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Resumindo: 
Análise do caso: Conflito de interesses 
✓ x e y estão em uma ilha após o navio ao qual estavam afundar no meio do oceano 
a ilha era o único meio de sobrevivência para x e y, e, portanto, longe de toda 
civilização. 
Ponto importante: 
✓ Não existe a menor possibilidade de sair da ilha, receber resgate ou de 
retornar à civilização. 
✓ Não foi possível levar nada para a ilha, apenas o que sobrou do naufrágio do 
barco, só se conta com as pessoas e recursos da ilha. não se está sozinha nessa 
ilha. Após longos dias x pegou uma cesta de frutas de y, sem o seu 
consentimento ou autorização. 
Ponto principal: 
✓ podemos afirmar que há lide entre x e y? o que fazer e como proceder para 
pacificar o eventual “conflito entre x e y”? 
 
⇒ Lide: trata-se do conflito de interesses manifestados em juízo, tal termo é muita 
vezes utilizado com sinônimo da ação, porém na verdade aquela (lide) é um meio pelo 
qual se exercita o direito a esta (ação). Significa demanda, litígio, pleito judicial. Pode 
ser pendente, quando já houve citação, porém ainda não se proferiu a sentença; e a 
temerária, quando, há abuso de direito, em que uma parte litiga apenas para 
prejudicar outrem. 
 
1- Autotutela: Direito de greve e de necessidade. 
• A autotutela consiste em uma forma de resolução de conflito em que o próprio 
particular usa da força física, moral ou econômica na defesa de seus próprios 
interesses contra terceiros. 
 
2- Autocomposição: Mediação e conciliação. 
• A autocomposição é um método primitivo de resolução de conflitos entre pessoas 
e consiste em: um dos indivíduos, ou ambos, abrem mão do seu interesse por inteiro 
ou de parte dele. 
 
3- Heterocomposição: Participação de um terceiro. 
• É o procedimento mediante o qual as partes contam com a presença de um terceiro 
para decidir a lide. Esse terceiro imparcial não auxilia e não representa os 
conflitantes. A arbitragem e a jurisdição podem ser apontadas como os principais 
procedimentos heterocompositivos. 
 
→ Arbitragem: Lei N° 9307/96 (decorre sobre a necessidade de um compromisso 
arbitral). 
 
• Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para 
dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 
 
TEORIA GERAL DO PROCESSO 
 
→ Cláusula compromissória: 
 
→ Art. 4º A cláusula compromissória é a convenção através da qual as partes em um 
contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a 
surgir, relativamente a tal contrato. 
 
→ Judiciário / Estado / Juiz. 
 
 
→ Livro recomendado: O caso dos exploradores de cavernas. 
 
• O caso dos exploradores de cavernas é uma introdução à argumentação jurídica que 
traz o debate sobre a preservação da vida e da forma como podemos criar “normas” 
sociais e, também, apresenta contornos para a análise do debate jurídico, do papel 
dos juízes e das leis na sociedade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
01 - Objetivos da disciplina 
 
✓ O objetivo dessa disciplina é desenvolver no acadêmico competências gerais ou de 
fundamento de área, de acordo com as unidades de ensino e conteúdos estudados, 
com foco nas habilidades necessárias para a atuação profissional. 
 
02 - Noções teóricas básicas geral do processo 
 
→ Homem em sociedade; 
→ Conflitos de interesses e seus modos de resolução nos tempos antigos: Da 
autotutela à jurisdição; 
→ O fortalecimento do Estado e a atividade jurisdicional; 
→ Fontes Modernas de resolução de conflitos; 
→ Acesso à justiça e linhas evolutivas do processo; 
→ Conceito de processo; 
→ Constituição Federal e processo; 
→ Noções introdutórias de arbitragem, mediação e conciliação no Novo Código de 
Processo Civil; 
→ Cooperação entre as partes e os órgãos jurisdicionais; 
→ Distinção entre as normas de Direito Material e as normas de Direito Processual; 
→ Normas processuais no tempo e no espaço; 
→ Eficácia temporal; 
→ Interpretação da lei processual. 
TEORIA GERAL DO PROCESSO 
03 - Princípios estruturantes do processo 
 
→ Princípios e regras: conceito e diferenciação; 
→ Princípios constitucionais e infraconstitucionais do Processo; 
→ Princípio do devido processo legal em sentido material e em sentido formal; 
→ Princípio da Ação: da demanda e da iniciativa das partes; 
→ Princípio da Economia Processual e da Instrumentalidade das formas; 
→ Princípio da efetividade; 
→ Princípio da Imparcialidade do Juiz; 
→ Princípio da Igualdade; 
→ Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa; 
→ Princípio da Disponibilidade e da Indisponibilidade; 
→ Princípio do Dispositivo e da livre investigação das provas; 
→ Princípio do Impulso Oficial; 
→ Princípio da Oralidade; 
→ Princípio da Motivação das decisões judiciais; 
→ Princípio da Persuação Racional do Juiz; 
→ Princípio da Publicidade; 
→ Princípio da Lealdade Processual; 
→ Princípio da Tempestividade da prestação jurisdicional; 
→ Primazia do julgamento de mérito; 
→ Princípio do Acesso à Justiça; 
→ Princípio da Preclusão; 
→ Princípio do Duplo grau de jurisdição; 
→ Princípio do Juiz Natural. 
 
04 - Teoria da jurisdição, da ação e competência 
 
→ Diversas perspectivas conceituais da jurisdição; 
→ P oder e Jurisdição. Atividades Jurisdicional, legislativa e executiva e suas 
diferenciações; 
→ Características da Jurisdição; 
→ Jurisdição voluntária e jurisdição contenciosa; 
→ Os princípios inerentes à jurisdição: aderência ao território, investidura, 
indelegabilidade; 
→ Os princípios da inevitabilidade, inafastabilidade e juiz natural; 
→ Competência. Conceito. 
→ Diferença entre competência e jurisdição; 
→ Critérios para determinação da competência: territorial, funcional e objetivo; 
→ Prevenção e princípio da perpetuatio jurisdictionis; 
→ Causas modificativas da competência; 
→ Reunião de processos; 
→ Análise da delimitação da competência no Código de Processo Civil; 
→ Competência absoluta e competência relativa: características e formas de 
impugnação. 
→ Declaração de Incompetência; 
→ Prorrogação de competência; 
→ Conceito de ação, natureza jurídica do direito de ação e suas teorias; 
→ Elementos da Ação: partes, pedido e causa de pedir; 
→ Momento de fixação dos elementos; 
→ Importância dos elementos da ação: delimitação do julgamento, identidade de ações; 
→ As condições para o exercício do direito de ação. 
 
