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SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONALSISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL
Prof. Especialista: Matheus Nascimento
Mestrando em Ciências da Sociedade-UFOPA
Servidor Público Federal e Advogado
Ex-assessor de Procurador da República - MPF/RS
2
Introdução
Para obter receitas originárias, o Estado se despe das tradicionais vantagens 
que o regime jurídico de direito público lhe proporciona e, de maneira 
semelhante a um particular, obtém receitas patrimoniais ou empresariais. A 
título de exemplo, cite-se um contrato de aluguel em que o locatário é um 
particular e o locador é o Estado. O particular somente se obriga a pagar o 
aluguel porque manifesta sua vontade ao assinar o contrato, não havendo 
manifestação de qualquer parcela do poder de império estatal.
Na obtenção de receitas derivadas, o Estado, agindo como tal, utiliza-se das 
suas prerrogativas de direito público, edita uma lei obrigando o particular que 
pratique determinados atos ou se ponha em certas situações a entregar 
valores aos cofres públicos, independentemente de sua vontade. Como 
exemplo, aquele que auferiu rendimento será devedor do imposto sobre a 
renda e proventos de qualquer natureza (imposto de renda) 
independentemente de qualquer manifestação volitiva.
3
O Estado tributa para conseguir carrear recursos para os cofres públicos, 
possibilitando o desempenho de sua atividade financeira, tudo em busca do seu 
desígnio maior: o bem comum. 
Fiscal, Extrafiscal e Parafiscal.
4
O tributo é classificado como fiscal quando a sua função preponderante é a arrecadação de 
valores para compensar as despesas públicas. Alguns exemplos de tributos fiscais são: IR (Imposto 
de Renda) ISS (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ICMS (Imposto sobre Circulação de 
Mercadorias e Serviços).
Tributo Extrafiscal Recebem o nome de tributos extrafiscais aqueles que possuem finalidades que 
ultrapassam o caráter meramente arrecadatório da tributação. Ou seja, além de destinarem ao 
custeamento de despesas públicas (função arrecadatória), os tributos extrafiscais se propõem a 
atuar no comportamento da sociedade, incentivando ou desestimulando práticas. Os tributos 
extrafiscais são orientados por interesses políticos, econômicos, sociais ou ambientais. Confira 
alguns exemplos: IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) IOF (Imposto sobre Operações 
Financeiras) IE (Imposto sobre Exportação). A Dinamarca, por exemplo, reduziu a tributação sobre 
energias renováveis, uma forma de incentivar comportamentos que reduzem a poluição do ambiente 
com a queda na arrecadação fiscal. 
Os tributos parafiscais têm por objetivo arrecadar para entidades que atuam paralelamente ao 
Estado. Esses tributos (contribuições especiais) podem estar presentes em atividades prestadas 
por instituições privadas como SESC e SENAI. Um exemplo de tributo parafiscal é a contribuição 
sindical, que é direcionada à manutenção do sistema sindical. No mesmo sentido são as 
contribuições previdenciárias que custeiam a seguridade. social.
FISCALIDADE, EXTRAFISCALIDADE E PARAFISCALIDADE
5
“Art. 3.º Tributo é toda prestação pecuniária 
compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa 
exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, 
instituída em lei e cobrada mediante atividade 
administrativa plenamente vinculada”.
Tributo
Apesar de ambos serem 
receitas derivadas, a multa é, 
por definição, justamente o 
que o tributo, também por 
definição, está proibido de 
ser: a sanção, a penalidade 
por um ato ilícito.
6
Espécies
Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os 
seguintes tributos:
I - impostos;
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou 
potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou 
postos a sua disposição;
III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.
Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria.
7
Classificação: Vinculado ou Não Vinculado.
● Para classificar um tributo qualquer quanto ao fato gerador, 
deve-se perguntar se o Estado tem de realizar, para validar a 
cobrança, alguma atividade específica relativa ao sujeito passivo 
(devedor). 
● Se a resposta for negativa, trata-se de um tributo não vinculado; 
se for positiva, o tributo é vinculado (pois sua cobrança se 
vincula a uma atividade estatal especificamente voltada ao 
contribuinte).
