Prévia do material em texto
Administração da Produção UNIDADE 1 FUNDAMENTOS CONCEITUAIS OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM Compreender os principais conceitos da Administração da Produção e Operações (APO), bem como seu processo histórico de construção; Realizar a conexão conceitual entre a estratégia organizacional e a participação da Administração da Produção e Operações; Explicar e analisar criticamente os projetos de produto, processo, trabalho e da rede de valor. INTRODUÇÃOEEVOLUÇÃOHISTÓRICA DAADMINISTRAÇÃODAPRODUÇÃO TÓPICO 1 01 / 119 Diversos componentes diferentes contribuem para que o processo de transformação realmente aconteça. Para fins didáticos, estes elementos podem ser divididos em duas classes, como propõe Slack, Chambers e Johnston (2009): recursos transformados e recursos transformadores. Vejamos cada uma dessas categorias. 2 ELEMENTOS DO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO 4 Unid 1 Tópico 1 02 / 119 2 ELEMENTOS DO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO 2.1 RECURSOS TRANSFORMADOS São aqueles que são tratados, transformados ou convertidos de alguma forma. São eles que no processo de transformação passam a valer mais. Usualmente são subdivididos em três categorias: •Materiais: matérias-primas em geral, que serão convertidas em outro produto. (ex.: algodão que se transformará em camiseta). 5 Unid 1 Tópico 1 03 / 119 2 ELEMENTOS DO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO 2.1 RECURSOS TRANSFORMADOS •Informações: informações que são processadas e fornecidas ao consumidor com valor agregado (ex.: débitos e créditos em conta bancária que serão apresentados como extrato bancário). •Consumidores: quando o próprio consumidor se submete ao processo de transformação, o que normalmente acontece em serviços (ex.: a modelo famosa que se submete a uma lipoescultura). 5 Unid 1 Tópico 1 4 / 119 2.1 RECURSOS TRANSFORMADOS 2.1.1 RECURSOS TRANSFORMADORES São aqueles que atuam sobre os recursos transformados de forma a obter o resultado desejado. Em outras palavras, é a atuação deles que fará com que os recursos transformados passem a valer mais. Classicamente são divididos em: •Instalações: as máquinas e instalações necessárias ao processo de transformação. Numa alusão ao exemplo anterior, para converter algodão em camisetas, é necessária uma fábrica com teares, equipamentos de tingimento, máquinas de costura etc. 5 Unid 1 Tópico 1 5 / 119 2.1 RECURSOS TRANSFORMADOS 2.1.1 RECURSOS TRANSFORMADORES •Pessoas: são aqueles que operam e/ou administram os recursos produtivos. Importante perceber que, quando falamos em pessoas, não nos referimos apenas aos operadores das máquinas, mas, sim, TODOS da organização que, por fim, contribuem direta ou indiretamente para o resultado final. 5 Unid 1 Tópico 1 6 / 119 6 Unid 1 Tópico 1 7 / 119 2.2 A POSIÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO 2.2.1 FUNÇÕES CENTRAIS •Função Marketing: também inclui a área de vendas. É responsável por ligar mercado e empresa. Informa o mercado sobre os produtos e retorna sob a forma de necessidades ou pedidos. •Função Desenvolvimento de Produto: é responsável por criar ou modificar produtos, de modo a obter o máximo de pedidos de clientes. •Função Produção: é responsável por satisfazer as solicitações dos clientes por meio da produção e entrega do que foi solicitado. 7 Unid 1 Tópico 1 8 / 119 2.2 A POSIÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO 2.2.2 FUNÇÕES DE APOIO •Função Contábil-Financeira: fornece informações de auxílio aos processos decisórios e administra os recursos financeiros da organização. •Função Recursos Humanos: contrata, desenvolve e cuida do bem-estar dos colaboradores da organização. 7 Unid 1 Tópico 1 9 / 119 2.2 A POSIÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO 2.2.2 FUNÇÕES DE APOIO •Função Engenharia e Suporte Técnico: projeta, implementa e mantém toda a estrutura física/equipamentos e processos necessários à produção. •Função Informação e Tecnologia: responsável pela gestão das informações da organização e sua disponibilização para rápida interpretação e utilização, servindo como apoio à decisão. 8 Unid 1 Tópico 1 10 / 119 8 Unid 1 Tópico 1 11 / 119 2.3 CONCEITOS FUNDAMENTAIS 2.3.1 AS DIMENSÕES E CARACTERÍSTICAS DOS PROCESSOS Por mais diferentes que sejam os processos produtivos das empresas, há características comuns que podem ser agrupadas em dimensões. Para Slack, Chambers e Johnston (2009) são basicamente quatro: volume, variedade, variação e visibilidade. 9 Unid 1 Tópico 1 12 / 119 2.3.1 AS DIMENSÕES E CARACTERÍSTICAS DOS PROCESSOS 2.3.1.1 VOLUME Você há de concordar comigo de que fica muito difícil para um gestor da produção tomar qualquer tipo de decisão se ele não dispuser de algumas informações básicas e primordiais. Uma das primeiras e mais importantes é a resposta à seguinte pergunta: – Quanto devo produzir? O número que responde a esta pergunta determinará o grau de repetição das tarefas a serem realizadas pelas pessoas e a sistematização (como o trabalho deve ser realizado) da forma como o farão. 