Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

GESTÃO DE 
RECURSOS HÍDRICOS 
NO ESTADO DE MATO 
GROSSO 
 
 
 
Autores: 
 
Édina Cristina Rodrigues de Freitas Alves 
Alexandre Silveira 
Alexandra Natalina de Oliveira Silvino 
Neli de Assunção Silva 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Recurso natural indispensável à vida, ao desenvolvimento econômico e ao bem-estar, a água 
doce é um recurso cada vez mais escasso na natureza, seja devido ao crescimento populacional, 
aumento da demanda ou pela redução da oferta, especialmente pela poluição dos mananciais e 
pelo uso indiscriminado. O uso racional da água é um dos maiores desafios para o 
desenvolvimento de um país, principalmente quando o aumento da demanda, faz surgir 
conflitos entre usos e usuários da água, a qual passa a ser escassa e assim, precisa ser gerida 
como bem econômico, devendo ser atribuído o justo valor (SETTI, 2001). 
Segundo a AGENDA 21 (1992) no seu capítulo 18 “o grau em que o desenvolvimento dos 
recursos hídricos contribui para a produtividade econômica e o bem estar social nem sempre é 
apreciado, embora todas as atividades econômicas e sociais dependam muito do suprimento e da 
qualidade da água. Na medida em que as populações e as atividades econômicas crescem, 
muitos países estão atingindo rapidamente condições de escassez ou se defrontando com limites 
para o desenvolvimento econômico. As demandas por água estão aumentando rapidamente”. 
De acordo com ANA (2007) no Brasil há várias regiões que apresentam algum tipo de 
problema hídrico e, por isso, necessitam urgentemente da implementação de um sistema eficaz 
de gestão dos corpos d’água. 
A respeito dos recursos hídricos brasileiros, os problemas enfrentados oscilam do ponto de 
vista quantitativo, entre a escassez, provocando secas, e a abundância, que gera enchentes, não 
menos catastróficas. Do ponto de vista qualitativo a degradação crescente dos recursos hídricos, 
destrói os habitats aquáticos e a diversidade, além de comprometer a saúde humana. Diante 
desta crise, há uma busca por meios de como gerir melhor os recursos hídricos, ou seja, atentar 
para princípios e diretrizes salientados pela Política Nacional dos Recursos Hídricos - PNRH, 
instituída por meio da Lei nº 9.433 de oito de janeiro de 1997, sobre Gerenciamento de 
Recursos Hídricos. Desta forma o Brasil volta a possuir instrumentos de planejamento 
territorial, direcionado ao ordenamento do uso dos recursos hídricos (SRH, 2006). 
Elucidado por FREITAS (2000) a gestão de bacias hidrográficas é uma ação conjunta dos 
diferentes atores envolvidos (sociais, econômicos ou sócio-culturais), com a finalidade de 
melhor adequar o uso, controle e proteção de um recurso natural, sujeitando as respectivas ações 
antrópicas à legislação ambiental existente, visando atingir deste modo o desenvolvimento 
sustentável. A disponibilidade e a qualidade da água são os elementos a serem gerenciados, 
inicialmente pela informação do meio ambiente da unidade de planejamento, depois do 
planejamento das intervenções antevistas na bacia e a execução de mecanismos de 
financiamento dessas intervenções, através de participação integrada de seus usuários. 
No Estado de Mato Grosso, os impactos produzidos pela rápida evolução do agronegócio, 
crescimento da população, ampliação das atividades industriais e de prestação de serviços, 
promoveu uma série de pressões relacionadas aos seus recursos hídricos, requerendo assim 
ações conjuntas do Estado e da sociedade, no uso sustentável dos recursos hídricos e seu 
gerenciamento. 
Há de ressaltar que o Estado de Mato Grosso registrou, nas últimas décadas, crescimento 
superior (7%) à média nacional (2,5%), sendo a agropecuária a maior responsável pelo aumento 
do PIB estadual, haja vista que esta ditou o modelo de desenvolvimento e ocupação, pautada em 
um modelo agroexportador e nas políticas agrícolas nacionais (IBGE, 2005). No Estado, a 
agropecuária é a maior usuária de água, apresentando um consumo consuntivo de 
aproximadamente 70%%, tal fato associado ao ritmo intenso de desmatamento da região de 
nascentes, atualmente substituídas por amplas áreas de monocultura, intercaladas pela pecuária 
extensiva, colaboram diretamente para sérios problemas como: degradação de bacias ou sub-
bacias hidrográficas; o assoreamento dos leitos; redução da oferta de água em qualidade e 
quantidade; enriquecimento das águas com nutrientes minerais e a contaminação por produtos 
químicos e das águas subterrâneas; aumento de conflito no uso de água para irrigação e 
compactação e erosão do solo, dentre outros. 
 Assim sendo são observadas fragilidades quanto à gestão dos recursos hídricos do 
Estado de Mato Grosso, relacionadas principalmente à questão institucional e legal. Portanto, o 
objetivo deste trabalho é apresentar a situação atual da gestão dos recursos hídricos do Estado 
de Mato Grosso, visando à abordagem das principais questões do setor, o enriquecimento das 
informações relativas à questão hídrica e sua sustentabilidade legal, política, técnica e 
econômica para a gestão de seus recursos hídricos. 
 
 
2. INSTITUIÇÃO DA GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS 
 
 Os corpos d’água, do Estado de Mato Grosso, conforme sua localização, estão sob 
domínios distintos, tanto da União como do Estado. Esta situação confere legislação restrita e 
específica referente às políticas de gerenciamento dos recursos hídricos do estado. 
 Logo, estabelecer a gestão de recursos hídricos no estado significa considerar suas 
especificidades, compatibilizando estes dois ambientes políticos através da adoção da bacia 
hidrográfica como unidade de planejamento e gerenciamento, da gestão participativa e 
descentraliza, conforme previsto na Lei 9.433/1997. 
 Devido à riqueza em recursos hídricos e à configuração de sua rede hídrica, Mato 
Grosso é considerado um estado produtor e exportador de água, visto que rios que partem do 
seu território atingem outros estados e países como Bolívia e Paraguai e com raras exceções, os 
rios que drenam seu território não recebem contribuição das regiões de entorno. Esta condição 
obriga o Estado ao efetivo gerenciamento dos recursos hídricos. 
 
 
Aspectos Institucionais 
 
O Governo do Estado de Mato Grosso, em 05 de novembro de 1997, publicou a Lei N. 
6.945, que instituiu a Política Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso, a qual estabeleceu 
o Sistema de Gerenciamento dos Recursos Hídricos e as diretrizes de como gerenciar as águas 
do Estado (Figura 1). Nesse sentido, a Fundação Estadual de Meio Ambiente, atual Secretaria 
Estadual de Meio Ambiente/SEMA, criou na sua estrutura administrativa a Diretoria de 
Recursos Hídricos - DIREH, atual Superintendência de Recursos Hídricos, que tem entre outros 
objetivos, o desafio de realizar a gestão dos recursos hídricos compatibilizando os diferentes 
usos, juntamente com vistas à gestão participativa – poder público, usuários e entidades civis, 
além de ser responsável pelo auxílio da criação e manutenção de Comitês de Bacias 
Hidrográficas. 
Sistema Estadual de Recursos Hídricos
Órgão Gestor 
da PERH
SEMA
Superintendência
de
RecursosHídricos
Conselho Estadual de 
Recursos Hídricos
CEHIDRO
Comitê de Bacia
Política Estadual de Recursos Hídricos – PERH
Lei Estadual N. 6.945 
Fundo Estadual de Recursos Hídricos 
FEHIDRO
 
 
Figura 1: Sistema de Gestão dos Recursos Hídricos de Mato Grosso. 
 
Órgão Gestor dos Recursos Hídricos de Mato Grosso 
 
O órgão gestor da Política de Recursos Hídricos, no Estado de Mato Grosso, é a 
Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMA, através da sua Superintendência de Recursos 
Hídricos. A SEMA, instituída pela Lei Complementar 214, de 23/06/05, conforme o art. 2° tem 
por objetivo elaborar, gerir, coordenar e executar as políticas do meio ambiente e de defesa 
civil, no âmbito do Estado de Mato Grosso, além de integrar o Sistema Nacional do Meio 
Ambiente – SISNAMA. 
Atualmente, de acordo com o art. 4° da referida lei complementar, a SEMA é composta 
por: 
I – Órgão de Direção Superior: a) Gabinete do Secretário doMeio Ambiente. 1) Fundo 
Estadual do Meio Ambiente – FEMAM. 
II – Órgão de Gerência Superior: a) Gabinete do Secretário Adjunto do Meio Ambiente. 
III – Órgãos de Assessoramento Superior: a) Gabinete de Direção; b) Assessoria de 
Comunicação; c) Assessoria Especial; d) Assessoria Técnica; e) Assessoria Executiva; f) 
Superintendência de Assuntos Jurídicos; e g) Ouvidoria Setorial. 
IV – Órgãos de Administração Sistêmica: a) Superintendência de Planejamento; e b) 
Superintendência de Administração. 
V - Órgãos de Execução Programática: (...); d) Superintendência de Defesa Civil; e) 
Superintendência de Educação Ambiental; f) Superintendência de Gestão Florestal. 
VI – Órgão da Administração Regionalizada: a) Superintendência de Ações 
Descentralizadas. 
 
Histórico Institucional do Órgão Estadual de Meio Ambiente 
 
O Histórico Institucional do Órgão Estadual de Meio Ambiente divide-se em antes e 
após 1988, de acordo com a Tabela 1. 
 
Tabela 1: Histórico Institucional do Órgão Estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso. 
 
Antes de 1988 
Lei N. Assunto 
4.170/1980 Criação da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social, responsável 
pela execução da Política Estadual do Meio Ambiente 
4.560/1983 Criação da Fundação de Desenvolvimento do Pantanal – FUNDEPAN, 
4.560/1983 Criação da Fundação de Desenvolvimento do Pantanal – FUNDEPAN, 
vinculada ao Gabinete do Governador. 
4.894/1985 Trata da primeira Política Estadual do Meio Ambiente, regulamentada 
pelos Decretos N. 1.981/86 e 1.980/86, a qual possuía um capítulo que 
abordava sobre a proteção das águas. 
5.218/1987 Criação de: Secretaria de Estado do Meio Ambiente - SEMA (com a 
função de executar a Política Estadual do Meio Ambiente) e a Fundação 
Estadual do Meio Ambiente – FEMA 
Depois de 1988 
Lei Assunto 
Complementar n◦ 14/1992 
 
Extinção da SEMA, passando todas as atribuições para a FEMA, 
transformando o cargo de Secretário de Estado do Meio Ambiente em 
Secretário Especial do Meio Ambiente, o qual teria também o cargo de 
Presidente da FEMA. 
Complementar n◦ 38/1995 Instituiu o Código Ambiental do Estado de Mato Grosso. 
Estadual n◦ 6.945/1997 Dispõe sobre a Política Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso. 
Decreto n◦ 3.952/2002 Regulamenta o Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CEHIDRO. 
Complementar n◦ 8.097/2004 Dispõe sobre a administração e a conservação das águas subterrâneas de 
domínio do Estado. 
Complementar n◦ 214/2005 Cria a Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SEMA e extingue a 
Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEMA. 
Complementar n◦ 232/2005 Altera o Código Estadual do Meio Ambiente. 
 
Assim sendo, após a extinção da Fundação Estadual do Meio Ambiente, a Secretaria do 
Meio Ambiente – SEMA tornou-se encarregada por toda a responsabilidade pela Política e 
Gestão Ambiental, e neste contexto inclui-se a Gestão de Recursos Hídricos. 
 
Superintendência de Recursos Hídricos de Mato Grosso 
 
A Superintendência de Recursos Hídricos de Mato Grosso, conforme o art.11 da Lei 
Complementar N. 214/2005 é a encarregada pelo gerenciamento dos recursos hídricos mato-
grossenses. Suas atribuições encontram-se especificadas na Tabela 2: 
 
Tabela 2: Atribuições da Secretaria de Recursos Hídricos de Mato Grosso. 
 
Inciso Atribuição 
I Implementar a Política Estadual de Recursos Hídricos. 
II Exercer as atribuições de órgão gestor do Sistema Estadual de Recursos Hídricos. 
III Assessorar o Secretário nos assuntos relativos à sua esfera de competências. 
IV Supervisionar, coordenar, controlar os planos, programas e projetos de recursos hídricos a 
serem implantados e executados pelo Estado. 
V Propor normas de estabelecimento de padrões de controle da qualidade da água. 
VI Coordenar e controlar a perfuração de poços tubulares no Estado de Mato Grosso. 
VII Estruturar e manter o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos. 
VIII Promover o desenvolvimento de estudos e pesquisas visando à melhoria da qualidade técnica 
profissional dos servidores. 
IX Auxiliar a criação e a manutenção de Comitês de Bacias Hidrográfica. 
X Propor a execução de programas ambientais e estabelecer políticas voltadas à formação 
conservacionista. 
XI Coordenar, supervisionar as atividades de controle e fiscalização preventiva e corretiva dos 
vários segmentos sócio-econômicos, particularmente no que se refere à poluição hídrica. 
XII Promover e acompanhar o monitoramento do uso das águas no Estado de Mato Grosso. 
XIII Supervisionar, coordenar e controlar a medição de vazão dos pequenos, médios e grandes 
mananciais para se conhecer o potencial hídrico do Estado. 
XIV Coordenar, controlar e supervisionar a implantação de um modelo hídrico que possibilite o 
gerenciamento das águas superficiais e subterrâneas do Estado. 
XV Elaborar a proposta do Plano Estadual de Recursos Hídricos. 
XVI Promover o enquadramento dos corpos hídricos estaduais em classes. 
XVII Promover o cadastramento dos usuários da água. 
XVIII Coordenar, controlar e supervisionar a cobrança pelo uso de água nos corpos hídricos de 
domínio estadual. 
XIX Promover o licenciamento ambiental das atividades que demandem a utilização de recursos 
hídricos, na forma do regulamento. 
XX Proceder à emissão da outorga de direito de uso dos recursos hídricos de domínio do Estado 
XXI Compatibilizar as ações dos Coordenadores de sua área de atuação com interação 
operacional, evitando possíveis entraves na execução das atividades pertinentes. 
XXII Encaminhar ao Secretário estudos elaborados para fixação de tarifas e taxas relativas à 
prestação de serviços de natureza técnica. 
XXIII Opinar sobre a viabilidade técnica e econômica de celebração de convênios. 
XXIV Elaborar e propor normas que julgar necessárias à atuação no controle, fomento, pesquisa e 
preservação dos recursos hídricos 
XXV Elaborar, coordenar e executar os projetos provenientes de contratos e acordos nacionais e 
internacionais relativos às atividades de conservação e preservação de recursos hídricos. 
XXVI Supervisionar, controlar as equipes técnicas dos Estudos de Impacto Ambiental - EIA e 
respectivos Relatórios de Impacto Ambiental – RIMA. 
XXVII Apoiar a capacitação de Recursos Humanos dentro de sua área de competência. 
XXVIII Determinar a apuração de irregularidades de qualquer natureza e inerentes às atividades de 
suas áreas de atribuições, no ambiente organizacional e universo de ação. 
XXIX Exercer as demais competências que lhe forem conferidas. 
 
Fonte: Lei Complementar N. 214 (2005). 
A Superintendência de Recursos Hídricos, atualmente, trabalha com 20 funcionários para 
responder a todas as atribuições anteriormente mencionadas. Esta quantidade de recursos 
humanos é defasada frente à dimensão territorial (903.357.908km2) e das bacias hidrográficas 
que drenam o Estado. A Tabela 3 elucida a área de cada macrobacia do Estado, com suas 
respectivas vazão específica média. 
 
Tabela 3: Divisão Hidrográfica do Estado de Mato Grosso em Macrobacias e suas respectivas 
vazões específicas média. 
 
Bacia UPG Área 
(km2) 
Qméd 
(l/s/km2) 
I- Amazônica: A 
 I-1: Guaporé - Madeira 
 I-1-1: Aripuanã A-2 39.630,23 19,74 
 I-1-2: Alto Guaporé A-15 38.880,42 7,64 
 I-1-3: Roosevelt A-1 47.359,08 19,74 
 
 I-2: Juruena 
 I-2-1: Alto Juruena A-14 64.309,44 27,41 
 I-2-2: Baixo Juruena A-3 29.490,08 20,97 
 I-2-3: Arinos A-12 58.842,66 22,81 
 I-2-4: Sangue A-13 28.919,42 21,64 
 
 I-3: Teles Pires 
 I-3-1: Alto A-11 34.408,90 28,14 
 I-3-2: Médio A-5 34.408,90 28,14 
 I-3-3: Baixo Teles Pires A-4 39.137,44 23,13 
 
 I-4: Xingu 
 I-4-1: Alto Xingu A-9 44.754,27 27,90 
 I-4-2: Ronuro A-10 30.272,76 21,94 
 I-4-3: Suiá-Miçu A-8 31.117,62 22,99 
 I-4-4: Manissauá-Miçu A-6 33.047,29 23,16I-4-5: Médio Xingu A-7 35.835,12 21,28 
 
II – Tocantins-Araguaia: TA 
 II-1: Alto Rio das Mortes TA-4 29.749,24 19,46 
 II-2: Baixo Rio das Mortes TA-5 31.240,36 15,6 
 II-3: Alto Araguaia TA-3 23.331,53 17,86 
 II-4: Médio Araguaia TA-2 17.374,28 14,42 
 II-5: Baixo Araguaia TA-1 31.361,23 14,42 
 
III– Paraguai: P 
 III-1: Alto Paraguai 
 III-1-1: Superior P-3 9.260,88 15,2 
 III-1-2: Médio P-2 23.404,20 14.07 
 III-1-3: Jauru P-1 15.356,73 8,19 
 III-2: Cuiabá 
 III-2-1: Alto P-4 29.162,40 9,99 
 III-2-2: Pantanal P-7 53.945,92 13,46 
 III-3: São Lourenço P-5 24.864,71 15,22 
 III-4: Correntes/Taquari P-6 18.100,16 15,07 
TOTAL 897.565,27 
 
Fonte: MMA/SRH (2007). 
 
Pela análise da Tabela 3 observa-se que a disponibilidade hídrica é superior às atuais 
demandas, que não atingem sequer 1% do volume médio anual disponível. Contudo, nota-se 
que em determinadas regiões há potencialidades para conflitos pelo uso da água destas bacias. 
Portanto, detecta-se a necessidade de maior contingente humano para cumprimento de todas as 
atribuições citadas da referida Secretaria, e em especial, a fiscalização de retiradas, visto que a 
conscientização para o racionamento e uso adequado e sustentável do recurso ainda não se faz 
presente na grande maioria dos usuários de água. 
A decisão de fortalecer institucionalmente a Superintendência de Recursos Hídricos passa 
por um entendimento do Poder Executivo quanto à importância dos recursos hídricos – se não 
para a preservação do meio ambiente e dos importantíssimos ecossistemas existentes na região – 
para a continuidade das atividades agrícola e de pecuária, fontes da riqueza atual do Estado. 
Além do que, em oficina realizada em março de 2007 para o início do desenvolvimento do 
Plano Estadual de Recursos Hídricos, chegou-se à conclusão da necessidade da 
Superintendência em formatar um projeto ou programa integrado de desenvolvimento técnico, 
para pleitear junto aos organismos nacionais e internacionais de fomento, financiamento de 
recursos que possam ser obtidos a fundo perdido. Existem diferentes fontes tais como: Banco 
Interamericano de Desenvolvimento – BID, Banco Mundial – BIRD, Fundo Nacional de Meio 
Ambiente e outras. Para pleitear estes recursos é importante que se estruture um programa 
integrado e coerente de desenvolvimento técnico articulado com a política de gestão de recursos 
hídricos do Estado (MMA/SRH, 2007). 
 
 
Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso 
 
As funções normativas, deliberativas e consultivas pertinentes à formulação implantação e 
acompanhamento da política de recursos hídricos do Estado cabem, conforme as disposições do 
art. 18 da Lei N. 6.945/1997 ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso - 
CEHIDRO, criado pelo Decreto N. 3.952, de 06 de março de 2002. 
De acordo com o art. 1º do referido decreto, o CEHIDRO é um órgão colegiado do Sistema 
Estadual de Recursos Hídricos de caráter consultivo, deliberativo e recursal. Para o mesmo 
foram estabelecidas 11 competências e oito atribuições. 
O art. 19 da referida lei, estabelece que o órgão tenha sua composição regulamentada, 
observando-se a similaridade entre os representantes do Poder Público e da Sociedade Civil, 
garantida a participação de representantes dos usuários. 
O art. 5º do Regimento Interno do CEHIDRO dispõe que o mesmo será presidido pelo 
Secretário Especial de Meio Ambiente e composto por representantes de órgãos e entidades, 
conforme a Figura 2. 
 
