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Lista de Redação – Gramática – Linguagem, Texto e 
Discurso – 99 Questões [Médio] 
 
 
Questão 01) 
A Maria recuou dous passos e pôs-se em guarda, pois também não era das 
que se receava com qualquer cousa. 
– Tira-te lá, ó Leonardo! 
– Não chames mais pelo meu nome, não chames... que tranco-te esta boca 
a socos... 
– Safa-te daí! quem te mandou pôr-se aos namoricos comigo a bordo? 
Isto exasperou o Leonardo; a lembrança do amor aumentou-lhe a dor da 
traição e o ciúme e a raiva de que se achava possuído transbordaram em 
socos sobre a Maria, que depois de uma tentativa inútil de resistência, 
desatou a correr, a chorar e a gritar (...). 
 
(Manuel Antônio de Almeida. Adaptado) 
 
O trecho – Não chames mais pelo meu nome, não chames... que tranco-te 
esta boca a socos... – se transposto para o discurso indireto exigiria as 
seguintes alterações: 
 
a) Leonardo disse que não lhe chamasse mais pelo meu nome, pois ele 
trancara a boca de Maria a socos. 
b) Leonardo gritou que não lhe chame mais pelo seu nome porque ele 
trancaria a sua boca a socos. 
c) Leonardo ordenou que não o chamasse mais pelo nome caso contrário 
trancaria a boca de Maria a socos. 
d) Leonardo pediu que não o chamasse mais pelo nome se não trancasse a 
boca de Maria a socos. 
e) Leonardo afirmou que não chamaria mais pelo nome de Maria se ela não 
trancasse sua boca a socos. 
 
Questão 02) 
 
Observe as frases abaixo. 
 
I. Uma pessoa que cooperou com a Polícia e pediu que não fosse 
identificada afirmou que as negociações sempre foram suspeitas. 
II. Após as diligências, os promotores foram obrigados a intimar o rapaz que 
o carro dele correspondia à descrição feita pelas testemunhas. 
III. O vereador continua a declarar que havia motivos bastantes para que ele 
votasse de acordo com o interesse de seu partido. 
IV. “Naquela época — deixa eu te dizer o seguinte — ele era associado de 
uma empresa de grande porte, na cidade de São Paulo.” 
 
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Das frases acima, obedecem à norma culta apenas 
a) I e III. 
b) II e IV. 
c) I e II. 
d) II e III. 
e) III e IV. 
 
Questão 03) 
A única frase inteiramente de acordo com as normas gramaticais do padrão 
culto é: 
a) A secretária pretende evitar que novos mandados de segurança ou 
liminares contra o decreto sejam expedidas. 
b) O CONTRU interditou várias dependências do prédio, inclusive o Salão 
Azul, cujo o madeiramento do forro foi atacado por cupins. 
c) O ministro da Agricultura da Inglaterra declarou que por hora não há 
motivo para sacrificar os animais. 
d) A poucos dias da eleição, os candidatos enfrentam agora uma verdadeira 
maratona. 
e) “Posso vencê-las, mesmo que usem drogas, pois não é isso que as 
tornarão invencíveis”, declarou a nadadora. 
 
Questão 04) 
Você pode dar um rolê de bike, lapidar o estilo a bordo de um skate, curtir o 
sol tropical, levar sua gata para surfar. 
Considerando-se a variedade lingüística que se pretendeu reproduzir nesta 
frase, é correto afirmar que a expressão proveniente de variedade diversa é: 
a) “dar um rolê de bike”. 
b) “lapidar o estilo”. 
c) “a bordo de um skate”. 
d) “curtir o sol tropical”. 
e) “levar sua gata para surfar”. 
 
Questão 05) 
Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe1 em Lisboa, 
sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, 
não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos 
empossado, e que exercia, como dissemos, desde tempos remotos. Mas 
viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria da 
hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia2 rechonchuda e bonitota. 
O Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade 
mal apessoado, e sobretudo era maganão3. Ao sair do Tejo, estando a Maria 
encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por 
junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé 
direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como 
envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo 
beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, 
segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao 
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anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença 
de serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois 
amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos. 
(Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias) 
 
Glossário: 
1 algibebe: mascate, vendedor ambulante. 
2 saloia: aldeã das imediações de Lisboa. 
3 maganão: brincalhão, jovial, divertido. 
 
No excerto, o narrador incorpora elementos da linguagem usada pela maioria 
das personagens da obra, como se verifica em: 
a) aborrecera-se porém do negócio. 
b) de que o vemos empossado. 
c) rechonchuda e bonitota. 
d) envergonhada do gracejo. 
e) amantes tão extremosos. 
 
Questão 06) 
É terminantemente proibido animais circulando nas áreas comuns a todos, 
principalmente para fazerem suas necessidades fisiológicas no jardim do 
condomínio, onde pode por em risco a saúde das crianças que ali brincam 
descalças. 
(Extraído de um relatório de prestação de contas da administração de um 
prédio.) 
 
Assinale a opção em que os dois itens apresentam impropriedades em 
relação às normas gramaticais: 
 ( 1 ) ( 2 ) 
a) Flexão de ‘circular’ e ‘fazer’ Emprego de ‘onde’ 
b) Acentuação de ‘ali” Regência de ‘circular’ 
c) Flexão de ‘comum’ Emprego de ‘onde’ 
d) Acentuação de ‘por’ e ‘ali’ Flexão de comum 
e) Acentuação de ‘por’ e ‘ali’ Emprego de ‘onde’ 
 
Questão 07) 
Assinale a opção que apresenta a função da linguagem predominante nos 
fragmentos abaixo: 
 
 ( I ) 
 Mana Rosa quase que aceitava, de uma vez, 
 para resolver a situação, tal o embaraço em que 
 se achavam. Estiveram um momento calados. 
  Gosta de versos? 
  Gosto... 
  Ah! 
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 Pousou os olhos numa oleografia. 
  É brinde de farmácia? 
  É. 
  Bonita... 
  Acha? 
  Acho... Boa reprodução... 
 
(Orígenes Lessa, O feijão e o sonho) 
 
 
 (II) 
 
 Sentavam-se no que é de graça: banco de praça pública. 
 E ali acomodados, nada os distinguia do resto do nada. Para 
 a grande glória de Deus. 
 Ele: - Pois é. 
 Ela: - Pois é o quê? 
 Ele: - Eu só disse “pois é”! 
 Ela: - Mas “pois é” o quê? 
 Ele: - melhor mudar de conversa porque você não me entende. 
 Ela: - Entender o quê? 
 Ele: - Santa Virgem, Macabéa, vamos mudar de assunto já. 
 
(Clarice Lispector, A hora da estrela) 
 
 
a) Poética. 
b) Fática. 
c) Referencial. 
d) Emotiva. 
e) Conativa. 
 
Questão 08) 
 
Assinale a opção em que a manchete de jornal está mais em acordo com os 
cânones da “objetividade jornalística”: 
 
a) O mestre do samba volta em grande forma (O Estado de S. Paulo, 
17/7/1999.) 
b) O pior do sertão na festa dos 500 anos (O Estado de S. Paulo, 17/7/1999.) 
c) Proteína direciona células no cérebro (Folha de S. Paulo, 24/7/1999.) 
d) A farra dos juros saiu mais cara que a da casa própria (Folha de S. Paulo 
13/6/1999.) 
e) Dono de telas “falsas” diz existir “armação” (O Estado de S. Paulo 
21/7/1999.) 
 
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Questão 09) 
No texto, a marca da coloquialidade apresenta-se como transgressãogramatical. 
 
Tem gente que junta os trapos, outros juntam os pedaços. 
 
Assinale a alternativa que corresponde ao fato: 
a) Ausência de conectivo. 
b) Escolha das palavras. 
c) Emprego do verbo ter. 
d) Repetição do verbo juntar. 
e) Emprego da vírgula. 
Questão 10) 
Os trechos que seguem mostram que certas construções típicas do 
português falado, são utilizadas na modalidade escrita, exceto um deles. 
Aponte-o: 
a) Procure preocupar-se com os problemas que você tem maior dificuldade. 
b) Uma escola, onde na frente havia uma lanchonete, deverá ser totalmente 
reformada. 
c) Sempre me pareceu muito severo aquele diretor sob cujas ordens 
trabalhei muitos anos. 
d) Consideramos propícia a escolha do momento dele falar. 
 
Questão 11) 
Na linguagem coloquial, é muito comum a troca erroneamente dos pronomes. 
Aponte esse equívoco, quando usado na norma culta. 
a) Senhor, aquele jovem quer falar consigo. 
b) Eu o vi durante aquela reunião. 
c) Este trabalho é para eu ler. 
d) Informaram a ele os motivos da briga. 
 
Questão 12) 
O texto abaixo foi escrito numa linguagem coloquial. 
 
Balão 1: Como é que a gente faz isso hein, Girianildo? 
Balão 2: É moleza meu chapa! A turma vai te ajudar! 
Balão 3: Legal! Para mim, fazer um relatório, é mais fácil do que para o 
Fittipaldi dar uma voltinha de fusca! Vamos lá! 
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a) Reescreva o diálogo do primeiro quadro, utilizando o registro culto da 
língua. 
b) Uma outra versão do texto apresentado, no segundo quadro, desfazendo-
se o hipérbato, é: 
 
Questão 13) 
Assinale a frase gramaticalmente correta: 
a) Deve existir muitos colecionadores de selo. 
b) Estou à par de tudo. 
c) Não cheguei a mais tempo pôr causa do trânsito. 
d) Ele ficará feliz quando revir as provas. 
e) Recordo bem de que você esteve aqui. 
 
Questão 14) 
Num determinado trecho do texto o autor usou a expressão: “Vi quando ela 
punha ele para dentro”. 
Certamente esta não é a forma aconselhável no registro culto da Língua 
Portuguesa. 
Das frases abaixo, em apenas uma das respostas os dois itens são 
admissíveis como corretos no registro culto da Língua Portuguesa 
a) 1 –Comprar-lhe-ei os instrumentos que você tem necessidade. 
 2 – Impressionou-me o fato que ele se referiu. 
b) 1 – O que digo-lhe é muito importante para a sua formação. 
 2 – Esta é a vizinha que lhe falei. 
c) 1 – Entre eu e ela haverão muitos sempre afetos. 
 2 – Muitas pessoas têm apatia à leitura. 
d) 1 – Custei a crer no que ouvi. 
 2 – A moça ficou meia tonta depois do acidente. 
e) 1 – Faltam 10 minutos para eu sair. 
 2 – Chame os candidatos eleitos e diga-lhes que a cerimônia de 
empossamento vai começar. 
 
Questão 15) 
Marque a opção que está de acordo com a norma culta da língua. 
a) Não se distribui aleatoriamente títulos de benemérito. 
b) Já devem fazer muitos meses que eles voltaram. 
c) João Romão usou a expressão similar à de Botelho. 
d) Semelhante atitude implicará em sua exclusão do projeto. 
e) Essa é uma homenagem que não posso me privar 
 
Questão 16) 
Texto 
 
Dolores era um desses tipos que o Brasil importa a mãi e o pai pra bancar 
que também dá moça linda. Direitinho certas indústrias de São Paulo... Da 
terra e da nossa raça não tinha nada, porém se pode afirmar que tinha o 
demais porque não havia ninguém mais brasileiro que ela. 
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Falassem mal do Brasil perto dela pra ver o que sucedia! Desbaratava 
logo com o amaldiçoado que vem comer o pão da gente, agora! Praquê não 
ficou lá na sua terra morrendo de fome! Vá saindo...! Ah! Perto de mim você 
não fala do Brasil não porque eu dou pra trás, sabe! Eu sei bem que a Itália 
é mais bonita, mais bonita o quê... Uma porcariada de casas velhas, isso 
sim, e gente ruim, só calabrês é que se vê!... Aqui tem cada amor de 
bangalôzinho... e a estação da Luz, então! Você nunca, aposto, que já entrou 
no Teatro Municipal! Si entrou, foi pro galinheiro, não viu o fuaier Itália... A 
nossa catedral... Aquilo é gótico, sabe! Não está acabada mas falaram pra 
mim que vai ter as torres mais compridas do mundo! 
E Dolores ficava muito bonita na irritação, com cada olho enorme lá no 
fundo relumeando que nem esmeralda. Era uma belezinha. 
(ANDRADE, Mário de. "menina de olho fundo", in Os Contos de Belezarte.) 
 
Sobre o trecho de Mário de Andrade, só NÃO podemos dizer que: 
a) O narrador onisciente, através de um processo comprativo, faz crítica 
irônica ao sistema econômico então vigente. 
b) O dinamismo na narração é fundamentado em um entrelaçamento entre 
as falas do narrador e do personagem. 
c) A presença de tipos de estrutura metomínica e hiperbólica é percebida 
como um recurso estilístico utilizado pelo autor. 
d) A caracterização de Dolores na narrativa é feita em um tom de 
afetividade. 
e) As funções referencial e conativa predominam no texto como forma de 
enfocar o contexto e provocar o leitor. 
 
Questão 17) 
 
Entre os exemplos abaixo, freqüentemente empregados na linguagem 
informal, apenas um está de acordo com a norma culta da língua. Assinale-
o. 
a) Com quem você está namorando agora? 
b) Lá em casa somos em quatro filhos. 
c) Tudo que o pai diz, a mãe acredita. 
d) Meu amigo, isto implicará em sua suspensão. 
e) O candidato residente na rua Cosme Velho não compareceu à prova. 
 
Questão 18) 
 
Observe a frase abaixo em que ocorre uma inadequação lingüística: 
 
Considerando a realidade socioeconômica brasileira, um em cada três 
aposentados se vêem obrigados a voltar a trabalhar. 
 
a) Identifique a inadequação lingüística. 
b) Reescreva a frase de forma a adequá-la à norma-padrão. 
 
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Questão 19) 
 
in: ZIRALDO. A Última do Brasileiro – quatro anos de História nas charges do 
Jornal do Brasil. 
Rio de Janeiro: Editora Codecri, 1975. 
 
Toda charge, segundo os especialistas em comunicação, tem por objetivo a 
crítica humorística imediata a um fato ou ocorrência do momento atual, em 
geral de natureza política. A charge de Ziraldo, embora publicada em 1974, 
no Jornal do Brasil, resistiu ao tempo, pois o problema que focaliza ainda 
persiste. 
Com base neste comentário, responda: 
a) No discurso da primeira personagem da charge, as formas verbais 
“fecha”, “vê” e “consegue”, juntamente com o pronome “você”, 
exemplificam um uso típico do português coloquial brasileiro. Explique 
esse uso e reescreva o discurso da personagem de acordo com a norma 
culta. 
b) Levando em consideração a natureza crítica e humorística das charges, 
interprete os elementos visuais que, no interior do balão, representam o 
que a segunda personagem imaginou. 
 
Questão 20) 
Do sonho de um grupo de intelectuais, entre eles Paulo Emilio Salles 
Gomes, Décio de Almeida Prado, Antonio Candido, então jovens estudantes 
da USP, nasceu a Cinemateca Brasileira. 
 Embora seus criadores tenham sofrido perseguições políticas em várias 
oportunidades, e o acervo cinematográfico tenha sido vítima de incêndios, a 
Cinemateca Brasileira, pela continuidade de sua atuação, é um dos arquivos 
de filmes mais antigos de todo o mundo. 
 Membro efetivo da Fédération Internacionale des Archives du Film desde 
1949, a Cinemateca Brasileira tem seu trabalho reconhecido nacional e 
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internacionalmente. Além de possuir a maior coleção de filmes da América 
Latina, é um centro de informações e de difusão da cultura cinematográfica, 
que restaura e preserva a produção do cinema nacional em seu conjunto, 
com especial ênfase na conservação dos registros de imagens em 
movimento produzidos contemporaneamente, além de documentar, 
pesquisar e difundir o cinema em todasas suas manifestações. 
Folheto de divulgação da Cinemateca Brasileira, produzido pela Assessoria de 
Comunicação Social do Ministério da Cultura 
 
Assinale a alternativa redigida de maneira lógica, de acordo com a norma 
culta da língua e sem alteração das idéias originais do texto. 
a) A Cinemateca Brasileira, que o trabalho dela é de reconhecimento 
internacional, tem conhecido insucessos, os quais não a impedem a 
continuidade de sua eficaz ação. 
b) O trabalho feito pela Cinemateca Brasileira, considerada internacional, 
não está impedido por que teve e tem problemas; em vez, ela continua a 
agir contínua e eficazmente. 
c) Os problemas que a Cinemateca está sujeita, mesmo com o trabalho 
internacionalmente reconhecido, não prejudicam sua contínua ação que 
se revela eficazmente. 
d) A Cinemateca Brasileira, cujo trabalho é reconhecido internacionalmente, 
sofreu duros reveses, que não foram, entretanto, capazes de impedir sua 
ação contínua e eficaz. 
e) A ação da Cinemateca Brasileira eficaz e contínua não foi compatível 
com os problemas que sofreu, na medida que ela continua atuando de 
maneira adequada. 
 
Questão 21) 
Observe a seguinte afirmação feita pelo autor: “Em nossa civilização 
apressada, o “bom dia”, o “boa tarde” já não funcionam para engatar 
conversa. Qualquer assunto servindo, fala-se do tempo ou de futebol.” Ela 
faz referência à função da linguagem cuja meta é “quebrar o gelo”. 
Indique a alternativa que explicita essa função. 
a) Função emotiva 
b) Função referencial 
c) Função fática 
d) Função conativa 
e) Função poética 
 
Questão 22) 
Uma propaganda a respeito das facilidades oferecidas por um 
estabelecimento bancário traz a seguinte recomendação: 
 
Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça: vírgulas significam 
pausas. 
VEJA. n. 1918. São Paulo, 17 ago. 2005, p. 17. 
 
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Nesse texto, observa-se um exercício de natureza metalingüística. Explique 
como esse recurso auxilia a construção do sentido pretendido para persuadir 
o leitor. 
 
Questão 23) 
Leia o texto: 
 
Prinspiava a seca, naquele final de março, com uns trovões assim como 
que disparados ali pelas três horas da tarde reboando nas bocainas. [...] Nos 
currais, os bezerros berravam vez por outra e algumas vacas mugiam a-mó-
que engasgadas. [...] Ao sair da lua havia tão-só algumas raras nuvens 
arredondadas na barra do nascente, trocando entre si aquelas lambadas de 
coriscos, sem estrondo nenhum de ribombo de trovoada. Era uma guerra de 
silêncio. 
– É a seca, esse menino – dizia pra ninguém e para todos o Zeca-
vaqueiro, caçando seu jeito de sentar ali na calçada da frente da fazenda, 
naquela sonoite inda com os relâmpagos retremendo o céu rabiscado do vôo 
cambaleante dos morceguinhos, ao tempo que em derredor se postavam os 
demais trabalhadores. Hoje, ali tinha mais gente, como era de conforme se 
reunir quando o patrão aportava. A animação, a-mó-que ensurdecia o gemer 
do gado por perto, sem descontar os bezerros. 
TELES, Gilberto Mendonça (Org.). Os melhores contos de Bernardo Élis. 
São Paulo: Global, 1996. p. 117. 
 
Temática e gênero discursivo são fatores relacionados ao uso de recursos da 
linguagem oral no conto João Boi, de Bernardo Élis. Considere essa 
afirmativa para responder ao que se pede. 
a) O valor discursivo de uma expressão nem sempre é recuperado pelo 
significado das palavras que a compõem. Explique a função de esse 
menino na voz de Zeca-vaqueiro. 
b) Na estruturação de a-mó-que, que características da oralidade pretende-
se representar? Justifique. 
Questão 24) 
Com base na leitura da Carta, de Pero Vaz de Caminha, é INCORRETO 
afirmar que esse texto: 
a) se filia ao gênero da literatura de viagem. 
b) aborda seu próprio contexto de produção. 
c) usa registro coloquial em estilo cerimonioso. 
d) se compõe de narração, descrição e dissertação. 
Questão 25) 
Leia, atentamente, os textos I e II, abaixo. 
 
I. “Daí João Onofre odiou a terra, odiou as gentes, odiou a casa, odiou a si 
mesmo. E odiou, ainda mais, aquela entidade poderosa e cruel que se 
chamava serraria. Odiou quieto e calado, sem externar seus sentimentos. 
(...) Olhando em torno, ele deu-se conta, pela primeira vez, da devastação 
que ia em derredor.” 
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II. “Inscrevendo em sua coluna de honra os nomes de alguns ítalo-brasileiros 
ilustres, este jornal rende uma homenagem à força e às virtudes da nova 
fornada mamaluca. São nomes de literatos, jornalistas, cientistas, 
políticos, esportistas, artistas e industriais.” 
 
Assinale a alternativa CORRETA. 
a) No texto I observa-se o registro da linguagem típica dos manezinhos de 
Florianópolis. 
b) O texto I aborda o tema da produção madeireira das regiões serranas de 
Santa Catarina, produção desenvolvida, principalmente, pelo imigrante 
italiano, conforme assinala o texto II. 
c) O autor do texto I é o paulistano Antônio Alcântara Machado e o do texto 
II é o blumenauense Guido Wilmar Sassi. 
d) Os textos I e II pertencem ao gênero narrativo; contudo o primeiro é parte 
de um livro de contos e o segundo, de um romance. 
e) As palavras do texto I encerram um sentimento elegíaco e de impotência 
face ao desmatamento, por oposição às palavras do texto II, que 
expressam exaltação face à miscigenação criadora. 
 
Questão 26) 
TEXTO V 
 
Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um 
pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde 
criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O 
Urucuia vem dos montões oestes. Mas, hoje, na beira dele tudo dá – 
fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; 
culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens 
dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, 
cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães é questão de 
opiniães... O sertão está em toda parte. 
ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. 
 
