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UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP
LIBIA LEILIANE RAIOL CARNEIRO
ESTUDO SOBRE CRECHE PÚBLICA E SUA INSERÇÃO NA CIDADE DO ITAPOÃ-DF
BRASÍLIA - DF
2018
LIBIA LEILIANE RAIOL CARNEIRO
ESTUDO SOBRE CRECHE PÚBLICA E SUA INSERÇÃO NA CIDADE DO ITAPOÃ-DF
Trabalho Final de Graduação apresentado à banca examinadora para a obtenção do grau de bacharel na Universidade Paulista, Brasília - DF, curso de Arquitetura e Urbanismo.
Brasíla, ________ de _________________ de 20____.
Orientador: Prof. Brunno Barbosa
BRASÍLIA – DF
2018
LIBIA LEILIANE RAIOL CARNEIRO
ESTUDO SOBRE CRECHE PÚBLICA E SUA INSERÇÃO NA CIDADE DO ITAPOÃ-DF
Trabalho Final de Graduação apresentado à banca examinadora para a obtenção do grau de bacharel na Universidade Paulista, Brasília - DF, curso de Arquitetura e Urbanismo.
Data da aprovação: ____ de ______ de 20____.
BANCA EXAMINADORA
______________________________________
 Prof. Brunno Barbosa
Orientador
_____________________________________
 Prof (a). 
Avaliador(a)
_____________________________________
 Prof (a). 
Avaliador(a)
Dedico este trabalho a Deus, agradecendo-o sobre todas as coisas; à minha família: Saulo, meu marido, Isabela, Victor e Daniel,meus filhos, bênçãos de Deus, que estiveram comigo durante todo o curso. A minha sogra, por todo apoio e auxílio nesse período. À minha mãe Luci, a quem eu honro por ter me dado a vida. Ao meu irmão Robson, pelo incentivo. Ao meu pai Rofildo, que estaria orgulhoso de mim. Saudades imensas.
"Se ajuda e salvação podem vir, vir-nos-ão apenas da criança; pois que a criança é o construtor do homem."
(Dra. Maria Montessori)
LISTA DE FIGURAS
Figura 01 - Responsabilidade pelo domicílio por sexo e por região administrativa no DF .........................................................................................11
Figura 02 - Freqüência em escolas regulares – crianças de 0 a 4 anos no Itapoã ................................................................................................................12
Figura 03 – Infantário ........................................................................................19
Figura 04 - Berçário da Creche Rogacionista em 1999 ....................................20
Figura 05 - Berçário em processo de eliminação de berços .............................21
Figura 06 - Creche Municipal São Miguel Arcanjo, em Madureira, RJ .............22
Figura 07 - Creche Comunitária Santino, Uberlândia, MG ...............................23
Figura 08 - Dra. Maria Montessori (1870-1952) ................................................25
Figura 09 - Creches e escolas montessorianas ................................................26
Figura 10 – Creche Marina Crespi ................................................................... 27
Figura 11 - Vila Maria Zélia ...............................................................................29
Figura 12 - Vila Operária Maria Zélia – distribuição dos imóveis .....................30
Figura 13 – Creche da SFU Univercity ............................................................31
Figura 14 - Cidade Universitária da Universidade Simon Fraser – mapa e vista de satélite ..........................................................................................................32
Figura 15 - Sistema de captação de águas pluviais ........................................ 33
Figura 16 - Sistema de aquecimento solar de água .........................................33
Figura 17 – Fachada Escola Maria Montessori ...............................................35
Figura 18 - Playgroud (área interna) .................................................................35
Figura 19 – Localização do Itapõa no Distrito Federal .....................................37
Figura 20 – Localização do terreno no Itapoã ..................................................38
Figura 21 – Localização do terreno no Itapoã ..................................................39
Figura 22 – Hierarquia Viária ............................................................................40
Figura 23 – Vila Olímpica inacabada ................................................................41
Figura 24 – Estacionamento público .................................................................42
Figura 25 – Tribunal Regional Eleitoral – 2ª. zona eleitoral ..............................42
Figura 26 – Academia pública e playgroud .......................................................43
Figura 26 – Mapa de uso do solo .....................................................................43
Figura 27 – Mapa de gabarito ...........................................................................44
Figura 28 – Mapa de topografia ........................................................................45
Figura 29 – Perfil do nível do terreno do Leste em direção ao Oeste ..............45
Figura 30 – Dados climáticos no DF .................................................................47
Figura 31 – Gráfico de chuva no DF .................................................................48
Figura 32 – Gráfico de temperatura e zona de conforto no DF ........................48
Figura 33 – Gráfico de umidade relativa no DF ................................................49
Figura 34 - Insolação Fachada Leste ...............................................................50
Figura 35 - Insolação Fachada Oeste ...............................................................51
Figura 36 - Insolação Fachada Norte ...............................................................52
Figura 37 - Insolação Fachada Sul ...................................................................53
SUMÁRIO
9RESUMO
101.
INTRODUÇÃO
111.1 Justificativa
141.2 Objetivo geral
151.3 Objetivos específicos
162.
CRECHE: CONCEITOS
183.
HISTÓRICO DA CRECHE
244.
MODELO DE CRECHE: MÉTODO MONTESSORIANO
275.
ESTUDO DE CASOS
27a.
Creche Marina Crespi – São Paulo/SP
31b.
Creche da SFU Univercity – Canadá
34c.
Escola Infantil Maria Montessori – Brasília/DF
376.
DIAGNÓSTICO DO TERRENO E ENTORNO
39a.
Histórico do Itapoã
41b.
Mobiliário e Equipamentos Urbanos
43c.
Mapa de uso do solo
44d.
Mapa de gabarito
45e.
Mapa de topografia
467.
ASPECTOS BIOCLIMÁTICOS
498.
BIOCLIMATISMO
49a.
Estratégias de condicionamentos
50b.
Análise de insolação
549.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
RESUMO
Proposta de implantação de creche pública na região administrativa do Itapoã/DF com base em método montessoriano. Estudo da demanda e existência de equipamentos públicos creche na região, objetivos gerais e específicos, conceitos e histórico do equipamento creche em amplo acervo bibliográfico.
ABSTRACT
Proposal of implementation of public child daycare in the administrative region of Itapoã / DF based on Montessorian method. Study of the demand and existence of public equipment in the region, general and specific objectives, concepts and history of child daycare equipment in a wide bibliographic collection.
