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Do Potencial Conhecimento da Ilicitude
 1. Introdução
 
 A culpabilidade é formada pela imputabilidade, pela potencial consciência da ilicitude e pela exigibilidade
de conduta diversa.
 Modernamente, não se admite uma culpabilidade desprovida de potencial consciência da ilicitude do
fato. É o elemento da culpabilidade consistente no conhecimento pelo agente da ilicitude do fato típico
praticado. Assim, para que o autor do crime seja considerado culpável, não basta ter consciência de que
sua conduta seja típica, é necessário que saiba também que sua conduta é contrária ao direito, ou seja,
ilícita.
 A pena somente se justifica em relação ao agente que, ao cometer um fato danoso, tinha ao menos a
possibilidade de entender o caráter ilícito desse fato.
 O autor de crime, portanto, para ser considerado culpado, deve ter possibilidade de conhecer o ilícito, ou
seja, ter potencial conhecimento do ilícito.
 Não é preciso do conhecimento real da ilicitude do fato, mas do conhecimento potencial, isto é, não precisa
saber a norma penal violada, mas saber que o comportamento é imoral e antissocial. De modo geral, o
homem médio não encontra dificuldade em conhecer a ilicitude dos fatos que violam uma norma penal e
antissocial, porquanto não há como ignorar a proibição do homicídio, do furto, do estupro, da ofensa à
honra, etc.
 2. Erro sobre a ilicitude do fato
 O artigo 21 do Código Penal diz:
"O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se
evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.
 Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude
do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência."
Percebe-se que o desconhecimento da lei é inescusável. É claro que se cuida da lei no sentido formal, de
modo que não se exclui a culpabilidade a alegação de que o sujeito não conhece a lei ou a conhece mal, o
máximo que se pode aproveitar é da atenuante genérica prevista no artigo 65, inciso II do Código Penal.
E a pena pode ser reduzida de um sexto a um terço se era possível ao agente conhecer a ilícitude de sua
conduta,isto é, se lhe era possível ter ou atingir conhecimento da regra de proibição, como consta no final
do artigo 21 do Código Penal.
Há, contudo, uma exceção prevista no artigo 8º, da Lei de Contravenções Penais, que prevê Art. 8º: "No
caso de ignorância ou de errada compreensão da lei, quando escusaveis, a pena pode deixar de ser
aplicada".
 Mesmo diante da exceção apontada , o conhecimento da lei é presunção absoluta (iuris et iuris, não
admitindo prova em contrário). O principio parece lógico e razoável, na medida em que a ordem jurídica
não poderia subsistir, sem que as leis se tornassem obrigatórias a partir de sua publicação, sob pena de
violação dos princípios da segurança e equilíbrio da Justiça.
 
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 3. Erro de proibição
 Antes de conceituar erro de proibição, cabe realizar diferenciação entre “ignorância da lei” e “errada
compreensão da lei”.
 “A ignorância da lei é o completo desconhecimento da regra legal, ao passo que a errada compreensão
consiste no conhecimento equivocado acerca de tal regra” Em se tratando de ignorância da lei o agente
sequer sabe que a regra existe, em se tratando de errada compreensão, o autor do fato conhece e sabe
que a regra existe, mas a entende de forma errada, sendo que acaba por proceder de forma que acredita
ser lícita, muito embora não seja.
 A errada compreensão da lei dá-se o nome de erro de proibição, ou seja, quando o agente supõe que certa
conduta injusta seja justa, a tomar uma errada por certa, a encarar uma anormal como sendo normal.
 O sujeito conhece a lei, mas interpreta mal o dispositivo legal aplicável à espécie e acaba por se achar no
direito de realizar uma conduta que na verdade é proibida. Assim, em virtude de equivocada interpretação
da norma supõe permitido aquilo que era proibido, daí o nome de erro de proibição.