● O CTN, em seu art. 16, define imposto como sendo o tributo cuja 
obrigação tem por fato gerador uma situação independente de 
qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte.
8
Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios poderão instituir os seguintes tributos:
I - impostos;
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia 
ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços 
públicos específicos e divisíveis, prestados ao 
contribuinte ou postos a sua disposição;
III - contribuição de melhoria, decorrente de obras 
públicas.
9
● Os impostos são, por definição, tributos não vinculados que 
incidem sobre manifestações de riqueza do sujeito passivo 
(devedor). Justamente por isso, o imposto se sustenta sobre a 
ideia da solidariedade social.
● As taxas e contribuições de melhoria têm caráter retributivo 
(contraprestacional) e os impostos, caráter contributivo.
● Obs: SUV 41 - O serviço de iluminação pública não pode ser 
remunerado mediante taxa.
● SUV 19 - A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços 
públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou 
resíduos provenientes de imóveis não viola o artigo 145, II, da 
Constituição Federal.
10
Os impostos e o princípio da capacidade 
contributiva
§ 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão 
graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, 
facultado à administração tributária, especialmente para conferir 
efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos 
individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as 
atividades econômicas do contribuinte.
● § 2º As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos.
● Obs: STF – Súmula Vinculante 29 – “É constitucional a adoção no 
cálculo do valor de taxa de um ou mais elementos da base de 
cálculo própria de determinado imposto, desde que não haja 
integral identidade entre uma base e outra”.
● Taxa vs TARIFA
11
Art. 146. Cabe à lei complementar:
I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios;
II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar;
III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:
a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta 
Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes;
b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;
c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas.
d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de 
pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, 
das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
Parágrafo único. A lei complementar de que trata o inciso III, d, também poderá instituir um regime 
único de arrecadação dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, observado que: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
12
I - será opcional para o contribuinte; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 
19.12.2003)
II - poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado; 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)III - o recolhimento será unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos 
pertencentes aos respectivos entes federados será imediata, vedada qualquer retenção ou 
condicionamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
IV - a arrecadação, a fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhadas pelos entes 
federados, adotado cadastro nacional único de contribuintes. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
 Art. 146-A. Lei complementar poderá estabelecer critérios especiais de tributação, com o 
objetivo de prevenir desequilíbrios da concorrência, sem prejuízo da competência de a 
União, por lei, estabelecer normas de igual objetivo. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
 Art. 147. Competem à União, em Território Federal, os impostos estaduais e, se o Território 
não for dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos municipais; ao Distrito 
Federal cabem os impostos municipais.
13
Empréstimos compulsórios
● Previsto no art. 148 da CF/88, os empréstimos compulsórios são empréstimos 
forçados, coativos, porém restituíveis. A obrigação de pagá-los não nasce de um 
contrato, de uma manifestação livre das partes, mas sim de determinação legal. 
Verificada a ocorrência do fato gerador, surge a obrigação de “emprestar” dinheiro 
ao Estado.
Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos 
compulsórios:
I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de 
guerra externa ou sua iminência;
II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse 
nacional, observado o disposto no art. 150, III, "b".
Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório 
será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição.
Obs: Art. 15 CTN - Parágrafo único. A lei fixará obrigatoriamente o prazo do empréstimo 
e as condições de seu resgate, observando, no que for aplicável, o disposto nesta Lei.
14
Contribuições especiais
Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção 
no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como 
instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, 
e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6.º, relativamente às contribuições a 
que alude o dispositivo. 
§ 1º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, por meio de lei, 
contribuições para custeio de regime próprio de previdência social, cobradas dos 
servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas, que poderão ter alíquotas 
progressivas de acordo com o valor da base de contribuição ou dos proventos de 
aposentadoria e de pensões.
● Percebe-se que o legislador constituinte previu a possibilidade de a União instituir três 
espécies de contribuições, quais sejam: 
● a) as contribuições sociais; 
● b) as contribuições de intervenção no domínio econômico (CIDE); e
● c) as contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas (corporativas).
