Prévia do material em texto
1 UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP RELATÓRIO AULAS PRÁTICAS Curso: Fisioterapia Disciplina: Fisioterapia Pediátrica Aluno: Kátia Cilene santos Vasconcellos R.A: 2223703 Polo: Brasília DF – Asa Sul Data: 02/03 - 23/03 - 27/04 - 21/05 e 03/06/2024. Mobile User 2 Sumário 1. Introdução 2. Aula 1 Roteiro 1: Avaliação Pediátrica parte 1 3. Aula 2 Roteiro 1 :Avaliação Pediátrica parte 2 4. Aula 3 Roteiro 1: Treino de atividades em posturas baixas 5. Aula 4 Roteiro 1: Treino em atividades em posturas altas 6. Conclusão 7. Referências 3 Introdução A fisioterapia pediátrica é uma área especializada que visa promover o desenvolvimento motor adequado em crianças, prevenir disfunções musculoesqueléticas e tratar condições que possam comprometer a funcionalidade e qualidade de vida dos pacientes pediátricos. Este relatório aborda a avaliação e intervenção fisioterapêutica em crianças, focando em padrões posturais, técnicas de palpação muscular, avaliação da presença de reflexos primitivos, e treinos de atividades em posturas baixas e posturas altas. Os padrões posturais são fundamentais na análise do desenvolvimento motor infantil, pois fornecem informações sobre a simetria, alinhamento e controle motor da criança. Através de técnicas especificas de palpação muscular, é possível identificar tensões, espasmos e a qualidade do tecido muscular, auxiliando no diagnóstico e na definição de estratégias terapêuticas. A avaliação da força muscular é essencial para determinar a capacidade funcional dos músculos e para planejar programas de fortalecimento direcionados. A avalição da presença de reflexos primitivos é crucial, uma vez que a persistência desses reflexos além das idades esperadas pode indicar atrasos no desenvolvimento neurológico ou problemas motores. O treino de atividades em posturas baixas (como rastejar e engatinhar) e posturas altas ( como se sentar e ficar em pé) é importante para o desenvolvimento da coordenação, equilíbrio e força muscular, além de preparar a criança para a realização de atividades diárias e participação em brincadeiras de forma segura e eficiente. Este relatório visa oferecer uma visão abrangente das metodologias e práticas utilizadas na fisioterapia pediátrica, destacando a importância de uma abordagem individualizada e centrada na criança para alcançar resultados terapêuticos eficazes 4 Aula 1 – Roteiro 1 AVALIAÇÃO PEDIATRICA PARTE 1 A anamnese inicia-se com o estabelecimento de uma relação de respeito e confiança com o paciente e sua família. Deve ser realizada, idealmente, em ambiente adequado e sem pressa. Em uma primeira consulta deve ser obtida a história completa do paciente e essas informações devem ser atualizadas a cada retorno. Motivo principal que fez com que a mãe da criança ou outro responsável a trouxesse à consulta. Descrever utilizando os termos - as mesmas palavras - do paciente ou acompanhante. A história da doença atual é a parte central da anamnese e deve conter as informações sobre o quadro clínico atual do paciente desde o seu início até o momento presente. Sua correta obtenção e descrição nem sempre é uma tarefa fácil pois depende de conhecimento e de habilidade do profissional para obter do(a) informante (pai, mãe ou outra pessoa cuidadora), informações precisas, adequadas, detalhadas, organizadas cronologicamente, de modo a obedecer a uma ordem temporal de instalação dos sinais/sintomas, do mais antigo para o mais recente. (Santos JB. 1999). Cada sinal ou sintoma deverá ser descrito com toda a riqueza de detalhes. A HDA pode iniciar a partir da queixa principal, solicitando informações sobre quando o sinal/sintoma relatado começou, como começou e como evoluiu. É importante caracterizar bem cada sinal/sintoma e definir com clareza sua evolução na linha do tempo. Cada novo sinal/sintoma relatado deve ser inserido na ordem cronológica de seu aparecimento e ser igualmente descrito em detalhes. (Santos JB. 1999). História Fisiológica: Indagar sobre diurese e jato urinário, hábito intestinal, ritmo de sono, apetite, atividades físicas, lazer, estado de ânimo... Na adolescência, perguntar sobre a vida sexual e prevenção de IST's; nas meninas adolescentes incluir aspectos sobre o ciclo ovulatório, contracepção e gestação. (Santos JB. 1999). História Gestacional: Quantas consultas realizadas de pré-natal, idade materna ao engravidar, número de gestações (GESTA), número de partos (PARA), abortos etc. saúde materna durante a gravidez, uso de medicamentos, tabagismo, alcoolismo e uso de drogas, exames realizados (laboratoriais, ultrassonografias...), intercorrências na gestação etc. (Santos JB. 1999). 5 História Neonatal Parto: tipo (normal, cesariana, fórceps) – Local: hospitalar (citar o hospital), domiciliar. Indicação (no caso de cesariana). (Santos JB. 1999). Período Neonatal: Idade gestacional ao nascer: Anotar o número de semanas que durou a gestação. Verificar as condições de nascimento (vitalidade ao nascer) pelo índice de Apgar. Verificar o grupo sanguíneo do recém-nascido e sua compatibilidade com o grupo sanguíneo materno. Verificar o peso de nascimento e avaliar sua adequação à idade gestacional: AIG (peso Adequado para a Idade Gestacional), PIG (peso Pequeno para a Idade Gestacional), ou GIG (peso Grande para a Idade Gestacional). Avaliar a estatura, PC (perímetro cefálico) e PT (perímetro torácico) de nascimento. Problemas neonatais: Icterícia, permanência em incubadora, necessidade de UTI neonatal, tipo de patologia neonatal apresentada etc. Anotar resultados da triagem cardiológica neonatal, triagem auditiva (teste da orelhinha), triagem oftalmológica (teste do olhinho), teste da linguinha, resultados de teste do pezinho... (Santos JB. 1999). Desenvolvimento Neuropsicomotor Questionar sobre cada setor (Motor grosseiro, Motor fino/adaptativo, Linguagem e Pessoal-social) e checar a idade em que a criança vai adquirindo a habilidade de realizar função (os principais marcos do desenvolvimento). Verificar se há atraso em algum setor. Podem ser usadas a escala de DNPM de Denver II ou outra escala como parâmetro. Avaliar aspectos cognitivos e comportamentais, desenvolvimento da visão e audição. Na adolescência, avaliar o desenvolvimento puberal. (Santos JB. 1999). 