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Psicoterapia Hum
anista e Fenom
enológico-Existencial
Normando José do Nascimento Júnior Normando José do Nascimento Júnior 
GRUPO SER EDUCACIONAL
gente criando o futuro
Nesta disciplina, aprenderemos sobre as bases históricas da saúde e da psicoterapia 
com o intuito de relacionar acontecimentos históricos com as práticas atuais da psi-
cologia. Veremos os caminhos percorridos pelos estudiosos desde tempos remotos, 
quando o ser humano ainda tentava entender o que signi� cava “doença” e “saúde”, 
até os conceitos aceitos hoje em dia.
Aprenderemos também sobre a importância de alguns princípios e conceitos gerais 
da relação entre psicoterapeuta e cliente, sendo eles: aliança terapêutica; sigilo; neu-
tralidade e abstinência; e a ideia de transferência e contratransferência.
Por � m, estudaremos o processo terapêutico como um todo. Veremos as etapas da 
psicoterapia (início, meio e � m) e os espaços físicos e digitais que possibilitam a psico-
logia clínica. Quais atitudes podem facilitar o processo do cliente? Como o setting do 
ambiente pode afetar a relação entre psicoterapeuta e cliente? Qual a importância da 
ideia de “acessibilidade” nesse ambiente? Como aplicar os princípios da psicoeduca-
ção? Como elaborar um contrato psicoterapêutico e qual é o momento de encerrá-lo? 
Essas e outras perguntas serão respondidas nessa unidade.
PSICOTERAPIA HUMANISTA E 
FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL
PSICOTERAPIA HUMANISTA E 
FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL
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© Ser Educacional 2021
Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro 
Recife-PE – CEP 50100-160
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Diretor-presidente
Diretoria Executiva de Ensino
Diretoria Executiva de Serviços Corporativos
Diretoria de Ensino a Distância
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Projeto Gráfico e Capa
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Jânyo Diniz 
Adriano Azevedo
Joaldo Diniz
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Normando José do Nascimento Júnior 
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DADOS DO FORNECEDOR
Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, 
Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão.
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ASSISTA
Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple-
mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado.
CITANDO
Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa 
relevante para o estudo do conteúdo abordado.
CONTEXTUALIZANDO
Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato;
demonstra-se a situação histórica do assunto.
CURIOSIDADE
Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto 
tratado.
DICA
Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma 
informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado.
EXEMPLIFICANDO
Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto.
EXPLICANDO
Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da 
área de conhecimento trabalhada.
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Unidade 1 - Psicoterapia em foco: histórico e considerações atuais acerca do 
processo psicoterapêutico
Objetivos da unidade 12
Histórico da psicoterapia 13
Psicoterapia como cuidado em saúde 18
A relação psicoterapeuta-cliente 21
Aliança terapêutica 22
Sigilo 23
Neutralidade e abstinência 25
Transferência e contratransferência 25
O processo psicoterapêutico 29
Questões fundamentais para o início, trajetória e término do processo terapêutico 33
Sintetizando 43
Referências bibliográficas 44
Sumário
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Sumário
Unidade 2 - Diversidade de abordagens em psicoterapia
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 47
A diversidade de teorias e técnicas em psicoterapia .................................................. 48
O cliente e a escolha da psicoterapia ......................................................................... 50
As principais abordagens em psicoterapia .................................................................... 57
Abordagem centrada na pessoa ........................................................................................ 64
Pressupostos básicos da ACP: fenomenologia, existencialismo e humanismo 66
Teoria da personalidade em Carl Rogers .................................................................... 70
Principais conceitos da ACP ......................................................................................... 71
Sintetizando ........................................................................................................................... 76
Referências bibliográficas ................................................................................................. 77
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Sumário
Unidade 3 - Teoria e prática da Gestalt-terapia, psicodrama e transpessoal
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 79
Gestalt-terapia ...................................................................................................................... 80
Histórico da Gestalt-terapia .......................................................................................... 85
Teoria da personalidade em Gestalt-terapia .............................................................. 87
Principais conceitos em Gestalt-terapia ..................................................................... 91
Psicodrama ............................................................................................................................ 97
Conceitos presentes no psicodrama ........................................................................... 98
Abordagem transpessoal .................................................................................................. 101
Espiritualidade e sentido da vida ................................................................................ 103
Logoterapia ..................................................................................................................... 104
Sintetizando ......................................................................................................................... 107
Referências bibliográficas ............................................................................................... 108
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Sumário
Unidade 4 - Psicoterapia em foco: demandas, tendências e aspectos éticos 
Objetivos da unidade ......................................................................................................... 111
Tendências atuais em psicoterapia ................................................................................ 112
Novas tecnologias aplicadas à psicoterapia ........................................................... 113
Psicologia decolonial e antirracista ........................................................................... 117
As demandas em psicoterapia ........................................................................................ 121
Psicoterapia por ciclo vital .......................................................................................... 122
Atendimento por equipes multidisciplinares ............................................................ 131
A ética na psicoterapia e o compromisso com o cliente .......................................... 135
Psicologia e seu compromisso com uma atuação ética ........................................formato.
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Ainda, é importante deixar claro o período de férias para o cliente desde 
o início das sessões, para que não haja surpresa. Afinal, esse é um tempo ne-
cessário, e deixar o cliente a par desse momento de férias é um bom exercício 
de inclusão.
Outro aspecto relevante para a discussão de um contrato terapêutico de-
mocrático diz respeito a profissionais que prestam atendimento a crianças e 
adolescentes. Nesses casos, a construção do acordo é feita em coparticipação 
dos responsáveis, que respondem pela criança em alguns aspectos, mas não 
em outros. Essa participação permite que eles percebam que os pais se impor-
tam com sua saúde emocional.
Porém, é importante também realizar parte do contrato diretamente com 
a criança ou adolescente para que eles sintam que também são importantes 
no processo de tomada de decisão, que têm voz ativa e que entendam sobre o 
processo no qual se inserem. Cabe dizer que o que se passa dentro da sessão 
de psicoterapia é sigiloso, conforme preconiza o Código de Ética Profissional. 
Esse ponto precisa estar claro para o cliente para que ele se sinta mais à von-
tade para a abertura, bem como para os pais, para que o profissional não seja 
cobrado em relação a isso.
Ainda existem alguns aspectos do contrato terapêutico restritos às abor-
dagens psicológicas. Uma regra básica da terapia psicanalítica, por exemplo, 
é permitir a fala sem censura, para que haja a associação livre de palavras. Na 
terapia cognitivo-comportamental, há grande expectativa quanto à realização 
das tarefas de casa pelo cliente, para que ele avance em seu tratamento. Assim, 
faz-se necessário também alinhar os aspectos individuais necessários dentro 
de cada modelo teórico junto ao paciente.
Quanto ao andamento da psicoterapia, existem algumas coisas importan-
tes a serem observadas pelo profissional. São elas:
• Andamento da psicoterapia;
• Obstáculos do processo terapêutico, tanto pelo psicólogo quanto pelo 
cliente;
• Aspectos externos, como a família ou problemas econômicos;
• A importância do trabalho pessoal e da supervisão.
Depois da construção da aliança e do contrato terapêutico, inicia-se o que 
podemos chamar de processo intermediário da psicoterapia. O objetivo dessa 
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etapa é “examinar, analisar, explorar e, quando possível, resolver os sintomas 
e as dificuldades emocionais, as cognições e os comportamentos disfuncionais 
dos pacientes” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 194).
O foco é no atendimento das demandas trazidas pelo cliente. É nesse meio 
do processo terapêutico que se encontram os progressos do tratamento e os 
desafios, como a resistência ou negação. O profissional precisará desenvolver 
estratégias para acessar os conflitos intrapsíquicos do cliente, intervir efetiva-
mente e proporcionar crescimento.
Quanto aos obstáculos do processo terapêutico, podemos dividi-los em di-
ferentes grupos. As primeiras barreiras são as que se referem ao terapeuta. 
Além da contratransferência, que já estudamos, outros desafios podem surgir 
e tornar o processo mais complicado.
Um conceito que pode atrapalhar o trabalho do psicólogo se chama ponto 
cego. Esse conceito remete a uma tendência mental do ser humano ser capaz 
de identificar elementos e padrões cognitivos ou comportamentais nos outros 
indivíduos, mas não em si mesmo. O ponto cego possui relação direta com os 
fenômenos contratransferenciais, já que o psicólogo pode não enxergar seus 
próprios padrões de resposta, inconscientes ao paciente.
A melhor forma de trabalhar esses obstáculos é por meio do trabalho te-
rapêutico pessoal e de supervisão. É indispensável que o psicoterapeuta es-
teja acompanhado desses dois fatores, pois é por meio deles que ele passará 
a ter uma perspectiva diferente do tratamento e será capaz de identificar e 
buscar soluções para as barreiras que ele mesmo pode construir no trata-
mento de seus clientes.
Quanto aos demais obstáculos, podemos categorizá-los em dois grupos: os 
fatores externos e internos. O primeiro grupo engloba problemas de ordem 
financeira, de disponibilidade de tempo, ou a ausência de outros elementos, 
como, por exemplo, o incentivo da família. O psicoterapeuta precisa se atentar 
a esses elementos o quanto antes e resolvê-los na medida do possível.
Quanto às barreiras por fatores internos do paciente, podemos destacar a 
falta de motivação no tratamento e a resistência à mudança. Mesmo que não 
comuniquem de forma aberta sobre a falta de incentivo para o tratamento, al-
guns comportamentos podem denunciar o cliente, como: atrasos nas sessões; 
faltas em excesso; e a não adesão às atividades propostas para casa.
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A falta de motivação e resistência à terapia sinalizam duas coisas:
• Falta de identificação com o trabalho do psicólogo: algumas pessoas 
buscam uma terapia mais curta, enquanto outras focam no autoconhecimento. 
Algumas falam livremente, ao passo que outras preferem sessões mais diretivas. 
Assim, a abordagem terapêutica é parte importante para a adesão do cliente, 
que pode não ver sentido no que o psicólogo faz e não se engajar no processo;
• Manifestações inconscientes: o cliente pode temer mudanças, sofrimen-
to e angústias que determinadas memórias podem trazer à tona no processo 
terapêutico. As faltas e atrasos, por exemplo, podem ser, na verdade, mecanis-
mos de defesa que o deixam em uma zona confortável. Cabe ao psicólogo ter 
paciência e entender que o processo de mudança é doloroso para o cliente. 
Ao mesmo tempo, também deve devolver suas percepções para o cliente, de 
modo que ele seja parte ativa e responsável pelo próprio processo terapêutico.
Em casos patológicos, é essencial que o tratamento psiquiátrico acompa-
nhe a psicoterapia, pois, em alguns casos, a desordem impede o paciente de 
tomar uma série de atitudes autônomas, como sair de casa sozinho. Assim, 
existem casos que exigirão atendimentos multidisciplinares, envolvendo a te-
rapia e o tratamento medicamentoso, por exemplo.
O fim do processo terapêutico
Como saber que o processo terapêutico chegou ao fim com determinado 
cliente? Como fechar o ciclo terapêutico?
É extremamente comum que diversos tratamentos cheguem ao fim antes 
mesmo dele ser determinado. Alguns pacientes podem, sem aviso prévio, dei-
xar de ir para o atendimento, tanto por impasses no processo, incômodos pes-
soais ou como um mecanismo de defesa de resistência ao tratamento. Apesar 
disso, para um término de forma adequada, o primeiro fator essencial para o 
fechamento do ciclo é a decisão conjunta.
É importante que terapeuta e paciente façam uma avaliação crite-
riosa do processo psicoterapêutico e estejam de acordo sobre o 
momento de finalizá-lo. Nessa avaliação, devem conversar sobre o 
avanço e indicadores clínicos que levaram o psicólogo a refletir so-
bre o término da psicoterapia, realizar uma lista de ganhos e apren-
dizados do processo terapêutico e falar sobre prevenção de recaída 
dos sintomas (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 198)
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Quanto aos indicadores de que é o momento para o fim da psicoterapia, o 
Quadro 3 mostra alguns bons indícios.
QUADRO 3. INDICADORES DE QUE É MOMENTO PARA O TÉRMINO DA PSICOTERAPIA
Menção do paciente sobre os ganhos alcançados e o desejo de encerramento da psicoterapia.
Falta de “assunto” ou de “material” para as sessões e indícios de que os problemas foram 
adequadamente resolvidos.
Redução dos sintomas apresentados no início do tratamento (avaliada clinicamente ou com 
escalas específicas).
Resolução da transferência identificadaa partir da diminuição da idealização do terapeuta em 
psicoterapias de orientação analítica.
Correção de crenças disfuncionais (negativas ou catastróficas) e sua substituição por avaliações 
e interpretações mais realistas dos fatos no caso de psicoterapia cognitivo-comportamental.
Relações interpessoais mais saudáveis.
Maior capacidade para o trabalho.
Maior capacidade de lidar com a realidade e de tolerar frustrações.
Fonte: CORDIOLI; GREVET, 2019. (Adaptado).
Por fim, o processo psicoterapêutico é, antes de tudo, uma relação entre 
pessoas. Como toda e qualquer relação, necessita de investimento para se de-
senvolver e de ações cujo objetivo é de viabilizar o crescimento do processo 
psicológico. Ser capaz de saber como iniciar a psicoterapia, como lidar com 
os desafios que aparecerão no caminho e quando finalizar o processo psico-
terapêutico são essenciais ao psicólogo. Somados a isso, “o refi-
namento teórico e técnico, empatia, honestidade, ausência de 
julgamentos morais e disponibilidade para escutar são es-
senciais para o bom andamento das fases das psicoterapias” 
(CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 203).
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Sintetizando
Podemos dizer que a saúde sofreu uma enorme transformação ao longo 
dos anos. O tratamento de doenças já foi responsabilidade de entidades reli-
giosas, curandeiros, Igreja Católica, filósofos e cientistas. A lista não termina. 
Foi um caminho longo até chegarmos à concepção atual, que diz que a saúde 
é determinada por diversos fatores, tanto genéticos quanto sociais e econômi-
cos. É nessa concepção que o cuidado em saúde por meio da psicoterapia se 
baseia. Como parte da ciência psicológica, a psicoterapia possui seu próprio 
trajeto histórico, marcado por três grandes fases.
Na primeira delas, os psicólogos estavam preocupados em provar que a 
psicoterapia era uma atividade científica. Na segunda fase, marcada historica-
mente pelo período pós-guerra, o foco passa a ser na eficiência da psicoterapia 
como uma ferramenta de cuidado importante para os ex-soldados. Atualmen-
te, estamos na terceira fase da história da psicoterapia, marcada pelo grande 
número de abordagens terapêuticas, cada uma com uma forma de exercitar o 
trabalho psicológico.
Cabe aos profissionais encontrar a abordagem que mais se adeque à sua 
visão de mundo de forma a orientá-lo no atendimento psicoterapêutico. Para 
que o processo terapêutico transcorra da melhor maneira possível, o psicólogo 
deve se atentar para alguns aspectos essenciais: a construção de uma aliança 
terapêutica; um ambiente de confiança; sigilo; confidencialidade; ausência de 
julgamentos; e uma postura neutra por parte do profissional.
O processo psicoterapêutico pode se dar tanto em formato presencial quan-
to online. Para cada ambiente, deve-se construí-lo e organizá-lo com o intuito 
de permitir que o cliente se sinta confortável, seguro e confiante no processo.
Por fim, o atendimento exige algumas atitudes intencionais das duas partes 
em busca do crescimento. Para garantir os direitos de ambas, deve-se criar um 
contrato terapêutico que visa esclarecer as obrigações, especificidades e obje-
tivos do processo terapêutico.
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DIVERSIDADE DE 
ABORDAGENS EM 
PSICOTERAPIA
2
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Relatar convergências entre as teorias psicoterapêuticas;
 Abordar os contextos e cenários em que cada abordagem terapêutica é 
recomendada ou contraindicada;
 Aprender quais as raízes epistemológicas das psicoterapias de orientação 
analítica, comportamental e fenomenológico-existencial;
 Estudar o histórico e os pressupostos básicos da abordagem centrada na 
pessoa; 
 Identificar semelhanças entre os principais conceitos da abordagem centrada 
na pessoa e as abordagens de base fenomenológico-existencial. 
 A diversidade de teorias e técnicas 
em psicoterapia
 O cliente e a escolha da 
psicoterapia
 As principais abordagens em 
psicoterapia
 Abordagem centrada na pessoa
 Pressupostosbásicos da ACP: 
fenomenologia, existencialismo e 
humanismo
 Teoria da personalidade em 
Carl Rogers
 Principais conceitos da ACP
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A diversidade de teorias e técnicas em psicoterapia
Um dos principais marcadores da existência de consciência dos seres huma-
nos é a sua capacidade de viver em comunidade e relacionar-se com o outro. A 
presença dos afetos nos indivíduos demarca uma linha clara de diferença entre o 
estado animalesco e o estado de ser humano. Em todas as sociedades humanas, 
há evidências claras de que os homens davam consolo e ajuda aos próximos, seja 
em situações de difi culdade, seja por doenças ou condições de desastres naturais.
Assim, pode-se dizer que, no cerne das relações humanas, há uma preocupa-
ção com o sofrimento dos outros. Essa preocupação implicou, ao longo do tempo, 
em uma série de práticas de cuidado de diferentes modos. Curandeiros, sacerdo-
tes, amigos, médicos, dentre outros, usaram de diversas estratégias e ferramentas 
para cuidar de pessoas que sofrem tanto física quanto emocionalmente.
Quanto ao sofrimento psíquico, a psicoterapia “tem suas origens na medicina 
antiga, na religião, na fi losofi a, na cura pela fé e no hipnotismo” (CORDIOLI; GRE-
VET, 2019, p. 65), e era chamada de cura pela fala. Apesar disso, no fi m do século 
XIX, começou a ser utilizada como método de tratamento de doenças psíquicas. 
Sob infl uência de Freud, pai da psicanálise, a psicoterapia de base analítica se de-
senvolveu bastante na primeira metade do século XX.
Mesmo sendo bem aceita por parte dos clientes e pela Medicina em ge-
ral, a psicanálise apresentava algumas limitações: “a longa duração do trata-
mento e o alto custo, aspectos que as tornavam inacessíveis para o grande 
público” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 65). Além disso, a difi culdade de opera-
cionalizar e comprovar seus construtos teóricos por meio de pesquisas foi um 
grande obstáculo.
Assim, por intercorrência disso, surge uma série de outras correntes teóricas, 
ao longo da segunda metade do século XX, como as terapias comportamentais e 
as terapias humanistas. Em Psicologia, hoje, essa tríade é conhecida como as três 
grandes forças.
Mais adiante, falaremos sobre as especifi cidades de cada uma das escolas. Por 
ora, cabe refl etir sobre fatores comuns e diferenciais nos modelos psicoterapêu-
ticos. Mesmo possuindo técnicas, concepções e visões de mundo diferentes, ha-
veria algo de consensual entre as psicoterapias? Existe algum aspecto comum que 
unifi que a prática psicoterapêutica? 
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Para Frank (1971), citado por Cordioli e Grevet (2019, p. 129), há quatro elemen-
tos comuns necessários para definir um serviço como psicoterapia, como mostra 
o Quadro 1.
1) Uma relação emocionalmente carregada e de confiança entre o terapeuta e o paciente.
2) O contexto onde ocorre a terapia: o terapeuta é um profissional percebido como efetivo e 
que desenvolve seu trabalho no melhor interesse do paciente.
3) Um racional que ofereça uma explicação convincente (teoria) para os problemas, que seja 
aceita pelo paciente e que aponte a forma como pode haver uma solução para eles.
4) Um procedimento, ritual ou conjunto de práticas consistente com o racional proposto.
QUADRO 1. ASPECTOS COMUNS EM PSICOTERAPIAS
Fonte: CORDIOL; GREVET, 2019, p. 128-129. (Adaptado).
Esses fatores comuns não são os únicos encontrados na literatura. Norcross 
(2002), por exemplo, listou alguns fatores envolvendo o paciente, o terapeuta e a 
relação psicoterapêutica com elementos comuns em todas as abordagens. 
É consenso entre os modelos psicoterapêuticos que o principal responsável 
pelo processo de mudança é a pessoa que está em sofrimento psíquico. Assim, 
podemos listar uma série de fatores consensuais presentes em todas as psico-
terapias referentes ao paciente. Um dos fatores comuns referentes ao cliente é a 
motivação para o tratamento. 
Frank (1971) apontou o papel das expectativas do paciente com o tratamento 
e seu papel para a sua melhora. Ele observou que as crenças do paciente sobre a 
psicoterapia podem influenciar no resultado do tratamento. Segundo ele, quanto 
maior for a expectativa de melhora, maior também são as possibilidades disso 
acontecer. Esse também é conhecido como efeito placebo.
Quanto aos fatores do terapeuta, um fator comum a todas as abor-
dagens é de que a pessoa do terapeuta é um dos pontos críticos para 
o alcance de resultados significativos na psicoterapia. Por esse 
motivo, as ideias apresentadas por Rogers são de enorme con-
tribuição para esses fatores. Ele sugeriu que a empatia, o ca-
lor humano e a autenticidade por parte do terapeuta seriam 
condições necessárias para a mudança terapêutica.
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A empatia pode ser defi nida como “o entendimento do ponto de vista do 
paciente e sua visão de mundo” (CORDIOL; GREVET, 2019, p. 132). Um exem-
plo de expressar empatia é repetir o que o paciente disse com outras palavras, 
acrescentando, desta forma, signifi cado ou profundidade. Uma análise incluin-
do 3026 pacientes verifi cou o efeito positivo da empatia no processo terapêuti-
co (NORCROSS, 2002).
O calor humano diz respeito às posturas de respeito, aceitação, apoio, com-
paixão e carinho do terapeuta para com o cliente. A autenticidade envolveria
tanto autoconsciência por parte do terapeuta quanto disposição 
para compartilhar essa consciência. Os conceitos relacionados à au-
tenticidade incluem a coerência, a honestidade, a transparência e a 
sinceridade, as quais permitem que o paciente exponha suas ideias 
e seus sentimentos (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 132).
Dessa maneira, apesar de possuírem diferenças, tanto em relação à aborda-
gem quanto ao público-alvo, dentre outros fatores, as psicoterapias possuem fato-
res de aproximação. Podemos defi nir a psicoterapia como um modelo de trabalho 
psicológico composto por uma série de procedimentos, técnicas e estratégias clí-
nicas, que se aplicam de acordo com as especifi cidades da situação terapêutica.
O cliente e a escolha da psicoterapia
Um dos aspectos extremamente importantes quando se fala da diversida-
de de abordagens psicoterapêuticas é quanto ao cliente e a escolha da psico-
terapia. Cada sujeito que aparece na clínica traz consigo uma série de expecta-
tivas, demandas e concepções sobre o fazer psicológico, e, em determinadas 
situações, o psicólogo pode não ter o perfi l mais adequado para atender deter-
minados clientes. 
É consenso na literatura que as chances de sucesso na psi-
coterapia são infl uenciadas por uma série de fatores, como a 
realização de uma avaliação minuciosa do quadro clí-
nico ou condição do paciente, além da “competência 
profi ssional do terapeuta no uso de determinada 
técnica e de qualidades humanas” (CORDIOLI; 
GREVET, 2019, p. 139).
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Esse trabalho inicial será capaz de traçar estratégias de cuidado, bem como 
modelos de intervenção. Um cliente, por exemplo, pode realizar apenas a psico-
terapia individual; para outros, recomenda-se que façam o trabalho em grupo. 
Também pode acontecer de o cliente realizar o tratamento com ou sem o uso 
de psicofármacos. Assim, o terapeuta precisa realizar um trabalho cuidadoso, 
de modo que busque traçar o melhor plano de trabalho para com o cliente.
O principal recurso que o terapeuta possui para realizar essa avaliação é a 
entrevista. Por meio dela, o profissional consegue coletar informações que o 
ajudam a desenhar melhor a demanda do cliente. Em algumas situações, como 
crianças e adolescentes, transtornos neurocognitivos ou dependênciaquímica, 
o profissional deve solicitar também a participação da família na entrevista. 
As entrevistas podem ser estruturadas ou semiestruturadas, e não precisam 
seguir um padrão de tempo para finalizá-las. Podem durar uma ou mais de uma 
sessão, contanto que o psicólogo possua todas as informações necessárias para 
entender bem as questões vividas por seu cliente. Apesar disso, é importante 
que temas mais delicados só sejam abordados depois de o paciente desenvolver 
confiança no profissional, de sentir-se ouvido com atenção, interesse genuíno, 
calor humano e sem julgamento. Para isso, é necessário o investimento de um 
mínimo de tempo, sem o qual esse contato não será estabelecido e o paciente 
sairá frustrado da sessão (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 140).
Nesse contexto, há alguns temas importantes para fazerem parte da aborda-
gem terapêutica na entrevista. O psicólogo deve avaliar os motivos da procura 
pelo tratamento, a interferência dos sintomas na vida do cliente, se ele apresen-
ta algum diagnóstico ou comorbidade e, em caso positivo, informar qual, bem 
como qual técnica psicoterapêutica é a mais adequada para essa demanda. 
A entrevista de avaliação deve encerrar-se com uma comunicação do tera-
peuta ao cliente, expondo suas percepções sobre a natureza da demanda do 
paciente. Além disso, se for um caso envolvendo trans-
torno, deve-se apresentar os principais sintomas, os 
prováveis fatores etiológicos (predisposição genética, 
fatores ambientais) e os tratamentos disponíveis, se-
jam estes oferecidos pelo psicoterapeuta ou não, e qual 
ou quais indicaria, bem como as possibilidades de melhora 
(CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 140).
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Independentemente dos aspectos evidenciados pela entrevista, são ne-
cessárias algumas condições para o tratamento em psicoterapia (Quadro 2), 
como apontado por Cordioli e Grevet (2019). Essas condições perpassam a 
abordagem, sendo essenciais para o sucesso da psicoterapia em qualquer 
uma delas. 
QUADRO 2. CONDIÇÕES PESSOAIS DO PACIENTE PARA 
AS DIFERENTES PSICOTERAPIAS
O paciente tem insight 
sobre seu transtorno e está 
motivado para tratá-lo?
1
Houve o estabelecimento de 
vínculo na relação entre 
terapeuta e paciente?
2
O paciente tem capacidade de 
insight e de pensar 
psicológico? 
3
O paciente tem tolerância à 
frustração e consegue 
controlar os impulsos? 
4
Qual técnica psicoterapêutica 
seria mais indicada, levando 
em consideração as 
condições do paciente?
5
Muito além da presença de transtornos ou de sofrimento psíquico, essas 
condições são etapas indispensáveis para o alcance de resultados com a 
terapia.
PSICOTERAPIA HUMANISTA E FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL 52
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Conforme apresentado, embora a psicoterapia seja uma atividade cientí-
fica e eficiente, na medida em que as demandas dos clientes são diferentes, 
o enfrentamento a essas demandas também se dá por meio de intervenções 
variadas. Por meio de estudos, a literatura tem apontado uma série de indi-
cações de tratamento psicoterapêutico que variam a partir do quadro clínico 
(Quadro 3).
Diagnósticos Terapias com evidência de eficácia
Esquizofrenia, psicoses, 
déficit intelectual e 
neurocognitivo
Psicoeducação, treinamento de habilidades sociais, terapia de 
remediação cognitiva, manejo comportamental.
Transtorno do humor 
bipolar
Psicoeducação, terapia cognitivo-comportamental, terapia 
familiar, terapia de ritmo social com psicoterapia interpessoal.
Depressão
Leve a moderada: terapia cognitivo-comportamental, terapia 
psicodinâmica, terapia interpessoal;
Grave: terapia cognitivo-comportamental, terapia psicodinâmica 
ou terapia interpessoal + farmacoterapia;
Crônica: terapia psicodinâmica de longo prazo + mindfulness.
Transtorno de pânico Terapia cognitivo-comportamental.
Ansiedade social
Terapia cognitivo-comportamental, treinamento de habilidades 
sociais, técnicas de relaxamento, mindfulness, terapia 
psicodinâmica.
TOC e fobias
Terapia cognitivo-comportamental, terapia de exposição e 
prevenção de resposta, terapia de exposição (in vivo, virtual), 
modificação do viés atencional.
Transtorno do estresse 
pós-traumático
TCC focada no trauma, terapia do processamento cognitivo, 
exposição prolongada, EMDR (dessensibilização e reprocessamento 
por movimentos oculares), terapia interpessoal.
Transtorno dissociativo 
e somatoforme Terapia cognitivo-comportamental e terapia psicodinâmica.
Transtornos alimentares
Terapia cognitivo-comportamental, terapia psicodinâmica, terapia 
interpessoal, mentalização, terapia comportamental dialética, 
terapia familiar.
Insônia
Terapia cognitivo-comportamental, higiene do sono, terapia de 
restrição de sono, terapia de controle de estímulos, técnicas de 
relaxamento, terapia cognitiva, mindfulness.
QUADRO 3. TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS E PSICOTERAPIAS E TÉCNICAS 
PSICOTERAPÊUTICAS COM EVIDÊNCIA DE EFICÁCIA
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Disfunções sexuais Terapia cognitivo-comportamental, terapia psicodinâmica, terapia 
de casal, mindfulness.
Transtorno por uso de 
substâncias, jogos e 
internet
Terapia cognitivo-comportamental, entrevista motivacional, 
manejo de contingências, prevenção de recaída, terapia 
comportamental dialética, mindfulness, terapia familiar, grupos 
de autoajuda.
Transtorno do déficit 
de atenção com 
hiperatividade
Terapia cognitivo-comportamental e terapia comportamental 
dialética.
Transtornos de 
personalidade
Grupo B: terapia comportamental dialética, terapia de esquemas, 
terapia psicodinâmica, mentalização.
Grupo C: psicanálise, terapia psicodinâmica, terapia de esquemas, 
técnicas de exposição em comportamentos evitativos.
Fonte: CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 148-149. (Adaptado).
Ainda, podemos dizer que cada abordagem psicológica possui especificidades 
e, muitas vezes, o cliente que busca tratamento não conhece essas particularida-
des. Assim, cabe ao profissional entender as características de cada modelo psi-
cológico e auxiliar o cliente. Ao fim da entrevista inicial, cabe ao cliente avaliar as 
alternativas apresentadas. Nesse momento, o terapeuta deve demonstrar flexi-
bilidade, pois podem surgir dificuldades por parte do paciente para adotar o tra-
tamento sugerido, seja pelo custo, pelo tempo disponível ou pela acessibilidade. 
Pela diversidade das abordagens, podemos dizer que o leque de escolha dos 
clientes é bastante amplo. Cada escola psicoterapêutica tem características pró-
prias, apresentando situações em que ela é indicada ou contraindicada, e carrega 
consigo condições pessoais de trabalho. Pensando nisso, Cordioli e Grevet (2019) 
desenvolveram um quadro que apresenta esses aspectos (Quadro 4). 
Psicoterapia Evidências de eficácia Ausência de evidências Condições pessoais
Psicanálise
Transtornos de 
personalidade; 
conflitos interpessoais, 
inclusive sexualidade 
e atrasos evolutivos; 
desejo de melhorar 
aspectos definidos da 
personalidade.
Psicose; transtorno 
bipolar em episódio 
agudo; transtorno 
da personalidade 
antissocial; deficiência 
intelectual; transtornos 
neurocognitivos.
Capacidade de pensar 
psicológico e de 
insight; interesse em 
se conhecer melhor; 
tolerância a frustrações; 
disponibilidade de tempo 
e dinheiro.
QUADRO 4. INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES DAS PRINCIPAIS PSICOTERAPIAS
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Terapia 
psicodinâmica
Depressão; transtornos 
de adaptação; 
transtorno de ansiedade 
generalizada; traços 
de personalidade dos 
grupos B e C; bulimia; 
transtornos dissociativos; 
e crises vitais.
Psicose; episódio 
agudo de transtorno 
bipolar; transtornos da 
personalidade (grupos A 
e B) graves; ausência de 
capacidade de insight.
As exigênciassão 
menores quanto 
à motivação, ao 
pensar psicológico e 
à disponibilidade de 
tempo e dinheiro em 
relação à psicanálise. Boa 
capacidade de pensar 
psicológico e de insight; 
defesas não muito rígidas; 
motivação para mudança; 
definição do foco.
Terapia 
interpessoal
Depressão; dificuldade 
nas relações 
interpessoais; situações 
de luto, perdas; 
mudança de papel social; 
transtorno alimentar; 
transtorno de ansiedade 
generalizada; ansiedade 
social; transtorno do 
estresse pós-traumático; 
e transtorno de 
personalidade borderline.
Depressão com sintomas 
psicóticos; transtornos da 
personalidade; psicoses 
em geral e ausência de 
conflitos interpessoais.