 Vamos nos utilizar do exemplo doutrinário apontado pelo Professor Fernando Capez para obter melhor
compreensão do tema, senão vejamos:
 “... um rústico aldeão, que nasceu e passou a vida toda em um longínquo vilarejo do sertão, agride,
levemente sua mulher, por suspeitar que ela o traiu. É absolutamente irrelevante indagar se ele sabia ou
não a respeito da existência do crime de lesões corporais, pois há presunção juris et jure (não admite prova
em contrário) nesse sentido. Assim, se ele disser: eu não sabia que bater nos outros é crime, como
analfabeto, jamais li o Código Penal, tal assertiva não terá o condão de elidir a responsabilidade pelo crime
praticado.”
 Complementando o exemplo do Professor Fernando Capez, suponha que você já é advogado e um cliente
lhe procura dizendo que, após realizar uma longa travessia oceânica, foi encaminhado à Autoridade Policial
competente, pois estava portando medicamento, que durante o período da travessia teve seu porte proibido
pela lei penal no território nacional. Evidentemente, que alegar o desconhecimento da lei não elidirá a
responsabilidade penal de seu cliente.
 No entanto, tanto em relação ao exemplo utilizado pelo Professor Fernando Capez bem como em
referência ao exemplo ora formulado, tem-se que o Direito Penal pode levar em conta que o autor do crime,
dentro das circunstancias em que cometeu o crime, poderia pensar, por força do ambiente onde viveu e das
experiências acumuladas que sua conduta tinha respaldo no ordenamento jurídico. Em resumo, o agente
do crime não tinha consciência do injusto, ou melhor, do ilícito que cometeu.
 Assim, para o suposto cliente (utilizado no segundo exemplo) sua conduta era perfeitamente lícita, pois
quando saiu do país o medicamento que portava não estava proibido pela lei penal. É como se ele
dissesse: “Eu sei que existem substancias cujo o porte é vedado, mas não é o caso desse medicamento”.
 É semelhante o raciocínio que se aponta ao exemplo mencionado na obra do Professor Fernando Capez,
ou seja, o aldeão, diante do contexto que vivenciava, contava com a aprovação geral, sendo sua conduta
perfeitamente lícita.É como se ele pensasse: eu sei que bater nos outros é crime, mas nessas
circunstancias, por flagrar meu cônjuge em adultério, eu tenho certeza que agi de forma correta, justa, de
modo a obter a aprovação do meio em que vivo; mesmo que for condenado, continuarei achando que agi
de forma acertada.”
 Conforme pode ser constatado, através da análise do primeiro e do segundo exemplo, que enquanto o erro
sobre a ilicitude do fato está relacionado ao conhecimento, em si, da lei penal o erro de proibição envolve à
interpretação atribuída pelo agente à norma penal, que pode fazer com que pense que age de forma lícita,
sendo que, na verdade, sua ação é ilícita. Assim, o erro de proibição, quando constatado no cenário
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criminoso, afeta a consciência que o agente criminoso possui do ilícito. Lembrando-se, por fim, que o
“potencial conhecimento do ilícito” é elemento essencial para considerar o agente do crime culpado.
 4. Erro de Proibição e Potencial Conhecimento da Ilicitude
 Como foi dito, o erro de proibição ocorre quando o sujeito age, pensando agir de forma lícita, quando, na
verdade, pratica um ilícito penal. Assim, o erro de proibição esta relacionado à consciência do agente
quanto à ilicitude do fato, pois, de qualquer modo a exclui.
 Mas, deve ser feita uma observação bastante importante: a existência do erro de proibição sempre exclui a
consciência da ilicitude. No entanto, não é a consciência da ilicitude que é elemento da culpabilidade, mas
sim o POTENCIAL conhecimento da ilicitude.
 Desse modo, antes de elidir a culpa do sujeitoem razão da presença do erro de proibição é necessário
saber se o agente do crime tinha condições, se podia ter conhecimento da ilicitude.
 Em relação ao exemplo tratado no item anterior, no caso, durante o tramite do processo criminal o juiz
verificará se o acusado tinha como saber (conhecer) se a substância que portava era ilícita. Deverá ser
observado se o acusado tinha comunicação atual, se recebia informações das atualizações legislativas a
respeito do fato, ou seja, elementos que indiquem a possibilidade do agente conhecer que o medicamento
foi proibido no Brasil.