15
● A maior parte das Contribuições Sociais é exigida das empresas, que 
repassam esse custo no preço final do produto vendido ou do serviço 
prestado. Como exemplo temos a COFINS e a Contribuição ao PIS, que 
incidem sobre o faturamento das empresas, a CSLL (Contribuição Social 
sobre o Lucro Líquido), que incide sobre o lucro das empresas, a 
Contribuição Previdenciária, que incide sobre a folha de salários, a 
Contribuição sobre a receita de concursos prognósticos (loteria), o 
Salário Educação, que também incide sobre a folha de salários, dentre 
outras.
● Também conhecidas como Contribuições Corporativas, se destinam à 
promoção dos interesses de determinada entidade de classe. Os 
exemplos mais comuns dessa subespécie tributária são as anuidades dos 
Conselhos de classe, como CRM, CRO, CRC, CRN, etc. e o imposto sindical 
(que não é Imposto, mas Contribuição).
16
Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão 
instituir contribuição, na forma das respectivas leis, 
para o custeio do serviço de iluminação pública, 
observado o disposto no art. 150, I e III. 
Parágrafo único. É facultada a cobrança da 
contribuição a que se refere o caput, na fatura de 
consumo de energia elétrica.
17
18
Limitações ao poder de tributar
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é 
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
A Carta Magna estatui as principais limitações ao exercício da competência 
tributária, mas não necessariamente todas. Isto é percebido pela simples 
leitura do art. 150 da CF. O dispositivo inaugura a Seção denominada “Das 
limitações do poder de tributar”, deixando claro que as garantias que estatui 
existem “sem prejuízo de outras (…) asseguradas ao contribuinte”. 
art. 5.º, inciso, XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do 
pagamento de taxas: 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra 
ilegalidade ou abuso de poder; 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e 
esclarecimento de situações de interesse pessoal;
19
As limitações que constituem garantias 
individuais do contribuinte
● Boa parte das limitações constitucionais ao poder de tributar está protegida contra 
mudanças que lhe diminuam o alcance ou a amplitude, por configurarem verdadeiras 
garantias individuais do contribuinte. 
● Relembre-se, todavia, que a norma constitucional que define as “cláusulas pétreas” 
(CF, art. 60, § 4.º) não proíbe quaisquer Emendas sobre aquelas matérias, vedando 
apenas as mudanças tendentes a abolir o que ali está enumerado. Nessa linha, é 
correto afirmar que é possível a realização de emendas que ampliem ou melhorem a 
proteção que a Constituição Federal atribuiu ao contribuinte; o que não é possível é a 
supressão ou diminuição das garantias. 
● Nessa linha, quando a Emenda Constitucional 3/1993 tentou autorizar a criação do 
Imposto Provisório sobre a Movimentação Financeira (que deu origem à CPMF, hoje 
extinta), excluindo-o da regra que impõe que a cobrança só pode ser feita no exercício 
financeiro seguinte ao da publicação da lei instituidora (princípio da anterioridade – 
CF, art. 150, III, b), o Supremo Tribunal Federal entendeu que a Emenda era 
inconstitucional por tender a suprimir garantia individual do contribuinte (STF, 
Tribunal Pleno, ADI 939-2/DF, Rel. Min. Sydney Sanches, j. 15.12.1993, DJ 18.03.1994, 
p. 5.165). O Tribunal não acatou o argumento de que a Emenda seria constitucional 
por apenas criar
20
● Diferente é a situação em que há um reforço à garantia. 
● A título de exemplo, a Emenda Constitucional 42/2003 estendeu 
genericamente aos tributos (como regra que comporta exceções) a 
exigência de um prazo mínimo de 90 dias entre data da publicação 
da lei que instituísse ou majorasse uma contribuição social para a 
seguridade social e a data de sua efetiva cobrança. Não houve 
qualquer inconstitucionalidade, pois se estava ampliando uma 
garantia do contribuinte. 
