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1 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Os antigos anatomistas acreditavam que a pele era um “Involucrum corporis humani” (envoltório corpóreo), que hoje já foi desmistificado. Sem a pele não ocorreria o desenvolvimento e evolução da espécie humana, uma vez que ela é um mecanismo de resfriamento, um mecanismo de proteção frente as radiações (permite a sobrevivência as intempéries ambientais). Ela não é apenas uma capa de revestimento e sim o ór- gão funcional. O universo demartologico é um universo microscópico, e é preciso que se entenda um pouco desse universo microscópico para que se entenda a exteriori- zação das lesões dermatológicas e como elas se apre- senta. É preciso que se entenda também a dinâmica fun- cional da pele e a interface que ela faz com os diversos órgãos e sistemas. A pele também apresenta o papel fundamental em nos classificar em grupos étnicos, apresentando um papel social relacionado a produção de melanina ou a tipos diferentes de melanina. Além disso, toda a superfície é composta por sulcos e cristas, que formam desenhos individualizados para cada indivíduo, gerando assim a identificação através das impressões dermatogrificas. É preciso destacar também que a pele compreende mais de 5% do peso corporal, equivale a mais de 2m² em um indivíduo de 70Kg. Sendo assim, é o órgão mais acessível à observação. Do ponto de vista embriológico a pele deriva dos três folhetos. Do folheto mais externo, ectoderma, vai ser ge- rado a camada mais externa da pele, ou seja, a epi- derme, os folículos pilossebáceos, glândulas apócrinas e écrinas, e unhas. Do neuro-ectoderma será gerada a própria inervação da pele e os melanócitos. Sendo que os melanócitos são células que apresentam características de células neu- rais, ela reponde ao estimulo com neuro peptídeos, ela apresenta uma conformação dendrítica em comunicação com os neurônios e com as células neuroglia. Do mesoderma teremos o surgimento de estruturas como fibras colágenas e elásticas, tecido adiposo, músculos e vasos sanguíneos. A pele é dividia em epiderme, derme e hipoderme. Sendo a hipoderme compreendida basicamente pela camada de gordura subcutânea, que é a sua maioria celular é composta por adipócitos (na histologia células vacuolizadas e com o núcleo na periferia). A derme é dividida em derme superficial e derme pro- funda. É possível observar que nela encontramos Generalidades Embriologia Anatomia da pele Anatomia e Fisiologia da Pele 2 Bruna Carvalho- Turma 10 MA reentrâncias que são chamadas de papila dérmica, e saliências que são chamadas de cone interpapilar. Es- tratégia idealizada para que tenhamos uma maior ade- são da epiderme com a derme (facilita a aderência dermo-epidermica). Em numero há uma população celular que excede as demais células, essa população é chamada de querati- nócitos ou ceratinócitos (imagem a abaixo). Quando a pele está integra e funcionando normalmente as células se encontram aderidas entre si, através dos desmossomos (responsável pela adesão intercelular). Os desmossomos são formados por uma proteína maior, chamada de plaquina ou desmoplaquina, que é uma placa de adesão. A partir dessas plaquinhas vão partir outras estruturas que são os filamentos intermediários. Essa placa se encontra ancorada ao citoplasma celular, através da proteína chamada integrina, que por sua vez se ancora em uma meta-lo matriz extracelular. Obs.: a intolerância ao glúten leva a um defeito a es- trutura de adesão que está presente na pele. O pênfigo é uma doença caracterizada pelo ataque autoimune em uma das proteínas de junção intercelular, gerando assim um problema de pele. Epiderme 1. Melanócitos São estruturas responsáveis por dar cor a nossa pele, através da produção da melanina. Eles fazem relação com cerca de 36 ceratinócitos, constituindo assim a uni- dade epidermomelanica. Eles produzem a melanina dentro do seu citoplasma e organelas (melanosssomos), e distribuem para os ceratinócitos. Essa melanina vai agir circundando o núcleo dos ceratinocitos, e os prote- gendo das intemperes da radiação. O numero de melanócitos não varia de acordo com a raça, todos os indivíduos apresentam a mesma quanti- dade, o que varia é a funcionalidade, o tamanho e a disposição em que essa melanina é produzida no interior da célula. Apresentamos áreas na pele com uma maior densidade de melanócitos, sendo assim, naturalmente vão ser áreas mais pigmentadas, que se sobressaem em indivíduos pardos e negros. 2. Células de langerhans: São células que não são integrantes da população ce- lular da própria pele, mas que são comumente 3 Bruna Carvalho- Turma 10 MA encontradas nas lâminas de histologia. Elas são respon- sáveis pelo reconhecimento e pela apresentação de an- tígenos. São responsáveis também pela self tolerance, que é a identificação de células anômalas ou defeituo- sas, e a sua destruição. São células derivadas da me- dula óssea, mas que circulam por vários órgãos e siste- mas. Obs.: essas células se coram através de um marcador histoquímico chamado de CD-1a Obs.: a imunoistoquimica é uma técnica de coloração histopatológica que se utiliza de uma reação antígeno- anticorpo, mediante o uso de anticorpos monoclonais. Através dessa técnica algumas células expressam certas proteínas, como por exemplo as células de Merkel, que se localizam na camada basal próximo aos melanócitos e expressam a citoqueratina 20, e quando essas células entram em estado neoplásico, gerando o tumor das cé- lulas de Merkel, vamos ter a citoqueratina 20 como o marcador histoquímico principal. Obs.: existem grânulos encontrados no citoplasma das células de Langerhans, os chamados grânulos de Bir- beck, eles apresentam formato de raquete de tênis e são responsáveis pela internalização de antígenos de suma importância. Obs.: a imagem abaixo mostra indivíduos que apre- senta neoplasia de células de Langerhans, chamada de histiocitose. 3. Células tronco: Localizam-se em camada basal, no bulge e na hipo- derme. Apresentam um papel fundamental para a pele, uma vez que são responsáveis pela manutenção da ca- mada basal e para a regeneração das células que so- frem mutações. Acredita-se que a reepiteliziação pós peelings médios e profundos originem-se desta estru- tura. A extração a partir da hipoderme em lipoaspiração e seu cultivo vêm sendo explorados para a produção de preenchedores biológicos. Este método ainda é conside- rado dentro de um pool de terapias alternativas expe- rimentais e sem respaldo cientifico, sendo sua pratica proibida no Brasil. Camadas da epiderme: É a camada mais externa da pele, ela é composta pelos queratinócito que formam um epitélio estratificado, ou seja, se divide em camadas, se divide desde a camada inferior, chamada de basal, até a mais superior cha- mada de córnea (separa o meio externo do interno- nosso corpo- no ponto de vista dermatológico). 1. Camada basal: 4 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Essas células passam por um processo de diferenciação continuo durante a vida, elas nunca deixam de se reno- var, continuam até no pós-morte por alguns instantes. Elas partem da camada basal e vão sofrendo um pro- cesso de diferenciação continuo, até se destacar na ca- mada córnea. As células da camada basal ao deixarem a camada basal para se diferenciarem rumo a camada córnea, e para substitui-las, entre as células da camada basal te- mos células tronco. Essa célula tronco dá origem a duas células distintas: a primeira é para uma célula que vai se multiplicar e repor as células da camada basal, no qual vai apresentar uma taxa de mitose um pouco mais lenta, e uma com uma taxa de mitose mais rápida, ge- rando um processo de diferenciação que vai gerar uma célula de transição que vai deixar a célula basal, as chamadas células de amplificação transitória. Resumindo: as células tronco presentes próximo a mem- brana basalvão se dividir em duas células, a primeira que vai recompor a camada basal e que demora a se diferenciar (deixa a membrana sempre integra), e a se- gunda uma que vai compor a membrana basal mas que se diferencia mais rapidamente, deixando a membrana mais rapidamente. 2. Camada de Malpighi ou camada espinhosa: Localiza-se logo acima da camada basal, é constituída por células poliédricas (Células de Malpighi). À medida que as células da camada basal vão evoluído, elas co- meçam a sofrer processos bioquímicos, e vão começando a expressar determinadas proteínas, as chamadas cito- queratinas, e citosinas (citocinas essas que vão ser subs- tituídas por outras citoqueratinas), a medida que vai evoluindo para a camada granulosa. Nela encontram- se as citoqueratinas CQ1 e CQ10, indispensáveis no me- canismo da queratinização. Encontramos também cito- queratinas CQ 5 e CQ14 em pequena quantidade. Essa camada é responsável pelo aumento de espessura na hiperplasia epitelial e diminuição nas atrofias epi- dérmicas (no envelhecimento intrínseco do ser humano, e no envelhecimento extrínseco- relacionado aos intempe- res ambientais como a radiação UV). 3. Camada granulosa: É uma camada repleta de grânulos que são indispensá- veis para integridade dos mecanismos de hidratação cu- tânea. Caracteriza uma a 5 camadas de células achatas que contém em seu interior grânulos de querato-hialina e os corpúsculos de Oldland. Esses grânulos são percus- sores da filagrina, que juntamente com os corpos de Odland participam dos mecanismos de impermeabiliza- ção da pele. As citoqueratinas K1 e K10 são transfor- madas em K2 e K11. Encontram-se ausentes em áreas de queratinização imperfeita Obs.: a hidratação em si decorre de processos bioquí- micos que ocorrem nessa camada. Esses grânulos sofrem um processo bioquímico complexo, que dão origem a proteínas que participam em seu conjunto na formação de ésteres de colesterol e outras substancias, causando uma impermeabilização da pele auxiliando dessa ma- neira a maior retenção de água. Obs.: a pele já apresenta o seu lubrificante natural, que é o manto hidrolipidico. Que nada mais é que a secre- ção sebácea e sudoral em seu conjunto. Quando há um defeito na camada granulosa ou até no mecanismo final, por variadas razões, como por exem- plo o uso intempestivo de sabonete e sabões inadequan- dos, exposição a temperaturas extremas, defeitos ge- néticos, vão surgir doenças que associadas a sintomas de ressecamento, por exemplo as ictioses. 4. Camada córnea: É a camada mais externa da epiderme, nessa camada as células perdem o seu núcleo e vão se fundindo, dando o formato a verdadeiras lamelas que que se interpondo entre-se. Ou seja, é formada por múltiplas camadas de células anuceladas (15 a 40) com membrana plasmática espessas. Geralmente em locais com que necessitam de maior proteção a área plantar e palmar geralmente apresenta essa camada mais espessa e compactada, permitindo assim até a visualização de outra camada, chamada de camada ou estrato lucido. Ela é responsável pela retenção de água da pele, fun- damental nos mecanismos de hidratação cutânea. Os fi- lamentos de queratina associados à filagrina e aos cor- pos de Odland, desprendem-se da queratina, se degra- dam em aminoácidos, os quais por osmose retém água no estado córneo. Obs.: quando falamos de ceratinocitos estamos falando de todas as células da epiderme, mas quando falamos corneocito estamos nos referindo somente ao ceratino- cito que pertence a camada córnea. Obs.: a imagem abaixo mostra de um lado uma ca- mada de queratinócitos de uma área normal ao lado de uma área de palma. 5 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Obs.: em relação a espessura da pele é determinada pela derme, e não pela epiderme. Inervação cutânea Ela apresenta nervos de dois tipos Nervos amielínicos e mielínicos. Amielínicos: SN cérebro-espinhal. Mielínicos: SN simpático. Fibras mielínicas: fibras sensitivas e terminam tanto na epiderme quanto na derme. Fibras amielínicas: distribuem-se na musculatura lisa cutânea, nos vasos sanguíneos (fibras vaso- motoras) e nas glândulas (fibras secretoras). Obs.: toda a superfície da nossa pele vai apresentar uma rica inervação e por isso que a hanseníase é asso- ciada a danos na pele. Onde os bacilos vão ter afini- dade pelas células de schwann. Essas estruturas nervosas podem terminar de forma livre ou as vezes terminam em estruturas que são um pouco mais complexas, como os receptores. 1. Receptores: a. Corpúsculo de Váter-Pacini: Pressão- hipoderme das regiões palmo-planta- res; b. Corpúsculo de Ruffini: Calor- numerosos na superfície plantar; c. Bulbos de Krause: Frio (lábios, clitóris e glande) d. Corpúsculo de Wagner-Maissner: Tato e dor* *Também nas terminações nervosas livres encontradas na camada de Malpighi Obs.: as terminações nervosas livres abraçam todas as sensações, mas de forma mais aleatória, mas a maioria é responsável pela percepção a dor. Obs.: nenhuma organela é exclusiva, mas elas respon- dem melhor aos estímulos citados. Vascularização Da tela subcutânea partem vasos que se verticalizam, com uma capilarização em forma de candelabro. Nas papilas térmicas vamos encontrar shunts que são micro- anastomoses, chamadas de canal de Sucquet-Hoyer (glômus). Esses canais é um aparelho músculo-nervoso composto por endotélio e células contráteis, com seg- mento arterial e venoso. Apresentam como função a re- gulação térmica, manutenção da homeostase e ajudam na regulação vascular periférica. Eles se localizam prin- cipalmente nas polpas digitais e leitos ungueais. Obs.: descrição da vascularização em um slide an- tigo: Funções: nutrição, controle da temperatura cor- poral e pressão sanguínea. Somente a derme e hipoderme são vasculariza- das. A nutrição da epiderme se faz pela linfa intersticial presente nos espaços intercelulares. As artérias penetram na pele oriundas do plexo muscular e penetram na tela subcutânea junto aos septos fibrosos. Deste trajeto partem ramúsculos aos lóbulos adiposos, glomérulos das gl. Sudoríparas e fo- lículos pilosos Partindo da tela subcutânea as artérias pene- tram na derme e formam dois plexos paralelos: um superficial e outro profundo. O plexo profundo origina intercomunicantes perpendiculares até o plexo superficial, que irão irrigar a derme intermediária e a derme papilar Os vasos da derme papilar são retos, com sua capilarização "em candelabro". A área de maior irrigação localiza-se nas papilas 6 Bruna Carvalho- Turma 10 MA dérmicas. As áreas interpapilares são irrigadas pelas anastomoses. As veias seguem trajeto similar em sentido in- verso. Vasos linfáticos: Os vasos linfáticos se originam-se por extremidades fe- chadas em fundo de sacos, compostos por uma única cé- lula. Partem da derme papilar e formam uma rede sub- papilar penetrando na derme profunda através de inú- meras anastomoses em rede. Prosseguem até a hipo- dere, adquirindo válvulas e facilitando o escoamento da linfa. Musculatura A pele apresenta os músculos eretores do pelo que são responsáveis pela horripilação, perante estímulos emo- cionais. Além disso, existe a musculatura da aréola ma- mária e os dartos da bolsa escrotal, aproxima ou dis- tanciam os testículos a depender dos estímulos térmicos. Glândulas écrinas As glândulas sudoríparas écrinas estão presentes na derme profunda em forma de novelo, esse novelo é com- posto por células cuboidais que vai se exteriorizando. Localização dérmica; Desembocam na epiderme livremente; Porção secretora, conduto intradérmico, conduto epidérmico e acrossíngeo; Utilizam a acetilcolina e não a noradrenalina como neurotransmissor; A acetilcolina estimula a produção do suor (100ml/dia ou até 1 a 2L/h). Obs.: essa estimulação pode ocorrer de maneira intrín- seca (exercício físico) ou extrínseca. O folículo pilo sebáceo éconstituído pelo folículo piloso, músculo eretor do pelo, glândula sebácea e quando presentes, glândulas apócrinas. Divide-se em três seg- mentos: infundíbulo (da superfície à abertura do ducto sebáceo), istmo (do ducto sebáceo à inserção do músculo eretor do pelo) e segmento inferior onde localiza-se a papila dérmica do pelo. A porção intraepitelial deno- mina-se acrotríquio. O aparelho pilo sebáceo até chegar ao seu produto fi- nal que é o pelo, ocorre um processo de ceratinização, assim como na epiderme só que de forma horizontal. Obs.: acreditam que o carcinoma espinocelular se ori- gina da bainha redicular externa do folículo pilo-sebá- ceo. As glândulas sebáceas podem desembocar no aparelho pilo-sebáceo ou então livremente na pele. Encontramos glândulas sebáceas em todas as áreas do nosso corpo. Obs.: as superfícies dorso-plantares são desprovidas de glândulas sebáceas e são ricas em glândulas sudorípa- ras. Glândulas holócrinas Glândulas holócrinas que ocorrem em toda a pele, exceto nas regiões palmo-plantares. Ocorrem também nos lábios (Pontos de Fordyce), glande e prepúcio (glândulas de Tyson), aréola mamárea (Tubérculos de Mon- tgomory) entre a junção mucocutânea e a face tarsal da pálpebra (Glândulas de Meibomius), nos pequenos lábios e às vezes na parótida. São estruturas lobuladas com células germinati- vas cuboidais, citoplasma multivacuolado e nu- cléolos proeminentes. O ducto excretor é curto e revestido por epitélio escamoso cornificado. Glândula sudorípara apocrina É responsável pelo mal cheiro do suor e só podemos en- contra-la em algumas regiões do corpo, podemos en- contra-la nas pálpebras (glândulas de Moll), canal au- ditivo externo (glândulas ceruminosas), axilas, região umbilical, região perineal, área anogenital (monte de vênus, prepúcio, escroto, lábios menores. Desembocam no folículo pilo-sebáceo. Apresentam secreção apócrina e merócrina. O produto de sua secreção é quimicamente complexo e é estimulado a partir da puberdade sob a 7 Bruna Carvalho- Turma 10 MA influência de hormônios gonadais. Não apresentam fun- ção termoregulatória. Admite-se que sua função é ves- tigial, funcionando como fonte de feromônios (a sua se- creção é inicialmente inodora, sofrendo de composição por microrganismos levando a odor característico). Aparelho ungueal A unha apresenta como principal função proteger as nossas extremidades, além disso apresenta funções ves- tigiais como a de ajudar na alimentação e se defender de agressões. Junção dermo-epidérmica (Z.M.B) A microscopia eletrônica evidenciou uma complexa es- trutura cutânea, conhecida como zona de membrana ba- sal, que não é vista a microscopia ótica. Ela é composta pela membrana plasmática de células basais (ancora- das através dos hemidesmossomos), lâmina lúcida ou es- paço intermembranoso, lâmina densa ou lâmina basal, e a zona da sublâmina densa. Apresenta como função a aderência dermo-epidermica, suporte mecânico e fun- ção de barreira. Obs.: a epidermoide bolhosa genética acontece por fa- lha nessa estrutura. Derme Obs.: a derme que envolve os anexos é chamada de derme perianexial, essa derme apresenta a disposição das suas fibras diferentes da derme comum. Tecido conjuntivo de sustentação da pele. Confere elasticidade e resistência. Espessura variável: de 1 a 4mm. Derme papilar, perianexiale reticular. Células e fibras. Células: mesenquimais primitivas, fibroblastos histiócitos, macrófagos e dendrócitos dérmicos. Fibras: colágenas, elásticas (oxitalâmicas, eu- lalínicas, fibras elásticas maduras). Colágenos: tipo 1 = 90% de todo o colágeno dérmico, tipo 2, tipo 3, tipo 4, tipo V, tipo VI, tipo VII -Epidermólises bolhosas distróficas-, tipo VIII, tipo XII e tipo XIII. Hipoderme Representa o panículo adiposo subjacente à derme Formado por células adiposas Histologicamente o xilol dissolve a gordura e é representa do por células claras com o núcleo rechaçado para periferia É um isolante térmico, protege o organismo de traumas, oferece