1. Avaliação de padrões posturais É o tipo mais comum afetando cerca de 80% dos casos, sendo caracterizada por rigidez muscular e reflexos exagerados e dificuldade em realizar ou coordenar os movimentos, como andar, cruzar as pernas ou pegar objetos. (WIMALASUNDERA, N.; STEVENSON, V. L. 2016). Situação clínica: Criança 3 anos com Paralisia Cerebral (PC) tetraparética espástica. - Posição adotada: deitada; - Controle de cabeça: incompleto, realiza rotação, flexão e extensão com auxílio; 6 - Ombros: elevação, protração e rotação interna; - Cotovelo: em flexão e pronação; - Punho: em flexão e desvio ulnar; - Mãos: dedos flexionados e polegares aduzidos; - Tronco: leve escoliose; - Pelve e quadril: fletido com rotação interna e retroversão; - Joelho: fletido e em varo; - Tornozelo e pé: dorsiflexão com eversão e dedos fletidos. 2. Técnicas de palpação e avaliação de tônus muscular Segundo Kandel et al.,tônus muscular refere‐se à força pela qual um músculo resiste ao alongamento. Cada músculo possui um determinado nível de tônus considerado normal. Quando o tônus é reduzido, é chamado de hipotonia; quando aumentado, fala‐se em hipertonia, que se manifesta sob a forma de espasticidade ou rigidez. Na espasticidade, há um aumento na resistência ao movimento passivo brusco. A resposta produzida é dependente da velocidade, ou seja,quanto mais rápido é o alongamento, mais vigorosa é a resposta de um músculo espástico. A espasticidade resulta de lesão motora superior no córtex motor ou em suas projeções extrapiramidais. (KANDEL ER, Schwartz JK; 1991). Na rigidez, a resistência fica aumentada para todos os movimentos, tornando as partes do corpo rígidas e imóveis.18 O tônus muscular pode ser avaliado pela observação, palpação e movimentação passiva. A observação inicial do paciente pode revelar a presença de movimentos ou de posturas anormais dos membros. ; postura assimétrica; lábio e língua retraídos; e dificuldade em movimentar um segmento do corpo podem indicar aumento do tônus muscular em crianças. A perda de alinhamento postural, inabilidade em manter a postura e os segmentos do corpo contra a gravidade podem revelar uma diminuição do tônus. A palpação, apesar de subjetiva, pode trazer informações sobre o estado de repouso dos músculos, como a consistência e a firmeza destes. A resposta ao toque também deve ser considerada. (O ‘Sullivan SB.; 1993). 7 Fonte: Bohannon, R. W., Smith, M. B. A.; 1987. Figura 1 - Escala de Ashworth modificada. 3. Avaliação da amplitude de movimento articular (ativa e passiva) A avaliação dos movimentos passivos e dos reflexos miotáticos revela informações importantes sobre a reatividade dos músculos a um estímulo de alongamento. Durante a movimentação passiva, o terapeuta deve manter contato manual firme e contínuo, movendo o membro aleatoriamente em uma frequência baixa e constante. Quando o tônus é normal, o membro move‐se facilmente e o terapeuta é capaz de alterar a direção e a velocidade sem sentir resistência. Membros hipertônicos transmitem uma impressão de rigidez e de resistência ao movimento, embora os hipotônicos sejam pesados e não reativos à movimentação. (O ‘Sullivan SB.; 1993). vida apresentam aumento do tônus flexor generalizado, com maior resistência em MMII, principalmente na região dos adutores, do que em MMSS. Essa flexão fisiológica generalizada contrasta com a hipotonia da musculatura paravertebral, que tende a diminuir a partir do quarto mês de vida. 4. Avaliação de força muscular A avaliação da FM pode ser realizada tanto pela observação qualitativa, sobre como a criança brinca e desempenha suas atividades em relação a suas posturas e movimentos, bem como quantitativamente, com a graduação numérica da escala de força muscular do Medical Research Council (MRC) em situações específicas. No primeiro momento, classifica‐se a força muscular em plégica, quando não se realiza nenhum movimento; e parética, o movimento ocorre com uma intensidade de força menor nos membros e no tronco. A 8 avaliação quantitativa de FM em crianças pela escala de avaliação da força muscular do MRC pode ser utilizada em condições clínicas específicas, como na lesão medular e em algumas doenças congênitas, nas quais a graduação numérica de 0 a 5 é fundamental para determinar os recursos externos mais adequados às atividades dessa criança. Nesses casos, avalia‐se a FM relacionando‐se o nível de lesão medular funcional com a graduação da escala MRC. (Duringon OFS, 2004). Escala de Kendall • Grau 0: Ausência de contração muscular. • Grau 1: Contração muscular fraca sem movimento articular. • Grau 2: Movimento articular possível com a eliminação da gravidade. • Grau 3: Movimento articular possível contra a gravidade. • Grau 4: Movimento articular possível contra a gravidade e com resistência moderada. • Grau 5: Movimento articular possível contra a gravidade e com resistência máxima. (Duringon OFS, 2004). 