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<p>Indaial – 2020</p><p>Práticas de</p><p>instalações</p><p>Hidrossanitárias</p><p>Prof. João Marcos Bosi Mendonça de Moura</p><p>1a Edição</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2020</p><p>Elaboração:</p><p>Prof. João Marcos Bosi Mendonça de Moura</p><p>Revisão, Diagramação e Produção:</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri</p><p>UNIASSELVI – Indaial.</p><p>Impresso por:</p><p>M929p</p><p>Moura, João Marcos Bosi Mendonça de</p><p>Práticas de instalações hidrossanitárias. / João Marcos Bosi Mendonça</p><p>de Moura. – Indaial: UNIASSELVI, 2020.</p><p>191 p.; il.</p><p>ISBN 978-65-5663-156-1</p><p>ISBN Digital 978-65-5663-152-3</p><p>1. Instalações hidrossanitárias. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo</p><p>da Vinci.</p><p>CDD 620</p><p>aPresentação</p><p>Caro acadêmico! Seja muito bem-vindo ao livro da disciplina Práticas</p><p>de Instalações Hidrossanitárias. Buscaremos aqui construir conhecimentos</p><p>teóricos e práticos sobre instalações prediais de água fria, esgoto e preventivo</p><p>de incêndio, com ênfase em construções residenciais. É com muita alegria</p><p>que apresento a você atividades que possam contribuir para uma formação</p><p>profissional comprometida com a qualidade e a sustentabilidade dos projetos</p><p>de engenharia. Trilharemos este percurso por meio de três Unidades, levando</p><p>sempre em conta a importância que as instalações hidrossanitárias possuem</p><p>para a segurança e o conforto dos usuários da edificação.</p><p>Na Unidade 1, apresentaremos os fundamentos para concepção e</p><p>projeto de instalações hidráulicas de água fria. Trabalharemos as práticas</p><p>voltadas ao conhecimento de seus elementos (Tópico 1), lembrando e</p><p>relembrando algumas informações básicas para a elaboração de projetos.</p><p>Estudaremos também os sistemas de reservação e bombeamento (Tópico 2),</p><p>tendo em vista a importância que possuem para o fornecimento de água</p><p>com adequada vazão e pressão. Veremos também como dimensionar as</p><p>mais diversas tubulações de uma instalação de água fria (Tópico 3) e, ao</p><p>final, esperamos que você tenha condição de avaliar e conceber um projeto</p><p>(Tópico 4).</p><p>As mais importantes práticas voltadas às instalações prediais</p><p>de esgoto sanitário serão estudadas na Unidade 2. No primeiro tópico,</p><p>refletiremos alguns aspectos teóricos e práticos gerais e, no segundo tópico,</p><p>aprenderemos como funciona o dimensionamento de cada um dos elementos</p><p>da instalação. No Tópico 3, você terá a oportunidade de dimensionar sistemas</p><p>de tratamento individual de esgoto, algo fundamental para lotes sem acessos</p><p>a um sistema público de coleta e tratamento. Por fim, refletiremos no Tópico</p><p>4 alguns aspectos normativos importantes e também um projeto predial de</p><p>esgoto sanitário.</p><p>Na última e terceira Unidade, você será apresentado às principais</p><p>diretrizes para concepção e projeto de sistemas de combate e prevenção ao</p><p>incêndio. O panorama legal e normativo brasileiro sobre esse tema é amplo,</p><p>uma vez que o Corpo de Bombeiros de cada unidade/estado da federação</p><p>exerce o poder de regulação local. No Tópico 1, serão apresentados algumas</p><p>diretrizes fundamentais e adaptadas ao seu contexto de atuação profissional.</p><p>Afinal de contas, quais são os fatores responsáveis pelos incêndios? Eles podem</p><p>ser evitados? Refletiremos algumas dessas perguntas para além do senso</p><p>comum. Na sequência, abordaremos práticas voltadas aos sistemas hidráulicos</p><p>(Tópico 2) e de bombas (Tópico 3) de combate ao incêndio, questões muito</p><p>importantes para a segurança de uma edificação. Alguns conteúdos vistos na</p><p>Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para</p><p>você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novi-</p><p>dades em nosso material.</p><p>Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é</p><p>o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um</p><p>formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.</p><p>O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagra-</p><p>mação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui</p><p>para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.</p><p>Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,</p><p>apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilida-</p><p>de de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.</p><p>Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para</p><p>apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assun-</p><p>to em questão.</p><p>Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas</p><p>institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa</p><p>continuar seus estudos com um material de qualidade.</p><p>Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de</p><p>Desempenho de Estudantes – ENADE.</p><p>Bons estudos!</p><p>NOTA</p><p>Unidade 1 serão úteis nesta etapa. Por fim, encerraremos a Unidade 3 com a</p><p>análise de práticas voltadas ao desenvolvimento de projetos e à inspeção de</p><p>sistema de prevenção e combate ao incêndio (Tópico 4).</p><p>Em resumo, caro acadêmico, esperamos que este livro lhe proporcione</p><p>uma ótima oportunidade de crescimento profissional. Aproveite as práticas</p><p>elaboradas com especial cuidado para alunos e alunas que optaram por essa</p><p>fascinante e gratificante atividade: a Engenharia!</p><p>Uma ótima leitura e bons estudos!</p><p>Prof. Dr. João Marcos Bosi Mendonça de Moura.</p><p>Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela</p><p>um novo conhecimento.</p><p>Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro</p><p>que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você</p><p>terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complemen-</p><p>tares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.</p><p>Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.</p><p>Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!</p><p>LEMBRETE</p><p>sumário</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA .............................................. 1</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA: ASPECTOS GERAIS ...................................... 3</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3</p><p>2 SISTEMA DE ABASTECIMENTO E DISTRIBUIÇÃO ............................................................... 6</p><p>3 CONSUMO DE ÁGUA E NÚMERO DE APARELHOS: DIRETRIZES PRÁTICAS .............. 7</p><p>4 DIMENSIONAMENTO DE ALIMENTADOR ........................................................................... 10</p><p>5 PRÁTICA – PARÂMETROS BÁSICOS DE EMPREENDIMENTOS ...................................... 12</p><p>6 PRÁTICA – CONSUMO DE ÁGUA .............................................................................................. 14</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 16</p><p>AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 17</p><p>TÓPICO 2 — RESERVATÓRIOS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO:</p><p>DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÕES ................................................................................... 19</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 19</p><p>2 DIMENSIONAMENTO DE RESERVATÓRIO ........................................................................... 21</p><p>2.1 RESERVATÓRIO INFERIOR ....................................................................................................... 22</p><p>2.2 RESERVATÓRIO SUPERIOR ...................................................................................................... 23</p><p>( ) Durante a limpeza dos reservatórios moldados in loco, há o risco</p><p>de danificação do sistema de impermeabilização, por isso, somente</p><p>profissionais habilitados devem realizar este serviço.</p><p>( ) A torneira de boia é dispensável em um reservatório pequeno.</p><p>( ) A reserva técnica de incêndio deverá ser concebida a critério somente do/a</p><p>projetista.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – V – F – F.</p><p>b) ( ) F – V – F – F.</p><p>c) ( ) F – F – V – F.</p><p>d) ( ) V – F – F – V.</p><p>2 Determine os diâmetros da tubulação de recalque e sucção, bem como a</p><p>potência da bomba (CV) para uma edificação com 11 andares. Os dados do</p><p>problema e a instalação encontram-se a seguir</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>Total de dormitórios na edificação 150</p><p>Consumo unitário diário (per capita) 200 litros</p><p>Altura estática da sucção 200 cm</p><p>Comprimento da tubulação de sucção 300 cm</p><p>Altura estática de recalque 40,0 m</p><p>Comprimento da tubulação de recalque 61,0 m</p><p>Toda a tubulação é de aço galvanizado, inclusive conexões. Sendo assim</p><p>determine:</p><p>a) os diâmetros de sucção e recalque;</p><p>b) a altura manométrica total (Hman). Sugestão de roteiro de cálculo:</p><p>- Calcule a altura de sucção e recalque (Hs e Hr).</p><p>- Calcule ∑hs por meio do comprimento real e do comprimento virtual da</p><p>tubulação de sucção. Determine nesta condição a perda de carga unitária</p><p>(J).</p><p>37</p><p>- Calcule ∑hr por meio do comprimento real e do comprimento virtual da</p><p>tubulação de recalque. Determine nesta condição a perda de carga unitária</p><p>(J).</p><p>c) a potência do motor para acionar a bomba em CV (equação IX).</p><p>FONTE: Adaptada de Creder (2006, p. 53)</p><p>Peças do sistema de bombeamento (figura anterior)</p><p>38</p><p>39</p><p>TÓPICO 3 —</p><p>UNIDADE 1</p><p>DIMENSIONAMENTO E ESPECIFICAÇÕES DE RAMAIS,</p><p>COLUNAS E BARRILETES</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, até aqui abordamos aspectos práticos de projeto e</p><p>dimensionamento de alimentadores, reservatórios e sistemas de bombeamento.</p><p>No início do Tópico 1, vimos também os principais elementos de uma instalação</p><p>de água fria de uso doméstico. Agora, focaremos nossa atenção nas tubulações,</p><p>que farão o papel de distribuir a água do reservatório para os aparelhos sanitários</p><p>da construção, assim, classificados em três tipos:</p><p>• barriletes;</p><p>• colunas (ou prumadas);</p><p>• ramais e sub-ramais.</p><p>Na Figura 9, é possível observar cada um destes elementos em uma</p><p>instalação de água fria. Você já conferiu nesta unidade que o barrilete no sistema</p><p>de distribuição indireto é uma tubulação de saída do reservatório que se conecta</p><p>às colunas de distribuição (tubulações verticais). Por sua vez, observe que das</p><p>colunas de distribuição se derivam os ramais e sub-ramais (ABNT, 1998).</p><p>40</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>FIGURA 9 – BARRILETE, COLUNAS, RAMAS E SUB-RAMAIS EM UMA INSTALAÇÃO DE ÁGUA FRIA</p><p>RESIDENCIAL</p><p>FONTE: Adaptada de Carvalho Júnior (2014, p. 70)</p><p>No desenvolvimento de um projeto, você terá a importante tarefa de traçar</p><p>essas tubulações na construção. Busque sempre manter certa proporcionalidade</p><p>na distribuição. Leve em conta um desenho econômico, simples, que separe as</p><p>colunas de distribuição conforme a natureza da sua utilização.</p><p>Lembre-se que um número de pontos de consumo muito concentrado</p><p>em uma coluna, exigirá um maior diâmetro da tubulação. Separe, por exemplo,</p><p>uma coluna ou mais colunas para alimentação do banheiro e outra coluna para</p><p>a cozinha e área de serviço (CARVALHO JÚNIOR, 2014). Uma tubulação de</p><p>ventilação (6), com saída vedada por uma tela, evitará a retrossifonagem da água</p><p>e sua possível contaminação.</p><p>TÓPICO 3 — DIMENSIONAMENTO E ESPECIFICAÇÕES DE RAMAIS, COLUNAS E BARRILETES</p><p>41</p><p>As tubulações de distribuição atuam como condutos fechados,</p><p>portanto, seu dimensionamento levará em conta princípios de hidráulica. Seu</p><p>dimensionamento dependerá de quatro parâmetros: vazão, velocidade, perda de</p><p>carga e pressão (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014). Em seu livro de Instalações</p><p>Hidráulicas Prediais, Botelho e Ribeiro Junior (2014) afirmam que:</p><p>A vazão (Q) é um dado estabelecido, a priori, em função dos consumos</p><p>dos diversos pontos de utilização e a outra variável adotada é a</p><p>velocidade, fixada no valor máximo de 3,0 m/s, visando minorar os</p><p>ruídos nas tubulações e sobrepressões (golpes de aríete). A partir</p><p>destes dois dados, por intermédio dos ábacos, obtêm-se os outros</p><p>dois dados, a perda de carga (h) e o respectivo diâmetro (D) mais</p><p>adequados, ambos necessários para complementação do projeto</p><p>(BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014, p. 62, grifo do autor).</p><p>Já vimos anteriormente que a NBR 5626 estabelece a velocidade máxima</p><p>de 3,0 m/s para a água nas tubulações (ABNT, 1998). Na prática, estudos</p><p>recomendam que a velocidade efetiva esteja na faixa de 0,6 a 1,0 m/s (TACHINI,</p><p>2015; BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014). Ela pode ser verificada por meio</p><p>da equação XIII, conhecida também como a equação da continuidade.</p><p>Em que:</p><p>v = velocidade da água na tubulação (m/s);</p><p>Q = vazão da tubulação (m3/s);</p><p>A = área da seção interna da tubulação, ou seja, valor nominal (DN) menos o</p><p>dobro da espessura da tubulação (m2).</p><p>A perda de carga será um fator igualmente importante para o</p><p>dimensionamento. Lembra-se que ela representa o quanto de pressão é “perdida”</p><p>na instalação? Consideraremos aqui as perdas de carga distribuídas e localizadas.</p><p>O somatório delas nos fornecerá a redução de pressão do sistema de distribuição</p><p>(barriletes colunas ramais).</p><p>Com relação aos diâmetros adotados/comerciais das tubulações de</p><p>distribuição, recomenda-se evitar a redução do tamanho das tubulações</p><p>no sentido do fluxo de água (barrilete coluna ramais sub-ramais). Essa</p><p>mudança tornará mais custosa e complicada a instalação (BOTELHO; RIBEIRO</p><p>JUNIOR, 2014).</p><p>Veremos que a pressão mínima e máxima deverá também ser verificada</p><p>ao longo de todo o sistema de distribuição, trecho a trecho (ABNT, 1998). Segundo</p><p>a NBR 5626 (ABNT, 1998) a rede de distribuição de água fria deve possuir, em</p><p>qualquer um de seus pontos, pressão dinâmica mínima de 5 kPa (≈ 0,5 mca) e</p><p>pressão estática máxima de 400 kPa (≈ 40 mca).</p><p>42</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>A pressão estática da água pode ser calculada pelo desnível geométrico entre</p><p>dois pontos analisados na instalação de água fria. A pressão dinâmica da água levará em</p><p>conta também a perda de carga que a água “sofre” em movimento.</p><p>NOTA</p><p>As pressões na tubulação devem obedecer aos limites normativos. Este</p><p>aspecto é de suma importância para que o sistema atue de forma apropriada,</p><p>sem colocar em risco o desempenho e a integridade da instalação (ABNT, 1998).</p><p>Segundo Botelho e Ribeiro Junior (2014), é possível adotar uma válvula redutora</p><p>de pressão (VRP) se as pressões excederem a máxima prevista pela NBR 5626.</p><p>Este acessório é muito comum em edificações altas, com mais de 35 metros de</p><p>altura (CARVALHO JÚNIOR, 2014).</p><p>Veja mais detalhes práticos de instalação, dimensionamento, especificação e</p><p>projeto das válvulas redutoras de pressão no link a seguir: https://thorusengenharia.com.br/</p><p>blog/valvula-redutora-de-pressao-o-que-e-como-funciona-aonde-usar-como-escolher-</p><p>como-dimensionar-exemplos/</p><p>DICAS</p><p>Veremos, a seguir, aspectos de dimensionamento, especificação e projeto</p><p>de sub-ramais, ramais, colunas e barriletes. Você perceberá que a ordem de</p><p>apresentação está invertida em relação ao fluxo de água na construção. Este é</p><p>um processo padrão, normal de cálculo, não estranhe. O dimensionamento das</p><p>tubulações de distribuição segue uma ordem invertida por uma questão lógica.</p><p>Iniciam-se pelos pontos de consumo para que ao final se conheça a condições</p><p>global no barrilete da construção (ponto inicial, saída de água do reservatório).</p><p>2 SUB-RAMAIS E RAMAIS</p><p>Os sub-ramais, tubulações ligadas diretamente com as peças de utilização,</p><p>tratam-se</p><p>de elementos dimensionados empiricamente, ou seja, sem cálculo ou</p><p>equações físicas. A partir da Tabela 7 podemos adotar seu diâmetro (BOTELHO;</p><p>RIBEIRO JUNIOR, 2014). Na falta de alguma orientação específica, Tachini (2015)</p><p>recomenda adotar um diâmetro de 25 mm para todos os sub-ramais (3/4”).</p><p>TÓPICO 3 — DIMENSIONAMENTO E ESPECIFICAÇÕES DE RAMAIS, COLUNAS E BARRILETES</p><p>43</p><p>Peças de utilização Diâmetro</p><p>DN (mm) Ref. (pol.)</p><p>Aquecedor de alta pressão 20 1/2</p><p>Aquecedor de baixa pressão 25 3/4</p><p>Banheira 20 1/2</p><p>Bebedouro 20 1/2</p><p>Bidê 20 1/2</p><p>Caixa de descarga 20 1/2</p><p>Chuveiro 20 1/2</p><p>Filtro de pressão 20 1/2</p><p>Lavatório 20 1/2</p><p>Máquina de lavar pratos ou roupas 25 3/4</p><p>Mictório autoaspirante 32 1</p><p>Mictório não aspirante 20 1/2</p><p>Pia de cozinha 20 1/2</p><p>Tanque de despejo ou de lavar roupa 25 3/4</p><p>Válvula de descarga 40* 1 ¼</p><p>* Quando a pressão estática de alimentação for inferior a 30kPa (3 m.c.a, recomenda-se instalar</p><p>a válvula de descarga em sub-ramal com diâmetro nominal de 50 mm (1 1/2").</p><p>FONTE: Botelho e Ribeiro Junior (2014, p. 70)</p><p>TABELA 7 – DIÂMETROS MÍNIMOS DOS SUB-RAMAIS EM FUNÇÃO DO TIPO DE PEÇA ABASTECIDA</p><p>Por outro lado, os ramais (e também as colunas e barriletes) podem ser</p><p>dimensionados conforme duas hipóteses de cálculo (ABNT, 1998):</p><p>• 1ª hipótese – Consumo simultâneo máximo possível.</p><p>• 2ª hipótese – Consumo simultâneo máximo provável.</p><p>Para a primeira hipótese “admite-se que os diversos aparelhos servidos</p><p>pelo ramal sejam utilizados simultaneamente, de modo que a descarga [vazão]</p><p>total no início do ramal será a soma das descargas em cada um dos [seus] sub-</p><p>ramais” (MACINTYRE, 1996, p. 69). Em outras palavras, admite-se que todos os</p><p>aparelhos serão utilizados simultaneamente. Trata-se de uma opção de cálculo</p><p>simples, fácil, porém menos econômica. É indicada para grandes edificações</p><p>e empreendimentos comerciais, cuja utilização simultânea é mais provável</p><p>(CARVALHO JÚNIOR, 2014).</p><p>Considerando esta hipótese, podemos utilizar a Tabela 8 para o</p><p>dimensionamento do ramal. Nela, observa-se o diâmetro de uma tubulação e</p><p>seu “peso” correspondente (uma espécie de “pontuação”). Assim, se um ramal</p><p>possui três sub-ramais de 20 mm e 2 sub-ramais de 25 mm, podemos inferir que</p><p>seu “peso” total será de 8,8 (3 x 1 + 2 x 2,9). Logo, por meio da Tabela 8, o diâmetro</p><p>mínimo correspondente ao peso de 8,8 será o diâmetro imediatamente superior a</p><p>esta pontuação, ou seja, igual a 40 mm (Tabela 8).</p><p>44</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>Diâmetro da tubulação Nº de tubos correspondentesmm pol</p><p>20 1/2 1,0</p><p>25 3/4 2,9</p><p>32 1 6,2</p><p>40 1 ¼ 10,9</p><p>50 1 ½ 17,4</p><p>60 2 37,8</p><p>75 2 ½ 65,5</p><p>85 3 110,5</p><p>110 4 189,0</p><p>FONTE: Adaptada de Botelho e Ribeiro Junior (2014, p. 72)</p><p>TABELA 8 – DIÂMETROS E “PESOS” PARA DIMENSIONAMENTO DE RAMAIS</p><p>A segunda hipótese (consumo simultâneo provável) considera um cenário</p><p>de uso baseado em experiências práticas e em parâmetros normativos (BOTELHO;</p><p>RIBEIRO JUNIOR, 2014; ABNT, 1998). Imagine uma casa com três banheiros, três</p><p>chuveiros, seis torneiras, uma saída para máquina de lavar. Podemos intuir que</p><p>será pouquíssimo provável o uso simultâneo de todos os aparelhos. Motivo pelo</p><p>qual esta hipótese poderá oferecer maior eficiência e menor custo ao projeto.</p><p>Confira uma dica importante da NBR 5626 sobre o método do consumo pro-</p><p>vável:</p><p>Esse método é válido para instalações destinadas ao uso</p><p>normal da água e dotadas de aparelhos sanitários e peças</p><p>de utilização usuais; não se aplica quando o uso é intensivo</p><p>(como é o caso de cinemas, escolas, quartéis, estádios e</p><p>outros), onde torna-se necessário estabelecer, para cada caso</p><p>particular, o padrão de uso e os valores máximos de demanda</p><p>(ABNT, 1998, p. 28).</p><p>DICAS</p><p>Para o cálculo do diâmetro do ramal faremos inicialmente o uso da equação</p><p>XIV. Nela é possível obter a vazão total do ramal (veremos que também das colunas</p><p>e barrilete), variável dependente do somatório dos “pesos” (∑P) correspondentes</p><p>às peças de utilização alimentadas. Na Tabela 9 você pode conferir os “pesos” (P)</p><p>relativos às principais peças de utilização de uso doméstico (ABNT, 1998).</p><p>TÓPICO 3 — DIMENSIONAMENTO E ESPECIFICAÇÕES DE RAMAIS, COLUNAS E BARRILETES</p><p>45</p><p>Em que:</p><p>Q = vazão total do ramal (l/s);</p><p>ΣP = soma dos pesos relativos de todas as peças de utilização alimentadas pelo</p><p>ramal dimensionado.</p><p>Calculada a vazão total do ramal (coluna ou barriletes), na sequência,</p><p>podemos recorrer a um nomograma de vazões e “pesos” (Figura 10) para encontrar</p><p>o diâmetro final, adotado em projeto. Observa-se que o nomograma é composto</p><p>por três colunas, cujo lado esquerdo representa o valor da vazão (equação XIV)</p><p>e o lado direito o somatório dos “pesos”. Podemos escolher um dos parâmetros</p><p>para encontrar o diâmetro adotado do ramal, da coluna ou do barrilete.</p><p>Aparelho Sanitário Peça de utilização Peso Relativo</p><p>Bacia sanitária Caixa acoplada 0,3</p><p>Válvula de descarga 32</p><p>Banheira Misturador (água fria) 1</p><p>Bebedouro Registro de pressão 0,1</p><p>Bidê Misturador (água fria) 0,1</p><p>Chuveiro ou ducha Misturador (água fria) 0,4</p><p>Chuveiro elétrico Registro de pressão 0,1</p><p>Lavadora de pratos ou</p><p>roupas Registro de pressão 1</p><p>Lavatório Torneira ou misturador (água fria) 0,3</p><p>Mictório</p><p>cerâmico</p><p>com sifão</p><p>integrado Válvula de descarga 2,8</p><p>sem sifão</p><p>integrado</p><p>Caixa de descarga, registro de</p><p>pressão ou válvula de descarga para</p><p>mictório</p><p>0,3</p><p>Mictório tipo calha Caixa de descarga ou registro de</p><p>pressão 0,3</p><p>Pia Torneira ou misturador (água fria) 0,7</p><p>Torneira elétrica 0,1</p><p>Tanque Torneira 0,7</p><p>Torneira de jardim ou</p><p>lavagem em geral Torneira 0,4</p><p>FONTE: Adaptada de ABNT (1998)</p><p>TABELA 9 – “PESOS” PARA AS PRINCIPAIS PEÇAS DE UTILIZAÇÃO E APARELHOS SANITÁRIOS</p><p>RESIDENCIAIS</p><p>Por exemplo, se somatório dos pesos de determinado ramal for igual a 5, a</p><p>sua vazão de projeto será de 0,67 L/s (equação XIV). Veja o ponto correspondente</p><p>destacado por um retângulo no nomograma. Embora o ponto se situe na região</p><p>46</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>de diâmetro igual a 25 mm, também é contemplada uma parte tracejada da faixa</p><p>de 32 mm. Portanto, neste caso hipotético, define-se o diâmetro do ramal como</p><p>igual a 32 mm.</p><p>3 COLUNAS DE DISTRIBUIÇÃO</p><p>Como você viu na introdução desse tópico, as colunas são tubulações</p><p>verticais que se conectam e abastecem os ramais. Seu dimensionamento consiste</p><p>em aplicar os mesmos procedimentos adotados para o cálculo de ramais (equação</p><p>XIV, Tabela 9 e Figura 10). Leva-se em conta, portanto, o somatório de pesos de</p><p>cada peça de utilização abastecida pela coluna.</p><p>Coluna 1</p><p>Diâmetro</p><p>(mm)</p><p>Coluna 2 Coluna 3</p><p>FONTE: Adaptada de Carvalho Júnior (2014, p. 69)</p><p>FIGURA 10 – NOMOGRAMA DE VAZÕES, PESOS E DIÂMETROS</p><p>TÓPICO 3 — DIMENSIONAMENTO E ESPECIFICAÇÕES DE RAMAIS, COLUNAS E BARRILETES</p><p>47</p><p>É recomendável como “boa prática” que todas as colunas possuam um</p><p>registro de gaveta antes do primeiro ramal, permitindo um melhor controle da</p><p>instalação no caso de manutenção ou reformas (CARVALHO JÚNIOR, 2014).</p><p>Registros de gaveta possuem a função de controlar e interromper o</p><p>abastecimento de água em um trecho da instalação (CARVALHO JÚNIOR, 2014). Ficou</p><p>curioso para ver seu funcionamento?</p><p>Confira em: https://www.youtube.com/watch?v=AkehAh1qTlI.</p><p>NOTA</p><p>Você já deve ter passado pela desconfortável situação em que a utilização</p><p>da válvula de descarga prejudicou a vazão do chuveiro, o que em alguns casos</p><p>leva uma breve interrupção de energia, não é? É por esta razão que Botelho e</p><p>Ribeiro Junior (2014, p. 77) recomendam “[...] usar coluna específica para válvulas</p><p>de descarga, tanto por segurança contra refluxo como para evitar interferências</p><p>com os demais pontos de utilização”.</p><p>4 BARRILETES</p><p>Já tivemos a oportunidade de conhecer o barrilete em outros tópicos. Vimos</p><p>que “trata-se de um encanamento que liga entre si as duas seções do reservatório</p><p>superior ou dois reservatórios superiores, e do qual pertencem ramificações para</p><p>as colunas de distribuição” (MACINTYRE, 1996, p. 68).</p><p>Para dimensioná-los, também se pode empregar o mesmo método de</p><p>cálculo aplicado aos ramais e às colunas. No caso de residências com sistema de</p><p>distribuição indireto, o “barrilete” será o próprio alimentador predial, visto que</p><p>não há reservatório (está lembrado do que havíamos comentado no Tópico 1?).</p><p>Botelho e Ribeiro Junior (2014) recomendam que sejam verificados alguns</p><p>aspectos para o projeto e dimensionamento de barriletes:</p><p>• O elemento deve ser desenvolvido em função do posicionamento das colunas.</p><p>• Para cálculo do diâmetro do barrilete devem-se somar os pesos das colunas,</p><p>trecho por trecho, com os diâmetros arredondados.</p><p>• Quando o reservatório é dividido e espera-se que um dos compartimentos</p><p>seja fechado temporariamente para limpeza, é comum adotar hipóteses mais</p><p>desfavoráveis no projeto. Considera-se, por exemplo, a possibilidade de um</p><p>compartimento ter que suprir toda a edificação.</p><p>48</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>5 PRESSÕES MÍNIMAS E MÁXIMAS</p><p>A pressão é um parâmetro físico igualmente importante para a instalação</p><p>de água fria. Baixas pressões podem prejudicar o desempenho de aparelhos</p><p>sanitários e altas pressões podem danificar os componentes hidráulicos</p><p>(BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014). Definidos e especificados os diâmetros das</p><p>nossas tubulações de distribuição (sub-ramais, ramais, colunas e barrilete) será</p><p>então possível verificar se são atendidas as condições de pressão.</p><p>Nas instalações de água fria são considerados dois tipos principais de</p><p>pressão (CARVALHO JÚNIOR, 2014), igualmente ilustradas na Figura 11:</p><p>• Pressão estática: calculada pela diferença geométrica de nível entre dois pontos</p><p>(Figura 11).</p><p>• Pressão dinâmica: resultante da subtração entre a diferença geométrica de</p><p>nível entre dois pontos e a perda de carga total do sistema (Figura 11).</p><p>A pressão estática, definida pela NBR 5626, não deve, em nenhum</p><p>ponto, ultrapassar 40 mca (400kPa). Isso quer dizer que a diferença máxima</p><p>de altura entre o reservatório e qualquer ponto de utilização deve ser igual ou</p><p>menor que 40 metros (Figura 11). Por esta razão, edificações com mais de 10</p><p>andares frequentemente fazem uso de válvulas redutoras de pressão. Elas serão</p><p>responsáveis por regular as pressões e permitem reduzir o desperdício de água</p><p>na edificação (OLIVEIRA; SILVERIO, 2018).</p><p>A pressão dinâmica considera as perdas de cargas ocorridas ao longo da</p><p>distribuição de água (Figura 11). De acordo com a NBR 5626 (ABNT, 1998), em</p><p>qualquer ponto da rede de distribuição, a pressão dinâmica não deve ser inferior</p><p>a 0,50 mca (50kPa).</p><p>Fique atento! Cada fabricante de aparelhos sanitários poderá definir pressões</p><p>limites para seus produtos. Nas válvulas de descarga recomenda-se a pressão dinâmica</p><p>mínima de 1,5 mca ou 15 kPa (TACHINI, 2015).</p><p>DICAS</p><p>TÓPICO 3 — DIMENSIONAMENTO E ESPECIFICAÇÕES DE RAMAIS, COLUNAS E BARRILETES</p><p>49</p><p>a) Estática: diferença geométrica de altura entre dois pontos.</p><p>b) Dinâmica: considera-se a pressão estática e a perda de carga.</p><p>FONTE: Adaptada de Carvalho Júnior (2014, p. 72)</p><p>FIGURA 11 – PRESSÕES</p><p>Para entender melhor a relação entre pressão e os demais parâmetros,</p><p>na Tabela 10, apresenta-se uma planilha de cálculo “modelo” dividida em duas</p><p>partes. Na primeira, são apresentados os resultados de um trecho hipotético</p><p>de instalação hidráulica residencial. Na segunda parte, são apresentados os</p><p>significados físicos de cada elemento de cálculo por meio de letras. Todas as</p><p>velocidades e pressões estão de acordo com a NBR 5626 (ABNT, 1998).</p><p>50</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>a) Resultados.</p><p>b) Fórmulas.</p><p>Legenda:</p><p>A = dados retirados da Tabela 9 de acordo com o número de aparelhos da</p><p>residência; B = calculado pela equação XIII;</p><p>C = nomograma da Figura 10;</p><p>D = velocidade determinada pela equação XIV;</p><p>E1, E2, E3 = comprimento real da tubulação;</p><p>F1, F2, F3 = somatório do comprimento equivalente devido à perda de carga</p><p>localizada (Tabela 5);</p><p>G1, G2, G3 = calculado por meio da equação XII para PVC;</p><p>H1, H2, H3 = perda de carga total da tubulação (equação XI);</p><p>I1, I2, I3 = desnível geométrico entre o ponto a jusante e montante;</p><p>J1, J2, J3 = pressão disponível/dinâmica no ponto a jusante (início do trecho);</p><p>L = pressão disponível/dinâmica mínima requerida para o aparelho sanitário.</p><p>TABELA 10 – PLANILHA “MODELO DE CÁLCULO”</p><p>FONTE: O autor</p><p>51</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Barriletes, colunas, ramais e sub-ramais de distribuição de água fria devem ser</p><p>dimensionados e especificados em projeto.</p><p>• Há lógica no posicionamento dos principais acessórios de controle em</p><p>tubulações de distribuição de água fria.</p><p>• As pressões mínimas e máximas em uma instalação de água fria devem ser</p><p>verificadas.</p><p>52</p><p>1 Calcular os diâmetros das tubulações e as pressões disponíveis de uma</p><p>instalação de água fria com tubulação em PVC que abastece as seguintes</p><p>peças de utilização: 1 bacia sanitária com válvula de descarga, 1 ducha</p><p>higiênica, 1 lavatório (torneira ou misturador, 1 chuveiro elétrico, 1 pia</p><p>(torneira ou misturador), 1 tanque e 1 torneira de jardim. Aplique o método</p><p>do consumo simultâneo máximo provável.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>FONTE: Adaptada de Carvalho Júnior (2014, p. 70)</p><p>Nível d’água no reservatório = 1,10 m</p><p>53</p><p>TÓPICO 4 —</p><p>UNIDADE 1</p><p>BOAS PRÁTICAS DE PROJETO DE INSTALAÇÃO DE</p><p>ÁGUA FRIA</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, até aqui abordarmos os principais critérios, métodos e</p><p>componentes de uma instalação hidráulica de água fria. Chegamos ao último</p><p>tópico da Unidade 1 e esperamos que ao final, você obtenha um repertório</p><p>técnico consistente para sua atuação profissional. Teremos agora a importante</p><p>missão de integrar os conhecimentos até aqui adquiridos por meio da atividade</p><p>de elaboração, avaliação e supervisão de projetos.</p><p>Para o desenvolvimento e análise de projetos de instalação hidráulica de</p><p>água fria, poderíamos destacar quatro princípios importantes de trabalho:</p><p>• Valorização da técnica.</p><p>• Atenção às singularidades de cada cliente/usuário.</p><p>• Visão integrada.</p><p>• Sustentabilidade: qualidade e economia.</p><p>A valorização da técnica significa considerar como “valorosa” toda e</p><p>qualquer decisão contextualizada e fundamentada tecnicamente. Você já parou</p><p>para observar quantas vezes as normas técnicas da ABNT foram citadas nesta</p><p>Unidade? Percebeu como cada parâmetro, critério e decisão se fundamentam e</p><p>encontram respaldo na literatura técnica? Este método de trabalho lhe permitirá</p><p>considerar dificuldades e desafios já superados, revistos e resolvidos. Além disso,</p><p>você poderá construir novas soluções a partir do repertório técnico conhecido/</p><p>adquirido profissionalmente.</p><p>Evidentemente, não é suficiente apenas um aprofundamento teórico</p><p>para a elaboração de projeto. Deve-se considerar também às singularidades dos</p><p>usuários da construção. Invista tempo para conversar com o usuário, busque</p><p>entender suas necessidades, futuras intenções, preferências. Nenhum projeto é</p><p>igual ao outro, e sempre haverá especificidades. Aproveite para sempre esclarecer</p><p>ao cliente as vantagens e desvantagens de cada escolha técnica. Não tenha receio</p><p>de expressar sua opinião com respeito, clareza, simplicidade (quando assim for</p><p>possível) e profundidade teórica.</p><p>54</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>De igual modo, preocupe-se ouvir outros profissionais que por ventura</p><p>estejam envolvidos na construção do empreendimento. A construção pode ser</p><p>considerada como um sistema interligado, conectado, onde cada decisão pode</p><p>afetar o todo – o que exigirá uma visão integrada do processo de planejamento</p><p>e projeto. A falta de integração com o projeto arquitetônico ou estrutural, por</p><p>exemplo, poderão acarretar prejuízos, desperdícios, retrabalhos. Busque se</p><p>integrar e reforçar o valor</p><p>deste princípio para outros profissionais. Aproveite os</p><p>aprendizados práticos que surgem na interação com outros/as colegas.</p><p>Desta maneira, tenha em mente que sua atividade buscará a produção de</p><p>uma instalação de água fria sustentável em todos os aspectos. A sustentabilidade</p><p>ambiental, vinculada à racionalização do uso de recursos naturais, é “somente”</p><p>um aspecto. Procure um projeto sustentável também economicamente, especifique</p><p>materiais de boa qualidade e acompanhe a execução da instalação para que se</p><p>“sustente” o desempenho, o conforto e a economia de recursos naturais.</p><p>2 PROJETOS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA:</p><p>CONCEPÇÃO E DIRETRIZES</p><p>Ao longo desta unidade, vemos que é evidente a importância da NBR</p><p>5626 (ABNT, 1998) para a concepção de um projeto de instalação de água fria, não</p><p>é? Ela tem por objetivo apontar requisitos e recomendações relativas não apenas</p><p>ao projeto, mas também à execução e à manutenção das instalações residenciais</p><p>de água. Ressaltamos que é de suma importância sua leitura completa. Tenha ela</p><p>sempre “em mãos” na hora de conceber o projeto.</p><p>Lembre-se que as instalações de água fria têm como objetivo suprir as</p><p>necessidades dos usuários quanto as suas necessidades fisiológicas, higiênicas</p><p>e domésticas diárias. Devemos buscar sistemas que garantam o abastecimento</p><p>contínuo e suficiente em todos os pontos de utilização. As condições de vazão,</p><p>velocidade, pressão e potabilidade da água são imprescindíveis e deverão se</p><p>alinhar as recomendações normativas (ABNT, 1998).</p><p>A seguir listamos alguns aspectos para serem observados durante a</p><p>concepção do projeto (BOHN, 2006):</p><p>• Tipo de construção: identificar se é uma estrutura vertical ou horizontal,</p><p>bem como verificar o método construtivo proposto e os materiais estruturais</p><p>empregados (madeira, concreto, alvenaria estrutural, estrutura metálica etc.).</p><p>• Uso da construção: lembre-se da importância deste aspecto para determinar o</p><p>número de usuários, consumo diário de água, número de aparelhos, tipos de</p><p>sistemas de distribuição, hipóteses de cálculo etc.</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO DE INSTALAÇÃO DE ÁGUA FRIA</p><p>55</p><p>• Sistema de abastecimento: embora tenhamos focado nosso estudo em</p><p>construções ligadas ao abastecimento público de água potável, verifique se</p><p>este será o caso da construção em análise. Não deixe de registrar e orientar</p><p>o usuário final sobre as condições legais e ambientais que envolvem o uso de</p><p>poço artesiano, nascentes e outras fontes de abastecimento especiais.</p><p>Confira informações detalhadas sobre tipos e fontes de abastecimento especiais</p><p>em: CARVALHO JÚNIOR, R. de. Instalações hidráulicas e o projeto de arquitetura. 8. ed.</p><p>rev. São Paulo: Blucher, 2014. 342 p, il.</p><p>DICAS</p><p>• Sistema de distribuição: já observamos as vantagens e desvantagens que um</p><p>sistema de distribuição direto e indireto fornece à construção e aos usuários.</p><p>Sempre que possível, opte pelo uso de reservatório. Não obstante, verifique se</p><p>há locais adequados (contemplados pelo projeto estrutural) e de fácil acesso.</p><p>Especifique no projeto a necessidade de limpeza frequente do reservatório (no</p><p>mínimo uma vez por ano).</p><p>• Desenho da tubulação de distribuição e localização dos pontos de consumo:</p><p>utilize colunas específicas para os vasos sanitários, demais componentes</p><p>dos banheiros e para a cozinha/área de serviço (CARVALHO JÚNIOR,</p><p>2014). O desenho dos barriletes, colunas, ramais e sub-ramais devem ser</p><p>simples, empregados de preferência no sentido vertical e horizontal. Deve-</p><p>se evitar a necessidade de “desvios” ou contornos sobre janelas, portas etc.</p><p>Isso representará um aumento da perda de carga, da pressão e uma maior</p><p>dificuldade de execução.</p><p>Uma ferramenta importante de projeto é a nomenclatura de peças de</p><p>utilização. Na Figura 12 observamos uma instalação de água fria residencial com</p><p>trechos, aparelhos e pontos identificados. Os nomes serão úteis para a formação</p><p>de planilhas de cálculo e dimensionamento. Poderíamos, portanto, começar a</p><p>dimensionar pela soma de pesos dos ramais (Figura 12), na seguinte ordem, F-G</p><p>(ramal), E-F(coluna) e D-E (barrilete). Depois, em outra coluna, B-C (coluna) e</p><p>A-B (barrilete).</p><p>56</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>FONTE: Carvalho Júnior (2014, p. 70)</p><p>FIGURA 12 – EXEMPLO DE INSTALAÇÃO HIDRÁULICA DE ÁGUA FRIA: DESENHO ISOMÉTRICO</p><p>Os registros devem ser instalados em locais estratégicos para manutenção,</p><p>limpeza e reformas. Instala-se geralmente um registro de gaveta (RG) para cada</p><p>coluna e um registro de pressão a montante de chuveiros. Outro dispositivo de</p><p>acionamento importante é a válvula de descarga (VD), localizada sempre acima</p><p>do aparelho de vaso sanitário e alimentada por uma coluna específica (trecho</p><p>A-B, Figura 12). Atualmente, é cada vez menos frequente seu emprego, sendo que</p><p>por uma questão de sustentabilidade e menor consumo de água, a maioria dos</p><p>projetistas tem optado por vasos sanitários com caixa acoplada.</p><p>Você sabe como funciona um vaso/bacio sanitário com caixa acoplada? Veja o</p><p>vídeo do link abaixo e confira como é sua instalação, regulagem e funcionamento.</p><p>Acesse em: <https://www.youtube.com/watch?v=2XvHAuEsuC4></p><p>DICAS</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO DE INSTALAÇÃO DE ÁGUA FRIA</p><p>57</p><p>Na Tabela 11, descrevem-se as nomenclaturas/siglas mais frequentemente</p><p>utilizadas para os pontos de utilização, bem como recomendação referente a sua</p><p>altura em relação ao piso (CARVALHO JÚNIOR, 2014).</p><p>Ponto Sigla Altura</p><p>(cm) Ponto Sigla Altura</p><p>(cm)</p><p>Bacia sanitária c/ caixa</p><p>acoplada BCA 20 Máquina de lavar</p><p>louça MLL 60</p><p>Ducha higiênica DC 50 Pia PIA 110</p><p>Bidê BI 20 Tanque TQ 115</p><p>Banheira de</p><p>hidromassagem BH 30 Torneira de limpeza TL 60</p><p>Chuveiro ou ducha CH 220 Torneira de jardim TJ 60</p><p>Lavatório LV 60 Registro de pressão RP 110</p><p>Mictório MIC 105 Registro de gaveta RG 180</p><p>Máquina de lavar</p><p>roupa MLR 90 Válvula de descarga VD 110</p><p>FONTE: Adaptada de Carvalho Júnior (2014, p. 62)</p><p>TABELA 11 – PONTOS DE UTILIZAÇÃO: SIGLAS E ALTURAS RECOMENDADAS EM RELAÇÃO AO</p><p>PISO DA CONSTRUÇÃO</p><p>Concebidos e dimensionados os elementos da instalação de água fria,</p><p>podemos citar os seguintes documentos que formam um projeto completo</p><p>(BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014):</p><p>• Memorial descritivo.</p><p>• Memorial de cálculo.</p><p>• Normas e literatura técnica adotada.</p><p>• Plantas, isométricos, esquemas (detalhes construtivos), enfim, todos os detalhes</p><p>necessários ao perfeito entendimento do projeto.</p><p>• Documentos complementares para a elaboração do manual de uso e manutenção</p><p>da edificação (se necessário).</p><p>O memorial descritivo deve apresentar de maneira simples e objetiva:</p><p>data de realização do projeto, elementos de projeto, normas e literaturas</p><p>técnicas empregadas, relação e especificação de todos os componentes (bombas,</p><p>reservatórios, tubulações, dispositivos especiais, tipos de sistema etc.). O</p><p>memorial de cálculo, por sua vez, demonstrará de forma sucinta os cálculos e</p><p>critérios realizados (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014).