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DIREITO MÉDICO 
 
Módulo: 
BIOÉTICA 
 
TEMA 05 – FIM DE VIDA 
 
Aula 01 
 
Nesta aula trataremos de um tema que costuma gerar curiosidade, que é o 
fim de vida. Muito se fala sobre a autonomia no fim de vida e como cada um de nós 
pode escolher encerrar sua vida e como nosso sistema jurídico enxerga essas 
questões, bem como a bioética atua nesse momento. 
A terminalidade de vida, em que pese seja um passo natural, sempre há 
dificuldade em se falar a respeito, havendo ainda limitações culturais a esse respeito. 
As pessoas não costumam falar sobre isso em seu núcleo familiar, em sobre como 
elas gostariam de terminar sua vida. 
Para iniciar nossa abordagem, vamos falar primeiro sobre o envelhecimento. 
Aqui, já começamos a ter alguns problemas, já que muitas vezes o idoso não é ouvido, 
ainda que possua discernimento. 
No processo anterior à morte (em não havendo doença), muitas vezes não é 
oferecido a pessoa a possibilidade do que ele quer fazer. Porém, diante do seu pouco 
tempo de vida, ele deve escolher o que quer fazer, e não os familiares. 
No entanto, não é raro vermos nas organizações de saúde as conversas a 
esse respeito se darem com terceiros, mesmo que na presença do idoso, como se ele 
não estivesse ali. 
Ainda, há casos em que não se conversa com o idoso sobre seu diagnostico 
ou sobre seu tempo de vida, mas os familiares sabem e não dialogam com a pessoa 
a respeito, retirando-lhe seu direito de viver o restante da vida como ele quer. 
 
Andrielly Von Stein Andrade - 10131182943
 
 
 
 
Nesses casos, há a sensação de que o idoso está sendo preservado. Mas na 
verdade está sendo retirado seu direito de escolher como terminar a vida, o que deve 
ser evitado. Assim, trazê-lo ao centro da decisão e ouvi-lo é fundamental. 
Lembrando que estamos falando de pessoas que possuem discernimento. 
Para os casos em que não há, coloca-se os representantes para tomar as decisões. 
Assim, temos alguns pontos para observar quando se trata do 
envelhecimento: i) evitar doenças e incapacidade, ii) engajar-se ativamente na vida, 
iii) manter funcionalidade física e cognitiva e iv) o paciente deve eleger suas 
prioridades 
 
❖ Questões intrínsecas: autonomia do idoso e finitude humana – “conspiração 
do silêncio” (todos sabem da situação, mas ninguém fala a respeito). 
 
Passada a questão do envelhecimento e falando sobre terminalidade de vida, 
temos alguns aspectos da morte com e sem dignidade. 
Embora o assunto seja muito íntimo e pessoal, relacionado as crenças 
pessoais e questões religiosas do indivíduo, a abordagem do tema será baseado na 
ciência e nos estudos realizados acerca da terminalidade, o que não quer dizer que 
são aspectos absolutos: 
 
▪ Morte com dignidade 
o Apropriação do processo de morte pelo sujeito 
o Organização do fim da vida 
o Término dos assuntos inacabados 
o Despedidas 
o Testamento e testemunhas 
 
Quem trabalha junto a pacientes terminais narra que os pacientes que sabem 
da morte próxima têm muito mais preocupações em decidir suas questões 
burocráticas, como quem ficará seus filhos, se os pais estão bem, se o cenário deixado 
será favorável aos familiares, do que com sua morte propriamente dita. 
 
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❖ Morte Digna: 
▪ Término da vida com respeito a crenças e valores 
▪ Sem dor 
▪ Na presença da família, se o caso, já que alguns núcleos familiares não têm 
um bom relacionamento 
▪ Ambiente aconchegante 
▪ Rituais de despedida 
 
❖ Morte indigna 
▪ Prolongada 
▪ Com dor e sintomas incapacitantes sem cuidado 
▪ Solitária 
▪ Companhia de tubos e monitores 
 
Geralmente, o paciente que fica na UTI para morrer passa por um processo 
dolorido, solitário e angustiante. O que se busca cada vez mais é criar um ambiente 
que a pessoa se sinta minimamente acolhida, facilitando a passagem. Por isso é que 
existe a prática da desospitalização, quando possível, embora também não seja uma 
situação fácil, já que o processo acaba sendo dolorido para todos. 
 
