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Questão 1/10 - Administração Financeira e Orçamentária Embora o tesoureiro e o controller façam parte da função financeira da empresa e estejam subordinados ao CFO (Diretor Financeiro), suas funções são distintas. De acordo com Gitman (2010), “o foco do tesoureiro tende a ser mais externo, e o do controller, mais interno”. Com base no exposto, assinale a alternativa que apresenta funções que o autor define como próprias do tesoureiro na área de finanças empresariais. Nota: 10.0 A Planejamento financeiro; contabilidade de custos; captação de fundos. B Operações de câmbio; contabilidade de custos; contabilidade Financeira. C Planejamento financeiro; decisões de investimento; captação de fundos. Você acertou! Rota da aula 01, pág. 04. D Decisões sobre investimentos; gestão de caixa; contabilidade de custos. E Contabilidade financeira; contabilidade de custos; decisões de investimentos. Questão 2/10 - Administração Financeira e Orçamentária As decisões financeiras da empresa podem referir-se a políticas de curto ou de longo prazo. Sabemos que toda decisão financeira deve ter como foco a valorização das ações da empresa e o aumento da riqueza dos sócios. A alavancagem financeira é uma ferramenta que presta um auxílio importante para esse tipo de análise. Considere as seguintes informações: Analise as assertivas a seguir, com base nos conceitos de alavancagem financeira, classificando-as como verdadeiras ou falsas. I. Para o cálculo do GAF, a DRE deve ser ajustada, e as despesas financeiras são excluídas do cálculo do lucro operacional e aparecem imediatamente depois do “lucro operacional após o imposto de renda”. II. As siglas ROE e ROI significam “retorno sobre o investimento” e “retorno sobre o patrimônio líquido”, respectivamente. III. Quanto menor o custo da dívida em relação ao Retorno Sobre o Investimento, maior será o Retorno Sobre o Patrimônio Líquido. IV. Se tivermos um ROI = 10%, e ROE = 8% o resultado demonstra que houve alavancagem financeira favorável, pois o GAF é maior do que um. Assinale a alternativa que traz a sequência correta: Nota: 10.0 A F, V, F, V B F, V, F, F C V, V, F, V D V, F, V, F Você acertou! Gabarito: II. As siglas ROE e ROI significam “RETORNO SOBRE O PATRIMÔNIO LÍQUIDO” e “RETORNO SOBRE O INVESTIMENTO”, respectivamente. Se tivermos um ROI = 10%, e ROE = 8% o resultado demonstra que houve alavancagem financeira IV. DESFAVORÁVEL, pois, o GAF é MENOR do que um. (GAF = ROE/ROI – GAF= 8/10 GAF = 0,83). Rota da aula 01, pág.7, 8 e 9. E V, V, V, F Questão 3/10 - Administração Financeira e Orçamentária Antes de iniciar qualquer estudo de viabilidade, é preciso saber qual é a “referência” para a análise. Na análise de investimentos, a mencionada referência de análise se chama Taxa Mínima de Atratividade (TMA). Podemos defini-la como sendo a taxa de juros considerada como minimamente aceitável para remunerar o investimento que será realizado. Assinale a alternativa que diz respeito às três variáveis consideradas na formação da TMA. Nota: 10.0 A Payback; taxa interna de retorno; valor presente líquido. B Custo de oportunidade; risco do investimento, liquidez. Você acertou! Gabarito: Rota da aula 0, pág. 03. C GAF; ROI; ROE. D Ativo, passivo, patrimônio líquido. E Receitas brutas, despesas operacionais, lucro bruto. Questão 4/10 - Administração Financeira e Orçamentária A análise de Swot é uma técnica de análise dos ambientes interno e externo, comumente empregada para a avaliação do posicionamento da organização e de sua capacidade de competição. Essa análise consiste em realizar uma investigação completa sobre a empresa e sobre o ambiente no qual ela está inserida. Assim, a gestão terá informações mais precisas para elaborar estratégias com maior segurança. Assinale a alternativa que demonstra os fatores considerados nas análises dos ambientes interno e externo pela Matriz Swot. Nota: 10.0 A Política; econômica; social; tecnológica B Concorrentes; fornecedores; clientes; produtos C Preço; promoção; produto; praça D Forças; fraquezas; oportunidades; ameaças Você acertou! Gabarito: Rota da aula 04 página 05 Forças; fraquezas; oportunidades; ameaças E Rivalidade; barganha; substitutos; entrantes Questão 5/10 - Administração Financeira e Orçamentária Capital de giro pode ser definido como o montante de recursos aplicado pela empresa em seu ciclo operacional, que durante o processo de produção, venda e recebimento transforma-se e assume diferentes formas. Sobre os conceitos de capital de giro, analise as opções a seguir classificando-as como verdadeiras (V) ou falsas (F). I. O capital de giro é conhecido também como capital circulante. II. O capital de giro corresponde aos recursos aplicados em ativos circulantes, que se transformam constantemente dentro do ciclo operacional. III. O termo “giro” refere-se aos recursos correntes (curto prazo) da empresa. IV. Os itens que geralmente compõe o capital de giro ou capital circulante são as disponibilidades. Assinale a resposta correta: Nota: 10.0 A V, V, V, V Você acertou! Todas estão corretas. Livro: LUZ, Adão Eleutério da. Introdução à administração financeira e orçamentária. Curitiba: Intersaberes Dialógica, 2015. páginas 117 - 120. B V, F, F, V C F, V, V, V D V, F, V, F E F, V, F, V Questão 6/10 - Administração Financeira e Orçamentária Todo processo orçamentário envolve muitas pessoas em sua elaboração e execução. As partes do orçamento são realizadas separadamente e unidas posteriormente por meio de um processo chamado consolidação. Depois, é chegada a hora de verificar se tudo o que foi planejado em termos de metas está sendo contemplado no orçamento geral. Sobre as etapas do orçamento, analise as características a seguir: “É iniciada com o plano de marketing, a partir do que a entidade direciona os esforços para o seu mundo externo, pelo plano de produção, suprimentos e estocagem (no caso de uma entidade que tenha a geração de um produto tangível), plano de investimento no ativo permanente e plano de recursos humanos”. Assinale a alternativa que demonstra a etapa do orçamento caracterizada. Nota: 10.0 A Orçamento de capital B Orçamento operacional Você acertou! Gabarito: Rota da aula 05 página 02 A etapa operacional é iniciada com o plano de marketing, a partir do que a entidade direciona os esforços para o seu mundo externo, pelo plano de produção, suprimentos e estocagem (no caso de uma entidade que tenha a geração de um produto tangível), plano de investimento no ativo permanente e plano de recursos humanos. C Orçamento financeiro D Orçamento de investimentos E Orçamento de custos e despesas Questão 7/10 - Administração Financeira e Orçamentária A geração de caixa pode ser considerada como a “seta dourada” do processo financeiro dentro de uma empresa privada. Quando temos uma atividade que gera caixa é possível afirmar que dispomos de um negócio que contemple uma demanda de mercado e que os consumidores estão dispostos a comprar um determinado produto e/ou serviço. Analise as proposições e marque a correta: Sobre a geração de Caixa, é correto afirmar que: I - Empresas que geram fluxo de caixa e possuem a expectativa e tendência de continuar gerando, Porque II - São empresas com maior volume de vendas e com maior probabilidade de obter lucros e rentabilizar capital de investidores. A respeito dessas assertivas, assinale a opção correta segundo a teoria vista nas aulas e no texto da disciplina: Nota: 10.0 A As assertivas I e II são verdadeiras, porém são proposições excludentes. B A assertiva I é uma proposição falsa e a II é verdadeira. C As duas assertivas são falsas. D As duas assertivas são verdadeiras e complementares entre si. Você acertou! Correta a letra C. MATERIAL PARA IMPRESSÃO DO AVA – AULA 02 p. 03E A assertiva I é uma proposição verdadeira e a II é falsa. Questão 8/10 - Administração Financeira e Orçamentária Se o custo dos recursos de terceiros utilizados no financiamento for menor do que o retorno produzido pelos ativos nos quais foram aplicados, há uma diferença positiva em favor dos proprietários. A _______________________ decorre da existência de recursos de terceiros na estrutura de capital da empresa. Essa injeção financeira somente deve ser feita após cuidadosa análise destinada a fornecer elementos adequados aos acionistas que podem ou não aprovar. Complete a frase acima com a alternativa que melhor se adequa à lacuna em aberto. Nota: 10.0 A Alavancagem financeira. Você acertou! A ALAVANCAGEM FINANCEIRA decorre da existência de recursos de terceiros na estrutura de capital da empresa. Livro LUZ, Adão Eleutério da. Introdução à administração financeira e orçamentária. Curitiba: Intersaberes Dialógica, 2015. Página 151. B Alavancagem operacional. C Análise volume-lucro. D Alavancagem total. E Ciclo financeiro. Questão 9/10 - Administração Financeira e Orçamentária Os fluxos de caixa demandam atenção especial por parte do financeiro da empresa (tesoureiro), que sabe da importância dada pelos usuários destes demonstrativos (proprietários ou acionistas). No entanto, a projeção dos fluxos de caixa depende da contabilidade (controladoria), que gera as informações contábeis necessárias para a sua elaboração. Sobre a forma que pode ser estruturada a análise de desempenho do fluxo de caixa, enumere a segunda coluna de acordo com a primeira. 1 - Análise de consistência ( ) Tem a preocupação básica de conteúdo, assegurando que as informações estão todas lá no modelo, e são adequadas. 2 - Análise comparativa ( ) Pretende alcançar os melhores resultados em termos de geração de caixa. 3 - Análise de otimização ( ) Faz comparações sumarizadas. Assinale a assertiva que mostra a sequência correta: Nota: 10.0 A 1, 2, 3 B 1, 3, 2 Você acertou! Gabarito: Rota da aula 06 páginas 06 e 07. C 2, 3, 1 D 3, 2, 1 E 3, 1, 2 Questão 10/10 - Administração Financeira e Orçamentária O índice de lucratividade, é um índice que apresenta quanto se ganha por unidade monetária investida no projeto, ou seja, ele apresenta qual foi o retorno financeiro do projeto para cada R$ 1,00 investido. Analise o contexto a seguir: Considere um investimento de R$ 50.000,00 e que gerou 5 retornos anuais líquidos de R$ 15.000,00, R$ 18.000,00; R$ 21.000,00; R$ 24.000,00 e R$ 27.000,00 consecutivamente, e TMA é de 20% ao ano. Assinale a alternativa que indica o índice de lucratividade obtido nesse investimento. Nota: 10.0 A 1,15 B 1,19 Você acertou! Rota da aula 02, pág. 22. C 1,21 D 1,24 E 1,28 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA AULA 1 Prof. Francisco Luiz Elache 2 CONVERSA INICIAL Olá! O ambiente financeiro ainda parece ser algo distante para muitos de nós, brasileiros. Até mesmo as empresas têm dificuldades em tomar decisões financeiras em razão de muitas incertezas tanto no cenário econômico como político. As decisões sobre novos investimentos empresarias dependerão da correta leitura do cenário econômico envolvendo, por exemplo, o nível de emprego e da renda das famílias. Por outro lado, as decisões das empresas sobre financiamentos estarão ligadas às taxas de juros internas e externas, além da flutuação das moedas (câmbio). Então, quanto maior for o nível de incertezas, maiores serão os riscos de serem frustradas as expectativas de retorno. Os temas desta aula têm a ver justamente com expectativas de retornos e riscos envolvidos nas decisões de investimentos e financiamentos. O foco são as empresas, mas vale para investidores e tomadores de recursos individuais. CONTEXTUALIZANDO Em tempos não muito distantes, era difícil tomar decisões financeiras, tanto internamente, no Brasil, como globalmente. As notícias demoravam a chegar e as pessoas não dispunham dos recursos tecnológicos que existem hoje. Podemos citar, como exemplo, a quebra da bolsa de valores de Nova York, em 1929, período conhecido como a Grande Depressão. Ao final da primeira grande Guerra Mundial, em 1918, os Estados Unidos da América se consolidavam como a grande potência mundial em razão de terem participado da guerra somente no seu final. Durante todo o período da guerra, os Estados Unidos da América fortaleceram o seu setor produtivo para abastecer de produtos os países que lutavam. Ao final da guerra, por um erro estratégico, os EUA continuaram a produzir em larga escala e não perceberam que o mundo reduziria drasticamente as importações dos seus produtos. Assim, houve uma crise econômica sem precedentes naquele país, contagiando as demais economias do mundo. Muitos empobreceram, pois o valor das ações das empresas despencou em todo o mundo capitalista. Outras crises econômicas, como as dos países asiáticos e também do México, afetaram fortemente o valor das ações. Mais recentemente, em 2008, os EUA tiveram o problema da bolha no setor imobiliário, causando fortes perdas 3 no mercado de imóveis daquele país e também nos mercados de ações do mundo todo. Como podemos perceber, há razões de sobra para que as pessoas e as empresas fiquem preocupadas com os riscos que correm ao investir os seus recursos. Isso faz com que alguns investidores escolham ativos de menor risco, ou seja, menos suscetíveis a fortes oscilações. Porém, há investidores mais propensos ao risco, desde que possam obter retornos maiores. O mercado financeiro oferece produtos e serviços que atendem a qualquer tipo de investidor, com perfil mais ousado ou mais conservador. Sobre isso, falaremos nos temas abordados nesta aula. TEMA 1 – O PAPEL E O AMBIENTE DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Diariamente, lemos notícias sobre o cenário econômico e político do país e do mundo, como nível de emprego, inflação, crescimento do produto interno bruto (PIB), oscilação do câmbio (dólar), cotação da bolsa de valores (mercado de capitais), estabilidade política e outros indicadores que apontam para um cenário mais otimista ou menos otimista e que podem afetar a vida tanto das pessoas como das empresas. A depender desses indicadores econômicos e políticos, as pessoas tendem a mudar o seu comportamento com relação às suas finanças. Da mesma forma, as empresas também são influenciadas por esses indicadores e podem rever políticas de investimentos, financiamentos, estrutura de custos e despesas – e tudo isso tem a ver com finanças. O estudo deste tema trata do papel e do ambiente da administração financeira. Então, vamos entender o significado de finanças corporativas e administração financeira, bem como identificar o ambiente onde se inserem. Conforme Gitman (2010, p. 3, grifo do autor), “o termo finanças pode ser definido como ‘a arte e a ciência de administrar o dinheiro’. Praticamente todas as pessoas físicas e jurídica ganham ou levantam dinheiro, gastam ou investem dinheiro”. Ross, Westerfield, Jaffe e Lamb (2015, grifo nosso) explicam que “o objetivo da empresa é criar valor para os proprietários ou acionistas, maximizando a sua riqueza. Para isso, a empresa faz investimentos, assume dívidas e tem gastos com custos e despesas”. 4 A Figura 1 a seguir mostra a estrutura genérica de uma sociedade por ação. Esta estrutura nos permite identificar a função financeira da empresa, bem como entender o conceito de Administração Financeira. Figura 1 – Estrutura de uma sociedade por ação e função financeira Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 6. A função financeira está representada em tom cinza escuro na Figura 1 e tem o comando do vice-presidente de finanças, oCFO (Chief Financial Officer). Nas empresas brasileiras, o CFO pode ser também o Diretor Financeiro. Embora o tesoureiro e o controller façam parte da função financeira da empresa e estejam subordinados ao CFO (Diretor Financeiro), suas funções são distintas. De acordo com Gitman (2010, p. 9, grifo nosso), “o foco do tesoureiro tende a ser mais externo, e o do controller, mais interno”. Tesoureiro O principal gerente financeiro da empresa, responsável por suas atividades financeiras, tais como planejamento financeiro e captação de fundos, tomada de decisões de investimento e gestão de caixa, crédito, fundo de pensão e operações de câmbio Controller Contador-chefe da empresa, responsável por atividades contábeis, tais como contabilidade gerencial, gestão de assuntos fiscais, contabilidade financeira e contabilidade de custos. (Gitman, 2010, p. 9, grifo do autor). Ressalta Gitman (2010, grifo nosso): “Há duas diferenças básicas entre finanças (tesoureiro) e contabilidade (controller): ênfase nos fluxos de caixa e a tomada de decisões [conforme quadros 01, 02 e 03]”. Assim, decisões A C I O N I S T A S (Elegem o conselho de administração) Proprietários Conselho de administração (Contrata administradores) CEO – Presidente Executivo Vice- presidente de operações industriais CFO – Vice- presidente de recursos humanos CFO – Vice- presidente de finanças Vice- presidente de marketing Vice- presidente de tecnologia Tesoureiro Controller 5 financeiras (tesoureiro) são tomadas utilizando o regime de caixa. O fato de a empresa apresentar lucro em determinado período não significa necessariamente situação favorável de caixa no período. Quadro 1 – Visão contábil Visão contábil (regime competência) Nassau Corporation – demonstração do resultado do ano encerrado em 31/12 Receita de vendas (-) Custos Lucro Líquido ($) 100.000 (80.000) 20.000 Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p.10. Quadro 2 – Visão financeira Visão financeira (regime de caixa) Nassau Corporation – demonstração do fluxo de caixa encerrado em 31/12. Entrada de caixa (-) Saída de caixa Fluxo líquido de caixa ($) 0,00 (80.000) (80.000) Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p.10. Quadro 3 – Atividades principais do administrador financeiro (tesoureiro) Balanço Patrimonial (BP) Ativo Circulante (AC) Ativo Não Circulante (ANC) Passivo Circulante (PC) Passivo Não Circulante (PNC) Patrimônio Líquido (PL) Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p.11. É hora de falarmos sobre o objetivo da administração financeira. Tomada de decisão de financiamento Tomada de decisão de investimento 6 O objetivo da empresa e, portanto, de todos os seus administradores e funcionários, consiste em maximizar a riqueza dos proprietários em cujo nome é operada. A riqueza dos proprietários das sociedades por ações se mede pelo preço da ação, que, por sua vez, baseia-se no momento de ocorrência, na magnitude e no risco dos retornos [observe a Figura 2 a seguir]. (Gitman, 2010, p. 13) Figura 2 - Decisões financeiras e preço da ação Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p.14. Segundo Gitman (2010), a maximização da riqueza dos acionistas (proprietários) por meio do preço da ação dependerá: da magnitude dos retornos esperados (fluxo de caixa) na forma de renda com “dividendos” pagos pela ação e “ganho de capital” (a diferença entre o preço de aquisição da ação e o preço de venda atual); do momento da ocorrência dos retornos esperados ou fluxo de caixa (quanto antes esses retornos vierem, melhor); dos riscos inerentes aos retornos esperados (quanto menor o risco, melhor para a valorização da ação). Para Ross et al (2015, p. 12), “o objetivo da Administração Financeira é maximizar o valor unitário corrente das ações existentes”. Assaf (2014, p. 9) diz que “a administração financeira é um campo de estudo teórico e prático que objetiva, essencialmente, assegurar um melhor e mais eficiente processo empresarial de captação e alocação de recursos de capital”. TEMA 2 – DINÂMICA DAS DECISÕES FINANCEIRAS DA EMPRESA As decisões financeiras da empresa podem referir-se a políticas de curto ou de longo prazo. De modo geral, os investimentos no imobilizado tendem a exigir planejamento mais cuidadoso, pois envolvem valores e prazos maiores, além de retorno mais demorado. Outro aspecto importante é a forma como a empresa irá financiar esses investimentos, ou seja, utilizando mais ou menos Aprova rova S i m Administrador Financeiro Alternativa de decisão financeira Retorno? Risco? Aumenta o valor da ação? Sim Não Rejeita rova S i m 7 capital próprio ou capital de terceiros de longo prazo. Sabemos que toda decisão financeira deve ter como foco a valorização das ações da empresa e o aumento da riqueza dos sócios. A alavancagem financeira é uma ferramenta que presta um auxílio importante para esse tipo de análise. Assaf (2014, p.142) propõe o caso a seguir: suponha que os acionistas decidam fazer um investimento de R$ 50 milhões para operacionalizar uma empresa recém-criada, dos quais R$ 20 milhões serão aplicados no ativo não circulante (imobilizado) e o restante no ativo circulante como capital de giro. Os acionistas sabem que há possibilidade de conseguir financiamento para parte desses ativos totais e, inclusive, precisam disso, pois não possuem recursos próprios suficientes. Então, decidem financiar o investimento com 40% de capital de terceiros e 60% com capital próprio. Suponha ainda que as taxas de juros para o financiamento sejam de 12% ao ano, e que se espera um retorno (lucro) de R$ 8 milhões por ano, antes dos encargos financeiros – juros (lucro operacional antes do Imposto de Renda). O Quadro 4 é uma demonstração do resultado (DR) ajustada para fins do estudo do grau de alavancagem financeira (GAF). O Quadro 3 é a DR para fins fiscais. Quadro 3 – DR para fins fiscais (normas da contabilidade no Brasil) DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO (PARA FINS FISCAIS) Receitas com Vendas (-) Custo dos Produtos Vendidos Lucro Bruto (-) Despesas com Vendas (-) Despesas Administrativas (-) Despesas Financeiras Lucro Líquido antes do IR (-) Imposto de Renda (34%) IR + Adicional do IR + CSLL Lucro Líquido depois do IR (R$ mil) 100.000,00 (60.000,00) 40.000,00 (12.000,00) (20.000,00 (2.400,00) 5.600,00 (1.904,00) 3.696,00 Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 149. 8 Quadro 4 – DR ajustada para o cálculo do grau de alavancagem financeira (GAF) DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO (PARA ESTUDO DO GAF) Receitas com Vendas (-) Custo dos Produtos Vendidos Lucro Bruto (-) Despesas com Vendas (-) Despesas Administrativas Lucro Operacional Antes do Imposto de Renda Imposto de Renda Sobre Lucro Gerado pelos Ativos (34%) Lucro Operacional Após o Imposto de Renda (-) Despesas Financeiras Antes do Imposto de Renda (2.400,00) Economia de Imposto de Renda 816,00 Lucro Líquido (R$ mil) 100.000,00 (60.000,00) 40.000,00 (12.000,00) (20.000,00 8.000,00 (2.720,00) 5.280,00 (1.584,00) 3.696,00 Fonte: Adaptado de Assaf, Finanças Corporativas e Valor, 2014, p.149. O Ativo e Passivo + Patrimônio Líquido, cujos valores estão representados no Quadro 5, ficariam assim: Quadro 5 – Balanço inicial (estrutura financeira) Ativo Circulante Ativo Não Circulante Imobilizado R$ 30.000,00 R$ 20.000,00 Passivo Exigível (oneroso) Patrimônio Líquido R$ 20.000,00 R$ 30.000,00 Total do Ativo R$ 50.000,00 Total do Passivo + PL R$ 50.000,00 Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 148. O nosso objetivo é determinar o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), o retorno sobre o investimento (ROI) e o graude alavancagem financeira (GAF), considerando participação de capital de terceiros de 40% e capital próprio de 60% no valor do investimento proposto de R$ 50 milhões. O grau de alavancagem financeira (GAF) é obtido por meio da relação entre os indicadores Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE) e Retorno Sobre o Investimento (ROI). Originariamente, esses termos vêm do inglês: Return On Investment (ROI) e Return On Equity (ROE) → 𝐺𝐴𝐹 = 𝑅𝑂𝐸 𝑅𝑂𝐼 9 Segundo Assaf (2014, p. 139), “um dos instrumentos financeiros mais importantes na avaliação do desempenho operacional e planejamento é a alavancagem financeira”. Então, vamos aos cálculos com base nos dados dos quadros 3 e 4: Quadro 6 – Cálculo do ROE, ROI e GAF 𝑅𝑂𝐸 = 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 (𝑎𝑝ó𝑠 𝑜 𝐼𝑅) 𝑃𝑎𝑡𝑟𝑖𝑚ô𝑛𝑖𝑜 𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 × 100 𝑅𝑂𝐼 = 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝑂𝑝𝑒𝑟𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 𝑎𝑝ó𝑠 𝑜 𝐼𝑅 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑅𝑂𝐸 = 3.696,00 30.000,00 × 100 ∴ 𝑅𝑂𝐸 = 12,32% 𝑅𝑂𝐼 = 5.280,00 50.000,00 × 100 ∴ 𝑅𝑂𝐼 = 10,56% 𝐺𝐴𝐹 = 𝑅𝑂𝐸 𝑅𝑂𝐼 ∴ 𝐺𝐴𝐹 = 12,32% 10,56% ∴ 𝐺𝐴𝐹 ≅ 1,17 Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p.149. O resultado do Quadro 6 demonstra que houve alavancagem financeira, pois o GAF é maior do que um (GAF > 1). Podemos notar que o ROE (12,32%) é maior do que o ROI (10,56%), resultando em um GAF maior do que um (GAF > 1), justificando o investimento feito pela empresa. O Quadro 6 (DR ajustada para estudo do GAF) mostra dois componentes importantes: a. As despesas financeiras são excluídas do cálculo do lucro operacional e aparecem imediatamente depois do “lucro operacional após o imposto de renda”. b. A economia de R$ 816 mil com o Imposto de Renda (R$ 2.720 mil) é demonstrada para evidenciar o benefício fiscal obtido pela empresa pelo fato de ter despesas financeiras. Caso a empresa tivesse optado por financiar o investimento com 100% de capital próprio, não teria despesas financeiras e, portanto, deixaria de ter o benefício da redução do Imposto de Renda. A redução obtida no valor do Imposto de Renda devido acaba por diminuir o custo da dívida. Para a empresa em questão, veja como Assaf (2014, p. 463) propõe calcular o custo da dívida (originalmente de 12% ao ano), que passará a ser de 7,92% ao ano (as fórmulas apresentam três modos alternativos): 10 Quadro 7 – Cálculo do custo da dívida, considerando o benefício fiscal da redução do imposto de renda 𝐾 = 𝐷𝑒𝑠𝑝𝑒𝑠𝑎𝑠 𝐹𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑒𝑖𝑟𝑎𝑠 𝐵𝑟𝑢𝑡𝑎𝑠 − 𝐸𝑐𝑜𝑛𝑜𝑚𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝐼𝑚𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑅𝑒𝑛𝑑𝑎 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟 𝑑𝑎𝑠 𝐷𝑒𝑠𝑝𝑒𝑠𝑎𝑠 𝐹𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑒𝑖𝑟𝑎𝑠 × 100 ∴ 𝐾 = 2.400,00 − 816,00 20.000,00 × 100 ∴ 𝐾 = 7,92% 𝐾 = 𝐷𝑒𝑠𝑝𝑒𝑠𝑎𝑠 𝐹𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑒𝑖𝑟𝑎𝑠 𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑎𝑠 𝑑𝑜 𝐼𝑅 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟 𝑑𝑎𝑠 𝐷𝑒𝑠𝑝𝑒𝑠𝑎𝑠 𝐹𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑒𝑖𝑟𝑎𝑠 × 100 ∴ 𝐾 = 1.584,00 20.000,00 × 100 ∴ 𝐾 = 7,92% 𝐾 (𝑎𝑝ó𝑠 𝐼𝑅) = [𝐾 (𝑎𝑛𝑡𝑒𝑠 𝐼𝑅) × (1 − 𝐼𝑅)] × 100 𝐾 = 0,12 × (1 − 0,34) ∴ 𝐾 = 7,92% → 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑜 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑟𝑐𝑒𝑖𝑟𝑜𝑠 Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 463. Quanto menor o custo da dívida (taxa de juro que remunera o capital de terceiros) em relação ao Retorno Sobre o Investimento (ROI), maior será o Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE). Não raro, o diretor financeiro e o tesoureiro optam por levantar recursos com capital de terceiros para obter o benefício fiscal da redução do imposto de renda. O uso excessivo de capital próprio (lucros retidos, por exemplo) para financiar novos investimentos poderia desagradar os acionistas, pois sobraria parcela menor de lucros para distribuir a eles na forma de dividendos. Agora, vamos analisar o grau de alavancagem financeira (GAF) caso os acionistas optassem por financiar o investimento integralmente com capital próprio. Neste caso, o “Ativo” e Passivo + PL” e a Demonstração do Resultado (DR) seriam: Quadro 8 – Balanço inicial (estrutura financeira) Ativo Circulante Ativo Não Circulante Imobilizado R$ 30.000,00 R$ 20.000,00 Passivo Exigível (oneroso) Patrimônio Líquido R$ 0,00 R$ 50.000,00 Total do Ativo R$ 50.000,00 Total do Passivo + PL R$ 50.000,00 Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 148. 11 Quadro 9 – DR para fins fiscais (normas da contabilidade no Brasil) DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO (PARA ESTUDO DO GAF) Receitas com Vendas (-) Custo dos Produtos Vendidos Lucro Bruto (-) Despesas com Vendas (-) Despesas Administrativas Lucro Operacional Antes do Imposto de Renda Imposto de Renda Sobre Lucro Gerado pelos Ativos (34%)* Lucro Operacional Após o Imposto de Renda (-) Despesas Financeiras Antes do Imposto de Renda (0,00) Economia de Imposto de Renda 0,00 Lucro Líquido (R$ mil) 100.000,00 (60.000,00) 40.000,00 (12.000,00) (20.000,00 8.000,00 (2.720,00) 5.280,00 (0,00) 5.280,00 Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 149. *(IR + Adicional de IR + CSLL) Quadro 10 – Cálculo do ROE, ROI e GAF 𝑅𝑂𝐸 = 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 (𝑎𝑝ó𝑠 𝑜 𝐼𝑅) 𝑃𝑎𝑡𝑟𝑖𝑚ô𝑛𝑖𝑜 𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 × 100 𝑅𝑂𝐼 = 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝐺𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑙𝑜𝑠 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜𝑠 𝑜𝑢 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝑂𝑝𝑒𝑟𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 𝑑𝑜 𝐼𝑅 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑅𝑂𝐸 = 5.280,00 50.000,00 × 100 ∴ 𝑅𝑂𝐸 = 10,56% 𝑅𝑂𝐼 = 5.280,00 50.000,00 × 100 ∴ 𝑅𝑂𝐼 = 10,56% 𝐺𝐴𝐹 = 𝑅𝑂𝐸 𝑅𝑂𝐼 ∴ 𝐺𝐴𝐹 = 10,56% 10,56% ∴ 𝐺𝐴𝐹 = 1,0 Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 149. Com 100% de utilização de capital próprio, o ROE se iguala ao ROI, indicando um GAF de 1,0 ou nulo. Portanto, neste caso não há alavancagem financeira. Assim, a opção inicial, utilizando 40% de capital de terceiros e 60% de capital próprio, daria melhor retorno para os acionistas (ROE). 12 O Quadro 11 mostra como ficaria o grau de alavancagem financeira (GAF) para diferentes participações (%) entre capital de terceiros e capital próprio no investimento: Quadro 11 – Diferentes participações entre capital de terceiros e capital próprio no investimento Interpretação do GAF → Quanto maior, melhor. A análise dos dados do Quadro 11 reforça o conceito de alavancagem financeira dado por Gitman (2010, p. 55, grifo do autor): De modo geral, quanto mais dívidas [passivo exigível] uma empresa usa em relação ao seu ativo total, maior a sua alavancagem financeira. Alavancagem financeira é uma amplificação do risco e do retorno por meio do uso de financiamento a custo fixo, como dívida [...]. Quanto mais dívidas de custo fixo uma empresa usa, maiores serão o risco e o retorno esperado. Depreende-se, pelos dados do Quadro 11, que quanto maior a participação de capital de terceiros no financiamento do investimento, maior é o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) em relação ao retorno sobre o investimento (ROI) e, portanto, maior é o grau de alavancagem financeira (GAF) → 𝐺𝐴𝐹 = 𝑅𝑂𝐸 𝑅𝑂𝐼 . Contudo, os financiadores de capital (bancos, por exemplo) condicionam a liberação dos fundos à participação da empresa com capital próprio. Isso porque ela está sujeita ao risco de não conseguir pagar as dívidas (amortização mais juros). Assim, o risco é assumido por ambos: capital de terceiros e capital próprio. Capital Terceiros Capital Próprio ROE ROI GAF - 100% 10,56% 10,56% 1,00 10% 90% 10,85% 10,56% 1,03 20% 80% 11,22% 10,56% 1,06 30% 70% 11,69% 10,56% 1,11 40% 60% 12,32% 10,56% 1,17 50% 50% 13,20% 10,56% 1,25 13 De acordo com Assaf (2014, p. 11), “dentro do ambiente empresarial, a administração financeira volta-se basicamente para as seguintes funções”: a. planejamento financeiro: verificar a necessidade de expansão da empresa e também implementar ações que possam prevenir possíveis desajustes futuros; b. controle financeiro: exercidopela controladoria financeira, tem o objetivo de evitar desvios entre resultados financeiros previstos e realizados; c. administração de ativos: procura definir a melhor estrutura, em termos de risco e retorno, dos investimentos empresariais, além de gestão de capital de giro, como defasagens entre entradas e saídas de dinheiro de caixa; d. administração de passivo: trata da aquisição de fundos (financiamentos), definindo a melhor composição entre capital de terceiros e capital próprio nos novos investimentos, priorizando a liquidez, a diminuição de custos e redução dos riscos. TEMA 3 – RISCO E RETORNO Os termos risco e retorno são muito utilizados no dia a dia. No entanto, o nosso propósito é estudá-los no contexto financeiro. Por exemplo, desejamos saber qual é o risco de se investir em uma ação de determinada empresa ou em uma carteira (conjunto) de ações de várias empresas. A ação, neste caso, é o ativo escolhido para se investir. O termo ativo pode se referir a qualquer investimento que possa representar algum risco com relação ao retorno esperado. Como exemplos de ativos, podemos citar: ação de uma empresa; debêntures; papéis que envolvam a comercialização em bolsa de produtos como petróleo, cobre, ouro, madeira, arroz, trigo (commodities); títulos que envolvam moedas (câmbio); títulos de renda fixa privados; títulos imobiliários (imóveis). Em sua acepção mais simples, risco é a chance de perda financeira. Ativos que apresentam maior chance de perda são considerados mais arriscados do que os que trazem uma chance menor. Em termos mais formais, risco é usado de forma intercambiável com incerteza em referência à variabilidade dos retornos associados a um determinado ativo. (Gitman, 2010, p. 203, grifo do autor) O retorno desejado por um investidor dependerá do seu perfil – mais ousado ou mais conservador. Significa dizer que um investidor poderia estar mais disposto a escolher ativos de maior risco na expectativa de obter um retorno 14 maior. Outro investidor, mais conservador e com aversão ao risco, optaria por um investimento em ativos de menor risco e com retorno menor. Retorno esperado: Trata-se do retorno que alguém espera de uma ação [ativo] para o próximo período. É claro que sendo apenas uma expectativa, o retorno observado pode ser maior ou menor. Essa expectativa pode ser simplesmente o retorno médio por período que um título [ativo] obteve no passado. (Ross; Westerfield; Jaffe; Lamb, 2015, p. 362, grifo dos autores) Você deve estar se perguntando: como mensurar matematicamente o risco e o retorno? A resposta é: com o auxílio da estatística. A Estatística é uma parte da Matemática Aplicada que fornece métodos para a coleta, organização, descrição, análise e interpretação de dados e para a utilização dos mesmos para a tomada de decisões. (Crespo, 2002, p. 13, grifo do autor) Três importantes medidas de dispersão ou de variabilidade utilizadas na avaliação do risco são: variância; desvio-padrão; coeficiente de variação. Crespo (2002, p. 109) define dispersão ou variabilidade da seguinte maneira: “a maior ou menor diversificação dos valores de uma variável em torno de um valor de tendência central [média] tomado como ponto de comparação”. Para exemplificar, observe os dados do Quadro 12: Quadro 12 – Variáveis e conjunto de valores Variáveis: Conjunto de valores: X 70 70 70 70 70 Y 68 69 70 71 72 Z 5 15 50 120 160 Fonte: Adaptado de Crespo, 2002, p.108. Média aritmética de cada um dos conjuntos de valores: �̅� = ∑ 𝑋 𝑛 = 350 5 = 70 ; �̅� = ∑ 𝑌 𝑛 = 350 5 = 70 ; �̅� = ∑ 𝑍 𝑛 = 350 5 = 70 Os três conjuntos apresentam a mesma média aritmética. O conjunto X é mais homogêneo que Y e Z. O conjunto Y é mais homogêneo que o conjunto Z. Logo, podemos dizer que: 15 O conjunto X apresenta dispersão ou variabilidade nula (os seus valores são iguais à média aritmética). O conjunto Y apresenta dispersão ou variabilidade menor que o conjunto Z. É hora de colocarmos em prática os conceitos vistos até aqui neste tema: o exemplo 1 a seguir é uma adaptação do exercício proposto por Gitman (2010, p. 213): Exemplo 1: Um investidor deseja escolher o menos arriscado dentre dois ativos alternativos – C e D. O retorno médio, o desvio-padrão e o coeficiente de variação dos retornos de cada um dos ativos são: Obs.: os dados que deram origem ao retorno médio (�̅�) não foram fornecidos. Quadro 13 – Dados estatísticos para escolha de ativos de risco Ativo C Ativo D (1) Retorno médio ou (�̅�) 12% 20% (2) Desvio-padrão dos retornos ou (𝝈𝒓) 9% 10% (3) Coeficiente de variação [(2) : (1)] ou 𝑪𝑽 = (𝝈𝒓 �̅�⁄ ) 0,75 ou 75% 0,50 ou 50% Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 213. Com base nos dados estatísticos do Quadro 13, qual dos ativos (C ou D) oferece menos risco para o investidor? Bem, se o investidor olhar para o resultado do desvio-padrão (σ) escolherá o Ativo C, pois sabe que quanto menor o desvio-padrão menor é o risco, ou seja, menor é a dispersão dos dados (retornos) em torno da média (retorno médio). Contudo, se o investidor observar o resultado do coeficiente de variação ( 𝜎𝑟 �̅�⁄ ), seguramente optará pelo Ativo D, abandonando a escolha anterior feita pelo Ativo C com base no desvio-padrão (𝜎𝑟). A decisão final do investidor ao optar pelo Ativo D com base no resultado do coeficiente de variação ( 𝜎𝑟 �̅�⁄ ) está correta, pois quanto menor o coeficiente de variação (CV), menor é o risco (o risco de o retorno esperado não se confirmar). 16 Para Crespo (2002, p. 119, grifo do autor), “podemos caracterizar a dispersão ou variabilidade dos dados em termos relativos a seu valor médio utilizando a medida do coeficiente de variação (CV)” [neste exercício, os dados da série de retornos não foram fornecidos; somente o retorno médio (�̅�)]. Para Gitman (2010, p. 212), o coeficiente de variação (CV) é muito utilizado na comparação da dispersão dos dados em torno da média entre séries que possuem unidades de medidas diferentes (grandezas diferentes). Por exemplo, uma pesquisa analisou uma série de dados relacionados a idade (anos) e peso (kg) de indivíduos adultos de uma cidade. O desvio-padrão está representado por S. Quadro 14 – Coeficiente de variação (CV) em séries de grandezas diferentes Média Desvio- Padrão (S) Coeficiente de Variação (CV) Idade 35 anos 0,8 𝐶𝑉 = 𝑆 �̅� × 100 ∴ 𝐶𝑉 = 0,8 35 × 100 ∴ 𝐶𝑉 = 2,3% Peso 75 kg 6,0 𝐶𝑉 = 𝑆 �̅� × 100 ∴ 𝐶𝑉 = 6,0 75 × 100 ∴ 𝐶𝑉 = 8% Os coeficientes de variação (CV) mostram que os dados da variável idade são menos dispersos em torno da média se comparados com os dados da variável peso. Portanto, os dados da variável idade são mais homogêneos. Podemos notar que, por serem variáveis de grandezas diferentes, a comparação pelo desvio-padrão não é conclusiva. Então, o uso do coeficiente de variável torna-se uma medida de dispersão importante para este tipo de análise estatística. O coeficiente de variação (CV) é dado em porcentagem em razão de analisar a dispersão em termos relativos (no caso, relação entre grandezas). Se bem que, para qualificar a dispersão de uma distribuição, seja mais proveitoso o coeficiente de variação, não devemos deduzir daí que a variância e o desvio padrão careçam de utilidade. Pelo contrário, são medidas muito úteis no tratamento de assuntos relativos à inferência estatística. (Crespo, 2002, p. 120) O exemplo 2, a seguir, é uma adaptação do exercício proposto por Gitman (2010, p. 213): Exemplo 2: Determinado investidor pretende adquirir ações (ativo) no mercado para inclusão em sua carteira de investimentos e está analisando os 17 dados da ação de uma empresa fabricante de produtos para pets. A sua preocupação é com relação ao risco, pois ele só investe em ações com coeficiente de variação (CV) do retorno inferiora 0,75. Ele colheu informações sobre preços e dividendos da ação desta empresa nos últimos três anos, como se vê no Quadro 15. Assim, vamos determinar o coeficiente de variação (CV) dos retornos da ação para verificar se atendem à expectativa do investidor. Quadro 15 – Preço e dividendos da ação Ano Preço da ação (R$) Dividendos pagos por ação (R$) Inicial Final 2014 35,00 36,50 3,50 2015 36,50 34,50 3,50 2016 34,50 35,00 4,00 Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 214. PRIMEIRO PASSO: CÁLCULO DOS RETORNOS (𝒓) DA AÇÃO (EM %) Para Ross, Westerfield, Jaffe e Lamb (2015, grifo dos autores), “o ganho com a ação (ativo) é o resultado da valorização da ação, ou ganho de capital, somado ao valor dos dividendos recebidos pela ação, ou componente de renda” (em conformidade com os dados do Quadro 16). A representação estatística do ganho com a ação (ativo) é: 𝑅 = [ 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 + (𝑃𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 − 𝑃𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙) 𝑃𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 ] × 100 → 𝑠𝑒𝑛𝑑𝑜 𝑃 = 𝑃𝑟𝑒ç𝑜 𝑑𝑎 𝑎çã𝑜 Então, vamos aos cálculos do Quadro 16. De modo geral, o retorno de uma ação (ativo) é o resultado de sua valorização (preço final menos o preço inicial), considerando-se também o valor dos dividendos pagos pela ação. Quadro 16 – Preço e dividendos pagos pela ação Ano Retornos (%) 𝑅 = [ 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 + (𝑃𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 − 𝑃𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙) 𝑃𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 ] × 100 → 𝑠𝑒𝑛𝑑𝑜 𝑃 = 𝑃𝑟𝑒ç𝑜 𝑑𝑎 𝑎çã𝑜 2014 [3,50 + (36,50 - 35,00) / 35,00] x 100 (5,00 / 35,00) x 100 = 14,3% 2015 [3,50 + (34,50 - 36,50) / 36,50] x 100 (1,50 / 36,50) x 100 = 4,1% 18 2016 [4,00 + (35,00 - 34,50) / 34,50] x 100 (4,50 / 34,50) x 100 = 13,0% Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 214. Para Ross, Westerfield, Jaffe e Lamb (2015, grifo dos autores), “o ganho com a ação (ativo) é o resultado da valorização da ação, ou ganho de capital, somado ao valor dos dividendos recebidos pela ação, ou componente de renda” (em conformidade com os dados do Quadro 16). A representação estatística do ganho com a ação (ativo) é: 𝑅 = [ 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 + (𝑃𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 − 𝑃𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙) 𝑃𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 ] × 100 → 𝑠𝑒𝑛𝑑𝑜 𝑃 = 𝑃𝑟𝑒ç𝑜 𝑑𝑎 𝑎çã𝑜 SEGUNDO PASSO: CÁLCULO DO RETORNO MÉDIO (�̅�) DA AÇÃO (EM %) O retorno médio da ação é dado pela fórmula a seguir. Esta fórmula nada mais é do que a representação da média aritmética dos retornos: �̅� = ∑ 𝑟 𝑛 , sendo: �̅� = 𝑎 𝑚é𝑑𝑖𝑎 𝑑𝑜𝑠 𝑟𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜𝑠 𝑑𝑜𝑠 𝑡𝑟ê𝑠 𝑎𝑛𝑜𝑠 ∑ 𝑟 = 𝑠𝑜𝑚𝑎𝑡ó𝑟𝑖𝑜 𝑑𝑜𝑠 𝑟𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜𝑠 𝑑𝑜𝑠 𝑡𝑟ê𝑠 𝑎𝑛𝑜𝑠 𝑛 = 𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜𝑠 (𝑜𝑢 𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑜𝑏𝑠𝑒𝑟𝑣𝑎çõ𝑒𝑠) Substituindo os valores na fórmula: �̅� = 14,3% + 4,1% + 13,0% 3 ∴ �̅� = 31,40% 3 ∴ �̅� = 10,5% Assim, o retorno médio da ação (�̅�) é 10,5%. TERCEIRO PASSO: CÁLCULO DO DESVIO-PADRÃO DOS RETORNOS (𝜎𝑟) DA AÇÃO EM (%) Uma vez calculado o retorno médio da ação (�̅�), é possível determinar o desvio padrão dos retornos (𝝈𝒓) e o coeficiente de variação CV . O desvio-padrão dos retornos (𝜎𝑟) é dado por: 𝝈𝒓 = √ ∑(𝒓 − �̅�)𝟐 𝒏 − 𝟏 19 Usa-se o divisor [𝑛 − 1] quando os dados correspondem a uma amostra (parte) da população. Caso n represente a população (e não uma amostra da população), então não deverá ser diminuído de 1 (um). Respeitamos a sugestão do autor Gitman (2010) e utilizamos [𝑛 − 1]. A variância e o desvio-padrão são medidas [...] que levam em consideração a totalidade dos valores da variável em estudo [e não apenas a amplitude total, que é diferença entre o maior e o menor valor observado], o que faz delas índices de variabilidade bastante estáveis e, por isso mesmo, os mais geralmente empregados. (Crespo, 2002, p. 111, grifo nosso) Na fórmula, o desvio-padrão dos retornos (𝝈𝒓) é obtido extraindo-se a raiz quadrada da variância, que por sua vez está representada por [ ∑(𝒓−�̅�)𝟐 𝒏−𝟏 ]. De acordo com Crespo (2002), a variância dos retornos, aqui representada por [ ∑(𝒓−�̅�)𝟐 𝒏−𝟏 ], baseia-se nos desvios em torno da média aritmética, porém determinando a média aritmética dos quadrados dos desvios. Neste exercício, a fórmula da variância dos retornos pode ser escrita: 𝜎𝑟 2 = ∑(𝒓−�̅�)𝟐 𝒏−𝟏 . Observando a fórmula do desvio-padrão dos retornos (𝜎𝑟), notamos que será necessário calcular a diferença entre o retorno (𝑟) e o retorno médio (�̅�) de cada observação (ano). Em seguida, elevar o resultado ao quadrado e, finalmente, somar os resultados encontrados. Veja os resultados no Quadro 17 a seguir: Quadro 17 – Diferenças entre o retorno (𝒓) e o retorno médio (�̅�), elevado ao quadrado Ano Retornos (%) 2014 %44,14%)5,10%3,14( 2 14,44% 2015 %96,40%)5,10%1,4( 2 40,96% 2016 %25,6%)5,10%0,13( 2 6,25% Ʃ 61,65% Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 214. Agora, devemos substituir os resultados encontrados no Quadro 17 na fórmula do desvio-padrão dos retornos (𝜎𝑟). Manteremos [𝑛 − 1] na fórmula. 