1. INTRODUÇÃO
O presente Estudo sobre creche pública e a sua inserção na cidade do Itapoã/DF tem como objetivo atender a necessidade de mães com filhos em idade pré-escolar na Região Administrativa no. XXVIII – Itapoã, localizado em Brasília/DF, que possuem dificuldades para a empregabilidade por não ter como relegar a supervisão de seus filhos durante a jornada de trabalho a profissionais qualificados, pela inexistência de um equipamento público creche na cidade onde reside e/ou trabalha e a limitação em contratar serviços privados, bem como ter uma educação de qualidade desde a primeira infância.
Entretanto, apesar da necessidade primária ser assistencial, vamos estudar como oferecer mais do que uma supervisão para os filhos da comunidade, e sim uma instituição que apóie o desenvolvimento da criança e da família antes do período escolar, apoiando a inserção dela na coletividade.
Neste estudo, vamos compreender a demanda desse público-alvo (crianças de 0 a 4 anos e suas mãesde qualquer idade) e a oferta desse tipo de equipamento público na região. Ainda, compreender a conceituação desse equipamento público e seu histórico na sociedade.
Esta hipótese será estudada para, caso comprovada, oferecer um projeto de creche pública que contemple as preocupações arquitetônicas, trabalhando no caráter funcional e lúdico das instalações, e os cuidados com o urbanismo da região.
1.1 Justificativa
Ao longo da formação da sociedade, em especial a partir do período da Revolução Industrial, as mulheres passaram a ter um papel mais participativo na geração de bens e serviços nos lares. Longe do paradigma do sexo frágil e do papel marginalizado na família patriarcal tradicional de somente algumas décadas atrás, a mulher muitas vezes não só contribui para a geração de renda da família, seja por meio de um emprego formal ou de atividades autônomas, como também assume o papel de mantenedoras da casa.
No mundo, “a creche servia para as mulheres terem condições de trabalhar nas indústrias” (Bach e Peranzoni, 2014), enquanto que no Brasil ela servia para atender também os filhos das empregadas domésticas. 
Esta realidade não é diferente na região administrativa de estudo. A partir de pesquisas realizadas pela CODEPLAN – Companhia de Planejamento do Distrito Federal, dentre elas a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) e a Pesquisa Metropolitana por Amostra de Domicílios (PMAD), os dados da região metropolitana do Itapoã demonstram que o percentual de mulheres que se declararam responsáveis pelo domicílio é de 26,4%.
Nestas mesmas pesquisas, identifica-se que, dentre as mulheres entre 20 e 35 anos, idade considerada ideal para a gestação, 53,5% delas possuem alguma atividade remunerada, seja sob emprego formal ou não. Portanto, as mulheres dessa faixa etária contribuem com a geração de renda familiar, deixando de ser meras coadjuvantes no cenário familiar atual.
E quando pensamos nas crianças em idade pré-escolar, 8,94% de toda a população do Itapoã encontra-se nesse perfil. Deste público, 85,38% não freqüenta escolas ou creches atualmente.
Diante de tão alarmantes números de crianças desassistidas e mães precisando recorrer majoritariamente a trabalhos informais, “bicos” ou
 atividades autônomas sem a proteção que o regime previdenciário oficial deve garantir a todos os habitantes, urge a necessidade de um equipamento creche para prestar apoio a essas mães que precisam trabalhar, mas não tem onde deixar os filhos, bem como inserir precocemente a criança na vida escolar, facilitando sua inserção nos primeiros anos escolares.
Segundo a Secretaria de Educação do Distrito Federal em 24/08/2018, que presta cobertura acadêmica à população do Paranoá, Paranoá-Parque e Itapoã, não existem creches públicas na região para atender esse público¹. 
Cabe ressaltar que a obrigação na oferta desses serviços pelo governo é a partir dos 4 anos de idade (de acordo com o ECA – Estatuto da Criança e Adolescente).
A administração do Itapoã afirmou não existir projetos específicos para esse fim, mas informou, ainda, que há creches em outras regiões administrativas que prestam assistência às crianças do Itapoã, mas que contam com uma fila de espera de 272 crianças nessa faixa etária.
A única creche conveniada que hoje atende crianças menores de cinco anos, instalada no Lago Sul (creche São Judas Tadeu na QI 19), dispõe de apenas 44 vagas, ou seja, atende 0,7% de toda a demanda existente no Itapoã. Entretanto, mesmo com a responsabilidade legal do Estado de que precisa garantir escola a partir dos cinco anos de idade, a assistência a essas crianças e mães gera inúmeros benefícios para a sociedade.
Portanto, tendo em vista o crescimento social e intelectual das crianças e seus pais ou responsáveis, bem como o sustento familiar por mulheres, propõe-se um projeto de inserção de um equipamento creche na região administrativa, compreendendo haver demanda comprovada para este projeto.
1.2 Objetivo geral 
A presente proposta sobre creche pública na cidade do Itapoã/DF busca compreender as características da população local de mães e suas crianças de 0 a 4 anos e elaborar um projeto arquitetônico e urbanístico no equipamento creche pública para atender a população da região administrativa do Distrito Federal no. XXVIII – Itapoã com base nos conceitos montessorianos de desenvolvimento da criança em todos os seus aspectos.
 1.3 Objetivos específicos
· Levantar dados sobre os equipamentos públicos disponíveis para atendimento às mães de crianças de 0 a 4 anos no Itapoã;
· Levantar dados sobre a demanda real e reprimida que justifique o investimento do poder público nesta intervenção;
· Levantar o perfil populacional, em especial das mulheres de 20 a 35 anos e crianças de 0 a 4 anos no Itapoã;
· Identificar os problemas na cidade do Itapoã decorrentes da falta de equipamento creche pública;
· Compreender a relação entre o equipamento creche pública e os espaços físicos e demais equipamentos que a envolvem, visando propor estratégias projetuais que consideram as peculiaridades da região, buscando adequação às normas no campo da arquitetura e urbanismo para melhorias no contexto local.