9 Aula 2 – Roteiro 1 Avaliação Pediátrica – parte 2 1. Avaliação de presença de reflexos primitivos Os reflexos primitivos estão presentes desde a vida intrauterina e são integrados à medida que áreas corticais superiores se tornam funcionantes. O surgimento e a integração desses reflexos representam a maturação crescente das estruturas corticais, que inibem os reflexos controlados em níveis inferiores do SNC e os integram nas respostas motoras e voluntárias mais funcionais. (Shumway‐cook A, 2003). A avaliação desses reflexos fornece informações como: se os reflexos estão de acordo com a idade; se a sua presença (além da idade) está gerando problemas funcionais e se a sua ausência é sinal de agravo do SNC. Apesar de alguns autores considerarem a avaliação dos reflexos primitivos pouco significativa, a maioria considera um fator essencial na avaliação de lactentes e crianças, principalmente no primeiro ano de vida, já que para estes a persistência dos reflexos primitivos pode indicar doenças do sistema neuromotor. (Shumway‐ cook A, 2003). Reflexo dos Pontos Cardeais ou sucção: quando se toca levemente na área próxima à boca do bebê, ele a abre e começa a sugar. A ação acontece tanto para o seio da mãe que o amamenta quanto para a mão que é colocada em frente a ele. É um tipo de reflexo muito comum e que costuma desaparecer com o tempo, dependendo de cada criança. (Gusman S, Torres, 2005). Reflexo de Glabela: é uma reação involuntária do organismo que ocorre quando a região da testa é estimulada por um toque leve. Esse reflexo é comum em recém-nascidos e pode persistir em algumas pessoas ao longo da vida. (Gusman S, Torres, 2005). Reflexo Magnético: Em posição dorsal, com os quadris e os joelhos fletidos (posição simétrica da cabeça na linha média), os polegares do examinador são compridos sobre a sola do pé e lentamente retirados. O contato entre o dedo e a sola do pé mantém-se. as pernas estendem-se, o pé fica colado no dedo. (Gusman S, Torres, 2005). 10 Reflexo de Galant ou Reflexo da Coluna Vertebral: é desencadeado ao estimular a coluna lombar da criança, fazendo com que ela gire os quadris para fora em até 45 graus na direção do lado em que a estimulação ocorreu. Além disso, o reflexo desencadeia uma extensão dos braços e pernas no lado estimulado e uma elevação da pelve. (Gusman S, Torres, 2005). Fonte: : https://eusoumaisfisio.blogspot.com/2014/05/reflexos-primitivos. Figura 2 – Reflexo de Galant. Reflexo de Marcha: Colocar o bebê na posição bípede e inclinar o corpo anteriormente. Movimento de passo com elevação rítmica dos pés. (Gusman S, Torres, 2005). Fonte: : https://eusoumaisfisio.blogspot.com/2014/05/reflexos-primitivos. Figura 3 – Reflexo de marcha. Reflexo Membro de Propulsão: o bebê é posicionado em decúbito ventral, com a cabeça lateralizada. A partir dessa posição, os membros inferiores são levemente fletidos, e é dado um apoio na região plantar dos pés. A resposta 11 esperada é uma extensão de membros inferiores e a subsequente propulsão do bebê para adiante. (Gusman S, Torres, 2005). Reflexo Tônico Labiríntico (RTL): ao fazer apoio plantar com os dedos, o RN, em prono realiza movimentos de rastejar alternadamente. (Gusman S, Torres, 2005). Fonte: : https://eusoumaisfisio.blogspot.com/2014/05/reflexos-primitivos. Figura 4 – Reflexo de RTL. Reflexo de Preensão Plantar: ocorre quando tocamos a planta do pé abaixo dos artelhos, e eles assumem a posição de garras; quando para o estímulo os artelhos se estendem. (Gusman S, Torres, 2005). Fonte: : https://eusoumaisfisio.blogspot.com/2014/05/reflexos-primitivos. Figura 5 – Reflexo plantar. https://eusoumaisfisio.blogspot.com/2014/05/reflexos-primitivoshttps://eusoumaisfisio.blogspot.com/2014/05/reflexos-primitivos 12 Reflexo de Preensão Palmar: É desencadeado pela pressão da palma da mão. Observa-se flexão dos dedos. (Gusman S, Torres, 2005). Fonte: http://imagebase.net/imagens/2018. Figura – 6 Reflexo palmar. Reflexo Tônico Cervical Simétrico (RTCS): Flexão e extensão da cabeça. Com a flexão da cabeça, os MMSS flexionam‐se e os MMII estendem‐ se; com a extensão da cabeça, os MMSS estendem‐se e os MMII flexionam‐se. (Gusman S, Torres, 2005). Reflexo Tônico Cervical Assimétrico (RTCA): Virar a cabeça. Extensão e abdução do membro superior que está voltado para a face e flexão e abdução do membro superior que está voltado para o lado occipital. (Gusman S, Torres, 2005). Fonte: : https://eusoumaisfisio.blogspot.com/2014/05/reflexos-primitivos. Figura 7 – Reflexo RTCA. Reação de Landau: É desencadeado quando o bebê é suspenso na posição prona. Observa-se elevação da cabeça acima do tronco. Em seguida o http://imagebase.net/imagens/2018 13 tronco é retificado e as pernas estendidas. Quando o examinador flete a cabeça, as pernas se fletem. (Gusman S, Torres, 2005). Fonte: : https://eusoumaisfisio.blogspot.com/2014/05/reflexos-primitivos. Figura 8 – Reflexo de Landau Reação de paraquedas: Segura-se a criança pela cintura com as duas mãos e aproxima-se a cabeça da plataforma com relativa rapidez. Antes da cabeça chegar à plataforma, os braços se estendem como se a criança fosse apoiar-se. (Gusman S, Torres, 2005). Fonte: https://eusoumaisfisio.blogspot.com/2014/05/reflexos-primitivos. Figura 9 – Reflexo de paraquedas. 2. Avaliação das reações de proteção anterior, lateral e posterior São a última etapa de defesa do SNC e consistem em movimentos de extensão dos membros para o mesmo lado em que a criança foi deslocada. Permitem a estabilização e a sustentação do corpo, em resposta a um estímulo de deslocamento, em que o centro de gravidade excede a base de sustentação ou quando a velocidade de deslocamento é alta. Os MMSS ou MMII estendem‐ 14 se na tentativa de sustentar o peso corporal à medida que o corpo desaba da superfície de sustentação. Elas podem ser observadas com 6 meses em DV, 7 a 8 meses em DD e sentado, postura de gato com 9 a 12 meses e em pé com 12 a 21 meses. As reações de proteção podem ser: anterior (6 meses), lateral (8 meses) e posterior (10 meses). (O ‘Sullivan SB.; 1993). 