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ERGONOMIA
PROFESSORA
Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Berbel
Quando identificar o ícone QR-CODE, utilize o aplicativo 
Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos online. 
O download do aplicativo está disponível nas plataformas:
Acesse o seu livro também disponível na versão digital.
Google Play App Store
2 
ERGONOMIA 
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação 
Cep 87050-900 - Maringá - Paraná - Brasil
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; 
BERBEL, Veridianna Cristina Teodoro Ferreira.
 Ergonomia. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Berbel
 Maringá - PR.:Unicesumar, 2019. Reimpressão 2020.
 176 p.
 “Graduação em Design - EaD”.
 1. Ergonomia. 2. Antropometria. 3. EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-1844-8 CDD - 22ª Ed. 620.82
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Ficha Catalográfica Elaborada pelo Bibliotecário
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Impresso por: 
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD 
William Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente 
da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon, Diretoria de Graduação Kátia 
Coelho, Diretoria de Pós-Graduação Bruno do Val Jorge, Diretoria de Permanência Leonardo Spaine, 
Diretoria de Design Educacional Débora Leite, Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie 
Fukushima, Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira, Gerência de Curadoria 
Carolina Abdalla Normann de Freitas, Gerência de Contratos e Operações Jislaine Cristina da Silva, 
Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki 
Hey, Supervisora de Projetos Especiais Yasminn Talyta Tavares Zagonel
Coordenador(a) de Conteúdo Larissa Siqueira Camargo, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho, Editoração 
Arthur Cantareli Silva, Designer Educacional Bárbara Neves, Revisão Textual Meyre Barbosa da Silva, 
Ilustração Rodrigo Barbosa, Fotos Shutterstock.
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos 
com princípios éticos e profissionalismo, não 
somente para oferecer uma educação de qualidade, 
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão 
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-
nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional 
e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de 
graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil 
estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro 
campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa 
e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, 
com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. 
Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais 
de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos 
pelo MEC como uma instituição de excelência, com 
IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 
maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educadores 
soluções inteligentes para as necessidades de todos. 
Para continuar relevante, a instituição de educação 
precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, 
coragem e compromisso com a qualidade. Por 
isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, 
metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor 
do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes áreas 
do conhecimento, formando profissionais cidadãos 
que contribuam para o desenvolvimento de uma 
sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar
boas-vindas
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à 
Comunidade do Conhecimento. 
Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar 
tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores 
e pela nossa sociedade. Porém, é importante 
destacar aqui que não estamos falando mais daquele 
conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas 
de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, 
atemporal, global, democratizado, transformado pelas 
tecnologias digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, de 
lugares, de informações, da educação por meio da 
conectividade via internet, do acesso wireless em 
diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. 
As redes sociais, os sites, os blogs e os tablets aceleraram 
a informação e a produção do conhecimento, que não 
reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em 
segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer 
transformou-se hoje em um dos principais fatores de 
agregação de valor, de superação das desigualdades, 
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. 
Logo, como agente social, convido você a saber cada 
vez mais, a conhecer, a entender, a selecionar e a usar 
a tecnologia que temos e que está disponível. 
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg 
modificou toda a cultura e a forma de conhecer, 
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, 
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa 
cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o 
conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância 
(EAD), significa possibilitar o contato com ambientes 
cativantes, ricos em informações e interatividade. É 
um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá 
as portas para melhores oportunidades. Como já disse 
Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. 
É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. 
Willian V. K. de Matos Silva
Pró-Reitor da Unicesumar EaD
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando 
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes 
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível 
com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem 
dialógica e encontram-se integrados à proposta 
pedagógica, contribuindo no processo educacional, 
complementando sua formação profissional, 
desenvolvendo competências e habilidades, e 
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, 
de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, 
estes materiais têm como principal objetivo “provocar 
uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta 
forma possibilita o desenvolvimento da autonomia 
em busca dos conhecimentos necessários para a sua 
formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento 
e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos 
fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe 
das discussões. Além disso, lembre-se que existe 
uma equipe de professores e tutores que se encontra 
disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em 
seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe 
trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória 
acadêmica.
boas-vindas
Débora do Nascimento Leite
Diretoria de Design Educacional
Janes Fidélis Tomelin
Pró-Reitor de Ensino de EAD
Kátia Solange Coelho
Diretoria de Graduação 
e Pós-graduação
Leonardo Spaine
Diretoria de Permanência
autores
Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Berbel
Graduada em Design de Moda pelo Instituto Educacional do Estado de São Paulo (2011). 
Possui curso de extensão na França e na Itália,com foco de pesquisa em Design e em 
Criação de produto (2013); especialista em Moda, em Produto e em Comunicação pela 
Universidade Estadual de Londrina (2013); mestre em Design, em Arte e em Tecnologia pela 
Universidade Anhembi Morumbi (2016); e, atualmente, é doutoranda em Design também 
pela Universidade Anhembi Morumbi. Tem experiência nas áreas de Design de Moda, de 
produto, de interiores e de gráfico, atuando principalmente nos seguintes temas: desen-
volvimento de produto; ergonomia; tecnologia têxtil; projeto; design; meios de produção; 
modelagem; gestão e metodologia científica; e ministra cursos de visual merchandising.
Possui pesquisas e publicações nacionais e internacionais com foco em ergonomia do 
produto, em moda inclusiva, em meios de produção na moda e em tecnologia têxtil. Tem 
experiência como professora acadêmica nos cursos de graduação em Design de Moda, em 
Design de interiores, em Design Gráfico, em Arquitetura e em Engenharia de Produção.
Link: <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K8189797J0>.
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K8189797J0
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apresentação do material
ERGONOMIA
Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Berbel
Caro (a) aluno (a), este livro tem como objetivo apresentar e discutir sobre a er-
gonomia, suas áreas de atuação e suas diferentes abordagens. Pretendo fazer isso 
de forma leve para que você compreenda o que é ergonomia e passe a ter olhar 
crítico com relação aos ambientes, aos produtos e às vestimentas.
Ao longo dos capítulos, abordaremos o tema da ergonomia em diferentes si-
tuações, pois está relacionada a todos os produtos ou os ambientes desenvolvidos 
para uso do ser humano, uma vez que a principal definição de ergonomia é adequar 
o produto/ambiente ao usuário, ao contrário de permitir que este modifique sua 
postura para utilizá-lo.
Com base nesta constatação, podemos dizer que a ergonomia teve seus pri-
meiros indícios na pré-história, quando os homens das cavernas adaptaram suas 
armas para sobrevivência. O homem pré-histórico, ao fixar na ponta de uma vara 
uma lasca de pedra afiada para facilitar a caça de forma mais confortável, segura 
e eficaz, estava, inconscientemente, realizando ergonomia. 
O surgimento dessa temática se deu, portanto, juntamente com a necessi-
dade de sobrevivência do homem primitivo que, sem querer, começou a aplicar 
seus princípios para facilitar suas tarefas, como caçar, cortar e esmagar. Assim, a 
preocupação em adaptar o ambiente e/ou construir objetos para facilitar a vida 
dos indivíduos sempre esteve presente nos seres humanos, até mesmo em tempos 
remotos. (IIDA, 2005)
A ergonomia preza pelo conforto, pela saúde e pelo bem-estar do indivíduo 
e, para isso, muitas vezes utiliza das ferramentas de medições da antropometria 
para obter o resultado desejado–
antropometria será vista detalhadamente na Unidade I.
Começaremos nosso estudo entendendo o que é ergonomia, desde o significado 
da palavra até suas áreas de atuação.Discutiremos também sobre a biomecânica, 
a antropometria e suas formas de utilização. Posteriormente, trataremos sobre 
a ergonomia em diferentes situações, bem como no ambiente de trabalho, no 
desenvolvimento de produtos, nos projetos de interiores e nos projetos de moda. 
Para facilitar a compreensão nestas áreas, usaremos alguns estudos de caso que 
ajudarão a visualizar sua aplicação.
Serão apresentados estudos de caso voltados à melhor adequação do ambiente 
ao uso humano, à compreensão do uso da ergonomia no design de produto, bem 
como o uso do design universal e, por fim, ao uso da tecnologia têxtil aliada à mo-
delagem ergonômica com a finalidade de melhor adequar a vestimenta ao corpo.
Desta forma, ficará mais fácil compreender as diferentes formas de aplicação da 
ergonomia, sua importância e todos os benefícios de sua utilização pelo usuário.
Sejam bem-vindos(a) a esta disciplina e, agora, vamos estudar!
apresentação do material
sumário
UNIDADE I
ERGONOMIA: DEFINIÇÃO E ABRANGÊNCIA
14 Definição e Surgimento da Ergonomia
16 Abrangência da Ergonomia
21 Aplicação na Vida Diária
32 Aplicação da Antropometria
UNIDADE II
ERGONOMIA EM AMBIENTE DE TRABALHO
50 Biomecânica Ocupacional
54 Posto de Trabalho, Controles e Manejos 
57 Percepção e Processamento de Informação 
63 Ergonomia no Dia a Dia 
UNIDADE III
ERGONOMIA DO PRODUTO
78 Adaptação Ergonômica de Produtos
81 Projetos Universais
86 Desenvolvimento de Produto Ergonômico
88 A Importância de Produtos Ergonômicos
90 Estudo de Caso
UNIDADE IV
ERGONOMIA APLICADA NO AMBIENTE
110 Iluminação e Cores
117 Ruídos e Vibrações 
122 Ergonometria
124 Ergonomia e Mobiliário
126 Estudo de Caso 
UNIDADE V
ERGONOMIA NA MODA
146 Aplicação da Antropometria na Moda
149 Ergodesign e a Matéria-Prima Tecnológica
153 Ergonomia na Modelagem
158 Projeto de Moda Universal
164 Percepção do Usuário no Uso da Vestimenta 
Ergonômica
177 Conclusão geral
Professora Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Berbel
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Definição e surgimento da Ergonomia
• Abrangência da Ergonomia
• Aplicação na vida diária
• Antropometria
• Aplicação da Antropometria
Objetivos de Aprendizagem
• Apresentar o conceito de Ergonomia, descrevendo seu início intuitivo na pré-
história e o seu surgimento científico. 
• Discutir a abrangência da Ergonomia, suas aplicações gerais e, também, no 
design de interiores, no design de produto e no design de moda. Além de 
diferenciar Ergonomia de concepção, de correção, de conscientização e de 
participação.
• Apresentar a Ergonomia nas atividades domésticas, no ensino, no transporte 
e em espaços públicos. 
• Definir Antropometria Estática, Dinâmica e Funcional e reconhecer as 
alterações de medidas ocasionadas por diferenças entre sexos, variações 
genéticas, influências étnicas e climáticas.
• Identificar o uso de dados antropométricos e exemplificar o uso da 
Antropometria no Design de Interiores, Design de produto e Design de Moda.
ERGONOMIA: DEFINIÇÃO E 
ABRANGÊNCIA
unidade 
I
INTRODUÇÃO
O
lá caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a)(a) à disciplina de Er-
gonomia. Neste primeiro capítulo, compreenderemos o sur-
gimento da Ergonomia, desde a pré-história, com o uso intui-
tivo, passando pelo uso consciente, porém nos seus primeiros 
passos na Revolução Industrial, chegando aos períodos da 1º e da 2º 
Guerra Mundial, com os estudos aprofundados e, posteriormente, sua 
formalização como ramo de aplicação interdisciplinar da Ciência.
Seguiremos em nosso capítulo compreendendo a abrangência da Er-
gonomia e suas formas de aplicação, para que você compreenda a impor-
tância dela em sua área do designe para fique mais claro tanto a utilização 
da Ergonomia quanto sua importância. Ao longo do texto, você encon-
trará exemplos do uso da Ergonomia e da Antropometria no Design de 
Moda, no Design de Interiores e no Design de Produto, para que você 
compreenda as diversas formas de aplicação nos diferentes tipos de pro-
dutos ou deambientes e o quanto a Ergonomia é importante, seja na vesti-
menta, no produto em geral, nos ambientes e nossistemas.
O uso da Ergonomia na vida diária também será relatado, também, 
pois pode ser aplicada na maioria das nossas atividades ao longo do dia, 
seja em casa, no trabalho, nas ruas e, até mesmo, no lazer. Quando a Ergo-
nomia está presente, a atividade a ser desenvolvida flui melhor, devida aos 
princípios que visam, principalmente, ao conforto, ao bem-estar, à saúde 
e à segurança.
Para que estes princípios sejam utilizados e aplicados corretamente, 
compreenderemos, também, a importância do uso de dados antropomé-
tricos e suas formas de aplicações, para que o ambiente, o produto ou a 
vestimenta desenvolvida sejam adequados ao uso humano e não causem 
desconforto, insegurança ou problemas de saúde, e não atrapalhe o indi-
víduo a concluir suas inúmeras atividades diárias com prazer, saúde segu-
rança e conforto.
14 
ERGONOMIA 
Como já citado na apresentação, a Ergonomia 
surgiu na pré-história, a partir da necessidade de so-
brevivência do homem primitivo. Ele começou a afiar 
e amodificar alguns detalhes das ferramentas de caça 
para que tivesse mais segurança e eficácia durante as 
caçadas, além disso faziam utensílios de barro para 
retirar água das nascentes e levá-laspara seu uso. 
Na era da produção artesanal, a preocupação em 
adequar as tarefas às necessidades humanas sempre 
esteve presente. Entretanto, as mudanças significati-
vas da ergonomia vieram com a Revolução Industrial, 
que começou na Inglaterra, em meados do século 
Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a). Para iniciar 
nosso aprendizado, começaremos compreendendo 
o que é a Ergonomia, tanto no significado da palavra 
quanto no seu surgimento. A palavra “ergonomia” 
deriva do latim cujos significados são: ergo = traba-
lho e nomos = leis naturais e/ou regras. Desta forma, 
compreendemos que a Ergonomia se refere às regras 
do trabalho com relação ao homem e, com o passar 
dos tempos, estes princípios se estenderam a todos 
os produtos criados para o uso do ser humano. Sen-
do assim, a ergonomia adapta produtos, serviços, 
ferramentas de trabalhos e ambientes aos usuários.
Definição e Surgimento 
da Ergonomia
 15
 DESIGN 
XVIII. Tal revolução caracterizou-se pela passagem 
da manufatura à indústria mecânica e com a introdu-
ção de máquinas fabris, que multiplicaram o rendi-
mento do trabalho e aumentaram a produção global.
Inicialmente, as fábricas eram escuras, sujas, ba-
rulhentas e perigosas. As jornadas de trabalho chega-
vam a 16 horas por dia, sem férias, com chefes auto-
ritários e castigos corporais. A Figura 1 mostra uma 
fábrica, nos anos de 1912, com crianças trabalhando. 
Industrial, que realizou inúmeras pesquisas referen-
tes à fadiga na indústria, principalmente nas de mi-
nas de carvão. Em 1929, este órgão foi reformulado 
para Instituto de Pesquisa para Saúde do Trabalho, 
desta forma teve seu campo de pesquisa ampliado 
com desenvolvimento de pesquisa de posturas de 
trabalho, de carga manual, de treinamento, de ilu-
minação, de ventilação, entre outras (IIDA, 2005).
Com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os 
conhecimentos científicos e tecnológicos adquiridos 
foram utilizados ao máximo, para construir instru-
mentos bélicos complexos, como submarinos, tan-
ques, radares, sistemas contra incêndio e aviões. As-
sim, a ergonomia se fez essencial, pois qualquer erro 
no manuseio poderia ser fatal, por isso, as pesquisas 
foram redobradas para adaptar os instrumentos bé-
licos às características e às capacidades do operador, 
com o intuito de melhorar o desempenho do usuário, 
reduzindo a fadiga e os acidentes (IIDA, 2005).
De acordo com os fatos históricos anteriormente 
relatados, a Ergonomia começou a ser elaborada a 
partir de pesquisas para combater os efeitos da Re-
volução Industrial, em busca de trabalho humaniza-
do. Em seguida, foi profundamente pesquisada, nos 
períodos das Primeira e Segunda Guerra Mundial, 
com intuito de minimizar a fadiga e, com isso, di-
minuir os riscos de acidentes fatais no manuseio de 
equipamentos bélicos. Porém, o termo “ergonomia” 
teve seu nascimento oficial em 12 de julho de 1949, 
na Inglaterra, quando cientistas e pesquisadores reu-
niram-se e decidiram formalizar a existência deste 
novo ramo de aplicação interdisciplinar da ciência 
(IIDA, 2005). A partir de sua formalização, esta área 
se apresenta para repensar o trabalho e questionar: 
como ter qualidade de vida no trabalho?
Figura 1 - Crianças trabalhando em fábrica
A partir desses fatos, alguns estudos começaram a 
ser desenvolvidos no final do século XIX e no início 
do século XX, sobre a fisiologia do trabalho, os gas-
tos energéticos e afadiga, para solucionar problemas 
decorrentes da industrialização.
Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-
1917), na Inglaterra, foi criada a Comissão de Saúde 
dos Trabalhadores na indústria de Munição e, em 
1915, fisiologistas e psicólogos foram chamados para 
colaborar com estratégias para aumentar a produção 
de armamentos. Quando a guerra chegou ao fim, 
passou a chamar-se Instituto de Pesquisa da Fadiga 
16 
ERGONOMIA 
A saúde é priorizada na ergonomia quando seu 
limite é respeitado, evitando estresse, riscos de aci-
dente e doenças ocupacionais. A segurança condiz 
com o respeito às capacidades e às limitações do 
usuário, que contribuem com a redução de erros, de 
acidentes, de estresse e fadiga. O conforto se dá pelo 
resultado das necessidades atendidas junto ao bom 
planejamento. Necessidades estas que têm como 
foco a adequação do produto/ambiente ao homem 
de forma que respeite seus limites, priorize seu bem-
-estar e, consequentemente, aumente seu rendimen-
to, seja no trabalho ou nas atividades diárias. 
Como já vimos, a Ergonomia defende que o pro-
duto se adapte ao homem, e não o contrário.Para 
isso, atua em correção de produtos mal projetados, 
na concepção de novos produtos, na conscientiza-
ção de uso e na participação do sistema para busca 
de soluções. Os princípios ergonômicos defendem 
o bem-estar, o conforto, a saúde, a segurança, a sa-
tisfação e a eficiência do indivíduo. A eficiência do 
trabalho e o aumento da produtividade virão como 
consequência, pois, quando o indivíduo trabalha de 
forma confortável, naturalmente produzirá mais, 
pois sua fadiga, se houver, será tardia.
Abrangência da 
Ergonomia
 17
 DESIGN 
ria-prima que será desenvolvida, a vestimenta ou 
o acessório, desta forma, proporciona ao usuário a 
percepção de conforto no uso da vestimenta, resul-
tando em melhor desempenho de suas atividades di-
árias. No caso do Design de Interiores, a Ergonomia 
é aplicada no espaço, tanto em busca de conforto 
térmico, visual e auditivo, quanto na disponibilida-
de dos móveis e aplicações de facilitadores no uso 
diário do ambiente. Isso resulta em facilidade no uso 
do espaço, seja no fluxo de pessoas, no conforto do 
lar ou na implantação de soluções ergonômicas em 
ambientes de trabalho.
A contribuição da ergonomia pode ser feita na 
concepção do produto/ambiente na correção, na 
conscientização ou até mesmo na participação. A 
ergonomia de concepção ocorre quando a contri-
Também pode contribuir de diversas maneiras 
para melhorar as condições do usuário. Em alguns 
casos, para ter melhor aproveitamento, envolve di-
versos profissionais de diferentes áreas de uma em-
presa, isso porque a ergonomia pode ser estudada 
por diversas profissões, como médicos do trabalho, 
engenheiros, enfermeiros, fisioterapeutas, admi-
nistradores, compradores, designers, entre outros. 
Cada área se apropria para atender sua necessidade 
específica, porém sempre dentro dos mesmosprin-
cípios, os de favorecer o usuário e melhorar sua qua-
lidade de vida (IIDA, 2005).
Os designers, quando fazem uso da ergono-
mia, auxiliam nessa adaptação de produto/espaço 
ao usuário. Especificamente, o designer de produto 
pesquisa formas de torná-lo mais adequado ao uso 
humano, facilitando aberturas e fechamentos, com-
preensão do uso, minimização de força para manu-
seio do produto dentre outros detalhes que favore-
cem a aceitação do item.
No caso do Design de Moda, a pesquisa é fei-
ta com foco tanto na modelagem quanto na maté-
18 
ERGONOMIA 
buição se faz durante o projeto de desenvolvimento 
do produto, da máquina, do ambiente ou do sistema. 
É uma ótima situação, pois as alternativas poderão 
ser amplamente examinadas para evitar inadequa-
ção durante o uso, porém exige mais conhecimento 
e experiência, uma vez que as decisões são tomadas 
com base em situações hipotéticas, por não existir o 
produto, o ambiente ou o sistema de forma real. Para 
obter melhor resultado, aconselha-se usar como base 
situações semelhantes ou produtos similares. Algu-
mas situações podem ser simuladas no computador, 
com uso de modelos virtuais (IIDA, 2005).
A Ergonomia de Concepção é mais utilizada 
na criação de postos de trabalho, pois, antes de 
comprar maquinários e equipamentos para pro-
dução, que costumam ter alto custo, deve-se pen-
sar em todas as possibilidades, para que depois 
não necessite correção do sistema de trabalho, o 
que, muitas vezes, não é viável pelo alto investi-
mento sobre o mesmo sistema. Por isso, neste 
caso, as correções, quando necessárias, são rea-
lizadas inicialmente, modificando os elementos 
parciais do posto de trabalho, como as dimensões, 
a iluminação, o ruído, a temperatura e a conscien-
tização sobre posturas e usos do sistema. Se todas 
estas possibilidades não resolverem o problema, 
então, busca-se a correção do sistema por meio de 
compras de novos maquinários.
A imagem a seguir ilustra um projeto de layout 
com Ergonomia de Concepção, pois avalia as formas 
de uso do ambiente e aplica os aspectos ergonômi-
cos necessários. 
Figura 2 - Layout de posto de trabalho ergonômico
 19
 DESIGN 
A Ergonomia de Correção é aplicada em situações 
ou produtos já existentes e serve para resolver pro-
blemas detectados durante o uso do produto, como: 
segurança, desconforto, dificuldade de manejo, fadi-
ga excessiva, doenças derivadas do uso do produto 
ou ambiente e quantidade e/ou qualidade de produ-
ção (IIDA, 2005).
A Ergonomia de Correção é uma das mais uti-
lizadas, pois a todo momento designers procuram 
criar produtos com melhorias, baseando-se nas ina-
dequações dos produtos anteriores, por exemplo, os 
celulares, que já passaram por inúmeras correções 
com a intenção de se adequarem ao uso do indiví-
duo, facilitando seu manejo e concentrando várias 
utilidades em um só produto, como: despertador, 
agenda, bloco de notas, acesso fácil à internet etc.
As roupas também passam por correções a todo 
momento e suas intervenções ergonômicas ocorrem, 
geralmente, na modelagem e na escolha da matéria-
-prima, como os uniformes esportivos, que sempre 
são modificados com a intenção de melhorar o de-
sempenho do atleta e favorecer sua saúde. Nos uni-
formes de basquete, por exemplo, os tecidos foram 
criados para serem os mais leves possíveis para não 
atrapalhar nos saltos dados pelos atletas para alcan-
çar a cesta. Para que se torne mais confortável e ain-
da mais leve, as emendas são coladas com materiais 
específicos em vez de serem costuradas. 
Na Ergonomia de Conscientização, busca, como o 
nome sugere, conscientizar o próprio trabalhador para 
identificar e corrigir o problema quando necessário, 
seja do dia a dia ou de forma emergencial. Os impre-
vistos podem surgir a qualquer momento, e os operá-
rios devem estar preparados para enfrentá-los. 
É importante conscientizar o operador por meio 
de cursos, de treinamentos e de frequentes recicla-
gens, ensinando-o, de forma segura, a reconhecer os Figura 3 - A ergonomia no uniforme de basquete
20 
ERGONOMIA 
fatores de risco que podem surgir a qualquer mo-
mento no ambiente de trabalho. Ele deve saber exa-
tamente a providência a ser tomada numa situação 
de emergência (IIDA, 2005). Além disso, ensina o 
colaborador a usufruir os benefícios de seu posto de 
trabalho com boa postura, uso adequado de mobili-
ários e de equipamentos, auxilia na implantação de 
pausas e conscientiza sobre a importância delas.
A Ergonomia de Conscientização é muito utili-
zada por seguranças de trabalho, que conscientizam 
os operários a manusear a máquina de forma cor-
reta, com postura adequada, com atenção, e a utili-
zarem os equipamentos de segurança corretamente.
O segurança do trabalho supervisiona os ope-
rários, enquanto estão trabalhando, para evitar que 
sofram acidentes por usos inadequados de maqui-
nários ou equipamento de segurança e, quando per-
cebe algo errado, conscientiza o operário para que 
faça da forma certa e, assim, preserve sua saúde e 
sua integridade física.
A Ergonomia de Conscientização se vê também 
em produtos, como o verso das embalagens de ci-
garros, que contém os malefícios que o uso contí-
nuo daquele produto pode causar ao consumidor. 
A Figura 4 demonstra a aplicação da Ergonomia de 
Conscientização em rótulo de embalagem, com o 
intuito de conscientizar o fumante dos males que o 
cigarro pode causar.
E, por fim, a Ergonomia de Participação envol-
ve o próprio usuário do sistema na resolução do 
problema de forma mais ativa, na busca da solução 
para o problema, seja trabalhador, seja consumidor, 
Figura 4 - Ergonomia de conscientização em produto
Fonte: Anvisa (2017, on-line)1.
enquanto a Ergonomia de Conscientização procura 
apenas manter os trabalhadores e usuários informa-
dos. Este princípio acredita que o usuário tenha o 
conhecimento prático, de uso, o que contribui para 
evitar que detalhes passem despercebidos pelo pro-
jetista (IIDA, 2005).
 21
 DESIGN 
A ergonomia deve ser aplicada no produto junto as 
premissas do design, para que resultem em produtos 
e/ ou espaços adequados ao ser humano. Devemos 
sempre levar em consideração que o produto será uti-
lizado pelo corpo humano, por isso deve partir de suas 
medidas, necessidades e expectativas. O projeto ergo-
nômico tem como objetivo facilitar a vida do usuário, 
deixando-o mais confortável para, assim, aumentar 
seu desempenho, diminuir seu desgaste e eliminar 
os riscos de danos à saúde provocados pelo uso de 
produto/ambiente mal projetado. Quando aplicamos 
a ergonomia no projeto, temos que pensar no usuário 
do produto e levar em consideração suas necessida-
des, dificuldades e limitações. Devemos também pen-
sar em possibilidades de facilitar o uso do produto, a 
fim de aumentar o desempenho do usuário.
A ergonomia deveria estar presente a todo 
momento em nosso dia a dia, pois sua ausência é 
facilmente percebida, por exemplo, quando você 
acorda, depois de ter dormido com um pijama 
apertado, ou em um colchão inapropriado ou, até 
mesmo, com um travesseiro que não estava na al-
Aplicação na 
Vida Diária
22 
ERGONOMIA 
tura correta, e, imediatamente, as dores no cor-
po são percebidas. Isso ocorre também quando 
o indivíduo levanta da cama de forma incorreta, 
podendo causar um mal jeito imediato. Posterior-
mente, você resolve limpar a casa e, caso não le-
vante os objetos pesados com a postura correta, 
pode desenvolver lesões corporais sentidas ime-
diatamente ou após a finalização da tarefa. Ao la-
var uma louça numa pia mais baixa ou mais alta 
que o correto, as dores nas costas são inevitáveis.
Caso você não costume fazer serviços domésticos, 
seguranças. Ufa, quanta coisa, não? Como essa tal er-
gonomia é importante, não é? Consegue imaginar a di-
ficuldade da rotina que relatei? Sabia que muita gente 
passa exatamente, todos os dias, por esses obstáculos? 
Imagine, agora, que maravilha seria morar em uma 
casa ergonômica, numa cidade ergonômica e, ainda, 
trabalharnuma empresa ergonômica. Muito do stress, 
da fadiga e das dores no corpo seriam evitadas. Por 
isso cabe a nós, designers, tentar inserir, ao máximo, a 
ergonomia em cada projeto que desenvolvermos e em 
cada adequação que fazermos.
Figura 5 - Posições do dia a dia com e sem ergonomia
Fonte: RPG Souchard ([2018], on-line)2. 
A Figura 5 ilustra alguns movimentos do dia a dia 
que muitas pessoas fazem de maneira completamen-
te incorreta, o que pode acarretar problemas futuros 
como dores, inflamações, entre outras enfermidades 
causadas por posturas incorretas.
usuário ao lado e uma insegurança quando o ônibus frear 
rapidamente ou fizer uma curva em velocidade por conta 
da falta de cintos de segurança.
Ao chegar em seu ambiente de trabalho, pode ser 
que se depare com uma cadeira desconfortável, uma 
mesa baixa, um computador sem apetrechos de apoio 
que evite doenças causadas por movimentos repetiti-
vos. Ou pode ser que você trabalhe horas seguidas em 
pé, às vezes, até sem poder se movimentar, como os 
mas trabalhe, ou estude fora, 
sentirá falta da ergonomia 
quando sair de casa e andar 
por calçadas desniveladas e 
esburacadas. Se for pegar um 
ônibus, e o ponto não for cor-
retamente coberto, irá se mo-
lhar caso esteja chovendo, ou, 
então, sentirá o forte calor do 
sol, dependendo do horário. 
Ao observar uma pessoa 
de mais idade subir os altos 
degraus do ônibus, perceberá 
quão inadequados são. Quando 
se sentar no ônibus, que, geral-
mente, tem o assento estreito, 
sentirá um desconforto com o 
 23
 DESIGN 
 F
ig
ur
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6 
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 d
e 
V
itr
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io
 (H
om
em
 V
itr
uv
ia
no
)
A Antropometria é ferramenta utilizada pela Ergo-
nomia, que utiliza pesquisas intensas das medidas 
dos usuários de diversas formas, desde eretas, em 
movimento e, até mesmo, em alcances. Como já foi 
dito, um projeto que será desenvolvido para o uso 
humano deve se basear nas medidas humanas, além 
de levar em consideração as formas de usos, necessi-
dades, capacidades e limitações.
24 
ERGONOMIA 
As formas e as proporções da constituição física 
humana têm encantado artistas, filósofos, arquitetos 
e teóricos há muito tempo, desde épocas remotas. 
No século I a.C., o arquiteto romano Vitrúvio estu-
dava as proporções do corpo humano, um século e 
meio mais tarde estes mesmos estudos foram reto-
mados por Leonardo da Vinci, com o Homem de 
Vitrúvio. Mais tarde, outros estudiosos também se 
debruçaram sobre o assunto, como o inglês Gibson 
e Bonomi, em 1957, e o arquiteto Francês Le Corbu-
sier com o tão conhecido Modulador, nos anos de 
1960. (MARTINS, 2008).
 Nesse sentido, essa pesquisa é fundamental para 
a criação de ambientes, arquiteturas, postos de 
trabalhos, bem como para o desenvolvimento de 
roupas, calçados, acessórios, artigos para espor-
tes, vestimentas para atender às diversas deficiên-
cias, entre muitos outros produtos, como assevera 
Saltzman (2008).
 A Antropometria dá-se pelo estudo das me-
didas do indivíduo em diferentes situações. Desse 
modo, os tipos de medidas dependem do produto 
ou ambiente a ser desenvolvido.
Por exemplo, no caso do desenvolvimento de 
um teclado de computador, deve-se levar em con-
sideração as medidas das mãos e o alcance dos de-
dos para que o teclado não seja projetado maior 
que o alcance das mãos, o que causaria desconfor-
to no uso do objeto.
Essas medidas antropométricas devem ser tira-
das com muito cuidado e com muita precisão, pois 
qualquer detalhe pode alterar os dados do estudo. 
Se pessoas serão medidas com ou sem roupas, com 
ou sem sapatos, entre outros detalhes que devem 
ser definidos antes de começar as medições. Se fi-
car determinado que as medidas serão feitas com 
roupas íntimas, então, todos deverão estar vestidos 
apenas com roupas íntimas, e assim por diante. Isso 
torna o estudo mais preciso.
Um produto adequado ao corpo deve ser em-
basado em medidas antropométricas, se levarmos 
em consideração que, em alguns casos, o usuário 
não permanecerá estático com o produto ao cor-
po, esse é o caso das vestimentas. Por isso, quan-
do se pretende trabalhar com vestuário, o ideal 
é conhecer as proporções e dimensões do corpo, 
para que a vestimenta se ajuste ao usuário e se 
mova de forma confortável. 
Figura 7 - O Modulor, de Le Corbusier
Fonte: Dezeen (2015, on-line)4.
As proporções do corpo humano foram estuda-
das em diferentes épocas e com pretensões diver-
sas, por isso, ao criarmos algo para o uso huma-
no, devemos considerar esses estudos, a fim de 
evitar erros, como o de adequação ao corpo.
 25
 DESIGN 
Figura 8 - Alcance ótimo e máximo (antropometria dinâmica) para determinar o tamanho da superfície de trabalho
Fonte: Adaptado de IIDA, 2005, p. 146.
Figura 9 - Dimensionamento da superfície de trabalho para postura em pé
Fonte: Adaptado de IIDA, 2005, p. 147.
26 
ERGONOMIA 
Figura 10 - (A) Dimensões do posto de trabalho sentado, (B) Problemas dimensionais causados por assentos inadequados.
Fonte: Adaptado de IIDA (2005, p. 145 - 152).
A
Cadeira
Mesa regulável
Dimensões em cm
37-5354-74
Mesa fixa
Apoios 
para os
pés
Cadeira
74
47-57
0-20
B
 27
 DESIGN 
O designer/projetista deve conhecer a estrutura bá-
sica do corpo, como os movimentos, a anatomia, 
as formas e as medidas, já que o dimensionamento 
adequado do vestuário é tão importante quanto as 
sensações de conforto, de segurança, de proteção e a 
estética do produto (BOUERI, 2008).
Um único estudo antropométrico não é válido 
para toda a população mundial, pois existem di-
ferenças étnicas e climáticas que influenciam nas 
medidas do corpo humano. Além disso, há diferen-
ciações de medidas entre homens e mulheres, bem 
como as variações de medidas que ocorrem em um 
ser humano ao longo de sua vida, há diferenças in-
questionáveis entre uma criança de 5 anos, um ado-
lescente de 15, um adulto de 30 e, assim, por diante. 
Por isso, é preciso saber para quem estamos desen-
volvendo o produto, para nos basearmos nas medi-
das relativas à etnia do indivíduo, à faixa-etária e ao 
tipo de uso do produto, para nos referirmos ao tipo 
de medidas estáticas, dinâmicas ou funcionais.
Até 1940, a antropometria visava determinar 
apenas algumas grandezas médias, como o peso e a 
estatura da população, depois passaram a determi-
nar as variações das medidas e os alcances dos mo-
vimentos (IIDA, 2005).
Os primeiros estudos são datados há muitos 
anos, mas essas pesquisas foram aplicadas de fato, e 
de forma sistêmica, em projetos somente a partir da 
década de 1950, por conta do desenvolvimento de 
métodos para aplicação das medidas corporais em 
diferentes tipos de projetos. 
Nesse mesmo período, surgiu, nos Estados 
Unidos, o escritório de projetos Henry Drey-
fuss, que atuou na área de design, elaborando 
projetos com dados ergonômicos e antropomé-
tricos da população usuária (BOUERI, 2008 
apud FERREIRA, 2016, p. 37).
A princípio, estas medidas eram tiradas de forma 
manual, mas, atualmente, existem máquinas que es-
Figura 11 - Evolução antropométrica ao longo da vida do ser humano. Pode-se notar que algumas medidas variam mais que outras. Por exemplo, o 
tamanho da cabeça varia menos que o comprimento dos braços e pernas
28 
ERGONOMIA 
Esses dados podem ser utilizados em todo e qual-
quer produto que seja destinado ao uso do homem, 
como um mobiliário, um posto de trabalho, objetos 
de uso e, até mesmo, uma vestimenta. Este estudo 
de medidas é fundamental em diferentes setores, o 
que prova isso são os inúmeros produtos inadequa-
dos que já foram e ainda são exportados para outros 
países sem considerar as variações de medidas por 
influências étnicas e/ou climáticas.
