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Intoxicação Exógena . 
 
A intoxicação exógena é um conjunto de 
efeitos nocivos que se manifestam por meio 
de alterações clínicas ou laboratoriais devido 
ao desequilíbrio orgânico causado pela 
interação do sistema biológico com um ou 
mais agentes tóxicos. 
O Agente Tóxico é uma substância ou 
composto químico, de origem natural ou 
antropogênica, capaz de causar dano a um 
sistema biológico por meio da alteração de 
uma ou mais de suas funções, podendo, 
sob certas condições de exposição, 
provocar a morte. 
A ação e intensidade do agente tóxico são 
determinadas pelo tipo de substância, pela 
dose, e pelo tempo de exposição. 
Diferença entre Intoxicação 
Exógena e Endógena 
Exógena: Ocorre quando substâncias nocivas 
são introduzidas no organismo por vias 
externas (ingestão, absorção pela pele, 
inalação), prejudicando seu funcionamento. 
Endógena: Causada pelo acúmulo de 
substâncias maléficas produzidas pelo 
próprio organismo (como ureia ou bilirrubina) 
que, normalmente, seriam eliminadas pelo 
fígado e rins, mas se acumulam em casos de 
insuficiência desses órgãos 
Tipos de intoxicação exógena. 
As intoxicações são classificadas com base no 
tempo de resposta e duração da exposição, 
podendo se manifestar como leves, 
moderadas ou graves. 
Aguda 
Decorrente de uma única exposição ao 
agente tóxico, ou sucessivas exposições 
ocorridas em um prazo médio de 24 horas. 
Efeitos imediatos, aparecendo minutos ou 
horas após o contato. A relação causa/efeito é 
mais evidente. 
 
EX: Medicamentos, álcool, drogas ilícitas, 
Monóxido de Carbono (CO), produtos 
domésticos tóxicos, acidentes com 
agrotóxicos 
 
Crônica 
Resultado de repetidas exposições (contínuas 
ou intermitentes) a substâncias tóxicas, 
geralmente em pequenas doses subletais, ao 
longo de longos períodos (meses ou anos). O 
quadro clínico é geralmente indefinido, 
inespecífico, sutil, de longa evolução e, muitas 
vezes, irreversível. A relação causal é mais 
difícil de ser estabelecida. 
 
EX: Metais pesados (chumbo, mercúrio), 
solventes industriais, pesticidas, abuso 
crônico de substâncias 
 
Aguda sobre Crônica 
Resultado de repetidas exposições (contínuas 
ou intermitentes) a substâncias tóxicas, 
geralmente em pequenas doses subletais, ao 
longo de longos períodos (meses ou anos). 
 
 
 
 
 
 
Combinação de efeitos de longo prazo com 
sintomas imediatos. 
 
EX: Trabalhadores rurais expostos 
cronicamente a agrotóxicos que sofrem 
uma exposição aguda. 
 
Substâncias mais comuns e agentes 
tóxicos 
Os principais agentes tóxicos causadores de 
intoxicações exógenas no Brasil incluem uma 
ampla gama de substâncias: 
➔ Medicamentos (principal agente 
tóxico no Brasil, representando 32% a 
44% dos casos e o primeiro lugar nas 
estatísticas desde 1994). 
➔ Animais Peçonhentos ou Venenosos 
(30% dos casos nacionais, com pico 
nas estações quentes). 
➔ Agrotóxicos (uso agrícola, uso 
doméstico, uso saúde pública) e 
Raticidas. 
➔ Produtos de Uso Domiciliar 
(produtos de limpeza e químicos). 
➔ Drogas de Abuso (álcool, crack, 
outras drogas ilícitas). 
➔ Metais Pesados (como chumbo, 
mercúrio, arsênio, cádmio). 
➔ Plantas Tóxicas. 
➔ Produtos Químicos de Uso 
Industrial. 
➔ Alimentos e Bebidas (deteriorados 
ou contaminados). 
➔ Gases Tóxicos (ex: CO). 
➔ Cosméticos. 
Vias de Penetração 
Via Digestiva (Oral): Ingestão de produtos 
químicos, drogas, venenos, medicamentos, 
alimentos ou bebidas contaminadas. É a via 
mais comum. 
● Agudo: Náuseas, vômitos, dor 
abdominal, diarreia, salivação 
excessiva. 
Via Respiratória (Inalatória): Aspiração de 
vapores, gases, fumaças ou partículas tóxicas. 
É uma via comum de intoxicação por 
solventes orgânicos, que são líquidos voláteis. 
● Agudo: Dificuldade de respirar 
(dispneia), tosse, sufocação. 
Via Cutânea (Dérmica): Absorção de 
substâncias químicas, pesticidas ou toxinas 
através da pele e mucosas. É uma via comum 
de exposição ocupacional. 
Via Parenteral: Introdução direta no 
organismo, geralmente por injeção (ex: 
drogas intravenosas). 
Via Ocular: Contato com produtos químicos 
nos olhos. 
Via Transplacentária: Exposição da gestante 
que pode transmitir substâncias ao feto, 
causando malformações. 
Sinais e Sintomas 
As manifestações clínicas das intoxicações 
exógenas podem ser variadas e, muitas vezes, 
inespecíficas, dependendo do agente, dose, 
via e suscetibilidade individual. 
 
