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CURSO DE GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
DESIRRE DE ANDRADE CORREA 
 
 
 
 
 
 
 
A INSERÇÃO DAS QUESTÕES DE GÊNERO E SEXUALIDADE NO 
ENSINO FUNDAMENTAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SALVADOR 
2017 
 
DESIRRE DE ANDRADE CORREA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A INSERÇÃO DAS QUESTÕES DE GÊNERO E SEXUALIDADE NO 
ENSINO FUNDAMENTAL 
 
Trabalho de conclusão de Curso apresentado 
ao curso de Psicologia da Faculdade Regional 
da Bahia (FARB/UNIRB), com requisito para 
obtenção do Grau de Bacharel em Psicologia. 
 
Professora de TCCII: Msc. Franciane 
Professor Orientador: Gilmaro Nogueira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SALVADOR 
2017 
DESIRRE DE ANDRADE CORREA 
 
 
INSERÇÃO DAS QUESTÕES DE GÊNERO E SEXUALIDADE 
NO ENSINO FUNDAMENTAL 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como requisito para a obtenção do 
título de Bacharel em Psicologia, pela Faculdade Regional da Bahia. 
 
 
Aprovado em ____ de __________________________ de 2017. 
 
Banca Examinadora 
 
__________________________________________ 
Gilmaro Nogueira (Orientador) 
Mestre em Cultura e Sociedade (UFBA / Pós-Graduado em Estudos Culturais 
(UNIJORGE) / Pós-Graduado em Atenção a usuários de álcool e outras drogas 
(UFBA) 
 
 
__________________________________________ 
Jaqueline Vitoriano da Silva 
Msc. Em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 
Faculdade Regional da Bahia - UNIRB 
 
 
 
__________________________________________ 
Tais Abreu 
Especialista em Terapia Analítico-comportamental pela Unijorge / Mestranda em 
Educação pela UFBA 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
 
 
LGBT – Lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transsexuais, transgêneros 
 
PNE - Plano Nacional de Educação 
 
ABA - Associação Brasileira de Antropologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
FIGURA 1 – Biscoito Sexual 
FIGURA 2 – Quadro de violência contra a mulher 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico o presente trabalho ao meu filho Kauê que surgiu no momento em que 
deveria surgir e me tornou uma mulher ainda mais determinada. 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço a coordenadora Jaqueline por toda orientação e ajuda que me foram 
dados durante a graduação 
 
A este meu orientador, Gilmario Nogueira, pela paciência, dedicação e 
ensinamentos que possibilitaram que eu realizasse este trabalho, além das aulas 
maravilhosas que me transmitiram muito conhecimento. 
 
Aos meus pais, pelo amor, carinho e paciência. 
 
Agradeço de forma especial à minha mãe Ednice, por não medir esforços para que 
eu pudesse levar meus estudos adiante. 
 
Agradeço as minhas amigas Psicolindas, por confiarem em mim e estarem do meu 
lado em todos os momentos da vida. 
 
Em especial meus agradecimentos a Mariângela Matos que está comigo durante 
toda essa caminhada até aqui. 
 
A Valesca minha irmã do coração por sempre apontar minhas qualidades e me 
mostrar que sou capaz de alcançar meus objetivos 
 
A Luã por me presentear com meu primeiro livro de psicologia e por sempre 
estender a sua mão nos momentos mais difíceis 
. 
Ao meu irmão, que é meu companheiro de brincadeiras e durante este tempo me 
incentivou e acreditou sempre em mim. Obrigado maninho. 
 
Ao Davi Fagundes por estar sempre ao meu lado, me apoiando nas minhas 
escolhas, e me acolhendo nos momentos de frustração 
 
A minha preceptora de estágio Julie Cruz sempre disposta a ajudar e a ouvir minhas 
queixas e me acalmar nos momentos de tensão. 
 
A todas as professoras e professores que em algum momento da vida cruzaram o 
meu caminho e fizeram parte da minha formação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
...Mulher, a culpa que tu carrega não é tua 
Divide o fardo comigo dessa vez 
Que eu quero fazer poesia pelo corpo 
E afrontar as leis que o homem criou... 
Todxs Putxs - Ekena 
RESUMO 
Essa pesquisa tem como objetivo discutir sobre a inserção das questões de gênero 
e sexualidade no ensino fundamental, refletindo sobre a importância da inserção 
dessas questões na educação, com base no levantamento de dados obtidos através 
de pesquisa bibliográfica. Nesse sentido apresenta as diferenças conceituais de 
sexo, gênero e orientação sexual, discutindo os limites e possibilidades da inserção 
dessas questões no ensino fundamental. Faz necessário falar de gênero e 
sexualidade nas escolas para que seja possível o exercício da cidadania e para o 
reconhecimento da igualdade e equidade entre homens e mulheres. Dando 
relevância para compreender o papel de a educação ensinar as diferentes formas de 
se relacionar e a existência das diferenças para que previna a desigualdades, a 
violência simbólica e física, do sexismo e dos preconceitos enraizados do senso 
comum. Com esse estudo espera-se colaborar para os debates sobre gênero, 
sexualidade e educação, e para a transformação das psicólogas e psicólogos de 
como contribuir sobre a importância da inserção dessas questões no ensino 
fundamental e da formação de profissionais capacitados para lidar com essa 
temática. 
 
Palavras-chaves: Sexualidade e gênero; Ensino Fundamental; Psicologia; Inclusão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
This research aims at discussing the insertion of gender and non-elementary 
sexuality issues, reflecting on the importance of insertion issues of these questions in 
education, based on the collection of data obtained through bibliographic research. In 
this sense it presents the conceptual differences betwen sex, gender and sexual 
orientation, discussing the limits and possibilities of the insertion at fundamental 
education. It is necessary to talk about gender and sexuality in schools so that it is 
possible to exercise citizenship and to recognize equality and equity between men 
and women. Giving relevance to understand the role of education to teach the 
different ways of relating and the existence of differences to prevent inequalities, 
symbolic and physical violence, sexism and entrenched prejudices of common 
sense. This study hopes to contribute to the debates about gender, sexuality and 
education, to the transformation of psychologists and to contribute with the 
importance of insertion of these issues in primary education and the training of 
specialized professionals to deal with this issue. 
 
Keywords: Sexuality and gender; Elementary School; Psychology; Inclusion 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 13 
 
2 DIFERENÇAS CONCEITUAIS ENTRE SEXO, GÊNERO E ORIENTAÇÃO S EXUAL ..... 17 
2.1 SEXO NEM TÃO BIOLÓGICO .................................................................................................. 19 
2.2 UMA VISÃO PARA ALÉM DAS POLARIDADES DE GÊNERO .......................................... 20 
2.3 ORIENTAÇÃO SEXUAL ............................................................................................................. 22 
2.4 TEORIA QUEER E A SUBVERSÃO DAS IDENTIDADES ................................................... 23 
 
3 LIMITES E POSSIBILIDADES DE INSERÇÃO DAS QUESTÕES DE GÊNERO E 
SEXUALIDADE NO ENSINO FUNDAMENTAL ..................................................................... 25 
3.1 A ESCOLA E SEU POTENCIAL NA FORMAÇÃO................................................................. 28 
3.2 A INVENÇÃO DA IDEOLOGIA DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO .......................................... 32 
3.3 PSICOLOGIA E A SUBVERSÃO DOS DISCURSOS DOMINANTES ................................ 34 
3.4 INCLUSÃO ESCOLAR................................................................................................................na educação: por uma escola democrática, inclusiva e sem censuras , 2015. 
 
 
BENTO, Berenice. A Reivenção do corpo: Sexualidade e gênero na experiência 
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http://ocatequista.com.br/papa/item/17672-e-maldade-ensinar-ideologia-de-genero-as-criancas-diz-papa-francisco
http://ocatequista.com.br/papa/item/17672-e-maldade-ensinar-ideologia-de-genero-as-criancas-diz-papa-francisco36 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................. 39 
 