· Propor projeto arquitetônico e urbanístico que se atentem às particularidades da população e região, não atendendo somente os pais, mas tomar a criança como premissa, fazendo assim ambientes adequados para o seu desenvolvimento intelectual, motor e psíquico, que possibilitarão o uso desse equipamento de acordo com a faixa etária da criança de forma coletiva ou individual, com salas amplas bem ventiladas e iluminadas, trazendo conforto térmico e lumínico para a edificação, fazendo com que essas crianças possam ter mais concentração nas suas atividades, assim como espaços como jardins e hortas para promover uma relação da criança com a natureza.
2. CRECHE: CONCEITOS
Segundo Santos (2004), creche é “toda instituição ou estabelecimento prestador de serviço à família por meio da atenção global às necessidades básicas da criança da faixa etária de três meses a seis anos”. 
De acordo com Ruiz (2011), creche vem do termo francês que equivale à manjedoura ou presépio, que foi uma das designações usadas para referir-se ao atendimento de guarda e educação fora da família às crianças pequenas.
Didonet (2001) afirma que a creche baseia-se no trinômio mulher-trabalho-criança, onde se pode substituir atualmente o papel de “mulher” para a família, tendo em vista a crescente participação da mãe em atividades fora de casa.
Neste contexto, o equipamento creche é uma excelente saída para os pais que precisam desempenhar uma atividade fora de casa, seja ele trabalho ou estudo, mas não dispõem de pessoas ou locais adequados para garantir tal atenção às crianças.
O público-alvo das creches, portanto, são os pais de crianças de zero a quatro anos de idade (idade pré-escolar) que precisam deixar seus filhos sob cuidados especializados enquanto trabalham, estudam ou possuem compromissos nos quais não seja adequado levar crianças.
Entretanto, há críticos de sua função social: “(...) não sendo tida como uma instituição destinada à educação de todas as crianças, mas apenas como um equipamento substituindo certas mães: aquelas que trabalham fora.” (Rosemberg, 1989). 
Compreende-se o simbolismo histórico de mero equipamento assistencial, destinado às mães pobres que precisam trabalhar fora, mas não tem com quem “deixar” seus filhos. A própria palavra “creche” tem sua origem do françês creche, que significa “manjedoura”. “Associada ao simbolismo cristão de dar abrigo a um bebê necessitado, carrega consigo o sentido de guarda, proteção e cuidado” (Furtado, 2014). 
Como exemplo da aplicação da creche em seu histórico, na Alemanha oriental comunista (período compreendido entre o fim da Segunda Guerra Mundial e o final da Guerra Fria) muitas creches foram criadas pelo Estado com a ampla divulgação de que seria um benefício exclusivo deste modelo econômico e social para as mães trabalhadoras que, assim como os homens, poderiam se ‘libertar’ das obrigaçõesdomésticas e se realizar profissionalmente. Mas, após a abertura política, compreendeu-se que o “objetivo da criação das creches foi exclusivamente o de liberar as mulheres que ainda se dedicavam aos bebês para o trabalho” (Wikipédia), aumentando, assim, a força de mão-de-obra trabalhadora necessária para o desenvolvimento do modelo comunista.
Entretanto, a despeito do histórico apresentado, conceitua-se creche como uma instituição “destinada à criança de 0 a 3 anos de idade; sua oferta é um direito da criança, um dever do Estado e uma opção da família; deve ser garantida em ambientes educacionais e tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança, contemplando o cuidar e o educar” (Furtado, 2014).
O desenvolvimento integral ao qual Furtado (2014) se refere foge da mera supervisão infantil, da função única de garantia a integridade física, nutricional e emocional da criança; o autor se refere ao desenvolvimento educacional, social, cognitivo e motor dos pequenos. É este o conceito que será considerado nesse estudo.
3. HISTÓRICO DA CRECHE
Historicamente, o contexto mais aceito de desenvolvimento infantil tem sido o ambiente doméstico, aquele no qual a mãe ou outras figuras familiares, em especial figuras femininas, são as únicas responsáveis pela formação da criança. 
Com o passar dos séculos, as modificações do papel da mulher na sociedade e suas repercussões no âmbito da família trouxe à tona a necessidade de algo à altura da figura materna para substituí-la, tanto no zelo para com a criança como na sua educação. Surge então o modelo de creche.
As primeiras creches surgiram na Europa no século XIX e no Brasil no início do século XX, por ocasião do crescimento do capitalismo, da industrialização, da urbanização e da necessidade da força de trabalho composta “por seres capazes, nutridos, higiênicos e sem doença” (Adorni, 2001).
A creche constituía-se em um local sem especificidade na Europa, sem valor próprio. Entendida como uma instituição emergencial, atuava com precariedade, segundo Haddad (1991). Recursos insuficientes, atendimento ruim, quadro deficitário de profissionais composto na maioria por voluntários sem formação específica e sem amparo em legislação específica ou normas básicas de atendimento.
No início do século XX, o atendimento às crianças nessas instituições destinava-se àqueles filhos cujas mães eram solteiras e não tinham condições de criá-los e zelar pelos filhos. “Isso gerava naquelas mulheres sentimentos de pecado ou de culpa e o atendimento institucional a seus filhos era considerado um favor, uma caridade” (Oliveira et al., 1992).
O advento da industrialização nas sociedades da época provocou a necessidade do êxodo rural para as cidades e a inclusão das mulheres como mão-de-obra fabril nas cidades, tanto as solteiras como as casadas. Como instituições como as creches ainda não eram realidade em meados do século XX, as mães davam cada uma soluções diferentes ao problema, muitas vezes pagando vizinhas para “olharem” seus filhos.
Segundo Oliveira (1992), foi só na década de 1920 que os movimentos operários no Brasil cresceram a ponto de se organizarem em movimentos urbanos que exigiam melhores condições de vida e trabalho, entre eles as creches para seus filhos. 
Percebendo e visando o aumento de produtividade das mães operárias, os industriais começaram a atender essas necessidades, em especial criando vilas operárias, clubes esportivos e, inclusive, creches, como medidas que geraram aumento na satisfação dos operários. Longe de discutir o aspecto de controle social pragmático e ideológico dos empresários sobre seus operários, o efeito prático era percebido, o que elevou a importância das creches nesse contexto. 
