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<p>9</p><p>INSTITUTO TEOLÓGICO PADRE GIULIANO</p><p>CURSO: LICENCIATURA EM PEDAGOGIA</p><p>FRANCISCA ERICLENE SOARES</p><p>A CONTAÇÃO DE HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL</p><p>JAGUARIBARA - CE</p><p>2019</p><p>FRANCISCA ERICLENE SOARES</p><p>A CONTAÇÃO DE HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Licenciatura em Pedagogia, como requisito para obtenção do Certificado do Curso de Licenciatura em Pedagogia pelo Instituto Teológico Padre Giuliano, sob Orientação da Professora Ms. Maria Edna Nogueira Diogenes Queiros.</p><p>JAGUARIBARA – CE</p><p>2019</p><p>INSTITUTO TEOLÓGICO PADRE GIULIANO</p><p>Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Licenciatura Plena em Pedagogia da Faculdade Kurios – FAK.</p><p>A CONTAÇÃO DE HISTÓRIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL</p><p>Data da Entrega: ____/____/____ Nota: ______</p><p>_________________________________________</p><p>Francisca Ericlene Soares</p><p>____________________________________________________</p><p>Professor/Orientador Ms. Maria Edna Nogueira Diogenes Queiros</p><p>_________________________________________</p><p>Prof.º Ms. Cleison Rabelo</p><p>Coordenador do Curso de Pedagogia</p><p>JAGUARIBARA – CE</p><p>2019</p><p>AGRADECIMENTOS</p><p>A Deus pela presença constante em minha vida, por guia meus passos, dando-me sabedoria e coragem para superar todos os obstáculos já vivenciados no decorrer desse curso e por não me deixar fracassar durante essa jornada.</p><p>Dedico esse trabalho a todos que não tiveram acesso ao sistema de educação, e que não tiveram a oportunidade de construir a sua história. Espero que, com a conclusão do curso aprenda a tomar as decisões e construir para as novas gerações de seus conhecimentos.</p><p>A Deus pelas inúmeras vitórias que me proporciona, pelo cuidado incondicional que tem por mim, por ter me dado forças para galgar este caminho, permitindo que adquirisse a experiência que hoje tenho.</p><p>A minha família que em todos os momentos me deram apoio e sempre acreditando em minha vitória. Obrigada mãe.</p><p>A todos os professores do curso, que procuram da melhor maneira contribuir para ampliar nosso conhecimento.</p><p>A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede.</p><p>Carlos Drummond de Andrade</p><p>RESUMO</p><p>Nesse trabalho apresentaremos um estudo sobre a “A Contação de História na Educação Infantil”, mostrando que as histórias são importantes para a formação e a aprendizagem das crianças. Escutar histórias é uma forma significativa para o início da aprendizagem e para que a criança seja um bom ouvinte e que seja futuramente um aluno leitor, aprendendo um caminho absolutamente infinito de descobertas e de compreensão do mundo, a medida que as crianças se desenvolvem, devem aprender a se entenderem melhor, e com isso tornam-se mais capazes de entender os outros, propiciando uma interação satisfatória e significativa. O objetivo deste trabalho é expandir o espaço da contação de história nas escolas públicas e no trabalho efetivo dos professores e compreender quais são as contribuições da contação de história para a formação de alunos leitores, analisando como educadores e pais participam deste processo. Para que esse desenvolvimento ocorra às histórias devem ser bem contadas de forma que despertem o interesse das crianças. A pesquisa bibliografia foi feita através de reflexões teóricas baseadas em autores como Abramovich (1994), Busatto (2003), Coelho (2000), Paim (2000), Solé (1998), Zilberman (2005), constituem o corpo desta escrita.</p><p>Palavras-chave: 1. Educação Infantil – 2. Contação de Histórias. 3. Formação de leitores; 4. Aprendizagem</p><p>ABSTRACT</p><p>In this work, we will present a study on "The History Account in Early Childhood Education", showing that the stories are important for the formation and learning of children. Listening to stories is a significant way to start learning and for the child to be a good listener and to be a student reader in the future, learning an absolutely infinite way of discovering and understanding the world as children develop learn to understand each other better, and thereby become more capable of understanding others, providing a satisfying and meaningful interaction. The purpose of this paper is to expand the space of storytelling in public schools and in the effective work of teachers and to understand the contributions of storytelling to the formation of student readers, analyzing how educators and parents participate in this process. For this development to occur to stories must be well told in a way that arouse the interest of children. The research literature was made through theoretical reflections based on authors such as Abramovich (1994), Busatto (2003), Coelho (2000), Paim (2000), Solé (1998) and Zilberman (2005).</p><p>Keywords: 1. Childhood Education - 2. Storytelling. 3. Training of readers; 4. Learning</p><p>SUMÁRIO</p><p>1. INTRODUÇÃO	9</p><p>2. METODOLOGIA	11</p><p>3. A HISTORICIDADE DA LITERATURA INFANTIL	12</p><p>3.1. A Literatura Infantil	18</p><p>3.2. A Literatura Infantil no Brasil	21</p><p>3.3. Monteiro Lobato e Ziraldo – grandes escritores infantis Brasileiros de Épocas Distintas............	23</p><p>4. A IMPORTÂNCIA DOS CONTOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL	28</p><p>4.1. A Contação de História como Estratégia Educacional	29</p><p>4.2. A Contação de História – Motivação e Aprendizagem	30</p><p>4.3. A Criança e a Aprendizagem, através dos contos infantis	31</p><p>5. A CONTRIBUIÇÃO DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIA PARA O APRENDIZADO DO ALUNO......	33</p><p>5.1. Como contar uma história para motivar os alunos	37</p><p>5.2. A contação de história como ferramenta de aprendizagem no contexto escolar...................	41</p><p>5.3. A Contação de história como prática educativa	52</p><p>6. CONSIDERAÇÕES FINAIS	54</p><p>7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS	56</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>Durante bastante tempo a ação de contar histórias nas escolas era apresentado como uma forma de espairecer, divertir e relaxar as crianças, e ainda em algumas instituições permanece dessa maneira. Entretanto neste século XXI tem ressurgido a figura do Contador de Histórias, ou o Professor/Contador de Histórias, e a sua importância no âmbito educacional e emocional das crianças, com presença certa em bibliotecas, feiras de livros, livrarias e escolas.</p><p>Contar história é um velho costume popular que pertence à tradição oral, e vem sendo resgatado pela educação como uma pratica e uma estratégia para o desenvolvimento da linguagem oral e escrita, o desenvolvimento do leitor passa pela atividade inicial do ouvir e do recontar. Assim sendo, propostas de formação e cursos de capacitação de educadores veem introduzindo em seu método o preparo para o ato de contar histórias.</p><p>Ainda assim este não é um método comum no Educação Infantil. As escolas rejeitam um trabalho distinto com a leitura, porque a contação de histórias se distancia dos métodos das avaliações. Não se pode avaliar-se notas ou conceitos quando contamos ou ouvimos um conto e a escola tem problemas em trabalhar com o que não pode ser avaliado. Tal dificuldade é vista até mesmo com a literatura infantil, que perde o seu encanto quando o texto se transforma em um instrumento avaliativo, fazendo com que o prazer da leitura se perca com a avaliação.</p><p>O fracasso escolar no ensino fundamental se refere ao desenvolvimento pelo gosto da leitura e formação de leitores, que incide sobre a maneira como o professor está trabalhando a relação do aluno com o livro. A literatura não está recebendo um estímulo adequado e a contação de histórias é uma opção para que os alunos tenham uma experiência positiva com a leitura, e não uma tarefa tediosa na escola que transforma a leitura e a literatura em simples instrumentos para as provas, separando o aluno do prazer de ler. Segundo Villardi, (1997, p.2) “Porque para formar grandes leitores, leitores críticos, não basta ensinar a ler. É preciso ensinar a gostar de ler com prazer, isto é possível, e mais fácil do que parece”.</p><p>As histórias devem ter nascido com o homem, no momento em que ele sentiu necessidade de contar aos</p><p>uso de alguns recursos fará dele, se não o artista de dotes excepcionais, um mestre capaz de transmitir com segurança e entusiasmo um texto para os pequenos. (DINORAH, 1995 p.50).</p><p>Dinorah (1995, p.50) orienta o professor estude a prática do contar uma história de forma divertida e que transmita ao aluno um aprendizado de qualidade, que admita o entendimento do aluno por meio das informações e conhecimentos que permaneça no contexto da história, fatores que vem a exigir objetividade do professor na ação de contar a história.</p><p>O professor necessita colocar em seu planejamento curricular períodos dedicados à leitura, com o objetivo de formar crianças que gostem de ler e escrever, uma geração de leitores e escritores que possam enxergar na literatura infantil um meio de interação e diversão.</p><p>Segundo Abramovich (1997, p.112) o ato de escutar contos é o início para a aprendizagem de se tornar um leitor. Assim, ofertar estas oportunidades didático-educativas significa habilitar as crianças para que possam desenvolver todas as suas potencialidades dentro da língua materna.</p><p>Batista (2007, p.27) informa em sua pesquisa que uma parte dos professores afirma trabalhar com a literatura infantil assistematicamente, no entanto todos conhecem que atividades do gênero despertam nas crianças grande interesse, em especifico a forma narrada. A autora constata também que a atividade de contar histórias por estes professores não tem definição ou objetivo, pois de acordo com relatos, o contar histórias em sua sala de aula é usado na maioria das vezes para acalmar e controlar as crianças quando estão muito inquietas</p><p>A narrativa da história infantil tem uma composição que traz uma expectativa ao receptor, cria condições que dá significado aos fatos, pois quando a criança ainda não sabe ler ou está no aprendizado desta habilidade ainda não é capaz de juntar as duas práticas ao mesmo tempo, ou seja, não consegue compreender os códigos da leitura e perceber a história ao mesmo tempo. Por isso, é necessária a interferência do professor no momento da contação da história, e se esta for contada de forma a despertar o interesse do aluno, também estará desenvolvendo sua aprendizagem.</p><p>Para se contar uma história, o professor deve ter conhecimento da mesma. De acordo com Sisto (2001, p.48), uma história é feita na cabeça do ouvinte, pela construção de expectativas, reconhecimentos de identidade, para tanto, uma boa história é saber operar esses condicionantes de maneira a adiar e prolongar o prazer para outro tempo, e uma boa história pode fazer essa construção.</p><p>A escolha da história, se a finalidade é a de trabalhar um conteúdo escolar ou mesmo para agradar as crianças, segundo Sisto (2001, p.48), deverá seguir algumas regras quando se é necessário chamar a atenção dos alunos para se atingir o objetivo definido quando da narração da história. Para o autor é preciso escolher a história apropriada ao interesse dos alunos, relacionada com coisas que eles vivem ou gostariam de viver, que seja bem erguida, que forme um texto literário e que proporcione abertura para questionamento, reflexão e um debate ainda que este for interno.</p><p>Coelho (2000, p.125) ressalta que cada fase da infância tem um diferente interesse, muitas vezes independente da sua faixa etária, mas do amadurecimento do aluno, afetivo, intelectual ou do seu nível de conhecimento.</p><p>A história apresenta três movimentos e conforme Tahan é de grande relevância que o contador provoque a esses, pois é necessário que a criança/ouvinte compreenda a história e seus momentos. Tahan (1961, p.24) argumenta também que a história tem introdução/início, enredo/meio e desfecho/fim e esses precisam ser claros durante o contar da história para a compreensão e percepção da criança. A introdução apresenta a história, o momento, as personagens, o local onde ocorre e os detalhes que serão lembrados durante a narração da mesma. No enredo trata do desenvolvimento da história, onde se conhece melhor as personagens; esse momento deverá envolver o ouvinte de forma que o interesse se torne maior para a chegada do fim. O desfecho traz o alívio à criança que certamente estará envolvida com as situações pertencentes à história, e poderá constatar que na maioria das vezes tudo se resolve.</p><p>Para o contador de história, essas agitações devem ter a devida atenção, pois mostra ao ouvinte a ordem em que as coisas ocorrem. Também deve ser bem explicado, já que quando acaba a narração é que a história realmente começa, pois, a história continua no imaginário e a partir deste momento se inicia a reflexão; desta forma o professor pode explorar a história para desenvolver suas atividades. Após o contar da história, é possível realizar muitas atividades que terão a vantagem de estar “ancoradas” em um contexto significativo, favorecendo a motivação à aprendizagem.</p><p>Tahan (1961, p.26) propõe que o contador de histórias deve ter algumas particularidades, como falar de forma apropriada, clara e agradável, não se irritar com a presença de ouvinte mais agitados, olhar para a plateia, distribuir olhares para todos os ouvintes, usar ritmos diferentes no transcorrer da contação, usar pausas durante a história, explorar o silêncio, o movimento das palavras e evitar movimentos repetitivos.</p><p>O contador de histórias precisa ser um estudioso da história, estar vigilante a todos os movimentos, às palavras, deve conhecer com segurança o enredo para não correr o risco de fugir do contexto, deve também praticar a contação para que esteja seguro da arte. O contador deverá viver a história, ter expressão viva, ardente, sugestiva e usar gestos que acrescentem algo ao entendimento da história.</p><p>Conforme Batista (2007), o professor deve adotar uma postura afável e confortável para contar sua história, organizar as crianças de forma que todos possam alcançar com seus olhares o contador. Assim sendo, que o uso do conto de história nas atividades didáticas e educativas pode ocasionar inúmeros benefícios em vários âmbitos do desenvolvimento e da aprendizagem infantil. Tais atividades podem ser de familiarização com a linguagem escrita (no caso de crianças pequenas), ou do estudo sistemático dos elementos que a compõem, a fim de beneficiar o desenvolvimento de habilidades linguísticas e metalinguísticas essenciais à evolução dos processos de alfabetização e de letramento.