5 REFÊRENCIAS ..................................................................................................................... 42 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
1 INTRODUÇÃO 
 Esse trabalho trata-se de uma discussão de temas referentes ás questões de 
gênero e sexualidade e a relevância da inserção desses conteúdos no ensino 
fundamental. 
 Em épocas passadas era inaceitável que as mulheres estudassem, 
trabalhassem fora do lar, votassem etc. Com o passar dos tempos elas tiveram 
diferentes participações no trabalho. Á vista disso, as mulheres passaram a ocupar 
mais espaços e estarem mais presentes em diversos setores (OLIVEIRA, 2011). 
 Na atualidade, apesar de conquistas das mulheres em diversos espaços 
essas ainda enfrentam as desigualdades salariais, as violências e as discriminações. 
Elas não dispõem de acesso igualitário no mercado de trabalho, na educação ainda 
são marcadas as questões relacionadas ás mulheres no campo da reprodução do 
machismo, onde os meninos tem mais liberdade que as meninas etc. (SANTOS e 
OLIVEIRA, 2010). 
 Deste modo, existe uma diferença salarial entre mulheres e homens; as 
mulheres sofrem violências físicas e simbólicas devido á ideia de que os homens 
são superiores, não apenas em questão de força mas também economicamente; de 
que mulheres são dependentes emocionalmente e financeiramente (SANTOS e 
OLIVEIRA, 2010). 
 Nos dias atuais a comunidade LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais, 
transsexuais, travestis, trangêneros) também enfrenta as desigualdades, as 
travestis, por exemplo, não tem espaços em determinados campos de trabalho, a 
não ser em salões de beleza ou com a prostituição, esses ficam então vulneráveis a 
vários tipos de violência, além das que costumam sofrer diariamente (OLIVEIRA, 
2011). 
 Por medo das violências alguns homossexuais evitam lugares abertos, evitam 
andar de mãos dadas e mostrar afeto ao seu companheiro ou companheira, dentre 
outras. Nos dias atuais esses sujeitos clamam por segurança, tendo em vista que há 
um alto índice de crime contra essas pessoas (CASSEMIRO, 2015). Sendo assim, 
por que não começar desde cedo a desconstruir padrões que geram violência e 
exclusão? 
 Nessa perspectiva faz-se necessário definir gênero e sexualidade, pois esses 
conceitos são diferentes, dessa forma entende-se que gênero é a diferença entre os 
14 
 
comportamentos masculinos e femininos que são esperados de homens e mulheres 
e por sexualidade compreende-se como a atração afetivo-sexual por algum 
individuo. Gênero e sexualidade são aspectos distintos e que não devem ser 
confundidos (JESUS, 2012). 
 Visto que as psicólogas e os psicólogos compõem uma categoria profissional, 
que faz parte da equipe que integra o contexto escolar, desenvolvendo o interesse 
em discutir as questões de gênero e sexualidade nesse âmbito, o estudo se faz 
pertinente por que seus resultados visem conduzir esse profissional a construir 
meios reflexivos sobre a importância da inserção dessas questões no ensino 
fundamental, como uma das principais referencias na vida do ser humano, a escola 
pode atuar como uma ferramenta de conscientização da sociedade contra praticas 
de violência contra as mulheres e a comunidade LGBT. 
 Sendo a escola uma instituição importante, nessa perspectiva questiona-se: 
Qual a importância da inserção das questões de gênero e sexualidade no ensino 
fundamental? 
 A motivação para esse estudo partiu do meu interesse sobre as questões 
sociais que abordam temas como as questões de gênero e sexualidade. Além disso, 
o que impulsiona a realização dessa pesquisa é o fato de ser mulher e viver numa 
sociedade machista e preconceituosa. É ver diariamente nos noticiários casos de 
intolerância à diversidade sexual e a violência de gênero. 
 Para Silva (2014) é no ensino fundamental que as relações de gênero e 
sexualidade entre os alunos são percebidas de forma nítida. Á vista disso, a autora 
compreende que essas questões estão presentes através das distinções nas 
brincadeiras, nas atividades escolares, nos sentimentos e emoções carregados de 
energia sexual e no comportamento desigual de meninas e meninos. 
 Silva (2014) certifica que a escola é responsável por explicar sobre esses 
temas. Sendo então papel da escola de contribuir com as informações sobre gênero 
e sexualidade desta forma passar informações sobre a construção do gênero, sobre 
o feminino e masculino e as concepções que se tem sobre o homem e a mulher. 
 De acordo com o Pereira e Bahia (2011, p. 52) “a escola precisa contribuir 
com esse movimento de emancipação, de tornar a diversidade algo discutido para 
que o ser humano possa relacionar-se melhor com ele próprio e com os outros.” 
Neste sentido, este campo de aprendizado torna-se referência para o 
reconhecimento e o contato com a singularidade. 
15 
 
 A pesquisa desenvolvida é importante, pois conduz a reflexões sobre a 
diversidade que nos constitui, a conscientização sobre a violência contra a mulher e 
o preconceito em relação à sexualidade. Este trabalho faz-se necessário para 
compreender o papel de a educação ensinar as diferentes formas de se relacionar e 
a existência das diferenças para que previna a desigualdades, a violência simbólica 
e física, do sexismo e dos preconceitos enraizados do senso comum. 
 Essa pesquisa tem como objetivo geral discutir sobre a inserção das questões 
de gênero e sexualidade no ensino fundamental. Como objetivos específicos o 
estudo irá descrever conforme a literatura as diferenças conceituais de sexo, gênero 
e orientação sexual e discutir os limites e possibilidades da inserção dessas 
questões no ensino fundamental. 
 Em decorrência da delimitação dos objetivos, optou-se pela pesquisa 
qualitativa que é uma proposta definida como uma sequência de atividades que 
envolvem uma seleção de observações, interpretações e reflexões; e bibliográfica 
onde é realizada a partir de pesquisas já elaboradas, constituído principalmente de 
livros e artigos científicos (GIL, 2002), na qual foram priorizados textos de autores 
renomados na área tais como Louro, Preciado, Bento, e outros. 
Com o propósito de construção do estudo, à coleta de dados teve inicio no 
primeiro semestre do ano de 2017, sendo realizado em sites como o Scientific 
Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino Americana do Caribe em 
Ciências da Saúde (LILACS), Google Acadêmico, Periódicos Eletrônicos em 
Psicologia (PePSIC), além de livros e revistas publicados no período de 1997 à 
2017, possibilitando o entendimento da inserção das questões de gênero e 
sexualidade no ensino fundamental. A escolha desses textos se deu prioritariamente 
em função da facilidade de acesso aos mesmos, que abordam de forma clara e 
precisa, temas que dizem respeito aos objetivos do estudo. Para a pesquisa foi 
utilizado os descritores gênero e sexualidade; gênero, sexualidade e educação; 
psicologia, sexualidade e gênero. 
O projeto do estudo não necessitou de avaliação e aprovação por um Comitê 
de Ética em Pesquisa, por se tratar de estudo bibliográfico, que compreende a 
pesquisa, através da revisão de artigos, com dados secundários, que discorriam 
sobre essa temática. Assim, tivemos o cuidado de não se utilizar de plágio, nem 
apropriação intelectual indevida, referendando todos os autores utilizados, estando 
dispostos, conforme a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 
16 
 
 O presente trabalho está dividido em dois capítulos, no capitulo I serão 
apresentados ás diferenças conceituais entre sexo, gênero e orientação sexual, pois 
ainda há muita confusão em relação a esses conceitos. Também será apresentado o 
biscoito da sexualidade que tende a explicar essas questões de forma didática 
apesar das suas limitações. Diante disso é possívelperceber nesse capitulo que os 
conceitos são inesgotáveis. 
 No capitulo II é exposto os limites e possibilidades de inserção das questões 
de gênero e sexualidade, onde é mostrada a importância da escola para a formação 
dos sujeitos e os impactos de uma educação que normatiza e, as violências de 
gênero e sexual, além das desigualdades. Também serão discutidos os mecanismos 
utilizados para o impedimento da inserção desses temas, além da contribuição da 
psicologia na criação de políticas públicas para formação de pessoas capacitadas 
para lidar com essa temática. 
 Optou-se por dois capítulos pois eles contemplam o tema em questão. Por se 
tratar de uma pesquisa exploratória e de curto prazo não optou por ir a campo e 
fazer entrevistas com as psicólogas e psicólogos nas escolas que demandariam a 
aprovação do conselho de ética. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
2 DIFERENÇAS CONCEITUAIS ENTRE SEXO, GÊNERO E ORIENTAÇÃO 
SEXUAL 
 Antes de falar sobre a inserção das questões de gênero e sexualidade no 
ensino fundamental se faz necessário dialogar sobre as diferenças entre sexo, 
gênero e orientação sexual, pois as pessoas ainda se confundem em relação a 
esses conceitos, de acordo com a autora Louro (1997, p.8) “na prática social tais 
dimensões são, usualmente, articuladas e confundidas”. 
 Não há pretensão de se esgotar os conceitos, pois eles são complexos, visto 
que segundo Oliveira (2017) há corpos que não se adéquam ou não condizem com 
o que é imposto socialmente. 
 Para auxiliar na compreensão desses conceitos existe uma imagem chamada 
de Biscoito Sexual que é um desenho onde se apresenta de forma didática a 
questão do sexo biológico, da orientação sexual e das questões do gênero 
(KILLERMANN, 2017). Porém, posteriormente farei uma critica à essa explicação 
didática. 
 De acordo com o criador do biscoito, Killermann (2017) a identidade de 
gênero, está relacionado a quem você pensa que é. Desta forma, como é mostrado 
na Figura 1, do lado esquerdo está “mulher” e do direito está “homem” e no meio 
encontra-se os “andrógenos”. Assim, quando nos referimos a nós mesmos como 
homem ou mulher, estamos se referindo a identidade de gênero. 
Já a expressão de gênero está relacionada á forma que você ira se 
apresentar para a sociedade através da sua forma de agir, de se vestir, dentre 
outros. Esta é identificada por feminino e masculino e no meio é a forma mista ou 
ambígua de expressar o gênero (KILLERMANN, 2017). Enfatiza-se aqui o 
comportamento, isto é, a compreensão que determinados comportamentos são 
masculinos por pertencerem ao homem e vice-versa. 
 Em relação ao sexo biológico, do lado esquerdo temos “fêmea” e do direito 
“macho”, no meio encontra-se um termo novo chamado “intersexo”. Aqui considera-
se primordial para a diferença a anatomia do corpo ou em último caso as genitálias. 
Entende-se que ter um pênis significa ser homem e vice-versa. Sexo aqui é tratado 
na dimensão biológica (KILLERMANN, 2017). 
 De acordo Killermann (2017) orientação sexual é por quem você sente 
atração, desta forma encontra-se em um dos lados “heterossexuais” e do outro 
“homossexuais”, no meio estará os “bissexuais”. Ou seja, a orientação sexual 
18 
 
diferente das outras dimensões, e refere-se a sentimentos e afetos por outros 
sujeitos. É importante diferencia orientação sexual de identidade de gênero, uma vez 
que são umas das confusões mais comuns. 
 Sendo assim, conforme mostra a imagem, a identidade de gênero, a 
expressão de gênero, o sexo biológico e a orientação sexual são independentes um 
do outro. Uma não determinar a outra (KILLERMANN, 2017). 
 