Um exemplo de inadequação foram as antigas 
máquinas locomotivas exportadas pelos ingleses 
para a Índia. Elas não se adaptavam aos operadores 
indianos, por desconformidade com as medidas dos 
locais. Outro exemplo ocorreu durante a guerra do 
Vietnã, quando os soldados vietnamitas com altu-
ra média de 160,5 cm tinham muita dificuldade emoperar as máquinas bélicas fornecidas pelos norte-a-
mericanos, e isso porque foram projetadas para uma 
altura média de 174,5 cm (IIDA, 2005).
Esses exemplos demonstram o risco que um usu-
ário corre ao utilizar um produto que não tenha sido 
projetado de acordo com suas medidas corporais e 
medidas de alcances. Riscos ao usuário, no entanto, 
caneiam o corpo humano e identificam, detalhada-
mente, suas dimensões, facilitando o detalhamento 
dos dados antropométricos para aplicação em dife-
rentes setores, tanto da moda como no projeto de 
ambientes ou na criação de novos produtos.
existem em diversos produtos. Isso acontece quando 
não se pesquisa as mediadas da constituição física para 
criar um produto para o corpo, ou quando não se leva 
em consideração as medidas da região para a qual se 
destina determinado produto,, aumentando o risco de 
inadequação do produto ao usuário.
Pode-se apontar, como exemplo, pesquisas de 
medidas para a população brasileira, que apresentam 
diversos problemas, devido à miscigenação existente, 
desse modo, há uma variação considerável de medi-
das, se considerarmos todo o país. Essas diferenças 
concentram-se nas cinco regiões brasileiras, tendo, 
em cada uma, variações consideráveis. Desta forma, 
os estudos que se destinam às medidas corporais ou a 
modelagens brasileiras devem ser divididos por regi-
ões, resultando em cinco padrões de medidas.
 As medidas antropométricas podem ser estáti-
cas ou dinâmicas. As estáticas referem-se às medidas 
do corpo parado, sem movimento, e são muito utili-
zadas no processo de alfaiataria. As medidas antro-
pométricas dinâmicas, por sua vez, são tiradas com 
o corpo em movimento, assim como as funcionais, 
esta, porém, refere-se a movimentos específicos que 
serão desenvolvidos com o produto. Essas informa-
ções são adequadas para projetar, principalmente, 
vestuários esportivos, pois considera todos os movi-
mentos que o atleta produzirá, e, em cada esporte, o 
tipo de movimento será diferente (BOUERI, 2008).
A imagem a seguir traz as imagens das prin-
cipais formas de medição das diferentes partes do 
corpo humano estático, na tabela a seguir é possível 
notar a média de medidas feita por meio do estudo 
antropométrico realizado na Alemanha, assim po-
demos perceber que há inúmeras formas de se me-
dir o corpo humano, tudo vai depender a utilidade 
das medidas, e do quanto elas são importantes para 
aquele determinado projeto.
Quando o ponto de contato entre o produto 
e as pessoas se torna um ponto de fricção, 
então o design industrial falhou.
(Henry Dreyfuss)
REFLITA
 29
 DESIGN 
1,5
1,4
1,6
1,8 1,1
2,8
2,9
2,10
1,7 1,9 3,3 
3,2
3,1 4,21
4,6 4,5
2,12
5,1
2,13
4,4
4,7
2,1
2,2
2,3
2,4
2,6 2,5
2,111,3
1,2
1,1
3,4
5,2
5,3
4,1
4,3
3,5
Figura 12 - Medição estática
Fonte: Brendler (on-line, 2013)8.
MEDIDAS DE ANTROPOMETRIA ESTÁTICA (CM)
MULHERES HOMENS
5% 50% 95% 5% 50% 95%
1 
CO
RP
O
 E
M
 P
É
1.1 Estatura, corpo ereto 151 161,9 172,5 162,9 173,3 184,1
1.2 Altura dos olhos, em pé, ereto 140,2 150,2 159,6 150,9 161,3 172,1
1.3 Altura dos ombros, em pé, ereto 123,4 133,9 143,6 134,9 144,5 154,2
1.4 Altura do cotovelo, em pé, ereto 95,7 103 110 102,1 109,6 117,9
1.5 Altura do centro da mão, braço pedindo, em pé 66,4 73,8 80,3 72,8 76,7 82,8
1.6 Altura do centro da mão, braço erguido, em pé 174,8 187,8 200 191 205,1 221
1.7 Comprimento do braço, na horizontal, até o centro da mão 61,6 69 76,2 66,2 72,2 78,7
1.8 Profundidade do corpo, na altura do tórax 23,8 28,5 35,7 23,3 27,6 31,8
1.9 Largura dos ombros, em pé 32,3 35,5 38,8 36,7 39,8 42,8
1.10 Largura dos quadris, em pé 31,4 35,8 40,5 31 34,4 36,8
Tabela 01 - Média de medidas tomadas em antropometria estática
30 
ERGONOMIA 
MEDIDAS DE ANTROPOMETRIA ESTÁTICA (CM)
MULHERES HOMENS
5% 50% 95% 5% 50% 95%
2 
CO
RP
O
 S
EN
TA
D
O
2.1 Altura da cabeça, a partir do assento, tronco ereto 80,5 85,7 91,4 84,9 90,7 96,2
2.2 Altura dos olhos, a partir do assento, tronco ereto 68 73,5 78,5 73,9 79 84,4
2.3 Altura dos ombros, a partir do assento, tronco ereto 53,8 58,5 63,1 56,1 61 65,5
2.4 Altura do cotovelo, a partir do assento, tronco ereto 19,1 23,3 27,8 19,3 23 28
2.5 Altura do joelho, sentado 46,2 50,2 54,2 49,3 53,5 57,4
2.6 Altura poplítea (parte inferior da coxa) 35,1 39,5 43,4 39,9 44,2 48
2.7 Comprimento do antebraço, na horizontal, até o centro da mão 29,2 32,2 36,4 32,7 36,2 38,9
2.8 Comprimento nádega-poplítea 42,6 48,4 53,2 45,2 50 55,2
2.9 Comprimento da nádega-joelho 53 58,7 63,1 55,4 59,9 64,5
2.10 Comprimento nádega-pé, perna estendida na horizontal 95,5 104,4 112,6 96,4 103,5 112,5
2.11 Altura da parte superior das coxas 11,8 14,4 17,3 11,7 13,6 15,7
2.12 Largura entre os cotovelos 37 45,6 54,4 39,9 45,1 51,2
2.13 Largura dos quadris, sentado 34 38,7 45,1 32,5 36,2 39,1
3 
CA
BE
ÇA
3.1 Comprimento vertical da cabeça 19,5 21,9 24 21,3 22,8 24,4
3.2 Largura da Cabeça, de frente 13,8 14,9 15,9 14,6 15,6 16,7
3.3 Largura da cabeça de perfil 16,5 18 19,4 18,2 19,3 20,5
3.4 Distância entre os olhos 5 5,7 6,5 5,7 6,3 6,8
3.5 Circunferência da cabeça 52 54 57,2 54,8 57,3 59,9
4 
M
ÃO
S
4.1 Comprimento da mão 15,9 17,4 19 17 18,6 20,1
4.2 Largura da mão 8,2 9,2 10,1 9,8 10,7 11,6
4.3 Comprimento da palma da mão 9,1 10 10,8 10,1 10,9 11,7
4.4 Largura da palma da mão 7,2 8 8,5 7,8 8,5 9,3
4.5 Circunferência da palma 17,6 19,2 20,7 19,5 21 22,9
4.6 Circunferência do pulso 14,6 16 17,7 16,1 17,6 18,9
4.7 Cilindro da pega máxima (diâmetro) 10,8 13 15,7 11,9 13,8 15,4
5 
PÉ
S
5.1 Comprimento do pé 22,1 24,2 26,4 24 26 28,1
5.2 Largura do pé 9 9,7 10,7 9,3 10 10,7
5.3 Largura do calcanhar 5,6 6,2 7,2 6 6,6 7,4
Fonte: IIDA (2005, p. 118).
 31
 DESIGN 
Os supermaiôs utilizados pelos nadadores 
alguns anos atrás foi proibido. As polêmicas 
começaram na natação mundial, em fevereiro 
de 2008, quando uma marca de acessórios 
esportivos da Austrália lançou o supermaiô 
LZR, produzida em parceria com a Nasa e pa-
tenteada em Portugal. A nova roupa auxiliava 
o fluxo de oxigênio no corpo do atleta, que 
também ganhava nova posição hidrodinâmica 
e velocidade incrível dentro da água. 
Com essa medida, uma nova regra surge na 
natação mundial: “Nenhum nadador será auto-
rizado a utilizar ou vestir qualquer máquina ou 
maiô que possa lhe dar velocidade, resistência 
ou flutuação extras durante uma competição”, 
consta no regulamento. Mas não podemos 
deixar de reconhecer o quanto este produto 
é inovador e ergonômico, mas que o produto 
é sensacional, isso é.
Fonte: UOL ([2018], on-line)7.
SAIBA MAIS
Adução Abdução
Fle
xã
o
Extensão
Extensão
Flexão
Adução Abdução
Fle
xã
o
Extensão
Flexão
Se partirmos do princípio de que não são apenas 
os atletas que vivem em movimentos constantes, pode-
mos, então, levar em consideração o uso dessas medidas 
dinâmicas no projeto de roupas comuns, sem o apelo 
esportivo, já que um indivíduo com inúmeras ativida-
des diárias precisa ter liberdade para movimentar-se de 
forma geral, como: sentar, levantar, agachar, deitar, subir 
e descer escadas, andar, correr, entre muitos outros mo-
vimentos comuns presentes no nosso dia a dia, de modo 
que estes produtos não nos impeçam de fazê-lo de for-
ma confortável ou, até mesmo, de forma rápida e segu-
ra, sem causar desgaste, desconforto ou insegurança em 
pequenos movimentos cotidianos (FERREIRA, 2016).
A imagem demonstra o corpo parado em diferen-
tes posições para que seja feita a medição antropo-
métrica estática. Em seguida, demonstra os pontos de 
articulação que devem ser levados em consideração 
no momento das medidas dinâmicas.
Figura 13 - Medição dinâmica
Fonte: IIDA, 2005, p. 127.
32 
ERGONOMIA 
Como os dados antropométricos podem ser extraí-
dos de diversos países, deve-se, antes de qualquer coi-
sa, certificar-se da origem dos dados. Posteriormente, 
deve-se verificar alguns fatores que influenciam nos 
resultados das medidas, tais como: etnia, profissão, 
faixa etária, épocae condições especiais (IIDA, 2005).
A etnia influencia nos resultados dos dados, por 
isso, deve-se ter conhecimento da região que os da-
dos foram retirados e para qual região serão aplica-
dos para que não haja incoerência, devido às dife-
renças nas proporções corporais (IIDA, 2005).
O homem é a medida de todas as coisas, das 
coisas que são, enquanto são, das coisas que 
não são, enquanto não são.
(Protágoras de Abdera)
REFLITA
Aplicação da
Antropometria
A imagem a seguir demonstra as diferenças de pro-
porções dos corpos de diferentes etnias.
 33
 DESIGN 
A profissão deve ser levada em consideração para 
que alguns cuidados sejam tomados, com relação à 
predominância de homens ou mulheres ou, até mes-
mo, à faixa etária predominante, que também deve 
ser considerada por conta das formas corporais que 
se modificam, continuamente, com a idade. A época 
em que os dados antropométricos foram realizados 
também é importante, pois eles evoluem com o tem-
po. E, por fim, as condições em que as medidas fo-
ram tiradas, se as pessoas estavam com ou sem rou-
pas, com ou sem calçados, e assim por diante.
Os itens mencionados anteriormente são apenas 
para adequar os dados antropométricos ao público, 
no qual o produto ou espaço será projetado. Além da 
adequação às proporções, deve-se, também, definir 
se utilizará as medidas dinâmicas ou estáticas, para 
isso, é preciso ter conhecimento de como o corpo se 
portará durante o uso do produto, pois, caso o pro-
duto exija poucos ou nenhum movimento do cor-
po, as medidas utilizadas poderão ser as dinâmicas, 
como postos de trabalhos de escritórios. Se o produ-
to exigir maiores movimentos corporais, a exemplo 
das vestimentas, então, os dados antropométricos 
deverão ser os dinâmicos. Ou, então, caso seja ne-
cessário, pode-se aplicar a antropometria funcional, 
na qual se baseia nas medidas associadas à tarefa.
Do ponto de vista industrial, visando reduzir 
custo, o ideal seria fabricar um produto padroniza-
do para toda a população, em contrapartida propor-
cionaria desconforto e insegurança ao usuário, além 
disso, se tornaria crítico em caso de produtos de uso 
individual, como vestuário, calçados e equipamento 
Figura 14 - Diferenças étnicas
Fonte: IIDA, 2005.
34 
ERGONOMIA 
de proteção individual. A falta de adaptação pode 
reduzir a eficiência do produto. Para que isso não 
aconteça, vejamos os cinco princípios para aplicação 
de dados antropométricos propostos por Iida (2005).
Para a indústria, quanto mais padronizado melhor, pois 
minimiza o custo. Sendo assim, é mais comum a aplica-
ção do primeiro e segundo princípio. Os custos aumen-
tam, relativamente, no caso da aplicação do terceiro e 
quarto princípios, já o quinto é inviável para a indústria, 
necessitando de mão de obra especializada. Em contra-
partida, para a ergonomia, quanto menos padronizado 
e mais adaptável melhor, pois se entende que os corpos 
são diferentes e necessitam de cuidados, adequações e 
ajustes diferentes para que cumpra seus princípios de 
conforto, saúde, eficiência e prazer no uso.
Ao desenvolver um produto ou ambiente, é ne-
cessário ter conhecimento do usuário para que se 
possa utilizar os dados antropométricos e aplicá-los 
da forma correta, levando em consideração as ne-
cessidades dos usuários.
1
4
5
2
3
Primeiro princípio:
Quarto princípio:
Quinto princípio:
Segundo princípio:
Terceiro princípio:
refere-se aos projetos dimensionados para a média da po-
pulação neste caso, utiliza-se o percentil de 50%. É mais uti-
lizado em produtos de uso coletivo, como o banco do ponto 
de ônibus. Isso não quer dizer que será ótimo para todos, 
mas, coletivamente, causará menos incômodo à maioria, 
por isso, em produtos de uso coletivo, são aplicados os da-
dos antropométricos referentes à média da população.
refere-se aos projetos que apresentam dimensões 
reguláveis para se adaptar ao usuário, geralmente, 
não abrangem o produto como um todo, apenas nas 
regiões críticas para o desempenho. Um exemplo é o 
banco do automóvel, que possui regulagem de distân-
cia, de altura, de encosto e, às vezes, até de encaixe 
da coluna. Estes ajustes são necessários para preser-
var a segurança, conforto e eficiência do usuário.
este último refere-se aos projetos adaptados ao in-
divíduo, especificamente, para um indivíduo. Como 
os aparelhos assistivos de deficientes físicos, aparel-
hos ortopédicos, roupas feitas sob medida, sapatos 
ortopédicos que precisem de ajuste por conta de al-
guma deficiência, entre outros.
refere-se aos projetos dimensionados para um dos ex-
tremos da população, pois, em alguns casos, o uso de 
dados médios não funciona, por exemplo, em uma saída 
de emergência, onde 50% da população não conseguiria 
passar. Assim como, se for construído um painel de con-
trole para a média da população, dificultaria o acesso das 
pessoas mais baixas.
Para utilizar este princípio, é necessário saber qual a 
variável limitante, ou seja, se considerado o painel de 
controle, o limitante é o alcance dos braços. Desta forma, 
se quisermos englobar 95% da população, a medida do al-
cance dos braços não pode ser maior que o comprimento 
dos braços de 5% da população.
refere-se aos projetos que são para faixas da população, 
como acontece no caso das roupas, que são fabricadas 
em tamanhos diferentes como P (pequeno), M (médio), G 
(grande) etc. Neste caso, atende ao maior número de pes-
soas, diminuindo a inadequação.
 35
considerações finais
Caro(a) aluno(a), espero que tenham compreendido o quão importante é o uso da 
ergonomia nos projetos de design, independentemente, de ser vestimenta, produtos 
diversos, ambientes comerciais ou residenciais, enfim, tudo o que se cria para o 
uso do homem deve-se ter em mente seu corpo, sua origem, para que seja levado 
em consideração as diferenças étnicas. A faixa-etária também é importante para 
que não ocorram inadequações em virtude das diferenças corporais ao longo da 
vida. Necessidades, possibilidades de uso, facilidades e dificuldades também devem 
ser consideradas, pois quanto mais informações você tiver do seu usuário, melhor 
será a adequação do seu produto a ele.
Este capítulo permitiu-nos a discussão sobre a Ergonomia, quando surgiu, por 
que foi criada. Falamos sobre a importância dela em todas as áreas do design e o 
quanto o produto torna-se mais adequado ao uso humano quando se considera 
o corpo para criar um produto. Foi possível compreender, também, as medidas 
antropométricas, os tipos existentes e suas formas de aplicação. Por isso, devemos, 
sempre, atermo-nos ao usuário que utilizará nosso produto ou ambiente, preci-
samos saber de que região ele é, qual asua idade, quais suas dificuldades e quais 
suas necessidades.
Desta forma, buscaremos a tabela de medidas antropométricas adequada para que 
os usuários do meu produto se sintam confortáveis, tenham suas necessidades su-
pridas, além da sensação de conforto durante o uso do produto. Quando as medidas 
antropométricas não são levadas em consideração, inadequações podem acontecer 
durante o uso do produto. Essas inadequações podem resultar em desconforto, 
constrangimento ou, até mesmo, sérios problemas de saúde.
Agora, que os conhecimento básicos sobre a Ergonomia e a Antropometria foram 
apreendidos, seus objetivos, sua abrangência e sua importância, acredito que a 
compreensão dos próximos capítulos será mais fácil e eficaz.
36 
atividades de estudo
1. A adaptação ergonômica de produtos tem uma longa história. A conside-
ração de fatores humanos no desenvolvimento de produtos tem sido um 
dos elementos de sua diferenciação no mercado consumidor. Trata-se de 
uma forma de adaptar a natureza às necessidades do homem, modifican-
do-a e criando meios artificiais, quando ela não lhe é conveniente.
A adaptação de produtos já existentes para inserção de características ergonô-
micas enquadra-se em qual tipo de ergonomia? 
a. Ergonomia de conscientização.
b. Ergonomia de correção.
c. Ergonomia de participação.
d. Ergonomiade concepção.
e. Ergonomia espacial.
2. A ergonomia é um conjunto de ciências que visa ao bem-estar e ao conforto 
do ser humano. Quando a Ergonomia surgiu de forma intuitiva, começou 
a ser utilizada de forma consciente e quando foi denominada Ergonomia?
a. De forma intuitiva, na Pré-história, de uso consciente, em 1949, e denomi-
nada nos anos 1970.
b. De forma intuitiva, na Revolução Industrial, de uso consciente, em 1949, e 
denominada nos anos 1970.
c. De forma intuitiva, na Pré-história, de uso consciente, na Revolução Indus-
trial, e denominada ergonomia em 12 de julho 1949.
d. De forma intuitiva, na Pré-história, de uso consciente, na revolução indus-
trial, e denominada ergonomia em 1970.
e. De forma intuitiva, na Pré-história, de forma consciente, na revolução in-
dustrial, e denominada ergonomia também na revolução industrial.
3. Com relação à Antropometria Estática e Dinâmica, analise as afirmativas:
I. A estática refere-se às medidas tiradas do corpo sem movimentos.
II. A medida estática é feita com o corpo em movimento apenas no caso de 
atletas.
III. As medidas dinâmicas são tiradas com o corpo em movimento.
IV. As medidas dinâmicas são tiradas apenas no caso de desenvolvimento de 
uniformes para atletas.
 37
atividades de estudo
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I e II estão corretas.
b. Apenas II e III estão corretas.
c. Apenas I está correta.
d. Apenas II, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.
4. Com relação à aplicação da Antropometria, assinale verdadeiro (V) ou falso 
(F) nas seguintes afirmações:
( ) Para desenvolvimento de produtos de uso coletivo, o mais apropriado é o 
uso da média da população para menos inadequação dos usuários.
( ) Em caso de produtos adaptáveis, utiliza-se as medidas antropométricas de 
um usuário específico, neste caso, o que utilizará o produto.
( ) Existem os produtos com dimensões reguláveis para se adaptar ao usuário, 
geralmente, não possuem regulagens no produto como um todo, apenas nas 
regiões críticas para o desempenho. Abrangem maior parte das pessoas com 
segurança e eficácia.
Assinale a alternativa correta:
a. V, V e F.
b. F, F e V.
c. V, F e V.
d. F, F e F.
e. V, V e V.
5. A ergonomia deveria estar presente a todo momento em nosso dia a dia, 
pois sua ausência é facilmente percebida. De que forma a ergonomia pode 
ser aplicada numa residência com o intuito de facilitar os trabalhos diários?
38 
LEITURA
COMPLEMENTAR
LEVANTAMENTO DE DADOS ANTROPOMÉTRICOS PARA O 
DIMENSIONAMENTO DE ARMÁRIOS DE GUARDAR ROUPA PARA 
CADEIRANTES 
Seleção de variáveis antropométricas 
Além da seleção dos percentis corretos para o desenvolvimento de um projeto de pro-
duto, faz-se necessária a correta seleção das variáveis antropométricas. Na verdade, 
uma das maiores razões de erro na aplicação de dados antropométricos encontra-se 
na seleção incorreta da variável pertinente. É frequente a utilização da estatura para 
definir o local de melhor visualização de mostradores, quando o certo seria utilizar a 
altura do nível dos olhos e, a partir daí, delimitar o campo de visão. Outro erro cometi-
do é a seleção da largura de ombros bideltóide, quando o que se quer é dimensionar 
a largura do apoio lombar. Neste caso, seria melhor, então, a largura do tórax entre as 
axilas para não atrapalhar a movimentação do usuário. 
Tal fato explica, parcialmente, porque, até em países onde existe profusão de levanta-
mentos, os produtos não são bem dimensionados (MORAES, 1994, p. 37). Moraes (1983, 
p. 327) lembra que se deve observar a especificidade do projeto, explicitada a partir da 
análise da tarefa, pois só dessa forma é que se determinará, em última instância, as va-
riáveis que serão necessárias ao dimensionamento da estação de trabalho ou produto. 
Variáveis antropométricas para dimensionamento de armários para guardar roupa 
As recomendações para o dimensionamento de armário de guardar roupas para ca-
deirantes que aqui apresentamos estão baseadas no referencial teórico levantado, 
assim como nas referências de Panero (2003) cujas indicações mostraram que o cor-
reto dimensionamento de um produto é fundamental para o conforto dos usuários e 
a prevenção de patologias. Ressaltamos que as recomendações aqui elaboradas ape-
nas servem como referência para um primeiro passo ao se dimensionar um armário 
 39
LEITURA
COMPLEMENTAR
de guardar roupas. Estes dados são teóricos e devem ser, exaustivamente, testados 
quanto à validade por meio da elaboração de testes antes da elaboração do produto 
final quando feito sob medida para um único usuário ou encaminhamento dos projetos 
para linha de produção. Foram levantadas as variáveis antropométricas para dimensio-
namento considerando os 5º e 95º percentis, sendo o 5º da mulher e 95º do homem, de 
forma a atender a 90% da população usuária. 
Variáveis antropométricas para dimensionamento de armários para guardar roupa
Algumas variáveis dimensionais devem ser levadas em consideração, então, define-se 
a variável dimensional e se aplica o percentil baseado nas medidas dos homens ou das 
mulheres, de acordo com o que se adequa melhor a maioria uma vez que não se dife-
rencia um armário para homens e outro armário para mulheres.
Tanto na profundidade do armário como na altura máxima da arara, aplica-se o per-
centil 5 da mulher, enquanto na largura da porta aplica-se o percentil de 95 do homem. 
O ângulo de abertura da porta deve ser de 90º, no mínimo, e, na circulação, aplica-se 
o percentil de 95 do homem. Na altura máxima do topo de gavetas, altura mínima do 
fundo de gavetas, altura máxima de prateleiras, altura mínima de prateleiras e altura 
máxima do armário devem ser aplicadas o percentil de 5 das medidas das mulheres.
Com relação ao campo de visão e visualização de objetos no armário, deve se consi-
derar o campo visual na postura sentado, sendo aplicado, então, 30º acima da linha 
padrão e 30º abaixo da linha padrão - 60º total abrangendo, assim, o percentil de 5 para 
mulheres e de 95 para homens.
Conclusão
Com base na análise feita até o momento, as pessoas com deficiência adquiriram gran-
des conquistas a partir da década de 1990, tanto no campo de pesquisa como em leis 
que garante o direito de acessibilidade, identificando e eliminando as diversas barreiras 
40 
LEITURA
COMPLEMENTAR
que impeçam a realização e exerçam as atividades no corpo social, a fim de garantir 
uma sociedade democrática. Portanto, a antropometria e a ergonomia, sob o vetor 
do design, trazem estudos de medidas físicas do corpo humano e sua relação com o 
trabalho, originando resultados que garantam as modificações nos diversos âmbitos 
sociais, dando autonomia nos espaços, nos mobiliários e equipamentos urbanos, nas 
edificações, nos serviços de transporte e dispositivos, nos sistemas e meios de comu-
nicação e informação. 
Considera-se, para tanto, de modo conclusivo e pautado nos limiares da pesquisa, que 
a aplicação adequada das práticas projetuais, associadas aos princípios do Design Uni-
versal e o emprego de requisitos antropométricos permitirão o desenvolvimento de 
mobiliário acessível e adaptado à inclusão de todas ou da maioria das pessoas ao uso 
do mesmo. No estudo aqui proposto, os requisitos antropométricos delimitados deve-
rão, exclusivamente, ser aplicados ao projeto de guarda-roupas. No entanto cabe ao 
designer, partindo do mesmo princípio aqui exposto, estabelecer parâmetros projetu-
ais adequados ao uso no que tange à relação homem x tarefa x máquina. 
Sugere-se como propostas futuras a continuidade da pesquisa no âmbito de estudo 
de requisitos para outros mobiliários, propor ambiente mobiliado inclusivo bem como 
o estudo de aplicação dos parâmetros citados à indústria moveleira. Aqui, também se 
propõe o uso do resultado da pesquisa e da sua continuidade, pautada na produção 
industrial com valor acessível à maioria.
Fonte: adaptado de Mariño, Silveira e Silva (2016).
 41material complementar
Ergonomia: Projeto e Produção
Itiro Iida e Lia Buarque
Editora: Blucher
Sinopse: nas últimas décadas, alargou-se a abrangência da ergonomia, com a 
visão macro ergonômica e com maior respeito a certas minorias populacionais, 
como as pessoas idosas, obesas e portadoras de deficiências. Neste volume, fo-
ram colocados casos de aplicação ao final dos capítulos. Sempre que possível, 
baseou-se em pesquisas brasileiras ou aquelas com possíveis aproveitamentos 
em nossas situações de trabalho. A aplicação dos conhecimentos deste livro con-
tribuirá para melhorar o desempenho humano no trabalho, reduzindo erros, 
acidentes, estresses e doenças ocupacionais. Ao mesmo tempo, contribuirá para 
aumentar o conforto e a eficiência dos trabalhadores, com evidentes resultados 
custo/benefício favoráveis.
Tempos Modernos
Ano: 1936
Sinopse: Tempos Modernos é uma crítica ao modo capitalista de produção. Os 
operários trabalhavam com cargas horárias extensas, com obrigação de pro-
duzir sempre mais em condições subumanas, lugares sujos e máquinas de ma-
nuseio perigoso. A luta por melhores salários, melhores condições de trabalho 
e por uma carga horária menor eram constantes desde a Revolução Industrial. 
O filme continua sendo atual, porque mostra um contexto social parecido com 
nosso dia a dia, como se Chaplin tivesse uma visão do futuro. O avanço tecnológi-
co não atingiu plenamente o objetivo da melhoria da sociedade humana, porque 
trouxe consequências que o homem não consegue administrar.
Comentário: o filme apresenta os problemas citados no primeiro tópico da unida-
de, onde se relata a necessidade da criação de estudos como a Ergonomia.
Indicação para Assistir
Indicação para Ler
42 
material complementar
O artigo a seguir relaciona a Ergonomia com o Design de Moda, especificamente, na modelagem.
Acesse: http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio%20de%20Moda%20-%202006/artigos/107.pdf.
O artigo a seguir relaciona a Ergonomia com o Design de Interiores.
Acesse: https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276.
Indicação para Acessar
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2006/artigos/107.pdf
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276
 43
referências
BOUERI, J. J. Sob Medida: antropometria, projeto e modelagem. In: PIRES, D. 
B.(Org.). Design de Moda: olhares diversos. Barueri-SP: Estação das Letras e Co-
res Editora, 2008.
IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2005.
MARIÑO, S. M.; SILVEIRA, C. S.; SILVA, R. C. Antropometria aplicada ao design 
de produtos: um estudo de caso de dimensionamento de armário de guardar rou-
pa para cadeirantes. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE ERGONOMIA 
APLICADA, 1., 2016, Recife. Anais... Recife: CONAERG, 2016. p.1-13. Disponí-
vel em: http://pdf.blucher.com.br.s3-sa-east-1.amazonaws.com/engineeringpro-
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MARTINS, S. B. Ergonomia e moda: repensando a Segunda Pele. In: PIRES, D. B. 
(Org.). Design de Moda: olhares diversos. Barueri-SP: Estação das Letras e Cores 
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SALTZMAN, A. O design vivo. In: PIRES, D. B. (Org.). Design de moda olhares 
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FERREIRA, V. C. T. Design de moda e tecnologia têxtil: Projetos ergonômicos 
de Nanni Strada e Issey Miyake. 2016. 76f. Dissertação (Mestrado em Design de 
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mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=4&_ 110_
INSTANCE_ZaYCxY1QptBQ_struts_action=%2Fdocument_library_display%2Fview_file_
entry&_110_INSTANCE_ZaYCxY1QptBQ_redirect=http%3A%2F%2Fportal.
anvisa.gov.br%2Ftabaco%2Fimagens-de-advertencia%2F %2Fdocument_library_
display%2FZaYCxY1QptBQ%2Fview%2 F4314710%3F_110_INSTANCE_ZaY-
CxY1QptBQ_redirect%3Dhttp%253A%252F%252Fportal.anvisa.gov.br%252F-
tabaco%252Fimagens-deadvertencia%253Fp_p_id%253D110_INSTANCE_
ZaYCxY1QptBQ%2526p_p_lifecycle%253D0%2526p_p_state%253Dnor-
mal%2526p_p_mode%253Dview%2526p_p_col_id%253Dcolumn2%2526p_p_
col_pos%253D1%2526p_p_col_count%253D4&_110_INSTANCE_ZaYCxY-
1QptBQ_fileEntryId=3827702. Acesso em: 07 mar. 2019.
44 
referências
2Em: http://www.rpgsouchard.com.br/pacientes/postura-correta/. Acesso em: 13 
mar. 2019.
3Em: https://www.dezeen.com/2015/12/08/warsaw-beton-polish-film-festival-
-brand-identity-graphic-design-references-le-corbusier-modulor-man/. Acesso 
em: 13 mar. 2019.
4Em: https://www.dezeen.com/2015/12/08/warsaw-beton-polish-film-festival-
-brand-identity-graphic-design-references-le-corbusier-modulor-man/. Acesso 
em: 13 mar. 2019.
5Em: https://simanaitissays.com/2014/06/13/henry-dreyfuss-designer-for-hu-
manity/. Acesso em: 13 mar. 2019.
6Em: http://www.arch.mcgill.ca/prof/castro/arch304/winter2001/dander3/fra-
me/Homepage8.htm. Acesso em: 13 mar. 2019.
7Em: https://esporte.uol.com.br/natacao/ultimas/2009/07/24/ult77u2452.jhtm. 
Acesso em: 13 mar. 2019.
8Em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/22408/22408.PDFXXvmi=QZnZlVWe-
R65O1tpxpC7e3QFeWAiMpF0gFog1ldfdjk2kOrjf5qt9ianfKH2bn3s3sK4Oxk3i-
G6EvzxLEpgOJqdZcU2nj5RmzCroBMrTtxz07xLMZ3BItOIGKK54QWrpzTOa-
Gh5aPFbxdWKd0mVucEcxph2getHOow06O5gFLsD0qodqMaWZP9Wgr0wHu-
fvTMv0CChhoKUockDD7OB6EL4Ud5sUBJrvvZv8COp1AlqMG5qNT3UzO0u-
35ZxHIqdeqK. Acesso em: 13 mar. 2019.
 45
gabarito
1. Alternativa b - Ergonomia de correção.
2. Alternativa c - De forma intuitiva, na pré-história, de uso cons-
ciente na revolução industrial, e denominada Ergonomia em 12 
de julho 1949.
3. alternativa a - Apenas I e II estão corretas.
4. Alternativa e - V, V e V.
5. De diversas formas, sempre com o intuito de facilitar a vida do in-
divíduo e contribuir para que ele realize suas tarefas comeficácia 
e conforto. Por exemplo, caso o indivíduo não levante os objetos 
pesados com a postura correta, pode desenvolver lesões corpo-
rais sentidas imediatamente ou após a finalização da tarefa. Ou, 
então, ao lavar louça numa pia mais baixa que o correto, as dores 
nas costas são inevitáveis.
ERGONOMIA EM AMBIENTE 
DE TRABALHO
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Biomecânica ocupacional
• Posto de trabalho, controles e manejos
• Percepção e processamento de informação
• Dispositivo da informação
• Ergonomia no dia a dia
Objetivos de Aprendizagem
• Detalhar a postura do corpo no ambiente de trabalho, 
além de compreender aplicações de forças e examinar 
levantamento e transporte de cargas.
• Detalhar o trabalho estático, dinâmico e os enfoques do 
posto de trabalho, analisando tarefas e arranjo físico de 
posto de trabalho.
• Explicar sensação e percepção e compreender memória 
humana e organização da informação.
• Apresentar principais tipos de mostradores e alarmes e 
definir ergonomia de sinalização
• Apresentar formas de utilização da ergonomia no dia a dia 
e nas atividades domésticas e cotidianas.
Professora Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Berbel
Ergonomia
unidade 
II
INTRODUÇÃO
O
lá, caro(a) aluno(a), nesta segunda unidade, compreenderemos 
como a ergonomia funciona no ambiente de trabalho, tanto a 
postura do corpo no trabalho como as formas de prevenção 
para que o trabalho não prejudique a saúde do corpo e da men-
te. Para isso, compreenderemos as posturas de trabalho, que podem ser 
em pé, sentado ou deitado, mas todos têm seus prós e contras que, aqui, 
serão discutidos. Para cada tipo de tarefa a ser desempenhado, existe uma 
postura mais adequada. 
Discutiremos, também, sobre os danos à saúde do indivíduo quando ele 
desenvolve tarefas, como levantamento e transporte de cargas sem os cuida-
dos necessários. O trabalho que o indivíduo desenvolve pode ser estático ou 
dinâmico, e serão apresentadas as duas formas, além de relatados os seus pon-
tos positivos e seus pontos negativos para cada tipo de função. 
Os postos de trabalhos inadequados provocam estresses musculares, 
dores e fadiga que, na maioria das vezes, pode ser resolvida com interven-
ções ergonômicas simples, como aplicação de dimensões reguláveis nas 
mesas ou cadeiras, para que o indivíduo se sinta confortável, independen-
temente de ele ter 1,60 de altura e 70 kg, ou 1,90 de altura e 110 kg, entre 
outras variações de pesos e alturas. Muitas vezes, a melhoria do indivíduo 
no mercado de trabalho dá-se também com a inserção de pausas, quando 
em trabalhos muito fatigantes.
Além dos aspectos físicos do trabalhador e compreensão de como o 
corpo funciona, precisamos, também, compreender como funciona o cére-
bro do ser humano, como ele recebe, processa e interpreta a informação, e 
isso fazemos por meio da ergonomia cognitiva. Compreenderemos, então, 
como nosso cérebro funciona com este turbilhão de informações que recebe 
a todo momento, como processa, percebe, compreende e toma uma decisão.
