Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

AO JUÍZO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E DAS RELAÇÕES DE CONSUMO DE PESQUEIRA
Processo nº: 0000439-32.2019.8.17.8235
GOUVEIA GOMES RETÍFICA LTDA (RETÍFICA ARCOVERDE), pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº 04.833.974/0001-07, com sede na Rua Governador Estácio Coimbra, nº 235, bairro São Cristóvão, CEP 56.512-050, Arcoverde/PE, neste ato representada pelo sócio JOÃO FERNANDO GOUVEIA GOMES, brasileiro, casado, empresário, inscrito no CPF sob o nº 000.289.364-93, com RG sob o nº 43366651 SSP/PE, residente e domiciliado na Rua Valdemar Rodrigues Queiroz, nº 77, casa, bairro São Cristóvão, CEP 56.512-300, Arcoverde/PE, vem perante Vossa Excelência, com fundamento no art. 335 e seguintes do Código de Processo Civil, através de seu advogado, com endereço abaixo impresso, de acordo com instrumento de mandato em anexo (doc.1), onde deverá receber intimações, propor a seguinte
CONTESTAÇÃO
Em face das alegações ventiladas pelas pelo autor MAURO HENRIQUE FELICIANO FREITAS, já qualificado nos autos, o que faz em conformidade com a argumentação adiante articulada.
I- PRELIMINAR DE MÉRITO (LITISPENDÊNCIA)
Dispõe o Art. 337, § 1º, 2º e 3º do CPC que há litispendência quando se repete ação que está em curso, bem como se reproduz ação anteriormente ajuizada, hipótese dos autos. 
Ocupa-se, a presente demanda, de ação de Ação de Indenização por Danos Materiais e Morais ajuizada por MAURO HENRIQUE FELICIANO FREITAS. Ocorre, porém, que perante o mesmo Juizado Especial desta Comarca encontra-se tramitando uma AÇÃO IDÊNTICA (Proc. 0000066-98.2019.8.17.8235), com AS MESMAS PARTES, a MESMA CAUSA DE PEDIR e o MESMO PEDIDO o que, à evidência, caracteriza a litispendência prevista no art. 337, §§ 1º, 2º e 3º do CPC, uma vez que não houve o trânsito em Julgado da mencionada ação.
Em casos como este, onde é verificada a tríplice identidade jurídica caracterizadora de litispendência, o entendimento jurisprudencial majoritário é no sentido de extinguir a segunda ação ajuizada, sem a resolução do mérito. Vejamos:
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. SANEAGO. COBRANÇAS INDEVIDAS DE TAXA DE ESGOTO. AÇÃO ANTERIOR IDÊNTICA EM TRÂMITE NO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA MESMA COMARCA. LITISPENDÊNCIA CONFIGURADA. 1. É vedada a propositura de duas ações idênticas, sob pena de extinção do segundo processo, sem resolução de mérito, nos termos do artigo 337, §§§ 1º, 2º e 3º, do CPC. 2. No caso concreto, verificada a tríplice identidade jurídica das demandas em trâmite no juizado especial cível e na vara cível da mesma comarca, ou seja, mesmas partes, mesmos pedidos e mesma causa de pedir, há que ser extinta a segunda ação ajuizada, face ao reconhecimento do instituto da litispendência. APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA E DESPROVIDA. SENTENÇA MANTIDA.
(TJ-GO): 04225973620188090006, Relator: MAURICIO PORFIRIO ROSA, Data de Julgamento: 23/07/2019, 5ª Câmara Cível, Data de Publicação: DJ de 23/07/2019). 
Em face do exposto e da comprovada existência de litispendência, requer, preliminarmente, que Vossa Excelência com base no Art. 485, § 3º, digne-se decretar a extinção do processo, sem resolução do mérito, nos termos do art. 485, V do CPC, com a consequente condenação do autor nas custas e nos honorários do advogado da parte ré.
II – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA
Trata-se a presente demanda de uma ação de indenização por danos morais e materiais, com pedido liminar, manejada pelo senhor MAURO HENRIQUE FELICIANO FREITAS em face da GOUVEIA GOMES RETÍFICA LTDA (RETÍFICA ARCOVERDE). Em resumo, alega o autor que em 12/07/2016 realizou um serviço de retífica nas dependências da empresa ré, no importe de R$ 4.022,00 (quatro mil e vinte e dois reais), a ser pago nos seguintes termos: Entrada de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), mais 05 (cinco) cheques de R$ 890,00 (oitocentos e noventa reais), com vencimentos em 12/08/2016, 12/09/2016, 12/10/2016, 12/11/2016, 12/12/2016.
