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GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS NO ESTADO DE MATO GROSSO Autores: Édina Cristina Rodrigues de Freitas Alves Alexandre Silveira Alexandra Natalina de Oliveira Silvino Neli de Assunção Silva 1. INTRODUÇÃO Recurso natural indispensável à vida, ao desenvolvimento econômico e ao bem-estar, a água doce é um recurso cada vez mais escasso na natureza, seja devido ao crescimento populacional, aumento da demanda ou pela redução da oferta, especialmente pela poluição dos mananciais e pelo uso indiscriminado. O uso racional da água é um dos maiores desafios para o desenvolvimento de um país, principalmente quando o aumento da demanda, faz surgir conflitos entre usos e usuários da água, a qual passa a ser escassa e assim, precisa ser gerida como bem econômico, devendo ser atribuído o justo valor (SETTI, 2001). Segundo a AGENDA 21 (1992) no seu capítulo 18 “o grau em que o desenvolvimento dos recursos hídricos contribui para a produtividade econômica e o bem estar social nem sempre é apreciado, embora todas as atividades econômicas e sociais dependam muito do suprimento e da qualidade da água. Na medida em que as populações e as atividades econômicas crescem, muitos países estão atingindo rapidamente condições de escassez ou se defrontando com limites para o desenvolvimento econômico. As demandas por água estão aumentando rapidamente”. De acordo com ANA (2007) no Brasil há várias regiões que apresentam algum tipo de problema hídrico e, por isso, necessitam urgentemente da implementação de um sistema eficaz de gestão dos corpos d’água. A respeito dos recursos hídricos brasileiros, os problemas enfrentados oscilam do ponto de vista quantitativo, entre a escassez, provocando secas, e a abundância, que gera enchentes, não menos catastróficas. Do ponto de vista qualitativo a degradação crescente dos recursos hídricos, destrói os habitats aquáticos e a diversidade, além de comprometer a saúde humana. Diante desta crise, há uma busca por meios de como gerir melhor os recursos hídricos, ou seja, atentar para princípios e diretrizes salientados pela Política Nacional dos Recursos Hídricos - PNRH, instituída por meio da Lei nº 9.433 de oito de janeiro de 1997, sobre Gerenciamento de Recursos Hídricos. Desta forma o Brasil volta a possuir instrumentos de planejamento territorial, direcionado ao ordenamento do uso dos recursos hídricos (SRH, 2006). Elucidado por FREITAS (2000) a gestão de bacias hidrográficas é uma ação conjunta dos diferentes atores envolvidos (sociais, econômicos ou sócio-culturais), com a finalidade de melhor adequar o uso, controle e proteção de um recurso natural, sujeitando as respectivas ações antrópicas à legislação ambiental existente, visando atingir deste modo o desenvolvimento sustentável. A disponibilidade e a qualidade da água são os elementos a serem gerenciados, inicialmente pela informação do meio ambiente da unidade de planejamento, depois do planejamento das intervenções antevistas na bacia e a execução de mecanismos de financiamento dessas intervenções, através de participação integrada de seus usuários. No Estado de Mato Grosso, os impactos produzidos pela rápida evolução do agronegócio, crescimento da população, ampliação das atividades industriais e de prestação de serviços, promoveu uma série de pressões relacionadas aos seus recursos hídricos, requerendo assim ações conjuntas do Estado e da sociedade, no uso sustentável dos recursos hídricos e seu gerenciamento. Há de ressaltar que o Estado de Mato Grosso registrou, nas últimas décadas, crescimento superior (7%) à média nacional (2,5%), sendo a agropecuária a maior responsável pelo aumento do PIB estadual, haja vista que esta ditou o modelo de desenvolvimento e ocupação, pautada em um modelo agroexportador e nas políticas agrícolas nacionais (IBGE, 2005). No Estado, a agropecuária é a maior usuária de água, apresentando um consumo consuntivo de aproximadamente 70%%, tal fato associado ao ritmo intenso de desmatamento da região de nascentes, atualmente substituídas por amplas áreas de monocultura, intercaladas pela pecuária extensiva, colaboram diretamente para sérios problemas como: degradação de bacias ou sub- bacias hidrográficas; o assoreamento dos leitos; redução da oferta de água em qualidade e quantidade; enriquecimento das águas com nutrientes minerais e a contaminação por produtos químicos e das águas subterrâneas; aumento de conflito no uso de água para irrigação e compactação e erosão do solo, dentre outros. Assim sendo são observadas fragilidades quanto à gestão dos recursos hídricos do Estado de Mato Grosso, relacionadas principalmente à questão institucional e legal. Portanto, o objetivo deste trabalho é apresentar a situação atual da gestão dos recursos hídricos do Estado de Mato Grosso, visando à abordagem das principais questões do setor, o enriquecimento das informações relativas à questão hídrica e sua sustentabilidade legal, política, técnica e econômica para a gestão de seus recursos hídricos. 2. INSTITUIÇÃO DA GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS Os corpos d’água, do Estado de Mato Grosso, conforme sua localização, estão sob domínios distintos, tanto da União como do Estado. Esta situação confere legislação restrita e específica referente às políticas de gerenciamento dos recursos hídricos do estado. Logo, estabelecer a gestão de recursos hídricos no estado significa considerar suas especificidades, compatibilizando estes dois ambientes políticos através da adoção da bacia hidrográfica como unidade de planejamento e gerenciamento, da gestão participativa e descentraliza, conforme previsto na Lei 9.433/1997. Devido à riqueza em recursos hídricos e à configuração de sua rede hídrica, Mato Grosso é considerado um estado produtor e exportador de água, visto que rios que partem do seu território atingem outros estados e países como Bolívia e Paraguai e com raras exceções, os rios que drenam seu território não recebem contribuição das regiões de entorno. Esta condição obriga o Estado ao efetivo gerenciamento dos recursos hídricos. Aspectos Institucionais O Governo do Estado de Mato Grosso, em 05 de novembro de 1997, publicou a Lei N. 6.945, que instituiu a Política Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso, a qual estabeleceu o Sistema de Gerenciamento dos Recursos Hídricos e as diretrizes de como gerenciar as águas do Estado (Figura 1). Nesse sentido, a Fundação Estadual de Meio Ambiente, atual Secretaria Estadual de Meio Ambiente/SEMA, criou na sua estrutura administrativa a Diretoria de Recursos Hídricos - DIREH, atual Superintendência de Recursos Hídricos, que tem entre outros objetivos, o desafio de realizar a gestão dos recursos hídricos compatibilizando os diferentes usos, juntamente com vistas à gestão participativa – poder público, usuários e entidades civis, além de ser responsável pelo auxílio da criação e manutenção de Comitês de Bacias Hidrográficas. Sistema Estadual de Recursos Hídricos Órgão Gestor da PERH SEMA Superintendência de RecursosHídricos Conselho Estadual de Recursos Hídricos CEHIDRO Comitê de Bacia Política Estadual de Recursos Hídricos – PERH Lei Estadual N. 6.945 Fundo Estadual de Recursos Hídricos FEHIDRO Figura 1: Sistema de Gestão dos Recursos Hídricos de Mato Grosso. Órgão Gestor dos Recursos Hídricos de Mato Grosso O órgão gestor da Política de Recursos Hídricos, no Estado de Mato Grosso, é a Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMA, através da sua Superintendência de Recursos Hídricos. A SEMA, instituída pela Lei Complementar 214, de 23/06/05, conforme o art. 2° tem por objetivo elaborar, gerir, coordenar e executar as políticas do meio ambiente e de defesa civil, no âmbito do Estado de Mato Grosso, além de integrar o Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA. Atualmente, de acordo com o art. 4° da referida lei complementar, a SEMA é composta por: I – Órgão de Direção Superior: a) Gabinete do Secretário doMeio Ambiente. 1) Fundo Estadual do Meio Ambiente – FEMAM. II – Órgão de Gerência Superior: a) Gabinete do Secretário Adjunto do Meio Ambiente. III – Órgãos de Assessoramento Superior: a) Gabinete de Direção; b) Assessoria de Comunicação; c) Assessoria Especial; d) Assessoria Técnica; e) Assessoria Executiva; f) Superintendência de Assuntos Jurídicos; e g) Ouvidoria Setorial. IV – Órgãos de Administração Sistêmica: a) Superintendência de Planejamento; e b) Superintendência de Administração. V - Órgãos de Execução Programática: (...); d) Superintendência de Defesa Civil; e) Superintendência de Educação Ambiental; f) Superintendência de Gestão Florestal. VI – Órgão da Administração Regionalizada: a) Superintendência de Ações Descentralizadas. Histórico Institucional do Órgão Estadual de Meio Ambiente O Histórico Institucional do Órgão Estadual de Meio Ambiente divide-se em antes e após 1988, de acordo com a Tabela 1. Tabela 1: Histórico Institucional do Órgão Estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso. Antes de 1988 Lei N. Assunto 4.170/1980 Criação da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social, responsável pela execução da Política Estadual do Meio Ambiente 4.560/1983 Criação da Fundação de Desenvolvimento do Pantanal – FUNDEPAN, 4.560/1983 Criação da Fundação de Desenvolvimento do Pantanal – FUNDEPAN, vinculada ao Gabinete do Governador. 4.894/1985 Trata da primeira Política Estadual do Meio Ambiente, regulamentada pelos Decretos N. 1.981/86 e 1.980/86, a qual possuía um capítulo que abordava sobre a proteção das águas. 5.218/1987 Criação de: Secretaria de Estado do Meio Ambiente - SEMA (com a função de executar a Política Estadual do Meio Ambiente) e a Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEMA Depois de 1988 Lei Assunto Complementar n◦ 14/1992 Extinção da SEMA, passando todas as atribuições para a FEMA, transformando o cargo de Secretário de Estado do Meio Ambiente em Secretário Especial do Meio Ambiente, o qual teria também o cargo de Presidente da FEMA. Complementar n◦ 38/1995 Instituiu o Código Ambiental do Estado de Mato Grosso. Estadual n◦ 6.945/1997 Dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso. Decreto n◦ 3.952/2002 Regulamenta o Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CEHIDRO. Complementar n◦ 8.097/2004 Dispõe sobre a administração e a conservação das águas subterrâneas de domínio do Estado. Complementar n◦ 214/2005 Cria a Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMA e extingue a Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEMA. Complementar n◦ 232/2005 Altera o Código Estadual do Meio Ambiente. Assim sendo, após a extinção da Fundação Estadual do Meio Ambiente, a Secretaria do Meio Ambiente – SEMA tornou-se encarregada por toda a responsabilidade pela Política e Gestão Ambiental, e neste contexto inclui-se a Gestão de Recursos Hídricos. Superintendência de Recursos Hídricos de Mato Grosso A Superintendência de Recursos Hídricos de Mato Grosso, conforme o art.11 da Lei Complementar N. 214/2005 é a encarregada pelo gerenciamento dos recursos hídricos mato- grossenses. Suas atribuições encontram-se especificadas na Tabela 2: Tabela 2: Atribuições da Secretaria de Recursos Hídricos de Mato Grosso. Inciso Atribuição I Implementar a Política Estadual de Recursos Hídricos. II Exercer as atribuições de órgão gestor do Sistema Estadual de Recursos Hídricos. III Assessorar o Secretário nos assuntos relativos à sua esfera de competências. IV Supervisionar, coordenar, controlar os planos, programas e projetos de recursos hídricos a serem implantados e executados pelo Estado. V Propor normas de estabelecimento de padrões de controle da qualidade da água. VI Coordenar e controlar a perfuração de poços tubulares no Estado de Mato Grosso. VII Estruturar e manter o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos. VIII Promover o desenvolvimento de estudos e pesquisas visando à melhoria da qualidade técnica profissional dos servidores. IX Auxiliar a criação e a manutenção de Comitês de Bacias Hidrográfica. X Propor a execução de programas ambientais e estabelecer políticas voltadas à formação conservacionista. XI Coordenar, supervisionar as atividades de controle e fiscalização preventiva e corretiva dos vários segmentos sócio-econômicos, particularmente no que se refere à poluição hídrica. XII Promover e acompanhar o monitoramento do uso das águas no Estado de Mato Grosso. XIII Supervisionar, coordenar e controlar a medição de vazão dos pequenos, médios e grandes mananciais para se conhecer o potencial hídrico do Estado. XIV Coordenar, controlar e supervisionar a implantação de um modelo hídrico que possibilite o gerenciamento das águas superficiais e subterrâneas do Estado. XV Elaborar a proposta do Plano Estadual de Recursos Hídricos. XVI Promover o enquadramento dos corpos hídricos estaduais em classes. XVII Promover o cadastramento dos usuários da água. XVIII Coordenar, controlar e supervisionar a cobrança pelo uso de água nos corpos hídricos de domínio estadual. XIX Promover o licenciamento ambiental das atividades que demandem a utilização de recursos hídricos, na forma do regulamento. XX Proceder à emissão da outorga de direito de uso dos recursos hídricos de domínio do Estado XXI Compatibilizar as ações dos Coordenadores de sua área de atuação com interação operacional, evitando possíveis entraves na execução das atividades pertinentes. XXII Encaminhar ao Secretário estudos elaborados para fixação de tarifas e taxas relativas à prestação de serviços de natureza técnica. XXIII Opinar sobre a viabilidade técnica e econômica de celebração de convênios. XXIV Elaborar e propor normas que julgar necessárias à atuação no controle, fomento, pesquisa e preservação dos recursos hídricos XXV Elaborar, coordenar e executar os projetos provenientes de contratos e acordos nacionais e internacionais relativos às atividades de conservação e preservação de recursos hídricos. XXVI Supervisionar, controlar as equipes técnicas dos Estudos de Impacto Ambiental - EIA e respectivos Relatórios de Impacto Ambiental – RIMA. XXVII Apoiar a capacitação de Recursos Humanos dentro de sua área de competência. XXVIII Determinar a apuração de irregularidades de qualquer natureza e inerentes às atividades de suas áreas de atribuições, no ambiente organizacional e universo de ação. XXIX Exercer as demais competências que lhe forem conferidas. Fonte: Lei Complementar N. 214 (2005). A Superintendência de Recursos Hídricos, atualmente, trabalha com 20 funcionários para responder a todas as atribuições anteriormente mencionadas. Esta quantidade de recursos humanos é defasada frente à dimensão territorial (903.357.908km2) e das bacias hidrográficas que drenam o Estado. A Tabela 3 elucida a área de cada macrobacia do Estado, com suas respectivas vazão específica média. Tabela 3: Divisão Hidrográfica do Estado de Mato Grosso em Macrobacias e suas respectivas vazões específicas média. Bacia UPG Área (km2) Qméd (l/s/km2) I- Amazônica: A I-1: Guaporé - Madeira I-1-1: Aripuanã A-2 39.630,23 19,74 I-1-2: Alto Guaporé A-15 38.880,42 7,64 I-1-3: Roosevelt A-1 47.359,08 19,74 I-2: Juruena I-2-1: Alto Juruena A-14 64.309,44 27,41 I-2-2: Baixo Juruena A-3 29.490,08 20,97 I-2-3: Arinos A-12 58.842,66 22,81 I-2-4: Sangue A-13 28.919,42 21,64 I-3: Teles Pires I-3-1: Alto A-11 34.408,90 28,14 I-3-2: Médio A-5 34.408,90 28,14 I-3-3: Baixo Teles Pires A-4 39.137,44 23,13 I-4: Xingu I-4-1: Alto Xingu A-9 44.754,27 27,90 I-4-2: Ronuro A-10 30.272,76 21,94 I-4-3: Suiá-Miçu A-8 31.117,62 22,99 I-4-4: Manissauá-Miçu A-6 33.047,29 23,16I-4-5: Médio Xingu A-7 35.835,12 21,28 II – Tocantins-Araguaia: TA II-1: Alto Rio das Mortes TA-4 29.749,24 19,46 II-2: Baixo Rio das Mortes TA-5 31.240,36 15,6 II-3: Alto Araguaia TA-3 23.331,53 17,86 II-4: Médio Araguaia TA-2 17.374,28 14,42 II-5: Baixo Araguaia TA-1 31.361,23 14,42 III– Paraguai: P III-1: Alto Paraguai III-1-1: Superior P-3 9.260,88 15,2 III-1-2: Médio P-2 23.404,20 14.07 III-1-3: Jauru P-1 15.356,73 8,19 III-2: Cuiabá III-2-1: Alto P-4 29.162,40 9,99 III-2-2: Pantanal P-7 53.945,92 13,46 III-3: São Lourenço P-5 24.864,71 15,22 III-4: Correntes/Taquari P-6 18.100,16 15,07 TOTAL 897.565,27 Fonte: MMA/SRH (2007). Pela análise da Tabela 3 observa-se que a disponibilidade hídrica é superior às atuais demandas, que não atingem sequer 1% do volume médio anual disponível. Contudo, nota-se que em determinadas regiões há potencialidades para conflitos pelo uso da água destas bacias. Portanto, detecta-se a necessidade de maior contingente humano para cumprimento de todas as atribuições citadas da referida Secretaria, e em especial, a fiscalização de retiradas, visto que a conscientização para o racionamento e uso adequado e sustentável do recurso ainda não se faz presente na grande maioria dos usuários de água. A decisão de fortalecer institucionalmente a Superintendência de Recursos Hídricos passa por um entendimento do Poder Executivo quanto à importância dos recursos hídricos – se não para a preservação do meio ambiente e dos importantíssimos ecossistemas existentes na região – para a continuidade das atividades agrícola e de pecuária, fontes da riqueza atual do Estado. Além do que, em oficina realizada em março de 2007 para o início do desenvolvimento do Plano Estadual de Recursos Hídricos, chegou-se à conclusão da necessidade da Superintendência em formatar um projeto ou programa integrado de desenvolvimento técnico, para pleitear junto aos organismos nacionais e internacionais de fomento, financiamento de recursos que possam ser obtidos a fundo perdido. Existem diferentes fontes tais como: Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, Banco Mundial – BIRD, Fundo Nacional de Meio Ambiente e outras. Para pleitear estes recursos é importante que se estruture um programa integrado e coerente de desenvolvimento técnico articulado com a política de gestão de recursos hídricos do Estado (MMA/SRH, 2007). Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso As funções normativas, deliberativas e consultivas pertinentes à formulação implantação e acompanhamento da política de recursos hídricos do Estado cabem, conforme as disposições do art. 18 da Lei N. 6.945/1997 ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso - CEHIDRO, criado pelo Decreto N. 3.952, de 06 de março de 2002. De acordo com o art. 1º do referido decreto, o CEHIDRO é um órgão colegiado do Sistema Estadual de Recursos Hídricos de caráter consultivo, deliberativo e recursal. Para o mesmo foram estabelecidas 11 competências e oito atribuições. O art. 19 da referida lei, estabelece que o órgão tenha sua composição regulamentada, observando-se a similaridade entre os representantes do Poder Público e da Sociedade Civil, garantida a participação de representantes dos usuários. O art. 5º do Regimento Interno do CEHIDRO dispõe que o mesmo será presidido pelo Secretário Especial de Meio Ambiente e composto por representantes de órgãos e entidades, conforme a Figura 2. Representantes de Entidades Governamentais Fundação Estadual do Meio Ambiente: FEMA, atual Secretaria Estadual do Meio Ambiente: SEMA Secretaria de Estado de Infra-Estrutura: SINFRA Secretaria de Estado de Planejamento: SEPLAN Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural: SEDER Secretaria de Estado de Desenvolvimento de Turismo: SEDTUR Secretaria de Estado da Saúde: SES Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia: SICME Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral: SEPLAN Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e de Recursos Renováveis: IBAMA/SUPES/MT Universidade do Estado de Mato Grosso: UNEMAT Universidade Pública: Universidade Federal de Mato Grosso: UFMT Procuradoria Geral do Estado: PGE Representantes de Entidades Não Governamentais Associação Mato-grossense dos Municípios: AMM Representantes de Usuários de Recursos Hídricos Instituição Pública de Abastecimento de Água e de Esgoto Sanitário: SANECAP Cooperativa Agrícola dos Irrigantes de Primavera do Leste: AGRIVERA Associações Ambientalistas, Turísticas e Empresariais de Cáceres: ASATEC Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso: FIEMT Associação dos Aquicultores de Mato Grosso: AQUAMAT Sindicato de Guia de Turismo: SINGTUR Instituto Matogrossense de Direito e Educação Ambiental: IMADEA CEMAT Representantes de Organizações Civis (bacias hidrográficas) Instituto Mato-grossense de Direito e Educação Ambiental: IMADEA Instituto de Defesa do Manso: Bacia do Alto Paraguai Agência Protetora do Vale do Juruena: Bacia do Amazonas INSTITUTO CREATIO Cooperativa dos Pescadores e Artesãos de Pai André e Bom Sucesso: COORIMBATÁ Rede Araguaia de Organizações Eco-Culturais: RAEONG’S Fórum Estadual de Turismo Associação Indígena Halitinã ECOTRÓPICA Representantes de Entidades Não Governamentais Representante de Instituição de Pesquisa em Recursos Hídricos Centro de Pesquisa do Pantanal: CPP Instituto Pantanal Amazônia de Conservação: IPAC Associação Regional de Pesquisa Científica e Ambiental: ARPCA Membros Convidados Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental: ABES Associação Brasileira de Águas Subterrâneas: ABAS Figura 2: Representantes do Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso. Fonte: Decreto N. 3.952/2002 e Portaria SEMA N. 22/2006. As competências do CEHIDRO foram instituídas pelo art. 1° do Decreto N. 3.952/2002, de acordo com a Tabela 4. Tabela 4: Competências do Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso. Inciso Competência I Exercer funções normativas, deliberativas e consultivas pertinentes à formulação implantação e acompanhamento da política de recursos hídricos do Estado. II Aprovar os critérios de prioridades dos investimentos financeiros relacionados com os recursos hídricos e acompanhar sua aplicação. III Avaliar e opinar sobre os programas encaminhados pelo Órgão Coordenador\Gestor. IV Apreciar o Plano Estadual de Recursos Hídricos apresentado pelo Órgão Coordenador/ Gestor, ouvido previamente os Comitês Estaduais de Bacias Hidrográficas. V Opinar sobre a conveniência da celebração de convênios e acordos com entidades públicas ou privadas, nacionais ou internacionais, pare o desenvolvimento do setor. VI Deliberar sobre os critérios e normas para outorga, cobrança pelo uso da água e rateio dos custos entre os beneficiários das obras de aproveitamento múltiplo ou interesse comum. VII Aprovar propostas de instituição dos Comitês Estaduais de Bacias Hidrográficas. VIII Examinar os relatórios técnicos sobre a situação dos recursos hídricos do Estado. IX Julgar os recursos administrativamente interpostos e os conflitos de uso da água em última instancia no âmbito do Sistema Estadual de Recursos Hídricos. X Representar o Governo do Estado, através de seu representante legal, junto aos órgãos federais e entidades nacionais que tenham interesses relacionados aos recursos hídricos de Mato Grosso. XI Deliberar sobre a aplicação dos recursos do Fundo Estadual dos Recursos Hídricos. Nos termos do parágrafo único, as deliberações do Conselho serão tomadas pela maioria dos seus membros, cabendo ao Presidente o voto de desempate. Fonte: Decreto N. 3.952/2002. O art. 2º do Decreto N. 3.952/2002, aindadetermina como atribuições do CEHIDRO: elaborar e aprovar o seu Regimento Interno; aprovar o Regimento Interno dos Comitês Estaduais de Bacia Hidrográfica; instituir por meio de Resolução os Comitês Estaduais de Bacia Hidrográfica em rios de domínio do Estado; fixar a composição dos Comitês Estaduais de Bacia Hidrográfica, observada à semelhança entre o Poder Público e a Sociedade Civil, assegurada a participação de representantes dos usuários e das comunidades indígenas com interesses na bacia; aprovar o Plano de Aplicação do Fundo Estadual de Recursos Hídricos – FEHIDRO; estabelecer os procedimentos relativos à cobrança pelo uso da água, a ser implantada de forma gradual, observado o disposto no art. 15 da Lei de que trata este regulamento e apreciar o Plano Estadual de Recursos Hídricos e submetê-lo ao Governador para aprovação e publicação por Decreto Governamental. De acordo o art. 5º do Decreto 3.952/2002, todas as decisões do CEHIDRO deverão ser formalizadas através de Resoluções ou outras deliberações e devidamente publicadas em Diário oficial do Estado. Assim sendo, para que a gestão de recursos hídricos de Mato Grosso se consolidasse de forma abrangente a todo o Estado, o CEHIDRO estabeleceu uma base organizacional que contemplasse as bacias hidrográficas como unidade de planejamento e gerenciamento do Sistema Estadual de Recursos Hídricos. Desta forma, o CEHIDRO aprovou no uso de suas atribuições legais, no dia 18 de agosto de 2006, a Resolução N. 005 que estabelece a divisão do território mato-grossense em 27 Unidades de Planejamento e Gerenciamento – UPGs. As Resoluções baixadas pelo CEHIDRO, relacionadas na Tabela 5, fornecem um indicativo de sua atuação. Tabela 5: Resoluções do Conselho Estadual de Recursos Hídricos – MT. RESOLUÇÃO ASSUNTO 2003 N. 001, de 14/07 Aprovou o Regimento Interno do Comitê das Sub-Bacias Hidrográficas dos Ribeirões do Sapé e Várzea Grande-COVAPÉ. N. 002 e N. 003 de 11/12 Aprovação do Calendário Anual 2004 e Licenciamento para Irrigação, respectivamente. 2004 N. 004, de 08/06 Definição taxas para o licenciamento e cadastramento de poços tubulares. N. 005 e N. 006, de 26/08 Alteração do regime interno do CEHIDRO e Definição da Carta imagem de melhor qualidade para Licenciamento Ambiental de Irrigação, respectivamente. N. 007, de 26/08 Alteração do parágrafo 2º. do Art. 6º. da Resolução de Licenciamento de Irrigação. N. 008 e 009, de 16/12 Dispõe sobre o Calendário de Reuniões e Alteração do regime interno do CEHIDRO, respectivamente. N.10, de 16/12 Alteração da redação do Art. 4º. da Resolução N. 003, acrescido parágrafo único ao Art. 9º, altera a redação do Art. 11, acrescido parágrafo único ao Art. 12 e inclui o Art. 5º sobre o roteiro de licenciamento de irrigação. 2005 N. 011, de 12/05 Designação dos membros a comporem a Comissão Julgadora do processo de Eleição das entidades não governamentais e usuários da água do CEHIDRO 2006 N. 001, de 12/04 Aprovação do Calendário de Reuniões. N. 002, de 12/04 Revoga o Art. 9º da resolução 003 de 11/12/2003. N. 003, de 26/06 Aprovação do regimento interno CEHIDRO. N. 004, de 31/05 Instituiu critérios gerais na formação e funcionamento de Comitês de Bacias Hidrográficas no Estado de Mato Grosso. N. 005, de 18/08 Instituiu a Divisão Hidrográfica do Estado de Mato Grosso. N. 006, de 03/08 Alterou o art. 2º da Resolução nº 03 de 11/12/2003. N. 007 e 008 de 28/09 Estabeleceu o prazo para as licenças em atividade de Irrigação para os empreendimentos que se enquadrarem na Resolução nº 06 de 03 de agosto de 2006 e Aprovou o calendário de reuniões para o ano de 2007, respectivamente. 2007 N. 009 e 010, 25/01 Institui a Câmara Técnica de Construção de Barragens e Instituiu o Roteiro Básico para o Licenciamento de Barragens de Terra Já Construído - Reservatórios para fins de Irrigação (até 50 ha de área alagada), respectivamente. N. 01, de 29/03 Institui a Câmara Técnica de Acompanhamento do Plano Estadual de Recursos Hídricos. N. 012, de 06/06 Estabeleceu os critérios técnicos a serem aplicados nas análises dos pedidos de outorga para captação de águas superficiais de domínio do Estado do Mato Grosso N. 013 de 26/03 Instituiu o Roteiro Básico para Barragens de Terra já construídas (até 50 ha de área alagada), o qual passa a integrar o processo de Licenciamento dos Sistemas de irrigação. N. 014, de 29/11 Aprovação do calendário de reuniões para o ano de 2008. 2008 N. 016, de 13/03 Instituiu a Rede Hidrológica Básica no Estado de Mato Grosso N. 017, de 08/05 Alterou os Artigos 5°, 7° § 1° e 20 da Resolução n° 03 de 11/12/2003, alterou o Anexo II da Resolução nº 10 de 16 de dezembro de 2004, Revogou o Art. 6° da Resolução n° 03 de 11/12/2003 e as Resoluções n° 07 de 26 de agosto de 2004 e nº 07 de 28 de setembro de 2006. N. 018, de 10/07 Instituiu o processo de Licenciamento de projetos de Irrigação. Lei 6.945, de cinco de novembro de 1997 A lei que instituiu a Política Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso - PERH é a Lei N. 6.945, de 05/11/97. Esta Lei é semelhante à Lei Federal 9.433/97, contudo, a disposição de seus capítulos difere em alguns pontos da Lei Federal. Enquanto a Lei 9.433, em seu Capítulo I, Título I, discorre sobre os fundamentos da PNRH, a Lei 6.945 refere-se às funções da água, que são: I - função natural, ao desempenhar os papéis de: manutenção do fluxo da água nas nascentes e nos cursos d'água perenes; manutenção das características ambientais em áreas de preservação natural; manutenção de estoques de fauna e flora dos ecossistemas dependentes do meio hídrico; manutenção do fluxo e da integridade das acumulações de águas subterrâneas; outros papéis naturais exercidos no ambiente da bacia hidrográfica onde não se faça sentir a ação antrópica. II - função social, quando seu uso garantir as condições mínimas de subsistência dentro dos padrões de qualidade de vida assegurados pelos princípios constitucionais, tais como: abastecimento humano; qualquer atividade produtiva com fins de subsistência, conceito a ser definido no regulamento desta lei para cada região hidrográfica do Estado. III - função econômica, que se refere à todos os demais usos da água não explicitados acima. O Capítulo II, da Lei 6.945, discursa sobre os princípios do setor, sendo neste capítulo ressaltados os usos múltiplos da água, a adoção da unidade hidrográfica, o valor econômico da água e que o abastecimento humano e a dessedentação de animais terão prioridade sobre todos os demais usos, assuntos tratados no Capítulo I, sobre os fundamentos, na Lei 9.433. A Lei 6.945, não traz, em específicos, os objetivos da mesma, como a Lei 9.433, contudo, tais objetivos estão embutidos no Capítulo III, que discorre em 10 incisos do artigo 4º e no artigo 5º, as diretrizes básicas da PERH, que deverão nortear a gestão hídrica. A Lei 6.945 instituiu no art. 6º, como instrumentos da PERH: o Plano Estadual de Recursos Hídricos; o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes da água; a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos; a cobrança pelo uso de recursos hídricos e o Sistema de Informações Sobre Recursos Hídricos, diferindo da Lei 9.433 em apenas um instrumento a menos, a compensação a municípios, por esta Lei ser uma Lei Federal. O Capítulo IV, de ambas as leis, versa sobre os instrumentos da Política de Recursos Hídricos, diferindo apenas nas disposições de seções e quantidades de artigos. No Título II, de cada lei, é feito referência à composição do Sistema de Recursos Hídricos: Conselhos, Órgão Coordenador/Gestor, Comitês de Bacia, Agências de Água e Associações de Usuários e Título III das Penalidades e Infrações. A Lei 6.945difere da Lei 9.43, em seu Título IV, que versa sobre o Fundo Estadual de Recursos Hídricos – FEHIDRO, e no Título VI que traz as disposições transitórias.O FEHIDRO foi criado para dar suporte financeiro à PERH, e para tanto, o art. 30º da Lei 6.945 relata os recursos do FEHIDRO e os art. 31º a 33º sobre as aplicações dos mesmos. Com o exposto anteriormente, observa-se que a Lei 6.945 está em consonância com a Lei Federal N. 9.433, e de acordo com a realidade dos recursos hídricos de Mato Grosso. Os Instrumentos de Gestão dos Recursos Hídricos de Mato Grosso 1. O Plano Estadual de Recursos Hídricos Citado pela Lei N. 6.954/97 como o primeiro instrumento de gestão, o Plano Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso – PERH/MT encontra-se em fase de elaboração, sendo responsável por este processo a SEMA. No ano de 2007 foi desenvolvida a primeira etapa da construção do Plano, a de diagnóstico e em 2008 está sendo desenvolvida a etapa propositiva do Plano. O plano deverá ser aprovado pelo CEHIDRO em 2009. O PERH/MT visa dar direção ao gerenciamento dos recursos hídricos de Mato Grosso, fortalecendo posições de proteção às três bacias hidrográficas existentes no Estado: do Alto Paraguai, Araguaia/Tocantins e Amazônica, visto que, de acordo com a Resolução N. 32 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH (2003), que trata da Divisão Hidrográfica Nacional, o Estado de Mato Grosso está inserido na Bacia Hidrográfica do Paraguai, representando 52% da totalidade desta bacia (ANA, 2007). Ademais, o Estado possui treze sistemas aqüíferos, com uma reserva permanente de 7.889,676. 109m3 (MMA/SRH, 2007). Conforme a Lei N. 6.945/97 observa-se que não foi citado como instrumento da Política de Recursos Hídricos, o Plano de Bacia Hidrográfica, ficando a cargo do PERH todo o planejamento de gerenciamento dos recursos hídricos de Mato Grosso. Fato semelhante é observado no art. 8° da Lei N. 9433/97que apenas cita que os Planos de Recursos Hídricos serão elaborados por bacia hidrográfica, por Estado e para o país, ou seja, não dá ênfase ao plano de bacia, os quais não foram contemplados nem no Plano Nacional de Recursos Hídricos e nem nos Planos Estaduais. O Plano de Bacia Hidrográfica é de fundamental importância, visto que a bacia hidrográfica é a unidade de planejamento, e que através do plano pode-se: levantar diagnósticos da situação da bacia; fazer análises da situação e da ocupação do solo e da evolução das atividades produtivas; realizar um balanço das disponibilidades e demandas futuras para os recursos hídricos; e determinar as prioridades e diretrizes para a outorga e a cobrança pelo uso dos recursos hídricos, de forma bastante específica para determinada bacia, evitando assim, sua deterioração e tentar melhorar ou solucionar os problemas existentes. Os planos de recursos hídricos de bacias hidrográficas serão elaborados pelas agências de água e aprovados pelos seus respectivos comitês. Porém, caso não haja agências de água ou outra entidade encarregada das funções de agência, os planos de bacia poderão ser elaborados pelas entidades gestoras, detentoras do poder outorgante, sob supervisão dos respectivos comitês. Se não houver comitê de bacia instituído, as entidades ou órgãos gestores de recursos hídricos serão os responsáveis, com a participação dos usuários de água e das entidades civis de recursos hídricos, que ficarão responsáveis pela elaboração da proposta de Plano de Bacia e pela implementação de ações necessárias à criação do respectivo comitê, que deverá aprovar o plano. O art. 23, inciso II, da Lei N. 6.945/97 versa sobre os planos de bacia hidrográfica, citando apenas que uma das atribuições da SEMA consiste em elaborar e divulgar os planos diretores de bacias hidrográficas. Os planos de bacia hidrográfica são referenciados pela Constituição Estadual, no art. 287, o qual “o Estado celebrará convênios com os Municípios para a gestão, por estes, das águas de interesse exclusivamente local, condicionada às políticas e diretrizes estabelecidas em nível de planos estaduais de bacias hidrográficas, em cuja elaboração participarão as municipalidades”. O PERH, de acordo com o art. 7° da Lei N. 6.945/97, tem que estar em conformidade com as diretrizes da Política Nacional e Estadual dos Recursos Hídricos e deve contemplar os seguintes aspectos: I - objetivos e diretrizes devem visar ao aperfeiçoamento do sistema de planejamento estadual e inter-regional de recursos hídricos; II - instrumentos de gestão regulamentarão da outorga, cobrança pelo uso da água e rateio dos custos das obras e aproveitamentos de recursos hídricos de interesse comum e/ou coletivo; III - estudos de balanço hídrico, desenvolvimento tecnológico e sistematização de informações relacionadas com os recursos hídricos, visando orientar os usuários e a sociedade no que concerne ao manejo adequado e conservacionista das bacias hidrográficas e das acumulações subterrâneas; IV - mecanismos que orientem a modernização das redes de observação hidrometeorológicas, considerando implantação, operação e manutenção; Atual Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso. V - programas de gestão de águas subterrâneas, compreendendo a pesquisa, o planejamento e o monitoramento; VI - programação de investimentos em obras e outras ações relativas à utilização, à recuperação, à conservação e a proteção dos recursos hídricos; VII - planos concernentes ao monitoramento climático, zoneamento das disponibilidades hídricas efetivas, usos prioritários e avaliação de impactos ambientais causados por obras hídricas; VIII - programas de desenvolvimento institucional, tecnológico e gerencial de valorização profissional e de comunicação social no campo dos recursos hídricos; IX - programas anuais e plurianuais de recuperação, conservação, proteção e utilização dos recursos hídricos definidos mediante articulação técnica e financeira institucional com a União, Estados e Países vizinhos Municípios e entidades internacionais de cooperação e fomento; X - campanhas educativas visando conscientizar a sociedade para a utilização racional dos recursos hídricos; XI - definição e análise pormenorizada das áreas críticas, instaladas ou potenciais; XII - o inventário dos usos presentes e dos conflitos resultantes; XIII - a projeção dos usos e das disponibilidades de recursos hídricos e os conflitos potenciais. Há de salientar que a função do PERH é irromper todo um processo institucional na SEMA, de fortalecimento da Superintendência de Recursos Hídricos, com vistas a estruturar o órgão, tornando-o capaz de fazer frente às competências fixadas na lei. Entende-se que qualquer proposta de alteração da norma estadual para uma melhor adequação aos preceitos da lei federal, seja no que se refere à descentralização, seja no que diz respeito ao papel dos comitês, e também a um reconhecimento da importância dos planos de bacia hidrográfica aprovados pelos comitês, deve ocorrer em um segundo momento (MMA/SRH, 2007). O art. 8° da Lei N. 6.945/97, faz menção que o PERH deve ser avaliado e julgado pelo CEHIDRO e publicado, através de decreto governamental. As suas atualizações, parciais ou totais, deverão ser feitas sempre que a evolução das questões relativas ao uso dos recursos hídricos assim recomendar. Cita-se ainda, no § 2°, que as diretrizes e a previsão dos recursos financeiros para a elaboração e a implantação do PERH deverão constar nas leis concernentes ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias e ao orçamento anual do Estado. 