 
05 - Funções essenciais à justiça, tutelas, formação e 
extinção do processo 
→ Estruturação do juízo e tribunais; 
→ Funções essenciais à Justiça: juízes, desembargadores e ministros; 
→ Partes e seus advogados; 
→ Conceito, capacidade processual para ser parte; 
→ Sucessão processual; 
→ Direitos do advogado; 
→ Deveres do advogado; 
→ Ministério Público, Defensoria Pública e Auxiliares da Justiça. 
→ Litisconsórcio; 
→ I ntervenção de terceiros, Intervenção voluntária. (assistência simples, 
litisconsorcial, amicus curiae, intervenção anômala); 
→ Intervenção forçada (denunciação da lide, chamamento ao processo, terceiro 
alcançado pela desconsideração da personalidade jurídica); 
→ Prazos dos atos processuais; 
→ Comunicação dos atos processuais: Cartas, citações e intimações; 
→ Ato processual. Conceito. Classificação. Ato das partes; 
→ Pronunciamentos do juiz. Forma, tempo e lugar dos atos processuais; 
→ Nulidades na comunicação dos atos processuais. 
→ Formação dos atos processuais. Impulso oficial, citação. Estabilização do processo. 
Proibição de alteração do pedido; 
→ Extinção do processo. Sentença terminativa e sentença definitiva; 
→ Hipóteses de extinção com ou sem resolução de mérito; 
→ Acolhimento ou rejeição do pedido; 
→ Transação, prescrição e decadência. 
 
06 - Os primeiros habitantes 
 
✓ Os homens se organizaram em sociedade para melhor sobreviver; 
✓ Precisaram criar regras de conduta, para disciplinar a forma de agir de seus 
membros epunir eventuais transgressões (EQUÍLIBRIO SOCIAL).07 - Resolução de conflitos nos tempos antigos 
 
✓ Era normal existirem conflitos de interesse (Necessidades ilimitadas x bens limitados); 
✓ O conflito surge quando um indivíduo entende que determinado direito lhe cabe 
e não ao utrem. Tal situação é, portanto, geradora de uma lide, que, nas palavras 
de Carnelutti é 
✓ “Um conflito de interesse qualificado por uma pretensão resistida” (apud 
MONNERAT,2015, p.30). 
 
Organização 
do homem em 
sociedade 
Necessidade de 
regrar a forma 
do exercício de 
poder 
 
Surgimento do 
estado e origem 
do direito 
08 - Exemplificando-Lide 
 
Analisaremos a situação a seguir para fixarmos as noções mencionadas: 
→ Em um acidente de trânsito, Carlos colide com o veículo de Marta. Existe pretensão 
por parte de Marta de ver-se ressarcida dos danos sofridos. No entanto, se Carlos 
admite ser culpado pelo acidente e concorda em pagar pelos danos sofridos por 
Marta, não há resistência. Consequentemente, não há lide. 
→ Por outro lado, se Carlos nega-se a assumir a culpa pelo acidente ou, ainda, não se 
entenda culpado e recusa-se a efetuar o pagamento dos danos sofridos por Marta, 
há pretensão a um interesse juridicamente protegido (indenização) e há resistência 
(recusa por parte de Carlos). Consequentemente, há lide. 
 
 
09 – Autotutela 
✓ Inicialmente, cada pessoa buscava resolver os embates em que se envolvia mediante 
seus próprios métodos; 
✓ Cabia ao próprio indivíduo, com as armas de que dispunha, fazer valer o direito que 
julgasse ter. 
✓ Segundo doutrina a autotutela é o meio de resolução de conflito de interesses 
caracterizado pela “imposição do interesse de uma parte sobre outra pela força, 
independentemente, portanto, da participação do Estado ou de qualquer terceiro 
imparcial, bem como sem a observância de qualquer norma jurídica” (2015, p. 66). 
✓ Trata-se de “solução egoísta e parcial do litígio. O ‘juiz da causa’ é uma das partes” 
(DIDIER JR., 2015, p. 164). 
 
→ Nos primórdios da civilização, cada pessoa poderia exercer à sua maneira o direito que entendia 
ter. Poderia, inclusive, valer-se da força física para atingir seus objetivos, sem qualquer 
intervenção de terceiros, ideia que, obviamente, não é mais compatível com a nossa época. 
→ Na autotutela os indivíduos resolviam seus conflitos, com base nas suas regras e 
atitudes próprias. 
10 - Exemplo de autotutela 
 
✓ Se João entendesse que era dono de um bem que estava na posse de José, mas 
José igualmente se reputasse proprietário do mesmo bem, o conflito de interesses 
estaria instaurado. Nos primeiros tempos da civilização, no entanto, não se 
cogitaria um terceiro imparcial que solucionasse o conflito. Dessa forma, ou as 
partes chegavam a um acordo (autocomposição) ou empregavam o uso da autotutela, 
por meio da força. Aquele que fosse mais forte, astuto, perspicaz, manteria consigo 
a posse do bem conflituoso. 
✓ Atualmente não se admite, em princípio, a autotutela de direitos pelas partes 
envolvidas emconflitos de interesses. Nesse contexto, é importante lembrar que 
o Código Penal brasileiro (BRASIL, 1940) prevê a autotutela como conduta 
criminosa, imputando, em seu art. 345, a pena de 15 dias a 1 mês ou multa àquele 
que fizer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, ainda que legítima, 
salvo quando a lei o permitir. 
✓ EXCEÇÃO: o desforço imediato, instituto previsto no art. 1.210, §1º, do Código Civil 
(BRASIL, 2002), que preceitua: “O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou 
restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de 
desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse” , ou 
seja, quando alguém que possua determinado bem tiver sua posse ameaçada ou 
efetivamente retirada, poderá se manter na posse ou restitui-la, inclusive utilizando-se de 
sua própria força. 
✓ Trata-se, no entanto, de exceção expressamente prevista na legislação brasileira. 
A regra continua sendo a proibição de que qualquer indivíduo possa fazer justiça 
com as próprias mãos, sem a intervenção do Estado-juiz. 
 