Figura 1: Biscoito da sexualidade 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FONTE: KILLERMANN (2017) 
19 
 
2.1 SEXO NEM TÃO BIOLÓGICO 
 O sexo é entendido como biologicamente determinado - como fêmea e macho 
e com alguns sujeitos sendo categorizados como intersexuais de acordo com seus 
traços orgânicos como os órgãos reprodutivos e genitais, os cromossomos e os 
níveis hormonais. Indo de encontro com o senso comum o sexo não se limita a uma 
dualidade (binarismo ou dimorfismo sexual), mas como um contínuo complexo de 
atributos sexuais (JESUS, 2012). 
 Souza e Meglhiorati (2017) apud Aran (2006) diz que em relação ao conceito 
do sexo biológico, este é considerado como os órgãos reprodutivos dos quais são 
programados e fixados ao corpo orgânico, intitulado por vagina, pênis ou ambos. 
Essa característica biológica que constitui esse corpo orgânico não necessariamente 
definirá a identidade de gênero, muito menos a orientação sexual. 
 O termo sexo é utilizado para diferenciar as anatomias externas e internas do 
corpo humano. Essas diferenciações anatômicas, em geral, são dadas no momento 
do nascimento, porém há atribuições de significados que a elas serão relacionadas e 
que são fortemente históricos e sociais (WEEKS, 2000). 
 Segundo Sterlling (2001), a segunda onda do feminismo afirmava que o sexo 
é diferente do gênero. Desta forma, ter pênis ou vagina diz respeito a uma diferença 
de sexo, e esse termo passou a corresponder a anatomia e o desempenho 
fisiológico do corpo. 
 Até o século XVIII o homem era o único modelo de sexo e este era tido como 
perfeito. Em torno do século XVI e XVII a mulher era vista como um homem invertido 
e quando o clitóris foi descoberto ele recebeu o nome de pênis de fêmea. Desta 
forma a sociedade entendeu que a mulher era então um homem imperfeito devido a 
sua anatomia que recordava o órgão masculino (SOUZA e CARRIERI, 2010). 
 As pessoas que nascem com os dois traços biológicos são conhecidas pela 
medicina como hermafroditas e pelos estudiosos da sociologia como intersexo 
(SOUZA e MEGLHIORATI, 2017) numa tentativa de abandonar o termo hermafrodita 
– que é patologizante e medicalizante. 
 O intersexual é aquela pessoa em que o corpo diverge da categoria de macho 
e fêmea, no que se diz aos aspectos dos cromossomos e aos órgãos genitais, onde 
pode ocorrer, por exemplo, a ausência da vagina, um pênis excessivamente 
pequeno ou um clitóris muito grande, testículos que não descem, coexistência de 
20 
 
ovários e tecidos testiculares, dentre outros (JESUS, 2012). Assim, vemos que a 
compreensão de sexo varia desde o estritamente biológico a outras teorias que 
apontam os significados atribuídos ao corpo e as normas que produzem o binarismo. 
2.2 UMA VISÃO PARA ALÉM DAS POLARIDADES DE GÊNERO 
A autora Jesus (2012) vai dizer que o gênero se relaciona com as formas de 
se identificar e ser identificada como masculino e feminino, e a partir dessa 
classificação social e pessoal dos sujeitos como homem e mulher é que ira orientar 
os papéis de gênero e a identidade de gênero. 
O gênero está em constante construção e transformação, e através dos seus 
meios sociais, dos múltiplos discursos, símbolos, das representações e práticas, é 
que os indivíduos se constroem como femininos e masculinos. Há uma transição 
nessa construção, pois existe uma transformação aos longos dos anos, como 
também na articulação com as historias pessoais, as identidades sexuais, étnicas, 
de raça, de classe etc (LOURO, 1997). 
Com os estudos feministas, o gênero deixou de ser visto apenas como 
diferença sexual e passou a ser considerada uma construção social, ou seja, 
homens e mulheres assumem comportamentos e papéis culturalmente 
estabelecidos. A escola, a igreja, a família, as mídias, as instituições legais e 
médicas são importantes nesse processo de construção do gênero (LOURO, 2008). 
Ainda para a autora acreditamos que cor rosa é de menina, azul é de menino, 
jogar bola é coisa para menino e brincar de boneca é coisa para menina; mulheres 
são reprimidas sexualmente enquanto os homens são incentivados desde a infância. 
Somos ensinados também a maneira adequada de nos vestir, nos sentar, o que 
fazer para conquistar um parceiro(a) etc. 
 Bento (2006)afirma que se iniciou a observação de que feminino e masculino 
é construído nas relações e na disputa de poder. A idéia de que existe apenas o 
gênero masculino e feminino produz um pensamento universal, onde são atribuídas 
certas características que são compartilhadas por todos os sujeitos. Desta forma 
existe um corpo, sem conteúdos, a espera de um selo da cultura que através de 
vários significados culturais atribuirá o gênero. 
Discutir a aprendizagem de papéis masculinos e femininos parece remeter a 
análise para os indivíduos e para as relações interpessoais. As 
21 
 
desigualdades entre os sujeitos tenderiam a ser consideradas no âmbito 
das interações face a face. Ficariam sem exame não apenas as múltiplas 
formas que podem assumir as masculinidades e as feminilidades, como 
também as complexas redes de poder que (através das instituições, dos 
discursos, dos códigos, das práticas e dos símbolos...) constituem 
hierarquias entre os gêneros (LOURO, 1997, pg 8). 
 Bento (2016) parte do pressuposto de que a explicação para essa 
constituição hierárquica e binária dos gêneros ocorre pelo fato dos homens sempre 
terem habitado um espaço público enquanto as mulheres estariam voltadas para o 
campo doméstico. Desta forma, “a mulher é tomada como sinônimo de família, 
sendo que nesse ponto, não existe qualquer menção ao pai” (p 37). Sendo assim, o 
feminino está sempre no âmbito da subordinação; o masculino naturalizado. 
 Já no final do século XX houve uma reformulação dos pressupostos teóricos 
no âmbito dos conhecimentos acerca das “mulheres”, com isso fortificou-se os 
estudos a respeito das relações de gênero. O objetivo era a desconstrução dessa 
mulher universal e subordinada, mostrando que existem múltiplos fatores que se 
articulavam para a construção das identidades de gêneros. Desta forma buscaram-
se nas classes sociais, nas etnias, nas nacionalidades, nas orientações sexuais os 
subsídios fundamentais para “desnaturalizar e dessencializar a categoria mulher” (p, 
38) que se fraciona em brancas e conservadoras, negras analfabetas e racistas, 
dentre outras (BENTO, 2006). 
 Louro (1997) considera que conceber o gênero como gerado numa idéia de 
masculinidade e feminilidade, pressupõe rejeitar e/ou desconsiderar todos os 
indivíduos que não se encaixam em um desses modelos. As pessoas que formam a 
dicotomia, não são somente homens e mulheres, mas são homens e mulheres de 
diversas raças, religiões, idades, sexualidade, etc. 
Para Jesus (2012) o termo transgênero compreende diferentes grupos de 
pessoas que não se identificam com os papeis de gêneros que lhes foram atribuídos 
ao seu nascimento. 
Alguns sujeitos não se encaixam na identidade de gênero que a ela foi 
determinada. Diante do exposto há uma multidão de possibilidades na identificação 
dos indivíduos com algum gênero, pois existe uma variedade de experiências 
humanas sobre essa identificação (JESUS, 2012). 
 