20 𝜎𝑟 = √ ∑(𝑟 − 𝑟)̅2 𝑛 − 1 ∴ 𝜎𝑟 = √ 61,65 3 − 1 ∴ 𝜎𝑟 = √ 61,65 2 ∴ 𝜎𝑟 = 5,6% Note que o resultado do desvio-padrão é uma porcentagem, pois os dados da série em questão (retornos esperados) são fornecidos em porcentagem. Então, exceto nos casos em que os dados da série sejam números expressos em porcentagem, o desvio padrão será um número decimal ou inteiro e sempre positivo (por exemplo, 0,58, 1,25, 2). QUARTO PASSO: CÁLCULO DO COEFICIENTE DE VARIAÇÃO (CV) DOS RETORNOS DA AÇÃO O coeficiente de variação (CV) dos retornos da ação é dado por: 𝐶𝑉𝑟 = 𝜎𝑟 �̅� , 𝑜𝑛𝑑𝑒: 𝜎𝑟 → 𝐷𝑒𝑠𝑣𝑖𝑜 − 𝑝𝑎𝑑𝑟ã𝑜 𝑑𝑜𝑠 𝑟𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜𝑠 𝑑𝑎 𝑎çã𝑜; �̅� → 𝑅𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 𝑑𝑎 𝑎çã𝑜. Logo, substituindo os valores na fórmula, tem-se: 𝐶𝑉𝑟 = 5,6% 10,5% ∴ 𝐶𝑉𝑟 = 0,53 𝑂𝑈 𝐶𝑉𝑟 = 0,056 0,105 ∴ 𝐶𝑉𝑟 = 0,53 → (𝐶𝑜𝑛𝑣𝑒𝑟𝑡𝑒𝑟 𝑒𝑚 %) 𝑃𝑜𝑑𝑒𝑟𝑒𝑚𝑜𝑠 𝑓𝑎𝑧𝑒𝑟 𝑎𝑖𝑛𝑑𝑎 → 𝐶𝑉𝑟 = 0,53 × 100 ∴ 𝐶𝑉𝑟 = 53% Coeficiente de Variação de Pearson: trata-se de uma medida relativa de dispersão. Enquanto a amplitude total [...], a variância [...] e o desvio padrão [...] são medidas absolutas de dispersão, o coeficiente de variação (CV) mede a dispersão relativa (Martins; Domingues, 2017, p. 47, grifo dos autores). Para Martins e Domingues (2017, p. 47), há algumas regras empíricas para interpretação do coeficiente de variação (CV): Quadro 18 – Regras empíricas para interpretação do coeficiente de variação (CV) 𝑆𝑒: 𝐶𝑉 < 15% Há baixa dispersão. Boa representatividade para a média aritmética como medida de posição. 𝑆𝑒: 15% ≤ 𝐶𝑉 < 30% Há média dispersão. A representatividade da média aritmética como medida de posição é apenas regular. 21 𝑆𝑒: 𝐶𝑉 ≥ 30% Há elevada dispersão. A representatividade da média aritmética como medida de posição é ruim. Fonte: Adaptado de Martins; Domingues, 2017, p .47. Segundo Crespo (2002, p. 79, grifo do autor), “as medidas de posição são estatísticas que representam uma série de dados, orientando-nos quanto à posição da distribuição em relação ao eixo horizontal (eixo das abcissas) [por exemplo, média aritmética, mediana, moda]”. COMENTÁRIOS SOBRE O RESULTADO ENCONTRADO Como o coeficiente de variação dos retornos da ação no período de 2014 a 2016 (0,53 ou 53%) está bem abaixo do coeficiente de variação máximo definido pelo investidor (0,75 ou 75%), conclui-se que o investimento é viável na ótica do investidor. Quanto menor o coeficiente de variação (CV), menor é o risco (risco de o retorno esperado não se concretizar). TEMA 4 – TEORIA DO PORTFÓLIO O portfólio diz respeito à combinação de ativos que formam as carteiras como, por exemplo, carteiras de ações. A diversificação em ações de empresas de diferentes segmentos da economia diminui os riscos para os investidores, mas podem oferecer ganhos menores. Assim,o mercado financeiro dispõe de carteiras distintas que poderão compor portfólios para investidores de perfil mais ou menos conservador. Assaf (2014, p. 248) propõe o caso a seguir para demonstrar a teoria do portfólio: admitamos, ilustrativamente, um portfólio composto de dois ativos (X e Y) que promovem, para cada estado de natureza considerado (desempenho da economia), os resultados do Quadro 19. Qual é o risco desse portfólio? Quadro 19 – Estado da natureza; probabilidade (P); retorno do ativo X; retorno do ativo Y Estado da natureza Probabilidade (P) Retorno do Ativo X (𝑅𝑋) Retorno do Ativo Y (𝑅𝑌) Recessão 10% - 5% 13% 22 Médio 35% 10% - 5% Bom 45% 25% 25% Excelente 10% 50% 14% Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 248. Para determinar o risco do portfólio, vamos nos orientar pelos passos a seguir. PRIMEIRO PASSO: CALCULAR O RETORNO ESPERADO DE CADA ATIVO (�̅�𝑿 𝒆 �̅�𝒀) Atenção: o cálculo do retorno esperado (�̅�𝑿 𝒆 �̅�𝒀) leva em consideração a probabilidade de o retorno ocorrer em cada estado de natureza. Então, podemos considerar o retorno esperado de X e Y como a média ponderada pelas probabilidades em cada estado da natureza. A fórmula do retorno esperado de cada ativo (�̅�𝑿 𝒆 �̅�𝒀) será estruturada da seguinte maneira: 1. Para cada estado de natureza: 1.1. Multiplica-se o retorno do ativo pela probabilidade. 1.2. Somam-se os resultados encontrados em 1.1. 1.3. Multiplica-se por 100 o resultado encontrado em 1.2 para obter-se o resultado em porcentagem (%). Assim, teremos: Cálculo do retorno esperado do ativo X, representado por �̅�𝑿 : �̅�𝑿 = ∑(𝑹𝑿 × 𝑷) �̅�𝑋 = (−0,05 × 0,10) + (0,10 × 0,35) + (0,25 × 0,45) + (0,50 × 0,10) �̅�𝑋 = (−0,005) + (0,035) + (0,1125) + (0,05) �̅�𝑋 = 0,1925 𝑜𝑢 19,25% Cálculo do retorno esperado do ativo (Y), representado por �̅�𝒀 : �̅�𝒀 = ∑(𝑹𝒀 × 𝑷) �̅�𝑌 = (0,13 × 0,10) + (−0,05 × 0,35) + (0,25 × 0,45) + (0,14 × 0,10) �̅�𝑌 = (0,013) + (−0,0175) + (0,1125) + (0,014) �̅�𝑌 = 0,1220 𝑜𝑢 12,20% 23 SEGUNDO PASSO: CALCULAR O RISCO DE CADA ATIVO (X e Y), CONSIDERADO ISOLADAMENTE E EXPRESSO PELA MEDIDA DO DESVIO- PADRÃO (𝝈) A fórmula que determinará o risco de cada ativo (𝝈𝑿 𝒆 𝝈𝒀) será estruturada da seguinte maneira: 2. Para cada estado da natureza, faz-se: 2.1. Retorno do ativo X e Y (𝑅𝑋,𝑌) menos o retorno esperado do ativo (�̅�𝑿 𝒆 �̅�𝒀) (obtido no primeiro passo), elevado ao quadrado. Multiplica- se o resultado encontrado pela probabilidade 2.2. Somam-se os resultados encontrados em 2.1. 2.3. Calcula-se a raiz quadrada do resultado encontrado em 2.2. Assim, o cálculo do risco do ativo (X e Y), representado por (𝜎𝑋 𝑒 𝜎𝑌 ), será dado pelas fórmulas: 𝝈𝑿 = √∑[(𝑹𝑿 − �̅�𝑿)𝟐 × 𝑷] 𝒐𝒖 𝝈𝑿 = ∑[(𝑹𝑿 − �̅�𝑿) 𝟐 × 𝑷] 𝟏 𝟐 𝝈𝒀 = √∑[(𝑹𝒀 − �̅�𝒀)𝟐 × 𝑷] 𝒐𝒖 𝝈𝒀 = ∑[(𝑹𝒀 − �̅�𝒀) 𝟐 × 𝑷] 𝟏 𝟐 Vamos organizar os dados no Quadro 20 para facilitar a utilização da fórmula do desvio padrão de X e Y (𝜎𝑋 𝑒 𝜎𝑌): Quadro 20 – Dados estatísticos para o cálculo do desvio-padrão (risco) de X e Y (𝜎𝑋 𝑒 𝜎𝑌) E s ta d o d a n a tu re z a P ro b a b ili d a d e (P ) R e to rn o d o A ti v o X ( 𝑅 𝑋 ) R e to rn o d o A ti v o Y ( 𝑅 𝑌 ) ( 𝑹 𝑿 − 𝑹 𝑿 )𝟐 ( 𝑹 𝒀 − 𝑹 𝒀 )𝟐 ( 𝑹 𝑿 − 𝑹 𝑿 )𝟐 × 𝑷 ( 𝑹 𝒀 − 𝑹 𝒀 )𝟐 × 𝑷 Recessão 10% - 5% 13% 0,0588063 0,0000640 0,0058806 0,0000064 Médio 35% 10% - 5% 0,0085563 0,0295840 0,0029947 0,0103544 Bom 45% 25% 25% 0,0033063 0,0163840 0,0014878 0,0073728 Excelente 10% 50% 14% 0,0945563 0,0003240 0,0094556 0,0000324 Ʃ 0,0198187 0,0177660 24 �̅�𝑋 = 0,1925 𝑜𝑢 19,25% (Retorno esperado de X) �̅�𝑌 = 0,1220 𝑜𝑢 12,20% (Retorno esperado de Y) Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 249. Substituindo os valores na fórmula do desvio-padrão de X e Y (𝜎𝑋 𝑒 𝜎𝑌), com o auxílio do Quadro 20: 𝝈𝑿 = ∑[(𝑹𝑿 − �̅�𝑿) 𝟐 × 𝑷] 𝟏 𝟐 → 𝝈𝑿 = (𝟎, 𝟎𝟏𝟗𝟖𝟏𝟖𝟕) 𝟏 𝟐 → 𝟎, 𝟏𝟒𝟎𝟕𝟕𝟖𝟗𝟎 → 𝟏𝟒, 𝟎𝟖% 𝝈𝒀 = ∑[(𝑹𝒀 − �̅�𝒀) 𝟐 × 𝑷] 𝟏 𝟐 → 𝝈𝒀 = (𝟎, 𝟎𝟏𝟕𝟕𝟔𝟔𝟎) 𝟏 𝟐 → 𝟎, 𝟏𝟑𝟑𝟐𝟖𝟗𝟏𝟔 → 𝟏𝟑, 𝟑𝟐% É possível chegar aos mesmos resultados da seguinte forma, utilizando as mesmas fórmulas do desvio-padrão de X e Y (𝜎𝑋 𝑒 𝜎𝑌): 𝝈𝑿 = √∑[(𝑹𝑿 − �̅�𝑿)𝟐 × 𝑷] 𝒐𝒖 𝝈𝑿 = ∑[(𝑹𝑿 − �̅�𝑿) 𝟐 × 𝑷] 𝟏 𝟐 𝜎𝑋 = √(−0,05 − 0,1925) 2 × 0,10 + (0,10 − 0,1925)2 × 0,35 + (0,25 − 0,1925)2 × 0,45 + (0,50 − 0,1925)2 × 0,10 Alternativamente, transformando a raiz de x em expoente de x, lembrando que √𝑥𝑞 𝑛 = 𝑥 𝑞 𝑛 𝜎𝑋 = [(−0,05 − 0,1925) 2 × 0,10 + (0,10 − 0,1925)2 × 0,35 + (0,25 − 0,1925)2 × 0,45 + (0,50 − 0,1925)2 × 0,10)] 1 2 𝜎𝑋 = (0,00588063 + 0,00299469 + 0,00148781 + 0,00945563) 1 2 𝝈𝑿 = (𝟎, 𝟎𝟏𝟗𝟖𝟏𝟖𝟕𝟔) 𝟏 𝟐 → 𝟎, 𝟏𝟒𝟎𝟕𝟕𝟗𝟏𝟐 → 𝟏𝟒, 𝟎𝟖% 𝝈𝒀 = √∑[(𝑹𝒀 − �̅�𝒀)𝟐 × 𝑷] 𝒐𝒖 𝝈𝒀 = ∑[(𝑹𝒀 − �̅�𝒀) 𝟐 × 𝑷] 𝟏 𝟐 𝜎𝑌 = √(0,13 − 0,122) 2 × 0,10 + (−0,05 − 0,1222 × 0,35 + (0,25 − 0,122)2 × 0,45 + (0,14 − 0,122)2 × 0,10 𝜎𝑌 = [(0,13 − 0,122) 2 × 0,10 + (−0,05 − 0,122)2 × 0,35 + (0,25 − 0,122)2 × 0,45 + (0,14 − 0,122)2 × 0,10)] 1 2 𝜎𝑌 = (0,00000640 + 0,01035440 + 0,00737280 + 0,00003240) 1 2 𝝈𝒀 = (𝟎, 𝟎𝟏𝟕𝟕𝟔𝟔𝟎𝟎) 𝟏 𝟐 → 𝟎, 𝟏𝟑𝟑𝟐𝟖𝟗𝟏𝟔 → 𝟏𝟑, 𝟑𝟐% TERCEIRO PASSO: CALCULAR A COVARIÂNCIA ENTRE OS ATIVOS X e Y, OU 𝑪𝑶𝑽𝑿,𝒀 25 A covariância entre os ativos X e Y é dada por meio da fórmula: 𝑪𝑶𝑽𝑿,𝒀 = ∑ 𝑷 × (𝑹𝑿 − �̅�𝑿) × (𝑹𝒀 − �̅�𝒀) 𝑶𝒏𝒅𝒆: 𝑃 → 𝑃𝑟𝑜𝑏𝑎𝑏𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑜𝑐𝑜𝑟𝑟ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑎𝑐𝑜𝑟𝑑𝑜 𝑐𝑜𝑚 𝑜 𝑒𝑠𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑛𝑎𝑡𝑢𝑟𝑒𝑧𝑎; 𝑅𝑋 𝑒 𝑅𝑌 → 𝑅𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜 𝑑𝑜𝑠 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜𝑠 𝑋 𝑒 𝑌 �̅�𝑋 e �̅�𝑌 → 𝑅𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜 (𝑟𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜) 𝑑𝑜𝑠 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜𝑠 𝑋 𝑒 𝑌. Então, vamos demonstrar a resolução da fórmula da covariância entre os ativos X e Y com o apoio dos dados do Quadro 21: Quadro 21 – Dados para o cálculo da covariância entre os ativos X e Y, ou (〖 COV〗_(X,Y)) E s ta d o d e n a tu re z a P ro b a b ili d a d e ( 𝑃 ) Retorno do Ativo X (𝑅𝑋) Retorno do Ativo Y (𝑅𝑌) 𝑅𝑋 − �̅�𝑋 𝑅𝑌 − �̅�𝑌 𝑃 (𝑅𝑋 − �̅�𝑋) × (𝑅𝑌 − �̅�𝑌) Recessão Médio Bom Excelente 10% 35% 45% 10% - 5% 10% 25% 50% 13% - 5% 25% 14% - 0,2425 -0,0925 0,0575 0,3075 0,0080 - 0,1720 0,1280 0,0180 - 0,000194 0,005569 0,003312 0,000553 �̅�𝑋 = 19,25% Retorno esperado de X �̅�𝑌 = 12,20% Retorno esperado de Y 𝐶𝑂𝑉𝑋,𝑌 = 0,009240 ou 0,9240% Retorno esperado dos Ativos X e Y (�̅�𝑋 𝑒 �̅�𝑌), calculados no 1º passo. 𝐶𝑂𝑉𝑋,𝑌 = ∑ 𝑃 × (𝑅𝑋 − �̅�𝑋) × (𝑅𝑌 − �̅�𝑌) Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 249. QUARTO PASSO: APURAR O RETORNO ESPERADO (�̅�𝝆) E O RISCO (𝜎𝜌) DAS CINCO CARTEIRAS DISTINTAS DO PORTFÓLIO 26 Os resultados de (�̅�𝜌) e (𝜎𝜌) já estão demonstrados previamente no quadro 22. No entanto, os cálculos são apresentados logo à frente. Quadro 22 – Retorno e risco esperados das cinco carteiras distintas do portfólio Proporção do Ativo (X) no Portfólio Proporção do Ativo (Y) no Portfólio Retorno Esperado do Portfólio (�̅�𝜌) Risco do Portfólio (𝜎𝜌) 0% 100% 12,20% 13,32% 25% 75% 13,96% 12,12% 50% 50% 15,73% 11,84% 75% 25% 17,49% 12,54% 100% 0% 19,25% 14,08% Fonte: Assaf, 2014, p. 250. Primeiramente, vamos verificar como o retorno esperado de cada carteira (�̅�𝜌) foi calculado para ser apropriado no Quadro 22. Chama-se de carteira cada uma das diferentes combinações (proporções) que assumem os ativos X e Y no portfólio. Portanto, são cinco carteiras. Fórmula: �̅�𝜌 = (�̅�𝑋 × 𝑊𝑋) + (�̅�𝑌 × 𝑊𝑌) 𝑶𝒏𝒅𝒆: �̅�𝜌 = 𝑅𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑑𝑜 𝑝𝑜𝑟𝑡𝑓ó𝑙𝑖𝑜. �̅�𝑋= 𝑅𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑑𝑜 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑋 (𝑐𝑎𝑙𝑐𝑢𝑙𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑜 𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑖𝑟𝑜 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑜) 𝑊𝑋 = 𝑃𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑖𝑝𝑎çã𝑜 𝑒𝑚 % 𝑑𝑜 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑋 𝑛𝑜 𝑝𝑜𝑟𝑡𝑓ó𝑙𝑖𝑜 (𝑖𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑜 𝑄𝑢𝑎𝑑𝑟𝑜 22). �̅�𝑌 = 𝑅𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑑𝑜 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑌 (𝑐𝑎𝑙𝑐𝑢𝑙𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑜 𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑖𝑟𝑜 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑜) 𝑊𝑌 = 𝑃𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑖𝑝𝑎çã𝑜 𝑒𝑚 % 𝑑𝑜 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑌 𝑛𝑜 𝑝𝑜𝑟𝑡𝑓ó𝑙𝑖𝑜 (𝑖𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑜 𝑄𝑢𝑎𝑑𝑟𝑜 22). Retorno esperado das carteiras do portfólio (�̅�𝝆) : Para X = 0% e Y = 100% �̅�𝜌 = (�̅�𝑋 × 0%) + (�̅�𝑌 × 100%) ∴ �̅�𝜌 = (0,1925 × 0,00) + (0,1220 × 1,00) ∴ �̅�𝜌 = 0,1220% ∴ �̅�𝜌 = 12,20% Para X = 25% e Y = 75% �̅�𝜌 = (�̅�𝑋 × 25%) + (�̅�𝑌 × 75%) ∴ �̅�𝜌 = (0,1925 × 0,25) + (0,1220 × 0,75) ∴ �̅�𝜌 = 0,1396 ∴ �̅�𝜌 = 13,96% Para X = 50% e Y = 50% 27 �̅�𝜌 = (�̅�𝑋 × 50%) + (�̅�𝑌 × 50%) ∴ �̅�𝜌 = (0,1925 × 0,50) + (0,1220 × 0,50) ∴ �̅�𝜌 = 0,1573 ∴ �̅�𝜌 = 15,73 % Para X = 75% e Y = 25% �̅�𝜌 = (�̅�𝑋 × 75%) + (�̅�𝑌 × 25%) ∴ �̅�𝜌 = (0,1925 × 0,75) + (0,1220 × 0,25) ∴ �̅�𝜌 = 0,1749 ∴ �̅�𝜌 = 17,49% Para X = 100% e Y = 0% �̅�𝜌 = (�̅�𝑋 × 100%) + (�̅�𝑌 × 0%) ∴ �̅�𝜌 = (0,1925 × 1,00) + (0,122 × 0,0) ∴ �̅�𝜌 = 0,1925 ∴ �̅�𝜌 = 19,25% Agora, vamos verificar como o risco de cada carteira do portfólio (𝜎𝜌) foi calculado para ser registrado no Quadro 22: Fórmula: 𝜎𝜌 = √(𝑊𝑋 2 × 𝜎𝑋 2) + (𝑊𝑌 2 × 𝜎𝑌 2) + 2 × 𝑊𝑋 × 𝑊𝑌 × 𝐶𝑂𝑉𝑋,𝑌 𝑜𝑢 𝜎𝜌 = [(𝑊𝑋 2 × 𝜎𝑋 2) + (𝑊𝑌 2 × 𝜎𝑌 2) + 2 × 𝑊𝑋 × 𝑊𝑌 × 𝐶𝑂𝑉𝑋,𝑌] 1 2 𝑶𝒏𝒅𝒆: 𝑊𝑋 𝑒 𝑊𝑌 = 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑖𝑝𝑎çã𝑜 (𝑒𝑚 %) 𝑑𝑜 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑋 𝑒 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑌 𝑛𝑜 𝑝𝑜𝑟𝑡𝑓ó𝑙𝑖𝑜 → 𝑆ã𝑜 𝑐𝑖𝑛𝑐𝑜 𝑎𝑠 𝑝𝑜𝑠𝑠𝑖𝑏𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑎𝑟𝑡𝑒𝑖𝑟𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑚 𝑋 𝑒 𝑌, 𝑐𝑜𝑛𝑓𝑜𝑟𝑚𝑒 𝑑𝑒𝑚𝑜𝑛𝑠𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑎𝑠 𝑑𝑢𝑎𝑠 𝑝𝑟𝑖𝑚𝑒𝑖𝑟𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑙𝑢𝑛𝑎𝑠 𝑑𝑜 𝑄𝑢𝑎𝑑𝑟𝑜 22. 𝜎𝑋 2 𝑒 𝜎𝑌 2 = 𝑣𝑎𝑟𝑖â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑜𝑠 𝑟𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜𝑠 𝑑𝑜𝑠 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜𝑠 𝑋 𝑒 𝑌, 𝑟𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐𝑡𝑖𝑣𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒. → 𝐴 𝑣𝑎𝑟𝑖â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑜 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜 (𝑋 𝑒 𝑌)é 𝑜 𝑠𝑒𝑢 𝑑𝑒𝑠𝑣𝑖𝑜 − 𝑝𝑎𝑑𝑟ã𝑜 𝑎𝑜 𝑞𝑢𝑎𝑑𝑟𝑎𝑑𝑜, 𝑜𝑢 (𝜎2) → 𝑂 𝑐á𝑙𝑐𝑢𝑙𝑜 𝑑𝑜 𝑑𝑒𝑠𝑣𝑖𝑜 − 𝑝𝑎𝑑𝑟ã𝑜 (𝜎𝑋 𝑒 𝜎𝑌) 𝑓𝑜𝑖 𝑑𝑒𝑚𝑜𝑛𝑠𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑜 𝑠𝑒𝑔𝑢𝑛𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑜. 𝐶𝑂𝑉𝑋,𝑌 = 𝑐𝑜𝑣𝑎𝑟𝑖â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑜𝑠 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜𝑠 𝑋 𝑒 𝑌. → 𝑂 𝑐á𝑙𝑐𝑢𝑙𝑜 𝑑𝑎 𝑐𝑜𝑣𝑎𝑟𝑖â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑓𝑜𝑖 𝑑𝑒𝑚𝑜𝑛𝑠𝑡𝑟𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑜 𝑡𝑒𝑟𝑐𝑒𝑖𝑟𝑜 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑜 − 𝑄𝑢𝑎𝑑𝑟𝑜 21 Risco de cada carteira do portfólio (𝝈𝝆) pela formulação de Markowitz (citado por Assaf, 2014, p. 249): Risco da carteira com participação: (Ativo X = 0%) e (Ativo Y = 100%) 𝜎𝜌 = [(0,00 2 × 0,14082) + (1,002 × 0,13322) + 2 × 0,00 × 1,00 × 0,009240] 1 2 𝜎𝜌 = [0,0 + 0,01774224 + 0,0] 1 2 𝜎𝜌 = (0,01774224) 1 2 𝜎𝜌 = 0,1332 ∴ 𝜎𝜌 = 13,32 % Risco da carteira com participação: (Ativo X = 25%) e (Ativo Y = 75%): 𝜎𝜌 = [(0,25 2 × 0,14082) + (0,752 × 0,13322) + 2 × 0,25 × 0,75 × 0,009240] 1 2 𝜎𝜌 = [0,00123904 + 0,00998001 + 0,0034650] 1 2 𝜎𝜌 = (0,01468405) 1 2 𝜎𝜌 = 0,12117776 ∴ 𝜎𝜌 = 12,12 % 28 Risco da carteira com participação: (Ativo X = 50%) e (Ativo Y = 50%): 𝜎𝜌 = [(0,50 2 × 0,14082) + (0,502 × 0,13322) + 2 × 0,50 × 0,50 × 0,009240] 1 2 𝜎𝜌 = [0,00495616 + 0,00443556 + 0,004620] 1 2 𝜎𝜌 = (0,01401172) 1 2 𝜎𝜌 = 0,11837111 ∴ 𝜎𝜌 = 11,84 % Risco da carteira com participação: (Ativo X = 75%) e (Ativo Y = 25%): 𝜎𝜌 = [(0,75 2 × 0,14082) + (0,252 × 0,13322) + 2 × 0,75 × 0,25 × 0,009240] 1 2 𝜎𝜌 = [0,01115136 + 0,00110889 + 0,0034650] 1 2 𝜎𝜌 = (0,01572525) 1 2 𝜎𝜌 = 0,12540036 ∴ 𝜎𝜌 = 12,54 % Risco da carteira com participação: (Ativo X = 100%) e (Ativo Y = 0%): 𝜎𝜌 = [(1,00 2 × 0,14082) + (0,002 × 0,13322) + 2 × 1,00 × 0,00 × 0,009240] 1 2 𝜎𝜌 = [0,01982464 + 0,0 + 0,0] 1 2 𝜎𝜌 = (0,01982464) 1 2 𝜎𝜌 = 0,1408 ∴ 𝜎𝜌 = 14,08 % Cálculos complementares O propósito deste exercício foi atingido, ou seja, determinar o desvio- padrão (risco) de cada uma das carteiras (cinco) do portfólio. Mesmo assim, Assaf (2014) sugere ainda dois cálculos importantes para a análise final dos resultados. Determinar a “média ponderada dos desvios-padrão dos ativos X e Y”, que optamos por representar como (𝜎𝑋,𝑌 ). A fórmula é: 𝜎𝑋,𝑌 = (𝜎𝑋 × 𝑊𝑋) + (𝜎𝑌 × 𝑊𝑌) → 𝒔𝒆𝒏𝒅𝒐: 𝜎𝑋 𝑒 𝜎𝑌 → 𝐷𝑒𝑠𝑣𝑖𝑜 − 𝑝𝑎𝑑𝑟ã𝑜 𝑑𝑜𝑠 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜𝑠 𝑋 𝑒 𝑌, 𝑟𝑒𝑠𝑝𝑒𝑐𝑡𝑖𝑣𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑒. 𝑊𝑋 𝑒 𝑊𝑌 → 𝑃𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑖𝑝𝑎çã𝑜 (%) 𝑑𝑜𝑠 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜𝑠 𝑋 𝑒 𝑌 𝑒𝑚 𝑐𝑎𝑑𝑎 𝑐𝑎𝑟𝑡𝑒𝑖𝑟𝑎 𝑑𝑜 𝑝𝑜𝑟𝑡𝑓ó𝑙𝑖𝑜. Vejamos como ficarão os cálculos no Quadro 23: Quadro 23 – Dados para o cálculo da média ponderada dos desvios-padrão dos ativos X e Y 29 P a rt ic ip a ç ã o d o A ti v o X ( 𝑊 𝑋 ) P a rt ic ip a ç ã o d o A ti v o Y ( 𝑊 𝑌 ) Risco do portfólio (𝜎𝜌) Média ponderada dos desvios-padrão dos ativos X e Y (�̅�𝑋,𝑌 ) 25% 50% 75% 75% 50% 25% 12,12% 11,84% 12,54% (14,08% x 0,25) + (13,32% x 0,75) = 13,51% (14,08% x 0,50) + (13,32% x 0,50) = 13,70% (14,08% x 0,75) + (13,32% x 0,25) = 13,89% Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 250. Determinar o Índice de Correlação ou Coeficiente de Correlação de Pearson (𝛒) entre os ativos X e Y, por meio da fórmula a seguir: ρX,Y = 𝐶𝑂𝑉𝑋,𝑌 𝜎𝑋 × 𝜎𝑌 𝑶𝒏𝒅𝒆: ρX,Y → 𝐶𝑜𝑒𝑓𝑖𝑐𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑙𝑎çã𝑜 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑜𝑠 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜𝑠 𝑋 𝑒 𝑌. 𝐶𝑂𝑉𝑋,𝑌 → 𝐶𝑜𝑣𝑎𝑟𝑖â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑜𝑠 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜𝑠 𝑋 𝑒 𝑌 (𝑣𝑒𝑟 𝑡𝑒𝑟𝑐𝑒𝑖𝑟𝑜 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑜 − 𝑄𝑢𝑎𝑑𝑟𝑜 21). 𝜎𝑋 𝑒 𝜎𝑌 → 𝐷𝑒𝑠𝑣𝑖𝑜 − 𝑝𝑎𝑑𝑟ã𝑜 𝑑𝑜𝑠 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜𝑠 𝑋 𝑒 𝑌 (𝑣𝑒𝑟 𝑠𝑒𝑔𝑢𝑛𝑑𝑜 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑜) Então, vamos aplicar a fórmula do Índice de Correlação, ou Coeficiente de Correlação de Pearson (𝛒): ρX,Y = 𝐶𝑂𝑉𝑋,𝑌 𝜎𝑋 × 𝜎𝑌 → ρX,Y = 0,009240 0,1408 × 0,1332 → 𝛒𝐗,𝐘 = 𝟎, 𝟒𝟗𝟐𝟕 𝑶 𝒓𝒆𝒔𝒖𝒍𝒕𝒂𝒅𝒐 𝒑𝒐𝒅𝒆 𝒔𝒆𝒓 𝒆𝒔𝒄𝒓𝒊𝒕𝒐 𝒕𝒂𝒎𝒃é𝒎 → 𝑪𝑶𝑹𝑹𝑿,𝒀 = 𝟎, 𝟒𝟗𝟐𝟕 Agora, vamos conceituar melhor o Coeficiente de Correlação de Pearson (𝛒) e, em seguida, analisar o resultado encontrado neste exercício. O Coeficiente de Correlação de Pearson (𝛒) mede a intensidade (grau) e o sentido (direção) dessa correlação entre duas variáveis. O sentido (direção) da correlação entre as variáveis pode ser positivo (+) ou negativo (−), e a intensidade (grau) respeita o intervalo que vai de (– 1) a (+ 1). 𝐴𝑠𝑠𝑖𝑚 → −1 ≤ (ρ) ≤ +1. Para Assaf (2014, p. 259, grifo do autor), “o conceito de correlação visa explicar o grau de relacionamento verificado no comportamento de duas ou mais variáveis. Quando se trata unicamente de duas variáveis, tem-se a correlação 30 simples. Quando se relacionam mais de duas variáveis, tem-se a correlação múltipla”. Assim, a correlação entre duas variáveis indica a maneira como elas se movem em conjunto. A quantificação desse relacionamento é obtida estatisticamente por meio do coeficiente de correlação, que pode variar de + 1 a – 1. Quando o coeficiente de correlação for igual a – 1, diz-se que as variáveis em estudo estão negativamente (inversamente) correlacionadas, isto é, quando a variável Y diminui, a variável X tende a elevar-se. (Assaf, 2014, p. 260, grifo nosso) Quadro 24 – Coeficiente de correlação – intensidade (grau) e direção (sentido) Coeficiente de correlação = – 1 Correlação perfeitamente negativa entre as variáveis. As variáveis se movimentam em sentidos opostos: quando uma cai, a outra sobe e vice-versa. Assim, quanto mais próximo de – 1 a correlação entre as variáveis, menor é o risco. Coeficiente de correlação = + 1 Correlação perfeitamente positiva entre as variáveis. As variáveis se comportam de maneira semelhante. Sobem juntas; descem juntas. Assim, quanto mais próximo de + 1 a correlação entre as variáveis, maioré o risco. Coeficiente de correlação = zero. Não há correlação entre as variáveis. As variáveis são independentes. Portanto, não guardam relação de dependência entre si. Quanto mais perto de zero, mais fraca é a correlação entre as variáveis. Dancey & Reidy (2007, p. 186) propõem a seguinte escala para medir a intensidade (grau) e direção (sentido) do coeficiente de correlação: Quadro 25 – Coeficiente de correlação – intensidade (grau) e direção (sentido) Perfeito ± 1 Forte ± 0,9 ± 0,8 ± 0,7 Moderado ± 0,6 ± 0,5 ± 0,4 31 Fraco ± 0,3 ± 0,2 ± 0,1 Zero 0,0 Fonte: Adaptado de Dancey; Reidy, 2007, p. 186. É hora de analisarmos o significado do coeficiente de correlação (𝛒) encontrado neste exercício. Antes disso, veja o que Assaf (2014, p. 250) recomenda sobre o índice de correlação (ou coeficiente de correlação): Sempre que o índice de correlação for baixo, incentiva a diversificação do risco. A redução [do risco] é maior quanto menos positivamente correlacionados se apresentarem os ativos [variáveis]. Evidentemente, o maior benefício da redução do risco do portfólio pela diversificação ocorre na situação já comentada de correlação negativa dos retornos dos ativos. Assim, verifica-se que o índice de correlação encontrado (𝛒𝐗,𝐘 = 𝟎, 𝟒𝟗𝟐𝟕) é relativamente baixo (intensidade ou grau) e de sentido (direção) positivo. Isso parece não ser o ideal para a redução do risco. No entanto, Assaf (2014, p. 249, grifo nosso) diz: A correlação entre os ativos é baixa (𝑪𝑶𝑹𝑹𝑿,𝒀 = 𝟎, 𝟒𝟗𝟐𝟕), promovendo ainda assim, pelo modelo de diversificação, a redução do risco do portfólio. O desvio-padrão do portfólio, apurado pela formulação de Markowitz (citado por Assaf, 2014, p. 249), é inferior, [sic] para qualquer participação dos ativos no total do investimento, à média ponderada dos desvios-padrão dos retornos desses ativos. (conforme demonstrado no Quadro 24). Poderíamos simplificar o entendimento do coeficiente de correlação encontrado (𝛒𝐗,𝐘 = 𝟎, 𝟒𝟗𝟐𝟕) da seguinte maneira: imaginemos, por exemplo, que os ativos X e Y correspondam a ações (ativos) de determinadas empresas. Observe que o coeficiente de correlação é 0,4927 (ou quase 50%), de sentido positivo, revelando comportamento de direção análogo (semelhante) dos ativos. Então, quando o ativo (ação) X subir 10%, o ativo (ação) Y subirá 5% (50% de 10%), aproximadamente. Caso o ativo (ação) X caia 10%, o ativo (ação) Y deverá cair 5%, aproximadamente. Percebe-se que os ativos, por terem correlação positiva (+), poderão subir juntos ou cair juntos (mesma direção). E 0,4927 ou 50%, aproximadamente, é a intensidade (grau) da correlação entre eles. 32 TEMA 5 – CUSTO DE OPORTUNIDADE E CRIAÇÃO DE VALOR O termo custo de oportunidade, muito utilizado em finanças, tem a ver com a escolha que uma empresa ou um investidor faz entre dois investimentos alternativos. Por exemplo, uma empresa tem dois projetos de investimentos alternativos, projeto A e projeto B, e precisa escolher um deles. O diretor financeiro e o tesoureiro da empresa calculam um retorno anual sobre o investimento (ROI) de 20% para o projeto A e de 30% para o projeto B. Como os dois projetos apresentam risco semelhante, a escolha da empresa recaiu sobre o projeto B, que tem previsão de retorno sobre o investimento maior. Ao escolher o projeto B, a empresa abandonou a outra alternativa de investimento, o projeto A. Assim, diz-se que o custo de oportunidade do investimento B (escolhido) foi o que a empresa deixará de receber como retorno ao abrir mão do projeto A (20%). Como podemos perceber no exemplo, a escolha pelo investimento do projeto B foi justificada pelo fato de o seu retorno (projeto B) ser superior ao custo de oportunidade (projeto A). A Figura 3, a seguir, ilustra o exemplo: Figura 3 – Alternativas de investimentos e custo de oportunidade Para Assaf (2014, p.171, grifo do autor), “um custo de oportunidade retrata quanto uma pessoa (empresa) sacrificou de remuneração por ter tomado a decisão de aplicar seus recursos em determinado investimento alternativo, de risco semelhante”. Ross, Westerfield, Jaffe e Lamb (2015, p. 172, grifo nosso) apresentam como custo de oportunidade o seguinte exemplo: Sua empresa pode ter um ativo que pensa em vender, arrendar ou empregar em outra parte do negócio. Se o ativo for utilizado em um novo projeto, as potenciais receitas de seus usos alternativos [vender ou arrendar] estarão perdidas. Essas receitas perdidas [de vender ou arrendar] podem ser vistas significativamente como custos. [...] A estes custos dá-se o nome de custos de oportunidades porque, assumindo Projeto A Retorno (ROI) 20% Alternativa descartada Custo de oportunidade Projeto B Retorno (ROI) 30% Alternativa escolhida 33 o projeto, a empresa renuncia a outras oportunidades de utilizar os ativos. Ross, Westerfield, Jaffe e Lamb (2015, p. 172, grifo nosso) ainda sugerem um outro exemplo de custo de oportunidade: Suponha que uma empresa comercial tenha um armazém vazio que possa ser utilizado para armazenar uma nova linha de mesas de bilhar. A empresa espera vender essas mesas a consumidores ricos do Sudeste. O armazém deveria ser considerado um custo na decisão de vender as mesas? A resposta é sim. A empresa poderia vender o armazém se decidisse não comercializar mesas de bilhar. Logo o preço de venda do armazém é um custo de oportunidade na decisão sobre o negócio de mesas de bilhar. Agora, vamos propor um último exercício, desta vez prático, para demonstrar o efeito do custo de oportunidade na análise do retorno de um investimento. Suponha que uma empresa industrial resolva descontinuar (suspender) a produção do bem A (projeto A) para iniciar a produção do bem B (projeto B). A produção do bem A (projeto A) gera, atualmente, uma taxa de retorno de 20% ao ano. A produção do bem B deverá gerar os valores constantes no fluxo de caixa da Figura 4. O valor do investimento inicial do projeto B (R$ 300 mil) será obtido por meio da venda do ativo que será descontinuado (projeto A), além dos recursos poupados em razão da sua desativação. Deseja- se saber qual será o valor presente líquido (VPL) do projeto B, ou seja, o somatório das parcelas descontadas pela taxa mínima de atratividade (20% ao ano, correspondente ao retorno do projeto A, que será descontinuado) menos o valor do investimento inicial do projeto (R$ 300 mil). Lembre-se: a taxa mínima de atratividade (TMA) corresponde ao custo de oportunidade, ou seja, a taxa de retorno que remunera o projeto A (20% ao ano), que será abandonado (descontinuado). Assim: Caso a empresa optasse por dar continuidade à produção do produto A (projeto A), o fluxo de caixa para os próximos sete anos seria: Figura 4 – Fluxo de caixa previsto para o projeto A ao longo de sete anos 60 mil 70 mil 80 mil 90 mil 100 mil 110 mil 125 mil 300 mil 34 Verificando os cálculos do retorno do projeto A (a ser descontinuado): A taxa interna de retorno (TIR), ou o retorno do investimento, seria: TIR = 20% ao ano (efetuar o cálculo na HP 12C) Caso a empresa optasse por descontinuar (desativar) a produção do produto A (projeto A) e dar início à produção do produto B (projeto B), o fluxo de caixa previsto para os próximos sete anos do projeto B seria: Figura 5 – Fluxo de caixa previsto para o projeto B ao longo de sete anos 100 mil 120 mil 140 mil 160 mil 180 mil 200 mil 220 mil 300 mil Verificando os cálculos do projeto B (cálculos na HP 12-C): 𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑛𝑎 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜 (𝑇𝐼𝑅) = 40,90% 𝑎𝑜 𝑎𝑛𝑜. 𝑉𝑃𝐿 = (Ʃ 𝑑𝑎𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑐𝑒𝑙𝑎𝑠 𝑑𝑒𝑠𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑑𝑎𝑠 𝑝𝑒𝑙𝑎𝑇𝑀𝐴 𝑑𝑒 20%) − (𝑣𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙) 𝑉𝑃𝐿 = 525.561,20 − 300.000,00 → 𝑉𝑃𝐿 = 𝑅$ 225.561,20 Avaliando o resultado: O valor presente líquido (VPL) revela que o empreendimento do projeto B gera um ganho líquido de R$ 225.561,20, ou seja, já descontada a taxa mínima de atratividade (TMA), ou o custo de oportunidade, correspondente ao projeto A (20% ao ano), que será abandonado. Em finanças, a análise do custo de oportunidade mantém relação com a análise da criação de valor. Isso ocorre porque no processo de criação de valor de uma empresa o diretor financeiro e o tesoureiro precisam tomar decisões de investimentos entre alternativas possíveis. Evidentemente, eles tenderão a decidir por aquela alternativa de investimento que supere o retorno do custo de oportunidade (alternativa descartada) e possa contribuir para a valorização das ações, criando valor e maximizando a riqueza dos sócios: 35 Figura 4 – Custo de oportunidade de geração de valor NA PRÁTICA Antes de concluirmos o estudo da Aula 1, que tal resolvermos algumas questões sobre o seu conteúdo? Questão 1 – A figura a seguir demonstra que o autor (referenciado na figura) diferencia as funções do tesoureiro das funções do controller na área de finanças empresariais. Para o autor, o foco do tesoureiro tende a ser mais externo (finanças), e o do controller mais interno (contabilidade). Projeto B Retorno (ROI) 30% Alternativa escolhida com base no retorno e risco Maximização da riqueza dos acionistas Tomada de decisão de investimento (A ou B) Diretor Financeiro e Tesoureiro Criação de valor 1 2 3 Valorização das ações da empresa 8 4 5 6 7 Objetivo da Administração Financeira 9 36 Figura 5 – Estrutura de uma sociedade por ação e função financeira Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 6, Assinale a alternativa que apresenta funções que o autor define como próprias do tesoureiro na área de finanças empresariais: a. Planejamento financeiro; decisões de investimento; captação de fundos. b. Gestão de assuntos fiscais; gestão de caixa; captação de fundos. c. Operações de câmbio; contabilidade de custos; contabilidade financeira. d. Decisões sobre investimentos; gestão de caixa; contabilidade de custos. e. Contabilidade de custos; contabilidade financeira; gestão de crédito. Gabarito: a resposta correta é a letra A. Esse estudo faz parte do Tema 1 deste material. Questão 2 – Assinale a alternativa que define o objetivo da Administração Financeira: a. Maximizar o lucro. b. Reduzir os custos. c. Aumentar a receita. d. Reduzir os tributos. e. Maximizar a riqueza dos acionistas. Gabarito: a resposta correta é a letra E. O objetivo da Administração Financeira é a maximização da riqueza dos acionistas por meio da valorização das ações da empresa. As ações são papéis que compõem a participação dos sócios na empresa. Esse estudo faz parte do Tema 1 deste material. Vice- presidente de tecnologia Vice- presidente de marketing CFO – Vice- presidente de finanças Vice- presidente de operações industriais CFO – Vice- presidente de recursos humanos Tesoureiro Controller CEO – Presidente Executivo 37 Questão 3 – Segundo o autor Alexandre Assaf Neto, em sua obra Finanças Corporativas e Valor (2014, p. 139), “um dos instrumentos financeiros mais importantes na avaliação do desempenho operacional e planejamento é a alavancagem financeira”. As afirmativas a seguir dizem respeito ao entendimento do tema “alavancagem financeira”, demonstrado pelo autor em sua obra. Marque verdadeiro (V) ou falso (F) para cada afirmativa. I. O grau de alavancagem financeira (GAF) é obtido por meio da divisão do ROE pelo ROI ( ). II. O ROE é obtido por meio da divisão do lucro líquido (depois do IR e CSLL) pelo patrimônio líquido ( ). III. O ROI é obtido por meio da divisão do lucro operacional (depois do IR e CSLL) pelo valor dos investimentos ( ). IV. Quanto maior o grau de alavancagem financeira (GAF), menor é o ganho para os acionistas ( ). V. O grau de alavancagem financeira (GAF) é nulo quando for igual a 1 ( ). Agora, assinale a alternativa que corresponde à ordem correta: a. V, F, F, V, V. b. V, V, F, V, V. c. F, F, V, V, V. d. V, V, V, F, V. e. F, V, V, F, V. Gabarito: a resposta correta é a letra D. A afirmativa IV está errada, pois quanto maior o grau de alavancagem financeira (GAF), maior é o ganho dos sócios, indicando a correta decisão do tesoureiro com relação ao investimento e à forma como foi financiado. As demais afirmativas (I, II, III e V) estão corretas. Esse estudo faz parte do Tema 2 deste material. Questão 4 – Um investidor comprou uma quantidade de determinada ação no início de 2016, apostando que o seu preço subiria e que pagaria bons dividendos no final desse período. Com base nos dados apresentados no quadro a seguir e na fórmula proposta, assinale a alternativa que corresponde ao retorno (ganho), em porcentagem (%), com cada (uma) ação. 38 Quadro 25 – Preço e dividendos da ação Ano Preço da ação (R$) Dividendos pagos por ação (R$) Inicial Final 2016 30,00 36,00 3,00 Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 214. 𝑅 = [ 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 𝑃𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 + (𝑃𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 − 𝑃𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙) 𝑃𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 ] × 100 𝑜𝑛𝑑𝑒: 𝑅 = 𝑅𝑒𝑡𝑜𝑟𝑛𝑜 𝑑𝑎 𝑎çã𝑜 𝑒 𝑃 = 𝑃𝑟𝑒ç𝑜 𝑑𝑎 𝑎çã𝑜 Ou: 𝑅 = [ 𝐷𝑖𝑣𝑖𝑑𝑒𝑛𝑑𝑜𝑠 + (𝑃𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 − 𝑃𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙) 𝑃𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 ] × 100 a. 22% b. 25% c. 30% d. 32% e. 35% Gabarito: alternativa correta é a letra C. 𝑅 = [ 3,00 30,00 + (36,00 − 30,00) 30,00 ] × 100 → 30% Esse estudo faz parte do Tema 3 deste material. Questão 5 – Um investidor deseja escolher o menos arriscado dentre dois ativos alternativos (A e B). Os dados estatísticos estão apresentados no quadro a seguir. Obs.: os dados que deram origem ao retorno médio (�̅�) não foram fornecidos. 39 Quadro 26 – Dados estatísticos para escolha de ativos de risco Ativo A Ativo B (1) Retorno médio ou (�̅�) 16% 25% (2) Desvio-padrão dos retornos ou (𝝈𝒓) 8% 10% (3) Coeficiente de variação [(2) : (1)] ou 𝑪𝑽 = (𝝈 �̅�⁄ ) 0,50 ou 50% 0,40 ou 40% Fonte: Gitman, 2010, p. 213. Com base na análise dos dados do quadro apresentado, é correto afirmar: a. O investidor deve escolher o ativo A porque tem o menor desvio-padrão, revelando menor dispersão dos retornos em torno da média (retorno médio). Além disso, apresenta coeficiente de variação (CV) maior, se comparado com o Ativo B, o que indica menos risco para o Ativo A. b. O investidor deve escolher o ativo B porque tem o maior desvio-padrão dos retornos, se comparado com o Ativo A, revelando, por isso, menos risco para o Ativo B. c. O investidor deve escolher o ativo B porque, embora apresente desvio- padrão maior, comparativamente com o Ativo A, ainda assim apresenta o menor coeficiente de variação (CV), que é uma importante medida de dispersão relativa para a comparação do risco de ativos com diferentes retornos esperados. Gabarito: a resposta correta é a letra C. O uso do coeficiente de variação (CV) para comparação do risco entre ativos com diferentes retornos é proposto por Gitman (2010, p. 212-213). Esse estudo faz parte do Tema 3 deste material. AS QUESTÕES 6, 7 E 8 DEVEM SER RESPONDIDAS COM BASE NO ENUNCIADO A SEGUIR. O Quadro 27 a seguir apresenta o risco de cada carteira (risco do portfólio) para diferentes proporções dos ativos X e Y. Esses cálculos foram feitos com base nos dados do quadro 28, demonstrado logo em seguida ao Quadro 27. 40 Quadro 28 – Retorno esperado e risco das cinco carteiras distintas do portfólio Proporçãodo Ativo (X) no Portfólio. Proporção do Ativo (Y) no Portfólio. Retorno Esperado do Portfólio (�̅�𝜌) Risco do Portfólio (𝜎𝜌) 0% 100% 12,20% 13,32% 25% 75% 13,96% 12,12% 50% 50% 15,73% 11,84% 75% 25% 17,49% 12,54% 100% 0% 19,25% 14,08% Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p .250. Quadro 27 – Dados para o cálculo da covariância entre os ativos X e Y, ou (〖 COV〗_(X,Y)) E s ta d o d e n a tu re z a P ro b a b ili d a d e ( 𝑃 ) Retorno do Ativo X (𝑅𝑋) Retorno do Ativo Y (𝑅𝑌) 𝑅𝑋 − �̅�𝑋 𝑅𝑌 − �̅�𝑌 𝑃 (𝑅𝑋 − �̅�𝑋) × (𝑅𝑌 − �̅�𝑌) Recessão Médio Bom Excelente 10% 35% 45% 10% - 5% 10% 25% 50% 13% - 5% 25% 14% - 0,2425 -0,0925 0,0575 0,3075 0,0080 - 0,1720 0,1280 0,0180 - 0,000194 0,005569 0,003312 0,000553 �̅�𝑋 = 19,25% Retorno médio de X �̅�𝑌 = 12,20% Retorno médio de Y 𝐶𝑂𝑉𝑋,𝑌 = 0,009240 ou 0,9240% Retorno médio dos Ativos X e Y (�̅�𝑋 𝑒 �̅�𝑌). 𝐶𝑂𝑉𝑋,𝑌 = ∑ 𝑃 × (𝑅𝑋 − �̅�𝑋) × (𝑅𝑌 − �̅�𝑌) Fonte: Adaptado de ASSAF. A. N. Finanças Corporativas e Valor (2014, p.249) Questão 6 – O retorno médio dos ativos X e Y foi calculado com base nas fórmulas estatísticas a seguir. Demonstre os cálculos do retorno médio do ativo X (�̅�𝑿): 41 Fórmulas: �̅�𝑿 = ∑ (𝑹𝑿 × 𝑷); �̅�𝒀 = ∑(𝑹𝒀 × 𝑷) Gabarito – conforme demonstrado no Tema 4 desta aula: �̅�𝑿 = ∑(𝑹𝑿 × 𝑷) �̅�𝑋 = (−0,05 × 0,10) + (0,10 × 0,35) + (0,25 × 0,45) + (0,50 × 0,10) �̅�𝑋 = (−0,005) + (0,035) + (0,1125) + (0,05) �̅�𝑋 = 0,1925 𝑜𝑢 19,25% Questão 7 – O retorno esperado de cada carteira do portfólio (�̅�𝜌) é dado por meio da fórmula a seguir. Determine o retorno esperado para a carteira composta por: X (25%) e Y (75%). Fórmula: �̅�𝜌 = (�̅�𝑋 × 𝑊𝑋) + (�̅�𝑌 × 𝑊𝑌) Gabarito – conforme demonstrado no Tema 4 desta aula Para X = 25% e Y = 75% �̅�𝜌 = (�̅�𝑋 × 25%) + (�̅�𝑌 × 75%) ∴ �̅�𝜌 = (0,1925 × 0,25) + (0,1220 × 0,75) ∴ �̅�𝜌 = 0,1396 ∴ �̅�𝜌 = 13,96% Questão 8 – O risco de cada carteira do portfólio (𝜎𝜌 ) é dado por meio da fórmula a seguir. Determine o risco para a carteira composta por: X (25%) e Y (75%). Fórmula: 𝜎𝜌 = [(𝑊𝑋 2 × 𝜎𝑋 2) + (𝑊𝑌 2 × 𝜎𝑌 2) + 2 × 𝑊𝑋 × 𝑊𝑌 × 𝐶𝑂𝑉𝑋,𝑌] 1 2 Gabarito – conforme demonstrado no Tema 4 desta aula 𝜎𝜌 = [(0,25 2 × 0,14082) + (0,752 × 0,13322) + 2 × 0,25 × 0,75 × 0,009240] 1 2 𝜎𝜌 = [0,00123904 + 0,00998001 + 0,0034650] 1 2 𝜎𝜌 = (0,01468405) 1 2 𝜎𝜌 = 0,12117776 ∴ 𝜎𝜌 = 12,12 % 42 Questão 9 – Com relação ao termo custo de oportunidade, assinale a única alternativa incorreta: a. Diz respeito à escolha entre duas opções de investimento. b. O ganho do investimento escolhido deve levar em conta o que se deixou de ganhar ao abandonar a outra opção. c. Está relacionado com a criação de valor para os acionistas. d. São os gastos necessários para a abertura de um negócio. e. Diz respeito à decisão de investimento. Gabarito: a resposta é a letra D. A análise do custo de oportunidade leva em conta a escolha entre dois investimentos. Estudo do Tema 5 desta aula. FINALIZANDO Assim, chegamos ao final da Aula 1. Os temas 3 e 4, que foram abordados nesta aula, envolvem cálculos de análise de retorno e risco com o auxílio da estatística. Em razão disso, o seu conteúdo parece ter ficado um pouco mais pesado, não é mesmo? Como vocês perceberam, a nossa preocupação foi demonstrar os cálculos detalhadamente e passo a passo. Os temas apresentados nesta Aula 1 podem parecer relativamente complexos para as pessoas que não tenham ainda um conhecimento razoável na área de finanças e estatística. Contudo, este desafio mostra-se como uma oportunidade para que possamos compreender melhor essas áreas da ciência. Até mesmo a literatura sobre o assunto é relativamente restrita a autores estrangeiros, os quais foram referenciados neste material. Nesse sentido, ressaltamos a importância do brasileiro Alexandre Assaf Neto, que nos brindou com a sua obra Finanças Corporativas e Valor, aqui também referenciada. Tivemos o cuidado de selecionar, dentre as principais obras, os conteúdos mais adequados para cada tema desenvolvido. Os exercícios de maior complexidade foram mostrados neste material com o mesmo enunciado e dados sugeridos pelos autores, porém com os ajustes necessários para permitir uma melhor compreensão dos temas apresentados. Recomendamos que os alunos consultem as obras referenciadas para ampliar os conhecimentos nesta área. 43 REFERÊNCIAS ASSAF, A. N. Finanças corporativas e valor. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2014. CRESPO, A. A. Estatística fácil. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. DANCEY, C. P.; REIDY, J. Statistics without maths for psychology. [S.l.]: Pearson/Prentice Hall, 2007. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2010. MARTINS, G. A.; DOMINGUES, O. Estatística geral e aplicada. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017. ROSS, S. A.; WESTERFIELD, R. W.; JAFFE, J.; LAMB, R. Administração financeira. 10. ed. Porto Alegre: McGraw Hill/Bookman, 2015. ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA AULA 2 Prof. Silvio Persona Filho 2 CONVERSA INICIAL Em um mundo globalizado, onde a concorrência é acirrada, o cuidado com os investimentos é de fundamental importância. Os investidores se sentem pressionados pelos diversos fatores que dificultam a implementação de novos projetos e lhes trazem o receio de empregar os seus recursos financeiros nas atividades produtivas. Por vezes, os investidores tendem a manter os seus recursos aplicados no mercado financeiro, tendo em vista os riscos inerentes aos negócios empresariais. Para mitigar os riscos dos negócios, os investidores analisam as diversas oportunidades de empregar o seu dinheiro e só tomam a decisão por investir se tiverem suporte de um estudo de viabilidade econômico- financeira. Nesta aula, estudaremos as ferramentas utilizadas na análise de investimentos, tema extremamente relevante no ambiente empresarial. Bons estudos! CONTEXTUALIZANDO As incertezas que o futuro dos investimentos traz aos detentores do dinheiro os obrigam a serem cautelosos na aplicação dos seus recursos. Para cada projeto a ser investido é necessário se fazer um estudo de viabilidade conhecido como “análise de investimentos”. Mesmo em países desenvolvidos, com economias estáveis, a verificação da viabilidade dos investimentos é realizada. Imagine então como é necessário se fazer esses estudos em países que possuem economias instáveis, como é o caso do Brasil. A análise de investimentos tem o objetivo de identificar a melhor opção entre diferentes possibilidades de investimento e, para isso, possui diversas ferramentas de cálculos que devem ser usadas em conjunto para se determinar se um projeto é viável ou não. Nenhuma análise deverá se basear em um único indicador, pois se assim for feito, o risco de se tomar uma decisão errada é muito grande. 