmea) do indivíduo que está em formação no ventre materno, a organização do ambiente e das escolhas
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https://www.childhood.org.br/%23:~:text=A%20Childhood%20Brasil%20atua%20para,no%20enfrentamento%20da%20viol%C3%AAncia%20sexual
https://www.childhood.org.br/%23:~:text=A%20Childhood%20Brasil%20atua%20para,no%20enfrentamento%20da%20viol%C3%AAncia%20sexual
https://www.childhood.org.br/%23:~:text=A%20Childhood%20Brasil%20atua%20para,no%20enfrentamento%20da%20viol%C3%AAncia%20sexual
https://www.childhood.org.br/%23:~:text=A%20Childhood%20Brasil%20atua%20para,no%20enfrentamento%20da%20viol%C3%AAncia%20sexual
https://www.childhood.org.br/%23:~:text=A%20Childhood%20Brasil%20atua%20para,no%20enfrentamento%20da%20viol%C3%AAncia%20sexual
https://www.childhood.org.br/%23:~:text=A%20Childhood%20Brasil%20atua%20para,no%20enfrentamento%20da%20viol%C3%AAncia%20sexual
de roupas para as crianças está associada à cor e ao gênero, e os enxovais e as pinturas de quarto serão
azuis para aqueles que apresentam o sexo biológico macho, e tons rosa para aquelas de sexo biológico
fêmea.
#PraCegoVer: a figura mostra dois bebês enrolados em lençóis. O bebê do sexo masculino está enlaçado no
lençol azul e a bebê do sexo feminino está com o lençol cor-de-rosa, representando os estereótipos de gênero
pelas cores.
Consequentemente, essas relações deixam marcas na maioria das vezes permanentes nas crianças,
causando feminilidades e masculinidades a partir dos estereótipos e atribuições de papéis de gênero
provenientes da violência simbólica causada pela sociedade patriarcal.
Figura 4 - Representação das cores rosa e azul em bebês
Fonte: Katrina Elena, Shutterstock, 2020.
No atual cenário político do Brasil, desde 2018 propriamente dito, tem-se
levantada a bandeira dos “direitos humanos” no sentido de que isso seja
garantido pela normalização dos sexos das crianças desde pequenas. A ministra
dos Direitos Humanos e da Mulher, Damares Regina Alves, trouxe à tona uma
grande polêmica ao estabelecer como um dos objetivos a ser garantido pelos
direitos humanos a seguinte frase: “Menino veste azul, menina veste rosa”, sob
a alegação de que o sexo proveniente de um determinismo biológico é atribuído
também por cores, sendo a cor azul destinada aos meninos e a cor-de-rosa às
meninas. 
Veja a reportagem completa no
link: https://oglobo.globo.com/sociedade/menino-veste-azul-menina-veste-
rosa-diz-damares-alves-emvideo-23343024
Você sabia?
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https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=4y0ujXZ4wEoJOImEvhPn5w%3d%3d&l=8cXXnGAwNpHDk7MEb8Vi0A%3d%3d&cd=77R… 12/20
https://oglobo.globo.com/sociedade/menino-veste-azul-menina-veste-rosa-diz-damares-alves-emvideo-23343024
https://oglobo.globo.com/sociedade/menino-veste-azul-menina-veste-rosa-diz-damares-alves-emvideo-23343024
https://oglobo.globo.com/sociedade/menino-veste-azul-menina-veste-rosa-diz-damares-alves-emvideo-23343024
https://oglobo.globo.com/sociedade/menino-veste-azul-menina-veste-rosa-diz-damares-alves-emvideo-23343024O processo de atribuição de estereótipos de gênero e violência é efetivado em demasia no ambiente
educacional, visto que meninas são orientadas a brincarem de boneca ou brincadeiras relacionadas a
trabalhos domésticos e cuidados de beleza corporal, enquanto meninos são orientados a brincar de carrinho
ou de super-heróis. Essa atribuição causa violência simbólica referida ao processo de construção da
identidade de gênero nos alunos, uma vez que é comum, a partir da sociedade patriarcal, atribuir os papéis
sociais do sujeito com base na época, em que mulheres devem ser mães, cuidadoras do lar, enquanto os
homens devem sair com seus carros para trabalhar nas indústrias e proteger as esposas do perigo, sendo
caracterizados como super-heróis, e as mulheres como frágeis e submissas.
