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MODELAGEM
MATEMÁTICA
Unidade 2
Equações e função de segundo
grau; vetores; e matrizes
CEO
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Diretora Editorial
ALESSANDRA FERREIRA
Gerente Editorial
LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS
Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA
Autoria
GLAUCO ANTÔNIO DO NASCIMENTO
RAFAELA RODRIGUES OLIVEIRA AMARO
KÁTIA GISELLE ALBERTO BASTOS
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Glauco Antônio do Nascimento
Olá. Sou formado em Gestão de Negócios e em Licenciatura
em Matemática. Possuo MBA em Gestão Empresarial e experiência
técnico-profissional na área de Tecnologia da Informação (TI) há
mais de 29 anos. Na área da Educação, atuei por 6 anos como
professor nos ensinos Fundamental, Médio, Técnico e Superior
(Graduação e Pós-Graduação) de grandes universidades. Como
sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir a minha
experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas
profissões e estudos, fui convidado pela Editora Telesapiens a
integrar o seu elenco de autores independentes. Estou muito
feliz em ajudá-lo nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte
comigo!
Rafaela Rodrigues Oliveira Amaro
Olá. Sou formada em Matemática, especialista em
Metodologia do Ensino de Matemática e pós-graduada em Design
Educacional. Tenho ampla experiência no âmbito da Educação,
seja na sala de aula ou na elaboração de material didático para
diferentes níveis de ensino da Matemática. Apaixonada por
esta disciplina e pelo processo de sua transmissão, busco a
elaboração de um material de fácil compreensão. Por isso, fui
convidada pela Editora Telesapiens a integrar o seu elenco de
autores independentes. Estou muito feliz em poder auxiliá-lo
nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
Kátia Giselle Alberto Bastos
Olá. Sou licenciada em Matemática e especialista em
Metodologia do Ensino de Matemática com ampla experiência
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docente nas esferas dos ensinos Fundamental e Médio. Além
deste trabalho, tenho experiência como docente de cursos de
formação de professores em Educação Matemática. Por isso, fui
convidada pela Editora Telesapiens a integrar o seu elenco de
autores independentes. Estou muito feliz em poder auxiliá-lo
nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
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Equações do segundo grau aplicadas .................................... 11
Identificação e classificação da equação do segundo grau ....................... 11
Solução de uma equação do segundo grau incompleta ............................ 16
1º caso: quando b = 0 ........................................................................16
2º caso: quando c = 0 .........................................................................18
3º caso: quando b = 0 e c = 0 ..........................................................20
Solução de uma equação do segundo grau completa ............................... 21
Estudo do discriminante ..................................................................................28
Funções quadráticas na prática ............................................. 31
Função, domínio, contradomínio e imagem .................................................31
Função quadrática .............................................................................................33
Raízes ou zeros de uma função quadrática ..................................................38
Vetores aplicados à física e à computação ........................... 43
Parábola: concavidade e vértice .....................................................................43
Construção e interpretação do gráfico ..........................................................49
Matrizes e sua importância na tecnologia ............................ 57
Matrizes ...............................................................................................................57
Operações com matrizes ...................................................................61
Adição e subtração de matrizes ........................................ 61
Multiplicação de um número real por uma matriz ........ 62
Multiplicação de matrizes ................................................... 62
Vetores .................................................................................................................64
Adição de vetores ...............................................................................67
Regra do polígono ...............................................................................67
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Regra do paralelogramo...................................................... 69
Subtração de vetores .........................................................................70
Multiplicação de um número real por um vetor .......................... 72
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A disciplina Modelagem Matemática faz parte da cadeia
do ensino de exatas em todas as suas etapas. A sua principal
responsabilidade consiste em promover a prática da aritmética,
da álgebra elementar, das geometrias e espacial e também da
trigonometria. Possui grande influência na área da Física e da
Tecnologia da Informação (TI), uma vez que necessita de ajustes
e precisão nos resultados qualitativos e quantitativos. Assim,
a Matemática lhe proporcionará mais desenvoltura no seu
raciocínio logico e na sua organização.
Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar neste
universo!
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Olá! Seja bem-vindo(a) à Unidade 2 – Equações e função
de segundo grau; vetores; e matrizes. Nosso objetivo é auxiliá-
lo(a) no desenvolvimento das seguintes competências até o fim
desta etapa de estudos:
1. Entender e resolver problemas que envolvem equações
quadráticas ou equações de segundo grau.
2. Utilizar gráficos de segundo grau para descrever o
comportamento da variação de suas incógnitas, a fim
de compreender alguns fenômenos físicos na prática.
3. Definir vetores e entendendo suas aplicações em
situações-problema no campo da Física e da Informática.
4. Compreender o conceito de matrizes e discernir sobre
a sua importância e aplicação na Computação e demais
ciências afins.
Preparado para uma viagem rumo ao conhecimento? Ao
trabalho!
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Equações do segundo grau
aplicadas
OBJETIVO
Neste capítulo, vamos identificar uma equação do
segundo grau com uma incógnita e saberá aplicá-
la como um dispositivo que possibilita a resolução
de diferentes problemas. Além disso, vamos
compreender como determinar as raízes deste
tipo de equação.
Identificação e classificação da
equação do segundo grau
Toda igualdade que contém pelo menos uma letra
(incógnita), que representa um valor desconhecido, denominada
equação.
Uma equação pode ser classificada em relação ao
grau (maior expoente da incógnita) e quanto à quantidade de
incógnitas. Veja os exemplos:
Exemplo:
• 5x + 10 = x – 2
→ Equação do primeiro grau com
uma incógnita.
• a + 3b = 51
→ Equação do primeiro grau com
duas incógnitas.
• r2 + 3r = 13
→ Equação do segundo grau com
uma incógnita.
Então, chamamos de equação do grau quando o maior
expoente da incógnita for 2.
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DEFINIÇÃO
Chamamos de equação do segundo grau com
uma incógnita toda igualdade que pode ser escrita
na forma ax2 + bx + c = 0, sendo a, b e c números
reais e a≠0 (número real diferente de zero).
Em uma equação do segundo grau, é importante destacar
que:
• A forma ax2 + bx + c = 0 é chamada de forma geral ou
forma reduzida.
• Os números a, b e c são os coeficientes: a é coeficiente
de x2; b é coeficiente de x; e, c é o termo independente.
• O coeficiente a é diferentede zero (a≠0) para garantir
que a equação seja do segundo grau, pois terá o termo
ax2.
• O valor desconhecido (incógnita) é x.
Exemplo:
• 2x2 – x – 20 = 0
→ Equação do segundo grau com
uma incógnita.
• –y2 + 25 = 0
→ Equação do segundo grau com
uma incógnita.
• 2t2 – 16t = 0
→ Equação do segundo grau com
uma incógnita.
Em algumas situações a equação do segundo grau não
estará escrita na forma geral. Portanto, é importante que você
organize os termos em ordem decrescente de expoente para
então identificar corretamente os coeficientes da equação. Veja
os exemplos:
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Exemplo: determine os coeficientes das equações a seguir:
a) 6x2 – x = –5
b) 3y = 7 –y2
c) x2 = 9
d) 5x = 23 x
2
Solução: para determinar os coeficientes das equações
dadas, precisamos reescrevê-las na forma geral, ou seja,
ax2 + bx + c = 0. Então:
a) 6x2 – x = –5 → 6x2 – x + 5 = 0, portanto: a = 6; b = –1 e c = 5.
b) 3y = 7 – y2 → y2 + 3y – 7 = 0, portanto: a = 1; b = 3 e c = –7.
c) x2 = 9 → x2 – 9 = 0, portanto: a = 1; b = 0 e c = –9.
d) 5x = 23 x
2 → – 23 x
2 + 5x = 0, portanto: a=– 23 ; b = 5 e c = 0.
Note que em todos os exemplos o valor do coeficiente a
foi diferente de zero, pois todas as equações apresentadas eram
do segundo grau. Observe, ainda, que, em algumas delas, os
coeficientes b e c eram iguais a zero. Esse fator será importante
quando estivermos classificando esse tipo de equação.
Para solucionarmos a equação, utilizaremos técnicas que
possibilitam calcular o(s) valor(es) real(is) de x que torna(m) a
equação válida, isto é, verdadeira, e identificar corretamente os
coeficientes será essencial.
Toda equação do segundo grau pode ser classificada de
acordo com a composição de sua forma algébrica, que é dada por
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ax2 + bx + c = 0. Existem duas categorias: as equações quadráticas
completas e as equações quadráticas incompletas.
DEFINIÇÃO
Uma equação da forma ax2 + bx + c = 0 é chamada
de equação do segundo grau incompleta
quando a≠0 e pelo menos um dos coeficientes b
ou c é nulo.
Pela definição, podemos concluir que as equações do
segundo grau do tipo incompletas podem ser escritas das
seguintes maneiras:
• Se b = 0, então, ax2 + c = 0;
• Se c = 0, então, ax2 + bx = 0;
• Se b = 0 e c = 0, então, ax2 = 0.
Analise os exemplos a seguir:
Exemplo: classifique as equações a seguir em completas
ou incompletas:
a) –x2 + x = 0
b) 3x2 – x + 7 = 0
c) 2x2 = 0
d) x2 – 14 = 0
Solução: para classificar as equações primeiro precisamos
reescrevê-las na forma geral, ou seja, ax2 + bx + c = 0. Em
seguida determinamos quais são os coeficientes e depois
indicamos se ela é completa (quando a, b e c são diferentes
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de zero) ou incompleta (quando pelo menos um dos
coeficientes b ou c é igual a zero). Veja cada um dos casos:
a) –x2 + x = 0 → a = –1; b = 1 e c = 0, como c = 0, a equação
é incompleta.
b) 3x2 – x + 7 = 0 → a = 3; b = –1 e c = 7, como todos os
coeficientes são não nulos, ou seja, diferentes de zero, a
equação é completa.
c) 2x2 = 0 → a = 2; b = 0 e c = 0, como b = 0 e c = 0, a equação
é incompleta.
d) x2 – 1
4
= 0 → a = 1; b = 0 e c = – 1
4
, como b = 0, a equação
é incompleta.
Confira mais um exemplo:
Exemplo: a região retangular a seguir tem área igual a 42 cm2.
Escreva uma equação que represente a área da região
retangular e classifique-a em completa ou incompleta.