TEXTO VI 
 
Sertão é palavra nossa, não tem em língua estrangeira. Sertão é sertão. 
Há quem diga que venha de “dessertão”: miolo de nação onde o mato é 
grande e a população é pouca. O reverso da cidade, o avesso da civilização. 
“Nosso mar interior”, para o antropólogo Darcy Ribeiro, área vasta e seca que 
se estende pelas beiradas do Rio São Francisco, mas nunca encontra o 
oceano. 
O sertão de Minas é chamado de Campos Gerais – os gerais. Começam 
acima das cidades de Corinto e Curvelo e se alargam pelo noroeste até se 
molhar nas águas escuras do rio Carinhanha, até esbarrar nas serras de 
Goiás, até se debruçar sobre as terras da Bahia. 
Revista Terra, 09/05, p. 34. 
 
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Os textos V e VI focalizam o sertão valendo-se de gêneros textuais diferentes. 
Apresente uma diferença de linguagem que caracteriza os gêneros dos 
textos V e VI, exemplificandoa com, pelo menos, uma passagem de cada 
texto. 
 
Questão 27) 
Assinale a alternativa incorreta. 
a) A norma culta assegura a unidade nacional da língua. 
b) A norma culta diz respeito à língua utilizada em situações formais de 
comunicação; atende às normas gramaticais. 
c) Dialeto é o registro da fala de determinados grupos sociais; indica o grau 
de instrução dos falantes dos diferentes grupos. 
d) Se o nível de língua utilizado em um discurso permite identificar 
familiaridade entre os falantes, diz-se que o registro é coloquial (ou 
informal); se atender à norma culta da língua, diz-se que é formal. 
e) Em Dulce nos contou como Jenifer, sua filha, é inteligente ocorre discurso 
indireto. 
 
Questão 28) 
No texto de divulgação do Governo Federal, abaixo, 
 
 
 
a) há um aproveitamento de sinais gráficos próprios da matemática, usadoscom intenção icônica de dupla possibilidade significativa. 
b) os sinais gráficos têm interpretação unívoca. 
c) os sinais gráficos, muito usados na matemática, têm valor significativo da 
área exclusiva da informática. 
d) a intenção comunicativa leva à interpretação de que só no Brasil há 
computador para todos . 
e) a linguagem visual entra em choque com o que se pretende comunicar 
com a linguagem verbal. 
 
Questão 29) 
 
A escrita existe desde que o homem dispõe de algum tipo de comunicação 
visual. Diz-se até que o homem se compõe de cabeça, tronco, membros e 
imagem. A imagem (linguagem verbal, não-verbal, cibernética), de certa 
forma, busca meios de expressar a identidade do indivíduo ou da sociedade 
que representa. 
Identifique o comentário adequado à situação de comunicação e à sua 
linguagem correspondente. 
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a) 
 
A escrita no corpo é uma busca de identidade, através de uma estética 
alternativa, em que se evidenciam as escolhas únicas (local, forma, cores, 
símbolos) que caracterizam determinada pessoa. 
b) Quero ficar no teu corpo feito tatuagem 
Que é pra te dar coragem 
Pra seguir viagem 
Quando a noite vem 
E também pra me perpetuar em tua escrava 
Que você pega, esfrega, nega 
Mas não lava. 
 Chico Buarque 
Para expressar o amor, o eu-lírico se utiliza da linguagem verbal, valendo-
se de uma metáfora (feito tatuagem) cujo efeito de sentido se materializa 
em uma imagem que revela o desejo de permanência fugaz junto ao ser 
amado. 
c) 
 
As inscrições encontradas nas pedras da Serra da Capivara, no Piauí, 
podem representar a necessidade de o ser humano apagar da memória 
o conhecimento do cotidiano de uma forma de vida primitiva. 
d) 
 
A foto do beijo expressa um sentimento que exige do observador, para 
sua visualização, um conhecimento apurado da linguagem cibernética. 
 
 
 
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e) 
 
Na sociedade atual, o cidadão é identificado por uma carteira padronizada 
ou apenas pela impressão digital, quando é analfabeto. De forma a 
fugirem do caráter obrigatório e massificador de tal modelo, os internautas 
criam modelos virtuais mais próximos de sua identidade, já com valor 
oficial. 
 
Questão 30) 
“A professora do Bocão está corrigindo o dever de casa. 
Aí, balança a cabeça, olha para o Bocão e diz: 
– Não sei como uma pessoa só, consegue cometer tantos erros. 
E o Bocão explica: 
– Não foi uma pessoa só, professora. Papai me ajudou.” 
(ZIRALDO, Alves Pinto. Rolando de rir. O livro das gargalhadas do Menino 
Maluquinho. São Paulo: Melhoramentos, 2001. p. 20) 
 
Em relação ao texto acima, pode-se concluir que 
 
I. há predominância da função metalingüística. 
II. as falas dos interlocutores se sucedem sem a presença do narrador. 
III. a comicidade do texto se dá em razão da interpretação literal de “Bocão”. 
 
Analise as proposições e marque a alternativa conveniente. 
a) Apenas II e III estão corretas. 
b) Apenas I e II estão corretas. 
c) Apenas I e III estão corretas. 
d) Apenas III está correta. 
e) I, II e III estão corretas. 
 
Questão 31) 
 
Fala n laminha... 
ontem eu tava em offf geral... 
sem poder nem comer... PASSEI O DIA E SOH COMI UMA MAÇA 
E UMA BANAA... FUI PRO PP 
e passei mal de fome... tu acredita... ai a gente foi comer arrumadinho 
(q programão ir pro PP n beber)... 
Fosse ontem?? 
bjux!!! 
 
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O “Scrap” acima, retirado do ORKUT, revela um(a) 
a) registro equivocado da norma culta, que empobrece o uso da língua 
escrita. 
b) forma de comunicação grafolingüística que aproxima os interlocutores e 
apresenta características próprias da dinamicidade da língua. 
c) uso inaceitável de registro que apresenta uma forma ininteligível, pois 
privilegia uma escrita silábica. 
d) indução ao erro, tendo em vista o efeito causado à elaboração da sintaxe. 
e) ameaça ao uso da língua escrita em virtude do excesso das marcas de 
oralidade e da presença de registro formal. 
 
Questão 32) 
Assinale a opção constante de frase em que não se aponta erro de qualquer 
natureza: 
a) Procura-se combustíveis alternativos para fazer o petróleo, como disse 
alguém, voltar a ser apenas barro escuro cheirando a enxôfre. 
b) Assiste-se atualmente a uma verdadeira corrida para pôr fim à era do 
petróleo, com o objetivo de neutralizar o poder dos xeques, advindo do 
fato de o Oriente Médio deter dois terços das reservas mundiais desse 
combustível, do qual a humanidade se tornou refém. 
c) Intensificou-se em todo o mundo as pesquisas de combustíveis 
alternativos, com vistas a proteger as economias nacionais face às 
exigências dos países ricos em petróleo. 
d) A despeito de está na vanguarda da pesquisa a medicina foi uma das 
últimas áreas do Brasil a mergulharem no mundo da informática. 
e) A pouco mais de um ano a faculdade está testando um equipamento que 
os pacientes, atendidos em situação de emergência, recebe o 
acompanhamento médico ainda na ambulância. 
 
Questão 33) 
A LÍNGUA 
 
Conta-me Cláudio Mello e Souza. Estando em um café de Lisboa a conversar 
com dois amigos brasileiros, foram eles interrompidos pelo garçom, que 
perguntou intrigado: 
― Que raio de língua é essa que estão aí a falar, que eu percebo tudo? 
(Rubem Braga. Recado de primavera. 3 ed. Rio de Janeiro: Record, 1985. p. 
119) 
 
Que informações relacionadas com variedades lingüísticas estão por trás do 
comentário do garçom 
 
Questão 34) 
Seguem exemplos de inadequações em relação ao registro padrão da língua 
escrita, apontadas na reportagem da revista VEJA (“A riqueza da língua”) 
como entraves para o sucesso de profissionais de todas as áreas. 
 
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Pecados da língua 
Se ele dispor de tempo. 
Ela ficou meia nervosa. 
Segue anexo duas cópias do contrato. 
Esse assunto é entre eu e ela. 
 
a) Reescreva a frase no padrão culto, fazendo somente as alterações 
necessárias. 
b) No entanto, às vezes, o desvio do padrão culto apresenta uma finalidade 
expressiva para a produção do sentido. 
 
Transcreva o desvio da língua culta que ocorre no texto publicitário. 
Justifique a função expressiva desse desvio no texto publicitário. 
 
Questão 35) 
 
Assinale a opção em que a frase está articulada de modo claro, coeso, 
coerente e correto: 
 
a) O Brasil deve acordar para a crise hídrica mundial, à despeito de 
privilegiado em um planeta sedento, posto que a água potável disponível 
em seu território é abundante na Bacia Amazônica, que detém 80% do 
precioso líquido, e escassa na Bacia do Prata, apesar de ser nesta que 
vive a maior parte de sua população, a dedicar-se a intensa atividade 
econômica. 
b) Embora privilegiado num planeta sedento, o Brasil deve acordar para a 
crise hídrica mundial, porque a água potável disponível em seu território 
é abundante na Bacia Amazônica – cerca de 80% - e escassa na Bacia 
do Prata, onde se concentra a maior parte da população e da atividade 
econômica. 
c) Não é na Bacia Amazônica, que detém 80% da água potável disponível 
em nosso País, mas na Bacia do Prata em que vive a maior parte dos 
brasileiros em intensa atividade econômica, razão porque o Brasil deve 
acordar para a crise hídrica mundial, apesar de privilegiado em um planeta 
sedento. 
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d) A Bacia Amazônica detém 80% da água potável disponível em nosso País 
e a Bacia do Prata, 20%, razão porque o Brasil deve acordar para a crise 
hídrica mundial, apesar de privilegiado em um planeta sedento, pois na 
última das bacias citadas, é que vive a maior parte de nossa população e 
onde se concentra maior atividade econômica. 
e) Na Bacia do Prata é que vive a maior parte de nossa população,que se 
dedica a intensa atividade econômica; entretanto, é a Bacia Amazônica 
que detém 80% da água potável disponível em nosso território, sendo 
essa a razão por que o Brasil deve acordar para a crise hídrica mundial, 
embora privilegiado num planeta sedento. 
 
Questão 36) 
Assinale a opção em que não há erro de qualquer natureza: 
a) Além de complicações de quadros associados à infartos e derrames, a 
alta concentração de ozônio leva à piora de outros, como àqueles de 
câncer no pulmão. Na estimativa dos cientistas, o ozônio é benéfico à vida 
de 10 a 50 quilômetros por formar uma camada atmosférica que atua 
como barreira contra a radiação solar. 
b) Fostes tu quem divulgastes que boa parte dos presos dorme no chão, mas 
foi eu que ficou mau na foto com o diretor. 
c) Os assassinos do antropólogo haviam escondido-se, bem escondidinhos, 
na mata; os policiais, entretanto, teriam-nos encontrado menos 
penosamente, caso logo tivesse recorrido a mateiros experientes. 
d) As grandes cidades estão restringindo cada vez mais o acesso de carros 
as suas regiões centrais, o que fazem para evitar que um dia seus 
habitantes tenha de usar máscaras de oxigênio para sobreviverem à 
substâncias tóxicas. 
e) Muitos de nós ainda não nos convencemos de que aquele rapaz, 
conhecido por seu mau caráter, é um dos que explora a miséria para 
auferir dividendos eleitorais. 
 
Questão 37) 
 
Leia a notícia. 
 
Compactos supercompletos passam médios no preço 
 
A lógica do mercado normalmente é direta. Quanto maior o produto, mais 
caro ele é. Mas, na cartilha dos negócios automotivos brasileiros, esta 
premissa nem sempre funciona. Basta equipar alguns modelos compactos 
com diversos opcionais. Em muitos casos, os automóveis pequenos passam 
a ter um preço próximo, ou até mais alto, que o de automóveis maiores. 
(carros.uol.com.br, 30.04.2008. Adaptado) 
 
Assinale a alternativa em que a frase conclui adequadamente o trecho, 
conforme os sentidos nele presentes. 
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a) Ou seja: paga-se mais por um carro médio com menos espaço, requinte 
e itens de conforto. 
b) Ou seja: paga-se a mesma coisa por um carro médio com mais espaço, 
requinte e itens de conforto. 
c) Ou seja: paga-se menos por um carro médio com menos espaço, requinte 
e itens de conforto. 
d) Ou seja: paga-se mais por um carro médio com mais espaço, requinte e 
itens de conforto. 
e) Ou seja: paga-se menos por um carro médio com mais espaço, requinte 
e itens de conforto. 
 
Questão 38) 
I. Elas não são mais feitas em locais precários, e sim em grandes estúdios 
onde há cuidado com a higiene. 
II. As técnicas se refinaram: há mais cores disponíveis, os pigmentos são de 
melhor qualidade e ferramentas como o laser tornaram bem mais simples 
apagar uma tatuagem que já não se quer mais. 
III. Vão longe, enfim, os tempos em que o conceito de tatuagem se resumia 
à velha âncora de marinheiro. 
IV. Nos últimos dez ou quinze anos, fazer uma tatuagem deixou de ser 
símbolo de rebeldia – de um estilo de vida “marginal”. 
 
Com relação aos períodos apresentados, assinale a alternativa incorreta. 
a) Em I, o pronome relativo onde equivale a nos quais. 
b) A norma culta da língua aceita perfeitamente a substituição, em III, de 
tempos em que por tempos onde. 
c) Em I, ocorreu concordância ideológica (silepse): o pronome Elas refere-
se a tatuagem, do período anterior. 
d) Em III, o advérbio enfim corresponde a por fim. 
e) Em IV, o travessão e as aspas foram empregados para, respectivamente, 
destacar, com ênfase, a parte final do período, e acentuar o significado 
particular da palavra marginal. 
 
Questão 39) 
 
A metalinguagem está presente nestes versos de A Educação pela Pedra, de 
João Cabral de Melo Neto, exceto em: 
 
a) Certo poema imaginou que a daria a ver 
(sua pessoa, fora da dança) com o fogo. 
Porém o fogo, prisioneiro da fogueira, 
tem de esgotar o incêndio, o fogo todo; 
e o dela, ela o apaga (se e quando quer) 
ou o mete vivo no corpo: então, ao dobro. 
(MELO NETO, J. C. de. Dois P.S. a um poema. 
 In: A educação pela pedra. Rio de 
Janeiro: Alfaguara, 2008, p. 218) 
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b) Catar feijão se limita com escrever: 
jogam-se os grãos na água do alguidar 
e as palavras na da folha de papel; 
e depois joga-se fora o que boiar. 
Certo, toda palavra boiará no papel, 
água congelada, por chumbo seu verbo: 
pois, para catar esse feijão, soprar nele, 
e jogar fora o leve e oco, palha e eco. 
(MELO NETO, J. C. de. Catar feijão. In: A 
 educação pela pedra. Rio de Janeiro: 
Alfaguara, 2008, p. 222) 
c) Durante as secas do Sertão, o urubu, 
de urubu livre, passa a funcionário. 
O urubu não retira, pois prevendo cedo 
que lhe mobilizarão a técnica e o tacto, 
cala os serviços prestados e diplomas, 
que o enquadrariam num melhor salário, 
e vai acolitar os empreiteiros da seca, 
veterano, mas ainda com zelos de novato: 
aviando com eutanásia o morto incerto, 
ele, que no civil quer o morto claro. 
(MELO NETO, J. C. de. O urubu mobilizado. 
In: A educação pela pedra. Rio 
de Janeiro: Alfaguara, 2008, p. 209) 
d) Quando um rio corta, corta-se de vez 
o discurso-rio de água que ele fazia; 
cortado, a água se quebra em pedaços, 
em poços de água, em água paralítica. 
Em situação de poço, a água equivale 
a uma palavra em situação dicionária: 
isolada, estanque no poço dela mesma; 
e porque assim estanque, estancada; 
e mais: porque assim estancada, muda, 
e muda porque com nenhuma comunica, 
porque cortou-se a sintaxe desse rio, 
o fio de água por que ele discorria. 
(MELO NETO, J. C. de. Rios sem discurso. 
In: A educação pela pedra. Rio de 
Janeiro: Alfaguara, 2008, p. 229-230) 
 
Questão 40) 
 
Leia a seguinte fala, extraída de uma peça teatral, e responda ao que se 
pede. 
 
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Odorico – Povo sucupirano! Agoramente já investido no cargo de Prefeito, 
aqui estou para receber a confirmação, ratificação, a autenticação e, por que 
não dizer, a sagração do povo que me elegeu. 
 
Dias Gomes. O Bem-Amado: farsa sócio-político-patológica em 9 
quadros. 
 
a) A linguagem utilizada por Odorico produz efeitos humorísticos. Aponte um 
exemplo que comprove essa afirmação. Justifique sua escolha. 
b) O que leva Odorico a empregar a expressão “por que não dizer”, para 
introduzir o substantivo “sagração”? 
 
Questão 41) 
 
É sabido que as histórias de Chico Bento são situadas no universo rural 
brasileiro. 
 
 
 
 
a) Explique o recurso utilizado para caracterizar o modo de falar das 
personagens na tira. 
b) 
b) É possível afirmar que esse modo de falar caracterizado na tira é 
exclusivo do universo rural brasileiro? Justifique. 
 
Questão 42) 
Na charge abaixo, a temática do texto é revelada pelos traços da linguagem 
não-verbal e todo o contexto discursivo. Nesse sentido, pode-se depreender 
que: 
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ANGELI, Folha de São Paulo, 11 jun. 2003. 
 
I. A fala do personagem estabelece uma contradição entre o real e o 
imaginário. 
II. Os procedimentos de construção subjetiva do autor contribuem para 
referendar as condições de exclusão social. 
III. O discurso do personagem coloca em cena um enunciador que assume 
uma posição absurda, gerando um distanciamento marcado pelo 
contexto. 
IV. A fala irônica do enunciador revela o conflito instaurado pela posição 
social que o personagem ocupa. 
 
Analise as proposições acima, e marque a alternativa que corresponde às 
verdadeiras. 
 
a) II e IV, apenas 
b) I e II, apenas 
c) I, II e IV, apenas 
d) II e III, apenas 
e) I, II, III e IV 
 
Questão 43) 
 
Leia o texto. 
 
Cuidado com as palavras 
 
Uma moça se preparou toda para ir ao ensaio de uma escolade samba. 
Chegando lá, um rapaz suado pede para dançar e, para não arrumar 
confusão, ela aceita. 
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Mas o rapaz suava tanto que ela já não estava suportando mais. Assim, ela 
foi se afastando e disse: 
– Você sua, hein!!! 
Ele puxou-a, lascou um beijo e respondeu: 
– Também vô sê seu, princesa!!! 
 
(www.mundodaspiadas.com/arquivo/2006-2-1.html. Adaptado) 
 
 
a) Tendo como base a frase da moça, explique o que ela quis dizer e o que 
o rapaz entendeu. 
b) Explique, do ponto de vista fonológico, o que gerou a interpretação do 
rapaz. 
 
Questão 44) 
 
A frase correta, em termos de correção lingüística, coesão e coerência, é 
 
a) É importante preservar a mente aberta às mudanças e inovações; porque 
as melhores idéias surgem, com freqüência da diversidade. 
b) Coragem é necessária para mostrar idéias criativas; ao apresenta-las a 
outras pessoas, elas crescem, se transformam e assumem maior 
proporção. 
c) O instrutor sugeriu que mergulhássemos a cabeça no problema, que 
estudássemos ele e que, depois, desligássemos; de repente, 
encontraríamos a resposta a tanto esperada. 
d) A curiosidade, é um dos mais importantes combustíveis para a 
criatividade, é através dela que conseguimos vencer desafios 
impossíveis. 
e) Boas idéias são como sonhos: se não forem devidamente armazenadas, 
serão esquecidas e poderão perder-se para sempre. 
 
Questão 45) 
 
A utilização da função metalingüística da linguagem é um recurso comum às 
obras Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna e Meus poemas 
preferidos, de Manuel Bandeira, sabendo-se que tal recurso ocorre dentro 
dos respectivos gêneros literários. Marque, a seguir, a alternativa cujo 
fragmento textual NÃO comprova a afirmação acima: 
 
a) “O comentário musical da paisagem só podia ser o sussurro sinfônico da 
vida civil. 
No entanto o que ouço neste momento é um silvo agudo sagüim : (...) 
b) “ PALHAÇO 
É preciso mudar o cenário, para a cena do julgamento de vocês. Tragam 
o trono de Nosso Senhor! Agora a igreja vai servir de entrada para o céu 
e para o purgatório.(...)” 
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c) “Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário 
[ o cunho vernáculo de um vocábulo 
Abaixo os puristas 
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais (...)” 
d) “Vede como primo 
Em comer hiatos! 
Que arte! E nunca rimo 
Os termos cognatos.” 
 
Questão 46) 
 
 
 
Em relação a este texto verbo-visual, assinale o que for correto. 
 
01. A ironia que funda o gesto poético está, também, no título – sick transit. 
02. Epígrafe e imagem são elementos dissociados no texto e na leitura do 
poema. 
04. A interferência do poeta, colocando o "m" entre parênteses, possibilita 
leituras dessa relação: sobra, sombra, assombração. 
08. O termo interditada, aposto a liberdade, indica seu impedimento, 
evidenciando um estado de absoluta supressão de direitos. 
 
Questão 47) 
Sentimental 
 
1 Ponho-me a escrever teu nome 
Com letras de macarrão. 
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas 
4 e debruçados na mesa todos contemplam 
esse romântico trabalho. 
 
Desgraçadamente falta uma letra, 
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7 uma letra somente 
para acabar teu nome! 
— Está sonhando? Olhe que a sopa esfria! 
 
