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Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 3 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Apresentação Prezados líderes A segurança é um valor que orienta nossas decisões no dia a dia para a construção de um ambiente seguro em nossas operações. Hoje temos um grande desafio: o zero acidente. Atingir esta meta demanda trabalho, esforço e dedicação, mas principalmente com- prometimento. Hoje oferecemos em nossas operações capacitação, equipamentos e procedimentos adequados. Além de continuar aperfeiçoando nossas práticas atu- ais, queremos reforçar o comportamento seguro, pois a atitude individual também é fundamental para alcançarmos nosso objetivo. Este Manual apresenta nossas melhores práticas de gestão comportamental para a segurança do trabalho, consolidando a experiência desenvolvida e comprovada nas unidades da Gerdau em todo o mundo. A análise crítica deste processo em sua unidade, apoiada pelas recomendações deste Manual, devem permitir que se identifique oportunidades neste tema e que sigamos construindo um plano de ação eficaz. Desejamos que este material seja útil no reforço permanente da segurança das pessoas acima de tudo. Boa leitura! Claudio Johannpeter COO 4 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Índice Apresentação 03 1 Alinhamento Conceitual 09 2 Atuação da Liderança e Maturidade da Organização 29 3 Disciplina Operacional 53 4 Apresentação das Práticas Gerdau 81 5 Gerenciando Comportamentos Seguros 129 6 Avaliação por unidade: Análise Crítica 165 7 Passo a passo para Implantação 191 8 Conclusões 203 9 Anexos 207 10a - Exemplos para Análise 10b - Gabaritos 10c - Referências Bibliográficas 6 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 1 Alinhamento Conceitual C ap ít u lo 1 1. Alinhamento conceitual 9 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Objetivos e pontos-chave Objetivos Este capítulo - alinhamento conceitual - descreve como segurança vem da es- tratégia da organização, como um dos valores. Pretende garantir o entendimen- to dos principais conceitos relacionados e a compreensão da gestão comporta- mental como parte integrante do Sistema de Segurança da Gerdau. Depois de ler/estudar este capítulo, você deve ser capaz de: • Entender porque a gestão do comportamento é imprescindível, junto com um sistema de gestão estruturado e a atuação em condições físicas/riscos críti- cos, para se atingir um ambiente livre de acidentes. • Identificar, entender e explicar conceitos que são necessários à liderança para compreender a gestão comportamental e os efeitos de sua atuação como do- nos do processo de segurança. • Compreender e explicar para sua equipe, com base na pirâmide de Bird, porque é fundamental atuar em sua base, sobre os desvios observados, evi- tando perdas maiores. • Entender o desenvolvimento da competência para prevenir, com base no con- ceito do CHA (Conhecimentos, Habilidades e Atitudes) do líder. 1. Alinhamento conceitual 10 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Alinhamento conceitual Neste capítulo estão alinhados e descritos os conceitos mais relevantes ligados à gestão comportamental em segurança do trabalho e que são pré-requisitos para utilização adequada deste Manual nas Unidades do Grupo Gerdau. A aplicação destes conceitos está diretamente relacionada ao valor de segurança na Gerdau, oriundo de sua estratégia, de ser percebida como uma organização de referência mundial. Para tal, apoia-se em sua Política Integrada, que define e compartilha as responsa- bilidades. A partir dos direcionadores estratégicos se alinha o desenvolvimento do Plano Executivo (PEX). Na sequência são apresentados os seguintes tópicos: • Competência do líder em segurança (CHA); • Pilares da evolução da gestão em segurança; • Modelo das barreiras - trajetória de um acidente; • Desvios comportamentais como base da pirâmide; • Definição de conceitos-chave. 1. Alinhamento conceitual 11 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Alinhamento conceitual – competência (CHA) O processo de prevenção na busca do comportamento seguro requer o desenvolvi- mento da competência para prevenir. Competência é formada pela tríade CHA que se caracteriza pela integração e coor- denação de um conjunto de Conhecimentos, Habilidades e Atitudes, que a liderança deve ter para produzir um atuação adequada, percebida e diferenciada na gestão da segurança com as equipes no dia a dia, conforme detalhado no quadro a seguir. O CHA é adquirido a partir da educação, experiências pessoais e profissionais e é facilitado por valores, crenças e atributos pessoais. Conceitos Descrição Características Conhecimento (saber) Informações organizadas sobre um assunto/área específica. • Mais fáceis de serem observados (objetivos) e desenvolvidos. Habilidade (fazer) Aplicação mental ou motora de técnicas. • Necessários para alta performance, mas não suficiente. Atitude (querer/poder) Disposição geral para se comportar de uma certa maneira, envolvendo: • Crenças; • Valores; • Traços; • Motivos. • Mais difíceis de serem aferidas (subjetivas) e desenvolvidas • Características que impactam em desempenho de longo prazo. 1. Alinhamento conceitual 12 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Competência (CHA) do líder em segurança Desenvolver a competência para a prevenção em segurança é essencial, pois per- mite direcionar o foco e concentrar energia no que é necessário para que a orga- nização alcance os seus objetivos operacionais e estratégicos. A seguir é descrito como cada destas características do CHA devem ser exercidas na liderança para segurança. C - Conhecimento • Conhecer a evolução de segurança na Gerdau, entendendo-a como valor da organização; • Conhecer profundamente as práticas descritas no sistema Gerdau de saúde e segurança do trabalho; • Compreender a interrelação entre as práticas Gerdau de segurança e a atuação sobre as três barreiras: físicas, procedimentos e atitudes; • Conhecer perigos e riscos da sua célula/área de trabalho; • Conhecer aspectos humanos no trabalho e fatores ativadores de comportamento, para avaliar suas interferências na atuação da equipe; • Ter metodologia e didática de ensino para interagir no tema com sua equipe e demais lideranças. H - Habilidade • Planejar e desenvolver as práticas do SGSS na gestão da sua célula; • Colocar em prática na gestão da célula as diretrizes e ações para segurança; • Checar o andamento do SGSS no comportamento da sua respectiva equipe constantemente; • Tratar os desvios de forma sistêmica; 1. Alinhamento conceitual 13 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho • Comunicar as práticas junto a equipe de forma clara e compatível com a realidade de sua célula/área; • Reconhecer individual e coletivamente comportamentos seguros e alinhados ao SGSS; • Tratar individual e coletivamente comportamentos de riscos ou desalinhados aos SGSS; • Resolver conflitos e atuar sobre desvios, de forma construtiva; • Observar e analisar comportamentos; • Desenvolver senso crítico na sua equipe, para percepção de riscos; • Buscar a excelência do processo com simplicidade; • Atuar em segurança como parte integrante dos processos. A - Atitude • Ter a segurança como um valor pessoal; • Demonstrar interesse genuíno sobreas questões de segurança e sobre a melhoria continua; • Ter disciplina e rigor para seguir os parâmetros do SGSS na gestão do dia a dia; • Questionar; • Recontratar; • Compartilhar; • Agir proativamente; • Buscar soluções para as necessidades de condições físicas, sistêmicas e comportamentais da área/célula; • Promover o diálogo e parcerias; • Motivar para segurança; • Agir no tema da segurança como preservação da vida, tendo-a como decisiva nas situações do dia a dia. 1. Alinhamento conceitual 14 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Pilares para a evolução da gestão em segurança A implantação de uma efetiva gestão em segurança se obtém através da evolução das condições físicas no local de trabalho, boas praticas de gestão de segurança e com a gestão comportamental, conforme segue: O pilar das condições físicas é construído com a prática efetiva dos 5S’s e da elimi- nação de riscos potenciais, orientada pela implementação das diretrizes dos riscos críticos. O pilar da gestão tem sua base nas práticas do GBS de segurança, que, efetivamen- te aplicadas, garantem o resultado esperado de cada prática. O pilar do comportamento está alicerçado em uma gestão comportamental, que tem nos líderes sua peça-chave, e que devem, através de uma liderança percebida, envolver e comprometer suas equipes na construção de um ambiente seguro. Evolução da taxa de frequência na Gerdau Aços Longos Brasil política de segurança sistema de gestão em SST hora da segurança política de consequências 12 11,5 10 8 8,1 6,4 6 4 2 Investimento em tecnologia 0 regras, padrões e procedimentos 3 3,3 3,4 1,5 1,1 0,9 0,7 0,9 0,6 curva de Bradley ano 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Como ponto-chave, os líderes têm que, como primeiro passo, entender e consi- derar a cultura local. E assumir seus compromissos pessoais, compreendendo e compartilhando com sua equipe este valor, como uma forma inequívoca de operar, produzindo aço com segurança. Implantação de Foco em ações comportamentais 1. Alinhamento conceitual 15 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Modelo das barreiras O modelo das barreiras, proposto por Reason e hoje amplamente aceito, demonstra que acidentes são evitados pela atuação em três tipos de barreiras: físicas, sistêmi- cas e de comportamento. As possibilidades de acidentes surgem a partir de falhas nestas barreiras, que ao se alinharem criam a situação propícia ao acidente. Na barreira de comportamento estas falhas estão relacionadas com desvios, asso- ciados a atitudes de líderes e operadores. A base deste conceito considera que falhas humanas (erros não intencionais) po- dem ocorrer, e que defesas, barreiras e salvaguardas são cruciais para se evitar o acidente. Para tal, um sistema efetivo precisa ter barreiras de engenharia (tais como alarmes, barreiras físicas, desligamentos automáticos); outras defesas dependem de proce- dimentos e controles administrativos e outras defesas estão nas pessoas (atitudes e comportamentos). Acidentes x barreiras Evento iniciador gap’s Acidente Barreiras de comportamento (gestão comportamental) Barreiras sistêmicas (práticas GBS) Barreiras físicas 1. Alinhamento conceitual 16 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Atuação proativa em desvios pela base da pirâmide Pela análise dos eventos (através dos estudos de Heinrich e Bird), se observa que a origem de perdas está relacionada diretamente com um número mais elevado de quase-acidentes, que, por sua vez, tem sua origem em desvios. A grande maioria dos desvios tem em sua origem em atitudes influenciadas pelo comportamento. A atuação sobre estes desvios, de forma proativa, é que garante a possibilidade de atuação antes da ocorrência de perdas. Desvios comportamentais x acidentes 1 10 30 600 30000 Lesões graves Lesões leves Acidentes com danos materiais Quase acidentes Desvios (atos e condições abaixo do padrão) ATUAÇÃO REATIVA ATUAÇÃO PROATIVA Influenciados por comportamento PERDAS • Fatalidades • Ferimentos • Doenças ocupacionais • Danos materiais • Perdas de produtos DESVIOS • Práticas e condições inseguras 1. Alinhamento conceitual 17 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Questionamentos Mudança Consciência Aprendizagem Reflexão Comportamento seguro x percepção de risco A percepção de risco diz respeito à capacidade da pessoa de receber e atribuir sig- nificado aos riscos presentes no seu cotidiano, seja no trabalho, no trânsito, no lar. Por se tratar de um processo que sofre interferência do nível de saúde, do conheci- mento, da atenção, do estado emocional, a capacidade de percepção de riscos das pessoas varia ao longo do tempo. Isso faz com que o risco real seja diferente do risco que foi percebido pela pessoa o que, em segurança do trabalho, pode signifi- car probabilidade de acidente devido à exposição descuidada. Sensação (dados brutos) Percepção (interpretação, significado) Informação (som, luzes, odores) Receptores (olhos, ouvidos, nariz, pele, língua) Um processo de mudança construtivo é aquele que faz com que os questionamen- tos sobre situações de risco aconteçam e originem um processo de reflexão, o qual, por consciência, gera uma aprendizagem, num círculo virtuoso. “Mudar por consciência e não por obediência.” mundo externo 1. Alinhamento conceitual 18 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Cuidar de mim Cuidar dos colegas Aceitar o cuidado dos colegas Cuidado entre as equipes O cuidar de si mesmo, cuidar dos colegas e também aceitar o cuidado dos colegas pode ser considerado um tripé no qual se apóia uma cultura que tem como caracte- rística essencial a prevenção, pela interação da equipe. Na prática devemos sempre ter em mente esse princípio: • Cuidar de si mesmo: estar com os equipamentos de proteção individuais (EPI’s) necessários e cumprir as normas e procedimentos de segurança estipulados. Se vamos conversar com um colega sobre segurança devemos dar o exemplo. • Cuidar dos colegas: estar atento para intervir caso perceba alguma situação crítica no ambiente ou na tarefa, que possa oferecer risco a alguém e expor uma pessoa a um acidente. • Aceitar o cuidado dos colegas: ter humildade e consciência para aceitar recomen- dações de outras pessoas que queiram garantir a sua segurança e de pessoas que estejam próximas de você. Desta forma, as equipes atuam em um processo de vigilância compartilhada em que os colaboradores, com consciência, interagem frente a desvios, não os aceitando e voltando ao processo normal com risco controlado. 1. Alinhamento conceitual 19 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Conceitos São apresentados a seguir conceitos associados à Gestão Comportamental de Se- gurança, cuja leitura e compreensão são fundamentais para o adequado entendi- mento deste tema. Conceitos Descrição Atitude É a tendência de um indivíduo de se comportar de determinada maneira. Ativadores do comportamento São fatores que influenciam na percepção do risco e na tomada de decisão. Podem ser de ori- gem psicológica, social, fisiológica ou cognitiva. Atuação proativa Se refere a ações que atuam sobre as questões que estão na origem das ocorrências e se carac- terizam por agirem antes da perda se constituir (exemplos: observações comportamentais,ações sobre relatos, resolução de recusas de tarefas de risco, inspeções planejadas, etc.). Atuação reativa Se refere a ações que tem sua origem em perdas já ocorridas e sobre indicadores reativos (ex. CPT´s, TF, TG, etc.). Barreiras Conceito desenvolvido e aplicado por Reason, que descreve as barreiras e as questões que podem inibir a ocorrência de um acidente. Estão relacionadas com as condições físicas, procedi- mentos e práticas, e atitudes e comportamento. 1. Alinhamento conceitual 20 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Categorias de erros É uma classificação de desvios que evidenciam tendências do grupo e orientam ações gerenciais para mudanças de comportamento. Clima de segurança É uma percepção subjetiva da organização, seus membros, suas estruturas e seus proces- sos, que apresentam aspectos comuns, apesar de diferenças individuais, baseado em indícios ou elementos objetivos do ambiente, e que além disso, atuam como antecedentes da conduta das pessoas. Competência Integração e coordenação de um conjunto de Conhecimentos, Habilidades e Atitudes que na sua manifestação produzem um atuação satis- fatória e diferenciada. Comportamento É o conjunto de relações que se estabelece entre um organismo e o meio no qual ele atua conside- rando as situações antecedentes e as alterações resultantes desta interação. Comportamento seguro Capacidade de identificar e controlar os riscos numa atividade no presente, de forma a reduzir a probabilidade de ocorrências indesejadas no futuro, para si e para os outros. Conceito de dono O líder é responsável pelos atos e atitudes de suas equipes e daqueles que estão executando serviços em sua área incluindo os contratados e visitantes. Esta é também uma atribuição legal/ jurídica. Cuidado entre a equipe É a atitude consciente de uma pessoa em cuidar de si, cuidar dos colegas e aceitar ser cuidado pelos colegas. 1. Alinhamento conceitual 21 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Cultura de segurança Conjunto de ações, valores e crenças ligados à segurança que se desenvolve numa organização e orienta o comportamento dos seus membros, demonstrados de modo consistente, em todos os aspectos do trabalho. Curva de evolução de maturidade Gráfico que descreve a evolução positiva da frequência de acidentes com a evolução da ma- turidade de atuação da liderança e comportamen- to da equipe, descrita em quatro estágios: reativo, dependente, independente e interdependente. Desvio É toda condição ou atitude divergente das leis, normas, procedimentos e boas práticas. Desvio crítico: é aquela condição ou atitude divergente que possa gerar uma consequência de risco grave e iminente. Atitude abaixo do padrão: tarefa que não está sendo realizada de acordo com normas, procedi- mentos ou práticas estabelecidas. Condição abaixo do padrão: é um desvio asso- ciado a equipamentos, layout, processos. Disciplina operacional É percebida pelo cumprimento e aceitação dos procedimentos, normas e regras estabelecidas, com todos fazendo tudo corretamente, sempre. 1. Alinhamento conceitual 22 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Gestão comportamental em segurança Conjunto de conceitos e práticas que orienta líderes a desenvolver atitudes e comportamentos seguros. Indicador de Comportamento Seguro (ICS) Indicador que evidencia o grau de aderência da equipe as normas, padrões e boas práticas de se- gurança na execução de tarefas em determinada área de trabalho. Indicadores proativos de atuação da liderança São indicadores que medem o esforço em segurança dos líderes, demonstrados através da execução de atividades de sua responsabilidade, em quantidade e com qualidade. Exemplos são sua participação em DDS, horas de segurança, realização de IGP´s, etc... Liderança percebida Trata-se de uma liderança que é percebida pela equipe (é visível) agindo de forma autêntica, determinada e pessoalmente engajada, atuando como exemplo, transmitindo a segurança como valor (seu e da organização), comunicando eficazmente segurança no dia a dia e integrando- a nos demais processos, demonstrando tê-la sempre presente na tomada de decisão. Observação comportamental É um método estruturado de se observar atitudes das pessoas em suas tarefas, com o objetivo de encontrar oportunidades que possam orientar seu comportamento, reforçando os comportamen- tos seguros e recontratando correções frente a desvios. Percepção de risco É a capacidade da pessoa de perceber e atribuir significado aos riscos presentes no seu cotidiano, seja no trabalho, no trânsito ou no lar. 1. Alinhamento conceitual 23 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Pesquisa de clima e cultura Ferramenta que auxilia a mapear a forma como as pessoas percebem a segurança no seu local de trabalho e o impacto das ações adotadas nos hábitos e comportamentos dos integrantes da organização. Política de consequência É uma ferramenta utilizada para gerenciar os reconhecimentos e sanções, com o objetivo de desenvolver comportamentos seguros, possibili- tando uniformidade e transparência nas decisões. Reforço positivo Ferramenta da Política de Consequências que objetiva praticar o reconhecimento como forma de perenizar atos seguros. Regras São prescrições que servem de guias de como devemos agir e nos comportar em determinadas situações, tarefas, locais, ambientes, etc. Orienta o comportamento esperado. Sanção Ferramenta da Política de Consequências que objetiva reconhecer como não adequado uma violação de regras/procedimentos ou prática insegura. Tolerância zero Atitude do líder de não aceitar atos, procedimen- tos e condições abaixo do padrão, demonstrando não ser permissivo com situações de risco. Vigilância compartilhada Processo no qual os colaboradores da equipe estão atentos a desvios e interagem com seus colegas, trazendo-os de volta aos comportamen- tos seguros e/ou apoiando-os para não aceitarem riscos sem o devido controle. 1. Alinhamento conceitual 24 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resumo/reflexão A prática da segurança esta orientada pelos valores, política integrada e respectivos direcionadores estratégicos da organização. Esta evolução vem da estratégia da organização e é resultante do amadurecimento do sistema de saúde e segurança da Gerdau. Os líderes devem assumir e demonstrar seu compromisso pessoal para segurança. Uma quantidade significativa de acidentes e quase acidentes pode ser evitada atra- vés do desenvolvimento de comportamentos mais seguros. A atuação estruturada sobre comportamentos é base para se avançar na construção de ambientes segu- ros. Os líderes devem assumir e demonstrar seu compromisso pessoal. Entender e con- siderar a cultura local é ponto-chave. Os pilares em que apoiamos a gestão de segurança é o modelo das barreiras, onde se demonstra que a gestão comportamental é parte de nosso processo de segurança. A atuação estruturada e consciente da gestão comportamental, com uma metodo- logia adequada, gera uma atuação consciente e percebida dos líderes. Para tal, os conceitos aqui definidos e sua adequada compreensão são fundamentais para sua atuação como líder em seu dia a dia. Como usá-los de forma simples e adequada no nosso dia a dia? A resposta, praticada por nós, líderes, e percebida por nossas equipes, vai consoli- dar um novo estágio em nossa jornadarumo ao Zero CPT. 1. Alinhamento conceitual 25 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Teste de aprendizado Nesta etapa é importante que você reflita sobre seu aprendizado, analisando as questões abaixo e respondendo às seguintes perguntas: P 1 - Como o modelo das barreiras auxilia na prevenção de acidentes e nos ajuda a entender aqueles de origem comportamental? P 2 - Baseado no conceito da pirâmide de Bird, por que é mais efetivo se atuar na sua base? P 3 - Identifique alguns conceitos descritos neste capítulo que estão associados com uma Liderança efetivamente percebida, justificando a relação. P 4 - Baseado no conceito de competência do líder em segurança e seu “CHA”, descreva exemplo de conhecimento , habilidade e atitude que o mesmo deve demonstrar. Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações 26 2 Atuação da Liderança e Maturidade da Organização C ap ít u lo 2 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 28 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 29 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Objetivos e pontos-chave Objetivos • Conhecer o conceito de maturidade baseado na curva de Bradley e ser capaz de identificar características típicas de cada estágio, gerando a devida reflexão de como avançar neste tema, como líder e com as equipes. • Entender que o líder, para ser eficaz na gestão de segurança, deve adequar sua atuação em cada situação, frente à senioridade/prontidão do operador/ equipe para executar determinada tarefa, independente da maturidade do gru- po. Depois de ler/estudar este capítulo, você deve ser capaz de: • Entender os diversos estágios de maturidade de uma organização, tendo como base as características descritas nos aspectos organizacionais e comporta- mentais. • Identificar os pontos que devem ser considerados para se adequar a atuação do líder e aplicá-los a situações reais. • Definir como agir em determinada situação, considerando a prontidão do cola- borador para a tarefa demandada. • Definir uma estratégia de atuação como líder, para avançar dos estágios reati- vo/dependente para os estágios independente/interdependente. • Compreender como variam as atitudes de colaboradores e sua capacidade de perceber e controlar riscos em função de seu tempo de experiência. 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 30 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Atuação da liderança e maturidade da organização Um estudo desenvolvido por Bradley, no período que atuou junto à Dupont, é hoje amplamente aceito e utilizado para entender como ocorre a melhoria de resultados de segurança através da evolução da maturidade da organização e atitudes de seus líderes e equipes. Esta curva demonstra que a taxa de frequência de acidentes diminui consistente- mente com a evolução desta maturidade. Um ponto fundamental é compreender que no estágio dependente a função supervi- são tem que estar presente e deve ser demonstrada pelo líder. Não existe nenhuma inadequação em atuar desta forma e as equipes necessitam desta atuação do líder neste estágio de maturidade. Evolução da maturidade: cumprimento x comprometimento Para a evolução da maturidade é necessário que as pessoas internalizem seu com- prometimento no processo, agindo efetivamente por consciência, conforme descrito no quadro a seguir. 