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Escaneie com seu Smartphone HISTÓRIA E PSICOLOGIA GERAL Escaneie com seu Smartphone HISTÓRIA E PSICOLOGIA GERAL FAMETRO Av. Djalma Batista, Nossa Sra. das Graças. Manaus, AM Ficha catalogada na Biblioteca CEUNI-Fametro Todos os direitos reservados© FAMETRO IME Instituto Metropolitano de Ensino Ltda Wellington Lins de Albuquerque | Presidente - IME Maria do Carmo Seffair | Reitora Cinara da Silva Cardoso | Pró-Reitora Wellington Lins de Albuquerque Júnior | Vice-Reitor Leonardo Florêncio da Silva | Diretor de Operação e Acadêmico EaD Dayane Francis da Silva Almeida | Diretora de Capitação, Retenção e Expansão EaD Meg Rocha da Cunha Serra | Coordenação de Operações Acadêmicas EaD Ana Augusta de Oliveira Simas | Supervisora de Produção e Revisão Anderson Souza | Diagramação Gissele da Silva Fonseca | Revisora Imagens | depositphotos.com Imagens | pixabay.com Imagens | pexels.com "Nos termos da Lei n.º 9.610/98, o autor desta obra é titular de todo o complexo de direitos autorais sobre a presente criação. Assim, é vedada a cópia, reprodução, edição ou distribuição desta obra sem autorização expressa do Autor ou da Editora e, ainda é vedado utilizar, citar, publicar esta obra integral ou parcialmente sem deixar de indicar ou anunciar o nome, pseudônimo ou sinal convencional do autor sob pena da aplicação das medidas previstas nos Art. 101 a 110 da Lei n.º 9.610/98." Pa la vr a da R ei to ra “É a educação que faz o futuro parecer um lugar de esperança e transformação”. (Marianna Moreno) “Sejam todos e todas bem-vindos ao EaD do Centro Universitário Fametro” O Centro Universitário Fametro acredita que o papel de uma instituição de ensino é formar não apenas profissionais, mas também formar profissionais no Ensino Superior, com valores éticos, humanísticos e com respeito ao meio ambiente capazes de contribuir para o desenvolvimento da nossa Amazônia. A Fametro, portanto, tem premissas claras a cumprir como instituição de ensino de qualidade. Praticar o ensino, pesquisa e extensão é a sua principal bandeira. A Fametro, ao longo das últimas duas décadas, vem se consolidando como a melhor instituição de ensino do Norte, um espaço democrático e docentes com variadas visões de mundo. Somos uma instituição de ensino plural que avança a cada ano embusca sempre de desenvolver a economia da Amazônia. Nossa estrutura é moderna, estamos em diversos municípios levando uma educação inclusiva e de qualidade. Conheça o Centro Universitário Fametro e viva a experiência em estudar numa instituição com o corpo docente com mestres e doutores e de qualidade de ensino comprovada pelo MEC. Maria do Carmo Seffair Reitora Su m ár io UNIDADE I - O PERCURSO DA PSICOLOGIA ATÉ SE TORNAR CIENTÍFICA Epistemologia 4 O Funcionalismo, o Estruturalismo e o Associacionismo 9 A Ciência do Comportamento 13 Origem Histórica da Psicologia 17 A Ciência da Produção do Conhecimento Psicológico 20 UNIDADE II - AS ESCOLAS DE PSICOLOGIA QUE GERARAM OUTRAS NOVAS A Abordagem da Psicanálise 28 A Abordagem Behaviorista 31 A abordagem humanista-fenomenológica 35 A abordagem teórica gestalt 37 Abordagem da Psicologia Histórico-Social 40 UNIDADE III - PSICOLOGIA NO BRASIL E TENDÊNCIAS NA ATUALIDADE O Início da Implantação da Psicologia no Brasil 46 Nova Concepção da Psicologia Brasileira 48 Tendências da Atuação Profissional 52 Atuação clínica - psicoterapia 56 Inovação na Prestação de Serviços em Psicologia 60 UNIDADE IV - O POTENCIAL DA CONEXÃO MULTIDISCIPLINAR DA PSICOLOGIA Uma Maior Amplitude e Acesso da Psicologia 70 A Psicologia Aplicada e suas especialidades 73 Identidade do Psicólogo 77 Diferenciação entre Psicologia e outras terapias 84 O Caminho Profissional Depois da Graduação 92 Referências 103 U ni da de 1 Videoaula 2 Videoaula 4 Videoaula 1 Videoaula 3 Videoaula 5 3 4 O PERCURSO DA PSICOLOGIA ATÉ SE TORNAR CIENTÍFICA Epistemologia Elementos fundamentais marcam a distinção entre as teorias psicológicas, como Epistemologia e Antropologia. A Epistemologia se ocupa do estudo do conhecimento e da fonte de todo o saber, distinguindo o que é ciência de senso comum, bem como a Antropologia se refere ao estudo do ser humano em sua cultura, como alguém promotor desta e como indivíduo resultante das suas interações sociais. Assim, o estudo etnográfico que a Antropologia propõe descreve detalhada- menteo indivíduoemsua funçãosocial como parte da cultura que vive. Anotações: 5 Figura 1 Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2019/11/30/20/40/ cold-4664180__340.jpg “A Psicologia é uma disciplina científica dedicada a explorar os processos mentais, exami- nando como os pensamentos, emoções, sentimen- tos e comportamento humano estão relacionados. Ela também se concentra na dinâmica do funciona- mentomental e na forma como o indivíduo interage com seu ambiente.” (FORTES DA SILVA, 2014, p. 9). O termo ‘psicologia’ deriva de duas palavras gregas: psique (alma) e logia (estudo de). O objeto central de estudo da Psicologia é o Homem, mas também pode se valer do estudo em animais para o encontro de algumas respostas que possam ser aplicáveis aoorganismohumanoeacondicionamen- tos de comportamentos que podem ser previstos em pessoas. Tais pesquisas feitas em animais são assim realizadas para inibir riscos à integridade das pessoas e poder utilizar animais ao invés de indiví- duos humanos, onde a açãodos experimentos possa proporcionar qualquer situação não prevista (FORTES DA SILVA, 2014). Anotações: 6 O método de trabalho da Psicologia se dá por meio da observação empírica em relação a um fenômeno, da descrição, da análise, explicação, revisão e controle de determinado comportamento econdutaqueseja reforçado, adotadoougerenciado como melhor resposta para aquela situação em determinado momento/circunstância. Além do evento emsi, fato ou fenômeno, há de se considerar o contexto e o ambiente, pois, para determinadas situações, a ocorrência de determinados comporta- mentospoderánaturalmente fluir paraumacondução e, em outras circunstâncias, serem encaminhadas para algo totalmente diferente. Em Psicologia, inclusive, é comum dizermos que cada caso é um caso e que, ainda que haja algumas generalizações ao se compreender deter- minados fenômenos, as pessoas possuem peculia- ridades tais que este aspecto influenciará direta- mente na análise e, consequentemente, na intervenção a ser feita. Existem outros recursos de medição das condições psíquicas usadas como forma de medir ou controlar o seu impacto na vida humana com as quais podem ser feitas pesquisas com a aplicação de estímulos e reflexos criados para verificar determinada ação ou resposta, sejamestes estímu- los sonoros, visuais, de movimentos físicos ou estímulos outros que venham repercutir a evolução de um raciocínio ou produção mental, assim como o reflexo diante de dado estímulo. Anotações: 7 Observar e descrever o comportamento humano requer metodologia exata, e posterior análise confiável dos dados, e neste sentido a neurociên- cia tem realizado grandes avanços. As pesquisas ocorrem em dois níveis: (1) estudo de complexos padrões de comportamento, como a personali- dade e (2) reações psicofisiológicas decorrentes de estímulos internos ou externos. (FORTES DA SILVA, 2014, p. 10) Novosmodelos de produção do conhecimento científico daPsicologia foramsendoassociados com ométodo da ciência natural, a Física, e emmeados do século XIX passa também a ser estudada pela ótica da Fisiologia e pela Neurofisiologia Cerebral, com estudos sobre o Sistema Nervoso Central, a chamadamáquinadopensar. Aeste caminho trilhou- se a chamada Psicofísica, tornando a Psicologia mensurável pela Lei do estímulo-resposta. Portanto, existem elementos originais de distinção entre a Psicologia comportamental behaviorista e a Psica- nálise. Por princípio, a discussão para as bases teóricas e práticas de cada linha de pensamento ou abordagem psicológica observam os limites entre uma e outra, a fim de torná-ladifíceis cria umdeterminado funcionamen- to cerebral que se torna memória, facilmente lembrada posteriormente e que reverberam as emoções mesmo que as situações não estejam ocorrendo. Tornam-se o fundo da vida da pessoa, sendo capaz de interferir na sua realidade presente, dificultando conectar-se como dia como ele é, com oque épossível viver. Acaba funcionandocomouma interferência, que impede que a pessoa crie meca- nismos criativos e restabeleça um novo modelo mental. A felicidade é a alegria que sentimos diante de uma realidadeondeutilizamosnossos pontos fortes. Anotações: 66 Há umnúcleo de experimentação noHospital Albert Einstein, em São Paulo. Este cenário aponta para empresas envolvidas com a Felicidade Corporativa. É fundamental compreender que a felicidade não é recompensada depois do sucesso financeiro e da posição alcançada e, sim, um modo de fazer escolhas emque se aproveita omelhor do presente, estadodepresença. Comoseria possível umsucesso financeiro,mesmocomosacrifício físico, emocional e prejuízos a sua vida íntima, familiar, amizades e relacionamentos? Esta é uma situação pela qual várias pessoas passar no dia a dia, deixando de estabelecer uma vida com mais gratificação acreditando que o sucesso está na aquisição do TER sem equilíbrio, deixando e colocando a sua felicidade para fora de sua vida, perdendo saúde, energia, humor, criativi- dade e satisfação emconstruir condições favoráveis ao seu dia. SAIBA MAIS: Neurociência da felicidade: como as emoções positivas afetam o cérebro (einstein .br) Acesso em 09 demaio de 2021. U ni da de 4 Videoaula 2 Videoaula 4 Videoaula 1 Videoaula 3 Videoaula 5 69 70 O POTENCIAL DA CONEXÃO MULTIDISCIPLINAR DA PSICOLOGIA UmaMaior Amplitude e Acesso da Psicologia O acesso à saúde mental tem sido valorizado na contemporaneidade, demodo que a resposta do indivíduo o convoca à superação de limites e a lidar com adversi- dades. Isso vem exigindo e, ao mesmo tempo, tornando mais consciente as pessoas da sua importância na gestão da sua vida pessoal, profissional e cidadã. Também assistimos no panorama dos tempos atuais uma reorganização do acesso ao tratamento ao qual toda pessoa possa passar por umprocesso psicoterápi- co. O nível de desinformação diminuiu em razão dos seus benefícios e um menor preconceito quanto ao tratamento que não representa estar louco comoalguns critica- vamquando se dizia fazer psicoterapia. Anotações: 71 Figura 17 Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima- ges?q=tbn:ANd9GcRxZzPhkxERPaCdV2oQbLvr2iudDAbdJf- hu8g&usqp=CAU Ainda há pessoas que são descrentes, pois entendem que se fizerem psicoterapia estarão conversando assuntos íntimos com uma pessoa estranha. Paramuitos, o psicólogo pode influenciar sua vida, decisões e apresentam, como pacientes, receios, comose estivessemali para seremguiados. Outros têmmedo de fazer psicoterapia, na concep- ção deles, poderá trazer mudanças para sua vida, temem que a mudança os leve para uma condição que não dê conta de dimensionar e administrá-la. Portanto, a identidade do profissional psicólogo, na visãodosusuários, podedar, para alguns, a sugestão de enfraquecimento, de que não conseguiram solucionar, por si mesmos, a própria vida. Mas, como já mencionado, estas convicções fazem parte de pessoas que mais são céticas e temerosas quanto à mudança do que o movimento atual emprol dos benefícios desta função. Tanto que o psicólogo, nessa era pandêmica e pós pandêmica, será a de ver reconhecida pela necessidade que se tornou tão evidente a todos. 72 Anotações:Ofatoéqueaatuaçãoclínicaatingiudimensões outras e isso significou uma verdadeira expansão nas modalidades de atendimento psicológico, possíveis de ocorrer e tem sido na atuação prática do próprio trabalho psicológico, em que o caráter científico se consolida atestando a resolução, a elaboração dos conteúdos, a produção de novas saídas e possibilidades, o envolvimento com uma nova forma de pensar e consequentemente ações. É na perspectiva da ciência que o psicólogo promove saúde mental em contextos e ambientes como hospitais, empresa, tribunal, escolas, univer- sidade, centros de saúde, unidade de atendimento básico em saúde, projetos governamentais e em políticas públicas para defesa de direitos em casos de violência, abandono, negligência, menores infratores, famílias em situação de vulnerabilidades envolvendo crianças, jovens, mulheres, idosos; agressores, criminosos, prisioneiros emprivação de liberdade, sistema penitenciário e em forças armadas comomarinha, exército, aeronáutica, força policial – e todos os profissionais envolvidos são beneficiados. Deve-se lembrar, também, dos inúmeros psicólogos trabalhando comdistúrbios do desenvol- vimento comoSíndrome de Down, com a identifica- ção de outras síndromes comoadeBurnout (estres- se e fadiga crônica advindo de trabalho excessivo), envolvidos empesquisas junto a equipesmultidisci- plinares com fins de prevenção à saúdemental. Os que seocupamdaprevençãoemsaúde, dos transtornos mentais psiquiátricos, nos casos de depressão, melancolia, ansiedade, dependência afetiva e emocional, dificuldades de aprendizagem, relações abusivas, vítimas de violência das mais Anotações: 73 variadas modalidades, gerenciamento de estresse, os que trabalhamcompacientes de doenças graves e ou crônicas como diabetes, distúrbios resultantes do envelhecimento como Alzheimer. Todas essas áreas têm algo em comum, são envolvidas com a saúde emocional, mental, psicológica, do seu bem- estar emelhoria dequalidadede vida e comaciência da felicidade. A Psicologia Aplicada e suas especialidades A Psicologia aplicada evoluiu conforme os avanços da própria ciência psicológica, adotando metodologias específicas para melhor atender determinadopúblico. Com isso, associou-se aoutras ciências e disciplinas como forma de oferecer soluções para as novas demandas que a sociedade apresenta. Também se identifica umamudança de locus, saindo do consultório ou clínicas, seu território habitual onde o seu trabalho anteriormente num contexto privado passa a ocupar novos ambientes, nos quais o psicólogo clínico atua em instituições de saúde integral coletiva como Unidades Básicas de Saúde – UBS (atendimento multidisciplinar), em CentrosdeReferênciasdeAssistênciaSocial –CRAS, em clínicas universitárias, em atendimentos em clínicas de reabilitação, ematendimentos a espaços educacionais voltados ao melhor desempenho nos estudos, concursos, vestibulares e outras provas de cunho profissional como emMedicina em Direito. 