10 Eu estava sonhando... 
E há em todas as consciências este cartaz amarelo: 
“Neste país é proibido sonhar.” 
 
ANDRADE, C. D. Seleta em Prosa e Verso. Rio de Janeiro: Record, 1995. 
 
Com base na leitura do poema, a respeito do uso e da predominância das 
funções da linguagem no texto de Drummond, pode-se afirmar que 
 
a) por meio dos versos “Ponho-me a escrever teu nome” (v. 1) e “esse 
romântico trabalho” (v. 5), o poeta faz referências ao seu próprio ofício: o 
gesto de escrever poemas líricos. 
b) a linguagem essencialmente poética que constitui os versos “No prato, a 
sopa esfria, cheia de escamas e debruçados na mesa todos contemplam” 
(v. 3 e 4) confere ao poema uma atmosfera irreal e impede o leitor de 
reconhecer no texto dados constitutivos de uma cena realista. 
c) na primeira estrofe, o poeta constrói uma linguagem centrada na amada, 
receptora da mensagem, mas, na segunda, ele deixa de se dirigir a ela e 
passa a exprimir o que sente. 
d) em “Eu estava sonhando...” (v. 10), o poeta demonstra que está mais 
preocupado em responder à pergunta feita anteriormente e, assim, dar 
continuidade ao diálogo com seus interlocutores do que em expressar 
algo sobre si mesmo. 
e) no verso “Neste país é proibido sonhar.” (v. 12), o poeta abandona a 
linguagem poética para fazer uso da função referencial, informando sobre 
o conteúdo do “cartaz amarelo” (v. 11) presente no local. 
 
Questão 48) 
 
Das frases abaixo, a única construção frasística aceita pela norma culta ou 
padrão da língua é: 
 
a) A negação do encontro entre a ministra e a secretária complicou o 
governo a nível de eleição. 
b) Haja vista os problemas ocorridos com o Senado, a ala oposicionista 
entrou com uma chuva de ações. 
c) O garoto detido pelo policial na "crackolândia" se defendeu: “Eu sou de 
menor”. 
d) Segundo o IBGE, o eletrodoméstico mais presente nos lares brasileiros é 
a TV a cores. 
e) A rede de lojas de eletrodomésticos faz entregas a domicílio também na 
Baixada Santista. 
 
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Questão 49) 
 
Leia o fragmento abaixo. 
 
“Perdoai-me, senhora, aqui me tendes a vossos pés! tende pena de mim que 
eu sofri muito, que amei-vos, que vos amo muito! Compaixão! que serei vosso 
escravo, beijarei vossas plantas – ajoelhar-me-ei à noite à vossa porta, 
ouvirei vosso ressonar, vossas orações, vossos sonhos – e isso me bastará. 
– Serei vosso escravo e vosso cão, deitar-me-ei a vossos pés quando 
estiverdes acordada, velarei com meu punhal quando a noite cair: e se algum 
dia, se algum dia vós me puderdes amar – então! então!...”. 
 
AZEVEDO, Álvares de. Noite na taverna. Porto Alegre: L&PM, 2009. p. 
69. 
 
O trecho acima constitui uma amostra de como a língua portuguesa era 
usada no século XIX e um exemplo de como a língua passa por 
transformações ao longo dos tempos. Levando em conta esses aspectos, 
 
a) Transcreva do trecho acima quatro formas linguísticas que hoje estão em 
desuso no português do Brasil. 
b) Reescreva o trecho “Perdoai-me, senhora, aqui me tendes a vossos pés! 
tende pena de mim que eu sofri muito, que amei-vos, que vos amo muito!”, 
substituindo as construções em desuso atualmente no Brasil por 
correspondentes contemporâneos e também de variedade padrão da 
língua. 
 
Questão 50) 
 
Assinale a alternativa que contenha uma oração que atenda à norma padrão 
da língua portuguesa: 
 
a) Funcionários e população em geral, temem pela ameaça que o novo 
produto representa para o meio ambiente, argumentando que a ciência 
tem desconsiderado, cada vez mais, a ecologia. 
b) As decisões internas influênciam o público externo, o que impõe sobre 
os gestores grande responsabilidade social. 
c) A perca da memória em certos casos é irreversível, podendo levar o 
paciente à total invalidade. 
d) A natureza, muito embora alguns insistam em contestar – 
exaustivamente – , tem dado boas respostas aos exacerbados atos 
humanos contra ela, haja vista os recentes desastres naturais ocorridos 
pelo mundo. 
e) Diante de tamanha demonstração de poder e, ao mesmo tempo, de 
incompetência, resta perguntar até onde vai essa cultura instaurada da 
impunidade? 
 
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Questão 51) 
OS DEGRAUS 
Não desças os degraus do sonho 
Para não despertar os monstros. 
Não subas aos sótãos - onde 
Os deuses, por trás das suas máscaras, 
Ocultam o próprio enigma. 
Não desças, não subas, fica.O mistério está é na tua vida! 
E é um sonho louco este nosso mundo... 
(Disponível em: http://www.fabiorocha.com.br/ 
mario.htm. Acesso em 10/05/10.) 
 
Observando o verso “O mistério está é na tua vida!”, do poema de Mario 
Quintana, pode-se concluir que 
 
a) há um erro gramatical, pois o vocábulo “é” não tem qualquer função. 
b) há duas orações com o mesmo sujeito. 
c) o vocábulo “é” tem a função de dar ênfase ou reforço ao enunciado. 
d) há um erro gramatical, pois existem dois verbos e uma única oração. 
e) não há erro, pois a construção representa uma “licença poética”. 
 
Questão 52) 
 Conexões entre a realidade que percebemos e figuras geométricas, cores 
e palavras são resultado de como vemos e interpretamos o mundo. 
 A série de charges do cartunista Chico, publicada em O Globo, de 12 a 16 
de junho de 2009, faz uma reflexão crítica sobre a crise política no Senado, 
segundo uma composição de quadrados e retângulos em uma conjugação 
de cores e palavras. 
 
 
 
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 Pode-se afirmar sobre as conexões entre figuras geométricas, cores e 
palavras que: 
 
a) na charge número 1, os aspectos não verbais (quadrado maior/cor preta) 
vinculados à palavra produzem, pela metáfora (“a coisa está ficando 
mais preta”), pela pergunta retórica e pelo emprego do pronome 
“nossa”(inclusão do leitor) uma constatação do agravamento da situação 
vivida no Senado. 
b) na charge número 2, os aspectos não verbais (a cor cinza em um 
retângulo) se associa, pela metonímia, à locução verbal “vai chover” 
indicativa de um fato inesperado nas relações entre o Senado e o Palácio 
do Planalto. 
c) na charge número 3, a expressão coloquial “sujou” compõe com os 
aspectos não verbais (a cor marrom escura e um retângulo) uma 
sugestão visual da ampliação do problema e uma imagem concreta do 
desfecho da crise no Senado. 
d) na charge número 4, os aspectos não verbais (cor amarela/quadrado) 
vinculados à pergunta e à expressão enfática “o sol nascer quadrado” 
apontam, pela construção linguística, o crime de injúria e difamação 
contra a autoridade constituída. 
e) na charge número 5, a expressão “Praia dos Calheiros em plena Baixa-
Renânia” indica, pela ironia, vinculada a aspectos não verbais (cor 
flicts/quadrado), uma postura séria, honesta, definida do Senado. 
 
Questão 53) 
Leia o fragmento de texto abaixo. 
 
 
O sertão abria-se naquela manhã de junho festivo, na glória fecunda das 
ondulações verdes, sombreado aqui pelas restingas das matas, escalonado 
mais além pelas colinas aprumadas, a varar o céu azul com suas aguilhadas 
de ouro; batuíras e xenxéns chalravam nas embaúbas digitadas dos grotões; 
e um sorvo longo de vida e contentamento errava derredor, no catingueiro 
roxo dos serrotes, emperolado da orvalhada, a recender acre, e nas abas 
dos montes e encruzilhadas, onde preás minúsculos e calangos 
esverdinhados retouçavam familiares, ao esplendor crescente do dia. 
Hugo de Carvalho Ramos in Tropas e Boiadas. 
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Em relação à linguagem empregada pelo autor no fragmento de texto 
apresentado acima, é CORRETO afirmar que: 
 
a) Para obter maior realismo em seu relato, o autor utiliza uma linguagem 
rebuscada, carregada de figuras de linguagem como hipérboles, 
antíteses e paradoxos, característica marcante do estilo barroco. 
b) Ao empregar expressões como “a varar o céu azul com suas aguilhadas 
de ouro”, “emperolado da orvalhada, onde preás minúsculos”, e 
“calangos esverdinhados retouçavam familiares”, o autor procura 
separar a pintura da paisagem do cotidiano do sertanejo. 
c) As imagens poéticas construídas pela linguagem do texto não 
demonstram integração artística entre pensamento e expressão, pois 
não há envolvimento do narrador com os fatos que relata, nem relação 
deles com a vida no sertão. 
d) Pela leitura do fragmento, pode-se depreender que a extensão dos 
segmentos fraseológicos obtida pelo emprego dos adjetivos tem como 
objetivo a busca pela fidelidade na descrição da paisagem. 
e) As imagens poéticas criadas pelo retouçar dos “preás minúsculos” e dos 
“calangos esverdinhados” pelas “abas dos montes e encruzilhadas” ao 
esplendor do dia remetem ao leitor à estética romântica, da qual Hugo 
de Carvalho Ramos foi um de seus maiores expoentes. 
 
Questão 54) 
Considerando a relação entre os excertos abaixo, marque a alternativa 
CORRETA: 
 
Texto 01 
 
O caipira pousou a braçada de lenha encostada à cerca do roçado; passou 
a perna por cima e pulando do outro lado, as alpercatas de couro cru a pisar 
forte o espinharal ressequido que estralejava, entranhou-se pelo grotão – 
nesses dias sem pinga d‘água – galgou a barroca fronteira e endireitou rumo 
da maria-preta, que abria ao mormaço crepuscular da tarde a galharada 
esguia, toda tostada desde a época da queima pelas lufadas de fogo que 
subiam da malhada. 
Hugo de Carvalho Ramos in Tropas e Boiadas. 
 
Texto 02 
 
“O empresário Wilmar Bastos, um dos trinta proprietários de chácaras 
situadas às margens do Lago do Lageado, atingidas por incêndio nestes 
últimos três dias, disse que um verdadeiro desastre ecológico aconteceu no 
local, tendo consumido (sic), só na sua propriedade, 36 hectares de 
Cerrado.” ‘Nós fizemos um levantamento e eu vi que jabutis, iguanas, preás, 
diversos tipos de aves e ninhais foram consumidos pelo fogo‘, relatou. (...) 
Segundo ele, o fogo destruiu plantações de mandioca, mamão e cajueiros 
nativos e de várias outras plantações lá existentes. (...) ‘Eu lamento que isso 
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configura a falta de gestão, de manejo correto, da falta de instrumentos do 
poder público para combater incêndios. É a prova de que não há educação 
ambiental. Não existe nenhum cuidado para a preservação do meio 
ambiente…‘” 
(Jornal do Tocantins, 14 de setembro de 2010, 
Ano 31 – nº. 5.000, p. 10) 
 
a) Pela leitura dos textos, pode-se perceber que ambos fazem referência 
às queimadas, por isso, do ponto de vista estrutural e linguístico, os 
textos pertencem ao mesmo gênero e servem aos mesmos propósitos 
comunicativos. 
b) Em relação ao texto 1, pode-se afirmar que o autor utilizou-se da 
linguagem subjetiva, conforme se observa em expressões como 
“galharada esguia” e “lufadas de fogo”, perdendo com isso o 
compromisso com a informação, característica do texto 2. 
c) O descontentamento com a destruição da natureza demonstrado por 
Wilmar Bastos no trecho “é a prova de que não há educação ambiental. 
Não existe nenhum cuidado para a preservação do meio ambiente.” 
(texto 2), pode ser observado também pela voz do caipira na frase 
“galgou a barroca fronteira e endireitou rumo da maria-preta (...) toda 
tostada (...) pelas lufadas de fogo…” (texto 1). 
d) Pela natureza do gênero a que pertencem e pelas características da 
linguagem, pode-se afirmar que o texto 1 é um texto não literário e o 
texto 2 é um texto literário, porque não se utiliza da linguagem conotativa 
e sua principal finalidade é a informação. 
e) Em virtude do tempo que separa os dois textos e das diferenças de 
perspectivas, a reportagem sobre as queimadas no cerrado tocantinense 
não dialoga com o conto de Hugo de Carvalho Ramos, por demonstrar 
maior consciência na relação do homem com a natureza. 
 
Questão 55) 
Leia o texto. 
 
 A nossa instrução pública cada vez que é reformada, reserva para o 
observador surpresas admiráveis. Não há oito dias, fui apresentado a um 
moço, aí dos seus vinte e poucos anos, bem posto em roupas, anéis, 
gravatas, bengalas, etc. O meu amigo Seráfico Falcote, estudante, disse-me 
o amigo comum que nos pôs em relações mútuas. 
 O Senhor Falcote logo nos convidou a tomar qualquer coisa e fomos os 
três a uma confeitaria. Ao sentar-se, assim falou o anfitrião:– Caxero traz aí quarqué cosa de bebê e comê. 
 Pensei de mim para mim: esse moço foi criado na roça, por isso adquiriu 
esse modo feio de falar. Vieram as bebidas e ele disse ao nosso amigo: 
 – Não sabe Cunugunde: o véio tá i. 
 O nosso amigo comum respondeu: 
 – Deves então andar bem de dinheiros. 
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 – Quá ele tá i nós não arranja nada. Quando escrevo é aquela certeza. 
De boca, não se cava... O véio óia, óia e dá o fora. 
 (...) 
 Esse estudante era a coisa mais preciosa que tinha encontrado na minha 
vida. Como era ilustrado! Como falava bem! Que magnífico deputado não 
iria dar? Um figurão para o partido da Rapadura. 
 O nosso amigo indagou dele em certo momento: 
 – Quando te formas? 
 – No ano que vem. 
 Caí das nuvens. Este homem já tinha passado tantos exames e falava 
daquela forma e tinha tão firmes conhecimentos! 
 O nosso amigo indagou ainda: 
 – Tens tido boas notas? 
 – Tudo. Espero tirá a medáia. 
(Lima Barreto. Quase doutor.) 
 
a) Tendo em vista o conceito contemporâneo de variação linguística, que 
ensina a considerar de maneira equânime as diferentes formas do 
discurso, avalie a atitude do narrador em relação à personagem Falcote, 
expressa na seguinte frase: (...) esse moço foi criado na roça, por isso 
adquiriu esse modo feio de falar. 
b) Reescreva na norma-padrão – Caxero traz aí quarqué cosa de bebê e 
comê e em seguida transcreva um trecho da crônica em que se 
manifesta a atitude irônica do narrador. 
 
TEXTO: 1 - Comum à questão: 56 
 
UM SONHO DE SIMPLICIDADE 
 
Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá 
na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um 
instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por 
que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem 
falta. São uma necessidade que inventei. Por que beber uísque, por que 
procurar a voz de mulher na penumbra ou os amigos no bar para dizer coisas 
vãs, brilhar um pouco, saber intrigas? 
Uma vez, entrando numa loja para comprar uma gravata, tive de repente 
um ataque de pudor, me surpreendendo assim, a escolher um pano colorido 
para amarrar ao pescoço. 
A vida bem poderia ser mais simples. Precisamos de uma casa, comida 
simples, mulher, quê mais? Que se possa andar limpo e não ter fome, nem 
sede, nem frio. Para que beber tanta coisa gelada? Antes eu tomava a água 
fresca da talha, e a água era boa. E quando precisava de um pouco de 
evasão, meu trago de cachaça. 
Que restaurante ou boate me deu o prazer que tive na choupana daquele 
velho caboclo do Acre? A gente tinha ido pescar no rio, de noite. Puxamos a 
rede afundando os pés na lama, na noite escura, e isso era bom. Quando 
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ficamos bem cansados, meio molhados, com frio, subimos a barraca, no 
meio do mato e, chegamos à choça de um velho seringueiro. Ele acendeu 
um fogo, esquentamos um pouco junto do fogo, depois me deitei, numa 
grande rede branca - foi um carinho ao longo de todos os músculos 
cansados. E então ele me deu um pedaço de peixe moqueado e meia caneca 
de cachaça. Que prazer em comer aquele peixe, que calor bom em tomar 
aquela cachaça e ficar algum tempo a conversar, entre grilos e vozes 
distantes de animais noturnos. 
Seria possível deixar essa eterna inquietação das madrugadas urbanas, 
inaugurar de repente uma vida de acordar bem cedo? Outro dia vi uma linda 
mulher, e senti um entusiasmo grande, uma vontade de conhecer mais 
aquela bela estrangeira: conversamos muito, essa primeira conversa longa 
em que a gente vai jogando um baralho meio marcado, e anda devagar, 
como a patrulha que faz um reconhecimento. Mas para quê, essa eterna 
curiosidade, essa fome de outros corpos e outras almas? 
Mas para instaurar uma vida mais simples e sábia, então seria preciso 
ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas 
de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas... Seria 
preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar 
a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a 
alma sossegada e limpa. 
Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um 
instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para 
tomar nota de um nome, um número... Para que tomar nota? Não precisamos 
tomar nota de nada, precisamos apenas viver - sem nome, nem número, 
fortes, doces, distraídos, bons, como os bois, as mangueiras e o ribeirão. 
(BRAGA, Rubem. In: 200 crônicas escolhidas, 3 ed. Rio de Janeiro: Record, 
1979. p.262-3.) 
 
Questão 56) 
…“A gente tinha ido pescar no rio, de noite.”… 
 
As construções prestigiadas pela norma culta que correspondem àquela 
grifada no enunciado, sem alteração fundamental do sentido do texto, são: 
 
a) nós fôramos / nós havíamos ido. 
b) nós fomos / nós íamos. 
c) a gente foi / a gente fora. 
d) nós iríamos / nós haveríamos de ir. 
e) nós fôssemos / nós formos. 
 
TEXTO: 2 - Comum à questão: 57 
 
CIDADE DE DEUS 
Barracos de caixas de tomate, madeiras de lei, carnaúba, pinho-de-riga, 
caibros cobertos, em geral, por telhas de zinco ou folhas de compensados. 
Fogueiras servindo de fogão para fazer o mocotó, a feijoada, o cozido, o 
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vatapá, mas, na maioria das vezes, para fazer aquele arroz de terceira 
grudado, angu duro ou muito ralo, aqueles carurus catados no mato, mal 
lavados, ou simplesmente nada. Apenas olhares carcomidos pela fome, em 
frente aos barracos, num desespero absoluto e que por ser absoluto é 
calado. Sem fogueira para esquentar ou iluminar como o sol, que se estendia 
por caminhos muitas vezes sem sentido algum para os que não soltavam 
pipas, não brincavam de pique-pega e não se escondiam num pique-
esconde. 
Os abismos têm várias faces e encantam, atraem para o seu seio como 
as histórias em quadrinhos que chegavam ao morro compradas nas feiras 
da Maia Lacerda e do Rio Comprido, baratas como a tripa de porco que 
sobrava na casa do compadre maneiro que nem sempre era compadre de 
batismo. Era apenas o adjetivo, usado como substantivo, sinônimo de uma 
boa amizade, de um relacionamento que era tecido por favores, empréstimos 
impagáveis e consideração até na hora da morte. 
São as pessoas nesse desespero absoluto que a polícia procura, espanca 
com seus cassetetes possíveis e sua razão impossível, fazendo com que 
elas, com seus olhares carcomidos pela fome, achem plausíveis os feitos e 
os passos de Pequeno e de sua quadrilha pelos becos que, por terem só 
uma entrada, se tornam becos sem saídas, e achem, também, corriqueira 
essa visão de meia cara na quina do último barraco de cada beco de crianças 
negras ou filhas de nordestinos, de peito sem proteção, pé no chão, shorts 
rasgados e olhar já cabreiro até para o próprio amigo, que, por sua vez, se 
tornava inimigo na disputa de um pedaço de sebo de boi achado no lixo e 
que aumentaria o volume da sopa, de um sanduíche quase perfeito nas 
imediações de uma lanchonete, de uma pipa voada, ou de um ganso dado 
numa partida de bola de gude. 
Lá ia Pequeno, senhor de seu desejo, tratando bem a quem o tratava bem, 
tratando mal a quem o tratava mal e tratar mal era dar tiros de oitão na 
cabeça para estuporar os miolos. 
Os exterminadores pararam na tendinha do Zé Gordo para tomar uma 
Antarctica bem gelada, porque esta era a cerveja de malandro beber. 
Pequeno aproveitou para perguntar pelos amigos que fizera no morro, pelas 
tias que faziam um mocotó saboroso nos sábados à tarde, pelos 
compositores da escola. 
- Qualé, Zé Gordo, se eu te der um dinheiro, tua mulher faz um mocotó aí 
pra gente? 
- Então, meu cumpádi! 
Pequenodeu a quantia determinada pela esposa de Zé Gordo, em seguida 
retornaram à patrulha que faziam. 
(LINS, Paulo. Cidade de Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.) 
 
