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Qualidade Total – Benchamarking – Reengenharia Qualidade Total As organizações são sistemas abertos e precisam estar aptas a criar novas estratégias a cada nova contingência que surge. Ou seja, as organizações são instituições dinâmicas que, conforme o meio se modifica, elas precisam se adequar a ele; sem esquecer que podem também interferir nesse meio através de sua cultura, produtos e serviços ofertados. Como as organizações precisam ser eficientes, elas precisam ter clientes assíduos e fiés, pois eles são a principal fonte de receita através do consumo dos produtos e serviços produzidos por elas. Dessa forma, observou-se a importância de cuidar bem dos clientes, como também cuidar bem dos recursos, pois quando produtos defeituosos ou fora dos padrões previstos são colocados no mercado, os clientes não compram e as receitas obviamente diminuem. Mesmo que esses produtos defeituosos não sejam colocados no mercado, eles já deram prejuízo e distanciaram o alcance da tão almejada produtividade, eficiência e lucro. Logo, partindo do pressuposto de que a qualidade envolve uma série de processos, aproximando as organizações da sua eficiência, emerge a seguinte questão: como surgiu o conceito de Qualidade Total? Mas, como surgiu o conceito de Qualidade Total? Antes de prosseguirmos nesse contexto, que tal um teste tira-teima sobre qualidade? Será no mínimo divertido! Vamos lá responder as perguntas e ver o resultado e depois retomaremos à questão. Boa sorte. Para entender de forma contextualizada o conceito de Qualidade Total, responda ao questionário e ao final verifique o resultado: Como foi o resultado do teste? Ficou surpreso? Legal que você fez o teste. Vamos então retomar e entender como surgiu o conceito e os principíos da QUALIDADE TOTAL (QT). Nos primórdios da Revolução Industrial, já havia um embrião do que hoje entende-se como Qualidade Total, mas só após a primeira guerra é que emerge a preocupação em impedir que produtos defeituosos chegassem às mãos dos clientes. Pode-se dizer que nessa fase o controle de qualidade era concentrado na expedição dos produtos. Mais tarde, por volta da década de 1940, após a segunda guerra, através da indústria aeronáutica, a preocupação com a qualidade já começa a se expressar na linha de produção, TESTE TIRA TEIMA tentando evitar que produtos defeituosos fossem gerados, afinal, descobrir um defeito de fabricação depois de o avião levantar vôo, por exemplo, não era uma boa ideia. Esse controle durante o processo de produção levou o nome de GARANTIA DE QUALIDADE. Ainda nesse período, o Japão, destruído pela bomba atômica, e em busca de se recuperar, importou, utilizou e melhorou o sistema de Qualidade Total (QT) desenvolvido pelos americanos Deming e Juran. Por isso se fala tanto que os japoneses foram os precursores dos sistemas de QT, afinal, eles acreditaram mais na dupla americana do que nos próprios americanos. Esse sistema foi responsável pelo milagre japonês. Avançando um pouco mais no tempo e chegando à década de 1960, nota-se uma mudança significativa nos mercados mundiais. A produção cresceu e acelerou levando a um excesso de oferta de produtos, que por sua vez gerou uma cultura da exigência por parte dos clientes. Já que eles podiam escolher, eles de fato optam pelo que mais se encaixa às necessidades próprias. Em tempo, as empresas investem em altas tecnologias de produção, barreiras alfandegárias começam a cair e a competição internacional se intensifica. Nesse novo cenário, somente empresas que pudessem oferecer produtos diferenciados e a preços competitivos poderiam ser bem-sucedidas. Nos dias atuais, os conceitos de Qualidade Total estão arraigados tanto nas indústrias como no comércio, nos serviços, na agropecuária, nas grandes, médias e pequenas empresas e devem expressar como sinônimo de melhores resultados, desempenho e principalmente possibilidades de crescimento. Depois de tanta explicação sobre como começou a falar e utilizar qualidade, você deve estar se perguntando: - E, afinal, o que é qualidade? Qual a definição de qualidade total? Segundo Maximiano, 2012, podemos ver qualidade sobre vários aspectos, como por exemplo: É claro que a primeira vista, esse é um conceito extremamente amplo, que deixa margens e muitas