 
11 – Arbitragem 
 
✓ Com a evolução da sociedade, os indivíduos passaram a preferir, no lugar da 
autotutela, “uma solução amigável e imparcial através de árbitros, pessoas de sua 
confiança mútua em quem as partes se louvam para que resolvam os conflitos”. 
✓ Nos primórdios, tarefa era atribuída normalmente aos sacerdotes ou aos anciãos, 
que decidiam, respectivamente, de acordo com a vontade dos deuses e pelos 
costumes vigentes na época da decisão. 
12 - Arbitragem (Justiça Privada) 
 
 
 
 
✓ Arbitragem arcaica: pessoas de confiança mútua – sacerdotes ou anciãos. 
 
✓ Como etapa subsequente de evolução da solução de conflitos, tem-se a arbitragem, 
que apresenta as seguintes principais características: 
→ Existência de um terceiro para solucionar o conflito; 
→ O terceiro deveria ser dotado de imparcialidade diante do conflito instaurado. 
 
 
13 – Autocomposição 
 
✓ Meio altruísta de pacificação social. 
✓ Diferença em relação à autotutela: inexiste, na autocomposição, a imposição 
de vontade, mas concessões mútuas ou unilaterais; 
✓ Solução do conflito pelos próprios conflitantes. 
 
 
14 – Jurisdição 
 
✓ Após o estabelecimento e fortalecimento da instituição Estado, as formas 
anteriores de resolução de conflitos foram perdendo força, deslocando-se a regra 
geral para a ideia de que a pacificação social deve ser precipuamente, atividade 
estatal. 
✓ Assim, em virtude da estruturação do Estado de Direito, calcado no princípio da 
separação de poderes, podemos afirmar que cabe ao Estado, precipuamente, a 
prestação da atividade jurisdicional, que tem seus contornos desenhados 
visando à solução concreta de litígios existentes entre os membros da 
sociedade. 
Evolução da 
sociedade 
Resolução de 
conflitos com 
intervenção de 
terceiros 
Arbitragem 
“arcaica” 
 
15 - Jurisdição (Justiça Pública) 
 
 
 
✓ Uma vez que esteja instaurado o conflito de interesses e não tenha sido possível 
uma composição amigável entre as partes, uma autocomposição, caberá ao Poder 
Judiciário solucionar o litígio, impondo às partes sua decisão. 
 
✓ Nas palavras de Monnerat (2015, p. 74), “trata-se do método jurisdicional, que 
conta com a participação do Estado, que,como terceiro imparcial, impõe a solução 
da lide independentemente do concurso da vontade das partes”. 
 
 
16 - Modo de resoluções de conflitos 
 
 
 
 
Estado 
fortalecido 
 
Toma para si a 
Resolução de 
conflitos. 
 
Cabia ao soberano, 
depois ao Poder 
Judiciário. 
Formas históricas de resolução de conflitos 
Autodefesa 
ou 
Autotutela 
Autocomposição Arbitragem Processo 
Mediação e 
Conciliação 
17 - O que é um processo? 
 
✓ O “processo” surge como instrumento colocado pelo Estado à disposição dos 
cidadãos, capazde garantir a todos o acesso à Justiça e o Direito de obter uma 
resposta do poder judiciário atodos os requerimentos formulados. 
✓ Processo significa no latim seguir adiante. É ele quem move a máquina judiciária, e 
por meiodele que se obtém a tutela jurisdicional. 
 
 
18 - Sociedade nômade primitiva 
 
 
 
 
19 - Direito Romano 
 
Fase 1: Legis actions- Regras e costumes na forma oral; 
Fase 2: Período formulário-Direito possuía uma base escrita, mas, a maior parte ainda 
predominava na forma oral; 
Fase 3: Extraordinária Cógnitio – Surgimento de princípios e regras escritas, formação 
do processo até o início da sentença. 
 
20 - Evolução do processo no Brasil 
 
✓ 1850: Código Comercial e Regulamento 737 – Aplicável somente as relações comerciais. 
✓ CF 1891: Os Estados passaram a legislar sobre processo, passando a existir 
códigos judiciários estaduais. 
✓ CF 1934: A União passou a legislar sobre processo, e ocasionou surgimento do 
Código de Processo Civil 1939 e posteriormente, o Código de Processo Civil 1973; 
Sociedade SedentáriaX Exploração de Terras 
✓ Código de 2015 - (atual). 
 
21 - Procedimento X Processo 
 
✓ Procedimento é modus operandi do processo; 
✓ Procedimento é a exteriorização do processo, é o rito ou andamento do processo, 
o modocomo se desencadeia os atos; 
✓ Procedimento é o “modo”; 
✓ Processo é o meio, através do qual se obtém a prestação jurisdicional; 
✓ Processo é o instrumento colocado pelo Estado, a disposição dos indivíduos para buscar 
a solução de conflitos, em que haja a necessidade da intervenção jurisdicional do Estado. 
 
 
01 – Autocomposição 
 
→ Mecanismo de resolução de conflitos que tem como elemento chave o diálogo. 
Autocomposição unilateral: 
→ Ocorre quando se verifica a renúncia de uma das partes de sua pretensão ou o 
reconhecimento da pretensão da parte contrária. 
→ Renúncia ao direito (CPC, art. 487, III, ‘c’). 
 
 
 
✓ A submissão de um dos conflitantes à pretensão do outro (reconhecimento do pedido – CPC, 
art. 487, III, ‘a’). 
 
Lei nº 13.105 de 16 de Março de 
2015 Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: 
III - homologar: 
a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção; 
b) transação. 
c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. 
Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1º do art. 332, a prescrição e a decadência não 
serão reconhecidas sem que antes seja dada às partes oportunidade de manifestar-se. 
TEORIA GERAL DO PROCESSO 
Autocomposição bilateral: (transação – CC, art. 487, III, ‘b’): 
→ Nada mais é que a autocomposição induzida ou estimulada por terceira pessoa; pode 
ser exercida dentro ou fora do processo; pode dar ensejo a qualquer forma de 
autocomposição; 
→ Trata-se das práticas conciliatórias – ex. Juizados etc. 
 