Capacidade e motivação 
para examinar e 
modificar padrões 
de relacionamentos 
interpessoais.
Mentalização Transtorno de 
personalidade borderline.
Não foram encontradas 
contraindicações na 
literatura.
Aumentar a capacidade 
de pensamento, a 
regulação do afeto e 
fortalecer as relações 
interpessoais.
Terapia cognitivo-
-comportamental 
Depressão leve e 
moderada; transtorno 
bipolar; transtorno de 
ansiedade; transtorno 
obsessivo-compulsivo; 
pânico; transtorno de 
ansiedade generalizada; 
transtorno do estresse 
pós-traumático; fobias; 
transtornos alimentares; 
transtorno por uso de 
substâncias; insônia; 
esquizofrenia; e 
transtorno somatoforme.
Ausência de déficit 
cognitivo; transtornos 
da personalidade (grupo 
A) graves; transtorno 
mental orgânico; 
psicoses.
Boa capacidade de 
pensar psicológico; 
motivação para mudança; 
aliança terapêutica 
satisfatória para 
identificar pensamentos 
disfuncionais e comunicá-
-los ao terapeuta.
Terapia 
comportamental/ 
ativação 
comportamental
Fobias; transtorno 
obsessivo-compulsivo; 
transtorno do pânico; 
transtorno do estresse 
pós-traumático; 
transtornos alimentares; 
disfunções sexuais; 
transtorno por uso 
de substâncias; 
esquizofrenia; transtorno 
do espectro autista; 
deficiência intelectual; 
TDAH; insônia; e 
depressão grave.
Ansiedade muito 
intensa; transtorno 
da personalidade 
esquizoide; intolerância 
a níveis elevados de 
ansiedade.
Motivação; capacidade 
para tolerar níveis 
altos de ansiedade, de 
vincular-se ao terapeuta 
e de executar as tarefas 
programadas.
PSICOTERAPIA HUMANISTA E FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL 55
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Mindfulness
Depressão crônica; alívio 
de sintomas depressivos 
residuais; transtorno 
do pânico; mania; 
despersonalização; e 
prevenção de recorrência 
de episódios depressivos.
Quadros agudos de 
qualquer transtorno. 
Aceitar com curiosidade 
e sem julgamento 
seus pensamentos, 
comportamentos e 
sensações corporais 
com foco no momento 
presente.
Terapia 
comportamental 
dialética
Transtorno de 
personalidade borderline; 
transtorno por uso de 
substâncias; transtornos 
alimentares; transtorno 
depressivo maior; e 
transtorno bipolar.
Não foram encontradas 
contraindicações na 
literatura.
Pacientes com 
dificuldades para 
diferenciar e regular 
estados emocionais, 
além de reagir com 
ações não adequadas a 
determinadas situações.
Dessensibilização 
e reprocessamento 
por movimentos 
oculares (EMDR)
Transtorno do estresse 
pós-traumático; 
transtorno obsessivo-
-compulsivo; depressão 
pós-IAM; dependência 
química; transtornos de 
ansiedade.
Não foram encontradas 
contraindicações para 
EMDR na literatura; 
limitações com 
pacientes resistentes ao 
tratamento comum de 
TEPT.
A memória do medo 
precisa ser ativada, 
e informações com 
elementos incompatíveis 
com o medo são 
associadas. Por meio 
da exposição, novos 
elementos são associados 
para que uma nova 
relação possa ser formada.
Psicoeducação
Praticamente em 
todos os transtornos, 
mas, em especial, 
na esquizofrenia, no 
transtorno bipolar, 
nos transtornos de 
ansiedade, no transtorno 
obsessivo-compulsivo, 
nos transtornos por 
uso de substâncias 
e nos transtornos 
neurocognitivos.
Todos os pacientes 
podem obter ganhos 
terapêuticos com essas 
intervenções.
Teste de realidade 
prejudicado; baixa 
capacidade de insight, de 
motivação e de controle 
dos impulsos; ausência 
de pensar psicológico.
Terapia de família 
e/ou de casal
Crises evolutivas de 
família ou de casal; 
famílias e casais 
disfuncionais; conflitos 
intergeracionais; divórcio; 
doença crônica grave 
na família; disfunções 
sexuais.
Psicose; transtorno da 
personalidade grave 
em um dos familiares; 
impossibilidade de estar 
presente; segredos que 
não podem ser revelados; 
tendência irreversível de 
ruptura.
Honestidade nas 
comunicações; algum 
grau de coesão entre os 
membros; motivação 
para mudança dos 
padrões disfuncionais; 
flexibilidade.
Terapias de grupo
Fobia social; transtorno 
obsessivo-compulsivo; 
transtorno de ansiedade 
generalizada; pânico; fobia 
específica; transtorno do 
estresse pós-traumático; 
insônia; dor crônica; 
dificuldades nas relações 
interpessoais; cessação do 
tabagismo; dependência 
química; e psicoeducação 
em diversas condições 
médicas.
Incompatibilidades 
com normas, setting 
grupal ou algum 
membro; tendência a 
ser desviante; sintomas 
psicóticos, ansiedade 
ou fobia social grave; 
destrutividade grave e 
fora de controle.
Capacidade de vincular-
-se ao grupo e seguir as 
normas; ego com alguma 
estrutura.
Fonte: CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 160-162. (Adaptado).
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Todos esses recursos estudados nos Quadros demonstram efi ciência e indi-
cação das abordagens em vários contextos. Porém, o sucesso na psicoterapia de-
pende de uma série de componentes, como o diagnóstico das condições pessoais 
do paciente, a técnica utilizada, a competência do terapeuta em utilizar a técnica, 
que é comprovadamente efetiva, e de um conjunto de outros fatores (CORDIOLI; 
GREVET, 2019, p. 162). Por esse motivo, o profi ssional deve estar atento, sempre 
buscando realizar seu trabalho com sensibilidade e competência.
As principais abordagens em psicoterapia
As psicoterapias de orientação analítica surgem com o trabalho de Freud 
no início do século XX, com a psicanálise. Desde então, uma enorme varieda-
de de abordagens terapêuticas foi desenvolvida com foco no tratamento de 
psicopatologias e perturbações de natureza emocional. Serão abordados o 
surgimento da psicanálise e a ampliação das abordagens de origem analítica. 
Freud (1856–1939) foi um médico neurologista e psiquiatra do século XX. 
Diferentemente de muitos profi ssio-
nais da Medicina na época, ele se in-
teressou pela existência de fenôme-
nos que não podiam ser lembrados 
se o indivíduo desejasse, mas que 
geravam sintomas e interferiam no 
comportamento dos pacientes. O iní-
cio do trabalho de Freud se deu por 
meio da técnica de hipnose, que pro-
duzia alívio signifi cativo dos sintomas 
(CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 350).
Sob orientação do neurologista Charcot, Freud mudou-se para Paris, em 
1885, para aprender mais acerca do método hipnótico. Porém, quando foi 
utilizar em suas pacientes, que eram, em sua maioria, histéricas, percebeu 
que era um hipnotizador ruim. Na busca pelo trauma que ocasionava a neu-
rose, ele passou a desenvolver outras estratégias para acessar os conteú-
dos que estavam além da consciência. Assim, ele desenvolveu o método de 
associação livre. 
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Em sua busca pelo inconsciente, Freud notou que “as forças que se opu-
nham à recordação (resistências) eram profundas e arraigadas, manifestando-
-se alheias à vontade do indivíduo” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 365). Assim, 
passou a investigar formas de expressão do conteúdo inconsciente, como so-
nhos, atos falhos e chistes. Para ele, essa era a forma mascarada do inconscien-
te expressar desejos e fantasias reprimidos, especialmente de cunho sexual. 
Da mesma forma, nas situações traumáticas vividas, desejos efantasias eram 
mantidos fora da consciência por meio de mecanismos de defesa (CORDIOLI; 
GREVET, 2019).
A psicanálise possui alguns conceitos essenciais importantes, como incons-
ciente, associação livre, resistência, transferência e interpretação. Abordare-
mos, de maneira breve, esses conceitos, com o objetivo de situá-los na lingua-
gem psicanalítica.
Inconsciente
A base da psicanálise é a existência do inconsciente, ou seja, de 
forças alheias à vontade consciente do indivíduo, que determinam 
as escolhas (e pensamentos conscientes) componentes do dia 
a dia. Fazem parte do inconsciente as fantasias, os desejos e 
impulsos, as representações internalizadas de relações objetais e 
os mecanismos de defesa, que protegem o indivíduo do contato 
indesejável com alguns aspectos da realidade externa e com o 
conteúdo do próprio inconsciente.
Associação livre
Para o desenvolvimento do processo analítico, o paciente 
deve vir à sessão com a intenção de falar tudo o que vier à 
sua mente, mesmo que possa parecer vergonhoso ou sem 
sentido, possibilitando ao analista identificar o conteúdo latente 
(inconsciente) por meio de seu discurso.
Resistência
Refere-se a forças profundas e alheias à vontade existentes no 
indivíduo, que impedem o contato com o conteúdo inconsciente. 
A interpretação das resistências é parte essencial do tratamento, 
possibilitando o acesso ao material reprimido.
Transferência
É a reedição no tratamento das relações com objetos do passado 
ou, segundo alguns autores, a reencenação das relações entre os 
objetos do mundo interno e o self. Esses objetos, na realidade, 
são representações das relações originais e configuram o mundo 
interno do paciente. Resultam em sua maneira de se relacionar 
com o mundo e, portanto, com o terapeuta.
QUADRO 5. PRINCIPAIS CONCEITOS DA PSICANÁLISE
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Interpretação
É a ferramenta principal do analista. Seria possível dizer que a 
finalidade básica da interpretação segue fiel a um pressuposto 
presente desde os primórdios da psicanálise: tornar consciente 
o inconsciente. Pode-se entender como interpretação toda 
intervenção que tem por objetivo explicitar o funcionamento 
psíquico, seja evidenciando mecanismos defensivos, padrão 
de relações objetais ou o conteúdo latente (fantasias e desejos 
inconscientes), a partir do material trazido à sessão por meio da 
livre associação. A interpretação pode ser transferencial, a relação 
do paciente com o analista, ou extratransferencial, a relação com 
outras pessoas. Pode se referir tanto ao aqui e agora quanto ao 
passado. Uma interpretação pode também incluir o entendimento 
do aqui e agora e sua relação com o passado, na tentativa de 
reconstruir a história do desenvolvimento da personalidade. Um 
fator de crucial importância, quando se discute o que e em que 
momento interpretar, é a observação de que a interpretação do 
conteúdo associado à maior intensidade de afeto durante a sessão 
é mais efetiva. Esse ponto de concentração de afeto é o ponto de 
urgência e deve ser buscado ao longo de cada sessão.
Fonte: CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 356-357. (Adaptado).
Esses conceitos apresentados são fundamentais para a psicanálise e se 
mantêm até hoje. Outros, entretanto, apresentaram mudanças, contribuições, 
acréscimos e, em alguns casos, discordâncias. Assim, surgiram as psicoterapias 
de orientação analítica, que ou colaboram para a construção da psicanálise ou 
fundam uma nova abordagem psicoterapêutica. Dentre os grandes nomes que 
alimentaram essa expansão, pode-se citar Melanie Klein, Wilfred Bion, Jean 
Jacques Lacan e Carl G. Jung, criador da Psicologia Analítica.
DICA
Dedique-se a estudar as contribuições propostas por esses autores, bus-
cando entender quais os acréscimos e diferenças teóricas entre eles e a 
teoria proposta por Freud. Apesar de todos esses autores estudarem o in-
consciente, cada um, à sua maneira, apresenta contribuições particulares, 
que são extremamente ricas para a formação profissional do psicólogo. 
Por fim, pode-se dizer que todas as abordagens, técnicas e métodos das 
psicoterapias de orientação analítica buscam trabalhar com o paciente “a ex-
pansão da consciência, a liberdade e a capacidade de pensar, a possibilidade de 
conter as divergências, as ambivalências e a angústia que resulta delas” (COR-
DIOLI; GREVET, 2019, p. 366). Independentemente da corrente, as abordagens 
de orientação mostram-se eficientes como método psicoterapêutico de en-
frentamento ao sofrimento psíquico, e, portanto, é essencial como estratégia 
de cuidado em saúde.
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Psicoterapias de orientação comportamental
Até a fundação do laboratório de pesquisa de Psicologia fundado por 
Wundt, em 1879, a Psicologia era considerada um ramo da filosofia, e “os fe-
nômenos mentais ou psicológicos, como a percepção, a memória, a inteli-
gência e a aquisição do conhecimento, eram estudados com o uso da intros-
pecção, método sujeito a erros por ser essencialmente subjetivo” (CORDIOLI; 
GREVET, 2019, p. 275). 
Com a criação desse laboratório, além da fundação da Psicologia enquan-
to ciência, passa-se a utilizar o método científico, que, anteriormente, só 
era utilizado nas ciências naturais, para estudar o comportamento humano. 
O behaviorismo surgiu como consequência desse enfoque. Trata-se de um 
ramo da Psicologia científica que valoriza a observação, a mensuração de va-
riáveis, a testagem de hipóteses e a formulação de teorias como método de 
construção do conhecimento (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 275). 
Dentre os grandes nomes representantes do behaviorismo, podemos 
destacar Ivan Pavlov, criador da teoria do condicionamento clássico, J. B. Wat-
son, fundador do behaviorismo metodológico, Thorndike, criador da lei do 
efeito, e Skinner, fundador do behaviorismo radical. Essas teorias desenvol-
vidas no campo de pesquisa influenciaram também o desenvolvimento da 
psicoterapia. 
Quanto às teorias psicoterapêuticas de orientação comportamental, po-
de-se dizer que houveram três grandes fases. A primeira delas se desenvol-
veu a partir dos estudos do fisiologista Pavlov, a partir de 1950. Ele defendia 
uma ciência objetiva e mensurável, e classificou o cérebro como uma caixa 
negra, pois não podia ser aberta. Inicialmente, seus estudos focaram em in-
vestigar as atividades do sistema nervoso e a função digestiva, o que o fez 
receber o Prêmio Nobel de Medicina, em 1904. 
Enquanto estudava o sistema digestivo de 
cães, Pavlov chegou acidentalmente à conclu-
são de que reflexos fisiológicos poderiam 
ser condicionados frente a estímulos do 
ambiente. Antes de seus estudos, acreditava-
-se que o reflexo de salivação fosse puramente 
uma reação fisiológica; inata (FRAZÃO, 2019).
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Em seu experimento, Pavlov realizou o seguinte procedimento: inicialmen-
te, ele percebeu que, ao apresentar um estímulo incondicionado, que era a 
comida, o cachorro apresentava a resposta de salivação. Após um período do 
início do experimento, Pavlov notou que o reflexo salivar acontecia antes do 
cachorro comer o alimento, apenas com a visão ou com o cheiro. Então, antes 
de apresentar o alimento, ele acrescentou o toque de uma sineta, que era um 
estímulo neutro. Ao repetir este processo repetidas vezes, o cão começou a 
salivar com o toque da sineta, mesmo sem a presença da comida. 
Figura 1. Estudo do condicionamento clássico, feito por Ivan Pavlov. Fonte: Sainte Anastasie. Acesso em: 
03/09/2021. (Adaptado).
Do ponto de vista psicoterapêutico, os psicólogos comportamen-
tais da primeira fase, sob influência da teoria de Pavlov, buscavam 
investigar a função dos comportamentos operantes 
por meio da análise de contingênciase, a partir disso, 
modificar comportamentos indesejados (queixas), 
além de técnicas de exposição a estímulos e des-
sensibilização sistemática.
Antes do condicionamento 
Durante o condicionamento Após o condicionamento
Antes do condicionamento 
Estímulo 
incondicionado Resposta 
incondicionada
Resposta
Salivação
Sino
Estímulo 
neutro Sem resposta 
condicionada
Resposta
Sem salivação
Estímulo 
condicionado Resposta 
condicionada
Resposta
Resposta 
incondicionada
Sino Comida
Resposta
Comida
Sino
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A segunda onda marcou os anos 1960 e foi influenciada pelo trabalho de 
pesquisa de dois psicólogos: Albert Ellis e Aaron Beck. O primeiro, Ellis, foi res-
ponsável por criar a TREC (terapia racional emotiva comportamental). Para ele, 
o comportamento humano era influenciado por tendências inatas e adquiri-
das. Para alcançar a saúde emocional, as crenças básicas dos seres humanos 
necessitavam ser desafiadas constantemente.
Um dos aspectos inovadores desta vertente, e que a diferencia da primei-
ra onda do condicionamento clássico, é que ela privilegia a razão sobre a ex-
periência dos sujeitos, utilizando, assim, técnicas cognitivas junto às técnicas 
comportamentais. Esse movimento abriu mão para a criação do trabalho de 
Aaron Beck, criador da TCC (terapia cognitivo-comportamental). Para ele, as 
cognições humanas podem gerar comportamentos disfuncionais, e, por meio 
da psicoterapia, esses comportamentos podem ser eliminados ou reduzidos. 
A terceira e última fase das terapias de orientação comportamental são da-
tadas a partir de 1990, e apresentam um trabalho empírico com foco no con-
texto e nas funções dos fenômenos psicológicos. Assim, apresentam interven-
ções, técnicas e métodos, que podem contribuir para a mudança de contexto 
e das experiências.
A terceira onda apresenta várias abordagens diferentes, como a ACT (te-
rapia de aceitação e compromisso), DBT (terapia comportamental dialética), 
FAP (psicoterapia analítica funcional) e a terapia comportamental baseada 
em mindfulness e Aceitação. Todos esses modelos partem da mesma origem 
de orientação comportamental e buscam uma preocupação maior que ape-
nas mostrar resultados: estabelecer uma relação com as dificuldades expe-
rienciadas pelos seres humanos, de um modo profundo e amplo (SINOPSYS 
EDITORA, 2021).
Psicoterapias de orientação fenomenológico-existencial
Desde a sua fundação, a Psicologia recebeu uma 
série de contribuições da filosofia, tanto do ponto 
de vista teórico quanto prático. Alguns dos frutos 
dessas contribuições filosóficas são as psicotera-
pias de origem fenomenológico-existencial, que sur-
gem como a terceira força na Psicologia, opondo-se às aborda-
gens de orientação analítica e às de orientação comportamental. 
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Embora haja uma diversidade de abordagens de orientação fenomenoló-
gico-existencial, as quais serão abordadas em breve, todas essas abordagens 
partem de um núcleo comum, que é a concepção de homem e de mundo. A 
partir desse núcleo comum, é possível perceber também “fortes influências de 
tais perspectivas na postura terapêutica e na relação terapeuta-cliente” (LIMA, 
2008, p. 29). 
Assim, pode-se falar que as visões de homem e de mundo orientam os prin-
cípios orientadores da Psicologia Fenomenológico-Existencial, e esses princí-
pios são vistos nas práticas terapêuticas. Carrasco (2019) apresenta uma lista 
deles, e todas as psicoterapias que enxergam o ser humano da mesma maneira 
compõem o grupo de terapias fenomenológico-existencial. São os princípios 
listados por Carrasco:
• Não há algo que nos define antes de nossa existência;
• Somos livres para fazer escolhas;
• Somos responsáveis pelas escolhas que fazemos;
• Nossa existência se constrói em nossa relação com o mundo;
• Cada pessoa se torna o que fizer de si;
• A não escolha também é uma escolha;
• A existência de cada indivíduo é única e singular;
• Coexistem diversos modos de ser;
• Somos transformados pelo mundo e o transformamos;
• Estamos em constante transformação, em um vir-a-ser;
• Não há um sentido dado para a vida;
• Somos livres para criar sentido para nossa existência;
• Experimentamos a vida a partir dos afetos;
• Não há como compreender uma pessoa fora de seu contexto.
Conforme apontamentos, a psicoterapia fenomenológico-existencial apre-
senta uma visão do sujeito enquanto indivíduo singular, dotado de afeto e 
capaz de fazer escolhas. Essas escolhas serão capazes de formá-lo enquanto 
sujeito. A presença do inconsciente ou do comportamento na psicote-
rapia, assim, fica a critério do cliente trazer, pois tudo que é abordado 
na psicoterapia fenomenológico-existencial deve partir do 
cliente. Pode-se dizer, então, que essa abordagem estuda o 
existir humano e suas particularidades.
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São consideradas psicoterapias fenomenológico-existenciais abordagens 
como a Gestalt-terapia, abordagem centrada na pessoa, Daseinsanalyse, psi-
coterapia transpessoal, psicodrama e logoterapia. Todas essas abordagens 
apresentam concepções, conceitos e ideias próprias, mas partem da mesma 
raiz epistemológica de enxergar o homem conforme os princípios da Psicologia 
Fenomenológico-Existencial. 
Abordagem centrada na pessoa
A teoria da abordagem centrada na pessoa foi fundada por Carl Ransom Ro-
gers (1902–1987) como uma teoria de oposição às teorias dominantes da Psico-
logia na época, como a psicanálise e a análise do comportamento. Para Barros 
e colaboradores (2018), essas teorias levavam ao reducionismo do ser humano 
ao inconsciente ou ao comportamento, e o surgimento de uma terceira força da 
Psicologia foi essencial para o estudo da experiência humana.
Figura 2. Carl Ransom Rogers, criador da abordagem centrada na pessoa. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 06/07/2021. 
Essa crítica às teorias anteriores é uma característica marcante dos exis-
tencialistas. Muitos deles se intitulam antiteorias, por acreditar que toda teoria 
desumaniza o ser humano, tratando-o como um objeto ao tentar explicar seus 
fenômenos (MAY, 1980). Assim, para os existencialistas, corrente em que a abor-
dagem centrada na pessoa encaixa-se, é mais importante investigar as experiên-
cias do que dar explicações de modo impreciso e artifi cial. 
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Para Rollo May (1980), quando se tenta encaixar uma experiência de um 
sujeito em uma teoria preexistente, essa experiência perde sua autenticida-
de, divorciando-se do indivíduo e de sua vivência. Em união a isso, Rogers 
também não pretendia desenvolver uma teoria explicativa. Para ele, fazer 
isso era tratar o modo que o ser humano experimenta os fenômenos de for-
ma fria e distante. Ao colocar o ser humano como possível de ser explicado, 
Rogers acreditava que isso o demarcava em uma condição de um ser fina-
lizado, e ele enxergava o ser humano de modo 
totalmente oposto, como um ser que está em 
constante mudança.
De um ponto de vista histórico, ao formu-
lar a ACP, Rogers não o fez do dia para a noite. 
O desenvolvimento da teoria conhecida hoje se 
deu de modo progressivo, ao longo do tempo, mu-
dando a maneira como os métodos eram direcionados, 
modificando as ênfases do tratamento e também o 
papel do terapeuta. Com o objetivo de facilitar a com-
preensão dessas etapas, foi criado o Quadro 6.
Etapas da abordagem centrada na pessoa
Aconselhamento diretivo 
(1940–1950)
Essa etapa teve ênfase na obtenção de insight do cliente, 
criando uma atmosfera não diretiva e permissiva. O 
terapeuta atuava com o papel de possibilitar a clarificaçãoe a aceitação, e focava em atuar com uma postura de 
neutralidade, buscando intervir o mínimo possível.
Aconselhamento reflexivo 
(1950–1957)
Foi um período focado em dar respostas de reflexão às 
vivências emocionais e sentimentos dos clientes. Nesse 
momento, a ideia de não diretividade é trocada pela ideia 
centralizada no cliente. O papel do terapeuta é promover o 
desenvolvimento do cliente, realizado em um ambiente de 
condições ambientalmente facilitadoras. 
Aconselhamento experiencial 
(1957–1970)
Com ênfase maior na autenticidade, o cliente experiencia 
o mundo e dá significados pessoais a essas experiências. 
O terapeuta deve atuar na interface de apresentar essas 
experiências e afetações, como o cliente chegou a elas etc. 
Depois desse modelo, a ACP evoluiu para delimitar uma 
teoria da personalidade. 
QUADRO 6. ETAPAS DA ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA
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Pressupostos básicos da ACP: fenomenologia, 
existencialismo e humanismo 
Antes de apresentar os principais conceitos e ideias da ACP, é importante 
apresentar sua visão de homem e de mundo. Isso porque a elaboração dos con-
ceitos são frutos dessa forma de enxergar o ser humano e seu modo de interagir 
com o seu meio. Leonardo Boff (2017, p. 2) diz que “todo ponto de vista é a vista 
de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus 
olhos e qual é a sua visão de mundo”. Desse modo, começar entendendo a forma 
que Carl Rogers via o ser humano e o mundo é essencial, pois está totalmente 
interligada com o desenvolvimento de sua teoria como um todo.
Para fazer uma diferenciação teórica, vejamos um pouco da concepção so-
bre o ser humano do behaviorismo radical, proposto por Skinner. Para ele, o 
comportamento humano é sempre controlado pelas contingências de refor-
çamento. Nesse sentido, o conceito de liberdade é falho, pois há uma série de 
infl uências que moldam a forma do organismo se comportar no mundo: heran-
ças genéticas, experiências vividas e o ambiente.
Dessa maneira, o behaviorismo radical apresenta uma teoria explicativa da 
resposta do organismo ao estímulo presente do ambiente, preconizando a fa-
mosa teoria de Skinner. Rogers, em oposição a isso, dizia que mesmo alguns 
comportamentos tendo raiz controlada, previsível e regulada, existem valores 
e escolhas que estão no âmbito do controle pessoal, tornando o ser humano 
capaz de escolher e direcionar-se. Essa concepção parte de uma visão rogeria-
na entendida como humanismo. Por humanismo, entende-se uma teoria com 
foco no ser humano, que possui um fi m em si mesmo.
A outra força da Psicologia, que é a psicanálise, estudou com bastante 
detalhe o inconsciente. Em seus trabalhos, Rogers não negou a presença de 
processos inconscientes no psiquismo. Ele acreditava que existe uma série de 
processos mentais no ser humano em que ele sequer se dá conta, e que esses 
processos podem ser prejudiciais para a sua saúde.
A crítica de Rogers, entretanto, seja para o estudo do inconsciente ou dos 
condicionamentos, é de que são aspectos insufi cientes para entender o que é 
ser humano. Desse modo, o foco de seus trabalhos estava na capacidade do 
ser humano de escolher conscientemente suas ações.
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Quanto ao ser humano, Rogers dizia que ele tem em sua essência caracte-
rísticas amistosas, capacidade de assumir posturas construtivas e confiáveis, 
sabendo o que é melhor para si e buscar naturalmente desenvolver-se em bus-
ca da autorrealização, do desenvolvimento pessoal e de sua saúde psicológica. 
O ser humano também pode ser o oposto disso: bruto, desagradável, neuróti-
co, se tiver uma infância em que não foram atendidas as necessidades básicas 
humanas, como amor, segurança e aceitação. 
Mesmo nesses casos, o ser humano é capaz de desenvolver-se. Parte es-
sencial para isso acontecer é por meio da relação com outros sujeitos em que 
há valorização e compreensão de um indivíduo para outro indivíduo. Essa rela-
ção é fortalecida porque mesmo sendo sujeitos da mesma espécie, com vários 
aspectos biológicos em comum que formam os seres humanos, cada sujeito 
possui diferenças individuais, tornando-os sujeitos da unicidade. Desse modo, 
o ambiente acolhedor desenvolverá cada pessoa à sua maneira, em busca de 
sua completude.
Rogers acreditava que o ser humano apresenta duas tendências básicas: a 
tendência formativa e a tendência atualizadora. A primeira delas, a tendência 
formativa, pressupõe que toda matéria existente, seja ela orgânica ou inor-
gânica, tende a evoluir de formas simples para formas mais complexas. Um 
exemplo disso é que seres unicelulares se desenvolvem e formam organismos 
complexos. 
A tendência atualizadora é a ideia de que todo ser humano tem uma força 
interna, capaz de desenvolver as potencialida-
des do ser humano. Para Rogers, essa ten-
dência é uma motivação básica humana. 
O ser humano, em busca de satisfação 
das necessidades orgânicas, como co-
mer, desde sua origem, desenvolveu es-
tratégias de caça e coleta no período dos 
homens das cavernas, ou estratégias comple-
xas, como o desenvolvimento do sistema de compra 
no capitalismo, modelo que serve também como 
estratégia para que o ser humano busque alimen-
to para atender a sua necessidade.
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Cada ser humano possui em si uma dimensão biológica e uma dimensão psi-
cológica. Essa tendência atualizadora abarca toda a dimensão humana, sendo 
tanto psíquica quanto fisiológica. Ela, inclusive, não é exclusiva do ser humano. 
Animais e plantas, por exemplo, possuem tendências inatas para o crescimento 
e maturidade. O homem, por sua vez, possui características exclusivamente hu-
manas, como a autoconsciência, possibilitando que este faça escolhas e tenha 
um papel ativo na formação de sua personalidade, tornando-se, assim, um ser 
autoatualizador.
A tendência atualizadora pode implicar uma tensão interna, pois abarca em 
si dois tipos de necessidades que podem se contrapor: necessidades de ma-
nutenção e necessidades de aperfeiçoamento. Parte dessas necessidades 
de manutenção são referentes às necessidades básicas propostas por Maslow, 
como alimento, água e segurança. Essas necessidades de segurança envolvem 
tanto fatores físicos, como ter uma casa, um emprego e dinheiro para sobreviver, 
quanto necessidades psicológicas de se sentir seguro.
Por esse motivo, há uma tendência psicológica no ser humano de resistir a 
mudanças, mantendo as coisas como normalmente estão. Essa necessidade de 
manutenção tem característica conservadora, e pode atuar no psiquismo de 
modo que leve o sujeito a resistir a ideias novas, distorcendo as vivências e tor-
nando todas as experiências de mudança como experiências dolorosas e amea-
çadoras.
Mesmo que o ser humano possua características psíquicas de preservação, 
devido à necessidade de manutenção, ele possui, também, necessidades de 
aperfeiçoamento. Pode-se percebê-las na tendência natural humana pela busca 
por aprender coisas novas. Assim, Rogers acredita que as pessoas estão dispos-
tas a enfrentar ameaça e sofrimento, em busca da realização de seus potenciais, 
como desenvolvimento, crescimento e aprendizagem. 
Pode-se perceber características da necessidade de aperfeiçoamento em 
diferentes aspectos da vida humana, tanto na infância quanto na vida adulta, 
como a curiosidade, a brincadeira, a autoexploração, a amizade etc. Além disso, 
Rogers diz que dentro de todo ser humano há o poder criativo e a capacidade de 
resolver problemas, de modificar o que pensa e de tornar-se autodirigido. Entre-
tanto, essa habilidade necessita de condições psicossociais, como o ambiente, 
para que seja desenvolvida e realizadano sujeito. 
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A abordagem centrada na pessoa é inserida dentro do grupo de teorias da 
Psicologia Humanista de base fenomenológico-existencial. Isso significa que a 
visão de homem e de mundo dela é alimentada por essas vertentes psicológi-
cas. Assim, estudar sobre as origens epistemológicas da ACP é também estu-
dar um pouco dessas correntes filosóficas e de que modo elas se relacionam 
com as ideias de Rogers.
A relação da ACP com a corrente fenomenológica ocorre porque, de acordo 
com Rogers, a realidade se dá pelas experiências do sujeito no mundo. Dessa 
maneira, ninguém seria capaz de conhecer essas vivências por completo, ex-
ceto o próprio ser humano. Assim, de acordo com Rogers, as experiências de 
cada sujeito formam seu mundo, e ninguém é capaz de conhecer por completo 
o mundo do outro.
Dessa maneira, toda vez que qualquer pessoa se propõe a tentar entender 
o outro, na verdade, ela está apresentando uma ramificação de si. Portanto, 
a concepção das experiências do sujeito como um fenômeno exclusivamente 
subjetivo é uma das características marcantes da teoria de Rogers, sofrendo 
influência do pensamento existencialista e fenomenológico, concebendo o ser 
humano na sua subjetividade.
CITANDO
“Se me permito realmente compreender uma outra pessoa, é possível que 
essa compreensão acarrete uma alteração em mim” (ROGERS; STEVENS, 
1977, p. 22).
Nesse modelo de abordagem fenomenológico-existencial, o papel do te-
rapeuta assume um formato específico, diferenciando dos profissionais que 
atuam nas psicoterapias de base analítica ou de base comportamental, por 
exemplo. O psicólogo que atua na corrente da ACP não dá res-
postas nem conselhos, mas tem como desafio ajudar o cliente 
a encontrar suas próprias soluções. Para que o 
cliente seja capaz disso, o psicólogo deve aju-
dá-lo a liberar todos os entraves mentais, 
colaborando para a busca do potencial de 
autorrealização presente no cliente. 
