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Química Geral e Inorgânica Aplicada À
Farmácia
MATÉRIA E ESTADOS FÍSICOS
A matéria é tudo aquilo que possui massa e ocupa
espaço. Ela se manifesta em três estados físicos
principais:
• Sólido – partículas muito próximas, vibrando em
posições fixas; forma e volume definidos; alta
densidade e compressibilidade desprezível.
• Líquido – partículas mais afastadas, com liberdade
de movimento; não possui forma própria; densidade
intermediária; compressibilidade baixa.
• Gasoso – partículas muito afastadas, movimento
livre; alta compressibilidade; expandem-se até ocupar
completamente o recipiente.
MUDANÇAS DE ESTADO
As transições físicas dependem da temperatura e da
pressão:
↳ Fusão (sólido → líquido)
↳ Solidificação (líquido → sólido)
↳ Vaporização/Ebulição (líquido → gasoso)
↳ Condensação (gasoso → líquido)
↳ Sublimação (sólido → gasoso)
↳ Deposição (gasoso → sólido)
Para substâncias puras, as temperaturas de fusão e
ebulição são constantes. A pressão altera
principalmente a ebulição: em altitudes elevadas, a
água ferve em temperaturas menores.
TEORIA ATÔMICA – EVOLUÇÃO HISTÓRICA
Na idade Antiga, Leucipo e Demócrito propõem a idéia
do átomo indivisível; Aristóteles defende matéria
contínua formada por quatro elementos (ar, água,
fogo e terra). Em 1661 Boyle rejeita a ideia dos quatro
elementos e propõe que as substâncias são
combinações de partículas. Após isso, em 1789
Lavoisier estabeleceu a Lei da Conservação da Massa.
Em 1799 Proust enunciou a Lei das Proporções
Definidas.
MODELOS ATÔMICOS
• Dalton (1808): átomo maciço, indivisível, explica leis
ponderais; átomos de um mesmo elemento possuem
mesmas massas.
• Thomson (1897): elétrons são descobertos; modelo do
“pudim de passas”.
• Rutherford (1911): o átomo possui núcleo denso e
positivo; eletrosfera quase vazia.
• Bohr (1913): elétrons distribuídos em níveis
energéticos; saltos quânticos.
• Modelo Quântico Atual: elétrons distribuídos em
orbitais, regiões de maior probabilidade;
comportamento dual (onda-partícula).
TABELA PERIÓDICA
A tabela periódica organiza os elementos químicos em
ordem crescente de número atômico. Ela reflete
padrões de propriedades químicas que se repetem ao
longo dos períodos e grupos.
SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO HISTÓRICOS
• Döbereiner (1829): tríades – grupos de três elementos
com propriedades semelhantes.
• Chancourtois (1862): Hélice Telúrica – disposição em
espiral segundo a massa atômica; percebe
periodicidade a cada 7 elementos.
• Newlands (1864): Lei das Oitavas – repetição de
propriedades a cada oito elementos.
• Meyer (1869): relaciona propriedades físicas e
valência; observa periodicidade em gráficos.
MENDELEEV E A TABELA MODERNA
Mendeleev organizou os elementos por massa
atômica, deixando lacunas para elementos ainda
desconhecidos. Ele previu corretamente propriedades
de gálio, germânio e escândio, fortalecendo a
aceitação de sua tabela. Sua estrutura atual possui
Períodos – linhas horizontais (níveis de energia) e
Grupos – colunas verticais (valores semelhantes de
elétrons na camada de valência).
PRINCIPAIS PROPRIEDADES PERIÓDICAS
↳ Raio atômico: diminui no período, aumenta no grupo.
↳ Energia de ionização: aumenta no período, diminui no
grupo.
↳ Afinidade eletrônica: tendência de ganhar elétron.
↳ Eletronegatividade: maior em ametais; menor em
metais.
↳ Caráter metálico: aumenta no grupo e diminui no
período.
GRANDEZAS QUÍMICAS
• Quantidade de matéria (mol): 1 mol = 6,022 × 10²³
partículas (constante de Avogadro).
• Massa atômica: baseada em 1/12 do carbono-12.
• Massa molecular: soma das massas atômicas dos
átomos na molécula.
• Massa molar: massa de 1 mol de substância em
gramas.
LEIS PONDERAIS
• Lavoisier: a massa se conserva nas reações químicas.
• Proust: os compostos apresentam proporções em
massa fixas entre seus elementos.
• Dalton: proporções múltiplas – quando dois
elementos formam mais de um composto, suas
massas se relacionam por números inteiros simples.
BALANCEAMENTO DE EQUAÇÕES
Baseia-se em igualar o número de átomos dos
elementos nos reagentes e produtos. Métodos:
inspeção direta, oxirredução, ion–eletrônico.