 
02 – Mediação 
 
1. Há a figura do mediador. 
2. É técnica de estímulo à autocomposição. 
3. Decisão cabe às partes e não ao mediador, assemelha-se à conciliação. 
 
Mediação e Conciliação: CPC, art. 165 e seguintes. 
 
→ Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução 
consensual de conflitos, responsáveis pela realização de 
sessões e audiências de conciliação e mediação e pelo 
desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar 
e estimular a autocomposição. 
→ § 1º A composição e a organização dos centros serão 
definidaspelo respectivo tribunal, observadas as normas do 
Conselho Nacional de Justiça. 
→ § 2º O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos 
em que não houver vínculo anterior entre as partes, poderá 
sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de 
qualquer tipo de constrangimento ou intimidação para que as 
partes conciliem. 
→ § 3º O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em 
que houver vínculo anterior entre as partes, auxiliará aos 
interessados a compreender as questões e os interesses em 
conflito, de modo que eles possam, pelo restabelecimento da 
comunicação, identificar, por si próprios, soluções 
consensuais que gerem benefícios mútuos. 
 
Distinção da conciliação: A conciliação busca sobre tudo o acordo entre as partes, 
enquanto a mediação objetiva debater o conflito, surgindo o acordo como mera 
consequência. 
03 - Lei n° 13.140, de 26 de junho de 2015. 
 
Artigo 2 – A mediação será orientada pelos seguintes princípios: 
1. Imparcialidade do mediador; 
2. Isonomia entre as partes; 
3. Oralidade; 
4. Informalidade; 
5. Autonomia da vontade entre as partes;; 
6. Busca do consenso; 
7. Confidencialidade; 
8. Boa fé. 
 
 
04 - Diação X Conciliação 
 
→ Recupera-se o diálogo entre as partes; 
→ As partes decidem; 
→ Não é necessário interferência; 
→ O mediador fará com que as partes encontrem a melhor solução; 
→ Quando há um problema que é a razão do conflito; 
→ Quando não é a falta de diálogo que impede o resultado positivo; 
→ O conciliador poderá sugerir propostas para solucionar o caso. 
 
05 – Arbitragem 
 
→ Julgamento da lide por terceiro imparcial, escolhido pelas partes; 
→ Instituída mediante negócio jurídico denominado ‘convenção de arbitragem’; 
→ Acordo de vontades posterior ao litígio: compromisso arbitral; 
→ Somente os direitos disponíveis, ou seja, patrimoniais, podem resolvidos pela 
arbitragem. 
 
06 - Sentença arbitral 
 
✓ A sentença arbitral é título executivo judicial; 
✓ A sentença arbitral em regra é irrecorrível no Poder Judiciário, salvo quando para 
correção de equívocos materiais, vale dizer, não substanciais. 
 
07 - Acesso á justiça e linhas evolutivas do processo 
Acesso à justiça – o que é? 
 
1ª Concepção: 
→ “Acesso à justiça” como “inafastabilidade da jurisdição”, em que se adota como 
premissa a possibilidade dada a qualquer pessoa de ter seu litígio apreciado pelo 
Estado; 
→ Tal ideia decorre especialmente da ênfase dada à estatalidade da justiça e da 
primaziado Poder Judiciário como solucionador de conflitos. 
 
2ª Concepção: 
→ “Acesso à justiça” como “garantia fundamental de direitos”, que remete à ideia de 
que somente é possível garantir a efetivação de um direito se for garantido o 
acesso ao Poder Judiciário, que deve se desincumbir concretamente de sua função 
constitucional. 
 
3º Concepção: 
→ “Acesso à justiça” como “acesso ao direito”, em que se procura deslocar o eixo de 
pesquisa da proteção estatal para a participação do próprio jurisdicionado na 
soluçãode seus conflitos. 
 
→ Nesse sentido, compreende o estudo medidas preventivas de conflitos, baseadas 
no conhecimento dos direitos pela população em seu grau mais abrangente. 
EX: Direito de acesso à informação de decisões, 
jurisprudências, direito de participar das decisões do 
Estado. 
 
Exemplos: 
→ Defensoria Pública – art. 134, CRFB/88; 
→ Defesa dos necessitados; 
→ Gratuidade de Justiça – art. 98, CPC; 
→ Isenção de custas e emolumentos. 
 
✓ O acesso à justiça não deve ser dar apenas no plano formal (com a garantia 
legislativa, mas, principalmente, de que tenha tal princípio concretude e 
aplicabilidade práticas para o jurisdicionado. Atingido esse objetivo, certamente 
se alcançará uma melhor qualidade na prestação jurisdicional. 
 
08 - Linhas evolutivas do processo 
 
✓ Tradicionalmente, e para fins meramente didáticos, a doutrina classifica o Direito 
em dois grandes ramos: público e privado. 
✓ Classicamente, se conceitua o direito processual como o ramo do direito público 
interno que trata dos princípios e das regras relativas ao exercício da função 
jurisdicional. (CINTRA, GRINOVER, DINAMARCO); 
 
09 - Acesso à justiça e linhas evolutivas do processo 
 
Classificação quanto à sistematização: 
→ Distinguem-se, na doutrina, duas correntes acerca da sistematização do direito 
processual: a que acredita na unidade de uma teoria geral do processo (unitarista) 
e a que sustenta a separação entre a ciência processual civil e a penal, por 
constituíremramos dissociados, com institutos peculiares (dualista). 
 
→ Prevalece a teoria unitarista. 
10 - Natureza jurídica do processo 
 
Processo como contrato: 
→ Teoria Contratualista (Séculos XVII e XIX); 
→ “(...) Para os defensores dessa corrente, as partes se submeteriam voluntariamente 
ao processo e a seus resultados por meio de um verdadeiro negócio jurídico de 
direito privado (...)” (DONIZETTI, 2012). 
 
11 - Natureza jurídica do processo – Evolução 
 
Processo como quase-contrato: 
→ Evolução à teoria contratualista; 
→ Criada pelo francês Arnault de Guényvau (século XIX); 
→ Processo, ainda, entre os institutos de direito privado; 
→ “(...) Afirmava-se que, se não é contrato, o processo deveria ser um quase-contrato, 
porque a parte que ingressava em juízo já consentia que a decisão lhe fosse 
favorável ou desfavorável, ocorrendo um nexo entre o autor e o juiz, ainda que o 
réu não aderisse espontaneamente ao debate da lide”. (DONIZETTI, 2012). 
 