Solução: a área de uma região retangular é calculada pelo
produto do comprimento (base) pela altura da região, ou
seja, A = base ∙ altura. Como já sabemos que a área é igual
a 42 cm2, então:
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(x + 3) ∙ (x + 2) = 42
Aplicando a propriedade distributiva, reduzindo termos
semelhantes e escrevendo a equação na forma geral,
temos:
x2 + 2x + 3x + 6 = 42 → x2 + 5x + 6 – 42 = 0 → x2 + 5x – 36 = 0
Portanto, a equação que representa a área é x2 +5x – 36 = 0.
Os coeficientes são a = 1; b = 5 e c = –36. Logo, essa equação
é completa.
Note que elaboramos uma equação para fornecer a
área do retângulo mesmo sem saber o valor numérico de suas
dimensões. Se resolvermos essa equação poderemos então
saber quais são as dimensões da figura. Mas, como resolver uma
equação do segundo grau?
Para determinar as raízes da equação, existem
procedimentos (técnicas) mais adequadas para cada tipo de
equação. próximo item.
Solução de uma equação do
segundo grau incompleta
Resolver uma equação do segundo grau é encontrar os
valores reais x que a satisfazem. Para tanto, vamos iniciar nosso
estudo com métodos de resolução para equações incompletas.
1º caso: quando b = 0
DEFINIÇÃO
Quando b = 0, a equação do segundo grau é
incompleta e sua forma geral pode ser escrita
como ax2 + c = 0.
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Para resolver equações nessa forma, vamos proceder
de forma similar à resolução de uma equação do primeiro grau
com uma incógnita, ou seja, vamos isolar a incógnita em um
dos membros da equação utilizando as operações inversas. Veja:
Exemplo: considerando o conjunto dos números reais (ℝ),
resolva as equações incompletas a seguir:
a) x2 – 25 = 0
b) –3x2 + 27 = 0
c) x2 + 25 = 0
Solução: como as equações não possuem o coeficiente b,
então vamos isolar a incógnita em um dos membros por
meio das operações inversas. Então, obteremos:
a) x2 – 25 = 0 → x2 = 25 → x2 = 25 → x=±5.
Portanto, há duas possibilidades de solução (duas raízes):
x1 = –5 e x2 = 5.
b) –3x2 +27 = 0 → –3x2 = –27 → x2 = –27–3 → x
2 = 9 → x2 = 9 →
x = ±3.
Portanto, há duas possibilidades de solução (duas raízes):
x1 = –3 e x
2 = 3.
c) x2 + 25 = 0 → x2 = –25 → x2 = –25 → x = ± –25 .
O número –25 não é real, logo, não é possível calcular
o valor de –25 no conjunto numérico pedido no
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enunciado da situação. Portanto, não há raízes reais para
esta equação.
Observe que a solução das equações incompletas na
forma ax2 + c = 0 ou não são reais ou são duas raízes reais
distintas e opostas.
2º caso: quando c = 0
DEFINIÇÃO
Quando c = 0, a equação do segundo grau é
incompleta e sua forma geral pode ser escrita
como ax2 + bx = 0.
Nesse caso, resolveremos a equação utilizando a técnica
do fator comum em evidência. Confira:
Exemplo: considerando o conjunto dos números reais (ℝ),
resolva as equações incompletas a seguir:
a) x2 – 5x = 0
b) 3x2 + 18x = 0
c) 2x2 + 3x = 0
Solução: como as equações não possuem o coeficiente
c, usaremos a técnica de fatoração “fator comum em
evidência” para escrever a equação em forma de um
produto. Observe:
a) O fator comum na equação x2 – 5x = 0 é x, logo, podemos
reescrever a equação como x(x – 5) = 0. Note que se um
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produto tem resultado igual a zero, então um dos fatores
tem que ser igual a zero. Assim
x(x – 5) = 0
x = 0 x – 5 = 0ou
A segunda possibilidade é uma equação do primeiro grau
com uma incógnita que pode ser resolvida isolando a
incógnita em um dos membros:
x2 – 5 = 0 → x2 = 5.
Portanto, há duas possibilidades de solução (duas raízes):
x1 = 0 e x2 = 5.
b) O fator comum na equação 3x2 + 18x = 0 é 3x, logo,
podemos reescrever a equação como 3x(x + 6) = 0. Como
o resultado do produto é zero, então um dos fatores tem
que ser igual a zero. Assim,
3x = 0 ou x + 6 = 0
Resolvendo as duas equações do primeiro grau com uma
incógnita obtemos:
1.ª) 3x1 = 0 → x1 =
0
3 → x1 = 0
2.ª) x2 + 6 = 0 → x2 = 0 – 6 → x2 = –6.
Portanto, há duas possibilidades de solução (duas raízes):
x1 = 0 e x2 = –6.
c) O fator comum na equação 2x2 + 3x = 0 é x, logo, podemos
reescrever a equação como x(2x + 3) = 0. Como o resultado
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do produto é zero, então um dos fatores tem que ser igual
a zero. Assim,
x = 0 ou 2x + 3 = 0
Resolvendo a equação do primeiro grau com uma incógnita
obtemos:
2x2 + 3 = 0 → 2x2 = –3 → x2= –
3
2 .
Portanto, há duas possibilidades de solução (duas raízes):
x1 = 0 e x2 = –
3
2 .
Observe que a solução das equações incompletas na
forma ax2 + bx = 0 sempre são duas raízes reais distintas,
sendo uma delas igual a zero.
3º caso: quando b = 0 e c = 0
DEFINIÇÃO
Quando b = 0 e c = 0, a equação do segundo grau
é incompleta e sua forma geral pode ser escrita
como ax2 = 0.
Para resolver equações incompletas dessa forma, vamos
proceder de maneira análoga à resolução de uma equação
do primeiro grau com uma incógnita, ou seja, vamos isolar
a incógnita em um dos membros da equação utilizando as
operações inversas. Veja:
Exemplo: considerando o conjunto dos números reais (ℝ),
resolva as equações incompletas a seguir:
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a) 10x2 = 0
b) –6x2 = 0
c) 2,5x2 = 0
Solução: como as equações não possuem os coeficientes b
e c, vamos isolar a incógnita em um dos membros por meio
das operações inversas. Então, obteremos:
a) 10x2 = 0 → x2 = 010 → x
2 = 0 → x2 = ± 0 → x = 0.
Portanto, há duas possibilidades de solução (duas raízes):
x1 = x2 = 0.
b) –6x2 = 0 → x2 = 0–6 → x
2 = 0 → x2 = ± 0 → x = 0.
Portanto, há duas possibilidades de solução (duas raízes):
x1 = x2 = 0.
c) 2,5x2 = 0 → x2 = 02,5 → x
2 = 0 → x2 =±√0 → x = 0.
Portanto, há duas possibilidades de solução (duas raízes):
x1 = x2 = 0.
Observe que a solução das equações incompletas na
forma ax2 = 0 são duas raízes reais e iguais a zero.
Solução de uma equação do
segundo grau completa
Assim como na resolução dos casos de equações
incompletas, existem alguns métodos para a resolver uma
equação do segundo grau na forma ax2 + bx + c = 0. Dentre eles,
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destacamos: soma e produto; completar quadrados; fatoração
do trinômio quadrado perfeito; e fórmula resolutiva.
Optamos, neste estudo, por aprofundar nosso olhar para
o método da fórmula resolutiva, pois é uma técnica que pode ser
utilizada tanto para equações completas quanto incompletas.
A fórmula resolutiva para equação do segundo grau,
popularmente conhecida como fórmula de Bháskara, é um
dispositivo utilizado na determinação das raízes de uma equação
quadrática.
DEFINIÇÃO
Seja ax2 + bx + c = 0, com a, b e c números reais
e a≠0, uma equação do segundo grau, então,
podemos calcular o valor das raízes desta equação
utilizando a seguinte relação matemática:
(1)
x = –b ±
2a
b2 – 4ac
Podemos indicar a expressão b2 – 4ac pela letra
do alfabeto grego Δ (delta):
(2)
Δ = b2 – 4ac
Assim, a fórmula resolutiva de uma equação do
segundo grau (ou fórmula de Bháskara) pode ser
reescrita como:
(3)
–b ±
2a
Δ
Portanto, para utilizar a fórmula é necessário
identificar corretamente os coeficientes da
equação quadrática, fazer as substituições
correspondentes e realizar as operações
indicadas.
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IMPORTANTE
Existem situações nas quais encontramos os
coeficientes fora da ordem estabelecida ou então
a equação não está reduzida. Lembre-se de
escrever a equação na forma geral (ax2 + bx + c = 0)
para depois identificar os coeficientes: a é o valor
(coeficiente) do termo “ao quadrado”, b acompanha
o termo de “grau um” e c é independente.
VOCÊ SABIA?
Embora seja muito conhecida por Fórmula de
Bháskara, a fórmula resolutiva de uma equação
do segundo grau não foi criada por ele! Saiba
mais através do artigo da A Fórmula de Bháskara,
disponível no QR-Code.
Para você compreender melhor como funciona o método
de resolução utilizando a fórmula. Observe:
Exemplo: considerando o conjunto dos números reais (R),
resolva as equações:
a) x2 – 5x + 6 = 0
b) x2 – 10x + 25 = 0
c) –x + x2 + 5 = 0
Solução: primeiro, observe se as equações já estão
reduzidas e escritas na forma geral; Em seguida faça uma
https://rpm.org.br/cdrpm/39/12.htm
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lista identificando os coeficientes (a,b e c); Substitua esses
valores na fórmula do delta (Δ = b2 – 4ac) e depois o número
delta e os demais valores devem ser substituídos na
fórmula x = –b ±
2a
Δ e assim, obter as raízes da equação.
a) Na equação x2 – 5x + 6 = 0 os coeficientes são: a = 1; b = –5
e c = 6. Então o valor de delta será igual a:
Δ = b2 – 4ac
Δ = (–5)2 – 4 ∙ 1 ∙ 6
Δ = 25 – 24
Δ = 1
Substituindo na fórmula resolutiva (Bháskara), obtemos:
x = –b ±
2a
Δ
x = –(–5) ±2 ∙ 1
1
Note que antes da raiz quadrada há o sinal ± que indica
que há duas possibilidades: “somar o resultado da raiz
quadrada” ou “subtrair o resultado da raiz quadrada”.