Questão 57) 
 
No segundo parágrafo do texto Cidade de Deus, há um comentário sobre os 
sentidos e as possíveis classificações gramaticais da palavra compadre. 
Nesse trecho, o narrador recorreu à função da linguagem denominada: 
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a) poética 
b) conativa 
c) referencial 
d) metalingüística 
 
TEXTO: 3 - Comum às questões: 58, 59 
 
 País imenso, o Brasil bem que podia ter se fragmentado em diversos 
Estados [...]. No entanto, permaneceu unitário, provavelmente em 
conseqüência da escravidão, base da organização brasileira. Apesar de 
toda a diversidade social e cultural de suas regiões, a identidade nacional 
foi sendo moldada e alguns mitos foram sendo construídos como símbolos 
dessa unidade. Um desses mitos, que completou 80 anos no mês passado, 
foi a Semana de Arte Moderna de São Paulo, em 1922. Desde cedo, na 
escola, aprendemos que a literatura brasileira do século XX é um vasto 
campo composto de modernismo, modernismo e modernismo, tudo 
antecedido de pré-modernismo e vagamente seguido de pós-modernismo. 
Não é bacana, singelo e econômico? 
 É um pavor, do ponto de vista crítico. Fica parecendo que tudo o que 
vale na produção da literatura brasileira ou canta pela pauta modernista, ou 
pode tirar suas esperanças do sol – porque não entrará na escola, no 
vestibular, na compra de livros para a biblioteca. Traduzindo em miúdos: 
levando a sério a absoluta dominância modernista, só tem valor a literatura 
arrojada, de vanguarda, experimental em forma e em tema, que revire ou 
pareça revirar a identidade nacional eternamente pelo avesso e contradite 
tudo o que for ou parecer conservador. Se um autor escrever romance de 
feição tradicional, se compuser teatro não-agressivo, se sua poesia dialogar 
com a tradição clássica, se seu conto não fizer careta para a platéia, 
esquece. 
 Escritores que não rezam pela cartilha modernista e, ainda por cima, 
freqüentam tema local, fora de São Paulo e do Rio de Janeiro, padecem do 
estranho problema de escreverem e serem lidos, mas não recebem 
validação por parte de críticos e professores. De onde nasceu isso? 
 […] 
 Um país deste tamanho tem uma riqueza imensa justamente em sua 
variedade musical, lingüística e literária também. Por isso é que precisamos 
passar em revista a supercentralidade do Modernismo paulista na descrição 
de nossa história cultural e, particularmente, na validação crítica da 
literatura – a favor de todas as vozes disponíveis, que não são ouvidas 
apenas porque nosso ouvido não aprendeu. Mas bem que pode. 
(Augusto L. Fischer. Revista Superinteressante, março/2002) 
 
Questão 58) 
Considerada a norma culta vigente, há ERRO no emprego do pronome 
relativo em: 
a) É preciso rever o Modernismo, a que todos aderiram. 
b) O Modernismo de que a escola nos fala tornou-se um mito. 
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c) Ficaram esquecidos aqueles autores que as obras não são modernistas. 
d) O Brasil é um país em que se vem perdendo a diversidade cultural. 
e) Há uma outra cultura brasileira, que a escola não ensina. 
 
Questão 59) 
O emprego do verbo em destaque é próprio do uso oral coloquial da língua 
em: 
a) que completou 80 anos no mês passado 
b) porque não entrará na escola 
c) Traduzindo em miúdos 
d) se seu conto não fizer careta para a platéia, esquece 
e) que não rezam pela cartilha do Modernismo 
 
TEXTO: 4 - Comum à questão: 60 
 
I) Aproveite o Dia Mundial da Aids e faça um cheque ao portador. Bradesco, 
Ag. 093-0, C/C 076095-1. (Agência Norton) 
lI) Bi Bi - General Motors: duas vezes bicampeã do carro do ano. (Agência 
Colucci e Associados) 
 
Questão 60) 
Nos anúncios, os publicitários utilizaram recursos gramaticais diferentes para 
possibilitar, ao menos, duas leituras. Aponte o tipo de recurso utilizado em 
cada um desses anúncios, respectivamente, 
a) sintático, pela função de adjunto adnominal de “ao portador”, e fonético, 
pela exploração da repetição de som. 
b) semântico, pela polissemia do termo “cheque”, e sintático, pela elipse do 
verbo de ligação “ser”. 
c) morfológico, pela utilização de sigla, e fonético, pela exploração da 
repetição de som. 
d) semântico, pela polissemia de “portador”, e morfológico, pela formação de 
palavra por prefixação. 
e) sintático, pela elipse de um termo, e morfológico, pela exploração de um 
prefixo latino. 
 
TEXTO: 5 - Comum à questão: 61 
 
 
 Não é raro ouvirmos que alguém “subiu lá em cima” ou “saiu lá fora”. 
Certamente, reconhecemos tais formas como viciosas, e, muitas vezes, elas 
se transformam em motivo de riso. No nível culto da língua, são 
inadmissíveis. Que pensar de alguém que tenha sofrido uma “hemorragia de 
sangue” ou participado de um “plebiscito popular”? A esse tipo de construção 
chamamos pleonasmo, palavra grega que significa superabundância. 
(Folha de S. Paulo. Pleonasmo: “vício” ou estilo?. Thaís Nicoleti de Camargo). 
 
 
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Questão 61) 
Responda para cada um dos itens indicando V ou F conforme seja verdadeira 
ou falsa a afirmação 
( ) Tais formas, refere-se às expressões “Subiu lá em cima” e “saiu lá fora”. 
( ) Elas, refere-se a expressões “hemorragia de sangue” e “plebiscito 
popular”. 
( ) Formas como “ hemorragia de sangue” e “plebiscito popular”, são 
pleonasmos. 
( ) Os dois primeiros períodos do texto afirmam que o brasileiro usa formas 
lingüísticas condenadas pela língua culta. 
a) V - F - V - V 
b) V - V - F - F 
c) F - V - F - V 
d) V - V - F - V 
e) V - F - V – F 
 
TEXTO: 6 - Comum à questão: 62 
 
Querido José 
 
 Escrevo-te estas poucas linhas para recordar o passado entre nós dois, 
José desde aquele dia em que me encontrei com você na praça Tiradentes 
e depois você não veio mais falar comigo, eu fiquei muito triste mas não deixei 
de pensar em ti, (...) peço que venha falar comigo, que daí nós se acertamos, 
eu quero ser feliz com você, é triste a gente andar como cigana, jogada de 
um canto a outro, estarei morta para teu coração ? (...) sou tua na expressão 
da verdade 
 
Maria. 
 
P. S. Tenho certeza que desculpas a minha letra, bem sabes que sou quase 
analfabeta. A mesma. 
Dalton Trevisan 
 
 
Questão 62) 
No contexto da carta, o uso de certas expressões como Escrevo-te estas 
poucas linhas, estarei morta para teu coração?, sou tua na expressão da 
verdade, A mesma sugere que a personagem: 
a) utiliza a linguagem acadêmica, típica das cartas de amor, para dissimular 
seus sentimentos. 
b) utiliza clichês, acreditando estar usando linguagem culta adequada ao 
gênero epistolar. 
c) usa linguagem terna e carinhosa para enganar o namorado. 
d) quer aproximar a língua escrita da língua falada. 
e) escreve de forma irônica a fim de ridicularizar José. 
 
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TEXTO: 7 - Comum à questão: 63 
 
TEXTO 3 
 
1Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os 2olhos, 
mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. (...) 
3Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma 
4aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam 
5a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de 
6uns cinco palmos (...); os homens, esses não se preocupavam em não 
7molhar o pêlo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e 
8esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra 
9as palmas da mão. (...) 
O Cortiço Aluísio azevedo 
 
Questão 63) 
No trecho ... e o cortiçoacordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade 
de portas e janelas alinhadas. (ref. 1 e 2), a linguagem é conotativa e é 
entendida: 
a) de acordo com as experiências de cada um. 
b) conforme aparece nos dicionários. 
c) da mesma forma para todas as pessoas. 
d) no seu sentido real, objetivo. 
e) por todas as pessoas que falam a mesma língua. 
 
TEXTO: 8 - Comum à questão: 64 
 
No romance Quincas Borba, a personagem Quincas Borba, para ilustrar sua 
teoria filosófica – Humanitas – conta a Rubião o episódio da morte da avó. 
Examine-se o excerto: 
 
– Para entenderes bem o que é a morte e a vida, basta contar-te como 
morreu minha avó.(...) 
Foi no Rio de Janeiro, (...) defronte da Capela Imperial, (...); minha avó saiu, 
atravessou o adro, para ir ter à cadeirinha, que a esperava no Largo do Paço. 
Gente como formiga. (...) No momento em que minha avó saía do adro (...) 
aconteceu espantar-se uma das bestas de uma sege: a besta disparou, a 
outra imitou-a, confusão, tumulto, minha avó caiu, e tanto as mulas como a 
sege passaram-lhe em cima. (...); expirou minutos depois. 
(...) Rubião escutava, com a alma nos olhos, sinceramente desejoso de 
entender; mas não dava pela necessidade a que o amigo atribuía a morte da 
avó. Seguramente o dono da sege, por muito tarde que chegasse a casa, não 
morria de fome, ao passo que a boa senhora morreu de verdade, e para 
sempre. Explicou-lhe como pôde, essas dúvidas, e acabou perguntando-lhe: 
– E que Humanitas é esse? 
– Humanitas é o princípio (...) Assim lhe chamo porque resume o universo, 
e o universo é o homem. Vais entendendo? 
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Questão 64) 
Em “atravessou o adro, para ir à cadeirinha, uma das bestas da sege” os 
vocábulos em destaque são: 
a) variedades de língua falada cujo fator determinante é o espaço físico. 
b) variedades de língua que configuram uma perspectiva histórica. 
c) variedades que representam a situação social em que as personagens se 
encontram. 
d) variedades do nível formal, ligadas à formação cultural das personagens. 
e) registros de variedade popular ressaltada pelo escritor Machado de Assis. 
 
TEXTO: 9 - Comum à questão: 65 
 
DEIXEM JESON EM PAZ 
André Petry 
 
Sou a favor da legislação da eutanásia. É uma louvável alternativa que o 
homem encontrou para morrer com dignidade, para evitar o suplício das 
dores vãs. Mesmo assim, mesmo defendendo que a eutanásia seja um 
direito disciplinado na lei brasileira, eu precisaria ser louco para apontar o 
dedo, atirar uma pedra ou escrever uma linha que fosse contra a atitude de 
Rosemara dos Santos Souza, a mãe de Jhéck Breener de Oliveira, que luta 
para impedir que seu filho seja submetido à eutanásia. O pequeno Jhéck, 4 
anos, está num leito de UTI, vítima de uma doença degenerativa irreversível. 
Já perdeu a fala, a visão, o movimento dos braços e pernas, alimentase por 
meio de sonda e respira com ajuda de aparelhos. A luta de Rosemara 
merece respeito e, onde quer que ela apareça, assim tem sido. A luta de 
Jeson de Oliveira, o pai de Jhéck, também deveria ser respeitada. Mas é 
nesse ponto que a história se complica. 
Jeson queria pedir à Justiça que seu filho fosse submetido à eutanásia. 
Ele não suporta ver o seu filho preso a uma cama, inerte, morto para a vida, 
sem andar de bicicleta, tomar um sorvete, apontar pra Lua, desenhar um 
elefante, bater palmas, sorrir. E o que se fez com esse pobre homem? Não 
lhe deram uma lasca de respeito. Jeson foi hostilizado, xingado, difamado. 
Foi acusado de assassino, de querer matar o próprio filho! Jeson pensou até 
em se mudar de Franca, a cidade paulista onde mora e onde seu filho está 
internado, porque já não podia caminhar na rua em paz. Ceifaramlhe o 
direito de ir à Justiça. Questionaramlhe até a sanidade mental, sugerindo 
que procurasse tratamento psiquiátrico  forma maliciosa de sugerir que a 
eutanásia é coisa de gente mentalmente perturbada. Jeson, afinal, desistiu 
de tentar a eutanásia do filho. 
“Desisto oficial e definitivamente. Quero dar chances à mãe e estou 
entregando meu filho a Deus”, disse ele, numa entrevista, na véspera do 
feriado de 7 de setembro. O pai de Jhéck, claro, tem todo o direito de mudar 
de idéia (e, pessoalmente, saúdo que tenha conseguido dominar seu 
sofrimento para ceder à vontade da mãe de Jhéck). 
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O dado repugnante é a intolerância da qual foi vítima. Jeson virou a Geni 
da Franca, só faltou ser apedrejado nas ruas. Os adversários da eutanásia 
 religiosos dogmáticos, em geral  não lhe deram o direito sequer de pensar 
em voz alta. É coisa própria das mentalidades entrevadas, dos que se 
sentem ungidos por forças superiores, dos que cevam suas idéias como se 
fossem bens supremos, perfeitos, inatacáveis. 
Aos religiosos dogmáticos e intolerantes em geral, aos que sacralizam 
suas idéias e acham que sabem tudo na vida e do sofrimento, aqui vai um 
apelo: deixem o Jeson em paz! Ele já sofre o bastante com um filho que 
perdeu a liberdade de viver para tornarse um prisioneiro da vida. A 
eutanásia, caros intolerantes, pode ser, sim, um ato de amor. 
Revista Veja, 140905 
 
Questão 65) 
É um exemplo da função metalingüística no texto: 
a) ”Desisto oficial e definitivamente.” 
b) ”...saúdo que tenha conseguido dominar seu sofrimento...” 
c) ”Jeson queria pedir à justiça que seu filho fosse submetido à eutanásia.” 
d) ”É uma louvável alternativa que o homem encontrou para morrer com 
dignidade...” 
 
TEXTO: 10 - Comum à questão: 66 
 
Contrata-se mulheres de 20 a 35 anos, para confecção de roupas. 
Apresentar-se a Seção de Pessoal, trazendo documentos e prova de 
habilidade em costura, entre os dias 10 e 20 deste mês, período da manhã, 
exceto sábado e domingo. 
 
Questão 66) 
Há, no cartaz, duas transgressões à norma culta. Identifique os deslizes e 
reescreva corretamente cada um dos segmentos em que ocorrem. 
 
TEXTO: 11 - Comum à questão: 67 
 
 
 
 
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(QUINO. Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 1992.) 
 
Questão 67) 
Histórias em quadrinhos costumam reproduzir o modo de falar espontâneo 
dos personagens. 
Na reprodução da fala de um dos personagens, constata-se um desvio em 
relação à norma culta da língua em: 
a) “Conhece a ti mesmo” 
b) “Mas hoje não estou com vontade de ficar fazendo turismo dentro de mim” 
c) “Não vou parar enquanto não conhecer a mim mesmo e saber como eu 
sou de fato!! 
d) “Meu Deus, e se eu não gostar de mim?” 
 
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TEXTO: 12 - Comum à questão: 68 
 
 
(Lor, Os desmandamentos) 
 
Questão 68) 
 
Assinale a alternativa em que a citação das falas das personagens, 
completando a frase abaixo, tem redação de acordo com a norma padrão. 
 
Respondendo à professora, os alunos afirmaram que todos os trabalhadores 
a) são igualmente desrespeitados, que empregos e vantagens deve existir 
só para os irmãos e parentes, mas que ninguém vai preso por isso. 
b) foram igualmente desrespeitados, que empregos e vantagens existiu só 
para os irmãos e parentes, mas que ninguém ia preso por isso. 
c) eram igualmente desrespeitados, que empregos e vantagens havia só 
para os irmãos e parentes, mas que ninguém ia preso por isso. 
d) são igualmente desrespeitados, que empregos e vantagens devem haver 
só para os irmãos e parentes, mas que ninguém vai preso por isso. 
e) eram igualmente desrespeitados, que empregos e vantagens haviam só 
para os irmãos e parentes, mas que ninguém foi preso por isso. 
 
TEXTO: 13 - Comum à questão: 69 
 
 
TEXTO 1: POR UM POUCO DE LIMITES 
Lya Luft. Revista Veja, 14 de junho de 2006 (adaptação). 
 
1Sempre que devo falar em educação procuro não parecer cética,mas me 
lembro do que 2dizia um velho e experiente professor: “Se numa turma de 
quarenta alunos faço um aprender 3a pensar, me dou por satisfeito”. 
4Das coisas boas que me marcaram, uma foram os limites sensatos, 
outra, a autoridade 5bondosa. Nada a ver com autoritarismo, desrespeito ou 
controle abusivo. 
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6O colégio era severo, não cruel. Estudava-se muito. 
7Muito de psicologia mal interpretada nos mostrou pelos anos 60 que não 
dá para 8traumatizar crianças e jovens: eles têm que aprender brincando. 
Esqueceu-se que a vida não 9é brincadeira e que o colégio – como a família 
– deveria nos preparar para ela. 
10Um pouco de ordem na infância e na adolescência – em casa, na escola 
e na sociedade 11em geral – ajudaria a aliviar a perplexidade e angústia dos 
jovens. Respeito deveria ser algo 12natural e geral, começando em casa, 
onde freqüentemente as crianças comandam o 13espetáculo. 
14O exemplo vem de cima, e nisso estamos mal. Corrupção e impunidade 
são o modelo que 15se nos oferece publicamente. Se os pais pudessem 
instaurar uma ordem em casa – amorosa, 16mas firme - dando aos filhos 
limites e sentido, respeitando o fato de estarem em formação, 17estariam 
sendo melhores do que agindo de forma servil ou eternamente 
condescendente. 
18Aliás, em casa começaria o melhor currículo, a melhor ferramenta para 
a vida: respeitar, 19enxergar e questionar. Nem calar a boca, como 
antigamente, nem gritar, bagunçar ou 20ofender: dialogar, comunicar-se 
numa boa, com irmãos, pais e outros. Isso estimularia a 21melhor arma para 
enfrentar o tsunami de informações, das mais positivas às mais loucas, que 
22enfrentamos todos os dias: discernimento. 
23O resto, meus caros, pode vir depois: com todas as teorias, 
nomenclaturas, 24“modernidades” e instrumentação. É ornamento, é detalhe, 
pouco serve para quem não 25aprendeu a analisar, ler, concentrar-se, 
argumentar e ser um cidadão integrado e firme no 26caótico e admirável 
mundo nosso. 
 
Questão 69) 
Tomando como referência a norma padrão da língua, assinale a alternativa 
em que a reescritura do parágrafo não fere a estrutura lingüística – a norma 
padrão da língua – nem altera o sentido global do enunciado. 
 
O resto, meus caros, pode vir depois: com todas as teorias, nomenclaturas, 
“modernidades” e instrumentação. É ornamento, é detalhe, pouco serve para 
quem não aprendeu a analisar, ler, concentrar-se, argumentar e ser um 
cidadão integrado e firme no caótico e admirável mundo nosso. 
 
a) Meus caros, o resto pode vir depois: com todas as teorias, nomenclaturas, 
“modernidades”, instrumentação. É ornamento é detalhe, e pouco serve, 
para quem não aprendeu a: analisar, ler, concentrar-se, argumentar, e ser 
um cidadão integrado e firme no nosso caótico e admirável mundo. 
b) O resto, meus caros, pode vir depois com: todas as teorias, 
nomenclaturas, “modernidades”, e instrumentação. É ornamento, é 
detalhe, mas pouco serve para quem não aprendeu a analisar, ler, a 
concentrar-se, argumentar e ser um cidadão integrado e firme no caótico 
e admirável mundo nosso. 
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c) O resto pode vir depois, meus caros, com todas as teorias, 
nomenclaturas, “modernidades” e instrumentação. É ornamento, é 
detalhe e pouco serve para aquele que não aprendeu a analisar, ler, 
concentrar-se, argumentar ou ser um cidadão firme e integrado no nosso 
mundo caótico e admirável. 
d) O resto, meus caros, pode vir, depois: com todas as teorias 
nomenclaturas, “modernidades”, e instrumentação. É ornamento, é 
detalhe, ou pouco serve para quem não aprendeu a analisar, ler, 
concentrarse, argumentar e é um cidadão integrado e firme no caótico, 
e admirável mundo nosso. 
e) O resto, pode vir depois, meus caros: com todas as teorias, 
nomenclaturas; “modernidades” e instrumentação. É ornamento, ou 
detalhe, mas não serve para quem não aprendeu a analisar, ler, 
concentrarse, argumentar e ser um cidadão integrado e firme no caótico 
e admirável mundo nosso. 
 