2. O Enquadramento dos Corpos de Água em Classes A avaliação da qualidade da água é um processo global de verificação da natureza física, química e biológica da água, em relação à sua qualidade natural, efeitos das ações antrópicas e dos usos esperados (MARQUES et. al., 2002). A implementação do enquadramento dos corpos de água em classes demanda conhecimento da qualidade das águas a serem geridas e das influências ambientais e antrópicas que possam alterá-la (PROENÇA et al., 2004). A Resolução N. 357, de 17 de março de 2005, do CONAMA,em seu art. 1°, dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento dos corpos de água superficiais brasileiros, bem as condições e padrões de lançamento de efluentes. Sendo assim, as águas são classificadas, de acordo com o art. 3° da referida resolução, em doces, salobras e salinas segundo a qualidade requerida para os seus usos preponderantes, em treze classes de qualidade. Destaca-se ainda que as águas de melhor qualidade possam ser aproveitadas em uso menos exigente, desde que este não prejudique a qualidade da água, atendidos outros requisitos pertinentes. Segundo o art. 42, da Resolução N. 357, enquanto não aprovados os respectivos enquadramentos, as águas doces serão consideradas classe 2, até que seja realizado o seu enquadramento O enquadramento dos recursos hídricos do Estado de Mato Grosso, até o momento, ainda não foi realizado, portanto seus cursos d’água são considerados como de Classe 2. 3. A Outorga de Recursos Hídricos Outorga de direito de uso de recursos hídricos é o ato administrativo mediante o qual o poder público outorgante faculta ao outorgado o uso de determinado recurso hídrico, e por prazo determinado, nos termos e nas condições expressas no ato de outorga, prevista na Lei N. 9.433/97 como um dos instrumentos da PNRH, com o objetivo de assegurar o controle quantitativo e qualitativo da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso a este bem. HORA (2001) estabeleceu alguns quesitos que tornam esse controle participativo, levando em consideração aspectos tradicionais e valores culturais das comunidades que utilizam a bacia, embora a Lei N. 9.433/97 reconheça a outorga como um instrumento de controle na distribuição de recursos hídricos de competência do Poder Público. Assim, as prioridades de uso na concessão da outorga, serão definidas pelos Planos de Recursos Hídricos aprovados pelos comitês de Bacias Hidrográficas. O art.10º da Lei N. 9.645/97 dispõe que a implantação, ampliação e alteração de projeto de qualquer empreendimento que demande a utilização de recursos hídricos de domínio do Estado, a execução de obras e/ou serviços que alterem o regime, quantidade ou qualidade dos mesmos, dependerão de prévio cadastramento e outorga pela Fundação Estadual do Meio Ambiente-FEMA, atual SEMA. Desta forma, em três de maio de 2006, a Portaria N. 39, da SEMA, instituiu o Cadastro de Usuários de Água do Estado de Mato Grosso. No Estado de Mato Grosso, o instrumento de gestão de recursos hídricos "Outorga de Direitos de Uso da Água" está em fase inicial no Estado. Para tanto, foram publicados no DOE do dia 06/06/07 o Decreto n° 336 que regulamenta a outorga de direitos de uso dos recursos hídricos. A Resolução n° 12, do CEHIDRO, de 06 de junho de 2007 estabelece critérios técnicos para outorga de captações de águas superficiais de domínio do Estado e a Instrução Normativa N. 08, da SEMA, de 15 de maio de 2008, dispõe sobre os procedimentos a serem adotados para os processos de outorga de uso de recursos hídricos de águas de domínio do Estado do Mato Grosso. Em 29 de outubro e 06 de novembro de 2007, foram publicados no Diário Oficial Estadual – DOE, os nomes dos usuários que requereram a Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos junto à SEMA, conforme a Tabela 6. Em cinco de novembro de 2007, foi emitida a primeira outorga do Estado, para uso da água, para a empresa SANEAR – Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis. A empresa obteve o direito de uso dos recursos hídricos para captação de água no rio Vermelho, com a finalidade de abastecimento da cidade, cuja vazão média diária de captação é de 1.620m³/h (0,450 m³/s), operando 24 h/dia, durante todos os dias do ano, perfazendo um volume máximo anual de 14.191.200,00m³, conforme a Portaria N. 148, de 05 de novembro de 2007, da SEMA. Tabela 6: Usuários de Recursos Hídricos de Mato Grosso que requereram a Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos junto à SEMA/MT, em 2007. Outubro Usuário Município Rio/Córrego/ Ribeirão Sub-bacia BH* Finalidade Vazão (m3) SANEAR ** Rondonópolis R. Vermelho São Lourenço Paraguai Saneamento 0,45 ANEEL*** PCH Esperança Comodoro R. Piolhinho Guaporé Amazônica Geração de Energia Turbinada Total 3,65 ANEEL PCH Maracanã Nova Marilândia C. Maracanã Sepotuba Paraná Geração de Energia Turbinada Total 7,00 ANEEL PCH Cabeça de Boi Alta Floresta, Juara e Tabaporã R. Apiacás Teles Pires Amazônica Geração de Energia Turbinada Total 133,72 ANEEL PCH da Fazenda Alta Floresta, Juara e Tabaporã R. Apiacás Teles Pires Amazônica Geração de Energia Turbinada Total 131,62 ANEEL PCH João Basso Rondonópolis Ribeirão Ponte de Pedra Vermelho Paraguai Geração de Energia Turbinada Total 56,97 Novembro ANEEL PCH Comodoro Comodoro e Campos de Júlio R. Juína, afluente do R. Juruena Tapajós Amazônica Geração de Energia Turbinada Total 46,20 ANEEL PCH Presente de Deus Comodoro e Campos de Júlio R. Juína, afluente do R. Juruena Tapajós Amazônica Geração de Energia Turbinada Total 44,20 ANEEL PCH Figueirópolis Figueirópolis D’Oeste e Indiavaí R. Jauru, Paraguai Paraná Geração de Energia Turbinada Total 148,10 * BH: Bacia Hidrográfica; ** SANEAR: Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis; *** ANEEL: Agência Nacional de Energia Elétrica Fonte: DOE (10-11/2007). A Portaria N◦ 121, de 15 de outubro de 2007, da SEMA, definiu que a Unidade de Planejamento e Gerenciamento Hídrico do Rio São Lourenço (UPG P – 5), onde está a SANEAR, é a bacia prioritária para o início das emissões de outorga de captação direta em manancial superficial. A Portaria N. 120, de 15 de outubro de 2007, da SEMA, define as taxas administrativas para emissão de outorgas de direito de uso de recursos hídricos de domínio do Estado, conforme a Tabela 7. Tais taxas são referentes aos custos de Análise e de Publicação da Outorga de captação direta em manancial superficial. Conforme o art. 2º, da Portaria 120, os usuários que se declararem pertencentes à categoria de uso insignificante deverão apresentar a SEMA o ‘Cadastro Estadual de Uso Insignificante de Água’ de acordo com a legislação pertinente e recolher a taxa adequada e o art. 3º faz referência à vistoria para a emissão de outorga, caso haja necessidade, e assim a SEMA solicitará do empreendedor o recolhimento da taxa que será calculada de acordo com a Lei Estadual nº 8.418, de 28/12/2005. Tabela 7: Taxas administrativas para emissão de outorgas de direito de uso de recursos hídricos de Mato Grosso. Custo Total (UPF/MT) Captação direta em manancial superficial. 23 Conversão de DRDH em outorga de direito de uso da água. 170 Alteração, Renovação, Transferência ou Desistência da Outorga de direito de uso da água. 23 Cadastro de Uso Insignificante da Água. 1 Fonte: Portaria 120, da SEMA (2007). Os procedimentos referentes à emissão de Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica (DRDH) e de outorga de direito de uso de recursos hídricos, para uso de potencial de energia hidráulica superior a 1MW em corpo de água de domínio do Estado são tratados na Portaria 122, de 15 de outubro de 2007, da SEMA. O art. 1º diz que para licitar a concessão ou autorizar o uso do potencial de energia hidráulica em corpo de água de domínio do Estado, a Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL deverá promover, junto à SEMA, a prévia obtenção da DRDH e que, conforme o art. 3º, não serão cobradas taxas, exceto quando o empreendedor fizer solicitação da conversão da DRDH em Outorga de Direito de Uso da Água. O art. 4º menciona que para avaliação da emissão da DRDH, a SEMA considerará: os usos, atual e planejado, dos recursos hídricos na bacia hidrográfica, cujo impacto se dá predominantemente na escala da bacia; e o potencial benefício do empreendimento hidrelétrico, cujo impactose dá preponderantemente na escala nacional. O art. 5º enfatiza que a DRDH não confere direito de uso de recursos hídricos e se destina, unicamente, a reservar a quantidade de água necessária à viabilidade do empreendimento hidrelétrico, sendo esta concedida pelo prazo de até três anos, podendo ser renovada por igual período, a critério da SEMA. A Portaria N. 123, de 15 de outubro de 2007, assim como a Portaria N. 113, de 03 de setembro de 2008, da SEMA, definem os roteiros para solicitação de outorgas de captação superficial em recursos hídricos de domínio do Estado de Mato Grosso. Os roteiros de solicitação foram divididos conforme os seguintes objetivos: converter a DRDH em outorga de direito de uso da água; expedir ato administrativo que faculta ao outorgado o direito de uso de recurso hídrico, por prazo determinado, com termos e condições expressas no respectivo ato; alterar a vazão ou outro item da outorga de direito uso de recursos hídricos; renovar a outorga de direito de recursos hídricos; transferir a outorga de direito de recursos hídricos; cadastrar os usuários que declaram uso insignificante de água. As Portarias 144, 145, 146, 147, 153, 171 e 172/2007, da SEMA, declararam reservadas, na seção do Rio Piolhinho, Córrego Maracanã, Rio Apiacás (em dois locais), Rio Jauru, Rio Juína (em dois locais), respectivamente, informadas no Projeto Básico da Pequena Central Hidroelétrica (PCH) Esperança, Maracanã, Cabeça de Boi, da Fazenda, Figueirópolis, Presente de Deus e Comodoro, respectivamente, as vazões naturais afluentes, subtraídas: das vazões destinadas ao atendimento de usos consuntivos a montante; e das vazões destinadas à vazão remanescente no trecho entre o barramento e o canal de fuga. O art. 2o, das referidas Portarias, ressalta que as vazões reservadas têm a finalidade de garantir a disponibilidade hídrica necessária à viabilidade do aproveitamento hidrelétrico Esperança, Município de Comodoro/MT, observadas as características determinadas pelas referidas Portarias. O art. 3º, das mesmas portarias, menciona que as características apresentadas nos artigos 1o e 2o, poderão ser alteradas mediante solicitação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), acompanhada de um estudo técnico fundamentado específico, podendo ser exigida a aprovação do órgão ambiental responsável ou por força da definição de condições em Licenças Ambientais, a critério da Secretaria de Estado do Meio Ambiente - SEMA. Em 15 de maio de 2008, foi publicada a Instrução Normativa N. 08, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados para os processos de outorga de uso de recursos hídricos de águas de domínio do Estado do Mato Grosso. O art. 7º ressalta que ao analisar os pedidos de outorga de uso de recursos hídricos, a SEMA deverá observar: a disponibilidade hídrica para atendimento à solicitação; o uso racional da água pelo empreendimento. Em Parágrafo Único é destacado que a avaliação quanto ao uso racional da água deverá considerar a compatibilidade entre a demanda hídrica e as finalidades pretendidas e o art. 8º menciona que o requerimento para renovação de outorga de direitos de uso de recursos hídricos deverá ser encaminhado a SEMA no prazo mínimo de noventa dias anteriores à data de expiração da vigência da autorização. O art. 12 cita que a SEMA manterá cadastro dos usuários de recursos hídricos contendo, para cada corpo de água, no mínimo: registro das outorgas emitidas e dos usos que independem de outorga; vazão máxima instantânea e volume diário outorgado no corpo de água e em todos os corpos de água localizados a montante e a jusante. Em Parágrafo Único é elucidado que a cada emissão de nova outorga a autoridade outorgante fará o registro do aumento da vazão e do volume outorgados no respectivo corpo de água. O art. 13 refere que para os empreendimentos usuários de água, a outorga preventiva, quando for o caso, ou a outorga de direito de uso de recursos hídricos deverá ser apresentada para a obtenção da Licença Prévia – LP. O art. 14 relata que a SEMA poderá definir bacias e setores prioritários para a emissão da outorga preventiva e/ou outorga de direito de uso de recursos hídricos e que a definição de bacias prioritárias não impede que a SEMA solicite a outorga para empreendimentos localizados nas demais bacias do Estado. A Instrução Normativa N. 09, de 26 de maio de 2008, da SEMA, tal qual a Portaria 122, dispõe sobre procedimentos referentes à emissão de Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica (DRDH) e de outorga de direito de uso de recursos hídricos, para uso de potencial de energia hidráulica superior a 1 MW em corpo de água de domínio do Estado. Em abril, junho, julho e outubro de 2008 novos usuários de Recursos Hídricos requereram, junto à SEMA, a Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos, conforme a Tabela 8. Tabela 8: Usuários de Recursos Hídricos de Mato Grosso que requereram a Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos, junto à SEMA/MT, em 2008. Abril Usuário Município Rio/Córrego/ Ribeirão Sub-bacia BH* Finalidade Vazão (m3) Vinícius Tomazetti, Fazenda Cabeceira da Ferradura Primavera do Leste - R. das Mortes Araguaia Irrigação 1,0653 Carlos Ernesto Augustin, Fazenda Marajoara Itiquira Ribeirão Comprido Rio Paraguai Paraguai Irrigação 0,254 Carlos Gomes Bezerra, Fazenda São Carlos Campo Verde Córrego Roncador Rio Paraguai Paraguai Irrigação 0,053 Nelson Marcon, Fazenda Marcon Poxoréo Rio Coité Rio Paraguai Paraguai Irrigação 0,2486 Perdigão Agroindustrial S.A Mirassol d’Oeste Córrego Escondido Rio Paraguai Paraguai Indústria 0,0522 Junho ANEEL ** PCH Santana I Nortelândia Rio Santana Rio Paraguai Paraguai Geração de energia Turbinada 19,6 Armando Martins de Oliveira, Fazenda Araguari Araputanga Córrego Uembé Rio Paraguai Paraguai Irrigação 0,0537 BERTIN S/A Diamantino C. Água Boa e C. Água Fria - Amazônica Indústria C. A. Boa 0,09 C. Á. Fria 0,242 Terezinha Strapasson Fockink, Fazenda Cabeceira da Ferradura Primavera do Leste Rio das Mortes Rio Araguaia Tocantins- Araguaia Irrigação 0,505 Anselmo Basso, Fazenda Bartira Diamantino Córrego Três Lagoas Rio Paraguai Paraguai Irrigação 0,12113 MARFRIG Frigoríficos e Comércio de Alimentos Tangará da Serra Córrego Queima Pé Rio Paraguai Paraguai Indústria 0,0347 Julho Wilson Daltrozo Fazenda Cidade Primavera do Leste Córrego Perdido - Tocantins- Araguaia Irrigação 0,1761 Celso Carlos Roquetto, Fazenda Araxingú Canarana Córrego Jangada - Amazônica Irrigação 0,355 Frigorífico MARGEN Barra do Garças Córrego Fundo - Tocantins- Araguaia Indústria 0,014 Vilmar Giachini Cláudia Ribeirão Leda - Amazônica Irrigação 0,1675 Independência S/A Nova Xavantina Ribeirão Cachoeira - Tocantins- Araguaia Indústria 0,056 Usina Pantanal De Açúcar E Álcool Ltda Jaciara Rio Tenente Amaral - Paraguai Indústria 0,244 Usina Jaciara S.A Jaciara Rio Tenente Amaral - Paraguai : Indústria 0,222 BERTIN S.A Diamantino Rio Preto - Amazônica Indústria 0,332 Jefferson Luiz Casteli Primavera do Leste Ribeirão Sapé - Araguaia- Tocantins Irrigação 0,0965 Agosto Giachini E Bagatini LTDA Cláudia Rio Leda - Amazônica Irrigação 0,13833 Osmair Mozer Braga, Fazenda 3K Nova Mutum Córrego Doze de Maio - Amazônica Irrigação 0,020 Airton Guimarães Botaro, Sítio Boa Sorte Nova Mutum Córrego Doze de Maio - Amazônica Irrigação 0,011 Independência S/A Nova Xavantina Ribeirão Cachoeira - Tocantins- Araguaia Indústria 0,056 Carlos Ernesto Augustin, Fazenda Triângulo Pedra Preta Córrego das Garças - Paraguai Irrigação 0,3565 Ênio Desbessel, Fazenda Toledo Herança Diamantino Córrego Três Lagoas; - Amazônica Irrigação 0,16644 PREFORMAX Indústria Plástica S/A Nova Lacerda Córrego do Bolo - AmazônicaGeração de Energia 0,66 * BH: Bacia Hidrográfica; ** ANEEL: Agência Nacional de Energia Elétrica. Fonte: DOE (04-08/2008). A Portaria N. 103, de 08 de agosto de 2008, da SEMA, resolve outorgar a BERTIN S/A, o direito de uso dos recursos hídricos para captação de água no rio Preto, com a finalidade de abastecimento do empreendimento composto das unidades de criação de bovino em confinamento, frigorífico para abate de bovino e curtimento de pele bovina no município de Diamantino. A vazão máxima diária para captação será de 500m³/h (0,139m³/s), operando 24h/dia, 30 dias por mês, durante 360 (trezentos e sessenta) dias do ano, perfazendo um volume máximo anual de 4.320.000,00m³. A Portaria N. 105, de 12 de agosto de 2008, da SEMA, outorgou à TEREZINHA STRAPASSON FOCKIN o direito de uso dos Recursos Hídricos, para dois pontos de captação de água no Rio das Mortes, e um terceiro ponto no Reservatório da PCH Primavera localizado no Rio das Mortes, com a finalidade de irrigação de culturas de feijão, milho, soja, trigo e pastagem pelo sistema de irrigação por aspersão móvel com equipamento tipo pivô central na Fazenda Cabeceira da Ferradura, zona rural do município de Primavera do Leste/MT. De acordo com esta Portaria, o ponto de captação 01 poderá ter vazão máxima de captação de 522m3/h (145 l/s); o ponto 02 de 522m3/h (145 l/s) e o ponto 03 de 774m3/h (215 l/s) todos, variando mensalmente, conforme tabelas anexadas à Portaria. Em 12 de agosto de 2008, foi publicada a Portaria N. 104, que em seu art. 1º declara reservada, na seção do Rio Santana, às coordenadas, informadas no Projeto Básico Consolidado da Pequena Central Hidroelétrica PCH Santana I, as vazões naturais afluentes, subtraídas: das vazões destinadas ao atendimento de usos consuntivos a montante; e das destinadas a vazão remanescente entre o barramento e o canal de fuga. As vazões reservadas têm a finalidade de garantir a disponibilidade hídrica necessária à viabilidade do aproveitamento hidrelétrico Santana I, Municípios de Nortelândia e Diamantino/MT. 4. A Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos A Lei 9.433/1997 - introduziu a cobrança pelo uso da água no Brasil como um instrumento de gestão e como um instrumento econômico a ser aplicado tanto para os usos quantitativos, quanto para os usos qualitativos. Os princípios da cobrança pelo uso da água são fundamentados nos conceitos de “usuário pagador” e do “poluidor pagador”, adotados com o objetivo de combater o desperdício e a poluição das águas, de forma com que quem desperdiça e polui paga mais. O art. 13 da Lei Estadual 6.945/97 refere-se à cobrança pelo uso da água como um instrumento gerencial que tem por objetivos: conferir racionalidade econômica ao uso da água, dando ao usuário uma indicação de seu real valor; disciplinar a localização dos usuários, buscando a conservação dos recursos hídricos de acordo com sua classe de uso preponderante; incentivar a melhoria dos níveis de qualidade dos efluentes lançados nos mananciais e promover a melhoria do gerenciamento das áreas onde foram arrecadados os recursos. No Estado de Mato Grosso, até o presente momento não há cobrança pelo uso dos recursos hídricos. Para que ocorra a implementação de cobrança, é crucial que os demais instrumentos, cadastro de usuários, sistema de informações, outorga e enquadramento, estejam implantados e em funcionamento. Comitê de Bacia Hidrográfica O art. 17 da Lei N. 6.945/1997, indica os componentes do Sistema de Gerenciamento: o Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CEHIDRO; os Comitês Estaduais de Bacias Hidrográficas; o Órgão Coordenador Gestor, no caso a Superintendência de Recursos Hídricos/SEMA. Apreciados pelas Leis Federal e Estadual, os Comitês de Bacia Hidrográfica, são uma nova realidade institucional brasileira, permitindo a participação dos usuários, da sociedade civil organizada e de representantes de governos municipais, estaduais e federal, para discutir a problemática referente aos recursos hídricos e a busca de soluções. São órgãos parlamentares, vinculados ao Poder Público, e subordinados aos respectivos Conselhos de Recursos Hídricos, portanto a instância mais importante de participação e integração do planejamento e gestão da água. A Lei 9.433/97 determina que a área de atuação dos comitês seja a bacia hidrográfica, podendo abranger sua totalidade, sub-bacia de tributário ou grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contínuas. Há de ressaltar que como órgãos, os comitês não possuem personalidade jurídica, contudo sua atuação decorre de lei, haja vista que devido à sua natureza de ente integrante da Administração (órgãos de Estado) e seu funcionamento. No Estado de Mato Grosso, a PERH não concedeu aos comitês de bacia hidrográfica competências deliberativas. Para reverter essa situação, o CEHIDRO, através da Resolução N. 04, de 31/05/06, instituiu normas e critérios para o estabelecimento dos Comitês de Recursos Hídricos no Estado do Mato Grosso. Conforme o MMA /SRH (2007) a referida resolução menciona as competências deliberativas para os comitês. No entanto, essas competências deveriam ter sido objeto de alteração da Política Estadual, visto que o regulamento da lei não pode alterá-la. Mas, juridicamente esta situação permanece, pois as novas competências podem ser questionadas em face do princípio da legalidade, citado no art. 37, “caput”, da Constituição Federal. Portanto, como órgãos de Estado, os comitês estão subordinados às regras estabelecidas na Constituição para a Administração Pública. Verifica-se então, que os comitês, são órgãos de estudos que uma instância de decisão, visto que suas decisões serão sempre submetidas ao CEHIDRO. Todavia, há de considerar se um projeto de lei para alterar a atual Política Estadual de Recursos Hídricos não diminuiria o fortalecimento institucional da SEMA e de sua Superintendência de Recursos Hídricos, podendo esta ação ser deixada para um momento posterior, haja vista que a criação de comitês deve ocorrer quando há vontade local, ou existência de conflitos pelo uso da água. Da implementação do instrumento de cobrança pelo uso da água no Estado de Mato Grosso seria o momento propício para a retomada do papel dos comitês de bacia. Pois ao se estabelecer os valores pelo uso, os usuários em questão manifestam sua vontade de criação de comitê de bacia, situações observadas em bacias hidrográficas onde a cobrança já foi instituída. Neste momento cria-se um ambiente favorável à gestão participativa e descentralizada, devido à negociação e articulação entre Poder Público, usuários e sociedade civil organizada. Assim, na evolução da implantação da Política Estadual dos Recursos Hídricos de Mato Grosso, a revisão da Lei nº 6.945/97 será propícia. As competências dos comitês são: promover os estudos e a discussão dos planos que poderão ser executados na área da bacia, oferecendo-os como sugestão a Secretaria Estadual do Meio Ambiente; promover ações de entendimento, cooperação, fiscalização e eventual conciliação entre usuários competidores pelo uso da água da bacia; propor à SEMA ações imediatas quando ocorrerem, situações críticas; elaborar seu regimento interno e submetê-lo a aprovação do CEHIDRO; articular-se com comitês de bacias próximas para solução de problemas relativos a águas subterrâneas de formações hidrogeológicas comuns a essas bacias; contribuir com sugestões e alternativas para a aplicação da parcela regional dos recursos arrecadados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos na região hidrográfica; sugerir critérios de utilização da água e contribuir na definição dos objetivos de qualidade pare os corpos de água da região hidrográfica; examinar o relatório técnico anual sobre a situação dos recursos hídricos na região hidrográfica e exercer as atribuições que lhes forem delegadas pela SEMA. De acordo com Gerente de Fomento e Apoio a Comitê de Bacia Hidrográfica – GFAC- a Superintendência de Recursos Hídricos de Mato Grosso recebeu, no ano de 2008, 10 pedidos de criação de comitês de bacia hidrográfica (Tabela 9), que estão sendo analisados para a viabilidade de instituição. Tabela 9: Municípios de Demanda para instituição de Comitê de Bacia Hidrográfica em Mato Grosso. Município de Demanda Bacia e Sub-bacia Hidrográficas Barra do Garças Rio Garças Campo Verde Nascente do Rio das Mortes Campos de Julio Rio Juína e Formiga Cuiabá Rio Coxipó Cuiabá Rio Cuiabá D. Aquino e Rondonópolis Rio São Lourenço Juína Rio Perdido Marcelândia Rio Manissaua-Miçu (Manito) Sorriso Rio Ten. Lira / Celeste Tangará da Serra Rio Sepotuba Fonte: Gerência de Fomento e Apoio a Comitê de Bacia Hidrográfica, a Superintendência de Recursos Hídricos de Mato Grosso (2008). Comitê das Sub-Bacias Hidrográficas dos Ribeirões do Sapé e Várzea Grande – COVAPÉ Criado pelo Decreto N. 009/2004 do CEHIDRO, o Comitê das Sub-Bacias Hidrográficas dos Ribeirões do Sapé e Várzea Grande – COVAPÉ, é o único comitê instituído no Estado de Mato Grosso. Estes corpos d’água são afluentes da sub-bacia do Rio das Mortes, por sua vez componente da Bacia Hidrográfica Araguaia / Tocantins. O COVAPÉ localiza-se em Primavera do Leste, local onde existem 120 pivôs instalados, e que o uso excessivo e indiscriminado da água por irrigantes, levou à escassez do recurso e à necessidade de negociação entre os usuários, para viabilizar suas atividades. A área total irrigada, no Alto Rio das Mortes é de 7.129,47ha e o volume de água utilizado nesta atividade é de 201.427,40 m3/dia. O COVAPÉ tem a função de gerenciar o uso das águas para que seja feito de forma racional, de acordo com a lei, preservando os cursos d´água. A atenção é voltada principalmente para o meio rural, visando ao ordenamento da agricultura irrigada. Vale ressaltar que os instrumentos de gestão de recursos hídricos são fortemente interdependentes e complementares (Figura 3) e a implementação dos mesmos requer, antes de mais nada, organização social e isto depende de participação e aceitação efetiva de todos os atores envolvidos, além de capacitação técnica, política e institucional. Sistema Estadual de Informações Cadastro de Usuários Monitoramento Quali-quantitativo Plano de Bacia FEHIDRO Comitê de Bacia Política Estadual de Recursos Hídricos – PERH Lei Estadual N. 6.945 Outorga Enquadramento Cobrança Investimentos na bacia Planos de Intervenções Qualidade Diretrizes Recursos Prioridades Figura 3: Interdependência complementar dos instrumentos de gestão de recursos hídricos. 3. O ESTADO DE MATO GROSSO Localização e Aspectos Físicos Localizado na região Centro-Oeste brasileira (Figura 4), o Estado de Mato Grosso é considerado a terceira unidade federativa em extensão territorial com extensão de 903.357.908km2, distribuídos em 141 unidades administrativas e 51 áreas indígenas inseridas em importantes bacias hidrográficas nacionais. Figura 4: O Estado de Mato Grosso: Divisão Política. De acordo com a Figura 5, o Estado abriga três ecossistemas distintos: a Floresta Amazônica com 52%, Cerrado Brasileiro com 41% e pantanal com 7% (MATO GROSSO, 2006). Figura 5: O Estado de Mato Grosso: Vegetação. Conforme a classificação de Köppen, o clima tropical de Mato Grosso é do tipo equatorial e tropical. A temperatura média anual ultrapassa os 26ºC e ocorrem fortes amplitudes térmicas diárias e pequenas variações térmicas médias anuais. Estas características estão associadas a um período seco (maio a setembro) e outro chuvoso (outubro a abril) (AMORIM, 2001). O índice pluviométrico anual varia entre 2500mm a 1000mm, sendo que ocorre diminuição deste índice de norte para noroeste, em direção ao sul e sudoeste e a porção norte do estado concentra os maiores totais pluviométricos (até 2500mm), enquanto a diminuição é gradual em direção ao Pantanal, caindo para até 1000mm. Na estreita faixa ao longo do rio Araguaia, as precipitações aumentam de sul para norte, de 1300mm para 1700mm (MMA/SRH, 2007). A cobertura vegetal do Estado, na sua maioria, 47%, é coberta de Florestas Ombrófilas e Florestas Estacionais, com presença de dosséis superiores a 40 metros de altura, presentes ao norte do Estado. As áreas de cerrado representam 39%, e localizam-se na porção sul centro – sul do Estado e no Pantanal a cobertura vegetal predominante é do tipo cerrado, alternando áreas de campos abertos, com árvores dispersas. Podem ser encontradas, de forma esporádica, manchas de vegetação arbórea densa, porém, a cobertura de gramínea é reinante (MATO GROSSO, 2001). O Estado possui altitudes modestas, apresentando grandes superfícies aplainadas, talhadas em rochas sedimentares. Esse relevo é composto de três unidades distintas: o planalto mato-grossense, o planalto arenítico-basáltico,e uma pequena parte do Pantanal Mato- Grossense, baixada da porção centro-ocidental (MATO GROSSO, 2001). Recursos Hídricos O Estado de Mato Grosso incorpora as nascentes de três importantes bacias hidrográficas: Amazônica, Alto Paraguai e Tocantins – Araguaia, com 19,6 % , 65,7 % e 14,7%, respectivamente, de sua extensão, inserida no território matogrossense (Figura 6) e é o estado brasileiro que apresenta o maior valor de escoamento de águas por ano, totalizando um volume de 522km³/ano, demonstrando, assim, o seu elevado potencial hídrico (MMA/SRH, 2007). Figura 6: Regiões Hidrográficas das Bacias: Amazônica, Tocantins-Araguaia e Paraguai, no Estado de Mato Grosso. O CEHIDRO, através da Resolução n. 005, de 18/08/2006, instituiu a Divisão Hidrográfica Estadual para subsidiar a implementação do Plano Estadual de Recursos Hídricos- PERH. Sendo assim, foram criadas 27 Unidades de Planejamento e Gerenciamento (UPG) (Figura 7), implantadas em três regiões hidrográficas nacionais (I - Amazônica; II - Paraguai e III - Tocantins-Araguaia) e em cinco macrobacias de contexto regional (I - Rio Aripuanã; II - Rio Juruena -Teles Pires; III- Rio Xingu; IV - Alto Rio Paraguai e V - Rio Araguaia). Estas macrobacias foram subdivididas em Unidades de Planejamento e Gestão – UPG (Tabela 10), e esta divisão não acompanhou um rigoroso critério geográfico e hidrológico, já que também foram respeitados outros critérios como distâncias entre sede de municípios e afinidades regionais. Isso apresenta dificuldades para obtenção da disponibilidade hídrica, visto que não há como separar UPG’s que têm como limite um mesmo rio, como acontece com o Xingu. O Pantanal que possui extensa área de 65.160 km2 não foi subdividido em bacias menores, devido à sua complexidade de drenagem, ao constituir-se de rios, corixos e vazantes. (MMA/SRH, 2007). Figura 7: Divisão Hidrográfica de Mato Grosso: A) em UPGs e B) em Macrobacias. A B Tabela 10: Divisão Hidrográfica do Estado de Mato Grosso. I. REGIÃO HIDROGRÁFICA NACIONAL DO RIO AMAZÔNAS – UPG* I- Região Hidrográfica Regional do Rio Aripuanã Rio Guaporé Rio Aripuanã Rio Roosevelt A-5 A-2 A-1 II – Região Hidrográfica do Rio Juruena – Teles Pires Alto Rio Juruena Rio Sangue Rio Arinos Baixo Rio Juruena Alto Rio Teles Pires Médio Rio Teles Pires Baixo Rio Teles Pires A-14 A-13 A-12 A-3 A-11 A-5 A-4 III – Região Hidrográfica do Rio Xingú Alto Rio Xingu Rio Ronuro Rio Suiã –Miçu Rio Manissauá-Miçu Médio Rio Xingu A-9 A-10 A-8 A-6 A-7 II - REGIÃO HIDROGRÁFICA DO PARAGUAI – UPG* IV - Região Hidrográfica do Alto Rio Paraguai Alto Paraguai Superior Alto Paraguai Médio Rio Jaurú Rio São Lourenço Rio Correntes –Taquari Alto Rio Cuiabá Rio Paraguai Pantanal P-3 P-2 P-1 P-5 P-6 P-4 P-7 III - REGIÃO HIDROGRÁFICA DO TOCANTINS – ARAGUAIA – UPG* V - Região Hidrográfica do Rio Araguaia Alto Rio Araguaia Médio Rio Araguaia Baixo Rio Araguaia: Alto Rio dasMortes Baixo Rio das Mortes TA-3 TA-2 TA-1 TA-4 TA-5 * UPG – Unidade de Planejamento e Gerenciamento; Bacia Hidrográfica Amazônica – A; Bacia Hidrográfica do Paraguai – P; Bacia Hidrográfica do Tocantins-Araguaia – TA. Fonte: Resolução n. 005 – CEHIDRO-MT (2006). Aspectos Populacionais, Demanda de Água e Saneamento De acordo com o IBGE (2005) a população do Estado é de 2.856.999 habitantes que possuem uma grande diferença sócio-econômica-cultural e a densidade populacional é de 2,6 habitantes por Km2. Conforme a Tabela 11, o Estado, a partir da década de 1970, apresentou um crescimento populacional, resultado do fluxo migratório incentivado pelas políticas de ocupação da região Amazônica, cujos “projetos de colonização foram implantados via urbanização” (MATO GROSSO, 2004). Contudo, tal crescimento do Estado não foi homogêneo, visto que no norte a densidade demográfica é de 1,8 hab/km² e em áreas urbanas, como Cuiabá e Várzea Grande, este valor sobe para 154,19 hab/km² e 242,20 hab/km² respectivamente. (IBGE, 2008). O crescimento populacional do Estado provocou o aumento das demandas de água, principalmente para abastecimento urbano, industrial e irrigação. Do total de água consumido pela população urbana do Estado, cerca de 320.000m3/dia, 79.000 m3/dia (25%) e 48.000m3/dia (15%) são de captação superficial e subterrânea, respectivamente. Os resultados obtidos por MATO GROSSO/SEPLAN (2006) relatam que 42.000m3/dia (13%) são utilizados sem que haja uma especificação de captação e 154.000m3/dia (47%) são consumidos de forma não controlada. Cuiabá, capital do Estado, seguiu o mesmo ritmo de desenvolvimento de Mato Grosso, o que pode ser observado pela Tabela 12 Tabela 11: Evolução da população recenseada no Brasil, na região Centro-Oeste e no Estado de Mato Grosso, no período de 1950 a 2006 – taxa média geométrica anual. Período Brasil (%) Centro-Oeste(%) Mato Grosso(%) 1950-1960 3,04 5,45 4,19 1960-1970 2,89 5,60 6,51 1970-1980 2,48 4,05 6,62 1980-1991 1,93 2,04 5,38 1991-1996 1,36 2,18 1,97 1996-2000 1,97 2,60 2,87 2000-2003 1,37 1,91 1,92 2003-2006 1,83 2,51 2,52 Fonte: IBGE – Censos de 1950 a 2006. Tabela 12: Evolução do número de ligações da rede de água, por setores, de Cuiabá/MT, no período de 2000 a 2005. Categoria 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Residencial 108.524 111.120 118.527 113.220 115.416 121.22 3 Comercial 8.201 8.340 8.675 7.427 7.735 8.262 Industrial 1.038 885 837 566 100 176 Poder Público 691 744 1.014 645 621 674 Ligações Cadastradas 118.454 121.089 129.053 121.858 123.872 130.33 5 Volume Produzido de Água (m3) 64.303.135 63.202.374 66.514.074 72.838.582 80.621.251 72.898 .585 Fonte: IPDU (2007). De acordo com MMA/SRH (2007) o esgotamento sanitário do Estado, mesmo registrando um moderado aumento no atendimento domiciliar, é precário em relação à média nacional e ao tamanho de seu contingente populacional (Figura 8), visto que apenas 59,5% da população estadual conta com serviços de saneamento básico, sendo que 17% dos domicílios é ligado à rede coletora e 42,3% fazem uso de fossa séptica, o que pode acarretar em contaminação do lençol freático. Em relação à diluição de esgotos e de efluentes do Estado, o levantamento realizado por MATO GROSSO/SEPLAN (2006) mostrou que somente 16 cidades (Tabela 13) possuem estação de tratamento de esgotos e que, por enquanto, atendem parcialmente a população, acarretando assim, em lançamento de esgotos “in natura” nos corpos hídricos superficiais do Estado. Tal procedimento deve ser considerado na gestão de recursos hídricos, visto que pode acarretar em transmissão de doenças de veiculação hídrica. No resto do Estado, predomina o uso de sistemas de fossas, que podem comprometer a qualidade das águas subterrâneas, visto que estas são, normalmente, construídas sem as técnicas adequadas. 