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HISTÓRIA E
PSICOLOGIA
GERAL
Escaneie com seu
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HISTÓRIA E
PSICOLOGIA
GERAL
FAMETRO
Av. Djalma Batista, Nossa Sra. das Graças. Manaus, AM
Ficha catalogada na Biblioteca CEUNI-Fametro
Todos os direitos reservados© FAMETRO
IME Instituto Metropolitano de Ensino Ltda
Wellington Lins de Albuquerque | Presidente - IME
Maria do Carmo Seffair | Reitora
Cinara da Silva Cardoso | Pró-Reitora
Wellington Lins de Albuquerque Júnior | Vice-Reitor
Leonardo Florêncio da Silva | Diretor de Operação e Acadêmico EaD
Dayane Francis da Silva Almeida | Diretora de Capitação, Retenção e Expansão EaD
Meg Rocha da Cunha Serra | Coordenação de Operações Acadêmicas EaD
Ana Augusta de Oliveira Simas | Supervisora de Produção e Revisão
Anderson Souza | Diagramação
Gissele da Silva Fonseca | Revisora
Imagens | depositphotos.com
Imagens | pixabay.com
Imagens | pexels.com
"Nos termos da Lei n.º 9.610/98, o autor desta obra é titular de todo o complexo de
direitos autorais sobre a presente criação. Assim, é vedada a cópia, reprodução,
edição ou distribuição desta obra sem autorização expressa do Autor ou da Editora e,
ainda é vedado utilizar, citar, publicar esta obra integral ou parcialmente sem deixar
de indicar ou anunciar o nome, pseudônimo ou sinal convencional do autor sob pena
da aplicação das medidas previstas nos Art. 101 a 110 da Lei n.º 9.610/98."
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“É a educação que faz
o futuro parecer um
lugar de esperança e
transformação”.
(Marianna Moreno)
“Sejam todos e todas bem-vindos ao EaD
do Centro Universitário Fametro”
O Centro Universitário Fametro acredita que o
papel de uma instituição de ensino é formar não apenas
profissionais, mas também formar profissionais no
Ensino Superior, com valores éticos, humanísticos e
com respeito ao meio ambiente capazes de contribuir
para o desenvolvimento da nossa Amazônia.
A Fametro, portanto, tem premissas claras a
cumprir como instituição de ensino de qualidade.
Praticar o ensino, pesquisa e extensão é a sua principal
bandeira.
A Fametro, ao longo das últimas duas décadas,
vem se consolidando como a melhor instituição de
ensino do Norte, um espaço democrático e docentes
com variadas visões de mundo. Somos uma instituição
de ensino plural que avança a cada ano embusca sempre
de desenvolver a economia da Amazônia. Nossa
estrutura é moderna, estamos em diversos municípios
levando uma educação inclusiva e de qualidade.
Conheça o Centro Universitário Fametro e viva a
experiência em estudar numa instituição com o corpo
docente com mestres e doutores e de qualidade de
ensino comprovada pelo MEC.
Maria do Carmo Seffair
Reitora
Su
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UNIDADE I - O PERCURSO DA
PSICOLOGIA ATÉ SE TORNAR
CIENTÍFICA
Epistemologia 4
O Funcionalismo, o Estruturalismo
e o Associacionismo
9
A Ciência do Comportamento 13
Origem Histórica da Psicologia 17
A Ciência da Produção do
Conhecimento Psicológico
20
UNIDADE II - AS ESCOLAS DE PSICOLOGIA
QUE GERARAM OUTRAS NOVAS
A Abordagem da Psicanálise 28
A Abordagem Behaviorista 31
A abordagem
humanista-fenomenológica
35
A abordagem teórica gestalt 37
Abordagem da Psicologia
Histórico-Social
40
UNIDADE III - PSICOLOGIA NO BRASIL E
TENDÊNCIAS NA ATUALIDADE
O Início da Implantação da
Psicologia no Brasil
46
Nova Concepção da
Psicologia Brasileira
48
Tendências da Atuação Profissional 52
Atuação clínica - psicoterapia 56
Inovação na Prestação de
Serviços em Psicologia
60
UNIDADE IV - O POTENCIAL DA CONEXÃO
MULTIDISCIPLINAR DA PSICOLOGIA
Uma Maior Amplitude e
Acesso da Psicologia
70
A Psicologia Aplicada e suas especialidades 73
Identidade do Psicólogo 77
Diferenciação entre Psicologia
e outras terapias
84
O Caminho Profissional
Depois da Graduação
92
Referências 103
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O PERCURSO DA
PSICOLOGIA ATÉ SE
TORNAR CIENTÍFICA
Epistemologia
Elementos fundamentais marcam a
distinção entre as teorias psicológicas,
como Epistemologia e Antropologia. A
Epistemologia se ocupa do estudo do
conhecimento e da fonte de todo o saber,
distinguindo o que é ciência de senso
comum, bem como a Antropologia se refere
ao estudo do ser humano em sua cultura,
como alguém promotor desta e como
indivíduo resultante das suas interações
sociais. Assim, o estudo etnográfico que a
Antropologia propõe descreve detalhada-
menteo indivíduoemsua funçãosocial como
parte da cultura que vive.
Anotações:
5
Figura 1
Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2019/11/30/20/40/
cold-4664180__340.jpg
“A Psicologia é uma disciplina científica
dedicada a explorar os processos mentais, exami-
nando como os pensamentos, emoções, sentimen-
tos e comportamento humano estão relacionados.
Ela também se concentra na dinâmica do funciona-
mentomental e na forma como o indivíduo interage
com seu ambiente.” (FORTES DA SILVA, 2014, p. 9).
O termo ‘psicologia’ deriva de duas palavras
gregas: psique (alma) e logia (estudo de). O objeto
central de estudo da Psicologia é o Homem, mas
também pode se valer do estudo em animais para o
encontro de algumas respostas que possam ser
aplicáveis aoorganismohumanoeacondicionamen-
tos de comportamentos que podem ser previstos
em pessoas. Tais pesquisas feitas em animais são
assim realizadas para inibir riscos à integridade das
pessoas e poder utilizar animais ao invés de indiví-
duos humanos, onde a açãodos experimentos possa
proporcionar qualquer situação não prevista
(FORTES DA SILVA, 2014).
Anotações:
6
O método de trabalho da Psicologia se dá por
meio da observação empírica em relação a um
fenômeno, da descrição, da análise, explicação,
revisão e controle de determinado comportamento
econdutaqueseja reforçado, adotadoougerenciado
como melhor resposta para aquela situação
em determinado momento/circunstância. Além do
evento emsi, fato ou fenômeno, há de se considerar
o contexto e o ambiente, pois, para determinadas
situações, a ocorrência de determinados comporta-
mentospoderánaturalmente fluir paraumacondução
e, em outras circunstâncias, serem encaminhadas
para algo totalmente diferente.
Em Psicologia, inclusive, é comum dizermos
que cada caso é um caso e que, ainda que haja
algumas generalizações ao se compreender deter-
minados fenômenos, as pessoas possuem peculia-
ridades tais que este aspecto influenciará direta-
mente na análise e, consequentemente, na
intervenção a ser feita.
Existem outros recursos de medição das
condições psíquicas usadas como forma de medir
ou controlar o seu impacto na vida humana com as
quais podem ser feitas pesquisas com a aplicação
de estímulos e reflexos criados para verificar
determinada ação ou resposta, sejamestes estímu-
los sonoros, visuais, de movimentos físicos ou
estímulos outros que venham repercutir a evolução
de um raciocínio ou produção mental, assim como
o reflexo diante de dado estímulo.
Anotações:
7
Observar e descrever o comportamento humano
requer metodologia exata, e posterior análise
confiável dos dados, e neste sentido a neurociên-
cia tem realizado grandes avanços. As pesquisas
ocorrem em dois níveis: (1) estudo de complexos
padrões de comportamento, como a personali-
dade e (2) reações psicofisiológicas decorrentes
de estímulos internos ou externos. (FORTES DA
SILVA, 2014, p. 10)
Novosmodelos de produção do conhecimento
científico daPsicologia foramsendoassociados com
ométodo da ciência natural, a Física, e emmeados
do século XIX passa também a ser estudada pela
ótica da Fisiologia e pela Neurofisiologia Cerebral,
com estudos sobre o Sistema Nervoso Central, a
chamadamáquinadopensar. Aeste caminho trilhou-
se a chamada Psicofísica, tornando a Psicologia
mensurável pela Lei do estímulo-resposta. Portanto,
existem elementos originais de distinção entre a
Psicologia comportamental behaviorista e a Psica-
nálise.
Por princípio, a discussão para as bases
teóricas e práticas de cada linha de pensamento ou
abordagem psicológica observam os limites entre
uma e outra, a fim de torná-ladifíceis cria umdeterminado funcionamen-
to cerebral que se torna memória, facilmente
lembrada posteriormente e que reverberam as
emoções mesmo que as situações não estejam
ocorrendo. Tornam-se o fundo da vida da pessoa,
sendo capaz de interferir na sua realidade presente,
dificultando conectar-se como dia como ele é, com
oque épossível viver. Acaba funcionandocomouma
interferência, que impede que a pessoa crie meca-
nismos criativos e restabeleça um novo modelo
mental.
A felicidade é a alegria que sentimos diante de
uma realidadeondeutilizamosnossos pontos fortes.
Anotações:
66
Há umnúcleo de experimentação noHospital Albert
Einstein, em São Paulo. Este cenário aponta para
empresas envolvidas com a Felicidade Corporativa.
É fundamental compreender que a felicidade
não é recompensada depois do sucesso financeiro
e da posição alcançada e, sim, um modo de fazer
escolhas emque se aproveita omelhor do presente,
estadodepresença. Comoseria possível umsucesso
financeiro,mesmocomosacrifício físico, emocional
e prejuízos a sua vida íntima, familiar, amizades e
relacionamentos?
Esta é uma situação pela qual várias pessoas
passar no dia a dia, deixando de estabelecer uma
vida com mais gratificação acreditando que o
sucesso está na aquisição do TER sem equilíbrio,
deixando e colocando a sua felicidade para fora de
sua vida, perdendo saúde, energia, humor, criativi-
dade e satisfação emconstruir condições favoráveis
ao seu dia.
SAIBA MAIS:
Neurociência da felicidade: como as
emoções positivas afetam o cérebro (einstein
.br) Acesso em 09 demaio de 2021.
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O POTENCIAL DA
CONEXÃO
MULTIDISCIPLINAR
DA PSICOLOGIA
UmaMaior Amplitude e Acesso
da Psicologia
O acesso à saúde mental tem sido
valorizado na contemporaneidade, demodo
que a resposta do indivíduo o convoca à
superação de limites e a lidar com adversi-
dades. Isso vem exigindo e, ao mesmo
tempo, tornando mais consciente as
pessoas da sua importância na gestão da
sua vida pessoal, profissional e cidadã.
Também assistimos no panorama dos
tempos atuais uma reorganização do
acesso ao tratamento ao qual toda pessoa
possa passar por umprocesso psicoterápi-
co. O nível de desinformação diminuiu em
razão dos seus benefícios e um menor
preconceito quanto ao tratamento que não
representa estar louco comoalguns critica-
vamquando se dizia fazer psicoterapia.
Anotações:
71
Figura 17
Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima-
ges?q=tbn:ANd9GcRxZzPhkxERPaCdV2oQbLvr2iudDAbdJf-
hu8g&usqp=CAU
Ainda há pessoas que são descrentes, pois
entendem que se fizerem psicoterapia estarão
conversando assuntos íntimos com uma pessoa
estranha. Paramuitos, o psicólogo pode influenciar
sua vida, decisões e apresentam, como pacientes,
receios, comose estivessemali para seremguiados.
Outros têmmedo de fazer psicoterapia, na concep-
ção deles, poderá trazer mudanças para sua vida,
temem que a mudança os leve para uma condição
que não dê conta de dimensionar e administrá-la.
Portanto, a identidade do profissional psicólogo, na
visãodosusuários, podedar, para alguns, a sugestão
de enfraquecimento, de que não conseguiram
solucionar, por si mesmos, a própria vida.
Mas, como já mencionado, estas convicções
fazem parte de pessoas que mais são céticas e
temerosas quanto à mudança do que o movimento
atual emprol dos benefícios desta função. Tanto que
o psicólogo, nessa era pandêmica e pós pandêmica,
será a de ver reconhecida pela necessidade que se
tornou tão evidente a todos.
72
Anotações:Ofatoéqueaatuaçãoclínicaatingiudimensões
outras e isso significou uma verdadeira expansão
nas modalidades de atendimento psicológico,
possíveis de ocorrer e tem sido na atuação prática
do próprio trabalho psicológico, em que o caráter
científico se consolida atestando a resolução, a
elaboração dos conteúdos, a produção de novas
saídas e possibilidades, o envolvimento com uma
nova forma de pensar e consequentemente ações.
É na perspectiva da ciência que o psicólogo
promove saúde mental em contextos e ambientes
como hospitais, empresa, tribunal, escolas, univer-
sidade, centros de saúde, unidade de atendimento
básico em saúde, projetos governamentais e em
políticas públicas para defesa de direitos em casos
de violência, abandono, negligência, menores
infratores, famílias em situação de vulnerabilidades
envolvendo crianças, jovens, mulheres, idosos;
agressores, criminosos, prisioneiros emprivação de
liberdade, sistema penitenciário e em forças
armadas comomarinha, exército, aeronáutica, força
policial – e todos os profissionais envolvidos são
beneficiados.
Deve-se lembrar, também, dos inúmeros
psicólogos trabalhando comdistúrbios do desenvol-
vimento comoSíndrome de Down, com a identifica-
ção de outras síndromes comoadeBurnout (estres-
se e fadiga crônica advindo de trabalho excessivo),
envolvidos empesquisas junto a equipesmultidisci-
plinares com fins de prevenção à saúdemental.
Os que seocupamdaprevençãoemsaúde, dos
transtornos mentais psiquiátricos, nos casos de
depressão, melancolia, ansiedade, dependência
afetiva e emocional, dificuldades de aprendizagem,
relações abusivas, vítimas de violência das mais
Anotações:
73
variadas modalidades, gerenciamento de estresse,
os que trabalhamcompacientes de doenças graves
e ou crônicas como diabetes, distúrbios resultantes
do envelhecimento como Alzheimer. Todas essas
áreas têm algo em comum, são envolvidas com a
saúde emocional, mental, psicológica, do seu bem-
estar emelhoria dequalidadede vida e comaciência
da felicidade.
A Psicologia Aplicada e suas
especialidades
A Psicologia aplicada evoluiu conforme os
avanços da própria ciência psicológica, adotando
metodologias específicas para melhor atender
determinadopúblico. Com isso, associou-se aoutras
ciências e disciplinas como forma de oferecer
soluções para as novas demandas que a sociedade
apresenta.
Também se identifica umamudança de locus,
saindo do consultório ou clínicas, seu território
habitual onde o seu trabalho anteriormente num
contexto privado passa a ocupar novos ambientes,
nos quais o psicólogo clínico atua em instituições
de saúde integral coletiva como Unidades Básicas
de Saúde – UBS (atendimento multidisciplinar), em
CentrosdeReferênciasdeAssistênciaSocial –CRAS,
em clínicas universitárias, em atendimentos em
clínicas de reabilitação, ematendimentos a espaços
educacionais voltados ao melhor desempenho nos
estudos, concursos, vestibulares e outras provas de
cunho profissional como emMedicina em Direito.
