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Introdução à Ead 11 A leitura e seus estágios OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de compreender o conceito de leitura e os seus estágios. Isto será fundamental para aluno em formação na modalidade de ensino da educação a distância. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Leitura: como definir? Segundo o último Censo do IBGE (2018), existem 11,3 milhões de analfabetos no Brasil. Esse número vem diminuindo ao longo dos anos, porém, outro termo ganhou bastante destaque: o analfabetismo funcional. Você sabe a diferença entre analfabetismo e analfabetismo funcional? Analfabetas são as pessoas que não conhecem o alfabeto ou não sabem ler nem escrever e, os analfabetos funcionais são pessoas que sabem ler e escrever, mas não são capazes de interpretar o texto que leem, e essa parte da população corresponde a 30% dos brasileiros que têm entre 15 e 64 anos (AÇÃO EDUCATIVA; INSTITUTO PAULO MONTENEGRO, 2018). ACESSE: Veja gráficos sobre resultados da pesquisa sobre analfabetismo e analfabetismo funcional em: https://bit.ly/2QQnnxa 12 Introdução à Ead SAIBA MAIS: Às pessoas que sabem ler e escrever dá-se o nome de alfabetizadas e, às pessoas que sabem ler, escrever e conseguem usar essas habilidades nas demandas sociais são denominadas letradas. Mas o que significa ler? Você já parou para pensar nisso? Uma busca rápida em qualquer dicionário mostrará como definição de leitura o “ato de ler”, juntamente com “o ato de compreender o conteúdo de um texto escrito”. Porém, como acabamos de ver, há muitas pessoas que não conseguem compreender aquilo que leem. Sendo assim, podemos usar as duas definições para o ato da leitura? Figura 1 – A leitura é uma atividade exclusivamente humana Fonte: Freepik A leitura é uma atividade exclusivamente humana, que nos permite o acesso a um infinito conhecimento. Ela está intimamente ligada ao processo de aprendizagem. Por isso, o tema é amplamente estudado por várias perspectivas: do ponto de vista linguístico, é claro, mas também psicológico, biológico, social, entre outros. Introdução à Ead 13 Etimologicamente, a palavra vem do verbo em latim lego, cuja primeira acepção é “juntar, reunir”. Ele também significa “ler”, pois essa ação nada mais é que juntar e reunir as palavras, as sentenças e as partes de um texto. O educador Paulo Freire dedicou uma obra inteira ao assunto, “A importância do ato de ler”, em que afirma que “A leitura do mundo precede a leitura da palavra” (FREIRE, 1988). Nesse sentido, todos nós temos a capacidade de ler, já que estamos, a todo o momento, lendo a realidade que nos cerca, isto é, lendo o mundo. A definição apresentada no texto dos Parâmetros Curriculares Nacionais (2001, p. 53) é a seguin te: A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto, a partir dos seus objetivos, do seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a língua: características do gênero, do portador, do sistema de escrita etc. Vilson Leffa (1996, p. 11), pesquisador da UFRGS, define leitura como o “processo de interação entre o leitor e um determinado segmento da realidade, que é usado para representar um outro segmento”. Ao estudar o tema, o autor nos lembra das duas definições restritas de leitura, as quais são antagônicas: [...] (a) ler é extrair significado do texto e (b) ler é atribuir significado ao texto. O antagonismo está nos sentidos opostos dos verbos extrair e atribuir. No primeiro, a direção é do texto para o leitor. No segundo, é do leitor para o texto. Ao se usar o verbo extrair, dá-se mais importância ao texto. Usando o verbo atribuir, põe-se a ênfase no leitor. (LEFFA, 1996, p. 11) Leffa segue explicando que a melhor definição, por vários motivos, é a segunda: ler é atribuir significado ao texto. O autor explica: A qualidade do ato da leitura não é medida pela qualidade intrínseca do texto, mas pela qualidade da reação do leitor. A riqueza da leitura não está necessariamente nas grandes obras clássicas, mas na experiência do leitor ao processar o texto. O significado não está na mensagem do texto, mas 14 Introdução à Ead na série de acontecimentos que o texto desencadeia na mente do leitor. (LEFFA, 1996, p. 14) Vamos concordar com o autor ao optar por essa definição, já que acreditamos que a leitura depende sim, mais do leitor do que do texto em si e da forma como o primeiro interage com o segundo. Isso vai ao encontro dos resultados que trazem as pesquisas no que se refere à taxa de analfabetismo funcional. Significa que aqueles que não compreendem o que está escrito não estão conseguindo interagir com o texto. E como podemos realizar a leitura de modo a interagir com o texto e alcançar a sua compreensão total? Para Leffa (1996, p. 25), Para compreender um texto devemos relacionar os dados fragmentados do texto com a visão que já construímos do mundo. Todo texto pressupõe essa visão do mundo e deixa lacunas a serem preenchidas pelo leitor. Sem o preenchimento dessas lacunas a compreensão não é possível. Para Andrade (2016, p. 1-2), tal definição é, hoje, muito mais complexa: Sabe-se que o conceito de leitura foi aperfeiçoado nas últimas décadas. Nos dias atuais, a leitura não se constitui um processo de decodificação do texto, nem somente a compreensão e interpretação do signo linguístico. Na verdade, a leitura possui uma dimensão mais ampla do que apenas atribuir significado às palavras e frases. Pereira, Souza e Kirchof (2012) afirmam que o ato de ler transcende à simples decodificação, compreensão e interpretação do signo linguístico, porquanto pressupõe o ato de dar sentido ao texto, o que estará sempre na dependência da vivência histórica do sujeito, do seu modo de pensar e olhar o mundo. O que observamos no comentário de Andrade (2016) é, novamente, que o foco está no leitor, o sujeito que olha para o texto. Podemos aproximar essa afirmação do que queremos dos nossos alunos, tanto no ensino presencial como no ensino a distância. A habilidade de leitura Introdução à Ead 15 é algo trabalhado na escola desde os primeiros anos. E assim deve ser em todos os níveis de ensino, já que os textos vão ganhando mais complexidade ao longo da vida escolar. Ora, se lemos e estudamos por meio da leitura durante a nossa vida toda, por que então, existem tantas pessoas que não conseguem compreender um texto? Segundo Silva, Ler é básico para o progresso na aprendizagem de qualquer assunto. A formação de um leitor competente, segundo os PCN (2001, p. 54), “só pode constituir-se mediante uma prática constante de leitura de textos de fato, a partir de um trabalho que deve se organizar em torno da diversidade de textos que circulam socialmente”. (2011, p. 25) Tal questionamento é objeto de estudo de muitos pesquisadores, que tentam entender o que está errado na educação básica/ fundamental, por que motivo os alunos estão chegando muito fracos ao ensino superior, no que diz respeito à leitura, e o que pode ser feito para que a prática se torne hábito na população brasileira, assim como já acontece em outros países. Uma nota, antes de seguirmos: quando falamos de leitura, estamos nos referindo à leitura de objetos das mais variadas espécies. Podemos ler um texto, um filme, uma obra de arte, até mesmo uma expressão facial, já que, como apontou Freire, a leitura do mundo vem antes da leitura da palavra. Nesse sentido, estamos lendo (e interpretando) todas as coisas a todo o momento. Nesta unidade, porém, vamos nos deter à leitura de um texto escrito, que constitui a maior fonte de pesquisa para os estudantes. Ainda que existam materiais em outros formatos, vamos nos concentrar no texto escrito por se tratar de objeto de fundamental importância, e que ainda causa muita dificuldade de interpretação por parte dos alunos. 16 Introdução à Ead REFLITA: Com certeza você já teve dificuldade de ler e compreender um texto, não é mesmo? Muitas vezes parece que estamos lendo um texto escrito em outra língua, tão distante nos parece do que costumamos ler no diaa dia. Por que será que isso acontece? Problemas de compreensão de texto começam a aparecer já na infância, assim que começamos a “juntar as palavras”, e nunca mais deixam de existir. De tempos em tempos nos deparamos com algo difícil de compreender, seja no nosso dia a dia, como leitores de jornais e revistas, seja no contexto acadêmico, como leitores de ciência. Mas ninguém pode negar que a leitura é essencial para a nossa vida escolar, nos mais diversos níveis. Observe o que afirmam Lakatos e Marconi (2018, p. 1) à respeito da importância da leitura para os estudos: [A leitura] favorece a obtenção de informações já existentes, poupando o trabalho da pesquisa de campo ou experimental. Ela propicia a ampliação do conhecimento, abre horizontes na mente, aumenta o vocabulário, permitindo melhor entendimento do conteúdo das obras. [...] Dois são os seus objetivos fundamentais: serve como meio eficaz para aprofundamento dos estudos e para a aquisição de cultura geral. De fato, a leitura é uma atividade complexa. Na sequência, você verá que muitas vezes, não é na primeira leitura que chegamos a uma compreensão total. Existem alguns estágios para chegar a uma compreensão completa de um texto escrito, de modo que se possa refletir sobre ele. Introdução à Ead 17 Estágios da leitura Os estágios da leitura dizem respeito ao nível de compreensão que uma pessoa tem ao ler um texto, desde o seu primeiro contato com ele até a fase em que é capaz de realizar uma leitura crítica a respeito do que foi abordado. Figura 2 – Os estágios da leitur a dizem respeito ao nível de compreensão que uma pessoa tem ao ler um texto Fonte: Freepik VOCÊ SABIA? A informatividade de um texto é medida pelo grau de intimidade que o leitor tem com determinado assunto. Quanto mais uma pessoa sabe sobre um tema, menos informativo, para ela, vai ser um texto sobre esse tema, e vice-versa. Por exemplo: se você é fã de super-heróis, um texto que explica as características dos super-heróis vai ser menos informativo para você do que para uma pessoa que nunca se interessou por eles. Logo, não podemos dizer que um texto é bastante informativo ou não, pois isso vai depender mais do que o leitor sabe sobre o assunto do que do conteúdo do texto. 18 Introdução à Ead Vamos conhecer, a partir de agora, os quatro estágios: Reconhecimento ou pré-leitura; Leitura seletiva; Leitura interpretativa; Leitura crítica (ou reflexiva) e suas características. Reconhecimento ou pré-leitura Aa leitura superficial do texto serve para se ter uma ideia do que ele trata – seu conteúdo e sua organização. No caso de textos de jornal, por exemplo, trechos são destacados para fazer com que o leitor observe quais são as principais partes. O título e subtítulo (se houver) são extremamente importantes, pois chamam a atenção para o tema principal que será abordado. Nesse estágio, o leitor pode responder à pergunta: de que trata o texto? Assim, ele tem uma visão global do assunto, porém, não se aprofundará em subtemas ou informações mais específicas. É muito comum hoje, nas redes sociais, nos depararmos com títulos de textos. E muitas vezes, ficamos só no título: não lemos o texto, nem sequer clicamos no link para acessar mais informações sobre o assunto. Está aí uma boa maneira de confirmar de que modo fazemos essa leitura de reconhecimento. Faça o teste. Quando estiver em uma rede social e se deparar com uma notícia, pare para refletir: o título me chamou a atenção? Eu estou interessado em saber mais sobre isso? Leitura seletiva Neste segundo estágio de leitura, a pessoa realiza uma leitura mais atenta do texto, inspecionando-o. Ela presta atenção nas sentenças, compreende o contexto envolvido na sua produção. Aqui, o leitor ainda não faz uma leitura minuciosa, mas inicia esse processo, separando aquilo que é essencial e deixando de lado o que é desnecessário. Vamos continuar com o exemplo de uma notícia que você encontrou ao navegar em sua rede social. Você se interessou pelo assunto e quer saber mais: se tiver acesso ao texto completo da notícia, Introdução à Ead 19 de que forma você vai lê-lo? Vai passar o olho para “pescar” algumas informações relevantes ou vai ler atentamente? É bem provável que você dê uma “sondada”, uma passada de olho nesse momento. E isso vai fazer com que se interesse ou não por uma leitura mais minuciosa. Leitura interpretativa Na leitura interpretativa, o leitor consegue identificar as informações que estão sendo colocadas no texto, bem como o que o autor dele quer dizer. O leitor analisa as partes do texto – introdução, desenvolvimento, conclusão – estabelecendo uma correlação entre elas. Aqui, a leitura é minuciosa e não se perde nada. Se há alguma palavra que o leitor não conhece, ele vai procurar o seu significado e, se algo passou despercebido durante a leitura, o leitor vai voltar atrás para entender melhor. Figura 3 – O terceiro estágio da leitura compreende a fase interpretativa Fonte: Freepik 20 Introdução à Ead Neste estágio, o leitor é capaz de entender a intenção do autor ao escrever aquele texto, e de relacionar o seu posicionamento com outros textos que já leu. É importante dizer que, neste caso, o aproveitamento do texto dependerá da bagagem que o leitor já tem acerca do assunto. Se houver alguma referência ou uma informação implícita (um pressuposto), o leitor experiente será capaz de localizá-la. Continuando com o exemplo do texto encontrado na rede social, o leitor após se interessar sobre o tema e fazer uma leitura seletiva, mergulha de fato, em todas as suas partes, percebendo alguns fatores, por exemplo: como foi construído, por que, em que contexto. Assim, o leitor é capaz de falar sobre o assunto, explicando a outras pessoas aquilo que leu. Leitura crítica ou reflexiva Neste estágio podemos dizer que há uma compreensão maior do texto por parte do leitor, pois ele reflete de maneira crítica sobre o conteúdo. Ele compara, julga as informações apresentadas de modo a tomar uma posição. Nesta fase, portanto, o leitor vai além da mensagem do texto, fazendo juízo de valor a respeito daquilo que leu. Neste nível, que é o último, o leitor já é capaz de responder criticamente ao texto que leu, pois compreende todas as suas nuances – o tema tratado, as partes do texto, de que modo foi construído, a intenção do autor, o contexto em que foi escrito, como se relaciona com o mundo e com outras produções sobre o mesmo tema etc. – e, além disso, consegue julgar o texto, estabelecendo a ele um valor a partir do que já leu sobre o assunto: é um texto mais completo? Cai em contradição? É coerente e apresenta concisão? A opinião do autor é bem fundamentada? Está de acordo com a minha? Vai de encontro com a de outros autores? No exemplo que utilizamos, finalizado este estágio de leitura – e somente após isso –, o leitor poderia escrever sobre o assunto, fazendo uma crítica (positiva ou negativa) a respeito do texto, pois tem total intimidade e compreensão daquilo que leu que é capaz de opinar sobre. Introdu誽o ?Ead 21 Quadro 1 - Estágios da leitura Fonte: Adaptado de Lakatos e Marconi (2019) REFLITA: A partir de sua experiência com o uso de redes sociais e observando o comportamento dos outros, você acredita que as pessoas realizam uma leitura crítica dos textos antes de compartilhá-los ou de comentar sobre eles? Retomando os quatro níveis de leitura, podemos estabelecer um quadro que sintetiza o que acontece em cada um deles: Estágio Definição Questão Reconhecimento ou pré-leitura Leitura superficial Qual é o tema? Seletiva Inspeção Quais são as principais informações que o texto traz? Interpretativa Leitura minuciosa Qual é o posicionamento do autor sobre o tema? Crítica ou reflexiva Julgamento do conteúdo Concordo ou discordo do posicionamento do autor e por quê? É fundamental que você aluno, que está em formação profissional e que está realizando está formação em um curso na modalidade a distância, atente-se para as informações que foram apresentadas até aqui. Faça da leitura a sua aliada no processo da aprendizagem. 22 Introdução à EadRESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir o que vimos. Você deve ter aprendido que as definições de leitura e teve a oportunidade de conhecer os seus quatro estágios ou níveis: o reconhecimento, a leitura seletiva, a interpretativa e a crítica. É muito importante que você aluno, faça com que a leitura se torne um hábito, pois dessa forma, conseguirá passar por esses estágios de modo a compreender e julgar um texto. Introdu誽o ?Ead 23 Os estágios da leitura nos estudos OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de identificar e utilizar esses estágios de leitura em seus momentos de estudo. Isto será fundamental para você em processo de formação profissional. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Decodificação e diferenciação Como vimos no capítulo anterior, uma primeira definição de leitura seria a de extrair significado do texto. Seria como decodificar os símbolos que ali estão colocados. Porém, já vimos que essa não é a melhor maneira de conceituar o ato de ler. Estamos entendendo aqui, a leitura como uma atividade além da decodificação: ela depende do sujeito leitor e da sua experiência, constituindo-se um processo interacional. Ao ler, estamos estabelecendo uma relação com o texto, relação esta que será diferente para cada leitor, pois depende da bagagem que ele tem, do que ele espera do texto, de como ele o recebe. Vamos imaginar que você está assistindo a um filme pela primeira vez, e a primeira leitura que faz dele é mais superficial, você pode não entender algumas partes, outras podem até passar despercebidas; você está focado no enredo, numa primeira camada da história, que é a mais explícita e que a maioria dos espectadores vai compreender. Na segunda vez que você assiste a esse filme, como já conhece o enredo, presta atenção em aspectos menos evidentes e, descobre alguns efeitos de sentido, detalhes que passaram despercebidos da primeira vez. Além disso, os espectadores de uma época podem assistir a esse filme de maneira diferente daquela que pessoas de décadas anteriores o assistiram. E o que podemos comprovar com isso? Que o sentido ou a compreensão de uma obra (seja ela um filme, um texto) não está na 24 Introdução à Ead forma como ela foi elaborada, e sim na relação estabelecida entre ela e o seu leitor. E quando mais experiente for o leitor, melhor será a interação entre ele e o objeto que está lendo. Afinal, as nossas leituras constituem nosso repertório. Sendo assim, que tal nos aprofundar nos estágios da leitura, utilizando-os em nossos momentos de estudo? Parece complicado, mas a prática fará com que a leitura se torne algo cada vez mais confortável. Os estágios da leitura nos estudos Para ilustrar como isso acontece em um ambiente escolar ou acadêmico, vamos tomar como exemplo um aluno que esteja pesquisando sobre o tema “novas tecnologias na educação a distância”, passando pelos quatro estágios de leitura. Vamos lá! Reconhecimento ou pré-leitura Como vimos, há um estágio anterior ao que consideramos, de fato, uma leitura. É aquele momento em que nos deparamos com uma manchete de jornal, a capa de um livro, mas ainda não sabemos mais detalhes sobre o texto dentro dele. Chama-se pré-leitura ou leitura de reconhecimento. Utilizamos esse nível de leitura quando procuramos referências sobre um tema que estamos estudando: fazemos uma seleção de documentos relevantes a respeito de determinado assunto a partir de uma leitura pré-seletiva, observando a capa de um livro, seu sumário, o título de um artigo, o t exto de introdução ou conclusão, por exemplo. No caso do aluno, seria o ponto de partida, isto é, a procura por materiais que tratem do tema “novas tecnologias na educação a distância”. Uma rápida busca na internet vai gerar alguns primeiros resultados. É importante que você saiba que na unidade seguinte veremos as técnicas a serem utilizadas no momento da busca na internet através dos buscadores. Então, recomendamos que você associe os conhecimentos adquiridos nas duas unidades para que tenha proveito em seus estudos. Introdu誽o ?Ead 25 Voltamos ao que estávamos comentando anteriormente, que era a busca por materiais na internet. Vejamos o que o resultado nos apresentou. Quadro 2 - Exemplos de resultados. 1. EAD e as Novas Tecnologias O atual sucesso da modalidade de Ensino a Distância (EAD) só se faz possível devido à constante evolução das Tecnologias de Informação e de Comunicação. 2. Conheça as tecnologias usadas no ensino a distância - EAD São milhares de novos cursos superiores autorizados pelo MEC todo ano e essa modalidade de ensino tem tornado possível o sonho do diploma para muitas... 3. 9 tecnologias para EAD essenciais nos cursos à distância As novas tecnologias agora incluem fóruns de discussão, e-mail, gravações de áudio e vídeo, biblioteca virtual, etc. www.epdonline.com.br › noticias › EaD-a-tecnologia-a-favor-daeduc... 4. EAD: A tecnologia a favor da educação | EPD Online O ensino a distância (EAD) é uma modalidade que usa a tecnologia... e realizar um curso que possibilite a conquista de novos caminhos. 5. As novas tecnologias a serviço da educação à distância Nos anos 1996, a nova LDB, Lei nº. 9.394/96 contemplou novos avanços a EaD, estabelecendo a regulamentação da modalidade de Educação a Distância ... 6. Educação a distância e as novas tecnologias Consulta a “material já elaborado, constituído principalmente de [...] artigos... Seguindo esse raciocínio, a EaD é fruto de tecnologias que possibilitaram o seu. 26 Introdução à Ead 7. Seminário discute uso da tecnologia na EAD - MEC A tecnologia tem sido uma importante ferramenta para a melhoria da... Em educação a distância e em novas tecnologias de aprendizagem Fonte: as autoras Com essa lista de resultados, o aluno fará uma pré-leitura para descartar os textos que não são relevantes para o seu trabalho. Por exemplo: textos sem autoria ou de sites não acadêmicos. Ele vai preferir livros e artigos científicos sobre o tema, pois estes podem servir como referenciais teóricos. Vamos imaginar que o aluno tenha escolhido o artigo que aparece no sexto resultado dessa lista: “Educação a distância e as novas tecnologias”. O fato de se tratar de um artigo já é um ponto positivo para que o texto faça parte da sua lista de referências utilizadas no trabalho, pois contém um autor e foi publicado em alguma revista científica, o que, por si só, lhe confere credibilidade. Além disso, o título confirma que vai abordar o assunto que é tema da pesquisa do aluno. Neste estágio, o aluno pode ler o título, o resumo do artigo, a introdução, mas não mais que isso – do contrário, já estaria na fase posterior de leitura. Observe que, ao ler o resumo, o aluno é capaz de saber que se trata de material relevante para a sua pesquisa: RESUMO As inovações tecnológicas transformaram nossa relação num ambiente constante de troca de informações, que caracteriza a sociedade moderna e os indivíduos das gerações “Z” e Millennials, surgidos no contexto da internet e das redes sociais. A irreversibilidade desta realidade se confirma no surgimento dos softwares de Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e na evolução tecnológica por qual passa a Educação a Distância (EaD). A metodologia deste estudo é uma pesquisa de caráter qualitativo e cunho bibliográfico, no objetivo de analisar a evolução tecnológica Introdu誽o ?Ead 27 dessa ferramenta, suas aplicações e características – positivas e negativas – apontando desafios e tendências. Os resultados indicaram que a evolução tecnológica e modernização da EaD se deu graças ao desenvolvimento das TICs, identificando-se duas fortes tendências para o futuro: o mobile learning e a gamification. No Brasil, o atraso tecnológico – falta de acesso à internet (inclusão digital) e social – qualificação de profissionais; são consequência da falta de Políticas Públicas que contemplem a Educação e desafios da EaD no país. Portanto, novaslinhas de pesquisa relacionadas a esta discussão teórica podem ser feitas e espera-se que este trabalho tenha contribuído para instigar a pesquisa acadêmica na Educação, visando uma sociedade com melhores expectativas para o futuro. (MENDES; ZAFINO, EZEQUIEL, 2018, p. 1) Conseguiu compreender a importância de se analisar bem os resultados de uma pesquisa realizada na internet como também de verificar a autenticidade, credibilidade e confiabilidade dos resultados? Veja o quanto é importante você saber desse assunto para que a partir de então tenha proveito nas elaborações dos seus trabalhos acadêmicos. TESTANDO: Recomendamos a você agora que realize uma busca na internet seguindo os passos que apresentamos e em seguida análise o seu material. É importante você se auto avaliar sobre o seguinte: será que até agora eu estava realizando as buscas da maneira correta? O que posso fazer para melhorar as minhas buscas e obter bons resultados? Leitura seletiva Chega o momento de realizar uma leitura de sondagem, identificando os subtemas tratados, “passando o olho” para verificar se este texto corresponde às expectativas do leitor quanto ao conteúdo abordado. 