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UNIVERSIDADE PAULISTA ( UNIP ) CURSO SUPERIOR DE GRADUAÇÃO PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR 2º SEMESTRE Nome: Emanuelle Henrique Aguiar RA: 2549221 VILA VELHA ES INTRODUÇÃO Prática Componente Curricular (PCC), tem como objetivo central integrar e aplicar os conhecimentos teóricos adquiridos nas disciplinas de Anatomia, Biologia (Citologia) e Comunicação e Expressão. A proposta consiste em planejar, executar e analisar atividades práticas nas áreas de Recreação, Ginástica Geral e Ritmo e Dança. O foco da análise está na observação detalhada da execução dos movimentos, identificando as dificuldades apresentadas em termos de coordenação motora. Além disso, o relatório explora o funcionamento do sistema nervoso e muscular do participante durante cada atividade, estabelecendo a conexão entre a prática corporal e as bases fisiológicas e biológicas do movimento humano. Por fim, o presente documento está estruturado para atender a todos os questionamentos propostos no roteiro da atividade, fornecendo uma descrição completa do processo e dos resultados obtidos. ATIVIDADE DE RECREAÇÃO A atividade escolhida foi a Amarelinha, um jogo tradicional que exige coordenação motora, força explosiva e equilíbrio. Foi desenhado um diagrama de dez casas no chão, numeradas de 1 a 10. A participante iniciou o jogo lançando o marcador (pedra) na casa 1 e, em seguida, saltando com um ou dois pés nas casas subsequentes, de acordo com o diagrama. Os movimentos requeridos incluem o salto e a aterrissagem em um pé só, a mudança rápida do padrão de salto (pés juntos para um pé só) e o agachamento para recuperar o marcador. O objetivo era completar todo o percurso sem pisar nas linhas, sem perder o equilíbrio e sem errar o alvo. O público-alvo foi uma mulher adulta de 28 anos, sem prática esportiva regular de alta intensidade, mas com bom nível de saúde geral. A participante é sedentária em seu cotidiano, mas possui bom entendimento das regras e demonstrou entusiasmo com a atividade lúdica. A Amarelinha foi escolhida por ser uma atividade que, embora simples, solicita diversas capacidades motoras fundamentais que tendem a se deteriorar com o sedentarismo adulto, como o equilíbrio estático e dinâmico, a coordenação óculo-manual (ao arremessar o marcador) e a coordenação intersegmentar (coordenação entre braços e pernas). Dificuldades Observadas: • Equilíbrio Estático em um pé: Foi a maior dificuldade. Ao aterrissar em um pé só (casas 1, 4, 7 e 10), a participante demonstrou tremores e precisou de alguns instantes para estabilizar o corpo, muitas vezes recorrendo ao movimento rápido dos braços para manter o centro de gravidade. • Coordenação de Saltos: Observou-se dificuldade em coordenar a transição rápida de salto com dois pés (casas 2-3, 5-6, 8-9) para o salto com um pé (casas isoladas), resultando em aterragens ruidosas e desalinhamento da coluna e quadril. • Força Explosiva: A força para o salto era limitada, fazendo com que a participante precisasse de um tempo de contato maior com o solo a cada impulsão. ATIVIDADE DE GINÁSTICA GERAL O elemento corporal escolhido foi o Rolamento para Frente (Cambalhota). A atividade foi realizada em uma superfície macia. A participante foi instruída a: iniciar em pé, agachar, apoiar as mãos no chão (braços estendidos), projetar a cabeça entre os braços, encostar o queixo no peito (posição de "bolinha"), impulsionar o corpo para a frente usando as pernas e rolar sobre a coluna (nuca/ombros), terminando em pé. O objetivo era realizar um rolamento contínuo e suave, demonstrando controle da postura e utilização adequada da flexão do corpo para proteger a coluna cervical. A mesma participante mulher de 28 anos. Para esta atividade, o histórico de ausência de lesões cervicais ou lombares foi confirmado antes da execução. O Rolamento para Frente foi escolhido por ser um movimento fundamental da Ginástica Geral que exige flexibilidade, coordenação dinâmica e orientação espacial. Ele é um excelente indicador de como o adulto lida com a perda temporária do controle visual e a necessidade de coordenar o corpo em rotação. Dificuldades Observadas: • Projeção da Cabeça: A principal dificuldade foi a falta de flexão do pescoço (não encostou o queixo no peito), o que a fez apoiar a cabeça no chão em vez de rolar sobre a região da nuca/ombros. Isso pode ser um reflexo da rigidez cervical comum em adultos e da falta de confiança em proteger a cabeça. • Posição de "Bolinha": A participante não conseguiu manter a postura de "bolinha" (corpo fletido e agrupado) durante a rotação, o que resultou em um rolamento menos suave e uma dificuldade maior de terminar