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GRUPO REFLEXIVO PARA PAIS E RESPONSAVEIS LEGAIS DE CRIANÇAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA
Muriel Martins Biachi
Prof. Maria da Graça Taffarel Krieger
INTRODUÇÃO
Neste trabalho, propomos apresentar o relato de experiência profissional de estágio curricular realizada no Núcleo de Atendimento a Vítimas de Violência (NAVIV) no município de Canoas-RS, com foco específico no atendimento a situações de violência. Este projeto piloto envolveu a participação de 4 pais e responsáveis de crianças vítimas de violência, as quais também estão recebendo assistência simultânea por parte do núcleo. Durante a execução deste estágio, foram conduzidos 8 encontros semanais, cada um com a duração de 90 minutos. Os resultados obtidos revelaram uma significativa participação dos pais nos grupos, bem como notáveis mudanças e fortalecimento na interação familiar. 
Palavra-chave: Grupo reflexivo. Violência infantil. Pais de vítimas de violência. 
 OBJETIVOS
O objetivo do projeto piloto é oferecer acolhimento aos pais e responsáveis de crianças vítimas de violência. A criação de um grupo reflexivo para esses pais e cuidadores tem como foco aprofundar sua compreensão sobre o significado de ser responsável por uma criança vítima de violência, ajudando-os a desenvolver estratégias eficazes de enfrentamento. O projeto também envolve a expansão dos serviços do NAVIV para criar uma rede de apoio para estes pais e cuidadores, oferecendo suporte emocional, orientações práticas e ferramentas concretas para auxiliar no processo de recuperação e apoio a estas crianças, na que também estão sendo assistidas pelo núcleo. Além disso, busca abordar as necessidades e desafios emocionais enfrentados pelos adultos que desempenham um papel fundamental na vida destes infantes, promovendo um ambiente de apoio e psicoeducação, visando minimizar o impacto causado no ambiente familiar.
METODOLOGIA
Os encontros desta intervenção foram realizados na ULBRA Canoas (Universidade Luterana do Brasil), em 2023/2 no período noturno, em uma sala designada para atividades em grupo. Os participantes desta intervenção consistiram em pais, mães e avós. Esta intervenção consistiu na formação de um Grupo de responsáveis legais pelas crianças, composto por 4 participantes ativos. Cada encontro ocorreu em um dia específico da semana, tendo um total de 8 encontros realizados, com a duração de uma hora e trinta minutos cada. Os critérios para a inclusão dos participantes neste grupo foram casos de violência sofrida pelos infantes. O modelo de grupo operativo proposto utiliza como fundamento a técnica de grupos-operativos de Pichon-Rivière (2005). 
A condução do grupo foi realizada pela estagiária do Núcleo de Atendimento a Vítimas de Violência, que desempenhou o papel de facilitadora do grupo, trabalhando tópicos e atividades adaptados às necessidades específicas do grupo, de acordo com a evolução dos encontros. A técnica de grupo operativo busca promover a aprendizagem em grupos, incentivando uma abordagem crítica da realidade e a busca por novos conhecimentos.
CRONOGRAMA DOS ENCONTROS
Encontro 1: Compartilhando histórias e conexões:
Objetivo: Criar um ambiente seguro para os pais e responsáveis pela criança, para que possam compartilhar suas histórias e estabelecerem conexões. (elaborar combinado de sigilo sobre assuntos tratados no grupo e contrato).
Abordagem de quais temas gostariam de tratar ao decorrer dos encontros e demandas trazida pela criança, na qual não estejam conseguindo lidar ou auxiliar. 
Atividades: Introduções, atividades de quebra-gelo, compartilhamento voluntário das experiências iniciais (como foi o encaminhamento ao grupo e motivos).
Encontro 2: compreendendo os efeitos da violência
Objetivo: Explorar os possíveis impactos da violência nas crianças e nos pais.
Atividades: Discussões sobre traumas e como estão conseguindo lidar com esta demanda da criança, reações emocionais e comportamentais, vídeo ou depoimentos para ilustrar os efeitos.
Encontro 3: Comunicação e apoio a criança
Objetivo: Explorar maneiras de se comunicar com as crianças e fornecer apoio emocional.
Atividades: Papel da comunicação na recuperação, exercícios de escuta ativa, compartilhamento de experiências e como trabalhar a comunicação não violenta, trazendo práticas de CNV.
Encontro 4: Construindo resiliência nos infantes
Objetivo: Discutir maneiras de promover a resiliência nas crianças após a violência e o ressignificar do brincar e interação familiar.
- A Importância do Brincar e das Atividades Sociais;
- Amigos;
- Interação Familiar como Base;
- Estratégias para melhorar o Vínculo Familiar;
- Apoiando o Desenvolvimento e a Superação da Criança;
Atividades: Identificação de pontos fortes das crianças, histórias inspiradoras de superação, estratégias de apoio.
Encontro 5: Cuidando de si mesmo como cuidador
Objetivo: Explorar reflexão e questionamento com cada um dos cuidadores os papeis que os representam e seus significados, sobre o que é ser vó, mãe, pai, tia...