 
 
 
 
 
 
Sinais e Sintomas Comuns (geralmente 
agudos): 
➔ Gastrointestinais: Náuseas, vômitos, 
dor abdominal, diarreia, salivação 
excessiva. 
➔ Neurológicos/Comportamentais: 
Cefaleia (dor de cabeça), tontura, 
sonolência, confusão mental, 
desorientação, perda de consciência, 
convulsões, desmaios, alterações 
súbitas do comportamento. 
➔ Respiratórios: Dificuldade de respirar 
(dispneia), tosse, sufocação. 
➔ Outros Sinais: Suor excessivo 
(transpiração abundante), 
extremidades frias, lacrimejamento. 
➔ Sinais Evidentes: Lesões, 
queimaduras, ou vermelhidão na 
pele, boca e lábios. Hálito com odor 
estranho (característico do agente 
causal). Alteração no diâmetro das 
pupilas (midríase ou miose). 
Manifestações Crônicas/Graves: 
➔ Neurológicas: Falha de memória, 
alterações cognitivas, neuropatia 
periférica, ataxia, encefalopatia 
crônica. 
➔ Orgânicas: Lesões em órgãos 
específicos (fígado, rins, sistema 
nervoso), falência múltipla de órgãos. 
➔ Outras: Diversos tipos de tumores 
(câncer), má formações congênitas, 
doenças respiratórias, endócrinas e 
hematológicas. 
 
 
Classes medicamentosas mais 
comuns e manejo 
Os medicamentos são os principais agentes 
tóxicos, sendo os benzodiazepínicos, 
anticonvulsivantes, antidepressivos e 
anti-inflamatórios as classes mais associadas. 
O tratamento inicial do paciente intoxicado 
deve sempre priorizar o suporte clínico e 
vital (manter vias aéreas permeáveis, 
ventilação e circulação - ABC). A busca pela 
identificação do agente não deve atrasar 
essas medidas. 
Benzodiazepínicos 
● Diazepam 
● Midazolam 
● Alprazolam 
● Ansiolíticos/Tranquilizantes 
 
Antídoto: Flumazenil. Usar com extrema 
cautela o Flumazenil, pois pode diminuir o 
limiar convulsivo e causar crise de 
abstinência. Priorizar o suporte clínico inicial. 
● Sinais clínicos: sedação, sonolência, 
depressão respiratória 
 
Paracetamol (Acetaminofen) 
 
 
 
 
 
 
● Analgésico 
● Antipirético. 
 
Antídoto: N-acetilcisteína (NAC). O NAC deve 
ser administrado em qualquer paciente com 
risco de lesão hepática. A intoxicação pode 
levar à síndrome hepatorrenal grave 
 
Opioides 
● Drogas de abuso ou medicamentos 
 
Antídoto: Naloxona 
 
Beta-bloqueadores 
● Fármacos cardiovasculares. 
 