9 Unid 1 Tópico 1 13 / 119 2.3.1 AS DIMENSÕES E CARACTERÍSTICAS DOS PROCESSOS 2.3.1.2 VARIEDADE Esta dimensão diz respeito ao portfólio (mix) de produtos que a organização oferece ao mercado, como forma de atendê-lo. 10 Unid 1 Tópico 1 14 / 119 2.3.1 AS DIMENSÕES E CARACTERÍSTICAS DOS PROCESSOS 2.3.1.3 VARIAÇÃO Quando empresas atendem mercados de baixa variação, elas têm melhores condições de planejamento e preparação de seus processos. Com isto conseguem custos melhores em função da previsibilidade que a demanda oferece. Um exemplo típico poderia ser as padarias, cuja demanda tem pouca variação. Quando as organizações atendem mercados de alta variação, precisam desenvolver uma grande flexibilidade e alta capacidade de resposta. Um exemplo pode ser os hotéis e pousadas de praia, cuja demanda tem variações enormes entre os períodos de temporada e fora dela. 10 Unid 1 Tópico 1 15 / 119 2.3.1 AS DIMENSÕES E CARACTERÍSTICAS DOS PROCESSOS 2.3.1.4 VISIBILIDADE Essa dimensão determina qual parcela da operação que é percebida pelo consumidor ou exposta a ele. Em outras palavras, quanto do processo produtivo o consumidor pode ver. Essa dimensão é mais facilmente compreendida se nos utilizarmos de um exemplo. Imagine que você queira comprar uma máquina fotográfica. Nos dias de hoje há diversas possibilidades para você realizar essa compra. Você poderia comprar em uma loja virtual na internet ou em uma loja especializada em fotografia no shopping center da sua cidade. 10 Unid 1 Tópico 1 16 / 119 2.3.1 AS DIMENSÕES E CARACTERÍSTICAS DOS PROCESSOS 2.3.1.4 VISIBILIDADE • Volume: quanto produzir. • Variedade: o que produzir. • Variação: necessidade que a organização tem de se ajustar às variações da demanda. • Visibilidade: nível de contato com o consumidor. 10 Unid 1 Tópico 1 17 / 119 2.3 CONCEITOS FUNDAMENTAIS 2.3.2 BEM ou SERVIÇO? AS SAÍDAS DO PROCESSO PRODUTIVO O processo existe para produzir algo que será ofertado a alguém para atender a uma demanda qualquer. Portanto, algo deverá ser entregue ao final do processo. A esta saída chamamos de produto. De forma didática, podemos subdividir o produto em duas classes, os bens e os serviços. 11 Unid 1 Tópico 1 18 / 119 13 Unid 1 Tópico 1 19 / 119 2.3 CONCEITOS FUNDAMENTAIS 2.3.2 BEM ou SERVIÇO? AS SAÍDAS DO PROCESSO PRODUTIVO Na figura anterior, procura-se mostrar essa interação. Tome o exemplo do restaurante. No restaurante é difícil o cliente separar bens e serviços, pois os dois interagem de tal forma que um não existiria sem o outro. Você não teria como comer em um restaurante (consumindo comida, que é um bem) sem que um serviço tivesse sido prestado (o preparo do alimento pelo cozinheiro). 13 Unid 1 Tópico 1 20 / 119 Corrêa e Corrêa (2006) argumentam que em 1764 James Watt inventou a máquina a vapor, começando um processo de substituição da força humana pela das máquinas. Este foi o gatilho para a Revolução Industrial, que levou à decadência aprodução artesanal. Em função dos maiores volumes produzidos, surgiram as primeiras fábricas. Com isto vieram também os primeiros conceitos de padronização de produtos e processos, preparação da mão de obra, técnicas de planejamento financeiro e da produção, além do desenvolvimento das técnicas de venda. 2.4 EVOLUÇÃO HISTÓRICA 14 Unid 1 Tópico 1 21 / 119 14 Unid 1 Tópico 1 22 / 119 Ainda segundo Corrêa e Corrêa (2006), no fim do século XIX, Frederick W. Taylor lançou as bases da Administração Científica, dando início à busca incessante pelo aumento da produtividade, através do desenvolvimento dos métodos de trabalho e dos processos. A análise da relação entre as entradas e as saídas dos processos tem nos dado a possibilidade de acompanhar os resultados da operação produtiva, pois é o melhor aproveitamento dos recursos entrantes (inputs), de forma a maximizar as saídas (outputs), que tem determinado o sucesso das empresas. 2.4 EVOLUÇÃO HISTÓRICA 14 Unid 1 Tópico 1 23 / 119 14 Unid 1 Tópico 1 24 / 119 Em 1910 Henry Ford cria a linha de montagem, que dá início à produção em massa, proporcionando grandes ganhos de escala com a baixa variedade e alto nível de padronização. O Fordismo deu início à Engenharia Industrial. Uma nova terminologia foi introduzida no vocabulário empresarial e se passou a falar em linha de montagem, postos de trabalho, estoques, monotonia no trabalho, arranjo físico, balanceamento de linha, produtos em processo, motivação, sindicatos, manutenção preventiva, controle estatístico de processo, fluxogramas etc. 2.4 EVOLUÇÃO HISTÓRICA 14 Unid 1 Tópico 1 25 / 119 14 Unid 1 Tópico 1 26 / 119 Em meados do século XX, o mundo mergulhou na Segunda Guerra Mundial, que trouxe consigo o caos para a economia do Japão. Tendo perdido grande parte de sua capacidade produtiva e financeira, a indústria japonesa tinha como única alternativa aprimorar os processos produtivos, de forma que a produção fosse mais rápida, mais eficiente e a um custo menor. Neste período, Tahiichi Ohno, então gerente da Toyota Motor Co. lança as bases do Just in Time (JIT) aplicadas no STP – Sistema Toyota de Produção. 2.4 EVOLUÇÃO HISTÓRICA 15 Unid 1 Tópico 1 27 / 119 15 Unid 1 Tópico 1 28 / 119 Nesta mesma época W. Edwards Deming, um consultor americano que trabalhou no pós-guerra japonês, desenvolvia os princípios da Qualidade Total. De acordo com Martins e Laugeni (2005), estes conceitos predominaram até meados da década de 1960, quando, numa evolução natural do JIT, novas técnicas produtivas surgiram, caracterizando aquilo que hoje chamamos de produção enxuta ou lean manufacturing. Surgiram conceitos como: 2.4 EVOLUÇÃO HISTÓRICA 15 Unid 1 Tópico 1 29 / 119 15 Unid 1 Tópico 1 30 / 119 • Engenharia simultânea • Tecnologia de grupo • Consórcio modular • Células de produção • Desdobramento da função qualidade • Comakership • Sistemas flexíveis de manufatura • Manufatura integrada por computador • Benchmarking 2.4 EVOLUÇÃO HISTÓRICA 15 Unid 1 Tópico 1 31 / 119 ESTRATÉGIA EPRODUÇÃO TÓPICO 2 32 / 119 Este modelo propõe que cada um dos níveis organizacionais teria atribuições distintas, que seriam a seguintes: •Estratégico: se refere às grandes decisões tomadas em uma empresa, normalmente pelo grupo diretivo (Exemplo: a decisão de lançar uma nova linha de produtos). •Tático: decisões tomadas, normalmente no nível gerencial, com o objetivo de operacionalizar as decisões do nível estratégico (Exemplo: a definição do fornecedor dos novos equipamentos necessários a esta nova linha de produtos). 