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HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE 1 2 HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE EXERCÍCIOS. 1. (Fmj 2021) Cândido Neves perdera já o ofício de entalhador. Pegar escravos fugidos trouxe-lhe um encanto novo. Fixados os sinais e os costumes de um escravo fugido, gastava pouco tempo em achá- lo, segurá-lo e levá-lo. Já lhe sucedia, ainda que raro, enganar-se de pessoa, e pegar em escravo fiel que ia a serviço de seu senhor. Certa vez capturou um preto livre; desfez-se em desculpas, mas recebeu grande soma de murros que lhe deram os parentes do homem. Um dia os lucros entraram a escassear. A vida fez-se difícil e dura. Comia-se fiado, o senhorio mandava pelos aluguéis. (Machado de Assis. Pai contra mãe, 2010. Adaptado.) Esse conto foi publicado no livro Relíquias de casa velha, editado pela primeira vez em 1906. O enredo faz uma descrição do Segundo Reinado brasileiro, ressaltando a) a participação de homens livres no movimento pela emancipação dos escravos. b) a aprovação pelo governo da lei de concessões de alforrias individuais de escravos. c) os efeitos abrangentes da exploração da escravidão nas relações sociais. d) a sujeição do conjunto da população de origem africana ao regime de escravidão. e) as reações indignadas das classes sociais populares à opressão dos escravos. 2. (UFPR 2020) Em 1888, a princesa Isabel, filha do imperador do Brasil, Pedro 2º, assinou a Lei Áurea, decretando a abolição […]. A decisão veio após mais de três séculos de escravidão, que resultaram em 4,9 milhões de africanos traficados para o Brasil, sendo que mais de 600 mil morreram no caminho. (Amanda Rossi e Camilla Costa, postado em 13 de maio de 2018 – BBC Brasil em São Paulo. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44091469. Acesso em 25 de junho de 2019.) De acordo com o trecho acima, considere as seguintes afirmativas: 1. A chamada “Lei Áurea”, assinada pela princesa Isabel, não pode ser vista como uma concessão da monarquia, sendo resultado de um longo processo de luta e resistência que contou com a presença ativa de escravizados e escravizadas para sua libertação do cativeiro. 2. No período imediato que sucedeu à abolição, os libertos puderam contar com medidas de apoio na forma de distribuição de pequenos lotes de terra, tal como aconteceu nos Estados Unidos após a Guerra Civil, com a chamada “Reconstrução”. 3. Escravizados e escravizadas receberam apoio de muitos setores da sociedade da época ligados ao movimento abolicionista, sendo Luís Gama, filho de escrava e advogado autodidata, um dos personagens mais célebres e atuantes, empenhando-se na libertação de centenas de cativos e cativas. 4. Os segmentos da sociedade adeptos do regime escravista defendiam a “emancipação gradual” e nutriam o profundo receio de que a abolição imediata da escravidão trouxesse desorganização econômica e provocasse o caos social. Assinale a alternativa correta. a) Somente a afirmativa 3 é verdadeira. b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. c) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras. d) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras. e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras. 3. (Enem digital 2020) Lei n. 3 353, de 13 de maio de 1888 A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembleia-Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte: Art. 1º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. Art. 2º: Revogam-se as disposições em contrário. Manda, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram, e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém. Dada no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1888, 67º ano da Independência e do Império. Princesa Imperial Regente. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 6 fev. 2015 (adaptado). HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE 3 Um dos fatores que levou à promulgação da lei apresentada foi o(a) a) abandono de propostas de imigração. b) fracasso do trabalho compulsório. c) manifestação do altruísmo britânico. d) afirmação da benevolência da Corte. e) persistência da campanha abolicionista. 4. (Uece 2020) Atente para o seguinte excerto a respeito da abolição da escravatura no Brasil: “[…] a abolição da escravatura não eliminou o problema do negro. A opção pelo trabalhador imigrante, nas áreas regionais mais dinâmicas da economia, e as escassas oportunidades abertas ao ex-escravo, em outras áreas, resultaram em uma profunda desigualdade social da população negra. Fruto em parte do preconceito, essa desigualdade acabou por reforçar o próprio preconceito contra o negro. Sobretudo nas regiões de forte imigração, ele foi considerado um ser inferior, perigoso, vadio e propenso ao crime; mas útil quando subserviente”. FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2013, p. 169. Considerando o processo histórico de abolição da escravatura no Brasil, é correto afirmar que a) foi, além de muito rápido, suficiente para acabar com o escravismo e logo inserir o ex-escravo, de forma igualitária, nos diversos espaços da sociedade brasileira. b) além de lento, considerando-se o lapso temporal entre a Lei Eusébio