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Anotação de Enfermagem (Voltado ao cuidado à pacientes com feridas) • A anotação de enfermagem é o registro de informações realizado pela equipe de enfermagem (enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem); • As anotações são organizadas de forma a reproduzir os fatos na ordem em que eles ocorreram, incluindo todos os cuidados realizados e fatos observados; • Assegurar a comunicação entre os membros da equipe de saúde; • Garantir a continuidade dos planos de cuidados e das informações nas 24 horas, a qualidade da assistência, a segurança do paciente e da equipe de cuidado; • Respaldo profissional. Tipos de curativos ➢ Oclusivo: Bandagem que cobre uma ferida, impedindo a entrada de ar e fluidos. Ele é utilizado para promover a cicatrização e evitar a infecção. ➢ Compressivo: Reduz o fluxo sanguíneo local, promovendo a coagulação do sangue e evitando hemorragias. O que anotar na evolução de um curativo? → Tipo de curativo; → Tipo de lesão (lesão por pressão, ferida operatória, escoriações ou outros); → Tamanho da lesão: descrever largura, comprimento e profundidade em cm; → Localização da lesão; → Leito da ferida com tecido de: granulação, epitelização, necrose, esfacelo, espaço desvitalizado, presença de túneis; → Quantidade de exsudato: pequena, média e grande; → Aspecto do exsudato: seroso, sanguinolento, serosan- guinolento, piosanguinolento, purulento, pútrido; → Pontos de: necrose acasta- nhada, necrose esverdeada, necrose escura, esfacelo; → Pele perilesão: integra, hiperemiada, macerada, presença de dreno, etc; → Bordos da ferida com contorno: irregular e regular; → Produto e cobertura utilizados para a realização do curativo, conforme prescrição de enfermagem; → Relatar o nível de dor do paciente ao procedimento, a fim de avaliar necessidade de analgesia prévia; → Nome completo e Coren do responsável pelo procedimento. EX: Proteger a vermelha: Tecido de granulação Limpar a amarela: Necrose de liquefação (esfacelo) Desbridar a preta: Necrose de coagulação (escara) Soro fisiológico 0,9% → Ação: Mantém o meio úmido; estimula o processo de autólise do tecido desvitalizado (ação da enzima hidrolase ácida). → Indicação: Ferida cutânea limpa; ferida pouco exsudativa; ferida com pequena formação de tecido necrótico-fibrinoso. → Troca: a cada 4 horas. → Apresentação: solução. HIDROGEL → Composição: água; Carboxi- metilcelulose Sódica; Alginato de Cálcio. → Ação: proporciona ambiente úmido; evita ressecamento; desbrida áreas de necrose (desbridamento autolítico). → Indicação: Feridas abertas na presença de tecido desvitalizado e crostas; com áreas necróticas. → Troca: diariamente (cobertura convencional); Feridas infectadas: no máximo 24 horas; Necrose: no máximo 72 horas. → Apresentação: Tubo com 8g, 15g, 25g. Creme barreira → Composição: Creme hidrofóbico composto de água, parafinalíquida, petrolato, ceramicrocristalina, oleato- deglicerol, álcool de lanolina, ácidocítrico, citrato de magnésio, ciclometicone, glicerina, metil-parabeno, propilparabenoepropilenoglicol. → Ação: hidrata, protege e recupera o pH natural da pele. → Indicação: Tratamento da pele seca ou irritada por efluentes agressivos de estomias e fístulas, prevenção de dermatites associadas à incontinência (DAI), radiodermites e pele perilesional. → Troca: diariamente. → Apresentação: tubo contendo 60 ml. Hidrocolóide → Composição: Carboximetilcelulose (CMC) e Alginato de Cálcio. → Ação: Impermeável à água, bactérias e vírus. Isola o leito da ferida do meio externo. Evita o ressecamento e a perda de calor. Mantém o meio úmido. → Indicação: Abrasões, lacerações, cortes superficiais, queimaduras, rachaduras de pele, UPP e úlceras diabéticas, feridas cirúrgicas. Prevenção de lesões de pele. Feridas com pouco a moderado exsudato. → Troca: Acada 07 dias ou quando houver presença de fluido na ferida. → Apresentação: Placa, pó e