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 31 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Motivação externa cumprimento Motivação interna comprometimento Procedimentos, regras e protocolos Liderança percebida, influência para engajamento. “Eu sigo as regras porque eu tenho que segui-las” “Eu sigo as regras porque eu quero segui-las” Instinto natural Supervisão Ponto chave: avançar além da dependência, pela atuação da liderança e envolvimento da equipe Individual Equipes REATIVO DEPENDENTE INDEPENDENTE INTERDEPENDENTE Colaboradores são reativos à segurança; agem para sobreviver. Não existe gestão e tarefas são delegadas a área de SST. Colaboradores dependentes dos líderes para reforçar regras e garantir que os procedimentos definidos sejam cumpridos. Colaboradores se tornam independentes e demonstram iniciativa. São capazes de cuidar de si próprios e das condições físicas sob sua responsabilidade. Existe um alto grau de confiança e orgulho organizacional. E os colaboradores cuidam e mantém condições de segurança para si e para os colegas da equipe. Atitudes e comportamentos orientados por obediência – supervisão efetiva para garantir resultados. Atitudes e comportamentos orientados por consciência – cuidado entre as equipes presente de forma crescente. T ax a de a ci de nt es 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 32 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Comportamentos típicos em cada etapa Estágio da curva Descrição típica Reativo Acidentes acontecem e não se tem efetiva gestão e atuação. Dependente Ações começam a ser realizadas, mas o resultado depende fortemente de comando e supervisão. Independente Inicia uma efetiva interiorização, com demonstração clara da empresa, uma gestão estruturada e praticada por seus líderes, e os colaboradores cuidando de si mesmos. Interdependente Se consolida o processo, com um efetivo cuidado entre equipes e a segurança como valor percebido e praticado por todos, orientando cada decisão. 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 33 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Exemplo clássico Expectativa de resultado • “finge que não vê”. É irrealístico esperar melhoria sustentável. • age por efeito de supervisão; • ação por obediência. É irrealístico esperar zero acidente. • se percebem iniciativas individuais; • o indivíduo cuida de si; • ação por consciência. Existe chance de se atingir o zero acidente. • iniciativas compartilhadas no grupo; • cuida de si, do outro e se permite ser cuidado. Zero acidente é obtido por uma escolha, organizada e bem conduzida. 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 34 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resultados típicos de segurança por estágio de maturidade A taxa de frequência, observada em função do tempo, tem um comportamento ca- racterístico, dependendo do estágio de maturidade. Nos estágios iniciais (reativo e dependente) existe uma variação significativa e me- lhorias em determinados períodos, porém sem caracterizar uma tendência clara de evolução consistente. Melhorias substanciais e com tendência positiva clara só são obtidas quando se começa a atuar no estágio de independência. Estes estágios superiores de maturidade só se consolidam e avançam quando as características dos dois estágios iniciais vão sendo gradativamente vencidas, garan- tindo-se assim a base da gestão e a necessária coerência de atuação dos líderes. 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 35 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Desempenho por estágio de maturidade Tempo Mediana Reativo DependenteIndependente Interdependente F re q u ê n c ia 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 36 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Evolução das ações de SST: aspectos organizacionais Estudos desenvolvidos pelo prof. João Cândido, tendo como base a curva de Bradley, demonstram ser possível identificar aspectos organizacionais e comporta- mentais, característicos de cada estágio de maturidade. 2º ESTÁGIO Supervisão de pessoas 1º ESTÁGIO Instinto natural Reativo • SST totalmente dissociada dos processos produtivos; • Ausência de planejamento das ações de SST; • Ações pautadas em improvisações e urgências; • SST movida por crises - só age mediante pressões (ocorrência de acidente grave e/ou fiscalização); • Ausência de responsável pela condução das ações de SST; • Ausência de avalição de desempenho em SST. Dependente • SST dissociada dos processos produtivos; • SST a cargo do SESMT que atua como fiscal; • Foco centrado na legislação; • Avaliação de desempenho apenas reativa (TF e TG); • Sanção como mecanismo de controle (salvaguarda); • SST não planificada; • Atendimento por demanda das áreas; • Causas de acidentes centradas no comportamento dos trabalhadores. E V O LU Ç Ã O x G A N H O S 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 37 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho As taxas de acidentalidade só apresentam uma tendência positiva clara quando as ações da gestão de segurança transpõem o segundo estágio de maturidade (de- pendência). A partir desta etapa as ações deixam de ter caráter reativo e se tornam efetivamente proativas, sendo geridas de forma planejada, através de uma liderança percebida e atuação colaborativa da equipe. Todavia, só é possível atingir estes estágios superiores, tendo se eliminado e/ou reduzido dramaticamente os aspectos dos estágios reativo e dependente (construindo a base da mudança). 3º ESTÁGIO Agir por si mesmo 4º ESTÁGIO Agir em equipe Independente • Políticas e diretrizes de SST definidas pela direção da empresa; • SST integrada aos processos produtivos; • SST razoavelmente planificada; • Uniformidade na gestão das ações de SST; • Avaliação de desempenho com características proativas; • SST a cargo das lideranças das áreas operacionais; • Técnicos do SESMT como assessores das lideranças das áreas operacionais. Interdependente • Políticas e diretrizes de SST conduzi- das pela direção da empresa; • SST como valor agregado ao negó- cio da empresa; • SST totalmente integrada aos pro- cessos produtivos; • SST totalmente planificada; • Avaliação de SST associada à ava- liação de desempenho dos liderança; • SST conduzida pelas lideranças das áreas operacionais com foco no trabalho em equipe; • Uniformidade nas ações de SST em toda a organização. 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 38 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Evolução das ações: aspectos comportamentais No quadro abaixo são descritos os comportamentos clássicos dos líderes nos diver- sos estágios da curva de Bradley. Os líderes devem dedicar um tempo adequado à segurança no dia a dia para garan- tir esta evolução de maturidade. 1º ESTÁGIO Instinto natural rotina A S C D 2º ESTÁGIO Supervisão de pessoas rotina A S C D Reativo Dependente COMPORTAMENTO ALTAMENTE REATIVO • Liderança totalmente alheia à SST; • Liderança totalmente despreparada; • Liderança altamente permissiva; • Liderança orientada por condutas imediatistas; • Liderança paternalista (passa a mão na cabeça do colaborador); • Liderança conivente (finge não ver o cometimento de erros); • Liderança orientada por ações improvisadas, perigosas e sem controle. COMPORTAMENTO REATIVO • Liderança assume as ações de SST no discurso; • Liderança que age mediante estímulos externos (recompensa e/ou sanção); • Liderança com conhecimento limitado de SST; • Liderança permissiva; • Liderança que promove ações reativas pautadas em improvisações e urgências; • Liderança que finge não ver os riscos do trabalho e que maquiam resultados (escondem acidentes); • Liderança que costuma transferir responsabilidades suas para terceiros. E V O LU Ç Ã O x G A N H O S 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 39 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Comportamentos proativos das lideranças ocorrem efetivamente a partir do estágio independente e geram resultados nos operadores, que atuam com envolvimento crescente, demonstrando cuidado entre as equipes (cuidam de si e no quarto está- gio, dos outros e se permitem ser cuidados). 3º ESTÁGIO Agir por si mesmo 4º ESTÁGIO Agir em equipe rotina A S rotina A S C D C D Independente Interdependente COMPORTAMENTO PROATIVO • Liderança consciente de suas atribuições em SST; • Liderança com razoável nível de capacitação em SST; • Liderança pouco permissiva, com baixa tolerância a desvios; • Liderança com elevado nível de exigência em relação a SST; • Liderança que valoriza e promove o trabalho em equipe; • Liderança que cobra e exige cumprimento de regras formais de SST; • Liderança que assume os erros de seus subordinados; • Liderança que presta contas das ações de SST em toda a sua integralidade. COMPORTAMENTO ALTAMENTE PROATIVO • Liderança altamente comprometida com SST; tolerância zero. • Liderança altamente capacitada em SST; • Liderança não permissiva, com tolerân- cia zero em relação a desvios; • Liderança busca soluções planejadas e compartilhadas; • Liderança que entende e pratica discipli- na como compromisso; • Liderança que valoriza e promove o trabalho em equipe; • Liderança que planeja totalmente as ações de SST; • Liderança que entende e exerce o poder como meio de democratizar o conheci- mento; • Liderança que busca tomar decisões compartilhadas. 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 40 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Aspectos da organização e impactos no comportamento As organizações agem nos estágios 1 e 2 (reativos), diferentemente dos estágios 3 e 4 (proativos), conforme demonstrado neste resumo baseado em análise do pro- fessor João Cândido. Item/característica Estágios reativo e dependente ações reativas 1. Ações de saúde e segurança do trabalho • Dissociadas dos processos produtivos. 2. Compromisso de gerenciar as ações de SST (ser dono) • Líderes de áreas não assumem, na prática, esta responsabilidade. 3. Informações sobre cultura de segurança • Pouca ou nenhuma informação estruturada da cultura de SST na empresa. 4. Nível de SST na organização • Valorizada fortemente no discurso. 5. Regras e procedimentos formais de trabalho e de SST • Entendidos como mecanismo de controle, impostos pela empresa; • Entendidos como princípios - controle externo. 6. Disciplina operacional • Entendida e vivenciada como imposição; • Cobrada via mecanismos externos: via con- troles e sanções. 7. Poder – forma de ser exercido • Exercido pela chefia, com a força do cargo; • É um mecanismo de controle; • Mudanças ocorrem pela imposição. 8. Monitoramento • Vertical, pela chefia; • Check e supervisão centrado no chefe. 9. Sanção • Mecanismo de controle, submissão às regras e imposto pela chefia, com foco punitivo. 10. Gerenciamento e solução de problemas • Gerenciamento pelo comportamento das pes- soas; • Solução de problemas por via hierárquica; 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 41 Manual de Gestão Comportamental em Segurançado Trabalho Estágios independente e interdependente ações proativas • Ações de SST integradas de fato ao sistema produtivo. • Líderes de área são donos incontestes das ações e tem esta responsabilidade definida formalmente. • Informações organizadas e obtidas por diagnóstico formal de aspectos organizacionais e comportamentais. • SST vivenciada nas práticas do dia a dia e percebida nas tomadas de decisão. • Entendidos como delegação de poder e de decisões; • Entendidos como valores – controle interno, pela consciência crítica. • Entendida como interiorização de responsabilidades; • Cobrada por mecanismos internos – consciência crítica (olhar para si mesmo). • Exercido pela liderança, com diálogo, negociação, convencimento e adesão; • Como mecanismo de democratização do conhecimento e da informação; • Mudanças pela consciência crítica da necessidade da mudança. • Compartilhado (operadores praticando o cuidado entre equipes); • Líderes atentos, corrigindo desvios, de forma educativa. • Submissão às regras pelo convencimento, aplicação justa da política de consequências – foco educativo, objetivando mudança de comportamento. • Gerenciamento pelo desempenho da organização como um todo; • Solução de problemas por grupos organizados. 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 42 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Correlação da evolução da pirâmide com as regiões da curva de Bradley Existe uma correlação da forma da pirâmide de BIRD com os estágios da curva de maturidade. O crescimento da base da pirâmide reflete uma atuação crescente e proativa sobre os quase acidentes e desvios, se refletindo na redução de seu pico (acidentes de alta gravidade) Pelas experiências acumuladas em várias unidades da Gerdau e que estão alinhadas com a experiência e recomendação da Worldsteel, não existem atalhos neste proces- so, não sendo possível evoluir na curva de Bradley sem resolver questões pendentes dos estágios inferiores. Exemplificando, não é possível passar do estágio reativo para o independente, sem primeiro se tornar dependente. Com a evolução da maturidade vai ocorrendo uma atuação crescente nos fatores da base da pirâmide (estágio reativo), evoluindo com relatos crescentes de quase acidentes e desvios, com a formação de um triângulo melhor formado, que através de uma análise e atuação nos eventos, vai reduzindo gradativamente (estágio dependente). Esta evolução prossegue, pela análise e ações crescentes e sistêmicas, com mais ca- ráter proativo (estágio independente). No estágio interdependente o foco é em ações proativas, gerando uma consolidação da base e redução gradativa na ponta, evoluin- do para um formato espigado. Evolução da Maturidade Instinto natural Supervisão Ponto chave: avançar além da dependência, pela atuação da liderança e envolvimento da equipe Individual Equipes REATIVO DEPENDENTE INDEPENDENTE INTERDEPENDENTE Perdas mínimas no topo por atuação sistêmica/ações proativas na base Redução das perdas no topo por atuação na base Início de atuação nos eventos da base Sem atuação na base T ax a de a ci de nt es 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 43 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Liderança situacional – pontos chave A atuação do líder, para ser eficaz, deve ser adequada à senioridade (prontidão) do operador/equipe para executar determinada atividade/tarefa. Esta avaliação de senioridade e prontidão para a tarefa (desempenho na atividade específica), é que deve orientar a forma de atuação, do líder, independente do grupo possuir, em algumas situações, um nível que de maturidade superior, quando ava- liado pela curva de Bradley. Este diagnóstico de prontidão deve se orientar por três pontos básicos: • Prontidão para execução: o operador sabe e quer fazer? Um nível baixo é carac- terizado por não ser capaz, estar inseguro e/ou não estar disposto para executar bem. • A situação em si: deve-se avaliar se a atividade é nova para este operador ou se houve uma mudança importante no desenvolvimento da tarefa e/ou no processo. • O resultado individual esperado: como é o seu desempenho pessoal em segu- rança? Se for baixo, é necessário um grau de supervisão mais forte. 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 44 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Atuação do líder em função da prontidão para a tarefa Na tabela a seguir está descrita qual é a estratégia recomendada para cada nível de prontidão bem como a forma de agir e os pontos-chave de atuação. Senioridade (prontidão) para ex- ecutar a tarefa Estratégia recomendada A (alta) Delegar B (média) Compartilhar C (moderada) Persuadir D (baixa) Determinar 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 45 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Como agir Ponto-chave avaliar designar acompanhar • Confiar na tomada de decisão do liderado (sabe e vai fazer bem). incentivar motivar facilitar apoiar • Deixar participar das decisões; • Preocupação com as pessoas. ensinar guiar explicar/instruir convencer • Argumentar a favor do que deve ser feito; • Ouvir opiniões do liderado; • Dar exemplos: ir na frente. estabelecer claramente treinar definir estruturar supervisionar • Acompanhamento e controle (rédeas curtas); • Determinar cumprimento de regras. 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 46 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Atuação do líder em função da prontidão para a tarefa Considere a situação de uma equipe que demonstra frequentemente atuar no está- gio independente; frente a uma situação de atividade nova, fora de rotina, em que, por falta de experiência nesta tarefa, o operador demonstra ainda estar inseguro, a atuação da liderança deve ser diretiva, estabelecendo claramente o que deve ser feito e com o devido follow-up (rédea curta). Identifique a estratégia recomendada Nível de maturidade? (curva de Bradley) OPERADOR X EVENTO Senioridade para esta atividade Situação Resultado esperado em segurança INDEPENDENTE Atuam de forma compartilhada; operadores alertam seus colegas de riscos) BAIXA Operador nunca havia passado por esta situação NOVA Situação de emergência, fora de rotina, ain- da não vivenciada por este operador MÉDIO/BAIXO Operador demonstra ser responsável, sem ter vivido esta situação Estratégia recomendada A (alta) Delegar Senioridade (prontidão) para executar a tarefa B (média) C (moderada) Compartilhar Persuadir D (baixa) Determinar 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 47 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho DETERMINAR Estabelecer claramente como fazer e acompanhar de perto estabelecer claramente treinar, definir, estruturar supervisionar • Acompanhamento e controle (rédeas curtas); • Determinar cumprimento de regras. • Argumentar a favor do que deve ser feito; • Ouvir opiniões do liderado; • Dar exemplos: ir na frente. ensinar, guiar, explicar/instruir convencer • Deixar participar das decisões; • Preocupação com as pessoas. incentivar, motivar, facilitar, apoiar • Confiar na tomada de decisão do liderado (sabe e vai fazer bem). avaliar, designar acompanhar Ponto chave Como agir CUMPRIR Com acompanhamento direto da supervisão OPERADOR LÍDER Como agir Exemplo: Na aciaria de uma unidade há mais de dois anos sem acidentesa equipe tem de- mostrado atuar com responsabilidade compartilhada; existem vários casos em que operadores, atentos aos riscos, alertam seus colegas. A liderança é pouco permissi- va e tem atuado no sentido de aumentar a liberdade de atuação da equipe. Há seis meses foi contratado um novo operador do FEA e todo o processo de integração e apadrinhamento foi recém concluído com sucesso. Este colaborador tem demons- trado elevada responsabilidade em suas atividades. Nesta tarde ele percebeu in- dícios de água no forno, de causa não conhecida. Consulta seu facilitador para se certificar dos procedimentos a adotar. Qual é a ação recomendada ao líder? 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 48 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho < 1ano 1 a 4 anos > 5 anos OBSERVAÇÃO Questões de ordem pessoal podem influir nas condições emocionais do colaborador e o líder deve estar atento a estes pontos. Algumas práticas, como por exemplo o emocionômetro, são recomendadas. Para sua reflexão no anexo está apresentado o exemplo 8. Tempo de experiência x atitudes Deve-se considerar também como pessoas percebem e se comportam em relação aos riscos. Coraboradores com maior experiência, embora desenvolvam habilida- des e experiências crescentes, tendem a reduzir sua preocupação com segurança, por um fenômeno de se acostumarem aos riscos, o que acaba afetando sua própria capacidade de percebê-los e controlá-los. Níveis elevados de preocupação com SST Capacidade para perceber e controlar riscos Formação e consolidação de hábitos Preocupação com SST Habilidades, experiências e hábitos Capacidade para perceber e controlar riscos novato veterano familiarização com a tarefa 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 49 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resumo/reflexão A melhoria consistente dos resultados de segurança está relacionada com a evo- lução da maturidade da organização, seus líderes e equipes. O estudo, que é refe- rência no tema, foi desenvolvido por Bradley e seu entendimento aprofundado foi descrito pelo prof. João Cândido. Desta maneira, compreendendo as características em cada estágio, podemos refle- tir e planejar nossos pontos de evolução, avançando na construção de uma cultura de segurança. Esta evolução deve ser construída, etapa a etapa, sobre cada um dos pontos: não se consegue avançar para níveis superiores de maturidade sem esgotar as ques- tões pendentes de estágios anteriores. Uma situação que frequentemente gera confusão e entendimentos indevidos é quando líderes de equipes que já demonstram, via de regra, estar em um estágio superior de maturidade, se vêem frente a situações que exigem uma atuação mais diretiva (por exemplo, riscos oriundos de uma atividade não rotineira e desconheci- da por vários). Nestes casos, é fundamental que os líderes compreendam a situação, baseados na senioridade da equipe para a tarefa específica, e ajustem sua forma de atuação. Ao reconhecer uma baixa prontidão para a tarefa, não devem hesitar em determinar como agir, estabelecendo claramente a atividade e fazendo um acompanhamento e controle eficaz. Reflita sobre alguma situação real que você viveu e conte a um colega como agiu para ajustar sua atuação. Ou, se os resultados não foram satisfatórios, qual a mu- dança de estratégia que você faria agora? 2. Atuação da liderança e maturidade da organização 50 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Teste de aprendizado Nesta etapa é importante que você reflita sobre seu aprendizado, analisando as questões abaixo e respondendo às seguintes perguntas: P 1 - A partir de que estágio de maturidade se percebem que os resultados em se- gurança mostram uma evolução consistente? P 2 - Que pontos que o líder deve considerar para orientar sua atuação, consideran- do o conceito de senioridade e prontidão do colaborador para a tarefa? P 3 - A capacidade de perceber e controlar riscos é crescente com a experiência e familiarização com a tarefa? Justifique sua resposta. P 4 - Descreva a forma característica das pirâmides de Bird para cada estágio de maturidade da curva de Bradley. P 5 - Em uma organização que já demonstra, na absoluta maioria das situações, características de maturidade de nível 3 – Independente, qual é a estratégia recomendada de atuação do líder, perante uma situação nova, que um deter- minado colaborador envolvido não vivenciou? 3 Disciplina Operacional C ap ít u lo 3 3. Disciplina Operacional 52 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 3. Disciplina Operacional 53 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Objetivos e pontos-chave Objetivos • Entender como líderes constroem disciplina operacional em suas equipes, através de uma liderança percebida, com comprometimento e atitudes exem- plares, envolvendo e compartilhando responsabilidades com as pessoas. • Desenvolver a compreensão dos líderes de fatores que afetam os comporta- mentos humanos, permitindo que realizem em seu dia a dia uma gestão de consequências justa, na qual reconhecimentos e sanções sejam utilizados de forma equilibrada, construindo comportamentos seguros. Depois de ler/estudar este capítulo, você deve ser capaz de: • Perceber como suas atitudes como líder afetam a disciplina operacional e o comportamento seguro (ou não) de suas equipes, permitindo uma reflexão, se for o caso, de como mudar a estratégia de atuação, para que sua liderança em segurança seja mais eficaz. • Compreender que desvios podem ser afetados por fatores estimuladores deste comportamento, e que seu adequado entendimento é fundamental para se ter ações de correção eficazes, que construam comportamentos seguros. • Utilizar de forma mais consciente a política de consequências, com uso equili- brado de reconhecimentos e sanções, quando aplicável. • Analisar as eventuais falhas humanas, separando erros de violações, com- preendendo fatores sistêmicos que podem estar potencializando as decisões e utilizando a árvore de tomada de decisões para garantir uma decisão justa. • Entender os conceitos de reforços positivos e sanções, que usados equilibra- damente, permitem uma construção eficaz da disciplina operacional. 3. Disciplina Operacional 54 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho A atuação da liderança deve permanentemente construir a disciplina operacional, através da não aceitação de desvios. Assim, ter tolerân- cia zero significa não ser permissivo. Afinal, como diz o professor João Cândido, “chefe: manda ou permite”. Disciplina operacional como base A disciplina operacional é fator básico para se atingir um ambiente livre de aciden- tes, pois garante constância na execução dos padrões, normas, procedimentos e regras de trabalho. A constância na execução dos padrões significa: todos realizando todas as tarefas, todas as vezes, da maneira como elas foram especificadas/descritas/planejadas. O melhor procedimento, regra, norma ou padrão é o mais simples possível, e que seja entendido e cumprido. Estes procedimentos devem estar adequados às condições do ambiente onde de- vem ser aplicados e os colaboradores devem perceber um mecanismo de cobrança adequado e coerente, inclusive com os recursos disponibilizados. Para serem efetivos, os líderes devem observar se os procedimentos e regras aten- dem os seguintes pontos: • Qualidade do padrão: observar a consistência do procedimento, no que tange ao seu conteúdo e redação. Observar se a linguagem empregada é adequada; • Adequação do padrão às condições do ambiente de trabalho: verificar se há com- patibilidadeentre o procedimento e as condições de trabalho; • Capacitação dos operadores: verificar se os treinamentos oferecidos aos opera- dores contemplam as exigências contidas no padrão, com uma avaliação formal da aprendizagem; • Cobranças: verificar se os líderes cobram, com rigor, o cumprimento do padrão, ou se cobram apenas os resultados do trabalho (produção). 3. Disciplina Operacional 55 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Características da disciplina operacional A disciplina operacional exige o comprometimento de cada membro da organização de executar toda e cada tarefa da forma correta, sempre. Para tal, as seguintes características são essenciais: • Liderança pelo exemplo; • Práticas consistentes com os procedimentos; • Recursos adequados; • Envolvimento de colaboradores; • Comunicação eficaz em todos os níveis; • Compartilhamento de valores; • Documentações atualizadas; • Ausência de atalhos (short cuts); • Forte trabalho em equipe; • Organização e limpeza em bom nível; • Orgulho na organização. 