Conforme narra o autor, em 13/08/2016, o veículo retificado apresentou supostos sinais de quebra no motor, em área relacionada a prestação dos serviços, motivo pelo qual encaminhou o referido veículo à empresa ré para que fosse feito o devido reparo. Cumpre salientar desde já que, conforme a própria narrativa do autor, em nenhum momento a empresa ré se recusou a realizar o reparo no veículo, ou até mesmo substituir a peça danificada, caso constatado o dano.
Prosseguindo, no momento em que o veículo estava nas dependências da empresa demandada para a realização dos reparos, o autor alega o fato de que, SUPOSTAMENTE, viu a peça danificada ter sido substituída por outra usada (EIXO VIRABREQUIM). 
Após o serviço o autor continuou a utilizar o veículo, até que, em 08/09/2016, segundo ele, ocorreu outra falha no motor, motivo pelo qual sustou o cheque referente a segunda parcela do acordo feito com a empresa ré, relativo a prestação dos serviços. 
Por fim, relata o autor que a falha na prestação dos serviços por parte da empresa demandada lhe causou um prejuízo material no montante de R$ 8.700,00 (oito mil e setecentos reais), referente à gastos com reboque e novo motor, bem como pleiteou valores referentes a suposta perda de oportunidades de trabalho. Requereu ainda indenização por danos morais.
Conforme será demonstrado adiante, tal narrativa não corresponde à verdade dos fatos. Portanto, é indevido o pleito indenizatório manejado pelo autor. Vejamos.
III – DA REALIDADE DOS FATOS
A versão dos fatos apresentada pelo autor não corresponde à realidade do ocorrido, sendo evidente a má-fé do mesmo ao apresentar a este respeitável juizado informações manipuladas com a finalidade de enriquecer ilicitamente às custas da empresa ré, e se eximir do pagamento das parcelas referente à prestação dos serviços. 
Excelência, conforme narrado na própria petição inicial a empresa ré possui, desde maio de 2018, um processo de execução tramitando na 1ª Vara Cível da Comarca de Arcoverde/PE (nº 0001060-66.2018.8.17.2220), movido em face do senhor MAURO HENRIQUE, autor do processo ora analisado. Para que haja uma melhor compreensão dos motivos pelos quais são indevidos todos os pleitos do autor da presente demanda, é fundamental que comecemos com a análise do processo mencionado alhures. Passemos a esta análise.
	Em uma rápida vista aos referidos autos processuais, o que se extrai é que o autor da presente demanda possui perante a empresa ré um débito que alcança o montante de R$ 4.301,89 (quatro mil trezentos e um reais e oitenta e nove centavos), motivo pelo qual foi ajuizada a referida execução, em 22/04/2018, alguns meses após o vencimento das parcelas referentes a prestação dos serviços de retífica motora. Apesar de regularmente citado, o a senhor MAURO HENRIQUE não apresentou qualquer tipo de defesa que atestasse ser indevida a mencionada execução dos valores, ao contrário, indevidamente postulou em juízo a reparação por supostos danos morais e materiais que nunca foram sofridos!
	Ora, Excelência, é no mínimo curioso que somente após 3 (três) anos da ocorrência dos “supostos” danos, logo após tomar conhecimento de um processo de execução em seu nome, o autor da presente demanda venha buscar a reparação pelos prejuízos alegados. O caso torna-se mais curioso quando levamos em consideração o fato de que o autor suportou, sem qualquer sintoma de indignação, por mais de 3 (três) anos, o alegado dano material no montante de R$ 8.700,00 (oito mil e setecentos reais). Fica o questionamento, qual o motivo de não ter postulado tal direito logo após sentir-se lesado com a suposta constatação de falha na prestação do serviço, em 08/09/2016? Qual o sentido de arcar tamanho prejuízo, por tanto tempo, sem tomar qualquer providência? 