0 20 40 60 80 100 120 Centro- Oeste Mato Grosso Mato Grosso do Sul Góias Distrito Federal BrasilPe rc en tu al d e do m ic íli os co m e sg ot am en to s an itá rio Esgotamento Sanitário: rede coletora e fossa séptica 1997 2003 Figura 8: Esgotamento Sanitário ligado à rede coletora e fossa séptica, no Brasil, na região Centro-Oeste, em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. Tabela 13: Municípios matogrossenses que possuem estação de tratamento de esgotos. Bacia Hidrográfica: Amazônica Macrobacia UPG Município Manissauá-Miçú A-6 Cláudia Alto Teles Pires A-11 Lucas do Rio Verde e Paranatinga Guaporé A-15 Pontes e Lacerda Bacia Hidrográfica: Tocantins- Araguaia Alto Araguaia TA-3 Barra do Garças e Ribeirãozinho Alto Rio das Mortes TA-4 Primavera do Leste e Nova Xavantina Bacia Hidrográfica: Paraguai Jauru P-1 Mirassol d’Oeste, Porto Espiridião e São José dos Quatro Marcos. Alto Paraguai Médio P-2 Tangará da Serra Alto Paraguai Superior P-3 Barra do Bugres Alto Rio Cuibá P-4 Várzea Grande e Cuiabá São Lourenço P-5 Rondonópolis Fonte: MATO GROSSO/SEPLAN (2006). Conforme o exposto anteriormente, o crescimento demográfico de Mato Grosso está em ritmo acelerado e desordenado, o que leva as conseqüências desastrosas para os recursos hídricos do Estado. Diante desta situação, um grande desafio para o Estado é a melhoria do padrão da qualidade de vida de seus cidadãos. Assim, o Estado tem como prioridade levar água tratada para toda a área urbana e para evitar um colapso de uma pressão de consumo, além da melhoria do saneamento básico. Avanços tecnológicos, estão contribuindo para o aprimoramento dos mecanismos de controle e de gestão de recursos hídricos, para garantir a disponibilidade de água, permitindo assim, moderação no processo da deterioração do recurso (MMA/SRH, 2007). Aspectos Econômicos Conforme a Figura 9a, o arcabouço produtivo de Mato Grosso apresenta forte concentração no agronegócio, especialmente na grande produção de grãos e de carne, superando em três vezes (14%) a média nacional (3,8). O setor industrial e o setor de serviço tiveram crescimento superior à média nacional, três vezes e meio e duas vezes e meio respectivamente e o PIB per capita do Estado, em 2004, foi de 97,6% do PIB per capita brasileiro (IBGE, 2008). A Figura 9b evidencia as principais culturas mato-grossenses que tiveram uma taxa de crescimento elevada, no período de 1990 a 2004. De acordo com MMA/SRH (2007) as áreas destas culturas são caracterizadas por agricultura moderna e de intenso uso de insumos, associadas ao processo de urbanização e situadas próximas a importantes mananciais hídricos, com elevada antropização, a citar os ribeirões Sapé e Várzea Grande. Conforme MATO GROSSO/SEPLAN (2006) as maiores áreas plantadas, no Estado, estão localizadas nas UPGs: Alto Teles Pires, Alto Juruena, Baixo Juruena, Arinos, Alto Xingu, Alto Rio das Mortes, São Lourenço e Taquari. Taxa de Crescim ento das principais culturas de Mato Grosso 27% 14% 12%12% 35% Algodão Soja Milho Arroz Cana-de-Açúcar Figura 9: a) Crescimento econômico do Brasil, Centro-Oeste e Mato Grosso, no período de 1985-2003. b) Taxa de crescimento das principais culturas de Mato Grosso, no período de 1990 a 2004. De acordo com MATO GROSSO/SEPLAN (2006) a fruticultura no Estado, também se apresenta em ascensão, saltando de 65 para 120 mil toneladas de frutas em 2004, sendo que 11.000ha foram utilizados para plantação de banana, 1200ha de abacaxi e 4000ha paras as plantações de coco, laranja e melancia. No Estado de Mato Grosso, a plantação de cana-de-açúcar está vinculada à atividade sucro-alcooleira e à localização das indústrias de álcool. As UPGs que se destacam neste tipo de produção são as do Alto Paraguai, Alto Teles Pires, São Lourenço, Alto Juína e Arinos (Figura 10). A produção de cana no Estado saiu de 4,9 milhões de toneladas, na safra de 1994/95 para 14,3 milhões detoneladas, na safra de 2003/2004, apresentando, assim, um taxa anual de crescimento de 12,6% ao ano MATO GROSSO/SEPLAN (2006). Há de ressaltar que a atividade canavieira, a produção de açúcar e de álcool, entram em conflito com os recursos hídricos, visto que tais atividades degradam a qualidade das águas, principalmente do Pantanal, com os agrotóxicos e efluentes que penetram nos rios e no lençol freático (MMA/SRH,2007). B Serviços 23% 30% 47% Brasil Centro-Oeste Mato Grosso Agropécuária 15% 29%56% c Indústria 15% 31% 54% A Figura 10: Atividade sucro-alcooleira: produção de álcool. No Estado de Mato Grosso a área irrigada, atualmente, é de 36.073,01hectares, sendo que a cultura de feijão destaca-se com 13.181ha, o algodão com 8.743ha, e a soja com 6.800ha. Na região das UPGs do Alto Teles Pires, Alto Rio das Mortes, Juruena, São Lourenço, Araguaia e Alto Xingu localizam-se as maiores áreas irrigadas, (Figura 11) sendo que a demanda de água para a irrigação é da ordem de 1.019.163,50m3/dia (MMA/SRH, 2007). A Figura 12 ilustra a demanda potencial de água para alguns tipos de cultura cultivados no Estado. Figura 11: Áreas irrigadas de Mato Grosso. Demanda de água de algumas lavouras irrigadas para o Estado de Mato Grosso (Hm3) 26.435.950,05 11.290.169,28 76.452,08 6.381.744,45 172.346.055,06 Soja Milho Algodão Cana-de-açúcar Arroz Figura 12: Demanda potencial de água por cultura cultivada no Estado de Mato Grosso. Fonte: MMA/SRH (2007). No Alto Rio das Mortes, principalmente no município de Primavera do Leste, a irrigação excessiva provocou uma carência do recurso água, provocando conflitos entre os irrigantes, promovendo assim, a criação do primeiro comitê de bacia hidrográfica do Estado de Mato Grosso. A exploração madeireira, no Estado, é cada vez mais crescente, acompanhando a abertura de novas áreas vinculadas à colonização/assentamentos ou a grandes empreendimentos pecuários, nas regiões florestais do extremo norte do Estado, no ambiente de transição para a Floresta Amazônica. Em 2000, dos 52% da área do Estado, constituída de floresta amazônica, 15% era explorada comercialmente e o Estado possuía 15.000ha para reflorestamento de essências para serrarias e laminações (mogno, pinho, cuiabano e teca) e 15.000ha de eucalipto para fins energéticos (IBGE, 2000). Na mesma época, os empreendimentos vinculados à exploração florestal, à madeireiras, à produção de esquadrias e casas pré-fabricadas,de laminados e compensados, de móveis de madeiras, comércio atacadista e varejista voltados para a referida cadeia produtiva, alcançavam o número de aproximadamente 1,7 mil estabelecimentos. Destaca-se aqui, que a retirada ou substituição da vegetação original implica em sensíveis consequências para as bacias hidrográficas, acarretando em mudanças no regime pluvial e fluvial, podendo levar à escassez do recurso água. A atividade pecuária de Mato Grosso também se expandiu, contando, em 2004, com 420,9 mil de eqüinos, asininos e muares; 426,9 mil ovinos e caprinos e 25,9 milhões de bovinos. O rebanho bovino encontra-se distribuído, principalmente na região do Paraguai – Pantanal, região de Guaporé, Médio Teles Pires, Baixo Teles Pires, Guaporé, Alto Teles Pires, Alto Juruena, Jaurú, Alto-Médio-Baixo Paraguai, São Lourenço, Alto Xingu, entre outras Por outro lado, os principais frigoríficos e abatedouros de bovinos situam-se nas UPGs de São Lourenço, Alto Cuiabá, Alto Teles Pires, Médio Teles Pires, Jaurú e Juruena, indicando assim, uma pressão territorial sobre as cabeceiras dos principais rios das bacias pantaneira, amazônica e do Rio das Mortes (MMA/SRH,2007). Recentemente, aves e suínos passaram a constituírem-se elementos da cadeia produtiva de Mato Grosso, porém com deficiências na produção primária de insumo, a indústria de insumo (ração e produtos veterinários), e a indústria de máquinas e equipamentos. O Estado registra a presença de 603 aviários, quatro empresas de abate, com uma média anula expressiva (MATO GROSSO/SEPLAN, 2006), que podem contribuir no volume de efluentes lançados nos corpos hídricos da região onde se inserem. A piscicultura é potencial no Estado, contando com produção primária de piraputanga, tambacu, matrinxã, pacu, pintado e tambaqui, com a indústria de farinha e o processamento de pescado, com o comércio do produto (com vísceras ou sem vísceras). De acordo com o MATO GROSSO (2005), o Estado conta com 549 piscicultores, 1939 viveiros e a abrangência de uma área equivalente a 755,4 mil hectares. A produção industrial cresceu, em 2003, a uma taxa de 11%, participando assim, de forma efetiva, no Valor Adicionado Bruto de 19%. Os segmentos que mais se destacam são aqueles ligados à agroindústria: a indústria química (21%), alimentícia (16 %), madeireira (12%) e bebidas (12%), todos fazendo pressão aos recursos hídricos, e consequentemente, implicando em pedidos de outorga. Nota-se também, entre 1985 e 2003, forte crescimento das indústrias de transformação e de energia (MATO GROSSO, 2006) Mato Grosso apresenta um enorme potencial hidrelétrico (aproximadamente 17.220mW) viabilizado pelas suas bacias hidrográficas. De 1995 a 2005 houve um acréscimo apreciável no número de consumidores de Mato Grosso, da ordem de 74,8% (passa de 446,6 mil para 780,4 mil), aumento que se torna mais relevante nas categorias rural (334,2% passando de 14,7 mil consumidores para 63,8 mil) e industrial (incremento de 125,2%, passando de 5,5 mil para 12,3 mil, sugerindo assim, um bom indicador de mercado e o dinamismo crescente do setor industrial (CEMAT, 2005). A instalação de uma Pequena Central – PCH acarreta em prejuízo para o meio, e consequentemente para o corpo hídrico ao qual é instalada. Todo esse intenso crescimento econômico e populacional gerou diversas demandas a serem superadas. Dentre elas, pelo grau de importância e urgência, cabe destacar a de infra- estrutura viária para suportar a logística das novas exigências produtivas e a de abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo que se associam diretamente à qualidade de vida. Como principais riscos, relacionados à questão de gestão dos recursos hídricos, podem ser destacados: o aumento do conflito pelo uso da água; o aumento da contaminação dos mananciais e a redução da qualidade e da oferta de água em algumas regiões. Logo a necessidade de adequação institucional e legal para funcionalidade dos instrumentos de gestão de recursos hídricos no Estado, torna-se necessária. Usos dos Recursos Hídricos 1. Águas Superficiais Segundo o Zoneamento Sócio-Econômico-Ecológico- ZEE (MATO GROSSO, 2000), foram obtidas para as grandes bacias do Estado vazões específicas médias de 7 a 26 l/s/km2 para os contribuintes do rio Madeira (como o Guaporé). Para os rios Juruena e Teles Pires (formadores do rio Tapajós) de 22 a 27 l/s/km2; bacia do Xingu de 20 a 22 l/s/km2; Araguaia de 11 a 20 l/s/km2 e para a bacia do Alto-Paraguai valores de 2,4 a 34 l/s/km2. De acordo com o Diagnóstico Analítico do Pantanal e Bacia do Alto Paraguai (ANA, 2003), as vazões específicas médias (l/s/km2) encontradas foram: para o Alto Paraguai: 12,7 l/s/km2; Alto Cuiabá: 15,4 l/s/ km2;Baixo Cuiabá: < 0,5 l/s/ km2; Alto São Lourenço:13,8 l/s/ km2; Itiquira /Correntes: 13,8 l/s/ km2; Taquari: < 0,5 l/s/ km2. Os valores consolidados de vazão específica média e mínima para o Estado de Mato Grosso (Tabela 14 e Figura 13), foram obtidos por MMA/SRH (2007) que encontrou limitações de cálculo devido às poucas séries históricas completas disponíveis, apesar dos esforços da ANA. Tabela 14: Valores consolidados de vazão específica média e mínima para o Estado de Mato Grosso. I - Bacia Amazônica Sub-bacia Q7,10 (m3/s) Qméd (m3/s) I-1: Guaporé-Madeira 1,34 7,64 I-2: Juruena - - I-3: Teles Pires Alto 4,14 28,14 Médio 9,07 24,39 Baixo 7,47 23,13 I-4:Xingu - - II - Bacia Tocantins/Araguaia Sub-bacia Q7,10 (m3/s) Qméd (m3/s) Alto Araguaia 2,98 17,86 Médio Araguaia 2,07 14,42 Alto Rio das Mortes 7,62 19,46 Médio Rio das Mortes 6,61 19,08 Baixo Rio das Mortes 3,85 15,60 III - Bacia Platina Sub-bacia Q7,10 (m3/s) Qméd (m3/s) III-1: Paraguai Alto 3,47 15,20 Médio 4,07 14,07 Baixo 2,96 11,00 III-2: Cuiabá (baixo) 2,42 13,46 III-3: São Lourenço (alto) 4,05 15,20 III-4: Itiquira Médio 4,45 15,00 Alto 4,67 19,94 Fonte: Adaptado de MMA/SRH (2007). Figura 13: Vazão anual dos recursos hídricos de Mato Grosso. Estes resultados demonstram que a disponibilidade hídrica, medida pela vazão média específica, acompanha as condições climáticas, notadamente a altura pluviométrica média anual. A disponibilidade se reduz do norte para o sul e, ao mesmo tempo, de oeste para leste, evidenciando mais uma vez a importância da vegetação amazônica para a manutenção da riqueza hídrica. 1.A. Uso com Derivação Os usos, com derivação, dos recursos hídricos superficiais de Mato Grosso são atribuídos ao abastecimento urbano, industrial, irrigação e rural, incluindo a dessedentação. De acordo com MMA/SRH (2007) a demanda urbana recomendada de oferta per capita é de 200 l/hab/dia, incluídos uso e perdas no sistema de abastecimento de água e a demanda rural é de 95 l/hab/dia. Para cidades menores, com relevo menos acidentado e menor variação de pressão efetiva, a oferta per capita é de 130 l/hab/dia e para locais sem micromedição ou baixo controle, a demanda urbana ultrapassa os 250 l/hab/dia. Em seus estudos o MMA/SRH (2007) adotou o valor de 200 l/hab/dia com fins de calcular a demanda potencial por UPG. A Tabela 15 informa a demanda do Estado para o abastecimento público, e a Tabela 16 a forma de captação por UPG, ressaltando que em algumas UPGs não há informação sobre a forma de captação e demanda de água. Tabela 15: Demanda para o abastecimento público para o Estado de Mato Grosso. População Urbana (hab) População Rural (hab) Demanda Urbana Anual (Hm3/ano) Demanda Rural Anual (Hm3/ano) Demanda Superficial (m3/ano) Demanda Subterrânea (m3/ano) Demanda sem Informação (Hm3/ano) 2.525.986 818.492 184,40 28,38 78.867 4799,04 41818,80 Fonte: Adaptado MMA/SRH (2007). Tabela 16: Forma de Captação e Demanda por UPG, no Estado de Mato Grosso. UPG Forma de Captação Demanda de água (m3/dia) A-2 Superficial 4834,2 A-4 Superficial 1515 A-5 Superficial 12849,6 A-6 Subterrânea 15717 A-6 Superficial 1,2 A-11 Subterrânea 4300,2 A-12 Superficial 1468,2 A-12 Sem Informação 2697,6 A-14 Subterrânea 1286,4 A-14 Superficial 0,6 A-15 Superficial 2146,2 TA-1 Superficial 1254,6 TA-3 Superficial 764,4 TA-4 Superficial 4164,6 TA-5 Superficial 525,6 P-1 Subterrânea 525 P-1 Sem informação 1137 P-2 Sem informação 651,6 P-2 Superficial 16344 P-3 Sem informação 1242 P-3 Subterrânea 2250 P-3 Superficial - P-4 Sem informação 33875,4 P-4 Subterrânea - P-4 Superficial 24360 P-5 Sem informação - P-5 Subterrânea 576 P-5 Superficial - P-6 Sem informação 2215,2 P-6 Subterrânea - P-6 Superficial 2160 Fonte: MMA/SRH (2007). De acordo com MATO GROSSO (2006) o abastecimento industrial do Estado pode ser dividido em dois grupos: a agroindústria e os demais tipos industriais. Neste último há de destacar os dois maiores laticínios e curtumes instalados em Mato Grosso. Os laticínios são: Lacbom, em Araputanga, com uma demanda de água de 650m3/dia e sistema de tratamento através de lagoas de estabilização (primário, secundário e terciário); Comajul, em Juscimeira, com uma demanda de água de 300m3/dia e sistema de tratamento igual ao do Lacbom. Os curtumes são: Viposa, em Várzea Grande, com uma demanda de água de 3000m3/dia ; Curtume Santo Antonio, em Barra do Garças, com uma demanda de água de 4000m3/dia e Curtuara, em Araputanga, com uma demanda de água de 2400m3/dia . O abastecimento industrial das agroindústrias pode ser subdividido em abatedouros e sucro-alcooleiro, representado na Figura 14. Demanda de água por abatedouros e indústria sulcro- alcooleira no Estado de Mato Grosso ( Hm3/ano) 35,84 9,91 1,912,60,77 Aves Bovinos Suínos Produção de açúcar Produção de álcool Figura 14: Demanda de água pelas atividades agroindustriais mais representativas de Mato Grosso. Fonte: Mato Grosso em Números (2006). Os indicativos da quantidade necessária de água, por unidade de produto, para as atividades industriais mais representativas do Estado são os seguintes: a) frigoríficos e abatedouros: de bovinos: 1500 litros por rês; de suínos: 300 litros por animal e de aves: 20 litros por ave; b) curtume: 30m³ por tonelada de couro; c) laticínio: 5m³/m³ de leite processado e usina de açúcar e álcool: consumo de 5m³/tonelada de açúcar produzida e 5m³/m³ de álcool (MATO GROSSO, 2006). O objetivo do abastecimento rural é atender às necessidades humanas, de animais e de irrigação de hortas e pequenas plantações, com fins de subsistência na área rural. Não há a estimativa do volume captado de água para atender este uso que na realidade é uma combinação do sanitário, dessedentação animal e irrigação de pequenas áreas. De acordo com ANA (2005) quanto às necessidades humanas na área rural, é adotado um consumo per capita igual a 95 l/hab/dia. Para o Estado mato-grossense a demanda de água, para o abastecimento rural é de 28,38 Hm3/ano. O uso para dessedentação de animais é utilizado com o intuito de suprir animais quanto às suas necessidades fisiológicas. A Tabela 17 ilustra a demanda de água para a criação extensiva no Estado de Mato Grosso. Tabela 17: Consumo de água por criação extensiva. Demanda por água (m3/dia) Aves Eqüinos, Asininos e Muares Ovinos e Caprinos Bovinos e Bubalinos Suínos 7.132,60 18.780,95 1.940,4 1.308.629 15255,03 Fonte: MMA /SRH(2007). De acordo com a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República- SEAP, Mato Grosso é o maior produtor da região Centro-Oeste, produzindo 16.902 toneladas da aqüicultura em água doce (que inclui a criação de rãs, algas, peixes, etc) e 5.825 toneladas continental extrativista. No ranking nacional o Estado ocupa o quinto lugar perdendo apenas para os estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Ceará (MATO GROSSO, 2006). Para estimular o crescimento da aqüicultura no Estado e promover o desenvolvimento ordenado e sustentável da aqüicultura mato-grossense, tanto para os pequenos, quanto para os grandes produtores. foi sancionada a Lei N. 8.501/06. Conforme esta lei, são contempladas todas as questões inerentes à atividade, como apoio para pesquisa e extensão, financiamento, regulamentações das Secretarias de Estados competentes, como de Desenvolvimento Rural e de Meio Ambiente e obrigações gerais. A Lei N. 8.501/06 cria o Programa de Incentivo à Aqüicultura – Propeixe, o Programa de Incentivo à Industrialização do Pescado, Propeixe-indústria, e o Fundo de Apoio a Aqüicultura de Mato Grosso, Faaq-MT. O Propeixe tem o objetivo de estimular, apoiar e expandir a aqüicultura para alimentação humana, dentro dos mais altos padrões de qualidade e sustentabilidade técnica, econômica, social e ambiental. O Propeixe-indústria visa à agregação de valor ao pescado mato-grossense, dentro dos padrões de sustentabilidade, competitividade e modernização tecnológica, e também atender às crescentes exigências dos consumidores nacionais e internacionais. O Propeixe será vinculado à Secretaria de Agricultura e o Propeixe- indústria à Secretaria de Indústria Comércio e Mineração. Ambos contemplarão, exclusivamente, a aqüicultura em cativeiro e a industrialização do pescado produzido em cativeiro. 