3 TEMA 1 – TAXA MÍNIMA DE ATRATIVIDADE (TMA) E VALOR ANUAL UNIFORME EQUIVALENTE (VAUE) Antes de iniciar qualquer estudo de viabilidade, é preciso saber qual é a “referência” para a análise. Na análise de investimentos, a mencionada referência de análise se chama Taxa Mínima de Atratividade (TMA). Podemos defini-la como sendo a taxa de juros considerada como minimamente aceitável para remunerar o investimento que será realizado. Em outras palavras, a TMA é a taxa de juros mínima que o investidor quer receber por realizar o investimento. Segundo Casarotto Filho e Kopittke (2010), a TMA “é a taxa a partir da qual o investidor considera que está obtendo ganhos financeiros”. A determinação da TMA depende exclusivamente dos parâmetros estabelecidos pelopróprio investidor. Normalmente a sua formação considera três variáveis: custo de oportunidade, risco do investimento e a sua liquidez. Figura 1 – Taxa mínima de atratividade De forma genérica, a TMA será formada pelo custo de oportunidade acrescido de uma sobretaxa (que irá cobrir o risco e a liquidez). Observe, a seguir, o detalhamento dessas variáveis: Custo de oportunidade: é o custo que o investidor tem por abrir mão de uma alternativa de investimento para aplicar em outra. Assim, se você retirar o seu dinheiro de uma aplicação financeira que rende 0,5% ao mês para aplicar em um determinado projeto, você irá desejar que ele renda pelo menos os 0,5% ao mês de antes, certo? Então, esse é o custo de oportunidade. Risco do negócio: todo negócio tem um risco (pode falir, diminuir a sua riqueza etc.). Então você irá desejar que o seu projeto lhe proporcione uma remuneração pela qual valha a pena correr o risco de perder o próprio investimento. Perceba que se você comprar títulos do Governo 4 Federal, cuja remuneração é baseada na taxa Selic, o seu risco é praticamente nulo. Se você retirar o seu dinheiro dessa aplicação e investir em um negócio, você incorrerá em riscos. Só existe uma maneira de você aceitar esses riscos: ganhar mais. Liquidez: esse conceito se refere à capacidade/velocidade em que você converte os seus ativos em dinheiro. Assim sendo, a liquidez de um negócio mede a velocidade em que você consegue sair dele, transformando-o em dinheiro. Assim, terá maior liquidez aquele ativo que é convertido em dinheiro mais rapidamente, por exemplo: • Duas pessoas possuem R$ 200.000,00 cada. A primeira aplicou o seu dinheiro na poupança e a segunda comprou um apartamento. O investimento com maior liquidez foi o da primeira pessoa, ou seja, a poupança, pois a qualquer momento ela poderá sacar o seu dinheiro, enquanto a segunda pessoa levará um tempo maior, pois terá que vender o apartamento. A definição da sobretaxa é muito subjetiva, por isso cada investidor define a sua. Se a remuneração dos títulos do governo rende, por exemplo, 10,0% ao ano (taxa Selic), o investidor poderá considerar essa remuneração como sendo o seu custo de oportunidade. Então, para definir a sua TMA, ele irá acrescentar uma sobretaxa para cobrir os riscos do negócio e a diminuição na liquidez. Digamos que, para um investidor, uma sobretaxa de 6% ao ano irá cobrir o risco do negócio em que está prestes a investir seus recursos financeiros, bem como irá recompensá-lo pela diminuição da liquidez do seu ativo. Desta forma, a sua TMA será de 16% ao ano. ATENÇÃO: Para os investimentos realizados pela pessoa jurídica, é comum se considerar o Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC) como sendo a TMA, uma vez que, em uma empresa, os critérios devem evitar a subjetividade. O CMPC nada mais é do que a média entre o custo do capital próprio e o custo do capital de terceiros, sendo esses custos ponderados pelos percentuais que cada um representa na estrutura patrimonial da empresa. Vamos agora tratar do Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE). Segundo Casarotto Filho e Kopittke (2010), “este método consiste em achar a série uniforme anual (A) equivalente ao fluxo de caixa dos investimentos à Taxa Mínima de Atratividade (TMA), ou seja, acha-se a série uniforme equivalente a 5 todos os custos e receitas para cada projeto utilizando-se a TMA. O Melhor projeto é aquele que tiver o maior saldo positivo”. Para o melhor entendimento vamos a um exemplo numérico: uma determinada empresa deseja ampliar a sua linha de produção e para isso deverá investir na compra de uma nova máquina. Após consulta ao mercado, verificou que possui duas alternativas de investimento: Compra da máquina Alfa, que tem um valor de investimento igual a R$ 60.000,00, sendo que a máquina irá gerar receitas anuais de R$ 12.000,00 por 10 anos. Compra da máquina Beta, que tem um valor de investimento igual a R$ 50.000,00, sendo que a máquina irá gerar receitas anuais de R$ 10.000,00 por 10 anos. Considerando que a TMA utilizada pela empresa é de 12% ao ano, qual alternativa é mais viável? Para resolvermos essa questão, primeiramente devemos calcular qual seria a remuneração mínima (em R$) exigida anualmente em cada projeto considerando a TMA. Depois, devemos subtrair da receita anual que cada máquina irá gerar o valor exigido como mínimo pela TMA. Vamos utilizar a calculadora HP12C para efetuar os cálculos. Tabela 1 – Máquina Alfa TECLAS VISOR SIGNIFICADO 60.000 CHS P V - 60.000,00 Lançamento do Valor Presente (valor do investimento) 10 10,00 Lançamento do número de anos 12 12,00 Lançamento da TMA 0 0,00 Procedimento de segurança para eliminar valores residuais, para que não interfiram no cálculo. Se antes de iniciar os lançamentos você zerou os registradores, esse procedimento é dispensável. 10.619,05 Valor anual mínimo exigido. VAUE = 12.000,00 – 10.619,05 = 1.380,95 6 Tabela 3 – Máquina Beta TECLAS VISOR SIGNIFICADO 50.000 CHS P V - 50.000,00 Lançamento do Valor Presente (valor do investimento) 10 10,00 Lançamento do número de anos 12 12,00 Lançamento da TMA 0 0,00 Procedimento de segurança para eliminar valores residuais, para que não interfiram no cálculo 8.849,21 Valor anual mínimo exigido VAUE = 10.000,00 – 8.849,21 = 1.150,79 Conclusão: Pelo Valor Anual Uniforme Equivalente, a máquina Alfa é mais viável que a Beta, tendo em vista que ela irá gerar a remuneração mínima exigida pela TMA (R$ 10.619,05) e ainda irá resultar em um adicional anual de R$ 1.380,95, ou seja, a Alfa gera uma entrada líquida anual superior em R$ 230,16 quando comparada com a Beta (1.380,95 – 1.150,79). O cálculo do VAUE é bastante simples, e para reforçar o entendimento da lógica da análise vamos detalhar o que significam os valores calculados. Tomemos a máquina Alfa para exemplificar: Tabela 4 – Cálculo do VAUE A B C D E Tempo (Ano) Valor do Investimento Remuneração exigida pela TMA Remuneração Gerada pela Máquina Ganho Além do Mínimo Exigido pela TMA 0 60.000,00 1 10.619,05 12.000,00 1.380,95 2 10.619,05 12.000,00 1.380,95 3 10.619,05 12.000,00 1.380,95 4 10.619,05 12.000,00 1.380,95 5 10.619,05 12.000,00 1.380,95 6 10.619,05 12.000,00 1.380,95 7 10.619,05 12.000,00 1.380,95 8 10.619,05 12.000,00 1.380,95 9 10.619,05 12.000,00 1.380,95 10 10.619,05 12.000,00 1.380,95 a. Nessa coluna temos o período de análise do projeto, ou seja, 10 anos. b. Valor do investimento para adquirir a máquina Alfa. 7 c. Como a TMA é de 12% ao ano, o valor mínimo exigido que a máquina deve gerar de entrada é de R$ 10.619,05 ao ano, ou seja, esse valor irá cobrir exatamente o custo do dinheiro estabelecido pelo investidor. Ele quer ganhar no mínimo 12% ao ano e o valor de R$ 10.619,05 representa exatamente esse percentual mínimo. d. Essas são as entradas que a máquina irá gerar efetivamente, tendo em vista a sua capacidade de produção. e. Esses valores são os ganhos adicionais, por ano, que a máquina irá gerar além do mínimo exigido pelo investidor. Ele quer ganhar no mínimo R$ 10.619,05 e a máquina proporciona R$ 12.000,00 por ano, então, se o investidor optar por essa máquina, ele vai ganhar um adicional de R$ 1.380,95 por ano. O mesmo raciocínio deve ser utilizado para a máquina Beta, de forma a verificar qual das duas irá gerar o maior ganho para o investimento. Diante do exposto, podemos elencar os critérios de análise quando utilizamos o VAUE para verificar a viabilidade de projetos: Se o VAUE for negativo, o projeto é inviável, pois não ofereceu a remuneração mínima exigida. Se o VAUE for igual a zero, o projeto é indiferente,ou seja, ele oferece exatamente o mínimo que o investidor deseja ganhar. Ele pode aceitar ou não, pois os dados analisados são oriundos de projeções que podem sofrer variações no longo prazo (existe aqui um componente de risco). Se na determinação da TMA o investidor já incluiu uma sobretaxa para cobrir o risco do negócio de forma adequada, ele se sentirá mais seguro em aceitar o projeto. Se o VAUE for positivo, o projeto é viável, pois cobrirá o mínimo exigido e ainda irá gerar um adicional. Se na análise existirem dois ou até mesmo mais projetos, o investidor deverá optar por aquele que oferecer o maior VAUE. Caso queira realizar os cálculos por meio de fórmula, utilize a apresentada a seguir, em que o valor já representa o ganho anual obtido: VAUE = - Valor do Investimento x (1+i)n x i (1+i)n − 1 + Entradas Anuais 8 TEMA 2 – VALOR PRESENTE LÍQUIDO (VPL) O Valor Presente Líquido é uma técnica muito utilizada na análise de investimentos, tendo em vista a sua confiabilidade. A técnica consiste em trazer ao valor presente todas as entradas líquidas de caixa que foram projetadas ao longo do período de análise e depois comparar o valor presente total com o valor do investimento realizado. Veja a seguir: Figura 2 – Valor Presente Líquido Perceba que todas as entradas foram levadas a Valor Presente, ou seja, foram descontadas para o tempo “zero”. O Valor Presente total (VP) será obtido pela somatória de todos os valores presentes, ou seja: VP = VP da entrada 1 + VP da Entrada 2 + VP da entrada 3 Para descontar as entradas líquidas futuras e trazê-las ao tempo zero, utilizaremos a TMA: VP = 𝐸𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 1 (1+ 𝑇𝑀𝐴 100 )1 + 𝐸𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 2 (1+ 𝑇𝑀𝐴 100 )2 + 𝐸𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 3 (1+ 𝑇𝑀𝐴 100 )3 O VPL é o resultado obtido pela subtração do Valor Presente das entradas de caixa pelo valor do investimento. VPL = Valor Presente das entradas de caixa – Investimento VPL = VP – I 9 O cálculo do Valor Presente Líquido – VPL leva em consideração o valor do dinheiro no tempo. Portanto, todas as entradas e saídas de caixa são tratadas no tempo presente. Exemplo: Uma pessoa está pensando em realizar um investimento de R$ 500.000,00 em um determinado projeto. Para tomar a decisão, ela irá analisar a viabilidade econômico-financeira do projeto por meio do cálculo do VPL. Considerando que ele deseja receber, no mínimo, 12% ao ano (TMA), vamos aos cálculos: Tabela 5 – Dados do exemplo Ano Investimento (R$) Entradas (R$) PV das Entradas TMA = 12% a.a. (R$) 0 500.000,00 - 1 - 75.000,00 66.964,29 2 - 80.000,00 63.775,51 3 - 90.000,00 64.060,22 4 - 95.000,00 60.374,22 5 - 100.000,00 56.742,69 6 - 105.000,00 53.196,27 7 - 108.000,00 48.853,72 8 - 110.000,00 44.427,16 9 - 115.000,00 41.470,15 10 - 120.000,00 38.636,79 Total 538.501,00 VPL = VP – I VPL = 538.501,00 – 500.000,00 VPL = 38.501,00 Para facilitar os cálculos vamos usar a calculadora financeira HP12C. Cabe salientar que para esse cálculo deveremos utilizar as funções da HP que realizam cálculos para séries de pagamentos não uniformes, conhecidas como funções de Fluxo de Caixa (Cash Flow – CF): 10 Tabela 6 – Simulação do exemplo Ano Investimento VISOR SIGNIFICADO 0 500.000,00 - 500.000,00 Valor do investimento 1 75.000,00 75.000,00 Entrada do primeiro Fluxo de Caixa 2 80.000,00 80.000,00 Entrada do segundo Fluxo de Caixa 3 90.000,00 90.000,00 Entrada do terceiro Fluxo de Caixa 4 95.000,00 95.000,00 Entrada do quarto Fluxo de Caixa 5 100.000,00 100.000,00 Entrada do quinto Fluxo de Caixa 6 105.000,00 105.000,00 Entrada do sexto Fluxo de Caixa 7 108.000,00 108.000,00 Entrada do sétimo Fluxo de Caixa 8 110.000,00 110.000,00 Entrada do oitavo Fluxo de Caixa 9 115.000,00 115.000,00 Entrada do nono Fluxo de Caixa 10 120.000,00 120.000,00 Entrada do décimo Fluxo de Caixa 12 12,00 Lançamento da TMA 38.501,00 Valor Presente Líquido Tabela 7 – Critérios de análise VPL > 0 O investimento é viável, pois remunera o investidor acima do que ele deseja como mínimo. VPL = 0 O investimento é indiferente, ou seja, cabe ao investidor aceita-lo ou não, pois ele terá exatamente a remuneração que exige na TMA. Como em toda a análise de longo prazo, existem riscos de variação dos valores projetados, e cabe ao investidor avaliar a aceitação. VPL < 0 O investimento é inviável, pois remunera o investidor abaixo do que ele considera como mínimo. Assim, o investimento será viável, pois o VPL é maior que zero. 11 TEMA 3 – TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR) Antes de conceituar a taxa interna de retorno, é conveniente se analisar um fluxo de caixa e entender o que ele apresenta. Sendo assim, analise o fluxo a seguir: Figura 3 – Fluxo de caixa 1 .0 0 0 ,0 0 3 6 7 ,2 1 3 6 7 ,2 1 3 6 7 ,2 1 i=5 %a .m . 1 2 3 m e s e s Fonte: XXX Conclusões: 1. O fluxo de caixa evidencia que houve uma saída de caixa de R$ 1.000,00, ou seja, houve uma aplicação em um determinado investimento. 2. O período desse investimento é de 3 meses. 3. O investimento resultou em entradas mensais de caixa no valor de R$ 367,21 cada. 4. A taxa de juros capaz de produzir entradas mensais de R$ 367,21 durante 3 meses a partir de um investimento de R$ 1.000,00 é de 5% a.m. As conclusões são óbvias, no entanto, são necessárias para se entender melhor o significado da TIR. Observe que nesse investimento três valores "retornaram" ao caixa, ou seja, o investimento de R$ 1.000,00, utilizando a taxa de juros de 5% a.m., gerou "retornos" mensais de R$ 367,21. A taxa capaz de gerar esse retorno é chamada de Taxa Interna de Retorno. Resta ainda analisar o seguinte: entendendo que o fluxo de caixa apresentado é uma série de recebimentos, verifica-se que PMT = 367,21 n = 3 meses i =TIR = 5% a.m. 12 Para se calcular o Valor Presente de uma série postecipada, como a apresentada no exemplo, tem-se: VP PMT i n i n i . . 1 1 1 VP 367 21 1 0 05 3 1 1 0 05 3 0 05 , . , , . , VP 367 21 0 157625 0 05788125 , . , , PV = 367,21 x 2,723248 PV = 1.000,00 Usando a HP12C, teremos os seguintes lançamentos: Tabela 7 – Simulação do exemplo TECLAS VISOR SIGNIFICADO 367,21 CHS - 367,21 Lançamento das entradas mensais 3 3,00 Lançamento do número de entradas 5 5,00 Lançamento da taxa de juros 0 0,00 Procedimento de segurança para eliminar valores residuais, para que não interfiram no cálculo P V 1.000,00 Valor Presente Observação: se a calculadora não estiver habilitada para cálculo de rendas postecipadas, o aluno deverá apertar as teclas “g” e depois “end”, antes de pedir o “PV”. Considerando que: VPL = PV – I onde: VPL é o Valor Presente Líquido; PV é o Valor Presente da série; e I é o investimento realizado, tem-se que: 13 VPL = 1.000,00 – 1.000,00 = 0 Assim sendo, pode-se conceituar a TIR como sendo: "Taxa de juro que torna o Valor Presente Líquido de um fluxo igual a zero" ou "Taxa de desconto que faz com que o Valor Presente das entradas de caixa se igualem ao investimento realizado". Segundo Casarotto Filho e Kopittke (2010), “o método da Taxa Interna de Retorno requer o cálculo da taxa que zera o Valor Presente dos fluxos de caixa das alternativas”. Por ser o seu cálculo, em alguns casos, impossível de se resolver algebricamente, deve-se efetuá-lo por meio de: 1. tentativa e erro; 2. calculadora financeira; 3. consulta a tabelas financeiras; 4. planilhas eletrônicas. Para o melhor entendimento, vamos a alguns exemplos. 1. Calcular a taxa interna de retorno correspondente a um investimento de R$ 2.000,00 que gerou6 retornos anuais de R$ 300,00, R$ 350,00; R$ 400,00; R$ 450,00; R$ 500,00 e R$ 600,00, consecutivamente. Figura 4 – Dados do exemplo A equação para resolver esse problema é a seguinte: 2000 300 1 1 350 1 2 400 1 3 450 1 4 500 1 5 600 1 6 i i i i i i Como já foi comentado, existem basicamente quatro maneiras de se resolver esse problema. Portanto, deve-se descartar o cálculo algébrico e partir para uma das maneiras recomendadas. 14 Utilizando os programas internos de uma calculadora financeira, o cálculo se torna bastante simples. Observe, porém, o diagrama de fluxo de caixa apresentado acima e entenda que o que a calculadora está fazendo é, pelo método de "tentativa e erro", simplesmente achar a taxa de juro que faz com que a somatória dos valores de entradas descontados para o tempo zero se iguale ao investimento realizado. Para resolver esse problema utilizando-se da calculadora HP 12C, deve- se seguir os seguintes passos: Tabela 8 – Simulação do exemplo Conforme cálculo acima, a Taxa Interna de Retorno é de 7,18% ao ano. Agora, pense: esse investimento é viável? Para responder a essa pergunta, é necessário se ter um parâmetro de comparação – que, nesse caso, será a TMA. Assim, os critérios de avaliação são os seguintes: 15 Tabela 9 – Critérios de avaliação TIR > TMA O investimento é viável. TIR = TMA O investimento é indiferente. TIR < TMA O investimento é inviável. O exercício anterior tinha como foco somente o cálculo da TIR. Agora, vamos resolver um exercício que tenha o objetivo de verificar a viabilidade do investimento. Um determinado projeto requer um investimento de R$ 200.000,00. O estudo projetou os fluxos de caixas líquidos (receitas menos gastos) para um período de cinco anos, nas seguintes grandezas: Ano 1, entrada líquida de R$ 50.000,00 Ano 2, entrada líquida de R$ 60.000,00 Ano 3, entrada líquida de R$ 70.000,00 Ano 4, entrada líquida de R$ 80.000,00 Ano 5, entrada líquida de R$ 90.000,00 Considerando que a Taxa Mínima de Atratividade do investidor é de 14% ao ano, o projeto é viável? Resolução: a. Para termos uma visão melhor do investimento e os seus efeitos financeiros, vamos elaborar o seu diagrama de Fluxo de Caixa: Figura 5 – Fluxo de caixa b. Cálculos pela HP12C Tabela 10 – Resolução do exemplo 16 A Taxa Interna de Retorno do projeto é de 19,71% ao ano. Como o investidor deseja receber, no mínimo, 14% ao ano, o projeto é viável. Não esqueça: a TIR é a taxa de remuneração que o projeto “oferece” e a TMA é a taxa de juros que o investidor “quer” ganhar, no mínimo. TEMA 4: PAYBACK E ÍNDICE DE LUCRATIVIDADE (IL) O payback é um método de análise de investimentos que tem o objetivo de calcular o tempo de retorno do investimento, ou seja, o tempo em que o valor do investimento será integralmente recuperado. Existem duas modalidades de payback: o simples e o descontado. Payback simples: é o período de tempo necessário para que as entradas nominais de caixa do projeto se igualem ao valor do investimento. Entende-se por entradas nominais os valores obtidos sem levar em consideração o valor do dinheiro no tempo, assim, nenhuma taxa de juros é considerada nesse cálculo. Payback descontado: é o período de tempo necessário para que as entradas reais de caixa do projeto se igualem ao valor do investimento. 17 Entende-se por entradas reais os valores obtidos considerando o valor do dinheiro no tempo, ou seja, utilizando uma taxa de juros no cálculo. 4.1 Cálculo do payback simples Um determinado projeto requer um investimento de R$ 300.000,00. O estudo projetou os Fluxos de Caixas líquidos (receitas menos gastos) para um período de cinco anos, nas seguintes grandezas: Ano 1, entrada de R$ 80.000,00 Ano 2, entrada de R$ 90.000,00 Ano 3, entrada de R$ 130.000,00 Ano 4, entrada de R$ 150.000,00 Ano 5, entrada de R$ 170.000,00 Para calcular o tempo de retorno, vamos preencher uma tabela com os dados do projeto e calcular os saldos devedores, por período: Tabela 11 – Resolução do exemplo Conforme os dados expostos na Tabela 11, o payback será de 3 anos. Agora, vamos entender o que aconteceu em cada ano: Ano 0: Registramos o valor do investimento. Como o investimento é uma saída de caixa, vamos considerá-lo com um valor negativo na tabela. Ano 1: Registramos o valor da entrada (R$ 80.000,00). Esse valor irá retornar para o investidor; assim, o saldo para ainda recuperar, nesse momento, é de R$ 220.000,00, ou seja: • R$ - 300.000,00 + R$ 80.000,00 = R$ - 220.000,00 18 Ano 2: Registramos o valor da entrada (R$ 90.000,00). Esse valor irá retornar para o investidor; assim, o saldo para recuperar, nesse momento, é de R$ 130.000,00. • R$ - 220.000,00 + R$ 90.000,00 = R$ - 130.000,00 Ano 3: Registramos o valor da entrada (R$ 130.000,00). Esse valor irá retornar para o investidor, assim o saldo para recuperar, nesse momento, é de R$ 0,00, ou seja, todo o valor do investimento foi recuperado. Assim, o payback do exercício é de 3 anos: • R$ - 130.000,00 + R$ 130.000,00 = R$ 0,00 Ano 4: Registramos o valor da entrada (R$ 150.000,00). Esse valor irá exceder o valor do investimento, ou seja, no período anterior todo o investimento já foi recuperado e o saldo passa a ser positivo: • R$ 0,00 + R$ 150.000,00 = R$ 150.000,00 Ano 5: Registramos o valor da entrada (R$ 170.000,00). Esse valor irá se somar ao saldo já positivo de caixa: • R$ 150.000,00 + R$ 170.000,00 = R$ 320.000,00 4.2 Cálculo do payback descontado Como dito anteriormente, o payback descontado leva em consideração o valor do dinheiro no tempo. Nesse caso, para o cálculo do prazo de retorno, utilizaremos uma taxa de remuneração exigida pelo investidor, ou seja, a Taxa Mínima de Atratividade. Vamos a um exemplo: um determinado projeto requer um investimento de R$ 300.000,00. O estudo projetou os Fluxos de Caixas líquidos (receitas menos gastos) para um período de cinco anos, nas seguintes grandezas: Ano 1, entrada de R$ 80.000,00 Ano 2, entrada de R$ 90.000,00 Ano 3, entrada de R$ 130.000,00 Ano 4, entrada de R$ 150.000,00 Ano 5, entrada de R$ 170.000,00 Considerando que a TMA é de 18% ao ano, calcule o prazo de retorno do investimento pelo método do payback descontado. 19 Tabela 12 – Resolução do exemplo Agora vamos entender o que aconteceu em cada ano: Ano 0: Registramos o valor do investimento. Como o investimento é uma saída de caixa, vamos considerá-lo com um valor negativo na tabela. Ano 1: Registramos o valor da entrada (R$ 80.000,00) e calculamos o valor da entrada descontada, ou seja, trouxemos o valor dessa entrada para o tempo zero, conforme abaixo: VP = 80.000 (1+0,18)1 = 67.796,61 Podemos, ainda, calcular pela HP12C: 80.000 1 18 Depois de calcularmos o valor da entrada para o tempo zero, abatemos do saldo devedor: – R$ 300.000,00 + R$ 67.796,61 = R$ - 232.203,39 Ano 2: Registramos o valor da entrada (R$ 90.000,00) e calculamos o valor da entrada descontada, ou seja, trouxemos o valor dessa entrada para o tempo zero, conforme abaixo: VP = 90.000 (1+0,18)2 = 64.636,60 Podemos, ainda, calcular pela HP12C: 90.000 2 18 20 Depois de calcularmos o valor da entrada para o tempo zero, abatemos do saldo devedor: – R$ -232.203,39 + R$ 64.636,60 = R$ - 167.566,79 Ano 3: Registramos o valor da entrada (R$ 130.000,00) e calculamos o valor da entrada descontada, ou seja, trouxemos o valor dessa entrada para o tempo zero, conforme abaixo: VP = 130.000 (1+0,18)3 = 79.122,01 Podemos, ainda, calcular pela HP12C: 130.000 3 18 Depois de calcularmos o valor da entrada para o tempo zero,abatemos do saldo devedor: R$ - 167.566,79 + R$ 79.122,01 = R$ - 88.444,78 Ano 4: Registramos o valor da entrada (R$ 150.000,00) e calculamos o valor da entrada descontada, ou seja, trouxemos o valor dessa entrada para o tempo zero, conforme abaixo: VP = 150.000 (1+0,18)4 = 77.368,33 Podemos, ainda, calcular pela HP12C: 150.000 4 18 Depois de calcularmos o valor da entrada para o tempo zero, abatemos do saldo devedor: R$ - 88.444,78 + R$ 77.368,33 = R$ -11.076,45 Ano 5: Registramos o valor da entrada (R$ 170.000,00) e calculamos o valor da entrada descontada, ou seja, trouxemos o valor dessa entrada para o tempo zero, conforme abaixo: 21 VP = 170.000 (1+0,18)5 = 74.308,57 Podemos, ainda, calcular pela HP12C: 170.000 5 18 Depois de calcularmos o valor da entrada para o tempo zero, abatemos do saldo devedor: – R$ 11.076,45 + R$ 74.308,57 = R$ 62.232,12 Agora vamos determinar qual foi o prazo de retorno. Observe que ao término da quarta entrada o saldo devedor ainda é negativo, mas na quinta entrada fica positivo. Então, o prazo de retorno está entre o quarto ano e o quinto. Para saber exatamente o prazo de retorno, utilize a fórmula abaixo: Prazo = 4 + 11.076,45 74.308,57 = 4,1491 anos Para saber o prazo em anos, meses e dias, faça os seguintes cálculos: Figura 6 – Resolução do exemplo Resposta: 4 anos, 1 mês e 24 dias. 4.3 Cálculo do Índice de Lucratividade É um índice que apresenta quanto se ganha por unidade monetária investida no projeto, ou seja, ele apresenta qual foi o retorno financeiro do projeto para cada R$ 1,00 investido. Segundo Assaf Neto (2010), o “índice de lucratividade (IL), ou índice de valor presente, é uma variante do método do NPV; é determinado por meio da 22 divisão do valor presente dos benefícios líquidos de caixa pelo valor presente dos dispêndios (desembolso de capital)”. A sua fórmula é: IL = Valor Presente das Entradas líquidas de Caixa Valor Presente das Saidas de Caixa A taxa de juros que será utilizada no cálculo do valor presente é a TMA estabelecida pelo investidor. Para verificar a viabilidade de um projeto em função do IL, têm-se os seguintes critérios: Tabela 13 – Viabilidade do projeto Se IL > 1 O investimento é viável. Se IL = 1 O investimento é indiferente. Se IL < 1 O investimento é inviável. Exemplo: Calcular o índice de lucratividade obtido em um investimento de R$ 200.000,00 e que gerou 5 retornos anuais líquidos de R$ 50.000,00, R$ 60.000,00; R$ 70.000,00; R$ 80.000,00 e R$ 90.000,00 consecutivamente. Considere uma TMA de 14% ao ano. Figura 7 – Resolução do exemplo Por fórmula: IL = 50.000,00 (1+0,14)1 + 60.000,00 (1+0,14)2 + 70.000,00 (1+0,14)3 + 80.000,00 (1+0,14)4 + 90.000,00 (1+0,14)5 200.000,00 IL = 231.385,31 200.000,00 = 1,16 Pela HP12C: 23 Tabela 14 – Resolução do exemplo Resultado: O investimento é viável pois o IL é maior do que 1, ou seja, para cada R$ 1,00 investido, o retorno será de R$ 1,16. TEMA 5: ANÁLISE DE INVESTIMENTOS SOB CONDIÇÃO DE RISCO OU INCERTEZA Em uma análise de investimentos é preciso projetar valores de receitas, custos e despesas para determinar os fluxos de caixa líquidos. Considerando que a análise de um projeto normalmente é feita para o longo prazo, existe um grau de variabilidade nos valores projetados que, consequentemente, pode afetar o resultado esperado. Conforme Assaf Neto (2010), “como os fluxos de caixa dos projetos não são conhecidos com certeza, são usadas técnicas de avaliação de risco geralmente baseadas em uma distribuição de probabilidades”. Então, vamos agora apresentar uma síntese de duas metodologias utilizadas na avaliação dos riscos dos projetos de investimento. 5.1 Análise de sensibilidade Essa análise mostra em quanto o Valor Presente Líquido de um investimento poderá ser modificado frente às alterações de algumas variáveis dos fluxos de caixa. 24 É uma análise ceteris paribus1, tendo em vista que o seu objetivo é determinar o resultado atingido quando uma variável é alterada, mantendo-se todas as outras constantes. Conforme Weston e Brigham (2004), “em uma análise de sensibilidade, cada variável é alterada em vários pontos percentuais específicos acima e abaixo do valor esperado, com outros fatores mantendo-se constantes; então, um novo VPL é calculado para cada um desses valores”. Quando se tem mais de uma opção de investimento como, por exemplo, dois projetos, a análise se faz relevante no sentido de saber qual projeto é mais sensível às alterações nas variáveis. Quanto maior a sensibilidade, maior o risco do projeto. Imagine dois projetos, A e B, em que o projeto “B” tem maior sensibilidade às variações de determinados fatores. Esse projeto é considerado de maior risco pois um desvio em uma variável, por exemplo nos custos variáveis, provocaria uma variação maior no VPL. 5.2 Análise de cenário Entende-se por cenário, para o tema em questão, um conjunto de fatos e situações que ocorrem em um determinado momento do tempo e que exercem influência no investimento realizado. Assim, essa análise irá considerar a criação de cenários diferentes do existente no momento da realização dos cálculos e análise do investimento a ser realizado. Como a análise de investimentos trata de valores que irão ocorrer no futuro, a análise de cenário simula a ocorrência de “coisas” boas ou ruins. Os analistas deverão se questionar: “E se acontecer isso?” “E se acontecer aquilo?”, e assim estabelecer os cenários para então recalcular os principais indicadores do projeto. Conforme Weston e Brigham (2004), a análise de cenário é uma abordagem da análise de risco que considera tanto a sensibilidade do VPL a mudanças em variáveis- chave quanto a extensão provável dos valores variáveis. Em uma análise de cenário, o analista financeiro pede aos gerentes operacionais que selecionem uma série de circunstâncias “ruins” (baixas unidades de vendas, baixos preços de vendas, altos custos variáveis por unidade, altos custos de construção e assim por diante) e uma série de circunstâncias boas. Os VPLs sob as condições ruins e 1 Ceteris paribus quer dizer "todo o mais é constante" ou ainda "mantidas inalteradas todas as outras variáveis". 25 boas são calculados e comparados com o VPL do caso esperado, ou básico. De forma sintética, há analistas que projetam dois cenários: o otimista e o pessimista. No otimista considera-se a possibilidade de a receita se realizar em valores maiores que os projetados, assim como os custos, despesas e o próprio investimento ocorrerem em valores menores. Exemplo: Tabela 15 – Simulação de cenário otimista Item Realização Receita Maior em 20% Custos Menor em 5% Despesas Menor em 5% Investimento Menor em 10% Com base nos dados do cenário otimista se calculam novamente os indicadores. No cenário pessimista, considera-se a ocorrência de variações que reduzam os retornos esperados, tais como: redução da receita e aumento dos custos, despesas e do investimento. Exemplo: Tabela 16 – Simulação de cenário pessimista Item Realização Receita Menor em 20% Custos Maior em 5% Despesas Maior em 5% Investimento Maior em 10% Com base nesse cenário são calculados os novos indicadores para a tomada da melhor decisão de investimento. TROCANDO IDEIAS Já pensou em começar uma atividade empresarial do zero? Vamos imaginar que uns amigos de faculdade convidaram você para montar uma 26 empresa e você está propenso a aceitar. Assim, converse com os colegas e discutam as seguintes questões: Vocês fariam um estudo de viabilidade do novo negócio? Por quê? Como vocês determinariam a Taxa Mínima de Atratividade? Com relação aos riscos do negócio,o que vocês fariam para mitigá-los? NA PRÁTICA Uma pessoa deseja investir em um novo negócio. Considerando a natureza do negócio, foram calculados os gastos com a estrutura e a projeção das vendas e, com isso, concluiu-se que o projeto irá gerar cinco entradas líquidas e anuais de R$ 160.000,00. Considerando que o valor do investimento é de R$ 500.000,00 e que a sua Taxa Mínima de Atratividade é de 14% ao ano, calcule: o Valor Anual Uniforme Equivalente; o Valor Presente Líquido; a Taxa Interna de Retorno; o payback (simples e descontado); e o Índice de Lucratividade. Ao final, apresente um relatório informando se o projeto é viável ou não. FINALIZANDO Neste material você iniciou os estudos sobre a análise de investimentos, e aqui foram apresentados os conceitos fundamentais para aumentar a segurança dos valores investidos. Vimos que: A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) é a referência para a análise de investimentos, pois ela representa o mínimo que o investidor deseja ganhar em um determinado projeto. O Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE) é uma ferramenta que calcula a série uniforme anual equivalente ao fluxo de caixa dos investimentos, utilizando-se a TMA, sendo que o melhor projeto será aquele que resultar em um maior saldo positivo. O Valor Presente Líquido (VPL) é uma técnica que consiste em trazer ao valor presente todas as entradas líquidas de caixa que foram projetadas 27 ao longo do período de análise e, depois, comparar o valor presente total com o valor do investimento realizado. O projeto será viável se o VPL for maior do que zero. A Taxa Interna de Retorno (TIR) é a taxa de juros gerada na operação do projeto, ou seja, é a taxa que o projeto oferece de remuneração. O projeto será viável se a TIR for maior do que a TMA. O payback é um método de análise de investimentos que calcula o tempo de retorno do investimento, ou seja, o tempo em que o valor do investimento será integralmente recuperado. Existem dois tipos de payback: o simples e o descontado, sendo este último descontado pela TMA. O Índice de Lucratividade apresenta o quanto se ganha por unidade monetária investida no projeto, ou seja, ele apresenta qual foi o retorno financeiro do projeto para cada R$ 1,00 investido. O projeto será viável se o IL for maior do que 1. Na análise de investimentos sob condição de risco ou incerteza, fazem- se necessárias duas análises básicas: a de sensibilidade e a de cenários. A análise de sensibilidade verifica o impacto que a alteração de uma variável provoca no resultado do projeto, e a análise de cenários cria uma situação otimista e uma outra pessimista na realização dos valores. 28 REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Finanças corporativas e valor. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. CASAROTTO FILHO, N.; KOPITTKE, B. H. Análise de investimentos. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. MACEDO, J. J.; CORBARI, E. C. Análise de projetos e orçamento empresarial. Curitiba: InterSaberes, 2014. WESTON, J. F.; BRIGHAM, E. F. Fundamentos da administração financeira. 10. ed. São Paulo: Makron Books, 2000. ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA AULA 3 Prof. Francisco Luiz Elache 2 CONVERSA INICIAL Olá! Nesta terceira aula, abordaremos temas que dizem respeito à gestão do capital de giro das empresas. Como sabemos, a necessidade recorrente de fazer empréstimos de curto prazo para cobertura do caixa é sinal de que a gestão do capital de giro não vai bem. A boa administração do capital de giro é resultado de políticas adequadas ‒ tanto de curto quanto de longo prazo ‒, as quais se refletem na situação financeira do caixa. Assim, embora o foco de nosso estudo seja a gestão do capital de giro, perceberemos que isso tem a ver também com outras decisões, como aquelas que envolvem políticas de financiamento do imobilizado e de distribuição de dividendos. Esperamos que o conteúdo desta aula desperte o seu interesse com relação a esse assunto. CONTEXTUALIZANDO As principais obras escritas sobre a área de administração financeira referenciadas ao final desta aula tratam, separadamente, do estudo sobre: decisões de finanças de curto prazo; decisões de finanças de longo prazo. Mas como distinguir as decisões de finanças de curto prazo daquelas de longo prazo? Sobre essa questão, Ross et al. (2015) nos auxiliam a elencar alguns exemplos: Quadro 1 ‒ Diferenças entre decisões de finanças de curto prazo e decisões de finanças de longo prazo Decisões de finanças de curto prazo: Decisões de finanças de longo prazo: I. Estoques mínimos de segurança. I. Estrutura de capital adequada. II. Valores a manter no caixa para pagamento das obrigações de curto prazo. II. Política de distribuição de dividendos aos acionistas. III. Prazos médios de recebimento das vendas (PMRV) e prazos médios de pagamento das compras (PMPC). III. Investimentos no ativo imobilizado com foco na redução dos custos operacionais para o próximo quinquênio. IV. Valores a tomar nos bancos para cumprir obrigações de curto prazo. IV. Ativação ou desativação de projetos de produção. V. Pagamentos à vista para a obtenção de ganhos financeiros. V. Aumento do capital social; recompra de ações da empresa. Fonte: Ross et al., 2015, p. 929-930. 3 Não é o nosso propósito nesta aula tratar das decisões de finanças de longo prazo, pois veremos esse assunto na próxima aula. Assim, neste momento, daremos ênfase ao estudo das decisões de finanças de curto prazo com foco no estudo da necessidade de capital de giro (NCG), capital de giro (CDG) e saldo de tesouraria (ST). Veremos também o conceito de capital circulante líquido (CCL). TEMA 1 – GESTÃO DE CAPITAL DE GIRO E DE CAIXA 1.1 Capital circulante líquido (CCL) e capital de giro (CDG) Ross et al. (2015, p. 929, grifo do original) definem capital circulante líquido (CCL) e capital de giro (CDG) da seguinte maneira: Com frequência, o termo capital circulante líquido está associado à tomada de decisões financeiras de curto prazo. [...] o capital circulante líquido é a diferença entre os ativos e os passivos circulantes. Também é comum a gestão financeira de curto prazo ser chamada de administração do capital de giro ou administração do circulante; esses termos são sinônimos, entretanto capital circulante líquido e capital de giro são conceitos distintos [...]. Observe no Quadro 2 um representativo do balanço patrimonial (BP) de uma determinada empresa para entender os significados de capital circulante líquido (CCL) e capital de giro (CDG). Quadro 2 ‒ Balanço patrimonial (BP) (em milhões ‒ R$) Ativo circulante (AC) Caixa Bancos conta movimento Títulos e valores mobiliários Contas a receber de clientes Estoques Impostos a recuperar Ativo não circulante (ANC) Realizável de longo prazo Debêntures Imobilizado Máquinas e equipamentos Móveis e utensílios Veículos Imóveis Ativo total 200 10 20 20 70 60 20 100 20 20 80 30 15 5 30 300 Passivo Circulante (PC) Empréstimos e financiamentos Fornecedores Salários e contribuições Impostos a pagar Passivo Não Circulante (PNC) Empréstimos e financiamentos Patrimônio Líquido (PL) Capital Social Lucros acumulados Reserva legal Reservas de contingências Reservas estatutárias Passivo e PL 130 20 55 30 25 90 90 80 50 10 8 2 10 300 Fonte: Adaptado de Ross et al., 2015, p. 933. 4 Lembre-se do significado de empréstimos e financiamentos (do passivo) concedidos pelos bancos: o primeiro é de uso livre pela empresa; o segundo está condicionado à comprovação do objeto (bem) do financiamento. Com base nos dados contábeis doQuadro 2, temos que: Quadro 3 ‒ Capital circulante líquido (CCL) 𝑭ó𝒓𝒎𝒖𝒍𝒂: 𝐶𝐶𝐿 = 𝐴𝐶 − 𝑃𝐶 𝐶𝐶𝐿 = 200 − 130 𝐶𝐶𝐿 = 70 𝑵𝒐𝒎𝒆𝒏𝒄𝒍𝒂𝒕𝒖𝒓𝒂: 𝐶𝐶𝐿 = 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 𝐴𝐶 = 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑃𝐶 = 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 Quadro 4 ‒ Capital de giro (CDG) 𝑭ó𝒓𝒎𝒖𝒍𝒂: 𝐶𝐷𝐺 = (𝑃𝑁𝐶 + 𝑃𝐿) − 𝐴𝑁𝐶 𝐶𝐷𝐺 = (90 + 80) − 100 𝐶𝐷𝐺 = 70 𝑵𝒐𝒎𝒆𝒏𝒄𝒍𝒂𝒕𝒖𝒓𝒂: 𝐶𝐷𝐺 = 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑔𝑖𝑟𝑜 𝑃𝑁𝐶 = 𝑃𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝑛ã𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑃𝐿 = 𝑃𝑎𝑡𝑟𝑖𝑚ô𝑛𝑖𝑜 𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 𝐴𝑁𝐶 = 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑛ã𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 Percebemos que os resultados tanto do capital circulante líquido (CCL) quanto do capital de giro (CDG) é R$ 70,00. No entanto, o capital circulante líquido (CCL) corresponde à parcela dos usos de recursos circulantes ‒ ou aplicações de recursos no ativo circulante ‒ que não é financiada (coberta) pelo passivo circulante. Logo: 𝐶𝐶𝐿 = 𝐴𝐶 − 𝑃𝐶 𝐶𝐶𝐿 = 200 − 130 ∴ 𝐶𝐶𝐿 = 70 Por outro lado, o capital de giro (CDG) corresponde à parcela disponível das fontes não circulantes (passivo não circulante e patrimônio líquido) para a cobertura do giro das operações. Logo: 𝐶𝐷𝐺 = (𝑃𝑁𝐶 + 𝑃𝐿) − 𝐴𝑁𝐶 𝐶𝐷𝐺 = (90 + 80) − 100 ∴ 𝐶𝐷𝐺 = 70 5 Ross et al. (2015, p. 932, grifo nosso) resumem CCL e CDG da seguinte maneira: “o capital circulante líquido (CCL) – o uso de recursos não financiados pelo passivo circulante – e o capital de giro (CDG) – fonte de recursos para o giro das operações”. Ainda sobre o capital de giro (CDG), Ross et al. (2015, p. 932) dizem que: [...] os recursos aportados pelos sócios (patrimônio líquido) e os recursos captados por empréstimos e financiamentos de longo prazo (passivo não circulante) – que não estejam comprometidos com o financiamento do ativo não circulante – estão disponíveis para financiar o giro das operações. São esses recursos que constituem o capital de giro. O capital de giro financia os estoques e as contas a receber que não têm financiamento suficiente dos fornecedores e de outras contas operacionais do passivo circulante. Para reforçar essa ideia, consideremos as informações contábeis a seguir: Ativo circulante (AC) = R$ 600 mil Ativo não circulante (ANC) = R$ 800 mil Passivo circulante (PC) = R$ 400 mil Passivo não circulante (PNC) = R$ 300 mil Patrimônio líquido (PL) = R$ 700 mil Assim, teremos: 𝐶𝐶𝐿 = 𝐴𝐶 − 𝑃𝐶 → 𝐶𝐶𝐿 = 600 − 400 → 𝐶𝐶𝐿 = 200 𝑀𝐼𝐿 𝐶𝐷𝐺 = (𝑃𝑁𝐶 + 𝑃𝐿) − 𝐴𝑁𝐶 → 𝐶𝐷𝐺 = (300 + 700) − 800 → 𝐶𝐷𝐺 = 200 𝑚𝑖𝑙 Podemos notar que o capital circulante líquido (CCL) e o capital de giro (CDG) apresentam o mesmo valor (R$ 200 mil), mas a forma com que esses valores foram obtidos é contabilmente diferente. 1.2 Overtrade ou efeito tesoura O estudo do capital de giro é importante para a análise da situação financeira das empresas. A situação financeira está relacionada com a evolução do saldo de tesouraria (ST) da empresa, cujo conceito veremos a seguir, utilizando os mesmos dados contábeis do balanço patrimonial (BP) do Quadro 2 reproduzido no Quadro 5. 