Antídoto: Glucagon 
 
Organofosforados/Carbamatos 
● Agrotóxicos inibidores da 
colinesterase 
 
Antídoto: Atropina e Pralidoxima 
(Contrathion, é utilizada para 
organofosforados). O tratamento deve ser 
feito com EPI adequado. 
Manejo Geral da Descontaminação 
Digestiva (Ingestão): 
Lavagem Gástrica: Útil para intoxicações 
potencialmente graves, idealmente realizada 
até 1 a 2 horas após a ingestão. É 
contraindicada em casos de ingestão de 
derivados de petróleo, cáusticos, corrosivos, e 
em pacientes sem proteção de vias aéreas. 
Carvão Ativado: Pode ser feito, de modo 
geral, até 4 horas após a ingestão. Usado para 
substâncias que se ligam a ele. Múltiplas 
doses podem ser usadas para intoxicações 
por Fenobarbital e Carbamazepina. Não é 
recomendado o uso rotineiro para intoxicação 
por agrotóxicos. 
 
Toxicidade dos solventes orgânicos e 
seus manejos 
Os solventes orgânicos são compostos 
químicos voláteis e altamente lipofílicos, 
capazes de atravessar rapidamente a barreira 
hematoencefálica. 
Efeitos da Toxicidade 
Via de Absorção: Principalmente inalatória, 
devido à volatilidade e lipossolubilidade dos 
vapores, que são facilmente absorvidos pelospulmões. Também por via dérmica (contato 
com a pele). 
Sistema Nervoso Central (SNC): Tontura, 
cefaleia, confusão mental, sonolência, 
incoordenação, e, em casos graves, coma. O 
abuso de colas e tintas pode levar à 
neuropatia periférica. 
Sistema Respiratório: Irritação das mucosas, 
tosse, dispneia e edema pulmonar. A 
exposição a vapores de benzeno pode causar 
comprometimento do trato respiratório. 
Sistemas Orgânicos: Hepatotoxicidade e 
Nefrotoxicidade (danos ao fígado e rins) são 
 
 
 
 
 
 
frequentes, especialmente com solventes 
clorados. 
● Benzeno: Causa alterações 
hematológicas, como anemia, 
leucopenia e trombocitopenia, e é 
classificado como carcinogênico 
(pode causar leucemia). 
● Cloreto de Metileno 
(Diclorometano): É metabolizado no 
organismo em Monóxido de Carbono, 
resultando em envenenamento por 
carboxiemoglobinemia. 
● Metanol: Sua inalação ou ingestão dá 
origem a derivados tóxicos que 
causam acidez do sangue e 
problemas oculares, podendo levar à 
cegueira. 
Manejo Clínico 
Avaliação Inicial e Suporte: Estabilizar o 
paciente, priorizando suporte respiratório (O2 
suplementar e/ou IOT, se necessário). 
Descontaminação: 
● Remoção: Retirar o indivíduo da fonte 
de exposição imediatamente. 
● Cutânea: Lavar a pele e mucosas em 
abundância com água corrente e 
sabão. 
● Gastrintestinal: Não é indicada para a 
maioria dos solventes voláteis e 
derivados de petróleo, devido ao risco 
de aspiração pulmonar. 
Tratamento Específico: 
● Antídotos: Não existem antídotos 
específicos para a maioria dos 
solventes. 
● Metanol: O antídoto é o Etanol (álcool 
etílico) ou fomepizol, que inibem a 
oxidação do metanol. A hemodiálise 
também pode ser indicada. 
● Monóxido de Carbono (Metabolismo 
do Diclorometano): Tratamento com 
Oxigênio 100% e, em casos graves, 
oxigenoterapia hiperbárica. 
Prejuízos causados pela exposição de 
metais pesados 
Metais pesados (como Chumbo, Mercúrio, 
Arsênio e Cádmio) não sofrem 
biodegradação, acumulando-se no 
ambiente e nos tecidos biológicos (cérebro, 
fígado, ossos, tecido adiposo), gerando 
toxicidade crônica e/ou aguda. 
Prejuízos do Chumbo (Pb) 
● Neurológicos: Encefalopatia, apatia, 
confusão mental, cefaleia, convulsões, 
déficits cognitivos, problemas de 
aprendizado e comportamento. 
● Hematológicos: Anemia. 
● Renais: Disfunção renal crônica. 
● Reprodutivos: Anormalidades no 
esperma, aborto espontâneo, perda 
da libido. 
● Cardiovasculares: Hipertensão. 
Manejo: Remoção da fonte de exposição e 
tratamento com agentes quelantes, como 
EDTA (ácido etilenodiaminotetracético 
dissódico de cálcio) ou dimercaprol (BAL), 
dependendo da gravidade. 
Prejuízos do Mercúrio (Hg) 
● Exposição (Vapores): Pode causar 
pneumonia severa e irritação das vias 
aéreas. 
● Intoxicação Crônica (Tríade 
Clássica): Distúrbios 
neuropsiquiátricos, tremores e 
gengivoestomatite. 
● Gerais: Neuropatia periférica, ataxia, 
perda auditiva e visual, disfunção 
renal crônica. 
 