mobilidade à pele e modela as curvas corporais. Atualmente assume uma im- portância a mais por ser uma sede de células tronco. Proteção Proteção imunológica Excreção Metabolização Termorregulação Informação Sensorial Síntese de Vitamina D Administração percutânea de fármacos Funções da pele 1 Bruna Carvalho- Turma 10 MA As lesões elementares são lesões comuns a diversas mo- dificações da pele e que são determinadas a partir de diversos processos diferentes, como processos degene- rativos, neoplásicos, circulatórios, metabólicos e até de- feitos na formação embriológica da pele. Alterações de pele por modificação da coloração são chamadas de manchas ou maculas, que podem apresen- tar diversas naturezas e origens. Sendo assim podemos ter maculas: Acrômicas: totalmente desprovidas de pig- mento, clinicamente costumam aparecer como lesões esbranquiçadas e com uma coloração chamada de narcarada, como por exemplo o vitiligo; Hipocrômica: diminuição do pigmento; Hipercrômica: apresenta um aumento da pig- mentação, como por exemplo o melasma. Figura. Mácula hipercrôomica, mal delimitada, não é circunscrita, localizada preferencialmente no centro da face, predominante em região frontal ou glabelar. Obs: a imagem a cima mostra um melasma, que é uma lesão que aumenta a pigmentação (hipercromica) e que por sabermos que se trata de uma alteração da mela- nina podemos chamar de hiperpigmentar. Obs.: essa nomenclatura a cima utilizamos para mudan- ças na pigmentação, mas que que não estão inseridos na alteração do sistema melanocitico. Já quando identi- ficamos alguma alteração no sistema melanocitico, ao invés de usarmos o “crômico”, passamos a usar o pig- mentar como por exemplo hiperpigmentar. Obs.: quanto mais melanodermica for a pele maior e melhor é a percepção desse contraste. Figura. Mancha hipercrômica que resultou de um processo cicatri- cial, que por sua vez resultou na deposição de melanina e de he- mociderina na derme. Obs.: no caso da imagem a cima o paciente sofreu al- gum processo de natureza inflamatória que se resolveu e deixou como consequência manchas hipercrômicas. Ou seja, nelas não temos o aparelho melanicitico produ- zindo mais melanina, sendo assim nessas lesões não adi- anta prescrever uma substância dispigmentante, pois es- sas substancias agem nas etapas metabólicas da produ- ção de melanina que acontecem na intimidade do me- lanócito (na organela intracitoplasmática chamada de elanossoma), e nessa lesão o processo inflamamtorio promoveu uma ruptura da zona de membrana basal, Alteração da coloração Semiologia dermatológica 2 Bruna Carvalho- Turma 10 MA causando o derrame de melanina para a derme, além disso, durante o processo inflamatório ocorreu um extra- vasamento de hemácias, também na derme, e com a ruptura do heritrocito, essa hemoglobina é convertida em hemossiderina. Sendo assim essas manchas são a combinação de dois elementos a deposição de melanina e de hemossiderina. Sendo assim a resolução dessas le- sões é tempo dependente, pois com o tempo esses ele- mentos encontrados fora do seu local vão ser fagocita- dos e eliminados. Obs.: no caso das lesões citadas a cima, quando faze- mos um pilling aumentamos a velocidade de tunner-over (renovação epidérmica), acelerando o metabolismo ce- lular, e consequentemente desaparecendo mais rápido. No caso do lazer, bombardeamos essas lesões fragmen- tando os depósitos celulares e outros pigmentos em par- tículas menores para o macrófago fagocitar. Quando o pigmento não é melanina, a deposição de pigmentos endógenos (falhas metabólicas) ou exógenos (como a tatuagem) levam a alterações discrômicas, como: Carotinemia: quando o paciente consome uma quantidade exagerada de betacaroteno; Bilirrubinemia: comum em pacientes com dis- funções hepáticas,leva ao acumulo de bilirru- bina; Oclonose: acumulo de lipofluxina na derme, geralmente desencadeado pelo uso excessivo de substancia dispigmentante; Tatuagem. Situações que cursam com vasodilatação Eritema é uma vasodilatação (alteração vascular) que causa uma vermelhidão na pele, não causam relevo, são manchas vasculosanguineas. Obs.: Hiperemia é alteração microscópica de congestão vascular pelas mais variadas situações, sendo o seu sinal clinico o eritema. Sendo assim podemos dividi-las baseado no seu arranjo clinico: 1. Eritema do tipo escalartiniforme: é um eritema mais difuso que não apresenta um arranjo ca- racterístico, geralmente diz respeito a doença escarlatina; 2. Eritema morbiliforme: presença de áreas de pele eritematosas entreleadas por áreas de pele sã, ou seja, pequenas ilhotas eritematosas rodeadas por áreas de pele saudável, comum no sarampo. Alteração vascular 3 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Obs.: exantema diz respeito a doenças que apresentam as alterações acima devido a processos virais. Obs.: eritrodermia é um eritema generalizado. 3. Eritema figurado: é quando o eritema ganha esse aspecto desenhado. Obs.: especificamente essa lesão a cima pode ser cha- mada de eritema gyratum repens, característico de pro- cessos neoplásicos, como os canceres inerentes ao apa- rato respiratório (sobretudo o de pulmão). Enantema: quando essa vermelhidão acontece nas mu- cosas. Telangiectasias: Vasodilatação que torna possível a vi- sualização dos vasos sobre a pele. Pode ocorrer por di- versas condições, desde áreas atróficas por fotoexposi- ção crônica que permite a visualização desses vasos, do- enças metabólicas hepáticas (onde podemos chamar de aranhas vasculares), e nevos congênitos. Situações que cursam com vasoconstricção Cianose: Cianema: quando essa vasoconstricção ocorre nas mu- cosas. Demais alterações vasculares Hemangima: Hiperploriferação vascular, podem ser congênitos ou adquiridos (como os nevos rubis). Obs.: a imagem acima mostra um hemagioma congê- nito. Obs.: a imagem a cima mostra um caso de nevos rubis, que são pequenos hemangiomas que acontece geral- mente em uma pele cronicamente exposta ao sol. Alteração vascular que leva ao extravasamento san- guíneo: 1. Petéquias: Quando aparece na forma de pe- quenas lesões puntiformes. 4 Bruna Carvalho- Turma 10 MA 2. Víbice: Quando se expressam por lesões linea- res 3. Equimose: é o extravasamento sanguíneo de maiores proporções que não gera a configura- ção pontuada e nem linear. Obs.: lembrar de diferenciar de um hematoma, que é uma coleção sanguínea que faz relevo na pele, dife- rente da equimose que não faz relevo. Obs.: quando essas lesões vão ficando mais tardias per- dem essa coloração vermelho vivo, vão ficando com ou- tras nuances de coloração. Obs.: Como diferenciar clinicamente lesões por dila- tação ou mesmo proliferação vascular de lesões por extravasamento sanguíneo? Para diferenciar podemos fazer duas manobras bási- cas: 1. Digito-pressão: pressão com o dedo 2. Vitro-pressão: pressão com uma lâmina de mi- croscópio. Se essa mancha desaparece, estamos de frente com uma macula vasculos sanguineas de origem por dilatação vascular. Se ela não desaparece, é uma macula vasculos sanguineas que aconteceu por extravasamento sangui- neo. Pápulas: Pequenas eflorescências solidas que apresentam até 1cm de tamanho. É preciso destacar que para alguns autores pode ser até 1,5 cm, no entanto, é consenso en- tre a maioria que é até 1 cm. Essas pápulas podem ser divididas em: Sesseis Pedunculadas ou pediculadas Lesões elementares solidas 5 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Tubérculo: entumecimento da pele sem acentuação dos sucos e cristas naturais, são lesões com o aspecto queloi- deforme, geralmente aparece em doenças granuloma- tosas como na hanseníase e a sarcoidose. Obs.: na hanseníase essas lesões passaram a ser co- nhecidas como hansenomas. Vegetações: É uma lesão com uma estrutura com uma formação di- ferente da pápula e do tubérculo, quando colocada em um aparelho que forneça uma ampliação da ima- gem, podemos notar que a lesão tem um aspecto de couve-flor (aspecto vegetante). São lesões secas. Essas lesões elementares apresentam um substrato anátomo patológico que permite com que elas tenham essa con- formação, ao microscópio essas lesões vão se formar por papilomatose. Obs.: são as lesões típicas e clássicas das verrugas quando acontecem na pele. Obs.: quando essas lesões ocorrem na mucosa chama- mos de eflorescências cutâneas típicas de condilomas Nódulos São lesões que acontecem na profundidade e promo- vem um relevo na superfície cutânea, e se eu palpar es- sas lesões podemos perceber que não apresenta uma capsula. Cisto Lesão com superfície lisa, brilhante, que apresenta uma capsula, como o cisto epidérmico. Obs.: Os cistos podem ser considerados em princípio nó- dulos, porém, nem todo nódulo é um cisto. Ceratoses É uma lesão que acontece por uma hiperproriferação mais ou menos ordenada da camada córnea, que dá o aspecto das lesões ásperas, lesões de aspecto ceatosos. Elas podem apresentar os seguintes aspectos: 1. Seborreica: não se formam pela exposição ao sol, são tratadas somente por questões cosméti- cas, não trazem prejuízo ao paciente. 2. Actinica: se formam devido a exposição solar, sendo elas lesões pré-neoplasicas, apresen- tando assim um alto potencial para se transfor- mar em câncer de pele, a grosso modo se tra- tam de microcarcinomas espinocelulares. 6 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Obs.: outras condições de hipeceratose pode ocorrer nas regiões palmo-plantares, que são a ceratodermias palmoplantares, e a ceratodermia sobretudo plantar também pode ser adquirida, como por exemplo um calo ou calosidade, que é causado por uma ploriferação da camada córnea desencadeada pelo atrito provocado pelo uso de um calçado mal ajustado. Ela também pode ocorrer de forma difusa quando se ganha uns quilos adi- cionais, ficando em sobrepeso, e a região plantar se hi- perprorifera de modo compensatório para suportar os quilos extras. Esclerodermia: Lesão caracterizada por apresentar rigidez a palpa- ção, devido a fibrose e esclerose de alguns elementos, ou seja, ocorre devido a perda de alguns elementos. Liquenificação Acentuação dos sucos e cristas que compõe a pele. Ela ocorre principalmente em áreas com prurido crônico. Sendo ela uma lesão causada a nível da camada de malpighi. Obs.: quando essa condição se crônifica ela dá origem a chamada de liquen simples crônico. Sendo essa uma condição um círculo vicioso, em que quanto mais o paci- ente coça, mais a pele liquenifica e mais induz ao pru- rido. Infiltração Lesão causada pelo aumento de volume cutâneo, mas que não causa uma acentuação dos sucos e cristas, de- vido a infiltração de células inflamatórias, comumente encontrada na hanseníase. É uma região dura. Vesícula Lesão elementar preenchida por liquido com cerca de 1-5 mm Bolha Lesão elementar preenchida por liquido com tamanho >5mm. Obs.: as bolhas se formam basicamente por dois meca- nismos distintos. O primeiro é a perda de adesão entre Lesões elementares de conteúdo liquido 7 Bruna Carvalho- Turma 10 MA os queratinócitos ou pode ter também a perda da ade- são situada na zona de membrana basal. Esse meca- nismo de adesão podemos denominar como acantolise. Já nos processos virais que também cursam com vesícu- las, o processo induzido pelo parasitismo viral promove uma inflação da célula, a ponto de se estourar, trans- formando-se em verdadeiros balõezinhos processo cha- mado de balonização. Obs.: quando o conteúdo dessas lesões são pus elas passam a ser chamadas de pústula. Quando não é pus a depender do tamanho pode ser uma vesícula ou uma bolha.Urticas Lesão elementar que cursa com relevo devido ao extra- vasamento de liquido em pouca proporção, que formam pequenas lesões circunscritas preenchidas por liquido por um edema da derme papilar, é a expressão clinica da doença conhecida coo urticaria. Edema Aumento global de um determinado seguimento, geral- mente um membro, provocado por um grande extrava- samento de liquido, que ao ser comprimido forma o sinal do cacifo. Erosão Lesão encontrada por dentro das escamas. Escoriação Pontilhado hemorrágico um pouco mais profunda que a erosão. Exulceração Exibição da derme papilar com a conformação abaixo Ulcera Quando se tem uma lesão que atinge até a derme pa- pila e as vezes até a hipoderme. Obs.: ulceração é um processo como esse, mas que chega a atingir os ossos. Lesões por perda da solução de continuidade 8 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Obs.: na imagem abaixo podemos encontrar a doença chamada de micetoma, onde podemos ver áreas infil- tradas, áreas ulceradas, crostas hemáticas, descama- ção, o aumento global de volume desse segmento. Descamação Devido a proporção da descamação, vamos encontrar diferentes tipos de lesões 1. Descamação laminar: descamação que origi- nou pequenas ou grandes lâminas epidérmicas; 2. Descamação pulverulento: Descamação em que parece que foi jogado um pó grosseiro so- bre a lesão; 3. Descamação furfuracea: descamação sutil e discreta, com aspecto de farinha de trigo. Cac- teristica da pictiriase versicolor. Crostas: Houve a ruptura da integridade cutânea e o organismo está começando a tentar dar um jeito. 1. Crostas hemáticas: crostas formadas pelo res- secamento do sangue; 2. Crostas melicéricas: crostas mais amareladas, com coloração de mel e cera. Formada pelo ressecamento de lesões que apresentavam in- fecções. Escara: Lesão que ocorre em proeminências ósseas sob pressão sobre um leito. Cicatrizes atróficas: Quando o processo de cicatrização resultou em perdas significativas das células, fibras e elementos. Sequelas de reparação da pele 9 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Cicatrizes hipertróficas: Quando o trabalho dos fibroblastos foi exagerado. Queloide: Quando ela é exageradamente hipertrófica. Obs.: há muitas divergências entre uma cicatriz hiper- trófica e um queloide. 1. Tempo de evolução e sazonalidade 2. Distribuição 3. Organização: linear, zosteriforme (um arranjo de lesões que vão ocorrer com distribuição ao longo de um segmento de pele inervado por um determinado nervo), herpetiforme, placa (um grupo de lesões agrupadas), etc. 4. Progressão lesional: centrífuga, centrípeta, tere- brante, etc 5. Tipo, tempo de evolução e sazonalidade. 6. Morfologia lesional: elementos figurativos e/ou designativos Anexos cutâneos: Glândulas sudoríparas: anidrose (ausência de suor), hipohidrose (diminuição da sudorese), hi- peridrose (aumento da sudorese). Glândulas sebáceas: seborreíca (hiperativação da glândula sebácea), e asteatósica ou xerotica (diminuição na produção de sebo) Folículos pilosos: perifolicular (quando a distri- buição ocorre entre os folículos), folicular (quando ocorre na intimidade do folículo sebá- ceo), atricose (perda da haste pilosa), hipotri- cose (diminuição da haste pilosa), Hipertricose (aumento da haste pilosa), alopecia (queda de pelos) Unhas: anoníquia, paquioníquia onicomadese, leuconíquia onicogrifose, onicorrexe, onicocrip- tose, fragilitas unguium, onicofagia, etc. Elementos figurativos com termos designativos 1. Numula: formato de moeda 2. Sepiginosas ou serpentiformes: formato de ser- pente 3. Circinadas: lesão em círculos concêntricos 4. Lenticulares: lesões em formato de lentilhas 5. Lesões corimbiformes: com eflorescência 6. Gutadas: se parecem com gotas 7. Arciformes: formato de arco 8. Anular: em forma de anel 9. Geográfico: formato de um mapa 10. Zoosteriforme: organização ao longo de um dermatomo cutâneo. Alguns Sinais Semióticos Fenômeno de Köebner: Quando devido a microtraumas (coçadura) a lesão comça a se reproduzir nas duas ad- jacências Patergia: é um sinal semiótico que ocorre somente em duas situações, no pioderma gangrenoso e na doença de behçet, são ulceras de etiologias conhecidas, aonde quando se pega uma pequena agulha e faz uma pun- tura a distancia para se certificar que é um pioderma, há a ocorrência de pequenas pústulas Sinal de Nikolsky: Doença Bulhosa provocada pela perda de adesão entre os ceratinocitos, confirmada fa- zendo uma leve tração causando um descolamento. Como descrever uma lesão 10 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Sinal de Asboe Hansen: ocorre quando pressionamos a bolha e ela se expande em todos os sentidos. Sinal de Léser-Trelat: A gente pode estar diante de um paciente com câncer do aparato gastrointestinal cujo re- presentante mais frequente mais comum é o câncer gás- trico. A esse tipo de condição. Sinal de Zireli: descamação furfuracea a extensão da pele. Sinal de Auspitz ou sinal do orvalho sangrento: ocorre na psoríase, presença de um pontilhado hemorrágico na lesão após a raspagem, devido o alongamento da pa- pila dérmica Papula de Gottron: pápulas sobre as superfícies articu- lares, principalmente do carpo e interfalangianas Asa de borboleta Equimose em região abdominal: indica pancreatite he- morrágica Sinal de sister Mary-Joseph: presença de lesão na ci- catriz umbilical, indica neoplasia intra-abdominal. Petéquias podem indicar meningites: Exemplos: 1. Paciente do sexo masculino, 60 anos, agricultor, natural e procedente de Recife-PE, apresen- tando há 5 anos lesão ulcerada bem delimitada de bordos infiltrados e centro ceratósico em lá- bio inferior, com mais ou menos 4cm de diâme- tro e crescimento progressivo em tamanho e profundidade. Refere que a lesão é assintomá- tica, exceto por sangramento eventual. Nega 11 Bruna Carvalho- Turma 10 MA tratamentos prévios. Nega casos familiares se- melhantes 2. Paciente do sexo feminino, 30 anos, vendedora, natural e procedente de Recife-PE, apresen- tando há dois meses lesões bem delimitadas de aspecto circinado, levemente descamativas dis- tribuídas em regiões palmo- plantares de tama- nhos variados entre 1 a 3 centímetros. Refere que a lesão é assintomática, porém apresentou febre baixa durante 4 dias e aumento dos gân- glios linfáticos em regiões cervical, axilar e in- guinal. Nega tratamentos prévios. Nega casos familiares semelhantes. 3. Paciente do sexo masculino, 40 anos, comerci- ante, natural e procedente de Agrestina-PE, apresentando há quatro anos, placas eri- têmato-descamativas predominantemente em cotovelos, joelhos e membros inferiores. As le- sões são assintomáticas e evoluem por surtos, com períodos de melhora e piora de aproxi- madamente 6 meses entre um e outro episódio. Refere que as lesões são assintomáticas. Fez uso de Quadriderm® sem resultado satisfató- rio. Nega casos familiares semelhantes. 4. Paciente masculino, 60 anos, agricultor, natural e procedente de Caruaru-PE, apresentando le- são com 11 anos de evolução, de aspecto po- limorfo, distribuída ao longo da pirâmide na- sal estendendo-se até a órbita e o globo ocu- lar direito, em placa de progressão centrífuga, com o centro de aspecto esclero-atrófico, bor- dos úlcero-crostosos, medindo cerca de 8 cen- tímetros em seu maior diâmetro. Refere que a lesão é assintomática, exceto por apresentar sangramento aos mínimos traumatismos. Nega tratamentos prévios. Nega casos familiares se- melhantes. 12 Bruna Carvalho- Turma 10 MA 5. Paciente masculino, 06 anos escolar, natural e procedente do Recife - PE apresentando há três meses lesão única, monomorfa, em placa circi- nada no couro cabeludo, contendo cotos pilosos em toda a sua extensão com fundo levemente descamativo, de progressãocentrífuga. A lesão mede aproximadamente 8cm. Genitora refere que a lesão é discretamente pruriginosa e que o mesmo tem um irmão que apresenta a mesma sintomatologia. Nega tratamentos prévios. 6. Paciente do sexo feminino, 56 anos professora, apresentando há 5 dias febre e lesões vesiculo- sas, agrupadas em placas sob base eritema- tosa, em região sacral predominantemente à esquerda, estendendo-se até face látero-poste- rior da coxa ipsilateral, acompanhando dermá- tomo correspondente ao nervo sural. Queixa-se de febre há 7 dias, dor extrema e refere difi- culdades na deambulação. Nega tratamentos prévios. Nega casos semelhantes na família. 