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Fisiopatologia da lesão medular Débora Wanderley Medula espinhal •31 pares de nervos espinhais •Bulbo até L2 •Cone •Filum terminal •Intumescência cervical •Intumescência lombar Plexo braquial Plexo lombossacral Território cutâneo inervado por fibras de uma única raiz dorsal Relação entre medula espinhal, raízes nervosas e grupos musculares C1, C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8, T1 Músculos faciais e do pescoço Diafragma e trapézio Rombóides Deltóide e bíceps Extensores do punho Tríceps Mãos e dedos T2-T8 T6-T12 Músculos do tórax Abdominais L1-S1 Músculos da perna S1-S2 S3-S5 Músculos do quadril e pés Intestino, bexiga e genitais Nervo coccígeo Medula espinhal Fascículos grácil e cuneiforme • Propriocepção e vibração Trato espinotalâmico lateral • Dor e temperatura Trato espinotalâmico anterior • Tato grosseiro e pressão Trato córtico-espinhal lateral e anterior • Função motora Trato espinocerebelar ventral e dorsal • Propriocepção e reflexos Cone medular e cauda equina • Função motora dos MMII, intestino e bexiga • Função sexual • Sensibilidade nos segmentos sacrais e coccígeos Traumatismo raquimedular - TRM Choque espinhal “ É um fenômeno de cessação de toda a função do sistema nervoso, abaixo do nível da lesão da medula espinhal.” Stokes, 2000 TRM •Relação homem-mulher • 4:1 • 15 a 40 anos •Tipos • Lesão completa • Lesão incompleta •Etiologia: Queda de altura Acidentes automobilísticos Mergulho em água rasa Arma de fogo Nervos e vasos TRM • Áreas mais acometidas • Cervical inferior (C5-C7) - 2/3 das lesões (mergulho e chicote) • Mais graves • Sensibilidade e movimentos dos MMSS • Torácica média (T4-T7) - 10% • Sensibilidade e movimentos do tórax e abdome • Tóraco-lombar (T10-L2) - 7% • Sensibilidade e movimentos do abdome e dos MMII Classificação do TRM •Tetraplegia • 4 membros, tronco e músculos respiratórios • Lesão cervical, acima de T1 •Paraplegia • Todo o tronco ou parte dele e ambos os membros inferiores • Lesão torácica, lombar ou cauda equina • Fase aguda (choque medular) • 4-6 semanas • Paralisia flácida (hipotonia) • Diminuição ou abolição dos reflexos e da sensibilidade • Retenção urinária e fecal • Queda de PA • Bradicardia/comprometimento respiratório • Dor • Fase pós-choque medular • Pode haver recuperação dos movimentos e da sensibilidade • Hipertonia (espasticidade) • Atrofia • Espasmos • Aumento dos reflexos (patológicos) • Urgência/incontinência urinária/fecal Quadro clínico Complicações •Contraturas •Deformidades •Atrofias •Escaras de decúbito •Osteoporose •Espasticidade •Dor •TVP Síndromes medulares Lesão medular anterior Perda motora completa inferiormente à lesão Perda da sensibilidade dolorosa, térmica, tato e pressão Trato espinotalâmico anterior e lateral * Vibração e propriocepção inalteradas Lesão medular central •Pacientes idosos com espondilose cervical •MMSS afetados mais profundamente que MMII Atrofia flácida dos MMSS Padrão espástico em MMII Síndromes medulares Lesão com hemisecção medular – Síndrome de Brown-Séquard •Causada por ferimentos de arma branca •Perda motora e proprioceptiva homolateral à lesão •Perda da sensibilidade térmica e dolorosa contralateral à lesão Síndromes medulares Lesão do cone medular •Lesão das raízes nervosas sacrais (nível ósseo de T12-L1) •Paralisia flácida nos MMII •Disfunções do intestino, bexiga e função sexual •Sensibilidade alterada nos segmentos sacrais e coccígeos Síndromes medulares Lesão da cauda equina •A lesão de nervos espinhais da cauda equina (L1-L2) •Quadro clínico depende da raiz atingida •Paresia de MMII •Arreflexia •Distúrbios da sensibilidade •Incontinência fecal e vesical Síndromes medulares Lesão da medula posterior •Função motora, dor e tato preservadas •Propriocepção alterada Síndromes medulares Nível mais caudal da medula espinhal com função normal, motora e sensorial, em ambos os lados (direito e esquerdo). American Spinal Injury Association (ASIA) Nível da lesão Nível da lesão É feita para dor e tato leve • Dor (alfinete) • Tato leve (toque leve ou algodão) Classificação - 2 = normal - 1 = prejudicada, não consegue diferenciar entre leve e forte ou o local - 0 = sem sensibilidade - NT = não testável Avaliação da força muscular Chamada pela ASIA de ASIA impairment scale (AIS), avalia o grau de deficiência do paciente com TRM Relação entre medula espinhal, raízes nervosas e grupos musculares C1, C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8, T1 Músculos faciais e do pescoço Diafragma e trapézio Rombóides Deltóide e bíceps Extensores do punho Tríceps Mãos e dedos T2-T8 T6-T12 Músculos do tórax Abdominais L1-S1 Músculos da perna S1-S2 S3-S5 Músculos do quadril e pés Intestino, bexiga e genitais Nervo coccígeo Lesão C1-C2 •Músculos da face e pescoço •Ventilação mecânica •Dependente Avaliação do nível da lesão Lesão