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Teoria da personalidade em Carl Rogers
Por partir da Psicologia Fenomenológica, Rogers entendia que cada sujeito 
percebia o mundo de maneira singular. Todas as percepções que o sujeito tem 
sobre o mundo formam o seu campo fenomenal, que é composto por percep-
ções conscientes e inconscientes. As percepções conscientes são aquelas que po-
demos pensar e refl etir objetivamente. Por exemplo, ao sentir um cheiro familiar 
de perfume, pode-se lembrar da embalagem na qual esse perfume foi embalado, 
a perfumaria responsável por produzi-lo, além de evocar lembranças pessoais 
atreladas ao cheiro.
As percepções inconscientes, por sua vez, escapam do campo da objetividade. 
Como exemplo, podemos pensar o conjunto de valores e ideais que adotamos ao 
longo da vida sem nos darmos conta de que ele faz parte da nossa personalidade, 
já que foi incorporado de modo natural, e não objetivo, pela convivência de pessoas 
ao nosso redor, que partilham dos mesmos valores.
Para Rogers, as percepções conscientes, ou até mesmo as percepções capazes 
de tornar-se conscientes, são determinantes para o comportamento humano. Nes-
se contexto, ele dá ênfase à discussão de saúde. Para Rogers, quanto mais saudável 
é um indivíduo, mais consciente tende a ser seu comportamento, tornando, assim, 
aspectos capazes de serem pensados de modo objetivo. Ainda, pode-se dizer que o 
campo fenomenal é sempre do âmbito privado, sendo inacessível aos outros de for-
ma integral. Apesar disso, deve-se fazer um esforço para entender as experiências 
de todos os sujeitos.
O self é parte do campo fenomenal. Nele estão as percepções que formam o 
autoconceito, ou seja, a forma que cada indivíduo vê a si mesmo. Ao aprender coisas 
novas e experienciar novas vivências, há uma modifi cação do self, bem como da ma-
neira que o indivíduo se vê. A construção desse self se dá, então, de modo gradual, 
e parte da síntese entre a forma que o sujeito se vê, a forma que ele vê o mundo e a 
maneira como ele se vê no mundo, tornando difícil separar essas três esferas. 
Pode-se dizer também que, para Rogers, o self é sempre formado por percep-
ções e experiências conscientes ou capazes de ser conscientes. Ele dizia que o self 
não pode ser formado por qualquer material que não pode ser acessado pela cons-
ciência. Dessa maneira, contrapõe-se fortemente à psicanálise, que diz que parte do 
eu é formado por aparatos inconscientes.
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Rogers apresenta que toda psique possui um self ideal. Nesta idealização, estão 
características que o sujeito gostaria de ter, isto é, alimenta-se das características 
extremamente valorizadas conscientemente pelo sujeito. Em termos simples, pode-
-se dizer que nesse grupo está a ideação de todas as características que o indivíduo 
gostaria de ter/ser.
À medida que crescemos, o self torna-se cada vez mais complexo, segundo Ro-
gers. Parte dessa complexidade dá-se a uma necessidade humana que alimenta o 
self, que é a necessidade de ser aceito. O ser humano é um ser que vive com outros 
e, dessa maneira, um construto de relações interpessoais. Desse modo, ao construir 
essas relações, algumas pessoas apresentam uma necessidade de aceitação maior 
do que a de expressar seu próprio eu, fazendo com que esses sujeitos neguem parte 
de sua personalidade, com o objetivo de manter a aceitação dos demais. 
Nesse cenário, o sujeito tende a adotar em relação a si e ao seu comportamento 
as atitudes das pessoas, podendo atribuir valor positivo às experiências, mesmo que 
seu organismo não as avalie como positivas. Assim, ele fi ca praticamente impossibili-
tado de tomar uma atitude por si mesmo, tornando-se reativo às atitudes e avaliações 
externas, o que é extremamente negativo para a psique e causa um desajustamento 
psíquico, pois há um desacordo entre o self e a experiência. Esse desajuste será abor-
dado mais profundamente no tópico acerca dos principais conceitos da ACP. 
Principais conceitos da ACP
A abordagem centrada na pessoa possui alguns conceitos principais, que 
são chave para entender o processo delimitado por Rogers. O primeiro deles 
é o conceito da tendência atualizadora, o qual é entendido como central na 
ACP. Outros conceitos-chave são: congruência, consideração positiva incondi-
cional e compreensão empática. 
Sobre a congruência, pode-se dizer que ela é uma tendência humana. Por 
meio dela, o sujeito busca manter uma harmonia entre as percepções presen-
tes no seu campo fenomenal. Assim, o sujeito procura estratégias para evitar 
a coexistência de percepções discrepantes no self. É por causa da congruência 
que os sujeitos buscam uma coerência entre seu eu real e as experiências que 
buscam na vida. Isso signifi ca que a maior parte dos comportamentos está 
alinhada com a maneira que o sujeito se vê.
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Quando não acontece esse alinhamento, há uma série de sinais que demons-
tram um estado de incongruência. Por exemplo, uma pessoa tímida normalmente 
experimenta ansiedade ao falar para um grande número de pessoas. Nesse cená-
rio, a ansiedade emerge enquanto sintoma de uma incongruência entre o self e a 
experiência que está sendo vivida.
Assim, pode-se definir a congruência como “a capacidade de ser realmente o 
que se é, estando muito próximo do eu ideal em conformidade com a experiência 
real, com consciência de suas atitudes, escolhas e comportamento” (BARROS et al., 
2018, p. 4). Dessa maneira, mesmo que o sujeito possua uma tendência atualiza-
dora que o faça buscar a autorrealização, se essa for incongruente com suas per-
cepções de si, há um conflito psíquico, poiso organismo busca sempre preservar 
a integridade do self. 
Sobre a consideração positiva incondicional, pode-se colocar a sua raiz na in-
fância. Rogers dizia que o contato social é a condição mínima necessária para o de-
senvolvimento enquanto pessoa. Desde muito cedo, em contato com seu responsá-
vel, o bebê percebe que há dois tipos de consideração destinados a ele: a positiva e 
a negativa. Assim, ele tende a valorizar a primeira e desvalorizar a segunda.
Dizer que o bebê valoriza a consideração positiva significa dizer que ele possui 
a necessidade de ser amado, querido e aceito, e desvalorizar a consideração ne-
gativa significa que ele sofre quando há negligência e desamor. O fruto da consi-
deração positiva na infância é o desenvolvimento da autoestima, que gera a auto-
consideração positiva, isto é, um sentimento de amor próprio e de segurança de si. 
Dessa maneira, é possível definir a consideração positiva incondicional como 
“quando em uma relação existe a aceitação incondicional por qualquer sentimen-
to expressado pelo outro, um envolvimento que é nutrido pela consideração e 
pelo respeito à singularidade do sujeito” (BARROS et al., 2018, p. 4).
Novamente retornando à infância, Rogers cita a importância do desenvolvi-
mento dessa consideração. Para ele, crianças educadas em lares em que o afe-
to dos pais é uma moeda de troca dada apenas quando apresentarem um bom 
comportamento se tornarão adultos com maior probabilidade de negar 
seus próprios sentimentos em prol de sua necessidade de 
aceitação. Isso é fruto do que Rogers chama de condição 
de valor, isto é, quando um indivíduo só é amado sob cer-
tas condições que lhes são impostas.
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Em ambientes saudáveis de desenvolvimento, segundo Rogers, a criança 
sabe que continua sendo amada, mesmo que seja repreendida. Em outras pa-
lavras, é quando os responsáveis pela socialização primária da criança a edu-
cam com a consideração positiva incondicional. 
Em contrapartida, a ameaça da perda do afeto com o comportamento da 
criança nada mais é que um ensinamento de que ela só é digna de ser ama-
da quando se comportar de maneira que os outros achem certo. Assim, ela 
tende a transpor essa lógica para todas as suas experiências, já que não quer 
comprometer suas necessidades de aceitação. A condição de valor incorpora o 
autoconceito do sujeito, e ele passa a se ver como os outros o veem e se orienta 
no mundo sobre opiniões e crenças de outras pessoas, distanciando-se, assim, 
do seu eu real. 
Eu real 
Também chamado de eu organísmico, vincula-se com o processo 
de avaliação pessoal, e diz respeito a sentimentos e percepções 
pessoais. É o sistema em que nascemos e que nos orienta ao 
crescimento e realização.
Autoconceito 
Também chamado de eu percebido, é formado a partir das 
relações estabelecidas no nosso entorno social, e está impregnado 
de valores, crenças e opiniões de outras pessoas sobre nós. 
Condições de valor
As condições de valor podem contaminar o autoconceito, 
fazendo com que ele distancie-se muito do eu real. Isso gera uma 
incongruência entre quem somos e a imagem que construímos 
sobre nós a partir dos outros.
QUADRO 7. EU REAL, AUTOCONCEITO E CONDIÇÕES DE VALOR
Esse distanciamento entre o eu real e o autoconceito, por consequência das 
condições de valor, gera uma discrepância entre a autoimagem e aquilo que 
construímos sobre nós a partir dos outros. Rogers dizia que essa incongruência 
é a fonte das desordens psicológicas, causando desajustes como vulnerabilida-
de, ansiedade, ameaça, defensividade e desorganização.
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O estado de vulnerabilidade se instala quando não há consciência da dis-
crepância entre o eu real e o autoconceito. Internamente, o sujeito sente um 
desacordo, o que faz com que ele aja de maneira incompreensível, tanto para 
si quanto para os outros. Por outro modo, a ansiedade e a ameaça se ins-
talam à medida que o sujeito toma consciência dessa incongruência. Toda 
tensão e desconforto gerados por essa tomada de consciência são sintomas 
da ansiedade, que incomoda o sujeito.
Rogers diz ainda que, com um tempo, os sintomas se intensificam, geran-
do o sentimento de ameaça frente ao sentimento de que o sujeito não se 
encontra mais inteiro. Embora esse sentimento seja difícil de ser experiencia-
do, ele é parte essencial, visto que é por meio da tomada de consciência do 
desajuste que o sujeito poderá ajustar o seu psiquismo.
Ao tentar defender o autoconceito das sensações de ansiedade e ameaça, 
surge a defensividade. Assim, o sujeito tende a apresentar mecanismos de 
defesa de negação ou distorção frente a toda tentativa de contrariar o au-
toconceito. Toda experiência que apresente um desacordo com o modo que 
acreditamos sobre nós é rejeitada ou distorcida.
Por exemplo, um sujeito que acredita piamente que é bom em matemá-
tica, porque seus colegas da escola o disseram (autoconceito), e recebe uma 
nota ruim na prova (desafio ao autoconceito) tende a encontrar justificativas 
que não contrariem sua habilidade com os números, seja negando ou distor-
cendo o que aconteceu. Ele pode dizer que o professor não corrigiu a prova 
direito, que sua prova foi trocada, que teve azar, ou, ainda, apresentar uma 
série de atribuições que busquem manter seu autoconceito exatamente da 
maneira que está. 
Rogers dizia que esse mecanismo é extremamente comum e frequente, 
pois a maior parte das experiências vividas podem ser distorcidas ou refor-
muladas, de modo que não contraria aquilo que o sujeito acredita sobre si. 
De qualquer maneira, a distorção e a negação podem falhar, devido a uma 
situação em que o sujeito encontra-se impossibilitado de usar tais 
mecanismos, porque a situação revelaria de forma mui-
to óbvia a falha na incongruência entre o autoconcei-
to e o eu real. Quando isso acontece, o processo de 
desorganização entra em ação.
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Retornando ao exemplo: o aluno que se acredita bom em matemática ten-
ta distorcer ou negar o resultado encontrado. Entretanto, o professor corrigiu 
a prova na sala, e ele, ao ver a forma correta de fazer e o resultado de seus 
amigos, acaba percebendo que estava se enganando. À medida que o sujeito 
percebe as inconsistências, o autoconceito deixa de ser um todo unificado e 
passa a ser vários fragmentos. 
Quando isso ocorre, há duas consequências possíveis: o sujeito deixa de 
lado o autoconceito incongruente e passa a comportar-se de maneira consis-
tente com seu eu real, que Rogers diz ser o caminho saudável; ou ele pode com-
portar-se conforme seu autoconceito fragmentado, adotando, assim, atitudes 
confusas e imprevisíveis. Para familiarização, pode-se dizer que essas atitudes 
adotadas seriam chamadas em outras teorias de neuróticas ou psicóticas. 
Desse modo, destaca-se a importância de atitudes que visem à conside-
ração positiva incondicional, visto que sua ausência pode gerar uma série de 
desarmonias psíquicas. O psicólogo deve ser capaz de construir, em sua clínica, 
um ambiente acolhedor, que apresente ao cliente toda a segurança, respeito e 
aceitação, necessários para o bom andamento do processo psicoterapêutico.
São essas atitudes que Rogers define como compreensão empática. Por 
mais que cada sujeito possua um campo fenomenal único e impossível de ser 
acessado por outros, deve-se atuar com os clientes buscando aproximar-se o 
máximo de sua vivência. Para isso, o psicólogo deve exercer sua capacidade de 
ouvir, compreender e devolver para o outro o que se compreendeu, de forma 
sensível, na tentativa de experienciar profundamente o que o outro traz como 
sua existência (BELÉM, 2000).
CURIOSIDADE
Você sabia que as136
Sintetizando ......................................................................................................................... 138
Referências bibliográficas ............................................................................................... 139
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Nesta disciplina, aprenderemos sobre as bases históricas da saúde e da psi-
coterapia com o intuito de relacionar acontecimentos históricos com as práti-
cas atuais da psicologia. Veremos os caminhos percorridos pelos estudiosos 
desde tempos remotos, quando o ser humano ainda tentava entender o que 
signifi cava “doença” e “saúde”, até os conceitos aceitos hoje em dia.
Aprenderemos também sobre a importância de alguns princípios e con-
ceitos gerais da relação entre psicoterapeuta e cliente, sendo eles: aliança 
terapêutica; sigilo; neutralidade e abstinência; e a ideia de transferência e 
contratransferência.
Por fi m, estudaremos o processo terapêutico como um todo. Veremos as 
etapas da psicoterapia (início, meio e fi m) e os espaços físicos e digitais que 
possibilitam a psicologia clínica. Quais atitudes podem facilitar o processo do 
cliente? Como o setting do ambiente pode afetar a relação entre psicoterapeu-
ta e cliente? Qual a importância da ideia de “acessibilidade” nesse ambiente? 
Como aplicar os princípios da psicoeducação? Como elaborar um contrato psi-
coterapêutico e qual é o momento de encerrá-lo? Essas e outras perguntas 
serão respondidas nessa unidade.
Vamos começar?
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Apresentação
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Dedico este trabalho à minha mãe, que, mesmo sem ser psicóloga, ensinou-me 
a ser o profi ssional e a pessoa empática que sou.
O professor Normando José do Nas-
cimento Júnior é especialista em: 
orientação educacional pela Faculda-
de Descomplica (2021); metodologias 
ativas e tecnologias educacionais pela 
Faculdade Frassinetti do Recife (2021); 
e psicologia existencial humanista fe-
nomenológica pela Faculdade FAVENI 
(2021). Também é graduado em psico-
logia pela Universidade Federal de Per-
nambuco (2019). Atualmente, é mentor 
educacional e pesquisador no campo 
da psicologia e da educação. Estuda 
temáticas como educação socioemo-
cional, aprendizagem, produção de 
sentido, psicologia existencial e desi-
gualdades sociais.
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/4411564319101204
PSICOTERAPIA HUMANISTA E FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL 10
O autor
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PSICOTERAPIA EM 
FOCO: HISTÓRICO 
E CONSIDERAÇÕES 
ATUAIS ACERCA 
DO PROCESSO 
PSICOTERAPÊUTICO
1
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Relatar o histórico das teorias e práticas em saúde;
 Entender a psicoterapia como serviço de saúde, situando, na história, as 
fases do desenvolvimento da ciência psicológica;
 Abordar os conceitos psicológicos que permeiam a relação clínica entre terapeuta 
e cliente, como sigilo, transferência, neutralidade, aliança terapêutica, etc.;
 Aprender quais os diferentes cenários de setting terapêutico;
 Conhecer as etapas do processo terapêutico (começo, meio e fim);
 Saber como construir um contrato terapêutico;
 Identificar o que fazer no início do acompanhamento psicoterapêutico, bem 
como os sinais de que a terapia deve terminar.
 Histórico da psicoterapia
 Psicoterapia como cuidado em 
saúde
 A relação psicoterapeuta-cliente
 Aliança terapêutica
 Sigilo
 Neutralidade e abstinência
 Transferência e contratransfe-
rência
 O processo psicoterapêutico
 Questões fundamentais para 
o início, trajetória e término do 
processo terapêutico
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Histórico da psicoterapia
História da saúde 
Antes de apresentar a discussão sobre o histórico da psicoterapia, é impor-
tante entender que todo processo clínico está inteiramente ligado à concepção 
de saúde. Em cada momento histórico, a concepção de saúde muda e se trans-
forma, moldando também a concepção do que é doença e a forma de tratá-la. 
Assim, discutiremos um pouco sobre o processo de transformação do conceito 
“saúde/doença”, para, a partir daí, apresentarmos como a psicoterapia atua em 
cada um desses momentos de transformação.
Toda concepção de saúde refl ete a concepção política, econômica e o con-
texto social na qual está inserida. Assim, “saúde não representa a mesma coisa 
para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Depen-
derá de valores individuais, dependerá de concepções científi cas, religiosas, 
fi losófi cas” (SCLIAR, 2007, p. 30). Podemos dizer o mesmo das doenças. O signi-
fi cado de doença varia, a depender de vários fatores.
CURIOSIDADE
Você sabia que houve um período em que o desejo de fuga dos escravos 
era considerado uma doença mental? Em 1851, Samuel Cartwright, médico 
norte-americano, classifi cou isso como drapetomania. O tratamento reco-
mendado pelo médico era o açoite. Esse médico também diagnosticou outra 
doença: disestesia etiópica, que explicava a falta de motivação para o traba-
lho entre os negros escravizados. Não arbitrariamente, esse médico era do 
estado da Louisiana, no escravagista sul dos Estados Unidos. Note como os 
fatores históricos, políticos e sociais moldam a concepção de doença.
A primeira concepção de doença é a que Scliar (2007) defi ne como “mágico-
-religiosa”. Essa concepção parte do princípio de que a doença resulta da ação 
de uma força divina e que o sujeito doente recebe a iniquidade como fruto ou 
consequência do pecado ou de uma maldição. Nessa concepção, Deus é colo-
cado como “o Grande Médico: ‘Eu sou o Senhor, e é saúde que te trago’ (Êxodo 
15, 26); ‘De Deus vem toda a cura’ (Eclesiastes, 38, 1-9)” (SCLIAR, 2007, p. 30).
Nesse momento, o doente era isolado e excluído das relações sociais até 
estar curado por meio de uma intervenção divina. Em tal contexto, a cura não 
signifi cava apenas a remissão dos sintomas, mas um perdão divino pelo pe-
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Figura 1. Estátua grega de Hipócrates, conhecido como o pai da medicina. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 30/06/2021. 
cado cometido. Nos textos bíblicos, uma das principais doenças relatadas é a 
lepra. De acordo com Scliar (2007), o leproso era considerado morto e a missa, 
rezada de corpo presente. Proibia-se o doente, então, de ter contato com ou-
tras pessoas, enviando-o para um leprosário.
Ainda dentro dessa concepção mágico-religiosa, em culturas xamânicas, o 
feiticeiro da tribo era encarregado de realizar rituais e expulsar os maus espí-
ritos que se apoderavam das pessoas. Acreditava-se que essa possessão era a 
causa de doenças e mal-estar no corpo. O objetivo era o de reintegrar o doente 
ao universo ao qual era inserido antes da doença através da purificação.
Uma característica chave do modelo mágico-religioso é o fato de que não se 
buscava inserir o doente na comunidade ou criar caminhos para facilitar a sua 
vida de modo que, mesmo com suas dificuldades, ele fosse capaz de conviver 
com a patologia ou tratá-la. Nesse modelo, as intervenções e ações buscam 
que ele deixe de ser doente e, assim, seja reintegrado à comunidade.
A medicina grega também apresenta caminhos, preceitos e concepções im-
portantes para se pensar o histórico da saúde. Hipócrates, por meio de seus 
escritos, propunha uma visão bastante racional da medicina. Ele se opôs à con-
cepção mágico-religiosa, dizendo que “a doença chamada sagrada não é mais 
divina ou mais sagrada que qualquer outra doença; tem uma causa natural e sua 
origem supostamente divina reflete a ignorância humana” (SCLIAR, 2007, p. 32).
PSICOTERAPIA HUMANISTA E FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIALideias propostas por Rogers influenciaram os educa-
dores? Opondo-se à visão tradicional de educação, ele produziu alguns 
materiais que serviram de orientação para a escola e são referências para 
várias instituições. Para ele, assim como o cliente está no centro da relação 
terapêutica, o aluno deve estar no centro da relação pedagógica. Assim, o 
papel dos educadores não deve ser ajudar a formar matemáticos, biólogos 
ou historiadores, mas sim ajudar as pessoas a tornarem-se pessoas.
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Sintetizando
Pode-se dizer que, mesmo sendo recente, a psicoterapia é um campo psicoló-
gico amplo, com uma enorme diversidade de teorias, visões de mundo, formas de 
atuação e intervenções. 
De modo hegemônico, existem três grandes forças na Psicologia, que repre-
sentam grande parte das abordagens terapêuticas atuais. A primeira das forças 
são as abordagens de orientação analítica, que é o caso da psicanálise de Freud 
e da Psicologia Analítica de Jung, por exemplo. Freud se propôs a investigar o in-
consciente, pois a Psiquiatria de sua época começou a observar uma série de fe-
nômenos que geravam sintomas físicos, interferindo no comportamento e que os 
pacientes sequer eram capazes de lembrar. 
Por muito tempo, a psicanálise foi a única alternativa teórica para psicotera-
pia. Porém, em oposição ao estudo do inconsciente, a análise do comportamento 
tomou grande força na Psicologia. Sob influência do behaviorismo, essa corrente 
propõe um enfoque na análise funcional de contingências, e, nesse momento, téc-
nicas de modificação de comportamento ganharam grande destaque. 
Por fim, a terceira força é composta pelas terapias de orientação fenomenoló-
gico-existencial. Há diversas abordagens presentes nessa escola: Gestalt-terapia, 
abordagem centrada na pessoa, logoterapia, Daseinanalyse, psicoterapia trans-
pessoal, psicodrama, dentre outras. Todas essas teorias apresentam oposições às 
visões anteriores da psicanálise e do behaviorismo, e possuem enfoque na esco-
lha consciente e na centralidade do cliente para a tomada de decisões. 
A abordagem centrada na pessoa, por exemplo, foi uma proposta de Carl 
Rogers, e apresenta-se como uma corrente não diretiva. O objetivo principal de 
Rogers no atendimento foi de oferecer uma escuta atenciosa e respeitosa, ali-
mentada pela compreensão empática e aceitação do cliente. Dessa relação é 
capaz de emergir um bom processo de evolução e mudança da psicoterapia.
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TEORIA E PRÁTICA DA 
GESTALT-TERAPIA, 
PSICODRAMA E 
TRANSPESSOAL
3
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Aprender abordagens psicoterapêuticas humanistas de base 
fenomenológico-existencial;
 Conhecer raízes epistemológicas das psicoterapias humanistas de base 
fenomenológico-existencial;
 Estudar o histórico da Gestalt-terapia, do psicodrama, da abordagem 
transpessoal e da logoterapia;
 Identificar pressupostos da Gestalt-terapia, do psicodrama, da abordagem 
transpessoal e da logoterapia;
 Entender conceitos psicológicos que orientam a Gestalt-terapia, o 
psicodrama, da abordagem transpessoal e da logoterapia.
 Gestalt-terapia
 Histórico da Gestalt-terapia
 Teoria da personalidade em 
Gestalt-terapia
 Principais conceitos em Gestalt-
-terapia
 Psicodrama
 Conceitos presentes no psico-
drama
 Abordagem transpessoal
 Espiritualidade e sentido da 
vida
 Logoterapia
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Gestalt-terapia
A Gestalt-terapia está situada num conjunto intitulado como teorias huma-
nistas de base fenomenológico-existencial, movimento que advém enquanto 
oposição às formas dominantes de fazer psicologia da metade do século XX, a 
psicanálise e o behaviorismo, consideradas bastante dominantes e reducionis-
tas. Dessa maneira, o surgimento de trabalhos com enfoque na autorrealização 
por meio do desenvolvimento das potencialidades humanas de crescimento e 
criatividade dá um pontapé inicial ao desenvolvimento de diversas abordagens 
psicológicas que se apresentam como terceira via na Psicologia. As correntes 
intituladas humanistas, em geral, defendem que “o homem se autodetermina, 
interage ativamente com seu ambiente, é livre e pode fazer escolhas, sendo 
responsável por elas no universo interrelacional no qual vive, o que constitui 
um novo paradigma’’ (FRAZÃO; FUKUMITZU, 2013, p. 10).
Assim, antes de apresentar os princípios da Gestalt-terapia, é necessário 
delimitar bem o plano de fundo em que a Gestalt-terapia se insere, além de 
outras abordagens, como o psicodrama e a abordagem transpessoal. Para 
entender bem a forma de intervenção dessas abordagens, é importante 
entender as fi losofi as que as orientam e, desse modo, incluem-se estudos 
sobre fenomenologia, existencialismo e psicologia humanista. O primeiro 
aspecto a ser estudado é a relação da fi losofi a fenomenológica com o tra-
balho clínico realizado por alguns psicólogos. Um dos principais nomes e 
defensores dessa corrente, Edmund Husserl, depois da grande crise nas 
ciências na Europa no século XIX, tentou uma “fundamentação das ciências, 
colocando em questão seus pressupostos, objetos de estudo e metodolo-
gias” (FRAZÃO; FUKUMITZU, 2013, p. 22).
Do ponto de vista etimológico, a palavra “fenomenologia” 
signifi ca “o estudo dos fenômenos”. Frazão e Fukumitzu (2013) 
apontam que é possível conceber essa concepção como o 
estudo do que é dado à consciência. A Filosofi a, Psicologia, 
Psicanálise e até mesmoo senso comum partem de uma 
concepção de que consciência é aquilo que se relaciona 
com o conhecido, enquanto o seu oposto disso se chama 
inconsciente. Por sua vez, Husserl estabelece sua defi nição 
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como “uma síntese em fluxo que não tem nenhuma substancialidade, sendo 
mais uma dinâmica entre sujeito e objeto, onde todo ser recebe seu sentido 
e valor” (FRAZÃO; FUKUMITZU, 2013, p. 24). Em outras palavras, o valor do fe-
nômeno não está em si, mas no sentido atribuído pelo sujeito. Assim, a cons-
ciência é sempre intencional, ou seja, é sempre a consciência de algo. Logo, na 
concepção da consciência como elemento fenomenológico, há uma superação 
da dicotomia sujeito-objeto pois, segundo Frazão e Fukumitzu (2013, p. 25):
A fenomenologia, em seu desenvolvimento, não se satisfaz, portanto, 
com a estreiteza da concepção clássica da consciência, herdeira da psi-
cologia tradicional, e concebe o homem essencialmente como ser no 
mundo. A consciência é, então, consciência no mundo e vincula-se a 
ele por meio do corpo. Com efeito, é pela mediação desse mesmo cor-
po que podemos nos relacionar com as coisas e com os outros seres 
humanos. A existência (ek-sistere, ser para fora) só pode ser entendida 
tendo como base seu duplo enraizamento: no mundo e com o outro.
Desse modo, Husserl apresenta um novo modo de se aproximar dos fenô-
menos, pois é impossível conhecer algo que não se dá por si mesmo. A partir do 
momento que se especula ou pressupõe algo, há um distanciamento da visão 
fenomenológica. Para se valer do método, é preciso uma distância da realidade 
empírica e das pré-concepções, suspendendo todo e qualquer posicionamento. 
Por esse motivo, a Fenomenologia possui uma ligação direta com a experiência.
No que tange ao existencialismo, para uma melhor compreensão, é fun-
damental uma contextualização histórica. Desde as ciências naturais até as 
ciências humanas, o século XIX representou uma expansão e progresso, com 
avanços no conhecimento sobre o ser humano em suas mais variadas formas, 
o que fez surgir o racionalismo, uma das grandes correntes da época. Porém, 
no início do século XX, após duas grandes guerras, crises econômicas e políti-
cas, com a humanidade mergulhada em angústia e desespero, vários filósofos 
passaram a questionar a racionalidade preconizada pelos filósofos anteriores.
Embora seja óbvio, o existencialismo é composto pelo conjunto de dou-
trinas filosóficas “cujo tema central é a existência humana em sua concepção 
individual e particular, tendo por objetivo compreender o homem como ser 
concreto nas suas circunstâncias e no seu viver, conforme se mostra na sua 
realidade” (FRAZÃO; FUKUMITZU, 2013, p. 47). Há vários filósofos que com-
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põem essa escola, com todos eles possuindo o mesmo interesse em com-
preender a existência humana.
A perspectiva existencialista concebe o homem como livre e responsável 
por sua existência. Sartre se torna um dos idealizadores desse postulado ao 
afirmar que “a existência precede a essência” (SARTRE, 2012, p. 25). A ideia 
apresentada por ele é que não existe nada prévio capaz de definir o ser huma-
no, cuja existência no mundo o delimita e o forma enquanto pessoa. Embora 
essa teoria seja bastante difundida e defendida em Psicologia, é importante 
destacar, em relação a tempos passados, suas ideias e práticas diferentes.
De modo geral, o existencialismo é uma corrente que preconiza a existência 
livre do ser humano no mundo e o modo que a liberdade de escolha consuma 
seu modo de ser. Em outras palavras, segundo Frazão e Fukumitzu (2013, p. 48), 
o ser humano é:
O único responsável por sua existência. Nascemos como seres de 
possibilidades e escolhemos a todo instante, ao longo de toda a nos-
sa existência, aquilo que queremos ser. Só existindo o ser humano 
poderá ser. Portanto, o homem é um ser de gerúndio, que designa 
ação, movimento, e não de particípio, que indica uma ação já finaliza-
da: ele nunca é, mas sempre “está sendo”. Mais do que “ajustar-se”, a 
condição humana está relacionada à responsabilidade de escolher. 
Mesmo quando não explicitamos ao mundo nossa opção ou deixa-
mos que o outro decida por nós, ainda se trata de uma escolha (pela 
qual continuamos respondendo). Assim, o existencialismo opõe-se 
a toda concepção universal ou segmentada de homem que priorize 
qualquer característica humana em detrimento de outras, como a 
razão, por exemplo, defendida por pensadores da época.
CURIOSIDADE
Na Idade Média, as crianças eram vistas como adultos em miniatura, pois 
trabalhavam nos mesmos locais que os adultos, usavam as mesmas rou-
pas e recebiam responsabilidades semelhantes. Em geral, apenas tama-
nho e força as diferenciavam, enquanto outras características permane-
ciam iguais. Conceber a criança como adulto, mesmo antes de que tenha 
idade e as experiências que a tornam adulto, demonstra como a essência, 
em alguns momentos, era entendida como anterior à existência.
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Apesar do existencialismo focar a liberdade de escolha, ela não pode ser 
centralizada como único fator, porque o ser humano não existe sozinho no 
mundo, dada a vivência em sociedade, que se constitui na relação com os ou-
tros e com o mundo e torna a liberdade humana como grande causadora de 
angústia. “Diferentemente do medo, não se refere a algo específico, sendo um 
sentimento originado no fato de o homem viver num mundo de possibilidades, 
sem qualquer garantia de realização, sucesso ou segurança” (FRAZÃO; FUKU-
MITZU, 2013, p. 49). De modo geral, o Existencialismo possui uma relação direta 
com a Psicologia. Ao adotar a visão de homem e de mundo dessa corrente, o 
terapeuta enxerga no cliente um ser único, consciente e responsável, que pos-
sui liberdade para construir o projeto existencial que deseja para si. O papel do 
psicólogo é de, por meio de intervenções e ferramentas, levá-lo a tomar cons-
ciência do seu projeto de vida e responsabilizá-lo diante da própria existência.
Por fim, é necessário traçar algumas definições básicas sobre a psicologia 
humanista. Antes de tudo, é essencial destacar que há uma diferença entre 
humanismo e psicologia humanista, embora muitas vezes elas sejam tratadas 
como sinônimo. Por humanismo, entende-se o “conjunto de princípios que es-
tabelecem a valorização e a dignidade inerentes à pessoa, independentemente 
de qual seja a sua condição atual no mundo” (FRAZÃO; FUKUMITZU, 2013, p. 
70). Dessa maneira, o Humanismo preconiza que todo ser humano deve ser 
tratado por outros seres humanos e pelas instituições com respeito, justiça, 
honra, amor, liberdade, solidariedade, etc.