2 CONECTANDO ESTRATÉGIAS CORPORATIVAS E FUNCIONAIS 20 Unid 1 Tópico 2 33 / 119 •Operacional: decisões tomadas na base operacional, que normalmente têm a missão de materializar as decisões dos níveis estratégicos e táticos (Exemplo: a instalação destes novos equipamentos começará quando? Será realizada por quem?). Essa abordagem tradicional tem um foco no curto prazo. O que está se propondo dos dias de hoje é a extensão do horizonte de planejamento da produção, com olhos para o futuro organizacional e incorporando os reflexos de suas decisões no âmbito da empresa, considerando todas as funções nela realizadas. 2 CONECTANDO ESTRATÉGIAS CORPORATIVAS E FUNCIONAIS 20 Unid 1 Tópico 2 34 / 119 Significa dizer que essa conexão entre produção e gestão é diretamente ligada aos resultados obtidos, pelo fato de ser a produção a “geradora de valor” da organização e também a grande “consumidora de recursos”. A sua gestão não pode ser restrita, com visão de curto prazo, introspectiva e reativa. A dinâmica dos negócios não permite isso. 2 CONECTANDO ESTRATÉGIAS CORPORATIVAS E FUNCIONAIS 21 Unid 1 Tópico 2 35 / 119 Contudo, nem sempre estratégias bem elaboradas conseguem atingir os objetivos esperados. Um dos maiores entraves para o sucesso das estratégias é a diferença de interpretação dada a esta estratégia nos diversos níveis hierárquicos da organização. Interesses pessoais, valores, percepções diferentes, política organizacional, disputas de poder, enfim, inúmeras são as causas para este fenômeno. Em tal situação, se algum dos níveis hierárquicos fizer uma interpretação incorreta da estratégia, este erro será repassado para todos que estiverem abaixo. Este fenômeno da interpretação da estratégia ao longo da pirâmide organizacional foi chamado por Balogun e Johnson (2005) de Sensemaking, que numa tradução livre poderia ser entendido como “fazendo sentido”. 2 CONECTANDO ESTRATÉGIAS CORPORATIVAS E FUNCIONAIS 22 Unid 1 Tópico 2 36 / 119 Slack, Chambers e Johnston (2009) sugerem que a produção teria três papéis básicos na organização: •Implementadora (ou executora): a produção deve fazer a estratégia acontecer, transformando decisões estratégicas em realidade operacional. •Apoiadora (ou seguidora): a produção deve apoiar a estratégia, desenvolvendo objetivos apropriados para a utilização dos recursos que administra. •Impulsionadora (ou líder): a produção deve fornecer os meios para a obtenção de vantagem competitiva. 3 OS PAPÉIS DA PRODUÇÃO 23 Unid 1 Tópico 2 37 / 119 Os estágios propostos por estes autores são: •Estágio um: indica uma produção que mais atrapalha do que ajuda na conquista dos objetivos estratégicos. Passiva, puramente reativa, mostra-se incapaz de contribuir. Pior ainda é quando assume postura crítica e não colabora com a estratégia. •Estágio dois: a produção já tenta se comparar aos concorrentes. Ainda não tem uma capacidade criativa, mas já consegue identificar as melhores práticas da concorrência e adequá-las para seu próprio uso. 3 OS PAPÉIS DA PRODUÇÃO 24 Unid 1 Tópico 2 38 / 119 •Estágio três: neste estágio a produção já está entre as melhores do mercado. Ainda não é a melhor, mas pode conseguir isso assimilando claramente os objetivos estratégicos de sua organização. •Estágio quatro: neste estágio a produção já tem a capacidade de oferecer diferenciais competitivos importantes para a organização, deixando de ser mera executora para ser partícipe efetiva da definição das estratégias globais. 3 OS PAPÉIS DA PRODUÇÃO 24 Unid 1 Tópico 2 39 / 119 25 Unid 1 Tópico 2 40 / 119 Esses objetivos devem estar associados ao planejamento estratégico. De nada adianta você incluir no cardápio uma pizza de qualidade extraordinária, que leva duas horas para ficar pronta, se a sua empresa é um disque-pizza. O cliente tem pressa e com certeza não estaria disposto a esperar duas horas pela sua pizza extraordinária, mas totalmente desconectada da estratégia organizacional e do interesse do público-alvo. Neste sentido, Slack et al. (2008) sugerem os seguintes objetivos: 4 OBJETIVOS DE DESEMPENHO 25 Unid 1 Tópico 2 41 / 119 •Qualidade: produzir bens/serviços com desempenho de qualidade mais alto do que a concorrência. (Exemplo: Ferrari). • Velocidade: ser mais ágil do que a concorrência no atendimento dos clientes. (Exemplo: Sedex,McDonald’s, lojas de disque-pizza). •Confiabilidade: ter confiabilidade na entrega dos bens/serviços melhor do que a concorrência, ou seja, cumprir as promessas. (Brastemp, correio, bombeiros etc.). 4 OBJETIVOS DE DESEMPENHO 26 Unid 1 Tópico 2 42 / 119 •Flexibilidade: ser capaz de reagir de forma rápida a eventos repentinos e inesperados. (Defesa civil, empresas de serviços customizados, empresas que atendem necessidades específicas do cliente). •Custo: produzir bens/serviços a um custo mais baixo do que a concorrência. (Lojas de R$ 1,99, Casas Bahia etc.). •Ético-social: produzir bens/serviços respeitando a ética nos negócios e a sociedade em geral. (O Boticário). 4 OBJETIVOS DE DESEMPENHO 26 Unid 1 Tópico 2 43 / 119 Não se pode esquecer que aqui é um ponto de escolhas. A organização não pode, nem deve, ser excelente em tudo. Aqui podemos incorporar o conceito de trade- offs de Skinner (apud CORRÊA, CORRÊA, 2006, p. 56), segundo o qual é impossível para a organização aumentar substancialmente o seu desempenho em todos os aspectos. Um exemplo dessa escolha poderia ser a rede Casas Bahia. Ela é reconhecidamente focada em um público de baixa renda, tendo como objetivo de desempenho básico o “custo”. Contudo, dificilmente ela seria capaz de atender um público de alto poder aquisitivo e extremamente exigente. 