74
Anotações:Figura 18
Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima-
ges?q=tbn:ANd9GcRUxW0gk14Wdl9Swqv5iioFJIuvrV-
dA3U8k6A&usqp=CAU
Na atuação de atenção integrada à saúde,
programas sociais, na ação de políticas públicas,
ensino, organizações e universo da carreira e do
trabalho, na pesquisa aplicada para determinados
fins de evolução. A ampliação da atuação do psicó-
logo enriqueceu a expressão da sua prática, dando
contornosmais definidos à sua formação. Ampliou-
se de forma a compreender melhor outras discipli-
nas e incorporá-las no seu ofício como é o caso da
Psicologia Organizacional, Psicologia Jurídica,
Psicologia Escolar, Psicologia Cognitiva, Psicologia
do Cotidiano, Psicologia Hospitalar, psicólogo Agile
Coach emequipes e times de trabalho digitais, para
citar algumas.
Nesta concepção, ele passa a entender do
negócio para poder aplicar o sentido emocional
nesta prática. Com isso, intervir e obter resultados
dossujeitosqueestãoenvolvidosalémdesi na tarefa
e também com o contexto, a circunstância e a
realização de algo. Há uma dimensão ampliada da
Anotações:
75
repercussão das ideias e do próprio pensar que atua
no comportamento de modo a possibilitar avanços
e criar tambémprocessos de inovação, o que em si,
costuma harmonizar com o contexto social, desen-
volver habilidades, reconhecer talentos e incentivar
a criação de outros novos.
Existem algumas especificidades na atuação
depsicólogosque sededicamaoestudoe tratamen-
to comportamental de víciosdiversos, de estresse
por pressão no trabalho, os que trabalham com
distúrbios deatençãoehiperatividade, estressepós-
traumático, os que trabalhamcom famílias, adultos,
jovens e crianças, idosos, profissionais que traba-
lhamespecificamente comvínculos e qualidade dos
relacionamentos, os que trabalham no âmbito da
organização e empresas, atuações sociais e em
políticas públicas com vulnerabilidades em grupos
raciais, étnicos, transgêneros, bissexuais, pessoas
infratoras da justiça, delitos e condutas destrutivas
eosqueestão atuandocoma importância ambiental
no bem-estar e qualidade de vida e, ainda, os que
atuam nas questões próprias da sociedade.
Enfim, trata-se de uma infinidade de possibili-
dades às quais os psicólogos podem atuar, que vão
para além da escolha de uma linha condutora do
pensamentoouadoçãodeumametodologia eescola
psicológica quemais se identifique.
O profissional psicólogo irá deparar-se com o
tipo de público ao qual irá destinar sua atuação
como formade atender a umanecessidade do grupo
maior da sociedade e do ponto de vista do indivíduo.
Tornam-se representativos tratar com especialida-
des, o que os distingue e acaba sendo uma forma de
se conduzir nas linhas psicológicas que o pautarão
para a realização de seus trabalhos.
76
Anotações:Cada uma das especialidades da Psicologia
assumiu uma dimensão particular somada à contri-
buição de outra disciplina para que se tornasse
científica enquanto trabalho, estabelecendo-se
métodos de atuação. Muitos conhecimentos da
administração, da gestão foramsendo incorporados
na atuação prática do psicólogo emempresas, o que
gerou a disciplina ‘Gestão de pessoas’, por exemplo.
Foi o envolvimento do psicólogo no hospital que
tornou possível o estudo da saúde e doença física e
seus desdobramentos emocionais diante da produ-
ção desta, de sua cura e vice-versa, nos estudos e
pesquisas direcionados à prevenção de determina-
dos quadros que contribuem para a produção de
doenças físicas.
É no conhecimento do contexto do judiciário
dos tribunais no acompanhamento dos casos e
processos judiciais que tornou possível a consolida-
ção da Psicologia do Testemunho, Psicologia
Jurídica, a Psicologia Criminal e todo o trabalho
voltado para pessoas em situação de privação de
liberdade em presídios e junto aos profissionais
envolvidos. É na atuação prática do psicólogo em
determinado contexto identificado por ele, como
necessário, que vem tornando possível a existência
de pesquisas a respeito. O estudo e a soma com
outros saberes que vão dando sustentação e
respaldo a este profissional que aprende a exercer
seu ofício. Inovações como a Psicologia do Consu-
mo,PsicologiadoConsumidor –disciplinasenvolvidas
na ciência maior, Marketing. Psicologia do trânsito
que trabalha também preventivamente e estuda o
comportamento das pessoas em tráfego e suas
condições para tal.
Anotações:
77
Identidade do Psicólogo
Diante de uma concepção de que o psicólogo
é um profissional que vai exercer sua profissão e,
para tal, cumprirá exigências curriculares na sua
formação universitária, somada ao período de
estágio, as supervisões, na observação atenta das
suas tendências quando a linhas de atuação meto-
dológica, vão dizer quemé este profissional e quem
se tornará, na medida em que se faz escolhas e
demarca sua identidade profissional.
Costuma-se identificar mais com uma teoria
e a buscar, na sua aplicação, uma sintonia com sua
forma de pensar e exercer na prática, a vida que tem
para direcionar. É tambémumagente transformador
da sua própria história e faz escolhas que tenham
sentido para si mesmo. Então, nesse aspecto,
entende-se que a identidade deste profissional,
consolida-se e se apura a partir domomento emque
ele cumpre o período da faculdade, como critério
curricular exigido e vai vivenciar sua profissão na
prática.
Figura 19
Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima-
ges?q=tbn:ANd9GcRgpTzFvL0lPsiq8fUFVT36PFeNk-
TAjwRvLWw&usqp=CAU
78
Anotações:No contexto atual, com a diversidade de
públicos a serem atendidos em suas mais variadas
formas, o profissional encontra temas humanos
emergentes que, verdadeiramente, inspira-o ao
estudo, pesquisa e trabalho. No aspecto subjetivo
que compreende o inconsciente, escolhe também
temáticas para desenvolver seu trabalho que, de
algummodo, representempercepçõesmais profun-
das que façamsentido para si. Isto não significa que
esteja totalmente sem critério ou às cegas neste
“vasto oceano” que é a vida emocional e psicológica
doser humanoe, principalmente, quandoele escolhe
ser um psicólogo e, mais ainda, quando escolhe
tornar-se um psicoterapeuta quando se referir ao
titulo dado àqueles que se dedicam à Psicologia
clínica que lida com processos psicológicos de um
indivíduo.
Tal aspecto é tão significativo que escolher ser
psicólogo envolve a escolha de seu campo de
atuação e a maneira pela qual irá se apresentar
perante ao público. Se irá se associar a uma clínica,
instituição, se optar pelo trabalho autônomo em
consultório privado. Na era da transformação digital
surgiram empresas que intermediam e agenciam o
modelo denegócio de assistência psicológica clínica
para empresas e instituições, que compram o
serviço como benefício para seus colaboradores.
No entanto, os psicólogos não são associados
e, sim, atendemaclientela de acordo comocontrato
feito com a instituição. Algumas tem o modelo de
start up totalmente digital, comatendimentos online
e presencial realizando a logística, cobrando uma
mensalidadedoprofissional, assimelesencaminham
o usuário/interessado que faz a escolha dentre as
possibilidades existentes de horários e outros
Anotações:
79
critérios. Com customuito reduzido para o psicólo-
go, tematraídoosnovos recém-formadosquedevem
analisar comcritério entre adquirir experiência com
aprática ematendimento nomaior número de casos
possível e a qualidade da relação terapêutica
resguardada por uma interação sem intermediação.
Certamente que democratizamapsicoterapia,
criando a possibilidade de pessoas que nunca
fizeram terapia seja pela falta de acesso à informa-
ção de sua importância e pontos positivos na gestão
da vida edeconflitos, seja por falta deesclarecimen-
to e preconceito, associando a psicoterapia com
pessoas que estãomal e fora do próprio controle. É
certo também que esse modelo de negócio da
atualidade, vem ampliando o acesso à terapia em
diversas abordagens e públicos, contribuindo para
ummaior acessodapsicologia em todas as camadas
sociais pois se a empresa lhe oferece como benefí-
cio se veem dispostos a esse serviço que de outra
forma não fariam pelo custo que o tratamento
implica.
Muitas pessoas estão pouco acostumadas a
compreender queapsicoterapia épagae isso resulta
em colocá-la como prioridade na vida, assim como
o tratamento dentário, médico, etc. Com a ideia de
que somente pessoas que possampagar, dispender
umvalor para tal, essa proposta atende esse sentido
de viabilizar a muitos colaboradores de empresas
que encontram nesse benefício uma solução para
suas questões emocionais. As empresas estão
satisfeitas pois já compreenderamaequaçãodeque
pessoas bem resolvidas, trabalham melhor e com
qualidade. Do contrário, os problemas afetam a
produtividade e o relacionamento entre pessoas, o
queacabagerandoproblemasdentrodaorganização.
80
Anotações:O ponto a se considerar é que o serviço de
atendimento psicológico massivo reflete em custo
baixo para a empresa e é irrisório para o profissional
que tem pela frente o desafio entre os seus custos
com a sua contínua formação e carreira – meio pelo
qual se reconhece e subsiste com seu ganho. Há
prós e contras na carreira do psicólogo que atua
junto a estas empresas.
O termo paciente é adotado e vem da prática
das especialidades em saúde. Porém, este termo
vemsendo repensado por alguns profissionais, uma
vez que não se trata de pessoas passivas diante do
próprioprocessodemudançasdesuavida. Eaqueles
que utilizam o termo cliente apesar de trazer uma
configuração comercial, alguém que utiliza um
serviço prestado por umpsicólogo, por umprofissi-onal que tem este ofício, é sua produção a psicote-
rapia – processo que se dará diante das questões
trazidas pela pessoa.
O ritual da sessão e mais precisamente do
setting terapêutico também se transformou com a
inserção de tecnologias como forma de gerenciar a
ocorrência de consultas remotas. Com isso, psicó-
logos na contemporaneidade estão atuando por
meio de plataformas digitais na realização dos
atendimentos e consultas de boa parte dessas.
Os casos que podem ser atendidos nesta
modalidade estão tendo sucesso tanto para os
profissionais que otimizam seu tempo e dão conta
de atender uma gama maior de pacientes. Outro
aspecto significativo também é que o atendimento
comapresença virtual temoferecido essa alteração
na ritualística do atendimento presencial até, então,
utilizada. Assim, dão uma amplitude globalizada ao
psicólogo que deixa a territorialidade, isto é,
viabilizou-se o atendimento a pacientes, indepen-
dentemente da localidade onde estejam.
Anotações:
81
Do mesmo modo, acontece em casos de
pacientes que vivememoutros países e podem, pelo
vínculo como profissional, ter sua consulta psicoló-
gica, resguardando-se sigilo. Para isto, o paciente é
orientado a estar sozinho em local adequado, com
horário e dia específicos agendado e outros pontos
que chamamos de contrato de trabalho, que são
regras que visamoferecer segurança para o atendi-
mento ao paciente, como por exemplo, como
solucionar os cancelamentosea reposição, o horário
fixo, o tempo de duração, férias do profissional, em
caso de faltas, o pagamento das consultas.
A questão que o profissional lida ao usar esse
recurso é que, ao passar por alguma deficiência
técnica dos equipamentos tecnológicos, pode
haver ruídos, por exemplo, ou a não visualização do
paciente. Logo, o profissional precisa ter como
lançar mão de outra plataforma que venha a estar
em condições de áudio(som) satisfatórias, para que
a escuta psicológica possa ocorrer, e condições de
visualizar o paciente enquanto este, por sua vez,
também visualiza as expressões do terapeuta. São
condições necessárias e na falta dessas condições
a consulta precisa ser adiada e reagendada, para não
provocar prejuízos.
O atendimento virtual gerou também ao
Conselho Federal de Psicologia a estruturação de
um cadastramento e-psi aos psicólogos que
passaram a atuar nesta modalidade contando com
onúmero de registro, assim comocomoCRPda sua
região associada ao estado do país que esteja.
O cadastramento tem vencimento e deve ser
atualizado, conformea regulamentaçãodaprofissão.
Assistimos, portanto, a esta versatilidade do
profissional psicólogo em poder gerenciar a clínica
82
Anotações:presencial e online, assim como sua atuação em
palestras virtuais e lives (encontros ao vivo por
recursos midiáticos) oferecendo informações à
população. Sem dúvida que esta participação mais
próxima irá disseminar e instruir ainda mais a
população dos benefícios e da atuação daPsicologia
na vida das pessoas.
Cria-seumaconscientização, fazendocomque
as pessoas tenhamumacapacidademaior de avaliar
e identificar situações que possam ser tratados no
contexto clínico – uma das atuações mais proemi-
nentes do campodaPsicologia.Muitas organizações
vêm optando por programas de saúde mental que
visam atender colaboradores (funcionários) e em
outras apoia-se inclusive familiares que venham a
necessitar de atendimentos. Estes vêm sendo
administrados de forma online, assim como pales-
tras abordando temas para o esclarecimento destas
pessoas que compõemaorganização ou instituição.
O departamento ou área de RH – Recursos
Humanos, vem procurando inovar neste sentido,
trazendo para a organização a clínica psicológica de
forma ágil, de forma a contribuir produtivamente
para as questões envolvendo estresse, ansiedade,
depressãoe adversidades, emumaatuaçãohorizon-
talizada: atendendo ummaior número de pessoas e
estabelecendopolíticas deconscientizaçãoparaque
procurem tais serviços.
Sem dúvida, a identidade do psicólogo está
associada à sua formação universitária, à escolha
inicial da profissão e a vivenciar esse período de
forma completa – sendo cinco anos da sua formação
emestudosdegraduação, avaliado, inclusive, através
deestágioe tendosupervisãodasua iniciaçãoprática
profissional. Os cursos de formação do psicólogo
estão vinculados a uma universidade.
Anotações:
83
Como toda profissão, o cumprimento do pré-
requisito da grade curricular é condição para o seu
exercício e podemos dizer que é o início da sua
jornada rumo à profissionalização e desenvolvimen-
to de sua carreira. O período da faculdade desenvol-
ve habilidades que serão necessárias para o pleno
exercício e os coloca em condição de extremo
aprendizado neste período de formação universitá-
ria, que demandará capacidade cognitiva para o
aprendizado epossibilitará adquirir o conhecimento,
produzindo novas indagações e buscandomeios de
participar e contribuir com omundo, pois é através
do trabalho que as pessoas se expressam e fazem
parte dele.
Somente após a formação universitária
cumprida, é que o psicólogo inicia uma nova etapa
da sua jornada de profissionalização na carreira,
quando a prática irá se constituir com solidez,
segurança e o acompanhamento de um maior
número de casos, o que vai tornando possível
estabelecer comparativos, análises, estudos e
pesquisas.
Na prática profissional, irá solidificar suas
preferências de linhas psicológicas, a transposição
de saberes de outras disciplinas para compreender
melhor as demandas do seu trabalho, a atuação
multidisciplinar em participação com equipes de
trabalho, novos estudos mais apurados e específi-
cos, vistos com profundidade e marcados pela sua
motivação e interesse em determinada temática da
sua escolha. O olhar do profissional é extremamente
importante diante do seu compromisso com sua
formação.
84
Anotações:Diferenciação entre Psicologia e outras
terapias
Houvemuitas evoluções, não tão somente dos
movimentos históricos que vieram repercutindo a
importância desta no atendimento aos casos mais
variados e emespecialidades cada vezmais amplas,
à medida em que este profissional foi entendendo
naprática da sua atuaçãoos limites e fronteiras para
a validação de um trabalho psicológico e não outra
coisa. Para algumas pessoas, ir ao psicólogo pode
ser compreendido como conversar com alguém,
como se fosse algo parecido ao que se faz com um
amigo. Para os outros, a estranheza é encontrar
pessoas desqualificando a atuação psicológica,
alegando que jamais falariamde suas questões com
um estranho sendo este o psicólogo.