</p><p>58</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>Os desenhos devem ser técnicos de acordo com as normas vigentes e</p><p>constar: “Identificação da obra, nome do responsável técnico e seu número no</p><p>CREA, lista de material, tipo de material, numeração das colunas, caixas, etc. [...],</p><p>representação da simbologia adotada” (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014, p.</p><p>370). Botelho e Ribeiro Junior (2014) também definem os elementos básicos em</p><p>termos de desenho e especificação:</p><p>• Planta de situação da construção com dimensões (escala 1:200).</p><p>• Planta 1:50 do térreo com dimensões, contendo: localização do cavalete,</p><p>dos reservatórios, do alimentador e suas dimensões; diâmetros; conexões;</p><p>acessórios e outros componentes.</p><p>• Planta 1:50 – uma para cada pavimento da edificação, com dimensões, contendo:</p><p>diâmetros;</p><p>conexões; acessórios e outros componentes.</p><p>• Cortes sem escala (cotados, isto é, com dimensões).</p><p>• Esquema vertical de distribuição, contendo: diâmetros; conexões; acessórios</p><p>e outros componentes; pontos de ligação coluna/ramal; bombas, dispositivos;</p><p>reservatórios.</p><p>• Isométrico 1:20 – um para cada compartimento sanitário ou coluna de</p><p>distribuição, contendo: diâmetros; conexões; acessórios e outros componentes;</p><p>dispositivos (registros, válvulas etc.) e peças de utilização.</p><p>• Detalhes 1:20 – reservatório, sistema de bombeamento, pontos especiais do</p><p>sistema etc., contendo: dimensões, diâmetros; conexões; acessórios e outros</p><p>componentes.</p><p>A planta baixa de instalação hidráulica de água fria deve apresentar,</p><p>em escala 1:50 ou 1:100 a rede de abastecimento com indicação da posição do</p><p>hidrômetro, seu respectivo diâmetro e ponto de destino (recalque para reservatório</p><p>superior ou casa de bombas ou reservatório inferior).</p><p>O reservatório, se existente, deve apresentar identificação referente ao seu</p><p>volume (dimensões geométricas), tipo de material e posição (superior ou inferior).</p><p>Para reservatório moldado in loco, deve-se também apresentar um detalhamento</p><p>em corte, com todas as tubulações auxiliares e elementos complementares</p><p>especificados (TACHINI, 2015).</p><p>Observamos que a distribuição da água pelo reservatório se inicia pelo</p><p>barrilete, com um registro de gaveta (RG) logo na sequência. Toda a tubulação</p><p>deve ser especificada fisicamente, bem como o material e as conexões adotadas</p><p>(tê, curvas de 90º e 45º). Os pontos de utilização também devem ser identificados,</p><p>com um desenho em planta dos aparelhos sanitários.</p><p>As colunas de distribuição devem ser identificadas como pontos e suas</p><p>descidas enumeradas, para que em outras plantas seja possível identificar de onde</p><p>a mesma se localiza (se inicia e termina). Mantenha uniformidade no emprego</p><p>das legendas, siglas e numerações ao longo de todo o projeto.</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO DE INSTALAÇÃO DE ÁGUA FRIA</p><p>59</p><p>O desenho isométrico (em três dimensões) é uma ferramenta importante</p><p>para o projeto de instalações hidráulicas. Em geral, utiliza-se escala de 1:20 ou</p><p>1:25, o que proporciona um bom detalhamento ao projeto (CARVALHO JÚNIOR,</p><p>2014). De acordo com a NBR 5626, os detalhes isométricos devem:</p><p>[...] ser feitos em escala, com vistas a facilitar a determinação de</p><p>cotas e de comprimentos de tubos. Utilizando números ou letras,</p><p>identifi car cada nó (derivação de tubos) e cada ponto de utilização</p><p>(ou outra extremidade qualquer) da rede, em sequência (sic)</p><p>crescente de montante para jusante. Os trechos de tubulação a serem</p><p>dimensionados devem ser identifi cados, então, por um número ou</p><p>uma letra correspondente à entrada do trecho (montante) e por outro</p><p>número ou outra letra correspondente à saída do trecho (jusante)</p><p>(ABNT, 1998, p. 31).</p><p>Diante destas considerações, lembre-se, caro acadêmico, que aqui</p><p>apresentamos boas práticas para a concepção e elaboração do projeto, mas que</p><p>não pretendem ser exaustivas. Encorajamos que tenha na sua atuação profi ssional</p><p>um olhar crítico e atento as necessidades de maiores detalhes e especifi cações.</p><p>Dedique também um bom tempo na elaboração e revisão do projeto, afi nal, ele</p><p>será uma das suas principais ferramentas de comunicação.</p><p>3 CASOS PRÁTICOS – ANÁLISE DE PROJETOS DE INSTALAÇÃO</p><p>DE ÁGUA FRIA</p><p>PRÁTICA 4 – ANÁLISE DE PROJETO</p><p>60</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>Observe um exemplo de projeto de instalação de água fria de uma residência com</p><p>dois pavimentos e responda as perguntas:</p><p>Objetivo: analisar um projeto de instalação hidráulica de água fria residencial.</p><p>Conceitos: elementos de uma instalação de água fria. Representação gráfica em</p><p>projetos de instalação de água fria. Taxa de ocupação. Consumo unitário diário.</p><p>Consumo total diário de água fria na construção para fins de projeto. Volume de</p><p>reservatório único e superior.</p><p>Descrição dos procedimentos: definir número de habitantes na edificação (2 hab</p><p>x 2 dormitórios): Tabela 1; Definir consumo diário: Tabela 2; Calcular volume do</p><p>reservatório.</p><p>a) Quais equipamentos são alimentados pela coluna de água fria 3?</p><p>b) Qual o diâmetro nominal da tubulação de entrada e saída da caixa d’água?</p><p>c) Qual o diâmetro nominal do alimentar predial?</p><p>d)Defina o volume do reservatório da residência considerando que a edificação</p><p>é de padrão médio e que o reservatório poderá suprir uma demanda</p><p>correspondente a um dia.</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO DE INSTALAÇÃO DE ÁGUA FRIA</p><p>61</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>COMO PREVENIR VAZAMENTOS E INFILTRAÇÕES NO SISTEMA</p><p>HIDRÁULICO?</p><p>Análise periódica planejada ajuda a evitar esses e outros problemas como</p><p>entupimentos. Pode, também, apontar a necessidade de reformas ou atualizações.</p><p>Entenda e evite transtornos.</p><p>Problemas no sistema hidráulico têm potencial para desencadear diversas</p><p>outras complicações. Os vazamentos tendem a se transformar em infiltrações que</p><p>danificam o revestimento de paredes e pisos ou podem atingir instalações</p><p>elétricas expostas, causando curto-circuito. Em casos mais graves, até mesmo a</p><p>estrutura da edificação é afetada com o volume d’água que se acumula no subsolo</p><p>e compromete a fundação.</p><p>Verificações periódicas são fundamentais para assegurar que canos,</p><p>tubulações, válvulas e demais elementos estejam funcionando conforme</p><p>o esperado. O engenheiro Germano Hernandes Filho, diretor da Montage</p><p>Engenharia de Instalações, lembra que os prazos de garantia para materiais e</p><p>serviços hidráulicos são regulados pela ABNT NBR 15.575 – Desempenho de</p><p>Edificações Habitacionais. Assim, os serviços de instalação hidráulica têm garantia</p><p>de três anos. Contudo, Hernandes Filho sugere que sejam realizadas análises</p><p>anuais. A mesma frequência vale para prumadas/tubos de queda dos sistemas</p><p>de gás, água fria ou quente; esgoto sanitário; volumes pluviais; entre outros, que</p><p>têm garantia de cinco anos. Para determinados componentes, como registros,</p><p>louças, metais e flexíveis, a garantia é de um ano. No entanto, recomenda-se que</p><p>esses materiais sejam vistoriados semestralmente. “Em prédios com múltiplos</p><p>andares, quando há um adequado programa de manutenção, a verificação do</p><p>sistema hidráulico até pode ocorrer com espaçamento maior de tempo – que não</p><p>deve ser superior a 12 meses”, ressalta o engenheiro Jairo Paulo de Brito, sócio da</p><p>SR Projetos e Engenharia.</p><p>Segundo a ABNT NBR 14.037 – Diretrizes para Elaboração de Manuais</p><p>de Uso, Operação e Manutenção das Edificações – Requisitos para Elaboração e</p><p>Apresentação dos Conteúdos –, o proprietário ou a administração do condomínio</p><p>é obrigado a elaborar um programa de manutenção. “Cumprir o planejamento</p><p>garante o funcionamento do empreendimento, atendendo às condições de saúde,</p><p>segurança e salubridade”, acredita Hernandes.</p><p>PROBLEMAS COMUNS</p><p>Entre os problemas encontrados com maior frequência nos sistemas</p><p>hidráulicos, estão os vazamentos localizados nas redes primárias, na tubulação de</p><p>captação das águas pluviais ou nos pontos de consumo. Há ainda entupimentos</p><p>nas redes de esgoto sanitário e nos canos que conduzem a água da chuva. Em</p><p>https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/evite-encontre-e-elimine-vazamentos_6786_10_0</p><p>https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/calhas-e-rufos-podem-evitar-infiltracoes_8756_0_1</p><p>62</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>construções mais antigas, os defeitos geralmente estão nas prumadas, uma vez</p><p>que já atingiram sua vida útil e não receberam as manutenções necessárias, o que</p><p>causa vazamentos e infiltrações.</p><p>“Também são comuns falhas oriundas de alterações no sistema hidráulico</p><p>durante reformas. Geralmente, realizadas sem projeto, elas podem causar</p><p>imprevistos como infiltrações, retorno de fluidos e odor, além de vazamentos”,</p><p>comenta Brito, explicando</p><p>que essas situações motivaram a implantação</p><p>da ABNT NBR 16.280 – Reforma em Edificações – Sistema de Gestão de Reformas</p><p>– Requisitos. A norma exige que toda reforma tenha um responsável técnico, que</p><p>evitará complicações dessa natureza.</p><p>Ambos os especialistas concordam que seguir à risca o plano de manutenção</p><p>é a melhor maneira de evitar o surgimento de falhas. “Entretanto, depois que</p><p>os problemas já apareceram, a orientação é contar com profissional capacitado</p><p>para analisar e resolver a situação”, afirma o diretor da Montage Engenharia de</p><p>Instalações. É ele quem apontará a necessidade de uma intervenção parcial ou se</p><p>será preciso trabalho mais completo, que envolva todo o sistema.</p><p>REFORMA TOTAL</p><p>Quando se observa que vazamentos, infiltrações, entupimentos e liberação</p><p>de odores estranhos acontecem com frequência, torna-se interessante a reforma</p><p>total do sistema hidráulico. “Esses são sinais de que a instalação apresenta</p><p>deficiências”, alerta Brito. A situação pode ser agravada se complicações anteriores</p><p>foram sanadas por profissional sem experiência, pois ele pode ter alterado o</p><p>projeto original. Lidar com sistema diferente daquele que consta do projeto torna</p><p>a reforma ainda mais complicada.</p><p>Qualquer reforma tem de ser antecedida por uma minuciosa inspeção no</p><p>sistema, com o intuito de diagnosticar quais são os problemas e se eles podem ser</p><p>classificados como anomalia construtiva, falha de manutenção ou irregularidade</p><p>de uso. “O estudo possibilita classificar e determinar a ordem de prioridade dos</p><p>reparos a serem executados”, observa o sócio da SR Projetos e Engenharia.</p><p>Possíveis ampliações da edificação, com o acréscimo de novas áreas</p><p>molhadas, normalmente pedem atualização do sistema hidrossanitário. Afinal,</p><p>o volume previsto no projeto inicial será ultrapassado, tornando necessária a</p><p>reforma da rede já existente para suportar o fluxo adicional. “O projeto deve ser</p><p>realizado por profissional habilitado, pois envolve cálculos hidráulicos”, orienta</p><p>Hernandes.</p><p>“É essencial guardar o projeto executivo do empreendimento. Caso</p><p>alterações sejam feitas nas instalações ao longo dos anos, deve ser elaborado o</p><p>projeto de As Built, para que estejam sempre disponíveis todas as informações</p><p>atualizadas dos diferentes sistemas que compõem a edificação”, destacam Brito.</p><p>https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/dicas-para-reformar-conforme-a-nbr-16280_12115_0_1</p><p>https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/infiltracoes-nas-areas-molhadas-causam-danos-estruturais-e-gastos-excessivos_6692_0_0</p><p>https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/infiltracoes-nas-areas-molhadas-causam-danos-estruturais-e-gastos-excessivos_6692_0_0</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO DE INSTALAÇÃO DE ÁGUA FRIA</p><p>63</p><p>TRANSTORNO AOS MORADORES</p><p>A reforma do sistema hidráulico, inevitavelmente, causará transtornos</p><p>para os ocupantes da edifi cação. “O ideal é que os trabalhos aconteçam sem a</p><p>presença dos moradores”, recomenda Hernandes. Caso contrário, o melhor</p><p>caminho passa pela realização do procedimento em etapas, iniciando sempre por</p><p>locais onde os impactos serão menores.</p><p>A comunicação honesta com as pessoas afetadas também ajuda a</p><p>diminuir um pouco os traumas causados pela situação. “O ideal é que todos</p><p>sejam devidamente informados sobre os transtornos. Assim, no decorrer da obra,</p><p>saberão com o que estão lidando e não se sentirão ignorados”, declara Brito. A</p><p>execução de instalações provisórias que atendam às demandas dos ocupantes é</p><p>outra iniciativa que ajuda a reduzir interferências na rotina dos moradores.</p><p>É fundamental que, durante a reforma, sejam realizados testes ao fi nal de</p><p>cada etapa. “Com isso, evita-se que erros sejam percebidos somente quando todo</p><p>o procedimento for concluído, o que geraria a necessidade de retrabalhos e mais</p><p>transtornos”, adverte Brito (HERNANDES FILHO; BRITO, 2019).</p><p>FONTE: <https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/como-prevenir-vazamentos-e-infi ltracoes-</p><p>-no-sistema-hidraulico_17619_10_19>. Acesso em: 10 ago. 2020.</p><p>64</p><p>RESUMO DO TÓPICO 4</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Devem ser considerados princípios técnicos para a formulação, análise e</p><p>supervisão de projetos de instalação de água fria.</p><p>• Memorial descritivo, de cálculo, plantas e documento complementares</p><p>relacionados ao uso e manutenção da edificação compõe um projeto de</p><p>instalação de água fria.</p><p>• Conteúdo, forma e elementos de apresentação são padronizados e servem para</p><p>a boa comunicação entre as pessoas envolvidas com a execução do projeto.</p><p>Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem</p><p>pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao</p><p>AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.</p><p>CHAMADA</p><p>65</p><p>1 Elabore perguntas a serem realizadas para o cliente/usuário de uma</p><p>hipotética edificação residencial. Considere aspectos de economia, uso,</p><p>acessibilidade, projeto.</p><p>2 Na atividade de engenharia, é fundamental a busca por soluções integradas</p><p>entre projetos (instalação de água versus arquitetônico, estrutural e</p><p>instalações diversas). Apresentação de problemas que exigem um novo</p><p>traçado para a rede de água devido à presença de elementos arquitetônicos</p><p>e/ou estruturais.</p><p>a) Como corrigir este traçado?</p><p>b) Como corrigir este traçado (tubulação “exposta” na garagem)?</p><p>c) Como corrigir este traçado (tubulação “exposta” na garagem)?</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>66</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABNT. NBR 12218. Projeto de rede de distribuição de água para abastecimento</p><p>público: procedimento. 2017. Disponível em: https://www.abntcatalogo.com.br/</p><p>norma.aspx?ID=370933. Acesso em: 9 set. 2020.</p><p>ABNT. NBR 9575. Impermeabilização - Seleção e projeto. 2010. https://www.</p><p>abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=79173. Acesso em: 9 set. 2020.</p><p>ABNT. NBR 6118. Projeto de estruturas de concreto: procedimento. 2003.</p><p>Disponível em: https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/</p><p>construcao-de-edificios/abnt-6118-projeto-de-estruturas-de-concreto-</p><p>procedimento. Acesso em: 9 set. 2020.</p><p>ABNT. NBR 5626: Instalação predial de água fria. 1998. Disponível em: https://</p><p>ecivilufes.files.wordpress.com/2013/06/nbr-05626-1998-instalac3a7c3a3o-predial-</p><p>de-c3a1gua-fria.pdf. Acesso em: 11 ago. 2020.</p><p>AGUIAR J. Determinação do coeficiente c de Hazen-Willians. 2011. Disponível</p><p>em: https://www.jorcyaguiar.com/2011/11/determinacao-do-coeficiente-c-de-</p><p>hazen.html. Acesso em: 10 ago. 2020.</p><p>BOHN, A. R. Instalação predial de água fria. 2006. Disponível em: http://www.</p><p>labeee.ufsc.br/~luis/ecv5644/apostilas/af.pdf. Acesso em: 8 ago. 2020.</p><p>BOMBAS hidráulicas. Roteiro para projeto. 2016. Disponível em: https://</p><p>bombasemanutencao.blogspot.com/2016/08/roteiro-para-projeto.html. Acesso</p><p>em: 10 ago. 2020.</p><p>BOTELHO, M. H.; RIBEIRO JUNIOR. Instalações hidráulicas prediais</p><p>utilizando tubos plásticos. 4. ed. São Paulo: Blucher, 2014.</p><p>CARVALHO JÚNIOR, R. de. Instalações hidráulicas e o projeto de arquitetura.</p><p>8. ed. São Paulo: Blucher, 2014.</p><p>CREDER, H. Instalações hidráulicas e sanitárias. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC,</p><p>2006.</p><p>HERNANDES FILHO, G.; BRITO, J. P. Como prevenir vazamentos e</p><p>infiltrações no sistema hidráilico? 2019. Disponível em: https://www.aecweb.</p><p>com.br/cont/m/rev/como-prevenir-vazamentos-e-infiltracoes-no-sistema-</p><p>hidraulico_17619_10_19. Acesso em: 10 ago. 2020.</p><p>MACINTYRE, A. J. Instalações hidráulicas prediais e industriais. 3. ed. Rio de</p><p>Janeiro: LTC, 1996.</p><p>https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=79173</p><p>https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=79173</p><p>http://www.labeee.ufsc.br/~luis/ecv5644/apostilas/af.pdf</p><p>http://www.labeee.ufsc.br/~luis/ecv5644/apostilas/af.pdf</p><p>https://bombasemanutencao.blogspot.com/2016/08/roteiro-para-projeto.html</p><p>https://bombasemanutencao.blogspot.com/2016/08/roteiro-para-projeto.html</p><p>67</p><p>NARCHI, H. A demanda doméstica de água. Revista DAE, v. 49, n. 154, p. 1-7,</p><p>jan./mar. 1989.</p><p>OLIVEIRA C. C.; SILVEIRO A. P. D. Redução de pressão</p><p>e economia de água</p><p>em apartamentos. 2018. Disponível em: http://www.arandanet.com.br/</p><p>assets/revistas/hydro/2018/janeiro/index.php. Acesso em: 5 ago. 2020.</p><p>SABESP. Caixa d’agua. 2016. Disponível em: http://site.sabesp.com.br/SITE/</p><p>interna/Default.aspx?secaoId=622. Acesso em: 11 ago. 2020.</p><p>SCHENEIDER motobombas. Manual técnico. 2006. Disponível em: https://wiki.</p><p>sj.ifsc.edu.br/wiki/images/a/af/Scheneider.pdf. Acesso em: 21 ago. 2019.</p><p>TACHINI, M. Apostila de Instalações prediais de água fria. Blumenau:</p><p>Universidade Regional de Blumenau, 2015.</p><p>TIGRE. Manual técnico Tigre: Orientações técnicas sobre instalações hidráulicas</p><p>prediais. 2013. Disponível em: https://tigrecombr-prod.s3.amazonaws.com/</p><p>default/files/2019-08/Tigre_Manual+Tecnico.pdf. Acesso em: 18 ago. 2020.</p><p>VIANA D. Perda de carga: entenda o que é. 2019. Disponível em: https://www.</p><p>guiadaengenharia.com/perda-carga/. Acesso em 2 ago. 2020.</p><p>http://www.arandanet.com.br/assets/revistas/hydro/2018/janeiro/index.php</p><p>http://www.arandanet.com.br/assets/revistas/hydro/2018/janeiro/index.php</p><p>http://site.sabesp.com.br/SITE/interna/Default.aspx?secaoId=622</p><p>http://site.sabesp.com.br/SITE/interna/Default.aspx?secaoId=622</p><p>https://wiki.sj.ifsc.edu.br/wiki/images/a/af/Scheneider.pdf</p><p>https://wiki.sj.ifsc.edu.br/wiki/images/a/af/Scheneider.pdf</p><p>https://www.guiadaengenharia.com/perda-carga/</p><p>https://www.guiadaengenharia.com/perda-carga/</p><p>68</p><p>69</p><p>UNIDADE 2 —</p><p>PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE</p><p>ESGOTO SANITÁRIO</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• avaliar e definir parâmetros e critérios tecnicamente adequados para ins-</p><p>talações de esgoto sanitário;</p><p>• dimensionar e especificar elementos de um sistema de esgotamento sani-</p><p>tário;</p><p>• projetar um sistema de tratamento individual aplicado em residência e</p><p>estabelecimentos diversos;</p><p>• elaborar e compreender projetos de instalações de esgoto sanitário com</p><p>aprofundado aporte teórico e prático.</p><p>Esta unidade está dividida em 4 tópicos. No decorrer da unidade você</p><p>encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO: ASPECTOS</p><p>GERAIS</p><p>TÓPICO 2 – ELEMENTOS DE UM SISTEMA DE ESGOTO SANITÁRIO:</p><p>COMO DIMENSIONAR?</p><p>TÓPICO 3 – TRATAMENTO INDIVIDUAL DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>TÓPICO 4 – BOAS PRÁTICAS DE PROJETO</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos</p><p>em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá</p><p>melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>70</p><p>71</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>O consumo de água na construção gera vários benefícios para o usuário</p><p>e cria novos desafios para os projetistas. Você pode imaginar quais? Se por um</p><p>lado, garantimos o fornecimento e o consumo de água com padrões adequados</p><p>em termos de vazão, pressão, velocidade e potabilidade, por outro, surge a</p><p>necessidade de gerenciar todo o esgoto produzido.</p><p>Caberá à instalação de esgoto sanitário essa importante função de coletar,</p><p>transportar e em alguns casos tratar o esgoto de domicílios, estabelecimentos</p><p>comerciais e indústrias. Focaremos nosso estudo na instalação de esgoto sanitário</p><p>proveniente de domicílios, embora sejam abordados conceitos importantes para</p><p>todos os tipos de projetos.</p><p>Podemos definir a instalação de esgoto sanitário como um conjunto de</p><p>tubulações, equipamentos e acessórios de conexão com ou sem acesso a coletores</p><p>públicos (ABNT, 1999). Por meio dela, buscaremos garantir higiene, conforto,</p><p>segurança e sustentabilidade ambiental à construção.</p><p>A NBR 8160:1999 – Instalações prediais de esgoto sanitário – será a nossa</p><p>guia para determinarmos critérios e parâmetros de projeto. Ressaltamos que é de</p><p>suma importância a leitura completa para conceber e desenvolver um projeto de</p><p>instalação de esgoto sanitário que:</p><p>• proteja a saúde do usuário, evite a contaminação do meio ambiente e previna</p><p>problemas patológicos nas construções;</p><p>• proporcione um adequado fluxo do esgoto produzido (água servida), evitando</p><p>a criação de depósito de sedimentos e dejetos na tubulação;</p><p>• impeça que gases, eventualmente produzidos no interior do sistema, gerem</p><p>desconforto e insegurança aos usuários da construção;</p><p>• permita a fácil inspeção dos componentes do sistema, sem prejuízo à higiene e</p><p>limpeza da construção.</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO: ASPECTOS</p><p>GERAIS</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>72</p><p>No Brasil adota-se o sistema de separação absoluta, isto é, o esgoto bruto ou</p><p>tratado é coletado por uma rede pública diferente daquela destinada à água pluvial (água</p><p>da chuva escoada superficialmente). Portanto, em nenhuma hipótese deve-se encaminhar</p><p>água pluvial para a instalação de esgoto sanitário (ABNT, 1999).</p><p>NOTA</p><p>A forma adequada de destinação final do esgoto sanitário dependerá da</p><p>realidade do município em que se encontra a construção. Uma primeira opção é</p><p>encaminhá-lo para uma rede coletora pública, conectada a um sistema coletivo de</p><p>tratamento (Estação de Tratamento de Esgoto – ETE). Na ausência deste sistema,</p><p>recomenda-se o tratamento individual, ou seja, um sistema próprio de tratamento</p><p>do esgoto sanitário.</p><p>Conheceremos, nesta nnidade, os elementos, as especificações e os critérios</p><p>de projeto de uma instalação de esgoto domiciliar (Tópico 1 e 2). Além disso,</p><p>nos debruçaremos no estudo de sistemas de tratamento individual (Tópico 3).</p><p>Esperamos que o conteúdo ofereça uma formação ampla, prática e aprofundada</p><p>na área de instalações de esgoto sanitário.</p><p>2 ELEMENTOS DA INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>Caro acadêmico, neste item, abordaremos os principais elementos de</p><p>instalação de esgoto sanitário em banheiros, cozinhas, áreas de serviço e limpeza.</p><p>Os componentes que estudaremos estão listados a seguir:</p><p>• aparelho sanitário;</p><p>• caixa/ralo sifonado;</p><p>• ramal de descarga;</p><p>• ramal de esgoto;</p><p>• tubo de queda;</p><p>• coluna de ventilação;</p><p>• caixa de inspeção;</p><p>• caixa de gordura;</p><p>• subcoletores e coletor predial.</p><p>Você já ouviu falar de algum deles? Veremos agora suas descrições,</p><p>especificações e funções na instalação.</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO: ASPECTOS GERAIS</p><p>73</p><p>2.1 BANHEIROS</p><p>De acordo com Botelho e Ribeiro Junior (2014, p. 195, grifo do autor), a</p><p>instalação de esgoto sanitário pode ser descrita a partir de seus elementos como:</p><p>[...] um sistema que se inicia em um aparelho sanitário, (lavatório,</p><p>banheira etc.), do qual a água servida passa para uma tubulação (ramal</p><p>de descarga), que deságua em uma caixa sifonada. Esta também,</p><p>recebendo outros ramais, concentra as descargas e deságua por meio</p><p>de outra tubulação (ramal de esgoto), em uma caixa de inspeção. A</p><p>partir desta caixa se desenvolve o coletor, último trecho da tubulação,</p><p>horizontal, que carrega os esgotos até a sua ligação final ao coletor</p><p>público ou em uma disposição individual [...].</p><p>Na Figura 1, apresenta-se os principais elementos da instalação de esgoto</p><p>de um banheiro. Observam-se alguns elementos mencionados anteriormente por</p><p>Botelho e Ribeiro Junior (2014, p. 195), incluindo outros componentes como a</p><p>tubulação de queda e a coluna de ventilação.</p><p>O aparelho sanitário fornece água para fins higiênicos ou recebe dejetos</p><p>provenientes de seu consumo (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014). É o caso de</p><p>vasos sanitários, lavatórios, ralos e chuveiros. Tratam-se dos mesmos aparelhos</p><p>sanitários que estudamos na Unidade 1 – Práticas de Instalações Hidráulicas de</p><p>Água Fria.</p><p>Observe que a saída destes aparelhos sanitários conecta-se ao ramal de</p><p>descarga. O elemento recebe diretamente o esgoto dos aparelhos e pode ser</p><p>dividido em dois tipos. Chama-se de tubulação primária quando há jusante de</p><p>algum desconector e tubulação secundária quando há montante (CREDER, 2006).</p><p>FIGURA 1 – ELEMENTOS BÁSICOS DA INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO DE UM BANHEIRO</p><p>FONTE: Adaptado de Tigre (2013, p. 111)</p><p>CAIXA</p><p>SIFONADA</p><p>RALO SECO</p><p>RAMAL DE DESCARGA</p><p>BACIA SANITÁRIA</p><p>RAMAL DO ESGOTO</p><p>RAMAL DE</p><p>VENTILAÇÃO</p><p>COLUNA DE</p><p>VENTILAÇÃO</p><p>TUBO DE</p><p>QUEDA</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>74</p><p>O desconector é “um dispositivo dotado de fecho hídrico, destinado</p><p>a vedar a passagem de gases e insetos, no sentido oposto ao fluxo do esgoto”</p><p>(BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014, p. 196). Sifões, bacias sanitárias, ralos</p><p>e caixas sifonadas são exemplos de desconectores, porque “desconectam” a</p><p>edificação do mau cheiro e dos insetos presentes na instalação.</p><p>Na Figura 2, apresenta-se um sifão, tipo desconector muito utilizado</p><p>nas saídas dos lavatórios (pias). Observe que todo desconector funciona a partir</p><p>de um princípio básico da hidráulica, conhecido como princípio dos vasos</p><p>comunicantes. Quando o aparelho não é utilizado, o nível d’água nas duas seções</p><p>da tubulação “em comunicação” forma um fecho/bloqueio hídrico (Figura 2) que</p><p>impede a passagem do mau cheiro, gases e insetos.</p><p>FIGURA 2 – SIFÃO COM REPRESENTAÇÃO DO FECHO HÍDRICO QUANDO NÃO SE UTILIZA O</p><p>APARELHO SANITÁRIO CONECTADO À ENTRADA</p><p>FONTE: Adaptado de Dalcin (2015)</p><p>Observe se há um sifão nos lavatórios da sua residência. A disposição deles</p><p>está adequada a partir da Figura 2? Olhe também a parte inferior externa das bacias</p><p>sanitárias. Perceba o formato sifonado, típico de um desconector que permite a formação</p><p>de um fecho hídrico.</p><p>NOTA</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO: ASPECTOS GERAIS</p><p>75</p><p>O mesmo princípio se aplica também à caixa sifonada (Figura 1). Trata-</p><p>se de um dispositivo que recebe esgoto de diversos aparelhos de uma mesma</p><p>unidade. Quando provida de grelha coletora é denominada como ralo sifonado</p><p>(Figura 3), sendo capaz de receber a água escoada superficialmente pelo piso</p><p>(CARVALHO JÚNIOR, 2014). Os ralos secos são aqueles que não possuem o</p><p>sistema de sifão e apenas encaminham a água servida para um ramal de descarga</p><p>(Figura 1).</p><p>A localização das caixas e ralos sifonados é de suma importância para que</p><p>receba os ramais de descarga e direcione a água servida para o ramal de esgoto</p><p>(Figura 1). Ralos sifonados em geral são instalados dentro do box do chuveiro.</p><p>Assim evita-se a execução de mais uma caixa sifonada para que o fecho hídrico</p><p>seja realizado. O local de instalação do ralo deve ser distante da passagem dos</p><p>usuários para evitar danos ou a derrubada de materiais (CARVALHO JÚNIOR,</p><p>2014).</p><p>FIGURA 3 – RALO SIFONADO: A) EXEMPLO DE PEÇA COMERCIAL; B) FUNCIONAMENTO E</p><p>BLOQUEIO DO RETORNO DE GASES E INSETOS</p><p>FONTE: Adaptada de Fortlev (c2020)</p><p>O ramal de esgoto recebe esgoto dos ramais de descarga (dois ou mais)</p><p>(BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014). Nos banheiros e lavabos sua origem se dá</p><p>em ralos ou caixas sifonadas (Figura 1). Em pavimentos superiores, encaminham</p><p>o esgoto até o tubo de queda. Nas edificações, “[...] o ramal de esgoto do térreo</p><p>deverá ser ligado diretamente à caixa de inspeção, por tubulação independente”</p><p>sem receber esgoto de outros pavimentos (CARVALHO JÚNIOR, 2014, p. 145).</p><p>O tubo de queda é uma tubulação vertical que recebe a água servida</p><p>de ramais de descarga ou de esgoto de pavimento superiores (Figura 1). Sua</p><p>execução deve possuir um único alinhamento vertical, de forma que evite curvas</p><p>e desvios (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014).</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>76</p><p>Os tubos de queda são necessários em edificações com dois ou mais</p><p>pavimentos e não deve possuir diâmetro inferior ao da tubulação conectada a</p><p>montante (tubulação anterior). Normalmente, possuem diâmetro de 100 mm</p><p>quando recebem esgoto de banheiros e 75 mm quando recebem esgoto da cozinha</p><p>e áreas de serviço (CARVALHO JÚNIOR, 2014).</p><p>Em alguns casos, o tubo de queda pode se prolongar acima da cobertura</p><p>(≥ 30 cm), de forma que funcione também como coluna de ventilação (BOTELHO;</p><p>RIBEIRO JUNIOR, 2014). A coluna de ventilação tem como função primordial</p><p>permitir a passagem de ar da atmosfera para o interior das tubulações (CARVALHO</p><p>JÚNIOR, 2014). A NBR 8160:1999 exige que colunas de ventilação sejam ligadas</p><p>a todas as tubulações primárias de esgoto, quer seja pelo prolongamento do tubo</p><p>de queda, quer seja por uma tubulação em específico.</p><p>Botelho e Ribeiro Junior (2014) afirmam que toda edificação deve possuir</p><p>no mínimo um tubo ventilador de diâmetro nominal (DN) 100 mm (pode ser</p><p>reduzido para DN 75 no caso de edificações residenciais com até três vasos</p><p>sanitários). No topo das colunas de ventilação deve-se prever uma proteção para</p><p>que não haja entrada da água de chuva (Figura 4). É recomendável a colocação de</p><p>uma tela de nylon na saída da tubulação.</p><p>FIGURA 4 – TOPO DA COLUNA DE VENTILAÇÃO NA COBERTURA DE UMA RESIDÊNCIA</p><p>FONTE: Adaptado de Getty Images apud Nakamura (2015)</p><p>3 COZINHA, ÁREAS DE SERVIÇO E LIMPEZA GERAL</p><p>Na Figura 5, podemos observar os elementos típicos da instalação de</p><p>esgoto sanitário de uma cozinha e área de serviço. Observe a presença de um</p><p>ramal de descarga para cada um dos aparelhos sanitários. O ramal da máquina</p><p>de lavar roupa conecta-se a um ralo sifonado e na cozinha observa-se a ligação</p><p>direta da pia com uma caixa de gordura.</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO: ASPECTOS GERAIS</p><p>77</p><p>FIGURA 5 – ELEMENTOS BÁSICOS DA INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO DE UMA COZI-</p><p>NHA, ÁREAS DE SERVIÇO E LIMPEZA</p><p>FONTE: Adaptado de Tigre (2013)</p><p>A caixa de inspeção tem a função de unir diversos ramais da instalação</p><p>de esgoto, possibilitar mudanças de direção do fluxo e a limpeza das tubulações.</p><p>Quando há trechos extensos de tubulação usualmente coloca-se uma caixa de</p><p>inspeção a cada 12 metros, o qual facilita a limpeza da rede (BOTELHO; RIBEIRO</p><p>JUNIOR, 2014).</p><p>As caixas de inspeção devem ser instaladas no máximo a 2 metros de</p><p>distância da saída dos tubos de queda. O dispositivo pode ser construído de</p><p>alvenaria ou plástico, com altura útil máxima de 1 metro e laterais (ou diâmetro)</p><p>mínimo de 60 cm (CARVALHO JÚNIOR, 2014).</p><p>A produção de esgoto na cozinha das edificações exige a separação da</p><p>gordura e óleos. Para isso utiliza-se um dispositivo conhecido como caixa de</p><p>gordura, responsável por:</p><p>[...] separar e reter gorduras, graxos e óleos indesejáveis contidos no</p><p>esgoto, provenientes de dejetos de pias de copas e cozinhas, (limpeza</p><p>dos pratos e utensílios e preparação de alimentos, ou tanques de</p><p>despejo), impedindo-os de escoarem pelas tubulações, nas quais</p><p>obstruirão as mesmas, além de possibilitar a limpeza periódica do</p><p>sistema (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014, p. 200).</p><p>As caixas de gordura realizam a decantação da gordura e óleos para o fundo</p><p>do dispositivo aproveitando a ação da gravidade (Figura 6a). Ela pode ser fabricada</p><p>com alvenaria, concreto armado, plástico ABS (Figura 6b), fibra de vidro ou outro</p><p>material que suporte os componentes químicos agressivos presentes no esgoto.</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>78</p><p>FIGURA 6 – CAIXA DE GORDURA: A) PERFIL ESQUEMÁTICO; B) PEÇA COMERCIAL EM PLÁSTI-</p><p>CO ABS</p><p>FONTE: Adaptado de Tigre (2018)</p><p>Na execução de elementos cimentícios, para a instalação de esgoto sanitário,</p><p>procure utilizar cimento Portland resistente a sulfatos (RS). A presença de sulfatos no esgoto</p><p>doméstico pode lixiviar o concreto e acelerar o processo de corrosão das armaduras</p><p>(NEVILLE; BROOKS, 2013).</p><p>NOTA</p><p>A NBR 8160 permite utilizar uma caixa de gordura pequena ou simples,</p><p>para a coleta de apenas uma cozinha, sendo que esta também determina seus</p><p>diâmetros mínimos (ABNT, 1999). Veremos mais detalhes de seu dimensionamento</p><p>nos próximos tópicos.</p><p>No final da instalação, observamos dois elementos da rede, após os ramais</p><p>de esgoto, tubos de queda ou a caixa de gordura: são os subcoletores e o coletor</p><p>predial (Figura 7). Ambos possuem a função de transportar o esgoto sanitário</p><p>para um coletor</p><p>público ou um sistema de tratamento individual.</p><p>Na Figura 7, apresenta-se uma planta baixa que aponta elementos da</p><p>instalação de esgoto sanitário em uma residência. Observe a identificação e</p><p>o posicionamento dos subcoletores e do coletor predial. Aproveite a Figura 7</p><p>para identificar outros elementos já apresentados neste livro. Você já consegue</p><p>reconhecer alguns?</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO: ASPECTOS GERAIS</p><p>79</p><p>FIGURA 7 – PLANTA BAIXA DE UMA CONSTRUÇÃO: LOCALIZAÇÃO DE SUBCOLETORES E DO</p><p>COLETOR PREDIAL DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>FONTE: O Autor</p><p>Em geral, quando no município há o tratamento coletivo do esgoto sanitário, o</p><p>coletor predial se conectará a um TIL – Tubo de Inspeção e Limpeza. O TIL frequentemente</p><p>é encontrado nos passeios públicos. Caso se instale uma válvula de retenção de esgoto (o</p><p>que evita o retorno do esgoto da rede para a instalação da construção), deve-se instalá-la</p><p>sempre a montante do TIL.</p><p>NOTA</p><p>Observados os principais e mais utilizados elementos da instalação de</p><p>esgoto sanitário, você pode ter se perguntado como o transporte dos dejetos é</p><p>viabilizado. Serão utilizadas bombas como foi no caso das instalações de água fria?</p><p>Na maioria dos casos, projetamos instalações que garantam o transporte</p><p>do esgoto por meio da ação da força da gravidade. É a forma mais prática e</p><p>barata. Portanto, fique atento, é importante garantir o fluxo hidráulico por meio</p><p>da declividade da tubulação. Veremos no próximo tópico alguns critérios para</p><p>definir este parâmetro físico.</p><p>80</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• A instalação de esgoto sanitário deve garantir higiene, conforto, segurança e</p><p>sustentabilidade ambiental à construção por meio do uso de seus mais diversos</p><p>elementos.</p><p>• Cada elemento da instalação de esgoto sanitário deve ser projetado a partir dos</p><p>princípios da física e da hidráulica.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>81</p><p>1 As figuras a seguir apresentam alguns desconectores empregados nas</p><p>instalações de esgoto sanitário. Avalie a condições técnicas deles (se correta</p><p>ou incorreta) e justifique sua resposta, caso haja alguma inadequação.</p><p>Objetivo: analisar desconectores empregados nas instalações de esgoto</p><p>sanitário.</p><p>Descrição dos procedimentos: observar as figuras; apontar se os desconectores</p><p>estão corretos ou incorretos tecnicamente; justificar resposta nos casos em que</p><p>há problema técnico.</p><p>a) Sifão de lavatório</p><p>Correta ( )</p><p>Incorreta ( )</p><p>Por quê?__________________________________________</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>FONTE: Adaptado de Blukit (2019)</p><p>FONTE: Autor (2019)</p><p>b) Sifão de lavatório</p><p>Correta ( )</p><p>Incorreta ( )</p><p>Por quê? ___________________________________________</p><p>82</p><p>c) Caixa sifonada</p><p>Correta ( )</p><p>Incorreta ( )</p><p>Por quê?________________________________________</p><p>FONTE: Adaptado de Tigre (2013)</p><p>83</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>No Tópico 1, conhecemos os principais elementos da instalação predial de</p><p>esgoto, agora teremos a oportunidade de estudar o seu dimensionamento. Para</p><p>esta etapa destacamos dois parâmetros importantes: a declividade das tubulações</p><p>e a Unidade Hunter de Contribuição.</p><p>Em relação à declividade, usualmente adota-se declividade mínima de</p><p>2% para tubulações de diâmetro nominal igual ou menor que 75 mm e 1% para</p><p>diâmetros superiores (CARVALHO JÚNIOR, 2014). No caso de subcoletores</p><p>e coletores prediais a declividade mínima pode ser, além dos valores citados</p><p>anteriormente, de 0,5% e 4% e a máxima a ser adotada deve ser de 5% (ABNT,</p><p>1999). Na Tabela 1, apresentamos uma síntese destas recomendações.</p><p>TÓPICO 2 —</p><p>INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO: COMO</p><p>DIMENSIONAR?</p><p>Tubulação Declividade (%)</p><p>Mínima Máxima</p><p>Ramal ≤ DN 75 mm 2,0 -</p><p>Ramal > DN 75 mm 1,0 -</p><p>Subcoletor 0,5 5,0</p><p>Coletor predial 0,5 5,0</p><p>TABELA 1 – DECLIVIDADES MÍNIMAS E MÁXIMAS PARA CADA TUBULAÇÃO DA INSTALAÇÃO DE</p><p>ESGOTO SANITÁRIO: DIRETRIZES DA NBR 8160</p><p>FONTE: Adaptado de ABNT (1999, p. 4-5)</p><p>Os valores mínimos são estabelecidos para que se evite a sedimentação e</p><p>acumulação de dejetos nas tubulações, garantindo o funcionamento hidráulico</p><p>do sistema. A definição da declividade de toda a instalação deve ser definida de</p><p>jusante para montante. Portanto, inicialmente, a declividade será dependente da</p><p>cota do coletor público (TIL) ou do sistema de tratamento individual de esgoto</p><p>(trecho final da instalação). Perceba que para isso será importante considerar a</p><p>topografia do terreno da construção.</p><p>84</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>O que significa dizer que uma tubulação possui inclinação/declividade/</p><p>caimento de 1%? Observe a figura a seguir: a porcentagem é o resultado da relação entre o</p><p>desnível máximo e o comprimento do trecho tubulado. A unidade de medida pode ser em</p><p>metros, centímetros ou milímetros.</p><p>NOTA</p><p>No dimensionamento das tubulações de esgoto sanitário leva-se em</p><p>conta também uma “pontuação” que quantifica a contribuição de cada aparelho</p><p>sanitário. É a Unidade Hunter de Contribuição (UHC), uma espécie de “peso”,</p><p>semelhante ao que estudamos no dimensionamento de tubulações da instalação</p><p>de água fria (CARVALHO JÚNIOR, 2014).