pasta. Carvão ativado com prata → Ação: Ação bactericida. Adsorve exsudato. Neutralizador de odor. → Indicação: Lesões neoplásicas fétidas. Feridas infectadas exsudativas. → Troca: Acada 24 ou 48 horas. Necessita de cobertura secundária. → Apresentação: Sachê Gaze não aderente – Gaze de Rayon → Composição: Ácidos Graxos Essenciais (Óleo de Girassol), Lecitina de Soja, Óleo de Copaíba, Óleo de Melaleuca, Triglicerídeos de Cadeia Média, Vitamina A e Vitamina E. → Ação: Revitalizam a pele e auxiliam processo cicatrização feridas. → Indicação: Feridas com formação de tecido de granulação; Áreas doadoras e receptoras de enxerto; Queimaduras superficiais de 2º grau; Áreas cutâneas pós- trauma. → Troca: a cada 24 horas. → Apresentação: Gaze (7,5cm x 15cm) (7,5cm x 40cm) Filme → Ação: Mantém a umidade e o pH natural da pele. → Indicação: Tratamento de feridas secas com dano parcial do tecido. → Troca: até 07 dias. → Apresentação: Placa, com fenestra ou sem fenestra. Papaína → Apresentação: Gel, pasta e pó. → Atuação: desbridante (enzimático) não traumática, anti-inflamatória, bactericida, estimula a força tensil das cicatrizes, pH ótimo de 3 12, atua apenas em tecidos lesados, devido a anti-protease plasmática (alfa anti-tripsina). → Observações: Diluições 10% para necrose, 4 a 6% para exsudato purulento e 2% para uso em tecido de granulação. → Cuidados no armazenamento: (fotossensível) e substâncias oxidantes (ferro/iodo/oxigênio), manter em geladeira. Ácidos Graxos Essenciais 1- Derivados do ácido linoléico: Dersani, Ativoderm, AGE Derm. 2- Derivados do ácido linoléico com lanolina: Sommacare, Saniskin. 3- Derivados do ácido ricinoléico - da mamona: Hig Med → Indicação: lesões abertas não intactas, e profilaxia das úlceras de pressão. → Modo de usar: aplicar no local afetado utilizando uma gaze; trocar a cada 12 a 24 horas. Sulfadiazina de prata → Mecanismo de ação: prata: confere características bactericidas imediatas e bacteriostáticas residuais, provoca precipitação proteica e age diretamente na membrana citoplasmática bacteriana. → Uso: em queimaduras, lesões infectadas, ou com tecido necrótico, conforme prescrição. → Modo de usar: frequência de troca é recomendada a cada 12 horas. Oxigenoterapia Hiperbárica → Ação: O paciente é submetido a uma pressão maior que a atmosférica, dentro de um ambiente controlado, respirando oxigênio puro a100; Ação cicatrizante e antibiótica (dependendo da sensibilidade da bactéria); Auxílio na formação do colágeno, neoformação vascular e na diminuição do edema (lesões refratárias). → Indicação: Queimaduras; Traumas diversos; Pé diabético; Úlceras; Infecções; Doenças de descompressão. → Troca: Sessões que duram de 01a 02hs/dia (por um período que varia de acordo com a patologia). → Apresentação: Câmara hiperbárica. Indicações da OAB ▪ Embolias gasosas; ▪ Doença descompressiva; ▪ Emboliatraumáticapeloar; ▪ Envenenamento por CO² ou inalação de fumaça; ▪ Envenenamento por cianeto ou derivados cianídricos; ▪ Gangrena gasosa; ▪ Síndromede Fournier; ▪ Outras infecções necrotizantes de tecidos moles: celulites, miosites; ▪ Isquemias agudas traumáticas: lesão por esmagamento, síndrome compartimental, reimplantação de extremidades amputadas e outras; ▪ Vasculites agudas de etiologia alérgica, medicamentos a ou portoxinas biológicas (aracnídeos, ofídios e insetos); ▪ Queimaduras térmicas e elétricas; ▪ Lesão refratária: úlceras de pele, pés diabéticos, úlceras de decúbito, úlcera por Vasculitesauto-imunes, deiscência de suturas; ❑Lesões por radiação:radiodermite, osteorradionecrose e lesões actínicas de mucosas; ▪ Retalhos ou enxertos comprometidos ou de risco; ▪ Osteomielites; ▪ Anemia aguda, nos casos deimpossibilidade de transfusão sanguínea. Terapia por pressão negativa → Ação: Contração da ferida; eliminar o exsudado e o tecidon ão-viável; melhorar o aporte sanguíneo; promover a formação do tecido degranulação (capilares e