Portanto, as cores rosa e azul envolvem uma questão social que extrapola a questão ligada aos gostos
pessoais. Desde cedo e no decorrer da vida, as cores identificam os meninos e as meninas produzindo marcas
identitárias e estabelecendo um único modelo de ser homem e mulher, e do que se deve gostar, porque:
Visto que gênero estabelece múltiplas relações entre os seres, fica claro, na citação dos autores, que a
correlação entre cores é um movimento retrógrado, imposto na história da sexualidade, uma vez que, no que
concerne às masculinidades, a cor rosa também pode ser utilizada, pois existem variadas formas de ser
homem na sociedade; logo, a norma sexual que impõe um único jeito de ser “macho” não é válida para o
processo construtivo de gênero (SOUZA, 2020).
Desde cedo, as pessoas que cuidam dos pequenos designam atribuições de papéis e comportamentos sociais
para eles, diferenciando, com suas próprias convicções, o que é o universo masculino e o que é feminino, e,
ao mesmo tempo, coíbem o direito de escolha das crianças.
França e Calsa (2010), ao concluírem uma pesquisa de campo em uma instituição escolar, enfatizam que esse
processo de atribuição de papéis e comportamentos sociais faz com que muitos alunos cheguem às salas de
aulas com ideias preestabelecidas sobre o conceito de gênero, de forma que, pela lógica binária e reprodutiva,
o pai (homem) deve ser forte, enquanto a mãe (mulher) deve ser meiga e delicada. 
(https://oglobo.globo.com/sociedade/menino-veste-azul-menina-veste-
rosa-diz-damares-alves-emvideo-23343024).
A história da cor rosa e de outros signos que colam significados a corpos masculinos e femininos são exemplos de que
o gênero, como propõe o movimento feminista desde o século XIX, é uma identidade relacional, isto é, que se forma e
se transforma nas interações com as diferenças. Contudo, numa análise especificamente sobre masculinidades, ao
contrário do que se poderia supor, as diferenças não são integradas exclusivamente pelas identidades femininas, mas
também pelos homens que expressam masculinidades desiguais entre si. (BALISCEI; CALSA, 2019, p. 185)
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https://oglobo.globo.com/sociedade/menino-veste-azul-menina-veste-rosa-diz-damares-alves-emvideo-23343024
https://oglobo.globo.com/sociedade/menino-veste-azul-menina-veste-rosa-diz-damares-alves-emvideo-23343024
#PraCegoVer: a figura mostra duas crianças, uma menina e um menino, brincando com carrinhos para
representar que brinquedo não tem gênero e as crianças podem brincar do que quiserem.
Dessa maneira, “[...] as culturas, as realidades são diferentes e precisam ser consideradas dentro do contexto
escolar” (FRANÇA; CALSA, 2010, p. 27). Portanto, cabe ao professor intermediador desconstruir essas ideias
provenientes do patriarcado por meio de uma educação que trabalhe as relações e as representações sociais.
No próximo tópico, vamos discutir como efetivar a educação plural na escola além das normalizações
curriculares.
Figura 5 - Representação de duas crianças, um menino e uma menina, brincando com os mesmos brinquedos
Fonte: FamVeld, Shutterstock, 2020.
Nessa atividade, você estudante, deve interagir com amigos, familiares, colegas
ou qualquer pessoa com condições de participar da atividade. A interação pode
ser via internet. Você irá escolher seis tipos de brinquedos, por exemplo:
carrinho, boneca, bicicleta, ursinho, super-heróis, ioiô, entre outros, e duas
cores: rosa e azul. Depois, você deve perguntar aos participantes se esses
brinquedos são de menino, de menina ou de ambos. Por fim, você deve
comparar as respostas e debatê-las com o que foi aprendido em nossa unidade.
Ao final, compartilhe suas considerações no fórum com seus(suas) colegas.
Vamos Praticar!
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3.5 Como efetivar a educação plural na escola além das
normalizações curriculares?
De acordo com Souza e Araújo (2017), os documentos curriculares e educacionais, como o Plano Nacional de
Educação e a Base Nacional Comum Curricular, ao serem reconhecidos pelo MEC (Ministério da Educação) e
pelo Conselho Nacional de Educação, em 2014, solicitaram que:
Dessa maneira, após todo esse impacto sobre a homogeneização das diferenças, é necessária uma discussão
plural sobre o currículo escolar, já que o currículo escolar deve ser visto a partir das relações de poder, cultura
e permeação ideológica, pois ele é, de fato, um campo no qual a linguagem, em conjunção com a oralidade,
reproduz-se socialmente. Portanto, é digno afirmar que não se separa cultura de currículo, porque ele
transmite cultura de uma maneira institucionalizada por meio de relações de poder (SANTOS; CASALI, 2009). 
Em concordância com os estudos de Santos e Casali (2009), na contemporaneidade são estabelecidos três
níveis de currículo:
Os dois primeiros dizem respeito a normas, leis de diretrizes curriculares, planos de ensino e projetos político-
pedagógicos. No que concerne ao currículo oculto, como o próprio nome indica, ele não é visível, ou seja, não
é constituído no planejamento docente, mas pode acrescentar temáticas a serem discutidas em sala de aula.