Figura 20
Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/
2012/03/01/15/43/brain-20424__340.jpg
Anotações:
85
Neste século, ainda vemos pessoas confusas
emnecessitar de assistência emocional e procurar,
por exemplo, um terapeuta de constelação familiar
que não é psicólogo, mas um profissional que, com
interesse em trabalhar com pessoas, procura um
métodopara validar sua atuação comestas, propon-
do-se, então, a se tornar umconstelador (método de
Bert Hellinger que trabalha o átomo social e familiar
da pessoa, suas interações), a fim de realizar um
trabalho que não propriamente seja psicológico,
pois trata-se de uma ferramenta apenas.
Muitas pessoas ficam alteradas após serem
mobilizadas ao se envolver em algumas terapias
alternativas, sugestionadas, em alguns casos, na
expectativa de que algo ocorra. Essa mobilização
emocional da ação de terapias alternativas precisa
ser dosada, a fim de não abrir algumas janelas ou
acessos que conduzam a pessoa a um processo de
ansiedade, frustração e tristeza.
O trabalho com um Life Coach (técnico) ou
Coach de carreira tem o intuito de organizar a vida
pessoal ou a carreira de uma pessoa, apresentar
temáticas e discutir, aspectos de como percorrer
determinado caminho, analisar as possibilidades,
mapear suas relações, habilidades e potenciais e
criar planos e projetos, melhorando o desempenho
e performance para se atingir resultados específi-
cos, o que não implica adotá-lo para processos
psíquicos emudanças estruturais significativas.O trabalho de Coach feito por um profissional
sério é extremamente rico e valioso, gerando
avanços na vida da pessoa. Mas, deve-se atentar
para o fato de não ser terapia e nem ter credencial
para adentrar estados psíquicos, desenvolvendo
trabalhos que removam sua história e provocando
86
Anotações:algumas mobilizações que não têm domínio e não
atuam com a profundidade necessária. O trabalho
de Coach não tem a propriedade da psicoterapia
clínica e este profissional deve saber e reconhecer
seus limites.
Por vezes, eles mesmos não sabem e preten-
dem uma disputa de mercado profissional que é
campo de atuação do psicólogo, e então desvirtuam
a finalidade do trabalho clínico passando a se
aventurar em temas que não forampreparados para
lidar. Apresentam metodologias apropriadas para
um determinado fim como a mentoria. Auxiliam na
organização de sua vida por meio de ummétodo de
expansão de consciência, mudança de conduta e
outros objetivos.
Há pessoas que buscam o trabalho de um
Coach (profissional que faz o papel de técnico no
acompanhamento direto de respostas que precisam
ser atingidas) pelo formato breve com número pré-
fixado de encontros e entendem que estão traba-
lhando componentes emocionais, quando na
verdade estão identificando pontos que podem ser
desenvolvidos para uma nova prática e condução da
vida, mas não necessariamente representam a
solução de base ou de fundo que envolve aquela
pessoa em determinado cenário da sua vida.
Muitos aspectos podem ser desenvolvidos em
sessões de coach,mas ela não é psicoterapia, e isso
precisa ficar claro, seja para o profissional que se
forma comopara o público que vai tambémprocurar
se identificar com algo que possa lhe fazer bem.
Como a complexidade psicológica é extrema, o
cuidado por profissionais que trabalham de forma
direta e objetiva tende a ser aquele que oferece um
suporte numdadomomento e que viabiliza identifi-
car algo, mas que não representa a cura proposta
pela psicoterapia.
Anotações:
87
Existe uma diferença grande nisso, pois nem
todo coach ou constelador vem a ser um psicólogo,
mas um psicólogo poderá acoplar em sua formação
tais recursos, podendo fazer uso responsável.
Tambémnão é o caso de afirmar que os constelado-
res ou Coaches devem ser desconsiderados. Estão
delimitando campos de atuação do profissional
psicólogo e, para tanto, é preciso compreender que
profissionais de abordagens alternativas não devem
ser enquadrados nesta propositura.
São consteladores apenas (pessoas que vão
usar recursos para levantar umdiagnóstico,masnão
saberão o que fazer com conteúdos emocionais e
psicológicos que decorrerão disso). Faltará o acervo
e o patrimônio intelectual construído na trajetória
de um psicólogo, que jamais se findará até o último
dia em que decida ser um profissional da área.
O trabalho de prestação de serviço de atendi-
mentopsicológico, quealgumasempresasnomodelo
digital estão oferecendo para organizações e
pessoas particulares, é algo queprecisa ser refletido
por todos da categoria e por aqueles que vão
ingressar no mercado de trabalho, tendo já o
desafio de fazer escolhas e não estar certo dos
benefícios reais que esta posição venha a oferecer.
Esse vem sendo umdesafio paramuitos recém-for-
mados, que encontram também uma maneira de
ganhar experiência contando com a intermediação
desta para atrair os clientes.
Tais empresas captam pelo seu marketing e
outros recursos de acordos e contratos com
instituições e organizações com o propósito de
levar saúde mental a todos os colaboradores de
uma empresa. Trabalham com a perspectiva
horizontal do atendimento de saúde psicológica, o
88
Anotações:que é interessante, pois mais pessoas podem ter
acesso. No entanto, contam com uma baixíssima
remuneração e o cliente é vinculado a determinada
empresa emque trabalha: apenas por este convênio
é possível realizar os atendimentos. A questão do
vínculo, por vezes, fica prejudicada face a alterações
que podem acontecer no decorrer do processo e
colocam em risco a continuidade do trabalho.
Muitos utilizam da plataforma sem o compro-
misso que o processo demanda. Como a empresa
paga para a outra empresa que intermedia e, por sua
vez, remunera o profissional, o paciente fica sempre
comaprerrogativa de sair e desligar-se doprocesso,
de forma que isso não é tratado em terapia. Existe
uma variável nesse caso em que a intermediação da
empresa de Psicologia permeia essa importante
relação profissional. O trabalho psicológico assume
umperfil standart emenosautoral comocostumaser
com os profissionais que trabalham em seu consul-
tório. Estão independentese libertosdessas implica-
ções que a relação de intermediação promove.
Algumas plataformas, além de ganhar da
empresa que faz o contrato, cobram dos profissio-
nais que cadastrem uma mensalidade com o apelo
de que irão cuidar da sua agenda e fazer a ponte com
o cliente. Muitos psicólogos, no afã de ganhar
experiência e reconhecendo que não poderiam
ganhar pelo trabalho com a remuneração de um
profissional experiente, acabam entrando nesse
sistema de venda de serviços psicológicos sem
refletir sobre os limites e alcances desta ferramenta
para ter a clientela e obter a experiência. Ficam
muito ocupados e, para obter algumganho razoável,
precisam se dedicar de forma extrema.
Anotações:
89
Esta é uma oportunidade de colocar o tema e
convidá-los, desde a faculdade, extensão e pós
graduação, a verificar, com cuidado, as condições
que precisam ser bem refletidas, do usuário e do
ponto de vista do psicólogo também, que necessita
de supervisão para seus atendimentos. Deve se
dispor a fazer sua psicoterapia como forma de
resolver suas questões e identificar situações
pessoais e desenvolver maturidade emocional de
modoque, aoencontrar certas temáticasnocontexto
da psicoterapia, possa ter o manejo adequado e
saber lidar com as ressonâncias que surgem.
Estas e outras questões poderão acompanhar
o psicólogo, que entende que está fazendo algo
positivo pela sua carreira se, por outro lado, estiver
contribuindo com uma prática psicológica que
intermedia a relação com o paciente e ganha sobre
seu atendimento somente por ter trazido esse
cliente.
PfrommNetto (2007) apresenta, dentre outras
ideias, o que ele considera como algumas pragas
que corroem a profissão, apontando onde elas
provocaram uma distorção da atuação profissional,
que, na suaopinião, talvez seja amais gravede todas,
a qual o autor se refere-se como a perda de identi-
dade do psicólogo.
ParaNetto (2007), o psicólogoéumprofissional
com formação específica e regulamentada, comum
campo de atuação bem definido que não deve ser
confundido com outras profissões das ciências
humanas e da saúde. Não é assistente social (que
trabalha com políticas públicas e questões sociais),
político (queatuanaesferapública egovernamental),
sociólogo (que estuda fenômenos sociais) ou
antropólogo (que pesquisa culturas e sociedades).
90
Anotações:Também não é médico, pois sua atuação, embora
relacionada à saúde mental, não envolve procedi-
mentos médicos ou prescrição demedicamentos.
O psicólogo é um especialista em comporta-
mento humano e processos mentais, commetodo-
logias e técnicas próprias, fundamentadas em
evidências científicas. Éespecialmentepreocupante
quando este profissional se desvia de sua formação
científica e se envolve compráticas semcomprova-
ção como tarô, florais de Bach, pseudoterapias de
vidas passadas, prescrição indevida demedicamen-
tos, alegações de comunicação com o além, rituais
místicos ou apropriações superficiais de filosofias
orientais.
Assim como uma rosa tem características
botânicas específicas que a definem como rosa, o
psicólogo tem um conjunto de competências,
conhecimentos e práticas que o caracterizamcomo
tal. Se não houver um compromisso com essa
identidade profissional bem definida, fundamenta-
da em bases científicas e éticas, corremos o risco
de uma profunda crise de identidade que pode
comprometer a credibilidade e a efetividade da
profissão no cumprimento de seu papel social.
Interessante trazer tambéma contribuição
crítica de PfrommNetto (2007), ao expor suas ideias
sobre a Psicologia brasileira e sobre a atuação
profissional por parte dos psicólogos, o que chamou
Rumo a 2010: por uma Psicologia mais psicológica.
Como contribuição teórica, parecem pertinentes
que sejam relembradas as recomendações propos-
tas por ocasião de umcongresso que participaria na
China e, por serem atemporais, tais considerações
nos chegam como base para verificação e reflexão
sobre a função como uma espécie de direção. São
as seguintes recomendações que este pesquisador
brasileiro considera úteis:
Anotações:
91
• Investir rigorosamente no conhecimento
científico e nas práticas apoiadas em
validação empírica (EST - Empirically
Supported Treatments) na área clínica.
• Proporcionar aos estudantes uma visão
atual abrangente e rigorosa (estadodearte)
da pesquisa e da teorização científica.
• Superar o quadro preocupante de penúria
e primarismo metodológico dominante no
país, quanto à criação de novos conheci-
mentos: laboratórios, equipamentos, testes
e outros instrumentos de medição psico-
lógica, livros importados, journals; utilizar
intensamente e extensamente os compu-
tadores e as facilidades oferecidas pela
internet e pela mídia em geral.
• Buscar sintonia com o panorama atual da
Psicologia nomundo.
• Disseminar intensa e extensamente
informações psicológicas destinadas aos
cidadãos em geral, como antídoto para
pseudociência, tolices, charlatanismo,
crendices e superstições rotulados,muitas
vezes, como, p. ex., terapias alternativas.
• Empenhar-se pela expansão do mercado
de trabalho para recém-formados, com
medidasconcretas, lobbies, divulgaçãoetc.
• Melhorar eampliar em largaescala as fontes
escritas do conhecimento psicológico em
língua portuguesa.
• Estimular e fortalecer laços interdisciplina-
res com outras ciências, sem desvirtuar a
Psicologia.
• Adotar padrõesmais estritos de profissio-
nalismo competente e ético
92
Anotações:O Caminho Profissional Depois da
Graduação
De acordo coma Lei nº 5.766 de 20, de dezem-
bro de 1971, ao se graduar, o psicólogo necessita se
credenciar no Conselho Regional de Psicologia –
CRP, órgão de classe profissional que regulamenta
a prática profissional. A inscrição no CRP é algo que
identifica sua autorização para atender pessoas e
fazer saúde mental. É um feito de extrema respon-
sabilidade e, para tanto, como toda profissão
regulamentada e remunerada, o exercício profissi-
onal está associadocomasua inscriçãonesteórgão.
Este é um direito reconhecido que nenhum
psicólogo pode abrirmão, pois como vimos, existem
outros caminhos que não são e nem representam a
Psicologia e geram alguns equívocos por parte da
sociedade que, ao se expor a algum tipo de trata-
mentoalternativo, precisasaberquenãoestãodiante
de um psicólogo, e sim do que vem sendo chamado
de terapeuta holístico.
Figura 21
Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2019/10/21/06/23/mo-
notony-4565247__340.jpg
Anotações:
93
O diferencial é importante, a profissão é
regulamentada e devido a isso sua prática estará
sobre as condições legisladas para tal e ao estarem
fora desse critério são passíveis de ações judiciais
inclusive caso a prática seja colocada emdiscussão.
Psicologia não é achismo, algo perto de alguémque
se intitula terapeuta e passa a atender pessoas em
consultório cujo apelo é sem caráter científico, que
foi o que durante anos a própria Psicologia percor-
reu ao se tornar científica. Os psicólogos precisam
honrar isso.
Poder diferenciar de outras práticas é funda-
mental para o público poder identificar quando está
diante de umprofissional que atua com responsabi-
lidade e atende requisitos acadêmicos de sua
formação, especialização, cursos de extensão,
atualização para seu aperfeiçoamento. Não basta o
fato de simplesmente se sentir agradado por
atender pessoas e passar a buscar clientela para
fazer o seu modelo de tratamento. É importante
compreender que “fazer Psicologia” representa
cercar-se de todas as conquistas que a carreira de
psicólogonos requisita para que, quandoestivermos
diante de um caso, possamos diagnosticar com
precisão, atuar e intervir com sucesso.
A identificação deste profissional no Conselho
da categoria é um valor importante a seu favor, pois
o distingue daqueles que se colocamdisponíveis em
atender pessoas comaalegaçãodequegerambem-
estar e algumas soluções para aumentar sua
qualidade de vida, saúde integral, uma atuação
preventiva através do uso de práticas alternativas e
místicas que não são Psicologia.
Após sua formação na graduação, o psicólogo
inscrito no CRP tem finalmente a autorização para
94
Anotações:atuar. Alguns poderão ser efetivados em seus
estágios, locais onde procuraram treinar a prática
em seu início na função. Quando isso não ocorre,
certamente, terão naquela experiência uma direção
para buscar algo perto daquilo comoqual se sentem
mais atraídos e isso pode estar associado ao tipo de
público a ser atendido. Ou seja, quem se beneficiará
deste trabalho? Entenderemosmelhor logo a frente.
O psicólogo, além de se identificar com esta
função (e por isso escolheu esta carreira) acaba por
validar sua trajetória profissional, à medida em que
vai pautando sua conduta nos caminhos que o
conduzem a essa conexão com a ciência. Se este
gostar depesquisar, certamente irá sededicar a isso,
pois é um profissional curioso que indaga. Se
apresentar interesse em lecionar, estudar e replicar
o conhecimento como professor, entenderá que
seguirá a vida acadêmica.
O fato é que, na sequência da graduação,
muitos vão acabar optando pela continuidade dos
estudos coma escolha de umcurso de pós-gradua-
ção, especialização e de extensão, umamaneira de
se tornar diferenciado no mercado e estudar para
além do que a formação básica lhe garantiu, pois, a
grande pergunta que paira na vida deste profissional
é: quando estarei apto para exercer com tranquili-
dade a minha função? Por isso, estão envolvidos
frequentemente em equipes de trabalho que lhe
oferecem a segurança do trabalho: supervisores de
sua prática, grupos de estudos, grupos de reflexão
de alguma temática que atenda uma determinada
população, são alguns dos caminhos procurados por
recém-formados para edificarem uma trajetória
sólida.