5 CONCEITO DE TRADE-OFFS 27 Unid 1 Tópico 2 44 / 119 Esse conceito de trade-offs pressupõe que aumentar o desempenho de um critério poderia prejudicar outro. Para Corrêa e Corrêa (2006), as empresas classificam esses critérios em três grupos: • Qualificadores; • Ganhadores de pedidos; • Indiferentes. 5 CONCEITO DE TRADE-OFFS 27 Unid 1 Tópico 2 45 / 119 A estratégia da produção é um reflexo “de cima para baixo” (top down) do que o grupo ou negócio todo deseja fazer. A estratégia da produção é uma atividade “de baixo para cima” (bottom-up), em que as melhorias da produção cumulativamente constroem a estratégia. A estratégia da produção envolve traduzir os requisitos do mercado em decisões da produção. A estratégia da produção envolve explorar as capacidades dos recursos da produção em mercados eleitos. 6 ESTRATÉGIA DE OPERAÇÕES 28 Unid 1 Tópico 2 46 / 119 6 ESTRATÉGIA DE OPERAÇÕES 6.1 PERSPECTIVA TOP-DOWN Trata-se de uma visão ortodoxa de como deveria ser construída uma estratégia funcional. Implica em acreditar que a estratégia funcional é definida pelos níveis hierárquicos superiores e que estes, ao formularem as estratégias corporativas, consideram as circunstâncias, experiências e capacidades de sua operação. Para Slack, Chambers e Johnston (2009), nesta perspectiva, importantes decisões estratégicas da corporação serão consideradas, tais como: 29 Unid 1 Tópico 2 47 / 119 6 ESTRATÉGIA DE OPERAÇÕES 6.1 PERSPECTIVA TOP-DOWN • Em que negócios a empresa quer estar? • Que negócios adquirir, vender ou com quem se associar? • Como distribuir dinheiro entre os diferentes negócios? • Como gerir as relações entre esses negócios? 30 Unid 1 Tópico 2 48 / 119 6 ESTRATÉGIA DE OPERAÇÕES 6.2 PERSPECTIVA BOTTOM-UP Uma vez colocada em prática uma estratégia do tipo top-down, o seu exercício diário pode mostrar outros caminhos. Isto acontece porque esta estratégia é um exercício teórico. Cabe a esta perspectiva bottom-up perceber os pontos de destaque e maiores potencialidades da organização, construindo a noção do que deveria ser a estratégia e consolidando esta alternativa como a nova estratégia formal. 31 Unid 1 Tópico 2 49 / 119 6 ESTRATÉGIA DE OPERAÇÕES 6.3 PERSPECTIVA DO MERCADO Como já vimos anteriormente (item 4), a organização escolhe os objetivos de desempenho através dos quais deseja ser reconhecida no mercado. Cabe a organização ajustar a sua estratégia funcional tomando em consideração estes objetivos, pois, sendo eles expectativas do mercado, devem ser encarados como essenciais. Nenhuma empresa pode sobreviver cometendo erros significativos e contínuos no atendimento do mercado que se propõem atender. 31 Unid 1 Tópico 2 50 / 119 6.3 PERSPECTIVA DO MERCADO 6.3.1 NECESSIDADES DOS CONSUMIDORES Os interesses dos consumidores orientam as ações da operação e estão demonstrados na figura a seguir. Nesta figura podemos perceber como um interesse específico do consumidor orienta as decisões do objetivo de desempenho a ser perseguido pela operação, indicando, assim, o caminho estratégico da função Produção. 31 Unid 1 Tópico 2 51 / 119 32 Unid 1 Tópico 2 52 / 119 6.3 PERSPECTIVA DO MERCADO 6.3.2 ESTÁGIO DO CICLO DE VIDA O estágio do ciclo de vida em que um produto se encontra é determinante nas ações da operação. Assim sendo, cada estágio tem características únicas e que impactam nos objetivos de desempenho da organização (veja a Figura 11): • Introdução • Crescimento • Maturidade • Declínio 31 Unid 1 Tópico 2 53 / 119 33 Unid 1 Tópico 2 54 / 119 6 ESTRATÉGIA DE OPERAÇÕES 6.4 PERSPECTIVA DA OPERAÇÃO Esta perspectiva se baseia na premissa de que a empresa conquista vantagem competitiva em função do bom uso dos recursos produtivos que têm disponíveis. Esses recursos que inter-relacionados determinam a estratégia funcional da operação são: • Recursos da operação • Capacitações da operação • Processos da operação 34 Unid 1 Tópico 2 55 / 119 PROJETO DEPRODUTOS TÓPICO 3 56 / 119 O projeto se compõe basicamente de três aspectos distintos, segundo Slack, Chambers e Johnston (2009): • Conceito: a compreensão da natureza, do uso e do valor do produto a ser projetado. • Pacote de produtos: o que será fornecido para atingir o conceito definido. • Processo: como os produtos serão produzidos e entregues. 2 COMPOSIÇÃO DO PROJETO 42 Unid 1 Tópico 3 57 / 119 O primeiro passo rumo ao melhor projeto é a perfeita identificação do “conceito”. Slack, Chambers e Johnston (2009) sugerem que a geração do conceito é resultado de um processo de seleção das diversas propostas. Sucessivas filtragens baseadas em testes das ideias e conceitos das diversas propostas iniciais tendem a oferecer uma proposição final ótima. A Figura 13 demonstra esse processo. 3 A GERAÇÃO DO PRODUTO 43 Unid 1 Tópico 3 58 / 119 Para produzir esse grande número de ideias, a técnica do brainstorming (tempestade de ideias) se mostra como uma das mais interessantes, por seu pressuposto de não estabelecer critérios e estimular a livre criação, sem objeções, preconceitos, preconcepções. Ideias são lançadas aleatoriamente, sem qualquer censura ou critério de validação. A intenção é proporcionar a abertura necessária para que sugestões criativas sejam expostas. Somente depois de encerrada essa etapa, as ideias serão analisadas e triadas. 3 A GERAÇÃO DO PRODUTO 43 Unid 1 Tópico 3 59 / 119 Erros na escolha do conceito podem ter efeitos catastróficos, como desagradar o público, endividar a empresa, ou até mesmo levá-la à falência. A análise criteriosa e embasada em dados fidedignos é fundamental para a decisão correta. Todavia, para chegar a um produto comercializável não bastam ideias e conceitos. Wheelwright e Clark (1993 apud CORRÊA; CORRÊA 2006) apresentam uma proposta de uma série de eventos distintos que caracterizam o projeto e possibilitam a disponibilização de um produto para o mercado para o qual é concebido. Esses eventos são apresentados na Figura 15. Faça uma análise. 