“Com isso, as poucas creches criadas (pelos industriais) continuavam a ser vistas apenas como paliativos, como remediando uma situação como um ‘mal necessário’ ”. (Oliveira et al., 1992)
Até o final da década de 1930 a creche não era aceita pela sociedade como uma instituição adequada para receber crianças durante a jornada de trabalho dos pais. A creche não tinha sequer uma função bem definida, já que provinha majoritariamente das conseqüências da industrialiação e urbanização, e era “vista ora como substituto da família, ora como sua auxiliar” (SPADA, 2005). Dessa forma, as primeiras creches não apresentam uma dimensão pedagógica e nem de integração social, dando ênfase nos cuidados com a primeira infância.
Com o crescente movimento social no Brasil reclamando melhorias nas condições de trabalho, o presidente Getúlio Vargas criou em 1942 uma legislação específica, a C.L.T (Consolidação das Leis de Trabalho). Nessa lei, ainda hoje base de toda relação de trabalho formal no país, determinou-se a criação de berçários pelas empresas para abrigar os filhos das operárias durante o período de amamentação. Porém, sem a fiscalização devida, os berçários em ambientes de trabalho viraram um faz-de-conta, mesmo havendo a opção de que as empresas fizessem convênios com instituições privadas. 
No período dos governos militares pós-1964 houve uma acentuação da idéia de que a creche era um equipamento de assistência à criança carente. Com o avanço da industrialização a partir da década de 1950, houve um aumento do número de mulheres da classe média no mercado de trabalho, bem como a redução dos espaços recreativos formais ou informais por conta da especulação imobiliária nos médios e grandes centros urbanos. Essa realidade levou as próprias mães, agora não somente as ditas carentes, a procurarem por esses espaços. “(...) mesmo professoras, funcionárias públicas etc, além das operárias e domésticas, começaram a procurar creches para seus filhos”. (Oliveira et al., 1992).
Desde aí, a creche passou a ser ambicionada como um “espaço coletivo de educação” (Furtado, 2014). 
Em 1988, a Constituição Federal estabeleceu que a criança de zero a seis anos tem direito à educação e que isso é obrigação do Estado. Ora, se a idade escolar é a partir de sete anos e o dever do Estado é garantir a educação desde o primeiro ano de vida, a creche, que é a instituição que até então tem acolhido crianças nessa idade, não pode ser um reduto meramente assistencialista; ela deve estar inserida na função educacional do cidadão. O artigo 208 da Constituição de 1988 define que “o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de (...) atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade”. (Artigo 208, inciso IV da Constituição Federal de 1988).
Assim, a instituição creche se transforma, mudando seu caráter assistencial para o educativo na sua essência.
 
Tal transformação foi reforçada por pensadores como Jean Piaget, que elaborou a Teoria da Aprendizagem. Considerado o pai da pedagogia moderna, ele discorre sobre a aprendizagem cognitiva infantil afirmando que os princípios da nossa lógica começam a se instalar antes mesmo da aquisição da linguagem, sendo alimentada por meio das atividades motora e sensorial e as oportunidades de interação com o meio sociocultural. Na teoria piagetiana, o sujeito, quando criança, adquire conhecimento não só pela experiência (empirismo) e pelo pensamento (racionalismo), mas também pela sua interação com o meio.
Se a teoria de Piaget defende que o desenvolvimento cognitivo é realizado desde antes da fase da linguagem e que é fruto das trocas entre o organismo e o meio, a identificação dos estágios no desenvolvimento intelectual “no comportamento da criança pode orientar o educador no planejamento e oferecimento de estímulos ambientais a esse desenvolvimento” (Cavicchia). 
Desta forma, conclui-se a importância do papel da creche no desenvolvimento da criança como um ser pensante e social.
4. MODELO DE CRECHE: MÉTODO MONTESSORIANO
A metodologia de ensino Montessoriana também se encontra em creches atualmente, e não só em escolas de ensino infantil. 
Método pedagógico badalado especialmente por ter sido o motivo da escolha da creche que recebeu o pequeno príncipe George, de dois anos, filho do príncipe inglês Williame da duquesa Kate Middleton, foi desenvolvido pela médica italiana Maria Montessori em virtude de sua experiência com crianças com necessidades especiais. 
De acordo com Saleh (2017), há três princípios básicos que caracterizam o método montessoriano:
· “Educação para a paz: o que não significa um pacifismo subserviente, mas ativo, da construção de um cidadão que participe da sociedade e que trabalhe com foco no bem-estar comum. A escola montessoriana não se preocupa apenas em dar conhecimento, mas em como esse conhecimento vai ser utilizado na sociedade.”
· Educação é ciência: a pedagogia deve se basear em preceitos científicos capazes de respeitar as leis do desenvolvimento da criança e suas fases evolutivas.
· Educação cósmica: o respeito à estreita relação entre a natureza e a sociedade humana, mantendo a harmonia da vida. É um princípio relacionado à espiritualidade, mas sem nenhuma conexão religiosa.”
A criadora defende um princípio fundamental na aplicação do método: o conceito da autoeducação. “É a criança quem define seu próprio ritmo de aprendizagem, ou seja, é ela quem diz quando está pronta para o próximo passo. Como? Tendo à sua disposição diversos materiais que vão se tornando cada vez mais complexos à medida que ela demonstra interesse.” (Saleh, 2017).
Outra regra que estimula a autoeducação é possuir ambientes que propiciem a aprendizagem e a vivência. Os objetos de apoio ao ensino são separados por temas (linguagem, matemática e materiais sensoriais, por exemplo) em estantes, separadas por nível de dificuldade. Os níveis são identificados de acordo com a posição nas estantes (esquerda para a direita, como na leitura ocidental) e a altura em relação à criança – apesar de todos os materiais estarem disponíveis até a altura das crianças, para que fiquem sempre disponíveis de forma organizada. Na prática, quanto mais à esquerda e mais alto, mais fácil é o material de ser usado pela criança; quanto mais à direita e mais baixo, mais difícil. Nesse caso, o projeto arquitetônico ganha especial destaque para viabilizar o ambiente ideal para a aprendizagem.
Na escola ou creche montessoriana, as salas são desenhadas na medida das crianças: cadeiras, mesas e demais mobiliário do tamanho dos pequenos; espaços amplos, amenos e luminosos e demais funções dentro do ambiente considerando a faixa etária da sala.
Além dessas premissas, adotam-se também um currículo multidisciplinar, mesclando matérias diferentes no mesmo momento de ensino, e a divisão em grupos com crianças de diferentes idades. 
