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Gênero e raça: questões para pensar Objetivo Sobre ser mulher e ser homem Violência contra mulheres Importância da amamentação e apoio do BNDES Discriminação racial Canais de denúncia institucionais Canais de denúncia externos Conclusão Fontes consultadas 5 7 11 15 19 23 27 31 35 I II III IV V VI VII VIII IX Sumário 5 I Objetivo Esta cartilha visa orientar os(as) empregados(as) de empresas contra- tadas pelo BNDES, que atuam em suas unidades, sobre como contri- buir para a eliminação de desigualdades entre mulheres e homens e para a erradicação da discriminação racial. A cartilha foi elaborada em acordo com os princípios e diretrizes da Política de Equidade de Gênero e Valorização da Diversidade, do Có- digo de Ética e demais normativos do BNDES. 7 II Sobre ser mulher e ser homem É fácil perceber, em nosso convívio social, que existem muitas ideias preconcebidas que atribuem características, habilidades e respon- sabilidades diferentes para homens e mulheres e as dividem em “o que é ser mulher” e “o que é ser homem”. Assim, a racionalização, a força física, a sensatez e a capacidade de decisão e de comando são frequentemente associadas às habilidades masculinas, enquanto afetividade, doçura, indecisão e inconstância são associadas ao com- portamento feminino. De acordo com essas características, as mulhe- res estariam mais aptas a assumir posições de assessoria ou que não exijam habilidades de comando. Esse tipo de discriminação é sutil e, muitas vezes, nem é percebido por quem pratica. 98 Todas as formas de preconceito contribuíram para a situação atual em que as mulheres, apesar de ocuparem os mais variados espaços pro- fissionais, ainda são pouco representadas em posições de comando. Da mesma forma, os trabalhos domésticos (cozinhar, limpar a casa e cuidar das crianças e dos idosos) ainda são, em muitos casos, atribuí- dos unicamente às mulheres porque a sociedade assume de antemão que são de responsabilidade delas. É importante dizer que também os homens podem ser prejudicados por essas ideias preconcebidas sobre o que se espera deles. A exi- gência de serem fortes e racionais o tempo todo faz, muitas vezes, os homens terem dificuldades para lidar com as próprias emoções, vergonha de chorar e de buscar apoio ou mesmo ajuda médica ou psicológica quando necessitam. Também acabam tendo pouco con- vívio e pouca oportunidade de se relacionar mais proximamente com seus filhos e podem sentir-se extremamente humilhados quando não conseguem ser o principal provedor financeiro da família. Por tudo isso, é preciso que todos(as) revejam suas ideias preconce- bidas sobre o que cabe aos homens ou às mulheres e estejam mais abertos(as) a buscar a liberdade de ser o que quiserem, sem achar engraçado ou estranho quando um homem põe um avental, busca as crianças na escola etc. A maior igualdade de oportunidades no ambiente de trabalho e na sociedade em geral também deve ser fir- memente defendida por todos(as). Para pensar Quantas vezes você já ouviu alguém dizer: “Tá nervosa? Tá de TPM?” ou “A única coisa que a mulher sabe pilotar bem é o fogão”? Por que as mulheres são alvo de comentários dessa natureza? Se hoje, no Brasil, as mulheres têm mais escolaridade do que os homens, por que elas não ocupam o topo da hierarquia das empresas em maior número? Pense nas tarefas que você faz em casa. Se hoje homens e mulheres têm jornadas extensas de trabalho e dividem o orçamento familiar, por que não compartilhar também as ta- refas domésticas? Você sabia que identidade de gênero é diferente de orientação sexual? Identidade de gênero é como a pessoa se identifica. Há quem se reconheça como homem, mulher, ambos ou ne- nhum gênero. Quando a pessoa se identifica com seu gêne- ro biológico, é chamada de cisgênero. Quando se identifica com gênero diferente, é chamada de transgênero. Já a orien- tação sexual depende do gênero pelo qual a pessoa desen- volve atração sexual ou sentimental, podendo ser homosse- xual (atração por alguém do mesmo gênero), heterossexual (atração por pessoa de outro gênero) ou bissexual (atração por ambos). 1110 III Violência contra mulheres As ideias preconcebidas sobre as mulheres ajudam a reforçar sua po- sição de menor poder e participação na sociedade e contribuem para o aumento dos números que as apontam como vítimas de um alto índice de violência (em 2013, foram 13 assassinatos diários de mulhe- res e metade desses cometidos por familiares). Por isso, é importante conhecer a Lei Maria da Penha (Lei n° 11.340/ 2006), que define que a violência contra a mulher é crime e aponta formas de evitar, enfrentar e punir a agressão. Vale citar que, além da violência física, são consideradas violências contra a mulher: • Violência emocional ou psicológica: isolamento, constrangimento, vigilância constante e insulto. 