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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA … VARA … DA COMARCA DE TERESINA-PI Autos do Processo nº xxxxx Autor: Lindinha Réus: Empresa Batman International e Robin Empresa Batman Internacional, pessoa pública, CNPJ xxxxx, com sede em Teresina, por seu advogado que esta subscreve (Doc. I), com escritório na Rua xxx n xxxxx, onde receberá intimação, sendo citado para se defender na Ação de indenização por danos morais movida perante esse Juízo por Lindinha vem, no prazo legal, e com os inclusos documentos, manifestar sua CONTESTAÇÃO, expondo e requerendo a V. Exa. o que segue: I. DOS FATOS Lindinha namora com Robin que trabalha na empresa Batman Internacional. Em um final de semana, fora do trabalho de Robin, eles vão para uma festa, lá tiveram uma discussão. Ao sair do evento, Robin agrediu Lindinha com vários socos e pontapés, quebrando três dentes da mesma, um braço e causando vários hematomas no rosto, braços e corpo da mesma. Lindinha precisou passar por vários procedimentos médicos e estéticos, gastando um total de R$30.000,00. Ainda, a mesma passou por profundo abalo psicológico, não mais conseguindo conviver com nenhum homem sozinha. Lindinha ingressa com ação de indenização por danos morais e materiais contra a empresa Batman International e Robin, alegando responsabilidade da empresa por seu funcionário e ainda por ter pago curso de caratê para o mencionado funcionário. Deu o valor da causa de R$ 42.000,00 Contudo, sem razão autora, pelo menos em relação ao réu empresa Batman Internacional, conforme será demonstrado a seguir. Clarividente, que a empresa não é polo passivo deste processo II. DAS PRELIMINARES A empresa não faz parte do polo passivo do processo, tendo em vista que não possui nenhuma relação com o ocorrido. Só quem tem parte legitima direta é o Réu Roni. De acordo com: Art. 338. Alegando o réu, na contestação, ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor, em 15 (quinze) dias, a alteração da petição inicial para substituição do réu. (...) Art. 339. Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da relação jurídica discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação. § 1º O autor, ao aceitar a indicação, procederá, no prazo de 15 (quinze) dias, à alteração da petição inicial para a substituição do réu, observando-se, ainda, o parágrafo único do art. 338. § 2º No prazo de 15 (quinze) dias, o autor pode optar por alterar a petição inicial para incluir, como litisconsorte passivo, o sujeito indicado pelo réu. III. DO MÉRITO. Fundamenta sua pretensão nos artigos 1863 e 9274 do Código Civil. “Um dos pressupostos da responsabilidade civil é a existência de um nexo causal entre o fato ilícito e o dano por ele produzido. Sem essa relação de causalidade não se admite a obrigação de indenizar”. “O art. 186 do Código Civil a exige expressamente, ao atribuir a obrigação de reparar o dano àquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, causar prejuízo a outrem”5 . Todavia, pela própria narração dos fatos, conclui-se que a empresa não teve nenhuma participação nas agressões que deram origem aos danos experimentados pela Autora. Segundo Humberto Theodoro Júnior6 , comentando o art. 186 em apreço, a respeito do nexo de causalidade leciona que “Dentre as várias teorias já aventadas na doutrina, principalmente com raízes no direito penal, duas são as que maior repercussão tiveram: a da equivalência dos antecedentes e a da causalidade adequada”. Para a teoria da equivalência dos antecedentes (também denominada teoria da conditio sine qua non) tudo o que concorre para que um resultado se dê, deve ser tratado como causa. Pela teoria da causalidade adequada, segundo o ilustre jurista, é a que tem sido mais aceita pelo direito civil contemporâneo. Causa em sua ótica é o antecedente não apenas necessário, mas também adequado à produção do resultado. “Não se pode, segundo essa teoria, atribuir a responsabilidade a quem se inseriu, simplesmente, no processo de desencadeamento do fato danoso, mas apenas àqueles que atuaram com ações adequadas ao resultado; de maneira que cada um dos diversos partícipes reparará apenas nas conseqüências naturais e prováveis de sua ação. Nem todos, portanto, responderão pela reparação do resultado danoso final, mas apenas os que praticaram fato naturalmente adequado ao produzi-lo. (...) A análise da causalidade adequada não deve ser feita no momento do ato ilícito, mas deve retroagir ao instante em que o fato indigitado ocorreu. Ali é que se apreciará, isoladamente, sua idoneidade para produzir o ato danoso que mais tarde veio a acontecer”. (g.n.) A empresa