 
 
Aula 02 
 
Já falamos sobre morte digna e indigna. Abrindo um pouco o tema da morte 
digna, durante muito tempo se fala sobre a dignidade humana e nossos conceitos de 
vida, de modo que isso acaba gerando debates: será que buscamos a vida a qualquer 
custo, ou estamos pensando mesmo em vida digna? 
A vida humana prevista no Código de Ética Médica de 88 vem hoje com a 
saúde do ser humano e qualidade de vida. É isso que deve se buscar. 
 
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Ademais, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualidade 
de vida é “a percepção do indivíduo da sua inserção na vida, no contexto da cultura e 
sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, 
padrões e preocupações”. 
 
❖ Princípios constitucionais aplicáveis: 
▪ Dignidade da pessoa humana e proibição da tortura 
▪ Art. 5º, inciso III, CF/88 – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento 
desumano degradante 
 
Veja que não falamos da vida pela vida, mas sim a vida e morte dignas. O 
debate é sempre muito caloroso e peculiar, além ser um dos temas chaves da bioética. 
Assim, um dos pontos importantes é acerca da distanásia, que é o prolongamento do 
processo de morte através de tratamentos. Será que ela traz mesmo qualidade de 
vida? 
Há críticas sobre o procedimento, nas quais se entende que a distanásia, além 
de não melhorar a qualidade de vida, também pode ser considerada uma tortura. 
Assim, cabe a reflexão: é justo fazer com que o paciente passe horas ou dias sem 
qualidade vida, apenas para mantê-lo vivo? 
 
❖ Ortotanásia 
▪ Resolução nº 1.805/2006 do Conselho Federal de Medicina (CFM): Na fase 
terminal de enfermidades graves e incuráveis é permitido ao médico limitar ou 
suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente, 
garantindo-lhe os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao 
sofrimento, na perspectiva de uma assistência geral, respeitada a vontade do 
paciente ou de seu representante legal. 
 
Aqui é importante ter cuidado com a vontade da família. Essa não é a 
vontade o paciente. Esta sim deve ser observada. Caso o idoso não tenha mais 
discernimento, deve-se consultar o representante legal ou, na sua ausência, alguém 
nomeado para tanto (procurador de saúde). 
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A questão da terminalidade precisa ser vista como um trabalho em equipe. 
Cada um, dentro de sua competência, deve levar o tema à família (se for o caso), para 
o paciente e não prolongar a vida da pessoa caso não haja dignidade, sem qualidade. 
Apesar da Resolução do Conselho Federal de Medicina trazer essa previsão 
desde 2006, sua aplicação prática ainda é pouco significativa. Porém, os profissionais 
da área seguem na luta para que chegue um momento em que se parem de fazer 
interferências, para que a pessoa possa morrer no seu tempo. 
 
❖ Cuidados paliativos: Devem iniciar com o diagnóstico e não quando muda o 
prognostico. Eles se intensificam quando o prognóstico sugere o óbito. 
o Premissa: Paciente terminal – todos os homens são mortais 
o Conceito de cuidado paliativo deve se desvincular do conceito de 
terminalidade 
 
Ao contrário da ortotanásia, os cuidados paliativos trazem elementos 
paralelos aos cuidados curativos. Ou seja, quando se tem o diagnóstico, se começa o 
processo de cura junto com o processo paliativo. 
Ao contrário do que se imagina, os cuidados paliativos não devem ser 
iniciados somente quando não há mais possibilidade de cura, mas sim logo no início 
do diagnóstico, já que sua finalidade é trazer conforto ao paciente. 
Sem prejuízo, quando o curativo não fizer mais sentido, deve-se seguir com o 
paliativo. Ou seja, são coisas distintas e paralelas. 
O paciente que tem o cuidado paliativo consegue viver com a doença por anos 
ou minimizando seus efeitos (quando não sepode curar) com qualidade. É isso que 
se procura, mas não acima de qualquer coisa, trazendo sofrimento ao paciente. 
Ademais, importante mencionarmos que o conceito de cuidado paliativo deve 
ser desvinculado do conceito de terminalidade. Na terminalidade também temos os 
cuidados paliativos, mas não só. Os cuidados devem ser utilizados a partir do 
diagnóstico, dando conforto no decorrer do tratamento. 
 