● Em suma, as Emendas Constitucionais que ampliarem garantias 
individuais do contribuinte são válidas; já aquelas que diminuírem, 
criarem exceções ou de qualquer forma enfraquecerem tais 
garantias são inconstitucionais por tenderem a aboli-las.
21
Princípio da Legalidade
● A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5.º, II, estabeleceu que 
“ninguém será obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa 
senão em virtude de lei”. 
● Como o tributo é uma prestação pecuniária compulsória, obrigando 
ao pagamento independentemente da vontade do sujeito passivo, o 
dispositivo constitucional transcrito bastaria para que a criação ou 
aumento de tributo estivesse sob os domínios do princípio da 
legalidade. 
● Todavia, referindo-se especificamente à matéria tributária, o art. 150, 
I, da Magna Carta proíbe os entes federados de “exigir ouaumentar 
tributo sem lei que o estabeleça”. Além disso, recorde-se que o 
tributo, por definição legal (CTN, art. 3.º), é prestação “instituída em 
lei”.
22
● A palavra “exigir”, constante do transcrito art. 150, I, da CF, possui o sentido de cobrar o tributo. 
Como a cobrança depende, por óbvio, da prévia instituição da exação, o dispositivo acaba por 
impor que o tributo só pode ser criado por lei, seja ordinária, casos em que pode haver a 
utilização de Medida Provisória, ou complementar (somente no caso de Empréstimos 
Compulsórios, do Imposto sobre Grandes Fortunas – IGF, e dos Impostos ou Contribuições 
Residuais – conforme os arts. 148; 153, VII; 154, I e 195, § 4.º, todos da CF).
● Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios
● Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: VII - grandes fortunas, nos termos de lei 
complementar.
● Art. 154. A União poderá instituir: I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo 
anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo 
próprios dos discriminados nesta Constituição;
● § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da 
seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I.
● Extinção; Majoração; Redução.
● Art. 62. § 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os 
previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se 
houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.
23
Art. 97 do Código Tributário Nacional, conforme enumeração abaixo:
Art. 97 Somente a lei pode estabelecer:
I – a instituição de tributos, ou a sua extinção;
II – a majoração de tributos, ou sua redução;
III – a definição do fato gerador da obrigação tributária principal e do seu 
sujeito passivo;
IV – a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo;
V – a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a 
seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;
VI – as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, 
ou de dispensa ou redução de penalidades.
24
Exceções ao princípio
● De fundamental importância é conhecer as matérias que não estão sujeitas ao 
princípio da legalidade, podendo ser disciplinadas por meio de ato infralegal 
(decreto presidencial, por exemplo). 
● O Supremo Tribunal Federal entende que o art. 97 do Código Tributário 
Nacional foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 e, interpretando o 
dispositivo a contrario sensu, conclui que as matérias ali não constantes não 
estão abrangidas pelo princípio da legalidade. 
● Os casos mais relevantes são a atualização do valor monetário da base de 
cálculo do tributo (expressamente ressalvada pelo § 2.º do mesmo art. 97) e a 
fixação do prazo para recolhimento (jurisprudência do Supremo Tribunal 
Federal – RE 172.394/SP, RE 195.218/MG).
● Atualização vs Aumento: Base de cálculo do IPTU
● STJ – Súmula 160 – “É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante decreto, 
em percentual superior ao índice oficial de correção monetária”. 
25
● Apesar de o princípio da legalidade não possuir exceções quanto à criação de 
tributos, contempla-as, todavia, para sua majoração. 
● No texto originário da Constituição Federal 1988 eram previstas apenas quatro 
exceções, quais sejam a possibilidade de alteração, dentro dos limites legais, das 
alíquotas dos impostos de importação (II), de exportação (IE), sobre produtos 
industrializados (IPI) e sobre operações financeiras (IOF).
● A Constituição prevê que as alterações são de competência do Poder Executivo, mas 
não estipula qual espécie de ato normativo deste Poder concretizará a alteração. A 
maioria da doutrina entende que o ato pode ser um Decreto Presidencial.