74 Anotações:Figura 18 Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima- ges?q=tbn:ANd9GcRUxW0gk14Wdl9Swqv5iioFJIuvrV- dA3U8k6A&usqp=CAU Na atuação de atenção integrada à saúde, programas sociais, na ação de políticas públicas, ensino, organizações e universo da carreira e do trabalho, na pesquisa aplicada para determinados fins de evolução. A ampliação da atuação do psicó- logo enriqueceu a expressão da sua prática, dando contornosmais definidos à sua formação. Ampliou- se de forma a compreender melhor outras discipli- nas e incorporá-las no seu ofício como é o caso da Psicologia Organizacional, Psicologia Jurídica, Psicologia Escolar, Psicologia Cognitiva, Psicologia do Cotidiano, Psicologia Hospitalar, psicólogo Agile Coach emequipes e times de trabalho digitais, para citar algumas. Nesta concepção, ele passa a entender do negócio para poder aplicar o sentido emocional nesta prática. Com isso, intervir e obter resultados dossujeitosqueestãoenvolvidosalémdesi na tarefa e também com o contexto, a circunstância e a realização de algo. Há uma dimensão ampliada da Anotações: 75 repercussão das ideias e do próprio pensar que atua no comportamento de modo a possibilitar avanços e criar tambémprocessos de inovação, o que em si, costuma harmonizar com o contexto social, desen- volver habilidades, reconhecer talentos e incentivar a criação de outros novos. Existem algumas especificidades na atuação depsicólogosque sededicamaoestudoe tratamen- to comportamental de víciosdiversos, de estresse por pressão no trabalho, os que trabalham com distúrbios deatençãoehiperatividade, estressepós- traumático, os que trabalhamcom famílias, adultos, jovens e crianças, idosos, profissionais que traba- lhamespecificamente comvínculos e qualidade dos relacionamentos, os que trabalham no âmbito da organização e empresas, atuações sociais e em políticas públicas com vulnerabilidades em grupos raciais, étnicos, transgêneros, bissexuais, pessoas infratoras da justiça, delitos e condutas destrutivas eosqueestão atuandocoma importância ambiental no bem-estar e qualidade de vida e, ainda, os que atuam nas questões próprias da sociedade. Enfim, trata-se de uma infinidade de possibili- dades às quais os psicólogos podem atuar, que vão para além da escolha de uma linha condutora do pensamentoouadoçãodeumametodologia eescola psicológica quemais se identifique. O profissional psicólogo irá deparar-se com o tipo de público ao qual irá destinar sua atuação como formade atender a umanecessidade do grupo maior da sociedade e do ponto de vista do indivíduo. Tornam-se representativos tratar com especialida- des, o que os distingue e acaba sendo uma forma de se conduzir nas linhas psicológicas que o pautarão para a realização de seus trabalhos. 76 Anotações:Cada uma das especialidades da Psicologia assumiu uma dimensão particular somada à contri- buição de outra disciplina para que se tornasse científica enquanto trabalho, estabelecendo-se métodos de atuação. Muitos conhecimentos da administração, da gestão foramsendo incorporados na atuação prática do psicólogo emempresas, o que gerou a disciplina ‘Gestão de pessoas’, por exemplo. Foi o envolvimento do psicólogo no hospital que tornou possível o estudo da saúde e doença física e seus desdobramentos emocionais diante da produ- ção desta, de sua cura e vice-versa, nos estudos e pesquisas direcionados à prevenção de determina- dos quadros que contribuem para a produção de doenças físicas. É no conhecimento do contexto do judiciário dos tribunais no acompanhamento dos casos e processos judiciais que tornou possível a consolida- ção da Psicologia do Testemunho, Psicologia Jurídica, a Psicologia Criminal e todo o trabalho voltado para pessoas em situação de privação de liberdade em presídios e junto aos profissionais envolvidos. É na atuação prática do psicólogo em determinado contexto identificado por ele, como necessário, que vem tornando possível a existência de pesquisas a respeito. O estudo e a soma com outros saberes que vão dando sustentação e respaldo a este profissional que aprende a exercer seu ofício. Inovações como a Psicologia do Consu- mo,PsicologiadoConsumidor –disciplinasenvolvidas na ciência maior, Marketing. Psicologia do trânsito que trabalha também preventivamente e estuda o comportamento das pessoas em tráfego e suas condições para tal. Anotações: 77 Identidade do Psicólogo Diante de uma concepção de que o psicólogo é um profissional que vai exercer sua profissão e, para tal, cumprirá exigências curriculares na sua formação universitária, somada ao período de estágio, as supervisões, na observação atenta das suas tendências quando a linhas de atuação meto- dológica, vão dizer quemé este profissional e quem se tornará, na medida em que se faz escolhas e demarca sua identidade profissional. Costuma-se identificar mais com uma teoria e a buscar, na sua aplicação, uma sintonia com sua forma de pensar e exercer na prática, a vida que tem para direcionar. É tambémumagente transformador da sua própria história e faz escolhas que tenham sentido para si mesmo. Então, nesse aspecto, entende-se que a identidade deste profissional, consolida-se e se apura a partir domomento emque ele cumpre o período da faculdade, como critério curricular exigido e vai vivenciar sua profissão na prática. Figura 19 Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima- ges?q=tbn:ANd9GcRgpTzFvL0lPsiq8fUFVT36PFeNk- TAjwRvLWw&usqp=CAU 78 Anotações:No contexto atual, com a diversidade de públicos a serem atendidos em suas mais variadas formas, o profissional encontra temas humanos emergentes que, verdadeiramente, inspira-o ao estudo, pesquisa e trabalho. No aspecto subjetivo que compreende o inconsciente, escolhe também temáticas para desenvolver seu trabalho que, de algummodo, representempercepçõesmais profun- das que façamsentido para si. Isto não significa que esteja totalmente sem critério ou às cegas neste “vasto oceano” que é a vida emocional e psicológica doser humanoe, principalmente, quandoele escolhe ser um psicólogo e, mais ainda, quando escolhe tornar-se um psicoterapeuta quando se referir ao titulo dado àqueles que se dedicam à Psicologia clínica que lida com processos psicológicos de um indivíduo. Tal aspecto é tão significativo que escolher ser psicólogo envolve a escolha de seu campo de atuação e a maneira pela qual irá se apresentar perante ao público. Se irá se associar a uma clínica, instituição, se optar pelo trabalho autônomo em consultório privado. Na era da transformação digital surgiram empresas que intermediam e agenciam o modelo denegócio de assistência psicológica clínica para empresas e instituições, que compram o serviço como benefício para seus colaboradores. No entanto, os psicólogos não são associados e, sim, atendemaclientela de acordo comocontrato feito com a instituição. Algumas tem o modelo de start up totalmente digital, comatendimentos online e presencial realizando a logística, cobrando uma mensalidadedoprofissional, assimelesencaminham o usuário/interessado que faz a escolha dentre as possibilidades existentes de horários e outros Anotações: 79 critérios. Com customuito reduzido para o psicólo- go, tematraídoosnovos recém-formadosquedevem analisar comcritério entre adquirir experiência com aprática ematendimento nomaior número de casos possível e a qualidade da relação terapêutica resguardada por uma interação sem intermediação. Certamente que democratizamapsicoterapia, criando a possibilidade de pessoas que nunca fizeram terapia seja pela falta de acesso à informa- ção de sua importância e pontos positivos na gestão da vida edeconflitos, seja por falta deesclarecimen- to e preconceito, associando a psicoterapia com pessoas que estãomal e fora do próprio controle. É certo também que esse modelo de negócio da atualidade, vem ampliando o acesso à terapia em diversas abordagens e públicos, contribuindo para ummaior acessodapsicologia em todas as camadas sociais pois se a empresa lhe oferece como benefí- cio se veem dispostos a esse serviço que de outra forma não fariam pelo custo que o tratamento implica. Muitas pessoas estão pouco acostumadas a compreender queapsicoterapia épagae isso resulta em colocá-la como prioridade na vida, assim como o tratamento dentário, médico, etc. Com a ideia de que somente pessoas que possampagar, dispender umvalor para tal, essa proposta atende esse sentido de viabilizar a muitos colaboradores de empresas que encontram nesse benefício uma solução para suas questões emocionais. As empresas estão satisfeitas pois já compreenderamaequaçãodeque pessoas bem resolvidas, trabalham melhor e com qualidade. Do contrário, os problemas afetam a produtividade e o relacionamento entre pessoas, o queacabagerandoproblemasdentrodaorganização. 80 Anotações:O ponto a se considerar é que o serviço de atendimento psicológico massivo reflete em custo baixo para a empresa e é irrisório para o profissional que tem pela frente o desafio entre os seus custos com a sua contínua formação e carreira – meio pelo qual se reconhece e subsiste com seu ganho. Há prós e contras na carreira do psicólogo que atua junto a estas empresas. O termo paciente é adotado e vem da prática das especialidades em saúde. Porém, este termo vemsendo repensado por alguns profissionais, uma vez que não se trata de pessoas passivas diante do próprioprocessodemudançasdesuavida. Eaqueles que utilizam o termo cliente apesar de trazer uma configuração comercial, alguém que utiliza um serviço prestado por umpsicólogo, por umprofissi-onal que tem este ofício, é sua produção a psicote- rapia – processo que se dará diante das questões trazidas pela pessoa. O ritual da sessão e mais precisamente do setting terapêutico também se transformou com a inserção de tecnologias como forma de gerenciar a ocorrência de consultas remotas. Com isso, psicó- logos na contemporaneidade estão atuando por meio de plataformas digitais na realização dos atendimentos e consultas de boa parte dessas. Os casos que podem ser atendidos nesta modalidade estão tendo sucesso tanto para os profissionais que otimizam seu tempo e dão conta de atender uma gama maior de pacientes. Outro aspecto significativo também é que o atendimento comapresença virtual temoferecido essa alteração na ritualística do atendimento presencial até, então, utilizada. Assim, dão uma amplitude globalizada ao psicólogo que deixa a territorialidade, isto é, viabilizou-se o atendimento a pacientes, indepen- dentemente da localidade onde estejam. Anotações: 81 Do mesmo modo, acontece em casos de pacientes que vivememoutros países e podem, pelo vínculo como profissional, ter sua consulta psicoló- gica, resguardando-se sigilo. Para isto, o paciente é orientado a estar sozinho em local adequado, com horário e dia específicos agendado e outros pontos que chamamos de contrato de trabalho, que são regras que visamoferecer segurança para o atendi- mento ao paciente, como por exemplo, como solucionar os cancelamentosea reposição, o horário fixo, o tempo de duração, férias do profissional, em caso de faltas, o pagamento das consultas. A questão que o profissional lida ao usar esse recurso é que, ao passar por alguma deficiência técnica dos equipamentos tecnológicos, pode haver ruídos, por exemplo, ou a não visualização do paciente. Logo, o profissional precisa ter como lançar mão de outra plataforma que venha a estar em condições de áudio(som) satisfatórias, para que a escuta psicológica possa ocorrer, e condições de visualizar o paciente enquanto este, por sua vez, também visualiza as expressões do terapeuta. São condições necessárias e na falta dessas condições a consulta precisa ser adiada e reagendada, para não provocar prejuízos. O atendimento virtual gerou também ao Conselho Federal de Psicologia a estruturação de um cadastramento e-psi aos psicólogos que passaram a atuar nesta modalidade contando com onúmero de registro, assim comocomoCRPda sua região associada ao estado do país que esteja. O cadastramento tem vencimento e deve ser atualizado, conformea regulamentaçãodaprofissão. Assistimos, portanto, a esta versatilidade do profissional psicólogo em poder gerenciar a clínica 82 Anotações:presencial e online, assim como sua atuação em palestras virtuais e lives (encontros ao vivo por recursos midiáticos) oferecendo informações à população. Sem dúvida que esta participação mais próxima irá disseminar e instruir ainda mais a população dos benefícios e da atuação daPsicologia na vida das pessoas. Cria-seumaconscientização, fazendocomque as pessoas tenhamumacapacidademaior de avaliar e identificar situações que possam ser tratados no contexto clínico – uma das atuações mais proemi- nentes do campodaPsicologia.Muitas organizações vêm optando por programas de saúde mental que visam atender colaboradores (funcionários) e em outras apoia-se inclusive familiares que venham a necessitar de atendimentos. Estes vêm sendo administrados de forma online, assim como pales- tras abordando temas para o esclarecimento destas pessoas que compõemaorganização ou instituição. O departamento ou área de RH – Recursos Humanos, vem procurando inovar neste sentido, trazendo para a organização a clínica psicológica de forma ágil, de forma a contribuir produtivamente para as questões envolvendo estresse, ansiedade, depressãoe adversidades, emumaatuaçãohorizon- talizada: atendendo ummaior número de pessoas e estabelecendopolíticas deconscientizaçãoparaque procurem tais serviços. Sem dúvida, a identidade do psicólogo está associada à sua formação universitária, à escolha inicial da profissão e a vivenciar esse período de forma completa – sendo cinco anos da sua formação emestudosdegraduação, avaliado, inclusive, através deestágioe tendosupervisãodasua iniciaçãoprática profissional. Os cursos de formação do psicólogo estão vinculados a uma universidade. Anotações: 83 Como toda profissão, o cumprimento do pré- requisito da grade curricular é condição para o seu exercício e podemos dizer que é o início da sua jornada rumo à profissionalização e desenvolvimen- to de sua carreira. O período da faculdade desenvol- ve habilidades que serão necessárias para o pleno exercício e os coloca em condição de extremo aprendizado neste período de formação universitá- ria, que demandará capacidade cognitiva para o aprendizado epossibilitará adquirir o conhecimento, produzindo novas indagações e buscandomeios de participar e contribuir com omundo, pois é através do trabalho que as pessoas se expressam e fazem parte dele. Somente após a formação universitária cumprida, é que o psicólogo inicia uma nova etapa da sua jornada de profissionalização na carreira, quando a prática irá se constituir com solidez, segurança e o acompanhamento de um maior número de casos, o que vai tornando possível estabelecer comparativos, análises, estudos e pesquisas. Na prática profissional, irá solidificar suas preferências de linhas psicológicas, a transposição de saberes de outras disciplinas para compreender melhor as demandas do seu trabalho, a atuação multidisciplinar em participação com equipes de trabalho, novos estudos mais apurados e específi- cos, vistos com profundidade e marcados pela sua motivação e interesse em determinada temática da sua escolha. O olhar do profissional é extremamente importante diante do seu compromisso com sua formação. 