6 Quadro 5 ‒ Balanço patrimonial (BP) ajustado para o estudo do capital de giro (em milhões ‒ R$) Ativo circulante (AC) Caixa Bancos conta movimento Títulos e valores mobiliários Contas a receber de clientes Estoques Impostos a recuperar Ativo não circulante (ANC) Realizável de longo prazo Debêntures Imobilizado Máquinas e equipamentos Móveis e utensílios Veículos Imóveis Ativo total 200 10 20 20 70 60 20 100 20 20 80 30 15 5 30 300 Passivo circulante (PC) Empréstimos e financiamentos Fornecedores Salários e contribuições Impostos a pagar Passivo não circulante (PNC) Empréstimos e financiamentos Patrimônio líquido (PL) Capital Social Lucros acumulados Reserva legal Reservas de contingências Reservas estatutárias Passivo e PL 130 20 55 30 25 90 90 80 50 10 8 2 10 300 Fonte: Adaptado de Ross et al., 2015, p. 933. Primeiro passo Ajustar o balanço patrimonial (BP) da seguinte forma: Quadro 6 ‒ Balanço patrimonial (BP) ajustado para o estudo do capital de giro (em milhões ‒ R$) Ativo circulante financeiro (ACF) Caixa Bancos conta movimento Títulos e valores mobiliários Ativo circulante cíclico (ACC) Contas a receber de clientes Estoques Impostos a recuperar Ativo não circulante (ANC) Debêntures Máquinas e equipamentos Móveis e utensílios Veículos Imóveis Ativo total 50 10 20 20 150 70 60 20 100 20 30 15 5 30 300 Passivo circulante financeiro (PCF) Empréstimos e financiamentos Passivo circulante cíclico (PCC) Fornecedores Salários e contribuições Impostos a pagar Passivo não circulante + PL Empréstimos e financiamentos Capital social Lucros acumulados Reserva legal Reservas de contingências Reservas estatutárias Passivo + PL 20 20 110 55 30 25 170 90 50 10 8 2 10 300 Fonte: Adaptado de Ross et al., 2015, p. 933. O novo formato do Quadro 6 nos mostra que: a. O ativo circulante (AC) foi desmembrado em ativo circulante financeiro (ACF) e ativo circulante cíclico (ACC). As contas do ativo circulante financeiro (ACF) apresentam o conceito de tesouraria, enquanto as contas do ativo circulante cíclico (ACC) têm o conceito de operacional. 7 b. O passivo circulante (PC) foi desmembrado em passivo circulante financeiro (PCF) e passivo circulante cíclico (PCC). As contas do passivo circulante financeiro (PCF) apresentam o conceito de tesouraria, enquanto as contas do passivo circulante cíclico (PCC) têm o conceito de operacional. c. As contas dos subgrupos do ativo não circulante (ANC) foram agrupadas, omitindo-se o nome desses subgrupos; d. As contas do passivo não circulante (PNC) e do patrimônio líquido (PL) foram agrupadas. Segundo passo Demonstrar o balanço patrimonial (BP) ajustado na forma de diagrama, conforme mostra a Figura 1. Figura 1 ‒ Diagrama do balanço patrimonial (BP) ajustado (em milhões ‒ R$) Terceiro passo Determinar a necessidade de capital de giro (NCG). 𝑁𝐶𝐺 = 𝐴𝐶𝐶 − 𝑃𝐶𝐶 ∴ 𝑁𝐶𝐺 = 150 − 110 ∴ 𝑁𝐶𝐺 = 40 Sendo: ACF = 50 ACC = 150 ANC = 100 PCF = 20 PNC + PL = 170 PCC = 110 8 NCG = necessidade de capital de giro ACC = ativo circulante cíclico PCC = passivo circulante cíclico Quarto passo Determinar o capital de giro (CDG). 𝐶𝐷𝐺 = (𝑃𝑁𝐶 + 𝑃𝐿) − 𝐴𝑁𝐶 ∴ 𝐶𝐷𝐺 = 170 − 100 ∴ 𝐶𝐷𝐺 = 70 Sendo: CDG = capital de giro PNC = passivo não circulante PL = patrimônio líquido ANC = ativo não circulante Quinto passo Determinar o saldo de tesouraria (ST). 𝑆𝑇 = 𝐴𝐶𝐹 − 𝑃𝐶𝐹 ∴ 𝑆𝑇 = 50 − 20 ∴ 𝑆𝑇 = 30 Sendo: ST = saldo de tesouraria ACF = ativo circulante financeiro PCF = passivo circulante financeiro O saldo de tesouraria pode ainda ser determinado da seguinte maneira: 𝑆𝑇 = 𝐶𝐷𝐺 − 𝑁𝐶𝐺 ∴ 𝑆𝑇 = 70 − 40 ∴ 𝑆𝑇 = 30 Vamos entender melhor o significado dos termos encontrados? NCG = R$ 40,00 O passivo circulante cíclico (ou operacional) não cobre (ou não financia) integralmente as aplicações (ou usos) de recursos do ativo circulante cíclico. Assim, existe uma necessidade complementar de cobertura (financiamento) de giro na ordem de R$ 40. CDG = R$ 70,00 O passivo não circulante mais o patrimônio líquido cobrem (financiam) integralmente as aplicações (usos) de recursos do ativo não circulante, 9 havendo sobra de fontes (financiamento) de longo prazo na ordem de R$ 70 para a cobertura (financiamento) complementar de giro. ST = R$ 70,00 O saldo de tesouraria corresponde à diferença entre os usos considerados de tesouraria (caixa, bancos, conta, movimento títulos e valores mobiliários),alocados no ativo circulante financeiro, e as fontes de financiamento consideradas de tesouraria, alocadas no passivo circulante financeiro. O saldo de tesouraria corresponde ainda à diferença entre o capital de giro (CDG) e a necessidade de capital de giro (NCG). O overtrade, ou efeito tesoura, ocorre quando o saldo de tesouraria cresce negativamente período após período. Observe o gráfico a seguir: Gráfico 1 ‒ Demonstração de overtrade ou efeito tesoura Ano 1 Ano 2 Ano 3 CDG 100 130 160 NCG 120 180 240 ST -20 -50 -80 Analisando o gráfico, chegamos ao seguinte resultado: a necessidade de capital de giro (NCG) cresce acima do capital de giro (CDG) a cada ano. Com isso, o saldo de tesouraria (ST) cresce negativamente a cada ano. Essa situação é caracterizada como overtrade ou efeito tesoura. Como o capital de giro (CDG) não é suficiente para cobrir (financiar) a necessidade de capital de giro (NCG), a empresa recorre sucessivamente a financiamento -100 -50 0 50 100 150 200 250 300 Ano 1 Ano 2 Ano 3 V a lo re s e m R $ m il Períodos - anos Overtrade ou efeito tesoura CDG NCG ST 10 complementar de bancos, aumentando o seu passivo circulante financeiro (PCF) e comprometendo o saldo de tesouraria (ST). O termo “efeito tesoura” vem do fato de as linhas da necessidade de capital de giro (NCG) e do capital de giro (CDG) formarem o desenho de uma tesoura (se alongadas, essas linhas seguem justamente em direção ao eixo dos valores). 1.3 A gestão do caixa 1.3.1 Capital circulante líquido (CLL) Observemos o Quadro 7 a seguir e façamos algumas considerações importantes com relação a caixa e equivalentes de caixa: Quadro 7 ‒ Ativo circulante (AC) e passivo circulante (PC) (em milhões ‒ R$) Ativo circulante (AC) Caixa Bancos conta movimento Títulos e valores mobiliários Contas a receber de clientes Estoques 200 10 30 40 70 50 Passivo circulante (PC) Empréstimos e financiamentos Fornecedores Salários e contribuições Tributos a pagar 130 20 55 30 25 Fonte: Adaptado de Ross et al., 2015, p. 933. 𝐶𝐶𝐿 = 𝐴𝐶 − 𝑃𝐶 𝐶𝐶𝐿 = 200 − 130 → 𝐶𝐶𝐿 = 70 Com base nos dados que vemos no Quadro 7, podemos dizer que o capital circulante líquido (CCL), que corresponde à diferença entre o ativo circulante (AC) e o passivo circulante (PC), revela que a empresa dispõe de recursos (de curto prazo) suficientes para pagar as suas obrigações vincendas no curto prazo. Isso significa dizer que ao somarmos o montante em dinheiro no caixa e nos bancos com os recursos que podem ser transformados em dinheiro (títulos e valores mobiliários, contas a receber de clientes e estoques), obteremos um valor maior do que o montante das obrigações a serem pagas no curto prazo (empréstimos e financiamentos, fornecedores, salários e contribuições, tributos). Boa parte do ativo circulante (40%) é composto por contas caixa, banco conta movimento e títulos e valores mobiliários. E é desejável que seja assim, já que os estoques precisam ser vendidos primeiro para depois serem convertidos 11 em caixa na medida em que os clientes efetuarem os pagamentos das parcelas do financiamento. Assim, algumas políticas de boa gestão de caixa devem ser monitoradas por quem cuida das finanças de curto prazo da empresa, tais como: financiamento dos investimentos do ativo imobilizado (ANC) utilizando como fontes de recursos capital de terceiros de longo prazo (PNC); adoção de uma política de distribuição de lucros (dividendos) adequada à necessidade de formação de recursos próprios (PL), que possam ser utilizados na cobertura (financiamento) dos investimentos feitos pela empresa, evitando sucessivos empréstimos de curto prazo; redução do prazo médio de permanência dos estoques com o aumento do giro; compatibilização do prazo médio de recebimento das vendas (financiamento aos clientes) com o prazo médio de pagamento das compras (financiamento do fornecedor); ajuste do alongamento das dívidas de acordo com as disponibilidades futuras de caixa, considerando o custo do capital contratado. 1.3.2 Ciclo de conversão de caixa (CCC) ou ciclo financeiro (CF) Gitman (2010, p. 548) diz que entender o ciclo de conversão de caixa (CCC) de uma empresa é essencial para a administração financeira de curto prazo. O ciclo de conversão de caixa (CCC) representa o prazo pelo qual os recursos da empresa ficam aplicados. O que o autor chama de ciclo de conversão de caixa (CCC) é o que chamaremos, em nosso estudo, de ciclo financeiro (CF). Portanto: 𝑪𝑪𝑪 = 𝑪𝑭 Agora, aplicaremos o conceito à prática, apresentando uma proposta de Gitman (2010, p. 549). Determinada empresa de pratos descartáveis tem vendas anuais de R$ 10 milhões, custo de mercadorias vendidas de 75% das vendas e compras que correspondem a 65% do custo das mercadorias vendidas. A idade média dos estoques (PMRE) é de 60 dias, o prazo médio de recebimento das vendas (PMRV), 40 dias, e o prazo médio de pagamento das compras (PMPC), 35 dias. 12 Logo, o ciclo de conversão de caixa da empresa é de 65 dias (ver Quadro 8). Demonstraremos os passos a seguir para determinar o valor dos recursos aplicados, dado por [estoques + clientes – fornecedores]: Primeiro passo Determinar o ciclo de conversão de caixa (CCC) ou o ciclo financeiro (CF). 𝐶𝑖𝑐𝑙𝑜 𝐹𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑒𝑖𝑟𝑜 = 𝑃𝑀𝑅𝐸 + 𝑃𝑀𝑅𝑉 − 𝑃𝑀𝑃𝐶 ∴ 𝐶𝐹 = 60 + 40 − 35 = 65 𝑑𝑖𝑎𝑠 Segundo passo Apresentar o diagrama com os prazos. Quadro 8 ‒ Prazos médios, ciclo operacional (CO) e ciclo financeiro (CF) Compra Paga Vende Recebe PMRE = 60 dias PMRV = 40 dias PMPC = 35 dias CF = 65 dias Ciclo operacional (CO) = 100 dias Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 549. Terceiro passo Determinar, a partir dos prazos, os valores correspondentes das contas (estoques, clientes e fornecedores) com base em um ano de 365 dias. Agora, calcule o valor da conta estoques: → 𝑃𝑀𝑅𝐸 = 𝑒𝑠𝑡𝑜𝑞𝑢𝑒𝑠 𝐶𝑀𝑉 × 365 ∴ 60 = 𝑒𝑠𝑡𝑜𝑞𝑢𝑒𝑠 7.500.000 × 365 → 450.000.000 = 𝑒𝑠𝑡𝑜𝑞𝑢𝑒𝑠 × 365 ∴ → 𝑒𝑠𝑡𝑜𝑞𝑢𝑒𝑠 = 450.000.000 365 ∴ → 𝐸𝑠𝑡𝑜𝑞𝑢𝑒𝑠 = 𝑅$ 1.232.877 Obs.: Note que o valor do CMV é: R$ 10 milhões (vendas) x 75% = R$ 7.500.000. Calcule o valor de contas a receber (clientes): → 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 × 365 ∴ 40 = 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 10.000.000 × 365 13 → 40 = 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 10.000.000 × 365 ∴ 40 × 10.000.000 = 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 × 365 → 400.000.000 = 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 × 365 ∴ 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 = 400.000.000 365 → 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 = 𝑅$ 1.095.890 Calcule o valor de contas a pagar (fornecedores): 𝑃𝑀𝑃𝐶 = 𝑓𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑒𝑑𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑟𝑎𝑠 × 365 ∴ 35 = 𝑓𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑒𝑑𝑜𝑟𝑒𝑠 4.875.000 × 365 35 × 4.875.000 = 𝑓𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑒𝑑𝑜𝑟𝑒𝑠 × 365 ∴ 170.625.000 = 𝑓𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑒𝑑𝑜𝑟𝑒𝑠 × 365 𝐹𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑒𝑑𝑜𝑟𝑒𝑠 = 170.625.000 365 𝐹𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑒𝑑𝑜𝑟𝑒𝑠 = 467.466 Obs.: Note que o valor das compras é: R$ 7.500.000 (CMV) x 65% = R$ 4.875.000. Assim, temos o total dos recursos aplicados: Quadro 9 ‒ Recursos aplicados de acordo com os prazos médios (R$) Estoques 1.232.877 (+) Clientes 1.095.890 (-) Fornecedores 467.466 Recursos aplicados 1.861.301 Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 550. Analisando os resultados do Quadro 9, percebemos que o valor dos recursos aplicados (R$ 1.861.301) é o resultado da soma das contas “estoques” e “clientes”, menos a conta “fornecedores”. Isso significa dizer que o valor da conta “fornecedores” refere-se ao financiamento de parte dos recursos aplicados no ativo circulante (estoques eclientes). O que verificamos aqui é o que se chama de necessidade de capital de giro (NCG) ‒ que vimos no terceiro passo do item 1.2 ‒, que é dado por: 𝑁𝐶𝐺 = 𝐴𝐶𝐶 − 𝑃𝐶𝐶 Sendo: 14 ACC = Ativo circulante cíclico (ou ativo circulante operacional) PCC = Passivo circulante cíclico (ou passivo circulante operacional) Alguns autores utilizam o termo investimento operacional em giro (IOG) em vez de necessidade de capital de giro (NCG). No entanto, o conceito é o mesmo. Quaisquer alterações nos prazos médios alterariam o valor dos recursos aplicados, como nos exemplos a seguir: Uma diminuição do PMRE, mantidos os demais prazos constantes, reduziria o valor dos recursos aplicados. Uma diminuição do PMRV, mantidos os demais prazos constantes, reduziria o valor dos recursos aplicados. Um aumento no prazo médio de pagamento das compras (PMPC), mantidos os demais prazos constantes, reduziria o valor dos recursos aplicados. Lembre-se de que o valor dos recursos aplicados é dado por: [estoques + clientes – fornecedores]. Portanto, um prazo maior do fornecedor implicaria um aumento da conta “fornecedores”, o que faria diminuir o valor dos recursos aplicados. TEMA 2 – GESTÃO DE VALORES A RECEBER O propósito deste tema é tratar de valores a receber do passivo circulante (PC), e, portanto, de curto prazo. 2.1 Medidas de controle Segundo Assaf (2014, p. 671), “a preocupação maior da administração de valores a receber, sequencialmente da política de crédito mais atraente para a empresa, é manter um eficiente controle sobre o desempenho de sua carteira de duplicatas a receber”. Dando continuidade à citação anterior, Assaf (2014, p. 671) diz ainda que esse processo de controle, que deve assumir um caráter de atividade permanente na administração financeira da empresa, procura, entre outras informações gerenciais importantes: apurar o nível de atraso com que os clientes estão pagando; 15 processar uma análise dos clientes de forma a identificar a pontualidade com que saldam seus compromissos; identificar as razões de determinada variação na carteira de valores a receber. Por exemplo, um aumento no valor de duplicatas a receber pode ser devido a maiores vendas, dilatação do prazo de cobrança ou maior volume de atrasos nos pagamentos. 2.2 Aging de valores a receber Assaf (2014, p. 671) define aging como [...] uma medida de estudo cronológico dos valores a receber (ou a pagar) mantidos por uma empresa. Nessa análise são evidenciadas as proporções das duplicatas a receber [ou outros recebíveis] em relação aos seus respectivos vencimentos, indicando a porcentagem daquelas que se encontram vencidas e a vencer. Assaf (2014, p. 671) ainda sugere um problema para exemplificar o conceito de aging descrito na citação anterior. Para isso, informamos alguns dados sobre duplicatas a vencer e vencidas no Quadro 10. Quadro 10 ‒ Demonstração de uma carteira de duplicatas a receber (ou outros recebíveis) Valor (R$) (%) A vencer em janeiro de 2018 153.000 51% A vencer em fevereiro de 2018 99.000 33% Total de duplicatas a vencer 252.000 84% Vencidas em dez./2017 (até 30 dias de atraso) 33.000 11% Vencidas em nov./2017 (de 31 a 60 dias de atraso) 15.000 5% Total de duplicatas vencidas 48.000 16% Total geral da carteira 300.000 100% Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 671. Ao analisarmos os dados do Quadro 10, constatamos que as duplicatas a receber em atraso correspondem a 16% do total da carteira. Assaf (2014, p. 672) sugere que, para avaliar esse resultado, a empresa deve: compará-lo com séries temporais [séries históricas]; compará-lo com o resultado de empresas do mesmo setor de atividade. 2.3 Dias de venda a receber (DVR) Como foi dito por Assaf (2014, p. 671) no item anterior, o aging é um controle importante da indicação do tempo em que as duplicatas a receber 16 encontram-se realizáveis. No entanto, ele não fornece maiores explicações com relação a alterações no volume de vendas. Os valores a receber de uma empresa sofrem alterações não somente pelas condições de pagamentos (prazos), mas também por variações no volume de vendas. Assim, Assaf (2014, p. 672) sugere o estudo do DVR (dias de venda a receber), conceituando esse termo como “uma medida de controle que permite, pela relação entre os valores a receber e as vendas médias diárias, apurar o número médio de dias necessário para realizar financeiramente [transformar em dinheiro] as vendas a prazo”. O DVR pode ser assim representado: 𝐷𝑉𝑅 = 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 𝑎𝑜 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑚é𝑑𝑖𝑎𝑠 𝑑𝑖á𝑟𝑖𝑎𝑠 𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 Por exemplo, as vendas anuais de uma empresa atingiram R$ 108.000.000 no último exercício, e as duplicatas a receber registradas pela contabilidade chegaram a R$ 10.200.000 ao final do mesmo período. Apure o DVR. 𝐷𝑉𝑅 = 10.200.000 108.000.000/360 → 𝐷𝑉𝑅 = 10.200.000 300.000 𝑝𝑜𝑟 𝑑𝑖𝑎 → 𝐷𝑉𝑅 = 34 𝑑𝑖𝑎𝑠 Esse resultado indica que, em média, 34 dias de vendas realizadas no último exercício ainda não foram recebidos, ou seja, encontram-se inseridos em duplicatas a receber 34 dias das vendas anuais da empresa. 2.4 Integração entre aging e DVR Admitamos as situações de duas empresas conforme apresentadas no Quadro 11 a seguir, apuradas em determinado mês. Quadro 11 ‒ Integração entre o aging e o DVR Empresa I Clientes (R$) Empresa II Clientes (R$) Vencidas no mês passado 1.000.000 10% 1.000.000 10% A vencer no mês 2.500.000 25% 2.500.000 25% A vencer em 1 mês 4.500.000 45% 2.000.000 20% A vencer em 2 meses 2.000.000 20% 2.500.000 25% A vencer em 3 meses - - 2.000.000 20% 17 Total 10.000.000 100% 10.000.000 100% Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 673. Considerando que as duas empresas tiveram um faturamento de R$ 7.500.000 ao mês, o DVR de ambas seria de 40 dias, como segue: 𝐷𝑉𝑅 = 10.000.000 7.500.000/30 → 𝐷𝑉𝑅 = 10.000.000 250.000 𝑝𝑜𝑟 𝑑𝑖𝑎 → 𝐷𝑉𝑅 = 40 𝑑𝑖𝑎𝑠 Podemos notar que, embora as duas empresas apresentem o mesmo DVR, o nível de risco assumido pela Empresa II é maior em razão da política de prazos aos clientes e ao tempo maior para a realização financeira (transformar em dinheiro) dos valores a receber. 2.5 Prazo médio de recebimento das vendas (PMRV) Gitman (2010, p. 564) diz que o prazo médio de recebimento é o segundo componente do ciclo de conversão de caixa (ou ciclo financeiro). Trata-se do número médio de dias durante o qual as vendas a crédito (a prazo) ficam em aberto. O prazo médio de recebimento das vendas (PMRV) é muito usado em finanças para a análise do ciclo operacional (CO) da empresa. O resultado numérico obtido ao utilizar-se a fórmula do PMRV é o mesmo se, alternativamente, utilizar-se a fórmula do DVR (dias de vendas a receber). No entanto, usa-se uma ou outra terminologia (PMRV ou DVR), a depender do tema em finanças que se deseja demonstrar. Considere o Quadro 12 a seguir para determinar o PMRV. Quadro 12 ‒ Demonstração das vendas e da conta clientes Apuração em 31/12/2017 Valor (R$) Vendas no ano (DR) 500.000 Saldo da conta clientes (BP) 100.000 Aqui, adotaremos a conta “clientes”, em vez de “duplicatas a receber”, por abranger outros recebíveis. Primeiro passo Calcular o índice de giro da conta “clientes” (IGC). 𝐼𝐺𝐶 = 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 → 𝐼𝐺𝐶 = 500.000 100.000 → 𝐼𝐺𝐶 = 5 𝑣𝑒𝑧𝑒𝑠 18 Onde: IGC = índice de giro de clientes O resultado demonstra que a empresa recebe de seus clientes cinco (5) vezes ao ano, em média, por conta das vendas a prazo. Se considerarmos que os clientes efetuam os seus pagamentos na própria loja em que fazem a compra, então eles retornam à loja cinco (5) vezes ao ano para o pagamento das parcelas. Segundo passo Calcular o prazo médio de recebimento dasvendas (PMRV). Agora, transformamos o índice de giro da conta clientes (IGC) em prazo médio de recebimento das vendas (PMRV), em dias: 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 360 𝑑𝑖𝑎𝑠 𝐼𝐺𝐶 → 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 360 𝑑𝑖𝑎𝑠 5 → 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 72 𝑑𝑖𝑎𝑠 Onde: PMRV = prazo médio de recebimento das vendas O resultado demonstra que a empresa recebe de seus clientes a cada 72 dias, em média. É possível obter, de forma direta, o prazo médio de recebimento das vendas (PMRV) utilizando a fórmula a seguir, sem a necessidade do cálculo do índice de giro da conta clientes (IGC): 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 × 360 𝑑𝑖𝑎𝑠 → 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 100.000 500.000 × 360 → 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 0,20 × 360 → 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 72 𝑑𝑖𝑎𝑠 A origem dessa fórmula pode ser demonstrada a partir da fórmula utilizada no segundo passo: 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 360 𝐼𝐺𝐶 → 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 360 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 → 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 × 360 19 Atenção! Alguns autores sugerem que se utilize os valores médios das contas, considerando-se os dois últimos exercícios sociais. Se assim fosse, a conta “vendas” corresponderia à média da demonstração do resultado (DR) dos dois últimos anos; a conta “clientes” corresponderia à média do balanço patrimonial (BP) dos dois últimos anos. Caso o exercício social da apuração das vendas e da conta clientes fosse semestral, então a número de dias a ser informado na fórmula seria de 180 dias; para períodos trimestrais, 90 dias; bimestrais, 60 dias. 2.6 Demonstração do ciclo operacional (CO) e do ciclo financeiro (CF) O ciclo operacional (CO) é o tempo, em dias, que a empresa leva para vender o seu estoque e realizar financeiramente (transformar em dinheiro) as suas vendas a prazo. Ou seja, o ciclo operacional (CO) vai do momento da compra do estoque até o momento do recebimento das vendas. Observe o Quadro 13 a seguir: Quadro 13 ‒ Demonstração do ciclo operacional (CO) e do ciclo financeiro (CF) Quadro 8 ‒ Prazos médios, ciclo operacional (CO) e ciclo financeiro (CF) Compra Vende Paga Recebe PMRE = 30 dias PMRV = 60 dias PMPC = 60 dias CF = 30 dias Ciclo operacional (CO) = 90 dias Onde: PMRE = prazo médio de rotação dos estoques PMRV = prazo médio de recebimento das vendas PMPC = prazo médio de pagamento das compras CO = ciclo operacional CF = ciclo financeiro O Quadro 13 mostra que a empresa leva, em média, 60 dias para realizar financeiramente (transformar em dinheiro) as suas vendas. Se considerarmos também o prazo médio de rotação dos estoques (PMRE), concluímos que o seu ciclo operacional (CO) é de 90 dias: 20 𝐶𝑖𝑐𝑙𝑜 𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 (𝐶𝑂) = 𝑃𝑀𝑅𝐸 + 𝑃𝑀𝑅𝑉 → 𝐶𝑂 = 30 + 60 → 𝐶𝑂 = 90 𝑑𝑖𝑎𝑠 O ciclo financeiro (CF) também foi demonstrado no Quadro 13 para que todos os prazos médios ficassem evidenciados. O ciclo financeiro (CF) é dado por: 𝐶𝐹 = 𝐶𝑖𝑐𝑙𝑜 𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 − 𝑃𝑀𝑃𝐶 ∴ 𝐶𝐹 = 90 − 60 ∴ 𝐶𝐹 = 30 𝑑𝑖𝑎𝑠 Logo, o ciclo financeiro (CF) é o tempo que vai do momento da compra da mercadoria até o momento do recebimento da venda (ou ciclo operacional), menos o tempo que vai da compra da mercadoria até o pagamento da compra. É bom lembrar que a indústria possui um processo a mais em relação à empresa comercial – o processo de fabricação ‒, o que pode alongar o seu ciclo operacional (CO), pois precisa fabricar o produto antes de efetuar a venda. 2.7 Uso do DVR, ou do PMVR, como medida de cálculo do investimento em valores a receber (conta clientes ou duplicatas a receber) Ross et al. (2015, p. 1004) dizem que “o investimento de qualquer empresa em suas contas a receber depende do montante das vendas a prazo e do prazo médio de recebimento ‒ PMR [podemos chamar também de PMRV ou DVR]. Se o PMR é de 30 dias, em uma data qualquer, haverá 30 dias de vendas pendentes de recebimento [conta clientes]”. Para exemplificar, uma empresa que venda R$ 360 mil no ano terá uma venda média diária de R$ 1 mil por dia (360 mil/360 dias). Considerando-se que o prazo médio de recebimento das vendas (PMRV) da empresa seja de 30 dias, tem-se que o investimento em valores a receber (conta clientes) é de R$ 30 mil. Utilizando as fórmulas demonstradas até aqui, temos: 𝑃𝑀𝑅𝑉 = 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 × 360 𝑑𝑖𝑎𝑠 ∴ 30 = 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 × 360 360.000 ∴ 10.800.000,00 = 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 × 360 → 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 = 10.800.000,00 360 ∴ 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 = 𝑅$ 30.000,00 O mesmo resultado poderá ser obtido utilizando-se a fórmula: 𝐷𝑉𝑅 = 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 𝑎𝑜 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 𝑉𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑚é𝑑𝑖𝑎𝑠 𝑑𝑖á𝑟𝑖𝑎𝑠 𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 21 Basta substituir DVR por 30 (dias) e vendas médias diárias do período por 1 mil (360 mil / 360 dias). 30 = 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 𝑎𝑜 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 1.000,00 ∴ 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 𝑎𝑜 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 𝑑𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 (𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎 𝑐𝑙𝑖𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠) = 𝑅$ 30.000,00 TEMA 3 – ADMINISTRAÇÃO DE CRÉDITO 3.1 Relaxamento dos padrões de crédito Os padrões de crédito dizem respeito à política adotada pela empresa com relação aos controles de crédito. Por exemplo, ampliar os prazos de recebimento das vendas significa relaxar os padrões de crédito, pois o tempo de entrada de dinheiro no caixa ficará alongado, além de poder ocorrer aumento de perdas com créditos incobráveis. Portanto, o relaxamento dos padrões de crédito pode aumentar o risco de liquidez da empresa. Veja a seguir um exemplo prático sugerido por Gitman (2010, p. 559) (lembre-se de que quando tratamos do lucro da empresa, devemos considerar o conceito de “gastos”, que inclui “custos” e “despesas”. Neste caso, como é comum nas obras de finanças, o autor se refere a custos variáveis e custos fixos como se fossem gastos [custos e despesas]): o produto fabricado por uma empresa industrial é vendido ao preço de R$ 10,00 por unidade. A política da empresa é que toda a sua venda seja feita a prazo. No ano passado, a empresa vendeu 60.000 unidades. Os custos da empresa foram: R$ 6,00 de custo variável unitário e R$ 120.000,00 de custo fixo total no ano. Essa empresa pretende implementar um relaxamento dos padrões de crédito de acordo com os seguintes parâmetros: (I) um aumento de 5% na quantidade vendida do produto em relação ao ano anterior, o que equivale a uma quantidade vendida de 63.000 unidades para o novo ano; (II) o prazo médio de recebimento das vendas (PMRV) passará de 30 dias ‒ ano anterior ‒ para 45 dias no novo ano; (III) as perdas referentes a créditos incobráveis passarão de 1% ‒ ano anterior ‒ para 2% no novo ano; (IV) o custo de oportunidade dos recursos alocados nas contas a receber é de 15%, ou seja, a empresa desejará obter o mesmo retorno (15%) que teria caso optasse por um investimento alternativo de mesmo risco. 22 Perguntamos: a empresa deve ou não relaxar os seus padrões de crédito? Ou seja, ela deve adotar a nova política de crédito, aumentando o prazo para seus clientes? O que define se a empresa deve ou não relaxar os seus padrões de crédito é o lucro líquido da empresa obtido com o plano proposto, ou seja, aumento de 5% na quantidade vendida ‒ para 63.000 unidades – e ampliação do prazo de recebimento das vendas ‒ para 45 dias. E para obter o lucro líquido será necessário calcular: (I) o efeito da contribuição das vendas adicionais ao lucro da empresa; (II) o custo do investimento marginal em contas a receber; (III) as perdas marginais com créditos incobráveis. Logo, o lucro líquido pode ser representado da seguinte forma: Contribuição das vendas adicionais ao lucro da empresa (-) Custo do investimento marginal em valores a receber (-) Perdas marginais com créditos incobráveis (=) Lucro líquido Mostraremos agora como Gitman (2010, p. 559) propõe a solução do caso.Primeiro passo Calcular a contribuição das vendas adicionais ao lucro. 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑎𝑑𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑖𝑠 = 3.000 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 × 𝑅$ 4,00 𝑝𝑜𝑟 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 ∴ 𝐶𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑎𝑑𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑖𝑠 = 𝑅$ 12.000,00 Sendo: > 3.000 → 𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 𝑎𝑑𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑖𝑠 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑧𝑖𝑑𝑎𝑠 𝑛𝑜 𝑛𝑜𝑣𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜(∗) (∗) 60.000 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 × 5% (𝑎𝑢𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜) ∴ 3.000 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 (𝑞𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑎𝑑𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑜 𝑛𝑜𝑣𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜) > 𝑅$ 4,00 → 𝑚𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑎(∗) (∗) 𝑚𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖 = 𝑝𝑟𝑒ç𝑜 𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑜 − 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑙 𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑜 23 𝑚𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑎 = 𝑅$ 10,00 − 𝑅$ 6,00 𝑚𝑎𝑟𝑔𝑒𝑚 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑢𝑛𝑖𝑡á𝑟𝑖𝑎 = 𝑅$ 4,00 Comentários: Podemos notar que o valor dos custos fixos, mencionado no enunciado do problema, não foi considerado no cálculo da contribuição das vendas adicionais em razão de não sofrer alteração com a variação da quantidade de um período para o outro – variação de 3.000 unidades. Portanto, somente os custos variáveis foram considerados. Neste exemplo, o autor nos apresenta a margem de contribuição unitária como o resultado do preço de venda unitário menos o custo variável unitário. No entanto, é possível encontrar obras na área de administração financeira e orçamentária em que a margem de contribuição unitária é o resultado do preço de venda unitário menos o gasto variável unitário. O termo gasto variável refere-se também a despesas variáveis, além dos custos variáveis. Contudo, respeitamos a forma apresentada pelo autor. O Quadro 14 nos mostra os cálculos da contribuição das vendas adicionais, ou margem de contribuição (MC) incremental: Quadro 14 – Contribuição das vendas adicionais ao lucro A) Vendas de 60.000 unidades (plano anterior): (R$) Receita (10,00 x 60.000 unidades) (-) Custo Variável (6,00 x 60.000 unidades) Margem de Contribuição (MC) 600.000 360.000 240.000 B) Vendas de 63.000 unidades (plano proposto): (R$) Receita (10,00 x 63.000 unidades) (-) Custo Variável (6,00 x 63.000 unidades) Margem de Contribuição (MC) 630.000 378.000 252.000 Margem de contribuição (MC) incremental com o plano proposto: (R$) (MC unitária x variação na quantidade) (4,00 x 3.000 unidades) 12.000 Margem de contribuição (MC) incremental com o plano proposto: (R$) [B – A] (252.000 – 240.000) 12.000 Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 559. Os passos a seguir são necessários para determinar: (I) o custo do investimento marginal em contas a receber; (II) as perdas marginais com créditos Métodos alternativos para o cálculo da margem de contribuição incremental. 24 incobráveis; (III) o lucro líquido com a implementação do novo plano de relaxamento dos padrões de crédito. O último passo, traz a análise dos resultados. Segundo passo Calcular o investimento médio de contas a receber. 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 𝑒𝑚 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 = 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑙 𝑑𝑎𝑠 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑎𝑛𝑢𝑎𝑖𝑠 𝑔𝑖𝑟𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 Onde: 𝐺𝑖𝑟𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 = 365 𝑝𝑟𝑎𝑧𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 Lembramos que os custos fixos não serão considerados em razão de seu valor manter-se o mesmo independentemente da variação da quantidade vendida (ou do valor das vendas), sendo, portanto, irrelevantes para o cálculo proposto. 𝐺𝑖𝑟𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 = 365 30 → 12,2 (𝑐𝑜𝑚 𝑜 𝑝𝑙𝑎𝑛𝑜 𝑎𝑛𝑡𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟) 𝐺𝑖𝑟𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 = 365 45 → 8,1 (𝑐𝑜𝑚 𝑜 𝑝𝑙𝑎𝑛𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜) Assim, substituindo os valores nas fórmulas, teremos: 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 𝑒𝑚 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 = 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑣𝑎𝑟𝑖á𝑣𝑒𝑙 𝑑𝑎𝑠 𝑣𝑒𝑛𝑑𝑎𝑠 𝑎𝑛𝑢𝑎𝑖𝑠 𝑔𝑖𝑟𝑜 𝑑𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 𝑒𝑚 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 = 360.000 12,2 → 29.508 (𝒑𝒍𝒂𝒏𝒐 𝒂𝒏𝒕𝒆𝒓𝒊𝒐𝒓) 𝐼𝑛𝑣𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑚é𝑑𝑖𝑜 𝑒𝑚 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑎𝑠 𝑎 𝑟𝑒𝑐𝑒𝑏𝑒𝑟 = 378.000 8,1 → 46.667 (𝒑𝒍𝒂𝒏𝒐 𝒑𝒓𝒐𝒑𝒐𝒔𝒕𝒐) Terceiro passo Calcular o investimento marginal em contas a receber e seu custo. Investimento marginal em contas a receber e custo do investimento marginal 25 Quadro 15 – Investimento marginal em contas a receber (R$) (A) Investimento médio no plano proposto 46.667 (B) Investimento médio no plano anterior 29.508 (A - B) Investimento marginal em contas a receber 17.159 Retorno requerido sobre o investimento (custo de oportunidade) (15%) (C) Custo do investimento marginal 2.574 Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 559. O valor resultante de R$ 2.574 é considerado um custo porque representa o valor máximo a ser obtido sobre os R$17.159 se aplicados em um investimento alternativo de risco equivalente. Quarto passo Calcular a perda marginal com créditos incobráveis Encontraremos as perdas marginais com créditos incobráveis como a diferença entre os níveis de perda antes e depois do relaxamento proposto dos padrões de crédito. Perdas marginais com créditos incobráveis: Quadro 16 – Perdas marginais com créditos incobráveis (R$) (A) Com o plano proposto (0,02 x R$ 10,00 p/unidade x 63.000 unidades) 12.600 (B) Com o plano anterior (0,01 x R$ 10,00 p/unidade x 60.000 unidades) 6.000 (A - B) Perdas marginais com créditos incobráveis 6.600 Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 560. Quinto passo Analisar os resultados, fazendo a comparação entre a contribuição das vendas adicionais ao lucro e o custo adicional do investimento marginal em contas a receber somados às perdas marginais com créditos incobráveis. Se a contribuição adicional ao lucro for maior do que a soma do custo marginal e das perdas marginais, então os padrões de crédito devem ser relaxados. 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢𝑖çã𝑜 𝑎𝑑𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 𝑎𝑜 𝑙𝑢𝑐𝑟𝑜 > 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑚𝑎𝑟𝑔𝑖𝑛𝑎𝑙 + 𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 𝑚𝑎𝑟𝑔𝑖𝑛𝑎𝑖𝑠 Análise do resultado: Quadro 17 – Análise do resultado (R$) (A) Contribuições das vendas adicionais ao lucro (Quadro 14) 12.000 (B) Custo do investimento marginal em valores a receber (Quadro 15) (2.574) 26 (C) Perdas marginais com créditos incobráveis (Quadro 16) (6.600) (D) Lucro líquido com a implementação do projeto (novo plano) 2.826 Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 561. O resultado do Quadro 17 demonstra que os padrões de crédito devem ser relaxados. O Quadro 18 mostra de maneira mais completa os resultados encontrados. Quadro 18 – Lucro líquido com a implementação do plano de relaxamento dos padrões de crédito Resumo para análise dos resultados: (R$) (R$) A) Contribuição das vendas adicionais ao lucro [3.000 unidades x (R$ 10,00 - R$ 6,00)] 12.000 B) Custo do investimento marginal em valores a receber: Investimento médio de acordo com o plano proposto: 𝑅$ 6,00 𝑋 63.000 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 8,1 → 378.000 8,1 Investimento médio de acordo com o plano anterior: 𝑅$ 6,00 𝑋 60.000 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 12,2 → 360.000 12,2 Investimento marginal em valores a receber: Custo do investimento marginal em valores a receber: (0,15 x R$ 17.159) C) Perdas marginais com créditos incobráveis: Perdas com créditos incobráveis sob o plano proposto: (0,02 x R$ 10,00 x 63.000) Perdas com créditos incobráveis sob o plano anterior: (0,01 x R$ 10,00 x 60.000) Perdas marginais com créditos incobráveis: D) Lucro líquido com a implementação do plano proposto: 46.667 29.508 17.159 12.600 6.000 (2.574)(6.600) 2.826 Fonte: Adaptado de Gitman, 2010, p. 561. 27 TEMA 4 – GESTÃO DE ESTOQUES Gitman (2010, p. 552) diz que “o primeiro componente do ciclo de conversão de caixa [ou ciclo financeiro] é a idade média dos estoques. O objetivo da administração de estoques é girá-los o mais rapidamente possível, sem causar perda de vendas decorrentes de faltas”. A administração dos estoques é um ponto vital para as empresas. Nesse sentido, a escolha dos fornecedores é importante para garantir o recebimento dos estoques em quantidades e prazos desejados. Outro aspecto relevante diz respeito ao correto planejamento dos níveis de estoque, de modo a ajustá-los às expectativas de demandas futuras. Este tema tem o propósito de apresentar duas das técnicas mais utilizadas pelas empresas na gestão de seus estoques. 4.1 Curva ABC Segundo Assaf (2014, p. 697), Uma das técnicas mais utilizadas de auxílio ao administrador na tarefa de definir uma política mais adequada de compra dos estoques, com ênfase especial para os itens mais representativos em termos de volume, é a conhecida curva ABC. [...] A importância dos estoques é medida em relação ao volume físico demandado e a sua participação no total dos investimentos efetuados. O Quadro 19 relaciona os investimentos feitos no estoque no ano. Quadro 19 – Curva ABC dos investimentos em estoque Número do item (%) Código do item Valor do investimento em ordem decrescente (R$) Valor do investimento acumulado (R$) Porcentagem do valor acumulado 1 10% A 55.000,00 55.000,00 39% 2 20% B 45.000,00 100.000,00 71% 3 30% C 15.000,00 115.000,00 82% 4 40% D 5.500,00 120.500,00 86% 5 50% E 4.500,00 125.000,00 89% 6 60% F 4.000,00 129.000,00 92% 7 70% G 3.500,00 132.500,00 95% 8 80% H 3.000,00 135.500,00 97% 9 90% I 2.500,00 138.000,00 99% 10 100% J 2.000,00 140.000,00 100% Fonte: Adaptado de Gitman, 2014, p. 699. 28 A segunda coluna corresponde à porcentagem (%) de cada item em relação ao total de todo o estoque. O valor do investimento de cada item deve ser colocado em ordem decrescente de valor. Para Assaf (2014, p. 699), “o valor do investimento apurado representa a média anual de cada item estocado multiplicado por seu respectivo valor unitário. Em ambientes inflacionários, é recomendado trabalhar-se com valores corrigidos”. A análise do Quadro 19 nos mostra que os dois primeiros itens (A e B) correspondem a 71% do valor total dos investimentos em estoque. Portanto, esses dois itens (A e B) devem ter a atenção especial da administração para que o volume de seu estoque não fique demasiadamente elevado, o que poderia consumir recursos desnecessários da empresa e provocar reflexos no caixa. O Gráfico 2 mostra que 20% dos itens (formados por A e B) correspondem a 71% do total dos investimentos em estoque. Gráfico 2 – Curva ABC Fonte: Adaptado de Gitman, 2014, p. 699. 4.2 Custo dos estoques O termo custo, utilizado neste estudo, não se refere ao custo propriamente dito dos estoques (custos de aquisição com o fornecedor), mas, sim, ao custo de manutenção dos estoques e ao custo de compra (ou custo do pedido ou preparação). 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% P a rt ic ip a ç ã o n o i n v e s ti m e n to e m e s to q u e ( % ) Itens (%) Curva ABC 29 O custo de compra representa todos os gastos resultantes das necessidades de adquirir materiais ou de autorizar uma ordem de produção, sendo excluído o valor de compra (ou de produção) efetivo do bem. Dessa maneira, no custo de compra são considerados os gastos adicionais oriundos da emissão de pedidos (ou de ordens de produção), tais como despesas oriundas do departamento de compra, despesas de transporte, despesas associadas ao recebimento e inspeção dos materiais, despesas com manutenção e ajustes de máquinas de produção, etc. (Assaf, 2014, p. 701, grifo do autor). O custo de compra (ou custo do pedido ou preparação) apresenta algumas características, a saber: Possui um valor fixo por pedido feito; esse valor não se altera em razão da variação na quantidade de estoque requisitada. Assim, dois pedidos com quantidades de estoque distintas terão o mesmo custo. Em determinado período, pode ser reduzido se o volume físico dos pedidos ‒ ou tamanho do pedido ‒ aumentar. Isso porque o custo de compra do período é medido pelo número de pedidos feitos. Ora, um volume físico maior de pedidos (tamanho) reduz a frequência de pedidos e, portanto, o custo de compra do período. Os estoques médios no período mantêm relação direta com o volume físico (tamanho) dos pedidos no período. Assim: Volume físico (tamanho) maior dos pedidos no período Menor frequência dos pedidos no período Menor custo de compra no período Estoques médios maiores no período Outro custo que compõe o custo total dos estoques é o custo de manutenção. Assim, ao resultado da soma de custo de compra e custo de manutenção dá-se o nome de custo total dos estoques. 