de Queirós, de cunho abolicionista, de 1850, e a Lei Áurea, de 1888, não representou o fim da marginalização da população negra. c) o país, por ser pioneiro na abolição da escravatura, encontrou grande dificuldade, pois, não havendo exemplos a serem seguidos, obrigou-se a construir seu próprio modelo de inclusão social para os ex-escravos. d) como nos EUA, onde os ex-escravos foram plenamente aceitos na sociedade por sua capacidade de produção, os ex-escravos brasileiros também tiveram oportunidade de ingressar no mercado de trabalho e experimentar chances iguais para vencer na vida. 5. (Ufrgs 2019) Observe a tabela abaixo, que apresenta o número de africanos escravizados que desembarcaram no Brasil, após a independência, e considere o texto do historiador Sidney Chalhoub. PERÍODO NÚMERO DE AFRICANOS ESCRAVIZADOS QUE DESEMBARCARAM NO BRASIL 1826-1830 329.670 1831-1835 101.924 1836-1840 313.784 1841-1845 162.170 1846-1850 324.991 1851-1855 8.292 1856-1860 520 Disponível em: <http://www.slavevoyages.org/assessment/ estimates>. Acesso em: 10 set. 2018. Não obstante a proibição legal, e após decrescimento temporário nas entradas de africanos durante a primeira metade da década de 1830, o comércio negreiro, então clandestino, assumiu proporções aterradoras nos anos seguintes, impulsionado pela demanda por trabalhadores para as fazendas de café, useiro e vezeiro no logro aos cruzeiros britânicos, auxiliado pela conivência e corrupção de autoridades públicas e com o apoio de setores diversos da população. [...] Não custa meditar por um momento no que se acaba de anunciar: a riqueza e o poder dos cafeicultores, que se tornaria símbolo maior da prosperidade imperial ao longo do Segundo Reinado, viabilizaram-se ao arrepio da lei, pela aquisição de cativos provenientes de contrabando. CHALHOUB, Sidney. A força da escravidão: ilegalidade e costume no Brasil oitocentista.Rio de Janeiro: Cia. das Letras, 2012. p. 36-37. Considere as seguintes afirmações sobre os dados e o texto acima. I. O tráfico transatlântico, durante a maior parte do Império Brasileiro, foi uma prática ilegal, sustentada, entre outras coisas, pelo conluio de elites econômicas com setores da administração monárquica. II. A flutuação do número de africanos escravizados que desembarcaram no Brasil explica-se apenas pela dinâmica de oferta e procura, sem o impacto de leis e tratados nacionais e internacionais. III. O número de africanos escravizados teve um imediato decréscimo nos cinco anos seguintes à aprovação da Bill Aberdeen pelo parlamento britânico, que autorizava o aprisionamento de navios negreiros pela Marinha inglesa. Quais estão corretas? 4 HISTÓRIADO BRASIL COM RODRIGO BIONE a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e III. e) I, II e III. 6. (Fmj 2020) Observe o afresco de Cândido Portinari, pintado em 1938 para compor o mural do Ministério da Educação no Rio de Janeiro sobre os ciclos econômicos do Brasil. No Brasil colonial, um fator essencial para a organização da atividade econômica representada no afresco foi a) a divisão dos engenhos de açúcar em datas, que eram lotes de terra de tamanhos variáveis, distribuídos de acordo com o número de escravos e de trabalhadores livres de cada senhor de engenho. b) a instituição do regime de porto único, em que se reservou ao porto de Recife o privilégio exclusivo de exportar o açúcar para a metrópole e importar produtos manufaturados da Europa. c) a participação financeira dos holandeses, já que a produção de açúcar exigia grande número de escravos, instalações de alto custo e mão de obra especializada. d) a implantação do estanco, que consistia em um monopólio do cultivo da cana e da produção do açúcar, autorizado pelo rei de Portugal. e) a criação do colonato, regime de trabalho em que o empregado do engenho era pago, em parte, por tarefa executada e, em parte, pela colheita anual. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Texto I O branco açúcar que adoçará meu café Nesta manhã de Ipanema Não foi produzido por mim Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre Vejo-o puro E afável ao paladar Como beijo de moça, água Na pele, flor Que se dissolve na boca. Mas este açúcar Não foi feito por mim. Este açúcar veio Da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira, Dono da mercearia. Este açúcar veio De uma usina de açúcar em Pernambuco Ou no Estado do Rio E tampouco o fez o dono da usina. Este açúcar era cana E veio dos canaviais extensos Que não nascem por acaso No regaço do vale. Em lugares distantes, onde não há hospital Nem escola, Homens que não sabem ler e morrem de fome Aos 27 anos Plantaram e colheram a cana Que viraria açúcar. Em usinas escuras, Homens de vida amarga E dura Produziram este açúcar Branco e puro Com que adoço meu café esta manhã em Ipanema. GULLAR, F. “O Açúcar”. Toda poesia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1980. HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE 5 Texto II * Texto da imagem: “Em 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, mas nem todo mundo conseguiu ler.” As informações contidas na imagem do texto II, localizadas no canto inferior direito, não foram reproduzidas, pois não interferem na resolução das questões apresentadas. 