84 Anotações:Diferenciação entre Psicologia e outras terapias Houvemuitas evoluções, não tão somente dos movimentos históricos que vieram repercutindo a importância desta no atendimento aos casos mais variados e emespecialidades cada vezmais amplas, à medida em que este profissional foi entendendo naprática da sua atuaçãoos limites e fronteiras para a validação de um trabalho psicológico e não outra coisa. Para algumas pessoas, ir ao psicólogo pode ser compreendido como conversar com alguém, como se fosse algo parecido ao que se faz com um amigo. Para os outros, a estranheza é encontrar pessoas desqualificando a atuação psicológica, alegando que jamais falariamde suas questões com um estranho sendo este o psicólogo. Figura 20 Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/ 2012/03/01/15/43/brain-20424__340.jpg Anotações: 85 Neste século, ainda vemos pessoas confusas emnecessitar de assistência emocional e procurar, por exemplo, um terapeuta de constelação familiar que não é psicólogo, mas um profissional que, com interesse em trabalhar com pessoas, procura um métodopara validar sua atuação comestas, propon- do-se, então, a se tornar umconstelador (método de Bert Hellinger que trabalha o átomo social e familiar da pessoa, suas interações), a fim de realizar um trabalho que não propriamente seja psicológico, pois trata-se de uma ferramenta apenas. Muitas pessoas ficam alteradas após serem mobilizadas ao se envolver em algumas terapias alternativas, sugestionadas, em alguns casos, na expectativa de que algo ocorra. Essa mobilização emocional da ação de terapias alternativas precisa ser dosada, a fim de não abrir algumas janelas ou acessos que conduzam a pessoa a um processo de ansiedade, frustração e tristeza. O trabalho com um Life Coach (técnico) ou Coach de carreira tem o intuito de organizar a vida pessoal ou a carreira de uma pessoa, apresentar temáticas e discutir, aspectos de como percorrer determinado caminho, analisar as possibilidades, mapear suas relações, habilidades e potenciais e criar planos e projetos, melhorando o desempenho e performance para se atingir resultados específi- cos, o que não implica adotá-lo para processos psíquicos emudanças estruturais significativas.O trabalho de Coach feito por um profissional sério é extremamente rico e valioso, gerando avanços na vida da pessoa. Mas, deve-se atentar para o fato de não ser terapia e nem ter credencial para adentrar estados psíquicos, desenvolvendo trabalhos que removam sua história e provocando 86 Anotações:algumas mobilizações que não têm domínio e não atuam com a profundidade necessária. O trabalho de Coach não tem a propriedade da psicoterapia clínica e este profissional deve saber e reconhecer seus limites. Por vezes, eles mesmos não sabem e preten- dem uma disputa de mercado profissional que é campo de atuação do psicólogo, e então desvirtuam a finalidade do trabalho clínico passando a se aventurar em temas que não forampreparados para lidar. Apresentam metodologias apropriadas para um determinado fim como a mentoria. Auxiliam na organização de sua vida por meio de ummétodo de expansão de consciência, mudança de conduta e outros objetivos. Há pessoas que buscam o trabalho de um Coach (profissional que faz o papel de técnico no acompanhamento direto de respostas que precisam ser atingidas) pelo formato breve com número pré- fixado de encontros e entendem que estão traba- lhando componentes emocionais, quando na verdade estão identificando pontos que podem ser desenvolvidos para uma nova prática e condução da vida, mas não necessariamente representam a solução de base ou de fundo que envolve aquela pessoa em determinado cenário da sua vida. Muitos aspectos podem ser desenvolvidos em sessões de coach,mas ela não é psicoterapia, e isso precisa ficar claro, seja para o profissional que se forma comopara o público que vai tambémprocurar se identificar com algo que possa lhe fazer bem. Como a complexidade psicológica é extrema, o cuidado por profissionais que trabalham de forma direta e objetiva tende a ser aquele que oferece um suporte numdadomomento e que viabiliza identifi- car algo, mas que não representa a cura proposta pela psicoterapia. Anotações: 87 Existe uma diferença grande nisso, pois nem todo coach ou constelador vem a ser um psicólogo, mas um psicólogo poderá acoplar em sua formação tais recursos, podendo fazer uso responsável. Tambémnão é o caso de afirmar que os constelado- res ou Coaches devem ser desconsiderados. Estão delimitando campos de atuação do profissional psicólogo e, para tanto, é preciso compreender que profissionais de abordagens alternativas não devem ser enquadrados nesta propositura. São consteladores apenas (pessoas que vão usar recursos para levantar umdiagnóstico,masnão saberão o que fazer com conteúdos emocionais e psicológicos que decorrerão disso). Faltará o acervo e o patrimônio intelectual construído na trajetória de um psicólogo, que jamais se findará até o último dia em que decida ser um profissional da área. O trabalho de prestação de serviço de atendi- mentopsicológico, quealgumasempresasnomodelo digital estão oferecendo para organizações e pessoas particulares, é algo queprecisa ser refletido por todos da categoria e por aqueles que vão ingressar no mercado de trabalho, tendo já o desafio de fazer escolhas e não estar certo dos benefícios reais que esta posição venha a oferecer. Esse vem sendo umdesafio paramuitos recém-for- mados, que encontram também uma maneira de ganhar experiência contando com a intermediação desta para atrair os clientes. Tais empresas captam pelo seu marketing e outros recursos de acordos e contratos com instituições e organizações com o propósito de levar saúde mental a todos os colaboradores de uma empresa. Trabalham com a perspectiva horizontal do atendimento de saúde psicológica, o 88 Anotações:que é interessante, pois mais pessoas podem ter acesso. No entanto, contam com uma baixíssima remuneração e o cliente é vinculado a determinada empresa emque trabalha: apenas por este convênio é possível realizar os atendimentos. A questão do vínculo, por vezes, fica prejudicada face a alterações que podem acontecer no decorrer do processo e colocam em risco a continuidade do trabalho. Muitos utilizam da plataforma sem o compro- misso que o processo demanda. Como a empresa paga para a outra empresa que intermedia e, por sua vez, remunera o profissional, o paciente fica sempre comaprerrogativa de sair e desligar-se doprocesso, de forma que isso não é tratado em terapia. Existe uma variável nesse caso em que a intermediação da empresa de Psicologia permeia essa importante relação profissional. O trabalho psicológico assume umperfil standart emenosautoral comocostumaser com os profissionais que trabalham em seu consul- tório. Estão independentese libertosdessas implica- ções que a relação de intermediação promove. Algumas plataformas, além de ganhar da empresa que faz o contrato, cobram dos profissio- nais que cadastrem uma mensalidade com o apelo de que irão cuidar da sua agenda e fazer a ponte com o cliente. Muitos psicólogos, no afã de ganhar experiência e reconhecendo que não poderiam ganhar pelo trabalho com a remuneração de um profissional experiente, acabam entrando nesse sistema de venda de serviços psicológicos sem refletir sobre os limites e alcances desta ferramenta para ter a clientela e obter a experiência. Ficam muito ocupados e, para obter algumganho razoável, precisam se dedicar de forma extrema. Anotações: 89 Esta é uma oportunidade de colocar o tema e convidá-los, desde a faculdade, extensão e pós graduação, a verificar, com cuidado, as condições que precisam ser bem refletidas, do usuário e do ponto de vista do psicólogo também, que necessita de supervisão para seus atendimentos. Deve se dispor a fazer sua psicoterapia como forma de resolver suas questões e identificar situações pessoais e desenvolver maturidade emocional de modoque, aoencontrar certas temáticasnocontexto da psicoterapia, possa ter o manejo adequado e saber lidar com as ressonâncias que surgem. Estas e outras questões poderão acompanhar o psicólogo, que entende que está fazendo algo positivo pela sua carreira se, por outro lado, estiver contribuindo com uma prática psicológica que intermedia a relação com o paciente e ganha sobre seu atendimento somente por ter trazido esse cliente. PfrommNetto (2007) apresenta, dentre outras ideias, o que ele considera como algumas pragas que corroem a profissão, apontando onde elas provocaram uma distorção da atuação profissional, que, na suaopinião, talvez seja amais gravede todas, a qual o autor se refere-se como a perda de identi- dade do psicólogo. ParaNetto (2007), o psicólogoéumprofissional com formação específica e regulamentada, comum campo de atuação bem definido que não deve ser confundido com outras profissões das ciências humanas e da saúde. Não é assistente social (que trabalha com políticas públicas e questões sociais), político (queatuanaesferapública egovernamental), sociólogo (que estuda fenômenos sociais) ou antropólogo (que pesquisa culturas e sociedades). 90 Anotações:Também não é médico, pois sua atuação, embora relacionada à saúde mental, não envolve procedi- mentos médicos ou prescrição demedicamentos. O psicólogo é um especialista em comporta- mento humano e processos mentais, commetodo- logias e técnicas próprias, fundamentadas em evidências científicas. Éespecialmentepreocupante quando este profissional se desvia de sua formação científica e se envolve compráticas semcomprova- ção como tarô, florais de Bach, pseudoterapias de vidas passadas, prescrição indevida demedicamen- tos, alegações de comunicação com o além, rituais místicos ou apropriações superficiais de filosofias orientais. Assim como uma rosa tem características botânicas específicas que a definem como rosa, o psicólogo tem um conjunto de competências, conhecimentos e práticas que o caracterizamcomo tal. Se não houver um compromisso com essa identidade profissional bem definida, fundamenta- da em bases científicas e éticas, corremos o risco de uma profunda crise de identidade que pode comprometer a credibilidade e a efetividade da profissão no cumprimento de seu papel social. Interessante trazer tambéma contribuição crítica de PfrommNetto (2007), ao expor suas ideias sobre a Psicologia brasileira e sobre a atuação profissional por parte dos psicólogos, o que chamou Rumo a 2010: por uma Psicologia mais psicológica. Como contribuição teórica, parecem pertinentes que sejam relembradas as recomendações propos- tas por ocasião de umcongresso que participaria na China e, por serem atemporais, tais considerações nos chegam como base para verificação e reflexão sobre a função como uma espécie de direção. São as seguintes recomendações que este pesquisador brasileiro considera úteis: Anotações: 91 • Investir rigorosamente no conhecimento científico e nas práticas apoiadas em validação empírica (EST - Empirically Supported Treatments) na área clínica. • Proporcionar aos estudantes uma visão atual abrangente e rigorosa (estadodearte) da pesquisa e da teorização científica. • Superar o quadro preocupante de penúria e primarismo metodológico dominante no país, quanto à criação de novos conheci- mentos: laboratórios, equipamentos, testes e outros instrumentos de medição psico- lógica, livros importados, journals; utilizar intensamente e extensamente os compu- tadores e as facilidades oferecidas pela internet e pela mídia em geral. • Buscar sintonia com o panorama atual da Psicologia nomundo. • Disseminar intensa e extensamente informações psicológicas destinadas aos cidadãos em geral, como antídoto para pseudociência, tolices, charlatanismo, crendices e superstições rotulados,muitas vezes, como, p. ex., terapias alternativas. • Empenhar-se pela expansão do mercado de trabalho para recém-formados, com medidasconcretas, lobbies, divulgaçãoetc. • Melhorar eampliar em largaescala as fontes escritas do conhecimento psicológico em língua portuguesa. • Estimular e fortalecer laços interdisciplina- res com outras ciências, sem desvirtuar a Psicologia. • Adotar padrõesmais estritos de profissio- nalismo competente e ético 92 Anotações:O Caminho Profissional Depois da Graduação De acordo coma Lei nº 5.766 de 20, de dezem- bro de 1971, ao se graduar, o psicólogo necessita se credenciar no Conselho Regional de Psicologia – CRP, órgão de classe profissional que regulamenta a prática profissional. A inscrição no CRP é algo que identifica sua autorização para atender pessoas e fazer saúde mental. É um feito de extrema respon- sabilidade e, para tanto, como toda profissão regulamentada e remunerada, o exercício profissi- onal está associadocomasua inscriçãonesteórgão. Este é um direito reconhecido que nenhum psicólogo pode abrirmão, pois como vimos, existem outros caminhos que não são e nem representam a Psicologia e geram alguns equívocos por parte da sociedade que, ao se expor a algum tipo de trata- mentoalternativo, precisasaberquenãoestãodiante de um psicólogo, e sim do que vem sendo chamado de terapeuta holístico. Figura 21 Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2019/10/21/06/23/mo- notony-4565247__340.jpg Anotações: 93 O diferencial é importante, a profissão é regulamentada e devido a isso sua prática estará sobre as condições legisladas para tal e ao estarem fora desse critério são passíveis de ações judiciais inclusive caso a prática seja colocada emdiscussão. Psicologia não é achismo, algo perto de alguémque se intitula terapeuta e passa a atender pessoas em consultório cujo apelo é sem caráter científico, que foi o que durante anos a própria Psicologia percor- reu ao se tornar científica. Os psicólogos precisam honrar isso. Poder diferenciar de outras práticas é funda- mental para o público poder identificar quando está diante de umprofissional que atua com responsabi- lidade e atende requisitos acadêmicos de sua formação, especialização, cursos de extensão, atualização para seu aperfeiçoamento. Não basta o fato de simplesmente se sentir agradado por atender pessoas e passar a buscar clientela para fazer o seu modelo de tratamento. É importante compreender que “fazer Psicologia” representa cercar-se de todas as conquistas que a carreira de psicólogonos requisita para que, quandoestivermos diante de um caso, possamos diagnosticar com precisão, atuar e intervir com sucesso. A identificação deste profissional no Conselho da categoria é um valor importante a seu favor, pois o distingue daqueles que se colocamdisponíveis em atender pessoas comaalegaçãodequegerambem- estar e algumas soluções para aumentar sua qualidade de vida, saúde integral, uma atuação preventiva através do uso de práticas alternativas e místicas que não são Psicologia. Após sua formação na graduação, o psicólogo inscrito no CRP tem finalmente a autorização para 94 Anotações:atuar. Alguns poderão ser efetivados em seus estágios, locais onde procuraram treinar a prática em seu início na função. Quando isso não ocorre, certamente, terão naquela experiência uma direção para buscar algo perto daquilo comoqual se sentem mais atraídos e isso pode estar associado ao tipo de público a ser atendido. Ou seja, quem se beneficiará deste trabalho? Entenderemosmelhor logo a frente. O psicólogo, além de se identificar com esta função (e por isso escolheu esta carreira) acaba por validar sua trajetória profissional, à medida em que vai pautando sua conduta nos caminhos que o conduzem a essa conexão com a ciência. Se este gostar depesquisar, certamente irá sededicar a isso, pois é um profissional curioso que indaga. Se apresentar interesse em lecionar, estudar e replicar o conhecimento como professor, entenderá que seguirá a vida acadêmica. O fato é que, na sequência da graduação, muitos vão acabar optando pela continuidade dos estudos coma escolha de umcurso de pós-gradua- ção, especialização e de extensão, umamaneira de se tornar diferenciado no mercado e estudar para além do que a formação básica lhe garantiu, pois, a grande pergunta que paira na vida deste profissional é: quando estarei apto para exercer com tranquili- dade a minha função? Por isso, estão envolvidos frequentemente em equipes de trabalho que lhe oferecem a segurança do trabalho: supervisores de sua prática, grupos de estudos, grupos de reflexão de alguma temática que atenda uma determinada população, são alguns dos caminhos procurados por recém-formados para edificarem uma trajetória sólida. Anotações: 95 Dependendo da escolha que tiveram na faculdade e nos estágios que buscaram, poderão ter uma noção do que os atraiu e do que menos os interessa. Umbomnúmero de recém-formados têm sempre a ideia de criar seu consultório e passar a atender pessoas, o que envolve umprojeto profissi- onal arriscado em termos de como e onde buscará suaclientela. Por isso, sempreestarão envolvidos, de algum modo, em outros grupos que vão lhe dando a condição fundamental para sua carreira, a experiência. A ideia glamourosa, por vezes, do atendimen- to clínico, poderá ser concretizada ao atender em clínicas que trabalham com diversos psicólogos supervisionados. Há muitas outras frentes em instituições que vêmoferecendo campo de atuação e experiência para o psicólogo no atendimento integral à saúde. Os equipamentos de saúde já estão compostos de equipes multidisciplinares como forma de entregar à população um serviço de saúde completo, assim como os planosmédicos reconhe- cem a especialidade, apesar de serem poucas ofertas de vagas nesse segmento e o número de consultas ser totalmente regulado para um limite específico. Na atualidade, estamos vendo transformações nesse sentido que buscam tornar a psicoterapia clínica um atendimento de direito do cidadão que paga seu plano de saúde sem limites de consultas. De acordo comFortes da Silva (2014), o graduado em Psicologiapoderáprocurar diversasabordagenspara sua especialização, o que entendemos ser um momento crucial para o profissional, considerando que está formando sua identidade profissional, adotando metodologias comasquais se sintamais 96 Anotações:afinado. A escolha de uma abordagem está associ- ada ao perfil da pessoa do psicólogo. Ainda conforme Fortes da Silva (2014), ao apresentar o rol de especializações possíveis queo graduado emPsicologia poderá realizar como forma de complementar e enriquecer sua formação, assegurando a sua prática, incrementarem os elementos da contemporaneidade da atuação da psicológica profissional de acordo com seus estudos, especializando-se nas seguintes áreas: 1. Abordagens teóricas: especialista da abordagemcoma qual escolheu trabalhar, tais como a psicanálise, centrado na pessoa, comportamental, Gestalt, cogniti- vas, cognitivo-comportamental, sistêmica, psicodramática, Existencialismo - Huma- nismo, motivacionais e outras. 