- A importância do cuidar-se e do auto fortalecimento.
- Introduzir estratégias de autocuidado para os pais lidarem com o estresse e a angústia.
Atividades: Exercícios de relaxamento, discussões sobre a importância do equilíbrio emocional.
Encontro 6: Lidando com desafios legais e burocráticos
Objetivo: Fornecer informações sobre os aspectos legais e burocráticos após situações de violência.
Redes e sistemas de apoio oferecidos a vítimas de violência.
Atividades: Apresentação de especialista, espaço para perguntas e compartilhamento de recursos.
Encontro 7: Construindo uma rede de apoio 
Objetivo: Explorar a importância de uma rede de apoio e como construí-la.
Atividades: Discussão sobre amigos, familiares, grupos de apoio, troca de contatos.
Encontro 8: Visando um futuro
Objetivo: Envolver os cuidadores e pais na reflexão sobre seu progresso e da criança alcançado até o momento, promover o compartilhamento de planos para o futuro e estimular o apoio contínuo tanto para a criança quanto para si mesmos.
Atividades: Compartilhamento de transformações pessoais, definição de metas, atividade de encerramento.
Os tópicos e atividades podem ser adaptados de acordo com as necessidades específicas do grupo conforme de correr dos encontros. Os momentos de validações, encorajamento e suporte emocional é essencial em cada encontro.
RESULTADOS
Durante as intervenções, foi alcançado resultados notáveis que desempenharam papel no fornecimento de apoio emocional e no fortalecimento das habilidades dos participantes. No primeiro encontro, estabelecidas bases para uma colaboração eficaz, onde os participantes se apresentaram, discutiram questões relacionadas ao sigilo. os participantes também expressaram algumas preferências em relação aos temas a serem abordados ao longo dos encontros.
O grupo demonstrou interesse em explorar questões ligadas aos episódios de agressões e conflitos ocorrido com as crianças. Juntamente com a orientação da mediadora, foi definido tópicos que moldaram as intervenções, discussões e atividades. Estes incluíram estratégias para promover a CNV- comunicação não violenta com as crianças, métodos para cultivar a resiliência nos infantes após a violência, estratégias para fortalecer os laços familiares e apoiar o desenvolvimento infantil, reflexões sobre os papéis dos cuidadores e suas identidades, técnicas de relaxamento e formas de lidar com o estresse e a angústia, bem como informações legais e burocráticas relacionadas à violência (participação de um profissional da área). Além disso, foi explorado maneiras de fortalecer ou construir uma rede de apoio, planos para o futuro e a importância do apoio contínuo, tanto para as crianças quanto para os próprios pais e responsável legal.
O grupo aparece também como objeto privilegiado na elaboração do conhecimento pela significação histórica: pelo fato de nos havermos constituído como sujeitos, em uma trajetória de experiências grupais, ou seja, pelo lugar importante das relações com os outros (o processo de interação) na constituição de nossa subjetividade,de nosso psiquismo (GAYOTO, [1992]).
Os resultados obtidos demonstram não apenas o progresso alcançado pelos participantes em sua jornada pessoal, mas também a contribuição significativa para a quebra do ciclo de violência e a construção de ambientes familiares mais saudáveis e seguros. Este grupo não apenas fortaleceu os cuidadores, mas também abriu caminho para uma nova compreensão das dinâmicas familiares, promovendo a esperança de um futuro mais positivo para todas as partes envolvidas.
 CONSIDERAÇÕE FINAIS
Em síntese, os resultados obtidos evidenciam não apenas o progresso pessoal dos participantes, mas também a contribuição para a interrupção do ciclo de violência e a criação de ambientes familiares mais saudáveis e seguros. Este grupo de apoio desempenhou um papel crucial no fortalecimento dos cuidadores em suas dinâmicas familiares, oferecendo esperança para um futuro mais positivo para todas as partes envolvidas. Nesse sentido, o projeto piloto do NAVIV se mostrou uma iniciativa promissora no combate à violência familiar e na promoção do bem-estar das crianças e dos adultos que desempenham papéis fundamentais em suas vidas.
REFERÊNCIAS
BARROS, A. S. de; FREITAS, M. F. Q. de. Grupo psicoeducacional com pais em situação de violência contra filhos: relato de experiência. Revista de Educação Popular, Uberlândia, v.15, n.2, p. 137-148, 2016. https://seer.ufu.br/index.php/reveducpop/article/view/33748 
Bastos, A. B. B. I. (2010). A técnica de grupos-operativos à luz de Pichon-Rivière e Henri.Psicologo informação ano 14. N.14 janeiro/dezembro.2010. http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psicoinfo/v14n14/v14n14a10.pdf 
GAYOTTO, M. L. Conceitos básicos que facilitam a compreensão do início de um grupo. Artigo referente ao curso de especialização em Coordenação de grupos operativos do Instituto Pichon-Rivière. [S.l.: s.n.], 1992. 
PICHON-RIVIÈRE, E. Teoria do vínculo. São Paulo: Martins Fontes, 1988.  
__________. O Processo Grupal. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-88092010000100010 
  
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