Anotações:
95
Dependendo da escolha que tiveram na
faculdade e nos estágios que buscaram, poderão ter
uma noção do que os atraiu e do que menos os
interessa. Umbomnúmero de recém-formados têm
sempre a ideia de criar seu consultório e passar a
atender pessoas, o que envolve umprojeto profissi-
onal arriscado em termos de como e onde buscará
suaclientela. Por isso, sempreestarão envolvidos,
de algum modo, em outros grupos que vão lhe
dando a condição fundamental para sua carreira, a
experiência.
A ideia glamourosa, por vezes, do atendimen-
to clínico, poderá ser concretizada ao atender em
clínicas que trabalham com diversos psicólogos
supervisionados. Há muitas outras frentes em
instituições que vêmoferecendo campo de atuação
e experiência para o psicólogo no atendimento
integral à saúde. Os equipamentos de saúde já estão
compostos de equipes multidisciplinares como
forma de entregar à população um serviço de saúde
completo, assim como os planosmédicos reconhe-
cem a especialidade, apesar de serem poucas
ofertas de vagas nesse segmento e o número de
consultas ser totalmente regulado para um limite
específico.
Na atualidade, estamos vendo transformações
nesse sentido que buscam tornar a psicoterapia
clínica um atendimento de direito do cidadão que
paga seu plano de saúde sem limites de consultas.
De acordo comFortes da Silva (2014), o graduado em
Psicologiapoderáprocurar diversasabordagenspara
sua especialização, o que entendemos ser um
momento crucial para o profissional, considerando
que está formando sua identidade profissional,
adotando metodologias comasquais se sintamais
96
Anotações:afinado. A escolha de uma abordagem está associ-
ada ao perfil da pessoa do psicólogo.
Ainda conforme Fortes da Silva (2014), ao
apresentar o rol de especializações possíveis queo
graduado emPsicologia poderá realizar como forma
de complementar e enriquecer sua formação,
assegurando a sua prática, incrementarem os
elementos da contemporaneidade da atuação da
psicológica profissional de acordo com seus
estudos, especializando-se nas seguintes áreas:
1. Abordagens teóricas: especialista da
abordagemcoma qual escolheu trabalhar,
tais como a psicanálise, centrado na
pessoa, comportamental, Gestalt, cogniti-
vas, cognitivo-comportamental, sistêmica,
psicodramática, Existencialismo - Huma-
nismo, motivacionais e outras.
2. Dependência química: existem diversas
clínicas para o tratamento de drogadição e
para tratamento de vícios de várias ordens,
compulsão ao jogo, ao sexo, ao trabalho, à
mentira, ao uso de games, exposição na
internet, hackers – invasores de sistemas.
3. Comportamento do Consumidor: contato
com empresas privadas e agências de
publicidade.
4. Neuropsicologia: estuda os processos
cognitivos (da inteligência) emocionais e
comportamentais e sua relação com o
funcionamentomental.
5. OrientaçãoProfissional: focadoemorientar
carreiras e buscar elementos que identifi-
quemao interessadoos caminhos das suas
habilidades e aptidões. Orientando não tão
somente jovens em busca de uma direção
como pessoas adultas emcrises com suas
Anotações:
97
carreiras e que buscam novos desafios.
Aqueles que estão direcionados para a sua
recolocação buscam se repaginar e se
apresentar da forma mais atualizada
possível para atender as necessidades do
mercado de trabalho. Muitos profissionais
ficam obsoletos por trabalhos repetitivos
e compreendem que precisam fazer algo
para inovar nas habilidades que podem
ofertar. Para estes, a contratação deste
serviço é interessante como forma de
atender a este anseio.
6. Psicologia Clínica: cujas intervenções são,
em maioria, individuais, havendo também
o atendimento em grupo (oferecem
acolhimento e desenvoltura para falar das
suas questões junto de outras pessoas),
vêm sendo adotadas cada dia mais em
instituições como especialidade na
atenção à saúde integral do indivíduo.
7. PsicologiaEsportiva: vai orientar epreparar
atletas emsuamelhor performance para
lidar com as situações competitivas
naturais do esporte, junto à equipe técnica
sempre exigente. O clareamento das
condições emocionais e o autoconheci-
mento têm cooperado com seu desempe-
nho diretamente na atuo confiança,
segurança e na forma de lidar com situa-
ções inesperadas, por exemplo.
8. Psicologia Educacional: os profissionais
atuam em escolas, instituições de amparo
àeducação, creches, centrosde recreação,
e fora da escola, quando atendemcasos de
crianças e jovens com dificuldades de
aprendizagemenecessidade de diagnósti-
co neuropsicopedagógico. Há cursos que
98
Anotações:contam com psicólogos ,assim como
faculdades, por meio de uma ação de um
centro de atenção psicológica para que
usuários usuários tenhammelhor aprovei-
tamento nos estudos, bem como nas
interações sociais que são pertinentes ao
ambiente de educação, à sua socialização
e, com isso, conflitosdecorrentesde ritmos
diferentes, pessoas, raças, idades, gêne-
ros, valores e crenças.
9. Psicomotricidade: também envolvida com
aáreaeducacional,masdestacadaaqui por
se tratar especificamente de intervir na
reabilitação de pessoas com dificuldades
no aprendizado e na evolução da com-
preensão dos saberes, assim como na
necessidade de realizar a avaliação psico-
motoraquepoderá ocorrer emambientes
diversos, como casas de repouso, hospi-
tais, centros esportivos, escolas e clíni-
cas. Isso ocorre para não exigir o que
determinada pessoa não pode oferecer e,
em outros casos, para estabelecer um
planejamento de ações para a evolução da
pessoas e, ainda, em casos diversos,
desvendar as melhores habilidades e
compreender as menos favorecidas, para,
por fim, aplicar técnicas e recursos de
aprendizagemque sejammais condizentes
paraestapessoa, pois elaspodemaprender
de forma diferente e não de uma única
forma.
10. Psicologia do trânsito: avaliação e resolu-
ção de problemas advindos do trânsito,
como estresse emudança de humor, e que
podem prejudicar a performance dos
motoristas. Visa liberar condutores para o
Anotações:
99
tráfego, após suas condições psíquicas
serem testadas através de uma avaliação
mais completa. Existemórgãos envolvidos
com este público, bem como clínicas
direcionadas aos motoristas comuns, ou
seja, sem uso profissional, e para aqueles
cujo ofício seja ser motorista.
11. Psicologia Social: atende todas as deman-
das da sociedade que a compreendem na
perspectiva coletiva, como questões
raciais, gêneros, influências da contempo-
raneidade, violência, instituições de
acolhimento aos indivíduos em suas
diversas etapas da vida, como a infância, e
fase adulta, além de conflitos de várias
ordens que possam ser gerenciados de
forma coletiva e pessoas reféns de violên-
cia. A atuação na pesquisa também é
representativa em instituições, que
necessitam desse mapeamento coletivo
para que possam intervir e criar políticas
públicas.
12. Psicologia Organizacional e do Trabalho:
compõemoque é denominado de recursos
humanosdaorganizaçãoe sua relação com
o trabalho e com as pessoas envolvidas.
Cuidam da seleção de pessoal, no seu
ingresso, no treinamento, da monitoração
do clima e ambiente organizacional, o que
envolvedimensionar umambiente saudável
para as pessoas envolvidas nos trabalhos
poderemexercer seu ofício, contando com
a rede de sustentação que se faz em prol
do relacionamento necessário, pois as
pessoas compõem a organização.
100
Anotações:13. Psicologia Jurídica: envolvida com o
ambiente do poder judiciário no acompa-
nhamento dos diversos processos que,
geralmente, envolvem interesses e dispu-
tas humanas, comumente na vara da
família, da infância e juventude, estes
últimos em casos de adoção e guarda de
crianças e alienação parental, casos de
violência e maus tratos. Na atualidade,
tambémestão envolvidos coma equipe de
mediadores e com a justiça restaurativa.
Os estudos e laudos psicológicos são
relevantes para a decisão judicial, ofere-
cendo o componente humano que precisa
ser respeitado em todo julgamento, à
medidadocumprimentodepenaqueestará
associado ao grau de danos envolvidos.
14. Psicologia Hospitalar: atua na formação de
profissionais que vão dar suporte emocio-
nal aos enfermos, hospitalizados por
período de transição e tratamentos, bem
como aos colaboradores que, por atuarem
com saúde, também necessitam de um
atendimento clínico especializado para
estes que lidam coma doença e trabalham
em prol da saúde das pessoas. O suporte
psicológico também se estende aos
familiares, muito importante para poder
acompanhar o caso e melhor lidar com
certas características relacionadas aocaso
do familiar internado ou em tratamento. As
condições da família perante à doença são
determinantes e benéficas para o restabe-
lecimento, assim como compreender o
estado emocional do paciente e auxiliá-lo
a não exigir o que este não pode oferecer.
Anotações:
101
15. Psicologia da Saúde: é o trabalho de saúde
integral adotado em instituições públicas
e clínicas particulares, que contam com
equipe multidisciplinar, tais como: médi-
cos, enfermeiras, nutricionistas, fisiotera-
peutas, serviço social, psiquiatra, entre
tantos outros. A ação de promoção de
saúde acaba sendo integradapara os casos
clínicos tanto comos pacientes como com
aqueles participantes do seu processo de
retomada e prevenção da saúde. Muitos
grupos podem ser geridos por estes, seja
a reunião de equipe multidisciplinar para
discussão dos casos do ponto de vista
integral, seja como grupos voltados para a
comunidade, para atender suas necessida-
des de saúde.
16. Psicologia Criminal: acrescenta-se esta
modalidade em atuação junto a detentos
privados de liberdade e funcionários dos
presídios, dimensionado de acordo com a
verificação dos danos causados não tão
somente do ponto de vista legal, mas do
mauusoedamá intenção,do logro,daperda
e das consequências frente ao crimee atos
delituosos. Temos desdobramentos coma
Psicologia criminal, especialidadeesta que
atende ao anseio acadêmico e à aplicação
da prática junto às pessoas infratoras,
envolvidas em crimes. Esta área procura
atender de forma específica a vitimologia
e o criminoso.
102
Anotações:17. Psicologia Positiva: estamodalidade parte
de uma referência teórica da ampliação e
construção das sensações e emoções
positivas, criada pela psicóloga e pesqui-
sadora Dra. Barbara Fredrickson, em2003.
Tais emoções positivas promovem o
florescimento da pessoa, e este estado
influencia diretamente na qualidade dos
pensamentos e atitudes pelo estado
positivo no qual se encontram. Essa
abordagem aponta que pessoas neste
estado sãomais propensas à autorrealiza-
ção, buscamoautoconhecimento, acabam
tendo mais saúde física e emocional, têm
maishabilidadepara lidar comadversidades
e enfrentar problemas, sãomais propensas
a estabelecer relacionamentos interpesso-
ais equilibrados, são abertas ao novo,
esperançosas e tem senso de futuro.
Proposta nova que trilha nova direção para
a Psicologia contemporânea e envolvida
com a ciência da felicidade.
SAIBA MAIS:
FERRARINI, N.L.; CAMARGO, D. O sentido da
Psicologia e a formação do psicólogo: um estu-
do de caso. Psicol. Soc. [online]. 2012, v. 24, n. 3,
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Anotações:
103
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WEIYEN, Wayne. Introdução à Psicologia: temas e
variações. 3.ed. São Paulo: Cengage Learning,
2017.específica. O saber
científico e o empirismo, que parte da observação
do indivíduo, são fontes de referência da Epistemo-
logia e da Antropologia para compreendermos a
existência humana, do seu comportamento diante
dos desafios sociais e do ser humano enquanto
pessoa.
No início dos anos 1900, os psicólogos envolvi-
dos com o estudo da mente e do pensamento
passaram a recusar pesquisas complexas que
Anotações:
8
pudessem ser abstratas e subjetivas, então passa-
ramaoptar por estudos objetivos do comportamen-
to, ficando assimdenominados deBehaviorismo. Os
psicólogos cognitivos passaram a se dedicar ao
estudo da atividademental humana, ao caminho do
processamento das informações, à representação
e autoconscientização e às Teorias da Gestalt, com
foco na percepção e na consciência para contribuir
também à ciência cognitiva.
O cenário da época também estabelecia, nas
visões doBehaviorismoe daPsicanálise, as referên-
cias para o entendimento dos tais estados emocio-
nais como formade compreender o comportamento
humano. Sendo ambas superadas pela Psicologia
Humanista que, inspirada fortemente pela fenome-
nologia e pela Filosofia Existencialista, centrava no
conceito de pessoa, ao invés de focar no comporta-
mento e conduta. Enfatizou por si a liberdade contra
o determinismo até então operante nas visões
anteriores, tendo como premissas o bem-estar
pessoal e a solução de suas próprias questões, ao
invés da necessidade de controle da conduta e das
razões pelas quais deve-se agir de determinada
forma e não de outra.
A Filosofia Existencialista esteve presente
desde os anos 1930, seguindo para os anos 1940 e
1950 e coincidindo com o período de guerra e pós-
guerra, onde o cenário de falta de perspectiva e
ausência de sentido na vida acabou gerando a
necessidadedebuscar significadoemsimesmopara
dar conta da realidade. Surge então a valorização da
pessoa na sua ótica pessoal como formade transpor
tais dificuldades.
Anotações:
9
O Funcionalismo, o Estruturalismo e o
Associacionismo
De acordo comBock, Furtado e Teixeira (2018),
o berço da Psicologia moderna foi a Alemanha do
final do século XIX, com a ação dos pesquisadores
Wundt,Weber e Fechner, que trabalharam juntos na
Universidade de Leipzig. Também fizeram parte o
inglês Edward B. Titchner e o americano William
James.
Figura 2
Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2018/01/21/00/06/pat-
tern-3095616__340.png
Ao ocorrer a ruptura da Psicologia com a
Filosofia, a primeira ganha autonomia e se configura
como ciência, seguindo para a produção de novos
conhecimentos que incluíram:
• Definir seu objeto de estudo (o comporta-
mento, a vida psíquica, a consciência);
• Delimitar seu campo de estudo, diferenci-
ando-o de outras áreas de conhecimento,
como a Filosofia e a Fisiologia;
Anotações:
10
• Formularmétodos de estudo desse objeto;
• Formular teorias enquanto um corpo
consistente de conhecimentos na área.
Enquanto ciência, passou a seguir os critérios
do emprego de metodologia científica, devendo se
apresentar com neutralidade, com a proposta de
algumas hipóteses, como levantamento de dados e
pesquisas e com os dados passíveis de comprova-
ção. O conhecimento cumulativo e o de procurar
responder indagações se faz pela observação e
questionamentos, que vão surgindo na medida da
produção do saber. Os estudos científicos são
referência para servir de ponto de partida para
outros experimentos e pesquisas na área e, natural-
mente, seguir para além. Com essa autonomia da
Psicologia na perspectiva da experimentação e
evolução do conhecimento, muitos estudos foram
sendo realizados emuitas teorias foram formuladas,
tornando-se conhecimento que permanece na
atualidade, inovando.
