Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Nome: _____________________________________________________________________ 
Matrícula: ________________________________________ 
 
 Elabore uma resenha sobre a fraude da WorldCom. ( Vale 1,0 ponto) 
 
Segue abaixo, parte de um artigo publicado pela Universidade da Pennsylvania em Janeiro de 2003 sobre o 
caso WorldCom. O artigo traz o ponto de vista de vários especialistas sobre as características dos fatos e dos 
agentes envolvidos em um dos maiores escândalos da época. 
 
O que saiu errado na WorldCom? Publicado pela Universidade da Pennsylvania – Jan/2003 
Foi um dos maiores escândalos, mesmo numa época em que quase toda semana aparece um novo 
caso de conduta ilícita nas empresas. A WordlCom, segunda maior provedora de serviços de 
telefonia de longa distância e de dados nos EUA, anunciou no dia 25 de junho que iria rever a quantia 
de US$ 3,85 bilhões em suas demonstrações financeiras. Investidores, analistas e o público ficaram 
perplexos, pois viram os lucros anteriormente relatados de repente se transformarem em perdas. As 
irregularidades contábeis foram descobertas durante uma auditoria interna. 
 Como todo mundo sabe, muita coisa aconteceu depois daquela declaração. O diretor financeiro 
Scott Sullivan, que já foi considerado um prodígio na área contábil, foi demitido. A Comissão de 
Valores Mobiliários e Câmbio (SEC) acusou a WorldCom de fraude. Como a perspectiva de 
concordata parece certa, a Wall Street penalizou as ações da WorldCom, que já estavam depreciadas 
mesmo antes do anúncio; elas fecharam a 10 centavos de dólar no dia 2 de julho. Os analistas 
advertiram que poderia haver outras más notícias e que quando a poeira assentasse, a falha da 
WorldCom poderia ser mais cara que a da Enron. 
Como isso foi acontecer? E, o que é mais importante, como os investidores poderão confiar nas 
demonstrações financeiras das empresas? De acordo com especialistas da Wharton e de outras 
instituições, as reformas contábeis são essenciais — mas será preciso muito mais para restabelecer 
a integridade e a responsabilidade no mundo empresarial. 
“O que mais surpreende no caso da WorldCom é a natureza extremamente básica do que ocorreu”, 
diz Karen Nelson, professora de contabilidade da Standford Graduate School of Business. “A Enron 
tinha parcerias e contabilidade muito complexas para uma entidade com fins especiais. Mas a 
WorldCom errou em coisas que são ensinadas logo nas primeiras aulas sobre relatórios financeiros. 
É por isso que as pessoas estão se perguntando como ela pode ter deixado de lado conceitos tão 
básicos e importantes.” 
No dia 1 de julho, a WorldCom forneceu à SEC um documento detalhando o que sabia até então 
sobre seus problemas contábeis. O documento explicava que em 2001, assim como no primeiro 
trimestre de 2002, a WorldCom lançou erradamente os custos das linhas —basicamente taxas 
associadas ao uso de serviços de rede e instalações de terceiros— como dispêndio com ativos fixos. 
Ao que parece, essas transferências foram descobertas por Cynthia Cooper, vice-presidente da 
WorldCom – e auditora interna. Quando informados sobre o que aconteceu, tanto a atual auditora 
da empresa, a KPMG, quanto sua antiga auditora, a Andersen, concordaram que tais transferências 
não estavam de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP, em inglês). Após 
revisão feita pelo comitê de auditoria da empresa, o conselho de administração da WorldCom 
despediu Sullivan e aceitou a demissão de David F. Myers, vice-presidente sênior e controlador. A 
ação judicial da SEC veio um dia depois. 
“A transferência de despesas para os dispêndios com ativos fixos é sem dúvida fraudulenta. Não há 
desculpas para esse tipo de declaração falsa. Quase todos da área concordam que o pagamento de 
tarifa para arrendamento de linhas locais é evidentemente uma despesa”, explica Robert A Howell, 
professor visitante de administração de empresas da Dartmouth’s Tuck School formado pela 
Wharton em 1962. Essas despesas devem ser reconhecidas de imediato no período decorrido, ao 
contrário dos dispêndios, que podem ser legitimamente capitalizados como ativos e depreciados 
durante sua vida útil. Essa declaração falsa das despesas da WorldCom inflou artificialmente seu 
rendimento líquido, bem como seu lucro antes da dedução dos juros, impostos, depreciação e 
amortização. 
Se a empresa achava que, a despeito das regras, era correto tratar os custos das linhas como 
dispêndio com ativos fixos, como alegou Sullivan, deveria ter divulgado isso antes, observou Nelson. 
“Ao contrário da situação da Enron, as questões contábeis aqui são muito bem definidas. É claro que 
o diretor financeiro pode argumentar que acreditava que a contabilidade estivesse certa. Mas, se era 
assim, por que não explicou logo na primeira nota de rodapé do relatório anual? Se você acha que 
esse é o modo de lidar com os custos, coloque numa nota de rodapé para que fique tudo 
transparente”, explicou. 
Os auditores também têm sua culpa, acrescentou. “É certo que não se pode verificar linha por linha, 
mas acho que mesmo a aplicação de técnicas básicas de amostragem teria revelado esse tipo de 
entrada. E parece que o procedimento deles foi bem sistemático”, disse ela. 
Peter Knutson, professor emérito de contabilidade da Wharton, caracteriza essas transferências 
como algo similar ao desfalque — basicamente a canalização do dinheiro de um lugar para outro. “O 
que suspeito — embora não passe de mera especulação — é que com os fundos ’emprestados’, o 
diretor financeiro pode ter achado que a empresa seria capaz de cumprir suas obrigações e que isso 
ajudaria a WorldCom a superar o período difícil até que ela tivesse dinheiro”, diz ele. “A redução de 
valor nos livros poderia ser adiada, mas teria que ser feita em algum momento, por isso desconfio 
que ele sabia que essa não era uma maneira correta de agir.” 
“Não houve erro na demonstração de caixa, portanto, nesse sentido, não se pode dizer que houve 
‘fraude de caixa’. O que aconteceu é que os valores foram colocados na parte errada da demonstração 
dos fluxos de caixa, por exemplo, em investimentos em vez de operações”, explica Nelson. 
O documento da WorldCom para a SEC também revelou que a empresa está examinando algumas 
“reversões importantes das contas de reserva”, uma prática contábil questionável conhecida 
como cookie-jar. “A conta de reserva poderia ser uma provisão para dívidas incobráveis, por 
exemplo”, explica Howell. “Toda vez que você faz uma venda, faz uma estimativa da dívida 
incobrável. À medida que as dívidas incobráveis acontecem, você debita da conta de reserva. No fim 
do ano, cabe aos auditores ver se as reservas foram excessivas, se foram adequadas etc. Eles analisam 
o histórico de dívidas incobráveis e dão seu parecer. Há alguma flexibilidade nesse processo, pois 
você pode escolher quando quer reverter as reservas. Isso eleva seus lucros. 
“Você pode acompanhar tudo — pode calcular o percentual de provisão para as dívidas incobráveis 
comparando com as contas a receber”, observa. Se os números continuam mudando drasticamente 
de ano a ano, diz Howell, é porque há alguma coisa a questionar. Mas muitas reservas nem sempre 
se refletem nas demonstrações financeiras públicas, de modo que as pessoas não se lembram delas. 
 