1312 • Violência sexual: manter uma relação sexual não desejada por meio da força, impedir que a mulher use métodos contraceptivos ou forçar o casamento. • Violência patrimonial: destruição ou subtração de seus bens, recursos econômicos ou documentos pessoais. • Violência moral: fazer comentários ofensivos na frente de pessoas estranhas e/ou conhecidas; expor a vida íntima do casal para outras pessoas, inclusive nas redes sociais. Essa lei serve para proteger a mulher que está sofrendo violência e permite que juízes(as) possam conceder as chamadas “medidas pro- tetivas de urgência”. Essas medidas podem exigir que o agressor seja afastado do lar e/ou proibido de se aproximar da vítima e ainda po- dem determinar o encaminhamento desta para programa de prote- ção ou atendimento. Como muitas vezes a mulher depende econo- micamente da pessoa que a agride, juízes(as) podem determinar o pagamento de pensão para a mulher e/ou filhos(as). A Lei Maria da Penha garante ainda a inclusão da mulher que sofre violência doméstica e familiar em programas de assistência promovi- dos pelo governo, atendimento médico, serviços que promovam sua capacitação, geração de trabalho, emprego e renda e, caso a mulher precise se afastar do trabalho por causa da violência, ela não poderá ser demitida pelo período de até seis meses. Para pensar Você já se deu conta de que a violência pode ter várias for- mas e às vezes é invisível? No entanto, todas as formas são graves e devem ser enfrentadas e denunciadas! 1514 IV Importância da amamentação e apoio do BNDES O BNDES e a FAPES, no esforço de criar condições que favoreçam a conciliação da maternidade com a carreira profissional e, portan- to, também o alcance mais igualitário às oportunidades de trabalho, criou um espaço adequado, em suas dependências, para retirada e acondicionamento do leite materno, de modo que as mães traba- lhadoras possam prorrogar o tempo de aleitamento. Com isso, suas empregadas e as colaboradoras das empresas prestadoras de serviço ao BNDES e do Cedserj podem manter a produtividade e preservar sua saúde e a de seu(sua) filho(a). 1716 Trata-se do Espaço Deleite, que é uma sala de apoio à amamentação para acolher as mães que retornam ao trabalho após a licença-mater- nidade. Para que a colaboradora tenha acesso ao Espaço Deleite, ela deve procurar a assistente social do prédio em que trabalha (Edserj ou Ventura) para a inclusão de seu nome na lista de frequência e con- trole de acesso à sala de amamentação. É preciso que o(a) gestor(a) esteja consciente da importância dessa pausa, e que não pressione a colaboradora a ficar em seu posto de trabalho quando ela precisar fazer a retirada de leite. Isso é importante para a saúde da criança e também para a saúde da colaboradora, já que o excesso de leite nas mamas causa desconforto e/ou sensação de dor e pode haver febre. O(a) gestor(a) que valoriza a saúde de sua equipe contribui para o bom clima organizacional e para o melhor trabalho no longo prazo. Para pensar...Por que negar que o organismo de uma mãe continue pro- duzindo leite para o(a) filho(a), se vários estudos comprovam os benefícios para a saúde de ambos(as) quando se prolonga o aleitamento? Por que o respeito a essa condição não pode ser compatível com o desempenho no trabalho? 1918 V Discriminação racial No Brasil, geralmente quando se fala em raça, refere-se às relações sociais entre negros(as) e não negros(as) que são termos adotados para identificar a população afrodescendente, mas a questão inclui também a população indígena e de outras etnias e nacionalidades. O passado colonial e escravocrata da história de nosso país gerou desi- gualdades sociais que se estendem até hoje. Para exemplificar, apesar de constituir quase metade da população brasileira, os afrodescen- dentes são minoria nas universidades e nas empresas, em particular nos altos escalões. É preciso combater essa estatística e, para isso, foi criada a política de cotas que reserva vagas em universidades e concursos públicos, por exemplo. Empresas privadas, muitas vezes, também lançam mão de ações voltadas para aumentar a diversidade 2120 racial, étnica e cultural em seus quadros funcionais, pois a mistura de pessoas, de experiências e de ideias estimula a criatividade e permite que a empresa encontre soluções inovadoras para os desafios coloca- dos pelo mercado e pela concorrência. É preciso que se diga que o preconceito e a discriminação com afro- descendentes, indígenas e demais etnias e nacionalidades persistem em nossa sociedade e são expressas, muitas vezes, de forma bastante disfarçada. Deve-se, ainda, destacar que todo(a) trabalhador(a) tem direito constitucional de trabalhar em um ambiente livre de discrimi- nação e preconceitos de qualquer natureza. Ao criar um ambiente assim, a empresa não estará apenas se benefi- ciando, mas também respeitando um dos direitos fundamentais do(a) trabalhador(a). Trata-se de um caminho efetivo para contribuir para a construção de um ambiente