3. Avaliação de 0a 1 mês Ao nascimento, quando o bebê é colocado em decúbito ventral (ou seja, prono), a cabeça repousa rodada para o lado, mas ele é capaz de levantá-la e rodá-la para o outro lado. Os ombros estão aduzidos e flexionados, os cotovelos flexionados e as mãos fechadas. A coluna está flexionada, apresentando cifose desde a cervical até a região sacral, o que pode ser atribuído aos discos intervertebrais com baixa concentração de água, à posição no útero e à inatividade dos músculos paravertebrais. A pelve está posicionada em retroversão e os quadris estão flexionados, abduzidos e rodados externamente; os joelhos estão flexionados e os tornozelos em flexão dorsal. Essa posição dos membros inferiores provoca a elevação da pelve e o deslocamento do peso corporal para face, ombros e mãos. Por isso, o bebê movimenta muito pouco os membros superiores na postura de decúbito ventral. Nessa primeira fase do desenvolvimento, o bebê ainda não consegue permanecer na postura sentada sem apoio. O recém-nascido, quando suportado, apresenta flexão de cabeça e tronco, com a pelve perpendicular à superfície de apoio, e os membros inferiores adotam a mesma posição do decúbito dorsal. Se o bebê for solto, ele cairá para a frente. (Grantham-McGregor S; 2007). Fonte: Fonte: :Liddle TL, Yorke L; 2007. Figura 10 - Recém-nascido na postura Figura 11 - Bebê recém-nascido na 15 de decúbito ventral. Postura sentada sem apoio. 4. Avaliação aos 2 meses de idade O bebê é capaz de adaptar o controle postural para reduzir o deslocamento do centro de pressão, na presença de um estímulo visualizando um brinquedo, mantendo um nível ideal de complexidade sem usar movimentos repetitivos para atingir o objetivo. (Dusing SC, Izzo TA; 2014). Fonte: Fonte: :Liddle TL, Yorke L; 2007. Figura 12- Suporte de peso nos antebraços, com os cotovelos atrás da linha dos ombros. 5. Avaliação dos 3 aos 4 meses Ao 3º mês, período no qual se observa um controle parcial da cabeça na posição deitada e sentada. Com 4 meses de vida, o bebê já é capaz de elevar a cabeça em posição ventral, transferindo o peso antes cervical para a coluna vertebral. Os membros superiores (MMSS) auxiliam nessa ação, possibilitando a exploração visual, embora de forma limitada. A aquisição do controle cervical representa um marco de independência da criança, considerando o fato de ser preditivo para a aquisição de outros controles, como deglutir, controle da sialorreia, ampliação do campo visual (sem o controle cervical, passa a maior parte do tempo olhando para baixo), controle de tronco, sentar-se, passar de sentado para a posição ortostática e marcha. (Santos CCD, Ravanini GS. 2006). 6. Avaliação do 5 mês Com cinco meses, em decúbito dorsal, o bebê consegue adquirir a primeira troca postural, que é o rolar para o decúbito ventral (o bebê é capaz de 16 rolar). O tronco está simétrico e alinhado com a cabeça, e ele realiza movimentos tanto de extensão quanto de flexão dos membros inferiores. (Santos CCD, Ravanini GS. 2006). Fonte: Fonte: :Liddle TL, Yorke L; 2007. Figura 13 - (A) e (B) O controle cefálico é mais eficiente, favorecendo maior mobilidade para a cabeça. 7. Avaliação aos 6 meses No 6º mês, com a extensão completa e sustentada dos MMSS, o bebê consegue a elevação satisfatória do tronco e a rotação controlada da cabeça. Consegue apoiar-se nos antebraços e começa a estender os cotovelos, transferindo parcialmente o peso para as mãos. Nessa fase, a posição sentada já pode ser observada, e a mobilidade da cabeça favorece a exploração visual do ambiente. (Santos CCD, Ravanini GS. 2006). 8. Avaliação do 7 aos 8 meses Em decúbito ventral, o bebê consegue erguer bem a cabeça e apoiar o seu peso nas mãos, o que favorece o desprendimento do tronco e do quadril do solo, treinando para adquirir a próxima troca postural, que é a postura de gato ou de quatro apoios. Na postura sentada, apresenta bom controle anterior do tronco, mas ainda não apresenta controle para os lados nem total extensão do tronco na postura sentada. Ainda realiza a preensão dos objetos em garra. (Santos CCD, Ravanini GS. 2006). No 8º mês o bebê já é capaz de adotar a postura de gato ou de quatro apoios e engatinhar, ainda sem muita estabilidade. Também já permanece sentado com bom controle de tronco e cabeça, sendo capaz de virar-se em torno do seu próprio eixo. Apresenta reações posturais da cabeça sobre o corpo e do corpo no espaço. Quando na postura sentada, se perde o equilíbrio para os lados, responde com a segunda reação de proteção, chamada de reação de17 proteção lateral. Consegue bater palmas, faz movimento de dar “tchau” com a mão e começa a falar sílabas duplas, imitar sons e estranhar pessoas desconhecidas. (Santos CCD, Ravanini GS. 2006). 9. Avaliação dos 9 aos 11 meses A transferência de decúbito ventral para sentado se dá com a passagem pela posição de quatro apoios. Nesta situação, experiencia o balanço corporal e suporte de peso na posição quadrúpede, preparando-se para o engatinhar. Necessita de boa estabilidade dos membros superiores e tronco, boa mobilidade do quadril e rotação corporal. A transição de sentado para prono também ocorrerá. A postura sentada se torna funcional, com o desprendimento dos membros superiores do apoio, o que tornará as mãos funcionais para o brinquedo. Manipula objetos com as duas mãos e é capaz de transferir de uma para outra. Ainda não apresenta reações de equilíbrio nessa postura, mas em eventuais desestabilizações responderá com as reações de proteção de braços, inicialmente para a frente, progredindo lateralmente. As reações de endireitamento se fazem presentes evitando que a criança bata a