3. Disciplina Operacional 56 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho PONTO CHAVE Perante falhas e desvios, o líder deve, como indicado, voltar para rever a padronização e treinamento, e não focar a ação na cobrança simplista do resultado indesejado. O bom resultado é fruto de bons procedimentos, adequadamente seguidos. Disciplina operacional: base para estabilização de processos A disciplina operacional, como um processo, exige execução conforme padrões e atuação coerente do líder nos seguintes pontos: • Liderança pelo exemplo; • Responsabilidade de linha; • Conceito de dono; • Foco no comportamento; • Administração de desvios. 3. Disciplina Operacional 57 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Treinamento de Falhas Padronização Operacional Auditoria de Padrões TODOS DISCIPLINA OPERACIONAL EXCELÊNCIA OPERACIONAL Execução conforme Padrões Treinamento Crítico Estabilização de Processos Resultados Disciplina operacional x estabilização de processos TODAS AS VEZES 3. Disciplina Operacional 58 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Identificação do perigo Análise consequências Possibilidades de ação Comportamento seguro Comportamento seguro: orientando decisões A decisão por um comportamento seguro é um processo que envolve a percepção de risco, é influenciada pelo clima e cultura de segurança vigente e é estimulada pelas consequências percebidas (sejam de reforço positivo, possível sanção ou in- diferença). Percepção de risco Clima e cultura Tomada de decisão Reconhecimento de risco Estímulos discriminativos (positivos e negativos) Decisão pelo procedimento mais seguro P R O C E S S O 3. Disciplina Operacional 59 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho observamos o ato Ativadores de comportamento Por que as pessoas fazem o que fazem e não o que se esperaria que fizessem? Comportamentos podem ser gerenciados e são resultado de um processo que en- volve: situação + ação + consequência. Para uma gestão coerente, deve-se entender os ativadores dos comportamentos bem como gerir as consequências, reforçando ou inibindo-os. Situação (antecedentes) Ação/ato (Comportamento) Consequência O que acontece antes ou junto à ação de uma pessoa, que a faz agir de determinada maneira? Aquilo que a pessoa faz (o que nós observamos) • O que acontece com a pessoa depois da ação (positivo ou negativo) • Blusa desabotoada • Sensação de frio • Característica da blusa • Risco de prejudicar a saúde • Formalidade do local Movimentos das mãos e dos dedos em torno dos botões e das casas da blusa • Blusa abotoada • Diminuição da sensação de frio • Maior probabilidade de manter a saúde intacta • Adequação ao ambiente • Tamanho da peça • Posição em que peça será colocada • Não reconhece riscos (tarefa simples) O operador dentro da oficina retira as luvas para manejar uma peça • Manuseio fica mais fácil • Escorrega a peça, mas não se machuca; • Já fez outras vezes, sem consequências 3. Disciplina Operacional 60 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Comportamento Seguro Comportamento humano: como agir positivamente Reconhecer as questões associadas aos comportamentos e a forma como nossos atos podem reforçar ou coibir atos inseguros é ponto crucial no desenvolvimento de ambientes seguros e equipes colaborativas “(...) os comportamentos, as atitudes e as reações dos indivíduos em ambientes de trabalho não podem ser interpretados de maneira válida e completa sem se considerar a situação total a que eles estão expostos, incluindo o meio, o grupo de trabalho e as variáveis da própria organização como um todo.” Dela Coleta A decisão entre adotar comportamentos de risco ou comportamentos seguros de- pende de decisões que são estimuladas por diversos fatores. A decisão pelo com- portamento seguro pode sempre ser estimulada, por uma adequada gestão de con- sequências (positivas ou negativas). • Canso mais • Produzo menos • Gasto mais tempo • Eu sabia que era arriscado, mas eu achei que dava • Evito acidentes a longo prazo • Cultivo minha segurança e a de todos • Economizo tempo e esforço • Tenho melhores resultados e incentivos ATO Parte Visível Comportamento de Risco P a rt e E n c o b e rt a 3. Disciplina Operacional 61 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho DISCIPLINA OPERACIONAL • Regras gerais • Regras específicas • Política de consequências Política de Segurança PROGRAMAS CORPORATIVOS • Sipat • Dia D • Semana da excelêcia CAPACITAÇÕES • Treinamento • SCI PROGRAMAS COMPORTAMENTAIS • Escalada da segurança • Atitude segura • Outros programas da unidade PROGRAMAS CORPORATIVOS • Sipat • Dia D • Semana da excelêcia SISTEMA DE GESTÃO • Procedimentos • Padrões • Normas • Remuneração variável Orientações da política de consequências A Política de consequências é parte efetiva da construção de uma disciplina ope- racional, integrante do sistema de segurança da organização. Considera que, em um ambiente industrial seguro, regras existem, são compartilhadas, entendidas e respeitadas. O reforço positivo, realizado de forma rotineira sobre atitudes seguras e seu devido reconhecimento, é a forma mais efetiva de se construir comportamentos seguros. Todavia, no caso de descumprimento ou omissões, cabe efetuar uma análise equi- librada, buscando identificar os agentes ativadores de comportamento, verificando se houve erros ou violações e tomando ações justas. 3. Disciplina Operacional 62 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Conceitos sobre erros humanos Alguns conceitos sobre erros humanos, desenvolvidos por Reason, são hoje larga- mente aceitos, como resumido abaixo: Os erros humanos podem ser classificados em duas categorias: pessoal e de siste- ma, cada qual tendo formas diferentes e adequadas de gerenciamento: • Categoria pessoal - foca na atuação sobre as atitudes abaixo do padrão – erros e violações: Neste enfoque entende-se que as atitudes abaixo do padrão surgem de processos como esquecimentos, desatenção, baixa motivação, falta de cuidado, negligência e imprudência, e assim as medidas preventivas estão dirigidas no sentido de se restringir a variabilidade indesejável do comportamento humano. • Categoria de sistema - foca na atuação sobre sistemas de defesa: Considera queos seres humanos falham e os erros são esperados, mesmo nas melhores organizações. Os erros são considerados mais como consequências do que como causas, tendo suas origens nem tanto na natureza do ser humano, mas em fatores sistêmicos que estão acima destes. As medidas de segurança baseiam- se no fato de que não podemos mudar a natureza humana, mas sim as condições sob as quais os seres humanos trabalham. Neste caso, o enfoque principal é em sistemas de defesa, tais como barreiras e salvaguardas. 3. Disciplina Operacional 63 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Política de consequências: reconhecimentos Reforço positivo e reconhecimentos A construção de um ambiente seguro é determinado basicamente por reforços po- sitivos feitos através de reconhecimentos, sempre em situações que superem ou sejam exemplos de destaque. A prática 13 do GBS – cultura de segurança e gestão do comportamento – orienta líderes e operadores nesta prática. A política de consequências orienta esta prática e sugere como realizá-la rotineira- mente. Exemplos Reconhecimentos podem ser realizados por equipes ou individuais e de maneira formal ou informal. Importante lembrar que quanto mais próximos do fato gerador, mais percebidos e valorizados tendem a ser. Todavia, quando realizados em even- tos, demonstram ao grupo, de maneira mais clara e abrangente, a importância dada pela organização ao valor segurança. 3. Disciplina Operacional 64 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Política de consequências: reconhecimentos Exemplos de Reconhecimento do CEG por 4 anos sem acidentes CPT na Usina Barão de Cocais e por 3 anos na Usina Cearense. 3. Disciplina Operacional 65 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Política de consequências: reconhecimentos Reconhecimento realizado pelo Comitê da Unidade a operador destaque em segu- rança. “Se tivéssemos que definir uma letra para representar um trabalhador consciente com relação as questões de segurança, esta letra seria o “R” de responsável” – Hudson Couto. Reconhecimento realizado à equipe de logística por resultados de segurança e ou- tros indicadores de desempenho. 3. Disciplina Operacional 66 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Gestão de consequências frente a descumprimentos - regras e/ou omissões. Recomendações de análise Havendo uma indicação inicial de descumprimento de regras e/ou procedimentos e uma possível aplicação de sanção, deve-se avançar com uma análise estruturada, cuidadosa e justa, baseada na política de consequências. A eventual aplicação de medidas disciplinares requer: • Verificação da clareza de atribuições e responsabilidades; • Endereçamento correto das cobranças (o que cabe ao colaborador e o que é de seu líder); • Disponibilidade de se recusar o risco da tarefa (quando cabível); • Desempenho e histórico do colaborador e identificação de fatores ativadores; • Avaliação do que outros fariam na mesma situação; • Análise adequada da aplicação de medidas corretivas; • Endereçamento correto das pendências. 3. Disciplina Operacional 67 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Características Possíveis ativadores do comportamento Falha de atenção, memória, inconsciente, falha técnica Erro de Habilidade Percepção diferente da realidade (ex. ilusão de ótica) Erro de Percepção Ocorrem raramente e seu ativador deve ser cuidadosamente avaliado Excepcional Gestão de consequências: erros x violações Um ponto básico na qualificação de falhas humanas é uma avaliação para entender se houve um erro ou uma violação; para tal recomenda-se usar a estrutura de cate- gorização abaixo e a árvore de tomada de decisões seguinte. Categorização de comportamentos inseguros São intencionais (ato) mas não em sua consequência Rotina Ocorrem no dia a dia e são toleradas pela liderança Ocorrem em determinadas ocasiões, por ativadores específicos Situacional Erro de Decisão Fadiga física e/ou mental; pressão inadequada por produção; falta de sono, stress, questões pessoais, doença (uso de medicamentos) Arrogância, impulsividade, autoconfiança indevida, não coerência do discurso pela liderança F al h as H u m an as V io la ç õ e s E rr o s 3. Disciplina Operacional 68 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Política de consequências: descumprimentos e/ou omissões O que fazer perante um possível descumprimento de regras e procedimentos e/ou omissões, com consequências em um acidente? Avaliar: • A críticidade da ocorrência, verificando sua perda ou potencial de perda; • A característica da ocorrência, se foi uma violação ou erro; • Se a falha foi induzida pelo sistema, avaliar ponto de falha e a atuação da liderança (procedimentos, treinamento, etc.); • Ampliar análise para falhas nas demais barreiras e/ou no sistema de gestão; • Identificar e analisar os ativadores de comportamento; • Aplicar a política de consequências, decidindo com apoio da árvore de tomada de decisões. 3. Disciplina Operacional 69 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Política de consequências: descumprimentos A avaliação deve ser realizada pela matriz de criticidade e a sanção, quando aplicá- vel, pela recomendação da matriz de consequências. 3. Disciplina Operacional 70 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Política de consequências: orientações para aplicação • A árvore de tomada de decisões orienta para uma aplicação justa e equilibrada da política de consequências, quando se está avaliando rupturas na barreira de comportamento. Tem por finalidade garantir uma aplicação consistente e alinhada. • De uma maneira geral, ações neste sentido não devem ser tomadas até que a investigação adequada seja completada. Todavia, se após as entrevistas e análi- ses iniciais, ficar claro que houve uma quebra grave de regra e/ou procedimento, os envolvidos podem ser retirados temporariamente de sua atividade de rotina ou serem enviados para casa, até o encerramento das investigações. • É fundamental na análise considerar o conceito de barreiras. Acidentes graves só ocorrem quando existem falhas nos três níveis de defesa. • Recomenda-se que o resultado das investigações seja compartilhado no comitê da unidade, bem como a decisão de aplicação ou não de eventual sanção. Desta forma, garante-se um maior equilíbrio na decisão e a coerência entre áreas, em situações similares. • Todo este processo deve ser detalhado, porém rápido; recomenda-se nunca supe- rior a sete dias, sob pena de eventuais sanções já serem entendidas pela equipe como não aplicáveis. • A avaliação de eficácia da aplicação de uma política de consequências deve ser realizada pela análise se estas geraram mudanças positivas de comportamento, no colaborador e na equipe. 3. Disciplina Operacional 71 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 3. Disciplina Operacional Árvore da tomada de decisões SIM As consequências foram intencionais? SIM Sabotagem, dano maldoso, suicídio, etc. Houve ruptura da barreira comportamental por atitude abaixo do padrão? Confirmado o uso de álcool e droga? SIM Seguir política de álcool e droga NÃO A ação foi intencional? SIM Procedimentos estavam disponíveis, entendidos e bem comunicados? Foi treinado e sua capacitação checada? NÃO Conhecia o procedimento seguro que não foi observado? NÃO Umoutro em seu lugar teria feito o mesmo? (teste de substituição) 72 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 3. Disciplina Operacional 73 Checar estimuladores de comportamento. Recomendação de aplicar sanção violação por imprudência. SIM Possível Recomendação de aplicar sanção nos responsáveis pelo sistema. tolerância da liderança/ sistema. violação ou erro induzido pelo sistema. Checar NÃO Possível Recomendação de aplicar sanção Deficiência no treinamento, seleção ou experiência? por negligência. do comportamento. Recomendação de aplicar sanção de atitudes inseguras? Avaliar sua adequação corrigir falhas no sistema. Erro sem culpa. Recomendação de identificar e NÃO SIM Tem histórico com Liderança pelo sistema NÃO à atividade e contratar compromisso. intencional (sem culpa). SIM Erro não Estruturar plano de correção SIM Erro induzido Checar estimuladores NÃO Possível erro v io la ç õ e s e rr o s g ra v id a d e c re s c e n te 3. Disciplina Operacional 74 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho O que deve ser observado na aplicação de medidas corretivas Este cuidado na aplicação de eventuais medidas disciplinares se justifica, pois po- dem ocorrer as situações descritas no quadro abaixo, que se inadequadas, geram efeitos danosos nas equipes. Situação Gestor Colaborador Consequências 1 Certo Errado Poderá produzir o efeito esperado (correção do colaborador) 2 Dúvida Errado Poderá produzir efeitos adversos (confrontos, animosidade) 3 Errado Certo Produzirá efeitos danosos (rancor, sentimento de injustiça) 4 Errado Errado Produzirá efeitos desastrosos (desmoralização e falência das relações) 3. Disciplina Operacional 75 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Política de consequências: fatores que limitam aplicação Uma gestão adequada de consequências exige do líder uma atenção cuidadosa e, às vezes, sofre limitações, por algum dos motivos abaixo exemplificados. Reconhecimentos (reforços positivos) Sanções (em caso de violações ou omissões) • Falta de hábito em praticar • Foco da liderança mais forte em buscar erros do que observar acertos • Crença de que reconhecimento positivo possa afetar produtividade • Reconhecimento formal exige preparação e alocar tempo/momento adequado • Falta de prática de fazer reconhecimentos informais no dia a dia • Carência da liderança em conceitos de fatores humanos associados a reforços positivos • Vínculos de amizade entre lide- rança e operador • Desempenho pessoal e profissio- nal do operador • Tempo de casa do colaborador • Constrangimento, por motivos diversos • Desgaste de vínculos pessoais • Sentimento de culpa • Prestação de contas a chefias superiores 3. Disciplina Operacional 76 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resumo/reflexão A disciplina operacional é um dos fundamentos de uma gestão eficaz de segurança, e sua prática é fortemente dependente da atuação percebida do líder, que com seu exemplo, orienta e a conduz com a equipe. Através desta disciplina, com todos fazendo certo todas as vezes, constrói-se a excelência operacional, através de procedimentos e regras, cumpridos conforme foram planejados. Neste contexto, eventuais desvios detectados devem ter uma atuação adequada do líder, com reforços positivos e reconhecimentos nas situações pertinentes e uma análise e atuação frente a descumprimentos. Eventuais descumprimentos devem considerar em sua análise o aprofundamento dos fatores ativadores do comportamento e uma avaliação de classificação, em erros ou violações. No caso de violações, é fundamental se entender se as mesmas não foram induzidas pelo sistema (procedimentos/ recursos inadequados ou orien- tação indevida da liderança). Para a adequada aplicação de sanções é adequado se orientar pela árvore de toma- das de decisão, e nos casos devidos, por uma equalização no comitê da unidade, garantindo uma decisão o mais justa possível. Desta forma, é de se esperar mudanças positivas no comportamento de pessoas e equipes, que reconhecem na empresa, através de seus líderes, uma coerência de atuação. 3. Disciplina Operacional 77 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Teste de aprendizado Nesta etapa é importante que você reflita sobre seu aprendizado, analisando as questões abaixo e respondendo às seguintes perguntas: P 1 - No seu entendimento, como se constrói uma disciplina operacional efetiva no dia a dia? P 2 - Explique como as consequências percebidas pela equipe (positivas ou negati- vas) auxiliam a evolução de uma maior disciplina operacional. P 3 - Cite alguns fatores que inibem a aplicação da política de consequências (reco- nhecimentos ou sanções). P 4 - O que você entende por um erro induzido pelo sistema? Exemplifique. P 5 - Qual é o resultado esperado em suas equipes, se aplicarmos uma sanção disciplinar (desligamento), em uma situação que foi claramente induzida pelo sistema? Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações 78 4 Apresentação das Práticas Gerdau C ap ít u lo 4 4. Apresentação das práticas Gerdau 80 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 4. Apresentação das práticas Gerdau 81 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Objetivos e pontos-chave Objetivos Este capítulo – Apresentação das Práticas Gerdau - descreve a metodologia recomendada para líderes e colaboradores, pela experiência desenvolvida em várias unidades da Gerdau nos últimos anos, com resultados comprovados. Estão descritas a estrutura e desdobramento do método, seu passo a passo, recomendações para adequada utilização, responsabilidades de líderes e cola- boradores e referenciados cases de sucesso. Depois de ler/estudar este capítulo, você deve ser capaz de: • Entender a essência das práticas, percebendo quais são os pontos que mais contribuem para a evolução da gestão comportamental em sua unidade, pela observações de comportamentos e tratamento de desvios. • Ser capaz de, com o apoio deste manual, compreender as etapas e pontos específicos destas práticas, identificando o que é mais pertinente para evoluir nos gap´s de sua unidade/área. • Compreender qual é a responsabilidade de líderes e operadores na prática. • Estruturar, com apoio de seu process leader e da área corporativa de SSTMA da Gerdau, as capacitações necessárias para a multiplicação desta prática, através dos líderes. 4. Apresentação das práticas Gerdau 82 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Práticas Gerdau de observações comportamentais A prática de observação de comportamento pelos líderes utiliza a metodologia da abordagem comportamental, com a definição de compromissos ao final do processo. Metodologia Descrição/ Finalidade Consequência Quem / Como Observações e abordagens comportamentais realizadas pelos líderes Avaliação estruturada de comportamentos seguros e desvios de comportamento, usando a técnica da abordagem, ge- rando reflexão nos operadores, que assumem compro- missos. Executada pela liderança, para observar atos seguros e desvios de comportamento. Usa metodologiaprópria, que classifica os desvios, registra- os de forma padronizada e permite análise estruturada para orientar ações gerenciais de mitigação. Para a observação entre operadores, o método é mais simples, com o objetivo de desenvolver percepção de risco e cuidado entre operadores. Metodologia Descrição/ Finalidade Consequência Quem/como Observações de atitudes e desvios, realizadas por operadores É uma prática realizada pelos operadores, de modo a estimular a per- cepção de risco e o cuida- do entre as equipes. Aler- tam situações próprias, alertam os outros e se permitem ser cuidados. Registram dados em car- tão padronizado, que pe- riodicamente é analisado pelo líder. • Realizada pelos operadores, que classificam o tipo de si- tuação em um cartão padro- nizado, que é rotineiramente acompanhado por seu líder. • Neste processo o líder deve verificar situações recorrentes e/ ou graves, que devem ser retroalimentadas às equipes em reuniões de rotina (exem- plo – DDS). 4. Apresentação das práticas Gerdau 83 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Responsabilidade da lideranças e operadores nas práticas Metodologia Lideranças Operadores O b s e rv a ç õ e s e a b o rd a g e n s c o m p o rt a m e n ta is p e lo s lí d e re s • Recebem capacitação em gestão do comportamen- to, para conduzir interven- ções adequadas, gerando mudanças nas atitudes das equipes; • Realizam observações de comportamentos, com a metodologia de aborda- gem, gerando reflexão e compromissos; • Analisam desvios recor- rentes e fornecem feedba- ck às equipes • São observados em suas tarefas e por um diálogo estruturado, refletem, as- sumem compromissos e mudam comportamentos de risco; • Desenvolvem percepção de risco e evoluem no cuidado de si próprios e entre colegas. O b s e rv a ç õ e s d e a to s e d e s v io s , re a li z a d o s p o r o p e ra d o re s • Avaliam regularmente os cartões de registro, ana- lisam, compartilham com a equipe e recontratam comportamentos segu- ros. • São treinados para per- ceberem situações de risco, considerando esta- dos de comportamento e erros críticos; • Percebem desvios, re- gistram em cartões, cor- rigem atitudes de forma imediata com seus cole- gas; • Desenvolvem sua per- cepção de riscos e avan- çam no cuidado dentro de suas equipes. Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 4. Apresentação das práticas Gerdau Anotações 84 85 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 4.a Observações de Comportamento pelos Líderes 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 86 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 87 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Objetivo A realização de observações comportamentais pelos líderes é uma atividade básica para a construção de comportamentos seguros. Neste capítulo são estabelecidas as diretrizes para realização de observações de comportamento pelos líderes pelo método Gerdau, estabelecendo: • Responsabilidades para a execução e administração do programa; • Como esta deve ser desenvolvida pelas lideranças; • Critérios padronizados para a aplicação nas unidades; • Orientações para identificar e reforçar comportamentos seguros e como identificar e interagir para modificar comportamentos inseguros; • Método para análise dos dados gerados pelas observações, permitindo interven- ções planejadas e análise de tendências e evoluções. As observações de comportamento devem ser realizadas na áreas operacionais, incluindo as equipes terceirizadas, sempre por líderes capacitados e habilitados. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 88 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Passo a passo para a realização de observações de comportamento no dia-a-dia Nº Ação Descrição 1 Decidir realizar uma observação de comportamento A critério do líder, observando frequência mínima e locais críticos 2 Selecionar uma área A observação de comportamento pode ser realizada em qualquer área e pode ser orientada por processos críticos, por exemplo. 3 Estar adequado para realizar a abordagem Fazer um check para ver se esta preparado para realizar a observação 4 Realizar a observação (tempo estimado de 15 a 30 minutos) 1. Apresente-se e avise que fará uma observação de comportamento 2. Pare e observe 3. Análise 4. Inicie a conversa 5. Realize o fechamento e agradeça pela atenção despendida 5 Registrar a observação realizada Descrever a abordagem realizada conforme formulário padrão 6 Plano de ação Descreva as ações principais discutidas na observação junto ao colaborador 7 Interação entre líderes Comunique sempre ao líder da área os principais pontos da observação e as ações para mitigar os comportamentos de risco 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 89 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Ponto-chave Estar treinado na prática (teórico e prático). Verificar informações gerais sobre a área (regras, procedimentos, cuidados de segurança, etc.). Refletir sobre os passos da observação. Verificar se está com todos os EPI´s e se tem autorização para acesso a área. Explique o objetivo da prática para deixar os participantes à vontade. Observe o cenário de trabalho buscando identificar perigos, riscos e como o colaborador no seu comportamento controla ou não os riscos da atividade. Junto com a observação, analise o comportamento do colaborador buscando compreender os ativadores de comportamentos (por quê o colaborador se comporta desta maneira?). De acordo com a criticidade do que foi observado busque desenvolver a percepção de risco do colaborador desenvolvendo um posicionamento critico sobre os perigos x riscos x controles do cenário observado. Diante de tudo que foi observado e discutido, feche o aprendizado, formalizando o reconhecimento caso tenha observado um comportamento positivo para segurança e alinhando o comportamentos inseguros para que não se repitam. Preencher adequadamente o check-list de observação de comportamento Trate as ações conforme foi combinada junto ao colaborador para que os comportamentos inseguros não voltem a ocorrer. Sempre alinhar junto ao líder da área os temas tratados na observação. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 90 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Periodicidade mínima recomendada Nível Frequência mínima mensal Gestor da Unidade 2 Gestores e Eng. de Segurança 4 Facilitadores e equipe de Segurança 12 A correta classificação dos desvios nas categorias conforme definidas no check-list de observação é muito importante, pois a compilação destes dados servirá para analisar as tendências de comportamento e as ações para manter comportamentos seguros e mitigar compor- tamentos inseguros. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 91 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Exemplo de situação Passos para uma correta abordagem comportamental Etapa O que fazer? 1 • Consiga a atenção do colaborador, sem agravar a situação e interrompa a atividade de maneira adequada. 2 • Apresente-se de forma amigável,informando que irá observar sua tarefa; • Com empatia, crie situação de confiança. 3 • Depois de observar, inicie comentando seus comportamentos seguro, reforçando-os positivamente. 4 • Expresse sua preocupação com a saúde e segurança do colaborador. 5 • Discuta sobre desvios observados, gerando reflexão (o que poderia ter acontecido?); • Peça sugestões sobre a maneira mais adequada de realizar a atividade com segurança. 6 • Obtenha o compromisso do colaborador em corrigir os desvios observados. 7 • Pergunte se existem outras situações de saúde e segurança que ele gostaria de discutir para melhorar. 8 • Agradeça ao trabalhador o tempo investido nesta atividade. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 92 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Risco grave iminente: o que é e como agir Caracteriza-se como Risco Grave Iminente (RGI) uma situação de desvio observada , que pode representar, no curtíssimo prazo, um acidente de alta gravidade. Neste caso, o líder deve, imediatamente, parar a atividade. Esta intervenção deve ser realizada de forma adequada, evitando, pela surpresa do colaborador, agravar o risco. Exemplos de situação Etapa O que fazer? • Operação em telhados sem ancoragem na linha de vida; • Colaborador em alta velocidade com equipamento móvel; • Atividade em espaço confinado com uma única pessoa; • Colaborador de forno em frente à porta de escória, sem EPI´s adequados; • Colaborador posisionado abaixo de carga suspensa. 1 • Consiga a atenção do colaborador, sem agravar a situação e interrompa a atividade de maneira adequada. 2 • Questione de forma direta sua forma de atuação nesta atividade e/ou condição em que está sendo realizada. 3 • Mostre claramente que está em desacordo com regras e procedimentos seguros e o gravíssimo risco de acidente (tolerância zero). 4 • Garanta com o colaborador e com sua liderança direta a efetiva interrupção da atividade da forma como vinha sendo executada. 5 • Avalie se foi uma transgressão (violação) ou um erro e baseie sua decisão na Política de Consequências e apoio da arvore de decisões. 6 • Compartilhe o aprendizado no fórum adequado. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 93 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Área/Célula: Data: / / Hora: Início: : Término: : Observador: Nº de Pessoas Abordadas: Nº de Pessoas no local: Nº de Desvios Observados: CARTÃO DE OBSERVAÇÃO COMPORTAMENTAL CATEGORIAS QUANTIDADE DE DESVIOS A. Reação das pessoas A1. Mudança de posição A2. Parando o serviço A3. Ajustando o EPI A4. Adequando o serviço B. Posição das Pessoas B1. Bater contra/Ser atingido por B2. Ficar preso B3. Risco de queda B4. Risco de queimadura B5. Risco de choque elétrico B6. Inalar contaminantes B7. Absorver contaminantes B8. Ingerir contaminantes B9. Postura inadequada (ergonomia) B10. Esforço inadequado C. EPIs C1. Cabeça C2. Sistema respiratório C3. Olhos e rosto C4. Ouvidos C5. Mãos e braços C6. Tronco C7. Pés e Pernas D. Ferramentas e equipamentos D1. Impróprias para o serviço D2. Usados incorretamente D3. Em condições Inseguras E. Procedimentos E1. Inadequados E2. Não existem procedimentos escritos E3. Adequados e não seguidos F. Ordem, limpeza e arrumação F1. Local sujo F2. Local desorganizado F3. Local com vazamentos e poluição ambiental Descrição dos desvios observados Ação/recomendação (opcional) Reconhecimento de trabalho seguro Condição Abaixo do padrão Observações Modelo check-list (cartão) de observação de comportamento 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 94 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Gestão dos indicadores das observações comportamentais As observações comportamentais são registradas e analisadas de forma sistêmica, o que permite identificar focos de intervenção, gerando ações de mitigação, que vão construindo a evolução de comportamentos seguros. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 95 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Responsabilidades Diretor Executivo ou Gerente Executivo da Unidade • Promover a implantação do programa de observação de comportamento, objeti- vando seu uso rotineiro e sistêmico na unidade; • Participar ativamente do processo, orientando, aconselhando, disciplinando e reco- nhecendo, assegurando a internalização e sustentabilidade do programa; • Acompanhar os indicadores, garantindo a sistemática em todas as áreas; • Reconhecer práticas e comportamentos que demonstrem a evolução e reorientan- do situações de desvios ou avanços insuficientes; • Realizar a gestão deste processo junto a liderança e garantindo seu sucesso na unidade. Líderes de Linha (gerentes, chefes e facilitadores) • Assegurar a sua capacitação e dos líderes de sua equipe na prática de observação de comportamento; • Internalizar a metodologia com a qualidade necessária, mantendo os princípios da prática; • Promover o uso continuo, rotineiro e sistêmico da prática na sua área/célula; • Participar ativamente do processo, orientando e disciplinando quanto ao uso desta ferramenta; • Acompanhar os indicadores, realizar análise de tendências e promover discussão para a busca de ações que reforcem comportamentos seguros bem como miti- guem comportamentos inseguros; • Assegurar a participação de sua respectiva equipe, com qualidade, buscando inte- grar a gestão comportamental ao demais processos da área. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 96 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Equipe de Saúde e Segurança do Trabalho • Definir o planejamento da implantação da prática na unidade, organizando seu alinhamento e aprovação no comitê de segurança • Apoiar e organizar a capacitação dos líderes da unidade, provendo os recursos necessários; • Participar ativamente das capacitações e desenvolvimento da prática, acompanhan- do o desenvolvimento dos líderes e apoiando na correção de eventuais dificuldades • Estruturar a organização dos dados, permitindo uma análise adequada de evolução e tendências • Apoiar o gestor da unidade no acompanhamento e promoção da prática. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 97 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Recomendações finais: observações pelos líderes • Somente deverão realizar as observações comportamentais líderes treinados na técnica (conceitos e prática); • Durante a observação verificar as condições físicas da área onde está sendo reali- zada a observação, mas concentre-se na atividade do observado e como ele age/ reage em relação a este ponto; • Após a observação é importante realizar a sua auto-avaliação da qualidade com que foi realizada, para que você, líder, possaavaliar os pontos positivos da sua intervenção e as oportunidades de melhoria na sua forma de abordar seu colabo- rador; • É importante o preenchimento adequado do check-list (cartão) de observação, o que permitirá na sequência definir as tendências de comportamento para posterior análise e tratamento; • A consolidação desta prática depende de você, líder, aplicá-la corretamente, de forma rotineira no seu dia a dia, alinhada com as demais ferramentas do sistema de segurança. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 98 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Cases de sucesso das práticas: quadro resumo Foco da Ação Unidades de referência Focos de Atuação A tu a ç ã o d a li d e ra n ç a Diaco Mogi Sizuca • Diagnóstico inicial; • Atuação da liderança; • Observações de comportamento pela liderança; • Atuação dos líderes medido por Indicadores proativos; • Follow up do plano de ação Barão de Cocais Cosigua • Diagnóstico de cultura de segurança; • Palestras de Sensibilização; • Atuação do líder como dono; • Aplicação justa da política de consequências. Cearense • Diagnostico de cultura e elaboração de plano de ação; • Capacitação da liderança em fatores humanos e abordagens comportamentais. P rá ti c a c o m O p e ra d o re s Cosigua Açominas Cearense • Treinamento da liderança e operadores; • Identificação dos estados e ativadores; • Feedback rotineiro à equipe. Jacksonville • Treinamento da equipe; • Aplicação dos cartões. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 99 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Principais Resultados • Lideres com atuação percebida; • Acompanhamento do Índice de Comportamento Seguro (ICS) e de indicadores pró-ativos da liderança em reuniões do comitê; • Redução significativa de TF. • Líderes percebem efeito quando atuam como donos; • Liderança assume seu papel via plano de ação estruturado e com follow up; • Correção de GAP´s na gestão do SST; • Política consequências aplicada com equilíbrio, gerando aprendizado. • Atuação consciente dos líderes; • Método eficaz nas abordagens; • Envolvimento de operadores com compromissos de mudança. • Crescente envolvimento de operadores no dia a dia, desenvolvendo cuidado entre equipes; • Gestão de rotina de líderes com operadores. • Envolvimento de operadores; • Ferramenta para gestão de situações no dia a dia. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 100 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Exemplo de case na Gerdau Colômbia (Diaco) Etapa Pontos chaves 1. Análise da relação comportamentos inseguros (incidentes e desvios) com as perdas (acidentes CPT). A resolução efetiva de incidentes afeta claramente a ocorrência de acidentes. 2. Identificação do foco de ação. Ações de bloqueio para reduzir incidentes e desvios. Análise estruturada de incidentes e desvios com origem em atitudes e comportamentos. 3. Alinhamento com o foco de gestão (organização estruturada) – reuniões de análise crítica em comitês. Reuniões sistêmicas de análise crítica no comitê deliberando sobre: • incidentes e desvios comportamentais; • eficácia de atuação da liderança em comportamento. 4. Desenvolvimento de indicadores proativos de atuação da liderança. Líderes percebem que a gestão está tangibilizada (via ICS) e vão melhorando sua eficácia de atuação. 5. Elaboração de ranking de desempenho da liderança Indicadores pró-ativos x resultados. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 101 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Evidência Objetiva 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 102 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resultados do case Gerdau Colômbia (Diaco) Item de atuação 2007 • Evolução em relatos de incidentes e sua correção; • Realização de observações comportamentais e devida análise. • Diagnóstico inicial; • Atuação da liderança no dia a dia, com as praticas de gestão e observações de desvios. • Evolução de TF, TG e encerramento de desvios comportamentais. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 103 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 2010 Ponto chave • Atuação na resolução de incidentes e desvios. • Liderança percebida, agindo com coerência (discurso x prática), buscando disciplina operacional. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 104 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Exemplo – case Barão de Cocais Etapa Pontos chaves Demanda inicial • Necessidade de diagnóstico de acidentalidade e coerência de ações da liderança; • Questões de origem comportamental de líderes e operadores como parte do diagnóstico. Ação • Realizado diagnóstico e identificadas oportunidades; • Plano de ação, com enfoque na coerência de atuação da liderança; • Capacitação em observações comportamentais; • Comunicação e sensibilização da equipe. Verificação • Análise rotineira de desvios em reuniões; • Check mensal na avaliação do SST; • Acompanhamento em reuniões da CIPA; • Apresentação periódica ao comitê da unidade. Padronização • Metodologia da abordagem comportamental; • Adequação de observação entre operadores; • Padrão de análise crítica por categorias; • Ações de mitigação com foco educativo. Resultados • Redução da TF para zero (4 anos sem CPT´s), dos aciden- tes SPT´s e dos eventos de gravidade “A”; • Comprometimento forte dos operadores no cuidado entre as equipes no dia a dia; • Coerência de atuação da Liderança, aplicando conceito de dono e gerando visíbilidade; • Aplicação equilibrada da gestão de consequências. 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 105 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Evidências Acidentes CTP acumulado maio/2012 zero CPT’s em 4 anos 4.a. Observações de comportamento pelos líderes 106 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Fatores críticos x resultados na implementação Fatores críticos de sucesso Resultados Criar a disciplina na liderança de exe- cutar as observações comportamen- tais. Liderança visível e percebida nas áreas. Desenvolver a habilidade de observa- ção e forma de interação com os cola- boradores (abordagem). Maior percepção de riscos por par- te de todos (líderes e operadores). Garantir o treinamento adequado aos novos líderes (promoções e rotativida- de). Maior envolvimento de colabora- dores, pelo aumento do reporte de incidentes e desvios. Fazer os líderes compreenderem a relação direta entre comportamentos inseguros e os acidentes/quase-aci- dentes. Melhoria das condições físicas. Como abordar com êxito os fatores humanos e sua forma de comunicação com operadores. Melhoria na comunicação entre li- derança e operadores (se percebe a equipe). Estabelecimento adequado de estraté- gias de intervenção para gerar compor- tamentos preventivos (atos seguros) e diminuir os atos inseguros. Mudança do conceito de gestão de segurança pelo conceito de gestão integral da rotina (segurança inte- grada ao processo produtivo). Como implementar melhorias dura- douras a partir dos dados, com inter- venções queconstruam a evolução de comportamentos mais seguros. Redução da acidentalidade origina- da de atos inseguros; se percebe maior maturidade na atuação dos líderes e a respectiva resposta na atuação dos colaboradores. 1. Alinhamento conceitual 107 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 4.b Observações de Comportamento entre Operadores 4.b. Observações de comportamento entre operadores 108 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 4.b. Observações de comportamento entre operadores 109 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Importante: só se recomenda sua implantação quando a prática de Observações de Comportamento pelos líderes esteja implantada e com resultados já percebidos. Objetivo Esta metodologia visa desenvolver nos colaboradores uma mudança consciente no seu comportamento, buscando aumentar sua percepção dos riscos, capacitando os operadores a observar seus pares na execução de suas atividades diárias, identifi- cando comportamentos, atitudes, práticas e condições de risco. A observação é realizada baseando-se em estados de comportamento (pressa, frustração, cansaço e complacência) e classificação de erros críticos: (olhos longe da tarefa, mente longe da tarefa, linha de fogo, equilíbrio/tração/firmeza). Os estados causam erros, que fazem ocorrer riscos menores, que se tornam riscos maiores (críticos) e podem acabar gerando um acidente. 4.b. Observações de comportamento entre operadores 110 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Capacitação com foco nos estados/erros críticos Visão geral da prática • Esta prática é desenvolvida após uma capacitação inicial de líderes e operadores, com foco em estados e erros críticos; • Os operadores se tornam capazes de estar mais atentos em si e observando seus colegas, identificando estados e erros críticos associados; • Realizam suas observações, interagem com colegas e registram em cartões suas observações; • Os líderes periodicamente avaliam os cartões e as questões pertinentes são tra- tadas em reuniões do dia a dia. Uma boa prática é semanalmente fazê-lo em um dos Diálogos de Segurança (DDS). Preenchimento dos cartões Prática da Observação Treinamento dos multiplicadores 4.b. Observações de comportamento entre operadores 111 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Descrição dos estados e erros Tipo Item Descrição E s ta d o s d e C o m p o rt a m e n to Pressa É fazer algo mais rápido do que você normal- mente faz ou fazer várias coisas ao mesmo tempo. Frustração É o que sentimos quando ocorre algo que im- pede a realização daquilo que realmente dese- jamos fazer. Cansaço Físico ou emocional, dificulta a realização de trabalhos com segurança, reagir rapidamente ou concentrar-se. Complacência Aparece à medida em que nos familiarizamos com os riscos e, então, passamos a ficar me- nos atentos e preocupados a eles. E rr o s C rí ti c o s Olhos e mente longe da tarefa Não olhar e não pensar no que se está fazen- do. Estar no piloto automático. Linha de fogo Exposição ou contato com energias perigosas. Complacência ou falta de percepção dos ris- cos pode fazer com que você entre na linha de fogo. Equilíbrio, tração ou firmeza Realizar alguma atividade que possa fazê-lo perder o equilíbrio, a tração ou a formeza. Es- tar com pressa ou ser complacente pode au- mentar as chances disso acontecer. (*) nota: metodologia e material do Safestart, adquiridos da Coastal/Dupont 4.b. Observações de comportamento entre operadores 112 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Conceito do método Se você conseguir reconhecer os estados que levam a erros e refletir, irá diminuir o risco de sofrer um incidente. Estados causam Erros que fazem Riscos Menores Riscos Maiores • olhos longe da tarefa • mente longe da tarefa • linha de fogo • equilíbrio/tração/firmeza maiores menores quase acidentes Acidente riscos com um erro crítico maiores menores quase acidentes • pressa • frustração • cansaço • complacência 4.b. Observações de comportamento entre operadores 113 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Estados de comportamento Pressa Frustração Cansaço mudança de comportamento que aumentam risco de lesão Provocar reflexão sobre Detalhamento da prática de observação entre operadores Reflito sobre: Olhos longe da tarefa Mente longe da tarefa Linha de fogo Complacência Equilíbrio tração - firmeza Erros críticos Abordagem Registro Cartão Registro cartão Ato abaixo do padrão Eu Outros p o d e m c a u s a r o u c o n trib u ir p a ra 4.b. Observações de comportamento entre operadores 114 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Observação entre operadores Estratificação de dados Combinação Comportamentos x Erros Pressa - Linha de fogo Pressa - Olhos longe da tarefa Pressa - Mente longe da tarefa Pressa - Equilíbrio, tração, firmeza Complacência - Linha de fogo Complacência - Mente longe da tarefa Cansaço - Mente longe da tarefa Complacência - Olhos longe da tarefa Frustração - Linha de fogo Cansaço - Linha de fogo Complacência - Equilíbrio, tração, firmeza Cansaço - Equilíbrio, tração, firmeza Cansaço - Olhos longe da tarefa Frustração - Mente longe da tarefa Frustração - Equilíbrio, tração, firmeza Frustração - Olhos longe da tarefa 0 10 20 30 40 50 60 70 em número de ocorrências 4.b. Observações de comportamento entre operadores 115 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Indicadores e gestão • Tema semanal no DDS; • Tratamento/plano de ação dos cartões em reuniões de células: • Reuniões mensais de análise de resultados por área; • Análise no Comitê de Segurança Estados de comportamento 47% 18% Erros críticos 22% 20% 22% 13% 26% 32% cansaço complacência equilíbrio, tração, firmeza linha de fogo frustração pressa mente longe da tarefa olhos longe da tarefa Potencial de Lesão Aplicação 3% 1% 32% 40% 42% 57% 25% n.a alto baixo médio n.a eu outros n.a = não avaliado 4.b. Observações de comportamento entre operadores 116 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Esbarrei na mesa enquanto corria para uma reunião Colega passou por trás de uma empilhadeira em movimento sem fazer contato visual Exemplo de registro para si próprio Exemplo de registro da observação do colega 4.b. Observações de comportamento entre operadores 117 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Dicas na interação com seus colegas • Sempre interagir com o colega de maneira educada; • Nunca repreender o colega; • Nunca dizer que o outro está errado; • Procurar fazê-lo pensar sobre o fato ocorrido: o que o levou a cometer tal atitude? • Ajudá-lo a identificar os erros críticos e estados de comportamento; • Reforçar o compromisso da mudança de comportamento de risco para comportamento seguro. 4.b. Observações de comportamento entre operadores 118 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Case Gerdau Cosigua prática de observação entre colaboradores Etapa Pontos-chaves Demanda inicial • Estatísticae análise das ocorrências evidenciando grande número de acidentes ligados a questões comportamentais Ação • Contratado fornecedor para treinar multiplicadores • Estruturado o registro de informações • Comunicação e sensibilização dos operadores Verificação • Reuniões de análise e feedback em reuniões de DDS • Check mensal na reunião de avaliação do SST • Acompanhamento em reuniões da CIPA • Apresentação periódica ao Comitê da Unidade Padronização • Metodologia usando cartões padronizados e foco nos estados e erros críticos • Uso das técnicas de redução de erros críticos Resultados • Envolvimento de operadores, com maior percepção dos riscos • Redução dos acidentes CPT e SPT´s • Desenvolvimento do cuidado entre equipes 4.b. Observações de comportamento entre operadores 119 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho implantação com operadores Evidências 4.b. Observações de comportamento entre operadores 120 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Case Gerdau Açominas programa OPA (ollhar/pensar e agir) Etapa Pontos-chaves Observação e Análise • Causa imediata – falta de observar situações inseguras • Causas básicas – associadas a comportamentos indevidos e falta de metodologia Ação • Contratado fornecedor para treinar multiplicadores • Customizado o programa OPA (Observar, Pensar e Agir) • Estruturado o registro de informações Verificação • Reuniões de feedback entre liderança/operadores • Analise de causas principais e ações de bloqueio Padronização • Metodologia com cartões adequados e foco nos estados e erros críticos • Uso das técnicas de redução de erros críticos Resultados • Envolvimento de operadores, com maior percepção dos riscos • Redução dos acidentes CPT e SPT´s 4.b. Observações de comportamento entre operadores 121 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Esta metodologia foi introduzida na manutenção central da Açominas em 2008, como parte da estratégia de se reduzir os acidentes, através do desenvolvimento da percepção de risco no dia a dia e envolvimento dos operadores, auxiliando a evolução do cuidado entre as equipes. Evidências 4.b. Observações de comportamento entre operadores 122 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Stop & Go - case da planta de Jackson - GLN Etapa Pontos-chaves Demanda inicial • Comportamentos inseguros estão associados a mais de 90% dos acidentes • Existem soluções disponíveis para se atuar em comporta- mentos, com resultados comprovados Ações realizadas • Desenvolvimento de cartões adequados e ferramentas de TI para análise de dados; • Capacitação dos Usuários e comunicação o objetivo do programa aos operadores; • Realizar as observações, com um foco positivo. Check e ações de correção • Análise dos dados coletados e definição de ações corretivas quando a meta não é alcançada. • Análise da tendência de atos substandard, com plano de ação para melhorar. • Follow-up rotineiro com os colaboradores, para check de como o sistema está funcionando. Padronização • Fluxo de controle do processo • Cartões padronizados • Método padronizado para conduzir observações Resultados • Envolvimento de líderes e operadores, com maior perce ção de risco; • Redução de acidentes CPT´s e SPT´s • Desenvolvimento de cooperação e responsabilidade mútua nos operadores 4.b. Observações de comportamento entre operadores 123 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Evidências 4.b. Observações de comportamento entre operadores 124 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Reflexão da prática que os líderes devem promover entre operadores “O sucesso de um programa de segurança baseado em comporta- mento depende de nós, das nossas próprias ações para reconhecer- mos os estados antes que os erros venham a acontecer, melhorar comportamentos e adquirir bons hábitos” Fatores críticos na implementação com operadores Fatores críticos de sucesso Resultados Observação entre operadores deve ser precedido da prática de Observações de Comportamento pelos líderes Operadores tem o exemplo da prática inicial pelos líderes e percebem seu engajamento. Capacitar adequadamente os opera- dores, com o método (teoria e prática), com participação da liderança Aplicação da observação entre opera- dores, sem viéses . Acompanhamento e reflexões rotineiras em grupo (exemplo, em um DDS da semana) Maior envolvimento de colaboradores, pelo aumento da emissão de cartões e sua qualidade. Manter um processo de atuação positiva sobre os desvios, não aplicando san- ções oriundas do registrado nos cartões Operadores percebem, aumentam confiança e reduzem desvios Inserir a prática na gestão rotineira, com análises no Comitê de Segurança e reconhecimentos aos colaboradores (por exemplo, no comitê paritário) Redução da acidentalidade originada de atos inseguros, através do desen- volvimento da percepção de risco e vigilância compartilhada entre opera- dores. 