Surge uma Psicologia formulada por meio de
experimentos em laboratório, através de instrumen-
tos de observação e medição do comportamento,
onde a Psicologia além da conexão com a filosofia
já tão identificada, passa a se conectar comespeci-
alidades da Medicina que, de acordo com Bock,
Furtado e Teixeira (2018, p. 54), assume “o método
de investigação das ciências naturais como critério
rigoroso de construção do conhecimento”.
Nos Estados Unidos, a Psicologia teve um
enormecrescimento, nascendo, assim, as primeiras
abordagens ou escolas emPsicologia, dando origem
às inúmeras teorias:
Anotações:
11
O Funcionalismo, de William James
(1842-1910):
O Funcionalismo é considerado como a
primeira sistematização genuinamente americana
de conhecimentos em Psicologia. Uma sociedade
que exigia o pragmatismopara seu desenvolvimento
econômico acaba por exigir dos cientistas america-
nos o mesmo espírito. Desse modo, para a escola
funcionalista deW.James, importa responder “o que
fazemos homens” e “por que o fazem”. Para respon-
der a isto, W. James elege a consciência como o
centro de suas preocupações e busca a compreen-
são de seu funcionamento, na medida em que o
homem a usa para adaptar-se ao meio. (Bock;
Furtado; Teixeira, 2018p.40-41)
O Estruturalismo, de Edward Titchner
(1867-1927):
O Estruturalismo está preocupado com a
compreensão domesmo fenômeno que o Funciona-
lismo: a consciência. Mas, diferentemente de W.
James, Titchner irá estudá-la em seus aspectos
estruturais, isto é, os estados elementares da
consciência como estruturas do sistema nervoso
central. Esta escola foi inaugurada por Wundt, mas
foi Titchner, seguidor deWundt, quemusou o termo
estruturalismo pela primeira vez, no sentido de
diferenciá-la do Funcionalismo. O método de
observação de Titchner, assim como o de Wundt, é
o introspeccionismo, e os conhecimentos psicoló-
gicosproduzidos sãoeminentementeexperimentais,
isto é, produzidos a partir do laboratório. (Bock;
Furtado; Teixeira, 2018p. 40-41)
Anotações:
12
O Associacionismo, de Edward L. Thorndike
(1874-1949):
O principal representante do Associacionismo
é Edward L. Thorndike, e sua importância está em
ter sido o formulador de uma primeira teoria de
aprendizagem na Psicologia. Sua produção de
conhecimentos pautava-se por uma visão de
utilidade deste conhecimento, muito mais do que
por questões filosóficasqueperpassamaPsicologia.
O termo associacionismo origina-se da concepção
de que a aprendizagem se dá por um processo de
associação das ideias — das mais simples às mais
complexas. Assim, para aprender um conteúdo
complexo, a pessoa precisaria primeiro aprender as
ideias mais simples, que estariam associadas
àquele conteúdo. Thorndike formulou aLei doEfeito,
que seria de grande utilidade para a Psicologia
Comportamentalista.
De acordo com essa lei, todo comportamento
de um organismo vivo (um homem, um pombo, um
rato, etc.) tende a se repetir, se nós recompensar-
mos (efeito) o organismo assim que este emitir o
comportamento. Por outro lado, o comportamento
tenderá a não acontecer, se o organismo for casti-
gado (efeito) após sua ocorrência. E, pela Lei do
Efeito, o organismo irá associar essas situações com
outras semelhantes. Por exemplo, se, ao apertarmos
um dos botões do rádio, formos “premiados” com
música, em outras oportunidades apertaremos o
mesmo botão, bem como generalizaremos essa
aprendizagem para outros aparelhos, como toca-
discos, gravadores, etc. (Bock; Furtado; Teixeira,
2018 p.40-41)
Anotações:
13
A Ciência do Comportamento
APsicologia surge como a ciência do compor-
tamento expresso relacionada aos processos
mentais, como a elaboração do pensamento e a
capacidade da aquisição do conhecimento. Para
Lefrançois (2017, p. 12), o aspecto científico procura
organizar as informações demodo objetivo, consis-
tente e que seja possível ser replicada à outras
pessoas que também possam observar, trilhar os
mesmos passos e encontrar, a partir de métodos
determinados, as mesmas conclusões de forma
precisa e generalizáveis. E conclui: “a ciência é a
maispoderosa ferramentadaPsicologiapara separar
o fato da ficção”.
Figura 3
Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2017/09/02/06/14/
girl-2706454__340.jpg
Anotações:
14
“A reflexão sobre o que é a Psicologia, de onde
vem, para que e a quem serve, é algo tão imprescin-
dível parao psicólogo como o conteúdo de suas
teorias e o domínio de suas técnicas” (ANTUNES,
1989, p. 32-33). Principalmente, por se tratar de
humanos, é fundamental adotar métodos claros,
precisos e consistentes que possam, portanto, ser
replicados por outros pesquisadores emcircunstân-
cias similares e é a isso que se denomina demétodo
científico – que reduz o campo das incertezas e
aposta na aquisição do conhecimento como resul-
tado da organização de todas as informações
encontradas na pesquisa. Em Psicologia, o uso do
método científico é essencial, por estarmos lidando
com pessoas humanas, e precisam conter 5 aspec-
tos:
• A indagação, uma curiosidade que resulta
em uma dada pergunta a respeito de algo
que se queira pesquisar, podendo ser um
problema ao qual se pretende ter uma
resposta.
• A formulação de hipóteses, expressão de
todas as possibilidades quepodem respon-
der a esta indagação, as informações que
podemos levantar a respeito e com isso
elaborar algumas ideias iniciais.
• Coleta de informações ou dados, que irá
oferecer-nos a maneira pela qual iremos
compreender. Para isso, iremos elaborar
experimentos, que podemser levantamen-
to de dados, questionários ou entrevistas,
para citar alguns modelos.
• Testagem das hipóteses, que irá envolver
a validade dessas hipóteses levantadas,
procurando responder à pergunta inicial de
modo identificável enãomeramentecasual.
Anotações:
15
• Conclusão e compartilhamento das
informações – numa investigação, a
conclusão pode tanto ser refutada como
estar em concordância com as hipóteses
levantadas, inclusive trazendo elementos
novos, antes não identificados. Podem
levar-nos a outras indagações e curiosida-
des; ou seja, a uma nova pergunta científi-
ca. Assim é a ciência, possibilitando-nos
seguir para além do que foi encontrado
como resposta e não como solução
absoluta. Outro ponto importante éque tais
respostas precisam ser divulgadas, para
queassimaevoluçãocientífica ocorra, indo
sempre para alémdo que foi constatado. O
conhecimento compartilhado é o princípio
da ciência acadêmica – do conhecimento
universal.
Emse tratandodepesquisarpessoashumanas,
a investigaçãopsicológica fica limitadapelo controle
das variáveis envolvidas na observação científica
que precisa levar em consideração as diferenças
existentes entre os sujeitos, pois pessoas não são
comparáveis, apresentam vivências diferentes. Isso
altera e enriquece a pesquisa.
Totalmente diferente de experimentos com
animais, transpostos para o que se poderia ocorrer
em termos de consequências ou reações com
humanos. A Associação Americana de Psicologia,
em 2010, criou uma normativa relativa à conduta
ética emexperimentos, a fimdeproteger os sujeitos
envolvidos nas pesquisas comhumanos – “Princípios
éticos dos psicólogos e código de conduta” que
pressupõe:
Anotações:
16
• Opesquisador é responsável pelamanuten-
ção da ética na pesquisa.
• Pesquisadores precisam verificar se os
sujeitos estarão em risco em qualquer
nível;
• Todososparticipantesdevemestar cientes
e concordar.
• Quando os participantes estão envolvidos
emalgumtipodeengano, ospesquisadores
precisamdeixar claros: a) os benefícios do
estudo diante do logro; b) se outras
abordagens não enganosas poderiam
responder a indagação; c) oferecer aos
participantes umaexplicaçãoomais rápido
possível para evitar confusões de com-
preensão.
• Os sujeitos precisam ter a liberdade de não
participar do experimento.
• Os sujeitos devem ser protegidos de danos
físicos oumentais e desconfortos. Somen-
te devem ser utilizados quando os benefí-
cios forem maiores e quando a sua não
utilização for envolver efeitos ainda mais
danosos e sempre com a concordância de
todos.
• No caso de possíveis consequências
danosas para os sujeitos participantes, o
pesquisador é responsável pela remoção e
correção delas.
• Os dados sobre os sujeitos são confidenci-
ais e não devem ser divulgados. São
divulgados quando há autorização prévia
entre sujeitos e pesquisadores.
Anotações:
17
Oprincípiomáximo da pesquisa comhumanos
é do seu consentimento informado, tendo conheci-
mento prévio do propósito da pesquisa e se concor-
dam participar. Assinando inclusive um documento
entre as partes.
Origem Histórica da Psicologia
Pfromm Netto (2003 apud Schultz & Schultz
2004) aponta que é comum dizer que a Psicologia
tem um longo passado, mas uma breve história. A
ciência da Psicologia foi atribuída à quandoWilhelm
Wundt criou, em 1879, na Universidade de Leipzig,
Alemanha, o primeiro laboratório de pesquisas e
práticasexclusivamentedePsicologia. Seusestudos
versaramsobre investigações experimentais que fez
sobre a percepção, usando pela primeira vez a
expressão Psicologia Experimental em um livro.
Assim, para muitos, o surgimento da Psicologia
científica teria ocorrido aí em Leipzig.
Figura 4
Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2017/12/04/16/03/
abstract-2997249__340.jpg
Anotações:
18
Lefrançois (2017, p. 29) diz queoEstruturalismo
associado aWundt é umaescola inicial da Psicologia
que tentou entender a consciência, observando
elementos básicos da atividade mental, como
sentimentos e sensações, que envolvama estrutura
da mente. O Funcionalismo associado a James
estava mais preocupado com o propósito (função)
da atividade mental e como ela contribuiu para a
adaptação.
Então surgem, como decorrência, linhas
tradicionais da Psicologia, definidas como ‘ Beha-
viorismo, que lida com aspectos observáveis do
funcionamento humano, e o Cognitivismo , mais
envolvido com a percepção, processamento das
informações, formação de conceitos, consciência e
compreensão.
O Behaviorismo envolve a habilidade do
condicionamento clássico e se refere àquilo que os
indivíduos são condicionáveis, ou seja, dispostos a
aprender sempre algo novo, seja como habilidade
para algo, um comando, uma resolução para deter-
minada necessidade. Esta proposta pretendia uma
abordagem mais científica quanto ao estudo da
mente. Envolvia em estudos que buscavam com-
preender a introspecção do sujeito quanto ao
estímulo e sua resposta. Estemétododos chamados
psicofísicos procurava medir, de algum modo, os
estímulos físicos e seus efeitos.
Uma dasmais importantes tarefas da Psicologia
é determinar quais crenças a respeito do
comportamento humano fazem sentido. Como a
Psicologia pode conseguir isso? A resposta, em
umaúnica palavra, é ciência. (LEFRANÇOIS, 2017,
p. 12)
Anotações:
19
A linguagem também se tornou elemento
marcante na época para a evolução da Psicologia,
em primeiro plano quando Watson, inspirado por
Wundt, passou a considerar a linguagem como
caminho do pensamento, indo além do que ela
poderia representar em termos de códigos comuni-
cacionais, por ser veículo de expressão do pensa-
mento. Emsegundo plano, a linguagempassou a ser
vista como objeto de pesquisa do ser humano, a
expressão da interiorização da linguagem, como
descreve Penna (1978), por marcar uma Psicologia
do tipo estímulo e resposta, identificada com o
Behaviorismo.
Até 1951, estudou-se as perturbações no
domínio da linguagem com a contribuição dos
neuropatologistas e, a partir de 1951, surgem as
contribuições da psicolinguística, - centrada na
interdisciplinaridade das pesquisas sobre a lingua-
gem. Os estudos relativos à percepção também
promoveram a evolução da Psicologia.
No que tange à visão humanista, o crédito todo
é dado à visão que a própria pessoa tem de sua
história, seus sentimentos e forma de pensar. A
Psicologia Humanista se envolve com as subjetivi-
dades do sujeito, como forma de compreender suas
vivências, a maneira como estabelece essas
relações consigo, como outro e comomundo. Para
Carrasco (2019), o existencialismo reconhece e
valoriza as características particulares de cada
indivíduo, principalmente o que o torna diferente
dos demais, ou seja, suas singularidades. Referindo
-se especialmente à influência da filosofia na
dimensão do conhecimento psicológico.
Anotações:
20
A Ciência da Produção do Conhecimento
Psicológico
A ciência é uma forma de conhecimento que o
Homem produz e,portanto, só pode ser entendida
como atividade humana que desenvolve a partir da
prática, o trabalho (CAMBAÚVA, SILVA, FERREIRA,
1998).
Figura 5
Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2013/12/17/22/04/art-
therapy-230045__340.jpg
O Homem formula tais considerações que lhe
possibilitam caminhos para compreender o mundo
e interagir com ele e se colocar diante de desafios
do mundo e ter uma dimensão própria que lhe
permite inclusive a interação com pessoas, situa-
ções e contextos ou circunstância. Isto torna a
Psicologia umaciência social cujo objetivo considera
a capacidade de integrar e produzir tanto a sua
própria história de vida como de algummodo estar
Anotações:
21
presente na história de outras pessoas e vice-versa.
Entende-se que o dinamismo é claro na concepção
do indivíduo pelas mudanças às quais tornam-se
possíveis vivenciar a importância do seu pensar
enquanto elaboração e prática do comportamento.
A Psicologia, enfim, ocupa uma dimensão
histórico-social. Como disciplina científica, ela tem
o objetivo de compreender as ações, as atitudes, os
comportamentos e suas subjetividades como já
mencionado, dando-lhe a dimensão de sua relação
consigo mesma e com as demais pessoas e com o
contexto maior, a coletividade, a sociedade.
Com a Psicologia, o Homem tem a dimensão
tanto individual quanto de sociedade, pois faz parte
de ambas as esferas. A psicologia atribui a ele
identidade, o sentido de existir. Certamente que
isso a delimitou e distinguiu da filosofia, emanci-
pando-a pelos elementos concebidos pelo valor da
consciência humana, o que envolvia uma racionali-
dade, uma compreensão que faz sentido. Duas
motivações cercaram na formulação da ciência
psicológica:
a. Compreender as transformaçõesdas ideias
psicológicas em Psicologia científica.
b. Aprender o senso crítico na transformação
do Homem diante da sua autonomia, de
discernir por simesmo, tornandoestesdois
a formulação de uma Psicologia como
ciência nahistória dopensamentohumano.
É no final do século XIX que a Psicologia se
torna científica, em meio a evolução de outras
ciências e ao recuo da filosofia enquanto teoria do
conhecimento. Neste mesmo período, com a crise
Anotações:
22
econômica social, o indivíduo entra em crise,
questionando seus valores, o sentido da vida e seus
potenciais. Em contraposição ao capitalismo
estruturado e os conflitos sociais emundiais, surge
uma ciência que se conecta com os aspectos
subjetivos e simbólicos do ser humano.
A Psicologia se desliga da Filosofia e se torna
independente na busca por estruturar métodos de
intervenção próprios. O século XIX foi muito fértil
para a Psicologia e cheia de transformações que
foram tornando-a científica à medida que se torna
aplicada aos campos da educação (pedagógica,
aprendizagem) e do trabalho (organizacional). Foi no
final do século XIX que a Psicologia finalmente
tornou-se científica.
A Psicologia através de métodos científicos
estuda o comportamento humano, tanto o
comportamento manifesto como as atividades
concomitantes como o sentir, perceber, pensar.