1 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Discromia são doenças e condições cutâneas que afetam a uniformidade da coloração da pele atribuída pelo sis- tema pigmentar. Todas as alterações cutâneas que di- zem respeito a alteração da coloração da pele vão ter origem no sistema pigmentar, na unidade epidermome- lanica. Os melanócitos são organelas encarregadas pela bios- síntese de melanina, que por sua vez ocorre na intimi- dade de organelas próprias, denominadas de melanos- somas, onde através de processos bioquímicos comple- xos ocorre a biossíntese do pigmento responsável pela coloração da pele (melanina). Essa biossíntese é influenciada por diversas expressões de proteínas, por fatores exógenos (como a radiação ultravioleta), e por fatores endógenos/ hormonais (ainda não está bem estabelecido). É prejudicada por doenças autoimunes, por alterações existentes na em- briogênese (doenças congênitas), entre outros. Nas diversas etapas de biossíntese da melanina o pro- duto resultante vão ser dois tipos de melanina, chama- dos de feomelanina (pigmentação amarelo-acasta- nhada) e eumelanina (mais avermelhada), que em com- binação vão dar origem as diversas colorações da pele. Os melanócitos durante a sua embriogênese derivam da crista neural. A interação entre sistema pigmentar e o sistema nervoso central é muito estreita e não é bem compreendida. Haja vista que uma das funções dos me- lanócitos é dar a coloração a nossa pele, mas essas cé- lulas desempenham função em outros sítios, como na có- clea (nas estrias vasculares), no SNC nas leptomeninges e no cérebro (substancia nigra), no globo ocular (na câ- mera anterior- coroide e íris- e na câmera posterior- as células pigmentadas da camada pigmentada da retina que são tecidos responsáveis por contribuir com o trans- porte dos estímulos fotoelétrico até a fissura calcarina). As discromias podem ser divididas em: Leucodermia e hipopigmentação: termos ge- néricos que definem o clareamento da pele. Noxas não dependentes da melanina podem definir esta denominação; Hipomelanose: termo mais específico que sig- nifica a ausência ou diminuição da melanina. Pode ser melanocitopênica (redução do mela- nócito) ou melanopênica (redução da mela- nina); Hipercromias: promovem o acréscimo da colo- ração da pele e resultam da deposição de pig- mentos endógenos e exógenos. Leucordemia é um grupo de doenças que cursam com um déficit ou uma inadequação na produção ou na elabo- ração da melanina. As leucodermias congênitas são pro- vocadas por defeitos na migração dos melanócitos du- rante a embriogênese ou na biossíntese e migração da melanina. Falha na migração dos melanócitos na embriogênese a partir de mutações genéticas: KIT- gera o piebaldismo; EDN3 e EDNRB- sindrome de waadenburg; Mosaiscismos- alterações simultâneas em vários componentes gênicos gerando diferentes fenó- tipos como na hipomelanose de ITO. Falhas na biossíntese de melanina intraorganela (in- tramelanossoma) pela expressão inadequada ou pela interação inadequada: Gene TYR localizado no cromossomo 11q14p21, proteína p, TYRP1 e MATP que são responsáveis pelos tipos de albinismo oculocutâ- neo. Obs.: justamente por apresentar diversos genótipos que encontramos diversos tipos de fenótipos dos albinismos. Como por exemplo o albinismo oculocutâneo do tipo 4 descrito pela alteração na proteína MATP, que foi des- crito inicialmente nos japoneses, sendo mais frequente nessa população. Falhas na migração da melanina dos melanócitos para os ceratinocitos: Sindrome de chédiak-Higashi Sindrome de Griscelli Leucodermia congênitas Discromias 2 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Piebaldismo: É uma condição genética de herança autossômica domi- nante, onde encontramos a ausência de melanócitos na lesão por deficiência das migrações. Nele encontramos desde expressões fenotípicas de grandes placas acro- micas disseminadas pelo organismo, distribuídas de di- versas maneiras, simétricas ou não, em um determinado dermatomo ou não, as vezes com uma expressão mínima de uma mecha branca de cabelo na região frontal sem necessariamente a percepção de uma área acromica tri- angular localizada justaposta a região glabelar, até o comprometimento de grandes segmentos corporais. Obs.: a maior característica é a mancha branca nos ca- belos. Obs.: nessa situação indivíduos que apresentam peque- nas áreas despigmentadas e desejam modificar o seu fenótipo podem se beneficiar de modalidades cirúrgi- cas de tratamento, como o transplante de melanócitos. Waademburg É uma síndrome causada por uma herança autossômica dominante ou recessiva geneticamente heterogênea. Nela necessitamos de pelo menos dois dos seguintes si- nais maiores: Placas acromicas (principalmente as triangula- res na região frontal); Surdez congênita; Amplitude da raiz nasal; Sinofris (monocelha); Heterocromia total ou parcial da íris. Apresenta uma expressão fenotípica variável. Envolve além dos genes EDN3 e EDNRB, o gene SOX10, resul- tando em comprometimento neurológico associado, desde dismorfimos crânio-faciais até meningoceles, me- ningomieloceles e outras alterações. Hipomelanose de ITO Mosaicismo genético, que pode ser uma síndrome “neu- rocutânea”. Nela encontramos maculas hipopigmenta- das que acompanham as linhas de Blaschko, associadas a retardo mental, convulsões, má-formação de crânio e face. Obs.: Linhas de Blaschko- ao estudar a conformação de lesões e as alterações, Blaschko percebeu que as alte- rações apresentam conformações de natureza variada e as vezes bizarras das expressões fenotípicas dessas alterações, que se distribuem através de linhas, essas li- nhas dizem respeito ao padrão de distribuição de mi- gração não só do sistema melanocitico como também do epitélio como um todo, o padrão embrionário de imi- gração da célula obedece mais ou menos a esse padrão linear imaginário, que só se torna perceptível quando se tem algum tipo de alteração. 3 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Obs.: se o paciente só apresenta as alterações de pele ele leva uma vida normal, sem nenhum outro tipo de comprometimento. Albinismo óculo-cutâneo Apresenta um único fenótipo com diversas variações, com diversos defeitos genéticos. Nele encontramos a bi- ossíntese de melanina prejudicada, visto que o número de melanócitos é o mesmo em todas as raças inclusive nos indivíduos albinos. Ela se divide em 4 tipos: 1A, 1B 3, 4, e um subtipo e exclusivo que é de comprometimento ocular exclusivo. Nela, independente do tipo, temos sem- pre alterações oculares presentes nos indivíduos albinos, seja a presença de nistagmo ou alterações da acuidade visual. Essa subdivisão diz respeito não só ao envolvi- mento maior ou menor da melanina, como também ao tipo de melanina e a população que é afetada. 1A: é o individuo que apresenta a pele total- mente despigmentada, além disso há despig- mentação dos pelos, da íris, dos nevos presen- tes. Isso porque ele não apresenta nenhuma ati- vidade das tirosinases; 1B: apresentam a atividade das tirosinases um pouco preservadas, por isso quando vão fi- cando mais velhos pigmentam os nevos; 3: são temperatura sensíveis. 4: são descritos inicialmente no Japão, por alte- ração de uma proteína chamadaMAPP. Obs.: os nevos são grupos de melanócitos com migração incompleta que não conseguem chegar ao seu destino final (camada basal), que permanecem na derme. Chédiak-Higashi Nela encontramos uma condição discromica (uma des- pigmentação) associada a uma imunodeficiência. Nessa condição as crianças vão apresentar: Cabelos prateados ou grisalhos; diátese hemorrágica (Sangramentos); disfunção neurológica; Imunodeficiência grave, gerada a partir da fu- são desordenada dos lisossomos entre si e dos lisossomos com os melanossomos. Obs.: devido a sua disfunção imunológica, essas crian- ças costumam ser susceptíveis a infecções de repetição, como respiratórias, urinarias, TGI, oculares, entre outras. Obs.: geralmente no exame de esfregaço costuma apa- recer neurófilos com grânulos. Obs.: dificilmente essas crianças chegam aos 30 anos, devido a deficiência imunológica. Discromias adquiridas podem ser leucodermias ou hiper- pigmentações, e são provocadas por alterações autoi- munes, metabólicas ou degenerativas (provocadas so- bre tudo pelas radiações ultravioletas), que podem es- tar associadas a fatores genéticos. Pitiríase alba É sobretudo notada em indivíduos melanodermicos. Pode esta associada a condições atópicas, que pode ser uma atopia respiratória ou meramente uma atopia cu- tânea, que caracteriza uma origem imunológica a essa lesão. Se caracteriza por maculas hipocrômicas, sazonal, mal delimitadas, que não guardam relação com parasi- toses intestinais, está presente em crianças e adultos, ge- ralmente é mais evidente na face, mas pode ser encon- trada em outras regiões, ela predomina em áreas foto- expostas. Devemos fazer o diagnóstico diferencial com outras lesões hipocrômicas quando são de pequeno ta- manho, como a pictiriase versicolor, que se diferencia pelo sinal de zileri (estiramento cutâneo), com a forma clinica indeterminada da hanseníase, se diferencia pela alteração da sensibilidade, e com alterações inflamató- rias diversas. Obs.: nessa condição no centro das manhas hipocrômicas encontramos pequenos pontilhados brancos, que dá um aspecto de pele horripilada, que nada mais é do que uma discreta hiperceratose dos ostios (abertura dos Discromias adquiridas 4 Bruna Carvalho- Turma 10 MA folículos pilossebáceos- também chamados de chicken skin). O tratamento é feito com cremes hidratantes e fotopro- teção. Haja vista que o sol (radiação ultravioleta) é imu- nogênica e pode exacerbar o surgimento das lesões. Em crianças, às vezes, com o amadurecimento do sistema imunológico como um todo, essas lesões não se perpe- tuam até a fase adulta, como acontece na dermatite atópica. São lesões assintomáticas, mas as vezes cursa com prurido discreto em pacientes muito sensíveis, que por consequência gera alterações inflamatórias discre- tas, ai nesse caso além dos cremes hidratantes podemos utilizar um corticoide tópico (de baixa potência ou de média- baixa potência- hidrocortisona e dexameta- sona). Obs.: os corticoides tópicos em dermatologia são divi- didos de acordo com o seu potencial de ação, sendo o mais fraco a hidrocortisona, os de médio- baixo a de- xametasona e a desonida, os médios- médio a betame- tasona e a mometasona, o médio- alto o clubetasol, e o alto ou muito alto o halobetasol. Hipomelanose macular progressiva São pequenas maculas hipocrômicas mal delimitadas que vão ter como preferencia o troco e o abdome, dando um aspecto mosqueado (salpicado). Associadas a uma resposta imune alterada devido a presença do P. acnes, nessas regiões há o parasitismo exagerado do P. acnes que devido uma resposta alterada (imunomedi- ada) causa essa expressão clínica. Apresenta alterações na dimensão dos melanossomas. Nessa condição devemos tratar o paciente com loções que promovam a descolonização do P. acnes, sendo esse um tratamento semelhante aqueles utilizados no trata- mento da acne, ou seja, loções com clindamicina, loções com peroxido de desoila e etinoides, utilizados de forma sistêmica ou tópica. Apresenta recidiva frequente, uma vez que o agente é comumente encontrando na florabacteriana comum, e é frequentemente confundida com pitiríase versicolor, por profissionais de saúde e pelos próprios pacientes, sendo o teste de zileri fundamental para a diferenciação. Leucodermia gutata É caracterizado pela presença de pequenas maculas porcelânicas, acrômicas e nacaradas presentes princi- palmente em áreas fotoexpostas. Geralmente apresen- tam configuração estelar. Não costumam ultrapassar 1 cm de diâmetro e é de difícil tratamento. É conhecida porpularmente como sardas brancas. Apenas causa um comprometimento estético, e é frequentemente confun- dida com vitiligo. Vitiligo É uma doença adquirida, de etiologia desconhecida, que cursa com a presença de melanócitos funcional des- provido de atividade melanogênica e mais tardiamente, com o desaparecimento dos mesmos durante a cronici- dade da afecção. Hoje sabe-se que nas suas fases ini- ciais ele apresenta melanócitos preservados, porém não funcionantes nas lesões, mas com a evolução da doença esses melanócitos sofrem um processo de apoptose ce- lular, ou de melanorragia, se somem das lesões a partir do momento em que se torna crônica. Sabe-se que no vitiligo há uma expressão alterada das células de Langerhans nas lesões, e os melanócitos são chamados de dopanegativos (não fabricam adequada- mente a melanina), sendo assim essas células hipofunci- onantes ou com função alteradas realizam relações 5 Bruna Carvalho- Turma 10 MA intimas com os ceratinocitos, acaba promovendo altera- ções metabólicas nos próprios ceratinocitos que acabam expressando determinadas proteínas ou elaborando determinadas substancias que contribuirão para esse defeito. Teorias para explicar a patogênese do vitiligo: Alterações genéticas: não explica bem o A ocorrência de vitiligo demonstra uma grande heterogenicidade genética; o A penetrancia desses genes é incom- pleta; o Múltiplos loci de susceptibilidade; o Concordância de menos de 50% entre gêmeos homozigoticos; Relações entre melanócitos e o SNC: Há um relacionamento entre os melanócitos e o SNC após o nascimento que perdura durante toda a nossa vida, porém não é bem compreendido. Sabe-se que o melanócito é uma célula derivada da crista neural, e que responde a secreção de determinadas substancias de origem central, como por exemplo o hormônio melano- corticotrofico (MSH) e a melatonina. Mesmo que de ma- neira desconhecida sabe-se que essas substancias alte- ram a produção dos melanócitos. O vitligo se apresenta de forma segmentar (zoosteri- forme, ou seja, seguindo um trajeto de um dermatomo cutâneo). Como na imagem a baixo que mostra um viti- ligo que provavelmente acometeu o nervo nasociliar. Obs.: o vitiligo pode atingir também os pelos (poliose) A ocorrência de vitiligo segmentar, acometendo dermátomos, sugere a ação de neuroquímicos mediadores na destruição dos melanócitos; Vitiligo tem sido associado às encefalites virais e à esclerose múltipla em alguns casos. Obs.: a evolução do vitiligo é imprevisível, podendo apresentar diversos aspectos. Classificação: A classificação do vitiligo se dá segundo a distribuição das lesões: Localizado: o Focal: pequenas lesões acometendo pequenos locais; o Segmentar; o Mucoso: vitiligo nas mucosas; Generalizado: o Vulgar ou comum o Acrofacial: acomete a face e as extre- midades; o Mistos o Universal: comprometimento de >80% da superfície corporal. Possíveis associações do vitiligo: Patologias tireoidianas; Ocorrência de melanoma; Psoríase; LES; Alopecia areata; Envolta de nevos compostos congênitos (nevo halo). Tratamento: Primeiro deveremos fornecer uma boa abordagem psi- cológica para o paciente, esclarecendo todas as duvi- das e estabelecendo uma relação de confiança. Obs.: o vitiligo localizado pode ser acompanhadopor qualquer médico. 6 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Tacrolimus: imunomodulador, mais utilizado na face Calcitropiol+ betametrasona: modificador de resposta imune, não responde bem ao ser utili- zado na face Obs.: na modalidade cirúrgica podemos fazer o trans- plante de melanócitos. Máculas café-aulait São maculas causadas pelo aumento da atividade dos melanócitos, nela encontramos o número dos melanócitos normais. Geralmente admite-se de 3-5 lesões para con- siderarmos um risco maior para o desenvolvimento de neurobibromatose. São anomalias congênitas encontra- das na neurofibromatose e na síndrome de Albright. São doenças que afetam a pele e o sistema nervoso. Obs.: a neurofibromatose apresenta dois tipos, um que afeta o sistema nervoso central (requer monitoramento) e outra não, sendo assim o surgimento dessas maculas servem como sinal de alerta. Obs.: a presença dessas manchas nas axilas é conhecida como o Sinal de Crowe, e independente do número é sinal de neurofibromatose. Manchas mongólicas São manchas azuladas que acontecem sobretudo nos neonatos devido a migração incompleta dos melanócitos que se acumulam na derme reticular, através de um fe- nômeno refrativo denominado de fenômeno de Tyndall. São benignas, costumam desaparecer parcialmente ou totalmente de maneira espontânea. Efélides Aumento da melanina na camada basal, o número de melanócitos se encontra normal, associada a uma foto- exposição. O fator desencadeante é a exposição acti- nica aguda ou crônica. E está associado a fatores gené- ticos de susceptibilidade. É de difícil tratamento. Obs.: é um sinal de maior vunerabilidade para Ca de pele. 7 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Hipercromia periorbitária Também conhecida como olheiras, é o deposito dérmico de melanina. Há alterações na microcirculação local promovendo estase venosa, além disso modificações hormonais, estrese, exposição ao sol agravam a condi- ção. Tratamento: Fitofoto dermatose Exposição a substancia denominadas begaptenos pre- sentes no limão e em hortaliças seguidas da exposição solar. Melasma São placas simétricas hiperpigmentadas que predomi- nam em áreas fotoexpostas que predominam principal- mente em face. Caracterizada pela presença de mela- nócitos hiperfuncionantes. Os fatores predispnentes são alteração hormonal e exposição ao sol. Não existe cura. Obs.: quando mais escuro o melasma na exposição a lâmpada de wood mais superficial é a alteração, e quanto mais claro mais profundo e mais difícil de cla- rear. Tratamento: Só existe uma formula efetiva: Obs.: o pilling, microagulhamento e o laser são reco- mendados desde que feito por um profissional ade- quado. Obs.: nenhuma modalidade de tratamento é definitiva. Outras discromias: Outras alterações inflamatórias podem cursar com hipo- cromia ou hipercromia, mais comum em pacientes com histórico de atopia. Além disso, drogas diversas também podem ser responsáveis por quadros de hipercromia. Renata M e Bruna C. 7 MA 1 Mecanobuloses Vesículas e bolhas são manifestações distintas de diversas doenças podendo se traduzir em um verdadeiro epifenômeno. Mecanobuloses dizem respeito a um grupo heterogêneo de doenças que acontecem por falhas na adesão intercelular ou por distintos defeitos na membrana basal epidérmica (separa epiderme da derme). Essa imagem abaixo é da epiderme e dos seus desmossomos. Desmossomos compõem o citoesqueleto. Renata M e Bruna C. 7 MA 2 Pênfigos São falhas na adesão intercelular intraepidérmica em diferentes sitios, com diferentes manifestações, de cuja responsabilidade vão estar as desmogleínas (proteínas). Desmogleína 3 e desmogleína 1, vamos dar mais atenção. Promove alterações nas duas doenças do pênfigo: pênfigo foliáceo e pênfigo vulgar. A desmogleína 1 se encontra próxima as células basais, enquanto que a desmogleína 3 vai estar expressa, mais frequentemente, entre as camadas mais altas da camada granulosa e da camada córnea. As alterações vão ser distintas porque se tem um descolamento em um determinado ponto, vai ter manifestação “X”, se for em outro ponto, pode ter manifestação “Y”. Quase sempre vamos precisar de exames complementares. É claro que, a clínica é soberana. Por exemplo, pênfigo foliáceo é mais prevalente em crianças do que em adultos. A histopatologia corada pela hematoxilina-eosina pode ser suficiente para o diagnóstico correto, desde que a biópsia seja coletada no lugar correto, da maneira correta, e que aquela espécime coletada