4.b. Observações de comportamento entre operadores 125 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resumo/reflexão A metodologia apresentada teve seus conceitos e práticas desenvolvidas em Uni- dades Gerdau, com base na experiência desenvolvida com várias consultorias em diversas partes do mundo e estão adequadas à necessidade e realidade de nossos processos industriais. Estão também alinhadas com recentes orientações da Worl- dsteel em seu documento - “Creating a Positive Safety Culture”. A observação de comportamentos, realizada inicialmente pelos líderes e na sequen- cia entre operadores, são práticas consagradas como a forma adequada de se atuar próativamente sobre os desvios, que estão na origem dos acidentes, conforme de- monstrado pela análise na pirâmide de Bird. Neste sentido, a metodologia de abordagem comportamental é muito adequada, pois desenvolve um processo positivo de interação entre líderes e liderados, permi- tindo se contratar compromissos de mudanças em comportamentos inseguros, que são verificados a posteriori, na rotina do dia a dia. Em muitos casos, a observação origina também análises e reflexões, que remetem para uma revisão de procedimentos ou de condições mais adequadas para que tarefas sejam realizadas de forma mais segura. Esta oportunidade, assumida pelos líderes, realimenta o processo e consolida a percepção dos operadores de como a observação tem caráter positivo, estimulando assim um aumento dos comporta- mentos seguros. 4.b. Observações de comportamento entre operadores 126 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Teste de aprendizado Nesta etapa é importante que você reflita sobre seu aprendizado, analisando as questões abaixo e respondendo às seguintes perguntas: P 1 - Por que é fundamental os líderes realizarem observações comportamentais? E como garantir que os operadores entendam positivamente esta atividade? P 2 - Por que a recomendação é não se iniciar com observações entre operadores até que a observação realizada por líderes esteja sendo bem praticada? P 3 - É recomendado que não se aplique sanções perante desvios constatados na observações comportamentais? Mas como agir, se não se percebe nos dias seguintes, uma mudança em comportamentos inseguros? P 4 - Na prática de observação entre operadores, a reflexão sobre as atitudes inse- guras é realizada sobre estadosde comportamento e erros críticos. Explique alguns destes casos, com exemplos de situações. P 5 - Uma unidade decidiu implantar a observações de comportamento dos líderes e você é designado como instrutor. Com base nas recomendações deste Ma- nual, quais são alguns pontos críticos que você alertaria aos líderes? 5 Gerenciando Comportamentos C ap ít u lo 5 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5. Gerenciando comportamentos seguros 128 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5. Gerenciando comportamentos seguros 129 Objetivos e pontos-chave Objetivos • Conhecer os Indicadores que permitam monitorar a evolução comportamental em sua unidade e como gerenciá-los; • Entender em detalhe o Indicador de Comportamento Seguro (ICS) e planejar intervenções; • Compreender como utilizar o indicador de atuação proativa da liderança, que mede o esforço da liderança em suas atribuições no tema; • Mapear o posicionamento da maturidade de sua unidade e perceber eventuais diferenças entre áreas; • Compreender como a gestão adequada e sistêmica destes indicadores com- portamentais permite focar seu plano de ação, acompanhar e orientar a evolu- ção de suas equipes em comportamentos seguros. Depois de ler/estudar este capítulo, você deve ser capaz de: • Entender o conceito do Indicador de Comportamento Seguro (ICS), como é aplicado e a forma de se usar o mesmo, na gestão do dia a dia, para se avan- çar com as equipes na mitigação de desvios. • Perceber, através de uma análise customizada em sua Unidade, que a origem de muitos acidentes estão associados com vários destes comportamentos in- seguros, reforçando a necessidade de seu tratamento sistêmico pelos líderes junto a suas equipes. • Compreender que a atuação proativa do líder em segurança pode ser medida pelo seu esforço em segurança, pela medição das atividades sob sua respon- sabilidade, na quantidade e qualidade requeridas • Entender o mapeamento da maturidade de sua unidade e eventuais diferen- ças entre áreas como um diagnóstico que lhe ajuda a adequar a estratégia de atuação, não usando por exemplo uma estratégia de nível independente para uma situação que ainda precisa de uma atuação dependente (isto é, com a função supervisão demonstrada). Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5. Gerenciando comportamentos seguros Anotações 130 5. Gerenciando comportamentos seguros 131 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Indicadores de comportamento seguro Neste capítulo são descritos os seguintes Indicadores: • Indicador de Comportamentos Seguros (ICS) • Indicador de Atuação proativa do líder • Indicador de Maturidade da Unidade Os indicadores para acompanhamento das observações comportamentais pelos líderes e a interação dentro das equipes em atitudes estão descritas no capítulo 4 – Práticas Gerdau. Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5. Gerenciando comportamentos seguros Indicadores comportamentais O gerenciamento de comportamentos seguros é fundamental para a evolução do processo. Para tal, existem estes indicadores recomendados para monitoramento. Na tabela abaixo estão descritos estes indicadores, objetivos e quem/como é rea- lizado. Item/atividade Indicador Comportamento seguro das equipes ICS (indicador de comportamento seguro). Observações comportamentais pelos líderes • % execução da prática; • % desvios por categoria; • % atos seguros. Atuação da liderança nas atividades de sua responsabilidade direta % participação nas atividades (HS, DDS, RTR’s, APR, IGP’s, PT’s, análise de acidentes, etc.). Interação focando comportamentos seguros dentro das equipes • Número de cartões emitidos por operadores por célula; • Estratificação de estados e erros críticos. Maturidade da unidade Estágio de maturidade: reativo, dependente, independente ou interdependente. 132 5. Gerenciando comportamentos seguros 133 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Objetivo Quem/como Monitorar nível de atos seguros demonstrados pelas atitudes da equipe. Equipe técnica de segurança/ método ICS. Observar comportamentos seguros e interagir com os colaboradores frente a desvios. Líderes/ método abordagem. Garantir atuação proativa do líder, demonstrando seu esforço em segurança. Líderes/tabela indicando nível de atuação. Estimular cuidados entre operadores, interagindo positivamente. Operadores, interagem e registram informações em cartões. Líderes acompanham e orientam. Posicionar a maturidade da unidade, com base na curva de Bradley, orientando estratégia de atuação dos líderes. Comitê da unidade, através de análise crítica e com base nas características de cada estágio. Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5. Gerenciando comportamentos seguros Anotações 134 1. Alinhamento conceitual 135 5a Indicador de Comportamento Seguro - ICS Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5a. Índicador de comportamentos seguros (ICS) 136 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5a. Indicador de comportamentos seguros (ICS) 137 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Objetivos O Indicador de Comportamentos Seguros (ICS) representa o percentual de ativi- dades seguras, ou seja, é uma ferramenta que demonstra o grau de aderência das pessoas, demonstradas por seus comportamentos, aos padrões do SST na execu- ção das tarefas em uma determinada área de trabalho. Fornece um Indicador da evolução da cultura de segurança, através de uma ava- liação de desempenho objetiva e estruturada, que demonstra percentualmente o grau de conscientização e comprometimento da equipe, considerando o potencial de perda (gravidade) observado. Quanto maior for o Indicador ICS, maior é o nível de conscientização e de disciplina operacional da equipe. 5a. Índicador de comportamentos seguros (ICS) 138 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho ICS – Método Utiliza um procedimento de observações programadas, realizadas por dois obser- vadores treinados para a avaliação, que registram os comportamentos de risco ve- rificados em rotas críticas, pré-determinadas, seguida da quantificação do compor- tamento de risco e elaboração de relatório, que permite aos lideranças entender os tipos clássicos de desvios e agir com intervenções planejadas para eliminar/mitigar estes comportamentos. Principais etapas: • apresentação e divulgação do método para lideranças e equipes; • capacitação dos observadores; • análise e definição de rotas (áreas e roteiros); • programação das observações com frequência definida; • observação conforme procedimento padrão; • avaliação da quantidade e gravidade dos desvios observados; • cálculo do ICS conforme fórmula padrão; • análise crítica do relatório estruturado - Comitê de Segurança da Unidade; • definição de ações de melhoria e follow up. 5a. Indicador de comportamentos seguros (ICS) 139 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Observação: Uma mesma pessoa pode cometer um ou mais atos inseguros na mesma avaliação, o que deve ser considerado para o cálculo. ICS - formulários e registros Registros devem conter:• descrição das práticas inseguras; • número de pessoas observadas; • registro dos desvios por categoria; • determinação da severidade do desvio. 5a. Índicador de comportamentos seguros (ICS) 140 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho ICS – Determinação do fator de severidade • É um fator numérico usado para ponderar as práticas inseguras e desvios de comportamento em relação ao risco da lesão ou dano ao processo • Baseado no seu potencial os desvios podem ser classificados em três tipos: Potencial Valor Definição Leve 0,3 Violação de uma regra ou procedimento com baixo potencial para causar acidentes. Exposição mínima; potencial de acidente leve. Médio 1,0 Violação de uma regra ou procedimento com moderado potencial para causar acidente. Exposição com risco moderado, de acidente que necessite atendimento médico. Grave 3,0 Violação de uma regra ou procedimento com alto potencial de risco. Exposição a acidentes sérios. 5a. Indicador de comportamentos seguros (ICS) 141 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho IMPORTANTE: quando o grau de severidade de uma prática observada for grave e preocupante (risco grave iminente), a atividade deve ser adequadamente interrompida e a liderança do(s) envolvido(s) deve ser imediatamente comunicada. Exemplo 01 Exemplo 02 Operador deixa um carrinho fora da área demarcada sem movimento. Colaborador transitando na oficina sem óculos de segurança. Operador deixa carrinho fora da área demarcada numa área de circulação. Empregado transita na oficina de manutenção sem óculos de segu- rança enquanto colega de trabalho está utilizando um esmeril a menos de 3 metros dele. Operador deixa um carrinho fora da área demarcada, numa área de pas- sagem de empilhadeiras. Empregado trabalhava no esmeril sem utilizar protetor facial. 5a. Índicador de comportamentos seguros (ICS) 142 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho ICS = 100 - [ ∑ (Q x P) / N x 100 (%) ] ICS – cálculo da pontuação do ICS Baseado nas seguintes informações: • informações das observações por rota (desvios por tipo); • avaliação do potencial de cada uma das irregularidades; • anotação do número de pessoas observadas. Realiza-se o cálculo do ICS – Indicador de Comportamentos Seguros, conforme a fórmula: Onde: Q - é o número de comportamentos inseguros (ex: 2 colaboradores s/óculos: Q=2) P - potencial de riscos N - número de pessoas presentes nas áreas observadas 5a. Indicador de comportamentos seguros (ICS) 143 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho ABAIXO DE 75% : insatisfatório - a área em questão deverá tomar ações imediatas de melhoria. ICS – avaliação da performance em comportamento A performance de segurança é medida, usando as seguintes faixas do ICS: Classes de Desempenho acima de 98% excelente 95% a 95% muito bom 90% a 94% bom 85% a 89% regular 75% a 84% fraco abaixo de 75% insatisfatório 5a. Índicador de comportamentos seguros (ICS) 144 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Rota X, definida em parte do processo de uma área. ICS – Exemplo de rota pré-definida Considerar na definição da rota, etapas críticas de processos e/ou atividades com histórico de acidentes graves. 5a. Indicador de comportamentos seguros (ICS) 145 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5a. Índicador de comportamentos seguros (ICS) 146 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho ICS – Exemplo de resultados e ações Exemplo: rota 4 é a que apresenta maior risco por comportamentos inseguros. 100 95 90 85 80 75 70 65 60 55 50 Exemplo: não uso de EPI´s é o maior desvio observado neste período na unidade. 600 500 400 300 200 100 0 excelente muito bom bom regular insatisfatório rota1 rota 2 rota 3 rota 4 rota 5 rota 6 rota 7 rota 8 rota 9 rota 10 resultado AÇÕES: • avaliar desvios sistêmicos (reunião do comitê); • entender causas básicas e fatores ativadores; • executar intervenções e acompanhar resultado. toda a planta re a ç ã o p o s iç ã o E P I fe rr a m e n ta s e e q u ip a m e n to s p ro c e d im e n to s lim p e z a e o rg a n iz a ç ã o 5a. Indicador de comportamentos seguros (ICS) 147 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 1 2 ,7 % 2 5 ,5 % 1 2 ,7 % 3 5 ,3 % 9 ,8 % 4 1 ,8 % 6 ,5 % 4 7 ,6 % 5 ,8 % 5 2 ,7 % 5 ,1 % 5 7 ,5 % 4 ,7 % 4 ,0 % 3 ,6 % 3 ,3 % ICS – Correlação dos desvios com acidentes Exemplo de unidade Gerdau, na qual se verificou que a distribuição de causas dos acidentes tem importante correlação com os desvios observados no ICS. Resultado do ICS na unidade X 40 100% 35 80% 30 25 60% 20 15 40% 10 20% 5 0 0% Análise de causas de acidentes na unidade X bater contra / atingido por ficar preso risco de queda risco de queimadura risco de choque elétrico esforço inadequado EPI: mãos e braços ferramentas/equipamentos inadequados ao serviço ferramentas/equipamentos em condições inseguras procedimento inadequado procedimento inexistente procedimento adequado e não seguido local desorganizado 1 2 ,7 % 6 1 ,5 % 6 5 ,1 % 6 8 ,4 % Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5a. Índicador de comportamentos seguros (ICS) Anotações 148 149 5b Indicador de ação proativa do líder Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5b. Indicador de atuação proativa do líder 150 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5b. Indicador de atuação proativa do líder 151 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Indicador de atuação proativa do líder Os líderes demonstram seu compromisso com a gestão de segurança no dia a dia, realizando com qualidade as atividades que estão sob sua responsabilidade direta. Estas atividades, acompanhadas de maneira sistêmica e sendo relacionados com os resultados alcançados em cada área/célula, permitem demonstrar a efetiva con- tribuição de cada líder no processo. E para os operadores, é uma demonstração clara do esforço proativo da liderança, do conceito de dono e gerando uma liderança percebida no dia a dia. Neste Indicador se acompanha a aderência à execução do que está planejado, reduzindo-se a pontuação pela ocorrência de acidentes CPT e/ou eventos “A”. Es- tes resultados são pontuados por líder/célula em um ranking, e a evolução histórica acompanhada mês a mês. 5b. Indicador de atuação proativa do líder 152 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Indicador de atuação proativa do líder Atividade Indicador Unidade Reunião com operadores (DDS) Cumprimento % Participação de operadores % Hora da segurança Cumprimento % Ações concluídas % Observação de comportamento dos líderes Cumprimento % Comportamentos seguros % Risco Grave Iminente No. Emissão de relatos de operadores Relatos por operador No. Relatos tratados % Recusas de Tarefa No. Análise preliminar de risco (APR) Quantidadede APRs % Política de consequências Reconhecimentos No. Tratamento de desvios No. Inspeção geral planejada Quantidade No. Permissões de trabalho Quantidade No. Aprendizagem de acidentes Quantidade % 5b. Indicador de atuação proativa do líder 153 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 2012 Acumulado Meta Jan Fev Mar Abr Mai 100 95 75 88 96 91 > 90 95 97 60 80 85 83 > 90 95 93 75 85 91 88 > 90 83 85 77 84 79 82 > 80 94 81 83 94 93 89 > 90 91 89 74 86 90 86 > 85 0 1 4 1 3 2 0 0,8 1,2 0,5 1,1 1,4 1 > = 1 82 89 50 78 88 77 > 80 3 4 0 2 3 2 > = 3 92 95 60 85 93 85 > 90 7 5 10 2 0 5 > 4 1 0 0 0 2 1 > = 2 5 4 1 3 5 4 > = 4 10 12 3 7 9 8 > = 8 92 97 60 85 90 85 > = 90 5b. Indicador de atuação proativa do líder 154 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resultados de atuação proativa x consolidação com resultados A pontuação obtida na avaliação é consolidada com os resultados da célula. Inci- dentes demeritam o resultado, em função de sua gravidade. Indicadores proativos 2012 Líderes P o n to s o b ti d o s Infrações penalizadas SPT (potencial) CPT A B C CDM (A) -40 -20 -10 -5 -20 João da Silva 98 0 0 0 1 0 Pedro dos Santos 95 0 0 1 0 0 Felipe Andrade 91 0 0 0 2 0 Manuel Ribeiro 89 0 0 0 1 0 Luiz Pereira 86 0 0 1 1 0 José Oliveira 85 1 0 2 0 1 Leonardo Souza 77 1 0 0 2 1 Leandro Rocha 71 1 1 0 0 1 Eduardo Júnior 59 2 1 1 1 2 5b. Indicador de atuação proativa do líder 155 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Avaliação do mês de maio por líder Infrações não penalizadas Pontos ganhos CDM (B e C) Incidentes 1 4 93 0 3 85 1 5 81 1 4 84 2 5 71 4 8 5 5 12 7 4 9 0 7 15 0 5b. Indicador de atuação proativa do líder 156 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resultados de atuação proativa x consolidação com resultados Um ranking de desempenho dos líderes, analisado sistematicamente, gera uma competição positiva e uma maior adesão às práticas. Líderes Pontos por mês Nome J a n F e v M a r A b r M a i A c u m u la d o Área Meta João da Silva 97 91 95 83 93 92 Aciaria > 8 0 % : V < 7 0 % : V m Pedro dos Santos 84 89 93 95 85 89 Trefila Felipe Andrade 87 84 80 82 81 83 Corte e Dobra Manuel Ribeiro 60 71 79 87 84 76 Fundição Luiz Pereira 75 68 83 88 71 77 Alto-forno José Oliveira 88 92 77 71 5 67 Laminação Leonardo Souza 72 68 73 54 7 55 Aciaria Leandro Rocha 40 65 73 78 0 51 Corte e Dobra Eduardo Júnior 50 40 55 30 0 35 Laminação 5b. Indicador de atuação proativa do líder 157 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Gestão de indicadores comportamentais A gestão adequada e sistêmica destes Indicadores Comportamentais permite acompanhar e orientar a evolução das equipes nas práticas seguras . Indicador(es) Forma de gestão Quem/como ICS Indicador de comportamento seguro • Evolução do ICS, por rota crítica • Avaliação de desvios recorrentes • Definição de ações mitigadoras • Follow up periódico Líderes/reunião comitê segurança Observações Comportamentais pelos Líderes • Execução do planejado pelos líderes • Identificação de desvios recorrentes • Execução das ações de mitigação Líderes/método abordagem Atuação da Liderança nas atividades de sua responsabilidade • Tabela consolidada de atividades previstas x realizadas, por célula/líder • Avaliação do esforço em segurança (% execução) + resultado, por líder Líderes/tabela de indicadores de nível de atuação Observação entre operadores, de comportamentos seguros • Operadores registram dados em cartão padronizado • Líderes avaliam periodicamente e retornam análise aos operadores Operadores/método cartão de atos seguros e desvios. Líderes apóiam e orientam. Maturidade da unidade • Definição do estágio de maturidade preponderante Líderes via análise crítica no comitê 5b. Indicador de atuação proativa do líder 158 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Indicador da evolução de maturidade A evolução da maturidade pode ser observada pelas seguintes maneiras: forma da pirâmide de Bird, (robustez da base), tendência da evolução histórica da TF e suas instabilidades, e demonstração das atitudes preponderantes dos líderes e da orga- nização típicas de cada estágio na curva de Bradley. Evoluções de Indicadores de Maturidade 1. Evolução da forma da pirâmide, com incremento de sua base (incidentes e desvios) 2. Evolução histórica da TF x estágio de maturidade Desempenho por estágio de maturidade Tempo F re q u ê n c ia 5b. Indicador de atuação proativa do líder 159 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 3. Posicionamento na curva de Bradley pelas atitudes dos líderes e comportamento da organização 5b. Indicador de atuação proativa do líder 160 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resumo/reflexão Uma adequada gestão comportamental na Unidade requer se ter indicadores que demonstrem a evolução da adesão da equipe aos comportamentos seguros. Neste capítulo estão listados e descritos alguns destes indicadores, com destaque para o Indicador de Comportamentos Seguros (ICS), que demonstra o grau de ade- rência das pessoas, demonstradas por seus comportamentos aos padrões de segu- rança na execução das tarefas. O ICS, embora de entendimento simples, exige uma capacitação adequada e cui- dadosa, evitando vieses posteriores em sua interpretação. O método de execução e avaliação estão descritos e valores abaixo de 75% são insatisfatórios e devem ter atuação de curto prazo pelos líderes. A atuação proativa dos líderes pode ser medida pela execução, em quantidade e qualidade adequadas, das atividades sob sua responsabilidade direta. Neste méto- do, a pontuação é demeritada pelos eventos indesejáveis, o que é uma medida da eficácia das ações do líder. Outro indicador fundamental é a avaliação do posicionamento da unidade/áreas na curva de maturidade. A forma de estabelecê-lo esta recomendada neste capítulo. Como sua variação ocorre em um tempo maior, recomenda-se esta avaliação anu- almente, como parte da análise crítica. A necessidade de sua avaliação decorre do fato de que, se adotada uma estratégia inadequada para o real estágio de maturida- de, as ações dos líderes serão provavelmente inócuas. As demais atividades citadas neste capítulo, de observações comportamentais dos líderes e o de interação entre operadores, tem indicadores de execução e avalia- ção citados na tabela específica. A forma de execução e demais informações foram descritas no capítulo 4. O entendimento adequado do significado destes indicadores é informação impor- tante para a etapa seguinte – avaliação da unidade – análise crítica, descrita no capítulo 6. 5b. Indicador de atuação proativa do líder 161 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Teste de aprendizado Nesta etapa é importante que você reflita sobre seu aprendizado, analisando as questões abaixo e respondendo às seguintes perguntas: P 1 - Quais os indicadores que permitem monitorar a evolução comportamental em sua unidade? P 2 - Qual o objetivo em se utilizar o indicador ICS (indicador de comportamento seguro)? P 3 - Descreva, com suas palavras e de formaresumida, o método do ICS P 4 - Como deve agir a liderança, a partir desta análise estruturada dos comporta- mentos de risco? P 5 - Qual a importância de se medir a atuação proativa da liderança? Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações 6 Avaliação por unidade Análise Crítica C ap ít u lo 6 6. Avaliação por unidade - análise crítica 164 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 6. Avaliação por unidade - análise crítica 165 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Objetivos e pontos chave Objetivos • Conhecer a metodologia para a realização da análise crítica do status da uni- dade, possibilitando a identificação de gaps e oportunidades de melhorias que devem ser, posteriormente, contempladas no plano de ação de evolução. Depois de ler/estudar este capítulo, você deve ser capaz de: • Conhecer os critérios recomendados para avaliação do status da unidade e sua importância para o processo; • Compreender o papel do líder atuando nas três barreiras: físicas, sistêmicas e comportamentais; • Entender as ferramentas de avaliação e sua utilização,os critérios de avaliação e respectivas faixas de enquadramento; • Compreender o resultado da avaliação apresentada neste material (exemplo), identificando o status da unidade apresentada, os gap´s e oportunidades para posteriormente, utilizar estas ferramentas em sua unidade no âmbito do comitê de segurança da unidade. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 166 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Orientações gerais O processo recomendado é que os líderes, no âmbito do comitê de segurança da unidade, realizem, através de uma análise crítica estruturada, a avaliação do seu status atual, identificando os respectivos gap´s e oportunidades, e os considerem em seu plano de ação. Desta forma, é possível contemplar todas as atividades e iniciativas em andamento, com base no estágio atual da unidade, e pode-se construir uma proposta de evolu- ção, tendo claro o que deve ser melhorado em sua gestão da rotina (SDCA) e o que necessita ser implantado como uma melhoria (PDCA). Os itens recomendados para avaliação são: 1. Condições Físicas: refletem de maneira direta a atuação e nível de aceitação do líder; os operadores percebem e agem de acordo; boas condições estimulam o desenvolvimento de melhor percepção de risco. É uma das formas que os líderes demonstram sua atuação. O nível de atuação dos líderes em minimizar seus riscos críticos também deve também ser avaliado. 2. Práticas do GBS: uma gestão estruturada e consistente é base para se implantar uma efetiva gestão comportamental em segurança. Recomenda-se tabular os resul- tados das práticas do GBS e, separadamente, os resultados da prática 1 – liderança e da prática 13 – cultura de segurança e gestão do comportamento. 3. Gestão Comportamental: neste grupo estão contemplados a capacitação dos líderes para segurança, iniciativas comportamentais existentes, a realização de ob- servações e abordagens comportamentais pela liderança, bem como uma gestão estruturada dos desvios de comportamento, através de análise crítica periódica, orientando ações gerenciais de melhoria. A determinação sistemática do ICS (Indi- cador de Comportamentos Seguros) e sua avaliação rotineira consolida este pro- cesso. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 167 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 4. Indicadores de Resultado: a efetiva gestão comportamental deve se refletir em melhores resultados. Recomenda-se considerar: Indicadores Proativos tais como a atuação da liderança nos requisitos das prá- ticas 1 e 13, as questões da pesquisa de opinião referentes à segurança (q. 18 - condições, 20 - líder, 36 - equipe), a evolução da qualidade da pirâmide de Bird (particularmente em sua base) e a evolução do ICS (Indice de Comportamentos Seguros) Indicadores Reativos como a taxa de frequência (TF), taxa de eventos “A” (re- ais ou potenciais) e a evolução histórica da TF x curva de Bradley típica de cada estágio. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 168 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Condições físicas x atuação do líder • Bons resultados de segurança exigem áreas organizadas, que influenciam na boa execução dos procedimentos operacionais; • As condições físicas de uma determinada área tem correlação direta com o nível de aceitação do líder, que tem a responsabilidade de prover os recursos e exigir o nível desejado; • Boas condições físicas estimulam a participação dos colaboradores no dia a dia, que seguem o exemplo e ampliam suas contribuições individuais; • Bons líderes reconhecem as melhorias no dia a dia e não aceitam condições ina- dequadas, atuando imediatamente nos desvios. Exemplos positivos: Oficina bem organizada e pult de comando em boas condi- ções. Equipe reconhece, se estimula e contribui com atitudes e comportamentos mais seguros 6. Avaliação por unidade - análise crítica 169 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Exemplos negativos: condições abaixo de padrão em instalação elétrica e área de depósitos de materiais. A não intervenção do líder “confirma” o padrão aceitável. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 170 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Condições físicas em riscos críticos x atuação do líder • A atuação do líder em relação ao controle e mitigação de riscos críticos é repre- sentativo de sua atuação; • Recomenda-se checar o envolvimento do líder na discussão e encaminhamento de soluções, bem como o seu envolvimento no follow up dos riscos críticos em sua área de atuação; • Perante situações ainda não resolvidas, verificar se existem medidas de mitigação e/ou controle. Exemplo positivo: Circulação de pessoas e veículos bem de- limitada, com proteção física robusta em ponto crítico. Estimulam uso adequado e per- mitem visualização eficaz de desvios (regra clara, condição disponível) Exemplo negativo: Condi- ções de armazenagem de produto em níveis elevados, acima do padrão e sem dis- positivos contra quedas, e operação próximo a insta- lações energizadas. Cola- boradores assumem riscos, induzidos pela atuação e/ou omissão da liderança. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 171 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Check list de condições físicas: modelo GBS • Para avaliação de condições físicas recomenda-se utilizar o check list inserido no GBS, conforme modelo abaixo; • Para se garantir mudança de comportamento, as melhorias que forem sendo exe- cutadas, devem ser “recontratadas” com as equipes, como um novo padrão de organização e manutenção; • A prática estruturada e rotineira do programa de 5 S´s ajuda a melhorar e manter os novos patamares. Categoria Q td v e ri fi c a d a Q td a b a ix o d o p a d rã o P e s o P o n to s Riscos Críticos Vias de circulação 7 2 30 21,6 Trabalho em altura 6 0 Equipamentos móveis 9 2 Ponte rolante 4 2 Espaço confinado 8 3 Caminho aço líquido 12 3 Vias ferroviárias 0 0 Bloqueio e etiquetagem 4 2 • Possui válvulas para fechamento geral de água de refrigeração, com acionamento à distância; • Possui manipulador (lanças na porta do FEA e para medição de temperatura e retirada de amostra); • Cabine de vazamento é reforçada com vidros blindados e com chapas; • Área definida para operação de virada de escória da panela que está adequadamenteisolada. • Dispositivos de bloqueio bem acondicionados. • Equipamentos bloqueáveis. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 172 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Categoria Q td v e ri fi c a d a Q td a b a ix o d o p a d rã o P e s o P o n to s Equipamentos Ferramentas manuais 3 1 25 15,3 Proteções de equipamentos e máquinas 5 4 Equipamentos de içamento 3 2 Carros de transferência 0 0 Vasos de pressão 4 1 Sistemas mecânicos 6 2 Sistemas hidraulicos 5 2 Sistemas pneumáticos 8 5 Sistemas elétricos e de potência 7 1 Válvulas em geral 8 1 Exposição à riscos específicos Iluminação 12 3 15 9,4 Ventilação 5 2 Exposição a ruído 5 2 Poeiras e fumos 4 2 Radiação ionizante 1 1 Vibração 3 2 Ergonomia 5 1 • Capacidade de carga identificada; • Travas de segurança existentes e funcionais; • Cabos e cintas em bom estado de conservação. • Luminárias limpas e em funcionamento; • Iluminação ambiente adequada para o trabalho; • Possui proteção contra quedas. • Locais de fontes radioativas sinalizados e de acesso controlado; • Fontes radioativas blindadas; • Monitor de dose utilizado na vestimenta de colaboradores expostos. • Pressão regulada dentro dos limites de potência; • Sem vazamentos; • Fluidos identificados. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 173 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho • Extintores portáteis adequados para os tipos de materiais e prontamente disponíveis; • Extintores inspecionados mensalmente; • Mangueiras de incêndio em bom estado e acessíveis; • Equipamentos de incêndio visivelmente marcados; • Portas corta-fogo em boas condições e desobstruídas. • Válvulas de alívio de pressão em tanques; • Diques de contenção instalados e em boas condições; • Produtos químicos identificados e em suas embalagens originais; • Armários de armazenamento adequados; • Recipientes portáteis adequados e identificados; • Materiais separados adequadamente para evitar incompatibilidade; • Fichas de segurança disponíveis. Categoria Q td v e ri fi c a d a Q td a b a ix o d o p a d rã o P e s o P o n to s Geral Empilhamento e armazenamento 5 1 15 8,4 Produtos químicos e combustíveis 8 3 Gás comprimido 3 2 Codificação de cores 2 2 Disposição de resíduos 7 2 Organização e limpeza 9 5 Sistema de emergência Instruções de emergência 3 2 15 7,5 Sistema de alarme 5 2 Extintores e hidrantes 15 6 Chuveiro lava olhos 2 1 Primeiros socorros 3 3 Pontuação total 62,2 6. Avaliação por unidade - análise crítica 174 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Prática 1 – liderança. Exemplos de critérios a avaliar. A atuação da liderança está descrita no GBS de SST na prática 1. Alguns exemplos de requisitos e expectativas estão descritos abaixo. Utilize-o como apoio, junto com as guias do GBS, para a auto-avaliação em sua unidade, identificando suas opor- tunidades. Exemplo de itens da prática Exemplo de pontos-chave: nível de excelência Ex. de nível avaliado Exemplos de gap´s e/ou ações necessárias Política de saúde e segurança • Liderança demonstra co- nhecimento e compromisso • Equipe conhece e demons- tra praticar. 2 Colaboradores com menos de 6 meses não demonstram conheci- mento adequado. Responsabilidade do líder, percebida pela equipe • Líderes conhecem sua responsabilidade e demons- tram atuar como donos. 1 Líder não resolve com eficácia ações sob sua responsabilidade. Objetivos e projetos • Líder descreve e demonstra metas de sua área, ações importantes e controle sobre pendências; • Operadores conhecem e reconhecem evoluções (citam exemplos). 3 Desvios críticos não são tratados em reuniões do Comitê. Atividades em saúde e segurança • Existem atividades estrutu- radas e apresentadas pelos líderes às equipes. 2 Desenvolver workshop anual com operadores aplicado pelo líder. Hora de segurança • Líder pratica com regulari- dade e existem exemplos de mudanças importantes • Operadores a reconhecem positivamente. 3 Parcela de atos insegu- ros identificados ainda é baixa; sensibilizar operadores. Atuação em riscos críticos • Líder demonstra, com planos e exemplos, sua contribuição na eliminação de riscos críticos. 3 Caminhos de pedestres com pontos críticos a definir, com a anuência passiva (omissão) do líder. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 175 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Prática 13 – Gestão do comportamento. Exemplos de critérios a avaliar. Desenvolver a cultura de segurança em cada colaborador, fazendo com que me- lhorem sua percepção de risco nas suas tarefas, agindo proativamente e orien- tando seus colegas, é o objetivo da prática 13 do GBS de SST. Para tal, uma série de atividades e requisitos são recomendados, conforme alguns exemplos abaixo. Utilize-o como apoio para auto-avaliação, junto com as guias do GBS, identificando oportunidades. Exemplo de Itens da prática Exemplo de pontos-chave: nível de excelência Ex. de nível avaliado Exemplos de gap´s e/ou ações necessárias Comprometimen- to da liderança (percebida pelos operadores) • Conhece e cumpre com suas responsabilidades • Participa de reuniões no dia a dia (DDS, comitês paritários,etc.) junto com operadores 2 Liderança sem participação regular em reuniões com equipes. Comportamento dos colaboradores • Contribuição de operadores em atividades como emissão de relatos, organização e limpeza, cuidado de si próprio e com os outros, etc. 2 Relatos emitidos fo- cados em sua maioria em condições físicas. Observações de Comportamento realizados pelo líder • Capacitação realizada e é adequada; • Observações de comportamento realizadas de forma sistêmica, com análises periódicas, geran- do ações de melhoria. 2 Garantir rotina de observações de comportamento pelos líderes, com avaliação de desvios recorren- tes e ações gerenciais para mitigação. Gestão de Consequências • Divulgação formal da política de consequências na unidade; • Existe rotina de aplicação equi- librada de reconhecimentos e sanções alinhado com orienta- ção corporativa . 2 Divulgação foi reali- zada mas prática não existe. Recusa à Tarefa de Risco • Operadores praticam a recusa ao risco e se envolvem na resolução; • Líderes acompanham, apóiam e usam adequadamente a ferramenta. 2 Prática divulgada, mas existem poucos casos práticos. Ope- radores demonstram receio em praticar. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 176 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Avaliação dos Itens da barreira de gestão comportamental Apresenta-se a seguir uma descrição mais detalhada dos itens que devem ser avaliados na barreira de Gestão Comportamental: Item Objetivo Capacitações • Garantir as capacitações mínimas para orientar atuação dos líderes na gestão de comportamentos. Realização de observações de comportamento • Líderes realizem observações de comportamento com método. Gestão de indicadores comportamentais • Ter processo estruturado de apresentação e análise pelo Comitê, sistematicamente. Ações gerenciais de mitigação de desvios recorrentes • Definir açõesgerenciais (intervenções) • Acompanhar efeito nas equipes. Identificação do estágio de maturidade • Garantir estratégia de atuação dos líderes alinhada ao estágio de maturidade da unidade. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 177 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho O que? Como? • Liderança para segurança (4 mod.); • Manual de gestão comportamental; • Observações comportamentais; • Gestão indicadores comportamentais; • Indicador de comportamentos seguros (método ICS). • Materiais de treinamento específicos; • Dinâmicas e cases de aplicação. • Realizam observações de comportamento; • Registram dados em formatação adequada; • Analisam desvios recorrentes e definem ações mitigadoras. • Método adequado, com abordagem • Intervêm em casos de risco grave iminente; • Observam e valorizam comportamentos seguros. • Indicadores acompanhados; • Identificação de oportunidades; • Reforços aos comportamentos seguros. • Análise estruturada em reuniões mensais do comitê. • Identificação de desvios recorrentes; • Definição de ações; • Acompanhamento de resultados. • Discussão e encaminhamento em reuniões de comitê. • Análise de indicadores; • Forma da pirâmide; • Ações típicas dos líderes e da organização; • Curva histórica de TF x tendência. • Por uma análise estruturada dos dados, avaliada conforme orientações do capítulo 2. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 178 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Critérios a avaliar por barreira Os critérios de avaliação e suas respectivas faixas de enquadramento estão de- finidas no quadro abaixo. Estão agrupadas por cada uma das “barreiras”: físicas, gestão e comportamentais, que se alinham a um conjunto de resultados; as faixas de avaliação, em quatro níveis, estão definidas abaixo e alinhadas com o GBS. Avaliação por Barreiras Barreiras Físicas Barreiras de Gestão It e n s a c o n s id e ra r C h e c k l is t d e C o n d iç õ e s F ís ic a s d o G B S Avaliação de Riscos Crítico Pesquisa Opinião: q.18 recursos disponibilizados pela empresa R e s u lta d o d o G B S G B S p rá t. 1 L id e ra n ç a G B S p rá t. 3 C u ltu ra e C o m p o rt a m e n to Pesquisa Opinião q. 20 - percepção de como agem as pessoas das equipes Medição (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) F a ix a s d e C ri té ri o p e lo s N ív e is I d e n ti fi c a d o s menor que 59 check list sendo aplicados abaixo 70 0-1 0-1 0-1 abaixo de 70 60 a 74 média 30% e maioria dos check list sendo aplicados 71 a 80 2 2 2 71 a 80 75 a 89 min. 50% em cada risco crítico e todos os check lists sendo aplicados 81 a 90 3 3 3 81 a 90 acima de 90 min. 80% em cada check list e média maior que 85% acima de 90 4 4 4 acima de 90 Como fazer c o n fo rm e c h e c k li s t d e c o n d iç õ e s fí s ic a s Usar orientações do Manual do SST - cap. 1/ liderança - item 1.10/Diretriz Riscos Críticos avaliar q.18: “minha empresa fornece os recursos necessários para garantir a segurança total das pessoas” Usar resultado do assesment ou self assesment avaliar q. 20: “todas as pessoas de minha célula/ área atuam conforme as normas de segurança 6. Avaliação por unidade - análise crítica 179 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho e a ç õ e s d e m it ig a ç ã o Barreiras de Gestão Comportamental Pesquisa Opinião q. 36 - atuação do líder em segurança, na tomada de decisão CAPACITAÇÕES • Liderança para segurança • Manual Gestão Comportamental • Observações Comportamentais • Gestão indicadores comportamentais (ICS) R e a liz a ç ã o d e O b s e rv a ç õ e s C o m p o rt a m e n ta is G e s tã o d e I n d ic a d o re s A ç õ e s G e re n c ia is d e M it ig a ç ã o (%) Implementação % na prática nota nota abaixo de 70 Liderança para segurança iniciado sem os demais Não se realizam OC’s Sem gestão do IC’s comportamentais Sem ações 71 a 80 √ Liderança para segurança √ Manual Gestão Comportamental Realização parcial de OC’s Gestão parcial das OC’s Ações mitigação com resultados parciais 81 a 90 √ Anteriores + Observações Comportamentais OC’s realizadas pela maioria dos líderes Gestão das OC’s e parcial do ICS Ações com resultados evidenciados acima de 90 √ Gestão Indicadores Comportamentais e Indicador de Comportamentos Seguros OC’s realizadas por praticamente todos os líderes Anterior + ICS em 100% de rotas críticas Ações mitigadoras com resultados sistêmicos avaliação q. 36: “meu superior imediato coloca a segurança do trabalho em primeiro lugar em todas as decisões” Usar matriz de capacitação atualizada U s a r re g is tr o d a s O C ´s U s a r re g is tr o s d e a n á lis e s c ri ti c a s e a v a lia ç õ e s d o I C S V e ri fi c a r a ç õ e s g e re n c ia is d e fi n id a s e m C o m it ê OC’s - Observações comportamentais ICS - Indicador de comportamentos seguros 6. Avaliação por unidade - análise crítica 180 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Critérios a avaliar - resultados Os critérios de avaliação de resultados e suas respectivas faixas de enquadramento estão definidas no quadro abaixo. Estão agrupados por: estágio de maturidade, TF e TG, forma da pirâmide e curva de tendência histórica da TF nos últimos cinco anos. Resultados Estágio de maturidade preponderante Taxa de frequência Taxa de frequência de eventos A (reais ou potenciais) Indicadores proativos de atuação do líder Curva de Bradley valor valor (%) reativo Acima de 3,01 sem classificação adequada abaixo de 60 dependente Entre 3,0 e 1,1 acima de 10 61 a 80 independente Entre 1,09 e 0,50 2,0 a 9,9 81 a 90 interdependente Menor que 0, 5 ou TF equiv a 1 CPT abaixo de 2,0 acima de 90 Determinar estágio com base nos resultados Usar resultados de TF e TG consolidados usar resultados da estatística Gerdau (eventos A - CPT, SPT, CDM e quase acidentes) usar IC´s de atuação proatativa do líder 6. Avaliação por unidade - análise crítica 181 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Forma da pirâmide de Bird x maturidade (Reason) Tendência de Resultados Históricos de TF(5 anos) versus maturidade (Reason) Maturidade (Reason) Forma da pirâmide (tendência) Forma da curva e tendência de TF Reativo Dependente Independente Interdependente Reativo Dependente Independente Interdependente Forma da Pirâmide Usar histórico de TF – ult. 5 anos e associar com curva de tendência característica 6. Avaliação por unidade - análise crítica 182 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Exemplo de unidade avaliada por barreiras No quadro abaixo segue um exemplo de uma unidade avaliada. Como se pode observar, esta unidade ainda tem GAP´s importantes em condições físicas/ riscos críticos, tem opor- tunidades nas praticas1 e 13 do GBS (identificadas ainda no nível 2) e tem lacunas em Capacitações, avanço das OC´s por líderes, requer estruturar gestão de IC´s comporta- mentais e devidas ações de mitigação. Avaliação por barreiras Barreiras físicas Barreiras de gestão It e n s a c o n s id e ra r C h e c k lis t d e c o n d iç õ e s fí s ic a s d o G B Avaliação de riscos crítico Pesquisa opinião: q.18 recursos pela empresa R e s u lta d o d o G B S G B S p rá t. 1 li d e ra n ç a G B S p rá t. 3 c u ltu ra e c o m p o rt a m e n to Pesquisa opinião q. 20 - percepção de como agem as pessoas das equipes Medição (%) (%) (%) (%) (%) (%) (%) F a ix a s d e C ri té ri o p e lo s N ív e is I d e n ti fi c a d o s menor que 59 check list sendo aplicados abaixo 70 0-1 0-1 0-1 abaixo de 70 60 a 74 média 30% e maioria dos check list sendo aplicados 71 a 80 2 2 2 71 a 80 75 a 89 min. 50% em cada risco crítico e todos check list sendo aplicados 81 a 90 3 3 3 81 a 90 acima de 90 min. 80% em cada check list e média mior que 85% acima de 90 4 4 4 acima de 90 Como fazer c o n fo rm e c h e c k li s t d e c o n d iç õ e s fí s ic a s Usar orientações do Manual do SST - cap. 1/ liderança - item 1.10/diretriz riscos críticos avaliação q.18: “minha empresa fornece os recursos necessários para garantir a segurança total das pessoas” Usar resultado do assesment ou self assesment avaliação q. 20: “todas as pessoas de minha célula/ área atuam conforme as normas de segurança 6. Avaliação por unidade - análise crítica 183 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho e a ç õ e s d e m it ig a ç ã o Barreiras de gestão comportamental Pesquisa opinião q. 36 - atuação do líder em segurança, na tomada de decisão • Capacitações • Liderança para segurança • Manual Gestão Comportamental • Observações comportamentais • Gestão indicadores comportamentais • Indicador de comportamentos seguros R e a liz a ç ã o d e o b s e rv a ç õ e s c o m p o rt a m e n ta is G e s tã o d e in d ic a d o re s A ç õ e s g e re n c ia is d e m it ig a ç ã o (%) Implementação % na prática nota nota abaixo de 70 Liderança para segurança iniciado sem os demais Não se realizam OC’s Sem gestão do IC’s comportamentais Sem ações 71 a 80 √ Liderança para segurança √ Manual Gestão Comportamental Realização parcial de OC’s Gestão parcial das OC’s Ações mitigação com resultados parciais 81 a 90 √ Anteriores + observações comportamentais OC’s realizadas pela maioria dos líderes Gestão das OC’s e parcial do IPS Ações com resultados evidenciados acima de 90 √ Gestão indicadores comportamentais e indicador de comportamentos seguros OC’s realizadas por praticamente todos os líderes Anterior + IPS em 100% de rotas críticas Ações mitigadoras com resultados sistêmicos avaliação q. 36: “meu superior imediato coloca a segurança do trabalho em primeiro lugar em todas as decisões” Usar matriz de capacitação atualizada U s a r re g is tr o d a s O A C ´s U s a r re g is tr o s d e a n á lis e s c ri ti c a s e a v a lia ç õ e s d o I P S V e ri fi c a r a ç õ e s g e re n c ia is d e fi n id a s e m c o m it ê 6. Avaliação por unidade - análise crítica 184 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Exemplo de unidade avaliada - resultados No quesito resultados esta unidade foi avaliada no nível dependente, com TF de 1,9 e TG de 168. Sua pirâmide de Bird ainda não demonstra uma quantidade importante de ações sobre desvios e quase acidentes e sua evolução histórica de TF, mostra me- lhorias, mas ainda sem tendência consolidada (característica do estágio dependente). Resultados Estágio de maturidade preponderante Taxa de frequência Taxa de frequência de eventos A (reais ou potenciais) Indicadores proativos de atuação do líder Curva de Bradley valor valor (%) reativo Acima de 3,01 sem classificação adequada abaixo de 60 dependente Entre 3,0 e 1,1 acima de 10 61 a 80 independente Entre 1,09 e 0,50 2,0 a 9,9 81 a 90 interdependente Menor que 0, 5 ou TF equiv a 1 CPT abaixo de 2,0 acima de 90 Determinar estágio com base nos resultados Usar resultados de TF e TG consolidados usar resultados da estatística Gerdau (eventos A - CPT, SPT, CDM e quase acidentes) usar IC´s de atuação proativa do líder 6. Avaliação por unidade - análise crítica 185 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Forma da pirâmide de Bird x maturidade (Reason) Tendência de Resultados Históricos de TF(5 anos) versus maturidade (Reason) Maturidade (Reason) Forma da pirâmide (tendência) Forma da curva e tendência de TF Reativo Dependente Independente Interdependente Reativo Dependente Independente Interdependente Forma da Pirâmide Usar histórico de TF – ult. 5 anos e associar com curva de tendência característica 6. Avaliação por unidade - análise crítica 186 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Modelo de conclusão da análise crítica Como resultado desta análise crítica deve ser possível visualizar o status atual da gestão comportamental na unidade, identificando gap´s e oportunidades, como mar- cado em azul no quadro anterior e a partir destes listar os itens que devem ser foco do plano de ação. Item Status atual Ponto Crítico Condições físicas Riscos críticos 62 % 30 % • Aceitação de condições físicas abaixo de padrão pelo líder; • Envolvimento ativo do líder nos riscos críticos sob sua gestão. Prática 1 GBS liderança Nível 2 • Líder não resolve com eficácia ações sob sua responsabilidade. Prática 13 GBS Gestão de cultura e comportamento Nível 2 • Prática incipiente da gestão de consequências – poucos reconhecimentos e sem atuação sobre desvios. Capacitação Realizados dois módulos de liderança para segurança • Concluir treinamento liderança para segurança; • Capacitar demais práticas (planejar). Observações de comportamento pelos líderes e sua gestão Poucas observações comportamentais realizadas • Falta da prática sistêmica de OC´s; • Sem análise estruturada; • Ações de mitigação com resultados parciais. Estágio de Maturidade (curva de Bradley) Forma da Pirâmide (base) Curva de tendência histórica da TF Dependente • Gestores promovem ações reativas pautadas por urgências e improvisações; • Usam sanção como mecanismo de controle (salvaguarda); • Operadores com baixo comprometimento e envolvimento. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 187 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Foco do Plano de Ação • Reduzir permissividade pelo líder; • Atuação do líder como dono dos riscos críticos sob sua gestão. • Desenvolver liderança percebida e conceito de dono. • Evoluir na disciplina operacional e gestão de consequências.• Capacitação estruturada, completando faltantes e foco em OC´s, Gestão Indicadores e ICS. • Comprometer líderes na execução; • Estruturar análise dos desvios; • Discutir ações de mitigação. • Atuação mais focada dos líderes em ações proativas (base da pirâmide); • Decisões dos líderes sendo percebidas como evidências de segurança como valor; • Desenvolver consciência crítica nos operadores. 6. Avaliação por unidade - análise crítica 188 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resumo/reflexão A realização da análise crítica na sua unidade, conforme o modelo recomendado, vai permitir identificar oportunidades e gap´s na gestão comportamental. Recomenda-se que esta avaliação seja realizada no âmbito do Comitê de Seguran- ça da unidade, com envolvimento de lideranças das áreas operacionais, de apoio e equipe técnica de segurança e saúde. Esta análise, realizada com foco na contribuição do líder e no comportamento da equipe, deve ser abrangente, considerando as três barreiras: físicas, sistêmicas e comportamentais. Baseado nas orientações e no exemplo apresentado, está apresentado um quadro que orienta a forma de conclusão por item, identificando os pontos críticos e as oportunidades de foco no plano de ação. Ao final desta etapa, certifique-se que existe um entendimento adequado destas oportunidades e não hesite em usar a expertise de seus colegas líderes, para formar um entendimento ainda mais consistente. 7 Passo a passo para Implementação C ap ít u lo 7 7. Passo a passo para implementação 190 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 7. Passo a passo para implementação Objetivos e pontos-chave Objetivos • Apresentar o passo a passo de implantação na unidade em função da análise crítica realizada anteriormente, baseado nas oportunidades identificadas nas barreiras físicas, de sistemas e comportamentais, e também nos resultados de comportamentos, avaliados por Indicadores adequados. Depois de ler/estudar este capítulo, você deve ser capaz de: • Compreender o mapa de raciocínio de implantação, com seus desdobramen- tos na unidade: atuação da liderança, capacitação, práticas de observações comportamentais, gestão de consequências e check de indicadores comporta- mentais, realimentando o processo; • Entender que a estruturação desta implementação deve ser realizada com base nas oportunidades identificadas nas três barreiras: físicas, de sistemas e comportamentais; • Perceber, em sua análise crítica, a estratégia de como agir quando uma práti- ca, que já está implantada na unidade não produz o resultado desejado. • Identificar o que deve ser implementado através da gestão da rotina, diferen- ciando do que deve ser a ação de melhoria. 191 7. Passo a passo para implementação 192 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Orientações para implantação Apresentar roteiro de implantação em função da análise crítica realizada no capítulo anterior. Recomenda-se que esta estruturação seja realizada com base nas oportu- nidades identificadas nas três barreiras: físicas, de sistemas e comportamentais, e os resultados de comportamentos, avaliados por Indicadores adequados. Barreiras Gap´s / oportunidades identificadas na análise crítica F ís ic a s Condições abaixo de padrão x atuação do líder: • materiais estocados inadequadamente no FEA; • instalação elétrica no pullt do laminador; • material inflamável próximo á calderaria. S is tê m ic a s (G B S ) Prática 1 – Liderança • desvios críticos não são tratados no comitê de segurança; • líderes pendentes de realizar workshop com suas equipes; • colaboradores novos sem conhecer regras gerais e específicas. C o m p o rt a m e n to Capacitações • 30% dos líderes faltando 2 módulos de liderança para segurança; • Falta treinamento do ICS para a equipe de SSTMA; • Líderes ainda não treinados em observações comportamentais. Realização de observações comportamentais • líderes não realizam observações sistematicamente R e s u lt a d o s Tendência da TF histórica x maturidade • redução pequena na TF nos últimos anos, sem tendência definida e com instabilidades. (clássica de estágio dependente) Forma da pirâmide de Bird x maturidade • registro parcial de CDM´s e pou- cos registros de quase aciden- tes e relatos de ações abaixo de padrão, caracrizando o formato tipico de dependente Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Evento iniciador 7. Passo a passo para implementação Barreiras físicas • Barreiras sistêmicas • Procedimentos • Sistemas de gestão Barreiras de comportamento Acidente Riscos críticos x atuação do líder • caminho de pedestres na aciaria cruzando com movimentação de cargas suspensas, sem controle; • atividades em altura sendo realizadas fora de padrão; • operadores não conhecem procedimentos em caso de vazamento de água no forno Prática 13 – Gestão do comportamento • líderes não realizam obser vações de comportamentais com a frequência adequada; • emissão de relatos pelos colaboradores focados praticamente só em condições físicas. Gestão de indicadores comportamentais • Não existe prática de avaliar IC´s com- portamentais na reunião do comitê. Ações gerenciais de Mitigação • desvios recorrentes ainda sem ações sistêmicas. Análise de atuação dos líderes • líderes demonstrando permissividade, sem atuar sobre desvios. Acidentes alta gravidade – “A” • quantidade de eventos “A” não compatível com os acidentes registrados. 193 7. Passo a passo para implementação 194 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Mapa de raciocínio recomendado de implantação As etapas recomendadas estão organizadas no mapa de raciocínio seguinte, que inicia pela estruturação das oportunidades pelas três barreiras e é alimentado pelas informações e gap´s identificados na etapa anterior de análise crítica. GBS - práticas 1 e 13 em nível insuficiente? Plano de Ação específico (conforme orientações do manual de saúde e segurança) inadequadas ? Melhorias via atuação da liderança Condições físicas GAP’s identificados na análise crítica da unidade • Gestão de indicadores; • Indicador de comportamento seguro. (conforme análise crítica recomendada) Capacitações • Liderança para segurança; • Observações comportamentais; Identicação dos GAP’s em práticas comportamentais Análise crítica 7. Passo a passo para implementação 195 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Comportamento Seguro (ICS) Ações inseguras recorrentes? comportamento pelos líderes comportamentos inseguros reativos e proativos Reconhecer comportamentos seguros Atuação consistente em OC’s dos líderes, refletindo em resultados? Retornar à análise crítica Avançar com práticas para operadores Medição rotineira de Indice de Observação de NÃO SIM Analisar disciplina operacional e atuar, se for o caso, na gestão de consequências Avaliação de indicadores Ações de mitigação de E q u ip e d e S e g u ra n ç a L íd e re s 7. Passo a passo para implementação 196 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Gestão do comportamento – rotina x melhoria É fundamental que os líderes percebam, em sua análise crítica, a estratégia de como agir quando uma prática, que já está implantada e não produz o resultado desejado, de outra, que ainda não se tem, e que precisa de toda uma capacitação inicial e deum aprendizado prático de execução. Como exercício, avalie as situações abaixo e discuta com colegas, se baseando tam- bém na figura seguinte. Situação 1. Unidade implantou a prática de observações comportamentais com seus líderes, com capacitação adequada. Após alguns meses a prática perdeu força e não se observam resultados efetivos hoje. Qual a estratégia para agir? 2. No último assessment foram verificadas várias condições físicas, algumas associadas a riscos críticos, em nível aquém do razoável para o estágio desta unidade, evidenciando permissividade excessiva dos líderes no tema. Como agir? 3. A unidade ainda não pratica observações de comportamento e evidenciou necessidade de implantar esta prática? Como avançar? 4. A prática de gestão de consequências foi comunicada e implantada, mas existe uma inibição de sua aplicação, com vários casos de erros ou violações, sem atuação por parte dos líderes. Como avançar? 5. Em uma unidade que já pratica bem OC´s pelos líderes, decidiu-se por implantar o Indicador de Comportamentos Seguros pela equipe técnica. Como seguir? 7. Passo a passo para implementação 197 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Rotina? Melhoria? Sim, pois trata-se de desvio de prática já implantada. Não Sim, pois estas condições são oriundas de situações previstas no GBS e no plano de riscos críticos. Não Não Sim, requer capacitação e um plano de implementação estruturado, com follow-up Sim, pois já existe a informação. Rediscutir os motivos e praticar. Não Não Sim, é prática nova, que exige capacitação, exercício e estruturação de follow-up 7. Passo a passo para implementação 198 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Gestão integrada de segurança No quadro Gestão Integrada de Segurança estão organizados os conceitos de ges- tão de rotinas e melhorias, que podem apoiá-lo no entendimento e definição do que já existe e precisa ser melhorado (rotina = SDCA) e do que deve ser implantado como uma melhoria do sistema (melhoria = PDCA). • Resultados e status GBS • Curva de maturidade comportamento • Status riscos críticos Planejamento estratégico anual 3 - 5% tempo A C P D PDCA = Gestão da melhoria Metas anuais 5 - 7% tempo SDCA = Gestão da rotina Análise desvios crônicos agudos ICS - Indicador de Comportamentos seguros A C S D Padronização Produtos > 90% tempo Revisão e priorização de problemas C o n tr o le M e lh o ri a P la n e ja m e n to 7. Passo a passo para implementação 199 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resumo/reflexão Ao final desta atividade é fundamental realizar com a liderança, no nível do comitê da unidade, uma análise da coerência do resultado da avaliação, alinhando eventu- ais pontos e priorizando as ações de maior impacto. Nesta etapa, deve-se compreender quais são as ações de rotina, que se não estive- rem gerando os resultados, precisam ser reconduzidas, baseados em uma análise e indicadores pertinentes. Para as ações que ainda necessitam de implementação, como por exemplo, implantar a prática do Indicador de Comportamentos Seguros (ICS) é necessário um plano de melhoria, com as etapas pertinentes. O resultado deste processo de avaliação deve ser compreendido e compartilhado com todas as lideranças, pois é a base para o sucesso do plano de ação resultante. É provável que existam diferenças entre áreas da unidade, o que pode exigir uma customização de partes do plano de ação geral. A formalização deste plano de ação resultante, consolidado, deve ser integrado à gestão da unidade, nos fóruns pertinentes. Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações 200 8 Conclusões C ap ít u lo 8 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 8. Conclusões 202 8. Conclusões Conclusões Um ambiente livre de acidentes só se consolida em uma organização quando se soma a um efetivo Sistema de Gestão de Segurança as atitudes e comportamentos das pessoas. Todos devem ter sempre em mente, como líderes, que a nossa atua- ção neste tema é fator de empregabilidade. Neste sentido, este Manual complementa o Sistema de Gestão de Segurança da Gerdau, trazendo para nós, líderes, os principais conceitos e práticas da gestão de comportamentos em segurança, bem como cases de sucesso. Não basta fazer as coisas certas, ou fazer certo as coisas, temos que fazer certo as coisas certas sempre, atuando principalmente pelo exemplo. Desta maneira, este entendimento mais aprofundado,baseado no alinhamento con- ceitual, na maturidade da organização e adequação de atuação de seus líderes, nas práticas Gerdau com resultados já comprovados e somados à disciplina operacio- nal, construída pela ação do líder, são essenciais. A análise crítica desenvolvida pelas unidades, através de seus Comitês de Segu- rança, deve proporcionar uma reflexão autêntica dos líderes, e por esta auto ava- liação, seguirem com o passo a passo de implantação, gerando seu plano de ação consistente. O acompanhamento desta evolução, através do Indicador de Comportamentos Se- guros (ICS), permite não só medir a eficácia das ações implantadas, como ajudar a corrigir eventuais desvios, que nós, como líderes, temos o compromisso de compre- ender e atuar no sentido de mitigá-los. A multiplicação dos conceitos e conhecimentos deste Manual, assumidos por nós, líderes, como um compromisso pessoal, deve nos contagiar e engajar fortemente, e é, sem dúvida, o fator crítico. Afinal, a forma como nós, líderes, fazemos as coisas, é que, afinal, define o sucesso ou não. Temos convicção de que estes conceitos, entendidos e bem aplicados por nós, líde- res, serão mais um marco no responsável processo que a Gerdau segue desenvol- vendo, na construção de um ambiente definitivamente seguro e saudável. Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 203 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações 204 Capítulo 9 9 A n e x o s Anexos 9a Exemplos para análise 209 9b Gabaritos dos testes de aprendizado 218 Gabaritos dos exemplos para análise 229 9c Referências bibliográficas 239 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 207 9a Exemplos para Análise 9a. Exemplos para Análise 210 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 9a. Exemplos para Análise 211 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Exemplo 1 - Identificação de conceitos Em uma determinada empresa de transformação mecânica se observa que, embora procedimentos e regras estejam bem definidos e operadores os conhecem, há uma baixa aderência em seus cumprimentos. Discuta quais são conceitos que estão sendo pouco praticados e como uma lideran- ça percebida pode ajudar a reverter de forma eficaz esta situação. Exemplo 2 - Atuação da liderança Usina siderúrgica que conta com 600 colaboradores e está há 3 anos sem aci- dentes CPT está se preparando para uma grande reforma em um alto forno. Está programada troca completa do topo do forno, que exigirá o içamento de um conjunto prémontado de 9 t. Atividadeserá realizada com empresa especializada (20 pes- soas), que já realizou esta tarefa em outras unidades e que tem um bom histórico em Segurança. Participarão da equipe própria 12 pessoas da manutenção central (9 mecânicos e 3 eletrecistas) e 2 especialistas de processo da área (todos com no min. 3 anos na função e que já participaram pelo menos uma vez nesta atividade específica). Recomende a forma de atuação dos líderes envolvidos e justifique. Exemplos para análise 9a. Exemplos para Análise 212 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Exemplo 4 - Responsabilidade de líderes e operadores Operador de ponte tentava retirar, com auxilio de eletroímã, um tarugo quadra- do que estava inadequadamente estocado em uma baia, sobre redondos de 3”. Enquanto levantava uma das extremidades com o eletroímã, outro operador se aproxima buscando colocar um calço (viga I) sob o tarugo. Neste instante solta-se o tarugo e sua queda movimenta esta viga I, como uma alavanca, atingindo for- temente seu queixo. Acidentado sofreu fratura no maxilar e segue em recuperação. Outras informações: Esta tarefa não tinha procedimento escrito; na semana anterior, alguns líderes, durante hora da segurança, perceberam risco similar, sem qualquer decisão adicional. Operador que colocou o calço havia retornado a três dias de um afastamento por saúde, de 90 dias, por lombalgia. Havia orientação da liderança de “não deixar pendência” para o turno seguinte. Exemplo 3 - Adequação de atuação da liderança Uma fábrica de corte de dobra, que conta com 37 colaboradores e que opera a 6 anos sem acidentes CPT, está sendo realocada, por questões estratégicas, para um local a cerca de 2 km, o que permitirá aproveitar todos os operadores. Oriente a es- tratégia adequada, considerando as situações seguintes e justificando as respostas: a) Serão mantidos basicamente os mesmos equipamentos, equipe e regime de tra- balho. b) Idem, porém a fábrica operará também no turno noturno, o que exigirá 12 novos colaboradores. Será adicionada uma máquina de tecnologia mais recente, que já tem novos dispositivos de segurança. 9a. Exemplos para Análise 213 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Exemplo 6 - Disciplina operacional x procedimentos Uma determinada unidade tem apresentado uma evolução regular em segurança; nos ultimos 3 anos sua TF tem reduzido gradualmente, e está atualmente com TF de 2,1 e TG de 195. Esta unidade ja está a mais de 5 anos implantando o Sistema de Segurança, atingindo 51 % no assesment de 2011, mas segue com nível 2 de ade- rência nas práticas 1 e 13 do GBS. Muitos acidentes CDM´s e SPT´s de potencial elevado seguem ocorrendo e em vários destes se percebeu a contribuição de atos inseguros de operadores, alguns deles recorrentes. Todavia, quando questionados, vários operadores alegam que os procedimentos não são bons e que, para garantir a produção, acabam tendo que fazer alguns ajustes frente a situações diversas. Em entrevista os operadores afirmam que os chefes não fazem reconhecimentos quando acertam e sanções são aplicadas mesmo quando não tinham condições de executar a tarefa conforme o padrão. Faça uma análise deste caso, identique pontos de melhoria necessarios, baseado nos conceitos apresentados. Exemplo 5 - Descumprimento de regra x atuação da liderança Central de amarração de rolos vem gerando, desde do início do turno, feixes com amarração frouxa, por funcionamento do sensor. Três operadores da manuten- ção são acionados e, chegando ao local, um deles, buscando entender melhor o problema, se coloca sobre parte móvel do equipamento. Os seus colegas não interferem, e após alguns segundos, esta plataforma se movimenta, prensando o pé deste operador. Informações adicionais: O operador acidentado sofreu fratura e teve de fazer cirur- gia, o que o mantém afastado até esta data. Nas entrevistas com os dois colegas se confirmou que este problema vinha ocorrendo desde o início do turno; a equipe conhecia as regras gerais; estava se produzindo exportação para ser embarcada nos próximos dois dias; que era uma intervenção corretiva, havia um espaço bem restrito e entendiam que só poderiam avaliar melhor o sensor com o equipamento em movimento.Não houve reunião prévia para discutir o risco; as regras gerais fo- ram divulgadas e existe registro formal do treinamento; a regra n. 3 orienta bloquear e não intervir em equipamentos em movimento. 9a. Exemplos para Análise 214 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Exemplo 8 - Condição emocional x atuação do líder Em uma usina, operador de ponte rolante chegou pela manhã ao trabalho e du- rante a reunião do dialogo diário de segurança (DDS), realizada no início do turno, o líder observou um certo desconforto do colaborador. Ao observar o quadro do emocionômetro (prática implantada recentemente, onde em um quadro cada um indica como esta se sentindo quando chega ao trabalho) estava indicado amarelo (o que significa um alerta). Como este colaborador sempre demonstrava animação, o líder chamou o colabora- dor após o DDS e perguntou o que estava passando. O colaborador disse que esta- va apenas um pouco indisposto e que iria até ao ambulatório no horário do almoço. O líder solicitou que fosse imediatamente ao ambulatório, para checar a situação. No ambulatório, constatou-se uma queda de pressão significativa e o mesmo, após atendimento inicial, foi encaminhado ao hospital para exames complementares. Discuta, com base nesta descrição, a gravidade da situação, caso o operador ini- ciasse sua atividade, a validade da prática do emocionômetro, a decisão do líder e a percepção da equipe perante a atitude do líder. Exemplo 7 - Processos x comportamentos Analisando o histórico de acidentes em determinada usina, verificou-se que existem causas comuns identificadas, tais como: físicas (locais desorganizados e vias de circulação não definidas), procedimentos e regras (alguns não entendidos e outros incompletos ou impossíveis de cumprir) e de comportamento (descumprimento de regras e atos inseguros, sem intervenção dos líderes. Baseado nos conceitos e metodologias apresentados, quais seriam suas recomendações para mitigar estas distorções? 9b Gabaritos 9b. Gabaritos 217 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Gabaritos Neste capítulo estão registradas as respostas dos testes de aprendizado de cada um dos capítulos, bem como os pontos principais de reflexão dos exemplos. O objetivo é que se tenha um alinhamento na discussão e consequentes respostas, evitando vieses de interpretação. De qualquer maneira, estas respostas não pretendem esgotar o assunto, e algumas questões podem e devem ter discussões complementares e ampliadas, em função da realidade que os líderes já viveram em suas unidades 9b. Gabaritos 218 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 1. Alinhamento Conceitual Respostas dos Testes P 1 - Como o modelo das barreiras auxilia na prevenção de acidentes e nos ajuda a entender aqueles de origem comportamental? Este modelo explica que acidentes podem ser evitados por uma atuação em barreiras físicas, sistêmicas e de comportamento. Aquelas associadas a com- portamento estão relacionadas com desvios, associadas a atitudes . P 2 - Quais são os pontos que devem ser considerados para se adequar a atuação do líder perante uma determinada situação? Pela análise dos eventos, se observa que a origem das perdas está relaciona- da diretamente com um elevado número de quase acidentes. Estes tem sua origem em desvios, que estão associados em sua maioria a atitudes, influen- ciadas pelo comportamento.Assim, atuar em sua base é agir proativamente, antes da ocorrência de perdas maiores. P 3 - A capacidade de perceber e controlar riscos é crescente com a experiência e familiarização na tarefa? Justifique sua resposta. Conceito de dono: o líder se apropria do processo e demonstra ser responsá- vel por tudo que ocorre em sua área. Disciplina operacional: o líder age coerentemente, buscando o rigoroso cum- primento de procedimentos e regras, no dia a dia. Política de Consequências: o líder demonstra não ser permissivo e ser justo nas decisões, tanto reconhecendo como aplicando sanções, quando pertinen- te. 9b. Gabaritos 219 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho P 4 - Considerando uma operação que já tem uma boa base na pirâmide (relatos de quase acidentes e reportes de atos e condições abaixo de padrão em propor- ção adequada), qual deve ser um foco de atuação prioritário para se seguir evoluindo? O líder deve ter, por exemplo: Conhecimento: entender adequadamente as práticas de gestão em seguran- ça e sua aplicação no dia a dia; Habilidade: de participar em um DDS, conduzindo-o de maneira lógica, ava- liando sua compreensão pela equipe e concluindo com coerência os temas discutidos; Atitude: de motivar, promover o diálogo, gerar questionamentos e reflexão, garantindo compromissos de comportamentos seguros. 9b. Gabaritos 220 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 2. Atuação da liderança e maturidade Respostas dos Testes P 1 - A partir de que estágio de maturidade se percebem que os resultados em se- gurança mostram uma evolução consistente? A partir do estágio Independente, pois as ações deixam de ter caráter reativo. As atitudes e comportamentos passam a ser orientados por consciência (e não mais por obediência). Assim, o ponto chave é avançar além da dependên- cia, pela atuação coerente da liderança e envolvimento crescente da equipe. P 2 - Que pontos que o líder deve considerar para orientar sua atuação, consideran- do o conceito de senioridade e prontidão do colaborador para a tarefa? O líder deve considerar três pontos básicos: a prontidão para execução (sabe e quer fazer?), a situação em si (é nova ou houve mudança no procedimento?) e o resultado individual esperado (como é o desempenho pessoal em segu- rança deste colaborador?). Para completar, releia o exemplo descrito no texto. P 3 - A capacidade de perceber e controlar riscos é crescente com a experiência e familiarização com a tarefa? Justifique sua resposta. Sim, é crescente. Todavia, colaboradores com maior experiência, embora te- nham habilidades e experiências maiores, tendem a reduzir sua preocupação com segurança, pois se acostumam aos riscos, o que acaba afetando sua própria capacidade de percebê-los e controlá-los. 9b. Gabaritos 221 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho P 4 - Descreva a forma característica das pirâmides de Bird para cada estágio de maturidade da curva de Bradley. No estágio reativo a base é praticamente inexistente, pois há pouco reporte de situações ou condições, e a atuação é por crises, frente a acidentes. No estagio Dependente há um início de atuação nos eventos da base da pirâmi- de, mas por estímulo da liderança e equipe de segurança. No estágio Inde- pendente há uma redução nas perdas no topo (acidentes), por uma atuação coerente dos líderes, com reflexo no comportamento dos colaboradores, que já começam a agir com mais consciência. No estágio interdependente as per- das são mínimas no topo, por atuações sistêmicas e pro-átivas na base; neste estágio o sistema de segurança está integrado à organização e na cultura dos colaboradores. Para consolidar esta interpretação, volte à respectiva figura no texto deste capítulo. P 5 - Em uma organização que já demonstra, na absoluta maioria das situações, características de maturidade de nível 3 – Independente, qual é a estratégia recomendada de atuação do líder, perante uma situação nova, que um deter- minado colaborador envolvido não vivenciou? O líder deve ter a percepção de ajustar sua atuação, sendo diretivo, estabe- lecendo claramente o que deve ser feito, se certificando dos recursos dispo- níveis e do procedimento entendido, e garantindo o devido acompanhamento próximo. 