</p><p>A UHC vai se acumulando na medida em que aumenta o número</p><p>de aparelhos sanitários contribuintes no trecho. Portanto, a ordem de</p><p>dimensionamento corresponderá ao sentido do fluxo do esgoto sanitário. Veremos</p><p>que a NBR 8160 (ABNT, 1999) fornece diferentes tabelas para o dimensionamento</p><p>de cada tipo de tubulação (ramais de esgoto, tubos de queda, subcoletores e</p><p>coletor predial, ramais e colunas de ventilação).</p><p>Vale destacar que o processo de dimensionamento pode estar sujeito</p><p>à regulação de cada município (MACINTYRE, 1996). Em alguns casos, estas</p><p>divergências podem ser quanto à UHC, como para a declividade. Em todo caso,</p><p>é sempre importante conferir a legislação local e adotar a recomendação mais</p><p>restritiva.</p><p>2 ELEMENTOS: TUBULAÇÕES E CAIXAS DE INSTALAÇÃO</p><p>Os elementos que compõem uma instalação de esgoto e que aprenderemos</p><p>a dimensionar neste tópico serão:</p><p>• ramal de descarga;</p><p>• ramal de esgoto;</p><p>• tubo de queda;</p><p>• subcoletores e coletor predial;</p><p>• ramal e coluna de ventilação;</p><p>TÓPICO 2 — INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO: COMO DIMENSIONAR?</p><p>85</p><p>• caixa/ralo sifonado;</p><p>• caixa de gordura;</p><p>• caixa de inspeção.</p><p>2.1 RAMAL DE DESCARGA E ESGOTO</p><p>O ramal de descarga e o ramal de esgoto são dimensionados a partir de um</p><p>mesmo procedimento, embora sejam utilizadas diferentes fontes de informação</p><p>(Tabela 2, 3 e 4). Em ambos, considera-se a UHC do aparelho sanitário em que</p><p>está conectada a tubulação.</p><p>Na Tabela 2, apresenta-se a UHC correspondente a cada aparelho sanitário</p><p>para o dimensionamento do ramal de descarga. Observe que há uma relação</p><p>proporcional entre o número UHC e o diâmetro nominal mínimo. Portanto, se um</p><p>ramal de descarga receber água servida de uma banheira residencial, sua UHC será</p><p>de 2, com diâmetro nominal (DN) mínimo recomendado de 40 mm (ABNT, 1999).</p><p>Aparelho Sanitário Número de</p><p>UHC</p><p>Diâmetro</p><p>nominal</p><p>mínimo</p><p>Bacia sanitária 6 100</p><p>Banheira de residência 2 40</p><p>Bebedouro 0,5 40</p><p>Bidê 1 40</p><p>Chuveiro Residencial 2 40</p><p>Coletivo 4 40</p><p>Lavatório Residencial 1 40</p><p>Uso geral 2 40</p><p>Mictório</p><p>Válvula de descarga 6 75</p><p>Caixa de descarga 5 50</p><p>Descarga Automática 2 40</p><p>De calha 2* 50</p><p>Pia de cozinha residencial 3 50</p><p>Pia de cozinha industrial Preparação 3 50</p><p>Lavagem (panelas) 4 50</p><p>Tanque de lavar roupas 3 40</p><p>Máquina de lavar louças 2 50**</p><p>Máquina de lavar roupas 3 50**</p><p>* Mictório (por metro de calha) – considerar como ramal de esgoto</p><p>** Devem ser consideradas as recomendações dos fabricantes</p><p>TABELA 2 – UHC DOS APARELHOS SANITÁRIOS E DIÂMETRO NOMINAL MÍNIMO DOS RAMAIS</p><p>DE DESCARGA</p><p>FONTE: Adaptado de ABNT (1999, p. 16)</p><p>86</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>Caso se depare com aparelhos não descritos na Tabela</p><p>2 (por exemplo,</p><p>lavabo cirúrgico, banheira hidroterápica etc.) verifique a UHC por meio das</p><p>especificações do próprio fabricante do aparelho. Deste modo, com a UHC “em</p><p>mãos”, dimensione o ramal de descarga, a partir dos dados da Tabela 3.</p><p>Número de</p><p>UHC</p><p>Diâmetro nominal</p><p>do ramal</p><p>2 40</p><p>3 50</p><p>5 75</p><p>6 100</p><p>TABELA 3 – DIMENSIONAMENTO PARA APARELHOS NÃO RELACIONADOS NA NBR 8160</p><p>FONTE: Adaptado de ABNT (1999, p. 17)</p><p>A tubulação de saída de uma caixa ou ralo sifonada é conhecida como</p><p>ramal de esgoto, ou seja, ela recebe a contribuição de um ou mais ramais de</p><p>descarga. O ramal de esgoto pode se estender até um tubo de queda ou caixa de</p><p>inspeção. Na Tabela 4 se apresenta a relação entre a somatória da UHC (soma das</p><p>UHC dos ramais de descarga ligados ao ramal de esgoto) e o diâmetro mínimo a</p><p>ser adotado.</p><p>Somatório</p><p>dos UHC</p><p>Diâmetro nominal mínimo</p><p>do ramal de esgoto</p><p>3 40</p><p>6 50</p><p>20 75</p><p>160 100</p><p>620 160</p><p>TABELA 4 – UHC DOS APARELHOS SANITÁRIOS E DIÂMETRO NOMINAL MÍNIMO DO RAMAL</p><p>DE ESGOTO</p><p>FONTE: Adaptado de ABNT (1999, p. 17)</p><p>Podemos inferir que se um ramal de esgoto recebe as contribuições de</p><p>três ramais de descarga residenciais provenientes de 1 chuveiro, 1 lavatório e</p><p>1 bidê, o somatório da UHC será igual a 4 (Tabela 1). Portanto, o diâmetro do</p><p>ramal de esgoto deverá ser de 50 mm (Tabela 3). Atenção ao diâmetro mínimo</p><p>das tubulações: segundo Botelho e Ribeiro Junior (2014), 50 mm é o diâmetro</p><p>nominal mínimo do ramal de esgoto que receba esgoto de lavatórios, banheiras,</p><p>ralos, bidês e tanques.</p><p>TÓPICO 2 — INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO: COMO DIMENSIONAR?</p><p>87</p><p>2.2 TUBO DE QUEDA</p><p>O tubo de queda é uma tubulação vertical, presente em construção com</p><p>dois ou mais pavimentos, responsável por encaminhar o esgoto do ramal a uma</p><p>caixa de inspeção. Seu dimensionamento também é realizado em função do</p><p>somatório de UHC dos ramais de esgoto conectados ao elemento (a montante).</p><p>Na Tabela 5, apresenta-se o diâmetro mínimo a ser adotado a partir do</p><p>número de pavimentos da construção e do somatório das UHC das tubulações</p><p>contribuintes. A tubulação deve ter diâmetro constante. Portanto, considera-se</p><p>a somatória das UHC máxima, obtida com a contribuição de todos os ramais de</p><p>esgoto conectados da edificação.</p><p>Número máximo de UHC Diâmetro</p><p>nominal do</p><p>tubo de queda</p><p>Edificação de até</p><p>3 pavimentos</p><p>Edificação com mais de 3</p><p>pavimentos</p><p>4 8 40</p><p>50</p><p>75</p><p>100</p><p>150</p><p>200</p><p>250</p><p>300</p><p>10 24</p><p>30 70</p><p>240 500</p><p>960 1900</p><p>2200 3600</p><p>3800 5600</p><p>6000 8400</p><p>TABELA 5 – DIMENSIONAMENTO DE TUBOS DE QUEDA</p><p>FONTE: Adaptado de ABNT (1999, p. 18)</p><p>Lembre-se de que o diâmetro da tubulação de queda não deve ser menor</p><p>que o diâmetro dos seus ramais contribuintes (ABNT, 1999). Tubos de queda</p><p>devem possuir no mínimo 75 mm quando recebem esgotos de pia de cozinha. Em</p><p>edificação de até dois pavimentos, o diâmetro nominal mínimo para o tubo de</p><p>queda deve ser de 50 mm (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014).</p><p>2.3 SUBCOLETOR E COLETOR PREDIAL</p><p>O dimensionamento dos subcoletores e coletores prediais depende</p><p>da declividade estabelecida, bem como da UHC acumulada das tubulações</p><p>contribuintes. A declividade deverá ser estabelecida pelo projetista a partir das</p><p>limitações normativas (Tabela 1). Ela será adotada em função das condições físicas</p><p>do local: nível do terreno da construção, cota do coletor público ou profundidade</p><p>de entrada do sistema de tratamento individual.</p><p>88</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>Na Tabela 6, apresentam-se os critérios para o dimensionamento de</p><p>subcoletores e coletores da instalação de esgoto sanitário. O diâmetro adotado</p><p>dependerá do somatório das UHC das tubulações contribuintes e da declividade</p><p>da tubulação dimensionada (subcoletor ou coletor).</p><p>Número máximo de UHC em função das declividades</p><p>mínimas (%)</p><p>Diâmetro</p><p>nominal de</p><p>subcoletores e</p><p>coletores0,5 1 2 4</p><p>- 180 216 250 100</p><p>- 700 840 1000 150</p><p>1400 1600 1920 2300 200</p><p>2500 2900 3500 4200 250</p><p>3900 4600 5600 6700 300</p><p>7000 8300 10000 12000 400</p><p>TABELA 6 – DIMENSIONAMENTO DE SUBCOLETORES E COLETOR PREDIAL</p><p>FONTE: Adaptado de ABNT (1999, p.18)</p><p>Vejamos um exemplo de dimensionamento a partir da instalação</p><p>representada na Figura 8. A planta corresponde a uma edificação com 5</p><p>pavimentos. Os trechos nomeados de “A” a “I” correspondem aos subcoletores.</p><p>FIGURA 8 – PLANTA BAIXA DA INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO DE EDIFICAÇÃO COM 5</p><p>PAVIMENTOS: ANDAR TÉRREO</p><p>FONTE: Adaptado de Botelho e Ribeiro Junior (2014, p. 230)</p><p>TÓPICO 2 — INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO: COMO DIMENSIONAR?</p><p>89</p><p>Na Figura 8, observamos os tubos de queda (TQ) conectados a suas</p><p>respectivas caixas de inspeção (CI) por meio dos subcoletores. Lembre-se que</p><p>a distância entre a saída do TQ e a CI não deve ser maior que 2 metros. Agora,</p><p>suponha que a somatória das UHC de cada tubo de queda seja a descrita na</p><p>Tabela 7.</p><p>Tubo de</p><p>queda</p><p>Número</p><p>de UHC</p><p>TQ 1 77</p><p>TQ 2 144</p><p>TQ 3 56</p><p>TQ 4 72</p><p>TQ 5 70</p><p>TABELA 7 – SOMATÓRIO DE UHC CORRESPONDENTE PARA CADA TUBO DE QUEDA</p><p>FONTE: Botelho e Ribeiro Junior (2014, p. 229)</p><p>Considerando as conexões representadas na Figura 8, o dimensionamento</p><p>dos subcoletores e do coletor predial seria dado pelas relações matemáticas</p><p>expressas na Tabela 8. Perceba que o diâmetro nominal é definido a partir dos</p><p>critérios da Tabela 6, considerando uma declividade igual a 1% para todas as</p><p>tubulações.</p><p>Subcoletor</p><p>Contribuições:</p><p>tubos de queda e</p><p>subcoletores</p><p>Número total</p><p>de UHC</p><p>Diâmetro</p><p>nominal</p><p>DN</p><p>A TQ 1 77 100</p><p>B TQ 2 144 150</p><p>C SB 1 + SB 2 77 + 144 = 221 150</p><p>D SB 3 221 150</p><p>E TQ 4 72 100</p><p>F TQ 5 70 100</p><p>G SB 5 + SB 6 72 + 70 = 142 100</p><p>H TQ 3 56 100</p><p>I SB 7 + SB 8 142 + 56 = 198 150</p><p>COLE SB 9 + SB 4 198 + 221 = 419 150</p><p>TABELA 8 – DIMENSIONAMENTO DOS SUBCOLETORES E COLETOR</p><p>FONTE: Botelho e Ribeiro Junior (2014, p. 229)</p><p>90</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>2.4 VENTILAÇÃO</p><p>Na Figura 9, observa-se um exemplo de instalação de ramais e colunas de</p><p>ventilação. Toda instalação conectada ao vaso sanitário deve possuir ligação com</p><p>pelo menos uma coluna de ventilação (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014).</p><p>FIGURA 9 – RAMAL DE VENTILAÇÃO E COLUNA DE VENTILAÇÃO</p><p>FONTE: Viana (2019, p. 9)</p><p>Perceba que os ramais de ventilação fazem o “papel” de conectar a</p><p>instalação com a coluna de ventilação, responsável por permitir a troca de gases</p><p>com a atmosfera. No caso de uma construção residencial, unifamiliar, executa-se</p><p>apenas um ramal de ventilação para que haja troca de ar no sistema.</p><p>Na Tabela 9, se apresentam os critérios para a definição do diâmetro dos</p><p>ramais de ventilação. O valor dependerá do somatório das UHC das tubulações</p><p>ligadas ao ramal e se há ou não bacias sanitárias conectadas à instalação.</p><p>Grupo de aparelhos sem bacias</p><p>sanitárias</p><p>Grupo de aparelhos com bacias</p><p>sanitárias</p><p>Número de UHC</p><p>Diâmetro nominal</p><p>do ramal de</p><p>ventilação</p><p>Número de</p><p>UHC</p><p>Diâmetro nominal</p><p>do ramal de</p><p>ventilação</p><p>Até 12 40 Até 17 50</p><p>13 a 18 50 18 a 60 75</p><p>19 a 36 75 - -</p><p>FONTE: Adaptado de ABNT (1999, p. 21)</p><p>TABELA 9 – DIMENSIONAMENTO DOS RAMAIS DE VENTILAÇÃO</p><p>TÓPICO 2 — INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO: COMO DIMENSIONAR?</p><p>91</p><p>Estudamos, no Tópico 1, que as bacias sanitárias devem possuir ramal</p><p>exclusivo de ventilação. Nos demais casos, os ramais de ventilação partem dos</p><p>ramais de esgoto com origem em caixas ou ralos sifonadas. A distância desta</p><p>conexão ao desconector não deve ser maior que a estipulada pela NBR 8160:1999</p><p>(Tabela 10).</p><p>DN do ramal</p><p>de descarga</p><p>Distância máxima</p><p>(m)</p><p>40 1,0</p><p>50 1,2</p><p>75 1,8</p><p>100 2,4</p><p>TABELA 10 – DISTÂNCIA MÁXIMA DA CAIXA OU RALO SIFONADO (DESCONECTOR) AO INÍCIO</p><p>DO RAMAL DE VENTILAÇÃO</p><p>FONTE: ABNT (1999, p. 11)</p><p>Na Tabela 11, apresentam-se os critérios para dimensionamento das</p><p>colunas de ventilação. Observe que o diâmetro das colunas depende do somatório</p><p>das UHC do tubo de queda e do comprimento da tubulação (estimado</p><p>2.3 ELEMENTOS COMPLEMENTARES ......................................................................................... 24</p><p>3 DIÂMETRO DAS TUBULAÇÕES DE RECALQUE E DE SUCÇÃO ...................................... 25</p><p>4 CONJUNTO MOTOBOMBA .......................................................................................................... 28</p><p>5 PRÁTICA – DIMENSIONAMENTO DE RESERVATÓRIO ..................................................... 34</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 35</p><p>AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 36</p><p>TÓPICO 3 — DIMENSIONAMENTO E ESPECIFICAÇÕES DE RAMAIS, COLUNAS E</p><p>BARRILETES ......................................................................................................................................... 39</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 39</p><p>2 SUB-RAMAIS E RAMAIS ............................................................................................................... 42</p><p>3 COLUNAS DE DISTRIBUIÇÃO .................................................................................................... 46</p><p>4 BARRILETES ...................................................................................................................................... 47</p><p>5 PRESSÕES MÍNIMAS E MÁXIMAS ............................................................................................ 48</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 51</p><p>AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 52</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO DE INSTALAÇÃO DE ÁGUA FRIA ........... 53</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 53</p><p>2 PROJETOS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA: CONCEPÇÃO E DIRETRIZES ............ 54</p><p>3 CASOS PRÁTICOS – ANÁLISE DE PROJETOS DE INSTALAÇÃO DE ÁGUA FRIA ..... 59</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 61</p><p>RESUMO DO TÓPICO 4..................................................................................................................... 64</p><p>AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 65</p><p>REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 66</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO ......................... 69</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO: ASPECTOS GERAIS ................. 71</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 71</p><p>2 ELEMENTOS DA INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO ................................................ 72</p><p>2.1 BANHEIROS.................................................................................................................................. 73</p><p>3 COZINHA, ÁREAS DE SERVIÇO E LIMPEZA GERAL ........................................................... 76</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 80</p><p>AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 81</p><p>TÓPICO 2 — INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO: COMO DIMENSIONAR? .......... 83</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 83</p><p>2 ELEMENTOS: TUBULAÇÕES E CAIXAS DE INSTALAÇÃO ................................................ 84</p><p>2.1 RAMAL DE DESCARGA E ESGOTO ........................................................................................ 85</p><p>2.2 TUBO DE QUEDA ........................................................................................................................ 87</p><p>2.3 SUBCOLETOR E COLETOR PREDIAL..................................................................................... 87</p><p>2.4 VENTILAÇÃO .............................................................................................................................. 90</p><p>3 CAIXAS DE INSPEÇÃO, GORDURA E SIFONADAS ............................................................. 92</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 95</p><p>AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 96</p><p>TÓPICO 3 — TRATAMENTO INDIVIDUAL DE ESGOTO SANITÁRIO .............................. 99</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 99</p><p>2 SISTEMA DE TANQUE SÉPTICO E FILTRO ANAERÓBIO ................................................. 100</p><p>2.1 DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE TRATAMENTO INDIVIDUAL ...................... 102</p><p>2.1.1 Tanque séptico .................................................................................................................... 102</p><p>2.1.2 Filtro anaeróbio .................................................................................................................. 106</p><p>3 RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS ................................................................................................. 107</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 110</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 111</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO ........................................................................... 113</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 113</p><p>2 PROJETOS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO: CONCEPÇÃO E</p><p>DIRETRIZES ....................................................................................................................................... 113</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 118</p><p>RESUMO DO TÓPICO 4................................................................................................................... 122</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 123</p><p>REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 124</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO</p><p>INCÊNDIO ........................................................................................................................................... 127</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO: ASPECTOS</p><p>GERAIS ................................................................................................................................................. 129</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 129</p><p>2 FATORES DE RISCO DE INCÊNDIOS E SUAS IMPLICAÇÕES ......................................... 130</p><p>2.1 CLASSIFICAÇÃO DE RISCOS E CARGA DE FOGO ........................................................... 132</p><p>3 CLASSES DE INCÊNDIO E SEUS MATERIAIS</p><p>a partir da</p><p>altura da construção).</p><p>Para facilitar a compreensão, imagine o exemplo de um prédio com 50</p><p>metros de altura e uma tubulação de queda 100 mm (somatório das UHC igual</p><p>a 120). Na Tabela 11, identifica-se o trecho correspondente ao DN 100 e UHC</p><p>imediatamente superior a 120 (nº 140, em negrito). Como a altura do prédio é</p><p>50 metros, verifica-se o comprimento imediatamente superior (61, em negrito).</p><p>Portanto, conclui-se que o DN da coluna de ventilação será de 75 mm.</p><p>92</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>TABELA 11 – DIMENSÃO DE COLUNAS DE VENTILAÇÃO NA INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>*Considera-se o ramal de esgoto no caso de construção com somente um pavimento.</p><p>FONTE: Adaptado de ABNT (1999, p. 12)</p><p>Diâmetro</p><p>nominal de</p><p>tubo de queda</p><p>(ou ramal de</p><p>esgoto*)</p><p>Número</p><p>de UHC</p><p>Diâmetro nominal mínimo da coluna de ventilação (mm)</p><p>40 50 75 100 150 200 250 300</p><p>Comprimento permitido (m)</p><p>40 8 46 - - - - - - -</p><p>40 10 30 - - - - - - -</p><p>50 12 23 61 - - - - - -</p><p>50 20 15 46 - - - - - -</p><p>75 10 13 46 317 - - - - -</p><p>75 21 10 33 247 - - - - -</p><p>75 53 8 29 207 - - - - -</p><p>75 102 8 26 189 - - - - -</p><p>100 43 - 11 76 299 - - - -</p><p>100 140 - 8 61 229 - - - -</p><p>100 320 - 7 52 195 - - - -</p><p>100 530 - 6 46 177 - - - -</p><p>150 500 - - 10 40 305 - - -</p><p>150 1.100 - - 8 31 238 - - -</p><p>150 2.000 - - 7 26 201 - - -</p><p>150 2.900 - - 6 23 183 - - -</p><p>200 1.800 - - - 10 73 286 - -</p><p>200 3.400 - - - 7 57 219 - -</p><p>200 5.600 - - - 6 49 186 - -</p><p>200 7.600 - - - 5 43 171 - -</p><p>250 4.000 - - - - 24 94 293 -</p><p>250 7.200 - - - - 18 73 225 -</p><p>250 11.000 - - - - 16 60 192 -</p><p>250 15.000 - - - - 14 55 174 -</p><p>300 7.300 - - - - 9 37 116 287</p><p>300 13.000 - - - - 7 29 90 219</p><p>300 20.000 - - - - 6 24 76 186</p><p>300 26.000 - - - - 5 22 70 152</p><p>3 CAIXAS DE INSPEÇÃO, GORDURA E SIFONADAS</p><p>Os elementos presentes nas instalações sanitárias são as caixas de inspeção,</p><p>gordura, passagem e sifonadas. A finalidade de cada uma foi explanada no Tópico</p><p>1, desta unidade. Estes elementos são imprescindíveis para o bom funcionamento</p><p>do sistema.</p><p>TÓPICO 2 — INSTALAÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO: COMO DIMENSIONAR?</p><p>93</p><p>As caixas de inspeção facilitam a limpeza e desobstrução da instalação,</p><p>bem como mudanças na direção do fluxo de esgoto sanitário. Seu diâmetro deve</p><p>ser igual ou maior que o diâmetro do subcoletor a montante, respeitando o valor</p><p>mínimo de 60 cm. Recomenda-se que a profundidade seja de no máximo 1,0 m</p><p>(ABNT, 1999).</p><p>As especificações para a caixa de gordura devem ser suficientes para que</p><p>o material oleoso seja retido e se solidifique no fundo da mesma (BOTELHO;</p><p>RIBEIRO JUNIOR, 2014). Podem possuir uma (uso mais comum em residências)</p><p>ou duas câmaras (caixa de gordura dupla), dependendo da necessidade, pois está</p><p>diretamente relacionada com a sua capacidade de retenção.</p><p>A caixa dupla é utilizada quando existem duas ou mais cozinhas</p><p>contribuindo para uma mesma unidade de retenção. Segundo Teruel e Castro</p><p>(c2019, s. p.), “para a coleta de três até 12 cozinhas, deve ser usada caixa dupla.</p><p>Quando são mais de 12 cozinhas, ou ainda, em restaurantes, escolas, hospitais,</p><p>entre outros empreendimentos, são exigidas caixas de gordura especiais”.</p><p>As dimensões da caixa de gordura variam conforme a origem da contribuição</p><p>(ABNT, 1999):</p><p>a) Despejos provenientes de apenas uma cozinha pode ser instalada caixa pequena</p><p>ou simples, com as seguintes dimensões mínimas:</p><p>Pequena (cilíndrica): Diâmetro interno de 0,30 m. Parte submersa do septo com</p><p>0,20 m. Capacidade de retenção (volume total) de 18 L e diâmetro nominal de</p><p>saída de 75 mm.</p><p>Simples (cilíndrica): Diâmetro interno de 0,40 m. Parte submersa do septo com</p><p>0,20 m. Capacidade de retenção (volume total) de 31 L e diâmetro nominal de</p><p>saída de 75 mm.</p><p>b) Para esgotos provenientes de uma ou duas cozinhas pode ser instalada caixa</p><p>simples ou dupla, que possui as seguintes dimensões mínimas:</p><p>Simples (cilíndrica): Diâmetro interno de 0,40 m; Parte submersa do septo com</p><p>0,20 m. Capacidade de retenção (volume total) de 31 L e diâmetro nominal de</p><p>saída de 75 mm.</p><p>Dupla (cilíndrica): Diâmetro interno de 0,60 m. Parte submersa do septo com</p><p>0,35 m. Capacidade de retenção (volume total) de 120 L e diâmetro nominal de</p><p>saída de 100 mm.</p><p>c) Entre três e doze cozinhas deve-se utilizar a caixa de gordura dupla.</p><p>d) Para coleta acima de doze cozinhas ou cozinhas industriais, de restaurantes,</p><p>escolas, hospitais, quartéis etc., deve-se utilizar caixas do tipo especial,</p><p>conforme características a seguir:</p><p>Especial (prismática e de base retangular): Distância entre septo e a saída</p><p>de 0,20 m, altura molhada de 0,60 m, parte submersa do septo com 0,40 m,</p><p>diâmetro nominal mínimo da tubulação de saída de 100 mm e o volume da</p><p>câmara de retenção de gordura pode ser calculado pela equação (I):</p><p>94</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>V = (2xN) + 20 (I)</p><p>Em que:</p><p>V = Volume da caixa de gordura (L).</p><p>N = número de pessoas servidas pelas cozinhas contribuintes.</p><p>A caixa e o ralo sifonado são dimensionados com base no somatório de</p><p>UHC das tubulações contribuintes, sendo que devem ser de: DN 100 para esgotos</p><p>sanitários com até 6 UHC; DN 125 para esgotos sanitários com até 10 UHC e DN</p><p>150 para esgotos sanitários com até 15 UHC (ABNT, 1999).</p><p>95</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• As principais tubulações de uma instalação de esgoto sanitário são</p><p>dimensionadas a partir da Unidade Hunter de Contribuição.</p><p>• Existem faixas mínimas e máximas de declividade das tubulações, para que se</p><p>garanta o funcionamento hidráulico do sistema.</p><p>• Caixas e elementos acessórios de uma instalação de esgoto sanitário devem ser</p><p>dimensionadas por meio de estimativas relacionadas ao número de pessoas</p><p>atendidas.</p><p>96</p><p>1 A seguir apresentamos áreas de uma construção com dois pavimentos.</p><p>Dimensione seus elementos a partir dos conhecimentos adquiridos na</p><p>leitura do Tópico 1 e 2 deste livro didático.</p><p>Objetivo: dimensionar elementos de instalação de esgoto sanitário em</p><p>diferentes ambientais residenciais.</p><p>a) Instalação de um banheiro residencial localizado no 2º pavimento:</p><p>dimensione os trechos: RD1, RD2, RD3, RE1, RE2, RE3, CV1, TQE1.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>FONTE: Autor (2019)</p><p>SIGLA ESPECIFICAÇÃO</p><p>RD Ramal de descarga</p><p>RE Ramal de esgoto</p><p>CV Coluna de Ventilação</p><p>TQ Tubo de queda de esgoto</p><p>VS Vaso sanitário</p><p>LV Lavatório banheiro</p><p>RS Ralo sifonado</p><p>CS Caixa sifonada</p><p>CH Chuveiro</p><p>97</p><p>Descrição dos procedimentos:</p><p>• Determine o UHC dos aparelhos sanitários e diâmetro nominal mínimo</p><p>dos ramais de descarga pela Tabela 2.</p><p>• Determine o diâmetro do ramal de esgoto através da soma dos pesos dos</p><p>aparelhos contribuintes (obtidos na Tabela 2) e determine o ramal por meio</p><p>da Tabela 4.</p><p>• Determine o diâmetro do tubo de queda através da soma dos pesos dos</p><p>aparelhos contribuintes (Tabela 2) e determine o diâmetro por meio da</p><p>Tabela 5.</p><p>b) Instalação de uma cozinha residencial localizado no pavimento térreo:</p><p>dimensione os trechos: RD1, RD2, SB.</p><p>FONTE: Autor (2019)</p><p>SIGLA ESPECIFICAÇÃO</p><p>RD Ramal de descarga</p><p>PIA Pia de cozinha</p><p>MLL Máquina de lavar louça</p><p>CG Caixa de gordura</p><p>SC Subcoletor</p><p>Descrição dos procedimentos:</p><p>• Determine o UHC dos aparelhos sanitários e diâmetro nominal mínimo</p><p>dos ramais de descarga por meio da Tabela 2.</p><p>• Determine o diâmetro do subcoletor através da soma dos pesos dos</p><p>aparelhos contribuintes (Tabela 2) e determine o diâmetro por meio da</p><p>Tabela 6.</p><p>98</p><p>c) Instalação de uma lavação residencial localizado no pavimento térreo:</p><p>dimensione os trechos: RD1, RD2, RE1, RE2.</p><p>FONTE: Autor (2019)</p><p>SIGLA ESPECIFICAÇÃO</p><p>RD Ramal de descarga</p><p>RE Ramal de esgoto</p><p>TT Torneira de Tanque</p><p>MLR Máquina de lavar roupa</p><p>CS Caixa sifonada</p><p>Descrição dos procedimentos:</p><p>• Determine o UHC dos aparelhos sanitários e diâmetro nominal mínimo</p><p>dos ramais de descarga por meio da Tabela 2.</p><p>• Determine o diâmetro do ramal de esgoto</p><p>através da soma dos pesos dos</p><p>aparelhos contribuintes (Tabela 2) e determine o ramal pela Tabela 4.</p><p>99</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento</p><p>(SNIS), 49,7% dos brasileiros não têm acesso ao sistema de tratamento de esgoto</p><p>sanitário. São aproximadamente 100 milhões de brasileiros sujeitos a graves</p><p>problemas de saúde e bem-estar (BRASIL, 2017). Também são preocupantes os</p><p>danos ao meio ambiente, devido ao despejo de esgoto não tratado, especialmente</p><p>para os ecossistemas aquáticos (TSUTIYA; ALEM SOBRINHO, 1999).</p><p>Afinal, o que fazer quando o município não possui uma rede coletiva de</p><p>coleta e tratamento do esgoto sanitário? A solução adotada para estes casos é o</p><p>tratamento individual. Os sistemas de tratamento individual de esgoto sanitário</p><p>podem contemplar o uso de tanque séptico, filtro anaeróbio, vala de filtração,</p><p>filtro aerado e wetlands (lagoas com plantas aquáticas que “biofiltram” e tratam o</p><p>esgoto sanitário).</p><p>TÓPICO 3 —</p><p>TRATAMENTO INDIVIDUAL DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>Fique atento à legislação local! Alguns estados e municípios impõem</p><p>condições específicas para a instalação de valas e sumidouros para que sejam preservados</p><p>os mananciais e o lençol freático.</p><p>NOTA</p><p>Neste tópico, veremos um sistema individual simples, eficiente e</p><p>frequentemente aplicado. Ele é composto por duas unidades: um tanque séptico</p><p>(popularmente conhecido como “fossa”) e um filtro anaeróbio. O tanque séptico</p><p>é uma unidade responsável por tratar o esgoto sanitário por meio dos processos</p><p>de sedimentação, flotação e digestão (ABNT, 1993). O filtro anaeróbio fará o</p><p>tratamento complementar por meio de microrganismos localizados no meio</p><p>filtrante, responsáveis pela estabilização da matéria orgânica (ABNT, 1997).</p><p>As nossas principais referências técnicas para a elaboração de projeto de</p><p>tanques sépticos e filtros anaeróbios serão as normas técnicas:</p><p>100</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>• NBR 7229 – Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos</p><p>(ABNT, 1993)</p><p>• NBR 13969 – Tanques sépticos: unidades de tratamento complementar e</p><p>disposição final dos efluentes líquidos – Projeto, construção e operação (ABNT,</p><p>1997).</p><p>Recomendamos a leitura completa das normas NBR 7229 e NBR 13969 para a</p><p>elaboração de projetos (ABNT, 1993; 1997), embora, neste livro didático, sejam apresentadas</p><p>as principais diretrizes para o dimensionamento e o detalhamento das unidades de</p><p>tratamento.</p><p>DICAS</p><p>A seguir, veremos como funciona o sistema tanque séptico/filtro anaeróbio,</p><p>bem como diretrizes práticas de dimensionamento e detalhamento de projeto.</p><p>2 SISTEMA DE TANQUE SÉPTICO E FILTRO ANAERÓBIO</p><p>O tanque séptico e filtro anaeróbio podem ser empregados para tratar</p><p>esgoto sanitário proveniente de residências, comércios e específicos ramos</p><p>industriais. No caso de indústrias, a admissibilidade do tratamento deve ser</p><p>feita por um profissional legalmente habilitado, a partir das características físico-</p><p>químicas do despejo (MACINTYRE, 1996).</p><p>Na Figura 10, observa-se uma representação do conjunto tanque séptico</p><p>e filtro anaeróbio. No tanque séptico ocorrem os processos de sedimentação,</p><p>flotação e digestão. O lodo do esgoto é sedimentado para o fundo da unidade</p><p>onde ocorrerá um processo de degradação da matéria orgânica por digestão</p><p>(Figura 10). Uma espuma é formada na parte superior do tanque, suspendendo</p><p>(flotando) partículas sólidas contaminantes.</p><p>TÓPICO 3 — TRATAMENTO INDIVIDUAL DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>101</p><p>FIGURA 10 – SISTEMA DE TRATAMENTO INDIVIDUAL DE ESGOTO SANITÁRIO: TANQUE SÉPTI-</p><p>CO E FILTRO ANAERÓBIO</p><p>FONTE: O autor</p><p>O esgoto tratado no tanque é encaminhado para o fi ltro anaeróbio</p><p>com baixa concentração de sólidos. Observe que no fi ltro anaeróbio o fl uxo é</p><p>ascendente, isto é, o esgoto fl ui da parte inferior para a superior. Esse processo</p><p>conta com a ajuda de microrganismos presentes no leito fi ltrante (na camada de</p><p>brita). Eles advêm do próprio esgoto sanitário e serão os principais “funcionários</p><p>ambientais” do sistema, responsáveis pela degradação da matéria orgânica</p><p>( MACINTYRE, 1996).</p><p>Estes microrganismos bacterianos não necessitam de oxigênio para</p><p>decompor a matéria orgânica e por esta razão o processo de degradação é</p><p>conhecido como decomposição anaeróbia (daí do nome fi ltro anaeróbio). Do</p><p>ponto de vista químico e biológico podemos defi nir o tratamento com tanque e</p><p>fi ltro em duas etapas: 1) digestão (tratamento primário) e 2) oxidação biológica</p><p>do esgoto (complementar ao tratamento primário).</p><p>A limpeza periódica do sistema de tratamento deve considerar a</p><p>importância dos microrganismos presentes no tanque séptico e no fi ltro anaeróbio.</p><p>Veremos que a periodicidade da limpeza será um parâmetro defi nido em projeto.</p><p>A remoção do material (“espuma”) fl otado deve ser total. Contudo, não se</p><p>recomenda remover completamente o lodo do tanque séptico, trocar a camada</p><p>de brita do fi ltro anaeróbio e muito menos aplicar produtos desinfetantes</p><p>(clorados) nas unidades.</p><p>A remoção total e a desinfecção reduzirão a quantidade de microrganismos</p><p>e prejudicará a efi ciência do tratamento. As aberturas de inspeção dos tanques</p><p>sépticos e fi ltro anaeróbios devem ter número e disposição tais que permitam a</p><p>remoção do lodo e da espuma acumulada (ABNT, 1993; 1997).</p><p>102</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>2.1 DIMENSIONAMENTO DO SISTEMA DE TRATAMENTO</p><p>INDIVIDUAL</p><p>Abordaremos nos Subtópicos 2.1.1 e 2.1.2 o dimensionamento do tanque</p><p>séptico e do filtro anaeróbio.</p><p>2.1.1 Tanque séptico</p><p>A NBR 7229 (ABNT, 1993) recomenda que o volume útil do tanque séptico</p><p>seja calculado conforme a equação (II), admitindo-se valor mínimo de 1.250 litros.</p><p>Vútil = 1000 + N.(C.T + K.Lf) (II)</p><p>Sendo:</p><p>Vútil = volume útil (L);</p><p>N = número de usuários da construção – casa ou edifício (pessoas);</p><p>C = contribuição de despejos (L/pessoa.dia) (Tabela 12);</p><p>T = período de detenção (dias) (Tabela 13);</p><p>K = taxa de acumulação de lodo digerido (dias) (Tabela 14);</p><p>Lf = contribuição de lodos frescos (L/pessoa.dia) (Tabela 12).</p><p>O número de usuários da construção deverá ser o mesmo adotado para o</p><p>projeto de instalação água fria. Na Tabela 12, apresentam-se dados de referência</p><p>sobre a contribuição unitária (produção de esgoto per capita) e produção de lodo</p><p>fresco (Lf). Os valores são estimados pela NBR 7229 (ABNT, 1993) e dependem do</p><p>uso da construção e do seu padrão construtivo.</p><p>Uso e padrão da construção</p><p>Contribuição de</p><p>esgotos (C)</p><p>(L/pessoa.dia)</p><p>Lodo fresco</p><p>(Lf)</p><p>(L/pessoa.dia)</p><p>1. Ocupantes permanentes</p><p>- Residência</p><p>Padrão alto 160 1,0</p><p>Padrão médio 130 1,0</p><p>Padrão baixo 100 1,0</p><p>- Hotel 100 1,0</p><p>- Alojamento provisório 80 1,0</p><p>2. Ocupantes temporários</p><p>- Fábrica em geral 70 0,3</p><p>- Escritório 50 0,2</p><p>- Edifícios públicos ou comerciais 50 0,2</p><p>TABELA 12 – VALORES DE PROJETO PARA CONTRIBUIÇÕES UNITÁRIAS DE ESGOTOS (C) E</p><p>LODO FRESCO (LF)</p><p>TÓPICO 3 — TRATAMENTO INDIVIDUAL DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>103</p><p>- Escolas (externatos e locais similares) 50 0,2</p><p>- Bares 6 0,1</p><p>- Restaurantes e similares 25 0,1</p><p>- Cinemas, teatros e locais de curta</p><p>permanência 2 0,0</p><p>- Sanitários públicos (aberto ao público) 480 4,0</p><p>FONTE: Adaptado de ABNT (1993, p. 4)</p><p>O período de detenção (T) representa o “tempo médio de permanência</p><p>da parcela líquida do esgoto dentro da zona de decantação do tanque séptico”</p><p>(ABNT, 1993, p. 2). Na Tabela 13, pode-se observar que o tempo é definido em</p><p>função da contribuição diária total de projeto, ou seja, da multiplicação entre o</p><p>parâmetro N (número de usuários da construção) e C (contribuição de despejos).</p><p>Contribuição</p><p>diária = N. C</p><p>Tempo de</p><p>detenção</p><p>(L/dia) (dias) (horas)</p><p>< 1500 1,00 24</p><p>De 1501 a 3000 0,92 22</p><p>De 3001 a 4500 0,83 20</p><p>De 4501 a 6000 0,75 18</p><p>De 6001 a 7500 0,67 16</p><p>De 7501 a 9000</p><p>0,58 14</p><p>> 9000 0,50 12</p><p>FONTE: Adaptado de ABNT (1997, p. 5)</p><p>TABELA 13 – PERÍODOS DE DETENÇÃO</p><p>A taxa de acumulação total do lodo (K) dependerá do intervalo entre</p><p>limpezas estabelecido em projeto e da temperatura média do mês mais frio</p><p>(“temperatura ambiente de projeto”). Na Tabela 14, apresentam-se os valores</p><p>normativos recomendados para a definição da taxa de acumulação.</p><p>104</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>Intervalo entre</p><p>limpezas (anos)</p><p>Taxa de acumulação total de lodo K (dias)</p><p>Temperatura ambiente (ºC)</p><p>t ≤ 10 10 ≤ t ≤ 20 t >20</p><p>1 94 65 57</p><p>2 134 105 97</p><p>3 174 145 137</p><p>4 214 185 177</p><p>5 254 225 217</p><p>FONTE: ABNT (1997, p. 5)</p><p>TABELA 14 – TAXA DE ACUMULAÇÃO TOTAL DE LODO (K), EM DIAS, POR INTERVALO ENTRE</p><p>LIMPEZAS E TEMPERATURA AMBIENTE (MÉDIA DO MÊS MAIS FRIO)</p><p>A NBR 7229 (ABNT, 1993, p. 5) determina também as dimensões mínimas</p><p>e máximas para o tanque séptico:</p><p>a) profundidade útil: varia entre os valores mínimos e máximos recomendados</p><p>na Tabela 4, de acordo com o volume útil obtido mediante a fórmula de 5.7</p><p>[equação 1, deste tópico, do livro didático];</p><p>b) diâmetro interno mínimo: 1,10 m;</p><p>c) largura interna mínima: 0,80 m;</p><p>d) relação comprimento/largura (para tanques prismáticos retangulares): mínimo</p><p>2:1; máximo 4:1.</p><p>Na Tabela 15, apresenta-se a faixa de valores mínima e máxima de</p><p>profundidade a partir da NBR 7229 (ABNT, 1993).</p><p>Volume útil Profundidade</p><p>útil mínima</p><p>Profundidade</p><p>útil máxima</p><p>(m³) (m) (m)</p><p>< 6,0 1,2 2,2</p><p>De 6,0 a 10,0 1,5 2,5</p><p>> 10,0 1,8 2,8</p><p>FONTE: ABNT (1997, p. 5)</p><p>TABELA 15 – PROFUNDIDADE ÚTIL MÍNIMA E MÁXIMA EM RELAÇÃO AO VOLUME ÚTIL DETER-</p><p>MINADO</p><p>TÓPICO 3 — TRATAMENTO INDIVIDUAL DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>105</p><p>A região interna em que o esgoto sanitário fica detido é chamada de câmara</p><p>de decantação. Segundo a NBR 7229 (ABNT, 1993) os tanques sépticos podem ser</p><p>dos seguintes tipos: a) câmara única; b) câmaras em série (Figura 11). O uso de</p><p>câmaras múltiplas em série “é recomendado especialmente para os tanques de</p><p>volumes pequeno a médio, servindo até 30 pessoas” (ABNT, 1993, p. 5). Mais</p><p>detalhes construtivos podem ser encontrados na NBR 7229 (ABNT, 1993).</p><p>FONTE: Adaptado de ABNT (1993, p. 12)</p><p>FIGURA 11 – TIPOS DE TANQUES SÉPTICOS: A) CÂMARA ÚNICA; B) CÂMARA MÚLTIPLA CIRCU-</p><p>LAR; C) CÂMARA MÚLTIPLA PRISMÁTICA</p><p>Lembre-se de que, para o bom funcionamento do sistema de tratamento</p><p>individual, as instalações devem ser dotadas da caixa de gordura, sifões, caixa de inspeção,</p><p>colunas ventilação e demais elementos exigidos em projeto.</p><p>IMPORTANTE</p><p>106</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>2.1.2 Filtro anaeróbio</p><p>O filtro anaeróbio realiza tratamento complementar ao tanque séptico. A</p><p>unidade pode ser construída em forma cilíndrica ou prismática com fundo falso</p><p>perfurado (CREDER, 2006). Na Figura 10, observou-se o filtro por uma câmara de</p><p>entrada, um fundo falso perfurado e um leito filtrante (camada de brita).</p><p>A NBR 13969 (ABNT, 1997) recomenda a equação (III) para a definição</p><p>do volume útil do filtro anaeróbio, sendo o valor mínimo de projeto igual a 1000</p><p>litros.</p><p>Vútil = 1,6 . N . C . T (III)</p><p>Em que:</p><p>Vútil = volume útil (L);</p><p>N = número de usuários da construção – casa ou edifício (pessoas);</p><p>C = contribuição de despejos (litros/pessoa.dia) (Tabela 12);</p><p>T = tempo de detenção (Tabela 16).</p><p>O número de usuários da construção (N) e a contribuição de despejos</p><p>(C) são obtidos por meio dos mesmos procedimentos descritos para o</p><p>dimensionamento do tanque séptico. Já o tempo de detenção pode ser definido a</p><p>partir dos dados descritos na Tabela 16. O valor depende da contribuição diária</p><p>(N.C) e da temperatura ambiente (média do mês mais frio).</p><p>Contribuição</p><p>diária = N . C</p><p>(L/dia)</p><p>Tempo de detenção – T</p><p>Temperatura ambiente (ºC)</p><p>t < 15 15 ≤ t ≤ 25 t >25</p><p>< 1500 1.17 1.0 0.92</p><p>De 1501 a 3000 1.08 0.92 0.83</p><p>De 3001 a 4500 1.00 0.83 0.75</p><p>De 4501 a 6000 0.92 0.75 0.67</p><p>De 6001 a 7500 0.83 0.67 0.58</p><p>De 7501 a 9000 0.75 0.58 0.50</p><p>> 9000 0.75 0.50 0.50</p><p>FONTE: Adaptado de ABNT (1997, p. 7)</p><p>TABELA 16 – TEMPO DE DETENÇÃO DO ESGOTO LÍQUIDO NO FILTRO ANAERÓBIO</p><p>TÓPICO 3 — TRATAMENTO INDIVIDUAL DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>107</p><p>A NBR 13969 (ABNT, 1997) recomenda, ainda, que a altura do leito</p><p>filtrante não ultrapasse 1,20 m e que a altura máxima do fundo falso seja de 0,60</p><p>m. O fundo falso poderá ser construído com concreto simples ou armado. O</p><p>diâmetro dos furos pode variar de 2,5 a 3,0 cm, sendo espaçados de 5 em 15 cm.