dúvidas e interpretações, pois o que pode ser bom para um cliente pode não ser para outro! Sendo assim, por tamanha subjetividade, o conceito de QUALIDADE deve ser bem estudado e trabalhado, buscando sempre conhecer a fundo o que a maioria dos clientes quer o que eles realmente esperam do que estão pagando. E isso é plenamente viável, visto que independente das individualidades, as pessoas dentro das sociedades têm comportamento similar. Para alcançar essa tal qualidade, as empresas precisam buscar posicionamentos e doutrinas que associem qualidade total a todo o processo produtivo. As empresas precisam viver num universo sem erros. Não que eles não possam ocorrer, mas é fundamental se posicionar no sentido de não Todos esses conceitos chegam a um denominador comum que se chama CLIENTE. E é ele quem vai dizer se o produto tem ou não qualidade, pois definitivamente, entende-se que: “Ter QUALIDADE é atender plenamente às expectativas de seus clientes e, se possível, superá-las”. se admitir convívio pacífico com os erros. Para isso é necessário respeitar quatro elementos básicos no contexto de QT: Quanto menor o número de falhas, mais alta é a qualidade do ponto de vista da ausência de deficiência, pois gera maior eficiência dos recursos produtivos, maior satisfação dos clientes e menores custos de inspeção. E por falar em custo, vale a pena ressaltar que, apesar de muitos não acreditarem, mais qualidade custa menos. Devemos entender que existe um custo implícito nos processos produtivos chamado de custo da não qualidade. Esse custo quer dizer que mesmo requerendo elevados investimentos para ser alcançada e mantida, a qualidade é mais barata quando desenvolvida de forma preventiva do que quando buscada de forma “curativa”. Observe no quadro abaixo os custos associados à qualidade e à não qualidade: AS PESSOAS Precisam estar satisfeitas e motivadas. Devem conhecer o processo produtivo. OS EQUIPAMENTOS Precisam estar adequados ao objetivo (produto) final. Não podem atrapalhar as pessoas. AS INFORMAÇÕES Envolvem cultura organizacional. Envolvem comunicação interna e externa. AS METAS O que queremos alcançar em cada etapa do processo de produção. Estabelecer metas possíveis, mas desafiadoras. Renovar sempre a meta quando a anterior for alcançada. CUSTO DA QUALIDADE CUSTO DA NÃO QUALIDADE CUSTO DE PREVENÇÃO CUSTO DE AVALIAÇÃO CUSTO INTERNO DOS DEFEITOS CUSTO EXTERNO DOS DEFEITOS Custo de evitar a ocorrência de erros Custo para aferir a qualidade do sistema de produção de bens e serviços Custo dos defeitos que são identificados antes de os produtos e serviços serem expedidos para o cliente Custo dos defeitos que ocorrem depois que o produto ou serviço chega ao cliente Planejamento do controle da qualidade Mensuração e teste de matérias-primas e insumos de produção Matéria-prima e produtos refugados Cumprimentos das garantias oferecidas as clientes Ainda com relação a custos, Juran também percebeu que os altos executivos das empresas eram um pouco relutantes em obter iniciativas e investimentos vinculados à melhora da qualidade, porque não percebiam as vantagens financeiras em fazer isso e não incorporavam as ideias contidas no grande guarda-chuva do Total Quality Management (TQM), que podem ser identificadas como: Não só seguir os padrões para atender bem aos clientes e gerar menores custos, mas também para atender a determinadas normas os processos são importantes dentro do sistema de QT. Observe que como a qualidade é algo pouco tangível, ela propiciou que diferentes profissionais de diferentes áreas e com diferentes formações sugerissem conceitos diferentes de sistemas de qualidade. Essa diversidade de padrões gerava, por exemplo, um retrabalho na recepção de matéria-primanas indústrias, pois elas precisavam conferir toda matéria-prima que chegava à fábrica, antes que ela entrasse no processo produtivo, para garantir que estavam no padrão solicitado e evitar danos na produção. Para evitar esse custo e não comprometer a qualidade, foi criado um método de qualidade assegurada através de um movimento no qual participam governos, associações e instituições ligadas às empresas. CUSTO DA QUALIDADE CUSTO DA NÃO QUALIDADE Treinamento para qualidade Aquisição de equipamentos especiais para avaliação de produtos Retrabalho de produtos