Finalizaremos nossa unidade compreendendo como a ergonomia está 
presente em nosso dia a dia, em nosso emprego, em nossa casa, em nossas 
vestimentas e produtos.
50 
ERGONOMIA 
Olá, caro (a) aluno (a), para compreendermos a bio-
mecânica ocupacional, precisamos compreender 
a biomecânica geral que se refere aos movimentos 
corporais relacionados ao trabalho, logo, a biome-
cânica ocupacional refere-se aos movimentos rela-
cionados ao trabalho do usuário, com suas especi-
ficidades, como ferramentas, máquinas, materiais 
utilizados etc. Desta forma, a biomecânica visa re-
duzir os riscos de lesões no músculo esquelético, 
bem como acidentes de trabalho.
Segundo Iida (2005, p. 159), a biomecânica “ana-
lisa basicamente a questão das posturas corporais no 
trabalho, a aplicação de forças, bem como as suas 
conseqüências”. Quando as máquinas, os ambientes 
ou as ferramentas referentes aos postos de trabalho 
estão inadequadas ao corpo do trabalhador, podem 
ocorrer estresses musculares, dores e fadiga. Para 
evitar tais complicações, o ambiente deve passar por 
intervenções ergonômicas para adequação do posto 
de trabalho, isso pode acontecer por meio de ade-
Biomecânica 
Ocupacional
 51
 DESIGN 
quações no layout, inserção de pausas ou, até mes-
mo, com simples adequações em mesas e cadeiras.
O corpo humano é a máquina mais complexa que 
existe, assemelha-se a um sistema de alavancas mo-
vidos pela contração muscular, e estes movimentos 
permitem-nos fazer várias coisas, porém esta má-
quina possui diversas limitações e fragilidades que 
não podem ser ignoradas na projeção de um espaço, 
produto, vestimenta ou posto de trabalho. Quando 
as limitações do corpo são ignoradas, aumentam as 
chances de inadequação, consequentemente, aumen-
tam riscos de dores, lesões, acidentes etc.
O corpo é como uma máquina e, desta forma, 
precisa ser aquecido antes de iniciar suas tarefas, 
pois isto reduz o risco de acidente. Um atleta precisa 
aquecer antes da competição para manter seu corpo 
aquecido e minimizar lesões musculares. 
O primeiro passo para aplicação das interven-
ções ergonômicas na biomecânica ocupacional é en-
tender, como já dito, que o corpo é como uma má-
quina, posteriormente, deve se compreender como 
esta trabalha, para isso, é preciso diferenciar o traba-
lho estático do dinâmico.
APLICAÇÃO DE FORÇAS
Os movimentos humanos são resultados de contra-
ções musculares, sua força depende da quantidade 
de fibras musculares contraídas. Geralmente, apenas 
dois terços da forma de um músculo pode ser con-
traída de cada vez, mas se nos referirmos aos longos 
períodos, a contração muscular não deve ultrapas-
sar 20% da força máxima.
No ambiente de trabalho, as exigências de for-
ças devem ser adaptadas às capacidades do usuário e 
às suas condições operacionais reais. Para cada tipo 
de trabalho haverá um movimento específico, uma 
“No Japão existem empresas que reúnem to-
dos os trabalhadores para uma ginástica de 
aquecimento, antes da jornada de trabalho. 
Outros instituíram também pausas regulares 
[...] Isso é importante [...] no caso de trabalhos 
estáticos ou tarefas altamente repetitivas” 
Fonte: Ilda (2005, p.161).
SAIBA MAIS
aplicação de força necessária e um movimento cor-
reto para aplicação da força da forma correta, sendo 
assim, cada ambiente de trabalho deve ser averigua-
do, isoladamente, assim como a capacidade de força 
de cada operador.
Para fazer determinado movimento, podem ser 
utilizadas diversas combinações de contrações mus-
culares, cada uma delas com um tipo específico de 
velocidade, precisão e movimento. Os custos ener-
géticos são diferentes para cada tipo de músculo. 
Quando o operador é experiente, ele fadiga menos 
que um operador inexperiente, pois aprende a usar 
aquela combinação com maior eficiência, economi-
zando, assim, suas energias (IIDA, 2005). 
52 
ERGONOMIA 
Este é um processo natural. Por exemplo, quando 
começamos a fazer algo, muitas vezes, começamos 
de forma desajeitada ou mesmo descoordenada. 
Com a repetição desta atividade, vamos, natural-
mente, modificando nossa postura e nossa forma de 
agir para fazermos de forma mais confortável e ágil.
Uma exigência muito comum no dia a dia de 
operadores, em diversas áreas produtivas, é o esfor-
ço repetitivo. Estas tarefas estão presentes em nosso 
dia a dia sem que a gente perceba, como ao bater 
clara em neve com as mãos, ao utilizar tesoura, lixar 
madeira ou, até mesmo, em simples tarefas de casa. 
Porém, quando estes esforços não são realizados por 
muito tempo, não notamos seus efeitos.
Há algumas profissões que exigem atividades 
que demandam esforços repetitivos, desta forma, 
o operador a desempenha em toda sua jornada de 
trabalho, isso acontece, por exemplo, em setores de 
desossa de carnes em frigorífico. Acontece, também, 
com manicures, operadores de linha de montagem, 
pessoas que trabalham com digitação,entre outros 
(GRANDJEAN, 1998).
O esforço repetitivo causa estresse nos tecidos 
dos músculos, ossos e articulações, e se não houver 
um tempo de repouso para recuperar este estresse, 
ele se acumulará, causando lesões neste tecido, po-
dendo evoluir para doenças ocupacionais. 
A mais comum das doenças ocupacionais é a LER 
(Lesão por Esforço Repetitivo), porém a LER é ape-
nas uma das diversas doenças ocupacionais que são 
conhecidas como DORT - Distúrbio Osteomuscular 
Relacionado ao Trabalho (ASCENSÃO et al., 2003).
LEVANTAMENTO E TRANSPORTE DE 
CARGAS
O levantamento e transporte incorreto de cargas é o 
maior responsável por lesões musculares entre os tra-
balhadores. “Aproximadamente 60% dos problemas 
musculares são causados por levantamento de car-
gas e 20%, puxando ou empurrando-as” (BRIDGER, 
2003). Isso ocorre, principalmente, por variações in-
dividuais de capacidades físicas, falta de treinamento 
ou treinamento ineficiente que, muitas vezes, ocorre 
pela substituição frequente de trabalhadores, inde-
pendentemente, de serem homens ou mulheres. O 
que pode gerar um grande problema, pois as mulhe-
res possuem, em média, metade da força dos homens 
para levantamento de peso (IIDA, 2005).
É necessário conhecer a capacidade humana de 
cada indivíduo para que as tarefas e as máquinas se-
jam corretamente dimensionadas, sem ultrapassar 
os limites que resultam em lesões reversíveis ou, até 
mesmo, irreversíveis. Para evitar problemas com os 
 53
 DESIGN 
levantamentos de cargas, é preciso tomar alguns cui-
dados, como manter a coluna reta e utilizar sempre a 
musculatura da perna, como fazem os esportistas de 
levantamento de peso.
levantamento também diminui riscos de 
lesões. Antes de levantar o peso, também 
é importante observar se o local em que o 
transportará não contém obstáculos que 
possam atrapalhá-lo ou até mesmo provo-
car um acidente (IIDA, 2005) .
As regras para transporte de cargas são 
semelhantes, pois se deve manter a coluna 
reta, manter a carga próxima do corpo du-
rante o transporte e dividir o peso, igual-
mente, nos dois braços. Caso seja bastante 
peso, é recomendado que se dê mais voltas 
em vez de ultrapassar o seu próprio limite 
de carga, além disso, também é importan-
te ter uma pega segura, trabalhar em equi-
pe quando a carga for volumosa ou apenas 
uma peça já exceda o limite do trabalhador. 
Deve-se definir o caminho a ser per-
corrido antes de começar, optando por lu-
gares que não tenham desníveis no piso ou 
obstáculos (IIDA, 2005). Aliás, os desníveis 
em postos de trabalhos devem ser evitados 
em todas as áreas, não apenas em processos 
de levantamento e transporte de peso, pois 
estes pequenos degraus podem ocasionar 
sérios acidentes. Sempre que possível, é in-
teressante utilizar transportadores mecâni-
cos ou, até mesmo, carrinhos manuais, pois 
eles mesmos já facilitam o transporte.
Figura 1- Levantamento de peso
Fonte: Pexels ([2018], on-line)1. 
Figura 2 - Transporte de cargas: técnica correta e incorreta
fonte: adaptada de UFRRJ ( [2018], on-line)2 . 
Manter a carga o mais próximo possível do corpo 
também é uma recomendação importante, pois fa-
cilita a ação e a deixa mais segura. Dividir a carga 
para que o corpo mantenha o equilíbrio durante o 
54 
ERGONOMIA 
As tarefas em postos de trabalho podem ser consi-
deradas estática ou dinâmica. No trabalho estático, 
há a exigência de contração contínua de alguns mús-
culos para que seja possível manter-se em determi-
nada posição. Quando não produz movimentos dos 
segmentos corpóreos, é denominado contração iso-
métrica. Alguns exemplos destas tarefas dão-se pelo 
esforço exigido pelos músculos dorsais e das pernas 
para o indivíduo manter-se em pé, ou pela exigência 
da contração dos músculos do pescoço e do ombro 
para manter a cabeça inclinada para frente, ou, até 
mesmo, dos músculos da mão esquerda, enquanto 
segura uma peça para ser martelada pela mão direi-
ta, por exemplo (IIDA, 2005) .
O trabalho estático exige diversos cuidados, pois 
fadiga de forma precoce. Por exemplo, um trabalho 
estático com carga de 50% de força máxima pode 
durar, no máximo, 1 minuto, mas, se a força aplica-
Posto de Trabalho, 
Controles e Manejos 
 55
 DESIGN 
da for inferior a 20%, pode durar um tempo maior. 
A carga estática não deve ser superior a 8% da força 
máxima, quando se refere às atividades a serem de-
senvolvidas diariamente e por longos períodos. Se 
a carga chegar de 15% a 20% da força máxima e for 
desempenhada por horas em dias seguidos, resulta 
em dores e sinais de fadiga (GRANDJEAN, 1998). 
Por isso, é preciso medir a força do indivíduo para 
calcular o quanto ele pode desempenhar de esforços 
em suas atividades para que não ultrapasse seu limi-
te e desenvolva doenças no trabalho. Já o trabalho 
dinâmico dá-se quando ocorre alternância de con-
trações e relaxamentos, como: martelar, serrar, diri-
gir e, especificamente, girar um volante, ou, até mes-
mo, caminhar. Enquanto se desenvolve este tipo de 
atividade, algumas partes do corpo estão contraídas, 
enquanto outras estão relaxadas e, posteriormente, 
as que estavam relaxadas se contraem, e as que esta-
vam contraídas relaxam. 
Desta forma, ativa-se a circulação nos capilares, au-
menta-se o volume do sangue circulado em até 20 
vezes, se comparado ao trabalho dinâmico, além 
disso, o músculo recebe mais oxigênio e aumenta 
a resistência à fadiga do indivíduo (IIDA, 2005). Se 
compararmos o trabalho estático do trabalho dinâ-
mico, podemos perceber que o trabalho estático é 
altamente fatigante, por isso, deve ser evitado sem-
pre que possível. Porém, caso o estático seja neces-
sário, deve-se aplicar soluções ergonômicas para mi-
nimizar os desgastes dos usuários, tais como, apoio 
de braços, pernas, permitir mudança de posturas, 
inserir pausas, entre outras. 
56 
ERGONOMIA 
POSTURAS DO CORPO 
A postura refere-se aos estudos de posicionamento 
das partes do corpo, desde a cabeça, tronco e mem-
bros, no espaço em que se insere. A boa postura é 
fundamental para o desempenho de um bom traba-
lho, sem desconforto, estresse, fadiga ou, problemas 
de saúde. Muitas vezes, o trabalhador assume postu-
ras incorretas, resultantes de projetos inadequados 
de máquinas, equipamentos, postos de trabalho ou, 
até mesmo, pela exigência de determinadas tarefas. 
O redesign do espaço ou do equipamento evita es-
tes problemas e outros que podem surgir a partir da 
postura inadequada a longo prazo.
Existe uma postura correta para cada tipo de tra-
balho a ser desempenhado, seja ele em pé deitado, 
sentado, seja, até mesmo, inclinado com a cabeça 
para frente. Deve-se ter conhecimento do tipo de 
atividade e da aplicação das medidas antropométri-
cas corretas. Para que o corpo não seja prejudicado, 
é necessário aplicar conceitos ergonômicos nos pos-
tos de trabalho, baseando-se em princípios defen-
dendo que: se o ambiente de trabalho será utilizado 
pelo homem, então, deve se basear no corpo deste 
homem e nas suas atividades a serem desenvolvidas 
neste ambiente de trabalho para desenvolvê-lo com 
qualidade e segurança.
Postura adequada Risco de Dores
Em pé Pés e Pernas (varizes)
Sentada sem encosto Músculo extensores do dorso
Assento muito alto Parte inferior das pernas, joelhos e pés
Assento muito baixo Dorso e pescoço
Braços esticados Ombros e braços
Pegas inadequadas em ferramentas Antebraço
Punhos em posição não-neutras Punhos
Rotações do corpo Coluna vertebral
Ângulo inadequado assentos/encosto Músculos dorsais
Superfície de trabalho muito baixa ou muito alta Coluna vertebral, cintura escapular
Quadro 1 - Localização das dores no corpo, provocadas por posturas inadequadas
Fonte: Iida (2005, p. 166).
 57
 DESIGN 
Percepção e Processamento 
de Informação 
Como o ser humano está sempre em contato com 
outras pessoas, máquinas, outros ambientes e pro-
dutos, ele permanece em troca contínua de infor-
mações entre estes elementos, tanto recebendo 
informações e estímulos como transmitindo.A in-
formação ou a comunicação só existe quando há 
uma fonte, um meio e um receptor e é captada pelo 
organismo humano e conduzida ao sistema nervo-
so central, onde ocorre a decisão. Muitas vezes, es-
tas informações ficam armazenadas na memória de 
longa duração para futuras decisões.
58 
ERGONOMIA 
A ergonomia estuda, principalmente, os siste-
mas onde ocorrem uma predominância dos aspec-
tos sensoriais, ou seja, de percepção e processa-
mento de informação, além da tomada de decisão. 
Isso envolve captação de informação (percepção), 
armazenamento (memória) e seu uso no trabalho 
(decisão). O aumento do interesse por este tipo de 
pesquisa deu-se a partir dos anos de 1980, por conta 
da difusão da informática para automação e roboti-
zação do trabalho (IIDA, 2005).
A ergonomia passou a estudar estes aspectos de-
nominados ergonomia cognitiva, com o intuito de 
compreender melhor a interação entre pessoas e sis-
temas de trabalho, a fim de realizar projetos de má-
quinas mais eficazes. Muitas vezes, falamos de sensa-
ção e percepção como se fossem a mesma coisa, mas, 
para compreendermos a forma como nosso cérebro 
funciona, recebe informações e as transforma, preci-
samos saber a diferença entre estes dois estímulos.
A sensação refere-se ao processo biológico de 
captação de energia ambiental. Essa energia é captada 
por células nervosas dos órgãos sensoriais, sob forma 
de luz, calor, pressão, movimentos, partículas quími-
cas entre outros (IIDA, 2005). Esta sensação pode vir 
por meio da visão, da audição, do tato, do paladar, 
do olfato, da cinestesia que ocorre quando se perce-
bem os movimentos e o posicionamento das partes 
do corpo, sentido vestibular, que se refere à sensação 
de equilíbrio, e, até mesmo, sentido de propriocep-
ção, que se refere às condições internas do organismo, 
como fome, vontade de evacuar, etc. (IIDA, 2005). 
A todo momento recebemos inúmeros sinais 
do ambiente, porém nem todos transmitem infor-
mações importantes. Como vimos anteriormente, 
temos diversas maneiras de captar estes sinais por 
intermédio dos nossos sentidos, porém, quando o 
nosso cérebro concentra a atenção para receber al-
gum estímulo auditivo, por exemplo, consequen-
temente, a atenção será reduzida nos outros senti-
dos. Este processo é denominado atenção seletiva. 
Esta sensação recebida é processada pelo cérebro, 
especificamente, pelo sistema nervoso central, em 
que é processada como informação e, por meio de 
experiências armazenadas na memória de longa 
duração, o cérebro interpreta o sinal, o que é de-
nominado como percepção. Por isso, as percep-
ções são muito particulares, pois são ligadas às vi-
vências e experiências de cada indivíduo, ou seja, 
um mesmo sinal pode emitir percepções distintas 
em diferentes pessoas, levando a tomarem dife-
rentes decisões (NORMAN, 2004).
Desta forma, a percepção é a interpretação dos 
estímulos captados pelo sentido e depende de expe-
riências anteriores e fatores individuais para serem 
interpretadas. O nosso cérebro recebe e processa, 
continuamente, as informações do ambiente, isso 
ocorre em pouquíssimo tempo, praticamente, em 
micros segundos, e não é preciso estar consciente, 
podendo ocorrer automaticamente. A memória de 
longa duração é utilizada para interpretação das 
 59
 DESIGN 
sensações, transformando-a em percepção, além 
disso, tem grande capacidade de armazenamento e 
tem caráter duradouro e associativo. 
A memória de curta duração tem outra função e 
está ligada a serviço, por isso, também é conhecida 
como memória de trabalho. Esta memória retém in-
formações por períodos extremamente curtos, como 
5 a 30 segundos, em seguida, são completamente es-
quecidas, na maioria das vezes. Por exemplo, um nú-
mero de telefone que se memoriza, até ser digitado 
posteriormente, sua memória apaga, e, se demorar-
mos mais de 30 segundos para digitá-lo, pode ser que 
nossa memória dele não se recorde mais (IIDA, 2005) 
Desta forma, podemos compreender o proces-
so cognitivo da seguinte maneira: recebemos sinais 
do meio ambiente pelos órgãos de sentido que, por 
meio da nossa memória de longa duração, geram a 
percepção. Este processo inicial é denominado per-
ceptivo. Depois de percebidos, interpretamos estes 
sinais também por meio da memória de longa du-
ração e tomamos uma decisão. Este processo é de-
nominado como processo cognitivo. E, por fim, agi-
mos sob o comando da memória de curta duração, 
este processo é denominado processo motor.
Figura 3 - Esquema dos processos perceptivo, cognitivo e motor
60 
ERGONOMIA 
Os dispositivos de informação estão presentes em 
diversos tipos de produtos, ambientes e situações, 
desde objetos de uso cotidiano, como rádios, car-
ros, relógios, celulares, até painéis de controles mais 
complexos, como cabines de aeronaves e centrais de 
controles de usinas nucleares. Um projeto inade-
quado pode causar erros, demoras de compreensão, 
acidentes, em alguns casos o resultado pode ser de-
sastroso (IIDA, 2005).
O corpo humano é composto por muitas célu-
las sensíveis, mas as principais compõem a visão e a 
audição, por este motivo, são as mais estudadas pela 
ergonomia e são, também, os sentidos mais utiliza-
dos na captação de informações. A visão destaca-se 
por ser o órgão principal da percepção de informa-
ções no trabalho. Os dispositivos de informações 
transmitem informações ao usuário desde rótulos, 
manuais de instruções, interface de produtos ou in-
 61
 DESIGN 
formações relacionadas ao trânsito e aos interiores 
de ambientes.
Deve-se pensar sempre na melhor maneira dessa 
informação chegar ao indivíduo, ou seja, se o am-
biente tem muito ruído, deve-se optar por informa-
ções escritas, pois o barulho atrapalha a compreen-
são do áudio. Se o ambiente for escuro, é preferível 
sonoro ou com painéis iluminados; se a informação 
for complexa, é preferível de forma escrita para que 
a pessoa possa ler mais de uma vez para compre-
ender. Existem casos em que a informação pode ser 
por símbolos, como placas de trânsito, imagens de 
menino e menina para banheiro, que são de fácil 
compreensão a diferentes povos. 
Os símbolos transmitem informações e, por se 
tratar de imagens, eles rompem barreiras de idio-
mas. Geralmente, sua imagem tem proximidade 
com o objeto real, o que facilita sua compreensão. 
Os símbolos também são rápidos de serem lidos e 
compreendidos, são muito usados em aeroportos 
e rodoviárias, pela quebra de idiomas e em rodo-
vias pela fácil compreensão. Nem sempre são cla-
ros, pois dependem do repertório do indivíduo. 
As placas são como sinais percebidos pela visão 
e interpretados pela nossa memória de longa du-
ração, por isso, em alguns casos podem não ser 
interpretados corretamente, como as placas de 
trânsito, que serão compreendidas apenas pelas 
pessoas que dirigem.
Um projeto inadequado dos dispositivos de in-
formação pode causar demora para compreensão 
das informações ou compreensão incorreta, levando 
a erros e acidentes cujas consequências podem ser 
desastrosas. Por isso, é importante considerar que 
existem formas mais eficientes de transmitir infor-
mações em determinados contextos. Veremos um 
pouco mais a seguir.
Mostradores
Em muitos produtos, veículos e locais de trabalho 
existem sistemas de informação específicos que nos 
auxiliam a compreender o que devemos fazer, ou 
trazem informações sobre o estado do sistema que 
estamos operando. Esses sistemas de informação 
são chamados de mostradores, elementos empre-
gados em produtos, máquinas, veículos etc., para 
indicar ao usuário o seu status de funcionamento. 
Os mostradores podem ser divididos em duas cate-
gorias: quantitativos e qualitativos. 
Quando inadequado, um símbolo ou imagem pode 
causar demora para compreensão, compreensão in-
correta, podendo levar a erros e acidentes. As infor-
mações devem ser sempre claras e de fácil compreen-
são e, para que isso aconteça, existem algumas formas 
de disponibilizar informações aos usuários, para cada 
situação, epara cada necessidade existe uma forma 
que se encaixa melhor para facilitar a compreensão 
do usuário e minimizar erros e acidentes.
62 
ERGONOMIA 
Mostradores quantitativos estão ligados a uma 
variável de natureza quantitativa, como volume, pres-
são, peso, distância etc. Utiliza-se quando o conhe-
cimento da quantidade é importante para o usuário. 
nalizações das estradas e repartições públicas, nos 
aplicativos de celular etc.
Controles
Os controles são, em sua maioria, projetados para 
serem acionados por movimentos das mãos e dos 
dedos, mas podem ser utilizados com os pés, co-
mando de voz e até expressão facial. Um dos pro-
blemas com o uso de controles é que se pode acio-
nar, acidentalmente, gerando erros que podem ser 
graves, dependendo do que estamos esperando. 
Estes erros estão relacionados à má discriminação 
dos controles, confusão entre um comando e outro. 
Alguns cuidados especiais devem ser tomados para 
evitar acionamentos acidentais, tais como: a locali-
zação do controle, as orientações de uso, o rebaixo 
Os mostradores qualitativos indicam o estado de 
funcionamento de uma máquina, produto ou veícu-
lo. É indicado em processos que as variáveis preci-
sam permanecer dentro de uma determinada faixa 
de operação de segurança.
Os dispositivos de informação são todos os su-
portes que transmitem informações para os usuários. 
Eles estão presentes em quase todos os produtos, em 
seus rótulos, manuais de instrução e interface dos 
produtos, por exemplo, o símbolo de ligar/desligar. 
Também estão nas interfaces dos softwares, nas si-
dos botões, uma cobertura protetora, canalização, 
resistência e bloqueio.
Alarmes
Os alarmes servem para chamar a atenção em algu-
ma situação perigosa. Para que sejam efetivos, é im-
portante que sejam perceptíveis e convincentes para 
que o receptor realize a ação esperada. São utiliza-
dos, também, para alertar o indivíduo de situações 
de risco e, até mesmo, salvar sua vida, como nos ca-
sos de incêndio, quando os alarmes são acionados 
para que ocorra a evacuação do prédio e minimize o 
risco de pessoas feridas.
 63
 DESIGN 
Mesmo sofrendo alguns desconfortos no dia a dia, 
nem sempre nos damos conta de que isso ocorre 
pela falta da ergonomia. Dessa forma, algumas pes-
soas culpam-se por não terem o corpo dentro do 
padrão exigido pela sociedade ou por não consegui-
rem utilizar um produto com naturalidade, como 
outras pessoas costumam utilizar. 
Ergonomia no 
Dia a Dia 
Mesmo que, muitas vezes, não percebamos 
a presença da ergonomia, ela está ali, porém 
só levamos em consideração sua importância 
quando sofremos a sua ausência, ou seja, 
quando percebemos que a vestimenta ou o 
local não são adequados para o nosso corpo, 
causando desconforto.
REFLITA
64 
ERGONOMIA 
Algumas pessoas terão mais facilidade para utiliza-
rem alguns produtos, pois seu biotipo facilita a uti-
lização, como a altura, a forma corporal etc. No en-
tanto um produto ou ambiente não deve limitar seu 
uso de acordo com os tipos físicos. Por exemplo, se 
eu crio uma cadeira, preciso permitir que as pessoas 
se sentem, sintam-se confortáveis e seguras, indepen-
dentemente, de seu peso. Isso eu consigo por meio do 
uso da ergonomia, a qual se inicia com a pesquisa da 
matéria-prima, a aplicação correta dos dados antro-
pométricos, a aplicação de dimensões reguláveis etc.
A ergonomia deve estar presente no nosso dia a 
dia, ou, então, sofreremos as dores da sua ausência. 
Quando dormimos bem e acordamos com dores no 
corpo sem que tenhamos nos esforçado no dia ante-
rior, pode ser que nossa cama ou nosso travesseiro 
não estejam adequados ao corpo, sofreremos, então, 
pela falta de ergonomia, ou seja, pela falta da ade-
quação do meu espaço de descanso ao meu corpo.
Se vamos trabalhar e passamos o dia numa ca-
deira inadequada, olhando um computador que não 
está na altura correta para nosso corpo, sem apoio 
de pés e apoios de mãos, sofreremos as dores da au-
sência da ergonomia. Se chegamos em casa, batemos 
a cabeça nos armários, escorregamos no banheiro, 
tropeçamos em tapetes ou desníveis, sentimos do-
res nas costas ao lavar a louça, ou, até mesmo, se 
chegamos em casa com dores nas articulações por 
conta de roupas apertadas, dores nos pés ou bolhas 
por conta do sapato e dores na barriga pelo uso de 
calças apertadas, então, quer dizer que a ergonomia 
passou longe da sua vestimenta. Então, precisamos 
rever nossos conceitos com relação à ergonomia e à 
importância de sua aplicação.
Enfim, é inquestionável a importância da er-
gonomia em nosso dia a dia como um todo, es-
tes exemplos apresentados são apenas alguns dos 
milhares de acidentes e desconfortos que sofre-
mos, diariamente, pela falta da ergonomia, por 
isso, devemos estar sempre alertas aos produtos, 
roupas ou ambientes que nos causam desconfor-
to, pois esses precisam passar por redesign para 
melhoramento do produto e para aplicação de as-
pectos ergonômicos, uma vez que o objetivo da 
ergonomia é sempre adequar o produto/ ambien-
te ao homem e nunca o contrário.
 65
considerações finais
Muitas pessoas pensam que só devemos compreender a ergonomia em nossa área 
de atuação, por exemplo: apenas no design de interiores, de produto ou de moda. 
Estão muito enganadas, pois devemos compreender a ergonomia em todas as 
possibilidades de uso, para que possamos nos aprofundar em nossa área de inte-
resse. Isso porque alguns designers podem optar pelas áreas industriais, chefiando 
setores de produção, desenvolvendo ou aprovando protótipos, até mesmo, abrindo 
suas próprias fábricas. 
Por isso, deve ter conhecimento sobre a diferença de se trabalhar de forma confortá-
vel e segura, observando o quanto sua produtividade, consequentemente, melhora.
 Devemos também ter conhecimento de todas as áreas em que a ergonomia atua 
para que possamos ter noção de sua importância em nosso dia a dia, e o quanto 
sua ausência pode nos trazer problemas reversíveis ou irreversíveis à saúde.
Compreendemos, neste capítulo, as formas de utilização da ergonomia no am-
biente de trabalho, os tipos de posturas ideais para alguns tipos de atividades e as 
ferramentas da ergonomia, possíveis de serem aplicadas para resolver problemas 
mais comuns em postos de trabalho.
Pudemos compreender, também, como funciona o cérebro e seu processamento 
de informações: o recebimento da informação, a percepção, o processamento pela 
memória de longa duração e tomada de decisão ligada à memória de curta duração.
Isso nos faz compreender o quão importante é o conhecimento da ergonomia 
cognitiva, para que informações cheguem a pessoas certas e que interfaces sejam 
melhor compreendidas.
E, por fim, para melhor visão da ergonomia, pudemos ver alguns exemplos no 
nosso cotidiano para nos atentar a todo momento sobre o quão doloroso pode 
ser o uso de um produto sem ergonomia e, a partir disso, que possamos ter olhar 
mais crítico para propor redesigns a produtos inadequados, favorecendo, assim, 
a vida do usuário.
66 
atividades de estudo
1. Posturas inadequadas no trabalho são muito comuns e podem ser causa-
das pelo mau projeto da interface homem-objeto-ambiente ou pela falta 
de conhecimento do trabalhador. Algumas situações podem agravar as 
posturas inadequadas, quais são elas?
a. Posturas dinâmicas por longos períodos.
b. Grande aplicação de força, apenas.
c. Posturas estáticas por longos períodos, pois prejudicam parte óssea.
d. Posturas estáticas por longos períodos, grande aplicação de força e postu-
ras extremas ou no limite da articulação.
e. Apenas posturas deitadas, pois causam desconforto.
2. A ergonomia é utilizada em diversas áreas, e seus objetivos não se modi-
ficam, apenas a forma como se aplicará a ferramenta para obtenção de 
bons resultados. Desta forma, a ergonomia também é inserida no ambien-
te de trabalho. Podemos, então, afirmar que:
I. A inserção da ergonomia em postos de trabalho não beneficia, considera-
velmente, o operador, apenas cumpre as normas por lei.
II. A ausênciada ergonomia em postos de trabalho pode contribuir para o 
aumento de acidentes de trabalho derivados da má postura e/ou da fadiga 
precoce.
III. A ausência da ergonomia em postos de trabalho aumenta a produtividade 
por não inserir pausas aos operários.
IV. A ausência da ergonomia em postos de trabalho pode acarretar proble-
mas de saúde a longo prazo, pela falta de equipamentos de segurança, 
como o protetor auricular, que, quando não utilizado, pode levar o operá-
rio a perda da audição.
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I e II estão corretas.
b. Apenas II e III estão corretas.
c. Apenas I, II e III estão corretas.
d. Apenas II, III e IV estão corretas.
e. Apenas II e IV estão corretas.
 67
atividades de estudo
3. Com relação à Força fadiga e à repetitividade, é correto afirmar que: 
a. Uma doença ocupacional comum relacionada a esforços repetitivos é a 
LER, também conhecida como DORT.
b. As exigências de forças devem ser adaptadas às capacidades do operador, 
nas condições operacionais reais. Para cada situação de trabalho, haverá 
uma postura, um movimento e uma determinada força, assim, é necessá-
rio estudar caso a caso para que não haja inadequação.
c. A capacidade de puxar e empurrar depende de diversos fatores, como 
postura, dimensões antropométricas e atrito entre sapato e chão. Se con-
siderados estes fatores, tanto homens como mulheres adquirem a mesma 
capacidade de força.
d. A principal característica do movimento é a direção do movimento e o foco.
e. Homens e mulheres têm a mesma capacidade de força, é apenas uma 
questão de postura e foco.
4. No processo cognitivo, após formação da percepção dos sinais externos, 
ocorre um processo de interpretação, em que muitas reações ocorrem 
para se tomarem uma decisão sobre como agir. Nesse ponto, as experiên-
cias anteriores, o treinamento, o estado de humor, enfim, todas as condi-
ções do indivíduo que sejam relevantes são levadas em consideração no 
processo de decisão.
Baseado no conceito de processo cognitivo humano, enumere as fileiras 
com seus correspondentes:
( 1 ) Sensação (órgãos do sentido) ( ) Processo perceptivo
( 2 ) Interpretação ( ) Processo perceptivo
( 3 ) Percepção ( ) Processo cognitivo
( 4 ) Ação ( ) Processo cognitivo
( 5 ) Decisão ( ) Processo motor
 A sequência correta desta classificação é:
a. 3, 1, 4, 5, 2.
b. 5, 3, 1, 2, 4.
c. 2, 4, 3, 1, 5.
d. 4, 3, 2, 1, 5.
e. 1, 3, 2, 5, 4.
68 
atividades de estudo
5. As informações devem ser sempre claras e de fácil compreensão. Para que 
isso aconteça, existem algumas formas de disponibilizar informações aos 
usuários. Para cada situação e para cada necessidade, existe uma forma 
que se encaixe melhor para facilitar a compreensão do usuário e minimi-
zar erros e acidentes. Uma das formas de se transmitir informação é por 
meio de símbolos, desta forma, é correto afirmar que:
a. Os símbolos transmitem informações e, por se tratar de imagens, eles 
rompem barreiras de idiomas. Geralmente, sua imagem tem proximidade 
com o objeto real, o que facilita sua compreensão.
b. Os símbolos são difíceis de serem lidos e compreendidos, por isso, são 
pouco utilizados.
c. Os símbolos são utilizados em ambientes infantis, pela similaridade com o 
desenho em quadrinhos.
d. Os símbolos são utilizados para auxiliar a compreensão de um texto e deve 
estar sempre acompanhado da parte escrita para a melhor compreensão.
e. Os símbolos são utilizados apenas para compor gráficos, torná-los mais 
fáceis de serem compreendidos. 
 69
LEITURA
COMPLEMENTAR
Domínios de especialização da Ergonomia
A palavra Ergonomia deriva do grego Ergon [trabalho] e nomos [normas, regras, leis]. 
Trata-se de uma disciplina orientada para uma abordagem sistêmica de todos os aspec-
tos da atividade humana. Para darem conta da amplitude dessa dimensão e poderem 
intervir nas atividades do trabalho é preciso que os ergonomistas tenham uma aborda-
gem holística de todo o campo de ação da disciplina, tanto em seus aspectos físicos e 
cognitivos, como sociais, organizacionais, ambientais etc. Frequentemente, esses pro-
fissionais intervêm em setores particulares da economia ou em domínios de aplicação 
específicos. Esses últimos caracterizam-se por sua constante mutação, com a criação 
de novos domínios de aplicação ou do aperfeiçoamento de outros mais antigos. De 
maneira geral, os domínios de especialização da ergonomia são:
* Ergonomia física | está relacionada com às características da anatomia humana, 
antropometria, fisiologia e biomecânica em sua relação a atividade física. Os tópi-
cos relevantes incluem o estudo da postura no trabalho, manuseio de materiais, 
movimentos repetitivos, distúrbios músculo-esqueletais relacionados ao trabalho, 
projeto de posto de trabalho, segurança e saúde.
* Ergonomia cognitiva | refere-se aos processos mentais, tais como percepção, 
memória, raciocínio e resposta motora, conforme afetem as interações entre seres 
humanos e outros elementos de um sistema. Os tópicos relevantes incluem o es-
tudo da carga mental de trabalho, tomada de decisão, desempenho especializado, 
interação homem computador, stress e treinamento conforme esses se relacionem 
a projetos envolvendo seres humanos e sistemas.
* Ergonomia organizacional | concerne à otimização dos sistemas sóciotécnicos, in-
cluindo suas estruturas organizacionais, políticas e de processos. Os tópicos relevan-
tes incluem comunicações, gerenciamento de recursos de tripulações (CRM - domínio 
aeronáutico), projeto de trabalho, organização temporal do trabalho, trabalho em 
grupo, projeto participativo, novos paradigmas do trabalho, trabalho cooperativo, 
cultura organizacional, organizações em rede, tele-trabalho e gestão da qualidade.
Fonte: Abergo ([2018], on-line)3.