Processo como relação jurídica: 
→ O processo adquiriu autonomia científica, se dissociando do direito privado;→ “(...) o processo seria uma relação jurídica entre as partes e o juiz, não se 
confundindo com a relação jurídica material discutida. A relação processual tem 
seus próprios sujeitos (autor, réu e o Estadojuiz), objetos (prestação jurisdicional) 
e requisitos (aos quais deu o nome de pressupostos processuais), que lhe dão 
autonomia”. (DONIZETTI,2012). 
 
Processo como situação jurídica: 
→ Criada por James Goldschimit, o processo não seria mais uma relação jurídica 
(consideração “estática” do Direito), mas várias situações jurídicas ativas 
(consideração “dinâmica” do Direito), criadoras de deveres, poderes, faculdades e 
ônus para os sujeitos que dele participam. 
→ Introduziu no campo do direito as noções de ônus, sujeição (potestativo) e 
relação funcional do juiz com o processo. 
 
Processo como entidade complexa: 
→ O processo é integrado por dois elementos distintos: o procedimento e a relação 
jurídica processual. 
→ “(...) O conceito de processo, portanto, ‘não se exaure no de procedimento, nem 
coincide com o de relação processual.” (DINAMARCO, 2004.). 
 
12 - Acesso à justiça e linhas evolutivas do processo 
 
Fases evolutivas processuais: 
 
Fase sincrética (1ª fase): 
→ Na primeira fase do Direito Processual, entendia-se o processo como simples 
meio para a realização dos direitos das partes. 
→ Não se analisava o Direito Processual como ciência autônoma em relação ao 
Direitovinculado no processo. 
 
Fase autonomista ou conceitual (2ª fase): 
→ Surgimento do Estado Moderno, com o fortalecimento da burguesia e dos ideais da 
Revolução Francesa; 
→ Entendia-se que o juiz deveria agir de acordo com os procedimentos processuais, 
abrangendo ritos, prazos e formas designados em lei, cabendo ao juiz agir 
conforme o Direito vigente, sem margem a interpretações. 
 
Fase instrumentalista (3ª fase): 
→ Apesar de o processo ser efetivamente um meio dotado de autonomia para 
pacificação de conflitos, ele não pode ser encarado de forma desconectada do 
Direito Material buscado pelo jurisdicionado. 
13 - Direito material x Direito processual 
Direito material 
→ Direito Material pode ser conceituado como o conjunto de normas que “criam, 
definem e regulam as relações jurídicas e as situações dos bens jurídicos”. 
Direito processual 
→ O direito processual se ocupa de regular “a forma de se revolver a lide por meio 
da atuação do poder jurisdicional” (MONNERAT, 2015, p. 34- 35). 
 
 
14 - Lei processual no tempo e no espaço 
 
✓ É aplicado o princípio da irretroatividade da norma processual, no sentido de que, 
entrando em vigor determinada lei, ela não poderá ser aplicada aos quadros 
processuais já estabelecidos e aperfeiçoados. 
 
→ Art. 14. A norma processual não retroagirá e será 
aplicável imediatamente aos processos em curso, 
respeitados os atos processuais praticados e as 
situações jurídicas consolidadas sob a vigência da 
norma revogada. 
 
15 - Lei processual no tempo e no espaço – situações 
 
→ O Código de Processo Civil de 2015 adotou a teoria do isolamento dos atos 
processuais, que compreende cada ato de forma autônoma, de modo que a nova lei 
processual tem aplicação imediata, respeitando-se os atos já realizados e os 
efeitos por eles produzidos sob o regime da legislação anterior. 
 
16 - Lei processual no espaço 
 
→ Art. 13 CPC. A jurisdição civil será regida pelas normas 
processuais brasileiras, ressalvadas as disposições 
específicas previstas em tratados, convenções ou acordos 
internacionais de que o Brasil seja parte. 
 
→ Art. 13. A jurisdição civil será regida pelas normas 
processuais brasileiras, ressalvadas as disposições 
específicas previstas em tratados, convenções ou acordos 
internacionais de que o Brasil seja parte. 
 
→ Quanto ao espaço, a lei processual é regulada pelo princípio da territorialidade. 
Assim, a lei processual tem eficácia em território nacional. Isto, porque a norma 
processual tem por objeto disciplinar a atividade estatal (jurisdição), e essa atividade 
é manifestação do poder soberano do Estado, desse modo, não poderia ser regulada 
por leis estrangeiras. 
TEORIA GERAL DO PROCESSO 
01 - Princípios processuais gerais 
 
→ São espécies de normas jurídicas, escritas ou não, que informam e guiam todo sistema 
processual, servindo de base para o operador de Direito; 
→ São normas que fornecem coerência e ordem a um conjunto de elementos, 
sistematizando-o; 
→ Segundo a doutrina, são normas ‘fundantes’ do sistema jurídico; 
→ Os princípios jurídicos são também normas jurídicas; 
→ Mesmo quando implícitos, não expressos, os princípios jurídicos são obrigatórios, 
vinculam, impõem deveres, tanto quanto qualquer regra jurídica. 
 
02 - Princípios e regras: Diferenciação 
✓ Há um conjunto de normas processuais que formam o que se pode chamar de 
Direito Processual Fundamental ou Direito Processual Geral; 
✓ A norma é fundamental, porque estrutura o modelo do processo civil brasileiro e 
serve de norte para a compreensão de todas as demais normas jurídicas 
processuais civis; 
✓ Essas normas processuais ora são princípios (como o devido processo legal) ora 
são regras (como a proibição do uso de provas ilícitas). 
03 - Princípios x Regras 
 
 
 
 
 
 
 
X 
 
 
04 - Princípios constitucionais e infraconstitucionais 
 
• Princípios constitucionais: extraídos da CRFB/88. 
→ Os princípios constitucionais gerais são os que densificam os princípios 
estruturantes e dão maior aplicabilidade a eles; 
→ Resultante deste princípio estruturante, obtemos outros princípios chamados de 
gerais, como por exemplo o da soberania popular. 
 