ESTEQUIOMETRIA
Relaciona quantidades de reagentes e produtos por
meio de proporções em mol, massa ou volume.
Segue-se o seguinte passo a paso:
1. Balancear a equação.
2. Converter dados em mol.
3. Usar proporção da reação.
4. Converter o resultado para a unidade final desejada.
LIGAÇÕES QUÍMICAS
A grande maioria das substâncias é formada por mais
de um átomo, com exceção apenas dos gases nobres,
que são monoatômicos. A forma como esses átomos
estão ligados influencia, em parte, as características
das substâncias. Uma ligação química é a junção de
dois átomos. Existem três tipos de ligação entre os
átomos: iônica, covalente e metálica.
REGRA DO OCTETO
Apenas os gases nobres são substâncias
monoatômicas. Os gases nobres são muito pouco
reativos ("nobres") devido às suas elevadas energias
de ionização e baixas afinidades eletrônicas. Todos os
gases nobres têm a camada de valência completa
(dois elétrons para o hélio e oito elétrons para os
demais).
Configuração eletrônica dos gases nobres:
Observou-se que, ao se ligarem, os átomos dos
demais elementos químicos ganham ou perdem
elétrons de modo a assumirem a mesma configuração
eletrônica de um gás nobre. Em 1916, Lewis e Kossel
concluíram que os átomos se tornariam estáveis
quando as suas camadas de valência estivessem
completas.
Regra do octeto: "durante a formação de uma ligação
química, os átomos se combinam ganhando,
perdendo ou compartilhando elétrons de forma que
adquirem a configuração eletrônica do gás nobre mais
próximo".
A regra do octeto serve como guia, aplicando-se bem
aos elementos representativos, mas possui exceções:
↳ Regra do dueto: hidrogênio e lítio se estabilizam com
2 elétrons de valência (Ex.: HCl, LiBr).
↳ Berílio: 4 elétrons de valência (BeH_{2}).
↳ Boro: 6 elétrons de valência (BF_{3}).
↳ Expansão do octeto: átomos como fósforo, enxofre,
iodo, criptônio e xenônio podem se estabilizar com 10
ou 12 elétrons (Ex.: PCl_{5}, SF_{6}).
↳ Moléculas com número ímpar de elétrons: estruturas
com elétrons desemparelhados, denominadas radicais
livres (Ex.: NO, NO_{2}).
ESTRUTURA DE LEWIS
Lewis propôs, em 1916, uma forma simples de
evidenciar os elétrons de valência dos átomos. Nesse
método, o símbolo de um elemento químico é rodeado
por pontos que correspondem aos seus elétrons de
valência.
Os elétrons isolados são usados para fazer ligações químicas com
outros átomos
Embora possam representar ligações de qualquer
substância, seu emprego é mais comum para
compostos covalentes.
LIGAÇÃO IÔNICA
A ligação iônica ocorre através da doação e recepção
de elétrons entre os átomos, que se transformam em
íons e se mantêm unidos eletrostaticamente.
● Ocorrência: Ligações iônicas ocorrem entre
átomos com 1, 2 ou 3 elétrons de valência
(metais) e átomos com 5, 6 ou 7 elétrons de
valência (ametais).
● Formação de íons: A perda de elétrons forma
cátions (íons positivos, M⁺), enquanto o ganho
de elétrons forma ânions (íons negativos, X⁻). A
Lista a carga do íon em função da família e do número de elétrons de
valência (Ex.: Metais alcalinos (1 elétron) formam +1; Halogênios (7
elétrons) formam –1). O íon H^+ não participa de ligações iônicas; ao
interagir com um ânion, forma-se uma ligação covalente.
● Força de atração: Cátion e ânion se atraem
eletrostaticamente, formando uma ligação
iônica, governada pela atração coulômbica
entre íons de cargas opostas.
● Estrutura: Os íons arranjam-se em um
aglomerado com forma geométrica definida,
denominado cristal.
● Construção de fórmulas: Compostos iônicos
são eletricamente neutros. Para obter a
neutralidade elétrica em íons de cargas
diferentes, utiliza-se o “cruzamento” das
cargas dos íons, onde a cargade um íon
transforma-se no índice atômico do outro.
Características dos Compostos Iônicos:
↳ Normalmente são sólidos cristalinos à temperatura
ambiente, Possuem baixa resistência ao impacto.
↳ Tendência a serem solúveis em água,
dissociando-se. Possuem elevados pontos de fusão e
de ebulição.
↳ Conduzem eletricidade quando fundidos ou
dissolvidos (eletrólitos), mas não quando sólidos.
LIGAÇÃO COVALENTE
Quando dois átomos precisam receber elétrons para
completar o octeto (átomos com 4 a 7 elétrons de
valência), a ligação iônica não é possível. Nesses
casos, ocorre a ligação covalente, na qual os elétrons
são compartilhados.