70 
material complementar
Biomecânica Ocupacional
Don Chaffin
Editora: Escariz
Sinopse: Este livro trata os grandes problemas de Biomecânica na atualidade: 
a questão das lombalgias, os distúrbios dolorosos de membros superiores, a 
questão da vibração e das ferramentas que transmitem torque para as mãos dos 
trabalhadores e muitas outras. Os temas da atualidade, também, são discutidos, 
como a questão da seleção médica e das cintas lombares. Esta obra apresenta o 
nível de profundidade esperado e desejado por especialistas, ou seja, engenhei-
ros envolvidos em questões profundas de biomecânica. Por outro lado, aborda os 
conceitos de forma prática, para pessoas leigas, apresentando, ao final da discus-
são de cada assunto, uma síntese.
Daens - um grito de justiça
Ano: 1992
Sinopse: o filme “Daens - Um Grito de Justiça” narra a história do padre belga Adolf 
Daens, que, ao se transferir para a cidade Aalst, no final do século XIX, depara-se 
com a degradação que a população era submetida, devido ao processo de indus-
trialização. Desse modo, Daens, um homem de seu tempo, sensível e esclarecido, 
indigna-se ao descobrir as constantes mortes, resultantes dos acidentes nas in-
dústrias, da fome, do congelamento pelo frio e das condições miseráveis em que 
viviam as famílias operárias.
Indicação para Assistir
Indicação para Ler
 71
material complementar
Os artigos a seguir foram selecionados, cuidadosamente, por abordarem o assunto do segundo capítulo, 
a Biomecânica Ocupacional, e por propor reflexão com relação à função do designer e à importância do 
conhecimento sobre a ergonomia e o corpo humano. O primeiro artigo é intitulado “Ergonomia em sala de 
aula: constrangimentos posturais impostos pelo mobiliário escolar”.
Acesse: http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm.
O segundo artigo é intitulado “A avaliação dos riscos ergonômicos como ferramenta gerencial em saúde 
ocupacional.
Acesse: http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf.
O vídeo a seguir demonstra quase todos os problemas da falta de ergonomia no ambiente de trabalho. De-
monstra, também, de forma clara e engraçada, o que discutimos com relação à biomecânica ocupacional.
Acesse:https://www.youtube.com/watch?v=ZnASW24Sz_4.
Este vídeo mostra, de maneira engraçada, como se adequar à cadeira quando no uso do computador, 
desde homem, mulher ou criança.
Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=0R7uz-_v3ec.
Indicação para Acessar
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
http://ergonomics.com.br/files/2012/08/comparacao_metodos.pdf
https://www.youtube.com/watch?v=ZnASW24Sz_4
https://www.youtube.com/watch?v=ZnASW24Sz_4
https://www.youtube.com/watch?v=ZnASW24Sz_4
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https://www.youtube.com/watch?v=0R7uz-_v3ec
https://www.youtube.com/watch?v=0R7uz-_v3ec
https://www.youtube.com/watch?v=0R7uz-_v3ec
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https://www.youtube.com/watch?v=0R7uz-_v3ec
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72 
referências
gabarito
ASCENSÃO, A.; MAGALHÃES, J.; OLIVEIRA, J.; DUARTE, J.; SOARES, J. Fi-
siologia da fadiga muscular. Delimitação conceptual, modelos de estudo e meca-
nismos de fadiga de origem central e periférica. Revista Portuguesa de Ciências 
do Desporto. v. 3, n. 1, p. 108-123, 2003.
BRIDGER, R. S. Introductions to Ergonomics. 2. ed. London: Taylor e Francis, 
2003.
GRANDJEAN, E. Manual de Ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. Por-
to Alegre: Bookman, 1998.
IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2005.
NORMAN, D. Emotional Design. New York: Basic Books, 2004.
Referências on-line
1Em: https://www.pexels.com/photo/active-adult-athlete-barbell-348487/. Aces-
so em: 18 mar. 2019.
2Em: http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/ergo2.htm0. Acesso em: 18 
mar. 2019.
3Em: http://www.abergo.org.br/internas.php?pg=o_que_e_ergonomia. Acesso 
em: 18 mar. 2019.
1. D
2. E
3. B
4. E
5. A
UNIDADEIII
Professora Me Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Berbel
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Adaptação ergonômica de produto
• Projetos universais
• Desenvolvimento de produto ergonômico
• A importância de produtos ergonômicos
• Estudo de caso
Objetivos de Aprendizagem
• Aplicar ergonomia de correção e de concepção e explicar qualidade 
técnica, qualidade ergonômica e qualidade estética.
• Definir projetos universais, discutir usabilidade e seus princípios e 
detalhar características de um projeto universal ergonômico.
• Detalhar os processos para desenvolvimento de um produto 
ergonômico.
• Discutir a importância de se desenvolver produtos ergonômicos e 
seu diferencial no mercado.
• Mostrar estudo de caso de melhoria de produto através de 
aplicação ergonômica.
ERGONOMIA DO PRODUTO
unidade 
III
INTRODUÇÃO
C
aro(a) aluno(a), em nossa terceira unidade do livro de Ergonomia, 
abordaremos os aspectos ergonômicos aplicados no produto e o 
quanto o uso destas ferramentas no produto podem resultar em um 
diferencial do mercado. Antigamente, o desenvolvimento de um 
produto era concentrado, principalmente, nos aspectos técnicos e funcionais, 
enquanto os ergonômicos e de design eram deixados de lado. Nas últimas 
décadas, esse panorama mudou, e aspectos antes deixados de lado passaram 
a se tornar ferramentas importantes de diferenciação e de decisão de compra.
Para melhor compreensão dos aspectos ergonômicos aplicados no pro-
duto, serão detalhadas as suas qualidades técnicas, ergonômicas e estéticas, 
além das premissas para se desenvolver um projeto universal. Os princípios 
de usabilidade serão também detalhados para melhor compreensão de sua 
aplicabilidade no projeto de desenvolvimento de um produto.
Nesta unidade, compreenderemos as informações necessárias para um 
projeto ergonômico. Já vimos alguns destes aspectos nas unidades anterio-
res. Aqui, se dará por outra abordagem, em que reuniremos informações 
em torno dos produtos e critérios específicos para avaliá-los, ou seja, para 
sabermos até que ponto este produto é realmente ergonômico. A aplicação 
da ergonomia no produto é muito importante para que ele se adeque ao 
usuário, sem que haja necessidade do usuário modificar suas formas para 
utilizar o produto, sendo ele ferramenta, vestimenta, calçado, maquinário, 
ambiente, entre outros.
Para compreender a aplicação da ergonomia, será apresentado, ao final 
da unidade, um estudo de caso que obteve melhorias por meio de sua apli-
cação. Desta forma, ficará mais fácil compreender e visualizar a importância 
da utilização da ergonomia em produtos para melhor satisfazer o usuário 
final, pois é sempre importante lembrar que os objetivos principais da er-
gonomia são: conforto, bem-estar, saúde, satisfação e segurança do usuário.
78 
 
Quando os produtos são construídos sem ergono-
mia, são deixados de lado, na maioria das vezes, as 
variáveis de conforto e os princípios de usabilidade. 
A ergonomia pode ser utilizada na fase de concep-
ção, ou seja, na fase de projeto para desenvolvimento 
do produto, ou, também, pode ser aplicada na corre-
ção de produtos mal projetados, quando, depois de 
serem fabricados, identificam-se as irregularidades.
A ergonomia sempre é aplicada com a preocu-
pação do bem-estar e conforto do usuário, visando à 
saúde, à segurança, à eficiência no uso e à sua satisfa-
ção, trabalhando, dessa forma, de maneira preventiva 
(IIDA, 2005). A adaptação de produtos já é utilizada 
há muito tempo. Os primeiros relatos foram extraí-
dos da pré-história, quando os homens das cavernas 
adaptavam suas ferramentas para terem melhor re-
sultado na caça, então, eles afiavam a ponta da lança 
em uma pedra lascada, desta forma, adquiriam mais 
precisão na caça, o que era de extrema importância, 
pois qualquer erro poderia ser fatal. 
Há dois milhões deanos, os homens pré-históricos 
fabricavam suas armas de pedra lascada, adaptando-as 
Adaptação Ergonômica 
de Produtos
 79
 DESIGN 
à anatomia de suas mãos (NAPIER, 1983). Este produ-
to foi melhorado, 500 mil anos depois, e se transfor-
mou em uma machadinha cujo cabo adicionado era 
liso e arredondado, de forma que se ajustava confor-
tavelmente nas mãos. Os primitivos fabricavam arcos, 
flechas e outros objetos que, de certa forma, aplicava, 
intuitivamente, a antropometria, pois testavam os pro-
dutos em seus próprios corpos (IIDA, 2005).
mas para conseguirem utilizar determinados produ-
tos, desde vestimentas, ferramentas, mobiliários etc. 
E foi neste contexto, como já dito anteriormente, que 
surgiu a ergonomia, para combater esta inadequação 
e pesquisar novas possibilidades de se ter conforto no 
trabalho e no uso de produtos, mesmo em meio à era 
da produção massificada. Segundo aspectos ergonô-
micos, todos os produtos, pequenos, grandes, sim-
ples ou complexos, devem satisfazer as necessidades 
humanas, pois, direta ou indiretamente, entram em 
contato com o homem e, para que esses produtos fun-
cionem bem nas interações com os usuários, devem 
seguir três características básicas: a qualidade técni-
ca, a qualidade ergonômica e a qualidade estética.
A qualidade técnica caracteriza-se pela parte 
que faz funcionar o produto, do ponto de vista me-
cânico, elétrico, eletrônico ou químico etc. Dentro 
da qualidade técnica, deve-se considerar a eficiência 
com que o produto executa a função, o rendimento 
na conversão de energia, a ausência ou minimização 
de ruídos e vibrações, a facilidade de higienização, 
facilidade de manutenção e assim por diante.
Já a qualidade ergonômica caracteriza-se pela 
ergonomia do produto que garante boa interação 
com o usuário, facilidade de manuseio, aplicação 
antropométrica, clareza no fornecimento de infor-
mações, facilidade de uso e compatibilidade de mo-
vimentos. Além disso, o produto com qualidade er-
gonômica deve propor ao usuário as características 
em que se baseiam seus objetivos, como: segurança, 
conforto e bem-estar do usuário.
A característica estética destina-se a proporcio-
nar prazer ao consumidor, envolvendo combinações 
de cores, formas, texturas, matérias-primas, acaba-
mentos e movimentos. O objetivo da característica 
estética é tornar o produto atraente e desejável aos 
olhos do consumidor.
O objetivo da ergonomia é adaptar o produto ao 
corpo, tornando-o mais confortável durante seu uso, 
mais adequado ao corpo do usuário, mais seguro e, 
segundo relatos históricos, intuitivamente, estas ca-
racterísticas eram almejadas desde a pré-história. 
Com a industrialização, o foco no desenvolvimento 
de produto voltou-se mais para o aumento da pro-
dutividade, ou seja, a possibilidade de se produzir 
mais, em menos tempo, e para mais pessoas. 
Desta forma, foi necessário padronizar medidas, 
o que resultou na perda da qualidade ergonômica e 
fez com que muitos usuários modificassem suas for-
80 
 
Estas três qualidades enquadram-se nas caracte-
rísticas desejáveis dos produtos, do ponto de vista 
ergonômico. Estas qualidades devem estar presentes 
em quase todos os produtos, porém é normal que 
nem sempre as três qualidades estejam em equilí-
brio. Para alguns produtos, pode ser que a qualidade 
técnica seja mais importante, como um motor elé-
trico, já em algumas ferramentas, como o alicate, é 
normal que a qualidade ergonômica se sobressaia, 
assim como em objetos de decoração a qualidade es-
tética esteja em evidência (IIDA, 2005).
De uma forma ou de outra, no entanto, as três ca-
racterísticas devem estar presentes no produto ergo-
nômico, o que varia é a intensidade de cada qualidade.
 81
 DESIGN 
Com o mundo globalizado e a rápida expansão dos 
meios de comunicação e de transportes, ocorreu o 
aumento da circulação mundial de mercadorias e 
produtos. Hoje em dia, é muito fácil comprar um 
produto de qualquer país, inclusive da China, por 
intermédio de sites de e-commerces. Além disso, há 
preocupação cada vez maior em incluir as minorias 
no mercado de consumo, até mesmo, pela preocu-
pação da aplicação do design inclusivo.
Estes dois fatores, a globalização e a inclusão, fi-
zeram com que projetistas ampliassem seu olhar com 
relação ao desenvolvimento de produto, buscando 
cada vez mais por soluções que contribuam com a 
adequação de produtos a diferentes corpos. Até por-
que, como já vimos anteriormente, as medidas cor-
porais passam por diferenças étnicas, que devem ser 
consideradas no projeto do produto para que não 
haja inadequação do produto ao corpo do usuário.
A possibilidade de desenvolver um produto, que-
brando essas barreiras de medidas antropométricas 
e incluir as minorias no projeto levou a formulação 
dos princípios do projeto universal e dos critérios 
de usabilidade dos produtos. Há muita semelhança 
entre os critérios do produto universal e aqueles da 
usabilidade, o que diferencia são as ênfases de cada 
um, pois o projeto universal está preocupado em fa-
Projetos 
Universais
82 
 
zê-lo acessível à maioria da população, enquanto a 
usabilidade preocupa-se em facilitar o uso. É natural 
que os produtos universais tenham boa usabilidade 
e vice-versa (IIDA, 2005). 
Os projetos universais têm como objetivo incluir 
certas minorias, como canhotos, portadores de defi-
ciências, idosos etc. O conceito parte do princípio de 
que é mais barato desenvolver estes produtos incluin-
do as minorias no uso do que criar aparatos especiais 
para adequá-las ao uso de um produto que não as con-
siderou em seu projeto (JARDIM, 2002). Por exemplo, 
é mais barato criar uma carteira escolar que possa ser 
utilizada por canhotos e destros do que desenvolver 
uma só para destros e ter que desenvolver um aparato 
para os canhotos, ou, até mesmo, um produto apenas 
para esta minoria. Quando incluímos a minoria, aten-
demos a maioria. Isso também facilita a criação de 
produtos a serem desenvolvidos em larga escala.
Uso equitativo: caracteriza-se por ter dimen-
sões, ajustes e acessórios que permitem atender o 
maior número possível de usuários, porém a segu-
rança, proteção e privacidade devem estar disponí-
veis, igualmente, a todos os usuários.
Flexibilidade no uso: visa acomodar uma ampla 
gama de habilidades e preferências individuais, de 
modo que possibilite o uso de destros e canhotos, 
facilite o uso preciso e exato a todos os usuários, 
possibilitando escolhas referentes ao modo de usar, 
a adaptação de forças e o ritmo, próprios de cada 
indivíduo.
Uso simples e intuitivo: dá-se pela facilidade 
na compreensão das formas de uso do produto, de 
modo que o usuário compreenda seu uso sem que 
necessite de conhecimento especializado. Para isso, 
é necessário eliminar complexidades desnecessá-
rias, considerar estereótipos, expectativas, intuição 
do usuário, considerar possíveis problemas com 
linguagens ou diferenças culturais, hierarquizar as 
informações de acordo com sua importância, entre 
outras formas de simplificar o uso e a compreensão 
do mesmo.
Informação perceptível: assim como o uso, as 
informações no produto também devem ser, efeti-
vamente, comunicadas ao usuário, sem necessida-
de de conhecimento especializado, mesmo que em 
condições ambientais diversas. Deve-se melhorar a 
visibilidade da informação e utilizar ferramentas do 
design para o tornar facilmente visualizado, percep-
tível, até mesmo, aos deficientes sensoriais. 
Tolerância ao erro: o projeto do produto deve 
pensar em formas de minimizar os riscos e as con-
sequências de ações involuntárias ou acidentais, por 
isso, deve pensar nas possibilidades de acidentes que 
podem ocorrer, caso o equipamento seja acionado 
PRINCÍPIOS DO PROJETO UNIVERSAL
O projeto universal adota certos princípios que po-
dem ser aplicados tanto na avaliação dos produtos 
existentes como na criação de novos. Os princípios 
são (NULL, 1993):
 83
 DESIGN 
sem querer. Quando o produto ou maquinário ofe-
recer algum risco,se ligado por acidente, deve-se, no 
projeto do produto, pensar em formas de manter os 
botões de acionamentos em lugares seguros e que 
ofereçam certa dificuldade para serem acionados, 
minimizando as chances de acidentes. Ou, então, 
deve ter uma forma de permitir o retorno ao estado 
anterior, de forma fácil e rápida, caso o equipamento 
seja ligado, acidentalmente, mesmo não oferecendo 
riscos. Isso é ter tolerância ao erro, é compreender 
que as pessoas podem se equivocar em algumas for-
mas de usos, mas que isso pode ser facilmente corri-
gido para que não as prejudique. 
Redução de gastos energéticos: dá-se pela faci-
lidade no manejo do produto, ou seja, sempre que 
possível, deve-se manter o corpo do usuário em 
posição neutra, livre de estresse, pois as contrações 
estáticas dos músculos devem ser evitadas. Desta 
forma, aplica-se no produto facilidades de uso para 
que o corpo não gaste energia desnecessária, ficando 
fatigado facilmente. Este princípio pode ser estendi-
do para o dimensionamento de motores, máquina e 
equipamentos, pois a potência desnecessária provo-
ca desperdícios de energia. 
Espaço apropriado: as máquinas, os espaços, os 
produtos devem ser apropriados para acesso, alcan-
ce, utilização e manipulação, independentemente do 
tamanho do usuário, sua postura ou sua mobilidade, 
pois devem ser acessíveis à grande maioria dos usuá-
rios. Em muitos casos, é difícil a aplicação de todos os 
princípios do projeto universal, porém se aplica o má-
ximo possível para obtenção dos melhores resultados.
Quando falamos em design universal, imagina-
-se que será um produto que se encaixará em todas 
as pessoas, sem exceção, pois estamos falando de 
design universal, entretanto isto não é verdade. É 
muito raro desenvolver um produto que sirva para 
todas as pessoas, adequada e confortavelmente, mas, 
quando se aplica o design universal, aumentam-se 
as possibilidades de usos de um mesmo produto e 
também aumenta o número de pessoas que se encai-
xarão nesse produto. Desta forma, cria-se algo para 
uma maioria, pois as minorias são incluídas.
USABILIDADE 
Entendida como a interface que possibilita a utiliza-
ção eficaz dos produtos e a facilidade no uso. “Em 
síntese, a usabilidade é fundamental para avaliar a re-
lação do produto-usuário. Nesse sentido, é princípio 
que deve ser observado em qualquer produto e am-
biente construído” (MARTINS, 2008, p. 326). 
A usabilidade é uma das interfaces da ergono-
mia que estuda e tem como objetivo adequar des-
de as ferramentas, os ambientes de trabalho até os 
produtos de uso pessoal, com o foco em atender 
às necessidades, habilidades e limitações dos dife-
rentes tipos de indivíduos. Desta forma, os riscos 
à saúde do usuário, acidentes e incidentes durante 
o uso de produtos, postos de trabalhos e interfa-
ces inadequadas podem ser evitados na fase de 
84 
 
concepção de produto. Dessa forma, não será ne-
cessário que usuários se coloquem em situação de 
risco no uso do produto para que, posteriormente, 
ele seja corrigido. 
Em 1998, foi lançada a ISO 9241-11, e, em 2002, 
foi criada a norma brasileira NBR 9241-11 definin-
do que “usabilidade é a efetividade, eficiência e satis-
fação com as quais usuários específicos podem ob-
ter resultados específicos em ambientes específicos” 
(ABNT, 2002, p. 5).
satisfação é o conceito mais difícil de ser alcançado 
na usabilidade (RAZZA, 2016).
Princípios de Usabilidade
De acordo com Jordan (1998), existem alguns prin-
cípios que, quando aplicados no desenvolvimento 
de um produto, podem melhorar sua usabilidade. 
Os princípios são: 
Evidência: o produto deve ter, de forma clara, 
indicação de sua função e o modo de operação, pois 
a evidência reduz tempo de aprendizagem e facilita a 
memorização, além de reduzir os erros de operação.
Consistência: quando colocamos operações se-
melhantes para funcionarem de forma semelhante, 
permitimos que o usuário faça transferência positi-
va da experiência anteriormente adquirida em ou-
tras tarefas semelhantes. Isso é comum em menus 
de computadores.
Capacidade: as capacidades do usuário devem 
ser respeitadas e não devem ser ultrapassadas, por 
exemplo: se a visão estiver saturada, as informa-
ções adicionais podem ser transferidas para ou-
tros canais, como audição e o tato. A capacidade 
também está relacionada com a força, precisão, 
velocidade e os alcances exigidos em movimentos 
musculares.
Compatibilidade: o atendimento às expectativas 
do usuário melhora a compatibilidade, porém essas 
expectativas dependem de fatores fisiológicos, cul-
turais e experiências anteriores. Estão ligadas tam-
bém aos estereótipos populares, por exemplo, um 
controle rotacional, quando giramos para a direita, 
esperamos que abra, ou aumente algo (torneiras, 
controles rotacionais de volume etc.). 
Prevenção e correção dos erros: assim como já 
definido no design universal, a prevenção de erros 
A efetividade caracteriza-se pelo fato de o produto 
ou sistema realizar a ação esperada, por exemplo, 
uma cafeteira tem que efetivamente fazer café. A 
eficiência caracteriza-se pela quantidade de esforço 
necessária para cumprir o objetivo, sendo assim, um 
produto eficiente realiza a ação desejada (efetivida-
de) com menor tempo, com menos esforço, gastan-
do menos recurso, entre outros.
A satisfação é definida pelo nível de conforto que 
os usuários sentem com o uso do produto, porém é 
um conceito subjetivo e está ligado às expectativas 
e necessidades de cada usuário. O que é confortável 
para uma pessoa pode não ser para outra, por isso, a 
O que é ISO?
É a Organização Internacional de Normali-
zação, com sede em Genebra, na Suíça. Foi 
criada em 1946 e tem como associados or-
ganismos de normalização de cerca de 160 
países. Tem como objetivo criar normas que 
facilitem o comércio e promovam boas prá-
ticas de gestão e o avanço tecnológico, além 
de disseminar conhecimentos.
Fonte: Inmetro ([2018], on-line)1.
SAIBA MAIS
 85
 DESIGN 
deve impedir procedimentos inadequados, que per-
mite o retorno à posição anterior ou a correção rá-
pida e fácil. 
Realimentação: o produto deve dar um retorno 
aos usuários sobre os resultados de sua ação, como 
em uma ligação telefônica existe um ruído típico 
que demonstra se a ligação está sendo completada, 
ou se a linha está ocupada. A realimentação ajuda o 
operador a redirecionar sua ação, e a falta de reali-
mentação pode resultar em muitos desperdícios, até 
mesmo de tempo e esforço. 
A usabilidade pode ser aprimorada por meio da 
aplicação dos princípios apresentados. Nesse senti-
do, esses princípios podem nos servir de guias, a fim 
de investigarmos a usabilidade do nosso produto 
durante o processo de desenvolvimento. A investi-
gação, por sua vez, é necessária para buscarmos me-
lhores soluções e adequações.
Tanto os princípios de usabilidade como os prin-
cípios de design universal nos dão diretrizes para 
otimizarmos nosso produto e torná-lo mais adequa-
do a um maior número de usuários.
86 
 
Caro(a) aluno(a), desenvolver um produto não é tão 
simples como se imagina. É necessário o trabalho 
de diversos profissionais para pesquisar áreas dis-
tintas e agregar as melhores soluções no desenvolvi-
mento de um novo produto. Na medida do possível, 
esta equipe de desenvolvimento deve ser formada 
por especialistas em ergonomia desde a etapa inicial 
do projeto, para que seja aplicada a ergonomia de 
concepção de modo a projetar um produto pensa-
do em todos os aspectos de uso, com o mínimo de 
inadequações e acidentes. Quando a ergonomia de 
concepção não é aplicada, problemas podem surgir. 
É necessário, nesse caso, a correção, o que gera um 
custo maior, por isso é preferível alternativas para a 
prevenção dos erros. 
Desenvolver um produto é um processo muito 
variável, pois o projetista deve ter visão ampla sobre 
vários aspectos, por exemplo, o objetivo da empresa 
com relação aos produtos, ou seja, o que ela busca 
passar ao consumidor. Algumas empresas focam em 
qualidadestécnicas, outras em qualidades ergonô-
micas, outras apenas em qualidades estéticas, e ou-
tras se concentram em redução de custo, mesmo que 
isso signifique sacrificar a qualidade. 
Em todos esses casos, a decisão final é do con-
sumidor, incluindo as suas prioridades em relação à 
compra e ao uso do produto. Por isso, é importante 
saber o que os consumidores querem, quais carac-
terísticas eles valorizam e o quanto estão dispostos 
a pagar. Existem diferentes metodologias de desen-
Desenvolvimento de 
Produto Ergonômico
 87
 DESIGN 
volvimento do produto. Aqui, apresentaremos uma 
delas, a fim de percebermos a ergonomia em todas 
as etapas. 
Os ergonomistas devem participar de todas as 
etapas do desenvolvimento de produto, por isso, 
quando as empresas têm atividades contínuas de de-
senvolvimento de produtos empregam ergonomis-
tas como membros permanentes de suas equipes. 
Nos casos de menor volume de produção, pode-se 
optar por consultores externos.
A participação desses profissionais em cada eta-
pa do desenvolvimento de um produto pode ser 
compreendida por meio da Tabela 1.
Tabela 1- Participação da Ergonomia nas diversas etapas do desenvolvimento de produtos
Fonte: IIDA (2005, p. 324).
Etapas Atividades Gerais Participação da Ergonomia
Definição
Examinar as oportunidades;
Verificar as demandas;
Definir objetivos do produto;
Elaborar as especificações;
Estimar custo/benefício.
Examinar o perfil do usuário;
Analisar os requisitos do produto.
Desenvolvimento
Analisar os requisitos do sistema;
Esboçar a arquitetura do sistema;
Gerar alternativas de soluções;
Desenvolver o sistema.
Analisar as tarefas/atividades;
Analisar a interface:
- Informações;
- Controles.
Detalhamento
Detalhar o sistema;
Especificar os componentes;
Adaptar as interfaces;
Detalhar os procedimentos de teste.
Acompanhar os detalhamentos.
Avaliação
Avaliar o desempenho;
Comparar com as especificações;
Fazer os ajustes necessários.
Testar a interface do usuário.
Produto em uso Prestar serviço pós-venda;
Adquirir experiência para outros projetos.
Realizar estudos de campo junto aos usuários 
e consumidores.
A empresa Philips da Holanda trabalha com 
desenvolvimento de produto de forma con-
tínua, por isso, mantém 21 especialistas em 
ergonomia dentro de sua equipe de projeto 
(STANTON, 1998). Eles dedicam 85% do tempo 
no desenvolvimento de projeto e se ocupam, 
principalmente, em analisar as interações dos 
usuários com seus produtos, acumulando ex-
periências para o projeto de novos produtos, 
buscando aplicar o conceito de usabilidade 
em todos os produtos.
Fonte: Iida (2005).
SAIBA MAIS
88 
 
A Importância de 
Produtos Ergonômicos
A ergonomia é de suma importância no 
projeto de desenvolvimento de produtos, 
pois defende que esses devem se adequar ao 
corpo do usuário, e não o contrário. Antes da 
revolução industrial, os produtos eram desenvol-
vidos manualmente, como as vestimentas, 
feitas a partir das medidas do corpo de 
cada pessoa. Após a revolução, com 
as produções em larga escala, fez-se 
necessária a padronização.
 89
 DESIGN 
A princípio, eram muitos os problemas de ade-
quação por conta das padronizações. Nesse sentido, 
os estudos ergonômicos, que, inicialmente, comba-
tiam o trabalho desumano que se desenvolviam nas 
fábricas, permitiram o desenvolvimento de produ-
tos e ambientes que priorizavam o corpo, pois se o 
homem iria utilizá-los, então, deviam ser baseados 
em suas medidas.
Outra aplicação ergonômica deu-se na forma de 
adequar esses bancos, que é o ajuste elétrico, assim, o 
motorista tem mais facilidade para adequar o banco 
ao seu corpo. Além da facilidade, estes mecanismos 
elétricos também aumentam a precisão do ajuste, con-
sequentemente, a segurança e o conforto do usuário. 
A ergonomia, em todo o processo de desenvolvi-
mento de produto, torna-se importante por preservar 
em todas as etapas os princípios ergonômicos que são: 
A antropometria também é uma ferramenta da ergo-
nomia. Ela é importante, pois detalha todas as me-
didas do corpo e apresenta formas de aplicar esses 
dados aos produtos, contribuindo com a adequação 
a diferentes tipos de corpos. 
O design universal também é muito utilizado 
nesse processo de adequação do produto ao corpo, 
pois, aplicando seus princípios, torna-se possível de-
senvolver um produto que se encaixe em diferentes 
tipos de corpos. Desta forma, atinge as minorias e 
abrange a maioria. Um exemplo comum no nosso 
dia a dia são os bancos dos carros que têm inúmeras 
regulagens e se adequam a pessoas com diferentes 
alturas, diferentes pesos e diferentes formas corpo-
rais sem perder a segurança pretendida. 
segurança, saúde, conforto, satisfação, qualidade do 
produto, prazer no uso, entre outros. Além disso, a 
ergonomia torna possível o uso de produtos por dife-
rentes tipos de corpos, sem perder a qualidade. Assim, 
o produto também pode ser utilizado pelas minorias, 
como deficientes físicos, sensoriais, entre outros. A 
usabilidade também se faz presente com os princípios 
que defendem efetividade, eficiência e satisfação.
Na ergonomia de concepção, todas as etapas 
são pesquisadas antes, e todo tipo de falha pode 
ser evitada, enquanto na ergonomiade correção 
é preciso arcar com o custo para remodelar o 
produto. Qual opção lhe parece mais viável?
REFLITA
90 
 
O estudo de caso será apresentado como forma de 
facilitar a compreensão da aplicação da ergonomia 
em um produto, com o foco em proporcionar mais 
conforto ao usuário e atender aos objetivos da ergo-
nomia como um todo. O projeto que será apresenta-
do foi desenvolvido por Andreia Fernandes Barbosa 
e é intitulado Avaliação da Influência do mobiliário 
escolar na postura corporal em alunos adolescentes. A 
aluna desenvolveu este projeto em sua dissertação de 
mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas, na 
Universidade do Minho, Portugal, em julho de 2009.
As carteiras escolares são utilizadas por crianças 
e adolescentes, em que passam várias horas por dia, 
por muitos anos, e o mais importante é que em grande 
parte desse tempo estão em fase de desenvolvimento 
físico, psíquico, motor etc. Como já vimos anterior-
mente, a fadiga provoca diversos problemas físicos, 
principalmente, na coluna, e psíquicos, entre eles es-
tresse, irritabilidade e outras consequências negativas.
A pesquisadora realizou o estudo, utilizando 
como amostra 136 alunos de ambos os sexos, de di-
ferentes idades, de uma escola particular e três es-
Estudo 
de Caso
 91
 DESIGN 
colas públicas de Braga, Portugal. Foi feita avaliação 
postural e avaliação ergonômica das posturas na sala 
de aula, pelo método RULA (Rapid upper limb asses-
sment), associado a um pequeno inquérito sobre a 
problemática em estudo, no qual que se observou e 
analisou todos os elementos referentes à temática. 
Para a realização da avaliação postural, foi cons-
truído e usado um posturógrafo com 2 metros de 
altura e 0,72 metros de largura, com base de nive-
lamento e marcação da posição dos pés com palmi-
lhas com a forma de pé, de modo que os alunos se 
coloquem em posição padrão. 
O método PEO (Portable Ergonomic Observation) 
destina-se à observação das posturas corporais em tem-
po real, diretamente, na sala de aulas. Para isso, usou o 
software Viglen Dossier 486, que realizou um feedback 
visual contínuo da postura corporal. O software PEO 
da, diretamente, a percentagem do tempo gasto numa 
determinada postura, registra o número de posturas 
mantidas e o início e o final de cada uma delas.
A cadeira mais utilizada nas salas de aulas ava-
liadas eram cadeiras comuns de ferro com madeira, 
como na imagem a seguir. O que variava era o ta-
manho da cadeira que mudava pouco a pouco para 
comportar as crianças ao longo do crescimento na 
fase infantil e adolescente. 
Figura 1 - cadeira utilizada nas salas de aula 
Fonte: Barbosa (2009).
A mesa era individual quadrada, de estrutura me-
tálica, embora também houvesse disponível em 
madeira maciça envernizada,com arestas e cantos 
92 
 
boleados de acordo com as especificações regula-
mentares. O tampo é em aglomerado de madeira, 
como na Figura 2. E, assim como as cadeiras, as me-
sas vão aumentando conforme o tamanho das crian-
ças na infância e adolescência.
Em alguns casos, os tamanhos das mesas e cadeiras 
não respeitam realmente, as dimensões dos alunos de 
acordo com sua faixa-etária. Foi encontrado, em al-
gumas escolas, carteiras e cadeiras do 6º ano idênticas 
às carteiras e cadeiras do 9º ano. Vale ressaltar que es-
tes são os anos correspondentes aos maiores picos de 
crescimento, como visto na antropometria ao longo 
da vida. A atitude postural mais frequente, encontrada 
no presente estudo, durante a escrita ou leitura na sala 
de aula, é identificada pelas seguintes características:
• Postura com achatamento lombar: caracte-
rizada por uma diminuição no ângulo lom-
bosagrado, diminuição na lordose lombar ou 
inclinação posterior da pelve.
Figura 2 - Mesa utilizada nas salas de aula
Fonte: Barbosa (2009).
Na sala do 12º ano, eram usadas cadeiras com su-
perfície de escrita: cada uma destas cadeiras pos-
suiam estrutura metálica e acabamento em tubo de 
ac ̧o, assento e encosto como as restantes cadeiras. 
Esta palmatória podia ser elevada de modo a facili-
tar o acesso ao assento e estar à direita ou à esquer-
da, conforme a necessidade do aluno, destro ou 
canhoto. Um dos inconvenientes deste tipo de mo-
biliário é o pouco espac ̧o que possui, uma vez que 
não permite a utilizac ̧ão de um livro e de um cader-
no no mesmo espac ̧o, ao mesmo tempo. Esta ca-
deira possui apenas uma dimensão: 0.40x0.40x0.45 
metros.
Figura 3 - cadeira com superfície de escrita
Fonte: Barbosa (2009).
 93
 DESIGN 
• Dorso curvo ou cifose aumentada: caracteri-
zada por uma curvatura torácica aumentada, 
protrac ̧ão escapular (ombros curvos) e, geral-
mente, associando uma prostração da cabeça.
• Postura de prostração da cabeça: caracteriza-
da por aumento da flexão da região cervical 
baixa e torácica alta, aumento na extensão do 
occipital sobre a primeira vértebra cervical e 
aumento na extensão das vértebras cervicais 
superiores. Pode também haver disfunção na 
articulação temporomandibular com retru-
são da mandíbula.
As imagens a seguir mostram as inadequações na 
postura dos alunos, provocadas pelo uso de pro-
dutos inadequados, neste caso, as mesas e cadeiras 
escolares. Essas imagens foram feitas pela pesquisa-
dora ao longo de seu trabalho. 
Figura 6 - Detalhamento da inadequação do corpo durante o uso do 
produto inadequado
Fonte: Barbosa (2009).
Figura 5 - Detalhamento da inadequação do cor-
po durante o uso do produto inadequado
Fonte: Barbosa (2009).
A B
Figura 4 - Postura dos alunos em sala de aula 
Fonte: Barbosa (2009).
94 
 
Baseado nas inadequações encontradas, foram lista-
das quais as posturas ideais em sala de aula, que são:
• A cadeira deve estar o mais próximo possível 
da mesa de modo a impedir a flexão exagerada 
do tronco;
• O material no qual se está a escrever não deve 
estar demasiado próximo do tronco, de forma 
a não exigir uma postura de flexão do pesco-
ço para ser possível visualizar a tarefa que se 
está a desenvolver. No entanto este material 
deve-se manter na zona ótima de acesso aos 
membros superiores;
• Os pés deverão estar bem apoiados no chão, 
não permitindo que seja efetuada mais carga 
numa das tuberosidades isquiáticas evitando, 
assim, uma postura em desequilíbrio; 
• O aluno deve tentar não efetuar inclinações 
ou rotações, quer do pescoço quer do tronco, 
mantendo todo o material disposto de forma 
que a postura correta seja mantida;
• Durante os movimentos de escrita, também 
deve ser controlado o movimento de elevação 
do ombro, de forma a não sobrecarregar os 
músculos do ombro e cervical;
• A abdução do ombro, sendo impossível de 
abolir deve ser mantida num grau razoável, o 
mais perto possível de 0º.