Seja na descrição oumensuração deste compor-
tamento a Psicologia se vincula a outras ciências
como as ciências sociais e as ciências biológicas
(MISIAK, 1964, p. 15 apud CAMBAÚVA; SILVA;
FERREIRA, 1998).
A transformação da Ciência Psicológica passa
então a não representar o comportamento e sim a
pessoa, deixando de conceber a essência do estudo
do Homem como objeto ou coisa, geralmente
atribuído à definição de coisas e objetos do mundo
físico. Surge, portanto, a noção do Homem como
sujeito, que tem prospecção futura de realizações
que o tornam satisfeito consigo mesmo e com
Anotações:
23
potencial de efetivo realizador, direcionado para o
futuro, para seu próprio progresso como resultado
efetivo de suas escolhas e decisões, o Homemvisto
como sujeito, pessoa autônoma, livre e capaz de
encontrar respostas para si e adquirir na prospecção
futura e o seu aprimoramento.
Assim, a respeito da história da Psicologia,
podemos afirmar que ela se estabelece como uma
disciplina científica ao reconhecer a perspectiva
individual do ser humano na sociedade e, devido a
fatores sociais, políticos e econômicos, sente a
necessidade de ser normatizada e padronizada. Em
outras palavras, a Psicologia só se consolida no
âmbito científico quandoháo reconhecimento tanto
da experiência individual, quanto da crise dessa
subjetividade. (CAMBAÚVA; SILVA; FERREIRA, 1998;
p.210 apud FIGUEIREDO, 1991).
SAIBA MAIS:
A APA – Associação de Psicologia Americana- APA
estabeleceu princípios éticos de conduta em pesquisa
científica com animais e humanos: Apa Guidelines for
ethical conduct in the care and use of animals. (2010) e
Humans (2011). Washington,DC: American Psychological
Association.
Conheça os princípios éticos de pesquisa com animais:
Disponível em: www.apa.og/science/anguide.html
Acessado em 03 demaio de 2021.
Conheça os princípios éticos de pesquisa comhumanos:
Disponível em human-participants.pdf (apa.org)
Acessado em 03 demaio de 2021.
Anotações:
24
U
ni
da
de
2
Videoaula 2
Videoaula 4
Videoaula 1
Videoaula 3
Videoaula 5
27
28
AS ESCOLAS DE
PSICOLOGIA QUE
GERARAM OUTRAS
NOVAS
A Abordagem da Psicanálise
Diversas escolas surgiram no cenário
mundial, revelando umaPsicologiamarcada
por abordagens distintas de acordo com o
entendimento específico dado aos proces-
sos mentais, emocionais e comportamen-
tais do homem. Portanto, cada linha psico-
lógica apresenta uma visão do homem,
característica e uma determinada forma de
aplicação, tornando-se uma abordagem.
Podemos citar algumas que foram surgindo
de acordo com o período histórico e evolu-
ção da própria ciência da Psicologia: a
Psicanálise, oBehaviorismo, o Humanismo
ou abordagem fenomenológica, as Teorias
cognitivas e Terapia cognitivo comporta-
mental.
Anotações:
29
Os desdobramentos das grandes escolas e de
modelos interventivos foram se ampliando e atuam
compropósitos definidos, como podemos verificar.
Das três grandes escolas referenciadas como
Estruturalismo, Funcionalismo e Associacionismo,
surge o processo da aquisição do conhecimento,
onde encontram-se estudiosos e pesquisadores
voltados para a formulação de teorias propondo o
objeto, o foco de atenção, bem como um método
aplicável que pudesse permanecer o sentido
investigativo e produção de ciência, como ocorreu
com as teorias e práticas da Psicanálise, Behavio-
rismo, Humanismo e Fenomenologia, Visão Cogniti-
vista e Gestalt. Cada uma delas apresenta diferenci-
ações características e apontamolhares diferentes
diante do indivíduo na sua experimentação e relação
com omundo, com coisas, objetos e pessoas.
Figura 6
Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2017/09/30/09/39/ti-
me-2801596_960_720.jpg
Anotações:
30
Apsicanálise surge no início do século XX, com
Sigmund Freud e o lançamento do livro “A Interpre-
tação dos Sonhos”, em 1900, revolucionário para a
época. Partiu de estudos onde a histeria era um foco
constante nas suas observações com pacientes.
Conceitua e apresenta-nos uma estrutura psíquica
do ser humano separada por três instâncias aos
quais definiu: Id, como sendo os registros armaze-
nados que representam as pulsões instintivas que
são guiadas pelo princípio do prazer, pela busca da
satisfação; Ego, como sendo aquela estrutura
psíquica que negocia com o mundo externo o
momento mais adequado para a satisfação desse
prazer ou realização; Superego, como sendo amoral
adotada diante de cada pulsão, verificando, após a
ação do Ego se a ação será inibida, se haverá algum
julgamento interno a ponto de gerar culpa ou
alguma punição.
Com isso, compreendeu que as neuroses e
transtornos mentais são oriundas de desejos
reprimidos e que, com a ação da metodologia
psicanalítica, poderia reparar estados emocionais
pela interpretação de sonhos, pela ação de estados
hipnóticos e a compreensão de falas e atitudes
entendidas como ato falho. Atos falhos referem-se
a espécies de pistas que a própria pessoa dá sobre
tais conteúdos de forma inconsciente, geralmente
sãofalas que repercutem a existência de significa-
dos que aquela comunicação está relacionada e ao
que precisa ser desvendado. Com isso, essa aborda-
gem se pauta em trazer para a consciência tais
elementos, comoformadedesvendarasua realidade.
Anotações:
31
A Abordagem Behaviorista
O objeto de estudo principal da abordagem
behaviorista é o comportamento. Tal abordagem
também se iniciou no começo do século XX, criada
por John Watson. Seu intento foi a criação de uma
Psicologia científica apartada das probabilidades,
de suposições queosmétodos subjetivos supunham
considerar na sua ótica. Para tanto, buscou na
precisão de informação e dados a sua base de
confirmação de determinado evento ou fenômeno,
no caso o comportamento enquanto algo expresso,
definido.
Figura 7
Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima-
ges?q=tbn:ANd9GcSJhxidQxQM7U1XFrC-rZWlIDrMlfh-
FAbQT5w&usqp=CAU
É compreendida como a ciência do comporta-
mento com a capacidade de prever oumodificar, se
for o caso, e conhecer sua finalidade. É identificado
pelo ato, gesto e expressões concretas pormeio de
Anotações:
32
atitudes e reações frente a determinados eventos e
ambientes. Descarta o método introspectivo, que
envolve a compreensão subjetiva do indivíduo sobre
algo por entender que essa possa apresentar falhas
e possíveis erros de entendimento e procura apostar
no que é palpável e concreto, portanto, expresso e
passível de ser observado. O propósito do Behavio-
rismo vai além de observar um fenômeno e as
respostas a este estímulo. São consideradas o
organismo que é de onde parte a observação e suas
diferenças comportamentais, a depender da
situação, contexto ou circunstância e dahistória que
cada um possui.
Apesar de colocar o “comportamento” como
objeto da Psicologia, o Behaviorismo foi, desde
Watson,modificandoosentidodesse termo.Hoje,
não se entende comportamento como uma ação
isolada de um sujeito, mas, sim, como uma
interação entre aquilo que o sujeito faz e o
ambiente onde o seu “fazer” acontece. Portanto,
o Behaviorismo dedica-se ao estudo das
interações entre o indivíduo e o ambiente, entre
as ações do indivíduo (suas respostas) e o
ambiente (as estimulações). (BOCK; FURTADO,
TEIXEIRA, 2018, p. 45)
Portanto, o objeto da abordagem behaviorista
é o comportamento, o estímulo e resposta de acordo
com variáveis ambientais. Sua metodologia é feita
pela investigação conceituada como experimental
e analítica. Por meio da análise experimental
behaviorista, podemos estudar certos comporta-
mentos e descrevê-los pelo aspecto do estímulo e
resposta do comportamento operante, do reforço
positivo ou negativo.
Anotações:
33
Com capacidade de medir tais variáveis e
calcular algumas probabilidades de ajustes, objetiva
o sucesso ou a melhor resposta para determinado
comportamento a ser aprendido, sendobastante útil
no segmento da educação e na aprendizagem, onde
épossível controlar variáveis ambientais quepossam
interferir no processo de ensino-aprendizagem e
buscar condições que possam ser bem-sucedidas
no resultado. Em pessoas com necessidades
especiais mostra-se eficaz, assim como na clínica.
Skinner foi um dos proeminentes pesquisadores
apósWatson.
A abordagem Cognitiva
A abordagem cognitiva contrapõe o Behavio-
rismo por compreenderem que esta abordagem
negligenciou a cognição, a capacidade do indivíduo
aprender, assimilar conhecimentos e processar
informações. Foi assim conceituada em vista do
destaque ao aspecto cognitivo do indivíduo e partiu
epistemologicamente do termo advindo do latim
cognoscere, que significa conhecer. Entende-se
que o modo como as pessoas pensam tem impacto
direto sobre o comportamento humano, e que este
não pode ser um comportamento em si. Também
defendem que o pensamento é tão essencial à essa
abordagemque o estudo do pensamento seria o seu
próprio campo de estudo.
Anotações:
34
Figura 8
Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2019/06/23/05/19/em-
pathy-4292845__340.jpg
Ospsicólogos cognitivistas analisamamaneira
como as pessoas solucionam difíceis tarefas
mentais e constroemmodelos para tais explicações,
tratando-se da composição do fluxo de processa-
mento cognitivo durante a realização de tarefas.
Importa para o estudo, o processo pelo qual percor-
reu até chegar à determinada conclusão, pois com
o tempo as respostas precisarão ser modificadas,
em vista de outros propósitos e objetivos.
Ao chegar a umaconclusãoou formadepensar
, podemos explorar, a partir desse ponto de referên-
cia, novas considerações ou curiosidades, podendo,
assim, seguir para além disso, produzindo novos
pensares e, portanto, novas respostas.
Portanto, o caminho de elaboração do pensa-
mento é significativo para traçar omodo pelo qual o
indivíduo chegou a determinado ponto, para poder
trilhar novamente, caso seja necessário, e aprimo-
rar-se, seguindo adiante caso seja desafiado a
construir uma nova resposta.
Anotações:
35
A abordagem humanista-
fenomenológica
A visão humanista-existencial torna-se então
a terceira onda ou terceira força da Psicologia,
distinta e singular das anteriores, a Psicanálise e o
Behaviorismo, principalmente diante desta segunda
linha de abordagem, opondo-se diretamente à ideia
de controle do comportamento e do determinismo.
Dá vazão a uma consideração que vê e concebe o
Homem livre, quenãonegaodeterminismoexistente
nas duas correntes de pensar (Behaviorismo e
Humanismo), porém, a compreende como autode-
terminação do indivíduo sobre si mesmo e sobre
suas posições frente a vida e aomundo. Ele como o
autor principal da sua vida.
Figura 9-
Fonte: https://encryptedtbn0.gstatic.com/ima-
ges?q=tbn:ANd9GcQitg927oXIuBpW95kQZZibXOOSx-
Qu0zZNNWg&usqp=CAU
Anotações:
36
No contexto contemporâneo, empleno século
XXI, a visão humanista é um reflexo do século XX no
qual surgiram o Behaviorismo e a Psicanálise,
distinguindo-se de ambas e rompendo tais paradig-
mas entre o condicionamento e a interpretação e
ênfase na doença – tirando a autonomia do paciente
–mantendo-o passivo diante de umquadro psicoló-
gico e que delega tal tratamento. O psicoterapeuta
torna-se detentor do processo evolutivo do pacien-
te, definindo os elementos de sua evolução, como a
propositura de cura, se esta ocorrer da ótica do
psicólogo.
A abordagem humanista é, por característica,
profunda, embasada numa filosofia de experiência
da vida, no existencialismo, no modo do Homem
existir e se sentir no mundo. Abrange a essência do
Ser na sua totalidade e existência, buscando os
significados e sentido que as experiências vão ter
para si, onde a felicidade, bem-estar, satisfação e
auto realização são propósitos para se alcançar
pessoalmente, em família, na esfera profissional e
na participação coletiva, em sociedade.
Este enfoque vem sendo muito explorado na
contemporaneidade do século XXI, onde o engaja-
mento social é extremamente importante como
atributo do ser humano, tanto quanto a qualidade da
suaexistência. OHomemcompreende, neste século,
que sua participação individual e leitura particular
da vida se estende para uma abrangência de
coparticipação e cocriação comomundo, apontan-
do caminhos para uma sociedade viável.
O bem-estar do Ser Humano reflete algo para
além de si mesmo, na resolução de suas questões
íntimas, envolvendo-o numa esfera ampliada que
vai para além das questões sociais que possam
assegurar o bem-estar de outros indivíduos, com-
pondo, assim, uma sociedade humanizada.
Anotações:
37
Carl Rogers foi dosmais proeminentes estudi-
osos e pesquisadores dessa abordagem, junto a
outros tão importantes que o seguiram. É bastante
utilizada na clínica, atuação em plantão psicológico
e emdiversos equipamentos públicos e clínicos para
atender a população.
Essa abordagem de pensamento tem como
ponto estrutural da sua teoria a abrangência do ser
humano, referenciando-se na pessoa ao invés do
comportamento, evoluindo para uma participação
ampla com a sociedade. Este fator cabemuitíssimo
bem nos tempos atuais, em pleno século XXI,
na importância da participação social como desdo-
bramentodo ser: ampliado para além de si mesmo.
A abordagem teórica gestalt
A base dessa abordagem está nos estudos
relacionados à percepção e sensação que se obtém
aoestar emmovimento diante deumestímulo físico,
em como o indivíduo é capaz de percebê-lo como
forma diferente do que ele se apresenta na realida-
de. Compreendem que há uma relação direta entre
causa e efeito, entre o estímulo provocado pelo
ambiente e a percepção que determinado indivíduo
tem.
É estemododeperceber omundoque interes-
sa. O objeto de estudo da Gestalt Terapia é o com-
portamento e, de acordo com Bock, Furtado e
Teixeira (2018), na visão dos gestaltistas, o compor-
tamento deveria ser estudado nos seus aspectos
mais globais, levandoemconsideração as condições
que alterama percepção do estímulo. Esse fenôme-
no da percepção é norteado pela busca de fecha-
mento, simetria e regularidade dos pontos que
compõem uma figura (objeto).
Anotações:
38
Figura 10
Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima-
ges?q=tbn:ANd9GcQsgByMHoXa8JResE0lCA-
Ed0WU51PYtn6f9Xw&usqp=CAU
Compreendemquepartee todosãocompostas
da mesma estrutura, havendo espontaneamente a
ideia de que esta percepção se torne completa e
possibilite a restauração do equilíbrio na relação
parte-todo é pela maneira como percebemos
determinado estímulo que nosso comportamento
se dará conforme a leitura que se faz do ambiente.
Agimos conforme interpretamos o estímulo. Por
vezes, encontramo-nos diante de um estímulo que
nos induz a realizar leituras diferentes da concepção
do real por uma questão de ilusão de ótica, como no
caso da relação existente entre figura-fundo.
Há situações em que a imagem se mostra
difusa, ambígua, por não conter extrema clareza da
imagem, submetida à lei da boa forma (visão global
da Gestalt completa). Dá-se o nome de insight para
a compreensão imediata que seobtémao ter clareza
de algo, ao ter entendido internamente aquela
realidade. Ela se torna desvendada, um insight que
partiu de algo antes não decifrado.