● Na prática, as alíquotas dos tributos aduaneiros (II e IE) têm sido alteradas por 
Resolução da Câmara de Comércio Exterior – CAMEX, enquanto o IPI e o IOF têm suas 
alíquotas alteradas diretamente por decreto. Em ambos os casos, a alteração tem 
sido feita por ato do Poder Executivo, não havendo desobediência ao texto 
constitucional, conforme já decidido pelo STF (Pleno, RE 570680/RS, Rel. Min. 
Ricardo Lewandowski, j. 28.10.2009, DJ 04.12.2009, p. 1.024).
26
PRINCÍPIO DA ISONOMIA
● O legislador constituinte, seguindo a lição, estipulou, no art. 150, II, da 
CF/1988, que é vedado aos entes federados “instituir tratamento 
desigual entre contribuintes que se encontrem em situação 
equivalente (…)”. Tratou da isonomia no seu sentido horizontal, pois 
exigiu que se dispensasse tratamento igual aos que estão em situação 
equivalente, mas deixou implícita a necessidade de tratamento 
desigual aos que se encontram em situações relevantemente distintas.
● Como consequência e a título de exemplo, haveria 
inconstitucionalidade (por omissão) se a lei do imposto de renda não 
previsse as chamadas deduções da base de cálculo do imposto (saúde, 
educação, dependentes), pois a inexistência das deduções redundaria 
num tratamento idêntico dispensado a pessoas em situações 
claramente distintas.
27
O PRINCÍPIO DA NÃO SURPRESA
● Art. 150, III - cobrar tributos: 
● a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver 
instituído ou aumentado; 
● b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; 
● c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou 
aumentou, observado o disposto na alínea b;
● Apesar de ser difícil entender como algo pode ser aplicado “imediatamente” a fatos futuros, os 
objetivos do legislador são bastante claros, quais sejam: a) impedir a tributação de fatos que, no 
momento da sua ocorrência, não estavam sujeitos à incidência tributária; e b) garantir que a 
tributação já verificada é definitiva, não podendo ser objeto de majoração por legislação 
posterior.
● STF – Súmula 584 – “ Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano base aplica-se 
a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração”.
● No âmbito do STJ, há precedentes expressamente afirmando a inaplicabilidade da Súmula 584 do 
STF sob o entendimento de que ela foi “construída à luz de legislação anterior ao CTN”(REsp 
179.966/RS).
● Irretroatividade, anterioridade e noventena.
28
● Em matéria tributária, o princípio ganha colorido especial, pois, para o contribuinte, não 
basta a segurança com relação aos fatos passados (irretroatividade da lei), também se faz 
necessário um mínimo de previsibilidade quanto ao futuro próximo.
● Nesse ponto aparece o Direito impondo ao Estado que dê um prazo razoável para que o 
contribuinte se utilize das soluções que a Economia oferece e reorganize seu orçamento. 
Inicialmente, além da garantia de que não se cobra tributo em relação a fatos geradores 
ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado 
(irretroatividade – CF, art. 150, III, a), o legislador constituinte apenas impediu a cobrança 
no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que instituiu ou aumentou 
a exação (anterioridade – CF, art. 150, III, b).
● Tendo em vista o reconhecimento da fragilidade do princípio da anterioridade como regra 
assecuratória do princípio da não surpresa, num raro caso de Emenda Constitucional que, 
ao menos em parte, beneficia o contribuinte, a EC 42/2003 estendeu como regra para os 
tributos em geral o princípio da noventena, que até então só era aplicável às contribuições 
para financiamento da seguridade social por força do art. 195, § 6.º, da CF/1988. Assim, foi 
incluída no art. 150, III, uma alínea c afirmando que é vedado cobrar tributos “antes de 
decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou 
aumentou”, observando-se ainda a alínea b (anterioridade).
29
PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO
●O princípio da vedação ao efeito confiscatório também poderia ser 
denominado de princípio da razoabilidade ou proporcionalidade da 
carga tributária. A ideia subjacente é que o legislador, ao se utilizar do 
poder de tributar que a Constituição lhe confere, deve fazê-lo de forma 
razoável e moderada, sem que a tributação tenha por efeito impedir o 
exercício de atividades lícitas pelo contribuinte, dificultar o suprimento 
de suas necessidades vitais básicas ou comprometer seu direito a uma 
existência digna.