 Por fim, o mais importante, não basta assim, a mera exclusão do potencial conhecimento da ilicitude, é
essencial verificar a potencialidade de conhecimento da ilicitude.
 Não adianta, assim, também levando-se em consideração o exemplo abordado, o acusado alegar que
achava que o remédio era permitido para não responder criminalmente. Sua alegação não basta. O Juiz
fará analise se tinha condições de conhecer quanto à ilicitude.
 Para realizar isto, é necessário realizar se o erro (se o desconhecimento da licitude) era evitável ou
inevitável.
 Se o erro de proibição tiver sido evitável, isto é, o agente criminoso tinha como conhecer que sua conduta
era ilícita, não haverá exclusão da culpabilidade e o agente responderá pelo crime. Assim se, tendo em
vista o exemplo acima, o acusado tivesse condições de saber que o remédio foi proibido no Brasil, não
restam dúvidas que sua responsabilidade penal subsistirá.
 Em contrapartida, se o erro de proibição fosse inevitável, isto é, se o agente criminoso não tinha como
conhecer que sua conduta era ilícita, haverá exclusão da culpabilidade, o agente não será considerado
culpado e, portanto, inexiste responsabilidade criminal. Assim se, tendo em vista o exemplo acima, caso o
agente tenha se aventurado no oceano sem qualquer comunicação e restar comprovado que não tinha
como saber a respeito da alteração legislativa que proibiu o remédio, não restam dúvidas, que não será
considerado culpado.
 Para exemplificar tecnicamente observe a jurisprudência selecionada:
 Existência de erro evitável – TACRSP “Em se tratando do crime de apropriação de coisa achada, se o
agente tem condições de saber se a coisa é abandonada ou furtada, o erro sobre a ilicitude do fato é
evitável, caso em que sua pena será apenas reduzida, já que a isenção da imposição da reprimenda esta
reservada para os casos em que o erro é inevitável” (RJDTACRIM 24/60)
Da Exigibilidade da Conduta Diversa
 1. Introdução
 Também, para considerar o autor de crime culpável não basta a presença de sua capacidade penal
(Imputabilidade) e a possibilidade de conhecer que sua conduta é contrária à lei (Potencial Conhecimento
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da Ilicitude), é necessário exigir conduta diversa daquela praticada.
 Talvez, venha a mente do leitor: Mas, levando em consideração que o sujeito praticou um crime é claro que
a lei lhe exige conduta diversa daquela praticada!! Isso, em primeiro momento, nos parece tanto lógico,
mas, existem situações em o autor do crime não possui liberdade de decidir quanto à prática da conduta
criminosa.
 Assim, a sociedade não resguarda qualquer expectativa daquele que age criminosamente, mas sem
qualquer liberdade, não lhe exigindo conduta diversa daquela praticada.
 Só há culpabilidade quando, devendo e podendo o sujeito agir de maneira conforme ao ordenamento
jurídico, realiza conduta diferente, a qual constitui o delito. Ao contrário, quando não lhe era exigível
comportamento diverso, não incide o juízo de reprovação.
 A inexigibilidade de conduta diversa, ou seja, o contrário do elemento da culpabilidade é, portanto, causa
de excludente de culpabilidade. 
 
 2. Causas Excludentes da Exigibilidade de Conduta Diversa
 O artigo 22 do Código Penal, prevê duas situações em que a exigibilidade de conduta diversa é excluída,
senão vejamos:
 Artigo 22. Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação da ordem.
 Assim, pelo que se depreende do Código Penal, há duas situações em que a sociedade não exige do
praticante da conduta criminosa algo diverso, isso ocorre, quando a prática do crime é ensejada por coação
moral (que não podia resistir) e por obediência hierárquica ( ordem não manifestamente ilegal)
 3. Coação Moral Irresistível
 Em primeiro lugar, cumpre realizar diferenciação técnica entre coação moral e coação física.