Até a fundação do laboratório de Wundt, a Psicologia é vista como um ramo 
da Filosofia. Por esse motivo, se vê tanta influência de diversas correntes, es-
colas e teóricos. Quando a Psicologia se separa da Filosofia e busca se desen-
volver enquanto ciência própria, ela o faz de dois modos: voltando a estudos 
da fisiologia, fazendo da Psicologia uma das ciências naturais, e enfocando o 
entendimento das questões humanas por meio de estudos mais sociológicos, 
a fim de achar padrões de funcionamento do ser humano (LIMA, 2009).
À medida que a Psicologia evolui, as teorias da Psicanálise e Behaviorismo 
ganham força em estudos e na clínica. Com o sentimento de discordância de 
tais teorias, por crer que ambas apresentam parcelas reducionistas da expe-
riência humana, alguns psicólogos decidem iniciar o que se chama hoje de psi-
cologia humanista. Para Holanda (1997, p. 16), “a psicologia humanista nasce, 
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pois, da necessidade de ampliar a visão do homem, que se achava limitada e 
restrita a apenas alguns aspectos, a alguns elementos, segundo as perspecti-
vas behaviorista e psicanalítica”. 
Fenomenologia
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
signifi cados destinados ao objeto.
Existencialismo
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
constroem seu modo de ser.
Psicologia humanista
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
signifi cados destinados ao objeto.
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
signifi cados destinados ao objeto.
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
signifi cados destinados ao objeto.
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
signifi cados destinados ao objeto.
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
signifi cados destinados ao objeto.
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
signifi cados destinados ao objeto.
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
constroem seu modo de ser.
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
signifi cados destinados ao objeto.
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
constroem seu modo de ser.
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
signifi cados destinados ao objeto.
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
constroem seu modo de ser.
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
signifi cados destinados ao objeto.
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
constroem seu modo de ser.
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
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mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Defende que a consciência é sempredestinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
signifi cados destinados ao objeto.
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
constroem seu modo de ser.
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
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mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
constroem seu modo de ser.
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
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mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
constroem seu modo de ser.
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Defende que a consciência é sempre destinada a algo. O valor dos 
fenômenos não está neles em si, mas nos signifi cados atribuídos. 
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
constroem seu modo de ser.
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Assim, não há como conhecer nada por si mesmo, e sim por meio dos 
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Defende que o ser humano se forma por meio da sua existência, e 
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
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mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
não há nada antes da existência que o defi na. Preconiza que a exis-
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
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mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
tência do ser humano é livre e responsável, uma vez que as escolhas 
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
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mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
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mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
Corrente de oposição ao Behaviorismo e à Psicanálise, por focar mui-
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
mento), preconizando um enfoque na experiência humana.
to em fenômenos específi cos do psiquismo (inconsciente e comporta-
QUADRO 1. FENOMENOLOGIA, EXISTENCIALISMO E PSICOLOGIA HUMANISTA: 
RAÍZES EPISTEMOLÓGICAS DA GESTALT-TERAPIA
Entre vários nomes importantes dessa corrente psicológica, destacam-se os 
trabalhos de Abraham Maslow e Carl Rogers, dois autores que enfatizam a força 
inata que o ser humano possui pela autorrealização, capaz de fornecer ao indiví-
duo uma busca pelo desenvolvimento pessoal. Em linhas gerais, há várias aproxi-
mações da psicologia humanista com o existencialismo, porque ambas preconi-
zam uma visão bastante holística: “acreditar que existe na pessoa um potencial 
que ultrapassa sua existência presente, que é o impulso para o crescimento, para 
o processo de atualização como um todo cada vez mais integrado, é a contraparti-
da psicológica do vir a ser existencial” (FRAZÃO; FUKUMITZU, 2013, p. 63).
Embora ainda não tenham sido apresentados à história, os conceitos bási-
cos e a visão de homem da Gestalt-terapia, cabe dizer que ela possui bastante 
aproximação com as três correntes expostas. A relação entre essa teoria e a 
fenomenologia se dá pela saída de uma posição prévia de visão em busca de 
uma nova compreensão. Ao propiciar a expressão do fenômeno do modo que 
aparece, a Gestalt-terapia usa a fenomenologia para obter uma melhor descri-
ção dos modos de ser adotados pelo ser humano.
PSICOTERAPIA HUMANISTA E FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL 84
SER_PSICO_PSIHFE_UNID3.indd 84 03/11/2021 14:58:41
A Gestalt-terapia também é uma abordagem existencial por ser um 
campo de estudos e reflexão sobre a existência humana. O gestalt-tera-
peuta, quando auxilia a pessoa a expandir a consciência de si no mundo, 
amplia a awareness do cliente, com o foco em auxiliar na realização de 
escolhas autênticas e responsáveis. (FRAZÃO; FUKUMITZU, 2013). A Ges-
talt-Terapia se aproxima também da Psicologia Humanista, uma vez que 
ela apresenta oposições à Psicanálise e ao Behaviorismo e concebe o ho-
mem como “possuidor de um valor positivo, capaz de se autogerir e de se 
autorregular sem a tutela de autoridade externa, inclusive a do terapeuta” 
(FRAZÃO; FUKUMITZU, 2013, p. 63).
QUADRO 2. CORRENTES TEÓRICAS DE INFLUÊNCIA NA GESTALT-TERAPIA
Histórico da Gestalt-terapia
Em geral, quando se estuda a história de algum elemento, é preciso regredir 
às suas origens, de modo a entender o cenário e as atitudes que dão início à 
realidade que se investiga. Quando se pensa na história da Gestalt-Terapia, en-
quanto fundador, é impossível se dissociar do nome de Frederick (Fritz) Perls. 
Porém, naverdade, não se pode falar de um fundador, mas de um grupo de 
fundadores, conhecido como Grupo dos Sete.
Psicologia da Gestalt
Fenomenologia
Existencialismo
Humanismo
Teoria de campo
Teoria organísmica
Psicologia da GestaltPsicologia da GestaltPsicologia da GestaltPsicologia da GestaltPsicologia da Gestalt
Fenomenologia
Psicologia da Gestalt
Fenomenologia
Psicologia da Gestalt
Fenomenologia
Existencialismo
Psicologia da Gestalt
Fenomenologia
Existencialismo
Fenomenologia
Existencialismo
Fenomenologia
Existencialismo
Humanismo
Existencialismo
Humanismo
Existencialismo
Humanismo
Teoria de campo
Humanismo
Teoria de campo
Humanismo
Teoria de campo
Teoria organísmica
Teoria de campo
Teoria organísmica
Teoria de campo
Teoria organísmica
Teoria de campo
Teoria organísmica
Teoria de campo
Teoria organísmicaTeoria organísmicaTeoria organísmicaTeoria organísmica
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SER_PSICO_PSIHFE_UNID3.indd 85 03/11/2021 14:58:42
Figura 1. Ilustração de Fritz Perls, considerado o pai da Gestalt-terapia. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 29/09/2021.
 Esse grupo, com um médico, um educador, dois psicanalistas, um filósofo, 
um escritor e um especialista em estudos orientais, ao se reunir no apartamento 
de Fritz e Laura em Nova York para debater, dá origem à obra Gestalt-therapy: 
excitement and growth in the human personality, publicada em 1951 e considera-
da o pontapé inicial da teoria da Gestalt-terapia. Nesse momento, além das in-
fluências apresentadas do existencialismo, do humanismo e da fenomenologia 
na Gestalt-terapia, é possível apresentar a teoria organísmica, trazida por Golds-
tein, corrente influenciada pela psicologia da Gestalt e que encara o organismo 
como uma totalidade interativa, isto é, qualquer coisa que ocorre em parte do 
organismo o afeta em sua totalidade, independente da área atingida.
Quanto à disseminação da Gestalt-terapia no mundo, ela tem duas fortes 
correntes. A primeira, representada por Perls, realiza workshops sobre a teoria 
entre os anos 1960 e 1970. A segunda, mais restrita à Nova York, espalha-se 
para Europa e possui o objetivo de aprofundar as bases teóricas e filosóficas 
da abordagem (FRAZÃO; FUKUMITZU, 2013). Em Nova York, Laura Perls dirige o 
instituto de Gestalt, enquanto Isadore From e Paul Goodman são responsáveis 
por manter o eixo teórico do instituto.
Na década de 1980, as ideias da filosofia de Martin Buber revolucionam o 
modelo tradicional terapêutico da Gestalt-terapia. Sob influência do pós-mo-
dernismo, alguns profissionais repensam a ação do terapeuta sobre o paciente, 
dando origem à Gestalt-terapia relacional, modelo que suscita diversas ques-
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SER_PSICO_PSIHFE_UNID3.indd 86 03/11/2021 14:58:42
tões acerca do campo da ética. Sobre o advento da Gestalt-terapia no Brasil, 
sua chegada data de 1970, período marcado pelos anos difíceis da repressão 
promovida pela ditadura militar no Brasil. Segundo Frazão e Fukumitzu (2013, 
p. 18), por “sua concepção de homem e de mundo e por sua forma horizontal 
de relação, a Gestalt-terapia imediatamente suscitou o interesse de um grupo 
de psicólogos, que passou a estudar essa nova abordagem”.
Teoria da personalidade em Gestalt-terapia
O conceito de self em psicologia é algo complexo, pois todas as abordagens 
psicoterapêuticas possuem uma forma diferente de enxergá-lo. Seu sentido 
comum na língua inglesa remete “à personalidade de alguém; a natureza-base 
de alguém” (OXFORD, 1978, p. 788, apud TÁVORA, 2009), Na Gestalt-terapia, 
ela é entendida como o cerne da concepção fenomenológica da constituição 
da subjetividade. Um fator principal da teoria da personalidade proposta por 
Perls (2002, p. 38) aponta que o self possui uma relação intrínseca com o cam-
po. Para ele, “nenhum organismo é autossufi ciente, uma vez que requer o mun-
do para a gratifi cação de suas necessidades. Considerar um organismo por ele 
mesmo implica olhar para ele como uma unidade isolada de modo artifi cial, já 
que existe sempre uma interdependência do organismo e seu ambiente”.
Paul Goodman, em suas contribuições à Gestalt-terapia, apresenta um foco 
direto no desenvolvimento de uma teoria do self, opondo-se à ideia de que o 
self tem uma entidade fi xa, um núcleo, uma estrutura ou uma essência encap-
sulada dentro do organismo ou da personalidade. Távora (2009) critica a visão 
de self tradicional, em que parece ser uma construção conceitual que faz com 
que cada um seja jogado de volta sobre si mesmo e sozinho. Diferente disso, 
o conceito da Gestalt-terapia de self apresenta uma visão enquanto algo que 
preconiza o contato e as relações, não existindo fora delas. “É re-
cursivo, isto é, incorpora e é incorporado – se incorpora 
– nessas relações que os indivíduos mantêm consigo 
próprios, com os outros e com o mundo natural e 
cultural” (TÁVORA, 2009, p. 54). Sobre a concepção 
de self proposta por Goodman, é possível dizer que 
(WHEELER, 2005, p. 249, apud, TÁVORA, 2009):
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Em vez de considerar o si mesmo e seus processos como um pe-
queno agente ou subpessoa imerso em algum lugar “dentro” de 
nós, entende-o como nosso processo básico para integrar o campo 
total da experiência. Portanto, resulta mais útil pensar neste pro-
cesso como ocorrendo, metaforicamente, “no limite” da experiên-
cia, e não nas profundezas privadas e preexistentes do indivíduo. 
[...] O “contato” produz o “si mesmo”, e não o contrário. Fora desse 
processo, que inclui a memória ou o “si mesmo narrado”, como o 
estamos chamando aqui, não há si mesmo. O eu é o processo inte-
grador no e de todo o campo do viver.
Assim, a Gestalt-terapia vai no caminho contrário das concepções de self 
clássicas e individualistas, que a enfatizam como processo pessoal, intrapsíqui-
co e interno. Ao compreender o self como um fenômeno de campo, é rompida a 
visão tradicional da personalidade presente em diversas teorias da psicologia. 
Assim, Goodman acredita que “é no vínculo com uma situação, qualquer que 
seja ela, que o self será levado a se desenvolver - ou não” (ROBINE, 2003, p. 32).
O existencialismo exerce influência também na concepção de self da Ges-
talt-terapia. Por isso, ela não é entendida como algo estático, mas como um 
processo. Uma das frases bastante famosas na teoria da Gestalt-terapia é o 
vir-a-ser, entendida como uma condição humana da existência. Todo e qual-
quer sujeito nunca é, sempre se torna. Sua personalidade, assim, está em 
processo de formação e transformação constante, feita na relação construída 
com o campo. Esse self, entendido como construído na relação com o campo, 
é interpsíquico, opondo-se a toda visão interna da self. O termo “inter” evoca 
a relação da formação da personalidade com o meio, assim, tudo que compõe 
o self dos sujeitos passa por questões relacionais, sociais, culturais e políticas. 
Em síntese, conceber o self como campo remete a dizer que o senso da identi-
dade parte das relações estabelecidas.
É importante ressaltar também que a Gestalt-terapia é uma teoria fenome-
nológica, o que implica dizer que ela concebe o self com os recortes da postura 
fenomenológica, que lê o fenômeno não como “um estado nem um conteú-
do da consciência, mas como aquilo que ocorre por si mesmo, e não é nada 
além desse ato de ‘se dar a ver” (ROBINE, 2006, p. 35). Assim, “o self não pode, 
portanto, ser apreendido como substantivo, como entidade, como substância, 
PSICOTERAPIA HUMANISTA E FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL 88
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mas sim como verbo, ou melhor, como advérbio, pois ele é o artesão do ato de 
‘contatar’, que é a operação básica do campo” (ROBINE, 2006, p. 33).
Na tentativa de expandir a discussão, Távora (2009, p. 58) apresenta umaampliação epistemológica do conceito de self, definindo-o como um “fenôme-
no que emerge no processo de contato, reunindo em três eixos alguns dos 
pontos principais para essa conceituação: a pluscorporalidade, a circularidade 
e a temporalidade” (TÁVORA, 2009, p. 58). É dito que o self possui pluscorpora-
lidade, pois se acredita que o self não é um organismo físico, nem matéria ou 
qualquer estrutura biológica, além de não se localizar dentro desses aspectos. 
Quanto a isso, Távora (2009, p. 58) afirma que:
O corpo conforme percebido não é um dado físico ou material, mas 
uma construção carregada de símbolos, valores, investimentos e 
demandas coletivamente vividos e apropriados. Self só existe onde 
estão as fronteiras móveis do contato, em todos os níveis de relação. 
Tudo começa a acontecer, em termos de processos de subjetivação, 
quando e onde, ali e naquele momento (ou aqui e agora) em que self 
encontra o estranho. A categoria da pluscorporalidade visa recolo-
car em termos do campo fenomenológico a questão de self supe-
rando uma falsa dicotomia entre corporal e não corporal.
A ideia de circularidade do self diz respeito à ideia de que ele não diz res-
peito ao indivíduo. Como já registrado, a Gestalt-terapia critica essa visão in-
dividualista intrapsíquica, posto que o self não pertence ao indivíduo nem ao 
ambiente, mas ao campo. Quando ocorre o processo de tomada de consciên-
cia, não se atrela isso ao sujeito, no sentido da awareness – “estar dentro” do 
eu. A Gestalt-terapia opõe-se às dicotomias, logo, tentar descobrir se qualquer 
tomada de consciência se dá por algo de dentro ou de fora é uma discussão 
rejeitada, pois o contato é anterior a qualquer processo interno ou externo.
O self, para a Gestalt-terapia, atualiza a si e aos processos de subjetivação 
por meio de uma característica circular, “pela qual acontece um intrincado e 
complexo processo de negociação com empréstimos, heranças, apropriações 
entre self e ambiente, self e outro” (TÁVORA, 2009, p. 60). Ao conceber o self 
como algo preso à identidade do sujeito, enxerga-se de uma forma fixa. Por 
outro lado, a visão circular apresenta um modo de explicação que demonstra 
como há uma relação indissociável entre o self, o outro e o ambiente.
PSICOTERAPIA HUMANISTA E FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL 89
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Por temporalidade, entende-se que o self “não é equivalente a qualquer fi -
gura fechada ou espacialmente dada. Não coincide com a fi gura que cria, com a 
forma do que é experienciado, vivido ou criado, mas com o processo de criação 
de fi guras” (TÁVORA, 2009, p. 60). Dessa maneira, ele não é conhecido de forma 
prévia, mas só é descoberto e construído à medida que acontecem contatos, 
encontros e confl itos da vida.
De um ponto de vista linguístico, Távora apresenta uma mudança conceitual 
na visão de self da Gestalt-terapia. Como a subjetividade não contém em um es-
paço qualquer, embora passível a mudanças, é defendido o uso do termo selfi ng, 
com o objetivo de valorizar o caráter mutável, processual e de campo do concei-
to. O uso do termo no gerúndio apresenta três princípios gerais da concepção de 
personalidade para a Gestalt-terapia, exemplifi cados no Quadro 3. 
Princípios do selfi ng em Gestalt-terapia
A qualidade processual de selfi ng, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
awareness da experiência presente.
A transversalidade dessa mesma qualidade, com selfi ng atravessando e sendo atravessado em 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
A interdependência entre selfi ng, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
A qualidade processual de A qualidade processual de 
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
A qualidade processual de 
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
A qualidade processual de 
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
A interdependência entre 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
A qualidade processual de 
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
A interdependência entre 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
A qualidade processual de 
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
A interdependência entre 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
A qualidade processual de 
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
A interdependência entre 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
A qualidade processual de 
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
A interdependência entre 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
selfi ng
awareness
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
A interdependência entre 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
selfi ng
awareness
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
A interdependência entre 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
awareness
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
A interdependência entre selfi ng
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 da experiência presente.
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
selfi ng
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 da experiência presente.
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
selfi ng, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta selfi ng, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta selfi ng
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 da experiência presente.
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como funçãode contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 da experiência presente.
A transversalidade dessa mesma qualidade, com 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 da experiência presente.
selfi ng
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 da experiência presente.
selfi ng
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 da experiência presente.
 atravessando e sendo atravessado em 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 da experiência presente.
 atravessando e sendo atravessado em 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 atravessando e sendo atravessado em 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 atravessando e sendo atravessado em 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 atravessando e sendo atravessado em 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 atravessando e sendo atravessado em 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 atravessando e sendo atravessado em 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, redefi nindo a estrutura da identidade no campo de 
 atravessando e sendo atravessado em 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
 atravessando e sendo atravessado em 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
 atravessando e sendo atravessado em 
permanente relação de reestruturação entre partes e todos, de si e do campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
 atravessando e sendo atravessado em 
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
, como função de contato presente, e outro (seja o terapeuta 
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
ou os demais outros do cliente), interdependência proposta na prática clínica na forma de pre-
sença e sentido, com diálogo e troca, operações da função de contato na situação de campo.
QUADRO 3. PRINCÍPIOS DO SELFING EM GESTALT-TERAPIA
Há também a presença de funções parciais no self. Enquanto ele é carac-
terizado como “processo abrangente e permanente de campo e de adaptação 
criadora” (TÁVORA, 2009, p. 65), há também a função id, função ego e função 
personalidade, descritas como possíveis estruturas ou aspectos do self, sendo 
chamadas também de três sistemas parciais. Quanto a esses sistemas, Perls, 
Heff erline e Goodman (1980, p. 441) entendem que:
Enquanto aspectos do self num ato simples espontâneo, o Id, o Ego 
e a Personalidade são as etapas principais de ajustamento criativo: 
o Id é o fundo determinado que se dissolve em suas possibilidades, 
incluindo as excitações orgânicas e as situações passadas inacaba-
das que se tornam conscientes, o ambiente percebido de maneira 
Fonte: TÁVORA, 2009, p. 62. (Adaptado).
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vaga e os sentimentos incipientes que conectam o organismo e o 
ambiente. O Ego é a identifi cação progressiva com as possibilidades 
e a alienação destas, a limitação e a intensifi cação do contato em 
andamento, incluindo o comportamento motor, a agressão, a orien-
tação e a manipulação. A Personalidade é a fi gura criada na qual o 
self se transforma e assimila ao organismo, unindo-a com os resulta-
dos de um crescimentoanterior. Obviamente, tudo isso é somente o 
próprio processo de fi gura-fundo, e em um caso simples assim não 
há necessidade de dignifi car as etapas com nomes especiais. 
Por fi m, ainda há a necessidade de entender o self como a “emergência da 
subjetividade ou do sujeito como a ele é dado aparecer na superfície de conta-
to” (TÁVORA, 2009, p. 68). Embora não se apresente de maneira simplória, tal 
conceito é essencial para o entendimento da teoria da Gestalt, pois apresenta o 
caminho epistêmico dos conceitos e a forma que a teoria compreende o sujeito 
e seu modo de relação com o campo.
Principais conceitos em Gestalt-terapia
Dentre os conceitos principais para a compreensão da Gestalt-terapia, há 
alguns que possuem mais a centralidade e relevância na compreensão geral da 
teoria, como aqui-e-agora, fi gura e fundo, autorregulação, ajustamento criati-
vo, contato e awareness.
O primeiro conceito a ser aprendido sobre a Gestalt-terapia é o aqui-e-ago-
ra, conceito bastante conhecido e difundido na Psicologia, de modo que há uma 
associação mental direta à teoria da Gestalt, assim como se relaciona condicio-
namento ao behaviorismo e inconsciente à psicanálise. O aqui-e-agora refere-se 
ao tempo de trabalho do gestalt-terapeuta e seu cliente. O conteúdo trabalhado 
DICA
A teoria da Gestalt-terapia é bastante ampla e complexa. Por esse motivo, 
é óbvio que qualquer discussão não é capaz de dar conta dos conceitos 
em totalidade. Há um livro, produzido por D’Acri, Lima e Orgler, chamado 
Dicionário de Gestalt-terapia: gestaltês, que apresenta, de forma coerente 
e contextualizada, um dicionário com a defi nição de todos os principais 
conceitos em Gestalt-terapia.
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SER_PSICO_PSIHFE_UNID3.indd 91 03/11/2021 14:58:43
na clínica foca no momento presente, e o passado ou o futuro se apresentam no 
trabalho terapêutico na medida que exercem influência no presente. Assim, toda 
intervenção clínica, como perguntas, direcionamentos e ferramentas, são parte 
do aqui-e-agora, transferindo ao cliente a concentração em sua existência atual.
O termo aqui-e-agora vem da Psicologia da Gestalt e fala sobre estar no 
momento atual, mantendo contato com o tempo presente. Tal concepção de-
monstra como o psicoterapeuta deve manter a ótica nesse tempo, uma vez 
que o aqui-e-agora apresenta o caráter temporal do sistema self. A riqueza 
do aqui-e-agora na Gestalt-terapia se dá pela crítica a outros modelos tera-
pêuticos. Para Perls (2002, p. 146), não existe nenhuma outra realidade além 
do presente, algo que se opõe à psicanálise que, para ele, faz do passado um 
sintoma presente. A proposição de Perls não significa que o passado não im-
porta e que o futuro deve ser ignorado, porém, mais que isso, para ele “o pas-
sado só existe enquanto puder se fazer sentir no presente, da mesma forma 
como o futuro não é mais que uma possibilidade que se abre na atualidade” 
(D’ACRI; LIMA; ORGLER, 2007, p. 19).
Assim, o trabalho do psicoterapeuta gestáltico deve focar em uma inves-
tigação das manifestações presentes do passado, e não na busca no passado 
do sofrimento atual. “Dessa forma, o consulente recobra a awareness de seus 
próprios modos de ajustamento, da maneira como se interrompe e das pos-
sibilidades que ainda lhe restam ou que a atualidade inaugura para ele lidar 
com o que tiver restado como situação inacabada vinda do passado”. O aqui-
-e-agora define-se para além de um tempo focado na investigação clínica. É 
um campo temporal, um campo de presença do já vivido com o projeto futu-
ro. Esse campo de presença é fruto da relação organismo/meio. “No interior 
de cada aqui e agora, operamos o “contato”, que é justamente esse ajusta-
mento criativo do passado diante das possibilidades abertas pela atualidade 
do dado” (D’ACRI; LIMA; ORGLER, 2007, p. 19).
Um outro conceito, herdado pela Psicologia da Gestalt e que oferece contri-
buições para a Gestalt-terapia, é o de figura e fundo. Um princípio básico é a 
ideia de que a percepção não é apenas a soma de partes, mas que constitui um 
todo independente. O processo de formação de uma Gestalt é ativo, e as par-
tes que a formam, se somadas, são incapazes de ter as mesmas características 
do todo. Nesse jogo de todo e das partes, surge uma ideia importante para a 
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Psicologia da Gestalt, a de que a percepção faz emergir uma figura de um fun-
do, tal qual, ao mesmo tempo, o constitui e circunscreve. Assim, o significado 
da figura é dado pela relação contextual com o fundo.
No concernente à prática psicoterapêutica, toda sessão inicia com um as-
pecto central trazido pelo cliente e que pode ser entendido como a figura, isto 
é, as características centrais de destaque na fala. Entretanto, conforme visto, a 
relação e contexto com o fundo é um aspecto essencial para a Gestalt-terapia, 
e os aspectos do fundo podem emergir no processo psicoterapêutico, toman-
do outras dimensões. Assim, “a terapia gestáltica busca restabelecer a fluidez 
do processo de formação figura/fundo por meio da análise das estruturas in-
ternas da experiência presente” (D’ACRI; LIMA; ORGLER, 2007, p. 108).
Um conceito central na Gestalt-terapia é a autorregulação, que se configu-
ra como um princípio natural que rege o funcionamento do organismo, numa 
tendência de atualização da natureza e de si mesmo como o impulso único 
através do qual se determina a vida do organismo, conceito que surge em Ges-
talt-terapia por meio de Goldstein, em seu livro The organism, que comparava a 
autorregulação organísmica com a homeostase para a biologia.
“Nessa ciência, o termo ‘homeostase’ é utilizado para designar a manuten-
ção das condições estáveis ou constantes no meio interno do corpo humano. 
Em essência, todos os órgãos e tecidos do corpo desempenham funções inter-
-relacionadas que ajudam a manter tais condições” (HALL, 2011, apud FRAZÃO; 
FUKUMITZU, 2014, p. 70). Assim, termos outrora usados apenas para o campo 
biológico ou fisiológico passam a ser utilizados para descrever o processo de 
equilíbrio do ser humano.
É por meio dessa visão organísmica que a Gestalt-terapia enxerga 
que o organismo se organiza em busca de modos de satis-
fazer suas necessidades no meio, necessidades entendi-
das como tudo aquilo que o ser humano precisa para 
se satisfazer, “fechar nossos ciclos organísmicos, levan-
do em consideração desde as demandas biológicas mais 
básicas, como aquelas que se vinculam aos afetos e às 
emoções que nos atingem” (FRAZÃO; FUKUMITZU, 2014, p. 74).
Perls (1977, p. 33) descreve o organismo como “um sistema 
que está em equilíbrio e que deve funcionar adequadamente. 
PSICOTERAPIA HUMANISTA E FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL 93
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Qualquer desequilíbrio é experimentado como necessidade a ser corrigida”. 
Desse modo, a autorregulação é “uma grande forma de interação e negociação 
entre aquele ser que busca o fechamento e a resolução de uma situação de 
desequilíbrio – uma situação inacabada – por meio de uma ação no ambiente 
do qual o organismo é parte” (FRAZÃO; FUKUMITZU, 2014, p. 71).
O principal representante da Gestalt-terapia, Fritz Perls, também traça al-
guns apontamentos sobre esse conceito. Para ele: “[...] o princípio que gover-
na nossas relações com o meio externo é o mesmo princípio intraorganísmico 
de busca de equilíbrio” (PERLS, 2002, p. 86). Assim, ele traz uma série de as-
pectos da teoria organísmica para o aprimoramento da Gestalt-terapia, como 
o adoecimento psíquico do ser humano como um bloqueio ou ruptura do 
ciclo natural da autorregulação. Por fim, Perls relata que a frustração possui 
um papel central na experiência humana, pois atua como um ciclo autorre-
gulatório. A partir da frustração na busca da realização da necessidade, o ser 
humano ressignificaa experiência. “Sem frustração não existe necessidade, 
não existe razão para mobilizar os próprios recursos, para descobrir a pró-
pria capacidade[...]” (PERLS, 2002, p. 50).
Quando o sujeito expressa e investiga outras formas de satisfação, isto é 
chamado de ajustamento criativo na Gestalt-terapia, algo definido como a 
busca pelo equilíbrio entre o que se deseja/precisa e as possibilidades exis-
tentes no meio. Não há no organismo, um modo padronizado ou mecânico em 
busca desse equilíbrio e, por esse motivo, a criatividade toma um papel central 
na discussão, pois o ser humano precisa de “seu potencial criativo para inven-
tar outros modos e ser um agente criador nesse processo interacional de ser 
alguém que habita e se realiza no mundo” (FRAZÃO; FUKUMITZU, 2014, p. 73).
O conceito de contato em Gestalt-Terapia rege toda a con-
cepção de homem da teoria. Em Ego, fome e agressão, em que 
Perls revisa a teoria de Freud, ele afirma a corre-
lação entre organismo e meio para a realização 
das necessidades básicas e apresenta, neste 
trabalho, a importância do contato para as 
relações humanas. “Todo contato, seja ele 
hostil ou amigável, ampliará nossas esferas, 
integrará nossa personalidade e, por assimila-
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ção, contribuirá para nossas capacidades, desde que não este-
ja repleto de perigo insuperável e haja uma possibilidade de 
dominá-lo” (PERLS, 2002, p. 110).
Nesse sentido, um aspecto relevante é a importância 
da Gestalt-terapia na oposição aos pensamentos dicotômi-
cos existentes na Psicologia de seu tempo: mente/corpo, su-
jeito/objeto, natureza/cultura, indivíduo/sociedade. Na visão de 
Perls, assim como não se pode viver sem ar, também é impossível 
viver sem ser parte da sociedade, pois indivíduo e meio são uma 
coisa só, já que o ser humano é incapaz de funcionar de forma isolada. Assim, 
por pressupor sempre um ou outro, as dicotomias são confrontadas. Desse 
modo, o ser humano é um sujeito de relação, e todas as funções humanas – se-
jam vegetativas, perceptivas, motoras, afetivas ou mentais – precisam de obje-
tos e de ambiente para se completarem. O contato se dá nessa superfície, pois 
remete à ideia do organismo num campo e às interações entre eles. Quanto a 
isso, Frazão e Fukumitzu (2014, p. 28) apresentam que as interações:
Acontecem na fronteira de contato, isto é, onde ocorrem os even-
tos psicológicos, onde se distancia o perigo, transpõem-se os 
obstáculos, seleciona-se e assimila-se o que se requer para satis-
fazer uma necessidade ou fechar uma Gestalt, sendo, por isso, a 
fronteira de contato reconhecida como lugar de experiência. Nes-
se sentido, experiência é essencialmente contato. O contato e o 
seu oposto, a fuga, são os meios de lidar na fronteira com objetos 
do campo. Para compreender esses opostos dialéticos, é preciso 
ter em mente que nem todo contato é saudável e que a fuga não 
tem conotação de boa ou má, sendo apenas uma maneira de o 
organismo lidar com o perigo na fronteira. Como é na fronteira 
que os fatos ocorrem, é nela que as mudanças acontecem. Vale 
salientar que o conceito de fronteira se refere à diferenciação e 
à interdependência dos elementos contidos no campo, sendo, 
portanto, funcional e não uma delimitação física propriamente 
dita. Assim, ela não pertence nem ao organismo nem ao meio, ela 
está no entre. O funcionar da fronteira entre o organismo e seu 
ambiente é chamado de contato.
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O último conceito, não menos importante, é o de awareness, que compõe 
o corpo central da Gestalt-terapia, sendo um dos mais conhecidos. Conforme 
discutido, a Gestalt-terapia é uma teoria que concebe o self pelo contato. A 
partir da experiência de contato com o mundo se constrói a existência, num 
fluxo contínuo entre o contato do organismo com o meio. Nessa relação trans-
formadora, “a existência se faz e refaz, num movimento temporal de configura-
ção de formas ou configurações que dão sentido e significado a si e ao mundo” 
(FRAZÃO; FUKUMITZU, 2014, p. 13).
Perls, no início de seu trabalho com a Gestalt, faz uma releitura da teoria 
psicanalítica proposta por Freud. Assim, apresenta um redirecionamento de 
foco, do inconsciente para a fenomenologia da consciência (ou da awareness). 