Anotações:
39
Esta abordagem trabalha com as ideias da
Teoria do Campo Psicológico e Campo Social, onde
o indivíduo está inserido em seu campo de percep-
ção psicológica que traduz o que é relevante para si,
seumundo interno, suas considerações que o fazem
compreender o fundo da questão e a percepção do
aparente neste interjogo. Por vezes, a realidade
apresenta-se associando a isso a compreensão de
que a noção de parte da compreensão psíquica se
configura e faz parte do todo e vice-versa, em uma
construçãoque visa apercepçãoda figura completa,
que será a Gestalt completa, a forma completa para
a compreensão de algo.
Interessante ressaltar que o sentido do insight
é valorizado nessa metodologia dos efeitos provo-
cados em si, que são importantes como construção
do entendimento das formas e de toda a realidade
que a compõem. Kurt Lewin é dos proeminentes
estudiosos e criador da Gestalt terapia, na qual
prosseguiu para além da visão psicobiologia da
Psicologia, buscando, na Física, a explicação para a
percepção como sendo todo o conjunto de fatores
que atuamno indivíduo e que são variáveis determi-
nantes da sua ótica perceptual frente ao seu campo
psicológico.
Existem situações vividas anteriores ao fato
percebido, percepções outras, sentimentos e
emoções envolvidos e, com isso, entende-se que o
campopsicológico e campo social são abrangentes,
dando complexidade para o que está interatuando
no indivíduo e na forma comocompreende omundo,
as situações e contexto que contribuempara formar
a figura completa daquela realidade, sendo assim
promotora de evolução pessoal, avanços e mudan-
ças significativas sensoriais, emocionais, psicológi-
cas, físicas, cognitivas. O campo psicológico é
fenomênico e nãomeramente físico.
Anotações:
40
Naconcepção deLewin, a realidade fenomêni-
ca pode ser vista comoo ambiente comportamental
segundo a Gestalt, ou seja, a forma única como uma
pessoa percebe uma situação específica. No
entanto, Lewin não limita esse conceito apenas à
percepção, enquanto um fenômenopsicofisiológico.
Ele abrange também traços de personalidade do
indivíduo, fatores emocionais relacionados ao grupo
e à situação enfrentada, bem como experiências
passadasqueestãoconectadasaoevento, conforme
são representadas no espaço de vida atual dessa
pessoa. (BOCK; FURTADO, TEIXEIRA, 2018, p. 65)
Abordagem da Psicologia Histórico-
Social
Esta abordagem foi concebida por Vygotsky e
outros pesquisadores russos direcionados ao
aspecto da aprendizagem, educação e da influência
social enquanto pertencente a grupos que lhe
representam.
Firura 11
Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima-
ges?q=tbn:ANd9GcSkjeQoW7L4-shEVrXXGcf9wCVe-
A0ivyMlcYQ&usqp=CAU
Anotações:
41
Aqui, o objeto de estudo está emcompreender
que o psiquismo não está tão somente na vivência
interna do indivíduo ou pessoal, e sim incluindo a
sua interação direta comomundo, comos fatos que
tornam viável uma construção e trajetória, onde
todas essas influências do ambiente externo de
concepções sociais são relevantes para seu enten-
dimento psíquico, fazendo parte do contexto social
e não está apartado dele. Portanto as esferas
psíquicas individuais, bem como sua participação,
como elemento produtor da cultura e social,
contribui para ela e interfere, assim, na suaevolução,
bem como recebe as suas influências .
Tal abordagem da Psicologia ocupa o espaço
global da Europa e EUA nos anos 70, disseminando
suas ideias e ganhando grande repercussão e
aderência pelos pesquisadores e acadêmicos de
todo o mundo. Chega ao Brasil nos anos 80, sendo
perfeitamente apropriada e adaptada para o contex-
to, propondo uma visão de um homem que se faz à
medida da sua sociedade juntamente com outros
cidadãos.
O Homem, portanto, é um ser ativo, dinâmico,
social e histórico, que interfere diretamente na
sociedade e obtém dela respostas de acordo com o
que produz e contribui. Faz parte da história e é um
agente desta sociedade que lhe repercute de volta,
evoluindo para a formação de seu psiquismo. Não é
um ser hermético e fechado, e sim conectado e
estabelecido pelas suas relações humanas e sociais,
extrapolando o grupo familiar e ganhando expressão
dos acontecimentos. É um ser histórico que tanto
contribui para ela como também é influenciado por
Anotações:
42
esta sociedade e pela história que é feita e compar-
tilhada por todos.
O sentido de pertencimento poderá ser alto,
traduzindo-se em exclusão e delimitando a ótica e
psiquismo que governa seu comportamento e sua
trajetória por estas compreensões da realidade que
entende fazer parte. O Homem é criado por ele
mesmo, desenvolvendo suas próprias aptidões. Seu
mundo psíquico semodifica, pois, sua configuração
e constatação parte da influência do seu mundo
material e pelas formas de organização social que
os cidadãos vão construindo no decorrer da história
conforme aponta Vygotsky (apud Bock; Furtado,
Teixeira, 2018, p. 86)
SAIBA MAIS:
FERRARINI, N.L.; CAMARGO, D. O professor de
Psicologia diante damultiplicidade e diversidade teórica
da Psicologia: lugar de incertezas e de desafios. Psicol.
Ensino & Form., Brasília, v. 5, n. 1, p. 32-49, 2014.
Disponível em O professor de Psicologia diante da
multiplicidade e diversidade teórica da Psicologia: lugar
de incertezas e de desafios (bvsalud.org) Acesso em 07
demaio de 2021.
U
ni
da
de
3
Videoaula 2
Videoaula 4
Videoaula 1
Videoaula 3
Videoaula 5
45
46
PSICOLOGIA NO
BRASIL E
TENDÊNCIAS NA
ATUALIDADE
O Início da Implantação da
Psicologia no Brasil
A Psicologia no Brasil passa por um
caminho histórico, traçado por transforma-
ções que ocorrem a partir de uma concep-
ção inicialmente comprometida com o
indivíduo, seguindo para um sujeito da sua
história.
Cambaúva, Silva, Ferreira (1998)
abordama importância do percurso históri-
co na apreensão de umaciência psicológica
enquanto uma prática social e que entende
que seus fundamentos históricos e filosófi-
cos estejam ligados à própria forma de o
Homem viver e se expressar na sociedade.
Anotações:
47
Ahistória vai seconsolidando àmedida emque
essa trilha vai sendo feita; ou seja, não cessa aqui e
tende a prosseguir de acordo com os avanços da
Psicologia noBrasil. Esta acompanhará, por sua vez,
a contemporaneidade.
Figura 12
Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima-
ges?q=tbn:ANd9GcTXytbq5O7Je9b8KAC4mfK0L-jzjL9y-
Vui2hw&usqp=CAU
APsicologia noBrasil, regulamentada em 1962,
partiu domodelo biológico, de uma analogia acrítica
e a-histórica entre os meios natural e social, aos
quais oHomemse ajusta à sociedade, atendendo ao
modelo socioeconômico capitalista, racional e
pautada na produtividade, tendo em vista auxiliá-lo
a se adaptar ao sistema vigente. Não diz respeito a
nadaqueocolocasseemconflito eo fizesseelaborar
ideias subjetivas e criar pensamentos de contesta-
ção e reflexão aomodus operandi.
Anotações:
48
Essa perspectiva se alinha à época política que
o país atravessava, período de ditadura onde as
liberdades individuais e coletivas estavam forte-
mente controladas e reprimidas, e o enfoque
tradicionalista na questão do comportamento social
era tido como aceitável e como forma de manter
estabelecido ou intacto o modo de vida vigente. O
modelo biológico da Psicologia foi adotado como
aquele que menor traria desajustes ao panorama
social e político, prosseguindo com os padrões
vigentes.
Nova Concepção da Psicologia Brasileira
O indivíduo não se limita à dimensão biológica.
Sua capacidade de criar ideias, formular subjetivi-
dades, dar sentido e significado para as pessoas,
situações e fatos de sua vida, tanto pessoal quanto
SAIBA MAIS:
Para conhecer a respeito das Bases Curriculares dos Cursos
deGraduação emPsicologia regulamentado veja em:
BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Conselho Nacional
de Educação. Resolução n° 5, de 15 de março de 2011.
Institui as Diretrizes CurricularesNacionais para os cursos
de graduação em Psicologia. Disponível em: index.php
(mec.gov.br) Acesso em: 09 demaio de 2021.
Anotações:
49
coletiva, lhe possibilita pensar a vida e interagir,
compartilhar com outros essas ideias e vice-versa.
Nessa perspectiva, o indivíduo acaba sendo
produtor da própria cultura e faz parte da história
tanto sua como de todos enquanto sociedade,
quando transmite aoutras geraçõesessacompreen-
são. Houve um caminho a ser percorrido para que
chegássemos ao Brasil mais aproximado de um
contexto democrático enquanto Estado de Direito.
Figura 13
Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima-
ges?q=tbn:ANd9GcQoX3FxSgGUqnY6lMkwYxF00-
Jiv5jY5zmDfyw&usqp=CAU
Achcar et al. relatam que uma comissão foi
criada em 1984 noBrasil comopropósito de estabe-
lecer um novo currículo para a formação dos
psicólogos e uma integração entre conselhos e
universidades que pudesse repensar a defasagem
advinda dos anos 50, que promulga uma postura do
psicólogo como mero “avaliador de características
psicológicas” (destaque da autora), de uma modali-
dade de intervenção não transformadora do indiví-
Anotações:
50
duo, com ênfase em algo que lhe colocasse em
conexão com a sociedade.
O papel do Conselho Federal de Psicologia
aparece como articulador da política da atuação do
psicólogonoBrasil a fimdedar as bases curriculares
e as diretrizes ao Ministério da Educação e Cultura
- MEC. OMinistério do Trabalho demandou a descri-
ção das atividades da carreira de psicólogo e sua
função para o Catálogo Brasileiro de Ocupações –
CBO, o que representou a oficialização e regulamen-
tação da profissão. Não havia, até então, por parte
do Conselho Federal de Psicologia – CFP, uma visão,
missão e propósitos definidos de forma estruturada
na adoção de uma política voltada à atuação prática
destesprofissionais. Relata aindaque, nesteperíodo,
1984, talmovimento partiu de dois pontos objetivos:
1. Que conselhos regionais e universidades
estariam interligados e agiriam referendan-
do tanto às exigências de currículo (teoria)
quanto da atuação (prática);
2. A necessidade de reunir informações
relevantes para que CFP, MEC e Universi-
dadespudessemavaliar e decidir sobre tais
cursos e currículos, como na prática.
Esta base de dados e de informações, confor-
me(ACHCAR, 1988, p. 11), estruturou-se em três eixos
importantes:
1. O perfil do psicólogo – formação, campo de
atuação e condições de trabalho;
2. A Demanda da Social do Psicólogo - campo
de atuação, características e potencialida-
des;
Anotações:
51
3. A Demanda social e formação profissional
do psicólogo.
Omovimento do item 1 acabou tornando-se um
diagnóstico da situação do exercício profissional no
país e forampublicados no livro “QueméoPsicólogo
Brasileiro?”. O item2 representou o aprendizado dos
caminhos inovadores da profissão pormeio de uma
revisão bibliográfica, cujos resultados foram
apresentados no livro “Psicólogo Brasileiro: cons-
trução de novos espaços” (1992). O movimento se
tornou, posteriormente, mais dinamizado e com a
adesão de muitas instituições formadoras que se
debruçaram em criar uma carta de princípios que
embasa os estudos e debates sobre formação e
atuação profissional.
O item 3 domovimento tratou de elaborar uma
pesquisa com dois objetivos fundamentais que
pudessemcontribuir para estruturar umcaminho de
mudanças, tanto naprática comona formação, cujos
propósitos foram:
a. Descrição da atuação profissional e suas
tendências em seus campos de trabalho e
os requisitos, habilidades, base de conhe-
cimento para atuar;
SAIBA MAIS:
Acesse para ver em documento oficial da Resolução
13/2007 abordando as diversas especialidades do
psicólogo contemporâneo. Disponível em: Áreas de
Atuação do (a) Psicólogo (a) - CRP09. Acesso em 09 de
maio de 2021.
Anotações:
52
b. Levantar as adversidades da carreira,
desde a formação acadêmica ou universi-
tária e poder estruturar tal conteúdo para
os cursos de formaçã
Tendências da Atuação Profissional
Aopensarmosemtendências, necessariamen-
te refletimos sobre as práticas contemporâneas, as
que se transformaram e foram criando desdobra-
mentos significativos, dando sentido a um anseio
existente na formação e escolha da sua área de
atuação, como pensar na própria abrangência do
trabalho psicológico. Não é possível abarcar tudo.
Então, o psicólogo se vê diante de uma escolha que
é apropriada de acordo com necessidades que
compreende o contexto social e as demandas que
percebe da população ou público ao qual destinará
sua atividade, seu foco de intervenção.
Anotações:
53
Figura 14
Fonte:https://media.istockphoto.com/photos/senior-man-
making-notes-while-speaking-with-online-psychologist
Com a evolução da Psicologia brasileira, a
compreensão psicológica parte de ideias subjetivas
sobre o mundo, sobre si mesmo, e sobre a vida e as
outras pessoas enquanto processos individuais,
contando com suas percepções e emoções. Atin-
gem, assim, umaabrangência junto à sociedade, pois
a medida em que o indivíduo compreende uma
dimensão intrapsíquica, também evolui numa
dimensão de coletividade.
Namodernidade, assistimos a importância da
existência, das escolhaspessoais edirecionamentos
de caminhos, partindo de uma única premissa
bastante significativa: quem sabe de si mesmo, é a
própria pessoa. Curiosamente, tal repercussão se
concilia como sentido dePropósito e Felicidade que
o ser humano busca, alémde bem-estar e qualidade
de vida, bem como com a tentativa de suprir neces-
sidades driblando certo mal-estar quando a ansie-
dade, depressão e síndromes diversos ganham
espaço na vida desarticulada de humanidade.
Podemos, inclusive, perceber que, em tempos
atuais, os recursos da saúde mental vêm sendo
extremamente demandados, exigindo das pessoas
equilíbrio, muito aprendizado voltado para uma
conduta socioeducativa que faça prosperar em
outras formas de convivência que não vinhamsendo
muito praticadas. Sai a proporção do individualismo
que sempre foi observada e entra um espírito de
solidariedade e colaboração necessária.
A saúde mental equilibrada a partir de 2020
vem sendo tratada e abordada como um dos
Anotações:
54
elementos fundamentais para se viver. A dedicação
a este aspecto tende a sermais evidente pois as
pessoas estão cada vez mais envolvidas com
questões que as afligem enquanto sociedade.
Estamos diante de uma nova concepção de realida-
des, a presencial e a virtual – sendo ambos elemen-
tos do real na chamada transformação digital. A
presençado sujeito semprenosofereceu veracidade
e materialidade aos fatos e no contexto atual
exercitamos outra forma de existir que envolve uma
outra forma de presença semque seja física, porém
virtual, o que não representa ausência de ressonân-
cias, sentimentos, emoções, propagação de ideias
e dimensão psíquica de si e sobre todas as coisas.
A ciência da Psicologia considera outros
fatores que vão influenciar o comportamento
humano, tais como as funções metabólicas orgâni-
cas, a motivação para algo, os recursos cognitivos
da inteligência que conferem a aptidão para apren-
der, apreender conhecimentos, compreender e
poder utilizar emmomentos adequados, assimcomo
se valer de outros recursos quando tais condições
cognitivas não forem tão exigidas. É relevante
também, para a Psicologia, os aspectos envolvidos
da cultura, pois o indivíduo é produtor da sua própria
referência e identidade cultural.