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Acerca do tema, em 2020, o Estado de São Paulo instituiu uma lei de cuidado 
paliativo: 
 
❖ Lei nº 17.292/20 do Estado de São Paulo 
Artigo 1º - Fica instituída a Política Estadual de Cuidados Paliativos 
visando à qualidade de vida e à atenção integral de saúde das pessoas 
com doenças sem possibilidade de cura. 
Parágrafo único - Os cuidados paliativos devem ser iniciados 
precocemente, após diagnosticada doença sem possibilidade de cura, 
objetivando a qualidade de vida do paciente e de seus familiares. 
 
Veja, a lei reforça o que mencionamos acima. O cuidado paliativo não se dá 
na terminalidade. Os profissionais que atuam com isso têm muitos desafios culturais 
da própria organização, família e paciente. Assim, o primeiro obstáculo é mostrar que 
existe o cuidado e que ele não necessariamente está ligado a terminalidade. 
O profissional que lida com o assunto tem um caminho árduo a percorrer, mas 
geralmente o trabalho é bem-feito, através de muita conversa e acolhimento. 
 
 
Aula 03 
 
Dando continuidade aos estudos, o Código de Ética Médica não traz as figuras 
relacionadas a terminalidade de forma nominal. Isso acaba trazendo dificuldade em 
relação a localização dos temas. Desta forma, trazemos um pequeno guia: 
O art. 41 menciona que é vedado ao médico “abreviar a vida do paciente, 
ainda que a pedido deste ou de seu representante legal”. 
Desta forma, o artigo supra menciona a proibição da eutanásia e do 
suicídio assistido, apesar de os termos não existirem na lei. 
Em relação ao paragrafo único do artigo, vejamos: 
 
Parágrafo único. Nos casos de doença incurável e terminal, deve o 
médico oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis sem 
empreender ações diagnósticas ou terapêuticas inúteis ou obstinadas, 
levando sempre em consideração a vontade expressa do paciente ou, 
na sua impossibilidade, a de seu representante legal. 
 
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Já o dispositivo acima traz a hipótese de ortotanásia e proibição da distanásia 
(prolongamento indevido da vida). 
É importante que saiba que isso está no código, apesar de não ter o nome 
que estamos acostumados a encontrar nos artigos científicos. Isso se dá em razão do 
seguinte: na época da construção do código de ética, foi uma técnica retirar a 
nomenclatura, já que ela geraria muito preconceito, mesmo dizendo que não é 
permitido, deixando assim, as pessoas mais confortáveis. 
No mundo, como um todo, o tema demora a avançar, inclusive nos países 
desenvolvidos e que tem possibilidade de realizar os procedimentos de forma segura, 
especialmente em razões culturais e religiosas. 
E no Brasil, será que estamos prontos? Em que pese a autonomia o indivíduo, 
estamos em um país em que não conseguimos observar a autonomia de quase 
ninguém, seja em vida ou na terminalidade. Assim, imagine falar de terminalidade em 
vida? É algo muito além. Além disso, é necessário ter condições para o debate, e 
talvez ainda não estejamos preparados para isso. 
Ora, atualmente sequer consegue-se aplicar paliativos e ortotanásia, 
imaginem falar de suicídio assistido ou eutanásia? Parece-nos uma realidade um 
pouco distante, mas é sempre bom, como em todos os estudos acerca da bioética, 
fazer uma reflexão. 
Em tempo, compete-nos trazer alguns conceitos acerca do tema, para sua 
melhor compreensão: 
 
❖ Eutanásia: provocar diretamente a morte de um ser humano de tal modo que 
esta morte advenha rapidamente e sem sofrimento. 
 
❖ Suicídio assistido: o próprio doente que termina com sua vida. Há a 
colaboração de uma pessoa, geralmente um profissional de saúde, que ajuda 
o doente a pôr termo a sua vida com uma participação indireta, já que o último 
gesto de tomar os fármacos letais tem que ser concretizado pelo próprio 
doente. 
 