22 
 
Ainda de acordo com a autora Jesus (2012), uma pessoa pode ter um pênis e 
ter uma identidade de gênero de mulher e vice-versa. Adotar um determinado 
padrão ou papéis de gênero não está relacionado aos nossos genitais, aos níveis 
hormonais ou aos cromossomos. Sendo assim. O pênis ou a vagina não é 
determinante na identidade de gênero, uma vez que ela não é uma consequência do 
corpo, mas de uma compreensão da subjetividade e interna. 
2.3 ORIENTAÇÃO SEXUAL 
A orientação sexual diz respeito à atração afetivossexual por uma pessoa de 
algum gênero/s (JESUS, 2012). Diante do exposto, entende-se que uma pessoa se 
sente atraída, seja romanticamente, fisicamente ou emocionalmente por outro/a. 
 De acordo com Weeks (2000) é possível entender que a sexualidade é 
formada pela nossa subjetividade que dirá quem e o que nós somos e pela 
sociedade, pois está se preocupa com a vida sexual dos sujeitos. Ambas estão 
ligadas, pois no meio delas está o corpo e suas potencialidades. 
 A autora Jesus (2012) aponta que existem várias formas de expressar a 
sexualidade, sendo: homossexualidade – caracterizada pela atração sexual e afetiva 
entre pessoas do mesmo sexo; bissexualidade - caracterizada pela atração sexual e 
afetiva entre pessoas tanto do mesmo sexo como do sexo oposto; 
heterossexualidade - Caracterizada pela atração sexual e afetiva entre pessoas do 
sexo oposto; assexualidade – Caracterizada por pessoas que não sentem atração 
sexual por sujeitos de qualquer sexo. E Segundo Oliveira et al (2016) a 
pansexualidade – Caracterizada pela atração afetiva e sexual por qualquer individuo 
independente do seu sexo. 
 Em relação á construção de uma identidade sexual, antes dos anos de 1950, 
Toledo e Pinafi (2012) apontam que apenas os homossexuais com comportamentos 
femininos eram considerados e se consideravam homossexuais, e os outros com 
comportamentos tidos como masculinos e com funções tidas como masculinas, ou 
seja, ativos, não eram vistos e não se consideravam homossexuais. Com o 
crescimento urbano, criou-se uma subcultura denominada liberação gay, com isso, 
houve uma atribuição de que o homossexual era detentor de um desejo incontrolável 
e as pessoas que se desviavam da norma heterossexual foram consideradas 
doentes que deveriam ser curadas. 
23 
 
 Podemos dizer que o desejo homoerótico existe em todas as sociedades em 
todos os períodos, de várias formas, sendo aprovada ou desaprovada, já o 
homossexual, não!. E é a partir do século XIX que é desenvolvida uma categoria 
homossexual e uma identidade ligada a ela. Com a Industrialização na Europa e 
America do Norte é que houve a oportunidade do crescimento das identidades 
homossexuais tanto masculinas como lésbicas (WEEKS, 2000). 
 A produção da heterossexualidade como norma, faz com que haja uma 
desaprovação da homossexualidade, deste modo as pessoas que sentem atração 
ou desejo diferente da que é imposta, são silenciadas e/ou segregadas. A 
demonstração de afeto entre homens são a todo tempo controladas e impedidas, 
são evidentemente codificadas, porém, como em diversas práticas sociais, estão em 
constante transformação (LOURO, 2000). 
 Para o autor Weeks (2000) a lógica de uma identidade sexual é ambígua, pois 
no mundo contemporâneo, é um pensamento totalmente essencial em que é 
ofertado um envolvimento de unidade individual, de posição pessoal, e até mesmo 
de compromisso político. É incomum ver pessoas afirmando sua 
heterossexualidade, pois essa é a maior suposição. Porém assumir sua 
homossexualidade tem significado de pertencimento, é manifestar seu lugar em 
relação ás normas dominantes. 
2.4 TEORIA QUEER E A SUBVERSÃO DAS IDENTIDADES 
 Pode-se traduzir a palavra “queer” por aquilo que é estranho, incomum, 
bizarro, peculiar, anormal, etc. Por muito tempo foi utilizada de forma pejorativa para 
com homens gays e mulheres lésbicas, porém os movimentos assumiram esse 
termo atribuindo o significado de oposição a normalização e consequentemente a 
heteronormatividade imposta pela sociedade (LOURO, 2001). 
 Na visão da autora Preciado (2011), entende-se que os corpos não estão 
mais docializados, considerando-se que os sujeitos passam por um processo de 
desidentificação, ou seja, não se enquadram nos padrões que são produzidos pela 
sociedade. Desse ponto de vista, essa não identificação aparece com as bichas que 
não são considerados homens, com as trans que também não são homens nem 
mulheres, e das sapatas que não são classificadas como mulheres. 
24 
 
 Nomear um corpo em menina ou menino supõe que o sexo biológico é um 
fato que irá determinar o gênero e a orientação sexual, a partir disso os corpos serão 
masculinizados ou feminilizados. Esse sentido considera que o sexo é um dado que 
antecede a cultura, desta forma é concedido um caráter inalterado, binário e a-
histórico. Porém há corpos que não se conformam e, desobedecem e subvertem 
essa lógica (LOURO, 2004). 
 A política das pessoas queer fogeda lógica de identificação homem/mulher e 
das práticas heterossexuais/homossexuais. Entende-se que há uma pluralidade de 
corpos que se opõem aos regulamentos que ditam o que é normal ou anormal. 
Então se encontra uma multidão de diferenças que resistem as políticas do sexo 
(PRECIADO, 2011). 
 Esse modelo baseado na diferença sexual nos faz pensar que há um acordo 
entre sexualidade, gênero e corpo. Entende-se que por ter uma vagina você é 
mulher, emotiva, materna, reprodutora e heterossexual, se você tem um pênis, você 
é homem, racional, paterno, procriador e heterossexual (BENTO, 2006). 
 A população queer que é silenciada passa a se politizar e a partir disso 
transforma o estigma voltado para essas pessoas em orgulho, seja orientação 
sexual, de gênero, étnico, dentre outros. Desta forma, passam a ganhar visibilidade, 
porém há controvérsias onde algumas áreas sócias passam a mostrar crescente 
aceitação da multiplicidade sexual e, por outro lado, os campos tradicionais retomam 
suas ofensas, criando campanhas para a volta de princípios tradicionais da família 
até repulsa e violências físicas (LOURO, 2001). 
 Os sujeitos que ultrapassam a barreira do gênero ou da sexualidade são 
vistos como desviantes. São considerados imigrantes e clandestinos que fogem do 
lugar que deveriam estar e essas pessoas são concebidas como delituosos e devem 
sofrer as penalidades. Desta forma, passam a ser corrigidos, rotulados e ignorados 
como minorias (LOURO, 2004). 
 A sociedade normatiza, policia, vigia o que consideram como prováveis 
descuidos e desvios. Esses deslocamentos se encontram em mulheres que gostam 
de outras mulheres, com as que não querem ser mãe – mesmo que heterossexuais, 
a partir de homens e mulheres que reorganizam seus corpos/gêneros e lutam para 
ser reconhecidos pelas suas identidades, dentre outros. Percebe-se que há múltiplos 
desejos que se afastam dessa condição biológica e hormonal (BENTO, 2006). 
25 
 
 Há sujeitos que não condizem com o projeto social de gênero, ou de corpo, 
ou os dois. Tendo em vista esse universo que é o gênero e as possibilidades de 
transitar por esse mundo, pode-se então haver uma auto identificação como trans ou 
não. Pois há uma pluralidade de alternativas onde umas são mais reconhecidas que 
outras (OLIVEIRA, 2017). 
 O biscoito sexual utiliza três posições para cada dimensão de sexo, gênero e 
orientação sexual. Os estudos queer apontam que não existem três ou quatro 
lugares/possibilidades, mas que cada um de nós tem um gênero singular – e que as 
identidades colocadas em letras podem ser interessantes para pensar uma luta 
política, mas não como representação da realidade dos corpos. 
 Oliveira (20017) afirma que não existe uma definição de homens e mulheres 
perfeitos nem de feminilidade ou masculinidade. Sendo assim, há mais gêneros e 
orientações sexuais do que isso – uma proliferação sem fim. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 
3 LIMITES E POSSIBILIDADES DE INSERÇÃO DAS QUESTÕES DE GÊNERO E 
SEXUALIDADE NO ENSINO FUNDAMENTAL 
 
 Antes de refletir a importância da escola, é necessário contextualizar as 
questões de sexualidade e gênero e como essas trazem implicações na vida dos 
sujeitos. 
 
• Violência contra a mulher 
 
 Conforme a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, uma pesquisa 
do DataSenado em 2013 sobre violência contra a mulher estima que cerca de 13 
milhões e 500 mil mulheres passaram por algum tipo de agressão. As vitimas de 
violências se encontram em todas as partes da sociedade. E na maioria dos casos o 
agressor é o próprio companheiro, desta forma, a violência domestica e familiar é a 
que tem maior impacto nos índices de homicídios contra mulheres, intitulado como 
feminicidio (BRASIL, 2015). 
 O DataSenado (2013) aponta através de um gráfico quantas pessoas 
conhecem mulheres vitimas de violência seja física, psíquica, moral, patrimonial ou 
sexual, e qual a idade e escolaridade dessas mulheres. 
 