Assim, podemos chegar em dois resultados:
–(–5) ±
2 ∙ 1x =
x1 = =
=
= 3
= 2x2 =
1
5 + 1
2
5 – 1
2
6
2
4
2
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Portanto, a solução desta equação é dada por duas raízes
reais e distintas: x1 = 3 e x2 = 2. Usando a notação de
“conjunto solução” indicamos as raízes como S = {2,3}.
b) Na equação x2 – 10x + 25 = 0 os coeficientes são: a = 1;
b = –10 e c = 25.
Logo, o valor de delta será:
Δ = b2 – 4ac → Δ= (–10)2 – 4 ∙ 1 ∙ 25 → Δ = 100 – 100 → Δ = 0.
Substituindo na fórmula resolutiva (Bháskara), obtemos:
x = –b ±2a
Δ → x = –(–10) ±2 ∙ 1
0
Então:
–(–10) ±
2 ∙ 1x =
x1 = =
=
= 5
= 5x2 =
0
10 + 0
2
10 – 1
2
10
2
10
2
A solução desta equação é dada por duas raízes reais e
iguais: x1 = x2 = 5. Usando a notação de conjunto solução:
S = {5}.
c) A equação –x + x2 + 5 = 0 está com os termos fora da
ordem, então, devemos reescrevê-la: x2 – x + 5 = 0.
Coeficientes: a = 1; b = –1 e c = 5. Logo, o valor de delta será:
Δ = b2 – 4ac → Δ = (–1)2 – 4 ∙ 1 ∙ 5 → Δ = 1 – 20 → Δ = –19.
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Substituindo na fórmula resolutiva (Bháskara), obtemos:
x = –b ±2a
Δ → x = –(–1) ±
2 ∙ 1
–19 → x = 1 ±
2
–19
Note que o valor de delta é um número negativo (Δ<0).
Lembre-se que não é possível, no conjunto dos números reais,
extrair a raiz quadrada de um número negativo, pois a raiz
quadrada de um número negativo não é um valor real. Logo,
para a equação do exemplo não há raízes reais. De modo que,
usando a notação de conjunto solução indicamos como S={ }
ou S = ∅.
IMPORTANTE
O símbolo ∅ (vazio) representa que o conjunto
está vazio, ou seja, não há elementos. Podemos
indicar um conjunto vazio com as chaves vazias
(sem elementos), ou seja, { }. Nunca use as duas
notações juntas! O símbolo de vazio não pode
estar dentro das chaves, pois assim você indicará
um conjunto unitário.
Agora vamos observar um exemplo de uma situação problema que recai
em uma equação do segundo grau:
Exemplo: Um terreno retangular com medidas iguais (2x + 5)
metros por (x + 7) metros tem área igual a 180 m2. Quais
são as medidas desse terreno?
Solução: a área de um retângulo é dada pela fórmula
A = base ∙ altura. Como já sabemos que a área é igual a 180 m2
então: (2x + 5)∙(x + 7) = 180. Aplicando a propriedade
distributiva, reduzindo termos semelhantes e escrevendo
a equação na forma geral, temos: 2x2 + 5x + 14x + 35 – 180 = 0
→ 2x2 + 19x – 145 = 0. Os coeficientes são: a = 2; b = 19 e
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c = –145. Então o valor de delta será igual a: Δ = b2 – 4ac →
Δ = 192 – 4 ∙ 2 ∙ (–145) → Δ = 1521.
Substituindo na fórmula resolutiva (Bháskara), obtemos:
x = –b ±2a
Δ → x = –19 ±
2 ∙ 2
1521 → x = –19 ± 39
4
Portanto:
x1 =
–19 + 39
4
= 20
4
= 5
e
x2 =
–19 – 39
4
= –58
4
= – 29
2
= 14,5
Logo, x1 = 5 e x2 = –14,5. Para resolver o problema devemos
substituir o valor encontrado nas medidas do terreno (2x + 5)
metros e (x + 7) metros. Observe:
• Se x = –14,5, temos:
2x + 5 = 2 ∙ (–14,5) +5 = –29 + 5 = –24
e
x + 7 = –14,5 + 7 = –7,5
• Se x = 5, temos:
2x + 5 = 2 ∙ 5 + 5 = 10 + 5 = 15
e
x + 7 = 5 + 7 = 12
Note que, ao substituirmos o valor x = –14,5 obtivemos
medidas negativas. Como nossa situação problema trata de
medidas de comprimento, essa solução não serve. Logo, só
iremos considerar o caso em que x = 5, assim, as medidas desse
terrenosão 15 metros por 12 metros.
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Estudo do discriminante
Nos exemplos vistos no item anterior, observamos que,
a depender do valor encontrado para o Δ, a equação poderia
não ter raízes reais, ter duas raízes reais iguais ou ter duas raízes
reais distintas. Assim, podemos saber o comportamento das
raízes apenas calculando o valor do delta.
DEFINIÇÃO
Denominamos de discriminante da equação do
segundo grau o número:
(4)
Δ = b2 – 4ac
O valor negativo, nulo ou positivo do discriminante vai
determinar quantas raízes reais a equação terá quando seus
coeficientes forem números reais. Portanto:
• Se ∆ < 0, a equação não tem raízes reais.
• Se ∆ = 0, a equação tem duas raízes reais e iguais.
• Se ∆ > 0, a equação tem duas raízes reais e distintas.
Para compreender um pouco melhor, observe os
exemplos:
Exemplo: determine o valor de m para que a equação
2x2 + (m)x + 8 = 0 tenha:
a) Nenhuma raiz real
b) Uma raiz real
c) Duas raízes reais
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Solução: identificamos os coeficientes da equação: a = 2;
b = m e c = 8. Depois substituímos os valores na fórmula do
discriminante:
Δ = b2 – 4ac → Δ = (m)2 – 4 ∙ 2 ∙ 8 → Δ = m2 – 64 .
Calculando o valor de m para ∆ = 0 temos:
∆ = 0 → m2 – 64 = 0 → m2 = 64 → m2 = 64 → m = ±8.
Para m1 = –8 e m2 = 8, o valor de delta será igual a zero.
Veja o quadro de possibilidades para o discriminante:
Quadro 1 – Análise do discriminante para os valores m
Se m for... Exemplo: Δ = m2 – 64 Conclusão:
Menor que –8
(m < –8)
Se m = –10, Δ = (-10)2 – 64 = 100 – 64 = 36 Δ > 0
Igual a -8
(m = –8)
Se m = –8, Δ = (-8)2 – 64 = 64 – 64 = 0 Δ = 0
Maior que –8 e
menor que 8
(–8 < m < 8)
Se m = –1, Δ = (–1)2 – 64 = 1– 64 = –63
Se m = 0, Δ = 02 − 64 = −64
Se m = +5, Δ = (+5) 2 − 64 = 25 − 64 = −39
Δ < 0
Igual a 8
(m = 8)
Se m = + 8, Δ = (+8)2 - 64 = 64 – 64 = 0 Δ = 0
Maior que 8
(m > 8)
Se m = + 10, Δ = (+10)2 – 64 = 100 – 64 = 36 Δ > 0
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
Após a análise do quadro, e utilizando a relação entre
valor do discriminante e a quantidade de raízes, podemos
responder às seguintes questões:
a. Quando ∆ < 0 não há raízes reais e isso acontece se
–8 < m < 8.
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b. Quando ∆ = 0 há uma raiz real e isso acontece se m = –8
ou m = 8.
c. Quando ∆ > 0 há duas raízes reais e isso acontece se m < –8
ou m > 8.
RESUMINDO
Neste capítulo, vimos que uma equação do
segundo grau ou equação quadrática pode ser
escrita na forma geral ax2 + bx + c = 0 em que a, b
e c são números reais chamados de coeficientes e
a deve ser diferente de zero para que a equação
seja do segundo grau. Quando possuem todos os
coeficientes não nulos, as equações são completas.
Se pelo menos um dos coeficientes (b ou c) for
nulo, a equação é chamada de incompleta. Além
disso, vimos algumas técnicas para resolução de
equações incompletas e completas. Finalizamos
com a fórmula resolutiva de uma equação
(conhecida por fórmula de Bháskara) e com o
estudo do discriminante.
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Funções quadráticas
na prática
OBJETIVO
Neste capítulo, vamos compreender as funções
como relações de dependência unívoca entre
duas variáveis e suas representações numérica,
algébrica e gráfica, utilizando esse conceito para
analisar situações que envolvam função do
segundo grau (função quadrática) redutíveis à
forma ƒ(x) = ax2 + bx + c.
Função, domínio, contradomínio
e imagem
Antes de iniciar com o estudo sobre função quadrática,
vamos revisar o que é uma função e alguns tópicos relevantes para
a compreensão desta ideia, tais como domínio, contradomínio e
imagem.
Em situações em que há uma relação de dependência
entre as grandezas, podemos representar (modelar) a situação
por meio de uma fórmula matemática (regra ou lei de formação)
que relaciona essas grandezas: uma em função da outra. Assim,
uma função pode ser compreendia como uma aplicação entre
conjuntos, uma vez que relaciona elementos de dois conjuntos
A e B por uma lei de formação y = ƒ(x). Assim, uma função é
apresentada como ƒ: A → B (lê-se: função ƒ de A em B).
DEFINIÇÃO
Dada uma função ƒ: A → B, chama-se domínio
da função, indicado por D(ƒ), o conjunto A e
contradomínio função, indicado por CD(ƒ), o
conjunto B.
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DEFINIÇÃO
Dada uma função ƒ: A → B, denomina-se imagem
de x pela função ƒ cada elemento y ∈ B obtido
pela aplicação da função ƒ a cada elemento x ∈ A.
DEFINIÇÃO
O conjunto imagem da função ƒ, indicado por
Im(ƒ), é formado por todos os valores y (imagem de
x pela função ƒ). O conjunto imagem está contido
no conjunto contradomínio da função, Im(ƒ)⊂B.
Em outras palavras, para cada elemento x no domínio
da função existe um único elemento correspondente a ele que
foi “transformado” pela função ƒ em um ƒ(x) = y que está no
contradomínio da função.
Lembre-se também de que, em uma função, o valor que
pode ser “escolhido” (x) é a variável independente e o valor obtido
a partir dessa escolha (y) é a variável dependente.