 Tem-se que, em se tratando de coação física, o agente sequer possui vontade de realizar a conduta. Na
coação física ( vis absoluta ou corporalis), o coator, para alcançar o fim ilícito, coordena o movimento ou a
passividade muscular do coagido. Exemplo, Joaquim segura a mão de João, conduzindo-a a deferir socos
no rosto de José, causando-lhe lesões corporais. Nesse exemplo, joão não responderá por nenhuma
conduta ilícita, porquanto a coação física irresistível elimina por completo a vontade do coagido, que não
chega nem mesmo a agir, não passando de mero instrumento nas mãos do coator. É no caso, causa de
exclusão da própria conduta, diante da ausência de vontade.
 Assim, a coação física, por excluir a “conduta” que é elemento do fato típico, causa a excludente de
tipicidade e não permite sequer a configuração do crime.
 No entanto, suponha-se que Joaquim obrigue João a matar José, pois caso não faça sua família morrerá,
a vontade de João se mantém, mas cabe analisar, nesse momento, se a sociedade resguarda outra
expectativa em relação à conduta de João e, assim, realiza-se juízo de reprovação, verificando-se ou não
culpável pela conduta.
 Neste caso, trata-se de coação moral irresistível, ao inverso, o coagido (João), premido pelo medo, realiza
a conduta criminosa para satisfazer a vontade do coator (Joaquim). Essa coação atua sobre o ânimo do
agente, levando-o a praticar o crime. Ao coagido, porém, há uma liberdade de opção: sofrer a ameaça ou
cometer o crime. 
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 Se ele opta pelo crime, satisfazendo o desejo do coagido, exclui a sua culpabilidade, devido à inexigilidade
de conduta diversa. Não há exclusão da conduta, pois ele manifestou a sua vontade: entre sofrer a
concretização do mal ameaçado e praticar o delito, a sua vontade debando pela prática do delito. Portanto,
houve uma viciada manifestação da vontade.
 Mas, pergunta-se, em se verificando a coação moral o coagido não será culpável? 
 Para verificar se o sujeito coagido à prática do crime é considerado ou não culpável é necessário avaliar a
espécie de coação que sofreu.
 Se o coagido à prática do crime poderia resistir a coação sofrida (coação moral resistível), nesse caso,
responderá normalmente pelo crime praticado, não sendo excluída a exigibilidade de conduta diversa.
 Se o coagido à prática do crime não poderia, de qualquer modo, resistir à prática da infração penal (coação
moral irresistível), nesse caso, não há que se falar em responsabilização criminal, já a exigibilidade da
conduta diversa será excluída.
 Veja a jurisprudência abaixo:
 TJRJ: “ ... Não pode alegar coação moral irresistível, excludente de culpa, quem, armado, de revólver,
acede à determinação de seu cúmplice, efetuando disparo contra a vitima. Para ser irresistível há que ser o
constrangimento inevitável, insuperável ou inelutável, vale dizer, na força de que coacto não se pode
subtrair, tudo sugerindo situação a qual ele não pode opor, recusar-se ou fazer face, mas tão somente
sucumbir ante o decreto inexorável” (RT 793/669)
 Observe-se que na situação contemplada pela jurisprudência acima, a defesa alega que o indivíduo, que já
estava armado, foi coagido moralmente por seu cúmplice. No entanto, a tese caipor terra, já que restou
demonstrado que o individuo poderia facilmente resistir às instigações sugeridas pelo cúmplice. Dessa
forma, a coação não foi irresistível, não havendo que se falar em exclusão da exigibilidade da conduta
diversa.
 Em resumo, tem-se:
a) Coação Física – exclui a “conduta”, a “tipicidade” e, por conseqüência, não há crime.
 b) Coação Moral –
 b.1 – se irresistível – exclui a reprovação e, por conseqüência, a “culpabilidade”. Há o crime, mas não
há responsabilização criminal.
 b.2 – se resistível – há crime, há culpabilidade e, também, responsabilização criminal.