Representantes de Entidades Governamentais 
Fundação Estadual do Meio Ambiente: FEMA, atual Secretaria Estadual do Meio Ambiente: SEMA 
Secretaria de Estado de Infra-Estrutura: SINFRA 
Secretaria de Estado de Planejamento: SEPLAN 
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural: SEDER 
Secretaria de Estado de Desenvolvimento de Turismo: SEDTUR 
Secretaria de Estado da Saúde: SES 
Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia: SICME 
Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral: SEPLAN 
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e de Recursos Renováveis: IBAMA/SUPES/MT 
Universidade do Estado de Mato Grosso: UNEMAT 
Universidade Pública: Universidade Federal de Mato Grosso: UFMT 
Procuradoria Geral do Estado: PGE 
Representantes de Entidades Não Governamentais 
Associação Mato-grossense dos Municípios: AMM 
 
 
 
Representantes de 
Usuários de 
Recursos Hídricos 
Instituição Pública de Abastecimento de Água e de Esgoto Sanitário: 
SANECAP 
 Cooperativa Agrícola dos Irrigantes de Primavera do Leste: AGRIVERA 
Associações Ambientalistas, Turísticas e Empresariais de Cáceres: ASATEC 
Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso: FIEMT 
Associação dos Aquicultores de Mato Grosso: AQUAMAT 
Sindicato de Guia de Turismo: SINGTUR 
Instituto Matogrossense de Direito e Educação Ambiental: IMADEA 
CEMAT 
 
Representantes de 
Organizações 
Civis (bacias 
hidrográficas) 
Instituto Mato-grossense de Direito e Educação Ambiental: IMADEA 
Instituto de Defesa do Manso: Bacia do Alto Paraguai 
Agência Protetora do Vale do Juruena: Bacia do Amazonas 
INSTITUTO CREATIO 
Cooperativa dos Pescadores e Artesãos de Pai André e Bom Sucesso: 
COORIMBATÁ 
Rede Araguaia de Organizações Eco-Culturais: RAEONG’S 
Fórum Estadual de Turismo 
Associação Indígena Halitinã 
ECOTRÓPICA 
Representantes de Entidades Não Governamentais 
Representante de 
Instituição de 
Pesquisa em 
Recursos Hídricos 
Centro de Pesquisa do Pantanal: CPP 
Instituto Pantanal Amazônia de Conservação: IPAC 
Associação Regional de Pesquisa Científica e Ambiental: ARPCA 
Membros 
Convidados 
Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental: ABES 
Associação Brasileira de Águas Subterrâneas: ABAS 
Figura 2: Representantes do Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso. 
Fonte: Decreto N. 3.952/2002 e Portaria SEMA N. 22/2006. 
 
 
 
 
As competências do CEHIDRO foram instituídas pelo art. 1° do Decreto N. 3.952/2002, de 
acordo com a Tabela 4. 
 
Tabela 4: Competências do Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso. 
 
Inciso Competência 
I Exercer funções normativas, deliberativas e consultivas pertinentes à formulação 
implantação e acompanhamento da política de recursos hídricos do Estado. 
II Aprovar os critérios de prioridades dos investimentos financeiros relacionados com os 
recursos hídricos e acompanhar sua aplicação. 
III Avaliar e opinar sobre os programas encaminhados pelo Órgão Coordenador\Gestor. 
IV Apreciar o Plano Estadual de Recursos Hídricos apresentado pelo Órgão Coordenador/ 
Gestor, ouvido previamente os Comitês Estaduais de Bacias Hidrográficas. 
V Opinar sobre a conveniência da celebração de convênios e acordos com entidades públicas 
ou privadas, nacionais ou internacionais, pare o desenvolvimento do setor. 
VI Deliberar sobre os critérios e normas para outorga, cobrança pelo uso da água e rateio dos 
custos entre os beneficiários das obras de aproveitamento múltiplo ou interesse comum. 
VII Aprovar propostas de instituição dos Comitês Estaduais de Bacias Hidrográficas. 
VIII Examinar os relatórios técnicos sobre a situação dos recursos hídricos do Estado. 
IX Julgar os recursos administrativamente interpostos e os conflitos de uso da água em última 
instancia no âmbito do Sistema Estadual de Recursos Hídricos. 
X Representar o Governo do Estado, através de seu representante legal, junto aos órgãos 
federais e entidades nacionais que tenham interesses relacionados aos recursos hídricos de 
Mato Grosso. 
XI Deliberar sobre a aplicação dos recursos do Fundo Estadual dos Recursos Hídricos. Nos 
termos do parágrafo único, as deliberações do Conselho serão tomadas pela maioria dos 
seus membros, cabendo ao Presidente o voto de desempate. 
 
Fonte: Decreto N. 3.952/2002. 
 
 
O art. 2º do Decreto N. 3.952/2002, aindadetermina como atribuições do CEHIDRO: 
elaborar e aprovar o seu Regimento Interno; aprovar o Regimento Interno dos Comitês 
Estaduais de Bacia Hidrográfica; instituir por meio de Resolução os Comitês Estaduais de Bacia 
Hidrográfica em rios de domínio do Estado; fixar a composição dos Comitês Estaduais de Bacia 
Hidrográfica, observada à semelhança entre o Poder Público e a Sociedade Civil, assegurada a 
participação de representantes dos usuários e das comunidades indígenas com interesses na 
bacia; aprovar o Plano de Aplicação do Fundo Estadual de Recursos Hídricos – FEHIDRO; 
estabelecer os procedimentos relativos à cobrança pelo uso da água, a ser implantada de forma 
gradual, observado o disposto no art. 15 da Lei de que trata este regulamento e apreciar o Plano 
Estadual de Recursos Hídricos e submetê-lo ao Governador para aprovação e publicação por 
Decreto Governamental. 
 De acordo o art. 5º do Decreto 3.952/2002, todas as decisões do CEHIDRO deverão ser 
formalizadas através de Resoluções ou outras deliberações e devidamente publicadas em Diário 
oficial do Estado. 
Assim sendo, para que a gestão de recursos hídricos de Mato Grosso se consolidasse de 
forma abrangente a todo o Estado, o CEHIDRO estabeleceu uma base organizacional que 
contemplasse as bacias hidrográficas como unidade de planejamento e gerenciamento do 
Sistema Estadual de Recursos Hídricos. 
Desta forma, o CEHIDRO aprovou no uso de suas atribuições legais, no dia 18 de agosto de 
2006, a Resolução N. 005 que estabelece a divisão do território mato-grossense em 27 Unidades 
de Planejamento e Gerenciamento – UPGs. 
As Resoluções baixadas pelo CEHIDRO, relacionadas na Tabela 5, fornecem um 
indicativo de sua atuação. 
 
Tabela 5: Resoluções do Conselho Estadual de Recursos Hídricos – MT. 
RESOLUÇÃO ASSUNTO 
2003 
N. 001, de 14/07 Aprovou o Regimento Interno do Comitê das Sub-Bacias Hidrográficas dos 
Ribeirões do Sapé e Várzea Grande-COVAPÉ. 
N. 002 e N. 003 
de 11/12 
Aprovação do Calendário Anual 2004 e Licenciamento para Irrigação, 
respectivamente. 
2004 
N. 004, de 08/06 Definição taxas para o licenciamento e cadastramento de poços tubulares. 
N. 005 e N. 006, 
de 26/08 
Alteração do regime interno do CEHIDRO e Definição da Carta imagem de 
melhor qualidade para Licenciamento Ambiental de Irrigação, 
respectivamente. 
N. 007, 
de 26/08 
Alteração do parágrafo 2º. do Art. 6º. da Resolução de Licenciamento de 
Irrigação. 
N. 008 e 009, 
de 16/12 
Dispõe sobre o Calendário de Reuniões e Alteração do regime interno do 
CEHIDRO, respectivamente. 
N.10, 
de 16/12 
Alteração da redação do Art. 4º. da Resolução N. 003, acrescido parágrafo 
único ao Art. 9º, altera a redação do Art. 11, acrescido parágrafo único ao Art. 
12 e inclui o Art. 5º sobre o roteiro de licenciamento de irrigação. 
2005 
N. 011, 
de 12/05 
Designação dos membros a comporem a Comissão Julgadora do processo de 
Eleição das entidades não governamentais e usuários da água do CEHIDRO 
2006 
N. 001, de 12/04 Aprovação do Calendário de Reuniões. 
N. 002, de 12/04 Revoga o Art. 9º da resolução 003 de 11/12/2003. 
N. 003, de 26/06 Aprovação do regimento interno CEHIDRO. 
N. 004, 
de 31/05 
Instituiu critérios gerais na formação e funcionamento de Comitês de Bacias 
Hidrográficas no Estado de Mato Grosso. 
N. 005, de 18/08 Instituiu a Divisão Hidrográfica do Estado de Mato Grosso. 
N. 006, de 03/08 Alterou o art. 2º da Resolução nº 03 de 11/12/2003. 
N. 007 e 008 
de 28/09 
Estabeleceu o prazo para as licenças em atividade de Irrigação para os 
empreendimentos que se enquadrarem na Resolução nº 06 de 03 de agosto de 
2006 e Aprovou o calendário de reuniões para o ano de 2007, 
respectivamente. 
2007 
N. 009 e 010, 
25/01 
Institui a Câmara Técnica de Construção de Barragens e 
Instituiu o Roteiro Básico para o Licenciamento de Barragens de Terra Já 
Construído - Reservatórios para fins de Irrigação (até 50 ha de área alagada), 
respectivamente. 
N. 01, de 
29/03 
Institui a Câmara Técnica de Acompanhamento do Plano Estadual de 
Recursos Hídricos. 
N. 012, de 
06/06 
Estabeleceu os critérios técnicos a serem aplicados nas análises dos pedidos 
de outorga para captação de águas superficiais de domínio do Estado do Mato 
Grosso 
N. 013 de 
26/03 
Instituiu o Roteiro Básico para Barragens de Terra já construídas (até 50 ha 
de área alagada), o qual passa a integrar o processo de Licenciamento dos 
Sistemas de irrigação. 
N. 014, de 29/11 Aprovação do calendário de reuniões para o ano de 2008. 
2008 
N. 016, de 13/03 Instituiu a Rede Hidrológica Básica no Estado de Mato Grosso 
N. 017, de 
08/05 
Alterou os Artigos 5°, 7° § 1° e 20 da Resolução n° 03 de 11/12/2003, alterou 
o Anexo II da Resolução nº 10 de 16 de dezembro de 2004, Revogou o Art. 
6° da Resolução n° 03 de 11/12/2003 e as Resoluções n° 07 de 26 de agosto 
de 2004 e nº 07 de 28 de setembro de 2006. 
N. 018, de 10/07 Instituiu o processo de Licenciamento de projetos de Irrigação. 
 
 
 
Lei 6.945, de cinco de novembro de 1997 
 
A lei que instituiu a Política Estadual de Recursos Hídricos de Mato Grosso - PERH é 
a Lei N. 6.945, de 05/11/97. Esta Lei é semelhante à Lei Federal 9.433/97, contudo, a 
disposição de seus capítulos difere em alguns pontos da Lei Federal. Enquanto a Lei 9.433, em 
seu Capítulo I, Título I, discorre sobre os fundamentos da PNRH, a Lei 6.945 refere-se às 
funções da água, que são: 
 
I - função natural, ao desempenhar os papéis de: manutenção do fluxo da água nas 
nascentes e nos cursos d'água perenes; manutenção das características ambientais em áreas de 
preservação natural; manutenção de estoques de fauna e flora dos ecossistemas dependentes do 
meio hídrico; manutenção do fluxo e da integridade das acumulações de águas subterrâneas; 
outros papéis naturais exercidos no ambiente da bacia hidrográfica onde não se faça sentir a 
ação antrópica. 
 
II - função social, quando seu uso garantir as condições mínimas de subsistência dentro 
dos padrões de qualidade de vida assegurados pelos princípios constitucionais, tais como: 
abastecimento humano; qualquer atividade produtiva com fins de subsistência, conceito a ser 
definido no regulamento desta lei para cada região hidrográfica do Estado. 
 
III - função econômica, que se refere à todos os demais usos da água não explicitados 
acima. 
 
O Capítulo II, da Lei 6.945, discursa sobre os princípios do setor, sendo neste capítulo 
ressaltados os usos múltiplos da água, a adoção da unidade hidrográfica, o valor econômico da 
água e que o abastecimento humano e a dessedentação de animais terão prioridade sobre todos 
os demais usos, assuntos tratados no Capítulo I, sobre os fundamentos, na Lei 9.433. 
A Lei 6.945, não traz, em específicos, os objetivos da mesma, como a Lei 9.433, 
contudo, tais objetivos estão embutidos no Capítulo III, que discorre em 10 incisos do artigo 4º 
e no artigo 5º, as diretrizes básicas da PERH, que deverão nortear a gestão hídrica. 
A Lei 6.945 instituiu no art. 6º, como instrumentos da PERH: o Plano Estadual de 
Recursos Hídricos; o enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos 
preponderantes da água; a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos; a cobrança pelo uso 
de recursos hídricos e o Sistema de Informações Sobre Recursos Hídricos, diferindo da Lei 
9.433 em apenas um instrumento a menos, a compensação a municípios, por esta Lei ser uma 
Lei Federal. O Capítulo IV, de ambas as leis, versa sobre os instrumentos da Política de 
Recursos Hídricos, diferindo apenas nas disposições de seções e quantidades de artigos. 
No Título II, de cada lei, é feito referência à composição do Sistema de Recursos 
Hídricos: Conselhos, Órgão Coordenador/Gestor, Comitês de Bacia, Agências de Água e 
Associações de Usuários e Título III das Penalidades e Infrações. 
A Lei 6.945difere da Lei 9.43, em seu Título IV, que versa sobre o Fundo Estadual de 
Recursos Hídricos – FEHIDRO, e no Título VI que traz as disposições transitórias.O FEHIDRO foi criado para dar suporte financeiro à PERH, e para tanto, o art. 30º da 
Lei 6.945 relata os recursos do FEHIDRO e os art. 31º a 33º sobre as aplicações dos mesmos. 
Com o exposto anteriormente, observa-se que a Lei 6.945 está em consonância com a 
Lei Federal N. 9.433, e de acordo com a realidade dos recursos hídricos de Mato Grosso. 
 
 
Os Instrumentos de Gestão dos Recursos Hídricos de Mato Grosso 
 
1. O Plano Estadual de Recursos Hídricos 
 
Citado pela Lei N. 6.954/97 como o primeiro instrumento de gestão, o Plano Estadual 
de Recursos Hídricos de Mato Grosso – PERH/MT encontra-se em fase de elaboração, sendo 
responsável por este processo a SEMA. No ano de 2007 foi desenvolvida a primeira etapa da 
construção do Plano, a de diagnóstico e em 2008 está sendo desenvolvida a etapa propositiva do 
Plano. O plano deverá ser aprovado pelo CEHIDRO em 2009. 
O PERH/MT visa dar direção ao gerenciamento dos recursos hídricos de Mato Grosso, 
fortalecendo posições de proteção às três bacias hidrográficas existentes no Estado: do Alto 
Paraguai, Araguaia/Tocantins e Amazônica, visto que, de acordo com a Resolução N. 32 do 
Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH (2003), que trata da Divisão Hidrográfica 
Nacional, o Estado de Mato Grosso está inserido na Bacia Hidrográfica do Paraguai, 
representando 52% da totalidade desta bacia (ANA, 2007). Ademais, o Estado possui treze 
sistemas aqüíferos, com uma reserva permanente de 7.889,676. 109m3 (MMA/SRH, 2007). 
Conforme a Lei N. 6.945/97 observa-se que não foi citado como instrumento da Política 
de Recursos Hídricos, o Plano de Bacia Hidrográfica, ficando a cargo do PERH todo o 
planejamento de gerenciamento dos recursos hídricos de Mato Grosso. Fato semelhante é 
observado no art. 8° da Lei N. 9433/97que apenas cita que os Planos de Recursos Hídricos serão 
elaborados por bacia hidrográfica, por Estado e para o país, ou seja, não dá ênfase ao plano de 
bacia, os quais não foram contemplados nem no Plano Nacional de Recursos Hídricos e nem 
nos Planos Estaduais. 
 O Plano de Bacia Hidrográfica é de fundamental importância, visto que a bacia 
hidrográfica é a unidade de planejamento, e que através do plano pode-se: levantar diagnósticos 
da situação da bacia; fazer análises da situação e da ocupação do solo e da evolução das 
atividades produtivas; realizar um balanço das disponibilidades e demandas futuras para os 
recursos hídricos; e determinar as prioridades e diretrizes para a outorga e a cobrança pelo uso 
dos recursos hídricos, de forma bastante específica para determinada bacia, evitando assim, sua 
deterioração e tentar melhorar ou solucionar os problemas existentes. 
 Os planos de recursos hídricos de bacias hidrográficas serão elaborados pelas agências 
de água e aprovados pelos seus respectivos comitês. Porém, caso não haja agências de água ou 
outra entidade encarregada das funções de agência, os planos de bacia poderão ser elaborados 
pelas entidades gestoras, detentoras do poder outorgante, sob supervisão dos respectivos 
comitês. Se não houver comitê de bacia instituído, as entidades ou órgãos gestores de recursos 
hídricos serão os responsáveis, com a participação dos usuários de água e das entidades civis de 
recursos hídricos, que ficarão responsáveis pela elaboração da proposta de Plano de Bacia e pela 
implementação de ações necessárias à criação do respectivo comitê, que deverá aprovar o plano. 
 O art. 23, inciso II, da Lei N. 6.945/97 versa sobre os planos de bacia hidrográfica, 
citando apenas que uma das atribuições da SEMA consiste em elaborar e divulgar os planos 
diretores de bacias hidrográficas. Os planos de bacia hidrográfica são referenciados pela 
Constituição Estadual, no art. 287, o qual “o Estado celebrará convênios com os Municípios 
para a gestão, por estes, das águas de interesse exclusivamente local, condicionada às políticas e 
diretrizes estabelecidas em nível de planos estaduais de bacias hidrográficas, em cuja elaboração 
participarão as municipalidades”. 
 O PERH, de acordo com o art. 7° da Lei N. 6.945/97, tem que estar em conformidade 
com as diretrizes da Política Nacional e Estadual dos Recursos Hídricos e deve contemplar os 
seguintes aspectos: 
 I - objetivos e diretrizes devem visar ao aperfeiçoamento do sistema de planejamento estadual e 
inter-regional de recursos hídricos; 
II - instrumentos de gestão regulamentarão da outorga, cobrança pelo uso da água e rateio dos 
custos das obras e aproveitamentos de recursos hídricos de interesse comum e/ou coletivo; 
III - estudos de balanço hídrico, desenvolvimento tecnológico e sistematização de informações 
relacionadas com os recursos hídricos, visando orientar os usuários e a sociedade no que 
concerne ao manejo adequado e conservacionista das bacias hidrográficas e das acumulações 
subterrâneas; 
IV - mecanismos que orientem a modernização das redes de observação hidrometeorológicas, 
considerando implantação, operação e manutenção; Atual Secretaria de Estado de Meio 
Ambiente de Mato Grosso. 
V - programas de gestão de águas subterrâneas, compreendendo a pesquisa, o planejamento e o 
monitoramento; 
VI - programação de investimentos em obras e outras ações relativas à utilização, à recuperação, 
à conservação e a proteção dos recursos hídricos; 
VII - planos concernentes ao monitoramento climático, zoneamento das disponibilidades 
hídricas efetivas, usos prioritários e avaliação de impactos ambientais causados por obras 
hídricas; 
VIII - programas de desenvolvimento institucional, tecnológico e gerencial de valorização 
profissional e de comunicação social no campo dos recursos hídricos; 
IX - programas anuais e plurianuais de recuperação, conservação, proteção e utilização dos 
recursos hídricos definidos mediante articulação técnica e financeira institucional com a União, 
Estados e Países vizinhos Municípios e entidades internacionais de cooperação e fomento; 
X - campanhas educativas visando conscientizar a sociedade para a utilização racional dos 
recursos hídricos; 
XI - definição e análise pormenorizada das áreas críticas, instaladas ou potenciais; 
XII - o inventário dos usos presentes e dos conflitos resultantes; 
XIII - a projeção dos usos e das disponibilidades de recursos hídricos e os conflitos potenciais. 
 
Há de salientar que a função do PERH é irromper todo um processo institucional na 
SEMA, de fortalecimento da Superintendência de Recursos Hídricos, com vistas a estruturar o 
órgão, tornando-o capaz de fazer frente às competências fixadas na lei. Entende-se que qualquer 
proposta de alteração da norma estadual para uma melhor adequação aos preceitos da lei 
federal, seja no que se refere à descentralização, seja no que diz respeito ao papel dos comitês, e 
também a um reconhecimento da importância dos planos de bacia hidrográfica aprovados pelos 
comitês, deve ocorrer em um segundo momento (MMA/SRH, 2007). 
O art. 8° da Lei N. 6.945/97, faz menção que o PERH deve ser avaliado e julgado pelo 
CEHIDRO e publicado, através de decreto governamental. As suas atualizações, parciais ou 
totais, deverão ser feitas sempre que a evolução das questões relativas ao uso dos recursos 
hídricos assim recomendar. Cita-se ainda, no § 2°, que as diretrizes e a previsão dos recursos 
financeiros para a elaboração e a implantação do PERH deverão constar nas leis concernentes 
ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias e ao orçamento anual do Estado. 
 
 
 
2. O Enquadramento dos Corpos de Água em Classes 
 
 A avaliação da qualidade da água é um processo global de verificação da natureza 
física, química e biológica da água, em relação à sua qualidade natural, efeitos das ações 
antrópicas e dos usos esperados (MARQUES et. al., 2002). 
 A implementação do enquadramento dos corpos de água em classes demanda 
conhecimento da qualidade das águas a serem geridas e das influências ambientais e antrópicas 
que possam alterá-la (PROENÇA et al., 2004). 
 A Resolução N. 357, de 17 de março de 2005, do CONAMA,em seu art. 1°, dispõe 
sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento dos corpos de água 
superficiais brasileiros, bem as condições e padrões de lançamento de efluentes. Sendo assim, as 
águas são classificadas, de acordo com o art. 3° da referida resolução, em doces, salobras e 
salinas segundo a qualidade requerida para os seus usos preponderantes, em treze classes de 
qualidade. Destaca-se ainda que as águas de melhor qualidade possam ser aproveitadas em uso 
menos exigente, desde que este não prejudique a qualidade da água, atendidos outros requisitos 
pertinentes. 
 Segundo o art. 42, da Resolução N. 357, enquanto não aprovados os respectivos 
enquadramentos, as águas doces serão consideradas classe 2, até que seja realizado o seu 
enquadramento 
O enquadramento dos recursos hídricos do Estado de Mato Grosso, até o momento, 
ainda não foi realizado, portanto seus cursos d’água são considerados como de Classe 2. 
 