2. Dependência química: existem diversas clínicas para o tratamento de drogadição e para tratamento de vícios de várias ordens, compulsão ao jogo, ao sexo, ao trabalho, à mentira, ao uso de games, exposição na internet, hackers – invasores de sistemas. 3. Comportamento do Consumidor: contato com empresas privadas e agências de publicidade. 4. Neuropsicologia: estuda os processos cognitivos (da inteligência) emocionais e comportamentais e sua relação com o funcionamentomental. 5. OrientaçãoProfissional: focadoemorientar carreiras e buscar elementos que identifi- quemao interessadoos caminhos das suas habilidades e aptidões. Orientando não tão somente jovens em busca de uma direção como pessoas adultas emcrises com suas Anotações: 97 carreiras e que buscam novos desafios. Aqueles que estão direcionados para a sua recolocação buscam se repaginar e se apresentar da forma mais atualizada possível para atender as necessidades do mercado de trabalho. Muitos profissionais ficam obsoletos por trabalhos repetitivos e compreendem que precisam fazer algo para inovar nas habilidades que podem ofertar. Para estes, a contratação deste serviço é interessante como forma de atender a este anseio. 6. Psicologia Clínica: cujas intervenções são, em maioria, individuais, havendo também o atendimento em grupo (oferecem acolhimento e desenvoltura para falar das suas questões junto de outras pessoas), vêm sendo adotadas cada dia mais em instituições como especialidade na atenção à saúde integral do indivíduo. 7. PsicologiaEsportiva: vai orientar epreparar atletas emsuamelhor performance para lidar com as situações competitivas naturais do esporte, junto à equipe técnica sempre exigente. O clareamento das condições emocionais e o autoconheci- mento têm cooperado com seu desempe- nho diretamente na atuo confiança, segurança e na forma de lidar com situa- ções inesperadas, por exemplo. 8. Psicologia Educacional: os profissionais atuam em escolas, instituições de amparo àeducação, creches, centrosde recreação, e fora da escola, quando atendemcasos de crianças e jovens com dificuldades de aprendizagemenecessidade de diagnósti- co neuropsicopedagógico. Há cursos que 98 Anotações:contam com psicólogos ,assim como faculdades, por meio de uma ação de um centro de atenção psicológica para que usuários usuários tenhammelhor aprovei- tamento nos estudos, bem como nas interações sociais que são pertinentes ao ambiente de educação, à sua socialização e, com isso, conflitosdecorrentesde ritmos diferentes, pessoas, raças, idades, gêne- ros, valores e crenças. 9. Psicomotricidade: também envolvida com aáreaeducacional,masdestacadaaqui por se tratar especificamente de intervir na reabilitação de pessoas com dificuldades no aprendizado e na evolução da com- preensão dos saberes, assim como na necessidade de realizar a avaliação psico- motoraquepoderá ocorrer emambientes diversos, como casas de repouso, hospi- tais, centros esportivos, escolas e clíni- cas. Isso ocorre para não exigir o que determinada pessoa não pode oferecer e, em outros casos, para estabelecer um planejamento de ações para a evolução da pessoas e, ainda, em casos diversos, desvendar as melhores habilidades e compreender as menos favorecidas, para, por fim, aplicar técnicas e recursos de aprendizagemque sejammais condizentes paraestapessoa, pois elaspodemaprender de forma diferente e não de uma única forma. 10. Psicologia do trânsito: avaliação e resolu- ção de problemas advindos do trânsito, como estresse emudança de humor, e que podem prejudicar a performance dos motoristas. Visa liberar condutores para o Anotações: 99 tráfego, após suas condições psíquicas serem testadas através de uma avaliação mais completa. Existemórgãos envolvidos com este público, bem como clínicas direcionadas aos motoristas comuns, ou seja, sem uso profissional, e para aqueles cujo ofício seja ser motorista. 11. Psicologia Social: atende todas as deman- das da sociedade que a compreendem na perspectiva coletiva, como questões raciais, gêneros, influências da contempo- raneidade, violência, instituições de acolhimento aos indivíduos em suas diversas etapas da vida, como a infância, e fase adulta, além de conflitos de várias ordens que possam ser gerenciados de forma coletiva e pessoas reféns de violên- cia. A atuação na pesquisa também é representativa em instituições, que necessitam desse mapeamento coletivo para que possam intervir e criar políticas públicas. 12. Psicologia Organizacional e do Trabalho: compõemoque é denominado de recursos humanosdaorganizaçãoe sua relação com o trabalho e com as pessoas envolvidas. Cuidam da seleção de pessoal, no seu ingresso, no treinamento, da monitoração do clima e ambiente organizacional, o que envolvedimensionar umambiente saudável para as pessoas envolvidas nos trabalhos poderemexercer seu ofício, contando com a rede de sustentação que se faz em prol do relacionamento necessário, pois as pessoas compõem a organização. 100 Anotações:13. Psicologia Jurídica: envolvida com o ambiente do poder judiciário no acompa- nhamento dos diversos processos que, geralmente, envolvem interesses e dispu- tas humanas, comumente na vara da família, da infância e juventude, estes últimos em casos de adoção e guarda de crianças e alienação parental, casos de violência e maus tratos. Na atualidade, tambémestão envolvidos coma equipe de mediadores e com a justiça restaurativa. Os estudos e laudos psicológicos são relevantes para a decisão judicial, ofere- cendo o componente humano que precisa ser respeitado em todo julgamento, à medidadocumprimentodepenaqueestará associado ao grau de danos envolvidos. 14. Psicologia Hospitalar: atua na formação de profissionais que vão dar suporte emocio- nal aos enfermos, hospitalizados por período de transição e tratamentos, bem como aos colaboradores que, por atuarem com saúde, também necessitam de um atendimento clínico especializado para estes que lidam coma doença e trabalham em prol da saúde das pessoas. O suporte psicológico também se estende aos familiares, muito importante para poder acompanhar o caso e melhor lidar com certas características relacionadas aocaso do familiar internado ou em tratamento. As condições da família perante à doença são determinantes e benéficas para o restabe- lecimento, assim como compreender o estado emocional do paciente e auxiliá-lo a não exigir o que este não pode oferecer. Anotações: 101 15. Psicologia da Saúde: é o trabalho de saúde integral adotado em instituições públicas e clínicas particulares, que contam com equipe multidisciplinar, tais como: médi- cos, enfermeiras, nutricionistas, fisiotera- peutas, serviço social, psiquiatra, entre tantos outros. A ação de promoção de saúde acaba sendo integradapara os casos clínicos tanto comos pacientes como com aqueles participantes do seu processo de retomada e prevenção da saúde. Muitos grupos podem ser geridos por estes, seja a reunião de equipe multidisciplinar para discussão dos casos do ponto de vista integral, seja como grupos voltados para a comunidade, para atender suas necessida- des de saúde. 16. Psicologia Criminal: acrescenta-se esta modalidade em atuação junto a detentos privados de liberdade e funcionários dos presídios, dimensionado de acordo com a verificação dos danos causados não tão somente do ponto de vista legal, mas do mauusoedamá intenção,do logro,daperda e das consequências frente ao crimee atos delituosos. Temos desdobramentos coma Psicologia criminal, especialidadeesta que atende ao anseio acadêmico e à aplicação da prática junto às pessoas infratoras, envolvidas em crimes. Esta área procura atender de forma específica a vitimologia e o criminoso. 102 Anotações:17. Psicologia Positiva: estamodalidade parte de uma referência teórica da ampliação e construção das sensações e emoções positivas, criada pela psicóloga e pesqui- sadora Dra. Barbara Fredrickson, em2003. Tais emoções positivas promovem o florescimento da pessoa, e este estado influencia diretamente na qualidade dos pensamentos e atitudes pelo estado positivo no qual se encontram. Essa abordagem aponta que pessoas neste estado sãomais propensas à autorrealiza- ção, buscamoautoconhecimento, acabam tendo mais saúde física e emocional, têm maishabilidadepara lidar comadversidades e enfrentar problemas, sãomais propensas a estabelecer relacionamentos interpesso- ais equilibrados, são abertas ao novo, esperançosas e tem senso de futuro. Proposta nova que trilha nova direção para a Psicologia contemporânea e envolvida com a ciência da felicidade. SAIBA MAIS: FERRARINI, N.L.; CAMARGO, D. O sentido da Psicologia e a formação do psicólogo: um estu- do de caso. Psicol. Soc. [online]. 2012, v. 24, n. 3, p.710-719. Disponível em: http://dx.doi.org/ 10.1590/S0102-71822012000300024 Acesso em 07 demaio de 2021 Anotações: 103 Referências ANTUNES, M. A. M. (1989). Psicologia e história: uma relação possível? Ou Psicologia e história: uma relação necessária! Psicologia e Sociedade, 4 (7), 30-36. BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEI- RA, Maria de Lourdes. Psicologias: uma introdução ao estudo da Psicologia. 15.ed. São Paulo: Saraiva. 2018. BORGES, Evandro. Psicologia Positiva: umamu- dança de perspectiva. Joinville: Clube de Autores, 2017. BRAGHIROLLI, Elaine Maria; BISI, Guy Paulo: Rizzon ,Luiz Antônio; NICOLETTO, Ugo. Psicologia geral. 36.ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2015. CAMBAÚVA, L.G.; SILVA, L.C.; e FERREIRA, W. Reflexões Sobre o Estudo da História da Psicolo- gia. Universidade Estadual de Maringá, PR: Estu- dos da Psicologia, 1998, 3(2), 207-227. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/epsic/v3n2/ a03v03n2.pdf Acessado em 04 demaio de 2021. FERRARINI, N.L.; CAMARGO, D. O professor de Psicologia diante damultiplicidade e diversidade teórica da Psicologia: lugar de incertezas e de desafios. Psicol. Ensino & Form., Brasília, v. 5, n. 1, p. 32-49, 2014. Disponível em O professor de Psico- logia diante damultiplicidade e diversidade teórica da Psicologia: lugar de incertezas e de desafios (bvsalud.org) Acesso em 07 demaio de 2021. FERRARINI, N.L.; CAMARGO, D. O sentido da Psico- logia e a formação do psicólogo: um estudo de 104 Anotações:caso. Psicol. Soc. [online]. 2012, v. 24, n. 3, p.710-719. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/ S0102-71822012000300024 Acesso em 07 demaio de 2021. GOMES, William Barbosa; CASTRO, Thiago Gomes. Clínica fenomenológica: dométodo de pesquisa para a prática psicoterapêutica. Revista Psic.: Teor. e Pesq. vol.26 no.spe Brasília, 2010, p. 81-93. Disponível em: https://www.scielo.br/scie- lo.php?script=sci_arttex &pid=S0102-37722010000500007&lng=pt Acessa- do em 02 demaio de 2021 LEFRANÇOIS, Guy R. Teorias da Aprendizagem: o que o professor disse. São Paulo: Cengage Lear- ning, 2017. PENNA, Antônio Gomes. Introdução à História da Psicologia Contemporânea. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978. PFROMMNETTO, Samuel. Psicologia, Psicologias: velhos e novos olhares - Algumas considerações sobre o passado, o presente e o futuro da Psicolo- gia com ciência, profissão e ensino. Psicol. pesq., Juiz de Fora, v. 1, n. 1, p. 03-07, jun. 2007. Disponí- vel em . Acesso em 06maio 2021. SILVA, Jorge Samaritano Fortes. Você está prepa- rado para ser psicólogo? Rio Grande do Sul: Clube de Autores, 2014. WEIYEN, Wayne. Introdução à Psicologia: temas e variações. 3.ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017.específica. O saber científico e o empirismo, que parte da observação do indivíduo, são fontes de referência da Epistemo- logia e da Antropologia para compreendermos a existência humana, do seu comportamento diante dos desafios sociais e do ser humano enquanto pessoa. No início dos anos 1900, os psicólogos envolvi- dos com o estudo da mente e do pensamento passaram a recusar pesquisas complexas que Anotações: 8 pudessem ser abstratas e subjetivas, então passa- ramaoptar por estudos objetivos do comportamen- to, ficando assimdenominados deBehaviorismo. Os psicólogos cognitivos passaram a se dedicar ao estudo da atividademental humana, ao caminho do processamento das informações, à representação e autoconscientização e às Teorias da Gestalt, com foco na percepção e na consciência para contribuir também à ciência cognitiva. O cenário da época também estabelecia, nas visões doBehaviorismoe daPsicanálise, as referên- cias para o entendimento dos tais estados emocio- nais como formade compreender o comportamento humano. Sendo ambas superadas pela Psicologia Humanista que, inspirada fortemente pela fenome- nologia e pela Filosofia Existencialista, centrava no conceito de pessoa, ao invés de focar no comporta- mento e conduta. Enfatizou por si a liberdade contra o determinismo até então operante nas visões anteriores, tendo como premissas o bem-estar pessoal e a solução de suas próprias questões, ao invés da necessidade de controle da conduta e das razões pelas quais deve-se agir de determinada forma e não de outra. A Filosofia Existencialista esteve presente desde os anos 1930, seguindo para os anos 1940 e 1950 e coincidindo com o período de guerra e pós- guerra, onde o cenário de falta de perspectiva e ausência de sentido na vida acabou gerando a necessidadedebuscar significadoemsimesmopara dar conta da realidade. Surge então a valorização da pessoa na sua ótica pessoal como formade transpor tais dificuldades. Anotações: 9 O Funcionalismo, o Estruturalismo e o Associacionismo De acordo comBock, Furtado e Teixeira (2018), o berço da Psicologia moderna foi a Alemanha do final do século XIX, com a ação dos pesquisadores Wundt,Weber e Fechner, que trabalharam juntos na Universidade de Leipzig. Também fizeram parte o inglês Edward B. Titchner e o americano William James. Figura 2 Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2018/01/21/00/06/pat- tern-3095616__340.png Ao ocorrer a ruptura da Psicologia com a Filosofia, a primeira ganha autonomia e se configura como ciência, seguindo para a produção de novos conhecimentos que incluíram: • Definir seu objeto de estudo (o comporta- mento, a vida psíquica, a consciência); • Delimitar seu campo de estudo, diferenci- ando-o de outras áreas de conhecimento, como a Filosofia e a Fisiologia; Anotações: 10 • Formularmétodos de estudo desse objeto; • Formular teorias enquanto um corpo consistente de conhecimentos na área. Enquanto ciência, passou a seguir os critérios do emprego de metodologia científica, devendo se apresentar com neutralidade, com a proposta de algumas hipóteses, como levantamento de dados e pesquisas e com os dados passíveis de comprova- ção. O conhecimento cumulativo e o de procurar responder indagações se faz pela observação e questionamentos, que vão surgindo na medida da produção do saber. Os estudos científicos são referência para servir de ponto de partida para outros experimentos e pesquisas na área e, natural- mente, seguir para além. Com essa autonomia da Psicologia na perspectiva da experimentação e evolução do conhecimento, muitos estudos foram sendo realizados emuitas teorias foram formuladas, tornando-se conhecimento que permanece na atualidade, inovando. Surge uma Psicologia formulada por meio de experimentos em laboratório, através de instrumen- tos de observação e medição do comportamento, onde a Psicologia além da conexão com a filosofia já tão identificada, passa a se conectar comespeci- alidades da Medicina que, de acordo com Bock, Furtado e Teixeira (2018, p. 54), assume “o método de investigação das ciências naturais como critério rigoroso de construção do conhecimento”. Nos Estados Unidos, a Psicologia teve um enormecrescimento, nascendo, assim, as primeiras abordagens ou escolas emPsicologia, dando origem às inúmeras teorias: Anotações: 11 O Funcionalismo, de William James (1842-1910): O Funcionalismo é considerado como a primeira sistematização genuinamente americana de conhecimentos em Psicologia. Uma sociedade que exigia o pragmatismopara seu desenvolvimento econômico acaba por exigir dos cientistas america- nos o mesmo espírito. Desse modo, para a escola funcionalista deW.James, importa responder “o que fazemos homens” e “por que o fazem”. Para respon- der a isto, W. James elege a consciência como o centro de suas preocupações e busca a compreen- são de seu funcionamento, na medida em que o homem a usa para adaptar-se ao meio. (Bock; Furtado; Teixeira, 2018p.40-41) O Estruturalismo, de Edward Titchner (1867-1927): O Estruturalismo está preocupado com a compreensão domesmo fenômeno que o Funciona- lismo: a consciência. Mas, diferentemente de W. James, Titchner irá estudá-la em seus aspectos estruturais, isto é, os estados elementares da consciência como estruturas do sistema nervoso central. Esta escola foi inaugurada por Wundt, mas foi Titchner, seguidor deWundt, quemusou o termo estruturalismo pela primeira vez, no sentido de diferenciá-la do Funcionalismo. O método de observação de Titchner, assim como o de Wundt, é o introspeccionismo, e os conhecimentos psicoló- gicosproduzidos sãoeminentementeexperimentais, isto é, produzidos a partir do laboratório. (Bock; Furtado; Teixeira, 2018p. 40-41) Anotações: 12 O Associacionismo, de Edward L. Thorndike (1874-1949): O principal representante do Associacionismo é Edward L. Thorndike, e sua importância está em ter sido o formulador de uma primeira teoria de aprendizagem na Psicologia. Sua produção de conhecimentos pautava-se por uma visão de utilidade deste conhecimento, muito mais do que por questões filosóficasqueperpassamaPsicologia. O termo associacionismo origina-se da concepção de que a aprendizagem se dá por um processo de associação das ideias — das mais simples às mais complexas. Assim, para aprender um conteúdo complexo, a pessoa precisaria primeiro aprender as ideias mais simples, que estariam associadas àquele conteúdo. Thorndike formulou aLei doEfeito, que seria de grande utilidade para a Psicologia Comportamentalista. De acordo com essa lei, todo comportamento de um organismo vivo (um homem, um pombo, um rato, etc.) tende a se repetir, se nós recompensar- mos (efeito) o organismo assim que este emitir o comportamento. Por outro lado, o comportamento tenderá a não acontecer, se o organismo for casti- gado (efeito) após sua ocorrência. E, pela Lei do Efeito, o organismo irá associar essas situações com outras semelhantes. Por exemplo, se, ao apertarmos um dos botões do rádio, formos “premiados” com música, em outras oportunidades apertaremos o mesmo botão, bem como generalizaremos essa aprendizagem para outros aparelhos, como toca- discos, gravadores, etc. (Bock; Furtado; Teixeira, 2018 p.40-41) Anotações: 13 A Ciência do Comportamento APsicologia surge como a ciência do compor- tamento expresso relacionada aos processos mentais, como a elaboração do pensamento e a capacidade da aquisição do conhecimento. Para Lefrançois (2017, p. 12), o aspecto científico procura organizar as informações demodo objetivo, consis- tente e que seja possível ser replicada à outras pessoas que também possam observar, trilhar os mesmos passos e encontrar, a partir de métodos determinados, as mesmas conclusões de forma precisa e generalizáveis. E conclui: “a ciência é a maispoderosa ferramentadaPsicologiapara separar o fato da ficção”. Figura 3 Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2017/09/02/06/14/ girl-2706454__340.jpg Anotações: 14 “A reflexão sobre o que é a Psicologia, de onde vem, para que e a quem serve, é algo tão imprescin- dível parao psicólogo como o conteúdo de suas teorias e o domínio de suas técnicas” (ANTUNES, 1989, p. 32-33). Principalmente, por se tratar de humanos, é fundamental adotar métodos claros, precisos e consistentes que possam, portanto, ser replicados por outros pesquisadores emcircunstân- cias similares e é a isso que se denomina demétodo científico – que reduz o campo das incertezas e aposta na aquisição do conhecimento como resul- tado da organização de todas as informações encontradas na pesquisa. Em Psicologia, o uso do método científico é essencial, por estarmos lidando com pessoas humanas, e precisam conter 5 aspec- tos: • A indagação, uma curiosidade que resulta em uma dada pergunta a respeito de algo que se queira pesquisar, podendo ser um problema ao qual se pretende ter uma resposta. • A formulação de hipóteses, expressão de todas as possibilidades quepodem respon- der a esta indagação, as informações que podemos levantar a respeito e com isso elaborar algumas ideias iniciais. • Coleta de informações ou dados, que irá oferecer-nos a maneira pela qual iremos compreender. Para isso, iremos elaborar experimentos, que podemser levantamen- to de dados, questionários ou entrevistas, para citar alguns modelos. • Testagem das hipóteses, que irá envolver a validade dessas hipóteses levantadas, procurando responder à pergunta inicial de modo identificável enãomeramentecasual. Anotações: 15 • Conclusão e compartilhamento das informações – numa investigação, a conclusão pode tanto ser refutada como estar em concordância com as hipóteses levantadas, inclusive trazendo elementos novos, antes não identificados. Podem levar-nos a outras indagações e curiosida- des; ou seja, a uma nova pergunta científi- ca. Assim é a ciência, possibilitando-nos seguir para além do que foi encontrado como resposta e não como solução absoluta. Outro ponto importante éque tais respostas precisam ser divulgadas, para queassimaevoluçãocientífica ocorra, indo sempre para alémdo que foi constatado. O conhecimento compartilhado é o princípio da ciência acadêmica – do conhecimento universal. Emse tratandodepesquisarpessoashumanas, a investigaçãopsicológica fica limitadapelo controle das variáveis envolvidas na observação científica que precisa levar em consideração as diferenças existentes entre os sujeitos, pois pessoas não são comparáveis, apresentam vivências diferentes. Isso altera e enriquece a pesquisa. Totalmente diferente de experimentos com animais, transpostos para o que se poderia ocorrer em termos de consequências ou reações com humanos. A Associação Americana de Psicologia, em 2010, criou uma normativa relativa à conduta ética emexperimentos, a fimdeproteger os sujeitos envolvidos nas pesquisas comhumanos – “Princípios éticos dos psicólogos e código de conduta” que pressupõe: Anotações: 16 • Opesquisador é responsável pelamanuten- ção da ética na pesquisa. • Pesquisadores precisam verificar se os sujeitos estarão em risco em qualquer nível; • Todososparticipantesdevemestar cientes e concordar. • Quando os participantes estão envolvidos emalgumtipodeengano, ospesquisadores precisamdeixar claros: a) os benefícios do estudo diante do logro; b) se outras abordagens não enganosas poderiam responder a indagação; c) oferecer aos participantes umaexplicaçãoomais rápido possível para evitar confusões de com- preensão. • Os sujeitos precisam ter a liberdade de não participar do experimento. • Os sujeitos devem ser protegidos de danos físicos oumentais e desconfortos. Somen- te devem ser utilizados quando os benefí- cios forem maiores e quando a sua não utilização for envolver efeitos ainda mais danosos e sempre com a concordância de todos. • No caso de possíveis consequências danosas para os sujeitos participantes, o pesquisador é responsável pela remoção e correção delas. • Os dados sobre os sujeitos são confidenci- ais e não devem ser divulgados. São divulgados quando há autorização prévia entre sujeitos e pesquisadores. Anotações: 17 Oprincípiomáximo da pesquisa comhumanos é do seu consentimento informado, tendo conheci- mento prévio do propósito da pesquisa e se concor- dam participar. Assinando inclusive um documento entre as partes. Origem Histórica da Psicologia Pfromm Netto (2003 apud Schultz & Schultz 2004) aponta que é comum dizer que a Psicologia tem um longo passado, mas uma breve história. A ciência da Psicologia foi atribuída à quandoWilhelm Wundt criou, em 1879, na Universidade de Leipzig, Alemanha, o primeiro laboratório de pesquisas e práticasexclusivamentedePsicologia. Seusestudos versaramsobre investigações experimentais que fez sobre a percepção, usando pela primeira vez a expressão Psicologia Experimental em um livro. Assim, para muitos, o surgimento da Psicologia científica teria ocorrido aí em Leipzig. Figura 4 Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2017/12/04/16/03/ abstract-2997249__340.jpg Anotações: 18 Lefrançois (2017, p. 29) diz queoEstruturalismo associado aWundt é umaescola inicial da Psicologia que tentou entender a consciência, observando elementos básicos da atividade mental, como sentimentos e sensações, que envolvama estrutura da mente. O Funcionalismo associado a James estava mais preocupado com o propósito (função) da atividade mental e como ela contribuiu para a adaptação. Então surgem, como decorrência, linhas tradicionais da Psicologia, definidas como ‘ Beha- viorismo, que lida com aspectos observáveis do funcionamento humano, e o Cognitivismo , mais envolvido com a percepção, processamento das informações, formação de conceitos, consciência e compreensão. O Behaviorismo envolve a habilidade do condicionamento clássico e se refere àquilo que os indivíduos são condicionáveis, ou seja, dispostos a aprender sempre algo novo, seja como habilidade para algo, um comando, uma resolução para deter- minada necessidade. Esta proposta pretendia uma abordagem mais científica quanto ao estudo da mente. Envolvia em estudos que buscavam com- preender a introspecção do sujeito quanto ao estímulo e sua resposta. Estemétododos chamados psicofísicos procurava medir, de algum modo, os estímulos físicos e seus efeitos. Uma dasmais importantes tarefas da Psicologia é determinar quais crenças a respeito do comportamento humano fazem sentido. Como a Psicologia pode conseguir isso? A resposta, em umaúnica palavra, é ciência. (LEFRANÇOIS, 2017, p. 12) Anotações: 19 A linguagem também se tornou elemento marcante na época para a evolução da Psicologia, em primeiro plano quando Watson, inspirado por Wundt, passou a considerar a linguagem como caminho do pensamento, indo além do que ela poderia representar em termos de códigos comuni- cacionais, por ser veículo de expressão do pensa- mento. Emsegundo plano, a linguagempassou a ser vista como objeto de pesquisa do ser humano, a expressão da interiorização da linguagem, como descreve Penna (1978), por marcar uma Psicologia do tipo estímulo e resposta, identificada com o Behaviorismo. Até 1951, estudou-se as perturbações no domínio da linguagem com a contribuição dos neuropatologistas e, a partir de 1951, surgem as contribuições da psicolinguística, - centrada na interdisciplinaridade das pesquisas sobre a lingua- gem. Os estudos relativos à percepção também promoveram a evolução da Psicologia. No que tange à visão humanista, o crédito todo é dado à visão que a própria pessoa tem de sua história, seus sentimentos e forma de pensar. A Psicologia Humanista se envolve com as subjetivi- dades do sujeito, como forma de compreender suas vivências, a maneira como estabelece essas relações consigo, como outro e comomundo. Para Carrasco (2019), o existencialismo reconhece e valoriza as características particulares de cada indivíduo, principalmente o que o torna diferente dos demais, ou seja, suas singularidades. Referindo -se especialmente à influência da filosofia na dimensão do conhecimento psicológico. Anotações: 20 A Ciência da Produção do Conhecimento Psicológico A ciência é uma forma de conhecimento que o Homem produz e,portanto, só pode ser entendida como atividade humana que desenvolve a partir da prática, o trabalho (CAMBAÚVA, SILVA, FERREIRA, 1998). Figura 5 Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2013/12/17/22/04/art- therapy-230045__340.jpg O Homem formula tais considerações que lhe possibilitam caminhos para compreender o mundo e interagir com ele e se colocar diante de desafios do mundo e ter uma dimensão própria que lhe permite inclusive a interação com pessoas, situa- ções e contextos ou circunstância. Isto torna a Psicologia umaciência social cujo objetivo considera a capacidade de integrar e produzir tanto a sua própria história de vida como de algummodo estar Anotações: 21 presente na história de outras pessoas e vice-versa. Entende-se que o dinamismo é claro na concepção do indivíduo pelas mudanças às quais tornam-se possíveis vivenciar a importância do seu pensar enquanto elaboração e prática do comportamento. A Psicologia, enfim, ocupa uma dimensão histórico-social. Como disciplina científica, ela tem o objetivo de compreender as ações, as atitudes, os comportamentos e suas subjetividades como já mencionado, dando-lhe a dimensão de sua relação consigo mesma e com as demais pessoas e com o contexto maior, a coletividade, a sociedade. Com a Psicologia, o Homem tem a dimensão tanto individual quanto de sociedade, pois faz parte de ambas as esferas. A psicologia atribui a ele identidade, o sentido de existir. Certamente que isso a delimitou e distinguiu da filosofia, emanci- pando-a