28 Introdução à Ead Em trabalhos acadêmicos, os subtítulos são muito importantes. Se estiverem nítidos no artigo, é possível perceber a hierarquia dos assuntos tratados e ter uma ideia de como foi construído o texto. No caso deste artigo em análise, alguns subtemas se destacam e já é possível confirmar que o texto será útil para a pesquisa. Uma olhada rápida sobre o texto garante que o tema das tecnologias aparece constantemente, com definições, exemplos etc. Aqui nessa fase devemos garimpar o que temos em mãos. Uma vez verificada a relevância do trabalho, chega-se à decisão de ler o texto de maneira mais minuciosa. É quando se passa para o outro estágio. Vamos lá! Leitura interpretativa Neste estágio, o pesquisador observa e relaciona o que está escrito no texto com aquilo que busca solucionar. Também compara o posicionamento do autor de acordo com teorias de outros pesquisadores, localizando-o em determinada escola de pensamento. Trata-se de uma leitura mais atenta, em que se pode destacar os trechos que servirão para corroborar a opinião do estudante em seu trabalho. Por exemplo: se o aluno está pensando em trazer o uso dos aplicativos de smartphones como uma nova tecnologia que auxiliará o EAD, neste artigo que está lendo, poder á utilizar os seguintes trechos: O desenvolvimento recente de tecnologias móveis, como smartphones e tablets, vem permitindo o uso de informações fornecidas e compartilhadas por aplicativos (OLIVEIRA FILHO, 2012) e se tornando cada vez mais popular como nova forma de acesso à informação e ao ensino/ aprendizado, pois são dinâmicos e contam com a vantagem da mobilidade – tecnologia acessível em qualquer local (QUEIROZ et al, 2014) e que demanda menor investimento em infraestrutura. Para acessar um AVA é necessário o uso de um computador, enquanto que no conceito do Mobile Learning (Aprendizado Móvel), qualquer dispositivo com acesso a rede sem fio (wireless) é uma ferramenta de estudo. (MENDES; ZAQUINO; EZEQUIEL, 2018, p. 8) Introdu誽o ?Ead 29 O uso de aplicativos na Educação a Distância pode promover o ensino e auxiliar o aluno na construção e socialização do saber (QUEIROZ et al, 2014), sendo que as redes sociais têm ganhado destaque como a primeira ou mais recorrente forma de interação da maior parte das pessoas (OLIVEIRA FILHO, 2012). Chats e fóruns e/ou redes com estrutura semelhante ao LinkedIn, pautadas na interatividade (BISSOLOTTI; NOGUEIRA; PEREIRA, 2014) trazem como conceito o Flipped Classroom. A ideia surgiu nas escolas do ensino médio americano, com Jonathan Bergman e Aaron Sams, para atender alunos que precisavam se ausentar e quando regressavam, discutiam dúvidas e davam contribuições em momentos de reflexão. A iniciativa se estendeu a todos os alunos, sendo conhecida como blendedlearning: inversão lógica das aulas – os alunos decidem o conteúdo teórico das disciplinas, apresentam conceitos, autores e diferentes proposições a respeito do tema de estudo (SCHNEIDER et al, 2013) com apoio do professor que funciona como um facilitador para o processo de aprendizagem. (MENDES; ZAQUINO; EZEQUIEL, 2018, p. 9) Com a leitura interpretativa, o aluno já está munido das informações que precisava para continuar o seu trabalho. Na próxima etapa, fará uma leitura que lhe permitirá criticar as ideias apresentadas pelo autor no que se refere ao tema estudado. Leitura crítica Por fim, o aluno chega à etapa mais complexa dos estágios da leitura, em que é capaz de refletir sobre o texto fazendo juízo de valor. Neste momento, o leitor procura trechos com que concorde e que discorde, se for o caso. Em seu trabalho, poderá utilizá-los para enriquecer sua linha de raciocínio. Vejamos um exemplo. Suponha que o aluno seja contra o uso de jogos na EAD, pelo motivo de que, pela sua experiência pesquisando esses recursos, acredita serem os jogos educativos, ferramentas não 30 Introdução à Ead atrativas como os jogos comuns. Ao encontrar o seguinte trecho no artigo, poderá fazer uso dele para discordar: A massificação de conteúdo tem sido uma das preocupações ao se introduzir elementos computacionais e da web no ensino/aprendizado. Seu efeito potencializador na construção __________do conhecimento, interpretação e compreensão de contextos e na formação do senso crítico e reflexivo, têm levado a trabalhar EaD numa lógica de jogos e Alves (apud OLIVEIRA FILHO, 2012) esclarece que o papel e a responsabilidade da escola é atentar para as necessidades e demandas modernas. Os jogos enquanto ferramentas de aprendizagem são lúdicos, excitantes e transformam o esforço em algo que traz satisfação (OLIVEIRA FILHO, 2012). Neste contexto a gamificação (gamification) tem sido incorporada a dinâmica e as formas de EaD, com elementos, mecanismos e técnicas (NAVARRO, 2013) para reduzir a baixa autoestima, o desestímulo nos espaços de interação grupal (QUEIROZ et al, 2014) e trabalhar a motivação síncrona para maior sinergia (FARIAS, 2013). Por tornar as atividades menos cansativas, engajar as pessoas para resolver problemas e encorajar a aprendizagem (KAPP, 2012), estimular a traçar e conquistar metas, e obter feedback de seu resultado (NAVARRO, 2013), tem sido benéfico na Educação a ação de aprender com o jogo para desenvolver várias dimensões humanas (OLIVEIRA FILHO, 2012). Percebeu como esse último estágio da leitura é bem mais complexo? O leitor, além de decodificar, selecionar, interpretar, agora é capaz de avaliá-lo, de se posicionar contra, caso seja pertinente ao seu trabalho. Neste momento o leitor já é capaz de transformar em autor, pois além de ler, está produzindo conteúdo a partir disso. Entendidos os estágios ou níveis de leitura? Sugiro que você, ao ler os próximos textos, faça o teste. Escolha um texto para fazer uma leitura passando pelos seus quatro níveis e depois comente com seus colegas sobre a sua experiência. Introdu誽o ?Ead 31 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Neste capítulo você aprendeu como utilizar os quatro níveis de leitura no processo de aprendizagem. Usamos um artigo como exemplo para que os estágios ficassem ainda mais claros. 32 Introdução à Ead Análise de textos OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de analisar textos que aparecerão nos seus estudos, de modo que tenha um bom desempenho durante a sua trajetória acadêmica. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Análise O ato de ler é uma atividade muito maior do que apenas decodificar os símbolos e juntar palavras. Se formos analisar a origem da palavra texto, veremos que vem do latim textum, cujo significado é “tecido”. Nesse sentido, o texto como conhecemos hoje nada mais é do que a costura de enunciados linguísticos. Não se trata apenas de um amontoado de palavras e frases soltas, sem conexão entre elas, assim como um amontoado de fios não faz um tecido: é preciso que eles sejam costurados.Assim, também é complexa a atividade de ler, pois exige o reconhecimento de todos esses mecanismos textuais. Nos capítulos anteriores, estudamos a compreensão do texto a partir de uma abordagem centrada em seus estágios. Neste capítulo, vamos conhecer outra perspectiva do ato de ler: a análise de textos. Essa abordagem é muito comum em manuais de metodologia científica e focam nos textos que os alunos vão encontrar na sua vida escolar e acadêmica, observando, além do conteúdo, a estrutura textual. Tem como objetivo preparar o aluno para a leitura crítica dos textos, de modo que consiga produzir conteúdo a partir disso. Conforme explicam Lakatos e Marconi (2019, p. 14), Analisar significa estudar, decompor, dissecar, dividir, interpretar. A análise de texto refere-se ao processo de conhecimento de determinada realidade e implica o exame dos elementos; portanto, implica decompor um todo em suas partes, a fim de: (a) poder efetuar um estudo mais completo, encontrando o elemento-chave do autor; (b) determinar as relações que prevalecem nas partes constitutivas, compreendendo a Introdu誽o ?Ead 33 maneira pela qual estão organizadas; (c) estruturar as ideias de maneira hierárquica. Ela pode, segundo as mesmas autoras (2019), ser dividida em três partes: • Análise dos elementos – levantamento dos elementos básicos do texto com o objetivo de compreendê-lo. • Análise das relações – identificação das principais relações e conexões entre os elementos que constituem o texto. • Análise da estrutura – verificação das partes que compõem o todo para entender as relações existentes entre elas. Podemos classificar em três as espécies de análise de texto: textual, temática, interpretativa. Observe a seguir as características de cada uma! Análise textual A análise textual tem por finalidade aproximar-se do texto. É uma primeira leitura, de modo a identificar de que ele trata. É o momento de ler o texto do início ao fim, sem a preocupação de interpretá-lo. Pode-se sublinhar as palavras desconhecidas para voltar nelas depois. Agora é hora de identificar o tema principal. Análise temática Na etapa seguinte, a da análise temática, o leitor compreende melhor o texto, distinguindo as ideias principais e secundárias e a relação entre elas. É o momento de esquematizar a linha de raciocínio do autor, fazendo anotações no texto. Devem ser observadas: a estrutura do texto, as suas partes (introdução, desenvolvimento e conclusão), argumentação utilizada pelo autor, entre outros aspectos importantes para um entendimento total do que foi elaborado. O leitor, neste momento, apreende o texto. Observe que ainda não é o momento de discuti-lo, mas sim de compreendê-lo profundamente para, a partir dai, ir para a próxima etapa. 34 Introdução à Ead Figura 4 – A análise temática é o momento de esquematizar a linha de raciocínio do autor Fonte: Freepik Análise interpretativa e crítica Na análise interpretativa, o leitor é capaz de associar o pensamento do autor com o que já conhece sobre o assunto. Isso lhe permite fazer uma crítica do texto, observando se é coerente, se os argumentos são válidos e pertinentes, se há originalidade nas suas ideias. É o momento de avaliar o texto, relacionando-o com outros sobre o mesmo tema – caso o aluno já tenha lido bastante sobre o assunto, será capaz, inclusive, de inserir o texto em determinada escola de pensamento ou corrente filosófica, por exemplo. Também é preciso ler o que está nas entrelinhas, identificando não só o que está explícito, mas o que está subentendido. Introdu誽o ?Ead 35 SAIBA MAIS: Pesquise por textos que diferenciem e exemplifiquem informações explícitas e implícitas (também chamadas de pressupostos). O leitor finalmente adota uma posição pessoal sobre aquilo que leu, e se torna preparado para elaborar seu próprio texto crítico. Lakatos e Marconi (2019, p. 14) propõem um esquema para diferenciar os três tipos de análise: Análise textual: • Leitura rápida de todo texto para obter uma visão global, assinalando palavras desconhecidas e dúvidas. • Encontrar o significado das palavras e dirimir dúvidas. • Formar um esquema, visando à estrutura redacional. • Análise temática: • Releitura para apreender o conteúdo. • Nova leitura para separar ideias centrais das secundárias. • Verificar a correlação entre elas, seu modo e forma. • Procurar respostas para as questões: sobre o que versa este texto? O que influi para lhe dar uma unidade global? • Reconhecer o processo de raciocínio do autor. • Redigir um esquema que revele o pensamento lógico do autor. • Análise interpretativa e crítica: • Correlacionar as ideias do autor com outras sobre o mesmo tema. • Realizar uma crítica fundamentada em argumentos válidos, lógicos e convincentes. • Fazer um resumo para discussão. O que as autoras fizeram acima, ao esquematizar as espécies de análise textual, é um exemplo do que pode ser feito na primeira etapa da leitura. Na realidade, as etapas para ler um texto se parecem muito e você pode decidir qual vai seguir durante seus anos de estudo – quem sabe testar essas e outras. Não há problema, pois todos esses processos 36 Introdução à Ead de leitura têm o objetivo em comum de transformar o leitor em alguém crítico sobre o assunto, de modo que também seja capaz de produzir ciência. SAIBA MAIS: Leia este artigo sobre leitura, níveis de leitura, espécies de análise de texto: http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf. Uma nota sobre a leitura na educação a distância O aluno da educação a distância estará em constante contato com os mais diversos tipos de texto: o material didático, elaborado em linguagem dialógica – e às vezes até mesmo redundante – para que a compreensão seja garantida. Assim como com o enunciado das atividades, que procuram explicar de maneira detalhada o que deve ser feito, sem espaço para dúvidas; como as postagens no fórum de discussão, escritas pelos colegas de curso, que podem trazer uma linguagem menos formal; além das orientações de tutores e professores; os avisos da coordenação de curso; o manual de utilização do ambiente virtual de aprendizagem e o manual de formatação de trabalhos acadêmicos, dentre outros. Espera-se que o aluno consiga apreender o que é oferecido a ele e também que seja capaz de pesquisar em outras fontes a fim de aumentar seu conhecimento. Então, aproveite a oportunidade para também fazer uma auto avaliação de como está a sua leitura. Um checklist simples pode te ajudar. Ao final de cada unidade, responda: Introdu誽o ?Ead 37 Quadro 3 – Checklist de aproveitamento da unidade. Fonte: as autoras. Checklist – Aproveitamento da unidade Consegui realizar a leitura dos textos base de forma eficiente? Acessei o material complementar indicado na unidade (Saiba Mais, Acesse...)? Procurei me aprofundar nos conteúdos buscando outros materiais que não estavam indicados (outros textos, vídeos, podcasts)? Realizei os exercícios com atenção e comprometimento? Fiz anotações ou um resumo do conteúdo da unidade? Todas essas ações vão ajudar na retenção do conteúdo, tema do próximo capítulo. SAIBA MAIS: Leia e realize os exercícios desta aula sobre leitura: https://bit.ly/2y8C08A RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Neste capítulo você aprendeu a analisar um texto sob outra perspectiva, diferente da abordada nos capítulos anteriores. Conferiu o que é uma análise textual e conheceu três espécies dela: textual, temática e interpretativa. 38 Introdução à Ead Elaboração de sínteses OBJETIVO Ao término deste capítulo você será capaz de elaborar uma síntese de modo a auxiliar na retenção dos conteúdos. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Retenção e capacidade de síntese Até aqui trabalhamos aspectos relacionados à leitura: seus estágios e como proceder em cada etapa. Porém, um questionamento pode ser feito: passar por esses estágios garante a retenção do conteúdo? A retenção do conteúdo diz respeito ao armazenamento daquilo que foi lido, com o objetivo de aplicar esse conhecimento na realidade que nos cerca. É precisodizer, também, que reter o conteúdo não é a mesma coisa que decorar o conteúdo. REFLITA: Lembra-se de seus tempos de escola, quando tentava decorar o conteúdo e, na hora da prova, dava aquele branco? Ou ainda, quando você conseguia decorar o conteúdo para a prova, mas depois dela esquecia tudo? Você lembra algumas fórmulas matemáticas que utilizava na escola, mas que hoje não sabem nem para que servem? E as músicas que os professores ensinavam para decorar alguns nomes da biologia, como as funções das partes da célula? Introdu誽o ?Ead 39 Para alcançar a retenção existem técnicas, tais como: recitar o texto; copiar partes dele; utilizar sinais gráficos como setas, marcação de cores, grifos para destacar as partes mais importantes; associação de ideias; leitura dinâmica; entre outros. Uma busca na internet resultará em vários textos sobre essas técnicas. Mas, cuidado! Nem tudo é comprovado cientificamente. Escolhemos uma dentre essas técnicas, a qual é considerada efetiva para a retenção de conteúdos e muito utilizada no contexto científico: a elaboração de síntese ou resumo. Resumir significa: abreviar, sintetizar, condensar, reduzir, restringir. Certamente você já leu um resumo de filme ou de livro, isso faz parte do nosso dia a dia. No contexto acadêmico, procuramos resumos de artigos ou livros que possam nos auxiliar em nossos estudos. O resumo acadêmico é, inclusive, uma das partes obrigatórias das produções científicas. É por meio deles que os estudantes podem ter rápido acesso aos temas para verificar se o artigo é relevante para seu trabalho. O objetivo do resumo é fazer uma redução do texto original, mantendo as ideias principais do texto e descartando o que é secundário. Segundo Platão e Fiorin (2007, p. 420), o resumo é uma condensação fiel das ideias ou dos fatos contidos no texto. Resumir um texto significa reduzilo ao seu esqueleto essencial sem perder de vista três elementos: cada uma das partes essenciais do texto; a progressão em que elas se sucedem; a correlação que o texto estabelece em cada uma dessas part es. Na opinião dos autores, “quem resume deve exprimir, em estilo objetivo, os elementos essenciais do texto. Por isso não cabem, em um resumo, comentários ou julgamentos ao que está sendo condensado” (PLATÃO; FIORIN, 2007, p. 420). 40 Introdução à Ead Figura 5 – O resumo é a condensação fiel das ideias do texto Fonte: Freepik Mas resumir não significa recortar partes do texto original e reproduzi-las ipsis litteris no seu novo texto. Platão e Fiorin (2007, p. 420) lembram que “a colagem de fragmentos do texto original não é um resumo. Resumir é apresentar com as próprias palavras os pontos relevantes de um texto”. Sendo assim, o resumo será um novo texto, escrito com as palavras do autor, que é você. Etapas de elaboração de um resumo Segundo Cereja e Cochar (2009, p. 55), “para produzir um resumo, é necessário trabalhar com um processo mental chamado sumarização. Esse processo consiste em eliminar informações secundárias, que são aquelas que explicam, exemplificam ou reforçam informações já dadas”. Os autores lembram ainda que “é necessário utilizar conectivos ou elementos de coesão” para “amarrar” o texto. É importante lembrar também que o texto do resumo deverá fazer sentido para quem não leu o texto original. Introdu誽o ?Ead 41 Fonte: Freepik Figura 6 – O texto do resumo deve ser redigido com as próprias palavras de quem o escreve. O grau de dificuldade para resumir um texto, segundo Platão & Fiorin (2007), vai depender da complexidade do texto a ser resumido (dependendo do quão elaborado ele é) e da competência do leitor (do entendimento que ele teve do texto). Observe a seguir as etapas indicadas pelos autores para elaborar um bom resumo: 1. Ler o texto ininterruptamente, do começo ao fim. Já vimos que um texto não é um aglomerado de frases: sem ter noção do conjunto, é mais difícil entender o significado preciso de cada uma das partes. Essa primeira leitura deve ser feita com a preocupação de responder genericamente à seguinte pergunta: do que trata o texto? 2. Uma segunda leitura é sempre necessária. Mas esta, com interrupções, com o lápis na mão, para compreender melhor o significado de palavras difíceis (se preciso, recorra ao dicionário) e para captar o sentido de frases mais complexas (longas, com inversões, com elementos ocultos). Nessa leitura, deve-se ter a preocupação 42 Introdução à Ead sobretudo de compreender bem o sentido das palavras relacionais, responsáveis pelo estabelecimento das conexões (assim, isto, isso, aquilo, aqui, lá, daí, seu, sua, ele, ela etc.). 3. Num terceiro momento, tentar fazer uma segmentação do texto em blocos de ideias que tenham alguma unidade de significação. Ao resumir um texto pequeno, pode-se adotar como primeiro critério de segmentação a divisão em parágrafos. Pode ser que se encontre uma segmentação mais ajustada que a dos parágrafos, mas como início de trabalho, o parágrafo pode ser um bom indicador. Quando se trata de um texto maior (o capítulo de um livro, por exemplo), é conveniente adotar um critério de segmentação mais funcional, o que vai depender de cada texto (as oposições entre os personagens, as oposições de espaço, de tempo). Em seguida, com palavras abstratas e mais abrangentes, tenta-se resumir a ideia ou as ideias centrais de cada fragmento. 4. Dar a redação final com suas palavras, procurando não só condensar os segmentos, mas encadeá-lo na progressão em que se sucedem no texto e estabelecer as relações entre eles. (PLATÃO & FIORIN, 2007, p. 421) No contexto acadêmico, procuramos resumos de artigos ou livros que possam auxiliar em nossos estudos. O resumo acadêmico é, inclusive, uma das partes obrigatórias das produções científicas. É por meio deles que os estudantes podem ter rápido acesso aos temas para verificar se o artigo é relevante para seu trabalho. O resumo acadêmico vem sucedido por palavras-chave, que ajudam os estudantes na busca por temas que lhes interessem. Leia, como exemplo, o resumo do artigo “Leitura e EAD: diferentes suportes, diferentes modos de ler”, de Quadros e Dias (2017, p. 1): RESUMO Os modos de ler vêm se transformando no decorrer da história nas diferentes sociedades. Isso porque há mudanças no contexto, nas necessidades do ser humano, Introdu誽o ?Ead 43 nos objetivos da leitura, nos suportes, na sociedade. O fato é que, ainda que haja profundas transformações nos suportes de leitura e nos modos de ler, o ser humano sempre leu algo e, para tanto, necessitou de determinadas habilidades leitoras. Isso porque a leitura é uma necessidade. Frente ao universo digital, encontra-se a realidade do estudante do ensino a distância. E enquanto espaço de formação de leitores inserido na sociedade, a EAD também apresenta desafios nos modos de ler. O estudante dessa modalidade precisa ler textos, ícones, hipertextos, hiperlinks e demais itens que compõem o ambiente virtual de aprendizagem disponíveis no computador, tablet, celular, e estes são os suportes de leitura. Cabe destacar que os leitores dessa modalidade de ensino, também necessitam de habilidades leitoras para ser leitores eficientes. Frente a essa reflexão, o presente artigo tem como objetivo tecer olhares sobre o contexto atual da leitura e o modo de ler do estudante da modalidade ensino a distância, visto que, este tem acesso a um ambiente virtual de aprendizagem. O estudante da EaD tem, enquanto leitor, o desafio de ler em um suporte digital, que proporciona a navegação por hipertextos, hiperlinks e hipermídias, bem como uma experiência de leitura que traz o entrelace entre a palavra, a imagem e o som. Esse aluno, para ter acesso pleno à leitura em suporte virtual, deverá desenvolver certas habilidades leitoras, conforme afirmam teóricos como Manguel, Santaella, Murray, Coscarelli e Marcuschi. E é sobre o contexto da educação a distância, a relação entre leitura e os estudantes de EaD e habilidades leitoras que versará o presente artigo. Palavras-chave: Leitura. Educação a distância. Habilidades leitoras. Se o pesquisador estiver estudandoa importância da leitura para os alunos de EAD, este artigo certamente será relevante para o seu trabalho.__ Os principais conceitos da educação a distância OBJETIVO Ao término deste capítulo, você estará por dentro do significado de alguns termos relacionados à educação a distância. É muito importante que você entenda esses termos, pois vai se deparar com eles a todo o momento a partir de agora. Vamos lá? Breve histórico da Educação a Distância no Brasil Antes de falarmos sobre a história da Educação a Distância (EaD) em nosso país, vamos tratar do conceito de educação e a sua importância. Para você, o que significa educação? Você já se questionou à respeito? Vamos refletir um pouco sobre isso. A educação se constitui um direito fundamental dos seres humanos e há vários documentos que atestam isso ao redor do mundo. Voltando à definição de educação, Giusta (2003, p. 26) nos diz que a educação é o “processo de formação humana, cujas finalidades podem ser resumidas no preparo do aluno para o exercício da cidadania”. Há outras definições sobre educação, mas o nosso objetivo, nesta unidade, é apresentar a educação a distância. Então, é importante que você saiba que, antes de tudo, a Educação a Distância é Educação. Conforme lembram Sousan e Arafen (2010), a definição tradicional que conhecemos de Educação a Distância apresenta pelo menos quatro componentes: a educação (ensino e aprendizagem), a divergência geográfica ou temporal, um meio de transmissão (tecnologia) e as informações ou conteúdos de comunicação. Ou seja, a educação a distância é uma modalidade de ensino mediada por tecnologias. 