3. A Outorga de Recursos Hídricos 
 
 Outorga de direito de uso de recursos hídricos é o ato administrativo mediante o qual o 
poder público outorgante faculta ao outorgado o uso de determinado recurso hídrico, e por prazo 
determinado, nos termos e nas condições expressas no ato de outorga, prevista na Lei N. 
9.433/97 como um dos instrumentos da PNRH, com o objetivo de assegurar o controle 
quantitativo e qualitativo da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso a este bem. 
 HORA (2001) estabeleceu alguns quesitos que tornam esse controle participativo, 
levando em consideração aspectos tradicionais e valores culturais das comunidades que utilizam 
a bacia, embora a Lei N. 9.433/97 reconheça a outorga como um instrumento de controle na 
distribuição de recursos hídricos de competência do Poder Público. Assim, as prioridades de uso 
na concessão da outorga, serão definidas pelos Planos de Recursos Hídricos aprovados pelos 
comitês de Bacias Hidrográficas. 
 O art.10º da Lei N. 9.645/97 dispõe que a implantação, ampliação e alteração de projeto 
de qualquer empreendimento que demande a utilização de recursos hídricos de domínio do 
Estado, a execução de obras e/ou serviços que alterem o regime, quantidade ou qualidade dos 
mesmos, dependerão de prévio cadastramento e outorga pela Fundação Estadual do Meio 
Ambiente-FEMA, atual SEMA. Desta forma, em três de maio de 2006, a Portaria N. 39, da 
SEMA, instituiu o Cadastro de Usuários de Água do Estado de Mato Grosso. 
 No Estado de Mato Grosso, o instrumento de gestão de recursos hídricos "Outorga de 
Direitos de Uso da Água" está em fase inicial no Estado. Para tanto, foram publicados no DOE 
do dia 06/06/07 o Decreto n° 336 que regulamenta a outorga de direitos de uso dos recursos 
hídricos. A Resolução n° 12, do CEHIDRO, de 06 de junho de 2007 estabelece critérios 
técnicos para outorga de captações de águas superficiais de domínio do Estado e a Instrução 
Normativa N. 08, da SEMA, de 15 de maio de 2008, dispõe sobre os procedimentos a serem 
adotados para os processos de outorga de uso de recursos hídricos de águas de domínio do 
Estado do Mato Grosso. 
 Em 29 de outubro e 06 de novembro de 2007, foram publicados no Diário Oficial 
Estadual – DOE, os nomes dos usuários que requereram a Outorga de Direito de Uso de 
Recursos Hídricos junto à SEMA, conforme a Tabela 6. 
Em cinco de novembro de 2007, foi emitida a primeira outorga do Estado, para uso da 
água, para a empresa SANEAR – Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis. A 
empresa obteve o direito de uso dos recursos hídricos para captação de água no rio Vermelho, 
com a finalidade de abastecimento da cidade, cuja vazão média diária de captação é de 
1.620m³/h (0,450 m³/s), operando 24 h/dia, durante todos os dias do ano, perfazendo um volume 
máximo anual de 14.191.200,00m³, conforme a Portaria N. 148, de 05 de novembro de 2007, da 
SEMA. 
 
 
Tabela 6: Usuários de Recursos Hídricos de Mato Grosso que requereram a Outorga de Direito 
de Uso de Recursos Hídricos junto à SEMA/MT, em 2007. 
 
Outubro 
Usuário Município Rio/Córrego/ 
Ribeirão 
Sub-bacia BH* Finalidade Vazão 
(m3) 
SANEAR ** 
 
Rondonópolis R. Vermelho São 
Lourenço 
Paraguai Saneamento 0,45 
ANEEL*** 
PCH 
Esperança 
Comodoro R. Piolhinho Guaporé Amazônica Geração de 
Energia 
Turbinada 
Total 
3,65 
ANEEL 
PCH 
Maracanã 
Nova 
Marilândia 
C. Maracanã Sepotuba Paraná Geração de 
Energia 
Turbinada 
Total 
7,00 
ANEEL 
PCH Cabeça 
de Boi 
Alta Floresta, 
Juara e 
Tabaporã 
R. Apiacás Teles 
Pires 
Amazônica Geração de 
Energia 
Turbinada 
Total 
133,72 
ANEEL 
PCH da 
Fazenda 
Alta Floresta, 
Juara e 
Tabaporã 
R. Apiacás Teles 
Pires 
Amazônica Geração de 
Energia 
Turbinada 
Total 
131,62 
ANEEL 
PCH João 
Basso 
Rondonópolis Ribeirão Ponte 
de Pedra 
Vermelho Paraguai Geração de 
Energia 
Turbinada 
Total 
56,97 
Novembro 
ANEEL 
PCH 
Comodoro 
Comodoro e 
Campos de 
Júlio 
R. Juína, 
afluente do R. 
Juruena 
Tapajós Amazônica Geração de 
Energia 
Turbinada 
Total 
46,20 
ANEEL 
PCH Presente 
de Deus 
Comodoro e 
Campos de 
Júlio 
R. Juína, 
afluente do R. 
Juruena 
Tapajós Amazônica Geração de 
Energia 
Turbinada 
Total 
44,20 
ANEEL 
PCH 
Figueirópolis 
Figueirópolis 
D’Oeste e 
Indiavaí 
R. Jauru, Paraguai Paraná Geração de 
Energia 
Turbinada 
Total 
148,10 
* BH: Bacia Hidrográfica; ** SANEAR: Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis; *** ANEEL: 
Agência Nacional de Energia Elétrica 
Fonte: DOE (10-11/2007). 
 
 
 
A Portaria N◦ 121, de 15 de outubro de 2007, da SEMA, definiu que a Unidade de 
Planejamento e Gerenciamento Hídrico do Rio São Lourenço (UPG P – 5), onde está a 
SANEAR, é a bacia prioritária para o início das emissões de outorga de captação direta em 
manancial superficial. 
 A Portaria N. 120, de 15 de outubro de 2007, da SEMA, define as taxas administrativas 
para emissão de outorgas de direito de uso de recursos hídricos de domínio do Estado, conforme 
a Tabela 7. Tais taxas são referentes aos custos de Análise e de Publicação da Outorga de 
captação direta em manancial superficial. 
Conforme o art. 2º, da Portaria 120, os usuários que se declararem pertencentes à 
categoria de uso insignificante deverão apresentar a SEMA o ‘Cadastro Estadual de Uso 
Insignificante de Água’ de acordo com a legislação pertinente e recolher a taxa adequada e o art. 
3º faz referência à vistoria para a emissão de outorga, caso haja necessidade, e assim a SEMA 
solicitará do empreendedor o recolhimento da taxa que será calculada de acordo com a Lei 
Estadual nº 8.418, de 28/12/2005. 
 
 
Tabela 7: Taxas administrativas para emissão de outorgas de direito de uso de recursos hídricos 
de Mato Grosso. 
 
 Custo Total 
(UPF/MT) 
Captação direta em manancial superficial. 23 
Conversão de DRDH em outorga de direito de uso da água. 170 
Alteração, Renovação, Transferência ou Desistência da Outorga de direito de 
uso da água. 
23 
Cadastro de Uso Insignificante da Água. 1 
 
Fonte: Portaria 120, da SEMA (2007). 
 
 
Os procedimentos referentes à emissão de Declaração de Reserva de Disponibilidade 
Hídrica (DRDH) e de outorga de direito de uso de recursos hídricos, para uso de potencial de 
energia hidráulica superior a 1MW em corpo de água de domínio do Estado são tratados na 
Portaria 122, de 15 de outubro de 2007, da SEMA. O art. 1º diz que para licitar a concessão ou 
autorizar o uso do potencial de energia hidráulica em corpo de água de domínio do Estado, a 
Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL deverá promover, junto à SEMA, a prévia 
obtenção da DRDH e que, conforme o art. 3º, não serão cobradas taxas, exceto quando o 
empreendedor fizer solicitação da conversão da DRDH em Outorga de Direito de Uso da Água. 
O art. 4º menciona que para avaliação da emissão da DRDH, a SEMA considerará: os usos, 
atual e planejado, dos recursos hídricos na bacia hidrográfica, cujo impacto se dá 
predominantemente na escala da bacia; e o potencial benefício do empreendimento hidrelétrico, 
cujo impactose dá preponderantemente na escala nacional. O art. 5º enfatiza que a DRDH não 
confere direito de uso de recursos hídricos e se destina, unicamente, a reservar a quantidade de 
água necessária à viabilidade do empreendimento hidrelétrico, sendo esta concedida pelo prazo 
de até três anos, podendo ser renovada por igual período, a critério da SEMA. 
A Portaria N. 123, de 15 de outubro de 2007, assim como a Portaria N. 113, de 03 de 
setembro de 2008, da SEMA, definem os roteiros para solicitação de outorgas de captação 
superficial em recursos hídricos de domínio do Estado de Mato Grosso. Os roteiros de 
solicitação foram divididos conforme os seguintes objetivos: converter a DRDH em outorga de 
direito de uso da água; expedir ato administrativo que faculta ao outorgado o direito de uso de 
recurso hídrico, por prazo determinado, com termos e condições expressas no respectivo ato; 
alterar a vazão ou outro item da outorga de direito uso de recursos hídricos; renovar a outorga 
de direito de recursos hídricos; transferir a outorga de direito de recursos hídricos; cadastrar os 
usuários que declaram uso insignificante de água. 
As Portarias 144, 145, 146, 147, 153, 171 e 172/2007, da SEMA, declararam reservadas, 
na seção do Rio Piolhinho, Córrego Maracanã, Rio Apiacás (em dois locais), Rio Jauru, Rio 
Juína (em dois locais), respectivamente, informadas no Projeto Básico da Pequena Central 
Hidroelétrica (PCH) Esperança, Maracanã, Cabeça de Boi, da Fazenda, Figueirópolis, Presente 
de Deus e Comodoro, respectivamente, as vazões naturais afluentes, subtraídas: das vazões 
destinadas ao atendimento de usos consuntivos a montante; e das vazões destinadas à vazão 
remanescente no trecho entre o barramento e o canal de fuga. 
O art. 2o, das referidas Portarias, ressalta que as vazões reservadas têm a finalidade de 
garantir a disponibilidade hídrica necessária à viabilidade do aproveitamento hidrelétrico 
Esperança, Município de Comodoro/MT, observadas as características determinadas pelas 
referidas Portarias. O art. 3º, das mesmas portarias, menciona que as características apresentadas 
nos artigos 1o e 2o, poderão ser alteradas mediante solicitação da Agência Nacional de Energia 
Elétrica (ANEEL), acompanhada de um estudo técnico fundamentado específico, podendo ser 
exigida a aprovação do órgão ambiental responsável ou por força da definição de condições em 
Licenças Ambientais, a critério da Secretaria de Estado do Meio Ambiente - SEMA. 
Em 15 de maio de 2008, foi publicada a Instrução Normativa N. 08, que dispõe sobre os 
procedimentos a serem adotados para os processos de outorga de uso de recursos hídricos de 
águas de domínio do Estado do Mato Grosso. O art. 7º ressalta que ao analisar os pedidos de 
outorga de uso de recursos hídricos, a SEMA deverá observar: a disponibilidade hídrica para 
atendimento à solicitação; o uso racional da água pelo empreendimento. Em Parágrafo Único é 
destacado que a avaliação quanto ao uso racional da água deverá considerar a compatibilidade 
entre a demanda hídrica e as finalidades pretendidas e o art. 8º menciona que o requerimento 
para renovação de outorga de direitos de uso de recursos hídricos deverá ser encaminhado a 
SEMA no prazo mínimo de noventa dias anteriores à data de expiração da vigência da 
autorização. O art. 12 cita que a SEMA manterá cadastro dos usuários de recursos hídricos 
contendo, para cada corpo de água, no mínimo: registro das outorgas emitidas e dos usos que 
independem de outorga; vazão máxima instantânea e volume diário outorgado no corpo de água 
e em todos os corpos de água localizados a montante e a jusante. Em Parágrafo Único é 
elucidado que a cada emissão de nova outorga a autoridade outorgante fará o registro do 
aumento da vazão e do volume outorgados no respectivo corpo de água. O art. 13 refere que 
para os empreendimentos usuários de água, a outorga preventiva, quando for o caso, ou a 
outorga de direito de uso de recursos hídricos deverá ser apresentada para a obtenção da Licença 
Prévia – LP. O art. 14 relata que a SEMA poderá definir bacias e setores prioritários para a 
emissão da outorga preventiva e/ou outorga de direito de uso de recursos hídricos e que a 
definição de bacias prioritárias não impede que a SEMA solicite a outorga para 
empreendimentos localizados nas demais bacias do Estado. 
A Instrução Normativa N. 09, de 26 de maio de 2008, da SEMA, tal qual a Portaria 122, 
dispõe sobre procedimentos referentes à emissão de Declaração de Reserva de Disponibilidade 
Hídrica (DRDH) e de outorga de direito de uso de recursos hídricos, para uso de potencial de 
energia hidráulica superior a 1 MW em corpo de água de domínio do Estado. 
Em abril, junho, julho e outubro de 2008 novos usuários de Recursos Hídricos 
requereram, junto à SEMA, a Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos, conforme a 
Tabela 8. 
 
Tabela 8: Usuários de Recursos Hídricos de Mato Grosso que requereram a Outorga de Direito 
de Uso de Recursos Hídricos, junto à SEMA/MT, em 2008. 
 
Abril 
Usuário Município Rio/Córrego/ 
Ribeirão 
Sub-bacia BH* Finalidade Vazão 
(m3) 
Vinícius Tomazetti, 
Fazenda Cabeceira 
da Ferradura 
Primavera 
do Leste 
- R. das 
Mortes 
Araguaia Irrigação 1,0653 
Carlos Ernesto 
Augustin, Fazenda 
Marajoara 
Itiquira Ribeirão 
Comprido 
Rio 
Paraguai 
Paraguai Irrigação 0,254 
Carlos Gomes 
Bezerra, Fazenda 
São Carlos 
Campo 
Verde 
Córrego 
Roncador 
Rio 
Paraguai 
Paraguai Irrigação 0,053 
Nelson Marcon, 
Fazenda Marcon 
Poxoréo Rio Coité Rio 
Paraguai 
Paraguai Irrigação 0,2486 
 
Perdigão 
Agroindustrial S.A 
Mirassol 
d’Oeste 
Córrego 
Escondido 
Rio 
Paraguai 
Paraguai Indústria 0,0522 
Junho 
ANEEL ** 
PCH Santana I 
Nortelândia Rio Santana Rio 
Paraguai 
Paraguai Geração de 
energia 
Turbinada 
19,6 
Armando Martins de 
Oliveira, Fazenda 
Araguari 
Araputanga Córrego 
Uembé 
Rio 
Paraguai 
Paraguai Irrigação 0,0537 
BERTIN S/A Diamantino C. Água Boa e 
C. Água Fria 
- Amazônica Indústria C. A. Boa 
0,09 
C. Á. Fria 
0,242 
Terezinha Strapasson 
Fockink, Fazenda 
Cabeceira da 
Ferradura 
Primavera 
do Leste 
Rio das 
Mortes 
Rio 
Araguaia 
Tocantins-
Araguaia 
Irrigação 0,505 
Anselmo Basso, 
Fazenda Bartira 
Diamantino Córrego Três 
Lagoas 
Rio 
Paraguai 
Paraguai Irrigação 0,12113 
MARFRIG 
Frigoríficos e 
Comércio de 
Alimentos 
Tangará da 
Serra 
Córrego 
Queima Pé 
Rio 
Paraguai 
Paraguai Indústria 0,0347 
Julho 
Wilson Daltrozo 
Fazenda Cidade 
Primavera 
do Leste 
Córrego 
Perdido 
- Tocantins-
Araguaia 
Irrigação 0,1761 
Celso Carlos 
Roquetto, Fazenda 
Araxingú 
Canarana Córrego 
Jangada 
- Amazônica Irrigação 0,355 
Frigorífico 
MARGEN 
Barra do 
Garças 
Córrego Fundo - Tocantins-
Araguaia 
Indústria 0,014 
Vilmar Giachini Cláudia Ribeirão Leda - Amazônica Irrigação 0,1675 
Independência S/A 
 
Nova 
Xavantina 
Ribeirão 
Cachoeira 
- Tocantins-
Araguaia 
Indústria 0,056 
Usina Pantanal De 
Açúcar E Álcool 
Ltda 
Jaciara Rio Tenente 
Amaral 
- Paraguai Indústria 0,244 
Usina Jaciara S.A Jaciara Rio Tenente 
Amaral 
- Paraguai : Indústria 0,222 
BERTIN S.A Diamantino Rio Preto - Amazônica Indústria 0,332 
Jefferson Luiz 
Casteli 
Primavera 
do Leste 
Ribeirão Sapé - Araguaia-
Tocantins 
Irrigação 0,0965 
Agosto 
Giachini E Bagatini 
LTDA 
Cláudia Rio Leda - Amazônica Irrigação 0,13833 
Osmair Mozer 
Braga, Fazenda 3K 
Nova 
Mutum 
Córrego Doze 
de Maio 
- Amazônica Irrigação 0,020 
Airton Guimarães 
Botaro, Sítio Boa 
Sorte 
Nova 
Mutum 
Córrego Doze 
de Maio 
- Amazônica Irrigação 0,011 
Independência S/A 
 
Nova 
Xavantina 
Ribeirão 
Cachoeira 
- Tocantins-
Araguaia 
Indústria 0,056 
Carlos Ernesto 
Augustin, Fazenda 
Triângulo 
Pedra Preta Córrego das 
Garças 
- Paraguai Irrigação 0,3565 
Ênio Desbessel, 
Fazenda Toledo 
Herança 
Diamantino Córrego Três 
Lagoas; 
- Amazônica Irrigação 0,16644 
PREFORMAX 
Indústria Plástica 
S/A 
Nova 
Lacerda 
Córrego do 
Bolo 
- AmazônicaGeração de 
Energia 
0,66 
* BH: Bacia Hidrográfica; ** ANEEL: Agência Nacional de Energia Elétrica. 
Fonte: DOE (04-08/2008). 
 
 
 
 
 
A Portaria N. 103, de 08 de agosto de 2008, da SEMA, resolve outorgar a BERTIN S/A, 
o direito de uso dos recursos hídricos para captação de água no rio Preto, com a finalidade de 
abastecimento do empreendimento composto das unidades de criação de bovino em 
confinamento, frigorífico para abate de bovino e curtimento de pele bovina no município de 
Diamantino. A vazão máxima diária para captação será de 500m³/h (0,139m³/s), operando 
24h/dia, 30 dias por mês, durante 360 (trezentos e sessenta) dias do ano, perfazendo um volume 
máximo anual de 4.320.000,00m³. 
A Portaria N. 105, de 12 de agosto de 2008, da SEMA, outorgou à TEREZINHA 
STRAPASSON FOCKIN o direito de uso dos Recursos Hídricos, para dois pontos de captação 
de água no Rio das Mortes, e um terceiro ponto no Reservatório da PCH Primavera localizado 
no Rio das Mortes, com a finalidade de irrigação de culturas de feijão, milho, soja, trigo e 
pastagem pelo sistema de irrigação por aspersão móvel com equipamento tipo pivô central na 
Fazenda Cabeceira da Ferradura, zona rural do município de Primavera do Leste/MT. De acordo 
com esta Portaria, o ponto de captação 01 poderá ter vazão máxima de captação de 522m3/h 
(145 l/s); o ponto 02 de 522m3/h (145 l/s) e o ponto 03 de 774m3/h (215 l/s) todos, variando 
mensalmente, conforme tabelas anexadas à Portaria. 
Em 12 de agosto de 2008, foi publicada a Portaria N. 104, que em seu art. 1º declara 
reservada, na seção do Rio Santana, às coordenadas, informadas no Projeto Básico Consolidado 
da Pequena Central Hidroelétrica PCH Santana I, as vazões naturais afluentes, subtraídas: das 
vazões destinadas ao atendimento de usos consuntivos a montante; e das destinadas a vazão 
remanescente entre o barramento e o canal de fuga. As vazões reservadas têm a finalidade de 
garantir a disponibilidade hídrica necessária à viabilidade do aproveitamento hidrelétrico 
Santana I, Municípios de Nortelândia e Diamantino/MT. 
 
 
4. A Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos 
 
 A Lei 9.433/1997 - introduziu a cobrança pelo uso da água no Brasil como um 
instrumento de gestão e como um instrumento econômico a ser aplicado tanto para os usos 
quantitativos, quanto para os usos qualitativos. Os princípios da cobrança pelo uso da água são 
fundamentados nos conceitos de “usuário pagador” e do “poluidor pagador”, adotados com o 
objetivo de combater o desperdício e a poluição das águas, de forma com que quem desperdiça 
e polui paga mais. 
 O art. 13 da Lei Estadual 6.945/97 refere-se à cobrança pelo uso da água como um 
instrumento gerencial que tem por objetivos: conferir racionalidade econômica ao uso da água, 
dando ao usuário uma indicação de seu real valor; disciplinar a localização dos usuários, 
buscando a conservação dos recursos hídricos de acordo com sua classe de uso preponderante; 
incentivar a melhoria dos níveis de qualidade dos efluentes lançados nos mananciais e promover 
a melhoria do gerenciamento das áreas onde foram arrecadados os recursos. 
No Estado de Mato Grosso, até o presente momento não há cobrança pelo uso dos 
recursos hídricos. Para que ocorra a implementação de cobrança, é crucial que os demais 
instrumentos, cadastro de usuários, sistema de informações, outorga e enquadramento, estejam 
implantados e em funcionamento. 
 