Atualmente, a temática sobre educação sexual só é discutida no currículo oculto, quando é discutida.
[...] as escolas dos municípios e estados brasileiros elaborassem seus planos de educação nos quais a palavra gênero
deveria ser retirada. A defesa da retirada do termo gênero na escola foi justificada a partir ideia de que com a exclusão
da palavra seria promovida a superação das desigualdades educacionais para promover a igualdade de gênero, raça,
etnia e de orientação sexual, ou seja, retirar o conceito “gênero” do contexto escolar provoca uma homogeneização das
diferenças. Tal homogeneização exclui todas as pessoas que não se identificam com o binarismo de gênero e priva o
ensino sobre educação sexual na escola. (SOUZA; ARAÚJO, 2017, p. 1)
currículo formal;
currículo real;
currículo oculto
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Caro(a) estudante, para esta atividade, você deve considerar que está
realizando o estágio obrigatório de sua graduação e se depara com a situação
de Aline, uma criança de 6 anos, matriculada na Educação Infantil que, em
todas as aulas em que a professora da turma trabalha com questões corporais,
a criança se reprime, começa chorar ou alega não gostar desse tipo de
brincadeira... A professora, sem saber o que fazer, tenta incluir a menina de
todas as formas na atividade, porém, quanto mais a professora tenta, mais a
menina chora. A professora, então, convocou os pais de Aline para uma reunião
e eles alegaram que não sabiam o motivo de tal crise, mas a situação continua
e a professora não tem ideia do que fazer. Desse modo, para solucionar o
problema, a professora deve levar em consideração os relatos, os desenhos e
as mudanças de comportamento que a criança apresentano decorrer de suas
aulas. Ao ter o conhecimento sobre as questões relacionadas à violência de
gênero e ao abuso infantil, é possível identificar que a criança está
possivelmente enfrentando problemas sexuais vindos de outrem. Ainda, é
preciso indagar, de forma lúdica, à criança para checar se ela se cala diante da
situação ou se relata o abuso que sofre. Segundo o artigo 13 do Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA), o corpo docente da escola, em conjunto com a
diretoria, ao identificar uma confirmação ou suspeita de violação dos direitos
humanos de adolescentes e crianças, incluindo violência, exploração ou abuso
sexual, deve fazer uma denúncia no Disque 100, Direitos Humanos, que é uma
ligação gratuita, anônima e com atendimento 24 horas, todos os dias da
semana, ou acessar o aplicativo Direitos Humanos BR, que é uma plataforma
digital com os mesmos objetivos. O Disque Direitos Humanos é seguro, protege
a identidade de quem faz a denúncia e resolve o problema de maneira ágil,
sendo o caso encaminhado aos órgãos competentes na cidade de origem da
criança ou do adolescente. Diga não à violência infantil e denuncie.
É notório que a sociedade contemporânea, de modo geral, e, consequentemente, a educação estejam imersas
em um processo semiformativo que caminha progressivamente para a mais profunda barbárie. A
semiformação, ao contrário da formação – que pretende ser um processo de emancipação dos indivíduos –,
produz a acomodação desses sujeitos ao status quo, ou seja, semiformação não significa apenas uma
formação pela metade, mas algo que, para se tornar plena, basta ser completa por informações opressoras.
Ela também é ausência de cultura ou uma cultura danificada. Desse modo, percebemos que a universidade,
na qualidade de lócus de formação, está submersa nesse processo, na maioria das vezes, na medida em que
concebe o ensino como mera mercadoria, anulando o desenvolvimento da autorreflexão e da autonomia
humana e/ou “adestrando” o pensamento dos estudantes para a uniformidade de uma proposição teórica que
não engloba direitos humanos igualitários.
Na visão de Adorno, o problema da deficiência da escolarização formal enfrentado atualmente seria
solucionado se a educação elementar produzisse pessoas verdadeiramente cultas com professores
intelectualmente preparados para assumir uma postura de superação dessa semiformação (ZUIN, 2001). 
Caso
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Em relação às concepções equivocadas sobre a educação sexual e as identidades plurais de gênero, é
necessário um currículo inclusivo, que incorpore diferentes grupos culturais e sociais, no sentido de contribuir
para que os indivíduos se apropriem do contexto de sua vida social com criticidade, ou seja, um currículo que
conceba o homem e o mundo de forma interativa, de modo que este sujeito se torne responsável pelo seu
próprio destino. Assim, ele é capaz de transformar a sociedade, refletindo sobre seu contexto social, cultural e
histórico.