Perda de encomendas Desenvolvimento de fornecedores Atividade de controle estatístico de processos Modificações nos processos produtivos Procesamento de devoluções Desenvolvimento do sistema de produção Inspeção Perda de receita Custo de processos nos organismos de defesa do consumidor Manutenção preventiva Tempo de espera dos equipamentos parados para correções Comprometimeno da imagem Pressa e tensão para entrega de produtos corrigidos ou retrabalhados Perda de clientes e de mercados Total em qualidade total quer dizer que todos os colaboradores e setores da empresa precisam estar envolvidos e assumir responsabilidades com a geração de produtos e serviçoes livres de defeitos. A ênfase deve sair da inspeção do produto final para o controle do processo produtivo, para que o produto final saia correto da primeira vez. Uso de métodos matemáticos e estatísticos para controles estatístico dos processos em oferecer certezas com relação a dados quantitativos e qualitativos. Adoção de metas como “zero defeito”, que, mesmo sendo inatingíveis, servirão como estímulo ao melhoramento contínuo. Maximiano (2012) relata que o método da qualidade assegurada consiste em exigir dos fornecedores que implantem sistemas de qualidade, os quais serão auditados periodicamente pelos compradores, ou seja, nesse sistema não são os produtos que são inspecionados, mas o sistema produtivo. Esse padrão que define os requisitos do sistema chama-se ISO 9000. A palavra ISO vem do grego “isos”, que significa igual, ou seja, padronização de produção. A empresa apresenta o produto e o sistema utilizado para produzir e, a partir daí, deverá manter o padrão determinado para que os clientes possam se sentir seguros quanto à utilização desse produto, sendo ele matéria-prima ou produto final. A qualidade total não visa apenas manter os produtos no seu padrão original para sempre. É possível melhorar, inovar e até criar subprodutos dos originais. Todos esses serão enquadrados nos seus próprios padrões. E vale ressaltar que a ISO não acompanha produtos, mas as melhores práticas, os melhores serviços e processos. Benchmarking Acabamos de falar sobre a ISO dar garantia de qualidade a processos, práticas e serviços. Existem empresas que se tornam referência em algumas práticas e ganham vantagem competitiva no mercado. Essa referência pode ser utilizada por outras empresas. Isso se chama benchmarking. Benchmarking, portanto, é uma técnica que consiste em fazer comparações e procurar imitar as organizações concorrentes ou não, do mesmo ramo, ou não, que tenham práticas de administração que são referência. Benchmarking é o padrão a ser copiado quando se redesenha um processo. A empresa precurssora do benchmarking foi a XEROX. O chefe da equipe de logística da empresa em 1989 começou a utilizar da engenharia reversa (adquirem-se e desmontam-se produtos da concorrência para descobrir como são feitos), para buscar acelerar o processo de aprendizagem organizacional, pois estavam extremamente preocupados com novos concorrentes no mercado de copiadoras como a japonesa Canon, que já demonstrava um desempenho superior. Deu-se nome a esse procedimento de benchmarking competitivo, mas rapidamente percebeu-se algumas desvantagens na sua utilização: Hoje o benchmarking é uma ferramenta de alcance muito mais amplo do que apenas nesse modelo competitivo, que vamos detalhar ainda mais, e envolve outros modelos tais como: O acesso era difícil, pois as empresas não tinham interesse em compartilhar práticas e informações com receio de deixar escapar alguma fonte de vantagem competitiva. Se a única fonte de informação é a concorrência, haveria possibilidade de se igualar a eles, mas não superá-los. Interno: Esse modelo busca que uma empresa não funcione como uma constelação de operações independentes, mas efetivamente como uma corporação onde as boas práticas sejam compartilhadas entre os setores, departamentos e unidades, mesmo que geograficamente distantes. Para se identificar boas práticas, pode-se avaliar desempenho em quesitos como giro de estoque, tempo de produção, de entrega e avaliar quais setores têm o melhor desempenho e fazer com que cada um compartilhe suas melhores práticas com os outros. Reengenharia Todos esses processos do quais falamos acima estão vinculados ao que chamamos de