cabeça ao cair. Ao final do trimestre, apresentará maior estabilidade e a base de apoio, nessa postura, já apresentará maior extensão dos membros inferiores. Engatinhar trará maior mobilidade ao bebê, com melhor desempenho motor, permitindo maior exploração do ambiente, favorecendo o aprendizado sobre a relação entre alturas, distâncias e tempo. Ainda nesse período, o bebê iniciará a passagem para em pé inicialmente com apoio dado pelo cuidador, evoluindo para o apoio, segurando-se em móveis. Nesse caso, agachar e levantar passam a ser atividades exploratórias interessantes e que contribuirão com maior flexibilidade e aumento da força muscular dos membros inferiores numa atividade sequenciada de contrações concêntricas e excêntricas destes músculos. As transferências para a posição em pé darão início às posturas intermediárias, com passagens pelo ajoelhado e semi ajoelhado. Quando ajoelhado, a ação dos extensores e flexores do quadril estabilizará a pelve, mantendo o quadril com leve flexão, em rotação externa e abdução. Para alcançar o semi ajoelhado, necessitará de boa estabilidade de tronco e quadril e da habilidade de deslocar o peso lateralmente para o lado que suportará o peso do corpo e da perna contralateral ser deslocada anteriormente, como parte de reação de equilíbrio. Essa é uma postura assimétrica, portanto, mais difícil de ser alcançada, mas que 18 demonstra maior desenvolvimento do controle do quadril. . (Dusing SC, Izzo TA; 2014). Fonte: Carvalho M. 2011. Figura 14 - (A) e (B) Na postura vertical, aumenta a extensão dos membros inferiores. 10. Avaliação a partir dos 12 meses A criança nessa fase consegue sentar-se em várias posições. Assume a postura de urso para engatinhar e utiliza essa postura para ficar em pé. Em ortostase inicia o movimento de marcha anterior independente, porém ainda apresenta desequilíbrio e costuma cair sentado. Realiza os movimentos de pinça de forma voluntária e com bastante coordenação. Consegue realizar ordens simples, como colocar um objeto para dentro ou fora de algum local. Além disso, nessa fase deve ser estimulado a ajudar nas atividades de vida diária. Com 11 meses já apresenta acuidade visual igual a de um adulto. (PRADO, Cristiane; VALE, Luciana Assis; 2012). Fonte: Carvalho M. 2011. Figura 15 - Aquisição da postura ortostática. 11. Avaliação de testes ortopédicos específicos 19 O teste de Thomas pode ser usado para identificar uma contratura em flexão do quadril, principalmente do músculo iliopsoas. As ADM do quadril em abdução e adução devem ser avaliadas com o quadril e os joelhos em extensão. Já as rotações internas e externa do quadril são medidas enquanto a criança estiver em prono, com o quadril em extensão e com os joelhos flexionados. . (Acevedo JS. 2002). O teste de Ângulo Poplíteo a elevação passiva da perna ou a medida do ângulo poplíteo indica o grau de encurtamento dos músculos posteriores da coxa, que, quando excessivamente curtos, podem incapacitar a criança de sentar‐se no ísquio a 90° de flexão do quadril, e limitar o comprimento de seu passo durante a marcha. (Acevedo JS. 2002). O Tese de Galeazzi paciente em decúbito dorsal, com os joelhos juntos ao corpo, é colocado na borda da maca. O membro a ser testado é levado em direção ao solo, sempre tendo suporte do examinador. Este teste é usado para verificar se há diferença de comprimento nos membros inferiores. Os joelhos fletidos e os pés são mantidos juntos. Se houver encurtamento de um dos membros o joelho ficara mais baixo. (Acevedo JS. 2002). Fonte: https://www.surgeryjournal.co.uk/article/ Figura 16 – Teste de Galeazzi O Teste de Ely Duncan o paciente encontra-se deitado de barriga para baixo e relaxado. O terapeuta está de pé ao lado do paciente, do lado da perna que irá ser testada. Uma mão deve estar na parte inferior das costas, a outra a segurar a perna pelo calcanhar. Passivamente deve flexionar o joelho de uma forma rápida. O calcanhar deve tocar as nádegas. Ambos os lados devem ser testados para comparação. O teste é positivo quando o calcanhar não chega a 20 tocar na nádega, a anca do lado testado se eleva da mesa, o paciente sente dor ou formigueiro nas costas ou pernas. (Acevedo JS. 2002). 11. Avaliação do equilíbrio estático e dinâmico Equilíbrio estático refere-se ao controle da oscilação postural na posição imóvel, através da utilização de percepções internas e externas, associadas à ativação muscular, e o equilíbrio dinâmico é a capacidade de controlar o centro de gravidade do corpo enquanto este se desloca sobre sua base de apoio (ALMEIDA et al.,2010). No lactente, o posicionamento em decúbito lateral favorece maior simetria, permite melhor equilíbrio entre os músculos extensores e flexores, o encontro das mãos na linha média e dentro do campo visual da criança, reduz a ação da gravidade sobre a frouxidão capsular e ligamentar. Com membro inferiores mantidos em flexão de quadril, joelhos e pés a 90°, um pequeno apoio (rolo) na face plantar dos pés pode fornecer estímulos continuados aos receptores plantares, incrementando a ativação tônica de distal para proximal. Se houver necessidade, um rolo colocado anteriormente ou uma pequena almofada torna-se um elemento de estabilização, evitando que a criança passe para a posição em decúbito ventral. (Gusman S, Torres CA. 2005). Atenção ao colocar a criança hipotônica sentada, que deve ser colocada em apoio sobre as tuberosidades isquiática, fornecendo adequada base de apoio melhorando o alinhamento de tronco e cabeça. Os pés tendem à pronação e à dorsiflexão excessivas solicitando alinhamento. As rotações entre as cinturas escapular e pélvica servirão de base para as mudanças posturais. Atos simples como o rolar, o equilíbrio na posição