1. B. Uso sem Derivação e Uso Especial Os usos, sem derivação e não-consuntivos, dos recursos de hídricos de Mato Grosso, assim como em grande parte doterritório nacional, são aqueles usos destinados à energia ou potencial de geração de energia, suporte e via transporte, meio de lazer ou capacidade de diluição. Os Usos Especiais são aqueles que não se enquadram na classificação pelo critério da derivação e nem pela consuntividade, considerando apenas o aspecto quantitativo. Em tais usos enquadra-se: a diluição de esgotos e efluentes. 2. Águas Subterrâneas As águas subterrâneas mato-grossenses são de fundamental importância no desenvolvimento socioeconômico do Estado de Mato Grosso, pois são utilizadas praticamente para o consumo humano (94,7%) principalmente pelas concessionárias responsáveis pelo abastecimento de água dos municípios (MMA/SRH, 2008). A área do Estado de Mato Grosso está localizada em três províncias hidrogeológicas, representadas por segmentos das Províncias Escudo Central, Centro-Oeste e Paraná, sendo dividida em dois Domínios Aqüíferos: o Domínio Poroso e Domínio Fraturado, subdivididos em treze sistemas aqüíferos, sendo seis Sistemas Aqüíferos Granulares e sete Sistemas Aqüíferos Fraturados (MMA/SRH, 2007). No Estado, os sistemas freáticos possuem uma área de recarga de 139.563,5km2 (15,6%) acarretando regularização das vazões dos cursos de drenagens superficiais. Conforme a Tabela 18 existem, em todo o Estado, 5.142 poços tubulares registrados e de acordo com MMA/SRH (2007 ) e das vinte e sete Unidades de Planejamento e Gerenciamento (UPG), a UPG P-4 (Alto Rio Cuiabá), em função da ocupação urbana que constitui a Região Metropolitana de Cuiabá, é a que apresenta a maior concentração de poços tubulares profundos captando o Aqüífero Cuiabá. A demanda de 1,091 m3/s obtida para esta UPG, corresponde a 31,9% da demanda total de 3,421 m3/s, enquanto que as UPGs TA-2 e A-1 apresentam as menores demandas, respectivamente 0,007 m3/s e 0,009 m3/s e a estimativa para uma reserva permanente, no Estado, é de 7.889,676 x 109 m3, enquanto que as reservas reguladoras são de 284,980 x 109m3/ano. Tabela 18: Poços Tubulares cadastrados do Estado de Mato Grosso. Banco de Dados SEPLAN SEMA FUNASA CPRM* Total de poços cadastrados 1416 2215 286 1225 Com indicação de uso 605 - 286 612 Vazão média(m3/h) 1286 519 227 713 * SIAGAS (CPRM) – Sistema de Informações de Águas Subterrâneas. Fonte: Adaptado de MMA/SRH (2007). Segundo MMA/SRH (2007), para que o escoamento dos rios não seja utilizado pela explotação dos poços garantindo uma disponibilidade hídrica superficial em períodos de seca, as reservas explotáveis de 71,245 x 106m3/ano ou 2.259,17m3/s representam 25% das reservas reguladoras. Tal valor pode aumentar, ao considerar que as águas subterrâneas participam efetivamente do meio ambiente, onde as superfícies potenciométricas provavelmente oscilam sazonalmente, podendo ser influenciada pelas variações climáticas regionais, indução de recarga por inversão de gradiente hidráulico e/ou recarga artificial. Os usos das águas subterrâneas do Estado estão relacionados com consumo humano, comercial e industrial, contudo o uso de poços em granjas, chácaras e fazendas também é de grande escala. O uso para a dessedentação animal e irrigação praticamente não existem. Os usuários são aqueles referentes ao abastecimento público, industrial, comercial e residencial, conforme a Tabela 19. Há de ressaltar que os maiores problemas referentes à gestão das águas subterrâneas no Estado, encontram-se no controle e preservação relacionados aos processos de poluição, má construção e operação dos sistemas de captação, controle e fiscalização da construção de poços tubulares. Observa-se ainda que há uma alta vulnerabilidade das águas subterrâneas e contaminação pelo sistema de disposição in situ de efluentes domésticos. Tabela 19: Demanda subterrânea para abastecimento humano, de rebanhos e industrial. Abastecimento Industrial m3/tonelada de Abastecimento para cada 2.546.965 habitantes (m3/s) Abastecimento de Rebanho para cada 47.616.486 animais (m3/s) Têxtil 1000 3,421 15,514 Curtume 55 Celulose 350 Papel 250 Saboaria 2 Usinas Açucareiras 75 Fábricas de Conserva 20 Laticínios (Produto) 2 Cervejaria 20 Lavanderia 10 Matadouro (por animal abatido) 3 TOTAL 1787 3,421 15,514 Fonte: Adaptado de Mato Grosso (2005). O Estudo Hidrogeológico para o Estado de Mato Grosso (MMA/SRH, 2007) determinou, através de sobreposições das áreas das UPGs e a estimativa das disponibilidades específicas, as taxas de disponibilidades hídricas subterrâneas (l/s.km2) para cada UPG do Estado (Figura 15). Figura 14: Demanda de água pelas atividades agroindustriais mais representativas de Mato Grosso. Qualidade dos Recursos Hídricos 1. Águas Superficiais Dentre as principais atividades econômicas do Estado, a agropecuária é aquela que mais se destaca. Com o advento dos biocombustíveis, a cana-de-açúcar tende a ocupar grandes áreas do Estado. Para suprir as indústrias de abate, cresce a suinocultura e a avicultura e desta forma, estas atividades geram grandes quantidades de nutrientes minerais que podem induzir a eutrofização das águas e alterar suas características. Além do que, matas ciliares estão sendo substituídas por monoculturas, intercaladas pela pecuária extensiva, que causa o pisoteamento do solo, agregando suas partículas, dificultando a infiltração da precipitação, logo interferindo no ciclo hidrológico local. Todos estes fatores intercalados afetam a qualidade da água, principalmente aquela utilizada para o abastecimento público (MATO GROSSO, 2006). Os garimpos de ouro também provocam a desestruturação física dos rios assoreando os canais; as alterações físico-químicas nas águas; formam lagoas com água contaminada que propiciam a acumulação de mercúrio no ambiente. Em Mato Grosso, esta atividade é restrita a locais específicos ao norte do Estado, nas cidades de Aripuanã e Juruena. Todavia, devido à sua alta atividade no passado ocasionou a contaminação dos recursos hídricos, principalmente nas UPGs A-5 e A-4, do Médio e Baixo Teles Pires, e na região de Poconé , na UPG-P-7- Paraguai- Pantanal (Figura 16). Figura 16: Áreas contaminadas pelo garimpo. Outro fator que altera a qualidade da água dos recursos hídricos de Mato Grosso é o lançamento de efluentes in natura nos corpos d’água. Ressalta-se, pelo exposto anteriormente que no Estado, existe uma deficiência nos serviços de coleta, afastamento e tratamento de efluentes sanitários. A disposição dos resíduos sólidos, é mais um fator que pode afetar a qualidade da água superficial e subterrânea. A média da população urbana do Estado que é atendida pelos serviços de coleta de resíduos sólidos, é da ordem de 89,6%. Porém do total de 1.662t/dia geradas, 1.315t/dia são dispostas em lixões ou simplesmente não são coletadas (MARQUES, 2002). A Tabela 20 apresenta os municípios que mais produzem resíduos sólidos, lançando-os de forma inadequada em lixões percolando o chorume para as águas subterrâneas, contaminando-as. Tabela 20: Municípios do Estado de Mato Grosso que mais produzem resíduos sólidos. Municípios Lixo Produzindo (toneladas/dia) Lucas do Rio Verde, Sinop, Colíder, Peixoto de Azevedo e Alta Floresta 280 Primavera do Leste, Jaciara e Rondonópolis 235 Cuiabá e Várzea Grande 234 Cáceres, Mirassol, Pontes e Lacerda 174 Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis, Barra dos Bugres e Diamantino 164 Alto Araguaia, Barra dos Garças, Água Boa, São Félix do Araguaia e Confresa 131 Juara, Juína e Aripuanã 96 Fonte: MARQUES (2002). Índice de Qualidade de Água – IQA Uma gestão adequada da água deve ser objeto de um plano que aprecie os múltiplos usos desse recurso, desenvolvendo e aperfeiçoando as técnicas de utilização, tratamento e recuperação de mananciais. Neste sentido foram criados os indicadores de qualidade de águas, querevelam de forma objetiva, para autoridades e público, a influência que as atividades ligadas aos processos de desenvolvimento provocam na dinâmica ambiental dos ecossistemas aquáticos, sendo assim, um bom instrumento de gestão. O IQA (Índice de Qualidade da Água) é o parâmetro mais empregado como indicador de qualidade de água, por ser um facilitador na interpretação geral, indicando o grau de contaminação das águas devido aos materiais orgânicos, fecais, nutrientes e sólidos, que normalmente são causados pelos despejos domésticos. O IQA foi desenvolvido por pesquisa de opinião junto a vários profissionais da área ambiental, baseados em critérios técnicos, sendo calculado pelo produtório ponderado de qualidades da água correspondentes a nove parâmetros conforme a expressão 1: n wi NSF ii=1 IQA = π q (1) Em que: IQA: índice de qualidade da água, um número de 0 a 100; qi: qualidade do parâmetro i obtido através da curva média específica de qualidade; wi: peso atribuído ao parâmetro, em função de sua importância na qualidade, entre 0 e 1. A SEMA/MT utiliza a seguinte classificação para os valores de IQA: 0 A 25: muito ruim, cor preto; 26 a 50: ruim, cor laranja; 51 a 70: aceitável, cor amarelo; 71 a 90: bom, cor verde; 91 a 100: ótimo, cor azul. Estudos elaborados por MATO GROSSO (2006) obtiveram resultados para a qualidade da água dos recursos hídricos de Mato Grosso. O Monitoramento da Qualidade da Água no Estado de Mato Grosso, desempenhado pela Superintendência de Recursos Hídricos teve como objetivo: avaliar a evolução da qualidade das águas superficiais e subterrâneas das principais sub-bacias do estado, realizar levantamento de dados sobre o estado atual dos recursos hídricos, para assim estar desenvolvendo políticas adequadas de gestão do uso da água, identificar trechos de rios onde possa haver um comprometimento da qualidade da água, para fomentar a realização de ações preventivas e políticas de proteção dos recursos hídricos. O monitoramento foi realizado em duas das três regiões hidrográficas do Estado região hidrográfica do Paraguai e a região hidrográfica Tocantins-Araguaia. As sub-bacias monitoradas, que possuem estações de coleta de amostras na região hidrográfica do Paraguai são: Rio Cuiabá, Rio Paraguai e Rio São Lourenço e as sub-bacias monitoradas da região hidrográfica do Tocantins-Araguaia são: Rio das Mortes e Rio das Garças. No total foram monitoradas 41 estações de coleta de água superficial e 11 de água subterrânea, das quais a sub-bacia do Rio Cuiabá possui o maior número de estações (12). Foram realizadas coletas nos meses de maio, julho, setembro e novembro de 2006, a fim de observar as variações que ocorrem ao longo do ano na qualidade da água, em função não só das atividades antrópicas, como também das variações climáticas.Analisaram-se 23 parâmetros (físicos, químicos e bacteriológicos) que foram utilizados, posteriormente, para determinar o Índice de Qualidade de Água – IQA. Os valores encontrados para os parâmetros avaliados, no geral, revelaram que há predominância da categoria BOM do IQA e em algumas UPGs a qualidade está na categoria ÓTIMA. No entanto, o estudo revela que o IQA tende a decair para a classificação MÉDIA nas proximidades das áreas urbanas devido ao esgotamento sanitário sem tratamento, como é o caso da UPG P3 Alto Paraguai Superior, UPG P4 Alto Rio Cuiabá e UPG P5 São Lourenço (Figura 17). Figura 17: IQA dos Recursos Hídricos de Mato Grosso. Fonte: MMA/SRH (2007). Ressalta-se que o estudo referenciado acima, foi baseado em consultas às informações na Rede Hidrometeorológica Nacional (ANA), na Rede de Monitoramento, da SEMA, nos trabalhos conduzidos pelo Zoneamento-Econômico-Ecológico, e pelo Programa Brasil das Águas, tomando como referência a Resolução CONAMA 357/05. Em relação aos parâmetros físico-químicos cada UPG apresentou resultados específicos relacionados à atividade econômica, densidade demográfica e aspectos físicos de cada UPG. Há de ressaltar que os índices de coliformes totais e fecais registrados em toda a rede de monitoramento da maioria das UPGs permaneceram dentro dos padrões exigidos para águas de classe 2, em função da capacidade de diluição e depuração das águas, o que resultou em ótimas condições de balneabilidade. Também foi evidenciada a capacidade de autodepuração dos corpos d’ água, principalmente do Rio Cuiabá, cuja qualidade da água melhora gradativamente com o afastamento da capital e proximidade do Pantanal. Com relação ao teor de oxigênio dissolvido, em praticamente todas as estações foram encontrados níveis satisfatórios. 2. Águas Subterrâneas Em Mato Grosso, a água subterrânea de lençóis freáticos é direcionada ao abastecimento doméstico, captada por poços rasos, sem , na maioria dos casos, tratamento adequado antes do uso, e a utilização da água de poços profundos é mais significativa e pontual. Existem vários fatores que podem contaminar as águas subterrâneas como a profundidade, a natureza da substância contaminante, a textura e saturação hídrica do solo,compostos químicos de fácil solubilidade em água, como inseticidas e herbicidas e compostos nitrogenados, derivados da decomposição de adubos, esterco ou esgotos domésticos. Tais fatores são de caráter difuso, visto que podem ocorrer por toda a superfície e de menor controle. No entanto, a contaminação por fontes pontuais, como as indústrias e os esgotos das cidades, pode ser mais bem controlada. Mato Grosso é um estado que não possui uma rede de monitoramento de qualidade de suas águas subterrâneas. Contudo MATO GROSSO (2000) realizou análises em poços artesianos profundos (Tabela 21) localizados em algumas UPGs com a finalidade de conduzir os resultados ao Zoneamento Ecológico Econômico- ZEE. Tabela 21: Análise da qualidade da água subterrânea das Regiões Hidrográficas de Mato Grosso. Bacia UPG PM* Parâmetros pH Cor Pt/L Con* µS/cm Tur* NTU Du mg/L Fe* mg/L Coliformes NMP/100 mL I- Amazônica: A I-1-2: A. Guaporé A-15 2 7,30 a 8,10 MO 49 a 85 5,0 e 6,0 MO 0,3* Não detectado I-2-2: B. Juruena A-3 1 6,28 82,0* 43 VN Alta 0,415* Não detectado I-3: Teles Pires I-3-1: Alto A-11 4 5,2 a 7,7 15 3 a 59 VN VN VN Não detectado I-3-2: Médio A-5 1 6,59 VN 34,23 VN VN VN Detectado I-3-3: Baixo A-4 1 5,7 VN 86,92 VN VN VN VN II – Tocantins-Araguaia:TA II-2: B. R. Mortes TA5 1 5,84 VN 42 VN VN VN Detectada II-3: A. Araguaia TA3 1 5,72 VN 54 VN VN VN Detectada II-4: M. Araguaia TA2 1 7,01 NR NR VN VN 0,729 * Detectada II-5: B. Araguaia TA1 2 6,95 a 7,51 VN 97 e 198 VN VN 0,164 a 0,249* 10 a 20 III– Paraguai: P III-1-1: Superior P-3 1 7,0 VN* 48 VN VN VN 21 a 25 III-1-3: Jauru P-1 2 7,74 a 8,19 VN* 88 e 98 VN VN VN Detectada III-2-1: Alto P-4 2 5,4 a 7 VN 310 e 482 7,0 VN VN 53 e 60 III-2-2: Pantanal P-7 2 6,33 a 8,0 VN 20,7 e 29,1 VN VN VN Detectada III-3:São Lourenço P-5 1 6,52 VN 88 e 98 VN VN 0,705 Não foi realizada análise *PM- Pontos Monitorados; Con- Condutividade; Tur - Turbidez; Fe - Ferro; MO – Moderado; VN – Valor Normal; NR – Nada Registrado; Valor acima da legislação vigente. Fonte: MATO GROSSO-ZEE (2000). Alguns parâmetros não foram apresentados na Tabela 21, como cálcio e magnésio, típicos da região, que devem ser responsáveis pela alta dureza apresentada na UPG A-3. Pelos altos valores das concentrações de coliformes totais e fecais, as UPGs P-3, P-4, P-7,TA-2 revelaram indíciosde contaminação por esgotos domésticos e sanitários. O monitoramento da qualidade da água superficial e subterrânea e seus respectivos resultados são de vital importância, visto que viabilizam informações relevantes acerca dos recursos hídricos de Mato Grosso, contribuindo assim, de forma significativa, de subsídios às ações de gestão ambiental e de recursos hídricos, pois tais resultados auxiliam na implantação e implementação dos instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos. Tanto que em 13 de março de 2008 o CEHIDRO baixou a Resolução N. 16 que instituiu a Rede Hidrológica Básica no Estado de Mato Grosso. Tal Rede é constituída de um Sistema de Informação Hidrológica que consiste no monitoramento sistemático,contínuo e na divulgação de parâmetros qualitativos e quantitativos de estações de monitoramento localizadas em pontos representativos das principais sub-bacias do Estado. Classificação das UPGs em Níveis de Criticidade Para uma efetiva gestão de recursos hídricos torna-se necessário saber as principais áreas de conflito ou criticidade a serem gerenciadas. Neste sentido, MMA/SRH (2007) utilizou de pontuações para determinar os níveis de criticidade dos recursos hídricos do Estado (Figura 18), atribuindo pontos de 1 a 5, conforme os dados analisados e da situação observada em cada UPG. Figura 18: Níveis de criticidade dos recursos hídricos de Mato Grosso. Fonte: MMA/SRH(2007). Para situação muito desfavorável ou crítica, em relação a determinado parâmetro (relacionados à quantidade, qualidade, fator poluente, proteção do recurso, etc, ) foi atribuído o valor cinco, em situação oposta atribui-se o valor de um ponto. De acordo com o somatório das variáveis mais relevantes, este indicou que, quanto maior o seu valor, maior o potencial de ocorrência de problemas com os recursos hídricos nas UPGs (Tabela 22). Tabela 22: UPGs de maior criticidade em relação aos recursos hídricos de Mato Grosso. PONTOS UPG 73,5 P1 – Jaurú 72,5 P5 - São Lourenço 66,0 P3 - Alto Paraguai Superior 63,5 P4 - Alto Rio Cuiabá 62,5 P6 - Correntes – Taquari 62,0 TA4 - Alto Rio das Mortes Fonte: MMA /SRH (2007). Para a consolidação do Plano Estadual dos Recursos Hídricos de Mato Grosso, foram elaborados alguns cenários para Mato Grosso que identificaram cinco grandes incertezas críticas, que são: a competitividade das commodities, a expansão da agricultura irrigada, a dinâmica da infra-estrutura-econômica (transporte e energia), o desenvolvimento, uso e apropriação de tecnologias que incidem sobre os recursos hídricos, a ampliação do manejo agropecuário, o alcance do saneamento básico e a capacidade de implementação das políticas ambientais (MMA/SRH, 2007). Tais cenários abordam o Desenvolvimento Sustentável, o Dinamismo Excludente e a Estagnação Econômica e Degradação Ambiental (Tabela 23). Tabela 23: Cenários para os recursos hídricos de Mato Grosso, de acordo com a estrutura econômica. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL CENÁRIO 01 Desenvolvimento sustentável + competitividade das commodities forte e concentrada + média expansão da agricultura irrigada + Infra-estrutura fortemente concentrada em alguns territórios + Tecnologias que incidem sobre RH muito disseminada em todas as atividades + Práticas eficientes e muito disseminadas de manejo agropecuário + Saneamento básico em direção à universalização e com participação privada + Políticas ambientais eficientes e participação. CENÁRIO 02 Desenvolvimento sustentável + competitividade das commodities forte e distribuída em diversos produtos + agricultura irrigada em forte expansão + infra-estrutura econômica fortemente disseminada em todo o território + Tecnologia disseminada em algumas cadeias produtivas + Práticas de manejo eficientes e muito disseminadas + Saneamento em média expansão com pouco capital privado + Políticas ambientais eficientes com alguma Participação. DINAMISMO EXCLUDENTE CENÁRIO 03 Modernização dinâmica + Competitividade das commodities forte e concentrada em poucos produtos + Agricultura irrigada em média expansão + Infra fortemente concentrada em alguns territórios + Tecnologia medianamente disseminada em algumas cadeias + Práticas de manejo disseminadas em poucos setores + Saneamento em média expansão com pouco capital privado + Políticas ambientais pouco eficientes com alguma participação. CENÁRIO 04 Modernização dinâmica + Competitividade das commodities forte e concentrada em poucos produtos + Agricultura irrigada em forte expansão + Infra fortemente concentrada em alguns territórios + Tecnologia muito disseminada em algumas cadeias = Praticas de manejo disseminadas em poucos setores + Saneamento com média expansão e pouco capital privado + Políticas ambientais pouco eficientes e sem participação. ESTAGNAÇÃO ECONÔMICA E DEGRADAÇÃO AMBIENTAL CENÁRIO 05 Crescimento conservador + Competitividade das commodities pequena e concentrada em alguns poucos setores + pouca expansão da agricultura irrigada + Infra estrutura medianamente disseminada + Tecnologias pouco disseminadas + Pratica de manejo pouco disseminadas e com grande degradação + Saneamento com pouca expansão e pouca participação do capital privado + Políticas ambientais pouco eficientes e pouca participação. CENÁRIO 06 Crescimento conservador + competitividade das commodities média e concentrada em poucos produtos + Pouca expansão da agricultura irrigada + Infra medianamente disseminada + Tecnologias pouco disseminadas + Práticas pouco disseminadas com grande degradação + Saneamento com média expansão e sem participação do capital privado + Políticas ambientais pouco eficientes. Fonte: MMA/SRH (2007). No mesmo relatório, foram obtidos 7 cenários regionais para Mato Grosso (Figura 19), em que cada região denota a sua particularidade, contudo para o cenário Desenvolvimento Sustentável, todas apresentam elementos em comum tais como: o grau e natureza da implementação de instrumentos e sistema de gestão de recursos hídricos e ambientais, consolida-se em todo o Estado; a descentralização do sistema; a instalação de Comitês nas bacias críticas em termos de disputas pelo uso da água; o fortalecimento do CEHIDRO, acompanhado por políticas especificas para a região, com ampliação da conscientização e participação social; novas formas regionais para a implementação dos instrumentos de gestão de Recursos Hídricos, associados ao ZEE e a implementação da outorga se integra ao licenciamento ambiental (MMA/SRH, 2008). Baixada Cuiabana-Pantanal: polarização da capital, pecuária extensiva. Planícies pantaneiras e seu entorno. Concentração industrial na área urbana de Cuiabá e Várzea Grande. Controle do Estado, entorno do Xingú: áreas sujeitas a um maior controle do Estado em função das Terras Indígenas do Xingu, com tendência de intensificar as atividades agropecuárias Médio-Norte: área de agricultura em área de cerrado nos chapadões. Norte-Noroeste: floresta amazônica com exploração madeireira e pecuária extensiva. Primavera-Barra do Garças: agricultura tecnificada, pecuária extensiva (em menor expressão que nas outras áreas de estudo). Rondonópolis: Rondonópolis como centro polarizador, agricultura tecnificada, agroindústrias. Vale do Araguaia: Pouca expressão econômica, com expectativa da introdução de agricultura tecnificada nas terras altas localizadas nos divisores das bacias Xingú e Araguaia. Figura 19: Regiões cenarizadas do Estado de Mato Grosso. Fonte: MMA/SRH (2007). Assim, de acordo com MMA/SRH (2007), na abordagem do cenário Desenvolvimento Sustentável tem-se: 1. Baixada Cuiabana-Pantanal: os conflitos entre centros urbanos lançadores de efluentes e pequenos irrigantes, são bem geridos, e em parte dirimidos, em torno das grandes cidades, em face da eficácia das políticas ambientais que incidem no território. Com conflitos apenas moderados, sobressaem aqueles relacionadosao abastecimento urbano decorrente da contaminação pela falta de saneamento, embora em claro declínio, cujos reflexos ao ecossistema pantaneiro são avaliados, sistematicamente, por meio de eficazes programas de monitoramento e pesquisa, com uma crescente atuação de Comitês de Bacia na solução desses conflitos. 2. Controle do Estado, entorno do Xingú: Não se registram grandes conflitos na região em torno dos recursos hídricos graças à abundância de água e a sua boa qualidade, assim como, graças à adoção de programas de proteção de nascente, com exceção da região de Suiá-Miçu (UPG A8), onde ocorre a ocupação das áreas de pecuária extensiva desenvolvida com baixa tecnologia e sobre pastagens degradas, para agricultura voltada à produção de grãos e fibras, em função da competitividade do setor. 3. Médio-Norte: poucos conflitos na região em torno dos recursos hídricos graças à abundância de água e a sua boa qualidade e à adoção de programas de proteção de nascente, com exceção da UPG A-8, onde ocorre a ocupação das áreas de pecuária extensiva desenvolvida com baixa tecnologia e sobre pastagens degradas, para agricultura voltada à produção de grãos e fibras, em função da competitividade do setor. 4. Norte-Noroeste: poucos conflitos em torno dos recursos hídricos, superficiais e subterrâneos, graças à boa quantidade e qualidade da água, associadas também à diversificação produtiva e à incorporação de mão-de-obra previamente desocupada, que abre mão de atividades predatórias contra a natureza como reação à exclusão social. 5. Primavera-Barra do Garças: poucos conflitos na região em torno dos recursos hídricos graças à boa gestão, à disseminação de novas tecnologias e às mudanças no padrão técnico-produtivo, que se expressam, sobretudo, no Alto Rio das Mortes (TA4). A redução de conflitos associa-se, também, à diversificação produtiva e à incorporação de mão de obra previamente desocupada, que abre mão de atividades predatórias contra a natureza como reação à exclusão social. 6. Rondonópolis: os conflitos entre centros urbanos lançadores de efluentes e grandes irrigantes são, dirimidos em torno das grandes cidades em face da maior diversificação produtiva e à eficácia das políticas ambientais que incidem no território. Embora poucos, sobressaem os conflitos relacionados ao abastecimento urbano decorrente da contaminação dos cursos de água pela falta de saneamento, que são dirimidos pela ação dos Comitês, e cuja ação nociva é reduzida pelas medidas de saúde pública tomadas para evitar a disseminação de doenças de veiculação hídrica. 7. Vale do Araguaia: reduzem-se, gradativamente, os conflitos em torno dos recursos hídricos graças à boa quantidade e qualidade da água, à atuação dos Comitês, à diversificação produtiva e à incorporação de mão de obra previamente desocupada, que abre mão de atividades predatórias contra a natureza. Para o cenário Dinamismo Excludente, conforme MMA/SRH (2007) os recursos hídricos enfrentariam: 1. Baixada Cuiabana-Pantanal: evolução de tensões em conflitos entre centros urbanos, lançadores de efluentes, e grandes irrigantes no entorno das grandes cidades e entre os setores de geração de energia e de saneamento, principalmente a respeito da qualidade das águas nos reservatórios, o abastecimento de água por fontes superficiais se reduz em áreas rurais, em função da redução da qualidade e da disponibilidade desses mananciais, ocorrendo uma maior procura por fontes subterrâneas. 2. Controle do Estado, entorno do Xingú: conflitos sociais em áreas de assentamento. Em terras indígenas e unidades de conservação ocorre pouca expansão e instalam- se fortes conflitos contra grandes empresas agrícolas e garimpeiros.É o caso de Manissauá-Miçu (A-6) e Ronuro (A-10), com forte degradação de nascentes, avanço da soja em direção à reserva 3. Médio-Norte: conflitos acerca dos recursos hídricos com situações de escassez, sobretudo, entre grandes irrigantes, irrigantes e abastecimento público, agravado pela atividade pecuária. Ausência de programas de conservação de solos e de proteção de nascentes propiciando aumento no transporte de sólidos e de insumos agrícolas aos cursos d’água, em especial na bacia do rio Arinos, cujos efeitos tendem a se propagar a jusante na região do Norte e Noroeste. 4. Norte-Noroeste: conflitos entre geração de energia e pressões, localizadas, pela manutenção dos ecossistemas aquáticos. Cidades polarizadoras, como Sinop e Alta Floresta, enfrentam problemas devido ao aumento da demanda e da escassez de saneamento. 5. Primavera-Barra do Garças: conflitos sociais, nas áreas de agricultura familiar, pequena expansão na demarcação das terras indígenas e unidades de conservação, com intensificação de conflitos com agricultores. O mais forte conflito, contudo, se dá em relação à instalação da hidrovia na Bacia do Araguaia, colocando de frente o turismo e o setor exportador. 6. Rondonópolis: cenário propício aos conflitos: a) entre centros urbanos, lançadores de efluentes, e grandes irrigantes; b) entre os setores de geração de energia e de saneamento, notadamente a respeito da qualidade das águas nos reservatórios; c) entre agricultores irrigantes e o setor hidrelétrico, em torno da competição pelos recursos hídricos. Com isso o abastecimento de água por fontes superficiais, em áreas rurais e pequenos núcleos urbanos, torna-se restrito por conta da redução da qualidade e quantidade dos RH, aumentando a pressão pelo uso de fontes subterrâneas. 7. Vale do Araguaia: conflitos sociais, nas áreas de agricultura familiar. Os cenários mais críticos, segundo MMA/SRH (2007) são aqueles preconizados pela Estagnação Econômica e Degradação Ambiental, conforme a seguir: 1. Baixada Cuiabana-Pantanal: forte demanda nos grandes centros, porém pouco críticos devido à grande oferta de mananciais superficiais e subterrâneos. Contudo, ocorre restrição nos mananciais de boa qualidade, aumentando a pressão pela água subterrânea. Cargas difusas decorrem da degradação dos solos e do desmatamento da vegetação ciliar. No entanto, ocorre forte redução na qualidade da água superficial e subterrânea pela contaminação por esgotos domésticos não tratados, sobretudo em Cuiabá e Várzea Grande. Também ocorre localmente degradação por esgotos industriais não tratados em Cuiabá e Várzea Grande, Araputanga e Quatro Marcos. Redução da vazão disponível de poços nas áreas mais populosas, agravando conflitos para o abastecimento. 2. Controle do Estado, entorno do Xingú: não ocorre a implementação dos instrumentos e sistemas de gestão de Recursos Hídricos - RH e ambientais graças em parte a ausência de pressão da sociedade organizada, deterioração da qualidade das águas que drenam as reservas indígenas devido à falta de proteção nas nascentes. Pela falta de saneamento, ocorre a contaminação da água nos córregos que atravessam as áreas urbanas, por vezes agravada pela atividade de garimpo. 3. Médio-Norte: inadequada implantação de instrumentos de gestão de RH e ambientais, pela falta de saneamento local, ocorre contaminação da água nas áreas urbanas, agravada, também localmente, pela atividade de garimpo. Os conflitos hídricos se manifestam apenas localmente e do ponto de vista qualitativo. 4. Norte-Noroeste: inadequada implantação de instrumentos de gestão de RH e ambientais, localmente, pela falta de saneamento, ocorre contaminação da água nos córregos que atravessam as áreas urbanas, agravada, pela atividade de garimpo. A retirada da mata ciliar, generalizada em toda a região, contribui ainda para o aporte de sólidos aos recursos hídricos e a deterioração do ecossistema aquático. Os conflitos hídricos se manifestam apenas localmente e do ponto de vista qualitativo. 5. Primavera-Barra do Garças: gestão ambiental enfraquecida e a menor pressão da sociedade civil podem favorecer o licenciamento, mantendo o cenário indefinido. Com exceção de Primavera doLeste e Barra do Garças, não há pólo urbano consolidado em toda a bacia, logo não ocorre o aumento da demanda por abastecimento, a não ser em pequena escala, a qualidade da água é comprometida apenas nos centros urbanos devido à falta de saneamento e o aporte de sólidos nas zonas rurais é devido aos focos de erosão e ao desmatamento generalizado da vegetação ciliar. A abundância de água restringe o alcance de novos conflitos, limitados pela indefinição em torno das hidrovias. 6. Rondonópolis: inadequada implantação de instrumentos de gestão de RH e ambientais, resultando em fortes impactos nos rios das maiores cidades e no processo de favelização, assoreamento nos rios pela destruição das matas ciliares e uso do solo sem adoção de práticas voltadas ao controle da erosão hídrica, principalmente na UPG de São Lourenço (P5). Restrição nos mananciais de boa qualidade, o que aumenta a pressão pela água subterrânea. 7. Vale do Araguaia: ao longo da bacia ocorrem atividades pontuais de pesca voltadas ao turismo, sem maior qualificação e volume de investimento. A mineração não se expande, embora continue a exploração de ferro pela Companhia Vale do Rio Doce em Vila Rica, no Baixo Araguaia (T-A 1), gerando impactos aos recursos hídricos. Localmente, pela falta de saneamento, ocorre a contaminação das águas e pressões pela construção de hidrovias colocam em questão o uso múltiplo da água, sobressaindo conflitos pelo uso e pela posse de terras em terras indígenas e unidades de conservação localizadas no Baixo Araguaia (T- A 1). Cenários de Demanda e Disponibilidade dos Recursos Hídricos de Mato Grosso Em relação à disponibilidade de água, a conservação deste recurso, pode se dar pelo aperfeiçoamento dos mecanismos de controle e gestão de recursos hídricos. Isto permite a moderação no processo da deterioração do recurso, e evita o colapso que decorreria de uma excessiva pressão do consumo (MMA/SRH, 2008). As diferentes intensidades destes processos devem definir a situação de demanda e oferta de água no futuro e, portanto, os riscos de escassez global. No cenário atual, Mato Grosso apresenta-se como um Estado rico e exportador de recursos hídricos, porém com problemas que podem gerar conflitos num futuro próximo. Assim, de acordo com MMA/SRH (2008) são previstos, para o Estado, três cenários para a demanda e disponibilidade dos recursos hídricos até 2027 (Tabela 24). A análise destes cenários poderá servir de subsídios à implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos. Tabela 24: Cenários para a demanda e disponibilidade dos recursos hídricos de Mato Grosso. CENÁRIO POSITIVO CENÁRIO A – DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Grande demanda causada pelo aumento do consumo humano, abastecimentos urbano e rural; consumo na Agropecuária: irrigação e dessedentação animal; e pelo consumo Industrial, mas combinado com preservação e eficiência na utilização dos recursos, garantindo a sustentabilidade do desenvolvimento e a disponibilidade dos recursos com baixo impacto ambiental e água em abundância. CENÁRIO INTERMEDIÁRIO Cenário intermediário entre o A e C, contudo com crescimento médio e com parcial integração entre desenvolvimento sustentável e econômico, apesar dos esforços em recuperar o meio, não consegue sustentação devido ao avanço da degradação ambiental. CENÁRIO B - DINAMISMO EXCLUDENTE Média demanda causada pelo moderado aumento populacional e como conseqüências os outros usos da água, porém com moderada escassez e comprometimento dos recursos naturais com vistas à recuperação das matas de galeria e cabeceiras dos córregos; médio comprometimento da água em qualidade e quantidade. Parcial comprometimento dos recursos naturais e da degradação ambiental. Combinação de intensa expansão da atividade econômica, da irrigação com manutenção da atual ineficiência do uso e baixa eficácia da gestão dos recursos hídricos que provoca grave escassez de água, peso da irrigação no consumo de água e a desigual distribuição dos recursos hídricos entre regiões, comprometendo a água. Demanda moderada, crescimento populacional irregular: grandes vazios com áreas com grandes concentrações populacionais, onde a atividade econômica se dá de forma mais intensa sem comprometimento de preservação, com escassez de recursos naturais e água com baixa conservação e racionalidade no uso. Forte degradação ambiental. Fonte: MMA/SRH (2008). A seguir será dada ênfase a cada um dos cenários propostos por MMA/SRH (2008). CENÁRIO A: DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL 1. Baixada Cuiabana-Pantanal: conflitos entre centros urbanos lançadores de efluentes e pequenos irrigantes, são bem geridos, frente à eficácia das políticas ambientais que incidem no território. Conflitos moderados, relacionados ao abastecimento urbano decorrente da contaminação pela falta de saneamento, crescente atuação de Comitês de Bacia na solução desses conflitos. 