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Articulação 
Temporomandibular e DTM
Profª Maria Eugênia Rossetti Borges
 
A ATM é constituída:
- Pela cabeça mandibular 
que se encaixa na fossa do 
osso temporal
- Osso temporal forma um 
elo ente a mandíbula e a 
caixa craniana.
- Existe uma importante 
associação entre o 
movimento que ocorrem 
nas ATMs e suas 
repercussões sobre a 
mobilidade craniana.
 
Importantes conexões neurológicas e mecânicas existem entre o sistema mastigador 
e a coluna cervical superior. 
É importante ressaltar as ligações neurológicas entre os níveis medulares da região 
cervical superior com o quinto nervo craniano (trigêmio), que é responsável por boa 
parte da inervação sensitiva e motora do sistema mastigador. 
Mecanicamente é possível destacar as cadeias formadas por músculos e tecido 
conjuntivo que conectam a boca com as vértebras cervicais superiores. 
Da mesma forma, a cintura escapular também se conecta diretamente com o sistema 
mastigador por meio de fáscias e músculos.
 
A cavidade articular da ATM é 
dividida por um disco em 2 
compartimentos, que permitem 
movimentos tridimensionais da 
articulação.
O controle dos movimentos 
que o disco e a cabeça da 
mandíbula realizam depende 
de músculos que apresentam 
muita concentração de 
receptores sensoriais, que 
permitem proporcionar 
movimentos coordenados e 
potentes. 
 
A restrição parcial ou total da mobilidade fisiológica dos elementos que compõem a ATM causa
significativo stress mecânico para todo o sistema, sendo que um ou vários tecidos que participam
do sistema mastigador podem sofrer graves consequências (ex: degeneração do disco e/ou
cartilagem, desgaste dentário...).
A dor ororfacial ou disfunção temporomandibular é um assunto amplo e de certa forma obscuro, 
sendo necessário ainda muito conhecimento sobre o tema.
 
ANATOMIA DA ATM
Mandíbula
Este osso em forma de “U” não apresenta 
fixações ósseas com o crânio e nele se fixam 
os 16 dentes permanentes inferiores. 
É unido à alguns ossos com os maxilares, 
temporais e esfenoide, através de tecidos como 
ligamentos, cápsula articular, disco e 
músculos.
Isto permite que a mandíbula seja muito 
móvel.
 
ANATOMIA DA ATM
Maxila
Os dois ossos maxilares são unidos na linha média 
do crânio formando a sutura palatina.
Esses ossos formam o solo das cavidades nasal e 
orbitárias, em sua porção superior. 
A região inferior dos maxilares aloja os alvéolos que 
sustentam os 16 dentes maxilares e também forma 
parte do palato duro. 
Os seios paranasais maxilares têm funções
importantes na produção da voz, na respiração, na 
diminuição do peso real do crânio e também
atuam como amortecedores mecânicos de traumas.
 
Temporal
Os côndilos mandibulares se encaixam 
no crânio com a cavidade articular dos 
ossos Temporais.
 
Essa fosse fica localizada na região 
inferior da escama do temporal, e sua 
superfície articular é duas a três vezes 
maior que a cabeça da mandíbula. 
Essa fossa articular dos ossos temporais 
é côncava, e por trás dela situa-se a 
porção timpânica e anteriormente 
localiza-se uma proeminência óssea 
chamada de tubérculo articular do 
temporal. 
 
Articulação temporomandibular (ATM)
A ATM é formada pelo côndilo mandibular e a cavidade 
articular do temporal, sendo que um disco articular é 
situado entre os dois ossos. 
É uma articulação sinovial do tipo gínglimo modificada, 
pois além de permitir movimentos em dobradiça, 
também realiza movimentos de translação 
anteroposterior. 
O disco articular atua com um terceiro osso que
permite que essa articulação execute movimentos 
complexos.
 
Disco articular
É formado por tecido conjuntivo denso e fibroso sem a 
presença de vasos sanguíneos ou fibras nervosas, exceto 
por sua região mais periférica que é ligeiramente 
inervada. 
O formato do disco se deve á morfologia do côndilo da 
mandíbula e da fossa articular do temporal. 
O disco é uma estrutura flexível que pode se adaptar aos 
movimentos impostos nele.
 
