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www.projetoredacao.com.br Lista de Redação – Gramática – Linguagem, Texto e Discurso – 99 Questões [Médio] Questão 01) A Maria recuou dous passos e pôs-se em guarda, pois também não era das que se receava com qualquer cousa. – Tira-te lá, ó Leonardo! – Não chames mais pelo meu nome, não chames... que tranco-te esta boca a socos... – Safa-te daí! quem te mandou pôr-se aos namoricos comigo a bordo? Isto exasperou o Leonardo; a lembrança do amor aumentou-lhe a dor da traição e o ciúme e a raiva de que se achava possuído transbordaram em socos sobre a Maria, que depois de uma tentativa inútil de resistência, desatou a correr, a chorar e a gritar (...). (Manuel Antônio de Almeida. Adaptado) O trecho – Não chames mais pelo meu nome, não chames... que tranco-te esta boca a socos... – se transposto para o discurso indireto exigiria as seguintes alterações: a) Leonardo disse que não lhe chamasse mais pelo meu nome, pois ele trancara a boca de Maria a socos. b) Leonardo gritou que não lhe chame mais pelo seu nome porque ele trancaria a sua boca a socos. c) Leonardo ordenou que não o chamasse mais pelo nome caso contrário trancaria a boca de Maria a socos. d) Leonardo pediu que não o chamasse mais pelo nome se não trancasse a boca de Maria a socos. e) Leonardo afirmou que não chamaria mais pelo nome de Maria se ela não trancasse sua boca a socos. Questão 02) Observe as frases abaixo. I. Uma pessoa que cooperou com a Polícia e pediu que não fosse identificada afirmou que as negociações sempre foram suspeitas. II. Após as diligências, os promotores foram obrigados a intimar o rapaz que o carro dele correspondia à descrição feita pelas testemunhas. III. O vereador continua a declarar que havia motivos bastantes para que ele votasse de acordo com o interesse de seu partido. IV. “Naquela época — deixa eu te dizer o seguinte — ele era associado de uma empresa de grande porte, na cidade de São Paulo.” http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Das frases acima, obedecem à norma culta apenas a) I e III. b) II e IV. c) I e II. d) II e III. e) III e IV. Questão 03) A única frase inteiramente de acordo com as normas gramaticais do padrão culto é: a) A secretária pretende evitar que novos mandados de segurança ou liminares contra o decreto sejam expedidas. b) O CONTRU interditou várias dependências do prédio, inclusive o Salão Azul, cujo o madeiramento do forro foi atacado por cupins. c) O ministro da Agricultura da Inglaterra declarou que por hora não há motivo para sacrificar os animais. d) A poucos dias da eleição, os candidatos enfrentam agora uma verdadeira maratona. e) “Posso vencê-las, mesmo que usem drogas, pois não é isso que as tornarão invencíveis”, declarou a nadadora. Questão 04) Você pode dar um rolê de bike, lapidar o estilo a bordo de um skate, curtir o sol tropical, levar sua gata para surfar. Considerando-se a variedade lingüística que se pretendeu reproduzir nesta frase, é correto afirmar que a expressão proveniente de variedade diversa é: a) “dar um rolê de bike”. b) “lapidar o estilo”. c) “a bordo de um skate”. d) “curtir o sol tropical”. e) “levar sua gata para surfar”. Questão 05) Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe1 em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado, e que exercia, como dissemos, desde tempos remotos. Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria da hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia2 rechonchuda e bonitota. O Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade mal apessoado, e sobretudo era maganão3. Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos. (Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias) Glossário: 1 algibebe: mascate, vendedor ambulante. 2 saloia: aldeã das imediações de Lisboa. 3 maganão: brincalhão, jovial, divertido. No excerto, o narrador incorpora elementos da linguagem usada pela maioria das personagens da obra, como se verifica em: a) aborrecera-se porém do negócio. b) de que o vemos empossado. c) rechonchuda e bonitota. d) envergonhada do gracejo. e) amantes tão extremosos. Questão 06) É terminantemente proibido animais circulando nas áreas comuns a todos, principalmente para fazerem suas necessidades fisiológicas no jardim do condomínio, onde pode por em risco a saúde das crianças que ali brincam descalças. (Extraído de um relatório de prestação de contas da administração de um prédio.) Assinale a opção em que os dois itens apresentam impropriedades em relação às normas gramaticais: ( 1 ) ( 2 ) a) Flexão de ‘circular’ e ‘fazer’ Emprego de ‘onde’ b) Acentuação de ‘ali” Regência de ‘circular’ c) Flexão de ‘comum’ Emprego de ‘onde’ d) Acentuação de ‘por’ e ‘ali’ Flexão de comum e) Acentuação de ‘por’ e ‘ali’ Emprego de ‘onde’ Questão 07) Assinale a opção que apresenta a função da linguagem predominante nos fragmentos abaixo: ( I ) Mana Rosa quase que aceitava, de uma vez, para resolver a situação, tal o embaraço em que se achavam. Estiveram um momento calados. Gosta de versos? Gosto... Ah! http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Pousou os olhos numa oleografia. É brinde de farmácia? É. Bonita... Acha? Acho... Boa reprodução... (Orígenes Lessa, O feijão e o sonho) (II) Sentavam-se no que é de graça: banco de praça pública. E ali acomodados, nada os distinguia do resto do nada. Para a grande glória de Deus. Ele: - Pois é. Ela: - Pois é o quê? Ele: - Eu só disse “pois é”! Ela: - Mas “pois é” o quê? Ele: - melhor mudar de conversa porque você não me entende. Ela: - Entender o quê? Ele: - Santa Virgem, Macabéa, vamos mudar de assunto já. (Clarice Lispector, A hora da estrela) a) Poética. b) Fática. c) Referencial. d) Emotiva. e) Conativa. Questão 08) Assinale a opção em que a manchete de jornal está mais em acordo com os cânones da “objetividade jornalística”: a) O mestre do samba volta em grande forma (O Estado de S. Paulo, 17/7/1999.) b) O pior do sertão na festa dos 500 anos (O Estado de S. Paulo, 17/7/1999.) c) Proteína direciona células no cérebro (Folha de S. Paulo, 24/7/1999.) d) A farra dos juros saiu mais cara que a da casa própria (Folha de S. Paulo 13/6/1999.) e) Dono de telas “falsas” diz existir “armação” (O Estado de S. Paulo 21/7/1999.) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 09) No texto, a marca da coloquialidade apresenta-se como transgressãogramatical. Tem gente que junta os trapos, outros juntam os pedaços. Assinale a alternativa que corresponde ao fato: a) Ausência de conectivo. b) Escolha das palavras. c) Emprego do verbo ter. d) Repetição do verbo juntar. e) Emprego da vírgula. Questão 10) Os trechos que seguem mostram que certas construções típicas do português falado, são utilizadas na modalidade escrita, exceto um deles. Aponte-o: a) Procure preocupar-se com os problemas que você tem maior dificuldade. b) Uma escola, onde na frente havia uma lanchonete, deverá ser totalmente reformada. c) Sempre me pareceu muito severo aquele diretor sob cujas ordens trabalhei muitos anos. d) Consideramos propícia a escolha do momento dele falar. Questão 11) Na linguagem coloquial, é muito comum a troca erroneamente dos pronomes. Aponte esse equívoco, quando usado na norma culta. a) Senhor, aquele jovem quer falar consigo. b) Eu o vi durante aquela reunião. c) Este trabalho é para eu ler. d) Informaram a ele os motivos da briga. Questão 12) O texto abaixo foi escrito numa linguagem coloquial. Balão 1: Como é que a gente faz isso hein, Girianildo? Balão 2: É moleza meu chapa! A turma vai te ajudar! Balão 3: Legal! Para mim, fazer um relatório, é mais fácil do que para o Fittipaldi dar uma voltinha de fusca! Vamos lá! http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br a) Reescreva o diálogo do primeiro quadro, utilizando o registro culto da língua. b) Uma outra versão do texto apresentado, no segundo quadro, desfazendo- se o hipérbato, é: Questão 13) Assinale a frase gramaticalmente correta: a) Deve existir muitos colecionadores de selo. b) Estou à par de tudo. c) Não cheguei a mais tempo pôr causa do trânsito. d) Ele ficará feliz quando revir as provas. e) Recordo bem de que você esteve aqui. Questão 14) Num determinado trecho do texto o autor usou a expressão: “Vi quando ela punha ele para dentro”. Certamente esta não é a forma aconselhável no registro culto da Língua Portuguesa. Das frases abaixo, em apenas uma das respostas os dois itens são admissíveis como corretos no registro culto da Língua Portuguesa a) 1 –Comprar-lhe-ei os instrumentos que você tem necessidade. 2 – Impressionou-me o fato que ele se referiu. b) 1 – O que digo-lhe é muito importante para a sua formação. 2 – Esta é a vizinha que lhe falei. c) 1 – Entre eu e ela haverão muitos sempre afetos. 2 – Muitas pessoas têm apatia à leitura. d) 1 – Custei a crer no que ouvi. 2 – A moça ficou meia tonta depois do acidente. e) 1 – Faltam 10 minutos para eu sair. 2 – Chame os candidatos eleitos e diga-lhes que a cerimônia de empossamento vai começar. Questão 15) Marque a opção que está de acordo com a norma culta da língua. a) Não se distribui aleatoriamente títulos de benemérito. b) Já devem fazer muitos meses que eles voltaram. c) João Romão usou a expressão similar à de Botelho. d) Semelhante atitude implicará em sua exclusão do projeto. e) Essa é uma homenagem que não posso me privar Questão 16) Texto Dolores era um desses tipos que o Brasil importa a mãi e o pai pra bancar que também dá moça linda. Direitinho certas indústrias de São Paulo... Da terra e da nossa raça não tinha nada, porém se pode afirmar que tinha o demais porque não havia ninguém mais brasileiro que ela. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Falassem mal do Brasil perto dela pra ver o que sucedia! Desbaratava logo com o amaldiçoado que vem comer o pão da gente, agora! Praquê não ficou lá na sua terra morrendo de fome! Vá saindo...! Ah! Perto de mim você não fala do Brasil não porque eu dou pra trás, sabe! Eu sei bem que a Itália é mais bonita, mais bonita o quê... Uma porcariada de casas velhas, isso sim, e gente ruim, só calabrês é que se vê!... Aqui tem cada amor de bangalôzinho... e a estação da Luz, então! Você nunca, aposto, que já entrou no Teatro Municipal! Si entrou, foi pro galinheiro, não viu o fuaier Itália... A nossa catedral... Aquilo é gótico, sabe! Não está acabada mas falaram pra mim que vai ter as torres mais compridas do mundo! E Dolores ficava muito bonita na irritação, com cada olho enorme lá no fundo relumeando que nem esmeralda. Era uma belezinha. (ANDRADE, Mário de. "menina de olho fundo", in Os Contos de Belezarte.) Sobre o trecho de Mário de Andrade, só NÃO podemos dizer que: a) O narrador onisciente, através de um processo comprativo, faz crítica irônica ao sistema econômico então vigente. b) O dinamismo na narração é fundamentado em um entrelaçamento entre as falas do narrador e do personagem. c) A presença de tipos de estrutura metomínica e hiperbólica é percebida como um recurso estilístico utilizado pelo autor. d) A caracterização de Dolores na narrativa é feita em um tom de afetividade. e) As funções referencial e conativa predominam no texto como forma de enfocar o contexto e provocar o leitor. Questão 17) Entre os exemplos abaixo, freqüentemente empregados na linguagem informal, apenas um está de acordo com a norma culta da língua. Assinale- o. a) Com quem você está namorando agora? b) Lá em casa somos em quatro filhos. c) Tudo que o pai diz, a mãe acredita. d) Meu amigo, isto implicará em sua suspensão. e) O candidato residente na rua Cosme Velho não compareceu à prova. Questão 18) Observe a frase abaixo em que ocorre uma inadequação lingüística: Considerando a realidade socioeconômica brasileira, um em cada três aposentados se vêem obrigados a voltar a trabalhar. a) Identifique a inadequação lingüística. b) Reescreva a frase de forma a adequá-la à norma-padrão. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 19) in: ZIRALDO. A Última do Brasileiro – quatro anos de História nas charges do Jornal do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Codecri, 1975. Toda charge, segundo os especialistas em comunicação, tem por objetivo a crítica humorística imediata a um fato ou ocorrência do momento atual, em geral de natureza política. A charge de Ziraldo, embora publicada em 1974, no Jornal do Brasil, resistiu ao tempo, pois o problema que focaliza ainda persiste. Com base neste comentário, responda: a) No discurso da primeira personagem da charge, as formas verbais “fecha”, “vê” e “consegue”, juntamente com o pronome “você”, exemplificam um uso típico do português coloquial brasileiro. Explique esse uso e reescreva o discurso da personagem de acordo com a norma culta. b) Levando em consideração a natureza crítica e humorística das charges, interprete os elementos visuais que, no interior do balão, representam o que a segunda personagem imaginou. Questão 20) Do sonho de um grupo de intelectuais, entre eles Paulo Emilio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado, Antonio Candido, então jovens estudantes da USP, nasceu a Cinemateca Brasileira. Embora seus criadores tenham sofrido perseguições políticas em várias oportunidades, e o acervo cinematográfico tenha sido vítima de incêndios, a Cinemateca Brasileira, pela continuidade de sua atuação, é um dos arquivos de filmes mais antigos de todo o mundo. Membro efetivo da Fédération Internacionale des Archives du Film desde 1949, a Cinemateca Brasileira tem seu trabalho reconhecido nacional e http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br internacionalmente. Além de possuir a maior coleção de filmes da América Latina, é um centro de informações e de difusão da cultura cinematográfica, que restaura e preserva a produção do cinema nacional em seu conjunto, com especial ênfase na conservação dos registros de imagens em movimento produzidos contemporaneamente, além de documentar, pesquisar e difundir o cinema em todasas suas manifestações. Folheto de divulgação da Cinemateca Brasileira, produzido pela Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Cultura Assinale a alternativa redigida de maneira lógica, de acordo com a norma culta da língua e sem alteração das idéias originais do texto. a) A Cinemateca Brasileira, que o trabalho dela é de reconhecimento internacional, tem conhecido insucessos, os quais não a impedem a continuidade de sua eficaz ação. b) O trabalho feito pela Cinemateca Brasileira, considerada internacional, não está impedido por que teve e tem problemas; em vez, ela continua a agir contínua e eficazmente. c) Os problemas que a Cinemateca está sujeita, mesmo com o trabalho internacionalmente reconhecido, não prejudicam sua contínua ação que se revela eficazmente. d) A Cinemateca Brasileira, cujo trabalho é reconhecido internacionalmente, sofreu duros reveses, que não foram, entretanto, capazes de impedir sua ação contínua e eficaz. e) A ação da Cinemateca Brasileira eficaz e contínua não foi compatível com os problemas que sofreu, na medida que ela continua atuando de maneira adequada. Questão 21) Observe a seguinte afirmação feita pelo autor: “Em nossa civilização apressada, o “bom dia”, o “boa tarde” já não funcionam para engatar conversa. Qualquer assunto servindo, fala-se do tempo ou de futebol.” Ela faz referência à função da linguagem cuja meta é “quebrar o gelo”. Indique a alternativa que explicita essa função. a) Função emotiva b) Função referencial c) Função fática d) Função conativa e) Função poética Questão 22) Uma propaganda a respeito das facilidades oferecidas por um estabelecimento bancário traz a seguinte recomendação: Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça: vírgulas significam pausas. VEJA. n. 1918. São Paulo, 17 ago. 2005, p. 17. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Nesse texto, observa-se um exercício de natureza metalingüística. Explique como esse recurso auxilia a construção do sentido pretendido para persuadir o leitor. Questão 23) Leia o texto: Prinspiava a seca, naquele final de março, com uns trovões assim como que disparados ali pelas três horas da tarde reboando nas bocainas. [...] Nos currais, os bezerros berravam vez por outra e algumas vacas mugiam a-mó- que engasgadas. [...] Ao sair da lua havia tão-só algumas raras nuvens arredondadas na barra do nascente, trocando entre si aquelas lambadas de coriscos, sem estrondo nenhum de ribombo de trovoada. Era uma guerra de silêncio. – É a seca, esse menino – dizia pra ninguém e para todos o Zeca- vaqueiro, caçando seu jeito de sentar ali na calçada da frente da fazenda, naquela sonoite inda com os relâmpagos retremendo o céu rabiscado do vôo cambaleante dos morceguinhos, ao tempo que em derredor se postavam os demais trabalhadores. Hoje, ali tinha mais gente, como era de conforme se reunir quando o patrão aportava. A animação, a-mó-que ensurdecia o gemer do gado por perto, sem descontar os bezerros. TELES, Gilberto Mendonça (Org.). Os melhores contos de Bernardo Élis. São Paulo: Global, 1996. p. 117. Temática e gênero discursivo são fatores relacionados ao uso de recursos da linguagem oral no conto João Boi, de Bernardo Élis. Considere essa afirmativa para responder ao que se pede. a) O valor discursivo de uma expressão nem sempre é recuperado pelo significado das palavras que a compõem. Explique a função de esse menino na voz de Zeca-vaqueiro. b) Na estruturação de a-mó-que, que características da oralidade pretende- se representar? Justifique. Questão 24) Com base na leitura da Carta, de Pero Vaz de Caminha, é INCORRETO afirmar que esse texto: a) se filia ao gênero da literatura de viagem. b) aborda seu próprio contexto de produção. c) usa registro coloquial em estilo cerimonioso. d) se compõe de narração, descrição e dissertação. Questão 25) Leia, atentamente, os textos I e II, abaixo. I. “Daí João Onofre odiou a terra, odiou as gentes, odiou a casa, odiou a si mesmo. E odiou, ainda mais, aquela entidade poderosa e cruel que se chamava serraria. Odiou quieto e calado, sem externar seus sentimentos. (...) Olhando em torno, ele deu-se conta, pela primeira vez, da devastação que ia em derredor.” http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br II. “Inscrevendo em sua coluna de honra os nomes de alguns ítalo-brasileiros ilustres, este jornal rende uma homenagem à força e às virtudes da nova fornada mamaluca. São nomes de literatos, jornalistas, cientistas, políticos, esportistas, artistas e industriais.” Assinale a alternativa CORRETA. a) No texto I observa-se o registro da linguagem típica dos manezinhos de Florianópolis. b) O texto I aborda o tema da produção madeireira das regiões serranas de Santa Catarina, produção desenvolvida, principalmente, pelo imigrante italiano, conforme assinala o texto II. c) O autor do texto I é o paulistano Antônio Alcântara Machado e o do texto II é o blumenauense Guido Wilmar Sassi. d) Os textos I e II pertencem ao gênero narrativo; contudo o primeiro é parte de um livro de contos e o segundo, de um romance. e) As palavras do texto I encerram um sentimento elegíaco e de impotência face ao desmatamento, por oposição às palavras do texto II, que expressam exaltação face à miscigenação criadora. Questão 26) TEXTO V Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucuia vem dos montões oestes. Mas, hoje, na beira dele tudo dá – fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães é questão de opiniães... O sertão está em toda parte. ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. TEXTO VI Sertão é palavra nossa, não tem em língua estrangeira. Sertão é sertão. Há quem diga que venha de “dessertão”: miolo de nação onde o mato é grande e a população é pouca. O reverso da cidade, o avesso da civilização. “Nosso mar interior”, para o antropólogo Darcy Ribeiro, área vasta e seca que se estende pelas beiradas do Rio São Francisco, mas nunca encontra o oceano. O sertão de Minas é chamado de Campos Gerais – os gerais. Começam acima das cidades de Corinto e Curvelo e se alargam pelo noroeste até se molhar nas águas escuras do rio Carinhanha, até esbarrar nas serras de Goiás, até se debruçar sobre as terras da Bahia. Revista Terra, 09/05, p. 34. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Os textos V e VI focalizam o sertão valendo-se de gêneros textuais diferentes. Apresente uma diferença de linguagem que caracteriza os gêneros dos textos V e VI, exemplificandoa com, pelo menos, uma passagem de cada texto. Questão 27) Assinale a alternativa incorreta. a) A norma culta assegura a unidade nacional da língua. b) A norma culta diz respeito à língua utilizada em situações formais de comunicação; atende às normas gramaticais. c) Dialeto é o registro da fala de determinados grupos sociais; indica o grau de instrução dos falantes dos diferentes grupos. d) Se o nível de língua utilizado em um discurso permite identificar familiaridade entre os falantes, diz-se que o registro é coloquial (ou informal); se atender à norma culta da língua, diz-se que é formal. e) Em Dulce nos contou como Jenifer, sua filha, é inteligente ocorre discurso indireto. Questão 28) No texto de divulgação do Governo Federal, abaixo, a) há um aproveitamento de sinais gráficos próprios da matemática, usadoscom intenção icônica de dupla possibilidade significativa. b) os sinais gráficos têm interpretação unívoca. c) os sinais gráficos, muito usados na matemática, têm valor significativo da área exclusiva da informática. d) a intenção comunicativa leva à interpretação de que só no Brasil há computador para todos . e) a linguagem visual entra em choque com o que se pretende comunicar com a linguagem verbal. Questão 29) A escrita existe desde que o homem dispõe de algum tipo de comunicação visual. Diz-se até que o homem se compõe de cabeça, tronco, membros e imagem. A imagem (linguagem verbal, não-verbal, cibernética), de certa forma, busca meios de expressar a identidade do indivíduo ou da sociedade que representa. Identifique o comentário adequado à situação de comunicação e à sua linguagem correspondente. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br a) A escrita no corpo é uma busca de identidade, através de uma estética alternativa, em que se evidenciam as escolhas únicas (local, forma, cores, símbolos) que caracterizam determinada pessoa. b) Quero ficar no teu corpo feito tatuagem Que é pra te dar coragem Pra seguir viagem Quando a noite vem E também pra me perpetuar em tua escrava Que você pega, esfrega, nega Mas não lava. Chico Buarque Para expressar o amor, o eu-lírico se utiliza da linguagem verbal, valendo- se de uma metáfora (feito tatuagem) cujo efeito de sentido se materializa em uma imagem que revela o desejo de permanência fugaz junto ao ser amado. c) As inscrições encontradas nas pedras da Serra da Capivara, no Piauí, podem representar a necessidade de o ser humano apagar da memória o conhecimento do cotidiano de uma forma de vida primitiva. d) A foto do beijo expressa um sentimento que exige do observador, para sua visualização, um conhecimento apurado da linguagem cibernética. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br e) Na sociedade atual, o cidadão é identificado por uma carteira padronizada ou apenas pela impressão digital, quando é analfabeto. De forma a fugirem do caráter obrigatório e massificador de tal modelo, os internautas criam modelos virtuais mais próximos de sua identidade, já com valor oficial. Questão 30) “A professora do Bocão está corrigindo o dever de casa. Aí, balança a cabeça, olha para o Bocão e diz: – Não sei como uma pessoa só, consegue cometer tantos erros. E o Bocão explica: – Não foi uma pessoa só, professora. Papai me ajudou.” (ZIRALDO, Alves Pinto. Rolando de rir. O livro das gargalhadas do Menino Maluquinho. São Paulo: Melhoramentos, 2001. p. 20) Em relação ao texto acima, pode-se concluir que I. há predominância da função metalingüística. II. as falas dos interlocutores se sucedem sem a presença do narrador. III. a comicidade do texto se dá em razão da interpretação literal de “Bocão”. Analise as proposições e marque a alternativa conveniente. a) Apenas II e III estão corretas. b) Apenas I e II estão corretas. c) Apenas I e III estão corretas. d) Apenas III está correta. e) I, II e III estão corretas. Questão 31) Fala n laminha... ontem eu tava em offf geral... sem poder nem comer... PASSEI O DIA E SOH COMI UMA MAÇA E UMA BANAA... FUI PRO PP e passei mal de fome... tu acredita... ai a gente foi comer arrumadinho (q programão ir pro PP n beber)... Fosse ontem?? bjux!!! http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br O “Scrap” acima, retirado do ORKUT, revela um(a) a) registro equivocado da norma culta, que empobrece o uso da língua escrita. b) forma de comunicação grafolingüística que aproxima os interlocutores e apresenta características próprias da dinamicidade da língua. c) uso inaceitável de registro que apresenta uma forma ininteligível, pois privilegia uma escrita silábica. d) indução ao erro, tendo em vista o efeito causado à elaboração da sintaxe. e) ameaça ao uso da língua escrita em virtude do excesso das marcas de oralidade e da presença de registro formal. Questão 32) Assinale a opção constante de frase em que não se aponta erro de qualquer natureza: a) Procura-se combustíveis alternativos para fazer o petróleo, como disse alguém, voltar a ser apenas barro escuro cheirando a enxôfre. b) Assiste-se atualmente a uma verdadeira corrida para pôr fim à era do petróleo, com o objetivo de neutralizar o poder dos xeques, advindo do fato de o Oriente Médio deter dois terços das reservas mundiais desse combustível, do qual a humanidade se tornou refém. c) Intensificou-se em todo o mundo as pesquisas de combustíveis alternativos, com vistas a proteger as economias nacionais face às exigências dos países ricos em petróleo. d) A despeito de está na vanguarda da pesquisa a medicina foi uma das últimas áreas do Brasil a mergulharem no mundo da informática. e) A pouco mais de um ano a faculdade está testando um equipamento que os pacientes, atendidos em situação de emergência, recebe o acompanhamento médico ainda na ambulância. Questão 33) A LÍNGUA Conta-me Cláudio Mello e Souza. Estando em um café de Lisboa a conversar com dois amigos brasileiros, foram eles interrompidos pelo garçom, que perguntou intrigado: ― Que raio de língua é essa que estão aí a falar, que eu percebo tudo? (Rubem Braga. Recado de primavera. 3 ed. Rio de Janeiro: Record, 1985. p. 119) Que informações relacionadas com variedades lingüísticas estão por trás do comentário do garçom Questão 34) Seguem exemplos de inadequações em relação ao registro padrão da língua escrita, apontadas na reportagem da revista VEJA (“A riqueza da língua”) como entraves para o sucesso de profissionais de todas as áreas. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Pecados da língua Se ele dispor de tempo. Ela ficou meia nervosa. Segue anexo duas cópias do contrato. Esse assunto é entre eu e ela. a) Reescreva a frase no padrão culto, fazendo somente as alterações necessárias. b) No entanto, às vezes, o desvio do padrão culto apresenta uma finalidade expressiva para a produção do sentido. Transcreva o desvio da língua culta que ocorre no texto publicitário. Justifique a função expressiva desse desvio no texto publicitário. Questão 35) Assinale a opção em que a frase está articulada de modo claro, coeso, coerente e correto: a) O Brasil deve acordar para a crise hídrica mundial, à despeito de privilegiado em um planeta sedento, posto que a água potável disponível em seu território é abundante na Bacia Amazônica, que detém 80% do precioso líquido, e escassa na Bacia do Prata, apesar de ser nesta que vive a maior parte de sua população, a dedicar-se a intensa atividade econômica. b) Embora privilegiado num planeta sedento, o Brasil deve acordar para a crise hídrica mundial, porque a água potável disponível em seu território é abundante na Bacia Amazônica – cerca de 80% - e escassa na Bacia do Prata, onde se concentra a maior parte da população e da atividade econômica. c) Não é na Bacia Amazônica, que detém 80% da água potável disponível em nosso País, mas na Bacia do Prata em que vive a maior parte dos brasileiros em intensa atividade econômica, razão porque o Brasil deve acordar para a crise hídrica mundial, apesar de privilegiado em um planeta sedento. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br d) A Bacia Amazônica detém 80% da água potável disponível em nosso País e a Bacia do Prata, 20%, razão porque o Brasil deve acordar para a crise hídrica mundial, apesar de privilegiado em um planeta sedento, pois na última das bacias citadas, é que vive a maior parte de nossa população e onde se concentra maior atividade econômica. e) Na Bacia do Prata é que vive a maior parte de nossa população,que se dedica a intensa atividade econômica; entretanto, é a Bacia Amazônica que detém 80% da água potável disponível em nosso território, sendo essa a razão por que o Brasil deve acordar para a crise hídrica mundial, embora privilegiado num planeta sedento. Questão 36) Assinale a opção em que não há erro de qualquer natureza: a) Além de complicações de quadros associados à infartos e derrames, a alta concentração de ozônio leva à piora de outros, como àqueles de câncer no pulmão. Na estimativa dos cientistas, o ozônio é benéfico à vida de 10 a 50 quilômetros por formar uma camada atmosférica que atua como barreira contra a radiação solar. b) Fostes tu quem divulgastes que boa parte dos presos dorme no chão, mas foi eu que ficou mau na foto com o diretor. c) Os assassinos do antropólogo haviam escondido-se, bem escondidinhos, na mata; os policiais, entretanto, teriam-nos encontrado menos penosamente, caso logo tivesse recorrido a mateiros experientes. d) As grandes cidades estão restringindo cada vez mais o acesso de carros as suas regiões centrais, o que fazem para evitar que um dia seus habitantes tenha de usar máscaras de oxigênio para sobreviverem à substâncias tóxicas. e) Muitos de nós ainda não nos convencemos de que aquele rapaz, conhecido por seu mau caráter, é um dos que explora a miséria para auferir dividendos eleitorais. Questão 37) Leia a notícia. Compactos supercompletos passam médios no preço A lógica do mercado normalmente é direta. Quanto maior o produto, mais caro ele é. Mas, na cartilha dos negócios automotivos brasileiros, esta premissa nem sempre funciona. Basta equipar alguns modelos compactos com diversos opcionais. Em muitos casos, os automóveis pequenos passam a ter um preço próximo, ou até mais alto, que o de automóveis maiores. (carros.uol.com.br, 30.04.2008. Adaptado) Assinale a alternativa em que a frase conclui adequadamente o trecho, conforme os sentidos nele presentes. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br a) Ou seja: paga-se mais por um carro médio com menos espaço, requinte e itens de conforto. b) Ou seja: paga-se a mesma coisa por um carro médio com mais espaço, requinte e itens de conforto. c) Ou seja: paga-se menos por um carro médio com menos espaço, requinte e itens de conforto. d) Ou seja: paga-se mais por um carro médio com mais espaço, requinte e itens de conforto. e) Ou seja: paga-se menos por um carro médio com mais espaço, requinte e itens de conforto. Questão 38) I. Elas não são mais feitas em locais precários, e sim em grandes estúdios onde há cuidado com a higiene. II. As técnicas se refinaram: há mais cores disponíveis, os pigmentos são de melhor qualidade e ferramentas como o laser tornaram bem mais simples apagar uma tatuagem que já não se quer mais. III. Vão longe, enfim, os tempos em que o conceito de tatuagem se resumia à velha âncora de marinheiro. IV. Nos últimos dez ou quinze anos, fazer uma tatuagem deixou de ser símbolo de rebeldia – de um estilo de vida “marginal”. Com relação aos períodos apresentados, assinale a alternativa incorreta. a) Em I, o pronome relativo onde equivale a nos quais. b) A norma culta da língua aceita perfeitamente a substituição, em III, de tempos em que por tempos onde. c) Em I, ocorreu concordância ideológica (silepse): o pronome Elas refere- se a tatuagem, do período anterior. d) Em III, o advérbio enfim corresponde a por fim. e) Em IV, o travessão e as aspas foram empregados para, respectivamente, destacar, com ênfase, a parte final do período, e acentuar o significado particular da palavra marginal. Questão 39) A metalinguagem está presente nestes versos de A Educação pela Pedra, de João Cabral de Melo Neto, exceto em: a) Certo poema imaginou que a daria a ver (sua pessoa, fora da dança) com o fogo. Porém o fogo, prisioneiro da fogueira, tem de esgotar o incêndio, o fogo todo; e o dela, ela o apaga (se e quando quer) ou o mete vivo no corpo: então, ao dobro. (MELO NETO, J. C. de. Dois P.S. a um poema. In: A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2008, p. 218) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br b) Catar feijão se limita com escrever: jogam-se os grãos na água do alguidar e as palavras na da folha de papel; e depois joga-se fora o que boiar. Certo, toda palavra boiará no papel, água congelada, por chumbo seu verbo: pois, para catar esse feijão, soprar nele, e jogar fora o leve e oco, palha e eco. (MELO NETO, J. C. de. Catar feijão. In: A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2008, p. 222) c) Durante as secas do Sertão, o urubu, de urubu livre, passa a funcionário. O urubu não retira, pois prevendo cedo que lhe mobilizarão a técnica e o tacto, cala os serviços prestados e diplomas, que o enquadrariam num melhor salário, e vai acolitar os empreiteiros da seca, veterano, mas ainda com zelos de novato: aviando com eutanásia o morto incerto, ele, que no civil quer o morto claro. (MELO NETO, J. C. de. O urubu mobilizado. In: A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2008, p. 209) d) Quando um rio corta, corta-se de vez o discurso-rio de água que ele fazia; cortado, a água se quebra em pedaços, em poços de água, em água paralítica. Em situação de poço, a água equivale a uma palavra em situação dicionária: isolada, estanque no poço dela mesma; e porque assim estanque, estancada; e mais: porque assim estancada, muda, e muda porque com nenhuma comunica, porque cortou-se a sintaxe desse rio, o fio de água por que ele discorria. (MELO NETO, J. C. de. Rios sem discurso. In: A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2008, p. 229-230) Questão 40) Leia a seguinte fala, extraída de uma peça teatral, e responda ao que se pede. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Odorico – Povo sucupirano! Agoramente já investido no cargo de Prefeito, aqui estou para receber a confirmação, ratificação, a autenticação e, por que não dizer, a sagração do povo que me elegeu. Dias Gomes. O Bem-Amado: farsa sócio-político-patológica em 9 quadros. a) A linguagem utilizada por Odorico produz efeitos humorísticos. Aponte um exemplo que comprove essa afirmação. Justifique sua escolha. b) O que leva Odorico a empregar a expressão “por que não dizer”, para introduzir o substantivo “sagração”? Questão 41) É sabido que as histórias de Chico Bento são situadas no universo rural brasileiro. a) Explique o recurso utilizado para caracterizar o modo de falar das personagens na tira. b) b) É possível afirmar que esse modo de falar caracterizado na tira é exclusivo do universo rural brasileiro? Justifique. Questão 42) Na charge abaixo, a temática do texto é revelada pelos traços da linguagem não-verbal e todo o contexto discursivo. Nesse sentido, pode-se depreender que: http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br ANGELI, Folha de São Paulo, 11 jun. 2003. I. A fala do personagem estabelece uma contradição entre o real e o imaginário. II. Os procedimentos de construção subjetiva do autor contribuem para referendar as condições de exclusão social. III. O discurso do personagem coloca em cena um enunciador que assume uma posição absurda, gerando um distanciamento marcado pelo contexto. IV. A fala irônica do enunciador revela o conflito instaurado pela posição social que o personagem ocupa. Analise as proposições acima, e marque a alternativa que corresponde às verdadeiras. a) II e IV, apenas b) I e II, apenas c) I, II e IV, apenas d) II e III, apenas e) I, II, III e IV Questão 43) Leia o texto. Cuidado com as palavras Uma moça se preparou toda para ir ao ensaio de uma escolade samba. Chegando lá, um rapaz suado pede para dançar e, para não arrumar confusão, ela aceita. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Mas o rapaz suava tanto que ela já não estava suportando mais. Assim, ela foi se afastando e disse: – Você sua, hein!!! Ele puxou-a, lascou um beijo e respondeu: – Também vô sê seu, princesa!!! (www.mundodaspiadas.com/arquivo/2006-2-1.html. Adaptado) a) Tendo como base a frase da moça, explique o que ela quis dizer e o que o rapaz entendeu. b) Explique, do ponto de vista fonológico, o que gerou a interpretação do rapaz. Questão 44) A frase correta, em termos de correção lingüística, coesão e coerência, é a) É importante preservar a mente aberta às mudanças e inovações; porque as melhores idéias surgem, com freqüência da diversidade. b) Coragem é necessária para mostrar idéias criativas; ao apresenta-las a outras pessoas, elas crescem, se transformam e assumem maior proporção. c) O instrutor sugeriu que mergulhássemos a cabeça no problema, que estudássemos ele e que, depois, desligássemos; de repente, encontraríamos a resposta a tanto esperada. d) A curiosidade, é um dos mais importantes combustíveis para a criatividade, é através dela que conseguimos vencer desafios impossíveis. e) Boas idéias são como sonhos: se não forem devidamente armazenadas, serão esquecidas e poderão perder-se para sempre. Questão 45) A utilização da função metalingüística da linguagem é um recurso comum às obras Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna e Meus poemas preferidos, de Manuel Bandeira, sabendo-se que tal recurso ocorre dentro dos respectivos gêneros literários. Marque, a seguir, a alternativa cujo fragmento textual NÃO comprova a afirmação acima: a) “O comentário musical da paisagem só podia ser o sussurro sinfônico da vida civil. No entanto o que ouço neste momento é um silvo agudo sagüim : (...) b) “ PALHAÇO É preciso mudar o cenário, para a cena do julgamento de vocês. Tragam o trono de Nosso Senhor! Agora a igreja vai servir de entrada para o céu e para o purgatório.(...)” http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br c) “Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário [ o cunho vernáculo de um vocábulo Abaixo os puristas Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais (...)” d) “Vede como primo Em comer hiatos! Que arte! E nunca rimo Os termos cognatos.” Questão 46) Em relação a este texto verbo-visual, assinale o que for correto. 01. A ironia que funda o gesto poético está, também, no título – sick transit. 02. Epígrafe e imagem são elementos dissociados no texto e na leitura do poema. 04. A interferência do poeta, colocando o "m" entre parênteses, possibilita leituras dessa relação: sobra, sombra, assombração. 08. O termo interditada, aposto a liberdade, indica seu impedimento, evidenciando um estado de absoluta supressão de direitos. Questão 47) Sentimental 1 Ponho-me a escrever teu nome Com letras de macarrão. No prato, a sopa esfria, cheia de escamas 4 e debruçados na mesa todos contemplam esse romântico trabalho. Desgraçadamente falta uma letra, http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 7 uma letra somente para acabar teu nome! — Está sonhando? Olhe que a sopa esfria! 