pelos elementos concebidos pelo valor da consciência humana, o que envolvia uma racionali- dade, uma compreensão que faz sentido. Duas motivações cercaram na formulação da ciência psicológica: a. Compreender as transformaçõesdas ideias psicológicas em Psicologia científica. b. Aprender o senso crítico na transformação do Homem diante da sua autonomia, de discernir por simesmo, tornandoestesdois a formulação de uma Psicologia como ciência nahistória dopensamentohumano. É no final do século XIX que a Psicologia se torna científica, em meio a evolução de outras ciências e ao recuo da filosofia enquanto teoria do conhecimento. Neste mesmo período, com a crise Anotações: 22 econômica social, o indivíduo entra em crise, questionando seus valores, o sentido da vida e seus potenciais. Em contraposição ao capitalismo estruturado e os conflitos sociais emundiais, surge uma ciência que se conecta com os aspectos subjetivos e simbólicos do ser humano. A Psicologia se desliga da Filosofia e se torna independente na busca por estruturar métodos de intervenção próprios. O século XIX foi muito fértil para a Psicologia e cheia de transformações que foram tornando-a científica à medida que se torna aplicada aos campos da educação (pedagógica, aprendizagem) e do trabalho (organizacional). Foi no final do século XIX que a Psicologia finalmente tornou-se científica. A Psicologia através de métodos científicos estuda o comportamento humano, tanto o comportamento manifesto como as atividades concomitantes como o sentir, perceber, pensar. Seja na descrição oumensuração deste compor- tamento a Psicologia se vincula a outras ciências como as ciências sociais e as ciências biológicas (MISIAK, 1964, p. 15 apud CAMBAÚVA; SILVA; FERREIRA, 1998). A transformação da Ciência Psicológica passa então a não representar o comportamento e sim a pessoa, deixando de conceber a essência do estudo do Homem como objeto ou coisa, geralmente atribuído à definição de coisas e objetos do mundo físico. Surge, portanto, a noção do Homem como sujeito, que tem prospecção futura de realizações que o tornam satisfeito consigo mesmo e com Anotações: 23 potencial de efetivo realizador, direcionado para o futuro, para seu próprio progresso como resultado efetivo de suas escolhas e decisões, o Homemvisto como sujeito, pessoa autônoma, livre e capaz de encontrar respostas para si e adquirir na prospecção futura e o seu aprimoramento. Assim, a respeito da história da Psicologia, podemos afirmar que ela se estabelece como uma disciplina científica ao reconhecer a perspectiva individual do ser humano na sociedade e, devido a fatores sociais, políticos e econômicos, sente a necessidade de ser normatizada e padronizada. Em outras palavras, a Psicologia só se consolida no âmbito científico quandoháo reconhecimento tanto da experiência individual, quanto da crise dessa subjetividade. (CAMBAÚVA; SILVA; FERREIRA, 1998; p.210 apud FIGUEIREDO, 1991). SAIBA MAIS: A APA – Associação de Psicologia Americana- APA estabeleceu princípios éticos de conduta em pesquisa científica com animais e humanos: Apa Guidelines for ethical conduct in the care and use of animals. (2010) e Humans (2011). Washington,DC: American Psychological Association. Conheça os princípios éticos de pesquisa com animais: Disponível em: www.apa.og/science/anguide.html Acessado em 03 demaio de 2021. Conheça os princípios éticos de pesquisa comhumanos: Disponível em human-participants.pdf (apa.org) Acessado em 03 demaio de 2021. Anotações: 24 U ni da de 2 Videoaula 2 Videoaula 4 Videoaula 1 Videoaula 3 Videoaula 5 27 28 AS ESCOLAS DE PSICOLOGIA QUE GERARAM OUTRAS NOVAS A Abordagem da Psicanálise Diversas escolas surgiram no cenário mundial, revelando umaPsicologiamarcada por abordagens distintas de acordo com o entendimento específico dado aos proces- sos mentais, emocionais e comportamen- tais do homem. Portanto, cada linha psico- lógica apresenta uma visão do homem, característica e uma determinada forma de aplicação, tornando-se uma abordagem. Podemos citar algumas que foram surgindo de acordo com o período histórico e evolu- ção da própria ciência da Psicologia: a Psicanálise, oBehaviorismo, o Humanismo ou abordagem fenomenológica, as Teorias cognitivas e Terapia cognitivo comporta- mental. Anotações: 29 Os desdobramentos das grandes escolas e de modelos interventivos foram se ampliando e atuam compropósitos definidos, como podemos verificar. Das três grandes escolas referenciadas como Estruturalismo, Funcionalismo e Associacionismo, surge o processo da aquisição do conhecimento, onde encontram-se estudiosos e pesquisadores voltados para a formulação de teorias propondo o objeto, o foco de atenção, bem como um método aplicável que pudesse permanecer o sentido investigativo e produção de ciência, como ocorreu com as teorias e práticas da Psicanálise, Behavio- rismo, Humanismo e Fenomenologia, Visão Cogniti- vista e Gestalt. Cada uma delas apresenta diferenci- ações características e apontamolhares diferentes diante do indivíduo na sua experimentação e relação com omundo, com coisas, objetos e pessoas. Figura 6 Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2017/09/30/09/39/ti- me-2801596_960_720.jpg Anotações: 30 Apsicanálise surge no início do século XX, com Sigmund Freud e o lançamento do livro “A Interpre- tação dos Sonhos”, em 1900, revolucionário para a época. Partiu de estudos onde a histeria era um foco constante nas suas observações com pacientes. Conceitua e apresenta-nos uma estrutura psíquica do ser humano separada por três instâncias aos quais definiu: Id, como sendo os registros armaze- nados que representam as pulsões instintivas que são guiadas pelo princípio do prazer, pela busca da satisfação; Ego, como sendo aquela estrutura psíquica que negocia com o mundo externo o momento mais adequado para a satisfação desse prazer ou realização; Superego, como sendo amoral adotada diante de cada pulsão, verificando, após a ação do Ego se a ação será inibida, se haverá algum julgamento interno a ponto de gerar culpa ou alguma punição. Com isso, compreendeu que as neuroses e transtornos mentais são oriundas de desejos reprimidos e que, com a ação da metodologia psicanalítica, poderia reparar estados emocionais pela interpretação de sonhos, pela ação de estados hipnóticos e a compreensão de falas e atitudes entendidas como ato falho. Atos falhos referem-se a espécies de pistas que a própria pessoa dá sobre tais conteúdos de forma inconsciente, geralmente sãofalas que repercutem a existência de significa- dos que aquela comunicação está relacionada e ao que precisa ser desvendado. Com isso, essa aborda- gem se pauta em trazer para a consciência tais elementos, comoformadedesvendarasua realidade. Anotações: 31 A Abordagem Behaviorista O objeto de estudo principal da abordagem behaviorista é o comportamento. Tal abordagem também se iniciou no começo do século XX, criada por John Watson. Seu intento foi a criação de uma Psicologia científica apartada das probabilidades, de suposições queosmétodos subjetivos supunham considerar na sua ótica. Para tanto, buscou na precisão de informação e dados a sua base de confirmação de determinado evento ou fenômeno, no caso o comportamento enquanto algo expresso, definido. Figura 7 Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima- ges?q=tbn:ANd9GcSJhxidQxQM7U1XFrC-rZWlIDrMlfh- FAbQT5w&usqp=CAU É compreendida como a ciência do comporta- mento com a capacidade de prever oumodificar, se for o caso, e conhecer sua finalidade. É identificado pelo ato, gesto e expressões concretas pormeio de Anotações: 32 atitudes e reações frente a determinados eventos e ambientes. Descarta o método introspectivo, que envolve a compreensão subjetiva do indivíduo sobre algo por entender que essa possa apresentar falhas e possíveis erros de entendimento e procura apostar no que é palpável e concreto, portanto, expresso e passível de ser observado. O propósito do Behavio- rismo vai além de observar um fenômeno e as respostas a este estímulo. São consideradas o organismo que é de onde parte a observação e suas diferenças comportamentais, a depender da situação, contexto ou circunstância e dahistória que cada um possui. Apesar de colocar o “comportamento” como objeto da Psicologia, o Behaviorismo foi, desde Watson,modificandoosentidodesse termo.Hoje, não se entende comportamento como uma ação isolada de um sujeito, mas, sim, como uma interação entre aquilo que o sujeito faz e o ambiente onde o seu “fazer” acontece. Portanto, o Behaviorismo dedica-se ao estudo das interações entre o indivíduo e o ambiente, entre as ações do indivíduo (suas respostas) e o ambiente (as estimulações). (BOCK; FURTADO, TEIXEIRA, 2018, p. 45) Portanto, o objeto da abordagem behaviorista é o comportamento, o estímulo e resposta de acordo com variáveis ambientais. Sua metodologia é feita pela investigação conceituada como experimental e analítica. Por meio da análise experimental behaviorista, podemos estudar certos comporta- mentos e descrevê-los pelo aspecto do estímulo e resposta do comportamento operante, do reforço positivo ou negativo. Anotações: 33 Com capacidade de medir tais variáveis e calcular algumas probabilidades de ajustes, objetiva o sucesso ou a melhor resposta para determinado comportamento a ser aprendido, sendobastante útil no segmento da educação e na aprendizagem, onde épossível controlar variáveis ambientais quepossam interferir no processo de ensino-aprendizagem e buscar condições que possam ser bem-sucedidas no resultado. Em pessoas com necessidades especiais mostra-se eficaz, assim como na clínica. Skinner foi um dos proeminentes pesquisadores apósWatson. A abordagem Cognitiva A abordagem cognitiva contrapõe o Behavio- rismo por compreenderem que esta abordagem negligenciou a cognição, a capacidade do indivíduo aprender, assimilar conhecimentos e processar informações. Foi assim conceituada em vista do destaque ao aspecto cognitivo do indivíduo e partiu epistemologicamente do termo advindo do latim cognoscere, que significa conhecer. Entende-se que o modo como as pessoas pensam tem impacto direto sobre o comportamento humano, e que este não pode ser um comportamento em si. Também defendem que o pensamento é tão essencial à essa abordagemque o estudo do pensamento seria o seu próprio campo de estudo. Anotações: 34 Figura 8 Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2019/06/23/05/19/em- pathy-4292845__340.jpg Ospsicólogos cognitivistas analisamamaneira como as pessoas solucionam difíceis tarefas mentais e constroemmodelos para tais explicações, tratando-se da composição do fluxo de processa- mento cognitivo durante a realização de tarefas. Importa para o estudo, o processo pelo qual percor- reu até chegar à determinada conclusão, pois com o tempo as respostas precisarão ser modificadas, em vista de outros propósitos e objetivos. Ao chegar a umaconclusãoou formadepensar , podemos explorar, a partir desse ponto de referên- cia, novas considerações ou curiosidades, podendo, assim, seguir para além disso, produzindo novos pensares e, portanto, novas respostas. Portanto, o caminho de elaboração do pensa- mento é significativo para traçar omodo pelo qual o indivíduo chegou a determinado ponto, para poder trilhar novamente, caso seja necessário, e aprimo- rar-se, seguindo adiante caso seja desafiado a construir uma nova resposta. Anotações: 35 A abordagem humanista- fenomenológica A visão humanista-existencial torna-se então a terceira onda ou terceira força da Psicologia, distinta e singular das anteriores, a Psicanálise e o Behaviorismo, principalmente diante desta segunda linha de abordagem, opondo-se diretamente à ideia de controle do comportamento e do determinismo. Dá vazão a uma consideração que vê e concebe o Homem livre, quenãonegaodeterminismoexistente nas duas correntes de pensar (Behaviorismo e Humanismo), porém, a compreende como autode- terminação do indivíduo sobre si mesmo e sobre suas posições frente a vida e aomundo. Ele como o autor principal da sua vida. Figura 9- Fonte: https://encryptedtbn0.gstatic.com/ima- ges?q=tbn:ANd9GcQitg927oXIuBpW95kQZZibXOOSx- Qu0zZNNWg&usqp=CAU Anotações: 36 No contexto contemporâneo, empleno século XXI, a visão humanista é um reflexo do século XX no qual surgiram o Behaviorismo e a Psicanálise, distinguindo-se de ambas e rompendo tais paradig- mas entre o condicionamento e a interpretação e ênfase na doença – tirando a autonomia do paciente –mantendo-o passivo diante de umquadro psicoló- gico e que delega tal tratamento. O psicoterapeuta torna-se detentor do processo evolutivo do pacien- te, definindo os elementos de sua evolução, como a propositura de cura, se esta ocorrer da ótica do psicólogo. A abordagem humanista é, por característica, profunda, embasada numa filosofia de experiência da vida, no existencialismo, no modo do Homem existir e se sentir no mundo. Abrange a essência do Ser na sua totalidade e existência, buscando os significados e sentido que as experiências vão ter para si, onde a felicidade, bem-estar, satisfação e auto realização são propósitos para se alcançar pessoalmente, em família, na esfera profissional e na participação coletiva, em sociedade. Este enfoque vem sendo muito explorado na contemporaneidade do século XXI, onde o engaja- mento social é extremamente importante como atributo do ser humano, tanto quanto a qualidade da suaexistência. OHomemcompreende, neste século, que sua participação individual e leitura particular da vida se estende para uma abrangência de coparticipação e cocriação comomundo, apontan- do caminhos para uma sociedade viável. O bem-estar do Ser Humano reflete algo para além de si mesmo, na resolução de suas questões íntimas, envolvendo-o numa esfera ampliada que vai para além das questões sociais que possam assegurar o bem-estar de outros indivíduos, com- pondo, assim, uma sociedade humanizada. Anotações: 37 Carl Rogers foi dosmais proeminentes estudi- osos e pesquisadores dessa abordagem, junto a outros tão importantes que o seguiram. É bastante utilizada na clínica, atuação em plantão psicológico e emdiversos equipamentos públicos e clínicos para atender a população. Essa abordagem de pensamento tem como ponto estrutural da sua teoria a abrangência do ser humano, referenciando-se na pessoa ao invés do comportamento, evoluindo para uma participação ampla com a sociedade. Este fator cabemuitíssimo bem nos tempos atuais, em pleno século XXI, na importância da participação social como desdo- bramentodo ser: ampliado para além de si mesmo. A abordagem teórica gestalt A base dessa abordagem está nos estudos relacionados à percepção e sensação que se obtém aoestar emmovimento diante deumestímulo físico, em como o indivíduo é capaz de percebê-lo como forma diferente do que ele se apresenta na realida- de. Compreendem que há uma relação direta entre causa e efeito, entre o estímulo provocado pelo ambiente e a percepção que determinado indivíduo tem. É estemododeperceber omundoque interes- sa. O objeto de estudo da Gestalt Terapia é o com- portamento e, de acordo com Bock, Furtado e Teixeira (2018), na visão dos gestaltistas, o compor- tamento deveria ser estudado nos seus aspectos mais globais, levandoemconsideração as condições que alterama percepção do estímulo. Esse fenôme- no da percepção é norteado pela busca de fecha- mento, simetria e regularidade dos pontos que compõem uma figura (objeto). Anotações: 38 Figura 10 Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima- ges?q=tbn:ANd9GcQsgByMHoXa8JResE0lCA- Ed0WU51PYtn6f9Xw&usqp=CAU