</p><p>Dinorah (1995, p.61) argumenta que o professor não nasce com um dom artístico, mas o emprego de recursos fará dele um bom contador de histórias, por isso os diversos recursos são de grande importância, mesmo quando se trata de um ótimo narrador. Na visão de Chaves (2010, p.10) o trabalho com as artes, como a musicalização, o trabalho com telas e com a literatura, a estratégia de recursos adequados permite levar a criança a estágios cada vez mais avançados da aprendizagem e desenvolvimento. Dessa forma, acredita-se que na contação de história o recurso induz a criança ao encantamento e assim terá o aprendizado que objetiva o professor.</p><p>De acordo com Oliveira (2009, p.19), há muitas maneiras de contar histórias, ou seja, existe uma variedade de recursos que podem auxiliar o professor ao desenvolvimento dessa prática. Oliveira (2009, p.19) também apresenta algumas orientações que ela não considera como regra, mas que podem ajudar o trabalho; são técnicas que buscam estar dentro das possibilidades da escola ou do professor. Segundo ela a técnica mais eficiente é o amor, a criatividade, unidos à preocupação com os objetivos do trabalho. “Se o professor for um apaixonado pela literatura infantil, provavelmente, os alunos se apaixonarão também” (OLIVEIRA, 2009, p.19-20).</p><p>Na orientação da autora acima, o espaço onde será realizada a contação deverá ser adequado às crianças, para que essas estejam confortáveis durante a narração da história e não sofram incômodos que poderiam perturbar o interesse pelo texto em leitura.</p><p>Acredita-se que os recursos, os mais variados, motivam a prática da contação de história e ajudam a tarefa do professor no momento da narração, além de chamar mais a atenção</p><p>do aluno. É uma possibilidade de estimular a imaginação do aluno, de o professor trabalhar com a diversidade, com elementos que vão desde fantoches, bonecos, dedoches, objetos utilizados no cotidiano, e até mesmo objetos utilizados num cotidiano que eles não viveram, mas que foram substituídos por outros mais modernos.</p><p>Alerta-se para que o uso do recurso tenha um objetivo definido, de forma a não esvaziar o recurso; deve-se ter vida e não só beleza por beleza, assim como toda arte praticada na escola, deve existir um objetivo de aprendizagem com a prática da mesma. Um exemplo de utilização de recursos com objetivo é trabalhar com objetos antigos ou instrumentos musicais, neste caso, o professor pode ensinar após a contação a história do objeto ou do instrumento, para que este serve ou serviu.</p><p>Após apresentar a contação de história como elemento que pode auxiliar o trabalho do educador, sua importância, técnicas e recursos, ainda vale lembrar que estes são instrumentos para valorizar a prática e levar até a criança um encantamento maior que, consequentemente, o levará a ter mais motivação para o aprendizado. Acredita-se que são técnicas eficientes, mas é o amor e a criatividade unidos ao comprometimento e objetivo de trabalho do professor que realmente transmite o conhecimento e o aprendizado desejado. É preciso que o professor tenha afinidade com a literatura, que se encante com a história, pois somente dessa forma poderá transmitir conhecimento.</p><p>5.2. A contação de história como ferramenta de aprendizagem no contexto escolar</p><p>O ato de ler deve ter significação, logo, a ação do professor nesta fase inicial da introdução à literatura terá amplo sentido e deve exceder os muros da incompreensão. Através de suas ações, os professores devem usar os conhecimentos linguísticos, usando a oralidade quando as crianças não sabem ler formalmente. Devemos estimular as crianças quando pequenas a ter o acesso aos mais diferenciados tipos de textos, lendo com entonação adequada e propícia a literatura escolhida, pois é nesta fase que os muros da imaginação ainda não foram totalmente derrubados. É estimulando a competência leitora através da imaginação que se pode atribuir significação ao ato de formar leitores.</p><p>A leitura realizada nas instituições de educação deve ser de forma oral, pois as crianças ainda não sabem ler, porém nada evita que manuseiem os livros de diferentes tipologias para conseguirem identificar através da janela da imaginação a importância de saber ler.</p><p>Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) (2001, p. 57) afirmam que: “A leitura, como prática social, é sempre um meio, nunca um fim. Ler é resposta a um objetivo, a uma necessidade pessoal”. Essa afirmativa discute a importância da leitura para o desenvolvimento cognitivo e social dos indivíduos. É através da leitura que se forma o cidadão e se compreende melhor o mundo.</p><p>A literatura infantil, empregada de modo apropriado, é um instrumento de suma importância na construção do conhecimento do aluno. Ela faz com que o educando acorde para o mundo da literatura não só como um ato de aprendizagem significativa, mas também como uma atividade que lhe der prazer. Não se deve esquecer que a sala de aula é um espaço para a construção de bons leitores, que valorizem a leitura pelo simples prazer de viajar pelas histórias.</p><p>Existem estratégias de leitura que permitem formar leitores e uma delas é a leitura compartilhada, que se sobressai pelo ato de um adulto ler histórias, lendas, contos, narrativas para outros, e nesta dinâmica as crianças têm a oportunidade de ampliar seus conhecimentos literários sem saber ler convencionalmente. É um passo importante para um bom desempenho no processo de alfabetização.</p><p>Segundo Cagliari (2003, p.115) o desafio da escola é o de promover o hábito da leitura nos alunos, pois a leitura é fundamental para a sua formação, através da leitura o indivíduo adquire conhecimentos que lhe serão úteis no futuro e uma melhor visão da sociedade com capacidades reflexivas e resolução de problemas. Pessoas leitoras têm mais chances de realizarem-se pessoal e profissionalmente por saberem se posicionar diante de diversas situações. E é isso que a escola busca na literatura infantil, apoio para despertar nos educando o interesse pela leitura.</p><p>Para Orlandi (1995), o sujeito leitor é quem, em sua preexistência, se torna produtor da interpretação do texto, ao mesmo tempo em que, coloca-se como contemporâneo a ele, produzindo leitura, especificamente de sentido, garantindo sua eficácia, organizando-se com seu conhecimento de um eu-aqui-e-agora, relacionando-se com ele sem perder sua originalidade.</p><p>Coelho (1986, p.187) argumenta que literatura é arte, é um ato criativo que, por meio da palavra, cria um universo autônomo, realista ou fantástico, onde os seres, coisas, fatos, tempo e espaço, mesmo que se assemelhem ao que podemos reconhecer no mundo concreto que nos cerca, ali transformado em linguagem, assumem uma dimensão diferente: pertencem ao universo da ficção.</p><p>Cunha (1974, p.45) afirma que: A Literatura Infantil influi e quer influir em todos os aspectos da educação do aluno. Assim, nas três áreas vitais do homem (atividade, inteligência e afetividade) em que a educação deve promover mudanças de comportamento, a Literatura Infantil tem meios de atuar.</p><p>Segundo Lajolo (1996, p.76), a leitura é a estratégia eficaz no processo de ensino-aprendizagem, sendo praticada pelos alunos de diversas formas e métodos. É possível orientá-la de maneira que a expanda-se muito além das notas das aulas: sublinhando pontos importantes de um texto, monitorando a compreensão na hora do ler, empregando técnicas de memorização, elaborando resumos, planejando e estabelecendo metas, entre outras.</p><p>Conforme Solé (1998, p.116) o processo de leitura deve garantir que o leitor compreenda os diversos gêneros textos que se propõe a ler. É um processo interno, porém deve ser ensinado, porque aprender a ler não é uma atividade natural, para a qual a criança habilita-se sozinha. Assim o professor deve oportunizar várias situações de leitura onde a criança possa se interessar pelos livros, pois entre livros e leitores. O professor é o mediador mais importante e fundamental na jornada leitora de cada aluno. Um professor leitor pode ser um espelho para seus alunos.</p><p>De acordo com Lajolo (1997, p.106) é à Literatura, como linguagem e como instituição, que se confiam os diferentes imaginários, as diferentes sensibilidades, valores e comportamentos através dos quais uma sociedade expressa e discute, simbolicamente, seus impasses, seus desejos, suas utopias.</p><p>Por meio da literatura, das vivências que ela oferece, o indivíduo apreende o mundo no qual vive e percebe-se como ser influente e responsável pelo desenvolvimento do mesmo. A literatura proporciona ao homem uma visão mais completa e crítica de sua realidade ao permitir que por intermédio da imaginação ele interaja com seu dia-a-dia, com o mundo das coisas e dos outros.</p><p>É notório que a escola possui um importantíssimo papel para estimular os alunos ao habito de se ouvir histórias, abrindo os olhos da criança, a curiosidade, que promovera a aprendizagem e colaborará nos aspectos como: senso crítico criatividade, afetividade e raciocínio. A literatura infantil precisa estar presente na escolaridade infantil para auxiliar na formação de futuros leitores e escritores.</p><p>Cunha (2006, p. 24) afirma que parece “prematuro tentar traçar uma história do gênero em nosso país”, mesmo com os avanços na área, pois não se pode negar que as produções literárias brasileiras ainda estejam voltadas para o âmbito educacional e não para o lazer e entretenimento da criança.</p><p>Já Cademartori (1986, p.66) relata que a literatura tem um papel no desenvolvimento linguístico e intelectual do homem e, desse modo articula-se com interesses que a escola propala com seus, cabe a tentativa de explicitar qual poderia ser a relação da literatura com a criança a partir do início da escolaridade.</p><p>Coelho (1997, p. 9), em seu livro “Contar histórias - uma arte</p><p>sem idade” presta um depoimento sobre sua vivência em sala de aula, em relação às histórias infantis, e relata as suas experiências como contadora de histórias:</p><p>Como toda arte, a de contar histórias também possui segredos e técnicas. Sendo uma arte que lida com matérias primas especialíssimas, palavra, prerrogativa das criaturas humanas, depende naturalmente de certa tendência inata, mas pode ser desenvolvida, cultivada, desde que se goste de crianças e se reconheça a importância das histórias para elas. (Coelho, 1997, p. 9)</p><p>Santos (2009, p.215) relata que os livros e as brincadeiras estão inseridos em um contexto que possibilita às crianças exercerem a sua capacidade de raciocinar e trabalhar com o desenvolvimento da imaginação, enquanto o adulto exerce o papel de mediador e é considerado como estimulador para a criança, já que ele apresenta as possibilidades de conversação e expressões, contribuindo para a aquisição e desenvolvimento da linguagem ora.</p><p>Deste modo, auxilia a inserção da criança em um mundo de livros, leitura e escrita. O lúdico tem uma grande contribuição para o desenvolvimento da linguagem, da leitura, da identidade social e intelectual e da autonomia da criança (MELO; LIMA, 2016).</p><p>Conforme Zilberman (1997, p.106) a literatura infantil possui um tipo de leitor que carece de uma perspectiva histórica e temporal que lhe permita pôr em questão o universo representado. Por isso, ela é necessariamente formadora, mas não educativa no sentido escolar do termo; e cabe-lhe uma formação especial que, antes de tudo, interrogue a circunstância social de onde provém o destinatário e seu lugar dentro dela</p><p>Segundo Garcez (apud PAZOS, 2004, p.71) as histórias provocam atividade mental intensa, a criança ouve de forma ativa, interage com o narrador e os personagens e reage, fazendo antecipações, hipóteses, inferências que possibilitam o desenvolvimento das capacidades de linguagem importantes para a compreensão de textos mais complexos.</p><p>“A leitura é determinante para a aprendizagem do ser humano, pois é pelo meio da leitura que podemos enriquecer nosso vocabulário, obter informação, conhecimentos, dinamizar o raciocínio e a interpretação” (PONTES, 2014, 20).</p><p>Essa leitura é diferenciada por faixa etária e por sua inter-relação com o nível intelectual e o grau de conhecimento de leitura, pois o “processo de aprendizagem é prolongado, ocorre gradativamente e aprender a ler requer motivação e recursos cognitivos suficientes para fazê-lo” (MELO; LIMA, 2016, p. 3).</p><p>Coelho (2000, p.15) afirma que: Estamos com aqueles que dizem: sim a literatura, e em especial a infantil, tem uma tarefa fundamental a cumprir nesta sociedade em formação: a de servir como agente de formação, seja no espontâneo convívio leitor/ livro, seja no diálogo leitor/ texto estimulado pela escola... é ao livro à palavra escrita, que atribuímos a maior responsabilidade na formação da consciência de mundo das crianças e dos jovens.</p><p>Coelho (1997, p.14) ainda afirma que que não basta ler uma história. A entonação da voz, seu ritmo, timbre e expressão faciais sinalizam acontecimentos e dá carga expressiva às histórias. Quanto à escolha da mesma, a autora afirma: A escolha da história deve ter linguagem escrita simples e acessível, adaptação verbal que facilite sua compreensão, o ponto de vista literário, o interesse do ouvinte, faixa etária e condições sócio-econômicas.</p><p>Ferreiro (2010, p.15) afirma que as crianças são fáceis de serem alfabetizadas desde que estejam inseridas em contextos significativos. Dessa forma a criança vai perceber que a escrita é algo interessante que deve ser aprendido.</p><p>Carvalho e Mendonça (2006, p.164) relata que ao atribuir novos significados ao ler e escrever, a escola assume uma atitude educativa digna de professores que querem ser reconhecidos como produtores da cidadania, que favorecem, às jovens gerações, possibilidades efetivas de compreensão e transformação da sua realidade social e pessoal.</p><p>A criança deve ser incitada desde sempre a ter contato com livros e a leitura dos mesmos, apesar de não saber ler convencionalmente. Assim estará apta para ler antes da época esperada, pois teve um contato constante e regular com livros de história e leitura compartilhada antes do aprendizado formal. A leitura deve ter significação e ser motivadora da ação.</p><p>Para Smith (1999, p. 15): “A leitura não pode ser ensinada, mas, apesar disso, os professores e outros adultos tem um papel decisivo a desempenhar e é deles a grande responsabilidade de tornar possível a aprendizagem da leitura”.A leitura não pode ser ensinada, porém aos professores cabe estimular através de metodologias diferenciadas, proporcionando momentos de fazer por prazer, criar, reinventar, estimular e despertar o gosto pela leitura através de ações que façam a diferença.