De maneira a compreender melhor esses conceitos,
observe um exemplo:
Exemplo: considere a função ƒ: A → B representada
pelo diagrama a seguir:
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Após a análise do diagrama, indique os elementos que
pertencem aos conjuntos domínio, contradomínio e
imagem da função.
Solução: como a função é uma aplicação de A em B, note
que a flecha sai do conjunto A em direção ao conjunto
B. O domínio da função o conjunto de onde partem
(saem) os elementos x, portanto, D(ƒ) = A = {–3, 1, 2, 3}.
Já o contradomínio da função corresponde a todos os
elementos que estão no conjunto de “chegada”, ou seja,
CD(ƒ) = B = { 1, 4, 5, 9}, assim os elementos do contradomínio
são as possíveis imagens. O conjunto imagem, por sua vez,
corresponde aos valores de saída que foram convertidos
nos valores de chegada (onde a flechinha do domínio de
fato chegou), logo, Im(ƒ) = {1, 4, 9}.
Observe que em nosso exemplo o conjunto imagem não
coincidiu com o contradomínio, pois o elemento 5 não
pertence ao conjunto imagem.
De maneira geral, o domínio de uma função é o conjunto
dos números reais ℝ ou um de seus subconjuntos. Porém, se a
função estiver relacionada à uma situação real, deve-se verificar
o que a variável independente representa para então determinar
o seu domínio.
Função quadrática
O estudo da função não é limitado apenas ao âmbito da
Matemática, mas é colocado em prática em outras ciências, tais
como a Física e a Química. As funções do segundo grau estão
conectadas à inúmeras aplicações no cotidiano, tais como: na
análise do processo de fotossíntese das plantas; na administração,
estão diretamente relacionadas às funções custo, receita e lucro;
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e, na engenharia civil modelam diversas concepções interligadas
às construções.
DEFINIÇÃO
Denomina-se função quadrática ou função
polinomial do segundo grau, qualquer função ƒ
definida de ℝ (conjunto dos números reais) em
ℝ, cuja lei de formação pode ser escrita como um
polinômio do segundo grau, isto é, na forma ƒ(x) =
ax2 + bx + c, com a, b e c números reais e a≠0 (a é
um valor diferente de zero).
Exemplo: são exemplos de função do segundo grau:
• y = 12 x
2
• ƒ(x) = 3x2 – 2x
• g(x) = –x2 + 12x – 3
• h(x) = x2 – 8
Note que o coeficiente a tem que ser um valor não nulo,
ou seja, diferente de zero, para que o termo x2 exista e a função
seja quadrática. Não cumprindo essa condição, a função torna-se
afim (função do primeiro grau).
Para identificar os coeficientes a, b e c de uma função
quadrática deve-se adotar os mesmos procedimentos utilizados
na equação do segundo grau:
Exemplo: determine os coeficientes das funções a seguir:
a) ƒ(x) = 6x2 – x + 5
b) g(x) = x2 – 9
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c) h(x) = 5x + 23 x
2
Solução: para determinar os coeficientes das equações
dadas,precisamos deixá-las na forma geral, ou seja,
ƒ(x) = ax2 + bx + c. Então:
a) ƒ(x) = 6x2 – x – 5 → Coeficientes: a = 6; b = –1 e c = 5.
b) g(x) = x2 – 9 → Coeficientes: a = 1; b = 0 e c = –9.
c) h(x) = 5x + 23 x
2 → h(x)= 23 x
2 + 5x → Coeficientes: a = 23 ;
b = 5 e c = 0.
Atenção ao identificar os coeficientes quando a função
quadrática estiver representada de uma maneira menos explicita,
ou seja, de forma fatorada ou simplificada. Nestes casos, resolva
as operações, reduções e reorganizações necessárias a fim de
explicitar esses valores. Lembre-se: a função deve estar escrita
na forma geral para que se possa identificar os coeficientes.
Exemplo: determine os coeficientes das funções a seguir:
a) ƒ(x) = (x – 1) (x + 2)
b) ƒ(x) = 3x (x – 8)
c) ƒ(x) = (2x + 1)2
Solução: para determinar os coeficientes das equações
dadas, precisamos deixá-las na forma geral, ou seja, ƒ(x) =
ax2 + bx + c. Então, devemos realizar as multiplicações e
reagrupamentos que se fizerem necessários:
a) ƒ(x) = (x – 1) (x+2) → ƒ(x) = x2 + 2x – x – 2 → ƒ(x) = x2 + x – 2
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Portanto, os coeficientes são: a = 1; b = 1 e c = –2.
b) ƒ(x) = 3x (x – 8) → f(x) = 3x2 – 24x → Coeficientes: a = 3;
b = –24 e c = 0.
c) ƒ(x) = (2x + 1)2 → ƒ(x) = 4x2 + 4x + 1 → Coeficientes: a = 4;
b = 4 e c = 1.
Veja, agora, um exemplo envolvendo a lei de formação
da função.
Exemplo: seja ƒ: ℝ → ℝ uma função quadrática em que ƒ(0) = 3,
ƒ(1) = 1 e ƒ(2) = 3. Escreva a lei de formação dessa função.
Solução: para escrever a lei de formação da função
precisamos determinar quais são os coeficientes a, b e c
para substituí-los na forma geral da função quadrática,
ou seja, em ƒ(x) = ax2 + bx + c. Para tal, utilizaremos as
informações dadas pelo enunciado: a função é definida nos
reais e ƒ(0) = 3, ƒ(1) = 1 e ƒ(2) = 3. Iniciaremos substituindo
essas informações na forma geral e obtendo equações que
nos ajudarão a encontrar os coeficientes. Assim:
Para ƒ(0)=3 → a ∙ 02 + b ∙ 0 + c = 3 → 0 + 0 + c = 3 → c = 3 .
Como c = 3, ao calcular ƒ(1) = 1 e ƒ(2) = 3 teremos:
ƒ(1) =1 → a ∙ 12 + b ∙ 1 + 3 = 1 → a + b = 1 – 3 → a + b = –2 .
ƒ(2) = 3 → a ∙ 22 + b ∙ 2 + 3 = 3 → 4a + 2b = 3 – 3 →
4a + 2b = 0 .
Para encontrar os valores de a e b, resolveremos um sistema
de equações do primeiro grau com duas incógnitas.
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a + b = –2 (I)
(II)4a + 2b = 0{
Existem vários métodos de resolução. Aqui optamos por
utilizar o método da substituição. Antes disso vamos
“preparar” as equações (I) e (II). Observe:
(I) Isolamos b → a + b = –2 → b = –2 – a.
(II) Dividimos os membros por 2 → 4a + 2b = 0 → 4a2 +
2b
2 =
0
2
→ 2a + b = 0.
Substituindo (I) em (II):
2a + b = 0 → 2a+ (–2 – a) = 0 → 2a – 2 – a = 0 → 2a – a = 2 →
a = 2 .
Com o valor para a, faremos a substituição na equação (I):
b = –2 – a → b = –2 – (+2) → b = –2 – 2 → b = –4 .
Logo, os coeficientes da função são: a = 2; b = –4 e c = 3.
Portanto a lei de formação da função é dada por:
ƒ(x) = ax2 + bx + c → ƒ(x) = 2x2 – 4x + 3 .
Convido você, caro(a) aluno(a), a verificar a resposta
encontrada calculando os valores de ƒ(x) quando x for
igual a 0, 1 e 2. Deste modo será possível comprovar que
realmente a função ƒ(x) = 2x2 – 4x + 3 resulta em ƒ(0) = 3,
ƒ(1) = 1 e ƒ(2) = 3.
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Raízes ou zeros de uma função
quadrática
DEFINIÇÃO
Seja ƒ: ℝ → ℝ uma função de segundo grau. Quando
calculamos f(x) = 0, ou seja, ax2 + bx + c = 0, desejamos
encontrar o valor de x para qual a função se anula.
Neste caso, dizemos que encontramos o zero da
função ou a raiz da função.
Portanto, para determinar o zero da função utilizamos
as mesmas técnicas empregadas na resolução de equações do
segundo grau. Lembre-se que existem muitas maneiras para
resolvê-las (veja novamente o capítulo 1).
Por ser uma técnica eficiente para equações completas e
incompletas, optamos por enfatizar a fórmula resolutiva (fórmula
de Bháskara).
Veja o seguinte exemplo:
Exemplo: seja ƒ: ℝ → ℝ uma função cuja lei de formação é
dada por ƒ(x) = x2 – 2x – 3. Determine os zeros (ou raízes)
desta função.
Solução: calcular os zeros ou raízes da função é
determinar para qual(is) valor(es) de x a função se anula,
ou seja, f(x) = 0. Substituindo na lei de formação da função
obtemos a seguinte equação:
x2 – 2x – 3 = 0
Os coeficientes desta equação são: a = 1; b = –2 e c = –3.
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Então o valor de delta será igual a:
Δ = b2 – 4ac → Δ= (–2)2 – 4 ∙ 1 ∙ (–3) → Δ = 4 + 12 → Δ = 16.
Substituindo na fórmula resolutiva (Bháskara), obtemos:
–(–2) ±
2 ∙ 1→ x =x =
x1 = =
=
= 3
= –1x2 =
16
2 + 4
2
2 – 4
2
6
2
–2
2
–b ±
2a
Δ
Logo, o conjunto solução da equação é S = {–1,3}. E o
que esses resultados indicam no caso da função dada na
problematização? Eles significam que para x = –1 e para
x = 3 a função se anula, ou seja, ƒ(–1) = ƒ(3) = 0. Portanto, os
zeros da função ƒ(x) = x2 – 2x – 3 são –1 e 3.
Se você desejar conferir se realmente encontrou os zeros
da função, basta fazer a verificação da resposta. Veja: Na
função ƒ(x) = x2 – 2x – 3,
Se x = –1, então, ƒ(–1) = (–1)2 – 2 ∙ (–1) –3 → ƒ(–1) = 1 + 2 - 3 →
ƒ(–1) = 0;
Se x = 3, então, ƒ(3) = 32 – 2 ∙ 3 – 3 → ƒ(3) = 9 – 6 – 3 → ƒ(3) = 0.
Verificamos assim que os valores –1 e 3 são os zeros da
função.