Muitos são os estudos relacionando as cadeiras e 
carteiras, porém a pesquisadora defende que todos 
os seus autores concordam com a adição de incli-
nação, então, definiu como cadeira e carteira ideal o 
seguinte modelo:
Figura 7- modelo de carteira sugerido pela autora
Fonte: Barbosa (2009).
 95
 DESIGN 
Outro aspecto que se deve levar em consideração é 
a introdução de um sistema regulável em altura das 
mesas e/ou cadeiras, pois não há estudos antropomé-
tricos fidedignos para a população portuguesa, desta 
forma, com as regulagens seria possível a adaptação a 
cada caso. A autora detectou, também, que não só os 
mobiliários deveriam ser remodelados, mas também a 
dinâmica do ensino em sala de aula, adicionando mo-
mentos que permitam que os alunos alternem a posi-
ção de sentado com a de pé, permitindo, em um mo-
mento determinado, o alívio das estruturas corporais.
A sala de aula é um ambiente de trabalho como 
outro qualquer, onde as pessoas realizam tarefas 
específicas, preferencialmente, em ambiente ergo-
nômico, ou seja, adaptado ao sistema homem-má-
quina (aluno-mobiliário). É importante que neste 
ambiente escolar não sejam esquecidos os requisi-
tos de saúde e seguranc ̧a. A pesquisadora conclui 
que, com o mobiliário escolar fixo, tanto no ensino 
privado como no público, torna-se impossível exis-
tir adequac ̧ão às alterac ̧ões nas dimensões corpo-
rais exigidas nas diferentes faixas etárias estudadas.
A sala de aula necessita de alterações globais, tais 
como a mudança na altura e largura de mesa e cadeira 
e acolchoamento das cadeiras, tendo em considera-
ção o posicionamento do aluno face ao professor e ao 
quadro da sala de aula. Essas mudanças são impossí-
veis, tomando em conta o número de alunos de cada 
turma e a organização estrutural da sala de aula. Para 
a resolução deste problema, o ideal seria a opção pelo 
material regulável para as várias faixas etárias, respei-
tando os picos de crescimento de ambos os sexos, o 
que implica uma consciencialização e investimento 
por parte do Governo Português (BARBOSA, 2009).
As alterações posturais que podem prejudicar 
crianc ̧as e adolescentes têm início na fase escolar 
e têm uma evolução silenciosa, o que constitui um 
fator de risco para as disfunções da coluna verte-
bral irreversíveis na fase adulta (BARBOSA, 2009). 
Além dos problemas posturais, o uso de produtos 
inadequados ao longo da fase de aprendizagem pode 
influenciar no rendimento do aluno, pois a fadiga 
incomoda e pode provocar sintomas, como irritabi-
lidade, queda na concentração, entre outros fatores 
negativos que podem surgir por habitarem espaços 
e/ou produto inadequados.
96 
considerações finais
Nesta unidade, pudemos compreender as qualidades técnicas ergonômicas que 
permeiam um produto. Detalhamos a qualidade técnica, a qualidade ergonômica 
e a qualidade estética, com o objetivo de compreender sua utilização no desenvol-
vimento ou correção de um produto. 
Os princípios do design universal foram detalhados, bem como suas contribuições 
para o desenvolvimento de um produto de qualidade, que atenda aos objetivos 
defendidos pela ergonomia. Essa discussão sobre o design universal permitiu 
compreender a aplicação dos princípios possíveis e tornar um produto adequado 
à maioria, incluindo as minorias.
Apresentamos, também, o detalhamento para desenvolvimento de um produto 
ergonômico, bem como a forma que o ergonomista atua em todas as etapas do 
processo e o quanto sua participação é importante. Além disso, pudemos perceber 
o quanto é importante aplicar ergonomia no desenvolvimento de um produto para 
obtenção de melhores resultados.
Para exemplificar os conceitos expostos neste capítulo, apresentamos o estudo de 
caso de uma pesquisadora portuguesa, que desenvolveu a correção dos mobiliários 
das salas de aulas de crianças e adolescentes. A partir dos relatos apresentados em 
seu trabalho e descritos como estudo de caso em nosso último tópico, pudemos 
perceber o quanto é importante a função da ergonomia no desenvolvimento de 
um produtoe o quanto um produto inadequado pode afetar o desenvolvimento 
músculo esquelético de uma criança, causando problemas que persistirão por 
toda a sua vida.
Por meio das intervenções feitas pela pesquisadora, pudemos visualizar a correção 
de um produto baseado em conceitos ergonômicos. Isso nos permitirá aplicar em 
outros tipos de produtos, desde que busquemos detectar o problema e analisar 
possíveis soluções, pensando sempre em conforto, qualidade, bem-estar, segu-
rança, saúde e satisfação no uso, pois estas serão sempre as palavras de ordem da 
ergonomia. 
 97
atividades de estudo
1. O conceito de design universal foi criado pelo Centro de Design Universal 
(Universidade da Carolina do Norte - EUA). Qual é o objetivo desta aplica-
ção no desenvolvimento de um produto?
a. Propor um produto que seja adequado a todos os tipos de pessoas, sem 
exceção, desta forma, torna-se um produto mais bem aceito.
b. Quando se aplica o conceito de design universal, o produto torna-se, es-
teticamente, agradável a todas as pessoas, favorecendo sua aceitação no 
mercado.
c. A aplicação deste conceito dá ao produto ou ao ambiente características 
que facilitam o uso pela maioria das pessoas, ou seja, os produtos projeta-
dos para a maioria também consideram o uso pela minoria, não havendo 
diferença.
d. Ajuda a adequar o produto a mais pessoas, porém se torna mais oneroso, 
sendo mais viável criar produtos específicos às minorias.
e. O design universal não favorece o produto, pois, na tentativa de adequar 
a todos, utiliza a média populacional e torna inadequado para um maior 
número de pessoas.
2. O projeto universal adota certos princípios que podem ser aplicados tanto 
na avaliação dos produtos existentes como na criação de novos. Pensando 
nisso, quais são os princípios do design universal?
a. Uso equitativo, flexibilidade no uso, uso simples e intuitivo, informação 
perceptível, tolerância ao erro, redução de gastos energéticos e espaço 
apropriado.
b. Flexibilidade no uso, valor estético, valor simbólico, função prática e redu-
ção de custos.
c. Redução de custos, diminuição do impacto ambiental, multifuncionalidade 
e segurança.
d. Adequar-se a todas as pessoas, sem exceção, e conter flexibilidade no uso.
e. Redução de gastos de energia, minimização de fadiga, diminuição de im-
pacto ambiental e redução de custo ao consumidor final.
98 
atividades de estudo
3. Em 1998, foi lançada a norma ISO de Usabilidade (ISO 9241-11) e, com base 
nesta norma, em 2002, foi criada a NBR 9241-11. Nessas normas, a usabi-
lidade é definida por: “Usabilidade é a efetividade, eficiência e satisfação 
com as quais usuários específicos podem obter resultados específicos em 
ambientes específicos” (ABNT, 2002, p. 5). 
Fonte: ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9241-11: Requisitos ergonômicos para trabalho de escritório 
com computadores. Parte 11. Orientações sobre usabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 2002.
Com base nesta definição, é correto afirmar que: 
I. Efetividade é a medida em que um objeto ou tarefa é realizada, ou seja, em 
que o produto ou o sistema realiza a ação esperada, de fato.
II. Eficiência é a quantidade de esforço necessária para cumprimento de um 
objetivo.
III. Satisfação pode ser definida como o nível de conforto que os usuários 
sentem com o uso do produto.
 Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I.
b. Apenas II.
c. Apenas III.
d. Nenhuma afirmativa está correta.
e. Todas as afirmativas estão corretas.
4. Existem princípios que compõem a boa usabilidade, mas nem todos são 
aplicáveis em todos os contextos. Os mais importantes são:
a. Efetividade, eficiência e satisfação.
b. Evidência, consistência, capacidade, compatibilidade, prevenção e corre-
ção de erros e realimentação. 
c. Evidência, capacidade, prevenção e correção de erros.
d. Efetividade, eficiência, satisfação, evidência, consistência, capacidade, com-
patibilidade, prevenção e correção de erros e realimentação. 
e. Prevenção e correção de erros.
 99
atividades de estudo
5. A ergonomia sempre é aplicada com a preocupação do bem-estar e con-
forto do usuário, visando à saúde, à segurança, à eficiência no uso e à sua 
satisfação. As formas mais aplicadas no desenvolvimento de um produto 
são: ergonomia de concepção e ergonomia de correção. O que difere es-
sas duas formas de aplicação? Assinale a alternativa correta:
a. A ergonomia de concepção é responsável pela ideia, enquanto a ergono-
mia de correção corrige as ideias que não são ergonômicas.
b. A ergonomia de concepção é responsável pela ideia, enquanto a de corre-
ção corrige o protótipo na fase final.
c. A ergonomia de concepção está presente no desenvolvimento de mobiliá-
rios, enquanto a ergonomia de correção está presente no desenvolvimen-
to de produto.
d. A ergonomia de concepção é utilizada na fase de concepção, ou seja, na 
fase de projeto para desenvolvimento do produto, enquanto a ergonomia 
de correção é aplicada na correção de produtos mal projetados, quando, 
depois de serem fabricados, identificam-se as irregularidades. 
100 
LEITURA
COMPLEMENTAR
3 Produtos ergonômicos que você deveria utilizar
Você já precisou pedir licença para a empresa por algum motivo de saúde? Ou talvez 
você esteja, neste momento, afastado. E por acaso você tem ideia sobre o que mais 
causa afastamento nas empresas?
São diversas doenças que têm retirado os colaboradores do seu posto de trabalho, 
mas uma, em especial, destacou-se no relatório disponibilizado pela Previdência Social. 
Segundo a Previdência, problemas na lombar retiraram aproximadamente 24 mil traba-
lhadores do seu posto de trabalho no primeiro trimestre de 2016, isso significa quepor dia 
foram em média 269 trabalhadores afastados.
E qual a solução?
Disciplina e consciência da importância do uso dos produtos ergonômicos que são dis-
ponibilizados para o conforto e qualidade de vida, que a ergonomia lhe proporcionará 
durante as 8 horas de trabalho que você precisa ficar sentado em frente a um compu-
tador ou em pé.
O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ERGONOMIA
Entre os fatores mais comuns que estão relacionados a ausência no posto de trabalho, 
provocando dores na cervical e lombar, estão a postura incorreta ou má postura, bem 
como a falta de condições ergonômicas. Além disso, também temos a obesidade, se-
dentarismo e até o tabagismo.
Um ambiente sem ajustes ergonômicos necessários pode resultar em dores, fadiga e 
tensão muscular. Ficar sentado muito tempo na mesma posição ou ficar em pé com a 
postura errada aumenta a sobrecarga na coluna, causando a compressão dos nervos.
O QUE FAZER PARA CORRIGIR A POSTURA?
Praticar atividade física regularmente ajuda a fortalecer os músculos e isso é importan-
te para auxiliar na correção da postura durante o expediente. E claro, o uso de produtos 
ergonômicos, tais como:
- SUPORTE MONITOR OU SUPORTE PARA NOTEBOOK
Substituir as revistas e livros por um suporte para monitor ou notebook, conforme es-
tipulado pela NR 17, traz uma série de benefícios, como:
• Correção da linha de visão do usuário à tela do monitor – distância adequada é 
de 50 a 70 cm.
https://www.reliza.com.br/2016/o-que-voce-precisa-saber-sobre-ergonomia/
https://www.reliza.com.br/2016/o-que-voce-precisa-saber-sobre-ergonomia/
https://www.reliza.com.br/2016/o-que-voce-precisa-saber-sobre-ergonomia/
https://www.reliza.com.br/2016/o-que-voce-precisa-saber-sobre-ergonomia/
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https://www.reliza.com.br/2016/o-que-voce-precisa-saber-sobre-ergonomia/
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https://www.reliza.com.br/2016/o-que-voce-precisa-saber-sobre-ergonomia/
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https://www.reliza.com.br/2016/o-que-voce-precisa-saber-sobre-ergonomia/https://www.reliza.com.br/2016/o-que-voce-precisa-saber-sobre-ergonomia/
 101
LEITURA
COMPLEMENTAR
• Alívio do esforço exercido sobre a região cervical.
• Evita fadiga na lombar, nuca e pescoço.
• Previne doenças ocupacionais (LER/DORT).
- APOIO PARA OS PÉS
Troque a caixa improvisada pelo Apoio para os Pés. Esta substituição irá corrigir a pos-
tura ao sentar. As plantas dos pés devem estar 100% apoiadas no chão ou no suporte, 
ou seja, as articulações dos joelhos precisam estar em um ângulo de 90º. As costas e 
a região lombar precisam estar apoiadas no encosto da cadeira, mantendo a postura 
ereta, enquanto os pés estão apoiados. 
O Apoio tem os seguintes benefícios:
• Evitar fadigas musculares, formigamentos e lesões a longo prazo.
• Garantir a boa circulação sanguínea nas pernas, evitando o aparecimento de va-
rizes.
• Evitar dores nas costas.
• Corrigir a postura.
- APOIO PARA ANTEBRAÇO
O Apoio para Antebraço corrige a postura e evita fadigas musculares, além disso, tam-
bém proporciona benefícios como:
• Aliviar a tensão do pescoço.
• Melhorar a irrigação sanguínea.
• Prevenir doenças ocupacionais (LER/DORT).
• Possibilitar o posicionamento correto do antebraço em mesas com espaço limi-
tado – para que o posicionamento do seu braço esteja correto, toda a base do 
antebraço deve estar apoiada sobre uma superfície reta e plana. Caso o seu an-
tebraço esteja angulado e mal posicionado, seu punho ficará tensionado, bem 
como a região muscular da nuca, ombros e pescoço (podendo resultar em uma 
lesão) e a sua circulação sanguínea nesta região será prejudicada.
Fonte: Reliza ([2018], on-line)2.
102 
material complementar
Ergonomia do Objeto
João Gomes Filho
Editora: Escrituras
Sinopse: o autor reúne noções de leitura ergonômica de objetos e projeto nas 
áreas do Design de Produto, Gráfico, Moda, Ambiente, Arquitetura e respectivas 
interfaces recíprocas. De modo prático e didático, Ergonomia do objeto define e 
exemplifica este sistema técnico de leitura, que tem como objetivo adequar os 
objetos aos seres vivos, no que se refere à segurança, ao conforto e à eficácia 
no uso. São apresentados estudos sobre numerosos e diversificados produtos, 
fundamentados num sistema técnico de leitura inserido no que o autor conven-
cionou denominar de “cultura ergonômica”.
Indicação para Ler
Ergonomia e Usabilidade: conhecimentos, métodos e aplicações.
Walter Cybis, Adriana Holtz Betiol e Richard Faust
Editora: Novatec
Sinopse: o livro Ergonomia e Usabilidade – Conhecimentos, Métodos e Aplicações 
aborda a aplicação da ergonomia no desenvolvimento de interfaces humano-
-computador que possam proporcionar usabilidade e marcar positivamente a ex-
periência de seus usuários. Ele apresenta formas de adequar sites, aplicações e 
dispositivos interativos aos perfis e às estratégias de seus usuários e de satisfazer 
as suas expectativas em um contexto tecnológico em constante evolução.
Indicação para Ler
 103
material complementar
Segurança do Produto: uma Investigação na usabilidade de produtos de consumo
Este artigo apresenta o uso da ergonomia para correção de alguns produtos muito utilizados dentro de 
casa, porém, que contém algumas inadequações tornando-os produtos inseguros.
Acesse: https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14.
Indicação para Acessar
Janela da Alma
Ano: 2001
Sinopse: no documentário, 19 pessoas dão seus relatos de como lidam com a defi-
ciência visual. As histórias acabam abordando o olhar de uma forma mais sensível e 
menos ligada ao espectro exterior, sugerindo que a sociedade em geral, mesmo com 
a possibilidade de ver, deixou de enxergar o que é visível aos olhos.
Indicação para Assistir
Intocáveis
Ano: 2012
Sinopse: o filme conta a história de Philippe, um homem rico que, após sofrer um 
grave acidente, fica tetraplégico. Precisando contratar um assistente, sua história 
cruza com a de Driss, jovem de baixa renda e sem nenhuma experiência na fun-
ção de cuidador. O percurso trilhado pelos dois é de aprendizagem mútua. Driss 
contribui para a retomada da identidade e da autoestima de Philippe a partir de 
um trabalho que mostra o cuidado com as deficiências, mas também uma atenção 
ímpar com as potencialidades envolvidas.
Comentário: mesmo os filmes indicados não tendo um foco direto no design de 
inclusão e na usabilidade, pode-se extrair estes aspectos por meio dos detalhes do 
filme. O designer, além de prestigiar a história, deve também apreciar os detalhes 
e aprender com eles, tanto no primeiro filme que aborda a deficiência visual como 
no segundo que aborda a deficiência física.
Indicação para Assistir
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14
104 
referências
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9241-11: 
Requisitos ergonômicos para trabalho de escritório com computadores. 
Parte 11. Orientações sobre usabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 2002.
BARBOSA, A. F. Avaliação da Influência do Mobiliário Escolar na Postu-
ra Corporal em Alunos Adolescentes. 2009. 208 f. Dissertação (Mestrado 
em Engenharia de Produção e Sistemas) - Escola de Engenharia, Universi-
dade do Minho, Portugal, 2009. Disponível em: http://repositorium.sdum.
uminho.pt/handle/1822/10775. Acesso em: 23/10/2018.
IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2005.
JARDIM, S. R. Avaliação do conforto do ônibus urbano: estudo de caso 
no Distrito Federal. 2002. 86 f. Dissertação (Mestrado em Transportes) - 
Faculdade em Tecnologia, Universidade de Brasília, Brasília, 2002. 
JORDAN, P. An Introduction to Usability. London: Taylor & Francis, 
1998.
MARTINS, S. B. Ergonomia e moda: repensando a Segunda Pele. In. PI-
RES, D. B. (Org.). Design de Moda: olhares diversos. Barueri: Estação das 
Letras e Cores Editora, 2008. 
NAPIER, J. A mão do homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.
NULL, R. I. Universal design directives for the workplace. In: CONGRES-
SO DA INTERNATIONAL ERGONOMICS ASSOCIATION, 12., 1993 
Toronto. Anais... Toronto. v. 3, p. 211-212.
RAZZA, B. M. Ergonomia. Maringá: UniCesumar, 2016.
STANTON, N. Human factors in consumer products. London: Taylor & Francis, 
1998.
Referência on-line
1Em: http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/o-
-que-iso.asp. Acesso em: 21 mar. 2019.
2Em: https://www.reliza.com.br/3-produtos-ergonomicos-que-voce-deve-
ria-estar-utilizando/. Acesso em: 21 mar. 2019.
http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/10775
http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/10775
http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/10775
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 105
gabarito
1.C
2. A
3. E
4. B
5. D
Professora Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Berbel
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Iluminação e Cores
• Ruídos e Vibrações
• Ergonometria
• Ergonomia e Mobiliário
• Estudo de Caso
Objetivos de Aprendizagem
• Detalhar a utilização ergonômica de iluminação e cores para composição 
de um ambiente mais agradável.
• Detalhar os malefícios de ruídos e vibrações em ambientes e propor 
melhorias.
• Explicar o conceito e aplicação da ergonometria em ambientes internos.
• Detalhar a utilização da ergonomia e antropometria no projeto e na 
composição do mobiliário.
• Apresentar um ambiente com ergonomia e antropometria aplicada.
ERGONOMIA APLICADA 
NO AMBIENTE
unidade 
IV
INTRODUÇÃO
O
lá, caro(a) aluno(a), neste capítulo, discutiremos sobre detalhes impor-
tantes que devemos levar em consideração na construção de um ambien-
te, seja ele residencial seja comercial, porém, sempre pensando na im-
plantação da ergonomia para otimizar o espaço como um todo.
Devemos sempre pensar que uma ferramenta ou um ambiente devem ser adequa-
dos ao uso humano, para que o homem não modifique suas formas corporais ou suas 
medidas de conforto para se encaixar em um ambiente ou produto desconfortável, 
pois isso pode custar sua saúde e seu bem-estar.
Assim, será detalhada a utilização ergonômica de iluminação e de cores que com-
põem um ambiente, os tipos de iluminação, quantidade de Lux, importância de sua 
aplicação correta bem como o uso de cores na iluminação e no ambiente a fim de 
otimizar sensações psíquicas.
Serão detalhados também todos os malefícios do ruído e das vibrações no corpo 
humano, além de relatar algumas maneiras de minimizar este desconforto, trazendo 
ao indivíduo mais qualidade de vida e diminuindo seus riscos à saúde.
Veremos, também, a ergonometria, que se dá pela relação do homem com o 
espaço, analisando características físicas, psicológicas e fisiológicas. Estes conceitos 
serão explicados, bem como suas formas de aplicações para melhor compreensão 
dos espaços, pois o espaço que uma pessoa ocupa, às vezes, será considerado senta-
do, às vezes, considerado em pé, andando, entre outras posições. Por isso, para cada 
tipo de espaço e para cada tipo de mobiliário deve ser pensado, cuidadosamente, 
suas formas de uso e suas necessidades de mobiliário para melhor adequação do 
usuário ao espaço projetado.
Para facilitar a compreensão dos itens apresentados, será apresentado, ao fi-
nal, um estudo de caso para que você compreenda melhor as formas de aplicação 
da ergonomia no design de interiores, além de poder visualizar a sua impor-
tância e quanto ela pode otimizar um ambiente e melhorar a qualidade de vida 
do usuário, priorizar seu bem-estar, sua saúde e, consequentemente, melhorar a 
produtividade do indivíduo.
110 
ERGONOMIA 
Iluminação 
e Cores
Caro(a) aluno(a), iniciamos nossa quarta unidade 
de Ergonomia e, aqui, abordamos a iluminação, os 
efeitos fisiológicos da iluminação, as características 
das cores e suas aplicações.
A lâmpada incandescente foi inventada em 
1878, por Thomas Edison (1847-1931). Esta inven-
ção foi uma das que mais contribuiu para o aumento 
da produtividade humana, pois aumentou 4 horas 
diárias de vida ativa para a população mundial. Isso 
porque, antes, utilizavam-se a iluminação natural e 
as lamparinas (IIDA, 2005). O correto planejamento 
da iluminação e das cores contribui o aumento da 
satisfação no trabalho e a melhoria da produtivida-
de, além de reduzir a fadiga e os acidentes.
Várias disciplinas no design abordam a ilumi-
nação, porém o olhar da ergonomia vai de acordo 
com seus princípios, que são: conforto, segurança, 
bem-estar, otimização do espaço, entre outros. O ní-
vel de iluminamento interfere, diretamente, no me-
canismo fisiológico da visão e na musculatura que 
comanda os movimentos dos olhos. Alguns fatores 
influenciam na capacidade de discriminação visual, 
como faixa etária, diferenças individuais, quantida-
de de luz, tempo de exposição e contraste entre figu-
ra fundo (IIDA, 2005).
A iluminação também influencia nos aspectos 
psicológicos, pois aumenta a satisfação das pesso-
as até o nível de 400 lux. Passando esta quantidade, 
 111
 DESIGN 
além de aumentar a satisfação, pode provocar ofus-
camento e fadiga visual. Além disso, luz uniforme 
provoca monotonia, enquanto as suas variações são 
estimulantes. 
A luz solar traz diversos benefícios à saúde, porém 
apresenta variações tanto na intensidade como em 
sua composição espectral, provocando contínuas al-
terações da paisagem durante o dia e com diferentes 
níveis de iluminamentos.
A luz solar proporciona alívio visual e contribui 
com o equilíbrio psicológico, por isso muitas pesso-
as preferem trabalhar perto de janelas, para manter 
este contato com o mundo exterior. Outras pessoas 
acreditam que a luz solar seja mais saudável que a 
luz artificial, porém as janelas são fontes de calor, e 
a incidência da luz solar direta pode provocar fortes 
ofuscamentos e reflexos nas telas de monitores e ou-
tras superfícies refletoras. Para que isso não ocorra, é 
necessário realizar um projeto adequado das edifica-
ções e do layout interno das instalações (IIDA, 2005). 
Você já ouviu falar na Lâmpada Centenária?
Trata-se de uma lâmpada instalada em 1901, 
na Califórnia (EUA), para iluminar 24 horas a 
Unidade dos bombeiros da cidade de Liver-
more. Desde então, segue iluminando o local, 
somando mais de 1 milhão de horas de uso. 
De acordo com o site da BBC, a lâmpada pas-
sou apenas 22 minutos de sua longa história 
desligada - quando a Unidade dos bombeiros 
mudou de endereço. 
Para saber mais, leia a matéria na íntegra 
disponível em: https://www.bbc.com/portu-
guese/geral-44612144.
SAIBA MAIS
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144
https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144
112 
ERGONOMIA 
A iluminação do ambiente deve ser, cuidadosamen-
te, planejada desde as etapas iniciais do projeto, 
aproveitando, adequadamente, a luz natural e suple-
mentando com luz artificial, sempre que necessário. 
O uso da luz natural minimiza gastos energéticos, 
porém a incidência direta da luz deve ser evitada, 
pois provoca perturbações visuais e, quando incide 
em paredes envidraçadas, tende a aquecer o ambien-
te, provocando uma espécie de efeito estufa.
No Brasil, existe uma norma relacionada à ilumi-
nação do ambiente, a ABNT NBR 5413, que se refe-
re à iluminância, ou seja, a quantidade de luz de um 
A má iluminação pode gerar diversos proble-
mas a uma empresa, desde perda de vendas 
à expulsão da clientela. Imagine o grande pro-
blema que um designer poderia causar a uma 
empresa, caso não levasse em consideração 
a importância da iluminação no ambiente.
(Miriam Gurgel).
REFLITA
ambiente, de acordo com a exigência visual de cada 
atividade a ser desenvolvida no espaço (IIDA, 2005).
A Tabela 1 apresenta algumas recomendações de 
iluminância para ambientes e atividades.
Em experimento realizado em laboratório, a 
mesma tarefa foi realizada com diferentes níveis de 
iluminamento, entre 10 a 2000 Lux. Conforme o 
iluminamento foi aumentando, o tempo para desen-
volver a tarefa foi diminuindo. Com 10 Lux, o tempo 
de tarefa foi de 90 segundos. Quando o iluminamen-
to chegou a 200 Lux o tempo de tarefa caiu para 35 
segundos, ou seja, 39% do inicial. Porém, mesmo o 
Tabela 1- Recomendação de iluminância para ambientes e atividades
Ambiente ou atividade Quantidade de lux mínima recomendada
Sala de espera 100Garagem, residência e restaurante 150
Depósito e indústria pesada 200
Sala de aula 300
Lojas, laboratórios e escritórios 500
Sala de desenho (trabalho de precisão) 1000
Serviços de alta precisão (sala cirúrgica) 2000
Fonte: ABNT NBR (1992, on-line).
 113
 DESIGN 
iluminamento chegando a 2000, não houve redução 
de tempo na execução, o que comprovou que o au-
mento de iluminamento acima de certo nível crítico 
é desnecessário, além de desperdiçar energia. É im-
portante salientar que, acima de 1000 Lux, favore-
ce-se o aparecimento de fadiga visual (IIDA, 2005).
Um bom sistema de iluminação, com o uso 
correto de cores e a criação dos contrastes, pode 
produzir um ambiente agradável, principalmen-
te, comercial, onde as pessoas trabalham de forma 
confortável, com pouca fadiga, pouca monotonia e 
baixo risco de acidentes, além disso, produzem com 
maior eficiência.
FADIGA VISUAL 
Quando a iluminação não é apropriada, pode causar 
fadiga visual no indivíduo, que se caracteriza pela 
irritação nos olhos, lacrimejamento, aumento da 
frequência de piscadas, a visão vai ficando borrada e 
se duplica, desta forma, estes fatores diminuem a efi-
ciência visual. Em um grau mais avançado, provoca 
dores de cabeça, náuseas, depressão e irritabilidade 
emocional. Como consequência, há quedas do ren-
dimento e da qualidade do trabalho.
Para prevenção da fadiga visual, deve haver um 
cuidadoso planejamento de iluminação, asseguran-
do a focalização do objeto a partir de uma postura 
confortável cuja luz deve ser planejada também para 
não criar sombras, ofuscamentos, reflexos indese-
jáveis. Além da iluminação adequada do objeto, a 
iluminação do fundo deve permitir um descanso vi-
sual durante as pausas e aliviar o mecanismo de aco-
modação, por isso, recomenda-se pausas frequentes, 
mesmo de curta duração, como 5 minutos a cada 1 
hora ou 1 minuto a cada 10 minutos de trabalho. O 
tempo da pausa e a frequência são definidos a partir 
da complexidade do trabalho e de seus riscos refe-
rentes à saúde, nesse caso, em específico, a saúde vi-
sual (IIDA, 2005).
114 
ERGONOMIA 
Ofuscamento
Ofuscamento refere-se à redução da eficiência vi-
sual que pode ser provocado por alguns objetos ou 
superfícies que contenham grande luminância, no 
campo visual, à qual os olhos não estão adaptados. 
Ele é produzido pelo sol, pelas janelas, pelas lâmpa-
das no campo visual ou, até mesmo, por reflexos no 
campo polido. Um caso comum de ofuscamento é 
produzido por faróis de carros na direção contrária, 
quando se dirige à noite (IIDA, 2005) .
Existe a técnica chamada Pomodoro, desen-
volvida, em 1988, pelo italiano Francesco Ci-
rillo. Trata-se de um método de gestão de 
tempo que pode ser aplicado para diversas 
tarefas, seja nos estudos seja no trabalho, 
a fim de otimizar o tempo de estudo e de 
tarefas. Geralmente, é voltada para pessoas 
procrastinadoras, ou seja, que têm tendência 
a adiar suas atividades.
Pomodoro significa tomate, em italiano. A 
fruta faz alusão ao tempo durante o qual você 
pode fazer determinada tarefa. Cada pomo-
doro é dividido em quatro pomodoros, que 
equivalem a 30 minutos, somando o total de 
2 horas por pomodoro. Primeiro, você realiza 
uma atividade durante 25 minutos e, quan-
do acabar o tempo, descansa por 5 minutos, 
assim, sucessivamente até que complete as 
duas horas. Ao fim, como recompensa, você 
pode descansar mais 30 minutos.
Esta técnica é interessante por propor inter-
valos em que seu cérebro terá tempo para se 
reorganizar e guardar as informações obtidas, 
resultando em um aumento de aprendiza-
gem, concentração e produtividade.
Fonte: Guia do Estudante (2017, on-line)1.
SAIBA MAIS
Quando não for possível eliminar ou recobrir a fonte 
luminosa, pode-se aumentar o nível de iluminação 
do ambiente para reduzir o contraste, ou seja, quanto 
mais escuro for o ambiente geral, maior será a vul-
nerabilidade dos olhos ao ofuscamento. Um exemplo 
dá-se nos túneis, que devem se manter mais claros 
durante o dia, pois os olhos estarão adaptados à clari-
dade ambiental, maior antes de adentrarem ao túnel. 
O ofuscamento pode ocasionar desde desconfor-
to, provocado pela atividade do músculo que controla 
a abertura da íris, ou seja, a dilatação e a contração 
quando em variações de claro e escuro, até cegueiras 
temporárias, que podem durar alguns segundos. Elas 
ocorrem quando luzes muito intensas surgem, repen-
tinamente, no campo visual. O ofuscamento pode ser 
direto ou indireto, o direto ocorre no campo visual, e o 
indireto é causado por reflexão (IIDA, 2005).
Para a melhor adequação do homem ao ambiente, é 
preciso reduzir o ofuscamento, para isso, a medida mais 
eficaz é eliminar a fonte de brilho do campo visual e, 
quando isso não for possível, deve-se mudar a posição 
do trabalhador, de forma que este ofuscamento fique de 
lado ou de costas para ele, também pode ser reduzido 
com o uso correto de iluminação direta e indireta. 
 115
 DESIGN 
APLICAÇÃO DAS CORES NO AMBIENTE 
DE TRABALHO 
O correto planejamento de cores em ambientes de 
trabalho tem resultados que afetam o psicológico do 
trabalhador, produz economia de até 30% no consu-
mo de energia e aumenta a produtividade, chegan-
do em 80% ou 90%. Para isso, deve-se aplicar cores 
claras em grandes superfícies, com contrastes ade-
quados para identificar objetos, associado a um bom 
projeto de iluminação (IIDA, 2005).
Existem estudos diversos que comprovam a 
influência das cores no desempenho humano, um 
exemplo se deu em uma fábrica de produtos foto-
gráficos, onde o processo de fabricação exigia o uso 
de luzes especiais. Diversos problemas disciplinares 
que ocorriam nesta fábrica com frequência desapa-
receram depois que as luzes vermelhas das salas fo-
ram trocadas pelas verdes (IIDA, 2005).
As cores remetem ao indivíduo uma infinidade 
de sensações. Desse modo, a iluminação adequada 
pode resultar na sensação esperada, no aumento 
da produtividade, no conforto visual e psíquico, na 
percepção da higiene e, até mesmo, na diminuição 
do consumo de energia, entre outros inúmeros be-
nefícios associados à iluminação, às cores e à ergo-
nomia. Entretanto algumas cores também são utili-
zadas de maneira que chamem a atenção e facilite a 
compreensão do produto. Existem diversas normas 
que regulamentam o uso de cores, como a norma 
NBR 6503/1984 que fixa a terminologia das cores 
(IIDA, 2005).
Já a norma NBR 7195/1995 apresenta recomen-
dações para o uso das cores na segurança, com o in-
tuito de prevenir acidentes e advertir contra o risco 
do produto, para isto, segundo Iida (2005) , existem 
8 cores de uso padronizado que são:
116 
ERGONOMIA 
Usado em equipamentos de proteção e combate ao incêndio, inclusive, saída de 
emergência. Também é usada para indicar proibição e parada obrigatória.
Indica "segurança" indicando caixas e equipamentos de primeiros socorros, macas, chuvei-
ros de segurança e quadros para exposição dos cartazes de segurança. Pode ser usado em 
faixas para delimitar áreas de segurança e áreas de vivência (fumantes, descanso).
Indica uma ação obrigatória, como o uso de EPI (equipamento de proteção individual), 
também indica equipamentos fora de serviço que não devem ser energizados ou 
movimentados.
Indica "perigo" em partes móveis e perigosas em máquinas e equipamentos, como 
polias, engrenagens e tampas de caixas protetoras. Também é usado em equipamentos 
de salvamento aquático, como boias e coletes salva-vidas.
Usado para indicar perigo provenientes das radiações eletromagnéticas penetrantes e 
partículas nucleares. 
Identifica os coletores de resíduos, exceto aqueles originários do serviço de saúde.
A cor amarela indica "cuidado" em escadas vigas, pilastras, postes, partes salientes em 
estruturas, bordas perigosas, equipamento de transporte e de movimentação de 
materiais. Pode ser misturado com listras ou quadrados pretos, mas somente até 50%.
Usado nas faixas ou setas para demarcar corredores e locais onde circulam, exclusiva-
mente, pessoas.Também é usado nas áreas em torno dos equipamentos de emergência, 
primeiros socorros e coletores de resíduos.
Figura 1 - Uso padronizado de cores
Fonte: Iida (2005).
Deve-se tomar cuidado para aplicar estas cores, 
colocando de fundo cores contrastantes, ou seja, 
o fundo branco para cores escuras e o fundo preto 
para contrastar as cores claras. Além desta nor-
ma, existem outras que tratam de cores para sina-
lizações bem específicas, como a NBR 6493/1994, 
que indica as cores das tubulações para canaliza-
ção de fluidos, material fragmentado e conduto-
res elétricos (IIDA, 2005).
Antes de aplicar a iluminação e as cores nos am-
bientes, é preciso se certificar das normas, dos sig-
nificados psicológicos das cores, da utilização do 
espaço e da necessidade de iluminação, além dos 
objetivos do projeto em si.
 117
 DESIGN 
Agora, entenderemos um pouco o que é o ruído e a 
vibração e o quanto podem ser prejudiciais à saúde 
do indivíduo. Uma das grandes fontes de tensão no 
ambiente de trabalho são as condições desfavorá-
veis, como ruídos e vibrações. Estes fatores causam 
desconforto, aumentam riscos de acidentes e podem 
provocar danos consideráveis à saúde.