	Tais questionamentos, inclusive, de certa forma já foram feitos pela Magistrada responsável pelo julgamento do primeiro processo, referido alhures (nº 0000066-98.2019.8.17.8235), quando INDEFERIU o Pedido Liminar feito pelo autor (id. 50001908). Na oportunidade, acerca do pedido liminar de retirada do nome do autor doSPC, foi dito:
“No caso dos autos, estando em débito a parte autora, embora insatisfeita com o serviço prestado pela empresa ré, conforme relata na inicial acerca dos defeitos apresentados no veículo automotor após o serviço mecânico prestado, deveria, à época (2016), ter se valido dos meios judiciais cabíveis, assim como o fez com o protocolamento da presente ação (2019), o que evitaria que seu nome fosse inserido em órgãos restritivos. Não o fazendo, não é possível entender que a restrição negativa realizada em seu desfavor é indevida, uma vez que a parte autora expressamente declarou ter sustado o cheque referente a 2ª parcela que seria devida para pagamento a empresa ré pelos serviços mecânicos prestados”. 
	Resta evidente, Excelência, que a presente ação não passa de uma tentativa desesperada do autor em tentar se eximir do pagamento da mencionada dívida que possui perante a empresa ré, sendo infundadas todas as suas alegações. Para que não reste dúvidas acerca dos motivos pelos quais devem ser julgados improcedentes os pleitos do autor, passemos a análise dos supostos danos materiais e morais.	
IV – DA INEXISTÊNCIA DO DANO MATERIAL
Levando em consideração a argumentação acima articulada, resta evidente que a presente ação indenizatória não passa de uma pífia tentativa do autor de se eximir do pagamento das parcelas referentes a prestação dos serviços. Tanto é que, como visto, desde 2016 o autor encontra-se com o nome cadastrado no SPC/SERASA, em virtude do mencionado débito, e nunca procurou o meio judicial competente para reclamar tal condição, mesmo alegando ter sido indevido o mencionado cadastro.
Tanto é verdade o que vem sendo dito que, analisando a documentação juntada pelo autor percebe-se que seus pedidos não possuem qualquer base probatória. Em primeiro lugar, vale mencionar o fato de que todos os documentos não passam de simples termos de declarações, QUE SEGUEM SEMPRE O MESMO MODELO, sem data alguma, sendo ausente qualquer formalidade, como o nome das empresas prestadoras dos serviços por exemplo, e que foram assinados por pessoas desconhecidas que em nada se relacionam com o fato!
Eu questiono, Excelência, se o autor à época possuía tais termos de declarações, atestando os gastos que teve em virtude de suposta falha na prestação dos serviços pela empresa ré, qual o motivo de não ter acionado o Poder Judiciário ainda em 2016 para reaver tais valores? Qual o motivo de suportar tamanho dano sem apresentar qualquer tipo de manifestação?
Se por acaso os termos tenham sido redigidos e assinados na data atual, qual funcionário de retífica, mecânico, ou qualquer outro profissional, lembraria da prestação de um serviço há três anos atrás, para assinar um termo declaratório? Qual o motivo de não constar qualquer menção ao nome da empresa prestadora do serviço, ou até mesmo o local da realização do mesmo?
É evidente que tais documentos não podem, EM NENHUMA HIPÓTESE, servir como arcabouço probatório para a presente ação indenizatória. Em que pese o fato de estarmos diante de uma Relação de Consumo, com a inversão do ônus da prova, ainda assim cabe ao autor apresentar os fatos mínimos constitutivos de seus direitos. A jurisprudência é uníssona ao decidir, em casos como este, pelo não reconhecimento dos danos morais e materiais. Vejamos:
APELAÇÃO CÍVEL – RESPONSABILIDADE CIVIL – SERVIÇO DE ENERGIA – RELAÇÃO DE CONSUMO – DIREITO DO CONSUMIDOR – INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA – RELATIVA – FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO DO AUTOR – NÃO DEMONSTRADO – DANOS EMERGENTES – NÃO DEMONSTRADOS – LUCRO CESSANTE – NÃO CONFIGURADO POR AUSÊNCIA DE PROVAS – DANO MORAL – AUSENTE – SENTENÇA MANTIDA – APELAÇÃO CONHECIDA E NÃO PROVIDA. 1. Trata-se de ação de ressarcimento de danos morais e materiais propostas pelo apelante em virtude de interrupção do serviço de energia pela apelada pelo prazo de 04 (quatro) dias, mencionando que a falha no serviço se deu por falta de manutenção preventiva pela concessionária de energia elétrica. 