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1 
 
OS FATOS HISTÓRICOS, AS FONTES E O TEMPO: Compreensões a partir 
dos movimentos historiográficos desde o positivismo até a Nova História. 
 
Leandro Moura 
"... es will bloss zeigen wie es eigentlich gewesen ist1” 
(apenas mostrar como realmente aconteceu) 
A compreensão da história como um organismo vivo que consiste num “corpo de 
fatos verificados”2 traz a importância de conceitos como fontes históricas, fatos 
e procedimentos para produção historiográfica. Toda historiografia é fruto de 
estudos e pesquisas que são legitimadas com comprovações e metodologias. 
Estas passam ancorar o trabalho do historiador em bases que reafirmam a 
história como ciência. 
As primeiras discussões sobre o que é história e sua relação com “a verdade” e 
“o real” nos séculos XVIII e XIX traziam rejeição, por exemplo, à imagem do 
historiador como também objeto de estudo. A imparcialidade e a neutralidade 
eram fundamentais para não o questionamento de valor do historiador. A sua 
tarefa era, essencialmente, analisar a cronologia e catalogar documentos que 
validassem suas afirmações, na corrente positivista. 
Em oposição a esse pensamento, com o Historicismo, Leopold Von Ranke, 
contesta os métodos utilizados abraçando o historiador como parte da pesquisa, 
buscando uma narrativa pela organização dos fatos reconstituídos e 
fomentando, inclusive, a consolidação da história como disciplina universitária. 
Com o passar dos anos, diversas vertentes contribuíram para a construção da 
história como disciplina e para compreensão das suas especificidades. 
 
1 Leopold von Rank, Geschichte der Romanischen und Germanischen Võlker von 1494 bis 1514, no 
prefácio à primeira edição, de outubro de 1824, em "Sámtliche Werke", Leipzig, 1885, vol. 33, s. VII. 
2 Carr, Edward Hallet, 1892 C299q Que é história? conferências George Macaulay Trevelyan proferidas 
por E. H. Carr na Universidade de Cambridge, janeiro-março de 1961; tradução de Lúcia Maurício de 
Alverga, revisão técnica de Maria Yedda Linhares, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 3a ed. 1982. 
2 
 
Abaixo segue um quadro-resumo que pretende entender como as ideias de 
fatos, fontes e tempo foram vistas sob a ótica dos movimentos historiográficos 
conhecidos. 
 
QUADRO 1. A visão de cada movimento historiográfico. 
 
POSITIVISMO Compreensão da história a partir de 
documentos originais, verificáveis; 
Busca pela imparcialidade do 
historiador. Metodologia próxima da 
objetividade das ciências naturais. 
 
HISTORICISMO Considera o historiador como parte 
da pesquisa; Valorização da história 
factual; Metodologia própria das 
ciências sociais e humanas. 
MATERIALISMO 
HISTÓRICO 
Concepção de história voltada para 
os fatos reais e concretos da 
existência humana; Fatores 
econômicos e sociais para a leitura e 
compreensão da história. 
ESCOLA DOS 
ANNALES 
Recusa à concepção de história 
como simples narração; Valorização 
da interdisciplinaridade; Observação 
a partir de diversas fontes e 
testemunhos. A ideia de ‘História – 
Problema’. Análise das atividades 
humanas, não apenas sob o ponto 
de vista da história política; Mudança 
nas concepções de tempo. Estudo 
sobre as estruturas de longa 
duração. 
3 
 
NOVA 
HISTÓRIA 
Corresponde à Terceira Geração 
dos Annales. Rompimento da 
metodologia usada por Braudel. 
Diálogo com a antropologia e a 
psicologia; Estudo das 
mentalidades; Concepção de que o 
tempo é múltiplo e pluridirecionado. 
 
 
A CONSTITUIÇÃO DA HISTÓRIA COMO CIÊNCIA POR RANKE. 
 
O que podemos saber sobre Leopold Von Ranke, a partir do capítulo 1 do livro 
“A constituição da História como ciência: de Ranke a Braudel” de Julio 
Bentivoglio e Marcos Antônio Lopes? 
Leopold Von Ranke, um dos maiores historiadores alemães do século XIX, 
nasceu dezembro de 1975 em Turíngia, região luterana. Sua família tinha uma 
posição social consolidada na classe média e considerada como burguesa 
intelectual. Filho mais velho, formou-se professor e logo se tornou conhecido 
como um historiador promissor. Em 1824, publicou o primeiro volume de “História 
dos povos romanos e germânicos” e no ano seguinte, em 1825, foi nomeado 
professor da Universidade de Berlim. Em 1827, tem autorização para viajar e 
estudar bibliotecas por toda parte da Europa. Sua viagem terminou em 1831 e a 
experiência adquirida na pesquisa foi somada na constituição do seu 
pensamento histórico. Teve atuação decisiva na institucionalização da história 
como especialidade universitária. 
Os três princípios do padrão rakeano para o seu princípio histórico são: 
(1) Rigor metódico para estabelecer a qualidade da informação das fontes; 
(2) Relação entre outros campos do conhecimento; 
(3) Recusa de qualquer pensamento dogmático. 
Ele entendia a história como único caminho para a compreensão plena da vida 
humana. O conceito fundamental de objetividade norteava a construção 
4 
 
historiográfica. O uso indispensável do estudo das fontes históricas assegurava 
o “privilégio do necessário”. Buscava narrar os fatos como haviam acontecido 
sempre respeitando de forma fiel as informações das fontes. 
Sobre o trabalho do historiador, ele enumera seis exigências: 
(1) Amor à verdade, essência incompleta e complexa do homem; 
(2) Investigação documental aprofundada; 
(3) Interesse na totalidade; 
(4) Fundamentação no nexo causal; 
(5) Apartidarismo; 
(6) Compreensão da totalidade para a escrita de uma história universal. 
 
Ou seja, os caminhos propostos por Ranke estão atrelados: ao método de 
análise da verdade dos fatos a partir de documentação; à busca pela exposição 
“pura” dos fatos; ao princípio de estudo do concreto; e ao objetivo de reunir fatos, 
organizar, observar causas e efeitos e assim oferecer compreensão. 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BENTIVOGLIO, Julio & LOPES, Marcos Antônio (orgs.). A constituição da 
História como ciência: de Ranke a Braudel. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013. 
WEHLING, Arno. Em torno de Ranke: a questão da objetividade histórica. 
História, São Paulo, v. 23, nº 1, 1973. 
FREITAS, Itamar. Teorias da história na historiografia de Ranke. Ponta de Lança, 
São Cristóvão, v. 13, n. 25, jul. - dez. 2019.

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