</p><p>A calha coletora pode ser composta por um tubo de PVC cortado ao meio, com</p><p>diâmetro nominal de 150 mm. Deste modo, podemos calcular a altura total do</p><p>filtro anaeróbio por meio da equação (IV):</p><p>H = h + h1 + h2 (IV)</p><p>Em que:</p><p>H = altura total interna do filtro anaeróbio (m);</p><p>h = altura total do leito filtrante (m);</p><p>h1 = altura da calha coletora (m);</p><p>h2 = altura sobressalente (variável) (m);</p><p>3 RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS</p><p>O projeto de um sistema de tratamento individual de esgoto sanitário</p><p>deve atender preferencialmente todas as recomendações da NBR 7229 (ABNT,</p><p>1993), NBR 13969 (ABNT, 1997) e suas correlatas. Botelho e Ribeiro Junior (2014)</p><p>e Creder (2006) destacam que é necessário que os projetos de tanques sépticos e</p><p>filtros anaeróbios considerem os seguintes aspectos:</p><p>• Deve-se prever a futura instalação de uma rede coletora pública de esgoto por</p><p>meio de uma derivação a montante do sistema de tratamento individual.</p><p>• O tanque séptico deve-se localizar na frente do terreno, próxima ao logradouro</p><p>público, de forma que permita o acesso de empresas especializadas na limpeza</p><p>das unidades de tratamento.</p><p>• O sistema não deve comprometer manancial, lençol freático e a estabilidade de</p><p>construções próximas devido à falta de estanqueidade.</p><p>Antes de entrar em funcionamento, o tanque séptico deverá ser submetido ao</p><p>ensaio de estanqueidade. Segundo a NBR 7229 (ABNT, 1993, p. 6) “a estanqueidade é medida</p><p>pela variação do nível de água, após preenchimento, até a altura da geratriz inferior do tubo</p><p>de saída, decorridas 12h. Se a variação for superior a 3% da altura útil, a estanqueidade é</p><p>insuficiente [...]”, as condições construtivas da unidade devem ser revistas (trincas, fissuras,</p><p>impermeabilização) e um novo ensaio deve ser realizado.</p><p>NOTA</p><p>108</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>A NBR 7229 (ABNT, 1993, p. 3) adiciona algumas recomendações</p><p>importantes para os tanques sépticos, válidas também para os filtros anaeróbios.</p><p>Distâncias horizontais mínimas de elementos naturais e construídos devem ser</p><p>medidos a partir da face externa mais próxima de construções, árvores e corpos</p><p>d’água:</p><p>a) 1,50 m de construções, limites de terreno, sumidouros, valas de infiltração e</p><p>ramal predial de água;</p><p>b) 3,0 m de árvores e de qualquer ponto de rede pública de abastecimento de</p><p>água;</p><p>c) 15,0 m de poços freáticos e de corpos de água de qualquer natureza.</p><p>Os tanques e seus componentes internos e externos devem possuir as</p><p>especificações necessárias para suportar esforços mecânicos, bem como ataques</p><p>químicos. Recomenda-se o uso de cimento resistente a sulfatos para a execução</p><p>de unidades de concreto moldado in loco.</p><p>Tanques domésticos com volume aproximado de 6 m3 são construídos</p><p>com paredes de alvenaria de blocos cerâmicos ou tijolos maciços de espessura de</p><p>19 cm (sem revestimento) ou concreto armado moldado in loco com espessura de</p><p>8 a 10 cm. Também é possível fazer o uso de outros materiais adequados e pré-</p><p>fabricados: concreto armado, poliéster com fibra de vidro (Figura 12), PEAD e</p><p>outros.</p><p>FONTE: <http://www.snatural.com.br/fossa-filtro-tratamento-efluentes/>. Acesso em: 6 fev.</p><p>2020.</p><p>FIGURA 12 – TANQUE SÉPTICO DE POLIÉSTER COM FIBRA DE VIDRO</p><p>A laje de fundo do tanque deve ser o primeiro elemento a ser construído.</p><p>O elemento deve possuir deve ser maior que a base do tanque, de modo que</p><p>forme um “dente” e proteja a estrutura de movimentações</p><p>significativas (ABNT,</p><p>1993). As paredes devem ser revestidas internamente com argamassa de cimento</p><p>e areia – traço 1:3 em massa e espessura de 1,5 cm (ABNT, 1999).</p><p>TÓPICO 3 — TRATAMENTO INDIVIDUAL DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>109</p><p>Todas as unidades de tratamento devem possuir placas de identificação e</p><p>informação. No caso dos tanques sépticos um aviso em lugar visível deve constar</p><p>(ABNT, 1993, p. 6):</p><p>a) identificação: nome do fabricante ou construtor e data de fabricação;</p><p>b) tanque dimensionado, conforme a NBR 7229;</p><p>c) temperatura de referência: conforme o critério de dimensionamento</p><p>adotado; indicação da faixa de temperatura ambiente. Para tanques</p><p>dimensionados para condições mais rigorosas (T ≤10C), indicar</p><p>"todas”;</p><p>d) condições de utilização: tabela associando números de usuários e</p><p>intervalos de limpeza permissíveis (exemplos podem ser encontrados</p><p>na NBR 7229).</p><p>As recomendações construtivas para os filtros anaeróbios estão presentes</p><p>na NBR 13969 (ABNT, 1997). A unidade pode ser construída em concreto armado</p><p>ou elementos pré-fabricados de plástico e fibra de vidro. Segundo a NBR 13969</p><p>(ABNT, 1997, p.5):</p><p>O filtro anaeróbio deve possuir uma cobertura em laje de concreto, com</p><p>a tampa de inspeção localizada em cima do tubo-guia para drenagem.</p><p>Esta pode ser substituída pela camada de brita, nos casos de se ter</p><p>tubos perfurados para coleta de efluentes [esgoto] e onde não houver</p><p>acesso de pessoas, animais, carros ou problemas com odor, com a</p><p>parede sobressalente acima do solo, de modo a impedir o ingresso de</p><p>águas superficiais [...].</p><p>Quando identificada obstrução do leito filtrante, a limpeza do filtro</p><p>anaeróbio deve recorrer ao auxílio de uma bomba recalque, lembrando que:</p><p>“os despejos resultantes da limpeza do filtro anaeróbio em nenhuma hipótese</p><p>devem ser lançados em cursos de água ou nas galerias de águas pluviais” (ABNT,</p><p>1997, p. 8). O material deve ser coletado e tratado por empresas especializadas e</p><p>autorizadas pelo órgão ambiental competente.</p><p>No filtro anaeróbio também se deve informar (ABNT, 1997): a) data de</p><p>fabricação e nome de fabricante; b) a conformidade com a NBR 13969; c) o volume</p><p>útil total e o número de contribuintes admissíveis.</p><p>110</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Os principais sistemas de tratamento individual de esgoto sanitário são o</p><p>tanque séptico e o filtro anaeróbio.</p><p>• O dimensionamento de um tanque séptico e filtro anaeróbio são dados em</p><p>função de parâmetros relacionados ao tempo de manutenção, número de</p><p>pessoas atendidas e temperatura média local.</p><p>• Existem recomendações construtivas e técnicas para a implementação, uso e</p><p>manutenção de um sistema de tratamento constituído por tanque séptico e</p><p>filtro anaeróbio.</p><p>111</p><p>1 Imagine que determinado condomínio residencial deseja consultar você</p><p>sobre o atual sistema de tratamento individual da edificação composto por</p><p>tanque séptico e filtro anaeróbio. Leia as afirmações a seguir feitas pelos</p><p>moradores e analise-as tecnicamente, atribuindo C para as corretas e I</p><p>para as incorretas. Aponte e justifique a resposta caso haja alguma questão</p><p>incorreta do ponto de vista técnico.</p><p>Objetivo: analisar problemas técnicos e frequentes do cotidiano profissional</p><p>na área de instalação de esgoto sanitário.</p><p>Descrição dos procedimentos: ler os enunciados; compreender as soluções</p><p>propostas e os argumentos oferecidos; justificar a partir do conteúdo expresso</p><p>no livro didático se a afirmação está correta ou incorreta.</p><p>a) ( ) Orientamos nosso zelador a limpar o tanque séptico e o filtro anaeróbio</p><p>com água sanitária.</p><p>Justificativa: a água sanitária jamais deve ser empregada na limpeza das</p><p>unidades de tratamento. Ela eliminará os microrganismos responsáveis pela</p><p>digestão do lodo.</p><p>b) ( ) Gostaríamos de desobstruir a tubulação que liga o tanque ao filtro</p><p>anaeróbio.</p><p>Justificativa: as tubulações devem ser desobstruídas sempre que necessário.</p><p>c) ( ) Chamaremos uma empresa para limpar e remover todo o lodo presente</p><p>no tanque e no filtro.</p><p>Justificativa: parte do lodo deve ser mantida no sistema para os microrganismos</p><p>responsáveis pela digestão e oxidação biológica da matéria orgânica.</p><p>d) ( ) Toda essa espuma suspensa no tanque séptico deve ser removida na</p><p>limpeza periódica.</p><p>Justificativa: sim, a sua remoção não prejudicará a eficiência do sistema de</p><p>tratamento e removerá sólidos contaminantes ambientais.</p><p>e) ( ) A construtora do nosso prédio falhou em não encaminhar a água de</p><p>drenagem para tratamento. Gostaríamos de encaminhá-la também para o</p><p>tanque séptico e o filtro anaeróbio.</p><p>Justificativa: como visto no Tópico 1 e 2, a água pluvial (da chuva, de drenagem)</p><p>não deve ser encaminhada para o sistema de tratamento individual de esgoto.</p><p>As unidades não são dimensionadas para tal função. Além disso, a ligação</p><p>reduzirá drasticamente a eficiência do tratamento, diminuindo a concentração</p><p>de microrganismos que estabilizam a matéria orgânica.</p><p>2 Dimensione um sistema de tratamento individual para as condições de</p><p>projeto descritas a seguir. Detalhe, em um croqui, a altura de entrada e</p><p>saída das unidades, as dimensões e os comprimentos das tubulações, o</p><p>tamanho e a posição das aberturas de inspeção.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>112</p><p>Objetivo: dimensionar tanques sépticos e filtros anaeróbios sob diversas</p><p>condições construtivas.</p><p>Descrição dos procedimentos: ler os enunciados; descrever os dados de</p><p>“entrada”; determinar volume e altura útil do tanque séptico; determinar</p><p>volume e altura útil do filtro anaeróbico.</p><p>a) Tanque séptico e filtro anaeróbio circulares, de câmara única, para uma</p><p>residência de alto padrão com 3 suítes. A temperatura média do mês mais</p><p>frio é de T = 13,2 ºC e a limpeza do tanque será realizada a cada 2 anos.</p><p>b) Tanque séptico e filtro anaeróbio prismáticos de base retangular, de câmara</p><p>única, para uma residência de baixo padrão com 1 suítes e 1 quarto. A</p><p>temperatura média do mês mais frio é de T = 20 ºC e a limpeza do tanque</p><p>será realizada a cada 3 anos.</p><p>c) Tanque séptico e o filtro biológico anaeróbio circular, de câmara única, para</p><p>um escritório com número médio de usuários igual a 32. A limpeza do</p><p>tanque será realizada anualmente e a temperatura média do mês mais frio</p><p>é de T = 22 ºC.</p><p>113</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, nos primeiros três tópicos da Unidade 2, abordarmos</p><p>os principais requisitos, critérios, métodos e componentes de uma instalação de</p><p>esgoto sanitário. Aspectos de projeto referente ao tratamento individual de esgoto</p><p>sanitário também foram estudados.</p><p>Esperamos que ao final deste último tópico, você obtenha um repertório</p><p>técnico amplo e aprofundado para sua atuação profissional. Nosso objetivo agora</p><p>será reunir, de maneira a integrar os conhecimentos adquiridos, por meio da</p><p>discussão de princípios, concepções e diretrizes de projeto.</p><p>Os princípios de trabalho descritos na Unidade 1, também são válidos</p><p>para a atividade de projeto de instalação de esgoto. Vamos relembra-los? São eles:</p><p>• Valorização da técnica: busca por apoio e fundamentação técnica nas decisões</p><p>e nos critérios de projeto.</p><p>• Atenção às singularidades de cada cliente/usuário: desenvolvimento do projeto</p><p>pautado no diálogo e na necessidade de cada cliente.</p><p>• Visão integrada: integração com os diversos projetos envolvidos na construção.</p><p>• Sustentabilidade: procura por projeto de adequado desempenho, durabilidade,</p><p>economia e que privilegie a preservação ambiental.</p><p>Reforçamos também a importância da leitura das NBR 8160 (ABNT,</p><p>1999), NBR 7229 (ABNT, 1993), NBR 13969 (ABNT, 1997) e suas correlatas. Nelas</p><p>encontram-se requisitos e recomendações relativas não somente ao projeto, mas</p><p>também a execução e manutenção das instalações e dos sistemas de tratamento</p><p>individual</p><p>de esgoto sanitário. Ressaltamos que é de suma importância sua leitura</p><p>completa. Tenha ela sempre “em mãos” na hora de conceber o projeto.</p><p>2 PROJETOS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO:</p><p>CONCEPÇÃO E DIRETRIZES</p><p>As instalações de esgoto sanitário têm como objetivo coletar e transportar</p><p>de maneira segura e eficiente todo o esgoto produzido nas construções para uma</p><p>rede pública coletora ou um sistema de tratamento individual. Deve-se garantir</p><p>o fluxo contínuo do esgoto proveniente dos aparelhos sanitários. Para isso, vimos</p><p>a importância de um adequado dimensionamento e de uma correta declividade</p><p>para as tubulações.</p><p>TÓPICO 4 —</p><p>BOAS PRÁTICAS DE PROJETO</p><p>114</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>Confira informações detalhadas sobre instalação de esgoto especiais em:</p><p>Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais.</p><p>FONTE: MACINTYRE, A. J. Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais. 3. ed. Rio de</p><p>Janeiro: LTC, 1996.</p><p>DICAS</p><p>Afinal, quais aspectos devem ser observados para a concepção de um</p><p>projeto de instalação de esgoto sanitário? A seguir, listamos os principais:</p><p>• tipo de construção e uso da construção;</p><p>• projeto arquitetônico, de instalação de água fria, água quente (se houver) e</p><p>outros: lembre-se de que será necessário conhecer a construção, especialmente</p><p>a disposição dos cômodos, localização dos aparelhos sanitários, topografia do</p><p>terreno, posição do tubo de inspeção e limpeza (se houver);</p><p>• sistema de tratamento de esgoto sanitário: verifique se há um sistema de</p><p>tratamento coletivo de esgoto sanitário. caso não haja, recomenda-se a</p><p>concepção e construção de um sistema de tratamento individual de esgoto</p><p>sanitário de acordo com a legislação vigente e as boas práticas apresentadas</p><p>no Tópico 3. Lembre-se sempre de prever uma futura derivação da rede e</p><p>desativação do sistema de tratamento individual.</p><p>• instalação: confira os parâmetros técnicos exigidos nas normas vigentes, bem</p><p>como na legislação do município da construção (MACINTYRE, 1996).</p><p>• desenho da instalação: assim como na instalação de água fria, deve-se evitar</p><p>a necessidade de “desvios” ou contornos. Atenção especial para a declividade</p><p>das tubulações e o uso de desconectores. ambos garantem o fluxo hidráulico e</p><p>o bom funcionamento da instalação. Estes elementos devem ser bem definidos</p><p>pelo projetista.</p><p>Uma ferramenta importante de projeto é a nomenclatura de seus elementos.</p><p>Na Tabela 17, descrevem-se as nomenclaturas/siglas mais frequentemente</p><p>utilizadas para cada elemento da instalação de esgoto sanitário.</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO</p><p>115</p><p>SIGLA ESPECIFICAÇÃO</p><p>DN Diâmetro nominal</p><p>UHC Unidade Hunter de contribuição</p><p>RD Ramal de descarga</p><p>RE Ramal de esgoto</p><p>RV Ramal de ventilação</p><p>CV Coluna de Ventilação</p><p>SB Subcoletor</p><p>LCP Ligação ao coletor público</p><p>TQ Tubo de queda de esgoto</p><p>S Sifão</p><p>VS Vaso sanitário</p><p>LV Lavatório banheiro</p><p>PD Pia de despejo</p><p>TT Torneira de tanque</p><p>CH Chuveiro</p><p>MLL Máquina de lavar louça</p><p>MLR Máquina de lavar roupa</p><p>R Ralo</p><p>RS Ralo sifonado</p><p>CP Caixa de passagem</p><p>CS Caixa sifonada</p><p>CI Caixa de inspeção</p><p>CG Caixa de gordura</p><p>TS Tanque séptico</p><p>FONTE: Adaptado de Creder (2006, p. 224-229)</p><p>TABELA 17 – LISTA DE NOMENCLATURAS</p><p>Via de regra, projetos de instalação de esgoto sanitário possuem</p><p>(BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014): memorial descritivo, justificativo e de</p><p>cálculo, plantas, isométricos, detalhes construtivos (entre outros que se julgue</p><p>necessário para o bom entendimento do projeto); relação e especificações de</p><p>materiais e equipamentos; e, relação das normas consideradas.</p><p>De acordo com Macintyre (1996) e Creder (2006), as exigências básicas de</p><p>um projeto de instalações sanitárias são:</p><p>• desenho em planta baixa na escala 1:50 de todos os pavimentos que possuírem</p><p>sistema de esgoto sanitário, e no caso de plantas com área muito grande pode</p><p>ser desenhado na escala 1:100, contanto que contenha: esquema vertical; e,</p><p>planta de situação (1:500 no mínimo);</p><p>• devem ser representados no projeto: tubos de queda (tq) com numeração e</p><p>quantidades de vasos e pias conectados a cada um (devendo ser apresentado por</p><p>diagrama); todas as tubulações com suas respectivas numerações (secundárias,</p><p>primárias, ventilação);</p><p>116</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>• detalhes das caixas de inspeção e gordura, quando necessário, na escala 1:20;</p><p>• apresentação dos projetos estruturais e fundação, bem como os demais projetos</p><p>de instalação do edifício (para que as interferências sejam evitadas);</p><p>• definição da ligação com coletor público e na sua impossibilidade de ligação</p><p>apresentar elementos necessários para a destinação final adequada.</p><p>O projeto ainda deve possuir as seguintes especificações e elementos</p><p>(CREDER, 2006):</p><p>• pontos de recepção de esgoto (aparelhos sanitários);</p><p>• pontos de destino (coletor predial);</p><p>• localização das tubulações e seus pontos de inspeção;</p><p>• localização das tubulações de ventilação</p><p>• número de unidades hunter de contribuição (UHC) e diâmetro respectivo de</p><p>cada tubulação;</p><p>• especificação dos materiais, dispositivos e equipamentos instalados;</p><p>• disposições construtivas;</p><p>• testes de recebimento;</p><p>• tabelas e desenhos;</p><p>• apresentação, supervisão e responsabilidade.</p><p>Atenção para o tipo de edificação projetada. Dependendo do seu uso,</p><p>algumas restrições são recomendadas (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014):</p><p>• escolas e hospitais: as caixas de inspeção e gordura devem estar localizadas fora</p><p>da área de circulação de pessoas não autorizadas, sem que seja prejudicada a</p><p>inspeção e manutenção por profissionais habilitados;</p><p>• hospitais ou salas com rígidos critérios de assepsia: os ralos sifonados devem</p><p>possuir tampas cegas e não podem estar localizados em áreas de assepsia;</p><p>• estádios e sanitários públicos: as tubulações devem ser embutidas de forma</p><p>que se evite a ação de vandalismo na instalação.</p><p>Quanto aos materiais, a aplicabilidade dos mesmos pode variar conforme</p><p>o tipo de tubulação (Tabela 18):</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO</p><p>117</p><p>Tubulações PVC Latão Ferro</p><p>fundido</p><p>Fibro-</p><p>cimento Concreto Cerâmica</p><p>vidrada Alvenaria</p><p>Ramal de</p><p>descarga sim não sim sim não sim -</p><p>Ramal de</p><p>esgoto sim não sim não não sim -</p><p>Tubo de queda sim não sim sim sim sim -</p><p>Subcoletor sim não sim sim sim sim -</p><p>Coletor</p><p>predial sim não sim sim não não -</p><p>Ventilação sim não sim sim não não -</p><p>Dispositivos</p><p>Caixas de</p><p>ralos sim sim sim sim não não não</p><p>Caixas de</p><p>gordura sim não não sim sim sim sim</p><p>Caixas de</p><p>inspeção sim não não não sim não sim</p><p>Sifão sim sim sim não não não não</p><p>FONTE: Adaptado de Botelho e Ribeiro Junior (2014, p. 208)</p><p>TABELA 18 – MATERIAIS UTILIZADOS EM TUBULAÇÕES E DISPOSITIVOS DE ESGOTO</p><p>O PVC é um dos materiais mais utilizados nos sistemas de esgoto em</p><p>virtude do seu baixo custo e fácil aplicabilidade. Porém, em ambiente com alta</p><p>agressividade física e química recomenda-se o uso de tubulação de ferro fundido</p><p>(CARVALHO JÚNIOR, 2014).</p><p>A partir destas recomendações, lembre-se de que as boas práticas para</p><p>a concepção e elaboração do projeto não são exaustivas. Encorajamos que o</p><p>acadêmico tenha durante sua atuação profissional um olhar crítico e atento às</p><p>necessidades de maiores detalhes e especificações. Reserve um tempo para se</p><p>dedicar na elaboração e revisão do projeto, o documento será uma das suas</p><p>principais ferramentas de comunicação.</p><p>118</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>SOLUÇÕES PARA OS PRINCIPAIS PROBLEMAS HIDRÁULICOS</p><p>As instalações hidráulicas e sanitárias são responsáveis por grande</p><p>parte dos problemas patológicos nas edificações (GNIPPER, 2010). A seguir,</p><p>apresentamos os principais problemas, causas e soluções – texto extraído e</p><p>adaptado de Tigre (2013):</p><p>A ruptura em tubos pode ser causada por impactos no transporte,</p><p>no</p><p>manuseio ou durante a sua utilização, devendo-se levantar informações no local</p><p>para verificar se o tubo sofreu impacto durante o seu transporte ou manuseio,</p><p>e caso este tenha ocorrido deve-se substituir trecho de tubo danificado por um</p><p>novo e no caso de impacto durante sua utilização, providenciar uma proteção</p><p>mecânica adicional ou desviar o seu traçado para evitar novos impactos.</p><p>O recalque diferencial do terreno também pode ser uma das causas de</p><p>ruptura, em que se deve verificar se há trincas nas paredes e/ou em pisos, que são</p><p>os indicativos de recalque diferencial do terreno e em caso de ruptura substituir</p><p>o trecho de tubo danificado e providenciar: reforço das fundações e/ou substituir</p><p>o material do solo ou, ainda, melhorar a sua compactação.</p><p>O esforço excessivo provocado por raízes de árvores também é responsável</p><p>por esse tipo de problema, devendo-se verificar se há raízes de árvores próximas</p><p>forçando o tubo de PVC e em caso positivo substituir o trecho de tubo danificado</p><p>e providenciar um desvio da tubulação.</p><p>As deformações em tubos podem ser causadas pela tentativa de</p><p>desentupimento da tubulação de esgoto com soda cáustica, neste caso deve-se</p><p>verificar dois itens:</p><p>1. Se a deformação ocorreu em tubo de esgoto.</p><p>2. Verificar se foi aplicada soda cáustica na tentativa de desentupimento da</p><p>tubulação de esgoto.</p><p>Caso tenha sido deformado, deve-se substituir o trecho de tubo de PVC</p><p>danificado. Informar ao usuário para não utilizar mais este procedimento para</p><p>desentupir a tubulação de esgoto, explicando que a soda cáustica em contato com</p><p>a água libera calor excessivo (reação exotérmica) e que isso provoca deformação</p><p>em tubos de PVC.</p><p>Deformações também podem ocorrer por conta da condução de esgoto</p><p>sem pressão em temperatura excessiva, três itens devem ser essencialmente</p><p>verificados:</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO</p><p>119</p><p>1. Se a deformação ocorreu em ramal de descarga de pia de cozinha com tubos de</p><p>PVC de esgoto da Linha Série Normal.</p><p>2. Verificar o caimento e as condições de apoio da tubulação de esgoto.</p><p>3. Verificar como está sendo utilizada esta pia de cozinha, quais são os despejos,</p><p>em que temperatura e em que frequência.</p><p>As soluções para este tipo de problema se encontram em: substituir o</p><p>trecho de tubulação danificada pela Linha Série Reforçada; corrigir eventuais</p><p>erros de caimento; melhorar as condições de apoio reduzindo o espaçamento</p><p>entre eles para evitar deflexões excessivas na tubulação, que podem reter líquidos</p><p>quentes por longos períodos; se a aplicação for em cozinhas industriais onde a</p><p>frequência de despejos é considerada contínua, recomenda-se instalar caixas de</p><p>resfriamento para poder utilizar tubos de PVC com total segurança.</p><p>A profundidade de assentamento, material de envoltória e compactação</p><p>inadequados para o tipo de carga existente sobre a tubulação também pode</p><p>provocar deformações na tubulação, devendo-se verificar as condições de</p><p>assentamento da tubulação (material de envoltória e compactação), a carga de</p><p>terra e as cargas móveis sobre a tubulação e se a profundidade de assentamento</p><p>está de acordo com recomendações:</p><p>• 30 cm para interior dos lotes;</p><p>• 60 cm em passeios (calçadas);</p><p>• 80 cm na rua sob tráfego de veículos leves;</p><p>• 1,20 m em rua sob tráfego intenso de veículos pesados;</p><p>• 1,5 m sob tráfego de ferrovias.</p><p>Rupturas em ralos e caixas sifonadas podem ocorrer graças ao</p><p>tensionamento por desalinhamento da tubulação de entrada e/ou saída. Neste</p><p>caso, deve-se verificar o alinhamento da tubulação e as condições dos apoios e</p><p>refazer a instalação.</p><p>Também pode ocorrer ruptura do corpo por impacto durante tentativa de</p><p>limpeza inadequada, em que se deve verificar se foi adotado processo de limpeza</p><p>inadequado (por impacto) e os motivos desta tentativa. A solução adotada é</p><p>refazer o sistema de esgoto instalando a caixa sifonada nos ramais de descarga</p><p>e de esgoto. Deve-se orientar o usuário sobre o uso correto do sistema de esgoto</p><p>para evitar novos entupimentos. Algumas caixas sifonadas vêm com cesta de</p><p>limpeza que auxilia neste processo.</p><p>O retorno de esgoto pela caixa sifonada pode ser provocado pelo</p><p>desalinhamento ou caimento inadequado do subcoletor.</p><p>Em instalações aparentes, deve-se verificar se o sistema de apoios está</p><p>causando desalinhamento ou caimento inadequado do subcoletor. Em instalações</p><p>enterradas, verificar se o caimento está inadequado. A solução para este tipo de</p><p>problema é corrigir o alinhamento e o caimento, e instalar a Válvula de Retenção</p><p>de Esgoto.</p><p>120</p><p>UNIDADE 2 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ESGOTO SANITÁRIO</p><p>O entupimento no tubo subcoletor também pode ser uma das causas de</p><p>retorno de esgoto, busca-se averiguar se o subcoletor está entupido e quais as suas</p><p>causas. Assim que realizada a vistoria, deve-se providenciar o desentupimento</p><p>do subcoletor com procedimentos recomendados pela norma NBR 8160 Anexo</p><p>F (manutenções) e instalar válvula de retenção de esgoto, bem como orientar</p><p>o usuário sobre a utilização correta do sistema de esgoto, para evitar futuros</p><p>entupimentos.</p><p>Outra causa possível deste tipo de problema é a existência de rede pública</p><p>de coletor de esgoto subdimensionada ou parcialmente entupida trabalhando com</p><p>seção plena. Neste caso, deve-se verificar se está ocorrendo o mesmo problema</p><p>em outras casas vizinhas e solicitar à companhia de saneamento local a limpeza</p><p>e/ou obra de ampliação da rede de esgoto, bem como instalar válvula de retenção</p><p>de esgoto no coletor predial.</p><p>Ligação da rede de águas pluviais na rede de esgoto também podem</p><p>causar problemas a instalação. Caso isto ocorra, deve-se observar a existência de</p><p>ligação das tubulações de águas pluviais na rede de esgoto e desfazer as mesmas,</p><p>ligando-as na rede de águas pluviais e instalando a válvula de retenção de esgoto</p><p>no coletor predial.</p><p>Um problema bastante comum e incômodo, o mau cheiro pode ser causado</p><p>pela ausência ou sistema de ventilação inadequado. Deve-se retirar a grelha da</p><p>Caixa Sifonada do banheiro e observá-la enquanto se aciona a descarga de um</p><p>vaso sanitário próximo, verificando se há redução do nível do fecho hídrico ou se</p><p>há turbulência na superfície do mesmo. Caso confirmada a causa do problema,</p><p>deve-se corrigir o sistema de esgoto instalando sistema de ventilação.</p><p>O mau cheiro também pode ser causado pela ausência de desconector</p><p>ou inadequação do mesmo. Deve-se verificar a ausência de desconector (caixa</p><p>sifonada) ou caixa sifonada com fecho hídrico menor que 50 mm e instalar caixa</p><p>sifonada que possua fecho hídrico de pelo menos 50 mm.</p><p>Ausência ou vedação inadequada da saída do vaso sanitário, também é</p><p>uma das prováveis causas do mau cheiro, devendo observar se a junta entre a</p><p>saída do vaso sanitário com a tubulação de esgoto está incorreta e instalar vedação</p><p>para saída de bacia sanitária ou anel de vedação.</p><p>Outra causa são as vedações ineficientes, onde deve-se analisar as juntas</p><p>(soldáveis ou elásticas) das tubulações e se as mesmas estão corretas, caso não</p><p>estejam os erros devem ser corrigidos.</p><p>Caixas de passagem e de gordura com sistema ineficiente de vedação da</p><p>tampa também podem provocar mau cheiro. Deve-se verificar se as caixas de</p><p>passagens/inspeção e de gordura são tradicionais (de alvenaria ou concreto) e se</p><p>existem trincas ou quebras nas tampas de concreto, então, substituir as caixas de</p><p>passagem/inspeção e de gordura.</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO</p><p>121</p><p>Ainda, a ausência de plug no sifão da caixa sifonada pode ser uma das</p><p>causas deste problema. Deve-se observar se a caixa sifonada está sem o plug do</p><p>sifão, e caso não possua, instalar o plug no sifão da caixa sifonada.</p><p>Um problema bastante comum é o entupimento de pia de cozinha, lavatório</p><p>e tanque, o que pode ser causado pelo entupimento no ramal de descarga. Verificar</p><p>se após a limpeza do sifão</p><p>ainda ocorre retenção ou escoamento insatisfatório do</p><p>esgoto na pia, lavatório ou tanque e providenciar o desentupimento dos ramais</p><p>de descarga utilizando os procedimentos recomendados pela norma NBR 8160</p><p>da ABNT anexo F (manutenções).</p><p>Outra causa comum de entupimentos é o acúmulo de detritos no sifão,</p><p>devendo-se verificar se há retenção ou escoamento insatisfatório do esgoto na</p><p>pia, lavatório ou tanque e fazer a limpeza do sifão.</p><p>O Retorno de espuma pela Caixa Sifonada pode ocorrer pelo lançamento</p><p>de água servida da máquina de lavar roupas diretamente na caixa sifonada.</p><p>Imediatamente após o despejo da máquina de lavar roupa deve-se observar</p><p>se ocorre retorno de espuma, em caso afirmativo deve-se instalar dispositivo</p><p>antiespuma.</p><p>O retorno de espuma pelo ponto de despejo d’água pode ser decorrente de</p><p>ligações de tubulações de esgoto em regiões de ocorrência de sobrepressão. Deve-</p><p>se observar se a ligação dos ramais de esgoto de máquina de lavar roupa com as</p><p>colunas estão nas áreas de sobrepressão definidos no item 4.2.4.3 da norma NBR</p><p>8160 e instalar o adaptador para máquina de lavar roupas no ponto da parede do</p><p>ramal de esgoto.</p><p>FONTE: Adaptado de TIGRE S. A. M294 Manual técnico tigre: orientações técnicas sobre</p><p>instalações hidráulicas prediais. Joinville: Tigre, 2013. Disponível em: https://tigrecombr-prod.</p><p>s3.amazonaws.com/default/files/2019-08/Tigre_Manual+Tecnico.pdf. Acesso em: 18 jun. 2020.</p><p>122</p><p>RESUMO DO TÓPICO 4</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• As instalações de esgoto sanitário têm como objetivo coletar e transportar de</p><p>maneira segura e eficiente todo o esgoto produzido nas construções para uma</p><p>rede pública coletora ou um sistema de tratamento individual.</p><p>• Para a formulação, análise e supervisão de projetos de instalação de esgoto</p><p>sanitário e de sistemas de tratamento individual devem-se considerar princípios</p><p>técnicos presentes nas normas vigentes da ABNT.</p><p>• A concepção de projeto de instalação de esgoto sanitário deve seguir os</p><p>princípios de valorização da técnica, atenção às singularidades, visão integrada</p><p>e sustentabilidade.</p><p>Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem</p><p>pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao</p><p>AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.</p><p>CHAMADA</p><p>123</p><p>1 Acadêmico, esta autoatividade se integra à Unidade 1, mas se relaciona</p><p>diretamente ao conteúdo da Unidade 2. É uma oportunidade para que você</p><p>observe a integração entre o projeto hidráulico e o sanitário. Sendo assim,</p><p>quais são as implicações que as perguntas levantadas no Exercício 1 (Tópico</p><p>4, Unidade 1) possuem para a instalação de esgoto sanitário?</p><p>Objetivo: pensar e conceber de maneira integrada os projetos de instalações</p><p>de esgoto sanitário.</p><p>Descrição dos procedimentos: descrever perguntas do Exercício 1 (Tópico</p><p>4, Unidade 1); determinar implicações que estas perguntas possuem para o</p><p>projeto de esgoto sanitário.</p><p>2 Considere os seus aprendizados sobre as instalações de esgoto sanitário e</p><p>faça o levantamento de ao menos três possíveis causas de “mau cheiro” em</p><p>uma residência de seu cliente.</p><p>Objetivo: levantar possíveis causas de mau odor proveniente das instalações</p><p>sanitárias.</p><p>Descrição dos procedimentos: levantar possíveis causas de mau cheiro;</p><p>respostas devem ser resgatadas da Leitura Complementar.</p><p>3 Observe um exemplo de projeto de instalação de esgoto sanitário de uma</p><p>residência com dois pavimentos e responda às perguntas:</p><p>Objetivo: avaliar a capacidade de compreensão do discente em relação ao</p><p>projeto de instalação de esgoto sanitário.</p><p>a) Qual o nome do equipamento localizado dentro dos boxes dos banheiros e</p><p>representado por um quadrado?</p><p>b) Qual o nome que se dá para a área fechada destinada aos tubos de queda</p><p>dos banheiros?</p><p>c) Quantas colunas de ventilação há na edificação?</p><p>d) Qual o diâmetro nominal do coletor de esgoto da edificação?</p><p>e) Qual o nome do equipamento que recebe o esgoto produzido na cozinha?</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>124</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8160: instalações</p><p>prediais de esgoto sanitário. Rio de Janeiro, 1999.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13969: tanques</p><p>sépticos: unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes</p><p>líquidos - Projeto, construção e operação. Rio de Janeiro, 1997.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7229: projeto,</p><p>construção e operação de sistemas de tanques sépticos. Rio de Janeiro, 1993.</p><p>BLUKIT. Conheça os sifões da Blukit. 2016. Disponível em: https://www.blukit.</p><p>com.br/noticias/detalhe/conheca-os-sifoes-da-blukit. Acesso em: 26 set. 2019.</p><p>BOTELHO, M. H. C.; RIBEIRO JUNIOR, G. de A. Instalações hidráulicas</p><p>prediais utilizando tubos plásticos. 4. ed. São Paulo: Blucher, 2014.</p><p>BRASIL. Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. Ministério do</p><p>Desenvolvimento Regional publica diagnósticos da situação do saneamento</p><p>no Brasil. 2017. Disponível em: http://www.snis.gov.br/component/content/</p><p>article?id=175. Acesso em: 2 out. 2019.</p><p>CARVALHO JÚNIOR, R. de. Instalações hidráulicas e o projeto de arquitetura.</p><p>8. ed. rev. São Paulo: Blucher, 2014.</p><p>CREDER, H. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC,</p><p>2006.</p><p>DALCIN, B. O que fazer em uma reforma de banheiro. 2015. Disponível em:</p><p>https://comprandomeuape.com.br/2015/08/o-que-fazer-em-uma-reforma-de-</p><p>banheiro.html. Acesso em: 12 set. 2019.</p><p>FORTLEV. Caixa sifonada. c2020. Disponível em: https://www.fortlev.com.br/</p><p>produto/caixa-sifonada-com-7-entradas/. Acesso em: 12 set. 2019.</p><p>MACINTYRE, A. J. Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais. 3. ed. Rio de</p><p>Janeiro: LTC, 1996.</p><p>NAKAMURA, J. Elimine o cheiro de esgoto da casa com manutenções e</p><p>cuidados simples. 2015. Disponível em: https://www.uol.com.br/universa/</p><p>noticias/redacao/2015/02/24/elimine-o-cheiro-de-esgoto-da-casa-com-</p><p>manutencoes-e-cuidados-simples.htm. Acesso em: 23 set. 2019.</p><p>125</p><p>NEVILLE, A. M.; BROOKS, J. J. Tecnologia do concreto. 2. ed. Porto Alegre:</p><p>Bookman, 2013.</p><p>TERUEL C.; CASTRO F. Saiba qual é a função da caixa de gordura, como</p><p>instalar e limpar. c2019. Disponível em: https://www.aecweb.com.br/</p><p>cont/m/rev/saiba-qual-e-a-funcao-da-caixa-de-gordura-como-instalar-e-</p><p>limpar_11713_10_19. Acesso em: 26 set. 2019.</p><p>TIGRE S.A. Caixa de gordura: ficha técnica. 2018. Disponível em: https://</p><p>tigrecombr-prod.s3.amazonaws.com/default/files/produtos/ficha-tecnica/FT_</p><p>Caixa%20de%20Gordura-compactado%20%281%29.pdf. Acesso em: 23 set. 2019.</p><p>TIGRE S.A. M294 Manual técnico tigre: orientações técnicas sobre instalações</p><p>hidráulicas prediais. Joinville: Tigre, 2013.</p><p>TSUTIYA, M. T.; ALEM SOBRINHO, P. Coleta e transporte de esgoto sanitário.</p><p>São Paulo: Escola Politécnica da USP, 1999.</p><p>VIANA D. Instalações sanitárias: ventilação de esgoto predial. 2019. Disponível</p><p>em: https://www.guiadaengenharia.com/instalacoes-sanitarias-ventilacao/.</p><p>Acesso em: 26 set. 2019.</p><p>126</p><p>127</p><p>UNIDADE 3 —</p><p>PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES</p><p>DE PREVENÇÃO E COMBATE</p><p>AO INCÊNDIO</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• perceber elementos práticos de prevenção e combate ao incêndio a partir</p><p>dos conceitos de risco;</p><p>• analisar e estimar parâmetros e critérios tecnicamente adequados para</p><p>sistemas de prevenção e combate ao incêndio;</p><p>• dimensionar e especificar elementos de um sistema de prevenção e com-</p><p>bate ao incêndio;</p><p>• elaborar e compreender projetos de instalações de prevenção e combate</p><p>ao incêndio;</p><p>• aprofundar os conhecimentos teóricos a partir atividades práticas.</p><p>Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade,</p><p>você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo</p><p>apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO</p><p>INCÊNDIO: ASPECTOS GERAIS</p><p>TÓPICO 2 – SISTEMAS HIDRÁULICOS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>TÓPICO 3 – BOMBAS EM SISTEMAS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>TÓPICO 4 – BOAS PRÁTICAS DE PROJETO E INSPEÇÃO</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos</p><p>em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá</p><p>melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>128</p><p>129</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, graves e tristes acontecimentos como o incêndio da</p><p>Boate Kiss em Santa Maria (Rio Grande do Sul, ano de 2013) nos relembram da</p><p>importância da engenharia. A existência de adequados sistemas e instalações</p><p>de prevenção e combate ao incêndio são fundamentais para que se garanta a</p><p>segurança dos usuários e a estabilidade das construções.</p><p>Diante desta relevância, buscaremos abordar a questão dos incêndios nas</p><p>edificações a partir de uma abordagem global, reunindo aspectos de prevenção e</p><p>combate. Na prevenção busca-se proteger os usuários da edificação e evitar que o</p><p>próprio incêndio ocorra. No combate, procura-se alertar e criar condições eficazes</p><p>para que o incêndio seja controlado e extinto (CREDER, 2006).</p><p>As medidas mais usuais contra incêndio nas edificações são os extintores,</p><p>hidrantes, sinalizações, rotas de fuga e alarmes. Recomendações sobre as</p><p>especificações de cada medida são regulamentadas pelo Corpo de Bombeiros de</p><p>cada uma das unidades da federação.</p><p>Você perceberá que nesta Unidade 3 as normas da ABNT dividirão sua</p><p>importância com as Instruções Normativas (INs) emitidas e publicadas pelo</p><p>Corpo de Bombeiros da sua cidade ou estado. Veremos que as INs têm um papel</p><p>central na regulação do tema, o que atribui aos projetos peculiaridades próprias</p><p>para cada região do país.</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO</p><p>INCÊNDIO: ASPECTOS GERAIS</p><p>Uma Instrução Normativa ou Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros tem</p><p>por finalidade padronizar e regular critérios, requisitos e projetos de instalações contra</p><p>incêndio conforme os termos da lei.</p><p>NOTA</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>130</p><p>Diante das diversas regulamentações, buscaremos, neste livro didático,</p><p>apresentar os principais conceitos e diretrizes para a concepção e elaboração</p><p>de um projeto de instalação contra incêndio. Reiteramos que nada substituirá a</p><p>análise e verificação completa das instruções locais, formuladas pelo Corpo de</p><p>Bombeiros da sua região. Isso será fundamental para que seus projetos sejam</p><p>aprovados.</p><p>A NBR 15575-1/2013 Edificações Habitacionais – Desempenho Parte 1:</p><p>Requisitos gerais (ABNT, 2013) aponta princípios importantes de projeto que</p><p>aprofundaremos ao longo deste livro. Em síntese, poderíamos destacar que a</p><p>instalação de prevenção e combate de incêndio buscará:</p><p>- Proteger a vida dos ocupantes das edificações e áreas de risco, em</p><p>caso de incêndio;</p><p>- Dificultar a propagação do incêndio, reduzindo danos ao meio</p><p>ambiente e ao patrimônio;</p><p>- Proporcionar meios de controle e extinção do incêndio;</p><p>- Dar condições de acesso para as operações do Corpo de Bombeiros</p><p>[...] (ABNT, 2013, p. 15).