2. A relação entre o usuário de energia elétrica e a concessionária caracteriza uma relação de consumo, motivo pelo qual se aplica o CDC, bem como a inversão do ônus da prova se opera "ope legis", decorrendo da própria lei, porém ela não é absoluta. 3. A inversão do ônus da prova pelo Código de Defesa do Consumidor não deve ser usada de maneira absoluta, uma vez que não exclui a disposição do Código de Processo Civil segundo a qual a prova deve ser feita por quem faz a alegação de fato constitutivo do direito quando a ele somente cabe provar. 4. A parte apelada não logrou êxito em demonstrar a presença de danos emergentes, os quais se configuram pelos gastos realizados pela empresa pela ausência da prestação de serviço diante da ausência de energia elétrica, como também o fato de ter pago os empregados durante o período de ausência de energia não pode ser repassado à concessionária de energia, uma vez que o pagamento de salário é encargo do empregador. 5. Os lucros cessantes, embora representem uma perspectiva, não podem ser presumidos, motivo pelo qual esses lucros não estão presentes diante da ausência de um lastro probatório mínimo que comprove que o valor citado realmente seria o que o recorrente deixou de lucrar pelos dias em que ficou sem energia. 6. Embora se saiba da possibilidade de aplicabilidade da condenação em danos morais a favor da pessoa jurídica, em especial por violação à sua honra objetiva, aos conceitos de que goza no meio social, a apelante não logrou êxito em demonstrar nos autos. 7. Sentença mantida. 8. Apelação conhecida e não provida.
(TJ-AM - APL: 06151806020168040001 AM 0615180-60.2016.8.04.0001, Relator: Airton Luís Corrêa Gentil, Data de Julgamento: 12/11/2018, Terceira Câmara Cível, Data de Publicação: 13/11/2018). 
Portanto, devem ser julgados IMPROCEDENTES todos os pedidos autorais relativos a restituição dos danos materiais no montante de R$ 8.700,00 (oito mil e setecentos reais), bem como o valor de R$ 2.390,00 (dois mil trezentos e noventa reais), pleiteado em razão de “supostas” perdas de oportunidades de trabalho, por não ter o autor comprovado o mínimo de fatos constitutivos de seus direitos.
V – DA INEXISTÊNCIA DO DANO MORAL
Já foram descontruídas todos as alegações no sentido de o autor ter sofrido qualquer espécie de dano material. Porém, em atitude que demonstra um completo desrespeito à proteção ofertada pela legislação à honra e integridade psíquica, o autor pleiteia, sem qualquer fundamento, a indenização. 
Conforme ensina Yuseff Said Cahali, em obra específica sobre o dano moral, este é conceituado como:
A privatização ou diminuição daqueles bens que têm um valor precípuo na vida do homem e que são a paz, a tranquilidade de espírito, a liberdade individual, a integridade individual, a integridade física, psíquica, a honra e os demais sagrados afetos, classificando-se desse modo em dano que afeta a parte social do patrimônio moral (honra, reputação, etc.) e dano que molesta a parte afetiva do patrimônio moral ( dor, tristeza, saudade, etc.), dano moral que provoca direta ou indiretamente dano patrimonial ( cicatriz deformante, etc.) e dano moral puro ( dor, tristeza, etc.).
Perceba, Nobre Julgador, que não há nos autos do presente processo nenhum elemento que permita concluir que qualquer destes valores humanos foi violado. O pleito indenizatório do autor é fundamentado no seguinte argumento:
“O DANO MORAL decorre diretamente da recusa ilícita, caracterizando o constrangimento e frustração, e, todo o desgaste advindo ao autor da situação a que restou exposto em decorrência da má-prestação do serviço, sendo agravado através da exposição indevida da imagem do autor nos cadastros de restrição ao crédito”.
Em primeiro lugar, como já demonstrado em tópico anterior, e inclusive confirmado pelo próprio autor em sua petição inicial, não houve qualquer recusa da empresa demandada em prestar os serviços, ou efetuar qualquer tipo de reparo dentro do prazo de garantia legal e contratual. Ao contrário, a empresa sempre demonstrou disponibilidade em atenderseus clientes, solucionar possíveis problemas e efetuar todos os reparos necessários em casos em que fossem apresentadas possíveis falhas na prestação de seus serviços.