• Princípios infraconstitucionais: extraídos das normas infraconstitucionais. 
→ Possuem essa denominação por estarem previstas em outras legislações esparsas 
e específicas que não a Constituição Federal, como a lei de Licitações Públicas, lei 
de Improbidade Administrativa, lei de Processo Administrativo Federal, entre 
outras. 
✓ São prescrições específicas que 
disciplinam determinadas situações“no 
âmbito daquilo que é fática e 
juridicamente possível”. 
✓ As regras esgotam em si mesmas, ao 
passo que descrevem o que se deve eo 
que não se deve; o que se pode e o que 
não se pode. 
✓ São diretrizes do ordenamento jurídico. 
✓ Servem para fundamentar e interpretar 
as demais normas. 
✓ Os princípios são mandamentos de 
otimização que servem para ordenar o 
cumprimento de algo na maior medida 
possível. 
05 - Devido processo legal 
Art. 5º, inciso LIV da Constituição Federal: 
 
 
→ Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos 
termos seguintes: 
→ LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem 
o devido processo legal. 
 
Atinge não só o processo judicial, como também os procedimentos administrativos. 
 
 
 
Manifestações do 
devido processo legal 
Na garantia do jus actionis. 
 
No respeito ao direito de defesa. 
No contraditório. 
 
06 - Princípios processuais 
 
• Princípio da igualdade/isonomia/paridade de armas: Estabelece o dever do 
Estado-juiz de dar tratamento igualitário às partes, garantindo equilíbrio entre os 
litigantes. (Artigo 5º, capute inciso I, CF). 
→ Ex: Juiz deverá garantir que que todos tenham a mesma 
oportunidade para produzir provas necessárias para o 
deslindedos fatos. 
→ Art. 7º CPC- É assegurada às partes paridade de tratamento 
emrelação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos 
meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções 
processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. 
Na igualdade das partes. 
• Princípio do juiz natural: “Ninguém será processado nem sentenciado, senão pela 
autoridade competente.” (Artigo 5º, incisos XXXVII e LIII). Juiz Natural é aquelecom competência previamente estabelecida, investidos em suas atribuições pela 
Lei Maior, devendo ser independentes e imparciais. 
→ Impossibilidade de escolher o juízo da causa. 
→ Vedação aos chamados Tribunais de Exceção. 
 
• Contraditório e ampla defesa: Art. 5º, LV: “aos litigantes, em processo judicial 
ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla 
defesa, comos meios e recursos a ela inerentes”. 
→ O direito de defesa é assim assegurado tanto ao autor como ao réu. 
→ O contraditório, em sua dimensão substantiva, preocupa-se com o tratamento 
igualitário entre as partes. 
✓ Assim, agrega-se à concepção formal, a necessidade de um contraditório real e 
efetivo, o qual exige para sua configuração três elementos: 
 
 
 
 
 
 
1 - A ciência quanto à existência do processo (citação) e o 
acesso ao seu conteúdo (publicidade). 
2 - A possibilidade de se manifestar quantos aos fatos e alegações que 
pesam contra si ou contra seus direitos e interesses. 
3 - Que as razões e argumentos apresentados pelas partes 
sejam racionalmente considerados na formação da decisão. 
• Princípio da Não Surpresa: Art.10 CPC "O juiz não pode decidir, em grau algum 
de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às 
partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual 
deva decidir de ofício". 
→ Impede que o juiz decida com base em fundamento sobre o qual as partes não tiveram 
oportunidade de se manifestar 
 
• Princípio da publicidade: Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder 
Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de 
nulidade. 
→ Parágrafo único: Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença 
somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do Ministério 
Público. 
 
07 - Exceção do princípio da publicidade 
 
Artigo 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os 
processos: 
→ I - Em que o exija o interesse público ou social. 
→ II - Que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união 
estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes. 
→ III - Em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade. 
→ IV - Que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, 
desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante 
o juízo. 
 
§ 1º O direito de consultar os autos de processo que tramite em segredo de justiça e de 
pedir certidões de seus atos é restrito às partes e aos seus procuradores. 
§ 2º O terceiro que demonstrar interesse jurídico pode requerer ao juiz certidão do 
dispositivoda sentença, bem como de inventário e de partilha resultantes de divórcio ou 
separação. 
O que diz a jurisprudência: A jurisprudência do Superior 
Tribunal de Justiça fixou o entendimento no sentido de que 
essas hipóteses constituem rol exemplificativo, não 
exaustivo, sendo autorizado o sigilo dos processos em outras 
situações também merecedoras de tutela jurisdicional, por 
envolverem a preservação de outras garantias, valores e 
interesses fundamentais. 
08 - Princípios processuais 
 
• Princípio da fundamentação das decisões judiciais: “Na fundamentação da 
decisão judicial, o juiz deverá expor os motivos determinantes para seu 
convencimento, tanto para o acolhimento, total ou parcial, dos argumentos da parte 
vencedora, quanto para o desacolhimento total ou parcial, dos argumentos da parte 
derrotada. Trata-se da clara exposição do caminho lógico percorrido pelo juiz.” 
 
09 - A decisão não será fundamentada quando: 
Art. 489, do CPC: São elementos essenciais da sentença: 
 
→ I - O relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma 
do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no 
andamento do processo. 
→ II - Os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito. 
→ III - O dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe 
submeterem. 
 
§ 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, 
sentença ou acórdão, que: 
→ I - Se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem 
explicar sua relação com a causa ou a questão decidida. 
→ II - Empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto 
de sua incidência no caso. 
→ III - Invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão. 
→ IV - Não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, 
infirmar a conclusão adotada pelo julgador. 
→ V - Se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus 
fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta 
àqueles fundamentos. 
→ VI - Deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado 
pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a 
superação do entendimento. 
 
• Princípio da disponibilidade e da indisponibilidade: Sendo da parte a iniciativa de 
movimentar a jurisdição, por meio do direito de ação, cabe a ela também o ônus de 
produzir provas e até mesmo de desistir do processo, observando sempre a 
legislação pertinente. 
 