 4. Obediência Hierárquica
 Verifica-se a obediência hierárquica quando o funcionário público subalterno executa a ordem pelo superior
hierárquico.
 A ordem pode ser:
1- Legal- Nesta hipótese não haverá crime praticado nem pelo superior e nem pelo subalterno. Este terá
agido no estrito cumprimento do dever legal, nos termos do artigo 23 do Código Penal.
2- Manifestamente ilegal. Nesta hipótese, somente o superior responde pelo crime. Há nítido concurso de
agentes, no entanto, em favor do subalterno existe a atuenuante genérica prevista no artigo 65, III, c, do
Código Penal.
3- Ordem não maniifestamente ilegal. Nesta situação, o superior hieráquerico que providenciou a ordem é
quem responderá pelo crime, excluindo a culpabilidade do subalterno. Assim, inclusive, dispõe o artigo 22
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do Código Penal dizendo: " Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem,
não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem "
 Percebe-se que para a ocorrência da excludente, deve haver estrita obediência. Desta forma, caso o ato
do subalterno ultrapassse os limites fixados na ordem, ele responderá pelo excesso. 
 A existência de obediência hierárquica depende do seguintes requisitos, quais sejam:
a) a ordem deve ser emanda de autoridade pública competente e hierarquicamente superior;
b) a respectiva ordem tem que apresentar conteúdo lícito
c) deve observar as formalidas legais
d) deve, ainda, o subalterno se revestir de competência para executá-la.
 Assim, para configuração da obediência hierárquica, como exclusão da exigibilidade de conduta diversa, é
necessário que um superior ordene a seu subordinado. Não pode ser ordem ou pedido feito entre membros
de hierarquias idênticas, caso contrário, não há configuração da obediência hierárquica.
 Outro aspecto bastante interessante e que costuma confundir bastante os estudantes dos cursos jurídicos,
é que deve haver relação de direito público entre superior e subordinado. Isto é, só se admite hierarquia (e,
por conseqüência, obediência hierárquica) no que estiver relacionado às funções públicos (relacionadas à
Administração Pública).
 Isto porque, o principio da hierarquia é adjacente à Administração Público. Muito embora a utilização da
palavra hierarquia seja corriqueiramente utilizada para indicar relação de superiores e subordinados,
mesmo nas relações de direito privado (relação de trabalho, por exemplo), o conceito técnico do vocábulo
não nos permite essa prática.
 Assim, a palavra hierarquia é típica do Poder Público e está relacionada somente às funções daqueles
que agem perante à Administração Pública. É incorreto, tecnicamente, dizer, assim, que o chefe de uma
empresa privada é hierarquicamente superior a seu empregado (podemos dizer que o empregado lhe é
subordinado, em virtude da relação da emprego, mas não poderemos nos referir à relação de hierarquia).
 Para restar configurada a obediência hierárquica é imprescindível que a relação existente entre superior e
subordinado tenha caráter público.
 Outro requisito comentado pela doutrina consiste na natureza da ordem expedida pelo superior. Como
observamos para existir obediência hierárquica e, por conseqüência, restar excluída a exigibilidade de
conduta diversa é necessário que a ordem não seja manifestamente ilegal.
 Desse modo, a doutrina nos traz à análise de dois tipos de ordens, quais sejam, a manifestamente ilegal e
a não manifestamente ilegal.
 Quando a ordem for manifestamente ilegal, será tratada como sendo erro de proibição evitável, ou seja, o
subordinado tinha como não cumprir aquela ordem, havendo, nos termos do artigo 21, parte final, do
Código Penal, responsabilização criminal. Não há exclusão da “reprovação”, da “culpabilidade”.
 Quando a ordem não for manifestamente ilegal, trata-se de requisito para configuração da obediência
hierárquica e, dessa forma, o sujeito que cumprir a ordem não será reprovado pela sociedade, havendo
exclusão da culpabilidade e ausência de responsabilização criminal.