RUÍDO
Tanto o som como o ruído são estímulos auditivos, o 
que os difere é que o ruído não transmite informações 
úteis. Porém este conceito é subjetivo, pois um som 
pode ser desejável para um e indesejável para outro, 
da mesma forma, o mesmo som pode ser desejável 
ou indesejável para a mesma pessoa, o que difere é a 
ocasião (RAZZA, 2016). Um exemplo é a música que 
diverte quem está na festa, e incomoda os vizinhos, 
desta forma, define-se como um som para quem está 
na festa e como um ruído para os vizinhos. Mesmo os 
vizinhos gostando da música, o que difere é a ocasião.
Os ruídos podem ser contínuos ou intermiten-
tes. Os contínuos, como o próprio nome já diz, são 
aqueles que perduram com a mesma característica 
por um longo período, por exemplo, ventiladores, 
ar-condicionado, que permanecem constantes por 
um longo período. Enquanto os intermitentes têm a 
duração muito curta e com variação de intensidade, 
como um telefone tocando, um objeto caindo, algu-
mas conversas altas, entre outros.
Ruídos e 
Vibrações 
118 
ERGONOMIA 
Existem limites de ruídos que são considerados 
inofensivos à saúde, sendo considerados apenas in-
comodativos, enquanto outros são considerados 
tanto prejudiciais como incomodativos.
Os ruídos de até 50 dB são considerados bai-
xos e, normalmente, não atrapalham, porém 
entre 50 dB e 80 dB, já são considerados in-
cômodos e passam a atrapalhar a concen-
tração, a comunicação e causam irri-
tabilidade. A partir de 85 dB, pode 
levar à surdez, por isso, é preciso 
usar equipamentos de EPI. Aci-
ma de 120 db, o som pode 
se tornar doloroso 
(MÁSCULO; VI-
DAL, 2011). 
Figura 2 - Nível de ruído por atividade
Fonte: Prosek ([2018], on-line)2. 
Os ruídos podem causar diversos problemas à saú-
de do usuário. Os mais intensos tendem a prejudicar 
tarefas que exigem atenção, concentração, velocida-
de e precisão. Os resultados pioram após duas horas 
de exposição. O ruído produz aborrecimento, pois 
força o indivíduo a interromper a tarefa ou a deixar 
de fazer o que gostaria de fazer, como dormir, con-
versar normalmente, resultando, assim, em tensões 
e dores de cabeça (IIDA, 2005).
Trabalhar sob ruído constante pode levar ao sur-
gimento de estresse, irritabilidade, dores de cabeça, 
falta de concentração, redução da capacidade da me-
mória de curta duração, podendo, inclusive, atrapa-
lhar a execução de movimentos. Além disso, ruídos 
 119
 DESIGN 
intensos atrapalham a conversação, sendo necessário 
falar mais alto e prestar mais atenção para compre-
ender e ser compreendido. Para o bem-estar do tra-
balhador e/ou morador, é necessário protegê-lo do 
ruído para evitar as consequências nocivas da sua ex-
posição contínua. Para que isso seja possível, existem 
algumas possibilidades de minimização de ruído.
Uma das opções para minimizar o ruído em uma 
fábrica seria a troca de maquinários muito barulhen-
tos para maquinários mais silenciosos, ou substituir 
alguns materiais da composição da máquina por 
outros materiais menos ruidosos. Quando o equi-
pamento não pode ser trocado, pode-se pensar em 
uma forma de isolar a fonte, ou seja, manter o motor 
do equipamento ou apenas o equipamento ruidoso 
protegido dentro de uma cabine, desta forma, seu 
ruído não afetaria todas as pessoas envolvidas no 
ambiente.
Pode-se, também, remover o trabalhador do 
ambiente de ruído por meio de alterações no layout 
da fábrica, ou adotar controles administrativos que 
partem do conceito de ergonomia de conscientiza-
ção, pois alerta o trabalhador sobre os efeitos dano-
sos do ruído e os submete a treinamentos para que 
eles possam evitar exposições desnecessárias. E, em 
último caso, quando nenhuma das soluções anterio-
res ou, até mesmo, outras possibilidades funciona-
rem, aí sim, faz-se uso dos protetores auriculares. 
VIBRAÇÃO 
Vibração é qualquer movimento que o corpo ou 
parte dele executa em torno de um ponto fixo, po-
dendo ser regular ou irregular. O regular dá-se pela 
vibração repetitiva suave, enquanto o irregular não 
segue nenhum padrão, como, por exemplo, dirigir 
em uma estrada de terra. 
Nosso corpo sofre vibrações diárias nos meios de 
transportes, como ônibus e trens, mas nem todas as 
vibrações são prejudiciais. Algumas ferramentas ma-
nuais, como furadeiras, grampeadores, martelos elé-
tricos e pneumáticos, também produzem vibrações, 
porém estas são localizadas nos braços e mãos, o que 
produz isquemias e dores localizadas. Esta exposição, 
quando contínua, pode produzir lesões irreversíveis. 
Efeito das vibrações sobre o organismo
O efeito da vibração direta com o corpo pode ser 
extremamente grave e pode danificar, permanente-
mente, alguns órgãos. Pode ocasionar, também, efei-
tos fisiológicos e psicológicos sobre o trabalhador, 
como perda de equilíbrio, falta de concentração e 
visão turva, diminuindo, assim, a acuidade visual. 
Nos trabalhadores florestais, que usam moto-serra, 
ocorre uma degeneração gradativa do tecido vascu-
lar e nervoso, causando perda da capacidade mani-
pulativa e o tato das mãos, o que dificulta o controle 
120 
ERGONOMIA 
rências na fala, confusão visual, tudo isso por conta 
de sua vibração. Além disso, a exposição contínua do 
indivíduo pode resultar em lesões da coluna verte-
bral, desordem gastrointestinal e perda do controle 
muscular de algumas partes do corpo (IIDA, 2005). 
Algumas providências podem ser tomadas para 
que as consequências das vibrações sejam minimi-
zadas. Assim como na prevenção do ruído, deve-se 
eliminar ou isolar a fonte, proteger o usuário e/ou 
conceder pausas.
• Eliminar a fonte: é importante tentar redu-
zir a vibração junto à fonte, entender de onde 
surge e tentar eliminar, ou minimizar. Em 
alguns casos, as vibrações podem ser elimi-
nadas por meio do uso de lubrificantes nas 
motor. Em casos extremos, a circulação do sangue 
dos dedos é afetada, deixando-os brancos e podendo 
ocasionar necrose (IIDA, 2005).
Estamos expostos às vibrações e correndo os 
riscos dos seus danos, porém nem todas as vibra-
ções são prejudiciais, é preciso ter conhecimento da 
intensidade da vibração e do tempo que se está ex-
posto a ela. Além disso, é preciso verificar se surgem 
alguns sintomas, caso ocorram, é preciso buscar so-
luções para controlar a vibração.
Uma vibração intensa, transmitida por ferramen-
tas manuais, espalha-se pelas mãos, braços e corpo 
do indivíduo, podendo causar dormência dos dedos 
e perda de coordenação motora. Diversas máquinas 
utilizadas nas indústrias provocam enjoos, interfe-
 121
 DESIGN 
máquinas, manutenções periódicas ou colo-
cação de calço de borracha e outros mecanis-
mos de amortecer vibrações.
• Isolar a fonte: quando não for possível elimi-
nar, deve-se tentar manter a fonte de vibra-
ção longe do indivíduo para evitar o contato 
direto do indivíduo. Este afastamentopode 
ser físico, colocando a fonte longe do indiví-
duo ou, então, pode-se utilizar um material 
isolante para enclausurar a fonte de vibração. 
Em ferramentas manuais, pode-se utilizar re-
vestimentos isolantes nas pegas, como borra-
cha ou espuma de plástico.
• Proteger o trabalhador: quando as opções 
anteriores não são suficientes, deve-se prote-
ger os indivíduos com equipamentos, como 
botas e luvas que ajudam a absorver a vibra-
ção. Neste caso, deve-se tomar muito cuida-
do, pois os materiais de proteção, geralmente, 
são incômodos e não atendem a todas as fai-
xas de frequência de vibração, por isso, deve 
ser profundamente estudado.
• Conceder pausas: quando a vibração for con-
tínua, deve-se conceder pausas, por exemplo, 
10 minutos para cada hora de trabalho, as-
sim, evita-se a exposição contínua à vibração.
Assim, como em todas as áreas que a ergonomia 
defende, deve-se ter um profundo conhecimento 
de cada caso, pois cada vibração pode causar um 
sintoma diferente, dependendo da intensidade e do 
tempo de exposição. Por isso, é necessário conhecer 
a atividade, conhecer o limite dos trabalhadores e 
aplicar a melhor solução para dar segurança, prio-
rizar a saúde, bem-estar e o conforto do indivíduo.
122 
ERGONOMIA 
Caro(a) aluno(a), neste tópico, abordaremos a Ergo-
nometria, sua relação e importância no design de inte-
riores, que busca a melhoria do espaço a ser habitado.
Ergonometria trata da ciência que busca me-
lhorar a relação entre o homem e o meio ambiente, 
analisando características físicas, psicológicas e fi-
siológicas de um povo, além das distâncias e dos es-
paços necessários para eles. Desta forma, trataremos 
como ergonometria as medidas mínimas para que a 
pessoa desenvolva suas atividades sem comprometi-
mento com o espaço ao redor, dando a ela conforto e 
facilidade de locomoção (GURGEL, 2007).
Em um projeto de design de interiores, devemos, 
inicialmente, entender todas as formas de utilização de 
cada ambiente a ser projetado, porém não levamos em 
consideração apenas medidas físicas, e sim medidas 
de conforto. Por exemplo, fazer a leitura de um livro 
representará muito mais que escolher um lugar para 
sentar e ler um livro, deve-se ponderar alguns detalhes, 
como: a poltrona a ser utilizada deve ter boa adaptação 
à pessoa que lerá, deve-se considerar a área ao redor 
para que seja possível reclinar a poltrona, caso tenha 
esta função ou, então, para incluir uma mesa de apoio. 
A iluminação também deve ser bem estudada para que 
seja aplicada na quantidade de lux adequada, no local e 
na altura apropriados para beneficiar a saúde do leitor. 
Deve-se optar pelos materiais mais confortáveis para 
desenvolver esta atividade, para que não atrapalhe na 
concentração e que se torne uma atividade produtiva e 
prazerosa (GURGEL, 2007).
Ergonometria
 123
 DESIGN 
Desse modo, quando determinamos uma área 
para desenvolver um ambiente, devemos considerar 
seu redor, não apenas os espaços que as mobílias ocu-
pam, pois é necessário desenvolver as atividades no 
entorno delas. Essas medidas aplicadas ao redor va-
riam de acordo com o tipo de mobília que se utiliza 
no ambiente. São inúmeros os modelos de sofás, pol-
tronas, mesas de centro, mesas laterais e aparadores, 
cada um apresenta dimensões diferentes dos outros.
As medidas de espaços variam se nos referirmos 
a pessoas sem nenhuma dificuldade de locomoção 
ou a pessoas que utilizam aparelhos assistivos para 
se locomover. As medidas variam também se nos re-
ferirmos a espaços onde necessitam de movimentos 
de alcances para pegar algo ou, até mesmo, se o es-
paço é composto por mobiliários com gavetas.
A distância das mesas de centro aos assentos 
não pode ser menor que 50 cm, isso quando hou-
ver realmente problemas com espaço, pois a medida 
aconselhada é de 60 cm, não ultrapassando 70 cm 
para que as pessoas não tenham que se levantar para 
utilizar a mesa (GURGEL, 2007).
A distância de um aparador para a mesa deve 
ser de, no mínimo, 120 cm a 130 cm, caso tenha que 
ter acesso a ele durante o jantar, evitando, assim, o 
incômodo das pessoas durante a refeição. 
Para montar um espaço, aplicando a ergonome-
tria, deve-se calcular a medida dos móveis além da 
medida do conforto, ou seja, calcula-se a medida da 
mesa de jantar, das cadeiras ocupadas e a circulação 
ao redor desta mesa. A falha ocorre quando se ten-
ta colocar uma mesa maior que o espaço comporta 
com sua medida de conforto. Por exemplo, colocar 
uma mesa no espaço, considerando o fluxo apenas 
com as cadeiras desocupadas, pode gerar desconfor-
to quando estas estiverem ocupadas e alguma pessoa 
tentar transitar ao redor da mesa, forçando que pes-
soas se locomovam ou se retirem para que o indiví-
duo passe pelo local.
Neste caso, talvez fosse melhor optar por uma 
mesa menor e garantir o conforto dos que estão sen-
tados e dos que, por algum motivo, necessitam sair 
da mesa durante a refeição.
Este cuidado de projetar um espaço pensando nas 
diversas formas de utilização deve ser considera-
do em todos os ambientes, tanto nos residenciais 
quanto nos comerciais. E, quando o ambiente for 
pequeno e tiver que acomodar algumas exigências, 
deve-se, então, usar a criatividade para atingir a ex-
pectativa do cliente. Desta forma, aplica-se princí-
pios ergonômicos como segurança, conforto, bem-
-estar e qualidade no uso do ambiente.
124 
ERGONOMIA 
A ergonomia precisa ser pensada e aplicada em todas 
as circunstâncias, inclusive na escolha do mobiliário. 
Deve-se levar em consideração suas medidas, suas 
funções, sua matéria-prima, suas diferentes possibili-
dades de usos, de adequação ao usuário, entre outros. 
Assim como tudo o que se aplica na ergonomia, deve-
-se priorizar o conforto, a segurança, a saúde e a satis-
fação do usuário, bem como a melhoria da eficiência. 
A escolha e a distribuição do mobiliário são eta-
pas-chave num bom resultado do projeto cuja sele-
ção deve ser coerente com a proposta preferida, des-
de o tipo de distribuição dos móveis até o modelo de 
cada peça (GURGEL, 2005). Para se avaliar um bom 
design de mobiliário, é necessário julgar, principal-
mente, suas características funcionais, tecnológicas, 
seu material, acabamento e sua durabilidade, além 
de suas características estéticas, entre outros tantos 
fatores envolvidos nesse processo.
Ergonomia 
e Mobiliário
Ao escolher o mobiliário para um projeto, leve 
em conta suas características ergonômicas, 
sua composição estrutural, seu impacto visual 
e psicológico e sua relação custo-benefício.
(Miriam Gurgel).
REFLITA
 125
 DESIGN 
É importante considerar que um ambiente deve ser 
habitado da melhor maneira pelo usuário, por isso, 
ao projetar o mobiliário do ambiente, deve-se pen-
sar de que forma as pessoas irão utilizá-lo. Pessoas 
sentarão, levantarão, circularão pelo ambiente, al-
cançarão objetos, abrirão gavetas, abaixarão, entre 
outras movimentações comuns que fazemos ao lon-
go do dia. Porém estas pessoas devem desenvolver 
estes movimentos com facilidade, de forma confor-
tável e sem dificuldade de locomoção, dessa forma, 
consequentemente, o farão mais dispostas. 
Os móveis, quando planejados, devem ser desenvolvi-
dos a partir de dados antropométricos da população, 
entretanto, quando o cliente tem alguma necessidade 
específica, como um tipo de deficiência ou até mesmo 
quando não se encaixa neste padrão antropométrico 
da população, então o designer deve projetar um mo-
biliário que atenda as suas especificidades.
Deve-se ter conhecimento de todas as pessoas 
que habitarão o espaço e, a partir disso, projetar um 
mobiliário com ajustes para se adequar a diferentes 
corpos, ou de uso específico, caso seja usado apenas 
por uma pessoa e que necessite de alguns cuidados 
característicos. Pode-se, também, aplicar no projeto 
do mobiliário novas possibilidade de usos, por exem-
plo, um produto que possa ser utilizado de mais de 
uma forma como mesas que viram prateleiras, banca-
das que viram mesas, sofás queviram camas etc. 
É também possível a criação de um produto 
que possa ser ampliado e reduzido, de acordo com 
a quantidade de pessoas que utilizará. Um exemplo 
dessa ampliação dá-se em alguns modelos de mesas 
de jantar que podem ser utilizadas por 6 pessoas e, 
quando necessário, pode ser ampliada para com-
portar mais pessoas, como 8, 10 ou até mais, depen-
dendo da proposta e necessidade. Isso faz com que 
se adéque a um número maior de usuários sem que 
ocupe grande espaço todo o tempo, tornando-se óti-
mas opções para espaços menores.
A partir do momento que o designer entende a 
necessidade dos usuários do ambiente, das possibi-
lidades de aplicações ergonômicas, do uso de dados 
antropométricos, das possibilidades de ajustes e da 
importância de preservar o conforto, então, é só usar a 
criatividade e desenvolver projetos mobiliários de for-
ma que atenda os usuários em seus espaços e resulte 
no bem-estar, satisfação e prazer no uso.
126 
ERGONOMIA 
Para melhor compreensão da ergonomia no design 
de interiores, será utilizado como estudo de caso 
um trabalho desenvolvido por Daniela Capri, da 
CESUSC (Complexo de Ensino Superior de Santa 
Catarina - Florianópolis), juntamente com Eliana 
Maria dos Santos Bahia e Adilson Luiz Pinto, ambos 
da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).
A pesquisa que será apresentada buscou anali-
sar a ergonomia real de uma Biblioteca Universitária 
de Florianópolis/SC e confrontá-la com a ergono-
mia percebida pelo usuário para realização de um 
diagnóstico ergonômico. Foram estabelecidos dois 
objetivos específicos: descrever os aspectos físico-
-ambientais da Biblioteca, vinculados à Ergonomia 
real e verificar a percepção dos usuários em rela-
ção à Biblioteca, com aspectos sobre a ergonomia e 
sua aplicação vinculados à Biblioteca Universitária. 
Analisaram-se, principalmente, as condições de ilu-
minação, ruído e temperatura.
Os pesquisadores optaram pela biblioteca uni-
versitária pela preocupação com a satisfação do 
usuário, no sentido dos serviços disponibilizados 
e do encontro da informação requerida. Aspectos 
ambientais da Biblioteca, que envolvem iluminação, 
temperatura, ruídos e sinalização, geralmente, são 
pouco questionados. Foram aplicadas as Normas 
regulamentadoras de Segurança e Saúde no Traba-
lho: NR17 - Ergonomia, publicada e adotada pelo 
Estudo 
de Caso 
 127
 DESIGN 
Ministério do Trabalho e Emprego e proposta uma 
correção ergonômica na biblioteca como um todo, 
nas salas de estudo, mobiliário, iluminação, tempe-
ratura, ruídos, disposição dos móveis, layout.
Após detalhada a metodologia, compreendeu-se 
todo o público que utilizava a biblioteca, desde En-
sino Fundamental, Médio, universitário e de pós- 
graduação. Depois disso, os pesquisadores fizeram o 
layout da biblioteca, como consta na Figura 3.
Análise físico-ambiental Análise da percepção Diagnóstico ergonômico
Descrição da localização física, da 
configuração ambiental e do layout da 
Biblioteca através de plantas arquite-
tônicas e observação do ambiente.
Análise dos questionários com 
usuários para identificação de 
imagem de Biblioteca.
Evidenciar os aspectos que conduzem 
à análise físico-ambiental em relação à 
análise da percepção do usuário.
Medição dos aspectos ergonômicos 
(iluminação, ruído, temperatura, umi-
dade) da Biblioteca através de apare-
lhagem adequada.
Análise dos questionários 
aplicados para identificação da 
percepção da ergonomia da 
Biblioteca analisada.
Verificar se a medição dos aspec-
tos ergonômicos (iluminação, ruído, 
temperatura, umidade) condiz com os 
indicados nas Normas de Ergonomia.
Aplicação do questionário com os 
funcionários para coletar dados sobre 
conforto ambiental.
Quadro 1 - Diagnóstico ergonômico do ambiente
Fonte: Capri (2011).
Figura 3 - Layout da biblioteca
Fonte: Capri (2011).
128 
ERGONOMIA 
Assim como podemos ver na imagem do layout, no 
hall de entrada, localiza-se o guarda-volumes e uma 
mesa para que os usuários retirem seus materiais, 
enquanto à direita da porta de entrada localiza-se o 
balcão de empréstimo e uma divisória, junto à qual 
se localiza o setor de tratamento técnico. À frente do 
balcão de empréstimos, ficam as mesas de estudo e, 
à esquerda das mesas, localiza-se o acervo, dividi-
do em setor de referência, acervo geral, literatura e 
DVD’s. À direita das mesas de estudo, está localiza-
do o setor de periódicos e mesa para jogo de xadrez. 
As duas salas de estudos coletivos estão localizadas 
em frente ao setor de periódicos e a de estudos indi-
viduais, ao fundo da Biblioteca.
No ambiente físico interno da Biblioteca, verifi-
ca-se que as paredes e o teto são pintados de branco, 
o que dá sensação de claridade, e, também, para au-
xiliar na claridade, existem janelas que ajudam a ilu-
minação natural. Em relação ao ambiente de uma bi-
blioteca, Costa, Ziegler e Rollo (1999) abordam entre 
outros os pontos em que devem: adaptar cabines de 
estudo individual; criar áreas de silêncio com devido 
isolamento acústico; uso de carpete e/ou pisos sintéti-
cos para abafar o barulho dos passos; posicionamento 
das mesas/balcões de trabalho distantes das áreas de 
silêncio; colocar cartazes convidando ao silêncio.
A estrutura da Biblioteca analisada, entretanto, 
não comporta espaços específicos para a distribui-
ção das estantes de acervo, do hall de entrada, do 
balcão de atendimento e das mesas de estudo, e as 
únicas salas separadas são as de estudo coletivo, in-
dividuais e o setor de tratamento técnico, porém este 
último sem isolamento acústico.
Falando ainda de isolamento acústico, as janelas 
de toda a Biblioteca não são vedadas, o que aumenta 
o ruído em momentos de intervalo e almoço, ain-
da mais que a Biblioteca localiza-se sobre a praça de 
alimentação e os corredores que são utilizados como 
áreas de lazer. Além disso, o piso de toda a Biblioteca 
é de cerâmica, o que não abafa o barulho dos pas-
sos e do arrastar das cadeiras dos usuários, fato que 
interfere na concentração. Segundo Silvestre (1992 
apud PEREIRA; SILVA; SALES; 2011), os ruídos 
chegam a provocar uma redução de até 60% da pro-
dutividade, por dificultar a concentração, propician-
do erros, desperdícios ou acidentes. Sendo assim, a 
soluc ̧ão está em utilizar as salas de estudos individu-
ais que possuem isolamento acústico.
Com relação aos funcionários, quando foram 
perguntados - “Quais aspectos do ambiente da Bi-
blioteca mais prejudicam o seu trabalho?”- as res-
postas obtidas foram: a) aspectos ergonômicos, em 
relac ̧ão à altura dos móveis, que não são adaptados 
para pessoas com estatura baixa; b) cadeiras, altura 
das estantes e iluminação durante o período notur-
no; c) desconforto nas cadeiras que ficam abaixando, 
sem controle prévio do usuário; d) equipamentos de 
informática mal instalados, mal adaptados e obsole-
tos; e) balcão de empréstimo junto ao ambiente de 
estudo; f) sistema de busca e indexação desatualiza-
do; g) falta de qualidade das ferramentas tecnológi-
cas utilizadas por funcionários e usuários.
Analisando as respostas dadas pelos funcio-
nários, verificam-se, novamente, várias caracte-
rísticas ergono ̂micas que não foram aplicadas na 
biblioteca, o que prejudica o bom rendimento do 
 129
 DESIGN 
trabalho e a qualidade de vida do trabalhador.
Na questão seguinte - “Você mudaria alguma 
coisa no ambiente da Biblioteca? Qual?”- as respos-
tas ve ̂m ao encontro dos aspectos que prejudicam 
o trabalho. Foram elas: a) modificaria a mobília do 
balcão de atendimento e melhoraria a iluminação 
deste local; b) modificaria as cadeiras e a ilumina-
ção; c) modificaria os equipamentos de informática; 
d) modificaria o local do balcão de atendimento; e) 
modificaria os terminais de consulta e o sistema de 
busca. Mediante os aspectos observados referentes à 
mobília da Biblioteca, principalmente, as cadeiras e 
o balcão de atendimento, a obsolescência dos equi-
pamentos tecnológicos e a iluminação do local,que 
apresentam certa insatisfação por parte da amostra, 
deveriam ser repensadas no ambiente de trabalho, 
uma vez que apenas uma pessoa pontuou que não 
modificaria nada.
A última questão relaciona-se a opinião dos fun-
cionários às mudanças que poderiam implicar me-
lhorias no desempenho profissional. As respostas 
foram: a) ajudaria a ter melhor postura corporal e 
a iluminação no trabalho com computador e leitu-
ra; b) melhoraria a qualidade de vida no trabalho; c) 
não houve sugestões de mudanças; d) melhoraria o 
rendimento profissional; e) melhoraria a concentra-
ção na hora de trabalhar; f) agilizaria o processo de 
atendimento e garantiria a aproximação do usuário 
com o sistema. Novamente, apenas uma pessoa não 
opinou sobre mudanças.
Ao analisar as sugestões de mudanças e as possíveis 
melhorias sugeridas pelos funcionários, pode-se per-
ceber que, além de um ambiente mais agradável para 
o trabalho, também os usuários seriam beneficiados, 
pois se estes aspectos ergonômicos estiverem bem es-
truturados e bem organizados, tanto o usuário quanto 
o funcionário poderão usufruir de melhores serviços.
Apenas para reforçar a compreensão com relação à 
ergonomia “[...] compreende a aplicação de tecnologia 
da interface homem-sistema a projeto ou modificações 
de sistemas para aumentar a segurança, conforto e efi-
ciência do sistema e da qualidade de vida” (MORAES; 
MONT’ALVÃO, 2000). Segundo a NR 17, o mobiliário 
do ambiente - iluminação, ruídos, ventilação e tem-
peratura são identificados como fatores ergonômicos, 
por isso, também foram medidos, analisados e repen-
sados neste projeto de correção ergonômica.
A medição da iluminação foi realizada com um 
luxímetro, a cerca de 80 cm de altura do piso, quan-
do a medição foi realizada onde não existiam mesas, 
e sobre as mesas de estudo, quando existiam, seguin-
do o estabelecido pela Norma NBR 5382. As medi-
ções foram feitas em 13 pontos da Biblioteca, sendo 
eles: P1, P2 e P3, localizados no hall de entrada; P4, 
P5 e P6, localizados na sala de estudos individuais; 
P7, na sala de estudos coletivos; P8, nas mesas do 
setor de periódicos. Nestes pontos, o aparelho de 
medição foi posicionado sobre as mesas de estudo; 
P9, no sofá de leitura; P10, no setor de referência; 
P11e P12 nas estantes. Nestes pontos, o aparelho foi 
posicionado a 80 cm do piso, que foi mantido sobre 
a mão da pessoa que estava realizando a medição. 
P13, no balcão de atendimento, onde o aparelho foi 
posicionado para realizar a medição sobre a parte 
mais baixa do balcão. Os pontos onde foram realiza-
das as medições são apresentados na figura a seguir:
130 
ERGONOMIA 
Os resultados obtidos com relação à medição de Lux 
do ambiente encontram-se na Tabela 2.
Figura 4 - Pontos de medição da biblioteca 
Fonte: Capri (2011).
Tabela 2 - Pontos de medição de iluminação
Fonte: Capri (2011).
Pontos da Biblioteca Medição (lux - unidade de medida) Recomendação NBR5413 - Norma de iluminação
Horário entre 19:15 e 19:30 (lux)
P1 274 500
P2 248 500
P3 136 500
P4 374 500
P5 180 500
P6 600 500
P7 260 500
P8 180 500
P9 290 500
P10 570 500
P11 334 300
P12 195 300
 131
 DESIGN 
Dentro de bibliotecas, a NBR10152 (níveis de ruídos 
para conforto acústico) recomenda que o nível de 
ruído esteja ente 35 e 45 dB, o que estaria apropriado 
para ambientes de estudo, os resultados obtidos na 
biblioteca avaliada constam na tabela 3.
Tabela 3 - Nível acústico da Biblioteca
Fonte: Capri (2011).
Observa-se, no quadro, que, em P1, onde estão loca-
lizadas as mesas de estudo e o balcão de empréstimo, 
o nível de ruído foi de 62 dB, sendo que o recomen-
dado pela Norma é de, no máximo, 45dB, mostrando, 
assim, que os alunos estão corretos quando apontam 
o ambiente como barulhento, pois, como já citado, a 
partir de 70 dB, o ruído atrapalha a concentração.
Na medição realizada no P2, verificou-se uma 
baixa de 10 dB, indicando o nível de ruído em 52dB. 
Neste ambiente, durante a medição, houve variação 
de 52dB, enquanto todos estavam em silêncio; 74dB, 
quando um aluno saiu da sala, mexeu cadeiras e ba-
teu a porta, após o silêncio se restabelecer, o nível 
voltou a 52dB. Porém, ainda, está acima dos valores 
estabelecidos pela Norma.
Os barulhos que mais incomodam os usuários são: 
conversas causadas pelos próprios usuários, som do 
salto dos sapatos, ruídos externos e barulho ao abrir 
e fechar a porta de entrada. Estes fatores estão direta-
mente ligados à primeira etapa do trabalho - a análise 
físico - ambiental, em que foi verificado que o piso não 
favorecia o silêncio, a localização do balcão de emprés-
timo e as mesas de estudo no mesmo ambiente preju-
dicavam a questão do silêncio, e, também, por estar em 
Pontos da 
biblioteca
Medição acústica Recomendação
P1 62 dB 35-45 dB
P2 52 a 74 dB 35-45 dB
cima da praça de alimentação e do local de integração 
dos alunos, o nível de ruídos é muito elevado.
Para verificar se a percepção dos usuários em rela-
ção à temperatura da Biblioteca, foram feitas medições 
dos ambientes, principalmente no P1 e P2. A medição 
foi realizada no final do mês de outubro de 2011, apro-
ximadamente, um mês após a aplicação dos questio-
nários. Não há grande oscilação de temperatura, pois 
o ambiente é climatizado, com aparelhos de ar condi-
cionado nas salas de estudos coletivos e individual e, 
também, no salão geral. Vale ressaltar que os usuários 
possuem liberdade de solicitar aos funcionários que 
liguem e desliguem os aparelhos de ar condicionado, 
tanto nas salas de estudos, quanto no hall.
As temperaturas obtidas na medição tanto no P1 
quanto no P2 estão em torno de 24°C. A recomen-
dação da NR17 é que o ambiente se mantenha entre 
20°C e 23°C para que o ambiente proporcione con-
forto para quem está utilizando a Biblioteca. Logo, 
24°C estaria dentro da faixa de temperatura consi-
derável e agradável para o conforto dos usuários, 
principalmente, se for considerado o questionário, 
em que ninguém está insatisfeito com a temperatura.
Ao realizar o diagnóstico ergonômico, os fatores 
analisados, como iluminação e ruído estão parcial-
mente de acordo com as normas estabelecidas pelos 
agentes regulamentadores. Em relação aos usuários, 
cinco pessoas num total quinze consideram a ilumi-
nação suficiente, e seis de quinze consideram que o 
ruído deveria ser melhor controlado.
Referente à divisão dos ambientes dentro da Bi-
blioteca, percebe-se que não existe separação entre 
o local do acervo, balcão de empréstimo e mesas de 
estudo. Esta ambientação deveria ser repensada, uma 
vez que o único local, onde os usuários podem obter 
maior aproveitamento de seus estudos, resume-se às 
salas de estudos individuais e salas de estudos coleti-
132 
ERGONOMIA 
vos. Quanto à ambientação da Biblioteca dentro da 
Universidade, esta se encontra em um local centrali-
zado, o que facilita o acesso dos alunos. No entanto, a 
questão do ruído – que constou como muito impor-
tante nesta pesquisa, é importante em relação a toda 
a comunidade de estudantes, usuários da Biblioteca, 
sendo que seis de quinze consideraram que o ruído 
deveria ser melhor controlado, principalmente, no 
que concerne a horários de intervalo, o que foi confir-
mado ao ser realizada a medição, quando foram obti-
das medidas bem acima das estabelecidas pela NR17. 
A maioria dos usuários e funcionários conside-
rou a temperatura adequada ao ambiente analisado, 
indo ao encontro do que foi verificado na medição 
realizada no local. Sobre a iluminação, embora a 
maioria da amostra de usuários tenha se mostrado 
satisfeita, apenas três lugares apresentaram medição 
superior ao indicado pela Norma.
Por meio do estudo de caso aqui apresentado, po-
de-se perceber como aplicar a ergonomia de correção 
e como utilizar corretamente todas as possibilidades 
de melhoria, ou seja, iluminação, ruído, temperatura, 
separação de ambiente, entre outros. E isso, com levan-
tamento de questões junto aos usuáriose funcionários 
e conhecimentos de normas regulamentadoras. Desta 
forma, obteve-se todas as informações necessárias para 
diagnóstico e correção do ambiente e, como sempre, 
visando ao conforto, à usabilidade, à acessibilidade, 
ao bem- estar e à melhor produtividade do indivíduo, 
tanto o trabalhador como o pesquisador. 
Compreende-se que os estudos de Ergonomia po-
dem auxiliar tanto os funcionários quanto os usuários 
da Biblioteca, pois estes, satisfeitos com o ambiente, 
podem produzir e trabalhar de forma mais adequada 
às suas necessidades. Os resultados obtidos por meio 
desta pesquisa podem servir na criação de Diretrizes 
de Política Ergonômica para bibliotecas.
 133
considerações finais
Caro (a) aluno (a), o quarto capítulo, aqui, apresentado discutiu sobre a Ergono-
mia no Design de Interiores, em que se pôde compreender todas as análises que 
devem ser desenvolvidas na concepção ou na correção de um ambiente, bem como 
a importância de cada aplicação e os malefícios de sua ausência.
A iluminação e as cores foram detalhadas para que pudéssemos compreender 
a importância de sua aplicação, pois sua ausência afeta, até mesmo, a saúde do 
usuário. Em contrapartida, quando bem aplicadas o conforto e a satisfação no 
uso, são percebidas facilmente. Foram relatados todos os malefícios dos ruídos 
e das vibrações além de detalhadas algumas formas de prevenir suas consequên-
cias danosas ao indivíduo, estas correções ergonômicas devem ser aplicadas para 
assegurar a saúde física e mental do indivíduo que está inserido nesta situação.
Ainda, com o propósito de melhorar o ambiente, foi compreendido o termo que 
se refere à ergonometria, ou seja, o espaço utilizado pelo usuário que vai além das 
medidas do seu corpo. Sendo assim, pudemos perceber diversos parâmetros que 
devemos levar em consideração na escolha e na organização do mobiliário no 
ambiente, seja ele comercial, seja residencial.
Para melhor compreensão e visualização das análises ergonômicas no ambiente, 
foi apresentado um estudo de caso de ergonomia de correção aplicado em uma 
biblioteca em Santa Catarina. O estudo de caso foi selecionado para este capítulo 
por abordar todos os parâmetros ergonômicos antes citados, como iluminação, 
cores, ruídos, vibrações, ergonomia de mobiliário, além de aspectos ergonômicos 
que são defendidos desde o início deste livro, como conforto, usabilidade, acessi-
bilidade, bem-estar, segurança do trabalhador e do usuário e, como consequência, 
um melhor rendimento.
Espero que tenham compreendido um pouco mais da ergonomia, sua importância 
e suas aplicações, porém, neste caso, um pouco mais específicas para o design de 
interiores.
134 
atividades de estudo
1. A lâmpada elétrica foi criada por Thomas Edison, em 1878. Antes disso, 
os comércios e indústrias dependiam de iluminação natural ou da luz das 
chamas de velas ou candeeiros. Devido às instalações elétricas, o desen-
volvimento da iluminação artificial ocorreu, como dito, no final do século 
XIX e começo do século XX. Quais foram os principais benefícios adquiridos 
com este invento?
a. Economia, pois comprar as lâmpadas era mais barato que comprar com-
bustíveis para os candeeiros.
b. Aumento médio de 4 horas nas atividades produtivas humanas e melhoria 
do conforto, qualidade de trabalho segurança.
c. Não houve benefício, pois aderir às lâmpadas e à rede elétrica era muito 
mais caro, e a rede foi usada para explorar ainda mais os funcionários.
d. Não houve benefício, pois, no começo, as lâmpadas eram muito ruins e 
causavam inúmeras doenças oculares nas pessoas.
e. Os benefícios foram apenas para os indivíduos que trabalhavam com lei-
tura ou escrita.