12 Introdução à Ead VOCÊ SABIA Saiba que essa é uma modalidade de ensino que não é recente no país. Os fatos históricos indicam que o primeiro marco da EaD no Brasil ocorreu no início do século XX e que a principal tecnologia empregada era o papel, depois veio a rádio e posteriormente a televisão (ALVES, 2009). Você conhece ou já ouviu falar de alguém que tenha estudado nessa época? Que tal perguntar aos seus parentes se eles tiverem acesso a essa modalidade de ensino e realizar uma comparação com a EaD executada atualmente? A partir da década de 1970 até o final da década de 1980, houve uma diminuição do ritmo de crescimento da EaD no Brasil. Não podemos negar que o grande impulso para a expansão da EaD foi a popularização de algumas tecnologias, tais como o rádio, o VHS, o DVD, e o computador e a internet, mais recentemente. A partir de 1990 e com o aumento das políticas de acesso e inclusão ao ensino superior, houve um aumento bem significativo no que se refere ao acesso a essa modalidade de ensino. Você já teve a oportunidade de estudar a distância anteriormente? Conhece alguém que já tenha tido essa oportunidade? Se você nunca teve a oportunidade de estudar a distância, saiba que, agora, faz parte dos milhões de alunos que se matriculam nessa modalidade todo ano. No último Censo da ABED – Associação Brasileira de Educação a Distância, constatou-se que somente em 2018, mais de 4 milhões de alunos se matricularam em cursos totalmente a distância e semipresenciais (ABED, 2019). Esse número tem aumentado a cada ano, pois essas pessoas estão buscando aprimoramento profissional, ao mesmo tempo em que precisam conciliar o tempo com o trabalho e os compromissos pessoais. Nem todas as pessoas conseguem frequentar cursos presenciais, seja pela carga horária exigida pela profissão que exercem, seja porque não existem instituições de ensino nos locais onde vivem. Os cursos a distância, portanto, tornam-se uma possibilidade de formação para os mais variados perfis de alunos. Introdução à Ead 13 Não só nos ambientes acadêmicos, mas também em empresas a educação a distância representa uma nova forma de capacitação, que permite otimizar o tempo e seguir com uma rotina de estudos que melhor se adapte a cada realidade. Vamos pensar na seguinte situação: pessoas que trabalham num regime de trabalho 12 x 36, isto é, trabalham 12 horas seguidas e folgam 36 horas seguidas, assim sucessivamente. Para esses trabalhadores, seria complicado manter uma rotina de ir até uma faculdade todos os dias. Por outro lado, têm horas de descanso que poderiam ser utilizadas para seu aprimoramento profissional. Pense também em uma mãe que acabou de ter um filho e quer continuar estudando. Ela pode conciliar o cuidado com o bebê e reservar algumas horas de estudo por dia para ler, realizar atividades e interagir com outros alunos, tudo on-line. Agora pense em alguém que mora numa cidade muito pequena, que não possui instituição de ensino superior. Ela teria que mudar de cidade e deixar sua família em busca de formação. Porém, se tiver um computador e acesso à internet, pode fazer sua graduação em casa, dirigindo-se a um polo presencial somente nas ocasiões em que deve realizar as provas. Isso acontece com muitos alunos que vivem nas regiões norte e nordeste, ou em locais afastados das capitais, desprovidos de faculdades. Outro exemplo são as pessoas com dificuldade de locomoção, como idosos ou cadeirantes. Para eles, torna-se mais confortável estudar em casa, onde têm a infraestrutura necessária que muitas vezes não encontram ao se deslocarem pela cidade. Além dessas realidades apontadas anteriormente, a EaD também tem sido utilizada em ambientes corporativos e públicos como forma de qualificar os seus trabalhadores. Porém, mesmo sendo uma modalidade de ensino com aspectos bem positivos, é alvo de diversas críticas, tais como o isolamento dos alunos e a falta do relacionamento interpessoal no processo de ensino e aprendizagem, ou ainda a ideia de que é uma modalidade mais fácil e que não requer comprometimento do aluno, já que ele realiza apenas algumas atividades pelo computador. Não se pode negar que a educação a distância é uma das responsáveis pela democratização do ensino em nosso país, pois 14 Introdução à Ead chegou aos locais onde a educação presencial ainda não tinha chegado ou chegou mais tardiamente com a interiorização do ensino superior. O crescimento exacerbado da oferta de cursos e do número de matrículas no Brasil fez com que mesmo as instituições de ensino mais tradicionais refizessem seu planejamento para incluir disciplinas a distância e cursos de extensão em seus currículos, a fim de atender à demanda dos alunos. Hoje é possível aprender uma língua estrangeira ou programação, aprofundar-se em assuntos específicos dos mais variados temas, preparar-se para processos seletivos e receber treinamento operacional utilizando-se dessa modalidade de ensino. Percebemos que a EAD virou uma realidade concreta e presente não apenas no ambiente acadêmico, mas também no corporativo, empresarial e de qualificação profissional. Um aspecto que merece destaque é que as mensalidades dos cursos a distância tendem a ser inferiores às dos cursos presenciais, e o aluno também evita os gastos com deslocamento e alimentação fora de casa. Esse é outro ponto positivo que tem levado as pessoas a se interessarem pela modalidade, além do tempo que se deixa de perder no trânsito, por exemplo. Mas quando essa ideia teve início no Brasil? Você já parou para pensar sobre isso? A modalidade de ensino a distância não é nova no nosso país. O primeiro curso por correspondência no país, de Datilografia, data de 1904, ofertado em jornal. Esse tipo de curso contava com um material impresso que era enviado ao aluno pelo correio. SAIBA MAIS Dependendo da geração da qual você faz parte, talvez nem saiba o que é datilografar. Pois bem, aqui temos mais um exemplo de ponto positivo da EAD: você pode agora mesmo, procurar textos ou vídeos na internet sobre a profissão do datilógrafo, muito comum algumas décadas atrás. Introdução à Ead 15 Os cursos por correspondência tinham como objetivo capacitar o aluno para uma profissão, diferentemente do cenário atual, em que há cursos a distância nos mais diversos níveis, desde o ensino fundamental até programas de pós-graduação. Na década de 1920, era possível estudar escutando a rádio, que ganhava cada vez mais espaço nas casas dosbrasileiros. Com a ajuda de um material impresso, os alunos podiam estudar línguas estrangeiras e aprimorar o português. Tal formato de ensino não durou muito tempo. A partir das décadas de 1960 e 1970, era muito comum acompanhar na televisão os telecursos, que traziam temas da educação básica explicados por atores. SAIBA MAIS Várias dessas aulas foram exibidas até o ano de 2014 e estão disponíveis na internet. Acesse o link http://www.telecurso.org.br/ para conhecer mais sobre o programa e para assistir às teleaulas. Um grande marco com relação ao ensino a distância foi a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, pois trouxe regras para essa modalidade de ensino. E m seu artigo 8 está postulado que: Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada. § 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. § 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. [...] (BRASIL, 1996). 16 Introdução à Ead Na mesma década, com o acesso à internet, os conteúdos começaram a ser ofertados on-line, porém, para uma parcela pequena da população. Hoje, no Brasil, há mais alunos matriculados em cursos a distância do que em presenciais. SAIBA MAIS Se você tiver interesse de saber mais da legislação sobre Educação a Distância, consulte o portal do MEC, no link: https://bit.ly/2xylRZJ Lá você terá acesso às principais leis e portarias voltadas para a EaD no Brasil. Perceba que a educação a distância é uma realidade nos ambientes escolares, acadêmicos e corporativos. Faz parte do dia a dia de milhões de brasileiros e possibilita o acesso à educação de uma forma mais dinâmica e compatível com as necessidades dos alunos. Nos capítulos seguintes, você vai entender como funcionam as engrenagens da educação a distância. Modalidades Agora iremos estudar sobre as modalidades de ensino. Ao apresentarmos as modalidades de educação, tradicionalmente, apontamos os traços definidores de cada uma delas. Ao longo de sua trajetória educacional você já teve contato com alguma delas. Vamos conhecê-las ou rememorá-las. Existem três modalidades de ensino com as quais você pode ter contato ao longo de sua vida: o ensino presencial, a 100% EaD e a semipresencial. O Ensino presencial É o ensino com o qual estamos mais acostumados, pois frequentamos a escola desde pequenos. Há espécies diferentes de ensino presencial, algumas mais tradicionais, com fileiras de carteiras Introdução à Ead 17 onde se sentam os alunos e o quadro negro na frente da sala, que o professor utiliza para passar o conteúdo. Outras que trazem abordagens mais contemporâneas, como uma estrutura com mesas redondas em que os alunos sentam em equipes e não há presença do quadro negro e do professor na frente da sala, mas atuando como mediador na pesquisa desenvolvida pelos alunos. Tanto um como o outro processo de ensino e aprendizagem explicados anteriormente pressupõe o deslocamento do aluno até a instituição de ensino e a socialização presencial com os demais colegas. Figura 1 – No ensino presencial, o aluno vai até a instituição de ensino. Fonte: Freepik Vejamos a seguir os aspectos positivos e negativos com relação a essa modalidade de ensino. • Pontos positivos: mais interação entre alunos e professores, possibilidade de sanar dúvidas na hora da aula. • Pontos negativos: para os alunos mais tímidos, pode ser difícil realizar essa interação ou mesmo fazer questionamentos ao professor; 18 Introdução à Ead tempo de deslocamento e gastos com transporte e alimentação; distração (nem sempre o aluno está focado ou disposto). Porém, é importante que você saiba que, diante do avanço das tecnologias da informação e da comunicação, o ensino presencial pode ser mediado pela tecnologia. Mas, você saberia dizer o que significa mediação e tecnologia? Esses são dois conceitos fundamentais na área da educação a distância. Para que possa ocorrer a aprendizagem nessas modalidade de ensino, terá que ocorrer a mediação, que se dará por meio da tecnologia. Mas esses são assuntos os quais veremos um pouco mais a frente. Vamos seguir no tópico seguinte falando sobre o Ensino 100% EaD. Ensino 100% EaD Nesta modalidade, o processo de ensino e aprendizagem se dá por meio de tecnologias, e o aluno não vai até a instituição de ensino, mas apenas para realizar algumas atividades avaliativas. Os professores, alunos e tutores estão separados no que se refere ao espaço e ao tempo. Mas o que significa isso? Você conseguiu compreender? Isso significa que os atores envolvidos nessa modalidade de ensino não estão presentes fisicamente, como na modalidade anterior. Eles estão separados espacialmente e temporalmente, o que é algo bem característico dessa modalidade de ensino. Então, como superar esse desafio e como se adaptar a essa nova realidade? Você já se questionou sobre isso? Esses são pontos sobre os quais iremos conversar nos tópicos seguintes desta unidade. Introdução à Ead 19 Figura 2 - No ensino 100% EAD o processo de ensino e aprendizagem é mediado pelas tecnologias. Fonte: Freepik Na modalidade 100% EAD, o aluno estuda e faz as atividades no computador (também é possível estudar em tablets ou smartphones), que pode estar em sua casa, trabalho ou em um polo de ensino. Mas o que seria um polo ? O polo é o local onde o aluno fará as avaliações, receberá orientações dos tutores presencialmente, utilizará os laboratórios de informática (laboratórios específicos a depender da disciplina) e biblioteca. Ao ter a oportunidade, não deixe de ir ao polo para interagir com os seus colegas e para usufruir de tudo o que a sua instituição lhe fornece. Muitos alunos da EAD se dirigem ao polo somente para realizar as avaliações que têm maior peso quantitativo na disciplina, geralmente elaboradas em formato de provas escritas. A instituição de ensino oferece os materiais de estudo (textos escritos, e-books, videoaulas, podcasts, biblioteca virtual) dentro de um ambiente virtual. É por meio desse ambiente que o aluno também interage com os outros estudantes, tutores e professores e realiza as atividades. 20 Introdução à Ead • Pontos positivos: acesso à educação de qualquer lugar do país em que haja uma rede disponível de internet (democratização do ensino), inclusive para pessoas com dificuldade de locomoção, inclusão digital, grande oferta de cursos de graduação e pós-graduação, possibilidade de gerenciar o tempo de estudo e trilhar um caminho personalizado de aprendizagem, gastos menores com mensalidade, otimização do tempo e flexibilização de horários, de modo a conciliar os estudos com outros compromissos pessoais e profissionais. • Pontos negativos: menos interação presencial com professores e alunos, isolamento nos períodos de estudo, dispersão por estar em um ambiente on-line, necessidade de mais responsabilidade e disciplina para com os estudos, impossibilidade de solucionar dúvidas com os professores e alunos na hora, dependência constante de conexão com internet. Como trata-se de um sistema de ensino novo, para muitas pessoas, é necessário acostumar-se com ele. Diante do que vimos anteriormente, é fundamental que o aluno desta modalidade estabeleça sua rotina de estudos para que o aprendizado seja proveitoso e que diante dos desafios que surgirem ele procure alternativas e meios para superá-los. Ensino Semipresencial Também chamado de ensino híbrido, é uma proposta que mistura atividades presenciais e a distância. Geralmente, a parte teórica é disponibilizada em um ambiente virtual, assim como no ensino 100% a distância, mas as atividades práticas e vivênciassão realizadas presencialmente, na maioria das vezes em grupos, com a presença de todos os inscritos no curso. São comuns, neste formato, os cursos que requerem alguma prática, tais como gastronomia, cursos que têm aulas em laboratório, clínicas ou estágio obrigatório. Introdução à Ead 21 Figura 3 – No ensino híbrido o aluno alt erna momentos de estudo no ambiente virtual com atividades presenciais mediadas pelos professores. Fonte: Freepik Conforme aponta Tori (2009, p. 121), Dois ambientes de aprendizagem que historicamente se desenvolveram de maneira separada, a tradicional sala de aula presencial e o moderno ambiente virtual de aprendizagem, vêm se descobrindo mutuamente complementares. O resultado desse encontro são cursos híbridos que procuram aproveitar o que há de vantajoso em cada modalidade, considerando contexto, custo, adequação pedagógica, objetivos educacionais e perfis dos alunos. Até mesmo em algumas escolas já existe a tentativa de implementar a sala de aula invertida, metodologia que prevê que os alunos estudem em casa os conteúdos curriculares e compareçam à escola para tirar dúvidas e realizar atividades em grupos. 22 Introdução à Ead SAIBA MAIS Assista ao vídeo sobre sala de aula invertida em: https://bit.ly/2vT5cjj A seguir iremos apresentar os pontos positivos e os negativos da modalidade de ensino semipresencial. É importante que você leia-os e perceba que serão necessárias que você cumpra alguns horários e estabeleça uma nova rotina. • Pontos positivos: acesso à infraestrutura da instituição ou polo de ensino (laboratórios, bibliotecas), grande oferta de cursos de graduação e pós-graduação, otimização do tempo, inclusão digital, troca de experiência com professores e alunos de maneira presencial, exploração de habilidades e competências como a oralidade e resolução de conflitos por meio de debates, tempo personalizado para se dedicar à leitura da parte teórica e assistir às videoaulas, quando houver. • Pontos negativos: horários fixos para a realização das atividades presenciais, gastos com deslocamento e alimentação, pessoas mais introspectivas podem não se sentir à vontade para realizar os trabalhos propostos presencialmente. É muito comum, tanto no ensino 100% EAD como no semipresencial, a disponibilidade de acesso a bibliotecas virtuais com grande acervo de obras sobre os temas estudados. Muitas dessas bibliotecas só podem ser acessadas pelos alunos matriculados nos cursos. A economia que o aluno tem com relação à compra de livros, impressões e fotocópias (muito comuns no ensino presencial) é bastante significativa, pois nessas modalidades, o conteúdo deve estar disponível para o aluno de modo que ele possa acessá-lo integralmente on-line. A inclusão digital é outro ponto positivo nas modalidades EAD e semipresencial. Ainda que nem todos os brasileiros possuam computadores ou acesso à internet (segunda a pesquisa TIC Domicílios realizada em 2018, 70% têm acesso à internet em computadores ou celulares, e há um aumento significativo desse acesso por parte das classes D e E), o ensino a distância torna-se a melhor possibilidade para um número muito grande de pessoas no país. Dessa maneira, configurase uma oportunidade de incluir digitalmente os cidadãos. Introdução à Ead 23 TICs é a sigla para Tecnologias da Informação e Comunicação, isto é, o conjunto de recursos integrados de tecnologia que são utilizados para mediar a comunicação e a informação. As TICs facilitam o acesso à educação por meio da disseminação de informações, permitindo a comunicação nos mais diversos meios. Segundo Formiga (2009, p. 39), A EAD está intrinsecamente ligada às TICs por se constituir setor altamente dinâmico e pródigo em inovação, que transforma, moderniza e faz caducar termos técnicos e expressões linguísticas em velocidade alucinante. A sociedade da informação e do conhecimento reflete-se na EAD pela apropriação célere dos conceitos e inovações, que moldam a mídia e se r efletem na própria EAD. SAIBA MAIS Leia o artigo sobre as TICs na educação: SILVA, R. F. da.; CORREA, E. S. Novas tecnologias e educação: a evolução do processo de ensino e aprendizagem na sociedade contemporânea. Disponível em: https://bit.ly/3azJKi8 Conforme lembra Dias (2011, p. 80-81), O que há de revolucionário na internet não é ela permitir a comunicação em rede. A comunicação em rede sempre existiu desde que os homens começaram a se relacionar em grupos e em comunidades. Por serem flexíveis e adaptáveis, as redes têm grandes vantagens sobre as estruturas hierarquizadas. E por isso se expandiram na sociedade e na economia. Seus limites, no entanto, eram definidos pela dificuldade de coordenar funções, de concentrar recursos para determinados objetivos e mesmo de realizar tarefas, dependendo do tamanho da rede. As tecnologias de informação e comunicação, sobre as quais se baseia a internet, deram novo impulso ao desenvolvimento das redes, pois puseram por terra os 24 Introdução à Ead seus limites naturais ao permitirem o gerenciamento de tarefas e a administração da complexidade. (Cf. CASTELLS, 2003, p. 7-8) A internet, portanto, consegue potencializar essa comunicação em rede, fazendo com que atinja um nível global pelo fato de os computadores estarem interconectados. Continua Dias (2011, p. 81): [...] E, ao criar esse ambiente de comunicação interconectada, permite que todo cidadão que tenha acesso a ele possa trocar informações, pesquisar conteúdos dos mais diferentes tipos e procedências, participar de redes sociais, baixar e subir arquivos, participar de produções em rede, remixar e recriar conteúdos armazenados na rede, enfim, se relacionar, se divertir e produzir nesse novo ambiente. A partir desses pressupostos, a inclusão digital torna-se, portanto, uma forma de inclusão social. É importante lembrar, também, que muitos alunos que não teriam acesso ao ensino superior estão conseguindo um diploma de graduação. Talvez seja esse o principal ponto positivo da educação a distância no Brasil, um país com grandes abismos sociais. Ambientes virtuais de aprendizagem Agora vamos estudar sobre os ambientes virtuais de aprendizagem, os mais conhecidos como AVAs. Você já utilizou algum AVA? Qual foi a sua experiência? Você se recorda? Os ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) são softwares que hospedam e auxiliam a produção e disponibilização dos materiais didáticos na internet para que você, aluno(a) na modalidade EaD, tenha acesso. Dentre os mais conhecidos ambientes de aprendizagem estão o Moodle, TelEDuc, E-Proinfo, BlackBoard. Caso você tenha utilizado algum AVA poderá ter se deparado com algum desses mencionados anteriormente. O layout e interface deles são diferentes, mas possuem basicamente as mesmas funcionalidades. Os AVAS são ferramentas que minimizam a sensação de isolamento e que, se utilizadas de maneira correta, de forma sistemática, Introdução à Ead 25 contribuem de maneira significativa para a aprendizagem e a interação com os professores e demais colegas. Ao se matricular num curso a distância – e, quando usamos o termo “a distância”, estamos nos referindo, neste material, às modalidades 100% EAD e semipresencial –, o aluno é direcionado a um ambiente virtual em que encontrará todos os materiais e recursos necessários para realizar os seus estudos. O AVA também é utilizado como apoio ao ensino presencial. É comum, por exemplo, que os professores do ensino presencial usem o AVA como repositório de material, e que se utilizem dele até mesmo para receber trabalhos e realizar provas. Mas é no ensino 100% EAD e semipresencial que ele ganha maior importância, pois será por meio dele que todo o processo de ensino aprendizagem se dará. Então, é fundamental que você, aluno(a) da EaD, conheça o seu ambiente virtual de aprendizagem e as suas funcionalidades. Além de ajudar os profissionais envolvidos na produção de conteúdos, os AVAs permitem que professores organizem os materiais de maneira didática e acompanhem o progresso dos seus alunos, oferecendo recursos como relatórios de acesso e tempo utilizado pelosparticipantes do curso, gráficos comparativos, divisão dos alunos em grupos, sistema de registro de notas, entre outras funções. É bastante simples fazer a gestão dos estudantes por meio desses recursos, uma vantagem aos professores, que antes precisavam fazer a chamada e registrar as notas à caneta em papel. Algumas ferramentas facilitam a comunicação dos professores e tutores com os seus alunos. Nos ambientes virtuais, há espaços para chats, videoconferências, mensagens privadas e fóruns de discussão, importantes canais de comunicação nessa modalidade de ensino. Vale lembrar aqui, que os alunos estarão longe dos professores e tutores, mas devem ter fácil e rápido acesso a esses canais de comunicação para sanar dúvidas. 26 Introdução à Ead Figura 4 – Os ambientes virtuais contêm muitos recursos que auxiliam o aluno em seu processo de aprendizagem. Fonte: Freepik O estudante também pode fazer uso desses recursos, os quais o auxiliam na gestão de seus estudos. Configurar o software para que o avise sobre o prazo de entrega de uma atividade é uma das muitas possibilidades que um AVA oferece. Os AVAs integram as Tecnologias de Informação e Comunicação em um só ambiente, contribuindo assim, para a disseminação de informação e facilidade de comunicação entre os seus usuários, e ainda para a construção coletiva do conhecimento, já que permitem o compartilhamento de ideias. Dentro desses ambientes, os estudantes têm acesso aos materiais selecionados por professores especialistas na área, realizam as atividades propostas sobre os conteúdos trabalhados, participam de debates, tendo a possibilidade ainda, de acompanhar o seu progresso e a sua performance por meio de relatórios de atividades. Tudo isso é feito no computador ou mesmo no celular. Alguns Introdução à Ead 27 ambientes virtuais possuem aplicativos que permitem a sua utilização em smartphones. Mediação Você sabe o que é mediação ? Este é outro conceito importante para quem está envolvido com educação a distância. De acordo com a definição do Dicionário Michaelis, mediação é o ato de servir como intermediário entre pessoas, grupos, com o objetivo de sanar dúvidas ou resolver conflitos. No que se refere à educação, essa mediação se configura uma atividade interposta entre o aluno e o conhecimento. Quem exerce esse papel de mediador na EAD é o tutor, por meio das TICs. É ele que faz a ponte entre o aluno e o professor, ou o aluno e a coordenação de curso, caso haja alguma dúvida ou problema cuja solução não esteja ao seu alcance. Para isso, são utilizados os recursos do próprio ambiente virtual, tais como e-mail, fóruns, chats e web conferências. É essencial que haja uma mediação efetiva para que o aluno consiga com sucesso realizar tudo aquilo que é esperado no curso, desenvolvendo as competências e habilidades necessárias à sua formação. Como afirma Longo (2009, p. 219): A qualidade dos cursos à distância depende, em grande parte, da qualidade da tutoria. Assim, a seleção, a capacitação, o acompanhamento e a avaliação dos professores-tutores são considerados atividades estratégicas. Na prática, essa tradas, na capacidade de organizar e orientar didaticamente o processo de ensinoaprendizagem a distância e na utilização das ferramentas tecnológicas que servirão de instrumento ao professor. Mas qual seria, então, o papel de cada uma das pessoas envolvidas na EAD? Qual a diferença entre tutor e professor? E o aluno, é responsável pelo quê? Vamos conferir a seguir. 28 Introdução à Ead Aluno Vamos iniciar este tópico com um questionamento. Segundo Palloff e Pratt, (2004) os cursos e programas on-line não foram feitos para todo mundo. Por quê? Vamos refletir sobre isso. Estudar sem a presença do professor e dos colegas desafia o aluno a superar as suas limitações pessoais e a desenvolver sua capacidade de aprender autonomamente, de aprender a aprender. Você já pensou sobre isso? Você já se questionou sobre o quanto é desafiador ser um estudante da EaD e quanto a ideia de ela ser uma modalidade de ensino fácil não é correta? Perceba que você tem um papel fundamental com relação à sua aprendizagem e que, por isso, você é o protagonista nessa modalidade de ensino. Figura 5 – O aluno na educação a distância é o pr otagonista no processo de ensino e aprendizagem. Fonte: Freepik Introdução à Ead 29 Na educação a distância, o aluno é o personagem principal no processo de aprendizagem, pois toma a iniciativa e elabora um caminho a ser seguido para apreender o que está previsto no currículo e no cronograma da disciplina e desenvolver competências e habilidades necessárias à sua formação. Além das motivações já apresentadas que levam uma pessoa a escolher a modalidade de ensino a distância, podemos apontar algumas características do aluno da EAD: • Está sozinho e, portanto, é responsável por gerir os seus estudos; • Precisa de organização, dedicação, compromisso e disciplina para dar conta de todas as tarefas propostas; • Lê o conteúdo, assiste aos vídeos, participa dos fóruns e realiza as atividades no seu ritmo (ao contrário do que acontece no ensino presencial, em que o professor dá o ritmo a partir do coletivo) e, portanto, pode voltar para reler o que não ficou claro, refazer os exercícios, planejar suas interações; • Interage com alunos e professores nos ambientes virtuais e, portanto, deve saber de que maneira fazê-lo; • Vai além do proposto pelo autor do material disponibilizado, pois a partir do momento em que começa a estudar o conteúdo, tem dúvidas e curiosidades e estar on-line lhe permite uma busca mais rápida por respostas; • Faz uma auto avaliação de como está sua compreensão do conteúdo a partir da leitura e dos exercícios indicados e busca ajuda dos tutores e professores quando acha necessário. Perceba que o aluno assume para si a responsabilidade da sua formação profissional de forma autônoma. Logo, o aluno se coloca como sujeito do seu processo formativo, de apropriação e de construção do seu conhecimento. Professor O professor conteudista é convidado a escrever o material didático, bem como elaborar atividades para que o aluno consiga assimilar o conteúdo referente à disciplina. O material didático é disponibilizado 30 Introdução à Ead no ambiente virtual de aprendizagem, seguindo um cronograma previamente agendado. Ao elaborar o material didático, o professor conteudista pensa também em estratégias de aprendizagem voltadas para a área da Educação a distância e em quais recursos são pertinentes para cada temática trabalhada. O ideal é que o professor, nessa metodologia, tenha experiência e conhecimento sobre EAD, pois a modalidade tem aspectos diferentes e bem distintos de uma aula presencial e, portanto, o material didático deverá obrigatoriamente seguir algumas diretrizes e referenciais. As discussões, por exemplo, não são feitas pessoalmente entre os alunos, portanto, o docente precisa pensar em como instigá-los, no ambiente virtual e até mesmo no material didático, a pensar e debater os assuntos mais importantes. Algumas responsabilidades do professor do EAD podem ser citadas: • Planejar o seu conteúdo pensando sempre no perfil do aluno que estudará a distância; • Organizar o material de forma didática, estabelecendo uma divisão hierárquica para apresentá-los; • Junto com uma equipe multidisciplinar, transformar o conteúdo em um material agradável para o aluno estudar, utilizando, além do texto, recursos visuais ou sonoros que ilustrem e enriqueçam o conteúdo; • Escrever o material de modo dialógico, linguagem utilizada na EAD para que o aluno não se sinta isolado – ao mesmo tempo em que o aluno está estudando sozinho, sabe que pode contar com o auxílio do professor; • Corrigir trabalhos e avaliações; • Participar de fóruns, colaborando com as discussões; • Estar atento à participação e progresso dos alunos no ambiente virtual; • Revisar e atualizar os materiais didáticos e atividades. Perceba como, na educação a distância, o papel do aluno é tão importante quanto o do professor. Introdução à Ead 31 Tutor O tutor é peça fundamental no acompanhamentodo processo de aprendizado dos alunos que estudam a distância. É ele que mantém contato direto com os alunos, estimulando-os a realizar as leituras e atividades e a participar dos fóruns, mediando as discussões propostas pelo professor. O trabalho do tutor, assim como o do professor, pode variar de acordo com a instituição de ensino, mas é possível elencar algumas de suas tarefas: • Estabelecer contato direto com os alunos inscritos no curso; • Lembrar os alunos das datas importantes no cronograma das disciplinas do curso; • Responder a dúvidas dos alunos referentes à utilização do AVA; • Encaminhar dúvidas de alunos referentes a conteúdos para o professor da área; • Mediar as discussões nos fóruns; • Incentivar os alunos que não estão acessando o AVA. A interação dos alunos com os tutores e professores pode se dar de maneira síncrona ou assíncrona, dependendo de cada ferramenta utilizada para esse fim. Os fóruns são ótimos canais de comunicação coletivos e, geralmente, dentro deles, são destinados tópicos para as dúvidas dos alunos. Assim, se um aluno posta no fórum uma dúvida que pode ser também a de outro aluno, este não precisa perguntar novamente ao tutor e professor, otimizando o tempo destinado aos estudos. Trata-se de um recurso utilizado de maneira assíncrona porque a resposta não é imediata – vai depender dos horários de trabalho de professores e tutores. A vantagem é que, como todos os integrantes têm acesso a ele, alguém que souber a resposta para a dúvida pode postá-la. O fórum garante a construção coletiva do conhecimento, pois é um espaço aberto para discussões e troca de ideias entre os participantes – além de ser um importante instrumento de registro para o professor que, a partir das dúvidas e comentários postados, poderá revisar e atualizar seu material didático. 