 
Comitê de Bacia Hidrográfica 
 
O art. 17 da Lei N. 6.945/1997, indica os componentes do Sistema de Gerenciamento: o 
Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CEHIDRO; os Comitês Estaduais de Bacias 
Hidrográficas; o Órgão Coordenador Gestor, no caso a Superintendência de Recursos 
Hídricos/SEMA. 
Apreciados pelas Leis Federal e Estadual, os Comitês de Bacia Hidrográfica, são uma 
nova realidade institucional brasileira, permitindo a participação dos usuários, da sociedade civil 
organizada e de representantes de governos municipais, estaduais e federal, para discutir a 
problemática referente aos recursos hídricos e a busca de soluções. São órgãos parlamentares, 
vinculados ao Poder Público, e subordinados aos respectivos Conselhos de Recursos Hídricos, 
portanto a instância mais importante de participação e integração do planejamento e gestão da 
água. A Lei 9.433/97 determina que a área de atuação dos comitês seja a bacia hidrográfica, 
podendo abranger sua totalidade, sub-bacia de tributário ou grupo de bacias ou sub-bacias 
hidrográficas contínuas. Há de ressaltar que como órgãos, os comitês não possuem 
personalidade jurídica, contudo sua atuação decorre de lei, haja vista que devido à sua natureza 
de ente integrante da Administração (órgãos de Estado) e seu funcionamento. No Estado de 
Mato Grosso, a PERH não concedeu aos comitês de bacia hidrográfica competências 
deliberativas. Para reverter essa situação, o CEHIDRO, através da Resolução N. 04, de 
31/05/06, instituiu normas e critérios para o estabelecimento dos Comitês de Recursos Hídricos 
no Estado do Mato Grosso. 
Conforme o MMA /SRH (2007) a referida resolução menciona as competências 
deliberativas para os comitês. No entanto, essas competências deveriam ter sido objeto de 
alteração da Política Estadual, visto que o regulamento da lei não pode alterá-la. Mas, 
juridicamente esta situação permanece, pois as novas competências podem ser questionadas em 
face do princípio da legalidade, citado no art. 37, “caput”, da Constituição Federal. Portanto, 
como órgãos de Estado, os comitês estão subordinados às regras estabelecidas na Constituição 
para a Administração Pública. Verifica-se então, que os comitês, são órgãos de estudos que 
uma instância de decisão, visto que suas decisões serão sempre submetidas ao CEHIDRO. 
Todavia, há de considerar se um projeto de lei para alterar a atual Política Estadual de 
Recursos Hídricos não diminuiria o fortalecimento institucional da SEMA e de sua 
Superintendência de Recursos Hídricos, podendo esta ação ser deixada para um momento 
posterior, haja vista que a criação de comitês deve ocorrer quando há vontade local, ou 
existência de conflitos pelo uso da água. Da implementação do instrumento de cobrança pelo 
uso da água no Estado de Mato Grosso seria o momento propício para a retomada do papel dos 
comitês de bacia. Pois ao se estabelecer os valores pelo uso, os usuários em questão manifestam 
sua vontade de criação de comitê de bacia, situações observadas em bacias hidrográficas onde a 
cobrança já foi instituída. Neste momento cria-se um ambiente favorável à gestão participativa 
e descentralizada, devido à negociação e articulação entre Poder Público, usuários e sociedade 
civil organizada. Assim, na evolução da implantação da Política Estadual dos Recursos Hídricos 
de Mato Grosso, a revisão da Lei nº 6.945/97 será propícia. 
 As competências dos comitês são: promover os estudos e a discussão dos planos que 
poderão ser executados na área da bacia, oferecendo-os como sugestão a Secretaria Estadual do 
Meio Ambiente; promover ações de entendimento, cooperação, fiscalização e eventual 
conciliação entre usuários competidores pelo uso da água da bacia; propor à SEMA ações 
imediatas quando ocorrerem, situações críticas; elaborar seu regimento interno e submetê-lo a 
aprovação do CEHIDRO; articular-se com comitês de bacias próximas para solução de 
problemas relativos a águas subterrâneas de formações hidrogeológicas comuns a essas bacias; 
contribuir com sugestões e alternativas para a aplicação da parcela regional dos recursos 
arrecadados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos na região hidrográfica; sugerir critérios 
de utilização da água e contribuir na definição dos objetivos de qualidade pare os corpos de 
água da região hidrográfica; examinar o relatório técnico anual sobre a situação dos recursos 
hídricos na região hidrográfica e exercer as atribuições que lhes forem delegadas pela SEMA. 
De acordo com Gerente de Fomento e Apoio a Comitê de Bacia Hidrográfica – GFAC- 
a Superintendência de Recursos Hídricos de Mato Grosso recebeu, no ano de 2008, 10 pedidos 
de criação de comitês de bacia hidrográfica (Tabela 9), que estão sendo analisados para a 
viabilidade de instituição. 
 
 
 
 
 
 
 
Tabela 9: Municípios de Demanda para instituição de Comitê de Bacia Hidrográfica em Mato 
Grosso. 
 
Município de Demanda Bacia e Sub-bacia Hidrográficas 
Barra do Garças Rio Garças 
Campo Verde Nascente do Rio das Mortes 
Campos de Julio Rio Juína e Formiga 
Cuiabá Rio Coxipó 
Cuiabá Rio Cuiabá 
D. Aquino e Rondonópolis Rio São Lourenço 
Juína Rio Perdido 
Marcelândia Rio Manissaua-Miçu (Manito) 
Sorriso Rio Ten. Lira / Celeste 
Tangará da Serra Rio Sepotuba 
Fonte: Gerência de Fomento e Apoio a Comitê de Bacia Hidrográfica, a Superintendência de Recursos 
Hídricos de Mato Grosso (2008). 
 
 
 
Comitê das Sub-Bacias Hidrográficas dos Ribeirões do Sapé e Várzea Grande – 
COVAPÉ 
 
 Criado pelo Decreto N. 009/2004 do CEHIDRO, o Comitê das Sub-Bacias 
Hidrográficas dos Ribeirões do Sapé e Várzea Grande – COVAPÉ, é o único comitê instituído 
no Estado de Mato Grosso. Estes corpos d’água são afluentes da sub-bacia do Rio das Mortes, 
por sua vez componente da Bacia Hidrográfica Araguaia / Tocantins. O COVAPÉ localiza-se 
em Primavera do Leste, local onde existem 120 pivôs instalados, e que o uso excessivo e 
indiscriminado da água por irrigantes, levou à escassez do recurso e à necessidade de 
negociação entre os usuários, para viabilizar suas atividades. A área total irrigada, no Alto Rio 
das Mortes é de 7.129,47ha e o volume de água utilizado nesta atividade é de 201.427,40 
m3/dia. O COVAPÉ tem a função de gerenciar o uso das águas para que seja feito de forma 
racional, de acordo com a lei, preservando os cursos d´água. A atenção é voltada principalmente 
para o meio rural, visando ao ordenamento da agricultura irrigada. 
 Vale ressaltar que os instrumentos de gestão de recursos hídricos são fortemente 
interdependentes e complementares (Figura 3) e a implementação dos mesmos requer, antes de 
mais nada, organização social e isto depende de participação e aceitação efetiva de todos os 
atores envolvidos, além de capacitação técnica, política e institucional. 
 
Sistema Estadual de Informações
Cadastro de Usuários
Monitoramento Quali-quantitativo
Plano de Bacia
FEHIDRO
Comitê de Bacia
Política Estadual de Recursos Hídricos – PERH
Lei Estadual N. 6.945 
Outorga
Enquadramento Cobrança
Investimentos na bacia
Planos de 
Intervenções
Qualidade
Diretrizes
Recursos
Prioridades
 
Figura 3: Interdependência complementar dos instrumentos de gestão de recursos hídricos. 
 
 
3. O ESTADO DE MATO GROSSO 
 
Localização e Aspectos Físicos 
 
 Localizado na região Centro-Oeste brasileira (Figura 4), o Estado de Mato Grosso é 
considerado a terceira unidade federativa em extensão territorial com extensão de 
903.357.908km2, distribuídos em 141 unidades administrativas e 51 áreas indígenas inseridas 
em importantes bacias hidrográficas nacionais. 
 
 
 
Figura 4: O Estado de Mato Grosso: Divisão Política. 
 
De acordo com a Figura 5, o Estado abriga três ecossistemas distintos: a Floresta 
Amazônica com 52%, Cerrado Brasileiro com 41% e pantanal com 7% (MATO GROSSO, 
2006). 
 
 
 
 
Figura 5: O Estado de Mato Grosso: Vegetação. 
 
 
Conforme a classificação de Köppen, o clima tropical de Mato Grosso é do tipo 
equatorial e tropical. A temperatura média anual ultrapassa os 26ºC e ocorrem fortes amplitudes 
térmicas diárias e pequenas variações térmicas médias anuais. Estas características estão 
associadas a um período seco (maio a setembro) e outro chuvoso (outubro a abril) (AMORIM, 
2001). O índice pluviométrico anual varia entre 2500mm a 1000mm, sendo que ocorre 
diminuição deste índice de norte para noroeste, em direção ao sul e sudoeste e a porção norte 
do estado concentra os maiores totais pluviométricos (até 2500mm), enquanto a diminuição é 
gradual em direção ao Pantanal, caindo para até 1000mm. Na estreita faixa ao longo do rio 
Araguaia, as precipitações aumentam de sul para norte, de 1300mm para 1700mm (MMA/SRH, 
2007). 
A cobertura vegetal do Estado, na sua maioria, 47%, é coberta de Florestas Ombrófilas 
e Florestas Estacionais, com presença de dosséis superiores a 40 metros de altura, presentes ao 
norte do Estado. As áreas de cerrado representam 39%, e localizam-se na porção sul centro – 
sul do Estado e no Pantanal a cobertura vegetal predominante é do tipo cerrado, alternando áreas 
de campos abertos, com árvores dispersas. Podem ser encontradas, de forma esporádica, 
manchas de vegetação arbórea densa, porém, a cobertura de gramínea é reinante (MATO 
GROSSO, 2001). 
O Estado possui altitudes modestas, apresentando grandes superfícies aplainadas, 
talhadas em rochas sedimentares. Esse relevo é composto de três unidades distintas: o planalto 
mato-grossense, o planalto arenítico-basáltico,e uma pequena parte do Pantanal Mato-
Grossense, baixada da porção centro-ocidental (MATO GROSSO, 2001). 
 
 
 
Recursos Hídricos 
 
O Estado de Mato Grosso incorpora as nascentes de três importantes bacias 
hidrográficas: Amazônica, Alto Paraguai e Tocantins – Araguaia, com 19,6 % , 65,7 % e 14,7%, 
respectivamente, de sua extensão, inserida no território matogrossense (Figura 6) e é o estado 
brasileiro que apresenta o maior valor de escoamento de águas por ano, totalizando um volume 
de 522km³/ano, demonstrando, assim, o seu elevado potencial hídrico (MMA/SRH, 2007). 
 
 
Figura 6: Regiões Hidrográficas das Bacias: Amazônica, Tocantins-Araguaia e Paraguai, no 
Estado de Mato Grosso. 
 
 
O CEHIDRO, através da Resolução n. 005, de 18/08/2006, instituiu a Divisão 
Hidrográfica Estadual para subsidiar a implementação do Plano Estadual de Recursos Hídricos- 
PERH. Sendo assim, foram criadas 27 Unidades de Planejamento e Gerenciamento (UPG) 
(Figura 7), implantadas em três regiões hidrográficas nacionais (I - Amazônica; II - Paraguai e 
III - Tocantins-Araguaia) e em cinco macrobacias de contexto regional (I - Rio Aripuanã; II - 
Rio Juruena -Teles Pires; III- Rio Xingu; IV - Alto Rio Paraguai e V - Rio Araguaia). Estas 
macrobacias foram subdivididas em Unidades de Planejamento e Gestão – UPG (Tabela 10), e 
esta divisão não acompanhou um rigoroso critério geográfico e hidrológico, já que também 
foram respeitados outros critérios como distâncias entre sede de municípios e afinidades 
regionais. Isso apresenta dificuldades para obtenção da disponibilidade hídrica, visto que não há 
como separar UPG’s que têm como limite um mesmo rio, como acontece com o Xingu. O 
Pantanal que possui extensa área de 65.160 km2 não foi subdividido em bacias menores, devido 
à sua complexidade de drenagem, ao constituir-se de rios, corixos e vazantes. (MMA/SRH, 
2007). 
 
 
 
 
Figura 7: Divisão Hidrográfica de Mato Grosso: A) em UPGs e B) em Macrobacias. 
A 
B 
 
 
Tabela 10: Divisão Hidrográfica do Estado de Mato Grosso. 
 
I. REGIÃO HIDROGRÁFICA NACIONAL DO RIO AMAZÔNAS – UPG* 
I- Região Hidrográfica 
 Regional do Rio Aripuanã 
 
Rio Guaporé 
Rio Aripuanã 
Rio Roosevelt 
A-5 
A-2 
A-1 
 
 
II – Região Hidrográfica do 
Rio Juruena – Teles Pires 
 
Alto Rio Juruena 
Rio Sangue 
Rio Arinos 
Baixo Rio Juruena 
Alto Rio Teles Pires 
Médio Rio Teles Pires 
Baixo Rio Teles Pires 
A-14 
A-13 
A-12 
A-3 
A-11 
A-5 
A-4 
 
III – Região Hidrográfica do 
Rio Xingú 
 
Alto Rio Xingu 
Rio Ronuro 
Rio Suiã –Miçu 
Rio Manissauá-Miçu 
Médio Rio Xingu 
A-9 
A-10 
A-8 
A-6 
A-7 
II - REGIÃO HIDROGRÁFICA DO PARAGUAI – UPG* 
 
 
IV - Região Hidrográfica do 
Alto Rio Paraguai 
 
Alto Paraguai Superior 
Alto Paraguai Médio 
Rio Jaurú 
Rio São Lourenço 
Rio Correntes –Taquari 
Alto Rio Cuiabá 
Rio Paraguai Pantanal 
P-3 
P-2 
P-1 
P-5 
P-6 
P-4 
P-7 
III - REGIÃO HIDROGRÁFICA DO TOCANTINS – ARAGUAIA – UPG* 
 
V - Região Hidrográfica do 
Rio Araguaia 
Alto Rio Araguaia 
Médio Rio Araguaia 
Baixo Rio Araguaia: 
Alto Rio dasMortes 
 Baixo Rio das Mortes 
TA-3 
TA-2 
TA-1 
TA-4 
TA-5 
* UPG – Unidade de Planejamento e Gerenciamento; Bacia Hidrográfica Amazônica – A; Bacia Hidrográfica do 
Paraguai – P; Bacia Hidrográfica do Tocantins-Araguaia – TA. 
Fonte: Resolução n. 005 – CEHIDRO-MT (2006). 
 
 
 
Aspectos Populacionais, Demanda de Água e Saneamento 
 
De acordo com o IBGE (2005) a população do Estado é de 2.856.999 habitantes que 
possuem uma grande diferença sócio-econômica-cultural e a densidade populacional é de 2,6 
habitantes por Km2. 
Conforme a Tabela 11, o Estado, a partir da década de 1970, apresentou um crescimento 
populacional, resultado do fluxo migratório incentivado pelas políticas de ocupação da região 
Amazônica, cujos “projetos de colonização foram implantados via urbanização” (MATO 
GROSSO, 2004). Contudo, tal crescimento do Estado não foi homogêneo, visto que no norte a 
densidade demográfica é de 1,8 hab/km² e em áreas urbanas, como Cuiabá e Várzea Grande, 
este valor sobe para 154,19 hab/km² e 242,20 hab/km² respectivamente. (IBGE, 2008). 
O crescimento populacional do Estado provocou o aumento das demandas de água, 
principalmente para abastecimento urbano, industrial e irrigação. Do total de água consumido 
pela população urbana do Estado, cerca de 320.000m3/dia, 79.000 m3/dia (25%) e 48.000m3/dia 
(15%) são de captação superficial e subterrânea, respectivamente. Os resultados obtidos por 
MATO GROSSO/SEPLAN (2006) relatam que 42.000m3/dia (13%) são utilizados sem que haja 
uma especificação de captação e 154.000m3/dia (47%) são consumidos de forma não 
controlada. Cuiabá, capital do Estado, seguiu o mesmo ritmo de desenvolvimento de Mato 
Grosso, o que pode ser observado pela Tabela 12 
 
Tabela 11: Evolução da população recenseada no Brasil, na região Centro-Oeste e no Estado de 
Mato Grosso, no período de 1950 a 2006 – taxa média geométrica anual. 
 
Período Brasil (%) Centro-Oeste(%) Mato Grosso(%) 
1950-1960 3,04 5,45 4,19 
1960-1970 2,89 5,60 6,51 
1970-1980 2,48 4,05 6,62 
1980-1991 1,93 2,04 5,38 
1991-1996 1,36 2,18 1,97 
1996-2000 1,97 2,60 2,87 
2000-2003 1,37 1,91 1,92 
2003-2006 1,83 2,51 2,52 
 
Fonte: IBGE – Censos de 1950 a 2006. 
 
 
Tabela 12: Evolução do número de ligações da rede de água, por setores, de Cuiabá/MT, no 
período de 2000 a 2005. 
 
Categoria 2000 2001 2002 2003 2004 2005 
Residencial 108.524 111.120 118.527 113.220 115.416 121.22
3 
Comercial 8.201 8.340 8.675 7.427 7.735 8.262 
Industrial 1.038 885 837 566 100 176 
Poder 
Público 
691 744 1.014 645 621 674 
Ligações 
Cadastradas 
118.454 121.089 129.053 121.858 123.872 130.33
5 
Volume 
Produzido de 
Água (m3) 
64.303.135 63.202.374 66.514.074 72.838.582 80.621.251 72.898
.585 
 
Fonte: IPDU (2007). 
 
 
 De acordo com MMA/SRH (2007) o esgotamento sanitário do Estado, mesmo 
registrando um moderado aumento no atendimento domiciliar, é precário em relação à média 
nacional e ao tamanho de seu contingente populacional (Figura 8), visto que apenas 59,5% da 
população estadual conta com serviços de saneamento básico, sendo que 17% dos domicílios é 
ligado à rede coletora e 42,3% fazem uso de fossa séptica, o que pode acarretar em 
contaminação do lençol freático. 
Em relação à diluição de esgotos e de efluentes do Estado, o levantamento realizado por 
MATO GROSSO/SEPLAN (2006) mostrou que somente 16 cidades (Tabela 13) possuem 
estação de tratamento de esgotos e que, por enquanto, atendem parcialmente a população, 
acarretando assim, em lançamento de esgotos “in natura” nos corpos hídricos superficiais do 
Estado. Tal procedimento deve ser considerado na gestão de recursos hídricos, visto que pode 
acarretar em transmissão de doenças de veiculação hídrica. No resto do Estado, predomina o 
uso de sistemas de fossas, que podem comprometer a qualidade das águas subterrâneas, 
visto que estas são, normalmente, construídas sem as técnicas adequadas. 
0
20
40
60
80
100
120
Centro-
Oeste
Mato 
Grosso
Mato 
Grosso do 
Sul
Góias Distrito 
Federal
BrasilPe
rc
en
tu
al
 d
e 
do
m
ic
íli
os
 
co
m
 e
sg
ot
am
en
to
 s
an
itá
rio
Esgotamento Sanitário: rede coletora e fossa séptica
1997 2003
 
 
Figura 8: Esgotamento Sanitário ligado à rede coletora e fossa séptica, no Brasil, na região 
Centro-Oeste, em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. 
 
 
Tabela 13: Municípios matogrossenses que possuem estação de tratamento de esgotos. 
 
Bacia Hidrográfica: Amazônica 
Macrobacia UPG Município 
Manissauá-Miçú A-6 Cláudia 
Alto Teles Pires A-11 Lucas do Rio Verde e 
Paranatinga 
Guaporé A-15 Pontes e Lacerda 
Bacia Hidrográfica: Tocantins- Araguaia 
Alto Araguaia TA-3 Barra do Garças e 
Ribeirãozinho 
Alto Rio das Mortes TA-4 Primavera do Leste e 
Nova Xavantina 
Bacia Hidrográfica: Paraguai 
 
 
Jauru 
 
 
P-1 
Mirassol d’Oeste, Porto 
Espiridião e São José 
dos Quatro Marcos. 
 
Alto Paraguai Médio P-2 Tangará da Serra 
Alto Paraguai Superior P-3 Barra do Bugres 
Alto Rio Cuibá P-4 Várzea Grande e 
Cuiabá 
São Lourenço P-5 Rondonópolis 
 
Fonte: MATO GROSSO/SEPLAN (2006). 
 