Desse modo, a awareness é entendida como um fluxo entre a experiência pre-
sente com o outro, o que envolve contato, sentimento, excitamento e forma-
ção de Gestalten. Em outras palavras, awareness é entendida “como o fluxo da 
experiência aqui-agora que, a partir do sentir e do excitamento presentes no 
campo, orienta a formação de Gestalten, produzindo um saber tácito” (FRA-
ZÃO; FUKUMITZU, 2014, p. 13).
Como a Gestalt-terapia se alimenta da teoria de campo, só é possível pensar 
a consciência como construída a partir da relação pessoa-mundo num espaço-
-tempo presente, o aqui e agora. Desse modo, não é possível pensar awareness 
de um ponto de vista dicotômico. Levando em consideração a centralidade do 
conceito de contato em Gestalt-terapia, não há nenhuma concepção de um 
sujeito ou de consciência que constitui o sentido da experiência, pois todo sen-
tido é dado de maneira espontânea na própria experiência. A consciência e o 
mundo se correlacionam sem um lado preponderante.
Um pouco depois dos trabalhos iniciais na Gestalt-terapia, que apresen-
tam o conceito de awareness, outros teóricos expandem a forma 
de enxergar esse fenômeno. Ginger e Ginger, por exemplo, apre-
sentam uma nova contribuição a essa discussão, ao 
explicar a awareness como “tomada de consciência 
global no momento presente, atenção ao conjun-
to de percepção pessoal, corporal e emocional, 
interior e ambiental, consciência de si e consciên-
cia perceptiva” (GINGER; GINGER, 1995, p. 254).
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Psicodrama
Introdução ao psicodrama
O psicodrama é uma técnica psicoterapêutica cujas raízes se encontram na 
Psicologia e Teatro, em razão do histórico de Jacob Moreno, criador do psico-
drama, nesses dois campos. Tem como ponto central de intervenção a drama-
tização e, por isso, as técnicas do psicodrama envolvem um processo de ação e 
interação. Do ponto de vista etimológico, o drama signifi ca ação.
Assim, o termo psicodrama age como via de investigação da psique do sujeito, 
mediante suas ações, além de ser um método de intervenção e de pesquisa das 
relações interpessoais de grupos e de indivíduos, trabalhando também sobre as 
ideologias, sejam particulares ou coletivas. Devido à amplitude do psicodrama, 
ele tem sido utilizado em hospitais, empresas, escolas e na clínica em geral.
Jacob Moreno, o criador do psicodrama, nasceu na Romênia, em 1889, mas, ain-
da criança, mudou-se para a Áustria, onde se formou em Medicina e se interessou 
por temáticas psicológicas, atuando de maneira a relacionar o teatro com seus inte-
resses em Psicologia. Por conta de sua infl uência no Teatro, ele passou a trabalhar 
muito com grupos, desenvolvendo uma teoria e método sobre a psique humana.
O psicodrama nasce por meio da técnica do Teatro do Improviso. No lugar 
de focar na dramaturgia e atuação por meio de um roteiro prévio, o Teatro do 
Improviso é baseado na capacidade de improviso, isto é, a expressão artísti-
ca no teatro se dá por atividades não roteirizadas, estruturadas ou pensadas. 
Esse método, também pensado por Moreno, fortalece a criatividade.
Por meio de um caso acontecido no Teatro do Improviso, conhecido como o 
caso Bárbara, Moreno nota o potencial terapêutico do Teatro. Bárbara, partici-
pante do grupo de teatro de Moreno, durante os improvisos, assumia persona-
gens com personalidade bondosa e amável. Ao se casar com um dos especta-
dores do modelo, apersonalidade apresentada pela atriz era o extremo oposto 
da encenação. Incomodado com a situação, o espectador procura Moreno, que 
recomenda a Bárbara que mude sua forma de atuação, assumindo uma postu-
ra mais voltada a uma pessoa grosseira.
Depois desse movimento e da mudança no comportamento de Bárbara em 
casa, isso suscita em Moreno um movimento criador e potencial de mudança 
da dramatização. A partir de então, o autor estrutura o psicodrama em etapas, 
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por meio de conceitos psicológicos e do teatro. Por tal motivo, o psicodrama 
surge enquanto uma terapia de grupo, cujos atos são públicos, sem contar que, 
à medida que se expande, assume novos formatos, como a psicoterapia indi-
vidual. Há três principais princípios orientadores do psicodrama, a emoção, o 
grupo e a cocriação, por meio dos quais surgem sensações e sentimentos que 
ajudam a reconstruir a personalidade. Busca-se, por meio desses aspectos, in-
tegrar o mundo interno do sujeito com a realidade compartilhada.
Conceitos presentes no psicodrama
O psicodrama produz uma catarse emocional e insights cognitivos. Para 
desenvolver tais aspectos, ela faz uso de dois tipos de linguagem: verbal e 
não verbal. Dessa forma, o corpo assume um papel centralizador na teoria de 
Moreno, tomando tanta centralidade quanto a fala possui para a Psicanálise, 
por exemplo. Para explicar melhor o efeito do psicodrama, é preciso entender 
melhor o que é a catarse emocional. Moreno apresenta que, muitas vezes, as 
emoções humanas bloqueiam e saturam o indivíduo. De modo natural, quan-
do isso acontece, o ser humano estabelece um autocontrole sobre essas emo-
ções, mecanismo presente na vida humana desde sempre, pois, de modo geral, 
é ensinado que não se pode demonstrar vulnerabilidade a outras pessoas.
O que acontece durante esse processo é que, mesmo que o ser humano so-
fra, ele rejeita suas próprias emoções e reprime seus sentimentos, tentando ne-
gar qualquer desconforto e se demonstrando forte. O que Moreno apresenta, 
entretanto, é que este jogo de forças não é saudável e, em determinado momen-
to, essas emoções transbordam. Assim, o corpo tende a reagir ao transbordar, a 
chamada catarse emocional. Caso o ser humano chegue ao nível de negação das 
emoções, de modo a sentir a sensação de esgotamento, é necessá-
ria uma explosão catártica, pois é a única maneira de restabelecer 
a saúde do indivíduo. Moreno apresenta que é mais 
saudável se permitir experienciar as emoções, não 
deixando chegar a esse estágio de catarse.
Quanto aos insights cognitivos, o termo “in-
sight” vem do inglês e é entendido como a com-
preensão súbita de alguma coisa ou situação, quase 
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um sinônimo de epifania, um meio no qual se toma consciência das coisas. Por 
meio das técnicas e ferramentas do psicodrama, ele auxilia o ser humano no 
processo de se inteirar e compreender padrões de comportamentos, atitudes, 
pensamentos e emoções a respeito de si. Além das ideias de catarse emocional 
e dos insights cognitivos, conceitos mais ligados às consequências do processo 
psicodramático, há outros conceitos que regem a teoria de Moreno, como criati-
vidade e espontaneidade, teoria dos papéis e tele.
O conceito de criatividade e espontaneidade andam juntos. Quando a 
criança nasce, possui uma capacidade criadora que, por meio da maturação, 
tende a se completar. Nessa fase, ela ainda precisa de um eu-auxiliar: a mãe. À 
medida que cresce, transita por diversos papéis sociais e exerce sua capacida-
de criadora neste exercício. A cultura, em contrapartida, impõe seus aspectos e 
características à criança, que perde sua capacidade inata de espontaneidade e 
criatividade. A relação com os pares poda e retira a essência criativa da criança, 
o que acontece nas relações com pessoas mais velhas, agentes sociais que mos-
tram à criança condutas estereotipadas e ritualísticas de repetição, comporta-
mentos que não precisam de muito tempo de aprendizado.
Moreno acredita que o psicodrama possibilita o desenvolvimento e recupe-
ração das capacidades criativas e espontâneas. A perda de tais capacidades é 
um fator de adoecimento humano e, por isso, requer atenção especial. A teo-
ria dos papéis é importante por expor uma visão da criação da personalidade 
na teoria de Moreno. Para ele, assim como numa encenação, todos têm papéis 
sociais estabelecidos nas relações sociais, papéis que podem mudar de acordo 
com as relações entre vários grupos e funções nesses grupos.
Na teoria dos papéis, Moreno propõe o estudo dos papéis e 
dos vínculos pertencentes a esses papéis. Um exemplo desse 
jogo que o ser humano exerce é que um homem pode trabalhar 
num restaurante como chefe de cozinha, mas não gosta de 
cozinhar quando está em casa. Assim, ele adota compor-
tamentos adequados ao papel de cozinheiro no traba-
lho, mas adota comportamentos diferentes em casa, 
relacionados ao papel de marido, pai, ou qualquer outra 
função. Assim, pelo termo papel, entende-se o conjunto de 
características identificatórias de um sujeito. Como o ser humano é 
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diverso, não há um papel estático em sua vida e, por conseguinte, há uma série 
de papéis que ele exerce. À medida que a criança cresce, alguns papéis com-
ponentes do self ficam escondidos, e o papel do psicodrama é de resgatá-los.
Por fim, o conceito de tele se entende como a capacidade humana de per-
ceber, de modo objetivo, as situações e o que ocorre entre as pessoas. Quando 
se fala desse conceito, não se limita apenas a percepção por meio dos sentidos, 
mas sim o envolvimento de aspectos biológicos, afetivos, cognitivos e sociais. 
Portanto, ele reflete uma capacidade global de utilizar diversos fatores para 
auxiliar o sujeito a encontrar a tele, sendo uma capacidade que se desenvolve 
ao longo da vida. Para Rójas-Bermudez (2016, p. 50):
Ao nascer, a criança não distingue entre o eu e o não eu, e sobrevive 
graças aos cuidados de um ego-auxiliar: a mãe. À medida que se vai 
desenvolvendo e que seu sistema nervoso e órgãos dos sentidos 
amadurecem, adquire paulatinamente a noção do eu e não eu e co-
meça a responder aos estímulos externos com atração ou rejeição.
Assim, Moreno defende que esta capacidade de tele se desenvolve e 
se aprimora até que o processo comunicativo da criança esteja completo, 
tornando muito mais complexa a forma com que o sujeito percebe o que 
lhe cerca. Em outras palavras, “chegamos, assim, ao auge do sistema tele, 
quando o indivíduo se encontra nas melhores condições de comunicação” 
(RÓJAS-BERMUDEZ, 2016, p. 51).
O psicodrama é bastante diverso no que diz respeito a métodos com foco 
no trabalho psicoterapêutico. Dentre tantos, um dos mais conhecidos é o mé-
todo psicodramático, que usa a representação dramática para explorar os 
vínculos humanos e o psiquismo. Por meio da atuação, o indiví-
duo é convidado a representar os conflitos, presentes ou passa-
dos, experienciados por ele, que pode também apresentar suas 
dúvidas, temores e inseguranças. Esse método divide-se em 
três principais momentos, preconizados por Moreno com 
o objetivo de atingir uma imersão no self.
O primeiro momento é chamado de aquecimento, 
no qual o clima do grupo é preparado e são escolhidos 
o tema e o protagonista. O segundo momento remete à 
própria representação, em que se conta com protagonista pré-es-
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tabelecido no aquecimento e a presença dos eu-auxiliares, que contribuem 
para o andamento da cena dramática, reforçando a importância da esponta-
neidade como ferramenta essencial para14
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Hipócrates via o homem como uma unidade organizada e entendia a doen-
ça como uma desorganização desse estado. Essa concepção se perpetuou por 
muito tempo. A ideia de “saúde”, até a definição de 1948, da OMS, era enten-
dida como a ausência de doenças. Retornaremos com mais detalhes a essa 
concepção, tanto para entendê-la melhor como para criticá-la, em breve. Por 
hora, é importante perceber que, mesmo que Hipócrates tenha vivido há mais 
de dois mil anos, suas ideias perduraram por muito tempo.
Seguindo uma ordem cronológica da história da saúde, outra figura impor-
tante e que seguiu os preceitos de Hipócrates foi Galeno, um médico e filósofo 
romano, de origem grega. Nasceu em 129 d.C. e morreu em 199 d.C. Ele via a 
causa da doença como endógena, isto é, está dentro do ser humano. A ideia 
central é a de que havia forças vitais dentro do corpo. Quando essas forças 
funcionavam de forma harmoniosa, o sujeito seria saudável. Em contrapartida, 
o desequilíbrio das forças vitais poderia causar doenças. Esses desequilíbrios 
poderiam ser hábitos prejudiciais ao longo da vida ou pela sua estrutura física, 
o que hoje entendemos como herança genética.
Na Idade Média, época marcada pela grande influência da Igreja Católica em 
diversos setores da sociedade, a concepção de doença estava atrelada como 
uma consequência, ou resultado, do pecado. A cura se dava por meio da fé. “O 
salário do pecado é a morte, mas o dom de Deus é a vida eterna” (Romanos 
6:23). Assim, o cuidado com os doentes estava entregue às instituições religio-
sas, que, inclusive, administravam os hospitais da época. É nesse período que 
surgiram as Santas Casas de Misericórdia, instituições católicas filantrópicas 
que existem até hoje.
Nessa época, os hospitais eram responsabilidade das igrejas e não focavam 
em ser um espaço de cura. Na verdade, eram um lugar de abrigo e conforto 
para os doentes. Junto a isso, pelo caráter filantrópico das Santas Casas de 
Misericórdia, via-se a saúde neste período como uma caridade, não um direito 
dos cidadãos. Essa visão, embora problemática, perdurou por muito tempo, 
inclusive no Brasil.
Com o Iluminismo, a concepção da saúde tomou novos rumos. Resumida-
mente, podemos entender o Iluminismo como um movimento cultural do sé-
culo XVII e XVIII que buscou gerar mudanças políticas, econômicas e sociais na 
época. Um dos principais aspectos defendidos pelos iluministas era a necessi-
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dade de se disseminar conhecimento, enaltecendo a razão em detrimento do 
pensamento religioso.
Isso aconteceu porque o homem passou a crer que estava perto de desven-
dar todos os mistérios escondidos do universo. Acreditava-se também que as 
leis reguladoras aplicadas à política, ética, religião, filosofia e economia pode-
riam construir uma sociedade perfeita. Assim, a partir deste momento, há uma 
separação muito bem demarcada entre estado e religião, sendo destacados os 
papéis de ambos na sociedade.
Dentre tantos avanços a se destacar desse período, podemos destacar o 
enorme avanço da medicina em diferentes lugares do mundo, bem como o 
surgimento e intensificação de métodos científicos que promoviam a saúde, 
como soros e vacinas. Esse avanço em métodos e no interesse de uma medi-
cina científica foi, sem dúvida, extremamente importante para a sociedade. A 
Tabela 1 nos mostra um exemplo.
TABELA 1. TAXAS MÉDIAS DE MORTALIDADE NO HOSPITAL BRITÂNICO DE PARTOS (SÉC. XVIII)
Taxas médias de mortalidade para o hospital britânico de partos
Taxa de mortalidade (por 1.000) 1749-1758 1779-1788 1789-1798
Materna 24 17 3,5
Infantil 66 23 13
Fonte: MACIEL, 2018. (Adaptado).
A partir do momento em que passamos a estudar a medicina de forma científi-
ca, com o Iluminismo, o número de mortes foi diminuindo. No primeiro momento, 
a cada 1.000 nascimentos, morriam 24 mães e 66 crianças. Após 51 anos, apenas, 
o número se reduz para 3,5 mães e 13 crianças. Hoje, no século XXI, graças ao 
desenvolvimento de métodos de cuidado em saúde, esse número é bem menor.
Contudo, não havia ainda uma concepção universal do que seria a saúde. A 
saúde comunitária pedia, cada vez mais, uma política nacional que concentrasse 
esforços para a sua promoção. Entretanto, foi apenas na metade do século XX, 
com o fim da Segunda Guerra Mundial, que a Organização Mundial de Saúde 
(OMS) definiu a saúde como “um completo estado de bem-estar físico, mental e 
social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade” (WHO, 1948, p. 16).
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Até o momento, essa concepção se apresentava como a forma mais com-
pleta de enxergar a relação entre saúde e doença. A sua maior inovação é a 
ideia de que a ausência de uma patologia não é o suficiente para considerar 
alguém como saudável. Um sujeito, por exemplo, que vive em um ambiente 
social extremamente adoecedor, mesmo que não desenvolva uma doença es-
pecífica, vive em uma condição oposta ao que chamamos de vivência saudável.
Assim, a ideia trazida pela OMS apresenta acréscimos à concepção de saúde 
da época. Apesar disso, ainda é uma concepção passível de críticas. Dejours 
(1986) e Caponi (1997), importantes figuras na discussão de saúde, apresentam 
alguns pontos importantes e dignos de análise.
A crítica inicial vem de Dejours (1986), que afirma que um completo estado 
de bem-estar não existe. Para ele, esta é uma visão idealizada, uma ilusão ou 
utopia. Se pararmos para pensar sobre o que seria um perfeito estado de bem-
-estar, ele está bem distante da realidade. Quem no mundo seria capaz de en-
contrar esta homeostase completa de bem-estar? Assim, para Dejours (1986), a 
concepção da OMS transforma a saúde em uma condição de ficção, inalcançável.
Ainda, Dejours (1986) diz que a OMS deixa vago o que seria bem-estar. 
Embora todos saibam do que se trata quando ouvem falar, a ausência de deli-
mitação deixa a ideia imprecisa, dificultando uma visão mais ampla. Assim, o 
psiquiatra lança alguns questionamentos que a definição não deixa claro. Em 
suas palavras: “para sujeitos com situações de vida semelhantes, necessaria-
mente, o bem-estar de cada um representa o mesmo estado de bem-estar de 
todos?” (LUNARDI, 1999, p. 28).
Além desse questionamento inicial, Lunardi (1999, p. 28) ainda apresenta 
outras críticas à falta de clareza do conceito lançado pela OMS feita por Dejou-
rs. Ele questionava, por exemplo, se para sujeitos com situações de vida muito 
diferentes o estado de bem-estar de cada um significa o mesmo estado de 
bem-estar? Perguntava ainda se uma mesma situação de doença compromete, 
de modo semelhante, o estado de bem-estar de diferentes indivíduos. 
Esses questionamentos não se encerram em Dejours. Caponi (1997) diz que 
há um caráter mutável e subjetivo no conceito de bem-estar, e que há um ca-
ráter subjetivo na própria relação saúde-enfermidade. Assim, ”a expressão dos 
sintomas pelo indivíduo, do que sente, do que percebe como manifestação em 
si, estará, sempre, carregada da sua subjetividade, da sua forma de perceber 
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e sentir que é ou pode ser diferente do que é sentido e percebido por outro 
indivíduo” (LUNARDI, 1999, p. 28).
Todas essas críticas abrem espaço para uma nova discussão do que seria 
saúde. Essa nova concepção precisava superar todos esses problemas teóri-
co-epistemológicos apresentados pelas concepções mágico-religiosa, greco-
-romana, a concepção da Idade Média, os desafi os enfrentados na época do 
Iluminismo e a concepção da OMS.
Portanto, podemos dizer que a saúde é mediada, infl uenciada e construída 
por diversos determinantes, sejam eles genéticos, biológicos,o psicodrama. O terceiro momento 
é o de compartilhamento, em que há a participação terapêutica do grupo. 
A proposta é de partilhar todos os aspectos suscitados pela vivência durante 
o período de representação. Além dos papéis já apresentados, também há o 
papel de diretor do psicodrama, assumido pelo terapeuta responsável por 
gerir o processo.
Por fi m, pode-se dizer que a perspectiva do psicodrama vê o ser humano 
como um ser de relação, capaz de expressar criatividade e espontaneidade 
nessas relações. Seu foco na presença de papéis durante a terapia de grupo 
apresenta como Moreno via o ser humano como responsá-
veis e com papel ativo no desenvolvimento dos outros. As-
sim, podemos dizer que a terapia psicodramática tem por 
objetivo desenvolver a criatividade e espontaneidade, a 
compreensão de si e do outro e da sociedade.
DICA
Embora a teoria proposta por Moreno seja complexa, esses princípios 
apresentados aqui servem como aspectos norteadores iniciais no estu-
do do psicodrama. Há uma série de outros conceitos, técnicas e outros 
aspectos que não foram apresentados nesta introdução. Busque ampliar 
seus conhecimentos com a pesquisa de outros materiais sobre a temática.
Abordagem transpessoal
Introdução à abordagem transpessoal
A psicologia transpessoal, tal como grandes outras correntes da psicologia 
humanista, surge de modo a expor uma oposição às correntes dominantes. A 
transpessoal, em contrapartida, é entendida como uma quarta força na Psi-
cologia, pois busca se opor aos estudos realizados pelas correntes humanis-
tas, visto que autores como Abraham Maslow, Anthony Sutich, Stanislav Grof 
pretendem acrescentar a dimensão transcendental ou espiritual ao estudo da 
psique (FERREIRA et al., 2019, p. 49). 
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Michael Harner, um antropólogo americano, aponta que o estudo da psi-
que se dá por dois caminhos: o etnocêntrico, porque é formulado por cien-
tistas ocidentais que, para Harner, consideram as perspectivas pessoais 
superiores às demais outras perspectivas dos outros grupos humanos, e o 
cognocêntrico, pois é uma ciência que centraliza os estudos em estados co-
muns de consciência, deixando de lado os outros estados. Para Grof, a psico-
logia transpessoal é capaz de construir um progresso a essas duas tendências 
apontadas por Harner, visto que as dimensões espirituais da realidade são 
tão convincentes quanto as experiências diárias do mundo material e, por 
isso, requerem destaque maior do estudo da psique. Assim, de acordo com 
Ferreira (2019, p. 59):
A Psicologia Transpessoal não refuta o conhecimento objetivo 
do homem no mundo, mas valida o conhecimento subjetivo, po-
sicionando-o como um observador participativo e consciente e 
não como um observador distante e desinteressado. A palavra 
TRANS vem do latim e no contexto da Transpessoal, signifi ca além 
do ego, através do pessoal e transformando-o. Talvez sejam mes-
mo essas as defi nições que mais completamente caracterizam os 
QUADRO 4. INSTÂNCIAS DO PSIQUISMO PARA A 
ABORDAGEM TRANSPESSOAL
Espiritual
Biológica
Psicológica
Social
Cultural
EspiritualEspiritualEspiritualEspiritual
BiológicaBiológicaBiológica
PsicológicaPsicológicaPsicológicaPsicológicaPsicológica
SocialSocialSocial
CulturalCulturalCultural
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diferentes papéis da Transpessoal: o estudo e interesse na inves-
tigação dos estados além do ego através das experiências não 
ordinárias de consciência, a ampliação do contexto de estudo da 
experiência humana integral e por fi m, a visão da dimensão trans-
pessoal como catalisadora das transformações mais profundas 
que o ser humano pode realizar.
Apesar de todas as críticas feitas à escola da psicologia transpessoal, 
ela traz uma série de investigações inovadoras, como o direcionamento da 
escuta psicológica para além do fenômeno da patologia, propondo uma 
ótica para a abrangência da consciência humana com uma ligação direta 
com o conceito de espiritualidade, conceito central da teoria e que mere-
ce maior enfoque.
Espiritualidade e sentido da vida
É comum confundir espiritualidade com religiosidade, confusão que pode 
ser prejudicial para o entendimento da teoria transpessoal. A religiosidade “re-
fere-se à extensão na qual um indivíduo acredita, segue e pratica uma religião. 
Espiritualidade tem sido entendida como a prática da refl exão, de modo par-
ticular, das questões relacionadas ao signifi cado da vida e da razão de viver” 
(FERREIRA et al., 2019, p. 60).
Em outras palavras, se entende a espiritualidade como qualquer fator pro-
dutor de sentido, “algo que conecta o indivíduo ao mundo, criando uma sensa-
ção de pertencimento e acolhimento, e ainda como algo que fornece valor e faz 
transcender” (FERREIRA et al., 2019, p. 60). Esse fator espiritual contribui para a 
saúde nos mais diversos contextos e culturas, sendo entendido como a busca 
do indivíduo por sentido.
A infl uência dos aspectos espiritualistas na saúde são diversos e, por 
esse motivo, possuem caráter terapêutico. Essa temática é bastante estu-
dada no Brasil, e uma série de pesquisas apontam a maneira que o envolvi-
mento espiritual se associa a “indicadores de bem-estar psicológico (satis-
fação com a vida, felicidade, afeto positivo e moral mais elevado) e a menos 
depressão, pensamentos e comportamentos suicidas, uso/abuso de álcool/
drogas” (FERREIRA et al., 2019, p. 60).
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Logoterapia
O foco da psicologia transpessoal no sentido da vida abre espaço para tra-
balhos realizados na logoterapia, fruto da produção teórica do médico austría-
co Viktor Frankl. Porém, diferentemente de outras abordagens, a construção 
de conceitos e práticas da mesma não parte da discussão acadêmica, mas da 
experiência. Frankl, ainda na juventude, propôs refl exões sobre o sentido da 
vida, realizando terapias com essa temática. Entretanto, sua experiência de 
três anos num campo de concentração nazista se torna o principal disparador 
para transformar as suas refl exões pessoais na logoterapia. De origem judaica, 
Frankl e sua família foram vítimas do antissemitismo nazista, que matou seus 
pais e sua esposa.
Dessa forma, Frankl passa três anos preso no campo de concentração, sob 
regime escravo, subnutrição, falta de higiene, riscos à saúde, agressões físicas 
e psicológicas, além das perdas de familiares e amigos. Nesse contexto, o mé-
dico presencia suicídios por parte de seus companheiros, contudo, por outro 
lado, a própria biografi a dele é uma típica história de superação. Ao contemplar 
esses extremos, é natural se perguntar como um indivíduo consegue superar 
tantas adversidades – e Frankl também levantava tal questionamento.
De um ponto de vista geral, é possível falar sobre alguns conceitos pro-
postos por Frankl em sua teoria, que respondem à teoria citada e expõem um 
Figura 2. Ilustração de Viktor Frankl, criador da logoterapia. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 29/09/2021.
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pouco a visão de homem e de mundo proposta pela logoterapia. Embora haja 
muitos conceitos, é preciso detalhar melhor três desses conceitos: liberdade da 
vontade, vontade de sentido e sentido da vida.
A forma de adentrar nos conceitos em si se dá por meio de um mapa concei-
tual, visto no Diagrama 1, no qual estão os conceitos gerais apresentados, bem 
como alguns outros. Embora nem todos os conceitos no mapa sejam foco de 
estudo, o mapa auxilia na compreensão geral da teoria da logoterapia.
Tem como força 
motriz da vida 
Baseada em
Envolve
É uma totalidade
É característica 
antropológica do 
Pode ser manifestadopor meio de
Pode ser manifestada 
pelo fenômeno 
Possui
Sentido 
de vida 
Liberdade da vontade
Vontade de sentido
Ser humano
Autotranscendência
Autodistanciamento
Autocompreensão
Consciência
Amor
Espiritual Física Psíquica
Humor
Heroísmo
Responsabilidade
Logoterapia e análise existencial
DIAGRAMA 1. TRÍADE CONCEITUAL DA LOGOTERAPIA
Conforme o Diagrama 1, Frankl concebe o homem como um ser total, cuja 
totalidade é dotada de características espirituais, físicas e psíquicas. O ser hu-
mano possui duas características antropológicas: a autotranscendência e o au-
todistanciamento. Além disso, todo ser humano possui como característica in-
trínseca a liberdade de vontade. De acordo com Frankl “embora o ser humano 
não seja livre de condicionantes biopsicossociais, ainda assim, não quer dizer 
que está condicionado inteiramente por eles, pois é livre para se posicionar 
diante deles” (SANTOS, 2016, p. 133). Essa liberdade não anda só, pois é acom-
panhada da responsabilidade, elementos que compõem a espiritualidade. Para 
Frankl (2012, p. 10), “o ser-eu significa ser-consciente e ser-responsável”.
Quanto ao segundo pilar da logoterapia, chamado de vontade de sentido, 
ele se refere à “busca contínua do ser humano por um sentido em sua vida” 
(SANTOS, 2016, p. 133). Frankl o define como esforço básico e primário do ser 
Fonte: SANTOS, 2016, p. 131.
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humano, no qual ele caminha em direção da realização de seus propósitos, 
conceito oposto a alguns anteriores em Psicologia, como a vontade de prazer 
apresentada pela psicanálise, vontade de poder de Adler e até mesmo a ideia 
de autorregulação da Gestalt-terapia, pois tais conceitos partem de uma noção 
de homeostase, “do ser humano como um sistema fechado no qual é preciso 
reduzir as tensões para garantir a manutenção de um equilíbrio interno. Segun-
do Frankl, o ser humano precisa de tensões que o movam do ser ao deve-ser” 
(SANTOS, 2016, p. 134). Quando essa vontade de sentido não é encontrada, o 
ser humano experimenta uma sensação de falta de sentido, de vazio interno, 
chamada por Frankl de vácuo existencial.
Outro conceito central da teoria de Frankl é o sentido da vida, que reflete 
as atribuições dadas por um sujeito a sua experiência de vida. Sobre isso, cabe 
destacar algumas características apresentadas por Frankl acerca do sentido 
da vida. Em primeiro lugar, o sentido é único e pode mudar de uma pessoa 
para outra, assumindo uma característica mutável. Assim, não há um sentido 
universal para a vida. Tal sentido também precisa ser concreto e realizável, se 
opondo a ideias abstratas, sendo também um elemento de tensão, e incondi-
cional, no sentido de que não depende de certas condições para existir.
A teoria da logoterapia, dessa maneira, se apresenta como uma teoria de 
abordagem transpessoal por apresentar caminhos e diretrizes na temática 
central da espiritualidade. Perguntar sobre o sentido da vida e preconizar cami-
nhos teórico-epistemológicos, em busca de auxiliar os outros a encontrar esse 
sentido, é uma característica das teorias da abordagem transpessoal.
ASSISTA
Para entender melhor sobre a logoterapia e conhecer mais conceitos 
dessa teoria, vale assistir às entrevistas de Viktor Frankl. Enquanto vivo, 
ele foi a alguns programas de televisão e deu muitas entrevistas, algumas 
hoje disponíveis na internet. Uma característica importante de Frankl é 
a linguagem acessível e a forma como ele relaciona sua teoria com as 
experiências vivenciadas por ele no campo de concentração.
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Sintetizando
De um modo geral, a psicologia humanista se apresenta como uma forma 
de oposição às práticas tradicionais da clínica em psicologia que se baseiam 
na Psicanálise e no Behaviorismo, com foco no inconsciente ou no compor-
tamento humano. Nesse sentido, novas correntes, como a Gestalt-terapia, o 
psicodrama e a logoterapia, dão ênfase à experiência humana, sem centralizar 
princípios em apenas um fenômeno psicológico específico.
Cada uma dessas abordagens possui um enfoque único, de modo pensado 
e estruturado conforme as diversas visões de mundo e os diferentes métodos. 
No entanto, todas partem de uma mesma raiz epistemológica, que as une e 
classifica como teorias clínicas humanistas de base fenomenológico-existen-
cial. A Gestalt-terapia, por exemplo, criada por Fritz Perls, é uma teoria que 
recebe influência de correntes filosóficas como a fenomenologia, o existencia-
lismo e a teoria do campo.
Adotando também alguns conceitos da Psicologia da Gestalt, Perls constrói 
uma teoria bastante consistente, com foco na relação entre sujeito e o campo e 
a criação do psiquismo a partir deste contato. Por seu turno, o psicodrama, que 
tem Jacob Moreno como idealizador, recebe influências do Teatro, da Psicologia 
e da Sociologia, uma vez que, por meio do Teatro do Improviso, Moreno nota o 
potencial terapêutico da ferramenta, criando o método psicodramático.
A abordagem transpessoal, por sua vez, critica a ausência de estudos em Psi-
cologia no campo da espiritualidade, com foco na busca humana pelo sentido 
da vida, temática necessária para a investigação da existência humana. Desse 
modo, teorias como a logoterapia de Viktor Frankl apresentam aspectos refe-
rentes à constante busca de sentido, uma busca universal dos seres humanos.
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TÁVORA, C. B. Três ensaios sobre o self: intencionalidade, crise e mudança. In: 
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PSICOTERAPIA EM 
FOCO: DEMANDAS, 
TENDÊNCIAS E 
ASPECTOS ÉTICOS 
4
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Conhecer a relação entre o uso de tecnologias em psicoterapia e as 
orientações do Conselho Federal de Psicologia;
 Aprender sobre o campo em crescimento em Psicologia com foco antirracista 
e decolonial;
 Estudar as diferentes demandas em psicoterapia, como as demandas por 
ciclo vital;
 Delimitar os aspectos que dizem respeito à equipe multidisciplinar;
 Saber identificar os profissionais que compõem uma equipe multidisciplinar 
e os critérios para a presença de cada campo do saber; 
 Entender a diferença conceitual entre ética e moral;
 Compreender a importância do compromisso ético da Psicologia.