Disco articular
Além das inserções do músculo pterigoide lateral, a 
região anterior do disco apresenta inserções em sua zona 
superior e inferior, com o ligamento capsular que 
reveste boa parte da ATM. 
Este ligamento também se fixa nas regiões lateral e 
medial do disco articular, de tal forma que divide a 
articulação em duas cavidades: uma superior e outra 
inferior. 
Na cavidade superior (disco-temporal) ocorrem os 
movimentos e protusão e retrusão (translação), e na 
inferior (discocondilar) os movimentos em dobradiça de 
depressão e elevação (rotação).
 
Cápsula articular
A cápsula articular se fixa acima, ao redor da cavidade 
articular; e abaixo ao redor do colo do côndilo 
mandibular. 
Num corte frontal, se observa que a cápsula se insere 
por fibras longas do temporal até a mandíbula e por 
fibras curtas do temporal até o disco e da mandíbula até 
o disco. Estes são os chamados “freios discais”.
 
Os Dentes
Os 32 dentes estão dispostos 
igualmente no osso alveolar dos 
maxilares e da mandíbula, sendo que 
16 dentes para cada arcada. 
A arcada maxilar é maior que a 
mandibular, fazendo com que os 
dentes maxilares normalmente 
estejam sobrepostos aos 
mandibulares tanto verticalmente 
quanto horizontalmente durante a 
oclusão.
 
Propriocepção dental
O nervo trigêmio (V) transmite as 
informações proprioceptivas da função 
mastigatória. 
Estas informações provem das 
articulações temporomandibulares, dos 
tendões, dos músculos. 
A mobilidade fisiológica dos dentes é de 
aproximadamente 0,75-20 micrometros. 
Os receptores sensoriais localizados no 
ligamento periodontal podem perceber 
diferenças de 10 micrometros.
 
Propriocepção dental
Quando o ponto de apoio correto entre os dentes 
permite que ocorra distribuição simétrica o 
ligamento periodontal é pouco tensionado e de 
forma bem distribuída.
Se existe interferência oclusal, os receptores atuam 
provocando uma reação muscular para eliminar esse
contato.
Quando existe um contato prematuro durante a 
oclusão, um reflexo de proteção provoca o desvio 
da mandíbula durante o fechamento da boca. 
A repetição deste reflexo inconsciente se transforma 
em microtrauma e se a situação persistir, os tecidos 
se deformarão.
 
Músculos da mastigação
Masséter
Músculo retangular e potente, fixado superiormente no arco 
zigomático do temporal e no processo zigomático da maxila; e 
inferiormente na face externa da borda inferior do ramo da 
mandíbula, assim como em seu ângulo. 
Tem duas porções:
- superficial – fibras com trajeto descendente e posterior;
- profunda – fibras verticais.
Quando o masseter se contrai bilateralmente faz a 
elevação da mandíbula fazendo com que os dentes 
entrem em contato. Sua porção superficial também 
atua na protusão da mandíbula. 
 
Temporal
Músculo amplo que se fixa em toda
fossa temporal (escama do temporal, asa
maior do esfenoide, parietal e frontal),
dirige-se inferiormente passando por 
baixo do arco zigomático e para se inserir 
no processo coronóide da mandíbula.
Tem três disposições de fibras: anteriores, 
médias e posteriores.
 
Temporal
Quando todas as fibras se contraem bilateralmente faz 
elevação da mandíbula, mas quando fibras isoladas se 
contraem realiza o movimento na direção das fibras
em ação. 
As fibras anteriores elevam verticalmente a 
mandíbula. 
As fibras médias produzem elevação e retração da 
mandíbula.
As fibras posteriores geram retração
mandibular. 
Quando atua unilateralmente, participa do desvio 
lateral ipsilateral. É inervado pelo trigêmio –
ramo mandibular.
 
Pterigoide medial
É fixado superiormente na parte lateral da apófise pterigoide do esfenoide e na tuberosidade da 
maxila, e inferiormente na parte interna do ramo e ângulo da mandíbula. 
A contração bilateral desse músculo faz elevação e retrusão da mandíbula, e unilateralmente faz
desvio lateral contralateral. É inervado pelo trigêmio – ramo mandibular.
 