10 Eu estava sonhando... E há em todas as consciências este cartaz amarelo: “Neste país é proibido sonhar.” ANDRADE, C. D. Seleta em Prosa e Verso. Rio de Janeiro: Record, 1995. Com base na leitura do poema, a respeito do uso e da predominância das funções da linguagem no texto de Drummond, pode-se afirmar que a) por meio dos versos “Ponho-me a escrever teu nome” (v. 1) e “esse romântico trabalho” (v. 5), o poeta faz referências ao seu próprio ofício: o gesto de escrever poemas líricos. b) a linguagem essencialmente poética que constitui os versos “No prato, a sopa esfria, cheia de escamas e debruçados na mesa todos contemplam” (v. 3 e 4) confere ao poema uma atmosfera irreal e impede o leitor de reconhecer no texto dados constitutivos de uma cena realista. c) na primeira estrofe, o poeta constrói uma linguagem centrada na amada, receptora da mensagem, mas, na segunda, ele deixa de se dirigir a ela e passa a exprimir o que sente. d) em “Eu estava sonhando...” (v. 10), o poeta demonstra que está mais preocupado em responder à pergunta feita anteriormente e, assim, dar continuidade ao diálogo com seus interlocutores do que em expressar algo sobre si mesmo. e) no verso “Neste país é proibido sonhar.” (v. 12), o poeta abandona a linguagem poética para fazer uso da função referencial, informando sobre o conteúdo do “cartaz amarelo” (v. 11) presente no local. Questão 48) Das frases abaixo, a única construção frasística aceita pela norma culta ou padrão da língua é: a) A negação do encontro entre a ministra e a secretária complicou o governo a nível de eleição. b) Haja vista os problemas ocorridos com o Senado, a ala oposicionista entrou com uma chuva de ações. c) O garoto detido pelo policial na "crackolândia" se defendeu: “Eu sou de menor”. d) Segundo o IBGE, o eletrodoméstico mais presente nos lares brasileiros é a TV a cores. e) A rede de lojas de eletrodomésticos faz entregas a domicílio também na Baixada Santista. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 49) Leia o fragmento abaixo. “Perdoai-me, senhora, aqui me tendes a vossos pés! tende pena de mim que eu sofri muito, que amei-vos, que vos amo muito! Compaixão! que serei vosso escravo, beijarei vossas plantas – ajoelhar-me-ei à noite à vossa porta, ouvirei vosso ressonar, vossas orações, vossos sonhos – e isso me bastará. – Serei vosso escravo e vosso cão, deitar-me-ei a vossos pés quando estiverdes acordada, velarei com meu punhal quando a noite cair: e se algum dia, se algum dia vós me puderdes amar – então! então!...”. AZEVEDO, Álvares de. Noite na taverna. Porto Alegre: L&PM, 2009. p. 69. O trecho acima constitui uma amostra de como a língua portuguesa era usada no século XIX e um exemplo de como a língua passa por transformações ao longo dos tempos. Levando em conta esses aspectos, a) Transcreva do trecho acima quatro formas linguísticas que hoje estão em desuso no português do Brasil. b) Reescreva o trecho “Perdoai-me, senhora, aqui me tendes a vossos pés! tende pena de mim que eu sofri muito, que amei-vos, que vos amo muito!”, substituindo as construções em desuso atualmente no Brasil por correspondentes contemporâneos e também de variedade padrão da língua. Questão 50) Assinale a alternativa que contenha uma oração que atenda à norma padrão da língua portuguesa: a) Funcionários e população em geral, temem pela ameaça que o novo produto representa para o meio ambiente, argumentando que a ciência tem desconsiderado, cada vez mais, a ecologia. b) As decisões internas influênciam o público externo, o que impõe sobre os gestores grande responsabilidade social. c) A perca da memória em certos casos é irreversível, podendo levar o paciente à total invalidade. d) A natureza, muito embora alguns insistam em contestar – exaustivamente – , tem dado boas respostas aos exacerbados atos humanos contra ela, haja vista os recentes desastres naturais ocorridos pelo mundo. e) Diante de tamanha demonstração de poder e, ao mesmo tempo, de incompetência, resta perguntar até onde vai essa cultura instaurada da impunidade? http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 51) OS DEGRAUS Não desças os degraus do sonho Para não despertar os monstros. Não subas aos sótãos - onde Os deuses, por trás das suas máscaras, Ocultam o próprio enigma. Não desças, não subas, fica.O mistério está é na tua vida! E é um sonho louco este nosso mundo... (Disponível em: http://www.fabiorocha.com.br/ mario.htm. Acesso em 10/05/10.) Observando o verso “O mistério está é na tua vida!”, do poema de Mario Quintana, pode-se concluir que a) há um erro gramatical, pois o vocábulo “é” não tem qualquer função. b) há duas orações com o mesmo sujeito. c) o vocábulo “é” tem a função de dar ênfase ou reforço ao enunciado. d) há um erro gramatical, pois existem dois verbos e uma única oração. e) não há erro, pois a construção representa uma “licença poética”. Questão 52) Conexões entre a realidade que percebemos e figuras geométricas, cores e palavras são resultado de como vemos e interpretamos o mundo. A série de charges do cartunista Chico, publicada em O Globo, de 12 a 16 de junho de 2009, faz uma reflexão crítica sobre a crise política no Senado, segundo uma composição de quadrados e retângulos em uma conjugação de cores e palavras. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Pode-se afirmar sobre as conexões entre figuras geométricas, cores e palavras que: a) na charge número 1, os aspectos não verbais (quadrado maior/cor preta) vinculados à palavra produzem, pela metáfora (“a coisa está ficando mais preta”), pela pergunta retórica e pelo emprego do pronome “nossa”(inclusão do leitor) uma constatação do agravamento da situação vivida no Senado. b) na charge número 2, os aspectos não verbais (a cor cinza em um retângulo) se associa, pela metonímia, à locução verbal “vai chover” indicativa de um fato inesperado nas relações entre o Senado e o Palácio do Planalto. c) na charge número 3, a expressão coloquial “sujou” compõe com os aspectos não verbais (a cor marrom escura e um retângulo) uma sugestão visual da ampliação do problema e uma imagem concreta do desfecho da crise no Senado. d) na charge número 4, os aspectos não verbais (cor amarela/quadrado) vinculados à pergunta e à expressão enfática “o sol nascer quadrado” apontam, pela construção linguística, o crime de injúria e difamação contra a autoridade constituída. e) na charge número 5, a expressão “Praia dos Calheiros em plena Baixa- Renânia” indica, pela ironia, vinculada a aspectos não verbais (cor flicts/quadrado), uma postura séria, honesta, definida do Senado. Questão 53) Leia o fragmento de texto abaixo. O sertão abria-se naquela manhã de junho festivo, na glória fecunda das ondulações verdes, sombreado aqui pelas restingas das matas, escalonado mais além pelas colinas aprumadas, a varar o céu azul com suas aguilhadas de ouro; batuíras e xenxéns chalravam nas embaúbas digitadas dos grotões; e um sorvo longo de vida e contentamento errava derredor, no catingueiro roxo dos serrotes, emperolado da orvalhada, a recender acre, e nas abas dos montes e encruzilhadas, onde preás minúsculos e calangos esverdinhados retouçavam familiares, ao esplendor crescente do dia. Hugo de Carvalho Ramos in Tropas e Boiadas. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Em relação à linguagem empregada pelo autor no fragmento de texto apresentado acima, é CORRETO afirmar que: a) Para obter maior realismo em seu relato, o autor utiliza uma linguagem rebuscada, carregada de figuras de linguagem como hipérboles, antíteses e paradoxos, característica marcante do estilo barroco. b) Ao empregar expressões como “a varar o céu azul com suas aguilhadas de ouro”, “emperolado da orvalhada, onde preás minúsculos”, e “calangos esverdinhados retouçavam familiares”, o autor procura separar a pintura da paisagem do cotidiano do sertanejo. c) As imagens poéticas construídas pela linguagem do texto não demonstram integração artística entre pensamento e expressão, pois não há envolvimento do narrador com os fatos que relata, nem relação deles com a vida no sertão. d) Pela leitura do fragmento, pode-se depreender que a extensão dos segmentos fraseológicos obtida pelo emprego dos adjetivos tem como objetivo a busca pela fidelidade na descrição da paisagem. e) As imagens poéticas criadas pelo retouçar dos “preás minúsculos” e dos “calangos esverdinhados” pelas “abas dos montes e encruzilhadas” ao esplendor do dia remetem ao leitor à estética romântica, da qual Hugo de Carvalho Ramos foi um de seus maiores expoentes. Questão 54) Considerando a relação entre os excertos abaixo, marque a alternativa CORRETA: Texto 01 O caipira pousou a braçada de lenha encostada à cerca do roçado; passou a perna por cima e pulando do outro lado, as alpercatas de couro cru a pisar forte o espinharal ressequido que estralejava, entranhou-se pelo grotão – nesses dias sem pinga d‘água – galgou a barroca fronteira e endireitou rumo da maria-preta, que abria ao mormaço crepuscular da tarde a galharada esguia, toda tostada desde a época da queima pelas lufadas de fogo que subiam da malhada. Hugo de Carvalho Ramos in Tropas e Boiadas. Texto 02 “O empresário Wilmar Bastos, um dos trinta proprietários de chácaras situadas às margens do Lago do Lageado, atingidas por incêndio nestes últimos três dias, disse que um verdadeiro desastre ecológico aconteceu no local, tendo consumido (sic), só na sua propriedade, 36 hectares de Cerrado.” ‘Nós fizemos um levantamento e eu vi que jabutis, iguanas, preás, diversos tipos de aves e ninhais foram consumidos pelo fogo‘, relatou. (...) Segundo ele, o fogo destruiu plantações de mandioca, mamão e cajueiros nativos e de várias outras plantações lá existentes. (...) ‘Eu lamento que isso http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br configura a falta de gestão, de manejo correto, da falta de instrumentos do poder público para combater incêndios. É a prova de que não há educação ambiental. Não existe nenhum cuidado para a preservação do meio ambiente…‘” (Jornal do Tocantins, 14 de setembro de 2010, Ano 31 – nº. 5.000, p. 10) a) Pela leitura dos textos, pode-se perceber que ambos fazem referência às queimadas, por isso, do ponto de vista estrutural e linguístico, os textos pertencem ao mesmo gênero e servem aos mesmos propósitos comunicativos. b) Em relação ao texto 1, pode-se afirmar que o autor utilizou-se da linguagem subjetiva, conforme se observa em expressões como “galharada esguia” e “lufadas de fogo”, perdendo com isso o compromisso com a informação, característica do texto 2. c) O descontentamento com a destruição da natureza demonstrado por Wilmar Bastos no trecho “é a prova de que não há educação ambiental. Não existe nenhum cuidado para a preservação do meio ambiente.” (texto 2), pode ser observado também pela voz do caipira na frase “galgou a barroca fronteira e endireitou rumo da maria-preta (...) toda tostada (...) pelas lufadas de fogo…” (texto 1). d) Pela natureza do gênero a que pertencem e pelas características da linguagem, pode-se afirmar que o texto 1 é um texto não literário e o texto 2 é um texto literário, porque não se utiliza da linguagem conotativa e sua principal finalidade é a informação. e) Em virtude do tempo que separa os dois textos e das diferenças de perspectivas, a reportagem sobre as queimadas no cerrado tocantinense não dialoga com o conto de Hugo de Carvalho Ramos, por demonstrar maior consciência na relação do homem com a natureza. Questão 55) Leia o texto. A nossa instrução pública cada vez que é reformada, reserva para o observador surpresas admiráveis. Não há oito dias, fui apresentado a um moço, aí dos seus vinte e poucos anos, bem posto em roupas, anéis, gravatas, bengalas, etc. O meu amigo Seráfico Falcote, estudante, disse-me o amigo comum que nos pôs em relações mútuas. O Senhor Falcote logo nos convidou a tomar qualquer coisa e fomos os três a uma confeitaria. Ao sentar-se, assim falou o anfitrião:– Caxero traz aí quarqué cosa de bebê e comê. Pensei de mim para mim: esse moço foi criado na roça, por isso adquiriu esse modo feio de falar. Vieram as bebidas e ele disse ao nosso amigo: – Não sabe Cunugunde: o véio tá i. O nosso amigo comum respondeu: – Deves então andar bem de dinheiros. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br – Quá ele tá i nós não arranja nada. Quando escrevo é aquela certeza. De boca, não se cava... O véio óia, óia e dá o fora. (...) Esse estudante era a coisa mais preciosa que tinha encontrado na minha vida. Como era ilustrado! Como falava bem! Que magnífico deputado não iria dar? Um figurão para o partido da Rapadura. O nosso amigo indagou dele em certo momento: – Quando te formas? – No ano que vem. Caí das nuvens. Este homem já tinha passado tantos exames e falava daquela forma e tinha tão firmes conhecimentos! O nosso amigo indagou ainda: – Tens tido boas notas? – Tudo. Espero tirá a medáia. (Lima Barreto. Quase doutor.) a) Tendo em vista o conceito contemporâneo de variação linguística, que ensina a considerar de maneira equânime as diferentes formas do discurso, avalie a atitude do narrador em relação à personagem Falcote, expressa na seguinte frase: (...) esse moço foi criado na roça, por isso adquiriu esse modo feio de falar. b) Reescreva na norma-padrão – Caxero traz aí quarqué cosa de bebê e comê e em seguida transcreva um trecho da crônica em que se manifesta a atitude irônica do narrador. TEXTO: 1 - Comum à questão: 56 UM SONHO DE SIMPLICIDADE Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que procurar a voz de mulher na penumbra ou os amigos no bar para dizer coisas vãs, brilhar um pouco, saber intrigas? Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido para amarrar ao pescoço. A vida bem poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida simples, mulher, quê mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava a água fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de evasão, meu trago de cachaça. Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele velho caboclo do Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barraca, no meio do mato e, chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei, numa grande rede branca - foi um carinho ao longo de todos os músculos cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes distantes de animais noturnos. Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas para quê, essa eterna curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas? Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas... Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa. Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, um número... Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota de nada, precisamos apenas viver - sem nome, nem número, fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão. (BRAGA, Rubem. In: 200 crônicas escolhidas, 3 ed. Rio de Janeiro: Record, 1979. p.262-3.) Questão 56) …“A gente tinha ido pescar no rio, de noite.”… As construções prestigiadas pela norma culta que correspondem àquela grifada no enunciado, sem alteração fundamental do sentido do texto, são: a) nós fôramos / nós havíamos ido. b) nós fomos / nós íamos. c) a gente foi / a gente fora. d) nós iríamos / nós haveríamos de ir. e) nós fôssemos / nós formos. TEXTO: 2 - Comum à questão: 57 CIDADE DE DEUS Barracos de caixas de tomate, madeiras de lei, carnaúba, pinho-de-riga, caibros cobertos, em geral, por telhas de zinco ou folhas de compensados. Fogueiras servindo de fogão para fazer o mocotó, a feijoada, o cozido, o http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br vatapá, mas, na maioria das vezes, para fazer aquele arroz de terceira grudado, angu duro ou muito ralo, aqueles carurus catados no mato, mal lavados, ou simplesmente nada. Apenas olhares carcomidos pela fome, em frente aos barracos, num desespero absoluto e que por ser absoluto é calado. Sem fogueira para esquentar ou iluminar como o sol, que se estendia por caminhos muitas vezes sem sentido algum para os que não soltavam pipas, não brincavam de pique-pega e não se escondiam num pique- esconde. Os abismos têm várias faces e encantam, atraem para o seu seio como as histórias em quadrinhos que chegavam ao morro compradas nas feiras da Maia Lacerda e do Rio Comprido, baratas como a tripa de porco que sobrava na casa do compadre maneiro que nem sempre era compadre de batismo. Era apenas o adjetivo, usado como substantivo, sinônimo de uma boa amizade, de um relacionamento que era tecido por favores, empréstimos impagáveis e consideração até na hora da morte. São as pessoas nesse desespero absoluto que a polícia procura, espanca com seus cassetetes possíveis e sua razão impossível, fazendo com que elas, com seus olhares carcomidos pela fome, achem plausíveis os feitos e os passos de Pequeno e de sua quadrilha pelos becos que, por terem só uma entrada, se tornam becos sem saídas, e achem, também, corriqueira essa visão de meia cara na quina do último barraco de cada beco de crianças negras ou filhas de nordestinos, de peito sem proteção, pé no chão, shorts rasgados e olhar já cabreiro até para o próprio amigo, que, por sua vez, se tornava inimigo na disputa de um pedaço de sebo de boi achado no lixo e que aumentaria o volume da sopa, de um sanduíche quase perfeito nas imediações de uma lanchonete, de uma pipa voada, ou de um ganso dado numa partida de bola de gude. Lá ia Pequeno, senhor de seu desejo, tratando bem a quem o tratava bem, tratando mal a quem o tratava mal e tratar mal era dar tiros de oitão na cabeça para estuporar os miolos. Os exterminadores pararam na tendinha do Zé Gordo para tomar uma Antarctica bem gelada, porque esta era a cerveja de malandro beber. Pequeno aproveitou para perguntar pelos amigos que fizera no morro, pelas tias que faziam um mocotó saboroso nos sábados à tarde, pelos compositores da escola. - Qualé, Zé Gordo, se eu te der um dinheiro, tua mulher faz um mocotó aí pra gente? - Então, meu cumpádi! Pequenodeu a quantia determinada pela esposa de Zé Gordo, em seguida retornaram à patrulha que faziam. (LINS, Paulo. Cidade de Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.) Questão 57) No segundo parágrafo do texto Cidade de Deus, há um comentário sobre os sentidos e as possíveis classificações gramaticais da palavra compadre. Nesse trecho, o narrador recorreu à função da linguagem denominada: http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br a) poética b) conativa c) referencial d) metalingüística TEXTO: 3 - Comum às questões: 58, 59 País imenso, o Brasil bem que podia ter se fragmentado em diversos Estados [...]