Compreendemquepartee todosãocompostas da mesma estrutura, havendo espontaneamente a ideia de que esta percepção se torne completa e possibilite a restauração do equilíbrio na relação parte-todo é pela maneira como percebemos determinado estímulo que nosso comportamento se dará conforme a leitura que se faz do ambiente. Agimos conforme interpretamos o estímulo. Por vezes, encontramo-nos diante de um estímulo que nos induz a realizar leituras diferentes da concepção do real por uma questão de ilusão de ótica, como no caso da relação existente entre figura-fundo. Há situações em que a imagem se mostra difusa, ambígua, por não conter extrema clareza da imagem, submetida à lei da boa forma (visão global da Gestalt completa). Dá-se o nome de insight para a compreensão imediata que seobtémao ter clareza de algo, ao ter entendido internamente aquela realidade. Ela se torna desvendada, um insight que partiu de algo antes não decifrado. Anotações: 39 Esta abordagem trabalha com as ideias da Teoria do Campo Psicológico e Campo Social, onde o indivíduo está inserido em seu campo de percep- ção psicológica que traduz o que é relevante para si, seumundo interno, suas considerações que o fazem compreender o fundo da questão e a percepção do aparente neste interjogo. Por vezes, a realidade apresenta-se associando a isso a compreensão de que a noção de parte da compreensão psíquica se configura e faz parte do todo e vice-versa, em uma construçãoque visa apercepçãoda figura completa, que será a Gestalt completa, a forma completa para a compreensão de algo. Interessante ressaltar que o sentido do insight é valorizado nessa metodologia dos efeitos provo- cados em si, que são importantes como construção do entendimento das formas e de toda a realidade que a compõem. Kurt Lewin é dos proeminentes estudiosos e criador da Gestalt terapia, na qual prosseguiu para além da visão psicobiologia da Psicologia, buscando, na Física, a explicação para a percepção como sendo todo o conjunto de fatores que atuamno indivíduo e que são variáveis determi- nantes da sua ótica perceptual frente ao seu campo psicológico. Existem situações vividas anteriores ao fato percebido, percepções outras, sentimentos e emoções envolvidos e, com isso, entende-se que o campopsicológico e campo social são abrangentes, dando complexidade para o que está interatuando no indivíduo e na forma comocompreende omundo, as situações e contexto que contribuempara formar a figura completa daquela realidade, sendo assim promotora de evolução pessoal, avanços e mudan- ças significativas sensoriais, emocionais, psicológi- cas, físicas, cognitivas. O campo psicológico é fenomênico e nãomeramente físico. Anotações: 40 Naconcepção deLewin, a realidade fenomêni- ca pode ser vista comoo ambiente comportamental segundo a Gestalt, ou seja, a forma única como uma pessoa percebe uma situação específica. No entanto, Lewin não limita esse conceito apenas à percepção, enquanto um fenômenopsicofisiológico. Ele abrange também traços de personalidade do indivíduo, fatores emocionais relacionados ao grupo e à situação enfrentada, bem como experiências passadasqueestãoconectadasaoevento, conforme são representadas no espaço de vida atual dessa pessoa. (BOCK; FURTADO, TEIXEIRA, 2018, p. 65) Abordagem da Psicologia Histórico- Social Esta abordagem foi concebida por Vygotsky e outros pesquisadores russos direcionados ao aspecto da aprendizagem, educação e da influência social enquanto pertencente a grupos que lhe representam. Firura 11 Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima- ges?q=tbn:ANd9GcSkjeQoW7L4-shEVrXXGcf9wCVe- A0ivyMlcYQ&usqp=CAU Anotações: 41 Aqui, o objeto de estudo está emcompreender que o psiquismo não está tão somente na vivência interna do indivíduo ou pessoal, e sim incluindo a sua interação direta comomundo, comos fatos que tornam viável uma construção e trajetória, onde todas essas influências do ambiente externo de concepções sociais são relevantes para seu enten- dimento psíquico, fazendo parte do contexto social e não está apartado dele. Portanto as esferas psíquicas individuais, bem como sua participação, como elemento produtor da cultura e social, contribui para ela e interfere, assim, na suaevolução, bem como recebe as suas influências . Tal abordagem da Psicologia ocupa o espaço global da Europa e EUA nos anos 70, disseminando suas ideias e ganhando grande repercussão e aderência pelos pesquisadores e acadêmicos de todo o mundo. Chega ao Brasil nos anos 80, sendo perfeitamente apropriada e adaptada para o contex- to, propondo uma visão de um homem que se faz à medida da sua sociedade juntamente com outros cidadãos. O Homem, portanto, é um ser ativo, dinâmico, social e histórico, que interfere diretamente na sociedade e obtém dela respostas de acordo com o que produz e contribui. Faz parte da história e é um agente desta sociedade que lhe repercute de volta, evoluindo para a formação de seu psiquismo. Não é um ser hermético e fechado, e sim conectado e estabelecido pelas suas relações humanas e sociais, extrapolando o grupo familiar e ganhando expressão dos acontecimentos. É um ser histórico que tanto contribui para ela como também é influenciado por Anotações: 42 esta sociedade e pela história que é feita e compar- tilhada por todos. O sentido de pertencimento poderá ser alto, traduzindo-se em exclusão e delimitando a ótica e psiquismo que governa seu comportamento e sua trajetória por estas compreensões da realidade que entende fazer parte. O Homem é criado por ele mesmo, desenvolvendo suas próprias aptidões. Seu mundo psíquico semodifica, pois, sua configuração e constatação parte da influência do seu mundo material e pelas formas de organização social que os cidadãos vão construindo no decorrer da história conforme aponta Vygotsky (apud Bock; Furtado, Teixeira, 2018, p. 86) SAIBA MAIS: FERRARINI, N.L.; CAMARGO, D. O professor de Psicologia diante damultiplicidade e diversidade teórica da Psicologia: lugar de incertezas e de desafios. Psicol. Ensino & Form., Brasília, v. 5, n. 1, p. 32-49, 2014. Disponível em O professor de Psicologia diante da multiplicidade e diversidade teórica da Psicologia: lugar de incertezas e de desafios (bvsalud.org) Acesso em 07 demaio de 2021. U ni da de 3 Videoaula 2 Videoaula 4 Videoaula 1 Videoaula 3 Videoaula 5 45 46 PSICOLOGIA NO BRASIL E TENDÊNCIAS NA ATUALIDADE O Início da Implantação da Psicologia no Brasil A Psicologia no Brasil passa por um caminho histórico, traçado por transforma- ções que ocorrem a partir de uma concep- ção inicialmente comprometida com o indivíduo, seguindo para um sujeito da sua história. Cambaúva, Silva, Ferreira (1998) abordama importância do percurso históri- co na apreensão de umaciência psicológica enquanto uma prática social e que entende que seus fundamentos históricos e filosófi- cos estejam ligados à própria forma de o Homem viver e se expressar na sociedade. Anotações: 47 Ahistória vai seconsolidando àmedida emque essa trilha vai sendo feita; ou seja, não cessa aqui e tende a prosseguir de acordo com os avanços da Psicologia noBrasil. Esta acompanhará, por sua vez, a contemporaneidade. Figura 12 Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima- ges?q=tbn:ANd9GcTXytbq5O7Je9b8KAC4mfK0L-jzjL9y- Vui2hw&usqp=CAU APsicologia noBrasil, regulamentada em 1962, partiu domodelo biológico, de uma analogia acrítica e a-histórica entre os meios natural e social, aos quais oHomemse ajusta à sociedade, atendendo ao modelo socioeconômico capitalista, racional e pautada na produtividade, tendo em vista auxiliá-lo a se adaptar ao sistema vigente. Não diz respeito a nadaqueocolocasseemconflito eo fizesseelaborar ideias subjetivas e criar pensamentos de contesta- ção e reflexão aomodus operandi. Anotações: 48 Essa perspectiva se alinha à época política que o país atravessava, período de ditadura onde as liberdades individuais e coletivas estavam forte- mente controladas e reprimidas, e o enfoque tradicionalista na questão do comportamento social era tido como aceitável e como forma de manter estabelecido ou intacto o modo de vida vigente. O modelo biológico da Psicologia foi adotado como aquele que menor traria desajustes ao panorama social e político, prosseguindo com os padrões vigentes. Nova Concepção da Psicologia Brasileira O indivíduo não se limita à dimensão biológica. Sua capacidade de criar ideias, formular subjetivi- dades, dar sentido e significado para as pessoas, situações e fatos de sua vida, tanto pessoal quanto SAIBA MAIS: Para conhecer a respeito das Bases Curriculares dos Cursos deGraduação emPsicologia regulamentado veja em: BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Conselho Nacional de Educação. Resolução n° 5, de 15 de março de 2011. Institui as Diretrizes CurricularesNacionais para os cursos de graduação em Psicologia. Disponível em: index.php (mec.gov.br) Acesso em: 09 demaio de 2021. Anotações: 49 coletiva, lhe possibilita pensar a vida e interagir, compartilhar com outros essas ideias e vice-versa. Nessa perspectiva, o indivíduo acaba sendo produtor da própria cultura e faz parte da história tanto sua como de todos enquanto sociedade, quando transmite aoutras geraçõesessacompreen- são. Houve um caminho a ser percorrido para que chegássemos ao Brasil mais aproximado de um contexto democrático enquanto Estado de Direito. Figura 13 Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima- ges?q=tbn:ANd9GcQoX3FxSgGUqnY6lMkwYxF00- Jiv5jY5zmDfyw&usqp=CAU Achcar et al. relatam que uma comissão foi criada em 1984 noBrasil comopropósito de estabe- lecer um novo currículo para a formação dos psicólogos e uma integração entre conselhos e universidades que pudesse repensar a defasagem advinda dos anos 50, que promulga uma postura do psicólogo como mero “avaliador de características psicológicas” (destaque da autora), de uma modali- dade de intervenção não transformadora do indiví- Anotações: 50 duo, com ênfase em algo que lhe colocasse em conexão com a sociedade. O papel do Conselho Federal de Psicologia aparece como articulador da política da atuação do psicólogonoBrasil a fimdedar as bases curriculares e as diretrizes ao Ministério da Educação e Cultura - MEC. OMinistério do Trabalho demandou a descri- ção das atividades da carreira de psicólogo e sua função para o Catálogo Brasileiro de Ocupações – CBO, o que representou a oficialização e regulamen- tação da profissão. Não havia, até então, por parte do Conselho Federal de Psicologia – CFP, uma visão, missão e propósitos definidos de forma estruturada na adoção de uma política voltada à atuação prática destesprofissionais. Relata aindaque, nesteperíodo, 1984, talmovimento partiu de dois pontos objetivos: 1. Que conselhos regionais e universidades estariam interligados e agiriam referendan- do tanto às exigências de currículo (teoria) quanto da atuação (prática); 2. A necessidade de reunir informações relevantes para que CFP, MEC e Universi- dadespudessemavaliar e decidir sobre tais cursos e currículos, como na prática. Esta base de dados e de informações, confor- me(ACHCAR, 1988, p. 11), estruturou-se em três eixos importantes: 1. O perfil do psicólogo – formação, campo de atuação e condições de trabalho; 2. A Demanda da Social do Psicólogo - campo de atuação, características e potencialida- des; Anotações: 51 3. A Demanda social e formação profissional do psicólogo. Omovimento do item 1 acabou tornando-se um diagnóstico da situação do exercício profissional no país e forampublicados no livro “QueméoPsicólogo Brasileiro?”. O item2 representou o aprendizado dos caminhos inovadores da profissão pormeio de uma revisão bibliográfica, cujos resultados foram apresentados no livro “Psicólogo Brasileiro: cons- trução de novos espaços” (1992). O movimento se tornou, posteriormente, mais dinamizado e com a adesão de muitas instituições formadoras que se debruçaram em criar uma carta de princípios que embasa os estudos e debates sobre formação e atuação profissional. O item 3 domovimento tratou de elaborar uma pesquisa com dois objetivos fundamentais que pudessemcontribuir para estruturar umcaminho de mudanças, tanto naprática comona formação, cujos propósitos foram: a. Descrição da atuação profissional e suas tendências em seus campos de trabalho e os requisitos, habilidades, base de conhe- cimento para atuar; SAIBA MAIS: Acesse para ver em documento oficial da Resolução 13/2007 abordando as diversas especialidades do psicólogo contemporâneo. Disponível em: Áreas de Atuação do (a) Psicólogo (a) - CRP09. Acesso em 09 de maio de 2021. Anotações: 52 b. Levantar as adversidades da carreira, desde a formação acadêmica ou universi- tária e poder estruturar tal conteúdo para os cursos de formaçã Tendências da Atuação Profissional Aopensarmosemtendências, necessariamen- te refletimos sobre as práticas contemporâneas, as que se transformaram e foram criando desdobra- mentos significativos, dando sentido a um anseio existente na formação e escolha da sua área de atuação, como pensar na própria abrangência do trabalho psicológico. Não é possível abarcar tudo. Então, o psicólogo se vê diante de uma escolha que é apropriada de acordo com necessidades que compreende o contexto social e as demandas que percebe da população ou público ao qual destinará sua atividade, seu foco de intervenção. Anotações: 53 Figura 14 Fonte:https://media.istockphoto.com/photos/senior-man- making-notes-while-speaking-with-online-psychologist Com a evolução da Psicologia brasileira, a compreensão psicológica parte de ideias subjetivas sobre o mundo, sobre si mesmo, e sobre a vida e as outras pessoas enquanto processos individuais, contando com suas percepções e emoções. Atin- gem, assim, umaabrangência junto à sociedade, pois a medida em que o indivíduo compreende uma dimensão intrapsíquica, também evolui numa dimensão de coletividade. Namodernidade, assistimos a importância da existência, das escolhaspessoais edirecionamentos de caminhos, partindo de uma única premissa bastante significativa: quem sabe de si mesmo, é a própria pessoa. Curiosamente, tal repercussão se concilia como sentido dePropósito e Felicidade que o ser humano busca, alémde bem-estar e qualidade de vida, bem como com a tentativa de suprir neces- sidades driblando certo mal-estar quando a ansie- dade, depressão e síndromes diversos ganham espaço na vida desarticulada de humanidade. Podemos, inclusive, perceber que, em tempos atuais, os recursos da saúde mental vêm sendo extremamente demandados, exigindo das pessoas equilíbrio, muito aprendizado voltado para uma conduta socioeducativa que faça prosperar em outras formas de convivência que não vinhamsendo muito praticadas. Sai a proporção do individualismo que sempre foi observada e entra um espírito de solidariedade e colaboração necessária. A saúde mental equilibrada a partir de 2020 vem sendo tratada e abordada como um dos Anotações: 54 elementos fundamentais para se viver. A dedicação a este aspecto tende a sermais evidente pois as pessoas estão cada vez mais envolvidas com questões que as afligem enquanto sociedade. Estamos diante de uma nova concepção de realida- des, a presencial e a virtual – sendo ambos elemen- tos do real na chamada transformação digital. A presençado sujeito semprenosofereceu veracidade e materialidade aos fatos e no contexto atual exercitamos outra forma de existir que envolve uma outra forma de presença semque seja física, porém virtual, o que não representa ausência de