32 Introdução à Ead Outra ferramenta de comunicação assíncrona é o e-mail, que permite contato individual do aluno com o tutor, professor ou até mesmo a coordenação. A desvantagem é que a dúvida pode demorar a ser respondida. Quantos às ferramentas síncronas existem dois exemplos que são bastante utilizados na EAD, os chats e as web conferências. Para a realização dos chats, combina-se um horário para que os participantes do curso acessem o espaço de discussão a fim de tirar dúvidas ou comentar sobre algum assunto que faz parte do conteúdo programático. Muitas instituições contam com atendimento on-line via chat em vários horários, possibilitando que os alunos sanem suas dúvidas de maneira mais rápida. Esse tipo de atendimento se dá de forma individual – entre tutor e aluno –, porém, os chats em grupo são mais interessantes por ficarem disponíveis após seu encerramento; assim, quem não teve condição de participar pode acessá-lo posteriormente. Figura 6 – Chats e web conferências são importantes momentos para tirar dúvidas e trocar experiências na EAD. Fonte: Freepik Introdução à Ead 33 Já a web conferência é uma oportunidade de o professor apresentar-se aos alunos por meio de vídeo, o que contribui para a sua aproximação, e pode ser o único momento em que se veem. Normalmente, por conta do grande número de alunos, somente o professor se mostra em vídeo. Porém, os alunos podem participar por áudio ou texto (chat disponibilizado no momento da web conferência). Trata-se de um encontro virtual realizado por meio de ferramentas que permitem compartilhar textos, arquivos, áudios e vídeos. Ela pode ser utilizada para se debater uma questão, para retomar conteúdos importantes das aulas, como um momento de sanar dúvidas dos alunos, ou ainda para revisar conteúdos antes de uma avaliação. Outra vantagem da web conferência é que ela pode ser gravada para posterior consulta pelos participantes de um curso. RESUMINDO Neste capítulo você pôde adentrar um pouco no mundo da educação a distância, conhecendo as modalidades de ensino, descobrindo como funciona um ambiente virtual e quais são seus principais recursos e quem são os componentes humanos da EAD – professor, tutor e aluno –, entendendo o papel de cada um. Vimos também que a mediação é fundamental para o sucesso dos estudos nessa modalidade. 34 Introdução à Ead Gerenciamento dos estudos na modalidade EaD OBJETIVO Ao término deste capítulo você conhecerá os requisitos técnicos e pessoais para estudar a distância. Isso é importante para que você não tenha dificuldades durante o curso. Muitos alunos acabam desistindo porque falta(m) alguns desses recursos. Por isso, é essencial que você se prepare nesse sentido! O que é necessário para estudar a distância? Uma vez que estamos acostumados desde crianças a estudar de um modo bastante tradicional, pode parecer até assustador ter de mudar algumas práticas relacionadas aos estudos. Por exemplo: como manter o foco na leitura do material didático quando se está em um ambiente on-line? Essa é uma das principais justificativas para a falta de comprometimento com os estudos na metodologia da EAD. “Não consigo fazer as leituras ou assistir às videoaulas no computador nem no celular porque a todo o momento aparecem notificações de mensagens e eu não posso simplesmente ignorá-las”, dizem alguns dos estudantes. Para dar conta de tudo isso, é fundamental que o aluno saiba gerenciar os seus estudos. Muitos alunos não estão acostumados a isso, pois passaram toda a vida escolar na dinâmica do ensino tradicional, em que a escola ou o professor é que estabeleciam o que estudar, quando estudar, de que forma estudar... Mudar comportamentos é realmente difícil. Porém, se pararmos para pensar em todos os pontos positivos da EAD que já citamos aqui, poderemos encarar essa mudança como um desafio, algo que vai realmente modificar até mesmo o modo como pensamos a educação. Longe de querer competir com os livros de autoajuda, tentaremos, ao menos, apresentar os requisitos mínimos para que você, aluno (a), tenha sucesso nesta jornada que se inicia. Introdução à Ead 35 Requisitos técnicos Parece óbvio dizer que, para estudar a distância, o aluno precisa de um aparelho que se conecte à internet: um computador, tablet ou smartphone. Porém, nem todas as pessoas têm acesso a eles. Segundo pesquisa do IBGE, a internet chega a três em cada quatro domicílios no país. ACESSE Pesquisa do IBGE: https://bit.ly/39iOur3 Figura 7 – Os alunos do EAD podem estudar pelo celular. Fonte: Freepik O celular é hoje, o aparelho mais utilizado para acessar a internet. Contudo, nem todos os alunos gostam de estudar no celular, seja pelo tamanho da tela ou pela falta de recursos de que alguns não dispõem, como leitores e editores de texto. Por isso, preferem utilizar tablets ou computadores. 36 Introdução à Ead Ainda que o aluno não tenha acesso a esses aparelhos, é provável que em sua cidade ou perto dela haja os polos de ensino da instituição em que está matriculado. Todo polo presencial de ensino precisa disponibilizar aos alunos um laboratório de informática para garantir o acesso aos materiais. Além disso, várias cidades possuem bibliotecas públicas com computadores disponíveis. Resumindo, para estudar a distância são necessários três componentes: um dispositivo eletrônico com acesso à internet; um navegador (Internet Explorer, Chrome, Firefox); e uma conexão com internet (dependendo da velocidade de conexão, pode ser mais difícil assistir a videoaulas). Munido desses três componentes, é só acessar o AVA e iniciar os estudos! Os ambientes virtuais de aprendizagem costumam ser bastante intuitivos. Isso significa que a maioria dos alunos não apresenta dificuldades para lidar com eles e, em caso de dúvidas, têm suporte da equipe de Tecnologia da Informação e dos tutores para auxiliá-los no que diz respeito a dúvidas sobre o software. É desejado, também, que o aluno saiba utilizar algum navegador e realizar pesquisas na internet. Para assistir às videoaulas e participar de web conferências, talvez seja necessário um fone de ouvido ou um microfone. As instituições de ensino podem indicar o que você precisa ter como requisitos mínimos para conseguir acompanhar o curso a distância no qualestá matriculado. Requisitos pessoais É sabido que as pessoas aprendem de maneiras diferentes. Uns absorvem melhor o conteúdo quando leem ou escrevem, alguns quando assistem a vídeos, outros quando escutam áudios e há aqueles que conseguem assimilar os conteúdos somente quando fazem atividades práticas sobre o tema. São os chamados Estilos de Aprendizagem. Uma das principais teorias acerca do tema divide os estilos em quatro: leitura/ escrita, visual, auditivo e cinestésico. Trata-se da Teoria VARK (sigla em inglês para os nomes dos estilos: visual, auditive, reading, kinesthetic). Introdução à Ead 37 Os estilos de aprendizagem são conceituados como a preferência na forma como as pessoas recebem e processam as informações sendo, portanto, habilidades passíveis de serem desenvolvidas. Enquanto alguns aprendizes tendem a focalizar mais os dados e programas, outros conseguem aprender mais a partir de informações verbais que tanto podem ser explicações orais ou escritas. Há também quem prefira aprender por informações visuais como figuras e esquemas, enquanto outras pessoas se sentem mais confortáveis com teorias e modelos matemáticos. Existem ainda os que preferem aprender as informações de forma interativa, já outros indivíduos têm uma abordagem mais introspectiva e individual na sua forma de adquirir conhecimentos (SANTOS; MOGNON, 2010, p. 230) De maneira resumida, podemos definir os quatro estilos de aprendizagem a partir das características dos alunos que compõem cada grupo: Quadro 1– Estilos de aprendizagem Estilo de aprendizagem Características Recursos que auxiliam a aprendizagem LEITURA/ESCRITA Assimilam bem os conteúdos lendo ou escrevendo. Preferem listas, livros e manuais. Anotam tudo o que o professor fala. Textos didáticos escritos, livros, artigos, fóruns de discussão. VISUAL Assimilam bem imagens, gráficos, vídeos. Têm o costume de desenhar sua maneira de pensar. Videoaulas, mapas conceituais, infográficos, slides. 38 Introdução à Ead AUDITIVO Assimilam bem conteúdos que escutam por meio de áudios ou quando alguém está lhe falando. Preferem ouvir em vez de anotar. Videoaulas, podcasts, aulas presenciais, palestras. CINESTÉSICO Assimilam o conteúdo colocando-o em prática. Fazem anotações de acordo com seu raciocínio, indicando exemplos práticos. Atividades práticas como questionários, jogos, objetos de aprendizagem. Fonte: Adaptado de Santos e Mognon (2010) O ensino a distância apresenta diversos recursos para atender a esses diferentes estilos de aprendizagem. Se você souber qual é o seu estilo, poderá fazer uso desses recursos a seu favor. Há que se considerar, também, que uma pessoa pode combinar estilos, o que torna suas possibilidades de retenção do conteúdo ainda maiores. SAIBA MAIS Para descobrir qual é seu estilo de aprendizagem, busque pelos testes VARK disponíveis na internet. Gerenciando a autoaprendizagem Outro ponto importante na gestão dos seus estudos é o planejamento. Hoje existem diversas formas de organizar as tarefas diárias. Utilizando a conhecida agenda de papel ou uma agenda digital, o importante é que você não se esqueça de inserir datas importantes e elabore um cronograma de estudos. Introdução à Ead 39 Figura 8 – Gerenciar o tempo é fundamental para o aluno da EAD. Fonte: Freepik Muitos ambientes virtuais possuem aplicativos que enviam lembretes de início e fim de prazo das unidades ou tarefas, o que auxilia muito os estudantes que costumam esquecer-se de acessar o AVA. Por mais incrível que pareça, essa é uma das justificativas para a não realização das atividades on-line e evasão dos cursos a distância: “eu esqueci”. Portanto, se você acha que isso pode acontecer, antecipese, encontrando uma maneira de lembrá-lo, seja utilizando post-its ou, programando sua agenda no celular. Se você não tem essa disciplina para os estudos, pode ter certeza de que é uma das habilidades que vai adquirir realizando as tarefas propostas na EAD. E ela não auxiliará somente nos estudos, mas também no planejamento de outros contextos de sua vida, pois acaba por se tornar um hábito. O prazo é algo extremante sério nos cursos ofertados a distância. Assim como temos prazos para entregar documentos, realizar solicitações, horários definidos para comparecer aos compromissos, também na EAD existem regras. Quando é solicitada ao aluno a produção de um texto, já está estabelecida a sua data de entrega. É muito comum 40 Introdução à Ead os alunos deixarem para realizar a atividade no último dia – ou pior, na última hora –, o que pode comprometer seriamente a qualidade do trabalho. Dessa forma, é imprescindível que haja, por parte do aluno, autoorganização e disciplina. Existem muitos recursos que ajudam nesse sentido. Eis algumas dicas: • Construa um cronograma e divida-os dias em: dias para estudo e dias para realização das atividades. • Nos dias de estudo, faça a leitura do material e assista às videoaulas com calma, voltando sempre que necessário. Pesquise na internet sobre pontos específicos que não entendeu ou em que deseja se aprofundar. • Nos dias de atividades, tente realizá-las, em um primeiro momento, sem consultar os materiais, para verificar o que realmente foi assimilado. Depois, faça as consultas e realize as atividades com empenho. • Evite distrações que possam atrapalhar seus estudos. Pesquise técnicas para isso, como estudar durante um período e fazer pequenas pausas (existem plug-ins que bloqueiam as redes sociais por determinado tempo, por exemplo). • Elabore um resumo em forma de texto, vídeo, áudio, infográfico ou apresentação em slides ao finalizar o estudo de cada unidade. • Aproveite os espaços colaborativos do ambiente virtual para trocar ideias e solicitar auxílio, bem como auxiliar aqueles que precisam. SAIBA MAIS Você conhece a técnica Pomodoro? Pesquisas apontam que estudar/trabalhar por muitas horas ininterruptamente é menos produtivo que combinar momentos curtos de concentração com pequenas pausas. Leia a notícia que trata do tema: https://bit.ly/3dyegLs Introdução à Ead 41 RESUMINDO Neste capítulo você aprendeu que é fundamental planejar seus estudos para obter sucesso nos cursos ofertados a distância. Existem alguns requisitos básicos técnicos aos quais você deve estar atento antes de iniciar esse caminho e outros requisitos pessoais, tais como organização, disciplina e gestão do tempo. Se você ainda não possui essas habilidades, agora é a hora de trabalhar para alcançálas! Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) OBJETIVO Ao final deste capítulo, você conhecerá diversas funcionalidades do ambiente virtual de aprendizagem que auxiliam tanto o professor, na disponibilização dos conteúdos e atividades, como os alunos, em seus estudos e compreensão. É fundamental que você conheça e utilize essas funcionalidades para ter aproveitamento total no curso. Acesso ao material Você já sabe o que é um ambiente virtual de aprendizagem. Agora vai conhecer alguns recursos disponibilizados dentro dele. Vamos lá? Ao entrar pela primeira vez em um ambiente virtual de aprendizagem, o estudante vai se deparar com uma organização prevista dos conteúdos a serem estudados. Se estiver matriculado em uma graduação, por exemplo, haverá um módulo contendo determinadas disciplinas, que vai cursar em um período estabelecido pela instituição de ensino. Algumas instituições disponibilizam o módulo completo, com todas as disciplinas, de uma só vez, para que o aluno faça sua própria gestão do tempo. Porém, o mais comum é que as disciplinas sejam disponibilizadas ao longo dos meses, com um período estabelecido 42 Introdução à Ead para o aluno cursar cada uma delas, o que auxilia os discentes nesse planejamento. Dentro de cada disciplina, o aluno poderá encontrar os conteúdos divididos em unidades ou capítulos. É extremamente importante que ele esteja atento às datas de realização de atividades e entrega de trabalhos, para que não estude de forma “atropelada” na véspera do encerramento de uma unidade, por exemplo. O acesso ao conteúdo geralmente se dá por meio de textos escritos e disponibilizadosem pdf, e-books ou diretamente dentro dos módulos, sem haver necessidade de realizar o download do material. No ensino a distância é muito comum que os conteúdos não fiquem somente na linguagem verbal, mas que existam outras linguagens utilizadas para facilitar a compreensão dos alunos, tais como videoaulas, podcasts, infográficos, mapas conceituais, objetos interativos de aprendizagem, jogos educativos, entre outros. Isso é essencial para atender aos mais variados perfis de alunos que procuram a EAD. Fóruns de discussão Os fóruns são espaços ideais para a promoção de discussões acerca dos temas estudados. Esse espaço, mediado pelo professor ou tutor, é destinado à troca de informações e opiniões entre os estudantes. É uma oportunidade de conhecer as pessoas que estão no mesmo curso e que, muitas vezes, apresentam expectativas comuns. Permitem iniciar um diálogo que pode ir além do fórum, dependendo dos objetivos de cada um. Para os alunos que se sentem sozinhos ao estudar a distância, são excelentes momentos de troca. Conforme explicita Valenza (2017, p. 6), os fóruns: [...] são importantes canais de comunicação e discussão entre professores e alunos no ensino a distância e permitem trabalhar diversas habilidades esperadas em um estudante da EAD. Uma atividade proposta nessa ferramenta pode buscar um ponto possível de debate nos conteúdos para que inscritos discutam questões relevantes, proponham soluções para os problemas apresentados e, juntos, aprimorem suas práticas. Além disso, sabe-se que Introdução à Ead 43 trabalhar em equipe é sempre uma experiência construtiva. Em ambientes virtuais, esses momentos também têm como função aproximar os alunos que estão fisicamente separados. Geralmente, os fóruns são utilizados para a discussão, sem que o professor avalie a participação dos alunos. Contudo, é possível realizar produções textuais e atribuir a elas nota, dependendo das características e objetivos da disciplina, desde que os critérios de avaliação estejam bem explícitos. Para Faria e Souza (2013, p. 1.185) apud Valenza (2017, p. 6): O fórum é uma poderosa interface para se proceder à prática avaliativa por promover o diálogo, o que, por sua vez, possibilita uma avaliação na dimensão dialógica. Nesse sentido, a avaliação “não é um momento nem uma atividade pontual dos processos de ensino e de aprendizagem, mas um processo entrelaçado e intrinsecamente ligado aos demais” (KRATOCHWILL, 2010 p. 4). Primo (2006) defende que uma educação dialógica e problematizadora deve se organizar considerando o contexto de desenvolvimento dos alunos. A principal atividade em grupo disponível no ambiente virtual é o fórum de discussão. Contudo, existem outras ferramentas que possibilitam a construção coletiva de texto, a depender de cada ambiente virtual. As atividades em grupo, conforme lembra Palange (2009, p. 382), [...] permitem ao aluno a interação com companheiros e com o professor na discussão das atividades e nas alternativas originais de solução. Nas atividades em grupo é possível incorporar diferenças, assumir histórias, abrindo a possibilidade da pluralidade e permitindo que as diferenças possam adquirir novos significados. É muito comum que nas atividades em grupo surjam novas situações-problemas que são discutidas por todos daquele grupo do qual o professor se torna mais um participante. 44 Introdução à Ead Atividades de fixação do conteúdo Um recurso extremamente importante no processo de aprendizagem do aluno são as questões objetivas, pois auxiliam na fixação do conteúdo trabalhado na aula. Nesse modelo de questão, o professor cadastra a pergunta e as alternativas, bem como a resposta correta e um comentário que a explica. Dessa forma, o aluno pode verificar o quanto compreendeu daquilo que leu e estudou, fazendo também uma auto avaliação de sua prática de estudo. As questões de múltipla escolha são as mais utilizadas, contudo, há outros modelos, como associação, verdadeiro ou falso, preenchimento de lacunas etc. São disponibilizadas em grupos, aos quais se dá o nome de questionário ou quiz. O sistema pode ser programado para sortear questões, de modo que os questionários sejam diferentes para os alunos, apresentando as respostas corretas e o texto de comentário logo após o encerramento do questionário, dentre outras possibilidades. Isso vai depender do planejamento do professor. Por exemplo: ele pode fazer uma avaliação com questões objetivas e não disponibilizar as respostas até que todos encerrem o questionário. Ele também pode separar as questões por níveis de dificuldade e programar o questionário de modo que sorteie um número x de questões fáceis, de nível intermediário ou difíceis, para que a avaliação seja justa entre todos os participantes. Além das questões objetivas, os alunos podem responder a questões discursivas. Nesse modelo, há uma pergunta ou um direcionamento elaborado pelo professor e uma caixa de texto em que o aluno redigirá sua resposta. Esse tipo de questão exige correção manual por parte do professor ou tutor. O professor geralmente deixa orientações à tutoria do que espera como resposta, ou estabelece critérios de avaliação. Nos ambientes virtuais, o professor tem acesso, por meio de relatórios e gráficos, a informações como: quanto tempo cada aluno levou para responder às questões; quais foram as questões que os alunos mais acertaram ou erraram – importante dado para verificar problemas na elaboração das atividades ou revisar o material didático; quais turmas (no caso de haver mais de uma) apresentaram desempenho melhor; qual foi a nota de cada aluno e a média geral; entre outras. Introdução à Ead 45 Produções textuais É muito comum na EAD que sejam solicitadas atividades em formato de texto, geralmente avaliativas. Podem ser produções textuais simples ou mais elaboradas, como artigos acadêmicos. Existem, basicamente, duas formas de entregar um texto: redigi-lo dentro de uma caixa de texto, o que, em alguns ambientes virtuais, é chamado de texto on-line – já que é necessário estar on-line para escrever –, ou fazer upload do texto em formato Word ou pdf – nesse caso, o aluno pode redigir o texto independentemente de estar conectado à internet, necessitando dela somente para fazer o upload. Figura 9 – Conhecer cada recurso do AVA é fundamental para ter um bom aproveitamento dos conteúdos ofertados. Fonte: Freepik 46 Introdução à Ead A avaliação desses textos, assim como nas questões discursivas, depende de critérios preestabelecidos pelo professor. O processo avaliativo na educação a distância costuma ser bastante diferente daquilo com que o professor está acostumado no ensino presencial. Como lembra Ferreira (2013, p. 1.197), [...] os professores devem ter uma postura de constante reflexão e diálogo diante da avaliação, transformando-a um processo de investigação, no qual o erro e as diferenças sejam compreendidas como alguns passos na construção do conhecimento. Assim, nesta modalidade, o erro pode ser muito mais revelador do que quando comparado ao ensino presencial. Através dele o professor pode chegar a possíveis problemas no material didático, a inconsistências nas ferramentas de avaliação e até mesmo em problemas organizacionais da instituição de ensino. Perceba que é essencial que você se aproprie dos recursos do AVA e das suas funcionalidades. Como também adquira o hábito da leitura e da escrita para que obtenha êxito na produção dos trabalhos acadêmicos que lhe serão solicitados. Saiba que, os recursos tecnológicos e as facilidades que temos ocasionadas por eles facilitam e muito o nosso aprendizado, mas é importante que os alunos desta modalidade estejam cientes que a produção textual será um dos aspectos fundamentais para que alcance o proveito no seu aprendizado. RESUMINDO Neste capítulo você conheceu um pouco mais das funcionalidades de um ambiente virtual: como acessar os materiais, quais são os tipos de atividade possíveis, como se dá a avaliação no EAD. A partir de agora, você está pronto para lidar com tudo de melhor que um ambiente virtual oferece! Introduçãoà Ead 47 Recursos variados para auxílio nos estudos OBJETIVO Ao final deste capítulo, você conhecerá recursos que, dentro ou fora dos ambientes virtuais, auxiliam os alunos no entendimento e fixação dos conteúdos trabalhados. Muitos alunos não aproveitam a oportunidade de conhecer várias maneiras de estudar. Não seja um deles! Certamente você vai se surpreender e gostar de estudar utilizando os recursos que vamos mostrar aqui. Muitas informações e diversas maneiras de acessá-las O acesso à informação que temos hoje é algo que não era possível imaginar há alguns anos atrás. Enquanto, há poucas décadas, procurávamos por verbetes em enciclopédias – as quais eram atualizadas e reimpressas todo ano – hoje basta digitar o início de uma palavra em um buscador no navegador e temos como resposta um mundo de resultados. Faça o teste: digite “educação” e conte quantas sugestões de busca são indicadas imediatamente. Temos até dificuldade de lidar com tanta informação, não é mesmo? Qual é o melhor resultado para a minha busca? Qual é a melhor resposta para a pergunta que digitei, dentre as centenas, os milhares de resultados? Fica até difícil de decidir! E esse é um ponto que devemos levar em conta quando estamos estudando a distância. Pois em algum momento vamos nos deparar com um grande número de artigos, livros, notícias, e saber escolher a melhor fonte é algo extremamente importante. Agora, vamos conhecer alguns dos recursos que podem auxiliar os estudos e como escolher os mais pertinentes? 