. No entanto, permaneceu unitário, provavelmente em conseqüência da escravidão, base da organização brasileira. Apesar de toda a diversidade social e cultural de suas regiões, a identidade nacional foi sendo moldada e alguns mitos foram sendo construídos como símbolos dessa unidade. Um desses mitos, que completou 80 anos no mês passado, foi a Semana de Arte Moderna de São Paulo, em 1922. Desde cedo, na escola, aprendemos que a literatura brasileira do século XX é um vasto campo composto de modernismo, modernismo e modernismo, tudo antecedido de pré-modernismo e vagamente seguido de pós-modernismo. Não é bacana, singelo e econômico? É um pavor, do ponto de vista crítico. Fica parecendo que tudo o que vale na produção da literatura brasileira ou canta pela pauta modernista, ou pode tirar suas esperanças do sol – porque não entrará na escola, no vestibular, na compra de livros para a biblioteca. Traduzindo em miúdos: levando a sério a absoluta dominância modernista, só tem valor a literatura arrojada, de vanguarda, experimental em forma e em tema, que revire ou pareça revirar a identidade nacional eternamente pelo avesso e contradite tudo o que for ou parecer conservador. Se um autor escrever romance de feição tradicional, se compuser teatro não-agressivo, se sua poesia dialogar com a tradição clássica, se seu conto não fizer careta para a platéia, esquece. Escritores que não rezam pela cartilha modernista e, ainda por cima, freqüentam tema local, fora de São Paulo e do Rio de Janeiro, padecem do estranho problema de escreverem e serem lidos, mas não recebem validação por parte de críticos e professores. De onde nasceu isso? […] Um país deste tamanho tem uma riqueza imensa justamente em sua variedade musical, lingüística e literária também. Por isso é que precisamos passar em revista a supercentralidade do Modernismo paulista na descrição de nossa história cultural e, particularmente, na validação crítica da literatura – a favor de todas as vozes disponíveis, que não são ouvidas apenas porque nosso ouvido não aprendeu. Mas bem que pode. (Augusto L. Fischer. Revista Superinteressante, março/2002) Questão 58) Considerada a norma culta vigente, há ERRO no emprego do pronome relativo em: a) É preciso rever o Modernismo, a que todos aderiram. b) O Modernismo de que a escola nos fala tornou-se um mito. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br c) Ficaram esquecidos aqueles autores que as obras não são modernistas. d) O Brasil é um país em que se vem perdendo a diversidade cultural. e) Há uma outra cultura brasileira, que a escola não ensina. Questão 59) O emprego do verbo em destaque é próprio do uso oral coloquial da língua em: a) que completou 80 anos no mês passado b) porque não entrará na escola c) Traduzindo em miúdos d) se seu conto não fizer careta para a platéia, esquece e) que não rezam pela cartilha do Modernismo TEXTO: 4 - Comum à questão: 60 I) Aproveite o Dia Mundial da Aids e faça um cheque ao portador. Bradesco, Ag. 093-0, C/C 076095-1. (Agência Norton) lI) Bi Bi - General Motors: duas vezes bicampeã do carro do ano. (Agência Colucci e Associados) Questão 60) Nos anúncios, os publicitários utilizaram recursos gramaticais diferentes para possibilitar, ao menos, duas leituras. Aponte o tipo de recurso utilizado em cada um desses anúncios, respectivamente, a) sintático, pela função de adjunto adnominal de “ao portador”, e fonético, pela exploração da repetição de som. b) semântico, pela polissemia do termo “cheque”, e sintático, pela elipse do verbo de ligação “ser”. c) morfológico, pela utilização de sigla, e fonético, pela exploração da repetição de som. d) semântico, pela polissemia de “portador”, e morfológico, pela formação de palavra por prefixação. e) sintático, pela elipse de um termo, e morfológico, pela exploração de um prefixo latino. TEXTO: 5 - Comum à questão: 61 Não é raro ouvirmos que alguém “subiu lá em cima” ou “saiu lá fora”. Certamente, reconhecemos tais formas como viciosas, e, muitas vezes, elas se transformam em motivo de riso. No nível culto da língua, são inadmissíveis. Que pensar de alguém que tenha sofrido uma “hemorragia de sangue” ou participado de um “plebiscito popular”? A esse tipo de construção chamamos pleonasmo, palavra grega que significa superabundância. (Folha de S. Paulo. Pleonasmo: “vício” ou estilo?. Thaís Nicoleti de Camargo). http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 61) Responda para cada um dos itens indicando V ou F conforme seja verdadeira ou falsa a afirmação ( ) Tais formas, refere-se às expressões “Subiu lá em cima” e “saiu lá fora”. ( ) Elas, refere-se a expressões “hemorragia de sangue” e “plebiscito popular”. ( ) Formas como “ hemorragia de sangue” e “plebiscito popular”, são pleonasmos. ( ) Os dois primeiros períodos do texto afirmam que o brasileiro usa formas lingüísticas condenadas pela língua culta. a) V - F - V - V b) V - V - F - F c) F - V - F - V d) V - V - F - V e) V - F - V – F TEXTO: 6 - Comum à questão: 62 Querido José Escrevo-te estas poucas linhas para recordar o passado entre nós dois, José desde aquele dia em que me encontrei com você na praça Tiradentes e depois você não veio mais falar comigo, eu fiquei muito triste mas não deixei de pensar em ti, (...) peço que venha falar comigo, que daí nós se acertamos, eu quero ser feliz com você, é triste a gente andar como cigana, jogada de um canto a outro, estarei morta para teu coração ? (...) sou tua na expressão da verdade Maria. P. S. Tenho certeza que desculpas a minha letra, bem sabes que sou quase analfabeta. A mesma. Dalton Trevisan Questão 62) No contexto da carta, o uso de certas expressões como Escrevo-te estas poucas linhas, estarei morta para teu coração?, sou tua na expressão da verdade, A mesma sugere que a personagem: a) utiliza a linguagem acadêmica, típica das cartas de amor, para dissimular seus sentimentos. b) utiliza clichês, acreditando estar usando linguagem culta adequada ao gênero epistolar. c) usa linguagem terna e carinhosa para enganar o namorado. d) quer aproximar a língua escrita da língua falada. e) escreve de forma irônica a fim de ridicularizar José. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 7 - Comum à questão: 63 TEXTO 3 1Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os 2olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. (...) 3Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma 4aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam 5a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de 6uns cinco palmos (...); os homens, esses não se preocupavam em não 7molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e 8esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra 9as palmas da mão. (...) O Cortiço Aluísio azevedo Questão 63) No trecho ... e o cortiçoacordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. (ref. 1 e 2), a linguagem é conotativa e é entendida: a) de acordo com as experiências de cada um. b) conforme aparece nos dicionários. c) da mesma forma para todas as pessoas. d) no seu sentido real, objetivo. e) por todas as pessoas que falam a mesma língua. TEXTO: 8 - Comum à questão: 64 No romance Quincas Borba, a personagem Quincas Borba, para ilustrar sua teoria filosófica – Humanitas – conta a Rubião o episódio da morte da avó. Examine-se o excerto: – Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta contar-te como morreu minha avó.(...) Foi no Rio de Janeiro, (...) defronte da Capela Imperial, (...); minha avó saiu, atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a esperava no Largo do Paço. Gente como formiga. (...) No momento em que minha avó saía do adro (...) aconteceu espantar-se uma das bestas de uma sege: a besta disparou, a outra imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu, e tanto as mulas como a sege passaram-lhe em cima. (...); expirou minutos depois. (...) Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente desejoso de entender; mas não dava pela necessidade a que o amigo atribuía a morte da avó. Seguramente o dono da sege, por muito tarde que chegasse a casa, não morria de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e para sempre. Explicou-lhe como pôde, essas dúvidas, e acabou perguntando-lhe: – E que Humanitas é esse? – Humanitas é o princípio (...) Assim lhe chamo porque resume o universo, e o universo é o homem. Vais entendendo? http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 64) Em “atravessou o adro, para ir à cadeirinha, uma das bestas da sege” os vocábulos em destaque são: a) variedades de língua falada cujo fator determinante é o espaço físico. b) variedades de língua que configuram uma perspectiva histórica. c) variedades que representam a situação social em que as personagens se encontram. d) variedades do nível formal, ligadas à formação cultural das personagens. e) registros de variedade popular ressaltada pelo escritor Machado de Assis. TEXTO: 9 - Comum à questão: 65 DEIXEM JESON EM PAZ André Petry Sou a favor da legislação da eutanásia. É uma louvável alternativa que o homem encontrou para morrer com dignidade, para evitar o suplício das dores vãs. Mesmo assim, mesmo defendendo que a eutanásia seja um direito disciplinado na lei brasileira, eu precisaria ser louco para apontar o dedo, atirar uma pedra ou escrever uma linha que fosse contra a atitude de Rosemara dos Santos Souza, a mãe de Jhéck Breener de Oliveira, que luta para impedir que seu filho seja submetido à eutanásia. O pequeno Jhéck, 4 anos, está num leito de UTI, vítima de uma doença degenerativa irreversível. Já perdeu a fala, a visão, o movimento dos braços e pernas, alimentase por meio de sonda e respira com ajuda de aparelhos. A luta de Rosemara merece respeito e, onde quer que ela apareça, assim tem sido. A luta de Jeson de Oliveira, o pai de Jhéck, também deveria ser respeitada. Mas é nesse ponto que a história se complica. Jeson queria pedir à Justiça que seu filho fosse submetido à eutanásia. Ele não suporta ver o seu filho preso a uma cama, inerte, morto para a vida, sem andar de bicicleta, tomar um sorvete, apontar pra Lua, desenhar um elefante, bater palmas, sorrir. E o que se fez com esse pobre homem? Não lhe deram uma lasca de respeito. Jeson foi hostilizado, xingado, difamado. Foi acusado de assassino, de querer matar o próprio filho! Jeson pensou até em se mudar de Franca, a cidade paulista onde mora e onde seu filho está internado, porque já não podia caminhar na rua em paz. Ceifaramlhe o direito de ir à Justiça. Questionaramlhe até a sanidade mental, sugerindo que procurasse tratamento psiquiátrico forma maliciosa de sugerir que a eutanásia é coisa de gente mentalmente perturbada. Jeson, afinal, desistiu de tentar a eutanásia do filho. “Desisto oficial e definitivamente. Quero dar chances à mãe e estou entregando meu filho a Deus”, disse ele, numa entrevista, na véspera do feriado de 7 de setembro. O pai de Jhéck, claro, tem todo o direito de mudar de idéia (e, pessoalmente, saúdo que tenha conseguido dominar seu sofrimento para ceder à vontade da mãe de Jhéck). http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br O dado repugnante é a intolerância da qual foi vítima. Jeson virou a Geni da Franca, só faltou ser apedrejado nas ruas. Os adversários da eutanásia religiosos dogmáticos, em geral não lhe deram o direito sequer de pensar em voz alta. É coisa própria das mentalidades entrevadas, dos que se sentem ungidos por forças superiores, dos que cevam suas idéias como se fossem bens supremos, perfeitos, inatacáveis. Aos religiosos dogmáticos e intolerantes em geral, aos que sacralizam suas idéias e acham que sabem tudo na vida e do sofrimento, aqui vai um apelo: deixem o Jeson em paz! Ele já sofre o bastante com um filho que perdeu a liberdade de viver para tornarse um prisioneiro da vida. A eutanásia, caros intolerantes, pode ser, sim, um ato de amor. Revista Veja, 140905 Questão 65) É um exemplo da função metalingüística no texto: a) ”Desisto oficial e definitivamente.” b) ”...saúdo que tenha conseguido dominar seu sofrimento...” c) ”Jeson queria pedir à justiça que seu filho fosse submetido à eutanásia.” d) ”É uma louvável alternativa que o homem encontrou para morrer com dignidade...” TEXTO: 10 - Comum à questão: 66 Contrata-se mulheres de 20 a 35 anos, para confecção de roupas. Apresentar-se a Seção de Pessoal, trazendo documentos e prova de habilidade em costura, entre os dias 10 e 20 deste mês, período da manhã, exceto sábado e domingo. Questão 66) Há, no cartaz, duas transgressões à norma culta. Identifique os deslizes e reescreva corretamente cada um dos segmentos em que ocorrem. TEXTO: 11 - Comum à questão: 67 http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br (QUINO. Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 1992.) Questão 67) Histórias em quadrinhos costumam reproduzir o modo de falar espontâneo dos personagens. Na reprodução da fala de um dos personagens, constata-se um desvio em relação à norma culta da língua em: a) “Conhece a ti mesmo” b) “Mas hoje não estou com vontade de ficar fazendo turismo dentro de mim” c) “Não vou parar enquanto não conhecer a mim mesmo e saber como eu sou de fato!! d) “Meu Deus, e se eu não gostar de mim?” http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 12 - Comum à questão: 68 (Lor, Os desmandamentos) Questão 68) Assinale a alternativa em que a citação das falas das personagens, completando a frase abaixo, tem redação de acordo com a norma padrão. Respondendo à professora, os alunos afirmaram que todos os trabalhadores a) são igualmente desrespeitados, que empregos e vantagens deve existir só para os irmãos e parentes, mas que ninguém vai preso por isso. b) foram igualmente desrespeitados, que empregos e vantagens existiu só para os irmãos e parentes, mas que ninguém ia preso por isso. c) eram igualmente desrespeitados, que empregos e vantagens havia só para os irmãos e parentes, mas que ninguém ia preso por isso. d) são igualmente desrespeitados, que empregos e vantagens devem haver só para os irmãos e parentes, mas que ninguém vai preso por isso. e) eram igualmente desrespeitados, que empregos e vantagens haviam só para os irmãos e parentes, mas que ninguém foi preso por isso. TEXTO: 13 - Comum à questão: 69 TEXTO 1: POR UM POUCO DE LIMITES Lya Luft. Revista Veja, 14 de junho de 2006 (adaptação). 1Sempre que devo falar em educação procuro não parecer cética,mas me lembro do que 2dizia um velho e experiente professor: “Se numa turma de quarenta alunos faço um aprender 3a pensar, me dou por satisfeito”. 4Das coisas boas que me marcaram, uma foram os limites sensatos, outra, a autoridade 5bondosa. Nada a ver com autoritarismo, desrespeito ou controle abusivo. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 6O colégio era severo, não cruel. Estudava-se muito. 7Muito de psicologia mal interpretada nos mostrou pelos anos 60 que não dá para 8traumatizar crianças e jovens: eles têm que aprender brincando. Esqueceu-se que a vida não 9é brincadeira e que o colégio – como a família – deveria nos preparar para ela. 10Um pouco de ordem na infância e na adolescência – em casa, na escola e na sociedade 11em geral – ajudaria a aliviar a perplexidade e angústia dos jovens. Respeito deveria ser algo 12natural e geral, começando em casa, onde freqüentemente as crianças comandam o 13espetáculo. 14O exemplo vem de cima, e nisso estamos mal. Corrupção e impunidade são o modelo que 15se nos oferece publicamente. Se os pais pudessem instaurar uma ordem em casa – amorosa, 16mas firme - dando aos filhos limites e sentido, respeitando o fato de estarem em formação, 17estariam sendo melhores do que agindo de forma servil ou eternamente condescendente. 18Aliás, em casa começaria o melhor currículo, a melhor ferramenta para a vida: respeitar, 19enxergar e questionar. Nem calar a boca, como antigamente, nem gritar, bagunçar ou 20ofender: dialogar, comunicar-se numa boa, com irmãos, pais e outros. Isso estimularia a 21melhor arma para enfrentar o tsunami de informações, das mais positivas às mais loucas, que 22enfrentamos todos os dias: discernimento. 23O resto, meus caros, pode vir depois: com todas as teorias, nomenclaturas, 24“modernidades” e instrumentação. É ornamento, é detalhe, pouco serve para quem não 25aprendeu a analisar, ler, concentrar-se, argumentar e ser um cidadão integrado e firme no 26caótico e admirável mundo nosso. Questão 69) Tomando como referência a norma padrão da língua, assinale a alternativa em que a reescritura do parágrafo não fere a estrutura lingüística – a norma padrão da língua – nem altera o sentido global do enunciado. O resto, meus caros, pode vir depois: com todas as teorias, nomenclaturas, “modernidades” e instrumentação. É ornamento, é detalhe, pouco serve para quem não aprendeu a analisar, ler, concentrar-se, argumentar e ser um cidadão integrado e firme no caótico e admirável mundo nosso. a) Meus caros, o resto pode vir depois: com todas as teorias, nomenclaturas, “modernidades”, instrumentação. É ornamento é detalhe, e pouco serve, para quem não aprendeu a: analisar, ler, concentrar-se, argumentar, e ser um cidadão integrado e firme no nosso caótico e admirável mundo. b) O resto, meus caros, pode vir depois com: todas as teorias, nomenclaturas, “modernidades”, e instrumentação. É ornamento, é detalhe, mas pouco serve para quem não aprendeu a analisar, ler, a concentrar-se, argumentar e ser um cidadão integrado e firme no caótico e admirável mundo nosso. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br c) O resto pode vir depois, meus caros, com todas as teorias, nomenclaturas, “modernidades” e instrumentação. É ornamento, é detalhe e pouco serve para aquele que não aprendeu a analisar, ler, concentrar-se, argumentar ou ser um cidadão firme e integrado no nosso mundo caótico e admirável. d) O resto, meus caros, pode vir, depois: com todas as teorias nomenclaturas, “modernidades”, e instrumentação. É ornamento, é detalhe, ou pouco serve para quem não aprendeu a analisar, ler, concentrarse, argumentar e é um cidadão integrado e firme no caótico, e admirável mundo nosso. e) O resto, pode vir depois, meus caros: com todas as teorias, nomenclaturas; “modernidades” e instrumentação. É ornamento, ou detalhe, mas não serve para quem não aprendeu a analisar, ler, concentrarse, argumentar e ser um cidadão integrado e firme no caótico e admirável mundo nosso. TEXTO: 14 - Comum à questão: 70 ESCOLA DA PONTE 61 Rubem Alves Imagino que você, que procura minhas crônicas aos domingos, deve estar cansado. Pois esse é o quinto domingo em que falo sobre a mesma coisa. Pessoas que falam sempre sobre as mesmas coisas são chatas. Além do que, essa insistência em uma coisa só é contrária ao estilo de crônicas. Crônicas, para serem gostosas, devem refletir a imensa variedade da vida. Um cronista é um fotógrafo. Ele fotografa com palavras. Crônicas são dádivas aos olhos. Ele deseja que os leitores vejam a mesma coisa que ele viu. Se normalmente não sou chato, deve haver alguma razão para essa insistência em fotografar uma mesma coisa. Quem fotografa um mesmo objeto repetidas vezes deve estar apaixonado. Comporta-se como os fotógrafos de modelos, clic, clic, clic, clic, clic...: dezenas, centenas de fotos, cada uma numa pose diferente! Um dos meus pintores favoritos é Monet. Pois ele fez essa coisa insólita: pintou um monte de feno muitas vezes. [...] Pois estou fazendo com as minhas crônicas o que Monet fez: ele, diante do monte de feno; eu, diante de uma pequena escola por que me apaixonei – pois ela é a escola com que sempre sonhei sem ter sido capaz de desenhar. Nunca fui professor primário. Fui professor universitário. O Vinícius, descrevendo a bicharada saindo da Arca de Noé, disse: ‘Os fortes vão na frente tendo a cabeça erguida e os fracos, humildemente, vão atrás, como na vida...’ Pois é exatamente assim que acontece na ‘Arca de Noé’ dos professores: os professores universitários vão na frente tendo a cabeça erguida, e os primários, humildemente, vão atrás, como na vida... Professor universitário é doutor, cientista, pesquisador, publica em revistas internacionais artigos em inglês sobre coisas complicadas que ninguém mais http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br sabe e são procurados como assessores de governo e de empresas. Professor primário é professor de 3ª classe, não precisa nem ter mestrado e nem falar inglês, dá aulas para crianças sobre coisas corriqueiras que todo mundo sabe. Crianças – essas coisinhas insignificantes, que ainda não são... Haverá atividade mais obscura? Professores universitários gostam das luzes do palco. Professores primários vivem na sombra...