2. Com relação à quantidade de luz no ambiente, é correto afirmar que:
I. O projeto adequado de iluminação é um dos fatores mais importantes 
para a eficiência do trabalho e conforto do ser humano.
II. A iluminância (ou iluminamento) é um fator decisivo que representa a 
quantidade de luz que incide sobre a superfície. Sua unidade de medida é 
o Lux e pode ser medida por um luxímetro. 
III. O nível de iluminância não interfere no mecanismo da visão. 
IV. No Brasil, não existem normas que apresentem recomendações da ilumi-
nância de um ambiente de acordo com a exigência visual de cada atividade.
Assinale a alternativa correta:
a. I e II estão corretas.
b. II e III estão corretas.
c. I e IV estão corretas.
d. Apenas I está correta.
e. Apenas III está correta.
3. O som é composto por três características, a frequência, a intensidade e a 
duração. O ouvido percebe os sons de 20 a 140 dB, os sons, geralmente, 
estão na faixa de 50 a 80 dB. O que diferencia o som do ruído é que o ruído 
não contém informações úteis, o som, sim. Desta forma, assinale a seguir 
a opção verdadeira que relate as consequências da exposição ao ruído.
 135
atividades de estudo
a. Quando o ruído passa de 120 dB, é incômodo e causa apenas leve irritação.
b. Quando o som passa de 120 dB, pode causar dores.
c. 80 dB é considerado um ruído tranquilo.
d. 70 dB é o máximo aceitável em ambientes que exigem silêncio.
e. 100 dB é o máximo tolerável para uma jornada de trabalho de 8 h. 
4. A vibração é considerada qualquer movimento que o corpo produza em 
torno de um ponto fixo, podendo ser irregular ou regular, seus efeitos no 
organismo são diversos. Desta forma, assinale a alternativa que corres-
ponda a alguns efeitos que as vibrações podem causar. 
a. Relaxamento muscular e contrição circulatória.
b. Relaxamento muscular, contrição circulatória e irritabilidade.
c. Contração muscular, contrições circulatórias, enjoos, redução da acuidade 
visual, precisão, além de prejudicar o organismo de forma geral.
d. Irritabilidade, problemas musculares, ósseos e circulatórios.
e. Relaxamento muscular, irritabilidade, estresse e fadiga.
5. A escolha e a distribuição do mobiliário são etapas-chave para um bom re-
sultado do projeto cuja escolha deve ser coerente com a proposta preferida, 
desde o tipo de distribuição dos móveis até o modelo de cada peça. A co-
erência é fundamental para que o ambiente se torne harmônico (GURGEL, 
2005). A autora citada defende o uso da ergonometria nos ambientes. O 
que significa ergononometria e qual sua aplicação no design de interiores?
a. A ergonometria refere-se à disposição dos móveis para que se tornem bo-
nitos e combinem entre si, principalmente, com base na paleta de cores.
b. Ergonometria refere-se à medição do corpo humano e suas diferenças 
étnicas, climáticas, seculares e de gêneros.
c. Ergonometria é o estudo de ambientes antigos que precisam ser restaura-
dos, baseados em estudos passados, utilizando técnicas atuais para man-
ter suas características.
d. Ergonometria é o estudo de ambientes comerciais para priorizar o confor-
to do cliente enquanto estiver no espaço, bem como facilitar sua aceitação 
da loja e finalizar a compra.
e. Ergonometria trata da ciência que busca melhorar a relação entre o ho-
mem e o meio ambiente, analisando características físicas, psicológicas e 
fisiológicas de um povo, além das distâncias e dos espaços necessários 
para eles.
136 
LEITURA
COMPLEMENTAR
A IMPORTÂNCIA DA ERGONOMIA NO DESIGN
O termo ergonomia foi criado pelo polonês Woitej Yastembowsky em 1857. Apesar disso, o es-
tudo formal da ergonomia como um ramo de aplicação interdisciplinar da ciência surgiu quase 
um século mais tarde, em 12 de julho de 1949, durante uma reunião de cientistas e pesquisa-
dores. Mas foi a partir da década de 1950, com a fundação da Ergonomics Research Society, na 
Inglaterra, que a ergonomia se expandiu para o mundo industrializado e, mais tarde, também 
passou a integrar o trabalho dos designers.
Isso quer dizer que o design não se limita à função estética ou cosmética como afirmam alguns 
autores. Ainda pior é o ponto de vista de vários empresários que só contratam os serviços de 
designers, na etapa final de seus projetos, apenas para deixá-los com uma aparência melhor. 
É importante salientar que estavisão equivocada é muito comum no meio empresarial, so-
bretudo se adicionarmos a isto o fato de ainda existirem muitos profissionais de outras áreas, 
atuando no mercado do design.
Embora seja alarmante, o quadro atual tende a mudar não somente com o aumento de profis-
sionais com graduação em design disponíveis no mercado, e com o consequente aumento da 
massa crítica, mas também com o advento da globalização que vem provocando o rompimento 
de fronteiras. Não pretendo analisar se o modelo econômico globalizado é democrático ou 
beneficia apenas as grandes nações. Neste espaço, fica apenas um convite à reflexão e a cons-
tatação de que a globalização veio para ficar.
A economia globalizada fomenta uma competição cada vez mais acirrada entre os fabricantes 
que vivem em busca de maiores vendas e da conquista de novos mercados. Com isso, as novas 
tecnologias e os planos de redução de custos têm chegado ao limite. Qual será então a saída? O 
uso do design! Vários países já não fabricam produtos, eles fabricam design ou, como preferem 
alguns, produzem conceitos de design. Não raro encontramos etiquetas, selos ou inscrições 
que anunciam Design by Germany, ainda que o produto tenha sido fabricado em Cingapura, 
por exemplo. Nestes casos, o que importa é a origem do conceito, da idéia e do design. 
Mas utilizar o design apenas para agregar charme e valor econômico às mercadorias não é 
suficiente. O design, enquanto tecnologia, num determinado quadro de relações de produção, 
tem a ergonomia como parceira indispensável. O designer pode e deve trabalhar o projeto e, 
mais especificamente, a capacidade de utilização do objeto centrado no usuário. Cabe então à 
ergonomia o papel de combater a alienação, ao focalizar a comunicação homem- tarefa- má-
quina. Para que o design contribua significativamente para o desenvolvimento de produtos 
 137
LEITURA
COMPLEMENTAR
adequados para os usuários, de modo que eles identifiquem esta contribuição, reconhecendo nos 
produtos valores como satisfação, prazer e segurança , é necessária a aplicação de uma metodo-
logia adequada.
Por meio dessa metodologia é possível compreender os usuários: como eles são e como as mu-
danças podem influenciar suas vidas. Para fazer isso, devemos dominar as noções básicas de er-
gonomia, o que nos possibilita conhecer uma gama maior de fatores que influenciam os usuários 
potenciais dos mais variados produtos. O design é uma profissão eminentemente técnica e multi-
disciplinar. Sendo assim, a interação com a ergonomia deve acontecer de forma segura e gradual, 
principalmente, se levarmos em conta que no Brasil todos os cursos de Desenho Industrial / Design 
(que formam designers) possuem no mínimo duas disciplinas de ergonomia em seus currículos.
A ergonomia deve ser parte integrante do projeto e de seu desenvolvimento, sempre que houver o 
envolvimento entre o produto e seu potencial usuário. Em outras palavras, um projeto de produto 
apropriado requer interação com a prática da ergonomia. O atendimento aos requisitos ergonô-
micos possibilita maximizar o conforto, a satisfação e o bem-estar, além de garantir a segurança 
do usuário. O uso da ergonomia também ajuda a minimizar constrangimentos e custos humanos, 
otimizando o desempenho da tarefa, o rendimento do trabalho e a produtividade do sistema ho-
mem-tarefa-máquina.
A maioria dos produtos, principalmente, os mais complexos, possui atributos que dificultam o 
seu uso. Esses atributos devem ser sistematicamente identificados e medidos, sempre que pos-
sível, em termos de requisitos de desempenho humano. E os resultados dessa medição devem 
ser incorporados ao projeto do produto. Desta forma, a ergonomia ajuda a reduzir o elemento de 
conjectura e aumenta o nível de confiabilidade nas decisões de projeto, no que se refere à conside-
ração de importantes fatores do ponto de vista da satisfação, segurança e bem estar dos usuários.
Por tudo isso, a ergonomia deve estar presente em todas as etapas de desenvolvimento de um 
projeto. Em resumo, é preciso enfatizar o entendimento e a contribuição da ergonomia para a 
gestão do design. É necessário ter a ergonomia como parte integrante de todo processo de design. 
Isso contraria a atuação de alguns profissionais do mercado, e mesmo de alguns professores, que 
encaram a ergonomia como algo desvinculado do processo central do design. Isso também implica 
na aceitação de que as responsabilidades pelas decisões de projeto devem ser divididas entre os 
diversos especialistas que participam do trabalho. E as decisões devem levar em conta todos os 
aspectos que envolvem o produto e seus potenciais usuários.
Fonte: Design Brasil (2004, on-line)3.
138 
material complementar
Projetando espaços: Design de Interiores
Miriam Gurgel
Editora: SENAC São Paulo
Sinopse: projetar e apresentar soluções diferenciadas são os principais desafios 
desse livro de Miriam Gurgel. Esse manual, imprescindível para profissionais e 
alunos da área de design de interiores, apresenta de forma objetiva os conceitos 
e princípios básicos dessa área, e alia a exposição de informações técnicas e teó-
ricas a aberturas criativas, que imprimem organicidade e consistência artística ao 
planejamento.
Projetando espaços: Guia de Arquitetura de Interiores Para Áreas 
Comerciais
Miriam Gurgel
Editora: SENAC São Paulo
Sinopse: o projeto de interiores comerciais envolve, de acordo com a autora, um 
profundo estudo sobre o perfil da empresa e da imagem que ela transmite – ou 
pretende transmitir –, além de ter como uma de suas prioridades a viabilização da 
praticidade, da funcionalidade e do conforto na execução das tarefas em cada um 
de seus departamentos. Aqui os leitores – profissionais e estudantes – encontra-
rão um roteiro seguro, essencialmente prático, que parte de conceitos objetivos 
para a formulação de considerações técnicas e culturais, tendo em vista a elabo-
ração de um bom projeto.
Indicação para Ler
Indicação para Ler
O seguinte artigo apresenta uma avaliação feita em unidades habitacionais de interesse social do muni-
cípio de Embu das Artes/SP. O objetivo do estudo é avaliar a unidade internamente e o mobiliário que a 
compõe, sendo esta análise feita a partir dos conceitos da Ergonomia.
Acesse: http://www.bussinesstour.com.br/uploads/arquivos/a0fb6e7db9f739790da86e597e594ef2.pdf.
Indicação para Acessar
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 139
material complementar
O homem ao lado
Ano: 2009
Sinopse: um filme sobre arquitetura em que se destaca um dos grandes persona-
gens dessa atividade. Nele, os argentinos Mariano Cohn e Gastón Duprat fazem 
do cotidiano o ponto de partida para essa trama. O filme presta homenagem a um 
dos maiores gênios da arquitetura, Le Corbusier. Se passa na única residência que 
o arquiteto suíço assinou na América, em La Plata (Argentina), e é uma comédia 
romântica em que vizinhos começam a ter desentendimentos por fatos simples 
do dia a dia.
Indicação para Assistir
Medianeras
Ano: 2011
Sinopse: Gustavo Taretto apresenta como a arquitetura de Buenos Aires e a cultu-
ra virtual criam um ambiente que corrobora com a solidão. É uma obra sobre estar 
sozinho no meio da multidão, uma realidade de grandes centros urbanos. Com 
certeza, um filme para arquitetos e designers de interiores que querem integrar 
mais as pessoas em seus projetos.
Indicação para Assistir
O presente artigo aborda o mobiliário de escritórios e sua influência na rotina de trabalho de arquitetos 
e designers de interiores. Trata da importância do móvel corretamente dimensionado para a melhoria na 
rotina de trabalho destes profissionais.
Acesse: http://www.bussinesstour.com.br/uploads/arquivos/4896b952c12adac37d41abcd810cdb43.pdf.
Indicação para Acessar
https://www.vivadecora.com.br/pro/arquitetos/le-corbusier/
https://www.vivadecora.com.br/pro/arquitetos/le-corbusier/
https://www.vivadecora.com.br/pro/arquitetos/le-corbusier/
http://www.bussinesstour.com.br/uploads/arquivos/4896b952c12adac37d41abcd810cdb43.pdf
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140 
referências
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 5413: Iluminância de 
interiores. Rio de Janeiro: ABNT, 1992. Disponível em: http://ftp.demec.ufpr.br/
disciplinas/TM802/NBR5413.pdf. Acesso em: 25 mar. 2019.
CAPRI. D. Ergonomia: um estudo de caso realizado em uma biblioteca universi-
tária de Florianópolis. 2011. 80 f. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação 
em Biblioteconomia) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 
2011. 
IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Blucher, 2005.
GURGEL, M. Projetando Espaços: guia de arquitetura de interiores para áreas 
comerciais. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2005.
______. Projetando Espaços: design de interiores. São Paulo: Editora Senac São 
Paulo, 2007.
MÁSCULO, F. S.; VIDAL, M. C. Ergonomia: trabalho adequado e eficiente. Rio 
de Janeiro: ABEPRO, 2011.
RAZZA, B. M. Ergonomia. Maringá: UniCesumar, 2016.
Referência On-line
1Em: https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/dicas-estudo/veja-como-aumen-
tar-a-sua-produtividade-nos-estudos-com-a-tecnica-pomodoro/. Acesso em: 21 
mar. 2019.
2Em: http://www.prosek.com.br/dicas/89/Proteção-Auditiva. Acesso em: 21 mar. 
2019.
3Em: http://www.designbrasil.org.br/entre-aspas/a-importancia-da-ergonomia-
-no-design/. Acesso em: 28 mar. 2019.
 141
gabarito
1. B
2. A
3. B
4. C
5. E 
Professora Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Berbe
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Aplicação da Antropometria na moda
• Ergodesign e a matéria-prima tecnológica
• Ergonomia na modelagem
• Projeto de moda universal
• Percepção do usuário no uso da vestimenta ergonômica
Objetivos de Aprendizagem
• Descrever as formas de utilização de medidas antropométricas, 
de tecnologias têxteis e definir possibilidades de usos da 
ergonomia na modelagem para melhor adequação corporal.
• Explicar as formas de utilização da ergonomia por meio de 
tecnologias têxteis.
• Definir possibilidades de usos da ergonomia na modelagem 
para melhor adequação corporal.
• Discutir possibilidades de design universal por meio de 
modelagem ergonômica e apresentar estudo de caso de 
modelagens universais.
• Apresentar exemplos de projetos de vestimentas e acessórios 
com utilização de ergonomia com resultados positivos.
ERGONOMIA NA MODA
unidade 
V
INTRODUÇÃO
C
aro (a) aluno (a), nesta última unidade, falaremos sobre as di-
versas maneiras que podemos e devemos utilizar a ergonomia 
no Design de Moda. Discutiremos sobre os benefícios da ergo-
nomia e de suas formas de aplicação nos vestíveis para melho-
ria da relação do usuário com a vestimenta e/ou acessório.
Atualmente, maioria das pessoas desenvolve inúmeras tarefas ao lon-
go de seu dia, por isso, os designers de moda devem levar em considera-
ção a praticidade no uso, a flexibilidade da peça, a percepção de conforto 
quando se utiliza a vestimenta para que, desta forma, seu dia seja mais 
produtivo. Quando estamoscom uma roupa apertada, desconfortável que 
nos limite de desempenhar determinados movimentos ou sapatos descon-
fortáveis sentimo-nos incomodados, não nos sentimos? Imagine se tivés-
semos tarefas a serem desempenhadas o dia todo sem que pudesse trocar 
essa vestimenta. Certamente, nosso desempenho cairia, não cairia? 
Naturalmente o desempenho cairia, pois quando estamos em postura 
desconfortável, com roupas e/ou calçados desconfortáveis, sentimo-nos 
incomodados e não vemos a hora de trocar de roupa. Quando usamos cal-
çados desconfortáveis, naturalmente pensamos duas vezes antes de cami-
nhar para buscar algo ou para ir para um outro lugar, vamos adiando e isso 
pode atrapalhar algumas tarefas a serem desenvolvidas. Estes incômodos 
tiram nosso foco nas atividades e às vezes nos deixa até irritados. 
O uso de produtos inadequados pode trazer também sérios problemas 
à saúde, como alterações nas formas corporais quando se utiliza roupas 
apertadas, alergias e dermatites por conta de tecido inadequado. Bolhas, 
calosidades e deformação óssea podem ocorrer quando se utiliza com 
frequência calçados inadequados. Por isso, a ergonomia tem um papel 
fundamental no design de moda, para que muitos destes problemas se-
jam evitados. Os tópicos a seguir detalharão as melhores maneiras de 
aplicar a ergonomia na moda para obtenção de melhores resultados.
146 
ERGONOMIA 
Como já dito anteriormente, a Antropometria dá-se 
pelo estudo das medidas do indivíduo em diferentes 
situações, em pé, sentado ou em movimento. Essas 
medidas devem ser tiradas, cautelosamente, pois 
qualquer detalhe pode alterar a precisão do estudo. 
A ergonomia defende que um produto seja ade-
quado ao corpo, por isso, deve ser embasado em 
medidas antropométricas, pois o usuário não per-
manecerá estático com o produto ao corpo, princi-
palmente, em se tratando de uma vestimenta. Na-
turalmente, o usuário andará, sentará, levantará, 
agachará para pegar algo, esticar-se-á para alcançar 
algo, entre outros movimentos que fazemos ao lon-
go do dia, mesmo sem perceber.
No mundo da moda, a maioria dos produtos co-
mercializados são produzidos em larga escala, o co-
nhecimento das proporções do corpo e a utilização 
dessas medidas para padronização de uma mode-
lagem são essenciais, principalmente, para se obter 
sucesso na aceitação e comercialização do produto. 
O estudo da Textile/Clothing Tecnology Corpora-
tion, de 1996, mostra que metade dos consumidores 
Aplicação da
Antropometria na Moda
 147
 DESIGN 
americanos não encontra roupas prontas adequadas 
às dimensões do corpo. Outra opção tecnológica 
que tem sido experimentada na moda, desde 2015, 
inicialmente, pela designer Israelense Panit Peleg, 
é a roupa produzida a partir da impressora 3D (3 
dimensões), a ferramenta que antes imprimia obje-
tos agora passa a ser utilizada para imprimir roupas 
(KRESCH, 2015, on-line)1. 
Como já visto anteriormente, um único estudo 
antropométrico não é válido para toda a população 
mundial, pois pesquisas comprovaram diferenças 
étnicas e climáticas que influenciam nas medidas do 
corpo humano, além de alterações de diferenciações 
de medidas entre homens e mulheres e também as 
variações de medidas que ocorrem em um ser hu-
mano ao longo de sua vida. Por isso, devemos saber 
quem é o nosso público para que possamos buscar a 
tabela antropométrica correta e aplicar as me-
didas nas vestimentas e/ou calçados. 
Quando nos referimos às me-
didas da população brasileira, 
detectamos a existência de pro-
blemas, isso acontece devido à 
miscigenação existente no país. 
Desse modo, ocorre variação muito 
grande de medidas, se considerar-
mos todo o país. Essas diferenças 
concentram-se em regiões, por isso, 
os estudos que se destinam às medidas 
corporais ou a modelagens brasileiras de-
vem ser divididos pelas regiões.
As medidas antropométricas estáticas ou estru-
turais referem-se às medidas do corpo estático, sem 
movimento. Essas medidas são muito utilizadas no 
processo de alfaiataria. Já as medidas antropométri-
cas dinâmicas ou funcionais referem-se às medidas 
adquiridas, durante um movimento do corpo, asso-
ciado à determinada atividade. Essas informações 
são adequadas para projetar, principalmente, vestu-
ários esportivos (BOUERI, 2008). 
Devemos, porém, ter em mente que não são ape-
nas os atletas que vivem em movimentos constantes, 
pode-se levar em consideração também o uso dessas 
medidas dinâmicas em um projeto de roupas comuns, 
sem o apelo esportivo, uma vez que um indivíduo com 
Quando trabalhamos com vestuário, o ideal é conhe-
cer a escala, proporção e a dimensão do corpo a fim 
de que a vestimenta se adéque ao corpo e se mova em 
harmonia. Para que isso seja possível, o designer deve 
obter conhecimentos básicos sobre a estrutura, os mo-
vimentos, a anatomia, as formas e as medidas do cor-
po, pois o dimensionamento adequado do vestuário 
é tão importante quanto os aspectos de conforto, de 
segurança, de proteção e de estética (BOUERI, 2008).
Fonte: Giacobetti (2012, p.161). 
148 
ERGONOMIA 
inúmeras atividades diárias precisa ter liberdade para 
se movimentar de forma geral, como: sentar, levantar, 
agachar, deitar, subir e descer escadas, andar, correr, 
dentre muitos outros movimentos comuns presentes 
no nosso dia a dia, de modo que determinados produ-
tos nos impeçam de fazê-lo de forma confortável ou, 
até mesmo, de forma ágil e segura, sem causar certo 
desgaste, desconforto ou insegurança em pequenos 
movimentos cotidianos (FERREIRA, 2016).
Em 2004, foi criada a NBR 15127 - Corpo Huma-
no: Definição de medidas, que estabelece procedimen-
tos para definir medidas do corpo que podem ser uti-
lizadas como base para projetos tecnológicos em suas 
diversas aplicações no vestuário (BOUERI, 2008). 
A aplicação da antropometria, de forma corre-
ta, ajuda fazer com que o produto se adéque melhor 
ao usuário, porém com a miscigenação existente no 
Brasil nos deparamos com corpos totalmente dife-
rentes. Por exemplo, se pegarmos 10 pessoas que 
usem o manequim 38, e colocarmos uma do lado 
da outra, observaremos que cada uma terá forma 
corporal diferente, umas terão mais quadril, outras 
mais busto, algumas terão a cintura fina, outras não, 
algumas baixas, outras altas, enfim, inúmeras serão 
as diferenças entre estes manequins. 
Por isso, a tecnologia têxtil deve andar ao lado 
da ergonomia para que se completem, pois a antro-
pometria se aproximará das medidas do corpo do 
usuário, enquanto a tecnologia têxtil complementa a 
adequação por meio de sua elasticidade, caimento e/
ou abrindo a peça para novas possibilidades de usos.
O uso dos tecidos com tecnologias não eliminam 
aplicações ergonômicas e antropométricas, muito 
pelo contrário, a junção das técnicas torna o produto 
adequado ao corpo, respeitando sua saúde, sua mobi-
lidade e suas formas naturais, minimizando a necessi-
dade de tantos padrões de medidas para atender po-
pulações com corpos tão diferentes como no Brasil. A 
antropometria é importantíssima no projeto de vestu-
ário e não deve ser deixada de lado pelas indústrias de 
moda, isso se a empresa tiver interesse em conquistar 
novos mercados e satisfizer os consumidores. 
 149
 DESIGN 
Ergodesign e a Matéria-Prima 
Tecnológica
Fonte: Giacobetti (2012). 
150 
ERGONOMIA 
Abordaremos, neste tópico, os aspectos tecnológicos 
da vestimenta que se adéquam aos estudos ergonô-
micos de forma que a matéria-prima otimize a saúde 
e o conforto do usuário, além da percepção positiva 
da vestimenta com as formas do corpo. Os aspectos 
tecnológicos inseridos na matéria-prima são impor-
tantes para o desenvolvimento de uma vestimenta 
com a preocupação e adequação aos diferentes tipos 
de corpos, bem como a importância do uso dos es-
tudos ergonômicos para preservação da saúde e do 
bem-estar do usuário (FERREIRA, 2016).
A indústria de confecção produz uma infinidade 
de produtos que não são adequados para se encaixar 
em diferentes biotipos,mesmo se tratando dos que 
compõem a mesma numeração de uma tabela de me-
didas da modelagem, pois, como já foi dito, se colo-
carmos lado a lado 10 pessoas que usam 38 identifi-
caremos diferenças consideráveis de um corpo para o 
outro. Nessa condição, o corpo tenta se adequar a uma 
forma que não é exatamente a sua, e, na falta de ma-
téria-prima que tenha facilidade de adequação, ou de 
uma modelagem que se modifica para ajuste em dife-
rentes formas corporais, o corpo modifica-se para tal 
encaixe, o que pode causar interferência na percepção 
do corpo com a vestimenta (FERREIRA, 2016).
Nem sempre as vestimentas estão adequadas às 
necessidades do indivíduo, muitas marcas descon-
sideram a ergonomia e deixam de lado variáveis de 
conforto e os princípios de usabilidade. A usabilida-
de é compreendida como a interface que possibilita 
a utilização eficaz dos produtos. 
A ergonomia é de extrema importância no pro-
jeto de design, pois leva em consideração que o 
produto será utilizado por um ser humano. Nesse 
sentido, o projeto tem como intuito facilitar a vida 
do usuário, deixando-o mais confortável no uso do 
produto, uma vez que aumenta seu desempenho e 
diminui seu desgaste, além de eliminar riscos e da-
nos à saúde. 
Pensar ergonomicamente é pensar no indivíduo 
como usuário do produto, considerando suas neces-
sidades, limitações e saúde, e, dessa forma, facilitar 
o uso do produto, aumentando, se possível, seu de-
sempenho. O vestuário, nesse sentido, é um objeto 
que necessita de estudos ergonômicos, para que seja 
adaptado e adequado ao corpo e ao uso do indivíduo.
Os problemas ergonômicos relacionados ao ves-
tuário que dizem respeito à segurança, envolvem à 
proteção e à composição dos tecidos, acessórios e de-
mais componentes que serão utilizados no produto. 
Em síntese, a usabilidade é fundamental para 
avaliar a relação do produto- usuário. Nesse 
sentido, é o princípio que deve ser observado 
em qualquer produto e ambiente construído.
 (Suzana B. Martins).
REFLITA
 151
 DESIGN 
Para que os tecidos sejam explorados da melhor ma-
neira possível, o designer deve pesquisar o corpo e o 
têxtil, valorizando todos os benefícios do tecido em 
função do corpo. Quando as inovações tecnológicas 
interferem na área têxtil, as possibilidades de am-
plitudes de um projeto são maiores e mais precisas, 
fazendo com que uma vestimenta não seja apenas 
bonita, mas que afete em um sentido amplo, aspec-
tos físicos e perceptivos do usuário. 
Quando se utiliza o tecido ideal e a modelagem 
ideal, levando em consideração as medidas antro-
pométricas para o melhor encaixe ao corpo e às 
capacidades do têxtil, a melhor sensação do tecido 
ao corpo, resulta-se em melhor adequação da mo-
delagem para favorecer diferentes biotipos e otimi-
zar a sensação da vestimenta junto ao corpo. Além 
disso, torna-se possível projetar peças de roupas que 
permitam liberdade na mobilidade, no conforto, na 
usabilidade e que não agridam a saúde dos usuários 
em geral, permitindo que seu corpo respire normal-
mente e que não o impeça de completar suas diver-
sas atividades com o conforto esperado de uma ves-
timenta ergonômica.
Atualmente, são inúmeras as pesquisas desti-
nadas às descobertas, aos desenvolvimentos e aos 
beneficiamentos de novos tecidos tecnológicos para 
diferentes fins. Estas pesquisas são feitas em labo-
ratórios que manipulam substâncias químicas, uti-
lizam aplicações de física e pesquisas de possibili-
dades tecnológicas do material e do processo. Com 
152 
ERGONOMIA 
este suporte, torna-se possível criar tecidos com 
diferentes apelos tecnológicos e para diversos fins, 
adequacionais, relacionando-se ao corpo, curativos; 
voltados para área médica; ecológicos, - pensando 
em aspectos sustentáveis; esportivos, aplicando tec-
nologias para melhoria do desempenho do atleta, 
entre outras inúmeras possibilidades. 
O setor mais beneficiado até o momento é o 
esportivo, com matérias-primas avançadas e di-
recionadas aos atletas de diferentes modalidades. 
Por exemplo, a confecção de uniformes esportivos, 
com o intuito de não atrapalhar o atleta no momen-
to de alcançar o seu maior desempenho. Pesquisas 
destinadas a outras áreas também tiveram ótima 
aceitação e contribuíram, positivamente, com as ne-
cessidades do corpo do usuário, levando em consi-
deração sua necessidade e sua saúde. 
Em 1999, a Rhodia lançou o amni biotech, um 
tecido que possuía ação bacteriostática, capaz de eli-
minar bactérias, favorecer a saúde e promover con-
forto ao indivíduo. Outro efeito conseguido foi o dry 
fit, que tem a capacidade de eliminar a umidade do 
corpo, expulsando os efeitos do suor. O dry fit tam-
bém é contra a ação maléfica dos raios ultravioletas 
(UVA) e infravermelho (UVB) na pele, utilizado em 
vários artefatos da indústria da confecção, como o 
UV, muito empregado em chapéus e bonés para a 
praia (CHATAIGNIER, 2006). 
A tecnologia têxtil tem avançado para beneficia-
mentos nos tecidos de forma que atenda a diversos 
pré-requisitos para se considerar um produto ergo-
nômico, como: tecidos antiácaros; anti-UV; anti-
manchas; encapsuladores de odores, que se referem 
a produtos que contém odores para aromaterapia, 
com microcápsulas de hidratantes, de repelentes e 
efeitos curativos. Esses beneficiamentos aplicados 
nos têxteis propiciam maior saúde, segurança e con-
forto aos usuários (AVELAR, 2011).
Existem também tecidos com fluorcarbonos, 
que removem facilmente a sujeira; os tecidos com 
Teflon (marca registrada DuPont) que evitam man-
chas, não amassam e são impermeáveis a água e o 
óleo; os tecidos antiestresse, que contém cápsulas 
que liberam óleos essenciais que acalmam o indi-
víduo (esta linha tem também tratamentos contra 
insônia), e também tecidos termorreguladores que 
são úteis, tanto no frio quanto no calor, absorvendo 
o calor do corpo e o liberando quando necessário; 
entre outros inúmeros tecidos tecnológicos, que são 
desenvolvidos pensando em facilitar e melhorar a 
vida do indivíduo (AVELAR, 2011). 
O desenvolvimento desses tecidos ocorrem pela 
preocupação com a proteção do indivíduo, a facilida-
de no cuidado da peça, a capacidade de respiração do 
corpo do usuário, o conforto, a durabilidade e a resis-
tência à lavagem e ao vento, e, muitas vezes, também 
para uma melhor adequação ao corpo. Dessa forma, 
podemos observar o quanto essas pesquisas têxteis 
podem beneficiar o corpo e a saúde do usuário, além 
de contribuir, indiretamente, com o seu desempenho 
em atividades diversas. Esses objetivos definem a er-
gonomia, especificamente no campo da moda.
 153
 DESIGN 
A modelagem é extremamente importante em 
uma vestimenta, pois quanto melhor a modelagem, 
melhor será o encaixe da roupa no corpo; o caimen-
to, de acordo com a matéria-prima selecionada, e a 
sensação de conforto.
Deve-se escolher o tipo de modelagem e as téc-
nicas mais adequadas à realidade da empresa e, so-
bretudo, a escolha das tecnologias a serem utiliza-
das. Esses itens são de extrema importância para o 
desenvolvimento de uma modelagem com um alto 
padrão de qualidade. A técnica de modelar deve 
tornar viável a construção de peças do vestuário de 
acordo com o modelo que se deseja produzir.
Ergonomia na
Modelagem
154 
ERGONOMIA 
Durante a execução das modelagens, consideram-
-se alguns fatores primordiais: caimento, conforto, 
usabilidade, movimento, diferenças físicas, flexibili-
dade, necessidades estéticas, facilidades de vestir e 
despir. Também, os recursos materiais tais como os 
instrumentos e as tabelas de medidas são comple-
mentos importantes para o conhecimento técnico 
do modelista (ARAÚJO; CARVALHO, 2013). 
Se conhecermos a anatomia, é possível transferir 
suas ideias, saber como valorizar a silhueta, poden-
do acompanhar os contornos ou alterá-los. O mo-
delista e o designer devem ter sensibilidade para 
compreender a relação da roupa com o corpo, sua 
forma de uso, agregar praticidade, qualidade, fun-
cionalidade e conforto. Estes aspectosestão ligados 
a uma modelagem ergonômica. 
Pode-se ter um maravilhoso modelo produzi-
do em um tecido com a mais alta tecnologia 
e funcionalidade, além de excelentes acaba-
mentos de costura, mas, se não se adapta 
bem ao corpo, possivelmente, não será bem 
aceita, ou talvez até seja, por pouco tempo. 
O consumidor pode rejeitar uma peça sem 
se dar conta de que o desconforto é causado 
pela modelagem inadequada. Ou então, po-
de-se ter preferência por determinada marca 
ou mesmo se tornar um cliente fiel por achar 
que veste bem, sem perceber, também, que 
é por conta de uma modelagem adequada.
Peclat e Medeiros (2000).
SAIBA MAIS
O vestuário confortável precisa ser o mais anatômi-
co possível para não provocar limitações aos mo-
vimentos e sensações de desconforto. O corpo tem 
uma construção biomecânica, composta por uma 
série de alavancas constituídas por ossos conectados 
nas articulações e são movimentadas pelos múscu-
los, por isso, precisamos de tantos cuidados para 
desenvolver um produto que será utilizadado e que 
terá que se encaixar neste corpo. São essas conexões 
que determinarão como o tecido se ajustará e se mo-
vimentará em harmonia ou em desarmonia com o 
corpo (SANTOS, 2009).
O corpo é um suporte da vestimenta, ao criar-
mos para o corpo, devemos ter total conhecimento 
sobre o mesmo, por isso, temos que compreender 
 155
 DESIGN 
ao usuário: saúde, conforto, facilidade de manejo da 
peça, facilidade de manutenção, entre outros benefí-
cios. Estes tecidos podem ser: com microcápsulas de 
perfumes, de hidratantes, contra raios UVA e UVB, 
com microcápsulas repelentes, impermeáveis, entre 
outras inúmeras possibilidade de agregar funções e 
facilidades ao meu produto, visando sempre o con-
forto, praticidade e bem-estar do indivíduo.
Um exemplo famoso de modelagem ergonô-
mica foi desenvolvida pelo designer japonês Issey 
Miyake, em 1998, pensando em habitar diferen-
tes corpos e dar autonomia ao usuário para que 
escolha seu modelo. Seu projeto foi denominado 
A-POC, que corresponde à abreviação do termo 
A Piece Of Cloth, que traduzido para o português 
significa: Um Pedaço de Tecido.
como este corpo se movimenta, como ele se com-
porta, deve-se ter conhecimento das medidas do 
conforto e das possibilidades de aplicações para que 
esta vestimenta seja percebida como uma segunda 
pele, ou seja, como uma extensão do corpo.
A modelagem deve ser baseada em antropome-
tria, então, devemos saber quem é o meu usuário e 
de onde ele é. Devemos extrair o máximo de deta-
lhamento de medidas e aplicar na modelagem, com-
preendendo todas as possíveis formas de utilização 
da roupa e, por fim, para melhor caimento, melhor 
adequação em diferentes corpos e para possibilitar li-
berdade ao movimentar-se, podemos aplicar também 
tecidos tecnológicos que permitam certa elasticidade. 
Caso opte, pode-se também utilizar tecidos 
compostos de benefícios secundários para propiciar 
156 
ERGONOMIA 
Miyake desenvolveu este trabalho com a mais recen-
te tecnologia, utilizou programas de computadores 
para desenvolver uma modelagem na qual simula-
va os corpos em movimento e, desta forma, buscava 
respeitá-los no desenvolvimento de seus projetos. 