</p><p>Jouve (2002, p. 22) comenta: “Toda leitura interage com a cultura e os esquemas dominantes de um meio e de uma época”. Ou seja, o autor discute que a leitura faz enxergar o contexto sócio histórico e cultural em que se vive. Os PCN’s (2001, p. 45) mostram:</p><p>Formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê que possa aprender a ler também o que não está escrito, identificando elementos implícitos, que estabeleça relações entre o texto que lê e outros textos já lidos; que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto, que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos. (PCN’s 2001, p. 45)</p><p>Rezende (2000, p. 21) diz: “O professor deve ser o impulsionador da leitura, inventando em sala de aula condições para os alunos lerem e serem valorizados pelo que leem”. Começar estimulando as crianças da educação infantil é primordial, fazer com que elas queiram se envolver em outros mundos que a literatura oferece. Há uma urgência de mudança intensa nos trabalhos pedagógicos desenvolvidos em sala, e isso não é tarefa fácil para a escola que anda cambaleando em suas reformas educativas.</p><p>Lerner (2002, p. 30) afirma: No entanto, a inovação que realmente supõem um progresso em relação á pratica educativa vigente tem séria dificuldade para se instalar no sistema escolar, em troca costuma adquirir força, pequenas "inovações" que permitem alimentar a ilusão de que algo mudou. Inovações que são passageiras e logo serão substituídas por outras que tampouco afetarão o essencial do funcionamento didático.</p><p>A autora Lerner (2002, p.32) discute que, apesar de importantes, as inovações que aparecem na prática da sala de aula, são, geralmente, insuficientes e se prestam muitas vezes a modismos instantâneos. Não têm objetivos claros ou mesmo sendo apenas atividades isoladas. Quanto mais cedo histórias orais e escritas entrarem na vida da criança, maior as chances de ela gostar de ler e aumentar o repertório textual, favorecendo na produção textual dos alunos.</p><p>Através da leitura, o leitor pode entrar no texto, colocando-se no lugar dos personagens, identificando-se com eles, dando sentido ao texto, pois é a partir de suas experiências de vida, da sua visão de mundo, estabelecendo várias relações, completando os vazios deixados pelo autor, que se faz uma viagem imaginária tentando buscar soluções para os problemas cotidianos. Ouvir um texto já é uma forma de leitura, onde o professor tem papel primordial, sendo o mediador e facilitador da aprendizagem.</p><p>Nas séries iniciais, a criança que ainda não sabe ler formalmente, mas, poderá fazer escutando a leitura através do professor, mesmo que não possa compreender todas as palavras. Ela identificará personagens, lê as gravuras, reconhecerá objetos e lugares. Existe a necessidade da superação de algumas percepções sobre o aprendizado inicial da leitura, a principal delas é a de que ler é somente entender, converter letras em sons, sendo a compreensão consequência natural dessa ação.</p><p>Para Piaget (1896-1980, p.116) apud DOLLE (1978, p.57), o desenvolvimento cognitivo classifica-se em quatro etapas e comprova que os seres humanos passam por uma série de mudanças previsíveis e ordenadas,</p><p>ou seja, em geral, todos os indivíduos vivenciam todos os estágios na mesma sequência, no entanto o início e o termino de cada estágio sofre variações, dadas às diferenças individuais de natureza biológica ou do meio ambiente em que o indivíduo está inserido.</p><p>ROUSSEAU (XVIII, apud FROTA, 2006, p. 4.) Acredita na ideia de natureza boa, pura e ingênua da criança, e da necessidade de respeitá-la, deixando-a livre para que a natureza pudesse agir em seu curso normal, favorecendo desse modo, o pleno desenvolvimento das crianças. Já as percepções mais românticas da infância antecipam que as crianças têm sabedoria e sensibilidade estética aguçada, sendo imprescindível que se lhes sejam ofertadas condições adequadas ao seu pleno desenvolvimento.</p><p>Já quando se trata de adolescência, boa parte dos estudiosos do desenvolvimento humano assegura que ser adolescente é viver um período de transformações físicas, sociais e cognitivas que, juntas, auxiliam a traçar o perfil desse grupo de pessoas. Segundo Frota (2007, p. 155),</p><p>Hoje, tem-se a adolescência como uma fase do desenvolvimento humano que faz uma ponte entre a infância e a idade adulta. Nessa perspectiva de ligação, a adolescência é compreendida como um período atravessado por crises, que encaminham o jovem na construção de sua subjetividade. No entanto, a adolescência não pode ser compreendida somente como uma fase de transição. (FROTA 2007, p. 155)</p><p>Após a publicação da Lei brasileira nº 9.394/96 (BRASIL, 1996), que constitui as diretrizes e bases da educação nacional, os textos produzidos para o público infanto-juvenil trazem a obrigação de as práticas escolares interligarem assuntos pertinentes à realidade em que vivem.  A adolescência é considerada um período de transição da fase infantil para a fase adulta muito complicada e, nesse sentido, deve-se ponderar as suas especificidades para além das inevitáveis mudanças físicas, comportamentais, emocionais e hormonais.</p><p>Segundo Melendes; Silva (2008, p.3) formar leitores é algo que requer, portanto, condições favoráveis para a prática de leitura, que não se restrinjam apenas recursos materiais, pois, na verdade, o uso que se faz dos livros e demais materiais impressos é o aspecto mais determinante para o desenvolvimento da prática e do gosto pela leitura</p><p>Lajoto (1993, p.32), no livro “Do mundo da leitura para a leitura do mundo”, nota que a função do professor bem sucedido se limita ao papel de propagandista persuasivo de um produto, nesse caso, a leitura que, sobre a avalanche do marketing e do merchandising, corre o risco de perder ao menos em parte sua especialidade, ou seja, a autora mostra-nos que seja preciso criar boas estratégias no trabalho com a leitura literária, caso contrário, perderemos ainda mais espaço em razão te tantas outras opções que o mundo virtual, por exemplo, oferece aos alunos.</p><p>É papel do professor desenvolver nos alunos o hábito da leitura a partir de uma aproximação significativa com os livros, com atividades interessantes, que acorde o interesse, a curiosidade e o prazer para a leitura. Assim, a sala de aula torna-se um lugar de pensar, do diálogo, de reflexão compartilhada, e participação, um ambiente de aprendizagem, onde provoca muitas condições de leituras significativas. O emprego da literatura em sala deve-se ao fator do texto ter uma linguagem de fácil acesso, emocionante e ser voltada ao público infantil. A partir do momento que o professor emprega o livro de literatura infantil em sala desperta a curiosidade das crianças e estimula-as a fazer o mesmo.</p><p>O trabalho da escola é demonstrar para o educando a importância que a leitura tem no cotidiano. A sociedade contemporânea está querendo cada vez mais que o indivíduo tenha conhecimentos e habilidades para que possa analisar, explicar e interpretar, todas os elementos que circulam no meio que em vive.</p><p>Assim o trabalho para o desenvolvimento de leitores deve iniciar pelos professores, para que sintam gosto e prazer pela leitura incentivando assim os alunos a serem leitores. O professor leitor terá mais condições de acordar, nos seus alunos, o interesse e o prazer pela leitura do que aquele que não lê ou prestigia muito pouco as aulas de leitura.</p><p>Segundo Antunes (2008, p.52) além do estímulo que cabe ao professor oferecer, também o ambiente, e as condições de tranquilidade e emocionais para que o aluno comente livremente o que leu transmitindo o seu parecer, suas emoções, o que representou para si a leitura feita.</p><p>A literatura infantil é usada por educadores como ferramenta na inclusão de crianças com deficiências. Deste modo, trabalha com a inclusão social dessas crianças em uma sociedade onde todos possam ser tratados igualmente, pois a “inclusão social das pessoas com deficiências significa torná-las participantes da vida social, econômica e política, assegurando o respeito aos seus direitos no âmbito da Sociedade, do Estado e do Poder Público” (CONFESSOR, 2016, p. 4).</p><p>Portanto, não interessa o meio em que a literatura infantil é proporcionada, ela terá peso específico para o desenvolvimento psicológico e humano, uma vez que, por meio da fantasia, ocorre a possibilidade de um mundo novo e cheio de descobertas, proporcionando ao pequeno leitor qualidade de vida, ajudando para o apurar os sentidos como a visão, audição, olfato e paladar e também da concepção do mundo.</p><p>Muitos docentes de língua portuguesa culpam o pouco tempo das aulas como o grande empecilho para a realização satisfatória do trabalho com as literaturas, embora declarem que creem no potencial das atividades proporcionada por elas e na sua eficácia como ferramenta que colabora para o desenvolvimento cognitivo e psicológico dos alunos, bem como, na formação de leitores críticos-reflexivos.</p><p>Dentre as muitas causas que o professor tem para trabalhar com literaturas infanto-juvenis nas aulas o mais motivador é o vasto repertório de imagens e elementos culturais e psicológicos que as obras têm e que agregam o imaginário infantil e acionam lembranças afetivas no jovem. Assim sendo, as histórias infantis, as poesias e os contos permitem novas descobertas para crianças e adolescentes, que desfrutam do momento da leitura, sem anseios unicamente pedagógicas, mas associando prazer com aprendizado. Segundo MARTINS (apud CAVALCANTI, 2002, p. 45):</p><p>As crianças gostam de ouvir e ler histórias, o que lhes falta é o estabelecimento de uma relação prazerosa com o texto literário, tanto no sentido lúdico, quanto no sentido afetivo, pois parece que o espaço escolar sempre serviu como lugar de razão. Infelizmente, por um longo tempo, a emoção e a afetividade estiveram longe das salas de aula.</p><p>Assim sendo, se faz necessário que a escola propicie outra vez esse lugar prazeroso ao aluno, onde a leitura literária e o leitor se reencontrem com frequência e com intimidade.</p><p>Conforme PEREIRA (2008, p.67), os gêneros textuais são estruturas dinâmicas adaptadas a partir das necessidades discursivas dos interlocutores. Sua criação e mudança estão conectadas às mudanças sociais e culturais. Na atualidade, as crianças já nascem envolvidas com inúmeros aparatos tecnológicos, e o livro de papel, que costumava ser seu primeiro contato com a leitura, muitas vezes não o é mais. Neste sentido, pode-se perceber um novo processo de formação de leitores.</p><p>Neste mesmo sentido, ZILBERMAN (1985, p.21) destaca a importância de trazer de volta a prática da leitura para a sala de aula, pois isso significa “resgatar a função primordial da leitura, buscando assim, sobretudo, a recuperação do contato do aluno com a obra de ficção”. Ainda que para isso seja usado os novos gêneros textuais como aliado nesse processo.</p><p>Sabe-se que o docente é a ligação entre livros e seus discentes e, como intercessor no processo de formar leitores, necessita, antes de tudo, gostar de ler, ou seja, é preciso que o docente seja um leitor literário assíduo, e não apenas alguém que lê pela força da obrigação profissional. Muitas vezes o professor não é um leitor apreciador de obras literárias e isso se deve a diversos fatores,</p><p>entre eles cabe citar dois: a própria experiência pessoal com a leitura e os processos de sua formação profissional, que, em algum momento, não teve ênfase nas práticas de leitura e análise de obras literárias, pois como garante PAIVA (2010, p.51),</p><p>É necessário repensar a formação inicial e continuada, de modo que o processo de formação docente seja construído e reconstruído em favor de uma nova postura pedagógica, que inclua, com consistência, a leitura do texto literário nas diversas modalidades do ensino. (PAIVA, 2010, p. 51).</p><p>Entretanto, os conhecimentos literários nem sempre são aprofundados nem nos cursos de formação inicial como também nos de formação continuada, ou seja, são transmitidos apenas de forma muito superficial. Desse modo, compete ao professor atentar de forma contínua, em sua própria formação, expandindo assim, suas possibilidades literárias e, com isso, fazer uso em prol de seus alunos. Sabe-se que todo professor é um leitor, mas boa parte deles lê apenas aquilo que é de rotina, como por exemplo, o livro didático, manuais e informações pertinentes a sua prática pedagógica rotineira.</p><p>Para PAIVA, (Col. Explorando o Ensino, 204 p; v. 20. 2010, p. 52):</p><p>“Quem se entrega ao livro literário infantil sai da leitura mais enriquecido interiormente, pois esse tipo de texto não foi feito somente para a fruição das crianças, mas, neste mundo caótico, para alimentar nossos sentimentos, fazendo-nos mais felizes”. Portanto, o professor de língua portuguesa deve, antes de tudo, cultivar o gosto pela leitura de textos literários, para que assim, possa conduzir seus alunos através do mundo mágico, e, sobretudo, humano que se revela através dos textos literários. (PAIVA, Col. Explorando o Ensino, 204 p; v. 20. 2010, p. 52)</p><p>Quase em todas as escolas brasileiras tem biblioteca, ou, pelo menos, possui um espaço adaptado para funcionar como tal, e mesmo não sendo da melhor maneira, tem o nome de biblioteca. As bibliotecas escolares são, com efeito, essenciais para a formação de leitores, desde que bem equipadas e bem dinamizadas.</p><p>Estudos, como o Reading Literacy (I. Sim-Sim & G. Ramalho, 1993 apud BARROCO, pag.162, 2004), têm apontado que existe uma relação positiva entre o desempenho dos alunos e a frequência das bibliotecas. Entretanto, este recurso nem sempre tem sido utilizado convenientemente, sendo até muitas vezes esquecido, já que continuam a serem consideráveis as deficiências das bibliotecas escolares das escolas brasileiras.</p><p>Porém, mesmo que a biblioteca tenha um bom acervo poucos alunos frequentam a biblioteca, isso devido a carência de empenho dos professores em desenvolver projetos de leitura e mesmo de inserir como sequência didática em seus planos de aula o trabalho com a obra literária. Com certeza, não cabe apenas aos professores de português e de produção textual o compromisso de usar o texto literário em suas aulas como meio de desenvolver nos seus alunos a competência leitora. Cabe perfeitamente a todos os professores associar os relatos ficcionais às suas disciplinas, pois todas elas prescindem de leitura, de interpretação e de reapresentação. Como cabe também ao coordenador pedagógico promover projetos interdisciplinares e outros eventos que privilegiem o trabalho com a literatura.