 
 
 
 
 
Manejo: Tratamento sintomático. Compostos 
como Dimercaprol ou Penicilamina podem 
ser utilizados como agentes quelantes. 
Prejuízos do Arsênio (As) 
● Agudos: Distúrbios gastrointestinais 
(dor abdominal, vômitos, diarreia), 
choque, arritmias. 
● Crônicos: Alterações dermatológicas 
(hiperpigmentação, queratose), 
neuropatia periférica. 
Medidas de prevenção para 
intoxicação 
São necessárias mais ações preventivas, 
incluindo legislações e maior orientação à 
população. 
Prevenção no Ambiente Doméstico 
(Foco em Crianças) 
Armazenamento Seguro: Guardar 
medicamentos, produtos de limpeza, 
cosméticos e agrotóxicos em locais altos, 
trancados, fora do alcance de crianças e 
animais domésticos. 
Identificação: Manter substâncias tóxicas em 
suas embalagens originais e rotuladas, 
evitando o uso de garrafas de alimentos ou 
bebidas. 
Separação: Armazenar produtos perigosos 
separados de alimentos e bebidas. 
Medicamentos: Seguir rigorosamente a 
prescrição médica e descartar medicamentos 
vencidos em pontos de coleta específicos (ex: 
farmácias), nunca no lixo comum ou vaso 
sanitário. 
Prevenção Ocupacional e de 
Produtos Químicos 
Uso de Equipamentos de Proteção 
Individual (EPIs): Utilizar máscaras, luvas, 
óculos de proteção e roupas adequadas para 
prevenir a exposição dérmica e inalatória 
(essencial no manuseio de solventes 
orgânicos e agrotóxicos). 
Ventilação Adequada: Trabalhar em áreas 
bem ventiladas para evitar a inalação de 
vapores tóxicos (solventes). 
Capacitação: Treinar trabalhadores sobre os 
riscos, formas de exposição e procedimentos 
de emergência. 
Substituição: Optar, sempre que possível, por 
substâncias menos tóxicas. 
Higiene: Após o uso de produtos perigosos, 
lavar bem as mãos e trocar a roupa. 
Medidas de Vigilância e Suporte 
Educação e Conscientização: Promover 
programas de educação sobre os riscos. 
Monitoramento: Realizar exames periódicos 
em trabalhadores expostos para identificação 
precoce de sinais de intoxicação. 
Prontidão para Emergências: Manter 
telefones de Centros de Controle de 
Intoxicação (CIATox) disponíveis (Ex: 0800 722 
6001 - Disque-Intoxicação). 
Notificação Compulsória: Toda Intoxicação 
Exógena é de notificação compulsória 
(obrigatória) e deve ser registrada no SINAN. 
 
 
	Intoxicação Exógena . 
	Diferença entre Intoxicação Exógena e Endógena 
	Vias de Penetração 
	Sinais e Sintomas 
	Efeitos da Toxicidade 
	Manejo Clínico 
	Prejuízos do Chumbo (Pb) 
	Prejuízos do Mercúrio (Hg) 
	Prejuízos do Arsênio (As) 
	Prevenção no Ambiente Doméstico (Foco em Crianças) 
	Prevenção Ocupacional e de Produtos Químicos 
	Medidas de Vigilância e Suporte

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