Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Introdução à Ead 11
A leitura e seus estágios
OBJETIVO
Ao término deste capítulo você será capaz de compreender
o conceito de leitura e os seus estágios. Isto será
fundamental para aluno em formação na modalidade de
ensino da educação a distância. E então? Motivado para
desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!
Leitura: como definir?
Segundo o último Censo do IBGE (2018), existem 11,3 milhões
de analfabetos no Brasil. Esse número vem diminuindo ao longo dos
anos, porém, outro termo ganhou bastante destaque: o analfabetismo
funcional. Você sabe a diferença entre analfabetismo e analfabetismo
funcional?
Analfabetas são as pessoas que não conhecem o alfabeto ou
não sabem ler nem escrever e, os analfabetos funcionais são pessoas
que sabem ler e escrever, mas não são capazes de interpretar o texto
que leem, e essa parte da população corresponde a 30% dos brasileiros
que têm entre 15 e 64 anos (AÇÃO EDUCATIVA; INSTITUTO PAULO
MONTENEGRO, 2018).
ACESSE:
Veja gráficos sobre resultados da pesquisa sobre
analfabetismo e analfabetismo funcional em:
https://bit.ly/2QQnnxa
12 Introdução à Ead
SAIBA MAIS:
Às pessoas que sabem ler e escrever dá-se o nome de
alfabetizadas e, às pessoas que sabem ler, escrever e
conseguem usar essas habilidades nas demandas sociais
são denominadas letradas.
Mas o que significa ler? Você já parou para pensar nisso? Uma
busca rápida em qualquer dicionário mostrará como definição de leitura
o “ato de ler”, juntamente com “o ato de compreender o conteúdo de um
texto escrito”. Porém, como acabamos de ver, há muitas pessoas que
não conseguem compreender aquilo que leem. Sendo assim, podemos
usar as duas definições para o ato da leitura?
Figura 1 – A leitura é uma atividade exclusivamente humana
Fonte: Freepik
A leitura é uma atividade exclusivamente humana, que nos
permite o acesso a um infinito conhecimento. Ela está intimamente
ligada ao processo de aprendizagem. Por isso, o tema é amplamente
estudado por várias perspectivas: do ponto de vista linguístico, é claro,
mas também psicológico, biológico, social, entre outros.
Introdução à Ead 13
Etimologicamente, a palavra vem do verbo em latim lego, cuja
primeira acepção é “juntar, reunir”. Ele também significa “ler”, pois essa
ação nada mais é que juntar e reunir as palavras, as sentenças e as
partes de um texto.
O educador Paulo Freire dedicou uma obra inteira ao assunto,
“A importância do ato de ler”, em que afirma que “A leitura do mundo
precede a leitura da palavra” (FREIRE, 1988). Nesse sentido, todos nós
temos a capacidade de ler, já que estamos, a todo o momento, lendo a
realidade que nos cerca, isto é, lendo o mundo.
A definição apresentada no texto dos Parâmetros Curriculares
Nacionais (2001, p. 53) é a seguin te:
A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho
ativo de construção do significado do texto, a partir dos seus
objetivos, do seu conhecimento sobre o assunto, sobre o
autor, de tudo o que sabe sobre a língua: características do
gênero, do portador, do sistema de escrita etc.
Vilson Leffa (1996, p. 11), pesquisador da UFRGS, define leitura
como o “processo de interação entre o leitor e um determinado segmento
da realidade, que é usado para representar um outro segmento”. Ao
estudar o tema, o autor nos lembra das duas definições restritas de
leitura, as quais são antagônicas:
[...] (a) ler é extrair significado do texto e (b) ler é atribuir
significado ao texto. O antagonismo está nos sentidos
opostos dos verbos extrair e atribuir. No primeiro, a direção
é do texto para o leitor. No segundo, é do leitor para o texto.
Ao se usar o verbo extrair, dá-se mais importância ao texto.
Usando o verbo atribuir, põe-se a ênfase no leitor. (LEFFA,
1996, p. 11)
Leffa segue explicando que a melhor definição, por vários motivos,
é a segunda: ler é atribuir significado ao texto. O autor explica:
A qualidade do ato da leitura não é medida pela qualidade
intrínseca do texto, mas pela qualidade da reação do leitor.
A riqueza da leitura não está necessariamente nas grandes
obras clássicas, mas na experiência do leitor ao processar
o texto. O significado não está na mensagem do texto, mas
14 Introdução à Ead
na série de acontecimentos que o texto desencadeia na
mente do leitor. (LEFFA, 1996, p. 14)
Vamos concordar com o autor ao optar por essa definição, já
que acreditamos que a leitura depende sim, mais do leitor do que do
texto em si e da forma como o primeiro interage com o segundo. Isso
vai ao encontro dos resultados que trazem as pesquisas no que se
refere à taxa de analfabetismo funcional. Significa que aqueles que não
compreendem o que está escrito não estão conseguindo interagir com
o texto.
E como podemos realizar a leitura de modo a interagir com o
texto e alcançar a sua compreensão total? Para Leffa (1996, p. 25),
Para compreender um texto devemos relacionar os dados
fragmentados do texto com a visão que já construímos
do mundo. Todo texto pressupõe essa visão do mundo
e deixa lacunas a serem preenchidas pelo leitor. Sem o
preenchimento dessas lacunas a compreensão não é
possível.
Para Andrade (2016, p. 1-2), tal definição é, hoje, muito mais
complexa:
Sabe-se que o conceito de leitura foi aperfeiçoado nas
últimas décadas. Nos dias atuais, a leitura não se constitui
um processo de decodificação do texto, nem somente
a compreensão e interpretação do signo linguístico. Na
verdade, a leitura possui uma dimensão mais ampla do
que apenas atribuir significado às palavras e frases. Pereira,
Souza e Kirchof (2012) afirmam que o ato de ler transcende
à simples decodificação, compreensão e interpretação do
signo linguístico, porquanto pressupõe o ato de dar sentido
ao texto, o que estará sempre na dependência da vivência
histórica do sujeito, do seu modo de pensar e olhar o
mundo.
O que observamos no comentário de Andrade (2016) é, novamente,
que o foco está no leitor, o sujeito que olha para o texto. Podemos
aproximar essa afirmação do que queremos dos nossos alunos, tanto
no ensino presencial como no ensino a distância. A habilidade de leitura
Introdução à Ead 15
é algo trabalhado na escola desde os primeiros anos. E assim deve
ser em todos os níveis de ensino, já que os textos vão ganhando mais
complexidade ao longo da vida escolar. Ora, se lemos e estudamos por
meio da leitura durante a nossa vida toda, por que então, existem tantas
pessoas que não conseguem compreender um texto?
Segundo Silva,
Ler é básico para o progresso na aprendizagem de qualquer
assunto. A formação de um leitor competente, segundo
os PCN (2001, p. 54), “só pode constituir-se mediante uma
prática constante de leitura de textos de fato, a partir de um
trabalho que deve se organizar em torno da diversidade de
textos que circulam socialmente”. (2011, p. 25)
Tal questionamento é objeto de estudo de muitos pesquisadores,
que tentam entender o que está errado na educação básica/
fundamental, por que motivo os alunos estão chegando muito fracos
ao ensino superior, no que diz respeito à leitura, e o que pode ser feito
para que a prática se torne hábito na população brasileira, assim como
já acontece em outros países.
Uma nota, antes de seguirmos: quando falamos de leitura, estamos
nos referindo à leitura de objetos das mais variadas espécies. Podemos
ler um texto, um filme, uma obra de arte, até mesmo uma expressão
facial, já que, como apontou Freire, a leitura do mundo vem antes da
leitura da palavra. Nesse sentido, estamos lendo (e interpretando) todas
as coisas a todo o momento.
Nesta unidade, porém, vamos nos deter à leitura de um texto
escrito, que constitui a maior fonte de pesquisa para os estudantes.
Ainda que existam materiais em outros formatos, vamos nos concentrar
no texto escrito por se tratar de objeto de fundamental importância, e
que ainda causa muita dificuldade de interpretação por parte dos alunos.
16 Introdução à Ead
REFLITA:
Com certeza você já teve dificuldade de ler e compreender
um texto, não é mesmo? Muitas vezes parece que estamos
lendo um texto escrito em outra língua, tão distante nos
parece do que costumamos ler no diaa dia. Por que será
que isso acontece?
Problemas de compreensão de texto começam a aparecer já
na infância, assim que começamos a “juntar as palavras”, e nunca mais
deixam de existir. De tempos em tempos nos deparamos com algo
difícil de compreender, seja no nosso dia a dia, como leitores de jornais
e revistas, seja no contexto acadêmico, como leitores de ciência. Mas
ninguém pode negar que a leitura é essencial para a nossa vida escolar,
nos mais diversos níveis.
Observe o que afirmam Lakatos e Marconi (2018, p. 1) à respeito da
importância da leitura para os estudos:
[A leitura] favorece a obtenção de informações já
existentes, poupando o trabalho da pesquisa de campo ou
experimental. Ela propicia a ampliação do conhecimento,
abre horizontes na mente, aumenta o vocabulário,
permitindo melhor entendimento do conteúdo das obras.
[...] Dois são os seus objetivos fundamentais: serve como
meio eficaz para aprofundamento dos estudos e para a
aquisição de cultura geral.
De fato, a leitura é uma atividade complexa. Na sequência,
você verá que muitas vezes, não é na primeira leitura que chegamos
a uma compreensão total. Existem alguns estágios para chegar a uma
compreensão completa de um texto escrito, de modo que se possa
refletir sobre ele.
Introdução à Ead 17
Estágios da leitura
Os estágios da leitura dizem respeito ao nível de compreensão
que uma pessoa tem ao ler um texto, desde o seu primeiro contato com
ele até a fase em que é capaz de realizar uma leitura crítica a respeito
do que foi abordado.
Figura 2 – Os estágios da leitur a dizem respeito ao nível de compreensão que uma pessoa
tem ao ler um texto
Fonte: Freepik
VOCÊ SABIA?
A informatividade de um texto é medida pelo grau de
intimidade que o leitor tem com determinado assunto.
Quanto mais uma pessoa sabe sobre um tema, menos
informativo, para ela, vai ser um texto sobre esse tema, e
vice-versa. Por exemplo: se você é fã de super-heróis, um
texto que explica as características dos super-heróis vai ser
menos informativo para você do que para uma pessoa que
nunca se interessou por eles. Logo, não podemos dizer
que um texto é bastante informativo ou não, pois isso vai
depender mais do que o leitor sabe sobre o assunto do que
do conteúdo do texto.
18 Introdução à Ead
Vamos conhecer, a partir de agora, os quatro estágios:
Reconhecimento ou pré-leitura; Leitura seletiva; Leitura interpretativa;
Leitura crítica (ou reflexiva) e suas características.
Reconhecimento ou pré-leitura
Aa leitura superficial do texto serve para se ter uma ideia do
que ele trata – seu conteúdo e sua organização. No caso de textos de
jornal, por exemplo, trechos são destacados para fazer com que o leitor
observe quais são as principais partes. O título e subtítulo (se houver)
são extremamente importantes, pois chamam a atenção para o tema
principal que será abordado.
Nesse estágio, o leitor pode responder à pergunta: de que trata
o texto? Assim, ele tem uma visão global do assunto, porém, não se
aprofundará em subtemas ou informações mais específicas.
É muito comum hoje, nas redes sociais, nos depararmos com
títulos de textos. E muitas vezes, ficamos só no título: não lemos o texto,
nem sequer clicamos no link para acessar mais informações sobre o
assunto. Está aí uma boa maneira de confirmar de que modo fazemos
essa leitura de reconhecimento.
Faça o teste. Quando estiver em uma rede social e se deparar
com uma notícia, pare para refletir: o título me chamou a atenção? Eu
estou interessado em saber mais sobre isso?
Leitura seletiva
Neste segundo estágio de leitura, a pessoa realiza uma leitura
mais atenta do texto, inspecionando-o. Ela presta atenção nas sentenças,
compreende o contexto envolvido na sua produção.
Aqui, o leitor ainda não faz uma leitura minuciosa, mas inicia esse
processo, separando aquilo que é essencial e deixando de lado o que é
desnecessário.
Vamos continuar com o exemplo de uma notícia que você
encontrou ao navegar em sua rede social. Você se interessou pelo
assunto e quer saber mais: se tiver acesso ao texto completo da notícia,
Introdução à Ead 19
de que forma você vai lê-lo? Vai passar o olho para “pescar” algumas
informações relevantes ou vai ler atentamente? É bem provável que
você dê uma “sondada”, uma passada de olho nesse momento. E isso
vai fazer com que se interesse ou não por uma leitura mais minuciosa.
Leitura interpretativa
Na leitura interpretativa, o leitor consegue identificar as
informações que estão sendo colocadas no texto, bem como o que o
autor dele quer dizer. O leitor analisa as partes do texto – introdução,
desenvolvimento, conclusão – estabelecendo uma correlação entre
elas.
Aqui, a leitura é minuciosa e não se perde nada. Se há alguma
palavra que o leitor não conhece, ele vai procurar o seu significado e, se
algo passou despercebido durante a leitura, o leitor vai voltar atrás para
entender melhor.
Figura 3 – O terceiro estágio da leitura compreende a fase interpretativa
Fonte: Freepik
20 Introdução à Ead
Neste estágio, o leitor é capaz de entender a intenção do autor ao
escrever aquele texto, e de relacionar o seu posicionamento com outros
textos que já leu. É importante dizer que, neste caso, o aproveitamento
do texto dependerá da bagagem que o leitor já tem acerca do assunto. Se
houver alguma referência ou uma informação implícita (um pressuposto),
o leitor experiente será capaz de localizá-la.
Continuando com o exemplo do texto encontrado na rede social,
o leitor após se interessar sobre o tema e fazer uma leitura seletiva,
mergulha de fato, em todas as suas partes, percebendo alguns fatores,
por exemplo: como foi construído, por que, em que contexto. Assim,
o leitor é capaz de falar sobre o assunto, explicando a outras pessoas
aquilo que leu.
Leitura crítica ou reflexiva
Neste estágio podemos dizer que há uma compreensão maior
do texto por parte do leitor, pois ele reflete de maneira crítica sobre o
conteúdo. Ele compara, julga as informações apresentadas de modo a
tomar uma posição. Nesta fase, portanto, o leitor vai além da mensagem
do texto, fazendo juízo de valor a respeito daquilo que leu.
Neste nível, que é o último, o leitor já é capaz de responder
criticamente ao texto que leu, pois compreende todas as suas nuances
– o tema tratado, as partes do texto, de que modo foi construído, a
intenção do autor, o contexto em que foi escrito, como se relaciona
com o mundo e com outras produções sobre o mesmo tema etc. – e,
além disso, consegue julgar o texto, estabelecendo a ele um valor a
partir do que já leu sobre o assunto: é um texto mais completo? Cai em
contradição? É coerente e apresenta concisão? A opinião do autor é bem
fundamentada? Está de acordo com a minha? Vai de encontro com a de
outros autores?
No exemplo que utilizamos, finalizado este estágio de leitura – e
somente após isso –, o leitor poderia escrever sobre o assunto, fazendo
uma crítica (positiva ou negativa) a respeito do texto, pois tem total
intimidade e compreensão daquilo que leu que é capaz de opinar sobre.
Introdu誽o ?Ead 21
Quadro 1 - Estágios da leitura
Fonte: Adaptado de Lakatos e Marconi (2019)
REFLITA:
A partir de sua experiência com o uso de redes sociais e
observando o comportamento dos outros, você acredita
que as pessoas realizam uma leitura crítica dos textos antes
de compartilhá-los ou de comentar sobre eles?
Retomando os quatro níveis de leitura, podemos estabelecer um
quadro que sintetiza o que acontece em cada um deles:
Estágio Definição Questão
Reconhecimento
ou pré-leitura
Leitura superficial Qual é o tema?
Seletiva Inspeção
Quais são
as principais
informações que o
texto traz?
Interpretativa Leitura minuciosa
Qual é o
posicionamento do
autor sobre o tema?
Crítica ou reflexiva
Julgamento do
conteúdo
Concordo ou discordo
do posicionamento do
autor e por quê?
É fundamental que você aluno, que está em formação profissional
e que está realizando está formação em um curso na modalidade a
distância, atente-se para as informações que foram apresentadas até
aqui. Faça da leitura a sua aliada no processo da aprendizagem.
22 Introdução à EadRESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo,
vamos resumir o que vimos. Você deve ter aprendido que as
definições de leitura e teve a oportunidade de conhecer os
seus quatro estágios ou níveis: o reconhecimento, a leitura
seletiva, a interpretativa e a crítica. É muito importante que
você aluno, faça com que a leitura se torne um hábito,
pois dessa forma, conseguirá passar por esses estágios de
modo a compreender e julgar um texto.
Introdu誽o ?Ead 23
Os estágios da leitura nos estudos
OBJETIVO
Ao término deste capítulo você será capaz de identificar
e utilizar esses estágios de leitura em seus momentos de
estudo. Isto será fundamental para você em processo de
formação profissional. E então? Motivado para desenvolver
esta competência? Então vamos lá. Avante!
Decodificação e diferenciação
Como vimos no capítulo anterior, uma primeira definição de leitura
seria a de extrair significado do texto. Seria como decodificar os símbolos
que ali estão colocados. Porém, já vimos que essa não é a melhor
maneira de conceituar o ato de ler. Estamos entendendo aqui, a leitura
como uma atividade além da decodificação: ela depende do sujeito
leitor e da sua experiência, constituindo-se um processo interacional. Ao
ler, estamos estabelecendo uma relação com o texto, relação esta que
será diferente para cada leitor, pois depende da bagagem que ele tem,
do que ele espera do texto, de como ele o recebe.
Vamos imaginar que você está assistindo a um filme pela primeira
vez, e a primeira leitura que faz dele é mais superficial, você pode não
entender algumas partes, outras podem até passar despercebidas;
você está focado no enredo, numa primeira camada da história, que é
a mais explícita e que a maioria dos espectadores vai compreender. Na
segunda vez que você assiste a esse filme, como já conhece o enredo,
presta atenção em aspectos menos evidentes e, descobre alguns
efeitos de sentido, detalhes que passaram despercebidos da primeira
vez. Além disso, os espectadores de uma época podem assistir a esse
filme de maneira diferente daquela que pessoas de décadas anteriores
o assistiram.
E o que podemos comprovar com isso? Que o sentido ou a
compreensão de uma obra (seja ela um filme, um texto) não está na
24 Introdução à Ead
forma como ela foi elaborada, e sim na relação estabelecida entre ela e
o seu leitor. E quando mais experiente for o leitor, melhor será a interação
entre ele e o objeto que está lendo. Afinal, as nossas leituras constituem
nosso repertório.
Sendo assim, que tal nos aprofundar nos estágios da leitura,
utilizando-os em nossos momentos de estudo? Parece complicado, mas
a prática fará com que a leitura se torne algo cada vez mais confortável.
Os estágios da leitura nos estudos
Para ilustrar como isso acontece em um ambiente escolar
ou acadêmico, vamos tomar como exemplo um aluno que esteja
pesquisando sobre o tema “novas tecnologias na educação a distância”,
passando pelos quatro estágios de leitura. Vamos lá!
Reconhecimento ou pré-leitura
Como vimos, há um estágio anterior ao que consideramos, de
fato, uma leitura. É aquele momento em que nos deparamos com uma
manchete de jornal, a capa de um livro, mas ainda não sabemos mais
detalhes sobre o texto dentro dele. Chama-se pré-leitura ou leitura de
reconhecimento.
Utilizamos esse nível de leitura quando procuramos referências
sobre um tema que estamos estudando: fazemos uma seleção de
documentos relevantes a respeito de determinado assunto a partir de
uma leitura pré-seletiva, observando a capa de um livro, seu sumário,
o título de um artigo, o t exto de introdução ou conclusão, por exemplo.
No caso do aluno, seria o ponto de partida, isto é, a procura
por materiais que tratem do tema “novas tecnologias na educação
a distância”. Uma rápida busca na internet vai gerar alguns primeiros
resultados. É importante que você saiba que na unidade seguinte
veremos as técnicas a serem utilizadas no momento da busca na internet
através dos buscadores. Então, recomendamos que você associe os
conhecimentos adquiridos nas duas unidades para que tenha proveito
em seus estudos.
Introdu誽o ?Ead 25
Voltamos ao que estávamos comentando anteriormente, que
era a busca por materiais na internet. Vejamos o que o resultado nos
apresentou.
Quadro 2 - Exemplos de resultados.
1. EAD e as Novas Tecnologias
O atual sucesso da modalidade de Ensino a Distância (EAD) só
se faz possível devido à constante evolução das Tecnologias de
Informação e de Comunicação.
2. Conheça as tecnologias usadas no ensino a distância -
EAD
São milhares de novos cursos superiores autorizados pelo MEC
todo ano e essa modalidade de ensino tem tornado possível o
sonho do diploma para muitas...
3. 9 tecnologias para EAD essenciais nos cursos à
distância
As novas tecnologias agora incluem fóruns de discussão, e-mail,
gravações de áudio e vídeo, biblioteca virtual, etc.
www.epdonline.com.br › noticias › EaD-a-tecnologia-a-favor-daeduc...
4. EAD: A tecnologia a favor da educação | EPD Online
O ensino a distância (EAD) é uma modalidade que usa a tecnologia...
e realizar um curso que possibilite a conquista de novos caminhos.
5. As novas tecnologias a serviço da educação à distância
Nos anos 1996, a nova LDB, Lei nº. 9.394/96 contemplou novos
avanços a EaD, estabelecendo a regulamentação da modalidade
de Educação a Distância ...
6. Educação a distância e as novas tecnologias
Consulta a “material já elaborado, constituído principalmente de
[...] artigos... Seguindo esse raciocínio, a EaD é fruto de tecnologias
que possibilitaram o seu.
26 Introdução à Ead
7. Seminário discute uso da tecnologia na EAD - MEC
A tecnologia tem sido uma importante ferramenta para a melhoria
da... Em educação a distância e em novas tecnologias de
aprendizagem
Fonte: as autoras
Com essa lista de resultados, o aluno fará uma pré-leitura para
descartar os textos que não são relevantes para o seu trabalho. Por
exemplo: textos sem autoria ou de sites não acadêmicos. Ele vai preferir
livros e artigos científicos sobre o tema, pois estes podem servir como
referenciais teóricos.
Vamos imaginar que o aluno tenha escolhido o artigo que
aparece no sexto resultado dessa lista: “Educação a distância e as novas
tecnologias”.
O fato de se tratar de um artigo já é um ponto positivo para que
o texto faça parte da sua lista de referências utilizadas no trabalho, pois
contém um autor e foi publicado em alguma revista científica, o que,
por si só, lhe confere credibilidade. Além disso, o título confirma que vai
abordar o assunto que é tema da pesquisa do aluno.
Neste estágio, o aluno pode ler o título, o resumo do artigo, a
introdução, mas não mais que isso – do contrário, já estaria na fase
posterior de leitura. Observe que, ao ler o resumo, o aluno é capaz de
saber que se trata de material relevante para a sua pesquisa:
RESUMO
As inovações tecnológicas transformaram nossa relação
num ambiente constante de troca de informações, que
caracteriza a sociedade moderna e os indivíduos das
gerações “Z” e Millennials, surgidos no contexto da internet
e das redes sociais. A irreversibilidade desta realidade se
confirma no surgimento dos softwares de Ambiente Virtual
de Aprendizagem (AVA) e na evolução tecnológica por qual
passa a Educação a Distância (EaD). A metodologia deste
estudo é uma pesquisa de caráter qualitativo e cunho
bibliográfico, no objetivo de analisar a evolução tecnológica
Introdu誽o ?Ead 27
dessa ferramenta, suas aplicações e características –
positivas e negativas – apontando desafios e tendências.
Os resultados indicaram que a evolução tecnológica e
modernização da EaD se deu graças ao desenvolvimento
das TICs, identificando-se duas fortes tendências para o
futuro: o mobile learning e a gamification. No Brasil, o atraso
tecnológico – falta de acesso à internet (inclusão digital)
e social – qualificação de profissionais; são consequência
da falta de Políticas Públicas que contemplem a Educação
e desafios da EaD no país. Portanto, novaslinhas de
pesquisa relacionadas a esta discussão teórica podem
ser feitas e espera-se que este trabalho tenha contribuído
para instigar a pesquisa acadêmica na Educação, visando
uma sociedade com melhores expectativas para o futuro.
(MENDES; ZAFINO, EZEQUIEL, 2018, p. 1)
Conseguiu compreender a importância de se analisar bem os
resultados de uma pesquisa realizada na internet como também de
verificar a autenticidade, credibilidade e confiabilidade dos resultados?
Veja o quanto é importante você saber desse assunto para que a partir de
então tenha proveito nas elaborações dos seus trabalhos acadêmicos.
TESTANDO:
Recomendamos a você agora que realize uma busca na
internet seguindo os passos que apresentamos e em
seguida análise o seu material. É importante você se auto
avaliar sobre o seguinte: será que até agora eu estava
realizando as buscas da maneira correta? O que posso fazer
para melhorar as minhas buscas e obter bons resultados?
Leitura seletiva
Chega o momento de realizar uma leitura de sondagem,
identificando os subtemas tratados, “passando o olho” para verificar se
este texto corresponde às expectativas do leitor quanto ao conteúdo
abordado.
28 Introdução à Ead
Em trabalhos acadêmicos, os subtítulos são muito importantes.
Se estiverem nítidos no artigo, é possível perceber a hierarquia dos
assuntos tratados e ter uma ideia de como foi construído o texto.
No caso deste artigo em análise, alguns subtemas se destacam
e já é possível confirmar que o texto será útil para a pesquisa. Uma
olhada rápida sobre o texto garante que o tema das tecnologias aparece
constantemente, com definições, exemplos etc. Aqui nessa fase
devemos garimpar o que temos em mãos.
Uma vez verificada a relevância do trabalho, chega-se à decisão
de ler o texto de maneira mais minuciosa. É quando se passa para o
outro estágio. Vamos lá!
Leitura interpretativa
Neste estágio, o pesquisador observa e relaciona o que está
escrito no texto com aquilo que busca solucionar. Também compara o
posicionamento do autor de acordo com teorias de outros pesquisadores,
localizando-o em determinada escola de pensamento.