Os professores devem atuar como observadores conscientes, destinados a guiar os alunos sempre que necessário com atitudes recheadas de empatia, humildade e carinho. 
“A chave deste método educativo consiste em deixar que a criança escolha as atividades que mais a atraem e se concentre ao máximo em cada tarefa, de modo que assim aprenda e consiga fazer coisas importantes. A criança deve divertir-se e ser feliz com o que descobre e aprende diariamente graças à sua curiosidade.” (Portal ‘O meu bebê’).
Compreendendo o conceito moderno de creche e sua função social e coletiva e o método montessoriano como grande qualificador da educação das crianças a partir de alguns meses de idade, as necessidades arquitetônicas para projetar o equipamento público creche serão baseadas no método aqui apresentado.
5. ESTUDO DE CASOS
Para embasamento das proposições do meu projeto, procurei por referências arquitetônicas local, nacional e internacional de creches, de preferência em funcionamento. O intuito é entender o que funciona, como funciona e como foram resolvidas as preocupações comuns em um projeto arquitetônico: iluminação, ventilação, sustentabilidade, uso da topografia, localização, tamanho, configuração dos espaços e usos, recursos na vizinhança, dentre outras. 
Usaram-se três creches como base: uma em São Paulo/SP, outra no Canadá e a última em Brasília/DF.
a. Creche Marina Crespi – São Paulo/SP
Fig. 10 – Creche Marina Crespi
Fonte: www.portaldamooca.com.br
Projeto de Arquitetura: Giovanni Batista Bianchi
Localização: Bairro da Mooca, São Paulo/SP
Ano de inauguração: 1936
A creche Maria Crespi, localizada no bairro da Mooca em São Paulo/SP, foi inaugurada em 1936 a partir do projeto do arquiteto italiano Giovanni Batista Bianchi. 
Inicialmente idealizada para ser a creche da indústria Cotonifício Crespi na década de 1930, ficou conhecida como “Nido” (ninho em italiano) e foi construída na Rua João Antônio de Oliveira, sempre utilizando a forma de ensino preconizada pelo método Maria Montessori. 
Análise projetual
A edificação é baseada em delgadas colunas, faixa horizontais de tijolos e delineados por alvenaria com amplas janelas, tijolos aparentes e argamassa raspada como revestimento, muito diferente dos projetos arquitetônicos brasileiros da época, o que levou até mesmo a vários jornais da cidade o criticar publicamente por suposto “modernismo radical”.
No projeto, o prédio possuía três pavimentos, dentre eles o terraço descoberto em parte do 2º. Andar, que foi coberto anos depois em virtude da necessidade de ampliação do espaço para criação de novas salas, o que não comprometeu o projeto original. Sua planta é em forma de “J” e é organizada longitudinalmente por um eixo central, correspondente aos corredores, que separam as salas. Na extremidade esquerda, possui três corpos semi-circulares salientes. O acesso principal é marcado por uma escadaria dupla.
Histórico
O prédio da Creche Condessa Marina Crespi, além de manter a sua função original desde a inauguração, também abrigou a Associação Montessori do Brasil (de 1969 a 1997), sendo uma das instituições pioneiras na aplicação do método Montessori. No século XXI passou a ser utilizado como creche da prefeitura e sede da Fundação Ninho Jardim Condessa Marina Regoli Crespi. 
Em meados do mês de junho de 2010, teve início o processo de sua demolição. Entretanto, em dezembro de 2017, o COMPRESP – Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo aprovou, por unanimidade, o tombamento do edifício.
Em seu parecer, a relatora Adriana Ramalho justificou a aprovação com a seguinte argumentação : “De arquitetura singular e com traços modernizadores para o período das primeiras décadas do século XX em relação ao que vinha sendo produzido em São Paulo e no Brasil. Mesmo tendo sofrido alterações parciais ao longo dos anos, o edifício manteve os principais traços do projeto original do arquiteto italiano Giovani Bianchi. Além da arquitetura em si, o imóvel tem uma representatividade histórica no que tange ao processo de democratização do ensino a partir da década de 1930. Em que pese o pano de fundo que pautava a educação pré-escolar da época, uma espécie de “projeto civilizatório” das camadas mais pobres da população, a creche é símbolo também do crescente processo de industrialização da cidade, aumento do operariado feminino, a multiplicação de escolas e redução das taxas de analfabetismo”
Implantação e relação com o entorno urbano
A Creche Marina Crespi é uma das construções que compunham o complexo fabril do Cotonifício Crespi, juntamente como o edifício industrial, a vila operária e o estádio de futebol (atualmente do Juventus), todos ainda existentes. Esse complexo foi idealizado pelo empresário Jorge Street que, em 1912, comprou todo o terreno para iniciar a construção da Fábrica e da Vila Operária Maria Zélia. 
Fig. 11 - Vila Maria Zélia
Fonte: http://www.preservasp.org.br/
Fig. 12 - Vila Operária Maria Zélia – distribuição dos imóveis
Fonte: http://www.saopauloantiga.com.br/vilamariazelia/
Os edifícios que faziam parte do complexo industrial e de seus equipamentos não estavam concentrados, mas ficam separados pelas ruas do loteamento. Isto se torna mais fácil de entender se compararmos com a configuração espacial da Cia. Nacional da Juta e da vila Maria Zélia, contemporânea ao Cotonifício Crespi. Na Cia. Nacional da Juta, a vila e os demais equipamentos, como escola, igreja, armazém,etc, estavam conjugados com o terreno da fábrica e foram construídos todos ao mesmo tempo, seguindo um projeto arquitetônico e pode-se até dizer, urbanístico, e no caso do Cotonifício Crespi, os equipamentos estão dispersos e foram construídos em datas e períodos distintos.
b. Creche da SFU Univercity – Canadá
Fig. 13 – Creche da SFU Univercity
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-131869/creche-da-sfu-univercity-slash-hcma
Projeto de Arquitetura: HCMA Architecture + Design (Vancouver, Canadá)
Localização: Burnaby, BC, Canadá
Ano do projeto: 2012
Área: 530 m²
Análise projetual
A creche de UniverCity está localizada no centro da Simon Fraser University, comunidade de alta densidade e sustentável de UniverCity. A unidade abriga 50 crianças de 3 a 5 anos. O edifício dispõe de dois "centros" com espaços separados e serviços para 2 grupos de 25 crianças, assim como um espaço "comunitário" para o uso compartilhado e interação entre os dois grupos. Além dos 9 funcionários do SFU Childcare Society, a creche também hospeda pesquisadores acadêmicos da Simon Fraser University que utilizam a unidade como um laboratorio vivo para observar e conduzir estudos inéditos sobre educação infantil.
