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2.2 Tipos de atuação mencionados: alunos, famílias, professores e gestão 
A análise da entrevista realizada com o psicólogo escolar atuante no Serviço 
Social da Indústria (SESI) evidencia uma prática profissional que se organiza a partir 
de múltiplos eixos de atuação, abrangendo alunos, professores, famílias e gestão 
escolar. Tal configuração revela um modelo de intervenção que se distancia de 
abordagens individualizantes e se aproxima de uma perspectiva institucional e 
preventiva. 
No que se refere à atuação com os alunos, observa-se a centralidade da 
escuta qualificada e do acolhimento das demandas emocionais e escolares. 
Conforme relatado na entrevista, as demandas mais frequentes são principalmente 
relacionais, emocionais e pedagógicas, incluindo situações de ansiedade, baixa 
autoestima, luto e conflitos interpessoais (2026, informação verbal). Trata-se de uma 
prática que reconhece a complexidade do sujeito em processo de escolarização, 
afastando-se de uma leitura reducionista das dificuldades de aprendizagem. 
Essa perspectiva está em consonância com a crítica de Barbosa e 
Marinho-Araújo (2010), ao afirmarem que a compreensão dos problemas escolares 
deve ultrapassar o foco exclusivo no indivíduo e considerar as relações 
estabelecidas no contexto educacional. As autoras destacam que a atuação 
tradicional da psicologia escolar esteve historicamente associada a práticas 
classificatórias e diagnósticas, voltadas à identificação de déficits individuais. 
Nesse sentido, pode-se afirmar que: 
“A principal característica da atuação em psicologia escolar durante a 
primeira metade do século XX foi o caráter remediativo com o qual se 
tratavam os problemas de desenvolvimento e aprendizagem” (Barbosa; 
Marinho-Araújo, 2010, p. 395). 
A prática observada na instituição pesquisada demonstra um movimento de 
superação desse modelo, ao priorizar intervenções que consideram o estudante em 
sua totalidade e inserido em um contexto social e institucional mais amplo. 
No que tange à atuação com os professores, o psicólogo escolar exerce uma 
função de suporte e mediação, auxiliando na compreensão das demandas 
emocionais e comportamentais dos alunos. Conforme relatado, o trabalho com 
 
docentes envolve orientação diante de situações que emergem no cotidiano escolar 
(2026, informação verbal). Essa atuação favorece a construção de estratégias 
pedagógicas mais sensíveis à diversidade e às singularidades dos estudantes. 
Tal prática se aproxima do que Gesser et al. (2016) propõem ao enfatizar a 
importância da construção coletiva no ambiente escolar. Segundo os autores, a 
atuação psicológica deve promover espaços de reflexão que possibilitem a 
ressignificação das queixas escolares e a elaboração de novas estratégias de 
intervenção. Nesse sentido: 
As situações trazidas pelos participantes [...] eram problematizadas com o 
intuito de desafiá-los a construir novas estratégias [...] sempre voltadas à 
perspectiva da construção de processos educativos inclusivos” (Gesser et 
al., 2016, p. 393). 
No âmbito da gestão escolar, observa-se a inserção do psicólogo como 
agente participante das dinâmicas institucionais, colaborando com a coordenação e 
com os setores pedagógicos. Essa atuação se concretiza na elaboração e execução 
de projetos preventivos, como o protocolo denominado Ambiente Positivo de 
Aprendizagem (APA), além de atividades como palestras, rodas de conversa e 
programas voltados ao desenvolvimento socioemocional (2026, informação verbal). 
Essa inserção institucional reforça a compreensão de que o psicólogo escolar 
deve atuar como membro efetivo da comunidade educativa. Conforme destacam 
Barbosa e Marinho-Araújo (2010), a atuação contemporânea da psicologia escolar 
demanda uma maior integração com o cotidiano da escola, superando o papel de 
especialista externo e assumindo uma posição articuladora dentro da instituição. 
Por fim, no que se refere à atuação com as famílias, o trabalho do psicólogo 
escolar se caracteriza pelo acolhimento, orientação e, quando necessário, 
encaminhamento para outros serviços. Entretanto, a entrevista evidencia que a 
baixa participação familiar constitui um dos principais desafios enfrentados no 
contexto escolar (2026, informação verbal)Ainda assim, a literatura aponta que a 
articulação entre escola e família é fundamental para o sucesso dos processos 
educativos, uma vez que o desenvolvimento do aluno é influenciado por múltiplos 
contextos. Dessa forma, a atuação do psicólogo escolar junto às famílias 
configura-se como elemento essencial para a construção de uma rede de apoio 
efetiva. 
	2.2 Tipos de atuação mencionados: alunos, famílias, professores e gestão

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