Trata-se de uma leitura mais atenta, em que se pode destacar
os trechos que servirão para corroborar a opinião do estudante em seu
trabalho. Por exemplo: se o aluno está pensando em trazer o uso dos
aplicativos de smartphones como uma nova tecnologia que auxiliará o
EAD, neste artigo que está lendo, poder á utilizar os seguintes trechos:
O desenvolvimento recente de tecnologias móveis,
como smartphones e tablets, vem permitindo o uso de
informações fornecidas e compartilhadas por aplicativos
(OLIVEIRA FILHO, 2012) e se tornando cada vez mais popular
como nova forma de acesso à informação e ao ensino/
aprendizado, pois são dinâmicos e contam com a vantagem
da mobilidade – tecnologia acessível em qualquer local
(QUEIROZ et al, 2014) e que demanda menor investimento
em infraestrutura. Para acessar um AVA é necessário o uso
de um computador, enquanto que no conceito do Mobile
Learning (Aprendizado Móvel), qualquer dispositivo com
acesso a rede sem fio (wireless) é uma ferramenta de
estudo. (MENDES; ZAQUINO; EZEQUIEL, 2018, p. 8)
Introdu誽o ?Ead 29
O uso de aplicativos na Educação a Distância pode
promover o ensino e auxiliar o aluno na construção e
socialização do saber (QUEIROZ et al, 2014), sendo que
as redes sociais têm ganhado destaque como a primeira
ou mais recorrente forma de interação da maior parte
das pessoas (OLIVEIRA FILHO, 2012). Chats e fóruns e/ou
redes com estrutura semelhante ao LinkedIn, pautadas
na interatividade (BISSOLOTTI; NOGUEIRA; PEREIRA,
2014) trazem como conceito o Flipped Classroom. A ideia
surgiu nas escolas do ensino médio americano, com
Jonathan Bergman e Aaron Sams, para atender alunos
que precisavam se ausentar e quando regressavam,
discutiam dúvidas e davam contribuições em momentos
de reflexão. A iniciativa se estendeu a todos os alunos,
sendo conhecida como blendedlearning: inversão lógica
das aulas – os alunos decidem o conteúdo teórico das
disciplinas, apresentam conceitos, autores e diferentes
proposições a respeito do tema de estudo (SCHNEIDER et
al, 2013) com apoio do professor que funciona como um
facilitador para o processo de aprendizagem. (MENDES;
ZAQUINO; EZEQUIEL, 2018, p. 9)
Com a leitura interpretativa, o aluno já está munido das
informações que precisava para continuar o seu trabalho. Na próxima
etapa, fará uma leitura que lhe permitirá criticar as ideias apresentadas
pelo autor no que se refere ao tema estudado.
Leitura crítica
Por fim, o aluno chega à etapa mais complexa dos estágios
da leitura, em que é capaz de refletir sobre o texto fazendo juízo de
valor. Neste momento, o leitor procura trechos com que concorde e
que discorde, se for o caso. Em seu trabalho, poderá utilizá-los para
enriquecer sua linha de raciocínio.
Vejamos um exemplo. Suponha que o aluno seja contra o uso de
jogos na EAD, pelo motivo de que, pela sua experiência pesquisando
esses recursos, acredita serem os jogos educativos, ferramentas não
30 Introdução à Ead
atrativas como os jogos comuns. Ao encontrar o seguinte trecho no
artigo, poderá fazer uso dele para discordar:
A massificação de conteúdo tem sido uma das preocupações
ao se introduzir elementos computacionais e da web
no ensino/aprendizado. Seu efeito potencializador na
construção __________do conhecimento, interpretação e compreensão
de contextos e na formação do senso crítico e reflexivo,
têm levado a trabalhar EaD numa lógica de jogos e Alves
(apud OLIVEIRA FILHO, 2012) esclarece que o papel e a
responsabilidade da escola é atentar para as necessidades
e demandas modernas. Os jogos enquanto ferramentas
de aprendizagem são lúdicos, excitantes e transformam
o esforço em algo que traz satisfação (OLIVEIRA FILHO,
2012). Neste contexto a gamificação (gamification) tem
sido incorporada a dinâmica e as formas de EaD, com
elementos, mecanismos e técnicas (NAVARRO, 2013) para
reduzir a baixa autoestima, o desestímulo nos espaços
de interação grupal (QUEIROZ et al, 2014) e trabalhar a
motivação síncrona para maior sinergia (FARIAS, 2013). Por
tornar as atividades menos cansativas, engajar as pessoas
para resolver problemas e encorajar a aprendizagem
(KAPP, 2012), estimular a traçar e conquistar metas, e obter
feedback de seu resultado (NAVARRO, 2013), tem sido
benéfico na Educação a ação de aprender com o jogo para
desenvolver várias dimensões humanas (OLIVEIRA FILHO,
2012).
Percebeu como esse último estágio da leitura é bem mais
complexo? O leitor, além de decodificar, selecionar, interpretar, agora é
capaz de avaliá-lo, de se posicionar contra, caso seja pertinente ao seu
trabalho. Neste momento o leitor já é capaz de transformar em autor,
pois além de ler, está produzindo conteúdo a partir disso.
Entendidos os estágios ou níveis de leitura?
Sugiro que você, ao ler os próximos textos, faça o teste. Escolha
um texto para fazer uma leitura passando pelos seus quatro níveis e
depois comente com seus colegas sobre a sua experiência.
Introdu誽o ?Ead 31
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo
tudinho? Neste capítulo você aprendeu como utilizar os
quatro níveis de leitura no processo de aprendizagem.
Usamos um artigo como exemplo para que os estágios
ficassem ainda mais claros.
32 Introdução à Ead
Análise de textos
OBJETIVO
Ao término deste capítulo você será capaz de analisar textos
que aparecerão nos seus estudos, de modo que tenha um
bom desempenho durante a sua trajetória acadêmica. E
então? Motivado para desenvolver esta competência?
Então vamos lá. Avante!
Análise
O ato de ler é uma atividade muito maior do que apenas
decodificar os símbolos e juntar palavras. Se formos analisar a origem
da palavra texto, veremos que vem do latim textum, cujo significado é
“tecido”. Nesse sentido, o texto como conhecemos hoje nada mais é do
que a costura de enunciados linguísticos. Não se trata apenas de um
amontoado de palavras e frases soltas, sem conexão entre elas, assim
como um amontoado de fios não faz um tecido: é preciso que eles sejam
costurados.Assim, também é complexa a atividade de ler, pois exige o
reconhecimento de todos esses mecanismos textuais.
Nos capítulos anteriores, estudamos a compreensão do texto a
partir de uma abordagem centrada em seus estágios. Neste capítulo,
vamos conhecer outra perspectiva do ato de ler: a análise de textos.
Essa abordagem é muito comum em manuais de metodologia científica
e focam nos textos que os alunos vão encontrar na sua vida escolar e
acadêmica, observando, além do conteúdo, a estrutura textual. Tem
como objetivo preparar o aluno para a leitura crítica dos textos, de modo
que consiga produzir conteúdo a partir disso.
Conforme explicam Lakatos e Marconi (2019, p. 14),
Analisar significa estudar, decompor, dissecar, dividir, interpretar. A
análise de texto refere-se ao processo de conhecimento de determinada
realidade e implica o exame dos elementos; portanto, implica decompor
um todo em suas partes, a fim de: (a) poder efetuar um estudo mais
completo, encontrando o elemento-chave do autor; (b) determinar as
relações que prevalecem nas partes constitutivas, compreendendo a
Introdu誽o ?Ead 33
maneira pela qual estão organizadas; (c) estruturar as ideias de maneira
hierárquica.
Ela pode, segundo as mesmas autoras (2019), ser dividida em três
partes:
• Análise dos elementos – levantamento dos elementos básicos
do texto com o objetivo de compreendê-lo.
• Análise das relações – identificação das principais relações e
conexões entre os elementos que constituem o texto.
• Análise da estrutura – verificação das partes que compõem o
todo para entender as relações existentes entre elas.
Podemos classificar em três as espécies de análise de texto:
textual, temática, interpretativa. Observe a seguir as características de
cada uma!
Análise textual
A análise textual tem por finalidade aproximar-se do texto. É uma
primeira leitura, de modo a identificar de que ele trata. É o momento de
ler o texto do início ao fim, sem a preocupação de interpretá-lo. Pode-se
sublinhar as palavras desconhecidas para voltar nelas depois. Agora é
hora de identificar o tema principal.
Análise temática
Na etapa seguinte, a da análise temática, o leitor compreende
melhor o texto, distinguindo as ideias principais e secundárias e a relação
entre elas. É o momento de esquematizar a linha de raciocínio do autor,
fazendo anotações no texto.
Devem ser observadas: a estrutura do texto, as suas partes
(introdução, desenvolvimento e conclusão), argumentação utilizada
pelo autor, entre outros aspectos importantes para um entendimento
total do que foi elaborado.
O leitor, neste momento, apreende o texto. Observe que ainda não
é o momento de discuti-lo, mas sim de compreendê-lo profundamente
para, a partir dai, ir para a próxima etapa.
34 Introdução à Ead
Figura 4 – A análise temática é o momento de esquematizar a linha de raciocínio do autor
Fonte: Freepik
Análise interpretativa e crítica
Na análise interpretativa, o leitor é capaz de associar o pensamento
do autor com o que já conhece sobre o assunto. Isso lhe permite fazer
uma crítica do texto, observando se é coerente, se os argumentos são
válidos e pertinentes, se há originalidade nas suas ideias.
É o momento de avaliar o texto, relacionando-o com outros sobre
o mesmo tema – caso o aluno já tenha lido bastante sobre o assunto,
será capaz, inclusive, de inserir o texto em determinada escola de
pensamento ou corrente filosófica, por exemplo. Também é preciso ler o
que está nas entrelinhas, identificando não só o que está explícito, mas
o que está subentendido.
Introdu誽o ?Ead 35
SAIBA MAIS:
Pesquise por textos que diferenciem e exemplifiquem
informações explícitas e implícitas (também chamadas de
pressupostos).
O leitor finalmente adota uma posição pessoal sobre aquilo que
leu, e se torna preparado para elaborar seu próprio texto crítico.
Lakatos e Marconi (2019, p. 14) propõem um esquema para
diferenciar os três tipos de análise:
Análise textual:
• Leitura rápida de todo texto para obter uma visão global,
assinalando palavras desconhecidas e dúvidas.
• Encontrar o significado das palavras e dirimir dúvidas.
• Formar um esquema, visando à estrutura redacional.
• Análise temática:
• Releitura para apreender o conteúdo.
• Nova leitura para separar ideias centrais das secundárias.
• Verificar a correlação entre elas, seu modo e forma.
• Procurar respostas para as questões: sobre o que versa este
texto? O que influi para lhe dar uma unidade global?
• Reconhecer o processo de raciocínio do autor.
• Redigir um esquema que revele o pensamento lógico do autor.
• Análise interpretativa e crítica:
• Correlacionar as ideias do autor com outras sobre o mesmo
tema.
• Realizar uma crítica fundamentada em argumentos válidos,
lógicos e convincentes.
• Fazer um resumo para discussão.
O que as autoras fizeram acima, ao esquematizar as espécies de
análise textual, é um exemplo do que pode ser feito na primeira etapa
da leitura.
Na realidade, as etapas para ler um texto se parecem muito e
você pode decidir qual vai seguir durante seus anos de estudo – quem
sabe testar essas e outras. Não há problema, pois todos esses processos
36 Introdução à Ead
de leitura têm o objetivo em comum de transformar o leitor em alguém
crítico sobre o assunto, de modo que também seja capaz de produzir
ciência.
SAIBA MAIS:
Leia este artigo sobre leitura, níveis de leitura, espécies de
análise de texto:
http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf.
Uma nota sobre a leitura na educação a
distância
O aluno da educação a distância estará em constante contato
com os mais diversos tipos de texto: o material didático, elaborado
em linguagem dialógica – e às vezes até mesmo redundante – para
que a compreensão seja garantida. Assim como com o enunciado das
atividades, que procuram explicar de maneira detalhada o que deve
ser feito, sem espaço para dúvidas; como as postagens no fórum de
discussão, escritas pelos colegas de curso, que podem trazer uma
linguagem menos formal; além das orientações de tutores e professores;
os avisos da coordenação de curso; o manual de utilização do ambiente
virtual de aprendizagem e o manual de formatação de trabalhos
acadêmicos, dentre outros.
Espera-se que o aluno consiga apreender o que é oferecido a
ele e também que seja capaz de pesquisar em outras fontes a fim de
aumentar seu conhecimento.
Então, aproveite a oportunidade para também fazer uma auto
avaliação de como está a sua leitura. Um checklist simples pode te
ajudar. Ao final de cada unidade, responda:
Introdu誽o ?Ead 37
Quadro 3 – Checklist de aproveitamento da unidade.
Fonte: as autoras.
Checklist – Aproveitamento da unidade
Consegui realizar a leitura dos textos base de forma eficiente?
Acessei o material complementar indicado na unidade (Saiba
Mais, Acesse...)?
Procurei me aprofundar nos conteúdos buscando outros
materiais que não estavam indicados (outros textos, vídeos,
podcasts)?
Realizei os exercícios com atenção e comprometimento?
Fiz anotações ou um resumo do conteúdo da unidade?
Todas essas ações vão ajudar na retenção do conteúdo, tema do
próximo capítulo.
SAIBA MAIS:
Leia e realize os exercícios desta aula sobre leitura:
https://bit.ly/2y8C08A
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Neste capítulo
você aprendeu a analisar um texto sob outra perspectiva,
diferente da abordada nos capítulos anteriores. Conferiu o
que é uma análise textual e conheceu três espécies dela:
textual, temática e interpretativa.
38 Introdução à Ead
Elaboração de sínteses
OBJETIVO
Ao término deste capítulo você será capaz de elaborar uma
síntese de modo a auxiliar na retenção dos conteúdos. E
então? Motivado para desenvolver esta competência?
Então vamos lá. Avante!
Retenção e capacidade de síntese
Até aqui trabalhamos aspectos relacionados à leitura: seus
estágios e como proceder em cada etapa. Porém, um questionamento
pode ser feito: passar por esses estágios garante a retenção do conteúdo?
A retenção do conteúdo diz respeito ao armazenamento daquilo
que foi lido, com o objetivo de aplicar esse conhecimento na realidade
que nos cerca. É precisodizer, também, que reter o conteúdo não é a
mesma coisa que decorar o conteúdo.
REFLITA:
Lembra-se de seus tempos de escola, quando tentava
decorar o conteúdo e, na hora da prova, dava aquele
branco? Ou ainda, quando você conseguia decorar o
conteúdo para a prova, mas depois dela esquecia tudo?
Você lembra algumas fórmulas matemáticas que utilizava
na escola, mas que hoje não sabem nem para que servem?
E as músicas que os professores ensinavam para decorar
alguns nomes da biologia, como as funções das partes da
célula?
Introdu誽o ?Ead 39
Para alcançar a retenção existem técnicas, tais como: recitar o
texto; copiar partes dele; utilizar sinais gráficos como setas, marcação
de cores, grifos para destacar as partes mais importantes; associação
de ideias; leitura dinâmica; entre outros. Uma busca na internet resultará
em vários textos sobre essas técnicas. Mas, cuidado! Nem tudo é
comprovado cientificamente.
Escolhemos uma dentre essas técnicas, a qual é considerada
efetiva para a retenção de conteúdos e muito utilizada no contexto
científico: a elaboração de síntese ou resumo.
Resumir significa: abreviar, sintetizar, condensar, reduzir, restringir.
Certamente você já leu um resumo de filme ou de livro, isso faz parte do
nosso dia a dia.
No contexto acadêmico, procuramos resumos de artigos ou livros
que possam nos auxiliar em nossos estudos. O resumo acadêmico é,
inclusive, uma das partes obrigatórias das produções científicas. É por
meio deles que os estudantes podem ter rápido acesso aos temas para
verificar se o artigo é relevante para seu trabalho.
O objetivo do resumo é fazer uma redução do texto original,
mantendo as ideias principais do texto e descartando o que é secundário.
Segundo Platão e Fiorin (2007, p. 420),
o resumo é uma condensação fiel das ideias ou dos fatos
contidos no texto. Resumir um texto significa reduzilo
ao seu esqueleto essencial sem perder de vista três
elementos: cada uma das partes essenciais do texto; a
progressão em que elas se sucedem; a correlação que o
texto estabelece em cada uma dessas part es.
Na opinião dos autores, “quem resume deve exprimir, em estilo
objetivo, os elementos essenciais do texto. Por isso não cabem, em um
resumo, comentários ou julgamentos ao que está sendo condensado”
(PLATÃO; FIORIN, 2007, p. 420).
40 Introdução à Ead
Figura 5 – O resumo é a condensação fiel das ideias do texto
Fonte: Freepik
Mas resumir não significa recortar partes do texto original e
reproduzi-las ipsis litteris no seu novo texto. Platão e Fiorin (2007, p.
420) lembram que “a colagem de fragmentos do texto original não é
um resumo. Resumir é apresentar com as próprias palavras os pontos
relevantes de um texto”.
Sendo assim, o resumo será um novo texto, escrito com as
palavras do autor, que é você.
Etapas de elaboração de um resumo
Segundo Cereja e Cochar (2009, p. 55), “para produzir um resumo,
é necessário trabalhar com um processo mental chamado sumarização.
Esse processo consiste em eliminar informações secundárias, que
são aquelas que explicam, exemplificam ou reforçam informações já
dadas”. Os autores lembram ainda que “é necessário utilizar conectivos
ou elementos de coesão” para “amarrar” o texto. É importante lembrar
também que o texto do resumo deverá fazer sentido para quem não leu
o texto original.
Introdu誽o ?Ead 41
Fonte: Freepik
Figura 6 – O texto do resumo deve ser redigido com as próprias palavras de quem o
escreve.
O grau de dificuldade para resumir um texto, segundo Platão &
Fiorin (2007), vai depender da complexidade do texto a ser resumido
(dependendo do quão elaborado ele é) e da competência do leitor
(do entendimento que ele teve do texto). Observe a seguir as etapas
indicadas pelos autores para elaborar um bom resumo:
1. Ler o texto ininterruptamente, do começo ao fim. Já
vimos que um texto não é um aglomerado de frases: sem
ter noção do conjunto, é mais difícil entender o significado
preciso de cada uma das partes. Essa primeira leitura deve
ser feita com a preocupação de responder genericamente
à seguinte pergunta: do que trata o texto?
2. Uma segunda leitura é sempre necessária. Mas esta,
com interrupções, com o lápis na mão, para compreender
melhor o significado de palavras difíceis (se preciso,
recorra ao dicionário) e para captar o sentido de frases
mais complexas (longas, com inversões, com elementos
ocultos). Nessa leitura, deve-se ter a preocupação
42 Introdução à Ead
sobretudo de compreender bem o sentido das palavras
relacionais, responsáveis pelo estabelecimento das
conexões (assim, isto, isso, aquilo, aqui, lá, daí, seu, sua,
ele, ela etc.).
3. Num terceiro momento, tentar fazer uma segmentação
do texto em blocos de ideias que tenham alguma
unidade de significação. Ao resumir um texto pequeno,
pode-se adotar como primeiro critério de segmentação
a divisão em parágrafos. Pode ser que se encontre uma
segmentação mais ajustada que a dos parágrafos, mas
como início de trabalho, o parágrafo pode ser um bom
indicador. Quando se trata de um texto maior (o capítulo de
um livro, por exemplo), é conveniente adotar um critério de
segmentação mais funcional, o que vai depender de cada
texto (as oposições entre os personagens, as oposições de
espaço, de tempo). Em seguida, com palavras abstratas
e mais abrangentes, tenta-se resumir a ideia ou as ideias
centrais de cada fragmento.
4. Dar a redação final com suas palavras, procurando não só
condensar os segmentos, mas encadeá-lo na progressão
em que se sucedem no texto e estabelecer as relações
entre eles. (PLATÃO & FIORIN, 2007, p. 421)
No contexto acadêmico, procuramos resumos de artigos ou
livros que possam auxiliar em nossos estudos. O resumo acadêmico é,
inclusive, uma das partes obrigatórias das produções científicas. É por
meio deles que os estudantes podem ter rápido acesso aos temas para
verificar se o artigo é relevante para seu trabalho. O resumo acadêmico
vem sucedido por palavras-chave, que ajudam os estudantes na busca
por temas que lhes interessem.
Leia, como exemplo, o resumo do artigo “Leitura e EAD: diferentes
suportes, diferentes modos de ler”, de Quadros e Dias (2017, p. 1):
RESUMO
Os modos de ler vêm se transformando no decorrer
da história nas diferentes sociedades. Isso porque há
mudanças no contexto, nas necessidades do ser humano,
Introdu誽o ?Ead 43
nos objetivos da leitura, nos suportes, na sociedade. O fato é
que, ainda que haja profundas transformações nos suportes
de leitura e nos modos de ler, o ser humano sempre leu
algo e, para tanto, necessitou de determinadas habilidades
leitoras. Isso porque a leitura é uma necessidade. Frente
ao universo digital, encontra-se a realidade do estudante
do ensino a distância. E enquanto espaço de formação de
leitores inserido na sociedade, a EAD também apresenta
desafios nos modos de ler. O estudante dessa modalidade
precisa ler textos, ícones, hipertextos, hiperlinks e demais
itens que compõem o ambiente virtual de aprendizagem
disponíveis no computador, tablet, celular, e estes são os
suportes de leitura. Cabe destacar que os leitores dessa
modalidade de ensino, também necessitam de habilidades
leitoras para ser leitores eficientes. Frente a essa reflexão,
o presente artigo tem como objetivo tecer olhares sobre o
contexto atual da leitura e o modo de ler do estudante da
modalidade ensino a distância, visto que, este tem acesso a
um ambiente virtual de aprendizagem. O estudante da EaD
tem, enquanto leitor, o desafio de ler em um suporte digital,
que proporciona a navegação por hipertextos, hiperlinks e
hipermídias, bem como uma experiência de leitura que traz
o entrelace entre a palavra, a imagem e o som. Esse aluno,
para ter acesso pleno à leitura em suporte virtual, deverá
desenvolver certas habilidades leitoras, conforme afirmam
teóricos como Manguel, Santaella, Murray, Coscarelli e
Marcuschi. E é sobre o contexto da educação a distância, a
relação entre leitura e os estudantes de EaD e habilidades
leitoras que versará o presente artigo. Palavras-chave:
Leitura. Educação a distância. Habilidades leitoras.
Se o pesquisador estiver estudandoa importância da leitura para
os alunos de EAD, este artigo certamente será relevante para o seu
trabalho.__ Os principais conceitos da educação a
distância
OBJETIVO
Ao término deste capítulo, você estará por dentro do
significado de alguns termos relacionados à educação
a distância. É muito importante que você entenda esses
termos, pois vai se deparar com eles a todo o momento a
partir de agora. Vamos lá?
Breve histórico da Educação a Distância
no Brasil
Antes de falarmos sobre a história da Educação a Distância
(EaD) em nosso país, vamos tratar do conceito de educação e a sua
importância. Para você, o que significa educação? Você já se questionou
à respeito? Vamos refletir um pouco sobre isso. A educação se constitui
um direito fundamental dos seres humanos e há vários documentos que
atestam isso ao redor do mundo.
Voltando à definição de educação, Giusta (2003, p. 26) nos diz que
a educação é o “processo de formação humana, cujas finalidades podem
ser resumidas no preparo do aluno para o exercício da cidadania”. Há
outras definições sobre educação, mas o nosso objetivo, nesta unidade,
é apresentar a educação a distância. Então, é importante que você saiba
que, antes de tudo, a Educação a Distância é Educação.
Conforme lembram Sousan e Arafen (2010), a definição tradicional
que conhecemos de Educação a Distância apresenta pelo menos quatro
componentes: a educação (ensino e aprendizagem), a divergência
geográfica ou temporal, um meio de transmissão (tecnologia) e as
informações ou conteúdos de comunicação. Ou seja, a educação a
distância é uma modalidade de ensino mediada por tecnologias.
12 Introdução à Ead
VOCÊ SABIA
Saiba que essa é uma modalidade de ensino que não é
recente no país. Os fatos históricos indicam que o primeiro
marco da EaD no Brasil ocorreu no início do século XX e
que a principal tecnologia empregada era o papel, depois
veio a rádio e posteriormente a televisão (ALVES, 2009).
Você conhece ou já ouviu falar de alguém que tenha estudado
nessa época? Que tal perguntar aos seus parentes se eles tiverem
acesso a essa modalidade de ensino e realizar uma comparação com a
EaD executada atualmente?
A partir da década de 1970 até o final da década de 1980, houve
uma diminuição do ritmo de crescimento da EaD no Brasil.
Não podemos negar que o grande impulso para a expansão da
EaD foi a popularização de algumas tecnologias, tais como o rádio, o
VHS, o DVD, e o computador e a internet, mais recentemente.
A partir de 1990 e com o aumento das políticas de acesso e
inclusão ao ensino superior, houve um aumento bem significativo no que
se refere ao acesso a essa modalidade de ensino.
Você já teve a oportunidade de estudar a distância anteriormente?
Conhece alguém que já tenha tido essa oportunidade?
Se você nunca teve a oportunidade de estudar a distância, saiba
que, agora, faz parte dos milhões de alunos que se matriculam nessa
modalidade todo ano. No último Censo da ABED – Associação Brasileira
de Educação a Distância, constatou-se que somente em 2018, mais de
4 milhões de alunos se matricularam em cursos totalmente a distância e
semipresenciais (ABED, 2019).
Esse número tem aumentado a cada ano, pois essas pessoas
estão buscando aprimoramento profissional, ao mesmo tempo em que
precisam conciliar o tempo com o trabalho e os compromissos pessoais.
Nem todas as pessoas conseguem frequentar cursos presenciais, seja
pela carga horária exigida pela profissão que exercem, seja porque
não existem instituições de ensino nos locais onde vivem. Os cursos a
distância, portanto, tornam-se uma possibilidade de formação para os
mais variados perfis de alunos.
Introdução à Ead 13
Não só nos ambientes acadêmicos, mas também em empresas
a educação a distância representa uma nova forma de capacitação,
que permite otimizar o tempo e seguir com uma rotina de estudos que
melhor se adapte a cada realidade.
Vamos pensar na seguinte situação: pessoas que trabalham num
regime de trabalho 12 x 36, isto é, trabalham 12 horas seguidas e folgam
36 horas seguidas, assim sucessivamente. Para esses trabalhadores,
seria complicado manter uma rotina de ir até uma faculdade todos os
dias. Por outro lado, têm horas de descanso que poderiam ser utilizadas
para seu aprimoramento profissional. Pense também em uma mãe que
acabou de ter um filho e quer continuar estudando. Ela pode conciliar o
cuidado com o bebê e reservar algumas horas de estudo por dia para
ler, realizar atividades e interagir com outros alunos, tudo on-line. Agora
pense em alguém que mora numa cidade muito pequena, que não possui
instituição de ensino superior. Ela teria que mudar de cidade e deixar sua
família em busca de formação. Porém, se tiver um computador e acesso
à internet, pode fazer sua graduação em casa, dirigindo-se a um polo
presencial somente nas ocasiões em que deve realizar as provas. Isso
acontece com muitos alunos que vivem nas regiões norte e nordeste,
ou em locais afastados das capitais, desprovidos de faculdades. Outro
exemplo são as pessoas com dificuldade de locomoção, como idosos
ou cadeirantes. Para eles, torna-se mais confortável estudar em casa,
onde têm a infraestrutura necessária que muitas vezes não encontram
ao se deslocarem pela cidade.