</p><p>A mesma NBR 15575 (ABNT, 2013) aponta o caráter integrado das</p><p>instalações de prevenção e combate aos incêndios. Na concepção de um projeto</p><p>estrutural, por exemplo, a resistência ao fogo dos elementos vincula-se a:</p><p>- Possibilitar a saída dos ocupantes da edificação em condições de</p><p>segurança;</p><p>- Garantir condições razoáveis para o emprego de socorro público,</p><p>onde se permita o acesso operacional de viaturas, equipamentos e</p><p>seus recursos humanos, com tempo hábil para exercer as atividades</p><p>de salvamento (pessoas retidas) e combate a incêndio (extinção);</p><p>- Evitar ou minimizar danos à própria edificação, às outras adjacentes,</p><p>à infraestrutura pública e ao meio ambiente (ABNT, 2013, p. 16).</p><p>Assim, esperamos que você, acadêmico, possa atingir os objetivos</p><p>de aprendizagem por meio dos quatro tópicos desta Unidade 3. No Tópico 1,</p><p>abordaremos uma discussão, que embora conceitual, possui muitas implicações</p><p>práticas. Nos Tópicos 2 e 3 estudaremos os principais elementos de uma instalação</p><p>de prevenção e combate ao incêndio, como: extintores, tubulações, reservatórios</p><p>e bombas de incêndio. Por fim, integraremos os conteúdos apresentados na</p><p>discussão de critérios práticos de projeto e inspeção (Tópico 4).</p><p>2 FATORES DE RISCO DE INCÊNDIOS E SUAS IMPLICAÇÕES</p><p>Afinal, quais são os elementos que desencadeiam um incêndio? Ao</p><p>pensarmos em estratégias de limitação e controle do risco de incêndio precisamos</p><p>identificar os fatores que o constituem. A luz da teoria dos riscos ambientais</p><p>(GRACIOSA; MENDIONDO, 2007), podemos apontar três tipos de fatores que</p><p>reunidos produzem o risco de incêndio (equação I): (1) agente físico-químico (2)</p><p>ambiente vulnerável e (3) exposição de pessoas, bens e estruturas:</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO: ASPECTOS GERAIS</p><p>131</p><p>RISCO DE INCÊNDIO = AGENTE x VULNERABILIDADE x EXPOSIÇÃO (I)</p><p>O agente físico-químico será o oxigênio e o calor, elementos que em contato</p><p>com o material combustível proporcionam a formação do fogo. A intervenção</p><p>sobre o “agente” ocorrerá sempre em um contexto de combate, tendo em vista</p><p>as diferentes causas e estágios do incêndio. Para isso utilizaremos equipamentos</p><p>e materiais de combate específicos para cada tipo de incêndio que reduzirão a</p><p>temperatura e a concentração de oxigênio.</p><p>A vulnerabilidade pode ser entendida como o nível de predisposição</p><p>que determinado ambiente construído possui para criar e propagar o fogo. O</p><p>incêndio não seria motivo de preocupação se não houvesse materiais capazes</p><p>de entrar em combustão nas edificações. Portanto, quanto maior o número de</p><p>materiais combustíveis (“carga de fogo”) e quanto maior seu grau de propagação,</p><p>maior será a vulnerabilidade da edificação.</p><p>Veremos mais à frente e com maior profundidade o conceito de carga de</p><p>fogo ou também conhecido como carga de incêndio. Esse fator possibilita quantificar a</p><p>vulnerabilidade do local e pode servir de parâmetro para o dimensionamento de diversas</p><p>instalações contra incêndio.</p><p>NOTA</p><p>Um agente e um ambiente vulnerável ainda não são capazes de formar</p><p>um risco se não houver a exposição de pessoas, estruturas ou quaisquer outros</p><p>seres vivos, obras de arte, documentos e sistemas dos quais se deseja preservar. A</p><p>redução da exposição consiste em prever rotas de fugas, sistemas de isolamento</p><p>(ex.: portas “corta fogo”), saídas de emergência bem dimensionadas e outros.</p><p>Você consegue perceber a relação de todos estes três fatores no evento da</p><p>Boate Kiss? Segundo a imprensa (G1, 2013), um elemento pirotécnico (agente)</p><p>provocou o início do incêndio no forro da edificação (ambiente vulnerável).</p><p>Poderia ser apenas um “susto” se o fogo fosse contido e se as pessoas não</p><p>estivessem expostas em um ambiente superlotado e com rotas de fuga sem a</p><p>devida sinalização (exposição).</p><p>Vejam, portanto, que a equação (I) possui implicações práticas. Permite</p><p>não somente perceber que a exclusão de um ou mais fatores leva a eliminação do</p><p>risco. O conceito também permite observar que o incêndio não é mera fatalidade.</p><p>Trata-se de um evento “construído”, resultante de fatores relacionados à</p><p>negligência ou imprudência humana.</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>132</p><p>Ainda que a origem do fogo possa ser natural (proveniente de raios,</p><p>incêndios florestais etc.), há outros fatores que podem ser gerenciados pela</p><p>engenharia (vulnerabilidade e exposição) para que danos e perdas sejam</p><p>minimizados ou evitados. Portanto, todo incêndio é pré-anunciado pelas</p><p>condições em que se encontram os fatores de risco das edificações. Nossa tarefa</p><p>ao longo de toda a Unidade 3 consistirá em gerenciar estes fatores, reduzi-los ou</p><p>até mesmo eliminá-los para que se garanta a segurança dos usuários da edificação.</p><p>2.1 CLASSIFICAÇÃO DE RISCOS E CARGA DE FOGO</p><p>Como seria possível quantificar os riscos? Existem ferramentas qualitativas</p><p>e quantitativas para isso. De maneira geral, o Corpo de Bombeiros de cada</p><p>unidade da federação costuma apresentar uma classificação de acordo com o uso</p><p>e a ocupação da construção (classificação qualitativa, não numérica).</p><p>Perceba que a questão do uso da edificação reúne direta e indiretamente</p><p>aspectos relacionados aos graus de vulnerabilidade e exposição. Observe o</p><p>exemplo da Instrução Normativa 003 do estado de Santa Catarina (CBM-SC,</p><p>2014, p. 4, grifo do autor):</p><p>Art. 5º Dentro da classificação do risco de incêndio, a princípio, as</p><p>ocupações dos imóveis serão distribuídas da seguinte forma:</p><p>I – RISCO LEVE – para ocupação tipo: a) Residencial privativa</p><p>multifamiliar; b) Residencial coletiva; c) Comercial (exceto</p><p>supermercados ou galerias comerciais); d) Pública; e) Escolar geral;</p><p>f) Escolar diferenciada; g) Reunião de Público com concentração; h)</p><p>Reunião de Público sem concentração; i) Hospitalar sem internação</p><p>e sem restrição de mobilidade; j) Parques aquáticos; k) Atividades</p><p>agropastoris (exceto silos); l) Riscos diferenciados; m) Mista (para</p><p>duas ou mais ocupações previstas neste inciso, desde que exista</p><p>compartimentação entre as diferentes ocupações e com saídas de</p><p>emergência independentes).</p><p>II – RISCO MÉDIO – para ocupação tipo: a) Residencial transitória;</p><p>b) Garagens; c) Mista (quando não houver compartimentação entre</p><p>as diferentes ocupações ou com sobreposição de fluxo nas saídas de</p><p>emergência); d) Industrial; e) Comercial (apenas supermercados ou</p><p>galerias comerciais); f) Shopping Center; g) Hospitalar com internação</p><p>ou com restrição de mobilidade; h) Postos de revenda de GLP; i) Locais</p><p>com restrição de liberdade; j) Depósitos; k) Atividades agropastoris</p><p>(apenas silos); l) Túneis, galerias e minas; m) Edificações especiais</p><p>(apenas para oficinas de consertos de veículos automotores, caldeiras</p><p>ou vasos sob pressão);</p><p>III – RISCO ELEVADO – para ocupação tipo: a) Postos para</p><p>reabastecimentos de combustíveis; b) Edificações especiais (apenas</p><p>para depósito de combustíveis, inflamáveis, explosivos ou munições).</p><p>Nas edificações de uso comercial e industrial é comum que a classificação</p><p>de riscos seja complementada por uma avaliação quantitativa (numérica) do grau</p><p>de vulnerabilidade. É o caso da quantificação da carga de incêndio específica</p><p>da edificação. O parâmetro pode ser definido como a razão entre a soma das</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO: ASPECTOS GERAIS</p><p>133</p><p>energias caloríficas que poderiam ser liberadas pela queima completa de todos os</p><p>materiais e a área total construída da edificação (equação II).</p><p>Consideram-se construções de risco leve aquelas que possuem carga de</p><p>incêndio específica menor que 1140 MJ/m², risco médio entre 1140 e 2280 MJ/m² e</p><p>risco elevado maior que 2280 MJ/m² (CBM-SC, 2014). Por meio da equação (II) é</p><p>possível calcular carga de incêndio específica da edificação. Ela expressa a relação</p><p>entre a soma da carga de “i” materiais e a área construída da edificação ou de um</p><p>compartimento específico.</p><p>Em que:</p><p>Qe = carga de incêndio específica (MJ/m²);</p><p>pi = massa do material “i” combustível (kg);</p><p>ki = poder calorífico do material “i” (MJ/kg);</p><p>A = área construída da edificação (m²).</p><p>O seguinte roteiro de cálculo poderá ser seguido para o cálculo da carga</p><p>de incêndio específica:</p><p>1) Levantar os materiais combustíveis encontrados na edificação, incluindo a</p><p>mobília.</p><p>2) Levantamento da massa estimada dos materiais combustíveis e identificação</p><p>dos seus respectivos poderes caloríficos (ver próxima nota).</p><p>3) Cálculo da somatória da carga de incêndio de todos os materiais combustíveis.</p><p>4) Determinação da carga de incêndio específica.</p><p>Confira valores de referência dos poderes caloríficos dos materiais (k</p><p>i</p><p>) no</p><p>Anexo A deste Tópico 1.</p><p>DICAS</p><p>Sendo assim, uma edificação de 504 m² com 500 kg de madeira (k = 19 MJ/</p><p>kg) e 100 kg de plástico (31 MJ/kg) terá uma carga de incêndio específica de 25</p><p>MJ/m².</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>134</p><p>3 CLASSES DE INCÊNDIO E SEUS MATERIAIS DE COMBATE</p><p>A identificação de como o incêndio se origina não é uma tarefa trivial.</p><p>Incêndios com diferentes origens exigirão diferentes maneiras de combate, motivo</p><p>pelo qual nem sempre a água será o material mais adequado para a extinção do</p><p>fogo.</p><p>Confira os perigos que a escolha inadequada do método de combate pode</p><p>gerar, acessando o link a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=7OYh9_MTx8s.</p><p>NOTA</p><p>A medida mais adequada contra incêndios sempre será a prevenção,</p><p>porém, quando não for possível, deve-se combatê-lo nos seus primeiros estágios.</p><p>A natureza do material inflamado determina qual tipo de substância e instalação</p><p>será mais adequada para combater o incêndio (MACINTYRE, 1996). Bucka (2015)</p><p>destaca algumas das principais causas e origens de incêndios, são elas:</p><p>1) Eletricidade: tanto pelo excesso de carga (utilização de “tês” que alimentam</p><p>vários aparelhos elétricos sobrecarregando a tomada) como curtos-circuitos,</p><p>mau contato, ausência de fusíveis ou disjuntores e superaquecimento de</p><p>aparelhos elétricos.</p><p>2) Chama exposta: contato de chama com qualquer material que tem potencial</p><p>para iniciar uma combustão (velas, cigarros, fósforo aceso, fogos de artifício</p><p>etc.)</p><p>3) Centelha ou faísca: de forma semelhante a chama exposta, se esse fenômeno</p><p>luminoso que possui descarga elétrica entrar em contato com algum material</p><p>inflamável poderá ser dado início a um incêndio.</p><p>4) Atrito: ocorre pela transformação de energia mecânica em calor, podendo, da</p><p>mesma forma que chama exposta e faísca iniciar uma combustão.</p><p>5) Combustão espontânea: existem materiais que são susceptíveis à inflamação</p><p>mesmo sem estar em contato com alguma fonte de calor (feno, fibras de</p><p>juta, carvão, pólvora etc.), devendo ser tomadas as medidas cautelares para</p><p>armazenamento e controle.</p><p>6) Vasilhames de líquidos inflamáveis abertos: se deixados abertos o vapor destes</p><p>líquidos pode se espalhar e em contato com uma fonte de ignição (faísca, atrito,</p><p>eletricidade, entre outros) podem ocasionar uma explosão e/ou incêndio.</p><p>7) Gás de cozinha: vazamentos em instalações irregulares, reparos mal feitos ou</p><p>até o próprio uso incorreto ou irresponsável pode provocar um acidente de</p><p>forma semelhante ao de vasilhames de líquidos inflamáveis abertos.</p><p>8) Convergência luminosa: luz concentrada, através de lente convergente, que</p><p>pode iniciar fogo, caso esteja em contato com superfície inflamável.</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO: ASPECTOS GERAIS</p><p>135</p><p>Nos Código de Segurança, Instruções Normativas dos Bombeiros e</p><p>na Norma Regulamentadora NR 23 definem-se algumas classes de incêndio</p><p>(BRASIL, 2011; RIO DE JANEIRO, 1976). Elas são separadas a partir da origem</p><p>do fogo:</p><p>• Classe A: causados por materiais de fácil combustão, podendo ser queimados</p><p>completamente (superficial e interno) e que deixam brasa e resíduos. Ex.: papel,</p><p>madeira, tecidos etc.</p><p>• Classe B: incêndios em materiais que queimam apenas superficialmente e não</p><p>deixam resíduos. Ex.: gasolina, solventes, tintas etc.</p><p>• Classe C: incêndio em equipamentos elétricos eletrificados (caso estejam</p><p>desligados os mesmos pertencem à classe A). Ex.: motores, geradores,</p><p>transformadores, televisores etc.</p><p>• Classe D: incêndios em elementos altamente inflamáveis e suas ligas, que</p><p>quando em contato com fogo produzem centelhas e até mesmo explosões. Ex.:</p><p>alumínio, magnésio, potássio, titânio etc.</p><p>Na Tabela 1, apresenta-se uma relação entre a classe de incêndio e o tipo</p><p>de materiais de combate compatíveis para a extinção do fogo. Os materiais de</p><p>combate reduzem a temperatura e a concentração de oxigênio. Em alguns casos,</p><p>deseja-se que o material também não conduza energia elétrica ou provoque</p><p>bruscas mudanças no estado físico dos materiais.</p><p>Materiais de</p><p>Combate</p><p>Classe de incêndio</p><p>Água</p><p>em jato</p><p>denso</p><p>Carga</p><p>Soda-</p><p>ácido</p><p>Espuma Neblina</p><p>de água</p><p>Gás</p><p>carbônico</p><p>Pó</p><p>carboquímico</p><p>Materiais sólidos,</p><p>fibras, madeiras,</p><p>papel etc.</p><p>A Sim Sim Sim Sim Sim1 Sim1</p><p>Líquidos</p><p>inflamáveis</p><p>derivados de</p><p>petróleo</p><p>B Não Não Sim Sim2 Sim Sim</p><p>Maquinaria</p><p>elétrica, motores,</p><p>geradores,</p><p>transformadores</p><p>C Não Não Não Sim2 Sim Sim</p><p>Gases inflamáveis,</p><p>sob pressão D Não Não Não Não3 Não3 Sim</p><p>1 Indicado somente para princípios de incêndio e incêndios de pequena extensão.</p><p>2 Indicado somente após análise prévia das condições de incêndio.</p><p>3 Embora não indicado, existem possibilidade de emprego após estudo prévio e consulta ao</p><p>Corpo de Bombeiros.</p><p>FONTE: Adaptada de Bucka (apud MACINTYRE, 1996, p. 326)</p><p>TABELA 1 – MATERIAIS DE COMBATE A INCÊNDIO EM FUNÇÃO DOS PRODUTOS COMBATENTES</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>136</p><p>Por esta razão, observe que a água em formato de jato ou neblina</p><p>(“dispersa”) não é indicada para todos os casos. Motivo pelo qual a água não será</p><p>o único material de combate presente em nossas instalações. É o que veremos nos</p><p>próximos tópicos deste livro didático.</p><p>4 CASOS PRÁTICOS – RISCO E CARGA DE INCÊNDIO</p><p>PRÁTICA 1 – RISCO DE INCÊNDIO</p><p>Aprendemos, neste tópico, que um incêndio é resultante da combinação</p><p>de três fatores: agente, vulnerabilidade e exposição. Sendo assim, escolha um</p><p>incêndio ocorrido dentro ou fora do Brasil (incluindo algum que até mesmo você</p><p>tenha presenciado) e identifique os fatores de risco no respectivo evento. Reflita</p><p>com seus colegas como seria possível prevenir o ocorrido.</p><p>Objetivo: aplicar os conceitos de risco de incêndio em casos práticos e</p><p>reais.</p><p>Descrição dos procedimentos: levantar um caso real de incêndio em uma</p><p>construção; identificar fatores de risco do evento; debater com os colegas de</p><p>turma como o incidente poderia ser evitado.</p><p>Conceitos: agente físico-química, vulnerabilidade e exposição.</p><p>Resposta: para o caso escolhido considerar o agente físico-químico como o</p><p>oxigênio atmosférico, calor, faíscas, fonte de queima; vulnerabilidade considerar</p><p>os materiais combustíveis e a existência de sistemas de combate; exposição</p><p>considerar os sistemas de fuga, sinalizações, proteção contra colapso instantâneo</p><p>da estrutura etc. A discussão da prevenção do ocorrido deve ser focada nas</p><p>estruturas contra incêndio da edificação escolhida (aspectos de vulnerabilidade e</p><p>exposição). Ver exemplo discutido no próprio tópico, o caso da Boate Kiss.</p><p>5 CASOS PRÁTICOS – RISCO E CARGA DE INCÊNDIO</p><p>PRÁTICA 2 – CARGA DE INCÊNDIO E PRÁTICA DE DETERMINAÇÃO</p><p>Um armazém com 1200 m² de área construída possui os seguintes</p><p>materiais: 15 ton. de celulose, 1,5 ton. kg de madeira e 20 ton. de plástico. Calcule</p><p>a carga de incêndio específica da construção e classifique a edificação conforme</p><p>os dados da Tabela 2. Faça uso do Anexo A para obter o poder calorífico dos</p><p>materiais.</p><p>Objetivo: determinar a carga de incêndio e verificar a classificação de risco</p><p>da edificação do problema.</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO: ASPECTOS GERAIS</p><p>137</p><p>Conceitos: potencial calorífico específico. Carga de incêndio. Carga de</p><p>incêndio específica. Classe de risco de incêndio.</p><p>Classe de risco de incêndio Carga de incêndio específica (MJ/m²)</p><p>Leve < 500</p><p>Médio de 500 a 1000</p><p>Elevado > 1000</p><p>FONTE: O autor</p><p>TABELA 2 – CLASSIFICAÇÃO DE RISCO DA EDIFICAÇÃO DE ACORDO COM A CARGA DE IN-</p><p>CÊNDIO</p><p>Dados meramente ilustrativos.</p><p>Descrição dos procedimentos.</p><p>Resposta: Carga de incêndio = 15000 kg. 16 MJ/kg + 1500 kg. 19 MJ/kg + 20000 kg.</p><p>31 MJ/kg = 888 500 MJ</p><p>Carga de incêndio específica = 888 500 MJ / 1200 m² = 740 MJ/m² Risco médio.</p><p>6 CASOS PRÁTICOS – RISCO E CARGA DE INCÊNDIO</p><p>PRÁTICA 3 – LEGISLAÇÃO LOCAL</p><p>Verifique na legislação do seu município (ANEXO B – a seguir) como</p><p>se dá a classificação de incêndio e cálculo da carga de fogo. Compartilhe com</p><p>seus colegas os critérios encontrados para a definição destes dois parâmetros e</p><p>responda:</p><p>Objetivo: determinar o método de cálculo para a carga de fogo na sua</p><p>região, bem como definir a carga específica de incêndio em um caso prático.</p><p>Conceitos: potencial calorífico específico. Carga de incêndio. Carga de</p><p>incêndio específica. Classe de risco de incêndio. Legislação local.</p><p>Descrição dos procedimentos: acessar site do corpo de bombeiros do seu</p><p>estado (ANEXO B); comparar método do cálculo de carga de fogo com o método</p><p>aplicado no exercício anterior (levantar diferenças e semelhanças); determinar</p><p>carga específica de incêndio conforme regulação local e a partir dos dados do</p><p>exercício anterior.</p><p>a) Existem diferenças no método do cálculo para o cálculo da carga de fogo? Se</p><p>sim, quais?</p><p>b) Qual seria a carga específica de incêndio para o caso descrito no exercício</p><p>anterior?</p><p>Resposta: Prática 2 contém a resposta para o Estado de Goiás.</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>138</p><p>ANEXO A</p><p>Tipo de</p><p>Material</p><p>ki (MJ/</p><p>kg)</p><p>Tipo de</p><p>Material</p><p>ki (MJ/</p><p>kg) Tipo de Material ki (MJ/</p><p>kg)</p><p>Acetileno 50 Dietilcetona 34 Metano 50</p><p>Acetileno</p><p>dissolvido 17 Dietileter 37 Metanol 19</p><p>Acetona 30 Epóxi 34 Monóxido de</p><p>carbono 10</p><p>Acrílico 28 Etano 47 Nafta 42</p><p>Açúcar 17 Etanol 26 N-Butano 45</p><p>Amido 17 Eteno 50 Nitrocelulose 8,4</p><p>Algodão 18 Éter amílico 42 N-Octano 44</p><p>Álcool</p><p>Alílico 34 Éter etílico 34 N-Pentano 45</p><p>Álcool</p><p>Amílico 42 Etileno 50 Óleo de linhaça 37</p><p>Álcool</p><p>Etílico 25 Etino 48 Óleo vegetal 42</p><p>Álcool</p><p>Metílico 21 Enxofre 8,4 Palha 16</p><p>Benzeno 49 Farinha de</p><p>trigo 17 Papel 17</p><p>Benzina 42 Hexaptano 46 Parafina 46</p><p>Celulose 16 Fenol 34 Petróleo 41</p><p>Biodisel 39 Fibra sintética</p><p>6,6 29 Plástico 31</p><p>Borracha</p><p>espuma 37 Fósforo 25 Poliacritonitrico 30</p><p>Borracha</p><p>em tiras 32 Gás Natural 26 Policarbonato 29</p><p>Butano 46 Gasolina 47 Poliéster 31</p><p>Cacau em</p><p>pó 17 Glicerina 17 Poliestireno 39</p><p>Café 17 Gordura e óleo</p><p>vegetal 42 Polietileno 44</p><p>Cafeína 21 Grãos 17 Polimetilmetacrilico 24</p><p>Cálcio 4 Graxa,</p><p>lubrificante 41 Polioximetileno 15</p><p>TABELA 3 – VALORES DE REFERÊNCIA – POTENCIAL CALORÍFICO ESPECÍFICO (HI)</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO: ASPECTOS GERAIS</p><p>139</p><p>Carbono 34 Heptano 46 Poliuretano 23</p><p>Carvão 36 Hexametileno 46 Polivinilclorido 16</p><p>Celulose 16 Hexano 46 Propano 46</p><p>Cereais 17 Hidreto de</p><p>sódio 9 PVC 17</p><p>C-Heptano 46 Hidrogênio 143 Resina de fenol 25</p><p>C-Pentano 46 Hidreto de</p><p>magnésio 17 Resina de uréia 21</p><p>C-Propano 50 Látex 44 Resina melamínica 18</p><p>C-Hexano 46 Lã 23 Seda 19</p><p>Chocolate 25 Leite em pó 17 Sisal 17</p><p>Chá 17 Linho 17 Tabaco 17</p><p>Cloreto de</p><p>polivinil 21 Linóleo 2 Tolueno 42</p><p>Couro 19 Lixo de</p><p>cozinha 18 Turfa 34</p><p>Creosoto/</p><p>fenol 37 Madeira 19 Ureia (ver resina de</p><p>ureia) 9</p><p>D-glucose 15 Magnésio 25 Viscose 17</p><p>Diesel 43 Manteiga 37</p><p>Dietilamina 42 Polipropileno 43</p><p>FONTE: Adaptada de CBM-GO (2014, p. 53)</p><p>Unidades</p><p>Federativas Acesso às Instruções Normativas / Instruções Técnicas1</p><p>Acre</p><p>https://sogi8.sogi.com.br/Arquivo/Modulo113.MRID109/</p><p>Registro1239186/portaria%20cbm-ac%20n%C2%B0%2049,%20</p><p>de%2023-03-2016%20.pdf</p><p>Alagoas https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=350207</p><p>Amapá https://sistemas.cbm.ap.gov.br/site_v2/index.php/atividades-</p><p>tecnicas</p><p>Amazonas https://dstcbmam.wordpress.com/2017/05/23/legislacao-</p><p>tecnica/</p><p>Bahia http://www.cbm.ba.gov.br/legislacao</p><p>Ceará https://www.cepi.cb.ce.gov.br/download/normas-tecnicas-</p><p>vigentes/</p><p>Distrito Federal https://www.cbm.df.gov.br/regulamentacao</p><p>Espírito Santo https://cb.es.gov.br/normas-tecnicas</p><p>Goiás https://www.bombeiros.go.gov.br/normastecnicas-revisao/</p><p>normas-tecnicas.html</p><p>Maranhão https://cbm.ssp.ma.gov.br/index.php/2013/06/05/normas-de-</p><p>seguranca/</p><p>ANEXO B</p><p>QUADRO 1 – INSTRUÇÕES NORMATIVAS DAS UNIDADES DA FEDERAÇÃO – BRASIL</p><p>https://sogi8.sogi.com.br/Arquivo/Modulo113.MRID109/Registro1239186/portaria cbm-ac n%C2%B0 49, de 23-03-2016 .pdf</p><p>https://sogi8.sogi.com.br/Arquivo/Modulo113.MRID109/Registro1239186/portaria cbm-ac n%C2%B0 49, de 23-03-2016 .pdf</p><p>https://sogi8.sogi.com.br/Arquivo/Modulo113.MRID109/Registro1239186/portaria cbm-ac n%C2%B0 49,</p><p>DE COMBATE .......................................... 134</p><p>4 CASOS PRÁTICOS – RISCO E CARGA DE INCÊNDIO ....................................................... 136</p><p>5 CASOS PRÁTICOS – RISCO E CARGA DE INCÊNDIO ....................................................... 136</p><p>6 CASOS PRÁTICOS – RISCO E CARGA DE INCÊNDIO ....................................................... 137</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 141</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 142</p><p>TÓPICO 2 — SISTEMAS HIDRÁULICOS DE COMBATE AO INCÊNDIO ......................... 143</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 143</p><p>2 EXTINTORES .................................................................................................................................. 144</p><p>3 SISTEMA HIDRAÚLICO PREVENTIVO (SPH): TUBULAÇÕES E RESERVATÓRIO .... 146</p><p>3.1 TUBULAÇÕES DO SISTEMA HIDRAÚLICO ...................................................................... 150</p><p>3.2 CAIXA DE INCÊNDIO .............................................................................................................. 153</p><p>3.3 RESERVATÓRIOS ....................................................................................................................... 155</p><p>4 CASOS PRÁTICOS – CONCEPÇÃO DE SISTEMAS DE EXTINTORES ........................... 156</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 158</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 159</p><p>TÓPICO 3 — BOMBAS EM SISTEMAS DE COMBATE AO INCÊNDIO ............................. 161</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 161</p><p>2 BOMBAS DE INCÊNDIO: PARÂMETROS E POTÊNCIA ..................................................... 161</p><p>3 ESPECIFICAÇÕES E PROCEDIMENTOS PRÁTICOS DE INSPEÇÃO ............................. 163</p><p>4 CASOS PRÁTICOS – INSPEÇÃO DE SISTEMAS DE BOMBAS DE INCÊNDIO ........... 167</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 169</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 170</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO E INSPEÇÃO ................................................. 173</p><p>1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 173</p><p>2 PRÁTICAS DE PROJETO E INSPEÇÃO .................................................................................... 174</p><p>2.1 PROJETO: CONCEPÇÃO E ELABORAÇÃO ......................................................................... 174</p><p>2.1.1 Elementos de projeto ......................................................................................................... 176</p><p>2.2 INSTALAÇÃO, INSPEÇÃO E MANUTENÇÃO ................................................................... 178</p><p>3 CASOS PRÁTICOS – AVALIAÇÃO E PROJETO DE SISTEMAS DE PREVENÇÃO E</p><p>COMBATE ............................................................................................................................................ 180</p><p>4 CASOS PRÁTICOS – AVALIAÇÃO E PROJETO DE SISTEMAS DE PREVENÇÃO E</p><p>COMBATE ............................................................................................................................................ 181</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 184</p><p>RESUMO DO TÓPICO 4................................................................................................................... 187</p><p>AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 188</p><p>REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 189</p><p>1</p><p>UNIDADE 1 —</p><p>PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE</p><p>ÁGUA FRIA</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• analisar e definir a escolha de parâmetros e critérios técnicos que viabili-</p><p>zem o funcionamento de um sistema de abastecimento;</p><p>• aplicar técnicas de dimensionamento e projeto de reservação e distribui-</p><p>ção de água fria em residências e diversos estabelecimentos;</p><p>• especificar e dimensionar tubulações em um sistema de água fria;</p><p>• elaborar e compreender projetos de instalações de água fria com aprofun-</p><p>dado aporte teórico e prático.</p><p>Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer da unidade,</p><p>você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo</p><p>apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA: ASPECTOS GERAIS</p><p>TÓPICO 2 – RESERVATÓRIOS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO:</p><p>DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÕES</p><p>TÓPICO 3 – DIMENSIONAMENTO E ESPECIFICAÇÕES DE RAMAIS,</p><p>COLUNAS E BARRILETES</p><p>TÓPICO 4 – BOAS PRÁTICAS DE PROJETO DE INSTALAÇÃO DE</p><p>ÁGUA FRIA</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos</p><p>em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá</p><p>melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>2</p><p>3</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>UNIDADE 1</p><p>INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA: ASPECTOS GERAIS</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Caro acadêmico, você já deve ter sentido os efeitos indesejados da falta de</p><p>água, não é? Se já sentiu, então pode imaginar a importância de uma instalação</p><p>hidráulica adequada e bem suprida para uso da edificação. A água é um elemento</p><p>fundamental para vida e estudaremos aqui como fornecê-la adequadamente nas</p><p>construções.</p><p>Inicialmente, é válido destacar que as instalações hidráulicas podem</p><p>ser preparadas para receber água quente, fria, de combate ao incêndio ou de</p><p>drenagem (água da chuva, pluvial). Cada qual possui sua especificidade técnica.</p><p>Nesta unidade, nos limitaremos a abordar a instalação de água fria, isto é, de</p><p>água em temperatura ambiente.</p><p>Aguarde mais um pouco e, na Unidade 3, veremos práticas importantes nas</p><p>instalações hidráulicas de combate ao incêndio.</p><p>ESTUDOS FU</p><p>TUROS</p><p>Podemos definir a instalação de água fria como um sistema de engenharia</p><p>formado por tubulações, equipamentos, reservatórios e acessórios de conexão</p><p>(ABNT, 1998). Seu objetivo é promover o abastecimento dos aparelhos de água</p><p>das construções com um desempenho que atenda às necessidades dos usuários</p><p>(CARVALHO JÚNIOR, 2014).</p><p>Na Figura 1, podemos observar os principais elementos de uma instalação</p><p>de água fria residencial. Tais elementos e suas respectivas funções são descritas</p><p>a seguir:</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>4</p><p>FIGURA 1 – ELEMENTOS BÁSICOS DE INSTALAÇÃO HIDRÁULICA DE ÁGUA FRIA</p><p>FONTE: Adaptada de Carvalho Júnior (2014, p. 23)</p><p>1) O reservatório (“caixa d’água”) armazena água com o intuito de amenizar os</p><p>efeitos de uma possível paralisação do fornecimento de água da rede pública.</p><p>2) O “ladrão” é uma saída localizada na lateral superior do reservatório que</p><p>evitará o extravasamento não controlado do reservatório. Quando o “ladrão”</p><p>é acionado, a água deve ser encaminhada para um lugar visível, que alerte o</p><p>problema ao usuário e não danifi que a construção.</p><p>3) Uma tubulação de limpeza é contemplada para que seja possível esvaziar o</p><p>reservatório de maneira segura e rápida. Observe que ela se une ao “ladrão” na</p><p>parte inferior esquerda do reservatório.</p><p>4) Registros são acessórios importantes para que se possa interromper o</p><p>fornecimento de água e realizar a manutenção e o controle das instalações.</p><p>5) As</p><p>de 23-03-2016 .pdf</p><p>https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=350207</p><p>https://sistemas.cbm.ap.gov.br/site_v2/index.php/atividades-tecnicas</p><p>https://sistemas.cbm.ap.gov.br/site_v2/index.php/atividades-tecnicas</p><p>https://dstcbmam.wordpress.com/2017/05/23/legislacao-tecnica/</p><p>https://dstcbmam.wordpress.com/2017/05/23/legislacao-tecnica/</p><p>http://www.cbm.ba.gov.br/legislacao</p><p>https://www.cepi.cb.ce.gov.br/download/normas-tecnicas-vigentes/</p><p>https://www.cepi.cb.ce.gov.br/download/normas-tecnicas-vigentes/</p><p>https://www.cbm.df.gov.br/regulamentacao</p><p>https://cb.es.gov.br/normas-tecnicas</p><p>https://www.bombeiros.go.gov.br/normastecnicas-revisao/normas-tecnicas.html</p><p>https://www.bombeiros.go.gov.br/normastecnicas-revisao/normas-tecnicas.html</p><p>https://cbm.ssp.ma.gov.br/index.php/2013/06/05/normas-de-seguranca/</p><p>https://cbm.ssp.ma.gov.br/index.php/2013/06/05/normas-de-seguranca/</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>140</p><p>Mato Grosso http://www.bombeiros.mt.gov.br/</p><p>legislacaoSegurancaIncendioPanico.php?id=405</p><p>Mato Grosso</p><p>do Sul https://www.bombeiros.ms.gov.br/normas-tecnicas-cbmms/</p><p>Minas Gerais http://www.bombeiros.mg.gov.br/component/content/</p><p>article/471-instrucoes-tecnicas.html</p><p>Pará https://www.bombeiros.pa.gov.br/instrucoes-tecnicas/</p><p>Paraíba https://bombeiros.pb.gov.br/normas-tecnicas/</p><p>Paraná http://www.bombeiros.pr.gov.br/Pagina/Legislacao-de-</p><p>Seguranca-Contra-Incendio</p><p>Pernambuco http://www.bombeiros.pe.gov.br/web/cbmpe/coscip</p><p>Piauí http://www.cbm.pi.gov.br/it.php</p><p>Rio de Janeiro http://www.cbmerj.rj.gov.br/notas-tecnicas</p><p>Rio Grande do</p><p>Norte</p><p>http://www.cbm.rn.gov.br/Conteudo.</p><p>asp?TRAN=ITEM&TARG=184961&ACT=&PAGE=0&</p><p>PARM=&LBL=SAT</p><p>Rio Grande do</p><p>Sul https://www.bombeiros.rs.gov.br/resolucoes-tecnicas</p><p>Rondônia http://www.rondonia.ro.gov.br/cbm/institucional/1-servicos-</p><p>tecnicos/leis-decreto-e-instrucoes-tecnicas/</p><p>Roraima http://www.bombeiros.rr.gov.br/portal/downloads.php</p><p>Santa Catarina https://dat.cbm.sc.gov.br/index.php/pt/cidadao/instrucoes-</p><p>normativas-in</p><p>São Paulo2 http://www.corpodebombeiros.sp.gov.br/</p><p>Sergipe https://dat.cbm.se.gov.br/portal/downloads</p><p>Tocantins https://distec.bombeiros.to.gov.br/pags/menu/legi/</p><p>1 Verificar possíveis atualizações de acesso.</p><p>2 Ir em “Segurança Contra Incêndio” – “Instruções para Regularização”.</p><p>FONTE: O autor</p><p>http://www.bombeiros.mt.gov.br/legislacaoSegurancaIncendioPanico.php?id=405</p><p>http://www.bombeiros.mt.gov.br/legislacaoSegurancaIncendioPanico.php?id=405</p><p>https://www.bombeiros.ms.gov.br/normas-tecnicas-cbmms/</p><p>http://www.bombeiros.mg.gov.br/component/content/article/471-instrucoes-tecnicas.html</p><p>http://www.bombeiros.mg.gov.br/component/content/article/471-instrucoes-tecnicas.html</p><p>https://www.bombeiros.pa.gov.br/instrucoes-tecnicas/</p><p>https://bombeiros.pb.gov.br/normas-tecnicas/</p><p>http://www.bombeiros.pe.gov.br/web/cbmpe/coscip</p><p>http://www.cbm.pi.gov.br/it.php</p><p>http://www.cbmerj.rj.gov.br/notas-tecnicas</p><p>http://www.cbm.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=184961&ACT=&PAGE=0&PARM=&LBL=SAT</p><p>http://www.cbm.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=184961&ACT=&PAGE=0&PARM=&LBL=SAT</p><p>http://www.cbm.rn.gov.br/Conteudo.asp?TRAN=ITEM&TARG=184961&ACT=&PAGE=0&PARM=&LBL=SAT</p><p>https://www.bombeiros.rs.gov.br/resolucoes-tecnicas</p><p>http://www.rondonia.ro.gov.br/cbm/institucional/1-servicos-tecnicos/leis-decreto-e-instrucoes-tecnicas/</p><p>http://www.rondonia.ro.gov.br/cbm/institucional/1-servicos-tecnicos/leis-decreto-e-instrucoes-tecnicas/</p><p>http://www.bombeiros.rr.gov.br/portal/downloads.php</p><p>https://dat.cbm.sc.gov.br/index.php/pt/cidadao/instrucoes-normativas-in</p><p>https://dat.cbm.sc.gov.br/index.php/pt/cidadao/instrucoes-normativas-in</p><p>http://www.corpodebombeiros.sp.gov.br/</p><p>https://dat.cbm.se.gov.br/portal/downloads</p><p>https://distec.bombeiros.to.gov.br/pags/menu/legi/</p><p>141</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Há fatores que formam o risco de incêndio em uma edificação e eles podem ser</p><p>evitados por meio de sistemas contra incêndio.</p><p>• As edificações possuem graus de risco de incêndio e uma carga de incêndio</p><p>específica, definida a partir de metodologias locais.</p><p>• Existem tipos de origem e classificações de incêndio (A, B, C e D), bem como</p><p>materiais compatíveis de combate ao fogo.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>142</p><p>1 Um galpão industrial com 2720 m² será destinado a estocar tubos de</p><p>PVC. Calcule o limite de massa de PVC para que a classe de incêndio da</p><p>construção não ultrapasse o risco leve e médio. Considere a classificação</p><p>da tabela a seguir e utilize o Anexo A para obter o poder calorífico dos</p><p>materiais.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>Classe de risco</p><p>de incêndio</p><p>Carga de incêndio</p><p>(MJ/m²)</p><p>Leve < 500</p><p>Médio de 500 a 1000</p><p>Elevado > 1000</p><p>TABELA – CLASSIFICAÇÃO DE RISCO DA EDIFICAÇÃO DE ACORDO COM A CARGA DE</p><p>INCÊNDIO (DADOS MERAMENTE ILUSTRATIVOS)</p><p>FONTE: O autor</p><p>2 Considere a combustão dos materiais descritos a seguir e indique a sua</p><p>classe de incêndio correspondente. Atribua as letras A, B, C, D, E para as</p><p>suas respectivas classes.</p><p>( ) Tintas e solventes da construção civil.</p><p>( ) Computadores em uma escola.</p><p>( ) Material de escritório (papéis, plásticos e móveis).</p><p>( ) Estoque de tecidos.</p><p>( ) Armazém de fogos de artifício.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) B – C – A – A – D.</p><p>b) ( ) C – C – A – B – D.</p><p>c) ( ) A – C – B – A – B.</p><p>d) ( ) D – B – B – A – C.</p><p>143</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>No Brasil, as instalações de prevenção e combate ao incêndio são exigidas</p><p>para todos os tipos de edificações residenciais multifamiliares, empresariais,</p><p>comerciais e industriais. Poderão existir exceções vinculadas à área construída</p><p>e aos usos com baixo risco. Neste tópico, veremos os dois principais sistemas de</p><p>prevenção e combate ao incêndio para edificações de uso residencial e comercial</p><p>simples, são eles:</p><p>• Sistema de combate por extintores.</p><p>• Sistema hidráulico preventivo (conhecido também como SHP).</p><p>TÓPICO 2 —</p><p>SISTEMAS HIDRÁULICOS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>Dependendo do tipo da construção, poderá ser exigido um sistema de</p><p>prevenção contra descargas atmosféricas (sistema de para-raios), instalações de gás</p><p>combustível, sistema de abandono de local, sinalizações, escadas pressurizadas, dutos de</p><p>ventilação, entre outros.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Serão apresentados alguns critérios para a especificação e dimensionamento</p><p>de extintores na edificação. É importante considerar as classes de incêndio, neste</p><p>caso. As tubulações e diretrizes de dimensionamento da reserva técnica de</p><p>incêndio também serão estudadas. Lembre-se: objetiva-se, neste livro, demonstrar</p><p>os principais conceitos e técnicas sobre o tema. Sempre será preciso observar a</p><p>compatibilidade destes requisitos com o que é exigido pelo Corpo de Bombeiros</p><p>do seu estado.</p><p>144</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>2 EXTINTORES</p><p>A utilização de extintores no combate aos incêndios é muito conhecida,</p><p>sendo presente em edificações com risco de incêndio leve, médio e elevado.</p><p>Extintores são vasos de pressão que podem armazenar diversos tipos de</p><p>substâncias em função do tipo de incêndio que se deseja combater. A seguir,</p><p>listam-se seus principais tipos (CBPMESP, 2011, p. 19, grifo do autor):</p><p>Extintor de pó para classes ABC: é o extintor mais moderno no</p><p>mercado, que atende a todas as classes de incêndio. O pó especial</p><p>é capaz de combater princípios de incêndios em materiais sólidos,</p><p>líquidos inflamáveis e equipamentos energizados. É o extintor usado</p><p>atualmente nos veículos automotivos.</p><p>Extintor com água pressurizada: é indicado para incêndios de classe</p><p>A (madeira, papel, tecido, materiais sólidos em geral). A água age por</p><p>resfriamento e abafamento, dependendo da maneira como é aplicada.</p><p>Extintor com gás carbônico: indicado para incêndios de classe</p><p>C (equipamento elétrico energizado), por não ser condutor de</p><p>eletricidade. Pode ser usado também em incêndios de classes A e B.</p><p>Extintor com pó químico seco [a]: indicado para incêndio de classe B</p><p>(líquido inflamáveis).</p><p>Age por abafamento. Pode ser usado também</p><p>em incêndios de classes A e C.</p><p>Extintor com pó químico especial: indicado para incêndios de classe</p><p>D (metais inflamáveis). Age por abafamento.</p><p>A NBR 12693 (ABNT, 1993) regula os sistemas de combate por extintores</p><p>e determina seus requisitos. Nela, apresentam-se dois tipos de extintores (Figura</p><p>1): o Tipo 1 são portáteis sem rodas; e o Tipo 2 engloba extintores portáteis sobre</p><p>rodas, em geral mais pesados, com 25 kg ou mais (Figura 1).</p><p>No Brasil, os extintores devem obrigatoriamente atender aos requisitos</p><p>de desempenho e segurança do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização</p><p>e Qualidade Industrial (INMETRO). O produto deve conter selos do INMETRO</p><p>bem como a data da última e próxima manutenção (CARVALHO JÚNIOR, 2014).</p><p>Na parte superior dos extintores, costuma-se constar um leitor analógico</p><p>que indica se o elemento está regulado (pressurizado, indicador na parte verde).</p><p>Jamais deverão ser permitidos nas edificações extintores despressurizados, com</p><p>lacre rompido, corroídos, deformados, danificados, sem etiqueta de instrução de</p><p>uso e/ou com teste hidrostático vencido.</p><p>TÓPICO 2 — SISTEMAS HIDRÁULICOS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>145</p><p>FIGURA 1 – TIPOS DE EXTINTORES CONFORME NBR 12693 (ABNT, 1993): TIPO 1 SEM RODAS E</p><p>TIPO 2 COM RODAS</p><p>FONTE: Hodan (2019, p. 1) e Agência Brasileira (2015, p.1)</p><p>Caberá ao Corpo de Bombeiros do seu estado definir o número de</p><p>extintores portáteis nas edificações com base nas classes de risco de incêndio ou</p><p>parâmetro similar. Observe na Tabela 4 o que é exigido para algumas edificações</p><p>no estado de Santa Catarina.</p><p>Veja que, neste caso, o número de extintores dependerá do risco de</p><p>incêndio, da natureza do fogo (A, B, C) e da distância máxima a ser percorrida para</p><p>que se alcance um extintor. Na Tabela 4 são descritos também diversos agentes</p><p>extintores (material de combate) e a capacidade extintora do equipamento.