 Para seu melhor entendimento observe a jurisprudência e o respectivos comentário:
 TJSP: “A escrituraria de delegacia de polícia que, agindo a mando de escrivão-chefe, adultera registros de
inquérito policial, rasurando o documento a fim de excluir o nome de candidato a prefeito municipal acusado
20/04/2025, 14:42 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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de crime eleitoral, sobrepondo em seu lugar o nome de outro indiciado, incorre na conduta descrita no art.
297, parágrafo 1º, do CP, não havendo falar em coação moral irresistível e obediência hierárquica prevista
no art. 22, do CP” (RT 774/560)
 Conforme o teor da jurisprudência acima, não há que se falar em obediência hierárquica por dois motivos.
 Primeiro, porque não há relação de hierarquia entre a escrituraria (criminosa) e o candidato a Prefeito
Municipal, pois este sequer ocupa cargo público.
 Como se não bastasse isso, verifica-se que qualquer um pode identificar que a ordem do candidato é
manifestamente ilegal, pois pediu para que a escrituraria alterasse, isto é, retirasse seu nome do processo,
de modo, a sobrestar o cumprimento da justiça.
 É evidente que o subalterno não está obrigado à obediência cegao ao superior hierárquico, devendo
recusar-se a cumprir ordens ilegais. De fato, ele pode examinar a legalidade extrínseca da ordem, pois não
há dever de obediência em relação às ordens ilegais.
 Em síntese tem-se que: a obediência à ordem hierárquica exclui a exigência de conduta diversa e, por
conseqüência, a culpabilidade. Para ficar caracterizada a obediência hierárquica é necessário,
portanto, que a ordem não seja manifestamente ilegal.
 
Exercício 1:
A respeito do erro de direito no direito penal:
A)
É sempre inescusável.
B)
É escusável.
C)
É sempre causa de exclusão da culpabilidade.
D)
Pode ser considerado, as vezes, causa de exclusão da ilicitude
E)
É sempre inescusável, salvo quando concedido perdão judicial em contravenções
penais.
 
 
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Exercício 2:
“quando o sujeito age, pensando agir de forma lícita, quando, na verdade, pratica
um ilícito penal”. O conceito se refere:
A)
Ao erro de proibição.
B)
Ao potencial conhecimento da ilicitude.
C)
À ignorância da lei.
D)
À errada interpretação atribuída.
E)
À legitima defesa putativa.
Exercício 3:
Haverá exclusão da culpabilidade quando:
A)
Houver erro de proibição.
B)
O agente sofrer de qualquer espécie de doença mental.
C)
O potencial de conhecimento da ilicitude for inevitável ou invencível.
D)
O potencial de conhecimento da ilicitude for vencivel
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E)
Houver qualquer espécie de embriaguez
Exercício 4:
A respeito da obediência hierárquica, temos que:
A)
Sempre exclui a culpabilidade.
B)
Exclui a culpabilidade quando a ordem não for manifestamente ilegal.C)
Exclui a culpabilidade independente da natureza da ordem.
D)
Nunca exclui a culpabilidade.
E)
Somente exclui a culpabilidade em caso de erro vencível.
Exercício 5:
A respeito da coação:
A)
Qualquer sorte de coação exclui a culpabilidade.
B)
Qualquer sorte de coação exclui a ilicitude.
C)
A coação moral sempre exclui a culpabilidade.
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D)
Tanto a moral como a física, quando irresistível, excluem a culpabilidade.
E)
A coação moral, quando irresistível, exclui a culpabilidade. Na coação física sequer
se verifica conduta, em razão da ausência do elemento volitivo.
Exercício 6:
Suponha a seguinte situação: após realizar uma longa travessia oceânica, um
sujeito foi encaminhado à Autoridade Policial competente, pois estava portando
medicamento, que durante o período da travessia teve seu porte proibido pela lei
penal no território nacional. Assinale a alternativa correta:
A)
Haverá excludente de ilicitude, portanto não há crime.
B)
Haverá excludente de fato típico, portanto não há crime.