 
Conforme o exposto anteriormente, o crescimento demográfico de Mato Grosso está em 
ritmo acelerado e desordenado, o que leva as conseqüências desastrosas para os recursos 
hídricos do Estado. 
Diante desta situação, um grande desafio para o Estado é a melhoria do padrão da 
qualidade de vida de seus cidadãos. Assim, o Estado tem como prioridade levar água tratada 
para toda a área urbana e para evitar um colapso de uma pressão de consumo, além da melhoria 
do saneamento básico. Avanços tecnológicos, estão contribuindo para o aprimoramento dos 
mecanismos de controle e de gestão de recursos hídricos, para garantir a disponibilidade de 
água, permitindo assim, moderação no processo da deterioração do recurso (MMA/SRH, 
2007). 
 
 
Aspectos Econômicos 
 
 Conforme a Figura 9a, o arcabouço produtivo de Mato Grosso apresenta forte 
concentração no agronegócio, especialmente na grande produção de grãos e de carne, superando 
em três vezes (14%) a média nacional (3,8). O setor industrial e o setor de serviço tiveram 
crescimento superior à média nacional, três vezes e meio e duas vezes e meio respectivamente e 
o PIB per capita do Estado, em 2004, foi de 97,6% do PIB per capita brasileiro (IBGE, 2008). 
 A Figura 9b evidencia as principais culturas mato-grossenses que tiveram uma taxa de 
crescimento elevada, no período de 1990 a 2004. De acordo com MMA/SRH (2007) as áreas 
destas culturas são caracterizadas por agricultura moderna e de intenso uso de insumos, 
associadas ao processo de urbanização e situadas próximas a importantes mananciais hídricos, 
com elevada antropização, a citar os ribeirões Sapé e Várzea Grande. 
 Conforme MATO GROSSO/SEPLAN (2006) as maiores áreas plantadas, no Estado, 
estão localizadas nas UPGs: Alto Teles Pires, Alto Juruena, Baixo Juruena, Arinos, Alto Xingu, 
Alto Rio das Mortes, São Lourenço e Taquari. 
 
 Taxa de Crescim ento 
das principais culturas de Mato Grosso
27%
14%
12%12%
35%
Algodão Soja Milho Arroz Cana-de-Açúcar
 
 
 
Figura 9: a) Crescimento econômico do Brasil, Centro-Oeste e Mato Grosso, no período de 
1985-2003. b) Taxa de crescimento das principais culturas de Mato Grosso, no período de 1990 
a 2004. 
 
 
De acordo com MATO GROSSO/SEPLAN (2006) a fruticultura no Estado, também se 
apresenta em ascensão, saltando de 65 para 120 mil toneladas de frutas em 2004, sendo que 
11.000ha foram utilizados para plantação de banana, 1200ha de abacaxi e 4000ha paras as 
plantações de coco, laranja e melancia. 
 No Estado de Mato Grosso, a plantação de cana-de-açúcar está vinculada à atividade 
sucro-alcooleira e à localização das indústrias de álcool. As UPGs que se destacam neste tipo de 
produção são as do Alto Paraguai, Alto Teles Pires, São Lourenço, Alto Juína e Arinos (Figura 
10). A produção de cana no Estado saiu de 4,9 milhões de toneladas, na safra de 1994/95 para 
14,3 milhões detoneladas, na safra de 2003/2004, apresentando, assim, um taxa anual de 
crescimento de 12,6% ao ano MATO GROSSO/SEPLAN (2006). Há de ressaltar que a 
atividade canavieira, a produção de açúcar e de álcool, entram em conflito com os recursos 
hídricos, visto que tais atividades degradam a qualidade das águas, principalmente do Pantanal, 
com os agrotóxicos e efluentes que penetram nos rios e no lençol freático (MMA/SRH,2007). 
B 
Serviços
23%
30%
47%
Brasil Centro-Oeste Mato Grosso
Agropécuária
15%
29%56%
c
Indústria
15%
31%
54%
A 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 10: Atividade sucro-alcooleira: produção de álcool. 
 
 
 
No Estado de Mato Grosso a área irrigada, atualmente, é de 36.073,01hectares, sendo 
que a cultura de feijão destaca-se com 13.181ha, o algodão com 8.743ha, e a soja com 6.800ha. 
Na região das UPGs do Alto Teles Pires, Alto Rio das Mortes, Juruena, São Lourenço, 
Araguaia e Alto Xingu localizam-se as maiores áreas irrigadas, (Figura 11) sendo que a 
demanda de água para a irrigação é da ordem de 1.019.163,50m3/dia (MMA/SRH, 2007). A 
Figura 12 ilustra a demanda potencial de água para alguns tipos de cultura cultivados no Estado. 
 
 
Figura 11: Áreas irrigadas de Mato Grosso. 
 
 
Demanda de água de algumas lavouras irrigadas para o 
Estado de Mato Grosso (Hm3)
26.435.950,05
11.290.169,28
76.452,08
6.381.744,45
172.346.055,06
Soja Milho Algodão Cana-de-açúcar Arroz
 
 
Figura 12: Demanda potencial de água por cultura cultivada no Estado de Mato Grosso. 
Fonte: MMA/SRH (2007). 
 
 
 
No Alto Rio das Mortes, principalmente no município de Primavera do Leste, a 
irrigação excessiva provocou uma carência do recurso água, provocando conflitos entre os 
irrigantes, promovendo assim, a criação do primeiro comitê de bacia hidrográfica do Estado de 
Mato Grosso. 
 A exploração madeireira, no Estado, é cada vez mais crescente, acompanhando a 
abertura de novas áreas vinculadas à colonização/assentamentos ou a grandes empreendimentos 
pecuários, nas regiões florestais do extremo norte do Estado, no ambiente de transição para a 
Floresta Amazônica. 
 Em 2000, dos 52% da área do Estado, constituída de floresta amazônica, 15% era 
explorada comercialmente e o Estado possuía 15.000ha para reflorestamento de essências para 
serrarias e laminações (mogno, pinho, cuiabano e teca) e 15.000ha de eucalipto para fins 
energéticos (IBGE, 2000). Na mesma época, os empreendimentos vinculados à exploração 
florestal, à madeireiras, à produção de esquadrias e casas pré-fabricadas,de laminados e 
compensados, de móveis de madeiras, comércio atacadista e varejista voltados para a referida 
cadeia produtiva, alcançavam o número de aproximadamente 1,7 mil estabelecimentos. 
Destaca-se aqui, que a retirada ou substituição da vegetação original implica em sensíveis 
consequências para as bacias hidrográficas, acarretando em mudanças no regime pluvial e 
fluvial, podendo levar à escassez do recurso água. 
 A atividade pecuária de Mato Grosso também se expandiu, contando, em 2004, com 
420,9 mil de eqüinos, asininos e muares; 426,9 mil ovinos e caprinos e 25,9 milhões de bovinos. 
O rebanho bovino encontra-se distribuído, principalmente na região do Paraguai – Pantanal, 
região de Guaporé, Médio Teles Pires, Baixo Teles Pires, Guaporé, Alto Teles Pires, Alto 
Juruena, Jaurú, Alto-Médio-Baixo Paraguai, São Lourenço, Alto Xingu, entre outras Por outro 
lado, os principais frigoríficos e abatedouros de bovinos situam-se nas UPGs de São Lourenço, 
Alto Cuiabá, Alto Teles Pires, Médio Teles Pires, Jaurú e Juruena, indicando assim, uma 
pressão territorial sobre as cabeceiras dos principais rios das bacias pantaneira, amazônica e do 
Rio das Mortes (MMA/SRH,2007). Recentemente, aves e suínos passaram a constituírem-se 
elementos da cadeia produtiva de Mato Grosso, porém com deficiências na produção primária 
de insumo, a indústria de insumo (ração e produtos veterinários), e a indústria de máquinas e 
equipamentos. O Estado registra a presença de 603 aviários, quatro empresas de abate, com uma 
média anula expressiva (MATO GROSSO/SEPLAN, 2006), que podem contribuir no volume 
de efluentes lançados nos corpos hídricos da região onde se inserem. 
 A piscicultura é potencial no Estado, contando com produção primária de piraputanga, 
tambacu, matrinxã, pacu, pintado e tambaqui, com a indústria de farinha e o processamento de 
pescado, com o comércio do produto (com vísceras ou sem vísceras). De acordo com o MATO 
GROSSO (2005), o Estado conta com 549 piscicultores, 1939 viveiros e a abrangência de uma 
área equivalente a 755,4 mil hectares. 
 A produção industrial cresceu, em 2003, a uma taxa de 11%, participando assim, de 
forma efetiva, no Valor Adicionado Bruto de 19%. Os segmentos que mais se destacam são 
aqueles ligados à agroindústria: a indústria química (21%), alimentícia (16 %), madeireira 
(12%) e bebidas (12%), todos fazendo pressão aos recursos hídricos, e consequentemente, 
implicando em pedidos de outorga. Nota-se também, entre 1985 e 2003, forte crescimento das 
indústrias de transformação e de energia (MATO GROSSO, 2006) 
 Mato Grosso apresenta um enorme potencial hidrelétrico (aproximadamente 
17.220mW) viabilizado pelas suas bacias hidrográficas. De 1995 a 2005 houve um acréscimo 
apreciável no número de consumidores de Mato Grosso, da ordem de 74,8% (passa de 446,6 mil 
para 780,4 mil), aumento que se torna mais relevante nas categorias rural (334,2% passando de 
14,7 mil consumidores para 63,8 mil) e industrial (incremento de 125,2%, passando de 5,5 mil 
para 12,3 mil, sugerindo assim, um bom indicador de mercado e o dinamismo crescente do setor 
industrial (CEMAT, 2005). A instalação de uma Pequena Central – PCH acarreta em prejuízo 
para o meio, e consequentemente para o corpo hídrico ao qual é instalada. 
 Todo esse intenso crescimento econômico e populacional gerou diversas demandas a 
serem superadas. Dentre elas, pelo grau de importância e urgência, cabe destacar a de infra-
estrutura viária para suportar a logística das novas exigências produtivas e a de abastecimento 
de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo que se associam diretamente à qualidade de vida. 
Como principais riscos, relacionados à questão de gestão dos recursos hídricos, podem ser 
destacados: o aumento do conflito pelo uso da água; o aumento da contaminação dos 
mananciais e a redução da qualidade e da oferta de água em algumas regiões. Logo a 
necessidade de adequação institucional e legal para funcionalidade dos instrumentos de gestão 
de recursos hídricos no Estado, torna-se necessária. 
 
 
 
 
Usos dos Recursos Hídricos 
 
 
1. Águas Superficiais 
 
Segundo o Zoneamento Sócio-Econômico-Ecológico- ZEE (MATO GROSSO, 2000), 
foram obtidas para as grandes bacias do Estado vazões específicas médias de 7 a 26 l/s/km2 para 
os contribuintes do rio Madeira (como o Guaporé). Para os rios Juruena e Teles Pires 
(formadores do rio Tapajós) de 22 a 27 l/s/km2; bacia do Xingu de 20 a 22 l/s/km2; Araguaia de 
11 a 20 l/s/km2 e para a bacia do Alto-Paraguai valores de 2,4 a 34 l/s/km2. 
 De acordo com o Diagnóstico Analítico do Pantanal e Bacia do Alto Paraguai (ANA, 
2003), as vazões específicas médias (l/s/km2) encontradas foram: para o Alto Paraguai: 12,7 
l/s/km2; Alto Cuiabá: 15,4 l/s/ km2;Baixo Cuiabá: < 0,5 l/s/ km2; Alto São Lourenço:13,8 l/s/ 
km2; Itiquira /Correntes: 13,8 l/s/ km2; Taquari: < 0,5 l/s/ km2. 
 Os valores consolidados de vazão específica média e mínima para o Estado de Mato 
Grosso (Tabela 14 e Figura 13), foram obtidos por MMA/SRH (2007) que encontrou limitações 
de cálculo devido às poucas séries históricas completas disponíveis, apesar dos esforços da 
ANA. 
 
 
 
 
 
 
 
Tabela 14: Valores consolidados de vazão específica média e mínima para o Estado de Mato 
Grosso. 
 
I - Bacia Amazônica 
Sub-bacia Q7,10 (m3/s) Qméd (m3/s) 
I-1: Guaporé-Madeira 1,34 7,64 
I-2: Juruena - - 
I-3: Teles Pires Alto 4,14 28,14 
 Médio 9,07 24,39 
 Baixo 7,47 23,13 
I-4:Xingu - - 
II - Bacia Tocantins/Araguaia 
Sub-bacia Q7,10 (m3/s) Qméd (m3/s) 
 Alto Araguaia 2,98 17,86 
 Médio Araguaia 2,07 14,42 
 Alto Rio das Mortes 7,62 19,46 
 Médio Rio das Mortes 6,61 19,08 
 Baixo Rio das Mortes 3,85 15,60 
III - Bacia Platina 
Sub-bacia Q7,10 (m3/s) Qméd (m3/s) 
III-1: Paraguai Alto 3,47 15,20 
 Médio 4,07 14,07 
 Baixo 2,96 11,00 
III-2: Cuiabá (baixo) 2,42 13,46 
III-3: São Lourenço (alto) 4,05 15,20 
III-4: Itiquira Médio 4,45 15,00 
 Alto 4,67 19,94 
 
Fonte: Adaptado de MMA/SRH (2007). 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 13: Vazão anual dos recursos hídricos de Mato Grosso. 
 
Estes resultados demonstram que a disponibilidade hídrica, medida pela vazão média 
específica, acompanha as condições climáticas, notadamente a altura pluviométrica média 
anual. A disponibilidade se reduz do norte para o sul e, ao mesmo tempo, de oeste para leste, 
evidenciando mais uma vez a importância da vegetação amazônica para a manutenção da 
riqueza hídrica. 
 
 
 
1.A. Uso com Derivação 
 
 Os usos, com derivação, dos recursos hídricos superficiais de Mato Grosso são 
atribuídos ao abastecimento urbano, industrial, irrigação e rural, incluindo a dessedentação. 
De acordo com MMA/SRH (2007) a demanda urbana recomendada de oferta per capita 
é de 200 l/hab/dia, incluídos uso e perdas no sistema de abastecimento de água e a demanda 
rural é de 95 l/hab/dia. Para cidades menores, com relevo menos acidentado e menor variação 
de pressão efetiva, a oferta per capita é de 130 l/hab/dia e para locais sem micromedição ou 
baixo controle, a demanda urbana ultrapassa os 250 l/hab/dia. Em seus estudos o MMA/SRH 
(2007) adotou o valor de 200 l/hab/dia com fins de calcular a demanda potencial por UPG. A 
Tabela 15 informa a demanda do Estado para o abastecimento público, e a Tabela 16 a forma de 
captação por UPG, ressaltando que em algumas UPGs não há informação sobre a forma de 
captação e demanda de água. 
 
Tabela 15: Demanda para o abastecimento público para o Estado de Mato Grosso. 
 
População 
Urbana 
(hab) 
População 
Rural 
(hab) 
Demanda 
Urbana 
Anual 
(Hm3/ano) 
Demanda 
Rural 
Anual 
(Hm3/ano) 
Demanda 
Superficial 
(m3/ano) 
Demanda 
Subterrânea 
(m3/ano) 
Demanda 
sem 
Informação 
(Hm3/ano) 
2.525.986 818.492 184,40 28,38 78.867 4799,04 41818,80 
 
Fonte: Adaptado MMA/SRH (2007). 
 
 
Tabela 16: Forma de Captação e Demanda por UPG, no Estado de Mato Grosso. 
 
UPG Forma de Captação Demanda de água 
(m3/dia) 
A-2 Superficial 4834,2 
A-4 Superficial 1515 
A-5 Superficial 12849,6 
A-6 Subterrânea 15717 
A-6 Superficial 1,2 
A-11 Subterrânea 4300,2 
A-12 Superficial 1468,2 
A-12 Sem Informação 2697,6 
A-14 Subterrânea 1286,4 
A-14 Superficial 0,6 
A-15 Superficial 2146,2 
TA-1 Superficial 1254,6 
TA-3 Superficial 764,4 
TA-4 Superficial 4164,6 
TA-5 Superficial 525,6 
P-1 Subterrânea 525 
P-1 Sem informação 1137 
P-2 Sem informação 651,6 
P-2 Superficial 16344 
P-3 Sem informação 1242 
P-3 Subterrânea 2250 
P-3 Superficial - 
P-4 Sem informação 33875,4 
P-4 Subterrânea - 
P-4 Superficial 24360 
P-5 Sem informação - 
P-5 Subterrânea 576 
P-5 Superficial - 
P-6 Sem informação 2215,2 
P-6 Subterrânea - 
P-6 Superficial 2160 
 
Fonte: MMA/SRH (2007). 
 
 
 De acordo com MATO GROSSO (2006) o abastecimento industrial do Estado pode ser 
dividido em dois grupos: a agroindústria e os demais tipos industriais. Neste último há de 
destacar os dois maiores laticínios e curtumes instalados em Mato Grosso. Os laticínios são: 
Lacbom, em Araputanga, com uma demanda de água de 650m3/dia e sistema de tratamento 
através de lagoas de estabilização (primário, secundário e terciário); Comajul, em Juscimeira, 
com uma demanda de água de 300m3/dia e sistema de tratamento igual ao do Lacbom. Os 
curtumes são: Viposa, em Várzea Grande, com uma demanda de água de 3000m3/dia ; 
Curtume Santo Antonio, em Barra do Garças, com uma demanda de água de 4000m3/dia e 
Curtuara, em Araputanga, com uma demanda de água de 2400m3/dia . 
 O abastecimento industrial das agroindústrias pode ser subdividido em abatedouros e 
sucro-alcooleiro, representado na Figura 14. 
 
Demanda de água por abatedouros e indústria sulcro-
alcooleira no Estado de Mato Grosso ( Hm3/ano)
35,84
9,91
1,912,60,77
Aves Bovinos Suínos Produção de açúcar Produção de álcool
 
 
Figura 14: Demanda de água pelas atividades agroindustriais mais representativas de Mato 
Grosso. 
Fonte: Mato Grosso em Números (2006). 
 
 
 
Os indicativos da quantidade necessária de água, por unidade de produto, para as 
atividades industriais mais representativas do Estado são os seguintes: a) frigoríficos e 
abatedouros: de bovinos: 1500 litros por rês; de suínos: 300 litros por animal e de aves: 20 litros 
por ave; b) curtume: 30m³ por tonelada de couro; c) laticínio: 5m³/m³ de leite processado e usina 
de açúcar e álcool: consumo de 5m³/tonelada de açúcar produzida e 5m³/m³ de álcool (MATO 
GROSSO, 2006). 
 O objetivo do abastecimento rural é atender às necessidades humanas, de animais e de 
irrigação de hortas e pequenas plantações, com fins de subsistência na área rural. Não há a 
estimativa do volume captado de água para atender este uso que na realidade é uma combinação 
do sanitário, dessedentação animal e irrigação de pequenas áreas. De acordo com ANA (2005) 
quanto às necessidades humanas na área rural, é adotado um consumo per capita igual a 95 
l/hab/dia. Para o Estado mato-grossense a demanda de água, para o abastecimento rural é de 
28,38 Hm3/ano. 
O uso para dessedentação de animais é utilizado com o intuito de suprir animais quanto às 
suas necessidades fisiológicas. A Tabela 17 ilustra a demanda de água para a criação extensiva 
no Estado de Mato Grosso. 
 
Tabela 17: Consumo de água por criação extensiva. 
 
Demanda por água (m3/dia) 
Aves Eqüinos, 
Asininos 
e Muares 
Ovinos e 
Caprinos 
Bovinos e 
Bubalinos 
Suínos 
7.132,60 18.780,95 1.940,4 1.308.629 15255,03 
Fonte: MMA /SRH(2007). 
 
 
 
De acordo com a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República- 
SEAP, Mato Grosso é o maior produtor da região Centro-Oeste, produzindo 16.902 toneladas 
da aqüicultura em água doce (que inclui a criação de rãs, algas, peixes, etc) e 5.825 toneladas 
continental extrativista. No ranking nacional o Estado ocupa o quinto lugar perdendo apenas 
para os estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Ceará (MATO GROSSO, 
2006). 
Para estimular o crescimento da aqüicultura no Estado e promover o desenvolvimento 
ordenado e sustentável da aqüicultura mato-grossense, tanto para os pequenos, quanto para os 
grandes produtores. foi sancionada a Lei N. 8.501/06. Conforme esta lei, são contempladas 
todas as questões inerentes à atividade, como apoio para pesquisa e extensão, financiamento, 
regulamentações das Secretarias de Estados competentes, como de Desenvolvimento Rural e de 
Meio Ambiente e obrigações gerais. 
A Lei N. 8.501/06 cria o Programa de Incentivo à Aqüicultura – Propeixe, o Programa de 
Incentivo à Industrialização do Pescado, Propeixe-indústria, e o Fundo de Apoio a Aqüicultura 
de Mato Grosso, Faaq-MT. O Propeixe tem o objetivo de estimular, apoiar e expandir a 
aqüicultura para alimentação humana, dentro dos mais altos padrões de qualidade e 
sustentabilidade técnica, econômica, social e ambiental. O Propeixe-indústria visa à agregação 
de valor ao pescado mato-grossense, dentro dos padrões de sustentabilidade, competitividade e 
modernização tecnológica, e também atender às crescentes exigências dos consumidores 
nacionais e internacionais. O Propeixe será vinculado à Secretaria de Agricultura e o Propeixe-
indústria à Secretaria de Indústria Comércio e Mineração. Ambos contemplarão, 
exclusivamente, a aqüicultura em cativeiro e a industrialização do pescado produzido em 
cativeiro. 
 