2. Controle do Estado, entorno do Xingú: pequenos conflitos graças à abundância de água e a sua boa qualidade e à adoção de programas de proteção de nascente, com exceção da região de Suiá-Miçu (UPG A-8), onde ocorre a ocupação das áreas de pecuária extensiva desenvolvida com baixa tecnologia e sobre pastagens degradas, para agricultura voltada à produção de grãos e fibras. 3. Médio-Norte: implementação descentralizada do sistema de gestão dos recursos hídricos, aumenta a eficiência e atuação dos Comitês de Bacias, fortalecimento do CEHIDRO acompanhado por políticas específicas para a região, com ampliação da conscientização e participação social. 4. Norte-Noroeste: práticas de conservação do solo nas cabeceiras dos rios das UPGs do Médio Norte garantem que águas afluentes dos principais contribuintes mantenham qualidade e quantidade satisfatórias. Boa quantidade e qualidade da água, associadas também à diversificação produtiva e à incorporação de mão-de-obra previamente desocupada, que abre mão de atividades predatórias contra a natureza como reação à exclusão social. 5. Primavera-Barra do Garças: poucos conflitos graças à boa gestão, à disseminação de novas tecnologias e às mudanças no padrão técnico-produtivo, que se expressam, sobretudo, no Alto Rio das Mortes (T-A4). 6. Rondonópolis: conflitos entre centros urbanos lançadores de efluentes e grandes irrigantes são dirimidos face à eficácia das políticas ambientais. Embora poucos, sobressaem os conflitos relacionados ao abastecimento urbano decorrente da contaminação dos cursos de água pela falta de saneamento, que são dirimidos pela ação dos Comitês de Bacias. 7. Vale do Araguaia: redução, gradativamente, dos conflitos graças: à boa quantidade e qualidade da água, à atuação dos Comitês de Bacia, à diversificação produtiva e à incorporação de mão de obra previamente desocupada, que abre mão de atividades predatórias contra a natureza CENÁRIO B: INTERMEDIÁRIO 1. Baixada Cuiabana-Pantanal: evolução de tensões em conflitos entre centros urbanos, lançadores de efluentes e entre setores de geração de energia e de saneamento, redução da qualidade e da disponibilidade de mananciais superficiais, ocorrendo procura por fontes subterrâneas. 2. Controle do Estado, entorno do Xingú: conflitos sociais e fortes conflitos se instalam contra grandes empresas agrícolas e garimpeiros. É o que acontece entre Manissauá- Miçu (A-6) e Ronuro (A-10), onde ocorre, com forte degradação de nascentes, o avanço da soja em direção à reserva. 3. Médio-Norte: conflitos entre os grandes irrigantes, e entre grandes irrigantes e o abastecimento público, agravado pela expansão do uso da água na atividade pecuária. Ausência de programas de conservação de solos e de proteção de nascentes propicia aumento no transporte de sólidos e de insumos agrícolas aos cursos d’água, especialmente na bacia do rio Arinos, cujos efeitos tendem a se propagar a jusante na região do Norte e Noroeste. 4. Norte-Noroeste: conflitos entre geraçãode energia e pressões, localizadas, pela manutenção dos ecossistemas aquáticos. Cidades polarizadoras, como Sinop e Alta Floresta, também enfrentam problemas em função do aumento das demandas e da escassez de saneamento. 5. Primavera-Barra do Garças: crescente demanda de abastecimento, mas com espraiamento apenas residual da malha urbana intra-regional. A mineração avança nas UPGs do Alto e do Baixo Rio das Mortes (T-A4 e T-A3). Desenvolvimento da aqüicultura, sem o adequado controle ambiental. O maior conflito, contudo, se dá em relação à instalação da hidrovia na Bacia do Araguaia, colocando de frente o turismo e o setor exportador. 6. Rondonópolis: conflitos entre: a) entre centros urbanos, lançadores de efluentes, e grandes irrigantes; b) entre os setores de geração de energia e de saneamento, notadamente a respeito da qualidade das águas nos reservatórios; c) entre agricultores irrigantes e o setor hidrelétrico, em torno da competição pelos recursos hídricos. O abastecimento por fontes superficiais, em áreas rurais e pequenos núcleos urbanos, torna-se restrito pela da redução da qualidade e quantidade dos aumentando a pressão pelo uso de fontes subterrâneas. 7. Vale do Araguaia: as indústrias que utilizam água ou impactam negativamente os recursos hídricos, que eram pouco significativas, como é o caso dos frigoríficos e dos curtumes, crescem ao longo do eixo da BR 158 voltadas ao atendimento do agronegócio. Os projetos de navegação são concretizados diante do dinamismo econômico, ao passo que a mineração se expande pela exploração de ferro pela Companhia Vale do Rio Doce em Vila Rica, no Baixo Araguaia (T-A1), e de calcário decorrente do aumento da demanda do agronegócio, que transborda para o Baixo Rio das Mortes (T-A5) com impactos sobre os recursos hídricos. Espraiamento residual da malha urbana intra-regional. CENÁRIO C: DINAMISMO EXCLUDENTE 1. Baixada Cuiabana-Pantanal: surgimento e crescimento de conflitos; contaminação da água superficial e subterrânea; redução da vazão disponível de poços nas áreas mais populosas, agravando conflitos para o abastecimento; aumento da carga de sedimentos na bacia do São Lourenço. 2. Controle do Estado, entorno do Xingú não ocorre a implementação dos instrumentos e sistemas de gestão de Recursos Hídricos - RH e ambientais graças à ausência de pressão da sociedade organizada; redução da demanda por água em toda a bacia; deterioração da qualidade das águas que drenam as reservas indígenas devido à falta de proteção nas nascentes; pela falta de saneamento, ocorre a contaminação da água nos córregos que atravessam as áreas urbanas, por vezes agravada pela atividade de garimpo. 3. Médio-Norte: inadequada implantação de instrumentos de gestão de RH e ambientais, ocorrendo substancial redução da pressão da sociedade organizada para sua implantação; contaminação da água nas áreas urbanas, agravada, também localmente, pela atividade de garimpo. Os conflitos hídricos se manifestam apenas localmente e do ponto de vista qualitativo. 4. Norte-Noroeste: inadequada implantação de instrumentos de gestão de RH e ambientais; a retirada da mata ciliar, generalizada em toda a região, contribui para o aporte de sólidos aos recursos hídricos e a deterioração do ecossistema aquático. Os conflitos hídricos se manifestam apenas localmente e do ponto de vista qualitativo. 5. Primavera-Barra do Garças: com exceção de Primavera do Leste e Barra do Garças, não há pólo urbano consolidado em toda a bacia. Por isso, não ocorre o aumento da demanda por abastecimento, a não ser em pequena escala. Não se desenvolve a aqüicultura, perpetuando-se sobremaneira a pesca de subsistência. A qualidade da água é comprometida apenas nos centros urbanos devido à falta de saneamento; aporte de sólidos nas zonas rurais devido aos focos de erosão e ao desmatamento generalizado da vegetação ciliar . A abundância de água restringe o alcance de novos conflitos, limitados pela indefinição em torno das hidrovias. 6. Rondonópolis: inadequada implantação de instrumentos de gestão de RH e ambientais resultando em fortes impactos nos rios das maiores cidades e no processo de favelização. Verifica-se, ademais, assoreamento nos rios pela destruição das matas ciliares e uso do solo sem adoção de práticas voltadas ao controle da erosão hídrica, principalmente na UPG de São Lourenço (P5). Ocorre aumento da demanda de água nos centros urbanos, mas que não se faz crítico em face da grande oferta. Porém, ocorre restrição nos mananciais de boa qualidade, o que aumenta a pressão pela água subterrânea e forte redução na qualidade da água superficial e subterrânea pela contaminação por esgotos domésticos não tratados. 7. Vale do Araguaia: a mineração não se expande, embora continue a exploração de ferro pela Companhia Vale do Rio Doce em Vila Rica, no Baixo Araguaia (T-A 1), gerando impactos aos recursos hídricos; redução da demanda por água em toda a bacia; ocorre a contaminação das águas,pela falta de saneamento; aporte de sólidos nas zonas rurais devido aos focos de erosão e ao desmatamento generalizado da vegetação ciliar. Pelo exposto anteriormente verifica-se que: a) competitividade das commodities é forte e concentrada em poucos produtos no Cenário B; b) infra-estrutura econômica, transporte e energia é fortemente concentrada em algumas regiões do Cenário B; c) desenvolvimento, uso e apropriação de tecnologias que incidem sobre os recursos hídricos é muito disseminado em todas as atividades no Cenário A; d) manejo agropecuário com práticas eficientes e muito disseminadas ocorre no Cenário A, sendo o oposto no Cenário C; e) saneamento básico, no Cenário A está em direção à universalização com participação privada, no Cenário B ocorre média expansão com participação de capital privado e no Cenário C ocorre pouca expansão com participação privada; f) implementação de políticas ambientais eficiente e participativa no Cenário A e pouco eficiente e sem participação nos Cenários B e C; g) agricultura irrigada: é responsável pelo maior consumo de água (Tabela 25), sendo o Cenário B aquele que mais contribui para este consumo, no Cenário A ocorre média expansão e no Cenário C pouca expansão. Tabela 25: Consumo de água em hectômetros para Mato Grosso, cenarizado para o ano de 2027. População Indústria Cenários Urbana Rural Des. Animais* Irrigação Abate Curtume Usina Álcool Total Consumo DS* 267,33 20,81 900,42 1.514,24 34,43 25,07 45,50 2.807,81 I* 257,08 19,96 988,60 5.187,63 31,52 28,19 60,03 6.573,01 DE* 222,13 17,05 825,78 3.565,37 21,71 20,74 34,83 4.707,61 * Des. Animais: dessedentação de animais; DS: Desenvolvimento Sustentável; I: Intermediário; DE: Dinamismo Excludente. Fonte: MMA/SRH (2008). Assim, o efetivo cenário que se espera para Mato Grosso e seus recursos hídricos é o Cenário A- Desenvolvimento Sustentável. Logo, para tal é de suma importância que a implantação e implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos e seus instrumentos alcance um estágio de plena participação da esfera pública, dos usuários de água e sociedade civil. 3. CONCLUSÕES O Estado de Mato Grosso encontra-se em um estágio de desenvolvimento dos instrumentos de gerenciamento de recursos hídricos, necessitando ainda reforçar e avançar na estrutura institucional existente. A sub-bacia do Rio das Mortes, em especial as Sub-Bacias Hidrográficas dos Ribeirões do Sapé e Várzea Grande, em Primavera do Leste e a Unidade de Planejamento e Gerenciamento Hídrico do Rio São Lourenço (UPG P – 5), onde foi instituída a primeira outorga do Estado são as regiões que se encontram em estágio mais avançado no gerenciamento dos recursos hídricos no âmbito do Estado, destacando-se entre as demais. Constata-se a importância da fiscalização do uso dos recursos hídricos, cujas ações refletem diretamente na eficiência do setor de outorga. É necessáriointensificar e ampliar a área de atuação da fiscalização. As mudanças institucionais ocorridas no Estado deverão fortalecer a gestão dos recursos hídricos, pois têm sido colocada como foco central do órgão gestor, a SEMA/MT. O desafio está em construir um mecanismo de gestão pública rumo ao desenvolvimento sustentável, com participação e decisão da sociedade junto aos poderes públicos. O mecanismo deverá ser auto- sustentável financeiramente e que dê uma visão de futuro promissor, baseado em análises dos cenários de desenvolvimento econômico e disponibilidade de água propostos. A consolidação da gestão de recursos hídricos deverá ir além dos aspectos hídricos, perpassando pelo desenvolvimento urbano, pela saúde, pela agricultura, pela educação ambiental e outras mais, objetivando o crescimento sustentável. As áreas de planejamento do governo do Estado de Mato Grosso deverão ser as bacias hidrográficas, logo o colegiado deverá deliberar e acompanhar o resultado das ações de governo e da iniciativa privada na área da bacia hidrográfica correspondente. Isto destacará as ações relativas às políticas de saneamento, abastecimento de água e implantação de indústrias/empresas, pensando na lógica setorial (usuários), contudo subordinada a uma lógica global de gerenciamento. O aperfeiçoamento da legislação estadual vigente visará à implementação da gestão harmonizada na Política dos Recursos Hídricos. Este fato deverá se dar pelo compartilhamento da legislação da União com a do Estado e superar a questão dos domínios dos corpos de água, de forma que os procedimentos técnicos, jurídicos e administrativos se harmonizem em relação à outorga e fiscalização, e posteriormente à cobrança e ao sistema de informação. A transparência na receita e aplicação de recursos poderá ser disponibilizada, via internet por bacia hidrográfica, com todas as liberações, gastos, multas, receitas, acompanhamento das intervenções, etc..., servindo de interlocução permanente entre a sociedade e o Governo Estadual. A contratação de contingente humano para a Secretaria de Recursos Hídricos/SEMA faz-se necessário diante todas as atribuições desta secretaria, principalmente aquela que fiscaliza as retiradas, haja vista que a população e a maioria dos usuários de água do Estado não estão conscientizados para o racionamento e uso adequado e sustentável dos recursos hídricos. Faz-se necessário também um estudo de regionalização hidrológica para o Estado. A Educação Ambiental faz-se necessária em todo o Estado, visando uso racional dos recursos hídricos, à educação técnica de usuários de água e sociedade civil e assim à criação de Comitês de Bacia, onde se fizerem necessários. 4. RECOMENDAÇÕES O monitoramento quali-quantitativo deve se estender para outras UPGs, como aquelas inseridas na Bacia Hidrográfica Amazônica, e aumentar o número de estações de monitoramento, principalmente porque os resultados obtidos por estes, podem ser analisados e utilizados para a outorga e criar uma rede de monitoramento para as águas subterrâneas do Estado, assim como intensificar estudos de qualidade das mesmas. É importante um cadastro dos poços existentes no Estado, assim como cadastramento e a avaliação das fontes de contaminação (poços tubulares desativados, poços amazonas, cacimbas, vazamentos na rede de esgotamento sanitário, lançamento de esgotos na drenagem, etc.), como outras atividades potencialmente impactantes (lixões, indústrias, cemitérios, agricultura, etc.), para subsidiar esses estudos. Pelos resultados de criticidade observados definir as áreas de uso e ocupação, com o intuito de proteger as nascentes dos rios, ampliando assim, a gestão das unidades de conservação ambiental e demarcação das terras indígenas, de acordo com os cenários propostos. Para um saneamento básico eficiente faz-se necessário a melhoria dos sistemas de coleta e tratamento das Estações de Tratamento de Esgotos existentes, implantação das mesmas nos demais locais, além de investimentos na coleta e tratamento do esgoto, a partir dos grandes centros poluidores para os pequenos, e investimentos nas Estações de Tratamento de Água, sobretudo, em relação à distribuição da água, para redução de desperdícios e gastos. Praticar Educação Ambiental e Técnica com usuários de água e sociedade civil visando à conservação e o uso racional dos recursos hídricos, nos ambientes doméstico, empresarial rural e urbano. Neste âmbito, recomenda-se o reuso de águas pluviais, de enxágüe de roupa e até mesmo de ETEs, para usos menos nobres, aliviando a pressão sobre água potável. Disseminar Comitês de Bacia Hidrográfica, nas regiões em que se fazem necessários, com participação social efetiva e consolidada para uma boa resolução de conflitos, se por ventura vierem a existir. Adotar Planos de Bacia, com suas características específicas para um bom Manejo Hidrográfico, e assim, introduzir com eficiência os instrumentos da gestão de recursos hídricos. 5. AGRADECIMENTOS Ao Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental (DESA), à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), à Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso (SEMA) por meio da Superintendência de Recursos Hídricos , ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. AMORIM, L. & MIRANDA, L. 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