tecido conjuntivo); estimular fisicamente a mitose. → Indicação: Feridas agudas e traumáticas; UPP grau 3 e 4; Úlceras venosas; Úlceras diabéticas sem compromisso arterial; Enxertos e retalhos; Fístula sentéricas exploradas; Deiscências cirúrgicas; Feridas pós-reconstrutivas que requerem drenagem. → Troca: Esvaziamento do reservatório (300ml,500mle 1000ml). Feridas e suas classificações ANATOMIA E FISIOLOGIA DA PELE • A pele é o maior órgão do corpo (8 a 16% de seu peso); • Pode atingir até 2m2; • Forma uma barreira entre os órgãos internos e o ambiente externo; • Participa de muitas funções corporais vitais: • Proteção do corpo contra traumatismos; • Regulação da temperatura corporal; • Manutenção do equilíbrio hídrico e eletrolítico; • Percepção de estímulos dolorosos e agradáveis; • Participação na síntese de vitamina D. Epiderme: • É a camada mais superficial da pele; • É formada pavimentoso queratinizado, pelo epitélio estratificado com e espessura variável de 0,04 a 1,5 mm; • É mais espessa na sola dos pés e palmas das mãos; • É dividida em cinco camadas: basal ou germinativa, espinhosa, granulosa, lúcida e córnea. Derme: • É a camada intermediária da pele; • Camada de tecido conjuntivo, que apresenta espessura variável de 1 a 4 mm, conforme a região anatômica, é 15 a 40 vezes maior do que a da epiderme; • Os vasos sanguíneos da derme nutrem a pele e ajudam a regular a temperatura corporal; • Formada por fibras de colágeno, elastina e gel coloidal, que conferem tonicidade, elasticidade e equilíbrio à pele; • Grande quantidade terminações nervosas. Hipoderme ou tecido subcutâneo • É a camada mais profunda da pele, também conhecida como tecido subcutâneo. É formada por tecido adiposo e tecido conjuntivo; • Tem como funções o isolamento térmico, proteção, amortecer traumas; • Ela é formada por tecido adiposo, que armazena energia na forma de gordura, e tecido conjuntivo, que fornece suporte e proteção aos tecidos e órgãos do corpo. Sistema tegumentar • Formado pela pele e seus anexos (pelos, unhas, glândulas sudoríparas, sebáceas e mamárias) • É uma barreira protetora contra organismos causadores de doenças, além de funcionar como um órgão sensorial para dor, toque e temperatura; • Está sujeito a agressões por agentes mecânicos (trauma), químicos, físicos (radiações, frio, calor) ou biológicos (bactérias, vírus, fungos); Funções da pele: ✓ Proteção; ✓ Termorregulação; ✓ Percepção sensorial; ✓ Proteção imunológica; ✓ Secreção de substâncias. Ferida: É qualquer lesão que interrompa a continuidade da pele. Pode atingir a epiderme, a derme, tecido subcutâneo, fáscia muscular, chegando a expor estruturas profundas. Lesões cutâneas primárias: ▪ Mácula: modificações de coloração da pele plana e impalpável. Ex: sardas, vitiligo, petéquias. ▪ Pápula: lesão sólida e elevada, com 0,5 cm de diâmetro. urticária, picada de inseto; Ex: verrugas, urticária, picada de inseto. ▪ Nódulo: lesão sólida e elevada, com 0,5 2 cm de diâmetro. Ex: lipoma, injeção mal absorvida. ▪ Vesícula: lesão elevada, com até 0,5 cm de diâmetro, que contém líquido seroso. Ex: herpes, catapora. ▪ Bolha: elevação circunscrita da pele maior que 0,5 cm de diâmetro. Ex: queimadura de 2º grau, dermatite de contato. ▪ Pústula: vesícula ou bolha circunscrita que contém pus. Ex: acne, furúnculos. ▪ Cisto: Massa semi-sólida ou cheia de líquido encapsulada na derme ou tecido subcutâneo. Ex: cisto sebáceo ou epidermóide. ▪ Tumor: massa sólida elevada e palpável, maior que 1-2 cm. Ex: lipoma maior, carcinoma. Lesões cutâneas secundárias • Atrofia: Depressão ocasionada pela falta de nutrição e oxigenação das células. Ex: pele envelhecida. • Crostas: Resíduo seco de soro, sangue ou pus na superfície cutânea. Ex: resíduo deixado após ruptura de vesícula: impetigo, herpes. • Cicatriz: Marca cutânea deixada depois da cura de uma ferida. O tecido lesionado é substituído por tecido conjuntivo. Ex: ferida