coniga demonstrar as alterações classicas descritas, que a gente conhece. Temos a expressão da desmogleína 1, nas camadas mais altas da epiderme (entre a granulosa e a córnea) e tem o destacamento por conta da perda de adesão entre os queratinócitos. Nos pênfigos o defeito (processo de separação intraepitelial) acontece no topo dos queratinócitos basais e também entra as celulas da camada granulosa (composta por várias camadas), então entre a camada granulosa e a córnea. Renata M e Bruna C. 7 MA 3 Essa imagem acima tem uma expressão de desmogleína 1, nessas celulas da camada granulosa, que promoveu uma reação imunomediada, a separação da epiderme, nesse camada granulosa. Então aqui nessa imagem mostra que a epiderme foi clivada na região de camada granulosa, essa parte de cima junto com a camada córnea se a gente fosse imaginar que fosse uma vesícula ou bolha, corresponderia ao teto da bolha, enquanto que a parte embaixo seria o assoalho dessa bolha. O espaço em branco seria o conteúdo líquido/seroso que temos dentro da bolha/vesícula, devido a perda de adesão os queratinócitos. Então com quadro clínico sugestivo + associado a histopatológico como esse acima, pode dizer que está diante de um possível quadro de um PÊNFIGO FOLIÁCEO ou FOGO SELVAGEM, por conta do defeito de desmogleína 1. Nessa imagem, no teto da bolha vamos ter quase todas as camadas da epiderme, exceto a camada basal, que ficou colada no assoalho da bolha, por causa do tipo de proteína que se expressa nessa região e o defeito mediado por autoanticorpos que foi direcionado para essa região. Isso acontece em relação ao pênfigo vulgar e ao foliáceo, tratando-se de doenças imunomediadas onde existe produção de imunoanticorpos por interações de fatores genéticos, imunológicos e algumas situações, fatores ambientais, que agindo conjuntamente, estimulam nosso organismo a produzirem autoanticorpos que por reação cruzada atingem essas estruturas integrantes do nosso epitélio celular, componente da nossa epiderme, e ai clinicamente vai ter expressão de vesículas e/ou bolhas. O teto dessa bolha é mais espesso do que outra imagem, tem uma clivagem que aconteceu ao longo dos queratinócitos basais, no assoalho dessa bolha tem a camada de células basais mais ou menos preservadas, enquanto que o teto da bolha, vai estar composto por todas as demais camadas da epiderme. Porque, na primeira imagem (com o número 1), tem o teto fininho, só tem as partes finais da camada granulosa e córnea, duas camadas celulares acrescidas da camada córnea. Na segunda imagem tem teto mais espesso, formando por quase toda epiderme, exceto pelas células basais. A epiderme rebatida para cima, expressando clinicamente de forma diferente, posto que as vesículas e bolhas vão ser frágeis, vão se romper com facilidade, quase sempre se encontrando ausentes quando fazemos nossa observação clínica. Na segunda imagem (com o número 2) se tem ruptura das bolhas, observem que, só tem uma camada embaixo (celulas basais), logo depois tem a derme papilar, que é na derme papilar que se encontam DERME PAPILAR CAMADA BASAL Renata M e Bruna C. 7 MA 4 os shunts arteriovenosos, que são a finalizaçãoda vascularização da epiderme. Já que o assoalho da bolha é mais frágil em compração com o teto (imagem 2), se o teto se rompe (apesar de ser menos frágil que o anterior), ele pode expor os vasos das papilas dérmicas e consequentemente as apresentações clínicas das lesões podem ser exsucerações sangrantes, diferentes da imagem 1 que podem ter exsucerações não sangrantes, haja vista que a camada inferior de pele íntegra, em relação a sua adesão, “acaba protegendo” esse novelo vascular localizado no topo das papilas dérmicas. Essa bolha da imagem 1, vai ser mais frágil que a da imagem 2, no qual será mais fácil enxergar a bolha na última imagem (a imagem 2) – desmogleína 2. A sintomatologia e expressão clínica vai ser diferente. Em relação ao PÊNFIGO FOLIÁCEO OU FOGO SELVAGEM é uma doença endêmica em algumas regiões do Brasil, e foi observado que além dos fatores genéticos, existe um fator ambiental que colabora para que exista a produção desses autoanticorpos, mas nem todos são expostos ao fator ambiental, dai é preciso uma pré-disposição genética. Existe a produção de autoanticorpos direcionados contra estas proteínas, induzido pela interação GENÉTICA-SUSCEPTIBILIDADE – IMUNOLOGIA – MEIO AMBIENTE. Esses fatores ambientais são insetos de uma espécie chamada simulídeos dos quais destaca-se o Simulium nigrimanum. Triangulo mineiro, sul do mato grosso do sul e regiões do interior de são paulo (município limão verde) são os lugares que possuem de forma endêmica. O pênfigo foliáceo não acontece de forma endêmica exclusivamente nessa doença chamada de fogo selvagem, que acabou sendo colocada de forma sinonímia, pelo fato de o paciente sentir queimor/ardor grande por conta da exposição das terminações livres amplamente distribuídas ao longo da epiderme. Então, você tem autoanticorpos IgG- anti-desmogleína 1 (anti-DSG1). Que autoanticorpos são esses? A imunoglobulina tipo 1 e a imunoglobulina tipo 4. Existe um fenômeno chamado de transposição de imunoglobulinas que por sua vez, acontece através da disseminação de epítopos. Os pacientes produzem autoanticorpos (IgG 1 principalmente), e quando tem a disseminação dos epítopos tem esse fenômeno de transposição e a IgG 1 passa a ser menos predominando, e passa a ter um pico de IgG 4, que é a mais responsável pelos doentes se apresentarem sobre a forma ativa da doença. Não confudam IgG 1 com desmogleína 1. A desmogleína 1 é o alvo antigênico e a IgG 1 é o autoanticorpo (anti- DSG1), é o antígeno. Lenbrando, para que eles sejam geneticamente susceptíveis, tem que reconhecer esses autoanticorpos patogênicos por uma região molecular integrante da desmogleína 1 e tem que existir através do epítopo de forma simultânea a superprodução de IgG 4 superando IgG 1, e assim, irá produzir doença ativa. Pacientes que tem predominantemente IgG 1 tem doença inativa ou em remissão e quando tem transposição das IgG com predominância de IgG 4, passam a ter doença em atividade, por conta do https://www.google.com/search?rlz=1C1CHBD_pt-PTBR939BR939&sxsrf=ALeKk03Ogs_1w4OjxoLBymjKPqXkTNJzug:1615926670060&source=univ&tbm=isch&q=simulium+nigrimanum&sa=X&ved=2ahUKEwiGn5v507XvAhXFCtQKHe8yCk4QjJkEegQIExAB https://www.google.com/search?rlz=1C1CHBD_pt-PTBR939BR939&sxsrf=ALeKk03Ogs_1w4OjxoLBymjKPqXkTNJzug:1615926670060&source=univ&tbm=isch&q=simulium+nigrimanum&sa=X&ved=2ahUKEwiGn5v507XvAhXFCtQKHe8yCk4QjJkEegQIExAB https://www.google.com/search?rlz=1C1CHBD_pt-PTBR939BR939&sxsrf=ALeKk03Ogs_1w4OjxoLBymjKPqXkTNJzug:1615926670060&source=univ&tbm=isch&q=simulium+nigrimanum&sa=X&ved=2ahUKEwiGn5v507XvAhXFCtQKHe8yCk4QjJkEegQIExAB https://www.google.com/search?rlz=1C1CHBD_pt-PTBR939BR939&sxsrf=ALeKk03Ogs_1w4OjxoLBymjKPqXkTNJzug:1615926670060&source=univ&tbm=isch&q=simulium+nigrimanum&sa=X&ved=2ahUKEwiGn5v507XvAhXFCtQKHe8yCk4QjJkEegQIExAB Renata M e Bruna C. 7 MA 5 reconhecimento antigênico em dois epítopos específicos da desmogleína 1 (proteína estrutural). Dentre os membros de uma mesma família, tem pessoas que adoecem de pênfigo e outras não, então, podemos ver que tem um genótipo que permite reconhecimento por epítopos (porções distintas) nessa proteína (desmogleína). Esses autoanticorpos são patogênicos, mas a doença não é transmissível em humanos. Indivíduos recém-nascidos de mães portadoras de pênfigo foliáceo, apresentavam doença transitória, de modo que havia passagem desses autoanticorpos pela barreira placentária. E essas crianças com o passar de tempo, entram em período de remissão da doença, o que não dignifica que nunca mais vai ter a doença, pois se permanecerem expostos aos fatores ambientais, podem adoecer novamente. Ocorrem em populações pobres, que vivem em vulnerabilidade social, próximo a córregos e rios, casas de palafita, e expostos a uma grande variedade de insetos e parasitas. Vivem no interior do mato grosso, goiás, triangulo mineiro, regiões do paraná, onde viram endemias de pênfigo foliáceo. Infelizmente os principais atingidos são as crianças. Quando falamos em pênfigo foliáceo, já pensamos na faixa etária infantil. Porque tem o pênfigo foliáceo endêmico e o pênfigo foliáceo clássico, do ponto de vista histopatológico e imunológico são indistinguíveis, mesma clínica, apenas acontecendo de: Pênfigo foliáceo endêmico: associado a fatores ambientais, atingindo predominantemente crianças. Pênfigo foliáceo clássico: acontecendo de forma idiopática, podendo acometer jovens e adultos, mais predominantemente em adultos. QUADRO CLÍNICO Erupção eritematodescamativa com área de erupção Renata M e Bruna C. 7 MA 6 Porque na imagem não vemos bolha? Porque o teto dessa bolha é muito frágil, então, assim que essa bolha se forma, ela acaba por se romper e no lugar ficam as áreas exsuceradas com pseudodescamação (teto das bolhas se desprendendo das áreas exsuceradas). Então, como diferenciar de outras doenças? Através de um conjunto de fatores, manifestações clínicas. Poderia ajudar no diagnóstico um histopatológico (clivagem dermo-epidérmica). Então, temos que lembrar da: Faixa etária Zona endêmica Predominância na metade superior do tronco PÊNFIGO VULGAR Apresenta como um quadro clínico mais grave devido a clivagem ser suprabasal, os antígenos são a desmogleína 1 e desmogleína 3 cujos queratinócitos da camada basal expressam e também as mucosas expressam a desmogleína 3. Tem paciente que só tem expressão de pênfigo vulgar em mucosas e tem os que expressam em mucosa e em pele, porque ai reconheceu desmogleína 3 e desmogleína 1. É uma doença mais predominante a partir dos 40 anos. Quase todos os pacientes apresentarão lesões em mucosa oral. Os autoanticorpos do pênfigo vulgar são da classe IgG, mas não estão associados a fatores conhecidos, exceto algumas drogas como fator desencadeante. Algumas drogas podem desencadear várias condições autoimunes que não seriam diferentes para as mecanobuloses. Renata M e Bruna C. 7 MA 7 Dentro do grupo de mecanobuloses temos as drogas: anti- hipertensivos (sulfidril na composição podem desencadear os pênfigos, penfigoide bolhoso, epidermólise bolhosa adquirida). O exame da mucosa oral faz parte do bom exame clínico para tentar descobrir várias doenças (ex. orofaringe enantematosa). As lesões do pênfigo vulgar são diferentes das do pênfigo foliáceo. Aqui temos exsucerações sangrantes e com aparência de maior gravidade. Lembrem-se que a clivagem é supra basal, logo abaixo do teto da clivagem vamos ter o novelo vascular, então quando tem ruptura de uma bolha dessa, a camada de celula basal, não vai proteger a derme papilar, vai expor uma área inervada, então a pele vai estar mais exposta. Aqui as infecções secundárias são muito mais frequentes. As erosões cutâneas são muito dolorosas, mas se não complicadas,resolvem-se sem deixar cicatriz. Deixam sequelas discrômicas, ou hiperpigmentação ou hipopigmentação pós inflamatória. Renata M e Bruna C. 7 MA 8 Nessa imagem acima, para não confundir com outra doença, se você olha a cavidade oral da paciente e tiver lesão, você não vai estar diante de um penfigoide bolhoso e sim de um pênfigo, por causa do defeito da desmogleína 3 que acontece em mucosa. É uma junção de elementos clínicos, histopatológico, ultraestruturais e as vezes de imunofluorescência, que vai nos levar ao diagnóstico. Existe uma variante do pênfigo vulgar chamada de PÊNFIGO VEGETANTE, histopatologia igual, clivagem supra basal, mas as áreas de predileção são áreas de pele, dobras, áreas intertriginosas (região submamária, axilar, inguinocrural, pregas flexurais), como aqui tem preferência das lesões acontecendo nessa área, as bolhas se formam se rompem pelo atrito natural, fazendo essa imagem, se mostrando como essas vegetações. A evolução é mais benigna, autolimitada as vezes, podendo fazer tratamento local, com infiltração de corticóides de maneira intralesional. A única diferença é pelas áreas de predileção. Existem outras formas de pênfigos, como a combinação do pênfigo vulgar ou foliáceo, ou como manifestação de outras situações com diferentes alvos antigênicos. Renata M e Bruna C. 7 MA 9 Quando está diante de pênfigo paraneoplásico, os autoantigênios são outros, tem desmogleína, desmoplaquina, tem outras proteínas. E uma das formas clínicas do pênfigo paraneoplásico se expressar é através de uma grave gengivite. Na imagem do lado direito, a crosta hemorrágica, faz diagnóstica diferencial com por exemplo a Síndrome de Steven Johnson. TRATAMENTO Corticoterapia sistemica ou imunossupressores, além de outras medidas quando apropriadas. O tratamento dos pênfigos será parecido com algumas pequenas diferenças. O tratamento dos pênfigos é predominantemente com prednisona e ai vai manejando o paciente. Prednisona 1mg/kg/dia, com dose máxima de 100 a 120 mg. Se não existir resposta em 7 dias: substituir prednisona por triamcinolona (5mg prednisona = 4 mg de triamcinolona) *desmame deve ser em intervalos fixos e regulares Redução após resolução das lesões, com 10mg/ semana. Quando atingir 40 mg, reduzir 5 a 10 mg/mês. Quando a doença demonstra sinais de atividade a partir de desmame prévio, reintroduz ultima dose de controle para posteriormente tentar desmamar novamente. Quando atingir 10 mg, reduzir 2,5 mg de 2 em 2 ou 3 em 3 meses. Azatioprina e ciclofosfamida têm baixa eficácia no foliáceo, mas no vulgar, a azatioprina é uma boa opção. Se não há resposta a corticoterapia, associar micofenolato mofetil 35-45 mg/dia com dose máxima de 3g/dia. Cloroquina pode ser uma alternativa. Renata M e Bruna C. 7 MA 10 Pênfigóide bolhoso e Epidermólise bolhosa adquirida O defeito estará localizado na zona de membrana basal. Imaginem uma clivagem local, na zona de membrana basal, abaixo das zonas basais. Nesses casos a clivagem vai ser dermoepidérmica ou subepidérmica, mas não intraepidérmica. A zona de membrana basal é uma estrutura complexa com várias proteínas, como alvos muitas vezes antigênicos ou alvos de defeitos genéticos em doenças congênitas. Vamos estudar a epidermólise bolhosa adquirida e não a congênita, mas o local tanto da adquirida quanto da congênita, vai estar nessa região, assim como as proteínas envolvidas no pênfigóide bolhoso. Pênfigóide é mais comum que o próprio pênfigo muitas vezes. Então precisamos enxergar duas proteínas: BP230 e BP180. Esses números dizem respeito a estimativa de peso molecular. São essas duas proteínas que vão estar envolvidas no penfigóide bolhoso. Estão situadas intracitoplasmaticamente nos queratinócitos basais e logo abaixo nos hemidesmossomos das células basais. Então vão ter dois alvos antigênicos que vão permitir enxergar: essa clivagem é dermoepidérmica, então, quando acontecer o defeito vai dar essa imagem abaixo, porém é INDISTINGUÍVEL da epidermólise bolhosa adquirida. Epidermolise bolhosa adquidrida tem locais de predileção e o pênfigóide bolhoso não tem. Pênfigóide bolhoso cursa com placas urticariformes, sob as quais surgem as bolhas, e a epidermólise bolhosa, não. As bolhas serão subepidérmicas. Observar o infiltrado inflamatório nos eosinófilos. As celulas mais rosinhas, coloração diferente da roxinha, na foto acima do lado direito, que são eosinófilos. O pênfigóide bolhoso cursa com infiltração de eosinófilos que por sua vez desencadeiam um tipo de resposta imune visto em erupções urticariformes e consequentemente o Renata M e Bruna C. 7 MA 11 pênfigóide bolhoso vai cursar com vesículas e bolhas sob placas urticadas. Os eosinófilos estão relacionados a processos alergicos de natureaz imunológico que as vezes cursa com prurido, então essas lesões de pênfigóide bolhoso, surgem sob placas urticadas antes das bolhas se tornarem lesões evidentes. Tem uma fase que chamamos de invasão bolhosa ou pré-bolhosa, onde praticamente você vai ter placas urticadas ao invés de bolhas e quando a doença está estabelecida, ai sim vai ter bolhas. A doença atinge qualquer faixa etária, porém é mais predominante em idosos. Na imagem abaixo tem uma fase pré-bolhosa onde consegue estabelecer diagnóstico diferencial, consegue evitar eclosão de bolhas e consegue proporcionar uma recuperação mais rápida do paciente, sem que ele curse com complicações. A EBA (epidermólise bolhosa adquirida) apresenta quadro clínico muito semelhante, sendo as bolhas predominantes em regiões acrais (mãos e pés), mas pode acontecer em outras áreas. Renata M e Bruna C. 7 MA 12 Na imagem acima tem todo o epitélio rebatido para cima, o espaço em branco é onde houve a separação. Aqui não tem muito eosinófilo, tem neutrófilo, linfóticos. O infiltrado inflamatório fala muito da doença. Nesse caso, se a HE não é suficiente, vamos precisar de imunofluorescência, que não tem aqui em Pernambuco. E o que encontra na imunofluorescência (exame onde faz reação onde marca determinados anticorpos com fluoresceínas)? Vamos encontrar a fluorescência no teto da bolha (mais verde claro), enquanto que o assoalho não fluoresce, e isso é característica do pênfigóide bolhoso, porque a deposição dos autoanticorpos IgG vai acontecer no teto da bolha predominantemente. Na imagem abaixo vemos que todo epitélio está aceso, mas nitidamente tem uma deposição ao longo da zona de membrana basal, mostrando fluorescência no assoalho da bolha. Porque o epitélio está todo aceso? No corte dessa foto pegou uma determinada lesão, onde a expressão de anticorpos estava disseminada pelas células de toda epiderme. A linha representa a zona de membrana basal. Renata M e Bruna C. 7 MA 13 TRATAMENTO Prednisona 1mg/kg/dia com dose máxima de 100 a 120 mg. Corticóides de alta potência tópicos. Tetraciclina Minociclina Nicatinamida Dapsona e outras sulfonamidas Cloroquina e hidroxicloroquina Na EBA, a colchicina pode ser uma primeira tentativa Afastar fatores desencadeantes, se aplicável (ex. drogas) O Pênfigóide bolhoso pode ser induzido por drogas: Diuréticos (furosemida e bumetanida) Analgésicos (fenacetina) D-penicilamina Antibióticos (amoxicilina e ciprofloxacino) Iodeto de potássio Ouro Captopril Dermatite Herpetiforme Única condição clínica conhecida que demanda uma dieta isenta de glúten. Manifestação cutânea/dermatológica de enteropatia sensível ao glúten (expressão máxima dessa doença). Doença mediada por autoanticorpos. Podem ter casos de enteropatia sensível ao glúten sem haver expressão clínica da doençadermatológica. Autoanticorpos (IgA): Transglutaminase epidérmica Anti-gliadina (manifestação intestinal) Anti-endomísio (manifestação intestinal) Anti-reticulina (manifestação intestinal) Genótipo: DQ2 de HLA classe II Alelos: DQA1*0501 DQB1*02 Renata M e Bruna C. 7 MA 14 A histopatologia vai mostrar uma infiltração de neutrófilos e eles fazem pequenas coleções no topo das papilas dérmicas, fazendo “pequenos cachinhos”, são chamados de microabscessos de pierrá. As vezes pela inflamação, acaba tendo uma fusão dos cones interpapilares, como está sendo visto na imagem abaixo, onde vemos a papila dérmica com os abscessos neutrofílicos. Na imagem abaixo em imunofluorescência, o que ver é o deposito de IgA de forma GRANULAR no topo das papilas dérmicas (mais abaixo) e ao longo da zona de membrana basal. Na imagem acima tem imunofluorescência salpicada, granular ao longo da membrana basal e em torno das papilas dérmicas. QUADRO CLÍNICO Pequenas vesículas pruriginosas, cursa com prurido, costumam aparecer mais frequentemente em superfície extensoras de cotovelos e joelhos. Renata M e Bruna C. 7 MA 15 O quadro clínico mimetiza várias doenças dermatológicas. A DH (dermatite herpetiforme) é considerada uma grande mimetizadora de outras doenças. TRATAMENTO O tratamento de eleição é com a Dapsona Sulfapiridine é outra alternativa Corticóides são raramente empregados Dieta ISENTA DE GLÚTEN por toda a vida – previne não somente as lesões, como também o surgimento de linfomas, também associados a doença. Dermatose Bolhosa por IgA linear Doença bolhosa que atinge adultos e crianças, estas últimas com maior frequência. Aspectos clínicos e de imunofluorescência permitem o diagnóstico diferencial entre as duas patologias. A coloração de rotina auxilia pouco nesse mister. Tem autoantígenos muito próximos do BPAG2. Ectodomínio clivado na BPAG2 Existem associações com outras doenças. Na infância alguns autores denominam de “doença bolhosa crônica infantil” (DBCI). Raramente existe uma associação com ingesta de glúten (0-24%) Uma das diferenças na coloração histopatológica de rotina é a disposição linear do infiltrado neutrofílico ao longo da zona de membrana basal, nem sempre visualizada. Disposição LINEAR de neutrófilos (Deposição de imunocomplexos fluorescentes de forma linear), ao longo das papilas dérmicas, no topo delas, e aqui não faz “microabscessos de pierrá” como acontece na dermatite herpetiforme. Quando encontra essa imagem abaixo, associada a manifestações clínicas, consegue diagnosticar. Renata M e Bruna C. 7 MA 16 E percebam esses pequenos tracinhos na imagem abaixo, são neutrófilos degenerados por isso estão redondos. Na imunofluorescência a gente ver a deposiçao linear do autoanticorpo, mediado pelo IgA, ao longo da membrana basal, diferente da forma granular da dermatite herpetiforme. QUADRO CLÍNICO As vezes as lesões de dermatite bolhosa por IgA linear, sobretudo na infância podem se apresentar com uma configuração “em roseta” ou em “coroa de jóias” sugerindo fortemente o diagnóstico. Outrossim, as lesões podem ser totalmente inespecíficas, demandando o emprego dos exames histopatológicos e de imunofluorescência para a confirmação diagnóstica. Renata M e Bruna C. 7 MA 17 A região glútea não é o único sítio lesional. E o que predomina na imagem acima são exsucerações. As vezes demanda-se de exames complementares porque pode parecer outra doença. TRATAMENTO O tratamento de eleição é feito com a Dapsona Sulfapiridine é outra alternativa As vezes há a necessidade de se associarem corticoides. Relatos de sucesso com tetraciclinas e eritromicina, apesar de não ter sido identificado nenhum agente etiológico. A dieta isenta de glúten pode ser necessária, caso exista essa associação. A forma infantil tem remissão espontaneamente 2 a 4 anos após primeiro episódio. A forma adulta é persistente, com remissão espontânea entre 30-60%. 