processos de melhoria contínua, pois buscam que as organizações estejam à frente dos seus concorrentes, sempre inovando em termos da qualidade e garantindo suas posições de mercado. Qualidade Total, benchmarking precisam de um suporte que modifiquem os processos produtivos em busca das melhorias propostas. Na década de 1980, a reengenharia foi um marco para a administração no que tange a aprimoramento de processos. Hammer, o precursor do sistema, insistia que a automação surgiu e não foi bem aplicada, pois ela apenas automatizava processos arcaicos enquanto as organizações precisavam era de novos modelos de produção, ou seja, reengineer. A Reengenharia significa uma mudança radical no processo produtivo, um redesenho radical dos processos para obtenção de resultados mais drásticos e em prazos mais curtos. Gráfico de incrementos radicais Funcional: Se as organizações buscam superar seus concorrentes, é claro que as informações sobre melhorias não poderão vir apenas dos concorrentes efetivos, mas poderão vir de outros membros dentro da economia. Por exemplo, hospitais e hotéis podem trocar expertise de hospedagem, gráficas de convites e folhetos podem fazer benchmarking com jornais, companhias aéreas com empresas de ônibus, medicamentos com produtos de beleza, indústria automobilística com indústria aérea, logística com aluguel de carro e aluguel de carro com aluguel de equipamentos para eventos etc. Nesse tipo de benchmarking, a ideia é identificar os melhores, não no setor, mas sim na função e, não apenas no seu território, mas no mundo inteiro. Competitivo: Como já foi rapidamente falado, esse modelo foca na avaliação do desempenho dos concorrentes. Por incrível que pareça, essa é uma prática mais usual do que se imagina, pois as empresas conseguem garantir seu sigilo, mas trocam informações entre elas numa proporção maior do que pensamos. Além disso, muitas empresas disponibilizam determinadas quantidade de informações relevantes para os clientes e nos seus próprios sites, prospectos, associações de classe e outras fontes. A busca nesse caso não será para superar o concorrente, mas pelo menos para acompanhá-lo no seu melhor desempenho. Esse modelo de reengenharia como um incremento radical nos processos produtivos envolve uma prévia análise do sistema existente, identifica os pontos fortes e fracos e propor um novo desenho ou formato mais eficiente. Esse novo processo precisa ser monitorado para que seja avaliada a eficiência assim como para identificar novas formas de aprimoramento. Na verdade, esse sistema não trouxe nada de muito novo e, por isso, muitos autores criticavam dizendo que era um modismo e apontaram várias críticas ao modelo: Alguns princípios da reengenharia continuam existindo e sendo aplicados nos dias atuais, porém as organizações preferem chamar de aprimoramento de processos e os desenvolvem de uma forma menos radical e mais progressiva. Todos esses modelos que buscam melhor desempenho, melhor qualidade, menores custos proporcionais são desenvolvidos nas organizações, porém o importante é adaptar os sistemas aos modelos organizacionais, àsculturas e ao ambiente em que estão inseridas. Respeitar a personalidade da organização e adequar as suas possibilidades às melhores práticas são considerados pelos autores, as melhores formas de se obter sucesso em termos comerciais, rentáveis, motivacionais e com perspectivas crescentes de perpetuação. Na prática, as empresas buscavam através da reengenharia reduzir custos, especialmente por meio de diminuição de equipe. Isso gerou uma vinculação da palavra reengenharia com demissões em massa. Os riscos num processo de mudança radical são muito grandes quando se pensa em identidade e estrutura organizacional. Os benefícios nem sempre compensavam os riscos. Atividade Abaixo você encontra dois gráficos. O primeiro gráfico representa a visão de alguns executivos relutantes em adotar iniciativas de qualidade total por acreditarem que os únicos custos envolvidos seriam o Gráficos de custo da qualidade. de prevenção e inspeção. O segundo gráfico demostra outra visão sobre custos, vantagens e benefícios em utilizar o sistema de TQM ou TQ. Compare os dois gráficos, relacione os custos envolvidos e explique as vantagens de se utilizar o sistema de QT sobre a ótica financeira.