● A rigor, apesar de a terminologia “não confisco” ter-se consagrado pelo 
uso, o que o art. 150, IV, da Constituição quer proibir é a utilização do 
tributo “com efeito de confisco ”.
● Em termos menos congestionados, tributo confiscatório seria um 
tributo que servisse como punição.
30
PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE TRÁFEGO
● O inciso V do art. 150 da CF proíbe os entes federados de “estabelecer 
limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos 
interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio 
pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público”. O objetivo do 
legislador constituinte foi evitar que os entes políticos criassem 
tributos (normalmente taxas) incidentes sobre a passagem de pessoas 
e bens em seus territórios. 
● A situação era relativamente comum no passado; os tributos eram 
criados com finalidade arrecadatória, mas acabavam por constituir 
restrições ao direito que possuem as pessoas de se locomover 
livremente no território nacional de posse dos seus bens (hoje previsto 
no art. 5.º, XV, da CF/1988). A regra possui exceções. A primeira é a 
possibilidade de cobrança do ICMS interestadual.
31
Imunidade
● Art. 150. VI
VI - instituir impostos sobre: 
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
● A imunidade tributária recíproca é a regra constitucional que, em prestígio do pacto 
federativo, impede que a União, os estados, os municípios e o Distrito Federal instituam 
impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros
b) templos de qualquer culto;
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das 
entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, 
sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou 
literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros 
bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de 
replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. (Incluída pela Emenda 
Constitucional nº 75, de 15.10.2013)
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VEDAÇÕES ESPECÍFICAS À UNIÃO – A PROTEÇÃO AO PACTO 
FEDERATIVO
● A Constituição Federal de 1988 traz, em seu art. 151, três vedações voltadas especificamente à 
União. O claro objetivo do dispositivo é proteger o pacto federativo, impedindo ao ente que 
tributa em todo o território nacional a utilização deste poder como meio de submeter os entes 
menores à sua vontade, tolhendo-lhes a autonomia. São regras protegidas por cláusula pétrea, 
em virtude de se configurarem como verdadeiras garantias da Federação (CF, art. 60, § 4.º, I).
● Não pode a União, portanto, estipular diferentes alíquotas do imposto sobre a renda, nos 
distintos Estados da federação. Caso a alíquota fosse menor, a título de exemplo, no Estado de 
São Paulo, os demais Estados estariam sendo ilegitimamente diferenciados, o que poria em 
risco a federação. O mesmo dispositivo que prevê a regra traz também a exceção, ao permitir a 
diferenciação com a finalidade extrafiscal de diminuir as diferenças de desenvolvimento 
socioeconômico entre as diferentes regiões do País.
● Segundo o art. 151, II, da CF/1988, é vedado à União “tributar a renda das obrigações da dívida 
pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os 
proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas 
obrigações e para seus agentes”. A restrição, aplicável exclusivamente ao imposto sobre a 
renda, visa evitar que a União utilize o tributo como um meio de concorrer deslealmente no 
“mercado” de títulos da dívida pública e na seleção de servidores públicos.
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● Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios 
estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer 
natureza, em razão de sua procedência ou destino.
● O Acordo Geral Sobre Tarifas e Comércio – GATT, tratado internacional 
multilateral do qual o Brasil faz parte, prevê a equivalência de tratamento 
entre o produto importado, quando este ingressa no território nacional, e 
o produto similar nacional (é a famosa regra do tratamento nacional). 
Assim, a isenção concedida por lei ao produto nacional deve ser 
interpretada como aplicável a todos os casos de mercadorias estrangeiras 
(salvo os expressamente ressalvados), em virtude da extensão da isenção 
pelo tratado citado internacional. A regra tem também fundamento 
constitucional, visto que o art. 152 da CF veda aos entes federados 
estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer 
natureza, em razão de sua procedência ou destino.
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