1 Bruna Carvalho- Turma 10 MA A hanseníase foi descrita a primeiramente na bíblia. Era comumente chamada de lepra, de maneira mais geral lepra era classificada como todas as doenças que aco- metiam a pele. Esse nome lepra já foi mais utilizado mais hoje foi banido, pois esse termo acaba sendo muito as- sociado a preconceito e a estigmas. A hanseníase adveio em conjunto com a colonização, vindo com os homens branco, principalmente os holande- ses. E como dito foi muito descrita durante o período bí- blico, sendo ela ainda associada a um “castigo divino” por algumas comunidades cristã. Sendo assim, sabe-se que o cuidado com os pacientes com hanseníase en- quanto não existia tratamento era reservado aos cris- tãos, sob forma de caridade, sendo eles tratados como marginalizados. Com o tempo, na Europa, por não apre- sentar um tratamento esses doentes foram confinados em instituições chamadas de leprosários. Sendo a do- ença uma praga em toda a Europa. Com a evolução da sanitária, essa realidade acabou diminuindo, tornando assim a hanseniase uma doença mais encontrada nas áreas pobres do mundo. 1714- Pe. Antônio Manuel da Nobrega funda 1º hospital dos lázaros o Igreja da soledade e colégio São José o Hospital de Santo Amaro o Hospital Geral de Mirueira 26/09/1941 O Brasil está em 2º lugar no quantitativos dos países com uma maior quantidade de pessoas acometidas, perdendo somente para a Índia, mas quando partimos para os coeficientes epi- demiológicos relativos, o Brasil fica em primeiro lugar. Obs.: do ponto de vista epidemiológico da hanseníase dividimos em pessoas com mais de 15 anos e pessoas com menos de 15 anos (engloba a infância e a adoles- cência). É importante destacar que clusters epidemiolo- gia na faixa de <15 anos indica uma magnitude mais grave, sendo assim são áreas que requerem mais aten- ção. Breve histórico Epidemiologia Hanseníase- Aspectos clínicos 2 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Obs.: o gráfico acima mostra que mesmo com os trata- mentos, o numero de transmissores ainda se mantem. A hanseníase é um agravo que acompanha situ- ações de vulnerabilidade social, pobreza e grandes conglomerados urbanos. A hanseníase é causada pela Mycobacterium leprae (e recentemente foi descoberto que o Mycobacterium le- promatosis também causa a donça), que são bactérias da família Mycobacteriaciae, da ordem da Actinomyce- tales e classe Schizomycetes. O Mycobacterium leprae é um bacilo que apresenta cerca de 0,2 – 0,4 µm, apresenta a capacidade de se agrupar (assim como o Mycobacterium tuberculosis), se a grupa em um arranjo empaliçado, chamado de Glo- bias (aglomerados bacilares encontrado somente em casos mais avançados da doença). Essas globias são uma estratégia de proteção, elas servem de amparo para que o bacilo se utilize dos seus produtos de degra- dação e dos fragmentos mortos como meio de nutrição. Esse bacilo apresenta um metabolismo peculiar, ele se replica a cada 7-9 dias, o que torna difícil o seu cultivo satisfatório in vitro. Sendo assim, o estudo só é possível devido a replicação da doença em animais. O Mycobacterium leprae é um patógeno que apresenta uma evolução diferente dos demais patógenos conheci- dos, uma vez que ao longo de milênios ele fez uma re- dução genética do seu genoma, ou seja, ele conseguiu transformar genes funcionais em pseudogenes ou genes aparentemente sem função, ou criaram sequencias de regulatórias de genes remanescentes. O Mycobacterium lepromatosis também é um bacilo que fez redução genética, é um bacilo que provavelmente já derivou de diversas mutações, do ponto de vista an- cestral, do Mycobacterium leprae ou de um ancestral co- mum desconhecido. Com a biologia molecular consegui- mos perceberum compartilhamento de mais de 87% do seu genoma em relação ao Mycobacterium leprae, o que permite torna-lo como uma nova espécie e não uma mu- tação mis avançada do próprio Mycobacterium leprae. Até hoje o real mecanismo de transmissão da doença é desconhecido. A única certeza é que é necessária uma susceptibilidade genética para que a doença ocorra, e essa susceptibilidade ocorre em cerca de 5-10% da po- pulação geral. Somado a isso é necessário o convívio, próximo e prolongado, com um doente que possa trans- mitir a doença. Sendo assim, admite-se hoje as vias respiratórias como a porta de entrada desse bacilo. Sendo assim um indi- víduo bacilífero emitiria essas partículas que carreariam bacilos, e que se depositariam sobre as mucosas, nasal e ocular principalmente, servindo de portas de entrada nos indivíduos geneticamente susceptíveis. Obs.: a arvore respiratória traqueobrônquica não é lo- cal onde encontramos bacilos, pois o pulmão não é uma boa área para o seu desenvolvimento. Obs.: as feridas abertas também funcionam como porta de entrada. Obs.: é possível a inoculação do bacilo mediante a ino- culação de tatuagens. Sendo duas teorias aceitas para explicar essa ocorrência: 1) não há um controle sanitário adequado dos pigmentos; 2) o individuo que está fa- zendo a tatuagem pode ser um paciente que vai está eliminando bacilos e inoculando na pele daquela pessoa o seu próprio instrumental. A mais recente possibilidade de transmissão se dá atra- vés do Dasypus novemcictus e os Euphractus sexcinctus, Agentes etiológicos Transmissão 3 Bruna Carvalho- Turma 10 MA ou seja, os tatus, que são seres biológicos susceptíveis ao desenvolvimento de hanseníase. A imunidade inata é uma imunidade ancestral do ponto de vista filogenético. Ela vai está presente até em inse- tos, para que eles nos defendam das mais diversas in- tempéries que bombardeiam o nosso organismo todo o tempo. Em relação ao Mycobacterium leprae, esse tipo de imu- nidade funciona bem como linha de frente. Sendo assim quando uma determinada célula vai expressar na sua superfície um determinado receptor (tool-like receptors), que vai reconhecer o bacilo, e imediatamente começar a produzir diversas citocinas que vão sinalizar e recrutar novas células de defesa. As primeiras células recrutadas são as células dendríti- cas, que apresentam como função reconhecer os antíge- nos para posteriormente apresenta-los. As células den- dríticas começas a recrutar os linfócitos que inicialmente se encontram virgens (encontram se parados e sem esti- mulação). A partir do momento que esses linfócitos vir- gens recebem uma mensagem, eles começam a se ex- pandir e a produzir outras citocinas que vão sinalizar ao macrófago que há um microrganismo para ser destruído. Então o macrófago vai até o grupo de patógenos que está gerando a resposta e os destrói, sendo assim indi- víduo não adquire hanseníase. Quando o indivíduo é susceptível essa primeira linha de defesa falha, entrando então em cena a imunidade adaptativa. Na imunidade adaptativa vemos ter uma interação de fatores genéticos, ambientais e epigenéticos, que vão tornar o individuo mais ou menos susceptível a adquirir a doença, ou seja, aqui ele vai adquirir a probabilidade de adoecer. Sendo assim nesses indivíduos, vamos encontras três li- nhas de frente montadas pelo organismo na tentativa de conter o avanço da doença. Desse modo vamos en- contrar um linfócito T que vai reconhecer aquele pató- geno que conseguiu escapar do macrófago. Esse linfó- cito T apresenta receptores, receptores estes que ao en- trar em contato com o patógeno vai fazer com que o linfócito se ative e sinalize para outros linfócitos a pre- sença do patógeno, na tentativa de elaborar uma res- posta imunológica que consiga conter essa doença. Então se esse reconhecimento for feito por um linfócito TCD4 (T help) ativando a via imunológica TH1, vamos encontrar uma expansão da resposta imune por vários outros e células, que vão secretar varias citocinas dife- rentes, como IFN-gama e linfotoxina alfa, que vai ativar novamente o macrófago, fagocitando assim os patóge- nos. Desse modo, o nosso organismo vai elaborar uma resposta típica de infecções, chamada de granuloma- tosa, que origina pequenas barreiras de contenção in- fecciosa, chamadas de granulomas. Obs.: por isso classificamos a hanseníase como uma do- ença granulomatosa. Sendo assim, vamos encontrar varias dessas subunida- des de contenção compondo a histopatologia do doente com uma forma de hanseníase mais resistente (os paci- entes com hanseníase paucibacilar). Desse modo vamos encontrar aquele individuo que adoeceu, mas que de maneira menos grave, já que de certa forma o orga- nismo está tentando conter a infecção com os granulo- mas. É preciso destaque que, além dessa, outras situações po- dem ocorrer. Como quando o bacilo é reconhecido pelos linfócitos TCD8 (ou linfócitos B) , que irão da inicio a via TH2, que será uma resposta imune que diferente da an- terior que recrutava células, irá produzir anticorpos (imunoglobulinas), que no caso da hanseníase é incapaz de livrar o corpo da infecção, pois o bacilo é um para- sita intracelular obrigatório. Sendo assim, esse caso os bacilos ficam nadando por entre essa sopa de anticor- pos, são fagocitados pelos macrófagos que ao invés de destruí-los se tornam usinas de bacilos, não só os macró- fagos como outras células também (células de schwann). Sendo assim, esses bacilos conseguem atingir os macró- fagos, se adaptar e se multiplicar, a partir do momento em que rompe os macrófagos vão se agrupar em glo- bias no meio extracelular. Essa via recruta também ou- tras células do sistema imune, como eosinófilose mastó- citos, que mesmo assim não vão ser adequados para montar uma resposta inflamatória adequada como a que foi vista anteriormente, o que consequentemente vai fazer com que a doença se dissemine. É impostante des- tacar que nessa via outras citosinas serão formadas, Progressão da uma vez infectado 4 Bruna Carvalho- Turma 10 MA como o IL-4, 5, 6 e 10. Esse vai gerar o espectro mais grave e mais desenvolvido da doença. Células de schwann Os bacilos gostam dos macrófagos, mas também tem como alvo principal as células de schwann. Existem re- ceptores na superfície das células de schwann que se adaptam habilmente aos receptores encontrados no ba- cilo, sendo assim esses bacilos conseguem entrar facil- mente nas células de schwann, que é uma célula do sis- tema imunológico que não é especializada em destruir patógenos, e sim responsável pela formação da bainha de mielina. Sendo assim eles iniciam sua replicação, o que provoca a desmielinização das células. Por isso que a hanseníase é uma doença neural, e não uma doença dermatológica. Obs.: Outra via encontrada é a via TH17, sendo está uma via muito complexa. Classificação clinica Uma vez que o individuo desenvolve a doença ele co- meça a expressar os seus sinais clínicos, sendo que essa manifestação varia de acordo com a progressão e a resposta imune encontrada. Sendo assim vamos encontrar uma forma clinica conhe- cida como indeterminada (fase mais inicial), uma tuber- culoide, e à medida que vamos avançando para polos menos resistentes, como a forma dimorfa tuberculoide, dimorfa-dimorfa, dimorfa virchowiana, e a forma vir- chowiana, sendo essas as classificações clinicas, basea- dos nos aspectos clínicos, imunológicos e histopatológi- cos. A forma clinica tuberculoide apresenta uma variante, que a forma clinica nodular da infância. Há também uma classificação extra da forma virchowiana, que é uma fase ainda mais avançada chamada de históide. Existe também uma forma clinica que não é subdivisão e classificação de nenhuma das anteriores, e sim uma maneira peculiar que alguns pacientes apresentam para desenvolver hanseníase, que é a forma neural primaria (neural pura), que são pacientes que não desenvolvem lesõesdermatológicas, só desenvolvem lesões neurais de tronco nervoso. Podemos encontrar também outro tipo, que é a hansení- ase de Lúcio, que é uma forma clinica a parte, que não é comumente encontrada aqui no Brasil, que seria aquele paciente ainda mais anergico do ponto de vista imunológico comparado com os demais pacientes, ela cursa com o fenômeno de Lúcio. Classificação operacional Podemos classificar em dois tipos, os pacientes pauciba- cilares e os multibacilares. Sendo essa a classificação utilizada para determinar o tipo de tratamento que o paciente vai realizar. Forma indeterminada (I): O quadro é bem variado, podendo alternar ou somar com os aspectos encontrados abaixo: Presença de maculas hipocrômicas com os limites pouco definidos; Área com alteração de sensibilidade; Formas clínicas 5 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Área com alteração da pilificação; Área com alteração da sudorese; Podendo essas alterações cursarem com uma área sem mancha. Forma tuberculoide (TT) Presença de lesões eritêmato infiltradas, que no histopatológico podemos encontrar os granulo- mas e um infiltrado de peleneural de células in- flamatórias, com a visualização de pouco ou até nenhum bacilo; Alterações pronunciadas de sensibilidade. Obs.: nesse caso quando não visualizamos bacilos é uma lesão presuntiva e não confirmatória de hanseníase. Obs.: é a fase que cursa com mais inflamação. Obs.: todas as lesões da hanseníase cursam com altera- ção da sensibilidade, e quanto maior a reação inflama- tória mais evidente é a alteração sensitiva. Apresenta lesões com formas bastante variadas, como lesões com bordos em pequenas pápulas, lesões com pápulas mais grosseiras nos bordos, lesões com infiltra- ções discretas e pequenas- dificilmente ultrapassam 5 cm (seguindo a ordem das imagens abaixo). Forma dimorfo- tuberculoide (DT) Encontramos também lesões como a mostrada abaixo, que apresenta uma lesão principal somada a uma lesão secundaria (satélite), o que do ponto de vista imunoló- gico diz que embora seja uma única lesão esse paciente não pode ser classificado como tuberculoide, e sim um paiente dimorfo-tubercuoloide, já que mostra que a parreira de contenção não foi eficaz e a lesão “esca- pou”. Podemos classificar também como DT quando es- sas lesões excedem 5 cm. 6 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Forma dimorfa-dimorfa (DD) Se essa doença se dissemina ainda mais encontramos o paciente com a forma dimorfo-dimorfo. Onde encontra- mos lesões que são parecidas arquiteturalmente com as anteriores, só que encontram-se disseminadas e não in- filtradas, essas lesões recebem o nome de lesões foveo- lares (lesões que apresentam o bordo mais infiltrado e o centro mais claro, como se tivesse sido escavado). Classificação dimorfo (D) Na imagem abaixo a direita encontramos a lesão em forma de raquete, que é quando a lesão segue o trajeto de um nervo cutaneo. Nesse caso classificamos o paciente apenas com dimorfo, uma vez que DD é aquele paciente que apresenta a lesão como no livro, que é aquela lesão facilmente identificada e disseminada. Obs.: A hanseníase também acomete as áreas palmo- plantares, sendo estes classificados como pacientes di- morfos. Forma dimorfo virchowiana Na imagem abaixo, o paciente apresenta uma grande placa infiltrada, como se estivesse coalescendo, que pa- rece está infiltrando todo o trajeto do plexo braquial, quase que com uma distribuição zosteriforme, que so- mado a isso apresenta nódulos. Obs.: a partir do momento que aparecer nódulos clas- sificamos como virchowiana. Forma virchowiana Quando não encontramos placas, e as vezes nem nodulos visiveis, só encontramos infiltrações, principalmente em regiões frias, como orelha e joelhos. Obs.: o agente etiologico tem preferencia a regiões frias. Esse quadro geralmente indica um diagnostico tardio. Como o paciente evolui de forma assintomática, muitas vezes não conseguimos nem flagrar as alterações mais 7 Bruna Carvalho- Turma 10 MA evidentes, somente uma orelha infiltrada, ou as vezes nem isso. Obs.: o paciente a cima apresenta infiltração por toda a face, marcada principalmente pela presença de um degrau na região frontotemporal. É comum encontrar- mos também nesse caso, um espessamento de nervo (imagem direita a cima). Obs.: a hanseníase mimetiza e várias outras doenças e condições, principalmente a forma clinica virchowiana onde encontramos o bacilo de forma sistêmica. Os pacientes podem apresentar também os chamados hansenomas, que são lesões nodulares. Como na ima- gem abaixo onde a paiente apresenta vários hanseno- mas em facie. Obs.: virchowiana cursam mais tardiamente com perda da sensibilidade por isso o paciente demora mais a pro- curar o serviço de saúde. Forma virchowiana históide Encontramos hansenomas que se assemelham a queloi- des (queloideformes) associada a uma pele infiltrada, com aspecto de casca de laranja. Nesses casos nem sempre vamos encontrar os queloides devidamente formados, como na imagem abaixo. 