Utilizou a tecnologia também na forma de produ-
ção, de modo que método de confecção utiliza tec-
nologia computadorizada para criar roupas a partir 
de um único pedaço de linha, num único proces-
so, aumentando, assim, o conforto do corpo junto à 
roupa, sem que costura nenhuma o incomode. Esse 
simples “pedaço de tecido” ainda permite que o usu-
ário escolha a forma como quer criar suas roupas, 
permitindo diversas variações (LEHNERT, 2001). 
A-POC foi selecionada como um exemplo por 
ter uma modelagem totalmente diferente, que res-
peita as formas e os movimentos do usuário e, ainda, 
permite que ele escolha utilizar o produto da ma-
neira que o agrade. Pensando sempre em conforto, 
saúde, bem-estar e, consequentemente, satisfação. 
O projeto é feito também com uma diferente for-
ma de produção, pois se dá por meio de uma malha 
dupla com máximo aproveitamento de elasticidade e 
aderência ao corpo. Além disso, são compostas por 
formas geométricas que se organizam, e as marcações 
de linhas pontilhadas sinalizam a largura e o com-
primento. Pelos pontilhados, o usuário pode cortar 
a peça e compor como preferir, de acordo com sua 
necessidade ou preferência (NOGUEIRA, 2013).
Figura 1 - A-POC de Issey Miyake (blusa)
Fonte: A. G. Nauta Couture (2015, on-line)2.
Figura 2 - A-POC de Issey Miyake (vestido)
Fonte: A. G. Nauta Couture (2015, on-line)2.
 157
 DESIGN 
As peças de A-POC podem ser utilizadas por di-
ferentes tipos de corpos por conter boa elasticidade 
para se encaixar em diferentes formas e tamanhos de 
corpos, sem obrigar que o corpo altere suas formas, 
ou abra mão de seu conforto para se submeter a uma 
vestimenta rígida e desconfortável. 
O fato de o A-POC ter sido confeccionado sem 
costura é outro ponto positivo, segundo a ergono-
mia, pois resulta em conforto tátil, ou seja, o con-
forto sentido pela pele, pelo corpo. Desta forma, 
evita que o corpo sinta o desconforto da costura 
ou, que as peles mais sensíveis sofram possíveis 
Figura 4 - Desfile A-POC
Fonte: Highlike ([2018], on-line)3.
Figura 5 - Exposição A-POC
Fonte: Ypanyc (2017, on-line)4.
alergias. Assim, o usuário sente-se 
seguro, confortável e tem uma per-
cepção positiva no uso das peças. 
Esse conceito fez e faz sucesso no 
mundo da moda por sua inovação. 
Foi exposto em diferentes lugares e 
compôs desfiles totalmente concei-
tuais, que enchiam os olhos de be-
leza, curiosidade, além de aguçar a 
criatividade de muitos designers.
Outras pesquisas como essas, 
baseando-se em tecnologias têxteis 
para diferentes fins de vestimentas, 
são desenvolvidas cada vez mais. Isso 
tem possibilitado a criação de proje-
tos, beneficiando os diferentes cor-
pos, em diferentes situações, além de 
mantendo os objetivos da ergonomia 
na moda.
158 
ERGONOMIA 
Com a globalização, o aumento e a rapidez na ex-
pansão dos meios de comunicação e a facilidade da 
entrega de produtos resultaram em um aumento 
considerável da circulação mundial de mercadorias. 
Tem ocorrido também incorporação de certas mi-
norias no mercado de consumo, por isso, os desig-
ners tiveram que ampliar seus horizontes e pensar 
em novas formas de atingir a este público. 
Essa necessidade de buscar novas alternativas 
surgiu por conta dessas mudanças, pois, antes, os 
designers realizavam projetos para determinados 
segmentos da população ou regiões específicas. 
Projeto de 
Moda Universal
 159
 DESIGN 
Agora, com o novo cenário, tiveram de passar a uti-
lizar o método de projeção universal para atender à 
demanda do mercado e se inserir, de forma segura, 
no mercado mundial. 
O intuito do projeto universal é tornar acessível 
um produto para o maior número de pessoas, como 
já foi visto em capítulos anteriores. Consequente-
mente, esses produtos acabam tendo uma boa usa-
bilidade, pois adequam-se à maioria das característi-
cas do design universal, às diferentes etnias e corpos, 
respeitando as formas do usuário, contribuindo 
com o seu bem-estar e otimizando a usabilidade do 
produto. Como o projeto universal já foi discutido 
anteriormente, neste capítulo, focado no design de 
moda, discutirei alguns exemplos para que possa-
mos compreender, de fato, como o projeto universal 
pode se encaixar no design de moda.
Os projetos que escolhi para esta discussão são: 
Torchon, da designer italiana Nanni Strada e o Ple-
ats Please, do designer japonês Issey Miyake. Em 
ambos os projetos, os designers aplicam beneficia-
mentos no tecido para que possam se encaixar em 
diferentes corpos e resultar em um conforto extre-
mo aos usuários.
Os projetos escolhidos têm o intuito de adequa-
ção universal, podendo ser utilizados por diferentes 
etnias e diferentes formas corporais sem comprome-
ter a mobilidade, conforto tátil, segurança, saúde e 
bem estar do usuário.
DESIGNUNIVERSAL NOS PROJETOS DE 
ISSEY MIYAKE 
Em 1989, no Japão, Issey Miyake desenvolveu uma 
característica em seus tecidos, em que experimentou 
diferentes maneiras de beneficiar um tecido até che-
gar ao resultado esperado: os plissados. Seus plis-
sados permitem formas visualmente harmoniosas 
e funcionalidade no uso, dando ao usuário proba-
bilidade de diferentes possibilidades a uma mesma 
peça, além de liberdade de movimento, pois as peças 
se ajustam ao corpo por conta dos plissados e, con-
forme o corpo se movimenta, eles abrem e fecham, 
dando conforto e liberdade de movimento.
Uma das principais características dos plissados 
de Miyake é que o método é oposto ao tradicional, 
ou seja, a roupa é primeiro cortada e costurada e, 
depois de pronta, a peça é dobrada e passa pelo pro-
cesso de drapejamento. Na maioria das vezes, as 
roupas drapeadas são feitas já no tecido drapeado. 
(FACTORY, 2012). 
160 
ERGONOMIA 
As roupas pregueadas ficam com formas indefini-
das, que podem ficar justas no corpo e manter seu 
conforto tátil por conta de sua elasticidade e leve-
za. Miyake diz que o sucesso do seu trabalho dá-se 
pela maleabilidade do poliéster, pois, por meio dele, 
conseguiu testar diversas possibilidades com tem-
peraturas distintas, resultando em matérias-primas 
diferentes (MIYAKE, 2012). 
se adequando em diferentes tipos de corpos. A ima-
gem a seguir mostra bailarinos dançando livremen-
te com as roupas desenvolvidas por Issey Miyake, a 
partir das técnicas de Pleats Please.
Quando o designer percebeu a liberdade que os plis-
sados proporcionaram, criou, em 1993, a primeira 
coleção de Pleats Please (plissados, por favor), que 
representou a praticidade das roupas com pregas, 
desenvolvidas com novas tecnologias para resultar 
funcionalidade, respeitando a arquitetura do vestir e 
Um amigo francês de Miyake disse a ele que 
aquelas roupas seriam perfeitas também para 
dança, devido à liberdade de movimentos que 
permitiam. Miyake resolveu pedir a uma com-
panhia de ballet de Frankfurt, dirigida pelo 
coreógrafo William Forsythe, para fazer um 
teste com suas roupas. Os bailarinos foram 
até o Studio de Issey Miyake, em Tóquio, e, 
ao provar suas roupas, podiam perfeitamente 
envergar seus corpos e concluir seus passos 
de ballet sem a menor dificuldade. 
Além disso, as roupas ganhavam também 
movimentos com os corpos dos dançarinos. 
Estas peças foram utilizadas pela primeira 
vez, em 1991, como figurino do espetáculo 
The Loss of Small Detail. Nesse momento, 
Miyake refletiu sobre a mobilidade de seus 
trajes, pois, se seus experimentos davam 
tanta liberdade e alegria aos bailarinos com 
diferentes tipos de corpos e com amplitudes 
de movimentos, o que poderiam fazer nos 
corpos de pessoas comuns, com relação ao 
conforto e à liberdade. 
Desse modo, resolveu seguir com seus pro-
dutos e ampliar o leque de opções dentro 
de sua linha Pleats Please, que foi lançada, 
oficialmente, em 1993. O nome também foi 
escolhido com cuidado, pois ao traduzir o 
Please pelo verbo To Please, resulta na pala-
vra “agradar”, dando uma segunda forma de 
tradução: Pregas Agradáveis (MIYAKE, 2012).
SAIBA MAIS
O designer respeita cada corpo como ele é em todos 
os seus projetos, aplicando tecnologias têxteis, solu-
ções para que uma mesma peça possa ser utilizada 
por esses diferentes corpos, atribuindo sensações po-
 161
 DESIGN 
sitivas de conforto tátil, prazer no uso, mobilidade, 
respeito à saúde e aos diferentes tipos de corpos, to-
das essas características são levadas em consideração 
em suas peças do Pleats Please (FERREIRA, 2016).
Strada em menos de dez anos de atuação profissional 
faz a passagem ou a ultrapassagem fundamental: da 
moda ao fashion design”. (ESTRADA, 2003, p. 15). 
Fonte: Giacobetti (2012).
Fonte: Madammeow (2014, on-line)4.
Figura 4 - Nanni Strada para Max Mara
Fonte: Madammeow (2014, on-line)4.
O objetivo de Miyake é desenvolver roupas com de-
sign para todos os tipos de corpos, uma vez que re-
conhece a existência de inúmeras formas corporais e 
suas características específicas, com formas, alturas 
e larguras diferentes. 
DESIGN UNIVERSAL NOS PROJETOS DE 
NANNI STRADA
Quando Nanni Strada rompeu laços com a moda no 
quesito estilístico, ela resolveu se dedicar às pesquisas 
para o design de moda que respeitassem o corpo. Des-
ta forma, passou a pesquisar soluções para vestimen-
tas que sobrevivessem à efemeridade da moda e que 
respeitassem o corpo do usuário com suas diferenças 
de medidas, de curvas, alturas, biotipos em geral. Por 
isso, seus projetos de vestimentas são descritos como 
roupas que respeitam a arquitetura do vestir, e isso se 
dá, também, pela forma de construção da roupa. 
“Nos anos 1970 contra o padrão máximo e indis-
cutível na moda, o do fio reto e da alfaiataria, Nanni 
162 
ERGONOMIA 
Especificamente em 1971, a pedido da Max Mara, 
Strada desenhou uma coleção de casacos, paletós e 
calças para inverno, estes produtos alcançaram muito 
sucesso, pois foram os primeiros casacos produzidos 
industrialmente sem forro, com acabamentos e cor-
tes sem barras e sem bordados. Tais projetos foram 
baseados na forma geométrica, em contraposição ao 
sistema anatômico das modelagens (STRADA, 2008). 
Posteriormente, Nanni apresentou as primei-
ras roupas desenvolvidas para viagens, a qual deu 
o nome de Torchon, tratava-se de peças plissadas e 
torcidas que se tornaram compressíveis o suficiente 
para permitir o uso nômade. A designer elaborou 
técnicas para fazer pregas e ondulações de forma 
inovadora, utilizando atributos tecnológicos, imagi-
nando uma peça com constante amassado e estetica-
mente agradável para inventar a Torchon. 
A Figura 6 demonstra o tecido com a técnica de 
Torchon e como ele pode ser guardado em nós para 
facilitar a colocação em malas ou organização em 
armários. Nestas imagens, também é possível ver 
alguém vestido com a técnica de Torchon com suas 
alças amarradas, dando, assim, liberdade ao usuário 
para modificá-la em diferentes formas de uso.
O fato de as alças serem amarradas, dá ao usuá-
rio possibilidade de brincar com a amarração, modi-
ficando o uso de uma mesma peça e, até mesmo, uma 
possível utilização como saia. A intenção de Nanni, 
em 1987, quando criou o Torchon, era dar à mulher 
a liberdade que ela necessitava para optar pela forma 
de uso da peça e possibilitar facilidade de transporte e 
manutenção da vestimenta durante uma viagem, inde-
pendentemente, se fosse por passeio ou por trabalho. 
A matéria-prima que a designer utilizou é com-
posta pela mistura de lã com poliéster, podendo ser 
comprimida drasticamente de volume, ocupando 
menores espaços em malas e guarda-roupas, além 
de ser plissado e guardado em nós, eliminando pre-
ocupações de manutenção com amassados durante 
viagens (FERREIRA, 2016).
Figura 5 - tecido com técnica Torchon
Fonte: Revista Numéro (on-line)6.
Figura 6 - Nanni Strada - Vestido Tubular em Torchon
Fonte: Contessanally (2018, on-line)7.
 163
 DESIGN 
Em 1993, a designer criou as saias e vestidos Pli-Plá, 
peças produzidas por plissados sanfonados cuja ma-
téria-prima era o Linho que permitia mais liberda-
de do corpo no uso da vestimenta. Tanto o Torchon 
como o Pli-Plá reduzem, absurdamente, o volume 
para facilitar o encaixe em bolsas de viagens e elimi-
navam preocupações com a peça no caso de amassar 
durante os deslocamentos.
A Figura 7 refere-se a uma peça, utilizando a téc-
nica sanfonada do Pli-Plá, com botões e alças feitas 
com amarrações para permitir a alteração, quando 
necessário. Enquanto a imagem da esquerda repre-
senta o Pli-Plá em forma de vestido, a imagem da 
direita representa a mesma peça, porém dobrada e 
ocupando pequeno espaço. 
O fato da vestimenta ter sido desenvolvida com bo-
tões e tiras para amarração, dão ao usuário diver-
sas formas de amarrar, abotoar e usar a criatividade 
durante o uso do produto, enquanto suas formas 
plissadas permitem que diferentes corpos habitem 
sem que se sintam desconfortáveis ou incomodados,pois a peça permite que o indivíduo desenvolva suas 
atividades diárias sem desconforto, incômodo ou 
riscos à sua saúde. Tanto no projeto de Issey Miyake 
quanto no projeto de Nanni Strada, aqui apresen-
tados, pudemos observar diversas premissas do de-
sign universal aplicadas na moda. 
Ambos baseiam-se em uso equitativo, pois se 
adequa a diferentes corpos, assim como atendem à 
premissa de flexibilidade no uso, neste caso, em es-
pecial, o de Nanni Strada por seus fechamentos 
em amarrações e botões que permitem que 
o usuário utilize a mesma peça de dife-
rentes maneiras.
Os projetos exemplificados 
também partem de um uso 
simples e intuitivo, eliminan-
do complexidades desneces-
sárias, de forma que o usuário 
compreende facilmente a forma 
de utilizar a peça e de guardá-la. 
Também atendem ao objetivo de re-
duzir gastos energéticos, pelo fato das 
peças serem de fácil manutenção, pois não 
amassam, eliminando, desta forma, o traba-
lho de passar a roupa e os excessos de cuidado 
no transporte em viagens.
Por meio desses exemplos de trabalhos, unindo 
tecnologias têxteis, modelagens, ergonomia e preocu-
pação com o usuário, pode-se compreender melhor 
as formas de aplicação do design universal na moda.
Figura 7 - Técnica Pli-Plá
Fonte: Revista ARC DESIGN (2011)8.
164 
ERGONOMIA 
A sensação e a percepção são etapas de um mesmo 
fenômeno: a captação de um estímulo que, poste-
riormente, é transformado, primeiro é a sensação e, 
depois, o corpo reflete por meio de vivências e gera 
uma percepção.
Assim, a sensação é um fenômeno essencial-
mente biológico, enquanto a percepção envolve pro-
cessamento e está ligada à recepção e conhecimento 
de uma informação, comparando-a com algo ante-
riormente armazenado na memória. Essa percepção 
depende de fatores individuais, como personalida-
de, nível de atenção e expectativas. Desse modo, a 
mesma sensação pode despertar diferentes percep-
ções em pessoas diferentes (IIDA, 2005). 
A roupa em contato com o corpo é a medida do 
conforto, mas nem sempre os produtos de vestuário 
atendem a esse objetivo. Na maioria das vezes, o de-
sejo de estar na moda leva o consumidor a optar por 
produtos inadequados que podem provocar disfun-
ções físicas, desconforto, ou acarretar problemas à 
sua saúde. Em vários momentos, são desconsidera-
dos os requisitos ergonômicos, ignorando o confor-
Percepção do Usuário no Uso 
da Vestimenta Ergonômica
 165
 DESIGN 
to e os princípios de usabilidade. Isso acontece com 
produtos cujo consumo ou desejo está no centro das 
atenções, como no caso da moda, em que encon-
tramos muitos produtos com estas características 
(MARTINS, 2006). 
Analisando friamente, a roupa é, basicamente, 
um objeto têxtil, então, o tecido deve ser pensado 
como a matéria-prima que modifica a superfície do 
corpo como se fosse uma segunda pele. Pensando 
desta forma, o têxtil é a matéria-prima que cobre ou 
descobre o corpo, participa da sua morfologia e gera 
novas relações e sensações entre o corpo e o meio 
(SALTZMAN, 2008). 
É possível evitar discrepância entre o desenvolvi-
mento e a vestibilidade e/ou a usabilidade do produto/
vestimenta, inadequações de formas e materiais, des-
perdícios e limitação da mobilidade requerida pela 
roupa. Quando o produto tem uma utilização eficaz, 
ele se torna prazeroso durante o uso, eliminando des-
conforto, insegurança e incômodo (MARTINS, 2005). 
Inevitavelmente, porém, começamos a nos irri-
tar com aquele calçado, começamos a evitar andar 
muito e começamos a perder o foco no que estamos 
fazendo, pensando apenas na hora de tirar aquele 
sapato. Este é um exemplo fácil de imaginar, pois, 
muitas vezes, já utilizamos sapatos desconfortáveis, 
e isso acontece com uma vestimenta, quando nos li-
mita de erguer o braço porque é apertada, ou quan-
do a calça aperta muito no cós e ficamos desconfor-
táveis ao longo do dia. Enfim, muitas são as causas 
de desconforto das vestimentas, mas a principal é a 
inadequação ao corpo.
Quando estamos com alguma peça desconfor-
tável, automaticamente, nossa relação com o espa-
ço modifica-se, transformando o ambiente em um 
espaço não tão agradável assim. Por isso, devemos 
dar a devida importância à modelagem e matéria-
-prima das vestimentas que projetamos para que 
não provoquem sensações ruins e desagradáveis 
aos nossos usuários. 
166 
ERGONOMIA 
As novas tecnologias têxteis contribuem, de forma 
positiva, com o funcionamento do corpo e, ainda, 
contribuem para sobrevivência em diversos am-
bientes. Quando se refere à moda como vestimen-
ta, é fundamental entender que o corpo é o suporte 
(AVELAR, 2011).
Os projetos propostos por Nanni Strada e Issey 
Miyake permitem liberdade no vestir, com inesgo-
táveis experimentações corporais. O conforto está 
presente, sem pressão e resistência do corpo, mas 
como um habitar tranquilo de percepções positivas. 
A peça não intervém na postura, nem impede o mo-
vimento do usuário, respeitando uma condição de 
acolhimento do vestir. 
Ambos os designers têm apresentado vestimen-
tas que agregam liberdade de movimento, seguran-
ça, conforto e melhor adequação aos diferentes tipos 
de corpos que, consequentemente, resultam em rou-
pas que são percebidas como vestimentas prazero-
sas. Além disso, tais designers criam seus projetos, 
pensando na facilidade de vestir corpos com dife-
rentes dimensões, sejam elas por etnias ou estaturas, 
mas, sempre, beneficiando a percepção e o conforto 
do corpo com relação à vestimenta. 
Fonte: Revista ARQ DESIGN (2011, on-line)8.
 167
considerações finais
Nesta unidade, pudemos compreender melhor a aplicação da ergonomia no design 
de moda. Assim, ao considerarmos que a vestimenta será utilizada pelo corpo 
humano e que as medidas desse corpo sofrem inúmeras alterações, variando de 
uma região a outra do Brasil e do mundo, pôde-se concluir que modelar uma 
vestimenta não é algo simples, principalmente, se tiver como objetivo beneficiar 
o usuário, deixando-o confortável de modo a preservar sua saúde e permitir sua 
livre mobilidade.
A aplicação ergonômica na moda foi detalhada e, além disso, alguns exemplos 
de designers foram apresentados para compreender esta aplicação na vestimenta, 
bem como o uso das premissas do design universal. Pôde-se constatar que, ao unir 
a tecnologia têxtil aos estudos ergonômicos e antropométricos, torna-se possível 
atender aos anseios dos usuários contemporâneos de forma positiva, fazendo com 
que ele, ao utilizar suas vestimentas, tenha uma percepção positiva de conforto, 
liberdade e saúde. 
Os trabalhos de Nanni Strada e Issey Miyake puderam comprovar que a relação 
entre pesquisa, tecnologia e ergonomia são capazes de criar produtos que atendam 
aos requisitos ergonômicos e de design universal, pois, além de serem utilizados 
por diferentes tipos de corpos, permitem também que o usuário utilize a vesti-
menta de diferentes formas.
Por fim, foi discutida a percepção do indivíduo ao usar um produto confortável 
ou desconfortável, desta forma, pôde-se compreender a importância do uso da 
ergonomia nos produtos de moda, para melhor sensação e percepção do usuário 
no uso da vestimenta e execução de suas tarefas diárias. 
Desta forma, espero que tenha compreendido a necessidade do uso da ergono-
mia em todas as áreas, inclusive na moda. Espero que tenha entendido também 
as formas de aplicação e que, a partir de agora, procure aplicá-las em todos os 
produtos, vestimentas e/ou espaços, buscando extrair sempre a melhor sensação 
do seu usuário.
168 
atividades de estudo
1. A antropometria trata das medidas físicas do corpo humano. Parece fácil, 
mas medir uma população com diferentes tipos de corpos é uma tarefa 
bem mais complicada. Além disso, as condições das medidas também in-
fluenciam quando tirada com roupa, sem roupa, com postura ereta, rela-
xado, com ou sem sapato. 
As medidas antropométricas são responsáveis pela melhor adequação do 
produto ou ambiente ao corpo. Pensando nisso, considere as afirmações 
a seguir:I. As medidas estáticas são tiradas com o indivíduo somente em pé e parado.
II. As medidas estáticas são tiradas com o indivíduo parado, seja em pé, sen-
tado, deitado, agachado, entre outros, mas sempre parado.
III. As medidas dinâmicas são tiradas com o indivíduo em movimento.
IV. As medidas dinâmicas são tiradas com o indivíduo em movimento, mas 
são utilizadas apenas para desenvolvimento de produtos esportivos.
 Assinale a opção correta.
a. II e III estão corretas.
b. I e III estão corretas.
c. II e IV estão corretas.
d. Somente I está correta.
e. Somente III está correta.
2. Os aspectos tecnológicos inseridos na matéria-prima são importantes para 
o desenvolvimento de uma vestimenta. Em que aspectos a tecnologia têxtil 
pode favorecer o usuário? Considere as afirmações a seguir:
a. A tecnologia têxtil auxilia apenas os portadores de necessidades especiais, 
pois torna simples a colocação e remoção da peça.
b. A tecnologia têxtil contribui com a impressão das estampas apenas.
c. A tecnologia têxtil contribui com a adequação aos diferentes tipos de cor-
pos, bem como com o uso dos estudos ergonômicos, ajuda a preservação 
da saúde, conforto e do bem-estar do usuário. 
d. A tecnologia têxtil não favorece o usuário, apenas torna mais barata a pro-
dução da roupa.
e. A tecnologia têxtil não agrega aspectos positivos ao usuário, apenas insere 
características tecnológicas na forma de vestir e de representar uma es-
tampa, por exemplo.
 169
atividades de estudo
3. A modelagem é de extrema importância para se obter um resultado positi-
vo na relação da roupa com o corpo. Durante a execução das modelagens, 
consideram-se alguns fatores primordiais. Quais são eles?
a. Tecido e modelo da vestimenta.
b. Tecido, biotipo do usuário e modelo escolhido.
c. O tipo de modelagem escolhido: plana, tridimensional ou computadorizada.
d. A tabela de medidas, tecido e modelo apenas.
e. Caimento, conforto, usabilidade, movimento, diferenças físicas, flexibilida-
de, necessidades estéticas, facilidades de vestir e despir. 
4. O intuito do projeto universal é tornar acessível um produto para um maior 
número de pessoas. Quais outros benefícios a inserção das premissas do 
design universal podem trazer a vestimenta?
a. Adequação a diferentes corpos e uso de diferentes cores, agradando, as-
sim, mais pessoas.
b. Adequação a diferentes corpos, multiplicação das formas de usos das pe-
ças, facilidade de manejo, fácil percepção de uso, entre outros.
c. O design universal, na roupa, dá-se pelos inúmeros idiomas presentes nas 
etiquetas de informações de manutenção da peça.
d. O design universal pode ser aplicado na moda de forma que se adéque a 
todo mundo, sem exceção.
e. O design universal é uma ferramenta exclusiva do design de produto, não 
se adequando à moda.
5. A ergonomia busca sempre melhorar o produto que resulta em uma per-
cepção positiva. O que difere a sensação da percepção?
a. A sensação e a percepção são etapas de um mesmo fenômeno, a captação 
de um estímulo que, posteriormente, é transformado, primeiro dá-se a sen-
sação e, depois, o corpo reflete por meio de vivências e gera uma percepção.
b. Ambos são estímulos sensoriais, sendo o primeiro a percepção e, depois, 
o corpo reflete por meio de vivências e gera uma sensação.
c. A percepção e a sensação têm exatamente o mesmo significado, ficando a 
critério do indivíduo optar por qual termo prefere usar.
d. A sensação dá-se pelo conforto com o uso de uma vestimenta, e a percep-
ção dá-se pela forma como os outros o veem e você é percebido(a).
e. A sensação é a percepção do corpo, enquanto a percepção é a sensação 
do cérebro. Assim, qualquer sensação do corpo é denominada sensação e 
relacionada à mente, é denominada percepção.
170 
LEITURA
COMPLEMENTAR
Ergonomia no vestuário: os desafios da aplicabilidade
Um dos principais desafios da indústria do vestuário é produzir peças com a agilida-
de imposta pelo mercado, fazendo com que as vestimentas tenham design inovador, 
diferenciado, com boa estética e ergonomia. Aspectos que favorecem a usabilidade 
da roupa pelo consumidor, orientam a produção para as necessidades do mercado e 
resultam positivamente na competitividade da empresa.
As confecções precisam considerar todos estes aspectos no momento da criação e fa-
bricação, para poder construir uma peça que atenda essas questões. O primeiro passo 
é conhecer o público-alvo – conhecer o que os agrada – e, principalmente, as propor-
ções corporais do consumidor, com o foco em uma peça esteticamente agradável e que 
proporcione conforto.
O empresário deve considerar três fatores no momento de confeccionar uma roupa: 
qualidades técnicas, qualidades ergonômicas e qualidade estéticas. O primeiro faz re-
ferência ao funcionamento e eficácia das funções, facilidade de manutenção – limpeza 
e manuseio.
Nesta fase a empresa deve avaliar o comportamento dos usuários e as pesquisas de 
tendências de moda, que influenciam o consumidor na hora da compra. Também preci-
sam conhecer as bases têxteis e utilizar as mais indicadas para cada um dos segmentos 
do mercado.
Outro aspecto que deve ser analisado em todo o processo de criação e produção do 
vestuário é as qualidades ergonômicas no vestuário. Nesta etapa deve-se considerar a 
compatibilidade de movimentos, a adaptação antropométrica, o conforto e a seguran-
ça oferecidos peça peça.
As definições de conforto em ergonomia no vestuário são algo difícil de se conceituar, 
pois se trata de aspectos físicos como temperatura, sensação térmica, medidas que 
correspondam ao corpo do usuário e formas que proporcionem o conforto no uso das 
peças.
 171
LEITURA
COMPLEMENTAR
A qualidade estética faz um apelo ao design da roupa, pois atua no sentido de combinar 
cores, formas, materiais e texturas, com o objetivo de deixar o produto com um visual 
agradável. Para atingir a todas essas qualidades, no entanto, é necessário envolver to-
dos os setores da confecção. O trabalho é lento e exige as mais diferentes habilidades 
da equipe nas etapas de conceito, criação e produção.
A ergonomia no vestuário exige uma série de adaptações antropométricas que incluem 
facilidades no manuseio, no uso, no conforto, na segurança e na vestibilidade da peça. 
Para alcançar um resultado o mais próximo do positivo é importante avaliar algumas 
variáveis, como as medidas adequadas da peça, o tecido, e o uso de pences que atuem 
no sentido de modelar a roupa no corpo, acomodando as saliências corpóreas.
As empresas também precisam ter dados antropométricos confiáveis para poder fazer 
o projeto do design do produtos, a fim de proporcionar qualidade e aplicações ergo-
nômicas às peças. A preocupação e a busca pela inclusão da ergonomia no vestuário 
agrega valor ao produto e é um grande desafio no mercado da moda. 
Fonte: Audaces (2013, on-line)
172 
material complementar
A Modelagem sob a ótica da Ergonomia
Maria de Fátima Grave
Editora: Zennex
Sinopse: o livro trata da modelagem do vestuário de maneira a torná-lo mais 
confortável e funcional, respeitando o desempenho e a motricidade do corpo 
humano, conjugando sentimentos, pensamentos e ações por meio de estudos 
multidisciplinares. Considerando a anatomia, conta com aplicações empíricas que 
conferem maior qualidade à confecção, favorecendo o indivíduo no dia-a-dia e 
possibilitando a inclusão dos portadores de deficiências físicas.
Indicação para Ler
Modelagem Tridimensional Ergonômica
Fátima Grave
Editora: Escrituras Editora
Sinopse: segundo Fátima Grave, “a indústria da confecção dispõe de diversas téc-
nicas de modelagem sofisticadas e, ao reunir um bom programa de computador 
com um bom especialista em modelagem, contando ainda com o tecido ideal, 
mesmo o modelo mais simplório irá tornar-se uma peça sofisticada. Empresas 
de confecções devem empregar profissionais que dominem diversas dessas téc-
nicas, o que garantirá uma economia significativa no custo final de seu produto”. 
Esta obra dedica-seao esclarecimento da Modelagem Tridimensional, capacitan-
do o estudante e atualizando os profissionais da moda na tarefa de atender à 
demanda do mercado.
Indicação para Ler
Neste artigo “Ergonomia e Moda”, a autora parte da delimitação de fronteiras entre a moda e vestuário 
para demonstrar de forma sucinta as diversas ferramentas que devem ser consideradas no desenvolvi-
mento de um produto.
Acesse: https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262. 
Indicação para Acessar
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262
 173
material complementar
A Moda-Vestuário e a Ergonomia do Hemiplégico
Maria de Fátima Grave
Editora: Escrituras
Sinopse: a obra de Fátima Grave procura explorar as características da postura do 
deficiente físico hemiplégico, para melhor atender suas necessidades em relação 
ao conforto no vestuário. Com base em pesquisas e depois de estabelecer as defi-
nições específicas a respeito de sua condição física, a autora caminha em direção 
à apresentação de protótipos ergonomicamente ajustados.
Indicação para Ler
Coco Antes de Chanel
Ano: 2009
Sinopse: Coco Avant Chanel conta a história da estilista francesa Gabrielle “Coco” 
Chanel, de sua infância pobre até a criação da maison Chanel.
Comentário: o filme fala sobre a história de Coco Chanel, uma mulher à frente 
de seu tempo que sempre aplicou o conforto em suas peças sem deixar de lado o 
luxo e o glamour de seu tempo.
Indicação para Assistir
O artigo relaciona a ergonomia aplicada ao público small size, ou seja, o oposto do plus size, e que também 
necessita de pesquisas específicas de adequação corporal.
Acesse: http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio%20de%20Moda%20-%202017/COM_ORAL/co_1/
co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf. 
Indicação para Acessar
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2017/COM_ORAL/co_1/co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2017/COM_ORAL/co_1/co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf
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http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2017/COM_ORAL/co_1/co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2017/COM_ORAL/co_1/co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2017/COM_ORAL/co_1/co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2017/COM_ORAL/co_1/co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2017/COM_ORAL/co_1/co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf
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http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2017/COM_ORAL/co_1/co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2017/COM_ORAL/co_1/co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf
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file:///V:/Producao_de_Materiais/03_Gradua%c3%a7%c3%a3o/01_Cursos/Design%20de%20interiores/2019/C1/ERGONOMIA/03_Design%20Editorial/01_Livro/WORD/da.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2017/COM_ORAL/co_1/co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf
http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio de Moda - 2017/COM_ORAL/co_1/co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf
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7Em: http://contessanally.blogspot.com/2018/01/venice-teatrino-di-palazzo-
grassi. html. Acesso em: 04 abr. 2019.
8Em: https://issuu.com/prodweb/docs/arc_31_pdf_baixa_completo. Acesso 
em: 04 abr. 2019.
9Em: https://www.audaces.com/ergonomia-no-vestuario-os-desafios-da-
aplicabilidade/. Acesso em: 04 abr. 2019.
1. A
2. C
3. E
4. B
5. A
Conclusão geral
Caro(a) aluno(a), ao longo deste livro, pudemos compreender melhor o significa-
do e o uso da ergonomia no design. Se partirmos do princípio de que um objeto, 
um ambiente ou uma vestimenta será utilizada pelo corpo humano, então, temos 
que nos basear nas medidas do corpo.
Os estudos de casos trazidos ao final dos capítulos para discussão, represen-
tam algumas formas de se desenvolver um ambiente ou produto que se adéque 
melhor ao usuário, beneficiando sua saúde, bem-estar, conforto e aguçando per-
cepções positivas durante o uso. Isso se dá também pela forma como a ergonomia 
aplica-se e respeita seus usuários com suas especificidades corporais, necessida-
des de mobilidade e busca por saúde e conforto. 
Pudemos compreender, também, alguns tipos de doenças de trabalho e for-
mas de preveni-las com a aplicação da ergonomia, seja com intervenções físicas 
ou conscientização dos problemas ou possíveis soluções junto ao usuário. Além 
disso, especificamente, no design de interiores, compreendemos melhor as nor-
mas de iluminação em ambiente, proteção de ruídos, vibrações e melhor forma de 
escolher e dispor o mobiliário para diferentes tipos de usos no ambiente. 
No design de produto, observamos as diferentes formas de adequar um pro-
duto aos variados tipos de usuários, principalmente, com o uso do design univer-
sal. E, por fim, no design de moda, refletimos sobre a importância de se conhecer 
o corpo para criar. Desta forma, foram exploradas as modelagens ergonômicas e 
algumas ferramentas tecnológicas que podem otimizar a relação da vestimenta 
com o corpo do usuário. Tudo isso, sempre, pensando na melhor forma de ade-
quar o ambiente, o produto ou a vestimenta ao usuário e proporcionar todos os 
benefícios esperados por meio da ergonomia.
Espero que tenha compreendido, aproveitado e gostado dessa nossa jornada 
ergonômica e que tenha a consciência da importância de seu uso em seus proje-
tos, para melhor atender seu usuário.
	UNIDADE I
	Ergonomia: definição e abrangência
	Definição e Surgimento da Ergonomia
	Abrangência da Ergonomia
	Aplicação na Vida Diária
	Aplicação da
	Antropometria
	UNIDADE II
	ERGONOMIA EM AMBIENTE DE TRABALHO
	Biomecânica Ocupacional
	Posto de Trabalho, Controles e Manejos 
	Percepção e Processamento de Informação 
	Ergonomia no Dia a Dia 
	UNIDADE III
	ERGONOMIA DO PRODUTO
	Adaptação Ergonômica de Produtos
	Projetos Universais
	Desenvolvimento de Produto Ergonômico
	A Importância de Produtos Ergonômicos
	Estudo de Caso
	UNIDADE IV
	ERGONOMIA APLICADA NO AMBIENTE
	Iluminação e Cores
	Ruídos e Vibrações 
	Ergonometria
	Ergonomia e Mobiliário
	Estudo de Caso 
	UNIDADE V
	ERGONOMIA NA MODA
	Aplicação da
	Antropometria na Moda
	Ergodesign e a Matéria-Prima Tecnológica
	Ergonomia na
	Modelagem
	Projeto de Moda Universal
	Percepção do Usuário no Uso da Vestimenta Ergonômica
	Conclusão geral
	Button 1:

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