❖ Mistanásia: eutanásia social. É a morte miserável, fora e antes do seu tempo. 
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❖ Distanásia: obstinação terapêutica. Prolongamento artificial do processo de 
morte, com sofrimento do doente. 
 
❖ Ortotanásia: morte natural. Suspensão ou minimização de tratamentos 
desproporcionados destinados a prolonga a vida além do que seria natural no 
estado terminal do doente. 
 
Em tempo, indicamos alguns filmes que abordam o tema do fim da vida: 
menina de ouro, a bela que dorme, como eu era antes de você, para sempre Alice, 
fale com ela, a última lição, Hipócrates, a partida, a partida final, a 5 passos de você, 
toda forma de amor. 
Inobstante, estudaremos acerca das diretivas antecipadas de vontade. 
Embora seja admirável entendermos o conceito de eutanásia, distanásia 
Mistanásia, ortotanásia e suicídio assistido, mais importante é saber como lidar, de 
maneira prática, com os instrumentos da terminalidade e da dignidade. 
As Diretivas Antecipadas de Vontade são um gênero no qual se incluem o 
Atestado Vital e o Mandato Duradouro. Ou seja, as diretivas são uma espécie e não 
sinônimos. Além disso, como regra geral, elas não estão ligadas somente à morte. 
No Atestado Vital, a própria pessoa determina o que será feito com ela quando 
não mais puder manifestar sua autonomia. Já no Mandato Duradouro é nomeado um 
procurador para tomar essas decisões. 
Porém, o Conselho Federal de Medicina utiliza o termo Diretivas 
Antecipadas de Vontade como um “conjunto de desejos, prévia e expressamente 
manifestados pelo paciente, sobre cuidados e tratamentos que quer, ou não, receber 
no momento em que estiver incapacitado de expressar, livre e autonomamente, sua 
vontade”. 
As diretivas estão na Resolução nº 1.995/2021 do Conselho Federal de 
Medicina, que assim dispõe: 
 
CONSIDERANDO a atual relevância da questão da autonomia do 
paciente no contexto da relação médico-paciente, bem como sua 
interface com as diretivas antecipadas de vontade; 
 
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CONSIDERANDO que, na prática profissional, os médicos podem 
defrontar-se com esta situação de ordem ética ainda não prevista 
nos atuais dispositivos éticos nacionais; 
 
CONSIDERANDO que os novos recursos tecnológicos permitem a 
adoção de medidas desproporcionais que prolongam o sofrimento do 
paciente em estado terminal, sem trazer benefícios, e que essas 
medidas podem ter sido antecipadamente rejeitadas pelo mesmo; 
 
Veja que o Conselho Federal de Medicina quis falar sobre os pacientes 
terminais quando trouxe as diretivas, que estudaremos de maneira um pouco mais 
aprofundada. 
 
Aula 04 
 
Daremos continuidade aos estudos acerca das Diretivas Antecipadas de 
Vontade. O que temos sobre as diretivas, pensando nelas como documento físico, é 
o Enunciado 37, aprovado na Plenária da I Jornada de Direito da Saúde do Conselho 
Nacional de Justiça em 15 de maio de 2014, São Paulo, que assim dispôs: 
 
“As diretivas ou declarações antecipadas de vontade, que especificam 
tratamentos médicos que o declarante deseja ou não se submeter 
quando incapacitado de expressar-se autonomamente, devem ser 
feitas preferencialmente por escrito, por instrumento particular, com 
duas testemunhas, ou público, sem prejuízo de outras formas 
inequívocas de manifestação admitidas em direito”. 
 
Em relação à forma, não há exigência de nenhuma formalidade para este 
documento (testemunhas, registro em cartório, assistência de um advogado etc.). 
Desta forma, devemos entender que o conteúdo é mais importante que a 
forma. A preocupação deve ser que as pessoas manifestem sua vontade, que tenham 
seusdireitos preservados para que se possa morrer dignamente. 
A diretiva deve ser simples e representar uma vontade inequívoca. Se a 
pessoa estiver acamada e não tiver condições de ir a um cartório, ela pode determinar 
sua diretiva verbalmente. 
 
