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Minicursos: Projeto AutismoS Presente - Saúde Módulo 1 - TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA 1.1 O QUE É AUTISMO? O Autismo está presente na realidade de muitas famílias e, quando pensamos nos serviços de atendimento em saúde, não podemos nos restringir àqueles que fazem o acompanhamento direto das demandas relacionadas ao neurodesenvolvimento apenas. É preciso lembrarmo-nos de que pessoas autistas frequentam os diversos serviços de saúde, assim como qualquer pessoa, pelos mais variados motivos, seja uma consulta médica, um exame de rotina, uma situação de emergência, entre tantas outras situações possíveis. Dito isso, todos os profissionais de saúde precisam ter ciência das características de tal condição do neurodesenvolvimento e de como se manifestam nos indivíduos autistas. Dados provenientes dos Estados Unidos dão conta de que 1 a cada 36 crianças até 8 anos de idade estão dentro do Espectro do Autismo (Center for Disease Control and Prevention- dados coletados em 2020 e divulgados em 2023). Como condição do neurodesenvolvimento, é pertinente lembrar que a pessoa permanece autista durante toda sua existência, desde o nascimento até sua morte. Logo, apesar dessa estatística estar embasada em crianças até os 8 anos de idade, não podemos esquecer que existem pessoas autistas de todas as idades; portanto, devemos estar atentos não apenas aos serviços de pediatria, mas também das especialidades relativas a qualquer fase do desenvolvimento. Sendo assim, após essa nossa aula introdutória em que faremos uma “tradução” do que é o autismo, espera-se que os participantes deste curso entendam: • O que é o autismo?; • Causas do autismo; • Quais são os critérios para o diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo; • O porquê do aumento de casos de autismo no mundo; • Funcionamento das pessoas autistas; • Classificação diagnóstica- segundo DSM 5 e CID 11; O que é o Autismo? O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que se caracteriza por dificuldades de comunicação e interação social e também por interesses restritos e comportamentos repetitivos de maneira intensa na vida do indivíduo. Os sinais já devem estar presentes desde a primeira infância, mesmo que às vezes não sejam percebidos logo de início. Mais do que apenas um transtorno, o autismo é uma condição de existência na qual o desenvolvimento neurofisiológico acontece de maneira atípica, logo, todas essas questões têm a ver com o modo como a pessoa sente e percebe o mundo, como faz as trocas com os demais indivíduos e também como a pessoa autista contribui na sociedade. O autismo, portanto, não é uma doença, mas sim uma maneira de existir no mundo. Como todas as formas de ser de um indivíduo, no autismo, também aspectos positivos e negativos e precisamos respeitar essas maneiras de existir como parte da diversidade humana. Atualmente, ainda podemos dizer que o autismo é um desafio, pois estamos diante de uma caminhada para a inclusão. Para chegarmos ao objetivo, necessitamos de acessibilidade, respeito e empatia. Ao nos propormos a entendermos mais sobre o autismo, temos certeza de que estaremos no caminho certo para alcançarmos nossa meta. Incidência e causas do autismo Dados dos EUA mostram que 1 a cada 36 crianças de até 8 anos de idade são pessoas autistas. Considerando esses números na população brasileira chegaríamos a quase 6 milhões de crianças autistas até 8 anos de idade. Podemos projetar pelo menos o dobro desse número se considerarmos crianças mais velhas, adolescentes, adultos jovens e idosos, já que pessoas autistas não permanecem crianças para sempre. Cada vez estamos tendo mais diagnósticos pelo mundo devido aos critérios diagnósticos melhores definidos, profissionais mais qualificados e maior acesso à informação e também um maior acesso ao próprio diagnóstico. Hoje sabemos que as causas do autismo são majoritariamente genéticas e que temos uma incidência maior em meninos do que em meninas, apesar do número de pessoas do sexo feminino vir aumentando com o passar dos anos e com os avanços nos estudos para identificar o autismo em mulheres. Critérios de diagnóstico do TEA Segundo o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais dos Estados Unidos, na sua versão de número 5, publicada no ano de 2013, os critérios para que uma pessoa seja diagnosticada com TEA são: A. Dificuldades persistentes na comunicação social e na interação social As dificuldades precisam estar presentes em vários contextos, e não apenas em um ambiente específico. Elas incluem: 1. Dificuldades na reciprocidade socioemocional: Dificuldades em iniciar ou responder a interações sociais, problemas para manter uma conversa, e/ou compartilhar emoções e interesses com os outros. 2. Dificuldades na comunicação não verbal usada para interação social: Dificuldades no uso e na interpretação de gestos, expressões faciais, contato visual, linguagem corporal e outros sinais não verbais. 