</p><p>Enfim, dizer que o tempo das aulas é curto não pode mais servir de ensejo para negligenciar-se uma grandeza tão importante para o desenvolvimento humano dos alunos.</p><p>5.3. A Contação de história como prática educativa</p><p>A contação de histórias é uma prática cada vez mais presente na escola. Ora se desenvolve a partir do planejamento do professor, ora a escola recebe a visita de um contador, ora ela permeia os espaços culturais (como feiras do livro). O professor, através de sua formação, tem contato com diversas possibilidades de integrar a literatura em sua aula. Muitos teóricos abordam a questão da importância dos textos literários na escolarização.</p><p>Ao considerar a contação de histórias como portadora de significados para a prática pedagógica, não se restringe o seu papel somente ao entendimento da linguagem. Preserva-se seu caráter literário, sua função de despertar a imaginação e sentimentos, assim como suas possibilidades de transcender a palavra.</p><p>A ação de contar histórias deve ser utilizada dentro do espaço escolar, não somente com seu caráter lúdico, muitas vezes exercitado em momentos estanques da prática, como a hora do conto ou da leitura, mas adentrar a sala de aula, como metodologia que enriquece a prática docente, ao mesmo tempo em que promove conhecimentos e aprendizagens múltiplas.</p><p>De acordo com prévia pesquisa bibliográfica, ficou evidente que a contação de histórias pode e deve ser usada como metodologia para o desenvolvimento dos alunos e de sua personalidade, melhorando de maneira significativa o desempenho escolar.</p><p>Na maioria dos casos, a Escola acaba sendo a única fonte de contato da criança com o livro e, sendo assim, é necessário estabelecer-se um compromisso maior com a qualidade e o aproveitamento da leitura como fonte de prazer. (MIGUEZ, 2000, p. 28).</p><p>A questão da contação de histórias como participante da práxis pedagógica não pretende de forma alguma desconfigurar sua função de transmitir beleza, sensibilidade, prazer. Aliás, acredita-se que o caráter artístico da contação de histórias pode servir de elo no processo de ensino e aprendizagem. Portanto, a contação de histórias pode auxiliar a práxis sem perder seu valor estético e artístico.</p><p>Muitos teóricos abordam a questão da importância dos textos literários na escolarização. BETTELHEIM (2000) fala do importante e difícil tarefa na criação das crianças, a qual consiste em ajudá-las a encontrar significado na vida. Em primeiro lugar, o autor coloca o impacto dos pais nessa tarefa; e, em segundo lugar, cita a herança cultural transmitida de maneira correta: “Quando as crianças são novas, é a literatura que canaliza melhor este tipo de informação. ” Quanto à leitura em si, ele acrescenta: “A aquisição de habilidades, inclusive a de ler, fica destituída de valor quando o que se aprendeu a ler não acrescenta nada de importante à nossa vida”. (BETTELHEIM, 2000, p. 12).</p><p>A escola, dia a dia, vem perdendo seu papel de estimuladora da literatura para seus educandos, já não é contínuo o uso de livro paradidático. As palavras de Maciel (2010) são bem oportunas para a reflexão proposta neste trabalho, já que o autor defende a ideia de que o espaço da literatura em sala de aula, além de desvelar a obra e aprimorar percepções, também é uma maneira de enriquecer o repertório discursivo dos alunos, sem ter medo da análise literária. Pois, “longe da crença ingênua de que a leitura literária dispensa aprendizagem, é preciso que se invista na análise da elaboração do texto, mesmo com leitores iniciantes ou que ainda não dominem o código escrito. ” (MACIEL, 2010, p. 59).</p><p>Acredita-se que é estimulando as crianças a imaginar, criar, envolver-se, que se dá um grande passo para o enriquecimento e desenvolvimento da personalidade, por isso, é de suma importância o conto; acredita-se, também, que a contação de história pode interferir positivamente para a aprendizagem significativa, pois o fantasiar e o imaginar antecedem a leitura. Utiliza-se da leitura, através da contação de histórias, como metodologia para o desenvolvimento dos sujeitos e melhoria de seu desempenho escolar, respondendo a necessidades afetivas e intelectuais pelo contato com o conteúdo simbólico das leituras trabalhadas.</p><p>6. CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A leitura é feita não somente por quem lê, mas pode ser dirigida a outras pessoas, que também “leem” o texto ouvindo. Os primeiros contatos das crianças com a literatura ocorrem desse modo. Os adultos leem histórias para elas. Ouvir histórias é uma forma de ler.</p><p>A prática da leitura é importante para a formação do sujeito e também para uma representação social, precisando fazer parte da vida de todos para que seja aceitável a interpretação de mundo, além do mais, deve ser concretizada com prazer para despertar o interesse</p><p>por ler cada vez mais.</p><p>Essa constatação e discussão da pesquisa sobre a contação de histórias permitem o entendimento sobre a sua importância e contribuição no aprendizado do aluno, além de suporte ao trabalho do professor. Ao aluno ela surge importante aos que ainda não sabem ler, já que para esses a história contada leva ao conhecimento do prazer que a prática instiga e o incentiva a fazê-la sozinho. Aos que já sabem ler, ainda que precariamente, oferece a possibilidade de se atentar ao detalhes que, por ainda estarem no processo do aprender a ler, não conseguem observar. Ao professor a contação de história se põe como uma ajuda, pois de acordo com Oliveira (2009), por meio desta o professor terá maiores possibilidades metodológicas para alfabetizar e até mesmo ensinar conteúdos específicos a seus alunos.</p><p>Este é um momento em que o professor pode trabalhar com a diversidade, fazendo disso um tempo diferenciado ao aluno que aprenderá sem que se sinta obrigado ao estudo, pois esse é o sentimento que geralmente surge quando se é proposto uma atividade ou tarefa na sala de aula. Dessa forma e por meio das fundamentações teóricas extraídas das pesquisas de autores e estudiosos do desenvolvimento da criança, entende-se que nos primeiros anos escolares o aprendizado se dá por meio da ludicidade, e durante este estudo, pode-se ver a prática da contação de história como um momento lúdico para a criança, e que a leva a um momento prazeroso, encantante, e, ao mesmo tempo, a um aprendizado, que se realizado apenas como um conteúdo escolar, não seria internalizado já que seria entendido pelos alunos como um tempo apenas de recreação.</p><p>Assim, nesta pesquisa a contação de história é tratada como um precioso recurso metodológico, e por meio dela pode-se levar ao aluno diferentes aprendizados para que tenha uma formação rica, tal qual desejada por profissionais preocupados com a educação escolar. Uma aprendizagem rica desde a infância permite ao indivíduo atuar na sociedade como um sujeito participante, e assim contribuir para a formação da mesma. Espera-se que o estudo venha a contribuir para a orientação de professores que desejam trabalhar de forma diferenciada na educação infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental. Mesmo que as preocupações reveladas não interfiram nas desejadas mudanças da postura da escola e do professor quanto à prática da contação de história, servirá para os que a lerem refletir sobre o problema pensar e contribuir para que seja explorado com maior ênfase na escola objetivo, cujo objetivo primeiro é sempre oferecer ao aluno um ensino de qualidade, no qual história contada desempenha papel importante</p><p>Percebe-se que a escola, depois da família, tem importante papel como mediador entre o aluno e a leitura, precisando permanecer, expandir e sistematizar o processo principiado no ambiente familiar na formação do gosto pela leitura. O educador também assume papel importante nesse processo através do incentivo da leitura dentro e até mesmo fora da sala de aula.</p><p>Com isso, a família e a escola devem se conscientizar que a leitura é um processo consecutivo que precisa iniciar na educação informal e se estender por toda a vida.</p><p>7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil: Gostosuras e Bobices. 4º ed. São Paulo: Scipione, 1994.</p><p>BARROCO, José Alves. As bibliotecas escolares e a formação de leitores. Dissertação de Mestrado. 2004.</p><p>BERVIAN, Pedro Alcino; CERVO, Amado Luiz. Metodologia Científica. São Paulo: Makron Books, 1996.</p><p>BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fada. 14. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.</p><p>BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil/ Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. 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A história aquieta, serena, prende a atenção, informa socializa, educa (COELHO, 1999, pág.12)</p><p>Na infância, a contação de história expande a aquisição de conhecimentos e experiência das crianças, desperta a imaginação, a criatividade, a atenção e principalmente o gosto pela leitura.</p><p>Segundo vários estudiosos a contação de histórias é um precioso auxiliar na pratica pedagógica de professores da educação infantil. As narrações instigam a imaginação, a criatividade e a oralidade, ajudam o aprendizado, desenvolvem as linguagens oral, escrita e visual, incentivam o prazer pela leitura, geram o movimento global e fino, trabalham o senso crítico, as brincadeiras de faz-de-conta, valores e conceitos, contribuem na formação da personalidade da criança, propiciam o envolvimento social e afetivo e exploram a cultura e a diversidade.</p><p>2. METODOLOGIA</p><p>Inicialmente, a pesquisa foi desenvolvida através do estudo bibliográfico, através de reflexões teóricas baseadas em autores como Abramovich (1994), Busatto (2003), Coelho (2000), Paim (2000), Solé (1998), Zilberman (2005).</p><p>Segundo Severino (2007, p. 122), “[...] se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos impressos, como livros, artigos, teses etc.”</p><p>O trabalho propôs a realização de uma pesquisa básica do ponto de vista da sua natureza, que “objetiva produzir conhecimentos novos, úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais” (GIL, 1999 apud SILVA e KARKOTLI, 2011, p. 10).</p><p>3. A HISTORICIDADE DA LITERATURA INFANTIL</p><p>A historicidade da literatura infantil, se deu na Europa, destacando como a industrialização promoveu o lançamento de livros infantis no século XVIII, utilizando obras de Regina Zilberman, Marisa Lajolo, Nelly Novaes Coelho, Philippe Ariès, Bárbara Vasconcelos de Carvalho e Lígia Cademartori Magalhães além do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e Parâmetros Nacionais de qualidade para a educação infantil.</p><p>Segundo Maia (2000, p. 52) “a palavra literatura mostra textos que buscam expressar o belo e o humano através da palavra. Apesar de podermos utilizá-la com significados mais amplos, deve-se distinguir seu emprego genérico de seu artístico, criativo, subjetivo”.</p><p>De acordo com Michaelis (2008, p.526), “literatura é a arte de compor escritos, em prosa ou verso. O conjunto das obras literárias de um agregado social, ou em dada linguagem, ou referidas a determinado assunto: Literatura infantil, literatura científica”.</p><p>A visão de infância durante o século XVIII não era imaginaria, a criança era inserida no mundo dos adultos, e ouvia as mesmas estórias que eles participando de um mundo que não estava voltado para a criança.</p><p>Na Idade Média nas terras europeias, nasce uma literatura narrativa de duas fontes diferentes: uma popular, que deriva de narrações orientais ou gregas, e a outra, a narrativa culta, que se origina através de aventuras de cavalarias com inspiração ocidental. COELHO, (1991, p. 30), relata que:</p><p>Nestas, é realçado um idealismo extremo e um mundo de magia e de maravilhas completamente estranhas à vida real e concreta do dia-a-dia. Naquela, afirmam-se os problemas da vida cotidiana, os valores de comportamento ético-social ou as “lições” advindas da sabedoria prática. (COELHO, 1991, p. 30).</p><p>Porém, eram estórias bem distintas, pois as crianças nobres geralmente ouviam grandes clássicos e as crianças da classe popular escutavam as estórias de aventuras, os contos, as lendas folclóricas e a literatura de cordel que lhe abriam a mente e o interesse da classe popular.</p><p>A circulação oralmente da literatura popular iniciou-se na Europa entre os séculos IX e X, que mais tarde iria se transformar na Literatura Infantil que reconhecemos hoje (COELHO, 1991, p. 30).</p><p>Essas histórias eram transmitidas através da oralidade e levadas a outros povos; nessas histórias falavam sobre as vivencias dos povos vivências, divulgando ideais, procurando divertir e ao mesmo tempo ensinar. Relata Nelly Novaes Coelho (1991, p.33)</p><p>Através dos manuscritos ou das narrativas transmitidas oralmente e levadas de uma terra para outra, de um povo a outro, por sobre distâncias incríveis, que os homens venciam em montarias, navegações ou a pé, - a invenção literária de uns e de outros vai sendo comunicada, divulgada, fundida, alterada... Com a força da religião, como instrumento civilizador, é de se compreender o caráter moralizante, didático, sentencioso que marca a maior parte da literatura que nasce nesse período, fundindo o lastro oriental e o ocidental. No fundo é sempre uma literatura que divulga ideais, que busca ensinar, divertindo, no momento em que a palavra literária (privilégio de poucos e difundida pelos jograis, menestréis, rapsodos, trovadores...) era vista como atividade superior do espírito: a atividade de um homem que tinha o Conhecimento das Coisas. (COELHO, 1991, p. 33)</p><p>Devido a permanente guerra entre os povos daquela época, as marcas dessa violência permaneceram relatadas em várias narrativas. Ela vai desaparecendo dos contos devido ao tempo e aos costumes da sociedade. As histórias também se transformam segundo quem está escrevendo e também pela versão da história. Coelho (1991, p.34) salienta que “ao passarem da versão de Perrault para a de Grimm e deste para as versões contemporâneas. Hoje, transformados em literatura infantil, perderam toda a agressividade original. ” (COELHO, 1991, p. 34).</p><p>Coelho (1991, p.66) ainda fala que no século XVII, as histórias foram ficando cada vez mais limpas, se transformando na voz do povo europeu, tornando o folclore das nações. Ela também traz certos personagens que estavam presentes nas narrativas que os escritores foram descrevendo em seus livros:</p><p>Cavaleiros andantes, reis, rainhas, princesas e príncipes bons e maus, fadas, bruxas, metamorfoses de criaturas humanas em animais (ou vice-versa), ogres e ogressas canibalescos, maldições, profecias, madrastas, crianças abandonadas, crianças que são entregues a alguém para serem mortas, fantasmas e magos, gênios benfazejos e malfazejos... é a fantástica legião de personagens que a partir do século XVII os escritores cultos vão descobrir na tradição oral dos povos europeus e criar a Literatura Infantil que hoje conhecemos como “tradicional” [...] (COELHO, 1991, p. 66).