Implantação e relação com o entorno urbano
Fig. 14 - Cidade Universitária da Universidade Simon Fraser – mapa e vista de satélite
Fonte: Google Earth
O edifício está localizado na cidade universitária da Universidade Simon Fraser na cidade de Burnaby, na costa oeste do Canadá. A edificação é composta por um bloco dividido em dois espaços e serviços para atender 25 crianças cada, além de um espaço destinado à convivência entre os dois grupos. 
Na cidade e em seus arredores encontra-se supermercado, museu, academia, restaurante, livraria, área residencial e parques ecológicos.
Análise ambiental: Conforto ambiental 
O projeto foi desenvolvido com o mínimo de impacto na natureza: um sistema de coleta de águas pluviais para uso do edifício e um sistema de aquecimento solar de água foram instalados no edifício. 
Fig. 15 - Sistema de captação de águas pluviais
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-131869/creche-da-sfu-univercity-slash-hcma
Fig. 16 - Sistema de aquecimento solar de água
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/01-131869/creche-da-sfu-univercity-slash-hcma
Materiais e sistema construtivo
Foi utilizado um sistema construtivo utilizando metal, vidro, madeira e concreto. Prezando pela sustentabilidade, materiais sustentáveis encontrados no local foram utilizados na construção.
c. Escola Infantil Maria Montessori – Brasília/DF
A escola é especializada em educação materno-infantil há mais de 40 anos. Ela atende cerca de 450 crianças de três meses a cinco anos de idade. Possui dois pavimentos: no inferior funciona o berçário e no superior funciona a educação infantil. A escola matricula crianças em horário parcial ou integral, funcionando de 07h até 19h.
A escola foi projetada para que as crianças tivessem interação com as crianças de outras idades, estimulada por grandes áreas livres como playground, carrossel e trenzinho e áreas verdes.
A escola utiliza a metodologia da pedagoga italiana Maria Montessori, no qual os princípios básicos são o respeito à individualidade e a escolha pelas crianças das atividades que ela prefere realizar. Os professores, diferentes das escolas de ensino tradicional, se posicionam como observadores, interferindo no trabalho das crianças quando percebe alguma dificuldade ou quando é solicitado.
Os princípios dessa metodologia criam preocupações específicas quanto ao projeto arquitetônico, pois seus ambientes estão preparados para atender as necessidades da metodologia e das crianças.
Fig. 17 – Fachada Escola Maria Montessori
Fonte: www.escolamontessori.com.br
Fig. 18 - Playgroud (área interna)
Fonte: www.escolamontessori.com.br
Setorização e organização 
O ensino infantil é composto por quatro edifícios básicos. Na entrada do primeiro edifício se localiza a área de atendimento aos pais, a diretoria, a secretaria e a administração, e a sala dos professores no segundo pavimento.
O primeiro edifício construído, por conta da época da construção, não possui padrões de acessibilidade, por isso a previsão de reformas estruturantes, mas recebe atualmente atividades extras como judô e balé no primeiro pavimento,e no segundo as salas de aula do 1º. ano do ensino fundamental. Ao lado do prédio há a quadra de esportes.
O segundo prédio abriga o jardim de infância, recebendo as salas de aula das crianças de cinco anos no térreo e de seis anos no segundo pavimento.
No último e maior prédio encontra-se o almoxarifado, o refeitório e a cozinha de funcionários, de um lado do prédio, e no outro se encontram as salas do maternal, sendo no térreo as salas das crianças de dois anos e no segundo pavimento as de três anos de idade.
Materiais e sistema construtivo
A estrutura dos prédios, novos e antigo, são feitos de concreto armado com alvenaria.
Localização: SGAS 913, Conjunto A, próximo à entrada do Parque da Cidade Dona Sarah Kubstcheck - Brasília/DF
6. DIAGNÓSTICO DO TERRENO E ENTORNO
O terreno escolhido para implantação da creche está localizado na Região Administrativa do Itapoã (RA XXVIII), setor Del Lago, a cerca de 35 km do centro de Brasília/DF. O terreno está situado na Área Especial III conforme prevê o DIUR da RA do Itapoã, destinando essa área do grupo III para uso institucional. Nos seus limites existente áreas destinadas para uso residencial e comercial.
Fig. 19 – Localização do Itapõa no Distrito Federal
Fonte: Google Earth (editado pela autora – 2018)
Fig. 20 – Localização do terreno no Itapoã
Fonte: Google Earth (editado pela autora – 2018)
A edificações no entorno do terreno são de uso habitacional e de atividades comerciais de pequenos e médios portes, onde se encontram mercadinhos, lanchonetes, sacolões, açougues, lojinhas de roupas e de brinquedos, etc. Na frente do terreno existe uma edificação inacabada conhecida como “Vila Olímpica”. No lado direito está o prédio do Conselho Tutelar. Não foram encontradas sistemas de abastecimento de água, esgoto, galerias e águas pluviais, sinalização nas vias ou asfalto, o que demonstra a precariedade da infraestrutura nas redondezas do terreno.
Fig. 21 – Localização do terreno no Itapoã
Fonte: Google Earth (editado pela autora – 2018)
a. Histórico do Itapoã
A área onde foi criada a região administrativa do Itapoã era antes da RA de Sobradinho, apesar de estar muito mais próxima da RA do Paranoá. Essa área foi inicialmente invadida, aproveitando a falta de medidas de desestímulo por parte do Governo do Distrito Federal. Com o seu crescimento e impactos urbanos, o GDF, para poder atender oficialmente a população ali instalada, criou em 3 de janeiro de 2005 uma nova RA nessa área, a vigésima oitava no Distrito Federal, batizando-a de Itapoã.