</p><p>Segundo Bucka (2012, p.1):</p><p>A Capacidade extintora é uma das formas de medir o poder de</p><p>extinção de fogo de um extintor, e é obtida por meio de um ensaio</p><p>normalizado, de acordo as normas ABNT NBR 15808 (extintores de</p><p>incêndio portáteis) e ABNT NBR 15809 (extintores de incêndio sobre</p><p>rodas).</p><p>Portanto, um extintor com capacidade extintora de classe 2-A:20-</p><p>B:C (Tabela 3) é capaz de combater incêndios de classes A, B e C. No caso dos</p><p>fogos de classe C, não há um número indicativo de capacidade (BUCKA, 2012),</p><p>contudo, presume-se que o extintor deste tipo será capaz de extinguir incêndios</p><p>provenientes de equipamentos elétricos energizados.</p><p>146</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>Risco de</p><p>Incêndio</p><p>Agente Extintor e respectiva capacidade extintora</p><p>mínima para que constitua uma unidade extintora</p><p>Distância</p><p>máxima</p><p>a ser</p><p>percorridaÁgua Espuma CO2 Pó BC Pó ABC</p><p>Leve 2-A 2-A:10-B 5-B:C 20-B:C 2-A:20-B:C 30 m</p><p>Médio 2-A</p><p>2-A</p><p>2-A:10-B</p><p>2-A:10-B</p><p>5-B:C</p><p>5-B:C</p><p>20-B:C</p><p>20-B:C</p><p>2-A:20-B:C</p><p>2-A:20-B:C</p><p>15 m</p><p>15 mElevado</p><p>TABELA 4 – EXIGÊNCIA DO EXTINTOR DE INCÊNDIO PORTÁTIL EM FUNÇÃO DO RISCO DE</p><p>INCÊNDIO</p><p>FONTE: CBM-SC (2014, p. 7)</p><p>O acesso a esses extintores deve ser seguro e não obstruído por materiais</p><p>(poderá estar associado a uma sinalização específica). A distância máxima a ser</p><p>percorrida pode ser determinada em relação ao ponto mais desfavorável do</p><p>ambiente (mais distante). Fique atento, porque em alguns casos se exigem dois</p><p>extintores em um pavimento, independente da sua capacidade extintora.</p><p>3 SISTEMA HIDRAÚLICO PREVENTIVO (SPH):</p><p>TUBULAÇÕES E RESERVATÓRIO</p><p>Na Figura 2, apresentam-se os principais componentes de um sistema</p><p>hidráulico predial de combate ao incêndio com destaque para elementos de</p><p>transporte (tubulações), reservação e bombeamento. O reservatório e os barriletes</p><p>alimentam a principal tubulação do sistema: a coluna de incêndio. A coluna, por</p><p>sua vez, alimenta os ramais e as caixas de incêndio.</p><p>TÓPICO 2 — SISTEMAS HIDRÁULICOS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>147</p><p>FIGURA 2 – SISTEMA HIDRÁULICO DE INCÊNDIO E SEUS PRINCIPAIS ELEMENTOS</p><p>FONTE: O autor</p><p>Usualmente, no Brasil, trabalha-se uma pressão dinâmica mínima nos pontos</p><p>de utilização da instalação contra incêndio igual a 4 m.c.a. Caso alguma pressão requerida</p><p>não seja atingida, poderemos utilizar bombas de incêndio. No Tópico 3, estudaremos como</p><p>dimensionar e especificar estes sistemas.</p><p>ESTUDOS FU</p><p>TUROS</p><p>O hidrante de passeio (de recalque) é alimentado pela rede pública</p><p>e permite que o Corpo de Bombeiros recalque a água da rede pública para a</p><p>edificação. Portanto, quando for possível o combate ao incêndio por “dentro” da</p><p>edificação, esse sistema permitirá a alimentação contínua das caixas de incêndio</p><p>(MACINTYRE, 1996).</p><p>Você pode conferir na NBR 13714 (ABNT, 2000) as condições mínimas</p><p>exigíveis para dimensionamento, instalação, manutenção, aceitação, manuseio de</p><p>tubulações, abrigos, reserva técnica de incêndio (RTI), mangueiras e bombas de</p><p>148</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>instalação contra incêndio. A norma (ABNT, 2000) também prevê três tipos de</p><p>sistemas contra incêndios. Os sistemas variam conforme o grau de complexidade,</p><p>tipo e número de elementos hidráulicos utilizáveis.</p><p>“Os sistemas de combate a incêndio estão divididos em sistemas de</p><p>mangotinhos (tipo 1) e sistemas de hidrantes (tipos 2 e 3)” (ABNT, 2000, p. 4). Os</p><p>mangotinhos são mangueiras semirrígidas de mais fácil manuseio, porém com</p><p>capacidade extintora menor. Veremos suas propriedades ao longo deste tópico.</p><p>As características destes sistemas estão apresentadas nas Tabelas 5 e 6.</p><p>TABELA 5 – COMPONENTES DA CAIXA DE INCÊNDIO PARA CADA TIPO DE SISTEMA: DIRETRI-</p><p>ZES DA NBR 13714</p><p>FONTE: Adaptada de ABNT (2000, p. 6)</p><p>TABELA 6 – TIPOS DE SISTEMA, DIÂMETRO DO ESGUICHO, NÚMERO DE SAÍDAS E VAZÃO</p><p>FONTE: Adaptada de ABNT (2000, p. 6)</p><p>Materiais Tipos de sistema</p><p>1 2 3</p><p>Abrigo(s) Sim Sim Sim</p><p>Mangueira(s) de incêndio Não Sim Sim</p><p>Chaves para hidrantes, engate rápido Não Sim Sim</p><p>Esguicho(s) Sim Sim Sim</p><p>Mangueira semirrígida</p><p>(“mangotinho”) Sim Sim* Não</p><p>* Consultar dispostos no anexo D da NBR 13714/2000</p><p>Tipo de</p><p>sistema Esguicho</p><p>Mangueira</p><p>Saída Vazão</p><p>(l/min)Diâmetro</p><p>(mm)</p><p>Comprimento</p><p>máximo (m)</p><p>1 Regulável 25 ou 32 30 1 80 ou</p><p>100*</p><p>2 Jato compacto Ø 16</p><p>mm ou regulável 40 30 2 300</p><p>3 Jato compacto Ø 25</p><p>mm ou regulável 63 30 2 900</p><p>* Consultar dispostos no anexo D da NBR 13714/2000</p><p>TÓPICO 2 — SISTEMAS HIDRÁULICOS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>149</p><p>Algumas Instruções Normativas atribuem conceitos e características diferentes</p><p>para os sistemas. Veja por exemplo o caso do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina na IN</p><p>007, art. 42. Aproveite para observar a diferença entre sistemas com mangueira de incêndio</p><p>e mangotinho (Figura 3).</p><p>FONTE: <https://dat .cbm.sc.gov.br/ images/arquivo_pdf/IN/Em_vigor/IN_007_</p><p>SHP_01ago2017.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2020.</p><p>IMPORTANTE</p><p>a) b)</p><p>c) d)</p><p>a) hidrante para sistema do tipo 1;</p><p>b) mangotinho para sistema do tipo 2;</p><p>c) hidrante para sistema do tipo 3 com lance único;</p><p>d) hidrante para sistema do tipo 3 com dois ou mais lances.</p><p>FONTE: CBM-SC (2017b, p. 17-18)</p><p>FIGURA 3 – SISTEMAS CONTRA INCÊNDIO EM FUNÇÃO DO TIPO DE MANGUEIRA</p><p>150</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>Note que a aplicabilidade dos sistemas pode variar conforme a sua</p><p>natureza, visto que apresentam capacidades de extinção do fogo diferentes</p><p>(ABNT, 2000, p. 23-24):</p><p>Sistema tipo 1: residencial; serviços de hospedagem; Serviços</p><p>profissionais, pessoais e técnicos; Educacional e cultura física; Locais</p><p>de reunião de público (Locais onde há objetos de valor inestimável,</p><p>templos, auditórios, centros esportivos, locais para refeições); Serviços</p><p>de saúde e institucionais.</p><p>Sistema tipo 2: comercial varejista; Locais de reunião de público</p><p>(estações e terminais de passageiros, locais para produção e</p><p>apresentação de artes cênicas, locais para pesquisa e consulta);</p><p>Serviços automotivos; Industrial, atacadista e depósitos</p><p>(Locais onde</p><p>as atividades exercidas e os materiais utilizados e/ou depositados</p><p>apresentam baixo potencial de incêndio, locais onde as atividades</p><p>exercidas e os materiais utilizados e/ou depositados apresentam</p><p>médio potencial de incêndio, depósitos sem conteúdo específico).</p><p>Sistema tipo 3: industrial, atacadista e depósitos (locais onde há alto</p><p>risco de incêndio pela existência de quantidade suficiente de materiais</p><p>perigosos).</p><p>3.1 TUBULAÇÕES DO SISTEMA HIDRAÚLICO</p><p>As tubulações do sistema hidráulico deverão ter as dimensões previstas</p><p>pela Tabela 6 (ABNT, 2000). Portanto, aqui nosso desafio como projetista será</p><p>garantir uma pressão dinâmica adequada ao sistema (entre 4 m.c.a para o ponto</p><p>mais desfavorável e 100 m.c.a para o ponto mais favorável). Os valores são</p><p>estipulados por meio de Instrução Normativa e costumam variar em função da</p><p>classe de risco da edificação.</p><p>Para a determinação da altura da saída de água da RTI utilizaremos a</p><p>equação (III), deduzida a partir dos conceitos de perda carga e pressão dinâmica</p><p>vistos na Unidade 1.</p><p>Em que:</p><p>HRTI = altura da saída da reserva técnica de incêndio.</p><p>Jrede = perda de carga unitária da rede (m/m).</p><p>lreal = distância horizontal entre a saída da RTI e a válvula angular da caixa de</p><p>incêndio analisada.</p><p>leq.rede = comprimentos equivalentes da rede devido as perdas de carga localizadas</p><p>(peças, desvios etc.).</p><p>Jmang. = perda de carga unitária da mangueira (m/m).</p><p>lmang. = comprimento real da mangueira ou mangotinho (geralmente = 30m).</p><p>Pmín = pressão dinâmica mínima necessária no esguicho (ver IN que regula o</p><p>tema).</p><p>TÓPICO 2 — SISTEMAS HIDRÁULICOS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>151</p><p>Para o cálculo da perda de carga unitária (J) utilizaremos a equação de</p><p>Hazen-Willians (equação IV). Teremos um J para a rede e a mangueira porque os</p><p>dois elementos costumam possuir diâmetros (D) e materiais distintos (C).</p><p>Sendo:</p><p>J = perda de carga unitária (m/m);</p><p>Q = vazão do esguicho, calculada pela equação (V) (m3/s);</p><p>D = diâmetro nominal da tubulação (Tabela 6) (m);</p><p>C = coeficiente de rugosidade da tubulação (adimensional), dependente do tipo</p><p>de material da tubulação (Tabela 9).</p><p>Na Tabela 7, apresenta-se coeficiente de rugosidade da tubulação</p><p>(ABNT, 2000). A vazão do esguicho é determinada por meio da equação (V),</p><p>considerando-o como um pequeno orifício (AZEVEDO NETTO, 1998).</p><p>Material Coeficiente de</p><p>rugosidade (C)</p><p>Ferro fundido ou dúctil sem revestimento interno 100</p><p>Aço preto (sistema de tubo molhado) 120</p><p>Ferro fundido ou dúctil com revestimento interno 150</p><p>Cobre ou plástico 140</p><p>FONTE: Adaptada de ABNT (2000)</p><p>TABELA 7 – VALORES ADOTADOS PARA O COEFICIENTE DE RUGOSIDADE – C</p><p>Em que:</p><p>Q = vazão teórica do esguicho (l/min);</p><p>d = diâmetro do requinte do esguicho (mm);</p><p>Pmín = pressão dinâmica (mca);</p><p>Ao fim, verifica-se a velocidade da água na rede em todos os pontos. Ela</p><p>não deve ser superior a 4 m/s. O cálculo pode ser realizado por meio da equação</p><p>(VI):</p><p>152</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>Em que:</p><p>V = velocidade da água (m/s);</p><p>Q = vazão teórica (m3/s);</p><p>A = área interna da tubulação (m2).</p><p>Vejamos uma edificação com barriletes, colunas e ramais de 63 mm de</p><p>diâmetro (ferro dúctil com revestimento interno). A mangueira possui 30 metros</p><p>de comprimento, 38 mm de diâmetro e coeficiente de rugosidade igual a 140.</p><p>O esguicho possui diâmetro de 13 mm. O comprimento da tubulação da rede a</p><p>partir da saída da RTI e o hidrante mais desfavorável (no último pavimento) é de</p><p>25 metros.</p><p>Considerando o uso simultâneo de apenas um hidrante (ou seja, a vazão</p><p>de um hidrante = esguicho), a pressão dinâmica requerida no esguicho de 4 m.c.a</p><p>e o comprimento equivalente da rede igual a 45 metros, teremos que a vazão do</p><p>hidrante mais desfavorável será de:</p><p>As perdas de carga unitárias da rede e da mangueira podem ser</p><p>determinadas por meio da equação (IV):</p><p>Sendo assim, a altura mínima necessária à RTI desta edificação será</p><p>5,22 metros. Usualmente, os/as projetistas costumam adotar alturas múltiplas</p><p>de cinco, portanto, pode-se adotar a altura de 5,25 metros para a saída de água</p><p>de incêndio da RTI. Assim, poderemos garantir um correto funcionamento do</p><p>sistema do ponto de vista hidráulico.</p><p>TÓPICO 2 — SISTEMAS HIDRÁULICOS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>153</p><p>3.2 CAIXA DE INCÊNDIO</p><p>Na Figura 4, observamos uma caixa de incêndio e seus componentes</p><p>abrigados. Dentre os elementos apresentados, destaca-se a válvula de globo (ou</p><p>válvula angular), mangueira e esguicho. Os abrigos devem ser de cor vermelha</p><p>(Figura 4), possuir fixação própria (ABNT, 2000) e a inscrição incêndio.</p><p>FONTE: CBM-SC (2017b, p. 17)</p><p>FIGURA 4 – CAIXA DE INCÊNDIO E SEUS COMPONENTES</p><p>A válvula de globo angular (Figura 4) pode ser instalada no interior do</p><p>abrigo desde que não atrapalhe o manuseio e manutenção do sistema. Devem</p><p>possuir diâmetro igual a mangueira ou mangotinho acoplado (Tabela 6).</p><p>Dimensões diferentes podem ser aplicadas desde que seu desempenho hidráulico</p><p>seja comprovado.</p><p>Conectada à válvula de globo angular e ao adaptador (hidrante)</p><p>observamos a mangueira de incêndio. As mangueiras (Figura 5a) devem estar</p><p>localizadas dentro de abrigos, em ziguezague ou “aduchadas”.</p><p>154</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>a) b)</p><p>a) Mangueira de incêndio predial.</p><p>b) Mangotinho enrolado em carretel.</p><p>FONTE: Zeus do Brasil (2019b) e Segurimax (2019)</p><p>FIGURA 5 – MANGUEIRAS</p><p>O mangotinho (Figura 5b) possui uma saída simples de água, contendo</p><p>válvulas de abertura rápida, mangueira semirrígida, esguicho regulável e demais</p><p>acessórios. Podem ser acondicionados de forma enrolada ou em “oito” (dois</p><p>carreteis). O material pode ser utilizado por uma pessoa de maneira rápida (já</p><p>vem conectado à válvula), o que representa uma grande vantagem prática em</p><p>relação às mangueiras de incêndio.</p><p>O esguicho é um dispositivo que se conecta na extremidade das</p><p>mangueiras que tem como objetivo dar forma, direção e controle ao jato de água.</p><p>São possíveis duas formas de esguicho da água: de forma regulável (Figura 6a)</p><p>ou com jato compacto (Figura 6b) (ABNT, 2000).</p><p>FONTE: Zeus do Brasil (2019a)</p><p>FIGURA 6 – ESGUICHO REGULÁVEL E DE JATO COMPACTO</p><p>a) b)</p><p>a) Esguicho regulável.</p><p>b) Esguicho de jato compacto.</p><p>TÓPICO 2 — SISTEMAS HIDRÁULICOS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>155</p><p>3.3 RESERVATÓRIOS</p><p>A água destinada a combater incêndios é armazenada na Reserva Técnica</p><p>de Incêndio (RTI) (Figura 7). Você lembra que comentamos sobre ele na Unidade</p><p>1? A reserva técnica de incêndio é definida pela NBR 13714 (ABNT, 2000, p.</p><p>3) como sendo o “[...] volume de água destinado exclusivamente ao combate a</p><p>incêndio”, em nenhuma hipótese projetaremos o sistema para outro fim.</p><p>FONTE: Carvalho Júnior (2014, p. 46)</p><p>FIGURA 7 – RESERVA TÉCNICA DE INCÊNDIO E BARRILETE DE INCÊNDIO</p><p>A RTI é dimensionada para que permita o primeiro combate, ou seja, nos</p><p>instantes que antecedem a chegada do Corpo de Bombeiros local (ABNT, 2000).</p><p>A equação (VII) apresenta o volume mínimo para a RTI de acordo com a NBR</p><p>13714 (ABNT, 2000).</p><p>Em que:</p><p>V = volume mínimo necessário à RTI (l);</p><p>Q = vazão de duas saídas do sistema aplicado, conforme a Tabela 6 (l/min);</p><p>t = tempo de 60 min para sistemas dos tipos 1 e 2, e de 30 min para sistema do</p><p>tipo 3;</p><p>156</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>É preciso verificar se o volume calculado por meio da equação VII atende ao</p><p>armazenamento mínimo recomendado pelo Corpo de Bombeiros da sua região. O órgão</p><p>poderá exigir critérios mais restritivos para o dimensionamento, incluindo um valor mínimo.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Portanto, resgatando o valor de vazão na Tabela 6 e adotando a equação</p><p>(VII) para o dimensionamento, concluiremos que a RTI de uma edificação com</p><p>sistema de hidrante do tipo 1 terá o volume mínimo de 6000 litros (V = 100 (l/</p><p>min). 60 min).</p><p>Lembre-se de que o objetivo da RTI é alimentar as caixas de incêndio. A</p><p>alimentação</p><p>de outros sistemas de combate deve ser avaliada a partir da NBR</p><p>13714 (ABNT, 2000) e das INs da sua localidade. Teremos que sempre garantir o</p><p>funcionamento do sistema por meio de uma análise das pressões dinâmicas da</p><p>instalação.</p><p>4 CASOS PRÁTICOS – CONCEPÇÃO DE SISTEMAS DE</p><p>EXTINTORES</p><p>PRÁTICA 4 – SISTEMAS DE EXTINTORES</p><p>Elabore um fluxograma que resuma os processos e os critérios de</p><p>dimensionamento do sistema de extintores do tipo 1 (sem rodas) em edificações</p><p>residenciais multifamiliares do seu estado (ou seja, que considere as instruções</p><p>do Corpo de Bombeiros da sua região).</p><p>Objetivo: estabelecer um fluxograma para a concepção de projetos de</p><p>sistemas de combate com extintores em edificações residenciais multifamiliares.</p><p>Conceitos: instrução normativa local. Risco de incêndio. Capacidade</p><p>extintora.</p><p>Resposta: Com base na CBM-SC (2017a)</p><p>TÓPICO 2 — SISTEMAS HIDRÁULICOS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>157</p><p>Observação: para classifi cação de riscos de incêndio IN 003 (CBM-SC, 2014).</p><p>158</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Existem vários tipos de extintores portáteis e critérios para determinar o</p><p>número e a capacidade de extinção dos sistemas prediais.</p><p>• A altura do reservatório e a perda de carga são fatores essenciais para o</p><p>dimensionamento das tubulações de uma instalação preventiva.</p><p>• O correto dimensionamento dos sistemas de reservação técnica de água de</p><p>incêndio (RTI) é fundamental para um sistema de combate ao incêndio.</p><p>159</p><p>1 Determine a altura da saída de água da RTI para uma edificação residencial</p><p>multifamiliar de 3 pavimentos. O sistema hidráulico de combate ao</p><p>incêndio possui barriletes, colunas e ramais de 63 mm de diâmetro (aço</p><p>preto). A mangueira possui 30 metros de comprimento, 38 mm de diâmetro</p><p>e coeficiente de rugosidade igual a 140. O esguicho possui diâmetro de 13</p><p>mm. A distância da saída da RTI ao hidrante mais desfavorável (no último</p><p>pavimento) é de 22 metros. A edificação possui risco leve de incêndio,</p><p>portanto, considere para os cálculos o uso simultâneo de apenas um hidrante</p><p>(ou seja, a vazão de um hidrante = esguicho) e a pressão dinâmica requerida</p><p>no esguicho de 4 m.c.a. O comprimento equivalente das tubulações da rede</p><p>é igual a 34,41 metros.</p><p>2 O Corpo de Bombeiros da sua região solicita que o volume de reserva</p><p>técnica de incêndio (RTI) seja de no mínimo 5 m3 e determinado conforme a</p><p>NBR 13714 (ABNT, 2000). Sendo assim, dimensione a RTI para as seguintes</p><p>edificações:</p><p>a) Residencial multifamiliar com sistema hidráulico do tipo 1.</p><p>b) Para serviços de hospedagem e com sistema hidráulico do tipo 1.</p><p>c) Industrial com sistema hidráulico do tipo 3.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>160</p><p>161</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Destacamos na Figura 2 a presença de um reservatório inferior e de uma</p><p>bomba de recalque. Afinal, por que haveriam estes equipamentos no sistema</p><p>hidráulico de combate ao incêndio? Eles são independentes? Ou utilizados nas</p><p>instalações de água fria?</p><p>As bombas em sistemas de combate ao incêndio podem ser empregadas</p><p>em duas situações. No primeiro caso, quando as pressões mínimas exigidas não</p><p>são alcançadas, exigindo uma RTI muito alta. A determinação da potência destas</p><p>bombas (tipo Jockey) possui especificidades e vantagens. É o que abordaremos</p><p>neste Tópico 3.</p><p>Há também uma segunda possibilidade de utilização, quando a RTI</p><p>necessita ser dividida em um reservatório superior e inferior (caso da Figura</p><p>2). Os motivos para esta última situação devem-se, muitas vezes, à dificuldade</p><p>de execução de grandes reservatórios superiores ou necessidade de reduzir</p><p>o carregamento sobre a edificação (CREDER, 1996; CARVALHO JÚNIOR,</p><p>2014). Neste cenário, os cálculos de determinação de potência são idênticos aos</p><p>apresentados no Tópico 3 da Unidade 1 (Instalação de Água Fria).</p><p>Em todas as situações teremos um sistema de recalque/bombeamento</p><p>independente do sistema do consumo, exclusivo para o combate ao incêndio</p><p>(CARVALHO JÚNIOR, 2014). Portanto, neste tópico, você aprenderá a</p><p>dimensionar uma bomba de incêndio de pressurização, conhecida também como</p><p>de reforço ou Jockey. Ela se destina ao aumento da pressão da rede para que o</p><p>incêndio possa ser combatido com maior eficiência.</p><p>2 BOMBAS DE INCÊNDIO: PARÂMETROS E POTÊNCIA</p><p>Para a determinação da potência de bombas de incêndio será preciso</p><p>definir a vazão de descarga de projeto, determinar a altura manométrica da</p><p>instalação e verificar as velocidades do sistema. Na Tabela 8, apresenta-se as</p><p>vazões de descarga dos das mangueiras ou mangotinho em função da classe de</p><p>risco da edificação.</p><p>TÓPICO 3 —</p><p>BOMBAS EM SISTEMAS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>162</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>Risco de incêndio Descarga (l/min)</p><p>Leve 250</p><p>Médio 500</p><p>Elevado 900</p><p>FONTE: Creder (1996, p. 146)</p><p>TABELA 8 – DESCARGA EM FUNÇÃO DA CLASSE DE RISCO DE INCÊNDIO</p><p>A altura manométrica total pode ser determinada por meio da equação</p><p>(VIII), considerando sempre o hidrante mais desfavorável e a pressão máxima de</p><p>100 m.c.a (ABNT, 2000).</p><p>Em que:</p><p>Hman = altura manométrica (mca);</p><p>Hr = altura de recalque (m);</p><p>Hs = altura de sucção (m)</p><p>Hm = perda de carga na mangueira (mca);</p><p>∑Δ hs = somatória da perda de carga no trecho de sucção (mca);</p><p>∑Δhr = somatória da perda de carga no trecho de recalque (mca).</p><p>P = pressão requerida na saída do esguicho (Tabela 9) (mca).</p><p>Com exceção da pressão requerida (P), todos os parâmetros já foram</p><p>apresentados ao acadêmico. Os conteúdos foram abordados na Unidade 1 e no</p><p>tópico anterior. Na ausência de legislação que prescreva a pressão requerida no</p><p>esguicho, o acadêmico poderá recorrer às diretrizes da National Fire Protection</p><p>Association (Tabela 9).</p><p>Requinte (Esguicho) (mm) Descarga (l/min) Pressão requerida (m.c.a)</p><p>12 250 57</p><p>16 250 24</p><p>19 500 42</p><p>FONTE: NFPA apud Macintyre (1996, p. 249)</p><p>TABELA 9 – PRESSÃO REQUERIDA EM FUNÇÃO DO DIÂMETRO DE REQUINTE</p><p>A velocidade máxima da água na tubulação de sucção e recalque deve ser</p><p>respectivamente de 4,0 e 5,0 m/s. Deste modo, a potência da bomba é determinada</p><p>pela equação (IX):</p><p>TÓPICO 3 — BOMBAS EM SISTEMAS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>163</p><p>Em que:</p><p>P = potência do motor da bomba (CV);</p><p>γ = peso específico da água (1000 kgf/m3 a 20ºC);</p><p>Q = vazão do hidrante (m3/s);</p><p>Hman = altura manométrica (m);</p><p>η = rendimento do conjunto motobomba.</p><p>Em resumo, teremos o seguinte roteiro de cálculo para o dimensionamento</p><p>de bombas de incêndio:</p><p>1. Cálculo da vazão do hidrante (Tabela 8).</p><p>2. Determinação do comprimento real de sucção e recalque (Hs e Hr).</p><p>3. Determinação da perda de carga unitária da rede (Jrede) e da mangueira (Jmang).</p><p>4. Cálculo da altura manométrica (equação VIII).</p><p>5. Dimensionamento da potência da bomba (equação IX).</p><p>Para uma edificação com altura de recalque igual a 60 m, altura de sucção</p><p>igual a 5 m, perda de carga na sucção e no recalque igual a 2 m, perda de carga</p><p>na mangueira do hidrante mais desfavorável igual a 3 m e pressão requerida</p><p>mínima de 57 mca (Tabela 9), teremos a altura manométrica:</p><p>Considerando a edificação como de risco leve, teremos uma vazão de</p><p>projeto igual a 250 l/min (Tabela 8), de modo que a potência mínima da bomba</p><p>para um rendimento de 40% será de aproximadamente 18 CV:</p><p>3 ESPECIFICAÇÕES E PROCEDIMENTOS PRÁTICOS DE</p><p>INSPEÇÃO</p><p>A NBR 13714 (ABNT, 2000) em seu anexo B descreve especificações sobre</p><p>as bombas de incêndios relacionados a detalhes de casa de bombas, disposição</p><p>do sistema, tipo de equipamentos e sinalizações informativas. As bombas podem</p><p>ser classificadas quanto ao seu uso: principal ou reserva. De acordo com Creder</p><p>(1996, p. 134), o sistema de bombas deve possuir as seguintes características:</p><p>164</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>- Capacidade de recalcar a água do reservatório inferior do edifício</p><p>para 20 pontos, no mínimo.</p><p>- Circuito elétrico independentemente do restante do edifício, com</p><p>ligação antes</p><p>da chave geral.</p><p>- Acionamento automático, mediante simples uso de qualquer</p><p>aparelho das caixas de incêndio.</p><p>- Sistema de alarme, acionado simultaneamente com a bomba.</p><p>A bomba de combate ao incêndio deve ser exclusiva para as instalações</p><p>de combate ao incêndio e armazenadas em uma casa de bombas (casa de abrigo).</p><p>A casa deverá proteger o sistema contra danos mecânicos, intempéries naturais,</p><p>agentes químicos, fogo ou umidade.</p><p>O isolamento também deve impedir o acesso de pessoas não autorizadas.</p><p>Ao mesmo tempo, a casa de bombas deve possuir dimensões suficientes para</p><p>permitir o acesso, a vistoria e a manutenção completa do conjunto motobomba.</p><p>As bombas de funcionamento automático devem possuir desligamento</p><p>manual no painel de comando localizado na casa de bombas, também devendo</p><p>ser previsto no mínimo um acionamento manual da bomba em algum ponto</p><p>seguro e de fácil acesso a pessoas autorizadas. Elas também devem ser iniciadas</p><p>assim que qualquer ponto de hidrante da edificação for aberto, devendo atingir</p><p>seu pleno funcionamento 30 segundos após sua ligação (ABNT, 2000).</p><p>É preferível que as bombas sejam instaladas em condição de sucção</p><p>positiva (quando a linha do eixo da bomba se encontra abaixo do nível da água).</p><p>Entretanto, no caso de sucção negativa é permitido que a linha da bomba se situe</p><p>a 2 m acima do nível da água ou a um terço da altura útil do reservatório (Figura</p><p>8). Deve-se adotar o menor valor entre as duas situações (ABNT, 2000).</p><p>Para que a condição de sucção positiva aconteça também pode ser</p><p>instalado um reservatório de escorva (abastecido diretamente da rede pública),</p><p>que busca evitar que a bomba opere com ar nas suas tubulações (você vai observar</p><p>a presença deste na autoatividade deste tópico).</p><p>FONTE: Adaptada de ABNT (2000, p. 16)</p><p>FIGURA 8 – CONDIÇÃO NEGATIVA DE SUCÇÃO DA BOMBA DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>TÓPICO 3 — BOMBAS EM SISTEMAS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>165</p><p>No que diz respeito à pressão e vazão, a NBR 13714 (ABNT, 2000) relata que</p><p>estas devem ser suficientes para suprir à demanda dos hidrantes e mangotinhos,</p><p>não sendo recomendada a instalação de bombas que proporcionem a rede pressão</p><p>superior a 100 mca (1000 kPa).</p><p>A NBR 13714 (ABNT, 2000) determina também que as bombas de incêndio</p><p>devem possuir manômetro (que determinam pressão na descarga) e no caso</p><p>de bombas instaladas em condição de sucção negativa devem possuir também</p><p>manovacuômetro para determinar a pressão na sucção.</p><p>Quanto ao painel de sinalização das bombas, deve ser instalado onde haja</p><p>possibilidade de constante monitoramento (normalmente, é instalado na cabine</p><p>da zeladoria ou vigilância). O painel deve ser dotado de uma botoeira manual</p><p>com sinalização visual e acústica (ABNT, 2000).</p><p>As bombas acopladas a motores elétricos e de combustão interna devem</p><p>obedecer a algumas especificações estabelecidas NBR 13714 (ABNT, 2000). No</p><p>que diz respeito ao modo de alimentação e identificação, as bombas de incêndio</p><p>acopladas a motores elétricos devem possuir alimentação independente do</p><p>consumo geral (permitindo desligamento independente). Os fios da alimentação</p><p>carecem de proteção contra danos mecânicos e químicos, fogo e umidade quando</p><p>dentro da área protegida por hidrantes ou mangotinhos.</p><p>Esse sistema pode possuir um gerador a diesel (o qual deve atender</p><p>aos requisitos da NBR 13714), capaz de suprir o sistema na falta de energia</p><p>proveniente da concessionária. Nas chaves elétricas de alimentação das bombas</p><p>devem possuir sinalizações com a seguinte inscrição: “alimentação da bomba de</p><p>incêndio – não desligue” (ABNT, 2000, p. 16).</p><p>As bombas de reforço, caso necessário, devem possuir acionamento</p><p>automático, por chave de alarme de fluxo, com retardo. Elas são utilizadas</p><p>exclusivamente para mangueiras e mangotinho mais desfavoráveis (ABNT,</p><p>2000). As bombas principais ou de reforço deverão possuir placa de identificação</p><p>com os seguintes itens (ABNT, 2000, p. 15):</p><p>a) nome do fabricante;</p><p>b) número de série;</p><p>c) modelo da bomba;</p><p>d) vazão nominal;</p><p>e) pressão nominal;</p><p>f) rotações por minuto de regime;</p><p>g) diâmetro do rotor.</p><p>Isso também vale para motores elétricos, que devem possuir placa de</p><p>identificação com as seguintes especificações (ABNT, 2000, p. 15):</p><p>166</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>a) nome do fabricante;</p><p>b) tipo;</p><p>c) modelo;</p><p>d) número de série;</p><p>e) potência, em CV;</p><p>f) rotações por minuto sob a tensão nominal;</p><p>g) tensão de entrada, em volts;</p><p>h) corrente de funcionamento, em ampères;</p><p>i) frequência, em hertz.</p><p>O painel de comando que serve como proteção e partida automática do</p><p>motor elétrico da bomba deve ser protegido e localizado próximo do motor. Deve</p><p>ser selecionado conforme a potência do motor da bomba e possuir desenhos</p><p>dimensionais, layout, diagrama elétrico, régua de bornes, diagrama elétrico</p><p>interno e uma lista com os materiais aplicados. Se desligado, o alarme acústico do</p><p>painel deve funcionar normalmente para um novo evento (ABNT, 2000).</p><p>A NBR 13714 contempla a possibilidade de uso de bombas acopladas</p><p>a motores de combustão interna. O ar aspirado para combustão pode ser</p><p>proveniente de fonte natural ou forçada, devendo possuir filtro adequado e</p><p>controlador de rotação – que deve ser constante, podendo variar em 10%, para</p><p>mais ou para menos (ABNT, 2000).</p><p>O painel de comando (≠ sinalização), assim como no caso de motores</p><p>elétricos, deve ser instalado no interior da casa de bombas. A temperatura</p><p>ambiente não deve em qualquer hipótese ser menor que a temperatura mínima</p><p>recomendada pelo fabricante (ou deve possuir sistema próprio de aquecimento</p><p>ininterrupto) (ABNT, 2000).</p><p>O motor deverá possuir a opção de operação manual com o uso de 6 horas</p><p>contínuas. Os gases produzidos pelo motor devem ser encaminhados para fora</p><p>da casa de bombas por meio de um sistema de exaustão ou “chaminé” (ABNT,</p><p>2000). Quanto aos sistemas de refrigeração que são aceitos pela norma, a NBR</p><p>13714 define como admissíveis (ABNT, 2000, p. 19):</p><p>• Injeção direta de água, da bomba para o bloco do motor, de acordo</p><p>com as especificações do fabricante. A saída de água de resfriamento</p><p>deve passar no mínimo 15 cm acima do bloco do motor e terminar</p><p>em um ponto onde possa ser observada sua descarga.</p><p>• Por trocador de calor, vindo a água fria diretamente da bomba</p><p>específica para este fim, com pressões limitadas pelo fabricante do</p><p>motor. A saída de água do trocador também deve ser posicionada</p><p>conforme [o primeiro item].</p><p>• Por meio de radiador no próprio motor, sendo o ventilador acionado</p><p>diretamente pelo motor ou por intermédio de correias, as quais</p><p>devem ser múltiplas.</p><p>• Por meio de ventoinhas ou ventilador, acionado diretamente pelo</p><p>motor ou por correias, as quais devem ser múltiplas.</p><p>TÓPICO 3 — BOMBAS EM SISTEMAS DE COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>167</p><p>Por se tratar de um motor de combustão, deve possuir um tanque</p><p>combustível montado conforme as especificações do fabricante, devendo</p><p>principalmente:</p><p>• Possuir volume suficiente de combustível que supra a demanda de duas vezes</p><p>o consumo (no tempo de funcionamento pleno de abastecimento de água).</p><p>• É necessária a instalação de bacia de contenção sob o tanque de combustível,</p><p>de volume mínimo de 1,5 vezes a capacidade do mesmo.</p><p>• Quando houver mais de um motor cada um deve possuir tanque de combustível</p><p>e ligações próprias.</p><p>Lembre-se que a placa de identificação da bomba de incêndio por</p><p>combustão deve possuir as seguintes informações (ABNT, 2000, p. 19):</p><p>a) nome do fabricante;</p><p>b) tipo;</p><p>c) modelo;</p><p>d) número de série;</p><p>e) potência em CV, considerado o regime contínuo de funcionamento;</p><p>f) rotações por minuto nominal.</p><p>Assim, portanto, apresentamos os principais aspectos a serem considerados</p><p>na instalação e inspeção de bombas de incêndio. As questões aqui colocadas, neste</p><p>livro didático, não esgotam as especificações necessárias, mas visam apontar as</p><p>principais diretrizes de projeto. Reforçamos a importância da leitura completa</p><p>da</p><p>NBR 13714 (ABNT, 2000).</p><p>4 CASOS PRÁTICOS – INSPEÇÃO DE SISTEMAS DE</p><p>BOMBAS DE INCÊNDIO</p><p>PRÁTICA 5 – BOMBAS DE INCÊNDIO</p><p>Você foi chamado para realizar uma inspeção e consultoria em duas</p><p>edificações, uma com bomba de incêndio de acionamento elétrico e outra com</p><p>acionamento à combustão. Avalie as afirmações e as solicitações dos moradores.</p><p>Determine se elas estão corretas (C) ou incorretas (I) e justifique sua resposta a</p><p>partir dos requisitos expressos na NBR 13714 (ABNT, 2000).</p><p>Objetivo: responder questões práticas voltadas à inspeção predial de</p><p>instalações de prevenção e combate ao incêndio.</p><p>Descrição dos procedimentos: avaliar afirmação de um hipotético</p><p>morador; justificar resposta a partir dos conceitos abordados neste livro didático.</p><p>Conceitos: Diretrizes da NBR 13714.</p><p>168</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>Morador 1: Queremos que as bombas da instalação de água fria e de incêndio</p><p>sejam as mesmas. Elas ocupam muito espaço no condomínio.</p><p>R.: (I) – De acordo com a NBR 13714 (ABNT, 2000, p. 15), “Quando o abastecimento</p><p>é feito por bomba de incêndio, deverá possuir pelo menos uma bomba elétrica</p><p>ou de combustão interna e ela deverá abastecer exclusivamente o sistema” de</p><p>combate ao incêndio.</p><p>Morador 2: Estamos preocupados porque o projeto da edificação prevê ligação</p><p>direta da bomba de acionamento elétrico na instalação elétrica de consumo geral.</p><p>R.: (C) – Segundo a NBR 13714 (ABNT, 2000, p. 16), “A alimentação elétrica</p><p>das bombas de incêndio deve ser independente do consumo geral, de forma a</p><p>permitir o desligamento geral da energia elétrica, sem prejuízo do funcionamento</p><p>do motor da bomba de incêndio”.</p><p>Morador 3: Em uma reforma do condomínio quebraram o escapamento do</p><p>sistema de bomba de incêndio à combustão. A bomba continua funcionando,</p><p>então, não vemos problema nisso.</p><p>R.: (I) – Perigo! A NBR 13714 (ABNT, 2000, p. 15) afirma que “O escapamento dos</p><p>gases do motor deve ser provido de silencioso, de acordo com as especificações</p><p>do fabricante, sendo direcionados para serem expelidos fora da casa de bombas,</p><p>sem chances de retornar ao seu interior”.</p><p>169</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Em alguns casos, será necessário o uso de bombas de incêndio nas instalações</p><p>prediais.</p><p>• É possível determinar a potência de bombas de combate ao incêndio nas suas</p><p>mais variadas disposições construídas e condições hidráulicas.</p><p>• Há diretrizes e requisitos de especificação, projeto e inspeção de bombas</p><p>elétricas e à combustão para as instalações de combate ao incêndio.</p><p>170</p><p>1 Na Figura a seguir, observam-se duas bombas de reforço (pressurização</p><p>/Jockey), sendo que uma delas é a principal e a outra reserva (sem uso</p><p>simultâneo). Ambas são alimentadas por um reservatório inferior e caixa</p><p>piezométrica de escorva. Trata-se de um edifício comercial com risco</p><p>de incêndio baixo. Em cada hidrante serão usadas duas mangueiras</p><p>comprimento de 30 m. O diâmetro de cada mangueira de lona (C = 140) é</p><p>de 38 mm e o esguicho é de 16 mm. A bomba possui 30 m de desnível em</p><p>relação ao hidrante mais desfavorável (H6) e 4 m em relação ao reservatório</p><p>inferior. O comprimento virtual de recalque e sucção é igual a 122,5 e</p><p>23,4 metros respectivamente. Toda a tubulação é composta por aço preto</p><p>(diâmetro de 75 mm), inclusive conexões.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>171</p><p>FONTE: Adaptada de Creder (2006, p. 147)</p><p>FIGURA – SISTEMA HIDRÁULICO DE COMBATE AO INCÊNDIO COM BOMBA DE RECALQUE</p><p>172</p><p>Observação importante: para fins didáticos, despreze a pressão do reservatório</p><p>de escorva e a necessidade de diferentes diâmetros de sucção e recalque.</p><p>Sendo assim, determine:</p><p>a) A altura manométrica total (Hman).</p><p>Procedimentos.</p><p>b) A potência do motor para acionar a bomba em CV, admitindo-se um</p><p>rendimento de 40%.</p><p>Procedimentos.</p><p>173</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Ao longo da Unidade 3 deste livro, abordamos os principais requisitos,</p><p>critérios e elementos de uma instalação de prevenção e combate ao incêndio.</p><p>No final deste Tópico 4, esperamos que você, acadêmico, possa aprender e se</p><p>apropriar das técnicas de concepção e elaboração de projetos contra incêndio.</p><p>No Quadro 2, descrevem-se os princípios de trabalho sugeridos para sua</p><p>prática profissional. Eles são os mesmos descritos na Unidade 1 e 2 e possuem</p><p>implicações práticas para o cotidiano de um projetista de instalações contra</p><p>incêndio.</p><p>TÓPICO 4 —</p><p>BOAS PRÁTICAS DE PROJETO E INSPEÇÃO</p><p>Princípio Objetivo Implicações práticas</p><p>Valorização da</p><p>técnica</p><p>Buscar fundamentação</p><p>técnica nas decisões e</p><p>nos critérios de projeto,</p><p>execução e inspeção.</p><p>Apoiar-se nas diretrizes</p><p>apresentadas pelas NBRs e</p><p>Instruções Normativas do</p><p>Corpo de Bombeiros.</p><p>Atenção às</p><p>singularidades</p><p>Conceber projetos a partir</p><p>do contexto local e das</p><p>demandas de cada cliente.</p><p>Considerar a possibilidade</p><p>de instalações especiais para</p><p>PcD. Se necessário, ir além do</p><p>que se exige normativamente.</p><p>Esclarecer ao cliente a</p><p>importância dos elementos de</p><p>projeto.</p><p>Visão integrada</p><p>Integrar projetos da</p><p>edificação em busca da</p><p>eficiência dos seus sistemas.</p><p>Adaptações no projeto</p><p>arquitetônico podem ser</p><p>necessárias para que o projeto</p><p>de instalações contra incêndio</p><p>seja otimizado.</p><p>Sustentabilidade</p><p>Considerar a importância</p><p>do desempenho, da</p><p>durabilidade, da economia</p><p>e da preservação ambiental</p><p>dos processos.</p><p>Avalie instrumentos e</p><p>ferramentas que garantam</p><p>um desempenho adequado e</p><p>econômico das instalações.</p><p>QUADRO 2 – PRINCÍPIOS DE TRABALHO PARA A CONCEPÇÃO E ELABORAÇÃO DE PROJETOS</p><p>DE INSTALAÇÕES CONTRA INCÊNDIO</p><p>FONTE: O autor</p><p>174</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>Relembramos o acadêmico que foram apresentados até aqui os principais</p><p>conceitos e técnicas do tema, dando condições para que se compreenda, interprete</p><p>e atenda as instruções e regulações locais.</p><p>2 PRÁTICAS DE PROJETO E INSPEÇÃO</p><p>Em geral, os projetos de instalações contra incêndios são submetidos a</p><p>duas fases: (1) análise do projeto e (2) vistoria do empreendimento. Na análise</p><p>de projeto, a equipe técnica do órgão público responsável irá analisar as</p><p>conformidades e inconformidades do documento. Assim que aprovado, você</p><p>ganhará o aval do Corpo de Bombeiros para dar início à execução da obra.</p><p>Após o término da construção da edificação é necessário que seja feita uma</p><p>vistoria do empreendimento. A vistoria objetiva verificar se o que foi proposto e</p><p>aprovado em projeto está devidamente executado. Portanto, será importante não</p><p>apenas um bom projeto, mas também a sua correta execução.</p><p>Confira nas Instruções Normativas locais se há processos e etapas diferenciadas</p><p>para edificações já construídas, ou seja, para aquelas que necessitam se ajustar a legislação</p><p>vigente.</p><p>NOTA</p><p>2.1 PROJETO: CONCEPÇÃO E ELABORAÇÃO</p><p>Na Figura 9, apresentaremos um organograma genérico que correlaciona</p><p>as diretrizes para a concepção de um projeto de instalação contra incêndio e a</p><p>estrutura da Unidade 3 deste livro didático.</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO E INSPEÇÃO</p><p>175</p><p>FIGURA 9 – ORGANOGRAMA GENÉRICO PARA A CONCEPÇÃO DE PROJETO DE INSTALAÇÃO</p><p>CONTRA INCÊNDIO E ESTRUTURA DO LIVRO DIDÁTICO</p><p>FONTE: O autor</p><p>No Tópico 1, conhecemos os processos de classifi cação de risco da</p><p>edifi cação, fundamentais para que se identifi que os sistemas necessário para a</p><p>prevenção e combate ao incêndio (Figura 9). Os sistemas de prevenção e combate</p><p>ao incêndio que poderão ser exigidos para uma edifi cação residencial ou comercial</p><p>são:</p><p>• Extintores.</p><p>• Hidráulico preventivo.