 Tendências atuais em 
psicoterapia
 Novas tecnologias aplicadas à 
psicoterapia
 Psicologia decolonial e antirracista
 As demandas em psicoterapia
 Psicoterapia por ciclo vital
 Atendimento por equipes 
multidisciplinares
 A ética na psicoterapia e o 
compromisso com o cliente 
 Psicologia e seu compromisso 
com uma atuação ética
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Tendências atuais em psicoterapia
A Psicologia, se comparada a outras ciências, é uma ciência nova. Isso im-
plica dizer que ela se encontra rodeada de uma série de mudanças constantes, 
que modifi cam e constroem a ciência psicológica ao longo dos anos e garantem 
a perpetuação de práticas mais éticas, mais coerentes e abrangentes.
Toda ciência moderna é construída com base em princípios norteadores. 
Há alguns pontos que norteiam o pensamento científi co e que são importantes 
para pensar as tendências atuais e o desenvolvimento da Psicologia. São estes: 
admiração, curiosidade, ceticismo e empirismo.
Admiração e curiosidade
Todo cientista é também um ser encantado com o mundo e com os fenô-
menos. É a partir da beleza e do encantamento que se enxerga o mundo, bus-
ca-se entender a maneira como as coisas funcionam e o modus operandi que 
guia aquilo que se admira. Assim, o ponto de partida para o desenvolvimento 
da ciência é a admiração pelos fenômenos e a curiosidade de tentar entender 
como esse fenômeno funciona. Não refl ete apenas uma visão contemplativa 
da natureza, mas a implantação de caminhos capazes de ajudar o sujeito a 
compreendê-la.
Ceticismo 
Todo cientista deve olhar os fenômenos com um olhar cético e questiona-
dor. Essa é parte de uma visão que acredita que tudo deve ser questionado, 
que não há respostas universais e que o mundo precisa ser observado de 
modo sistêmico. Não há nada que deva ser aceito como realidade sem que seja 
estudado de modo empírico.
Deste modo de funcionamento surge a visão empirista 
da ciência, que defende que o conhecimento deve partir da 
realização de testes e experiências, das quais se 
toma a visão acerca do fenômeno. Em termos 
práticos, essa visão consiste em não acredi-
tar que dois mais dois são quatro apenas 
porque o professor disse, mas descobrir 
por meio de experiências reais o resultado 
daquilo que se investiga.
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Toda e qualquer tendência parte de uma sequência de fatos como estes, 
que contribuem para a expansão das ciências – em Psicologia não é diferente. 
Assim, à medida que novos elementos e objetos de estudo surgem enquanto 
temáticas para a Psicologia, tal situação implica dizer que estes objetos pro-
vavelmente já passaram por uma etapa de admiração e contemplação. Tam-
bém implica que foram questionados, de modo cético, os padrões em que se 
observa este fenômeno e, por fi m, foram realizados estudos com uma visão 
empirista destes objetos.
Novas tecnologias aplicadas à psicoterapia
A internet, de modo geral, encontra-se em constante expansão. Suas aplica-
ções são diversas, tanto em número de ferramentas quanto em formas de uso. 
A Psicologia também se benefi cia, pois possibilita um alcance maior devido aos 
recursos que expandem as fronteiras presentes no modelo presencial.
Desde 2020, devido à pandemia da COVID-19, o atendimento psicológico 
on-line, por exemplo, assumiu novas roupagens e diretrizes. Anteriormente, 
este só poderia ser feito em alguns casos específi cos e por tempo e quantidade 
de sessões limitadas. Porém, por meio de um novo texto que orienta a prática 
da psicoterapia, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) emitiu uma resolução 
com o objetivo de permitir e orientar o atendimento na modalidade on-line em 
tempos de pandemia. 
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Dentre as principais diretrizes orientadas pelo Conselho, destacam-se as 
apresentadas na Figura 1.
Cadastro prévio 
na plataforma 
e-Psi
1
O atendimento de crianças 
e adolescentes deve 
ser consentido pelos 
responsáveis 
2
O psicólogo deve 
conhecer e cumprir o 
Código de Ética também 
no atendimento on-line
3
O atendimento às pessoas com
deficiência deverá respeitar as
especificidades e adequar os 
métodos e instrumentos,
conforme art. 9º
4
Figura 1. Diretrizes importantes propostas pelo CFP para o atendimento on-line. 
DICA
Para inteirar-se por completo dessas diretrizes do Conselho Federal de 
Psicologia, busque ler todos os documentos disponibilizados que orientam 
os psicólogos para a realização do atendimento on-line. Esses documen-
tos apresentam os aspectos legais aos quais o psicólogo deve se subme-
ter e, por isso, são essenciais.
Apesar das limitações presentes no que se refere ao uso de determinadas 
ferramentas e metodologias que demandam a presença física, a internet pos-
sibilitou uma enorme expansão do alcance do profissional, pois não existem 
mais as limitações geográficas. Uma pessoa de Recife, por exemplo, pode aten-
der pacientes, realizar supervisões e cursos de capacitação com pessoas de 
qualquer lugar do Brasil e do mundo.
Essa expansão do alcance é um passo importante no desenvolvimento da 
ciência psicoterapêutica, pois possibilita que os profissionais consigam mais 
clientes, sejam acompanhados e supervisionados por profissionais mais pre-
parados e que realizem cursos dos mais variados tipos.
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Uma teoria que explica esse novo momento de diversificação e expansão 
da Psicologia é a teoria da cauda longa, de Chris Anderson. Embora essa teoria 
seja bastante discutida no campo do marketing, ela traz princípios interessan-
tes para os avanços proporcionados pelo desenvolvimento da tecnologia apli-
cada à Psicologia.
GRÁFICO 1. GRÁFICO DA CAUDA LONGA
Mercado de massa
Mercado de nicho
Segmentos
Vo
lu
m
e 
de
 v
en
da
s
Chris Anderson explica que existem dois mercados: o mercado de massa 
e o mercado de nicho. No mercado de massa, enquadram-se os produtos e 
serviços que possuem um número limitado, mas que vendem em um alto ín-
dice. Apesar de esses produtos gerarem bastante lucro, em um determinado 
momento, pelo número restrito, eles acabam. 
A outra parte do gráfico são os produtos de nicho. Neste lugar, enqua-
dram-se os produtos que vendem em uma quantidade excessivamente me-
nor, mas são muito diversos. Assim, a cauda dos produtos/serviços do mer-
cado de nicho é tão longa que pode até superar os produtos do mercado de 
massa.
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ASSISTA
Assista ao TED Talk com Chris Anderson intitulado 
Technology’s long tail, no qual ele explica melhor sua 
teoria.
Para dar um exemplo da lógica dessa teoria, podemos pensar no seguinte: 
há aproximadamente dez anos, para assistir a um filme precisávamos nos diri-
gir até umalocadora de DVD e escolher um dos produtos disponíveis na loja. A 
estratégia que o dono da locadora usava era a de ter, no seu espaço físico, os 
filmes mais procurados. Apesar de ser uma boa estratégia, ela ainda possuía 
limitações, no sentido de os produtos serem restritos à quantidade que cabia 
na loja. Assim, nesse espaço existiam apenas produtos do mercado de massa.
Hoje em dia, em contrapartida, temos à nossa disposição diversas platafor-
mas de streaming, com muito mais filmes, séries e materiais audiovisuais do 
que as locadoras de DVD conseguiam comportar. Assim, além dos produtos 
do mercado de massa, essas plataformas também conseguem disponibilizar 
produtos do mercado de nicho.
Talvez você esteja se perguntando sobre a relação dessa teoria, bastan-
te utilizada no campo do marketing, com a expansão da psicoterapia. O que 
acontece é que, antes da expansão possibilitada pela tecnologia, os produtos 
e serviços em psicoterapia compunham unicamente o campo do mercado de 
massa.
Para ser atendido por um profissional, você estava limitado aos psicólogos 
da sua cidade. Em alguns casos, alguma pessoa poderia querer ser atendida 
por um profissional que atendesse com uma abordagem diferente das tradicio-
nais, mas não o encontrava, pois essa sua demanda era parte de um mercado 
de nicho. Entretanto, por meio do uso de ferramentas digitais, esses pontos 
mais específicos são otimizados e possibilitados. 
Tal como as plataformas de streaming possibilitam uma maior democrati-
zação do acesso a filmes e séries, a internet contribui, também, para 
a democratização do acesso a serviços em Psicologia, tanto por 
expandir o acesso quanto por possibilitar uma maximização 
de aspectos anteriormente não atendidos, por representa-
rem produtos do mercado de nicho.
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Além desses aspectos, a internet também oferece outras múltiplas aplica-
ções que contribuem para o desenvolvimento da Psicologia. Um dos fatores 
essenciais é o aumento do acesso a recursos e à informação. Isso contribui 
para o desenvolvimento psíquico dos sujeitos e para a maior conscientização 
sobre diversos fatores.
Hoje em dia, por meio das redes sociais e de diversos canais de comuni-
cação, tem-se discutido mais sobre diversas temáticas de saúde mental. Essa 
discussão serve para quebrar preconceitos, partilhar informações essenciais 
sobre sintomas e tratamento e para se discutir estratégias de enfrentamento 
a tais questões.
Assim, podemos dizer que o acesso à tec-
nologia em psicoterapia é uma das novas 
tendências psicológicas, que possibilitam 
a expansão desta ciência em diversos fa-
tores. Por fi m, reitera-se que é necessário 
estar atento aos fatores éticos voltados para 
o uso da internet no contexto psicológico. O 
Conselho Federal de Psicologia sempre apresenta diretri-
zes que norteiam a atuação do profi ssional, e você deve se 
atentar a essas orientações.
Psicologia decolonial e antirracista
Uma das discussões atuais em Psicologia é se ela é – ou deveria ser – uma 
ciência neutra. Quando se fala em ciência, de modo geral, apresenta-se uma 
discussão acerca da importância da neutralidade do cientista, e esse aspecto é 
realmente essencial para o desenvolvimento das ciências.
Porém, apesar de ser uma ciência recente, a Psicologia não possui um his-
tórico neutro diante de diversos cenários. Isso porque “O surgimento da Psico-
logia, enquanto saber científi co, foi historicamente utilizado para normatizar 
corpos e sujeitos, construindo as/os anormais, as/os desviantes” (CRPRS, 2018, 
p. 16). Os conhecimentos psicológicos em muitos cenários serviam a uma jus-
tifi cativa de internalização, patologização e para causar sofrimento diante de 
muitos cenários.
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Além disso, pode-se dizer que:
Ao pôr uma lente sobre os sujeitos que têm sido os principais “ob-
jetos de estudo” e trabalho da Psicologia, seja nas pesquisas, nos 
hospitais psiquiátricos, nos espaços de privação de liberdade, ou 
ainda, nas casas de acolhimento institucional, com importante aten-
ção às corporeidades que os constituem, nos depararemos com 
muitos corpos negros. Mas, embora pretas sejam as suas cores, nas 
fichas oficiais todas/os estão desbotadas/os, sem nenhuma menção 
ao quesito raça/cor desses sujeitos. Sofrem as/os psicólogas/os (e 
demais profissionais nesses campos) de um daltonismo? (CRPRS, 
2018, p. 17).
A ciência que adota um discurso de neutralidade frente às estruturas de 
saber/poder da atual sociedade, atua, na verdade, na manutenção de um siste-
ma. Em outras palavras, o sábio Martin Luther King disse que sua preocupação 
não era com o grito dos corruptos, dos violentos e dos desonestos, mas com 
o silêncio dos bons. Ao se dar conta de uma estrutura social adoecedora e ra-
cista, a ciência psicológica deve adotar uma postura ativa de enfrentamento, e 
não reforçar esta estrutura por meio da neutralidade. 
Assim, uma das atuais tendências em psicoterapia é o compromisso com a 
construção de uma psicologia antirra-
cista. Para a criação desse campo, os 
Conselhos Regionais e o Conselho Fe-
deral de Psicologia têm assumido uma 
postura bastante ativa, com a criação 
de diversos grupos de estudo e de tra-
balho sobre a temática, com foco na 
ampliação do campo, das políticas pú-
blicas e da delimitação do trabalho do psicólogo nessa área. 
No entanto, para a construção de uma psicologia decolonial e antirracista, 
muitos outros passos precisam ser levados em consideração. Um primeiro as-
pecto importante para refletir é sobre os currículos de Psicologia. De maneira 
geral, “existe uma tendência nos currículos dos cursos de formação em psicolo-
gia: eles são monocromáticos. Brancos são os autores, principalmente homens 
e eurocêntricos ou norte-americanos” (CRPRS, 2018, p. 18).
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Embora muitos acreditem que elementos como esse são coincidências ou 
fatores que não possuem relação direta com princípios de racismo no currículo 
em Psicologia, os números apontam, matematicamente, uma incoerência. Se 
metade da população brasileira é negra, logicamente os currículos deveriam 
seguir a mesma proporção entre teóricos pretos e brancos e entre teóricos 
homens e mulheres. Porém, na realidade, não é isso que encontramos. 
Na construção do prefácio do livro Peles negras, máscaras brancas, de Frantz 
Fanon, Grada Kilomba narra um pouco de sua iniciação na vida acadêmica e 
parte de sua experiência ao entrar em contato com diversos autores e teóricos 
no campo de estudo da Sociologia. Negra e estudante de temáticas raciais, ne-
nhum dos escritos aos quais ela foi apresentada foi feito por autores negros, 
o que a fez refletir e apresentar o fato de como o silenciamento pela ausência 
vem sendo uma estratégia de exclusão de grupos minoritários. 
Figura 2. Grada Kilomba, psicóloga e escritora de temáticas como gênero e raça. Fonte: Mandela Crew, 2019.
Assim, podemos dizer que a formação em Psicologia parte de uma lógica 
de epistemicídio, que é uma das formas de materialização do racismo, que ex-
clui e torna ausentes as produções de autores negros, excluindo não só suas 
obras, mas os próprios sujeitos. Mesmo que produzam conhecimento cientí-
fico, quantos livros de teóricos negros compõem as bibliotecas públicas? Em 
comparação com o excesso de autores brancos, há proporcionalidade? 
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De modo geral, podemos definir esse fenômeno como um epistemicídio, que 
se configura como “um mecanismo de apagamento epistemológico de povos se-
cularmente oprimidos, que corrobora com o cenário de marginalizaçãosocial 
que se perpetua até a atualidade” (SILVA; PINHO, 2018, p. 2). Essa negação se dá 
de diversas maneiras. 
Um princípio inicial nesta discussão é a ideia de que “toda linguagem é epistê-
mica” (ASANTE, 2014, p. 54). Assim, os autores aos quais damos voz, aqueles que 
escolhemos e, também, os que deixamos de lado e as pessoas que ouvimos e 
as que silenciamos dizem muito sobre a psicologia que se constrói na academia.
A reflexão que fica para este campo é a de que a construção de uma psico-
logia antirracista perpassa a concepção de que o racismo é ruim e prejudicial 
e que ele se compõe apenas de atitudes intencionais. O racismo é parte de 
uma estrutura social que é partilhada, mesmo que não seja de interesse dos 
sujeitos. 
Dessa maneira, algumas reflexões devem alimentar a busca pelo aprimora-
mento da tendência da psicoterapia antirracista:
Se nós, psicólogas/os, não percebemos, ignoramos ou negamos que 
vivemos em uma sociedade não só racializada, mas racista, que ex-
clui, achata e humilha sujeitos negros diariamente, como poderemos 
auxiliá-los em tais situações? Como os auxiliaremos com suas sub-
jetividades, seus sofrimentos, suas questões, se sequer se admite a 
existência da diferença, ou nem a reconhecemos enquanto fator im-
portante para a saúde mental? Como lidaremos com sujeitos brancos, 
embebidos pela branquitude, egocêntricos, narcisistas, sem fazer uso 
de elementos como raça, sexualidade, classe, gênero? Como cons-
truiremos projetos terapêuticos singulares sem considerar o racismo 
sofrido pelos sujeitos negros? Compreender a importância do estudo 
das relações raciais na formação em psicologia é dar-se conta de que 
importantes conhecimentos estão excluídos do currículo; que essa 
formação toma como hegemônico algo que é particular, portanto, ela 
não é/foi completa e muitos saberes vêm ficando de fora; é, por fim, 
encarar um genocídio epistêmico que essa ciência (e muitas outras) 
impõe à sociedade brasileira, escondendo seu passado e achatando 
seus presentes e futuros (CRPRS, 2018, p. 20).
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Por fi m, reitero a importância de uma psicologia ativa no combate ao epis-
temicídio e às demais formas de racismo que a estrutura social constrói e ali-
menta. Para esse combate, há apenas uma maneira efetiva de agir: “por meio 
de estudos, pesquisas e componentes curriculares que tratem das relações ét-
nico-raciais na escola e na educação como um todo” (AQUINO; NASCIMENTO 
JR., 2019, p. 9). 
As demandas em psicoterapia
Apesar de existirem fatores particulares em psicoterapia, como, por 
exemplo, as diferenças que existem em cada abordagem clínica, que possui 
uma visão de homem, de mundo e métodos específi cos, existem também 
fatores universais, que aparecem com frequência nos mais variados settings 
terapêuticos. 
Mesmo que o profi ssional seja de uma abordagem específi ca, que varia 
a partir do aparato clínico, da visão de homem e do mundo, as demandas 
trazidas pelo cliente são universais, no sentido de aparecerem para todos os 
psicólogos. Assim, estudar esses elementos acaba sendo importante e neces-
sário, pois as temáticas abordadas aqui serão parte da experiência prática de 
todos os profi ssionais. 
Dentre os aspectos a destacar como pontos relevantes de principais de-
mandas em psicoterapia no nosso contexto, destacam-se os fatores ligados 
ao atendimento em psicoterapia relacionado ao ciclo vital: psicoterapia na 
infância, na adolescência, na vida adulta e na velhice. Quais saberes orientam 
o atendimento a este público específi co?
Outro fator que é de grande importância é o foco da psico-
terapia no atendimento das demandas específi cas do cliente. 
Um profi ssional, por exemplo, pode ter maior experiência no 
enfrentamento a transtornos alimentares, seja por um 
desejo profi ssional na temática, seja por um trajeto 
profi ssional que o preparou e instrumentalizou para 
atuar na temática. Assim, é importante que esses 
aspectos também sejam levados em consideração 
na formação profi ssional de Psicologia. 
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Psicoterapia por ciclo vital
De maneira geral, podemos dizer que existem três principais fatores que 
diferenciam as várias modalidades de psicoterapia entre si: a abordagem psi-
cológica, à qual a teoria se orienta; o público, ao qual se destina o serviço de 
psicoterapia; e as necessidades, que levaram o cliente a buscar a psicoterapia.
A grande maioria das pessoas sabe pouco ou nada das diferenças entre as 
abordagens psicológicas; muitas nem sabem que existe mais de uma escola e 
que a prática é diferente a depender 
da forma de se enxergar o mundo. 
Quantas pessoas você conhece que 
sabem a diferença entre psicanálise, 
behaviorismo e psicologia humanista? 
Assim, normalmente, esse não é um 
fator determinante na escolha dos pa-
cientes pela psicoterapia. 
Os outros dois fatores, por sua vez, são bastante ponderados: se o psicólo-
go possui experiência atendendo a um grupo etário específi co e se ele possui 
experiência com a temática que motivou a busca pelo profi ssional. Em outras 
palavras, é mais comum que as pessoas procurem por “psicólogo que atende 
crianças” ou “psicólogo que trabalha com ansiedade” do que pesquisarem por 
“Gestalt-terapeuta”.
É bastante importante ser levado em consideração o fator do grupo etá-
rio, pois as características do tratamento com uma criança são totalmente 
diferentes das do tratamento com um idoso, que também é diferente da for-
ma de atuar com adolescentes. Muitas vezes é até o grupo etário que orienta 
as demandas específi cas, já que existem demandas mais frequentes em cada 
público.
Um exemplo disso é que, dentre os usuários em atendimento psicológico 
com transtorno alimentar, grande parte destes é adolescente. Já em casos de 
transtorno do espectro autista, a maioria é de crianças. Assim, pode-se dizer 
que muitas vezes o grupo etário direciona determinadas temáticas de atendi-
mento. Podemos dizer, então, que cada cliente possui um perfi l único e especí-
fi co, e esse perfi l modifi ca as demandas e o nível de atuação profi ssional.
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INFÂNCIA
ADOLESCÊNCIA
ADULTEZ
VELHICE
Rotina familiar (dificuldades de sono, alimentação);
Transtornos comuns da infância (TOD, TDAH etc.);
Maus tratos, negligência e abuso;
Medos e fobias;
Dificuldades escolares (de aprendizagem e de adaptação);
Uso problemático de tecnologia.
Bullying;
Sexualidade;
Transtornos comuns na adolescência (depressão, ansiedade, transtornos alimentares);
Comportamentos de risco (autolesão, comportamentos suicidas, uso abusivo de substâncias psicoativas);
Dificuldades escolares (de aprendizagem e adaptação);
Orientação e escolha profissional.
Luto;
Relações interpessoais;
Transtornos mentais comuns da vida adulta (ansiedade, depressão, burnout);
Trabalho (orientação profissional, impactos do trabalho na saúde e desemprego);
Doenças crônicas e o impacto na saúde;
Relacionamentos familiares (casamento e filhos).
Aspectos físicos e sensoriais;
Isolamento social;
Aposentadoria;
Transtornos neurocognitivos (Alzheimer, demência);
Luto.
 Figura 3. Demandas frequentes por grupo etário em psicoterapia. Fonte: CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 495-609. (Adaptado).
De maneira geral, não abordaremos os aspectos particulares da atuação do 
psicoterapeuta em cada grupo etário e as demandas frequentes destes gru-
pos, pois não é este o objetivo. No entanto, por entender que direcionamentos 
gerais são essenciais para a prática clínica, falaremos sobre alguns direciona-
mentos relevantes para a atuação junto a cada um desses públicos. Começare-
mos pela psicoterapia infantil.
Por infância, entende-se o período que remetedo nascimento até os 12 anos 
de idade. Pela grande quantidade de anos que comporta, esse é um período 
marcado por diversos marcos de desenvolvimento físico e emocional. Ao longo 
desse período, o comportamento muda muito, desenvolve-se a linguagem e a 
personalidade vai se formando, fazendo com que diversos fatores possam ser 
objetivo da psicoterapia.
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Baseado na literatura, há uma lista de maiores demandas em psicoterapia, 
variando a partir da idade:
Entre 0 e 3 anos, o bebê pode ser encaminhado por uma série de 
motivos: irritabilidade, dificuldade em ser consolado, problemas ali-
mentares, distúrbios do sono e atraso no desenvolvimento. Dos 3 
aos 6 anos, na fase pré-escolar, a criança pode apresentar birras 
ou comportamentos agressivos, problemas no treinamento esfinc-
teriano, medos e ansiedades e dificuldades de adaptação à escola. 
Entre 6 e 12 anos, na fase escolar, são os problemas relacionados à 
escola e à aprendizagem que costumam chamar a atenção dos pais 
(CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 496).
Quando falamos de infância, é importante dizer que o atendimento a este 
público, muito mais do que em outros, necessita do envolvimento da família. É 
importante que o psicólogo esteja atento ao movimento de trazer os respon-
sáveis da criança para o setting, sem que tire a participação ativa da criança na 
psicoterapia.
Um dos aspectos iniciais a serem levados em consideração no atendimento 
do público infantil remete a necessidade de realizar uma avaliação inicial do ce-
nário clínico. Essa avaliação consiste em “entrevistas com os pais e com a crian-
ça, bem como contatos com a creche, a pré-escola ou a escola e com outros 
profissionais que os estiverem atendendo no momento” (CORDIOLI; GREVET, 
2019, p. 496).
De modo geral, na conversa com os pais, o psicoterapeuta deve avaliar o 
motivo pelos quais os pais buscam a psicoterapia, as expectativas no tratamen-
to e as questões referentes ao contrato terapêutico. Também deve-se avaliar 
algumas outras questões referentes à dinâmica da criança e da família.
Rotina diária da criança e da família;
Presença de irmãos e suas relações com a criança atendida;
Brinquedos favoritos e como ela brinca (sozinha, acompanhada, comportamentos frequentes 
durante o ato de brincar);
QUADRO 1. TEMÁTICAS E ASPECTOS DE INVESTIGAÇÃO NA PSICOTERAPIA INFANTIL
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Grau de dependência da criança em atividades diárias;
Hábitos de sono (onde dorme, com quem dorme);
Comportamento alimentar;
Uso de tecnologias (TV, videogame, tablet, computador); 
Gravidez (planejamento, intercorrências, parto);
Primeiro ano de vida (vínculo, amamentação e introdução de outros alimentos);
Marcos do desenvolvimento psicomotor – o sorriso social, firmar a cabeça, sentar-se com e sem 
apoio, engatinhar, os primeiros passos e as primeiras palavras;
Controle esfincteriano (idade, forma, atitude dos pais e da criança);
Sexualidade (como os pais lidam com a sexualidade dos filhos e com a própria, se mantêm pri-
vacidade quanto a banhos, uso da toalete e de coabitação ou coletivo);
Vida escolar (adaptação, interesse, dificuldades, socialização, bullying);
Histórico clínico, perdas e situações traumáticas na família.
Fonte: CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 496. (Adaptado).
Além da entrevista realizada com os pais, é importante que o psicólogo en-
treviste a criança. Essa conversa também serve para a criação de um ambiente 
de confiança e confortável para a criança, esclarecendo que aquele é um espa-
ço seguro e que o psicoterapeuta está lá para ajudá-la com possíveis dificulda-
des que esteja vivenciando.
No fim desse processo inicial, o psicólogo deve ter uma noção inicial do 
estado mental da criança e o planejamento clínico para este cenário. Para isso, 
há alguns aspectos importantes aos quais o profissional precisa estar atento e 
que auxiliarão no desenvolvimento do trabalho clínico.
Aparência;
Temperamento;
Afeto;
Orientação e percepção;
QUADRO 2. ASPECTOS A SEREM AVALIADOS PELO PSICOTERAPEUTA 
NO ATENDIMENTO INFANTIL
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Mecanismos de defesa;
Integração neuromuscular;
Processos de pensamento e verbalizações;
Fantasias (sonhos, desenhos, desejos e brincadeiras);
Superego (ideais e valores do ego, integração da personalidade);
Autoconceito;
Capacidade de insight;
Condições do desenvolvimento intelectual da criança.
Fonte: CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 498. (Adaptado).
De maneira geral, sabe-se que o público infantil está em constante desenvolvi-
mento e, por isso, esse processo não se dá de maneira linear. A atuação do psicólo-
go e as intervenções realizadas são diferentes e complexas, mas, de maneira geral, 
visam auxiliar a criança nos cenários de dificuldade que enfrentam e, também, na 
prevenção de contextos adversos no futuro.
Uma das principais competências do psicólogo deste público deve ser a capaci-
dade de “diferenciar comportamentos considerados normais de atitudes que este-
jam comunicando conflitos emocionais da criança ou, em casos mais graves, patolo-
gias” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 531).
Por fim, reitera-se a importância do uso de recursos lúdicos, que auxiliam na 
adesão da criança ao tratamento e, do mesmo modo, contribuem para a investi-
gação do trabalho clínico. Também é essencial realizar a integração dos espaços de 
desenvolvimento da criança e trazê-los para o tratamento, como a família e a escola.
Um outro grupo etário importante para pensar a prática clínica é a adolescência. 
Em geral, o marco dos anos que demarca esse período não é consensual na litera-
tura, então podemos considerar que “o início da adolescência seria marcado pela 
puberdade, e seu término, pela adoção de papéis mais adultos, como casamento e 
paternidade” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 534).
Do ponto de vista emocional, esse período é demarcado por uma série de 
instabilidades. Como esse é um período de transição, entre o estado de depen-
dência dos pais e a vida adulta, é bastante marcado pela busca de autonomia e 
independência.
Além desses aspectos, pode-se dizer que, na adolescência, enfrenta-se um gran-
de período da construção da identidade. Isso porque:
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requer uma reorganização gradual das estruturas mentais para li-
dar com aspectos relacionados às mudanças corporais, à formação 
de uma identidade própria e ao estabelecimento de relações sociais 
significativas. Especificamente, as modificações associadas à matu-
ração sexual demandam do adolescente capacidade de negociar ex-
pectativas físicas e psicológicas, o que pode acarretar sentimentos 
de ansiedade e confusão. Mais para o final desse período, espera-
-se que o adolescente seja capaz de integrar psicologicamente sua 
nova identidade, de modo a formar um self mais estável. Ao mesmo 
tempo que aspectos da sexualidade emergem, um maior potencial 
agressivo mostra-se uma realidade na adolescência, de modo que o 
manejo de tais impulsos em situações de conflito e hostilidade tam-
bém se torna um desafio (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 536).
De maneira operacional, podemos dizer que o atendimento a um cliente 
adolescente segue as mesmas especificações quanto ao público adulto, porém 
é importante fazer uma leitura dos aspectos particulares que esse ciclo vital 
possui. A compreensão das peculiaridades desse público é essencial para a rea-
lização de um bom trabalho. 
Por esse motivo, o profissional de Psicologia deve conhecer bem o desen-
volvimento normal da adolescência, seus marcos e suas características. Esse 
exercício deve ser feito de maneira autônoma, curiosa e investigativa pelopro-
fissional, por meio do uso de diversos recursos, como livros, vídeos etc. 
Uma vez feito esse trabalho de investigação do fenômeno da adolescência, 
cabe a nós falarmos sobre as etapas do trabalho clínico. A primeira delas é o 
contato inicial em busca da psicoterapia: normalmente feito via ligação ou apli-
cativo de comunicação de texto, esse contato é importante para o entendimen-
to das motivações para o tratamento. Também podem ser combinados alguns 
aspectos mais objetivos que direcionarão os encontros feitos entre cliente e 
terapeuta.
Com o paciente em seu setting terapêutico, é importante atentar-se para al-
gumas especificidades do trabalho realizado com o adolescente. A avaliação do 
estado mental, feito já na primeira sessão, é bastante similar à avaliação feita 
com adultos. A entrevista, por sua vez, possui alguns focos de atenção devido 
aos fatores de risco ligados à adolescência.
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Além dos aspectos comuns a todas as avaliações, que dizem respeito à 
identificação, à queixa principal, à história do transtorno atual, aos anteceden-
tes pessoais, aos antecedentes familiares, aos antecedentes médicos, ao perfil 
psicossocial e ao exame do estado mental, faz-se necessário, por meio de en-
trevistas, atentar-se para outras temáticas. 
Os principais tópicos são uma conversa acerca das características do rela-
cionamento com responsáveis, agressividade e controle dos impulsos, uso de 
jogos e de aparelhos eletrônicos, uso abusivo de álcool e drogas, condições pu-
berais do adolescente, orientação sexual e relacionamentos afetivos. Também 
é importante conversar sobre a presença de comportamentos de autolesão e 
de ideação suicida. Todas essas temáticas podem refletir algum aspecto pes-
soal dos clientes, que podem ocultar essas informações. Cabe ao psicólogo, 
por meio da construção do relacionamento de confiança, mostrar-se aberto e 
apresentar a clínica como um espaço seguro. 
Por fim, é importante reiterar a importância do sigilo no atendimento psi-
coterapêutico com adolescentes. De maneira natural, é comum que, por preo-
cupação com o filho, os pais queiram saber sobre os assuntos conversados 
na psicoterapia, e isso pode ultrapassar os limites do preconizado. Assim, é 
importante deixar claro para os pais que os aspectos da clínica são de caráter 
sigiloso, a menos que a vida do filho esteja em risco. Essa simples conversa 
pode ser um indicador para o adolescente de que o psicoterapeuta é alguém 
em que ele pode depositar confiança. 
No que diz respeito ao público adulto, 
muito se tem discutido pela literatura, 
tanto por ser o público mais frequente 
nas psicoterapias quanto por repre-
sentar o maior grupo etário no quesito 
do tempo em que a pessoa passa dentro 
do ciclo. Com o objetivo de facilitar a com-
preensão, podemos dizer que existem dois públicos 
dentro do ciclo adulto: os jovens adultos, que se 
enquadram dos 20 aos 40 anos, e os adultos inter-
mediários, público composto por pessoas de 40 a 
65 anos de idade.
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CITANDO
“Questões como trabalho, casamento, luto, doenças crônicas e trans-
tornos mentais são focos de atenção frequentes na vida adulta, sendo a 
avaliação e o conhecimento acerca dessas questões fundamentais no 
atendimento do público adulto” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 560).
O último ciclo etário, mas não menos importante, remete à prática de psi-
coterapia com idosos. Devido ao avanço da tecnologia e da Medicina, há uma 
tendência de que nos próximos anos a quantidade de pessoas acima dos 65 
anos de idade no mundo dobre. Assim, devido ao crescimento da longevida-
de de pessoas idosas, torna-se cada vez mais necessário discutir sobre estra-
tégias de cuidado em saúde para esse público. 