sentada e as reações de proteção dependem em parte desse controle. (Gusman S, Torres CA. 2005). No treino de ortostatismo, atenção especial ao alinhamento do quadril e à articulação dos tornozelos, considerando que a ativação tônica de distal para proximal estará prejudicada. Ocorrência de rotação interna do fêmur e flexão do quadril pode conduzir a alterações como hiperlordose lombar, hipercifose dorsal e retração cervical. Os joelhos podem se aproximar, em valgo, e os pés se afastam e desabam, achatando o arco longitudinal. Exercícios para estimular as reações de equilíbrio e proteção podem ser realizadosem posturas variadas (sentado, ajoelhado, semiajoelhado e em pé), por meio de estratégias como o 21 uso de discos infláveis, pranchas de equilíbrio, bancos de diferentes alturas, bolas e espumas. (Gusman S, Torres CA. 2005). Fonte: adaptada do software Physio Tools® Figura 17- Lactente rolando de decúbito lateral direito para decúbito ventral, com facilitação inicial pelo quadril e finalização pela cintura escapular. Fonte: adaptada do software Physio Tools®. Figura 18 - Exercício no rolo para estimular as reações de equilíbrio. Exercícios realizados em sala dia 23/04/2024. Reações, reflexos primitivos e aquisições motoras 22 23 24 Aula 3 – Roteiro 1 Treino de atividades em posturas baixas Formamos duplas e fomos colocar em pratica o que se pede. 1. Estimular o controle de cabeça: Em primeiro lugar posicionei o paciente (colega), de costas (decúbito dorsal) em uma superfície firme e segura. Coloquei um apoio adequado sob a cabeça para evitar hiperextensão cervical. Pode ser utilizado cunha de espuma. Me certifiquei se a cintura escapular estava alinhada, deixando uma base estável para o movimento. Interagi com o paciente incentivando-o a levantar a cabeça, no caso de crianças pode oferecer 25 brinquedos ou objetos coloridos para atrair a atenção e motivar a realizar o movimento. Se necessário oferecer apoio e encorajamento, meu paciente conseguiu realizar o movimento por conta própria, desenvolvendo assim a força e coordenação. 2. Estimular controle de tronco: Agora eu fui o paciente e o colega o fisioterapeuta. Começamos com a postura sentada em uma cadeira firme, não usamos apoio. Foi usado uma bola para estimular o controle do tronco enquanto sentada. Em seguida fizemos variações com base de apoio, utilizando colchonetes e bola suíça para desafiar o equilíbrio e fortalecer os músculos do tronco. Depois discutimos sobre o caso de uma criança com paralisia cerebral que apresentava hipertonia, o que poderíamos fazer para ajudar. Iriamos adaptar as atividades para evitar posturas que exacerbassem a rigidez muscular. É importante adaptar as atividades de acordo com o nível de habilidade e conforto da criança, sempre incentivando o progresso gradual e oferecendo suporte necessário Fonte: Arquivo pessoal Figura 19 - Estimular controle de tronco 3. Estimular a troca postural – rolar: Em primeiro lugar foi determinar o nível de independência do paciente na troca postural, observando quais os pontos ele precisava de mais apoio. Encorajei o paciente a realizar a troca postural o mais independente possível, pratiquei transição do decúbito ventral (prono) para o decúbito dorsal (supino) e vice-versa. Depois criei uma situação 26 como se o paciente tivesse dificuldades motoras, simulei a troca postural, ele saindo da cama para a cadeira de rodas. Exercício realizado em sala 21/05/2024. Paciente deitada no colchonete, a princípio começamos com bater palmas para chamar a atenção, esticamos o braço esquerdo, em seguida pegamos na perna direita e passamos por cima da esquerda e auxiliamos ela a rolar. 4. Estimular postura sentada – com e sem apoio e postura de gato: Começamos avaliando a capacidade do paciente de realizar as atividades de forma independente. Começamos oferendo auxílio, como na cintura escapular, cintura pélvica e fossa poplítea para minimizar o suporte durante a troca postural. Treinamos atividades na postura sentada, em superfícies estáveis e instáveis, para fortalecer o controle do tronco superior e inferior. Estimulamos também a postura de gato, incentivando movimentos suaves e coordenados. Exercício realizado em sala 21/05/2024. Vimos que o certo e fazer uma cadeirinha com a mão e apoiar a criança na parte da frente do corpo. Outra forma de trabalharmos o sentar e com a bola suíça, para assim irmos treinando o equilíbrio. Fonte: Arquivo do Ministério da Saúde Figura 20 - Postura adequada para carregar criança no colo 27 5. Treino de reações de proteção anterior e lateral: Para estimular as reações, realizamos atividades como lançar uma bola suavemente em direção ao paciente enquanto ele estava sentado e incentivando a usar os braços para proteger o corpo. Para as reações de proteção lateral, simulamos obstáculos com cadeiras para ele se mover rapidamente para o lado. E importante adaptar atividades desafiadoras, mas que sejam alcançáveis para as crianças. 