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Feita a diretiva, o documento deve ficar sob posse de pessoas de confiança. 
É até mais importante a escolha das pessoas que ficarão com documento do que sua 
forma, pois como já vimos, ela não é exigida. 
A título de conhecimento, há países em que existe um banco público para 
registro das diretivas, mas aqui no Brasil ainda não chegamos a essa evolução. 
 
❖ O que pode ser colocado em uma diretiva Antecipadas de Vontade? 
 
▪ Valores e desejos – obstar o prolongamento da vida sem benefício quanto á 
qualidade ou que faça tudo para que se seja mantido vivo 
 
▪ Decisões sobre o fim da vida – procedimentos e/ou medicamentos os quais 
não deseja que sejam utilizados. Exemplos: 
o Ressuscitação 
o Respiração artificial 
o Intubação 
o Traqueostomia 
o Hemodiálise 
o Quimioterapia 
o Radioterapia 
 
▪ Outras disposições 
 
▪ Informações para a equipe de saúde 
 
O médico pode ser consultado na confecção e ela pode ser modificada e 
revogada a qualquer tempo, não se exigindo, do mesmo modo, qualquer forma 
específica. 
Sem prejuízo, vejamos um caso real que aconteceu nos Estados Unidos: Um 
homem de 70 anos foi levado inconsciente a um hospital de emergência da 
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Universidade de Miami após o consumo excessivo de álcool, o que fez com que os 
médicos vivessem um dilema ético inédito. 
No peito do paciente havia uma tatuagem escrito “do not resuscitate” (não 
reanimar)., com o ‘not’ sublinhado para enfatizar. A pulsação do paciente caiu para 
níveis preocupantes e os médicos, chefiados por Greg Holt, decidiram ignorar a 
mensagem e tentar salvá-lo, inicialmente. 
Entretanto, após consultar especialistas em ética, os médicos da emergência 
resolveram acatar a mensagem na tatuagem do paciente, que havia sido 
encontrado em uma rua de Miami. 
O que fazer em uma situação como essa? Há quem defenda que aquela 
manifestação de vontade devia ser acatada, e outros defendem que aquela forma não 
seria legítima. Cabe reflexão. 
No livro de Ana Cláudia Quintada Arantes, ‘Histórias lindas de morrer’, ela traz 
o estudo de um grupo britânico sobre envelhecimento, identificado 12 (doze) 
características da boa morte: 
 
1. Saber quando a morte está próxima e compreender o que é possível ocorrer 
durante o processo 
2. Ser capaz de ter controle sobre o que o que ocorre 
3. Ter dignidade e privacidade garantidas 
4. Ter controle sobre o alívio da dor e sobre outros sintomas 
5. Ter controle e poder escolher onde morrer (em casa ou em qualquer outro 
lugar) 
6. Ter acesso à informação e à expertise necessárias 
7. Ter acesso a qualquer suporte espiritual ou emocional necessário 
8. Ter acesso aos cuidados paliativos em qualquer lugar, não somente em 
hospitais 
9. Ter controle sobre quem estará presente e com quem compartilhará o fim da 
vida 
10. Ser capaz de encaminhar diretivas antecipadas que assegurem que seus 
desejos serão respeitados 
11. Ter tempo para dizer adeus e controle sobre outros aspectos do tempo 
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12. Ser capaz de partir quando for o tempo e não ter a vida prolongada inutilmente 
 
Por fim, indicamos três filmes que falam sobre diretivas: Um momento pode 
mudar tudo, A partida final e Extremis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Bibliografia 
 
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução nº 1.805/2006. Publicada 
no D.O.U em 28 de novembro de 2006, Seção I, pg. 169. Disponível em 
https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2006/1805. Acesso em 
23/08/2022. 
 
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução 1995/2012. Dispõe sobre 
as diretivas antecipadas de vontade dos pacientes. Publicada no D.O.U em 
31/08/2021. Disponível em https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=244750. 
Acesso em 23/08/2022. 
 
SÃO PAULO. Lei nº 17.292/2020. Institui a Política Estadual de Cuidados 
Paliativos e dá outras providências. Publicada no D.O.E em 14/10/2020, p. 1. 
Disponível em https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/2020/lei-17292-
13.10.2020.html. Acesso em 23/08/2022. 
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