Além dessas realidades apontadas anteriormente, a EaD também
tem sido utilizada em ambientes corporativos e públicos como forma de
qualificar os seus trabalhadores.
Porém, mesmo sendo uma modalidade de ensino com aspectos
bem positivos, é alvo de diversas críticas, tais como o isolamento dos
alunos e a falta do relacionamento interpessoal no processo de ensino
e aprendizagem, ou ainda a ideia de que é uma modalidade mais fácil
e que não requer comprometimento do aluno, já que ele realiza apenas
algumas atividades pelo computador.
Não se pode negar que a educação a distância é uma das
responsáveis pela democratização do ensino em nosso país, pois
14 Introdução à Ead
chegou aos locais onde a educação presencial ainda não tinha chegado
ou chegou mais tardiamente com a interiorização do ensino superior. O
crescimento exacerbado da oferta de cursos e do número de matrículas
no Brasil fez com que mesmo as instituições de ensino mais tradicionais
refizessem seu planejamento para incluir disciplinas a distância e cursos
de extensão em seus currículos, a fim de atender à demanda dos alunos.
Hoje é possível aprender uma língua estrangeira ou programação,
aprofundar-se em assuntos específicos dos mais variados temas,
preparar-se para processos seletivos e receber treinamento operacional
utilizando-se dessa modalidade de ensino. Percebemos que a EAD virou
uma realidade concreta e presente não apenas no ambiente acadêmico,
mas também no corporativo, empresarial e de qualificação profissional.
Um aspecto que merece destaque é que as mensalidades dos
cursos a distância tendem a ser inferiores às dos cursos presenciais, e
o aluno também evita os gastos com deslocamento e alimentação fora
de casa. Esse é outro ponto positivo que tem levado as pessoas a se
interessarem pela modalidade, além do tempo que se deixa de perder
no trânsito, por exemplo.
Mas quando essa ideia teve início no Brasil? Você já parou para
pensar sobre isso?
A modalidade de ensino a distância não é nova no nosso país.
O primeiro curso por correspondência no país, de Datilografia, data de
1904, ofertado em jornal. Esse tipo de curso contava com um material
impresso que era enviado ao aluno pelo correio.
SAIBA MAIS
Dependendo da geração da qual você faz parte, talvez
nem saiba o que é datilografar. Pois bem, aqui temos mais
um exemplo de ponto positivo da EAD: você pode agora
mesmo, procurar textos ou vídeos na internet sobre a
profissão do datilógrafo, muito comum algumas décadas
atrás.
Introdução à Ead 15
Os cursos por correspondência tinham como objetivo capacitar o
aluno para uma profissão, diferentemente do cenário atual, em que há
cursos a distância nos mais diversos níveis, desde o ensino fundamental
até programas de pós-graduação.
Na década de 1920, era possível estudar escutando a rádio, que
ganhava cada vez mais espaço nas casas dosbrasileiros. Com a ajuda
de um material impresso, os alunos podiam estudar línguas estrangeiras
e aprimorar o português. Tal formato de ensino não durou muito tempo.
A partir das décadas de 1960 e 1970, era muito comum
acompanhar na televisão os telecursos, que traziam temas da educação
básica explicados por atores.
SAIBA MAIS
Várias dessas aulas foram exibidas até o ano de 2014 e
estão disponíveis na internet.
Acesse o link http://www.telecurso.org.br/ para conhecer
mais sobre o programa e para assistir às teleaulas.
Um grande marco com relação ao ensino a distância foi a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, pois trouxe regras
para essa modalidade de ensino. E m seu artigo 8 está postulado que:
Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a
veiculação de programas de ensino a distância, em todos os
níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada.
§ 1º A educação a distância, organizada com abertura
e regime especiais, será oferecida por instituições
especificamente credenciadas pela União.
§ 2º A União regulamentará os requisitos para a realização
de exames e registro de diploma relativos a cursos de
educação a distância.
§ 3º As normas para produção, controle e avaliação de
programas de educação a distância e a autorização para
sua implementação, caberão aos respectivos sistemas de
ensino, podendo haver cooperação e integração entre os
diferentes sistemas. [...] (BRASIL, 1996).
16 Introdução à Ead
Na mesma década, com o acesso à internet, os conteúdos
começaram a ser ofertados on-line, porém, para uma parcela pequena
da população. Hoje, no Brasil, há mais alunos matriculados em cursos a
distância do que em presenciais.
SAIBA MAIS
Se você tiver interesse de saber mais da legislação sobre
Educação a Distância, consulte o portal do MEC, no link:
https://bit.ly/2xylRZJ
Lá você terá acesso às principais leis e portarias voltadas
para a EaD no Brasil.
Perceba que a educação a distância é uma realidade nos
ambientes escolares, acadêmicos e corporativos. Faz parte do dia a
dia de milhões de brasileiros e possibilita o acesso à educação de uma
forma mais dinâmica e compatível com as necessidades dos alunos. Nos
capítulos seguintes, você vai entender como funcionam as engrenagens
da educação a distância.
Modalidades
Agora iremos estudar sobre as modalidades de ensino. Ao
apresentarmos as modalidades de educação, tradicionalmente,
apontamos os traços definidores de cada uma delas. Ao longo de sua
trajetória educacional você já teve contato com alguma delas. Vamos
conhecê-las ou rememorá-las.
Existem três modalidades de ensino com as quais você pode
ter contato ao longo de sua vida: o ensino presencial, a 100% EaD e a
semipresencial.
O Ensino presencial
É o ensino com o qual estamos mais acostumados, pois
frequentamos a escola desde pequenos. Há espécies diferentes de
ensino presencial, algumas mais tradicionais, com fileiras de carteiras
Introdução à Ead 17
onde se sentam os alunos e o quadro negro na frente da sala, que o
professor utiliza para passar o conteúdo. Outras que trazem abordagens
mais contemporâneas, como uma estrutura com mesas redondas em
que os alunos sentam em equipes e não há presença do quadro negro e
do professor na frente da sala, mas atuando como mediador na pesquisa
desenvolvida pelos alunos.
Tanto um como o outro processo de ensino e aprendizagem
explicados anteriormente pressupõe o deslocamento do aluno até a
instituição de ensino e a socialização presencial com os demais colegas.
Figura 1 – No ensino presencial, o aluno vai até a instituição de ensino.
Fonte: Freepik
Vejamos a seguir os aspectos positivos e negativos com relação a
essa modalidade de ensino.
• Pontos positivos: mais interação entre alunos e professores,
possibilidade de sanar dúvidas na hora da aula.
• Pontos negativos: para os alunos mais tímidos, pode ser difícil
realizar essa interação ou mesmo fazer questionamentos ao professor;
18 Introdução à Ead
tempo de deslocamento e gastos com transporte e alimentação;
distração (nem sempre o aluno está focado ou disposto).
Porém, é importante que você saiba que, diante do avanço das
tecnologias da informação e da comunicação, o ensino presencial pode
ser mediado pela tecnologia. Mas, você saberia dizer o que significa
mediação e tecnologia? Esses são dois conceitos fundamentais na
área da educação a distância. Para que possa ocorrer a aprendizagem
nessas modalidade de ensino, terá que ocorrer a mediação, que se dará
por meio da tecnologia. Mas esses são assuntos os quais veremos um
pouco mais a frente. Vamos seguir no tópico seguinte falando sobre o
Ensino 100% EaD.
Ensino 100% EaD
Nesta modalidade, o processo de ensino e aprendizagem se dá
por meio de tecnologias, e o aluno não vai até a instituição de ensino,
mas apenas para realizar algumas atividades avaliativas. Os professores,
alunos e tutores estão separados no que se refere ao espaço e ao
tempo. Mas o que significa isso? Você conseguiu compreender?
Isso significa que os atores envolvidos nessa modalidade de ensino
não estão presentes fisicamente, como na modalidade anterior. Eles
estão separados espacialmente e temporalmente, o que é algo bem
característico dessa modalidade de ensino. Então, como superar esse
desafio e como se adaptar a essa nova realidade? Você já se questionou
sobre isso? Esses são pontos sobre os quais iremos conversar nos
tópicos seguintes desta unidade.
Introdução à Ead 19
Figura 2 - No ensino 100% EAD o processo de ensino e aprendizagem é mediado pelas
tecnologias.
Fonte: Freepik
Na modalidade 100% EAD, o aluno estuda e faz as atividades no
computador (também é possível estudar em tablets ou smartphones),
que pode estar em sua casa, trabalho ou em um polo de ensino.
Mas o que seria um polo ?
O polo é o local onde o aluno fará as avaliações, receberá
orientações dos tutores presencialmente, utilizará os laboratórios
de informática (laboratórios específicos a depender da disciplina) e
biblioteca. Ao ter a oportunidade, não deixe de ir ao polo para interagir
com os seus colegas e para usufruir de tudo o que a sua instituição lhe
fornece.
Muitos alunos da EAD se dirigem ao polo somente para realizar
as avaliações que têm maior peso quantitativo na disciplina, geralmente
elaboradas em formato de provas escritas. A instituição de ensino
oferece os materiais de estudo (textos escritos, e-books, videoaulas,
podcasts, biblioteca virtual) dentro de um ambiente virtual. É por meio
desse ambiente que o aluno também interage com os outros estudantes,
tutores e professores e realiza as atividades.
20 Introdução à Ead
• Pontos positivos: acesso à educação de qualquer lugar do país
em que haja uma rede disponível de internet (democratização do ensino),
inclusive para pessoas com dificuldade de locomoção, inclusão digital,
grande oferta de cursos de graduação e pós-graduação, possibilidade
de gerenciar o tempo de estudo e trilhar um caminho personalizado de
aprendizagem, gastos menores com mensalidade, otimização do tempo
e flexibilização de horários, de modo a conciliar os estudos com outros
compromissos pessoais e profissionais.
• Pontos negativos: menos interação presencial com professores
e alunos, isolamento nos períodos de estudo, dispersão por estar em um
ambiente on-line, necessidade de mais responsabilidade e disciplina
para com os estudos, impossibilidade de solucionar dúvidas com os
professores e alunos na hora, dependência constante de conexão com
internet. Como trata-se de um sistema de ensino novo, para muitas
pessoas, é necessário acostumar-se com ele.
Diante do que vimos anteriormente, é fundamental que o
aluno desta modalidade estabeleça sua rotina de estudos para que o
aprendizado seja proveitoso e que diante dos desafios que surgirem ele
procure alternativas e meios para superá-los.
Ensino Semipresencial
Também chamado de ensino híbrido, é uma proposta que
mistura atividades presenciais e a distância. Geralmente, a parte teórica
é disponibilizada em um ambiente virtual, assim como no ensino
100% a distância, mas as atividades práticas e vivênciassão realizadas
presencialmente, na maioria das vezes em grupos, com a presença de
todos os inscritos no curso. São comuns, neste formato, os cursos que
requerem alguma prática, tais como gastronomia, cursos que têm aulas
em laboratório, clínicas ou estágio obrigatório.
Introdução à Ead 21
Figura 3 – No ensino híbrido o aluno alt erna momentos de estudo no ambiente virtual com
atividades presenciais mediadas pelos professores.
Fonte: Freepik
Conforme aponta Tori (2009, p. 121),
Dois ambientes de aprendizagem que historicamente
se desenvolveram de maneira separada, a tradicional
sala de aula presencial e o moderno ambiente virtual
de aprendizagem, vêm se descobrindo mutuamente
complementares. O resultado desse encontro são cursos
híbridos que procuram aproveitar o que há de vantajoso
em cada modalidade, considerando contexto, custo,
adequação pedagógica, objetivos educacionais e perfis
dos alunos.
Até mesmo em algumas escolas já existe a tentativa de
implementar a sala de aula invertida, metodologia que prevê que os
alunos estudem em casa os conteúdos curriculares e compareçam à
escola para tirar dúvidas e realizar atividades em grupos.
22 Introdução à Ead
SAIBA MAIS
Assista ao vídeo sobre sala de aula invertida em:
https://bit.ly/2vT5cjj
A seguir iremos apresentar os pontos positivos e os negativos da
modalidade de ensino semipresencial. É importante que você leia-os
e perceba que serão necessárias que você cumpra alguns horários e
estabeleça uma nova rotina.
• Pontos positivos: acesso à infraestrutura da instituição ou
polo de ensino (laboratórios, bibliotecas), grande oferta de cursos de
graduação e pós-graduação, otimização do tempo, inclusão digital,
troca de experiência com professores e alunos de maneira presencial,
exploração de habilidades e competências como a oralidade e resolução
de conflitos por meio de debates, tempo personalizado para se dedicar
à leitura da parte teórica e assistir às videoaulas, quando houver.
• Pontos negativos: horários fixos para a realização das atividades
presenciais, gastos com deslocamento e alimentação, pessoas mais
introspectivas podem não se sentir à vontade para realizar os trabalhos
propostos presencialmente.
É muito comum, tanto no ensino 100% EAD como no semipresencial,
a disponibilidade de acesso a bibliotecas virtuais com grande acervo de
obras sobre os temas estudados. Muitas dessas bibliotecas só podem
ser acessadas pelos alunos matriculados nos cursos. A economia que
o aluno tem com relação à compra de livros, impressões e fotocópias
(muito comuns no ensino presencial) é bastante significativa, pois nessas
modalidades, o conteúdo deve estar disponível para o aluno de modo
que ele possa acessá-lo integralmente on-line.
A inclusão digital é outro ponto positivo nas modalidades
EAD e semipresencial. Ainda que nem todos os brasileiros possuam
computadores ou acesso à internet (segunda a pesquisa TIC Domicílios
realizada em 2018, 70% têm acesso à internet em computadores ou
celulares, e há um aumento significativo desse acesso por parte das
classes D e E), o ensino a distância torna-se a melhor possibilidade para
um número muito grande de pessoas no país. Dessa maneira, configurase
uma oportunidade de incluir digitalmente os cidadãos.
Introdução à Ead 23
TICs é a sigla para Tecnologias da Informação e Comunicação, isto
é, o conjunto de recursos integrados de tecnologia que são utilizados
para mediar a comunicação e a informação. As TICs facilitam o acesso
à educação por meio da disseminação de informações, permitindo a
comunicação nos mais diversos meios.
Segundo Formiga (2009, p. 39),
A EAD está intrinsecamente ligada às TICs por se constituir
setor altamente dinâmico e pródigo em inovação, que
transforma, moderniza e faz caducar termos técnicos
e expressões linguísticas em velocidade alucinante. A
sociedade da informação e do conhecimento reflete-se na
EAD pela apropriação célere dos conceitos e inovações,
que moldam a mídia e se r efletem na própria EAD.
SAIBA MAIS
Leia o artigo sobre as TICs na educação: SILVA, R. F. da.;
CORREA, E. S. Novas tecnologias e educação: a evolução
do processo de ensino e aprendizagem na sociedade
contemporânea. Disponível em: https://bit.ly/3azJKi8
Conforme lembra Dias (2011, p. 80-81),
O que há de revolucionário na internet não é ela permitir
a comunicação em rede. A comunicação em rede sempre
existiu desde que os homens começaram a se relacionar
em grupos e em comunidades. Por serem flexíveis e
adaptáveis, as redes têm grandes vantagens sobre as
estruturas hierarquizadas. E por isso se expandiram na
sociedade e na economia. Seus limites, no entanto,
eram definidos pela dificuldade de coordenar funções,
de concentrar recursos para determinados objetivos e
mesmo de realizar tarefas, dependendo do tamanho
da rede. As tecnologias de informação e comunicação,
sobre as quais se baseia a internet, deram novo impulso
ao desenvolvimento das redes, pois puseram por terra os
24 Introdução à Ead
seus limites naturais ao permitirem o gerenciamento de
tarefas e a administração da complexidade. (Cf. CASTELLS,
2003, p. 7-8)
A internet, portanto, consegue potencializar essa comunicação
em rede, fazendo com que atinja um nível global pelo fato de os
computadores estarem interconectados. Continua Dias (2011, p. 81):
[...] E, ao criar esse ambiente de comunicação interconectada,
permite que todo cidadão que tenha acesso a ele possa
trocar informações, pesquisar conteúdos dos mais
diferentes tipos e procedências, participar de redes sociais,
baixar e subir arquivos, participar de produções em rede,
remixar e recriar conteúdos armazenados na rede, enfim,
se relacionar, se divertir e produzir nesse novo ambiente.
A partir desses pressupostos, a inclusão digital torna-se, portanto,
uma forma de inclusão social. É importante lembrar, também, que muitos
alunos que não teriam acesso ao ensino superior estão conseguindo um
diploma de graduação. Talvez seja esse o principal ponto positivo da
educação a distância no Brasil, um país com grandes abismos sociais.
Ambientes virtuais de aprendizagem
Agora vamos estudar sobre os ambientes virtuais de aprendizagem,
os mais conhecidos como AVAs. Você já utilizou algum AVA? Qual foi a
sua experiência? Você se recorda?
Os ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) são softwares
que hospedam e auxiliam a produção e disponibilização dos materiais
didáticos na internet para que você, aluno(a) na modalidade EaD, tenha
acesso.
Dentre os mais conhecidos ambientes de aprendizagem estão
o Moodle, TelEDuc, E-Proinfo, BlackBoard. Caso você tenha utilizado
algum AVA poderá ter se deparado com algum desses mencionados
anteriormente. O layout e interface deles são diferentes, mas possuem
basicamente as mesmas funcionalidades.
Os AVAS são ferramentas que minimizam a sensação de
isolamento e que, se utilizadas de maneira correta, de forma sistemática,
Introdução à Ead 25
contribuem de maneira significativa para a aprendizagem e a interação
com os professores e demais colegas.
Ao se matricular num curso a distância – e, quando usamos o termo
“a distância”, estamos nos referindo, neste material, às modalidades 100%
EAD e semipresencial –, o aluno é direcionado a um ambiente virtual em
que encontrará todos os materiais e recursos necessários para realizar
os seus estudos.
O AVA também é utilizado como apoio ao ensino presencial. É
comum, por exemplo, que os professores do ensino presencial usem
o AVA como repositório de material, e que se utilizem dele até mesmo
para receber trabalhos e realizar provas. Mas é no ensino 100% EAD e
semipresencial que ele ganha maior importância, pois será por meio
dele que todo o processo de ensino aprendizagem se dará. Então, é
fundamental que você, aluno(a) da EaD, conheça o seu ambiente virtual
de aprendizagem e as suas funcionalidades.
Além de ajudar os profissionais envolvidos na produção de
conteúdos, os AVAs permitem que professores organizem os materiais
de maneira didática e acompanhem o progresso dos seus alunos,
oferecendo recursos como relatórios de acesso e tempo utilizado pelosparticipantes do curso, gráficos comparativos, divisão dos alunos em
grupos, sistema de registro de notas, entre outras funções.
É bastante simples fazer a gestão dos estudantes por meio desses
recursos, uma vantagem aos professores, que antes precisavam fazer a
chamada e registrar as notas à caneta em papel.
Algumas ferramentas facilitam a comunicação dos professores e
tutores com os seus alunos. Nos ambientes virtuais, há espaços para
chats, videoconferências, mensagens privadas e fóruns de discussão,
importantes canais de comunicação nessa modalidade de ensino.
Vale lembrar aqui, que os alunos estarão longe dos professores
e tutores, mas devem ter fácil e rápido acesso a esses canais de
comunicação para sanar dúvidas.
26 Introdução à Ead
Figura 4 – Os ambientes virtuais contêm muitos recursos que auxiliam o aluno em seu
processo de aprendizagem.
Fonte: Freepik
O estudante também pode fazer uso desses recursos, os quais
o auxiliam na gestão de seus estudos. Configurar o software para que
o avise sobre o prazo de entrega de uma atividade é uma das muitas
possibilidades que um AVA oferece.
Os AVAs integram as Tecnologias de Informação e Comunicação
em um só ambiente, contribuindo assim, para a disseminação de
informação e facilidade de comunicação entre os seus usuários, e
ainda para a construção coletiva do conhecimento, já que permitem o
compartilhamento de ideias. Dentro desses ambientes, os estudantes
têm acesso aos materiais selecionados por professores especialistas na
área, realizam as atividades propostas sobre os conteúdos trabalhados,
participam de debates, tendo a possibilidade ainda, de acompanhar o
seu progresso e a sua performance por meio de relatórios de atividades.
Tudo isso é feito no computador ou mesmo no celular. Alguns
Introdução à Ead 27
ambientes virtuais possuem aplicativos que permitem a sua utilização
em smartphones.
Mediação
Você sabe o que é mediação ?
Este é outro conceito importante para quem está envolvido com
educação a distância. De acordo com a definição do Dicionário Michaelis,
mediação é o ato de servir como intermediário entre pessoas, grupos,
com o objetivo de sanar dúvidas ou resolver conflitos. No que se refere
à educação, essa mediação se configura uma atividade interposta entre
o aluno e o conhecimento.
Quem exerce esse papel de mediador na EAD é o tutor, por meio
das TICs. É ele que faz a ponte entre o aluno e o professor, ou o aluno
e a coordenação de curso, caso haja alguma dúvida ou problema cuja
solução não esteja ao seu alcance. Para isso, são utilizados os recursos
do próprio ambiente virtual, tais como e-mail, fóruns, chats e web
conferências.
É essencial que haja uma mediação efetiva para que o aluno
consiga com sucesso realizar tudo aquilo que é esperado no curso,
desenvolvendo as competências e habilidades necessárias à sua
formação.
Como afirma Longo (2009, p. 219):
A qualidade dos cursos à distância depende, em
grande parte, da qualidade da tutoria. Assim, a seleção,
a capacitação, o acompanhamento e a avaliação
dos professores-tutores são considerados atividades
estratégicas. Na prática, essa tradas, na capacidade de
organizar e orientar didaticamente o processo de ensinoaprendizagem
a distância e na utilização das ferramentas
tecnológicas que servirão de instrumento ao professor.
Mas qual seria, então, o papel de cada uma das pessoas
envolvidas na EAD? Qual a diferença entre tutor e professor? E o aluno,
é responsável pelo quê? Vamos conferir a seguir.
28 Introdução à Ead
Aluno
Vamos iniciar este tópico com um questionamento. Segundo
Palloff e Pratt, (2004) os cursos e programas on-line não foram feitos
para todo mundo. Por quê? Vamos refletir sobre isso.
Estudar sem a presença do professor e dos colegas desafia
o aluno a superar as suas limitações pessoais e a desenvolver sua
capacidade de aprender autonomamente, de aprender a aprender. Você
já pensou sobre isso? Você já se questionou sobre o quanto é desafiador
ser um estudante da EaD e quanto a ideia de ela ser uma modalidade de
ensino fácil não é correta?
Perceba que você tem um papel fundamental com relação à sua
aprendizagem e que, por isso, você é o protagonista nessa modalidade
de ensino.
Figura 5 – O aluno na educação a distância é o pr otagonista no processo de ensino e
aprendizagem.
Fonte: Freepik
Introdução à Ead 29
Na educação a distância, o aluno é o personagem principal no
processo de aprendizagem, pois toma a iniciativa e elabora um caminho
a ser seguido para apreender o que está previsto no currículo e no
cronograma da disciplina e desenvolver competências e habilidades
necessárias à sua formação.
Além das motivações já apresentadas que levam uma pessoa a
escolher a modalidade de ensino a distância, podemos apontar algumas
características do aluno da EAD:
• Está sozinho e, portanto, é responsável por gerir os seus estudos;
• Precisa de organização, dedicação, compromisso e disciplina
para dar conta de todas as tarefas propostas;
• Lê o conteúdo, assiste aos vídeos, participa dos fóruns e realiza
as atividades no seu ritmo (ao contrário do que acontece no ensino
presencial, em que o professor dá o ritmo a partir do coletivo) e, portanto,
pode voltar para reler o que não ficou claro, refazer os exercícios, planejar
suas interações;
• Interage com alunos e professores nos ambientes virtuais e,
portanto, deve saber de que maneira fazê-lo;
• Vai além do proposto pelo autor do material disponibilizado,
pois a partir do momento em que começa a estudar o conteúdo, tem
dúvidas e curiosidades e estar on-line lhe permite uma busca mais
rápida por respostas;
• Faz uma auto avaliação de como está sua compreensão do
conteúdo a partir da leitura e dos exercícios indicados e busca ajuda dos
tutores e professores quando acha necessário.
Perceba que o aluno assume para si a responsabilidade da sua
formação profissional de forma autônoma. Logo, o aluno se coloca como
sujeito do seu processo formativo, de apropriação e de construção do
seu conhecimento.
Professor
O professor conteudista é convidado a escrever o material didático,
bem como elaborar atividades para que o aluno consiga assimilar o
conteúdo referente à disciplina. O material didático é disponibilizado
30 Introdução à Ead
no ambiente virtual de aprendizagem, seguindo um cronograma
previamente agendado.
Ao elaborar o material didático, o professor conteudista pensa
também em estratégias de aprendizagem voltadas para a área da
Educação a distância e em quais recursos são pertinentes para cada
temática trabalhada.
O ideal é que o professor, nessa metodologia, tenha experiência
e conhecimento sobre EAD, pois a modalidade tem aspectos diferentes
e bem distintos de uma aula presencial e, portanto, o material didático
deverá obrigatoriamente seguir algumas diretrizes e referenciais.
As discussões, por exemplo, não são feitas pessoalmente entre
os alunos, portanto, o docente precisa pensar em como instigá-los, no
ambiente virtual e até mesmo no material didático, a pensar e debater os
assuntos mais importantes.
Algumas responsabilidades do professor do EAD podem ser
citadas:
• Planejar o seu conteúdo pensando sempre no perfil do aluno
que estudará a distância;
• Organizar o material de forma didática, estabelecendo uma
divisão hierárquica para apresentá-los;
• Junto com uma equipe multidisciplinar, transformar o conteúdo
em um material agradável para o aluno estudar, utilizando, além do texto,
recursos visuais ou sonoros que ilustrem e enriqueçam o conteúdo;
• Escrever o material de modo dialógico, linguagem utilizada na
EAD para que o aluno não se sinta isolado – ao mesmo tempo em que
o aluno está estudando sozinho, sabe que pode contar com o auxílio do
professor;
• Corrigir trabalhos e avaliações;
• Participar de fóruns, colaborando com as discussões;
• Estar atento à participação e progresso dos alunos no ambiente
virtual;
• Revisar e atualizar os materiais didáticos e atividades.