“Atualmente o Itapoã conta com uma biblioteca pública, três escolas, um Centro Comunitário, três Pontos de Encontro Comunitário(PEC), quadras poliesportivas, quadra coberta com campo sintético, um centro de saúde, um Conselho Comunitário de Segurança, dois postos de segurança comunitária, um restaurante comunitário e um Centro de Referência de Assistência Social. Além disso, está prevista a construção da Vila Olímpica do Itapoã.” (Anuário do DF, 2018).
Hierarquia Viária
Fig. 22 – Hierarquia Viária
Fonte: SICAD (alterado pela autora – 2018)
O terreno está situado na Área Especial III, quadra 50, Del Lago, área destinada para o grupo III - uso institucional, como hoje e creches.
A localização do terreno permite diversos acessos, inclusive por vias de sentido duplo, sendo que apenas uma delas possui asfalto. As demais vias carecem de infraestrutura. Por conta disso, os moradores e usuários das redondezas desse terreno sofrem com lama no período chuvoso e poeira intensa no período seco. A proposta de edificação incluirá a urbanização e a implementação de toda a infraestrutura necessária para as redondezas, como a pavimentação de ruas e a arborização do lado oestepara filtrar os ventos. As árvores terão dupla utilidade: filtrar os ventos e fazer o sombreamento da área que fica exposta ao sol durante todo o dia.
b. Mobiliário e Equipamentos Urbanos
Os equipamentos urbanos próximos ao terreno são:
· academia pública;
· playground infantil;
· estacionamento público;
· ponto de ônibus;
· Tribunal Regional Eleitoral – 2ª. zona eleitoral.
Porém, existe também a Vila Olímpica, que está inacabada e, portanto, sem possibilidade de utilização da população.Todas as redondezas do terreno precisam de infraestrutura básica, como asfalto, sistemas de água e esgoto, calçadas, sinalização nas vias, entre outros.
Fig. 23 – Vila Olímpica inacabada
Fonte: Google Earth (editado pela autora – 2018)
Fig. 24 – Estacionamento público
Fonte: Google Earth (editado pela autora – 2018)
Fig. 25 – Tribunal Regional Eleitoral – 2ª. zona eleitoral
Fonte: Google Earth (editado pela autora – 2018)
Fig. 26 – Academia pública e playgroud
Fonte: Google Earth (editado pela autora – 2018)
c. Mapa de uso do solo
Fig. 26 – Mapa de uso do solo
Fonte: Sicad (editado pela autora – 2018)
A ocupação irregular resultou em inúmeros problemas, tendo como um dos maiores a localização da área institucional, pois a mesma está em local de difícil acesso
No seu entorno, existem escolas, o tribunal eleitoral, vila olímpica (inacabada), conselho tutelar do Itapoá, as quadras residenciais e comerciai, playgroud e academia pública.
Como a creche será inserida em uma área institucional, onde o seu entorno apresenta uma grande área residencial, a proposta é de trabalhar com paredes mais espessas, quadra de esportes coberta e uso de vegetação para proteção contra a incidência solar.
d. Mapa de gabarito
Fig. 27 – Mapa de gabarito
Fonte: Sicad (editado pela autora – 2018)
A RA Itapoã, apesar de ainda estar passando por um processo de regularização, já possui um plano diretor e normas que delimitam as alturas prediais permitidas de cada setor. Na análise de gabarito das edificaões do entorno do terreno, verificou-se a predominância de edificações de até dois pavimentos. A tipologia das edificações residenciais na vizinhança apresentam edificações simples e sem acabamento.
e. Mapa de topografia
Fig. 28 – Mapa de topografia
Fonte: Sicad (editado pela autora – 2018)
Fig. 29 – Perfil do nível do terreno do Leste em direção ao Oeste
Fonte: Geo Portal/SEGETH
O terreno possui dimensões de 105,3 x 71,6 metros, totalizando 7.539 m². Ele apresenta uma geometria retangular e em sua topografia verifica-se que há um pequeno desnível que ocorre a partir do norte em direção ao sul do terreno. A ilustração acima demonstra os desníveis a cada metro.
O terreno não apresenta um declive considerável a ponto de produzir empoçamentos nos períodos chuvosos, já que o terreno é relativamente grande. Isso justifica a falta de necessidade de se elevar a edificação em relação ao nível da rua.
7. ASPECTOS BIOCLIMÁTICOS
O Distrito Federal possui o clima Tropical de Altitude, caracterizado por apresentar invernos secos e verões chuvosos e bastante úmidos. 
A temperatura média anual varia entre 18º e 22º C. A umidade relativa do ar varia em média entre 21% no inverno a 70% no verão. No verão, as chuvas podem variar de 1.000 mm/ano a 1.800 mm/ano. Os meses de chuvas mais intensas são dezembro e janeiro, e os meses de precipitações mais constantes são de outubro a abril. As frentes frias presentes no inverno brasiliense provocam a inversão térmica com períodos de baixa umidade, dificultando o conforto de quem possui ou sofre com alergias respiratórias.
O projeto é pensado de uma forma que gere um conforto ambiental para os alunos e funcionários, utilizando paredes mais espessas para manter a temperatura mais agradável e sem muita oscilação durante o dia e a noite, bem como aproveitar a ventilação cruzada nos ambientes para melhor circulação dos ventos.
Fig. 30 – Dados climáticos no DF
Fonte: Projeteee
Fig. 31 – Gráfico de chuva no DF
Fonte: Projeteee
Fig. 32 – Gráfico de temperatura e zona de conforto no DF
Fonte: Projeteee
Fig. 33 – Gráfico de umidade relativa no DF
Fonte:Projeteee
8. BIOCLIMATISMO
A NBR-15220 discorre sobre o desempenho técnico das edificações, na qual classifica Brasília como zona bioclimática 04. Na norma diz que é necessário tratar as edificações com sombreamentos durante todo o ano nas aberturas, emprego de paredes espessas e colocação de cobertura leve e isolamento térmico.
a. Estratégias de condicionamentos 
Segundo a NBR-15220, se fazem necessários o resfriamento evaporativo no verão e a inércia térmica para o resfriamento, utilizando a ventilação seletiva nos períodos quentes, onde a temperatura externa seja superior à interna. Já no período de inverno se faz necessário o aquecimento da edificação através de aberturas que proporcionem a entrada de luz solar no ambiente.
b. Análise de insolação
 Para o estudo da implantação do projeto, foram analisadas as fachadas norte, sul, leste e oeste para análise da insolação do terreno. 