Estudamos anteriormente que uma equação do segundo
grau, dependendo do valor do discriminante, pode: não ter
raízes reais; ter duas raízes reais iguais; ou, ter duas raízes reais
distintas. Portanto, para determinar a quantidade de zeros ou
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raízes de uma função ƒ(x) = ax2 + bx + c, devemos analisar o
discriminante da equação ax2 + bx + c = 0
DEFINIÇÃO
Seja ƒ: ℝ → ℝ dada por ƒ(x) = ax2 + bx + c, com a, b e
c reais e a≠0, em que Δ = b2 – 4ac, então:
• Se ∆ < 0, a função não tem raízes reais.
• Se ∆ = 0, a função tem duas raízes reais e
iguais.
• Se ∆ > 0, a função tem duas raízes reais e
distintas.
Para compreender um pouco melhor, observe os
exemplos:
Exemplo: analise o discriminante e determine a quantidade
de raízes das seguintes equações:
a) ƒ(x) = x2 – 2x + 4
b) ƒ(x) = x2 – 2x – 3
c) ƒ(x) = –x2 + 2x – 1
Solução: para estudar o discriminante e determinar a
quantidade de raízes (ou zeros) da função, primeiro,
identificamos os coeficientes e depois substituímos na
fórmula Δ = b2 – 4ac. Assim:
a) Em ƒ(x) = x2 – 2x + 4, os coeficientes são: a = 1; b = –2 e c = 4.
Logo, o valor do discriminante será:
Δ = (–2)2 – 4 ∙ 1 ∙ 4 → Δ = 4 – 16 → Δ = –12 .
41MODELAGEM MATEMÁTICA
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Como o valor do delta é menor que zero (Δ < 0), então a
função não possui raízes reais.
b) Em ƒ(x) = x2 – 2x – 3, os coeficientes são: a = 1; b = –2 e c = –3.
Logo, o valor do discriminante será:
Δ = (–2)2 – 4 ∙ 1 ∙ (–3) → Δ = 4 + 12 → Δ = 16 .
Como o valor do delta é maior que zero (Δ>0), então a
função possui duas raízes reais e distintas.
c) Em ƒ(x) = –x2 + 2x – 1 os coeficientes são: a = –1; b = 2 e
c = –1. Logo, o valor do discriminante será:
Δ = 22 – 4 ∙ (–1) ∙ (–1) → Δ = 4 – 4 → Δ = 0 .
Como o valor do delta é igual a zero (Δ = 0), então a função
possui raízes reais e iguais.
Exemplo: seja ƒ: ℝ → ℝ definida por f(x) = x2 – 2x + 3m.
Qual deverá ser o valor real de m para que a função tenha duas
raízes reais e iguais?
Solução: identificamos os coeficientes: a = 1; b = –2 e
c = 3m. Como a função tem duas raízes reais e iguais, ∆ = 0, então:
Δ = b2 – 4ac → 0 = (–2)2 – 4 ∙ 1 ∙ 3m → 0 = 4 – 12m →
–4 = –12m → m = –4
–12
= 1
3
.
Então, para a função ter duas raízes reais e iguais, m = 13 .
42 MODELAGEM MATEMÁTICA
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RESUMINDO
Neste capítulo, relembramos a definição de função
e conceitos de domínio, contradomínio e imagem.
Vimos que uma função quadrática ou função
polinomial do segundo grau tem a forma geral
igual a ƒ(x) = ax2 + bx + c, em que números reais a,
b e c são os coeficientesda função e a deve ser não
nulo (diferente de zero) para que a função tenha
o termo x2. Observamos que os zeros ou raízes da
função são os valores x que anulam a função, ou
seja, ƒ(x) = 0. Estudamos também que analisando o
discriminante da equação ax2 + bx + c = 0 associada
à função ƒ(x) podemos determinar a quantidade
de zeros que a função terá e, além disso, para
calcular o valor dos zeros (ou raízes) basta utilizar a
técnica de resolução de equação do segundo grau
que for mais adequada à função, sendo a fórmula
resolutiva (Bháskara) uma que se destaca, pois é
aplicável em todos os casos.
43MODELAGEM MATEMÁTICA
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Vetores aplicados à física e à
computação
OBJETIVO
Neste capítulo, vamos visualizar o esboço do
gráfico de uma função polinomial do segundo
grau, bem como compreender como funciona a
construção desse tipo de gráfico e as estruturas
que o compõem.
Parábola: concavidade e vértice
Para representar gráficos utilizaremos o plano cartesiano.
Lembre-se que as retas que o compõem recebem o nome de
“eixos”. Na horizontal temos o eixo das abscissas (x) e na vertical
o eixo das ordenadas (y). Esses eixos se interceptam em um
ponto denominado de origem.
Para plotar o gráfico deveremos indicar pontos no plano.
O “endereço” de cada ponto plotado é composto por duas
informações: uma relacionada ao x e outra ao y, por isso, as
coordenadas (x,y) do ponto recebem o nome de par ordenado.
Veja um exemplo de representação gráfica de um ponto no plano
cartesiano:
Figura 1 – Representação gráfica do ponto (1,2) no plano cartesiano
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
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Para representar uma função do segundo grau
graficamente precisaremos identificar pares ordenados que
satisfazem a lei de formação da função, ou seja, vamos atribuir
convenientemente valores para a variável independente x
e calcular o valor numérico da variável dependente y = f(x)
correspondente. Em seguida, localizaremos no plano cartesiano
o ponto formado pelo par ordenado (x, y). Como a função
é definida no conjunto dos reais, podemos ligar os pontos
plotados esboçando a curva que representa a função. Para você
compreender melhor, observe o seguinte exemplo:
Exemplo: construa o gráfico da função ƒ: ℝ → ℝ dada por
ƒ(x) = x2.
Solução: defina valores para a variável x, depois calcule
ƒ(x) = y. Veja:
Quadro 2 – Pontos que pertencem à função ƒ(x) = x2
x ƒ(x) = x2 (x, y)
–2 ƒ(-2) = (–2)2 = 4 (–2, 4)
–1 ƒ(–1) = (–1)2 = 1 (–1, 1)
0 ƒ(0) = (0)2 = 0 (0, 0)
1 ƒ(1) = (1)2 = 1 (1, 1)
2 ƒ(2) = (2)2 = 4 (2, 4)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022)
O gráfico da função ficará, portanto, da seguinte maneira:
45MODELAGEM MATEMÁTICA
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Figura 2 – Gráfico da função ƒ(x) = x2
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
Vejamos mais um exemplo:
Exemplo: construa o gráfico da função g: ℝ → ℝ dada por
g(x) = –x2.
Solução: defina valores para a variável x, depois calcule
g(x) = y. Veja:
Quadro 3 – Pontos que pertencem à função g(x) = –x2
x g(x) = –x2 (x, y)
–2 g(-2) = –(–2)2 =–4 (–2, –4)
–1 g(–1) = –(–1)2 = –1 (–1, –1)
0 g(0) = –(0)2 = 0 (0, 0)
1 g(1)= –(1)2 = –1 (1, –1)
2 g(2) = –(2)2 = –4 (1, –1)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
46 MODELAGEM MATEMÁTICA
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O gráfico da função ficará, portanto, da segunte maneira:
Figura 3 – Gráfico da função g(x) = –x2
Fonte: Elaborada pelo autor (2022)
Note que nos dois exemplos o gráfico da função ficou
com um formato semelhante (parecendo uma letra “U”). Essa
curva é chamada de parábola. Observe ainda que no primeiro
gráfico, ƒ(x) = x2, a parábola ficou virada para cima, já no segundo
caso, g(x) = –x2, ela ficou virada para baixo. Veja que a diferença
entre essas duas funções foi o sinal do coeficiente a. Na função
f(x) era a = 1, enquanto que na função g(x) era a = –1. A partir
dessas constatações, seguem duas definições importantes:
DEFINIÇÃO
O gráfico de uma função polinomial do segundo
grau ou função quadrática é sempre uma curva
chamada parábola.
47MODELAGEM MATEMÁTICA
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DEFINIÇÃO
A concavidade da parábola que representa uma
função quadrática depende do sinal do coeficiente
a:
• Se a > 0 a concavidade é voltada para cima.
• Se a < 0 a concavidade é voltada para baixo.
Ainda em relação aos exemplos, observe a parábola
atinge um ponto mais baixo ou um ponto mais alto. A esse ponto
denominamos de vértice.
Quando a concavidade é voltada para cima a função
atinge o ponto mais baixo possível, depois volta a subir. A esse
ponto chamamos de ponto de mínimo da função. Quando a
concavidade é voltada para baixo a função atinge o ponto mais
alto possível e depois volta a cair, nesse caso chamamos de
ponto de máximo da função.
Tanto no “ponto mínimo” quanto no “ponto máximo” essa
“altura” corresponde à ordenada do vértice da parábola.
É possível determinar as coordenadas do vértice da
função, V = (xV, yV ), através das seguintes fórmulas:
xV =
b
2a (4)
yV =
∆
4a (5)
Outra possibilidade para encontrar a ordenada do vértice
é calcular o valor de xV e depois substituir na própria função, ou
seja, ƒ(xV ) = yV.
Para auxiliar na sua compreensão, observe alguns
exemplos:
Exemplo: sem fazer o esboço do gráfico, indique como
será a concavidade da parábola das seguintes funções:
48 MODELAGEM MATEMÁTICA
U
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2
a) ƒ(x) = x2 – 36
b) ƒ(x) = 25 x
2 – 6x
c) ƒ(x) = –1,5x2 + x + 5
Solução: a concavidade da parábola que representa uma
função quadrática depende do sinal do coeficiente a.
Quando a > 0 a concavidade é voltada para cima e quando
a < 0 a concavidade é voltada para baixo. Portanto,
a) ƒ(x) = x2 – 36 → a = 1, então a > 0, logo a concavidade é
voltada para cima;
b) ƒ(x) = 25 x
2 – 6x → a = 25 ; então a > 0, logo a concavidade
é voltada para cima;
c) ƒ (x) = –1,5x2 + x + 5 → a = –1,5; então a < 0, logo a
concavidade é voltada para baixo.
Exemplo: determine as coordenadas do vértice da função
por ƒ(x) = x2 – 5x + 6. Esse ponto é máximo ou mínimo da
função? Explique.