3. Dificuldades no desenvolvimento, na manutenção e na compreensão de relacionamentos: Dificuldades em ajustar o comportamento para se adequar a diferentes contextos sociais, fazer amigos ou mostrar interesse em relacionamentos. B. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades Pelo menos dois dos seguintes comportamentos precisam estar presentes: 1. Movimentos motores estereotipados ou repetitivos, uso repetitivo de objetos ou fala (ex.: ecolalia, alinhamento de objetos). 2. Insistência em rotinas, padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal, ou extrema resistência a mudanças (ex.: angústia diante de pequenas mudanças, rigidez de pensamento). 3. Interesses altamente restritos e fixos em intensidade ou foco (ex.: forte apego a objetos incomuns, muito interesse com tópicos específicos). 4. Hipersensibilidade ou hipossensibilidade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente (ex.: indiferença à dor/temperatura, fascinação por luzes ou objetos que giram). Os sinais precisam estar presentes no período inicial do desenvolvimento, ou seja, desde a primeira infância, mesmo que esses sinais não sejam percebidos pelos responsáveis nessa fase, pois podem não ser completamente evidentes até que as demandas sociais sejam mais requisitadas ao longo do desenvolvimento. Essas características causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida. Tais características não podem ser explicados melhor por outras condições que não o autismo. O porquê do aumento de casos de autismo no mundo Alguns fatores podem explicar o aumento da incidência de autismo. Alguns são: • Os critérios de diagnóstico mais bem definidos; • Profissionais mais qualificados; • Maior acesso à informação; • Maior acesso ao próprio diagnóstico. 1.2 CARACTERÍSTICAS COMUNS EM PESSOAS AUTISTAS As pessoas autistas apresentam o que chamamos de um desenvolvimento atípico, o que, por sua vez, acarreta um funcionamento também atípico. Esse funcionamento se dá por diferenças no que chamamos de Funções Executivas. Pessoas autistas têm o que chamamos de uma coerência central fraca, que é uma dificuldade de generalizar a compreensão em contextos em que são apresentadas muitas informações. Por exemplo, quando numa conversa a pessoa faz várias expressões faciais e corporais, a pessoa autista tem dificuldade de ler todas aquelas informações ao mesmo tempo em que presta atenção no que está sendo falado oralmente. Também há dificuldade de chegar em um ambiente e mapeá-lo como um todo com a visão, muitas vezes foca-se em algo específico. Aliás, focar em algo específico em detrimento ao todo é outra diferença que pessoas autistas costumam apresentar. Em contrapartida, há uma coerência central fraca, as pessoas autistas costumam ter uma coerência específica muito forte, o que significa que têm a capacidade de mirar nos detalhes que muitas vezes passam despercebidos por pessoas com desenvolvimento típico. Pessoas autistas também, por vezes, necessitam de um aprendizado mais explícito, ou seja, não costumam aprender implicitamente como pessoas de desenvolvimento típico. Às vezes, precisamos direcionar o que precisa ser feito, dar uma previsibilidade, mostrar o passo a passo, mesmo que algumas coisas pareçam óbvias. O processamento das informações das pessoas autistas também se dá de maneiras diferentes, muitas vezes, de maneira mais lenta. Então, é prudente que passemos informações diretas, frases curtas, sem figuras de linguagem e sem o acúmulo de informações todas de uma vez. Também é comum de que pessoas autistas tenham questões relacionadas a dificuldades no controle inibitório. Costumam ter maior impulsividade e podem reagir de maneira mais brusca a situações que não demandam tais respostas exacerbadas. Essas respostas podem vir em forma de agitação, sons como gritos ou até mesmo auto ou heteroagressão. Muito importante também notar as questões de inflexibilidade cognitiva. Ser muito resistente a mudanças e imprevisibilidades é comum nas pessoas com TEA. Dificuldades para esperar, ambientes desconhecidos, trajetos inusitados, pessoas que não sejam do convívio rotineiro e alterações em ambientes ou contextos previamente conhecidos podem ocasionar desregulações ou resistência. Ainda existem outras funções afetadas no autismo que vamos trabalhar tanto em nossa aula em vídeo, como em materiais de outros formadores de aulas mais adiante em nosso curso. Espero que aproveitem e aprendam muito com esta oportunidade e que consigam responder às perguntas de nosso questionário com facilidade. Mais do que isso, desejo que coloquem em prática seus novos aprendizados para um atendimento inclusivo com as pessoas da comunidade do autismo. MATERIAL DE APOIO: Explanação deste módulo pelo autor – https://www.youtube.com/watch?v=KRTIWoUosNE e-BOOK – TEA no Atendimento em Saúde: um cuidado específico com um olhar para o todo. https://drive.google.com/drive/folders/1icjUTcioqlZ45MI2zAKNdTucJMwBuKc1 MASTERCLASS – TEA: O que precisamos compreender - https://www.youtube.com/live/4tWiOUiXiYk?si=0U3PNZoj6p75jsc