8 Bruna Carvalho- Turma 10 MA Na paciente abaixo encontramos infiltração do pavi- lhão auricular, e ao invés de queloides encontramos le- sões fibromatosas. Forma clinica nodular da infância: É uma forma clinica rara, é associada a lesões muito pe- quenas. Forma neural primaria O paciente não apresenta lesões de pele Na imagem abaixo, tem sequelas de comprometimento neural, onde as mãos ficam com deficiência de mobili- dade, com algumas reabsorções, encurtamento de dedo, atrofia da musculatura palmar. Essas sequelas, podem ser de todas as formas clínicas que tem comprometimento neural. Claro que, as formas clínicas mais avançadas com caráter de cronicidade, tendem a apresentar sequelas mais graves. O comprometimento da inervação plantar, pode levar a ulceras perfurantes como na imagem a baixo. Você ver um pé sequelado pela agressão neural, leva a re- absorção, osteólise, osteomielite, amputação. Renata M e Bruna C 7 MA 1 Hanseníase Diagnóstico Existe uma determinada sequência de eventos para que essa alteração se proceda. Inicialmente tem a hiperestesia para posteriormente desenvolver uma hipoestesia e finalmente culminar em anestesia. Ou seja, a anestesia de fato é um evento mais tardio, inicialmente tem perda de sensibilidade. A primeira sensibilidade a ter alteração é a sensibilidade térmica, seguida pela dolorosa e posteriormente a tátil. Então não adianta ficar testando com uma agulha porque vai estar testando a sensibilidade dolorosa e a depender do grau da lesão, pode estar pulando uma fase e ter um falso-negativo. O teste de sensibilidade térmica é realizado com dois tubos de ensaio, um com temperatura água fria ou gelada e o outro com água quente (+/- 45° C), não pode ser quente demais se não vai estar estimulando sensibilidade dolorosa e não a térmica. Então, podemos testar com nossa mão a temperatura da água. Tem que testar a lesão como se ela fosse um relógio, vai testando em todas as “horas” da lesão, em todos os pontos, porque as vezes tem um dano mais pronunciado em uma região e não muito em outra. Então tem que testar a lesão por inteiro e se certificar de que o paciente entendeu o teste, porque as vezes o paciente espera a sensação quente e quando coloca o gelado ele diz não estar sentindo nada. Manda o paciente fechar os olhos, e alterna, sem induzir resposta. 1 quente e 1 frio, 2 quentes e 1 frio, 3 quentes e 2 frios. O teste com éter que é feito seguido com algodão é uma adaptação do teste de sensibilidade térmica, onde você só testa sensibilidade ao frio e não ao calor, então é um teste incompleto e deve ser evitado. O teste de sensibilidade dolorosa é feito com a ponta de uma agulha descartável, tocando a lesão e pergunta se o paciente sentiu a sensaçãode ser espetado ou tocado. É bom que teste em uma área saudável e na área com a lesão, para que ele sinta a diferença. E lembrando, a lesão deve ser testada como um relógio, em todas as partes. Se tem perda de sensibilidade tátil, não precisa progredir, mas se quiser progredir pode progredir com o teste de sensibilidade dolorosa, caso o teste da sensibilidade térmica o paciente tenha respondido bem e você está com dúvidas. Em crianças é mais difícil e tem pacientes que tem entendimento mais difícil. A sensibilidade tátil é feita com um chumaço de algodão, onde você toca a lesão e pede para o paciente dizer quando sentiu o toque. É uma assertiva, quando sentir que tocou deve avisar. Em um momento toca, em outro não e não deve perguntar todas as vezes. Porque se Renata M e Bruna C 7 MA 2 pergunta, ele vai entender que cada vez que você perguntou, você fez o toque, induzindo ele a dizer que sentiu. Testar em todas as áreas pertinentes da mesma forma que os outros testes. Para a gente falar em dano neurológico, precisamos recordar anatomia, e lembrar que o exame físico do paciente é dermatológico, neurológico e ocular. NERVO ULNAR O nervo ulnar tem esses territórios de inervação abaixo na face dorsal da mão, na extremidade e deve testar sensibilidade obedecendo essa distribuição anatômica. Onde vai palpar? Um pouco mais acima seguindo a goteira epitrocleana (área do cotovelo que quando leva uma pancada parece um choque) mais ou menos na região marcada na imagem abaixo, onde vai buscar identificar o nervo. Deve-se fazer o teste comparativo contra-lateral para saber se um lado vai estar mais espessado que o outro. O nervo comprometido é doloroso a palpação e o paciente faz fácies de dor e até reflexo de retirada. É necessário que o nervo espessado tem consistência dura, fibrótica, enquanto que o nervo normal é mais mole. Fisiologicamente temos um lado mais espessado que o outro que corresponde a seu lado dominante, então é preciso compreender isso. NERVO MEDIANO O nervo mediano inerva essa grande área da superfície palmar, como conseguimos ver na imagem abaixo, e as pontas dos dedos na superfície dorsal da mão. Temos uma inervação via túnel do carpo e uma via antebraço. Quando temos a inervação via túnel do carpo, apenas, comprometida, só vai ter alteração de sensibilidade nas pontas dos dedos, e quando tem o nervo comprometido em sua totalidade (mais comum), vai ter alteração na sensibilidade na região de responsabilidade da via túnel do carpo e da via antebraço. Teste simples que pode definir se paciente tem síndrome do túnel do carpo ou outra neuropatia periférica. Renata M e Bruna C 7 MA 3 Geralmente o nervo mediano é o segundo do segmento a ser comprometido, porque geralmente tem uma ordem: ulnar mediano radial, MAS isso NÃO é regra. Se tem diagnóstico de síndrome do túnel do carpo, faz um eletroneuromiografia, e tem comprometimento seja sensitivo e/ou motor nas fibras do nervo ulnar, obviamente que você não está diante de neuropatia exclusiva do nervo mediano. Não se palpa o nervo mediano espessado porque ele fica escondido na face mais medial por baixo do tendão flexor comum do carpo, então pode fazer pequena percussão na região acima ilustrada na seta verde e tem sensação de dor ou choque, essa sensação de choque com leve toque no nervo é chamada de Sinal de Tínel (típico de comprometimento neural). Só quando o nervo está extremamente espessado que se consegue palpar. NERVO RADIAL Vamos ter esses territórios inervados pelo ramo superficial (rosa) e o ramo profundo (verde) vai ser de responsabilidade do radial também, porém ele vai dar sustentabilidade a mão. Portanto, quando tem lesão do nervo radial, pode ter comprometimento sensitivo inicialmente e comprometimento motor mais tardialmente. Avaliamos o comprometimento palpando o nervo dificilmente na região do punho, o ramo superficial, só quando está muito espessado (seta verde) ou mais facilmente na região por trás do feixe lateral do tríceps, de maneira mais proximal e claro que nesse local ainda não se bifurcou, então se tiver comprometido nessa área ele vai estar comprometido nos dois feixes mais distalmente, mas inicialmente o paciente só vai ter manifestação de perda sensitiva (porque ela vem primeiro para depois vim a motora). Se tiver comprometimento motor, quando aproximar o polegar do dedo indicador, ver que tem musculatura preenchida, mas os pacientes com hanseníase, tem atrofia dessa musculatura, ficando assim, com ela encovada, denotando comprometimento do nervo radial. Renata M e Bruna C 7 MA 4 Abaixo podemos ver uma mão caída por comprometimento das fibras profundas que dão sustentação a mão. Então o paciente não consegue fazer a extensão da mãe. NERVO FIBULAR COMUM E SUPERFICIAL No segmento inferior, vamos ter dois nervos importantes, o fibular comum e o superficial (ramo do comum). O nervo fibular comum vamos encontrar procurando na perna a cabeça da fíbula, vai abraçar a cabeça da fíbula para trás e vai encontrar tronco do nervo fibular comum. Esse comprometimento superior ou inferior é regional, depende de quem vai analisar, mas é comum estar comprometido e o paciente vai se queixar de dor ou choque irradiando para território de responsabilidade da inervação do nervo examinado. O nervo fibular superficial espessado, vamos ver ladeando o maléolo lateral, do ponto mais acima e vai se estendendo até mais para baixo na parte de cima do pé, e as vezes faz uma eversão do pé do paciente, para evidenciar melhor. NERVO TIBIAL POSTERIOR Ele se bifurca e ramos que são responsabilizados pela sensibilidade plantar. Palpa ele na região próxima ao maléolo medial. Quando esse nervo está com problemas, você ver queixas do paciente com edema nos tornozelos que pode ter comprometimento do fibular superficial e/ou tibial posterior. Quando ele está alterado, vai ter como consequência o desenvolvimento de úlceras plantares (mal perfurante plantar – úlceras que paciente não sente e pode até Renata M e Bruna C 7 MA 5 chegar no osso e por isso o paciente tem que ter cuidado com os calçados que usa). NERVO SURAL E NERVOS PLANTARES No esquema abaixo podemos ver a superfície plantar com os ramos dos nervos principais de cuja responsabilidade territorial é cada inervação. Grande parte é do nervo plantar medial (ramo do tibial posterior). NERVO TRIGÊMEO Normalmente verificamos o seu comprometimento através do teste do reflexo córneo-palpebral onde testa o ramo oftálmico do nervo trigêmeo e o nervo facial porque o reflexo de piscar dos olhos tem como via aferente o nervo trigêmeo e como via eferente o nervo facial. Então, puxa um chumaço de algodão e toca a córnea do paciente, se tocar a esclera, não tem resposta, se tiver reflexo preservado ele vai piscar e se tiver comprometimento não vai piscar, demonstrando comprometimento ocular e de um dos ramos do nervo trigêmeo. Quando o nervo facial está comprometido a oclusão é incompleta, levando a uma alteração ocular que ocorre na hanseníase chamada de lagoftalmo. Lembrando: sinal de bell é o teste semiótico e a alteração é lagoftalmo. NERVO AURICULAR MAGNO Observa-se o nervo espessado (só essa alteração). Renata M e Bruna C 7 MA 6 Diagnóstico laboratorial Baciloscopia: exame de um raspado intradérmico onde vai visualizar o bacilo mediante emprego de colorações especiais. A coleta vai ser com uma preensão no lobo auricular com seus dedos ou com uma pinça, para fazer uma isquemia (sangramento atrapalha coloração) em pontos índices padronizados. Que pontos índices são esses? LD = lobo direito LE = lobo esquerdo CD = cotovelo direito L = lesão O bacilo gosta de áreas frias, entãosão áreas de maior concentração deles na derme, é por isso que são escolhidas essas áreas. Uma vez coletada esse material, que é feito esse raspado, faz incisão com bisturi e com a ponta contrária do bisturi (não cortante), raspa esse corte dentro para obter o raspado dérmico, e posiciona esse raspados nessas áreas da (imagem acima). A coloração utilizada é a de Ziehl-Neelsen que se utiliza da fuccina e azul de metileno como corantes. Se não tem um paciente com lesão visível (ex. virchowianos – tem mais área de infiltração do que lesão) vai colher dos dois cotovelos como pontos índices e faz a leitura. O que fica corado em vermelho é bacilo e em azul é resto celular. Cada bolinha pintada quer representar um campo microscópico, então, vai fazendo uma varredura na lâmina, em todos esses pontos e faz um cálculo matemático simples que obedece uma escala logarítmica, que vai de 0-6 onde você encontra 1 a 10 bacilos em 100 campos examinados, é operador-dependente. Se encontra 1 único bacilo, já dá 1 cruz de baciloscopia, baciloscopia já é positiva e isso interfere na alocação clínica ou operacional do paciente para fins de tratamento. Obtida essas contas nos campos microscópicos, você faz o índice baciloscópico, que vai ser uma média aritmética das cruzes que vai Renata M e Bruna C 7 MA 7 ter desses campos. Então, não adianta fazer uma análise duplo-cega do resultado, porque você não sabe o que está pedindo e nem o paciente sabe. O IB (IB = 17/4 = 4,25) é fundamentado na média aritmética. Um paciente vischowiano costuma ter uma baciloscopia > 3, de 3-6, 6 é mais difícil ver e é mais formas de hanseníase de lúcio vista no México. A medida que o paciente vai se tratando, o índice baciloscópico vai diminuindo, então é um bom exame para MONITORAMENTO dos casos multibacilares, mas NÃO é um bom exame para diagnóstico, porque se for negativo, não exclui a hanseníase (um tuberculoide ele vai ter baciloscopia negativa). Histopatologia: utiliza a coloração de HE/ Fite-Faraco Quando mais próximo do polo de resistência da doença, mais você ver granulomas (não é exclusiva da hanseníase). Então, quanto mais próximo do polo tuberculoide, mais organizados são esses granulomas e quanto mais próximo do polo virchowiano, você não ver um granuloma, ver um infiltrado inflamatório de vários tipos celulares diferentes pela resposta Th2. No polo tuberculoide na coloração especial (Fite-Faraco que é um Ziehl-Neelsen modificado) você não vai ver bacilo, e na medida em que se aproxima das formas virchowianas tem várias globias (aglomerados bacilares) e nesse caso não é visto em esfregaço e sim em corte tecidual. Isso é uma lâmina de microscópio de tecido e não de raspado intradérmico. Na BT você não ver bacilo. Na HE de um paciente virchowiano você enxerga uma epiderme sem alterações, mas na derme você percebe essa faixa que se chama zona de grens (que é exclusiva de pacientes com hanseníase virchowiana e as vezes ver em borderline virchowiano. Renata M e Bruna C 7 MA 8 E essas células na parte de baixo, que parede uma espuma, células vacuolizadas grandes, são macrófagos/células fantasmas, não ver bacilo dentro delas, porque a coloração é HE, elas são chamadas de células de virchow. Na medida em que o paciente vai se tratando, você só vai ver na microscopia eletrônica um pequeno pontilhado (poeira bacilar). Obs: Mesmo pacientes com bacilos fragmentados com poeira bacilar, aparece crescimento bacilar no cultivo. BioMol: Em relação a biologia molecular é uma realidade distante, para uso em campo no Brasil. Existe nos centros de referência de forma quantitativa. É bom para avaliar resistência medicamentosa, onde analisa 3 genes que conferem resistência a rifampicina, a dapsona ou a quinolonas. Não tem teste de biologia molecular para a Clofazimina porque ainda não identificou gene no bacilo mutado que confira resistência. Somente feito em centros de referência nacionais. Elisa Anti-PGL-1: O PGL-1 é um antígeno presente na parede celular no bacilo, que induz nosso organismo a produzir o anticorpo Anti-PGL- 1. Esse exame só é realizado para fins de pesquisa, o antígeno é produzido nos EUA e doado para instituições que querem fazer pesquisa, e é muito útil para avaliar progressão da melhora e risco de adoecimento (monitoramento e diagnóstico) dos pacientes e de quem tem contato com eles. Infelizmente, não é uma ferramenta disponível em campo. É feito usando uma titulação. Mais doentes tem títulos mais elevados. Sequelas Lagoftalmo: quando o paciente fecha os olhos, acontece isso que está na imagem abaixo, é o sinal de bell. Não consegue ocluir os olhos, e então faz lesão de conjuntiva, córnea, ressecamento ocular. Células de Virchow Zona de Grens Renata M e Bruna C 7 MA 9 Triquíase: é o desabamento dos cílios. É uma pseudotriquíase na verdade. Tem comprometimento da musculatura tarsal do olho e os cílios ficam invertidos, podendo lesionar a córnea. Temos outras sequelas como: encurtamento de dedos, osteólise, mão caída, amiotrofias, entre outros, tudo isso incapacitando os pacientes. Renata M e Bruna C 7 MA 10 Manejo das Reações Hansênicas Estados clínicos inflamatórios agudos, relacionados com uma rápida mudança na resposta imunológica do hospedeiro, que interrompe o curso crônico usual e estabilidade clínica de pacientes com hanseníase. Os bacilos não são inócuos, eles secretam determinadas substâncias que aos poucos vão sensibilizando os pacientes dando origem a complexos antígeno-anticorpo. Quanto mais bacilo, mais complexo antígeno-anticorpo. Essas reações podem acontecer mesmo antes da poliquimioterapia (10% dos pacientes) e as vezes é o momento em que se tem seu diagnóstico estabelecido, principalmente os virchowianos. Pode acontecer durante o tratamento (50% dos pacientes – sobretudo também os dimorfos até os virchowianos) e pode acontecer após a poliquimioterapia (30 % dos pacientes). As reações hansênicas podem ter fatores precipitantes: Doenças dermatológicas se não tratadas corretamente induzem respostas imunes que podem promover resposta hansênica. Vacinação também porque induz resposta imune. Infecções ou co-infecções. Intervenções cirúrgicas Problemas odontológicos Gravidez (pela imunossupressão fisiológica) Herpes/herpes zoster Uso de medicações que interferem no sistema imune (as que mexem mais com a quimiotaxia de neutrófilos, vão propiciar mais – iodeto de potássio) Puberdade e adolescência Estresse físico e emocional. Didaticamente dividimos as reações hansênicas em: A. Tipo 1 (Down-grading ou Up-grading) B. Tipo 2 C. Tipo 1 e 2 D. Variantes (Eritema nodoso necrotizante ou Fenômeno de lúcio) Obs: as variantes não são muito comuns. Pacientes que estão polarizando do ponto de vista imune para organizarem uma resposta TH1, tendem a fazer a reação hansênica tipo 1, e se for TH2 vão ter a reação hansênica tipo 2. São eventos clínicos distintos entre si. Os pacientes que estão no centro do espectro (ex.dismorfos) tendem a fazer reações do tipo 1 e do tipo 2, posto TH1 TH2 Renata M e Bruna C 7 MA 11 que eles elicitam respostas imune de ambos polos de resposta inflamatória. Esse é um paciente com reação hansênica tipo 1. Ele vinha se tratando, não tinha as lesões dessa maneira e derrepente as lesões que eram aquelas fovéolas anteriores passam a se tornar infiltradas, e as vezes é tão intensa que chega a vesicular. Aqui não tem sintomatologia sistêmica, com febre, desvio a esquerda, leucocitose, só os sintomas neurológicos são predominantes porque está fazendo neurite. Asvezes o paciente no exame inicial só tinha uma lesão e quando entra em reação hansênica, observa tudo isso ou as vezes era uma lesão pequena e ela se torna enorme. Tudo isso é área comprometida pela doença que se tornou mais intensa, pela resposta inflamatório da doença e isso acontece na pele e nos nervos, destroem a derme, o nervo periférico. FENÔMENO IMUNOLÓGICO: Fisiopatologia reação hansênica tipo 1: tem o linfócito TH1ativado, secretando citocinas pró-inflamatórias (TNF-alfa e interferon-gama e outras) recrutando células do sistema imunológico (neutrófilos, eosinófilos, mastócitos), tem o TH17 participando com a IL-17, corroborando com o dano tecidual as custas da superpopulação linfocitária identificada. Só que o entendimento anterior de que tratava de um fenômeno imunológico é pertinente, então os pacientes se tornam sensibilizados, restauram um pouco da sua sensibilidade imunocelular por ocasião do tratamento com PQT. Mas, hoje o que se sabe é que nessas lesões tem a produção (por parte do bacilo) de uma proteína chamada antígeno 85 (Ag 85) onde ele só vai estar presente quando tem multiplicação bacilar, que em um paciente previamente sensibilizado, vai incrementar a própria resposta que afeta a ser meramente um fenômeno imunológico, então um paciente que você retira o tratamento porque ele fez as 12 doses preconizado pela OMS, ele está com bacilo se multiplicando, então não pode ser retirado o tratamento. Precisa rever critério sobre reações hansênicas pós alta porque é uma alta estatística e não definida em critérios clínicos de cura, já que não tem algo confiável de cura. TH2 – Reação hansênica tipo 2 TH1 – Reação hansênica tipo 1 Renata M e Bruna C 7 MA 12 Paciente com reação hansênica tem que dar corticoide e se der ao paciente ele vai melhorar, vai sair do estado inflamatório, e ai vai retroceder ele ao próprio período de incubação da doença, vai recidivar em um período de 5 anos. Fisiopatologia reação hansênica tipo 2: um paciente virchowiano e dimorfo virchowiano tem uma grande quantidade de bacilo (globias) então quando ele começa a fazer o tratamento, as drogas começam a agir nessas globias, tem muito bacilo sendo destruído e esse subproduto da destruição gera um complexo antígeno- anticorpo/macromoléculas e essas macromoléculas tem que ir para algum lugar. Preferencialmente essas macromoléculas circulantes (as custas do aumento das citocinas), vão se