Solução: identificamos os coeficientes da função são: a = 1,
b = –5 e c = 6. Portanto, usando relações apresentadas,
temos:
• xV =
–b
2a =
–(–5)
2 ∙ 1 =
5
2
• yV =
–∆
4a =
–(b2 – 4ac)
4a =
–[(–5)2 – 4 ∙ 1 ∙ 6]
4 ∙ 1 =
–[25 – 24]
4 = –
1
4
Logo, o vértice dessa função é V = ( 52 , –
1
4 ). Note que a > 0,
logo, a concavidade da parábola que representa a função
49MODELAGEM MATEMÁTICA
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2
quadrática é voltada para cima, portanto, o vértice é o
ponto mínimo da função.
Construção e interpretação do
gráfico
Na função afim (ou do primeiro grau) bastava indicar dois
pontos e já era possível construir o gráfico, pois, a representação
gráfica deste tipo de função é uma reta. Já o gráfico de uma
função quadrática (ou do segundo grau), como vimos a pouco, é
uma curva denominada “parábola”. E, diferentemente da função
afim, precisaremos de mais do que dois pontos para podermos
plotar o gráfico no plano cartesiano. Assim, seguiremos algumas
etapas para a construção do gráfico da função polinomial do
segundo grau:
• Identificar a concavidade da função (sinal do coeficiente
a).
• Estudar o discriminante da equação do segundo grau
associada e calcular as raízes (zeros) da função, se
houver.
• Determinar as coordenadas do vértice da função (ponto
máximo ou ponto mínimo).
• Se não tiver obtido pelo menos três pontos (duas raízes
e um vértice), escolha, convenientemente, outros dois
valores para x (dica: escolha um valor para x antes do
valor do xv e outro que esteja depois dele, de modo que
xv fique entre os outros dois valores).
• Localizar os pontos no plano e esboçar a parábola.
Veja os exemplos a seguir:
50 MODELAGEM MATEMÁTICA
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2
Exemplo: construa o gráfico das seguintes funções
quadráticas definidas no conjunto dos reais:
a) ƒ(x) = x2 – 6x + 9
b) g(x) = –x2 – x + 2
c) h(x) = x2 +2
Solução: seguindo os mesmos passos já indicados:
a)ƒ(x) = x2 – 6x + 9 → a = 1; b = –6 e c = 9.
• A concavidade da parábola é voltada para cima, pois
a > 0;
• ∆ = (–6)2 – 4 ∙ 1 ∙ 9 = 36 – 36 = 0, como ∆ = 0, então a
função possui duas raízes reais e iguais. Calculando
ƒ(x) = 0 temos:
–(–6) ±
2 ∙ 1→ x =x =
x1 = =
=
= 3
= 3x2 =
0
6 + 0
2
6 – 0
2
6
2
6
2
–b ±
2a
Δ
Então, o ponto que corresponde ao zero da função é igual
a (3, 0).
• Como a parábola é voltada para cima, o ponto é de
mínimo e suas coordenadas são iguais a:
xV = –
b
2a =
–(–6)
2∙1 =
6
2 = 3 e yV = –
∆
4a =
–0
4∙1 =
0
4 = 0
Então o vértice da parábola é o ponto V = (3, 0).
51MODELAGEM MATEMÁTICA
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2
• Por enquanto só temos um ponto: (3, 0) que é o zero
da função e também o vértice da parábola. Neste caso,
será necessário atribuir convenientemente mais dois
valores para x. Veja o Quadro 4:
Quadro 4 – Pontos que pertencem à função ƒ(x) = x2 – 6x + 9
x ƒ(x) = x2 – 6x + 9 (x, y)
2 ƒ(2) = 22 – 6 ∙ 2 + 9 = 4 –12 + 9 = 13 – 12 = 1 (2, 1)
3 ƒ(3) = 32 – 6 ∙ 3 + 9 = 9 – 18 + 9 = 18 – 18 = 0 (3, 0)
4 ƒ(4) = 42 – 6 ∙ 4 + 9 = 16 – 24 + 9 = 25 – 24 = 1 (4, 1)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
• Localizar os pontos no plano e esboçar a parábola.
Figura 4 – Gráfico da função ƒ(x) = x2 – 6x + 9
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
52 MODELAGEM MATEMÁTICA
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2
Note que o gráfico da função ƒ intercepta o eixo em
apenas um ponto, sendo este o vértice da parábola. Observe
também que geometricamente o “zero” ou “raiz” da função é o
ponto em que ela “corta” o eixo x. Neste caso, ∆ = 0, logo há duas
raízes reais e iguais, ou seja, apenas um ponto do gráfico que
tangencia o eixo horizontal. Além disso, o vértice da parábola é,
de fato, o ponto mínimo da função.
b) g(x) = –x2 – x + 2 → a = –1; b = –1 e c = 2.
• A concavidade da parábola é voltada para baixo, pois
a < 0;
• ∆ = (–1)2 – 4 ∙ (–1) ∙ 2 = 1 + 8 = 9, como ∆ > 0, então a
função possui duas raízes reais e distintas. Calculando
g(x) = 0 temos:
–(–1) ±
2 ∙ (–1)→ x =x =
x1 = =
=
= –2
= 1x2 =
9
1 + 3
–2
1 – 3
–2
4
–2
–2
–2
–b ±
2a
Δ
Então, os pontos (-2,0) e (1,0) são os zeros da função, ou
seja, são os pontos que interceptam o eixo x.
• Como a parábola é voltada para baixo, o ponto é de
máximo e suas coordenadas são iguais a:
xV =
–(–1)
2∙(–1)
= 1
–2
= –0,5 e yV =
–9
4∙(–1)
= –9
–4
= 2,25
Então, o vértice da parábola é o ponto V = (3; 2,25).
• Já definimos três pontos que pertencem à função: (–2, 0)
e (1, 0) que interceptam o eixo x, pois são os zeros ou
raízes, e o ponto (3; 2, 25) que é o vértice da parábola.
53MODELAGEM MATEMÁTICA
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2
Assim, não é necessário atribuir mais pontos para
plotar o gráfico.
• Localizar os pontos e esboçar o gráfico. Note que
geometricamente os zeros da função são os pontos em
que ela “corta” o eixo x. Como ∆ >0 a função possui duas
raízes reais e distintas, logo, intercepta o eixo x em dois
pontos diferentes. Além disso, o vértice da parábola é o
ponto de altura máxima que ela atinge, ou seja, ponto
de máximo. O gráfico da função g ficará da seguinte
maneira:
Figura 5 – Gráfico da função g(x) = –x2 – x + 20
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
c) h(x) = x2 + 2 → a = 1; b = 0 e c = 2.
• A concavidade da parábola é voltada para cima, pois
a > 0;
• ∆ = 02 – 4 ∙ 1 ∙ 2 = 0 – 8 = –8, como ∆ < 0, então a função
não possui raízes reais. Logo, não há valores reais para
x que anulem a função, ou seja, não há valores reais
54 MODELAGEM MATEMÁTICA
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tais que h(x) = 0. Geometricamente isso indica que a
parábola não intercepta o eixo das abscissas (eixo x).
• Como a parábola é voltada para cima, o ponto é de
mínimo e suas coordenadas são iguais a:
xV =
–0
2 ∙ 1 =
0
2 = 0 e yV =
–(–8)
4 ∙ 1 =
8
4 = 2
Então o vértice da parábola é o ponto V = (0, 2).
• Por enquanto só temos um ponto: (0, 2) que é o vértice
da parábola. Neste caso, será necessário atribuir
convenientemente mais dois valores para x. Veja o
Quadro 5:
Quadro 5 – Pontos que pertencem à função h(x) = x2 + 2
x g(x) = x2 + 2 (x, y)
–2 g(–2) = (–2)2 + 2 = 4 + 2 = 6 (–2, 6)
0 g(0) = 02 + 2 = 0 + 2 = 2 (0, 2)
2 g(2) = 22 + 2 = 4 + 2 = 6 (2, 6)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
Figura 6 – Gráfico da função h(x) = x2 + 2
Fonte: Elaborada pelo autor (2022)
55MODELAGEM MATEMÁTICA
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Como ∆ < 0 a função não possui raízes reais, portanto,
a parábola não intercepta o eixo das abscissas. Note que a
parábola tem a concavidade voltada para cima e vértice é o
ponto de mínimo.
SAIBA MAIS
Existem muitos aplicativos para auxiliar estudantes
em diversos níveis de ensino a explorar, visualizar
e compreender a matemática de uma maneira
dinâmica. O GeoGebra, por exemplo, é um
software gratuito que reúne álgebra, geometria,
planilhas, gráficos, estatística e cálculo em um
único ambiente. Explore as ferramentas clicando
no QR-Code.
Portanto, podemos ter uma ideia da posição da parábola
em relação aos eixos cartesianos, antes mesmo de esboçar o
gráfico. Observe a figura a seguir:
Figura 7 – Estudo do sinal do coeficiente a e do discriminante
https://www.geogebra.org/
56 MODELAGEM MATEMÁTICA
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Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
RESUMINDO
Neste capítulo, vimos que o gráfico de uma função
polinomial do segundo grau ou função quadrática é
representado por uma curva denominada parábola.
A concavidade da parábola é voltada para cima
quando a > 0 e voltada para baixo quando a < 0. Você
deve ter aprendido que, para construir o gráfico de
uma função quadrática é necessário definir alguns
pontos específicos sendo o vértice um deles. Vimos
também que a representação gráfica dos zeros ou
raízes da função é quando a parábola intercepta o
eixo das abscissas (eixo x) e no caso em que não
há raízes reais (∆ < 0), a parábola não intercepta o
eixo x.
57MODELAGEM MATEMÁTICA
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Matrizes e sua importância na
tecnologia
OBJETIVO
Ao término deste capítulo você conhecerá um
pouco mais a respeito das matrizes e dos vetores,
além de estudar conceitos e operações envolvendo
tais representações.
A grosso modo, podemos dizer que tanto as matrizes
quanto os vetores são estruturas utilizadas para representar
informações que apresentam uma grande quantidade de
variáveis, por meio de uma linguagem mais “simples”. Possuem
aplicabilidade em diversas áreas da Matemática, Física,
Engenharia, Biologia, Ciência da Computação, dentre outras.
Além de estarem intimamente relacionadas entre si.
Matrizes
DEFINIÇÃO
Sejam m e n números naturais não nulos.