O investidor que se acautele 
Leuz adverte que os investidores precisam saber que os resultados contábeis e financeiros são 
inflados com estimativas e opiniões. “O público tem que ser um pouco cético e entender que certas 
opiniões acabam se mostrando erradas. Os investidores podem ter acreditado demais nos números 
referentes aos lucros. Não há desculpas para o que aconteceu — as alegações recentes são de fraude 
e manipulação. Mas mesmo quando as regras contábeis são seguidas corretamente, sempre há 
opiniões.” 
No dia 28 de junho, a SEC convocou os diretores executivos e diretores financeiros de grandes 
empresas para queatestassem pessoalmente a precisão de suas demonstrações financeiras mais 
recentes e publicou uma lista de mais de 900 empresas, todas com receita declarada superior a US$ 
1,2 bilhão, que deverão fazer o mesmo. 
Leuz menciona que há muitas questões a analisar com relação a tais medidas. “Por um lado, 
necessitamos de responsabilidade, mas também temos que ser realistas sobre o que um diretor 
executivo pode saber a respeito de cada transação e sua contabilidade. Em princípio, é uma boa idéia 
deixar os gerentes responsáveis pelas demonstrações financeiras das empresas. Mas é difícil, se não 
impossível, para um diretor executivo conhecer e verificar cada transação. Temos que ser realistas 
sobre como os diretores executivos, em sua função, vêem as informações financeiras. Entretanto, 
isso não significa que eles estejam isentos das obrigações. É responsabilidade do diretor executivo 
garantir que os funcionários da organização relatem os números de maneira confiável. Também 
parece correto pedir aos gerentes e auditores que supervisionem os números.” 
Knutson adverte que os diretores executivos de empresas muito grandes não podem saber de todas 
as transações financeiras. “Como um diretor executivo pode garantir a precisão dos números? Pense 
na GE, por exemplo, e [o ex-diretor executivo] Jack Welch. Welch poderia saber se os números da 
empresa eram precisos? Ele tinha que confiar no controlador, o responsável contábil. Confiou no 
responsável pelo departamento de controladoria cujo trabalho é preparar o relatório anual. Eles 
precisam ter pessoas em quem possam confiar.” A idéia da certificação pelo diretor executivo parece 
boa e resulta em boa pressão, diz Knutson, mas nem sempre é realista. 
Nelson acredita que atribuir a responsabilidade aos funcionários mais importantes só ajudará se 
houver imposição. “Acho que se houver poder efetivo por trás das regras, conseqüências para as 
fraudes e certificação pelo diretor executivo, então funcionará. Penso que é razoável esperar algum 
tipo de certificação. Afinal, a empresa é deles, e eles estão sendo pagos — e muito bem pagos — para 
gerenciá-la”, diz ela. “Antigamente as pessoas pegavam o relatório anual de uma empresa e achavam 
que era incontestável”, acrescenta. “Agora é apenas uma leitura de praia no verão. Elas acreditam 
que tudo é montado. Acho que os profissionais em contabilidade deveriam realmente se preocupar 
com isso.” 
 