3 A GERAÇÃO DO PRODUTO 44 Unid 1 Tópico 3 60 / 119 PROJETO DEPROCESSOS TÓPICO 4 61 / 119 • Processo por projetos • Processo por tarefa ou jobbing • Processo por lote ou batelada • Processo de massa • Processo contínuo 2 PROCESSOS DE MANUFATURA 52 Unid 1 Tópico 4 62 / 119 • Serviços profissionais • Loja de serviços • Serviços de massa 3 PROCESSOS DE SERVIÇOS 53 Unid 1 Tópico 4 63 / 119 PROJETODACADEIADEVALOR 64 / 119 TÓPICO 5 2 TIPOLOGIA DOS PROCESSOS DA CADEIA DE VALOR 2.1 PROCESSOS ESSENCIAIS 1. Relacionamento com o cliente 2. Desenvolvimento de um novo produto 3. Execução do pedido4. Relacionamento com fornecedores 58 Unid 1 Tópico 5 65 / 119 2 TIPOLOGIA DOS PROCESSOS DA CADEIA DE VALOR 2.2 PROCESSOS DE APOIO Os processos de apoio, como o próprio nome diz, dão suporte aos processos essenciais, oferecendo recursos necessários ao funcionamento em sua melhor capacidade. Enquadram-se nesta classe as atividades de recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, contabilidade, finanças, normalização, gerenciamento, entre outras. 58 Unid 1 Tópico 5 66 / 119 58 Unid 1 Tópico 5 67 / 119 Essa cadeia de valor é formada pelos processos internos da operação, por processos externos realizados em parcerias, pelos fornecedores e pelos clientes, posicionando a organização no centro de uma rede de suprimentos, como também pode ser chamada. 3 A REDE DE VALOR 59 Unid 1 Tópico 5 68 / 119 59 Unid 1 Tópico 5 69 / 119 O envolvimento de outras empresas é inevitável e complementar. Matérias-primas, por exemplo, não são produzidas na empresa, mas adquiridas de terceiros, que por sua vez fazem parte de sua própria rede de suprimentos. Cada empresa “tece” a sua própria rede, de modo que ela se ajuste da melhor forma possível à sua estratégia. De forma didática, aqueles entes da rede que têm contato direto com a nossa organização, sejam eles fornecedores ou clientes, são denominados de “primeira camada”. Os clientes ou fornecedores destes são denominados de “segunda camada”, e assim sucessivamente. No centro dessa rede está a nossa empresa. 3 A REDE DE VALOR 60 Unid 1 Tópico 5 70 / 119 Um aspecto bastante relevante para a estruturação de uma cadeia de valor é a análise das capacidades de produção dos entes que fazem parte desta cadeia. Imagine que você tem uma empresa de confecção que tem uma demanda de 20.000 peças por dia e você opta por terceirizar os processos de costura. Pergunta: se na cidade em que essa confecção estiver localizada só há um pequeno fornecedor de serviços de costura, com capacidade para 5.000 peças por dia, será que esta rede estaria equilibrada? Resposta: não. Uma rede de suprimentos ou cadeia de valor deve ter uma capacidade produtiva adequada à demanda do produto final, ou seja, precisa “dar conta do recado”. 4 O EQUILÍBRIO DAS CAPACIDADES 61 Unid 1 Tópico 5 71 / 119 Como podemos verificar na Figura 20 e na Figura 21, a principal diferença é que em um processo de terceirização há o envio de recursos da organização compradora para a terceira, que acaba por desenvolver uma parte das atividades de transformação que seriam realizadas pela empresa contratante. No outsourcing é uma simples compra de componentes ou produtos completos de fornecedores, que nesta situação não realizam parte do processo, mas ele como um todo. 5 TERCEIRIZAÇÃO X OUTSOURCING 61 Unid 1 Tópico 5 72 / 119 62 Unid 1 Tópico 5 73 / 119 62 Unid 1 Tópico 5 74 / 119 Entretanto, seja qual for a modalidade escolhida, o fato de envolver outros entes de uma rede de suprimentos traz vantagens consideráveis para a organização. Vejamos quais as principais delas, na ótica de Slack, Chambers e Johnston (2009): • Especialização do fornecedor • Foco na atividade central • Economia de escala • Benchmarking • Compartilhamento do risco 5 TERCEIRIZAÇÃO X OUTSOURCING 61 Unid 1 Tópico 5 75 / 119 PROJETO DOTRABALHO TÓPICO 6 76 / 119 Para que o resultado desse trabalho seja maximizado, ele dever ser especificado e projetado em todos os seus elementos. Somente dessa forma é possível atender critérios de desempenho objetivados pela organização, proporcionando desenvolvimento e respeitando as limitações das pessoas. 2 ELEMENTOS DO TRABALHO 68 Unid 1 Tópico 6 77 / 119 Ao analisarem estes elementos, Slack, Chambers e Johnston (2009) explicam assim cada um deles: •Método ótimo: determinação da melhor forma de executar uma determinada tarefa, de forma a otimizar o uso dos recursos. •Condições ambientais adequadas: o impacto das condições ambientais sobre os resultados do trabalho das pessoas. •Tecnologia disponível e sua utilização: adequação das tecnologias ao processo e às pessoas que o executarão. É o que se denomina de projeto ergonômico. 2 ELEMENTOS DO TRABALHO 69 Unid 1 Tópico 6 78 / 119 •Tarefas alocadas aos indivíduos: a geração de um produto é feita através da realização de tarefas diversas, que devem ser alocadas aos indivíduos adequadamente. •Manutenção do comprometimento: determinar caminhos para manter os profissionais motivados para a realização de um trabalho de qualidade. Inclui conceitos como empowerment, trabalho em equipe e trabalho flexível. •Duração e necessidade de mão de obra da tarefa: determinação do tempo necessário para a conclusão de uma tarefa e o dimensionamento da mão de obra necessária. 