Figura 2: Quadro de violência doméstica ou familiar 
 
 
 
 
 
 
FONTE: Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, Secretária de Transparência, DataSenado 
(2013). 
 
 O quadro aponta que 88,8% das pessoas entrevistadas conhecem alguma 
mulher que passou por algum tipo de violência doméstica e familiar. É possível 
perceber que a violência simbólica ou física atinge as adolescentes, jovens, adultas, 
idosas e também ocorre com mulheres de níveis de escolaridades diferentes. 
27 
 
 A Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres entende como violência 
física qualquer ação que cause danos a saúde corporal e integridade da mulher. Já 
a violência psicológica é compreendida como qualquer atitude que cause danos 
emocionais, prejuízos á saúde mental, baixa auto-estima ou que controle seus atos, 
comportamentos, convicções, que humilhe, ameacem, constranja, ridicularize, 
dentre outros (BRASIL, 2015). 
 Em relação á violência sexual é considerada como a atitude que imponha a 
estar presente, a manter, ou se envolver em relações sexuais não desejadas, além 
de limitar e anular o exercício dos seus direitos sexuais e reprodutivos. A violência 
patrimonial é qualquer ação que caracterize reter, subtrair, destruir parcialmente ou 
totalmente os objetos, documentos, materiais de trabalho, dentre outros (BRASIL, 
2015). 
 A violência moral está relacionada à atitude que represente injúria, difamação 
ou calúnia. Assim sendo, é a violência contra mulheres é classificada na influencia 
do gênero, ou seja, as construções sociais, culturais e políticas do feminino e 
masculino, assim como a vinculação entre mulheres e homens. Desta forma, requer 
mudanças em níveis culturais, sociais e educativas para o confronto desse 
fenômeno (BRASIL, 2015). 
 
• Violência contra LGBT 
 
 De acordo com o Grupo Gay da Bahia (2016), ocorreram no Brasil no ano de 
2016, 343 mortes de LGBTs+ (lésbica, gays, bissexuais, transgênero, travestis, 
transexual, dentre outros) e a cada 25 horas um LGBTs é brutalmente assassinado. 
Segundo Junqueira (2009) diante do exposto, é possível perceber que a homofobia 
é um caso que está ligado á discriminação, preconceitos e violência contra LGBT+. 
 A homofobia é uma trágica realidade que afeta a nossa sociedade brasileira, 
geralmente ela aparece de forma mascarada, através de brincadeira e de forma 
subliminar, mas não significa que seja menos grave e danosa. O combate a essa 
mazela social pode fazer diferença entre a vida e a morte (SANTOS, 2013). 
 O machismo acredita que a norma do comportamento sexual humano é a 
heterossexualidade, portanto é perfeita e auspiciosa. Qualquer outra prática sexual é 
considerada como anormal, negativa e inferior e antinatural. A partir da perspectiva 
reducionista, são consideradas lésbicas as mulheres que apresentam 
28 
 
comportamento masculino e são considerados gays aqueles homens que 
expressam feminilidade. Neste caso, as ações violentas e desfavoráveis para com 
os sujeitos que atravessam os limites dos gêneros são idéias desta forma de 
sexismo1 (SANTOS, 2013). 
 Desta forma é preciso pensar em mecanismos para o combate desses dois 
tipos de violência, de que forma é possível trabalhar para que haja menos machismo 
e lgbtfobia e uma construção de sociedade mais igualitária. 
3.1 A ESCOLA E SEU POTENCIAL NA FORMAÇÃO 
 
 Para compreender a escola como uma potencia na formação dos sujeitos 
Paulo Freire (2001) reflete que: 
 
Enquanto preparação do sujeito para aprender, estudar é, em 
primeiro lugar, um que-fazer crítico, criador, recriador, não importa 
que eu nele me engaje através da leitura de um texto que trata ou 
discute um certo conteúdo que me foi proposto pela escola ou se o 
realizo partindo de uma reflexão crítica sobre um certo 
acontecimentos social ou natural e que, como necessidade da 
própria reflexão, me conduz à leitura de textos que minha curiosidade 
e minha experiênciaintelectual me sugerem ou que me são 
sugeridos por outros (FREIRE, 2001, p. 260). 
 
 Desta forma, a escola é um lugar privilegiado de aquisição de conhecimentos, 
onde crianças, jovens e adultos convivem, por isso é necessário ser um local que 
possibilite a transmissão de informações atualizadas do ponto de vista cientifico, 
onde se deve discutir tabus e preconceitos (MOURA, et al, 2011). 
 Percebe-se que há uma censura nas discussões das questões de gênero e 
sexualidade em sala de aula, pois é tido como um assunto polêmico em vários 
sentidos e que ainda gera muito desconhecimento e preconceito. Inclusive em 
debates aleatórios com amigos é possível perceber atitudes e posturas 
preconceituosas (SILVA, 2014). Tal como Silva, percebe-se que ao falar de gênero 
e escola, há uma tensão, visto que é uma temática ainda pouco ou quase nada 
discutida no contexto escolar. 
 Um dos propósitos do ensino é criar possibilidades para que as crianças e os 
jovens se integrem na sociedade de forma independente e critica, obtendo 
 
1 Sexismo é o preconceito ou discriminação baseada no sexo ou gênero de uma pessoa. O sexismo pode afetar 
qualquer gênero, mas é particularmente documentado como afetando mulheres e meninas. . 
29 
 
condições para o exercício da cidadania. Sendo assim, a escola deve possibilitar 
que os alunos e alunas estejam aptos de se indignar, de forma critica, com as 
desigualdades sociais (PATARO e ALVES, 2011). Embora esse seja o papel da 
escola, há uma rejeição social à esses temas, e espera-se que a escola apenas 
prepare para o mercado de trabalho. 
 Em geral a preocupação no ambiente escolar está voltada para os 
conhecimentos específicos e a formação para promoção da cidadania fica em 
segundo plano. Contudo, entende-se que a escola vai além dos conteúdos 
curriculares, pois ela também é responsável pelo desenvolvimento das condições 
físicas, cognitivas, psíquicas e culturais para que as alunas e alunos tenham uma 
vida benéfica (PATARO E ALVES, 2011). 
 Para Silva (2014), é no ensino fundamental que aparece de forma nítida a 
relação de gênero e sexualidade entre os alunos. Elas são percebidas nas 
brincadeiras que estão relacionadas aos sentimentos, as emoções e sensações que 
envolvem a energia sexual, presente inclusive na forma de efetuar as atividades 
escolares, na arrumação dos materiais de estudo e nos comportamentos diferentes 
de meninas e meninos. 
 Para Nogueira (2010), o papel da mulher vem mudando no desenrolar dos 
tempos em vários campos, no mercado de trabalho, na educação e na política. À 
educação concerne deixar claro que tanto homens quanto mulheres tem os mesmos 
direitos e deveres, sempre deixando o preconceito e a discriminação de lado ao 
realizá-lo. Diante dessa observação se torna necessário que o educador tenha uma 
prática pedagógica que realize contribuições para a promoção de uma educação 
igualitária. 
 No ambiente escolar a todo o momento os corpos das meninas e dos 
meninos estão sendo avaliados, medidos e classificados, desta forma são corrigidos 
e moldados conforme as normas sociais. Sendo assim, esses corpos irão se tornar 
aptos, lucrativos e dóceis. É um trabalho continuo onde se caracterizam e geram 
divisões e distinções. Um procedimento que ao atribuir “traços” corpóreos, as 
concebe, esculpindo e implantando diferenças (LOURO, 2000). 
 De acordo com Louro (2000) a produção das disciplinas é baseada numa 
perspectiva masculina e heterossexual, sendo assim, as experiências e os 
problemas das mulheres e dos homossexuais são ignorados. A partir dessa lógica 
30 
 
qualquer ato que indique a atração por uma pessoa do mesmo sexo é exorcizada. A 
idéia de que existe esse desejo entre meninos é assustadora. 
 Louro (2000) diz que a masculinidade se forma em contraposto a 
feminilidade e também aos outros modos de exercer a masculinidade. Os corpos 
devem mostrar que rejeitam qualquer traço de homossexualidade e também não 
podem sugerir nenhuma feminilidade. 
 Nesse entendimento, discutir nas escolas sobre gênero e sobre as suas 
diferentes identidades é denunciar as violências que esses sujeitos sofrem devido 
aos papéis sociais que são denotados aos sexos biológicos, alem de mostrar 
cientificamente que as construções sociais que ditam o modo “natural” de agir, que 
não é percebido pelos indivíduos (OLIVEIRA, 2011). 
 No cotidiano escolar é possível perceber as manifestações das questões do 
gênero e sexualidade dentro da sala de aula e também nos ambientes não formais 
como nos corredores, no banheiro, no recreio, dentre outros. Nesses espaços 
ocorrem situações que são consideradas como sexualizadas, como preconceituosas 
e exclusivas ou inclusivas, elas se materializam em brincadeiras ou até 
silenciamento dessas questões, freqüentes em sala de aula (LIMA E SIQUEIRA, 
2013). 
 Oliveira (2011) afirma que a escola tem como papel orientar sobre as 
diferentes formas de relações, de ensinar o respeito e prevenir assim os pré-
conceitos estabelecidos pelo senso comum. Pois existem pessoas que estão em 
sofrimentos seja por sua orientação sexual, por não se adequarem ao gênero 
estabelecido ou que não se encaixam nos padrões determinados socialmente. 
 A educação tem como função lutar por uma sociedade onde as oportunidades 
sejam igualitárias e amenizar as opressões através do diálogo com as vivencias de 
meninos e meninas. Falar de gênero e sexualidade e as diversas violências que 
acontecem devido à norma, onde é imposto a forma correta de se viver, é falar sobre 
agressões físicas e simbólicas, sobre mortes, sobre problemas psíquicos de sujeitos 
(OLIVEIRA, 2011). 
 Faz-se importante o debate de questões de gênero e sexualidade na 
metodologia de ensino aprendizagem, “pois a escola não pode mais simplesmente 
encaminhar ou marcar horário para tratar destas questões, cabe a ela se aprofundar 
em conhecimentos científicos historicamente construídos” (p, 4). Porém é possível 
perceber uma posição de fuga da responsabilidade desse educador. A educação 
31 
 