Acontece que, conforme pode ser vislumbrado no extrato de prestação de serviços anexo (doc. Anexo), o autor optou por não realizar o serviço de reparo integral do motor, motivo pelo qual não lhe foi conferida a completa garantia contratual. Sendo assim, levando em consideração o fato de que o veículo foi fabricado em 1980 (conforme documento anexo pelo autor), é evidente que a substituição de determinadas peças não impede a falha no funcionamento de outras. Mesmo assim, a empresa ré diante da alegada falha na prestação do serviço, objetivando a satisfação de seu cliente, cedeu, sem qualquer ônus, uma nova peça para que fosse feito o reparo no veículo.
Tanto é que, a documentação anexa aos autos demonstra o fato de que em todos os contatos da empresa ré com o autor, de outubro de 2016 a janeiro de 2018, este NUNCA reclamou da prestação dos serviços, reconhecendo inclusive, nos mencionados contatos, a sua condição de devedor. Para uma melhor visualização, vejamos na íntegra o documento anexo.
“Perguntei a nando o que ficou resolvido, disse que o cliente sustou os cheques e não falou quando vai pagar, mandou colocar no SPC. Falei com nando em 25/10/2016.
Nando falou com Mauro, disse que estava viajando. Está em recife. Vai vir aqui (não disse quando). Nando ligou em 17/01/2017.
Disse que falou com nando e está resolvendo outras coisas primeiro, está em Belém e quando chegar vai vir aqui resolver. Liguei em 15/01/2018”. (Doc. Anexo).
Perceba, Excelência, que em nenhum momento nas tentativas de resolução do imbróglio o autor apresentou qualquer insatisfação relacionada a prestação dos serviços, reconhecendo seu débito perante a empresa demandada, sendo indevido também o pleito indenizatório em razão da negativação de seu nome no SPC. 
Portanto, em virtude de todo o exposto, resta evidente que não deve prosperar o pleito indenizatório suscitado pelo autor. As alegações ventiladas na inicial não passam de pífia tentativa em desvirtuar o correto exame de mérito por Vossa Excelência, não devendo, por isto, fazer jus a qualquer espécie de indenização. Sendo assim, pugna a parte ré pela improcedência do pleito indenizatório. 
VI – DA LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ
Já foram descontruídas todos as alegações no sentido de o autor ter sofrido qualquer espécie de dano moral ou material, restando evidente a partir de toda a argumentação acima articulada o fato de que o autor se utiliza da máquina processual; postulando judicialmente algo a que não tem qualquer direito; em uma pífia tentativa de se eximir do pagamento das parcelas referentes a prestação dos serviços, já alvos de ação de execução. Sendo assim, deve ser reconhecida a litigância de má-fé, tendo sido os pedidos do autor, além de tudo, montados à tentativa de enriquecimento ilícito. Vejamos.
Em primeiro lugar, vale novamente ressaltar o fato de que a ação foi ajuizada 03 (três) anos após a ocorrência dos “supostos” danos, “COINCIDENTEMENTE”, logo após saber que figura com réu em uma ação de execução proposta pela empresa ré deste processo. 
Ressalta-se que as alegações autorais na presente demanda, como incessantemente demonstrado, são infrutíferas e sem nenhum respaldo jurídico, ou embasada por documentação hábil comprobatória, apenas tratando-se de alegações vãs, configurando a litigância de má-fé. O litigante de má-fé é aquele que busca vantagem fácil, alterando a verdade dos fatos com ânimo doloso, e é o que acontece no caso em tela.
Como consequência da ambição autor, por pleitear verba exorbitante de R$ 31.090,00 (trinta e um mil e noventa reais) da qual sabe não ser merecedor, utilizando-se do processo para obter objetivo ilegal, deve receber punição. Pugna-se o art. 77 do Código de Processo Civil de 2015 o qual impõe o dever de probidade e lealdade processual às partes e procuradores.
O litigante ímprobo, que vier descumprir tal dever, sofrerá as sanções previstas ao litigante de má fé, de que tratam os artigos 79 e 80 do CPC, podendo ser fixada multa até o teto de 10 (dez) salários mínimos a serem fixadas por arbítrio de Vossa Excelência, situação que cabe a aplicação do referido artigo ao autor.
O artigo 80 do CPC, I, II, III assim disciplina:
"Art. 80. Considera-se litigante de má-fé aquele que:
I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso;
II - alterar a verdade dos fatos;
III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal”.