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑜𝑠 𝑒𝑠𝑡𝑜𝑞𝑢𝑒𝑠 = 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑟𝑎 + 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 O cálculo do custo de manutenção dependerá do tempo (prazo) de estocagem dos itens. Os custos de manutenção são geralmente os custos variáveis associados à decisão de se manterem determinados itens estocados. São incluídos nesses custos todos os gastos incorridos pela empresa no armazenamento (manutenção) de seus produtos e mercadorias durante certo período de tempo. Como exemplos, podem ser citados 30 custo de oportunidade (retorno de uma alternativa não aproveitada pela empresa por optar em investir em estoque); custos de armazenagem, despesas com seguros, eventuais perdas, deterioração e obsolescência, impostos e taxas, etc. (Assaf, 2014, p. 701, grifo do autor). 4.3 Lote econômico Para Assaf (2014, p. 703) “o modelo de lote econômico, também denominado de EOQ (Economic Ordering Quantity), tem por finalidade básica definir o volume de compra de um pedido, de forma que o custo total controlável do estoque da empresa seja minimizado”. E o autor ainda complementa, dizendo que: É sabido que uma quantidade maior de pedido de estoque permite que a empresa reduza a sua frequência de solicitações, diminuindo em consequência os custos associados aos pedidos. Contudo, essa decisão acarreta elevação no volume dos estoques e, consequentemente, em seus custos de manutenção (armazenagem). Em suma, a técnica do lote econômico envolve determinado equilíbrio entre o custo de manter estoques e custo do pedido (Assaf, 2014, p. 703). Assaf (2014, p.703) propõe o seguinte caso: suponha que uma empresa preveja utilizar 10.000 unidades de determinada matéria-prima no próximo exercício social. Cálculos indicam que o custo de compra (pedido) é de R$ 400,00 por pedido e o custo de manutenção, de R$ 50,00 por unidade para o pedido. Diante dessas informações, é possível descrever o comportamento desses custos para diferentes quantidades de compras, conforme é apresentado no Quadro 20. Quadro 20 – Demonstração do lote econômico 1 2 3 4 5 Quantidade do pedido (Q) (unidade) Frequências dos pedidos Custo de pedido (R$) Custo de manutenção (R$) Custo total (R$) 100 100,00 40.000 2.500 42.500 200 50,00 20.000 5.000 25.000 300 33,33 13.333 7.500 20.833 LE = 400 25,00 10.000 10.000 20.000 500 20,00 8.000 12.500 20.500 600 16,67 6.667 15.000 21.667 700 14,28 5.714 17.500 23.214 Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 703. 31 A avaliação do Quadro 20 nos leva a concluir que a minimização dos custos totais exige a emissão de 25 pedidos de 400 unidades cada um no ano (lote econômico). Que tal apresentarmos alguns cálculos sobre os dados do Quadro 20? Demonstraremos os cálculos separadamente somente para a primeira linha do Quadro 20 ‒considerando 100 unidades para a quantidade do pedido (Q) na coluna 1. A dinâmica dos cálculos será a mesma para as demais quantidades do pedido (Q). Para isso, utilizaremos as expressões matemáticas sugeridas por Assaf (2014, p.705). Admitindo-se que: D = demanda Cp (p) = custo de pedido (por pedido) no período Cm (m) = custo de manutenção por unidade no período Cr (r) = custo total dos estoques no período → (Cr = Cp + Cm) Q = quantidade de cada pedido (em unidades) Temos as seguintes expressões básicas de cálculo: 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑛𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 = 𝐷 𝑄⁄ (𝑜𝑢 𝑓𝑟𝑒𝑞𝑢ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑜𝑠 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜𝑠) 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜 = 𝐶𝑝 × 𝐷 𝑄⁄ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 = 𝐶𝑚 × 𝑄 2⁄ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = (𝐶𝑝 × 𝐷 𝑄⁄ ) + (𝐶𝑚 × 𝑄 2⁄ ) Coluna 2: número total dos pedidos (ou frequência dos pedidos) 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑛𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 = 𝐷𝑒𝑚𝑎𝑛𝑑𝑎 𝑄𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑑𝑎 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜 𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑛𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜 = 10.000 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 100 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 = 𝟏𝟎𝟎, 𝟎𝟎 𝒑𝒆𝒅𝒊𝒅𝒐𝒔 Coluna 3: custo de pedido 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜 = 𝐶𝑝 × 𝐷 𝑄 ∴⁄ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜 = 400,00 × 10.000 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 100 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 ∴ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜 = 400,00 × 100 ∴ 32 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜 = 𝑅$ 𝟒𝟎. 𝟎𝟎𝟎, 𝟎𝟎 Coluna 4: custo de manutenção 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 = 𝐶𝑚 × 𝑄 2 (𝒗𝒆𝒓 𝒊𝒍𝒖𝒔𝒕𝒓𝒂çã𝒐 𝒅𝒂 𝑭𝒊𝒈𝒖𝒓𝒂 𝟐) ∴⁄ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 = 50,00 × 100 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 2 ∴ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 = 50,00 × 50 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 (𝑒𝑠𝑡𝑜𝑞𝑢𝑒 𝑚é𝑑𝑖𝑜 𝑛𝑜 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜) ∴ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 = 𝑅$ 2.500,00 Ilustração do estoque médio por período, considerando-se uma quantidade de 100 unidades de estoque no pedido (primeira linha do Quadro 20). Para uma quantidade de 200 unidades de estoque no pedido (segunda linha do Quadro 20), o estoque médio a ser considerado na fórmula seria 100 unidades. Note que os períodos referem-se à frequência dos pedidos. Figura 2 – Número médio de estoque (quantidades) por pedido 𝐸𝑠𝑡𝑜𝑞𝑢𝑒𝑠 (𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠) 𝑄 2⁄ = 50 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 t0 t1 t2 t3 Tempo Fonte: Adaptado de Assaf, 2014, p. 704. A Figura 2 mostra que os estoques de 100 unidades em “t0” são totalmente consumidos ao final desse período e são renovados em 100 unidades no início do período “t1”. Ao final do período "t1”, os estoques zeram novamente e são renovados em 100 unidades no início do período "t2”. Esse processo se repete nos demais períodos. Por isso, o estoque médio do pedido por período é dado por: (𝑄 2⁄ ). Q=50 Q=100 33 Percebemos que o exemplo dado não prevê a manutenção de um estoque mínimo de segurança, o que seria recomendável em razão de o fornecedor poder atrasar as entregas. Coluna 5: custo total dos estoques no período 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑑𝑖𝑑𝑜 + 𝑐𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜 ∴ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = (𝐶𝑝 × 𝐷 𝑄⁄ ) + (𝐶𝑚 × 𝑄 2⁄ ) ∴ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = (400,00 × 10.000 100 ) + (50,00 × 100 2 ) ∴ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = (40.000,00) + (2.500,00) ∴ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 42.500,00 Demonstração do cálculo para o lote econômico (400 unidades de estoque): 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = (𝐶𝑝 × 𝐷 𝑄⁄ ) + (𝐶𝑚 × 𝑄 2⁄ ) ∴ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = (400,00 × 10.000,00 400 𝑢𝑛𝑖𝑑⁄ ) + (50,00 × 400 𝑢𝑛𝑖𝑑 2⁄ ) ∴ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = (400,00 × 25) + (50,00 × 200) ∴ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 10.000,00 + 10.000,00 ∴ 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 20.000,00 Demonstração da quantidade ótima de cada pedido (lote econômico): a quantidade ótima de cada pedido ocorre quando os custos de pedido e custos de manutenção se igualam. Logo, igualando as expressões dos dois custos dos estoques, podemos obter a fórmula de cálculo do lote econômico, ou seja: 𝐶𝑝 × 𝐷 𝑄 = 𝐶𝑚 × 𝑄 2 Multiplicando-se por Q: 𝐶𝑝 × 𝐷 𝑄 × 𝑄 = 𝐶𝑚 × 𝑄 2 × 𝑄 ∴ 34 𝐶𝑝 × 𝐷 = 𝐶𝑚 × 𝑄2 2 ∴ Multiplicando-se por 2: 2 × 𝐶𝑝 × 𝐷 = 2 × 𝐶𝑚 × 𝑄2 2 ∴ 2 × 𝐶𝑝 × 𝐷 = 𝐶𝑚 × 𝑄 2 ∴ 𝐶𝑚 × 𝑄 2 = 2 × 𝐶𝑝 × 𝐷 ∴ 𝑄2 = 2 × 𝐶𝑝 × 𝐷 𝐶𝑚 Logo: 𝑄∗ = (𝑙𝑜𝑡𝑒 𝑒𝑐𝑜𝑛ô𝑚𝑖𝑐𝑜) = √ 2 × 𝐶𝑝 × 𝐷 𝐶𝑚 Substituindo os valores na fórmula: 𝑄∗ = (𝑙𝑜𝑡𝑒 𝑒𝑐𝑜𝑛ô𝑚𝑖𝑐𝑜) = √ 2 × 400,00 × 10.000 50,00 ∴ 𝑄∗ = (𝑙𝑜𝑡𝑒 𝑒𝑐𝑜𝑛ô𝑚𝑖𝑐𝑜) = √160.000,00 ∴ 𝑄∗ = (𝑙𝑜𝑡𝑒 𝑒𝑐𝑜𝑛ô𝑚𝑖𝑐𝑜) = 400 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠 TEMA 5 – GESTÃO DE PASSIVOS CIRCULANTES 5.1 Empréstimos bancários para capital de giro e overtrade (efeito tesoura) Quais razões levam as empresas a buscar empréstimos bancários de curto prazo (passivo circulante) para financiar a falta de dinheiro em seu caixa? A falta de dinheiro no caixa pode ocorrer por diversas razões, como, por exemplo: orçamentos mal elaborados; gastos descontrolados; volume de estoques mantidos acima do necessário; imobilizações desnecessárias; aplicações no ativo não circulante (imobilizado), utilizando demasiadamente financiamentos de curto prazo de bancos (passivo circulante); prazos de 35 financiamento de vendas incompatíveis com os prazos de pagamento ao fornecedor; política de distribuição de dividendos agressiva com prejuízo à manutenção de recursos próprios (patrimônio líquido) para financiar o giro da empresa. Como vimos no Tema 1 (item 1.2), o saldo de tesouraria (ST) negativo, em um ou mais períodos, revela que a empresa precisou recorrer a empréstimos bancários de curto prazo para fechar o seu caixa. Ross et al. (2015, p.954) propõem o caso da Metalúrgica da Serra S/A para demonstrar essa situação: Primeiro passo Apresentar o “ativo” e o “passivo + patrimônio líquido”. Quadro 21 ‒ Ativo Metalúrgica da Serra S/A (em mil ‒ R$) Balanço patrimonial ATIVO 2014 2015 2016 Ativo circulante (AC) 164.000 239.000 506.000 Caixa e bancos 4.000 2.000 3.000 Aplicações financeiras 9.000 4.000 13.000 Contas a receber 73.000 148.000 348.000 Impostos a recuperar 11.000 12.000 32.000 Adiantamentos a fornecedores 16.000 11.000 22.000 Estoques 51.000 62.000 88.000 Ativo não circulante (ANC) 144.000 142.000 163.000 Imobilizado 225.000 248.000 301.000 (-) Depreciação (81.000) (106.000) (138.000) Ativo total 308.000 381.000 669.000 Fonte: Adaptado de Ross et al. 2015, p. 954. Quadro 22 ‒ Passivo total + PL Metalúrgica da Serra S/A (em mil ‒ R$) Balanço patrimonial PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO 2014 2015 2016 Passivo circulante (PC) 145.000 176.000 374.000 Fornecedores 51.000 53.000 66.000 Salários e encargos 15.000 12.000 15.000 Obrigações sociais e trabalhistas 7.000 9.000 11.000 Obrigações tributárias 15.000 17.000 18.000 Imposto de renda 1.000 2.000 1.000 Empréstimos e financiamentos 42.000 35.000 96.000 Duplicatas descontadas 10.000 45.000 162.000 Adiantamentos de clientes 4.000 3.000 5.000 Passivo não circulante (PNC) 17.000 10.000 32.000 36 Empréstimos e financiamentos 17.000 10.000 32.000 Patrimônio líquido (PL) 146.000 195.000 263.000 Capital integralizado 165.000 165.000 165.000 Reserva de lucros (prejuízo) * (19.000) 30.000 98.000 Passivo total e patrimônio líquido 308.000 381.000 669.000 (*) O comitê de pronunciamentos contábeis CPC) define que as sociedades anônimas (S/A) devem manter lucros acumulados em reservas de lucros. Fonte: Adaptado de Ross et al., 2015, p. 954. Segundo passo Ajustar o ativo e o passivo para fins de análise da necessidade de capital de giro (NCG), capital de giro (CDG) e saldo de tesouraria (ST), conformedemonstram os quadros 23 e 24. Quadro 23 ‒ Ativo ajustado para fins de estudo de NCG, CDG e ST Metalúrgica da Serra S/A (em milhões ‒ R$) Balanço patrimonial ATIVO (ajustado) 2014 2015 2016 Ativo circulante financeiro (ACF) 13.000 6.000 16.000 Caixa e bancos 4.000 2.000 3.000 Aplicações financeiras 9.000 4.000 13.000 Ativo circulante cíclico (ACC) 151.000 233.000 490.000 Contas a receber 73.000 148.000 348.000 Impostos a recuperar 11.000 12.000 32.000 Adiantamentos a fornecedores 16.000 11.000 22.000 Estoques 51.000 62.000 88.000 Ativo não circulante (ANC) 144.000 142.000 163.000 Imobilizado 225.000 248.000 301.000 (-) Depreciação (81.000) (106.000) (138.000) Ativo total 308.000 381.000 669.000 Fonte: Adaptado de Ross et al., 2015, p. 954. Quadro 24 ‒ Passivo total + PL ajustados para fins de estudo da NCG, CDG e ST Metalúrgica da Serra S/A – (em milhões ‒ R$) Balanço patrimonial PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO (ajustado) 2014 2015 2016 Passivo circulante financeiro (PCF) 52.000 80.000 258.000 Empréstimos e financiamentos 42.000 35.000 96.000 Duplicatas descontadas 10.000 45.000 162.000 Passivo circulante cíclico (PCC) 93.000 96.000 116.000 Fornecedores 51.000 53.000 66.000 Salários e encargos 15.000 12.000 15.000 Obrigações sociais e trabalhistas 7.000 9.000 11.000 37 Obrigações tributárias 15.000 17.000 18.000 Imposto de renda 1.000 2.000 1.000 Adiantamentos de clientes 4.000 3.000 5.000 Passivo não circulante (PNC) + PL 163.000 205.000 295.000 Empréstimos e financiamentos 17.000 10.000 32.000 Capital integralizado 165.000 165.000 165.000 Reserva de lucros (prejuízo) (19.000) 30.000 98.000 Passivo total e patrimônio líquido 308.000 381.000 669.000 Fonte: adaptado de Ross et al. (2015, p. 954). Terceiro passo Calcular a necessidade de capital de giro (NCG), capital de giro (CDG) e saldo de tesouraria (ST) Quadro 25 – NCG, CDG e ST 2014 2015 2016 Necessidade de capital de giro (NCG) 58.000 137.000 374.000 Capital de giro (CDG) 19.000 63.000 132.000 Saldo de tesouraria (ST) (39.000) (74.000) (242.000) Quadro 26 – Fórmulas e nomenclaturas para NCG, CDG e ST 𝑭Ó𝑹𝑴𝑼𝑳𝑨𝑺: 𝑁𝐶𝐺 = 𝐴𝐶𝐶 − 𝑃𝐶𝐶 𝐶𝐷𝐺 = (𝑃𝑁𝐶 + 𝑃𝐿) − 𝐴𝑁𝐶 𝑆𝑇 = 𝐴𝐶𝐹 − 𝑃𝐶𝐹 𝑆𝑇 = 𝐶𝐷𝐺 − 𝑁𝐶𝐺 𝑵𝑶𝑴𝑬𝑵𝑪𝑳𝑨𝑻𝑼𝑹𝑨𝑺: 𝑁𝐶𝐺 = 𝑛𝑒𝑐𝑒𝑠𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑔𝑖𝑟𝑜 𝐴𝐶𝐶 = 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑐í𝑐𝑙𝑖𝑐𝑜 𝑃𝐶𝐶 = 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑐í𝑐𝑙𝑖𝑐𝑜 𝐶𝐷𝐺 = 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑔𝑖𝑟𝑜 𝑃𝑁𝐶 = 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝑛ã𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑃𝐿 = 𝑝𝑎𝑡𝑟𝑖𝑚ô𝑛𝑖𝑜 𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 𝐴𝑁𝐶 = 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑛ã𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑆𝑇 = 𝑠𝑎𝑙𝑑𝑜 𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑠𝑜𝑢𝑟𝑎𝑟𝑖𝑎 𝐴𝐶𝐹 = 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑒𝑖𝑟𝑜 𝑃𝐶𝐹 = 𝑝𝑎𝑠𝑠𝑖𝑣𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑒𝑖𝑟𝑜 38 Quarto passo Demonstrar o gráfico com as curvas representativas da NCG, CDG e ST. Gráfico 3 – Análise de overtrade ou efeito tesoura Quinto passo Analisar os resultados. Segundo Ross et al. (2015, p. 956), o saldo de tesouraria (ST) da Metalúrgica da Serra S/A indica a necessidade de aporte financeiro (NAF), e pode ser analisado sob três aspectos: Saldo de tesouraria (ST) com foco no capital de giro: o cálculo da diferença entre CDG e NCG evidencia o hiato entre o uso de recursos nas operações e as disponibilidades da empresa em financiar esse nível de operações. Esse hiato exige aportes financeiros. Para a Metalúrgica da Serra S/A, as necessidades de aportes financeiros são crescentes (evidenciadas pelos saldos de tesouraria negativos e crescentes negativamente a cada período). Quadro 27 ‒ NCG, CDG e ST 2014 2015 2016 Necessidade de capital de giro (NCG) 58.000 137.000 374.000 Capital de giro (CDG) 19.000 63.000 132.000 Saldo de tesouraria (ST) (39.000) (74.000) (242.000) Fonte: Adaptado de Ross et al., 2015, p. 956. Saldo de tesouraria (ST) com foco no financiamento de curto prazo: a diferença entre as contas não operacionais – não cíclicas ‒ do circulante -300.000 -200.000 -100.000 0 100.000 200.000 300.000 400.000 500.000 1 2 3 V a lo re s ( R $ m il) Anos Análise de overtrade ou efeito tesoura CDG NCG ST 39 (o autor se refere ao ativo circulante financeiro e passivo circulante financeiro) é outra forma de calcular a necessidade de aporte financeiro (NAF) como saldo de tesouraria. Quadro 28 ‒ Demonstração de ACF, PCF e ST 2014 2015 2016 Ativo circulante financeiro (ACF) 13.000 6.000 16.000 Passivo circulante financeiro (PCF) 52.000 80.000 258.000 Saldo de tesouraria (ST) (39.000) (74.000) (242.000) Fonte: Adaptado de Ross et al., 2015, p. 956. Saldo de tesouraria (ST) com foco na estrutura de capital: as fontes de longo prazo (o autor as chama de fontes permanentes – FP), quais sejam o passivo não circulante (PNC) e o patrimônio líquido (PL), devem financiar permanentemente não somente o ativo não circulante (ANC) como também a parcela do ativo circulante cíclico (ACC) que não é coberta (financiada) pelo passivo circulante cíclico (PCC). Desse modo, o planejamento financeiro deve prever que as fontes permanentes (FP) sejam capazes de financiar as necessidades totais de financiamentos permanentes (NTFP), o que evidentemente não ocorreu com a Metalúrgica da Serra S/A. Quadro 29 ‒ FP, NTFP e ST 2014 2015 2016 Financiamentos permanentes (FP) 163.000 205.000 295.000 Necessidade total de financiamentos permanentes (NTFP) 202.000 279.000 537.000 Saldo de tesouraria (ST) (39.000) (74.000) (242.000) Fonte: Adaptado de Ross et al., 2015, p. 957. Demonstraremos como foram encontrados os valores do ano 2014 do Quadro 29: 𝑭𝒊𝒏𝒂𝒏𝒄𝒊𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐𝒔 𝒑𝒆𝒓𝒎𝒂𝒏𝒆𝒏𝒕𝒆𝒔 (𝑭𝑷) → 𝒆𝒒𝒖𝒊𝒗𝒂𝒍𝒆𝒏𝒕𝒆 𝒂𝒐 𝑷𝑵𝑪 + 𝑷𝑳: 𝐹𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑖𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜𝑠 𝑝𝑒𝑟𝑚𝑎𝑛𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 (𝐹𝑃) = 163.000 (𝑄𝑢𝑎𝑑𝑟𝑜 24) 𝑵𝒆𝒄𝒆𝒔𝒔𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆 𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍 𝒅𝒆 𝒇𝒊𝒏𝒂𝒏𝒄𝒊𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒐𝒔 𝒑𝒆𝒓𝒎𝒂𝒏𝒆𝒏𝒕𝒆𝒔 (𝑵𝑻𝑭𝑷) = 𝑨𝑵𝑪 + 𝑵𝑪𝑮, 𝑠𝑒𝑛𝑑𝑜: 𝐴𝑁𝐶 → 𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜 𝑛ã𝑜 𝑐𝑖𝑟𝑐𝑢𝑙𝑎𝑛𝑡𝑒 40 𝑁𝐶𝐺 → 𝑛𝑒𝑐𝑒𝑠𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑔𝑖𝑟𝑜 𝑁𝑒𝑐𝑒𝑠𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑖𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑝𝑒𝑟𝑚𝑎𝑛𝑒𝑛𝑡𝑒 (𝑁𝑇𝐹𝑃) = 144.000 + 58.000 𝑞𝑢𝑎𝑑𝑟𝑜𝑠 23 𝑒 25 𝑁𝑒𝑐𝑒𝑠𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑖𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑝𝑒𝑟𝑚𝑎𝑛𝑒𝑛𝑡𝑒 (𝑁𝑇𝐹𝑃) = 202.000 𝑺𝑻 = 𝑭𝑷 − 𝑵𝑻𝑭𝑷, 𝑠𝑒𝑛𝑑𝑜: 𝐹𝑃 → 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑖𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜𝑠 𝑝𝑒𝑟𝑚𝑎𝑛𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑁𝑇𝐹𝑃 → 𝑛𝑒𝑐𝑒𝑠𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑖𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜𝑠 𝑝𝑒𝑟𝑚𝑎𝑛𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠 𝑆𝑇 = 163.000 − 202.000 𝑆𝑇 = (39.000) Podemos concluir que a Metalúrgica da Serra S/A se encontra na situação de overtrade ou efeito tesoura. O overtrade ocorre quando a empresa apresenta saldos de tesouraria negativos e crescentes negativamente a cada período. TROCANDO IDEIAS Então, o que você achou dos temas apresentados nesta aula? A área de crédito dos bancos faz uso do estudo da necessidade de capital de giro (NCG), capital de giro (CDG) e saldo de tesouraria (ST) para definir o risco de crédito das empresas. O risco de crédito de uma empresa determina o seu “limite de crédito” e a “taxa de juros” das operações com o banco. A análise do limite de crédito define também as garantias que serão exigidas da empresa pelo banco. As empresas, de modo geral, podem utilizar esse estudo para avaliar o risco de empresas clientes para as quais concederão crédito. Que tal você discutir esse tema com seus colegas por meio do fórum disponibilizado no ambiente virtual de aprendizagem (AVA)? Além do uso do fórum, sugerimos que você assista às aulas interativas da disciplina e envie perguntas durante a apresentação. A tutoria de seu curso também está disponível para ajudá-lo a tirardúvidas. 41 NA PRÁTICA 1. Com base na análise do balanço patrimonial ajustado a seguir, assinale a alternativa que corresponde à necessidade de capital de giro (NCG), capital de giro (CDG) e saldo de tesouraria (ST), respectivamente. Utilize as fórmulas dadas. Quadro 30 ‒ Balanço patrimonial ajustado para estudo de NCG, CDG e ST Ativo circulante financeiro (ACF) Caixa Bancos conta movimento Títulos e valores mobiliários Ativo circulante cíclico (ACC) Contas a receber de clientes Estoques Impostos a pagar Ativo não circulante (ANC) Debêntures Máquinas e equipamentos Móveis e utensílios Veículos Imóveis Ativo total 100 20 40 40 300 140 120 40 200 40 60 30 10 60 600 Passivo circulante financeiro (PCF) Empréstimos e financiamentos Passivo circulante cíclico (PCC) Fornecedores Salários e contribuições Impostos a pagar Passivo não circulante + PL Empréstimos e financiamentos Capital social Lucros acumulados Reserva legal Reservas de contingências Reservas estatutárias Passivo + PL 40 40 220 110 60 50 340 180 100 20 16 4 20 600 Fórmulas: 𝑁𝐶𝐺 = 𝐴𝐶𝐶 − 𝑃𝐶𝐶 𝐶𝐷𝐺 = (𝑃𝑁𝐶 + 𝑃𝐿) − 𝐴𝑁𝐶 𝑆𝑇 = 𝐴𝐶𝐹 − 𝑃𝐶𝐹 𝑜𝑢 𝑆𝑇 = 𝐶𝐷𝐺 − 𝑁𝐶𝐺 Alternativas: a) 80; 140; 60 b) 60; 140; 80 c) 140; 80; 60 d) 140; 60; 80 e) 60; 80; 140 2. Sabemos que o capital circulante líquido (CCL) e o capital de giro (CDG) são iguais em valores. No entanto, contabilmente há diferença no conceito entre eles. Ross et al. (2015, p. 932) resumem CCL e CDG da seguinte maneira: “o capital circulante líquido (CCL) – o uso de recursos não 42 financiados pelo passivo circulante – e o capital de giro (CDG) – fonte de recursos para o giro das operações”. Com base na análise do balanço patrimonial a seguir, assinale a alternativa que corresponde ao valor do CCL e do CDG. Utilize as fórmulas: CCL = AC - PC e CDG = (PNC + PL) - ANC. Quadro 31 ‒ Balanço patrimonial ajustado para NCG, CDG e ST Ativo circulante (AC) Caixa Bancos conta movimento Títulos e valores mobiliários Contas a receber de clientes Estoques Impostos a recuperar Ativo não circulante (ANC) Realizável de longo prazo Debêntures Imobilizado Máquinas e equipamentos Móveis e utensílios Veículos Imóveis Ativo total 600 30 60 60 210 180 60 300 60 60 240 90 45 15 90 900 Passivo circulante (PC) Empréstimos e financiamentos Fornecedores Salários e contribuições Impostos a pagar Passivo não circulante (PNC) Empréstimos e financiamentos Patrimônio líquido (PL) Capital social Lucros acumulados Reserva legal Reservas de contingências Reservas estatutárias Passivo e PL 390 60 165 90 75 270 270 240 150 30 24 6 30 900 Alternativas: a) 600 b) 210 c) 510 d) 420 e) 350 3. Questão 3 – Determinada empresa apresenta os prazos médios a seguir. Assinale a alternativa que corresponde ao ciclo financeiro (CF) ou ciclo de conversão de caixa (CCC). Prazo médio de rotação dos estoques (PMRE) = 40 dias Prazo médio de recebimento das vendas (PMRV) = 60 dias Prazo médio de pagamento das compras (PMPC) = 70 dias Alternativas: a) 100 dias b) 65 dias c) 45 dias 43 d) 30 dias e) 50 dias FINALIZANDO Assim, chegamos ao final desta terceira aula. Embora a administração do capital de giro não se esgote com o conteúdo proposto, procuramos aqui abordar os seus temas principais. Esperamos que o material elaborado possa auxiliá-lo a ampliar os conhecimentos nessa área. Desejamos a você um ótimo estudo! 44 REFERÊNCIAS ASSAF, A. N. Finanças corporativas e valor. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2014. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2010. ROSS, S. A. et al. Administração financeira. 10. ed. Porto Alegre: McGraw Hill, 2015. 45 GABARITO 1. A resposta correta é a letra “A”. NCG = 300 – 220 ∴ NCG = 80 CDG = 340 - 200 ∴ CDG = 140 ST = 100 - 40 ∴ ST = 60 2. A resposta correta é a letra "B". CCL = AC - PC ∴ CCL = 600 - 390 ∴ CCL = 210 CDG = (PNC + PL) - ANC ∴ CDG = (270 + 240) - 300 ∴ CDG = 510 - 300 ∴ CDG = 210 3. A resposta correta é a letra "D". Ciclo financeiro = PMRE + PMRV - PMPC ∴ Ciclo financeiro = 40 + 60 - 0 ∴ Ciclo financeiro = 30 dias ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA AULA 4 Prof. Silvio Persona Filho 2 CONVERSA INICIAL A sua empresa pode seguir a direção na qual o “vento” a levar, basta levantar as “velas”; no entanto, administrar sem um plano ou uma direção é algo extremamente perigoso nos dias atuais. Sabemos que a concorrência é acirrada e que o mercado muda em uma velocidade que pode prejudicar aquela empresa que, por deficiência administrativa, apenas reage às alterações das variáveis de mercado sem ser proativa. O orçamento empresarial oferece aos gestores um horizonte planejado, ou seja, objetivos a perseguir. Fazer um planejamento estratégico não é uma possibilidade apenas para as grandes empresas. Independente do seu porte, toda empresa deveria ter um plano, a fim de se antecipar às possibilidades ou dificuldades futuras. Para facilitar a implantação do que foi planejado, temos o orçamento que, em linhas gerais, é a tradução do planejamento em números, tanto operacionais como financeiros. O orçamento, desta forma, irá aproximar o plano da empresa da sua efetiva execução, tendo em vista que oferece um rumo a ser seguido através das metas estabelecidas para cada área dentro da empresa. CONTEXTUALIZANDO A sobrevivência das empresas em um mercado globalizado, sobretudo em uma economia instável como a brasileira, é extremamente sensível a inúmeras variáveis que tornam o mercado inconstante. Empresas nacionais se deparam constantemente com elementos de mercado que mudam em uma velocidade cada vez maior – entrada de novos concorrentes, sobretudo os externos, alteração das políticas macroeconômicas, mudanças no perfil de consumo, entre vários outros. Assim, para que a empresa busque a sua perpetuação, geração de lucros crescentes e a estabilidade econômico- financeira, faz-se necessário um conjunto enorme de técnicas administrativas e ferramentas que a auxiliem no alcance de seus objetivos. O orçamento empresarial se constitui uma excelente ferramenta para auxiliar a empresa a atingir os seus objetivos, oferecendo uma visão de futuro, de forma que ela possa organizar os seus recursos e alinhar as ações e decisões para a sua sobrevivência. 3 TEMA 1 – O ORÇAMENTO COMO INSTRUMENTO DE PLANEJAMENTO E CONTROLE Considerando que o objetivo principal de uma empresa é se perpetuar e que, para isso, ela deve gerar lucros, é preciso constantemente analisar os ambientes externo e interno da empresa. Os sócios, acionistas ou administradores devem exercitar constantemente a visão de longo prazo estabelecendo metas e objetivos aos seus gestores. Para atingir o que foi determinado pelos investidores, a empresa necessita de estratégias e para estabelecer o seu planejamento. Vamos supor que o objetivo de uma determinada empresa, para o próximo exercício, seja aumentar o lucro em 10%. Se os gestores não possuírem um plano para atingir tal objetivo, a possibilidade de realizá-lo será remota. Conforme Hoji (2009), “administrar sem um guia é como andar no escuro, sem nenhum tipo de apoio”. De forma bem resumida, o orçamento representa a tradução em números do planejamento, oferecendo aos gestores metas objetivas a alcançar em todos os níveis da empresa. Assim, o orçamento é a parte de um plano estratégico que apresenta a previsão de receitas e de gastos futuros para direcionar as ações dos seus gestores. Segundo Moreira (1989, p. 15 apud Hoji, 2009), orçamento geral é um conjuntode planos e políticas que, formalmente estabelecidos e expressos em resultados financeiros, permite à administração conhecer, a priori, os resultados operacionais da empresa e, em seguida, executar acompanhamentos necessários para que esses sejam alcançados e os possíveis desvios sejam analisados, avaliados e corrigidos. Normalmente, a responsabilidade pela coordenação do processo orçamentário bem como o seu controle é da área de Controladoria, pois ele é elaborado com bases contábeis. Diante do acima exposto, podemos constatar que o orçamento é uma ferramenta de planejamento e de controle que possibilita aos gestores conhecer as suas metas específicas, tendo em vista que ele projeta os valores a alcançar nas diversas áreas da empresa, bem como os recursos para tal: vendas, produção, investimentos, despesas, custos, recursos financeiros e de pessoal, entre outros. 4 No que se refere ao planejamento, o orçamento permite antever os acontecimentos futuros, possibilitando a oportunidade de tomar decisões e elaborar ações a executar em todos os níveis da empresa, no sentido de direcionar os resultados para o objetivo estabelecido pelos sócios, acionistas ou pela alta administração. No que se refere ao controle, a controladoria irá acompanhar constantemente a realização dos valores e compará-los com os que foram projetados, podendo gerar informações para a tomada de decisões, no sentido de corrigir o rumo de determinada atividade dentro da empresa. Para uma visão geral dos processos de planejamento e controle por meio do orçamento, considere a síntese apresentada na figura a seguir: Figura 1 – Visão geral dos processos de planejamento e controle por meio do orçamento TEMA 2 – ANÁLISE DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS E SETORIAIS Para elaborar um bom planejamento e, consequentemente, um bom orçamento, a empresa precisa saber exatamente quais os seus “desejos” para o futuro; também precisa de várias informações que revelem os ambientes interno e externo da empresa. Dessa forma, as análises das condições ambientais e setoriais têm grande importância para a realização do que foi planejado. Nesse 5 sentido, vamos estudar três ferramentas de análise: Swot, Pest e as Cinco Forças de Porter. 2.1 Análise de Swot Essa análise consiste em realizar uma investigação completa sobre a empresa e sobre o ambiente no qual ela está inserida. Assim, a gestão terá informações mais precisas para elaborar estratégias com maior segurança. Conforme Sertek, Guindani e Martins (2013), a análise de Swot é uma técnica de análise dos ambientes interno e externo, comumente empregada para a avaliação do posicionamento da organização e de sua capacidade de competição. Corresponde à sigla das palavras em inglês strenghts (pontos fortes), weaknesses (pontos fracos), opportunities (oportunidades) e threats (ameaças). As duas primeiras situações se referem ao ambiente interno da empresa e, as duas últimas, ao ambiente externo. A imagem abaixo mostra os fatores considerados nas análises dos ambientes interno e externo pela Matriz Swot: Figura 2 – Matriz Swot A identificação desses itens fornece informações relevantes para a empresa nas seguintes aplicações: Forças: identificação das potencialidades para maximizar suas ações, aproveitar as oportunidades e enfrentar as ameaças. Fraquezas: identificação das fragilidades para tomar ações no sentido de eliminá-las, reduzindo a vulnerabilidade da empresa. Oportunidades: identificação dos fatores externos que podem ser aproveitados para maximizar os negócios. 6 Ameaças: identificação dos fatores externos que colocam em risco a realização da estratégia, oferecendo perigo ao negócio. 2.2 Análise Pest A análise Pest identifica o cenário no qual a empresa está inserida, bem como permite a inferência de tendências. As áreas analisadas são: Política, Econômica, Social e Tecnológica. Essa análise permite a identificação de fatores macros do ambiente externo que influenciam diretamente e indiretamente a empresa: Política: analisa e identifica, principalmente, as influências políticas na economia. Verifica as tendências das políticas de desenvolvimento socioeconômico, regulamentos do setor em que a empresa atua, ideologia dos governantes e de seus prováveis substitutos, o que pode afetar os negócios, questões ambientais, entre outras. Econômica: analisa e identifica os principais fatores econômicos que influenciam a empresa e o setor a que pertence. O foco dessa análise está na verificação das chamadas políticas macroeconômicas: Monetária, Fiscal, Cambial e de Rendas. Social: analisa e identifica, principalmente, os fatores culturais e religiosos da sociedade, tendo em vista sua influência no comportamento do consumidor. Essa análise permite verificar a adequação dos produtos ou serviços ao mercado. Tecnológica: analisa e identifica a evolução dos fatores tecnológicos, sobretudo a inovação. Sem essa análise, a empresa corre o risco de se tornar obsoleta em termos de ativos e processos, assim como seus produtos podem perder o alinhamento com a tendência e evolução do mercado. 2.3 Cinco Forças de Porter O professor Michael Porter (Harvard Business School) sugere que a análise da competição não deve ser observada somente pela vertente da rivalidade entre as empresas que atuam no mesmo mercado. Seu estudo propõe uma análise mais abrangente, considerando um contexto no qual as empresas estão sujeitas à pressão de cinco forças, sendo uma central e outras quatro que 7 gravitam ao seu redor exercendo forte influência, conforme representado pela imagem a seguir: Figura 3 – As cinco forças de Porter 2.3.1 Rivalidade entre os concorrentes O perfeito entendimento do mercado revela quem são os concorrentes diretos, haja vista que a gestão deve concentrar energia em suas ações de salvaguarda contra aqueles com maior rivalidade. Algumas empresas podem atuar no mesmo mercado, mas com um público-alvo diferente. 2.3.2 Poder de barganha dos fornecedores Refere-se ao poder que os fornecedores possuem com relação a preço, qualidade e prazo de entrega, sobretudo se a empresa possui poucos fornecedores. 2.3.3 Poder de barganha dos clientes Essa força sugere a atenção da gestão para o poder que os clientes têm com relação a características técnicas, qualidade e preço dos produtos. De maneira sintética, essa força expressa o poder que o cliente tem de negociar com o seu fornecedor, observando que, quanto menor o número de clientes, maior o poder que possuem. 8 2.3.4 Ameaça de novos entrantes Normalmente, os novos entrantes possuem estratégias bem agressivas, tendo em vista que deverão conquistar o mercado. Outra preocupação refere-se ao uso da inovação, sobretudo da tecnológica, que poderá ser impactante na concorrência. Se as barreiras forem altas, os novos entrantes encontram um ambiente bastante difícil para a conquista, não oferecendo assim grandes riscos. 2.3.5 Ameaça de produtos substitutos Os produtos substitutos são aqueles que podem ser adquiridos para satisfazer a mesma necessidade de consumo, mesmo com características diferentes (por exemplo: manteiga e margarina, refrigerante e suco, livros tradicionais e e-books, entre muitos outros). TEMA 3 – TIPOS DE ORÇAMENTO Existem vários tipos de orçamento, mas, antes de apresentarmos as particularidades de alguns, é importante frisarmos que o orçamento empresarial (Budget) é um consolidado de vários orçamentos, ou seja, de outros orçamentos específicos para cada segmento da empresa. O orçamento de vendas, normalmente, dá origem aos demais orçamentos. As projeções das vendas são obtidas através da combinação e análise de vários fatores: Expectativas dos sócios, acionistas, administradores. Estudo da demanda: potencial, não atendida e atendida. Estudoseconômicos: análise das políticas macroeconômicas (monetária, fiscal, cambial e de rendas) com objetivo de verificar as expectativas de inflação, taxa de câmbio, taxa de juros, alterações tributárias, nível de renda etc. Capacidade instalada. Concluído o orçamento de vendas, passa-se a elaborar os demais orçamentos (produção, caixa, investimentos, despesas operacionais etc.). Como comentado, existem vários modelos de orçamento, no entanto, a aplicabilidade depende de cada empresa. O que pode ser bom para a empresa “X” pode não ser para a “Y”. Para descobrir qual atenderá às necessidades de 9 uma empresa, é preciso fazer algumas análises e testes. A partir das características de cada modelo, bem como das necessidades de recursos que cada um exige, a empresa deverá decidir por esse ou aquele e testá-lo. Cabe salientar que um modelo não é eterno; é preciso constante verificação de novas técnicas, assim como estar atento às exigências e mutações do mercado, no sentido de se adaptar às novas “regras” e formas de concorrência. Vamos conhecer as principais características de alguns modelos de orçamento: 3.1 Orçamento estático Esse modelo de orçamento é amplamente utilizado por grandes corporações; sua principal característica é a rigidez, ou seja, uma vez elaborado, não permite mudanças. Esse modelo exige uma constante análise dos desvios para que as projeções sejam corrigidas em períodos futuros. Uma grande vantagem do orçamento estático é a facilidade do seu acompanhamento, haja vista que, uma vez fechado, não admite mudanças e, assim, as diversas áreas da empresa têm os seus valores mais facilmente controlados e acompanhados. Outra vantagem é que o esforço de elaboração ocorre somente em um determinado período que antecede o ano a ser orçado, como, por exemplo: de outubro a dezembro – depois desse período não há mais toda aquela mobilização de esforços para elaboração ou alteração. 3.2 Orçamento contínuo Normalmente, os ciclos orçamentários duram um ano; no entanto, algumas empresas, sobretudo as de tecnologias, necessitam de um dinamismo maior. Assim, este modelo é mais aplicável às empresas cujos produtos têm um ciclo de vida menor, exigindo maior rapidez nas mudanças de seus processos. Conforme Lunkes (2008), O orçamento contínuo é baseado em um prazo movente que se estende em função de um período fixo. Quando um período termina, outro é acrescentado ao final do ciclo. Esse orçamento geralmente é elaborado em 12 meses. Quando o mês atual termina, outro é acrescentado no futuro. Assim a empresa pode revisar suas premissas e estabelecer novas projeções para o período novo que foi acrescentado ao final do orçamento. 10 Cabe salientar que algumas empresas efetuam essa revisão em períodos maiores, como, por exemplo: bimestre, trimestre ou até semestre. Se a revisão for bimestral, no término do bimestre outro período igual é acrescentado ao final do orçamento, de forma a restabelecer a visão de um ano. O mesmo é feito para os outros períodos mencionados. 3.3 Orçamento Base Zero (OBZ) O principal objetivo desse orçamento é eliminar as deficiências do passado. Dessa forma, o histórico da empresa não é utilizado para as projeções futuras. Sua característica determina que todos os valores a orçar devem ser justificados e elaborados como se a empresa estivesse começando do zero. De acordo com Carvalho (2002 apud Lunkes, 2008), as principais características e objetivos desse orçamento são: Analisar o custo-benefício de todos os projetos, processos e atividades, partindo de uma base “zero”. Focalizar objetivos e metas das unidades de negócios cujos recursos são consequências do caminho ou direção planejada. Assegurar a correta alocação de recursos com base no foco e nos fatores do negócio. Aprovar o nível de gastos após a elaboração com base em critérios previamente definidos. Desenvolver forma participativa, com intensa comunicação entre áreas. Fornecer subsídios decisórios inteligentes para a gestão. Esse orçamento se propõe a analisar todos os valores para o próximo exercício social, como se iniciasse as atividades naquele momento. Cabe a cada gestor reexaminar a sua área, questionando-se sobre o seu modus operandi. Segundo Lunkes (2008), as perguntas básicas que devem ser feitas para elaborar o orçamento da área são: O que gastar? Quanto gastar? Como gastar? Onde gastar? Por que gastar? 11 Como pode ser observado, esse tipo de orçamento exige um esforço muito grande por parte das lideranças, forçando os gestores a implementar melhorias contínuas e a conhecer muito bem a empresa, os processos e o setor no qual ela atua. 3.4 Orçamento flexível A base para o orçamento flexível é o tratamento diferenciado entre os gastos fixos e os variáveis. Os gastos fixos terão o tratamento normal que a estrutura da empresa exige, mas os variáveis serão tratados conforme o volume das atividades realizadas. Assim, eles poderão ser ajustados conforme as tendências internas e externas variarem. Neste orçamento ocorre a flexibilização dos valores orçados à medida que ocorrem desvios de valores entre o que foi orçado e o que foi realizado. Caso as vendas aumentem, os custos e despesas inerentes ao aumento são ajustados no orçamento. 3.5 Orçamento Beyond Budgeting Esse orçamento foi criado em 1998 por um grupo de 60 empresas. A ideia era que os orçamentos tradicionais centralizavam o processo decisório e, num mundo cada vez mais competitivo e com mudanças constantes, o poder deve ser descentralizado para que as decisões e ações sejam mais rápidas. Para competir num ambiente dinâmico como esse, conforme Lunkes (2008), as empresas precisam: Responder rapidamente a ameaças e oportunidades e à necessidade de clientes cada vez mais exigentes. Atrair e reter pessoas capazes de assumir responsabilidades, tomar decisões e trabalhar por resultados dentro do domínio competitivo. Prover soluções inovadoras continuamente e gerar novos conceitos empresariais. Operar com custos baixos, qualidade superior e maior eficiência. Aumentar o conhecimento das necessidades de clientes e focalizar melhor sua rentabilidade. Prover desempenho e resultados superiores aos acionistas. 12 Nesse orçamento é permitida a revisão constante baseada em objetivos elásticos, sempre tendo como foco um objetivo superior. Empresas com filiais ou divisões de negócios trabalham com indicadores de desempenho de forma que os seus gestores os utilizem como referência para suas ações. TEMA 4 – CONTROLE MATRICIAL Após a elaboração do orçamento, é necessário acompanhamento e controle. Normalmente, a área de Controladoria é a responsável por essa tarefa – o monitoramento resulta em controle do que foi realizado, levantamento dos desvios, cobrança das áreas envolvidas, geração de relatórios, entre outras atividades. No controle matricial há uma distribuição de responsabilidades no controle dos gastos ou receitas, conforme veremos mais adiante. O controle matricial pode ser utilizado por empresas de qualquer porte. Para compreendê-lo melhor, vejamos alguns conceitos apresentados por Padoveze e Taranto (2009): Variável de análise: é uma conta contábil ou mesmo um grupo de contas contábeis homogêneas em relação aos lançamentos que as originam. Por exemplo, as diversas contas contábeis que recebem os lançamentos dos encargos sobre a folha de pagamentos podem ser agrupadas em uma variável de análise denominada “encargos de folha”. Pacotes: são agrupamentos de variáveis de análise relacionadas ao mesmo tema. Por exemplo: despesa de pessoal. Entidade: é o menor nível em que serão realizados os levantamentos de dados. Pode ser uma unidade organizacional da empresa ou um centro de custo. É importante ressaltar que um dono e um gestor são definidos paracada unidade. O controle matricial controla e analisa os gastos ou as receitas através de linhas e colunas (na forma de uma matriz), cruzando as informações das unidades organizacionais (chamadas de “entidades”) e seus gastos ou receitas (chamados de “pacotes”). Cada pacote terá um gestor responsável que controlará e acompanhará os gastos ou receitas de mesma natureza distribuídos nas várias entidades. Esse tipo de controle prevê uma dupla responsabilidade, conforme visto anteriormente, trazendo benefícios ao atingimento das metas orçamentárias. 