● Ocorrência: A ligação covalente acontece
entre ametais. (Existem casos menos
frequentes entre metais, ou entre metais e
ametais, como BeH_2 e HgCl_2) .
● Estabilidade: O compartilhamento de elétrons
permite que cada átomo tenha o equivalente a
uma camada externa completa (octeto),
correspondendo a uma configuração
eletrônica estável.
● Molécula: A substância em que todos os seus
átomos ligam-se uns aos outros
exclusivamente por ligações covalentes é
denominada molécula; é um erro usar esse
termo para designar compostos iônicos.
● Representação: O par de elétrons
compartilhado pode ser substituído por um
traço. Como na ligação de uma molécula de
hidrogênio: a representação H—H, onde o traço
representa o par de elétrons compartilhados.
Ligação Covalente Coordenada (Dativa):
Ocorre quando um átomo já estável
compartilha um par de elétrons com outro
átomo que ainda necessita de dois elétrons
para completar sua camada de valência.
Ligações Covalentes Múltiplas e Redes Covalentes:
Ligações Múltiplas: Mais de um par de elétrons pode
ser compartilhado: ligação simples (um par, Ex.: H_2),
ligação dupla (dois pares, Ex.: O_2), e ligação tripla
(três pares, Ex.: N_2).
Moléculas contendo ligações simples, dupla e tripla
Redes Covalentes: A ligação covalente permite a
formação de longas moléculas ou a formação de uma
estrutura em rede tridimensional com um número
muito grande e indeterminado de átomos,
denominada rede covalente
Tipos de Ligações Covalentes:
Uma ligação covalente se forma mediante a
sobreposição de orbitais, que pode ser de dois tipos:
● Ligação sigma (sigma): sobreposição frontal
de orbitai s.
● Ligação pi (pi): sobreposição lateral de
orbitais.
As interações entre os átomos ligados ficam mais
intensas à medida que o número de pares de elétrons
compartilhados aumenta, resultando na diminuição da
distância de ligação e no aumento da energia da
ligação Moléculas não são necessariamente neutras, e
muitos íons (íons poliatômicos) apresentam ligações
covalentes
Características dos Compostos Covalentes:
↳ Podem ser sólidos, líquidos ou gasosos à
temperatura ambiente
↳ Quando sólidos, normalmente são macios.
↳ Apresentam solubilidades em água muito variáveis.
↳ Possuem pontos de fusão e de ebulição
relativamente baixos.
↳ À exceção do grafite, não conduzem eletricidade
quando puros.
↳ Soluções aquosas de ácidos conduzem eletricidade.
TEORIA ÁCIDO-BASE
Em Química Inorgânica, as funções mais importantes
são os ácidos, as bases, os sais e os óxidos. A
similaridade nas propriedades químicas das
substâncias que pertencem à mesma função
origina-se de semelhanças estruturais — um átomo ou
conjunto de átomos em comum que lhes confere as
propriedades observadas.
ÁCIDOS
A palavra ácido deriva do latim acidus = azedo. O
volume de produção de ácido sulfúrico é um indicador
do nível de atividade econômica de um país.
Conceitos Históricos:
↳ Lémery (1680): A acidez seria causada por
"corpúsculos pontiagudos".
↳ Lavoisier (1776): Afirmou que todos os ácidos
deveriam conter oxigênio.
↳ Davy (cerca de 1810): Demonstrou que o HCl é
constituído apenas por hidrogênio e cloro,
contrariando Lavoisier.
↳ Liebig (cerca de 1838): Um ácido seria uma
substância contendo hidrogênio que poderia ser
substituído por um metal.
↳ Definição de Arrhenius (1887): "ácido é toda
substância que em solução aquosa sofre ionização,
produzindo como cátion exclusivamente o íon H^+". O
próton H^{+} associa-se à água, formando o íon
H_{3}O^{+} (hidrônio).
Propriedades: Têm sabor azedo. Podem ser sólidos,
líquidos ou gasosos, como o ácido benzóico é um
sólido cristalino, o ácido sulfúrico 98% é um líquido
incolor, enquanto que uma solução concentrada de
ácido clorídrico libera vapores da molécula.
Suas soluções aquosas são condutoras de corrente
elétrica, e reagem com bases, formando sal e água.
Podem ser classificados por:
Número de hidrogênios ionizáveis: monoácidos,
diácidos, triácidos, etc.. Em oxiácidos, o H ionizável é o
que está ligado ao O.
Presença de oxigênio: Hidrácidos (não oxigenados) ou
Oxiácidos (oxigenados).
Grau de ionização (alpha): O processo de formação
de íons é a ionização. São classificados em fracos
(alpha