2 ELEMENTOS DO TRABALHO 69 Unid 1 Tópico 6 79 / 119 70 Unid 1 Tópico 6 80 / 119 3 TEORIAS CLÁSSICAS 3.1 DIVISÃO DO TRABALHO A divisão do trabalho teve origem com a necessidade de volume de produção. Formalizada como conceito por Adam Smith (No livro “Riqueza das Nações” de 1746), significa “dividir o total de tarefas de um trabalho em pequenas partes, cada uma delas desempenhada por uma só pessoa”. (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002, p. 278). A ideia consiste no fato de que as operações crescem em função da demanda de trabalho, ou seja, há muito o que produzir. Como artifício para responder a este aumento de demanda, a divisão do trabalho traz os benefícios da especialização. Como um determinado funcionário passa a ser responsável por uma parcela menor das tarefas, também passará a desempenhá-las de forma melhorada. 71 Unid 1 Tópico 6 81 / 119 3.1 DIVISÃO DO TRABALHO 3.1.1 VANTAGENS • Proporciona aprendizado rápido • A automação se torna mais fácil • Trabalho não produtivo reduzido 72 Unid 1 Tópico 6 82 / 119 3.1 DIVISÃO DO TRABALHO 3.1.2 DESVANTAGENS • Monotonia • Dano físico • Baixa flexibilidade • Baixa robustez 73 Unid 1 Tópico 6 83 / 119 3 TEORIAS CLÁSSICAS 3.2 ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA – O ESTUDO DO TRABALHO No ano de 1903, Frederick Winslow Taylor apresentou à Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos a sua filosofia de administração, que em 1911 foi melhor explicada no livro “Princípios da Administração Científica”. Nesse material, Taylor propõe quatro princípios básicos, segundo Maximiano (2000): •A administração deveria ter como objetivo pagar salários altos e obter custos de produção baixos. • Deveria, através de pesquisa, identificar a melhor maneira de fazer as tarefas. • A seleção e treinamento de pessoal deveria ser feita de forma científica, compatibilizando pessoas e tarefas. Ou seja, a pessoa certa no lugar certo. •Formação de atmosfera positiva no ambiente de trabalho, com compreensão entre administração e trabalhadores, de modo que os demais princípios pudessem ser colocados em prática. 73 Unid 1 Tópico 6 84 / 119 3.2 ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA – O ESTUDO DO TRABALHO 3.2.1 ESTUDO DO MÉTODO O estudo do método se refere a um estudo absolutamente minucioso sobre a forma como um determinado trabalho é realizado. A intenção é que este estudo revele falhas no processo, que, por sua vez, serão alvo de proposições de melhoria. 1. Identificar oportunidades 2. Definir escopo 3. Documentar o processo 4. Avaliar o desempenho 5. Redesenhar o processo 6. Implementar as mudanças 75 Unid 1 Tópico 6 85 / 119 3.2.1 ESTUDO DO MÉTODO 3.2.1.1 DOCUMENTANDO O PROCESSO O primeiro documento são os fluxogramas de processo. Estes esboçam, através de símbolos, as diversas atividades de um fluxo produtivo qualquer e o relacionamento existente entre elas. Isso permite que, através de uma análise visual, tenha-se exata percepção do fluxo completo. Essa visão privilegiada permite a identificação de duplicidade de tarefas, de tarefas em excesso, de tarefas faltantes e assim por diante. Essas falhas identificadas no fluxo são o que normalmente denominamos de rupturas. A figura a seguir apresenta um exemplo. 77 Unid1 Tópico 6 86 / 119 78 Unid 1 Tópico 6 87 / 119 3.2.1 ESTUDO DO MÉTODO 3.2.1.1 DOCUMENTANDO O PROCESSO A segunda forma comum de documentação do processo são os diagramas de processo. Os diagramas são utilizados para analisar a movimentação de pessoas ou de material. É elaborado com o uso de símbolos padronizados que simplificam a interpretação. A Figura 28 mostra como o diagrama de fluxo funciona. A área (a) mostra como era o método antigo e (b) apresenta o método novo. A área (c) demonstra os detalhes do fluxo produtivo do método novo, através do emprego de símbolos padronizados e descrição detalhada. Essa simbologia básica você pode ver no quadro a seguir. 78 Unid 1 Tópico 6 88 / 119 79 Unid 1 Tópico 6 89 / 119 3.2.1 ESTUDO DO MÉTODO 3.2.1.1 DOCUMENTANDO O PROCESSO Finalmente, a terceira forma de documentação sugerida por Krajewski, Ritzman e Malhotra (2009) são os blueprints de processo. Esses blueprints nada mais são do que fluxogramas de processos desenhados de forma a dar destaque às atividades visíveis pelos clientes. Sendo, portanto, muito utilizados em operações de serviços. 79 Unid 1 Tópico 6 90 / 119 80 Unid 1 Tópico 6 91 / 119 80 Unid 1 Tópico 6 92 / 119 3.2.1 ESTUDO DO MÉTODO 3.2.1.2 AVALIANDO O DESEMPENHO A definição dos indicadores é um dos pontos nevrálgicos de uma boa análise de processo. Krajewski, Ritzman e Malhotra (2009) afirmam que essa escolha depende do processo em análise e de sua prioridade competitiva. Alguns desses indicadores parecem óbvios, como tempo de processo por unidade, custo de cada etapa, lead time do processo, utilização da capacidade, tempos de espera do cliente, satisfação do cliente, taxas de erro e taxas de material descartado ou desperdício. Indicadores não faltam. O importante é garimpar aqueles que realmente são importantes. 81 Unid 1 Tópico 6 93 / 119 3.2 ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA – O ESTUDO DO TRABALHO 3.2.2 MEDIÇÃO DO TRABALHO •Tempo básico: é tempo necessário para um trabalhador qualificado conseguir realizar completamente um trabalho especificado, com um nível de desempenho-padrão. Esse tempo serve como parâmetro para os gestores de produção realizarem as suas previsões de tempo para tarefas mais complexas. •Tempo-padrão: é uma extensão do tempo básico, pois inclui tolerâncias de tempos concedidas para pausa e descanso em função das condições em que o trabalho é realizado. Portanto: tempo-padrão = tempo básico + tolerâncias. 