depositar nas paredes dos capilares sanguíneos, principalmente da vascularização da hipoderme e como consequência, vai ter um deslocamento do meio intracelular para extracelular, de várias células para conter essa agressão a parede vascular e também, destruição da vasculatura as custas de influxo de neutrófilos e enzimas proteolíticas. Clinicamente vai se expressar como uma paniculite. A partir da circulação venosa e linfática do epineuro, os bacilos penetram no tronco nervoso, atingindo o endoneuro e a intimidade tecidual. As reações hansênicas são as grandes responsáveis pelo dano neural na hanseníase. A alteração clássica da reação hansênica tipo 2 é o eritema nodoso hansênico, que são nódulos subcutâneos configurando-se em uma hipodermite. Quando são mais superficiais chamamos de eritema multiforme/polimorfo like-reaction que é igual ao eritema polimorfo que acontece por alergia a drogas. Os mais profundos são nódulos dolorosos na gordura – mais predominante em braços e pernas e via de regra os pacientes cursam com sintomatologia geral, então na emergência recebendo um paciente desse você acaba por achar que é infecção e vai receber ATB, e melhora a clínica, laboratório, mas não trata a hanseníase. Essa imagem acima é de um paciente dimorfo. Renata M e Bruna C 7 MA 13 Essa imagem acima é de um paciente dimorfo com reação hansênica tipo 1 (lesões infiltradas). Mais um paciente com reação hansênica tipo 1. Mais um paciente com acometimento de face. TRATAMENTO DA REAÇÃO HANSÊNICA TIPO 1 Corticoterapia (prednisona): Não é isenta de efeitos colaterais Não é fácil de fazer por tempo prolongado pois pode gerar: problema hepático, problema renal, descompensação de doenças pré-existentes, helmintíases e giardíases disseminadas (por isso precisa vermifulgar) Não pode interromper o tratamento como quiser porque tem que fazer o desmame em intervalos regulares A tomada da prednisona deve ser após o café da manhã, não pode tomar de noite nem fracionar dose – deve obedecer o ritmo circadiano – mas se tem pessoas que trabalham de madrugada tem que inverter porque tem que seguir o ritmo circadiano da pessoa. Renata M e Bruna C 7 MA 14 A prednisona só tem apresentação de 5mg e de 20 mg, e isso causa um transtorno no entendimento do paciente quanto a maneira que desmama. A administração da prednisona é para proteger SNP das incapacidades. Desmame: reduções regulares e quando chega em 20mg/dia faz um desmame mais lento e gradual. Abandono de tratamento inferior a quatro semanas: Não precisa recomeçar do zero, continua com a dosagem que ele tomava daquele momento que ele parou. Abandono de tratamento de quatro semanas ou mais: Tem que avaliar: Se houve remissão do estado reacional, interrompa o tratamento e claro se ele desenvolveu uma insuficiência adrenal (pode acontecer). Se há persistência ou piora do dano neural, reinicie o curso inteiro da corticoterapia. Conclusão do tratamento na vigência da poliquimioterapia: Avaliação neurológica mensal Conclusão do tratamento após a poliquimioterapia: Avaliação após 3 meses e 6 meses após o final da corticoterapia – porque existe manutenção do risco de piora da função neural mediante persistência dos quadros reacionais, principalmente das neurites. Esse acima é um paciente com reação hansênica tipo 2, são nódulos subcutâneos que podem ser mais ou menos profundos. Renata M e Bruna C 7 MA 15 Essa imagem acima é de um eritema nodoso hansênico clássico (nódulos profundos dolorosos) Na imagem acima tem nódulos eritematosos subcutâneos dolorosos, predominantemente em braços e pernas. Na imagem acima tem um eritema polimorfo like-reaction (hansênico) Obs: nem sempre fazem hipodermite com nódulos profundos. As vezes tem febre, mas não tem leucocitose nem desvio a esquerda como tem um que tem eritema nodoso. Obs: Na imagem acima ela pode entrar como diagnóstico diferencial a sífilis em sua fase secundária, síndrome de suit, eritema polimorfo, alergia, etc. Eritema nodoso necrotizante Renata M e Bruna C 7 MA 16 Se os nódulos ulceram vai ter o Eritema nodoso necrotizante, essas ulcerações geram feridas profundas com infecção secundária, e vai ser necessário ATB específico. Mais grave que o eritema nodoso. Hanseníase de lúcio Tem uma forma mais rara que é a Hanseníase de lúcio, nela o paciente é totalmente anérgico, são altamente bacilíferos (índice de 6), tem a pele totalmente infiltrada. Como esse tipo tem bacilo em todo lugar menos no SNC (raro), tem bacilo parasitando o endotélio por causa da anergia imunológica característica desse subtipo. Já que tem bacilo no endotélio, quando faz a reação inflamatória, tem destruição endotelial em massa, ou seja, infartos cutâneos, faz uma vasculite necrotizante chamada de fenômeno de lúcio. O paciente é grave. Os olhos são alvo e a mais frequente que pode levar a amaurose é a Iridociclite ou irite que é uma infecção abrupta da túnica vascular, uma uveíte anterior que acomete a íris e o corpo ciliar. Renata M e Bruna C 7 MA 17 As articulações também são atingidas pelas reações hansênicas. Mãos e dedos com aspecto de salsicha, mãos suculentas, mostrando a tenossinovite característica que na reação hansênica chamamosde mãos e pés reacionais. O paciente pode ter mãos e pés reacional e não ter nem um nódulo do eritema nodoso hansênico. TRATAMENTO DA REAÇÃO HANSÊNICA TIPO 2 Talidomida: Droga teratogênica Droga efetiva no tratamento do Eritema Nodoso Hansênico e/ou Eritema polimorfo hansênico e/ou Hanseníase de lúcio Obedece a legislação própria para a prescrição Posologia: 100 a 400mg/dia, conforme a gravidade do quadro, em doses fracionadas. Manter dosagem até obter resposta clínica Fazer desmame progressivo O tempo de tratamento é variável – meses ou até anos Obs: Cada dia que se passa surgem trabalhos científicos que falam que pacientes que permanecem fazendo reação hansênica do tipo 2 (eritema nodoso hansênico), são pacientes com chance maior de não estarem curados, apesar da reação hansênica tipo 2, não terem mensurado a presença do antígeno 85, como tem na reação hansênica tipo 1. Então, paciente que continua reacionando tem que ter o ATB mantido. – Já foi falado lá em cima da prednisona (o uso como é feito) – Prednisona: É utilizada também na reação hansênica tipo 2 As formas menos graves de ENH podem ser conduzidas somente com a prednisona, apesar desta modalidade de tratamento estar associada a dependência de corticosteroides. Situações especiais obrigam uso de corticoterapia isolada ou associada as demais drogas utilizadas na reação tipo 2: Mulheres em idade fértil Orquiepididimite e iridociclite Mãos e pés reacionais Nefrite ENH necrotizante Fenômeno de Lúcio Obs: tem alguns pacientes que precisam associar prednisona e talidomida, principalmente pacientes com alterações mais graves (testículos e olhos), com tenossinovites, lesões em rim, eritema nodoso necrotizante ou fenômeno de lúcio, lembrando que: prednisona + Renata M e Bruna C 7 MA 18 talidomida = fenômeno tromboembólico, e por isso tem que fazer AAS no seu paciente, um antiplaquetário, no mínimo. Pentoxifilina: Droga utilizada inicialmente como vasodilatador periférico. Muito usada em pacientes com insuficiência venosa periférica. Tem efeito imunomodulador importante. Pode ser utilizada como coadjuvante nas reações hansênicas tipo 2, sobretudo em mulheres gestantes ou com desejo de engravidar – em idade fértil (pois não podem usar talidomida). Demora mais tempo a fazer efeito. Posologia: 1 comprimidode 400mg de 8/8h associada a prednisona 0,5mg/kg/dia. Após a melhora, reduzir a dosagem da prednisona em até 30 dias e manter a pentoxifilina por 2 a 3 meses. Pode ser associada quando do uso de talidomida e prednisona, juntamente com o AAS 100mg/dia. Clofazimina: Integrante do tratamento para hanseníase, mas também para o tratamento das reações Em dosagem mais altas 1 Bruna Carvalho e Renata Maciel- Turma 10 MA O tratamento preconizado pelo Ministerio da Saúde para a hanseníase é a poliquimioterapia padronizada pela Organização Mundial de Saúde, conhecida como PQT. Esse esquema consiste dos seguintes medicamen- tos: rifampicina, coloazimina e dapsona, com adminis- tração associada. A administração segue um esquema padronizado em blisters próprios, subdivididos em uma dose supervisio- nada- realizada na unidade de saúde- e doses autoad- ministradas- realizadas no domicílio do paciente. A clas- sificação clinica é fundamental para se definir o tempo de tratamento que será estabelecido. Antigamente existiam duas modalidades de blisters, na verdade ainda existe, pois não foi possível zerar o es- toque do blister paucibacilar, então ainda vem sendo utilizado em alguns países do mundo (inclusive no Brasil) mesmo sendo estabelecido em 2018 que esse blister não deveria mais ser utilizado. Sendo assim, era utilizado o blister paucibacilar para os quadros classificados como paucibacilar e o blister multibacilar para os demais ca- sos. Blister multibacilar Sendo assim a dose supervisionada é composta da se- guinte maneira: Sendo está localizada na parte superior da cartela que é destacável, e deve ser tomada de uma só vez todos os medicamentos. Para casa ele leva os demais medicamentos, onde deve tomar 1 capsula de clofazimina 50 MG e 1 de Dapsona 100 MG isso por 27 dias. No 28º dia ele deve retornar à unidade de saúde e iniciar novamente todo o es- quema, e tomar outra dose supervisionada. A única droga bactericida desse esquema é a rifampi- cina. Obs.: o blister paucibacilar é parecido, a diferença é que ele não apresenta clafazimina, ele só tem a rifam- picina e a dapsona. Dividimos os pacientes em paucibacilares e multibacila- res. Para a OMS, os pacientes paucibacilares são aque- les que apresentam de 1 até 5 lesões e não tem a ba- ciloscopia positiva nos esfregaços de raspagem intra- dérmica, ou doentes com a forma neural, seriam aqueles em que clinicamente só evidenciam alterações em um único tronco. Quando os pacientes extrapolam esses conceitos são classificados como multibacilares. Quando fazemos uma analogia com as formas clinicas, podemos entender que os paciente paucibacilares se enquadram na classificação clinica indeterminada e na tuberculoide. Então para esses pacientes admite-se que eles concluam o tratamento em 6 meses, sendo no má- ximo até 9 meses. Se o tempo total de tratamento desse paciente não ultrapassar 9 meses, mesmo que seja feito de forma irregular, ele é considerado curado e é des- cartado do sistema operacional que gerencia a distri- buição de medicamento para os doentes. Os demais pacientes são classificados como multibacila- res (inclusive os dimorfos virchowiano e os virchowiano). Para esses pacientes o tratamento é feito em 12 meses, com no máximo até 18 meses. Classificação do doente para o tempo de tratamento Hanseníase (Tratamento) 2 Bruna Carvalho e Renata Maciel- Turma 10 MA Obs.: na imagem acima os dimorfos virchowiano e os virchowiano foram deixados de lado pois nas diretrizes para esse grupo especifico há uma determinada obser- vação. Esses pacientes que são anergicos, extrema- mente bacilíferos e com índice baciloscopico >3, são pa- cientes que necessitam de 12 doses adicionais da medi- cação. Obs.: é importante salientar que o que ocorre com esses pacientes após o termino das medicações é uma alta estatística, pois eles recebem alta sem estar efetiva- mente curados. O grande problema da hanseníase é que não há crité- rios de cura bem estabelecidos. A sua avaliação de- pende muito da clínica, sendo assim, se temos um paci- ente cujo as lesões não melhoraram, cujo as infiltrações permanecem, cujo o decréscimo do índice baciloscopico não ocorreu como o esperado, podemos entender que esse paciente não está efetivamente curado, necessi- tando assim de doses adicionais para que atinjam a cura. Existe um blister infantil, que é muito parecido com o blister multibacilar, diferindo somente na apresentação dos fármacos. No blister infantil ao invés de 2 capsulas de 300 mg de rifampicina, teremos uma de 150mg e outra de 300 mg. Ao invés do comprimido de Dapsona ser de 300 mg, ele passa a ser de 50 mg. E a cloazimina aparece no blister em dias alternados para a adminis- tração (como é uma droga de deposito não há pro- blema ser administrada um dia sim e outro não). Além disso, é preciso que conheçamos a posologia pe- diátrica de cada fármaco, pois podemos encontrar desde crianças tuberculoides até virchowianas, necessitando assim de posologias e tempos de adminis- tração diferentes. A posologia pediátrica é a seguinte: Obs.: quando a criança é muito pequena podemos utili- zar a rifampicina em suspenção. Obs.: podemos ajustar a posologia da clofazimina, a transformando em mg/kg/semana se a criança for muito pequena e a capsula de 50mg, mesmo sendo adminis- trada em dias alternados, exceda o quantitativo diário. Obs.: há um grande problema com a dapsona, pois cri- ança commenos de 25 kg não podem utiliza-la. Podemos também tentar ajusta-la para a idade: Obs.: no entanto o problema com a dapsona ainda per- manece. O que acontece com os pacientes se eles não melhoram após o termino das 24 doses de tratamento? Se estamos atendendo esse paciente na unidade básica de saúde devemos encaminhar esse doente para ser Tratamento infantil Termino do tratamento sem melhora 3 Bruna Carvalho e Renata Maciel- Turma 10 MA avaliado no centro de referência. Se no centro de refe- rência entende que houve melhora clínica e baciloscó- pica ele vai promover uma alta por cura, e o paciente vai ser excluído do registro ativo. Se não houve melhora clínica e/ou baciloscópica, é preciso coletar amostras para a investigação de resistência medicamentosa, que só é feita em dois locais no Brasil. Obs.: a testagem é realizada em três genes alvo: o RTOB que confere resistência a rifampicina, o FOLP1que gera resistência a dapsona, e o girA que confere resis- tência as quinolonas. Sendo assim, só testamos duas dro- gas, a clofazimina é uma droga onde ainda não foram identificados mecanismos de biologia molecular mutaci- onais que conferem resistência do bacilo a esse fármaco. Obs.: caso o paciente apresente efeitos adversos ao uso das medicações presentes no PQT podemos recorrer a drogas alternativas como: ofloxacino (quinolona de 1º geração) e a minociclina. Sendo elas usadas quando não há a possibilidade da realização do esquema tra- dicional e nos casos em que é comprovada a resistência medicamentosa. Quando o paciente não responde ao tratamento con- vencional precisamos modificar o esquema. E como há dificuldade na identificação da droga no qual o paci- ente pode apresentar resistência, preferencialmente, devemos mudar duas drogas que não são bactericidas, ou seja, devemos trocar a dapsona e a clofazimina por um dos medicamentos citados acima. Obs.: recentemente a claritromicina foi aprovada para o tratamento da hanseníase, mas não é muito utilizada no serviço. Obs.: a imagem a seguir mostra como antes o trata- mento era feito. Rifampicina Síndrome de hipersensibilidade sistêmica à droga (SHSD – Síndrome DRESS); o É reação dermatológica de hipersensi- bilidade a droga que cursa com exan- tema acompanhada de eosinófilia; Coloração avermelhada da urina, escarro e lá- grimas; Trombocitopenia, púrpuras, epistaxes, hemorra- gias gengivais e uterinas; Reações cutâneas: rubor (ou vermelhidão) de face e pescoço, acne medicamentosa (são erup- ções acneiformes); Tremores, febre, cefaleia, às vezes choque e anemia hemolítica (devido à hemólise); Obs.: esses efeitos são mais acentuados quando a ri- fampicina é administrada de forma intermitente Síndrome pseudogripal. o Assemelha-se a um resfriado. Às vezes também desenvolvem febre e linfade- nomegalia. Clofazimina Impregnação na pele e principalmente nas le- sões, levando a quadro de hiperpigmentação; o Principalmente em áreas com lesões o É temporário, porem demora para de- saparecer (2-2,5 anos) Alteração na coloração da conjuntiva, lágrima, suor, saliva, urina e fezes; Xerose cutânea considerável, podendo levar a quadros de ictiose medicamentosa; o A própria hanseníase já cursa com um ressecamento importante da pele de- vido uma desautonomia causada pela própria infecção. Prurido subsequente à xerose cutânea; o Por isso o paciente necessita de hidra- tação Depósito de cristais no sistema digestivo, po- dendo levar a distúrbios gastrointestinais leves a severos. Dapsona: É a droga que dá mais problema. Metahemoglobinemia levando à hemólise; Cianose perfiférica como consequência Alteração nas bilirrubinas às custas de indireta; Astenia e prostação; Cefaleia, psicoses; Efeitos colaterais dos fármacos 4 Bruna Carvalho e Renata Maciel- Turma 10 MA Gastrotoxicidade; o Para se minimizar esse efeito, adminis- tra-se a dapsona após alguma refei- ção. Dermatite esfoliativa grave; o A pele fica esfoliada, como se o paci- ente tivesse sofrido uma grande quei- madura, configurando um quadro eri- trodermico; Fototoxicidade; Agranulocitose; Neuropatia periférica; Síndrome dapsona. Talidomida: Teratogenicidade; Sonolência, tonturas, vertigens; Constipação intestinal; Ressecamento da pele e mucosas; Trombose venosa profunda principalmente quando associada à corticoterapia; Diminuição da libido; Arritmias cardíacas; Neuropatia periférica. Prednisona Hipertensão arterial; Aumento da glicemia; Disseminação de infestação por S. stercoralis – helmintos; o Por isso devemos vermifulgar os paci- entes antes do início da corticoterapia Disseminação de tuberculose pulmonar Redução de sódio, depleção de potássio; Osteoporose, síndrome de Cushing; Gastrite e úlcera péptica; Acne cortisônica e estrias; Psicose; Agravamento de infecções latentes. Pentoxifilina Obs.: é uma droga alternativa a administração de tali- domida para mulheres que se encontram em idade fértil e necessitam do controle das reações Hansemicas do tipo 2, sendo um fraco inibidor do TNF-alfa, o que faz com que em alguns casos não seja possível controlar es- sas reações. Distúrbios cardíacos: arritmia, taquicardia, an- gina pectoris; Distúrbios gastrointestinais: desconforto epigás- trico (sensação de pressão gástrica), distensão abdominal plenitude), náusea, vômito, diarreia; Distúrbios da pele e tecido subcutâneo: prurido, eritema (vermelhidão da pele), urticária; Distúrbios sanguíneos e vasculares: trombocito- penia, “flush” (ondas de calor), hemorragia (sangramentos); Potencialização de anti-hipertensivos e hipogli- cemiantes orais. Outras drogas eficazes Drogas promissoras Renata M e Bruna C 7MA 1 Afecções dos Anexos Cutâneos Foliculoses ACNE VULGAR Conceitos, Epidemiologia e Patogênese Desordem do folículo pilossebáceo caracterizada como multifatorial. Acomete o início da vida puberal, por ocasião da ativação das glândulas sebáceas pela eclosão dos hormônios androgênicos – pico de incidência na adolescência. Mulheres pós-menopausa podem começar a apresentar acne, a SOP também pode predispor. Predisposição genética – antígenos de histocompatibilidade associados a quadros acneicos. Estima-se de 40-50 milhões de indivíduos afetados. 