Pterigóide lateral
• Origem: Inferior: parte lateral do processopterigóideo esfenoide. Superior: Asa maior do 
esfenóide
• Inserção: Inferior: colo do côndilo mandibular. Superior: cápsula articular, disco e colo do côndilo
• Ação: Inferior: protusão (Bi), desvio lateral contralateral (uni). Superior: traciona o disco para 
anterior
 
Inervação da ATM
A inervação da ATM é dada pelo mesmo 
nervo que proporciona a inervação motora e 
sensitiva dos músculos que a controlam – o 
nervo trigêmio. 
As informações aferentes são 
proporcionadas pela terceira ramificação do 
trigêmio, o nervo mandibular.
Este nervo faz ramificações que são 
responsáveis pela inervação sensitiva da 
ATM: o nervo auriculotemporal, o nervo 
temporal e do masseter.
 
Abertura 
Resultam de dois deslocamentos:
- Um movimento de rotação dos côndilos no complexo côndilo-discal (compartimento inferior).
 
Abertura 
Resultam de dois deslocamentos:
- Um movimento de translação anteroposterior dos côndilos mandibulares no compartimento superior 
da ATM.
Movimento de translação dos
côndilos
Movimento de abertura da boca
(rotação + translação)
O côndilo mandibular e o disco se deslizam 
anteriormente. 
O movimento de abertura é limitado pela tensão 
imposta no sistema cápsulo-ligamentar que modelam 
a atividade reflexa neuromuscular.
 
Fechamento
Ocorre o movimento 
exatamente inverso ao da 
abertura, deslizamento em 
translação posterior do 
côndilo num primeiro 
momento (compartimento 
superior), seguido de um 
movimento de dobradiça 
em rotação num segundo 
momento (compartimento 
inferior).
 
Protusão/protração
Este movimento de deslizamento anterior (translação) da mandíbula 
ocorre somente no compartimento superior da ATM. A amplitude 
máxima gira em torno de 1,5 cm e é limitado pelos tensão imposta 
aos tecidos retrodiscais. 
O disco é deslocado no sentido anterior, mas a distancia do 
deslocamento é menor que a do côndilo resultando num 
posicionamento relativo posterior do disco em relação ao côndilo. 
Quando a boca está aberta este movimento é menor, pois os 
ligamentos estilomandibular e esfenomadibular limitam o 
movimento.
Este movimento é realizado pela contração do músculo pterigoide 
lateral (fibras inferiores), auxiliado pelo pterigoide medial, masseter 
e fibras anteriores do temporal.
 
Retrusão/retração
O movimento é realizado pela contração principalmente do 
músculo temporal
(fibras posteriores) e do masseter (fibras profundas).
 
Desvio lateral
Ocorre num plano horizontal.
 
O côndilo mandibular do mesmo lado do desvio faz 
um movimento rotacional sobre o seu próprio eixo 
(axial), enquanto o outro côndilo desliza 
anteriormente.
Do lado do desvio ocorre a contração dos músculos 
pterigoide lateral (fibras superiores), temporal (fibras 
posteriores) e masseter.
Do lado oposto são desvio lateral ocorre contração do 
pterigoide lateral (fibras inferiores), pterigoide medial, 
masseter e temporal (fibras anteriores).
 
Mecânica da mastigação
Do ponto de vista mecânico é possível distinguir dois lados, com respeito à mastigação:
- o lado trabalhador, onde se encontram os alimentos que são mastigados,
- o lado não trabalhador.
Quando o alimento é mastigado num lado, ocorre um desvio lateral para o mesmo lado.
O côndilo do lado trabalhador faz papel de pivô e uma rotação axial para o mesmo lado onde é
Mastigado.
 
Mecânica da mastigação
O lado não trabalhador faz movimento de descida e avanço para que ocorra desvio lateral para o lado trabalhador. 
Os músculos do lado trabalhador comprimem o alimento e permitem a trituração. São eles:
- pterigoide medial,
- temporal,
- masseter.
Os músculos que entram em ação do lado não trabalhador são:
- pterigoide lateral,
- temporal (fibras anteriores),
- músculos supra-hiódes.
Na mastigação o stress mecânico tecidual é exercido essencialmente sobre o côndilo do lado não trabalhador.
 