não se limita a conteúdos específicos de cada área do conhecimento (NOGUEIRA, 
2010). 
 Sendo assim, faz-se necessário que os educadores reflitam a forma de 
pensar, agir, dizer, produzir, a realidade que é diversa e complexa que envolvem os 
sujeito da educação. É importante pensar na contribuição da educação na 
construção de uma sociedade igualitária em todos os níveis das relações humanas, 
e a sua função social no tratamento pedagógico das questões de gênero e 
sexualidade (NOGUEIRA, 2010). 
 Em relação á atuação do professor ou professora, é importante que este 
saiba manejar as informações recebidas para que seja almejada a produção do 
respeito e a quebra dos estereótipos e dos preconceitos. Desta forma é necessário a 
busca por novas posturas, além de estudos atualizados e um trabalho em sala de 
aula que promova a construção da igualdade (SILVA et al, 2011). 
 O trabalho do docente em aula deve acontecer de maneira a desmistificar 
posicionamentos preconceituosos, debater ideias, a produção conhecimentos a 
partir do que as crianças já carregam consigo, para que seja possível a 
compreender as múltiplas diversidades e que cada um tem suas características e 
que não é por esses motivos que não devam ou merecem ser impedidos de assumir 
e exercer as atividades da sua escolha (SILVA et al, 2011). 
 A utilização de uma linguagem unicamente masculina nos livros didáticos que 
não evidencia a forma feminina acaba por não conceber as meninas e mulheres 
como indivíduos próprios, elas são a todo o momento consideradas como parte de 
uma classe masculina (BRASIL, 2009). 
 Em muitos momentos a escola não percebe que a linguagem adotada é 
segregadora e ao ser questionado explica sobre as normas da língua portuguesa 
que ao se relatar aos homens, pressupõe mulheres, e que a sociedade entendee 
funciona da mesma maneira. Percebe-se que dessa forma há um domínio do 
masculino sobre o feminino (BRASIL, 2009). 
 Patarro e Alves (2011) sugerem um olhar diferente em relação ao papel da 
escola. Desta forma, a educação precisa preparar as crianças e jovens para a 
construção de uma sociedade mais justa e solidária. Sendo assim, é necessário que 
os meninos e meninas vivenciem a justiça, a cidadania, a igualdade e o 
reconhecimento direitos humanos no âmbito escolar. 
32 
 
 Silva (2014) defende que os alunos e alunas têm o direito a um ensino que 
aborde as questões de gênero e sexualidade para que seja possível possibilitar a 
consciência desses sujeitos que são livres para viver e avaliar sua sexualidade, 
buscando o diálogo e a interação sobre a pluralidade de gêneros e sexualidades 
existentes nas escolas e na sociedade 
 Junqueira (2009) acrescenta que as discussões para o enfrentamento das 
descriminações por orientação sexual e gênero nas escolas devem ir além do 
combate á violência. Se for limitado a ela, pouco haverá contribuição para a 
construção de uma cultura envolvida com a democracia. 
3.2 A INVENÇÃO DA IDEOLOGIA DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO 
 Em uma discussão em volta do Plano Nacional de Educação (PNE), a 
expressão “ideologia de gênero” foi usada por pessoas que assumem posições 
conservadoras, fundamentalista e reacionária relacionado ás identidades de gênero 
e orientação sexual. Afirmando que a ideologia desconstrói as famílias que esses 
consideram como tradicionais (REIS e EGGERT, 2017). 
 De acordo com Varela (2016) o Papa Francisco deu uma entrevista em um 
vôo de volta a Roma, onde disse: 
"O que eu falei foi sobre a maldade que hoje se faz com a doutrinação da 
ideologia de gênero. Um pai francês me contava que, à mesa, ele estava 
falando com os filhos (...) e perguntou ao menino de dez anos:'O que você 
quer ser quando crescer?'. 'Uma menina!'. E o pai se deu conta de que, nos 
livros da escola, ensinava-se a ideologia de gênero. E isso é contra as 
coisas naturais. Uma coisa é que uma pessoa tenha essa tendência ou 
essa opção, ou mesmo aqueles que mudam de sexo. Outra coisa é fazer o 
ensino nas escolas nessa linha, para mudar a mentalidade [...] (VARELA, 
2016 apud FRANCISCO, 2016). 
 É indispensável salientar que em nenhum dos documentos finais das 
conferencias de educação e nem o PNE, faz referencia a expressão “ideologia de 
gênero”. O objetivo da inserção das questões de gênero e sexualidade é promover a 
equidade de gênero e o respeito á diversidade sexual (REIS e EGGERT, 2017). 
 Valera (2016) afirma que a “ideologia de gênero” quer ensinar para as 
crianças que homossexualidade e troca de sexo são coisas normais e 
consequentemente ensinará sobre poliamor e incesto. A autora incentiva que pais e 
educadores cristãos não aceitem essa temática nas escolas. 
33 
 
 Em relação á orientação sexual, é possível perceber no discurso dos 
conservadores que a homossexualidade é apontada como responsável pela 
perversão, pelo incesto e pela pedofilia, sendo assim é culpada pela destruição da 
família (ALMEIDA e LUZ, 2014). 
 Há uma união formada por católicos e evangélicos que defendem o que 
intitulam como família e costumes tradicionais, que acabam por distorcer 
informações além de desvalorizar e desqualificar os estudos de gênero, isso trás 
prejuízos no que diz respeito ao real objetivo da inserção dessas questões na escola 
(REIS e EGGERT, 2017). 
 De acordo com a Associação Brasileira de Antropologia (ABA, 2015), 
ideologias e/ou doutrinas são fundamentadas através das crenças e dogmas 
religiosos, em contraposição, o conceito de gênero é sustentado por indicadores 
científicos de elaboração de saberes a respeito do mundo. 
 Diante do exposto, a ABA (2015) certifica que o conceito de gênero evidencia 
os desenvolvimentos históricos e culturais que classifica e posiciona os sujeitos com 
base na relação sobre o que se entende como masculino e feminino. Portanto, se 
trata de um agente que produz significado para as dessemelhanças concebidas nos 
corpos e que articulam os sujeitos, as práticas, as emoções, no meio de uma 
organização de poder. 
 Varela (2016) declara que a ideologia de gênero expõe crianças a assuntos 
que normalizam o comportamento homossexual, desta forma fará com que as 
meninas e meninos se envolvam nesse tipo de relacionamento por conta de 
curiosidade e devido ao incitamento gerado pela orientação homossexual. E que os 
pais que criam os filhos com gênero neutro acabam por esquecer a biologia. 
 A falsa alegação da ideologia de gênero tal como a desconstrução dos papeis 
de gênero e da família no âmbito escolar estabeleceu um pavor em pessoas 
conservadoras, a ponto de disseminar informações adulteradas. Quando o que se 
planejava era a equidade de gênero e o respeito à diversidade sexual (REIS e 
EGGERT, 2017). Pois através de muitas pesquisas foi possível reconhecer que 
existem mecanismos que reproduzem as desigualdades no ambiente escolar 
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA, 2015). 
 Circula pela internet uma cartilha sem autoria onde informam que caso seja 
aprovado á ideologia de gênero nas escolas, as crianças vão aprender que não são 
nem meninas nem meninos, e que é necessário inventar um gênero. E sendo assim 
34 
 