• Princípio da boa-fé processual: Art.5º Art. “Aquele que de qualquer forma 
participa do processo deve comportar-se de acordo com a boa-fé.” 
→ É dever das partes que integram a relação processual agir com lealdade, boa fé e 
urbanidade. 
→ Atuando com má-fé, com o fim de prejudicar a outra parte, embaraçar o exercício 
da prestação jurisdicional ou ofender a dignidade da justiça, a parte poderá pagar 
multa superior a um por cento e inferior a dez por cento sobre o valor da causa 
atualizado e a indenizar à parte contrária os prejuízos que essa sofreu, mais 
honorários advocatícios. (art.80 e 81 CPC). 
 
Art. 80. Considera-se litigante de má-fé aquele que: 
→ I - Deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso; 
→ II - Alterar a verdade dos fatos; 
→ III - Usar do processo para conseguir objetivo ilegal; 
→ IV - Opuser resistência injustificada ao andamento do processo; 
→ V - Proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo; 
→ VI - Provocar incidente manifestamente infundado; 
→ VII - Interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório. 
 
Art. 81. De ofício ou a requerimento, o juiz condenará o litigante de má-fé a pagar multa, 
que deverá ser superior a um por cento e inferior a dez por cento do valor corrigido da 
causa, a indenizar a parte contrária pelos prejuízos que esta sofreu e a arcar com os 
honorários advocatícios e com todas as despesas que efetuou. 
→ § 1º Quando forem 2 (dois) ou mais os litigantes de má-fé, o juiz condenará cada 
um na proporção de seu respectivo interesse na causa ou solidariamente aqueles 
que se coligaram para lesar a parte contrária. 
→ § 2º Quando o valor da causa for irrisório ou inestimável, a multa poderá ser fixada 
em até 10 (dez) vezes o valor do salário-mínimo. 
→ § 3º O valor da indenização será fixado pelo juiz ou, caso não seja possível mensurá- 
lo, liquidado por arbitramento ou pelo procedimento comum, nos próprios autos. 
 
• Princípio da proibição da prova ilícita: Art.5º, LVI, CF “São inadmissíveis, 
no processo provas obtidas por meios ilícitos.” 
 
Ex: A confissão obtida sob tortura, o depoimento de 
testemunha sob coação moral, a interceptação telefônica 
clandestina, a obtenção de prova documental mediante furto, 
a obtenção de prova mediante invasão de domicílio. 
 
• Princípio do duplo grau de jurisdição: Garante as partes impugnar as decisões 
judiciais. Esse princípio não está expresso na CF, e sim implícito, uma vez que, a 
própria CF disciplina a organização do judiciário, prevendo a competência de 
Tribunaispara julgamento dos recursos. 
 
• Princípio da economia processual e instrumentalidade das formas: MENOR 
CUSTO FINANCEIRO E DE TEMPO. É dever dos juízes e das partes buscar a 
rápida solução da lide, com a prática do menor número de atos processuais 
possíveis, motivo pelo qual é vedada a práticade atos meramente protelatórios. 
 
Art. 283. O erro de forma do processo acarreta unicamente 
a anulação dos atos que não possam ser aproveitados, devendo 
ser praticados os que forem necessários a fim de se 
observaremas prescrições legais. Parágrafo único. Dar-se-á o 
aproveitamento dos atos praticados desde que não resulte 
prejuízo à defesa de qualquer parte. 
 
• Princípio da duração razoável do processo: Princípio processual que foi criado com 
a Emenda Constitucional 45/2004, que é o da celeridade processual. “A todos, no 
âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo 
e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.” 
 
Art. 4º CPC - As partes têm o direito de obter em prazo 
razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade 
satisfativa. 
• Princípio da primazia do julgamento de mérito: É a produção do resultado 
satisfativo do direito, como forma de garantir a efetividade do processo. Assim, 
deve o julgador priorizar adecisão de mérito, ou seja, a demanda deve ser julgada. 
 
Art. 4º CPC - As partes têm o direito de obter em prazo 
razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade 
satisfativa. 
 
• Princípio da cooperação: Todos os sujeitos devem cooperar entre si para que se 
obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. 
→ Importado do Direito Europeu. 
Art. 6º CPC - Todos os sujeitos do processo devem 
cooperar entre si para que se obtenha, em tempo 
razoável, decisão de mérito justa e efetiva. 
Ex: pedido para enviar ofícios aos órgãos públicos 
requerendo endereço atualizado do réu. 
 
• Ordem cronológica de julgamento: Trazido pelo CPC/2015, esse princípio prevê 
que os juízes deverão proferir sentença e os Tribunais decidir os recursos 
obedecendo a ordem cronológica de conclusão, ou seja, por ordem de chegada nas 
“mãos do magistrado”. 
 
→ Com a edição da Lei 13.256/16 a referida ordem 
cronológica,passou a ser preferencial e não obrigatória. 
→ EMENTA: Altera a Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 
(Código de Processo Civil), para disciplinar o processo e o 
julgamento do recurso extraordinário e do recurso 
especial,e dá outras providências. 
 
 
 
• Princípio da inércia ou demanda: 
→ Determina que "o processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por 
impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei". 
→ O que se busca é preservar a imparcialidade do juiz, tornando faculdade 
exclusivadas partes à iniciativa para movimentar o aparato judicial e a 
delimitação dos contornos do litígio. 
 
 
01 – Ação 
 
✓ Ação é Garantia Constitucional que permite a todos ir ao encontro do Judiciário ante 
a ameaçaou efetiva lesão a determinado direito; 
✓ Direito Constitucional de Ação, art. 5º, XXXV CF; 
→ XXXV - A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a 
direito. 
→ Natureza Jurídica: Direito Público Subjetivo. 
02 – Elementos da Ação 
 
→ Partes: Sujeitos parciais do processo. Pessoa Física ou Pessoa Jurídica. 
→ Causa de pedir: A soma dos fatos e fundamentos jurídicos. 
→ Pedido: a pretensão do autor. 
→ Imediato: consiste no provimento jurisdicional pleiteado em face do Estado, que 
pode ser declaratório, condenatório, executivo ou acautelatório. 
→ Mediato: O bem da vida, material ou imaterial desejado. 
 