Antes de tudo, é importante dizer que por muito tempo a ciência refor-
çou a construção de uma visão negativa da velhice, ao apresentar essa fase 
como caracterizada por diversas perdas e pela dependência de outras pes-
soas, mas essa visão reforça um estigma que, felizmente, vem sendo revisto. 
Ultimamente, “tanto a sociedade como o meio acadêmico têm-se voltado a 
estratégias de manutenção da funcionalidade da população 
mais velha e de superação de atitudes negativas em relação 
à velhice” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 586).
Assim, a velhice é um período heterogêneo no que 
diz respeito às experiências dos idosos. Para que haja 
um envelhecimento saudável, é necessária uma sé-
rie de camadas ou fatores, como as características 
pessoais, da saúde, da herança genética e os aspec-
tos socioambientais.
Devido ao excesso de discussões na literatura e no próprio currículo de 
Psicologia, esse grupo etário será o menos abordado, por entendermos que 
essa já é uma demanda bastante explorada no cenário acadêmico do psicólo-
go. Em geral, apenas cabe-nos dizer que existem diversas questões e temas 
que aparecem com maior incidência neste público, e que a boa atuação do 
psicólogo se dá por meio da preparação técnica e prática com relação a tais 
fenômenos.
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Primeira camada 
Características pessoais
Segunda camada
Características de saúde
• Tendências relacionadas 
à idade;
• Comportamentos, traços 
e habilidades relacionados 
à saúde;
• Alterações fisiológicas e 
fatores de risco;
• Doenças e lesões;
• Alterações na
homeostase;
• Síndromes geriátricas 
mais amplas.
Camada externa
Ambiente 
Onde as habilidades 
intrínsecas vão interagir 
com as adversidades e 
facilidades do ambiente 
que o cerca.
Terceira camada
Herança genética
Figura 4. Aspectos de um envelhecimento saudável. Fonte: CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 597. (Adaptado).
Quando falamos, especificamente, da psicoterapia com idosos, por muito 
tempo “acreditou-se que idosos não poderiam se beneficiar de abordagens 
psicoterapêuticas devido a uma suposta rigidez das estruturas mentais e ao 
declínio cognitivo, associados ao envelhecimento” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 
599). Hoje, porém, sabe-se que esse pensamento é extremamente equivocado.
De maneira geral, é importante que o psicoterapeuta tenha um conheci-
mento amplo da psicologia do desenvolvimento, sabendo todas as especifici-
dades deste grupo etário. Por meio da literatura e de pesquisas, o psicólogo 
deve sempre inteirar-se dos estudos em velhice. Por meio do estudo, o psicó-
logo passa a desenvolver habilidades específicas que auxiliam na psicoterapia 
com idosos. Observe, no Quadro 3, algumas habilidades necessárias para que 
o psicólogo desenvolva um bom trabalho. 
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Conhecer as necessidades específi cas do idoso em atendimento;
Destacar a relação terapêutica como colaborativa, valorizando os esforços do idoso;
Valorizar a psicoeducação do paciente sobre o envelhecimento e os problemas decorrentes, o 
problema em questão e as soluções existentes;
Identifi car e trabalhar para promover a modifi cação de crenças associadas à terapia que pos-
sam atrapalhar o processo;
Informar e educar o paciente sobre o funcionamento da psicoterapia (importância das cog-
nições e interações com emoções e comportamentos, necessidade de tarefas de casa e estrutu-
ra das sessões);
Defi nir objetivos claros e alcançáveis que nortearão o processo terapêutico, bem como orientar 
a estrutura das sessões para esses objetivos;
Prestar atenção no ritmo das sessões e na introdução das informações (muitas vezes, a trans-
missão da informação precisa ser de forma lenta e repetida);
Ensinar e treinar habilidades por períodos mais longos de tempo e, se necessário, utilizar recur-
sos didáticos e de memória auxiliares;
Identifi car e valorizaros recursos do paciente;
Estimular a revisão da história de vida do paciente.
QUADRO 3. HABILIDADES E ATITUDES DO PSICOTERAPEUTA 
NO ATENDIMENTO A IDOSOS
Fonte: CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 600. (Adaptado).
Por fi m, pode-se dizer que o atendimento ao público idoso deve ser feito de 
maneira integral, e, devido à correlação das demandas, este deve ser atendido 
por uma equipe multidisciplinar. Essa equipe é ideal para atender quadros clí-
nicos complexos e atua de maneira conjunta para atender os diversos fatores 
de demanda do cliente. 
Atendimento por equipes multidisciplinares
De maneira geral, acredita-se que o ser humano é um ser in-
tegral e que os conhecimentos de apenas uma ciência po-
dem não ser sufi cientes para investigar e intervir nas mais 
variadas facetas desse sujeito. A Psicologia tem se po-
sicionado, por exemplo, opondo-se a dicotomias e sua 
experiência no mundo. 
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O ser humano é inato ou adquirido? Isso afeta o corpo ou a mente? Para essas 
e para tantas outras dicotomias, a resposta é sempre a mesma: depende – não há 
uma separação demarcada das coisas. A psicologia da Gestalt já preconizava mui-
to bem que o todo é sempre maior do que a soma das partes. O ser humano não é 
apenas fruto do funcionamento de uma instância (corpo) somada a outra instância 
(mente); elas funcionam juntas de modo dialógico. Desse modo, existe uma série 
de condições causadoras de doenças.
Assim, como estratégia de cuidado em saúde, surgem os grupos multidiscipli-
nares, que, inicialmente, começaram em serviços da rede pública de saúde e hoje 
têm cada vez mais adentrado em diversos cenários e campos da atuação do psi-
cólogo. A importância dessa equipe está na compreensão de que, se uma doença, 
transtorno ou sofrimento psíquico é multifatorial, suas intervenções e estímulos 
também precisam ser. Assim, o psicólogo não atua mais sozinho, mas junto a di-
versos outros profissionais que complementam e ampliam seu trabalho. A atua-
ção é ampla e, por isso, é capaz de abarcar as múltiplas facetas do cliente.
Vamos a um exemplo? Merilane possui 50 anos de idade e trabalha há mais de 
20 anos como vendedora de picolé para uma multinacional. Depois de um tempo, 
ela descobriu que está com câncer de pele. Foi internada no SUS e está recebendo 
toda assistência médica para o tratamento, com apoio de médicos e enfermeiros. 
Porém, pelo tempo afastada, pelo medo do futuro e por saudades da família, ela 
passou a se demonstrar ansiosa. Só os médicos e enfermeiros são suficientes para 
entender essa demanda? A resposta é não, pois a doença acabou acarretando e 
trazendo mais fatores e a necessidade das especialidades de outros profissionais 
para a situação. 
O mesmo pode acontecer com um caso de atendimento direto de Psicologia. 
Um ótimo exemplo e caso de análise é o transtorno do espectro autista, um trans-
torno neurocognitivo que afeta a socialização, a linguagem e, em muitas situações, 
exige o uso de medicações. Apenas um psicólogo não é capaz de dar conta da 
diversidade e complexidade da experiência desse paciente.
Ele precisa de um fonoaudiólogo, acompanhando o paciente para auxiliá-lo no 
desenvolvimento da comunicação verbal, precisa de um psiquiatra, que realiza aten-
dimentos e receita remédios que podem ajudar no tratamento etc. Dependendo 
da condição socioeconômica, é importante a presença de um assistente social que 
oriente o paciente ou a família para o recebimento de um benefício do governo. 
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Além das equipes multidisciplinares, formadas nos serviços de saúde pública, 
diversos profissionais dos variados campos do saber têm se unido para desenhar 
ofertas de atendimento, em conjunto, também, com consultórios privados. Essa é 
uma tendência de atendimento psicológico nos próximos anos.
Assim, pode-se dizer que a equipe multidisciplinar consiste em uma modalidade 
de trabalho em grupo, isto é, coletivo, “que se configura na relação recíproca entre 
as múltiplas intervenções técnicas e a interação dos agentes de diferentes áreas pro-
fissionais” (PEDUZZI, 2001, p. 108).
Esse trabalho envolve tanto as ações particulares de cada área quanto as ativida-
des em conjunto, realizadas com o profissional com o foco no desenvolvimento do 
bem-estar do cliente. Sobre essas ações conjuntas, podemos dizer que:
Trabalho em equipe de modo integrado significa conectar diferentes pro-
cessos de trabalhos envolvidos, com base em um certo conhecimento 
acerca do trabalho do outro e valorizando a participação deste na pro-
dução de cuidados; é construir consensos quanto aos objetivos e resul-
tados a serem alcançados pelo conjunto dos profissionais, bem como 
quanto à maneira mais adequada de atingi-los.
Significa também utilizar-se da interação entre os agentes envolvidos, 
com a busca do entendimento e do reconhecimento recíproco de autori-
dades e saberes e da autonomia técnica (RIBEIRO; PIRES; BLANK, 2004).
Dentre tantos aspectos, é necessário apresentar uma lista de ações que cabem 
a todos os profissionais de uma equipe multidisciplinar, com foco em compreender 
de que maneira essas ações conjuntas fazem a diferença. Observe no Quadro 4:
Em casos de pacientes adultos, reuniões com estes para orientações sobre seus quadros 
clínicos. Também podem ser convocadas reuniões de discussão acerca do tratamento no 
serviço, buscando construir um espaço de participação política dos usuários; 
Reuniões com a família, com foco em fortalecer a rede de apoio do paciente e preparar a família 
para ajudar e cuidar melhor do paciente;
Reuniões semanais com toda equipe, para a discussão de casos clínicos e alinhamento de 
aspectos particulares do serviço; 
Treinamentos com toda a equipe e com diversos outros profissionais do mesmo campo, com o 
objetivo de aprimorar-se profissionalmente, por meio da formação continuada.
QUADRO 4. AÇÕES CONJUNTAS DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR
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O nível de integração e organização que a equipe multidisciplinar precisa ter 
espelha muito a atuação em equipe de escolas. Embora existam profissionais de 
diversos campos e com funções muito bem estabelecidas, todas atuam de ma-
neira harmônica, para oferecer a melhor educação para os alunos – a estrutura 
aqui é a mesma.
Também é válido dizer que não há profissionais específicos que devem com-
por de modo obrigatório uma equipe multiprofissional. Na verdade, a depender 
da demanda do cliente, uma equipe pode ou não ter um profissional na equipe. 
A existência não é um fenômeno estático; assim, cada situação vai demandar a 
estruturação de uma equipe com profissionais diferentes e com focos de inter-
venção também diferentes.
Por exemplo, você é psicólogo de um serviço que presta atendimento para 
usuários de álcool e outras drogas. Em 
geral, a população de usuários deste 
serviço são pessoas que vivem em um 
cenário de vulnerabilidade social e eco-
nômica, que fazem uso diário abusivo 
de substâncias psicoativas e que apre-
sentam um alto grau de sofrimento psí-
quico. Assim, é possível dizer que um 
médico, um psicólogo, um assistente 
social e um enfermeiro são profissio-
nais essenciais para esse cenário. Um 
educador físico pode não ser o melhor 
profissional para esse cenário. Porém, 
se falamos de usuários com deficiência física e que estão precisando realizar 
atividades físicas rotineiras, o cenário muda.
Em outras palavras, o que direciona a composição das equipes, os profis-
sionais que irão fazer parte delas, as ferramentas utilizadas como estratégias 
de intervenção, todos esses fatores, são os próprios clientes e suas demandas. 
Assim, é importante destacar que a própria faixa etária, assuntodiscutido ante-
riormente, é um dos fatores que delimitam a composição dessa equipe. Então, 
é importante situarmos esta ideia: como a existência é particular, a composição 
das equipes multidisciplinares também é particular.
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A ética na psicoterapia e o compromisso com o cliente 
O profi ssional da Psicologia, ou mesmo o estudante, ouve frequentemente fa-
lar sobre a ética profi ssional. Entretanto, a discussão sobre ética em Psicologia, ge-
ralmente, apresenta-se em uma lógica de “pode ou não pode”. Podemos atender 
familiares na clínica? Quando devemos quebrar o sigilo? O psicólogo precisa fazer 
psicoterapia? Essas e outras perguntas são associadas ao aspecto ético, mas reve-
lam que, muitas vezes, caímos em refl exões limitadas sobre ele. Então, o que seria, 
de fato, ética? E como essa ética contribui para o fazer psicológico? 
O conceito de ética não é simples de se defi nir. Existem muitos embates quanto 
à sua natureza, especialmente quando comparado ao conceito de moral. Uma das 
possibilidades de compreender essa diferença é a que “consiste em reservar a pa-
lavra ‘ética’ aos deveres de ordem pública. É o caso de expressões como ‘ética da 
política’, ‘ética da empresa’, ‘código de ética’ (de determinadas profi ssões), ou ainda 
‘comitê de ética’ para pesquisa com seres humanos” (LA TAILE, 2010, p. 109). 
Ou seja, a ética não diz respeito, nessa perspectiva, a um conjunto de normas 
subjetivas e valorativas de como o indivíduo deve viver – que podemos relacionar à 
moral. A ética tem um aspecto mais amplo, pois se debruça sobre os deveres, limi-
tes, práticas e valores referentes à vida pública, em sociedade. Justamente por isso, 
o que declaramos como ético deve estar em constante revisão.
Ética Moral
Lida com o certo e o errado Lida com o certo e o errado
Modo social de agir: implica no 
consenso e na adesão 
da sociedade.
Modo pessoal de agir: é adquirida 
e formada ao longo da vida, por 
experiências.
Normas e regras sociais: é guiada 
pela cultura da sociedade.
Normas e regras pessoais: é guiada 
pela consciência.
Coletivo: constrói-se a partir do 
consenso de várias morais.
Individual: é o que fundamenta 
a ética.
Figura 5. Diferenças entre ética e moral. 
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Psicologia e seu compromisso com uma atuação ética
 Tratando-se da Psicologia, precisamos pensar sobre como ela lida com os 
fenômenos da vida pública, que é onde a questão ética se localiza. Entretanto, 
essa é uma investigação desafi adora, pois a Psicologia construiu-se sobre uma 
tradição individualista. Como ciência voltada para a perspectiva subjetiva, por 
muito tempo perpetuou um ideal de que as emoções, crenças e comporta-
mentos têm origem, e, portanto, recebem intervenções, no âmbito individual. 
Essa perspectiva individualista, apesar de muito rebatida no âmbito teórico, 
ainda tem forte infl uência nas práticas profi ssionais e na cultura da Psicologia. 
Veja o trecho abaixo, em que Dimenstein (2000) destrincha o conceito do ideal 
individualista.
A ideologia do individualismo representa um sistema de ideias [...] 
cujo acento recai sobre a categoria “indivíduo”, não no sentido do 
agente empírico, membro e condição fundamental de qualquer so-
ciedade, mas enquanto valor moral e jurídico (da cidadania, dos di-
reitos e deveres universais), enquanto confi guração abstrata calca-
da em valores como liberdade e igualdade. Existe, portanto, a ideia 
de um indivíduo autônomo, senhor de si e independente, ou seja, 
ausente de vínculos e dos determinismos universalmente defi nidos 
pela cultura (DIMENSTEIN, 2000, p. 97).
Entretanto, um dos principais conceitos contemporâneos em Psicologia é o 
conceito do ser humano como um ser biopsicossocial. Essa compreensão, ape-
sar de vista sobre diferentes óticas, embasa teoricamente uma diversidade de 
vertentes dessa ciência. Evidência disso é a crescente valorização do aspecto 
social – interação, socialização e vínculos afetivos – em todas as abordagens, 
desde a psicodinâmica até a análise do comportamento. 
Essa visão de ser humano como um ente integral, um todo consti-
tuído pela articulação complexa e indissociável do eu com o mundo, 
serve como diretriz para as práticas de saúde pública 
no Brasil. Ela também rompe com essa lógica indi-
vidualista. Ao aplicar uma perspectiva integral, não 
descartamos o indivíduo, mas o compreendemos de 
forma mais completa.
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Assim, a psicologia que rompe com o individualismo é aquela que entende 
que seu compromisso com o cliente é, em última instância, um compromisso 
social; e não só isso, mas também o oposto: o fato de que não há, de fato, 
um compromisso com o cliente, se não houver, por parte do profissional, um 
compromisso social. Assim, a atuação do psicólogo não se dá apenas em inter-
venções pontuais, mas também na transformação e na criação de condições 
sociais e coletivas saudáveis. Não há como pensar em um indivíduo saudável 
em um contexto adoecedor, como não há compromisso individual sem com-
promisso social. 
Exatamente por esse motivo, a definição de saúde, que passou por diversas 
transformações ao longo do tempo, hoje adota a ideia de que esta é influen-
ciada por diversos determinantes sociais. Isto é, para além da ausência de 
doenças, a saúde é um construto que depende de fatores genéticos, sociais, 
ambientais, sanitários e políticos.
Assim, a atuação do psicólogo necessita, por uma obrigação e implicação ética, 
não direcionar e focar apenas o olhar para os fatores individuais e intrapsíquicos, 
mas apresentar uma visão que apresenta a relação da ciência psicológica com os 
fatores coletivos e com o compromisso social da Psicologia com a sociedade como 
um todo. Esse avanço do fazer psicológico, que sai do campo privado e alcança 
também a atuação no âmbito público, é o que permite, de fato, a construção de 
uma ética psicológica. 
Ou seja, a psicologia individualista e privativa atua pela lógica da moral, en-
quanto a psicologia que entende seu papel na coletividade e no bem comum 
atua pela perspectiva da ética. Ademais, dada a sua função pública, podemos di-
zer que cumprir com a ética é, consequentemente, agir com compromisso social. 
Quando falamos de compromisso com o cliente, em uma perspectiva limi-
tada à relação psicólogo/cliente, podemos recair em uma visão mercadológica, 
em que o terapeuta tem por objetivo deixar o seu cliente satisfeito e agradá-lo, 
pois, como prestador de serviço, o cliente tem sempre razão.
Essa perspectiva é perigosa, tanto nos impactos à saúde mental desse 
cliente quanto para os rumos do fazer psicológico. Porém, partindo de uma éti-
ca psicológica, entendemos que, sendo o bem comum o objetivo dessa ciência 
e profissão, o papel do psicólogo não é de agradar, mas de promover cuidado 
a partir de uma responsabilidade teórica e técnica no campo da saúde mental. 
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Sintetizando
Podemos dizer que, mesmo sendo recente, a psicoterapia é um campo psi-
cológico amplo e que está em constante atualização. Essa atualização aconte-
ce por meio de tendências, que indicam caminhos novos para a ampliação de 
determinado campo. Devido à pandemia de COVID-19, diversas ferramentas 
tecnológicas têm, cada vez mais, adentrado no contexto das psicoterapias e 
tendem a continuar juntas à Psicologia. 
Outra tendência nas discussões diz respeito à construção de uma psicologia 
antirracista. Uma das formas de sua construção é combater o epistemicídio, 
tão presente nas formações em psicologia. Além das tendências, há também 
uma série de demandasem psicoterapia, que em geral se dão por meio de três 
fatores: a abordagem do psicólogo, à qual a teoria se orienta; o grupo etário, 
ao qual se destina o atendimento; e o sofrimento psíquico, em razão do qual o 
cliente busca ajuda. Todos esses aspectos são importantes e modulam o anda-
mento da psicoterapia e as intervenções feitas. 
Outra demanda de alguns públicos é o atendimento multidisciplinar, que 
leva em consideração a integralidade do sujeito, oferecendo atendimento em 
diversos campos do saber, com o objetivo do desenvolvimento do bem-estar 
do sujeito. 
Além disso, cabe ao psicoterapeuta desenvolver um trabalho ético, com-
preendendo a ética como um conjunto de diretrizes que visam o bem comum. 
Quando o psicólogo entende que tem um dever apenas com o seu cliente, no 
âmbito privado, atua pela perspectiva da moral, que é particular e subjetiva. 
Porém, ao atuar com base em intervenções não individualistas, que conside-
rem o impacto social da psicoterapia, o profissional aplica a ética, de forma a 
engajar-se no compromisso social.
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PSICOTERAPIA HUMANISTA E FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL 140
SER_PSICO_PSIHFE_UNID4.indd 140 03/11/2021 16:48:00sociais, econômi-
cos, políticos, de habitação, saneamento, entre outros. É impossível entender 
o que é saudável sem levar em consideração todos os aspectos que cercam a 
experiência social do sujeito. O ser humano é holístico e integral, e necessita de 
uma visão de saúde igualmente integral e holística.
Concepção
mágico-religiosa
Doença como resultado 
de uma ação divina. O 
sujeito recebia a
doença como
consequência do
pecado ou de
uma maldição.
Concepção medieval
A doença estava
atrelada como uma 
consequência/
resultado do pecado e 
a cura só poderia
existir por meio da fé.
Concepção da OMS
Completo estado de 
bem-estar físico,
mental e social, 
e não apenas a 
ausência de doença 
ou enfermidade.
Concepção
greco-romana
O homem é entendido 
como uma unidade 
organizada e a
doença era fruto de 
uma desorganização 
desse estado natural.
Concepção
iluminista
Enorme avanço da
medicina em
diferentes lugares do 
mundo, surgimento e 
intensifi cação de
métodos científi cos em 
busca da promoção da 
saúde (como soros, 
vacinas).
Concepção
atual
Saúde mediada,
infl uenciada e
construída por diversos 
determinantes, tanto
genéticos, biológicos, 
sociais, econômicos, 
políticos, de habitação, 
saneamento, dentre 
tantos aspectos.
Figura 2. Infográfi co em linha do tempo da concepção da saúde. 
Psicoterapia como cuidado em saúde
A importância dessa discussão inicial é o fato de ela mostrar o caminho que 
a psicologia percorreu para adentrar de forma mais profunda no tratamento em 
saúde; caso contrário, a psicoterapia jamais seria aceita como serviço de cuidado 
em saúde. Se ainda entendêssemos a doença como um pecado, não veríamos o 
psicólogo como um profi ssional capaz de auxiliar o indivíduo doente.
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A psicologia enquanto ciência é recente. Portanto, observar e traçar um his-
tórico da psicoterapia não é tarefa fácil. Afinal, há um número baixíssimo de 
conhecimento publicado sobre o assunto. Antes de situar o histórico da psico-
terapia, é importante olhar a trajetória que permitiu que a psicoterapia surgis-
se enquanto parte do cuidado em saúde.
Se olharmos para a própria história da saúde, veremos como o cuidado em 
saúde mental evoluiu ao longo dos anos. O termo psicoterapia surge apenas 
em 1872, com o médico Daniel Huke. Em seu livro, Illustrations of the influence 
of the mind upon the body in health and disease: designed to elucidate the action of 
the imagination, ele argumenta que a ciência e a medicina deveriam investigar 
os efeitos da sugestão de hipnose porque era nítido que eles auxiliavam no 
tratamento. “O elemento revolucionário de Tuke encontra-se no fato de propor 
que haveria uma comunicação evidente entre a mente (psique) e o corpo que 
deveria ser desvendada” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 56).
Anos depois, Hippolyte Bernheim, professor de escola médica, popularizou 
o termo ao citar a obra de Huke. Além da citação, Bernheim complementou 
a ideia anterior ao sugerir o emprego de longas sessões de conversas com 
pacientes, como a abordagem terapêutica. De acordo com Cordioli e Grevet 
(2019), apesar do termo “psicoterapia” datar do século XIX, referências mais 
antigas sugerem que formas primitivas de psicoterapia podiam ser vistas nos 
curandeiros xamanistas, como uma espécie de psicoterapeutas primordiais.
Na Grécia antiga, em paralelo ao desenvolvimento da medicina de Hipócra-
tes, desenvolvia-se também o teatro grego. Um dos objetivos da representação 
teatral era a produção de interpretações emocionais grupais, entendida como 
purificadora da alma. Na Idade Média, trata-se do “sacramento da confissão 
da religião católica, no qual um pecador obtém alívio do seu sofrimento ao 
confessar seus pecados a um sacerdote sagrado, que o ajuda a atingir o padrão 
cristão de virtude” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 33).
DICA
A Idade Média foi um período cheio de concepções sobre a doença men-
tal e rica em fontes de estudo sobre a loucura. O filósofo Michel Foucault, 
na obra História da loucura na Idade Clássica, apresenta um trabalho 
histórico e arqueológico completo. Ele escava o subsolo da nossa consci-
ência moderna da loucura, desvendando toda a estrutura de exclusão que 
sempre existiu diante deste fenômeno. Vale a pena estudar a obra.
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Com as mudanças trazidas pelo Iluminismo e os ideais da Revolução France-
sa no século XVIII, a maneira como se olhava para as doenças mentais mudou e 
o caminho ficou livre para as entidades médicas tomarem a frente do cuidado 
em saúde mental. Esse movimento permite que Freud, em 1885, inicie o desen-
volvimento da área que conhecemos como psicanálise, a primeira experiência 
psicoterapêutica reconhecida na psicologia.
Entretanto, explicar o surgimento da experiência psicoterapêutica exige 
mais do que apenas um remonte de momentos históricos como esse. Encon-
trar sua real origem pode parecer um questionamento sem fim. Mais impor-
tante do que buscar origens sem fundamentos claros é entender o caminho 
epistemológico que nos permitiu chegar aos modelos psicoterapêuticos atuais.
Cabe a nós apresentarmos um modelo teórico que apresente as fases de in-
vestigação em psicoterapia, responsáveis pelo estudo do conhecimento produ-
zido acerca da temática, dando raiz a uma visão epistêmica do que gerou cada 
etapa de estudo em psicoterapia. De acordo com Moreira, Gonçalves e Beutler 
(2005), existiram três fases. Vejamos cada uma delas com maiores detalhes.
A primeira fase engloba todo o período anterior a 1954. Historicamente, 
a psicologia buscava se afirmar como ciência. As escolas e vertentes usu-
fruíam a aplicação do método experimental da psicoterapia e a psicanálise 
se desenvolvia e expandia gradualmente. Nessa fase, por conta das circuns-
tâncias nas quais a psicologia se encontrava, a comunidade se questionava 
frequentemente a respeito da natureza da psicoterapia e se, de fato, era 
uma atividade científica. Os métodos mais utilizados na aplicação do mode-
lo experimental em psicoterapia eram o rigor e a objetividade operacional 
da ciência. Utilizava-se princípios de controle de variáveis para descobertas 
no processo terapêutico.
A segunda fase, entre 1954 e 1969, surge de um contexto histórico; especifi-
camente, do fim da Segunda Guerra Mundial. A sociedade demandava respos-
tas aos problemas mentais apresentados pelos soldados e fez-se necessário 
avaliar os ex-combatentes do conflito. Assim, o questionamento principal deixa 
de focar na psicologia como atividade científica e passa a ser: a psicoterapia 
funciona? Buscando resposta a esta pergunta, a comunidade fez uso de vários 
métodos quantitativos, como análise de frequências e randomização. Durante 
esse período, a psicoterapia sofreu forte influência da estatística.
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A terceira e última fase começa em 1969 e perdura até os dias de hoje. O 
marco histórico da psicologia como o conhecemos hoje é a grande proliferação 
de abordagens terapêuticas, nos mais variados contextos. O principal questio-
namento dessa época investiga as diferenças entre abordagens. Os métodos 
de investigação e análise se expandem, uma vez que vários modos de práticas 
de psicoterapia coexistem e contribuem para a expansão da psicologia. Há um 
grande foco na avaliação; não apenas nos resultados obtidos pela psicoterapia, 
mas no processo em si e na interação entre terapeuta e cliente.
Por fi m, embora esta seja uma discussão longa e complexa, a história da 
psicoterapia nos mostra como a psicologia se transforma em um campo de 
estudo recente, com desafi os tanto teóricos quanto práticos para 
o seu desenvolvimento enquanto ciência. A intensidade de 
concepções, modelosteóricos e correntes ajuda na criação 
de uma relação de cuidado para com o sofrimento psíquico, 
a qual só pode existir através da construção de uma relação 
saudável entre psicoterapeuta e cliente.
A relação psicoterapeuta-cliente
O papel do psicoterapeuta 
De um ponto de vista objetivo, podemos defi nir psicoterapia como:
um método de tratamento que utiliza meios psicológicos para au-
xiliar pacientes a modifi car problemas emocionais, cognitivos e 
comportamentais. Ela é realizada no contexto de uma relação inter-
pessoal, a relação terapêutica, que as evidências têm apontado ser 
tão relevante quanto às técnicas utilizadas para o sucesso de todas 
as psicoterapias. A relação terapêutica depende de aspectos do pa-
ciente e da pessoa do terapeuta para que se estabeleça e sustente 
o tratamento (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 165). 
Assim, a relação terapêutica é uma construção coletiva que conta com as-
pectos colaborativos entre o terapeuta e o cliente. Quando bem construída, a 
relação terapêutica permite um espaço em que a mudança psíquica é capaz de 
emergir; sem uma boa relação, nada pode ser feito. Portanto, a chave para um 
bom tratamento é a capacidade de nutrir essa relação de parceria.
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Existem técnicas e direcionamentos capazes de guiar e construir um bom 
relacionamento entre terapeuta e cliente. Antes disso, porém, é importante 
lembrar que o terapeuta é o responsável pela condução do processo. É ele 
quem foca nas necessidades de seu cliente e cria um ambiente livre de julga-
mentos, de modo que seu paciente possa se expressar com liberdade.
Aliança terapêutica
O primeiro aspecto da relação terapeuta-cliente é o da aliança terapêuti-
ca. Podemos defi ni-la como “um elemento determinante e comum a todas as 
formas de psicoterapias e refere-se ao vínculo estabelecido entre paciente e 
terapeuta, o qual é fundamental para o trabalho psicoterapêutico” (CORDIOLI; 
GREVET, 2019, p. 167). É importante ressaltar que o processo de aliança tera-
pêutica não é impactado pela transferência.
A composição dessa aliança se dá por meio de três elementos essenciais: o 
desenvolvimento de vínculo pessoal, composto por sentimentos positivos e recí-
procos; o acordo sobre os objetivos do tratamento; e um acordo sobre as tarefas 
no processo psicoterapêutico, tanto as do terapeuta quanto as do paciente.
Rogers e colaboradores (1977) apontavam que a relação entre terapeuta e 
cliente era essencial para o processo de mudança na psicoterapia. Era natural 
que o paciente estivesse em um estado de incongruência em sua maneira de 
ser e estar no mundo. Uma intervenção potente por parte do terapeuta se dá 
por meio de atitudes de autenticidade, acolhimento e compreensão empática, 
para que, a partir daí, as relações atinjam um estado de mudança.
Figura 3. Carl Rogers, criador da abordagem centrada na pessoa. Fonte: IPTC, s.d.
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Sigilo
Um dos aspectos que auxilia bastante no fortalecimento da aliança tera-
pêutica, fazendo com que o cliente seja capaz de confi ar no psicoterapeuta, é 
o sigilo. Embora já seja bem difundido, é importante destacar o seu papel na 
psicoterapia, bem como seus limites.
De acordo com o art. 9º do Código de Ética de Psicologia, “é dever do psicó-
logo respeitar o sigilo profi ssional a fi m de proteger, por meio da confi dencia-
lidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso 
no exercício profi ssional” (CFP, 2005). Isso signifi ca que não se pode expor o 
trabalho psicológico externamente, visando, assim, a construção de um am-
biente de segurança e liberdade, onde o cliente possa compartilhar tudo o que 
desejar sem receio de que os conteúdos sejam divulgados.
O sigilo é capaz de fortalecer a relação terapêutica entre psicólogo e cliente. 
Ao sentir que pode confi ar no profi ssional, o cliente passa a enxergá-lo como 
alguém que é capaz de compreendê-lo, não julgá-lo e que não compartilhará 
seus segredos com ninguém. Portanto, deve-se valorizar a construção e manu-
tenção de um ambiente sigiloso.
Embora pareça um conceito trivial, é importante observar o ambiente ao 
construir sigilo. À medida que a psicologia se expandiu e adentrou vários cam-
pos, observações outrora negligenciadas tomaram voz com relação ao sigilo no 
setting terapêutico.
No surgimento da psicologia clínica, a maioria dos profi ssionais atendia em 
suas próprias casas. Foi o que aconteceu com Freud, por exem-
plo. Ele tinha um quarto reservado para seus atendimentos 
clínicos dentro de sua residência. Embora não fosse levado 
em consideração no início, esse fato trouxe uma série de im-
plicações no que diz respeito ao próprio sigilo e a ou-
tros aspectos da relação terapeuta-paciente, como 
a transferência e a contratransferência, as quais 
estudaremos mais à frente nessa unidade.