há um objetivo de destruição das famílias tradicionais (AUTOR DESCONHECIDO, 
2015). 
 As pessoas utilizam a palavra família inúmeras vezes nos argumentos que 
são contra a inserção das questões de gênero e sexualidade. É possível perceber 
que essa família referenciada é constituída por um casal, homem e mulher, 
heterossexual e com filhos. Deste modo é anunciado um modelo único de família, e 
todos os outros modelos são segregados (ALMEIDA E LUZ, 2014). 
 As alegações usadas pelas pessoas que espalham a ideia de ideologia de 
gênero fazem com que haja a manutenção das desigualdades de gênero, onde 
mulheres são vistas como inferiores aos homens. Além da manipulação da 
informação sem nenhum fundamento cientifico (REIS e EGGERT, 2017). 
 É de suma importância legitimar a igualdade e equidade de gêneros, pois a 
diferença binária entre feminino e masculino determina papéis engessados de 
gênero que apenas auxiliam para corroborar nas desigualdades, que em geral são 
resultantes do patriarcado2 (REIS e EGGERT, 2017). 
 Nesta perspectiva, a solicitação de igualdade de gênero no âmbito escolar 
está correlacionada a um sistema educacional inclusivo, que possibilite o combate 
das discriminações e que não reproduza as desigualdades que existem na 
sociedade. Quando se propõe igualdade não quer dizer invalidar as diferenças, mas 
assegurar um local democrático em que as diferenças existentes não se 
transformem em desigualdades (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA, 
2015). 
3.3 PSICOLOGIA E A SUBVERSÃO DOS DISCURSOS DOMINANTES 
A responsabilidade ética, política e profissional do ensinante lhe 
coloca o dever de se preparar, de se capacitar, de se formar antes 
mesmo de iniciar sua atividade docente. Esta atividade exige que sua 
preparação, sua capacitação, sua formação se tornem processos 
permanentes. Sua experiência docente, se bem percebida e bem 
vivida, vai deixando claro que ela requer uma formação permanente 
do ensinante (FREIRE, 2001 p. 259). 
 
 Pesquisas feitas em Psicologia escolar apontam que ainda é visível a 
desqualificação de professores e professoras. Este acontecimento pede um novo 
 
2 Patriarcado – é um sistema social que continuamente beneficia o homem em detrimento a mulher (Oliveira 
2017). 
35 
 
local institucional para o docente, com a finalidade de se construir um plano político 
pedagógico global, da qual os objetivos sejam claros e delimitados (SOUZA, 2010). 
 Desta forma, cabe a Psicologia escolar no processo de formação de 
professoras e professores a construção de espaços reflexivos para queseja possível 
pensar nas dificuldades que interferem no aprendizado e quais as possibilidades de 
resolver essas questões. Além de auxiliar na subversão dos discursos dominantes 
que ditam uma norma de aluno perfeito (GESSER e NUERNBERG, 2011). 
 Uma das possibilidades de contribuições da Psicologia no campo educativo 
pode se dá na colaboração das implementações das políticas públicas. Tendo em 
vista que os métodos educacionais ocorrem em múltiplos ambiente e níveis, essa 
junção de psicologia e educação pode assumir diversas e inúmeras formas 
(MARTINEZ, 2010). 
 Em relação á formação de professores e professoras Souza (2010) considera 
que há uma necessidade de acompanhamento das pesquisas em Psicologia. Pois é 
considerável saber quais são as influencias e os impactos das modificações na 
formação dos docentes. 
 Os sujeitos da escolarização passaram a ganhar visibilidade e devido á 
imagem passada de modelo a serem praticados e seguidos, os comportamentos, as 
linguagens, os desejos e pensamentos foram disciplinado, ou seja, além das 
disciplinas das meninas e meninos há um olhar voltado para a disciplina dos corpos 
dos professores (LOURO, 2000). 
 Segundo afirma a autora Louro (2000) os costumes, as rotinas, as falas 
necessitam ser objetos de precaução e desconfiança, isto é, se atentar para o que é 
dito como natural. Diante do exposto, é preciso questionar os assuntos que são 
ensinados, a forma como é ensinada e o uso da linguagem, pois essas podem estar 
carregadas de racismo, sexismo e etnocentrismo. 
 Tendo em vista a dificuldades dos docentes em lidar com certas questões, é 
fundamental o norteamento desses sujeitos para o entendimento do campo da 
sexualidade, do gênero, de raça, classe social, dentre outros. Portanto, a Psicologia 
Escolar pode e deve participar da formação desses professores e professoras com 
base em um posicionamento político e ético (GRESSE ET AL, 2012). 
 É possível considerar que o trabalho da psicóloga e psicólogo diante das 
questões de gênero e sexualidade dentro do contexto escolar, devem se orientar por 
um compromisso com uma escola democrática e com qualidade social. Desta forma, 
36 
 
deve está pautada no direito e exercício da cidadania. Esse comprometimento é 
político, pois circunda a estruturação de uma escola participativa (SOUZA, 2010). 
 A Psicologia escolar pode contribuir com projetos de formação de professores 
e professoras no que diz respeito à sexualidade, criando oportunidades de 
processos reflexivos sobre esse tema para que haja uma verificação das próprias 
crenças, valores, preconceitos referentes a esse assunto (GRESSE ET AL, 2012). 
 A partir do momento que se exerce uma visão mais extensa da vida escolar, 
não centralizada unicamente no aspecto da psicoeducação, mas também no seu 
enfoque psicossocial; o valor do trabalho da psicóloga e psicólogo em ligação à 
implementação das políticas públicas no âmbito educacional fica mais claro e 
evidente (MARTINEZ, 2010). 
 Assim como é indispensável que a psicóloga e o psicólogo, durante a 
formação de professores e professoras em uma óptica ético-política, faça-se 
intercessor nos procedimentos de “apropriação e reflexão crítica sobre os discursos 
constituintes da sexualidade na contemporaneidade” (GRESSE et al, 2012, p. 6), 
fazendo com que seja possível perceber as conseqüências destes na maneira que 
os docentes enfrentam as expressões da sexualidade no dia a dia. 
 Por fim, é importante destacar que também faz parte do trabalho dos 
psicólogos e psicólogas a humanização tanto dos alunos quanto das professoras e 
professores. Quando há o cumprimento social da garantia de cidadania e do 
desenvolvimento do pensamento critico, essa humanização se torna capaz 
(GESSER e NUERNBERG, 2011). 
 
3.4 INCLUSÃO ESCOLAR 
 O funcionamento escolar é formado através de alguns procedimentos como 
obrigações, códigos de direitos e deveres, rituais, rotinas, que são construídos a 
partir de uma visão de exclusão e segregação de meninos e meninas de alguns 
grupos. Pode-se entender como a ideia de que um aluno ou aluna que apresenta 
rendimento abaixo do esperado deve ser retirado de um grupo e colocado em outro, 
os alunos mais novos devem ser afastados dos mais velhos, meninas e meninos 
brincam e estudam separadamente, dentre outras (SEFFNER, 2009). 
 O ambiente escolar ainda tem muitos obstáculos em tratar sobre a orientação 
sexual e as identidades de gênero, ela se mostra insegura e confusa na presença de 
comportamentos que não estão no roteiro. Desta forma, se instalam os padrões 
37 
 
sociais de exclusão através de atitudes de violência ou de menosprezo, onde se faz 
de conta que não existe nada acontecendo, ou seja, não há escuta das denuncias 
do sofrimento pela discriminação (PERES, 2009). 
 Na atualidade, os docentes precisam ser sensíveis para a questão da 
inclusão, pois ainda é complexo para a sociedade entender que gays, deficientes, 
lésbicas, deficientes mentais, travestis, transgêneros, gente mais velha, 
comportados e bagunceiros, espíritas e católicos, sejam capazes de estudar em 
equipe, num clima de respeito, aceitação e harmonia (SEFFNER, 2009). 
 Quando o tema inclusão escolar é discutido, os professores e professoras 
mostram que são favoráveis, mas posteriormente apontam dificuldades para tal 
proposta. Os problemas existem como em qualquer processo, mas não devem ser o 
pretexto para que retorne ao sistema arcaico de exclusão dos diferentes (SEFFNER, 
2009). 
 Focar nas dificuldades faz com que se afastem de uma das finalidades 
educacional que é fazer com que as pessoas estejam preparadas para conviver com 
as diferenças através da promoção de sentimentos e ações de benevolência, 
irmandade, igualdade e equidade de direitos, pelo reconhecimento do coletivo e pela 
garantia do acesso ao conhecimento. Peres (2009) conclui seu pensamento ao dizer 
que não existe roupa correta para exercer a cidadania. 
 A escola é um espaço público, onde todos e todas merecem estar e estudar 
sendo um local de aprendizado e de conciliação das diferenças. Os motivos 
apontados pelas escolas para “impedir” o acesso de pessoas LGBTs estão 
relacionados a pensamentos arcaicos (SEFFNER, 2009). 
 As pessoas que romperam os padrões morais e estéticos são sujeitadas as 
crueldades dos preconceitos. Portanto quando há valores enrijecidos e sólidos no 
ensino, quanto mais regedora forem os exercícios que orientam, maior será a 
desigualdade, a hostilidade e o afastamento social (PERES, 2009). 
 Vale lembrar que os professores e professoras são de gerações diferentes 
dos alunos e alunas. Tento em vista as múltiplas gerações e valores, o ideal é um 
dialogo produtivo onde eles possam debater mesmo que não disponham da mesma 
opinião. Sendo a escola um local de aprendizado, o/a professor/a deve dirigir seu 
vinculo com as crianças e os jovens na direção de investigar as possíveis formas de 
aprendizagem (SEFFNER, 2009). 
38 
 