É fundamental as influências ambientais que
predispõem as diferentes situações de acordo com
o clima, temperatura e outras variáveis. Tambémse
torna relevante a socialização, o pertencimento a
grupos, família e outros que lhe dão referência
identitária, assim como a genética, os estudos do
DNA do genoma humano e o próprio temperamento
mais predisposto a uma extroversão ou introversão.
É possível ocorrer uma variação, como a
melancoliaesuapropensão,ouadepressãoeestados
Anotações:
55
de ansiedade que fazemparte do temperamento do
indivíduo e sua propensão para tal. Todos esses
fatores, em outros casos variáveis, são conheci-
mentos valiosos para uma melhor análise para que
possamos, na prática profissional, prever situações
e condições, modelar condutas mais favoráveis e
controlar condutas indesejáveis, por exemplo.
Assim, a Psicologia pode ser bemmais orientada na
sua prática.
De acordo com o portal do Conselho Federal
de Psicologia – CFP, as áreas da Psicologia no
contexto atual são:
1. Análise do Comportamento;
2. Avaliação e Medidas em Psicologia;
3. História da Psicologia;
4. Métodos em Psicologia;
5. Neurociências, Neuropsicologia;
6. Processos Psicológicos Básicos;
7. Psicobiologia, Psicologia Evolucionista,
Psicologia Animal;
8. Psicologia Ambiental;
9. Psicologia Clínica, Psicanálise;
10. Psicologia Cognitiva;
11. Psicologia Comunitária;
12. Psicologia da Aprendizagem;
13. Psicologia da Saúde;
14. Psicologia do Desenvolvimento, Psicomo-
tricidade;
15. Psicologia do Esporte;
16. Psicologia do Trabalho e Organizacional;
17. Psicologia do Trânsito;
18. Psicologia Educacional e Escolar, Psicope-
dagogia;
19. Psicologia Jurídica;
20.Psicologia Social;
21. Saúde Mental e Psicopatologia;
Anotações:
56
22. Temas transversais;
23. Teorias e Sistemas em Psicologia.
Fonte: Disponível em Tabela Revista Areas Psicologia
atualizada (cfp.org.br)
Atuação clínica - psicoterapia
A Psicoterapia é a prática terapêutica do
atendimento psicológico que se pauta na interação
de um processo comunicacional, onde o psicólogo
estabelece um vínculo de acolhimento, empatia e
compreensão da condição humana do sujeito/clien-
te, que busca não tão somente ser ouvido, como
também se ouve ao abordar sua temática ao tera-
peuta, aomodo como estabelece a ligação emocio-
SAIBA MAIS:
Leia a sobre a regulamentação da função do psicólogo
brasileiro:
BRASIL. Lei n° 4119, de 27 de agosto de 1962. Dispõe
sobre os cursos de formação em Psicologia e
regulamenta a profissão de psicólogo. Brasília.
Disponível em: L4119 (planalto.gov.br)
Acesso em: 09 demaio de 2021.
Anotações:
57
nal, das emoções e sentimentos presentes e pela
forma como constrói sua dor, sofrimento e vivência
de conflito íntimo e existencial diante da vida e de
tudo o que é importante para si.
Figura 15
Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima-
ges?q=tbn:ANd9GcRdG8AOid6bBAKEzfSQBUuJwUp8KGq-
GeIqj4A&usqp=CAU
A proposta da consulta clínica emPsicologia é
a interlocução com o cliente, tornando possível ao
sujeito um diálogo interno, como se estivesse
falando consigo mesmo. Nesse momento, o tera-
peuta realiza indagações e colocações que dinami-
zam e contribuem ao conhecimento de si, sua
história e identidade diante da própria realidade.
Historicamente, aclínicapsicológicaestá ligada
à prática da psicoterapia. Esta prática pode ser
caracterizada como uma fusão entre arte e ciência,
com o objetivo de aliviar o sofrimento humano
originado de conflitos e distúrbios emocionais. É
considerada umaarte porque envolve a execução de
Anotações:
58
técnicas que dependem de habilidades intuitivas.
Aomesmo tempo, é uma ciência, pois baseia-se nas
evidências fornecidas pelos resultados obtidos,
conforme apontado por Freud (1938-40/1998).
A psicoterapia é umprocesso de comunicação
onde um profissional entende e atua em relação a
outra pessoa (paciente/cliente) que deseja ser
escutadaou tratada. Esse serviçopodeser oferecido
individualmente, em grupo, para casais ou famílias,
e pode se expandir para incluir o atendimento
comunitário, abrangendo diversas combinações
sociais e culturais. Ela pode incluir o uso de expres-
sões corporais como dança, desenhos, mímica e
teatro. Em geral, essas manifestações expressivas
são então direcionadas para uma avaliação verbal,
abordando aspectos vivenciais, cognitivos e com-
portamentais (GOMES & CASTRO, 2010, p. 81-93).
A Psicologia clínica surgiu como a principal
atuação do psicólogo, como vimos no acompanha-
mento histórico, comaevoluçãodas escolas e linhas
de pensamento que envolvem uma forma de pensar
e atuaçãoprática, bemcomoumametodologia junto
ao indivíduo e suas questões.
Em 2008, a Associação Americana de Psico-
logia – American Psychological Association – APA,
passouacompreender aPsicologia clínicacomouma
das especialidades de promoção da saúdemental e
comportamental aplicada a umagamadepropósitos
a: indivíduos, famílias, comunidades, na educação,
supervisão, orientação, organizações, instituições,
treinamentos e, por fim, à uma prática baseada em
pesquisa.
Abrange pessoas com idades diversas,
participantes de sistemas e diversidades múltiplas
e integra-se comdemais disciplinas dentro e fora da
Anotações:
59
Psicologia propriamente dita, aplicando-se a:
estruturar um diagnóstico e um caminho de inter-
venção; identificar a existência de psicopatologias;
dificuldades e questões de saúdemental de acordo
com o histórico de vida do sujeito; promover a
avaliação psicológica para fins diversos, como na
estruturação de um perfil com testes de personali-
dadeeoutrasmedidas para assegurar umaavaliação
envolvendo áreas profissionais.
Por fim, integra-se com demais profissionais
e organizações em situações de patologias severas
e graves comosuicídio e casos de violência variadas,
onde se faz necessária uma atuaçãomultidisciplinar
e o contato do psicólogo com outros recursos
disponíveis para atender melhor o caso, como
psiquiatras,médicos, órgãodeproteção, assistência
social, contexto jurídico e polícia.
O psicólogo também está presente nas
pesquisas, a fim de propor revisões importantes na
literatura e na produção do conhecimento e na
forma de pensar dos profissionais de saúdemental,
haja vista as transformações que ocorrem na
sociedade, no mundo, no seu ambiente privado,
familiar e profissional.
A prática profissional do psicólogo clínico é
prestar atendimento a indivíduos, casais e famílias
de todas as etnias, idades, culturas, comunidades.
Aborda questões do comportamento e da saúde
mental enfrentadas pelos indivíduos, seja por
dificuldades e conflitos de ordem intelectual ou
social, dificuldade de aceitação da realidade,
desconfortos, psicopatologias das mais leves,
moderadas a graves e necessidade de melhor
compreensão sobre alguma etapa da vida.
De acordo com a American Psychological
Association – APA (2014), a atuação do psicólogo no
segmentodaPsicologiaclínica oudeaconselhamen-
Anotações:
60
to se propõe a avaliar e tratar transtornos mentais,
emocionais e comportamentais. Integram a ciência
daPsicologia e o tratamento de problemas humanos
complexos com a intenção de promovermudanças.
Pela sua multiplicidade de atendimento a
públicos diversos, entendemos a ação múltipla do
trabalho clínico por meio de todas as ações possí-
veis apresentadas acima, seja por atender públicos
diferentes, seja por associar-se à outras ciências,
seja por atuar junto a outros contextos como
instituições, organizações, clínicas e equipamentos
públicos.
Inovação na Prestação de Serviços em
Psicologia
Na modernidade, estamos assistindo a
transformações extremamente ágeis de uma era
disruptiva em vista da aproximação cada vez maior
do homem ao emprego das tecnologias. Com esse
cenário, o indivíduo está incentivando novas postu-
SAIBA MAIS:
Conheça o site da American Psychological Association -
APA, artigos e outras informações. Disponível em
Clinical Psychology Solves Complex Human Problems
(apa.org) Acessado em 3 demaio de 2021.
Anotações:
61
ras diferentes de antes e exigindo de si uma trilha
diante das incertezas e das adversidades de um
mundo plural.
Figura 16
Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/ima-
ges?q=tbn:ANd9GcRB0OwogqT1CJG1MnIAbAV49-
NOqcv3FFMX6Bg&usqp=CAU
Observam-se tendências na contemporanei-
dadenoempregode umaPsicologiaquesejapontual
para uns, atuando sobre a temática que é o foco do
problema. Modalidades como a Psicoterapia breve
ou Psicoterapia focal são algumas delas, propondo-
se a destravar padrões de respostas de comporta-
mentos nada funcionais, bem como situações que
requeremo fortalecimento da pessoa e, consequen-
temente, uma resposta mais rápida em vista da
necessidadedeumaorganização, para, então, poder
aprofundar nas causas e origens de sintomas e
problemáticas.
Verifica-se tambémo cultivodaespiritualidade
enquanto recursoda inteligência queoconecte com
algo de uma expressão maior, divina, que atribui ao
indivíduo elementos da sua fé, oferecendo equilí-
brio, estado depresença, contato comsua essência,
descobertas de seu propósito de vida através da
Anotações:
62
inteligência espiritual, a necessidade do emprego
de valores humanos universais, uma ética para a
vida.
Além disso, é evidente que muitas pessoas
buscam superar desafios, desenvolver resiliência e
cultivar a capacidade de alcançar sucesso em suas
empreitadas, concluindo projetos e planos de vida.
Para tanto, elas recorrem à criatividade, utilizando-
a como uma ferramenta para encontrar soluções
para essas situações e promover mudanças, além
de atingir ummaior nível de conscientização.
No século atual, o ser humano é chamado a
melhorar continuamente, a criar dentro de seu
contexto social, contribuindo de maneira significa-
tiva na tentativa de se tornar um indivíduo mais
evoluído em termos existenciais. Na atualidade,
seguindo a linha da Psicologia Positiva, há um
crescente interesse em fazer escolhas pessoais
mais acertadas e entender os caminhos que levam
a experiências bem-sucedidas. Isso implica cultivar
emoções e sentimentos positivos, que direcionam
os indivíduos a alcançar melhores resultados em
termos de bem-estar, sensação de plenitude e
felicidade.
Trata-se de viver uma vida com propósito,
clareza de missão e uma visão ampla da própria
realidade, alinhando-se ao movimento que está
solidificando a ciência da felicidade. Esse conceito
emergiu como uma forma de compreender o
aumento dos estados de depressão e estresse, além
de buscar o que gera verdadeiro bem-estar nas
pessoas.
Diante disso, pode-se dizer que muitos
aspectos positivos da vida eram desprezados. Na
Universidade deHarvard nos EUA, a implantação no
Anotações:
63
currículo acadêmico da disciplina Felicidade
promoveu uma alta popularidade, e vem sendo
replicada em outros ambientes da universidade o
que chamoumuito a atenção para o fato de que este
tema acaba trazendo umnível de indagação que nos
faz pesquisar o que pode tornar a vida humana uma
sucessão de melhores experiências, a fim de
combater o mal do século: a depressão. Sabemos
que esta doença psíquica, assim como a ansiedade,
descontentamento, frustração constante e exces-
so de experiências dramáticas vem provocando
desesperança, isolamento, falta de perspectiva,
sentimento de defasagem e não pertencimento.
A Psicologia positiva não é autoajuda e nem
deve ser confundida. O segredo da felicidade, de
acordo com os pesquisadores, é a vivência com
qualidade da própria realidade, de forma que seja
possível viver a vida como ela é, ao invés de esperar
oualimentar ideias sugestivase fantasiosasdecomo
esta vida poderia ser.
Aceitar a realidade coloca apessoa emcontato
com o desafio e com recursos da criatividade que
serão fundamentais para exercitar a resiliência.
Poderá ser grata pelo que está diante de si mesmo
e viver o contentamento que a própria vida pode
oferecer, conectando-se comaexperiência positiva
à sua volta, até mesmo detalhes que antes não
considerava como representativos, uma qualidade
que anteriormente não foi experimentada e sentida.
Sua mente estava voltada para uma constante
conquista do sucesso, fama e dinheiro, de forma a
negar outros aspectos igualmente importantes na
vida.
A ciência da felicidade coloca o ser humano na
dimensão do viver na potência máxima. Mudanças
Anotações:
64
cerebrais são visíveis por análises da plasticidade
cerebral, equipamentos que medem os sinais do
cérebro do modo como as pessoas reagem a
certos estímulos negativos de sofrimento, dor,
trauma e também àqueles opostos, tais como os
compassivos, de compaixão, de alegria e comparti-
lhamento. Nessas experiências neurocientíficas
estamos verificando a diferença do comportamento
cerebral diante de tais estímulos e a diferença entre
eles. Essas testagens são feitas com o intuito de
medir as respostas dadas pelas pessoas de acordo
com a vivência.
Ao deixar o pensamento fluir, a pessoa reage
de acordo com as emoções que ela nutre em si
mesma naquelemomento, sempermanecer estaci-
onado nas memórias negativas que ficam retidas,
influenciando a vida da pessoa. As emoções positi-
vas liberam serotonina, dopamina e ocitocina, que
trazem prazer ao corpo e à mente. Por sua vez, as
emoções negativas alteram muito o ser humano,
sobressaltado por coisas que marcam na memória
e que ficam registradas, podem ser experiências
traumáticas, sofrimento psíquico, esgotamento
emocional e emoções queficam retidas namemória
e são constantemente lembradas pelo cérebro.
Quando sublimadas, agemde fundo, interferin-
do em aspectos sensíveis, como a autoconfiança,
segurançae amotivação.Muitas vezes, a pessoanão
percebe por que perdeu a motivação para realizar
atividades, apenas se vê desanimada, procrastinan-
do diante da realidade, retardando e adiando o
prazer. São essas experiências sequenciais de
desprazer e falta de acolher as boas vivências para
próximo de si que tem feito milhares de pessoas
adoecerem, pois não se sentem felizes.
Anotações:
65
As sensações felizes nos fazem fluir e nos
encorajam a prosseguir e interferir na própria
realidade com responsabilidade e realismo. Não se
trata de se entorpecer, anestesiar ou negar a
realidade, pois lidar com uma vida repetitiva,
mecanizada, quenãoé refletida e tão somente vivida
com total ausência de gratificação, propicia que a
rígida experiência imposta, os registros de emoções
e sentimentos dolorosos, tornem a vida um fardo
pesado.
Torna-se cheia de excessos sem a inclusão da
gratificação, do gozo, da leveza, da serenidade e
calma, levando o indivíduo a sucumbir a processos
como insatisfação crônica, ansiedade, depressão e
outros estados de rigidez psíquica. Isto conduz o
indivíduo a um esgotamento e redução da imunida-
de e do fluido vital, assim como a ocorrência de
doençasafetivasquedificultamsuaconvivência com
pessoas, do bom relacionamento humano, da
geração de empatia, do autocuidado, autoamor,
sincronicidade com a vida e com situações.
A forma como reagimos diante de emoções
tristes e

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