48 Introdução à Ead Livros Os materiais didáticos disponibilizados no AVA são escritos a partir de pesquisas feitas pelos professores conteudistas. Esta é a primeira dica quando se deseja procurar fontes confiáveis para aprofundar os estudos: consulte a bibliografia da disciplina ou as referências utilizadas pelo professor ao escrever o material (a lista geralmente vem ao final de cada unidade). Certamente lá estarão as mais importantes e atualizadas obras sobre o assunto. Existem livros clássicos sobre os conteúdos abordados em cada disciplina, os quais o professor conteudista tem o dever de apresentar aos alunos. Observe ao final desta unidade que utilizamos, sobretudo, obras cujo tema principal é a educação a distância. Não poderia ser diferente, já que estamos tratando dessa modalidade de ensino e apresentando suas características. Antes de comprar algum livro em seu formato físico, verifique se não está disponível na biblioteca virtual ou na biblioteca física da instituição ou polo de ensino ao qual você está vinculado. É possível, também, que esteja disponível para download na internet, como é o caso da obra mais importante que temos no Brasil a respeito da EAD, “Educação a distância: o estado da arte”, organizada por LITTO e FORMIGA (2009/2012). ACESSE Os dois volumes da obra estão disponíveis para consulta e download em: https://bit.ly/2UlyRec É costume da comunidade científica que produz material sobre EAD o compartilhamento de informações. Portanto, torna-se fácil encontrar textos sobre o tema na rede. Artigos Os artigos publicados em revistas científicas constituem uma excelente e confiável fonte de consulta e possibilitam o acesso aos estudos mais recentes sobre o assunto em que se deseja aprofundar. Introdução à Ead 49 Mesmo as revistas impressas possuem versão on-line para consulta e ainda existem as revistas publicadas exclusivamente em formato digital. Ao contrário dos livros, que tratam de assuntos mais abrangentes, os artigos se debruçam sobre temas mais específicos. Trata-se de um afunilamento dentro de uma determinada área do estudo para quem deseja se aprofundar em um ponto específico. Observe na lista de referências ao final desta unidade, que foram utilizados diversos artigos como fontes de consulta. Os que estão disponíveis on-line foram indicados junto com um link de acesso – por exemplo, o artigo “Novas tecnologias e educação: a evolução do processo de ensino e aprendizagem na sociedade contemporânea”, de SILVA e CORREA, publicado na revista Educação e Linguagem (disponível em: <https://bit.ly/2Jnl8NC>). Vídeos Os vídeos são recursos que combinam texto oral e/ou escrito com linguagem audiovisual e existem em variados formatos de produção, podem ser muito curtos até muito longos, conter muitos cortes ou nenhum corte, podem ser produzidos por pessoas especializadas ou de modo amador, até mesmo utilizando-se o celular. As videoaulas são bastante utilizadas para atender principalmente às expectativas daqueles alunos que não abrem mão do formato tradicional do professor em frente da sala explicando os conteúdos, de preferência utilizando o quadro negro ou apresentação em slides para apresentar conceitos-chave ou deixar claro o seu roteiro de aula. A diferença é que esta aula é gravada em estúdio, previamente roteirizada para que tenha uma duração específica e dê conta de todo o conteúdo previsto, que é apresentado de maneira exclusivamente expositiva. Nesse formato de aula não há interação com o aluno, portanto, não é exatamente uma reprodução do que acontece numa aula presencial. Muitos alunos só conseguem assimilar o conteúdo assistindo a videoaulas ou vídeos explicativos sobre o tema; já outros não aguentam ver nem um minuto de vídeo. Isso é muito pessoal e depende também do estilo de aprendizagem de cada um, como já falamos anteriormente. Mas não se pode negar que hoje é muito fácil encontrar vídeos dos mais 50 Introdução à Ead variados temas e que eles resolvem muitas dúvidas de maneira bastante didática. Para confirmar, basta fazer uma simples busca no YouTube, iniciando a frase com as palavras “como consertar um...”. Você vai se surpreender com os resultados! Para exemplificar, assista ao vídeo “Como aprender melhor e mais fácil”, do Canal Nerdologia: https://bit.ly/39kePoJ Podcasts Podcast é um arquivo de áudio, de tamanho menor que o do vídeo, o que facilita seu acesso e download. Muitas pessoas preferem ouvir podcasts a assistir a vídeos, pois não precisam estar em frente à tela para ter acesso a todo o conteúdo. Podem ouvir o arquivo enquanto realizam outras tarefas, como quando estão no trânsito, seja dirigindo ou no transporte público. Existem podcasts sobre os mais variados temas e, se você é falante de outra(s) língua(s), a lista aumenta consideravelmente. Você pode baixar um arquivo individual sobre um tema que lhe interesse ou assinar um podcast e ser avisado toda vez que um novo episódio é disponibilizado na rede. SAIBA MAIS Existem muitos podcasts e uma busca na internet por temas de seu interesse pode ajudar. Mas antes, confira essas duas dicas de podcasts, um sobre temas relacionados a ciência e pesquisa e outro sobre política: http://www.ufrgs.br/frontdaciencia/. https://xadrezverbal.com/tag/podcast/. Quando é prevista a produção de um podcast para ser disponibilizado aos alunos em um AVA, geralmente ele traz temas relevantes sobre o conteúdo trabalhado ou um resumo da aula. Pode ser gravado pelo professor conteudista, pelo tutor ou ter o formato de entrevista com algum especialista da área. Introdução à Ead 51 Imagens e infográficos As imagens servem para ilustrar conteúdos trabalhados na aula. Também podem servir como ponto de partida para uma problematização. Os infográficos apresentam informações relevantes sobre determinado conteúdo, utilizando linguagem verbal (textos concisos) e não verbal (imagens ou símbolos). Trata-se de uma síntese ilustrativa de um tema que não pretende esgotar o assunto, mas apresentar pontos específicos, como conceitos, números relevantes, entre outros. São bastante utilizados em revistas e jornais e facilmente encontrados na internet. Mapas conceituais Um mapa conceitual é uma apresentação gráfica que auxilia na organização das ideias a respeito de determinado assunto. Assim como o infográfico, traz as informações de maneira esquematizada. Nesta e em outras unidades você terá a oportunidade de conhecer – se já não conhece – um mapa conceitual. Figura 10 – Exemplo de um Mapa Conceitual Fonte: Material didático da disciplina Educação Infantil (2020)52 Introdução à Ead Objetos de aprendizagem São conteúdos interativos a respeito de determinado assunto que utilizam imagens, textos, vídeos, áudios, animações para explicá-lo. São usados, geralmente, para complementar e propiciar aprofundamento de assuntos tratados na aula. Jogos educativos Existem diversos jogos digitais elaborados para ensinar ou reforçar um determinado tema. No ambiente da educação, são bastante utilizados os jogos cooperativos, em que o grupo tem um objetivo em comum. A depender do conteúdo que está sendo trabalhado em uma unidade de estudo, você poderá utilizar esses recursos para auxiliá-lo a entender algo que não ficou muito claro ou aprofundar algum ponto que despertou seu interesse. Se você parar para pensar, já fazemos isso diariamente: quando estamos em dúvida sobre uma palavra, um conceito, uma declaração dada por alguém conhecido do público, um assunto que está sendo comentado pelas pessoas... Para isso, basta uma simples busca em um site de pesquisa e você tem acesso a uma gama de resultados que trazem a resposta nos mais variados formatos: uma notícia de jornal, um vídeo explicativo, uma imagem. Agora é hora de trazer essa prática também para o contexto dos estudos. Não deixe de buscar, pesquisar, se aprofundar. Lembre-se: você, aluno (a), é o protagonista nessa modalidade pela qual decidiu se aventurar: a educação a distância. Introdução à Ead 53 RESUMINDO Neste capítulo você conheceu alguns recursos que podem auxiliar nos estudos na modalidade a distância: livros, artigos, vídeos etc. É muito comum que vários deles já estejam previstos no próprio material didático de uma disciplina ofertada em EAD, mas você também pode contar com uma busca na internet para ter acesso a eles. Só não se esqueça de sempre optar por fontes confiáveis! Bons estudos!__ Introdução à EAD 9 Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo aqui é auxiliálo no estudo do raciocínio lógico, para que você seja capaz de: 1. Compreender os mecanismos do pensamento baseando-se no processo de dedução; 2. Identificar as grandes divisões da lógica a partir do procedimento de indução; 3. Aplicar as técnicas de raciocínio lógico no método de abdução; 4. Identificar como funciona o processo de associação lógica, para poder distinguir dos argumentos falaciosos. Então? Preparado para mais uma viagem rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Afinal, seja para conquistar o mundo ou para conhecer a si mesmo, só há um caminho: estudar! OBJETIVOS 10 Introdução à EAD O Raciocínio Dedutivo INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender Como aprender a raciocinar logicamente. Na presente seção, nosso objetivo é auxiliá-los na compreensão do conceito de lógica, trabalhar suas grandes divisões e métodos de análises dos argumentos e discursos. Iniciaremos nossos estudos com o método dedutivo. Entretanto, antes de debruçarmos sobre o raciocínio dedutivo, precisamos, primeiramente, definir o que é lógica e entender por que a lógica integra a grade da maior parte dos cursos de graduação. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Introdução a Lógica A lógica é um ramo do estudo do conhecimento aplicado desde a Grécia Antiga, tempo em que os filósofos a utilizavam para distinguir os argumentos corretos dos incorretos, até os dias de hoje, visto que a base do funcionamento de um computador está na eletrônica e na lógica. Portanto, pode-se afirmar que é o raciocínio lógico que orienta, torna coerente, claro e coeso o desenvolvimento das ideias. Se olharmos pra trás podemos perceber que a humanidade passou por várias e profundas transformações nos mais variados campos, sejam elas na educação, ciência, tecnologia etc. O que você acha que ocasionou todas essas transformações? O filósofo Howard Gardner Gardner apud Travassos (2011) responde essa pergunta apontando dois elementos: razão e inteligência. Como você definiria razão? E inteligência? A razão é empregada por nós como clareza ou como motivo, causa. A razão, em verdade, tem a função de avaliar os acontecimentos, os julgar e os organizar na nossa mente. Entretanto, sabemos que muitas vezes a razão não consegue alcançar entendimento ou a Introdução à EAD 11 compreensão de algo. Nesse momento, segundo Howard Gardner, ela recorre à inteligência. A partir de seus estudos sobre inteligência humana, desenvolvidos na Universidade de Stanford, na Califórnia, Howard Gardner apud Travassos (2011) desenvolveu a chamada teoria das inteligências múltiplas, concluindo que o cérebro do homem possui sete tipos de inteligência, porém a maioria das pessoas possui uma ou duas inteligências desenvolvidas, o que explicaria por que alguns têm mais habilidade em matemática e outros em artes. Figura 1 – Tipos de inteligências Fonte: Travassos (2011) Vejamos o que Howard Gardner afirmava sobre essas inteligências ilustradas acima: • Lógica: é a inteligência voltada às conclusões fundadas em números e na razão, na utilização de fórmulas e números. 12 Introdução à EAD • Linguísticas: voltada a habilidade de comunicação e expressão. • Corporal: capacidade de utilizar o corpo para se expressar, principalmente no desenvolvimento de atividades esportivas e artísticas. • Naturalista: inteligência voltada à análise e entendimento dos fenômenos. • Intrapessoal: habilidade de se conhecer ou de autoconhecimento. • Interpessoal: pessoas com essa inteligência tem maior capacidade de se relacionar com um maior número de pessoas e de identificar o perfil de outras pessoas ou sua personalidade. • Espacial: inteligência relacionada aos movimentos e posicionamento de objetos. E pra você? Como você definiria a lógica? E o raciocínio lógico? A lógica é um dos ramos da filosofia que busca da verdade, tendo como manifestação o pensamento, e o seu objetivo é o alcance do pensar correto. Entretanto, a lógica não é uma propriedade exclusiva dos filósofos, pois todos aqueles que precisam entender e desenvolver qualquer tipo de raciocínio precisa estudar lógica. Quanto à definição de lógica, a doutrina especializada não tem um consenso. Wesley Salmon (2011) afirma que a lógica é um ramo do conhecimento cujo propósito fundamental é o de apresentar métodos de identificação de argumentos logicamente válidos, ao passo que identifica aqueles que não são. Segundo Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires (2010), a lógica é o ramo do conhecimento que classifica as inferências válidar para as inválidar e, além de ser a ciência da demonstração, como afirmava Aristóteles, e das regras do pensamento, a lógica é também é a ciência das leis ideais do pensamento e a arte de aplicá-las corretamente na procura da verdade. É com o objetivo de precisar um raciocínio correto, válido e que corresponda a um fato real, onde a lógica se divide em duas vertentes de análise, quais sejam, a lógica formal e a lógica material. A primeira trata dos caminhos que devem ser seguidos pelo correto raciocínio, já a Introdução à EAD 13 segunda objetiva garantir que a correspondência entre o pensamento e a realidade seja válida. Desse modo, pode-se afirmar que a lógica é uma ferramenta necessária para o desenvolvimento da apuração de um discurso, para que, de forma mais eficaz, se possa distinguir o que é correto e o que é incorreto, o que é válido e o que não é, ou seja, aquilo que é uma falácia e o que não é. Desse modo, é a lógica que nos permite ampliar nossa capacidade argumentativa, de compreensão e de criticar as argumentações e os textos. E o raciocínio lógico? Como vocês acham que a nossa inteligência funciona no processo de apreensão da realidade e dos argumentos? Como identificamos se algo é certo ou não? E se é uma f alácia ou não? Quando nos deparamos com um problema ou uma questão que demande um percurso com possibilidades que nos guie a uma solução, nós o analisamos ainda no campo do raciocínio, porém, quando encontramos a solução, como iremos saber se tal é válida ou não? É aqui que aplicamos o raciocínio lógico! A lógica é uma forma de aprimoramento da capacidade de raciocinar eo raciocínio é a realização mental que, de dois ou mais juízos, pode-se exaurir outro juízo. Uma vez que a validade de um argumento deve ser analisada em conformidade com as operações que o resultou e que o raciocínio lógico deve ser aplicado em busca da verdade, tem-se que esse processo envolve uma relação do pensamento com a realidade concreta. Portanto, o raciocino lógico observa tanto o pensamento quanto a validade de suas soluções e é justamente em função desses dois elementos que estudaremos mais a fundo os conceitos das duas grandes divisões da lógica: lógica formal e a material. Com base no exposto, estudaremos a divisão que primeiramente se ocupa do estudo das leis gerais do pensamento, cujo objetivo fundamental é o de observar o próprio pensamento, para que esse não seja contraditório, ou seja, estudaremos a seguir a lógica formal. 14 Introdução à EAD EXPLICANDO MELHOR: A lógica formal não está interessada no conteúdo, mas sim na construção dos argumentos tanto das premissas quanto da conclusão. Vejamos a seguinte situação: Todos os mineiros são brasileiros Premissa 1 Marcos é mineiro Premissa 2 Marcos é brasileiro Conclusão Independentemente do fato de Marcos ter a nacionalidade brasileira ou não, no campo da lógica formal a afirmativa “Marcos é brasileiro” é válida, pois decorre do argumento de “Marcos é mineiro” e que “Todos os mineiros são brasileiros”. Desse modo, no estudo da lógica sob o seu aspecto formal devemos identificar as partes constitutivas do raciocínio em questão, sendo elas: os elementos do pensamento e as representações concretas de tais elementos. Vejamos: A ideia é o ponto de partida da análise sob a ótica da lógica formal e consiste na representação intelectual de um objeto, advinda de uma apreensão fática que nós absorvemos a partir dos nossos conhecimentos vindos da realidade que vivemos. Toda ideia representa uma compreensão, ou seja, um conteúdo e o conjunto de elementos que o compõe. Como modelo exemplificativo, temos a ideia de animal. Já a extensão da ideia é a quantidade de indivíduos ou elementos que o compõe, como por exemplo, mamíferos e herbívoros. Portanto, quanto menos extensa é uma ideia, mais compreensiva ela é e vice-versa. Uma das regras fundamentais do pensamento correto está relacionada à captação das ideias, de modo que nenhuma ideia deve conter elementos que se excluam, ou seja, que sejam contraditórias. Desse modo, não podemos idealizar uma bola quadrada. E, após a captação de uma ideia, precisamos comunica-la. Desse modo, Introdução à EAD 15 empregamos um termo como expressão material dessa ideia, possibilitando que a comuniquemos com outras pessoas. O juízo, por sua vez, é o julgamento advindo da relação entre as ideias formadas. Uma vez que os juízos são julgamentos de conveniência e inconveniência, através deles concebemos as ideias como falsas ou verdadeiras. Ao expressarmos nossos juízos verbalmente, formamos proposições, ou seja, enunciados através dos quais negamos ou afirmamos um conceito ou um termo em relação a outro. No exemplo dado anteriormente, por exemplo, temos que “todos os mineiros são brasileiros”, desse modo, o termo “mineiros” é uma afirmação do termo “brasileiros”. Em síntese, podemos afirmar que o juízo é uma atividade intelectual na qual relacionamos, de forma ordenada, as ideias aprendidas, para que possamos formar um novo conhecimento, como por exemplo, uma pessoa ao descobrir que Marcos é mineiro e que todo mineiro é brasileiro, irá concluir que Marcos é brasileiro. Todo esse percurso, desde a apreensão das ideias, até a conclusão de um novo conhecimento, constrói um argumento e toda essa operação mental por trás da construção de um argumento recebe o nome de raciocínio. Desse modo, o argumento pode ser definido como uma série de proposições para se estabelecer uma conclusão, em outras palavras, é a ferramenta utilizada para convencer alguém. O argumento enuncia, através do uso das palavras, escritas ou faladas, o que inferiu o raciocínio (última etapa do processo do pensamento). A fórmula básica de se demonstrar um argumento e analisar a validade ou invalidade do seu raciocínio é a aplicação do silogismo,arraigado na lógica aristotélica. Segundo Aristóteles (2002), o principal objetivo da lógica é a proposição, enquanto expressão dos juízos que temos sobre a realidade, e o raciocínio, enquanto conclusão sobre uma série de proposições. A fim de cumprir seu exordial papel de promover a formulação de um raciocínio correto sobre o mundo, a lógica, segundo o referido autor, deve analisar as proposições, de modo que suas construções observem os preceitos dos chamados princípios básicos do pensamento racional. Vejamos de forma sucinta o que estabelece esses princípios, que por sua vez, são postos como as leis básicas do pensamento: 16 Introdução à EAD Figura 2 - Organograma com um resumo das ideias propagadas pelas leis básicas do pensamento de Aristóteles Fonte: Adaptado de Aristóteles (2002) Como posto na figura 2 acima, segundo o referido filósofo, qualquer argumentação lógica válida poderia ser construída a partir de três proposições que se relacionam de tal maneira que a partir das duas proposições iniciais, chamadas de premissas, é viável a dedução de uma conclusão perfeita. Sem dar o nome de lógica na época, Aristóteles definiu os processos lógicos do raciocínio, pelo que ele chamou de silogismo demonstrativo ou dedutivo. Aristóteles buscava traduzir as coisas e o mundo, utilizando um discurso claro, coeso e sem contradições, portanto o seu silogismo é considerado como o paralelo essencial para se mediar a realidade e o discurso; mediação essa realizada com base no silogismo realizado sob o escopo das três leis básicas que regem o pensamento humano, quais sejam, aquelas que traduzem o princípio da identidade, da não contradição e do terceiro excluído. O silogismo aristotélico é construído a partir da premissa maior, premissa menor e pela conclusão, vejamos: Todo homem é mortal → Premissa maior → Maior antecedente Luís é homem → Premissa menor → Antecedente Luís é mortal → Conclusão → Consequente Introdução à EAD 17 A premissa maior carrega uma realidade universal ou a essência das coisas. A premissa menor traduz uma especificidade dentre a realidade universal, ou seja, faz uma mediação entre o homem (universal) e um homem em particular, por exemplo. E, por fim, a conclusão, síntese de todo o argumento que traz, como no exemplo acima, a mortalidade universal e a mortalidade do homem em particular, resultando em uma sequência demonstrativa. Isto posto, passaremos agora ao estudo da lógica material, vertente responsável pela análise da relação entre os nossos pensamentos com os fatos da realidade. Vale salientar que a lógica material emergiu com os avanços científicos promulgados pela revolução cientifica do século XVI, momento em que o conceito de ciência passou a exigir a comprovação empírica do conhecimento concebido para explicar os fatos da realidade. A lógica material tem como base a análise da verdade e do erro. Por verdade, podemos entender a correspondência do pensamento com a realidade e, por erro, a não correspondência entre o que se pensa e o que é real. Deste modo, ao realizar uma análise da lógica material de um argumento é possível verificar a presença ou não de sofismas, que por sua vez, é um raciocínio falso, que pode nascer, tanto de uma aplicação equivocada do raciocínio em premissas, quanto da aplicação de raciocínio assertivo em premissas falsas. Insta salientar que o sofisma pode ser empregado para enganar ou não. As espécies mais frequentes de sofismas são: • Equívoco ou ambiguidade: resultam da utilização de uma mesma palavra em dois ou mais sentidos. • Ignorância da causa: resulta da conclusão de que um fato foi causado por circunstâncias acidentais que lhe foram antecedentes. A título de exemplo, temos a situação de um sujeito que não leva um amigo ao jogo de futebol de seu time por acreditar que o amigo atrai má sorte, pois das vezes anteriores que o levou o time para o qual torcia perdeuos jogos. • Comparação indevida: resulta da semelhança estabelecida entre objetos, entretanto, sem se ater às diferenças dos mesmos. Pode ser usado de exemplo o silogismo que, por conceber que os vegetais 18 Introdução à EAD são seres vivos assim como os animais, concluem que, como todo animal se locomove, todos os vegetais também se locomovem. • Petição de princípio: resulta da situação em que se toma como verdade demonstrada aquilo que já se está discutindo, como por exemplo, assumir que uma ação é injusta porque é condenável, bem como, que ela é condenável porque é injusta. Por fim, vale a pena ressaltar que, no estudo lógico dos argumentos, tanto na análise das operações do pensamento (lógica formal), quanto na análise da relação entre pensamento e realidade (lógica material), busca-se o alcance do raciocínio correto e a superação do erro; preocupações constantemente presentes em cada um de nós. Desse modo, a lógica aponta quatro importantes formas de raciocinar que nos permite organizar melhor nossos pensamentos. São eles: Dedução, Indução, Abdução e Associação. Através da aplicação desses processos conseguimos alcançar autonomia para podermos raciocinar por nós mesmo e da maneira mais correta e coerente possível. Dedução No ensino de excelência o que se espera de um estudante é que ele saiba raciocinar por sim, que tenha um pensamento crítico sobre o que lhe é passado por seus professores ou pelos livros. Portanto, como instruir alguém a pensar de forma crítica? Como alguém pode conquistar autonomia na forma de pensar? A lógica responde que para pensar de forma crítica é preciso que raciocinar bem, e para raciocinar bem devemos nos valer de dois processos nos quais organizamos nosso raciocínio, quais sejam, a dedução e a indução. Assim sendo, perguntamos-lhe em que consiste o ato de deduzir? Como você definiria um raciocínio dedutivo? Ao longo dessa seção iremos mostrar em que consiste um raciocínio dedutivo, como o aplicar, bem como identificar um argumento inválido, expresso nas falácias. Até aqui vimos que raciocinar ou argumentar é um processo mental que se efetiva quando concluímos algo a partir da análise de premissas que apresentam evidências. Segundo Nerici (1988), a Introdução à EAD 19 principal característica do modo dedutivo de raciocinar consiste no fato de que essa espécie de raciocínio lógico não produz nenhum tipo de conhecimento novo, pois é somente um esclarecimento, que torna visível aquilo que já é sabido. Desse modo, pode-se afirmar que a conclusão de um raciocínio dedutivo é sempre um resultado óbvio, inclusive para alguém do senso comum, sem conhecimento específico sobre o assunto. No raciocínio dedutivo teremos uma proposição universal, seguida de uma proposição particular, e finalizada com uma conclusão que também é posta como uma proposição particular ou, teremos duas premissas universais e uma conclusão também universal. Fato é que, no raciocínio dedutivo, partiremos sempre do universal para o particular. Todo A contém B Todos os europeus são homens Todo X é A Todos os portugueses são europeus Portanto, todo X contém B Portanto, os portugueses são homens Desse modo, pode-se afirmar que em um raciocínio dedutivo a conclusão segue impreterivelmente aquilo que foi posto pelas premissas e a verdade das premissas é logicamente mantida na conclusão. IMPORTANTE: Vimos anteriormente que Aristóteles desenvolveu importantes estudos sobre a lógica e chamou de silogismo a análise lógica do processo de raciocínio perfeito. Pois bem, o silogismo é um tipo de raciocínio dedutivo. Entretanto, ao alcançar uma conclusão, que decorra dedutivamente daqui que foi dito em sua premissa, como iremos verificar que tal argumento é uma verdade? A veracidade da conclusão de um silogismo, como elucida Navega (2005), é guiada por duas regras básicas: a) se as premissas forem verdadeiras, a conclusão é verdadeira; e b) se as premissas forem 20 Introdução à EAD falsas, a conclusão poderá ser verdadeira ou falaciosa. Vejamos algumas possibilidades: Quadro 1 - Exemplos das premissas a) e b), respectivamente Fonte: Adaptado de Navega (2005) O homem é mortal Premissa maior Verdadeira Todo homem é gentil Premissa maior Falsa (não se pode confirmar) Pedro é homem Premissa menor Verdadeira Aruan é homem Premissa menor Falsa (Aruan pode ser mulher) Pedro é mortal Conclusão Verdadeira Aruan é gentil Conclusão Pode ser verdadeira ou falsa RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos retomar alguns pontos essenciais. Você deve ter aprendido que no raciocínio dedutivo a conclusão segue necessariamente as premissas e que a verdade das premissas é preservada na conclusão e a conclusão não produz conhecimento novo, apenas clarifica aquilo que já é sabido. O modo indutivo, por sua vez, difere-se do dedutivo pelo fato de ampliar o conhecimento. Estudaremos o raciocínio indutivo na seguinte seção. Introdução à EAD 21 O Raciocínio Indutivo INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de aprofundar sobre o método indutivo de raciocínio lógico, nosso objetivo é auxiliá-los a diferenciar um raciocínio dedutivo de um indutivo, conhecer as técnicas da indução, os tipos de indução e a identificar, com isso, os argumentos válidos e os inválidos. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Antes disso, nos responda o que você intende por indução? Como seria raciocinar por indução? Segundo Lalande (1999), por indução deve-se entender a operação mental que remonta certo número de proposições indutoras (singulares ou especiais), e uma proposição ou um pequeno número de proposições chamadas de induzidas (mais gerais), que por sua vez, implicam todas as proposições indutoras. Portanto, o método indutivo parte da observação de premissas para se alcançar uma conclusão construída com informações sobre fatos não observados, ou seja, uma conclusão cujo conteúdo é mais amplo do que o das premissas que a fundou. Nesse sentido, um raciocínio indutivo, para ser legítimo, necessita observar as seguintes regras: a) as proposições observadas, que formam a base de uma generalização, devem ser muitas; b) as observações devem ser repetidas, sob uma vasta variedade de condições; c) uma proposição de observação em conflito com a lei universal derivada não se pode ser considerada. E, por fim, tem-se que o raciocínio indutivo se efetiva com a aplicação de três etapas, vejamos: 22 Introdução à EAD Quadro 2 - Exemplo de como se efetiva um raciocínio indutivo Fonte: Adaptado de Lalande (1999) 1ª etapa: Observação dos fenômenos Lucas, Túlio e Fernando são mortais. 2ª etapa: Descoberta da relação entre esses fenômenos Lucas, Túlio e Fernando são homens. 3ª etapa: Generalização da relação encontrada entre os fatos semelhantes Todo homem é mortal. O método de indução é considerado um método mais fraco, quando comparado com o dedutivo, pois no primeiro a conclusão não é certeira, apenas provável; já no segundo a conclusão é obtida com perfeição. A indução é um método de raciocínio lógico que concebe o futuro como uma repetição do passado, num ato de confiança ou de esperança de que o futuro repita os resultados obtidos anteriormente. Nesse sentido, o método indutivo é considerado um método polêmico, quando aplicado na análise de argumentos científicos. Uma vez que, esse raciocínio apenas usa fatos específicos do passado para sugerir como poderá ser o futuro. Assim sendo, devemos ter em conta que esse tipo de raciocínio não deixa de ser perigoso, vejamos o seguinte exemplo: “Meus amigos correm todos os dias pela estrada que passa perto da Fazenda Galante que dizem ser enfestada de onças e nunca nenhum deles foi mordido. Então, eu vou correr lá também porque eu também não vou ser mordido”. Na indução, a trajetória do raciocínio tem início com a observação do particular, que depois de reiteradas análises, culmina em uma conclusão generalista e na probabilidade. Introdução à EAD 23 Figura3 - O método indutivo começa sempre com a observação Fonte: Pixabay Desse modo, esse método só garante a verdade de seus argumentos até certo ponto. No âmbito científico a indução costuma ser combinada com outros métodos, como por exemplo, aqueles baseados em estudos estatísticos ou empíricos. Em que pese o fato de os argumentos advindos do raciocínio indutivo não serem considerados válidos, eles são frequentemente utilizados e, sob dadas condições, fornecem vigorosas evidências de que são corretos. Os principais tipos de r aciocínio indutivo são: 24 Introdução à EAD Figura 4 - Tipos de raciocínio indutivo Fonte: Adaptado de Navega (2011) A indução enumerativa é utilizada quando se alcança uma conclusão após a observação de apenas alguns membros de um grupo. Portanto, parte-se da observação de alguns dos membros de um dado grupo, para se chegar a uma generalização sobre um grupo de coisas. Vejamos algumas situações que exemplificam o raciocínio indutivo enumerativo: Exemplo: A prata conduz energia O cobre conduz energia O bronze conduz energia Logo, todo metal conduz energia (conclusão indutiva). Vale destacar que, no caso da indução enumerativa, o quão forte será seu argumento de conclusão irá depender da quantidade de amostragem. Quanto maior a amostragem mais forte e representativa será a conclusão indutiva. Introdução à EAD 25 Na indução analógica, o raciocínio lógico surge da observação e constatação de similaridade entre duas coisas e, em certos aspectos, amplia-se a outros aspectos. Dito de outra forma, quando um argumento aponta que duas coisas são parecidas em determinados aspectos, elas são igualmente similares sob outros aspectos, tal argumento vale-se de um raciocínio indutivo analógico. Exemplo: João está sentindo febre e tosse muito durante a noite Maria está sentido febre e tosse muito durante a noite Se o médico afirmou que João está com pneumonia Então, Maria também está com pneumonia. No caso da indução analógica, a veracidade da conclusão também terá certa probabilidade de está correta e a quantidade de similaridade é que vai pesar na probabilidade da conclusão está correta ou não. A indução hipotética é comumente usada por nós todos os dias, principalmente pelos profissionais da área da saúde, engenharia e educação. Esse tipo de raciocínio indutivo consiste na assunção da melhor explicação para um fenômeno observado, quando para tal surge mais de uma explanação ou justificativa. Nesse sentido, dever-se-á preferir a hipótese mais simples, mais facilmente compreendida e a que for capaz de fazer mais previsões assertivas. Essa forma de indução é também conhecida por abdução ou inferência pela melhor explicação. Vejamos a seguinte situação que bem exemplifica esse raciocínio lógico: Exemplo: Febre, dor no corpo, manchas vermelhas na pele e dores musculares são indícios de sarampo ou de dengue. O sarampo é transmitido entre pessoas e a dengue é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti presente em áreas de risco. Já que eu não tenho tido contato próximo com muitas pessoas e o no meu bairro foi encontrado vários focos de dengue, é provável que eu esteja com dengue. Isto posto, é relevante ressaltar as principais diferenças entre os métodos dedutivo e indutivo para que possamos melhor aclarar os conceitos de cada um desses métodos, bem como sedimentar suas principais características. Segundo Rodrigues Neto (2013), principais diferenças entre o método indutivo e o dedutivo são: 26 Introdução à EAD • O início do raciocínio por dedução parte do geral para o particular e a indução faz o caminho inverso. • O raciocínio dedutivo é feito à luz de regras pré-definidas e a indução, pelo contrário observa os fenômenos a fim de buscar as regras que possibilite interpretá-los. • A dedução raciocina a partir de leis gerais, já a indução raciocina a partir da observação dos fenômenos para então formular as leis gerais. • Se todas as proposições que levam à conclusão de um argumento, analisado por dedução significa dizer que tal argumento é, necessariamente, verdadeiro. Por outro lado, um argumento construído por indução não pode ser, pelo menos não de forma totalmente garantida, considerado como verdadeiro, pois a sua veracidade é apenas uma probabilidade. Assim sendo, tem-se que, tanto a indução quanto a dedução são mecanismos que a lógica nos traz para que saibamos lidar de forma hábil com os textos e discursos. Fazendo uso desses mecanismos podemos de uma forma criteriosa, aceitar ou rejeitar argumentos e principalmente identificar com mais clareza as declarações falaciosas. Figura 5 - As falácias estão presentes em todo tipo de discursos Fonte: Adaptado de Navega (2011) Introdução à EAD 27 Os argumentos falaciosos são aqueles que, apesar de serem aparentemente válidos, na verdade são incorretos. São argumentos que persuadem o interlocutor valendo-se de raciocínios errôneos. As falácias estão presentes na publicidade, política, discursos religiosos, economia, comércio etc. EXPLICANDO MELHOR: A validade de um argumento, por sua vez, diz respeito a sua organização e estrutura. Será válido o argumento cuja conclusão seja uma consequência necessária daquilo que foi posto por suas premissas; por sua vez, será inválido o argumento cuja conclusão não seja uma consequência necessária do que foi posto por suas premissas. Portanto, será válido aquele argumento que apresente uma correta relação entre suas premissas e sua conclusão, independentemente dessa conclusão ser verdadeira ou não. A verdade lógica, por sua vez, diz respeito à conformidade das coisas, às ideias segundo as quais foram feitas, ou seja, as coisas como realmente são. Vejamos agora os principais elementos de um argumento falacioso: a) Premissas inaceitáveis: são aquelas tão duvidosas quanto às alegações que pretendem sustentar Exemplo: Tudo que comemos ou mata ou engorda Comer uma abóbora não mata Portanto, comer uma abóbora engorda. b) Premissas irrelevantes: são aquelas que não têm a ver com a verdade da conclusão. Exemplo: O filme “Parasita” ganhou o oscar. 28 Introdução à EAD Os atores ganharam imenso destaque por suas performances. Logo, esse filme retrata uma história real. c) Premissas insuficientes: geram incerteza quanto à validade da conclusão. Exemplo: Açúcar não faz bem para a saúde. Zelar pelo bem-estar das pessoas é dever do Governo. Portanto, o Governo tem o dever de proibir a venda de açúcar. Assim sendo, podemos afirmar que há duas maneiras de gerar uma falácia: raciocínios errôneos com informações verdadeiras, chamados de erros formais ou, raciocínios assertivos com informações falsas, chamados de erros informais. Nesse sentido, as falácias são classificadas em dois grupos, como elucida Rodrigues Neves (2013): a) Falácias formais: apresentam erro em sua construção, por violar uma das regras do silogismo. Exemplo: Se eu jogar bem, eu ganho o jogo. Eu ganhei o jogo. Logo, eu joguei bem. O exemplo acima retrata uma falácia formal, pois a conclusão não é uma condição necessária das premissas, uma vez que eu poderia ter ganhado o jogo simplesmente porque o meu adversário não estava muito bem e, portanto, não teve um bom desempenho no jogo. b )Falácias informais ou não formais: as premissas não sustentam a conclusão porque os conteúdos das premissas apresentam alguma deficiência. São falácias que geralmente fazem apelo à força (uso de ameaça) ou a misericórdia (apelo à piedade), por exemplo. Vejamos as situações a seguir: Exemplo: Se você não seguir as minhas regras será expulso do time. Introdução à EAD 29 Você não pode expulsá-lo, pois ele é bom pai e sempre contribui com a igreja. RESUMINDO: De uma maneira geral, a indução parte do particular (seja um fato ocorrido ou uma amostra específica), para o genérico (no sentido de regras ou determinações gerais). A principal atividade desse método de raciocínio lógico é o de derivar novas conclusões, ou seja, novas generalizações, a partir do exame de alguns exemplares específicos, analisados várias vezes. No método indutivo, as premissas verdadeiras não garantem que suaconclusão seja verdadeira e seu principal objetivo é o de ampliar o conhecimento. Tanto o método da indução, quanto o método da dedução são importantes na orientação do raciocínio, pois promove a análise crítica dos argumentos e discursos, o que evita, de forma significativa, que sejamos vítimas de persuasões falaciosas. Compreendeu em que consiste o método indutivo e no que esse método difere do método dedutivo? Agora vamos nos aventurar por outra forma de raciocínio lógico: a abdução. Vamos juntos! 30 Introdução à EAD O Raciocínio Abdutivo INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender o conceito do raciocínio na perspectiva da abdução, e como ele funciona, partindo de três eixos elementares do sistema lógico Peirceano. Esse estudo é relevante, pois faz um script de como o raciocínio se dá para a construção dos sentidos e da criatividade, tendo como resultado do raciocínio abdutivo, que é um método no qual assimila por determinado tempo uma hipótese explicativa, na qual tem estratégicas insurrecionais, em outras palavras a abdução nada mais é que um procedimento lógico no qual resulta novas ideias, ao longo da nossa aprendizagem veremos melhor como se dá o processo. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Para compreendermos o raciocínio abdutivo de uma forma completa, é importante que façamos uma breve análise histórica, passando pelos principais nomes de estudiosos dessa área, e seus conceitos. O primeiro deles e mais importante que veremos ao longo desse ensino é Charles Sanders Peirce, que ficou conhecido por trazer o estudo da lógica de maneira corpulenta e eficiente. Mas afinal, quem é Peirce? Esse grande estudioso inovou ao trazer uma perspectiva que se rege através de uma sistematização na qual engloba as demais maneiras de raciocínio, fenomenologia, assim como também na conexão entre as duas. O ordenamento sustentado por Peirce está elencado na conexão entre os princípios de enfoque (não só consoante com as ligações formais), como da mesma maneira, pela forma de investigar. Assim este pesquisador acaba por desenvolver uma teoria na qual configura como um de seus elementos principais, o falibilismo. Por isso ele julga que tanto o processo de formalização de conceito é extremamente Introdução à EAD 31 importante para compreensão da lógica, como também a interpretação da pessoa que conceitua (o conceituador). Um dos principais fundamentos estabelecido por Peirce, que acaba sendo um divisor de águas nesse estudo, pois passamos a enxergar sua teoria diagramática como pertencendo à gnosiologia, que se trata de nada mais nada menos, que ter o sujeito como formador do seu conhecimento mundano através de diagramas. Mas afinal, o que isso quer dizer? Levando em consideração a lógica crítica epistemológica temos que estar atentos as possibilidades de tipos de inerência da pessoa, recapitulando, são: Figura 6 - Três tipos de sujeito cognoscente Fonte: As autoras Partindo dos princípios desta premissa, é seguro dizer que Peirce tinha como fundamentos basilares a possibilidade na concepção do saber da realidade no aspecto mediano, por meio das daquilo que consideramos como nossas representações, a partir de diagramas e inferências. Contudo, por mais que não sejamos donos da verdade absoluta daquilo que acreditamos e buscamos, o nosso acesso à realidade é tido como falível (o que leva a teoria do falibilismo de Peirce). 32 Introdução à EAD A racionalidade deve ser então, na sua completude uma tradução do vasto universo que nós temos. Em outras palavras, é um conjunto das normas que evoluíram fundamentadas em hábitos obtidos. Partindo do pressuposto, de que a norma que rege a racionabilidade é a continuação, a evolução, onde resultam absolutamente todas as proporções de significado. É importante destacar que ter o estudo da metafisica como objeto é considerado admissível, porem em toda pesquisa que se preze, ainda mais nesta área, deve ser respaldada por uma verdadeira investigação científica, tomando como notas as hipóteses, e as suas representações ilustrativas, podendo ser verificada taxativamente. Figura 7 - Síntese a diferenças entre pragmatismo de Pierce e de William James Fonte: As autoras Diante disso é possível alegar que toda a nossa sabedoria, assim como também a nossa competência em conhecer, acabam por se tratarem de resultados das mesmas normas que regem as da realidade. Após termos aprofundado mais os nossos conhecimentos acerca desta base do método de estudo do raciocínio lógico, vamos agora focar esta aprendizagem, em como se dá o raciocínio abdutivo e os seus conceitos, trazendo também exemplos para uma melhor compreensão. Basicamente a abdução se dá a partir da condição intermediária entre os métodos de dedução e indução. É comum nesse raciocínio que a sua partida venha com considerações incompletas e porta-se para Introdução à EAD 33 Figura 8 – Composição do mé todo abdutivo Fonte: Adaptado de Cocchier (2015) uma elucidação mais plausível dentro do contexto das considerações. Vejamos o exemplo abaixo: • Todos os grãos daquela saca são pretos. Esses grãos são pretos. Logo, esses grãos são daquela saca. O estudo da abdução trouxe um enorme avanço no que diz respeito às teorias cientificas. As modalidades que estudamos até agora, em sua totalidade, acarretam no pensar de maneira substancialmente lógica, de uma maneira que venha a permitir a comunicação entra as teorias produzidas e a realidade. No momento que uma hipótese é criada, o processo de fundamentação se decorre a partir do progresso dos raciocínios dedutivo e indutivo. O resultado disso é a verificação na comunicação entre a hipótese recebida e as leis naturais. E como se dá a efetivação do método abdutivo? Veremos a seguir na figura abaixo: 34 Introdução à EAD Partindo desse quadro, temos que o raciocínio abdutivo acontecendo na simbiose entre a razão clara no desempenho da mente e uma ponderação da razão constitutiva no universo. Há uma conformidade entre a mente daqueles que produzem o raciocínio e a natureza a nossa volta, o que resulta em tentativas na seleção de uma hipótese equivalente a frequência vista. Na composição dessa realidade da qual falamos, é importante reconhecer três tipos, e são eles: • Fato sobre um objeto com seus singulares: Fazem parte dos objetos singulares, aqueles que caracterizam ao signo. Ex: Afirmação de que algo é preto, pequeno, etc. Pela sua materialidade. • Fato que diz respeito à relação de dois objetos com seus duplos: Diz respeito à “coisa” com significado, fazendo menção aos pares de objeto nos quais instituem correspondência entre si. Ex: Objetos de similaridade. • E fato advindo de múltiplos objetos – caracteres plurais: circunda mais de dois elementos que compõem o fato. Entretanto, diante das propriedades dos acontecimentos nos quais estão relacionadas às modalidades de cognição, observa a existência de uma junção entre as tipologias da inferência, e elas acabam por se relacionar através de locomoções de análise e síntese, com a finalidade de ir além, de evoluir. A partir disto, é preciso enxergar as condições de relação na qual procede ao sentido da ação e a reação, emaranhada no propósito de adquirir o conhecimento. Vejamos na figura abaixo, como Cocchier (2015) descreve o processo de abdução: Figura 9 - Descrevendo o processo de abdução Fonte: Cocchier (2015) Como se dá então o alcance do raciocínio abdutivo? Através dos processos de inferência lógica como vimos anteriormente. Isso resulta em uma poderosa capacidade de introduzir novas ideias por meio da Introdução à EAD 35 Figura 10 - Etapas de Verificação de Pierce Fonte: Adaptado de Queiroz (2002) criação de hipóteses provisórias, contudo possíveis. Sem essa inferência lógica citada, seria incapaz de prosseguir os nossos conhecimentos. Diante disto, o raciocínio abdutivo se apresenta de maneira mais fraca, e assim é possível de erro, necessitando então de outros métodos de raciocínio para que possa complementar no processo que falamos anteriormente de justificação. Valesalientar que a cognição se constitui por fundamentos que vão do geral até o particular, enquadrada numa conjuntura singular. Trazendo esta prática a chance de obtenção de hodiernas perspectivas e hodiernos modos de percepção na produção de hodiernas hipóteses. A lógica disponibiliza leis nas quais, cada método de raciocínio tem um seguimento a ser cumprido. Não podemos achar que a nossa lógica advém do nada, ela está diretamente ligada com a nossa capacidade em formular questões, no fato de descobrir o novo, de questionar, e avançar. Analisemos a figura abaixo sobre o processo de investigação na criação de hipóteses segundo as etapas de verificação de Pierce, sintetizadas conforme as elucidações de Queiroz (2002): 36 Introdução à EAD Em outras palavras, analisando a figura acima, é possível dizer que a abdução é uma mistura da dedução com a indução, lembrando que a dedução nada mais é que um raciocínio advindo de crenças verdadeiras, já na indução o raciocínio advém de alguns fatores de uma classe, definidos pelo acaso, ou seja, ela acontece por uma sucessão de fatos homogêneos, exprimindo classificação e não explicação. Recapitulando, isso não ocorre quando tempos a hipótese no método abdutivo, analise o esquema da figura abaixo para fixarmos a ideia de como funciona este método: Figura 11- Esquema do método abdutivo Fonte: Adaptado de Queiroz (2002) Esse tipo de método de raciocínio nos aponta uma finalidade de buscar uma justificativa que envolva o fato problematizado, portanto carecemos de especular uma conjetura que venha a poder ser deduzida nas consequências. Acaba por ser considerado o raciocínio que melhor agrupa no campo da hipótese, alcançando uma explicação melhorada, com a finalidade de ter uma imaginação de qualidade. As suas consequências resultam na obrigatoriedade em serem devidamente examinadas indutivamente, partindo de um meio experimental. Dessa maneira, fica evidente que a abdução está diretamente conectada tanto a dedução como à indução. Em outra perspectiva a abdução apresenta Introdução à EAD 37 que as crenças do meio científico podem ser defectíveis, posto que os experimentos comprovatórios acabam sempre poder por contradizer ou contestar as consequências dos nossos prognósticos. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Neste capítulo vimos o quanto o método abdutivo é importante principalmente para aflorar a nossa capacidade de imaginação, pois ele adorna o intelecto criativo, e está diretamente ligado com a dedução e a indução, sendo um grande contributo para o conhecimento científico. É nessa linha que o grande pesquisador e defensor desse método, PEIRCE, trata da dimensão provisória do conhecimento científico, e alega que “para uma mente científica, a hipótese encontra-se sempre em comprovação”. Ante o exposto, foi possível perceber que a abdução se caracteriza como uma espécie de raciocínio capaz de introduzir uma nova ideia, fundada numa hipóteses, que é plausível, porém provisória? Nesse sentido, podemos afirmar que a abdução é fundamental para que possamos avançar em nossos conhecimentos, pois inicia o estudo de um novo campo que ainda não havia sido abordado. Contudo, a abdução é considerada uma forma de raciocínio mais fraca que a dedução e a indução, pois necessita ser respaldada por outros tipos de raciocínio para que seu processo de justificação seja completo. Isto posso, analisaremos outra forma raciocínio lógico, que por sua vez, associa informações de distintos tipos, ligados a pessoas, coisas ou objetos fictícios. Já sabe do que iremos falar agora? Pois bem, iremos tratar da associação lógica. 38 Introdução à EAD A Associação Lógica INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender a associação lógica, também conhecida como correlação de elementos, que nada mais é do que problemas nos quais prestam dados de distintas maneiras, correlacionando com os objetos fictícios, pessoas, “coisas”. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Mas afinal, qual é o objetivo da associação? O seu foco é descobrir a relação entre os conteúdos oriundos da informação. Ainda não ficou claro? Pois, analisemos a seguinte situação: • Temos três rapazes: Rui, Leo e Caio, que namoram com Francine, Flávia, Karina, porém não temos a informação de quem namora quem. O que sabemos é que eles atuam como TI, vendedor e motorista, mas não temos a informação de quem faz o que. A seguir teremos algumas dicas para tentar descobrir o nome de cada namorado, a sua profissão e quem são suas respectivas namoradas. • O TI é namorado de Karina; • Caio é vendedor; • Flávia não é namorada de Caio; • Leo não é motorista. E agora? CALMA, vamos chegar a uma solução através desse método, e para isso é necessário elaborarmos uma tabela para que facilite a nossa compreensão, e possamos visualizar todas as informações da situação, dividindo em grupos de três, sendo estes de rapazes, moças e profissões. Veja a figura que contém a tabela abaixo: Introdução à EAD 39 Figura 12 - Tabela da construção da Associação Lógica principal Figura 13 - Tabela secundária Fonte: As autoras Fonte: As autoras Esquematizar uma tabela assim é equivalente para todo número de grupos de problemas. Em outras palavras, ela vale para grupos de cinco, por exemplo, onde um deles será referência para as linhas e as outras quatro serão classificadas nas demais colunas. Após isso é válido esclarecer que da direita para a esquerda, os grupos irão ser colocados abaixo em linhas, com a exceção do primeiro que se mantem. Fiquem bastante atentos, pois a montagem de um esquema como esse faz toda a diferença. Iremos elaborar adiante uma tabela que terá função somente de gabarito, mas que em casos como esse, ela acaba por se essencial para que possamos visualizar as informações que ficam encobertas nas entrelinhas da tabela principal. Ela vai dar a possibilidade de conseguir conclusões sobre algum elemento específico. Na primeira linha da tabela iremos colocar os nomes dos grupos, e nas outras subsequentes colocaremos os elementos que compõem o grupo inicial de referência, vejamos: 40 Introdução à EAD A partir deste método, visualizando a tabela da figura 19, é possível iniciar o procedimento de completar a nossa tabela principal, enxergando os dados com mais clareza, distinguindo as informações daquelas que não deixam dúvida alguma. • O TI é namorado de Karina, logo devemos colocar um “S” na tabela principal, na qual indique que ele TI e Karina estão conectados, e um “N” nas demais cédulas que não correspondam com o “S”. Observe: Figura 14- Tabela principal 3 Fonte: As autoras NOTA: Se o TI é namorado de Karina, ele então não pode ser namorado de Francine e Flávia, por isso colocamos o “N” no local de TI referente a elas. Logo, se Karina é namorada do TI, ela não é namorada dos demais profissionais (o vendedor e o motorista), por isso também colocamos o “N” nos locais de Karina que tenham essas profissões. Ainda não obtivemos nenhuma informação sobre Leo, Rui e Caio. Agora vejamos a segunda afirmativa da informação que temos: • Caio é vendedor. Sendo assim, preenchemos as duas planilhas simultaneamente. Introdução à EAD 41 Figura 15 - Tabela principal e secundária 4 Figura 16 - Tabela principal 5 Fonte: As autoras Fonte: As autoras • Flávia não é namorada de Caio. Então iremos preencher a tabela principal com um “N” nessa situação. • Leo não é motorista. Vamos preencher na tabela principal o espaço com um “N” que represente a Leo e a motorista. 