Perceba como, na educação a distância, o papel do aluno é tão
importante quanto o do professor.
Introdução à Ead 31
Tutor
O tutor é peça fundamental no acompanhamentodo processo
de aprendizado dos alunos que estudam a distância. É ele que mantém
contato direto com os alunos, estimulando-os a realizar as leituras e
atividades e a participar dos fóruns, mediando as discussões propostas
pelo professor.
O trabalho do tutor, assim como o do professor, pode variar de
acordo com a instituição de ensino, mas é possível elencar algumas de
suas tarefas:
• Estabelecer contato direto com os alunos inscritos no curso;
• Lembrar os alunos das datas importantes no cronograma das
disciplinas do curso;
• Responder a dúvidas dos alunos referentes à utilização do AVA;
• Encaminhar dúvidas de alunos referentes a conteúdos para o
professor da área;
• Mediar as discussões nos fóruns;
• Incentivar os alunos que não estão acessando o AVA.
A interação dos alunos com os tutores e professores pode se dar
de maneira síncrona ou assíncrona, dependendo de cada ferramenta
utilizada para esse fim.
Os fóruns são ótimos canais de comunicação coletivos e,
geralmente, dentro deles, são destinados tópicos para as dúvidas dos
alunos. Assim, se um aluno posta no fórum uma dúvida que pode ser
também a de outro aluno, este não precisa perguntar novamente ao
tutor e professor, otimizando o tempo destinado aos estudos. Trata-se
de um recurso utilizado de maneira assíncrona porque a resposta não
é imediata – vai depender dos horários de trabalho de professores e
tutores. A vantagem é que, como todos os integrantes têm acesso a ele,
alguém que souber a resposta para a dúvida pode postá-la. O fórum
garante a construção coletiva do conhecimento, pois é um espaço
aberto para discussões e troca de ideias entre os participantes – além
de ser um importante instrumento de registro para o professor que, a
partir das dúvidas e comentários postados, poderá revisar e atualizar seu
material didático.
32 Introdução à Ead
Outra ferramenta de comunicação assíncrona é o e-mail, que
permite contato individual do aluno com o tutor, professor ou até mesmo
a coordenação. A desvantagem é que a dúvida pode demorar a ser
respondida.
Quantos às ferramentas síncronas existem dois exemplos que
são bastante utilizados na EAD, os chats e as web conferências. Para a
realização dos chats, combina-se um horário para que os participantes
do curso acessem o espaço de discussão a fim de tirar dúvidas ou
comentar sobre algum assunto que faz parte do conteúdo programático.
Muitas instituições contam com atendimento on-line via chat em vários
horários, possibilitando que os alunos sanem suas dúvidas de maneira
mais rápida. Esse tipo de atendimento se dá de forma individual – entre
tutor e aluno –, porém, os chats em grupo são mais interessantes por
ficarem disponíveis após seu encerramento; assim, quem não teve
condição de participar pode acessá-lo posteriormente.
Figura 6 – Chats e web conferências são importantes momentos para tirar dúvidas e trocar
experiências na EAD.
Fonte: Freepik
Introdução à Ead 33
Já a web conferência é uma oportunidade de o professor
apresentar-se aos alunos por meio de vídeo, o que contribui para
a sua aproximação, e pode ser o único momento em que se veem.
Normalmente, por conta do grande número de alunos, somente o
professor se mostra em vídeo. Porém, os alunos podem participar por
áudio ou texto (chat disponibilizado no momento da web conferência).
Trata-se de um encontro virtual realizado por meio de ferramentas
que permitem compartilhar textos, arquivos, áudios e vídeos. Ela pode
ser utilizada para se debater uma questão, para retomar conteúdos
importantes das aulas, como um momento de sanar dúvidas dos alunos,
ou ainda para revisar conteúdos antes de uma avaliação. Outra vantagem
da web conferência é que ela pode ser gravada para posterior consulta
pelos participantes de um curso.
RESUMINDO
Neste capítulo você pôde adentrar um pouco no mundo
da educação a distância, conhecendo as modalidades
de ensino, descobrindo como funciona um ambiente
virtual e quais são seus principais recursos e quem são os
componentes humanos da EAD – professor, tutor e aluno
–, entendendo o papel de cada um. Vimos também que
a mediação é fundamental para o sucesso dos estudos
nessa modalidade.
34 Introdução à Ead
Gerenciamento dos estudos na
modalidade EaD
OBJETIVO
Ao término deste capítulo você conhecerá os requisitos
técnicos e pessoais para estudar a distância. Isso é
importante para que você não tenha dificuldades durante
o curso. Muitos alunos acabam desistindo porque falta(m)
alguns desses recursos. Por isso, é essencial que você se
prepare nesse sentido!
O que é necessário para estudar a
distância?
Uma vez que estamos acostumados desde crianças a estudar
de um modo bastante tradicional, pode parecer até assustador ter de
mudar algumas práticas relacionadas aos estudos. Por exemplo: como
manter o foco na leitura do material didático quando se está em um
ambiente on-line? Essa é uma das principais justificativas para a falta
de comprometimento com os estudos na metodologia da EAD. “Não
consigo fazer as leituras ou assistir às videoaulas no computador nem no
celular porque a todo o momento aparecem notificações de mensagens
e eu não posso simplesmente ignorá-las”, dizem alguns dos estudantes.
Para dar conta de tudo isso, é fundamental que o aluno saiba
gerenciar os seus estudos. Muitos alunos não estão acostumados a isso,
pois passaram toda a vida escolar na dinâmica do ensino tradicional, em
que a escola ou o professor é que estabeleciam o que estudar, quando
estudar, de que forma estudar...
Mudar comportamentos é realmente difícil. Porém, se pararmos
para pensar em todos os pontos positivos da EAD que já citamos aqui,
poderemos encarar essa mudança como um desafio, algo que vai
realmente modificar até mesmo o modo como pensamos a educação.
Longe de querer competir com os livros de autoajuda, tentaremos,
ao menos, apresentar os requisitos mínimos para que você, aluno (a),
tenha sucesso nesta jornada que se inicia.
Introdução à Ead 35
Requisitos técnicos
Parece óbvio dizer que, para estudar a distância, o aluno precisa
de um aparelho que se conecte à internet: um computador, tablet ou
smartphone. Porém, nem todas as pessoas têm acesso a eles. Segundo
pesquisa do IBGE, a internet chega a três em cada quatro domicílios no
país.
ACESSE
Pesquisa do IBGE: https://bit.ly/39iOur3
Figura 7 – Os alunos do EAD podem estudar pelo celular.
Fonte: Freepik
O celular é hoje, o aparelho mais utilizado para acessar a internet.
Contudo, nem todos os alunos gostam de estudar no celular, seja pelo
tamanho da tela ou pela falta de recursos de que alguns não dispõem,
como leitores e editores de texto. Por isso, preferem utilizar tablets ou
computadores.
36 Introdução à Ead
Ainda que o aluno não tenha acesso a esses aparelhos, é provável
que em sua cidade ou perto dela haja os polos de ensino da instituição
em que está matriculado. Todo polo presencial de ensino precisa
disponibilizar aos alunos um laboratório de informática para garantir o
acesso aos materiais. Além disso, várias cidades possuem bibliotecas
públicas com computadores disponíveis.
Resumindo, para estudar a distância são necessários três
componentes: um dispositivo eletrônico com acesso à internet; um
navegador (Internet Explorer, Chrome, Firefox); e uma conexão com
internet (dependendo da velocidade de conexão, pode ser mais difícil
assistir a videoaulas). Munido desses três componentes, é só acessar o
AVA e iniciar os estudos!
Os ambientes virtuais de aprendizagem costumam ser bastante
intuitivos. Isso significa que a maioria dos alunos não apresenta
dificuldades para lidar com eles e, em caso de dúvidas, têm suporte da
equipe de Tecnologia da Informação e dos tutores para auxiliá-los no
que diz respeito a dúvidas sobre o software.
É desejado, também, que o aluno saiba utilizar algum navegador
e realizar pesquisas na internet. Para assistir às videoaulas e participar
de web conferências, talvez seja necessário um fone de ouvido ou um
microfone. As instituições de ensino podem indicar o que você precisa
ter como requisitos mínimos para conseguir acompanhar o curso a
distância no qualestá matriculado.
Requisitos pessoais
É sabido que as pessoas aprendem de maneiras diferentes. Uns
absorvem melhor o conteúdo quando leem ou escrevem, alguns quando
assistem a vídeos, outros quando escutam áudios e há aqueles que
conseguem assimilar os conteúdos somente quando fazem atividades
práticas sobre o tema. São os chamados Estilos de Aprendizagem. Uma
das principais teorias acerca do tema divide os estilos em quatro: leitura/
escrita, visual, auditivo e cinestésico. Trata-se da Teoria VARK (sigla em
inglês para os nomes dos estilos: visual, auditive, reading, kinesthetic).
Introdução à Ead 37
Os estilos de aprendizagem são conceituados como
a preferência na forma como as pessoas recebem e
processam as informações sendo, portanto, habilidades
passíveis de serem desenvolvidas. Enquanto alguns
aprendizes tendem a focalizar mais os dados e programas,
outros conseguem aprender mais a partir de informações
verbais que tanto podem ser explicações orais ou escritas.
Há também quem prefira aprender por informações visuais
como figuras e esquemas, enquanto outras pessoas
se sentem mais confortáveis com teorias e modelos
matemáticos. Existem ainda os que preferem aprender as
informações de forma interativa, já outros indivíduos têm
uma abordagem mais introspectiva e individual na sua
forma de adquirir conhecimentos (SANTOS; MOGNON,
2010, p. 230)
De maneira resumida, podemos definir os quatro estilos de
aprendizagem a partir das características dos alunos que compõem
cada grupo:
Quadro 1– Estilos de aprendizagem
Estilo de
aprendizagem
Características
Recursos que
auxiliam a
aprendizagem
LEITURA/ESCRITA
Assimilam bem os
conteúdos lendo
ou escrevendo.
Preferem listas,
livros e manuais.
Anotam tudo o que
o professor fala.
Textos didáticos
escritos, livros,
artigos, fóruns de
discussão.
VISUAL
Assimilam bem
imagens, gráficos,
vídeos.
Têm o costume
de desenhar sua
maneira de pensar.
Videoaulas, mapas
conceituais,
infográficos, slides.
38 Introdução à Ead
AUDITIVO
Assimilam bem
conteúdos que
escutam por meio
de áudios ou
quando alguém
está lhe falando.
Preferem ouvir em
vez de anotar.
Videoaulas,
podcasts, aulas
presenciais,
palestras.
CINESTÉSICO
Assimilam
o conteúdo
colocando-o em
prática.
Fazem anotações
de acordo com seu
raciocínio, indicando
exemplos práticos.
Atividades práticas
como questionários,
jogos, objetos de
aprendizagem.
Fonte: Adaptado de Santos e Mognon (2010)
O ensino a distância apresenta diversos recursos para atender
a esses diferentes estilos de aprendizagem. Se você souber qual é o
seu estilo, poderá fazer uso desses recursos a seu favor. Há que se
considerar, também, que uma pessoa pode combinar estilos, o que
torna suas possibilidades de retenção do conteúdo ainda maiores.
SAIBA MAIS
Para descobrir qual é seu estilo de aprendizagem, busque
pelos testes VARK disponíveis na internet.
Gerenciando a autoaprendizagem
Outro ponto importante na gestão dos seus estudos é o
planejamento. Hoje existem diversas formas de organizar as tarefas
diárias. Utilizando a conhecida agenda de papel ou uma agenda digital,
o importante é que você não se esqueça de inserir datas importantes e
elabore um cronograma de estudos.
Introdução à Ead 39
Figura 8 – Gerenciar o tempo é fundamental para o aluno da EAD.
Fonte: Freepik
Muitos ambientes virtuais possuem aplicativos que enviam
lembretes de início e fim de prazo das unidades ou tarefas, o que auxilia
muito os estudantes que costumam esquecer-se de acessar o AVA.
Por mais incrível que pareça, essa é uma das justificativas para a não
realização das atividades on-line e evasão dos cursos a distância: “eu
esqueci”. Portanto, se você acha que isso pode acontecer, antecipese,
encontrando uma maneira de lembrá-lo, seja utilizando post-its ou,
programando sua agenda no celular.
Se você não tem essa disciplina para os estudos, pode ter
certeza de que é uma das habilidades que vai adquirir realizando as
tarefas propostas na EAD. E ela não auxiliará somente nos estudos, mas
também no planejamento de outros contextos de sua vida, pois acaba
por se tornar um hábito.
O prazo é algo extremante sério nos cursos ofertados a distância.
Assim como temos prazos para entregar documentos, realizar
solicitações, horários definidos para comparecer aos compromissos,
também na EAD existem regras. Quando é solicitada ao aluno a produção
de um texto, já está estabelecida a sua data de entrega. É muito comum
40 Introdução à Ead
os alunos deixarem para realizar a atividade no último dia – ou pior, na
última hora –, o que pode comprometer seriamente a qualidade do
trabalho.
Dessa forma, é imprescindível que haja, por parte do aluno, autoorganização
e disciplina. Existem muitos recursos que ajudam nesse
sentido. Eis algumas dicas:
• Construa um cronograma e divida-os dias em: dias para estudo
e dias para realização das atividades.
• Nos dias de estudo, faça a leitura do material e assista às
videoaulas com calma, voltando sempre que necessário. Pesquise na
internet sobre pontos específicos que não entendeu ou em que deseja
se aprofundar.
• Nos dias de atividades, tente realizá-las, em um primeiro
momento, sem consultar os materiais, para verificar o que realmente
foi assimilado. Depois, faça as consultas e realize as atividades com
empenho.
• Evite distrações que possam atrapalhar seus estudos.
Pesquise técnicas para isso, como estudar durante um período e fazer
pequenas pausas (existem plug-ins que bloqueiam as redes sociais por
determinado tempo, por exemplo).
• Elabore um resumo em forma de texto, vídeo, áudio, infográfico
ou apresentação em slides ao finalizar o estudo de cada unidade.
• Aproveite os espaços colaborativos do ambiente virtual para
trocar ideias e solicitar auxílio, bem como auxiliar aqueles que precisam.
SAIBA MAIS
Você conhece a técnica Pomodoro? Pesquisas apontam
que estudar/trabalhar por muitas horas ininterruptamente
é menos produtivo que combinar momentos curtos de
concentração com pequenas pausas. Leia a notícia que
trata do tema: https://bit.ly/3dyegLs
Introdução à Ead 41
RESUMINDO
Neste capítulo você aprendeu que é fundamental planejar
seus estudos para obter sucesso nos cursos ofertados a
distância. Existem alguns requisitos básicos técnicos aos
quais você deve estar atento antes de iniciar esse caminho
e outros requisitos pessoais, tais como organização,
disciplina e gestão do tempo. Se você ainda não possui
essas habilidades, agora é a hora de trabalhar para alcançálas!
Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)
OBJETIVO
Ao final deste capítulo, você conhecerá diversas
funcionalidades do ambiente virtual de aprendizagem
que auxiliam tanto o professor, na disponibilização dos
conteúdos e atividades, como os alunos, em seus estudos
e compreensão. É fundamental que você conheça e utilize
essas funcionalidades para ter aproveitamento total no
curso.
Acesso ao material
Você já sabe o que é um ambiente virtual de aprendizagem. Agora
vai conhecer alguns recursos disponibilizados dentro dele. Vamos lá?
Ao entrar pela primeira vez em um ambiente virtual de
aprendizagem, o estudante vai se deparar com uma organização prevista
dos conteúdos a serem estudados. Se estiver matriculado em uma
graduação, por exemplo, haverá um módulo contendo determinadas
disciplinas, que vai cursar em um período estabelecido pela instituição
de ensino. Algumas instituições disponibilizam o módulo completo, com
todas as disciplinas, de uma só vez, para que o aluno faça sua própria
gestão do tempo. Porém, o mais comum é que as disciplinas sejam
disponibilizadas ao longo dos meses, com um período estabelecido
42 Introdução à Ead
para o aluno cursar cada uma delas, o que auxilia os discentes nesse
planejamento.
Dentro de cada disciplina, o aluno poderá encontrar os conteúdos
divididos em unidades ou capítulos. É extremamente importante que ele
esteja atento às datas de realização de atividades e entrega de trabalhos,
para que não estude de forma “atropelada” na véspera do encerramento
de uma unidade, por exemplo.
O acesso ao conteúdo geralmente se dá por meio de textos
escritos e disponibilizadosem pdf, e-books ou diretamente dentro dos
módulos, sem haver necessidade de realizar o download do material.
No ensino a distância é muito comum que os conteúdos
não fiquem somente na linguagem verbal, mas que existam outras
linguagens utilizadas para facilitar a compreensão dos alunos, tais como
videoaulas, podcasts, infográficos, mapas conceituais, objetos interativos
de aprendizagem, jogos educativos, entre outros. Isso é essencial para
atender aos mais variados perfis de alunos que procuram a EAD.
Fóruns de discussão
Os fóruns são espaços ideais para a promoção de discussões
acerca dos temas estudados. Esse espaço, mediado pelo professor ou
tutor, é destinado à troca de informações e opiniões entre os estudantes.
É uma oportunidade de conhecer as pessoas que estão no mesmo curso
e que, muitas vezes, apresentam expectativas comuns. Permitem iniciar
um diálogo que pode ir além do fórum, dependendo dos objetivos de
cada um. Para os alunos que se sentem sozinhos ao estudar a distância,
são excelentes momentos de troca.
Conforme explicita Valenza (2017, p. 6), os fóruns:
[...] são importantes canais de comunicação e discussão
entre professores e alunos no ensino a distância e permitem
trabalhar diversas habilidades esperadas em um estudante
da EAD. Uma atividade proposta nessa ferramenta pode
buscar um ponto possível de debate nos conteúdos para
que inscritos discutam questões relevantes, proponham
soluções para os problemas apresentados e, juntos,
aprimorem suas práticas. Além disso, sabe-se que
Introdução à Ead 43
trabalhar em equipe é sempre uma experiência construtiva.
Em ambientes virtuais, esses momentos também têm
como função aproximar os alunos que estão fisicamente
separados.
Geralmente, os fóruns são utilizados para a discussão, sem que o
professor avalie a participação dos alunos. Contudo, é possível realizar
produções textuais e atribuir a elas nota, dependendo das características
e objetivos da disciplina, desde que os critérios de avaliação estejam
bem explícitos.
Para Faria e Souza (2013, p. 1.185) apud Valenza (2017, p. 6):
O fórum é uma poderosa interface para se proceder à
prática avaliativa por promover o diálogo, o que, por sua
vez, possibilita uma avaliação na dimensão dialógica. Nesse
sentido, a avaliação “não é um momento nem uma atividade
pontual dos processos de ensino e de aprendizagem, mas
um processo entrelaçado e intrinsecamente ligado aos
demais” (KRATOCHWILL, 2010 p. 4). Primo (2006) defende
que uma educação dialógica e problematizadora deve se
organizar considerando o contexto de desenvolvimento
dos alunos.
A principal atividade em grupo disponível no ambiente virtual
é o fórum de discussão. Contudo, existem outras ferramentas que
possibilitam a construção coletiva de texto, a depender de cada ambiente
virtual. As atividades em grupo, conforme lembra Palange (2009, p. 382),
[...] permitem ao aluno a interação com companheiros
e com o professor na discussão das atividades e nas
alternativas originais de solução. Nas atividades em
grupo é possível incorporar diferenças, assumir histórias,
abrindo a possibilidade da pluralidade e permitindo
que as diferenças possam adquirir novos significados. É
muito comum que nas atividades em grupo surjam novas
situações-problemas que são discutidas por todos daquele
grupo do qual o professor se torna mais um participante.
44 Introdução à Ead
Atividades de fixação do conteúdo
Um recurso extremamente importante no processo de
aprendizagem do aluno são as questões objetivas, pois auxiliam na
fixação do conteúdo trabalhado na aula. Nesse modelo de questão, o
professor cadastra a pergunta e as alternativas, bem como a resposta
correta e um comentário que a explica. Dessa forma, o aluno pode
verificar o quanto compreendeu daquilo que leu e estudou, fazendo
também uma auto avaliação de sua prática de estudo.
As questões de múltipla escolha são as mais utilizadas, contudo, há
outros modelos, como associação, verdadeiro ou falso, preenchimento
de lacunas etc. São disponibilizadas em grupos, aos quais se dá o nome
de questionário ou quiz. O sistema pode ser programado para sortear
questões, de modo que os questionários sejam diferentes para os
alunos, apresentando as respostas corretas e o texto de comentário logo
após o encerramento do questionário, dentre outras possibilidades. Isso
vai depender do planejamento do professor. Por exemplo: ele pode fazer
uma avaliação com questões objetivas e não disponibilizar as respostas
até que todos encerrem o questionário. Ele também pode separar as
questões por níveis de dificuldade e programar o questionário de modo
que sorteie um número x de questões fáceis, de nível intermediário ou
difíceis, para que a avaliação seja justa entre todos os participantes.
Além das questões objetivas, os alunos podem responder
a questões discursivas. Nesse modelo, há uma pergunta ou um
direcionamento elaborado pelo professor e uma caixa de texto em
que o aluno redigirá sua resposta. Esse tipo de questão exige correção
manual por parte do professor ou tutor. O professor geralmente deixa
orientações à tutoria do que espera como resposta, ou estabelece
critérios de avaliação.
Nos ambientes virtuais, o professor tem acesso, por meio de
relatórios e gráficos, a informações como: quanto tempo cada aluno
levou para responder às questões; quais foram as questões que os alunos
mais acertaram ou erraram – importante dado para verificar problemas
na elaboração das atividades ou revisar o material didático; quais turmas
(no caso de haver mais de uma) apresentaram desempenho melhor;
qual foi a nota de cada aluno e a média geral; entre outras.
Introdução à Ead 45
Produções textuais
É muito comum na EAD que sejam solicitadas atividades em
formato de texto, geralmente avaliativas. Podem ser produções textuais
simples ou mais elaboradas, como artigos acadêmicos. Existem,
basicamente, duas formas de entregar um texto: redigi-lo dentro de
uma caixa de texto, o que, em alguns ambientes virtuais, é chamado
de texto on-line – já que é necessário estar on-line para escrever –, ou
fazer upload do texto em formato Word ou pdf – nesse caso, o aluno
pode redigir o texto independentemente de estar conectado à internet,
necessitando dela somente para fazer o upload.
Figura 9 – Conhecer cada recurso do AVA é fundamental para ter um bom aproveitamento
dos conteúdos ofertados.
Fonte: Freepik
46 Introdução à Ead
A avaliação desses textos, assim como nas questões discursivas,
depende de critérios preestabelecidos pelo professor. O processo
avaliativo na educação a distância costuma ser bastante diferente
daquilo com que o professor está acostumado no ensino presencial.
Como lembra Ferreira (2013, p. 1.197),
[...] os professores devem ter uma postura de constante
reflexão e diálogo diante da avaliação, transformando-a um
processo de investigação, no qual o erro e as diferenças
sejam compreendidas como alguns passos na construção
do conhecimento. Assim, nesta modalidade, o erro pode
ser muito mais revelador do que quando comparado ao
ensino presencial. Através dele o professor pode chegar a
possíveis problemas no material didático, a inconsistências
nas ferramentas de avaliação e até mesmo em problemas
organizacionais da instituição de ensino.
Perceba que é essencial que você se aproprie dos recursos do AVA
e das suas funcionalidades. Como também adquira o hábito da leitura e
da escrita para que obtenha êxito na produção dos trabalhos acadêmicos
que lhe serão solicitados. Saiba que, os recursos tecnológicos e as
facilidades que temos ocasionadas por eles facilitam e muito o nosso
aprendizado, mas é importante que os alunos desta modalidade estejam
cientes que a produção textual será um dos aspectos fundamentais para
que alcance o proveito no seu aprendizado.
RESUMINDO
Neste capítulo você conheceu um pouco mais das
funcionalidades de um ambiente virtual: como acessar os
materiais, quais são os tipos de atividade possíveis, como
se dá a avaliação no EAD. A partir de agora, você está
pronto para lidar com tudo de melhor que um ambiente
virtual oferece!
Introduçãoà Ead 47
Recursos variados para auxílio nos
estudos
OBJETIVO
Ao final deste capítulo, você conhecerá recursos que,
dentro ou fora dos ambientes virtuais, auxiliam os alunos
no entendimento e fixação dos conteúdos trabalhados.
Muitos alunos não aproveitam a oportunidade de conhecer
várias maneiras de estudar. Não seja um deles! Certamente
você vai se surpreender e gostar de estudar utilizando os
recursos que vamos mostrar aqui.
Muitas informações e diversas maneiras
de acessá-las
O acesso à informação que temos hoje é algo que não era
possível imaginar há alguns anos atrás. Enquanto, há poucas décadas,
procurávamos por verbetes em enciclopédias – as quais eram atualizadas
e reimpressas todo ano – hoje basta digitar o início de uma palavra em
um buscador no navegador e temos como resposta um mundo de
resultados.
Faça o teste: digite “educação” e conte quantas sugestões de
busca são indicadas imediatamente. Temos até dificuldade de lidar com
tanta informação, não é mesmo? Qual é o melhor resultado para a minha
busca? Qual é a melhor resposta para a pergunta que digitei, dentre as
centenas, os milhares de resultados? Fica até difícil de decidir! E esse é
um ponto que devemos levar em conta quando estamos estudando a
distância. Pois em algum momento vamos nos deparar com um grande
número de artigos, livros, notícias, e saber escolher a melhor fonte é
algo extremamente importante.
Agora, vamos conhecer alguns dos recursos que podem auxiliar
os estudos e como escolher os mais pertinentes?
48 Introdução à Ead
Livros
Os materiais didáticos disponibilizados no AVA são escritos a partir
de pesquisas feitas pelos professores conteudistas. Esta é a primeira
dica quando se deseja procurar fontes confiáveis para aprofundar os
estudos: consulte a bibliografia da disciplina ou as referências utilizadas
pelo professor ao escrever o material (a lista geralmente vem ao final de
cada unidade). Certamente lá estarão as mais importantes e atualizadas
obras sobre o assunto. Existem livros clássicos sobre os conteúdos
abordados em cada disciplina, os quais o professor conteudista tem o
dever de apresentar aos alunos.
Observe ao final desta unidade que utilizamos, sobretudo, obras
cujo tema principal é a educação a distância. Não poderia ser diferente,
já que estamos tratando dessa modalidade de ensino e apresentando
suas características.
Antes de comprar algum livro em seu formato físico, verifique
se não está disponível na biblioteca virtual ou na biblioteca física da
instituição ou polo de ensino ao qual você está vinculado.