OCLUSÃO
A oclusão dentária é definida como a relação de encaixe dental quando uma arcada entra em contato com a 
antagonista. 
A oclusão é um dos elementos do sistema estomatognático, que inclui: os dentes, as articulações 
temporomandibulares e os músculos da mastigação. 
Existe uma relação funcional entre estes elementos, assim, um transtorno em um deles repercute no resto.
É fundamental para a função mastigatória e outras funções como a fonação e deglutição dependem muito não 
somente da posição dos dentes, mas também dessa boa relação com a arcada antagonista quando ambas ocluem.
 
OCLUSÃO
 Vários fatores controlam a posição dos dentes como a dimensão da arcada, tamanho dos dentes, tensões de tecidos 
moles.
A chamada posição ou espaço neutro é a situação em que essas forças dos lábios, bochechas e língua são iguais. 
Oclusão dos dentes anteriores – plano
sagital
Oclusão dos dentes posteriores – plano
frontal
 
OCLUSÃO
 Classe I de Angle
É quando:
• A cúspide mesiovestibular do 1º molar maxilar 
oclui no sulco bucal do 1º molar mandibular.
• A cúspide mesiobucal do primeiro molar 
mandibular oclui no espaço entre o
segundo pré-molar e o primeiro molar maxilar.
 
OCLUSÃO
Classe II de Angle
Esta categoria representa os pacientes com maxila maior 
que a mandíbula ou quando ocorre um deslocamento 
anterior da maxila; ou também quando a mandíbula é 
menor que a maxila ou esta se desloca no sentido anterior.
O Primeiro molar mandibular adota uma posição
distal em relação ao maxilar.
Identifica-se pelas seguintes características:
 • A cúspide mesial do primeiro molar mandibular está 
alinhada com o sulco bucal do primeiro molar maxilar.
 • A cúspide distal do primeiro molar superior oclui com o 
sulco bucal do primeiro molar inferior.
 
OCLUSÃO
Classe III de Angle
São os casos dos pacientes em que o primeiro molar 
mandibular encontra-se em posição
mesial na relação com o primeiro molar maxilar.
As principais características dessa classe são:
• A cúspide mesial do primeiro molar maxilar oclui 
no espaço entre o primeiro e segundo molares 
mandibulares.
• A cúspide distal do primeiro molar mandibular 
oclui no espaço entre o segundo pré-molar e o 
primeiro molar maxilares.
 
TENDÊNCIAS POSTURAIS EM RELAÇÃO ÀS CLASSES 
DE ANGLE
 
Oclusão entre os dentes anteriores
Normalmente os incisivos maxilares se sobrepõem 
aos mandibulares de tal forma que, quando 
observados num plano labial os incisivos maxilares 
deve “esconder” cerca de 3 a 5 mm dos incisivos 
mandibulares. 
Como a coroa dos incisivos mandibulares medem 
cerca de 9 mm, pouco mais da metade da coroa deve 
permanecer exposta na posição oclusiva. 
A função dos dentes anteriores não é manter a 
dimensão vertical da oclusão, e sim guiar a 
mandíbula nos movimentos laterais – guia anterior.
 
MÁ OCLUSÃO
A má oclusão refere-se ao desalinhamento dos dentes e/ou relações incorretas entre os 
dentes das duas arcadas dentais. 
A maioria das pessoas tem algum grau de má oclusão, embora não seja sério suficiente 
para se buscar tratamentos. 
A correção da má oclusão, seja por tratamento ortodôntico ou cirúrgico, ajuda a diminuir a 
pressão nas articulações temporomandibulares.
 
MÁ OCLUSÃO
Sobremordida vertical ou mordida 
profunda (Overbite)
Quando as pontas incisais dos dentes
mandibulares se fecham contra a superfície
lingual do seu antagonista maxilar de tal
modo que mais que a metade da coroa
mandibular fique escondida.
Sobremordida vertical e horizontal
 
MÁ OCLUSÃO
Sobremordida horizontal (Overjet)
É uma dimensão antero-posterior e 
constitui uma distancia, no plano 
horizontal, entre as superfícies linguais dos 
incisivos superiores e as superfícies labiais 
dos incisivos inferiores. 
Esta distância é medida em direcção 
paralela ao plano oclusal (2,5 mm±2,5).
Sobremordida vertical e horizontal
 
MÁ OCLUSÃO
Sobremordida zero (topo à topo)
Quando o incisivo se coloca
habitualmente ponta-a-ponta durante a
oclusão.
Sobremordida zero
 