ressonân- cias, sentimentos, emoções, propagação de ideias e dimensão psíquica de si e sobre todas as coisas. A ciência da Psicologia considera outros fatores que vão influenciar o comportamento humano, tais como as funções metabólicas orgâni- cas, a motivação para algo, os recursos cognitivos da inteligência que conferem a aptidão para apren- der, apreender conhecimentos, compreender e poder utilizar emmomentos adequados, assimcomo se valer de outros recursos quando tais condições cognitivas não forem tão exigidas. É relevante também, para a Psicologia, os aspectos envolvidos da cultura, pois o indivíduo é produtor da sua própria referência e identidade cultural. É fundamental as influências ambientais que predispõem as diferentes situações de acordo com o clima, temperatura e outras variáveis. Tambémse torna relevante a socialização, o pertencimento a grupos, família e outros que lhe dão referência identitária, assim como a genética, os estudos do DNA do genoma humano e o próprio temperamento mais predisposto a uma extroversão ou introversão. É possível ocorrer uma variação, como a melancoliaesuapropensão,ouadepressãoeestados Anotações: 55 de ansiedade que fazemparte do temperamento do indivíduo e sua propensão para tal. Todos esses fatores, em outros casos variáveis, são conheci- mentos valiosos para uma melhor análise para que possamos, na prática profissional, prever situações e condições, modelar condutas mais favoráveis e controlar condutas indesejáveis, por exemplo. Assim, a Psicologia pode ser bemmais orientada na sua prática. De acordo com o portal do Conselho Federal de Psicologia – CFP, as áreas da Psicologia no contexto atual são: 1. Análise do Comportamento; 2. Avaliação e Medidas em Psicologia; 3. História da Psicologia; 4. Métodos em Psicologia; 5. Neurociências, Neuropsicologia; 6. Processos Psicológicos Básicos; 7. Psicobiologia, Psicologia Evolucionista, Psicologia Animal; 8. Psicologia Ambiental; 9. Psicologia Clínica, Psicanálise; 10. Psicologia Cognitiva; 11. Psicologia Comunitária; 12. Psicologia da Aprendizagem; 13. Psicologia da Saúde; 14. Psicologia do Desenvolvimento, Psicomo- tricidade; 15. Psicologia do Esporte; 16. Psicologia do Trabalho e Organizacional; 17. Psicologia do Trânsito; 18. Psicologia Educacional e Escolar, Psicope- dagogia; 19. Psicologia Jurídica; 20.Psicologia Social; 21. Saúde Mental e Psicopatologia; Anotações: 56 22. Temas transversais; 23. Teorias e Sistemas em Psicologia. Fonte: Disponível em Tabela Revista Areas Psicologia atualizada (cfp.org.br) Atuação clínica - psicoterapia A Psicoterapia é a prática terapêutica do atendimento psicológico que se pauta na interação de um processo comunicacional, onde o psicólogo estabelece um vínculo de acolhimento, empatia e compreensão da condição humana do sujeito/clien- te, que busca não tão somente ser ouvido, como também se ouve ao abordar sua temática ao tera- peuta, aomodo como estabelece a ligação emocio- SAIBA MAIS: Leia a sobre a regulamentação da função do psicólogo brasileiro: BRASIL. Lei n° 4119, de 27 de agosto de 1962. Dispõe sobre os cursos de formação em Psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo. Brasília. Disponível em: L4119 (planalto.gov.br) Acesso em: 09 demaio de 2021. Anotações: 57 nal, das emoções e sentimentos presentes e pela forma como constrói sua dor, sofrimento e vivência de conflito íntimo e existencial diante da vida e de tudo o que é importante para si. Figura 15 Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima- ges?q=tbn:ANd9GcRdG8AOid6bBAKEzfSQBUuJwUp8KGq- GeIqj4A&usqp=CAU A proposta da consulta clínica emPsicologia é a interlocução com o cliente, tornando possível ao sujeito um diálogo interno, como se estivesse falando consigo mesmo. Nesse momento, o tera- peuta realiza indagações e colocações que dinami- zam e contribuem ao conhecimento de si, sua história e identidade diante da própria realidade. Historicamente, aclínicapsicológicaestá ligada à prática da psicoterapia. Esta prática pode ser caracterizada como uma fusão entre arte e ciência, com o objetivo de aliviar o sofrimento humano originado de conflitos e distúrbios emocionais. É considerada umaarte porque envolve a execução de Anotações: 58 técnicas que dependem de habilidades intuitivas. Aomesmo tempo, é uma ciência, pois baseia-se nas evidências fornecidas pelos resultados obtidos, conforme apontado por Freud (1938-40/1998). A psicoterapia é umprocesso de comunicação onde um profissional entende e atua em relação a outra pessoa (paciente/cliente) que deseja ser escutadaou tratada. Esse serviçopodeser oferecido individualmente, em grupo, para casais ou famílias, e pode se expandir para incluir o atendimento comunitário, abrangendo diversas combinações sociais e culturais. Ela pode incluir o uso de expres- sões corporais como dança, desenhos, mímica e teatro. Em geral, essas manifestações expressivas são então direcionadas para uma avaliação verbal, abordando aspectos vivenciais, cognitivos e com- portamentais (GOMES & CASTRO, 2010, p. 81-93). A Psicologia clínica surgiu como a principal atuação do psicólogo, como vimos no acompanha- mento histórico, comaevoluçãodas escolas e linhas de pensamento que envolvem uma forma de pensar e atuaçãoprática, bemcomoumametodologia junto ao indivíduo e suas questões. Em 2008, a Associação Americana de Psico- logia – American Psychological Association – APA, passouacompreender aPsicologia clínicacomouma das especialidades de promoção da saúdemental e comportamental aplicada a umagamadepropósitos a: indivíduos, famílias, comunidades, na educação, supervisão, orientação, organizações, instituições, treinamentos e, por fim, à uma prática baseada em pesquisa. Abrange pessoas com idades diversas, participantes de sistemas e diversidades múltiplas e integra-se comdemais disciplinas dentro e fora da Anotações: 59 Psicologia propriamente dita, aplicando-se a: estruturar um diagnóstico e um caminho de inter- venção; identificar a existência de psicopatologias; dificuldades e questões de saúdemental de acordo com o histórico de vida do sujeito; promover a avaliação psicológica para fins diversos, como na estruturação de um perfil com testes de personali- dadeeoutrasmedidas para assegurar umaavaliação envolvendo áreas profissionais. Por fim, integra-se com demais profissionais e organizações em situações de patologias severas e graves comosuicídio e casos de violência variadas, onde se faz necessária uma atuaçãomultidisciplinar e o contato do psicólogo com outros recursos disponíveis para atender melhor o caso, como psiquiatras,médicos, órgãodeproteção, assistência social, contexto jurídico e polícia. O psicólogo também está presente nas pesquisas, a fim de propor revisões importantes na literatura e na produção do conhecimento e na forma de pensar dos profissionais de saúdemental, haja vista as transformações que ocorrem na sociedade, no mundo, no seu ambiente privado, familiar e profissional. A prática profissional do psicólogo clínico é prestar atendimento a indivíduos, casais e famílias de todas as etnias, idades, culturas, comunidades. Aborda questões do comportamento e da saúde mental enfrentadas pelos indivíduos, seja por dificuldades e conflitos de ordem intelectual ou social, dificuldade de aceitação da realidade, desconfortos, psicopatologias das mais leves, moderadas a graves e necessidade de melhor compreensão sobre alguma etapa da vida. De acordo com a American Psychological Association – APA (2014), a atuação do psicólogo no segmentodaPsicologiaclínica oudeaconselhamen- Anotações: 60 to se propõe a avaliar e tratar transtornos mentais, emocionais e comportamentais. Integram a ciência daPsicologia e o tratamento de problemas humanos complexos com a intenção de promovermudanças. Pela sua multiplicidade de atendimento a públicos diversos, entendemos a ação múltipla do trabalho clínico por meio de todas as ações possí- veis apresentadas acima, seja por atender públicos diferentes, seja por associar-se à outras ciências, seja por atuar junto a outros contextos como instituições, organizações, clínicas e equipamentos públicos. Inovação na Prestação de Serviços em Psicologia Na modernidade, estamos assistindo a transformações extremamente ágeis de uma era disruptiva em vista da aproximação cada vez maior do homem ao emprego das tecnologias. Com esse cenário, o indivíduo está incentivando novas postu- SAIBA MAIS: Conheça o site da American Psychological Association - APA, artigos e outras informações. Disponível em Clinical Psychology Solves Complex Human Problems (apa.org) Acessado em 3 demaio de 2021. Anotações: 61 ras diferentes de antes e exigindo de si uma trilha diante das incertezas e das adversidades de um mundo plural. Figura 16 Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima- ges?q=tbn:ANd9GcRB0OwogqT1CJG1MnIAbAV49- NOqcv3FFMX6Bg&usqp=CAU Observam-se tendências na contemporanei- dadenoempregode umaPsicologiaquesejapontual para uns, atuando sobre a temática que é o foco do problema. Modalidades como a Psicoterapia breve ou Psicoterapia focal são algumas delas, propondo- se a destravar padrões de respostas de comporta- mentos nada funcionais, bem como situações que requeremo fortalecimento da pessoa e, consequen- temente, uma resposta mais rápida em vista da necessidadedeumaorganização, para, então, poder aprofundar nas causas e origens de sintomas e problemáticas. Verifica-se tambémo cultivodaespiritualidade enquanto recursoda inteligência queoconecte com algo de uma expressão maior, divina, que atribui ao indivíduo elementos da sua fé, oferecendo equilí- brio, estado depresença, contato comsua essência, descobertas de seu propósito de vida através da Anotações: 62 inteligência espiritual, a necessidade do emprego de valores humanos universais, uma ética para a vida. Além disso, é evidente que muitas pessoas buscam superar desafios, desenvolver resiliência e cultivar a capacidade de alcançar sucesso em suas empreitadas, concluindo projetos e planos de vida. Para tanto, elas recorrem à criatividade, utilizando- a como uma ferramenta para encontrar soluções para essas situações e promover mudanças, além de atingir ummaior nível de conscientização. No século atual, o ser humano é chamado a melhorar continuamente, a criar dentro de seu contexto social, contribuindo de maneira significa- tiva na tentativa de se tornar um indivíduo mais evoluído em termos existenciais. Na atualidade, seguindo a linha da Psicologia Positiva, há um crescente interesse em fazer escolhas pessoais mais acertadas e entender os caminhos que levam a experiências bem-sucedidas. Isso implica cultivar emoções e sentimentos positivos, que direcionam os indivíduos a alcançar melhores resultados em termos de bem-estar, sensação de plenitude e felicidade. Trata-se de viver uma vida com propósito, clareza de missão e uma visão ampla da própria realidade, alinhando-se ao movimento que está solidificando a ciência da felicidade. Esse conceito emergiu como uma forma de compreender o aumento dos estados de depressão e estresse, além de buscar o que gera verdadeiro bem-estar nas pessoas. Diante disso, pode-se dizer que muitos aspectos positivos da vida eram desprezados. Na Universidade deHarvard nos EUA, a implantação no Anotações: 63 currículo acadêmico da disciplina Felicidade promoveu uma alta popularidade, e vem sendo replicada em outros ambientes da universidade o que chamoumuito a atenção para o fato de que este tema acaba trazendo umnível de indagação que nos faz pesquisar o que pode tornar a vida humana uma sucessão de melhores experiências, a fim de combater o mal do século: a depressão. Sabemos que esta doença psíquica, assim como a ansiedade, descontentamento, frustração constante e exces- so de experiências dramáticas vem provocando desesperança, isolamento, falta de perspectiva, sentimento de defasagem e não pertencimento. A Psicologia positiva não é autoajuda e nem deve ser confundida. O segredo da felicidade, de acordo com os pesquisadores, é a vivência com qualidade da própria realidade, de forma que seja possível viver a vida como ela é, ao invés de esperar oualimentar ideias sugestivase fantasiosasdecomo esta vida poderia ser. Aceitar a realidade coloca apessoa emcontato com o desafio e com recursos da criatividade que serão fundamentais para exercitar a resiliência. Poderá ser grata pelo que está diante de si mesmo e viver o contentamento que a própria vida pode oferecer, conectando-se comaexperiência positiva à sua volta, até mesmo detalhes que antes não considerava como representativos, uma qualidade que anteriormente não foi experimentada e sentida. Sua mente estava voltada para uma constante conquista do sucesso, fama e dinheiro, de forma a negar outros aspectos igualmente importantes na vida. A ciência da felicidade coloca o ser humano na dimensão do viver na potência máxima. Mudanças Anotações: 64 cerebrais são visíveis por análises da plasticidade cerebral, equipamentos que medem os sinais do cérebro do modo como as pessoas reagem a certos estímulos negativos de sofrimento, dor, trauma e também àqueles opostos, tais como os compassivos, de compaixão, de alegria e comparti- lhamento. Nessas experiências neurocientíficas estamos verificando a diferença do comportamento cerebral diante de tais estímulos e a diferença entre eles. Essas testagens são feitas com o intuito de medir as respostas dadas pelas pessoas de acordo com a vivência. Ao deixar o pensamento fluir, a pessoa reage de acordo com as emoções que ela nutre em si mesma naquelemomento, sempermanecer estaci- onado nas memórias negativas que ficam retidas, influenciando a vida da pessoa. As emoções positi- vas liberam serotonina, dopamina e ocitocina, que trazem prazer ao corpo e à mente. Por sua vez, as emoções negativas alteram muito o ser humano, sobressaltado por coisas que marcam na memória e que ficam registradas, podem ser experiências traumáticas, sofrimento psíquico, esgotamento emocional e emoções queficam retidas namemória e são constantemente lembradas pelo cérebro. Quando sublimadas, agemde fundo, interferin- do em aspectos sensíveis, como a autoconfiança, segurançae amotivação.Muitas vezes, a pessoanão percebe por que perdeu a motivação para realizar atividades, apenas se vê desanimada, procrastinan- do diante da realidade, retardando e adiando o prazer. São essas experiências sequenciais de desprazer e falta de acolher as boas vivências para próximo de si que tem feito milhares de pessoas adoecerem, pois não se sentem felizes. Anotações: 65 As sensações felizes nos fazem fluir e nos encorajam a prosseguir e interferir na própria realidade com responsabilidade e realismo. Não se trata de se entorpecer, anestesiar ou negar a realidade, pois lidar com uma vida repetitiva, mecanizada, quenãoé refletida e tão somente vivida com total ausência de gratificação, propicia que a rígida experiência imposta, os registros de emoções e sentimentos dolorosos, tornem a vida um fardo pesado. Torna-se cheia de excessos sem a inclusão da gratificação, do gozo, da leveza, da serenidade e calma, levando o indivíduo a sucumbir a processos como insatisfação crônica, ansiedade, depressão e outros estados de rigidez psíquica. Isto conduz o indivíduo a um esgotamento e redução da imunida- de e do fluido vital, assim como a ocorrência de doençasafetivasquedificultamsuaconvivência com pessoas, do bom relacionamento humano, da geração de empatia, do autocuidado, autoamor, sincronicidade com a vida e com situações. A forma como reagimos diante de emoções tristes e