12% dos homens e 3% dos homens terão acne clínica até os 44 anos de idade. Anatomia do folículo pilossebáceo: A acne acontece por alterações nessas duas áreas circundadas na imagem abaixo que são: infundíbulo do folículo pilossebáceo e a glândula sebácea, como sendo os dois sítios ainda se estabelecem os fatores etiopatogênicos que culminam na afecção acneica. Admite-se a ocorrência de quatro fatores etiopatogênicos: Aumento da produção de sebo pelas glândulas sebáceas (hiperprodução). Colonização do folículo piloso por uma bactéria chamada Propionium bacterium acnes – essa bactéria pode também existir de maneira comensal na superfície cutânea. Obs: o infundíbulo do folículo pilossebáceo é uma invaginação da própria pele. Alteração do processo de queratinização do infundíbulo folicular com aumento da produção e adesão dos corneócitos. Liberação de mediadores inflamatórios da pele. Obs: nos indivíduos predispostos a essa queratinização, sobretudo no infundíbulo folicular, ela se encontra alterada de forma que os corneócitos (células da camada córnea), se tornam mais compactados entre si, gerando um fator obstrutivo no infundíbulo folicular e isso irá promover a liberação de alguns mediadores inflamatórios que consoante a evolução do processo, vai determinar que grau de acne que vai apresentar. Renata M e Bruna C 7MA 2 A lesão primordial da acne é o comedão (popularmente conhecido como cravo), que é esse pontinhopreto na imagem. Ele pode ser branco também. Ele vai estar situado entre o pelo, na região de compactação da queratinização, e a luz UV oxida e forma esse ponto preto. É chamado de comedão aberto (seta amarela). As vezes é chamado de comedão aberto, e o óstio que é onde acontece o processo de compactação, é mais estreito, porém o processo de compactação acontece normalmente. O óstio pode se fechar e formar o comedão fechado, que é uma pequena bolinha, micropápula, e ai você vai estar diante de um comedão fechado (seta verde). Se o processo inflamatório persiste, tendo liberação de mediadores químicos, persistência da obstrução, essa lesão vai evoluir mais. A glândula sebácea vai receber informação que está produzindo substancia demais e não está conseguindo excretar e assim, começa a ter uma pequena redução da lobulação dos ácinos sebáceos, começa a involuir a estrutura e o grau de obstrução ainda permanece, culminando com a ruptura das paredes do folículo polissebáceo, e ai vai ter um infiltrado inflamatório que vai evidenciar uma pápula (seta vermelha). Na pele tem uma flora cutânea residente, composta por várias bactérias, e entre elas vamos ter o Staphylococcus aureus, então se tem um microambiente obstruído, já tinha Sthapylococcus aqui dentro, colaborando para a liberação de mediadores químicos, então agora tem um ambiente perfeito para colonização, e ai vai ter influxo de neutrófilos, pústula (seta azul). Tudo de inflamação é imunomediado, então vão ter pessoas que vão reagir com o influxo de neutrófilos e outras com o influxo de linfócitos, e ai vai ter pápula como sendo a lesão predominante. Sabe aquela espinha interna? É porque tem como um infiltrado inflamatório o substrato linfocitário e quando tem a pústula, tem como infiltrado inflamatório o afluxo de neutrófilos predominantes. Se o processo evolui mais ainda, vai deixar de ser pápula e vai virar nódulo. Na maioria das vezes um nódulo que é um verdadeiro cisto que então chamamos de acne nódulo-cística ou nódulo-cisto (seta roxa). E quando esses nódulos e cistos se comunicam, se aglomeram, se chama de acne conglobata. Obs: existe um papel grande da interleucina 1 alfa na etiopatogênese da acne. Inicialmente tem uma pequena compactação, na região infundibular, a compactação permanece, a queratinização é anômala, a glândula sebácea já começa a regredir, e se tem o rompimento da parede do folículo pilossebáceo já tem o afluxo das células inflamatórias, a glândula sebácea vai se reduzindo e começa a ter elevação na superfície da pele e na medida que o processo avança, tem a lesão estabelecida, seja uma pápula, uma pústula, e se avançar ainda mais vai ter um nódulo. Classificação Clínica Acne não-inflamatória: Comedões (abertos e fechados): é acne comedoniana. Acne inflamatória: Pápulas e Pústulas: que antigamente chamávamos de grau 2, mas é chamada de acne pápulo-pustulosa. Nódulos e cistos: que antigamente chamávamos de grau 3, mas é chamada de acne nódulo-cística. Nódulos + Cistos aglomerados: que antigamente chamávamos grau 4, é uma forma mais severa, imunomediada, com uma cascata de eventos inflamatórios, chamada de acne conglobata. Renata M e Bruna C 7MA 3 Nessa imagem acima temos comedões abertos, brancos ou pretos (seta vermelha) e comedões fechados (seta amarela). Pápulas e pústulas na imagem acima – pápulo- pustulosas. Se avançar um pouco mais, teremos a imagem acima que tem nódulos e cistos – nódulo-císticas. As vezes a nódulo-cística é mais grave, extrapolam a face, indo para dorso, região glútea. Não é restrita a face. Acima mostramos a acne conglobata mostrando confluências, se palpar você sente que é mole, virou um abscesso, e as lesões são intercomunicantes. Essa lesão acima, podemos ver que a lesão faz um trajeto, desde cima até embaixo, e a esse tipo de Renata M e Bruna C 7MA 4 lesão chamamos Sinus Treat Disease. Mas, lembrar que as lesões não são exclusivas, é o que predomina que chama mais atenção. Tratamento A única maneira que vai atingir os quatro fatores etiopatogênicos da acne, é com o uso da Isotretinoína. Sabonetes: Acne-Aid Puriance – Profuse Efaclar (La Roche-Posay) Dermotivin Epidac Dersab Paciente que tem a pele acneica tem tendencia a ter a pele seborréica. Um dos objetivos do sabonete é desengordurar a pele. Porém alguns sabonetes tem outras substancias além do sabão que fazer ter maior ou menor poder de detergência. Mas, na fisiopatologia da acne os sabonetes ajudam muito pouco. O sabonete vai desengordurar a pele mas não vai conseguir remover a compactação comedônica. Ele vai agir na superfície. Agora, claro, com a diminuição da oleosidade vai ter melhora no perfil de flora bacteriana, diminuição da população que leva as acnes. Quando remove muito a oleosidade, pode ter hiperoleosidade de rebote, então a pele de torna mais oleosidade e se aumenta frequência de uso do sabonete vai provocar uma dermatite de contato. Retinóides: São um grande avanço na dermatologia, sobretudo os sistêmicos. Então, temos o emprego em varias situações e uma delas é na acne, de maneira tópica. Tretinoína Isotretinoína Adapaleno Os retinóides são substâncias derivadas da vitamina A, molecularmente modificadas. São substâncias que exercem sua ação fisiológica na transcrição de DNA pela sua ligação a duas famílias distintas de receptores nucleares: RAR – receptores de ácido retinóico e RXR – receptores de retinóide X. Dependendo do receptor, pode ter diferentes efeitos terapêuticos, tem alguns retinóides mais irritantes que outros, ex: Tretinoína > Isotretinoína > Adapaleno. Cretinoína – nomes comercial: vitacid, vitanol, suavicid, hormoskin; Adapaleno – differin gel, adacne A prescrição sistemica (ácido retinóico sistêmico – Roacutan) requer talonário específico classificado com “C2” e assinatura de termo de consentimento e responsabilidade. Obs: O uso é restritamente proibido na gestação, independente da forma (tópico, sistêmica) pois promove várias malformações fetais, é uma droga teratogênica. 1. Tretinoína: É o ácido retinóico, de uso tópico. É apresentado em gel e creme. Para pele acneica o gel é melhor, porque a pele acneica é oleosa, hiperhidratada naturalmente. Isotretinoína = Roacutan Concentrações usuais: 0,025% a 0,05% sempre seguindo a tolerância do paciente. É uma droga fotossensibilizante e irritante, devendo estar acompanhada de fotoproteção se vai se expor ao sol até recomenda suspender até 2 dias antes. No início promove mais irritação, após o uso vai irritando menos. A tolerância é gradativa e o uso deve ser iniciado também de forma crescente em concentrações e intervalos de aplicação. Não vai atender aos 4 fatores etiopatogênicos da acne, então para ficar livre de lesões o paciente Renata M e Bruna C 7MA 5 vai precisar usar uma substância por todo o período programado genético que ele apresentar acne. Lasers, LEDs, peelings, micro-agulhamento, etc, não são tratamentos adequados para a acne. 2. Adapaleno: Qumicamente mais estável que a tretinoína. Em vários estuds, mostrou-se mais eficaz que a tretinoína no controle da acne. Irrita menos, porque o receptor que se liga é diferente do receptor da tretinoína. Pode estar associado ao Peróxido de benzoíla ou de maneira isolada o Peróxido de benzoíla é uma droga boa para conduzir casos mais leves de acne, ou em pacientes que não querem utilizar a isotretinoína. A associação do Peróxido de benzoíla com o Adapaleno nem sempre é bem tolerada (nome comercial: Epiduo) O Adapaleno não é fotossensibilizante mas nem todo paciente tolera duas aplicações – da para usar de dia se o pacientese proteger. As concentrações variam desde 0,1% até 0,3%. Existe também o Peróxido de benzoíla associado a clindamicina (ATB) e o Peróxido de benzoíla isolado. OBS: Antibióticos: Tetraciclina Tetraciclina e Isotretinoína não podem se misturar, pois são associações incompatíveis, já que pode promover casos de hipertensão intracraniana. Macrolídeos (Azitromicina) Obs: ATB tópico tem que usar com cautela porque pode promover resistência bacteriana e o ATB sistêmico tem suas indicações: muitas predominância de pústula, infecção secundária por Sthapylococcus. 3. Isotretinoína O tratamento com a isotretinoína é considerado um marco na história da terapêutica dermatológica. Atua em todos os fatores etiopatogênicos da acne: produção sebácea, comedogênese e colonização pelo P. acne. A prescrição demanda assinatura de termo de consentimento pós-informado e receituário especial. Requer monitoramento laboratorial antes e durante o tratamento: O paciente que tem elevação de TG (triglicerídeo) e colesterol, alterando seu perfil lipídico precisa de orientação nutricional É o único efeito colateral sistêmico de maior gravidade Tem elevação de transaminases (principalmente em adolescentes que fazem uso de alcool concomitante). Tem ressecamento labial, de mucosas marcador que o paciente está aderindo bem ao tratamento faz uso de medidas secundárias Tempo de tratamento e dose é definido pelo pelo do paciente 0,5 – 1 mg/kg/dia, com dose total acumulada de 120 a150 mg X peso corporal). No início as lesões podem piorar e gradativamente vão melhorando com o uso correto do medicamento. Paciente no 3º mês de tratamento na imagem acima. DERMATITE PERIORAL É uma dermatose que acontece em volta da boca, então ela é caracterizada pela ocorrência de Renata M e Bruna C 7MA 6 micropápulas agrupadas as vezes sobre uma pequena base eritematosa discretamente inflamatória. Isso é insistente, difícil de conduzir, porque as vezes não se a gente não se detém as razões etiológicas. E uma das mais frequentes é o uso de substancias fluoradas (ex. pasta de dente), entã as vezes escovam os dentes e não tiram muito bem a espuma e quando termina de escovar fica resquícios do fluor. Então, orientação adequada é fazer um bom enxágue, removendo todo excesso de creme dental ou enxágue bucal. Os corticoides, existem em intensidades diferentes, o menos potente é a hidrocortisona (não há disponível no SUS, só o dexametasona) e o mais é o alobetasol. Para a face não deve usar corticoide muito potente e sim os de potência baixa ou nem deve utilizar corticoide, e sim imunomoduladores chamados de Tacrolimo (Tarfic) e Pimecrolimo (Protopic), o grande problema é que são caros esses imunomoduladores. Então, a solução de alguns pacientes que não tem condições de pagar, é usar o dexametasona. Uma outra alternativa para esses pacientes quando o uso das medicações tópicas não são satifatórias, é o fazer uso de tetraciclina (pelo efeito imunomodulador), usa em casos mais insistentes. ROSÁCEA Dermatose facial que se confunde com acne, porém a rosácea é um distúrbio vascular, uma resposta vascular alterada, para vasodilatação e aos mais diversos estímulos. Tem telangiectasias, eritema, edema discreto, infiltração discreta, coexistindo com pápulas, pústulas ou nódulos. Mas, as lesões da rosácea quando não são compostas só por alterações vasculares, quando tem uma exuberância um pouco maior, ficam mais fáceis de distinguir da acne, porque tem uma base inflamatória que não ver na acne, então tem uma pápula e circundando a pápula tem um halo inflamatório e na rosácea esse halo é mais amplo, constituindo uma base para as lesões surgirem a partir dela. Essa resposta pode ser por várias causas. O eritema (flush) da rosácea trata-se de resposta vascular alterada consoante a várias noxas. Etiologia desconhecida. Existem associações com H. pilori (resposta autoimune levando a alteração vasculocutânea) demodex foliculorum (pequeno ácaro, que habita a pele – compactação lamelar formados por corneócitos sebo) Fatores agravantes: luz solar, álcool (vasodilatador), cafeína (vasoconstrictor mas promove vasodilatação de rebote), calor (vasodilatador), fatores emocionais (liberação de adrenalina, cortisol, que são vasoconstrictores que podem promover vasodilatação de rebote). A rosácea atinge homens e mulheres, mas as alterações são mais comuns em mulheres, os homens desenvolvem uma variante clínica. Grau 1: eritemato-telangiectásico Grau 2: Pápulo-pustulosa Grau 3: Infiltrativa nodular Grau 4: Fulminans (pioderma facial) Variante: Rinofima (não é exclusiva do homem, mas é mais frequente no homem) Grau I – Eritemato-telangiectásico Renata M e Bruna C 7MA 7 Obs.: A forma eritemato-telangiectásico faz diagnóstico diferencial com LES (lesão em vespertilho). Base inflamada e as lesões superpostas a essa base. Grau III – Base infiltrada/inflamada e as lesões superpostas. Quadro mais avançado, quase configurando pioderma facial. Obs.: um diagnóstico diferencial com essa imagem acima é o Heliotropo. Grau IV- edemasiada, infiltrada com lesões superpostas – pioderma facial. Rinofima – hiperplasia das estruturas glandulares Obs.: a correção cirúrgica é simples. Tratamento Ivermectina (demodex foliculorum – morre com a ivermectina) Tetraciclina Doxiciclina Tópicos com metronidazol (age no P. acnes e demodex foliculorum) Evitar uso excessivo de sabonetes (faz vasodilatação) Remover os fatores desencadeantes quando identificáveis. Hidroses Glândulas Écrinas: Considerações Renata M e Bruna C 7MA 8 1,6 a 4 milhões são encontradas ao longo da pele, com exceção do conduto auditivo externo, lábios, clitóris e pequenos lábios. Maior quantidade nas regiões palmo- plantares A inervação é realizada por fibras simpáticas cujo principal neurotransmissor terminal é a acetilcolina e não a norepinefrina. A glândula écrina é secretora (suor) e excretora. Muitas substâncias administradas oralmente são excretadas através delas (ex. cetoconazol, griseofulvina e drogas anti-neoplásicas – inflamação das glândulas écrinas). HIPERIDROSE CORTICAL Pessoa que vai suar muito nas mãos e pés. Origem é cortical, mas tem o nosso circuito elétrico com algumas conexões que podem ser trabalhadas para corrigir esse defeito. É considerada generalizada, porém com maior evidenciação em áreas axilares, palmo-plantares, ínguino-crurais e perineais (maior riqueza de quantidade de glândulas écrinas). Estímulo-nervosa dependente a partir de núcleos específicos localizados em áreas pré-motoras corticais as quais enviam estímulos nervosos eferentes até as fibras simpáticas das glândulas sudoríparas. Variantes anatômicas promovem. Não é térmica-dependente. As extremidades estimulam o sistema nervoso agravando o quadro – independente do ambiente quente ou frio, a pessoa vai suar, as vezes em ambiente frio vai suar até mais. Os estímulos emocionais também contribuem para este agravamento – estresse. Durante o sono existe melhora da sudorese corroborando o papel nervoso estimulatório desta afecção. Tratamento Tratamento é feito localmente, com substâncias que diminuem a sudorese, como o cloreto de alumínio. Tratamentos como a ionforese podem ser empregados com ou sem sucesso. Tratamento com corrente elétrica. Tratamento com toxina botulínica (principalmente a axilar, porque a palmo- plantar é cara). Em casos graves e refratários, indicasse o tratamento cirúrgico para a hiperidrose palmo-plantar, a simpatectomia cervical na altura de T2 e T3. Complicações: hiperidrosecompensatória: desliga o circuito responsável pela sudorese plantar, e depois de um certo tempo o organismo vai tentar compensar, criando neoconexões que promovem excitação patológica das glândulas sudoríparas écrinas de outra região, promovendo a hiperidrose compensatória. Para hiperidrose axilar, o esvaziamento glandular pode ser realizado com várias técnicas descritas eficaz e sem o risco de hiperidrose compensatória. Nos homens, para alguns é uma vantagem e outros desvantagens juntamente com o esvaziamento glandular, vão embora os pelos glandulares. HIPERIDROSE GUSTATIVA Sudorese facial após ingestão de alimentos condimentados, álcool ou cítricos. Estímulos gustatórios nas papilas linguais são conduzidos, por via aferente pelo nervo glossofaríngeo até o núcleo salivatório da medula oblonga. Admite-se que em indivíduos susceptíveis, exista uma variação anatômica com a existência de um segundo núcleo em sua proximidade, responsável pela sudorese. Afecções da parótida podem ser responsáveis por este quadro clínico através Renata M e Bruna C 7MA 9 de neoconexões nervosas secundárias ao processo de origem. Condição peculiar é a síndrome de Frey ou síndrome aurículo-temporal, na qual o estímulo das papilas gustativas provoca eritema e sudorese das bochechas, geralmente unilateral. Bebê comendo fica com bochecha vermelha e a imagem do lado é um pós-cirúrgico com dano neurológico, neoconexão nervosa. MILIÁRIA Grupos de alterações écrinas que têm como substrato a obstrução dos ductos sudoríparos écrinos. Conhecemos pelo nome de Brotoeja que é uma afecção da glândula sudorípara écrina que consoante ao grau de obstrução, vamos ter três tipos, com quadros clínicos distintos: 1. Miliária cristalina (sudâmina): obstrução intraepidérmica, no estrato córneo (acrossíngeo). O tratamento é: lavando com shampoo johnsons, hidrocortisona, deixar criança em ambiente menos quente. 2. Miliária rubra: obstrução na epiderme média. A obstrução é intraepidérmica. Lesões interfoliculares. Tratamento é: anti- inflamatório, ATB – se infecção secundária, evitar vestimenta que cause isso e utilização de corticoides. 3. Miliária profunda (periporite/pustulosa ou mamilária): obstrução na junção dermo- epidérmica. Tratamento é: A periporite é uma mamilária mais intensa, formando abscessos (complicação da m. rubra pustulosa). HIDRADENITE SUPURATIVA (HS) Glandulas apócrinas É uma afecção relativamente frequente, das glândulas apócrinas, e incidência vem aumentando por conta do aumento do uso dos desodorantes de 24h/48h/72h, porque nosso meio aumenta a produção do suor (calor intenso) e se tem fator de obstrução, pode ter como consequência. Mas, é preciso variantes anatômicas para propiciar. Atualmente a gênese da HS na oclusão da unidade pilossebácea em áreas de glândulas apócrinas e não uma patologia primariamente de glândulas apócrinas isso justifica a ocorrência em determinados locais como axilas e região perineal e ínguino-crural. Renata M e Bruna C 7MA 10 O suor apócrino (composição química mais complexa substâncias gordurosas leva a odor) é diferente do écrino (água e eletrólitos). A obstrução primária leva ao derramamento da secreção apócrina e écrina nos tecidos adjacentes, levando a um processo inflamatório/infeccioso crônico. A característica principal é a ocorrência de múltiplos abscessos e fistulizações que ocorrem cronicamente nas áreas ricas em glândulas apócrinas, levando a ocorrência de áreas de doença ativa entremeadas com debris cicatriciais. A patologia é recalcitrante com perspectivas de melhoras através de múltiplos tratamentos desde antibioticoterapia até o uso de isotretinoína, imunobiológicos e tratamentos cirúrgicos vários. Quando presentes a acne conglobata, a hidradenite supurativa a foliculite dissecante Quando há grande área comprometida, nem ressecção cirúrgica vai resolver. Tem que debelar infecção, fatores obstrutivos e as vezes lançar mão de imunobiológicos. Só ATB não funciona.