Chamamos de matriz uma tabela constituída por m
linhas e n colunas, (m × n), indicada genericamente
da seguinte forma:
58 MODELAGEM MATEMÁTICA
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2
Logo, a matriz A pode ser escrita de forma abreviada
assim:
A = (ai j )
m×n (6)
Em que i é um número do conjunto {1,2,3,…,m} e indica
a linha em que o termo está e j é um número do conjunto
{1,2,3,…,n} e indica a coluna em que o termo está. Uma matriz
sempre será representada por uma letra maiúscula do nosso
alfabeto e pode ser delimitada por um par de parênteses ( ) ou
um par de colchetes [ ].
As matrizes organizam os elementos de maneira lógica,
a fim de facilitar a representação, visualização e consulta das
informações. Veja:
Exemplo: a matriz a seguir indica a o consumo mensal,
em quilogramas, de dois alimentos básicos durante um
trimestre, por uma família. As linhas indicam, nesta ordem,
o consumo de arroz e de feijão. Já as colunas indicam os
meses de janeiro, fevereiro e março. Observe:
10 8 9
5 7 11( )
Responda:
a) Quantos quilogramas de arroz foram consumidos no
mês de fevereiro?
b) Quantos quilogramas de feijão foram consumidos no
trimestre?
c) Quantos quilogramas de arroz e feijão foram consumidos
em janeiro?
59MODELAGEM MATEMÁTICA
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2
d) Qual é o número que está na posição a12 da matriz? O
que ele indica?
Solução: conforme o enunciado, as linhasindicam os
alimentos consumidos, em quilogramas e as colunas
indicam os meses. Portanto:
10 8 9
5 7 11( )
Jan.
Arroz
Feijão
Fev. Mar.
Agora basta olhar a posição dos números e responder as
perguntas:
a) No mês de fevereiro foram consumidos 8 kg de arroz.
b) No trimestre foram consumidos 5 + 7 + 11 = 23 kg de
feijão.
c) Em janeiro foram consumidos 10 + 5 = 15 kg de arroz e
feijão.
d) Ao compararmos a matriz apresentada com a matriz
genérica, temos:
10 8 9
5 7 11( ) = a11 a12 a13a21 a22 a23( )
Assim, o elemento que está na posição a12 está no
encontro da 1.ª linha com a 2.ª coluna, logo, é o número 8.
Este número indica quantos quilogramas de arroz foram
consumidos pela família em fevereiro.
60 MODELAGEM MATEMÁTICA
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Exemplo: obtenha a matriz A = (ai j )3×2 em que ai j = 2i – j.
Solução: queremos escrever uma matriz 3×2, ou seja, com
3 linhas e 2 colunas. Então, devemos fazer um esboço da
forma genérica desta matriz, calcular o valor de cada um
dos termos que a compõem, conforme a regra dada, e,
finalizar substituindo os resultados na forma geral. Veja:
a11
a11 = 2 ∙ 1 – 1 = 2 – 1 = 1
a21 = 2 ∙ 2 – 1 = 4 – 1 = 3
a31 = 2 ∙ 3 – 1 = 6 – 1 = 5
a12 = 2 ∙ 1 – 2 = 2 – 2 = 0
a22 = 2 ∙ 2 – 2 = 4 – 2 = 2
a32 = 2 ∙ 3 – 2 = 6 – 2 = 4
ai j = 2i – j
a12
a21
a31
A = →
3×2
a22
a32
( )
Logo, a matriz A =
a11 a12
a21
a31
a22
a32
( ) = 1 035 24( ).
Existem alguns tipos especiais de matrizes que você
precisa conhecer:
• Matriz linha: quando a matriz tem apenas uma linha.
• Matriz coluna: quando a matriz tem apenas uma
coluna.
• Matriz quadrada: quando matriz tem o número de
linhas igual ao número de colunas. Dizemos que esta
matriz é n×n ou de ordem n. Na matriz quadrada,
dizemos que os termos ai j quando i = j formam a
“diagonal principal” da matriz, enquanto a outra
diagonal é chamada de “diagonal secundária”.
• Matriz identidade (ou matriz unidade): é toda matriz
quadrada em que a diagonal principal é formada
somente pelo número 1 e os demais elementos da
matriz são iguais a zero.
61MODELAGEM MATEMÁTICA
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2
Veja um exemplo de cada tipo de matriz:
Operações com matrizes
Na linguagem matricial só é possível realizar três
operações aritméticas: adição, subtração e multiplicação. Confira
cada um dos casos.
Adição e subtração de matrizes
Adicionar ou subtrair duas matrizes de mesmo tipo
(mesmo número de linhas e mesmo número de colunas)
consiste em adicionar ou subtrair cada um dos elementos que
as compõem respeitando a posição deles na matriz. Observe os
exemplos:
Exemplo: dadas as matrizes A = 2 34 6( ) , B = 1 –1–1 1( ) e
C = 1 22 1( ) , calcule:
a) A + B
b) B + C
c) A – C
Solução: para realizar as operações indicadas, basta
escrever as matrizes e adicionar ou subtrair os termos, um
a um, respeito a posição em que ocupam dentro da matriz.
Veja:
62 MODELAGEM MATEMÁTICA
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a) A + B = 2 34 6( )+ 1 –1–1 1( ) = 2 + 1 3 + (–1)4 + (–1) 6+1( )= 3 23 7( )
b) B + C = 1 –1–1 1( ) + 1 22 1( )= 1 + 1 –1 + 2–1 + 2 1 + 1( )= 2 11 2( )
c) A – C = 2 34 6( )+ 1 22 1( )= 2 – 1 3 – 24 – 2 6 – 1( )= 1 12 5( )
Multiplicação de um número real por uma
matriz
Para multiplicar um número real k por uma matriz, basta
multiplicar o número k por cada um dos elementos da matriz.
Exemplo: dada a matriz A =
2 4
6
10
8
12( ), determine:
a) 2A
b) –3A
c) 1
2
A
Solução: multiplique o número por cada um dos elementos
da matriz. Veja:
a) 2A = 2 ∙
2 4
6
10
8
12( )=
2∙2 2∙4
2∙6
2∙10
2∙8
2∙12( )=
4 8
12
20
16
24( )
b) –3A = –3∙
2 4
6
10
8
12( )=
–3∙2 –3∙4
–3∙6
–3∙10
–3∙8
–3∙12( )=
–6 –12
–18
–30
–24
–36( )
c) 1
2
A = 12 ∙
2 4
6
10
8
12( )=
1
2 ∙2
1
2 ∙4
1
2 ∙6
1
2 ∙10
1
2 ∙8
1
2 ∙12
( )= 1 235 46( )
Multiplicação de matrizes
A multiplicação entre duas matrizes só pode ser realizada
se, e somente se, o número de colunas da 1.ª matriz for igual ao
63MODELAGEM MATEMÁTICA
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2
número de linhas da 2.ª matriz. A matriz produto, terá a mesma
quantidade de linhas da 1.ª matriz e a mesma quantidade de
colunas da 2.ª matriz. Na multiplicação de matriz por matriz
deve-se “multiplicar linhas por coluna”. Observe um exemplo:
Exemplo: sendo A= 0 1
2 –1( ) e B = 1 –1 03 5 –3( ) , determine:
a) A∙B
b) B∙A
Solução: primeiro deve-se verificar se é possível realizar a
multiplicação. Se for possível realizar a multiplicação deve-
se multiplicar “linha por coluna”, neste exemplo o primeiro
elemento da nova matriz é igual ao produto do primeiro
número da primeira linha pelo primeiro número da coluna
mais o produto do segundo número da primeira linha pelo
segundo número da coluna. Deve-se fazer o mesmo para
os demais termos. Acompanhe:
a) Como A é do tipo 2×2 e B é do tipo 2×3 é possível realizar
a multiplicação entre elas, pois:
A2x2 ∙ B2x3 = C2x3
Iguais
Então,
A ∙ B = ∙ 0 12 –1( ) 1 –1 03 5 –3( )
A∙B = 0 ∙ 1 + 1 ∙ 3 0 ∙ (–1) + 1 ∙ 5 0 ∙ 0 + 1∙ (–3)2 ∙ 1 + (–1) ∙ 3 2∙(–1) + (–1) ∙ 5 2 ∙ 0 + (–1) ∙ (–3)( )
A∙B = 3 5 –3
–1 –7 3( )
64 MODELAGEM MATEMÁTICA
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b) Como B é do tipo 2×3 e A é do tipo 2×2, não é possível
realizar a multiplicação entre elas, pois:
B2x3 ∙ A2x2
Diferentes
Então, não existe B∙A.
Vetores
Nas ciências, de um modo geral, trabalha-se com dois
tipos de grandezas:
• Grandezas escalares – aquelas que são completamente
definidas por um número real e a unidade de medida,
tais como: comprimento, área, volume e temperatura.
• Grandezas vetoriais – aquelas que precisam, de mais
informações para estarem completamente definidas.
No caso das grandezas vetoriais é necessário conhecer
o módulo, a direção e o sentido. São exemplos:
aceleração, força, velocidade e deslocamento.
Com aplicabilidade em diversas áreas do conhecimento, os
vetores são utilizados para expressar grandezas físicas vetoriais,
isto é, aquelas que só podem ser definidas se identificado o seu
valor numérico, a direção em que atuam, bem como o seu o
sentido.
Dentre as notações de vetor, uma que é muito utilizada
é a representação com uma letra minúscula com uma seta em
cima: u⃗ (lê-se: vetor u). Observe na figura a seguir a representação
geométrica de um vetor:
65MODELAGEM MATEMÁTICA
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Figura 8 – Imagem geométrica ou representante do vetor u⃗
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
Observando a figura constatamos que: módulo (norma
ou comprimento) de um vetor é o tamanho dele, direção do vetor
é a direção da reta suporte que o contém e sentido do vetor é a
orientação da seta.
Indicamos na figura que se trata da imagem geométrica
ou de um representante do vetor u⃗ , pois, vetor pode ser
compreendido como o conjunto com todos os segmentos
orientados com mesma direção, mesmo sentido e mesmo
comprimento.
Ainda observando a figura 8, note que o vetor representado
inicia no ponto A e termina no ponto B, logo, dizemos que A é a
origem e B é a extremidade do vetor. Assim, também podemos
representar um vetor como:
u⃗ = B – A ou u⃗ = AB→
66 MODELAGEM MATEMÁTICA
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DEFINIÇÃO
Módulo de um vetor é o número não negativo que
indica o comprimento do vetor. Representamos
por |v⃗ |.