13 Obviamente, na prática, alguns conflitos podem ocorrer. Quando isso acontecer, a Controladoria deve se posicionar fortemente sobre as seguintes possibilidades de conflitos: Um gestor de entidade querer gastar mais que o de pacote, no caso de controle de gastos. Um gestor de pacote achar que pode aumentar a receita e o de entidade não, no caso de controle de receitas. Outro aspecto inerente ao controle matricial e que deve ser observado na empresa é a possibilidade da acomodação. Existe uma máxima que diz: “Cachorro com dois donos morre de fome”. Toda atenção deve ser empenhada para que não haja acomodação de algum gestor que deixa para o outro a responsabilidade pelo controle. Vamos conferir como se dá o controle de gastos e receitas. 4.1 Controle Matricial de Gastos Observe a matriz a seguir. Nela, são delimitadas as responsabilidades de cada gestor. Ao gestor de pacote é atribuída a responsabilidade pelos gastos de mesma natureza e que ocorrem em toda empresa. Observe que os gastos com viagens, por exemplo, ocorrem em diversas áreas; assim, o gestor de pacote deve controlar o gasto total nessa conta. Já o gestor de entidades fará o controle do que for pertinente à sua área somente. 14 Figura 4 – Responsabilidades de cada gestor 4.2 Controle Matricial de Receitas Observe a matriz e perceba que no controle de receitas também existem duas responsabilidades. Ao gestor de pacote é atribuída a responsabilidade pelas receitas de mesma natureza e que ocorrem em todas as unidades de negócios que a empresa possui. Por exemplo: a venda do produto “A” ocorre em todas as unidades – o gestor de pacote que controla essa receita se preocupará com o resultado total enquanto os gestores das entidades somente se ocuparão do controle relativo às vendas de sua unidade de negócio. 15 Figura 5 – Controle matricial de receitas TEMA 5 – O CICLO ORÇAMENTÁRIO Podemos resumir o orçamento como sendo a tradução do planejamento estratégico. Assim, o orçamento fornece uma projeção de valores a perseguir para que a empresa atinja o que foi planejado em termos de resultados. Ele é obtido em uma fase posterior à do plano estratégico, como forma de operacionalizar, de colocar em prática o que se deseja para a empresa em um determinado período. Para Lunkes (2008), O período de duração do orçamento não necessariamente é de um ano. Um orçamento pode ser preparado para qualquer período de tempo. São vários os fatores que influenciam na duração do período orçamentário que incluem o tipo (processo), a natureza da organização, a necessidade de avaliação periódica e as condições do negócio. Assim, o período de orçamento deve ser o tempo necessário para prover uma meta atingível em condições normais. Idealmente, o período de tempo deve minimizar o impacto de flutuações sazonais ou cíclicas. Por outro lado, o período de orçamento não deve ser longo demais que inviabiliza estimativas realísticas. O ciclo orçamentário abrange os aspectos relativos à temporalidade, bem como etapas ou fases. 16 No que se refere ao aspecto temporal, as empresas brasileiras normalmente utilizam o prazo de um ano, principalmente pela particularidade da instabilidade econômica e por coincidir com o período fiscal. No entanto, isso não impede algumas empresas, com especificidades contratuais, de realizarem seus orçamentos para período mais longos. Imagine que uma determinada empresa tenha aderido às oportunidades advindas do Programa Nacional de Desestatização, no qual alguns serviços públicos foram transferidos para a iniciativa privada, tais como telecomunicações e transporte. Ao ganhar a concorrência, essa empresa precisará ter uma visão mais abrangente para o seu orçamento que poderá, inclusive, coincidir com o período da concessão. Obviamente, um orçamento geral não impossibilita a realização de orçamentos intermediários para cada ciclo ou ano fiscal, mas sempre é referenciado pelas premissas estabelecidas no orçamento geral, ou de longo prazo, conforme mostrado na figura a seguir. Figura 6 – Orçamento de longo prazo Quanto às fases ou etapas, os ciclos orçamentários podem se diferenciar de empresa para empresa, dependendo do porte, mercado em que atua ou natureza. Conforme Frezatti (2008), as etapas podem ser divididas em dois blocos: etapa operacional e etapa financeira. De maneira geral, podemos considerar três etapas para o ciclo orçamentário: 17 Figura 7 – Etapas do ciclo orçamentário TROCANDO IDEIAS Conforme estudamos, o orçamento de vendas normalmente dá origem aos demais orçamentos. As projeções das vendas são obtidas através da combinação e análise de vários fatores: Expectativas dos sócios, acionistas, administradores. Estudo da demanda: potencial, não atendida e atendida. Estudos econômicos: análise das políticas macroeconômicas (monetária, fiscal, cambial e de rendas) com objetivo de verificar as expectativas de inflação, taxa de câmbio, taxa de juros, alterações tributárias, nível de renda etc. Capacidade instalada. Pesquise sobre os significados dos três tipos de demanda comentados acima, relacionando as ações para que a empresa acesse à população de cada tipo para compor o seu orçamento de vendas. NA PRÁTICA Conforme estudado, o Orçamento Empresarial é um consolidado de vários orçamentos específicos. Assim, faça um relato sobre cada orçamento apresentado na tabela a seguir: 18 Orçamento de vendas Orçamento de produção Orçamento de caixa Orçamento de despesas operacionais FINALIZANDO No decorrer das aulas, vimos que: O orçamento é uma ferramenta de planejamento e de controle que possibilita aos gestores que conheçam suas metas específicas, visto que ele projeta os valores a alcançar nas diversas áreas da empresa, bem como os recursos para tal: vendas, produção, investimentos, despesas, custos, recursos financeiros e de pessoal, entre outros. A análise das condições ambientais e setoriais constitui um conjunto de informações para que as estratégias sejam bem elaboradas. Antes de criar as estratégias e planos, é necessário conhecer muito bem quais as fragilidades e potencialidades internas, quais fatores externos poderão 19 oferecer dificuldades à expansão, os que facilitarão as atividades, bem como estudar especificamente as características do setor em que atua. Existem vários tipos de orçamento, sendo alguns deles: Orçamento Estático – uma vez fechado, não admite mudanças; assim, as diversas áreas da empresa têm seus valores mais facilmente controlados e acompanhados. Orçamento Contínuo – normalmente os ciclos orçamentários duram um ano. No orçamento contínuo, quando um período termina, como, por exemplo, um mês, outro é acrescentado ao final do ciclo. Orçamento Base Zero (OBZ) – todos os valores a orçar devem ser justificados e elaborados como se a empresa estivesse começando do zero. Orçamento Flexível – flexibilização dos valores orçados à medida que ocorrem desvios de valores entre o que foi orçado e o que foi realizado. Caso as vendas aumentem, os custos e despesas inerentes ao aumento são ajustados no orçamento. Orçamento Beyond Budgeting – é permitidaa revisão constante baseada em objetivos elásticos, sempre tendo em foco um objetivo superior. Empresas com filiais ou divisões de negócios trabalham com indicadores de desempenho de forma que os seus gestores os utilizem como referência para suas ações. O controle matricial controla e analisa os gastos ou as receitas através de linhas e colunas (na forma de uma matriz), cruzando as informações das unidades organizacionais (chamadas de “entidades”) e seus e gastos ou receitas (chamados de “pacotes”). Cada pacote terá um gestor responsável que controlará e acompanhará os gastos ou receitas de mesma natureza distribuídos nas várias entidades. O ciclo orçamentário abrange os aspectos relativos à sua temporalidade, bem como os de etapas ou fases. 20 REFERÊNCIAS FREZATTI, F. Orçamento empresarial: planejamento e controle gerencial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008 HOJI, M. Administração Financeira e Orçamentária. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2009. LUNKES, J. R. Manual do Orçamento. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008. PADOVEZE, C. L. & TARANTO, F. C. Orçamento Empresarial: novos conceitos e técnicas. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. SARDINHA, J. C. et al. Orçamento e Controle. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008. ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA AULA 5 Prof. Silvio Persona Filho 2 CONVERSA INICIAL Dando continuidade ao tema orçamento, a presente aula fornecerá informações acerca dos orçamentos operacional, de atividades financeiras e de capital. Após a apresentação desses temas, trataremos das projeções do fluxo de caixa, da demonstração de resultado do exercício e do balanço patrimonial, que, talvez, se constitua na fase mais importante, já que é nela que devemos verificar e avaliar todo o processo orçamentário. Os orçamentos parciais (vendas, produção, despesas operacionais, investimentos) são realizados em suas áreas de domínio com o apoio da controladoria e de forma isolada, sem total integração com todas as peças orçamentárias. Após a consolidação dessas peças, a controladoria deve gerar os relatórios contábeis mencionados para verificar se tudo o que foi planejado realmente gerou os resultados esperados. CONTEXTUALIZANDO O processo orçamentário se inicia no estabelecimento das premissas que expressam os desejos dos sócios ou acionistas para o futuro da empresa. Assim, a elaboração do orçamento empresarial é um processo de “criação do futuro”, direcionando a empresa a atingir metas e objetivos que a levará a uma situação favorável dos pontos de vista econômico e financeiro. Todo processo orçamentário envolve muitas pessoas em sua elaboração e execução. As partes do orçamento são realizadas separadamente e unidas posteriormente por meio de um processo chamado consolidação. Depois, é chegada a hora de verificar se tudo o que foi planejado em termos de metas está sendo contemplado no orçamento geral. Para tal, a ferramenta utilizada é a projeção dos relatórios contábeis, que aprova ou não o orçamento. TEMA 1 – ORÇAMENTO OPERACIONAL A etapa do orçamento operacional é aquela que envolve todos os planos de operações da empresa, ou seja, aqueles que estruturam as suas atividades. Segundo Frezatti (2008), a etapa operacional [...] é iniciada com o plano de marketing, a partir do que a entidade direciona os esforços para o seu mundo externo, pelo plano de produção, suprimentos e estocagem (no caso de uma entidade que 3 tenha a geração de um produto tangível), plano de investimento no ativo permanente e plano de recursos humanos. 1.1 Plano de marketing A partir do estudo de demanda, a empresa tem condições de aliar as suas intenções de resultados às possibilidades do mercado, indicando, dessa forma, qual deve ser a sua atividade comercial. Cabe salientar que o estudo da demanda pode abranger as seguintes segmentações: Demanda potencial: se refere à quantidade de pessoas que não consome o produto ou serviço da empresa, mas que poderá vir a consumir. Nesse caso, será necessária uma ação de convencimento. Demanda reprimida ou não atendida: se refere às pessoas que querem comprar os produtos, mas não o encontram por indisponibilidade ou dificuldade de acesso. Demanda atendida: se refere às pessoas que já consomem o produto e que poderão consumir ainda mais, ou que consomem o produto de seu concorrente e que poderão passar a consumir o seu. De posse das informações necessárias quanto à demanda e ao objetivo a ser atingido e definido no plano estratégico, a atividade comercial é planejada para atingir volume de vendas, áreas geográficas, preços, metas por períodos, ações de marketing, entre outras. 1.2 Plano de produção, suprimentos e estocagem A partir do plano de marketing, se faz o plano de produção, em que são planejadas todas as atividades para produzir o volume desejado. Além disso, a empresa deve planejar a administração dos estoques (produtos acabados, matéria-prima necessária e demais suprimentos, estoque mínimo, lote econômico, mão de obra e demais controles). 1.3 Plano de investimentos no ativo permanente Esse plano aponta as necessidades de investimento na capacidade produtiva, gerando movimentações no ativo imobilizado da empresa. Esse assunto será mais bem explorado no Tema 3 dessa aula. 4 1.4 Plano de recursos humanos Aponta as necessidades de pessoal e consequente remuneração. Nesse plano são definidas as quantidades de pessoas por atividade (contratações ou desligamentos, terceirização), assim como as necessidades de treinamento/capacitação. TEMA 2 – ORÇAMENTO DE ATIVIDADES FINANCEIRAS Essa etapa do orçamento estabelece os recursos financeiros necessários para a realização do orçamento geral. Assim, a etapa operacional é convertida em linguagem financeira, consolidando todos os planos estabelecidos para o período orçado. Nesse momento, a responsabilidade pela execução cabe, normalmente, às áreas de controladoria e finanças, com análise e aprovação da alta administração da empresa. Para entender melhor essa etapa, devemos lembrar que o orçamento é realizado a partir das premissas estabelecidas pela alta administração, ou seja, a partir do desejo que ela tem para o futuro da empresa. Assim, metas são estabelecidas e, para alcançá-las, inúmeras atividades são planejadas. Para a realização dessas atividades é preciso dinheiro, e é exatamente nessa etapa que se deve levantar todos os gastos necessários para a realização de todas as atividades planejadas. É importante que o aluno entenda que gasto é todo sacrifício financeiro com o qual uma empresa arca para adquirir um bem ou serviço, seja para gerar outros bens e serviços, seja para consumo. A sua classificação genérica é representada pela figura a seguir: Figura 1 ‒ Classificação genérica de gasto Assim, gasto é um termo genérico que engloba: 5 Investimento: se o gasto for destinado a um ativo que será utilizado para a produção de outros bens ou serviços; Custo: se o gasto for relativo à utilização de bens e serviços na produção de outros bens e serviços; Despesa: se o gasto for destinado a fazer frente às atividades de suporte da empresa. 2.1 Orçamento de investimentos Segundo Padoveze (2012), o orçamento de investimentos “tem como objetivo básico estabelecer o orçamento dos gastos previstos com investimentos que serão ativados como ativos imobilizados ou intangíveis, também denominados ativos fixos, bem como dos financiamentos para obter os fundos necessários para a sua aquisição”. O orçamento de investimento também tem relação com o longo prazo, ou seja, ele não impactará somente no período que se está orçando (geralmente de um ano), pois as aquisições afetarão resultados futuros que extrapolem o período do orçamento. Para a efetivação desseorçamento é preciso primeiramente realizar as análises de todos os projetos previstos. Assim, se faz necessária a utilização das ferramentas de análise de investimentos que vimos na Aula 2, em que cada investimento somente será realizado se a análise apontar viabilidade para tal. Ainda faz parte desse orçamento o gasto necessário para a manutenção da estrutura existente na empresa, bem como o desinvestimento que a empresa realizará (venda de ativos imobilizados e intangíveis). 2.2 Orçamento de financiamentos Nesse momento são levantadas todas as possibilidades de obtenção de recursos financeiros para fazer frente aos gastos previstos no orçamento. Após a definição das fontes de financiamento, são projetados os gastos para a sua manutenção e pagamentos necessários. 2.3 Orçamento de custos e despesas Todos os custos e despesas necessários para as áreas pertencentes à atividade fim e à atividade meio da empresa são levantados nesse momento. Os 6 valores são previstos para os chamados “centros de custos”, de forma a obter melhores gerenciamento e controle. O somatório dos valores compõe o total do orçamento de custos e despesas. Veja o exemplo da tabela a seguir: Tabela 1 ‒ Orçamento de despesas para o ano “X” TEMA 3 – ORÇAMENTO DE CAPITAL O orçamento de capital corresponde aos investimentos no ativo imobilizado, necessários para atender ao planejamento estratégico da empresa, e, portanto, possibilitar o atingimento das metas contidas no orçamento geral. Por meio de um processo de seleção de projetos de investimento, e utilizando-se as ferramentas de análise de investimentos, são relacionados os projetos viáveis e quantificados os recursos financeiros necessários. Os projetos de investimentos normalmente envolvem elevada monta e geram resultados em vários períodos orçamentários; portanto, esse orçamento é considerado uma das etapas mais importantes e preocupantes para a empresa. Ele deve ter total aderência ao planejamento estratégico da empresa, pois gerará impactos relevantes no longo prazo. Segundo Sanvicente e Santos (2008), “a vinculação do orçamento de capital com os planos de longo prazo é fundamental para qualquer empresa, pois a natureza dos investimentos em ativos imobilizados não permite flexibilidade suficiente para afetar mudanças radicais posteriores sem grandes prejuízos”. Para a elaboração do orçamento de capital são necessárias algumas etapas. De acordo com Sanvicente e Santos (2008, citados por Horne, 1974, p. 36) as etapas são: “a geração de propostas de investimento; a estimação dos fluxos de caixa das diversas propostas; a avaliação dos fluxos de caixa; a escolha de projetos com base em um critério de aceitação; a avaliação permanente dos projetos de investimento já aceitos e em execução”. Veja as etapas em maiores detalhes, para um melhor entendimento: 7 Geração de propostas de investimento: as diversas áreas da empresa apresentam as suas necessidades para avaliação da administração superior. Estimação dos fluxos de caixa das diversas propostas: nesse momento, os fluxos de caixa que devem ser gerados pelos projetos são estimados, ou seja, os projetos geram receitas e gastos em sua operação, permitindo o levantamento dos fluxos líquidos de caixa. Essa etapa é extremamente importante, pois esses dados são utilizados na verificação da viabilidade dos projetos. Avaliação dos fluxos de caixa: nessa etapa, as ferramentas de análise de investimentos (TIR, VPL, VAUE, Payback, entre outras) são utilizadas para determinar a viabilidade de cada projeto. Cabe salientar que um determinado projeto pode ter várias alternativas de investimento e, assim sendo, a escolha recai sobre aquele que apresenta o melhor retorno para o investimento. Escolha de projetos com base em um critério de aceitação: os critérios de aceitação são aqueles definidos em cada ferramenta ou método de análise. Os projetos aceitos são aqueles que possuem as suas taxas internas de retorno maiores do que as taxas mínimas de atratividade exigida para os projetos; projetos com valor presente líquido maiores do que R$ 0,00; valor anual equivalente uniforme maior do que R$ 0,00, ou seja, positivo; o prazo de retorno dentro do esperado pelos administradores e menor que o tempo da análise. Enfim, os critérios dependem dos métodos utilizados na análise de investimentos. Avaliação permanente dos projetos de investimento já aceitos e em execução: o acompanhamento é de suma importância, pois, se os valores projetados não forem atingidos, todo o resultado da análise fica comprometido. Após as definições dos projetos que serão aceitos, é feito o orçamento de capital. Na tabela a seguir, temos um exemplo de orçamento: 8 Tabela 2 ‒ Orçamento de capital para o ano “X” TEMA 4 – PROJEÇÃO DAS DEMONSTARÇÕES CONTÁBEIS: PARTE I Como vimos anteriormente, a elaboração do orçamento empresarial é um consolidado de outros orçamentos parciais: primeiramente é elaborado o orçamento de vendas, e, a partir dele, são elaborados os de produção, despesas operacionais e investimentos. Após a consolidação do orçamento, são geradas algumas demonstrações contábeis que devem apresentar os resultados econômicos e financeiros projetados para o futuro. Dessa forma, todo o processo se constitui, basicamente, em três etapas que, finalizadas, levam à execução e ao controle orçamentário. Figura 2 ‒ Etapas do processo orçamentário Perceba que três relatórios são gerados, sendo que dois deles têm maior peso na aprovação ‒ ou reprovação ‒ de todo o orçamento. São eles: a demonstração de resultado do exercício (DRE) e o fluxo de caixa. Dependendo dos resultados que são apresentados nesses relatórios, o orçamento pode ser aprovado sem alterações ou mesmo reprovado, e, nesse caso, deve ser revisto e ajustado. 9 Demonstração de resultado: ao realizar a projeção da DRE, o que se espera obter é exatamente o resultado almejado e contido no planejamento da empresa. Por exemplo, se a empresa deseja obter R$ 10 milhões de lucro no próximo exercício e a DRE projetada aponta um valor inferior a esse, certamente o orçamento deve ser revisto e ajustado; Fluxo de caixa: apresenta as projeções de entradas e saídas de caixa, permitindo à empresa verificar se a geração de caixa aliada a sua capacidade de obtenção de fundos é capaz de financiar todas as operações previstas no período. Caso não seja, o orçamento deve ser revisto e ajustado. Neste Tema 4, focaremos o entendimento do fluxo de caixa projetado, apresentando exemplos de relatórios utilizados pelas áreas de finanças, assim como aquele utilizado pela contabilidade. Podemos resumir o fluxo de caixa como sendo um demonstrativo de todas as entradas e saídas financeiras de uma empresa em um determinado período. É um relatório extremamente simples no que se refere à forma, mas que merece extrema atenção em sua elaboração, dada a sua sensibilidade. Conforme Sardinha et al. (2008), o [...] orçamento de caixa elaborado para períodos longos, como um ano, possui considerável grau de imprecisão, pois se baseia em valores orçados nas demais peças orçamentárias. Portanto a qualidade de suas previsões depende, sobremaneira, do grau de confiabilidade dos valores estimados nos diversos orçamentos. O fluxo de caixa projetado, baseando-se nas operações previstas para o período orçamentário, tem como objetivo precípuo determinar os saldos de caixa em cada período que comporá o intervalo de tempo considerado. A seguir, temos um exemplo de fluxo de caixa que é utilizado pela área de tesouraria. 10 Tabela 3 ‒ Fluxo de caixa projetado: primeiro trimestre do ano “X” Existem alguns modelos diferentes de fluxo de caixa, e cada empresa utiliza o mais adequado para as suas operações, podendo ainda criar o seu modelo próprio. Na prática, seutiliza muito um modelo de fluxo de caixa projetado que apresente o dinamismo exigido pela área de tesouraria (finanças), que contemple as entradas e saídas nos momentos exatos em que ocorrerão e que permita simular as movimentações de entradas e saídas necessárias para a equalização (busca pelo equilíbrio) do caixa por meio de empréstimos, financiamentos ou outras formas de captação de recursos, bem como contemple as movimentações de aplicação e resgate. Esse dinamismo permite ao gestor financeiro simular e projetar a melhor configuração para a administração do capital de giro da empresa. Caso o fluxo de caixa apresente uma posição em que a equalização não seja possível, o orçamento deve ser revisto e ajustado. 11 Sobre o fluxo de caixa da Tabela 3: O fluxo de caixa normalmente é elaborado para todo o período orçamentário, mas, para facilitar o seu entendimento, a Tabela 3 apresenta um período de apenas três meses. Os valores dos juros, tanto na aplicação financeira como no empréstimo efetuado, são apenas simbólicos; não é o objetivo desta aula entrar no mérito do cálculo, e, sim, mostrar como se procede à prática pela busca do equilíbrio do caixa. A equação do fluxo de caixa é: saldo final de caixa = saldo inicial + entradas - saídas O saldo inicial para o período considera todas as disponibilidades de caixa e aplicações financeiras. No exemplo, é considerado o saldo mínimo de caixa de R$ 10.000,00. Entendemos como saldo mínimo de caixa o valor que a empresa mantém parado em seu caixa para atender imprevisibilidades. No mês de janeiro há uma sobra de caixa no valor de R$ 96.000,00, sendo que o gestor financeiro efetua uma aplicação financeira. Em fevereiro, a empresa tem um recebimento menor que em janeiro e, consequentemente, apresenta uma posição deficitária no caixa, tendo que resgatar todo o valor aplicado no mês anterior (R$ 96.480,00 com os juros auferidos). Mesmo com o valor resgatado, precisa emprestar R$ 57.520,00 (pois, além de cobrir o déficit ela tem que manter um saldo de R$ 10.000,00 de caixa mínimo). Em março ela recupera as vendas e totaliza um superávit de R$ 36.000,00. Considerando que o empréstimo realizado no mês anterior tenha sido obtido por meio de sua conta garantida (crédito rotativo), ela tem condições de pagar os juros do período (R$ 863,00) e ainda amortizar R$ 35.137,00, ficando ainda com um saldo de R$ 22.383,00 para quitação. A última coluna apresenta uma síntese de toda a movimentação de caixa realizada no período. Observe que a empresa inicia o trimestre com R$ 230.000,00 (saldo inicial em janeiro) e termina com R$ 10.000,00 (saldo final em março). Podemos também observar que nesse período ela 12 recebe R$ 1.230.000,00 e efetua R$ 1.472.000,00 em pagamentos diversos. Outro modelo de fluxo de caixa ‒ este pertencente à categoria dos relatórios contábeis ‒ é o da demonstração do fluxo de caixa (DFC), que é elaborada tão logo o orçamento obtenha a sua aprovação final. Ela se diferencia do fluxo de caixa da tesouraria por sua estrutura, que é determinada pelas normas contábeis para permitir a comparação entre os desempenhos de diferentes empresas. TEMA 5 – PROJEÇÃO DAS DEMONSTAÇÕES CONTÁBEIS: PARTE II Neste tema, trataremos da elaboração da demonstração de resultado do exercício e do balanço patrimonial, ambos projetados e oriundos do orçamento empresarial. 5.1 Demonstração de resultado do exercício (DRE) A elaboração desse relatório tem por objetivo apresentar o resultado econômico projetado para o período do orçamento. Como vimos anteriormente, os orçamentos parciais são elaborados separadamente e depois consolidados em um único orçamento. No entanto, ainda não se sabe se a conjunção desses valores realmente gera os resultados que foram definidos inicialmente no planejamento. De acordo com Sanvicente e Santos (2008), se [...] a projeção de valores revelar, de acordo com o planejamento efetuado, que leva em conta as operações viáveis, dadas as condições presumidas, que a situação da empresa se deteriorará (por exemplo, em sua capacidade de pagamento de dívidas, em sua rentabilidade, ou em seus investimentos), a administração poderá solicitar aos responsáveis correspondentes que refaçam seus planos, de forma a permitir que os resultados esperados sejam atingidos, dentro das condições de operação esperadas. Para a elaboração da DRE projetada, a controladoria utiliza os dados do orçamento consolidado, seguindo basicamente as seguintes etapas de preenchimento da planilha da demonstração: a. Preenchimento das receitas de vendas previstas para cada período. 13 b. Cálculo dos tributos sobre as vendas e, se conveniente, realização de uma estimativa para devoluções, abatimentos e descontos com base no histórico. c. Cálculo da receita líquida com base nos dados preenchidos na planilha; d. Cálculo do custo total dos produtos vendidos em cada período (ou mercadorias vendidas ou serviços prestados). e. Cálculo do resultado líquido. f. Levantamento de todas as despesas e receitas operacionais previstas no orçamento e preenchimento de planilha. g. Cálculo do resultado antes do resultado financeiro. h. Levantamento de receitas e despesas financeiras com base na análise do fluxo de caixa projetado e preenchimento de planilha. i. Cálculo do resultado antes do IR/CS. j. Cálculo do imposto de renda e da contribuição social, conforme resultado apresentado na DRE. k. Cálculo do resultado líquido do período. Dessa forma, a controladoria obtém uma projeção do resultado que o orçamento previsto deve gerar. A seguir, apresentamos um exemplo de projeção da DRE para um período de três meses: Tabela 4 ‒ DRE projetada para o primeiro trimestre do ano “X” 14 5.2 Balanço patrimonial O balanço patrimonial projetado demonstra a que posição patrimonial e financeira a empresa chegará quando forem agregadas todas as movimentações previstas no orçamento. Diferentemente da DRE, o balanço patrimonial contém muitos valores já concretizados na existência da empresa, ou seja, oriundos de operações passadas. O balanço apresenta os saldos das operações no final do período orçamentário, considerando todas as movimentações que o orçamento prevê acrescidas às estruturas patrimonial e financeira já existentes. Assim, os ativos imobilizados existentes continuam se depreciando normalmente, e aqueles que forem ativados no período em questão, frutos de imobilizações previstas, também passam a se depreciar. Tanto os saldos dos direitos (disponíveis, estoques, clientes a receber, impostos a compensar etc.) quanto aqueles das obrigações (fornecedores, empréstimos e financiamentos etc.) já assumidas no passado devem compor o balanço projetado, e a eles serão acrescidos os saldos relativos às operações do período orçado. De acordo com Sardinha et al. (2008), as empresas projetam o balanço patrimonial porque ele “auxilia a verificar a consistência na elaboração do orçamento; possibilita uma análise econômico-financeira da empresa; fornece dados para análise da administração do capital de giro da empresa”. TROCANDO IDEIAS Conforme mencionamos no Tema 3 desta aula, o orçamento de capital corresponde aos investimentos no ativo imobilizado ‒ necessários para atender ao planejamento estratégico da empresa e, portanto, possibilitar o atingimento das metas contidas no orçamento geral. Assim, pesquise e justifique como esse orçamento pode gerar impactos positivos ou negativos em exercícios futuros da empresa (longo prazo). NA PRÁTICA Considerando as informações contidas no orçamento empresarial de uma determinada empresa para o exercício seguinte, elabore a demonstração de resultado do exercício projetada e informe se o objetivo de obtenção de um lucro no valor de R$ 250.000,00 foi atingido. 15 Utilize as seguintes informaçõespara o ano orçado: Receita bruta = R$ 1.500.000,00 Deduções da receita bruta = 40% da receita bruta Custo dos produtos vendidos = 25% da receita bruta Despesas administrativas = R$ 100.000,00 Despesas comerciais = R$ 60.000,00 Outras receitas operacionais = R$ 30.000,00 Outras despesas operacionais = R$ 15.000,00 Receita financeira = R$ 32.000,00 Despesa financeira = R$ 23.000,00 IRPJ = conforme legislação para lucro real CSLL = alíquota de 9% Resultado de operações descontinuadas = R$ 0,00 Tabela 5 ‒ Planilha para a projeção RECEITA BRUTA (-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA (=) RECEITA LÍQUIDA (-) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS (=) RESULTADO BRUTO (+/-) RECEITAS/DESPESAS OPERACIONAIS (-) Despesas administrativas (-) Despesas comerciais (+) Outras receitas operacionais (-) Outras despesas operacionais (=) RESULTADO ANTES DO RESULTADO FINANCEIRO (+) Receita financeira (-) Despesa financeira (=) RESULTADO ANTES DO IR E CS (-) IRPJ (-) CSLL (=) RESULTADO LÍQUIDO DAS OPERAÇÕES CONTINUADAS (+/-) RESULTADO DE OPERAÇÕES DESCONTINUADAS (=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 16 FINALIZANDO No decorrer desta aula, vimos que: O orçamento operacional é a etapa que envolve todos os planos de operações da empresa, ou seja, os planos de marketing, produção, suprimentos e estocagem, além de investimentos no ativo imobilizado e de recursos humanos. O orçamento das atividades financeiras levanta os recursos financeiros necessários para a realização do orçamento de forma global, em que a etapa operacional é convertida na linguagem financeira. O orçamento de capital corresponde aos investimentos no ativo imobilizado, necessários para atender ao planejamento estratégico da empresa, possibilitando, portanto, o atingimento das metas contidas no orçamento geral. Nesse orçamento entram todos os projetos que foram selecionados e aprovados pelo processo de análise de investimentos. A última etapa do processo orçamentário envolve a projeção de relatórios que devem demonstrar se os objetivos contidos no planejamento estão gerando os resultados esperados para a empresa. O fluxo de caixa projetado tem como objetivo principal determinar se os saldos de caixa de cada período orçado são suficientes para financiar todas as operações previstas no orçamento. A demonstração de resultado do exercício projetada tem por objetivo apresentar o resultado econômico projetado para o período do orçamento. Se o resultado não é condizente com o que foi planejado, o orçamento deve ser revisto. O balanço patrimonial projetado deve demonstrar a que posição patrimonial e financeira a empresa chegará quando forem agregadas todas as movimentações previstas no orçamento. O balanço deve apresentar os saldos das operações no final do período orçamentário, considerando todas as movimentações que o orçamento prevê acrescidas às estruturas patrimonial e financeira já existentes. 17 REFERÊNCIAS FREZATTI, F. Orçamento empresarial: planejamento e controle gerencial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008. HOJI, M. Administração financeira e orçamentária. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2009. HORNE, J. C. Política e administração financeira. São Paulo: USP, 1974. LUNKES, J. R. Manual do orçamento. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008. PADOVEZE, C. L. Controladoria estratégica e operacional. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2012. _____. Manual de Contabilidade Básica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2012. PADOVEZE, C. L.; TARANTO, F. C. Orçamento empresarial: novos conceitos e técnicas. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. SANVICENTE, A. Z.; SANTOS, C. C. Orçamento na administração de empresas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008. SARDINHA, J. C. et al. Orçamento e controle. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008. ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA AULA 6 Prof. Francisco Luiz Elache 2 CONVERSA INICIAL Olá, pessoal. Nesta aula 6 abordaremos temas que dizem respeito ao monitoramento e controle orçamentário e também aos fluxos de caixa. Como poderão perceber, este conteúdo é sequência do que foi visto na Aula 5, onde falou-se sobre orçamentos. É possível que em alguns momentos as aulas 5 e 6 possam mostrar conteúdos parecidos. No entanto, é normal que isso ocorra em razão da inter-relação entre os dois conteúdos. Esperamos que o conteúdo desta Aula 6 desperte o seu interesse para os assuntos que serão vistos. CONTEXTUALIZANDO Como estarei financeiramente daqui a um ou dois anos? Esta deve ser uma pergunta comum que todos fazem e gostariam de ter a resposta. Evidentemente, isso dependerá de cenários que podem se concretizar ou não. De qualquer maneira, é possível traçar cenários mais ou menos otimistas e com base nisso fazer um planejamento, ao menos em médio prazo. E isso vale tanto para as famílias como para as empresas. As famílias preocupam-se em saber se a quantia que irão receber será suficiente para mantê-las financeiramente. Pois bem, esta também é a preocupação das empresas. Nas famílias, este controle é feito de forma improvisada e informal. As empresas, por se submeterem a normas contábeis e fiscais, precisam fazer uso de ferramentas e relatórios adequados. Nesse sentido, o Demonstrativo dos Fluxos de Caixa (DFC) é um dos relatórios elaborados a partir do orçamento geral da empresa e é fundamental para avaliar a capacidade financeira de a empresa fazer novos investimentos e remunerar os acionistas. Em uma indústria, por exemplo, o planejamento financeiro, ou plano financeiro, passa pela elaboração do orçamento dos recursos utilizados para a operacionalização do negócio da empresa, como: materiais, mão de obra, custos indiretos de fabricação, despesas de vendas e administrativas, aquisição de bens de capital (máquinas, equipamentos, construções, etc.). Como podemos perceber, isso demanda muito trabalho e deve envolver a participação dos colaboradores de todas as áreas da empresa. O desejável é que a empresa faça orçamentos de exercícios futuros e projete os demonstrativos financeiros. Os demonstrativos financeiros são o Balanço Patrimonial (BP), Demonstração do Resultado (DR), Demonstração de Lucros e 3 Prejuízos Acumulados (DLPA), Demonstrativo dos Fluxos de Caixa (DFC), Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e Notas Explicativas. TEMA 1 – MONITORAMENTO DO CONTROLE ORÇAMENTÁRIO Sabemos que planejamento e controle são funções da administração. Pois bem, na administração financeira estes termos estão perfeitamente integrados e são interdependentes. O planejamento orçamentário, ou plano orçamentário, exige necessariamente ações contínuas de controle orçamentário. Os controles orçamentários dizem respeito à confrontação do previsto (orçado) no planejamento orçamentário com o realizado (real). 1.1 Conceito de orçamento Jiambalvo (2001, p. 197) diz que “no mundo dos negócios, orçamentos são documentos formais que quantificam os planos de uma empresa para atingir suas metas. Todo processo de planejamento e controle da maioria das empresas é feito em torno de orçamentos”. 1.2 O uso de orçamentos para planejamento e controle 1.2.1 Uso de orçamentos para planejamento Jiambalvo (2001, p. 198, grifo nosso) afirma que “os orçamentos são úteis no processo de planejamento porque fomentam a comunicação e a coordenação. O desenvolvimento de um plano formal – ou seja, um orçamento – obriga os gerentes a considerar cuidadosamente suas metas e objetivos e a determinar maneiras de atingi-los”. Assim, a decisão tomada pelo departamento de marketing para aumentar as vendas em 10% para o próximo período implicará em ações nas áreas de produção, compra e logística. E, ainda, se esta decisão exigir aporte financeiro, então o departamento financeiro estarátambém envolvido. Percebe-se logo a importância do esforço conjunto de toda a empresa na elaboração do planejamento orçamentário. 4 1.2.2 Uso de orçamentos para controle Segundo Jiambalvo (2001, p. 199, grifo nosso), “os orçamentos são úteis no processo de controle porque fornecem uma base para a avaliação de desempenho. Para controlar uma empresa - assegurar que ela está na direção correta e opera de maneira eficiente - é essencial conhecer o desempenho dos gerentes e das operações pelas quais eles são responsáveis”. 1.3 Objetivos do controle orçamentário Padoveze e Taranto (2009, p. 196) dizem que “são vários os objetivos do controle orçamentário. Os principais deles são bastante claros e podem ser resumidos em três itens: (1) identificar e analisar as variações ocorridas; (2) corrigir erros detectados; (3) ajustar o plano orçamentário, se for o caso, para garantir bons resultados e eficácia empresarial”. Cabe aos gestores da empresa definir as estratégias com foco na geração de lucro e no aumento da riqueza dos sócios, ou proprietários, por meio da valorização das ações da empresa no mercado. Nesse sentido, tanto a área de finanças (tesoureiro) como a controladoria (controller) desempenham papel fundamental na elaboração do plano orçamentário e controle orçamentário. Para que um plano orçamentário seja eficaz, recomenda-se que a sua elaboração e controle tenham o comprometimento de todos os setores da empresa. 1.4 Variações significativas em relação ao desempenho planejado Jiambalvo (2001, p. 199) avalia as variações relevantes entre o que foi previsto – planejado – no orçamento e o resultado real (obtido) da seguinte maneira: Variações significativas em relação ao desempenho planejado podem estar associadas a três possíveis causas: 1. É possível que o plano ou orçamento tenha sido concebido de maneira inadequada. Se um orçamento não for cuidadosamente preparado, não será surpresa alguma que os resultados reais sejam diferentes dos resultados planejados. 2. É possível que, apesar de o orçamento ter sido preparado cuidadosamente, as condições [cenários] tenham mudado. Por exemplo, se a economia sofrer um desaquecimento inesperado, as vendas reais podem ser menores que as vendas orçadas. 3. É possível que os gerentes realizem um trabalho particularmente bom ou ruim na administração de suas operações. Se esse for o caso, os gerentes devem ser recompensados pelo bom desempenho (p. ex., receber 5 bônus ou promoção) ou punidos pelo mau resultado (p. ex., ter sua responsabilidade reduzida ou até ser demitido). 