MÁ OCLUSÃO
Mordida aberta (Openbite)
Quando persiste um espaço ou
distancia habitual entre as 
superfícies incisale oclusal 
durante a oclusão habitual.
Mordida aberta
 
MÁ OCLUSÃO
Mordida cruzada (Crossbite)
Quando um ou mais dentes se
encontram mal posicionados lingual, 
ou labialmente em relação aos seus
correspondentes no arco oposto.
Mordida cruzada
 
MÁ OCLUSÃO
Causas dentárias de má oclusão:
- amálgama muito grande
- cárie dental
- prótese mal ajustada
- desgaste dental (bruxismo)
 
RUÍDOS DISCAIS
São produzidos por alterações da unidade funcional entre disco e côndilo, assim como má
coordenação entre o pterigoide externo e outros músculos. 
Quando ocorre alteração da morfologia do disco e o estiramento dos ligamentos que fixam o 
disco ao côndilo mandibular, podem ocorrer repercussões funcionais no deslocamento que 
côndilo e disco devem fazer nos movimentos mandibulares.
 
RUÍDOS DISCAIS
Muitas pessoas têm deslocamentos funcionais do disco sem que existam sintomas ou
limitação de movimento num primeiro momento. 
Os ruídos discais normalmente ocorrem quando existe um deslocamento funcional anterior do 
disco ou também por um deslocamento funcional posterior do côndilo mandibular.
 
RUÍDOS DISCAIS
Durante a abertura, a contração do pterigoide lateral leva simultaneamente côndilo e disco. O 
caminho percorrido pelo côndilo é maior que o do disco. 
Quando o disco se encontra deslocado anteriormente em posição neutra, quando ocorre o 
movimento da abertura o côndilo pode ultrapassar a borda posterior do disco produzindo um 
ruído na abertura. 
Este ruído pode ser em qualquer momento da abertura (precoce, intermediário ou tardio). 
Quando se fecha a boca e ocorre diminuição da pressão articular, o disco pode retornar à sua 
posição de repouso disfuncional sem que haja um ruído no fechamento.
 
RUÍDOS DISCAIS
O ruído no fechamento só ocorre quando o côndilo que estava em posição de redução
(fisiológica) volta a se posicionar posteriormente em relação ao disco, ultrapassando a banda
posterior que é mais grossa. 
Esse segundo caso que é chamado de ruído recíproco ocorre quando o problema é mais 
crônico e houve distensão dos ligamentos que posicionam o disco no côndilo.
É importante ressaltar que o único tecido capaz de retrair o disco no sentido posterior é o 
tecido retrodiscal (lâmina superior) que contém componentes elásticos. 
Mas quando esse tecido permanece tensionado de forma prolongada por um deslocamento 
anterior do disco, ele perde suas capacidades elásticas naturais.
 
RUÍDOS DISCAIS
Quando o deslocamento anterior do disco é cronicamente mantido pela hiperatividade do m. 
pterigoide lateral, alongado permanentemente as fibras superiores do tecido retrodiscal, o disco 
pode permanecer deslocado anteriormente em qualquer fase da abertura ou fechamento.
Nesse caso de deslocamento anterior não existe ruído, pois não existe a redução. 
A boca não pode se abrir ao máximo pois o côndilo não consegue fazer a translação anterior 
completa, e no final da abertura se nota um desvio lateral da mandíbula para o mesmo lado do 
deslocamento. 
O indivíduo pode fazer o desvio lateral da mandíbula para o lado afetado, mas não para o lado 
oposto.
https://youtu.be/-7c45E8SEBI
 
DISFUNÇÕES TEMPOROMANDIBULARES
Os problemas nas articulações temporomandibulares são muito frequentes, sendo que
estudos epidemiológicos apontam que cerca de 50 a 60% da população tenha algum tipo de
distúrbio. 
Em alguns pacientes o problema faz com que ele busque tratamento. Mas alguns podem ter 
problemas subclínicos, ou seja, sinais sem que o paciente perceba sua presença.
Disfunção temporomandibular (DTM) é um termo usado para descrever um número
grande de condições envolvendo o sistema mastigatório.
As DTM envolvem não somente disfunções capsulares, mas também outros fatores como 
interferências oclusais, transtornos musculares, e alterações bioquímicas. Outros termos utilizados 
para esta condição incluem disfunção craniomandibular, e dor muscular mastigatória.
 