DEFINIÇÃO
Vetor nulo, o ⃗ , é o vetor com módulo igual a zero
e direção e sentido arbitrários. Graficamente é
representado pela origem do sistema cartesiano.
DEFINIÇÃO
Vetor unitário é o vetor cujo módulo é igual a 1.
É importante destacar que um vetor pode ser representado
no espaço bidimensional, isto é, no plano cartesiano como visto
na figura 8 e também no espaço tridimensional. Observe:
Figura 9 – Imagem geométrica do vetor v⃗ no espaço tridimensional
Fonte: Elaborada pelo autor (2022)
67MODELAGEM MATEMÁTICA
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As mesmas regras que utilizamos para localizar um ponto
no plano cartesiano valem no espaço tridimensional. Agora, além
dos eixos x e y temos o eixo z. Neste sistema de coordenadas os
eixos são ortogonais entre si e a tripla ou terna ordenada (x, y, z)
indica o “endereço” oulocalização do ponto no espaço. Note que
essa representação nos lembra uma matriz linha, logo, também
é possível representar um vetor utilizando uma forma matricial
como uma matriz linha ou matriz coluna:
v⃗ = (x y z) ou v⃗ =
x
y
z( )
Tais notações são muito utilizadas em áreas da
Matemática tais como a Geometria Analítica e a Álgebra Linear.
Adição de vetores
Existem duas maneiras de se efetuar a adição vetorial:
regra do polígono e regra do paralelogramo.
Regra do polígono
Pode ser usada na adição de qualquer quantidade de
vetores. Para isso, basta posicionar a extremidade de um na
origem do vetor seguinte e assim por diante. O vetor soma ou
resultante é o segmento orientado, com origem no primeiro
vetor e extremidade no último, que fecha o polígono.
68 MODELAGEM MATEMÁTICA
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2
Figura 10 – Adição dos vetores u⃗ , v⃗ e w⃗ pela regra do polígono.
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
O vetor r⃗ é o resultado da soma dos vetores u⃗ , v⃗ e w⃗.
Logo, pode ser representado por: r⃗ = u⃗ + v⃗ + w⃗.
No exemplo a seguir, utilizaremos a representação do
vetor como uma terna (tripla) ordenada. Acompanhe:
Exemplo: sejam os vetores u⃗ = (–1, 0, 2) e v⃗ =(0, –1, 3)
determine u⃗ + v⃗ .
Solução: ao representá-los utilizando a tripla, consideramos
que tanto o vetor u⃗ quanto o vetor v⃗ tem origem no
ponto O = (0, 0, 0), origem do sistema, e extremidade no
ponto que tem as coordenadas indicadas pela terna que
está identificando o vetor. Assim, para efetuar a adição
desses vetores, basta somar os valores de cada uma das
coordenadas:
u⃗ + v⃗ = (–1, 0, 2) + (0, –1, 3) = (–1 + 0,0 + (–1), 2 + 3) =
(–1, –1, 5)
69MODELAGEM MATEMÁTICA
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2
O exemplo poderia ter sido resolvido efetuando-se a adição
de duas matrizes. Observe a representação utilizando-se
matrizes do tipo coluna:
u⃗ + v⃗ =
–1
0
2( )+
0
–1
3( )= –1 + 00 – 12 + 3( )=
–1
–1
5( )
Sejam u⃗ e v⃗ dois vetores, então, na adição valem as
seguintes propriedades:
• Comutativa: u⃗+ v⃗ = v⃗ + u⃗ ;
• Associativa: (u⃗ + v⃗ ) + w⃗ = (v⃗ + w⃗) + u⃗ ;
• Elemento neutro: 0⃗ + v⃗ = v⃗ + 0⃗ = v⃗ ;
• Elemento oposto: –v⃗ + v⃗ = v⃗ +(–v⃗ ) = 0⃗ ;
• Lei do cancelamento: u⃗ + v⃗ = u⃗ + w⃗ → v⃗ = w⃗.
Regra do paralelogramo
Muito utilizada na composição de forças na Mecânica, a
regra do paralelogramo é uma consequência da propriedade
comutativa. Observe:
Figura 11 – Adição dos vetores u⃗ e v⃗ pela regra do paralelogramo
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
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U
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2
Considere os vetores u⃗ = AB→ e v⃗ = BC→ . Pela propriedade
comutativa temos u⃗ + v⃗ = v⃗ + u⃗ , logo, a diagonal do paralelogramo
formado pelos pontos ABCD representa a soma dos vetores.
Importante: o paralelogramo possui duas diagonais. Neste caso,
considera-se a diagonal em que as imagens geométricas dos
vetores têm a mesma origem, neste caso, a diagonal que contém
o ponto A.
Subtração de vetores
Graficamente a diferença entre dois vetores é dada
posicionando os dois de tal maneira que fiquem com a mesma
origem. O vetor diferença é o segmento orientado, com origem
no segundo vetor e extremidade no primeiro, que fecha o
triângulo. Observe as figuras a seguir:
Figura 12 – Representação gráfica de u⃗ – v⃗
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
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Figura 13 – Representação gráfica de v⃗ – u⃗
Fonte: Elaborada pelo autor (2022).
Na figura 12 observamos a representação gráfica de u⃗– v⃗ e
na figura 13 a representação gráfica v⃗ – u⃗ . Observe que o
segmento orientado que resulta na diferença dos vetores não
possui o mesmo sentido. Logo, a subtração de vetores não é
comutativa.
Se representarmos a subtração com a terna ordenada,
basta efetuar a subtração na ordem em que as coordenadas do
vetor aparecem. Veja:
Exemplo: sejam os vetores u⃗ =(–1, 0, 2) e v⃗ = (0, –1, 3),
calcule:
a) u⃗– v⃗ .
b) v⃗ – u⃗ .
Solução:
a) u⃗ – v⃗ = (–1, 0, 2)–(0, – 1,3) = (–1– 0,0 – (–1), 2 – 3) = (–1,1, –1).
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b) v⃗ – u⃗ = (0, –1, 3) – (–1,0,2) = (0– (–1), –1 – 0,3 – 2) = (1,– 1,1).
Perceba que, de fato, u⃗ – v⃗ ≠ v⃗ – u⃗ , logo a subtração não é
comutativa.
Multiplicação de um número real por
um vetor
Seja m um número real e v⃗ = (x, y, z) um vetor, então o
produto do vetor pelo número real é dado por mv⃗ = m∙ (x, y, z) =
(mx, my, mz).
Exemplo: considere o vetor v⃗ = (5, 2, –3). Qual é o vetor que
representa o dobro de v⃗ ?
Solução: basta calcular o valor das coordenadas de 2v⃗ , ou
seja:
2v⃗ = 2 ∙ (5, 2, –3) = (2 ∙ 5,2 ∙ 2,2 ∙ (–3)) = (10, 4, – 6).
Sejam v⃗ e w⃗ dois vetores, k e m números reais (aqui
denominados escalares), então, na multiplicação valem as
seguintes propriedades:
• Comutativa: k ∙ v⃗ = v⃗ ∙ k;
• Distributiva em relação à adição de vetores: k∙(v⃗ + w⃗) =
k ∙ v⃗ + k ∙ w⃗;
• Distributiva em relação à adição de escalares: (k + m) ∙ v⃗ =
k ∙ v⃗ + m ∙ v⃗ ;
• Associativa em relação aos escalares: k ∙ (m ∙ v⃗ ) =
(k ∙ m) ∙ v⃗ = m ∙ (k ∙ v⃗ );
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• Elemento neutro: 1 ∙ v⃗ = v⃗ ∙ 1= v⃗ ;
• Elemento oposto: –1 ∙ v⃗ = –v⃗ , em que –v⃗ é o oposto de
v⃗ .
RESUMINDO
Neste capítulo, vimos que matriz é uma forma
de organizar dados similar a uma tabela e que é
possível realizar adição e subtração entre matrizes,
multiplicação por um número real e, em alguns
casos, multiplicação de matriz por matriz. Já os
vetores são utilizados para expressar grandezas
físicas que só podem ser definidas identificando
módulo, direção e sentido. Estudamos também
como efetuar adição e subtração entre vetores e
a multiplicação de um vetor por um número real.
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U
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da
de
2
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vetorial. 3. ed. São Paulo: Pearson, 2004.
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nova abordagem – Ensino Médio. São Paulo: FTD, 2002.
LIMA, E. L.; CARVALHO, P. C. P.; WAGNER, E.; MORGADO, A. C. A
Matemática do Ensino Médio 9. ed. Rio de Janeiro: SBM, 2006.
LIMA, E. L.; CARVALHO, P. C. P.; WAGNER, E.; MORGADO, A. C.
Temas e problemas elementares. 2. ed. Rio de Janeiro: SBM,
2006.
SANTOS, C. A. M.; GENTIL, N.; GRECO, S. E. Matemática – Ensino
Médio. 5. ed. São Paulo: Ática, 2000.
SANTOS, N. M. dos. Vetores e matrizes: uma introdução à álgebra
linear. 4. ed. São Paulo: Thomson Pioneira, 2007.
SMOLE, K. C. S.; DINIZ, M. I. de S. V. Matemática: Ensino Médio. 6.
ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
VENTURI, J. J. Álgebra Vetorial e Geometria Analítica. 10. ed.
Curitiba: Livrarias Curitiba, 2015.
RE
FE
RÊ
N
CI
A
S
Equações do segundo grau aplicadas
Identificação e classificação da equação do segundo grau
Solução de uma equação do segundo grau incompleta
1º caso: quando b = 0
2º caso: quando c = 0
3º caso: quando b = 0 e c = 0
Solução de uma equação do segundo grau completa
Estudo do discriminante
Funções quadráticas
na prática
Função, domínio, contradomínio e imagem
Função quadrática
Raízes ou zeros de uma função quadrática
Vetores aplicados à física e à computação
Parábola: concavidade e vértice
Construção e interpretação do gráfico
Matrizes e sua importância na tecnologia
Matrizes
Operações com matrizes
Adição e subtração de matrizes
Multiplicação de um número real por uma matriz
Multiplicação de matrizes
Vetores
Adição de vetores
Regra do polígono
Regra do paralelogramo
Subtração de vetores
Multiplicação de um número real por um vetor