[...] A velhice me abriu os olhos. Quando se chega no topo, quando não há mais degraus para subir, a gente começa a ver com uma clareza que não se tinha antes. ‘Tenho a lucidez de quem está para morrer’, dizia Fernando Pessoa na Tabacaria. Fiquei lúcido! E o que eu vi com clareza foi o mesmo que viu Joseph Knecht, o personagem central do livro de Hesse O Jogo das Contas de Vidro: depois de chegar no topo percebeu o equívoco. E surgiu, então, o seu grande desejo: ensinar uma criança, uma única criança que ainda não tivesse sido deformada (essa é a palavra usada por Hesse) pela escola. Também eu: quero voltar para as crianças. A razão? Por elas mesmas. É bom estar com elas. Crianças têm um olhar encantado. Visitando uma reserva florestal no estado do Espírito Santo, a bióloga encarregada do programa de educação ambiental me disse que é fácil lidar com as crianças. Os olhos delas se encantam com tudo: as formas das sementes, as plantas, as flores, os bichos. Tudo, para elas, é motivo de assombro. E acrescentou: ‘Com os adolescentes é diferente. Eles não têm olhos para as coisas. Eles só têm olhos para eles mesmos...’ Eu já tinha percebido isso. Os adolescentes já aprenderam a triste lição que se ensina diariamente nas escolas: aprender é chato. O mundo é chato. Os professores são chatos. Aprender, só sob ameaça de não passar no vestibular. Por isso quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados. Seus olhos são dotados daquela qualidadeque, para os gregos, era o início do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal. Tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, um ninho de guacho, uma concha de caramujo, o vôo dos urubus, o zinir das cigarras, o coaxar dos sapos, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Dessas coisas, invisíveis aos eruditos olhos dos professores universitários (eles não podem ver, coitados. A especialização os tornou cegos como toupeiras. Só vêem dentro do espaço escuro de suas tocas. E como vêem bem!), nasce o espanto diante da vida; desse espanto, a curiosidade; da curiosidade, a fuçação (essa palavra não está no Aurélio!) chamada pesquisa; dessa fuçação, o conhecimento; e do conhecimento, a alegria! Pensamos que as coisas a serem aprendidas são aquelas que constam dos programas. Essa é a razão por que os professores devem preparar seus planos de aula. Mas as coisas mais importantes não são ensinadas por meio de aulas bem preparadas. Elas são ensinadas inconscientemente. Bom seria que os educadores lessem ruminativamente (também não se encontra no Aurélio) o Roland Barthes. Ele descreveu o seu ideal de aula como sendo a criação de um espaço – isso mesmo! um espaço! – parecido com aquele que existe quando uma criança brinca ao redor da mãe. Explico. A criança pega um botão, leva para a mãe. A mãe ri, e faz um corrupio. (Você sabe o que é http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br um corrupio?). Pega um pedaço de barbante. Leva para a mãe. A mãe ri e lhe ensina a fazer nós. Ele conclui que o importante não é nem o botão e nem o barbante, mas esse espaço lúdico que se ensina sem que se fale sobre ele. Na Escola da Ponte o mais importante que se ensina é esse espaço. Nas nossas escolas: salas separadas; o que se ensina é que a vida é cheia de espaços estanques. Turmas separadas e hierarquizadas: o que se ensina é que a vida é feita de grupos sociais separados, uns em cima dos outros. Conseqüência prática: a competição entre as turmas, competição que chega à violência (os trotes!). Saberes ministrados em tempo definidos, um após o outro: o que se ensina é que os saberes são compartimentos estanques (e depois reclamam que os alunos não conseguem integrar o conhecimento. Apelam então para a ‘transdisciplinaridade’, para corrigir o estrago feito. [...]). Ah! Uma vez cometido o erro arquitetônico, o espírito da escola já está determinado! Mas nem arquitetos e nem técnicos da educação sabem disto... Escola da Ponte: um único espaço, partilhado por todos, sem separação por turmas, sem campainhas anunciado o fim de uma disciplina e o início de outra. A lição social: todos partilhamos de um mesmo mundo. Pequenos e grandes são companheiros numa mesma aventura. Todos se ajudam. Não há competição. Há cooperação. Ao ritmo da vida: os saberes da vida não seguem programas. É preciso ouvir os ‘miúdos’, para saber o que eles sentem e pensam. É preciso ouvir os ‘graúdos’, para saber o que eles sentem e pensam. São as crianças que estabelecem as regras da convivialidade: a necessidade do silêncio, do trabalho não perturbado, de se ouvir música enquanto trabalham. São as crianças que estabelecem os mecanismos para lidar com aqueles que se recusam a obedecer as regras. Pois o espaço da escola tem de ser como o espaço do jogo: o jogo, para ser divertido e fazer sentido, tem de ter regras. Já imaginaram um jogo de vôlei em que cada jogador pode fazer o que quiser? A vida social depende de que cada um abra mão da sua vontade, naquilo em que ela se choca com a vontade coletiva. E assim vão as crianças aprendendo as regras da convivência democrática, sem que elas constem de um programa... Minha cabeça está coçando com o sonho de fazer uma escola parecida... Você matricularia seu filho numa escola assim? Me mande uma mensagem com sua resposta com suas razões. Estou curioso. Mas, para fazer essa escola tenho de resolver um problema: como é que o guaxo* coloca o primeiro graveto para construir o seu ninho? *Guaxo é um pássaro que constrói ninhos do tamanho e forma de uma jaca. São feitos com pauzinhos trançados em torno de um ramo pendente de uma árvore. Já tentei desmontar um – não consegui, tão bom era o tecido dos pauzinhos. Minha pergunta, desde menino: Como é que o guaxo pôs o primeiro pauzinho em torno do ramo? Quem o segurou enquanto ele ia buscar o outro? Como foi que o diretor da Escola da Ponte, o professor José Pacheco, ‘guaxo-mor’, colocou o primeiro pauzinho para fazer a Escola da Ponte? http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 1 Rubem Alves escreveu várias crônicas sobre a “Escola da Ponte”, com o mesmo título, apenas alterada a numeração. Essa escola portuguesa, segundo informações do site da Embaixada de Portugal, acredita na autonomia dos estudantes e trabalha com três valores: liberdade, responsabilidade e solidariedade. Lá não há turmas, séries ou testes. Também não há salas de aulas ou professores específicos para as disciplinas; o aluno escolhe qual a área de seu interesse e, a partir disso, são desenvolvidos trabalhos de pesquisas tanto em grupo como individuais, através da orientação de professores. A escola emprega o modelo há 31 anos e trabalha com alunos de 5 a 17 anos. (Retirado de http://www.rubemalves.com.br/escoladaponte6.htm. Publicado originalmente com o título: A Escola da Ponte 5. Correio Popular, Caderno C, 18/06/2000) Questão 70) Todos os trechos a seguir, retirados do texto, são exemplos de usos que, embora violem regras descritas pela gramática normativa sobre a sintaxe de colocação ou de regência da língua, são comuns na escrita de muitos gêneros textuais, EXCETO: a) Me mande uma mensagem com sua resposta com suas razões. (10º §) b) Quando se chega no topo [...] (4º §) c) [...] o que se ensina é que a vida é feita de grupos sociais separados [..] (8º §) d) São as crianças que estabelecem os mecanismos para lidar com aqueles que se recusam a obedecer as regras. (9º §) TEXTO: 15 - Comum à questão: 71 Doença do nosso tempo Mariana Sgarioni 01Você deve estar pensando: gente teimosa e turrona existe desde que o 02mundo é mundo. Por que só agora se percebeu que isso é um transtorno de 03personalidade que deve ser tratado? Porque a vida nunca foi tão difícil para os 04perfeccionistas. 05Até poucas décadas atrás, o ritmo mais lento da vida – e do trabalho – dava 06espaço a que o sujeito cabeça-dura se ocupasse com suas obsessões e fosse 07especialista nelas. Um afinador de pianos podia demorar semanas para devolver o 08instrumento ao cliente, pois seu trabalho dependia somente de talento, aptidão e 09treinamento. Mas as coisas mudaram: surgiram artefatos eletrônicos que, se não 10substituem perfeitamente o trabalho de um ouvido absoluto, tornam o serviço bem 11mais rápido e com um resultado aceitável para a maioria dos mortais. Pior para os 12afinadores perfeccionistas, inventaram pianos eletrônicos que nunca precisam ser 13afinados. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 14Em resumo: a pessoa precisa saber se adaptar, coisa dificílima para um 15perfeccionista. “Vivemos numa era em que as vidas social, profissional e afetiva 16exigem flexibilidade”, afirma Geraldo Possendoro. “Quem não é flexível fica para 17trás e sofre de ansiedade.” 18Além disso, a era da informação rápida e fácil – mas nem sempre confiável 19– é o inferno dos perfeccionistas porque os obriga a elevar os próprios padrões de 20exigência. Até meados da década de 1990, um jornalista que quisesse escrever 21sobre afinação de pianos precisaria se desdobrar para achar fontes especializadas 22de informação. Qualquer besteira escrita passaria em branco para a maioria dos 23leitores – só os perfeccionistas teriam disposição para correr atrás dessas fontes. 24Hoje, qualquer tipo de informação– de afinação de pianos a disfunções intestinais 25do bagre africano – estão disponíveis na internet para o jornalista, seu chefe e 26todos os leitores (ai, Jesus!). 27Mais fácil que mudar esse mundo é tentar amolecer a cabeça dura dos 28perfeccionistas. Mas como? A psicóloga americana Alice Provost propôs um 29exercício para o grupo que estudou na universidade – uma série de regras que 30tinham por objetivo livrar essas pessoas de suas próprias regras mentais. Elas eram 31mais ou menos assim: termine o expediente na hora certa; não chegue ao trabalho 32antes da hora estabelecida; faça todas as pausas a que tem direito; deixe a mesa 33bagunçada; determine um número de tentativas para concluir o trabalho e, em 34seguida, entregue o que tiver. “Parecem coisas banais, porque aquilo que alguns 35deles consideram fracasso é algo para o que a maioria das pessoas não dá a 36mínima importância”, diz. Depois pergunte: você foi castigado? A universidade 37deixou de funcionar? Você está mais feliz? Segundo a professora, os cobaias 38perceberam que se preocupavam demais com bobagens. “Todos ficaram surpresos 39porque tudo continuava funcionando”. In: Superinteressante, março de 2008, p. 69. Questão 71) “Hoje, qualquer tipo de informação – de afinação de pianos a disfunções intestinais do bagre africano – estão disponíveis na internet para o jornalista, seu chefe e todos os leitores (ai, Jesus!).” (linha 24) Assinale a alternativa reescrita incorretamente: a) Hoje, quaisquer tipos de informação – de afinação de pianos a disfunções intestinais do bagre africano – estão disponíveis na internet para o jornalista, seu chefe e todos os leitores (ai, Jesus!). b) Hoje, qualquer tipo de informações – de afinação de pianos a disfunções intestinais do bagre africano – está disponível na internet para o jornalista, seu chefe e todos os leitores (ai, Jesus!). c) Hoje, quaisquer tipo de informação – de afinação de pianos a disfunções intestinais do bagre africano – está disponível na internet para o jornalista, seu chefe e todos os leitores (ai, Jesus!). d) Hoje, quaisquer tipos de informações – de afinação de pianos a disfunções intestinais do bagre africano – estão disponíveis na internet para o jornalista, seu chefe e todos os leitores (ai, Jesus!). http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 16 - Comum à questão: 72 No sinal Ricardo Freire — Bem-vindo ao Esmola’s Drive-Thru. — Como? — Bem-vindo ao Esmola’s Drive-Thru. — Peraí. Eu passo aqui há 20 anos e até ontem esse lugar era um sinal de trânsito. Semáforo. Farol. Sinaleira. — Era, mas agora é mais uma franquia do Esmola’s Drive-Thru. Com concessão da prefeitura e tudo. Taqui, ó. Parte da renda é revertida para a Associação Municipal dos Bi- Rodais. — Cuma? — Bi-Rodais. O pessoal que anda em cadeira de rodas. Politicamente correto, sacumé. Agora, por favor, peça pelo número. — Não entendi. — Peça pelo número. Não tá vendo o menu ali no painel ao lado do semáforo? Naquele poste ali? Embaixo do cartaz do candidato a vereador... — Tô sem óculos. — Eu ajudo. Número 1, abordagem seca, rápida, objetiva e fim de papo: 1 real. Mas esse não dá mais porque o senhor ficou aí embaçando. — Sei. — Número 2, abordagem piedosa com criança no colo e uso das palavras “tio” ou “tia”: 50 centavos. — Criança branca ou preta? — A que estiver disponível no momento. — Claro. — Número 3, abordagem infantil com caixa de dropes à mão: trerreal para carro importado, dorreal para carro nacional do ano, 1 real para “outros”. Grátis, um dropes. — Grátis? — Grátis. O doutor só paga a contribuição social e o dropes vai de brinde. — Ah, tá. ÉPOCA, Ed. Globo: São Paulo, 326, 16 ago. 2004, p. 122. Questão 72) Observando os recursos lingüísticos utilizados no texto “No sinal”, responda: a) Por que a presença de expressões do tipo “cuma” e “parte da renda é revertida para a Associação Municipal dos Bi-Rodais” caracteriza o texto como heterogêneo quanto aos níveis de linguagem? b) Por que o motorista utiliza a repetição por sinonímia para se referir ao sinal de trânsito? http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 17 - Comum à questão: 73 A preguiça humana O exercício físico vai contra a natureza humana. Que outra explicação existiria para o fato de o sedentarismo ser praticamente universal entre os que conseguem ganhar a vida no conforto das cadeiras? A preguiça para movimentar o esqueleto não é privilégio de nossa espécie: nenhum animal adulto gasta energia à toa. No zoológico, leitor, você jamais encontrará uma onça dando um pique aeróbico, uma gorila levantando peso, uma girafa galopando para melhorar a forma física. A escassez milenar de alimentos na natureza fez com que os animais adotassem a estratégia de reduzir ao máximo o desperdício de energia. A necessidade de poupar energia moldou o metabolismo de nossa espécie de maneira tal que toda caloria ingerida em excesso será armazenada sob a forma de gordura, defesa do organismo para enfrentar as agruras dos dias de jejum prolongado que possam ocorrer. Por causa dessas limitações biológicas, se você é daquelas pessoas que esperam a visita da disposição física para começar a fazer exercício com regularidade, desista. Falo por experiência própria. Sou corredor de distâncias longas há muitos anos. Às seis da manhã, chego no parque, abro a porta do carro e saio correndo. Não faço alongamento antes, como deveria, porque, se ficar parado, esticando os músculos, volto para a cama. Durante todo o percurso do primeiro quilômetro, meu cérebro é refém de um pensamento recorrente: não há o que justifique um homem passar por esse suplício. Daí em diante, as endorfinas liberadas na corrente sangüínea tornam o sofrimento mais suportável. Mas o exercício só fica bom, de fato, quando termina. Que sensação de paz e tranqüilidade! Que prazer ter a certeza de que posso passar o resto do dia sentado, sem o menor sentimento de culpa! (Drauzio Varella, Folha de S. Paulo, 12-04-08) Questão 73) Daí em diante, as endorfinas liberadas na corrente sangüínea tornam o sofrimento mais suportável. A idéia geral da frase acima está traduzida de forma clara, coerente e correta em: a) Em vista disso, o sofrimento mais suportável decorre porque liberou-se mais endorfinas na corrente sangüínea. b) Suporta-se melhor o sofrimento a partir do momento em que ocorre a liberação de endorfinas na corrente sangüínea. c) É a partir daí, que se torna mais suportável o sofrimento em razão das endorfinas liberarem a corrente sangüínea. d) Paulatinamente, uma vez liberadas na corrente sangüínea, advém um sofrimento mais suportável, devido às endorfinas. e) Fica mais suportável o sofrimento quando liberadas na corrente sangüínea a propagação de endorfinas. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 18 - Comum à questão: 74 Pérolas, porcos e patetas Bia Abramo 1“Graças a Deus, nunca fui de ler livro.” A frase, definitiva, é de uma das ilustres celebridades criadas no laboratório do "BBB", um tal de Fernando. É má política ficar indignado com aquilo que já sabemos não ser digno de atenção, mas, ainda assim, por vezes a estupidez dá tais sustos na gente que é difícil ficar impassível. 5Neste caso, o mais intrigante não é, evidentemente, o fato de o moço não ser de “ler livros”. A cultura escrita não goza lá de muito prestígio entre nós, brasileiros, falando de maneira bem genérica. Se consideramos o microcosmo do “BBB” — gente jovem, considerada bonita, com pendores exibicionistas, ambição de se tornar celebridade e propensa a ganhar dinheiro fácil —, o índice deve tender a quase zero. O mais revelador é o alívio com que ele se expressa, como a dizer: “Graças a Deus não fui 10amaldiçoadocom essa estranhíssima vontade, esse gosto bizarro, esse defeito de caráter”. Qual é, exatamente, a ameaça que se pensa haver nos livros, ficamos sem saber, mas o temor de pertencer ao esquisito grupo daqueles que “são de ler livro” fala por si só. Por outro lado, é nesses momentos de espontaneidade real que o “BBB” tem algum interesse. Embora aqueles que chegaram ao programa não sejam, a rigor, representativos de nada, nessas brechas 15escapa o que vai na cabeça dessas moças e rapazes, de certa forma parecidos com os que estão do lado de fora. O desprestígio do conhecimento letrado é marca funda da sociedade brasileira — e, quando é formulado com tanta veemência e clareza, é preciso prestar atenção. Enquanto isso, na universidade de Aguinaldo Silva, o pau come. Na novela “Duas Caras”, a instituição de ensino é palco de uma luta renhida entre aqueles que “querem estudar” — para vencer na 20vida, não mais do que isso; estudar aqui tem um valor de troca muito claro — e o bando de baderneiros e oportunistas, identificados como “de esquerda”, que querem tumultuar o projeto “eficiente” do reitor, um ex-militante convertido ao ensino privado. Todos estudam lá — as mulatas sestrosas da favela, as patricinhas do condomínio, a mulher adulta que volta à sala de aula. Só não se sabe, ao certo, o que se estuda — embora haja gente empunhando livros e cadernos, não há uma indicação sequer (nem nos diálogos, nem nas trajetórias dos personagens) de que, em uma universidade, ao contrário dos shoppings do ensino, deva se produzir conhecimento e que o conhecimento de verdade é transformador. Justamente o que deve temer o “brother” Fernando. Folha de São Paulo, 3/2/2008 http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 74) Com base no que se sabe a respeito de Variação Lingüística, de Níveis de Fala e Norma Culta, é CORRETO afirmar a respeito da gíria “o pau come”, usada nesse texto: a) É totalmente inadequada, pois o restante do texto, como é de se esperar num texto jornalístico, apresenta-se num estilo inteiramente formal. b) Embora aparentemente destoante e imprópria para um texto jornalístico, reflete o tom de deboche com que a autora trata a questão focalizada no fragmento em que se encontra. c) Trata-se de uma cochilo (=distração) do autor, que deixou passar uma expressão não recomendável na situação em que ela aparece, ou seja, num jornal marcado pelo apuro da linguagem. d) Nesse tipo de texto, é comum os autores fazerem uso de uma linguagem informal, e até certo ponto desleixada, para adequá-lo ao perfil do leitor a quem o mesmo se destina. TEXTO: 19 - Comum à questão: 75 17/07 - 18:26, atualizada às 18:26 17/07 – Redação Trechos das gravações divulgadas pela Polícia Federal 01Protógenes - Sonegação fiscal, e outros crimes que por 02ventura... formação de quadrilha e informação 03privilegiada. Foram esses crimes... 