1.5 Relatórios de controle orçamentário Padoveze e Taranto (2009, p. 197) afirmam que “para que seja possível comparar acontecimentos planejados com os reais, todas as peças orçamentárias devem constar dos relatórios de acompanhamento ou relatórios de controle orçamentário”. Eles complementam que O relatório clássico de controle orçamentário – que traz o tipo de despesa e receita para todos os centros de custos ou divisões – compreende os seguintes itens [...]: Valores orçados para o mês em questão; Valores reais contabilizados no mês em questão; Variação entre o real e o orçado no mês em questão; Valores orçados acumulados até o mês em questão; Valores reais acumulados contabilizados até o mês em questão; Variação acumulada entre o real e o orçado até o mês em questão. (Padoveze e Taranto, 2009, p. 197) 1.6 O orçamento geral Jiambalvo (2001, p. 200, grifo nosso) define o orçamento geral do seguinte modo: O orçamento geral é um documento abrangente de planejamento que reúne uma série de orçamentos individuais. Normalmente, ele engloba os orçamentos de vendas, produção, materiais diretos, mão de obra direta; custos indiretos de fabricação; despesas de vendas e administrativas; aquisições de bens de capital e o orçamento de caixa, assim como uma demonstração de resultado orçada e um balanço patrimonial orçado. Uma vez elaborado o orçamento geral – plano orçamentário – com base nos diversos orçamentos individuais, deve-se orçar, também, os principais demonstrativos contábeis, quais sejam: demonstração de resultado; orçamento de caixa; balanço patrimonial. Com relação ao planejamento orçamentário e às demonstrações financeiras, Padoveze e Taranto (2009, p. 189, grifo nosso) dizem que: A projeção das demonstrações financeiras básicas encerra o processo de elaboração do planejamento orçamentário. Após sua aprovação final pelo comitê orçamentário, os dados constantes de todas as peças do planejamento orçamentário serão o guia para acompanhar 6 os resultados reais que começarão a ser efetivados no ano seguinte. O confronto dos dados orçados com os dados reais que acontecerão nos meses do período orçamentado [período para o qual o orçamento foi projetado] é denominado de controle orçamentário e é componente fundamental do planejamento orçamentário. O controle orçamentário compreende o processo de análise e justificativa das variações entre o real e o orçado, bem como é o procedimento que permite as correções e ajustes do plano orçamentário, objetivando a otimização dos resultados da entidade. 1.7 Os orçamentos como um padrão de avaliação Jiambalvo (2001, p. 209, grifo nosso) diz que “os orçamentos facilitam o controle ao fornecer um padrão de avaliação. O padrão é o valor do orçamento, contra o qual o resultado real é comparado. As diferenças entre os valores orçados e os valores reais são denominadas variações orçamentárias, e os relatórios que apresentam essas variações são denominados relatórios de desempenho”. TEMA 2 – FLUXOS DE CAIXA E PLANEJAMENTO FINANCEIRO Os fluxos de caixa demandam atenção especial por parte do financeiro da empresa (tesoureiro), que sabe da importância dada pelos usuários destes demonstrativos (proprietários ou acionistas). No entanto, a projeção dos fluxos de caixa depende da contabilidade (controladoria), que gera as informações contábeis necessárias para a sua elaboração. Assim, o sistema de informação da empresa deve integrar os dados de modo a gerar relatórios para os diferentes usuários (internos e externos), como o balanço patrimonial (BP), a demonstração do resultado (DR) e o demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC). 2.1 Análise de desempenho do fluxo de caixa Frezatti (2014, p.121) diz que “planejar é relativamente fácil. O difícil é conseguir informações e comparar o previsto com o realizado e explicar as diferenças e as causas das mesmas [...]” Frezatti (2014, p.121, grifo nosso) continua sua abordagem sobre a análise de desempenho do fluxo de caixa dizendo que, de modo didático, esta análise pode ser assim estruturada: Análise de consistência: tem a preocupação básica de conteúdo, assegurando que as informações estão todas lá no modelo, e são adequadas. [...] Normalmente, duas formas de zelar para que a qualidade das informações seja adequada são as seguintes: 7 Dispor de um plano de contas detalhado nos mapas auxiliares [...]. Análise comparativa de um período para o outro, ou então, entre real versus planejado. Análise comparativa: como saber se um fluxo de caixa está melhor ou pior? Melhorando ou piorando? Qual a velocidade da mudança? Para isso, comparações sumarizadas são importantes para as empresas. Dentre elas, devem ser destacadas: Comparações com o mês anterior; Comparações com o ano anterior; Comparações com o planejamento, etc. Análise de otimização: uma vez satisfeitas as análises anteriores, é importante buscar a otimização dos resultados. Significa dizer que se pretende alcançar os melhores resultados em termos de geração de caixa [...]. 2.2 Análise das variações orçamentárias Frezatti (2014, p.118) propõe a projeção do fluxo de caixa para efeito de análise das variações orçamentárias (Quadro 1). Optamos por reproduzir apenas parte do demonstrativo dos fluxosde caixa apresentado pelo autor em sua obra. Ao estudarmos os temas 3, 4 e 5 desta Aula 6, veremos o demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC) com a sua estrutura completa. Quadro 1 – Análise das variações do fluxo de caixa Em R$ milhões Mês anterior Previsto mês orçado Real mês orçado Valor real x Previsto Valor real x Mês anterior 1. FLUXO OPERACIONAL: RECEBIMENTOS 150 170 160 - 6,5% 6,7% PAGAMENTOS (250) (270) (280) 3,7% 12,0% TOTAL FLUXO OPERACIONAL (100) (100) (120) 20,0% 20,0% Fonte: Adaptado de Frezatti, 2014, p. 118. O Quadro 02 nos mostra dados sobre variações orçamentárias e também é uma demonstração simplificada de um demonstrativo dos fluxos de caixa. 8 Quadro 2 – Análise das variações orçamentárias de um fluxo de caixa Demonstrativo dos Fluxos de Caixa (DFC) (simplificado) Previsto (Orçado) Real (Realizado) Variação Real x Previsto Recebimentos (R$): De vendas. De bancos por empréstimos. Total dos recebimentos 500.000,00 13.000,00 513.000,00 437.000,00 20.000,00 457.000,00 -12,6% 53,8% -10,9% Pagamentos (R$): De compras de mercadorias. De salários e comissões. De encargos sobre salários e comissões. De aluguel. De serviços terceirizado de limpeza. De juros s/empréstimos e financiamentos. De outras despesas com vendas e adm. De tributos s/vendas (ICMS, PIS, COFINS) De IRPJ e CSLL (30% sobre o lucro) De dividendos para os sócios. Total dos pagamentos 140.000,00 35.000,00 28.000,00 6.000,00 3.000,00 3.000,00 25.000,00 70.000,00 60.000,00 70.000,00 440.000,00 120.000,00 30.000,00 24.000,00 6.000,00 3.000,00 3.000,00 28.000,00 60.000,00 52.000,00 70.000,00 396.000,00 -14,3% -14,3% -14,3% 0,0% 0,0% 0,0% 12,0% -14,3% -13,3% 0,0% -10,0% Saldo de caixa líquido no período. 73.000,00 61.000,00 -16,4% Fonte: Adaptado de Frezatti, 2014, p. 124. TEMA 3 – FLUXO DE CAIXA DE ATIVIDADES OPERACIONAIS 3.1 Conceito de caixa e equivalentes de caixa Segundo Padoveze (2012, p. 385, grifo nosso), “para fins da demonstração dos fluxos de caixa, define-se caixa como caixa e equivalentes de caixa, que é composto dos seguintes itens: o caixa propriamente dito; os saldos bancários existentes nas contas movimento; as aplicações financeiras com possibilidade de regate imediato constantes do ativo circulante”. Lembramos que para ser enquadrado como equivalente de caixa um investimento não pode ter prazo de vencimento superior a noventa dias contados a partir da data de aquisição. 3.2 Conceito de fluxo de caixa de atividades operacionais Transcrevemos o Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2) sumariado pelo Banco Central do Brasil, sobre as atividades operacionais do demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC), conforme segue: 14 - O montante dos fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais é um indicador-chave sobre a capacidade das operações da entidade em gerar fluxos de caixa suficientes para amortizar empréstimos, manter a capacidade operacional da entidade, pagar dividendos e juros sobre o capital próprio e fazer novos investimentos sem recorrer a fontes externas de financiamento. 9 As informações sobre os componentes específicos dos fluxos de caixa operacionais históricos são úteis, em conjunto com outras informações, na projeção de futuros fluxos de caixa operacionais. 15 - Os fluxos de caixa decorrentes das atividades operacionais são basicamente derivados das principais atividades geradoras de receita da entidade. Portanto, eles geralmente resultam das transações e de outros eventos que entram na apuração do lucro líquido ou prejuízo. Exemplos de fluxos de caixa que decorrem das atividades operacionais são: (a) recebimentos de caixa pela venda de mercadorias e pela prestação de serviços; (b) recebimentos de caixa decorrentes de royalties, honorários, comissões e outras receitas; (c) Pagamento de caixa a fornecedores de mercadorias e serviços; (d) Pagamento de caixa a empregados ou por conta de empregados; (e) Recebimentos e pagamentos de caixa por seguradora de prêmios e sinistros, anuidades e outros benefícios da apólice; (f) Pagamento ou restituição de caixa de imposto sobre a renda, a menos que possam ser especificamente identificados com as atividades de financiamento ou de investimento, e (g) Recebimentos e pagamentos de caixa de contratos mantidos para negociação imediata ou disponíveis para venda futura. 3.1.1 O que dizem os autores sobre o fluxo de caixa de atividades operacionais: Segundo Assaf (2014, p. 115, grifo nosso), “as movimentações da demonstração dos fluxos de caixa (DFC) podem ser classificadas em três grandes grupos de atividades, identificados em função de sua natureza: atividades operacionais; atividades de investimentos e atividades de financiamento”. Em complemento ao parágrafo anterior, Assaf (2014, p. 115) cita como exemplos de fluxos de entradas e saídas de caixa de atividades operacionais: “vendas à vista de mercadorias e serviços, recebimento de vendas a prazo a clientes, pagamento a fornecedores, receitas financeiras de aplicações, pagamento de salários e recolhimento de encargos sociais, recolhimento de impostos, e outras movimentações nas contas do ativo circulante e passivo circulante”. Gitman (2010, p. 98, grifo nosso) diz que “os fluxos de caixa operacionais constituem as entradas e saídas de caixa diretamente relacionadas à venda e produção de bens e serviços”. Vamos aproveitar o conceito de fluxos de caixa operacionais, dado por Gitman (2010, p. 98) e citado no parágrafo anterior, para propor alguns exemplos: 10 Atividades operacionais relacionadas à produção: pagamento a fornecedores de matéria-prima; pagamento ao pessoal da fábrica; pagamento do aluguel da fábrica. Atividades operacionais relacionadas à venda: recebimentos de vendas à vista e a prazo; pagamentos de salários e comissão de vendedores; pagamento de serviços de publicidade; pagamento de fretes de distribuição. 3.2.2 Demonstração da projeção do fluxo de caixa de atividades operacionais a partir de informações de um orçamento simplificado Muito bem. É hora de demonstramos como as atividades operacionais se inserem no demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC). Vamos utilizar um exercício proposto por Jiambalvo (2001, p. 220). Fizemos as adaptações necessárias de maneira a adequar o exercício à proposta do tema em estudo. Contudo, a proposta original do autor foi respeitada. Na verdade, o fluxo de caixa a ser projetado neste exercício será completo, contendo as três atividades – operacional, investimento e financiamento. Ao final, ele servirá também para o estudo das atividades de investimento e de financiamento correspondentes aos temas 4 e 5 desta Aula 6. Então, vamos ao enunciado do problema, que pode parecer longo em razão da quantidade de dados fornecidos. Mas, acredite, é um número pequeno de informações se comparado com um plano orçamentário completo. O nosso objetivo aqui é reunir alguns dados necessários à caracterização de um orçamento, para podermos projetar um demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC). Eis o enunciado: Uma empresa comercial do ramo varejista deseja projetar o seu demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC) com base nos dados do seu planejamento orçamentário elaborado para os quatro trimestres de 2018. Antes do demonstrativo dos fluxos de caixa - DFC, será projetada a demonstração do resultado (DR). Os dados contábeis estão apresentados nos itens numerados de 1 a 18 a seguir: 1. No quarto trimestre de 2017, período imediatamente anterior ao orçado, esta empresa apresentou o seguinte lucro líquido. 11 Quadro 3 – Demonstração do Resultado (DR) Demonstração do Resultado – 4º trim.de 2017 (Em Reais) Receita Bruta 800.000 (-) Tributos (ICMS, PIS, COFINS) (218.000) Receita Líquida 582.000 (-) CMV (218.250) LucroBruto 363.750 Despesas de vendas e administrativas (*) (57.500) Despesas com salários e comissões (82.500) Despesas com encargos sobre a folha de pagamento. (66.000) Lucro Operacional – EBITDA/LAJIDA 157.750 (+/-) Resultado financeiro (juros recebidos e pagos) (10.000) (-) Despesas com depreciação (11.250) (+/-) Resultado não Operacional - Lucro líquido antes do IRPJ e CSLL 136.500 (-) Provisão do IRPJ e CSLL (30%) (40.950) (-) Participações (empregados, administradores, etc.) - Lucro líquido 95.550 (*) Exceto salários, comissões e encargos. Fonte: Adaptado de Jiambalvo, 2001, p. 220. 2. As compras de mercadorias no quarto trimestre de 2017 – trimestre anterior ao período orçamentário proposto – foram de R$ 300.000. 3. O Quadro 4 mostra os dados estimados (orçados) da empresa para 2018 com relação a vendas, custos, despesas e compras. Quadro 4 – Dados orçados para 2018 Dados orçados para 2018: 1º Trim. 2º Trim. 3º Trim. 4º Trim. Receita de vendas 865.000 935.000 1.010.000 1.090.000 Valor dos estoques (***) 235.710 254.625 274.995 296.820 Custo das vendas – CMV (**) 235.710 254.625 274.995 296.820 Compras (valor notas fiscais do fornecedor) 324.000 350.000 378.000 408.000 Despesas de vendas e administrativas (*) 57.500 57.500 57.500 57.500 Despesas com salários e comissões 82.500 82.500 82.500 82.500 Despesas com encargos (80% sobre a folha) 66.000 66.000 66.000 66.000 Despesas com depreciação 11.250 6.250 7.500 7.500 (*) Exceto salários, comissões e encargos. (**) Simplificadamente, admitiremos que a empresa vende todo o seu estoque no período e o renova no primeiro dia do período seguinte. (***) Valor das compras (nota fiscal) menos o valor dos tributos (ICMS, PIS, COFINS). Fonte: Adaptado de Jiambalvo, 2001, p. 220. 4. O Quadro 5 mostra os valores do IRPJ e CSLL e as datas do seu recolhimento. Os impostos (IRPJ e CSLL) são de 30%, aproximadamente, sobre o lucro real. Para a empresa em análise, o lucro real é o próprio lucro líquido, tendo em vista que não há acréscimos ou deduções sobre o lucro líquido. A empresa apura o IRPJ e a CSLL trimestralmente, 12 recolhendo o valor devido, em uma única parcela, no mês subsequente ao trimestre de apuração (competência). Quadro 5 – Recolhimento do IRPJ e CSLL Período de competência Data do recolhimento Lucro Líquido (Lucro Real) (R$) IRPJ e CSLL (30%) (R$) 4º trim/2017 Jan/2018 136.500 40.950 1º trim/2018 Abr/2018 163.328 48.998 2º trim/2018 Jul/2018 241.338 72.401 3º trim/2018 Out/2018 229.780 68.934 4º trim/2018 Jan/2019 (*) 272.855 (*) 81.856 (*) Estes valores não irão constar no fluxo de caixa projetado - demonstrado no quadro 22 -, em razão de a data do seu recolhimento - Jan/2019 - estar fora do período orçamentário. 5. Os Quadros 6 e 7 mostram as alíquotas e o valor dos tributos sobre as vendas - NF (débitos). Estas alíquotas são definidas para o regime de incidência não cumulativa, regime este obrigatório para o Lucro Real. Os cálculos demonstrados nestes quadros estão em conformidade com o que nos ensina Padoveze (2012, p.157 a 159) com relação à apuração dos tributos a partir do valor da nota fiscal de compra - fornecedor - e nota fiscal de venda - cliente. Quadro 6 – Alíquotas dos tributos sobre vendas Alíquotas dos tributos sobre vendas: ICMS PIS COFINS 18% 1,65% 7,6% Quadro 7 – Valor dos tributos sobre vendas Período de competência Valor das vendas - NF (R$) ICMS (R$) (18%) PIS (R$) (1,65%) COFINS (R$) (7,6%) Total dos tributos inclusos no valor das vendas – NF (R$) Dez/2017 (*) 225.000 40.500 3.712 17.100 61.312 1º trim/2018 865.000 155.700 14.272 65.740 235.712 2º trim/2018 935.000 168.300 15.427 71.060 254.787 3º trim/2018 1.010.000 181.800 16.665 76.760 275.225 4º trim/2018 1.090.000 196.200 17.985 82.840 297.025 (*) Valor arbitrado das vendas em dez/2017. 6. O Quadro 8 mostra o valor dos tributos sobre as compras - NF (créditos). Vamos considerar as mesmas alíquotas incidentes sobre as vendas. 13 Quadro 8 – Valor dos tributos sobre as compras Período de competência Valor da compra – NF (R$) ICMS (R$) (18%) PIS (R$) (1,65%) COFINS (R$) (7,6%) Total dos tributos incidentes sobre a compra - NF (R$) Dez/2017 (*) 100.000 18.000 1.650 7.600 27.250 1º trim/2018 324.000 58.320 5.346 24.624 88.290 2º trim/2018 350.000 63.000 5.775 26.600 95.375 3º trim/2018 378.000 68.040 6.237 28.728 103,005 4º trim/2018 408.000 73.440 6.732 31.008 111.180 (*) Valor arbitrado das compras de dez/2017: 300 mil / 3 meses = 100 mil. 7. O Quadro 9 - A mostra o valor dos tributos líquidos – débitos menos créditos - devidos nos períodos de competência. O Quadro 9 - B mostra o valor e a data do recolhimento destes tributos. Para Padoveze e Taranto (2009, p. 142), “o recolhimento de cada imposto se dá pela diferença entre o valor do imposto calculado sobre as vendas e o valor do imposto creditado e pago sobre as compras”. Quadro 9 - A – Valor líquido devido dos tributos (débitos – créditos) Período de competência ICMS (R$) PIS (R$) COFINS (R$) Total dos tributos (R$) Dez/2017 22.500 2.062 9.500 34.062 1º trim/2018 97.380 8.926 41.116 147.422 2º trim/2018 105.300 9.652 44.460 159.412 3º trim/2018 113.760 10.428 48.032 172.220 4º trim/2018 122.760 11.253 51.832 185.845 185.845 × 60% = 111.507 (∗) (*) Observe que no valor dos tributos devido em Jan/2019 (R$ 185.845) estão incluídos os tributos de competência dos meses de outubro, novembro e dezembro. No entanto, o valor dos tributos referente a dezembro/2018 será recolhido somente em janeiro/2019, portanto fora do período proposto para este orçamento. Assim, vamos arbitrar 60% do valor de R$ 185.845 como competência dos meses de outubro e novembro/2018, para ser recolhido em dezembro/2018. Então: R$ 185.845 x 60% = R$ 111.507. 14 Quadro 9 - B – Valor e data do recolhimento dos tributos Competência Recolhimento Competência Recolhimento Competência Recolhimento Dez/2017 Jan/2018 Abr/2018 Mai/2018 Ago/2018 Set/2018 R$ 34.062 R$ 53.137 R$ 57.407 Jan/2018 Fev/2018 Mai/2018 Jun/2018 Set/2018 Out/2018 R$ 49.141 R$ 53.137 R$ 57.407 Fev/2018 Mar/2018 Jun/2018 Jul/2018 Out/2018 Nov/2018 R$ 49.141 R$ 53.137 R$ 55.753 (*) Mar/2018 Abr/2018 Jul/2018 Ago/2018 Nov/2018 Dez/2018 R$ 49.141 R$ 57.407 R$ 55.754 (*) (*) 55.753 + 55.754 = 111.507 (Quadro 9 - A). 8. O Quadro 10 mostra o valor das vendas recebidas em cada período orçado. Sessenta por cento (60%) das vendas são recebidas no próprio trimestre e 40% no trimestre seguinte. Quadro 10 - Valor das vendas recebidas em cada período orçado Recebimento de vendas - Em Reais. Do trimestre anterior Do trimestre atual Total do trimestre 1º trim/2018 (*) 320.000 + 519.000 = 839.000 2º trim/2018 346.000 + 561.000 = 907.000 3º trim/2018 374.000 + 606.000 = 980.000 4º trim/2018 404.000 + 654.000 = 1.058.000 (*) Valor correspondente a vendas de dez/2017 (800 mil x 40% = 320 mil). 9. O Quadro 11 mostra o valor das compras a serem pagas em cada período orçado. Oitenta por cento (80%) das compras são pagos no trimestre da compra e 20% no trimestre seguinte. Quadro 11 – Valor das compras a serem pagas em cada período orçado Pagamento das compras (fornecedores) - Em Reais. Do trimestre anterior Do trimestre atual Total do trimestre 1º trim/2018 (*) 60.000 + 259.200 = 319.200 2º trim/2018 64.800 + 280.000 = 344.800 3º trim/2018 70.000 + 302.400 = 372.400 4º trim/2018 75.600 + 326.400 = 402.000 (*) Correspondente a compras de dez/2017 (300 mil x 20% = 60 mil). 10. O Quadro 12 mostra o pagamento das despesas de vendas e administrativas. As despesas de vendas e administrativas são pagas no próprio trimestre. 15 Quadro 12 – Despesas de vendas e administrativasPeríodo: 2018 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. Despesas de vendas e administrativas 57.500 57.500 57.500 57.500 11. O Quadro 13 mostra o pagamento das despesas com salários e comissões. Os salários e comissões são pagos no próprio mês. Quadro 13 – Despesas com salários e comissões Período: 2018 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. Despesas com salários e comissões 82.500 82.500 82.500 82.500 12. O Quadro 14 mostra o valor dos encargos sobre a folha de pagamento. Os encargos sobre a folha (80%) são recolhidos no mês seguinte. Quadro 14 – Encargos sobre a folha de pagamento Competência Recolhimento Competência Recolhimento Competência Recolhimento Dez/2017 Jan/2018 Abr/2018 Mai/2018 Ago/2018 Set/2018 R$ 22.000 (*) R$ 22.000 R$ 22.000 Jan/2018 Fev/2018 Mai/2018 Jun/2018 Set/2018 Out/2018 R$ 22.000 R$ 22.000 R$ 22.000 Fev/2018 Mar/2018 Jun/2018 Jul/2018 Out/2018 Nov/2018 R$ 22.000 R$ 22.000 R$ 22.000 Mar/2018 Abr/2018 Jul/2018 Ago/2018 Nov/2018 Dez/2018 R$ 22.000 R$ 22.000 R$ 22.000 (*) Encargos devidos em dez/2017 (66 mil / 3 meses = 22 mil). 13. O Quadro 15 mostra o valor dos empréstimos bancários de curto prazo para o giro da empresa. Quadro 15 – Empréstimos bancários de curto prazo para giro da empresa Período: 2018 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. Empréstimos bancários para giro 20.000 - - - 14. O Quadro 16 mostra o valor das receitas e despesas com juros. Quadro 16 – Receitas e despesas com juros (em reais) Receitas com juros (*) Despesas com juros Resultado financeiro com juros 1º trim/2018 5.000 - 18.000 = (13.000) 2º trim/2018 4.000 - 16.000 = (12.000) 16 3º trim/2018 3.500 - 20.000 = (16.500) 4º trim/2018 4.200 - 14.000 = (9.800) 15. O Quadro 17 - A mostra o valor desembolsado para a amortização de capital das imobilizações financiadas e amortização de capital de empréstimos bancários para giro da empresa. O Quadro 17 - B mostra o valor das compras à vista de bens do imobilizado. Quadro 17 - A – Amortizações de capital de financiamentos do imobilizado e amortizações de capital de empréstimos para giro da empresa Período: 2018 – Amortizações de capital. 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. Amortização das imobilizações financiadas 30.000 32.000 34.000 36.000 Amortização dos empréstimos bancários 6.000 5.500 4.500 4.000 Quadro 17 - B – Compras à vista de bens do imobilizado Período: 2018 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. Compras à vista de bens do imobilizado - - 90.000 - 16. O Quadro 18 mostra o pagamento de dividendos. Quadro 18 – Pagamento de dividendos Pagamento de dividendos – Em Reais – 2018. 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. 35.000 45.000 65.000 90.000 17. O Quadro 19 mostra os novos aportes de capital pelos sócios. Quadro 19 – Novos aportes de capital Aportes de capital dos sócios – Em Reais - 2018 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. 30.000 25.000 20.000 15.000 18. O Quadro 20 mostra o valor da venda de parte do imobilizado. O valor pelo qual estes bens estão contabilizados é R$ 60 mil. O recebimento pela venda será no próprio trimestre em que a venda será efetuada. Quadro 20 – Venda de parte do imobilizado Venda de parte do imobilizado – Em Reais - 2018 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. - 100.000 - - 17 Assim, com base nos dados apresentados, será possível projetar a Demonstração do Resultado - Quadro 21 - e o Fluxo de Caixa - Quadro 22. Quadro 21 – Projeção da Demonstração do Resultado (DR) Demonstração do Resultado (DR) 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. Receita Operacional Bruta (4) 865.000 935.000 1.010.000 1.090.000 (-) Tributos (ICMS, PIS, COFINS) (7) (235.712) (254.787) (275.225) (297.025) Receita Operacional Líquida 629.288 680.213 734.775 792.975 (-) CMV (4) (235.710) (254.625) (274.995) (296.820) Lucro Bruto 393.578 425.588 459.780 496.155 (-) Despesas Operacionais: (206.000) (206.000) (206.000) (206.000) Vendas e Administrativas (4) (57.500) (57.500) (57.500 (57.500) Salários e comissões (4) (82.500) (82.500) (82.500) (82.500) Encargos sobre salários e comissões (4) (66.000) (66.000) (66.000) (66.000) Lucro Operacional – EBITDA/LAJIDA 187.578 219.588 253.780 290.155 (+) Receitas financeiras com aplicações (16) 5.000 4.000 3.500 4.200 (-) Despesas financeiras com financiam. (16) (18.000) (16.000) (20.000) (14.000) (-) Despesas com depreciação (4) (11.250) (6.250) (7.500) (7.500) Resultados não Operacionais: - 40.000 - - Valor de venda de imobilizados (20) - 100.000 - - (-) Valor da baixa de imobilizados (20) - (60.000) - - Lucro Líquido antes do IRPJ e CSLL 163.328 241.338 229.780 272.855 (-) Provisão para o IRPJ e CSLL (30%) (48.998) (72.401) (68.934) (81.856) (-) Participações (*) - - - - Lucro Líquido depois do IRPJ e CSLL 114.330 168.937 160.846 190.999 (*) Participações de empregados e administradores. Quadro 22 – Demonstrativo dos Fluxos de Caixa (DFC) Em Reais 1º trim. 2º trim. 3º trim. 4º trim. 1. ATIVIDADES OPERACIONAIS: RECEBIMENTOS: De vendas (10) 839.000 907.000 980.000 1.058.000 De juros (16) 5.000 4.000 3.500 4.200 PAGAMENTOS: De juros (16) (18.000) (16.000) (20.000) (14.000) De compras de fornecedores (11) (319.200) (344.800) (372.400) (402.000) De despesas com vendas e administrativas (12) (57.500) (57.500) (57.500) (57.500) De salários e comissões (13) (82.500) (82.500) (82.500) (82.500) De encargos sobre salários e comissões (14) (66.000) (66.000) (66.000) (66.000) De tributos sobre as vendas (9 - B) (132.344) (155.415) (167.951) (168.914) De IRPJ e CSLL (5) (40.950) (48.998) (72.401) (68.934) Caixa líquido das atividades operacionais 127.506 139.787 144.748 202.352 2. ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS: RECEBIMENTOS: De venda de bens do imobilizado (20) - - 100.000 - PAGAMENTOS: Da compra à vista de bens do imobilizado (17- B) - - (90.000) - Caixa líquido das atividades de investimentos - - 10.000 - 18 3. ATIVIDADES DE FINANCIAMENTOS: RECEBIMENTOS: Dos sócios – capital social (19) 30.000 25.000 20.000 15.000 De empréstimos em bancos para giro (15) 20.000 - - - PAGAMENTOS: De dividendos (18) (35.000) (45.000) (65.000) (90.000) De amortização de empréstimos para giro (17-A) (6.000) (5.500) (4.500) (4.000) De amortização de financ do imobilizado (17-A) (30.000) (32.000) (34.000) (36.000) Caixa líquido das atividades de financiamentos (21.000) (57.500) (83.500) (115.000) 4. CAIXA LÍQUIDO DO PERÍODO (1 + 2 + 3) 106.506 82.287 71.248 87.352 5. SALDO INICIAL DO CAIXA (*)55.000 161.506 243.793 315.041 6. SALDO FINAL DO CAIXA (4 + 5) 161.506 243.793 315.041 402.393 (*) Saldo de caixa do 4º trimestre de 2017 (valor arbitrado). Obs.: A origem dos valores está referenciada pelo número do quadro entre parênteses”. 3.2.3 Considerações sobre a apropriação de juros recebidos e pagos e impostos pagos como atividades operacionais Para justificarmos a apropriação, como atividade operacional, dos juros recebidos (de aplicações financeiras) e juros pagos (por empréstimos e financiamentos), bem como dos impostos pagos, recorremos ao Pronunciamento Técnico CPC 03, itens 34, 36 e 38, onde se lê: Os juros pagos e recebidos e os dividendos e juros sobre o capital próprio recebidos são comumente classificados como fluxos de caixa operacionais em instituições financeiras. Todavia, não há consenso sobre a classificação desses fluxos de caixa para outras entidades. Os juros pagos e recebidos e os dividendos e os juros sobre o capital próprio recebidos podem ser classificados como fluxos de caixa operacionais, porque eles entram na determinação do lucro líquido ou prejuízo. Alternativamente, os “juros pagos” e os “juros e dividendos e os juros sobre o capital próprio recebidos” podem ser classificados como fluxos de caixa de financiamento e fluxos decaixa de investimento, respectivamente, porque são custos de obtenção de recursos financeiros ou retorno sobre investimentos (item 34 do CPC 03) Este Pronunciamento encoraja fortemente as entidades a classificarem os juros, recebidos ou pagos, e os dividendos e juros sobre o capital próprio recebidos como fluxos de caixa das atividades operacionais, e os dividendos e juros sobre o capital próprio pagos como fluxos de caixa das atividades de financiamento. Alternativa diferente deve ser seguida de nota evidenciando esse fato (item 36 do CPC 03). [...] Portanto, os impostos pagos são comumente classificados como fluxos de caixa das atividades operacionais (item 38 do CPC 03). 19 Ao elaborar o fluxo de caixa, recomenda-se sempre a consulta a este e outros pronunciamentos sobre o tema, tendo em vista particularidades encontradas nos textos elaborados pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que podem alterar o entendimento sobre a forma de apropriação de certas atividades que comporão o demonstrativo dos fluxos de caixa – se operacional, investimento ou financiamento. TEMA 4 – FLUXO DE CAIXA DE ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS Transcrevemos o Pronunciamento Técnico CPC 03, sumariado pelo Banco Central do Brasil, sobre as atividades de investimentos do demonstrativo dos fluxos de caixa – DFC, conforme segue: 18 - A divulgação em separado dos fluxos de caixa decorrentes das atividades de investimento é importante porque tais fluxos de caixa representam a extensão em que os dispêndios de recursos são feitos pela entidade com a finalidade de gerar resultados e fluxos de caixa no futuro. Exemplos de fluxos de caixa decorrentes das atividades de investimento são: (a) pagamentos de caixa para aquisição de ativo imobilizado, intangível e outros ativos de longo prazo. Esses desembolsos incluem os custos de desenvolvimento ativados e ativos imobilizados de construção própria; (b) recebimentos de caixa resultantes da venda de ativo imobilizado, intangível e outros ativos de longo prazo; (c) pagamentos para aquisição de ações ou instrumentos de dívida de outras entidades e participações societárias em joint ventures (exceto desembolsos referentes a títulos considerados como equivalentes de caixa ou mantidos para negociação imediata ou venda futura); (d) recebimentos de caixa provenientes da venda de ações ou instrumentos de dívida de outras entidades e participações societárias em joint ventures (exceto recebimentos referentes aos títulos considerados como equivalentes de caixa e os mantidos para negociação); (e) adiantamentos de caixa e empréstimos feitos a terceiros (exceto adiantamentos e empréstimos feitos por instituição financeira); (f) recebimentos de caixa por liquidação de adiantamentos ou amortização de empréstimos concedidos a terceiros (exceto adiantamentos e empréstimos de uma instituição financeira); (g) pagamentos de caixa por contratos futuros, a termo, de opção e swap, exceto quando tais contratos forem mantidos para negociação imediata ou venda futura, ou os pagamentos forem classificados como atividades de financiamento; e (h) recebimentos de caixa por contratos futuros, a termo, de opção e swap, exceto quando tais contratos forem mantidos para negociação imediata ou venda futura, ou os recebimentos forem classificados como atividades de financiamento. A seguir, o que dizem alguns autores sobre o fluxo de caixa de atividades de investimentos. 20 Segundo Gitman (2010, p. 98), “os fluxos de investimento representam os fluxos de caixa associados à compra e venda de ativos imobilizados e investimentos em participações societárias”. Para Assaf (2014, p. 115), “os fluxos de entrada e saída de caixa de atividades de investimento podem ser exemplificados por: pagamentos por aquisição de imobilizado e intangível; recebimentos por venda de imobilizado e intangível; aquisições/vendas de outros ativos não circulantes; aplicações e resgates de investimentos financeiros não classificados no circulante [...]”. Ross, et al. (2015, p. 36) dizem que “o fluxo de caixa de atividades de investimento envolve variações nos ativos imobilizados: aquisições e vendas [...]”. O resultado é mostrado a seguir no Quadro 23: Quadro 23 – Fluxo de caixa de atividades de investimento Fluxo de caixa de atividades de investimento - Em Reais Pagamento, à vista, por aquisição de ativos imobilizados (R$ 198.000) Recebimentos por vendas de ativos imobilizados R$ 25.000 Fluxo de caixa de atividades de investimento (R$ 173.000) Fonte: Adaptado de Ross, et al., 2015, p. 36. Notamos que os autores relacionam o fluxo de caixa de atividades de investimento à movimentação - entradas e saídas de caixa - do ativo imobilizado. Reproduzimos, no Quadro 24, parte do Quadro 22 (Demonstrativo dos Fluxos de Caixa - DFC) para demonstrar esta relação. Observe: Quadro 24 – Fluxo de caixa das atividades de investimentos – parte do quadro 22 2. ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS: RECEBIMENTOS: De venda de bens do imobilizado - - 100.000 - PAGAMENTOS: Da compra à vista de bens do imobilizado - - (90.000) - Caixa líquido das atividades de investimentos - - 10.000 - Uma das características das atividades de investimento é o fato de o seu caixa líquido - diferença entre entradas e saídas de caixa - ser, quase sempre, negativo. Isso porque, geralmente, operações com o ativo imobilizado correspondem ao pagamento - saída de caixa – pela compra de máquinas, equipamentos, veículos, móveis, etc. Embora possível, não é comum a entrada no caixa pela venda de bens do ativo imobilizado. 21 Quando apropriar – no demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC) – valores pagos referentes à aquisição de imobilizados como atividades de investimentos? Uma dúvida que surge ao se projetar o demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC) é em relação à aquisição do imobilizado. Então, vamos apresentar dois exemplos que poderão caracterizar e esclarecer essa dúvida: Exemplo 1 - Suponha que uma empresa irá adquirir um equipamento no valor de R$ 100 mil a ser financiado integralmente por um banco. Esta operação não representaria saída de caixa, visto que as contas movimentadas seriam “máquinas e equipamentos” (a débito) e “financiamentos” (a crédito). No entanto, a pergunta que se faz é: no momento em que se pagar a primeira parcela de capital do financiamento - R$ 10 mil, por exemplo - a saída do caixa será lançada em atividades de investimentos ou atividades de financiamentos no fluxo de caixa? Resposta: a parcela de capital paga - de R$ 10 mil - será apropriada como atividades de financiamentos. Os juros pagos da parcela serão apropriados em atividades operacionais (sobre os juros, ver item 3.2.4 desta aula 6). Exemplo 2 – Agora, suponha que este mesmo equipamento, no valor de 100 mil, seja adquirido mediante pagamento à vista de R$ 20 mil no ato de sua aquisição e o restante – 80 mil – financiado. A pergunta que se faz é: como apropriar o valor de R$ 20 mil pago à vista no ato da aquisição do equipamento e como apropriar as parcelas de capital pagas pelo valor financiado? Resposta: a parcela paga à vista – R$ 20 mil – será apropriada como atividades de investimentos. As parcelas de capital pagas serão apropriadas como atividades de financiamentos. Os juros pagos serão apropriados como atividades operacionais (sobre os juros, ver item 3.2.4 desta aula 6). Para fundamentar as apropriações feitas no fluxo de caixa nos dois exemplos dados, podemos nos valer dos itens 18 e 19 do Pronunciamento CPC 03, sumariado pelo Banco Central do Brasil, conforme segue: 18 - A divulgação em separado dos fluxos de caixa decorrentes das atividades de investimento é importante porque tais fluxos de caixa representam a extensão em que os dispêndios de recursos são feitos pela entidade com a finalidade de gerar resultados e fluxos de caixa no futuro. Exemplosde fluxos de caixa decorrentes das atividades de investimento são: (a) pagamentos de caixa para aquisição de ativo imobilizado, intangível e outros ativos de longo prazo. Esses desembolsos incluem os custos de desenvolvimento ativados e ativos imobilizados de construção própria [...]. 22 Podemos observar que o exemplo dado como atividades de investimentos - letra a do item 18 - diz claramente pagamentos de caixa para aquisição de ativo imobilizado. Assim, somente o pagamento no ato da aquisição do bem será apropriado em atividades de investimentos. Agora, vamos reproduzir o item 19 do Pronunciamento CPC 03, sumariado pelo Banco Central do Brasil: 19 - A divulgação separada dos fluxos de caixa decorrentes das atividades de financiamento é importante por ser útil para prever as exigências sobre futuros fluxos de caixa pelos fornecedores de capital à entidade. Exemplos de fluxos de caixa decorrentes das atividades de financiamento são: [...] (d) amortização de empréstimos e financiamentos, incluindo debêntures emitidas, hipotecas, mútuos e outros empréstimos de curto e longo prazos. Podemos observar que o exemplo dado como atividades de financiamentos - “letra d” do item 19 - justifica a apropriação do pagamento das parcelas de capital do financiamento em atividades de financiamentos. Mas, o estudo das atividades de financiamentos do demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC) será visto no “tema 5” desta “aula 6”. Deve-se apropriar o pagamento de IRPJ e CSLL, decorrentes de ganhos na venda de imobilizado, como atividades de investimentos? A resposta para esta questão é sim, desde que seja praticável esta separação. Do contrário, o pagamento do IR e CSLL decorrente da venda de bens do ativo imobilizado deverá ser apropriado em atividades operacionais no demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC), juntamente com os ganhos das atividades operacionais da empresa. TEMA 5 – FLUXO DE CAIXA DE ATIVIDADES DE FINANCIAMENTOS Transcrevemos o Pronunciamento Técnico CPC 03, sumariado pelo Banco Central do Brasil, sobre as atividades de financiamentos do demonstrativo dos fluxos de caixa – DFC, conforme segue: 19 - A divulgação separada dos fluxos de caixa decorrentes das atividades de financiamento é importante por ser útil para prever as exigências sobre futuros fluxos de caixa pelos fornecedores de capital à entidade. Exemplos de fluxos de caixa decorrentes das atividades de financiamento são: (a) caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos patrimoniais; (b) pagamentos de caixa a investidores para adquirir ou resgatar ações da entidade; 23 (c) caixa recebido proveniente da emissão de debêntures, empréstimos, títulos e valores, hipotecas e outros empréstimos de curto e longo prazos; (d) amortização de empréstimos e financiamentos, incluindo debêntures emitidas, hipotecas, mútuos e outros empréstimos de curto e longo prazos; e (e) pagamentos de caixa por arrendatário, para redução do passivo relativo a arrendamento mercantil financeiro. A seguir, o que dizem alguns autores sobre o fluxo de caixa de atividades de financiamentos: Os fluxos de financiamento provêm de transações financeiras com capital de terceiros (dívidas) ou capital próprio. Incorrer em dívidas de curto ou longo prazos resulta numa entrada de caixa correspondente; a quitação de dívida resulta em saída de caixa. Da mesma forma a venda de ações da empresa resulta em entrada de caixa, enquanto a recompra de ações ou distribuição de dividendos em dinheiro geram saída de caixa. (Gitman, 2010, p. 99) Para Assaf (2014, p. 115), “fluxos de entradas e saídas de caixa das atividades de financiamento podem ser exemplificados por: compra/venda de ações de emissão própria, empréstimos e financiamentos levantados no mercado financeiro, pagamentos de dividendos e juros sobre o capital próprio”. Reproduzimos, no Quadro 25, parte do Quadro 22 (Demonstrativo dos Fluxos de Caixa) para demonstrar as atividades de financiamentos. Observe: Quadro 25 – Fluxo de caixa das atividades de financiamentos – parte do quadro 22 3. ATIVIDADES DE FINANCIAMENTOS: RECEBIMENTOS: Dos sócios – capital social 30.000 25.000 20.000 15.000 De empréstimos em bancos para giro 20.000 - - - PAGAMENTOS: De dividendos (35.000) (45.000) (65.000) (90.000) De amortização de empréstimos para giro (6.000) (5.500) (4.500) (4.000) De amortização de financ do imobilizado (30.000) (32.000) (34.000) (36.000) Caixa líquido das atividades de financiamentos (21.000) (57.500) (83.500) (115.000) TROCANDO IDEIAS Então, o que achou dos temas apresentados nesta Aula 6? Os grandes investidores globais procuram empresas que apresentam bons saldos nas demonstrações dos fluxos de caixa (DFC). Isso porque nem sempre lucros na demonstração dos resultados (DR) correspondem necessariamente a saldos positivos de caixa. Nós já entendemos que a razão desse descompasso é o fato de que os registros na demonstração do resultado (DR) são feitos respeitando- se o regime de competência, enquanto nos demonstrativos dos fluxos de caixa 24 (DFC) os registros são feitos pelo regime de caixa. Uma grande construtora ao ser indagada sobre o prejuízo no resultado do exercício respondeu: não estamos muito preocupados, pois o saldo de caixa da empresa é positivo e o lucro será retomado quando o mercado voltar a crescer. Então, o estudo dos fluxos de caixa não é mesmo empolgante? Que tal você discutir este tema com os seus colegas por meio do fórum disponibilizado no ambiente virtual de aprendizagem (AVA)? Além do uso do fórum, sugerimos que você assista às aulas interativas da disciplina e envie perguntas durante a apresentação. A tutoria do seu curso também está disponível para ajudá-lo a tirar dúvidas sobre este importante tema. NA PRÁTICA 1. As afirmativas a seguir dizem respeito ao entendimento de um plano orçamentário de uma empresa. Marque verdadeiro (V) ou falso (F) ao lado de cada afirmativa e assinale a única alternativa correta. Afirmativas: I. Ao final do período orçamentário, com o objetivo de avaliar os resultados, deve-se comparar os dados reais (realizado) com os dados orçados (previsto). II. A elaboração e o controle do plano orçamentário devem ter a participação de todos os setores da empresa. III. O valor do lucro líquido apurado na demonstração do resultado (DR), projetada a partir do orçamento geral da empresa, deve ser igual ao saldo do demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC) projetado. Alternativas: a) Somente as afirmativas I e II estão corretas. b) Somente as afirmativas I e III estão corretas; c) Somente as afirmativas II e III estão corretas. d) Somente a afirmativa II está correta. e) Todas as afirmativas estão corretas. 