42 Introdução à EAD Figura 17 - Tabela principal 6 Figura 18- Tabela secundária 7 Fonte: As autoras Fonte: As autoras Observe que agora algumas informações ficaram bastante claras, veja que se Leo não é motorista nem vendedor, ele é o TI, restando ao Rui à opção de ser o motorista, já que o Caio é o vendedor. Feito isto, devemos voltar à tabela principal, e preenche-la com as novas informações. Introdução à EAD 43 Figura 19- Tabela principal e secundária 8 Fonte: As autoras Depois de pontuar na tabela principal e na secundáriaas novas informações, devemos agora buscar por outras que nos levem as demais conclusões. Vale lembrar que Flávia não é namorada com Caio, e Caio é vendedor, portanto, já concluímos que Flávia não é namorada do vendedor. Logo, para Flávia só restaria a opção de ser namorada do TI ou do motorista, mas já sabemos que a namorada do TI é a Karina, sendo assim, obtemos todas as informações necessárias, através do método da associação, conectando uma informação a outra, com o intuito de descobrir novas possibilidades. Observe abaixo como ficou esse caso hipotético a partir desse método da tabela aplicando a associação: 44 Introdução à EAD Figura 20 - Método da tabela aplicando a associação Fonte: As autoras Finalizado, esse modelo de aprendizagem na tabela, vamos nos voltar agora a relembrar de algumas coisas que vimos ao longo desse estudo. É evidente que no estudo da lógica todos esses métodos estão interligados, ainda mais quando tratamos da associação. É como se aplicássemos os ensinamentos de Peirce nas suas diversas maneiras e áreas, aguçando a percepção, e ligando os pontos. Vejamos o que esses dois pesquisadores afirmam sobre o tema, conforme nos ensina Serra (2020). Introdução à EAD 45 Figura 21- Pensamentos de Peirce e Escoto Fonte: Adaptado de Serra (1996) Agora veremos o passo a passo par a a construção da associação lógica, baseado em todos esses ensinamentos que vimos até o momento: 1. Primeiro é preciso identificar os grupos que contém as informações. 2. Reconhecer as afirmações presentes no enunciado. 3. Construir a tabela principal. 4. Completar a tabela com base nas informações existentes. 5. Efetuar a regra do preenchimento automático, que vimos na hipótese demonstrada. 6. Juntar todos os resultados alcançados e verificar as alternativas. Na fixação deste assunto, é de suma relevância que você visualize bem todas as informações, se baseando sempre pela tabela. Abaixo temos uma modelo para você não se esquecer de como a tabela deve ser montada, em conformidade com as informações existentes. 46 Introdução à EAD Figura 22 - Modelo base de tabela na associação lógica Fonte: Adaptado de Villar (2012) Sempre que o enunciado, ou o problema estiver diante de você, é necessário antes de tudo, reunir todas as informações, e agrupá-las por setores ou elementos. Quando o fizer, tenha este modelo de tabela como base para colocar as informações em sua posse. Preencha e visualize todas as hipóteses possíveis que ela te dá. Com esse método da tabela, você pode facilmente associar uma informação com outra, o que acaba por ser bem lógico, mas que na prática só conseguimos enxergar muitas vezes esses por menores, quando aplicamos a tabela com base nas informações. A associação lógica se baseia em indagações de cunho organizacional, na qual vem com muitas informações, casualmente sobre três personagens e duas ou três características. Não há possibilidade de mentiras ou enganações, todas as informações são confiáveis, é preciso ter só uma boa organização das ideias e do conteúdo que essas informações trazem. Por isso o uso da tabela é algo crucial nesta aprendizagem. Introdução à EAD 47 Figura 23 - Sequência Lógica e Raciocínio Sequencial Fonte: Pixabay E aí, pronto para conectar os pontos e achar as respostas? Agora é praticar bastante, pois esse tema é bastante prático, não é teórico como os demais. Devido a isso, é importante que possamos executar todos os aprendizados que tivemos nesta unidade, ainda mais quando requer muito exercício. O segredo é estar sempre atento. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Ao longo dessa unidade tivemos a oportunidade de adentrar no universo do raciocínio lógico, e vimos o quanto aprender bem a associação lógica faz a diferença para diversas áreas da nossa vida. Captar da melhor forma as informações que temos, e conseguir enxergá-las para obter novas informações, gerando um resultado assertivo é algo sem dúvidas surpreendente e renovador. Vale lembrar ainda que muitas questões de concurso cobram a associação lógica desta maneira, e se você seguir a tabela de base vai conseguir achar todas as respostas que busca. Não tem erro, agora chegamos ao momento de colocar em prática tudo que vimos.__ Como navegar pela internet? INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de saber as diversas as formas de se conectar à internet e também como realizar pesquisas utilizando a mais famosas das ferramentas de busca, o “Google”. Além disso, também aprenderemos o que é a nuvem e como realizar downloads e uploads de arquivos vindo da internet. Isto será fundamental para auxiliar no processo da sua formação profissional. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Tipos de conexões de Internet Antes de apresentarmos as conexões de internet é importante conversarmos sobre a sua importância. Vamos lá! Você sabe dizer qual a real importância da Internet para você? Ao navegar na Internet, sabe dizer como isso ocorre? Que tal pensarmos sobre esses aspectos? Figura 1 – Conectividade Fonte: Pixabay Introdução à EAD 13 A internet tem sua origem relacionada à área militar no período que chamamos de Guerra Fria. Não é o nosso objetivo rever sua história e explicá-la aqui, mas é fundamental que você saiba que desde a sua origem ela passou por transformações diversas, e assim como outras áreas ela encontra-se ligada à educação. Então, não é a toa que você aluno da Educação a Distância está tendo a oportunidade de estudar essa temática relacionada a essa modalidade de ensino. Pode ser que algumas informações básicas apresentadas nas próximas páginas já sejam do seu conhecimento, mas é bom relembrar a temática Vamos lá. Atualmente, é possível estar conectado à Internet de várias formas e ao fazer a leitura desse material você já está conectado. Já percebeu que sempre estamos conectados seja para estudar, para realizar uma transferência bancária e até mesmo para conversar com os amigos? Muitas das atividades que fazíamos apenas de forma presencial, hoje mais do que nunca, temos a oportunidade de fazê-las por meio da internet. Estudar é uma dessas atividades. Mas que tal conhecer melhor esses meios de conexão e depois você identificar a conexão utilizada por você? Vamos em frente! • Conexões por WiFi (Wireless); • Conexões por Cabos; • Conexões por Fibras Ópticas. As conexões por WiFi (sim, é escrito com a letra “W” e a letra “F” em maiúsculas e os dois “i” em minúsculo), o famoso Wireless, é a conexão sem fio, e para que possamos ter este tipo de conexão é necessário que tenhamos um equipamento, chamado de Roteador Wireless, ou Roteador WiFi. Veja uma representação da conexão WiFi na Figura 2, a seguir: 14 Introdução à EAD Figura 2 – Sinal WiFi Fonte: Pixabay As redes WiFi podem ser de dois tipos: abertas ou fechadas. As redes abertas, como o nome já diz, podem ser acessadas por qualquer pessoa. E as redes fechadas possuem senha para que só quem tenha permissão possa entrar. É recomendado cautela ao utilizar sistemas bancários em redes abertas ou outros serviços que necessitem de senha, pois você não saberá quem é que estará conectado com você. As conexões por cabos podem tanto ser por cabos de redes, quanto por cabos de operadoras (provedores), que trazem este serviço para sua casa através de um cabo físico, que são muito mais estáveis e não correm o risco de perder o sinal ou ficar sem internet. Como você estará ligado através de um cabo, significa que está em uma rede considerada segura, logo pode acessar o que bem desejar. Já nas conexões por Fibras Ópticas (F.O) que tem as melhores conexões e velocidades mais rápidas, a transmissão se dá por meio da luz. Quando chega a F.O em sua casa, automaticamente o equipamento que recebe essa fibra transforma a luz em eletricidade (para conectar por cabo) ou em ar (para conectar por WiFi). O que é a WEB? A Web é uma forma de dar um nome para a Internet de páginas, ou seja, tudo que navegamos na Internet consideramos WEB. Introdução à EAD 15 Figura 3 – Ícone do navegador MicrosoftEdge Fonte: Adaptado de Microsoft Edge (2020) REFLITA: Qual a diferença entre web e Internet? A resposta é simples, a Internet é na verdade uma rede de vários equipamentos e computadores conectados entre si. Já a web são as páginas que visualizamos em nossos navegadores. O que são navegadores e como utilizá-los? Navegadores, ou Browsers (palavra em inglês para navegador), são os programas que utilizamos para visitar uma ou outra página de Internet. Esses programas (mais adiante vou citar os nomes dos mais utilizados) receberam o nome de navegadores, pois na década de 90, quem utilizava a internet fazia uso da expressão “surfar na internet” ou então “navegar na internet”. Por isso que recebem essa denominação de “NAVEGADORES”. Agora que você já sabe o que são navegadores, vamos conhecer os principais que existem no mercado, pelo menos até o momento (2020). • Microsoft Edge: Este é um navegador desenvolvido pela Microsoft, para substituir o antigo Internet Explorer, com ele vem junto com o Sistema Operacional Windows 10. • Microsoft Internet Explorer: é o primeiro navegador da Microsoft, que veio sofrendo atualizações de sua primeira versão, lançada oficialmente em 1995, junto com o Windows 95 e teve seu 16 Introdução à EAD desenvolvimento encerrado com a criação do Microsoft Edge, mas ainda é muito utilizado no mercado de usuários que navegam na Internet. Figura 4 – Ícone do do navegador Microsoft Internet Explorer Figura 5 – Ícone do navegador Mozilla Firefox Fonte: Adaptado de Microsoft Internet Explorer (2020) Fonte: Adaptado de Mozilla Firefox (2020) • Mozilla Firefox: é mais conhecido como o navegador da raposinha (na verdade Firefox é o nome inglês para o animal PANDA VERMELHO, não tendo nada a ver com a família das raposas). Este navegador foi desenvolvido pela Mozilla. ACESSE: Para fazer download deste navegador acesse o endereço: https://www.mozilla.org/en-US/firefox/new/. • Opera Browser: é um navegador desenvolvido pela Opera, uma empresa Norueguesa, é também muito comum entre os internautas. Introdução à EAD 17 Figura 6 – Ícone do navegador Opera Browser Figura 7 – Ícone do navegador Brave Fonte: Adaptado de Opera Browser (2020) Fonte: Adaptado de Brave (2020) ACESSE: Para realizar o download deste navegador acesse: https:// www.opera.com/pt/computer/opera. ACESSE: Para realizar o download deste navegador acesse: https:// brave.com/download/. Este navegador está disponível tanto para computadores como também para celulares e tablets. • Brave: é um navegador recente, que está se tornando cada vez mais popular entre os usuários, pois faz o uso de um recurso de bloqueio de POP-UP (aquelas janelinhas indesejadas quando visitamos algum site). Apesar de ser muito novo é muito potente e bom. 18 Introdução à EAD • Google Chrome: navegador criado pela empresa Google para competir inicialmente com o navegador Internet Explorer. Extremamente popular entre os internautas, vem ao mercado com a ideia de ser um navegador leve e rápido, porém ao trabalhar com várias abas abertas o mesmo consome muito recurso de memória do computador deixando-o lento (trabalhando com poucas abas não atrapalhará em nada seu computador e promete o que cumpre: leveza e agilidade na navegação). Figura 8 – Ícone do navegador Google Chrome Fonte: Adaptado de Google Chrome ACESSE: Para realizar o download deste navegador acesse: https:// bit.ly/2Uxj9wV. Então, estes são os melhores navegadores do mercado na atualidade. Claro que existem inúmeros outros navegadores ou programas que possibilitam a navegação na Internet, mas não são tão conhecidos ou tão bons quanto os acima citados. Outra informação importante que utilizamos nos navegadores são os endereços (URL) de internet. REFLITA: Você sabe quando um endereço é seguro ou não? Sabe quando pode confiar para realizar uma compra online? Introdução à EAD 19 Figura 9 - Barra de endereço de um navegador Fonte: O autor Para que possa navegar com uma tranquilidade é necessário ficar atento ao endereço que está navegando, veja a figura 9 a seguir: No primeiro endereço consta um cadeado e logo em seguida as letras HTTPS. Estas letras indicam que o site é seguro, que toda a informação que está sendo transmitida ou recebida pelo site está sendo codificada para que ninguém mais veja. Já no segundo site, o cadeado e o “S” do “http” não estão presentes, logo o site não é seguro para informar dados de um cartão de crédito ou até mesmo seus dados pessoais. Agora que já entendemos o que são e como funcionam os navegadores, vamos ver como fazer pesquisas mais eficientes. Como utilizar o Google da melhor forma possível? Acredito que você já tenha tido a oportunidade de realizar pesquisas na internet com inúmeras finalidades e, até mesmo pode ter utilizado o Google. Mas você sabe como pesquisar no Google? A maioria das pessoas pensa que para utiliza-lo é só entrar no endereço dele (www.google.com.br), clicar na caixa de pesquisa, colocar o que se quer pesquisar e clicar no botão “Pesquisa Google” (ou apertar a tecla “ENTER”. Mas já repararam a quantidade de resultados que o Google nos informa que conseguiu? 20 Introdução à EAD Figura 10 – Maior site de buscas Figura 11 - Diferença de buscas no Google com e sem aspas Fonte: Pixabay Fonte: Adaptado de Google (2020) Sim, são milhões de resultados. Será que todos são confiáveis (não estou falando só da questão de segurança)? Será que todos têm conteúdos fiéis? Como saber se a minha pesquisa foi realmente o que eu queria dentre milhões de resultados que me foram apresentados? Vamos então às dicas: 1) Use Aspas: ao utilizar de aspas para pesquisar uma frase, o Google deixará de procurar palavra por palavra e pesquisará a frase inteira. • Exemplo: ao invés de pesquisar apenas COMO FAZER BUSCAS EFICIENTES NO GOOGLE, pesquise da seguinte forma “COMO FAZER BUSCAS EFICIENTES NO GOOGLE”. Só com o uso destas aspas já irá reduzir o número de resultados encontrados drasticamente. Introdução à EAD 21 2) Utilize o item “Ferramentas” que o Google disponibiliza, para indicar as datas que deseja que os resultados sejam exibidos, após mandar fazer a pesquisa (veja na imagem acima este item). • Se utilizarmos a mesma busca e colocarmos no campo data (de acordo com a figura 12) notem que os resultados caem de quase 53 milhões para apenas 2 (dois) resultados. Figura 12 - Busca mais refinada no Google Fonte: Adaptado de Google (2020) 3) Faça perguntas diretas para o Google. Coloque a sua pergunta entre aspas e ao final coloque o ponto de interrogação (?), e o Google tentará responder a sua pergunta da forma mais direta possível. Existem inúmeras outras dicas, umas mais técnicas outras não tão interessantes, porém separei estas três, que já farão uma diferença boa para você. O que é e como evitar plágios O plágio na utilização da internet vem sendo bem discutido, devido à frequência da sua utilização no ambiente acadêmico. O nosso objetivo aqui é apresentar o seu significado e mencionar as penalidades e implicações. É costume entre a maioria dos estudantes que tem que realizar trabalhos, pesquisar no Google o seu assunto, entrar em um site, 22 Introdução à EAD selecionar o conteúdo e colar no Word e, em muitas vezes não citam a fonte de consulta e nem o autor. Este cenário anterior caracteriza plágio. Você sabe o que é plágio? Qual o problema de plagiar o conteúdo de algum site? Os conteúdos na internet são públicos e não protegidos pelos direitos autorais? Vamos responder a todas estas questões a seguir. Vamos lá! • O que é plágio? Todo e qualquer autor de conteúdo, seja de livros, gibis, revistas, sites, propagandas etc., teve muito trabalho de pesquisa para criar seu produto. Houveram pessoas envolvidas no seu trabalho final, e normalmente (nem sempre, mas não é por isso que é considerado conteúdo livre) registram os direitos autorais de seu trabalho. Ao realizarmos uma cópia, sem a devida menção ao autor, parece que nós é que estamos escrevendo aquele conteúdo (que lembram de todo o trabalho que deu para ser publicado?). Isso é plágio, ou seja, uma cópia bruta, semalterar nada e sem mencionar o autor. • Qual o problema de plagiar conteúdos dos sites ou livros? Pensem no trabalho que o autor teve para escrever aquele conteúdo, tempo de pesquisa, prazos para entregar, e ainda passar também por uma verificação de plágio, para saber se o conteúdo é original ou cópia? Após tudo isso ele registrará seu trabalho e o publicará, garantindo os direitos autorais sobre aquele conteúdo. Agora após tudo isso virá alguém e copiará (em alguns segundos) e republicará (mesmo que seja para colocar em um trabalho escolar, existe a publicação que é a entrega do trabalho ao professor da disciplina) como sendo seu, sua pesquisa, seu tempo de busca e seu prazo. Nos casos ainda em que o autor publica livros, ele recebe por cada livro vendido, e quando você utiliza deste conteúdo, está deixando de valorizar este autor pagando-o (agradecendo) por seu trabalho até aquele momento. Além de todo o exposto acima, tem outro fator que sempre temos que levar em conta: os Direitos Autorais. Cada autor, independentemente Introdução à EAD 23 de ter sua obra publicada ou registrada, está protegido sobre a Lei de Direitos Autorais nº 9.610 de 19 de f evereiro de 1998. Está na Internet, então não é tudo público e livre? A resposta é sim e não, respectivamente. Principalmente na internet, onde todo trabalho tem o nome do autor, tem o site de referência, tem ainda a data que o site publicou o conteúdo, então não são conteúdos disponíveis para serem copiados. Estão ali para serem interpretados e utilizados como referências, por este motivo são públicos sim, mas não são livres para serem copiados (salvo se o autor permitir, mesmo assim as escolas e universidades não aceitam isso e entendem que é plágio igual). O mesmo autor não pode copiar um trabalho próprio (seja total ou parcialmente) para outros livros, isso se chama autoplágio. Então o autor tem que reescrever o conteúdo de forma diferente. REFLITA: Então, se até um autor não pode copiar o seu próprio trabalho, já publicado, você poderia? Como compactar e descompactar arquivos Quando queremos enviar vários arquivos para alguém, normalmente não conseguimos colocar todos em um único e-mail ou teremos muito trabalho para enviar de um a um para o nosso destinatário. Para resolver esta questão, você terá que transformar esses arquivos em apenas um, mas ainda teria o problema do tamanho, já que todos juntos provavelmente ultrapassariam o tamanho máximo permitido de envio por e-mail. Então, tem ainda mais uma ação a ser tomada: a de compactar (exatamente como um compactador de latas, por exemplo). Mas não se preocupe, o processo é muito simples. Para que possamos compactar arquivos é necessário que tenha um compactador instalado em seu computador. 24 Introdução à EAD ACESSE: Vou lhes indicar o mais utilizado pelos usuários, o WINRAR, que poderá ser baixado no endereço: https://bit.ly/3aB8R4w. Depois de instalar, vamos ver o passo a passo de como compactar arquivos a partir de agora. Passo 1: Selecione os arquivos a serem compactados, como na figura 13, e clique com o botão direito sobre os selecionados, aparecerá um menu com várias opções. Figura 13 - Seleção de arquivos Fonte: O autor Passo 2: clique em “Adicionar para o ‘nome sugerido pelo compactador’”, como mostra na imagem a seguir. Introdução à EAD 25 Figura 14 - Selecionando opção de compactação Figura 15 - Arquivo compactado criado Fonte: O autor Fonte: O autor Com isso aparecerá um novo arquivo, com o nome que estava no menu de opções de vocês, mais ou menos como na imagem abaixo: Viram como é simples? Mas e se tivessem baixado este arquivo da internet? Como vou descompactar esse ou qualquer outro arquivo? 26 Introdução à EAD O processo é muito mais simples. Clique com o botão direito sobre este arquivo compactado e clique em “Extrair para ‘Nome_do_arquivo’”, dessa forma será criada uma nova pasta com o nome do arquivo e todos os arquivos estarão lá dentro. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que existe mais de uma forma de nos conectarmos à Internet. Além disso, vimos que a Web nada mais é do que um conjunto de páginas para você navegar na internet e, que utilizamos navegadores para ver essas páginas. No decorrer do nosso estudo citamos os principais navegadores, mas acreditamos que você até arriscaria em buscar outros para experimentar. Vimos também, que ao fazer uma busca no Google (quem sabe por outro navegador), é possível refinar essa busca e torna-la muito mais específica. É importante relembrar que você deve compreender o conteúdo dos sites, mas não copiá-los. Além de tudo isso, vimos também como compactar e descompactar arquivos que possa estar enviando ou recebendo pela internet. Gostou do que estudamos até aqui? Não vamos parar, temos muito mais a ver ainda. Vem conosco. Introdução à EAD 27 Como trabalhar com editor de texto? INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona um processador de texto. Isto será fundamental para o seu processo de formação profissional enquanto estudante da área de Educação à Distância. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Conhecendo o Word Certamente você já ouviu falar e ainda teve algum contato com o editor de texto, um programa que a maioria das pessoas utiliza apenas como uma “máquina de escrever digital”, ou seja, não tem outra utilidade e nem funcionalidade além de datilografar em uma folha virtual. Mas lhes mostraremos que este programa vai muito mais além. Aqui nessa unidade iremos apresentar a você o Microsoft Word que é um dos mais utilizados ao redor do mundo. O Microsoft Word é um programa de edição e editoração de textos, podendo desde simplesmente escrever textos, até inserir imagens e atualmente existe a função de transcrição que consiste em ouvir o que você fala para ditar para o próprio programa escrever para você. Definição do Word A melhor definição do Word é: um programa para editar meus textos, com um “ar” mais profissional que não tem em nenhum outro no mercado. É a referência em editoração digital de documentos de texto. O Word é um programa extremamente intuitivo e fácil de trabalhar. A empresa desenvolvedora, a Microsoft, pensando em seus usuários, desenvolveu toda a plataforma do Microsoft Office (Word, Excel, PowerPoint, e outros programas ainda) com a ideia de deixar os comandos muito semelhantes, para que todos conseguissem trabalhar 28 Introdução à EAD com qualquer um dos programas, pois são muito parecidos e os locais que estão os comandos também são. Mas vamos nos ater ao Word agora. O ícone do Word é o que está mostrado na figura abaixo e deve ser acessado para que possa abrir o mesmo. Figura 16 - Ícone do Word Figura 17 - Tela inicial do Word Fonte: O autor Fonte: O autor Quando abrimos o Word temos a seguinte tela conforme Figura 17. Nesta tela inicial, já é possível dizer o que desejamos, se é um documento com base em um modelo pré-definido pelo próprio Word ou, um documento em branco (vazio). Nós trabalharemos com base em documentos vazios, onde tudo é possível de se fazer e, a nossa imaginação é o limite. Introdução à EAD 29 Figura 18 - Tela principal do Word Fonte: O autor Ao clicar em “Documento em branco”, o programa ficará com o aspecto igual ao da Figura 18. Para entendermos essa tela, colocamos alguns números e suas descrições abaixo: 1: Barra de Guias, contendo as seguintes guias: Arquivo; Página Inicial; Inserir; Design; Layout; Referências; Correspondências; Revisão; Exibir; Ajuda. 2: Folha virtual para digitação propriamente dita. 3: Barra de título e de Ferramentas de Acesso Rápido. 4: Réguas tanto lateral como superior. 