em pé. • Controle do Impulso: Observou-se um impulso inicial excessivo, seguido de uma desaceleração brusca, indicando dificuldade em dosar a força de projeção (coordenação da força). ATIVIDADE RITMO E DANÇA Foi proposta uma Sequência de Passos Básicos de Salsa. A sequência consistiu em: 4 tempos de passo básico frontal (frente-atrás, trocando o pé de apoio) e 4 tempos de passo lateral (lado-lado). O foco foi na transferência de peso e na dissociação dos movimentos dos pés e quadris, mantendo o ritmo musical constante. A mesma participante disse que o histo rico de dança e limitado, com pouca experie ncia em ritmos latinos ou que exijam dissociaça o corporal. Salsa Básica foi escolhida pois é um excelente exercício de ritmo e coordenação intersegmentar (pés/quadril). O movimento requer que a participante mantenha um tempo rítmico constante (coordenação rítmica) enquanto transfere o peso e move o quadril (dissociação). Dificuldades Observadas: • Sincronização Rítmica: A maior dificuldade foi manter a sincronia exata com a música. A participante tendia a adiantar ou atrasar o tempo, perdendo o beat nos passos laterais. • Transferência de Peso e Dissociação: A transferência de peso era abrupta e não suave, e havia uma dificuldade significativa em dissociar o movimento do quadril do movimento dos pés. O corpo se movia como um bloco único, sem a fluidez característica do ritmo. • Memória Motora: Foi necessário repetir a sequência várias vezes, indicando um tempo de resposta mais lento para a assimilação da nova coordenação motora (agilidade mental-motora). ANALISE TEÓRICA Durante as atividades de Recreação (Amarelinha), Ginástica Geral (Rolamento) e Dança (Salsa), o Sistema Nervoso e o Sistema Muscular da participante foram recrutados em diferentes níveis e modos: 1. Sistema Nervoso: • SN Central : O Cérebro atua no planejamento motor consciente (tomada de decisão) e o Cerebelo atua no controle da postura, do equilíbrio e na coordenação fina dos movimentos. As dificuldades observadas na Amarelinha (equilíbrio) e no Rolamento (orientação espacial) refletem uma menor eficiência do Cerebelo em ajustar rapidamente a postura e integrar informações próprias vestibulares (o sentido da posição e do equilíbrio corporal). O SN também está envolvido no arco reflexo de defesa no Rolamento, causando a rigidez e a falha em fletir o pescoço (reação de proteção da cabeça). • Plasticidade Neural: A dificuldade na sincronização rítmica e na memória motora (Salsa) reflete a necessidade de criar novas sinapses (conexões neurais) para um padrão motor desconhecido, um processo que é mais lento no adulto que não tem prática regular. CONCLUSÃO Realização das atividades propostas na Prática como Componente Curricular permitiu compreender, de forma integrada, como os conhecimentos teóricos das disciplinas de Anatomia, Biologia e Comunicação e Expressão se manifestam na prática corporal.A análise das três propostas — Recreação (Amarelinha), Ginástica Geral (Rolamento para Frente) e Ritmo e Dança (Salsa) — evidenciou que a coordenação motora, o equilíbrio, a flexibilidade, a dissociação de movimentos e a percepção rítmica dependem diretamente da interação eficiente entre o Sistema Nervoso e o Sistema Muscular. As dificuldades observadas ao longo das atividades demonstram que a falta de prática motora regular influencia diretamente a execução dos movimentos, exigindo maior recrutamento neural, mais tempo de adaptação e maior esforço muscular para manter controle postural e precisão. Ao mesmo tempo, as atividades mostraram a importância da plasticidade neural, destacando que, mesmo diante de limitações iniciais, a repetição e a vivência prática possibilitam avanços progressivos. Dessa forma, a PCC cumpriu seu objetivo ao permitir a aplicação dos conteúdos estudados, fortalecendo a relação entre teoria e prática e mostrando como o movimento humano é resultado de processos biológicos complexos, que podem ser desenvolvidos e aprimorados com orientações adequadas e experiências corporais diversificadas. CONSIDERAÇÕES FINAIS A realização desta PCC ajudou a entender, na prática, como o corpo funciona durante diferentes tipos de movimentos. As atividades de Recreação, Ginástica Geral e Ritmo e Dança mostraram que coisas como equilíbrio, coordenação, força e ritmo dependem tanto dos músculos quanto do sistema nervoso trabalhando juntos. Foi possível perceber que algumas dificuldades apareceram por falta de prática, mas também que, com repetição e orientação, o corpo vai se ajustando e aprendendo novos movimentos. Essa experiência contribuiu muito para conectar o que foi estudado nas aulas com situações reais, tornando o aprendizado mais claro e significativo.