É possível, também, que esteja disponível para download na
internet, como é o caso da obra mais importante que temos no Brasil a
respeito da EAD, “Educação a distância: o estado da arte”, organizada por
LITTO e FORMIGA (2009/2012).
ACESSE
Os dois volumes da obra estão disponíveis para consulta e
download em: https://bit.ly/2UlyRec
É costume da comunidade científica que produz material
sobre EAD o compartilhamento de informações. Portanto,
torna-se fácil encontrar textos sobre o tema na rede.
Artigos
Os artigos publicados em revistas científicas constituem uma
excelente e confiável fonte de consulta e possibilitam o acesso aos
estudos mais recentes sobre o assunto em que se deseja aprofundar.
Introdução à Ead 49
Mesmo as revistas impressas possuem versão on-line para consulta e
ainda existem as revistas publicadas exclusivamente em formato digital.
Ao contrário dos livros, que tratam de assuntos mais abrangentes,
os artigos se debruçam sobre temas mais específicos. Trata-se de
um afunilamento dentro de uma determinada área do estudo para
quem deseja se aprofundar em um ponto específico. Observe na lista
de referências ao final desta unidade, que foram utilizados diversos
artigos como fontes de consulta. Os que estão disponíveis on-line
foram indicados junto com um link de acesso – por exemplo, o artigo
“Novas tecnologias e educação: a evolução do processo de ensino e
aprendizagem na sociedade contemporânea”, de SILVA e CORREA,
publicado na revista Educação e Linguagem
(disponível em: <https://bit.ly/2Jnl8NC>).
Vídeos
Os vídeos são recursos que combinam texto oral e/ou escrito com
linguagem audiovisual e existem em variados formatos de produção,
podem ser muito curtos até muito longos, conter muitos cortes ou
nenhum corte, podem ser produzidos por pessoas especializadas ou de
modo amador, até mesmo utilizando-se o celular.
As videoaulas são bastante utilizadas para atender principalmente
às expectativas daqueles alunos que não abrem mão do formato
tradicional do professor em frente da sala explicando os conteúdos,
de preferência utilizando o quadro negro ou apresentação em slides
para apresentar conceitos-chave ou deixar claro o seu roteiro de aula. A
diferença é que esta aula é gravada em estúdio, previamente roteirizada
para que tenha uma duração específica e dê conta de todo o conteúdo
previsto, que é apresentado de maneira exclusivamente expositiva.
Nesse formato de aula não há interação com o aluno, portanto, não é
exatamente uma reprodução do que acontece numa aula presencial.
Muitos alunos só conseguem assimilar o conteúdo assistindo a
videoaulas ou vídeos explicativos sobre o tema; já outros não aguentam
ver nem um minuto de vídeo. Isso é muito pessoal e depende também
do estilo de aprendizagem de cada um, como já falamos anteriormente.
Mas não se pode negar que hoje é muito fácil encontrar vídeos dos mais
50 Introdução à Ead
variados temas e que eles resolvem muitas dúvidas de maneira bastante
didática. Para confirmar, basta fazer uma simples busca no YouTube,
iniciando a frase com as palavras “como consertar um...”. Você vai se
surpreender com os resultados!
Para exemplificar, assista ao vídeo “Como aprender melhor e mais
fácil”, do Canal Nerdologia: https://bit.ly/39kePoJ
Podcasts
Podcast é um arquivo de áudio, de tamanho menor que o do
vídeo, o que facilita seu acesso e download. Muitas pessoas preferem
ouvir podcasts a assistir a vídeos, pois não precisam estar em frente à
tela para ter acesso a todo o conteúdo. Podem ouvir o arquivo enquanto
realizam outras tarefas, como quando estão no trânsito, seja dirigindo ou
no transporte público.
Existem podcasts sobre os mais variados temas e, se você é
falante de outra(s) língua(s), a lista aumenta consideravelmente. Você
pode baixar um arquivo individual sobre um tema que lhe interesse
ou assinar um podcast e ser avisado toda vez que um novo episódio é
disponibilizado na rede.
SAIBA MAIS
Existem muitos podcasts e uma busca na internet por temas
de seu interesse pode ajudar. Mas antes, confira essas duas
dicas de podcasts, um sobre temas relacionados a ciência
e pesquisa e outro sobre política:
http://www.ufrgs.br/frontdaciencia/.
https://xadrezverbal.com/tag/podcast/.
Quando é prevista a produção de um podcast para ser
disponibilizado aos alunos em um AVA, geralmente ele traz temas
relevantes sobre o conteúdo trabalhado ou um resumo da aula. Pode
ser gravado pelo professor conteudista, pelo tutor ou ter o formato de
entrevista com algum especialista da área.
Introdução à Ead 51
Imagens e infográficos
As imagens servem para ilustrar conteúdos trabalhados na aula.
Também podem servir como ponto de partida para uma problematização.
Os infográficos apresentam informações relevantes sobre
determinado conteúdo, utilizando linguagem verbal (textos concisos) e
não verbal (imagens ou símbolos). Trata-se de uma síntese ilustrativa de
um tema que não pretende esgotar o assunto, mas apresentar pontos
específicos, como conceitos, números relevantes, entre outros.
São bastante utilizados em revistas e jornais e facilmente
encontrados na internet.
Mapas conceituais
Um mapa conceitual é uma apresentação gráfica que auxilia na
organização das ideias a respeito de determinado assunto. Assim como
o infográfico, traz as informações de maneira esquematizada.
Nesta e em outras unidades você terá a oportunidade de conhecer
– se já não conhece – um mapa conceitual.
Figura 10 – Exemplo de um Mapa Conceitual
Fonte: Material didático da disciplina Educação Infantil (2020)52 Introdução à Ead
Objetos de aprendizagem
São conteúdos interativos a respeito de determinado assunto que
utilizam imagens, textos, vídeos, áudios, animações para explicá-lo. São
usados, geralmente, para complementar e propiciar aprofundamento de
assuntos tratados na aula.
Jogos educativos
Existem diversos jogos digitais elaborados para ensinar ou
reforçar um determinado tema. No ambiente da educação, são bastante
utilizados os jogos cooperativos, em que o grupo tem um objetivo em
comum.
A depender do conteúdo que está sendo trabalhado em uma
unidade de estudo, você poderá utilizar esses recursos para auxiliá-lo
a entender algo que não ficou muito claro ou aprofundar algum ponto
que despertou seu interesse. Se você parar para pensar, já fazemos
isso diariamente: quando estamos em dúvida sobre uma palavra, um
conceito, uma declaração dada por alguém conhecido do público, um
assunto que está sendo comentado pelas pessoas... Para isso, basta
uma simples busca em um site de pesquisa e você tem acesso a uma
gama de resultados que trazem a resposta nos mais variados formatos:
uma notícia de jornal, um vídeo explicativo, uma imagem. Agora é
hora de trazer essa prática também para o contexto dos estudos. Não
deixe de buscar, pesquisar, se aprofundar. Lembre-se: você, aluno (a),
é o protagonista nessa modalidade pela qual decidiu se aventurar: a
educação a distância.
Introdução à Ead 53
RESUMINDO
Neste capítulo você conheceu alguns recursos que podem
auxiliar nos estudos na modalidade a distância: livros,
artigos, vídeos etc. É muito comum que vários deles já
estejam previstos no próprio material didático de uma
disciplina ofertada em EAD, mas você também pode contar
com uma busca na internet para ter acesso a eles. Só não
se esqueça de sempre optar por fontes confiáveis! Bons
estudos!__ Introdução à EAD 9
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo aqui é auxiliálo
no estudo do raciocínio lógico, para que você seja capaz de:
1. Compreender os mecanismos do pensamento baseando-se no
processo de dedução;
2. Identificar as grandes divisões da lógica a partir do procedimento
de indução;
3. Aplicar as técnicas de raciocínio lógico no método de abdução;
4. Identificar como funciona o processo de associação lógica, para
poder distinguir dos argumentos falaciosos.
Então? Preparado para mais uma viagem rumo ao conhecimento?
Ao trabalho! Afinal, seja para conquistar o mundo ou para conhecer a si
mesmo, só há um caminho: estudar!
OBJETIVOS
10 Introdução à EAD
O Raciocínio Dedutivo
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender
Como aprender a raciocinar logicamente. Na presente seção, nosso objetivo é auxiliá-los na compreensão do conceito de lógica, trabalhar suas grandes divisões e métodos de análises dos argumentos e discursos. Iniciaremos nossos estudos com o método dedutivo. Entretanto, antes de debruçarmos sobre o raciocínio dedutivo, precisamos, primeiramente, definir o que é lógica e entender por que a lógica integra a grade da maior parte dos cursos de graduação. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!
Introdução a Lógica
A lógica é um ramo do estudo do conhecimento aplicado desde a
Grécia Antiga, tempo em que os filósofos a utilizavam para distinguir os
argumentos corretos dos incorretos, até os dias de hoje, visto que a base
do funcionamento de um computador está na eletrônica e na lógica.
Portanto, pode-se afirmar que é o raciocínio lógico que orienta, torna
coerente, claro e coeso o desenvolvimento das ideias.
Se olharmos pra trás podemos perceber que a humanidade
passou por várias e profundas transformações nos mais variados
campos, sejam elas na educação, ciência, tecnologia etc. O que você
acha que ocasionou todas essas transformações?
O filósofo Howard Gardner Gardner apud Travassos (2011)
responde essa pergunta apontando dois elementos: razão e inteligência.
Como você definiria razão? E inteligência?
A razão é empregada por nós como clareza ou como motivo,
causa. A razão, em verdade, tem a função de avaliar os acontecimentos,
os julgar e os organizar na nossa mente. Entretanto, sabemos que
muitas vezes a razão não consegue alcançar entendimento ou a
Introdução à EAD 11
compreensão de algo. Nesse momento, segundo Howard Gardner, ela
recorre à inteligência.
A partir de seus estudos sobre inteligência humana, desenvolvidos
na Universidade de Stanford, na Califórnia, Howard Gardner apud
Travassos (2011) desenvolveu a chamada teoria das inteligências
múltiplas, concluindo que o cérebro do homem possui sete tipos
de inteligência, porém a maioria das pessoas possui uma ou duas
inteligências desenvolvidas, o que explicaria por que alguns têm mais
habilidade em matemática e outros em artes.
Figura 1 – Tipos de inteligências
Fonte: Travassos (2011)
Vejamos o que Howard Gardner afirmava sobre essas inteligências
ilustradas acima:
• Lógica: é a inteligência voltada às conclusões fundadas em
números e na razão, na utilização de fórmulas e números.
12 Introdução à EAD
• Linguísticas: voltada a habilidade de comunicação e expressão.
• Corporal: capacidade de utilizar o corpo para se expressar,
principalmente no desenvolvimento de atividades esportivas e artísticas.
• Naturalista: inteligência voltada à análise e entendimento dos
fenômenos.
• Intrapessoal: habilidade de se conhecer ou de autoconhecimento.
• Interpessoal: pessoas com essa inteligência tem maior
capacidade de se relacionar com um maior número de pessoas e de
identificar o perfil de outras pessoas ou sua personalidade.
• Espacial: inteligência relacionada aos movimentos e
posicionamento de objetos.
E pra você? Como você definiria a lógica? E o raciocínio lógico?
A lógica é um dos ramos da filosofia que busca da verdade, tendo
como manifestação o pensamento, e o seu objetivo é o alcance do
pensar correto. Entretanto, a lógica não é uma propriedade exclusiva
dos filósofos, pois todos aqueles que precisam entender e desenvolver
qualquer tipo de raciocínio precisa estudar lógica.
Quanto à definição de lógica, a doutrina especializada não tem
um consenso. Wesley Salmon (2011) afirma que a lógica é um ramo do
conhecimento cujo propósito fundamental é o de apresentar métodos
de identificação de argumentos logicamente válidos, ao passo que
identifica aqueles que não são.
Segundo Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires
(2010), a lógica é o ramo do conhecimento que classifica as inferências
válidar para as inválidar e, além de ser a ciência da demonstração, como
afirmava Aristóteles, e das regras do pensamento, a lógica é também é a
ciência das leis ideais do pensamento e a arte de aplicá-las corretamente
na procura da verdade.
É com o objetivo de precisar um raciocínio correto, válido e que
corresponda a um fato real, onde a lógica se divide em duas vertentes
de análise, quais sejam, a lógica formal e a lógica material. A primeira
trata dos caminhos que devem ser seguidos pelo correto raciocínio, já a
Introdução à EAD 13
segunda objetiva garantir que a correspondência entre o pensamento e
a realidade seja válida.
Desse modo, pode-se afirmar que a lógica é uma ferramenta
necessária para o desenvolvimento da apuração de um discurso, para
que, de forma mais eficaz, se possa distinguir o que é correto e o que
é incorreto, o que é válido e o que não é, ou seja, aquilo que é uma
falácia e o que não é. Desse modo, é a lógica que nos permite ampliar
nossa capacidade argumentativa, de compreensão e de criticar as
argumentações e os textos.
E o raciocínio lógico? Como vocês acham que a nossa inteligência
funciona no processo de apreensão da realidade e dos argumentos?
Como identificamos se algo é certo ou não? E se é uma f alácia ou não?
Quando nos deparamos com um problema ou uma questão
que demande um percurso com possibilidades que nos guie a uma
solução, nós o analisamos ainda no campo do raciocínio, porém, quando
encontramos a solução, como iremos saber se tal é válida ou não? É aqui
que aplicamos o raciocínio lógico!
A lógica é uma forma de aprimoramento da capacidade de
raciocinar eo raciocínio é a realização mental que, de dois ou mais
juízos, pode-se exaurir outro juízo.
Uma vez que a validade de um argumento deve ser analisada em
conformidade com as operações que o resultou e que o raciocínio lógico
deve ser aplicado em busca da verdade, tem-se que esse processo
envolve uma relação do pensamento com a realidade concreta. Portanto,
o raciocino lógico observa tanto o pensamento quanto a validade de
suas soluções e é justamente em função desses dois elementos que
estudaremos mais a fundo os conceitos das duas grandes divisões da
lógica: lógica formal e a material.
Com base no exposto, estudaremos a divisão que primeiramente
se ocupa do estudo das leis gerais do pensamento, cujo objetivo
fundamental é o de observar o próprio pensamento, para que esse não
seja contraditório, ou seja, estudaremos a seguir a lógica formal.
14 Introdução à EAD
EXPLICANDO MELHOR:
A lógica formal não está interessada no conteúdo, mas sim
na construção dos argumentos tanto das premissas quanto
da conclusão.
Vejamos a seguinte situação:
Todos os mineiros são brasileiros Premissa 1
Marcos é mineiro Premissa 2
Marcos é brasileiro Conclusão
Independentemente do fato de Marcos ter a nacionalidade
brasileira ou não, no campo da lógica formal a afirmativa “Marcos é
brasileiro” é válida, pois decorre do argumento de “Marcos é mineiro” e
que “Todos os mineiros são brasileiros”.
Desse modo, no estudo da lógica sob o seu aspecto formal
devemos identificar as partes constitutivas do raciocínio em questão,
sendo elas: os elementos do pensamento e as representações concretas
de tais elementos. Vejamos:
A ideia é o ponto de partida da análise sob a ótica da lógica formal
e consiste na representação intelectual de um objeto, advinda de uma
apreensão fática que nós absorvemos a partir dos nossos conhecimentos
vindos da realidade que vivemos. Toda ideia representa uma compreensão,
ou seja, um conteúdo e o conjunto de elementos que o compõe.
Como modelo exemplificativo, temos a ideia de animal. Já a
extensão da ideia é a quantidade de indivíduos ou elementos que o
compõe, como por exemplo, mamíferos e herbívoros. Portanto, quanto
menos extensa é uma ideia, mais compreensiva ela é e vice-versa.
Uma das regras fundamentais do pensamento correto está
relacionada à captação das ideias, de modo que nenhuma ideia deve
conter elementos que se excluam, ou seja, que sejam contraditórias.
Desse modo, não podemos idealizar uma bola quadrada. E, após
a captação de uma ideia, precisamos comunica-la. Desse modo,
Introdução à EAD 15
empregamos um termo como expressão material dessa ideia,
possibilitando que a comuniquemos com outras pessoas.
O juízo, por sua vez, é o julgamento advindo da relação entre as
ideias formadas. Uma vez que os juízos são julgamentos de conveniência
e inconveniência, através deles concebemos as ideias como falsas ou
verdadeiras. Ao expressarmos nossos juízos verbalmente, formamos
proposições, ou seja, enunciados através dos quais negamos ou
afirmamos um conceito ou um termo em relação a outro.
No exemplo dado anteriormente, por exemplo, temos que “todos
os mineiros são brasileiros”, desse modo, o termo “mineiros” é uma
afirmação do termo “brasileiros”. Em síntese, podemos afirmar que o juízo
é uma atividade intelectual na qual relacionamos, de forma ordenada, as
ideias aprendidas, para que possamos formar um novo conhecimento,
como por exemplo, uma pessoa ao descobrir que Marcos é mineiro e
que todo mineiro é brasileiro, irá concluir que Marcos é brasileiro.
Todo esse percurso, desde a apreensão das ideias, até a
conclusão de um novo conhecimento, constrói um argumento e toda
essa operação mental por trás da construção de um argumento recebe
o nome de raciocínio. Desse modo, o argumento pode ser definido
como uma série de proposições para se estabelecer uma conclusão,
em outras palavras, é a ferramenta utilizada para convencer alguém. O
argumento enuncia, através do uso das palavras, escritas ou faladas, o
que inferiu o raciocínio (última etapa do processo do pensamento).
A fórmula básica de se demonstrar um argumento e analisar a
validade ou invalidade do seu raciocínio é a aplicação do silogismo,arraigado na lógica aristotélica. Segundo Aristóteles (2002), o principal objetivo da lógica é a proposição, enquanto expressão dos juízos que
temos sobre a realidade, e o raciocínio, enquanto conclusão sobre uma
série de proposições. A fim de cumprir seu exordial papel de promover a
formulação de um raciocínio correto sobre o mundo, a lógica, segundo
o referido autor, deve analisar as proposições, de modo que suas
construções observem os preceitos dos chamados princípios básicos
do pensamento racional. Vejamos de forma sucinta o que estabelece
esses princípios, que por sua vez, são postos como as leis básicas do
pensamento:
16 Introdução à EAD
Figura 2 - Organograma com um resumo das ideias propagadas pelas leis básicas do
pensamento de Aristóteles
Fonte: Adaptado de Aristóteles (2002)
Como posto na figura 2 acima, segundo o referido filósofo,
qualquer argumentação lógica válida poderia ser construída a partir de
três proposições que se relacionam de tal maneira que a partir das duas
proposições iniciais, chamadas de premissas, é viável a dedução de
uma conclusão perfeita. Sem dar o nome de lógica na época, Aristóteles
definiu os processos lógicos do raciocínio, pelo que ele chamou de
silogismo demonstrativo ou dedutivo.
Aristóteles buscava traduzir as coisas e o mundo, utilizando um
discurso claro, coeso e sem contradições, portanto o seu silogismo é
considerado como o paralelo essencial para se mediar a realidade e
o discurso; mediação essa realizada com base no silogismo realizado
sob o escopo das três leis básicas que regem o pensamento humano,
quais sejam, aquelas que traduzem o princípio da identidade, da não
contradição e do terceiro excluído.
O silogismo aristotélico é construído a partir da premissa maior,
premissa menor e pela conclusão, vejamos:
Todo homem é mortal → Premissa maior → Maior antecedente
Luís é homem → Premissa menor → Antecedente
Luís é mortal → Conclusão → Consequente
Introdução à EAD 17
A premissa maior carrega uma realidade universal ou a essência
das coisas. A premissa menor traduz uma especificidade dentre a
realidade universal, ou seja, faz uma mediação entre o homem (universal)
e um homem em particular, por exemplo. E, por fim, a conclusão, síntese
de todo o argumento que traz, como no exemplo acima, a mortalidade
universal e a mortalidade do homem em particular, resultando em uma
sequência demonstrativa.
Isto posto, passaremos agora ao estudo da lógica material, vertente
responsável pela análise da relação entre os nossos pensamentos
com os fatos da realidade. Vale salientar que a lógica material emergiu
com os avanços científicos promulgados pela revolução cientifica do
século XVI, momento em que o conceito de ciência passou a exigir a
comprovação empírica do conhecimento concebido para explicar os
fatos da realidade.
A lógica material tem como base a análise da verdade e do erro.
Por verdade, podemos entender a correspondência do pensamento
com a realidade e, por erro, a não correspondência entre o que se pensa
e o que é real. Deste modo, ao realizar uma análise da lógica material
de um argumento é possível verificar a presença ou não de sofismas,
que por sua vez, é um raciocínio falso, que pode nascer, tanto de uma
aplicação equivocada do raciocínio em premissas, quanto da aplicação
de raciocínio assertivo em premissas falsas. Insta salientar que o sofisma
pode ser empregado para enganar ou não.
As espécies mais frequentes de sofismas são:
• Equívoco ou ambiguidade: resultam da utilização de uma
mesma palavra em dois ou mais sentidos.
• Ignorância da causa: resulta da conclusão de que um fato
foi causado por circunstâncias acidentais que lhe foram antecedentes.
A título de exemplo, temos a situação de um sujeito que não leva um
amigo ao jogo de futebol de seu time por acreditar que o amigo atrai
má sorte, pois das vezes anteriores que o levou o time para o qual torcia
perdeuos jogos.
• Comparação indevida: resulta da semelhança estabelecida
entre objetos, entretanto, sem se ater às diferenças dos mesmos. Pode
ser usado de exemplo o silogismo que, por conceber que os vegetais
18 Introdução à EAD
são seres vivos assim como os animais, concluem que, como todo
animal se locomove, todos os vegetais também se locomovem.
• Petição de princípio: resulta da situação em que se toma
como verdade demonstrada aquilo que já se está discutindo, como por
exemplo, assumir que uma ação é injusta porque é condenável, bem
como, que ela é condenável porque é injusta.
Por fim, vale a pena ressaltar que, no estudo lógico dos
argumentos, tanto na análise das operações do pensamento (lógica
formal), quanto na análise da relação entre pensamento e realidade
(lógica material), busca-se o alcance do raciocínio correto e a superação
do erro; preocupações constantemente presentes em cada um de nós.
Desse modo, a lógica aponta quatro importantes formas de raciocinar
que nos permite organizar melhor nossos pensamentos. São eles:
Dedução, Indução, Abdução e Associação. Através da aplicação desses
processos conseguimos alcançar autonomia para podermos raciocinar
por nós mesmo e da maneira mais correta e coerente possível.
Dedução
No ensino de excelência o que se espera de um estudante é que
ele saiba raciocinar por sim, que tenha um pensamento crítico sobre
o que lhe é passado por seus professores ou pelos livros. Portanto,
como instruir alguém a pensar de forma crítica? Como alguém pode
conquistar autonomia na forma de pensar? A lógica responde que para
pensar de forma crítica é preciso que raciocinar bem, e para raciocinar
bem devemos nos valer de dois processos nos quais organizamos nosso
raciocínio, quais sejam, a dedução e a indução.
Assim sendo, perguntamos-lhe em que consiste o ato de deduzir?
Como você definiria um raciocínio dedutivo?
Ao longo dessa seção iremos mostrar em que consiste um
raciocínio dedutivo, como o aplicar, bem como identificar um argumento
inválido, expresso nas falácias.
Até aqui vimos que raciocinar ou argumentar é um processo
mental que se efetiva quando concluímos algo a partir da análise
de premissas que apresentam evidências. Segundo Nerici (1988), a
Introdução à EAD 19
principal característica do modo dedutivo de raciocinar consiste no
fato de que essa espécie de raciocínio lógico não produz nenhum
tipo de conhecimento novo, pois é somente um esclarecimento, que
torna visível aquilo que já é sabido. Desse modo, pode-se afirmar que
a conclusão de um raciocínio dedutivo é sempre um resultado óbvio,
inclusive para alguém do senso comum, sem conhecimento específico
sobre o assunto.
No raciocínio dedutivo teremos uma proposição universal,
seguida de uma proposição particular, e finalizada com uma conclusão
que também é posta como uma proposição particular ou, teremos duas
premissas universais e uma conclusão também universal. Fato é que, no
raciocínio dedutivo, partiremos sempre do universal para o particular.
Todo A contém B Todos os europeus são homens
Todo X é A Todos os portugueses são europeus
Portanto, todo X contém B Portanto, os portugueses são homens
Desse modo, pode-se afirmar que em um raciocínio dedutivo a
conclusão segue impreterivelmente aquilo que foi posto pelas premissas
e a verdade das premissas é logicamente mantida na conclusão.
IMPORTANTE:
Vimos anteriormente que Aristóteles desenvolveu
importantes estudos sobre a lógica e chamou de silogismo
a análise lógica do processo de raciocínio perfeito. Pois
bem, o silogismo é um tipo de raciocínio dedutivo.
Entretanto, ao alcançar uma conclusão, que decorra
dedutivamente daqui que foi dito em sua premissa, como iremos verificar
que tal argumento é uma verdade?
A veracidade da conclusão de um silogismo, como elucida
Navega (2005), é guiada por duas regras básicas: a) se as premissas
forem verdadeiras, a conclusão é verdadeira; e b) se as premissas forem
20 Introdução à EAD
falsas, a conclusão poderá ser verdadeira ou falaciosa. Vejamos algumas
possibilidades:
Quadro 1 - Exemplos das premissas a) e b), respectivamente
Fonte: Adaptado de Navega (2005)
O
homem
é mortal
Premissa
maior
Verdadeira
Todo
homem
é gentil
Premissa
maior
Falsa (não
se pode
confirmar)
Pedro é
homem
Premissa
menor
Verdadeira
Aruan é
homem
Premissa
menor
Falsa
(Aruan
pode ser
mulher)
Pedro é
mortal
Conclusão Verdadeira
Aruan é
gentil
Conclusão
Pode ser
verdadeira
ou falsa
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo,
vamos retomar alguns pontos essenciais. Você deve ter
aprendido que no raciocínio dedutivo a conclusão segue
necessariamente as premissas e que a verdade das
premissas é preservada na conclusão e a conclusão não
produz conhecimento novo, apenas clarifica aquilo que já é
sabido. O modo indutivo, por sua vez, difere-se do dedutivo
pelo fato de ampliar o conhecimento. Estudaremos o
raciocínio indutivo na seguinte seção.
Introdução à EAD 21
O Raciocínio Indutivo
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de aprofundar
sobre o método indutivo de raciocínio lógico, nosso
objetivo é auxiliá-los a diferenciar um raciocínio dedutivo
de um indutivo, conhecer as técnicas da indução, os tipos
de indução e a identificar, com isso, os argumentos válidos
e os inválidos. E então? Motivado para desenvolver esta
competência? Então vamos lá. Avante!