 
 
1. B. Uso sem Derivação e Uso Especial 
 
Os usos, sem derivação e não-consuntivos, dos recursos de hídricos de Mato Grosso, assim 
como em grande parte doterritório nacional, são aqueles usos destinados à energia ou potencial 
de geração de energia, suporte e via transporte, meio de lazer ou capacidade de diluição. 
Os Usos Especiais são aqueles que não se enquadram na classificação pelo critério da 
derivação e nem pela consuntividade, considerando apenas o aspecto quantitativo. Em tais usos 
enquadra-se: a diluição de esgotos e efluentes. 
 
 
 
2. Águas Subterrâneas 
 
As águas subterrâneas mato-grossenses são de fundamental importância no 
desenvolvimento socioeconômico do Estado de Mato Grosso, pois são utilizadas praticamente 
para o consumo humano (94,7%) principalmente pelas concessionárias responsáveis pelo 
abastecimento de água dos municípios (MMA/SRH, 2008). 
A área do Estado de Mato Grosso está localizada em três províncias hidrogeológicas, 
representadas por segmentos das Províncias Escudo Central, Centro-Oeste e Paraná, sendo 
dividida em dois Domínios Aqüíferos: o Domínio Poroso e Domínio Fraturado, subdivididos 
em treze sistemas aqüíferos, sendo seis Sistemas Aqüíferos Granulares e sete Sistemas 
Aqüíferos Fraturados (MMA/SRH, 2007). 
No Estado, os sistemas freáticos possuem uma área de recarga de 139.563,5km2 (15,6%) 
acarretando regularização das vazões dos cursos de drenagens superficiais. 
Conforme a Tabela 18 existem, em todo o Estado, 5.142 poços tubulares registrados e de 
acordo com MMA/SRH (2007 ) e das vinte e sete Unidades de Planejamento e Gerenciamento 
(UPG), a UPG P-4 (Alto Rio Cuiabá), em função da ocupação urbana que constitui a Região 
Metropolitana de Cuiabá, é a que apresenta a maior concentração de poços tubulares profundos 
captando o Aqüífero Cuiabá. 
A demanda de 1,091 m3/s obtida para esta UPG, corresponde a 31,9% da demanda total de 
3,421 m3/s, enquanto que as UPGs TA-2 e A-1 apresentam as menores demandas, 
respectivamente 0,007 m3/s e 0,009 m3/s e a estimativa para uma reserva permanente, no 
Estado, é de 7.889,676 x 109 m3, enquanto que as reservas reguladoras são de 284,980 x 
109m3/ano. 
 
Tabela 18: Poços Tubulares cadastrados do Estado de Mato Grosso. 
 
Banco de Dados 
SEPLAN SEMA FUNASA CPRM* 
 
Total de poços cadastrados 1416 2215 286 1225 
Com indicação de uso 605 - 286 612 
Vazão média(m3/h) 1286 519 227 713 
* SIAGAS (CPRM) – Sistema de Informações de Águas Subterrâneas. 
Fonte: Adaptado de MMA/SRH (2007). 
 
 
Segundo MMA/SRH (2007), para que o escoamento dos rios não seja utilizado pela 
explotação dos poços garantindo uma disponibilidade hídrica superficial em períodos de seca, as 
reservas explotáveis de 71,245 x 106m3/ano ou 2.259,17m3/s representam 25% das reservas 
reguladoras. Tal valor pode aumentar, ao considerar que as águas subterrâneas participam 
efetivamente do meio ambiente, onde as superfícies potenciométricas provavelmente oscilam 
sazonalmente, podendo ser influenciada pelas variações climáticas regionais, indução de recarga 
por inversão de gradiente hidráulico e/ou recarga artificial. 
Os usos das águas subterrâneas do Estado estão relacionados com consumo humano, 
comercial e industrial, contudo o uso de poços em granjas, chácaras e fazendas também é de 
grande escala. O uso para a dessedentação animal e irrigação praticamente não existem. Os 
usuários são aqueles referentes ao abastecimento público, industrial, comercial e residencial, 
conforme a Tabela 19. 
Há de ressaltar que os maiores problemas referentes à gestão das águas subterrâneas no 
Estado, encontram-se no controle e preservação relacionados aos processos de poluição, má 
construção e operação dos sistemas de captação, controle e fiscalização da construção de poços 
tubulares. Observa-se ainda que há uma alta vulnerabilidade das águas subterrâneas e 
contaminação pelo sistema de disposição in situ de efluentes domésticos. 
 
Tabela 19: Demanda subterrânea para abastecimento humano, de rebanhos e industrial. 
Abastecimento Industrial 
m3/tonelada de 
Abastecimento para cada 
2.546.965 habitantes (m3/s) 
Abastecimento de Rebanho para 
cada 47.616.486 animais (m3/s) 
Têxtil 1000 3,421 15,514 
Curtume 55 
Celulose 350 
Papel 250 
Saboaria 2 
Usinas 
Açucareiras 
75 
Fábricas de 
Conserva 
20 
Laticínios 
(Produto) 
2 
Cervejaria 20 
Lavanderia 10 
Matadouro 
(por animal 
abatido) 
3 
TOTAL 1787 3,421 15,514 
Fonte: Adaptado de Mato Grosso (2005). 
 
O Estudo Hidrogeológico para o Estado de Mato Grosso (MMA/SRH, 2007) 
determinou, através de sobreposições das áreas das UPGs e a estimativa das disponibilidades 
específicas, as taxas de disponibilidades hídricas subterrâneas (l/s.km2) para cada UPG do 
Estado (Figura 15). 
 
 
Figura 14: Demanda de água pelas atividades agroindustriais mais representativas de Mato 
Grosso. 
 
 
Qualidade dos Recursos Hídricos 
 
1. Águas Superficiais 
 
Dentre as principais atividades econômicas do Estado, a agropecuária é aquela que 
mais se destaca. Com o advento dos biocombustíveis, a cana-de-açúcar tende a ocupar grandes 
áreas do Estado. Para suprir as indústrias de abate, cresce a suinocultura e a avicultura e desta 
forma, estas atividades geram grandes quantidades de nutrientes minerais que podem induzir a 
eutrofização das águas e alterar suas características. Além do que, matas ciliares estão sendo 
substituídas por monoculturas, intercaladas pela pecuária extensiva, que causa o pisoteamento 
do solo, agregando suas partículas, dificultando a infiltração da precipitação, logo interferindo 
no ciclo hidrológico local. Todos estes fatores intercalados afetam a qualidade da água, 
principalmente aquela utilizada para o abastecimento público (MATO GROSSO, 2006). 
Os garimpos de ouro também provocam a desestruturação física dos rios assoreando os 
canais; as alterações físico-químicas nas águas; formam lagoas com água contaminada que 
propiciam a acumulação de mercúrio no ambiente. Em Mato Grosso, esta atividade é restrita a 
locais específicos ao norte do Estado, nas cidades de Aripuanã e Juruena. Todavia, devido à sua 
alta atividade no passado ocasionou a contaminação dos recursos hídricos, principalmente nas 
UPGs A-5 e A-4, do Médio e Baixo Teles Pires, e na região de Poconé , na UPG-P-7- Paraguai-
Pantanal (Figura 16). 
 
Figura 16: Áreas contaminadas pelo garimpo. 
 
 
Outro fator que altera a qualidade da água dos recursos hídricos de Mato Grosso é o 
lançamento de efluentes in natura nos corpos d’água. Ressalta-se, pelo exposto anteriormente 
que no Estado, existe uma deficiência nos serviços de coleta, afastamento e tratamento de 
efluentes sanitários. 
A disposição dos resíduos sólidos, é mais um fator que pode afetar a qualidade da água 
superficial e subterrânea. A média da população urbana do Estado que é atendida pelos 
serviços de coleta de resíduos sólidos, é da ordem de 89,6%. Porém do total de 1.662t/dia 
geradas, 1.315t/dia são dispostas em lixões ou simplesmente não são coletadas (MARQUES, 
2002). A Tabela 20 apresenta os municípios que mais produzem resíduos sólidos, lançando-os 
de forma inadequada em lixões percolando o chorume para as águas subterrâneas, 
contaminando-as. 
 
Tabela 20: Municípios do Estado de Mato Grosso que mais produzem resíduos sólidos. 
 
 Municípios Lixo Produzindo 
(toneladas/dia) 
Lucas do Rio Verde, Sinop, Colíder, Peixoto de Azevedo e Alta 
Floresta 
280 
Primavera do Leste, Jaciara e Rondonópolis 235 
Cuiabá e Várzea Grande 234 
Cáceres, Mirassol, Pontes e Lacerda 174 
Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis, Barra dos Bugres e 
Diamantino 
164 
Alto Araguaia, Barra dos Garças, Água Boa, São Félix do 
Araguaia e Confresa 
131 
Juara, Juína e Aripuanã 96 
 
Fonte: MARQUES (2002). 
 
 
 
 
Índice de Qualidade de Água – IQA 
 
 Uma gestão adequada da água deve ser objeto de um plano que aprecie os múltiplos 
usos desse recurso, desenvolvendo e aperfeiçoando as técnicas de utilização, tratamento e 
recuperação de mananciais. Neste sentido foram criados os indicadores de qualidade de águas, 
querevelam de forma objetiva, para autoridades e público, a influência que as atividades ligadas 
aos processos de desenvolvimento provocam na dinâmica ambiental dos ecossistemas aquáticos, 
sendo assim, um bom instrumento de gestão. 
O IQA (Índice de Qualidade da Água) é o parâmetro mais empregado como indicador de 
qualidade de água, por ser um facilitador na interpretação geral, indicando o grau de 
contaminação das águas devido aos materiais orgânicos, fecais, nutrientes e sólidos, que 
normalmente são causados pelos despejos domésticos. O IQA foi desenvolvido por pesquisa de 
opinião junto a vários profissionais da área ambiental, baseados em critérios técnicos, sendo 
calculado pelo produtório ponderado de qualidades da água correspondentes a nove parâmetros 
conforme a expressão 1: 
n
wi
NSF ii=1
IQA = π q
 (1) 
 Em que: IQA: índice de qualidade da água, um número de 0 a 100; qi: qualidade do parâmetro i 
obtido através da curva média específica de qualidade; wi: peso atribuído ao parâmetro, em 
função de sua importância na qualidade, entre 0 e 1. 
A SEMA/MT utiliza a seguinte classificação para os valores de IQA: 0 A 25: muito ruim, 
cor preto; 26 a 50: ruim, cor laranja; 51 a 70: aceitável, cor amarelo; 71 a 90: bom, cor verde; 91 
a 100: ótimo, cor azul. 
Estudos elaborados por MATO GROSSO (2006) obtiveram resultados para a qualidade da 
água dos recursos hídricos de Mato Grosso. O Monitoramento da Qualidade da Água no Estado 
de Mato Grosso, desempenhado pela Superintendência de Recursos Hídricos teve como 
objetivo: avaliar a evolução da qualidade das águas superficiais e subterrâneas das principais 
sub-bacias do estado, realizar levantamento de dados sobre o estado atual dos recursos hídricos, 
para assim estar desenvolvendo políticas adequadas de gestão do uso da água, identificar trechos 
de rios onde possa haver um comprometimento da qualidade da água, para fomentar a 
realização de ações preventivas e políticas de proteção dos recursos hídricos. 
O monitoramento foi realizado em duas das três regiões hidrográficas do Estado região 
hidrográfica do Paraguai e a região hidrográfica Tocantins-Araguaia. 
As sub-bacias monitoradas, que possuem estações de coleta de amostras na região 
hidrográfica do Paraguai são: Rio Cuiabá, Rio Paraguai e Rio São Lourenço e as sub-bacias 
monitoradas da região hidrográfica do Tocantins-Araguaia são: Rio das Mortes e Rio das 
Garças. 
No total foram monitoradas 41 estações de coleta de água superficial e 11 de água 
subterrânea, das quais a sub-bacia do Rio Cuiabá possui o maior número de estações (12). 
Foram realizadas coletas nos meses de maio, julho, setembro e novembro de 2006, a fim de 
observar as variações que ocorrem ao longo do ano na qualidade da água, em função não só das 
atividades antrópicas, como também das variações climáticas.Analisaram-se 23 parâmetros 
(físicos, químicos e bacteriológicos) que foram utilizados, posteriormente, para determinar o 
Índice de Qualidade de Água – IQA. 
Os valores encontrados para os parâmetros avaliados, no geral, revelaram que há 
predominância da categoria BOM do IQA e em algumas UPGs a qualidade está na categoria 
ÓTIMA. No entanto, o estudo revela que o IQA tende a decair para a classificação MÉDIA nas 
proximidades das áreas urbanas devido ao esgotamento sanitário sem tratamento, como é o caso 
da UPG P3 Alto Paraguai Superior, UPG P4 Alto Rio Cuiabá e UPG P5 São Lourenço (Figura 
17). 
 
 
 
Figura 17: IQA dos Recursos Hídricos de Mato Grosso. 
Fonte: MMA/SRH (2007). 
 
Ressalta-se que o estudo referenciado acima, foi baseado em consultas às informações na 
Rede Hidrometeorológica Nacional (ANA), na Rede de Monitoramento, da SEMA, nos 
trabalhos conduzidos pelo Zoneamento-Econômico-Ecológico, e pelo Programa Brasil das 
Águas, tomando como referência a Resolução CONAMA 357/05. 
Em relação aos parâmetros físico-químicos cada UPG apresentou resultados específicos 
relacionados à atividade econômica, densidade demográfica e aspectos físicos de cada UPG. 
Há de ressaltar que os índices de coliformes totais e fecais registrados em toda a rede de 
monitoramento da maioria das UPGs permaneceram dentro dos padrões exigidos para águas de 
classe 2, em função da capacidade de diluição e depuração das águas, o que resultou em ótimas 
condições de balneabilidade. Também foi evidenciada a capacidade de autodepuração dos 
corpos d’ água, principalmente do Rio Cuiabá, cuja qualidade da água melhora gradativamente 
com o afastamento da capital e proximidade do Pantanal. Com relação ao teor de oxigênio 
dissolvido, em praticamente todas as estações foram encontrados níveis satisfatórios. 
2. Águas Subterrâneas 
 
 Em Mato Grosso, a água subterrânea de lençóis freáticos é direcionada ao 
abastecimento doméstico, captada por poços rasos, sem , na maioria dos casos, tratamento 
adequado antes do uso, e a utilização da água de poços profundos é mais significativa e 
pontual. Existem vários fatores que podem contaminar as águas subterrâneas como a 
profundidade, a natureza da substância contaminante, a textura e saturação hídrica do 
solo,compostos químicos de fácil solubilidade em água, como inseticidas e herbicidas e 
compostos nitrogenados, derivados da decomposição de adubos, esterco ou esgotos 
domésticos. Tais fatores são de caráter difuso, visto que podem ocorrer por toda a 
superfície e de menor controle. No entanto, a contaminação por fontes pontuais, como as 
indústrias e os esgotos das cidades, pode ser mais bem controlada. 
Mato Grosso é um estado que não possui uma rede de monitoramento de qualidade 
de suas águas subterrâneas. Contudo MATO GROSSO (2000) realizou análises em poços 
artesianos profundos (Tabela 21) localizados em algumas UPGs com a finalidade de conduzir 
os resultados ao Zoneamento Ecológico Econômico- ZEE. 
 
Tabela 21: Análise da qualidade da água subterrânea das Regiões Hidrográficas de Mato 
Grosso. 
Bacia UPG PM* Parâmetros 
 pH Cor 
Pt/L 
Con* 
µS/cm 
Tur* 
NTU 
Du 
mg/L 
Fe* 
mg/L 
Coliformes 
NMP/100 mL 
I- Amazônica: A 
I-1-2: A. 
Guaporé 
 
A-15 
 
2 
7,30 
a 
8,10 
 
MO 
49 
a 
85 
5,0 
e 
6,0 
 
MO 
 
0,3* 
Não detectado 
I-2-2: B. 
Juruena 
 
A-3 
 
1 
 
6,28 
 
82,0* 
 
43 
 
VN 
 
Alta 
 
0,415* 
Não detectado 
I-3: Teles Pires 
I-3-1: 
Alto 
 
A-11 
 
4 
5,2 a 
7,7 
 
15 
 
3 a 59 
 
VN 
 
VN 
 
VN 
 
Não detectado 
I-3-2: 
Médio 
A-5 1 6,59 VN 34,23 VN VN VN Detectado 
I-3-3: 
Baixo 
A-4 1 5,7 VN 86,92 VN VN VN VN 
II – Tocantins-Araguaia:TA 
II-2: B. R. 
Mortes 
 
TA5 
 
1 
 
5,84 
 
VN 
 
42 
 
VN 
 
VN 
 
VN 
 
Detectada 
II-3: A. 
Araguaia 
TA3 1 5,72 VN 54 VN VN VN Detectada 
II-4: M. 
Araguaia 
 
TA2 
 
1 
 
7,01 
 
NR 
 
NR 
 
VN 
 
VN 
 
0,729 * 
 
Detectada 
II-5: B. 
Araguaia 
 
TA1 
 
2 
6,95 
a 
7,51 
 
VN 
97 
e 
198 
 
VN 
 
VN 
0,164 a 
0,249* 
 
10 a 20 
III– Paraguai: P 
III-1-1: 
Superior 
P-3 1 7,0 VN* 48 VN VN VN 21 a 25 
III-1-3: 
Jauru 
 
P-1 
 
2 
7,74 
a 
8,19 
 
VN* 
88 e 
98 
 
VN 
 
VN 
 
VN 
 
Detectada 
III-2-1: 
Alto 
P-4 2 5,4 a 
7 
VN 310 e 
482 
7,0 VN VN 53 e 60 
III-2-2: 
Pantanal 
 
P-7 
 
2 
6,33 
a 8,0 
 
VN 
20,7 e 
29,1 
 
VN 
 
VN 
 
VN 
 
Detectada 
 
III-3:São 
Lourenço 
P-5 1 6,52 VN 88 e 
98 
VN VN 0,705 Não foi realizada 
análise 
 *PM- Pontos Monitorados; Con- Condutividade; Tur - Turbidez; Fe - Ferro; MO – Moderado; VN – 
Valor Normal; NR – Nada Registrado; Valor acima da legislação vigente. 
Fonte: MATO GROSSO-ZEE (2000). 
 
 
Alguns parâmetros não foram apresentados na Tabela 21, como cálcio e magnésio, 
típicos da região, que devem ser responsáveis pela alta dureza apresentada na UPG A-3. 
Pelos altos valores das concentrações de coliformes totais e fecais, as UPGs P-3, P-4, P-7,TA-2 
revelaram indíciosde contaminação por esgotos domésticos e sanitários. 
O monitoramento da qualidade da água superficial e subterrânea e seus respectivos 
resultados são de vital importância, visto que viabilizam informações relevantes acerca dos 
recursos hídricos de Mato Grosso, contribuindo assim, de forma significativa, de subsídios às 
ações de gestão ambiental e de recursos hídricos, pois tais resultados auxiliam na implantação e 
implementação dos instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos. Tanto que em 13 de 
março de 2008 o CEHIDRO baixou a Resolução N. 16 que instituiu a Rede Hidrológica Básica 
no Estado de Mato Grosso. Tal Rede é constituída de um Sistema de Informação Hidrológica 
que consiste no monitoramento sistemático,contínuo e na divulgação de parâmetros qualitativos 
e quantitativos de estações de monitoramento localizadas em pontos representativos das 
principais sub-bacias do Estado. 
 
 
Classificação das UPGs em Níveis de Criticidade 
 
Para uma efetiva gestão de recursos hídricos torna-se necessário saber as principais áreas de 
conflito ou criticidade a serem gerenciadas. Neste sentido, MMA/SRH (2007) utilizou de 
pontuações para determinar os níveis de criticidade dos recursos hídricos do Estado (Figura 18), 
atribuindo pontos de 1 a 5, conforme os dados analisados e da situação observada em cada 
UPG. 
 
 
 
 
Figura 18: Níveis de criticidade dos recursos hídricos de Mato Grosso. 
Fonte: MMA/SRH(2007). 
 
 
 Para situação muito desfavorável ou crítica, em relação a determinado parâmetro 
(relacionados à quantidade, qualidade, fator poluente, proteção do recurso, etc, ) foi atribuído o 
valor cinco, em situação oposta atribui-se o valor de um ponto. De acordo com o somatório das 
variáveis mais relevantes, este indicou que, quanto maior o seu valor, maior o potencial de 
ocorrência de problemas com os recursos hídricos nas UPGs (Tabela 22). 
 
Tabela 22: UPGs de maior criticidade em relação aos recursos hídricos de Mato Grosso. 
 
PONTOS UPG 
73,5 P1 – Jaurú 
72,5 P5 - São Lourenço 
66,0 P3 - Alto Paraguai Superior 
63,5 P4 - Alto Rio Cuiabá 
62,5 P6 - Correntes – Taquari 
62,0 TA4 - Alto Rio das Mortes 
 
Fonte: MMA /SRH (2007). 
 
 
Para a consolidação do Plano Estadual dos Recursos Hídricos de Mato Grosso, foram 
elaborados alguns cenários para Mato Grosso que identificaram cinco grandes incertezas 
críticas, que são: a competitividade das commodities, a expansão da agricultura irrigada, a 
dinâmica da infra-estrutura-econômica (transporte e energia), o desenvolvimento, uso e 
apropriação de tecnologias que incidem sobre os recursos hídricos, a ampliação do manejo 
agropecuário, o alcance do saneamento básico e a capacidade de implementação das políticas 
ambientais (MMA/SRH, 2007). Tais cenários abordam o Desenvolvimento Sustentável, o 
Dinamismo Excludente e a Estagnação Econômica e Degradação Ambiental (Tabela 23). 
 
 
Tabela 23: Cenários para os recursos hídricos de Mato Grosso, de acordo com a estrutura 
econômica. 
 