O CPC ainda prevê a condenação do litigante de má fé ao pagamento de multa, senão vejamos:
“Art. 81. De ofício ou a requerimento, o juiz condenará o litigante de má-fé a pagar multa, que deverá ser superior a um por cento e inferior a dez por cento do valor corrigido da causa, a indenizar a parte contrária pelos prejuízos que esta sofreu e a arcar com os honorários advocatícios e com todas as despesas que efetuou”.
Sobre o rigor que deve ser dado ao tema, o professor Luiz Padilla já defendia:
Conforme comentários que inserimos na Revista de Processo 64, a Acórdão do TARGS que aplicava a pena de litigância de má-fé, para ser exemplar, como é do espírito da lei que proscreve a litigância deletéria, a penalização deve ocorrer com tintas fortes e carregando nas tintas (tomada emprestada expressão já consagrada no magistério de Araken de Assis, quando tratou das "astreintes" no direito do consumidor). Isso se justifica, em especial, quando caráter vazio da postulação, sem qualquer desforço de argumentação, muito menos de prova, e cuja tese sofre de testilha intestina, denotam mero intuito protelatório”. 
As alegações do autor não devem prosperar, pois, se tratam de uma ficção aludida pelo mesmo, que agindo de má fé ambiciosamente pretende receber proveitos indevidos. Ora, Excelência, é inaceitável que se permita que tais argumento falacioso prosperem, pois, dessa forma o autor estaria utilizando de artifícios pretenciosos para obter o ENRIQUECIMENTO ILÍCITO.
Por fim, corroborando a argumentação acima articulada que versa sobre a condenação por litigância de má-fé da parte autora, está o fato de que a mesma, SEM APRESENTAR QUALQUER JUSTIFICATIVA PLAUSÍVEL, não compareceu à audiência relativa ao processo (nº 0000066-98.2019.8.17.8235) que possui o mesmo pedido e causa de pedir (preliminar de litispendência, tópico I), ignorando completamente o seu dever e responsabilidade para com os atos processuais exigido pelo Código de Processo Civil.
Concluindo, está clara a nefasta intenção do autor ao postular verba exorbitante, a qual sabe não ter direitos, uma vez que não houve qualquer falha na prestação dos serviços por parte da empresa ré. A condição de inércia a qual permaneceu o autor durante todo este tempo, inclusive em relação a permanência de seu nome no SPC/SERASA, nos leva a crer que o mesmo sabia não possuir direito algum a reclamar, e por isto não o fez! Desesperado, após estar próxima do fim a ação de execução em que figura como réu, tentou através da presente ação indenizatória sustar o andamento do processo originário de execução, não podendo o Poder Judiciário fechar os olhos a esta tenebrosa conduta.
Face ao exposto, requer-se a condenação do autor ao pagamento de multa por litigância de má fé nos termos do art. 81 do CPC.
VII – DOS PEDIDOS
Por todo o exposto, requer:
1. Preliminarmente, o reconhecimento da Litispendência arguida determinado a extinção do processo pelos motivos expostos;
1. No mérito, A TOTAL IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO, quanto ao pagamento de qualquer valor referente a danos morais ou materiais de qualquer natureza, porquanto não comprovados.
1. O reconhecimento, em virtude da argumentação acima articulada, de que não houve qualquer espécie de falha na prestação do serviço por parte da empresa ré;
1. A condenação do autor ao pagamento de multa por litigância de má fé, nos termos do art. 81 do CPC;
1. Que caso Vossa Excelência entenda ser devido o dano moral; apesar de demostrado na presente contestaçãoque não há qualquer meio de prova capaz de comprovar o dano, e levando em consideração o fato de que a Magistrada responsável pelo julgamento do processo de nº 0000066-98.2019.8.17.8235, idêntico ao ora discutido, já constatou ser devida a negativação do autor no SPC/SERASA; que o valor do mencionado dano pleiteado seja reduzido por não corresponder a média arbitrada por este respeitável juízo; 
1. A condenação da autora ao pagamento de custas e honorários de sucumbência, conforme dispõe o art. 85, §2º do Código de Processo Civil.
Protesta o requerido por todos os meios legais e legítimos para comprovar a veracidade de suas alegações, em consonância com o art. 369 do Código de Processo Civil.
Termos em que,
Pede Deferimento.
Arcoverde, 18 de novembro de 2019.
JOÃO VICTOR DE LIMA ALBUQUERQUE
OAB/PE 49.260-D
. 
image1.png
image2.png

Mais conteúdos dessa disciplina