cirúrgica cicatrizada. • Escamas: flocos secundários ao epitélio morto descamado, a coloração varia entre prateada e branca. Ex: caspa, psoríase. • Escoriações/Abrasões: marcas de arranhaduras sobre a pele. • Fissuras: fenda linear, estreita e profunda na pele. Ex: lábios ou mãos rachadas, pé-de-atleta. • Úlcera: lesão formada pela destruição local da epiderme e derme. Pode atingir também a hipoderme e tecidos subjacentes. Ex: úlcera venosa. • Incisões: lesão de bordas regulares produzidas por objetos cortantes. • Lacerações: ruptura de tecidos resultando em uma lesão com bordas irregulares. • Contusão: lesão fechada causada por um objeto rombo. Classificação das lesões Estado de integridade da pele ➢ Ferida aberta: envolve uma ruptura na pele. ➢ Ferida fechada: perda tecidual mínima. Causa ➢ Lesão Intencional: resulta de terapia (incisão cirúrgica). ➢ Lesão não-Intencional: ocorre inadvertidamente (lesão traumática). Gravidade ➢ Lesão Superficial: envolve apenas a camada epidérmica da pele. ➢ Lesão Penetrante: ruptura da epiderme, derme, tecidos mais profundos e órgãos Limpeza → Ferida Limpa: local não traumático e não infectado, sem inflamação, sem quebra da técnica asséptica, sem entrada em direção aos tratos respiratório, digestório e gênito- urinário ou orofaríngeo. → Ferida Potencialmente Contaminada: aquelas em que ocorre penetração no trato respiratório, digestório e geniturinário, sem contaminação significativa (ex.: como apendicectomia); → Lesões que tiveram contato com microrganismos, mas sem sinais de infecção; → Ferida Contaminada: É uma lesão aberta, recente ou acidental que pode ter sido exposta a bactérias e sujeira. Feridas contaminadas podem evoluir para infecções. → Ferida infectada: é uma lesão na pele que está contaminada por microrganismos, como bactérias. A presença desses microrganismos provoca uma resposta do sistema imunológico do corpo. Deiscência ▪ É uma complicação pós- operatória que ocorre quando os pontos da ferida se abrem. ▪ Pode ser causada pelo aumento da pressão sobre o local da ferida, Esforço físico excessivo, Tosse ou espirros frequentes. Quanto à complexidade, as feridas são classificadas em: simples e complexas • Feridas Simples são lesões que seguem o curso fisiológico da cicatrização e perpassam as três fases do processo cicatricial: a fase inflamatória, a proliferativa e a reparadora ou de matu- ração, com manifestações clínicas e cronologias esperadas. • Feridas complexas são lesões que não seguem o curso fisiológico da cicatrização, demandam tempo cicatricial além do esperado, devido a processos infecciosos, perdas teciduais extensas e traumas que colocam em risco a integridade e a viabilidades de órgãos e membros. Podem necessitar de reparação cirúrgica. Classificação de lesão tecidual Cicatrização de feridas Consiste numa sequência de eventos coordenados e desencadeados pelo organismo, que objetiva reconstruir estrutural e funcionalmente o tecido comprometido em sua maior plenitude. Cicatrização por primeira intenção: Lesão da pele com perda mínima de tecido. As bordas da ferida são aproximadas e suturadas. Há menor risco de infecção. Ex: Incisão de ferida operatória. Cicatrização por segunda intenção: Ocorre quando a lesão se desenvolve com maior perda tecidual. Lesões extensas, não passíveis de aproximação das bordas, demandammaior tempo para cicatrizarem, o que aumenta o risco de infecção. Ex: lesões por pressão e úlceras venosas. Cicatrização por terceira intenção: Pode ocorrer como um complemento da segunda intenção, em casos de infecções ou complicações graves. Deixa-se a ferida aberta, cicatrizando por segunda intenção e depois de sanada a infecção, juntam-se as bordas por meio de sutura primária. A cicatrização faz parte de um processo fisiológico, dinâmico e complexo, que ocorre em sequência e sobreposição, com o objetivo de corrigir o defeito e restaurar a superfície da pele. Fases da cicatrização