</p><p>Durante o século XVII, no Classicismo Francês, na monarquia de Luís XIV, tem início as manifestações de uma apreensão com uma literatura para jovens e crianças (COELHO, 1991, p. 75). Escreveram histórias que eram feitas diretamente para o público infantil; elas foram editadas entre 1668 e 1697, como: as Aventuras de Telêmaco, de Fénelon, as Fábulas de La Fontaine, e os Contos da Mamãe Gansa (onde o seu título original era de Histórias ou narrativas do tempo passado com moralidades) de Charles Perrault.</p><p>Este livro de Perrault que foi publicado no ano de 1697 causou uma condição bastante curiosa, esse livro já era uma publicação importante na França, entretanto, ele não podia escrever uma obra popular, devido a isso Perrault disse que a autoria desse livro era do seu filho Pierre Darmancourt.</p><p>A recusa de Perrault em assinar a primeira edição do livro é sintomática do destino do gênero que inaugura: desde o aparecimento, ele terá dificuldades de legitimação. Para um membro da Academia Francesa, escrever uma obra popular representa fazer uma concessão a que ele não podia se permitir. Porém, como ocorrerá depois a tantos outros escritores, da dedicação à literatura infantil advirão prêmios recompensadores: prestígio comercial, renome e lugar na história literária. (LAJOLO e ZILBERMAN, 2010, p. 15 - 16).</p><p>Coelho (1991, p.12)</p><p>quando menciona os clássicos infantis de Perrault, Grimm, La Fontaine, ou Andersen, afirma que esses nomes não são os verdadeiros autores das narrativas:</p><p>Quando hoje falamos nos livros consagrados como clássicos infantis, os contos-de-fada ou contos maravilhosos de Perrault, Grimm ou Andersen, ou as fábulas de La Fontaine, praticamente esquecemos (ou ignoramos) que esses nomes não correspondem aos dos verdadeiros autores de tais narrativas. São eles alguns dos escritores que, desde o século XVII, interessados na literatura folclórica criada pelo povo de seus respectivos países, reuniram as estórias anônimas, que há séculos vinham sendo transmitidas, oralmente, de geração para geração, e as transcreveram por escrito. (COELHO, 1991, p. 12).</p><p>Coelho (1991, 1991, p.16) fala ainda, que os estudiosos vêm tentando saber como essa Literatura Popular chegou até a atualidade. Esses estudiosos acreditam que, como os contadores de estória têm a memórias privilegiadas e esses documentos que foram localizados em diferentes regiões e escritos de vários modos: pedras, argila, pergaminho, ou em grossos livros manuscritos guardados com correntes e cadeados. A autora Barbara Vasconcelos de Carvalho, no seu livro “A Literatura Infantil Visão Histórica e Crítica (1983) ”, fala sobre como a Literatura enriquece o imaginário infantil:</p><p>A criança é criativa e precisa de matéria-prima sadia, e com beleza, para organizar seu “mundo mágico”, seu universo possível, onde ela é dona absoluta: constrói e destrói. Constrói e cria, realizando-se e realizando tudo o que ela deseja. A imaginação bem motivada é uma fonte de libertação, com riqueza. [...] A Literatura Infantil, enriquecendo a imaginação da criança, vai oferecer-lhe condições de liberação sadia, ensinando-lhe a libertar-se pelo espírito: levando-a a usar o raciocínio e a cultivar a liberdade. (CARVALHO, 1983, p. 20 – 21).</p><p>Segundo Coelho (1991), Literatura Infantil enriquece a valoriza o imaginário e a fantasia, e foi estabelecida a partir de narrativas orais passadas pelo povo. Essas histórias foram escritas em livros e ganharam os nomes de seus recriadores, difundindo-se através dos anos pelo mundo.</p><p>As lendas e tradições folclóricas de todos os povos foram passadas de forma oral, passando de geração para geração, e essas são as principais fontes inspiradoras da literatura infantil. Uma literatura moderna, por sua vez, vai além do prazer, da emoção, ela visa alertar, modificar a consciência crítica do leitor e interlocutor. A criança, através da leitura, associa e harmoniza a fantasia com a realidade, a fim de satisfazer suas exigências internas.</p><p>A literatura infantil tem como papel atuar sobre as mentes, onde se expandem as emoções, paixões, desejos, sentimentos de toda ordem. Na incidência com a literatura os homens têm a oportunidade de ampliar, transformar ou enriquecer sua experiência de vida.</p><p>Cada época envolveu e apresentou literatura à sua maneira. Ela representa, a cada momento da humanidade, uma etapa de sua constante evolução. Conhecer a literatura que cada época designou às suas crianças é uma forma de perceber os valores e ideais em que cada sociedade se fundamentou. É desta forma que entenderemos como a criança era encarada.</p><p>Andrade (1983) ressalta que a procedência da literatura infantil foi delineada em uma prática que leva a muitas dúvidas, mas esse mundo da literatura existe e traça suas próprias características particulares.</p><p>O gênero ‘literatura infantil’ tem a meu ver, existência duvidosa. Haverá música infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literária deixa de constituir alimento para o espírito da criança ou do jovem e se dirige ao espírito do adulto? Qual o bom livro para crianças, que não seja lido com interesse pelo homem feito? Qual o livro de viagens ou aventuras, destinado a adultos, que não possa ser dado a crianças, desde que vazado em linguagem simples e isento de matéria de escândalo? Observados alguns cuidados de linguagem e decência, a distinção preconceituosa se desfaz. Será a criança um ser à parte, estranho ao homem, e reclamando uma literatura também à parte? Ou será literatura infantil algo de mutilado, de reduzido, de desvitalizado porque coisa primária, fabricada na persuasão de que a imitação é a própria infância? (ANDRADE, apud CUNHA, 1983, p.21)</p><p>No século XVII, se notava um empenho com olhar especial para a infância, protestantes ingleses e franceses publicaram seus primeiros livros e no século XVIII passa-se a assistir à passagem completa da infância ao centro das considerações. Stone citado por Zilberman (2003, p.38) comenta:</p><p>Um quarto sinal era a identificação das crianças como um grupo de status especial, distinto dos adultos, com suas instituições especiais próprias, como as escolas, e seus próprios circuitos de informação, dos quais os adultos tentaram excluir, de modo crescente, o conhecimento sobre o sexo e a morte. (STONE, apud ZILBERMAN, 2003, p.38).</p><p>Segundo Zilberman (1987, p.46) os textos criados naquela época tinham o objetivo de informar, à busca de uma literatura apropriada para a infância e juventude, observaram-se duas intenções próximas das existentes: dos clássicos com novas adaptações do folclore; e dos contos de fadas, ainda não voltados especificamente para a infância.</p><p>Marisa Lajolo e Regina Zilberman (2010, p.16), relatam que Charles Perrault foi o principal responsável por difundir a Literatura Infantil, motivando a inclusão dos textos de La Fontaine e Fénelon. A sua obra primava pelos contos de fadas, que era até aquele momento transmitido apenas oralmente pela população.</p><p>Perrault não é responsável apenas pelo primeiro surto de literatura infantil, cujo impulso inicial determina, retroativamente, a incorporação dos textos citados de La Fontaine e Fénelon. Seu livro provoca também uma preferência inaudita pelo conto de fadas, literarizando uma produção até aquele momento de natureza popular e circulação oral, adotada doravante como principal literatura infantil. (LAJOLO e ZILBERMAN, 2010, p. 16).</p><p>O autor Charles Perrault obteve destaque na história literária não como um poeta clássico, mas como autor de uma literatura popular, em uma época tão depreciada pelo ideal que tinha em seu tempo. Perrault se torna um dos autores com maiores sucessos voltados para o público infantil: criou os contos de fadas. “Les Contes de Ma Mére I Oye” é uma coletânea criada em 1697, traduzidas em vários idiomas, marcada por oito contos podendo destacar “A Bela Adormecida no Bosque”, “Chapeuzinho Vermelho”, “O Barba Azul”, “A Gata Borralheira ou Cinderela” que estão inseridos no folclore infantil.</p><p>Impondo poderes aos seus personagens monstros e animais das estórias que eram contadas pelos camponeses, Perrault mostrava o combate entre o bem e o mau, os fracos e os fortes, o belo e o feio, diferenciando seus personagens da classe inferior por vencer a classe nobre pela inteligência.</p><p>Os irmãos Grimm, assim como eram conhecidos os autores Jacob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859), adaptaram no início do século XIX algumas fábulas para o estilo da literatura infantil, aparecendo famosos personagens como Rapunzel, Branca de Neve, João e Maria, dentre outros. Na primeira coletânea foi publicado 86 contos e ao se passar dois anos, foi publicada outra coletânea com 70 contos.</p><p>Assim como foi feito com os Irmãos Grimm, Hans Christian Andersen criou contos que acabaram o sagrando como um dos escritores mais famosos da literatura infantil.</p><p>Em seus contos sobressaíam o mundo maravilhoso e, dentre suas obras mais divulgadas, podemos destacar: “O Patinho Feio”, “O Soldadinho de Chumbo”, “O Rouxinol do Imperador”. Suas obras foram escritas com ternuras, sendo realistas e não omitia as relações que a violência trazia nas vidas das pessoas.</p><p>Entre as obras para jovens, nenhuma foi mais notável que as do francês Júlio Verne, com inúmeras histórias, entre elas Viagem ao Centro da Terra (1864), Vinte Mil Léguas Submarinas (1870), A volta ao Mundo em 80 Dias (1873). Esta obra foi mais valorizada no século XX, pelo</p><p>que trazia de modernidade tecnológica. Júlio Verne implantou os primeiros traços do gênero conhecido como ficção científica.</p><p>A passagem da infância para a vida adulta, entretanto, se fazia quase sem mudança. A criança era ainda vista como um adulto em miniatura. Daí os incomuns livros escritos principalmente para leitores da faixa intermediária, puberdade e adolescência. Até o início do século XX a maioria das leituras ao alcance dessa faixa de leitores era a literatura adulta, original ou adaptações que também surgiam na época.</p><p>A partir do momento em que a leitura é inserida é possível percebê-la atuando como instigadora, podendo estimular crianças, jovens e adultos a desenvolver o hábito de ler.</p><p>Destacamos assim a importância que a leitura ocupa na formação de leitores e o quanto esteve presente na educação de gerações, permitindo ao leitor viajar pelo mundo através da literatura, significando contextos e situações históricas. O desenvolvimento da Literatura Infantil não ocorreu apenas na França; na Inglaterra se expandiu na associação a acontecimentos de fundo econômico e social.</p><p>3.1. A Literatura Infantil</p><p>A literatura infantil é o marco inicial de uma cultura, pois surgiu de uma grande busca, de pedagogos, por técnicas e processos apropriados à educação da criança. Partindo desse princípio, pode-se conceituá-la como ferramenta de introdução do homem no mundo literário, logo, a mesma é responsável pela sensibilização da consciência, ampliação da capacidade e interesse em analisar o mundo.</p><p>A valorização da literatura infantil, como formadora de consciência dentro da vida cultural da sociedade, é bem atual porque, até pouco tempo, ela era considerada como um gênero secundário e vista pelos adultos como algo fútil.</p><p>Hoje, a literatura infantil está presente na escola e no lar, a literatura significa um forte estímulo na aprendizagem, pois é adquirindo o gosto por ela que a criança passará a escrever e ler melhor. Sobre isso Cademartori (1994, p. 23), afirma que:</p><p>A literatura infantil se configura não só como instrumento de formação conceitual, mas também de emancipação da manipulação da sociedade. Se a dependência infantil e a ausência de um padrão inato de comportamento são questões que se interpenetram, configurando a posição da criança na relação com o adulto, a literatura surge como um meio de superação da dependência e da carência por possibilitar a reformulação de conceitos e a autonomia do pensamento. (CADEMARTORI 1994, p. 23)</p><p>Ainda Cadermatori (1986, p.16) em seu livro, “O que é literatura infantil”, relata que a literatura propicia uma reorganização das percepções do mundo e, assim sendo, permite uma nova ordenação das experiências existenciais na criança, afirmando que “[..] a convivência com textos literários provoca a formação de novos padrões e o desenvolvimento do senso crítico”.</p><p>A autora (1986, p. 66) faz ainda alusão à importância da literatura nos primeiros anos, ressaltando que:</p><p>A literatura tem um papel no desenvolvimento linguístico e intelectual do homem e, desse modo, articula-se com interesses que a escola propala como seus, cabe a tentativa de explicitar qual poderia ser a relação da literatura com a criança a partir do início da escolaridade. (CADEMARTORI 1986, p. 66)</p><p>Baseando-se nisso pode-se concluir que a literatura infantil pode e deve ser trabalhada desde o início, quando a criança entra na escola, pois isso promoverá o aprendizado da linguagem e estimulará as crianças a gostarem de leitura.</p><p>Para as autoras Palo e Oliveira (2001, p. 19), é importante contar histórias para crianças pois,</p><p>“[...] sempre expressa um ato de linguagem e representação simbólica do real, direcionado para a aquisição dos modelos linguísticos”. No caso da literatura infantil, o foco narrativo participa de duas naturezas - a verbal e a visual. A natureza verbal da literatura infantil seria o processo de comunicação entre o leitor e o ouvinte na forma de narração e a visual seria a expressão corporal que enriquece o seu contexto para que as crianças, não só escutem, mas também usem a imaginação. (PALO E OLIVEIRA 2001, p. 19)</p><p>Abramovich (1994, p. 16) refletindo sobre as contribuições da literatura infantil para a formação de leitores ressalta sobre a “[...] importância de ouvir muitas, muitas histórias [...] escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo [...]”.</p><p>É através da literatura que a criança abre os olhos para uma nova relação com diferentes sentimentos e visões de mundo, ajustando, condições para o seu desenvolvimento intelectual e a formação de princípios individuais para interceder e reunir os próprios sentimentos e ações.