</p><p>• Instalações de gás (GLP & GN).</p><p>• Saída de emergência.</p><p>• Iluminação de emergência.</p><p>• Alarme e detecção de incêndio.</p><p>• Sinalização para abandono de local.</p><p>• Sistema de chuveiros automáticos (sprinklers).</p><p>• Rede pública de hidrantes.</p><p>Nesta etapa de identifi cação, também estará incluída a discussão da</p><p>necessidade do uso de bombas de incêndio, já que o projeto poderá ser concebido</p><p>com a divisão do RTI (parte superior ou inferior) ou com a pressurização da</p><p>rede (Tópico 3). Todos estes critérios devem ser amparados pelas Instruções</p><p>Normativas locais e as NBRs correlatas.</p><p>176</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>Você pode encontrar várias normas correlatas à temática na NBR 15575-</p><p>1/2013 Edificações Habitacionais – Desempenho Parte 1: Requisitos gerais.</p><p>DICAS</p><p>2.1.1 Elementos de projeto</p><p>Os elementos necessários em um sistema de prevenção contra incêndio</p><p>dependerão da natureza da construção. De modo geral, os projetos possuem</p><p>plantas de localização, situação, plantas baixas, fachadas e cortes. Na Tabela</p><p>10, são apresentadas as escaladas mínimas recomendadas para cada elemento</p><p>(MACINTYRE, 1996). Elas permitem um bom nível de detalhamento dos</p><p>desenhos.</p><p>Elemento de projeto Escala mínima</p><p>Plantas de localização 1:2000</p><p>Plantas de situação 1:500</p><p>Plantas baixas, fachadas e cortes 1:50 ou 1:100</p><p>Detalhes 1:25</p><p>TABELA 10 – ESCALAS MÍNIMAS PARA OS ELEMENTOS DE PROJETO</p><p>FONTE: Adaptada de Macintyre (1996, p. 383)</p><p>Na Figura 10, descrevem-se os símbolos mais frequentemente utilizados</p><p>para cada elemento da instalação de prevenção e combate ao incêndio. Você pode</p><p>conferir também se o Corpo de Bombeiros do seu estado prevê algum tipo de</p><p>nomenclatura e terminologia para projetos contra incêndio.</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO E INSPEÇÃO</p><p>177</p><p>FIGURA 10 – LISTA DE SÍMBOLOS EM PROJETO CONTRA INCÊNDIO</p><p>FONTE: Adaptada de Creder (1996, p. 137)</p><p>Ademais, de acordo com a NBR 13714, o projeto de sistema hidráulico</p><p>deve considerar os seguintes aspectos (ABNT, 2000, p. 4):</p><p>O instalador é obrigado a destacar todas as eventuais alterações</p><p>introduzidas, com relação a materiais e equipamentos utilizados,</p><p>caminhamentos e traçados da tubulação, bem como as demais</p><p>prescrições do projeto, apresentando ao projetista para verificação da</p><p>adequação dos parâmetros de funcionamento e segurança do sistema.</p><p>Os documentos assim produzidos passam a fazer parte do memorial.</p><p>Todos os documentos do memorial, bem como as alterações propostas</p><p>e aprovadas, devem ser atestados pelo instalador dos sistemas, que</p><p>passam então a ser denominados documentos “Como construído”,</p><p>assumindo assim toda a responsabilidade da correspondência do</p><p>memorial com a realidade da instalação executada.</p><p>O instalador fica obrigado a afixar, preferencialmente na casa de</p><p>bombas do sistema, uma placa construída em material adequado,</p><p>contendo identificação do construtor, do instalador e do projetista final,</p><p>bem como os números de registro do projeto nos órgãos competentes.</p><p>A conservação da placa é de responsabilidade do usuário do sistema.</p><p>O fluxograma de instalação do sistema e seus esquemas de</p><p>funcionamento e operação, elaborados pelo projetista e verificados</p><p>pelo instalador, devem fazer parte do memorial.</p><p>Para sistemas com extintores deve-se respeitar o que está disposto na NBR</p><p>12693 (ABNT, 1993, p. 8), a qual recomenda:</p><p>[...] a) memoriais contendo:</p><p>- classificação dos riscos a serem protegidos e do sistema adotado;</p><p>- identificação das capacidades extintoras;</p><p>- especificações dos aparelhos;</p><p>b) planta baixa em escala de até 1:300, devidamente convencionada,</p><p>conforme previsto em 5.2, identificando:</p><p>- os diversos riscos isolados protegidos, conforme critérios de</p><p>isolamento de riscos previstos pela Tarifa de Seguro Incêndio do Brasil</p><p>178</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>- T.S.I.B., através de numeração por algarismos arábicos;</p><p>- paredes, grades ou quaisquer obstáculos que impeçam a passagem</p><p>dos extintores e seus operadores;</p><p>c) identificação do estabelecimento e do projetista, tanto nos memoriais</p><p>como nas plantas.</p><p>2.2 INSTALAÇÃO, INSPEÇÃO E MANUTENÇÃO</p><p>A instalação do sistema hidráulico preventivo contra incêndio deve ser</p><p>feita por profissional legalmente habilitado e basear-se nos princípios da NBR</p><p>13714 (ABNT, 2000), são eles:</p><p>• Hidrantes e mangotinhos devem estar desobstruídos e sinalizados e as válvulas</p><p>instaladas devem funcionar corretamente.</p><p>• Os engates devem se apresentar adequado desempenho.</p><p>• Válvulas de controle seccional devem ser mantidas abertas e as válvulas</p><p>angulares dos hidrantes e de abertura rápida dos mangotinhos devem ser</p><p>mantidas fechadas.</p><p>• As mangueiras devem estar armazenadas em abrigo, bem como seus</p><p>pertences, de maneira adequadamente protegida e disponível para utilização</p><p>se necessário.</p><p>• Os esguichos reguláveis devem estar acoplados nas mangueiras.</p><p>• Os abrigos devem estar secos e desobstruídos e livres de qualquer contato com</p><p>água.</p><p>• O cavalete de automatização das bombas deve estar em boas condições de</p><p>operação e a automatização dos sistemas deve estar conforme o especificado</p><p>em projeto.</p><p>Importante ressaltar que as bombas de incêndios, seus acessórios e</p><p>dispositivos de alarme devem ser testados a cada 15 dias, por um período de 15</p><p>minutos (ABNT, 2000). Esta exigência poderá ser explicita em uma placa na casa</p><p>de bombas e no memorial descrito do projeto.</p><p>Prevista pela NBR 13714 (ABNT, 2000), a inspeção do sistema é realizada</p><p>de maneira visual (cruzamento de informações com o projeto) e física (por meio de</p><p>ensaios de estanqueidade das tubulações, reservatórios e outros equipamentos).</p><p>Em seguida, são verificados os mangotinhos e pontos de hidrante. A inspeção</p><p>visual contemplará, portanto (ABNT, 2000):</p><p>• O posicionamento dos pontos de hidrantes/magotinhos, se eles correspondem</p><p>ao posicionamento indicado no projeto, se possuem todos os itens e materiais</p><p>necessários para seu bom funcionamento e acesso fácil.</p><p>• Verifica a reserva técnica de incêndio (seu armazenamento e volume).</p><p>• Observa se os pontos mais desfavoráveis (com menor pressão) são realmente</p><p>os que estão indicados no projeto.</p><p>• Examina se os sistemas estão corretamente identificados (características de</p><p>funcionamento e finalidades).</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO E INSPEÇÃO</p><p>179</p><p>O ensaio de estanqueidade que deve ser realizado no sistema hidráulico</p><p>requer um teste sob pressão hidrostática de 1,5 vezes maior que a pressão</p><p>máxima de trabalho do sistema. A duração do teste deve ser de pelo menos 2</p><p>horas. Durante o ensaio não deve ocorrer nenhum tipo de vazamento no sistema.</p><p>Caso ocorra, a NBR 13714 recomenda que sejam tomadas as seguintes medidas</p><p>(ANBT, 2000, p. 20):</p><p>a) juntas: desmontagem da junta, com substituição das peças</p><p>comprovadamente danificadas, e remontagem, com aplicação do</p><p>vedante adequado;</p><p>b) tubos: substituição do trecho retilíneo do tubo danificado, sendo</p><p>que na remontagem é obrigatória a utilização de uniões roscadas,</p><p>flanges ou soldas adequadas ao tipo da tubulação;</p><p>c) válvulas: substituição completa;</p><p>d) acessórios (esguichos, mangueiras, uniões, etc.): substituição</p><p>completa;</p><p>e) bombas, motores e outros equipamentos: qualquer anormalidade</p><p>no seu funcionamento deve ser corrigida em consulta aos fabricantes</p><p>envolvidos.</p><p>Corrigido o problema na instalação, o ensaio de estanqueidade deverá ser</p><p>repetido. Recomenda-se que os moradores solicitem uma vistoria periódica a um</p><p>profissional legalmente habilitado. Aliado a isso, um plano de manutenção pode</p><p>ser elaborado para que seja preservado os componentes de sistema de maneira</p><p>periódica. Segundo a NBR 13714 (ABNT, 2000, p. 21-22), o plano de manutenção</p><p>objetiva verificar se:</p><p>a) todas as válvulas angulares e de abertura rápida tenham sido abertas</p><p>totalmente, de forma normal e manualmente, e, ao serem fechadas,</p><p>tenha sido verificada a vedação completa, garantindo o bom estado do</p><p>corpo da válvula com relação à corrosão;</p><p>b) todas as válvulas de controle seccional tenham sido manobradas</p><p>sem nenhuma anormalidade, inclusive com relação a vazamentos no</p><p>corpo, castelo ou juntas;</p><p>c) todas as mangueiras de incêndio tenham sido inspecionadas,</p><p>mantidas e acondicionadas conforme a NBR 12779;</p><p>d) todos</p><p>os esguichos tenham sido usados e sua capacidade de</p><p>manobra verificada;</p><p>e) a integridade física dos abrigos tenha sido garantida;</p><p>f) todas as tubulações estejam pintadas sem qualquer dano, inclusive</p><p>com relação aos suportes empregados;</p><p>g) a sinalização utilizada nos pontos de hidrantes e/ou mangotinhos</p><p>esteja conforme o especificado;</p><p>h) os dispositivos de controle da pressão usados no interior das</p><p>tubulações tenham sido verificados quanto a sua eficácia e ao seu</p><p>funcionamento;</p><p>i) o funcionamento de todos os instrumentos e medidores instalados</p><p>tenham sido verificados;</p><p>j) todas as interligações elétricas tenham sido inspecionadas e limpas,</p><p>removendo oxidações;</p><p>l) as gaxetas dos motores/bombas tenham sido verificadas, reguladas</p><p>ou substituídas, recebendo lubrificação adequada e demais cuidados,</p><p>conforme instruções dos fabricantes;</p><p>m) o quadro de comando e de alarme tenha sido totalmente</p><p>inspecionado, atestando seu pleno funcionamento.</p><p>180</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>Para os extintores, basta que os mesmos sejam submetidos a inspeções e</p><p>manutenções periódicas de acordo com a legislação vigente (ABNT, 1993). Lembre-</p><p>se do que comentamos no Tópico 2: não deverão ser permitidos nas edificações</p><p>extintores despressurizados, com lacre rompido, corroídos, deformados,</p><p>danificados, sem etiqueta de instrução de uso, sem selo do INMETRO e/ou com</p><p>teste hidrostático vencido.</p><p>Confira como funciona a inspeção de extintores portáteis. Disponível em:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=UTfqOEQIvCk.</p><p>NOTA</p><p>3 CASOS PRÁTICOS – AVALIAÇÃO E PROJETO DE</p><p>SISTEMAS DE PREVENÇÃO E COMBATE</p><p>PRÁTICA 6 – EXTINTORES DE INCÊNDIO</p><p>Busque, fotografe e registre pelo menos três extintores portáteis localizados</p><p>em uma edificação que você está autorizado a acessar com segurança. Identifique</p><p>as seguintes características: classe de incêndio de combate, capacidade extintora,</p><p>tipo de material combatente (agente extintor), selo do INMETRO, etiqueta</p><p>com instrução de uso, indicação “verde” do leitor analógico (manômetro),</p><p>data da próxima vistoria e data de validade. Avalie suas condições e, caso haja</p><p>irregularidades, aponte correções para um hipotético cliente.</p><p>Objetivo: avaliar as condições técnicas de três extintores portáteis</p><p>localizados na residência do próprio aluno ou em algum lugar público.</p><p>Conceitos: classe de incêndio de combate. Capacidade extintora. Tipo de</p><p>material combatente (agente extintor).</p><p>Descrição dos procedimentos.</p><p>Resposta: Identificar a classe de incêndio de combate, capacidade extintora,</p><p>tipo de material combatente (agente extintor), selo do INMETRO, etiqueta com</p><p>instrução de uso, indicação “verde” do leitor analógico (manômetro), data da</p><p>próxima vistoria e data de validade do extintor. Apontar correções a partir dos</p><p>conceitos vistos neste livro didático. Não é possível formular uma resposta geral</p><p>para os diversos casos. Os discentes deverão conferir as condições dos extintores</p><p>com aquelas descritas como tecnicamente adequados no livro didático.</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO E INSPEÇÃO</p><p>181</p><p>4 CASOS PRÁTICOS – AVALIAÇÃO E PROJETO DE</p><p>SISTEMAS DE PREVENÇÃO E COMBATE</p><p>PRÁTICA 7 – ELEMENTOS DE PROJETO</p><p>Considere a edificação comercial (escritórios) com um pavimento térreo e</p><p>área construída de 500 m² (Figura a seguir). Não é previsto na construção nenhum</p><p>aparelho de queima no empreendimento. Considere a legislação vigente em seu</p><p>estado e responda:</p><p>Objetivo: estabelecer os principais parâmetros relacionados ao projeto de</p><p>prevenção e combate ao incêndio.</p><p>Questões, procedimentos e resposta para o estado de Santa Catarina.</p><p>a) Qual é a classe de risco de incêndio da edificação?</p><p>R.: risco leve (IN 003, art. 5º).</p><p>b) É possível calcular a carga de fogo específica a partir da legislação do seu</p><p>estado? Se sim, qual seria a carga de fogo específica da edificação considerando</p><p>que há na construção 200 kg de móveis de madeira, 500 kg de piso de borracha,</p><p>100 kg de algodão, 200 kg de papel e 70 kg de plástico?</p><p>R.: Sim, é possível.</p><p>200 kg de madeira. 21 MJ/kg + 500 kg de piso de borracha. 32 MJ/kg + 100 kg de</p><p>algodão. 18 MJ/kg + 200 kg de papel. 17 MJ/kg + 70 kg de plástico. 32 MJ/kg =</p><p>carga de incêndio/fogo = 27640 MJ</p><p>Carga de incêndio/fogo específica = 55,3 MJ/m² risco leve (IN 003, art 4º).</p><p>c) Projete o sistema preventivo de extintores (se for possível, faça uso do</p><p>fluxograma elaborado nos “CASOS PRÁTICOS” do Tópico 2), apontando em</p><p>planta os locais dos extintores portáteis, bem como sua especificação.</p><p>182</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>FIGURA – PLANTA BAIXA DE UMA EDIFICAÇÃO COMERCIAL (PAVIMENTO ÚNICO)</p><p>FONTE: O autor</p><p>Resposta: A IN 006 (CBM-SC, 2017a, p. 4) prescreve que: “Art. 8° Em cada</p><p>pavimento, inclusive para edificações térreas, são exigidos no mínimo dois</p><p>extintores com pelo menos uma unidade extintora cada, mesmo que apenas um</p><p>extintor atenda a distância máxima a ser percorrida.” Os locais sugeridos são</p><p>apontados na Figura a seguir:</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO E INSPEÇÃO</p><p>183</p><p>FONTE: O autor</p><p>FIGURA – PLANTA BAIXA DE UMA EDIFICAÇÃO COMERCIAL (PAVIMENTO ÚNICO) – COM RESPOSTA</p><p>Legenda:</p><p>Extintor Pó ABC do tipo “2-A:20-B:C” (Tabela 1, IN006).</p><p>184</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>AS NORMAS DA ABNT PARA PLACAS DE SINALIZAÇÃO</p><p>Luara Prado</p><p>As placas de sinalização, especialmente aquelas voltadas para o</p><p>atendimento de normas de segurança, estão presentes em todo e qualquer tipo</p><p>de estabelecimento, da área comercial à área industrial.</p><p>No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a</p><p>responsável pela definição de uma série de normatizações, garantindo assim a</p><p>segurança e a correta aplicação dos sinais.</p><p>Quer saber quais são as normas da ABNT para placas de sinalização e</p><p>como elas devem ser seguidas para evitar multas e sanções para sua empresa?</p><p>Continue lendo este artigo!</p><p>Normas da ABNT para placas de sinalização</p><p>A ABNT é a associação que determina, em suas normas, os padrões</p><p>técnicos que servem a inúmeros campos tecnológicos e produtivos no Brasil. A</p><p>partir de suas regras, garante-se o atendimento às determinações internacionais</p><p>que prezam pela normalização e certificação de produtos, sistemas e rotulagens.</p><p>Devido à grande importância das placas de sinalização como instrumentos</p><p>de segurança, capazes de salvar vidas, é natural que tais objetos também estejam</p><p>sujeitos às especificações da ABNT. Assim, existem determinações sobre o</p><p>assunto na NBR 13434-2, que versa sobre símbolos, formas, dimensões e cores;</p><p>e na NBR 7195, que apresenta regulamentações sobre as cores a serem utilizadas</p><p>para segurança.</p><p>Existem, ainda, outras normas de variados órgãos (ex.: a NR-26), trazendo</p><p>em seu texto detalhes sobre a utilização de cores na segurança do trabalho.</p><p>Entretanto, trataremos neste artigo apenas sobre as determinações das duas</p><p>normas da ABNT listadas anteriormente.</p><p>NBR 13434-2 e NBR 7195</p><p>Segundo a própria NBR 13434-2, seu objetivo é “padronizar as formas,</p><p>as dimensões e as cores da sinalização de segurança contra incêndio e pânico</p><p>utilizada em edificações, assim como apresentar os símbolos adotados”.</p><p>Por sua vez, a NBR 7195, datada do ano de 1993, tem como objetivo fixar</p><p>as cores a serem utilizadas para a prevenção de acidentes, sendo empregadas na</p><p>identificação e advertência contra os mais variados riscos.</p><p>http://blog.artplacassp.com.br/o-que-e-nbr-e-qual-sua-relacao-com-a-sinalizacao-adequada/</p><p>http://blog.artplacassp.com.br/regulamentacao-de-sinalizacao-e-placas-saiba-o-que-diz-a-norma/</p><p>http://blog.artplacassp.com.br/it-20-entenda-o-que-e-e-qual-a-sua-importancia-na-sinalizacao/</p><p>TÓPICO 4 — BOAS PRÁTICAS DE PROJETO E INSPEÇÃO</p><p>185</p><p>Diferentemente da NBR 13434-2, a NBR 7195 apresenta em seu texto</p><p>apenas as especificações relativas ao uso</p><p>das cores nas placas de sinalização,</p><p>identificando condições específicas, tolerâncias e o conceito de cores de contraste.</p><p>Dessa forma, serviu como base para a elaboração das normas subsequentes.</p><p>Especificações técnicas de sinalização</p><p>Seguindo as determinações especificadas em cada norma da ABNT, é</p><p>necessário que as placas de sinalização apresentem características importantes,</p><p>relativas tanto ao uso de cores quanto de símbolos, além de outros pontos como</p><p>tamanho e informações contidas.</p><p>Cores</p><p>As indicações de risco por meio do uso de cores específicas não excluem</p><p>a necessidade de outras formas de prevenção de acidentes, mas devem ser</p><p>utilizadas de acordo.</p><p>A NBR 7195 lista as seguintes cores a serem utilizadas: vermelho, laranja,</p><p>amarelo, verde, azul, púrpura, branco e preto. Dessa forma, tais cores significam:</p><p>• vermelho: usado para indicação de equipamentos de combate a incêndio;</p><p>• laranja: indicações de perigo;</p><p>• amarelo: indicações de cuidado;</p><p>• verde: indicações de segurança;</p><p>• azul: ações obrigatórias;</p><p>• púrpura: indicações de perigo por radiação eletromagnética e partículas</p><p>nucleares;</p><p>• branco: faixas, sinalizações de tráfego, coletores de resíduos e outros;</p><p>• preto: identificação de coletores de resíduos.</p><p>A NBR 13434-2 define ainda que a cor da segurança deve cobrir pelo</p><p>menos 50% da área do símbolo, com exceção ao símbolo de proibição, no qual a</p><p>área ocupada deve ser de, no mínimo, 35% da área da placa.</p><p>As cores de contraste devem apresentar fotoluminescência para a</p><p>sinalização de orientação e de equipamentos de combate a incêndio. Neste caso,</p><p>cores de contraste são a branca ou a amarela.</p><p>Dimensões</p><p>A Norma NBR 13434-2 regula o emprego de placas de sinalização. Nesse</p><p>caso, observa-se a relação:</p><p>A > L² / 2000</p><p>http://blog.artplacassp.com.br/como-as-placas-de-sinalizacao-fotoluminescente-funcionam/</p><p>186</p><p>UNIDADE 3 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE PREVENÇÃO E COMBATE AO INCÊNDIO</p><p>Em que:</p><p>A, corresponde à área total da placa, dada em metros quadrados;</p><p>L, é a distância do observador, também em metros.</p><p>Tal fórmula leva em consideração que L seja igual ou menor a 50 metros,</p><p>de modo que a distância mínima é de 4 metros. Caso as placas de sinalização</p><p>contenham letras, essas devem seguir a fórmula:</p><p>h > L / 125.</p><p>Em que:</p><p>h, é a altura de cada letra, dada em metros;</p><p>L, é a distância do observador, em metros.</p><p>As letras ainda devem ser grafadas em caixa alta, com fonte Univers 65</p><p>ou, então, Helvetica Bold.</p><p>Formas</p><p>A Norma NBR 13434-2 também define as formas a serem utilizadas nas</p><p>placas de sinalização, seguindo os critérios:</p><p>• circular: para símbolos de proibição e ação de comando;</p><p>• triangular: para símbolos de alerta;</p><p>• quadrada e retangular: para símbolos de orientação, socorro, emergência e</p><p>identificação dos equipamentos de combate de incêndio.</p><p>Outras determinações para as placas de sinalização</p><p>As placas que apresentam características de fotoluminescência, por</p><p>exemplo, devem trazer impressos os seguintes dados:</p><p>• intensidade luminosa em milicandelas por metro quadrado, a 10 min e 60 min</p><p>após remoção da excitação de luz a 22°C e +/- 3 °C;</p><p>• tempo de atenuação, em minutos, a 22 °C e +/-3 °C;</p><p>• cor durante excitação;</p><p>• cor da fotoluminescência.</p><p>Como é possível perceber, são vários os critérios a serem observados, o que</p><p>faz com que as normas da ABNT para placas de sinalização sejam extremamente</p><p>necessárias. Busca-se sempre um padrão de qualidade alto para elementos que</p><p>podem, em diversas situações, salvar vidas.</p><p>FONTE: PRADO, L. Conheças as normas da ABNT para placas de sinalização. 2019. Disponível</p><p>em: http://blog.artplacassp.com.br/conhecas-as-normas-da-abnt-para-placas-de-sinalizacao/.</p><p>Acesso em: 2 ago. 2020.</p><p>http://blog.artplacassp.com.br/conhecas-as-normas-da-abnt-para-placas-de-sinalizacao/</p><p>187</p><p>RESUMO DO TÓPICO 4</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Valorização técnica, atenção às singularidades, visão integrada e sustentabilidade</p><p>são alguns princípios de trabalho para a concepção e elaboração de projetos de</p><p>instalações de prevenção e combate ao incêndio.</p><p>• Conceitos técnicos estudados nos tópicos anteriores ajudam a identificar etapas</p><p>e elementos de projeto, inspeção e manutenção importantes para a prevenção</p><p>e combate ao incêndio de edificações.</p><p>• O conteúdo, forma e elementos de apresentação de projeto devem considerar</p><p>regulamentos técnicos.</p><p>Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem</p><p>pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao</p><p>AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.</p><p>CHAMADA</p><p>188</p><p>1 Os símbolos de projeto permitem que seja possível uma adequada</p><p>comunicação entre os envolvidos com a concepção, construção e</p><p>manutenção dos sistemas de prevenção e combate ao incêndio. Sabendo-se</p><p>da importância, considere os símbolos listados a seguir e os relacione com</p><p>seu respectivo nome. Todos são elementos importantes de um sistema de</p><p>combate ao incêndio.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>( )</p><p>( )</p><p>( )</p><p>( )</p><p>( )</p><p>( )</p><p>( )</p><p>(1) Hidrante urbano.</p><p>(2) Válvula de retenção.</p><p>(3) Caixa de incêndio.</p><p>(4) Extintor sobre rodas.</p><p>(5) Extintor de espuma.</p><p>(6) Extintor de pó químico.</p><p>(7) Abrigo de mangueiras.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) 1 – 3 – 2 – 7– 6 – 5 – 4.</p><p>b) ( ) 3 – 7 – 1 – 6 – 5 – 2 – 4.</p><p>c) ( ) 1 – 5 – 4 – 6 – 7 – 2 – 3.</p><p>d) ( ) 7 – 1 – 3 – 2 – 4 – 5 – 6.</p><p>2 escreva as instruções normativas do seu estado que correspondem à</p><p>regulação específica dos sistemas de prevenção e combate ao incêndio.</p><p>189</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABNT. NBR 15575-1: Edificações Habitacionais – Desempenho Parte 1:</p><p>Requisitos gerais. 2013. Disponível em: https://360arquitetura.arq.br/wp-</p><p>content/uploads/2016/01/NBR_15575-1_2013_Final-Requisitos-Gerais.pdf.</p><p>Acesso em: 13 ago. 2020.</p><p>ABNT. NBR 17240: Sistemas de detecção e alarme de incêndio – Projeto,</p><p>instalação, comissionamento e manutenção de sistemas de detecção e alarme de</p><p>incêndio – Requisitos. 2010. Disponível em: http://www.segmafire.com.br/wp-</p><p>content/uploads/sites/179520/2017/06/NBR-17240-2010-Substituindo-NBR-9441-</p><p>Alarme.pdf. Acesso em:13 ago.</p><p>ABNT. NBR 11742: Porta corta-fogo para saída de emergência – Especificação.</p><p>2003. Disponível em: http://www.segmafire.com.br/wp-content/uploads/</p><p>sites/179520/2017/06/NBR-11742-2003-Porta-Corta-Fogo-Para-Sa%C3%ADda-</p><p>De-Emerg%C3%AAncia.pdf. Acesso em: 13 ago. 2020.</p><p>ABNT. NBR 13714: Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate</p><p>a incêndio. 2000. Disponível em: http://www.gmfmontagens.com.br/assets/</p><p>content/downloads/031ac17ce13bc628f426873fd98b386b.pdf. Acesso em: 13 ago.</p><p>2020.</p><p>ABNT. NBR 12693: Sistemas de proteção por extintores de incêndio. 1993.</p><p>Disponível em: http://pcpreventivo.com.br/img/normas/nbr12693-sistemasdepro</p><p>teoporextintoresdenopw-120613141221-phpapp01.pdf. Acesso em: 13 ago. 2020.</p><p>AGÊNCIA brasileira. Novas regras para instalação de extintores de incêndio</p><p>em locais de risco. 2015. Disponível em: https://www.flickr.com/photos/</p><p>agenciabrasilia/16960744329. Acesso em:10 nov. 2019.</p><p>AZEVEDO NETTO, J. M.; ALVAREZ, G. A. Manual de Hidráulica. 8. ed. São</p><p>Paulo: Edgar Blucher, 1998.</p><p>BRASIL. NR 23 – Proteção contra incêndios. 2011. Disponível em: https://enit.</p><p>trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-23.pdf. Acesso em: 13</p><p>ago. 2020.</p><p>BUCKA. Quais são principais causas de incêndios. 2015. Disponível em:</p><p>https://www.bucka.com.br/quais-sao-as-principais-causas-de-incendios/. Acesso</p><p>em: 23 out. 2019.</p><p>BUCKA. O que é um sprinkler e como e atua no combate a incêndios. c2020.</p><p>Disponível em: https://www.bucka.com.br/o-que-e-um-sprinkler-e-como-ele-</p><p>atua-no-combate-a-incendios/. Acesso em: 24 out. 2019.</p><p>https://www.bucka.com.br/quais-sao-as-principais-causas-de-incendios/</p><p>190</p><p>BUCKA. Você sabe o que é capacidade extintora? 2012. Disponível em: https://</p><p>www.bucka.com.br/voce-sabe-o-que-e-capacidade-extintora/. Acesso em:24 out.</p><p>2019.</p><p>CARVALHO JÚNIOR, R. de. Instalações hidráulicas e o projeto de arquitetura.</p><p>8. ed. São Paulo: Blucher, 2014.</p><p>CBM-GO. Corpo de Bombeiros do Estado de Goiás. 2014. Instrução Normativa</p><p>– IN 14: Incêndio em edificações e áreas de risco. Disponível em: <https://</p><p>www.bombeiros.go.gov.br/wp-content/uploads/2014/03/nt-14_2014-carga-de-</p><p>incendio-nas-edificacoes-e-areas-de-risco.pdf>. Acesso em: 3 out 2019.</p><p>CMB-SC. Instrução normativa – IN 006: Sistema preventivo por extintores.</p><p>Santa Catarina, 2017a. 7 p.</p><p>CMB-SC. Instrução normativa – IN 007: Sistema hidráulico preventivo. Santa</p><p>Catarina, 2017b. 19 p.</p><p>CMB-SC. Instrução normativa – IN 007: Sistema hidráulico preventivo. Santa</p><p>Catarina, 2014.</p><p>CMB-SC. Instrução normativa – IN 003: Carga de Incêndio. Santa Catarina,</p><p>2014.</p><p>CBPMESP. Cartilha de orientações básicas. 2011. Disponível em: https://web.</p><p>archive.org/web/20151011004355/http://www.corpodebombeiros.sp.gov.br/</p><p>internetcb/Downloads/Cartilha_de_Orientacao.pdf. Acesso em: 21 out. 2019.</p><p>CREDER, H. Instalações hidráulicas e sanitárias. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC,</p><p>2006.</p><p>G1. Em novo cálculo, polícia conclui que boate Kiss estava superlotada. 2013.</p><p>Disponível em: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/03/em-</p><p>novo-calculo-policia-conclui-que-boate-kiss-estava-superlotada.html. Acesso</p><p>em: 14 nov. 2019.</p><p>GRACIOSA, M. C. P.; MENDIONDO, E. M. Gestão do risco de</p><p>inundações no contexto de bacias urbanas brasileiras. 2007.</p><p>Disponível em: https://abrh.s3.sa-east-1.amazonaws.com/Sumarios/19/</p><p>b6ccab07b824c76ba766d5bc7fdfbc32_364510935f7f9c38b4be132e01152db9.pdf.</p><p>Acesso em: 13 ago. 2020.</p><p>GRIFFIN, P. Fire sprinkler head. 2019. Disponível em: https://www.</p><p>publicdomainpictures.net/en/view-image.php?image=31715&picture=fire-</p><p>sprinkler-head. Acesso em: 10 nov. 2019.</p><p>http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/03/em-novo-calculo-policia-conclui-que-boate-kiss-estava-superlotada.html</p><p>http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/03/em-novo-calculo-policia-conclui-que-boate-kiss-estava-superlotada.html</p><p>191</p><p>HODAN, G. Extintor de incêndio vermelho. 2019. Disponível em: https://www.</p><p>publicdomainpictures.net/pt/view-image.php?image=67832&picture=extintor-</p><p>de-incendio-vermelho. Acesso em:10 nov. 2019.</p><p>MACINTYRE, A. J. Instalações hidráulicas prediais e industriais. 3. ed. Rio de</p><p>Janeiro: LTC, 1996.</p><p>PALSER, T. Detector de fumaça. 2019. Disponível em: https://www.</p><p>publicdomainpictures.net/pt/view-image.php?image=252424&picture=detector-</p><p>de-fumaca. Acesso em: 10 ago. 2020.</p><p>PRADO, L. Conheças as normas da ABNT para placas de sinalização. 2019.</p><p>Disponível em: http://blog.artplacassp.com.br/conhecas-as-normas-da-abnt-</p><p>para-placas-de-sinalizacao/. Acesso em: 2 out 2019.</p><p>RAMFEJ. Sistema de bombas de incêndio: Características, tipos e funções.</p><p>2019. Disponível em: https://ramfej.com.br/servicos/sistema-de-bombas-de-</p><p>incendio-caracteristicas-tipos-e-funcoes/. Acesso em: 5 ago. 2020.</p><p>RIO DE JANEIRO. Código de segurança contra incêndio e pânico. Rio de</p><p>Janeiro, 1976.</p><p>SEGURIMAX. Carretel móvel com mangotinho. 2019. Disponível em: https://</p><p>segurimax.com.br/produtos/detalhes/carretel-movel-com-mangotinho-1-1/.</p><p>Acesso em: 11 ago. 2020.</p><p>ZEUS DO BRASIL. Adaptadores e esguichos. 2019a. Disponível em: https://</p><p>zeusdobrasil.com.br/produtos/adaptadores-e-esguichos/. Acesso em: 28 out.</p><p>2019.</p><p>ZEUS DO BRASIL. Mangueira de incêndio predial. 2019b. Disponível em:</p><p>https://zeusdobrasil.com.br/produtos/detalhes/mangueira-de-incendio-predial-</p><p>tipo-1/. Acesso em: 28 out. 2019.</p><p>http://blog.artplacassp.com.br/conhecas-as-normas-da-abnt-para-placas-de-sinalizacao/</p><p>http://blog.artplacassp.com.br/conhecas-as-normas-da-abnt-para-placas-de-sinalizacao/</p><p>https://zeusdobrasil.com.br/produtos/detalhes/mangueira-de-incendio-predial-tipo-1/</p><p>https://zeusdobrasil.com.br/produtos/detalhes/mangueira-de-incendio-predial-tipo-1/</p><p>tubulações de distribuição permitem que a água contida no reservatório</p><p>abasteça os aparelhos sanitários (pias, vasos sanitários, chuveiros etc.). Veremos</p><p>mais à frente que elas podem ser dividas em barriletes, colunas, ramais e sub-</p><p>ramais.</p><p>6) O hidrômetro visa quantifi car o consumo de água da residência para fi ns de</p><p>controle e cobrança, portanto, deve estar em um local protegido e de fácil</p><p>acesso.</p><p>7) O ramal predial é a tubulação que conectará a rede pública de abastecimento</p><p>ao hidrômetro.</p><p>8) O alimentador será a tubulação responsável por levar a água do hidrômetro até</p><p>a construção.</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA: ASPECTOS GERAIS</p><p>5</p><p>9) Aparelho sanitário é todo e qualquer equipamento que permite acesso direto</p><p>à água em condições adequadas de vazão, velocidade e pressão (exemplo:</p><p>torneiras, vasos sanitários etc.).</p><p>Na instalação predial de água fria é comum o uso de sistemas de</p><p>bombeamento. Nem sempre a pressão fornecida pela rede pública de abastecimento</p><p>será suficiente para conduzir a água ao reservatório. Nesta unidade, veremos</p><p>como dimensionar e especificar bombas e instalações acessórias.</p><p>Você sabia que as concessionárias da rede pública de abastecimento devem</p><p>fornecer água a uma pressão dinâmica mínima de 100 kPa e uma pressão estática máxima</p><p>de 500 kPa? A exigência pode ser conferida na NBR 12218 (ABNT, 1994). A pressão mínima</p><p>fornece energia suficiente para que muitas residências com um ou dois pavimentos não</p><p>necessitem de bombas para distribuir a água (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014) – é o que</p><p>chamaremos de sistema direto de distribuição. Já a pressão máxima é estabelecida para</p><p>que não haja sobrecarga mecânica e danos nas instalações de água das construções.</p><p>FONTE: ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12218 – Projeto de redes</p><p>de distribuição para abastecimento público. Rio de Janeiro: ABNT, 1994.</p><p>NOTA</p><p>O correto funcionamento das instalações de água fria começa pelo</p><p>desenvolvimento de um projeto que considere o uso da edificação. A integração</p><p>com o projeto arquitetônico, estrutural e de outros elementos construtivos é</p><p>sempre bem-vinda. É preciso que as instalações de água fria tenham fácil acesso e</p><p>bom desempenho. Buscaremos alcançar um correto funcionamento de tubulações,</p><p>reservatórios e outros componentes dimensionando-os a partir dos princípios da</p><p>física e da hidráulica.</p><p>Na tarefa de projetar e executar, um bom aliado também será a literatura</p><p>técnica. Por exemplo, a NBR 5626/1998 – Instalações Prediais de Água Fria</p><p>(ABNT, 1998) será nossa guia para determinar critérios e parâmetros de projeto.</p><p>Lá, você também encontrará orientações sobre execução e manutenção das</p><p>instalações hidráulicas. Sempre que possível, não deixe de lê-la e consultá-la.</p><p>Assim teremos em mente a missão de sempre garantir (ABNT, 1998):</p><p>• A manutenção da qualidade da água da instalação.</p><p>• O fornecimento de água de forma contínua, em quantidade adequada e com</p><p>pressões e velocidades compatíveis com o funcionamento dos aparelhos</p><p>sanitários, peças de utilização (válvulas, registros etc.) e demais componentes.</p><p>• O uso racional dos recursos naturais.</p><p>• Uma instalação com manutenção simples e de baixo custo.</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>6</p><p>• A eliminação de ruídos incômodos aos usuários.</p><p>• O conforto por meio da colocação de peças de fácil operação e acesso.</p><p>2 SISTEMA DE ABASTECIMENTO E DISTRIBUIÇÃO</p><p>Uma instalação de água fria pode ser alimentada pela rede pública de</p><p>abastecimento ou por um sistema privado na forma da lei – por exemplo, via</p><p>poços artesianos (CARVALHO JÚNIOR, 2014). De maneira geral, o abastecimento</p><p>de água potável é realizado por meio de sistemas públicos de distribuição, forma</p><p>pela qual iremos focar nossa atenção neste estudo.</p><p>Podemos destacar três tipos de sistema de abastecimento e distribuição: o</p><p>sistema indireto, direto e misto. A diferença entre os dois primeiros está no uso ou</p><p>não de reservatório na construção. O sistema misto será aquele em que parte da</p><p>água fria da residência é distribuída de maneira direta (sem uso do reservatório) e</p><p>outra parte indireta (com uso de reservatório). Veremos que cada um dos sistemas</p><p>possui vantagens e desvantagens. Estes aspectos devem ser sempre esclarecidos</p><p>ao nosso usuário/cliente final.</p><p>O sistema indireto de distribuição faz uso de reservatório(s) (Figura 1).</p><p>Ele pode ser adotado tanto em casas como em edifícios, com ou sem o uso de</p><p>bombas. A reserva de água reduz a chance de problemas de desabastecimento e</p><p>de variação de pressão ao longo do dia.</p><p>Contudo, o sistema exigirá do usuário um contínuo cuidado com a sua</p><p>conservação e limpeza. De igual maneira, é necessário verificar se o projeto</p><p>estrutural da residência ou edifício contempla um lugar específico para a</p><p>colocação do reservatório.</p><p>Na Figura 2, observa-se uma residência com sistema direto de distribuição.</p><p>Ele é utilizado quando a pressão da rede pública é suficiente para a alimentação</p><p>da rede interna de distribuição. Seria o caso para residências com um ou dois</p><p>pavimentos (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014).</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA: ASPECTOS GERAIS</p><p>7</p><p>FIGURA 2 – SISTEMA DIRETO DE DISTRIBUIÇÃO – SEM USO DE RESERVATÓRIO</p><p>FONTE: Carvalho Júnior (2014, p. 32)</p><p>Em geral, quando não se utiliza reservatório, reduz-se despesa de</p><p>manutenção e o risco de contaminação da água (TACHINI, 2015). Por outro lado,</p><p>a construção ficará suscetível a qualquer descontinuidade no abastecimento</p><p>público, tanto em termos de vazão quanto de pressão. Lembra da pressão mínima</p><p>exigida por norma? Infelizmente, não há como garantir que ela sempre seja</p><p>alcançada.</p><p>3 CONSUMO DE ÁGUA E NÚMERO DE APARELHOS:</p><p>DIRETRIZES PRÁTICAS</p><p>Você já parou para pensar quanta água consome por dia? Na hora de</p><p>elaborar um projeto de instalação de água fria essa informação é fundamental. O</p><p>consumo de água pode variar de acordo com o nível de renda dos usuários e seus</p><p>hábitos culturais (NARCHI, 1989).</p><p>Para estimar o consumo de água fria de uma construção, recorreremos a</p><p>fontes de informações seguras e consolidadas pelo seu frequente uso nos projetos.</p><p>Deste modo, por meio da equação I podemos calcular o consumo diário de água</p><p>fria em uma construção:</p><p>Cd = P . q (I)</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>8</p><p>Em que:</p><p>Cd = consumo total diário de água fria na construção para fins de projeto (litros/</p><p>dia);</p><p>P = taxa de ocupação estimada da construção (nº de usuários);</p><p>q = consumo unitário diário de água fria (litros/usuário.dia).</p><p>Vamos relembrar a relação entre unidades físicas importantes para nosso</p><p>estudo?</p><p>1 m3 = 1000 litros; e 1 dia = 24 horas = 1440 minutos = 86400 segundos.</p><p>NOTA</p><p>Perceba que a taxa de ocupação estimada da construção (P) pode ser</p><p>determinada pelos critérios apresentados na Tabela 1. O número de usuários</p><p>depende do uso da construção e do seu tamanho. No caso de residências, o</p><p>valor é diretamente proporcional ao número de dormitórios (Tabela 1). Em</p><p>estabelecimentos comerciais (escritórios e lojas), a taxa depende da área privativa</p><p>dos estabelecimentos, excluindo-se, portanto, a área não construída e de uso</p><p>comum (corredores, escadas, elevadores).</p><p>Tipologia/Uso da construção Taxa de ocupação (P)</p><p>Casas e apartamentos – residências Duas pessoas por dormitório.</p><p>Escritórios Uma pessoa por 5,00 m² de área privativa.</p><p>Lojas Uma pessoa por 2,50 m² de área privativa.</p><p>Estabelecimentos culturais Uma pessoa por 5,50 m² de área construída.</p><p>Restaurantes Uma pessoa por 1,40 m² de área construída.</p><p>TABELA 1 – TAXA DE OCUPAÇÃO ESTIMADA DA CONSTRUÇÃO (P)</p><p>FONTE: Adaptada de Creder (2006, p. 9)</p><p>Os dados apresentados servem de referência, mas nada lhe impede de</p><p>realizar ajustes nas taxas a partir de um conhecimento mais apurado sobre a</p><p>realidade do empreendimento.</p><p>O</p><p>segundo parâmetro na equação I é o consumo unitário diário de</p><p>água fria (q). Na Tabela 2, apresentamos uma referência para a estimativa deste</p><p>parâmetro. Observe que ele também depende do uso em que será destinada a</p><p>construção.</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA: ASPECTOS GERAIS</p><p>9</p><p>Uso da construção Consumo unitário diário (q) (litro/</p><p>usuário.dia)</p><p>Residência padrão econômico e simples 150</p><p>Residência de padrão médio 200</p><p>Residência de padrão luxo 250</p><p>Edifícios públicos, comerciais e escritórios 50</p><p>Estabelecimentos culturais 1</p><p>Restaurantes e similares 25</p><p>TABELA 2 – CONSUMO UNITÁRIO DIÁRIO DE ÁGUA FRIA (Q)</p><p>FONTE: Adaptada de Creder (1996, p. 9)</p><p>Taxa de ocupação e consumo unitário diário para outros usos podem ser con-</p><p>sultados no livro de Carvalho Júnior (2014).</p><p>Dúvidas também com relação ao padrão das residências? Consulte o Manual de valores</p><p>de edificações de imóveis urbanos do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Enge-</p><p>nharia de São Paulo (IBAPE-SP). Acesse e confira atualizações do documento: https://www.</p><p>ibape-sp.org.br/adm/upload/uploads/1543595741-VEIU%202017.pdf.</p><p>FONTE: CARVALHO JÚNIOR, R. de. Instalações hidráulicas e o projeto de arquitetura. 8.</p><p>ed. São Paulo: Blucher, 2014.</p><p>DICAS</p><p>Determinado o número de ocupantes (P) e o consumo de água fria (q),</p><p>é possível calcular o consumo total diário de água fria na construção para fins</p><p>de projeto (Cd) – equação I. Veremos que esta medida será fundamental para o</p><p>dimensionamento e projeto dos principais componentes da instalação de água</p><p>fria.</p><p>Outro fator importante de projeto é a estimativa mínima do número de</p><p>aparelhos que fornecerão água aos usuários da construção. No Brasil, tem sido</p><p>utilizada uma publicação do Uniform Plumbing Code (Tabela 3), a qual permite</p><p>determinar um número mínimo de aparelhos para diversas serventias de acordo</p><p>com o uso da construção (MACINTYRE, 1996).