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 
CENÁRIO 01 
Desenvolvimento sustentável + competitividade das commodities forte e concentrada + média expansão 
da agricultura irrigada + Infra-estrutura fortemente concentrada em alguns 
territórios + Tecnologias que incidem sobre RH muito disseminada em todas as atividades + Práticas 
eficientes e muito disseminadas de manejo agropecuário + Saneamento básico em direção à 
universalização e com participação privada + Políticas ambientais eficientes e 
participação. 
CENÁRIO 02 
Desenvolvimento sustentável + competitividade das commodities forte e distribuída em diversos 
produtos + agricultura irrigada em forte expansão + infra-estrutura econômica fortemente disseminada 
em todo o território + Tecnologia disseminada em algumas cadeias produtivas + Práticas de manejo 
eficientes e muito disseminadas + Saneamento em média expansão com pouco capital privado + 
Políticas ambientais eficientes com alguma 
Participação. 
DINAMISMO EXCLUDENTE 
CENÁRIO 03 
Modernização dinâmica + Competitividade das commodities forte e concentrada em poucos produtos + 
Agricultura irrigada em média expansão + Infra fortemente concentrada em alguns territórios + 
Tecnologia medianamente disseminada em algumas cadeias + Práticas de manejo disseminadas em 
poucos setores + Saneamento em média expansão com pouco capital privado + Políticas ambientais 
pouco eficientes com alguma participação. 
CENÁRIO 04 
Modernização dinâmica + Competitividade das commodities forte e concentrada em poucos produtos + 
Agricultura irrigada em forte expansão + Infra fortemente concentrada em alguns territórios + 
Tecnologia muito disseminada em algumas cadeias = Praticas de manejo disseminadas em poucos 
setores + Saneamento com média expansão e pouco capital privado + Políticas ambientais pouco 
eficientes e sem participação. 
ESTAGNAÇÃO ECONÔMICA E DEGRADAÇÃO AMBIENTAL 
CENÁRIO 05 
Crescimento conservador + Competitividade das commodities pequena e concentrada em alguns poucos 
setores + pouca expansão da agricultura irrigada + Infra estrutura medianamente disseminada + 
Tecnologias pouco disseminadas + Pratica de manejo pouco disseminadas e com grande degradação + 
Saneamento com pouca expansão e pouca participação do capital privado + Políticas ambientais pouco 
eficientes e pouca participação. 
CENÁRIO 06 
Crescimento conservador + competitividade das commodities média e concentrada em poucos produtos 
+ Pouca expansão da agricultura irrigada + Infra medianamente disseminada + Tecnologias pouco 
disseminadas + Práticas pouco disseminadas com grande degradação + Saneamento com média 
expansão e sem participação do capital privado + Políticas ambientais pouco eficientes. 
Fonte: MMA/SRH (2007). 
 
 
No mesmo relatório, foram obtidos 7 cenários regionais para Mato Grosso (Figura 19), 
em que cada região denota a sua particularidade, contudo para o cenário Desenvolvimento 
Sustentável, todas apresentam elementos em comum tais como: o grau e natureza da 
implementação de instrumentos e sistema de gestão de recursos hídricos e ambientais, 
consolida-se em todo o Estado; a descentralização do sistema; a instalação de Comitês nas 
bacias críticas em termos de disputas pelo uso da água; o fortalecimento do CEHIDRO, 
acompanhado por políticas especificas para a região, com ampliação da conscientização e 
participação social; novas formas regionais para a implementação dos instrumentos de gestão de 
Recursos Hídricos, associados ao ZEE e a implementação da outorga se integra ao 
licenciamento ambiental (MMA/SRH, 2008). 
 
Baixada Cuiabana-Pantanal: polarização da capital, pecuária extensiva. Planícies pantaneiras e 
seu entorno. Concentração industrial na área urbana de Cuiabá e Várzea Grande. 
Controle do Estado, entorno do Xingú: áreas sujeitas a um maior controle do Estado em 
função das Terras Indígenas do Xingu, com tendência de intensificar as atividades 
agropecuárias 
Médio-Norte: área de agricultura em área de cerrado nos chapadões. 
Norte-Noroeste: floresta amazônica com exploração madeireira e pecuária extensiva. 
Primavera-Barra do Garças: agricultura tecnificada, pecuária extensiva (em menor 
expressão que nas outras áreas de estudo). 
Rondonópolis: Rondonópolis como centro polarizador, agricultura tecnificada, agroindústrias. 
Vale do Araguaia: Pouca expressão econômica, com expectativa da introdução de agricultura 
tecnificada nas terras altas localizadas nos divisores das bacias Xingú e Araguaia. 
 
Figura 19: Regiões cenarizadas do Estado de Mato Grosso. 
Fonte: MMA/SRH (2007). 
 
 
 Assim, de acordo com MMA/SRH (2007), na abordagem do cenário Desenvolvimento 
Sustentável tem-se: 
 
1. Baixada Cuiabana-Pantanal: os conflitos entre centros urbanos lançadores de 
efluentes e pequenos irrigantes, são bem geridos, e em parte dirimidos, em torno das 
grandes cidades, em face da eficácia das políticas ambientais que incidem no 
território. Com conflitos apenas moderados, sobressaem aqueles relacionadosao 
abastecimento urbano decorrente da contaminação pela falta de saneamento, embora 
em claro declínio, cujos reflexos ao ecossistema pantaneiro são avaliados, 
sistematicamente, por meio de eficazes programas de monitoramento e pesquisa, 
com uma crescente atuação de Comitês de Bacia na solução desses conflitos. 
2. Controle do Estado, entorno do Xingú: Não se registram grandes conflitos na 
região em torno dos recursos hídricos graças à abundância de água e a sua boa 
qualidade, assim como, graças à adoção de programas de proteção de nascente, com 
exceção da região de Suiá-Miçu (UPG A8), onde ocorre a ocupação das áreas de 
pecuária extensiva desenvolvida com baixa tecnologia e sobre pastagens degradas, 
para agricultura voltada à produção de grãos e fibras, em função da competitividade 
do setor. 
3. Médio-Norte: poucos conflitos na região em torno dos recursos hídricos graças à 
abundância de água e a sua boa qualidade e à adoção de programas de proteção de 
nascente, com exceção da UPG A-8, onde ocorre a ocupação das áreas de pecuária 
extensiva desenvolvida com baixa tecnologia e sobre pastagens degradas, para 
agricultura voltada à produção de grãos e fibras, em função da competitividade do 
setor. 
4. Norte-Noroeste: poucos conflitos em torno dos recursos hídricos, superficiais e 
subterrâneos, graças à boa quantidade e qualidade da água, associadas também à 
diversificação produtiva e à incorporação de mão-de-obra previamente desocupada, 
que abre mão de atividades predatórias contra a natureza como reação à exclusão 
social. 
5. Primavera-Barra do Garças: poucos conflitos na região em torno dos recursos 
hídricos graças à boa gestão, à disseminação de novas tecnologias e às mudanças no 
padrão técnico-produtivo, que se expressam, sobretudo, no Alto Rio das Mortes 
(TA4). A redução de conflitos associa-se, também, à diversificação produtiva e à 
incorporação de mão de obra previamente desocupada, que abre mão de atividades 
predatórias contra a natureza como reação à exclusão social. 
6. Rondonópolis: os conflitos entre centros urbanos lançadores de efluentes e grandes 
irrigantes são, dirimidos em torno das grandes cidades em face da maior 
diversificação produtiva e à eficácia das políticas ambientais que incidem no 
território. Embora poucos, sobressaem os conflitos relacionados ao abastecimento 
urbano decorrente da contaminação dos cursos de água pela falta de saneamento, 
que são dirimidos pela ação dos Comitês, e cuja ação nociva é reduzida pelas 
medidas de saúde pública tomadas para evitar a disseminação de doenças de 
veiculação hídrica. 
7. Vale do Araguaia: reduzem-se, gradativamente, os conflitos em torno dos recursos 
hídricos graças à boa quantidade e qualidade da água, à atuação dos Comitês, à 
diversificação produtiva e à incorporação de mão de obra previamente desocupada, 
que abre mão de atividades predatórias contra a natureza. 
 
 
 
Para o cenário Dinamismo Excludente, conforme MMA/SRH (2007) os recursos hídricos 
enfrentariam: 
1. Baixada Cuiabana-Pantanal: evolução de tensões em conflitos entre centros 
urbanos, lançadores de efluentes, e grandes irrigantes no entorno das grandes 
cidades e entre os setores de geração de energia e de saneamento, principalmente a 
respeito da qualidade das águas nos reservatórios, o abastecimento de água por 
fontes superficiais se reduz em áreas rurais, em função da redução da qualidade e da 
disponibilidade desses mananciais, ocorrendo uma maior procura por fontes 
subterrâneas. 
2. Controle do Estado, entorno do Xingú: conflitos sociais em áreas de assentamento. 
Em terras indígenas e unidades de conservação ocorre pouca expansão e instalam-
se fortes conflitos contra grandes empresas agrícolas e garimpeiros.É o caso de 
Manissauá-Miçu (A-6) e Ronuro (A-10), com forte degradação de nascentes, 
avanço da soja em direção à reserva 
3. Médio-Norte: conflitos acerca dos recursos hídricos com situações de escassez, 
sobretudo, entre grandes irrigantes, irrigantes e abastecimento público, agravado 
pela atividade pecuária. Ausência de programas de conservação de solos e de 
proteção de nascentes propiciando aumento no transporte de sólidos e de insumos 
agrícolas aos cursos d’água, em especial na bacia do rio Arinos, cujos efeitos 
tendem a se propagar a jusante na região do Norte e Noroeste. 
4. Norte-Noroeste: conflitos entre geração de energia e pressões, localizadas, pela 
manutenção dos ecossistemas aquáticos. Cidades polarizadoras, como Sinop e Alta 
Floresta, enfrentam problemas devido ao aumento da demanda e da escassez de 
saneamento. 
5. Primavera-Barra do Garças: conflitos sociais, nas áreas de agricultura familiar, 
pequena expansão na demarcação das terras indígenas e unidades de conservação, 
com intensificação de conflitos com agricultores. O mais forte conflito, contudo, se 
dá em relação à instalação da hidrovia na Bacia do Araguaia, colocando de frente o 
turismo e o setor exportador. 
6. Rondonópolis: cenário propício aos conflitos: a) entre centros urbanos, lançadores 
de efluentes, e grandes irrigantes; b) entre os setores de geração de energia e de 
saneamento, notadamente a respeito da qualidade das águas nos reservatórios; c) 
entre agricultores irrigantes e o setor hidrelétrico, em torno da competição pelos 
recursos hídricos. Com isso o abastecimento de água por fontes superficiais, em 
áreas rurais e pequenos núcleos urbanos, torna-se restrito por conta da redução da 
qualidade e quantidade dos RH, aumentando a pressão pelo uso de fontes 
subterrâneas. 
7. Vale do Araguaia: conflitos sociais, nas áreas de agricultura familiar. 
 
Os cenários mais críticos, segundo MMA/SRH (2007) são aqueles preconizados pela 
Estagnação Econômica e Degradação Ambiental, conforme a seguir: 
1. Baixada Cuiabana-Pantanal: forte demanda nos grandes centros, porém pouco 
críticos devido à grande oferta de mananciais superficiais e subterrâneos. Contudo, 
ocorre restrição nos mananciais de boa qualidade, aumentando a pressão pela água 
subterrânea. Cargas difusas decorrem da degradação dos solos e do desmatamento 
da vegetação ciliar. No entanto, ocorre forte redução na qualidade da água 
superficial e subterrânea pela contaminação por esgotos domésticos não tratados, 
sobretudo em Cuiabá e Várzea Grande. Também ocorre localmente degradação por 
esgotos industriais não tratados em Cuiabá e Várzea Grande, Araputanga e Quatro 
Marcos. Redução da vazão disponível de poços nas áreas mais populosas, 
agravando conflitos para o abastecimento. 
2. Controle do Estado, entorno do Xingú: não ocorre a implementação dos 
instrumentos e sistemas de gestão de Recursos Hídricos - RH e ambientais graças 
em parte a ausência de pressão da sociedade organizada, deterioração da qualidade 
das águas que drenam as reservas indígenas devido à falta de proteção nas 
nascentes. Pela falta de saneamento, ocorre a contaminação da água nos córregos 
que atravessam as áreas urbanas, por vezes agravada pela atividade de garimpo. 
3. Médio-Norte: inadequada implantação de instrumentos de gestão de RH e 
ambientais, pela falta de saneamento local, ocorre contaminação da água nas áreas 
urbanas, agravada, também localmente, pela atividade de garimpo. Os conflitos 
hídricos se manifestam apenas localmente e do ponto de vista qualitativo. 
4. Norte-Noroeste: inadequada implantação de instrumentos de gestão de RH e 
ambientais, localmente, pela falta de saneamento, ocorre contaminação da água nos 
córregos que atravessam as áreas urbanas, agravada, pela atividade de garimpo. A 
retirada da mata ciliar, generalizada em toda a região, contribui ainda para o aporte 
de sólidos aos recursos hídricos e a deterioração do ecossistema aquático. Os 
conflitos hídricos se manifestam apenas localmente e do ponto de vista qualitativo. 
5. Primavera-Barra do Garças: gestão ambiental enfraquecida e a menor pressão da 
sociedade civil podem favorecer o licenciamento, mantendo o cenário indefinido. 
Com exceção de Primavera doLeste e Barra do Garças, não há pólo urbano 
consolidado em toda a bacia, logo não ocorre o aumento da demanda por 
abastecimento, a não ser em pequena escala, a qualidade da água é comprometida 
apenas nos centros urbanos devido à falta de saneamento e o aporte de sólidos nas 
zonas rurais é devido aos focos de erosão e ao desmatamento generalizado da 
vegetação ciliar. A abundância de água restringe o alcance de novos conflitos, 
limitados pela indefinição em torno das hidrovias. 
6. Rondonópolis: inadequada implantação de instrumentos de gestão de RH e 
ambientais, resultando em fortes impactos nos rios das maiores cidades e no 
processo de favelização, assoreamento nos rios pela destruição das matas ciliares e 
uso do solo sem adoção de práticas voltadas ao controle da erosão hídrica, 
principalmente na UPG de São Lourenço (P5). Restrição nos mananciais de boa 
qualidade, o que aumenta a pressão pela água subterrânea. 
7. Vale do Araguaia: ao longo da bacia ocorrem atividades pontuais de pesca voltadas 
ao turismo, sem maior qualificação e volume de investimento. A mineração não se 
expande, embora continue a exploração de ferro pela Companhia Vale do Rio Doce 
em Vila Rica, no Baixo Araguaia (T-A 1), gerando impactos aos recursos hídricos. 
Localmente, pela falta de saneamento, ocorre a contaminação das águas e pressões 
pela construção de hidrovias colocam em questão o uso múltiplo da água, 
sobressaindo conflitos pelo uso e pela posse de terras em terras indígenas e unidades 
de conservação localizadas no Baixo Araguaia (T- A 1). 
 
 
Cenários de Demanda e Disponibilidade dos Recursos Hídricos de Mato Grosso 
 
Em relação à disponibilidade de água, a conservação deste recurso, pode se dar pelo 
aperfeiçoamento dos mecanismos de controle e gestão de recursos hídricos. Isto permite a 
moderação no processo da deterioração do recurso, e evita o colapso que decorreria de uma 
excessiva pressão do consumo (MMA/SRH, 2008). As diferentes intensidades destes processos 
devem definir a situação de demanda e oferta de água no futuro e, portanto, os riscos de 
escassez global. 
No cenário atual, Mato Grosso apresenta-se como um Estado rico e exportador de recursos 
hídricos, porém com problemas que podem gerar conflitos num futuro próximo. Assim, de 
acordo com MMA/SRH (2008) são previstos, para o Estado, três cenários para a demanda e 
disponibilidade dos recursos hídricos até 2027 (Tabela 24). A análise destes cenários poderá 
servir de subsídios à implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos. 
 
Tabela 24: Cenários para a demanda e disponibilidade dos recursos hídricos de Mato 
Grosso. 
 
CENÁRIO POSITIVO 
CENÁRIO A – DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 
Grande demanda causada pelo aumento do consumo humano, abastecimentos urbano e rural; consumo 
na Agropecuária: irrigação e dessedentação animal; e pelo consumo Industrial, mas combinado com 
preservação e eficiência na utilização dos recursos, garantindo a sustentabilidade do desenvolvimento e 
a disponibilidade dos recursos com 
baixo impacto ambiental e água em abundância. 
CENÁRIO INTERMEDIÁRIO 
Cenário intermediário entre o A e C, contudo com crescimento médio e com parcial integração entre 
desenvolvimento sustentável e econômico, apesar dos esforços em recuperar o meio, não consegue 
sustentação devido ao avanço da degradação ambiental. 
CENÁRIO B - DINAMISMO EXCLUDENTE 
Média demanda causada pelo moderado aumento populacional e como conseqüências os outros usos 
da água, porém com moderada escassez e comprometimento dos recursos naturais com vistas à 
recuperação das matas de galeria e cabeceiras dos córregos; médio comprometimento da água em 
qualidade e quantidade. Parcial comprometimento dos recursos naturais e da degradação ambiental. 
Combinação de intensa expansão da atividade econômica, da irrigação com manutenção da atual 
ineficiência do uso e baixa eficácia da gestão dos recursos hídricos que provoca grave escassez de 
água, peso da irrigação no consumo de água e a desigual distribuição dos recursos hídricos entre 
regiões, comprometendo a água. 
Demanda moderada, crescimento populacional irregular: grandes vazios com áreas com grandes 
concentrações populacionais, onde a atividade econômica se dá de forma mais intensa sem 
comprometimento de preservação, com escassez de recursos naturais e água com baixa conservação e 
racionalidade no uso. Forte degradação ambiental. 
 
Fonte: MMA/SRH (2008). 
 
 A seguir será dada ênfase a cada um dos cenários propostos por MMA/SRH (2008). 
 
 
CENÁRIO A: DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL 
 
1. Baixada Cuiabana-Pantanal: conflitos entre centros urbanos lançadores de efluentes e 
pequenos irrigantes, são bem geridos, frente à eficácia das políticas ambientais que 
incidem no território. Conflitos moderados, relacionados ao abastecimento urbano 
decorrente da contaminação pela falta de saneamento, crescente atuação de Comitês de 
Bacia na solução desses conflitos. 
2. Controle do Estado, entorno do Xingú: pequenos conflitos graças à abundância de 
água e a sua boa qualidade e à adoção de programas de proteção de nascente, com 
exceção da região de Suiá-Miçu (UPG A-8), onde ocorre a ocupação das áreas de 
pecuária extensiva desenvolvida com baixa tecnologia e sobre pastagens degradas, para 
agricultura voltada à produção de grãos e fibras. 
3. Médio-Norte: implementação descentralizada do sistema de gestão dos recursos 
hídricos, aumenta a eficiência e atuação dos Comitês de Bacias, fortalecimento do 
CEHIDRO acompanhado por políticas específicas para a região, com ampliação da 
conscientização e participação social. 
4. Norte-Noroeste: práticas de conservação do solo nas cabeceiras dos rios das UPGs do 
Médio Norte garantem que águas afluentes dos principais contribuintes mantenham 
qualidade e quantidade satisfatórias. Boa quantidade e qualidade da água, associadas 
também à diversificação produtiva e à incorporação de mão-de-obra previamente 
desocupada, que abre mão de atividades predatórias contra a natureza como reação à 
exclusão social. 
5. Primavera-Barra do Garças: poucos conflitos graças à boa gestão, à disseminação de 
novas tecnologias e às mudanças no padrão técnico-produtivo, que se expressam, 
sobretudo, no Alto Rio das Mortes (T-A4). 
6. Rondonópolis: conflitos entre centros urbanos lançadores de efluentes e grandes 
irrigantes são dirimidos face à eficácia das políticas ambientais. Embora poucos, 
sobressaem os conflitos relacionados ao abastecimento urbano decorrente da 
contaminação dos cursos de água pela falta de saneamento, que são dirimidos pela ação 
dos Comitês de Bacias. 
7. Vale do Araguaia: redução, gradativamente, dos conflitos graças: à boa quantidade e 
qualidade da água, à atuação dos Comitês de Bacia, à diversificação produtiva e à 
incorporação de mão de obra previamente desocupada, que abre mão de atividades 
predatórias contra a natureza 
 
 
CENÁRIO B: INTERMEDIÁRIO 
 
 
1. Baixada Cuiabana-Pantanal: evolução de tensões em conflitos entre centros urbanos, 
lançadores de efluentes e entre setores de geração de energia e de saneamento, redução 
da qualidade e da disponibilidade de mananciais superficiais, ocorrendo procura por 
fontes subterrâneas. 
2. Controle do Estado, entorno do Xingú: conflitos sociais e fortes conflitos se instalam 
contra grandes empresas agrícolas e garimpeiros. É o que acontece entre Manissauá-
Miçu (A-6) e Ronuro (A-10), onde ocorre, com forte degradação de nascentes, o avanço 
da soja em direção à reserva. 
3. Médio-Norte: conflitos entre os grandes irrigantes, e entre grandes irrigantes e o 
abastecimento público, agravado pela expansão do uso da água na atividade pecuária. 
Ausência de programas de conservação de solos e de proteção de nascentes propicia 
aumento no transporte de sólidos e de insumos agrícolas aos cursos d’água, 
especialmente na bacia do rio Arinos, cujos efeitos tendem a se propagar a jusante na 
região do Norte e Noroeste. 
4. Norte-Noroeste: conflitos entre geraçãode energia e pressões, localizadas, pela 
manutenção dos ecossistemas aquáticos. Cidades polarizadoras, como Sinop e Alta 
Floresta, também enfrentam problemas em função do aumento das demandas e da 
escassez de saneamento. 
5. Primavera-Barra do Garças: crescente demanda de abastecimento, mas com 
espraiamento apenas residual da malha urbana intra-regional. A mineração avança nas 
UPGs do Alto e do Baixo Rio das Mortes (T-A4 e T-A3). Desenvolvimento da 
aqüicultura, sem o adequado controle ambiental. O maior conflito, contudo, se dá em 
relação à instalação da hidrovia na Bacia do Araguaia, colocando de frente o turismo e o 
setor exportador. 
6. Rondonópolis: conflitos entre: a) entre centros urbanos, lançadores de efluentes, e 
grandes irrigantes; b) entre os setores de geração de energia e de saneamento, 
notadamente a respeito da qualidade das águas nos reservatórios; c) entre agricultores 
irrigantes e o setor hidrelétrico, em torno da competição pelos recursos hídricos. O 
abastecimento por fontes superficiais, em áreas rurais e pequenos núcleos urbanos, 
torna-se restrito pela da redução da qualidade e quantidade dos aumentando a pressão 
pelo uso de fontes subterrâneas. 
7. Vale do Araguaia: as indústrias que utilizam água ou impactam negativamente os 
recursos hídricos, que eram pouco significativas, como é o caso dos frigoríficos e dos 
curtumes, crescem ao longo do eixo da BR 158 voltadas ao atendimento do 
agronegócio. Os projetos de navegação são concretizados diante do dinamismo 
econômico, ao passo que a mineração se expande pela exploração de ferro pela 
Companhia Vale do Rio Doce em Vila Rica, no Baixo Araguaia (T-A1), e de calcário 
decorrente do aumento da demanda do agronegócio, que transborda para o Baixo Rio 
das Mortes (T-A5) com impactos sobre os recursos hídricos. Espraiamento residual da 
malha urbana intra-regional. 
 
