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Pescoço superficial Casos clínicos em lesões cervicais ● O pescoço tem um limite, o limite superior fica na margem inferior da mandíbula, o limite inferior é na margem das clavículas. A parte anterior do músculo trapézio, o músculo esternocleidomastoideo, a região lateral do pescoço há um quadrilátero e ele dividia dois triângulos, um triângulo se divide em quatro e o outro em dois. Ferimentos cervicais: análise retrospectiva de 191 casos. ● São muitas as controvérsias e dificuldades em torno da avaliação e tratamento dos ferimentos penetrantes de pescoço= muitos profissionais divergem a respeito de conduta, do que fazer e do manejo cirúrgicos dos casos que envolvem pescoço. ● Anatomicamente observa-se uma diversidade das estruturas vasculares, respiratórias, digestivas e nervosas que se dispõem de maneira muito próxima e particular no pescoço= região de cabeça e pescoço são as regiões que se têm mais nervos, artérias, veias, ossos e mais músculos daí vem à complexidade. ● Existe atualmente um grande debate em torno da conduta a ser adotada em tais lesões e o manejo operatório vem sendo substituído por uma abordagem mais seletiva e conservadora.= muitas vezes quando se pode é não melhor mexer que mexer. ● Questionamentos têm sido feitos relacionando-se mecanismo de lesão e a sua conduta, qual o melhor exame diagnóstico na conduta não-operatória, quando optar pelo tratamento cirúrgico e qual a melhor técnica para o reparo cirúrgico das diferentes lesões encontradas. ● O pescoço pode ser dividido anatomicamente em zonas (I, II e III) e trígonos (anterior e posterior). ● A zona I está compreendida entre as clavículas e a cartilagem cricóide. A zona II entre a cartilagem cricóide e o ângulo da mandíbula e a zona III, estende-se deste ângulo até a mastóide. ●Os ferimentos de pescoço podem ser superficiais ou penetrantes. São considerados penetrantes os que ultrapassam o músculo platisma. A avaliação e o controle inicial devem ser baseados no protocolo do Advanced Traume Life Support (ATLS).= o músculo platisma tem origem na região peitoral e se insere no canto da boca no abaixador do ângulo da boca cobrindo toda a região. A de airway (ou via aérea); B de breathing (ou respiração); D de disability ou (ou incapacidade); E de exposure (ou exposição). ● Quanto ao sexo dos pacientes vítimas destas lesões: Homens – 90% = porque estão mais expostos no dia a dia (andar de moto, briga, jogar bola, etc.). Mulheres – 10% ● Faixa etária mais acometida – entre 24 e 34 anos. ● Local dos ferimentos: II – 47 a 82% = a mais complicada – tem o triângulo carótido, muscular, submandibular e occipital. Onde se tem mais estruturas. I - 5 a 31% = trígono supraclavicular III – 1 a 30% = ângulo da mandíbula até o processo mastóideo. – acidente automobilístico pega as três zonas por causa do cinto de segurança. ● As lesões vasculares são as lesões mais freqüentes nos traumatismos cervicais penetrantes (21 a 27%). = quando se trata de pescoço superficial. Chupões causam coágulos que pegam vasos, o vaso sobe como embolo e pode gerar uma AVE – caso único da menina da Paraíba. Essa lesão pode ser chamada de equimose é um sangramento que fica só baixo da pele se diferencia do hematoma por ser uma lesão plana, já o hematoma possui uma coleção com um potencial muito grande de infectar e gerar um problema maior como um abscesso. ● RELATO DE CASO= Essa lesão acometeu a região posterior, trígono posterior, atingiu a margem posterior do músculo esternocleidomastoideo. ● Quais os danos? Se o esterno está numa região anterior ao acidente e pegou a margem posterior bem na região que parte o ponto nervoso do pescoço, região de parte os nervos para a região cutânea do pescoço, região que vai para a região da orelha, região occipital, pescoço anterior e que desce para a região da clavícula. ● RELATO DE CASO= Acidente causado por fio com cerol. ● Acometeu onde? Foi um corte superficial, acometendo bem próximo a linha média do pescoço onde está à cartilagem tireóide, a glândula tireóidea, osso hióide. Percebe-se que o paciente teve muita