2. Com base na análise das atividades numeradas de 1 a 6, assinale a alternativa que corresponde ao saldo final do caixa no período, 25 considerando que o saldo inicial do caixa no início do período era de R$ 150 mil. 1. Recebimento de vendas no valor de R$ 500 mil; 2. Pagamento das compras no valor de R$ 250 mil; 3. Contratação de empréstimo bancário para giro no valor de R$ 20 mil; 4. Compra de equipamentos no valor de R$ 50 mil, sendo R$ 20 mil à vista e o restante a pagar com prazos de 60 e 90 dias. 5. Pagamento de salários e encargos no valor de R$ 30 mil. 6. Pagamento de empréstimos bancários no valor de R$ 10 mil. ALTERNATIVAS: a) R$ 340 mil b) R$ 360 mil c) R$ 380 mil d) R$ 400 mil e) R$ 420 mil 3. Os dados do quadro a seguir dizem respeito a um demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC) de uma empresa. Com base na análise desses dados, assinale a única alternativa correta. Quadro 26 – Demonstrativo resumido dos fluxos de caixa (DFC) Tabela 1 - Demonstrativo dos fluxos de caixa: Em Reais Saldo das atividades operacionais - 30.000,00 Saldo das atividades de investimentos - 35.000,00Saldo das atividades de financiamentos 25.000,00 SALDO DAS ATIVIDADES DO PERÍODO: - 40.000,00 SALDO INICIAL (saldo final do período anterior) 50.000,00 SALDO FINAL DO CAIXA NO PERÍODO: 10.000,00 ALTERNATIVAS: a) As entradas de caixa superaram as saídas de caixa nas atividades operacionais. b) A empresa precisa monitorar as suas atividades de investimentos, pois não é comum estas atividades gerarem saldo negativo. 26 c) O saldo das atividades de financiamentos pode ser explicado por entrada de dinheiro no caixa por empréstimo bancário, mas não por entrada no caixa de dinheiro dos sócios. d) O saldo inicial do caixa para o demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC) do próximo período - próximo exercício social - será R$ 40 mil negativo. e) Não fosse a entrada de caixa de financiamentos, a empresa amargaria saldo final de caixa negativo. 4. Questão 4 - Os dados do quadro a seguir dizem respeito ao demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC) de uma empresa comercial. Numere a segunda coluna de acordo com a primeira: Quadro 27 – Atividades de um demonstrativo dos fluxos de caixa 1. Atividade Operacional. 2. Atividade de Investimento. 3. Atividade de Financiamento. ( ) Pagamento da compra de equipamentos. ( ) Recebimento de capital dos sócios. ( ) Recebimento de vendas. ( ) Pagamento dos estoques. ( ) Pagamento de dividendos. ( ) Recebimento de empréstimo de banco. ( ) Recebimento da venda de imobilizado. Agora, assinale a ordem correta: a) 2, 3, 1, 2, 2, 3, 1 b) 3, 2, 1, 1, 2 ,3, 1 c) 3, 1, 3, 2, 2, 1, 1 d) 2, 3, 1, 1, 3, 3, 2 e) 3, 1, 2, 2, 1, 3, 3 FINALIZANDO Assim, chegamos ao final desta Aula 6. O estudo do plano orçamentário, por meio do qual os demonstrativos financeiros são projetados para a análise dos usuários interessados, exige muita leitura e dedicação de quem se propõe a pesquisar essa área do conhecimento. Esperamos que este material possa auxiliá-los a ampliar os conhecimentos nessa área. Desejamos um ótimo estudo a todos! 27 REFERÊNCIAS ASSAF, A. N. Finanças Corporativas e Valor. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2014. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Pronunciamento Técnico CPC 03 – Demonstração dos Fluxos de Caixa. Disponível em <https://www3.bcb.gov.br/aplica/cosif/manual/0902177180ac075c.htm?fullNam e=3.%20Pronunciamento%20T%C3%A9cnico%20CPC%2003%20%E2%80%9 3%20Demonstra%C3%A7%C3%A3o%20dos%20Fluxos%20de%20Caixa>. Acesso em: 16 fev. 2018. FREZATTI, F. Gestão do Fluxo de Caixa. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2014. GITMAN, L. J. Princípios de Administração Financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2010. JIAMBALVO, J. Contabilidade Gerencial. Rio de Janeiro: LTC, 2001. PADOVEZE, C. L. Manual de Contabilidade Básica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2012. PADOVEZE, C. L.; TARANTO, F. C. Orçamento Empresarial. São Paulo: Pearson, 2009. ROSS, S. A. et al. Administração Financeira. 10. ed. Porto Alegre: Mc Graw Hill – Bookman, 2015. 28 GABARITO 1. Letra A A afirmativa “C” está errada. Os lançamentos contábeis na demonstração do resultado (DR) são feitos obedecendo ao regime de competência, enquanto que no demonstrativo dos fluxos de caixa (DFC) os lançamentos são feitos com base no regime de caixa. Por isso, os resultados são diferentes. 2. Questão 2 - Letra B Saldo final do caixa no período = Saldo inicial (+) Entradas (–) Saídas Saldo final do caixa no período = R$ 150 mil (+) R$ 520 mil (–) R$ 310 mil Saldo final do caixa no período = R$ 360 mil. 3. Questão 3 - Letra E O saldo das atividades de financiamentos evitou que o saldo final de caixa fosse negativo. 4. Questão 4 – Letra D CURSO: Ciências Contábeis DISCIPLINA: Administração Financeira e Orçamentária CARGA HORÁRIA: 56 h UTA ECONOMIA E MERCADO PROFESSOR: EMENTA DA DISCIPLINA Fornecer uma base teórica e prática do uso das técnicas das finanças para a administração Financeira e Orçamentária, como instrumento auxiliar no processo de tomada de decisões na gestão empresarial, com o intuito de desenvolver a capacidade de administrar as finanças de uma empresa. HABILIDADES E COMPETÊNCIAS Conhecimento sobre o uso de técnicas das finanças para administradores, como instrumento auxiliar no processo de tomada de decisões na gestão empresarial, com o intuito de desenvolver a capacidade de administrar as finanças de uma empresa. BIBLIOGRAFIA BÁSICA LUZ, Adão Eleutério da. Introdução à administração financeira e orçamentária. Curitiba: Intersaberes Dialógica, 2015. BERNADONI, Doralice Lopes. Planejamento e Orçamento na Administração Pública. Curitiba: InterSaberes, 2013. SELEME, Laila Del Bem. Finanças sem complicação. Curitiba: InterSaberes, 2012. (Biblioteca Virtual) CAMARGO, Camila. Análise de Investimentos & demonstrativos financeiros. Curitiba: Intersaberes, 2012. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR NIKBAKHT, Ehsan.. GROPELLI, A.A. Administração Financeira- Série Essencial. 3º Ed.São Paulo: Saraiva, 2010. WERNKE, Rodney. Gestão financeira - ênfase em aplicações e casos nacionais. São Paulo: Saraiva, 2008. SOUZA, Almir F. Avaliação de investimentos - uma abordagem prática. São Paulo: Saraiva, 2007. ASSAF NETO, Alexandre. Mercado financeiro. 9.ed. São Paulo: Atlas, 2009. CAVALCANTE, Francisco; MISUMI, Jorge Yoshio. Mercado de capitais: o que é, como funciona. 7.ed. Rio de Janeiro: Campus, 2008. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO MÍNIMO O papel e o ambiente da administração financeira Dinâmica das decisões financeiras da empresa Risco e retorno Teoria do Portifólio Custo de oportunidade em Finanças Análise de Investimentos: Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE) e Taxa Mínima de Atratividade (TMA) Análise de Investimentos: Valor Presente Líquido (VPL) Análise de Investimentos: Taxa Interna de Retorno (TIR) Análise de Investimentos: Payback e Índice de Lucratividade (IL) Análise de investimentos sob condição de risco ou incerteza Gestão do Capital de Giro e de Caixa Gestão de Valores a Receber Administração de Crédito Gestão de Estoques Gestão de Passivos Circulantes O orçamento como instrumento de planejamento e controle Análise das condições ambientais e setoriais Tipos de orçamento Controle matricial O ciclo orçamentário Orçamento operacional Orçamento de atividades financeiras Orçamento de Capital Projeção das Demonstrações Contábeis Monitoramento do Controle Orçamentário Fluxos de Caixa e Planejamento Financeiro Questão 1/10 - Administração Financeira e Orçamentária Embora o tesoureiro e o controller façam parte da função financeira da empresa e estejam subordinados ao CFO (Diretor Financeiro), suas funções são distintas. De acordo com Gitman (2010), “o foco do tesoureiro tende a ser mais externo, e o do controller, mais interno”. Com base no exposto, assinale a alternativa que apresenta funções que o autor define como próprias do tesoureiro na área de finanças empresariais. Nota: 10.0 A Planejamento financeiro; contabilidade de custos; captação de fundos. B Operações de câmbio; contabilidade de custos; contabilidade Financeira. C Planejamento financeiro; decisões de investimento; captação de fundos. Você acertou! Rota da aula 01, pág. 04. D Decisões sobre investimentos; gestão de caixa; contabilidade de custos. E Contabilidade financeira; contabilidade de custos; decisões de investimentos. Questão 2/10 - Administração Financeira e Orçamentária As decisões financeiras da empresa podem referir-se a políticas de curto ou de longo prazo. Sabemos que toda decisão financeira deve ter como foco a valorização das ações da empresa e o aumento da riqueza dos sócios. A alavancagem financeira é uma ferramenta que presta um auxílio importante para esse tipo de análise. Considere as seguintes informações: Analise as assertivas a seguir,com base nos conceitos de alavancagem financeira, classificando-as como verdadeiras ou falsas. I. Para o cálculo do GAF, a DRE deve ser ajustada, e as despesas financeiras são excluídas do cálculo do lucro operacional e aparecem imediatamente depois do “lucro operacional após o imposto de renda”. II. As siglas ROE e ROI significam “retorno sobre o investimento” e “retorno sobre o patrimônio líquido”, respectivamente. III. Quanto menor o custo da dívida em relação ao Retorno Sobre o Investimento, maior será o Retorno Sobre o Patrimônio Líquido. IV. Se tivermos um ROI = 10%, e ROE = 8% o resultado demonstra que houve alavancagem financeira favorável, pois o GAF é maior do que um. Assinale a alternativa que traz a sequência correta: Nota: 10.0 A F, V, F, V B F, V, F, F C V, V, F, V D V, F, V, F Você acertou! Gabarito: II. As siglas ROE e ROI significam “RETORNO SOBRE O PATRIMÔNIO LÍQUIDO” e “RETORNO SOBRE O INVESTIMENTO”, respectivamente. Se tivermos um ROI = 10%, e ROE = 8% o resultado demonstra que houve alavancagem financeira IV. DESFAVORÁVEL, pois, o GAF é MENOR do que um. (GAF = ROE/ROI – GAF= 8/10 GAF = 0,83). Rota da aula 01, pág.7, 8 e 9. E V, V, V, F Questão 3/10 - Administração Financeira e Orçamentária Antes de iniciar qualquer estudo de viabilidade, é preciso saber qual é a “referência” para a análise. Na análise de investimentos, a mencionada referência de análise se chama Taxa Mínima de Atratividade (TMA). Podemos defini-la como sendo a taxa de juros considerada como minimamente aceitável para remunerar o investimento que será realizado. Assinale a alternativa que diz respeito às três variáveis consideradas na formação da TMA. Nota: 10.0 A Payback; taxa interna de retorno; valor presente líquido. B Custo de oportunidade; risco do investimento, liquidez. Você acertou! Gabarito: Rota da aula 0, pág. 03. C GAF; ROI; ROE. D Ativo, passivo, patrimônio líquido. E Receitas brutas, despesas operacionais, lucro bruto. Questão 4/10 - Administração Financeira e Orçamentária A análise de Swot é uma técnica de análise dos ambientes interno e externo, comumente empregada para a avaliação do posicionamento da organização e de sua capacidade de competição. Essa análise consiste em realizar uma investigação completa sobre a empresa e sobre o ambiente no qual ela está inserida. Assim, a gestão terá informações mais precisas para elaborar estratégias com maior segurança. Assinale a alternativa que demonstra os fatores considerados nas análises dos ambientes interno e externo pela Matriz Swot. Nota: 10.0 A Política; econômica; social; tecnológica B Concorrentes; fornecedores; clientes; produtos C Preço; promoção; produto; praça D Forças; fraquezas; oportunidades; ameaças Você acertou! Gabarito: Rota da aula 04 página 05 Forças; fraquezas; oportunidades; ameaças E Rivalidade; barganha; substitutos; entrantes Questão 5/10 - Administração Financeira e Orçamentária Capital de giro pode ser definido como o montante de recursos aplicado pela empresa em seu ciclo operacional, que durante o processo de produção, venda e recebimento transforma-se e assume diferentes formas. Sobre os conceitos de capital de giro, analise as opções a seguir classificando-as como verdadeiras (V) ou falsas (F). I. O capital de giro é conhecido também como capital circulante. II. O capital de giro corresponde aos recursos aplicados em ativos circulantes, que se transformam constantemente dentro do ciclo operacional. III. O termo “giro” refere-se aos recursos correntes (curto prazo) da empresa. IV. Os itens que geralmente compõe o capital de giro ou capital circulante são as disponibilidades. Assinale a resposta correta: Nota: 10.0 A V, V, V, V Você acertou! Todas estão corretas. Livro: LUZ, Adão Eleutério da. Introdução à administração financeira e orçamentária. Curitiba: Intersaberes Dialógica, 2015. páginas 117 - 120. B V, F, F, V C F, V, V, V D V, F, V, F E F, V, F, V Questão 6/10 - Administração Financeira e Orçamentária Todo processo orçamentário envolve muitas pessoas em sua elaboração e execução. As partes do orçamento são realizadas separadamente e unidas posteriormente por meio de um processo chamado consolidação. Depois, é chegada a hora de verificar se tudo o que foi planejado em termos de metas está sendo contemplado no orçamento geral. Sobre as etapas do orçamento, analise as características a seguir: “É iniciada com o plano de marketing, a partir do que a entidade direciona os esforços para o seu mundo externo, pelo plano de produção, suprimentos e estocagem (no caso de uma entidade que tenha a geração de um produto tangível), plano de investimento no ativo permanente e plano de recursos humanos”. Assinale a alternativa que demonstra a etapa do orçamento caracterizada. Nota: 10.0 A Orçamento de capital B Orçamento operacional Você acertou! Gabarito: Rota da aula 05 página 02 A etapa operacional é iniciada com o plano de marketing, a partir do que a entidade direciona os esforços para o seu mundo externo, pelo plano de produção, suprimentos e estocagem (no caso de uma entidade que tenha a geração de um produto tangível), plano de investimento no ativo permanente e plano de recursos humanos. C Orçamento financeiro D Orçamento de investimentos E Orçamento de custos e despesas Questão 7/10 - Administração Financeira e Orçamentária A geração de caixa pode ser considerada como a “seta dourada” do processo financeiro dentro de uma empresa privada. Quando temos uma atividade que gera caixa é possível afirmar que dispomos de um negócio que contemple uma demanda de mercado e que os consumidores estão dispostos a comprar um determinado produto e/ou serviço. Analise as proposições e marque a correta: Sobre a geração de Caixa, é correto afirmar que: I - Empresas que geram fluxo de caixa e possuem a expectativa e tendência de continuar gerando, Porque II - São empresas com maior volume de vendas e com maior probabilidade de obter lucros e rentabilizar capital de investidores. A respeito dessas assertivas, assinale a opção correta segundo a teoria vista nas aulas e no texto da disciplina: Nota: 10.0 A As assertivas I e II são verdadeiras, porém são proposições excludentes. B A assertiva I é uma proposição falsa e a II é verdadeira. C As duas assertivas são falsas. D As duas assertivas são verdadeiras e complementares entre si. Você acertou! Correta a letra C. MATERIAL PARA IMPRESSÃO DO AVA – AULA 02 p. 03 E A assertiva I é uma proposição verdadeira e a II é falsa. Questão 8/10 - Administração Financeira e Orçamentária Se o custo dos recursos de terceiros utilizados no financiamento for menor do que o retorno produzido pelos ativos nos quais foram aplicados, há uma diferença positiva em favor dos proprietários. A _______________________ decorre da existência de recursos de terceiros na estrutura de capital da empresa. Essa injeção financeira somente deve ser feita após cuidadosa análise destinada a fornecer elementos adequados aos acionistas que podem ou não aprovar. Complete a frase acima com a alternativa que melhor se adequa à lacuna em aberto. Nota: 10.0 A Alavancagem financeira. Você acertou! A ALAVANCAGEM FINANCEIRA decorre da existência de recursos de terceiros na estrutura de capital da empresa. Livro LUZ, Adão Eleutério da. Introdução à administração financeira e orçamentária. Curitiba: Intersaberes Dialógica, 2015. Página 151. B Alavancagem operacional. C Análise volume-lucro. D Alavancagem total. E Ciclo financeiro. Questão 9/10 - Administração Financeira e Orçamentária Os fluxos de caixa demandam atenção especial por parte do financeiro da empresa (tesoureiro), que sabe da importância dada pelos usuários destes demonstrativos (proprietários ou acionistas). No entanto, a projeção dos fluxos decaixa depende da contabilidade (controladoria), que gera as informações contábeis necessárias para a sua elaboração. Sobre a forma que pode ser estruturada a análise de desempenho do fluxo de caixa, enumere a segunda coluna de acordo com a primeira. 1 - Análise de consistência ( ) Tem a preocupação básica de conteúdo, assegurando que as informações estão todas lá no modelo, e são adequadas. 2 - Análise comparativa ( ) Pretende alcançar os melhores resultados em termos de geração de caixa. 3 - Análise de otimização ( ) Faz comparações sumarizadas. Assinale a assertiva que mostra a sequência correta: Nota: 10.0 A 1, 2, 3 B 1, 3, 2 Você acertou! Gabarito: Rota da aula 06 páginas 06 e 07. C 2, 3, 1 D 3, 2, 1 E 3, 1, 2 Questão 10/10 - Administração Financeira e Orçamentária O índice de lucratividade, é um índice que apresenta quanto se ganha por unidade monetária investida no projeto, ou seja, ele apresenta qual foi o retorno financeiro do projeto para cada R$ 1,00 investido. Analise o contexto a seguir: Considere um investimento de R$ 50.000,00 e que gerou 5 retornos anuais líquidos de R$ 15.000,00, R$ 18.000,00; R$ 21.000,00; R$ 24.000,00 e R$ 27.000,00 consecutivamente, e TMA é de 20% ao ano. Assinale a alternativa que indica o índice de lucratividade obtido nesse investimento. Nota: 10.0 A 1,15 B 1,19 Você acertou! Rota da aula 02, pág. 22. C 1,21 D 1,24 E 1,28 1 Prof. Fernando Eduardo Kerschbaumer Administração Financeira e Orçamentária Aula 1 Conversa Inicial Investimentos Retorno esperado de fluxo de caixa Ambiente financeiro – decisões Financiamentos Recursos próprios ou de terceiros Fluxo de caixa para pagamentos Dividendos Distribuição de lucro Tema 1 – O papel e o ambiente da administração financeira 2 “Maximização da riqueza dos proprietários por meio da valorização da ação da empresa no mercado.” (Gitman, 2010, p. 13) Administração financeira – objetivo CFO – Chief Financial Officer, ou diretor financeiro Tesoureiro: foco mais externo (finanças) Controller: foco mais interno (contabilidade) (Gitman, 2010, p. 9) O diretor financeiro, o tesoureiro e o controller Tema 2 – Dinâmica das decisões financeiras da empresa Planejamento financeiro Controle financeiro Administração de ativos Administração de passivos (Assaf, 2014, p. 11) Funções da administração financeira no ambiente empresarial “Um dos instrumentos financeiros mais importantes na avaliação do desempenho operacional e planejamento é a alavancagem financeira.” (Assaf, 2014, p. 139) Alavancagem financeira L. líquido = R$ 3.696,00 PL = R$ 30.000,00 L. oper. = R$ 5.280,00 Investimento = R$ 50.000,00 Assim: ∴ , % , % ∴ , Alavancagem financeira – exemplo 3 Tema 3 – Risco e retorno “Risco é a chance de perda financeira” “Risco é usado de forma intercambiável com incerteza em referência à variabilidade dos retornos associados a um determinado ativo.” (Gitman, 2010, p. 203) Risco Calcular com base em: retorno esperado desvio-padrão (σ) coeficiente de variação Avaliação do risco Tema 4 – Teoria do portfólio Combinação de ativos Diversificação (ações, como exemplo) Portfólio Deve-se calcular o retorno esperado e o risco de cada ativo Depois é calculada a covariância entre os ativos Por fim, deve ser analisado o conjunto 4 Tema 5 – Custo de oportunidade e criação de valor “Um custo de oportunidade retrata o quanto uma pessoa (empresa) sacrificou de remuneração por ter tomado a decisão de aplicar seus recursos em determinado investimento alternativo, de risco semelhante.” (Assaf, 2014, p. 171) Custo de oportunidade – conceito Dados os projetos A e B Projeto A = ROI de 20% Projeto B = ROI de 30% Custo de oportunidade e criação de valor – exemplo Resultados Escolha = projeto B (criação de valor) Custo de oportunidade = projeto A Na Prática Marque as funções do tesoureiro (T) e do controller (C) Planej. financeiro ( ) Contab. de custos ( ) Gestão de caixa ( ) Captação de fundos ( ) Decisões s/invest. ( ) Contab. financeira ( ) Gestão fiscal ( ) 5 Assinale o objetivo da administração financeira a) Maximizar o lucro da empresa b) Reduzir os custos c) Aumentar a receita d) Reduzir os tributos e) Maximizar a riqueza dos acionistas Em que situação um investimento gera alavancagem financeira, criando valor para os acionistas? Resposta: quando a taxa de retorno do investimento (ROI) superar o custo de captação Exemplo: ROI = 20% Custo captação = 12% Finalizando 1. O papel e o ambiente da administração financeira 2. Dinâmica das decisões financeiras da empresa Temas abordados 3. Risco e retorno 4. Teoria do portfólio 5. Custo de oportunidade e criação de valor 6 Referências ASSAF, A. N. Finanças corporativas e valor. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2014. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2010. ROSS, S. A. et al. Administração financeira. 10. ed. Porto Alegre: Mc Graw Hill; Bookman, 2015. 1 Prof. Silvio Persona Filho Administração Financeira e Orçamentária Aula 2 Conversa Inicial A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) O Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE) O Valor Presente Líquido (VPL) Conteúdo programático A Taxa Interna de Retorno (TIR) O payback O índice de lucratividade A análise de investimentos sob condições de risco ou incerteza Taxa Mínima de Atratividade (TMA) e Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE) Segundo Casarotto (2010) a TMA “é a taxa a partir da qual o investidor considera que está obtendo ganhos financeiros.” Taxa Mínima de Atratividade (TMA) 2 CUSTO DE OPORTUNIDADE RISCO DO INVESTIMENTO LIQUIDEZ TMA Segundo Casarotto (2010) “Este método consiste em achar a série uniforme anual (A) equivalente ao fluxo de caixa dos investimentos à Taxa Mínima de Atratividade (TMA), ou seja, (...) Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE) (...) acha-se a série uniforme equivalente a todos os custos e receitas para cada projeto utilizando-se a TMA. O melhor projeto é aquele que tiver o maior saldo positivo.” Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE) Um investimento no valor de R$ 12.009,16 irá gerar três entradas anuais no valor de R$ 6.000,00. Considerando que a TMA é de 12% ao ano, qual o valor do VAUE? VAUE = 6.000,00 – 5.000,00 VAUE = 1.000,00 Valor Presente Líquido (VPL) 3 O Valor Presente Líquido (VPL) é uma técnica que consiste em trazer ao valor presente todas as entradas líquidas de caixa e depois comparar o valor presente total com o valor do investimento realizado VPL = VP – I VPL = (213,53 + 159,44 + 89,29) – 400,00 VPL = 462,26 – 400,00 VPL = 62,26 Taxa Interna de Retorno (TIR) Taxa de desconto que faz com que o valor presente das entradas de caixa se igualem ao investimento realizado. Definição de TIR Exemplo de cálculo 4 Payback e Índice de Lucratividade (IL) O payback é um método de análise de investimentos que tem o objetivo de calcular o tempo em que o valor do investimento será integralmente recuperado. Payback Exemplo de payback simples Exemplo de payback descontado É um índice que apresenta quanto o investidor irá ganhar por unidade monetária investida. Em outras palavras: é o índice que apresenta qual foi o retorno financeiro do projeto para cada R$ 1,00 investido. Índice de lucratividade A taxa de juros que será utilizada no cálculo do valor presente é a TMA estabelecida pelo investidor í 5 Análise de investimentos sob condições de risco ou incerteza Uma análise de investimentos possui valores projetados no tempo futuro Tudo que se refere ao futuro tem um componente de incerteza Condição de risco ou incerteza Essa análise mostra em quanto o Valor Presente Líquido de um investimento poderáser alterado frente às alterações de algumas variáveis dos fluxos de caixa. Análise de sensibilidade Entende-se por cenário um conjunto de fatos e situações que ocorrem em um determinado momento do tempo e que exercem influência no investimento realizado Análise de cenários Na Prática Considere as seguintes informações: Investimento = R$ 500.000,00 Entradas = R$ 160.000,00 (cinco anos) TMA = 14% ao ano 6 Calcule: VAUE VPL TIR Payback IL Apresente um relatório VAUE = 160.000,00 – 145.641,77 = 14.358,23 Valor Anual Uniforme Equivalente VPL = 549.292,96 – 500.000,00 = 49.292,96 Valor Presente Líquido Taxa Interna de Retorno Payback simples . . , Payback Descontado . , . , , 7 Índice de lucratividade . , . , , Considerando os valores obtidos na análise, conclui-se que o projeto é viável, pois: VAUE > 0 TIR > TMA VPL > 0 Payback é inferior ao tempo de análise IL > 1,00 Finalizando Nesta aula você iniciou os estudos na análise de investimentos. Nela foram apresentados os conceitos fundamentais para aumentar a segurança dos valores investidos. Agora acesse o material complementar e bons estudos! Referências ASSAF NETO, A. Finanças corporativas e valor. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. CASAROTTO FILHO, N.; KOPITTKE, B. H. Análise de investimentos. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. (Biblioteca virtual) 8 MACEDO, J. de J.; CORBARI, E. C. Análise de projetos e orçamento empresarial.1 ed. Curitiba: Intersaberes, 2014. WESTON, J. F.; BRIGHAM, E. F. Fundamentos da administração financeira. 10 ed. São Paulo: Makron Books, 2000. 1 Prof. Fernando Eduardo Kerschbaumer Administração Financeira e Orçamentária Aula 3 Conversa Inicial Orçamento de capital Política de dividendos Estrutura de capital Outros temas Decisões financeiras de longo prazo Análise das decisões que afetam os ativos e os passivos circulantes, como: Quanto deve ser mantido em caixa? Quanto emprestar no curto prazo? Quanto conceder de crédito? Decisões financeiras de curto prazo Tema 1 – Gestão do capital de giro e de caixa Capital Circulante Líquido (CCL) e Capital de Giro (CDG) 2 Ciclo de conversão de caixa ou ciclo financeiro representa o prazo pelo qual os recursos da empresa ficam aplicados (Gitman, 2010, p. 548) A gestão do caixa Ciclo de conversão de caixa ou ciclo financeiro PMRE = 60 dias PMRV = 40 dias PMPC = 35 dias CF = 65 dias Gestão do caixa Tema 2 – Gestão de valores a receber Assaf (2014, p. 671) define aging como uma medida de estudo cronológico dos valores a receber (ou a pagar) mantidos por uma empresa Aging de valores a receber O DVR permite apurar o número médio de dias necessário para realizar financeiramente as vendas a prazo (Assaf, 2014, p. 672) DVR – dias de valores a receber (ou PMRV) Tema 3 – Administração de crédito 3 Os padrões de crédito dizem respeito à política adotada pela empresa com relação aos controles de crédito Relaxamento dos padrões de crédito Por exemplo, ampliar os prazos de recebimento das vendas atrasam a entrada de dinheiro no caixa Comparar: contribuição das vendas adicionais ao lucro (1) com (2) o custo de oportunidade e perdas marginais em razão de créditos incobráveis Se (1) – (2) > zero: relaxar os padrões (conceder mais prazo) Tema 4 – Gestão de estoques O primeiro componente do ciclo de conversão de caixa é a idade média dos estoques O estoque deve girar o mais rapidamente possível (PMRE) (Gitman, 2010, p. 552) Importância Tem por objetivo identificar os itens dos estoques com maior peso no total dos investimentos em estoques Por exemplo: itens A e B com 70% do total dos itens investidos em estoque Curva ABC 4 Para Assaf (2014, p. 703), “o modelo de lote econômico, também denominado EOQ (Economic Ordering Quantity), tem por finalidade básica definir o volume de compra de um pedido, de forma que o custo total controlável do estoque da empresa seja minimizado” Lote econômico Tema 5 – Gestão do passivo circulante Razões: orçamentos mal elaborados; gastos descontrolados; volume alto de estoques; imobilizações desnecessárias; prazos médios inadequados; política inadequada de distribuição de dividendos Falta de dinheiro no caixa Ano 1 Ano 2 Ano 3 CDG 100 130 160 NCG 120 180 240 ST -20 -50 -80 Overtrade ou efeito tesoura Gráfico do overtrade ‐100 0 100 200 300 Ano 1 Ano 2 Ano 3 V al o re s e m R $ m il Períodos ‐ anos Overtrade ou efeito tesoura CDG NCG ST Na Prática 5 Sendo PMRE = 30 dias PMRV = 40 dias PMPC = 45 dias Determine o CF Questão 1 CF = 30 + 40 – 45 CF = 25 dias Resposta Cite alguns exemplos de gestão financeira de curto prazo Questão 2 Quanto manter em caixa Quanto tomar emprestado no curto prazo Quanto conceder de crédito e a que prazo Resposta Sendo NCG = 80 mil CDG = 100 mil Determine o ST Questão 3 ST = CDG – NCG ST = 100 – 80 ST = 20 mil Resposta 6 O que é overtrade ou efeito tesoura? Questão 4 Saldos de tesouraria crescentemente negativos a cada período Resposta O que é a curva ABC? Questão 5 Mostra quais itens do estoque têm maior peso nos investimentos totais em estoque Resposta O que é ciclo de conversão de caixa ou ciclo financeiro? Questão 6 CF = PMRE + PMRV – PMPC Resposta 7 O que é relaxamento dos padrões de crédito? Questão 7 O aumento de vendas com ampliação de prazos para os clientes Resposta O que é aging? Questão 8 Medida de estudo cronológico dos valores a receber (ou a pagar) mantido por uma empresa Resposta Finalizando 1. Gestão do capital de giro e do caixa 2. Gestão de valores a receber 3. Administração de crédito 4. Gestão de estoques 5. Gestão de passivos circulantes Temas abordados 8 Referências ASSAF, A. N. Finanças corporativas e valor. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2014. GITMAN; LAWRENCE, J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2010. ROSS et al. Administração financeira. 10. ed. Porto Alegre: Mc Graw Hill – Bookman, 2015. 1 Prof. Silvio Persona Filho Administração Financeira e Orçamentária Aula 4 Conversa Inicial O orçamento como instrumento de planejamento e controle Análise das condições ambientais e setoriais Tipos de orçamento Controle matricial O ciclo orçamentário Temas desta aula Tema 1 – O orçamento como instrumento de planejamento e controle Orçamento é um instrumento que traduz o planejamento em números Conceito Orçamento é uma ferramenta de planejamento e de controle, que possibilita aos gestores conhecer as suas metas e que elas sejam alcançadas no período orçado 2 Tema 2 – Análise das condições ambientais e setoriais Análise de SOWT Analisa o cenário em que a empresa está inserida, bem como permite a inferência de tendências. As áreas analisadas são: Política, Econômica, Social e Tecnológica Análise PEST As cinco forças de Porter Tema 3 – Tipos de orçamentos 3 Uma vez elaborado não permite mudanças Exige uma constante análise dos desvios para que as projeções sejam corrigidas em períodos futuros Orçamento estático Conforme Lunkes (2008), “o orçamento contínuo é baseado em um prazo movente que se estende em função de um período fixo. (...) Orçamento contínuo (...) Quando um período termina, outro é acrescentado ao final do ciclo” Todos os valores a serem orçados devem ser justificados e elaborados como se a empresa estivesse começando do zero Orçamento Base Zero (OBZ) Neste orçamento há flexibilização dos valores orçados na medida em que ocorrem desvios de valores entre o que foi orçado e o que foi realizado Orçamento flexível Com a descentralização do poder de decisão é permitida a revisão constante baseada em objetivos elásticos,sempre tendo em foco um objetivo superior Orçamento beyond budgeting 4 Tema 4 – Controle matricial Controla e analisa os gastos ou as receitas por meio de linhas e colunas, cruzando as informações das unidades organizacionais e seus gastos ou receitas Tema 5 – O ciclo orçamentário O ciclo orçamentário abrange os aspectos relativos à sua temporalidade, bem como os de etapas ou fases Abrangência 5 Aspecto temporal Fases ou etapas Na Prática Conforme estudado nas aulas, o orçamento empresarial é consolidado de outros orçamentos, tais como: orçamento de venda, de produção, de caixa, de despesas operacionais, entre outros Assim, faça um relato sobre os orçamentos citados Expectativas dos sócios, acionistas, administradores Estudo da demanda Estudos econômicos Capacidade instalada Orçamento de venda Determina a quantidade a ser produzida durante o período do orçamento Orçamento de produção 6 Levantamento dos recursos financeiros necessários para fazer frente às necessidades do orçamento Orçamento de caixa As despesas operacionais estão relacionadas à atividade meio da empresa. São as áreas de suporte ao negócio: comercial, administrativo, financeiro etc. Orçamento de despesas operacionais Finalizando O orçamento é uma ferramenta de planejamento e de controle que possibilita aos gestores conhecer as suas metas específicas para o período orçado A análise das condições ambientais e setoriais constitui um conjunto de informações para que as estratégias sejam bem elaboradas Existem vários tipos de orçamento, sendo alguns deles: orçamento estático, de base zero (OBZ), flexível e beyond budgeting 7 O controle matricial controla e analisa os gastos ou as receitas por meio de linhas e colunas (na forma de uma matriz), cruzando as informações das unidades organizacionais e seus e gastos ou receitas O ciclo orçamentário abrange os aspectos relativos à sua temporalidade, bem como os das etapas ou fases Referências FREZATTI, F. Orçamento empresarial: planejamento e controle gerencial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008 HOJI, M. Administração financeira e orçamentária. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2009. LUNKES, J. R. Manual do orçamento. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008. PADOVEZE, C. L.; TARANTO, F. C. Orçamento empresarial: novos conceitos e técnicas. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. SARDINHA, J. C. et al. Orçamento e controle. 1. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2008. 1 Prof. Silvio Persona Filho Administração Financeira e Orçamentária Aula 5 Conversa Inicial O orçamento operacional Orçamento das atividades financeiras Orçamento de capital Conteúdo programático Projeção de Demonstrações Contábeis – Parte I Projeção de Demonstração de Demonstrações Contábeis – Parte II Conteúdo programático Tema 1 – Orçamento operacional O orçamento operacional é a etapa que envolve todos os planos de operações da empresa, ou seja, aqueles que estruturam suas atividades Conceito 2 Plano de marketing Plano de produção, suprimentos e estocagem Plano de investimentos no ativo permanente Plano de recursos humanos Tema 2 – Orçamento de atividades financeiras Esta etapa do orçamento irá estabelecer os recursos financeiros necessários para suportar os gastos para a realização do orçamento Classificação dos gastos GASTO INVESTIMENTO CUSTO DESPESA Orçamento de investimentos Orçamento de financiamentos Orçamentos de custos e despesas Tema 3 – Orçamento de capital 3 O orçamento de capital corresponde aos investimentos no ativo imobilizado para atender as metas contidas no orçamento geral Conceito Geração de propostas de investimento Estimativa dos fluxos de caixa das diversas propostas Avaliação dos fluxos de caixa Etapas Escolha de projetos com base em um critério de aceitação Avaliação permanente dos projetos de investimento já aceitos e em execução Tema 4 – Projeção das demonstrações contábeis – parte I Esclarecimentos iniciais O fluxo de caixa projetado tem como objetivo precípuo determinar os saldos de caixa em cada período que irá compor o intervalo de tempo considerado Fluxo de caixa projetado 4 Tema 5 – Projeção das demonstrações contábeis - parte II Neste tema trataremos da elaboração da Demonstração de Resultado do Exercício e do Balanço Patrimonial, ambos projetados e oriundos do orçamento empresarial Esclarecimentos iniciais A elaboração desse relatório tem por objetivo apresentar o resultado econômico projetado para o período do orçamento DRE projetada O Balanço Patrimonial projetado irá demonstrar como ficará a posição patrimonial e financeira da empresa quando agregadas todas as movimentações previstas no orçamento BP projetado Na Prática 5 Finalizando O orçamento operacional é a etapa que envolve todos os planos de operações da empresa O orçamento das atividades financeiras irá levantar os recursos financeiros necessários para a realização do orçamento de forma global O orçamento de capital corresponde aos investimentos no ativo imobilizado O fluxo de caixa projetado tem como objetivo principal determinar se os saldos de caixa de cada período orçado serão suficientes para financiar todas as operações previstas no orçamento A Demonstração de Resultado do Exercício projetada tem por objetivo apresentar o resultado econômico projetado para o período do orçamento 6 O Balanço Patrimonial projetado irá demonstrar como ficará a posição patrimonial e financeira da empresa quando agregadas todas as movimentações previstas no orçamento Referências FREZATTI, F. Orçamento empresarial: planejamento e controle gerencial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008. HOJI, M. Administração financeira e orçamentária. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2009. LUNKES, J. R. Manual do orçamento. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008. PADOVEZE, C. L.; TARANTO, F. C. Orçamento empresarial: novos conceitos e técnicas. São Paulo: Pearson, 2009. SANVICENTE, A. Z.; SANTOS, C. da C. Orçamento na administração de empresas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008. SARDINHA, J. C. et al. Orçamento e controle. 1. ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2008. 1 Prof. Fernando Eduardo Kerschbaumer Administração Financeira e Orçamentária Aula 6 Conversa Inicial Orçamento Demonstrativo dos Fluxos de Caixa (DFC): Operacionais De investimento De financiamento Controle orçamentário Tema 1 – Monitoramento do controle orçamentário “Documentos formais que quantificam os planos de uma empresa para atingir suas metas.” (Jiambalvo, 2001, p. 197) 1.1 Conceito de orçamento Para planejamento: Fomentam a comunicação e a coordenação Para controle: Fornecem uma base para a avaliação de desempenho 1.2 O uso dos orçamentos 2 Identificar e analisar as variações ocorridas Corrigir erros detectados Ajustar o plano orçamentário 1.3 Alguns dos objetivos do controle orçamentário Traz o tipo de despesa e receita de todos os centros de custos ou divisões Compara o realizado contra o previsto 1.4 Relatório de controle orçamentário Reúne orçamentos individuais, como: De vendas De produção De compra de materiais 1.5 Orçamento geral De mão de obra De despesas administrativas e com vendas De aquisições de bens de capital 1.5 Orçamento geral Balanço Patrimonial (BP) Demonstração do Resultado (DR) Demonstrativo dos Fluxos de Caixa (DFC) Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) 1.6 Demonstrativos contábeis gerados a partir do orçamento geral Tema 2 – Fluxos de caixa e planejamento financeiro 3 Permite avaliar a capacidade da empresa para: Pagar as obrigações Fazer novos investimentos Pagar dividendos 2.1 A importância do Demonstrativo dos Fluxos de Caixa (DFC) “Planejar é relativamente fácil. O difícil é conseguir informações e comparar o previsto com o realizado e explicar asdiferenças.” (Frezatti, 2014, p. 121) 2.2 Planejamento, controle e análise dos resultados de um orçamento Tema 3 – Fluxo de caixa de atividades operacionais Para fins de demonstração dos fluxos de caixa, o “caixa” é composto de: Caixa propriamente dito; bancos (conta movimento); aplicações financeiras com liquidez imediata (até 90 dias) 3.1 Conceito de caixa e equivalentes de caixa Atividades operacionais Atividades de investimentos Atividades de financiamentos 3.2 Atividades do Demonstrativo dos Fluxos de Caixa (DFC) Os fluxos de caixa operacionais constituem as entradas e saídas de caixa relacionadas diretamente à venda e produção de bens e serviços 3.3 Conceito de atividades operacionais 4 Recebimento de vendas Pagamento a fornecedores de matéria-prima Pagamento de salários e encargos (fábrica, adm. e vendas) Pagamento de publicidade 3.4 Exemplos de atividades operacionais Tema 4 – Fluxo de caixa de atividades de investimentos “Os fluxos de investimento representam os fluxos de caixa associados à compra e venda de ativos imobilizados e investimentos em participações societárias.” (Gitman, 2010, p. 98) 4.1 Conceito de atividades de investimento Recebimento de venda de bens do imobilizado Pagamento no ato da aquisição de bens do imobilizado Pagamento pela compra de ações de outras empresas 4.2 Exemplos de atividades de investimento Tema 5 – Fluxo de caixa de atividades de financiamentos “Os fluxos de financiamento provêm de transações financeiras com capital de terceiros (dívidas) ou capital próprio [...].” (Gitman, 2010, p. 99) 5.1 Conceito de atividades de financiamentos 5 Compra e venda de ações de emissão própria Empréstimos e financiamentos levantados no mercado financeiro 5.2 Exemplos de atividades de financiamento Amortização de empréstimos e financiamentos Pagamento de dividendos 5.2 Exemplos de atividades de financiamento Na Prática Qual a importância para a empresa de um planejamento (ou plano) orçamentário? Questão 1 Resposta Projetar as receitas e despesas, o fluxo de caixa (DFC) e demais demonstrativos, novos investimentos e os dividendos a serem pagos Questão 1 Segundo Padoveze & Taranto, quais são os principais objetivos do controle orçamentário? Questão 2 6 Resposta Identificar e analisar as variações ocorridas Corrigir os erros detectados Ajustar o plano orçamentário, se for o caso, para garantir bons resultados Questão 2 Quais os principais demonstrativos contábeis gerados (orçados) a partir de um planejamento (ou plano) orçamentário? Questão 3 Resposta Balanço Patrimonial (BP) Demonstração do Resultado (DR) Demonstrativo dos Fluxos de Caixa (DFC) Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) Questão 3 Quais as três atividades que compõem o demonstrativo dos fluxos de caixa? Questão 4 Resposta Atividades operacionais Atividades de investimentos Atividades de financiamentos Questão 4 Finalizando 7 Monitoramento do controle orçamentário Fluxo de caixa e planejamento financeiro: Operacionais Investimento Financiamento Síntese Referências ASSAF, A. N. Finanças corporativas e valor. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2014. FREZATTI, F. Gestão do fluxo de caixa. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2014. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2010. JIAMBALVO, J. Contabilidade gerencial. Rio de Janeiro: LTC, 2001. PADOVEZE, C. L.; TARANTO, F. C. Orçamento empresarial. São Paulo: Pearson, 2009.