</p><p>Discorrendo sobre esse contexto, Bettelheim (1991, p.75) garante que a criança por meio da literatura desenvolve o potencial crítico e reflexivo. Afirma, ainda, que a partir do contato com um texto literário de qualidade, a criança é capaz de refletir, indagar, questionar, escutar outras opiniões, articular e reformular seu pensamento.</p><p>Segundo Martins (1982, p.63), existem três níveis de leitura: o sensorial, este que estaria unido aos aspectos exteriores da leitura como o tato, o prazer do manuseio de um livro bem-acabado, com ilustrações importantes e planejamento gráfico caprichado, o emocional, aquele que estimula a fantasia e libera emoções e o racional, que ligado ao plano intelectual da leitura. Essa concepção intelectual privilegia o texto escrito, sendo que nela, estariam identificados os aspectos formais do texto literário. Assim sendo, o professor não deve debater sobre esses três níveis de forma separada.</p><p>Paim (2000, p.104) salienta que, a leitura é um ato emancipatório, humanizador, transformador. É de suma importância a relação dos alunos com todos os tipos de texto. Mas, a literatura é a porta de entrada para o mundo. É a maneira como se consegue ver o mundo. É a mesma linguagem da criança, por isso ela se identifica tanto. A literatura estimula a criança a pensar, a ver o mundo, ajuda a se conhecer porque o momento em que ela se identifica com os personagens, vive toda a história na perspectiva da personagem.</p><p>Para Carvalho, apud Cagnet e Zots (1966, p.71):</p><p>“A literatura é a arte de ouvir e de dizer, logo nasce com o homem, suas origens se assimilam com o uso das palavras: filogeneticamente o homem aprendeu a falar, dizer antes de ler e escrever como ontogeneticamente acontece com a criança: portadora de bagagem linguística. Essa capacidade de ouvir e de dizer é o ponto de partida da literatura”. (CAGNET E ZOTS 1968, p. 71)</p><p>Para Abromovich (2003, p.54) é de extrema importância que durante a formação da criança ela escute muitas histórias. Esse contato poderá desenvolver na criança o gosto pela leitura, cabe destacar ainda que, não existe um caminho único ou uma receita para se formar um leitor. O que existe são dicas para instigar esse processo até que a leitura se torne um hábito. Para isso acredita-se que recorrer à literatura infantil, é essencial para que de uma forma atraente consiga mostrar aos alunos como pode ser bom e agradável o ato da leitura.</p><p>Abramovich (1997, p. 17) em seu livro “Literatura infantil - gostosuras e bobices” elucida que é através de uma história que se podem descobrir outros lugares, tempos, outros jeitos de agir e de ser. Por isso, as histórias são tão importantes, elas “abrem caminhos”.</p><p>A autora afirma ainda que é extraordinário para a formação de qualquer criança ouvir muitas histórias, ou seja, “[...] escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter caminhos absolutamente infinitos de descoberta e de compreensão do mundo” (ABRAMOVICH, 1997, p. 16).</p><p>Gregorin (2009, p.44) relata acreditar que a infância é o melhor momento para iniciar o processo de estímulo à leitura, nesse período é importante motivar as crianças desde cedo a criar o hábito de ler por prazer. E utilizar como caminho a literatura infantil, é fundamental devido a sua capacidade de envolver o leitor por inteiro,</p><p>apelando para suas emoções e fantasias. Ao tomar contato com qualquer obra chamada de literatura infantil, antes de qualquer coisa, deve-se tomá-la como um texto portador de uma linguagem específica e cujo objeto é expressar experiências humanas e, em razão disso, não pode ser definida com exatidão</p><p>Gregorin (2009, p.137), ressalta que, pode-se realmente levar muitas crianças a ampliar e educar seus olhares para a literatura, e para a arte, a se transformarem em leitores plurais, e consequentemente em cidadãos mais preparados para a vida em sociedade.</p><p>Segundo Coelho (2000, p.27) A literatura infantil é, antes de tudo, literatura; ou melhor, é arte: Fenômeno de criatividade que representa o mundo, o homem e a vida através da palavra. Funde os sonhos e a vida prática, o imaginário e o real, os ideais e sua possível/impossível realização.</p><p>Abramovich (1997) ressalta que ler histórias infantis é estimular o imaginário, a curiosidade, encontrando assim muitas ideias para solucionar questões ligadas aos personagens da história, além de despertar a criatividade para desenhar, teatralizar e brincar.</p><p>Cagliari (2003, p.112) afirma que o hábito da leitura é a maior herança que a criança pode receber, é por meio da leitura que o ser humano obtém o conhecimento, então é necessário que a escola em sua prática pedagógica desenvolva ações voltadas para a prática da leitura. Pois a leitura amplia os conhecimentos do ser humano, estimula o desejo por outras leituras, exercita a imaginação e a fantasia, contribui para compreender como funciona a escrita.</p><p>3.2. A Literatura Infantil no Brasil</p><p>Cada época envolveu e produziu literatura ao seu estilo. Verificou-se que o gênero infantil vem, ao longo do tempo, sofrendo modificações originárias do aparecimento de um bom número de novos autores e muitos livros para a criança. Esperamos que o aumento dessa produção de uma literatura proposta às crianças provocará, também, em maior preocupação com a qualidade, refletindo favoravelmente no aparecimento de novos leitores.</p><p>A Literatura Infantil na Europa teve seu início no final do século XVII, quando em 1697, o autor Charles Perrault publicou seu livro Contos da Mamãe Gansa, já a Literatura Infantil brasileira passar a existir muito tempo depois, no fim do século XIX, quando começam a aparecer uma ou outra obra para crianças.</p><p>No final do século XIX, surge no Brasil, as primeiras edições de livros da literatura infantil, com a fundação da Imprensa Régia que servia às exigências da linha pedagógica e ideológica. No primeiro momento a ideia era de traduzir ou adaptar os livros que faziam sucesso na Europa. Os livros infantis começaram a consolidar-se a partir da Proclamação da República, e a sociedade brasileira que vivia um período de urbanização, deparou-se com a necessidade de educar seu público com produções culturais modernas.</p><p>Com todo o processo de mudança ocorrido na época, as escolas começaram a ter papéis essenciais na formação das crianças, os livros escolares e os infantis acabaram se aproximando. Não muito diferente dos outros países, o Brasil iniciou com obras literárias mais voltadas ao pedagógico, trazendo adaptações portuguesas que mostravam a dependência que existia entre as colônias.</p><p>A literatura infantil brasileira tem características bastante originais, que juntam as contribuições européia (portuguesa), africana e indígena. A literatura oral originada pelos primeiros colonizadores era narrada pelas avós, que contavam essas histórias as crianças como, por exemplo, de um personagem de nome Trancoso, e outras do folclore português. A elas se juntaram as histórias das escravas negras, que andavam de engenho em engenho transmitindo às outras negras, amas dos meninos brancos. O contato com a cultura indígena trouxe inúmeros elementos que vieram enriquecer esse imaginário: figuras como a Iara, o Minhocão, o Matitaperê e muito mais.</p><p>Na fase inicial, a literatura infantil brasileira foi marcada por Carlos Jansen em “Contos seletos das mil e uma noites”, Robinson Crusóe em “As viagens de Gulliver a terras desconhecidas”, Figueiredo Pimentel com “Contos da Carochinha”, “Contos pátrios” com Coelho Neto e Olavo Bilac. Nos mostra a autora Maria Antonieta Antunes Cunha (1983, p.20):</p><p>Com Monteiro Lobato é que se tem início a verdadeira literatura infantil brasileira. Com uma obra diversificada quanto a gêneros e orientação, cria esse autor uma literatura centralizada em alguns personagens, que percorrem e unificam seu universo ficcional. No Sítio do Pica-pau Amarelo vivem Dona Benta e Tia Nastácia, as personagens adultas que “orientam” crianças (Pedrinho e Narizinho), “outras criaturas” (Emília e Visconde de Sabugosa) e animais como Quindim e Rabicó. (CUNHA, 1983, p.20).</p><p>No ao de 1921, Monteiro Lobato, publicava “A menina do narizinho arrebitado” que produziu uma grande virada na literatura. Mostrou-se preocupar em produzir estórias nas quais apresentassem uma linguagem que a criança compreendesse e fosse fascinada por ela. Alcançou o sucesso desejado, pois sua publicação é referência nos níveis mais alto da literatura infantil no Brasil. Partindo o condicionamento do padrão culto, Lobato implantou a oralidade nas falas e discursos narrados pelos personagens de maneira que a linguagem usada fosse criativa.</p><p>Monteiro Lobato ao criar Dona Benta, a personagem que narra, ou seja conta histórias, e traz para os leitores as antigas narrativas orais. Com os avanços alcançados especialmente por Monteiro Lobato, a literatura infantil brasileira sofreu retrocesso com relação a criatividade de 1945 até a década de 60.</p><p>As obras de Lobato na década de 50 foram absorvidas e repetidas por novos autores, sem criar ou mesmo sem tomar cuidado em reportar as variedades culturais do Brasil na sua própria linguagem. Só na década de 60 foi que a produção brasileira voltada para a infância iniciou seu novo caminho, mas só se consolidou na próxima década.</p><p>Já década de 70 surgiram novos autores que adotaram os traços de Lobato e começaram a estruturar uma nova literatura infantil delineando características com humor, criatividade, linguagem moderna. Implantando os problemas passados pela sociedade brasileira, e visavam formar crianças capazes de informar e serem reflexivas em suas práticas de leitura.</p><p>A década de 80 foi considerada por muitos como o período de ênfase da literatura infantil. Temas que até então não eram tratados nas narrativas infantis começam a ser abordados, como o sentimento de perda pela morte, a separação dos pais, as mudanças sexuais na adolescência, a preocupação ecológica</p><p>As novas características aplicadas no decorrer desses tempos ajudaram para que a leitura infantil fosse um caminho propício de diversas linguagens permitindo busca de aprendizagens e descobertas para que pudesse dar relevância à literatura infantil na formação de alunos leitores.</p><p>3.3. Monteiro Lobato e Ziraldo – grandes escritores infantis Brasileiros de Épocas Distintas</p><p>José Bento Marcondes Monteiro Lobato é considerado dos principais autores da Literatura Infantil brasileira, ele inicia sua carreira de autor de livros infantis com a publicação (1921) de “Narizinho Arrebitado”, trazendo para as crianças brasileiras, possibilidade de novas perspectivas na leitura.</p><p>Carvalho (1983) classifica Monteiro Lobato como “o maior clássico da Literatura Infantil Brasileira” (1983, p. 133), que não escreveu apenas para as crianças, mas inventou um mundo inteiro, criando histórias, com inúmeros personagens e fantasia:</p><p>Ao contrário dos clássicos estrangeiros, ele não recriou seus contos de outros; ele os criou. Embora se utilizasse do rico acervo maravilhoso da Literatura Clássica Infantil de todo o mundo, a inspiração maior e básica de Lobato foi a própria criança, os motivos e os ingredientes de sua vivência: suas fantasias, suas aventuras, seus objetos de jogos e brinquedos, suas travessuras e tudo o que povoa a sua imaginação... Reencontrou a criança, amealhou toda a riqueza e criatividade de seu mundo maravilhoso e construiu um universo para ela, num cenário</p><p>natural, enriquecido pelo Folclore de seu povo, aspecto indispensável à obra infantil. (CARVALHO, 1983, p. 133).</p><p>Segundo Regina Zilberman e Ligia Cademartori Magalhães, “Narizinho Arrebitado” aparece como uma literatura para a escola com uso para ser usada em escolas primárias como segundo livro de leitura, garantindo, assim, a sua distribuição.</p><p>[...] o texto apresenta uma feição bastante distinta daquela que marca a narrativa didática e moralizante. O principal traço de diferenciação consiste em que a história de Monteiro Lobato procura interessar a criança, captar sua atenção e diverti-la. É bastante conhecido o seu ideal de livro: um lugar onde a criança possa morar. Para alcançá-lo, o autor reconhecia a necessidade de o gênero sofrer modificações e expressa essa intenção já na sua primeira obra. (ZILBERMAN e MAGALHÃES, 1987, p. 135 – 136).</p><p>Coelho (1991) diz que, Monteiro Lobato instituiu uma nova Literatura Infantil, partindo com os estereótipos, trazendo novas ideias e formas de escrever. Lobato escreveu crônicas e artigos para a imprensa do interior e capital paulistas desde a sua adolescência; ele preocupava-se com a renovação na literatura, apresentando autenticidade da realidade brasileira. Lobato alcançou total sucesso entre os pequenos leitores, pois,</p><p>[...] eles se sentiam identificados com as situações narradas; sentiam-se à vontade dentro de uma situação familiar e afetiva, que era subitamente penetrada pelo maravilhoso ou pelo mágico, com a mais absoluta naturalidade. Tal como Lewis Carroll fizera com Alice no País das Maravilhas, na Inglaterra de cinquenta anos antes, Monteiro Lobato o fazia no Brasil dos anos 20: fundia o Real e o Maravilhoso em uma única realidade. (COELHO, 1991, p. 227).</p><p>Monteiro Lobato cria o sítio do Pica pau Amarelo, Monteiro Lobato abrindo um leque de personagens que irão participar de muitas aventuras em suas histórias. Marisa Lajolo e Regina Zilberman citam alguns deles:</p><p>[...] é o sítio do Pica-pau Amarelo, propriedade de Dona Benta, que vive originalmente acompanhada de sua neta, a menina Lúcia, conhecida por Narizinho, e de uma cozinheira antiga e fiel, Tia Nastácia. Trata-se de uma população pequena para preencher um cenário tão grande, mas as personagens multiplicam-se rapidamente, com a inclusão de outros seres humanos (Pedrinho), seres mágicos (os bonecos animados Emília e Visconde), animais falantes (o porco Rabicó, o burro Conselheiro e o rinoceronte Quindim), sem falar dos eventuais seres aquáticos, habitantes do Reino das Águas Claras, localizado nas cercanias do sítio, ou dos visitantes mais ou menos habituais, como Peninha, o Gato Félix ou o Pequeno Polegar. (LAJOLO e ZILBERMAN, 2010, p. 55).