82 Unid 1 Tópico 6 94 / 119 3.2 ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA – O ESTUDO DO TRABALHO 3.2.2 MEDIÇÃO DO TRABALHO O método de estudo dos tempos, segundo Corrêa e Corrêa (2006), segue cinco passos, com o objetivo de determinar o tempo-padrão para as diversas tarefas ou ciclos de tarefas componentes de um trabalho. 1. Definir a tarefa a ser estudada 2. Dividir a tarefa em elementos 3. Cronometrar os elementos 4. Determinar o tamanho da amostra 5. Estabelecimento de padrões 83 Unid 1 Tópico 6 95 / 119 3.2 ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA – O ESTUDO DO TRABALHO 3.2.2 MEDIÇÃO DO TRABALHO Medir um trabalhador muito lento pode aumentar demasiadamente o tempo padrão, tornando os processos muito lentos e caros. O nível de cobrança na produção acaba baixo e a equipe pode trabalhar abaixo de sua real possibilidade. Medir um trabalhador muito rápido pode reduzir demasiadamente o tempo padrão, tornando processos ilusoriamente mais rápidos. Esses tempos muito curtos geram cobrança excessiva na linha de produção, induzem à desmotivação, geram conflitos e frustrações e desvirtuam as projeções de capacidade. 84 Unid 1 Tópico 6 96 / 119 4 TEORIAS MODERNAS 4.1 ERGONOMIA Quando um determinado trabalho é projetado, deve-se tomar todos os cuidados necessários para preservar o trabalhador e lhe dar condições para obter alto desempenho. 85 Unid 1 Tópico 6 97 / 119 4.1 ERGONOMIA 4.1.1 PROJETO ERGONÔMICO DO LOCAL DE TRABALHO Entender os locais de trabalho e como eles impactam sobre aspectos individuais do trabalhador, como desempenho, fadiga, desgaste e danos físicos é parte fundamental do projeto do trabalho. 86 Unid 1 Tópico 6 98 / 119 4.1 ERGONOMIA 4.1.2 ASPECTOS ANTROPOMÉTRICOS Para Slack, Chambers e Johnston (2009), esses aspectos estão relacionados ao tamanho, forma e outras habilidades físicas do trabalhador. Já Martins e Laugeni (2005) afirmam que o desrespeito a esses aspectos antropomórficos é elemento indutor de lesões por esforço repetitivo, e complementam afirmando que alguns princípios básicos devem ser seguidos no projeto de um ambiente de trabalho. Esses princípios seriam os seguintes: • Princípios para o uso do corpo humano • Princípios para o manuseio de equipamentos no local de trabalho (1) • Princípios para o manuseio de equipamentos no local de trabalho (2) 87 Unid 1 Tópico 6 99 / 119 87 Unid 1 Tópico 6 100 / 119 88 Unid 1 Tópico 6 101 / 119 4.1 ERGONOMIA 4.1.3 TEMPERATURA NO TRABALHO •A temperatura dependerá do tipo de esforço necessário para o trabalho. Trabalhos mais leves requerem temperaturas mais altas, enquanto trabalhos mais pesados demandam temperaturas mais baixas. •A eficácia das pessoas que desempenham tarefas que exigem concentração reduz em temperaturas acima dos 29°C. Para trabalhos manuais leves, essa temperatura cai um pouco. • As chances de acidentes aumentam em temperaturas fora da faixa de conforto, sejam elas muito frias ou muito quentes. 91 Unid 1 Tópico 6 102 / 119 4.1 ERGONOMIA 4.1.4 NÍVEIS DE ILUMINAÇÃO O quadro a seguir apresenta níveis de iluminância definidos pela NBR5413/1992 – Iluminância de interiores, para diferentes classes de atividade. Repare que se trata de uma norma instituída, portanto, obrigatória. Verifique na empresa em que você trabalha se esses níveis de iluminância são obedecidos. A mesma norma apresenta detalhes por tipo de atividade. 92 Unid 1 Tópico 6 103 / 119 92 Unid 1 Tópico 6 104 / 119 4.1 ERGONOMIA 4.1.5 NÍVEIS DE RUÍDO Além dos aspectos ligados à saúde do trabalhador, o ruído tem implicação nos resultados por ele produzidos. Para Slack, Chambers e Johnston (2009), as causas para essa perda de desempenho seriam: • Ruídos intermitentes e imprevisíveis são mais incômodos do que barulhos com a mesma intensidade, mas que mantêm constância. • Barulhos em frequências acima de 2.000 Hz produzem maior interferência no desempenho. • O barulho eleva a taxa de erros do trabalhador. 93 Unid 1 Tópico 6 105 / 119 4 TEORIAS MODERNAS 4.2 ABORDAGEM COMPORTAMENTAL DO TRABALHO Motivação é definida por Robbins (2002, p. 43) como “[...] o processo responsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para o alcance de uma determinada meta”. Essa ideia de que a motivação pode levar a resultados expressivos contribuiu significativamente para a abordagem comportamental do trabalho. 95 Unid 1 Tópico 6 106 / 119 4 TEORIAS MODERNAS 4.2 ABORDAGEM COMPORTAMENTAL DO TRABALHO Esses autores comentam que, para que o trabalho pudesse contribuir para reduzir a alienação, aumentar a motivação e o comprometimento das pessoas, ele deveria: •Dar condições para que as pessoas se sentissem responsáveis por uma parcela identificável e significativa do trabalho. •Oferecer um conjunto de tarefas que seja significativo e que valha a pena ser realizado. Ninguém se motiva com algo que parece insignificante aos olhos dos outros. • Oferecer feedback (retroalimentação) sobre o desempenho atingido. 95 Unid 1 Tópico 6 107 / 119 4.2 ABORDAGEM COMPORTAMENTAL DO TRABALHO 4.2.1 REVEZAMENTO DO TRABALHO (Job Rotation) Se aumentar o número de tarefas de um cargo não for possível, por questões tecnológicas, por exemplo, uma boa alternativa é o revezamento do trabalho, também conhecido por rotação de cargos ou job rotation. Apesar de poder contribuir para o aumento da flexibilidade de habilidades do colaborador e reduzir os níveis de monotonia, Slack, Chambers e Johnston (2009) afirmam que há opositores à técnica. Do lado dosadministradores, alguns a criticam por interromper o fluxo do trabalho e, do lado do pessoal que desempenha o trabalho, a crítica vem pelo fato de interferir no ritmo e abalar a bases de segurança dos indivíduos. 