À medida que os profi ssionais perceberam 
as implicações geradas, o espaço clínico passou a 
ser pensado de forma a passar conforto e seguran-
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ça para o cliente. Porém, com a expansão do profissional de psicologia para 
outros ambientes (escolas, empresas, hospitais etc.), o desafio continuou. In-
dependentemente do campo de atuação, o psicólogo deve se atentar para que 
seu ambiente passe toda a segurança possível para seu cliente. Até a atitude 
mais simples faz a diferença. Em um atendimento online, por exemplo, o profis-
sional pode usar um fone de ouvido para demonstrar total atenção à conversa 
e se colocar em um ambiente de modo que o cliente não veja outras pessoas 
circulando no espaço.
O sigilo, portanto, configura-se como uma marca de segurança que incen-
tiva muitas pessoas a buscarem ajuda psicológica, abrindo-se para questões 
para as quais, em outras condições, não se abririam. Apesar disso, o sigilo não 
é absoluto. Existem ocasiões nas quais o sigilo precisa ser quebrado para be-
nefício ou segurança do paciente e do processo terapêutico. Vejamos em quais 
situações específicas a quebra de sigilo é permitida.
Art. 10 – Nas situações em que se configure conflito entre as exigên-
cias decorrentes do disposto no Art. 9º e as afirmações dos princí-
pios fundamentais deste Código, excetuando-se os casos previstos 
em lei, o psicólogo poderá decidir pela quebra de sigilo, baseando 
sua decisão na busca do menor prejuízo.
Parágrafo único – Em caso de quebra do sigilo previsto no caput des-
te artigo, o psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações 
estritamente necessárias.
Art. 11 – Quando requisitado a depor em juízo, o psicólogo poderá 
prestar informações, considerando o previsto neste Código. Assim, 
quando o profissional percebe a necessidade de apresentar as in-
formações a terceiro, por quaisquer motivos citados acima, ele deve 
buscar o menor prejuízo possível, revelando apenas informações ex-
tremamente necessárias, e tomar cuidado com quem receberá essa 
informação (CFP, 2005).
Em uma situação na qual o psicólogo trabalha em um serviço de saúde pú-
blica, com reuniões multidisciplinares toda semana com vários profissionais do 
serviço, desde o porteiro até o gerente, ele não deve compartilhar as informa-
ções das sessões com pessoas que não contribuirão diretamente no quadro 
clínico de seu paciente.
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Por fi m, é importante dizer que a decisão quanto à necessidade de compar-
tilhar alguma informação, quando e o quanto se deve contar, são decisões de 
autonomia e responsabilidade do profi ssional, o qual deve priorizar a seguran-
ça e o bem-estar de seu cliente.
Neutralidade e abstinência
Os próximos conceitos essenciais paraa relação psicoterapêutica são a 
neutralidade e abstinência. Esses postulados foram colocados em questão 
por Freud, sendo os aspectos primordiais da psicanálise ou psicoterapia de 
orientação analítica. Não se deve confundir neutralidade com distanciamento 
ou indiferença. A postura neutra serve para retirar o paciente de uma postura 
passiva e colocá-lo como ativo na busca de soluções de problemas.
Por exemplo, suponhamos que um paciente chega ao consultório de seu 
psicólogo com dúvidas sobre sua atividade profi ssional e diz estar ponderando 
mudar de carreira. O profi ssional deve neutralizar seus juízos e opiniões. Seu 
papel deve ser de propor um exame da situação, apenas.
Em uma linha psicodinâmica, podem examinar sentimentos ligados 
às relações de trabalho e aos confl itos relacionados. Em uma terapia 
cognitiva, ambos podem fazer uma avaliação objetiva do mercado 
de trabalho e dos prós e contras daquela decisão que o paciente 
está pensando em tomar (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 171).
Assim, a postura de neutralidade do terapeuta permite que o cliente tome 
as próprias decisões, sem vieses ou interferências. A abstinência diz respeito 
ao mesmo caminho. Não é papel do terapeuta interferir de modo direto no que 
acontece na sessão. Assim, abstém-se de revelar impressões pessoais para 
que tudo que aparece na sessão parta do psiquismo do cliente.
Transferência e contratransferência
A transferência talvez seja a temática mais conhecida em psicologia. Tam-
bém foi uma contribuição trazida por Freud, que disse que “os pacientes em 
psicoterapia vão trazer para o relacionamento com o terapeuta (transferir) 
seu modo de ser e agir em seus relacionamentos habituais, especialmente 
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nos relacionamentos primordiais de suas vidas” (CORDIOLI; GREVET, 2019, 
p. 171). Em psicoterapia, a transferência permite a análise de elementos do 
psiquismo dos pacientes.
A transferência é um
deslocamento para um objeto da atualidade de todos os impulsos, 
defesas, atitudes, sentimentos e respostas experimentados nas re-
lações com os primeiros objetos da vida de um indivíduo. Assim, a 
transferência é uma repetição de situações cujas origens se encon-
tram no passado (VICENTIN; SAGULA, 2014, p. 4).
Nesse espaço, o objetivo do terapeuta é se colocar no lugar em que o cliente 
o coloca. Deve-se criar um ambiente em que todos os sentimentos do paciente 
sejam bem-vindos e o terapeuta deve pôr em prática o conceito de neutrali-
dade, isto é, não emitir julgamentos sobre o que o paciente traz para o setting 
terapêutico. Uma dificuldade grande é que “o terapeuta fica continuamente 
exposto às manifestações da transferência, o que requer grande capacidade 
para não devolver precocemente ao paciente a intensidade de suas projeções” 
(CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 172).
Como a transferência representa formas e modelos de relacionamento, 
expressa-se de forma diversa. Zimerman (1999) diz que há diversos tipos de 
transferência visualizados na clínica. Vejamos o quadro abaixo que apresenta 
melhor esta variedade.
QUADRO 1. TIPOS DE TRANSFERÊNCIA
Transferência positiva Sentimentos positivos em relação ao terapeuta.
Transferência negativa Sentimentos negativos em relação ao terapeuta.
Transferência 
especular
Os pacientes com falhas básicas de maternagem têm 
necessidade de que o terapeuta funcione como um espelho para 
que sintam que existem e são valorizados.
Transferência 
idealizadora
Transferência para o terapeuta da “imago parental idealizada”, 
característica de uma etapa do desenvolvimento emocional 
primitivo.
Transferência erótica
Transferência de sentimentos sexuais em que o paciente aceita 
os limites do setting e, por meio de sublimações, estabelece uma 
dupla criativa com o terapeuta.
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Transferência 
erotizada
Forma intensa e maligna de transferência erótica em que 
predominam o ódio e o desejo de posse do terapeuta por parte 
do paciente, que não se satisfaz com gratificações psíquicas e 
exige contato físico.
Transferência perversa
Tentativas de perverter a natureza do encontro 
psicoterapêutico. O paciente tenta deslocar o terapeuta de seu 
lugar e suas funções.
Psicose de 
transferência
Distorção mais intensa da figura do terapeuta de forma 
transitória e articulada ainda com uma percepção mais realista 
dele. Risco importante de interrupção do tratamento.
Fonte: ZIMERMAN, 1999. (Adaptado).
O mesmo paciente pode expressar mais de um tipo de transferência, a de-
pender do momento da terapia, e não é incomum que ele transite entre os 
tipos de transferência durante o tratamento.
A transferência positiva
geralmente predomina no início do tratamento, permitindo a 
criação da aliança terapêutica, mas, no decorrer da psicoterapia, 
é também importante que surjam sentimentos transferenciais 
negativos e que a dupla suporte esses momentos em busca da 
integração sendo capazes de ampliar sua capacidade relacional 
(CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 175).
Outra contribuição de Freud a essa 
temática é o conceito de contratrans-
ferência, apresentado pelo autor pela 
primeira vez em 1910. É uma resposta 
direta à ideia de transferência e diz res-
peito “às respostas psicológicas do te-
rapeuta ao paciente, como resultantes 
de conflitos neuróticos a serem supera-
dos” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 176).
Por esse motivo, é consenso na 
psicologia que todo terapeuta preci-
sa estar também em trabalho indivi-
dual e que isso o auxilia a identificar 
e superar dificuldades contratrans-
ferenciais. Sandler, Holder e Dare 
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EXEMPLIFICANDO
Imagine uma situação na qual o terapeuta conversa com seu cliente, que 
lhe conta que está buscando conhecer um parceiro novo em um aplica-
tivo de relacionamento. Depois de ouvir isso, sem motivos aparentes, o 
psicoterapeuta sente uma preocupação excessiva junto a uma angústia. 
Essa sensação com certeza merece ser investigada com mais detalhes no 
processo psicoterapêutico do próprio terapeuta, pois, como ser humano, 
ele não está isento de ser afetado pelas suas experiências na clínica e por 
suas próprias emoções.
Considerações finais acerca de uma psicoterapia centrada no cliente
A psicoterapia se mostra como um método diferencial de tratamento do so-
frimento psíquico, tanto pela sua eficácia, cientificamente comprovada, quan-
to por se valer de técnicas e ferramentas específicas voltadas para o cuidado. 
Apesar disso, é um campo em crescimento constante e sempre em potencial, 
visto que a expansão das áreas só aumenta.
Essa expansão se dá pela curiosidade e necessidade em descobrir alguns 
aspectos essenciais e únicos, como o que funciona para cada paciente, mesmo 
que em diferentes contextos; quais elementos de uma psicoterapia são fun-
damentais para que determinado paciente atinja seus objetivos; e o fato de 
cada sujeito ser único e possuir suas particularidades. A psicoterapia precisa 
se adequar a essa subjetividade.
Assim, apesar de cada abordagem psicoterapêutica
ter seus postulados originais, sua maneira de entender o ser hu-
mano, seus procedimentos técnicos e a pesquisa que os embasa, o 
fator humano de respeito e consideração com cada paciente é fun-
damental para o desfecho de qualquer modalidade de psicoterapia 
(CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 176).
Por esse motivo, embora as escolas psicológicas tenham par-
ticularidades que as diferenciem entre si, existem postulados 
básicos e gerais referentes ao processo terapêutico, que são 
extremamente importantes para todo e qualquer cenário.
(1970) nos dizem que a ideia no trabalho é identificar as respostas emocio-
nais específicas despertadas no terapeuta pelas qualidades de seu pacien-
te, excluindocaracterísticas gerais da personalidade do terapeuta.
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O processo psicoterapêutico
O setting terapêutico 
À medida que se expande enquanto ciência, a psicologia encontra novos ca-
minhos e possibilidades de atuação. Em geral, pode-se dizer que o trabalho do 
psicólogo se caracteriza pela aplicação de conhecimentos e técnicas da ciência 
psicológica, com foco na promoção da saúde. Pode-se realizar esse trabalho nos 
mais diversos locais: consultórios; escolas; hospitais; creches; empresas; presí-
dios; instituições de reabilitação de defi cientes físicos e mentais; ambulatórios; 
postos; centros de saúde, etc. Portanto, a psicologia veste novas roupagens que 
possibilitam sua expansão e ajudam-na a alcançar cada vez mais pessoas.
Pensando na prática de psicológica clínica, pode-se dizer que “independente-
mente da técnica praticada, esse espaço deve facilitar ao paciente o relaxamen-
to, a introspecção, a refl exão e a privacidade” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 205). 
O psicoterapeuta, por sua vez, precisa de conforto para exercer sua atuação, vis-
to que passa longos períodos dentro de seu consultório. Por esse motivo, há uma 
discussão relevante, embora esquecida, sobre o local onde as sessões ocorrem.
Em respeito às terapias em formato presencial, é preciso se atentar a alguns 
aspectos arquitetônicos ao montar seu setting terapêutico. Como o psicólogo 
busca reduzir desigualdades e promover equidade, o primeiro deles é a aces-
sibilidade. Há cuidados especiais, como rampas e aberturas para pessoas com 
mobilidade reduzida? Há elevadores acessíveis? Banheiros adaptados?
Ao montar seu setting, o psicólogo precisa estar atento para a diversidade 
de pessoas, bem como garantir que elas se sintam incluídas naquele espaço 
desde a primeira visita. As cadeiras do espaço suportam pessoas obesas? As 
estruturas garantem segurança e conforto para pessoas idosas? Os espaços, 
tanto na sala de atendimento quanto nos banheiros e outros locais, permitem 
o acesso das crianças de forma adequada? É importante se colocar no lugar de 
vários tipos de clientes e como eles se sentirão no consultório.
Outro aspecto arquitetônico relevante é o isolamento acústico. A maio-
ria dos consultórios hoje se localizam em prédios com vários outros tipos de 
serviços ao seu redor. Garantir que barulhos externos não invadam o espaço 
terapêutico e que as conversas que acontecem no seu ambiente também não 
sejam escutadas do outro lado da porta é primordial.
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Por fim, é importante atentar-se para o aspecto decorativo como um 
todo. Elementos como as cores, iluminação e climatização comunicam uma 
mensagem de quem é o psicólogo e qual serviço ele exercerá. Portanto, de-
ve-se evitar elementos que possam gerar desconforto ou distração. É impor-
tante perceber que as “características de conforto/personalização e de or-
dem/organização parecem influenciar positivamente a satisfação do usuário” 
(CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 210).
Cada abordagem psicológica utiliza elementos no setting que comunicarão 
aspectos da maneira com a qual o psicólogo trabalha. A terapia analítica, a qual 
utiliza a técnica da associação livre de palavras, é conhecida por possuir um 
divã nos seus espaços clínicos. Já a terapia cognitivo-comportamental, que foca 
na psicoeducação dos comportamentos e pensamentos, faz uso do quadro-
-negro. Normalmente, a psicoterapia para crianças tem um espaço composto 
por vários brinquedos. Assim, dependendo das técnicas e objetivos, os settings 
transformam-se e se moldam para atender o cliente.
Por apresentar um público com particularidades, demandas e caracterís-
ticas próprias, devemos nos atentar a alguns aspectos do espaço físico das 
sessões de psicoterapias com crianças e adolescentes. O primeiro deles é 
a sala de espera, local onde os pacientes e seus acompanhantes aguardam a 
sessão com o psicoterapeuta. É importante que haja atividades distrativas e 
divertidas para as crianças e adolescentes nela, seja com livros, revistas, brin-
quedos ou outros elementos. Esse público tende a distrair-se rapidamente, o 
que exige um cuidado maior na sala de espera. Além disso, os pacientes não 
chegarão sozinhos, mas com seus responsáveis. Por isso, é necessário mais 
espaço e mais assentos.
No consultório, o psicólogo deve possuir atividades focadas no 
público infanto-juvenil. Brinquedos, bonecos, jogos, material de 
desenho e pintura são bons exemplos. “Outras sugestões de ferra-
mentas para as crianças se movimentarem, melhorarem seu 
foco e sua consciência corporal são bolas de ginástica/ioga e 
pranchas de equilíbrio” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 219).
Evidências indicam que crianças e adolescentes “pres-
tam mais atenção e aprendem mais por apresentações 
com multimídia do que por simples mensagens verbais, 
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o que corrobora o uso de tecnologias digitais como ferramenta terapêutica” 
(CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 221). Isso acontece porque as tecnologias digitais, 
como celulares, computadores, tablets e videogames, são cada vez mais fre-
quentes e populares com esse público. Portanto, podem ser utilizados como 
ferramentas para chamar a atenção do cliente, bem como permitir que a comu-
nicação ocorra em sua linguagem.
Visto que alguns pais e familiares participam de algumas sessões, é neces-
sário mais assentos confortáveis no setting. “Sob tais circunstâncias, uma pos-
sibilidade é a utilização de um sofá no lugar da clássica poltrona do paciente, 
já que muitos profissionais podem oferecer atendimento familiar” (CORDIOLI; 
GREVET, 2019, p. 220).
Em modelos terapêuticos de grupo, é preciso se atentar para alguns as-
pectos quanto à disposição do espaço. Independentemente das circunstân-
cias, se a sessão é familiar, de casal ou grupo, o objetivo é permitir que a 
palavra circule. Assim, deve-se organizar o espaço de modo que os partici-
pantes se vejam, sintam-se parte do grupo e consigam olhar nos olhos dos 
outros. “Essa disposição [...] facilita a interação entre todos os indivíduos, fa-
vorecendo a livre ocorrência dos diversos fenômenos grupais inconscientes 
que são tanto inevitáveis como necessários para a evolução do tratamento” 
(CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 220).
Os aspectos físicos no consultório garantem o bom funcionamento da psi-
coterapia. Mesmo que seja competente, com técnicas adequadas e preparado, 
o profissional que não se atentar para detalhes do seu setting terapêutico põe 
em risco todo o processo. Afinal, os pacientes que não se sentem à vontade no 
consultório sentem dificuldade de aderir ao tratamento. A criação de um clima 
que favoreça a privacidade, a confiança e a inclusão de todos, de modo que 
sintam que o espaço foi pensado para eles, é extremamente essencial para a 
criação de vínculos terapêuticos de mudança.
Além do modelo de atendimento presencial, com a disseminação da inter-
net e o avanço da tecnologia, tornou-se mais comum o uso de ferramentas 
digitais de videoconferência para a psicologia clínica. Depois da pandemia de 
COVID-19, que eclodiu no Brasil em 2020, tais ferramentas se difundiram em 
várias modalidades de trabalho, estudos e nas relações sociais. Portanto, deve-
mos olhar para as peculiaridades do setting digital.
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Dentre tantos aspectos a considerar com relação ao impacto do universo 
digital na prática psicológica, destaca-se que, com a ascensão das redes sociais, 
o anonimato e distanciamento do profissional são quase impossíveis. Se o te-
rapeuta participa de alguma rede social, as informações ali disponíveis são, emmaior ou menor grau, públicas. Mesmo nas plataformas mais triviais, como o 
WhatsApp, estão disponíveis foto e número de celular.
Entretanto, ao mesmo tempo que expõem, as ferramentas digitais possibili-
tam um maior alcance. Há alguns anos, o atendimento online só seria pensado 
em situações em que o cliente viaja, mas deseja continuar o processo terapêu-
tico. Assim, conectava-se com o psicólogo por meio de ferramentas digitais por 
necessidade. Hoje, porém, uma série de atendimentos são feitos totalmente 
online, sem contar com nenhum encontro presencial.
Por meio de sites e redes sociais, muitos psicoterapeutas atendem pessoas 
de diferentes estados do Brasil e até de outros países. Assim, a tecnologia per-
mite uma expansão no nicho de clientes, uma vez que eles não precisam bus-
car um profissional de sua cidade para o setting digital. Essa expansão modifica 
também a prática, visto que possui características totalmente diferentes do 
atendimento presencial.
O atendimento online também torna o profissional refém da tecnologia. As-
sim, qualquer imprevisto pessoal que foge de seu controle pode trazer compli-
cações. Se, por algum motivo, a conexão com a internet cair ou a ferramenta de 
trabalho do psicólogo (computador ou notebook) quebrar, as sessões ficarão 
comprometidas. Tanto o paciente quanto o profissional precisam estar sozi-
nhos, com acesso a alguma rede de alta velocidade para que possam falar à 
vontade. Além disso, precisam de um conhecimento básico da plataforma a 
ser utilizada no atendimento. A privacidade é outro ponto que requer atenção. 
Como garantir, por exemplo, a proteção de dados em plataformas digitais?
Do ponto de vista prático, “as combinações referentes a essa modalidade de 
atendimento são similares às dos atendimentos presenciais: horários, tempo 
de sessão, pagamentos – todos esses elementos do contrato habitual estão 
presentes” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 215). Entretanto, são necessárias al-
gumas mudanças ou limitações, como restrições para o uso de testes psicoló-
gicos. Nos casos de sessões com crianças ou de avaliação psicológica, certas 
ferramentas também ficam comprometidas.
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Considerando toda a amplitude da atuação clínica, é importante compreen-
der a grande contribuição do uso das tecnologias, mas, ao mesmo tempo, é 
preciso reconhecer suas limitações e especifi cidades. Para garantir uma atua-
ção adequada, é importante se atentar às diretrizes dos conselhos federal e 
regional de psicologia quanto aos atendimentos online.
Questões fundamentais para o início, trajetória e término 
do processo terapêutico 
Ao longo do tempo, a psicoterapia atuou de diferentes formas, com di-
ferentes abordagens. Há alguns fatores, porém, considerados universais, 
como: os motivos para a busca da terapia; o período de trabalho; os avanços 
cognitivos e emocionais; o término da psicoterapia; e a relação de cresci-
mento e aprendizado construídos durante a jornada. Assim, para entender 
o processo terapêutico, é necessário mapear padrões comuns para o início, 
meio e fi m da psicoterapia.
Não existe fórmula mágica no processo clínico. No fi m, ele sempre consis-
te em uma relação entre duas pessoas que buscam o crescimento pessoal do 
paciente. Carl Gustav Jung, psicólogo analítico, resumiu bem esse sentimento 
ao afi rmar que precisamos conhecer todas as teorias, dominar todas as téc-
nicas, mas, ao tocarmos em uma alma humana, devemos ser apenas outra 
alma humana.
Isso signifi ca que o processo terapêutico precisa ser vivenciado e organiza-
do com cada cliente. Ainda assim, algumas diretrizes são capazes de orientar o 
profi ssional sobre o que fazer, para onde se atentar e como se organizar para 
iniciar o atendimento psicoterapêutico.
Os passos essenciais para o início do atendimento em psicoterapia são:
1. Identifi cação dos motivos que levaram o paciente a buscar a psi-
coterapia, confi rmação do diagnóstico clínico e avaliação da presen-
ça de comorbidades e das condições do paciente para o tratamento 
psicoterapêutico. 2. Compreensão dos problemas sob a forma de 
conceitualização ou hipótese explicativa que aponte para o método 
de tratamento mais adequado. 3. Psicoeducação do paciente sobre 
as características do transtorno que apresenta, o tratamento e o 
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papel da terapia (como ela atua). 4. Estabelecimento de aliança de 
trabalho e vínculo com o terapeuta. 5. Orientações sobre psicotera-
pia e psicofármacos e 6. Criação do contrato terapêutico (CORDIOLI; 
GREVET, 2019, p. 210).
O cliente tem suas motivações pessoais ao buscar ajuda na terapia. Elas 
podem estar claras ou não para ele e podem ser positivas, negativas ou, até 
mesmo, neutras. Ainda, em alguns casos, a demanda não é espontânea. O 
cliente pode chegar por indicação, encaminhado pela justiça ou por orientação 
familiar. Assim, o psicoterapeuta deve deter-se na investigação desses motivos 
na fase inicial. Questões, como quando o paciente decidiu buscar ajuda, quais 
pessoas estão envolvidas neste processo e quais são comorbidades e sintomas 
das quais o cliente se queixa, são todas importantes.
Todo cliente que procura tratamento
traz consigo uma “teoria” explicativa sobre a natureza de seus 
problemas. Muitas vezes, essa explicação é uma convicção arrai-
gada, envolvendo crenças equivocadas e mecanismos de defesa. 
O cliente pode então chegar em estado de negação, responsa-
bilização dos outros por seus problemas, projeção, dissociação, 
anulação, racionalização e sublimação até interpretações enga-
nosas sobre os motivos de seus conflitos e uma visão negativa 
sobre si mesmo, as pessoas ou seu futuro (CORDIOLI; GREVET, 
2019, p. 187).
É a partir daí que o psicólogo passará para a segunda etapa, de compreen-
são dos problemas sob hipótese explicativa que aponte para o método 
de tratamento mais adequado. “A partir das ideias apresentadas pelo cliente 
e sobre a visão teórico-epistemológica do profissional, pode-se identificar a 
gênese dos sintomas, sejam eles de ordem psicodinâmica, comportamental, 
cognitiva, sistêmica ou interpessoal” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 188). A inter-
venção profissional do terapeuta deve se voltar para essa hipótese de modo 
que deseje eliminar ou modificar os sintomas.
Cabe dizer que esta é uma explicação inicial, apenas. É natural que ela este-
ja incompleta ou, até mesmo, errada em alguns momentos; o psicólogo terá a 
oportunidade de reformulá-la. Entretanto, sua formulação é importante, pois 
é por meio dela que há uma
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compreensão teórica e a escolha da técnica mais adequada para a 
intervenção. É ela que orienta as intervenções do terapeuta, poden-
do, conforme a terapia avança e em razão do maior conhecimento 
do paciente, ser modificada, ampliada ou, até mesmo, abandonada 
(CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 188).
A próxima etapa, mais direta, é a psicoeducação. Essa intervenção é capaz 
de auxiliar na motivação e adesão ao tratamento. “Um recurso de que o tera-
peuta dispõe é oferecer uma explicação psicoeducativa ao paciente, na qual 
ele aborda os possíveis mecanismos envolvidos na gênese e na manutenção 
dos sintomas ou transtorno apresentados” (CORDIOLI; GREVET, 2019, p. 188).
Nesse momento, é importante que o profissional utilize termos simples e 
familiares com o cliente, sem pretensão de se mostrar técnico. Por meio de 
uma linguagem clara, compreensível e honesta, o profissional deve apresentar 
um pouco do que enxergou e qual é a modalidade de tratamento indicada para 
a resolução daquele problema específico. Falhas nessa etapa podem gerar con-
fusão na relação terapêutica, além de uma possível falta de confiançado clien-
te no trabalho do terapeuta.
Também é importante repassar ao cliente de forma clara qual é o quadro 
observado pelo profissional, seja ele um transtorno ou não. Assim, é papel do 
psicoterapeuta apresentar as características do sofrimento apresentadas pelo 
cliente, bem como seus sintomas e prejuízos no aparelho psíquico, tanto os de 
curto quanto longo prazo. Depois disso, deve-se apresentar bem a hipótese de 
gênese da manutenção dos sintomas. Por fim, o psicoterapeuta deve acrescen-
tar o que julga necessário para reduzir, minimizar ou removê-los.
Vamos para a prática. Imagine que uma mulher de 53 anos diz que não 
sente mais vontade de viver, apesar de nunca ter tentado suicídio. Embora não 
tenha relatado no primeiro momento, mencionou um parceiro emocional que 
a deixou há dois anos. Ela não consegue superar a perda desse parceiro e acre-
dita que merece ficar sozinha. No meio da conversa inicial, você percebe que a 
temática de solidão aparece frequentemente no discurso da cliente. Sua mãe 
morreu quando ela tinha 15 anos de idade e seu pai abandonou a família antes 
mesmo que ela nascesse. Do ponto de vista clínico, ela parece estar em um 
quadro melancólico. Como o processo de hipótese e psicoeducação poderia 
ser feito nessa situação clínica?
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Muitas vezes, o profissional de psicologia precisa devolver o que lhe é dito, 
pois o paciente nem sempre ouve as palavras que diz. Assim, o psicólogo pode 
iniciar a devolutiva dizendo que precisa confirmar aquilo que ouviu ou que en-
tendeu bem o que o cliente falou, por exemplo. Em nosso exemplo, o psicólogo 
diz que percebeu a frequência da temática da solidão na fala da mulher; que as 
pessoas em sua vida parecem repetir um padrão de abandono para com ela, 
intencionalmente ou não: seu pai, antes mesmo de seu nascimento; sua mãe, 
pelo óbito; e, agora, seu parceiro.
O profissional também pode questionar se as origens do sofrimento da pa-
ciente vêm, de fato, de seu último relacionamento ou se precedem esse acon-
tecimento. Poderia dizer também que tem como hipótese um quadro clínico 
de melancolia, considerando a apatia que ela apresenta e a ausência de ânimo 
para tudo, mas que se encontra feliz por ela ter buscado ajuda e que ela foi ao 
lugar certo. Pode dizer que, por meio do processo terapêutico e com a ajuda de 
um psiquiatra, encontrarão caminhos para a melhora clínica da paciente.
Essa troca de informações e afetos é potente e gera um vínculo entre cliente 
e terapeuta. Assim, inicia-se o estabelecimento do vínculo, da aliança terapêu-
tica e da confiança necessária para que os dois possam seguir juntos no trata-
mento. Nesse momento, cabe ao psicólogo informar quais as suas responsabi-
lidades para com o quadro clínico, bem como as do paciente.
O Quadro 2 apresenta uma série de atitudes que o psicoterapeuta deve 
mostrar para o cliente, com o objetivo de facilitar o vínculo.
QUADRO 2. ATITUDES DO TERAPEUTA QUE FACILITAM O VÍNCULO 
EMOCIONAL COM O CLIENTE
Atitudes do terapeuta que facilitam o vínculo emocional com o cliente
Disponibilidade de tempo suficiente para escutar o paciente e para que ele possa relatar seus 
problemas em um ambiente de privacidade com liberdade.
Atenção integral ao paciente, curiosidade e interesse genuíno em ouvi-lo.
Capacidade de entender os motivos que determinaram a procura de tratamento.
Cuidado em não emitir julgamentos ou conclusões apressadas.
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Integridade e honestidade na comunicação.
Empatia, cordialidade e sensibilidade para responder perguntas e dúvidas iniciais.
Tranquilidade e maturidade para não se perturbar e não fazer julgamentos por mais 
assustadoras que sejam as revelações.
Fonte: CORDIOLI; GREVET, 2019. (Adaptado).
O contrato terapêutico
Uma vez estabelecidos os itens anteriores, chega a hora de criar, junto ao 
cliente, o contrato terapêutico — uma ferramenta potente de engajamento 
emocional capaz de construir regras e acordos que viabilizam o trabalho, ali-
nham as expectativas e aproximam o terapeuta do cliente.
A psicoterapia é uma prestação de serviços, onde o profissional presta um 
serviço de acompanhamento ao seu cliente. Assim, faz-se necessário uma fer-
ramenta capaz de assegurar os direitos e deveres de ambas as partes: o con-
trato. É no processo de criação do contrato terapêutico que se esclarecem as 
questões éticas e obrigações profissionais, bem como onde se explica todas as 
questões pertinentes para o andamento do processo.
É importante dizer que não se deve construir o contrato terapêutico de 
forma unilateral sob nenhuma hipótese. Ele deve ser pensado, discutido e 
construído em comum acordo com o cliente, para que, assim, sirva para 
contribuir, esclarecer e fortalecer a relação terapêutica. Desse modo, o psi-
cólogo assume uma postura ímpar para facilitar o engajamento do paciente, 
transmitir-lhe segurança e lhe proporcionar um espaço democrático e de 
segurança; um lugar onde ele perceba que suas demandas são importantes 
e consideradas.
Assim sendo,
é possível conceber que suas ações diante do cliente são de grande 
importância para que o contrato não se restrinja a um conjunto de 
regras de trabalho (como horários, pagamentos, férias, dentre ou-
tras) e se constitua num dos momentos fundamentais da relação 
terapêutica, caracterizando-se pelo engajamento de seus protago-
nistas quanto a uma proposta específica, seja de promover mudan-
ças, aliviar sintomas ou proporcionar o crescimento emocional do 
cliente (NEUBERN, 2010, p. 883). 
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Apesar da sua inegável importância, a literatura técnica não traz orientações 
claras sobre a temática. Ela deixa de lado questões mais práticas e foca em outros 
aspectos. Isso faz com que os psicólogos recém-formados tenham poucas infor-
mações sobre o assunto e, consequentemente, encontrem-se em uma situação di-
fícil. No seu cotidiano no consultório, os profissionais tendem a lidar com uma sé-
rie de documentos que jamais lhe foram apresentados em seu período formativo.
Por esse motivo, alguns tópicos precisam estar presentes no contrato te-
rapêutico. São eles: as obrigações do contratado (psicólogo) e do contratante 
(paciente); o local; os pagamentos; os horários; a periodicidade; e as férias. Ob-
viamente, esses não precisam ser os únicos tópicos. Sempre que necessário, 
o profissional deve tomar a liberdade de acrescentar mais elementos com o 
intuito de tornar seu contrato mais completo.
Preconizado por uma série de resoluções, o psicólogo tem obrigações na 
prestação do serviço de psicoterapia. Dentre elas, cabe mencionar:
• Sigilo;
• Confidencialidade;
• Supervisões de caso, deixando claro que o profissional de psicologia conta 
com um profissional mais experiente para discutir casos, preservando a iden-
tidade dos participantes;
• Base teórica sobre a qual atende e enxerga o mundo;
• Outros tópicos que julgar relevantes e de obrigação profissional e ética.
Quanto às obrigações do contratante, é importante situar:
• Horários de sessão disponíveis;
• Localização geográfica, se na modalidade presencial;
• Ferramenta de videoconferência, se as sessões forem online;
• Política em relação às faltas;
• Valor e forma de pagamento das sessões (dinheiro, cheque, transferência, 
dentre outras).
Juntos, cliente e terapeuta devem definir a periodicidade dos encontros. 
Essa periodicidade define tanto a duração do tratamento (tempo e quantidade 
de sessões) quanto os dias e horários nos quais ocorrerão os encontros. Nor-
malmente, uma psicoterapia é feita com um encontro por semana, em uma 
sessão de 50 minutos, mas existem casos específicos que demandarão outras 
possibilidades de

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