03 – Elemento Subjetivo 
 
→ Partes: Quem pede ou em face de quem é pedida uma providência jurisdicional. Pode 
ou não coincidir com as partes da relação de direito material. 
→ O autor é aquele que pratica o ato inicial, desencadeando o processo e formulando 
o pedido ao Estado-juiz. 
→ É o sujeito ativo da demanda, ao passo que o réu é aquele em face de quem ou em 
relação ao qual o autor formula o pedido. 
→ É o sujeito passivo da demanda. 
→ Parte processual é aquela que está em uma relação jurídica processual, faz parte 
do contraditório, assumindo qualquer das situações jurídicas processuais, atuando 
com parcialidade e podendo sofrer alguma consequência com a decisão jurídica. 
(Fredie Didier Jr). 
 
 
 
 
 
TEORIA GERAL DO PROCESSO 
04 – Pedido 
 
→ Imediato: A condenação, a declaração ou a constituição do direito; 
→ Pode ser IMEDIATO quando for a providência jurisdicional pleiteada pelo autor, 
ou seja, é o tipo de atividade que o autor pretende que o juiz desenvolva para 
alcançar o bem da vida. 
 
EX: o pedido imediato pode ser cognitivo. É o que ocorre 
quando o autor, através da propositura de uma ação de 
conhecimento, pede ao juiz que declare por sentença se ele 
tem ou não direito a um determinado bem. 
 
Mediato: O bem jurídico almejado. 
→ Pode ser mediato quando for o bem da vida que o autor pretende alcançar através 
da providência jurisdicional requerida ao juiz. 
 
EX: o autor requer a condenação do réu ao pagamento da 
importância de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Nesse caso, o 
pedido imediato é a imposição da prestação de pagar a quantia 
de dez mil reais, enquanto o pedido mediato é o dinheiro, a 
importância em si. 
05 – Elementos da ação 
• CAUSA DE PEDIR 
 
→ Remota: O fato jurídico; 
→ Os fatos são a causa de pedir remota; 
→ São os acontecimentos do mundo ou da vida geradores do direito material do autor, 
dos quais lhe resulta o direito ao bem da vida pretendido. 
 
EX: uma ação de divórcio fundada na separação de fato por 
mais de um ano. Nessa hipótese, o autor descreve que é 
casado coma ré e que estão separados há mais de um ano, não 
sendo possível a reconstituição da vida em comum. 
 
Próxima: As consequências jurídicas do fato. 
→ O fundamento jurídico é o direito material do autor que resulta dos fatos. 
 
 
06 – Elementos objetivos 
 
• CAUSA DE PEDIR 
 
 
 
→ Teoria da Substanciação: Adotada pelo direito processual brasileiro, ela exige os 
fatos e fundamentos jurídicos da causa de pedir. Esta teoria pressupõe que o 
magistrado conhece o direito e o que é importante é uma descrição fática correta, 
tendo em vista que o juiz irá decidir sobre o direito posto. 
Teoria da Substanciação X Teoria da Individuação 
→ Por esta Teoria, a fundamentação legal apresentada pelo autor não vincula o juiz, 
que poderá tomar a decisão através de sua livre convicção jurídica sobre o caso 
apresentado pelo autor; 
→ Segundo a teoria da substanciação, a lide deve ser apresentada “através da exata 
exposição do fato e da consequência jurídica que o autor pretende atingir. Ao juiz 
incumbe solucionar a pendência, segundo o direito aplicável á espécie: jura novit 
curia.” Humberto Theodoro Jr., 2007, p. 339. 
 
→ Teoria da Individuação: Nesta teoria, não há o requisito da causa de pedir 
remota, ou seja, não requer fatos, só necessita da apresentação dos fundamentos 
jurídicos do pedido; 
→ Esta NÃO é aplicada no Brasil. 
 
 
 
 
 
07 - Condições da ação 
→ Interesse processual: Há interesse de agir ou interesse processual quando 
houver necessidade de a parte pleitear em juízo a proteção do direito 
alegado. 
 
 
PARTES 
AUTOR 
 
RÉU 
 
ELEMENTOS 
IDENTIFICADORES 
 
PEDIDO MEDIATO 
 
IMEDIATO 
 
CAUSA DE 
PEDIR 
PRÓXIMA 
REMOTA 
Necessidade 
O interesse 
processual é 
formado pelo 
"trinômio" 
Utilidade 
Adequação 
→ O interesse processual é formado pelo trinômio: necessidade, utilidade e adequação. 
→ Legitimidade Ad Causam: Exige-se que a ação seja proposta pelo titular do 
direito, pois ninguém poderá pleitear em nome próprio direito alheio. 
→ Artigo 18 do CPC - Ninguém poderá pleitear direito alheio 
em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento 
jurídico. 
→ Parágrafo único. Havendo substituição processual, o 
substituído poderá intervircomo assistente litisconsorcial. 
 
 
→ Há exceções legais: 
→ Ex.: Condomínio; 
→ Ex.: Casa de praia. 
 
→ Necessidade: Diz que uma ação é necessária, quando a parte exprime a real 
necessidade de buscar uma tutela jurisdicional. 
 
→ Utilidade: Significa que o processo deve propiciar, ao menos em tese, algum 
proveito ao demandante. 
 
→ Adequação: Entende-se que a parte deve escolher a via processual adequada 
aos fins que almeja. 
 
→ Legitimidade ordinária: legitimados ordinários ao processo são os sujeitos da lide, 
isto é, os titulares dos interesses em conflito. 
 
→ Legitimidade ad causam extraordinária: Decorre sempre da lei. 
→ Há exceções legais: 
→ Ex.: Condomínio; 
→ Ex.: Casa de praia. 
. 
08 – Consequência jurídica 
 
✓ Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
→ I - Indeferir a petição inicial; 
→ II - O processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das 
partes; 
→ III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor 
abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; 
→ IV - Verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento 
válido e regular do processo; 
→ V - Reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; 
→ VI - Verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; 
→ VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o 
juízo arbitral reconhecer sua competência; 
→ VIII - homologar a desistência da ação; 
→ IX - Em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por 
disposição legal; 
→ X - Nos demais casos prescritos neste Código. 
 
 
09 – Possibilidade jurídica do pedido 
✓ O pedido é juridicamente possível quando não for proibido pelo ordenamento. 
 
 
Ex.: cobrança de dívidas de jogos, cobrança de dívidas de 
drogas ilícitas. 
 
CPC 2015 passou a compor mérito processual.

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