TEXTO: 14 - Comum à questão: 70 
 
ESCOLA DA PONTE 61 
 Rubem Alves 
 
Imagino que você, que procura minhas crônicas aos domingos, deve estar 
cansado. Pois esse é o quinto domingo em que falo sobre a mesma coisa. 
Pessoas que falam sempre sobre as mesmas coisas são chatas. Além do 
que, essa insistência em uma coisa só é contrária ao estilo de crônicas. 
Crônicas, para serem gostosas, devem refletir a imensa variedade da vida. 
Um cronista é um fotógrafo. 
Ele fotografa com palavras. Crônicas são dádivas aos olhos. Ele deseja 
que os leitores vejam a mesma coisa que ele viu. Se normalmente não sou 
chato, deve haver alguma razão para essa insistência em fotografar uma 
mesma coisa. Quem fotografa um mesmo objeto repetidas vezes deve estar 
apaixonado. Comporta-se como os fotógrafos de modelos, clic, clic, clic, clic, 
clic...: dezenas, centenas de fotos, cada uma numa pose diferente! Um dos 
meus pintores favoritos é Monet. Pois ele fez essa coisa insólita: pintou um 
monte de feno muitas vezes. [...] 
Pois estou fazendo com as minhas crônicas o que Monet fez: ele, diante 
do monte de feno; eu, diante de uma pequena escola por que me apaixonei 
– pois ela é a escola com que sempre sonhei sem ter sido capaz de desenhar. 
Nunca fui professor primário. Fui professor universitário. O Vinícius, 
descrevendo a bicharada saindo da Arca de Noé, disse: ‘Os fortes vão na 
frente tendo a cabeça erguida e os fracos, humildemente, vão atrás, como na 
vida...’ Pois é exatamente assim que acontece na ‘Arca de Noé’ dos 
professores: os professores universitários vão na frente tendo a cabeça 
erguida, e os primários, humildemente, vão atrás, como na vida... Professor 
universitário é doutor, cientista, pesquisador, publica em revistas 
internacionais artigos em inglês sobre coisas complicadas que ninguém mais 
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sabe e são procurados como assessores de governo e de empresas. 
Professor primário é professor de 3ª classe, não precisa nem ter mestrado e 
nem falar inglês, dá aulas para crianças sobre coisas corriqueiras que todo 
mundo sabe. Crianças – essas coisinhas insignificantes, que ainda não são... 
Haverá atividade mais obscura? Professores universitários gostam das luzes 
do palco. Professores primários vivem na sombra...[...] 
A velhice me abriu os olhos. Quando se chega no topo, quando não há 
mais degraus para subir, a gente começa a ver com uma clareza que não se 
tinha antes. ‘Tenho a lucidez de quem está para morrer’, dizia Fernando 
Pessoa na Tabacaria. Fiquei lúcido! E o que eu vi com clareza foi o mesmo 
que viu Joseph Knecht, o personagem central do livro de Hesse O Jogo das 
Contas de Vidro: depois de chegar no topo percebeu o equívoco. E surgiu, 
então, o seu grande desejo: ensinar uma criança, uma única criança que 
ainda não tivesse sido deformada (essa é a palavra usada por Hesse) pela 
escola. 
Também eu: quero voltar para as crianças. A razão? Por elas mesmas. É 
bom estar com elas. Crianças têm um olhar encantado. Visitando uma 
reserva florestal no estado do Espírito Santo, a bióloga encarregada do 
programa de educação ambiental me disse que é fácil lidar com as crianças. 
Os olhos delas se encantam com tudo: as formas das sementes, as plantas, 
as flores, os bichos. Tudo, para elas, é motivo de assombro. E acrescentou: 
‘Com os adolescentes é diferente. Eles não têm olhos para as coisas. Eles 
só têm olhos para eles mesmos...’ Eu já tinha percebido isso. Os 
adolescentes já aprenderam a triste lição que se ensina diariamente nas 
escolas: aprender é chato. O mundo é chato. Os professores são chatos. 
Aprender, só sob ameaça de não passar no vestibular. 
Por isso quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados. 
Seus olhos são dotados daquela qualidadeque, para os gregos, era o início 
do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal. Tudo é 
espantoso: um ovo, uma minhoca, um ninho de guacho, uma concha de 
caramujo, o vôo dos urubus, o zinir das cigarras, o coaxar dos sapos, os pulos 
dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Dessas coisas, invisíveis 
aos eruditos olhos dos professores universitários (eles não podem ver, 
coitados. A especialização os tornou cegos como toupeiras. Só vêem dentro 
do espaço escuro de suas tocas. E como vêem bem!), nasce o espanto diante 
da vida; desse espanto, a curiosidade; da curiosidade, a fuçação (essa 
palavra não está no Aurélio!) chamada pesquisa; dessa fuçação, o 
conhecimento; e do conhecimento, a alegria! 
Pensamos que as coisas a serem aprendidas são aquelas que constam 
dos programas. Essa é a razão por que os professores devem preparar seus 
planos de aula. Mas as coisas mais importantes não são ensinadas por meio 
de aulas bem preparadas. Elas são ensinadas inconscientemente. Bom seria 
que os educadores lessem ruminativamente (também não se encontra no 
Aurélio) o Roland Barthes. Ele descreveu o seu ideal de aula como sendo a 
criação de um espaço – isso mesmo! um espaço! – parecido com aquele que 
existe quando uma criança brinca ao redor da mãe. Explico. A criança pega 
um botão, leva para a mãe. A mãe ri, e faz um corrupio. (Você sabe o que é 
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um corrupio?). Pega um pedaço de barbante. Leva para a mãe. A mãe ri e 
lhe ensina a fazer nós. Ele conclui que o importante não é nem o botão e nem 
o barbante, mas esse espaço lúdico que se ensina sem que se fale sobre ele. 
Na Escola da Ponte o mais importante que se ensina é esse espaço. Nas 
nossas escolas: salas separadas; o que se ensina é que a vida é cheia de 
espaços estanques. Turmas separadas e hierarquizadas: o que se ensina é 
que a vida é feita de grupos sociais separados, uns em cima dos outros. 
Conseqüência prática: a competição entre as turmas, competição que chega 
à violência (os trotes!). Saberes ministrados em tempo definidos, um após o 
outro: o que se ensina é que os saberes são compartimentos estanques (e 
depois reclamam que os alunos não conseguem integrar o conhecimento. 
Apelam então para a ‘transdisciplinaridade’, para corrigir o estrago feito. [...]). 
Ah! Uma vez cometido o erro arquitetônico, o espírito da escola já está 
determinado! Mas nem arquitetos e nem técnicos da educação sabem disto... 
Escola da Ponte: um único espaço, partilhado por todos, sem separação 
por turmas, sem campainhas anunciado o fim de uma disciplina e o início de 
outra. A lição social: todos partilhamos de um mesmo mundo. Pequenos e 
grandes são companheiros numa mesma aventura. Todos se ajudam. Não 
há competição. Há cooperação. Ao ritmo da vida: os saberes da vida não 
seguem programas. É preciso ouvir os ‘miúdos’, para saber o que eles 
sentem e pensam. É preciso ouvir os ‘graúdos’, para saber o que eles sentem 
e pensam. São as crianças que estabelecem as regras da convivialidade: a 
necessidade do silêncio, do trabalho não perturbado, de se ouvir música 
enquanto trabalham. São as crianças que estabelecem os mecanismos para 
lidar com aqueles que se recusam a obedecer as regras. Pois o espaço da 
escola tem de ser como o espaço do jogo: o jogo, para ser divertido e fazer 
sentido, tem de ter regras. Já imaginaram um jogo de vôlei em que cada 
jogador pode fazer o que quiser? A vida social depende de que cada um abra 
mão da sua vontade, naquilo em que ela se choca com a vontade coletiva. E 
assim vão as crianças aprendendo as regras da convivência democrática, 
sem que elas constem de um programa... 
Minha cabeça está coçando com o sonho de fazer uma escola parecida... 
Você matricularia seu filho numa escola assim? Me mande uma mensagem 
com sua resposta com suas razões. Estou curioso. Mas, para fazer essa 
escola tenho de resolver um problema: como é que o guaxo* coloca o 
primeiro graveto para construir o seu ninho? 
*Guaxo é um pássaro que constrói ninhos do tamanho e forma de uma 
jaca. São feitos com pauzinhos trançados em torno de um ramo pendente de 
uma árvore. Já tentei desmontar um – não consegui, tão bom era o tecido 
dos pauzinhos. Minha pergunta, desde menino: Como é que o guaxo pôs o 
primeiro pauzinho em torno do ramo? Quem o segurou enquanto ele ia 
buscar o outro? Como foi que o diretor da Escola da Ponte, o professor José 
Pacheco, ‘guaxo-mor’, colocou o primeiro pauzinho para fazer a Escola da 
Ponte? 
 
 
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1 Rubem Alves escreveu várias crônicas sobre a “Escola da Ponte”, com o 
mesmo título, apenas alterada a numeração. Essa escola portuguesa, 
segundo informações do site da Embaixada de Portugal, acredita na 
autonomia dos estudantes e trabalha com três valores: liberdade, 
responsabilidade e solidariedade. Lá não há turmas, séries ou testes. 
Também não há salas de aulas ou professores específicos para as 
disciplinas; o aluno escolhe qual a área de seu interesse e, a partir disso, são 
desenvolvidos trabalhos de pesquisas tanto em grupo como individuais, 
através da orientação de professores. A escola emprega o modelo há 31 anos 
e trabalha com alunos de 5 a 17 anos. 
 
(Retirado de http://www.rubemalves.com.br/escoladaponte6.htm. Publicado 
originalmente com o 
título: A Escola da Ponte 5. Correio Popular, Caderno C, 18/06/2000) 
 
Questão 70) 
Todos os trechos a seguir, retirados do texto, são exemplos de usos que, 
embora violem regras descritas pela gramática normativa sobre a sintaxe de 
colocação ou de regência da língua, são comuns na escrita de muitos 
gêneros textuais, EXCETO: 
a) Me mande uma mensagem com sua resposta com suas razões. (10º §) 
b) Quando se chega no topo [...] (4º §) 
c) [...] o que se ensina é que a vida é feita de grupos sociais separados [..] 
(8º §) 
d) São as crianças que estabelecem os mecanismos para lidar com aqueles 
que se recusam a obedecer as regras. (9º §) 
 
TEXTO: 15 - Comum à questão: 71 
 
 
Doença do nosso tempo 
Mariana Sgarioni 
 
01Você deve estar pensando: gente teimosa e turrona existe desde que o 
02mundo é mundo. Por que só agora se percebeu que isso é um transtorno 
de 03personalidade que deve ser tratado? Porque a vida nunca foi tão difícil 
para os 04perfeccionistas. 
05Até poucas décadas atrás, o ritmo mais lento da vida – e do trabalho – 
dava 06espaço a que o sujeito cabeça-dura se ocupasse com suas obsessões 
e fosse 07especialista nelas. Um afinador de pianos podia demorar semanas 
para devolver o 08instrumento ao cliente, pois seu trabalho dependia somente 
de talento, aptidão e 09treinamento. Mas as coisas mudaram: surgiram 
artefatos eletrônicos que, se não 10substituem perfeitamente o trabalho de 
um ouvido absoluto, tornam o serviço bem 11mais rápido e com um resultado 
aceitável para a maioria dos mortais. Pior para os 12afinadores 
perfeccionistas, inventaram pianos eletrônicos que nunca precisam ser 
13afinados. 
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14Em resumo: a pessoa precisa saber se adaptar, coisa dificílima para um 
15perfeccionista. “Vivemos numa era em que as vidas social, profissional e 
afetiva 16exigem flexibilidade”, afirma Geraldo Possendoro. “Quem não é 
flexível fica para 17trás e sofre de ansiedade.” 
18Além disso, a era da informação rápida e fácil – mas nem sempre 
confiável 19– é o inferno dos perfeccionistas porque os obriga a elevar os 
próprios padrões de 20exigência. Até meados da década de 1990, um 
jornalista que quisesse escrever 21sobre afinação de pianos precisaria se 
desdobrar para achar fontes especializadas 22de informação. Qualquer 
besteira escrita passaria em branco para a maioria dos 23leitores – só os 
perfeccionistas teriam disposição para correr atrás dessas fontes. 24Hoje, 
qualquer tipo de informação– de afinação de pianos a disfunções intestinais 
25do bagre africano – estão disponíveis na internet para o jornalista, seu chefe 
e 26todos os leitores (ai, Jesus!). 
27Mais fácil que mudar esse mundo é tentar amolecer a cabeça dura dos 
28perfeccionistas. Mas como? A psicóloga americana Alice Provost propôs 
um 29exercício para o grupo que estudou na universidade – uma série de 
regras que 30tinham por objetivo livrar essas pessoas de suas próprias regras 
mentais. Elas eram 31mais ou menos assim: termine o expediente na hora 
certa; não chegue ao trabalho 32antes da hora estabelecida; faça todas as 
pausas a que tem direito; deixe a mesa 33bagunçada; determine um número 
de tentativas para concluir o trabalho e, em 34seguida, entregue o que tiver. 
“Parecem coisas banais, porque aquilo que alguns 35deles consideram 
fracasso é algo para o que a maioria das pessoas não dá a 36mínima 
importância”, diz. Depois pergunte: você foi castigado? A universidade 
37deixou de funcionar? Você está mais feliz? Segundo a professora, os 
cobaias 38perceberam que se preocupavam demais com bobagens. “Todos 
ficaram surpresos 39porque tudo continuava funcionando”. 
In: Superinteressante, março de 2008, p. 69. 
 
Questão 71) 
“Hoje, qualquer tipo de informação – de afinação de pianos a disfunções 
intestinais do bagre africano – estão disponíveis na internet para o jornalista, 
seu chefe e todos os leitores (ai, Jesus!).” (linha 24) 
Assinale a alternativa reescrita incorretamente: 
a) Hoje, quaisquer tipos de informação – de afinação de pianos a disfunções 
intestinais do bagre africano – estão disponíveis na internet para o 
jornalista, seu chefe e todos os leitores (ai, Jesus!). 
b) Hoje, qualquer tipo de informações – de afinação de pianos a disfunções 
intestinais do bagre africano – está disponível na internet para o jornalista, 
seu chefe e todos os leitores (ai, Jesus!). 
c) Hoje, quaisquer tipo de informação – de afinação de pianos a disfunções 
intestinais do bagre africano – está disponível na internet para o jornalista, 
seu chefe e todos os leitores (ai, Jesus!). 
d) Hoje, quaisquer tipos de informações – de afinação de pianos a 
disfunções intestinais do bagre africano – estão disponíveis na internet 
para o jornalista, seu chefe e todos os leitores (ai, Jesus!). 
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TEXTO: 16 - Comum à questão: 72 
 
 
No sinal 
Ricardo Freire 
 
— Bem-vindo ao Esmola’s Drive-Thru. 
— Como? 
— Bem-vindo ao Esmola’s Drive-Thru. 
— Peraí. Eu passo aqui há 20 anos e até ontem esse lugar era um sinal de 
trânsito. Semáforo. Farol. Sinaleira. 
— Era, mas agora é mais uma franquia do Esmola’s Drive-Thru. Com 
concessão da prefeitura e tudo. 
Taqui, ó. Parte da renda é revertida para a Associação Municipal dos Bi-
Rodais. 
— Cuma? 
— Bi-Rodais. O pessoal que anda em cadeira de rodas. Politicamente 
correto, sacumé. Agora, por favor, 
peça pelo número. 
— Não entendi. 
— Peça pelo número. Não tá vendo o menu ali no painel ao lado do 
semáforo? Naquele poste ali? Embaixo do cartaz do candidato a vereador... 
— Tô sem óculos. 
— Eu ajudo. Número 1, abordagem seca, rápida, objetiva e fim de papo: 1 
real. Mas esse não dá mais 
porque o senhor ficou aí embaçando. 
— Sei. 
— Número 2, abordagem piedosa com criança no colo e uso das palavras 
“tio” ou “tia”: 50 centavos. 
— Criança branca ou preta? 
— A que estiver disponível no momento. 
— Claro. 
— Número 3, abordagem infantil com caixa de dropes à mão: trerreal para 
carro importado, dorreal para carro nacional do ano, 1 real para “outros”. 
Grátis, um dropes. 
— Grátis? 
— Grátis. O doutor só paga a contribuição social e o dropes vai de brinde. 
— Ah, tá. 
ÉPOCA, Ed. Globo: São Paulo, 326, 16 ago. 2004, p. 122. 
 
Questão 72) 
Observando os recursos lingüísticos utilizados no texto “No sinal”, responda: 
a) Por que a presença de expressões do tipo “cuma” e “parte da renda é 
revertida para a Associação Municipal dos Bi-Rodais” caracteriza o texto 
como heterogêneo quanto aos níveis de linguagem? 
b) Por que o motorista utiliza a repetição por sinonímia para se referir ao 
sinal de trânsito? 
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TEXTO: 17 - Comum à questão: 73 
 
 
A preguiça humana 
 
O exercício físico vai contra a natureza humana. Que outra explicação 
existiria para o fato de o sedentarismo ser praticamente universal entre os 
que conseguem ganhar a vida no conforto das cadeiras? A preguiça para 
movimentar o esqueleto não é privilégio de nossa espécie: nenhum animal 
adulto gasta energia à toa. No zoológico, leitor, você jamais encontrará uma 
onça dando um pique aeróbico, uma gorila levantando peso, uma girafa 
galopando para melhorar a forma física. A escassez milenar de alimentos na 
natureza fez com que os animais adotassem a estratégia de reduzir ao 
máximo o desperdício de energia. A necessidade de poupar energia moldou 
o metabolismo de nossa espécie de maneira tal que toda caloria ingerida em 
excesso será armazenada sob a forma de gordura, defesa do organismo para 
enfrentar as agruras dos dias de jejum prolongado que possam ocorrer. 
Por causa dessas limitações biológicas, se você é daquelas pessoas que 
esperam a visita da disposição física para começar a fazer exercício com 
regularidade, desista. Falo por experiência própria. Sou corredor de 
distâncias longas há muitos anos. Às seis da manhã, chego no parque, abro 
a porta do carro e saio correndo. Não faço alongamento antes, como deveria, 
porque, se ficar parado, esticando os músculos, volto para a cama. Durante 
todo o percurso do primeiro quilômetro, meu cérebro é refém de um 
pensamento recorrente: não há o que justifique um homem passar por esse 
suplício. Daí em diante, as endorfinas liberadas na corrente sangüínea 
tornam o sofrimento mais suportável. Mas o exercício só fica bom, de fato, 
quando termina. Que sensação de paz e tranqüilidade! Que prazer ter a 
certeza de que posso passar o resto do dia sentado, sem o menor sentimento 
de culpa! 
(Drauzio Varella, Folha de S. Paulo, 12-04-08) 
 
Questão 73) 
Daí em diante, as endorfinas liberadas na corrente sangüínea tornam o 
sofrimento mais suportável. 
A idéia geral da frase acima está traduzida de forma clara, coerente e correta 
em: 
a) Em vista disso, o sofrimento mais suportável decorre porque liberou-se 
mais endorfinas na corrente sangüínea. 
b) Suporta-se melhor o sofrimento a partir do momento em que ocorre a 
liberação de endorfinas na corrente sangüínea. 
c) É a partir daí, que se torna mais suportável o sofrimento em razão das 
endorfinas liberarem a corrente sangüínea. 
d) Paulatinamente, uma vez liberadas na corrente sangüínea, advém um 
sofrimento mais suportável, devido às endorfinas. 
e) Fica mais suportável o sofrimento quando liberadas na corrente 
sangüínea a propagação de endorfinas. 
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TEXTO: 18 - Comum à questão: 74 
 
 
Pérolas, porcos e patetas 
Bia Abramo 
 
 
1“Graças a Deus, nunca fui de ler livro.” A frase, definitiva, é de uma das 
ilustres celebridades criadas no laboratório do "BBB", um tal de Fernando. 
É má política ficar indignado com aquilo que já sabemos não ser digno de 
atenção, mas, ainda assim, por vezes a estupidez dá tais sustos na gente 
que é difícil ficar impassível. 
5Neste caso, o mais intrigante não é, evidentemente, o fato de o moço não 
ser de “ler livros”. A cultura escrita não goza lá de muito prestígio entre nós, 
brasileiros, falando de maneira bem genérica. Se consideramos o 
microcosmo do “BBB” — gente jovem, considerada bonita, com pendores 
exibicionistas, ambição de se tornar celebridade e propensa a ganhar 
dinheiro fácil —, o índice deve tender a quase zero. 
O mais revelador é o alívio com que ele se expressa, como a dizer: 
“Graças a Deus não fui 10amaldiçoadocom essa estranhíssima vontade, esse 
gosto bizarro, esse defeito de caráter”. Qual é, exatamente, a ameaça que se 
pensa haver nos livros, ficamos sem saber, mas o temor de pertencer ao 
esquisito grupo daqueles que “são de ler livro” fala por si só. 
Por outro lado, é nesses momentos de espontaneidade real que o “BBB” 
tem algum interesse. Embora aqueles que chegaram ao programa não 
sejam, a rigor, representativos de nada, nessas brechas 15escapa o que vai 
na cabeça dessas moças e rapazes, de certa forma parecidos com os que 
estão do lado de fora. O desprestígio do conhecimento letrado é marca funda 
da sociedade brasileira — e, quando é formulado com tanta veemência e 
clareza, é preciso prestar atenção. 
Enquanto isso, na universidade de Aguinaldo Silva, o pau come. Na 
novela “Duas Caras”, a instituição de ensino é palco de uma luta renhida entre 
aqueles que “querem estudar” — para vencer na 20vida, não mais do que 
isso; estudar aqui tem um valor de troca muito claro — e o bando de 
baderneiros e oportunistas, identificados como “de esquerda”, que querem 
tumultuar o projeto “eficiente” do reitor, um ex-militante convertido ao ensino 
privado. 
Todos estudam lá — as mulatas sestrosas da favela, as patricinhas do 
condomínio, a mulher adulta que volta à sala de aula. Só não se sabe, ao 
certo, o que se estuda — embora haja gente empunhando livros e cadernos, 
não há uma indicação sequer (nem nos diálogos, nem nas trajetórias dos 
personagens) de que, em uma universidade, ao contrário dos shoppings do 
ensino, deva se produzir conhecimento e que o conhecimento de verdade é 
transformador. Justamente o que deve temer o “brother” Fernando. 
 
Folha de São Paulo, 3/2/2008 
 
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Questão 74) 
Com base no que se sabe a respeito de Variação Lingüística, de Níveis de 
Fala e Norma Culta, é CORRETO afirmar a respeito da gíria “o pau come”, 
usada nesse texto: 
a) É totalmente inadequada, pois o restante do texto, como é de se esperar 
num texto jornalístico, apresenta-se num estilo inteiramente formal. 
b) Embora aparentemente destoante e imprópria para um texto jornalístico, 
reflete o tom de deboche com que a autora trata a questão focalizada no 
fragmento em que se encontra. 
c) Trata-se de uma cochilo (=distração) do autor, que deixou passar uma 
expressão não recomendável na situação em que ela aparece, ou seja, 
num jornal marcado pelo apuro da linguagem. 
d) Nesse tipo de texto, é comum os autores fazerem uso de uma linguagem 
informal, e até certo ponto desleixada, para adequá-lo ao perfil do leitor a 
quem o mesmo se destina. 
 