Antes disso, nos responda o que você intende por indução? Como
seria raciocinar por indução?
Segundo Lalande (1999), por indução deve-se entender a
operação mental que remonta certo número de proposições indutoras
(singulares ou especiais), e uma proposição ou um pequeno número
de proposições chamadas de induzidas (mais gerais), que por sua vez,
implicam todas as proposições indutoras.
Portanto, o método indutivo parte da observação de premissas
para se alcançar uma conclusão construída com informações sobre fatos
não observados, ou seja, uma conclusão cujo conteúdo é mais amplo
do que o das premissas que a fundou. Nesse sentido, um raciocínio
indutivo, para ser legítimo, necessita observar as seguintes regras:
a) as proposições observadas, que formam a base de uma
generalização, devem ser muitas;
b) as observações devem ser repetidas, sob uma vasta variedade
de condições;
c) uma proposição de observação em conflito com a lei universal
derivada não se pode ser considerada.
E, por fim, tem-se que o raciocínio indutivo se efetiva com a
aplicação de três etapas, vejamos:
22 Introdução à EAD
Quadro 2 - Exemplo de como se efetiva um raciocínio indutivo
Fonte: Adaptado de Lalande (1999)
1ª etapa:
Observação dos
fenômenos
Lucas, Túlio e Fernando são
mortais.
2ª etapa:
Descoberta da relação
entre esses fenômenos
Lucas, Túlio e Fernando são
homens.
3ª etapa:
Generalização da relação
encontrada entre os fatos
semelhantes
Todo homem é mortal.
O método de indução é considerado um método mais fraco,
quando comparado com o dedutivo, pois no primeiro a conclusão não
é certeira, apenas provável; já no segundo a conclusão é obtida com
perfeição.
A indução é um método de raciocínio lógico que concebe o
futuro como uma repetição do passado, num ato de confiança ou de
esperança de que o futuro repita os resultados obtidos anteriormente.
Nesse sentido, o método indutivo é considerado um método polêmico,
quando aplicado na análise de argumentos científicos. Uma vez que,
esse raciocínio apenas usa fatos específicos do passado para sugerir
como poderá ser o futuro.
Assim sendo, devemos ter em conta que esse tipo de raciocínio
não deixa de ser perigoso, vejamos o seguinte exemplo:
“Meus amigos correm todos os dias pela estrada que passa perto
da Fazenda Galante que dizem ser enfestada de onças e nunca nenhum
deles foi mordido. Então, eu vou correr lá também porque eu também
não vou ser mordido”.
Na indução, a trajetória do raciocínio tem início com a observação
do particular, que depois de reiteradas análises, culmina em uma
conclusão generalista e na probabilidade.
Introdução à EAD 23
Figura3 - O método indutivo começa sempre com a observação
Fonte: Pixabay
Desse modo, esse método só garante a verdade de seus
argumentos até certo ponto. No âmbito científico a indução costuma ser
combinada com outros métodos, como por exemplo, aqueles baseados
em estudos estatísticos ou empíricos.
Em que pese o fato de os argumentos advindos do raciocínio
indutivo não serem considerados válidos, eles são frequentemente
utilizados e, sob dadas condições, fornecem vigorosas evidências de
que são corretos. Os principais tipos de r aciocínio indutivo são:
24 Introdução à EAD
Figura 4 - Tipos de raciocínio indutivo
Fonte: Adaptado de Navega (2011)
A indução enumerativa é utilizada quando se alcança uma
conclusão após a observação de apenas alguns membros de um grupo.
Portanto, parte-se da observação de alguns dos membros de um dado
grupo, para se chegar a uma generalização sobre um grupo de coisas.
Vejamos algumas situações que exemplificam o raciocínio indutivo
enumerativo:
Exemplo:
A prata conduz energia
O cobre conduz energia
O bronze conduz energia
Logo, todo metal conduz energia (conclusão indutiva).
Vale destacar que, no caso da indução enumerativa, o quão
forte será seu argumento de conclusão irá depender da quantidade de
amostragem. Quanto maior a amostragem mais forte e representativa
será a conclusão indutiva.
Introdução à EAD 25
Na indução analógica, o raciocínio lógico surge da observação e
constatação de similaridade entre duas coisas e, em certos aspectos,
amplia-se a outros aspectos. Dito de outra forma, quando um argumento
aponta que duas coisas são parecidas em determinados aspectos, elas
são igualmente similares sob outros aspectos, tal argumento vale-se de
um raciocínio indutivo analógico.
Exemplo:
João está sentindo febre e tosse muito durante a noite
Maria está sentido febre e tosse muito durante a noite
Se o médico afirmou que João está com pneumonia
Então, Maria também está com pneumonia.
No caso da indução analógica, a veracidade da conclusão também
terá certa probabilidade de está correta e a quantidade de similaridade é
que vai pesar na probabilidade da conclusão está correta ou não.
A indução hipotética é comumente usada por nós todos os
dias, principalmente pelos profissionais da área da saúde, engenharia
e educação. Esse tipo de raciocínio indutivo consiste na assunção da
melhor explicação para um fenômeno observado, quando para tal surge
mais de uma explanação ou justificativa. Nesse sentido, dever-se-á
preferir a hipótese mais simples, mais facilmente compreendida e a que
for capaz de fazer mais previsões assertivas. Essa forma de indução é
também conhecida por abdução ou inferência pela melhor explicação.
Vejamos a seguinte situação que bem exemplifica esse raciocínio lógico:
Exemplo:
Febre, dor no corpo, manchas vermelhas na pele e dores musculares
são indícios de sarampo ou de dengue. O sarampo é transmitido entre
pessoas e a dengue é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti
presente em áreas de risco. Já que eu não tenho tido contato próximo
com muitas pessoas e o no meu bairro foi encontrado vários focos de
dengue, é provável que eu esteja com dengue.
Isto posto, é relevante ressaltar as principais diferenças entre
os métodos dedutivo e indutivo para que possamos melhor aclarar os
conceitos de cada um desses métodos, bem como sedimentar suas
principais características. Segundo Rodrigues Neto (2013), principais
diferenças entre o método indutivo e o dedutivo são:
26 Introdução à EAD
• O início do raciocínio por dedução parte do geral para o
particular e a indução faz o caminho inverso.
• O raciocínio dedutivo é feito à luz de regras pré-definidas e a
indução, pelo contrário observa os fenômenos a fim de buscar as regras
que possibilite interpretá-los.
• A dedução raciocina a partir de leis gerais, já a indução raciocina
a partir da observação dos fenômenos para então formular as leis gerais.
• Se todas as proposições que levam à conclusão de um
argumento, analisado por dedução significa dizer que tal argumento é,
necessariamente, verdadeiro. Por outro lado, um argumento construído
por indução não pode ser, pelo menos não de forma totalmente
garantida, considerado como verdadeiro, pois a sua veracidade é apenas
uma probabilidade.
Assim sendo, tem-se que, tanto a indução quanto a dedução são
mecanismos que a lógica nos traz para que saibamos lidar de forma hábil
com os textos e discursos. Fazendo uso desses mecanismos podemos
de uma forma criteriosa, aceitar ou rejeitar argumentos e principalmente
identificar com mais clareza as declarações falaciosas.
Figura 5 - As falácias estão presentes em todo tipo de discursos
Fonte: Adaptado de Navega (2011)
Introdução à EAD 27
Os argumentos falaciosos são aqueles que, apesar de serem
aparentemente válidos, na verdade são incorretos. São argumentos que
persuadem o interlocutor valendo-se de raciocínios errôneos. As falácias
estão presentes na publicidade, política, discursos religiosos, economia,
comércio etc.
EXPLICANDO MELHOR:
A validade de um argumento, por sua vez, diz respeito a
sua organização e estrutura. Será válido o argumento cuja
conclusão seja uma consequência necessária daquilo que
foi posto por suas premissas; por sua vez, será inválido o
argumento cuja conclusão não seja uma consequência
necessária do que foi posto por suas premissas. Portanto, será
válido aquele argumento que apresente uma correta relação
entre suas premissas e sua conclusão, independentemente
dessa conclusão ser verdadeira ou não.
A verdade lógica, por sua vez, diz respeito à conformidade das
coisas, às ideias segundo as quais foram feitas, ou seja, as coisas como
realmente são.
Vejamos agora os principais elementos de um argumento
falacioso:
a) Premissas inaceitáveis: são aquelas tão duvidosas quanto às
alegações que pretendem sustentar
Exemplo:
Tudo que comemos ou mata ou engorda
Comer uma abóbora não mata
Portanto, comer uma abóbora engorda.
b) Premissas irrelevantes: são aquelas que não têm a ver com a
verdade da conclusão.
Exemplo:
O filme “Parasita” ganhou o oscar.
28 Introdução à EAD
Os atores ganharam imenso destaque por suas performances.
Logo, esse filme retrata uma história real.
c) Premissas insuficientes: geram incerteza quanto à validade da
conclusão.
Exemplo:
Açúcar não faz bem para a saúde.
Zelar pelo bem-estar das pessoas é dever do Governo.
Portanto, o Governo tem o dever de proibir a venda de açúcar.
Assim sendo, podemos afirmar que há duas maneiras de gerar uma
falácia: raciocínios errôneos com informações verdadeiras, chamados de
erros formais ou, raciocínios assertivos com informações falsas, chamados
de erros informais.
Nesse sentido, as falácias são classificadas em dois grupos, como
elucida Rodrigues Neves (2013):
a) Falácias formais: apresentam erro em sua construção, por
violar uma das regras do silogismo.
Exemplo:
Se eu jogar bem, eu ganho o jogo.
Eu ganhei o jogo.
Logo, eu joguei bem.
O exemplo acima retrata uma falácia formal, pois a conclusão
não é uma condição necessária das premissas, uma vez que eu poderia
ter ganhado o jogo simplesmente porque o meu adversário não estava
muito bem e, portanto, não teve um bom desempenho no jogo.
b )Falácias informais ou não formais: as premissas não sustentam
a conclusão porque os conteúdos das premissas apresentam alguma
deficiência. São falácias que geralmente fazem apelo à força (uso de
ameaça) ou a misericórdia (apelo à piedade), por exemplo. Vejamos as
situações a seguir:
Exemplo:
Se você não seguir as minhas regras será expulso do time.
Introdução à EAD 29
Você não pode expulsá-lo, pois ele é bom pai e sempre contribui
com a igreja.
RESUMINDO:
De uma maneira geral, a indução parte do particular (seja um
fato ocorrido ou uma amostra específica), para o genérico
(no sentido de regras ou determinações gerais). A principal
atividade desse método de raciocínio lógico é o de derivar
novas conclusões, ou seja, novas generalizações, a partir do
exame de alguns exemplares específicos, analisados várias
vezes. No método indutivo, as premissas verdadeiras não
garantem que suaconclusão seja verdadeira e seu principal
objetivo é o de ampliar o conhecimento. Tanto o método da
indução, quanto o método da dedução são importantes na
orientação do raciocínio, pois promove a análise crítica dos
argumentos e discursos, o que evita, de forma significativa,
que sejamos vítimas de persuasões falaciosas.
Compreendeu em que consiste o método indutivo e no que
esse método difere do método dedutivo? Agora vamos nos
aventurar por outra forma de raciocínio lógico: a abdução.
Vamos juntos!
30 Introdução à EAD
O Raciocínio Abdutivo
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender
o conceito do raciocínio na perspectiva da abdução, e
como ele funciona, partindo de três eixos elementares do
sistema lógico Peirceano. Esse estudo é relevante, pois faz
um script de como o raciocínio se dá para a construção
dos sentidos e da criatividade, tendo como resultado do
raciocínio abdutivo, que é um método no qual assimila por
determinado tempo uma hipótese explicativa, na qual tem
estratégicas insurrecionais, em outras palavras a abdução
nada mais é que um procedimento lógico no qual resulta
novas ideias, ao longo da nossa aprendizagem veremos
melhor como se dá o processo. E então? Motivado para
desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!
Para compreendermos o raciocínio abdutivo de uma forma
completa, é importante que façamos uma breve análise histórica,
passando pelos principais nomes de estudiosos dessa área, e seus
conceitos. O primeiro deles e mais importante que veremos ao longo
desse ensino é Charles Sanders Peirce, que ficou conhecido por trazer o
estudo da lógica de maneira corpulenta e eficiente.
Mas afinal, quem é Peirce?
Esse grande estudioso inovou ao trazer uma perspectiva que se rege
através de uma sistematização na qual engloba as demais maneiras de
raciocínio, fenomenologia, assim como também na conexão entre as duas.
O ordenamento sustentado por Peirce está elencado na conexão
entre os princípios de enfoque (não só consoante com as ligações
formais), como da mesma maneira, pela forma de investigar. Assim
este pesquisador acaba por desenvolver uma teoria na qual configura
como um de seus elementos principais, o falibilismo. Por isso ele julga
que tanto o processo de formalização de conceito é extremamente
Introdução à EAD 31
importante para compreensão da lógica, como também a interpretação
da pessoa que conceitua (o conceituador).
Um dos principais fundamentos estabelecido por Peirce, que
acaba sendo um divisor de águas nesse estudo, pois passamos a
enxergar sua teoria diagramática como pertencendo à gnosiologia, que
se trata de nada mais nada menos, que ter o sujeito como formador do
seu conhecimento mundano através de diagramas. Mas afinal, o que isso
quer dizer? Levando em consideração a lógica crítica epistemológica
temos que estar atentos as possibilidades de tipos de inerência da
pessoa, recapitulando, são:
Figura 6 - Três tipos de sujeito cognoscente
Fonte: As autoras
Partindo dos princípios desta premissa, é seguro dizer que Peirce
tinha como fundamentos basilares a possibilidade na concepção do
saber da realidade no aspecto mediano, por meio das daquilo que
consideramos como nossas representações, a partir de diagramas
e inferências. Contudo, por mais que não sejamos donos da verdade
absoluta daquilo que acreditamos e buscamos, o nosso acesso à
realidade é tido como falível (o que leva a teoria do falibilismo de Peirce).
32 Introdução à EAD
A racionalidade deve ser então, na sua completude uma tradução
do vasto universo que nós temos. Em outras palavras, é um conjunto das
normas que evoluíram fundamentadas em hábitos obtidos. Partindo do
pressuposto, de que a norma que rege a racionabilidade é a continuação, a
evolução, onde resultam absolutamente todas as proporções de significado.
É importante destacar que ter o estudo da metafisica como objeto
é considerado admissível, porem em toda pesquisa que se preze, ainda
mais nesta área, deve ser respaldada por uma verdadeira investigação
científica, tomando como notas as hipóteses, e as suas representações
ilustrativas, podendo ser verificada taxativamente.
Figura 7 - Síntese a diferenças entre pragmatismo de Pierce e de William James
Fonte: As autoras
Diante disso é possível alegar que toda a nossa sabedoria, assim
como também a nossa competência em conhecer, acabam por se
tratarem de resultados das mesmas normas que regem as da realidade.
Após termos aprofundado mais os nossos conhecimentos acerca
desta base do método de estudo do raciocínio lógico, vamos agora
focar esta aprendizagem, em como se dá o raciocínio abdutivo e os seus
conceitos, trazendo também exemplos para uma melhor compreensão.
Basicamente a abdução se dá a partir da condição intermediária
entre os métodos de dedução e indução. É comum nesse raciocínio que
a sua partida venha com considerações incompletas e porta-se para
Introdução à EAD 33
Figura 8 – Composição do mé todo abdutivo
Fonte: Adaptado de Cocchier (2015)
uma elucidação mais plausível dentro do contexto das considerações.
Vejamos o exemplo abaixo:
• Todos os grãos daquela saca são pretos. Esses grãos são
pretos. Logo, esses grãos são daquela saca.
O estudo da abdução trouxe um enorme avanço no que diz
respeito às teorias cientificas. As modalidades que estudamos até agora,
em sua totalidade, acarretam no pensar de maneira substancialmente
lógica, de uma maneira que venha a permitir a comunicação entra as
teorias produzidas e a realidade. No momento que uma hipótese é
criada, o processo de fundamentação se decorre a partir do progresso
dos raciocínios dedutivo e indutivo. O resultado disso é a verificação na
comunicação entre a hipótese recebida e as leis naturais.
E como se dá a efetivação do método abdutivo? Veremos a seguir
na figura abaixo:
34 Introdução à EAD
Partindo desse quadro, temos que o raciocínio abdutivo acontecendo
na simbiose entre a razão clara no desempenho da mente e uma ponderação
da razão constitutiva no universo. Há uma conformidade entre a mente
daqueles que produzem o raciocínio e a natureza a nossa volta, o que resulta
em tentativas na seleção de uma hipótese equivalente a frequência vista.
Na composição dessa realidade da qual falamos, é importante
reconhecer três tipos, e são eles:
• Fato sobre um objeto com seus singulares: Fazem parte dos
objetos singulares, aqueles que caracterizam ao signo.
Ex: Afirmação de que algo é preto, pequeno, etc. Pela sua materialidade.
• Fato que diz respeito à relação de dois objetos com seus
duplos: Diz respeito à “coisa” com significado, fazendo menção aos pares
de objeto nos quais instituem correspondência entre si.
Ex: Objetos de similaridade.
• E fato advindo de múltiplos objetos – caracteres plurais:
circunda mais de dois elementos que compõem o fato.
Entretanto, diante das propriedades dos acontecimentos nos quais
estão relacionadas às modalidades de cognição, observa a existência
de uma junção entre as tipologias da inferência, e elas acabam por se
relacionar através de locomoções de análise e síntese, com a finalidade
de ir além, de evoluir. A partir disto, é preciso enxergar as condições de
relação na qual procede ao sentido da ação e a reação, emaranhada no
propósito de adquirir o conhecimento. Vejamos na figura abaixo, como
Cocchier (2015) descreve o processo de abdução:
Figura 9 - Descrevendo o processo de abdução
Fonte: Cocchier (2015)
Como se dá então o alcance do raciocínio abdutivo? Através dos
processos de inferência lógica como vimos anteriormente. Isso resulta
em uma poderosa capacidade de introduzir novas ideias por meio da
Introdução à EAD 35
Figura 10 - Etapas de Verificação de Pierce
Fonte: Adaptado de Queiroz (2002)
criação de hipóteses provisórias, contudo possíveis. Sem essa inferência
lógica citada, seria incapaz de prosseguir os nossos conhecimentos.
Diante disto, o raciocínio abdutivo se apresenta de maneira mais fraca,
e assim é possível de erro, necessitando então de outros métodos de
raciocínio para que possa complementar no processo que falamos
anteriormente de justificação.
Valesalientar que a cognição se constitui por fundamentos que
vão do geral até o particular, enquadrada numa conjuntura singular.
Trazendo esta prática a chance de obtenção de hodiernas perspectivas
e hodiernos modos de percepção na produção de hodiernas hipóteses.
A lógica disponibiliza leis nas quais, cada método de raciocínio tem
um seguimento a ser cumprido. Não podemos achar que a nossa lógica
advém do nada, ela está diretamente ligada com a nossa capacidade
em formular questões, no fato de descobrir o novo, de questionar, e
avançar. Analisemos a figura abaixo sobre o processo de investigação
na criação de hipóteses segundo as etapas de verificação de Pierce,
sintetizadas conforme as elucidações de Queiroz (2002):
36 Introdução à EAD
Em outras palavras, analisando a figura acima, é possível dizer
que a abdução é uma mistura da dedução com a indução, lembrando
que a dedução nada mais é que um raciocínio advindo de crenças
verdadeiras, já na indução o raciocínio advém de alguns fatores de uma
classe, definidos pelo acaso, ou seja, ela acontece por uma sucessão de
fatos homogêneos, exprimindo classificação e não explicação.
Recapitulando, isso não ocorre quando tempos a hipótese no
método abdutivo, analise o esquema da figura abaixo para fixarmos a
ideia de como funciona este método:
Figura 11- Esquema do método abdutivo
Fonte: Adaptado de Queiroz (2002)
Esse tipo de método de raciocínio nos aponta uma finalidade de
buscar uma justificativa que envolva o fato problematizado, portanto
carecemos de especular uma conjetura que venha a poder ser deduzida
nas consequências.
Acaba por ser considerado o raciocínio que melhor agrupa no
campo da hipótese, alcançando uma explicação melhorada, com a
finalidade de ter uma imaginação de qualidade. As suas consequências
resultam na obrigatoriedade em serem devidamente examinadas
indutivamente, partindo de um meio experimental. Dessa maneira,
fica evidente que a abdução está diretamente conectada tanto a
dedução como à indução. Em outra perspectiva a abdução apresenta
Introdução à EAD 37
que as crenças do meio científico podem ser defectíveis, posto que os
experimentos comprovatórios acabam sempre poder por contradizer ou
contestar as consequências dos nossos prognósticos.
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo
tudinho? Neste capítulo vimos o quanto o método abdutivo é
importante principalmente para aflorar a nossa capacidade
de imaginação, pois ele adorna o intelecto criativo, e está
diretamente ligado com a dedução e a indução, sendo um
grande contributo para o conhecimento científico. É nessa
linha que o grande pesquisador e defensor desse método,
PEIRCE, trata da dimensão provisória do conhecimento
científico, e alega que “para uma mente científica, a
hipótese encontra-se sempre em comprovação”. Ante o
exposto, foi possível perceber que a abdução se caracteriza
como uma espécie de raciocínio capaz de introduzir uma
nova ideia, fundada numa hipóteses, que é plausível,
porém provisória? Nesse sentido, podemos afirmar que a
abdução é fundamental para que possamos avançar em
nossos conhecimentos, pois inicia o estudo de um novo
campo que ainda não havia sido abordado. Contudo, a
abdução é considerada uma forma de raciocínio mais fraca
que a dedução e a indução, pois necessita ser respaldada
por outros tipos de raciocínio para que seu processo
de justificação seja completo. Isto posso, analisaremos
outra forma raciocínio lógico, que por sua vez, associa
informações de distintos tipos, ligados a pessoas, coisas
ou objetos fictícios. Já sabe do que iremos falar agora? Pois
bem, iremos tratar da associação lógica.
38 Introdução à EAD
A Associação Lógica
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender a
associação lógica, também conhecida como correlação de
elementos, que nada mais é do que problemas nos quais
prestam dados de distintas maneiras, correlacionando com
os objetos fictícios, pessoas, “coisas”. E então? Motivado
para desenvolver esta competência? Então vamos lá.
Avante!
Mas afinal, qual é o objetivo da associação? O seu foco é descobrir
a relação entre os conteúdos oriundos da informação. Ainda não ficou
claro? Pois, analisemos a seguinte situação:
• Temos três rapazes: Rui, Leo e Caio, que namoram com
Francine, Flávia, Karina, porém não temos a informação de quem
namora quem. O que sabemos é que eles atuam como TI, vendedor
e motorista, mas não temos a informação de quem faz o que. A seguir
teremos algumas dicas para tentar descobrir o nome de cada namorado,
a sua profissão e quem são suas respectivas namoradas.
• O TI é namorado de Karina;
• Caio é vendedor;
• Flávia não é namorada de Caio;
• Leo não é motorista.
E agora? CALMA, vamos chegar a uma solução através desse
método, e para isso é necessário elaborarmos uma tabela para que facilite
a nossa compreensão, e possamos visualizar todas as informações da
situação, dividindo em grupos de três, sendo estes de rapazes, moças e
profissões. Veja a figura que contém a tabela abaixo:
Introdução à EAD 39
Figura 12 - Tabela da construção da Associação Lógica principal
Figura 13 - Tabela secundária
Fonte: As autoras
Fonte: As autoras
Esquematizar uma tabela assim é equivalente para todo número
de grupos de problemas. Em outras palavras, ela vale para grupos de
cinco, por exemplo, onde um deles será referência para as linhas e as
outras quatro serão classificadas nas demais colunas. Após isso é válido
esclarecer que da direita para a esquerda, os grupos irão ser colocados
abaixo em linhas, com a exceção do primeiro que se mantem. Fiquem
bastante atentos, pois a montagem de um esquema como esse faz toda
a diferença.
Iremos elaborar adiante uma tabela que terá função somente de
gabarito, mas que em casos como esse, ela acaba por se essencial para que
possamos visualizar as informações que ficam encobertas nas entrelinhas
da tabela principal. Ela vai dar a possibilidade de conseguir conclusões
sobre algum elemento específico. Na primeira linha da tabela iremos
colocar os nomes dos grupos, e nas outras subsequentes colocaremos os
elementos que compõem o grupo inicial de referência, vejamos:
40 Introdução à EAD
A partir deste método, visualizando a tabela da figura 19, é
possível iniciar o procedimento de completar a nossa tabela principal,
enxergando os dados com mais clareza, distinguindo as informações
daquelas que não deixam dúvida alguma.
• O TI é namorado de Karina, logo devemos colocar um “S” na
tabela principal, na qual indique que ele TI e Karina estão conectados, e
um “N” nas demais cédulas que não correspondam com o “S”. Observe:
Figura 14- Tabela principal 3
Fonte: As autoras
NOTA:
Se o TI é namorado de Karina, ele então não pode ser
namorado de Francine e Flávia, por isso colocamos o “N”
no local de TI referente a elas. Logo, se Karina é namorada
do TI, ela não é namorada dos demais profissionais (o
vendedor e o motorista), por isso também colocamos o “N”
nos locais de Karina que tenham essas profissões. Ainda
não obtivemos nenhuma informação sobre Leo, Rui e Caio.
Agora vejamos a segunda afirmativa da informação que temos:
• Caio é vendedor. Sendo assim, preenchemos as duas planilhas
simultaneamente.
Introdução à EAD 41
Figura 15 - Tabela principal e secundária 4
Figura 16 - Tabela principal 5
Fonte: As autoras
Fonte: As autoras
• Flávia não é namorada de Caio. Então iremos preencher a
tabela principal com um “N” nessa situação.
• Leo não é motorista. Vamos preencher na tabela principal o
espaço com um “N” que represente a Leo e a motorista.
42 Introdução à EAD
Figura 17 - Tabela principal 6
Figura 18- Tabela secundária 7
Fonte: As autoras
Fonte: As autoras
Observe que agora algumas informações ficaram bastante claras,
veja que se Leo não é motorista nem vendedor, ele é o TI, restando ao
Rui à opção de ser o motorista, já que o Caio é o vendedor.
Feito isto, devemos voltar à tabela principal, e preenche-la com
as novas informações.
Introdução à EAD 43
Figura 19- Tabela principal e secundária 8
Fonte: As autoras
Depois de pontuar na tabela principal e na secundáriaas novas
informações, devemos agora buscar por outras que nos levem as
demais conclusões. Vale lembrar que Flávia não é namorada com Caio,
e Caio é vendedor, portanto, já concluímos que Flávia não é namorada
do vendedor. Logo, para Flávia só restaria a opção de ser namorada do
TI ou do motorista, mas já sabemos que a namorada do TI é a Karina,
sendo assim, obtemos todas as informações necessárias, através do
método da associação, conectando uma informação a outra, com o
intuito de descobrir novas possibilidades.