Tipos
As DTMs podem ser classificadas em 3 categorias:
- Transtornos musculares: estes transtornos incluem dor nos músculos que controlam a
função da mandíbula, assim como os que atuam na cervical e na cintura escapular. Este
tipo de dor é chamado de dor miofascial e é muito comum nas DTMs;
- Transtornos articulares: estes transtornos são relacionados com desequilíbrios na articulação 
temporomandibular, como as subluxações dos côndilos e discos;
- Transtornos degenerativos: este tipo de transtorno é relacionado ao desgaste da articulação 
temporomandibular ocasionado por patologias como a osteoartrose e osteoartrite que levam à 
destruição da cartilagem que cobre a articulação temporomandibular.
 
Os seguintes sintomas podem estar presentes:
• Estalidos ou ruídos na abertura e/ou fechamento da boca: os ruídos podem ou não serem acompanhados de 
dor, mas certamente se estão presentes geralmente por subluxações discais, os músculos relacionados com a 
ATM sofrem alterações tensionais e podem ser a causa de dores secundárias;
• Bloqueio/travamento da ATM: é possível ocorrer bloqueio da mandíbula na maioria das vezes durante a 
abertura da boca. Este bloqueio tem origem discal e geralmente um ruído importante ocorre quando a 
articulação é desbloqueada;
• Mudanças na oclusão: pequenos deslocamentos na ATM podem alterar a oclusão e mordida;
• Cefaleias/Enxaquecas: são os sintomas mais comuns. Geralmente as cefaleias podem ser localizadas na 
região temporal, occipital e frontal. O bruxismo, que pode ser um dos sintomas da DTM, produz dor muscular 
que causam cefaleias. Deslocamentos discais na ATM podem causar dores articulares e também referidas na 
região frontal, temporal e occipital;
Sintomas
 
Os seguintes sintomas podem estar presentes:
• Dor de dente: a sensibilidade dos dentes pode se encontrar aumentada quando deslocamentos 
discais causam bruxismo;
• Tontura;
• Zumbidos;
• Alterações auditivas: devido à íntima relação anatômica entre a ATM e ouvido, disfunções na 
ATM pode causar vários sintomas nos ouvidos como dor, sensação de pressão ou até mesmo 
perda da audição;
• Dor na face, região cervical, ombros, e coluna torácica;
• Depressão: alterações químicas devido à dor crônica.
Sintomas
 
Etiologia
As DTMs são condições causadas por um ou vários fatores:
- Desequilíbrios tônicos musculares;
- Disco articular danificado ou deslocado;
- Transtornos capsulares (artrite, infecção);
- Transtornos emocionais;
- Fatores nutricionais;
- Traumas: direto ou indireto;
- Whiplash cervical: quando um indivíduo sofre um acidente automobilístico, geralmente ocorrem lesões na 
coluna vertebral e ATM. O trauma pode ser em qualquer direção. Quando a aceleração/desaceleração do 
whiplash é produzida, a cabeça é levada na direção do impacto. Este movimento rápido pode produzir 
estiramento ou ruptura dos ligamentos e outros tecidos moles (disco) em uma ou nas duas ATMs;
- Abertura excessiva da boca (traumas, cirurgias);
- Bruxismo: a pressão excessiva nas ATMs, os ligamentos permitindo deslocamentos discais;
- Má oclusão;
- Lassidez ligamentar;
- Stress: físico, psicológico ou ambos.
- Doenças sistêmicas: artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico pode produzir inflamação na ATM.
 
Tratamento
Fisioterapeutas, dentistas e outros profissionais envolvidos usam uma variedade de modalidades de
tratamento que podem ser divididos em duas fases.
FASE 1: O objetivo da fase 1 é de eliminar os espasmos musculares, edema e deslocamento da ATM, 
e qualquer tipo de dor. Este tratamento geralmente inclui a utilização de placas, exercícios, 
medicação, fisioterapia.
Fase 2: O propósito da fase 2 é, se necessário, corrigir as discrepâncias entre a maxila e a mandíbula. 
Esta fase inclui ajuste da oclusão, ortodontia, reconstrução dental, cirurgia, ou a combinação destes 
tratamentos. As alterações psicológicas devem ser consideradas nos tratamentos de DTMs.
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