 Para que isso aconteça, é necessário estudos, debates, reflexões a respeito 
da política e da educação, e paciência para que dessa forma os docentes 
identifiquem a riqueza que é a diversidade dentro da sala de aula, em todos os 
aspectos. Desta forma se faz importante a ruptura de preconceitos que são 
mantidos pelo senso comum (SEFFNER, 2009). 
 As pessoas que não se encaixam nos padrões estabelecidos, como 
consequência, muitas vezes abandonam os estudos ou são expulsas das escolas. 
O ambiente que deveria ser de inclusão da diversidade acaba por não desempenhar 
este papel. Configura-se então em escola-polícia, escola-tribunal, escola-igreja, são 
desta forma “orientadas por tecnologias sofisticadas de poder centradas na 
disciplina dos corpos e na regulação dos prazeres” (PERES, 2009 p. 239) 
 A inserção de alunos e alunas gays, lésbicas, travestis, transgêneros, dentre 
outras requer uma mudança na organização da escola. Inicialmentea abolição de 
piadas e das manifestações sexistas, a respeito dos sujeitos que fogem os padrões 
proferidos como “normais” (SEFFNER, 2009). 
 Não há possibilidades de educação em um local que não tenha respeito, pois 
as agressões sejam verbais e física é uma arma que expulsa esses indivíduos que 
não se enquadram nos padrões estabelecidos pela sociedade. Em relação á 
diversidade sexual as regras para relacionamento entre homens e mulheres 
precisam ser as mesmas para todos os tipos de casais (SEFFNER, 2009). 
 Ainda de acordo com o pensamento do autor Seffner (2009), uma educação 
de qualidade só pode acontecer quando houver de fato uma atenção para a inclusão 
escolar. E preocupação para inclusão deve ser feita a partir da valorização e do 
respeito pela diversidade sexual, pela diversidade de gênero, pelas mulheres, dentre 
outros. Sem isto não há uma preparação adequada de meninos e meninas para um 
mundo melhor. 
 Então é de caráter urgente incluir nas mesas-redondas, nas palestras e nas 
discussões no que diz respeito ás identidades de gênero e sexuais. Pois é 
necessário que se crie espaços de respeito e harmonia no que se trata de pessoas 
que fazem parte da rede de ensino e socialização. Faz-se importante que a escola 
ofereça um local de escuta e acolhimento e que inclua na diretriz curricular e nas 
propostas pedagógicas a promoção do combate eficaz da LGBTfobia, do machismo 
e dos métodos de estigmatização (PERES, 2009). 
 
39 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 A presente pesquisa sofreu, no decorrer de seu progresso, várias alterações, 
surgiram questionamentos e inquietações até que chegasse a seu término. 
Demandou também ampla dedicação na busca de referencial teórico que 
contemplasse a proposta. No entanto foi um trabalho enriquecedor e incentivador 
tanto de um ponto de vista acadêmico como do pessoal. A construção e o 
desenvolvimento oportunizaram a reflexão das implicações do machismo e dos 
preconceitos na vida de determinados sujeitos, contribuiu para o entendimento dos 
padrões sociais referentes às masculinidades, às feminilidades e às distintas 
manifestações das sexualidades e das relações de gênero. 
 O desenvolvimento do presente estudo possibilitou uma análise sobre as 
diferenças entre sexo, gênero e orientação sexual, sendo que esses conceitos ainda 
são confundidos pela maioria das pessoas. Diante disso foi possível perceber que 
diversos sujeitos não se enquadram nos padrões estabelecidos socialmente e que 
há mais diferenças de sexo e gênero do que possamos imaginar. 
 Durante o texto foi ressaltado as diferenças entre os conceitos onde o sexo é 
definido biologicamente, nascemos machos ou fêmeas, em relação á sexualidade 
essa está ligada às pessoas por quem nos sentimos atraídos. E o gênero está ligado 
á construção social de homens e mulheres. 
 Diante disso, foram discutidas as violências contra LGBT e as violências 
contra a mulher, seja ela a física, psicológica, moral, patrimonial e sexual que está 
no cotidiano de todas as classes sociais e afetam mulheres de qualquer nível 
escolar. A taxa de violência contra essas pessoas é altíssima e o principal 
mecanismo para combater esse fenômeno é a educação. Onde os meninos 
precisam respeitar o corpo da mulher e que todos e todas precisam ser tratados com 
40 
 
equidade. Pois nenhuma pessoa deve ser agredida ou violentada pelo fato de ser 
mulher ou LGBT. 
 Foi exposto a importância da inserção das questões de gênero e sexualidade 
no ensino fundamental, pois, compreende-se que o espaço escolar é um lugar 
privilegiado de troca de conhecimentos onde circulam crianças e adultos, tendo 
assim mais facilidade para se discutir temas tidos como tabus. No entanto, nem 
todas as escolas não aderem as suas discussões dos assuntos relacionados ás 
questões de gênero e sexualidade, não contribuem para que as suas alunas e 
alunos estejam aptos a refletirem de maneira crítica as desigualdades sociais. 
 Entende-se que a escola é um local onde devem ser discutidos diversos 
saberes, privilegiando os conhecimentos científicos. Sendo assim, não se deve 
permitir falácias criadas com o intuito de desvalorizar os estudos de raça, classe e 
gênero, sendo esse último tema sobre o qual me debrucei. 
 Nesse contexto, as psicólogas e psicólogos podem contribuir no que diz 
respeito á criação de políticas públicas que possibilitem uma educação de fato 
inclusiva. A psicologia escolar, dentro do processo de formação de professores pode 
auxiliar nesse exercício, trazendo reflexões a partir de um olhar crítico diante da 
exclusão de questões tão importantes no espaço em que se produz conhecimento, 
onde se produz subjetividades. 
 Por ser um espaço onde o sujeito se constitui esse precisa ser um espaço de 
reflexão, acolhimento e inclusão de crianças e adolescente e a conseqüência disso 
é menos homofobia, menos machismo, menos feminicídio, menos sofrimentos 
psíquicos, dentre outros, isso não é uma regra ou uma exatidão. Mas partindo desse 
pressuposto, é uma possibilidade. 
 Levando em consideração as reflexões anteriores, nota-se que se faz 
necessário falar de gênero e sexualidade nas escolas para que seja possível o 
exercício da cidadania e para o reconhecimento da equidade entre mulheres e 
homens. Pois acredita-se que todos e todas tenham o direito de habitar seus corpos 
como desejam sem o receio da violência e da discriminação. 
Não falar sobre gênero e sexualidade nas escolas é silenciar, é violentar e 
acorrentar os sujeitos que não se encaixam no que é socialmente imposto. Tendo 
em vista que os sujeitos têm diversas maneiras de expressar o seu gênero e a sua 
sexualidade. 
 Abordar esse tema foi satisfatório e enriquecedor, pois foi possível para a 
41 
 
pesquisadora ampliar o seu olhar acerca das questões de gênero e sexualidade, 
perpassando por fatores sociais e políticos, possibilitando uma reflexão sobre como 
o machismo tem imperado e apesar de atualmente se falar mais sobre essas 
questões, as escolas ainda reproduzem discursos que oprimem as pessoas que não 
fazem parte desse padrão tido como ideal. Nesse sentido, entende-se que abordar 
tais temas nos espaços escolares é produzir um sistema educacional inclusivo, que 
não corrobora com desigualdades sociais. 
 Compreende-se então que as discussões apresentadas nos dois capítulos 
representam a vontade de que este trabalho possa de alguma forma colaborar para 
os debates sobre gênero, sexualidade e educação, e para a transformação das 
psicólogas e psicólogos de como contribuir sobre a importância da inserção dessas 
questões no ensino fundamental e da formação de profissionais capacitados para 
lidar com essa temática. 
 Supõe-se que, no decorrer deste trabalho, foram alcançados os três objetivos 
propostos, vale ressaltar que o propósito dessa pesquisa foi discutir sobre as 
questões de gênero e sexualidade com a finalidade de ampliar as possibilidades de 
discussão dessas questões. Diante disso, foi possível constatar que esse é um tema 
recente e que requer uma analise muito mais investigada, além de uma maior 
participação da Psicologia de modo a manejar e facilitar esse processo. 
 Dada à importância do assunto, torna-se necessário o desenvolvimento de 
mais pesquisas sobre a temática e de uma maior participação da Psicologia nesse 
processo, pois há uma escassez de referencias bibliográfica sobre as contribuições 
da Psicologia no processo da inserção das questões de gênero e sexualidade no 
ensino fundamental. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
42 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 REFÊRENCIAS 
 
 
AUTOR DESCONHECIDO, Você já ouviu falar sobre a “Ideologia de Gênero, 2015. 
 
 
ALMEIDA, Kaciane Daniela, LUZ, Nanci Stancki. Ideologia de Gênero no PNE: uma 
discussão a partir de sítios. Universidade Tecnológica Federal do Paraná, 2014. 
 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA. Manifesto pela igualdade de gênero

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