TEXTO: 19 - Comum à questão: 75 
 
 
17/07 - 18:26, atualizada às 18:26 17/07 – Redação Trechos das gravações 
divulgadas pela Polícia Federal 
 
01Protógenes - Sonegação fiscal, e outros crimes que por 02ventura... 
formação de quadrilha e informação 03privilegiada. Foram esses crimes... 
04Voz - A estrutura principal desse inquérito que você 05instaurou é a questão 
do laudo que trata da gestão 06fraudulenta mais a corrupção? 
07Protógenes - Isso é. Esse inquérito está sequinho. Eu já 08tenho... Como é 
que ele se materializou? Ele se 09materializa com análise do laudo, análise 
do HD que as 10informações passadas que foi estratificado através 11desse 
laudo da Justiça Federal (...) 
12Corte (...) 
13Troncon – Outra coisa importante deixar muito claro, esses 14inquéritos 
estão tombados na DELEFIN (Delegacia de 15Crimes Financeiros), o Ricardo 
Saad tá aqui, que pedi 16que ele participasse porque ele está como chefe da 
17DELEFIN, o superintendente tá dizendo que ele vai 18permanecer, se 
(inaudível) vai ou não, 19independentemente de quem ta aqui quem não tá, 
se é 20(inaudível) (...) 
21Protógenes - Deixa eu só fazer uma ressalva... 
22Troncon – Deixa eu concluir. Então olha só, o local do 23crime é aqui, pelo 
menos parte dele, (inaudível) o 24inquérito é tombado lá, então pô, tem que 
ter um 25alinhamento uma simetria completa com a chefia da 26delegacia, 
com a DECOR (Delegacia de Combate ao 27Crime Organizado), com o 
superintendente, com o 28DELEFIN e comigo. 
29Seqüência reunião 
30Protógenes - E até mesmo depois da academia eu não 31pretendo. Minha 
proposta é, eu fico até o final da 32operação, até o final... eu criei um problema 
para os 33meus colegas delegados, que é um grande problema, e 34acredito 
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para você também, e a minha proposta é essa, 35permanecer minha 
vinculação no seu gabinete 36(Troncon) a sua disposição até o final desse 
trabalho, 37para não ficar aquela pecha que Brasília vem fazer 38operação 
nos Estados e deixa no meio do caminho, as 39minhas nunca ficaram no meio 
do caminho, as minhas 40nunca ficaram e a exemplo dessa não vai ficar... (...) 
Disponível no site 
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/07/17/leia_e_ouca_os_trechos_d
as_gravacoes_divulgadas_pela_policia_federal_1451610.html. Acesso em 
18 de agosto de 2008. 
 
Questão 75) 
Leia os enunciados a seguir: 
 
I. Uma das marcas lingüísticas de oralidade, de um modo geral, é o uso 
indiscriminado dos pronomes esse, desse e isso e suas variações. Esse 
uso não demonstra “empobrecimento” da língua. 
II. As condições de produção da gravação transcrita revelam criação 
coletiva, planejamento anterior à produção, acesso imediato às reações 
do interlocutor e a possibilidade de revisão. 
III. A expressão “Então olha só (...)”, linha 22, é um exemplo de hesitação por 
parte do falante. Ele faz uma pausa, hesita até encontrar um termo 
desejado correspondente a “local do crime”, linhas 22 e 23. 
 
Tendo como base a transcrição do texto, assinale a alternativa CORRETA: 
 
a) apenas I e II estão corretas. 
b) apenas II e III estão corretas. 
c) somente a alternativa I está correta. 
d) somente a alternativa II está correta. 
 
TEXTO: 20 - Comum às questões: 76, 77 
 
 
DESAFIO GLOBAL 
O Globo, 24-11-2008 
 
No momento em que os brasileiros acabam de eleger seus prefeitos e 
prefeitas, o Brasil sediará o mais importante evento do mundo sobre o 
combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. A coincidência de 
agendas não foi intencional, mas existe uma forte conexão entre as eleições 
e o tema que será discutido por autoridades e especialistas de 150 países 
durante o III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de 
Crianças e Adolescentes, que acontece entre os dias 25 e 28 de novembro 
no Rio de Janeiro. 
Apesar dos avanços obtidos nessa área por governos, ONGs e sociedade 
civil, evidências confirmam que a exploração sexual de crianças se alastra e 
atravessa fronteiras geográficas. Mais de uma década após o I Congresso 
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Mundial contra a Exploração Sexual de Crianças, realizado em Estocolmo, a 
situação é de crescente preocupação. O Congresso Mundial vai debater 
exatamente esses desafios globais, mas é importante lembrar que as ações 
devem ser colocadas em prática. Mas, afinal, o que a prefeita e o prefeito 
eleitos podem fazer? 
Além de programas e ações de combate ao problema, é fundamental que 
o município adote um plano municipal de enfrentamento da exploração 
sexual de crianças e adolescentes, baseado no diálogo entre os principais 
atores do Sistema de Garantia dos Direitos: conselho dos direitos, conselho 
tutelar; secretarias municipais, delegacia de proteção à criança; juízes e 
promotores da infância. Nesse processo, as lideranças comunitárias, os 
adolescentes e suas famílias são atores fundamentais. 
Ainda que essa etapa de articulação seja essencial, essa iniciativa deve 
ter orçamento próprio, dedicado a programas de atendimento às crianças, às 
redes de proteção à família e a um serviço de denúncia. Dessa forma, o poder 
público municipal terá condições de cumprir seu papel de prevenir novoscasos de exploração, proteger a criança que sofreu violência e punir os 
agressores de forma mais ágil e eficiente. 
Enfrentar a exploração sexual de crianças e adolescentes requer 
persistência. Estamos diante de um problema complexo. Mesmo que esse 
crime tenha como causa a pobreza e a miséria, é importante ressaltar que a 
maior incidência de casos é registrada entre meninas e mulheres afro-
descendentes e indígenas, com baixa escolaridade e que vivem com suas 
famílias de baixa renda nas periferias das grandes metrópoles ou municípios 
de baixo desenvolvimento socioeconômico. 
A partir de 1o de janeiro os novos prefeitos e prefeitas serão agentes 
fundamentais. No entanto, cada um de nós também tem um papel nesses 
esforços: propor e exigir soluções, além de denunciar os casos de violação. 
Podemos, juntos, colocar um fim a essa prática criminosa e cruel, que marca 
para sempre a mente de quem sofre a violação. Em seus novos mandatos, 
os representantes políticos nos municípios terão uma oportunidade de mudar 
de uma vez essa realidade. 
 
(Marie-Pierre Poirier – representante da Unicef no Brasil) 
 
Questão 76) 
 
Considerando o texto como um todo, a função de linguagem que nele 
predomina é: 
 
a) referencial; 
b) conativa; 
c) fática; 
d) metalingüística; 
e) emotiva. 
 
 
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Questão 77) 
Já que o texto lido é veiculado por um jornal, pode-se dizer que o receptor 
desse texto é: 
 
a) identificado perfeitamente, já que se trata de jornal de grande circulação; 
b) determinado claramente, pois se trata de assunto destinado a pessoas 
cultas; 
c) selecionado objetivamente, pois a linguagem empregada é altamente 
erudita; 
d) indiferenciado totalmente, pois os leitores têm livre acesso ao meio; 
e) indeterminado, pois o alto preço do jornal seleciona o seu público. 
 
TEXTO: 21 - Comum à questão: 78 
 
 A visão literária de Guimarães Rosa (1908-1967) ao mesmo tempo 
recolhe e transcende a realidade, trazendo-a de volta mediante linguagem e 
imagens inesquecíveis. Quando perguntavam a Rosa como podia escrever 
sobre o sertão fisicamente longe do verdadeiro sertão, respondia ele, 
apontando a própria testa e o coração, que o seu sertão era “metafísico”, 
estava ali dentro, na sua mente, em forma de ideia e sentimento. O sertão, 
em outro sentido, é o próprio mundo, desde que, dentro dos limites daquela 
região geograficamente restrita, experimentemos com radicalidade tudo o 
que diz respeito à vida humana. 
 Grande sertão: veredas, sua obra-prima, é uma grande aula sobre 
importantes temas existenciais: o amor, a maldade, a morte, a coragem, o 
medo, o destino, a liberdade, a dúvida, a crença. O aluno é aquele “senhor” 
a quem o protagonista e narrador Riobaldo se dirige constantemente ao longo 
do relato. Em dado momento, explicando-lhe como se faz o pacto com o 
demônio, de como o Coxo, o Capiroto, o Cujo aparece numa encruzilha, à 
meia-noite, Riobaldo pergunta: “O senhor imaginalmente percebe?”. 
(Revista Educação, agosto de 2008, edição 136) 
 
Questão 78) 
Assinale a alternativa em que a frase poderia articular-se ao texto, estando 
adequada quanto aos sentidos e à correção gramatical, de acordo com a 
norma culta. 
 
a) Ler é prescindir da realidade e levar a imaginação à agir subjetivamente, 
reconstruindo-na em nossa própria mente afim de produzir conhecimento. 
b) Ler é considerar que a realidade é o mesmo que imaginação e reconstruir-
lhe em nossa própria mente é improdutivo. 
c) Ler é captar a realidade com a imaginação, reconstruir ela em nossa 
própria mente, para produzir conhecimento. 
d) Ler é perceber a realidade com a imaginação, reconstruí-la em nossa 
própria mente, produzindo conhecimento. 
e) Ler é dissociar realidade de imaginação, reconstruindo-lhe em nossa 
própria mente, produzindo conhecimento. 
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TEXTO: 22 - Comum à questão: 79 
 
 
Texto I 
 
Poema de Décio Pignatari 
 
Texto II 
 
Criação estampada em camisetas 
 
Questão 79) 
Quanto à linguagem utilizada, o texto I evidencia 
 
a) o uso de sinônimos (coca-cola / cola) e antônimos (cola / caco) cujo 
sentido produz efeito cômico. 
b) a inversão de sílabas (babe / beba) como recurso expressivo diretamente 
relacionado ao emprego de palavras que designam ações opostas. 
c) o uso de “slogan” publicitário (beba coca cola) na sua função original, ou 
seja, função apelativa da linguagem. 
d) a repetição de palavras (beba / beba ; coca / coca) para criar tom 
grandiloquente e dissimular o efeito conotativo das palavras do texto. 
e) o uso de anagrama – isto é, jogo verbal baseado na transposição de letras 
(coca cola / cloaca) –, a fim de valorizar o produto a que se refere. 
 
TEXTO: 23 - Comum à questão: 80 
 
Considere o trecho do texto “O Planeta Urbano”. 
 
O mundo da ciência e da técnica 
 
Duzentos anos atrás, apenas 3% da população mundial vivia em cidades. Há 
um século, na esteira da Revolução Industrial, a porcentagem tinha subido 
para 13% – ainda uma minoria em um planeta essencialmente rural. Em 
algum momento deste ano, de acordo com estimativas das Nações Unidas, 
pela primeira vez na história o número de pessoas que vivem em áreas 
urbanas ultrapassará o de moradores do campo. Segundo o mesmo estudo, 
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nas próximas décadas praticamente todo o crescimento populacional do 
planeta ocorrerá nas cidades, nas quais viverão sete em cada dez pessoas 
em 2050. A população rural ainda deve aumentar nos próximos dez anos, 
antes de entrar em declínio gradativo. A atual migração para as cidades é de 
tal ordem que se pode compará-la, de forma alegórica, a um novo salto na 
evolução. O Homo sapiens cedeu lugar a seu sucessor, o Homo urbanus. 
 
(Trecho do texto O Planeta Urbano. Veja, 16.04.2008) 
 
Questão 80) 
 
Assinale a alternativa em que as frases estão redigidas de acordo com a 
norma padrão. 
 
a) Fazem duzentos anos que apenas 3% da população mundial vivia em 
cidades. 
b) Há um século atrás, na esteira da Revolução Industrial, os porcentuais já 
havia subido para 13%. 
c) Praticamente todo o crescimento populacional do planeta ocorrerá nas 
cidades, cuja a maioria dos habitantes viverão nelas em 2050. 
d) O número de pessoas cujas habitam em áreas urbanas ultrapassará os 
moradores do campo. 
e) A conclusão a que se chega é: o Homo urbanus sucedeu ao Homo 
sapiens. 
 
TEXTO: 24 - Comum à questão: 81 
 
 
 
 
Fonte: Folha de S. Paulo, 20 dez. 1992. Pág. 1‐1. 
 
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Questão 81) 
De acordo com a teoria da narrativa, predomina, na foto, a relação entre os 
seguintes elementos: 
 
a) fato e desfecho 
b) personagem e espaço 
c) espaço e ação 
d) personagem e conflito 
 
TEXTO: 25 - Comum à questão: 82 
 
 
Analise esta tira, extraída do sítio http://educacao.uol.com.br/album/tiras. 
 
 
Questão 82) 
Com relação ao “gerundismo”, é correto afirmar que 
 
01. é um dos principais problemas da ortografia do português brasileiro. 
02. denota aspectos do padrão do uso da língua portuguesa. 
04. acontece devido a uma influência direta da língua inglesa no português. 
08. denota o uso coloquial da variante brasileira da língua portuguesa. 
16. caracteriza-se como um fenômeno sintático. 
 
TEXTO: 26 - Comum à questão: 83 
 
 
 
Fonte: Clube da Mafalda. Disponíveis em: 
 <http://clubedamafalda.blogspot.com/>. 
Acesso em: 27/11/2008 
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Questão 83) 
Assinale a opção correta. 
 
a) A tira é um gênero textual que associa dois códigos, o verbal e o não-
verbal. A sua compreensão exige, além do conhecimento contextual, a 
combinação entre as falas, os pensamentos e as expressões dos 
personagens.b) Não é possível estabelecer uma relação de sequencialidade temporal 
entre os quadrinhos que compõem a tira. 
c) A tira produz um efeito de humor decorrente da ambiguidade presente na 
fala do menino no último quadrinho. 
d) O episódio representado no último quadrinho é previsível e esperado 
como desfecho da narrativa. 
e) A tira apresenta uma visão idealizada e acrítica da realidade, o que fica 
evidente pela relação entre as expressões faciais da personagem e o seu 
sonho. 
 
TEXTO: 27 - Comum à questão: 84 
 
Analise o fragmento de uma propaganda veiculada na revista Veja, de 9 de 
abril de 2008. 
 
 
 
Questão 84) 
 
Assinale a(s) proposição(ões) correta(s). 
 
01. Por se tratar de um texto publicitário, a linguagem predominante é a 
referencial. 
02. No texto, ao empregar verbos no infinitivo, o autor expressa a intenção de 
não marcar as noções de pessoa, número e tempo. 
04. Embora o texto esteja apresentado na forma de propaganda, a linguagem 
predominante é a poética. 
08. Pode-se dizer que o autor do texto procura estabelecer um diálogo com o 
leitor, ao empregar a palavra “pães”. 
16. O único objetivo da propaganda é promover a venda de pães. 
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TEXTO: 28 - Comum à questão: 85 
 
 
1TIÃO – [...] Bem, gente... Hoje é meu dia... Já ganhei presente de noivado... 
2ROMANA – Saiu o aumento? 
3OTÁVIO – Que aumento! Sem greve não sai aumento! 
4ROMANA (repreendendo-o) – Otávio!... 
5TIÃO – Aumento nada... Tive minha chance no cinema!... 
6[...] 
7OTÁVIO – Seu pai vai ficá irritado com esse recado, mas eu digo. Seu pai 
tem outro recado pra 
8você. Seu pai acha que a culpa de pensá desse jeito não é sua só. Seu pai 
acha que tem 9culpa... 
10TIÃO – Diga a meu pai que ele não tem culpa nenhuma. 
11OTÁVIO (perdendo o controle) – Se eu te tivesse educado mais firme, se te 
tivesse mostrado 12melhor o que é a vida, tu não pensaria em não ter 
confiança na tua gente... 
 
GUARNIERI, Gianfrancesco. Eles não usam black-tie. 19. ed. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 2008. p. 36-37; 105. 
 
 
 
Questão 85) 
 
Considerando o texto, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S). 
 
01. Se a fala de Otávio “Sem greve não sai aumento!” (ref. 3) fosse 
substituída por “Só com greve sai aumento!”, haveria considerável 
alteração de significado no contexto. 
02. Ambas as construções: “Se eu te tivesse educado mais firme” (ref. 11) e 
“tu não pensaria” (ref. 12) apresentam o mesmo nível de formalidade e 
revelam que a personagem tem alto nível de escolaridade. 
04. Os dois trechos de diálogo apresentam um registro coloquial, mas o 
segundo trecho (refs. 7-12) evidencia mais marcas de oralidade que o 
primeiro. 
08. No segundo trecho (refs. 7-12), pai e filho mantêm um diálogo no qual 
simulam a intermediação de uma terceira pessoa; assim, as expressões 
seu pai e meu pai remetem ao mesmo referente – Otávio; da mesma 
forma, os pronomes você e tu remetem ao mesmo referente – Tião. 
16. A frase “Diga a meu pai que ele não tem culpa nenhuma” (ref. 10) pode 
ser reescrita, sem prejuízo de significado, como “Diga a meu pai que ele 
não tem culpa alguma”. 
32. A palavra gente (refs. 1 e 12) está funcionando como pronome de 
primeira pessoa do plural, com o mesmo sentido de nós. 
 
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TEXTO: 29 - Comum à questão: 86 
 
 
Conter a obesidade é um desafio tão urgente para o Brasil quanto acabar 
com a fome. Ninguém sabe ao certo quantos são os famintos brasileiros, mas 
o programa Fome Zero pretende atingir 44 milhões de pessoas. Por outro 
lado, o contingente com excesso de peso já ultrapassa a assustadora marca 
dos 70 milhões - cerca de 40% da população. Não há dúvida: o Brasil que 
come mal é maior do que o Brasil que tem fome. Apesar do tamanho do 
problema, falta ao país um esforço maciço de combate ao flagelo da gordura, 
que abre caminho para o surgimento de mais de 30 doenças e sobrecarrega 
o orçamento da saúde com internações hospitalares que poderiam ser 
evitadas. 'As autoridades não podem achar que há contradição entre atacar 
a fome e a obesidade ao mesmo tempo', comenta o endocrinologista Walmir 
Coutinho, 'mas os dois são problemas complementares.' 
Mesmo entre os pobres, a ocorrência de excesso de peso supera a fome. 
'Nas favelas, verifica-se que a obesidade é mais prevalente que a 
desnutrição', comenta Coutinho. Nos últimos 20 anos, a obesidade infanto-
juvenil cresceu 66% nos Estados Unidos e desencadeou uma batalha jurídica 
contra as cadeias de fast-food semelhante à guerra contra o tabaco. No 
Brasil, o crescimento ocorreu com um ritmo especialmente acelerado nas 
camadas sociais mais baixas. A consciência do problema ainda é incipiente, 
embora a Organização Mundial de Saúde tenha declarado a obesidade uma 
epidemia global que ameaça principalmente os países em desenvolvimento. 
Dos 6 bilhões de habitantes do planeta, 1,7 bilhão está acima do peso. A 
exportação do modelo americano de progresso - urbanização, proliferação 
de carros, junk food e longas jornadas de trabalho em frente ao computador 
- leva países emergentes, como Brasil, Índia e África do Sul, a um paradoxo. 
Em duas gerações, grande parte da população passou da desnutrição à 
obesidade porque teve acesso a grande quantidade de comida barata e ruim, 
industrializada, cheia de gorduras e açúcar. 
O resultado é desastroso: as pessoas ganham peso sem acumular 
nutrientes essenciais. A classe média e os ricos encontram meios eficazes 
de combater a obesidade, responsável por 30% das mortes no Brasil. Podem 
pagar por programas de emagrecimento e atividade física não acessíveis aos 
menos favorecidos. Por isso, cada vez mais a obesidade estará relacionada 
à pobreza. 'A fome é uma tragédia que precisa ser combatida, mas a 
obesidade atinge ainda mais gente no Brasil e acarreta um ônus mais 
elevado’, comenta o endocrinologista Alfredo Halpern, um dos fundadores da 
Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade. 
A gravidade da situação exige um esforço articulado de saúde pública e 
medidas criativas. 
 
(http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT590194-1653,00.html) 
 
 
 
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Questão 86) 
A análise de aspectos globais do texto, tais como os sentidos expressos, as 
intenções, o tipo e o gênero em que ele se manifesta, nos leva a concluir que 
 
I. o trecho que poderia expressar a ideia central defendida no texto é: “os 
ricos encontram meios eficazes de combater a obesidade, responsável 
por 30% das mortes no Brasil. Podem pagar por programas de 
emagrecimento e atividade física não acessíveis aos menos favorecidos.” 
II. se trata de um texto do tipo narrativo, do gênero notícia, cujo enredo 
envolve um cenário (a realidade brasileira) e personagens facilmente 
identificáveis (entre eles, por exemplo, o endocrinologista Walmir 
Coutinho). 
III. predomina no texto uma linguagem com função referencial. Nesse 
sentido, justifica-se o uso de dados e informações objetivos, 
quantitativamente expressos, e respaldados por opiniões abalizadas de 
especialistas. 
IV. aparecem no texto evidências de intertextualidade. Com efeito, algumas 
passagens do Texto A remetem, explicitamente, a outros textos 
pertinentes ao tema tratado. Além disso, o texto mobiliza o nosso 
conhecimento prévio acerca de muitos itens. 
V. a linguagem usada no texto se reveste de um caráter de formalidade, na 
medida em que se ajusta às suas condições sociais de circulação: está 
publicado em um órgão de informação e destina-se a um público mais 
escolarizado. 
 
A afirmativa é VERDADEIRA apenas nos itens: 
 
a) I, II e III. 
b) I, II e IV. 
c) II, III e IV. 
d) III, IV e V. 
e) I, IV e V. 
 