</p><p>Ainda de acordo com Marisa Lajolo e Regina Zilberman, o livro “Reinações de Narizinho” foi o primeiro de uma coleção escrita por Lobato, destinada a infância. Esse grupo de personagens simula a união, a família; o sítio do Pica-Pau Amarelo representa “uma percepção a respeito do mundo e da sociedade, bem como uma tomada de posição a propósito da criação de obras para a infância. ” (LAJOLO e ZILBERMAN, 2010, p. 56). Regina Zilberman em seu outro livro, A Literatura Infantil na Escola, escreve que o autor Monteiro Lobato,</p><p>Ainda de acordo com Marisa Lajolo e Regina Zilberman, o livro “Reinações de Narizinho” foi o primeiro de uma coleção escrita por Lobato, destinada a infância. Esse grupo de personagens simula a união, a família; o sítio do Pica-Pau Amarelo representa “uma percepção a respeito do mundo e da sociedade, bem como uma tomada de posição a propósito da criação de obras para a infância. ” (LAJOLO e ZILBERMAN, 2010, p. 56). Regina Zilberman em seu outro livro, A Literatura Infantil na Escola, escreve que o autor Monteiro Lobato.</p><p>As obras de Lobato representam a sua década, acrescentando a essa Literatura Infantil, comportamentos, valores, vaporização do relacionamento entre as personagens, e a representação da realidade com detalhes, tudo isso misturando a imaginação com o material, o autor apresenta suas histórias como algo plausível de ocorrer.</p><p>Segundo Coelho, Monteiro Lobato “cada vez mais, deixa-se penetrar pela psicologia infantil (onde o real e o maravilhoso não se distinguem...), e nas histórias que inventa e publicar, os limites entre o mundo real e o imaginário se enfraquecem, até desaparecerem completamente. ” (COELHO, 2010, p. 139).</p><p>Monteiro Lobato não é apenas um marco na Literatura Infantil brasileira, ele é também sua referência máxima (ZILBERMAN e MAGALHÃES, 1987, p. 139); suas obras proporcionam além disso, uma ampla pesquisa das diversas linguagens empregadas em seus textos, como o humor nas falas da boneca Emília, mas nunca abandonando a aprendizagem. Seus livros cativam, estimulam a imaginação, a inteligência, educando até hoje os leitores que se aventuram pelo sítio do Pica Pau Amarelo.</p><p>Ziraldo Alves Pinto ou simplesmente Ziraldo como é conhecido é outro escritor que também faz muito sucesso com o público infanto-juvenil, o seu primeiro livro infantil foi Flicts que teve sua publicação no ano de 1969, esse livro conta a história de uma cor rara que sai pelo mundo procurando o seu lugar, pois Flicts acha que não tem nenhuma tonalidade que faça par com ela. Segundo Castro (2008, p.79),</p><p>O texto toca diretamente no temor ao abandono, sentido pelas crianças, que é traduzido pelo sentimento de não pertencer a um grupo, de rejeição, de exclusão causada pelas diferenças, que são a matéria prima da literatura, porque é com elas que se constroem as personagens e grande parte das histórias. (CASTRO, 2008, p. 79).</p><p>Ziraldo (1994, p.12-13) apresenta esse medo do abandono, da solidão em seu primeiro livro Flicts:</p><p>Tudo no mundo tem cor/ tudo no mundo é/ Azul/ Cor-de-rosa/ ou furta-cor/ é vermelho ou/ Amarelo/ quase tudo tem seu tom/ Roxo/ Violeta ou lilás/ Mas/ não existe no mundo/ nada que seja Flicts/ (nem a sua solidão)/ Flicts nunca teve par/ nunca teve um lugarzinho/ num espaço bicolor/ (e tricolor muito menos/ - pois três sempre foi demais)/ não/ não existe no mundo/ nada que seja Flicts. (ZIRALDO, 1994, p. 12-13).</p><p>No ano de 1979, Ziraldo publica o livro O Planeta Lilás, que é um poema sobre o amor aos livros. E em 1978 publica o seu maior sucesso, o livro de: Menino Maluquinho. No seu site, onde tem a biografia de Ziraldo, ele conta que pela publicação do livro o Menino Maluquinho, ele ganhou o prêmio Jabuti na Bienal do Livro de São Paulo em 1979, prêmio esse da Câmara Brasileira do Livro. O Menino Maluquinho foi traduzido para diversas línguas, e foi adaptado para televisão, teatro, histórias em quadrinhos, tirinhas e cinema. No livro que ele escreveu e ilustrou, Ziraldo (2011, p.8-14) conta a história de um menino maluquinho:</p><p>Ele tinha o olho maior do que a barriga/ tinha fogo no rabo/ tinha vento nos pés/ umas pernas enormes (que davam para abraçar o mundo) / e macaquinhos no sótão (embora nem soubesse o que significava macaquinho no sótão). / Ele era muito sabido/ ele sabia de tudo/ a única coisa que ele não sabia/ era como ficar quieto. (ZIRALDO, 2011, p. 8-14).</p><p>No ano de 2005 a editora Globo publicou os “25 anos do Menino Maluquinho”. A história foi ilustrada por Ziraldo e mais 27 artistas que foram convidados, entre esses artistas estavam Maurício de Sousa, Angeli Ota e Guto Lins. Ziraldo é escritor, chargista, cartunista, pintor, cronista, ilustrador e jornalista e se tornou um dos mais conhecidos escritores e ilustradores infantis do Brasil. Seu trabalho faz parte do dia-a-dia dos brasileiros, com personagens marcantes para a história da literatura infantil.</p><p>4. A IMPORTÂNCIA DOS CONTOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL</p><p>A criança precisa desde cedo ter contato com livros, seja ela compostas por simples gravuras ou textos pequenos, ela pode criar seu próprio mundo com imaginações e fantasias, oportunizando o conhecimento de si mesma e do ambiente em que vive.</p><p>Quando os professores e especialmente os pais leem histórias ou inventam botando as crianças como personagens, despertam na mesma novas</p><p>ideias e conhecimentos. Muitas vezes as crianças empregam os contos de fadas para conseguir mostrar a realidade em que vivem, beneficiando o aspecto afetivo, cognitivo e psicológico. Segundo Bettelheim (1992, pág.20)</p><p>Enquanto diverte a criança, o conto de fadas esclarece sobre si mesma, e favorece o desenvolvimento de sua personalidade. Oferece significado em tantos níveis diferentes, e enriquece a existência da criança de tantos modos que nenhum livro pode fazer justiça à multidão e diversidade de contribuições que esses contos dão à vida da criança. (BETTELHEIM, 1992, pág.20)</p><p>Dessa forma percebemos que a história proporciona a criança viver além de sua vida imediata, vivenciar outras experiências. Por isso seduz, encanta e embriaga. Quando ouvimos uma história e nos envolvemos com ela, há um processo de identificação com alguns personagens. Isso faz cm que o indivíduo viva momentos fictícios os quais se vê como personagens.</p><p>Ler contos de fadas para crianças permite que cada criança recepcione o texto de modo diferente, que é preciso enxergar mais além e perceber o envolvimento da criança através das falas, dos registros gráficos e até mesmo do simples olhar perante a história contada ou lida, pois a fantasia é fundamental para o desenvolvimento emocional da criança, sendo que os personagens podem ajudá-la a tornar mais sensível, esperançoso, otimista e confiante. Bettelheim, em seu livro A psicanálise dos contos de fadas (1980, pág.19), diz:</p><p>“Só partindo para outro mundo é que o herói dos contos de fada (a criança) pode se encontrar; e fazendo-o encontrará também o outro com quem será capaz de viver feliz para sempre; isto é, sem nunca mais ter de experimentar a ansiedade de separação. O conto de fadas é orientado para o futuro e guia a criança – em termos que ela pode entender tanto na sua mente inconsciente quanto consciente – a ao abandonar seus desejos de dependência infantil e conseguir uma exigência mais satisfatoriamente independente”. (BETTELHEIM, 1980, pág.19)</p><p>Percebemos que os contos contribuem para a formação da personalidade, para o equilíbrio emocional, isto é para o bem estar da criança, pois através de suas personagens boas e más, dos obstáculos que estas afrontam e os finais que nem sempre são felizes para todos, as crianças começam a compreender o mundo em que está inserida a todas as dores e prazeres contidos nele, este contos falam-nos das verdades universais e individualmente de cada assunto que as crianças podem vir a se preocupar em cada fase da vida. Assim diz Carvalho (1989, pág. 21)</p><p>“A criança é criativa e precisa de matéria-prima sadia, e com beleza, para organizar seu “mundo mágico”, seu universo possível, onde ela é dona absoluta, constrói e destrói. Constrói e cria, realizando tudo o que ela deseja. A imaginação bem motivada é uma fonte de libertação, com riqueza. É uma forma de conquista de liberdade, que produzirá bons frutos, como a terra agreste, que se aduba e enriquece, produz frutos sazonados. (CARVALHO, 1989, pág.21)</p><p>4.1. A Contação de História como Estratégia Educacional</p><p>A contação de histórias é uma estratégica pedagógica que pode ajudar de forma expressiva a prática pedagógica na educação infantil. A escuta de histórias instiga a imaginação, instrui, educa, desenvolve habilidades cognitivas, dinamiza o processo de leitura e escrita, além de ser uma atividade interativa que potencializa a linguagem infantil. A ludicidade com jogos, danças, brincadeiras e contação de histórias no processo de ensino e aprendizagem aumentam a responsabilidade e a auto expressão, assim a criança sente-se incitada e, sem notar desenvolve e constrói seu conhecimento sobre o mundo.</p><p>Em meio ao encanto, à maravilha e ao entretenimento que as narrativas inventam, diversos tipos de aprendizagem ocorrem. Os livros infantis são ricas fontes de aprendizado na Educação Infantil, as histórias beneficiam as crianças</p><p>Além de ser motivadora as histórias enriquecem a imaginação e facilita a interpretação, porém precisamos utilizar histórias de fácil linguajar, com imagens e possibilidades de interpretá-las de forma lúdica, onde darão possibilidades de um melhor desenvolvimento de ler e escrever. Sendo assim (RCNE, vol.3, pág.144):</p><p>“Recontar histórias é outra atividade que pode ser desenvolvida pelas crianças. Elas podem contar histórias conhecidas com a ajuda do professor. Reconstruindo o texto original à sua maneira. Para isso podem apoiar-se nas ilustrações e na versão lida. Nessas condições, cabe ao professor promover situações para que as crianças compreendam as relações entre o que se fala o texto escrito e a imagem. O professor lê a história, já conseguem recontar a história, utilizando algumas expressões e palavras ouvidas na voz do professor. Nesse sentido, é importante ler as histórias tal qual está escrita, imprimindo ritmo à narrativa e dando a criança a ideia de que ler significa atribuir significado ao texto e compreendê-lo. (RCNEI, Vol.3, 1989, pág.144)</p><p>4.2. A Contação de História – Motivação e Aprendizagem</p><p>A comunicação por meio da contação de história fala com as crianças dando-lhe possibilidades de mostrar seus sentimentos, superar problemas e acima de tudo trazer o aprendizado para construir, interpretar e aceitar melhor as desilusões que vai encontrando no seu dia-a-dia, pois sabe que, à semelhança do que acontece nos contos, os seus esforços para se tornar melhor e ser capaz de vencer seus medos, pois a contação dessas histórias de jeito simples são bons instrumentos para buscar as vivencias das suas fantasias, sem que precise passar pelas mesmas situações na realidade, além disso, a história proporciona a criança uma nova forma de pensar sobre as suas emoções difíceis, sentimentos dolorosos ou intensos demais (como um luto, o nascimento de um irmão, a adaptação escolar, etc). Assim diz (RCNEI, vol.3, pág.143):</p><p>“As instituições de educação infantil podem resgatar o repertório de histórias que as crianças ouvem em casa e nos ambientes que frequentam, uma vez que essas histórias se constituem em rica fonte de informação sobre as diversas formas culturais de lidar com as emoções e com as questões éticas, contribuindo na construção da subjetividade das crianças”. (RCNEI, vol.3, pág.144).</p><p>As crianças geralmente se motivam diante as aulas de contação de história, estimulando a fantasia e servindo de agente socializador, já que mexe com as vivencias sociais. Através dessas contações que despertamos a imaginação das crianças, transportando-os ao mundo da fantasia que está sendo criado ao seu redor.</p><p>O fato de a criança gostar de ouvir histórias é muito importância porque ela estabelece dentro de si muitas ideias através de descobertas, de outros lugares, outras épocas, outras maneiras de operar, além de ter a curiosidade respondida podendo elucidar melhor suas próprias dificuldades ou achar um caminho para a resolução delas.</p><p>É o começo para ser um leitor e para ser criativo nas suas produções orais, escritas, etc. compreendemos que o trabalho desenvolvido com os contos infantis pode ser muito rico e gratificante, permitindo motivação e interação entre as crianças no momento da contação de história.</p><p>“Para que uma história realmente prenda a atenção da criança, deve entretê-la e despertar sua curiosidade. Mas para enriquecer sua vida deve estimular-lhe a imaginação: ajudá-la a desenvolver seu intelecto e a tornar claras suas emoções: estar harmonizada com suas ansiedades e aspirações; reconhecer plenamente suas dificuldades e ao mesmo tempo, sugerir soluções para os problemas que a perturbam. Resumindo, deve de uma só vez relacionar-se com todos os aspectos de sua personalidade e isso sem nunca menosprezar a criança, buscando dar inteiro crédito a seus predicamentos e, simultaneamente, promovendo a confiança nela mesma e no seu futuro”. (BETTELHEIM, 1978, pág.20)</p><p>A história é contada ter em vista deleitar a criança, gerar o amor, o encanto, desenvolver sua imaginação, desenvolver o poder de observação, expandir as experiências, desenvolver o gosto artístico e</p><p>estabelecer uma ligação interna entre o mundo da fantasia e o da realidade.</p><p>Diz Bruno Bettelheim (1980, pág. 185):</p><p>“A história deve ser contada, não lida, para poder atingir integralmente seus significados simbólicos e interpessoais. Ele mostra que como as histórias foram transmitidas oralmente de geração a geração, deve-se respeitar este método, pois os narradores foram acrescentando e adaptando a história de acordo com as perguntas das crianças. Além disso, o narrador pode acrescentar algo que possa ser significativo para ele mesmo ou para o ouvinte. A narrativa da estória para uma criança, para ser mais eficaz, tem de ser um evento interpessoal, moldado pelos que participam dela”. (BETTELHEIM, 1980, pág.185)</p><p>4.3. A Criança e a Aprendizagem, através dos contos infantis</p><p>As histórias infantis cumprem a função de expor pelas crianças sua imaginação e fantasia, já que elas provocam perigos, medos e desejos, e geralmente traz motivações que acarretam na facilidade de aprender.</p><p>Os contos de fadas não servem apenas para entretenimento, à medida que as histórias se desenvolvem, vão mostrando caminhos para transição entre o consciente e o inconsciente, garantindo assim o equilíbrio que precisa para manter o domínio de suas atividades diárias e daí a criança tem contato com o real, com os outros.</p><p>Ao mesmo tempo, que a imaginação da criança se desenvolve, pois ela toma consciência de seus limites, vive desordens, experimenta emoções conflitantes e tem muitas dúvidas que não consegue elucidar. Para tentar resolvê-las e domar suas angustias, impulsionada por sua curiosidade, ela procura imaginar, sonhar, e conseguir canalizar esse mundo imaginário em ações no mundo real, desenvolvendo a capacidade de criação. As ilustrações, os contos, por fim, são maneiras de agir para dominar as emoções, as explosões de sonhos e imagens são dirigidas então para a criação.