Responsabilidade da auditoria 
Fortes mecanismos de controle, internos e externos, são a chave, concordam os especialistas. “Os 
auditores externos geralmente realizam auditoria fiscal uma vez por ano, período em que ficam 
dentro da empresa. Mas problemas sistemáticos como os da WorldCom, em que os números foram 
mal classificados um trimestre após o outro, deveriam ter sido pegos pela equipe de auditoria. Os 
controles internos são mais oportunos em muitos aspectos”, diz Nelson. 
“O papel do diretor financeiro não pode ser minimizado; quando um diretor financeiro tem uma 
agenda, sabe falsificar os livros contábeis e lidar com os auditores e conhece os procedimentos de 
auditoria, ele pode conduzi-los para que vejam o que ele quer, e os auditores não estão sendo tão 
céticos quanto deveriam”, acrescenta ela. 
“A tarefa de auditoria não é simples. Se alguém quer esconder coisas dos auditores, provavelmente 
encontra um meio”, completa Leuz. “Os auditores muitas vezes adotam uma estratégia baseada nos 
riscos, e examinam as áreas que acreditam serem mais suscetíveis a erros. É impossível verificar 
cada transação com o mesmo nível de detalhamento. Por isso, é uma tarefa desanimadora. Mas não 
significa que as pessoas devam cometer fraudes sem punição. Se a fraude estiver ocorrendo no nível 
mais alto, o diretor financeiro acabará sendo acusado — por isso, o auditor interno deve ter uma 
outra pessoa com quem conversar.” 
Wysocki observa que os órgãos supervisores estão tomando medidas duras contra as práticas 
suspeitas nesse setor. “Os auditores que não forneceram avaliações contábeis independentes no 
passado agora estão enfrentando penalidades pelo que fizeram. Nesse ambiente, as autoridades 
provavelmente não tolerarão mais que as empresas de contabilidade prestem serviços de auditoria 
e de consultoria para o mesmo cliente. Embora se possa dizer que a ‘concorrência das taxas de 
serviço’ é responsável pelos problemas atuais, as empresas de contabilidade estão pagando por suas 
estratégias imprudentes”, diz ele. 
Nelson concorda. “A área de auditoria na verdade precisa de reforma. Eles estiveram se 
autopoliciando por tempo longo demais. Não é necessariamente uma mudança nas regras que se 
impõe, mas a análise de quem é o responsável pela supervisão”, conclui.

Mais conteúdos dessa disciplina