6. Treino de reações de equilíbrio estático e dinâmico nas posturas de decúbito lateral, sentado e gato: para simular situações clínicas diferentes, nos terapeutas adaptamos exercícios de treino de equilíbrio estático. Primeiro posicionamos o paciente de lado, apoiado no cotovelo e joelho. Para treinar o equilíbrio do paciente pedimos para manter a posição lateral enquanto realiza atividades de alcançar objetos. Depois colocamos o paciente em uma posição sentado estável, usamos uma bola suíça, onde ele pode sentar-se e tentar manter o equilíbrio. Pedimos para o paciente adotar a postura de gato, com as mãos e joelhos no chão. Para treinar o equilíbrio dinâmico pedimos para levantar uma mão e um pé enquanto mantem a posição de gato. 7. Evitar encurtamentos musculares e deformidades ósseas: É essencial incorporar técnicas de alongamento muscular especificas, priorizando grupos musculares, mais afetados em cada condição clínica. Por exemplo, crianças com mielomeningocele nível toráxico, o foco pode ser alongar os músculos extensores das pernas, enquanto para crianças com paralisia cerebral tetraparética espástica, o quadril pode ser crucial. Para simular situações clínicas diferentes com crianças de diferentes diagnósticos, é importante adaptar as técnicas de alongamento conforme as necessidades especificas de cada paciente. Isso pode envolver as posições de prono ou supino, e a técnica de alongamento ativo e passivo, dependendo da capacidade de cada paciente. É importante realizar de maneira suave e progressiva respeitando os limites de cada criança. O terapeuta deve adaptar as técnicas de acordo com as necessidades de cada paciente. 8. Evitar complicações respiratórias: Simulamos diferentes situações clínicas em sala de aula com diversos diagnósticos. O paciente estava com 28 fibrose cística, neste caso realizamos a técnica de higiene brônquica usamos a técnica de percussão e a vibração, que ajudam a mobilizar as secreções bronquiais facilitando sua eliminação. Outra simulação foi paciente com pneumonia, a técnica usada foi de reexpansão pulmonar, foi feito através de respiração profunda e expansão torácica para promover a ventilação adequada dos pulmões e prevenir a atelectasia (colapso pulmonar) . 9. Estimulação sensorial e integração sensório-motora: Para uma criança com autismo, pode-se focar em estímulos sensoriais suaves e repetitivos para ajudar na regulação sensorial. Para uma criança com paralisia cerebral, podem ser utilizados estímulos táteis e proprioceptivos para promover o desenvolvimento motor. É importante adaptar técnicas conforme as características individuais de cada criança e seu diagnóstico específico. Aula 4 – Roteiro 1 Treino de atividade em posturas altas Formamos duplas e fomos colocar em pratica o quese pede. 1. Estimular postura ajoelhado: Posicionando o paciente na postura de gato, com os joelhos e mãos apoiados no chão, incentive o paciente a mover um dos joelhos para frente, enquanto mantém o outro joelho e as mãos no chão. Auxiliei o paciente a estender a perna para trás, enquanto transfere o peso do corpo para a perna estendida, gradualmente levantando o corpo até ficar ajoelhada. Exemplo de simulação clínica em crianças com problemas de equilíbrio, oferecer mais apoio e utilizar superfícies mais estáveis. Para crianças 29 com deficiências motoras, adapte a técnica de acordo com suas capacidades e limitações, oferecendo suporte adicional conforme necessário. Sempre garantir a segurança da criança durante o treinamento. 2. Estimular postura semiajoelhado: Começamos com o paciente em posição ajoelhado e gradualmente introduzimos apoios para as mãos e cotovelos. Foi usado rolos de espuma para fornecer suporte. Para treinar as reações de proteção anterior, lateral e posterior, realizamos exercícios específicos para cada um deles. Para a reação de proteção anterior, pedimos ao paciente para estender os braços para frente para evitar uma queda. Para a reação lateral, pedimos para ele inclinar o corpo para o lado para evitar cair. E para a reação posterior ele se inclinou para trás e se apoiou para evitar uma queda. Em situações clínicas com crianças em condição neurológica, precisamos fornecer mais apoio e suporte durante os exercícios. Uma criança com lesão musculoesquelética , pode ser necessário modificar os exercícios para evitar uso excessivo da área afetada. 3. Estimular a ortostase: Paciente começou com apoio para garantir a segurança. Progressivamente fomos reduzindo o apoio até conseguir a posição sem ajuda. Variamos as bases de apoio como piso firme, ou inclinando para desafiar o equilíbrio. Avaliamos se o paciente tinha necessidade de bengalas, andador ou treino em barras paralelas, de acordo com a capacidade de equilíbrio dele. Introduzimos o uso da bengala para fornecer mais estabilidade durante o treino. Em situações clínicas em crianças com paralisia cerebral, o treino seria para melhorar o controle muscular. Utilizaríamos exercícios para fortalecimento muscular, propriocepção e coordenação para melhorar a capacidade de manter a ortostase. 4. Treino de marcha: Simulamos uma situação clínica com criança com paralisia cerebral, o treino de marcha pode envolver técnicas de facilitação neuromuscular, como o padrão Bobath, focando na redução da espasticidade e no aumento do controle motor. Para crianças com distrofia muscular, o treino de marcha pode incluir o uso de órteses para fornecer suporte aos músculos enfraquecidos, além de exercícios de fortalecimento específico. 30 5. Treino de transferência de pacientes: Em primeiro lugar verifiquei se a cadeira de rodas do paciente estava livre de quaisquer obstáculos como: cama, tablado... Certifiquei se o meu paciente estava confortável para a realização da transferência. Posicionei a cadeira do lado da cama, com os freios aplicados. Esse paciente e hemiparético, ajudei-o a deslizar seu corpo na direção da cama, apoiando o lada afetado pelo lado não afetado. Auxiliei o paciente a levantar-se com cuidado, usando uma técnica segura de levantamento. Em crianças mantenha uma comunicação clara e tranquilizadora tanto para ela quanto para os responsáveis durante todo o processo. Adapte as técnicas de transferências para garantir a segurança e conforto da criança, levando em conta seu tamanho, idade e diagnostico. E fundamental praticar essa técnica sob a supervisão de profissionais qualificados. 