Observe abaixo como ficou esse caso hipotético a partir desse
método da tabela aplicando a associação:
44 Introdução à EAD
Figura 20 - Método da tabela aplicando a associação
Fonte: As autoras
Finalizado, esse modelo de aprendizagem na tabela, vamos nos voltar
agora a relembrar de algumas coisas que vimos ao longo desse estudo. É
evidente que no estudo da lógica todos esses métodos estão interligados,
ainda mais quando tratamos da associação. É como se aplicássemos os
ensinamentos de Peirce nas suas diversas maneiras e áreas, aguçando a
percepção, e ligando os pontos. Vejamos o que esses dois pesquisadores
afirmam sobre o tema, conforme nos ensina Serra (2020).
Introdução à EAD 45
Figura 21- Pensamentos de Peirce e Escoto
Fonte: Adaptado de Serra (1996)
Agora veremos o passo a passo par a a construção da associação
lógica, baseado em todos esses ensinamentos que vimos até o momento:
1. Primeiro é preciso identificar os grupos que contém as
informações.
2. Reconhecer as afirmações presentes no enunciado.
3. Construir a tabela principal.
4. Completar a tabela com base nas informações existentes.
5. Efetuar a regra do preenchimento automático, que vimos na
hipótese demonstrada.
6. Juntar todos os resultados alcançados e verificar as alternativas.
Na fixação deste assunto, é de suma relevância que você visualize
bem todas as informações, se baseando sempre pela tabela. Abaixo
temos uma modelo para você não se esquecer de como a tabela deve
ser montada, em conformidade com as informações existentes.
46 Introdução à EAD
Figura 22 - Modelo base de tabela na associação lógica
Fonte: Adaptado de Villar (2012)
Sempre que o enunciado, ou o problema estiver diante de você,
é necessário antes de tudo, reunir todas as informações, e agrupá-las
por setores ou elementos. Quando o fizer, tenha este modelo de tabela
como base para colocar as informações em sua posse. Preencha e
visualize todas as hipóteses possíveis que ela te dá.
Com esse método da tabela, você pode facilmente associar
uma informação com outra, o que acaba por ser bem lógico, mas que
na prática só conseguimos enxergar muitas vezes esses por menores,
quando aplicamos a tabela com base nas informações.
A associação lógica se baseia em indagações de cunho
organizacional, na qual vem com muitas informações, casualmente sobre
três personagens e duas ou três características. Não há possibilidade
de mentiras ou enganações, todas as informações são confiáveis,
é preciso ter só uma boa organização das ideias e do conteúdo que
essas informações trazem. Por isso o uso da tabela é algo crucial nesta
aprendizagem.
Introdução à EAD 47
Figura 23 - Sequência Lógica e Raciocínio Sequencial
Fonte: Pixabay
E aí, pronto para conectar os pontos e achar as respostas?
Agora é praticar bastante, pois esse tema é bastante prático, não
é teórico como os demais. Devido a isso, é importante que possamos
executar todos os aprendizados que tivemos nesta unidade, ainda mais
quando requer muito exercício. O segredo é estar sempre atento.
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo
tudinho? Ao longo dessa unidade tivemos a oportunidade
de adentrar no universo do raciocínio lógico, e vimos o
quanto aprender bem a associação lógica faz a diferença
para diversas áreas da nossa vida. Captar da melhor forma
as informações que temos, e conseguir enxergá-las para
obter novas informações, gerando um resultado assertivo
é algo sem dúvidas surpreendente e renovador. Vale
lembrar ainda que muitas questões de concurso cobram a
associação lógica desta maneira, e se você seguir a tabela
de base vai conseguir achar todas as respostas que busca.
Não tem erro, agora chegamos ao momento de colocar em
prática tudo que vimos.__ Como navegar pela internet?
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de saber as
diversas as formas de se conectar à internet e também
como realizar pesquisas utilizando a mais famosas das
ferramentas de busca, o “Google”. Além disso, também
aprenderemos o que é a nuvem e como realizar downloads
e uploads de arquivos vindo da internet. Isto será
fundamental para auxiliar no processo da sua formação
profissional. E então? Motivado para desenvolver esta
competência? Então vamos lá. Avante!
Tipos de conexões de Internet
Antes de apresentarmos as conexões de internet é importante
conversarmos sobre a sua importância. Vamos lá! Você sabe dizer qual
a real importância da Internet para você? Ao navegar na Internet, sabe
dizer como isso ocorre? Que tal pensarmos sobre esses aspectos?
Figura 1 – Conectividade
Fonte: Pixabay
Introdução à EAD 13
A internet tem sua origem relacionada à área militar no período
que chamamos de Guerra Fria. Não é o nosso objetivo rever sua história
e explicá-la aqui, mas é fundamental que você saiba que desde a sua
origem ela passou por transformações diversas, e assim como outras
áreas ela encontra-se ligada à educação.
Então, não é a toa que você aluno da Educação a Distância está
tendo a oportunidade de estudar essa temática relacionada a essa
modalidade de ensino. Pode ser que algumas informações básicas
apresentadas nas próximas páginas já sejam do seu conhecimento, mas
é bom relembrar a temática Vamos lá.
Atualmente, é possível estar conectado à Internet de várias formas
e ao fazer a leitura desse material você já está conectado. Já percebeu
que sempre estamos conectados seja para estudar, para realizar uma
transferência bancária e até mesmo para conversar com os amigos?
Muitas das atividades que fazíamos apenas de forma presencial,
hoje mais do que nunca, temos a oportunidade de fazê-las por meio da
internet. Estudar é uma dessas atividades. Mas que tal conhecer melhor
esses meios de conexão e depois você identificar a conexão utilizada
por você? Vamos em frente!
• Conexões por WiFi (Wireless);
• Conexões por Cabos;
• Conexões por Fibras Ópticas.
As conexões por WiFi (sim, é escrito com a letra “W” e a letra
“F” em maiúsculas e os dois “i” em minúsculo), o famoso Wireless, é
a conexão sem fio, e para que possamos ter este tipo de conexão é
necessário que tenhamos um equipamento, chamado de Roteador
Wireless, ou Roteador WiFi. Veja uma representação da conexão WiFi
na Figura 2, a seguir:
14 Introdução à EAD
Figura 2 – Sinal WiFi
Fonte: Pixabay
As redes WiFi podem ser de dois tipos: abertas ou fechadas. As
redes abertas, como o nome já diz, podem ser acessadas por qualquer
pessoa. E as redes fechadas possuem senha para que só quem tenha
permissão possa entrar.
É recomendado cautela ao utilizar sistemas bancários em redes
abertas ou outros serviços que necessitem de senha, pois você não
saberá quem é que estará conectado com você. As conexões por cabos
podem tanto ser por cabos de redes, quanto por cabos de operadoras
(provedores), que trazem este serviço para sua casa através de um cabo
físico, que são muito mais estáveis e não correm o risco de perder o
sinal ou ficar sem internet. Como você estará ligado através de um cabo,
significa que está em uma rede considerada segura, logo pode acessar
o que bem desejar.
Já nas conexões por Fibras Ópticas (F.O) que tem as melhores
conexões e velocidades mais rápidas, a transmissão se dá por meio da
luz. Quando chega a F.O em sua casa, automaticamente o equipamento
que recebe essa fibra transforma a luz em eletricidade (para conectar
por cabo) ou em ar (para conectar por WiFi).
O que é a WEB?
A Web é uma forma de dar um nome para a Internet de páginas,
ou seja, tudo que navegamos na Internet consideramos WEB.
Introdução à EAD 15
Figura 3 – Ícone do navegador MicrosoftEdge
Fonte: Adaptado de Microsoft Edge (2020)
REFLITA:
Qual a diferença entre web e Internet? A resposta é simples,
a Internet é na verdade uma rede de vários equipamentos e
computadores conectados entre si. Já a web são as páginas
que visualizamos em nossos navegadores.
O que são navegadores e como utilizá-los?
Navegadores, ou Browsers (palavra em inglês para navegador), são
os programas que utilizamos para visitar uma ou outra página de Internet.
Esses programas (mais adiante vou citar os nomes dos mais
utilizados) receberam o nome de navegadores, pois na década de 90,
quem utilizava a internet fazia uso da expressão “surfar na internet” ou
então “navegar na internet”. Por isso que recebem essa denominação de
“NAVEGADORES”.
Agora que você já sabe o que são navegadores, vamos conhecer
os principais que existem no mercado, pelo menos até o momento (2020).
• Microsoft Edge: Este é um navegador desenvolvido pela
Microsoft, para substituir o antigo Internet Explorer, com ele vem junto
com o Sistema Operacional Windows 10.
• Microsoft Internet Explorer: é o primeiro navegador da
Microsoft, que veio sofrendo atualizações de sua primeira versão,
lançada oficialmente em 1995, junto com o Windows 95 e teve seu
16 Introdução à EAD
desenvolvimento encerrado com a criação do Microsoft Edge, mas ainda
é muito utilizado no mercado de usuários que navegam na Internet.
Figura 4 – Ícone do do navegador Microsoft Internet Explorer
Figura 5 – Ícone do navegador Mozilla Firefox
Fonte: Adaptado de Microsoft Internet Explorer (2020)
Fonte: Adaptado de Mozilla Firefox (2020)
• Mozilla Firefox: é mais conhecido como o navegador da
raposinha (na verdade Firefox é o nome inglês para o animal PANDA
VERMELHO, não tendo nada a ver com a família das raposas). Este
navegador foi desenvolvido pela Mozilla.
ACESSE:
Para fazer download deste navegador acesse o endereço:
https://www.mozilla.org/en-US/firefox/new/.
• Opera Browser: é um navegador desenvolvido pela Opera,
uma empresa Norueguesa, é também muito comum entre os internautas.
Introdução à EAD 17
Figura 6 – Ícone do navegador Opera Browser
Figura 7 – Ícone do navegador Brave
Fonte: Adaptado de Opera Browser (2020)
Fonte: Adaptado de Brave (2020)
ACESSE:
Para realizar o download deste navegador acesse: https://
www.opera.com/pt/computer/opera.
ACESSE:
Para realizar o download deste navegador acesse: https://
brave.com/download/.
Este navegador está disponível tanto para computadores como também
para celulares e tablets.
• Brave: é um navegador recente, que está se tornando cada
vez mais popular entre os usuários, pois faz o uso de um recurso de
bloqueio de POP-UP (aquelas janelinhas indesejadas quando visitamos
algum site). Apesar de ser muito novo é muito potente e bom.
18 Introdução à EAD
• Google Chrome: navegador criado pela empresa Google para
competir inicialmente com o navegador Internet Explorer. Extremamente
popular entre os internautas, vem ao mercado com a ideia de ser um
navegador leve e rápido, porém ao trabalhar com várias abas abertas o
mesmo consome muito recurso de memória do computador deixando-o
lento (trabalhando com poucas abas não atrapalhará em nada seu
computador e promete o que cumpre: leveza e agilidade na navegação).
Figura 8 – Ícone do navegador Google Chrome
Fonte: Adaptado de Google Chrome
ACESSE:
Para realizar o download deste navegador acesse: https://
bit.ly/2Uxj9wV.
Então, estes são os melhores navegadores do mercado na
atualidade. Claro que existem inúmeros outros navegadores ou
programas que possibilitam a navegação na Internet, mas não são tão
conhecidos ou tão bons quanto os acima citados.
Outra informação importante que utilizamos nos navegadores são
os endereços (URL) de internet.
REFLITA:
Você sabe quando um endereço é seguro ou não? Sabe
quando pode confiar para realizar uma compra online?
Introdução à EAD 19
Figura 9 - Barra de endereço de um navegador
Fonte: O autor
Para que possa navegar com uma tranquilidade é necessário ficar
atento ao endereço que está navegando, veja a figura 9 a seguir:
No primeiro endereço consta um cadeado e logo em seguida
as letras HTTPS. Estas letras indicam que o site é seguro, que toda a
informação que está sendo transmitida ou recebida pelo site está sendo
codificada para que ninguém mais veja.
Já no segundo site, o cadeado e o “S” do “http” não estão
presentes, logo o site não é seguro para informar dados de um cartão
de crédito ou até mesmo seus dados pessoais.
Agora que já entendemos o que são e como funcionam os
navegadores, vamos ver como fazer pesquisas mais eficientes.
Como utilizar o Google da melhor forma
possível?
Acredito que você já tenha tido a oportunidade de realizar
pesquisas na internet com inúmeras finalidades e, até mesmo pode
ter utilizado o Google. Mas você sabe como pesquisar no Google? A
maioria das pessoas pensa que para utiliza-lo é só entrar no endereço
dele (www.google.com.br), clicar na caixa de pesquisa, colocar o que se
quer pesquisar e clicar no botão “Pesquisa Google” (ou apertar a tecla
“ENTER”. Mas já repararam a quantidade de resultados que o Google nos
informa que conseguiu?
20 Introdução à EAD
Figura 10 – Maior site de buscas
Figura 11 - Diferença de buscas no Google com e sem aspas
Fonte: Pixabay
Fonte: Adaptado de Google (2020)
Sim, são milhões de resultados. Será que todos são confiáveis
(não estou falando só da questão de segurança)? Será que todos têm
conteúdos fiéis? Como saber se a minha pesquisa foi realmente o que
eu queria dentre milhões de resultados que me foram apresentados?
Vamos então às dicas:
1) Use Aspas: ao utilizar de aspas para pesquisar uma frase, o
Google deixará de procurar palavra por palavra e pesquisará a frase inteira.
• Exemplo: ao invés de pesquisar apenas COMO FAZER BUSCAS
EFICIENTES NO GOOGLE, pesquise da seguinte forma “COMO FAZER
BUSCAS EFICIENTES NO GOOGLE”. Só com o uso destas aspas já irá
reduzir o número de resultados encontrados drasticamente.
Introdução à EAD 21
2) Utilize o item “Ferramentas” que o Google disponibiliza, para
indicar as datas que deseja que os resultados sejam exibidos, após
mandar fazer a pesquisa (veja na imagem acima este item).
• Se utilizarmos a mesma busca e colocarmos no campo data
(de acordo com a figura 12) notem que os resultados caem de quase 53
milhões para apenas 2 (dois) resultados.
Figura 12 - Busca mais refinada no Google
Fonte: Adaptado de Google (2020)
3) Faça perguntas diretas para o Google. Coloque a sua pergunta
entre aspas e ao final coloque o ponto de interrogação (?), e o Google
tentará responder a sua pergunta da forma mais direta possível.
Existem inúmeras outras dicas, umas mais técnicas outras não
tão interessantes, porém separei estas três, que já farão uma diferença
boa para você.
O que é e como evitar plágios
O plágio na utilização da internet vem sendo bem discutido,
devido à frequência da sua utilização no ambiente acadêmico. O nosso
objetivo aqui é apresentar o seu significado e mencionar as penalidades
e implicações.
É costume entre a maioria dos estudantes que tem que realizar
trabalhos, pesquisar no Google o seu assunto, entrar em um site,
22 Introdução à EAD
selecionar o conteúdo e colar no Word e, em muitas vezes não citam a
fonte de consulta e nem o autor.
Este cenário anterior caracteriza plágio. Você sabe o que é plágio?
Qual o problema de plagiar o conteúdo de algum site? Os conteúdos na
internet são públicos e não protegidos pelos direitos autorais?
Vamos responder a todas estas questões a seguir. Vamos lá!
• O que é plágio?
Todo e qualquer autor de conteúdo, seja de livros, gibis, revistas,
sites, propagandas etc., teve muito trabalho de pesquisa para criar
seu produto. Houveram pessoas envolvidas no seu trabalho final,
e normalmente (nem sempre, mas não é por isso que é considerado
conteúdo livre) registram os direitos autorais de seu trabalho.
Ao realizarmos uma cópia, sem a devida menção ao autor, parece
que nós é que estamos escrevendo aquele conteúdo (que lembram de
todo o trabalho que deu para ser publicado?). Isso é plágio, ou seja, uma
cópia bruta, semalterar nada e sem mencionar o autor.
• Qual o problema de plagiar conteúdos dos sites ou livros?
Pensem no trabalho que o autor teve para escrever aquele
conteúdo, tempo de pesquisa, prazos para entregar, e ainda passar
também por uma verificação de plágio, para saber se o conteúdo é
original ou cópia? Após tudo isso ele registrará seu trabalho e o publicará,
garantindo os direitos autorais sobre aquele conteúdo.
Agora após tudo isso virá alguém e copiará (em alguns segundos)
e republicará (mesmo que seja para colocar em um trabalho escolar,
existe a publicação que é a entrega do trabalho ao professor da disciplina)
como sendo seu, sua pesquisa, seu tempo de busca e seu prazo.
Nos casos ainda em que o autor publica livros, ele recebe por
cada livro vendido, e quando você utiliza deste conteúdo, está deixando
de valorizar este autor pagando-o (agradecendo) por seu trabalho até
aquele momento.
Além de todo o exposto acima, tem outro fator que sempre temos
que levar em conta: os Direitos Autorais. Cada autor, independentemente
Introdução à EAD 23
de ter sua obra publicada ou registrada, está protegido sobre a Lei de
Direitos Autorais nº 9.610 de 19 de f evereiro de 1998.
Está na Internet, então não é tudo público e livre?
A resposta é sim e não, respectivamente.
Principalmente na internet, onde todo trabalho tem o nome do
autor, tem o site de referência, tem ainda a data que o site publicou o
conteúdo, então não são conteúdos disponíveis para serem copiados.
Estão ali para serem interpretados e utilizados como referências, por
este motivo são públicos sim, mas não são livres para serem copiados
(salvo se o autor permitir, mesmo assim as escolas e universidades não
aceitam isso e entendem que é plágio igual).
O mesmo autor não pode copiar um trabalho próprio (seja total ou
parcialmente) para outros livros, isso se chama autoplágio. Então o autor
tem que reescrever o conteúdo de forma diferente.
REFLITA:
Então, se até um autor não pode copiar o seu próprio
trabalho, já publicado, você poderia?
Como compactar e descompactar arquivos
Quando queremos enviar vários arquivos para alguém,
normalmente não conseguimos colocar todos em um único e-mail ou
teremos muito trabalho para enviar de um a um para o nosso destinatário.
Para resolver esta questão, você terá que transformar esses
arquivos em apenas um, mas ainda teria o problema do tamanho, já
que todos juntos provavelmente ultrapassariam o tamanho máximo
permitido de envio por e-mail. Então, tem ainda mais uma ação a ser
tomada: a de compactar (exatamente como um compactador de latas,
por exemplo). Mas não se preocupe, o processo é muito simples.
Para que possamos compactar arquivos é necessário que tenha
um compactador instalado em seu computador.
24 Introdução à EAD
ACESSE:
Vou lhes indicar o mais utilizado pelos usuários, o WINRAR,
que poderá ser baixado no endereço: https://bit.ly/3aB8R4w.
Depois de instalar, vamos ver o passo a passo de como compactar
arquivos a partir de agora.
Passo 1: Selecione os arquivos a serem compactados, como na
figura 13, e clique com o botão direito sobre os selecionados, aparecerá
um menu com várias opções.
Figura 13 - Seleção de arquivos
Fonte: O autor
Passo 2: clique em “Adicionar para o ‘nome sugerido pelo
compactador’”, como mostra na imagem a seguir.
Introdução à EAD 25
Figura 14 - Selecionando opção de compactação
Figura 15 - Arquivo compactado criado
Fonte: O autor
Fonte: O autor
Com isso aparecerá um novo arquivo, com o nome que estava
no menu de opções de vocês, mais ou menos como na imagem abaixo:
Viram como é simples? Mas e se tivessem baixado este arquivo
da internet? Como vou descompactar esse ou qualquer outro arquivo?
26 Introdução à EAD
O processo é muito mais simples. Clique com o botão direito sobre
este arquivo compactado e clique em “Extrair para ‘Nome_do_arquivo’”,
dessa forma será criada uma nova pasta com o nome do arquivo e todos
os arquivos estarão lá dentro.
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo,
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido
que existe mais de uma forma de nos conectarmos à
Internet. Além disso, vimos que a Web nada mais é do que
um conjunto de páginas para você navegar na internet e, que
utilizamos navegadores para ver essas páginas. No decorrer
do nosso estudo citamos os principais navegadores, mas
acreditamos que você até arriscaria em buscar outros para
experimentar. Vimos também, que ao fazer uma busca no
Google (quem sabe por outro navegador), é possível refinar
essa busca e torna-la muito mais específica. É importante
relembrar que você deve compreender o conteúdo dos
sites, mas não copiá-los. Além de tudo isso, vimos também
como compactar e descompactar arquivos que possa
estar enviando ou recebendo pela internet. Gostou do que
estudamos até aqui? Não vamos parar, temos muito mais a
ver ainda. Vem conosco.
Introdução à EAD 27
Como trabalhar com editor de texto?
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender
como funciona um processador de texto. Isto será
fundamental para o seu processo de formação profissional
enquanto estudante da área de Educação à Distância. E
então? Motivado para desenvolver esta competência?
Então vamos lá. Avante!
Conhecendo o Word
Certamente você já ouviu falar e ainda teve algum contato com o
editor de texto, um programa que a maioria das pessoas utiliza apenas
como uma “máquina de escrever digital”, ou seja, não tem outra utilidade
e nem funcionalidade além de datilografar em uma folha virtual. Mas
lhes mostraremos que este programa vai muito mais além.
Aqui nessa unidade iremos apresentar a você o Microsoft Word
que é um dos mais utilizados ao redor do mundo.
O Microsoft Word é um programa de edição e editoração de textos,
podendo desde simplesmente escrever textos, até inserir imagens e
atualmente existe a função de transcrição que consiste em ouvir o que
você fala para ditar para o próprio programa escrever para você.
Definição do Word
A melhor definição do Word é: um programa para editar meus
textos, com um “ar” mais profissional que não tem em nenhum outro no
mercado. É a referência em editoração digital de documentos de texto.
O Word é um programa extremamente intuitivo e fácil de
trabalhar. A empresa desenvolvedora, a Microsoft, pensando em seus
usuários, desenvolveu toda a plataforma do Microsoft Office (Word,
Excel, PowerPoint, e outros programas ainda) com a ideia de deixar os
comandos muito semelhantes, para que todos conseguissem trabalhar
28 Introdução à EAD
com qualquer um dos programas, pois são muito parecidos e os locais
que estão os comandos também são.
Mas vamos nos ater ao Word agora. O ícone do Word é o que está
mostrado na figura abaixo e deve ser acessado para que possa abrir o mesmo.
Figura 16 - Ícone do Word
Figura 17 - Tela inicial do Word
Fonte: O autor
Fonte: O autor
Quando abrimos o Word temos a seguinte tela conforme Figura 17.
Nesta tela inicial, já é possível dizer o que desejamos, se é um
documento com base em um modelo pré-definido pelo próprio Word
ou, um documento em branco (vazio). Nós trabalharemos com base
em documentos vazios, onde tudo é possível de se fazer e, a nossa
imaginação é o limite.
Introdução à EAD 29
Figura 18 - Tela principal do Word
Fonte: O autor
Ao clicar em “Documento em branco”, o programa ficará com o
aspecto igual ao da Figura 18.
Para entendermos essa tela, colocamos alguns números e suas
descrições abaixo:
1: Barra de Guias, contendo as seguintes guias: Arquivo; Página
Inicial; Inserir; Design; Layout; Referências; Correspondências; Revisão;
Exibir; Ajuda.
2: Folha virtual para digitação propriamente dita.
3: Barra de título e de Ferramentas de Acesso Rápido.
4: Réguas tanto lateral como superior.
5: Barra de rolagem das folhas.
Podemos apenas clicar na página em branco e “sair digitando”
nosso texto, mas com os recursos que aprenderemos, todo o trabalho
ficará muito mais fácil.
Guia “Página Inicial”
É nesta guia que podemos definiro estilo de fonte (tipo de letra
que será utilizada); o tamanho da fonte; se a fonte será Negrito, Itálico ou
Sublinhado; se a cor da letra será preta ou outra; se pintaremos o fundo
ou não. Todos estes recursos estão no grupo FONTE dentro desta guia.
30 Introdução à EAD
Figura 19 - Guia Página Inicial
Figura 20 - Guia Inserir
Fonte: O autor
Fonte: O autor
Temos ainda o grupo PARÁGRAFO que definirá se o texto será:
Alinhado à Esquerda
Centralizado
Alinhado à direita
Ou ainda como todo o texto do nosso livro que está em modo
“justificado”, deixando os dois lados (direita e esquerda) alinhados e
retinhos. Desta forma, apresentando um visual mais agradável de leitura.
Se não bastassem todos esses recursos, o Word da versão 2016
ou superior, apresenta o recurso de “DITAR”, que só funcionará se o seu
computador tiver um microfone instalado.
Clicando neste recurso basta ir “conversando” com o Word em
voz alta e ele vai escrevendo tudo para você, inclusive para trocar de
linha basta dizer o comando “NOVA LINHA”.
Guia “Inserir”
Nesta Guia, você conseguirá através do grupo “TABELAS”, inserir
tabelas em seu documento, bastando informar quantas linhas e quantas
colunas serão inseridas.
No grupo ILUSTRAÇÕES você pode inserir imagens, formas
geométricas como: círculos, quadrados, retângulos, triângulos, estrelas, etc.
Introdução à EAD 31
Figura 21 - Guia Layout
Fonte: O autor
Para inserir uma imagem será necessário clicar no ícone
“IMAGENS” ( ) e aparecerá uma nova janela perguntando onde está a
imagem que deseja inserir. Ao selecionar a imagem e clicar em inserir,
será automaticamente inserido onde estava o cursor de digitação em
seu texto.
Clicando nos cantos da imagem é possível alterar o seu tamanho
e deixar o mais agradável possível ao seu texto.
Guia “Layout”
Neste guia, que pouco será acessado, você terá recursos para
trocar a orientação da página (Retrato – Página com o maior lado na
vertical, Paisagem – Página com o maior lado na horizontal), quebras
de páginas, ou seja, não sendo necessário ficar dando “nova linha” até ir
para a próxima página. Este é um recurso muito utilizado quando se está
fazendo um trabalho e separando os capítulos, mesmo que o capítulo
anterior acabe na última linha da página e o novo capítulo inicie na
primeira linha da nova página.
O Word ainda conta com o recurso (praticamente em desuso, mas
ainda existente) de hifenização, ou seja, separação silábica ao chegar
ao final da linha, como apresentado neste parágrafo que vocês estão
lendo. O Word segue as regras de gramática e ortografias definidas
pelo governo brasileiro, logo sabe exatamente quando, e de que forma,
separar sílabas. Existem pessoas que gostam muito deste recurso.