C)
Haverá exclusão de culpabilidade, tendo em vista que não era possível o
conhecimento da ilicitude do objeto.
D)
Haverá exclusão de culpabilidade, tendo em vista que o agente é considerado
imputável.
E)
Não haverá exclusão da culpabilidade, mesmo que não fosse possível ao agente
conhecer a ilicitude do objeto.
Exercício 7:
Considere um crime cometido sob coação irreversível. Assinale a alternativa
correta.
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A)
Trata-se de exclusão de ilicitude
B)
Trata-se de exclusão da vontade do sujeito.
C)
Trata-se de exclusão do fato típico.
D)
Trata-se de exclusão de culpabilidade, pela inexigibilidade de conduta diversa.
E)
Trata-se de exclusão de culpabilidade em razão da inimputabilidade do sujeito.
Exercício 8:
De acordo com o Código Penal vigente, quanto à obediência hierárquica, podemos
afirmar que:
A)
A exclusão da culpabilidade só é possível se a ordem for não manifestamente
ilegal.
B)
Se a ordem não for manifestamente ilegal haverá exclusão de ilicitude.
C)
Se a ordem não for manifestamente ilegal haverá exclusão da vontade, da
conduta e, por consequencia, do fato típico.
D)
Independente da ordem ser ou não manifestamente ilegal haverá exclusão da
culpabilidade.
E)
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Se a ordem for manifestamente ilegal, haverá crime, porém não será punível.
Exercício 9:
Um empregado de um banco privado, cometeu com a sua conduta um crime de sonegação fiscal, em
estrita e integral obediência às ordens não manifestamente ilegais emanadas de superior hierárquico. Em
razão de tal conduta, assinale a alternativa correta.
A)
Será devidamente condenado pelo crime de sonegação fiscal, com a devida aplicação da penal.
B)
Pelo fato de ter ocorrido a obediência hierárquica, houve a excludente da culpabilidade
C)
Haverá no caso a redução da pena, pois seguia estritamente ordem de superior hierárquico
D)
Pelo fato de ter ocorrido a obediência hierárquica, houve a excludente da antijuridicidade
E)
nda
Exercício 10:
No tocante às disposições previstas no Código Penal relativas à culpabilidade, é correto afirmar que
A)
o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, não manifestamente ilegal, de
superior hierárquico, é punível o autor da coação ou da ordem tendo o autor do fato a pena diminuída de
um a dois terços.
B)
o fato cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, não manifestamente ilegal, de
superior hierárquico, não excluiu a culpabilidade do autor do fato.
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C)
se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência à ordem, mesmo que manifestamente
ilegal, de superior hierárquico, é punível o autor da coação ou da ordem tendo o autor do fato a pena
diminuída da metade.
D)
Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente
ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem
E)
n.d.a
Exercício 11:
coação moral irresistível e a obediência hierárquica excluem a
A)
antijuridicidade
B)
tipicidade
C)
culpabilidade
D)
ilicitude
E)
n.d.a
Exercício 12:
Tendo agido na estrita obediência a ordem não manifestamente ilegal, pode, dentre outros, invocar em
sua defesa a causa excludente da culpabilidade da obediência hierárquica o
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A)
funcionário público em relação ao chefe ao qual é subordinado
B)
empregado em relação ao seu empregador
C)
fiel praticante de culto religioso em relação ao sacerdote.
D)
tutelado em relação ao tutor
E)
n.d.a
Exercício 13:
São elementos da culpabilidade
A)
a antijuridiciadade e a possibilidade de conhecer o ilícito
B)
o potencial consciência da ilicitude, a exigibilidade de conduta diversa e a imputabilidade
C)
a imputabilidade e culpabilidade
D)
o conhecimento do ilícito e a culpabilidade
E)
n.d.a
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Exercício 14:
São causas que excluem diretamente a exigibilidade de conduta diversa
A)
coação física irresistível
B)
inexigibilidade de conduta diversa
C)
a inimputabilidade
D)
a culpabilidade
E)
n.d.a
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