TEXTO: 30 - Comum à questão: 87 
 
Capítulo XIII 
 
1 Os reposteiros, astapeçarias, os divãs, tudo enfim quanto constituía a 
mobília do palácio demonstrava a magnificência inexcedível de um príncipe 
das lendas hindus. 
Lá fora, nos jardins, reinava a mesma pompa, realçada pela mão da 
Natureza, perfumada por mil odores diversos, alcatifada de verdes alfombras, 
banhada pelo rio, 5 refrescada por inúmeras fontes de mármore branco, junto 
às quais um milheiro de escravos trabalhava sem cessar. 
Fomos conduzidos ao divã das audiências por um dos auxiliares do vizir 
Ibraim Maluf. 
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Avistamos, ao chegar, o poderoso monarca sentado em riquíssimo trono 
de marfim 10e veludo. Perturbou-me, de certo modo, a beleza estonteante do 
grande salão. Todas as suas paredes eram adornadas com inscrições 
admiráveis feitas pela arte caprichosa de um calígrafo genial. As legendas 
apareciam, em relevo, sobre fundo azul claro em letras pretas e vermelhas. 
Notei que eram versos dos mais brilhantes poetas de nossa terra! Jarras de 
flores por toda a parte, flores desfolhadas sobre coxins, sobre alcatifas, ou 
em 15 salvas de ouro e prata primorosamente cinzeladas. 
Malba Tahan, em O homem que calculava, p. 69 e 70. 
 
Questão 87) 
O livro O homem que calculava, de Malba Tahan, narra as aventuras e 
proezas matemáticas do fictício matemático persa, Beremiz Samir, 
personagem central de eventos que se desenrolam no século XIII. De forma 
romanceada, a narrativa retrata a paisagem do mundo islâmico medieval, 
trata das peripécias matemáticas do protagonista, que resolve e explica de 
modo extraordinário alguns problemas, quebra-cabeças e curiosidades da 
matemática. Relata, ainda, lendas e histórias pitorescas, como, por exemplo, 
a lenda da origem do jogo de xadrez, além de outras. Razão por que a obra 
está mesclada de metalinguagem e intertextualidade . 
 
Em relação a isso, relacione as duas colunas. 
 
1. Metalinguagem está presente nos textos centrados nos códigos de 
comunicação. 
2. Intertextualidade é uma espécie de diálogo entre textos consagrados no 
universo cultural. 
 
( )“É preciso, ainda, não esquecer que a Matemática, além do objetivo de 
resolver problemas, calcular áreas e medir volumes, tem finalidades muito 
mais elevadas.” (p. 78) 
( )Falasse eu as línguas dos homens e dos anjos E não tivesse caridade,” 
(p. 55) “preceito de Salomão: 
( )‘Quem de repente se enfurece é estulto: Quem é prudente dissimula o 
insulto’ ”. (p. 54) 
( )“A dúzia apresenta, sobre a dezena, uma grande vantagem: o número 
doze tem mais divisores do que o número dez.” (p. 115) 
( )“princípio atribuído a Pitágoras: ‘O quadrado construído sobre a 
hipotenusa é equivalente à soma dos quadrados construídos sobre os 
catetos.’ ” (p. 101) 
( )“A Geometria, repito, existe por toda a parte. No disco do sol, na folha da 
tamareira, no arco-íris, na boboleta, no diamante, na estrela do mar e até 
num pequenino grão de areia. Há, enfim, infinitas variedades de formas 
geométricas espalhadas pela Natureza.” (p. 39) 
 
 
 
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Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo. 
 
a) 2 – 1 – 1 – 1 – 2 – 1 
b) 1 – 2 – 2 – 2 – 2 – 1 
c) 1 – 2 – 2 – 1 – 2 – 1 
d) 2 – 2 – 1 – 1 – 2 – 2 
e) 2 – 1 – 2 – 1 – 2 – 2 
 
TEXTO: 31 - Comum à questão: 88 
 
 
 
 
 
Questão 88) 
 
Assinale a alternativa correta sobre o texto do 1º. quadrinho. 
 
a) A relação entre linguagem verbal e visual destaca sobremaneira a 
presença da função metalinguística, considerando o objetivo principal do 
texto: apontar para possíveis técnicas de construção das diferentes 
linguagens. 
b) A grande quantidade de traços fortes que reproduzem a chuva e a fala 
caudalosa do garoto estabelecem uma relação entre o verbal e o visual 
e apontam a presença da função poética, revelando cuidado especial 
com a construção da mensagem. 
c) Encontra-se na fala do garoto exclusivamente a função conativa, uma 
vez que estão ausentes elementos que apontam para uma 
expressividade no processo comunicativo. 
d) Observa-se, além do emprego da função emotiva (marcada pela raiva e 
desespero do garoto ao relatar seu sonho), o uso destacado da função 
fática, presente, por exemplo, na linguagem formal e conotativa do 
monólogo. 
e) A função referencial da linguagem sobrepõe-se à função emotiva, na 
medida em que a tira transmite essencialmente informações de caráter 
objetivo. 
 
 
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TEXTO: 32 - Comum à questão: 89 
 
Trabalhar e sofrer 
 
 1“O trabalho enobrece” é uma dessas frases feitas que a gente repete sem 
refletir no que significam, feito reza automatizada. Outra é "A quem Deus 
ama, ele faz sofrer", que fala de uma divindade cruel, fria, que não mereceria 
uma vela acesa sequer. Sinto muito: nem sempre trabalhar nos torna mais 
nobres, nem sempre a dor nos deixa mais justos, mais generosos. O tempo 
para contemplação da arte e da natureza, ou 5curtição dos afetos, por 
exemplo, deve enobrecer bem mais. Ser feliz, viver com alguma harmonia, 
há de nos tornar melhores do que a desgraça. A ilusão de que o trabalho e 
o sofrimento nos aperfeiçoam é uma ideia que deve ser reavaliada e 
certamente desmascarada. 
 O trabalho tem de ser o primeiro dos nossos valores, nos ensinaram, 
colocando à nossa frente cartazes pintados que impedem que a gente 
enxergue além disso. Eu prefiro a velha dama esquecida num 10canto feito 
uma mala furada, que se chama ética. Palavra refinada para dizer o que está 
ao alcance de qualquer um de nós: decência. Prefiro, ao mito do trabalho 
como única salvação, e da dor como cursinho de aperfeiçoamento pessoal, 
a realidade possível dos amores e dos valores que nos tornariam mais 
humanos. Para que se trabalhe com mais força e ímpeto e se viva com mais 
esperança. 
 O trabalho que dá valor ao ser humano e algum sentido à vida pode, por 
outro lado, deformar e 15destruir. O desprezo pela alegria e pelo lazer 
espalha-se entre muitos de nossos conceitos, e nos sentimos culpados se 
não estamos em atividade, na cultura do corre-corre e da competência pela 
competência, do poder pelo poder, por mais tolo que ele seja. 
 Assim como o sofrimento pode nos tornar amargos e até emocionalmente 
estéreis, o trabalho pode aviltar, humilhar, explorar e solapar qualquer 
dignidade, roubar nosso tempo, saúde e possibilidade de 20crescimento. Na 
verdade, o que enobrece é a responsabilidade que os deveres, incluindo os 
de trabalho, trazem consigo. O que nos pode tornar mais bondosos e 
tolerantes, eventualmente, nasce do sofrimento suportado com dignidade, 
quem sabe com estoicismo. Mas um ser humano decente é resultado de 
muito mais que isso: de genética, da família, da sociedade em que está 
inserido, da sorte ou do azar, e de escolhas pessoais (essas a gente costuma 
esquecer: queixar-se é tão mais fácil). 
 25Quanto tempo o meu trabalho  se é que temos escolha, pois a maioria 
de nós dá graças a Deus se consegue trabalhar por um salário vil  me 
permite para lazer, ou o que eu de verdade quero, se é que paro para refletir 
sobre isso? Quanto tempo eu me dou para viver? Quanto sobra para meu 
crescimento pessoal, para tentar observar o mundo e descobrir meu lugar 
nele, por menor que seja, ou para entender minha cultura e minha gente, 
para amar minha família? 
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 30E, se o luxo desse tempo existe, eu o emprego para ser, para viver, ou 
para correr atrás de mais um trabalho a fim de pagar dívidas nem sempre 
necessárias? Ou apenas não me sinto bem ficando sem atividade, tenho de 
me agitar sem vontade, rir sem alegria, gritar sem entusiasmo, correr na 
esteira além do indispensável para me manter sadio, vagar pelos shoppings 
quando nada tenho a fazer ali e já comprei todo o possível  muitomais do 
que preciso, no maior número de prestações que me ofereceram? E, quando 
35tenho momentos de alegria, curto isso ou me preocupo: algo deve estar 
errado? 
 Servos de uma culpa generalizada, fabaricamos caprichosamente cada 
elo do círculo infernal da nossa infelicidade e alienação. Essas frases feitas, 
das quais aqui citei só duas, podem parecer banais. Até rimos delas, quando 
alguém nos leva a refletir a respeito. Mas na verdade são instrumento de 
dominação de mentes: sofra e não se queixe, não se poupe, não se dê folga, 
mate-se trabalhando, seja humilde, seja pobre, 40sofrer é nosso destino, 
darás à luz com dor  e todo o resto da tola e desumana lavagem cerebral 
de muitos séculos, que a gente em geral nem questiona mais. 
Lya Luft, Veja, 20/1/2010 
 
Questão 89) 
Considere a seguinte passagem do texto: “Prefiro, ao mito do trabalho como 
única salvação, e da dor como cursinho de aperfeiçoamento pessoal, a 
realidade possível dos amores e dos valores que nos tornariam mais 
humanos.” (ref.10). 
 
Sobre os elementos formais do período destacado, é INCORRETO afirmar: 
 
a) O verbo “preferir” tem como núcleos de seus complementos “realidade” 
e “mito”. 
b) O padrão culto do português admite, nessa construção, “preferir” com o 
advérbio “mais”. 
c) A última oração do período refere-se a “amores” e “valores”. 
d) “Preferir” significa “querer antes”, “achar melhor” e, nessa acepção, 
emprega-se com objeto direto e objeto indireto. 
 
TEXTO: 33 - Comum às questões: 90, 91 
 
Entrevista com Evanildo Bechara 
 
 Jornalista. É fato que o português está sendo invadido por expressões 
inglesas ou americanizadas – como background, playground, delivery, 
fastfood, dowload... Isso o preocupa? 
 Bechara. Não. É preciso diferenciar língua e cultura. O sistema da língua 
não sofre nada com a introdução de termos estrangeiros. Pelo contrário, 
quando esses termos entram no sistema têm de se submeter às regras de 
funcionamento da língua, no caso, o português. Um exemplo: nós 
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recebemos a palavra xerox. Ao entrar na língua, ela acabou por se submeter 
a uma série de normas. Daí surgiram xerocar, xerocopiar, xerografar, enfim, 
nasceu uma constelação de palavras dentro do sistema da língua 
portuguesa. 
 Jornalista. Então esse processo não é ruim? 
 Bechara. É até enriquecedor, pois incorpora palavras. Não há língua que 
tenha seu léxico livre dos estrangeirismos. A língua que mais os recebe, 
curiosamente, é o inglês, por ser um idioma voltado para o mundo. 
 Hoje, fala-se “delivery”, mas poderíamos dizer “entrega a domicílio”. E há 
quem diga que o correto é “entrega em domicílio”. Será? Na dúvida, há quem 
fique com o “delivery”. 
 A palavra inglesa delivery não chegou a entrar nos sistemas da nossa 
língua, pois dela não resultam outras palavras. Apenas entrou no vocabulário 
do dia a dia no contexto dos alimentos. Agora deram de falar que “entrega 
em domicílio” é melhor do que “entrega a domicílio”. Não sei de onde isso 
saiu, porque o verbo entregar normalmente se constrói com a preposição a. 
Fulano entregou a alma a Deus. De qualquer modo, a língua se enriquece 
quando você tem dois modos de dizer a mesma coisa. 
 Jornalista. E por que usar “delivery”, se temos uma expressão própria em 
português? Não é mais um badulaque desnecessário? 
 Bechara. Não sei se é badulaque, o fato é que a língua, que não tem vida 
independente, também admite modismos, além de refletir todas as 
qualidades e os defeitos do povo que a fala. Estrangeirismos aparecem, 
somem e podem ser substituídos por termos nossos. Foi o que aconteceu 
com a terminologia clássica e introdutória do futebol no Brasil, quando se 
falava em goalkeeper, off side e corner. Com a passar do tempo, e sem 
nenhuma atitude controladora, os termos estrangeiros do futebol foram 
dando lugar a expressões feitas no Brasil, como goleiro, impedimento, 
escanteio. 
(Entrevista de Evanildo Bechara. Disponível em 
http.//www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=. Acesso em 30 
de março de 2008. Adaptado). 
 
Questão 90) 
A compreensão global do Texto 1 – que resulta da articulação entre os 
elementos contextuais e o material linguístico presente – nos leva a 
reconhecer como afirmações principais do texto as seguintes: 
 
1. “o português está sendo invadido por expressões inglesas ou 
americanizadas”. 
2. “Não há língua que tenha seu léxico livre dos estrangeirismos”. 
3. “a língua se enriquece quando você tem dois modos de dizer a mesma 
coisa”. 
4. “O sistema da língua não sofre nada com a introdução de termos 
estrangeiros”. 
5. “os termos estrangeiros do futebol foram dando lugar a expressões feitas 
no Brasil”. 
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Estão corretas: 
 
a) 1, 2, 3 e 5 apenas 
b) 2, 3 e 4 apenas 
c) 3 e 5, apenas 
d) 1, 2 e 4, apenas 
e) 1, 2, 3, 4 e 5 
 
Questão 91) 
Considerando alguns aspectos que, globalmente, caracterizam o Texto 1, 
analise as seguintes observações. 
 
1. No texto predomina a função referencial, uma função centrada no 
contexto de produção e de circulação do texto. 
2. Do ponto de vista da tipologia textual, podemos reconhecer no Texto 1 
um exemplar dos textos narrativos. 
3. Por se tratar de uma entrevista, o texto apresenta, entre outras, 
formulações próprias do diálogo oral. 
4. O fato de não se tratar de um texto literário leva a que o entrevistado não 
use palavras em sentido figurado. 
5. O professor entrevistado apresenta seus argumentos, mas se omite 
quanto à apresentação de exemplos que pudessem reforçá-los. 
 
Estão corretas: 
 
a) 1, 2, 3, 4 e 5 
b) 1 e 2 apenas 
c) 1 e 3 apenas 
d) 1 e 5 apenas 
e) 4 e 5 apenas 
 
TEXTO: 34 - Comum à questão: 92 
 
E SE... 
 
as pessoas respirassem debaixo d’água? 
Fernando Brito 
 
 Aquaman, Pequena Sereia, Bob Esponja... Esses têm sorte. Saem 
mergulhando mar afora sem se preocupar. Para nós, personagens da vida 
real, a evolução não foi tão bacana. Ficou no quase: descendentes de seres 
que viviam na água, até hoje desenvolvemos fendas branquiais como as de 
peixes e anfíbios. Mas só quando embriões. Logo elas desaparecem para 
dar lugar à parte da laringe e ossos do ouvido e garganta. 
 Uma revolução e tanto aconteceria se as fendas continuassem lá. O 
principal: poderíamos respirar debaixo d'água. Contaríamos com os pulmões 
para respirar em terra e as brânquias (ou guelras) para a água. Com um 
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sistema respiratório como esse, seríamos parecidos com os anfíbios. 
Parentes de sapos e salamandras. Nosso corpo precisaria estar sempre 
úmido – ou a pele, acostumada à água, desidrataria. Por isso viveríamos 
mais na água do que na terra, sempre circulando por regiões costeiras e rios. 
Mas não daria para mergulhar tão fundo porque a pressão da água aumenta 
com a profundidade e começa a esmagar nosso corpo. Poderíamos chegar 
até uns 500 metros, como leões-marinhos, que também vivem no seco e no 
molhado. Isso já estaria de bom tamanho: hoje só descemos até 40 metros 
em mergulhos com cilindro e precisamos de vários dias de adaptação para 
chegar a no máximo 300 metros. A terra firme não seria abandonada por 
completo. Ela nos daria alimentos e espaço para atividades que ninguém 
gostaria de ver debaixo d’água, como o despejo de lixo. Mas o mar seria o 
nosso principal habitat. E uma grande fonte de energia. Veja como seria esse 
mundo de glub glub. 
 
Ilustração: Alexandre Jubran 
 
MAR, DOCE LAR 
 
Neste Mundo, carne é para poucos. 
E ninguém precisa de pente. 
 
 
 
 
1 – NÃO VÁ PRO SECO, MEU FILHO 
Avançar terra adentro não seria nada recomendável. Fora da água, 
precisaríamos de recursos que hidratassem nossa pele o tempo todo. Os 
países ficariam limitados ao litoral e a zonas domar pouco profundas. E 
surgiria uma nova opção para as férias: o turismo radical no seco. 
 
 
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2 – SÓ RICO NO RASO 
Na terra funcionariam principalmente os serviços, como aterros sanitários. A 
área residencial ficaria na água. Todo mundo que fosse alguém moraria 
perto da superficie – lá, o metro cúbico seria mais caro por causa da pressão 
menor. Aos pobres e miseráveis, restaria o fundão. 
 
3 – ALGA NO DENTE 
O nosso arroz com feijão viraria um prato de peixe e algas. A agricultura 
prosperaria com vegetais aquáticos. E esqueça rodízios de carne. Como 
criar animais para abate em terra não seria fácil, carne de boi ou porco viraria 
uma iguaria refinada. No lugar, iríamos a rodízios de lagosta nos almoçoes 
de domingos 
 
4 – VIDA LONGA E ÚMIDA 
No ar, respiramos pelo menos 25 vezes mais oxigênio que na água. Essa 
falta de O2, ao contrário do que parece, faria bem – viveríamos mais. Ao 
respirar, produzimos radicais livres que danificam células e aceleram o 
envelhecimento. Com um organismo adaptado a menos O2, esse processo 
perderia força. 
 
ENERGIA DAS PROFUNDEZAS 
70% da superficie da Terra está submersa. Com o corpo adaptado à água, 
exploraríamos com mais facilidade as reservas de petróleo e minérios como 
manganês e cobalto. Só teria um problema: com maior acesso ás reservas, 
é provável que o petróleo se esgotasse mais cedo. 
 
5 – LISINHOS 
Membranas nos dedos das mãos e dos pés funcionariam como nadadeiras, 
facilitando a nossa movimentação. (lembre-se, a água é mais densa que o 
ar.) E pode esquecer aquela cabeleira de sereia Ariel – seríamos lisinhos, 
sem quaisquer pelos que pudessem aumentar o atrito com a água. 
 
6 – HOMENS – PIRAMBOIA 
Nossas brânquias funcionariam em conjunto com os pulmões, para que 
pudéssemos absorver oxigênio enquanto nadássemos. Nada de outro 
mundo: acontece com a piramboia, um peixe amazônico que respira dentro 
e fora d’água. Seria o fim das mortes por afogamento – pelo menos 7 mil por 
ano só no Brasil. 
SUPERINTERESSANTE, São Paulo: Abril, ed. 282, set. 2010, p. 50-51. 
 
Questão 92) 
A linguagem visual gráfica e a linguagem verbal se complementam para o 
estabelecimento das representações sociais promovidas no texto. 
 
a) Identifique a que tipo específico de sociedade remete a leitura do 
primeiro plano da ilustração. 
b) Cite dois elementos caracterizadores dessa sociedade. 
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c) No trecho Todo mundo que fosse alguém moraria perto da superfície – 
lá, o metro cúbico seria mais caro por causa da pressão menor, a palavra 
alguém contribui para expressar um critério de distinção das pessoas na 
escala social. Que critério leva um ser humano a ser reconhecido como 
alguém e que ideia fundamenta esse critério? 
 
TEXTO: 35 - Comum à questão: 93 
 
 
 01Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do 02trabalho. 
 03Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa 04vontade 
em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais. 
05[...] 
 06O resultado foi um desastre. Quinze dias depois do nosso 07primeiro 
encontro, o redator do Cruzeiro apresentou-me dois capítulos 
08datilografados, tão cheios de besteiras que me zanguei: 
 09— Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está 
10pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa 11forma! 
 12Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os 
13cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista 14não 
pode escrever como fala. 
 15— Não pode? Perguntei com assombro. E por quê? 
 16Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode. 
 17— Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu 18Paulo. 
A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas 19arranjar 
palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como 20falo, ninguém 
me lia. 
 
Graciliano Ramos, S.Bernardo 
 
 
Questão 93) 
 
Uma das características da linguagem literária é a expressividade, que pode 
resultar, por exemplo, do uso metafórico de imagens concretas para a 
representação de aspectos abstratos da realidade. É o que se verifica em: 
 
a) Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho 
(refs. 01 e 02). 
b) Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos 
da sua pequenina vaidade (refs. 12 e 13). 
c) Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa vontade em 
contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais (refs. 03e 04). 
d) Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode (ref.16). 
e) — Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo (refs. 
17 e 18). 
 
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TEXTO: 36 - Comum à questão: 94 
 
 
 
 
É UMA MÚSICA... Carta na Escola. São Paulo: Confiança, ed. 51, p. 3, 31 
nov. 2010. Encarte Publicitário. 
 
Questão 94) 
Através da função poética presente na música “Mais uma vez”, o principal 
objetivo do anúncio publicitário é 
 
a) garantir ao receptor a qualidade dos serviços prestados pela empresa 
evidenciada no anúncio. 
b) persuadir o receptor a economizar através dos serviços da instituição em 
destaque. 
c) fazer o receptor refletir sobre a importância do pensamento otimista. 
d) convencer o leitor a continuar investindo na sua própria vida. 
e) convidar o receptor a acreditar num futuro próspero. 
 