</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>10</p><p>TABELA 3 – NÚMERO MÍNIMO DE APARELHO PARA DIVERSAS SERVENTIAS</p><p>FONTE: Adaptada de Macintyre (1996, p. 19-20)</p><p>4 DIMENSIONAMENTO DE ALIMENTADOR</p><p>Como já observamos na introdução deste tópico, o alimentador (residencial</p><p>ou predial) é a tubulação responsável por distribuir a água da saída do hidrômetro</p><p>até a construção. Quando há na residência o sistema direto de distribuição de</p><p>água, seu dimensionamento pode ser realizado como se fosse um “barrilete”. Por</p><p>esta razão, nos aprofundaremos em seu dimensionamento no Tópico 3.</p><p>No sistema indireto de distribuição, o alimentador seguirá do hidrômetro</p><p>até o reservatório. No reservatório, uma válvula fl utuadora (“torneira de boia”)</p><p>fechará a entrada de água quando o nível máximo permitido for alcançado.</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA: ASPECTOS GERAIS</p><p>11</p><p>Caro acadêmico, veja como funciona uma torneira de boia no reservatório.</p><p>Acesse e confira: https://www.youtube.com/watch?v=7sAWEJ7QNLU.</p><p>DICAS</p><p>No caso de distribuição indireta, considerar-se que a vazão de projeto do</p><p>alimentador (Qalimentador) é igual à razão entre consumo total diário de água fria na</p><p>construção para fins de projeto (Cd) e o tempo de um dia (equação II).</p><p>Sendo:</p><p>Qalimentador = vazão de projeto do alimentador (litros/s);</p><p>Cd = consumo total diário de água fria na construção (litros/dia);</p><p>Δt = número de segundos em 1 dia = 86 400 s.</p><p>A vazão do alimentador, desta forma, representa a vazão mínima</p><p>(suficiente) que a rede deve possuir para que seja possível abastecer a construção</p><p>por 24h (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014). A partir da equação II e da equação</p><p>da continuidade, podemos deduzir a equação III para determinar o diâmetro do</p><p>alimentador de uma construção com sistema indireto de distribuição (BOTELHO;</p><p>RIBEIRO JUNIOR, 2014).</p><p>Em que:</p><p>Dmín = diâmetro do alimentador residencial ou predial (m);</p><p>Qalimentador = vazão de projeto do alimentador (m3/s);</p><p>π = 3,1415;</p><p>v = velocidade da água no alimentador (entre 0,6 e 1,0 m/s).</p><p>Recomenda-se adotar velocidade entre 0,6 e 1,0 m/s nas instalações de</p><p>água, embora a NBR 5626 estabeleça uma velocidade máxima de 3,0 m/s (ABNT,</p><p>1998). Experiências práticas têm indicado que nesta faixa de valores o efeito</p><p>abrasivo da água é reduzido e a vida útil das tubulações é mais bem preservada</p><p>(TACHINI, 2015).</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>12</p><p>Note que é importante verificar se o diâmetro comercial adotado (sempre</p><p>maior que o Dmín, ou seja, o diâmetro interno) continuará proporcionando uma</p><p>velocidade da água no alimentador entre 0,6 e 1,0 m/s. Essa verificação pode ser</p><p>feita por meio da equação IV.</p><p>Sendo:</p><p>v = velocidade da água no alimentador (entre 0,6 e 1,0 m/s);</p><p>Dadotado = diâmetro adotado do alimentador residencial ou predial (m);</p><p>Qalimentador = vazão de projeto do alimentador (m3/s);</p><p>π = 3,1415.</p><p>Ainda, com relação ao diâmetro obtido, Botelho e Ribeiro Junior (2014, p.</p><p>57) destacam que:</p><p>- O diâmetro calculado é o diâmetro útil o que pode ter como</p><p>consequência uma pequena variação devido à velocidade adotada,</p><p>devendo-se sempre arredondar o diâmetro obtido para o diâmetro</p><p>comercial imediatamente superior.</p><p>- A maioria das distribuidoras ou concessionárias adota o diâmetro</p><p>de 20mm (3/4”) para o diâmetro da tubulação de alimentação das</p><p>residências.</p><p>[...]</p><p>- O diâmetro calculado é o diâmetro mínimo e é de suma importância</p><p>que seja calculado corretamente, pois este influencia diretamente no</p><p>tempo de enchimento do reservatório, sendo que, se mal calculado</p><p>pode provocar colapso no sistema, principalmente nos horários de</p><p>pico (pelo fato de que a vazão de saída seria muito superior à vazão de</p><p>entrada no reservatório).</p><p>CASOS PRÁTICOS – PRINCÍPIOS DA INSTALAÇÃO PREDIAL DE ÁGUA</p><p>FRIA</p><p>5 PRÁTICA – PARÂMETROS BÁSICOS DE EMPREENDIMENTOS</p><p>Realize uma pesquisa na internet e busque, em sua cidade ou região, alguma</p><p>edificação em lançamento cujo número total de dormitórios seja possível de</p><p>quantificar. Você mora em um condomínio? Tente utilizá-lo também nessa</p><p>atividade. Com o número total de dormitórios “em mãos”, determine:</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA: ASPECTOS GERAIS</p><p>13</p><p>a) O consumo total diário de água fria desta construção para fins de projeto (Cd).</p><p>b) Dimensione e especifique o diâmetro do alimentador predial, considerando a</p><p>existência de um sistema indireto de distribuição de água (obs.: a especificação</p><p>consiste em definir o tipo de material e o diâmetro comercial, ou seja, diâmetro</p><p>disponível no mercado). Não se esqueça de verificar a velocidade da água na</p><p>tubulação.</p><p>Objetivos: aqui você será capaz estimar um consumo total diário de água fria para</p><p>fins de projeto, bem como dimensionar e especificar um alimentador residencial/</p><p>predial de uma construção.</p><p>Conceitos: taxa de ocupação (Tabela 1). Consumo unitário diário e uso da</p><p>construção (Tabela 2). Consumo total diário de água fria na construção para</p><p>fins de projeto (equação I). Vazão de projeto do alimentador predial (equação</p><p>II). Diâmetro do alimentador residencial ou predial (equação III). Diâmetros</p><p>nominal e interno de tubulações de PVC. Velocidade recomendada da água no</p><p>alimentador (< 3m/s).</p><p>Descrição dos procedimentos: escolher empreendimento por meio de uma busca</p><p>na internet; quantificar número de cômodos e estimar número de habitantes;</p><p>estimar o consumo total diário de água fria (Tabelas 1 e 2 e equação I); dimensionar</p><p>alimentar predial conforme item 4, equações II e III.</p><p>R.: Considerando um edifício padrão simples de 16 pavimentos, 40 apartamentos</p><p>e 160 dormitórios.</p><p>a) A taxa de ocupação será de: 160 dormitórios. 2 ocupantes/dormitório = 36</p><p>ocupantes. Consumo unitário = 150 L/ocupante. Cd = 36 ocupantes. 150L/</p><p>ocupante, portanto, Cd = 54000 L/dia = 54m³/dia.</p><p>b) Qalimentador = 54m³/dia/86400s = 0,00064 m³/s (equação I). Adotando uma</p><p>velocidade de 1m/s, teremos:</p><p>Logo, o diâmetro nominal adotado</p><p>para o alimentador predial será de 32 mm.</p><p>Como o diâmetro interno da tubulação de 32 mm é igual à 28mm, a velocidade</p><p>efetiva será igual a velocidade adotada no cálculo anterior:</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>14</p><p>6 PRÁTICA – CONSUMO DE ÁGUA</p><p>Busque dados nas faturas dos últimos 12 meses da conta de água da concessionária</p><p>sobre o consumo de água de sua casa. Se morar em condomínio, e for possível</p><p>o acesso às faturas, analise o consumo de água do seu prédio ou condomínio.</p><p>Planilhe as informações de consumo e número de habitantes. Faça uma relação</p><p>entre o consumo diário e o número de habitantes. Acompanhe também os</p><p>efeitos da sazonalidade. Compare os valores encontrados com os valores de</p><p>referência de consumo por habitante disponíveis no texto deste livro didático.</p><p>Se os valores estiverem elevados, proponha ações para a redução no consumo</p><p>da água. Apresente os dados no próximo encontro presencial e compare com as</p><p>informações obtidas pelos seus colegas.</p><p>Objetivos: aqui você será capaz estimar um consumo total diário de água fria</p><p>“real” e confrontar os dados obtidos com aqueles recomendados aos projetos.</p><p>Conceitos: dados de fatura de consumo de água residência. Consumo unitário</p><p>diário (Tabela 2). Consumo per capita. Medidas de redução do consumo de água</p><p>em residências.</p><p>Descrição dos procedimentos: recolher as últimas 12 faturas de água de sua casa</p><p>ou condomínio; planilhar dados no “Excel” considerando informações como: mês</p><p>da fatura; consumo total; número de habitantes; consumo per capita; verificar os</p><p>efeitos da sazonalidade no consumo; propor medidas de redução do consumo de</p><p>água.</p><p>R.: O seguinte histórico de consumo foi levantado em uma residência unifamiliar</p><p>de padrão médio habitada por três pessoas. O consumo per capita foi calculado</p><p>considerando que cada mês possui 30 dias.</p><p>Mês Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.</p><p>Consumo</p><p>total (m³)¹ 13,5 12,6 9,9 8,1 9,0 9,0 9,9 9,9 10,8 8,1 13,5 16,2</p><p>Consumo per</p><p>capita diário</p><p>(L/dia)</p><p>150 140 110 90 100 100 110 110 120 90 150 180</p><p>Informação retirada da fatura de água.</p><p>Observa-se que o consumo de água aumentou nos meses de verão, provavelmente</p><p>devido às férias e o recebimento de visitas. O uso de uma pequena piscina de</p><p>1000 litros durante os meses de dezembro e janeiro é também um dos fatores</p><p>explicativos do aumento significativo do consumo. Do mesmo modo, observa-se</p><p>que em nenhum dos meses foi ultrapassado o consumo unitário diário de 200 L/</p><p>dia (Tabela 2), o que indica que os valores possuem certa “margem de segurança”.</p><p>TÓPICO 1 — INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA: ASPECTOS GERAIS</p><p>15</p><p>Exemplo de ações para a redução do consumo de água: uso de descarga com caixa</p><p>acoplada, inspeção das instalações (verificação de infiltrações), reuso da água da</p><p>máquina de lavar roupas para lavagem de áreas comuns e conscientização dos</p><p>usuários no que se refere ao tempo no banho e outras atividades de consumo.</p><p>16</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Existem diferentes sistemas de abastecimento e distribuição: indireto, direto e</p><p>misto.</p><p>• É necessário definir o consumo total diário de uma construção para o projeto</p><p>de instalação de água fria, proporcionando conforto e economia ao usuário</p><p>final.</p><p>• Um alimentador residencial/predial de uma construção deve ser dimensionado</p><p>e especificado em projeto.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>17</p><p>1 Sobre os elementos básicos de uma instalação de água fria, classifique V</p><p>para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) O reservatório residencial armazena água com o intuito de regularizar o</p><p>fornecimento de água diante de uma possível paralisação do fornecimento</p><p>público.</p><p>( ) O sistema conhecido como “ladrão” é composto por uma tubulação de</p><p>saída na parte inferior do reservatório.</p><p>( ) Registros são acessórios importantes para que se possa realizar o controle</p><p>das instalações prediais de água fria.</p><p>( ) O hidrômetro deve estar em um local inacessível a terceiros.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) ( ) V – F – V – F.</p><p>b) ( ) F – F – V – V.</p><p>c) ( ) V – V – V – F.</p><p>d) ( ) F – F – F – V.</p><p>2 Considere um edifício comercial com 3000 m² de área privativa. Determine</p><p>o consumo total diário de água fria na construção para fins de projeto, o</p><p>número mínimo de vasos sanitários e o diâmetro mínimo do alimentador</p><p>predial. Além disso, determine:</p><p>a) Consumo total diário de água fria na construção para fins de projeto.</p><p>b) O número mínimo de vasos sanitários necessários.</p><p>c) O diâmetro do alimentador predial.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>18</p><p>19</p><p>TÓPICO 2 —</p><p>UNIDADE 1</p><p>RESERVATÓRIOS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO:</p><p>DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÕES</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>No tópico anterior, observamos que sistemas de distribuição indireta</p><p>fazem uso de reservatórios com ou sem bombeamento. Estudamos também que</p><p>a função dos reservatórios é garantir regularidade no fornecimento de água sem</p><p>prejuízo a sua potabilidade (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014).</p><p>Agora estamos preparados para estudar aspectos práticos dos reservatórios</p><p>e de sistemas de bombeamento. Estará incluso no nosso estudo, o dimensionamento</p><p>de tubulações intermediárias, conhecidas como tubulações de recalque e sucção.</p><p>Elas farão o papel de conectar o sistema de bombeamento ao reservatório.</p><p>Os reservatórios de água fria podem ser classificados em duas categorias:</p><p>superior e inferior. Em geral, pequenas residências possuem apenas um</p><p>reservatório na parte superior da construção. Já em edificações multifamiliares de</p><p>médio e grande porte é comum o emprego de reservatório nas duas localizações.</p><p>Independentemente de sua posição na construção, a NBR 5626 ressalta</p><p>que o volume de reservação no sistema de instalação de água fria deve ser</p><p>estabelecido: “[...] levando-se em consideração o padrão de consumo de água</p><p>no edifício e, onde for possível obter informações, a frequência e duração de</p><p>interrupções do abastecimento” (ABNT, 1998, p. 10, grifo do autor).</p><p>A locação do reservatório também é muito importante. O local deve</p><p>permitir sua inspeção e limpeza. Evita-se apoiá-lo em superfícies potencialmente</p><p>contaminadoras como o solo ou perto de tubulações de esgotamento sanitário</p><p>(ABNT, 1998). Por isso, a sua instalação deve ser concebida sempre de maneira</p><p>integrada com o projeto arquitetônico, estrutural etc. Deve-se prever o local exato</p><p>do reservatório, bem como suas dimensões geométricas, seu material constituinte</p><p>e seu volume máximo de armazenamento. Carvalho Júnior (2014, p. 39) sugere</p><p>também que:</p><p>Reservatórios de maior capacidade devem ser divididos em dois ou</p><p>mais compartimentos (interligados por meio de um barrilete), para</p><p>permitir operações de manutenção sem interrupção na distri buição de</p><p>água. O arquiteto [e o engenheiro] deve também verificar a necessidade</p><p>ou não da reserva de incêndio, que deverá ser acrescida à capacidade</p><p>destinada ao consumo quando colocada no reservatório superior ou</p><p>em um reservatório independente.</p><p>20</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>Além do dimensionamento e da localização dos reservatórios, o projetista</p><p>deve prever uma altura adequada para o barrilete, com facilidade de acesso para</p><p>a realização da manutenção do sistema (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014).</p><p>Você sabe o que é barrilete? Segundo a NBR 5626 (ABNT, 1998), o barrilete no</p><p>sistema de distribuição indireto é uma tubulação de saída do reservatório em que derivam</p><p>as demais tubulações de distribuição de água na residência. Já no sistema direto, sem</p><p>reservatório, ele faz também o papel de alimentador.</p><p>NOTA</p><p>No seu livro Instalações Hidráulicas, Carvalho Júnior (2014, p. 47) aponta</p><p>também questões práticas importantes sobre os reservatórios:</p><p>Os reservatórios domiciliares devem: ser providos obrigato riamente</p><p>de tampa que impeça a entrada de animais e corpos estranhos;</p><p>preservar os padrões de higiene e segurança</p><p>ditados pelas normas;</p><p>ter especificação para recebimento relativa a cada tipo de material,</p><p>inclusive métodos de ensaio. Na instalação, de vem ser tomados</p><p>alguns cuidados especiais. A caixa d’água deve ser instalada em local</p><p>ventilado e de fácil acesso para inspeção e limpeza. Recomenda-se um</p><p>espaço mínimo em torno da caixa de 60 cm, podendo chegar a 45 cm</p><p>para caixas de até 1000 litros. O reservatório deve ser instalado sobre</p><p>uma base estável, capaz de resistir aos esforços sobre ela atuantes.</p><p>A base, preferencialmente de concreto, deve ter a superfície plana,</p><p>rígida e nivelada sem a presença de pedriscos pontiagudos capazes de</p><p>danificar a caixa; a furação também é importante: além de ferramentas</p><p>apropriadas, o instalador deve verificar os locais indicados pelo</p><p>fabricante antes de começar o procedimento.</p><p>Na Figura 3, observamos o perfil de um típico reservatório de concreto</p><p>divido em dois compartimentos. Tubos de ventilação e tampas são observados</p><p>na parte superior. Perceba a presença de registros de gaveta (RG) nos vários</p><p>barriletes. Eles garantirão o controle do fornecimento de água fria na edificação.</p><p>Observe também a tomada de água mais alta para o consumo. Essa configuração</p><p>garante que a reserva (técnica) de incêndio seja preservada para casos de</p><p>emergência (Figura 3).</p><p>TÓPICO 2 — RESERVATÓRIOS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO: DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÕES</p><p>21</p><p>FIGURA 3 – PERFIL TÍPICO DE RESERVATÓRIO DE CONCRETO MOLDADO IN LOCO COM</p><p>DOIS COMPARTIMENTOS E RESERVA TÉCNICA DE INCÊNDIO</p><p>FONTE: Carvalho Júnior (2014, p. 45)</p><p>2 DIMENSIONAMENTO DE RESERVATÓRIO</p><p>Qual será o tamanho adequado para o reservatório da construção?</p><p>Segundo Tachini (2015), é recomendável que o volume total de reservação não</p><p>seja inferior ao consumo diário estimado e previsto em projeto, desconsiderando</p><p>a reserva técnica de incêndio. Assim, espera-se que qualquer reservatório esteja</p><p>preparado para suprir um desabastecimento com pelo menos 24 horas de duração</p><p>(ABNT, 1998).</p><p>Em geral, podemos admitir uma reservação equivalente entre uma ou três</p><p>vezes o consumo diário (CARVALHO JÚNIOR, 2014). Por meio da equação (V),</p><p>portanto, a capacidade total de reservação pode ser definida como:</p><p>Em que:</p><p>CR = capacidade mínima total do reservatório da construção, sempre ≥ 500 litros</p><p>(litros);</p><p>N = número de dias em um hipotético cenário de desabastecimento (entre 1 e 3</p><p>dias);</p><p>Cd = consumo total diário de água fria na construção para fins de projeto (litros/</p><p>dia);</p><p>RTI = reserva técnica de incêndio, quando aplicável (litros).</p><p>22</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>Para residência de pequeno porte, a NBR 5626 recomenda uma reserva</p><p>mínima de 500 litros de água fria (ABNT, 1998). Quanto à tipologia, você poderá</p><p>encontrar no mercado reservatórios de poliéster reforçado com fibra de vidro ou de</p><p>fibrocimento. Existe também a possibilidade de fabricá-lo na própria obra, in loco.</p><p>Os reservatórios moldados in loco podem ser construídos de alvenaria ou</p><p>concreto armado. São empregados geralmente quando se necessita armazenar um</p><p>grande volume de água (CARVALHO JÚNIOR, 2014) ou quando há dificuldades</p><p>de transporte de um reservatório pré-fabricado para o topo da edificação. A</p><p>execução do concreto moldado in loco deve atender aos procedimentos e requisitos</p><p>da NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto, considerando, evidentemente,</p><p>um adequado e detalhado projeto de impermeabilização (NBR 9575).</p><p>Anteriormente, comentamos da possiblidade de um reservatório na parte</p><p>inferior e superior da edificação, não é verdade? A seguir, veremos algumas</p><p>considerações práticas sobre as suas características e formas de dimensionamento.</p><p>2.1 RESERVATÓRIO INFERIOR</p><p>O uso do reservatório inferior é muito útil quando se trabalha com</p><p>edificação de médio e grande porte. Por meio da divisão do volume armazenado,</p><p>reduzimos a sobrecarga sobre a estrutura da edificação. Por outro lado, será</p><p>necessário bombear a água fria para o reservatório superior.</p><p>Algumas recomendações de projeto e instalação são essenciais na hora de</p><p>construir um reservatório inferior (CARVALHO JÚNIOR, 2014; TACHINI, 2015;</p><p>ABNT, 1998):</p><p>• O reservatório deve ser instalado em local de fácil acesso, bem ventilado e</p><p>limpo (livre de possíveis contaminações).</p><p>• Sua instalação deve ser afastada de tubulações de esgoto para prevenir</p><p>contaminação por vazamentos.</p><p>• As tampas devem ser elevadas pelo menos 10 cm em relação ao piso acabado</p><p>para evitar a drenagem de contaminantes.</p><p>• Material deve haver proteção anticorrosão.</p><p>• No projeto deve haver um espaço físico para localização do sistema de</p><p>bombeamento (elevatório), proporcionando espaço para instalação de dois</p><p>conjuntos motobomba – caso um deles esteja passando por manutenção ou</p><p>venha a falhar.</p><p>Recomenda-se que o volume de um reservatório inferior seja igual a 60%</p><p>da reserva total – sem considerar a reserva técnica de incêndio, pois esta estará</p><p>localizada no reservatório superior. Portanto, a fórmula adotada para cálculo do</p><p>reservatório inferior é igual a:</p><p>TÓPICO 2 — RESERVATÓRIOS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO: DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÕES</p><p>23</p><p>Em que:</p><p>RI = volume do reservatório inferior (litros);</p><p>CR = capacidade mínima total do reservatório da construção (litros);</p><p>RTI = reserva técnica de incêndio, quando aplicável (litros).</p><p>2.2 RESERVATÓRIO SUPERIOR</p><p>O dimensionamento do reservatório superior também leva em conta o</p><p>consumo diário. Adota-se o valor complementar ao volume do reservatório</p><p>inferior, ou seja, 40% da capacidade mínima total acrescida do volume de RTI</p><p>(TACHINI, 2015). O volume total é expressado pela equação VII:</p><p>Em que:</p><p>RS = volume do reservatório superior (litros);</p><p>CR = capacidade mínima total do reservatório da construção (litros);</p><p>RS = volume do reservatório inferior (litros).</p><p>Especialistas apontam que a reserva técnica de incêndio costuma variar entre</p><p>5000 e 8000 litros (TACHINI, 2015), contudo, nada dispensa a necessidade e obrigatoriedade</p><p>de considerar os procedimentos e critérios da NBR 13714/2000 – Instalação Hidráulica</p><p>contra Incêndio.</p><p>NOTA</p><p>Ainda seria possível destacar alguns pontos importantes e práticos que lhe</p><p>ajudarão a elaborar um projeto econômico, integrado e, tecnicamente, eficiente</p><p>para o reservatório superior (CARVALHO JÚNIOR, 2014):</p><p>• Poderá ser alimentado diretamente pelo alimentador residencial/predial ou</p><p>pela tubulação de recalque.</p><p>• Em geral, o projeto deve localizá-lo mais próximo possível dos pontos de</p><p>consumo. Desta maneira, a instalação de água fria tende a ser mais econômica</p><p>e mais eficiente do ponto de vista energético (veremos mais à frente a questão</p><p>da “perda de carga”).</p><p>• Projetistas costumam posicionar o reservatório superior sobre escadas de</p><p>emergência devido à presença de vãos relativamente menores, isto é, onde há</p><p>maior proximidade entre pilares.</p><p>24</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>• É importante prever a facilidade de acesso ao reservatório superior, com escadas</p><p>e portas independentes. Recomenda-se a colocação de avisos que indiquem a</p><p>proibição da obstrução do acesso.</p><p>• O acesso ao interior de reservatórios superiores moldados in loco deve ser</p><p>garantido por meio de uma abertura mínima de 60x60 cm para inspeção e</p><p>limpeza.</p><p>Cuidados devem ser tomados durante a limpeza para que o sistema de</p><p>impermeabilização não seja danificado.</p><p>ATENCAO</p><p>2.3 ELEMENTOS COMPLEMENTARES</p><p>Tão importante quanto o conhecimento do reservatório, é também o</p><p>conhecimento dos seus elementos complementares. Para que a reservação cumpra</p><p>seu propósito na instalação hidráulica, é necessário que estes elementos sejam</p><p>conhecidos e instalados de maneira correta. Na Figura 4, observamos alguns</p><p>deles conectados ao sistema de reservação de água fria. Por meio</p><p>do seu uso,</p><p>evita-se a interrupção, o vazamento, a sobrepressão e a contaminação da água.</p><p>FIGURA 4 – ELEMENTOS COMPLEMENTARES EM UM RESERVATÓRIO DE ÁGUA FRIA PADRÃO –</p><p>POLIMÉRICO</p><p>FONTE: SABESP (2016, p. 1)</p><p>A seguir, listam-se os elementos complementares enumerados na Figura</p><p>4 (BOTELHO; RIBEIRO JUNIOR, 2014; CREDER, 2006):</p><p>TÓPICO 2 — RESERVATÓRIOS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO: DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÕES</p><p>25</p><p>1) Tubo de entrada: local de alimentação do reservatório, onde ocorrerá a entrada</p><p>de água proveniente do sistema público/privado de abastecimento.</p><p>2) Registro de entrada: por meio deste equipamento a entrada de água no</p><p>reservatório pode ser controlada para fins de inspeção, limpeza e manutenção.</p><p>3) Adaptador (ou flange) de entrada: conecta o tubo de entrada com o reservatório.</p><p>4) Torneira de boia: como já vimos nesse tópico, esse elemento serve para</p><p>interromper a entrada de água quando o nível operacional máximo é alcançado,</p><p>evitando o transbordamento do reservatório.</p><p>5) Adaptador (flange) de extravasor: conecta o reservatório com o tubo extravasor.</p><p>6) Extravasor: também conhecido como “ladrão”. É uma tubulação que evita o</p><p>transbordamento do reservatório e em geral é duas vezes maior que o diâmetro</p><p>da tubulação de entrada. Perceba que em algumas pias de cozinha ou de</p><p>banheiro há um pequeno “furo” no canto superior que possui a mesma função,</p><p>evitar que o nível máximo de água seja superado.</p><p>7) Joelho 90o: direciona o tubo extravasor à saída (aparelho de ligação).</p><p>8) Tê 90o: direciona o tubo extravaso e o conecta a saída do sistema (aparelho de</p><p>ligação).</p><p>9) Tubulação de limpeza: destinada ao esvaziamento do reservatório para permitir</p><p>a sua manutenção e limpeza. Dúvida em relação ao diâmetro a ser adotado</p><p>aqui? Escolha o diâmetro imediatamente superior ao diâmetro da tubulação de</p><p>entrada.</p><p>10) Registro de limpeza: controla a saída pela tubulação de limpeza, portanto, em</p><p>situações normais de uso ele sempre se encontrará fechado.</p><p>11) Adaptador (flange) de limpeza: conecta o reservatório com a tubulação de</p><p>limpeza.</p><p>12) Adaptador (flange) de saída: conecta o reservatório com a tubulação de saída.</p><p>Recomenda-se que esteja pelo menos a 10 cm de altura da base do reservatório.</p><p>13) Registro de saída: controla a saída para o ramal de distribuição.</p><p>14) Tubulação de saída: também conhecida como barrilete. Fará a distribuição da</p><p>água às colunas e aos ramais de consumo.</p><p>3 DIÂMETRO DAS TUBULAÇÕES DE RECALQUE E DE</p><p>SUCÇÃO</p><p>Na Figura 5, observa-se uma típica disposição das tubulações de recalque</p><p>e sucção. Observe que a tubulação de recalque se localiza imediatamente após ao</p><p>conjunto motobomba e é responsável pelo transporte da água fria até o reservatório</p><p>superior (TACHINI, 2015). Já a tubulação de sucção liga o reservatório inferior ao</p><p>conjunto motobomba, fazendo a “aspiração” da água (Figura 5).</p><p>26</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>FIGURA 5 – ESQUEMA DE INSTALAÇÃO DA BOMBA E TUBULAÇÕES DE RECALQUE E SUCÇÃO</p><p>FONTE: O autor</p><p>De acordo com Macintyre (1996), para evitar o golpe de aríete, deve-</p><p>se prever velocidades menores que 3,0 m/s nas tubulações e adotar dimensões</p><p>diferentes de tubulação de sução e recalque (MACINTYRE, 1996). Na Figura 6, é</p><p>possível observar o trecho de redução concêntrica que ameniza os efeitos nocivos</p><p>do golpe de aríete.</p><p>FIGURA 6 – REDUÇÃO CONCÊNTRICA DA TUBULAÇÃO DE RECALQUE ACOPLADA À BOMBA</p><p>HIDRÁULICA</p><p>FONTE: Adaptada de Bombas Hidráulicas (2016)</p><p>TÓPICO 2 — RESERVATÓRIOS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO: DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÕES</p><p>27</p><p>Já ouviu falar em golpe de aríete? Este fenômeno hidráulico acontece</p><p>quando há um fechamento brusco do fluxo de água na instalação. Devido ao impacto</p><p>do fechamento, a onda de energia transmitida pela água pode danificar seriamente a</p><p>tubulação e o sistema de bombeamento da edificação.</p><p>NOTA</p><p>O diâmetro da tubulação de recalque pode ser calculado pela fórmula de</p><p>Forchheimer, método de cálculo sugerido por Macintyre (1996) (equação VIII).</p><p>Em que:</p><p>Drecalque = diâmetro da tubulação de recalque (m);</p><p>Cd = consumo total diário de água fria na construção para fins de projeto (litros/</p><p>dia);</p><p>k = fator de conversão de unidades, igual a 3.600.000;</p><p>P = número de períodos diários de funcionamento da bomba;</p><p>h = tempo previsto de funcionamento da bomba para cada período (horas/</p><p>período).</p><p>Na Tabela 4, podemos observar recomendações em relação ao número de</p><p>períodos e ao tempo diário de funcionamento previsto para a bomba (TACHINI,</p><p>2015). Os dados contemplam construções de uso residencial, comercial e</p><p>industrial. A quantidade de vezes em que a bomba funciona por dia é definido</p><p>como período – P. O tempo total diário de funcionamento pode ser deduzido</p><p>pela multiplicação entre o número de períodos e o tempo parcial (Tabela 4). Não</p><p>é recomendável usar um tempo total diário maior que 6,66 horas (ABNT, 1998).</p><p>28</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>Tipo de uso da</p><p>construção</p><p>P – nº de períodos</p><p>de funcionamento</p><p>(diário)</p><p>x</p><p>h – Tempo</p><p>parcial</p><p>(horas/período)</p><p>=</p><p>Tempo</p><p>total</p><p>(horas)</p><p>Residências e</p><p>hotéis 3 1,5 4,5</p><p>Comercial 2 2,0 4,0</p><p>Indústria 2 2,0 4,0</p><p>TABELA 4 – PERÍODO E TEMPO DE FUNCIONAMENTO RECOMENDADO PARA BOMBAS CEN-</p><p>TRÍFUGAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>FONTE: Adaptada de Macintyre (1996, p. 46)</p><p>Definido e especificado o diâmetro da tubulação de recalque, considere-</p><p>se o diâmetro da tubulação de sucção (Dsucção) como igual ao diâmetro comercial</p><p>disponível imediatamente superior ao de recalque – portanto, Dsucção > Drecalque.</p><p>Logo, se aplicarmos a equação (VII) e hipoteticamente encontrarmos um diâmetro</p><p>da tubulação de recalque (Drecalque) igual a 25 mm, o diâmetro da tubulação de</p><p>sucção (Dsucção) será de 32 mm.</p><p>4 CONJUNTO MOTOBOMBA</p><p>Creder (2006) descreve a bomba hidráulica utilizada nas instalações de</p><p>água fria como uma máquina movida a energia elétrica (ou a combustão) destinada</p><p>a elevar a água para o reservatório superior da edificação. Recomenda-se que o</p><p>projeto de edificações contemple o uso de pelo menos dois conjuntos motobomba</p><p>(duas bombas), de modo que um sistema permaneça na “reserva”, suprindo a</p><p>edificação em eventuais falhas da bomba “principal” (TACHINI, 2015).</p><p>Carvalho Júnior (2014) aponta dois tipos de disposição para as bombas</p><p>nas edificações (Figura 7):</p><p>1) Posição inferior ou “afogada”, abaixo do nível d’água (N.A.) do reservatório</p><p>inferior. Recomendado nos casos em que é reduzido o espaço disponível para o</p><p>conjunto motobomba. É a disposição menos propícia ao fenômeno da cavitação.</p><p>Uma maior proteção do sistema também é alcançada.</p><p>TÓPICO 2 — RESERVATÓRIOS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO: DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÕES</p><p>29</p><p>A cavitação é um fenômeno físico originado por uma forte redução da pressão</p><p>da água durante o bombeamento. O fenômeno provoca a implosão de bolhas, que danifica</p><p>os componentes da bomba e provoca um elevado ruído (CARVALHO JÚNIOR, 2014).</p><p>Cuidado: é necessário considerar este fenômeno para especificar o conjunto motobomba,</p><p>contudo, neste livro, focaremos nossa atenção à determinação da potência (equação VIII).</p><p>NOTA</p><p>2) Posição superior, acima do N.A. do reservatório inferior. É o tipo de disposição</p><p>mais comum. Proporciona melhores condições de acesso e manutenção. Contudo,</p><p>por estar acima do N.A., mais energia é gasta para a sucção e elevação da água</p><p>ao reservatório.</p><p>FIGURA 7 – RESERVATÓRIO INFERIOR COM: (1) BOMBA “AFOGADA” E (2) BOMBA NÃO “AFOGADA”</p><p>FONTE: Adaptada de Carvalho Júnior (2014, p. 41)</p><p>As classificações de bombas hidráulicas variam conforme modelo e</p><p>funcionamento, existindo basicamente três tipos (CREDER, 2006):</p><p>• Volumétricas: podem ser de êmbolo (ou pistão) ou rotativas (de engrenagem</p><p>ou palhetas).</p><p>• De escoamento: centrífugas ou axiais.</p><p>• Diversas: subdivididas em injetora, a ar comprimido ou carneiro hidráulico.</p><p>Normalmente os edifícios são equipados com bombas centrífugas</p><p>acionadas</p><p>por motores elétricos (CREDER, 2006). O seu dimensionamento</p><p>consiste em definir sua potência (CV) que será função da altura manométrica</p><p>(Hman), da vazão (Q) e do rendimento do conjunto motobomba (η) – equação IX.</p><p>30</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>Em que:</p><p>P = potência do motor da bomba (CV);</p><p>γ = peso específico da água (1000 kgf/m3 a 20 ºC);</p><p>Cd = consumo total diário de água fria na construção para fins de projeto (litros/</p><p>dia);</p><p>k = fator de conversão de unidades, igual a 3.600.000;</p><p>P = número de períodos diários de funcionamento da bomba;</p><p>h = tempo previsto de funcionamento da bomba para cada período (horas/</p><p>período);</p><p>η = rendimento do conjunto motobomba;</p><p>Hman = altura manométrica (m).</p><p>O rendimento do motor (η) varia conforme o tipo e o fabricante do</p><p>equipamento (MACINTYRE, 1996). Em geral, encontra-se valores na faixa de 40%</p><p>a 60% para bombas com até 2 CV, 70% a 75% para bombas de 2 a 5 CV, e 80% para</p><p>bombas com mais de 5 CV de potência (BOHN, 2006).</p><p>A altura manométrica (Hman) é expressa pela equação X. Observe que ela</p><p>pode ser definida como a diferença entre o desnível geométrico (Hr ± Hs) e a</p><p>somatória dos comprimentos equivalentes de perda de carga (“perda de energia”)</p><p>ocorrida nos trechos de sucção e recalque da instalação.</p><p>Sendo:</p><p>Hr = altura de recalque (m);</p><p>Hs = altura de sucção (m) (negativa se a bomba está abaixo do N.A., positiva se</p><p>está acima da N.A.);</p><p>∑Δ hs = somatória da perda de carga no trecho de sucção (m);</p><p>∑Δhr = somatória da perda de carga no trecho de recalque (m).</p><p>Perda de carga: fique atento porque este é um conceito muito importante!</p><p>Trataremos aqui como sinônimo de perda de pressão devido ao atrito, às turbulências e</p><p>desvios que a água atravessa no interior da instalação (VIANA, 2019).</p><p>NOTA</p><p>TÓPICO 2 — RESERVATÓRIOS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO: DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÕES</p><p>31</p><p>Na Figura 8, podemos compreender melhor o significado da equação X.</p><p>Nela, apresenta-se um sistema de conjunto motobomba básico – bomba, acessórios</p><p>e toda a instalação de recalque e sucção. As alturas de sucção e recalque estão</p><p>destacadas a direita da imagem.</p><p>FIGURA 8 – ESQUEMA DE CONJUNTO MOTOBOMBA DISPOSTO ACIMA DO NÍVEL D’ÁGUA</p><p>(N.A.) – NÃO AFOGADO</p><p>FONTE: Adaptada de Bombas Hidráulicas (2016)</p><p>Observe que no trecho de sucção há: válvula de pé com crivo curva de</p><p>90º e a própria tubulação com comprimento linear variável; e na instalação de</p><p>recalque: redução concêntrica válvula de retenção registro de gaveta joelho de</p><p>90º tubulação com comprimento linear variável e a saída da canalização. Todos</p><p>esses itens devem ser levantados para que se quantifique a perda de carga total.</p><p>Em seguida, a equação XI nos permite determinar a perda de carga total</p><p>para o trecho de recalque ou sucção:</p><p>32</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>Em que:</p><p>∑Δh = perda de carga na tubulação de recalque ou sucção (m);</p><p>Lr = comprimento real da tubulação de recalque ou sucção (m);</p><p>Lperdas = comprimento equivalente de perdas (ver Tabela 5)(m);</p><p>J = perda de carga unitária (m/m).</p><p>O comprimente equivalente das perdas de carga na tubulação de recalque</p><p>ou de sucção (Lperdas) é determinado por meio do levantamento de todos os</p><p>componentes do trecho (Tabela 5). Observe na tabela a seguir que seu valor (em</p><p>metros) também depende do diâmetro da tubulação.</p><p>TABELA 5 – EQUIVALÊNCIA EM METROS DE PERDA DE CARGA PARA CADA CONEXÃO DE</p><p>TUBULAÇÕES EM PVC E METAL</p><p>TÓPICO 2 — RESERVATÓRIOS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO: DIMENSIONAMENTO E VERIFICAÇÕES</p><p>33</p><p>Observações:</p><p>a – Os valores acima estão de acordo a NBR 5626/98 e Tabela de Perda de Targa</p><p>da Tigre para PVC rígido e cobre, e NBR 92/80 e Tabela de Perda de Carga Tupy</p><p>para ferro fundido galvanizado, bronze ou latão.</p><p>b – (*) Os diâmetros indicados referem-se à menor bitola de reduções</p><p>concêntricas, com fluxo da maior para a menor bitola, sendo a bitola maior uma</p><p>medida acima da menor. Ex.: 1 ¼” x 1" – 1 ½” x 1 ¼”</p><p>c – Diâmetro nominal em pol e sua aproximada equivalência em mm: 3/4” = 25</p><p>mm; 1” = 32 mm; 1 ¼” = 40 mm; 1 ½” = 50 mm; 2” = 60 mm; 2 ½” = 75 mm; 3” =</p><p>85 mm; 4” = 110 mm; 5” = 125 mm.</p><p>FONTE: Adaptada de Schneider Motobombas (2006, p. 35)</p><p>Para o cálculo da perda de carga unitária (J) utilizaremos a fórmula de</p><p>Hazen-Willians (TACHINI, 2015), dada pela equação XII:</p><p>Em que:</p><p>J = perda de carga unitária (m/m);</p><p>Q = vazão resultante da razão entre consumo total diário de água fria na construção</p><p>para fins de projeto (Cd) e o tempo total (horas) de funcionamento da bomba</p><p>(m3/s);</p><p>D = diâmetro nominal da tubulação de recalque ou sucção (m);</p><p>C = coeficiente de rugosidade da tubulação (adimensional), dependente do tipo</p><p>de material da tubulação (Tabela 6).</p><p>Material Coeficiente de Rugosidade (C)</p><p>Aço galvanizado 125</p><p>Aço soldado 130</p><p>Cimento-amianto 130</p><p>Ferro fundido</p><p>revestido 125</p><p>Polietileno 120</p><p>PVC ou cobre 140</p><p>TABELA 6 – VALORES ADOTADOS PARA O COEFICIENTE DE RUGOSIDADE – C</p><p>FONTE: Adaptada de Aguiar (2011)</p><p>34</p><p>UNIDADE 1 — PRÁTICAS DE INSTALAÇÕES DE ÁGUA FRIA</p><p>A perda de carga também será gerada devido à velocidade da água na</p><p>tubulação (v²/2g), porém ela está sendo desprezada em nossos cálculos. Lembre-se</p><p>também que: a perda de carga deve ser calculada tanto para tubulação de sucção quanto</p><p>para a de recalque. Portando, deverão ser calculados L</p><p>v</p><p>e J para os trechos de sucção e</p><p>recalque (∑hs e ∑hc).</p><p>NOTA</p><p>CASOS PRÁTICOS – RESERVATÓRIOS DE ÁGUA FRIA</p><p>5 PRÁTICA – DIMENSIONAMENTO DE RESERVATÓRIO</p><p>A partir da mesma edificação utilizada nos “CASOS PRÁTICOS” do Tópico 1, dimensione</p><p>o sistema de reservação de água fria da edificação nas seguintes condições:</p><p>a) reservação de água fria em um único compartimento superior, sem</p><p>reserva técnica de incêndio e considerando a possibilidade de um dia de</p><p>desabastecimento;</p><p>b) reservação de água fria em dois reservatórios, superior e inferior, sem reserva</p><p>técnica de incêndio.</p><p>Objetivos: com esta atividade você será capaz de dimensionar reservatórios de</p><p>água fria com as mais diversas configurações.</p><p>Conceitos: capacidade mínima total do reservatório da construção. Número de</p><p>dias em um hipotético cenário de desabastecimento. Consumo total diário de água</p><p>fria na construção para fins de projeto. Volume de reservatório único (equação V).</p><p>Volume de reservatório inferior e superior (equações VI e VII).</p><p>Descrição dos procedimentos: aplicar equações V, VI e VII respectivamente às</p><p>condições da edificação escolhida.</p><p>R.: Considerando o mesmo exemplo do Tópico 1:</p><p>a) CR = 1 dia. 54 m³/dia = 54 m³. Poderá ser especificada a necessidade de 3</p><p>reservatórios de 20 m³, totalizando um volume de água reservada de 60 m³.</p><p>Importante considerar a viabilidade arquitetônica e estrutural dessa medida.</p><p>b) RI = 0,6. 54m³ = 32,4m³. RS = 54m³ - 32,4m³ = 21,6m³. A solução adotada poderá</p><p>ser: reservatório inferior = 35000 litros. Reservatório superior = 25000 litros.</p><p>35</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Reservatórios superiores e inferiores de água fria devem ser dimensionados</p><p>e especificados, bem como conhecidos seus elementos complementares de</p><p>instalação.</p><p>• Tubulações de recalque e sucção devem ser concebidas analiticamente e de</p><p>modo a evitar o fenômeno conhecido como golpe de aríete.</p><p>• Um conjunto motobomba pode ter as mais variadas disposições construtivas, e</p><p>cabe também ao projetista dimensioná-lo.</p><p>36</p><p>1 O reservatório de distribuição de água potável é um elemento importante</p><p>da instalação predial de água fria. A estrutura permite a regularização da</p><p>vazão e o fornecimento de pressões adequadas para a rede. Contudo, o seu</p><p>uso requer cuidados referentes à instalação, manutenção e limpeza. Com</p><p>base no exposto, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as</p><p>falsas:</p><p>( ) É recomendável que o reservatório superior esteja o mais próximo possível</p><p>dos pontos de consumo.</p>