Todos os recursos falados até agora desta guia estão no grupo
“CONFIGURAR PÁGINA”, mas ainda temos o grupo “PARÁGRAFO”, que
irá nos auxiliar a fazer a configuração de como serão os espaçamentos
32 Introdução à EAD
antes e depois de cada parágrafo, quanto espaço teremos de margem
esquerda e margem direita, de forma padrão no documento inteiro.
Guia “Revisão”
Como o nome já está nos orientando, é um guia que traz
ferramentas para revisão do texto e também, para que possamos realizar
alguns comentários, seja para quem vai apenas ler o documento ou,
como sugestão de correções que os revisores fizeram para o autor.
Figura 22 - Guia Revisão
Figura 23 - Régua superior
Fonte: O autor
Fonte: O autor
No primeiro grupo desta guia estão as verificações de ortografia e
gramática. Apesar de já serem habilitadas de modo padrão e automáticas,
podemos pedir para o Word verificar tudo novamente, clicando no botão
de “Ortografia e Gramática” ( ).
No grupo “Comentários”, você pode inserir comentários onde
estiver o cursor de digitação, basta que clique no botão “NOVO
COMENTÁRIO”.
Nesta guia, estas são as ferramentas básicas que você utilizará.
Claro que deve ter notado que este programa possui inúmeras
ferramentas a mais, e estão à sua disposição para testá-las.
Operações Básicas
Segundo DIPP (2012), podemos ajustar os nossos parágrafos
através da régua superior.
Mais adiante daremos detalhes da régua lateral, mas neste
momento vamos ver os detalhes da régua superior.
Introdução à EAD 33
Figura 24 - Detalhes da régua
Fonte: O autor
Como podem notar nesta régua existem duas cores: um cinza
escuro, que é a margem da borda do papel até a área de escrita, e a
cor branca, que é a área de uso propriamente dita. Estes números que
estamos vendo estão marcados em centímetros.
Além disso, temos aquelas figuras geométricas que vemos no
centro e vou mostrar com uma imagem maior abaixo, para facilitar a
explicação posterior:
Aqui podemos ver um triângulo de cabeça para baixo. Ao
clicarmos nele podemos movimentar pela régua. Este marcador tem a
função de definir o início de cada par ágrafo.
Lembram-se dos ensinamentos das professoras (es) do ensino
fundamental, das séries iniciais, onde tínhamos que colocar “um dedo ou
dois” de margem no início das linhas caso fôssemos iniciar um parágrafo
novo? Pois é justamente isso que faz este marcador superior.
Acompanhando o mesmo raciocínio, o marcador que está abaixo,
define onde será a continuação do parágrafo, se será exatamente em
baixo do início do parágrafo, então os marcadores ficarão no mesmo
ponto. Se for antes do início do parágrafo, então o marcador do parágrafo
ficará mais a frente do que o de continuação do parágrafo. E por fim,
a continuação de parágrafo ficando após o início do parágrafo, dessa
forma haverá um recuo da continuação de linha com relação ao início
do parágrafo.
Ainda sobre o marcador inferior, o de continuação de parágrafo,
notem que ele possui um retângulo na sua parte inferior. Ao clicar neste
retângulo e arrastá-lo, você estará levando tanto ele como o parágrafo,
juntos para onde deseja.
34 Introdução à EAD
Reparem na figura 23, que existe outro marcador no final da régua.
Ele tem a mesma finalidade de definir limite, mas é o limite final da linha
do parágrafo.
Para encerrarmos o assunto das réguas do Word, falta falarmos
da régua vertical. Se colocar o cursor do mouse bem na divisa da área
útil com a de margem, você pode clicar e alterar o tamanho da margem
do seu “papel” também.
Com esses recursos, podemos agora definir nossos parágrafos,
margens, fontes, cores e já sair escrevendo os textos. Mas falta sabermos
como salvar nosso trabalho. Continue no próximo item deste capítulo
para continuar aprendendo.
Como salvar um documento
Enquanto está escrevendo o seu documento, é natural que você
vá salvando-o da forma mais intuitiva possível, seja clicando no disquete
na barra de título ou indo no menu “ARQUIVO” e clicar em “SALVAR”.
Caso deseje enviar seu texto para outras pessoas (exceto se elas
terão que alterar o seu conteúdo), é bom que salve seu arquivo em um
formato de PDF (Portable Documment Format – Formato de documento
portável), pois este documento não pode ser alterado.
Para fazer isso vá ao menu “ARQUIVO”, e clique em “SALVAR
COMO”, após isso será apresentada uma tela como a que está na Figura
25 a seguir:
Figura 25 - Tela do Salvar como
Fonte: O autor
Introdução à EAD 35
Clique em “MAIS OPÇÕES” e após altere o “TIPO DE DOCUMENTO”
para PDF e clique em “SALVAR”.
Dessa forma, o seu documento não poderá mais ser alterado.
Não se esqueça de manter uma cópia no formato do Word (docx) para
eventuais alterações, mas ter o PDF para enviar para outras pessoas.
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de
que você realmente entendeu o tema de estudo deste
capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter
aprendido que o Word é um programa que vai além de só
escrever textos. Podemos formatar nossos textos, inserir
imagens e tabelas, verificar ortografia e gramática, inserir
ou excluir comentários. Além disso, quando formos iniciar
um documento, recordaremos da nossa professora da
infância para definir os parágrafos nas réguas que o Word
nos disponibiliza. É importante recordar que vimos também
como salvar documentos para que sejam enviados para
professoresou até mesmo para seus colegas e garantir
que não sejam modificados. Gostou do que viu até aqui?
Não vamos parar, temos muito mais a ver ainda, recém
chegamos à metade de nossa unidade. Vem conosco!
36 Introdução à EAD
Como fazer uma apresentação de slide?
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender
como funciona o PowerPoint. Isto será fundamental para
o exercício da sua vida acadêmica. O PowerPoint é um
programa que tem como função a criação de apresentações
desde conteúdos escolares e até mesmo de reuniões
estratégicas de grandes empresas. Uma gigantesca
ferramenta visual e complementar ao processador de
texto que vimos que foi a Microsoft Word que você criou
anteriormente. E então? Motivado para desenvolver esta
competência? Então vamos lá. Avante!
Conhecendo o PowerPoint
O nome “PowerPoint” vem dos apontadores “Laser”, que
normalmente são utilizados em apresentações para indicar o que se
quer falar ou expor com cada slide.
Aqui não trabalharemos com páginas e sim com slides, ou seja,
quadros e folhas que serão projetadas em uma parede deixando tudo
muito grande para que várias pessoas possam visualizar o seu conteúdo.
Na figura abaixo vou lhes apresentar a tela do PowerPoint, da
mesma forma que fizemos no Word para que possam comparar as
diferenças e semelhanças.
Introdução à EAD 37
Figura 26 - Tela de abertura do PowerPoint
Figura 27 - Criando uma apresentação no PowerPoint
Fonte: O autor
Fonte: O autor
Notem que o programa já nos disponibiliza alguns “temas” para
nossos slides e nossa apresentação.
Vale sempre ressaltar que uma apresentação com o fundo sempre
branco, sem um chamativo visual (imagens, cores, formas, etc.) pode
causar canseira em seus espectadores. Por este motivo, tente escolher
um tema que mais lhe agrade e aposte em um visual bonito e elegante.
Para nossos exemplos usarei o tema Berlim (pelo menos este
tema está disponível no Office 365 e do 2016 ou superior). Após clicar no
tema desejado, escolha a palheta de cores que mais lhe agrada e clique
em CRIAR (como na imagem abaixo).
38 Introdução à EAD
Ao criar um novo documento no PowerPoint, percebemos
algumas diferenças significativas dele para o Word. Não colocarei as
duas telas lado a lado, mas você poderá fazer a devida comparação.
Sobre a semelhança, conforme comentamos anteriormente,
a Microsoft deixou as guias de ferramentas muito parecidas para que
possa localizar os itens muito mais facilmente. Inclusive o nome da
maioria das guias é o mesmo em todos os programas do Office. Claro
que temos algumas distinções, como no caso do PowerPoint que temos
três guias novas: Transições; Animações e Apresentação de Slides.
Vou apresentar as diferenças entre as guias que são iguais e
posteriormente discutiremos sobre como montar uma apresentação
propriamente dita.
Guia “Principal”
Além dos recursos semelhantes do Word, como fonte, parágrafos
e área de transferência, temos agora um novo grupo nesta guia: o grupo
“SLIDES”, que serve para que possamos ir adicionando novos slides
conforme sejam necessários.
Esta é uma diferença para o Word, pois lá, era só escrever e as
folhas iam sendo adicionadas automaticamente. No caso do PowerPoint,
isso não ocorre. Temos que adicionar cada slide individualmente.
Guia “Design”
Nesta guia, você pode alterar o tema dos seus slides, assim como
mudar a paleta de cores, que são àqueles mesmos itens que você
escolheu ao criar uma nova apresentação. Estes detalhes podem ser
alterados para que não seja necessário você sair do programa e criar
outra apresentação novamente caso não tenha gostado.
Ainda nesta guia, temos o grupo “PERSONALIZAR”, onde podemos
definir o tamanho dos slides de 4:3 ou 16:9, onde este último é no formato
Widescreen – da maioria dos monitores, televisores e projetores.
Introdução à EAD 39
Guia “Transições”
Agora nesta guia trataremos de como fluirá a troca de um slide
para outro. O nome desta troca é transição.
Existem 50 transições possíveis. E como você deve ter percebido,
no PowerPoint, tudo é uma questão de gosto pessoal. Portanto, use a
sua criatividade e faça com que ao passar de um slide para outro tenha
efeitos bem bacanas.
Operações Básicas
Até agora, com o que vimos, você já pode criar uma apresentação
bem legal, mas como utilizar todos estes recursos? Vamos ver juntos agora?
Bom ao criar uma nova apresentação e já conhecendo o que as
guias novas nos possibilitam, vamos ver como está nossa tela de entrada
para esta criação:
Figura 28 - Tela de criação de nova apresentação
Fonte: O autor
Verifique que o próprio PowerPoint já informa como você pode
colocar os conteúdos nos slides, deixando-os mais apresentáveis e
limpos.
40 Introdução à EAD
Depois de configurar o primeiro slide, clique no ícone NOVO
SLIDE ( ) e irá abrir um novo menu se opções de slides para serem
adicionados, como pode ser verificado na figura 29, a seguir:
Figura 29 - Menu de novo slide
Fonte: O autor
Introdução à EAD 41
Figura 30 - Detalhe de ícones do Slide
Fonte: O autor
Neste momento, escolha o slide “Título e Conteúdo”, pois
trabalharemos sobre este tipo de slide, e veja que ele mudou o formato
de colocação do material dentro dele.
Agora temos um campo para colocar um título do Slide (não
confunda com o título do primeiro, pois este é o título geral do trabalho,
aqui é o título do Slide) e também um outro campo onde podemos
colocar conteúdo tanto na forma de texto ou alguns itens (expostos na
forma de ícones no centro deste campo), como podemos observar na
figura abaixo:
Você entenderá agora cada um dos ícones:
1. Tabelas: você pode inserir tabelas em seus slides;
2. Gráficos: com base em alguns dados o próprio programa gerará
um gráfico para você;
3. SmartArt: é uma forma de sequência de figuras geométricas
formando um fluxograma;
4. Imagem: Inserir uma imagem que você já tenha em seu
computador;
5. Imagens Online: são imagens tiradas diretamente da Internet,
porém é necessário estar online no momento da apresentação para que
as imagens sejam carregadas;
42 Introdução à EAD
6. Vídeos: Sim, nossos slides não são de conteúdos somente
estáticos, logo podemos colocar vídeos neles e tornar nossa
apresentação mais dinâmica.
Neste momento, você já tem o conhecimento de como inserir
novos slides e como colocar conteúdos neles, pratique criando
apresentações sobre assuntos que vocês gostem.
Quer dizer que minha apresentação está pronta? Não. Agora
vamos lapidar nossa apresentação e deixa-la mais bonita.
Como deixar melhor uma apresentação
Temos uma apresentação, mas não quer dizer que já esteja boa
ou ainda atrativa, e é justamente nestes pontos que vamos trabalhar
para que possa ser elogiado ao final dela.
O que lhe será apresentado agora, são dicas de criação:
• Fundo Branco: NUNCA use fundo branco em suas
apresentações, pois isso passará uma ideia de que você não tinha
interesse em criá-la, sem contar que para quem assiste, torna-se uma
palestra cansativa.
• Contraste: Sempre verifique os contrastes de cores, pois eles
ajudaram ao espectador visualizar melhor o que está sendo exposto.
Cuide com conjunto de cores como Vermelho e Azul, Verde e Amarelo,
Verde e Azul, Preto e Vermelho, pois esses contrastes cansam a vista e
tiram o foco de quem lê.
• Poluição visual: Inserir imagens, tabelas, Smart Arts sempre
é muito bom, mas inserir muitas coisas em um mesmo slide cria uma
poluição visual forte e tira o foco do assunto principal. Opte por utilizar
uma ou no máximo duas imagens por slides.
• Somente textos: Sempre tente colocar pelo menos uma
imagem, mesmo que pequena. Não deixe somente textos em seus
slides, principalmente se forem muitos textos e seguidos um do outro,
pois pode fazer com que seu espectador tenha fadiga (caso isso aconteça
ele, além de perder a atenção, não saberá se você trocou o slide ou não).
Introdução à EAD 43
Usar emojis é uma alternativa visual para indicar que trocou o slide, além
de dar uma “graça” à sua apresentação. 😉
• Cuidar com as fontes: Utilizar de recursos de mudar de fontes
é uma ótima ideia, mas tenha cuidado com o tipo de fonte, pois algumas
enfeitamtanto que não permitem uma leitura clara do conteúdo. Você
consegue ler perfeitamente com essa fonte? (Você consegue ler
perfeitamente com essa fonte?)
• Quantidade de texto: Em uma apresentação não utilize de
“textões” por cada slide. Eles cansam e não lhes possibilitam colocar
imagens. Opte por colocar tópicos apenas, isso porque você já deve
conhecer o conteúdo e caberá a você discorrer sobre o assunto.
• Tamanho da fonte: Você deve já ter reparado que as fontes
têm tamanhos diferenciados do Word, ou seja, variam de 24 a 48 pontos
contra os tradicionais 10 a 14 no Word. Isso se dá para não colocar
textões, e também para que possa colocar somente o necessário.
• Transições: Utilize de transições entre os slides, dessa forma,
quando trocar de um para o outro, o espectador entenderá que houve
mudança e voltará a ter a sua atenção. Porém, utilize um ou dois tipos
de transições, não precisa fazer de sua apresentação uma edição de
cinema com “quinhentos” efeitos visuais (você não ganhará um Oscar
pelas suas transições).
• Executar a apresentação: Para iniciar uma apresentação, é
necessário apertar a tecla “F5” no teclado e sua apresentação ocupará
a tela inteira.
Com estas dicas, certamente terá uma apresentação maravilhosa,
empolgante e com total atenção de seu público.
Como salvar a apresentação
Diferentemente de qualquer programa da Microsoft, o PowerPoint
disponibiliza duas formas de salvamento, PPTX e PPSX.
Vamos entender essas duas formas agora.
44 Introdução à EAD
PPTX ( ) é um arquivo que o PowerPoint salva automaticamente
suas apresentações. Para abrir as apresentações neste formato
é necessário abrir o programa e após executar a apresentação,
pressionando a tecla “F5”.
PPSX ( ) é um arquivo que você deverá ir no “SALVAR COMO”
para salvar arquivos neste formato. Este tipo de arquivo possibilita que
você já execute sua apresentação em tela cheia e sem a necessidade de
abrir o PowerPoint. Isso não quer dizer que não necessite do programa
instalado no computador, pelo contrário, é preciso ter o software
instalado para realizar esta ação.
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo,
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido
que o PowerPoint é um poderoso programa para criação,
edição e criação de apresentações e que criar uma
apresentação, apesar de parecer uma coisa fácil e simples,
inclusive pela forma intuitiva como a Microsoft disponibiliza
suas ferramentas, não é tão simples assim, sendo
necessário cuidar do tamanho e tipo de fonte, poluição
visual, contraste de cores, inserção de imagens, além claro
da forma como salvaremos nossa apresentação. Devemos
relembrar queé muito importante e necessário sempre
utilizar táticas para prender a atenção do seu espectador,
fazendo uso dos recursos visuais das apresentações.
Gostou do que viu até aqui? Não vamos parar, temos ainda
mais um capítulo desta unidade. Vamos em frente!
Introdução à EAD 45
Como trabalhar com uma planilha de cálculos?
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender
como funciona o Excel, além de entender o que é, para
que serve, como trabalhar, como inserir funções e até
mesmo imagens nas planilhas eletrônicas do Excel. Além
disso, também mostraremos o quanto o Excel pode facilitar
trabalhos de controles. Isto será fundamental no seu
processo de formação profissional enquanto estudante
de EaD. E então? Motivado para desenvolver esta
competência? Então vamos lá. Avante!
Conhecendo o Excel
Até início dos anos 1990 os controles eram realizados através
de planilhas montadas com canetas e cadernos, e os cálculos eram
feitos nas calculadoras e passados com canetas à mão para o caderno.
Porém, este cenário mudou com a vinda do antigo “Lotus123” onde,
posteriormente, a Microsoft criou o Excel, que substituiu em sua
totalidade este programa (Lotus).
Atualmente o Excel, que é um editor de planilhas eletrônicas,
no qual são utilizadas diariamente por inúmeras funções, que tem
sua utilização destinada à controles, estoques, criação de estatísticas
e muitas outras coisas mais comuns, até mesmo como um banco de
dados de informações para gerenciamento de empresas ou clientes.
A Microsoft Excel trabalha de três formas distintas: reativa, proativa
e expositiva. A intenção deste capítulo não é gerar um curso completo
de Excel, mas uma abordagem mais ampla, mostrando do que ele é
capaz e como iremos trabalhar com ele.
A forma reativa é quando preparamos as planilhas, mas todos os
cálculos e informações são feitas entradas de formas manualmente, ou
seja, o usuário é que as insere uma a uma. No modo proativo, o Excel
já tem fórmulas e funções definidas por quem o conhece e os usuários
46 Introdução à EAD
só inserem informações primárias, mas as respostas o próprio programa
trata de trazer automaticamente.
Porém, no modo expositivo, o Excel pegará todas as respostas
do modo proativo e trata de modo a exibir estes dados para o usuário,
sem haver necessidade de entrada de dados por parte deste usuário.
Nós trabalharemos a seguir com as funções básicas do Excel, para que
possam fazer apenas uma parte do trabalho e deixar ele trabalhar um
pouco para vocês.
Células, Linhas e Colunas
Diferentemente do Word que apresenta um “papel” para escrever
e do PowerPoint que disponibiliza um slide para ser exposto em
apresentações, o Excel nos mostra uma área de trabalho bem diferente
de todos os programas anteriores.
Veja na figura abaixo a área de trabalho do Excel. Em seguida
explicaremos cada uma das partes desta área de trabalho.
Figura 31 - Área de trabalho do Excel
Fonte: O autor
Introdução à EAD 47
1. Guias de ferramentas;
2. Indicador das colunas;
3. Indicador das linhas;
4. Campo de células;
5. Planilhas da pasta de trabalho.
No Excel, a tela de trabalho é composta por linhas e colunas
formando células, mas o que é que são esses conceitos?
As colunas são nominadas com letras que iniciam no “A” e vão até
“XFD”, totalizando 16.384 colunas verticais. As linhas são numeradas e
iniciam na linha 1 e vai até a linha 1.048.576. Lembrando que as linhas são
sempre horizontais. No total, o Excel disponibiliza 17.179.869.184 células
para se trabalhar em cada planilha criada.
As células são cada unidade cruzada pela coluna com as linhas.
O programa trabalha com células ativas e células inativas, vejam a figura
abaixo para uma melhor explicação.
Figura 32 - Células no Ex cel
Fonte: O autor
48 Introdução à EAD
Nesta imagem, é possível ver que a célula ativa é a mesma célula
que está selecionada, ou seja, a célula da Coluna B e da Linha 2, (célula
B2). Já todas as outras células estão inativas.
Como já temos agora o conhecimento básico do que são colunas,
linhas e células, podemos seguir adiante com as operações dentro do Excel.
Operações Básicas
Para muitas pessoas, o Excel é considerado um “bicho de 7
cabeças”, mas não por apenas desconhecerem o programa, e sim, por
não terem muita noção de lógica e nem gostarem de matemática. Isso
se explica pois, qualquer operação no Excel é baseada em conceitos
lógicos e matemáticos.
Apresentaremos os conceitos mais básicos e as operações e
funções mais básicas a seguir:
Operações Aritméticas e Lógicas
Operações Aritméticas
Agora que entendeu o início do Excel, vamos conhecer as
operações aritméticas que é possível operar com ele.
Só que antes de sair realizando as operações e colocando
fórmulas no Excel, vamos conhecer quais são as operações aritméticas
básicas utilizadas neste programa.
Operador Definição Exemplo Resultado
+ Este é um operador de Soma 2+2 4
- Este é um operador de
subtração
3-1 2
Tabela 1 - Operadores aritméticos
Introdução à EAD 49
Fonte: O autor
*
Este é um operador de
multiplicação, o sinal é
asterisco e não o tradicional “x”
3*9 27
/ Este é um operador de
divisão, o sinal é barra.
36/4 9
^
Este é um operador de
potência (expoente), o sinal é
acento circunflexo.
5^2 25
% Este é um operador de
porcentagem
20% 0,2
Sempre que formos colocar uma operação no Excelé necessário
iniciar com o sinal de igual (“=”).
Exemplo: =2+2
Para iniciar os trabalhos com estes operadores, podemos indicar
células para serem operadas com outras células, porém teremos que
estar em uma célula diferente das que serão trabalhadas.
Para exemplificar melhor, vamos imaginar que esteja com a
célula ativa na posição C1 (terceira coluna e primeira linha) e quer somar
o resultado das células A1 e B1. Colocará o seguinte conteúdo na C1:
“=A1+B1” (sem as aspas), e agora só colocar qualquer número nas células
A1 e B1 e o resultado da C1 será a soma das duas primeiras.
Estes foram os operadores aritméticos para que possa realizar
operações matemáticas com o Excel.
Operações Lógicas
Os operadores lógicos irão nos trazer como resposta apenas se é
verdadeiro ou falso.
Em que isso será importante para minhas planilhas?
50 Introdução à EAD
Imagine que você tem dois valores, e quer comparar se um é
igual ao outro ou se um maior que o outro, como resposta terá apenas
se sim ou não (mesma situação para verdadeiro ou falso).
Veja abaixo a tabela de operadores lógicos.
Operador Condição
Valores de
A1 e B1
Exemplo Resultado
= Igual à
A1 = 2 ; B1
= 2
=A1=B1 VERDADEIRO
<> Diferente de
A1 = 2 ; B1
= 2
=A1<>B1 FALSO
> Maior que
A1 = 34 ; B1
= 78
=A1>B1 FALSO
< Menor que
A1 = 34 ; B1
= 78
=A1<78 VERDADEIRO
>= Maior igual à
A1 = 65 ; B1
= 64
=A1>=B1 VERDADEIRO
<= Menor igual à
A1 = 65 ; B1
= 65
=A1<=B1 VERDADEIRO
Tabela 2 - Operadores Lógicos
Fonte: O autor
Então para as operações básicas, tanto aritméticas como lógicas
fica mais fácil preparar as expressões.
A partir de agora veremos as funções mais básicas e simples do Excel.
Funções Básicas
O Excel dispõe de funções que facilitam nossa vida, e com isso
veremos algumas das mais importantes e utilizadas.
Introdução à EAD 51
Tabela 3 - Exemplos da função soma
Fonte: O autor
IMPORTANTE:
Como os operadores, todas as funções tem que iniciar com
o sinal de igual (“-“) antes da função.
• Função SOMA ()
A função soma tem como função, somar os valores de várias
células, tanto de modo sequencial como alternados. Vamos ver uma
tabela de exemplos e como serão feitas as somas:
Função Retorno
=soma(a1:a20)
Um somatório de todas as células
compreendidas, e incluindo, as células A1 e A20.
=soma(a1;a3;a5) Um somatório das células A1, A3 e A5 somente.
=soma(a1:a5;a7:a10)
Um somatório da sequencia de células do A1 até
o A5 mais o somatório da sequência de células
do A7 até o A10
• Função MÉDIA ()
A função média tem a mesma característica de sintaxe (modo de
escrever) que a função soma, porém, além de somar todas as células
do intervalo descrito também realizará uma divisão da quantidade de
células utilizadas para este cálculo
Exemplo: =média (A1:A5) → será realizada uma soma das
células A1, A2, A3, A4 e A5 e após efetuada uma divisão por 5, pois foram
utilizadas 5 células.
• Função SE ()
A função SE é um pouco mais complicada para umas pessoas do
que outras, mas para facilitar descreveremos de uma forma mais simples:
52 Introdução à EAD
Imagine que você vai falar para alguém a seguinte frase: “Já que vai ao
supermercado, SE CHOVER LEVE GUARDA-CHUVA, SENÃO NÃO PRECISA!”.
Deixei destacada justamente a parte da função SE, que justamente
como a falamos, será a forma como iremos escrevê-la. Mais adiante
mostraremos a sintaxe dessa função.
NOTA:
Sempre fale em voz alta a função que pretende escrever e
ficará mais fácil de saber o que, e como escrever!
Vamos ver a sintaxe da função SE:
Exemplo: =se (A1>B1;”A1 é maior que B1”;”B1 é maior que A1”) →
Nesta função leremos da seguinte forma: Se A1 for maior que B1 então
diga exatamente “A1 é maior que B1”, senão diga “B1 é maior que A1”.
Viram como não é complicado trabalhar com o Excel?
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você
realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos
resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a
Microsoft Excel é um poderoso editor de planilha eletrônica
que tem muito mais a oferecer do que o que vimos até aqui.
Nele podemos colocar fórmulas de matemática e teremos os
resultados exatos e precisos, temos como colocar funções,
para fazer uma média automaticamente ou então uma
condicional (SE) e ele pensar por nós e calcular tudo para que
não tenhamos tanto trabalho. Recomendamos que você não
deixe de praticar as lições aprendidas no Excel, pois existem
inúmeros outros recursos a mais do que os que citamos neste
capítulo, inclusive funções muito mais avançadas. Gostou
até aqui? Infelizmente temos que terminar por aqui, mas não
faltarão oportunidades de novos encontros. Esperamos você
em outras disciplinas. Até a próxima!
Introdução à EAD 53

Mais conteúdos dessa disciplina