sorte, pois se atravessasse, além da lesão vascular, se tem a lesão de vísceras do pescoço e essas vísceras comprometem os compartimentos que dão ao paciente a possibilidade de vida normal, teria a parte respiratória comprometida e também podendo chegar ao aparelho digestório, no esôfago cervical. ● Lesões neurológicas – 16% ● Lesões do pescoço podem ocorrer durante acidentes automobilísticos, outros eventos traumáticos ou até mesmo através da prática de esportes. Os sintomas dessas lesões incluem rigidez de nuca, ombro ou dor no braço, dor de cabeça, dores faciais e vertigens. = o pescoço quando o carro freia faz um movimento de chicote tendo a possibilidade não só de lesões musculares como também lesões neurológicas, pois a região possui a medula. Falando de músculo superficial se leva em consideração o músculo esterno, causando a sua lesão. ● Sem o cinto de segurança, causa um movimento vigoroso e rápido do pescoço para frente e para trás. Levando o paciente a evoluir um problema neurológico mais grave. ●Trato aerodigestório – 6 a 10% São lesões que já ultrapassaram o limite superficial, além da pele pegam alguns vasos (jugular anterior, jugular externa, nervos cutâneos). ● Lesão constitucional, doente que evolui para um tumor nessa região, normalmente, esse paciente tem um tumor na parótida, um tumor que superficializou, o tumor mais comum na parótida é um tumor benigno (adenoma pleomórfico). Pegando parte do trígono submandibular, pois a parótida fica nela. ● RELATO DE CASO= Lesão profunda causada por um fio com cerol. ● Quais as estruturas que foram pegas? A jugular anterior, o arco jugular, jugular externa, nervos cutâneos do pescoço. Ele pode ter um sangramento, pois pegou jugular anterior e a externa, pode ter uma lesão neurológica, pois acomete o nervo cervical transverso e perde a sensibilidade do pescoço anterior. Os acessos no pescoço são feitos seguindo as linhas de Langherans Sinais e sintomas= S.A. (sangramento ativo); TRM (trauma raquimedular - neurológico); E.S. (enfisema subcutâneo – presença de ar, além das puncturas na região pode haver bactérias, quando caso infeccioso, que produzem ar. É comum encontrar na TC onde é tecido mole, a presença de ar em lesões que repercutem num processo infeccioso. O ar é produto de degradação ou morte de outros elementos, e consequentemente, pode gerar espaço morto e ele pode conter nele sangue, os hematomas, ou ar, que são os enfisemas); LPB (lesão de plexo braquial); disfagia (dificuldade para comer); fuga; aérea, hemoptise (cuspir sangue). ● Lesões= vasculares (na região superficial é a jugular anterior, a externa, equimoses), neurológicas (relacionadas à diminuição da sensibilidade ou motricidade do pescoço, qualquer lesão que acometa diminuindo a motilidade ou sensibilidade já pode ser considerada um déficit neurológico, uma lesão neurológica); aéreas (acomete a traquéia), digestivas (acomete o esôfago). Trauma cervical – importância ● Área restrita; = pescoço é muito pequeno olhado em relação ao membro superior. A importância é que o manejo dessa área não é fácil. ● Vários sistemas; = envolve a mobilidade da língua, esôfago, traquéia, grandes vasos (artéria carótida comum, suas ramificações, veia jugular interna), nervo vago (inerva o pescoço tórax, abdômen) e a superficialidade de alguns nervos que vão para a pele como os nervos cutâneos do pescoço e a perda da sensibilidade causada por um acidente repercute no doente. ● Experiência individual pequena. Trauma cervical – mecanismo de trauma ● Fechado= faringe, coluna cervical e fraturas – hipofaringe/esôfago. ● Penetrantes são os traumas que rompem o platisma, e as zonas cervicais Trauma cervical – zonas cervicais ● Estruturas vitais; ● Compartimentos estanques; =compartimentos estagnados, só tem coisas mais grosseiras como músculos. ● Fáscias limitam sangramento;= através dela uma região que tem infecção pode chegar a outro lugar, facilita a progressão, por isso os pacientes tem infecção num local e ela sofre metástase para outro lugar – infecções metastáticas. ● Comprometem via aérea. ● Lesão no trígono carótido é fatal. Trauma cervical – avaliação secundária Disfonia;= dificuldade para falar Odinofagia;= dificuldade para comer Disfagia;= para mastigar Saída de ar pelo orifício; Enfisema; Hemoptise; Estridor; Déficit neurológico. Ferimento transfixante em criança- relato de caso clínico RELATO DE CASO – criança vítima de queda acidental caindo sobre hastes de ferros. ● Chama-se de transfixante porque atravessou até o outro lado. ● Qual trígono envolvido? Parte do trígono submandibular e trígono carótido. ● Qual o maior problema? A artéria carótida comum, externa, interna, nervo vago e a veia jugular interna. Essa criança poderia ter comprometido a audição, região dos grandes vasos, nervo facial (manda ramos para o pescoço, região submandibular, boca, nariz, bochecha, olho e região temporal). Fasceíte Necrotizante ● É uma doença bacteriana, rapidamente progressiva, caracterizada por extensa necrose de pele. Tecido subcutâneo, fáscias e músculo. Descrita pela primeira como uma complicação bacteriana das feridas por arma de fogo, ela é uma doença potencialmente fatal. Prevalece na população adulta em relação à pediátrica e algumas desordens sistêmicas e fatores locais como alcoolismo, diabetes, uso drogas intravenosas, imunossupressão, alterações dentárias, pequenos traumas, foliculites, estão associados a esta doença. Os locais mais comumente acometidos são a parede abdominal, as extremidades, pélvis e parede torácica, sendo menos comum na região da cabeça e pescoço. ● Por que a região de cabeça e pescoço é menos acometida? Por ser uma região extremamente vascularizada, dificilmente acontece algum tipo de necrose. RELATO DO CASO= paciente de dois meses com história de abaulamento cervical à direita associado à irritabilidade e febre com um dia de evolução. A mãe negou que o mesmo havia apresentado episódio de IVAS, trauma ou qualquer outra alteração. Ao exame físico a criança apresentava-se em bom estado geral, eupneica, corada, hidrata e febril. À rinoscopia, oroscopia e otoscopia não mostravam alterações. Na inspeção a palpação cervical evidenciou-se abaulamento cervical em áreas I, II, III e IV à direita com limites mal definidos, hiperemia, dor e calor local. A mímica facial estava preservada. Mediante a esse quadro foi feita à hipótese diagnóstica de abscesso cervical profundo e a criança foi internada com antibioticoterapia endovenosa. No 2º dia de internação, o paciente foi submetido à drenagem cirúrgica com saída de secreção purulenta e debridamento de áreas musculares desvitalizadas. No 3º DI o paciente evoluiu com sinais de sofrimento de pele em ferida operatória e optou-se pela troca da cefalotina por clinidamicina, debridamento cirúrgico das áreas teciduais desvitalizadas, cuja avaliação revelou tecido fibro-adiposo e muscular com extensa área de necrose, compatível com fasceíte necrotizante. ● Retira-se toda a pele. Observa-se a glândula submandibular extremamente infartada, isso acontece porque os linfonodos presentes ficam infartados na presença de infecções. Toda a região está comprometida. Com toda essa pele foi o platisma, as fáscias, nervos cutâneos do pescoço. A região é bastante lavada, feito uso de pomada antisseptica, uso de antibiótico de vias sistêmicas. Essa infecção pode descer para o tórax, podendo chegar até o mediastino, ai o doente morreria por mediastinite (infecção no mediastino que comprime o coração, pulmão, todo compartimento sob o músculo diafragma). Quando não, o paciente pode ter uma meningite bacteriana porque as veias da face e do pescoço não possuem válvula então o fluxo sanguíneo pode ir para todas as direções. ● Conclusão ●A fasceíte necrotizante cervicofacial é uma doença bacteriana, rapidamente progressiva, caracterizada por extensa necrose da fáscia superficial, tecido subcutâneo, músculos e pele. Em crianças é uma patologia incomum e o acometimento da região da cabeça e pescoço é infreqüente. A detecção precoce e o debridamento cirúrgico agressivo são essenciais para o sucesso terapêutico desses pacientes. Com terapia adjuvante é imprescindível à utilização de antibioticoterapia de amplo espectro e suporte hemodinâmico. Pescoço superficial