7. (Fatec 2020) O texto II remete a um período de produção do açúcar em que se estabeleceu um tipo característico de relação social e de trabalho. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, algumas das características dessas relações sociais e de trabalho nos engenhos de açúcar da América portuguesa, no século XVI. a) O modelo de produção de açúcar na América portuguesa beneficiou-se da prática corrente entre os povos africanos, que se ofereciam voluntariamente à escravidão, como forma de fugir das más condições econômicas e climáticas características do subdesenvolvimento do seu continente. b) A escravidão africana foi justificada por diferentes narrativas que utilizavam passagens bíblicas para defender o trabalho forçado como castigo divino ou como forma de expiação dos supostos pecados dos africanos, que, muitas vezes, na América portuguesa, foram separados de membros de suas famílias e comunidades. c) Embora no sudeste prevalecesse a escravidão africana, nos engenhos de açúcar do Nordeste, a mão de obra escravizada era predominantemente de origem indígena andina, fornecida por traficantes de escravos especializados em atravessar clandestinamente a linha de fronteira demarcada pelo Tratado de Tordesilhas. d) Ao contrário das capitanias do Nordeste, que utilizavam mão de obra escravizada, a capitania de São Vicente se caracterizou pelo açúcar de alta qualidade, produzido a partir da mão de obra livre de imigrantes italianos e alemães, que vinham para a América fugindo das guerras de unificação de seus respectivos países. e) A escravidão de africanos e afrodescendentes nos engenhos de açúcar coloniais seguia a lógica interna das sociedades africanas, cujo sistema de produção de commodities em larga escala foi tomado como modelo para o desenvolvimento das colônias europeias em todo o continente americano. 8. (Ufms 2019) Quando pensamos na diversidade de paisagens, associada à extensão territorial e às formas como foram povoadas as diversas regiões do Brasil, retomamos a ideia de que o País assume dimensões continentais. Além da vastidão do território, é importante lembrar que o Brasil também possui uma história riquíssima e que cada região foi marcada por uma atividade econômica ao longo do período de ocupação pós-1500. Assim, assinale a alternativa que associa corretamente: a região do país, a atividade econômica que historicamente foi praticada na região, o período em que obteve maior êxito e qual foi a matriz da mão de obra utilizada. a) Região Nordeste; mineração; período imperial; trabalho assalariado. b) Região Sul; lavoura açucareira; período colonial; trabalho escravo. c) Região Norte; produção de algodão; período imperial; trabalho indígena. d) Região Centro-Oeste; mineração; período republicano; trabalho assalariado. e) Região Sudeste; mineração; período colonial; trabalho escravo. 9. (Upf 2019) É praticamente um consenso historiográfico a interpretação de que onde houve escravidão, houve resistência. Os escravos jamais se conformaram com a perda da liberdade e as rebeliões representaram a principal forma de resistência coletiva.Sobre o tema, responda: qual foi a maior revolta de cativos no Brasil, liderada por escravos muçulmanos, tendo a participação de africanos e crioulos, escravos e libertos, atingindo mobilização de cerca de 600 revoltosos? a) Revolta de João Congo. 6 HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE b) Revolta de Nazaré das Farinhas. c) Levante dos Malês. d) Insurreição do Haiti. e) Revolta de Carrancas. 10. (Fgv 2020) Palmares conseguiu fazer o medo senhorial referente às fugas escravas chegar a seu ponto máximo e também marcou o auge dos grandes exércitos de aniquilação. É relativamente frequente, na correspondência oficial entre a metrópole e os governos do final do século XVII, a equiparação de Palmares à invasão holandesa, pelos danos, perigos e dificuldades da guerra. LARA, S. H., “Do singular ao plural. Palmares, capitães-do-mato e o governo dos escravos”. In REIS, J.J. e GOMES, F. dos S., Liberdade por um fio. História dos quilombos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 87. A respeito de Palmares e dos quilombos no Brasil, é correto afirmar: a) Apesar de ser apontado como o maior quilombo da História do Brasil, Palmares ofereceu menor risco que outros quilombos, pela forte presença de missionários católicos em seu interior. b) As ações de repressão e aniquilação dos quilombolas, no período colonial, deveram-se à estrutura política centralizada e à formação de forte exército senhorial, que impunham a ordem escravista no Brasil. c) Palmares e muitos dos quilombos surgidos na região nordeste mantiveram-se completamente fora do circuito das transações comerciais e da circulação de bens coloniais. d) A violenta destruição de Palmares, ao final do século XVII, intimidou os escravos de outras regiões e marcou o início do declínio e do abandono dessa forma de resistência à escravidão no Brasil. e) A população de Palmares foi ampliada durante as lutas entre luso-brasileiros e holandeses, que provocaram constantes fugas de escravizados das plantations. Gabarito: 01: [C]; 02: [D]; 03: [E]; 04: [B]; 05: [A] 06: [C]; 07: [B]; 08: [E]; 09: [C]; 10: [E]