04Voz - A estrutura principal desse inquérito que você 05instaurou é a questão do laudo que trata da gestão 06fraudulenta mais a corrupção? 07Protógenes - Isso é. Esse inquérito está sequinho. Eu já 08tenho... Como é que ele se materializou? Ele se 09materializa com análise do laudo, análise do HD que as 10informações passadas que foi estratificado através 11desse laudo da Justiça Federal (...) 12Corte (...) 13Troncon – Outra coisa importante deixar muito claro, esses 14inquéritos estão tombados na DELEFIN (Delegacia de 15Crimes Financeiros), o Ricardo Saad tá aqui, que pedi 16que ele participasse porque ele está como chefe da 17DELEFIN, o superintendente tá dizendo que ele vai 18permanecer, se (inaudível) vai ou não, 19independentemente de quem ta aqui quem não tá, se é 20(inaudível) (...) 21Protógenes - Deixa eu só fazer uma ressalva... 22Troncon – Deixa eu concluir. Então olha só, o local do 23crime é aqui, pelo menos parte dele, (inaudível) o 24inquérito é tombado lá, então pô, tem que ter um 25alinhamento uma simetria completa com a chefia da 26delegacia, com a DECOR (Delegacia de Combate ao 27Crime Organizado), com o superintendente, com o 28DELEFIN e comigo. 29Seqüência reunião 30Protógenes - E até mesmo depois da academia eu não 31pretendo. Minha proposta é, eu fico até o final da 32operação, até o final... eu criei um problema para os 33meus colegas delegados, que é um grande problema, e 34acredito http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br para você também, e a minha proposta é essa, 35permanecer minha vinculação no seu gabinete 36(Troncon) a sua disposição até o final desse trabalho, 37para não ficar aquela pecha que Brasília vem fazer 38operação nos Estados e deixa no meio do caminho, as 39minhas nunca ficaram no meio do caminho, as minhas 40nunca ficaram e a exemplo dessa não vai ficar... (...) Disponível no site http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/07/17/leia_e_ouca_os_trechos_d as_gravacoes_divulgadas_pela_policia_federal_1451610.html. Acesso em 18 de agosto de 2008. Questão 75) Leia os enunciados a seguir: I. Uma das marcas lingüísticas de oralidade, de um modo geral, é o uso indiscriminado dos pronomes esse, desse e isso e suas variações. Esse uso não demonstra “empobrecimento” da língua. II. As condições de produção da gravação transcrita revelam criação coletiva, planejamento anterior à produção, acesso imediato às reações do interlocutor e a possibilidade de revisão. III. A expressão “Então olha só (...)”, linha 22, é um exemplo de hesitação por parte do falante. Ele faz uma pausa, hesita até encontrar um termo desejado correspondente a “local do crime”, linhas 22 e 23. Tendo como base a transcrição do texto, assinale a alternativa CORRETA: a) apenas I e II estão corretas. b) apenas II e III estão corretas. c) somente a alternativa I está correta. d) somente a alternativa II está correta. TEXTO: 20 - Comum às questões: 76, 77 DESAFIO GLOBAL O Globo, 24-11-2008 No momento em que os brasileiros acabam de eleger seus prefeitos e prefeitas, o Brasil sediará o mais importante evento do mundo sobre o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. A coincidência de agendas não foi intencional, mas existe uma forte conexão entre as eleições e o tema que será discutido por autoridades e especialistas de 150 países durante o III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que acontece entre os dias 25 e 28 de novembro no Rio de Janeiro. Apesar dos avanços obtidos nessa área por governos, ONGs e sociedade civil, evidências confirmam que a exploração sexual de crianças se alastra e atravessa fronteiras geográficas. Mais de uma década após o I Congresso http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Mundial contra a Exploração Sexual de Crianças, realizado em Estocolmo, a situação é de crescente preocupação. O Congresso Mundial vai debater exatamente esses desafios globais, mas é importante lembrar que as ações devem ser colocadas em prática. Mas, afinal, o que a prefeita e o prefeito eleitos podem fazer? Além de programas e ações de combate ao problema, é fundamental que o município adote um plano municipal de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes, baseado no diálogo entre os principais atores do Sistema de Garantia dos Direitos: conselho dos direitos, conselho tutelar; secretarias municipais, delegacia de proteção à criança; juízes e promotores da infância. Nesse processo, as lideranças comunitárias, os adolescentes e suas famílias são atores fundamentais. Ainda que essa etapa de articulação seja essencial, essa iniciativa deve ter orçamento próprio, dedicado a programas de atendimento às crianças, às redes de proteção à família e a um serviço de denúncia. Dessa forma, o poder público municipal terá condições de cumprir seu papel de prevenir novoscasos de exploração, proteger a criança que sofreu violência e punir os agressores de forma mais ágil e eficiente. Enfrentar a exploração sexual de crianças e adolescentes requer persistência. Estamos diante de um problema complexo. Mesmo que esse crime tenha como causa a pobreza e a miséria, é importante ressaltar que a maior incidência de casos é registrada entre meninas e mulheres afro- descendentes e indígenas, com baixa escolaridade e que vivem com suas famílias de baixa renda nas periferias das grandes metrópoles ou municípios de baixo desenvolvimento socioeconômico. A partir de 1o de janeiro os novos prefeitos e prefeitas serão agentes fundamentais. No entanto, cada um de nós também tem um papel nesses esforços: propor e exigir soluções, além de denunciar os casos de violação. Podemos, juntos, colocar um fim a essa prática criminosa e cruel, que marca para sempre a mente de quem sofre a violação. Em seus novos mandatos, os representantes políticos nos municípios terão uma oportunidade de mudar de uma vez essa realidade. (Marie-Pierre Poirier – representante da Unicef no Brasil) Questão 76) Considerando o texto como um todo, a função de linguagem que nele predomina é: a) referencial; b) conativa; c) fática; d) metalingüística; e) emotiva. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 77) Já que o texto lido é veiculado por um jornal, pode-se dizer que o receptor desse texto é: a) identificado perfeitamente, já que se trata de jornal de grande circulação; b) determinado claramente, pois se trata de assunto destinado a pessoas cultas; c) selecionado objetivamente, pois a linguagem empregada é altamente erudita; d) indiferenciado totalmente, pois os leitores têm livre acesso ao meio; e) indeterminado, pois o alto preço do jornal seleciona o seu público. TEXTO: 21 - Comum à questão: 78 A visão literária de Guimarães Rosa (1908-1967) ao mesmo tempo recolhe e transcende a realidade, trazendo-a de volta mediante linguagem e imagens inesquecíveis. Quando perguntavam a Rosa como podia escrever sobre o sertão fisicamente longe do verdadeiro sertão, respondia ele, apontando a própria testa e o coração, que o seu sertão era “metafísico”, estava ali dentro, na sua mente, em forma de ideia e sentimento. O sertão, em outro sentido, é o próprio mundo, desde que, dentro dos limites daquela região geograficamente restrita, experimentemos com radicalidade tudo o que diz respeito à vida humana. Grande sertão: veredas, sua obra-prima, é uma grande aula sobre importantes temas existenciais: o amor, a maldade, a morte, a coragem, o medo, o destino, a liberdade, a dúvida, a crença. O aluno é aquele “senhor” a quem o protagonista e narrador Riobaldo se dirige constantemente ao longo do relato. Em dado momento, explicando-lhe como se faz o pacto com o demônio, de como o Coxo, o Capiroto, o Cujo aparece numa encruzilha, à meia-noite, Riobaldo pergunta: “O senhor imaginalmente percebe?”. (Revista Educação, agosto de 2008, edição 136) Questão 78) Assinale a alternativa em que a frase poderia articular-se ao texto, estando adequada quanto aos sentidos e à correção gramatical, de acordo com a norma culta. a) Ler é prescindir da realidade e levar a imaginação à agir subjetivamente, reconstruindo-na em nossa própria mente afim de produzir conhecimento. b) Ler é considerar que a realidade é o mesmo que imaginação e reconstruir- lhe em nossa própria mente é improdutivo. c) Ler é captar a realidade com a imaginação, reconstruir ela em nossa própria mente, para produzir conhecimento. d) Ler é perceber a realidade com a imaginação, reconstruí-la em nossa própria mente, produzindo conhecimento. e) Ler é dissociar realidade de imaginação, reconstruindo-lhe em nossa própria mente, produzindo conhecimento. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 22 - Comum à questão: 79 Texto I Poema de Décio Pignatari Texto II Criação estampada em camisetas Questão 79) Quanto à linguagem utilizada, o texto I evidencia a) o uso de sinônimos (coca-cola / cola) e antônimos (cola / caco) cujo sentido produz efeito cômico. b) a inversão de sílabas (babe / beba) como recurso expressivo diretamente relacionado ao emprego de palavras que designam ações opostas. c) o uso de “slogan” publicitário (beba coca cola) na sua função original, ou seja, função apelativa da linguagem. d) a repetição de palavras (beba / beba ; coca / coca) para criar tom grandiloquente e dissimular o efeito conotativo das palavras do texto. e) o uso de anagrama – isto é, jogo verbal baseado na transposição de letras (coca cola / cloaca) –, a fim de valorizar o produto a que se refere. TEXTO: 23 - Comum à questão: 80 Considere o trecho do texto “O Planeta Urbano”. O mundo da ciência e da técnica Duzentos anos atrás, apenas 3% da população mundial vivia em cidades. Há um século, na esteira da Revolução Industrial, a porcentagem tinha subido para 13% – ainda uma minoria em um planeta essencialmente rural. Em algum momento deste ano, de acordo com estimativas das Nações Unidas, pela primeira vez na história o número de pessoas que vivem em áreas urbanas ultrapassará o de moradores do campo. Segundo o mesmo estudo, http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br nas próximas décadas praticamente todo o crescimento populacional do planeta ocorrerá nas cidades, nas quais viverão sete em cada dez pessoas em 2050. A população rural ainda deve aumentar nos próximos dez anos, antes de entrar em declínio gradativo. A atual migração para as cidades é de tal ordem que se pode compará-la, de forma alegórica, a um novo salto na evolução. O Homo sapiens cedeu lugar a seu sucessor, o Homo urbanus. (Trecho do texto O Planeta Urbano. Veja, 16.04.2008) Questão 80) Assinale a alternativa em que as frases estão redigidas de acordo com a norma padrão. a) Fazem duzentos anos que apenas 3% da população mundial vivia em cidades. b) Há um século atrás, na esteira da Revolução Industrial, os porcentuais já havia subido para 13%. c) Praticamente todo o crescimento populacional do planeta ocorrerá nas cidades, cuja a maioria dos habitantes viverão nelas em 2050. d) O número de pessoas cujas habitam em áreas urbanas ultrapassará os moradores do campo. e) A conclusão a que se chega é: o Homo urbanus sucedeu ao Homo sapiens. TEXTO: 24 - Comum à questão: 81 Fonte: Folha de S. Paulo, 20 dez. 1992. Pág. 1‐1. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 81) De acordo com a teoria da narrativa, predomina, na foto, a relação entre os seguintes elementos: a) fato e desfecho b) personagem e espaço c) espaço e ação d) personagem e conflito TEXTO: 25 - Comum à questão: 82 Analise esta tira, extraída do sítio http://educacao.uol.com.br/album/tiras. Questão 82) Com relação ao “gerundismo”, é correto afirmar que 01. é um dos principais problemas da ortografia do português brasileiro. 02. denota aspectos do padrão do uso da língua portuguesa. 04. acontece devido a uma influência direta da língua inglesa no português. 08. denota o uso coloquial da variante brasileira da língua portuguesa. 16. caracteriza-se como um fenômeno sintático. TEXTO: 26 - Comum à questão: 83 Fonte: Clube da Mafalda. Disponíveis em: <http://clubedamafalda.blogspot.com/>. Acesso em: 27/11/2008 http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 83) Assinale a opção correta. a) A tira é um gênero textual que associa dois códigos, o verbal e o não- verbal. A sua compreensão exige, além do conhecimento contextual, a combinação entre as falas, os pensamentos e as expressões dos personagens.b) Não é possível estabelecer uma relação de sequencialidade temporal entre os quadrinhos que compõem a tira. c) A tira produz um efeito de humor decorrente da ambiguidade presente na fala do menino no último quadrinho. d) O episódio representado no último quadrinho é previsível e esperado como desfecho da narrativa. e) A tira apresenta uma visão idealizada e acrítica da realidade, o que fica evidente pela relação entre as expressões faciais da personagem e o seu sonho. TEXTO: 27 - Comum à questão: 84 Analise o fragmento de uma propaganda veiculada na revista Veja, de 9 de abril de 2008. Questão 84) Assinale a(s) proposição(ões) correta(s). 01. Por se tratar de um texto publicitário, a linguagem predominante é a referencial. 02. No texto, ao empregar verbos no infinitivo, o autor expressa a intenção de não marcar as noções de pessoa, número e tempo. 04. Embora o texto esteja apresentado na forma de propaganda, a linguagem predominante é a poética. 08. Pode-se dizer que o autor do texto procura estabelecer um diálogo com o leitor, ao empregar a palavra “pães”. 16. O único objetivo da propaganda é promover a venda de pães. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 28 - Comum à questão: 85 1TIÃO – [...] Bem, gente... Hoje é meu dia... Já ganhei presente de noivado... 2ROMANA – Saiu o aumento? 3OTÁVIO – Que aumento! Sem greve não sai aumento! 4ROMANA (repreendendo-o) – Otávio!... 5TIÃO – Aumento nada... Tive minha chance no cinema!... 6[...] 7OTÁVIO – Seu pai vai ficá irritado com esse recado, mas eu digo. Seu pai tem outro recado pra 8você. Seu pai acha que a culpa de pensá desse jeito não é sua só. Seu pai acha que tem 9culpa... 10TIÃO – Diga a meu pai que ele não tem culpa nenhuma. 11OTÁVIO (perdendo o controle) – Se eu te tivesse educado mais firme, se te tivesse mostrado 12melhor o que é a vida, tu não pensaria em não ter confiança na tua gente... GUARNIERI, Gianfrancesco. Eles não usam black-tie. 19. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. p. 36-37; 105. Questão 85) Considerando o texto, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S). 01. Se a fala de Otávio “Sem greve não sai aumento!” (ref. 3) fosse substituída por “Só com greve sai aumento!”, haveria considerável alteração de significado no contexto. 02. Ambas as construções: “Se eu te tivesse educado mais firme” (ref. 11) e “tu não pensaria” (ref. 12) apresentam o mesmo nível de formalidade e revelam que a personagem tem alto nível de escolaridade. 04. Os dois trechos de diálogo apresentam um registro coloquial, mas o segundo trecho (refs. 7-12) evidencia mais marcas de oralidade que o primeiro. 08. No segundo trecho (refs. 7-12), pai e filho mantêm um diálogo no qual simulam a intermediação de uma terceira pessoa; assim, as expressões seu pai e meu pai remetem ao mesmo referente – Otávio; da mesma forma, os pronomes você e tu remetem ao mesmo referente – Tião. 16. A frase “Diga a meu pai que ele não tem culpa nenhuma” (ref. 10) pode ser reescrita, sem prejuízo de significado, como “Diga a meu pai que ele não tem culpa alguma”. 32. A palavra gente (refs. 1 e 12) está funcionando como pronome de primeira pessoa do plural, com o mesmo sentido de nós. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 29 - Comum à questão: 86 Conter a obesidade é um desafio tão urgente para o Brasil quanto acabar com a fome. Ninguém sabe ao certo quantos são os famintos brasileiros, mas o programa Fome Zero pretende atingir 44 milhões de pessoas. Por outro lado, o contingente com excesso de peso já ultrapassa a assustadora marca dos 70 milhões - cerca de 40% da população. Não há dúvida: o Brasil que come mal é maior do que o Brasil que tem fome. Apesar do tamanho do problema, falta ao país um esforço maciço de combate ao flagelo da gordura, que abre caminho para o surgimento de mais de 30 doenças e sobrecarrega o orçamento da saúde com internações hospitalares que poderiam ser evitadas. 'As autoridades não podem achar que há contradição entre atacar a fome e a obesidade ao mesmo tempo', comenta o endocrinologista Walmir Coutinho, 'mas os dois são problemas complementares.' Mesmo entre os pobres, a ocorrência de excesso de peso supera a fome. 'Nas favelas, verifica-se que a obesidade é mais prevalente que a desnutrição', comenta Coutinho. Nos últimos 20 anos, a obesidade infanto- juvenil cresceu 66% nos Estados Unidos e desencadeou uma batalha jurídica contra as cadeias de fast-food semelhante à guerra contra o tabaco. No Brasil, o crescimento ocorreu com um ritmo especialmente acelerado nas camadas sociais mais baixas. A consciência do problema ainda é incipiente, embora a Organização Mundial de Saúde tenha declarado a obesidade uma epidemia global que ameaça principalmente os países em desenvolvimento. Dos 6 bilhões de habitantes do planeta, 1,7 bilhão está acima do peso. A exportação do modelo americano de progresso - urbanização, proliferação de carros, junk food e longas jornadas de trabalho em frente ao computador - leva países emergentes, como Brasil, Índia e África do Sul, a um paradoxo. Em duas gerações, grande parte da população passou da desnutrição à obesidade porque teve acesso a grande quantidade de comida barata e ruim, industrializada, cheia de gorduras e açúcar. O resultado é desastroso: as pessoas ganham peso sem acumular nutrientes essenciais. A classe média e os ricos encontram meios eficazes de combater a obesidade, responsável por 30% das mortes no Brasil. Podem pagar por programas de emagrecimento e atividade física não acessíveis aos menos favorecidos. Por isso, cada vez mais a obesidade estará relacionada à pobreza. 'A fome é uma tragédia que precisa ser combatida, mas a obesidade atinge ainda mais gente no Brasil e acarreta um ônus mais elevado’, comenta o endocrinologista Alfredo Halpern, um dos fundadores da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade. A gravidade da situação exige um esforço articulado de saúde pública e medidas criativas. (http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT590194-1653,00.html) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Questão 86) A análise de aspectos globais do texto, tais como os sentidos expressos, as intenções, o tipo e o gênero em que ele se manifesta, nos leva a concluir que I. o trecho que poderia expressar a ideia central defendida no texto é: “os ricos encontram meios eficazes de combater a obesidade, responsável por 30% das mortes no Brasil. Podem pagar por programas de emagrecimento e atividade física não acessíveis aos menos favorecidos.” II. se trata de um texto do tipo narrativo, do gênero notícia, cujo enredo envolve um cenário (a realidade brasileira) e personagens facilmente identificáveis (entre eles, por exemplo, o endocrinologista Walmir Coutinho). III. predomina no texto uma linguagem com função referencial. Nesse sentido, justifica-se o uso de dados e informações objetivos, quantitativamente expressos, e respaldados por opiniões abalizadas de especialistas. IV. aparecem no texto evidências de intertextualidade. Com efeito, algumas passagens do Texto A remetem, explicitamente, a outros textos pertinentes ao tema tratado. Além disso, o texto mobiliza o nosso conhecimento prévio acerca de muitos itens. V. a linguagem usada no texto se reveste de um caráter de formalidade, na medida em que se ajusta às suas condições sociais de circulação: está publicado em um órgão de informação e destina-se a um público mais escolarizado. A afirmativa é VERDADEIRA apenas nos itens: a) I, II e III. b) I, II e IV. c) II, III e IV. d) III, IV e V. e) I, IV e V. TEXTO: 30 - Comum à questão: 87 Capítulo XIII 1 Os reposteiros, astapeçarias, os divãs, tudo enfim quanto constituía a mobília do palácio demonstrava a magnificência inexcedível de um príncipe das lendas hindus. Lá fora, nos jardins, reinava a mesma pompa, realçada pela mão da Natureza, perfumada por mil odores diversos, alcatifada de verdes alfombras, banhada pelo rio, 5 refrescada por inúmeras fontes de mármore branco, junto às quais um milheiro de escravos trabalhava sem cessar. Fomos conduzidos ao divã das audiências por um dos auxiliares do vizir Ibraim Maluf. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Avistamos, ao chegar, o poderoso monarca sentado em riquíssimo trono de marfim 10e veludo. Perturbou-me, de certo modo, a beleza estonteante do grande salão. Todas as suas paredes eram adornadas com inscrições admiráveis feitas pela arte caprichosa de um calígrafo genial. As legendas apareciam, em relevo, sobre fundo azul claro em letras pretas e vermelhas. Notei que eram versos dos mais brilhantes poetas de nossa terra! Jarras de flores por toda a parte, flores desfolhadas sobre coxins, sobre alcatifas, ou em 15 salvas de ouro e prata primorosamente cinzeladas. Malba Tahan, em O homem que calculava, p. 69 e 70. Questão 87) O livro O homem que calculava, de Malba Tahan, narra as aventuras e proezas matemáticas do fictício matemático persa, Beremiz Samir, personagem central de eventos que se desenrolam no século XIII. De forma romanceada, a narrativa retrata a paisagem do mundo islâmico medieval, trata das peripécias matemáticas do protagonista, que resolve e explica de modo extraordinário alguns problemas, quebra-cabeças e curiosidades da matemática. Relata, ainda, lendas e histórias pitorescas, como, por exemplo, a lenda da origem do jogo de xadrez, além de outras. Razão por que a obra está mesclada de metalinguagem e intertextualidade . Em relação a isso, relacione as duas colunas. 1. Metalinguagem está presente nos textos centrados nos códigos de comunicação. 2. Intertextualidade é uma espécie de diálogo entre textos consagrados no universo cultural. ( )“É preciso, ainda, não esquecer que a Matemática, além do objetivo de resolver problemas, calcular áreas e medir volumes, tem finalidades muito mais elevadas.” (p. 78) ( )Falasse eu as línguas dos homens e dos anjos E não tivesse caridade,” (p. 55) “preceito de Salomão: ( )‘Quem de repente se enfurece é estulto: Quem é prudente dissimula o insulto’ ”. (p. 54) ( )“A dúzia apresenta, sobre a dezena, uma grande vantagem: o número doze tem mais divisores do que o número dez.” (p. 115) ( )“princípio atribuído a Pitágoras: ‘O quadrado construído sobre a hipotenusa é equivalente à soma dos quadrados construídos sobre os catetos.’ ” (p. 101) ( )“A Geometria, repito, existe por toda a parte. No disco do sol, na folha da tamareira, no arco-íris, na boboleta, no diamante, na estrela do mar e até num pequenino grão de areia. Há, enfim, infinitas variedades de formas geométricas espalhadas pela Natureza.” (p. 39) http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo. a) 2 – 1 – 1 – 1 – 2 – 1 b) 1 – 2 – 2 – 2 – 2 – 1 c) 1 – 2 – 2 – 1 – 2 – 1 d) 2 – 2 – 1 – 1 – 2 – 2 e) 2 – 1 – 2 – 1 – 2 – 2 TEXTO: 31 - Comum à questão: 88 Questão 88) Assinale a alternativa correta sobre o texto do 1º. quadrinho. a) A relação entre linguagem verbal e visual destaca sobremaneira a presença da função metalinguística, considerando o objetivo principal do texto: apontar para possíveis técnicas de construção das diferentes linguagens. b) A grande quantidade de traços fortes que reproduzem a chuva e a fala caudalosa do garoto estabelecem uma relação entre o verbal e o visual e apontam a presença da função poética, revelando cuidado especial com a construção da mensagem. c) Encontra-se na fala do garoto exclusivamente a função conativa, uma vez que estão ausentes elementos que apontam para uma expressividade no processo comunicativo. d) Observa-se, além do emprego da função emotiva (marcada pela raiva e desespero do garoto ao relatar seu sonho), o uso destacado da função fática, presente, por exemplo, na linguagem formal e conotativa do monólogo. e) A função referencial da linguagem sobrepõe-se à função emotiva, na medida em que a tira transmite essencialmente informações de caráter objetivo. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 32 - Comum à questão: 89 Trabalhar e sofrer 1“O trabalho enobrece” é uma dessas frases feitas que a gente repete sem refletir no que significam, feito reza automatizada. Outra é "A quem Deus ama, ele faz sofrer", que fala de uma divindade cruel, fria, que não mereceria uma vela acesa sequer. Sinto muito: nem sempre trabalhar nos torna mais nobres, nem sempre a dor nos deixa mais justos, mais generosos. O tempo para contemplação da arte e da natureza, ou 5curtição dos afetos, por exemplo, deve enobrecer bem mais. Ser feliz, viver com alguma harmonia, há de nos tornar melhores do que a desgraça. A ilusão de que o trabalho e o sofrimento nos aperfeiçoam é uma ideia que deve ser reavaliada e certamente desmascarada. O trabalho tem de ser o primeiro dos nossos valores, nos ensinaram, colocando à nossa frente cartazes pintados que impedem que a gente enxergue além disso. Eu prefiro a velha dama esquecida num 10canto feito uma mala furada, que se chama ética. Palavra refinada para dizer o que está ao alcance de qualquer um de nós: decência. Prefiro, ao mito do trabalho como única salvação, e da dor como cursinho de aperfeiçoamento pessoal, a realidade possível dos amores e dos valores que nos tornariam mais humanos. Para que se trabalhe com mais força e ímpeto e se viva com mais esperança. O trabalho que dá valor ao ser humano e algum sentido à vida pode, por outro lado, deformar e 15destruir. O desprezo pela alegria e pelo lazer espalha-se entre muitos de nossos conceitos, e nos sentimos culpados se não estamos em atividade, na cultura do corre-corre e da competência pela competência, do poder pelo poder, por mais tolo que ele seja. Assim como o sofrimento pode nos tornar amargos e até emocionalmente estéreis, o trabalho pode aviltar, humilhar, explorar e solapar qualquer dignidade, roubar nosso tempo, saúde e possibilidade de 20crescimento. Na verdade, o que enobrece é a responsabilidade que os deveres, incluindo os de trabalho, trazem consigo. O que nos pode tornar mais bondosos e tolerantes, eventualmente, nasce do sofrimento suportado com dignidade, quem sabe com estoicismo. Mas um ser humano decente é resultado de muito mais que isso: de genética, da família, da sociedade em que está inserido, da sorte ou do azar, e de escolhas pessoais (essas a gente costuma esquecer: queixar-se é tão mais fácil). 25Quanto tempo o meu trabalho se é que temos escolha, pois a maioria de nós dá graças a Deus se consegue trabalhar por um salário vil me permite para lazer, ou o que eu de verdade quero, se é que paro para refletir sobre isso? Quanto tempo eu me dou para viver? Quanto sobra para meu crescimento pessoal, para tentar observar o mundo e descobrir meu lugar nele, por menor que seja, ou para entender minha cultura e minha gente, para amar minha família? http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 30E, se o luxo desse tempo existe, eu o emprego para ser, para viver, ou para correr atrás de mais um trabalho a fim de pagar dívidas nem sempre necessárias? Ou apenas não me sinto bem ficando sem atividade, tenho de me agitar sem vontade, rir sem alegria, gritar sem entusiasmo, correr na esteira além do indispensável para me manter sadio, vagar pelos shoppings quando nada tenho a fazer ali e já comprei todo o possível muitomais do que preciso, no maior número de prestações que me ofereceram? E, quando 35tenho momentos de alegria, curto isso ou me preocupo: algo deve estar errado? Servos de uma culpa generalizada, fabaricamos caprichosamente cada elo do círculo infernal da nossa infelicidade e alienação. Essas frases feitas, das quais aqui citei só duas, podem parecer banais. Até rimos delas, quando alguém nos leva a refletir a respeito. Mas na verdade são instrumento de dominação de mentes: sofra e não se queixe, não se poupe, não se dê folga, mate-se trabalhando, seja humilde, seja pobre, 40sofrer é nosso destino, darás à luz com dor e todo o resto da tola e desumana lavagem cerebral de muitos séculos, que a gente em geral nem questiona mais. Lya Luft, Veja, 20/1/2010 Questão 89) Considere a seguinte passagem do texto: “Prefiro, ao mito do trabalho como única salvação, e da dor como cursinho de aperfeiçoamento pessoal, a realidade possível dos amores e dos valores que nos tornariam mais humanos.” (ref.10). Sobre os elementos formais do período destacado, é INCORRETO afirmar: a) O verbo “preferir” tem como núcleos de seus complementos “realidade” e “mito”. b) O padrão culto do português admite, nessa construção, “preferir” com o advérbio “mais”. c) A última oração do período refere-se a “amores” e “valores”. d) “Preferir” significa “querer antes”, “achar melhor” e, nessa acepção, emprega-se com objeto direto e objeto indireto. TEXTO: 33 - Comum às questões: 90, 91 Entrevista com Evanildo Bechara Jornalista. É fato que o português está sendo invadido por expressões inglesas ou americanizadas – como background, playground, delivery, fastfood, dowload... Isso o preocupa? Bechara. Não. É preciso diferenciar língua e cultura. O sistema da língua não sofre nada com a introdução de termos estrangeiros. Pelo contrário, quando esses termos entram no sistema têm de se submeter às regras de funcionamento da língua, no caso, o português. Um exemplo: nós http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br recebemos a palavra xerox. Ao entrar na língua, ela acabou por se submeter a uma série de normas. Daí surgiram xerocar, xerocopiar, xerografar, enfim, nasceu uma constelação de palavras dentro do sistema da língua portuguesa. Jornalista. Então esse processo não é ruim? Bechara. É até enriquecedor, pois incorpora palavras. Não há língua que tenha seu léxico livre dos estrangeirismos. A língua que mais os recebe, curiosamente, é o inglês, por ser um idioma voltado para o mundo. Hoje, fala-se “delivery”, mas poderíamos dizer “entrega a domicílio”. E há quem diga que o correto é “entrega em domicílio”. Será? Na dúvida, há quem fique com o “delivery”. A palavra inglesa delivery não chegou a entrar nos sistemas da nossa língua, pois dela não resultam outras palavras. Apenas entrou no vocabulário do dia a dia no contexto dos alimentos. Agora deram de falar que “entrega em domicílio” é melhor do que “entrega a domicílio”. Não sei de onde isso saiu, porque o verbo entregar normalmente se constrói com a preposição a. Fulano entregou a alma a Deus. De qualquer modo, a língua se enriquece quando você tem dois modos de dizer a mesma coisa. Jornalista. E por que usar “delivery”, se temos uma expressão própria em português? Não é mais um badulaque desnecessário? Bechara. Não sei se é badulaque, o fato é que a língua, que não tem vida independente, também admite modismos, além de refletir todas as qualidades e os defeitos do povo que a fala. Estrangeirismos aparecem, somem e podem ser substituídos por termos nossos. Foi o que aconteceu com a terminologia clássica e introdutória do futebol no Brasil, quando se falava em goalkeeper, off side e corner. Com a passar do tempo, e sem nenhuma atitude controladora, os termos estrangeiros do futebol foram dando lugar a expressões feitas no Brasil, como goleiro, impedimento, escanteio. (Entrevista de Evanildo Bechara. Disponível em http.//www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=. Acesso em 30 de março de 2008. Adaptado). Questão 90) A compreensão global do Texto 1 – que resulta da articulação entre os elementos contextuais e o material linguístico presente – nos leva a reconhecer como afirmações principais do texto as seguintes: 1. “o português está sendo invadido por expressões inglesas ou americanizadas”. 2. “Não há língua que tenha seu léxico livre dos estrangeirismos”. 3. “a língua se enriquece quando você tem dois modos de dizer a mesma coisa”. 4. “O sistema da língua não sofre nada com a introdução de termos estrangeiros”. 5. “os termos estrangeiros do futebol foram dando lugar a expressões feitas no Brasil”. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br Estão corretas: a) 1, 2, 3 e 5 apenas b) 2, 3 e 4 apenas c) 3 e 5, apenas d) 1, 2 e 4, apenas e) 1, 2, 3, 4 e 5 Questão 91) Considerando alguns aspectos que, globalmente, caracterizam o Texto 1, analise as seguintes observações. 1. No texto predomina a função referencial, uma função centrada no contexto de produção e de circulação do texto. 2. Do ponto de vista da tipologia textual, podemos reconhecer no Texto 1 um exemplar dos textos narrativos. 3. Por se tratar de uma entrevista, o texto apresenta, entre outras, formulações próprias do diálogo oral. 4. O fato de não se tratar de um texto literário leva a que o entrevistado não use palavras em sentido figurado. 5. O professor entrevistado apresenta seus argumentos, mas se omite quanto à apresentação de exemplos que pudessem reforçá-los. Estão corretas: a) 1, 2, 3, 4 e 5 b) 1 e 2 apenas c) 1 e 3 apenas d) 1 e 5 apenas e) 4 e 5 apenas TEXTO: 34 - Comum à questão: 92 E SE... as pessoas respirassem debaixo d’água? Fernando Brito Aquaman, Pequena Sereia, Bob Esponja... Esses têm sorte. Saem mergulhando mar afora sem se preocupar. Para nós, personagens da vida real, a evolução não foi tão bacana. Ficou no quase: descendentes de seres que viviam na água, até hoje desenvolvemos fendas branquiais como as de peixes e anfíbios. Mas só quando embriões. Logo elas desaparecem para dar lugar à parte da laringe e ossos do ouvido e garganta. Uma revolução e tanto aconteceria se as fendas continuassem lá. O principal: poderíamos respirar debaixo d'água. Contaríamos com os pulmões para respirar em terra e as brânquias (ou guelras) para a água. Com um http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br sistema respiratório como esse, seríamos parecidos com os anfíbios. Parentes de sapos e salamandras. Nosso corpo precisaria estar sempre úmido – ou a pele, acostumada à água, desidrataria. Por isso viveríamos mais na água do que na terra, sempre circulando por regiões costeiras e rios. Mas não daria para mergulhar tão fundo porque a pressão da água aumenta com a profundidade e começa a esmagar nosso corpo. Poderíamos chegar até uns 500 metros, como leões-marinhos, que também vivem no seco e no molhado. Isso já estaria de bom tamanho: hoje só descemos até 40 metros em mergulhos com cilindro e precisamos de vários dias de adaptação para chegar a no máximo 300 metros. A terra firme não seria abandonada por completo. Ela nos daria alimentos e espaço para atividades que ninguém gostaria de ver debaixo d’água, como o despejo de lixo. Mas o mar seria o nosso principal habitat. E uma grande fonte de energia. Veja como seria esse mundo de glub glub. Ilustração: Alexandre Jubran MAR, DOCE LAR Neste Mundo, carne é para poucos. E ninguém precisa de pente. 1 – NÃO VÁ PRO SECO, MEU FILHO Avançar terra adentro não seria nada recomendável. Fora da água, precisaríamos de recursos que hidratassem nossa pele o tempo todo. Os países ficariam limitados ao litoral e a zonas domar pouco profundas. E surgiria uma nova opção para as férias: o turismo radical no seco. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 2 – SÓ RICO NO RASO Na terra funcionariam principalmente os serviços, como aterros sanitários. A área residencial ficaria na água. Todo mundo que fosse alguém moraria perto da superficie – lá, o metro cúbico seria mais caro por causa da pressão menor. Aos pobres e miseráveis, restaria o fundão. 3 – ALGA NO DENTE O nosso arroz com feijão viraria um prato de peixe e algas. A agricultura prosperaria com vegetais aquáticos. E esqueça rodízios de carne. Como criar animais para abate em terra não seria fácil, carne de boi ou porco viraria uma iguaria refinada. No lugar, iríamos a rodízios de lagosta nos almoçoes de domingos 4 – VIDA LONGA E ÚMIDA No ar, respiramos pelo menos 25 vezes mais oxigênio que na água. Essa falta de O2, ao contrário do que parece, faria bem – viveríamos mais. Ao respirar, produzimos radicais livres que danificam células e aceleram o envelhecimento. Com um organismo adaptado a menos O2, esse processo perderia força. ENERGIA DAS PROFUNDEZAS 70% da superficie da Terra está submersa. Com o corpo adaptado à água, exploraríamos com mais facilidade as reservas de petróleo e minérios como manganês e cobalto. Só teria um problema: com maior acesso ás reservas, é provável que o petróleo se esgotasse mais cedo. 5 – LISINHOS Membranas nos dedos das mãos e dos pés funcionariam como nadadeiras, facilitando a nossa movimentação. (lembre-se, a água é mais densa que o ar.) E pode esquecer aquela cabeleira de sereia Ariel – seríamos lisinhos, sem quaisquer pelos que pudessem aumentar o atrito com a água. 6 – HOMENS – PIRAMBOIA Nossas brânquias funcionariam em conjunto com os pulmões, para que pudéssemos absorver oxigênio enquanto nadássemos. Nada de outro mundo: acontece com a piramboia, um peixe amazônico que respira dentro e fora d’água. Seria o fim das mortes por afogamento – pelo menos 7 mil por ano só no Brasil. SUPERINTERESSANTE, São Paulo: Abril, ed. 282, set. 2010, p. 50-51. Questão 92) A linguagem visual gráfica e a linguagem verbal se complementam para o estabelecimento das representações sociais promovidas no texto. a) Identifique a que tipo específico de sociedade remete a leitura do primeiro plano da ilustração. b) Cite dois elementos caracterizadores dessa sociedade. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br c) No trecho Todo mundo que fosse alguém moraria perto da superfície – lá, o metro cúbico seria mais caro por causa da pressão menor, a palavra alguém contribui para expressar um critério de distinção das pessoas na escala social. Que critério leva um ser humano a ser reconhecido como alguém e que ideia fundamenta esse critério? TEXTO: 35 - Comum à questão: 93 01Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do 02trabalho. 03Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa 04vontade em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais. 05[...] 06O resultado foi um desastre. Quinze dias depois do nosso 07primeiro encontro, o redator do Cruzeiro apresentou-me dois capítulos 08datilografados, tão cheios de besteiras que me zanguei: 09— Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está 10pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa 11forma! 12Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os 13cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista 14não pode escrever como fala. 15— Não pode? Perguntei com assombro. E por quê? 16Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode. 17— Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu 18Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas 19arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como 20falo, ninguém me lia. Graciliano Ramos, S.Bernardo Questão 93) Uma das características da linguagem literária é a expressividade, que pode resultar, por exemplo, do uso metafórico de imagens concretas para a representação de aspectos abstratos da realidade. É o que se verifica em: a) Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho (refs. 01 e 02). b) Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade (refs. 12 e 13). c) Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa vontade em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais (refs. 03e 04). d) Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode (ref.16). e) — Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo (refs. 17 e 18). http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 36 - Comum à questão: 94 É UMA MÚSICA... Carta na Escola. São Paulo: Confiança, ed. 51, p. 3, 31 nov. 2010. Encarte Publicitário. Questão 94) Através da função poética presente na música “Mais uma vez”, o principal objetivo do anúncio publicitário é a) garantir ao receptor a qualidade dos serviços prestados pela empresa evidenciada no anúncio. b) persuadir o receptor a economizar através dos serviços da instituição em destaque. c) fazer o receptor refletir sobre a importância do pensamento otimista. d) convencer o leitor a continuar investindo na sua própria vida. e) convidar o receptor a acreditar num futuro próspero. TEXTO: 37 - Comum à questão: 95 01A falta de recato com a própria intimidade, revelada sem pejo em 02algumas páginas da internet, nas telas do “Big Brother” e nas traseiras 03de automóveis, onde se veem grudadas figurinhas representativas da 04composição da família proprietária, constitui, em um primeiro olhar, 05exercício de direito à autoexposição. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 06Pondero, para a reflexão do leitor, que o abuso desse direito à 07imagem escancarada poderá levar à supressão do direito fundamental 08à privacidade, abrindo espaço para a ditadura do monitoramento 09oficial ilimitado. 10É, contudo, no exagerado exercício individual do direito de abrir 11mão da privacidade que mora o problema. Se considero normal 12informar ao estranho que vai à traseira do meu carro que somos cinco 13em casa, como poderei exigir da loja da esquina a manutenção em 14segredo do cadastro que lá preenchi? Por que o fiscal do Imposto 15de Renda deveria se privar de vasculhar minha conta corrente se 16tuíto a todos os que me “seguem” o quanto gastei no final de ano em 17determinado shopping? Adaptado de Roberto Soares Garcia, Folha de S.Paulo, 27/02/2011 Questão 95) Assinale a alternativa correta. a) Na referência 03, a palavra onde está empregada de acordo com a norma culta da língua, assim como em “Esse é um problema onde eu tenho de resolver”. b) O substantivo recato (ref. 01) pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido original do texto, por “despudor”. c) A partícula lá (ref. 14) refere-se anaforicamente ao local em que o autor reside com seus cinco familiares. d) A palavra contudo (referência 10) denota causalidade, expressando de forma adequada sentidos equivalentes aos que a locução “visto que” estabelece. e) A expressão sem pejo (ref. 01) pode ser adequadamente substituída por “sem pudor”. TEXTO: 38 - Comum à questão: 96 Inverno 1A família estava reunida em torno do fogo, Fabiano sentado no pilão caído, sinha Vitória de pernas cruzadas, as coxas servindo de travesseiros aos filhos. A cachorra Baleia, com o traseiro no chão e o resto do corpo levantado, olhava as brasas que se cobriam de cinza. 5Estava um frio medonho, as goteiras pingavam lá fora, o vento sacudia os ramos das catingueiras, e o barulho do rio era como um trovão distante. Fabiano esfregou as mãossatisfeito e empurrou os tições com a ponta da alpercata. As brasas estalaram, a cinza caiu, um círculo de luz espalhou-se em redor da trempe de pedras, clareando vagamente os pés do vaqueiro, os joelhos da mulher e os meninos 10deitados. De quando em quando estes se mexiam, porque o lume era fraco e apenas aquecia pedaços deles. Outros pedaços esfriavam recebendo o ar que entrava pelas rachaduras das paredes e pelas gretas da janela. Por isso não podiam dormir. Quando iam pegando no sono, arrepiavam-se, tinham precisões de virar-se, chegavam- http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br se à trempe e ouviam a conversa dos pais. Não era propriamente conversa, eram frases soltas, 15espaçadas, com repetições e incongruências. Às vezes uma interjeição gutural dava energia ao discurso ambíguo. Na verdade nenhum deles prestava atenção às palavras do outro: iam exibindo as imagens que lhes vinham ao espírito, e as imagens sucediam-se, deformavamse, não havia meio de dominá-las. Como os recursos de expressão eram minguados, tentavam remediar a deficiência falando alto. RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 82ª ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2001, p. 63. Questão 96) No final do texto há uma descrição da comunicação verbal de Fabiano e de sinha Vitória. Assinale a alternativa cuja falas não ilustrariam a comunicação desses personagens. a) – Você vai sair? (...) – Sim, mas não se preocupe, volto antes do escurecer. b) – Hum! Hum! Que brabeza! (...) – Estourado. c) – An! (...) – An! d) – Pestes. (...) – Pestes. e) – Cadê o valente? Quem é que tem coragem de dizer que sou feio? Apareça um homem. (...) – Cambada de... TEXTO: 39 - Comum à questão: 97 1O mulato Praxedes se encheu daquela safadeza toda e resolveu se levantar e, de mão na cintura, soltou seu verbo: – Sabe o que mais seu dotô? Eu vou mais é m’imbora. Deixa esse diabo morrê de uma vez. Então eu, um trabalhadô às direita, pai de família, cambriuzano de nascimento e 5de coração, fico dês das 6 damanhã im jejum pra sarvá uma merda dessas e ela ainda me chama de sifilítico? Sifilítico [...]. Me descurpe da má palavra, eu que não entendo nada de alemão, sou capaz de jurar que foi isso aí que o senhor disse dejahoje pra ela. Eu lhe peço, seu dotô, deixa esse diabo morrê de uma veiz. Ela não tá xingando só a mim não. Ela tá xingando é a minha raça inteira. É o brasileiro. E xingou a minha http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br raça, xinga a minha mãe! 10Quinta coluna dos infernos! Ela que vá pros quinto. O Dr. Büchmann, vermelho como um pimentão, os dentes cerrados, a boca aberta, agarrou o mulato, deu um safanão, jogou-o na cama e disse com todas as suas forças e todos os seus erres: “Fai a merrrdaaa!” E isso com os dentes serrilhando. O Praxedes, de mulato que era, passou a meio desbotado e eu cheguei a pensar que o camarada fosse 15desmaiar. LAUS, Lausimar. O guarda-roupa alemão. Rio de Janeiro, Pallas S.A., 1975, p. 153. Questão 97) Considerando o texto, a obra O guarda-roupa alemão e as variações linguísticas, assinale a alternativa incorreta. a) O padrão coloquial de linguagem, no excerto, é utilizado para registrar a fala do personagem, pois a fala é um elemento de caracterização e verossimilhança na narrativa. b) Os elementos que marcam a linguagem coloquial, no excerto, constituem um recurso utilizado pelo autor para caracterizar o personagem e confirmar o processo comunicativo. Os níveis de linguagem decorrentes das diferenças sociais ocorrem apenas na ficção. c) Pela fala do personagem Praxedes, pode-se inferir que, embora seja ele uma pessoa simples, sabe defender sua opinião. d) Embora a obra tenha como temática central a colonização alemã em SC, ela ainda faz uma abordagem à miscigenação entre os personagens. e) A língua falada em “seu dotô” (ref. 1), “dês das” (ref. 5) e “Me descurpe da má palavra” (ref. 5) pode ser considerada “errada” se comparada à norma culta; no entanto a linguística a considera “correta”, uma vez que representa a fala espontânea de alguns grupos sociais. TEXTO: 40 - Comum à questão: 98 Considere o romance O outro pé da sereia, de Mia Couto. Questão 98) Algumas expressões idiomáticas da língua portuguesa são recriadas no romance, como ocorre no seguinte fragmento: a) “O navio é uma ilha habitada por homens e seus fantasmas”. b) “Quem tem insônia é o peixe que só adormece na frigideira”. c) “É que isto, em Vila Longe, vai de animal a pior”. d) “A melhor maneira de mentir é ficar calado”. e) “As mãos eram um incêndio”. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br TEXTO: 41 - Comum à questão: 99 Todas as variedades linguísticas são estruturadas, e correspondem a sistemas e subsistemas adequados às necessidades de seus usuários. Mas o fato de estar a língua fortemente ligada à estrutura social e aos sistemas de valores da sociedade conduz a uma avaliação distinta das características das suas diversas modalidades regionais, sociais e estilísticas. A língua padrão, por exemplo, embora seja uma entre as muitas variedades de um idioma, é sempre a mais prestigiosa, porque atua como modelo, como norma, como ideal linguístico de uma comunidade. Do valor normativo decorre a sua função coercitiva sobre as outras variedades, com o que se torna uma ponderável força contrária à variação. Celso Cunha. Nova gramática do português contemporâneo. Adaptado. Questão 99) Depreende-se do texto que uma determinada língua é um a) conjunto de variedades linguísticas, dentre as quais uma alcança maior valor social e passa a ser considerada exemplar. b) sistema de signos estruturado segundo as normas instituídas pelo grupo de maior prestígio social. c) conjunto de variedades linguísticas cuja proliferação é vedada pela norma culta. d) complexo de sistemas e subsistemas cujo funcionamento é prejudicado pela heterogeneidade social. e) conjunto de modalidades linguísticas, dentre as quais algumas são dotadas de normas e outras não o são. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br GABARITO: 1) Gab: C 2) Gab: A 3) Gab: D 4) Gab: B 5) Gab: C 6) Gab: E 7) Gab: B 8) Gab: C 9) Gab: C (B também é correta) Para estar conforme ao padrão culto que rege a língua escrita, o verbo ter , no sentido de “existir”, deveria ser substituído por haver : Há gente… Portanto, está correta não apenas a alternativa c , mas também a b , pois o fenômeno em questão envolve também a seleção das palavras. 10) Gab: C 11) Gab: A 12) Gab: a) Como nós faremos isso, Girianildo? É fácil, meu amigo! Todos irão ajudá-lo! b) Fazer um relatório é mais fácil para mim do que dar uma voltinha de Fusca para o Fitipaldi. 13) Gab: D 14) Gab: E 15) Gab: C 16) Gab: E 17) Gab: E 18) Gab: 19) Gab: a) O uso do português coloquial brasileiro, exemplificado no discurso da personagem da charge, consiste na mistura de tratamentos. As formas verbais “fecha” e “vê” são de segunda pessoa. Na seqüência, porém, ao invés de “tu”, aparece o tratamento “você”, que exige a terceira pessoa, como mostra a forma “consegue”. Obedecendo-se, portanto, à harmonia de tratamento, teríamos: Feche os olhos e veja se você consegue imaginar os países ricos, pobres, e os países pobres, ricos… ou Fecha os olhos e vê se tu consegues imaginar os países ricos, pobres, e os países pobres, ricos… http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br b) Assumindo-se como “país pobre”, a personagem logo se imagina nos trajes característicos de Tio Sam, para ele o protótipo de país rico. O resultado, porém, éincoerente e decepcionante, uma vez que os trajes típicos não lhe assentam bem: chapéu torto; camisa, calças e casaca excessivamente grandes. O ridículo da imagem sugere a impraticabilidade da idéia. A mensagem veiculada pela charge conserva sua atualidade. Figurativizam-se fenômenos como a globalização, por exemplo. Países subdesenvolvidos importam produtos de alta tecnologia, que contrastam com a miséria local… 20) Gab: D 21) Gab: C 22) Gab: Um exercício metalingüístico auxilia a construção do sentido pretendido porque o autor relaciona a função das vírgulas no texto escrito, separar termos e orações, com a pausa necessária para o descanso de todo trabalhador, que será muito mais garantida se o cliente aderir aos serviços oferecidos pelo banco. OU O exercício metalingüístico possibilita a comparação entre a função da vírgula na organização textual e as conseqüências decorrentes do uso dos serviços oferecidos pelo banco. 23) Gab: a) A expressão, que no texto caracteriza a fala de um personagem de origem rural, funciona como uma marca de interlocução (vocativo), pois introduz um interlocutor genérico, não-definido, imaginário, a partir do qual a interlocução se instaura. Essa função é reiterada pelo trecho “dizia pra ninguém e para todos o Zeca-vaqueiro”. b) Em uma construção do tipo “a-mó-que” observa-se a supressão, a redução, o apagamento de sílabas, e a não-segmentação de palavras, típicos da língua falada. Esse uso está correlacionado a características sociais, pois, no texto, homem e linguagem se fundem para compor o universo rural, em que predomina a naturalidade, a espontaneidade da linguagem oral. 24) Gab: C 25) Gab: E 26) Gab: Enquanto o primeiro texto emprega um vocabulário e uma estilização de linguagem que o aproximam da literatura regionalista e das liberdades http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br lingüísticas modernistas, o segundo mantém-se dentro da norma culta escrita padrão, centrado na informação. Exemplos: Texto V: O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães é questão de opiniães... O sertão está em toda parte. Texto VI: O sertão de Minas é chamado de Campos Gerais – os gerais. Começam acima das cidades de Corinto e Curvelo e se alargam pelo noroeste até se molhar nas águas escuras do rio Carinhanha, até esbarrar nas serras de Goiás, até se debruçar sobre as terras da Bahia. Observação: outras passagens dos textos V e VI também identificam a diferença de linguagem (por exemplo, em relação à pontuação; ao emprego de conotação e denotação; sintaxe de colocação etc). 27) Gab: C 28) Gab: A 29) Gab: A 30) Gab: C 31) Gab: B 32) Gab: B 33) Gab: 34) Gab: a) Se ele dispuser de tempo. Ela ficou meio nervosa. Seguem anexas duas cópias. // Seguem em anexo duas cópias Esse assunto é entre mim e ela. b) Desvio de grafia: célebro A função expressiva do desvio da norma ( troca dos fonemas “l” / “r”) no contexto publicitário tem como objetivo enfatizar os danos materiais (cérebro/celebro) provocados pelo fumo e trazer o receptor para esse sentido: errar, de verdade, é fumar. A pessoa que fuma, pensa mal, pensa com o “célebro”. 35) Gab: B 36) Gab: E 37) Gab: E 38) Gab: B 39) Gab: C 40) Gab: a) O emprego do neologismo agoramente produz efeito humorístico, já que, ao acrescentar o sufixo -mente ao vocábulo agora, Odorico cria outro advérbio, com a intenção de reforçar o tom persuasivo de seu discurso pretensamente solene. Outro exemplo pertinente seria a produção de eco por meio da re petição do sufixo -ção presente na enumeração “confirmação, satisfação, a autenticação e (…) a sagração”. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br b) O substantivo sagração pode ser entendido como “ato ou efeito de sagrar rei, bispo etc. em cerimônia religiosa”. Ao empregar a expressão “por que não dizer” para introduzir tal substantivo, Odorico intensifica a expressão de sua pretensão de homem público que se julga digno de receber todas as honras de seu povo. 41) Gab: a) O recurso utilizado é a transgressão da ortografia ou, dito de outra forma, o uso da grafia como transcrição da fala; ou seja, a tira apresenta uma forma de escrita que tenta reproduzir a fala das personagens. Esse recurso pode ser exemplificado de três maneiras: pela troca da consoante l por r (como em prantando); pela supressão da vogal na proparoxítona (como em árv[o]re), processo muito comum na fala; e pela troca da vogal e por i (como em di e isperança). b) NÃO. Os fenômenos representados na tira encontram-se também em regiões urbanas e não refletem, necessariamente, escolaridade ou classe social do falante. Por exemplo, a troca da consoante l por r é um processo bastante recorrente nas regiões urbanas. A supressão da vogal em palavras proparoxítonas (xícara, abóbora, etc.) faz parte de um processo fonológico amplamente presente no português brasileiro de forma geral. Finalmente, a elevação da vogal átona (e _i) é uma marca de diferenciação regional e não de oposição rural/urbano. Não se cobrará o uso de metalinguagem na referência aos fenômenos aqui menciados. 42) Gab: C 43) Gab: a) A moça quis referir-se ao estado físico do rapaz, já bastante suado. O rapaz entendeu que ela estava interessada nele. b) O mal-entendido é resultado da utilização de diferentes normas lingüísticas. A moça expressa-se em norma culta e o rapaz a interpreta valendo-se da norma coloquial. Daí entender “Você” como “Vou ser” (Vô sê), ou seja, interpreta uma palavra como duas, por conta da oralidade, em que é comum a redução da terminação verbal “Vou” (Vô), “Ser” (Sê). 44) Gab: E 45) Gab: A 46) Gab: 13 47) Gab: A 48) Gab: B 49) Gab: a) Perdoai-me, tendes, vossos, tende, amei-vos, vos amo, vosso, vossas, ajoelhar-me-ei, deitar-me-ei, estiverdes, vós, puderdes. b) “Perdoe-me, senhora, aqui me tem a seus pés! tenha pena de mim que eu sofri muito, que a amei, que a amo muito!” http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br 50) Gab: D 51) Gab: C 52) Gab: A 53) Gab: D 54) Gab: B 55) Gab: a) A atitude do narrador é preconceituosa, pois pressupõe que, como Falcote foi criado na roça, ele “adquiriu esse modo feio de falar”. Assim, avalia-se negativamente a variante linguística do meio rural, cujas marcas textuais seriam: a redução do ditongo /ei/ à vogal /e/ em “caixeiro”, a transformação do /l/ em /r/ e a queda do /r/ final em “quarqué”, a redução do ditongo /ou/ à vogal /o/ em “cosa” (embora essa redução, na palavra “coisa”, seja estranha). b) Caixeiro, traz / traze / traga aí qualquer coisa de beber ou comer. É irônica a escolha de “anfitrião” (palavra formal e sofisticada) para designar uma personagem que o próprio narrador avalia pejorativamente. Além disso, são escancaradamente irônicas falas como “Como era ilustrado”, “Como falava bem”, “Que magnífico deputado não ia dar”, “tinha tão firmes conhecimentos”. 56) Gab: A 57) Gab: D 58) Gab: C 59) Gab: D 60) Gab: D 61) Gab: A 62) Gab: D 63) Gab: A 64) Gab: A 65) Gab: D 66) Gab: a) Contratam-se mulheres (concordância). b) À Seção de Pessoal - crase. 67) Gab: C 68) Gab: C 69) Gab: C 70) Gab: C 71) Gab: C 72) Gab: a) O texto é considerado heterogêneo porque é construído ora com recurso de linguagem não padrão, informal (cuma), ora com recursos de http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br linguagem padrão, normativa, formal (“parte da renda revertida para a Associação Municipal dos Bi-Rodais”). OU “Cuma” é uma expressão característica da linguagem coloquial, enquanto“parte da renda revertida para a Associação Municipal dos Bi-Rodais” é característica da linguagem culta. b) O motorista faz uso da repetição para expressar sua irritabilidade, sua impaciência, sua perplexidade diante da nova prática de mendicância. OU A repetição utilizada pelo motorista serve para demonstrar a sua insatisfação com a mudança ocorrida no espaço onde, até o dia anterior, era apenas um sinal de trânsito e que recebeu um novo destino (vendas de produtos e prática de mendicância). OU A sinonímia foi utilizada para enfatizar que aquele local era um sinal de trânsito e não um Esmola’s Drive-Thru. 73) Gab: B 74) Gab: B 75) Gab: C 76) Gab: B 77) Gab: D 78) Gab: D 79) Gab: B 80) Gab: E 81) Gab: B 82) Gab: 24 83) Gab: A 84) Gab: 14 85) Gab: 28 86) Gab: D 87) Gab: C 88) Gab: B 89) Gab: B 90) Gab: B 91) Gab: C 92) Gab: a) O tipo específico de sociedade a que remete a leitura da ilustração é de uma sociedade desenvolvida tecnologicamente. OU muito avançada. OU muito desenvolvida. b) Os elementos caracterizadores dessa sociedade no mundo aquático são: construções imponentes, de traços futuristas; boas condições de trânsito; desigualdade social. http://www.projetoredacao.com.br/ www.projetoredacao.com.br c) O critério de distinção das pessoas na escala social: é o alto poder aquisitivo que faz uma pessoa ser considerada “alguém”. Em outras palavras, se sou pobre não sou “alguém”, sou “ninguém”. A ideia que fundamenta o critério é que pessoas financeiramente desfavorecidas estão excluídas da sociedade. 93) Gab: B 94) Gab: B 95) Gab: E 96) Gab: A 97) Gab: B 98) Gab: C 99) Gab: A http://www.projetoredacao.com.br/