que Roni trabalha não tem responsabilidade pelo o que ele faz no seu horário de lazer, nos finais de semana com sua namorada. Nem tampouco tem ligação com o ocorrido, mesmo tendo disponibilizado curso de caratê para Roni. O fato descrito pela autora é de responsabilidade exclusiva de Roni. No entanto, não tem como esta responsabilidade se estender quanto as condutas que ocorrem fora do ambiente e horário de trabalho, conforme se depreende as decisões abaixo: “JUSTA CAUSA. BRIGA COM COLEGA DORA DO HORÁRIO E LOCAL DE TRABALHO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Constatado que a agressão na qual esteve envolvida a reclamante e uma colega de trabalho ocorreu fora do ambiente de laboral e do horário de expediente, não há como subsistir a dispensa por justa caída perpetrada pelo empregador, por falta de amparo legal; MULTA DO ART. 477 DA CLT. COTROVERSIA SOBRE A MODALIDADE RESCISÓRIA. CABIMENTO. A existência de controvérsia sobre a modalidade rescisória, por si só, não afasta a penalidade do art. 477 da CLT. Assim, não comprovado o adimplemento das verbas rescisórias no prazo legal, é cabível a aplicação da referida multa. (TRT-10 – RO: 01920201301610009 DF, Relator: Ricardo Alencar Machado, Data de Julgamento: 01/10/2014, 3ª Turma, Data de Publicação: 10/10/2014 no DEJT).” “JUSTA CAUSA. AGRESSÕES FÍSICAS PRATICADAS CONTRA OUTRA EMPREGADA DA RECLAMADA, FORA DO AMBIENTE DE TRABALHO. FALTA GRAVE NÃO CARACTERIZADA. Embora seja incontroverso que a reclamante tenha desferido agressão física contra sua colega de trabalho, não há prova de que as circunstâncias que as levaram às vias de fato tenham relação com o trabalho. Consoante as ponderações feitas pela origem, a agressão ocorreu fora do ambiente de trabalho (quando as funcionárias, inclusive, já tinham desembarcado do ônibus) e os motivos que levaram ao desentendimento, como bem ressaltado pela funcionária agredida, no boletim de ocorrência, basearam-se em fofocas e futilidades. Diante deste cenário fático, não há como imputar à reclamante, a prática do ato ofensivo discriminado no artigo 482, alínea j, da CLT. Recurso desprovido, quanto ao ponto. Mantém-se. (TRT-15 – RO: 00114649420145150096, Relator: OLGA AINDA JOAQUIM GOMIERI, 1ª Câmara, Data de Publicação: 11/08/2016).” Outrossim, há de se observar que, agressão física dirigida a colega que, perante a empresa, é responsável pela fiscalização dos trabalhos, ainda que tenha sido praticada fora do ambiente de trabalho, caracteriza justa causa, nos termos do art. 482, k da CLT, ipsis litteris, bem como entendimento jurisprudencial: “Art. 482 - Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador: ” [...] “k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem;” “JUSTA CAUSA – CONFIGURAÇÃO: A agressão física dirigida a colega que, perante a empresa, é responsável pela fiscalização dos trabalhos, ainda que tenha sido praticada fora do ambiente de trabalho, caracteriza justa causa, nos termos do art. 482, k da CLT. (TRT-22 – RECORD: 1609200600222002 PI, Relator: LAERCIO DOMICIANO, Data de Julgamento: 25/11/2008, SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJT/PI, Páginanão indicada, 15/12/2008).” Sendo assim, a empresa ré não deverá arcar com qualquer prejuízo que seu empregado fez no final de semana fora do horário de trabalho e fora do local do trabalho. A empresa não forneceu nem disponibilizou nenhum equipamento; não forneceu bebidas ou alimentação de qualquer espécie; não se incumbiu de proceder a revistas dos participantes; não disponibilizou empregados; enfim, NÃO TEVE ABSOLUTAMENTE NENHUMA PARTICIPAÇÃO DIRETA no evento. Todos os documentos comprovam tal situação. Repisando as lições dos doutos, a caracterização do dano moral e conseqüentemente do direito à reparação, segundo o ensinamento do saudoso Professor Carlos Alberto Bittar22 "depende, no plano fático, de ocorrência dos seguintes elementos: o impulso do agente, do resultado lesivo e o nexo causal entre ambos, que são, aliás, os pressupostos da responsabilidade civil." No caso "sub judice", esses elementos não se fazem presentes. Não restou evidenciado que os danos materiais e morais suportados e alegados pela Autora decorreram de impulso ou de qualquer ato lesivo praticado pela Empresa . IV. DOS PEDIDOS Ante todo o exposto, requer, que seja decretada a improcedência total da ação, condenando-se a Autora nos ônus da sucumbência. Pretende o Réu provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, inclusive depoimento pessoal da Autora, oitiva de testemunhas, juntada de outros documentos e perícia, se necessários. Nestes termos, pede deferimento. TERESINA- PI 15/06/2021 Débora silva. OAB n. xxxxx