6. Rever as principais indicações de órteses de posicionamento: Goteira suropodálica, e uma órtese usada para corrigir a posição dos pés, especialmente quando a tendência para quedas para dentro (pronação).É comumente usada para tratar problemas como pé plano e deformidades no arco do pé. Tutor longo e tutor curto são utilizados para estabilizar e fornecer suporte a articulações específicas, como tornozelo e joelho. O tutor longo se estende abaixo do joelho até o pé, enquanto o tutor curto se concentra apenas no tornozelo. A tala extensora, é prescrita para prevenir contraturas nas articulações, especialmente no caso de lesões neurológicas que causam espasmos musculares, ela ajuda a manter uma posição correta das articulações. O parapodium é uma estrutura que suporta o corpo enquanto permite a posição ereta. Para utilizar um parapodium, coloque o paciente na estrutura, ajuste as correias para garantir um ajuste confortável e seguro e então levante-o gradualmente até a posição vertical desejada. A prancha ortostática, é uma superfície plana onde o paciente pode ficar em pé. Para usar uma prancha ortostática, posicione o paciente deitado na prancha, fixe-o com cintos de segurança conforme necessário e então eleve a prancha até a posição vertical desejada, permitindo que o paciente fique em pé. E preciso seguir as orientações do médico ou terapeuta ao descrever e utilizar essas órteses. 31 7. Treino de atividades funcionais: Primeiro avaliar as habilidades motoras e cognitivas de cada criança, levando em consideração seu diagnóstico e suas atividades especificas. Realizamos algumas simulações clínicas, dentre elas colocamos várias cadeiras e pedimos para os alunos se mover entre elas enquanto carregam livros. Outra técnica usada foi incluir cadeira de rodas e adequamos as habilidades individual de cada um. Durante as atividades devemos fornecer feedback as crianças e fazendo ajustes para garantir que elas estejam progredindo em direção aos seus objetivos. À medida que as crianças vão ganhando confiança e habilidades, aumente gradualmente a dificuldades atividades. Sempre registrar os desafios de cada criança ao longo do tempo e reavalie o tratamento e seus objetivos. 8. Treinamento cardiovascular (quando possível): Para um treinamento aeróbico eficaz, todos os alunos realizaram um circuito com exercícios como saltos, flexões, abdominais e burpees, alternando entre cada um por um determinado período ou número de repetições. Sempre se certificando de dar um descanso entre os exercícios. E interessante desafiar diferentes grupos musculares. Conclusão Podemos destacar que o treino de posturas altas e baixas apresentou resultados positivos no desenvolvimento físico e motor da criança avaliada. Observou-se uma melhora significativa na capacidade de manter posturas estáveis e no equilíbrio postural, indicando uma resposta favorável ao programa de treinamento. Recomenda-se a continuidade do acompanhamento para consolidar os ganhos obtidos e realizar ajustes conforme necessário, visando maximizar os benefícios a longo prazo. 32 Referências ACEVEDO JS. Fisioterapia para crianças com paralisia cerebral. In: Tecklin JS (ed.). Fisioterapia pediátrica. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002. ALMEIDA, A. P. P. V.; VERAS, Renato Peixoto; DOIMO, Leonice Aparecida. Avaliação do equilíbrio estático e dinâmico de idosas praticantes de hidroginástica e ginástica. Revista Brasileira Cineantropometria Desempenho Humano, v. 12, n. 1, 2010. DURINGON OFS, Sa CSS, Sitta LV. Validação de um protocolo de avaliação do tono muscular e atividades funcionais para crianças com paralisia cerebral. Rev Neurocienc 2004. DUSING SC, Izzo TA, Thacker LR, Galloway JC. Postural complexity differs between infant born full term and preterm during the development of early behaviors. 2014. GRANTHAM-McGregor S, Cheung YB, Cueto S, Glewwe P, Richter L, Strupp B. Developmental potential in the first 5 years for children in development countries. Lancet. 2007. GUSMAN S, Torres CA. In: Diament A, Cypel S (eds.). Neurologia infantil. 4.ed. v.2. São Paulo: Atheneu, 2005. KANDEL ER, Schwartz JK, Jessé TM.Principles of neural science. 3.ed. New Jersey: Prentice‐Hall International, 1991. MCMAHON E, Wintermark P, Lahav A. Auditory brain development in premature infants: the importance of early experience. Ann N Y Acad Sci. 2012. MILLER F. Cerebral Palsy. New York, NY: Springer-Verlag, Inc; 2005. O ‘SULLIVAN SB. Avaliação do controle motor. In: O’Sullivan SB, Schmitz TJ (eds.). Fisioterapia: Avaliação e tratamento. 2.ed. São Paulo: Manole, 1993. PRADO, Cristiane; VALE, Luciana Assis, coordenadoras. Fisioterapia neonatal e pediátrica. Barueri, SP: Manole, 2012. SANTOS CCD, Ravanini GS. Aspectos do diagnóstico do desenvolvimento motor. In: Ribeiro MVLM, Gonçalves VMM (eds.). Neurologia do desenvolvimento da criança. 2.ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2006. SANTOS JB. Ouvir o paciente: A anamnese no diagnóstico clínico. Brasília Médica. 1999. 33 SHUMWAY‐COOK A, Woollacott MH. Controle motor: teoria e aplicações práticas. 2.ed. Barueri: Manole, 2003. WIMALASUNDERA, N.; STEVENSON, V. L. Cerebral palsy. Pract Neurol., 2016. Fonte Fonte: adaptada do software Physio Tools® Fonte: Arquivo do Ministério da Saúde Fonte: Bohannon, R. W., Smith, M. B. A. Ashworth Scale, de espasticidade muscular; 1987. Fonte: Carvalho M. O desenvolvimento motor normal da criança de 0 a 1 2011. Fonte : Liddle TL, Yorke L. Coordenação motora. São Paulo: M. Books; 2007. Fonte: http://imagebase.net/imagens/2018. Fonte: https://www.surgeryjournal.co.uk/article/. Fonte:https://eusoumaisfisio.blogspot.com/2014/05/reflexos-primitivos. http://imagebase.net/imagens/2018 https://www.surgeryjournal.co.uk/article/ https://eusoumaisfisio.blogspot.com/2014/05/reflexos-primitivos