Paraíso (2016, p. 208) corrobora ao afirmar que essa discussão é necessária no currículo, visto que trata de
“[...] um importante espaço social, em que as normas reguladoras do gênero marcam sua presença para
ensinar o certo, o errado, o esperado, o adequado, o inadequado, o normal, o anormal, o estranho e o abjeto”
em relação às condutas de gênero.
Por meio de uma organização curricular pautada na formação crítica dos sujeitos, há a possibilidade de se
pensar em um processo de promoção que objetiva a intervenção consciente e libertadora sobre si e a
realidade, de modo a alterar a ordem social (SANTOS; CASALI, 2009). Por conseguinte, o indivíduo encontra-
se confrontado e desafiado diariamente ante os problemas que vivencia na realidade social. Essas relações
sociais podem ser reveladas por propostas formativas que vão além das “paredes da sala de aula”, instigando
o respeito aos sujeitos plurais e à própria diversidade humana. Com essa linha de reflexão, acredita-se que o
indivíduo tem capacidade de conduzir seus propósitos individuais em um contexto social de respeito e de
valorização da subjetividade humana.
Assim, torna-se necessária a inserção da educação sexual ou para as sexualidades nos três níveis de
currículo, a tratar de forma que o currículo seja “[...] um território de ensinar, aprender, transmitir conteúdos,
saberes, conhecimentos, conceitos, habilidades, culturas, valores, condutas, modo de ser, estar e viver já
pensados e aceitos” (PARAÍSO, 2016, p. 209-210).
É salientado por Louro (2000) um processo que, por meio das práticas de ensino escolares, a ação
pedagógica visa formar o ser civilizado para que se tornem homens e mulheres de “verdade”, valendo-se a
escola de critérios que se construíram no processo de padronização da normalidade, a fim de analisar as
condutas adequadas de meninos e de meninas, e de encontrar possíveis condutas indesejadas. 
Deve-se realizar o movimento de estranhamento com o currículo, desconcertá-lo, a fim de ultrapassarmos os
limites normativos empregados nele. É imprescindível considerar que o currículo é tido como um corpo de
conhecimentos, logo, devemos enfrentar as condições arbitrárias em que se dá esse corpo de conhecimentos
(LOURO, 2018).
#PraCegoVer: a figura mostra uma pessoa representando uma professora com as mãos envolvendo variados
pinos de diversas cores, que representam pessoas diferentes, significando o movimento de inclusão das
diversidades no currículo escolar.
Figura 6 - Representação das diferenças sociais presentes na escola, simbolizadas por pinos coloridos, e uma professora acolhendo-os com
as mãos
Fonte: Andrey Popov, Shutterstock, 2020.
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O currículo deve ser discutido com o conhecimento plural; os profissionais da educação têm o direito de
conhecer e de desconhecer determinados assuntos. Desse modo, não se pretende incorporar outros sujeitos
no currículo, mas, sim, pôr em questão “[...] a ideia de que se disponha de um corpo de conhecimentos mais
ou menos seguro que deva ser transmitido: além disso, pôr em questão a forma usual de conceber a relação
professor-estudante-texto” (LOURO, 2018, p. 60), tendo em vista que devemos ampliar essa relação a fim de
questionar as condições que permitem ou impedem a expansão do conhecimento para descontruir o currículo
tradicional, visto como um texto sexualizado que coloca alguns alunos na marginalidade (LOURO, 2018). Com
essa análise, é possível subverter a lógica curricular normativa e padronizada para abrir espaço para novas
ideias relacionadas à multiplicidade de gênero, à sexualidade e aos corpos subjetivos.
Por fim, defende-se que a escola, como formadora de cidadãos autônomos e plurais, deve elencar em seu
currículo a temática de gênero, educação sexual, sexualidades e diversidades, pois tais temáticas não têm
sido trabalhadas nos ambientes educacionais de maneira concreta e regularizada conforme uma área de
conhecimento e de ensino. Assim, poderemos discutir a educação sexual em relação à multiplicidade de
gêneros e abrir espaços para a diversidade no âmbito de ensino.
Chegamos ao fim de mais uma unidade. Até a próxima!
Teste seus conhecimentos
(Atividade não pontuada)
O que pretendemos como objetivo final desta unidade é que este estudo
sirva como uma forma de reflexão sobre as questões sociais enraizadas
para que possibilite novas maneiras de se pensar a educação e as
subjetividades humanas a partir das experiências entre os sujeitos plurais.
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
Conclusão
refletir sobre as relações de gênero e o papel dos(as) educadores(as)
no ambiente escolar;
compreender as problemáticas de gênero na educação infantil em
relação à profissão docente;
desconstruir atividades generificadas na escola em relação a
brinquedos e cores;efetivar a educação plural na escola por meio de questionamentos
contemporâneos sobre o currículo.
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