C3 •Diafragma • Ventilação mecânica • Controle da boca e queixo •Prognóstico: cadeira de rodas elétrica com controle no queixo, testa ou parte posterior da cabeça •Adaptações para comer (canudos, cabos, etc), para computador (boca) Avaliação do nível da lesão Lesão C4 •Romboides e trapézio • Controle de cabeça • Dependente • Elevação dos ombros e escápulas • Não usa MMSS • Ventilação espontânea, mas tem problemas respiratórios Não tem intercostais Avaliação do nível da lesão Lesão C5 •Manguito rotador (bíceps, braquial, braquiorradial, deltoide, infraespinhoso, romboides e supinador) •Flexão e supinação do cotovelo; Flexão e abdução do ombro •Precisa de órtese para as mãos – leva mão à boca •Move a cadeira com controle •Contratura em flexão de cotovelo Avaliação do nível da lesão Lesão C6 – extensor de punho, peitoral, grande dorsal e serrátil anterior •Movimentos de cabeça, ombro, flexão de cotovelo, prono- supinação, flexão e extensão de punho •Tenodese •Faz tudo na posição sentada – mais funcional (RE de ombro, long sitting) •Ajuda nas transferências (rola com braços em RE, senta com e sem apoio, scooting, push-up com RE de ombro) •Toca cadeira de rodas leve (manualmente) •Dirige Avaliação do nível da lesão Lesão C6 – extensor de punho, peitoral, grande dorsal e serrátil anterior •Tenodese • Estende punho, mas não move os dedos • Flexão de dedos por causa da gravidade • NÃO ALONGAR!!! •Scooting •Push-up • Rotação externa de ombro Centro de massa atrás do cotovelo Avaliação do nível da lesão Lesão C7 – tríceps, flexor de punho e extensor dos dedos •Movimentos anteriores + extensão de cotovelo (tríceps braquial) + flexão dos punhos e extensão dos dedos •Menos funcional que C6 • Mão fica sempre aberta •Independente na alimentação •Transferênciasindependentes •Cadeira de rodas normal Avaliação do nível da lesão Lesão C8 – flexor dos dedos e polegar •Todos os músculos dos MMSS, exceto os lumbricais e interósseos •Movimentos finos da mão limitados •Pega e solta objetos •Já consegue dirigir um carro adaptado •É bem independente nas AVD’s Avaliação do nível da lesão Lesão T1 – Interósseos •Função manual perto do normal •Independente •Sem controle de tronco Avaliação do nível da lesão Lesão T2-T12 •Paraplegia alta •Independente nas AVD’s, dependendo do grau de espasticidade dos MMII •Cadeira de rodas manual •Função dos MMSS •Pode andar curtas distâncias, dependendo do nível, com auxílio (órteses e muletas) Avaliação do nível da lesão Lesão sacral e lombar – L2-S1 •Paraplegia •Movimentos de cabeça, MMSS e tronco superior (incluindo abdominais) •Totalmente independente nas AVD’S •Toca cadeira de rodas em qualquer plano •Pode andar, com ou sem auxílio, dependente ou não da cadeira de rodas Avaliação do nível da lesão Lesão L1, L2 (flexores de quadril), L3 (extensores de joelho) •Não realiza flexão de quadril (Iliopsoas) •Compensa fazendo rotação e adução da perna no balanço Lesões específicas Lesão L2, L3-L4 (dorsiflexores, flexores de joelho e abdutores de quadril) •Colapso do joelho em flexão no apoio (quadríceps) •Compensa fazendo hiperextensão de joelho •Usar KAFO com muletas ou Lesões específicas Lesão L4, L5 (extensores do pé e do quadril), S1 (flexores plantares) •Abdutores de quadril •Inclina pelve para baixo na perna do balanço •Compensa com inclinação lateral de tronco Lesões específicas Lesão L4, L5 , S1 •Dorsoflexores •Pé em flexão plantar no balanço •Dorsoflexão insuficiente no toque de calcanhar •Compensa com flexão excessiva de quadril e joelho •Usa AFO para deambular Lesões específicas Lesão L5, S1, S2 •Paraplegia baixa •Excessiva dorsoflexão, flexão do joelho e quadril •Deambula com uso AFO bloqueando a dorsoflexão excessiva Lesões específicas Lesão L5, S1, S2 •Paraplegia baixa •Hiperextensão excessiva do joelho no início e fim do apoio •Compensa fazendo flexão de quadril e joelho na marcha • Anda semi-agachado •Deambula com tala bloqueando a hiperextensão ou AFO Lesões específicas Lesão L5, S1, S2 •Paraplegia baixa •Hiperextensão de quadril no início do apoio •Faz dorsoflexão e extensão do joelho e hiperextensão lombar Lesões específicas Lesão S1 •Flexão plantar •Extensão do quadril (glúteos) •Meta: marcha normal Lesões específicas Lesão S2-S4 •Bexiga e intestino • Retenção • Incontinência Lesões específicas •Perda do controle simpático (TI-T4) – controle da FC • Lesões torácicas e lombares = FC normal • Lesão completa acima de T4 = controle parcial da função simpática • Lesão completa acima de T1 = perda do controle da função simpática Fatores que influenciam a capacidade funcional •Uso de músculos com pouca massa muscular para exercitar-se • Pequena exigência do coração •Paralisia das pernas e do abdome • Reduz o retorno venoso Fatores que influenciam a capacidade funcional • O‘SULLIVAN, S.B.; SCHIMITZ,T.J. Fisioterapia: Avaliação e Tratamento. 5ed. Barueri: Manole, 2010.