organizacional mais democrático, que respeite os direitos humanos, aposte no desenvolvimento econômico e social do país e reflita a heterogeneidade existente na sociedade em que a empresa está inserida. Assim, valoriza-se um dos principais patrimônios do Brasil: a riqueza da diversidade de seu povo. Para pensar Um estudo revelou que, quando se mostrava para um gru- po fotos de pessoas brancas e, para outro grupo, fotos de pessoas negras, mesmo que todas retratassem as mesmas ações, havia uma diferença de percepção bem evidente. As ações eram: um homem correndo, uma mulher segurando uma roupa em uma loja, um homem de terno, uma mulher lavando a pia de casa e uma mulher grafitando um muro. No caso das fotografias de pessoas brancas, o homem de terno era descrito como alguém poderoso, um empresário. Já o homem correndo era só um homem correndo. A mulher lavando a pia estava cuidando de sua própria casa. A mulher grafitando o muro era “artista”. A mulher segurando a roupa era estilista. As fotos com modelos negros, representando as mesmas situações e contextos, causaram reações bem diferentes. O homem de terno era “segurança” ou “motorista particular”. A mulher na cozinha era “faxineira”. O homem correndo era “ladrão”. A mulher grafitando o muro era “pixadora”. A mu- lher segurando a roupa era “vendedora da loja”. Será que você reagiria muito diferente disso se tivesse que descrever o que estava vendo nessas mesmas fotos? Por que você acha que isso acontece? 2322 VI Canais de denúncia institucionais O BNDES se compromete realmente a tratar o preconceito e a dis- criminação e, para isso, disponibiliza os canais de denúncia a seguir descritos. Ambos atuam de forma imparcial, autônoma e sigilosa. A denúncia pode ser anônima ou conter pedido de manutenção da re- serva de identidade do denunciante. 2524 Comissão de Ética do Sistema BNDES Podem ser utilizados os seguintes canais: • e-mail: etica@bndes.gov.br; • telefones: ramal 6766 ou 2052-6766 (nas ligações externas); • correspondência para a Secretaria-Executiva da Comissão de Ética do Sistema BNDES, no endereço: Av. República do Chile, 100, sala 2107 – Centro 20031-917 – Rio de Janeiro – RJ; • presencial, na sala 2107 do Edserj. Ouvidoria O contato pode ser feito pelos seguintes meios: • portal do BNDES na internet; • correspondência para caixa postal 15054, CEP 20031-120, Rio de Janeiro, RJ; • telefone: 0800 702 6307; • presencial, no Edserj, com agendamento por telefone. mailto:ética@bndes.gov.br http://www.bndes.gov.br/ouvidoria 2726 VII Canais de denúncia externos 2928 Ligue 180 Central de Atendimento à Mulher Canal do Governo Federal criado para receber denúncias de casos de violência contra a mulher e fornecer orientações a brasileiras no país e no exterior. A ligação é gratuita e funcio- na 24 horas todos os dias da semana. Disque 100 Disque Direitos Humanos Canal do Governo Federal criado para receber denúncias e fornecer orientações sobre casos de violação de Direitos Hu- manos de forma abrangente, por exemplo, atendendo aos casos de desrespeito aos direitos de pessoas idosas, índios etc. A ligação é gratuita e o serviço funciona diariamente, 24 horas por dia. 3130 VIII Conclusão 3332 Finalizando Esta cartilha é um convite à reflexão sobre nosso compor- tamento para que seja possível uma convivência mais har- moniosa e igualitária entre mulheres e homens, de todas as raças, em sua plena diversidade. Para isso é fundamental lem- brarmos que as diferenças existem, porém devem ser tratadas com respeito e sem restrição às oportunidades. O que podemos fazer para ajudar na construção da equidade de gênero e raça? • Não discriminar as pessoas por suas diferenças sociais e biológicas. • Respeitar as particularidades de cada um. • Não contar piadas ou realizar brincadeiras que reforcem os preconceitos. Repreender e buscar conscientizar quem o faça. • Conhecer melhor seus(suas) colegas de trabalho sem se ape- gar a ideias preconcebidas. 3534 IX Fontes consultadas 36 BNDES – BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL. Código de ética do Sistema BNDES, 2016. Disponível em: . Acesso em: 12 jul. 2017. ______. Política de Relacionamento do Sistema BNDES. Rio de Janeiro, 2015. BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Disponível em: . Acesso em: 12 jul. 2017. CEF – CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Refletindo sobre a equidade de gênero. Brasília, DF, 2006. GOVERNO DO PARANÁ. O racismo institucional. Paraná, 2016. Disponível em: . Acesso em: 12 jul. 2017. GATES FOUNDATION. 2011 Annual Report. Disponível em: . Acesso em: 12 jul. 2017. WAISELFISZ, Julio Jacobo. Mapa da Violência 2015: Homicídio de mulheres no Brasil. Disponível em: . Acesso em: 3 jul. 2017. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm http://www.contraracismo.pr.gov.br/ http://www.mapadaviolencia.org.br/mapa2015_mulheres.php http://www.mapadaviolencia.org.br/mapa2015_mulheres.php _GoBack