9b. Gabaritos 222 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 3. Disciplina Operacional Respostas dos Testes P 1 - No seu entendimento, como se constrói uma disciplina operacional efetiva no dia a dia? A disciplina operacional é construída no dia a dia, pela atuação exemplar da liderança, não sendo permissiva. Perante falhas e desvios, o líder, alinha- do com a metodologia de estabilização de processos deve, pela auditoria de padrões e tratamento de falhas, reconhecer as necessidades de ajustes na padronização e treinamentos críticos. Bons procedimentos, adequadamente seguidos, levam aos resultados desejados. P 2 - Explique como as consequências percebidas pela equipe (positivas ou negati- vas) auxiliam a evolução de uma maior disciplina operacional. Deve existir coerência na atuação do líder, com o reconhecimento de atitudes e comportamentos seguros (o que estimula suas repetições) e a não acei- tação de desvios. No caso de ser pertinente a aplicação de sanções, esta deve ser justa e orientada por uma análise, baseada na arvore de tomada de decisões, que auxilia a separa erros de violações e questiona aqueles erros estimulados pelo sistema ou liderança. P 3 - Cite alguns fatores que inibem a aplicação da política de consequências (reco- nhecimentos ou sanções). No caso de reconhecimentos (reforços positivos) existem vários motivos, como: foco da liderança, mais atenta a desvios do que a acertos; crença que reconhecer possa afetar a produtividade; falta de prática em reconhecer no dia a dia e a preparação mínima necessária para realizar reconhecimentos formais. Referente a aplicação de sanções, alguns fatores limitantes são: vinculos de amizade, constrangimento por motivos diversos; sentimento de culpa (por procedimentos parcialmente incompletos) e necssidade de explicar a chefias superiores. 9b. Gabaritos 223 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho P 4 - O que você entende por um erro induzido pelo sistema? Exemplifique. Trata-se de um erro que ocorre por condições induzidas por falhas nos nos- sos procedimentos, formas de trabalho, tomadas de decisão (explícitas ou implícitas). Exemplo: operador envolvido no processo de fusão, verifica desvio, com pre- sença de água no forno e liderança recomenda cuidado, mas lembra que es- tão na ultima corrida da sequência no lingotamento... o operador, em dúvida, e considerando o vazamento pequeno, segue, decidindo parar somente depois desta corrida; no minuto seguinte ocorre a explosão. P 5 - Qual é o resultado esperado em suas equipes, se aplicarmos uma sanção disciplinar (desligamento), em uma situação que foi claramente induzida pelo sistema? Sem dúvida, o efeito será muito danoso, pois o operador e toda a equipe per- cebem que a falha foi induzida pela empresa. Gerará sentimentos de injustiça e rancor, com falência nas relações da equipe com a liderança. Reduzirá a confiança dos colaboradores neste líder (que representa a empresa) e prova- velmente vai diminuir o grau de colaboração das equipes nas atividades. Por esta razão, decisões delicadas e críticas são discutidas no comitê da unidade, gerando uma decisão sempre mais equilibrada e justa. 9b. Gabaritos 224 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 4. Prática Gerdau Respostas dos Testes P 1 - Por que é fundamental os líderes realizarem observações comportamentais? E como garantir queos operadores entendam positivamente esta atividade? Os líderes devem realizar observações como uma atividade de caráter proa- tivo, verificando a adesão aos procedimentos e ou atitudes que gerem riscos de acidentes. Desta forma se antecipam situações que podem gerar acidentes mais graves, bem como as vezes se percebe procedimentos e/ou recursos que não são adequados. A aceitação positiva dos operadores ocorre quando os líderes realizam bem a metodologia da abordagem comportamental, se- guindo seus passos e particularmente, por reconhecer comportamentos se- guros e contratar compromissos de mudança frente a desvios fora de padrão. P 2 - Por que a recomendação é não se iniciar com observações entre operadores até que a observação realizada por líderes esteja sendo bem praticada? Porque desta maneira os líderes vão agir pelo exemplo, demonstrando sua responsabilidade junto às equipes, entendendo bem a prática, executando-a com foco em desenvolver comportamentos seguros, realizando feedbacks e contratando compromissos frente a desvios e consolidando a disciplina ope- racional no dia a dia. Enfim, fazer é mais efetivo que falar, e os operadores compreendem e agem coerentemente. P 3 - É recomendado que não se aplique sanções perante desvios constatados na observações comportamentais? Mas como agir, se não se percebe nos dias seguintes, uma mudança em comportamentos inseguros? Caso não se evidencie mudanças de comportamento frente a compromissos contratados anteriormente, e tendo-se garantido que o procedimento e os re- cursos são adequados, deve-se avançar com a disciplina operacional, ava- liando a aplicação da política de consequências. 9b. Gabaritos 225 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho P 4 - Na prática de observação entre operadores, a reflexão sobre as atitudes inse- guras é realizada sobre estados de comportamento e erros críticos. Explique alguns destes casos, com exemplos de situações. Os estados de comportamento estão associados à pressa, frustração, cansa- ço e complacência. Um exemplo de pressa é quando, por exemplo, um ope- rador resolve passar por um atalho, não seguindo o caminho de pedestres, ao se dirigir ao refeitório, para ganhar tempo. Outro exemplo, relacionado com cansaço, pode ser um operador que desempenha com baixa qualidade sua atividade, sem alguns cuidados, e ao ser abordado, demonstra desgaste físico e relata que é o terceiro dia que está em jornada extra. Os erros podem estão associados a olhos ou mente longe da tarefa, linha de fogo, equilíbrio e firmeza. Um exemplo de linha de fogo é o operador que cru- za a plataforma do forno elétrico, em frente á porta de escória, sem a devida proteção, alegando estar se dirigindo ao refeitório. P 5 - Uma unidade decidiu implantar a observações de comportamento dos líderes e você é designado como instrutor. Com base nas recomendações deste Ma- nual, quais são alguns pontos críticos que você alertaria aos líderes? A recomendação é primeiro entender porque fazer observações de compor- tamento, se capacitar bem (com a teoria e fazendo a prática várias vezes, com acompanhamento de outro colega líder), ter disciplina para realizar as observações com frequência e qualidade, ter momentos de feedback com sua equipe e acompanhar a evolução dos comportamentos seguros, reconhecen- do-os. E, em casos recorrentes, não ser permissivo, aplicando, com justiça, a política de consequências. 9b. Gabaritos 226 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 5. Gerenciando comportamentos seguros Respostas dos Testes P 1 - Quais os indicadores que permitem monitorar a evolução comportamental em sua unidade? Os indicadores recomendados para avaliar a evolução comportamental são: o Indicador de Comportamento Seguro (ICS), as observações comportamentais dos líderes (aderência da prática e desvios por categoria), atualização das lideranças nas atividades (medida pelo seu esforço na realização de suas res- ponsabilidades diretas), o posicionamento da maturidade com base na curva de Bradley e o envolvimento dos operadores (numa etapa posterior), pela sua interação na equipe, com a identificação de desvios entre os mesmos, associando-os com estados e erros críticos. P 2 - Qual o objetivo em se utilizar o indicador ICS (indicador de comportamento seguro)? O ICS mede o percentual de atividades seguras, ou seja, é uma ferramenta que evidencia o grau de aderência das pessoas, demonstradas por seus com- portamentos, aos padrões de segurança na execução de suas tarefas. P 3 - Descreva, com suas palavras e de forma resumida, o método do ICS É um procedimento de observações programadas, realizadas por observado- res treinados, que registram os comportamentos de risco verificados em rotas críticas, pré-definidas, seguida da estratificação dos comportamento de risco, permitindo uma análise crítica estruturada. 9b. Gabaritos 227 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho P 4 - Como deve agir a liderança, a partir desta análise estruturada dos comporta- mentos de risco? A liderança deve discutir e decidir por ações de intervenções planejadas, com objetivo de eliminar/mitigar estes comportamentos inseguros. E fazer follow up para verificar a eficácia destas ações. P 5 - Qual a importância de se medir a atuação proativa da liderança? Através do acompanhamento deste indicador, se evidencia o compromisso da liderança com a gestão de segurança, demonstrado pelo seu esforço proativo no dia a dia. É uma demonstração objetiva da atuação do líder, construindo uma liderança percebida pela equipe. Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 9b. Gabaritos Anotações 228 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 9b. Gabaritos 229 Exemplo 1 - Identificação de conceitos Em uma determinada empresa de transformação mecânica se observa que, embora procedimentos e regras estão bem definidos e operadores os conhecem, há uma baixa aderência em seus cumprimentos. Discuta quais são conceitos que estão sendo pouco praticados e como uma lideran- ça “percebida” pode ajudar a reverter de forma eficaz esta situação. Respostas dos exemplos para análise Resposta Alinhamento da discussão: os conceitos que efetivamente ainda não se fazem pre- sentes são a segurança como valor (decisões tomadas são incoerentes) e a falta de disciplina operacional (demonstrada pelo não cumprimento dos procedimentos). Neste caso, a liderança deve estar mais presente na área, observando tarefas e atitudes, interagindo com os operadores, corrigindo os desvios e contratando com- promissos. Em caso de reincidências, agir com base na política de consequências, demonstrando não ser permissivo. 9b. Gabaritos 230 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resposta A atividade de descrita é uma atividade fora da rotina de operação, embora já tenha sido realizada outras vezes. Desta forma devem ser realizados os procedimentos adequados, tais como a análise preliminar de riscos, reuniões prévias de capaci- tação, etc. Por mais que a equipe já tenha uma razoável experiência na atividade, situações novas podem ocorrer, devido a alguns detalhes do cenário (por exemplo, riscos associados a condições climáticas, eventuais mudanças em layout, etc.) . Desta forma, os líderes devem participar de maneira próxima, mais diretiva, em todas as etapas, desde o planejamento, controles na execução e check nos pontos críticos, com a periodicidade adequada. Exemplo 2 - Atuação da liderança Usina siderúrgica que conta com 600 colaboradores e está a 3 anos sem acidentes CPT está se preparando para uma grandereforma em um alto forno. Está pro- gramada troca completa do topo do forno, que exigirá o içamento de um conjunto prémontado de 9 t. Atividade será realizada com empresa especializada (20 pes- soas), que já realizou esta tarefa em outras unidades e que tem um bom histórico em Segurança. Participarão da equipe própria 12 pessoas da Manutenção Central (9 mecânicos e 3 eletrecistas) e 2 especialistas de processo da área (todos com no min. 3 anos na função e que já participaram pelo menos uma vez nesta atividade específica). Recomende a forma de atuação dos líderes envolvidos e justifique. 9b. Gabaritos 231 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resposta No caso (a), mesmo com a manutenção de equipes, processos e equipamentos, é provável que pequenas mudanças de cenário existam, não permitindo que a lide- rança possa simplesmente permitir que os operadores iniciem no novo local, sem realizar uma integração, orientar sobre estas situações e estar atento nos primeiros dias, ajustando sua atuação. Na situação (b), a entrada de novos colaboradores exige uma adequação maior de atuação do líder, com a integração dos novos, seu treinamento operacional e defini- ção de padrinhos. Iniciar pelas atividades mais simples e de menor risco e mesclar as equipes é também uma boa prática. Ponto-chave é a presença ainda maior do líder e uma estratégia reconhecendo a menor senioridade destas equipes, com ve- rificação da qualidade de execução e correção imediata de desvios. Exemplo 3 - Adequação de atuação da liderança Uma fábrica de corte de dobra, que conta com 37 colaboradores e que opera a 6 anos sem acidentes CPT, está sendo relocada, por questões estratégicas, para um local a cerca de 2 km, o que permitirá aproveitar todos os operadores. Oriente a es- tratégia adequada, considerando as situações seguintes e justificando as respostas: a) Serão mantidos basicamente os mesmos equipamentos, equipe e regime de tra- balho b) Idem, porém a fábrica operará também no turno noturno, o que exigirá 12 novos colaboradores. Será adicionada uma máquina de tecnologia mais recente, que já tem novos dispositivos de segurança 9b. Gabaritos 232 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resposta Neste caso claramente haviam falhas nos procedimentos e conivência da liderança, que havia observado a situação recentemente, sem corrigir. Uma série de fatores agravantes, como o retorno do colaborador a poucos dias, sem a devida reintegra- ção e orientação na tarefa e a indução da liderança, focando na produção de termi- nar a tarefa no mesmo turno. Em resumo, não cabe nenhuma sanção ao operador e sim, uma análise adequada da conivência e permissividade da liderança, que não agiu proativamente e ainda induziu o fator produção em detrimento da segurança. Colocar o operador na atividade, após um período longo de ausência, sem a devida reintegração é também não aceitável. Exemplo 4 - Responsabilidade de líderes e operadores Operador de ponte tentava retirar, com auxilio de eletroímã, um tarugo quadra- do que estava inadequadamente estocado em uma baia, sobre redondos de 3”. Enquanto levantava uma das extremidades com o eletroímã, outro operador se aproxima buscando colocar um calço (viga I) sob o tarugo. Neste instante solta-se o tarugo e sua queda movimenta esta viga I, como uma alavanca, atingindo for- temente seu queixo. Acidentado sofreu fratura no maxilar e segue em recuperação. Outras informações: Esta tarefa não tinha procedimento escrito; na semana anterior, alguns líderes, durante Hora da Segurança, perceberam risco similar, sem qualquer decisão adicional. Operador que colocou o calço havia retornado a três dias de um afastamento por saúde, de 90 dias, por lombalgia. Havia orientação da liderança de não deixar pendência para o turno seguinte. 9b. Gabaritos 233 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resposta A descrição da ocorrência demonstra que houve uma intervenção em equipamento em movimento, contrariando uma regra geral de segurança. Houve alegação de que o conserto no sensor exigia equipamento em movimento, o que deveria ter sido questionado, frente ao risco iminente. A exposição de um colaborador teve a conivência de outros dois colegas, que não agiram no sentido de alertá-lo do risco. Não está claro até onde este tipo de problema e forma de intervenção era do conhe- cimento pela liderança. Questões de produção podem ter estimulado a intervenção de forma indevida. Exemplo 5 - Descumprimento de regra x atuação da liderança Central de amarração de rolos vem gerando, desde do início do turno, feixes com amarração frouxa, por funcionamento do sensor. Três operadores da Manuten- ção são acionados e, chegando ao local, um deles, buscando entender melhor o problema, se coloca sobre parte móvel do equipamento. Os seus colegas não interferem, e após alguns segundos, esta plataforma se movimenta, prensando o pé deste operador. Informações adicionais: O operador acidentado sofreu fratura e teve de fazer cirur- gia, o que o mantém afastado até esta data.- Nas entrevistas com os dois colegas se confirmou que este problema vinha ocorrendo desde o início do turno; a equipe conhecia as Regras Gerais; estava se produzindo exportação para ser embarcada nos próximos dois dias; que era uma intervenção corretiva, havia um espaço bem restrito e entendiam que só poderiam avaliar melhor o sensor com o equipamento em movimento.Não houve reunião prévia para discutir o risco; as Regras Gerais fo- ram divulgadas e existe registro formal do treinamento; a regra n. 3 orienta bloquear e não intervir em equipamentos em movimento. 9b. Gabaritos 234 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resposta Os resultados de TF e TG mostram evolução regular, aquém do que indicaria um resultado de GBS de 51%. Os menores valores nas práticas 1 e 13 indicam oportu- nidades na atuação da liderança e no comportamento dos colaboradores. A quanti- dade de atitudes inseguras identificadas em análise de acidentes indica uma baixa adesão à disciplina, mas o questionamento dos operadores referente à possibilida- de de se executar alguns procedimentos também deve ser considerado, o que é responsabilidade dos líderes. Com base nestas constatações, recomenda-se avaliar os seguintes principais pon- tos: • Avaliar se os procedimentos estão disponíveis, são adequados, operadores treina- dos e capacitados e follow up no cumprimento • Se os líderes estão sendo coerentes no dia a dia, demonstrando o valor segurança na tomada de decisão; Exemplo 6 - Disciplina operacional x procedimentos Uma determinada unidade tem apresentado uma evolução regular em Segurança; nos ultimos 3 anos sua TF tem reduzido gradualmente, e está atualmente com TF de 2,1 e TG de 195. Esta unidade ja está a mais de 5 anos implantando o Sistema de Segurança, atingindo 51 % no assesment de 2011, mas segue com nível 2 de ade- rência nas práticas 1 e 13 do GBS. Muitos acidentes CDM´s e SPT´s de potencial elevado seguem ocorrendo e em vários destes se percebeu a contribuição de atos inseguros de operadores, alguns deles recorrentes. Todavia, quando questionados, vários operadores alegam que os procedimentos não não são bons e que, “para garantir a produção”, acabam tendo que fazer alguns “ajustes” frente a situações diversas. Em entrevista os operadores afirmam que os “chefes” não fazem reco- nhecimentos quando acertam e sanções são aplicadas mesmo quando não tinham condições de executar a tarefa conforme o “padrão”. Faça uma análise deste caso, identique pontos de melhoria necessarios, baseado nos conceitos apresentados. 9b. Gabaritos 235 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho • Aprofundar a análise dos ativadoresde comportamento presentes. • Assumir como líderes sua responsabilidade frente à clareza e adequação de pro- cedimentos, bem como os recursos adequados; • Avaliar implementação da observação de comportamentos como forma de aproxi- mar liderança da operação, interagindo proativamente e contratando compromis- sos. Nos casos recorrentes, avaliar, com equilíbrio, a aplicação de sanções. 9b. Gabaritos 236 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Resposta As evidências demonstram baixa disciplina operacional e permissividade da lideran- ça. Existem oportunidades de melhorias importantes nas três barreiras. Um priorida- de inicial é minimizar as questões físicas: recomenda-se um foco de curto prazo nas condições de 5S´s nas áreas, com envolvimento dos operadores e de compromisso com um novo patamar; o líder deve ser coerente com esta recontratação nas sema- nas subsequentes. Na barreira de sistema, a questão de procedimentos inadequados, incompletos ou impossíveis de serem cumpridos é ponto chave e responsabilidade da liderança: é recomendada uma ação estruturada, priorizada por tarefas de maior criticidade, de revisão de procedimentos, com participação dos operadores. Para avançar na redução de falhas comportamentais, dever-se-ia avançar nas ob- servações comportamentais pelos líderes, que desta forma se aproximariam das tarefas do dia a dia, reforçando comportamentos seguros e recontratando compro- missos. Nesta evolução, se avança com a construção da disciplina operacional e eventuais casos recorrentes, devidamente discutidos, podem ser minimizados, com a equilibrada aplicação da política de consequências, nos casos em que as atitudes efetivamente não estejam sendo induzidas pela liderança ou sistema. Exemplo 7 - Processos x comportamentos Analisando o histórico de acidentes em determinada Usina, verificou-se que existem causas comuns identificadas, tais como: físicas (locais desorganizados e vias de circulação não definidas), procedimentos e regras (alguns não entendidos e outros incompletos ou impossíveis de cumprir) e de comportamento (descumprimento de regras e atos inseguros, sem intervenção dos líderes. Baseado nos conceitos e metodologias apresentados, quais seriam suas recomendações para mitigar estas distorções? 9b. Gabaritos 237 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Exemplo 8 - Condição emocional x atuação do líder Em uma usina, operador de ponte rolante chegou pela manhã ao trabalho e duran- te a reunião do Dialogo Diário de Segurança (DDS), realizada no início do turno, o líder observou um certo desconforto do colaborador. Ao observar o quadro do emocionômetro (prática implantada recentemente, onde em um quadro cada um indica como esta se sentindo quando chega ao trabalho) estava indicado amarelo (o que significa um alerta). Como este colaborador sempre demonstrava animação, o líder chamou o colabora- dor após o DDS e perguntou o que estava passando. O colaborador disse que esta- va apenas um pouco indisposto e que iria até ao ambulatório no horário do almoço. O líder solicitou que fosse imediatamente ao ambulatório, para checar a situação. No ambulatório, constatou-se uma queda de pressão significativa e o mesmo, após atendimento inicial, foi encaminhado ao hospital para exames complementares. Discuta, com base nesta descrição, a gravidade da situação, caso o operador ini- ciasse sua atividade, a validade da prática do emocionômetro, a decisão do líder e a percepção da equipe perante a atitude do líder. Resposta A decisão do líder, orientando a ida imediata do operador ao ambulatório, foi muito adequada, ainda mais considerando a atividade crítica que este exerce, de operador de ponte. Se o mesmo iniciasse sua atividade, poderia gerar um acidente de alta gravidade. O emocionômetro é uma prática simples, que pode ser muito útil para criar um canal de comunicação entre o líder e sua equipe; exige uma relação de confiança para que os operadores possam se sentir à vontade para o usarem com naturalidade. A atuação do líder foi bastante assertiva e adequada e certamente a compreensão dos demais operadores foi favorável, no sentido de perceberem a atenção do líder e de sua atuação imediata. Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 1. Alinhamento conceitual Anotações 238 9c Referências Bibliográficas Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 9c. Referências bibliográficas Referências bibliográficas Autor Título Local e data Principais conteúdos relacionados Eduardo Gastaud Consultoria Wwin em Gestão Comportamental em Segurança para líderes Mogi das Cruzes, 2011 • Conceitos de liderança, dono e disciplina operacional • Índice de comportamentos seguros • Gestão de indicadores James Reason Managing the risks of organizational accidents England, 2007 • Hazard, defences and losses • Defeating the defences • Dangerous defences • The human contribution • Engineering a Safety Culture João Cândido de Oliveira Segurança e Saúde no Trabalho - Conhecer para Mudar Belo Horizonte, 2008 • Aspectos críticos da segurança em empresas brasileiras • Desafios da transposição do segundo para terceiro estágio de maturidade • Implementação de ferramentas de auxílo à gestão de segurança • SST - uma questão de conhecimento e atitude Julio Turbay O papel da liderança para o desenvolvimento de uma cultura de segurança positiva Curitiba, PR, 2012 • Líder como exemplo • Resultado x processo • Entendendo o motivo dos comportamentos • Barreiras hierarquicas 241 Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 9c. Referências bibliográficas Autor Título Local e data Principais conteúdos relacionados Paul Hersey and Kenneth Blanchard Psicologia para administradores São Paulo, 1986 • Teoria e técnicas de liderança situacional Teoria do ciclo da liderança - Há um melhor estilo de liderança? Coppead, 1998 • Estilos de liderança / grid gerencial • O melhor estilo de liderança / estilo deve variar com a situação • Modelos atitudinais x modelos comportamentais • Mudança de estilo/mudança de desempenho Worldsteel Association Creating a Positive Safety Culture - Guidance Notes Bruxelas, 2012 • Gestão do comportamento pelo modelo Worldsteel • Diagnóstico da cultura de segurança • Desenvolvimento do processo de gestão comportamental • indicadores de gestão 242 Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações Manual deGestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 253 Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 254 Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 255 Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 256 Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 257 Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 258 Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 259 Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 260 Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 261 Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho 262 Anotações Manual de Gestão Comportamental em Segurança do Trabalho