</p><p>Assim sendo, a criança deve conseguir alimentar sua imaginação e expressá-la. Ampliar a função simbólica por meio de textos, imagens e sons é uma forma de sustentá-lo, potencializando para a aquisição da leitura e escrita mesmo antes de aprender a ler e escrever. Ela compreende, analisa, formula suas teorias sobre a leitura e a escrita a que está exposta em seu cotidiano. Seria, então, até impróprio imaginar que uma criança em idade pré-escolar não tenha capacidade e condições de aprender as diversas características da comunicação gráfica.</p><p>Segundo Contini (1988, p.53), uma criança exposta a um ambiente propicio, ou seja, material escrito e pessoas que o manuseiem, incluindo a própria criança, já estaria apreendendo seus usos e funções como forma de comunicação.</p><p>A criança começa através das contações a conhecer imagens, interpretá-las e passa então a conviver com dois tipos de relações entre a grafia e o som, entrando assim no nível silábico-alfabético. E dar início também a experiência de ter um tumulto, já que é capaz agora de entender que existe uma representação gráfica apropriada para cada som. Ela vai reformulando sua hipótese anterior, silábica, que lhe parece escasso, e vai alternando sua produção entre essa e a alfabética propriamente dita.</p><p>Com suas tentativas e reformulações, ela evolui para o nível alfabético, que se estabelece mais firmemente sobre suas percepções de relação entre a grafia e o som. Ela já consegue aceitar que a sílaba é composta de letras que devem ser representadas distintamente, e se tornam capazes de perceber outras características de comunicação gráficas, tais como as diferenças entre letras, silabas, palavras e frases, ainda que ela falhe nessas representações.</p><p>Através dessas histórias contadas podemos pôr fim às decodificações, pois as representações de imagens contidas nos livros infantis as crianças passam a diferenciar criteriosamente suas interpretações.</p><p>5. A CONTRIBUIÇÃO DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIA PARA O APRENDIZADO DO ALUNO</p><p>Sabe-se que a literatura infantil é de grande importância para o aprendizado da criança da educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental, pois é tida como uma abertura para a formação de uma nova mentalidade, que teria assim uma tarefa fundamental a desempenhar nesta sociedade em transformação.</p><p>De acordo com Coelho (2000, p.15) ao estudar a história das culturas e suas formas de transmissão, é possível vislumbrar a literatura como um dos meios dessa transmissão e que tornou possível a preservação das tradições culturais, cujos valores se renovaram no processo de transformação social. Por este motivo, a literatura, ao expressar uma época histórica, garante para as gerações futuras acesso a valores, tradições, culturas dos antepassados e também o conhecimento de culturas diferentes das quais se vive.</p><p>Dessa maneira entende-se a escola como um espaço privilegiado para o contato da criança com o livro, e nesse espaço os estudos literários podem estimular o exercício da mente, a leitura de mundo, seus vários níveis, e dinamizando o estudo e conhecimento da língua. A escola hoje já não é vista como um sistema rígido, podendo-se ao mesmo tempo trabalhar com estudos programados e atividades livres, nos quais o educando irá aprender e apreender conhecimento nos dois espaços.</p><p>Enfatiza-se neste estudo a contação de histórias, já que essa prática é necessária para a aprendizagem da criança. De acordo com Coelho (2000), na infância a criança aprende com o lúdico, jogos, brincadeiras e a história contada de forma agradável faz parte desse universo e desperta o interesse do aluno para o aprendizado.</p><p>De acordo com Abramovich (1997, p.175), contar histórias para as crianças é sempre uma maneira de sorrir com situações vividas pelas personagens, é também suscitar o imaginário, despertar curiosidade, encontrar outras ideias. Também é uma possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, dos impasses, e das soluções que se vive na vida cotidiana.</p><p>A cada conto os alunos se identificam com sua vida cotidiana, ou com personagens com os quais convivem - a avó, o avô, o irmão, o cachorro, etc.-, e nos variados momentos vividos no seu ambiente social. O ato de ler, ouvir ou de contar uma história é capaz de ativar uma específica modalidade de pensamento: o narrativo. Segundo Barbosa (2008), é provável que esta forma de pensamento coexista com o pensamento lógico-científico no interior das estruturas mentais exercendo, porém, uma função diferente: ocupa-se das intenções e das ações humanas e dos resultados gerados pelas mesmas.</p><p>Dessa forma, o pensamento narrativo é intrinsecamente vinculado a uma dimensão subjetiva e emotiva, e emerge em todas as situações em que o sujeito busca entender, de modo simbólico, a realidade que o ronda. O conto, seja este oral ou escrito, seria então um produto cultural fruto dessa modalidade de pensamento, sendo, portanto, presente desde sempre na vida dos indivíduos de qualquer tempo e cultura, pois para fazer parte de uma coletividade, “cada sujeito deve antes de tudo adquirir e partilhar o sistema simbólico do seu contexto sociocultural” (BARBOSA, 2008, p. 27).</p><p>A história contada auxilia no processo de aprendizagem, colaborando desde o estímulo à escrita e à leitura até a noção de valores e sentimentos que estão presentes no ser humano, como valores de preservação, de respeito, caridade e sentimentos como medo, ansiedade, alegria, tristeza entre tantos que são manifestados durante a escuta de uma história.</p><p>A história contada é fundamentada tanto na formação educativa quanto na formação cultural da criança, já que quando a criança ouve uma história ela se apropria de sua ou de outras culturas, enriquece seu conhecimento ainda que superficialmente, mas que no futuro terá possibilidade de buscar maiores informações, pois, a sua curiosidade já foi aguçada quando num conto infantil lhe foi passada uma nova descoberta.</p><p>Por meio da oralidade é plausível deslumbrar-se com a riqueza da comunicação, e transformar um simples conto em algo que aguce a imaginação daquele que ouve. Pode ser através de recursos mais elaborados ou através de uma simples narrativa. Contar histórias</p><p>é também trocar ideias. O aluno que tem espaço para manifestar suas ideias e opiniões também é um contador de histórias.</p><p>O conto infantil é como se fosse uma chave mágica que abre as portas da astúcia e da sensibilidade da criança para sua formação incondicional, e a escola torna-se um lugar favorável para articular a arte de contar histórias. Entende-se então que é na escola que se desenvolve o intelecto do aluno, e se a contação de história desenvolve a inteligência, deve-se criar na escola situações para esse desenvolvimento na medida em que esta seja uma atividade prazerosa ao aluno e assim formar crianças ativas e, por conseguinte, homens conscientes.</p><p>De acordo com Tahan (1961, p.12), a importância da história contada se deu pela sua universalidade, de sua influência para o comportamento do aluno, dos recursos que oferecem aos educadores contribuindo para o ensinamento de conteúdos escolares e dos benefícios que poderão proporcionar à humanidade. Também ressalta o autor que se deve considerar a importância desta prática sob cinco aspectos: recreativo, educativo, instrutivo, religioso e físico.</p><p>A história contada é recreativa porque diverte, e é classificada como educativa porque educa desde os jovens aos mais velhos, pois se guarda na memória o que pode ser utilizado como um conselho ou lição de vida; instrutiva porque se colhe ensinamentos, se aprendem os significados de palavras, conteúdos de várias disciplinas; religiosa, porque instrui que grande parte da educação religiosa é transmitida por meio de história contada, na qual a Bíblia Sagrada é a expressão de um conjunto de histórias transmitidas ao longo dos tempos; e também é classificada como física, pois, por meio de informações dadas por profissionais que trabalham com a recreação em hospitais, as histórias ajudam na recuperação de pessoas enfermas, cuja atividade se aproxima com os médicos do riso.</p><p>Afirma Souza (2007, p.97) que a contação de histórias é uma estratégica pedagógica que pode ser favorável de maneira expressiva a prática docente na educação infantil e ensino fundamental. A escuta de histórias instiga a imaginação, educa, instrui, desenvolve habilidades cognitivas, dinamiza o processo de leitura e escrita, além de ser uma atividade interativa que potencializa a linguagem infantil.</p><p>A ludicidade com jogos, danças, brincadeiras e contação de histórias no como prática pedagógica desenvolvem a responsabilidade e a autoexpressão, assim a criança sente-se instigada e, sem notar, desenvolve e constrói seu conhecimento sobre o mundo. Em meio ao prazer, à maravilha e ao divertimento que as narrativas criam, vários tipos de aprendizagem se manifestam</p><p>Tahan (1961, p.16) também faz menção ao campo educacional no qual se obtém os objetivos alcançados com a prática do contar histórias: a expansão da linguagem, o estímulo à inteligência, a aquisição de conhecimentos, a socialização, a revelação de diferenças individuais, a formação de hábitos e atitudes sociais e morais, e o cultivo da memória e da atenção e interesse pela leitura.</p><p>No primeiro dos objetivos atingidos com a contação de história, o autor assegura que esta prática enriquece o vocabulário e facilita a expressão e a articulação; quanto ao segundo, desenvolve no aluno o poder criador do pensamento infantil. Já no terceiro objetivo que se refere à obtenção de conhecimento, o autor destaca que a contação de história pode alargar os horizontes do aluno e ampliar as experiências da criança; no quarto objetivo que trata da socialização, ouvindo a história o aluno se identifica com um grupo e estabelece associações; no quinto é o que facilita ao professor o conhecimento das características em seus alunos através das reações provocadas pelas narrativas; no sexto objetivo que se refere à formação de hábitos e atitudes sociais e morais, a história contada estimula bons exemplos e sentimentos e incita a vida moral; por fim, no sétimo objetivo que trata do cultivo da memória e da atenção e interesse pela leitura, segundo o autor, a história familiariza a criança com os livros, despertando para o futuro esse interesse tão necessário.</p><p>É possível visualizar a prática da contação de histórias, como ajuda para o trabalho do professor, consente formar um adulto que objetiva uma educação que vá além da aprendizagem de conteúdos escolares, e também cauteloso às condições da sociedade. A contação de história, enfim, com as características desenvolvidas em uma audição de uma história poderá capacitar o aluno a ser um indivíduo participante, reflexivo e crítico da sociedade.</p><p>Afirma Souza (2007, p.102) que a contação de histórias é uma estratégica pedagógica que pode favorecer de maneira significativa a prática docente na educação infantil e ensino fundamental. A escuta de histórias estimula a imaginação, educa, instrui, desenvolve habilidades cognitivas, dinamiza o processo de leitura e escrita, além de ser uma atividade interativa que potencializa a linguagem infantil.</p><p>Sobre a importância e o porquê de contar histórias na escola, Tahan (1961, p.18) afirma que há vários motivos para tal. Além dos já citados acima, também se considera importantes para auxiliar a aprendizagem o deleite que a contação de histórias provoca nas crianças, além de incutir-lhes o sentimento de amor e de beleza, desenvolver a imaginação, a observação, o gosto artístico e para estabelecer uma ligação entre o mundo artístico e o da imaginação. No ensino da língua Tahan (1961, p.18) discorre que a história contada enriquece a experiência, dá sentido à ordem, esclarece o pensamento, educa a atenção e desenvolve a língua oral e escrita</p><p>A história infantil tem como finalidade divertir a criança, e com este aspecto agradável e atraente pode atingir com facilidade outros objetivos como o de educar e instruir. Dessa forma o aluno aprende não somente com o ensino de conteúdo, mas também com o trabalho relacionado ao lúdico. Chaves (2010) afirma, amparada pela teoria histórico cultural, que a fantasia, o mágico e o lúdico são elementos fundamentais para levar a criança a se perceber como autora de suas produções e, acredita-se, formar um homem instruído e participante da vida social.</p><p>Nas histórias encontra-se a gramática do conto: as personagens, a apresentação inicial do conto, a sucessão de ações complexas e o final; esta legitimidade promove a concepção textual e a criação de histórias pela própria criança, contribuindo para as habilidades linguísticas em nível oral e escrito.</p><p>A introdução literária que vem desde a infância, causada com livros de imagens, com ou sem textos, e o trabalho com contos podem ser uma grande alavanca na aquisição da leitura para além da simples decodificação do código linguístico. Conforme Souza (2007, p.108), a leitura é um dos meios mais eficazes de desenvolvimento sistemático da linguagem e da personalidade. Trabalhar com a linguagem é trabalhar com o homem.</p><p>5.1. Como contar uma história para motivar os alunos</p><p>O processo do conto de histórias é um motivador e enriquecedor do conhecimento nas séries iniciais, com imagens e possibilidade de explorá-las depois de maneira lúdica, cujas narrações permitirão às crianças um melhor desenvolvimento da capacidade de produção e compreensão textual. Segundo Sisto (2001, p.42), o contar histórias é uma prática obrigatória para a promoção da leitura e no resgate lúdico da fantasia, o que antes era o trabalho do professor ou do bibliotecário, passou a ser apreciado pelos mais variados tipos de artistas como o cantor, o ator, músicos, poetas, surgindo com esse “arrepio” a necessidade de se analisar ao chamado no espaço escolar como a “Hora do Conto”, pois a escolha do lugar, na qual uma história é contada, tem o poder de envolver ainda mais o ouvinte; sendo assim, o educador também precisará cuidar em chamar a atenção da criança, o que vem a determinar do professor que também tenha uma formação para esta prática. Dinorah (1995, p.50) relata que:</p><p>Contar histórias é uma arte, certamente. E nem todo o professor nasce com o privilégio desse dom [...] entretanto, o</p>

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