96 Unid 1 Tópico 6 108 / 119 4.2 ABORDAGEM COMPORTAMENTAL DO TRABALHO 4.2.2 ALARGAMENTO DO TRABALHO Outra técnica bastante utilizada para promover maior motivação nos colaboradores é a alocação de um maior número de tarefas para os indivíduos. Por se tratar de tarefas do mesmo tipo daquela já realizadas no trabalho original, a técnica é chamada de alargamento do trabalho. Slack, Chambers e Johnston (2009) comentam que essa técnica não oferece tarefas mais exigentes e compensadoras, mas proporciona um nível de trabalho mais completo. O fato de o colaborador desempenhar um número maior de tarefas reduz os níveis de monotonia. 97 Unid 1 Tópico 6 109 / 119 4.2 ABORDAGEM COMPORTAMENTAL DO TRABALHO 4.2.3 ENRIQUECIMENTO DO TRABALHO Muito similar à técnica do alargamento do trabalho, contudo, aqui a natureza das tarefas agregadas é diferente. Agrega-se tarefas extras, com mais tomadas de decisão, autonomia e controle sobre o trabalho por parte de quem o está executando. Essas tarefas extras podem incluir atividades ligadas à manutenção do seu equipamento ou máquina, controle da qualidade das tarefas ou o próprio planejamento das tarefas a serem realizadas. O objetivo da técnica vai além da simples redução da monotonia. Aqui se busca um maior nível de autonomia do colaborador e com isso surgem oportunidades de desenvolvimento pessoal. 97 Unid 1 Tópico 6 110 / 119 4 TEORIAS MODERNAS 4.3 EMPOWERMENT Chiavenato (2005) afirma que o empowerment é uma ferramenta de distribuição de autoridade e responsabilidade por toda a organização, como meio de fortalecimento de seus membros. O empowerment aumenta a autoestima das pessoas o que reflete em sua capacidade de controle e, consequentemente, impulsiona a qualidade em toda a empresa. 98 Unid 1 Tópico 6 111 / 119 4 TEORIAS MODERNAS 4.4 TRABALHO EM EQUIPE A ideia de usar equipes para fazer a organização funcionar não é nova e nem uma invenção americana ou japonesa. Griffin e Moorhead (2006) afirmam que o Instituto Tavistock, do Reino Unido, no final dos anos 1940, foi o precursor dos estudos e da aplicação do trabalho em equipe. 101 Unid 1 Tópico 6 112 / 119 101 Unid 1 Tópico 6 113 / 119 4.4 TRABALHO EM EQUIPE 4.4.1 BENEFÍCIOS E CUSTOS DAS EQUIPES Implantar equipes parece um modismo, o que pode ser muito perigoso. Muitas empresas as implantam simplesmente porque outras organizações o estão fazendo. É importante perceber o quão devastadora pode ser tal atitude. Equipes não são uma técnica pura e simples. É uma nova forma de pensar a organização. Isso implica dizer que mudanças profundas serão promovidas e normalmente esses tipos de mudanças são irreversíveis. 102 Unid 1 Tópico 6 114 / 119 4.4 TRABALHO EM EQUIPE 4.4.2 MELHOR DESEMPENHO A melhoria do desempenho pode ser percebida na qualidade, na produtividade e nos serviços ofertados aos clientes. Griffin e Moorhead (2006) afirmam que o trabalho em equipe evita o desperdício de esforço, reduz erros e atende melhor os consumidores, gerando melhor retorno sobre a contribuição de cada membro da equipe. Isso acontece porque os membros buscam incessantemente maneiras de unir esforços pelos objetivos da equipe. 102 Unid 1 Tópico 6 115 / 119 4.4 TRABALHO EM EQUIPE 4.4.3 BENEFÍCIOS PARA OS FUNCIONÁRIOS A psicologia nos ensina, e já falamos sobre isso, que as pessoas são movidas por motivação. Elas querem mais do que simplesmente executar tarefas e receber um salário por isso. Neste sentido, as equipes são imbatíveis. Griffin e Moorhead (2006) afirmam que elas transmitem a sensação de autocontrole, dignidade, identificação com o trabalho e noção de amor próprio e de autorrealização. As equipes dão aos membros a possibilidade de crescerem e conquistarem respeito e dignidade por serem gestores de suas ações e poderem fazer a diferença no mundo em que vivem. Vivem melhor, com menos estresse e não precisam de tantos programas assistenciais. 102 Unid 1 Tópico 6 116 / 119 4.4 TRABALHO EM EQUIPE 4.4.4 REDUÇÃO DE CUSTOS • diminuem os prejuízos; • as pessoas cometem menos erros; • empresas recebem menos pedidos de indenização; • reduzem os índices de rotatividade e absenteísmo. 102 Unid 1 Tópico 6 117 / 119 4.4 TRABALHO EM EQUIPE 4.4.5 MELHORIA NAS EMPRESAS Griffin e Moorhead (2006) afirmam que culturas organizacionais modificadas pela introdução do trabalho em equipe apresentaram aumentos significativos na capacidade de inovação, criatividade e flexibilidade dos colaboradores. Além disso, ocorre uma redução da burocracia e dos níveis hierárquicos, contribuindo para a maior clareza e transparência do processo de comunicação das empresas. Trabalhadores se sentem valorizados e percebem a possibilidade de resolver problemas de forma criativa 103 Unid 1 Tópico 6 118 / 119 4.4 TRABALHO EM EQUIPE 4.4.5 MELHORIA NAS EMPRESAS Griffin e Moorhead (2006) afirmam que culturas organizacionais modificadas pela introdução do trabalho em equipe apresentaram aumentos significativos na capacidade de inovação, criatividade e flexibilidade dos colaboradores. Além disso, ocorre uma redução da burocracia e dos níveis hierárquicos, contribuindo para a maior clareza e transparência do processo de comunicação das empresas. Trabalhadores se sentem valorizados e percebem a possibilidade de resolver problemas de forma criativa 103 Unid 1 Tópico 6 118 / 119 4 TEORIAS MODERNAS 4.5 TRABALHO FLEXÍVEL Há uma tendência clara de que as pessoas têm buscado um equilíbrio entre a vida social, pessoal e profissional. Tem buscado qualidade de vida. Tem buscado a possibilidade de fazer esses diversos papéis serem exercidos (profissional, marido/mulher, pai/filho etc.) coexistirem pacificamente. O trabalho flexível surge como uma tentativa das organizações em promover esse equilíbrio. • Flexibilidade de habilidades. • Flexibilidade de tempo. • Flexibilidade de localização. 103 Unid 1 Tópico 6 119 / 119