5: Barra de rolagem das folhas. Podemos apenas clicar na página em branco e “sair digitando” nosso texto, mas com os recursos que aprenderemos, todo o trabalho ficará muito mais fácil. Guia “Página Inicial” É nesta guia que podemos definiro estilo de fonte (tipo de letra que será utilizada); o tamanho da fonte; se a fonte será Negrito, Itálico ou Sublinhado; se a cor da letra será preta ou outra; se pintaremos o fundo ou não. Todos estes recursos estão no grupo FONTE dentro desta guia. 30 Introdução à EAD Figura 19 - Guia Página Inicial Figura 20 - Guia Inserir Fonte: O autor Fonte: O autor Temos ainda o grupo PARÁGRAFO que definirá se o texto será: Alinhado à Esquerda Centralizado Alinhado à direita Ou ainda como todo o texto do nosso livro que está em modo “justificado”, deixando os dois lados (direita e esquerda) alinhados e retinhos. Desta forma, apresentando um visual mais agradável de leitura. Se não bastassem todos esses recursos, o Word da versão 2016 ou superior, apresenta o recurso de “DITAR”, que só funcionará se o seu computador tiver um microfone instalado. Clicando neste recurso basta ir “conversando” com o Word em voz alta e ele vai escrevendo tudo para você, inclusive para trocar de linha basta dizer o comando “NOVA LINHA”. Guia “Inserir” Nesta Guia, você conseguirá através do grupo “TABELAS”, inserir tabelas em seu documento, bastando informar quantas linhas e quantas colunas serão inseridas. No grupo ILUSTRAÇÕES você pode inserir imagens, formas geométricas como: círculos, quadrados, retângulos, triângulos, estrelas, etc. Introdução à EAD 31 Figura 21 - Guia Layout Fonte: O autor Para inserir uma imagem será necessário clicar no ícone “IMAGENS” ( ) e aparecerá uma nova janela perguntando onde está a imagem que deseja inserir. Ao selecionar a imagem e clicar em inserir, será automaticamente inserido onde estava o cursor de digitação em seu texto. Clicando nos cantos da imagem é possível alterar o seu tamanho e deixar o mais agradável possível ao seu texto. Guia “Layout” Neste guia, que pouco será acessado, você terá recursos para trocar a orientação da página (Retrato – Página com o maior lado na vertical, Paisagem – Página com o maior lado na horizontal), quebras de páginas, ou seja, não sendo necessário ficar dando “nova linha” até ir para a próxima página. Este é um recurso muito utilizado quando se está fazendo um trabalho e separando os capítulos, mesmo que o capítulo anterior acabe na última linha da página e o novo capítulo inicie na primeira linha da nova página. O Word ainda conta com o recurso (praticamente em desuso, mas ainda existente) de hifenização, ou seja, separação silábica ao chegar ao final da linha, como apresentado neste parágrafo que vocês estão lendo. O Word segue as regras de gramática e ortografias definidas pelo governo brasileiro, logo sabe exatamente quando, e de que forma, separar sílabas. Existem pessoas que gostam muito deste recurso. Todos os recursos falados até agora desta guia estão no grupo “CONFIGURAR PÁGINA”, mas ainda temos o grupo “PARÁGRAFO”, que irá nos auxiliar a fazer a configuração de como serão os espaçamentos 32 Introdução à EAD antes e depois de cada parágrafo, quanto espaço teremos de margem esquerda e margem direita, de forma padrão no documento inteiro. Guia “Revisão” Como o nome já está nos orientando, é um guia que traz ferramentas para revisão do texto e também, para que possamos realizar alguns comentários, seja para quem vai apenas ler o documento ou, como sugestão de correções que os revisores fizeram para o autor. Figura 22 - Guia Revisão Figura 23 - Régua superior Fonte: O autor Fonte: O autor No primeiro grupo desta guia estão as verificações de ortografia e gramática. Apesar de já serem habilitadas de modo padrão e automáticas, podemos pedir para o Word verificar tudo novamente, clicando no botão de “Ortografia e Gramática” ( ). No grupo “Comentários”, você pode inserir comentários onde estiver o cursor de digitação, basta que clique no botão “NOVO COMENTÁRIO”. Nesta guia, estas são as ferramentas básicas que você utilizará. Claro que deve ter notado que este programa possui inúmeras ferramentas a mais, e estão à sua disposição para testá-las. Operações Básicas Segundo DIPP (2012), podemos ajustar os nossos parágrafos através da régua superior. Mais adiante daremos detalhes da régua lateral, mas neste momento vamos ver os detalhes da régua superior. Introdução à EAD 33 Figura 24 - Detalhes da régua Fonte: O autor Como podem notar nesta régua existem duas cores: um cinza escuro, que é a margem da borda do papel até a área de escrita, e a cor branca, que é a área de uso propriamente dita. Estes números que estamos vendo estão marcados em centímetros. Além disso, temos aquelas figuras geométricas que vemos no centro e vou mostrar com uma imagem maior abaixo, para facilitar a explicação posterior: Aqui podemos ver um triângulo de cabeça para baixo. Ao clicarmos nele podemos movimentar pela régua. Este marcador tem a função de definir o início de cada par ágrafo. Lembram-se dos ensinamentos das professoras (es) do ensino fundamental, das séries iniciais, onde tínhamos que colocar “um dedo ou dois” de margem no início das linhas caso fôssemos iniciar um parágrafo novo? Pois é justamente isso que faz este marcador superior. Acompanhando o mesmo raciocínio, o marcador que está abaixo, define onde será a continuação do parágrafo, se será exatamente em baixo do início do parágrafo, então os marcadores ficarão no mesmo ponto. Se for antes do início do parágrafo, então o marcador do parágrafo ficará mais a frente do que o de continuação do parágrafo. E por fim, a continuação de parágrafo ficando após o início do parágrafo, dessa forma haverá um recuo da continuação de linha com relação ao início do parágrafo. Ainda sobre o marcador inferior, o de continuação de parágrafo, notem que ele possui um retângulo na sua parte inferior. Ao clicar neste retângulo e arrastá-lo, você estará levando tanto ele como o parágrafo, juntos para onde deseja. 34 Introdução à EAD Reparem na figura 23, que existe outro marcador no final da régua. Ele tem a mesma finalidade de definir limite, mas é o limite final da linha do parágrafo. Para encerrarmos o assunto das réguas do Word, falta falarmos da régua vertical. Se colocar o cursor do mouse bem na divisa da área útil com a de margem, você pode clicar e alterar o tamanho da margem do seu “papel” também. Com esses recursos, podemos agora definir nossos parágrafos, margens, fontes, cores e já sair escrevendo os textos. Mas falta sabermos como salvar nosso trabalho. Continue no próximo item deste capítulo para continuar aprendendo. Como salvar um documento Enquanto está escrevendo o seu documento, é natural que você vá salvando-o da forma mais intuitiva possível, seja clicando no disquete na barra de título ou indo no menu “ARQUIVO” e clicar em “SALVAR”. Caso deseje enviar seu texto para outras pessoas (exceto se elas terão que alterar o seu conteúdo), é bom que salve seu arquivo em um formato de PDF (Portable Documment Format – Formato de documento portável), pois este documento não pode ser alterado. Para fazer isso vá ao menu “ARQUIVO”, e clique em “SALVAR COMO”, após isso será apresentada uma tela como a que está na Figura 25 a seguir: Figura 25 - Tela do Salvar como Fonte: O autor Introdução à EAD 35 Clique em “MAIS OPÇÕES” e após altere o “TIPO DE DOCUMENTO” para PDF e clique em “SALVAR”. Dessa forma, o seu documento não poderá mais ser alterado. Não se esqueça de manter uma cópia no formato do Word (docx) para eventuais alterações, mas ter o PDF para enviar para outras pessoas. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o Word é um programa que vai além de só escrever textos. Podemos formatar nossos textos, inserir imagens e tabelas, verificar ortografia e gramática, inserir ou excluir comentários. Além disso, quando formos iniciar um documento, recordaremos da nossa professora da infância para definir os parágrafos nas réguas que o Word nos disponibiliza. É importante recordar que vimos também como salvar documentos para que sejam enviados para professoresou até mesmo para seus colegas e garantir que não sejam modificados. Gostou do que viu até aqui? Não vamos parar, temos muito mais a ver ainda, recém chegamos à metade de nossa unidade. Vem conosco! 36 Introdução à EAD Como fazer uma apresentação de slide? INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona o PowerPoint. Isto será fundamental para o exercício da sua vida acadêmica. O PowerPoint é um programa que tem como função a criação de apresentações desde conteúdos escolares e até mesmo de reuniões estratégicas de grandes empresas. Uma gigantesca ferramenta visual e complementar ao processador de texto que vimos que foi a Microsoft Word que você criou anteriormente. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Conhecendo o PowerPoint O nome “PowerPoint” vem dos apontadores “Laser”, que normalmente são utilizados em apresentações para indicar o que se quer falar ou expor com cada slide. Aqui não trabalharemos com páginas e sim com slides, ou seja, quadros e folhas que serão projetadas em uma parede deixando tudo muito grande para que várias pessoas possam visualizar o seu conteúdo. Na figura abaixo vou lhes apresentar a tela do PowerPoint, da mesma forma que fizemos no Word para que possam comparar as diferenças e semelhanças. Introdução à EAD 37 Figura 26 - Tela de abertura do PowerPoint Figura 27 - Criando uma apresentação no PowerPoint Fonte: O autor Fonte: O autor Notem que o programa já nos disponibiliza alguns “temas” para nossos slides e nossa apresentação. Vale sempre ressaltar que uma apresentação com o fundo sempre branco, sem um chamativo visual (imagens, cores, formas, etc.) pode causar canseira em seus espectadores. Por este motivo, tente escolher um tema que mais lhe agrade e aposte em um visual bonito e elegante. Para nossos exemplos usarei o tema Berlim (pelo menos este tema está disponível no Office 365 e do 2016 ou superior). Após clicar no tema desejado, escolha a palheta de cores que mais lhe agrada e clique em CRIAR (como na imagem abaixo). 38 Introdução à EAD Ao criar um novo documento no PowerPoint, percebemos algumas diferenças significativas dele para o Word. Não colocarei as duas telas lado a lado, mas você poderá fazer a devida comparação. Sobre a semelhança, conforme comentamos anteriormente, a Microsoft deixou as guias de ferramentas muito parecidas para que possa localizar os itens muito mais facilmente. Inclusive o nome da maioria das guias é o mesmo em todos os programas do Office. Claro que temos algumas distinções, como no caso do PowerPoint que temos três guias novas: Transições; Animações e Apresentação de Slides. Vou apresentar as diferenças entre as guias que são iguais e posteriormente discutiremos sobre como montar uma apresentação propriamente dita. Guia “Principal” Além dos recursos semelhantes do Word, como fonte, parágrafos e área de transferência, temos agora um novo grupo nesta guia: o grupo “SLIDES”, que serve para que possamos ir adicionando novos slides conforme sejam necessários. Esta é uma diferença para o Word, pois lá, era só escrever e as folhas iam sendo adicionadas automaticamente. No caso do PowerPoint, isso não ocorre. Temos que adicionar cada slide individualmente. Guia “Design” Nesta guia, você pode alterar o tema dos seus slides, assim como mudar a paleta de cores, que são àqueles mesmos itens que você escolheu ao criar uma nova apresentação. Estes detalhes podem ser alterados para que não seja necessário você sair do programa e criar outra apresentação novamente caso não tenha gostado. Ainda nesta guia, temos o grupo “PERSONALIZAR”, onde podemos definir o tamanho dos slides de 4:3 ou 16:9, onde este último é no formato Widescreen – da maioria dos monitores, televisores e projetores. Introdução à EAD 39 Guia “Transições” Agora nesta guia trataremos de como fluirá a troca de um slide para outro. O nome desta troca é transição. Existem 50 transições possíveis. E como você deve ter percebido, no PowerPoint, tudo é uma questão de gosto pessoal. Portanto, use a sua criatividade e faça com que ao passar de um slide para outro tenha efeitos bem bacanas. Operações Básicas Até agora, com o que vimos, você já pode criar uma apresentação bem legal, mas como utilizar todos estes recursos? Vamos ver juntos agora? Bom ao criar uma nova apresentação e já conhecendo o que as guias novas nos possibilitam, vamos ver como está nossa tela de entrada para esta criação: Figura 28 - Tela de criação de nova apresentação Fonte: O autor Verifique que o próprio PowerPoint já informa como você pode colocar os conteúdos nos slides, deixando-os mais apresentáveis e limpos. 40 Introdução à EAD Depois de configurar o primeiro slide, clique no ícone NOVO SLIDE ( ) e irá abrir um novo menu se opções de slides para serem adicionados, como pode ser verificado na figura 29, a seguir: Figura 29 - Menu de novo slide Fonte: O autor Introdução à EAD 41 Figura 30 - Detalhe de ícones do Slide Fonte: O autor Neste momento, escolha o slide “Título e Conteúdo”, pois trabalharemos sobre este tipo de slide, e veja que ele mudou o formato de colocação do material dentro dele. Agora temos um campo para colocar um título do Slide (não confunda com o título do primeiro, pois este é o título geral do trabalho, aqui é o título do Slide) e também um outro campo onde podemos colocar conteúdo tanto na forma de texto ou alguns itens (expostos na forma de ícones no centro deste campo), como podemos observar na figura abaixo: Você entenderá agora cada um dos ícones: 1. Tabelas: você pode inserir tabelas em seus slides; 2. Gráficos: com base em alguns dados o próprio programa gerará um gráfico para você; 3. SmartArt: é uma forma de sequência de figuras geométricas formando um fluxograma; 4. Imagem: Inserir uma imagem que você já tenha em seu computador; 5. Imagens Online: são imagens tiradas diretamente da Internet, porém é necessário estar online no momento da apresentação para que as imagens sejam carregadas; 42 Introdução à EAD 6. Vídeos: Sim, nossos slides não são de conteúdos somente estáticos, logo podemos colocar vídeos neles e tornar nossa apresentação mais dinâmica. Neste momento, você já tem o conhecimento de como inserir novos slides e como colocar conteúdos neles, pratique criando apresentações sobre assuntos que vocês gostem. Quer dizer que minha apresentação está pronta? Não. Agora vamos lapidar nossa apresentação e deixa-la mais bonita. Como deixar melhor uma apresentação Temos uma apresentação, mas não quer dizer que já esteja boa ou ainda atrativa, e é justamente nestes pontos que vamos trabalhar para que possa ser elogiado ao final dela. O que lhe será apresentado agora, são dicas de criação: • Fundo Branco: NUNCA use fundo branco em suas apresentações, pois isso passará uma ideia de que você não tinha interesse em criá-la, sem contar que para quem assiste, torna-se uma palestra cansativa. • Contraste: Sempre verifique os contrastes de cores, pois eles ajudaram ao espectador visualizar melhor o que está sendo exposto. Cuide com conjunto de cores como Vermelho e Azul, Verde e Amarelo, Verde e Azul, Preto e Vermelho, pois esses contrastes cansam a vista e tiram o foco de quem lê. • Poluição visual: Inserir imagens, tabelas, Smart Arts sempre é muito bom, mas inserir muitas coisas em um mesmo slide cria uma poluição visual forte e tira o foco do assunto principal. Opte por utilizar uma ou no máximo duas imagens por slides. • Somente textos: Sempre tente colocar pelo menos uma imagem, mesmo que pequena. Não deixe somente textos em seus slides, principalmente se forem muitos textos e seguidos um do outro, pois pode fazer com que seu espectador tenha fadiga (caso isso aconteça ele, além de perder a atenção, não saberá se você trocou o slide ou não). Introdução à EAD 43 Usar emojis é uma alternativa visual para indicar que trocou o slide, além de dar uma “graça” à sua apresentação. 😉 • Cuidar com as fontes: Utilizar de recursos de mudar de fontes é uma ótima ideia, mas tenha cuidado com o tipo de fonte, pois algumas enfeitamtanto que não permitem uma leitura clara do conteúdo. Você consegue ler perfeitamente com essa fonte? (Você consegue ler perfeitamente com essa fonte?) • Quantidade de texto: Em uma apresentação não utilize de “textões” por cada slide. Eles cansam e não lhes possibilitam colocar imagens. Opte por colocar tópicos apenas, isso porque você já deve conhecer o conteúdo e caberá a você discorrer sobre o assunto. • Tamanho da fonte: Você deve já ter reparado que as fontes têm tamanhos diferenciados do Word, ou seja, variam de 24 a 48 pontos contra os tradicionais 10 a 14 no Word. Isso se dá para não colocar textões, e também para que possa colocar somente o necessário. • Transições: Utilize de transições entre os slides, dessa forma, quando trocar de um para o outro, o espectador entenderá que houve mudança e voltará a ter a sua atenção. Porém, utilize um ou dois tipos de transições, não precisa fazer de sua apresentação uma edição de cinema com “quinhentos” efeitos visuais (você não ganhará um Oscar pelas suas transições). • Executar a apresentação: Para iniciar uma apresentação, é necessário apertar a tecla “F5” no teclado e sua apresentação ocupará a tela inteira. Com estas dicas, certamente terá uma apresentação maravilhosa, empolgante e com total atenção de seu público. Como salvar a apresentação Diferentemente de qualquer programa da Microsoft, o PowerPoint disponibiliza duas formas de salvamento, PPTX e PPSX. Vamos entender essas duas formas agora. 44 Introdução à EAD PPTX ( ) é um arquivo que o PowerPoint salva automaticamente suas apresentações. Para abrir as apresentações neste formato é necessário abrir o programa e após executar a apresentação, pressionando a tecla “F5”. PPSX ( ) é um arquivo que você deverá ir no “SALVAR COMO” para salvar arquivos neste formato. Este tipo de arquivo possibilita que você já execute sua apresentação em tela cheia e sem a necessidade de abrir o PowerPoint. Isso não quer dizer que não necessite do programa instalado no computador, pelo contrário, é preciso ter o software instalado para realizar esta ação. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o PowerPoint é um poderoso programa para criação, edição e criação de apresentações e que criar uma apresentação, apesar de parecer uma coisa fácil e simples, inclusive pela forma intuitiva como a Microsoft disponibiliza suas ferramentas, não é tão simples assim, sendo necessário cuidar do tamanho e tipo de fonte, poluição visual, contraste de cores, inserção de imagens, além claro da forma como salvaremos nossa apresentação. Devemos relembrar queé muito importante e necessário sempre utilizar táticas para prender a atenção do seu espectador, fazendo uso dos recursos visuais das apresentações. Gostou do que viu até aqui? Não vamos parar, temos ainda mais um capítulo desta unidade. Vamos em frente! Introdução à EAD 45 Como trabalhar com uma planilha de cálculos? INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como funciona o Excel, além de entender o que é, para que serve, como trabalhar, como inserir funções e até mesmo imagens nas planilhas eletrônicas do Excel. Além disso, também mostraremos o quanto o Excel pode facilitar trabalhos de controles. Isto será fundamental no seu processo de formação profissional enquanto estudante de EaD. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Conhecendo o Excel Até início dos anos 1990 os controles eram realizados através de planilhas montadas com canetas e cadernos, e os cálculos eram feitos nas calculadoras e passados com canetas à mão para o caderno. Porém, este cenário mudou com a vinda do antigo “Lotus123” onde, posteriormente, a Microsoft criou o Excel, que substituiu em sua totalidade este programa (Lotus). Atualmente o Excel, que é um editor de planilhas eletrônicas, no qual são utilizadas diariamente por inúmeras funções, que tem sua utilização destinada à controles, estoques, criação de estatísticas e muitas outras coisas mais comuns, até mesmo como um banco de dados de informações para gerenciamento de empresas ou clientes. A Microsoft Excel trabalha de três formas distintas: reativa, proativa e expositiva. A intenção deste capítulo não é gerar um curso completo de Excel, mas uma abordagem mais ampla, mostrando do que ele é capaz e como iremos trabalhar com ele. A forma reativa é quando preparamos as planilhas, mas todos os cálculos e informações são feitas entradas de formas manualmente, ou seja, o usuário é que as insere uma a uma. No modo proativo, o Excel já tem fórmulas e funções definidas por quem o conhece e os usuários 46 Introdução à EAD só inserem informações primárias, mas as respostas o próprio programa trata de trazer automaticamente. Porém, no modo expositivo, o Excel pegará todas as respostas do modo proativo e trata de modo a exibir estes dados para o usuário, sem haver necessidade de entrada de dados por parte deste usuário. Nós trabalharemos a seguir com as funções básicas do Excel, para que possam fazer apenas uma parte do trabalho e deixar ele trabalhar um pouco para vocês. Células, Linhas e Colunas Diferentemente do Word que apresenta um “papel” para escrever e do PowerPoint que disponibiliza um slide para ser exposto em apresentações, o Excel nos mostra uma área de trabalho bem diferente de todos os programas anteriores. Veja na figura abaixo a área de trabalho do Excel. Em seguida explicaremos cada uma das partes desta área de trabalho. Figura 31 - Área de trabalho do Excel Fonte: O autor Introdução à EAD 47 1. Guias de ferramentas; 2. Indicador das colunas; 3. Indicador das linhas; 4. Campo de células; 5. Planilhas da pasta de trabalho. No Excel, a tela de trabalho é composta por linhas e colunas formando células, mas o que é que são esses conceitos? As colunas são nominadas com letras que iniciam no “A” e vão até “XFD”, totalizando 16.384 colunas verticais. As linhas são numeradas e iniciam na linha 1 e vai até a linha 1.048.576. Lembrando que as linhas são sempre horizontais. No total, o Excel disponibiliza 17.179.869.184 células para se trabalhar em cada planilha criada. As células são cada unidade cruzada pela coluna com as linhas. O programa trabalha com células ativas e células inativas, vejam a figura abaixo para uma melhor explicação. Figura 32 - Células no Ex cel Fonte: O autor 48 Introdução à EAD Nesta imagem, é possível ver que a célula ativa é a mesma célula que está selecionada, ou seja, a célula da Coluna B e da Linha 2, (célula B2). Já todas as outras células estão inativas. Como já temos agora o conhecimento básico do que são colunas, linhas e células, podemos seguir adiante com as operações dentro do Excel. Operações Básicas Para muitas pessoas, o Excel é considerado um “bicho de 7 cabeças”, mas não por apenas desconhecerem o programa, e sim, por não terem muita noção de lógica e nem gostarem de matemática. Isso se explica pois, qualquer operação no Excel é baseada em conceitos lógicos e matemáticos. Apresentaremos os conceitos mais básicos e as operações e funções mais básicas a seguir: Operações Aritméticas e Lógicas Operações Aritméticas Agora que entendeu o início do Excel, vamos conhecer as operações aritméticas que é possível operar com ele. Só que antes de sair realizando as operações e colocando fórmulas no Excel, vamos conhecer quais são as operações aritméticas básicas utilizadas neste programa. Operador Definição Exemplo Resultado + Este é um operador de Soma 2+2 4 - Este é um operador de subtração 3-1 2 Tabela 1 - Operadores aritméticos Introdução à EAD 49 Fonte: O autor * Este é um operador de multiplicação, o sinal é asterisco e não o tradicional “x” 3*9 27 / Este é um operador de divisão, o sinal é barra. 36/4 9 ^ Este é um operador de potência (expoente), o sinal é acento circunflexo. 5^2 25 % Este é um operador de porcentagem 20% 0,2 Sempre que formos colocar uma operação no Excelé necessário iniciar com o sinal de igual (“=”). Exemplo: =2+2 Para iniciar os trabalhos com estes operadores, podemos indicar células para serem operadas com outras células, porém teremos que estar em uma célula diferente das que serão trabalhadas. Para exemplificar melhor, vamos imaginar que esteja com a célula ativa na posição C1 (terceira coluna e primeira linha) e quer somar o resultado das células A1 e B1. Colocará o seguinte conteúdo na C1: “=A1+B1” (sem as aspas), e agora só colocar qualquer número nas células A1 e B1 e o resultado da C1 será a soma das duas primeiras. Estes foram os operadores aritméticos para que possa realizar operações matemáticas com o Excel. Operações Lógicas Os operadores lógicos irão nos trazer como resposta apenas se é verdadeiro ou falso. Em que isso será importante para minhas planilhas? 50 Introdução à EAD Imagine que você tem dois valores, e quer comparar se um é igual ao outro ou se um maior que o outro, como resposta terá apenas se sim ou não (mesma situação para verdadeiro ou falso). Veja abaixo a tabela de operadores lógicos. Operador Condição Valores de A1 e B1 Exemplo Resultado = Igual à A1 = 2 ; B1 = 2 =A1=B1 VERDADEIRO <> Diferente de A1 = 2 ; B1 = 2 =A1<>B1 FALSO > Maior que A1 = 34 ; B1 = 78 =A1>B1 FALSO < Menor que A1 = 34 ; B1 = 78 =A1<78 VERDADEIRO >= Maior igual à A1 = 65 ; B1 = 64 =A1>=B1 VERDADEIRO <= Menor igual à A1 = 65 ; B1 = 65 =A1<=B1 VERDADEIRO Tabela 2 - Operadores Lógicos Fonte: O autor Então para as operações básicas, tanto aritméticas como lógicas fica mais fácil preparar as expressões. A partir de agora veremos as funções mais básicas e simples do Excel. Funções Básicas O Excel dispõe de funções que facilitam nossa vida, e com isso veremos algumas das mais importantes e utilizadas. Introdução à EAD 51 Tabela 3 - Exemplos da função soma Fonte: O autor IMPORTANTE: Como os operadores, todas as funções tem que iniciar com o sinal de igual (“-“) antes da função. • Função SOMA () A função soma tem como função, somar os valores de várias células, tanto de modo sequencial como alternados. Vamos ver uma tabela de exemplos e como serão feitas as somas: Função Retorno =soma(a1:a20) Um somatório de todas as células compreendidas, e incluindo, as células A1 e A20. =soma(a1;a3;a5) Um somatório das células A1, A3 e A5 somente. =soma(a1:a5;a7:a10) Um somatório da sequencia de células do A1 até o A5 mais o somatório da sequência de células do A7 até o A10 • Função MÉDIA () A função média tem a mesma característica de sintaxe (modo de escrever) que a função soma, porém, além de somar todas as células do intervalo descrito também realizará uma divisão da quantidade de células utilizadas para este cálculo Exemplo: =média (A1:A5) → será realizada uma soma das células A1, A2, A3, A4 e A5 e após efetuada uma divisão por 5, pois foram utilizadas 5 células. • Função SE () A função SE é um pouco mais complicada para umas pessoas do que outras, mas para facilitar descreveremos de uma forma mais simples: 52 Introdução à EAD Imagine que você vai falar para alguém a seguinte frase: “Já que vai ao supermercado, SE CHOVER LEVE GUARDA-CHUVA, SENÃO NÃO PRECISA!”. Deixei destacada justamente a parte da função SE, que justamente como a falamos, será a forma como iremos escrevê-la. Mais adiante mostraremos a sintaxe dessa função. NOTA: Sempre fale em voz alta a função que pretende escrever e ficará mais fácil de saber o que, e como escrever! Vamos ver a sintaxe da função SE: Exemplo: =se (A1>B1;”A1 é maior que B1”;”B1 é maior que A1”) → Nesta função leremos da seguinte forma: Se A1 for maior que B1 então diga exatamente “A1 é maior que B1”, senão diga “B1 é maior que A1”. Viram como não é complicado trabalhar com o Excel? RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a Microsoft Excel é um poderoso editor de planilha eletrônica que tem muito mais a oferecer do que o que vimos até aqui. Nele podemos colocar fórmulas de matemática e teremos os resultados exatos e precisos, temos como colocar funções, para fazer uma média automaticamente ou então uma condicional (SE) e ele pensar por nós e calcular tudo para que não tenhamos tanto trabalho. Recomendamos que você não deixe de praticar as lições aprendidas no Excel, pois existem inúmeros outros recursos a mais do que os que citamos neste capítulo, inclusive funções muito mais avançadas. Gostou até aqui? Infelizmente temos que terminar por aqui, mas não faltarão oportunidades de novos encontros. Esperamos você em outras disciplinas. Até a próxima! Introdução à EAD 53