Fig. 34 – Insolação fachada leste
Fonte: SolAr 2017
Fig. 34 - Insolação Fachada Leste
Fonte: Sol-Ar 2018 
A fachada leste recebe incidência solar no solstício e verão entre 05h38 e 11h3, e no solstício de inverno entre 06h27 e 12h48.
Fig. 35 - Insolação Fachada Oeste
Fonte: Sol-Ar 2018
A fachada oeste é a que mais recebe radiação solar no período vespertino, já que não há nenhuma edificação ou árvores que lhe projetem sombra. A fachada oeste recebe incidência solar no solstício de verão entre 12h00 e 18h30, e no solstício de inverno entre 12h40 e 17h45
Desta forma, a preocupação com a insolação nos momentos mais quentes e diretos do dia requer a instalação de brises para proteção solar no ambiente.
Fig. 36 - Insolação Fachada Norte
Fonte: Sol-Ar 2018
. 
Há incidência solar somente no solstício de inverno na fachada norte, o que ocorre entre 06h27 e 17h48. Desta forma, a insolação desta fachada sugere o uso de brises no projeto da creche. 
 Fig. 37 - Insolação Fachada Sul
Fonte: Sol-Ar 2018
A fachada sul recebe incidência solar apenas no solstício de verão, entre 05h30 e 13h00. No solstício de inverno não há incidência solar direta nesta fachada.
9. REFERÊNCIAS
ADORNI, D.S. Da Educação Infantil ao Ensino Fundamental: o desempenho da
criança na aquisição da leitura e da escrita e as práticas educativas nestes dois níveis do ensino básico. Araraquara, 2001. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista.
BACH & PERANZONI, Eliane Loreni e Vaneza Cauduro. A história da Educação Infantil no Brasil: fatos e uma realidade. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires - Año 19 - Nº 192 - Maio de 2014. http://www.efdeportes.com/efd192/a-historia-da-educacao-infantil-no-brasil.htm Acesso em 04/09/2018.
CODEPLAN - COMPANHIA DE PLANEJAMENTO DO DISTRITO FEDERAL. Brasília Metropolitana. Brasília, 2017. blob:http://brasiliametropolitana.codeplan.df.gov.br/5c383c3c-5adb-4414-a2f7-0593776f3ab9. Acesso em 28/08/2018
CAVICCHIA, Durlei de Carvalho. O desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida. https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/224/1/01d11t01.pdf. Acessado em 12/09/2018.
DIDONET, Vital. Creche: a que veio, para onde vai. In: Educação Infantil: a creche, um bom começo. Aberto/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, Brasília, v.18, n. 73, 2001, p.11-28.
FURTADO, Michelle Abreu. Concepções de creche em artigos acadêmicos publicados nos periódicos nacionais A1 e A2 da área da educação. Dissertação de mestrado. Universidade de Brasília, Faculdade de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, 2014.
HADDAD, L. A creche em busca de identidade. São Paulo: Loyola, 1991.
OLIVEIRA, Zilma de Moraes (et. al.). Creches: crianças, faz de conta & cia. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1992.
PORTAL O MEU BEBÊ. Porque é que a escola Montessori é a educação que está na moda? https://www.omeubebe.com/criancas/educacao-psicologia-crianca/escola-montessori. Acesso em 12/09/2018
PORTAL EDUCA MAIS CRECHEESCOLA MONTESSORI. Organização das turmas montessorianas. https://www.educamaismontessori.com/programacao. Acesso em 12/09/2018
ROSEMBERG, Fúlvia (org.). Creche. São Paulo/SP. Cortez Editora, 1989.
RUIZ, Jucilene Souza. O surgimento da creche: uma construção social e histórica. 2011. Disponível em: https://pt.slideshare.net/Johnnykpn/o-surgimento-da-creche. Acesso em 28 de agosto de 2018.
SALÉH, Naíma. Escola Montessori: tudo o que você precisa saber. https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Escola/noticia/2016/01/escola-montessori-tudo-o-que-voce-precisa-saber.html. Acesso em 12/09/2018.
SPADA, Ana Corina Machado. Processo de criação das primeiras creches brasileiras e seu impacto sobre a educação infantil de zero a três anos. Revista Científica Eletrônica de Pedagogia, ed. no. 5, - ISSN 1678-300X , Janeiro/2005.
PORTAL WIKIPEDIA. https://pt.wikipedia.org/wiki/Creche. Acesso em 12/09/2018.
 
Teses:
BEZERRA, Rowilso Borges. Creche sócioeducativa. Unip – Brasília, 2014
BRANDINO, Hannah. Arquitetura Infantil: a creche como ambiente de formação. Unip – Brasília, 2015
SILVA, Evanilton Sabino da. Estudo sobre creche pública e a inserção na cidade do Paranoá-DF. Unip – Brasília, 2017.
Sites Consultados:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/10.119/3473
https://www.archdaily.com.br/br/01-131869/creche-da-sfu-univercity-slash-hcma
http://www.portaldamooca.com.br/compresp-aprova-tombamento-da-creche-marina-crespi/
http://www.itapoa.df.gov.br/
http://www.anuariododf.com.br/regioes-administrativas/ra-xxviii-itapoa/
Figura 05 - Berçário em processo de eliminação de berços. As crianças passaram a ter mais liberdade e puderam vivenciar novas experiências, explorando o espaço do berçário.
Figura 04 - Berçário da Creche Rogacionista em 1999. O espaço era repleto de berços e as crianças passavam o dia inteiro dentro deles.
Figura 03 - Infantário. Esse tipo de parque, extremamente opressivo, foi usado nas creches antigas na França.
Figura 06 - Creche Municipal São Miguel Arcanjo, em Madureira, RJ.
Figura 07 - Creche Comunitária Santino, Uberlândia, MG.
Figura 8 - Dra. Maria Montessori
(1870-1952)
Figura 1: Responsabilidade pelo domicílio por sexo e por região administrativa no DF
Fonte: Codeplan - Pesquisa de Amostra de Domicílios 2015
Figura 2: Freqüência em escolas regulares – crianças de 0 a 4 anos no Itapoã
Fonte: Codeplan - Pesquisa de Amostra de Domicílios 2015
Figura 9 – Creches e escolas montessorianas

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