TEXTO: 37 - Comum à questão: 95 
 
 01A falta de recato com a própria intimidade, revelada sem pejo em 
02algumas páginas da internet, nas telas do “Big Brother” e nas traseiras 03de 
automóveis, onde se veem grudadas figurinhas representativas da 
04composição da família proprietária, constitui, em um primeiro olhar, 
05exercício de direito à autoexposição. 
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 06Pondero, para a reflexão do leitor, que o abuso desse direito à 07imagem 
escancarada poderá levar à supressão do direito fundamental 08à 
privacidade, abrindo espaço para a ditadura do monitoramento 09oficial 
ilimitado. 
 10É, contudo, no exagerado exercício individual do direito de abrir 11mão 
da privacidade que mora o problema. Se considero normal 12informar ao 
estranho que vai à traseira do meu carro que somos cinco 13em casa, como 
poderei exigir da loja da esquina a manutenção em 14segredo do cadastro 
que lá preenchi? Por que o fiscal do Imposto 15de Renda deveria se privar 
de vasculhar minha conta corrente se 16tuíto a todos os que me “seguem” o 
quanto gastei no final de ano em 17determinado shopping? 
Adaptado de Roberto Soares Garcia, Folha de S.Paulo, 27/02/2011 
 
Questão 95) 
Assinale a alternativa correta. 
 
a) Na referência 03, a palavra onde está empregada de acordo com a 
norma culta da língua, assim como em “Esse é um problema onde eu 
tenho de resolver”. 
b) O substantivo recato (ref. 01) pode ser substituído, sem prejuízo para o 
sentido original do texto, por “despudor”. 
c) A partícula lá (ref. 14) refere-se anaforicamente ao local em que o autor 
reside com seus cinco familiares. 
d) A palavra contudo (referência 10) denota causalidade, expressando de 
forma adequada sentidos equivalentes aos que a locução “visto que” 
estabelece. 
e) A expressão sem pejo (ref. 01) pode ser adequadamente substituída por 
“sem pudor”. 
 
TEXTO: 38 - Comum à questão: 96 
 
Inverno 
 
 1A família estava reunida em torno do fogo, Fabiano sentado no pilão 
caído, sinha Vitória de pernas cruzadas, as coxas servindo de travesseiros 
aos filhos. A cachorra Baleia, com o traseiro no chão e o resto do corpo 
levantado, olhava as brasas que se cobriam de cinza. 
 5Estava um frio medonho, as goteiras pingavam lá fora, o vento sacudia 
os ramos das catingueiras, e o barulho do rio era como um trovão distante. 
 Fabiano esfregou as mãossatisfeito e empurrou os tições com a ponta da 
alpercata. As brasas estalaram, a cinza caiu, um círculo de luz espalhou-se 
em redor da trempe de pedras, clareando vagamente os pés do vaqueiro, os 
joelhos da mulher e os meninos 10deitados. De quando em quando estes se 
mexiam, porque o lume era fraco e apenas aquecia pedaços deles. Outros 
pedaços esfriavam recebendo o ar que entrava pelas rachaduras das 
paredes e pelas gretas da janela. Por isso não podiam dormir. Quando iam 
pegando no sono, arrepiavam-se, tinham precisões de virar-se, chegavam-
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se à trempe e ouviam a conversa dos pais. Não era propriamente conversa, 
eram frases soltas, 15espaçadas, com repetições e incongruências. Às vezes 
uma interjeição gutural dava energia ao discurso ambíguo. Na verdade 
nenhum deles prestava atenção às palavras do outro: iam exibindo as 
imagens que lhes vinham ao espírito, e as imagens sucediam-se, 
deformavamse, não havia meio de dominá-las. Como os recursos de 
expressão eram minguados, tentavam remediar a deficiência falando alto. 
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 82ª ed. 
Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2001, p. 63. 
 
Questão 96) 
No final do texto há uma descrição da comunicação verbal de Fabiano e de 
sinha Vitória. 
 
Assinale a alternativa cuja falas não ilustrariam a comunicação desses 
personagens. 
 
a) – Você vai sair? 
 (...) 
 – Sim, mas não se preocupe, volto antes do escurecer. 
b) – Hum! Hum! Que brabeza! 
 (...) 
 – Estourado. 
c) – An! 
 (...) 
 – An! 
d) – Pestes. 
 (...) 
 – Pestes. 
e) – Cadê o valente? Quem é que tem coragem de dizer que sou feio? 
Apareça um homem. 
 (...) 
 – Cambada de... 
 
TEXTO: 39 - Comum à questão: 97 
 
 1O mulato Praxedes se encheu daquela safadeza toda e resolveu se 
levantar e, de mão na cintura, soltou seu verbo: 
 – Sabe o que mais seu dotô? Eu vou mais é m’imbora. Deixa esse diabo 
morrê de uma vez. Então eu, um trabalhadô às direita, pai de família, 
cambriuzano de nascimento e 5de coração, fico dês das 6 damanhã im jejum 
pra sarvá uma merda dessas e ela ainda me chama de sifilítico? Sifilítico [...]. 
Me descurpe da má palavra, eu que não entendo nada de alemão, sou capaz 
de jurar que foi isso aí que o senhor disse dejahoje pra ela. Eu lhe peço, seu 
dotô, deixa esse diabo morrê de uma veiz. Ela não tá xingando só a mim 
não. Ela tá xingando é a minha raça inteira. É o brasileiro. E xingou a minha 
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raça, xinga a minha mãe! 10Quinta coluna dos infernos! Ela que vá pros 
quinto. 
 O Dr. Büchmann, vermelho como um pimentão, os dentes cerrados, a 
boca aberta, agarrou o mulato, deu um safanão, jogou-o na cama e disse 
com todas as suas forças e todos os seus erres: “Fai a merrrdaaa!” E isso 
com os dentes serrilhando. O Praxedes, de mulato que era, passou a meio 
desbotado e eu cheguei a pensar que o camarada fosse 15desmaiar. 
LAUS, Lausimar. O guarda-roupa alemão. Rio de Janeiro, Pallas S.A., 
1975, p. 153. 
 
Questão 97) 
 
Considerando o texto, a obra O guarda-roupa alemão e as variações 
linguísticas, assinale a alternativa incorreta. 
 
a) O padrão coloquial de linguagem, no excerto, é utilizado para registrar a 
fala do personagem, pois a fala é um elemento de caracterização e 
verossimilhança na narrativa. 
b) Os elementos que marcam a linguagem coloquial, no excerto, 
constituem um recurso utilizado pelo autor para caracterizar o 
personagem e confirmar o processo comunicativo. Os níveis de 
linguagem decorrentes das diferenças sociais ocorrem apenas na ficção. 
c) Pela fala do personagem Praxedes, pode-se inferir que, embora seja ele 
uma pessoa simples, sabe defender sua opinião. 
d) Embora a obra tenha como temática central a colonização alemã em SC, 
ela ainda faz uma abordagem à miscigenação entre os personagens. 
e) A língua falada em “seu dotô” (ref. 1), “dês das” (ref. 5) e “Me descurpe 
da má palavra” (ref. 5) pode ser considerada “errada” se comparada à 
norma culta; no entanto a linguística a considera “correta”, uma vez que 
representa a fala espontânea de alguns grupos sociais. 
 
TEXTO: 40 - Comum à questão: 98 
 
 
Considere o romance O outro pé da sereia, de Mia Couto. 
 
Questão 98) 
 
Algumas expressões idiomáticas da língua portuguesa são recriadas no 
romance, como ocorre no seguinte fragmento: 
 
a) “O navio é uma ilha habitada por homens e seus fantasmas”. 
b) “Quem tem insônia é o peixe que só adormece na frigideira”. 
c) “É que isto, em Vila Longe, vai de animal a pior”. 
d) “A melhor maneira de mentir é ficar calado”. 
e) “As mãos eram um incêndio”. 
 
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TEXTO: 41 - Comum à questão: 99 
 
 
Todas as variedades linguísticas são estruturadas, e correspondem a 
sistemas e subsistemas adequados às necessidades de seus usuários. Mas 
o fato de estar a língua fortemente ligada à estrutura social e aos sistemas 
de valores da sociedade conduz a uma avaliação distinta das características 
das suas diversas modalidades regionais, sociais e estilísticas. A língua 
padrão, por exemplo, embora seja uma entre as muitas variedades de um 
idioma, é sempre a mais prestigiosa, porque atua como modelo, como 
norma, como ideal linguístico de uma comunidade. Do valor normativo 
decorre a sua função coercitiva sobre as outras variedades, com o que se 
torna uma ponderável força contrária à variação. 
 
 
Celso Cunha. Nova gramática do português contemporâneo. Adaptado. 
 
 
 
Questão 99) 
 
 
Depreende-se do texto que uma determinada língua é um 
 
a) conjunto de variedades linguísticas, dentre as quais uma alcança maior 
valor social e passa a ser considerada exemplar. 
b) sistema de signos estruturado segundo as normas instituídas pelo grupo 
de maior prestígio social. 
c) conjunto de variedades linguísticas cuja proliferação é vedada pela 
norma culta. 
d) complexo de sistemas e subsistemas cujo funcionamento é prejudicado 
pela heterogeneidade social. 
e) conjunto de modalidades linguísticas, dentre as quais algumas são 
dotadas de normas e outras não o são. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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GABARITO: 
 
1) Gab: C 
 
2) Gab: A 
 
3) Gab: D 
 
4) Gab: B 
 
5) Gab: C 
 
6) Gab: E 
 
7) Gab: B 
 
8) Gab: C 
 
9) Gab: C (B também é correta) 
Para estar conforme ao padrão culto que rege a língua escrita, o verbo ter , 
no sentido de “existir”, deveria ser substituído por haver : Há gente… 
Portanto, está correta não apenas a alternativa c , mas também a b , pois o 
fenômeno em questão envolve também a seleção das palavras. 
 
10) Gab: C 
 
11) Gab: A 
 
12) Gab: 
a) Como nós faremos isso, Girianildo? 
 É fácil, meu amigo! Todos irão ajudá-lo! 
b) Fazer um relatório é mais fácil para mim do que dar uma voltinha de Fusca 
para o Fitipaldi. 
 
13) Gab: D 
 
14) Gab: E 
 
15) Gab: C 
 
16) Gab: E 
 
17) Gab: E 
 
18) Gab: 
 
19) Gab: 
a) O uso do português coloquial brasileiro, exemplificado no discurso da 
personagem da charge, consiste na mistura de tratamentos. As formas 
verbais “fecha” e “vê” são de segunda pessoa. Na seqüência, porém, ao 
invés de “tu”, aparece o tratamento “você”, que exige a terceira pessoa, 
como mostra a forma “consegue”. Obedecendo-se, portanto, à harmonia 
de tratamento, teríamos: 
Feche os olhos e veja se você consegue imaginar os países ricos, 
pobres, e os países pobres, ricos… 
ou 
Fecha os olhos e vê se tu consegues imaginar os países ricos, pobres, e 
os países pobres, ricos… 
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b) Assumindo-se como “país pobre”, a personagem logo se imagina nos 
trajes característicos de Tio Sam, para ele o protótipo de país rico. O 
resultado, porém, éincoerente e decepcionante, uma vez que os trajes 
típicos não lhe assentam bem: chapéu torto; camisa, calças e casaca 
excessivamente grandes. O ridículo da imagem sugere a 
impraticabilidade da idéia. 
A mensagem veiculada pela charge conserva sua atualidade. 
Figurativizam-se fenômenos como a globalização, por exemplo. Países 
subdesenvolvidos importam produtos de alta tecnologia, que contrastam 
com a miséria local… 
 
20) Gab: D 
 
21) Gab: C 
 
22) Gab: 
Um exercício metalingüístico auxilia a construção do sentido pretendido 
porque o autor relaciona a função das vírgulas no texto escrito, separar 
termos e orações, com a pausa necessária para o descanso de todo 
trabalhador, que será muito mais garantida se o cliente aderir aos serviços 
oferecidos pelo banco. 
OU 
O exercício metalingüístico possibilita a comparação entre a função da 
vírgula na organização textual e as conseqüências decorrentes do uso dos 
serviços oferecidos pelo banco. 
 
23) Gab: 
a) A expressão, que no texto caracteriza a fala de um personagem de origem 
rural, funciona como uma marca de interlocução (vocativo), pois introduz 
um interlocutor genérico, não-definido, imaginário, a partir do qual a 
interlocução se instaura. Essa função é reiterada pelo trecho “dizia pra 
ninguém e para todos o Zeca-vaqueiro”. 
b) Em uma construção do tipo “a-mó-que” observa-se a supressão, a 
redução, o apagamento de sílabas, e a não-segmentação de palavras, 
típicos da língua falada. Esse uso está correlacionado a características 
sociais, pois, no texto, homem e linguagem se fundem para compor o 
universo rural, em que predomina a naturalidade, a espontaneidade da 
linguagem oral. 
 
24) Gab: C 
 
25) Gab: E 
 
26) Gab: 
Enquanto o primeiro texto emprega um vocabulário e uma estilização de 
linguagem que o aproximam da literatura regionalista e das liberdades 
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lingüísticas modernistas, o segundo mantém-se dentro da norma culta escrita 
padrão, centrado na informação. 
Exemplos: 
Texto V: O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada 
um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães é questão de opiniães... 
O sertão está em toda parte. 
Texto VI: O sertão de Minas é chamado de Campos Gerais – os gerais. 
Começam acima das cidades de Corinto e Curvelo e se alargam pelo 
noroeste até se molhar nas águas escuras do rio Carinhanha, até esbarrar 
nas serras de Goiás, até se debruçar sobre as terras da Bahia. 
Observação: outras passagens dos textos V e VI também identificam a 
diferença de linguagem (por exemplo, em relação à pontuação; ao emprego 
de conotação e denotação; sintaxe de colocação etc). 
 
27) Gab: C 
 
28) Gab: A 
 
29) Gab: A 
 
30) Gab: C 
 
31) Gab: B 
 
32) Gab: B 
 
33) Gab: 
 
34) Gab: 
a) Se ele dispuser de tempo. 
Ela ficou meio nervosa. 
Seguem anexas duas cópias. // Seguem em anexo duas cópias 
Esse assunto é entre mim e ela. 
b) Desvio de grafia: célebro 
A função expressiva do desvio da norma ( troca dos fonemas “l” / “r”) no 
contexto publicitário tem como objetivo enfatizar os danos materiais 
(cérebro/celebro) provocados pelo fumo e trazer o receptor para esse 
sentido: errar, de verdade, é fumar. A pessoa que fuma, pensa mal, pensa 
com o “célebro”. 
 
35) Gab: B 
 
36) Gab: E 
 
37) Gab: E 
 
38) Gab: B 
 
39) Gab: C 
 
40) Gab: 
a) O emprego do neologismo agoramente produz efeito humorístico, já que, 
ao acrescentar o sufixo -mente ao vocábulo agora, Odorico cria outro 
advérbio, com a intenção de reforçar o tom persuasivo de seu discurso 
pretensamente solene. Outro exemplo pertinente seria a produção de eco 
por meio da re petição do sufixo -ção presente na enumeração 
“confirmação, satisfação, a autenticação e (…) a sagração”. 
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b) O substantivo sagração pode ser entendido como “ato ou efeito de sagrar 
rei, bispo etc. em cerimônia religiosa”. Ao empregar a expressão “por que 
não dizer” para introduzir tal substantivo, Odorico intensifica a expressão 
de sua pretensão de homem público que se julga digno de receber todas 
as honras de seu povo. 
 
41) Gab: 
a) O recurso utilizado é a transgressão da ortografia ou, dito de outra forma, 
o uso da grafia como transcrição da fala; ou seja, a tira apresenta uma 
forma de escrita que tenta reproduzir a fala das personagens. 
Esse recurso pode ser exemplificado de três maneiras: pela troca da 
consoante l por r (como em prantando); pela supressão da vogal na 
proparoxítona (como em árv[o]re), processo muito comum na fala; e pela 
troca da vogal e por i (como em di e isperança). 
b) NÃO. Os fenômenos representados na tira encontram-se também em 
regiões urbanas e não refletem, necessariamente, escolaridade ou classe 
social do falante. 
Por exemplo, a troca da consoante l por r é um processo bastante 
recorrente nas regiões urbanas. A supressão da vogal em palavras 
proparoxítonas (xícara, abóbora, etc.) faz parte de um processo 
fonológico amplamente presente no português brasileiro de forma geral. 
Finalmente, a elevação da vogal átona (e _i) é uma marca de 
diferenciação regional e não de oposição rural/urbano. Não se cobrará o 
uso de metalinguagem na referência aos fenômenos aqui menciados. 
 
42) Gab: C 
 
43) Gab: 
a) A moça quis referir-se ao estado físico do rapaz, já bastante suado. O 
rapaz entendeu que ela estava interessada nele. 
b) O mal-entendido é resultado da utilização de diferentes normas 
lingüísticas. A moça expressa-se em norma culta e o rapaz a interpreta 
valendo-se da norma coloquial. Daí entender “Você” como “Vou ser” (Vô 
sê), ou seja, interpreta uma palavra como duas, por conta da oralidade, 
em que é comum a redução da terminação verbal “Vou” (Vô), “Ser” (Sê). 
 
44) Gab: E 
 
45) Gab: A 
 
46) Gab: 13 
 
47) Gab: A 
 
48) Gab: B 
 
49) Gab: 
a) Perdoai-me, tendes, vossos, tende, amei-vos, vos amo, vosso, vossas, 
ajoelhar-me-ei, deitar-me-ei, estiverdes, vós, puderdes. 
b) “Perdoe-me, senhora, aqui me tem a seus pés! tenha pena de mim que 
eu sofri muito, que a amei, que a amo muito!” 
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50) Gab: D 
 
51) Gab: C 
 
52) Gab: A 
 
53) Gab: D 
 
54) Gab: B 
 
55) Gab: 
a) A atitude do narrador é preconceituosa, pois pressupõe que, como 
Falcote foi criado na roça, ele “adquiriu esse modo feio de falar”. Assim, 
avalia-se negativamente a variante linguística do meio rural, cujas 
marcas textuais seriam: a redução do ditongo /ei/ à vogal /e/ em 
“caixeiro”, a transformação do /l/ em /r/ e a queda do /r/ final em 
“quarqué”, a redução do ditongo /ou/ à vogal /o/ em “cosa” (embora 
essa redução, na palavra “coisa”, seja estranha). 
b) Caixeiro, traz / traze / traga aí qualquer coisa de beber ou comer. É 
irônica a escolha de “anfitrião” (palavra formal e sofisticada) para 
designar uma personagem que o próprio narrador avalia 
pejorativamente. Além disso, são escancaradamente irônicas falas 
como “Como era ilustrado”, “Como falava bem”, “Que magnífico 
deputado não ia dar”, “tinha tão firmes conhecimentos”. 
 
56) Gab: A 
 
57) Gab: D 
 
58) Gab: C 
 
59) Gab: D 
 
60) Gab: D 
 
61) Gab: A 
 
62) Gab: D 
 
63) Gab: A 
 
64) Gab: A 
 
65) Gab: D 
 
66) Gab: 
a) Contratam-se mulheres (concordância). 
b) À Seção de Pessoal - crase. 
 
67) Gab: C 
 
68) Gab: C 
 
69) Gab: C 
 
70) Gab: C 
 
71) Gab: C 
 
72) Gab: 
a) O texto é considerado heterogêneo porque é construído ora com recurso 
de linguagem não padrão, informal (cuma), ora com recursos de 
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linguagem padrão, normativa, formal (“parte da renda revertida para a 
Associação Municipal dos Bi-Rodais”). 
OU 
“Cuma” é uma expressão característica da linguagem coloquial, enquanto“parte da renda revertida para a Associação Municipal dos Bi-Rodais” é 
característica da linguagem culta. 
b) O motorista faz uso da repetição para expressar sua irritabilidade, sua 
impaciência, sua perplexidade diante da nova prática de mendicância. 
OU 
A repetição utilizada pelo motorista serve para demonstrar a sua 
insatisfação com a mudança ocorrida no espaço onde, até o dia anterior, 
era apenas um sinal de trânsito e que recebeu um novo destino (vendas 
de produtos e prática de mendicância). 
OU 
A sinonímia foi utilizada para enfatizar que aquele local era um sinal de 
trânsito e não um Esmola’s Drive-Thru. 
 
73) Gab: B 
 
74) Gab: B 
 
75) Gab: C 
 
76) Gab: B 
 
77) Gab: D 
 
78) Gab: D 
 
79) Gab: B 
 
80) Gab: E 
 
81) Gab: B 
 
82) Gab: 24 
 
83) Gab: A 
 
84) Gab: 14 
 
85) Gab: 28 
 
86) Gab: D 
 
87) Gab: C 
 
88) Gab: B 
 
89) Gab: B 
 
90) Gab: B 
 
91) Gab: C 
 
92) Gab: 
a) O tipo específico de sociedade a que remete a leitura da ilustração é de 
uma sociedade 
 desenvolvida tecnologicamente. 
 OU 
 muito avançada. 
 OU 
 muito desenvolvida. 
b) Os elementos caracterizadores dessa sociedade no mundo aquático 
são: construções imponentes, de traços futuristas; boas condições de 
trânsito; desigualdade social. 
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c) O critério de distinção das pessoas na escala social: é o alto poder 
aquisitivo que faz uma pessoa ser considerada “alguém”. Em outras 
palavras, se sou pobre não sou “alguém”, sou “ninguém”. 
A ideia que fundamenta o critério é que pessoas financeiramente 
desfavorecidas estão excluídas da sociedade. 
 
93) Gab: B 
 
94) Gab: B 
 
95) Gab: E 
 
96) Gab: A 
 
97) Gab: B 
 
98) Gab: C 
 
99) Gab: A
 
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