 
CENÁRIO C: DINAMISMO EXCLUDENTE 
 
 
1. Baixada Cuiabana-Pantanal: surgimento e crescimento de conflitos; contaminação da 
água superficial e subterrânea; redução da vazão disponível de poços nas áreas mais 
populosas, agravando conflitos para o abastecimento; aumento da carga de sedimentos 
na bacia do São Lourenço. 
2. Controle do Estado, entorno do Xingú não ocorre a implementação dos 
instrumentos e sistemas de gestão de Recursos Hídricos - RH e ambientais graças à 
ausência de pressão da sociedade organizada; redução da demanda por água em toda a 
bacia; deterioração da qualidade das águas que drenam as reservas indígenas devido à 
falta de proteção nas nascentes; pela falta de saneamento, ocorre a contaminação da 
água nos córregos que atravessam as áreas urbanas, por vezes agravada pela atividade 
de garimpo. 
3. Médio-Norte: inadequada implantação de instrumentos de gestão de RH e ambientais, 
ocorrendo substancial redução da pressão da sociedade organizada para sua 
implantação; contaminação da água nas áreas urbanas, agravada, também localmente, 
pela atividade de garimpo. Os conflitos hídricos se manifestam apenas localmente e do 
ponto de vista qualitativo. 
4. Norte-Noroeste: inadequada implantação de instrumentos de gestão de RH e 
ambientais; a retirada da mata ciliar, generalizada em toda a região, contribui para o 
aporte de sólidos aos recursos hídricos e a deterioração do ecossistema aquático. Os 
conflitos hídricos se manifestam apenas localmente e do ponto de vista qualitativo. 
5. Primavera-Barra do Garças: com exceção de Primavera do Leste e Barra do Garças, 
não há pólo urbano consolidado em toda a bacia. Por isso, não ocorre o aumento da 
demanda por abastecimento, a não ser em pequena escala. Não se desenvolve a 
aqüicultura, perpetuando-se sobremaneira a pesca de subsistência. A qualidade da água 
é comprometida apenas nos centros urbanos devido à falta de saneamento; aporte de 
sólidos nas zonas rurais devido aos focos de erosão e ao desmatamento generalizado da 
vegetação ciliar . A abundância de água restringe o alcance de novos conflitos, 
limitados pela indefinição em torno das hidrovias. 
6. Rondonópolis: inadequada implantação de instrumentos de gestão de RH e ambientais 
resultando em fortes impactos nos rios das maiores cidades e no processo de 
favelização. Verifica-se, ademais, assoreamento nos rios pela destruição das matas 
ciliares e uso do solo sem adoção de práticas voltadas ao controle da erosão hídrica, 
principalmente na UPG de São Lourenço (P5). Ocorre aumento da demanda de água 
nos centros urbanos, mas que não se faz crítico em face da grande oferta. Porém, ocorre 
restrição nos mananciais de boa qualidade, o que aumenta a pressão pela água 
subterrânea e forte redução na qualidade da água superficial e subterrânea pela 
contaminação por esgotos domésticos não tratados. 
7. Vale do Araguaia: a mineração não se expande, embora continue a exploração de 
ferro pela Companhia Vale do Rio Doce em Vila Rica, no Baixo Araguaia (T-A 1), 
gerando impactos aos recursos hídricos; redução da demanda por água em toda a bacia; 
ocorre a contaminação das águas,pela falta de saneamento; aporte de sólidos nas zonas 
rurais devido aos focos de erosão e ao desmatamento generalizado da vegetação ciliar. 
 
 
Pelo exposto anteriormente verifica-se que: a) competitividade das commodities é forte e 
concentrada em poucos produtos no Cenário B; b) infra-estrutura econômica, transporte e 
energia é fortemente concentrada em algumas regiões do Cenário B; c) desenvolvimento, uso e 
apropriação de tecnologias que incidem sobre os recursos hídricos é muito disseminado em 
todas as atividades no Cenário A; d) manejo agropecuário com práticas eficientes e muito 
disseminadas ocorre no Cenário A, sendo o oposto no Cenário C; e) saneamento básico, no 
Cenário A está em direção à universalização com participação privada, no Cenário B ocorre 
média expansão com participação de capital privado e no Cenário C ocorre pouca expansão com 
participação privada; f) implementação de políticas ambientais eficiente e participativa no 
Cenário A e pouco eficiente e sem participação nos Cenários B e C; g) agricultura irrigada: é 
responsável pelo maior consumo de água (Tabela 25), sendo o Cenário B aquele que mais 
contribui para este consumo, no Cenário A ocorre média expansão e no Cenário C pouca 
expansão. 
 
 
 
Tabela 25: Consumo de água em hectômetros para Mato Grosso, cenarizado para o ano de 
2027. 
 
População Indústria 
Cenários Urbana Rural 
 
Des. 
 Animais* 
 
Irrigação Abate Curtume Usina 
Álcool 
 
Total 
Consumo 
DS* 267,33 20,81 900,42 1.514,24 34,43 25,07 45,50 2.807,81 
I* 257,08 19,96 988,60 5.187,63 31,52 28,19 60,03 6.573,01 
DE* 222,13 17,05 825,78 3.565,37 21,71 20,74 34,83 4.707,61 
* Des. Animais: dessedentação de animais; DS: Desenvolvimento Sustentável; I: Intermediário; DE: Dinamismo 
Excludente. 
Fonte: MMA/SRH (2008). 
 
 
 
Assim, o efetivo cenário que se espera para Mato Grosso e seus recursos hídricos é o 
Cenário A- Desenvolvimento Sustentável. Logo, para tal é de suma importância que a 
implantação e implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos e seus instrumentos 
alcance um estágio de plena participação da esfera pública, dos usuários de água e sociedade 
civil. 
 
 
3. CONCLUSÕES 
 
 O Estado de Mato Grosso encontra-se em um estágio de desenvolvimento dos 
instrumentos de gerenciamento de recursos hídricos, necessitando ainda reforçar e avançar na 
estrutura institucional existente. A sub-bacia do Rio das Mortes, em especial as Sub-Bacias 
Hidrográficas dos Ribeirões do Sapé e Várzea Grande, em Primavera do Leste e a Unidade de 
Planejamento e Gerenciamento Hídrico do Rio São Lourenço (UPG P – 5), onde foi instituída a 
primeira outorga do Estado são as regiões que se encontram em estágio mais avançado no 
gerenciamento dos recursos hídricos no âmbito do Estado, destacando-se entre as demais. 
Constata-se a importância da fiscalização do uso dos recursos hídricos, cujas ações 
refletem diretamente na eficiência do setor de outorga. É necessáriointensificar e ampliar a área 
de atuação da fiscalização. 
As mudanças institucionais ocorridas no Estado deverão fortalecer a gestão dos recursos 
hídricos, pois têm sido colocada como foco central do órgão gestor, a SEMA/MT. O desafio 
está em construir um mecanismo de gestão pública rumo ao desenvolvimento sustentável, com 
participação e decisão da sociedade junto aos poderes públicos. O mecanismo deverá ser auto-
sustentável financeiramente e que dê uma visão de futuro promissor, baseado em análises dos 
cenários de desenvolvimento econômico e disponibilidade de água propostos. 
A consolidação da gestão de recursos hídricos deverá ir além dos aspectos hídricos, 
perpassando pelo desenvolvimento urbano, pela saúde, pela agricultura, pela educação 
ambiental e outras mais, objetivando o crescimento sustentável. 
As áreas de planejamento do governo do Estado de Mato Grosso deverão ser as bacias 
hidrográficas, logo o colegiado deverá deliberar e acompanhar o resultado das ações de governo 
e da iniciativa privada na área da bacia hidrográfica correspondente. Isto destacará as ações 
relativas às políticas de saneamento, abastecimento de água e implantação de 
indústrias/empresas, pensando na lógica setorial (usuários), contudo subordinada a uma lógica 
global de gerenciamento. 
O aperfeiçoamento da legislação estadual vigente visará à implementação da gestão 
harmonizada na Política dos Recursos Hídricos. Este fato deverá se dar pelo compartilhamento 
da legislação da União com a do Estado e superar a questão dos domínios dos corpos de água, 
de forma que os procedimentos técnicos, jurídicos e administrativos se harmonizem em relação 
à outorga e fiscalização, e posteriormente à cobrança e ao sistema de informação. 
A transparência na receita e aplicação de recursos poderá ser disponibilizada, via 
internet por bacia hidrográfica, com todas as liberações, gastos, multas, receitas, 
acompanhamento das intervenções, etc..., servindo de interlocução permanente entre a 
sociedade e o Governo Estadual. 
 A contratação de contingente humano para a Secretaria de Recursos Hídricos/SEMA 
faz-se necessário diante todas as atribuições desta secretaria, principalmente aquela que fiscaliza 
as retiradas, haja vista que a população e a maioria dos usuários de água do Estado não estão 
conscientizados para o racionamento e uso adequado e sustentável dos recursos hídricos. Faz-se 
necessário também um estudo de regionalização hidrológica para o Estado. 
A Educação Ambiental faz-se necessária em todo o Estado, visando uso racional dos 
recursos hídricos, à educação técnica de usuários de água e sociedade civil e assim à criação de 
Comitês de Bacia, onde se fizerem necessários. 
 
 
4. RECOMENDAÇÕES 
 
 O monitoramento quali-quantitativo deve se estender para outras UPGs, como aquelas 
inseridas na Bacia Hidrográfica Amazônica, e aumentar o número de estações de 
monitoramento, principalmente porque os resultados obtidos por estes, podem ser analisados e 
utilizados para a outorga e criar uma rede de monitoramento para as águas subterrâneas do 
Estado, assim como intensificar estudos de qualidade das mesmas. É importante um cadastro 
dos poços existentes no Estado, assim como cadastramento e a avaliação das fontes de 
contaminação (poços tubulares desativados, poços amazonas, cacimbas, vazamentos na 
rede de esgotamento sanitário, lançamento de esgotos na drenagem, etc.), como outras 
atividades potencialmente impactantes (lixões, indústrias, cemitérios, agricultura, etc.), 
para subsidiar esses estudos. 
Pelos resultados de criticidade observados definir as áreas de uso e ocupação, com o 
intuito de proteger as nascentes dos rios, ampliando assim, a gestão das unidades de 
conservação ambiental e demarcação das terras indígenas, de acordo com os cenários propostos. 
 Para um saneamento básico eficiente faz-se necessário a melhoria dos sistemas de 
coleta e tratamento das Estações de Tratamento de Esgotos existentes, implantação das 
mesmas nos demais locais, além de investimentos na coleta e tratamento do esgoto, a 
partir dos grandes centros poluidores para os pequenos, e investimentos nas Estações de 
Tratamento de Água, sobretudo, em relação à distribuição da água, para redução de 
desperdícios e gastos. 
 Praticar Educação Ambiental e Técnica com usuários de água e sociedade civil 
visando à conservação e o uso racional dos recursos hídricos, nos ambientes doméstico, 
empresarial rural e urbano. Neste âmbito, recomenda-se o reuso de águas pluviais, de 
enxágüe de roupa e até mesmo de ETEs, para usos menos nobres, aliviando a pressão sobre 
água potável. 
 Disseminar Comitês de Bacia Hidrográfica, nas regiões em que se fazem 
necessários, com participação social efetiva e consolidada para uma boa resolução de 
conflitos, se por ventura vierem a existir. 
 Adotar Planos de Bacia, com suas características específicas para um bom Manejo 
Hidrográfico, e assim, introduzir com eficiência os instrumentos da gestão de recursos 
hídricos. 
 
 
 
 
5. AGRADECIMENTOS 
 
Ao Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental (DESA), à Universidade Federal de 
Mato Grosso (UFMT), à Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso (SEMA) por 
meio da Superintendência de Recursos Hídricos , ao Conselho Nacional de Desenvolvimento 
Científico e Tecnológico (CNPq) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível 
Superior (CAPES). 
 
 
 
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
1. AMORIM, L. & MIRANDA, L. Mato Grosso - Atlas Geográfico. Cuiabá-MT 
Entrelinhas Editora. 2001. 
2. ANA – Agência Nacional das Águas. Implementação de Práticas de 
Gerenciamento Integrado de Bacia Hidrográfica para o Pantanal e Bacia 
do Alto Paraguai. ANA/GEF/PNUMA/OEA. Subprojeto 9.4A - Elaboração do 
Diagnóstico Analítico do Pantanal e Bacia do Alto Paraguai – DAB. Brasília, 
2003. 
3. _____. Agência Nacional de Águas; MMA – Ministério do Meio Ambiente. 
Disponibilidade e Demanda de Recursos Hídricos no Brasil. 2005a. 
4. ______. Agência Nacional de Águas. Plano Estratégico do Tocantins-Araguaia. 
2005b. 
5. ______. Agência Nacional de Águas. Geo Brasil: Recursos Hídricos. 2007. 
6. BRASIL. Lei n. 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de 
Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos 
Hídricos. 
7. CEMAT- CENTRAIS ELÉTRICAS MATOGROSSENSES. Cenários Sócio-
Econômicos e as Necessidades de Energia Elétrica até o Ano 2010. Cuiabá, 
2005. 
8. FREITAS, A. J. Gestão de Recursos Hídricos. In: SILVA, D. D. da; PRUSKI, F. F. 
(Org.). Gestão de Recursos Hídricos – Aspectos Legais, Econômicos, 
Administrativos e Sociais. Brasília: ABRH, 2000. 
9. HORA, A. F. Metodologia para outorga do uso de recursos hídricos – Ênfase: 
Usinas hidrelétricas. 2001. 350 p. Rio de Janeiro. Tese de doutorado – Universidade 
Federal do Rio de Janeiro, COPPE. 2001. 
10. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Atlas Nacional do Brasil. Rio 
de Janeiro: IBGE, 2000. 
11. ______. Estimativa da População Residente de Mato Grosso. Rio de Janeiro. 2005. 
12. ______.Geografia do Brasil – Região Centro Oeste. Disponível em 
http://www.ibge.gov.br. Acesso em 01/jul./2008. 
13. IPDU - Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Urbano. Diretoria de 
Pesquisa e informação – DPI – Perfil socioeconômico de Cuiabá. Vol. III, 124 
p. Cuiabá/MT, 2007 
14. MARQUES, D. M. et al. Consolidação e Homogeneização de procedimentos para 
monitoramento e avaliação da qualidade da água: procedimentos vigentes na 
FEMA/MT: procedimentos básicos para monitoramento e avaliação da qualidade de 
água. Cuiabá: Fundação Estadual do Meio Ambiente, 2002. 68p. 
15. MATO GROSSO. Lei n. 6.945, de 5 de novembro de 1997. Institui a Política Estadual 
de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos 
Hídricos. 
16. _______. Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral. SEPLAN; Banco 
Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento – BIRD. Relatório Técnico de 
Qualidade dasÁguas do Estado de Mato Grosso, Parte 2: Sistematização das 
Informações Temáticas. In: Zoneamento Sócio-Econômico Ecológico do Estado 
de Mato Grosso e Assistência Técnica na Formulação da 2ª Aproximação. Cuiabá. 
p. 1-101, 2000. 
17. _______. Zoneamento Sócio-Econômico-Ecológico - ZSEE: Diagnóstico Sócio-
Econômico- Ecológico do Estado de Mato Grosso e assistência Técnica na 
Formulação da 2ª aproximação. Memória Técnica de Recursos Hídricos – 
Disponibilidade Hídrica. Parte 2: Sistematização das Informações Temáticas. 
DSEE-RH-MT-001. CNEC, 2.000. 
18. ______. Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral. SEPLAN. Diagnóstico 
Sócio-Econômico-Ecológico do Estado de Mato Grosso. DSEE. In: Pedologia. 2001. 
19. ______. Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral. SEPLAN. Diagnóstico 
Sócio - Econômico-Ecológico do Estado de Mato Grosso. DSEE. In: Vegetação. 2001. 
20. _____. Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral. Boletim Sócio 
Econômico e Demográfico dos Municípios Mato-grossenses. Cuiabá – MT , 2004. 
21. _____. Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral. Anuário 
Estatístico de Mato Grosso. Cuiabá: 2005. 731 p 
22. ____. Mato Grosso em números – Edição 2006 / [Organizadores Antônio 
Abutakka, Marilde Brito Lima] . Cuiabá, MT : Central de Texto, 2006, 141p. 
23. _____. Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral – SEPLAN. Plano de 
Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso - MT20. Versão Preliminar do 
Relatório do Estudo Retrospectivo (MT+20ER). Brasília, 2006. 
24. ______. SEMA/MT – Secretaria Estadual do Meio Ambiente/MT;Superintendência de 
Recursos Hídricos– SRH. Relatório de Monitoramento da Qualidade da Água das 
Águas da Sub-bacia do Rio Cuiabá/MT. Cuiabá-MT, 2006, 55 p. 
25. ______. SEMA/MT – Secretaria Estadual do Meio Ambiente/MT;Superintendência de 
Recursos Hídricos– SRH. Relatório de Monitoramento de Qualidade da Água das 
Águas da Sub-bacia do Rio Cuiabá. Cuiabá-MT, 2006, 55p. 
26. ______. SEMA/MT – Secretaria Estadual do Meio Ambiente/MT;Superintendência de 
Recursos Hídricos– SRH. Relatório de Balneabilidade das Praias do Estado do 
Mato Grosso. Cuiabá-MT, 2006. 50 p. 
27. ______. SEMA/MT – Secretaria Estadual do Meio Ambiente/MT;Superintendência de 
Recursos Hídricos– SRH. Relatório de Monitoramento de Qualidade da Água da 
Região Hidrográfica Tocantins-Araguaia. Cuiabá-MT, 2007, 597p. 
28. ______. SEMA/MT – Secretaria Estadual do Meio Ambiente/MT;Superintendência de 
Recursos Hídricos– SRH. Relatório de Monitoramento de Qualidade da Água da 
Região Hidrográfica Paraguai. Cuiabá-MT, 2007, 93p. 
29. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE – MMA/SECRETARIA DE RECURSOS 
HÍDRICOS E AMBIENTE URBANO. Caderno da Região Hidrográfica do 
Paraguai – Brasília, novembro de 2006. 
30. _____. Diagnóstico hidrogeológico do Estado de Mato Grosso. Brasília, 2007. 63p. 
31. _____. Diagnóstico hidrológico do Estado de Mato Grosso. Brasília, 2007. 59p. 
32. _____. Cenários dos Recursos Hídricos de Mato Grosso. Brasília, 2007. 80p. 
33. _____. Diagnóstico da qualidade dos recursos hídricos do Estado de Mato Grosso. 
Brasília, 2007. 94p. 
34. ______.Visão de futuro para os recursos hídricos de Mato grosso. Brasília, 2008. 
113 p. 
35. PROENÇA, L.A.O; FERNANDES,L.F. Introdução de microalgas no ambiente 
marinho: impactos negativos e fatores controladores. In: SILVA, J; SOUZA,R. Água 
de lastro e bioinvasão. Rio de Janeiro: Interciência, 2004. Cap.7, p: 76-78. 
36. PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE. Agenda 21. 
Rio de Janeiro, 1992. 
37. SRH/MMA – Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério de Meio Ambiente. Plano 
Nacional de Recursos Hídricos – PNRH. Caderno da Região Hidrográfica 
Amazônica. Brasília, 2006. 
38. SETTI, A. A.; LIMA, J. E. F. W.; CHAVES, A. G. DE M.; PEREIRA, I. DE C. 
Introdução ao Gerenciamento de Recursos Hídricos. Brasília: Agência Nacional de 
Energia Elétrica e Agência Nacional de Águas, 2001. 326 p.

Mais conteúdos dessa disciplina